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COREIA DO NORTE

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À MÁ FILA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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AGÊNCIA NA HERANÇA

BREXIT

MAS NÃO TANTO ÚLTIMA

hojemacau

A ubiquidade de Ho Depois de ter deixado o lugar de Chefe do Executivo, Edmund Ho marcou sempre presença na vida política de Macau de uma forma discreta, sem se intrometer nas questões internas do Governo. O HM analisa a omnipresença política de Ho depois da mais recente visita a Lisboa, onde reuniu com entidades-chave da economia portuguesa na qualidade de vice-presidente da CCPPC. GRANDE PLANO

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SEGUNDA-FEIRA 9 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4088

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

É

tid o como carismático, “um político sofisticado”, “inteligente”, que percebe o lugar que ocupa e como o deve fazer. Edmund Ho deixou de ser Chefe do Executivo da RAEM em 2009, mas a verdade é que não mais parou de estar ligado ao território que governou durante dez anos. Desde 2010 que o faz na qualidade de vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), cargo para o qual foi reeleito em Março deste ano. Além de ter marcado presença nas cerimónias de celebração dos 15 anos de criação do Fórum Macau, estabelecido em 2003, Edmund Ho esteve em Portugal no mês passado, liderando uma comitiva que reuniu com entidades chave da economia portuguesa, como é o caso do Banco de Portugal e Bolsa de Valores de Lisboa. Isto numa altura em que se fala do desenvolvimento do sector financeiro em Macau, no âmbito do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Na capital portuguesa, Edmund Ho reuniu com o primeiro-ministro português, António Costa, e Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros. Analistas encaram o papel do ex-Chefe do Executivo como um actor político que opera nos bastidores, a quem a China recorre para melhorar as suas relações diplomáticas com Portugal e os restantes países de língua portuguesa, dados os seus conhecimentos. Não interfere nas políticas locais, mas está atento e tem uma ligação próxima à capital chinesa. “É uma personalidade importante para acompanhar os assuntos da RAEM, não propriamente em Macau mas em Pequim, onde tem excelentes relações e é um conselheiro objectivamente ouvido sempre que há orientações do presidente Xi Jinping e do Governo Central em relação a Macau”, defendeuArnaldo Gonçalves, especialista em ciência política e relações internacionais e ex-assessor do Governo. A última visita oficial protagonizada por Edmund Ho foi, por isso, mais uma cartada diplomática da China relativamente ao importante posicionamento de Portugal. Pequim “vê Portugal com um papel muito importante nas relações com os países de língua portuguesa, e percebe que não chega Macau para fazer essa triangulação. Portugal criou a CPLP, tem as relações históricas com esses países. Macau tem um papel importante mas limitado, dada a sua pequenez, a limitação de recursos e o afastamento geográfico em relação a esses países, à excepção de Timor-Leste”. Neste sentido, Edmundo Ho serviu de peça-chave para “estimular as relações” entre os dois países. Na visão de Arnaldo Gon-

ANÁLISE

O DOM DA

PAPEL DE EDMUND HO NA VIDA POLÍTICA DE MACAU ENQUANTO

“Talvez o Gabinete de Ligação esteja mais ligado aos assuntos internos de Macau do que propriamente Edmund Ho. Pelo que sei, ele tem tido muito cuidado em não se envolver, porque sabe que não é a coisa certa a fazer neste momento, é um político muito sofisticado.” CAMÕES TAM ANALISTA POLÍTICO

RUI RASQUINHO

Saiu do lugar de Chefe do Executivo em 2009, mas nunca deixou de estar presente na vida política de Macau. Edmund Ho não se intromete nas questões internas do Governo liderado por Chui Sai On, mas a última visita que realizou a Portugal mostra que está atento aos temas que vão marcar o futuro da RAEM. Analistas dizem que é o papel que, por ora, lhe cabe na qualidade de vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, lugar que poderá ser de Chui Sai On após 2019

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çalves, há aspectos que também contribuem para a importância que o ex-Chefe do Executivo ainda tem neste campo, sendo eles a sua personalidade, “a amizade que tem com várias pessoas ligadas ao Partido Socialista [actualmente

no Governo português] e outros quadros portugueses de destaque”. Camões Tam, analista político, considera que o papel que Edmund Ho tem vindo a desempenhar nos últimos anos “é normal” na qualidade de vice-presidente da CCPPC, além deste “ter a responsabilidade de ser o representante da China para lidar com assuntos externos com outros países”. “Nos últimos dez anos, pelo que tenho observado, Edmund Ho tem estado mais ligado aos assuntos que ligam China e Portugal, tem a responsabilidade de ajudar a China a resolver os problemas que surjam com os países de língua portuguesa”, lembrou Camões Tam, que acrescentou que este assunto não


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OMNIPRESENCA ´ VICE-PRESIDENTE DA CCPPC

compete à figura que lidera o cargo de Chefe do Executivo da RAEM. “O actual Chefe do Executivo não tem nenhum poder para lidar com este dossier, não está sequer incluído nos poderes de que dispõe à luz da Lei Básica. Então não podemos afirmar que o ex-Chefe do Executivo ainda tem alguma influência nos assuntos políticos internos de Macau, porque só participa nos assuntos externos da China, sobretudo ligados a Portugal”, frisou o analista.

GABINETE DE LIGAÇÃO MAIS ATENTO

Para Camões Tam, há outra entidade que estará mais próxima dos assuntos da Administração. O académico retrata Ho como “uma pessoa muito inteligente e que tem tido muito cuidado para não interferir em certas questões, sobretudo se dizem respeito a assuntos internos de Macau”. “Talvez o Gabinete de Ligação esteja mais ligado aos assuntos internos de Macau do que propriamente Edmund Ho. Pelo que sei, ele tem tido muito cuidado em não se envolver, porque sabe que não é a coisa certa a fazer neste momento, é um político muito sofisticado”, acrescentou. Na perspectiva de Bill Chou, especialista em ciência política e docente da Universidade Chinesa de Hong Kong, a visita que Edmund Ho fez a Lisboa, em Junho,

“não terá quaisquer implicações significativas para Macau”. “Do exemplo que temos com o primeiro Chefe do Executivo de Hong Kong, Tung Chee-Hwa, que teve uma posição de mediador entre a China e os Estados Unidos, ao estabelecer uma fundação para as relações entre os dois países, penso que Edmund Ho poderá ter um papel semelhante para a China, devido às suas ligações com Lisboa”, referiu ao HM.

“É uma personalidade importante para acompanhar os assuntos da RAEM, não propriamente em Macau mas sim em Pequim, onde tem excelentes relações e é um conselheiro objectivamente ouvido sempre que há orientações do presidente Xi Jinping e do Governo Central em relação a Macau.” ARNALDO GONÇALVES ACADÉMICO

Rita Santos, actual conselheira das Comunidades Portuguesas e ex-secretária-geral adjunta do Fórum Macau, é alguém que está habituada a cruzar-se com Edmund Ho em viagens oficiais desde que este é vice-presidente da CCPPC. “Estas visitas são importantes porque também é importante ele aparecer nesta fase do campeonato tendo em conta as políticas de Macau, porque ele tem estado a acompanhar a evolução política sobretudo no que diz respeito ao papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. Foi ele que criou o Fórum Macau em 2003, e é normal que siga a evolução dessa plataforma”, defende a conselheira. Neste tipo de visitas oficiais, seja em Portugal ou em qualquer outro país de língua portuguesa, “qualquer dirigente chinês é importante”. “O Gabinete de Ligação também participa nessas actividades. Não vejo uma interferência dele nos assuntos mas a sua presença serve para elevar a posição de Macau.”

CHUI SAI ON É O PRÓXIMO

O actual posicionamento político de Edmund Ho explica-se também pelo papel que a própria CCPPC tem, uma vez que é um órgão de consulta do Governo Central e do Partido Comunista Chinês. Arnaldo Gonçalves lembra que foi um órgão que nasceu “aquando da revolução de 1949, para criar uma certa consensualização política com as personalidades que não eram comunistas”. “No período de Jiang Zemin houve uma abertura do país ao capitalismo e a empresários e esse órgão foi potenciado para incluir pessoas que, na linguagem comunista, não são operários, não são da vanguarda da revolução, mas sim seus amigos, e que por isso não podem ser comunistas dada a sua origem social e classe. Nos últimos anos a CCPPC passou a ser usado como forma de passagem, através dos ex-Chefes do Executivo, das políticas do Governo Central para Hong

Kong e Macau. Tung Chee-Hwa e Edmund Ho tiveram esse papel”, explicou Arnaldo Gonçalves. Para o académico, a CCPPC é uma espécie de “gaiola dourada para antigos Chefes do Executivo”, e uma possibilidade de futuro para Chui Sai On depois de deixar o cargo de Chefe do Executivo. “A posição de Edmund Ho nunca foi muito clara, porque é um dos muitos vice-presidentes do organismo. Pareceu-me sempre uma figura muito baça, muito institucional, muito apagada, porque sempre olhei para aquilo como

“Penso que Chui Sai On será apontado como o próximo vice-presidente [da CCPPC]. Isto significa que Pequim consegue, assim, prevenir uma especulação desnecessária quanto ao estatuto de Chui Sai On e à política de Pequim para Macau.” BILL CHOU PROFESSOR DA UNIVERSIDADE CHINESA DE HONG KONG

uma gaiola dourada para reunir os antigos Chefe do Executivo. Prevejo que depois de 2019 Chui Sai On vá ser também vice-presidente da CCPPC, a menos que haja uma tragédia.” Essa tragédia aconteceu a Donald Tsang, ex-Chefe do Executivo de Hong Kong, quando foi condenado a 20 meses de prisão por conduta indevida durante o período em que liderou o Governo da RAEHK. Também Bill Chou acredita que o próximo passo político de Chui Sai On será a vice-presidência da CCPPC. “Penso que Chui Sai On será apontado como o próximo vice-presidente. Isto significa que Pequim consegue, assim, prevenir uma especulação desnecessária quanto ao estatuto de Chui Sai On e à política de Pequim para Macau”, frisou. Camões Tam revela uma postura bem mais cautelosa face ao futuro de Chui Sai On depois de sair do Governo. “Tudo dependerá da decisão de Xi Jinping. [Chui Sai On] Talvez tenha alguma influência junto dos líderes do Governo Central, mas a decisão final será sempre de Xi Jinping. Só no próximo ano é que poderemos perceber, com maior clareza, qual será o próximo Chefe do Executivo de Macau”, lembrou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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IMOBILIÁRIO ELLA LEI QUER ESCRITURAS DE FRACÇÕES DE HABITAÇÃO ECONÓMICA ASSINADAS

Longa se torna a espera já vivem nas casas económicas há quatro anos, desde meados de 2014 mas, até agora, ainda não têm as escrituras formalizadas”, lê-se na interpelação da deputada dirigida ao Executivo. Entre as preocupações deste grupo de pessoas está uma possível alteração do agregado familiar que pode ocorrer durante este período de espera e que possa condicionar a elegibilidade das famílias.

De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto da Habitação, no final do mês passado, das 19 mil famílias à espera de habitação económica, 6919 assinaram contrato de promessa de compra e venda e foram emitidas 6528 licenças de habitação. Destas, 6257 finalizaram os procedimentos e assinaram a escritura. Os dados indicam que a grande maioria dos proprietários já tem a escritura concluída. No entanto, para Lei não se

justifica que ainda existam pessoas à espera, a não ser que as casas estejam a ser alvo de alterações. Neste sentido, a deputada exige ao Governo que finalize os procedimentos de assinatura de escritura o quanto antes e que cumpra com as suas obrigações.

POLÉMICA ANTIGA

Em Maio do ano passado, um relatório do Comissariado contra

HOJE MACAU

Os processos foram entregues em 2013 e as casas no ano seguinte, mas até agora ainda há residentes sem escritura assinada. Ella Lei pede ao Executivo para finalizar os procedimentos relativos à habitação económicas do edifício Ip Heng o mais breve possível

U

M grupo de moradores dos apartamentos de habitação económica do edifício Ip Heng ainda não tem a escritura das suas casas assinada depois de quatro anos a viver nas fracções que lhes foram atribuídas para venda pelo Governo. De acordo com a deputada Ella Lei a demora está a preocupar a população o que a leva a pedir ao Governo que avance com os procedimentos necessários. “O processo de candidatura teve lugar em 2013, os habitantes

O

deputado eleito pela via indirecta, Lei Chan U, quer que o Governo esclareça se o prazo apontado para a abertura da quarta ligação entre a península de Macau e a Taipa continua com data de funcionamento prevista para 2020, tal como foi apontado nas Linhas de Acção Governativa de 2017 e de 2018. De acordo com a interpelação escrita pelo tribuno, as três vias que ligam a Taipa à península não são suficientes. “Com o rápido desenvolvimento da economia local, da sociedade e a crescente número de habitantes nos últimos anos, o número de veículos entre a península de Macau e as

a Corrupção (CCAC) criticava o Instituto de Habitação (IH) por ter indeferido pedidos de candidatos à habitação económica para excluir do agregado familiar os cônjuges, muitos com casa própria. A investigação foi motivada por queixas de promitentes-compradores e na sequência de uma mudança na prática do IH que, em última instância, pode fazer com que deixem de reunir as condições para ser elegíveis e percam o direito às frações. Segundo o CCAC, desde Fevereiro de 2017, "o IH alterou a sua posição e prática habitual, passando a indeferir pedidos apresentados pelos candidatos que contraíram matrimónio durante a fase de espera para que os cônjuges não façam parte do agregado familiar." A alteração visou contemplar a situação em que "os cônjuges de alguns candidatos possuem habitação própria em Macau" e com vista a "um melhor aproveitamento dos limitados recursos da habitação pública". O organismo anticorrupção entendeu que o IH deve aceitar os referidos pedidos apresentados pelos candidatos, "devendo emitir-lhes o termo de autorização para a celebração da escritura pública de compra e venda das frações de habitação económica quando as demais condições legais estejam reunidas". O CCAC reconheceu, no entanto, que se um candidato casar durante o período de espera por uma fracção e o cônjuge tiver habitação própria e não fizer parte do agregado familiar, "isso certamente afecta a distribuição razoável das habitações públicas". Neste âmbito, defendeu que o regime "deve ser aperfeiçoado em tempo útil", para que "os recursos da habitação pública sejam aproveitados de forma justa, razoável e eficiente".

Ella Lei, deputada “O processo de candidatura teve lugar em 2013, os habitantes já vivem nas casas económicas há quatro anos, desde meados de 2014 mas, até agora, ainda não têm as escrituras formalizadas.”

Ponte à distância

Lei Chan U quer saber se quarta ligação está pronta em 2020

ilhas aumentou e as três pontes marítimas existentes estão sobrecarregadas há muito tempo”, lê-se no documento. Dadas as circunstâncias, o deputado aponta que a população “anseia” pela entrada em funcionamento de uma quarta via de modo a aliviar o trânsito. “A quarta ponte de travessia marítima é uma parte importante da construção do sistema global de transportes de Macau no futuro” refere.

Ao problema de escoamento do trânsito acrescem ainda os naturais congestionamento que se esperam após a abertura da ilha artificial que recebe a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

PROJECTOS INVISÍVEIS

O relatório do estudo de viabilidade do projecto para construção da quarta ponte foi concluído em Novembro de 2016 e em Julho do ano passado o Governo Central exigiu pesquisas adicionais sobre

as condições de segurança na infra-estrutura. De acordo com Lei Chan U, já foi apresentado o relatório com as alterações requeridas que foi aprovado por Pequim no passado mês de Abril. No entanto, a dois anos da data prevista de entrada em funcionamento da quarta ligação entre Macau e as ilhas, o projecto ainda se encontra em fase preliminar de produção o que, de acordo com o deputado, está a levar a população a duvidar se o Governo consegue manter a promessa. Na opinião de Lei Chan U, eleito pelo sector do trabalho, se a construção da quarta ponte não avançar, os problemas de tráfego vão continuar a piorar. S.M.M.

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Residência Deputado reitera necessidade de fiscalização

Mais rigor, padrões rígidos e claros e um mecanismo de fiscalização e supervisão dos procedimentos dos pedidos de residência por investimento ou por cargo de técnico especializado são os pedidos do deputado Leong Sun Iok ao Executivo. Ainda na sequência do relatório divulgado na semana passada pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC) que denunciava vários casos fraudulentos de atribuição de residência pelo Instituto de

Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), o deputado admite a necessidade tanto de técnicos especializados como de investimento no território. Leong concorda com a atribuição de residência por estes dois motivos, no entanto os processos têm de ser legais e os procedimentos não podem admitir falhas. Para o efeito, o deputado reitera o pedido que tem sido apresentado por outros colegas legisladores: o Executivo tem de estabelecer medidas claras e criar um mecanismo de fiscalização que acompanhe os pedidos de residência de modo a não admitir fraudes.


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A

3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) reuniu na sexta-feira para analisar a proposta de lei que regula a actividade das agências de emprego. De acordo com o deputado que preside à comissão, Vong Hin Fai, há preocupações do hemiciclo relativamente à forma como será transmitida a licença da agência em caso de morte do seu titular, uma vez que, no caso dos herdeiros serem funcionários públicos, não poderão operacionalizar uma agência de emprego. Há também

O

ministro da Cultura de Portugal, Luís Castro Mendes, manifestou a disponibilidade do Governo português para aprofundar as relações culturais com a China, destacando "as mais valias" que a diversidade cultural pode oferecer aos dois países. Luís Castro Mendes discursava na inauguração do "Fórum Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa", um conjunto de seminários de intercâmbio e o principal motivo da visita oficial de dois dias a Macau que terminou sábado. "Os resultados [deste fórum] irão permitir reforçar a relação especial da China com a língua por-

“Temos de respeitar o direito de sucessão. Se o pai é o titular da licença terá de ser examinada a idoneidade do herdeiro, porque este pode não reunir condições e pode haver a perda da licença. Se o herdeiro for funcionário público, não pode usufruir do direito de sucessão.”

AGÊNCIAS DE EMPREGO AL PREOCUPADA COM LICENÇAS EM CASO DE MORTE

Em nome do pai

VONG HIN FAI

a necessidade, aos olhos da lei, do novo titular da licença da agência ter “idoneidade moral”. “Este caso pode acontecer no caso de ocorrer a morte de um dos sócios ou de um titular. Alertamos o Governo para a necessidade de prestar atenção a isto, pois um falecimento é uma questão muito complexa”, disse Vong Hin Fai.  Os deputados estão preocupados com questões práticas como, por exemplo, se a burocracia associada à transmissão da licença deve ser feita antes ou depois da morte do seu titular. Mas não só.

“Temos de respeitar o direito de sucessão. Se o pai é o titular da licença terá de ser examinada a idoneidade do herdeiro, porque este pode não reunir condições e pode haver a perda da licença. Se o herdeiro for funcionário público, não pode usufruir do direito de sucessão. O Governo prometeu fazer estudos sobre esta questão e disse que no novo texto de trabalho vai tentar resolver isto”, adiantou Vong Hin Fai. Os deputados levantaram também a questão da necessidade de pagamento a dobrar das taxas caso a licença chegue ao fim do prazo

Um encontro feliz

ou seja cancelada, estando em causa uma situação de injustiça. “O cancelamento de uma licença de agências de emprego não confere o direito a ter o reembolso das taxas pagas. A maioria dos membros da comissão prestou atenção a este assunto, porque, caso a caducidade ou o cancelamento da licença não se puderem imputar ao titular da licença, as taxas serão ou não devolvidas?”, apontou o presidente da comissão.

período de renovação da licença, uma vez que os deputados pretenderam saber qual o estatuto da empresa quando a sua licença chega ao fim mas o processo junto da Administração ainda está em curso. Esta questão está ausente do diploma em análise na AL. O Governo garantiu que, enquanto a agência de emprego aguarda pela renovação do documento, não pode abrir portas. “Segundo a proposta de lei, os agentes devem apresentar um pedido de renovação da licença 45 a 90 dias antes do seu fim. Fora deste prazo há que pagar uma multa, e de acordo com a proposta de lei é o dobro do valor da taxa inicial. No caso do titular da licença apresentar o pedido de renovação da licença no último dia, o que vai acontecer à agência?. Ele tem o direito a renovar e paga o dobro, mas, e no dia seguinte? Isto porque o Governo precisa de tempo para aprovar a renovação da licença”, frisou Vong Hin Fai.

AGÊNCIAS EM SUSPENSO

Ministro da cultura português quer aprofundar relações com a China

tuguesa e com as culturas que são transmitidas pela língua portuguesa em todo o mundo", sublinhou. No caso de Portugal, "é incomensurável o potencial ainda por explorar no quadro das excelentes relações históricas com a China", países que celebram, em 2019, quatro décadas de relações diplomáticas. Na sexta-feira, o ministro afirmou que Xi Jinping vai estar em Lisboa no início de Dezembro, numa antecipação do 'ano da China em

Portugal'. Neste sentido, o Governo português "está disponível para promover o aprofundamento das relações culturais" com os homólogos chineses, "procurando estabelecer pontos de diálogo entre Estados e povos”, disse.

NOUTRO PATAMAR

Por sua vez, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, considerou que o intercâmbio cultural também eleva "a outro patamar" as coope-

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Outro ponto que ficou definido no encontro prende-se com o

GCS

Os deputados estão preocupados com a forma de transmissão da licença de funcionamento de uma agência de emprego no caso de falecimento do seu titular, uma vez que o herdeiro pode não reunir condições para continuar essas funções. Governo prometeu estudar a matéria e fazer alterações na proposta de lei de actividade das agências de emprego

rações multilaterais entre a China e os países lusófonos em áreas como o "turismo, comércio e investimento".

De acordo com o responsável, Macau vai facultar aos países lusófonos "oportunidades de estudo,

formação e estágios destinados aos profissionais na área turística, de convenções e exposições". No campo do ensino, Alexis Tam também garantiu aumentar as bolsas de estudo, "tanto para os estudantes lusófonos que aprendem chinês", mas também para "os alunos chineses que aprendem português". O fórum cultural sino-lusófono é um dos quatro eventos da primeira edição do "Festival de Artes e Cultura entre a China e os países de Língua Portuguesa", um 'novo capítulo' no intercâmbio cultural entre estes países, na opinião do Instituto Cultural (IC), que organiza o certame.


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GCS

SAÚDE ANULADAS MAIS DE MIL PRESCRIÇÕES DE MEDICAMENTOS

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Chan Tak Seng apela a outra atitude por parte do Executivo. Pede que sejam mobilizados meios necessários para a conclusão da investigação e solicita apoio económico aos familiares das vítimas

EXPLOSÃO ASSOCIAÇÃO AFIRMA QUE FAMÍLIA DE VÍTIMA MORTAL SE QUEIXA DE FALTA DE APOIO

Para ficar na fotografia

A família da vítima mortal da explosão num restaurante na Areia Preta queixa-se de falta de apoio por parte do Governo. Quem o diz é o vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng que se reuniu com os pais da vítima duas vezes. De acordo com o responsável, as visitas do Governo foram só para tirar fotografias

O

S familiares da vítima mortal da explosão que ocorreu na semana passada num restaurante na Areia Preta revelam que não têm tido qualquer apoio por parte do Governo. A denúncia é feita pelo vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng ao Jornal do Cidadão em que o responsável refere que “na sequência da explosão do restaurante ao lado do Edifício Pak Lei, o Governo só enviou um representante do Instituto de Acção Social (IAS) para comunicar com a família da vítima sem ter prestado qualquer apoio”. Chan Tak Seng apela a que o Executivo mude de atitude e pede que sejam mobilizados os meios necessários para a conclusão da investigação do incidente, que alegadamente teve origem numa fuga de gás. Além disso, dirigente associativo solicita o apoio económico aos familiares. O responsável pela Aliança de Povo de Instituição de Macau revelou ainda que desde os acontecimentos do passado dia 3 de Julho, já

visitou pessoalmente os pais da vítima mortal por duas vezes e sublinha a necessidade de apoio económico. Chan Tak Seng explicou que se tratam de pessoas que perderam a capacidade de trabalho por motivos de doença e actualmente apenas contam com o filho para contribuir para a economia familiar.

OLHA O PASSARINHO

O responsável considera que após a ocorrência da explosão, as visitas do Chefe do Executivo, Chui Sai On e dos secretários do Governo serviram apenas para tirar fotos em frente do edifício e não para prestar condolências à família enlutada.

Entretanto, a investigação que se encontra a decorrer não tem qualquer data para terminar, uma situação que interfere com o funeral da vítima que não pode ser realizado até que o processo seja concluído. De acordo com responsável, “a família está descontente por não receber nenhum apoio por parte do Governo” e Chan exige que o Executivo divulgue o resultado da investigação o mais rápido possível.

EXPLOSÃO FATAL

No passado dia 3 de Julho uma explosão num restaurante na zona da Areia Preta causou pelo menos

SAÚDE PÚBLICA MAUS CHEIROS DEVIDO A COMIDA ESTRAGADA

D

e acordo com um comunicado da Polícia de Segurança Pública (PSP), depois da explosão que ocorreu no restaurante na Areia Preta,

surgiram maus cheiros na zona provenientes de comida estragada que se encontrava armazenada nos frigoríficos. Segundo o canal chinês da Rádio

Macau, o Executivo já removeu os frigoríficos do restaurante e esterilizou a área de modo a que não efecte a saúde pública.

seis feridos, três homens e três mulheres, de acordo com informação da PSP. O sinistro ocorreu por volta das 21h45. O acidente que aconteceu num restaurante no Edifício Pak Lei, terá tido na sua origem uma fuga de gás. Um dos feridos teve de ser retirado dos escombros, onde tinha ficado preso após a explosão, que causou vários danos. Outro dos sinistrados ficou deitado na via pública em cima de vidros. De acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), a vítima mortal tinha 34 anos e faleceu “devido a lesões graves nos órgãos e fracturas, também graves”. Depois da explosão, o chefe substituto do departamento de segurança dos combustíveis do Corpo de Bombeiros (CB) Lam Chon Sang, apontou “Fórum Macau” da TDM que vai exigir a instalação de detectores de fuga de gás equipados com alrme sonoro nos restaurantes locais.

S Serviços de Saúde revelaram que 1238 pessoas tinham prescrições para os medicamentos para a redução da pressão arterial que foram retirados do mercado, por ordem das autoridades. De acordo com o canal de rádio da TDM, o número diz respeito aos centros de saúde e ao Centro Hospitalar Conde São Januário. Em causa, estão seis medicamentos das marcas Valtensin e Valsartan. No sábado, os Serviços de Saúde revelaram que o principal ingrediente nestes fármacos - impureza de valsartan - excede o padrão, pelo que os importadores foram instruídos para proceder à recolha de todos os lotes dos medicamentos. Num comunicado ontem divulgado, os serviços liderados por Lei Chi Ion afirmam que foi, de imediato, activado um plano de contingência. Até ao momento, foram contactadas com sucesso 970 pessoas. Todos os afectados devem trocar os medicamentos durante a próxima semana, refere a mesma fonte. A ideia era que os pacientes pudessem começar a receber os fármacos substitutos já a partir de hoje, mas “um problema de escassez levou a que os medicamentos sejam apenas fornecidos a partir de quarta-feira”. O levantamento estende-se até sexta-feira, podendo ser efectuado nos centros de saúde ou no serviço de consulta externa de 24 horas do Conde São Januário, locais onde, dizem os Serviços de Saúde, vai haver “uma via verde” para o efeito. As autoridades deixam ainda uma recomendação: os pacientes devem tomar os actuais medicamentos prescritos de acordo com a receita médica antes de receberem novos medicamentos, “não podendo de qualquer maneira suspender a administração por sua vontade”.


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O tal canal Governo garante que canal centenário vai ser preservado

C

OM as obras no sistema de drenagem a decorrer na Avenida de Almeida Ribeiro, há cidadãos que estão preocupados com possíveis danos do canal centenário que recentemente ficou exposto devido às obras. De acordo com o Jornal do Cidadão, a vice-presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, afirmou que o canal não pertence ao património cultural e apenas se situa na zona de protecção do património cultural, sendo que, após a conclusão das obras, o canal vai continuar a existir sem danificações. Questionada se o valor histórico desta estrutura vai ser afectado depois do canal voltar a ser coberto, a responsável salientou que “nesta fase é preciso tratar primeiro do problema das águas na Avenida de Almeida Ribeiro”, tendo reiterado que não tem qualquer opinião em relação às obras que estão a decorrer. De acordo com o Jornal Tribuna de Macau, citando a informação divulgada pela publicação “All About Macau”, as obras na Avenida Almeida Ribeiro puseram a descoberto um canal de pedra com cerca de 100 anos, composto por uma vala de pedra e uma abóbada em tijolo burro. Segundo as mesmas informações, outras abóbodas do género já tinham sido removidas devido a distintos projectos de engenharia. No entanto, a estrutura do canal em pedra continua intacta.

CANÍDROMO OITO ASSOCIAÇÕES CONTRA ENVIO DE GALGOS PARA O INTERIOR DA CHINA

O grupo das insurgentes Nem mais um cão para o outro lado da fronteira. Com a aproximação da data de encerramento do Canídromo, a 21 de Julho, são cada vez mais as associações que vêm a público pedir que o Governo arranje uma solução para o problema e que os galgos não sejam enviados para o Continente

O

ITO associações de protecção dos direitos dos animais juntaram-se para pedir ao Governo que impeça que os galgos do Canídromo sejam levados para o Interior da China. Numa conferência de imprensa realizada ontem, que contou com a presença do deputado Sulu Sou, as associações sublinharam também a necessidade de esterilizar os animais para impedir que sejam utilizados apenas para procriação. “Estamos muito preocupados com a possibilidade dos cães irem para o Interior da China. O envio de galgos para o Continente não é uma solução nem deveria estar a ser considerado. No Interior da China não há uma protecção total dos direitos dos animais, há festivais para comer cães, há lutas ilegais, entre outras situações “, disse Xenia Estorninho, voluntária da Long Long Animals Asylum Home, ao HM.

“Se os cães forem para o Interior da China vai ser um pesadelo. Todos sabemos isso. É desta maneira que Macau trata os animais? Não devíamos estar apenas a pensar no dinheiro quando lidamos com esta questão”, acrescentou. Na conferência de imprensa estiveram representantes de sete das oito associações, incluindo da Associação Protectora para os Cães Vadios de Macau, Long Long Volunteers Group, Associação de Protecção aos Animais Abandonados de Macau, Long Long Animals Asylum Home, Dandelion Animal Protect Association Macau, Macau Animal Welfare Association e Macao Volunteer Association of Furry that wish a family — Furmily. As associações enviaram ainda cartas para o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), a 6 de Julho, a pedir que os cães não sejam enviados para o outro

lado da fronteira e que o Governo se empenhe para encontrar outra solução que respeite o espírito da lei de protecção de animais. “Não se percebe toda esta situação. O Canídromo já sabia que ia ter de encerrar há cerca de três anos. Mas estão a lidar com tudo à presa, mesmo os dias de adopção foram feitos à pressa. Não se percebe como é que lidam com esta questão de forma tão pouco séria”, considerou ainda a voluntária.

QUANTO MAIS FALA...

O deputado Sulu Sou foi um dos presentes na ocasião e também juntou a voz aos que estão preocupados com os destinos dos galgos. “A empresa Yat Yuen teve mais de dois anos para preparar o plano para o futuro dos galgos e o que se está a passar é consequência da falta de acção deles. O IACM já devia ter definido um plano, uma vez que o da empresa não

foi aprovado, com uma solução” disse Sulu Sou, ao HM. “O Governo tem de assumir as suas responsabilidades. Na minha perspectiva o IACM devia manter os galgos, dentro do Canídromo, depois de 21 de Julho até encontrar uma solução. Mas claro que a empresa devia pagar as despesas”, frisou. Sulu Sou criticou igualmente a postura evasiva de Angela Leong, directora executiva da empresa responsável pelos Galgos. Na sexta-feira, na Assembleia Legislativa, a deputada tinha dito que não queria responder a perguntas sobre o Canídromo porque levantam “questões inoportunas”. “É normal que [Angela Leong] não responda às dúvidas que existem porque sempre que fala, as pessoas ficam ainda mais confusas com a posição da empresa Yat Yuen”, atirou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

RESTOS DE HISTÓRIA

Segundo a mesma fonte, os dados indicam que, em 1903, a Administração do território propôs a construção de uma avenida entre o Porto Interior e o centro da cidade, incluindo a adição de um canal de drenagem de esgotos subterrâneos. A Avenida de Almeida Ribeiro seria inaugurada em 1920 e o canal em 1918. Um comunicado do IACM, citado pelo “All About Macau”, indica que o canal tem mais de 90 anos e a estrada é usada há mais de 30 anos, sofrendo diferentes níveis de danos, aos quais se adicionam a forte pressão rodoviária, pelo que são necessárias obras de reparação.

Sulu Sou, deputado “É normal que [Angela Leong] não responda às dúvidas que existem porque sempre que fala, as pessoas ficam ainda mais confusas com a posição da empresa Yat Yuen.”


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9.7.2018 segunda-feira

Japão Confirmados mais de 70 mortos provocados por chuvas torrenciais

Li Keqiang, primeiro-ministro chinês “Queremos ter uma Europa unida e estável que seja nossa parceira num mundo multipolar, espero que continuemos a desfrutar de sucesso e paz juntos”

COMÉRCIO PEQUIM QUER APROFUNDAR RELAÇÕES COM EUROPA E FORTALECER UE

O jogo das cadeiras A China propôs no sábado aos líderes de 16 países da Europa central e de leste o aprofundamento das relações comerciais, assegurando que Pequim não procura dividir a União Europeia (UE), que considera um aliado fundamental. A aproximação política e económica de Pequim aos mercados europeus aproveita as relações tremidas entre Washington e os países do velho continente

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primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, participou no sábado na capital búlgara na chamada cimeira 16+1, entre Pequim e países da Europa central e de leste, uma reunião anual que em edições passadas suscitou suspeitas de Bruxelas. A China prometeu nestes encontros investimentos milionários em projectos de infra-estruturas na região, como parte da estratégia

“New Silk Routes” (novas rotas da seda), de criação de novos mercados de exportação. O primeiro-ministro, cujo país precisa do apoio da União Europeia (UE) nas suas “batalhas” comerciais com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sublinhou o apoio da China à integração europeia e ao respeito pelas normas comunitárias. O responsável salientou que aqueles que pensam que Pequim procura dividir e en-

fraquecer a UE estão enganados. “Queremos ter uma Europa unida e estável que seja nossa parceira num mundo multipolar, espero que continuemos a desfrutar de sucesso e paz juntos”, disse Li aos jornalistas antes do encerramento da reunião, acrescentando: “Acreditamos que nos podemos complementar”.

VENTOS DE LESTE

O líder chinês afirmou também que a China considera positivo que

mais Estados da Europa de leste entrem para a UE. Aos jornalistas disse ainda que a China vai abrir mais o mercado para importar produtos da região e assim impulsionar o desenvolvimento da Europa oriental. A China reuniu-se em Sófia com líderes de 16 Estados da região, dos quais 11 fazem parte da UE. Embora o investimento da China na região seja inferior a 4 por cento do total, aumentou significativamente nos últimos anos e Pequim também concedeu empréstimos para modernizar antigas infra-estruturas, como estradas e caminhos de ferro. O primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, anfitrião da reunião, corroborou que o objectivo não é dividir a UE mas ajudar a Europa de leste e os Balcãs a modernizarem-se.

TAILÂNDIA XI PEDE REFORÇO NAS BUSCAS DE 23 TURISTAS DESAPARECIDOS

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Presidente chinês pediu no sábado que seja feitos todos os esforços possíveis nas buscas pelos 23 turistas chineses desaparecidos num naufrágio, ao largo da ilha de Phuket, no sul da Tailândia. De

acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, Xi Jinping pediu também medidas adicionais ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e aos diplomatas chineses na Tailândia. Pelo menos 33 turistas chineses morreram, na

quinta-feira, quando a embarcação em que se encontravam naufragou durante uma tempestade ao largo da costa de Phuket, de acordo com o último balanço das autoridades tailandesas. Ao mesmo tempo, apelou

às autoridades tailandesas para não pouparem esforços na operação de busca, entretanto retomadas esta manhã. Xi pediu ainda às autoridades para alertarem agências de viagens e turistas relativamente aos riscos

que podem correr durante as férias de Verão no país. A embarcação, com 105 pessoas bordo, incluindo 93 turistas, voltou-se e afundou-se ao ser atingida por ondas de cinco metros de altura.

As equipas de emergência japonesas continuam o resgate e busca de dezenas de desaparecidos nas inundações e desabamentos causados pelas chuvas torrenciais que fustigam o sul do país, registando-se já 73 mortos confirmados, segundo o governo nipónico. De acordo com os últimos dados oficiais divulgados pela televisão estatal NHK e citados pela agência EFE, continuam desaparecidas mais de 60 pessoas, temendo-se que o número de mortos aumente, devido à quantidade de vítimas que se encontram em situação de paragem cardio-respiratória. O porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou que foram recebidas mais de uma centena de chamadas alertando para que as chuvas estão a arrastar os automóveis e a provocar outros acidentes. Cerca de 40 helicópteros encontram-se em missões de socorro. A agência meteorológica do Japão indicou que a precipitação ultrapassou um metro de altura após quase uma centena de horas em várias regiões, no valor mais alto desde que estes registos começaram a ser feitos em 1976. A contagem das vítimas tem sido dificultada pelas vastas áreas afectadas por chuvas, inundações e aluimentos de terras. Mais de quatro milhões de habitantes receberam ordens para abandonarem as suas casas, instruções nem sempre respeitadas por, às vezes, ser já impossível ou demasiado perigoso seguir estas ordens. As autoridades alertaram para a ocorrência de aluimentos de terras mesmo depois da diminuição da chuva. As zonas mais atingidas são as prefeituras de Okayama, Hiroshima e Ehime, onde várias pessoas foram encontradas mortas, na sequência de aluimentos de terras e inundações, de acordo com a agência noticiosa japonesa Kyodo. O Japão não vivia um desastre assim desde Agosto de 2014, quando 77 pessoas morreram em Hiroshima devido às chuvas torrenciais.

Filipinas Duterte promete demitir-se se alguém provar existência de Deus

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, desencadeou uma nova polémica no país asiático, de maioria católica, ao prometer demitir-se se alguém provar a existência de Deus. Num discurso proferido na sexta-feira, Rodrigo Duterte questionou alguns fundamentos da fé católica, incluindo o conceito do pecado original, que declarou manchar crianças inocentes e que só pode ser perdoado através do baptismo. "Onde está a lógica de Deus nisto", perguntou o chefe de Estado filipino, de 73 anos. De acordo com a agência noticiosa Associated Press, Duterte declarou que se demitirá imediatamente, se existir "uma única testemunha" que possa provar, talvez com uma fotografia, ter visto e falado com Deus. Na semana passada, Rodrigo Duterte foi criticado por ter chamado "estúpido" a Deus, levando um bispo católico a apelidar o Presidente filipino de "psicopata".


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segunda-feira 9.7.2018

O secretário de Estado norteamericano garantiu ontem, em Tóquio, que as sanções em vigor contra Pyongyang vão continuar até à desnuclearização total da Coreia do Norte. Por seu lado, a diplomacia nortecoreana rejeitou as exigências apresentadas pelos Estados Unidos, que considerou “serem semelhantes às de um ladrão”

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PÓS dois dias de conversações entre Mike Pompeo e responsáveis de Pyongyang, o regime de Kim Jong-un considerou, no sábado à noite, que "os Estados Unidos estão a cometer um erro fatal se consideram que a República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] deve aceitar exigência semelhantes às de um ladrão", advertiram as autoridades, através da agência oficial norte-coreana KCNA. No Japão, à saída de uma reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros japonês, Taro Kono, e sul-coreana, Kang Kyung-wha, Pompeo afirmou que

COREIA DO NORTE SANÇÕES CONTINUAM ATÉ À DESNUCLEARIZAÇÃO TOTAL

Negociar à ladrão

esperava por parte de Washington "medidas construtivas para ajudar a construir confiança" após a cimeira histórica de Junho passado entre os líderes dos dois países, mas a atitude dos Estados Unidos foi “unilateral e forçada”, segundo o mesmo comunicado.

DUAS VERDADES

Pyongyang quer um desarmamento “gradual”, justificando que seria o caminho mais rápido para a desnuclearização da península, já que “rompia com os métodos fracassados do passado”

as sanções vão ser mantidas até uma "desnuclearização completa e totalmente verificável". Para o chefe da diplomacia norte-americana, esta é uma "desnuclearização geral", que engloba todos os tipos de armas. "Os norte-coreanos compreenderam isso, não houve contestação", sublinhou. "Apesar de nos sentirmos encorajados pelos progressos registados nestas conversações, estes avanços não justificam, por si só, uma diminuição do regime de sanções existente", insistiu Mike Pompeo, destacando a importância de controlar a conclusão do processo. "Haverá uma verificação ligada à desnuclearização completa, foi

isso que os Presidentes [Donald] Trump e Kim [Jong-un] acordaram", na cimeira de Singapura, a 12 de Junho, acrescentou.

ACÇÃO & REACÇÃO

Pompeo, que esteve também reunido com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, mostrou-se sereno, apesar da reacção do regime de Kim Jong-un. "O Presidente Trump e eu acreditamos que estes esforços para a paz valem a pena", reiterou. A Coreia do Norte classificou ontem como “extremamente lamentável” a atitude dos Estados Unidos durante as conversações mantidas estes dias em Pyongyang com o chefe da diplomacia norte-

-americana, Mike Pompeo, sobre a desnuclearização do regime norte-coreano. Num comunicado, citado pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap, o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano denunciou igualmente o que caracterizou de “exigências gananciosas” por parte de Washington. “A atitude norte-americana e as posições assumidas durante as conversações de alto nível na sexta-feira e sábado foram extremamente lamentáveis", indicou a nota da diplomacia norte-coreana. Após dois dias de conversações, que tinham como objectivo acordar um plano concreto de desnuclearização, Pyongyang

TAILÂNDIA CONFIRMADO RESGATE DE QUATRO CRIANÇAS PRESAS EM GRUTA

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líder das operações de resgate do grupo preso numa gruta na Tailândia confirmou ontem que quatro das 12 crianças foram resgatadas, afirmando que a operação estaria temporariamente suspensa até à manhã de hoje. O responsável e governador da região de Chiang Rai (onde fica localizada a gruta), Narongsak Osottanakorn, falava numa conferência de imprensa realizada no hospital para onde foram transportados os menores salvos até ao momento. Segundo o governador, as equipas de resgate precisavam de pelo menos dez horas para preparar a próxima etapa da operação. “Está

a ser mais bem-sucedido do que eu esperava. Todas as pessoas estão felizes”, declarou o governador, citado pelos 'media' internacionais. Cinquenta mergulhadores estrangeiros e 40 mergulhadores tailandeses estão envolvidos na operação de resgate. Cada criança está a ser escoltada por dois mergulhadores. No interior da gruta, na localização original, ainda permanecem oito menores e o treinador de futebol das crianças. A operação de retirada dos 12 jovens, com idades entre os 11 e os 16 anos, e do seu treinador de futebol, de 25 anos, presos numa gruta inundada no norte da Tailândia há 15 dias, começou ontem.

A posição norte-coreana contrasta com as declarações também proferidas pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que considerou como "muito produtivas” as conversações mantidas estes dias sobre o programa nuclear de Pyongyang. “São questões complexas, mas realizámos progressos em quase todas as questões centrais, em algumas fizemos muitos progressos, noutras ainda há trabalho a fazer", afirmou Pompeo, no final das conversações em Pyongyang e antes de prosseguir viagem até Tóquio, mas sem adiantar mais pormenores. "O trabalho que conseguimos na via da desnuclearização completa, estabelecendo uma relação entre dois países, é vital para uma Coreia do Norte mais radiosa e para o sucesso que os nossos Presidentes exigem de nós", prosseguiu o secretário de Estado norte-americano. No comunicado divulgado no fim-de-semana, a diplomacia da Coreia do Norte referiu que o regime de Pyongyang reiterou o pedido para um desarmamento “gradual”, justificando que esse seria o caminho mais rápido para conseguir a desnuclearização da península coreana, uma vez que “rompia corajosamente com os métodos fracassados do passado”. Também rejeitou as exigências apresentadas pelos Estados Unidos, que considerou “serem semelhantes às de um ladrão” e contrárias “ao espírito da cimeira” ocorrida no mês passado em Singapura entre os líderes norte-americano e norte-coreano, Donald Trump e Kim Jon-un.


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9.7.2018 segunda-feira

São vários os espaços em Macau que acolhem “Alter Ego”, o projecto composto por seis exposições e uma intervenção de arte urbana que reune 27 artistas de Portugal, países lusófonos e da China

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LTER Ego” é o conjunto de seis exposições colectivas distribuidas por diversos espaços em Macau e que conta com a curadoria de Pauline Foessel e Alexandre Farto. O fio que liga as seis exposições é uma “reflexão sobre o ser humano”, daí o conceito que dá nome à mostra, ‘alter ego’, “o segundo eu”, explicou a francesa Pauline Foessel, curadora da mostra com o artista português Alexandre Farto (Vhils), em declarações à agência Lusa. Apesar de serem seis exposições diferentes, com artistas diferentes, PUB

“idealmente o público deve visitar todas”. Entre os trabalhos expostos há “pintura, instalação, serigrafia, escultura”, estando algumas peças “ainda em produção, porque estão a ser feitas no local, são ‘site specific’”, referiu Alexandre Farto. “Há muita diversidade de meios e isso também vem do facto de se juntarem aqui 27 artistas, cada um com o seu percurso, o seu trabalho”, disse. Apesar disso, acrescentou Pauline Foessel, “há diálogo e interligação entre o trabalho dos artistas”.

DO EU AO OUTRO

A ‘rota’ das exposições começa com “O Eu”, que estará

Assembleia de o EXPOSIÇÃO “ALTER EGO” PATENTE ATÉ 9 DE SETEMBRO

patente no Museu de Arte de Macau, “que é basicamente ‘eu tenho que me conhecer para começar a conhecer o outro’”, descreveu Pauline Foessel.

Aqui estarão expostas obras do são-tomense Herberto Smith, da dupla de portugueses João Ó & Rita Machado, do chinês Li Hon-

gbo, do moçambicano Mauro Pinto, de Vhils e do artista de Hong Kong Wing Shya. De “O Eu”, segue-se para “O Outro”, partindo da pre-

missa de que “para existir preciso do outro”. Esta exposição, que reúne trabalhos do guineense Abdel Queta Tavares, da macaense Ann Hoi, do


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olhares

cabo-verdiano Fidel Évora, dos portugueses Estúdio Pedrita e Ricardo Gritto, dos timorenses TonyAmaral e Xisto Soares, do chinês Zhang Dali e do artista

de Hong Kong Yiu Chi Leung, estará patente no Edifício do Antigo Tribunal. Na terceira exposição, “Da Linguagem à Viagem”

passa-se “à interação - entre mim e alguém preciso de linguagem --, com uma dupla de artistas [o brasileiro Marcelo Cidade e o angolano Yonamine] a refletir sobre esse conceito”. Na quarta exposição, que estará patente na Galeria de Exposições Temporárias do IACM, dá-se o “Choque Cultural”, que “pode acontecer nas trocas e nas viagens, por diferenças culturais”. Aqui será possível apreciar-se obras do moçambicano Gonçalo Mabunda, dos angolanos Kiluanji Kia Henda e Nástio e do português Miguel Januário. “Depois disso passamos à ‘Globalização’ [patente nas Casas de Taipa], o conceito mais abrangente que surgiu de todas as interações entre os diferentes países”, contou Pauline Foessel. Aqui estarão expostos trabalhos do brasileiro Guilherme Gafi e da portuguesa Wasted Rita. A sexta e última exposição, patente nas Oficinais Navais n.º1 -- Centro de Arte Contemporânea, foi baptizada com o nome da mostra. “Alter Ego” e é uma exposição

Marceneiro revisitado Camané vence prémio para melhor disco

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AMANÉ, com o disco “Camané canta Marceneiro”, é o vencedor do Prémio Manuel Simões para Melhor Disco de Fado. Criado em Março último pela Fundação Manuel Simões, no âmbito das comemorações do centenário do editor discográfico homónimo, o galardão tem periodicidade anual e visa distinguir exclusivamente a melhor edição discográfica de fado do ano civil anterior ao da entrega do prémio, refere um comunicado da Fundação aquando da instituição do prémio. Na acta, a que a agência Lusa teve acesso, o júri refere ter ponderado a “mestria interpretativa” de Camané, que “resgatou cuidadosamente um dos repertórios emblemáticos do fado” , de um dos seus “mais carismáticos intérpretes” – Alfredo Marceneiro –, sem se deixar confundir ou seguir o modelo, mas antes recriando, propondo o seu próprio registo. Para o júri, Camané fez uma “interpretação iluminada” de um dos repertórios matriciais do fado, numa “equação excelente com o acompanhamento instrumental”. O álbum “evidencia a faceta artesanal e de afetos, património indissociável do fado”, e Camané, “figura absolutamente maior do panorama fadista”, fá-lo “de

uma forma natural, sem artifícios nem recursos exógenos, antes na suprema simplicidade fadista, da qual é mestre”.

UMA INTERPRETAÇÃO PLENA

“Plena”, é como o júri qualifica a interpretação de Camané no álbum em que recria o repertório de Marceneiro e no qual “se revelam todas as notas musicais, a emoção, a capacidade de encontrar a

individual do luso-angolano Francisco Vidal.

ARTE NA RUA

Além das seis exposições dentro de portas, “Alter Ego” conta também com uma intervenção de arte urbana, “transportando os temas explorados no espaço museológico para a esfera pública”, da autoria do português Add Fuel. Os curadores, segundo Alexandre Farto, tentaram “reunir um conjunto de trabalhos fortes e que se interligassem uns com outros, porque também é uma oportunidade única de mostrar o trabalho destes artistas em Macau, que é uma porta de entrada para a China e para a Ásia em geral”. “Criar e ganhar espaço para que estes artistas tenham visibilidade”, acrescentou. A mostra “Alter Ego” faz parte da Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa, integrada no Encontro em Macau -- Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, organizado pelo Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau.

musicalidade das palavras e imprimir-lhe um cunho próprio, sem exageros, de forma contida, autêntica e inteira”. Sobre o CD editado em 2017, produzido com produção de José Mário Branco e edição da Warner Music, o júri reconhece ainda em Camané a “validação da tradição”, sem que ”tenha ficado preso a ela”. Ao revisitar o repertório do fadista que criou “A Casa da mariquinhas” e ao ter convidado Carlos do Carmo para participar no CD – com quem canta “A casa da camareira” –, Camané estabelece “uma linguagem artística”, que se traduz na forma como as “sucessivas gerações passam o testemunho e contemporizam o fado, que é sempre novo”. Sem valor pecuniário, o prémio consiste numa estatueta e será entregue numa cerimónia que deverá realizar-se em outubro, acrescentou à Lusa fonte da Fundação. O júri decidiu ainda destacar o mérito das edições discográficas “Amália. Fados´67” e “Amália. Coliseu 1987”, ambos editados pela Valentim de Carvalho, assim como o álbum “Recordar Ana Rosmaninho”, com edição do Lagar da Música, por “resgatarem para a atualidade repertório essencial à tradição e à prática fadista”. Compunham o júri a fadista Julieta Estrela de Castro, a apresentadora de televisão Margarida Mercês de Mello, a responsável do Museu do Fado, Sara Pereira, o realizador de rádio Edgar Canelas e o jornalista Nuno Lopes.

ÓBITO MORREU STEVE DITKO, CRIADOR DO HOMEM ARANHA

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norte-americano Steve Ditko, que criou com Stan Lee o super-herói Homem-Aranha, morreu aos 90 anos em Nova Iorque. As autoridades encontraram o corpo de Ditko, a 29 de Junho passado, no apartamento em Nova Iorque. Famoso entre os admiradores do Homem Aranha (Spider-man), criado em 1962, e também por outras criações no popular universo da editora Marvel, como a personagem Doctor Strange, Ditko manteve-se afastado da ribalta. Nascido a 2 de Novembro de 1927 em Johnston (Pensilvânia), Ditko cumpriu o serviço militar no exército, naAlemanha, após a Segunda Guerra Mundial e, quando regressou aos Estados Unidos, matriculou-se na escola de caricaturistas e ilustradores de Nova Iorque. Desde meados dos anos de 1950 trabalhou para editoras como Charlton Comics e Atlas Comics, percursora da Marvel.

Em 1962, apresentou com Stan Lee a personagem do Homem-Aranha, um jovem com fabulosos poderes adquiridos após a picada de uma aranha, que acabou por se transformar num dos super-heróis mais populares da história da banda desenhada. Ditko também assinou a criação de vilãos das histórias do Homem-Aranha, como Doctor Octopus e Duende Verde, todos retratados no cinema, tal como Doctor Strange. Entre 2002 e 2007, Tobey Maguire foi o Homem-Aranha na trilogia dirigida por Sami Raimi. Em 2012 e 2014, foi a vez de Andrew Garfield ser o super-herói. Em 2017, coube a Tom Holland vestir a pele do protagonista, estando já a ser rodada a sequela, que deverá estreada no próximo ano. De acordo com os meios de comunicação norte-americanos, Ditko nunca casou e não teve filhos.


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EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

: 18/E-OI/2018 :572/OI/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) :Rua Fernão Mendes Pinto n.º 66, EDF. Jardim Lameiras II, lugares de estacionamento n.º 1 e n.º 2 (CRP: C/V1-1, C/V1-2) do parque de estacionamento de veículos na cave 1, Taipa.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados SI CHON KIT, LAM CHI TENG e o dono da obra do local acima indicado, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a obra não autorizada abaixo indicada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal: 1.1

Obra Instalação de chapas de madeira no parque de estacionamento.

2.

Nestas circunstâncias e nos termos dos artigos 52.º, 53.º e 65.º do RGCU, ordena aos infractores que procedam à demolição da obra ilegal referida no ponto 1 e à reposição das partes afectadas de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços ou que apresentem o respectivo projecto de legalização e informa que incorrem em infracção sancionável com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas.

3.

Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados podem apresentar a sua defesa por escrito e as demais provas para se pronunciar sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer diligências complementares, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.

4.

Deste modo, os interessados podem demolir a obra acima indicada por sua iniciativa, mas devem apresentar nesta DSSOPT o respectivo pedido da demolição, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 27 de Junho de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng

Aviso Faz-se público que, por despacho do Exmo. Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Junho de 2018, se acha aberto o concurso, de prestação de provas, para o recrutamento de 35 lugares de trabalhadores provisórios, em regime de contrato individual de trabalho de natureza temporária, por um prazo de contrato não superior a 12 meses, não renovável. O prazo de entrega de candidaturas é compreendido entre o dia 10 e o dia 24 de Julho de 2018. Para mais informações, pode consultar o aviso de recrutamento, disponível no Posto de Atendimento Provisório do FSS no Tap Seac ou no Centro de Serviços da RAEM na Areia Preta, 1.o andar (Área de Segurança Social e Integração Laboral) ou na página electrónica do FSS: www.fss.gov.mo. Fundo de Segurança Social, aos 6 de Julho de 2018 O Presidente do Conselho de Administração Iong Kong Io


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Desvio dos teus ombros o lencol, ´ que é feito de ternura amarrotada Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Da estranheza dos artistas

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IERO di Cosimo (1461-1522) deixou à posteridade obras de grande beleza mas por vezes a sua surpreendente estranheza conduziu à colocação de algumas das suas pinturas num lugar inclassificável na História da pintura Europeia. Quem buscasse saber daquele homem teria que procurar a sua biografia nas palavras das «Vite» de Giorgio Vasari (1511-1574). Mas a descrição de Vasari só contribui para adensar o mistério. O seu carácter é descrito numas quantas frases anedóticas: vivia sozinho e, com medo dos incêndios, ele próprio fazia a sua comida que consistiria sobretudo em ovos cozidos, que cozinhava aos cinquenta de cada vez e ao mesmo tempo que cozia amido para fazer a cola para as tintas. Irritava-se com as moscas, a música de igreja, os gritos das crianças e a tosse dos velhos. Assustava-se com as tempestades. Como acontece por vezes, o ineditismo deste carácter descrito por Vasari despertou a atenção daqueles que procuravam algo de novo e diferente. Foi o que provocou o interesse do movimento dos Românticos do século XIX e dos Surrealistas do século XX. Mas haveria que prestar atenção à novidade da sua pintura onde, se à primeira vista se destaca uma criatividade surpreendente, na minúcia se percebe um olhar quase científico sobre os animais e a natureza. Também era estranho o homem e a sua pintura no caso de Gong Xian (1599?-1689), nome proeminente da chamada «Escola de Nanquim». À sua original pintura de paisagens, corresponde a lenda de um homem que se retirou num protesto silencioso contra a transição dinástica Ming-Qing para viver sozinho num ermitério isolado no campo, dedicado ao seu jardim. Dessa pintura fora do comum mas cujo aspecto insípido provocou a contínua redescoberta ao longo dos anos, ele não tinha ilusões: «ela não tem predecessores nem terá sucessores.» E no entanto, a noção de excentricidade era altamente valorizada nos manuais da pintura tradicional da China. Zheng Ji, por exemplo diz: «Como diziam os Antigos é preferível fazer uma obra incoerente que uma obra banal. Porque os defeitos de grosseria e de vulgaridade são mais criticáveis que o da extravagância.» Havia como que uma abertura para a ocorrência da surpresa. E para ela existia uma dificuldade de classificação. Alguns, já desde o fim da dinastia Tang, a essa classe fora das categorias críticas, designaram-na como «classe natural-espontânea», (yi pin) um nome para o inclassificável, que os autores se apressavam a alertar para o perigo de poder ser excelente ou péssima. Afinal o perigo imanente à liberdade criativa. Na pessoa e na obra de Gong Xian como na vida e trabalhos do florentino Piero di Cosimo, a alegria da invenção de um novo mundo veio com um epíteto: «o estranho».


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 9.7.2018

Amélia Vieira

Cantos de Maldoror

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NTRAMOS agora no ciclo anunciado do «Filho do Homem». Vêm aí os concebidos à nossa imagem e semelhança e não apenas meros utensílios ao serviço do deus que nos autoproclamámos ser. Irão como corpos autónomos firmar a sua própria complexidade que ultrapassará em muito o nosso poder de controle, designadamente a de se autonomizarem na busca de um sucesso do qual pouco ou nada sabemos na generalidade. Pela designação, impõe-se-nos uma outra: «Filhos de Deus», nós, os últimos a serem abarcados na órbita desta imponderabilidade, mas que conseguiram o seu sucesso independente. Somos neste instante o que restou, até de uma secreta ilusão, e não podemos deixar de pensar o que nos separa já dos nossos irmãos, muito pouco tempo atrás, como por exemplo no século XIX. Perante eles, nós podemos até já ser os autodenominados robots por antecipação, na pior das hipóteses seremos designados «Filhos de Ninguém». Vem esta questão a propósito dos «Cantos de Maldoror», de Isadore Ducasse, mais conhecido por Conde de Lautréamont, nascido quase na segunda metade do século XIX, com vida curta e obra imensa. Ora, entre a profunda vacuidade das nossas “obras” no tempo de ninguém e a desta urgência bem arquitectada dos ainda «Filhos de Deus», existe certamente uma grande separação. Reparar, também, que foram vários os de matriz romântica a fazer o percurso sem nenhum fogo fátuo que os pudesse queimar com a harpa afiada do reflexo das suas posteridades, havendo que fazer muito, mais que elaborar. Mas fazer como e com que tecido humano? Com uma consciência que se demarca da nossa inofensiva opinião, e aqui vamos encontrar uma vontade e uma urgência que até pode ser escandalosa, uma força e uma imprudência, um génio galvanizante e assombroso que nos avassala derrubando o nosso tímido inventário. Narrar, é demasiado curto para o propósito aqui exposto, pois que nem todos somos narradores e a narrativa tende para um fim que só os raros narradores já elevados à categoria de grandes romancistas sabe como contornar para que não fique a vaga e triste sensação de um certo marasmo que é a leitura fácil. Tenhamos em linha de conta que de todas as obras esta é certamente a mais difícil, mesmo para aqueles que se emplastram de circunstância e que se adentrem por aqui balbuciando discursos, não teremos capacidade emocional no nosso instante do tempo para filtrar um tal registo.

Entrar por aqui requer nervos de aço, e o autor apela mesmo para o perigo mortal de tal leitura, mas um livro não nos deve interpelar assim e sem medo, protegidos pela longevidade dos incautos, nós vamos buscar a alma que de formas várias nos foi fugindo, e eis-nos no centro de uma fornalha gloriosa. Como disse Jorge de Sena, a obra de Lautréamont é um marco miliário na construção de uma linguagem nova e tão insólita, de força tão estranha, que nos faz desviar o olhar. Apelidado de pré-simbolista, conde (pela autodenominação da distância diante o vagamente anormal ou a prosódica normalidade), ele vai devolver o significado de Homem, baixando-o para lá do natural nessa capacidade que tem para ser monstro, e nem por isso é menos belo ou menos digno de comoção, pois que tudo isto se passa no tempo da memória de uma ferida de amor. Não nos pretende mais altos, mas sabe da tendência para o endeusamento da espécie e com plena ironia blasfemante faz talvez o único épico do século XIX. Haja o que houver, estamos diante de algo que não mais ressuscitará. O limite da nossa Humanidade está todo ele plasmado na escrita, ou seja, naquilo que por ela fomos concebendo de extremamente humano. Daí que qualquer propósito bem intencionado ou até minuciosamente bem escrito, não possa atingir o domínio mortal de um homem VIVO. Sonambulizamos com tantos anos... vamos ganhando a crosta dos batráquios, as paredes do cérebro mantém-se intactas e um certo “bem- estar” cria também monotonia e foi conquistando um certo espaço vital. Temos o sexo “Sexus” que também já não dá resposta absoluta ao trilho da espécie, pois que no dia em que tudo fosse tão normativamente igual, aí teríamos o sinal do fim. E aqui chegámos! Estes livros são a única saída para um abismo a caminho da metamorfose, ou, quiçá, de uma apoteótica desaparição.- E não, não temos medo. Os nossos medos são agora também de outra natureza e não têm em nós expressão, pois que continuamos a pensar nos nossos dias como garante de uma conquista que se eterniza. A nossa realidade já nada tem de princípio natural. Ser real é coisa outra

e os conceitos capturam-nos muito mais do que nós os sabemos desfazer, sendo sem dúvida, e inesperadamente já quem somos mas com saudades destas outras coisas. Quem for encontrado nestes livros passará a primeira prova, quem não for, não voltará. O livro está impregnado de Romantismo, pois que ave aziaga voaria sobre o abismo destas almas? Mas glorioso este voo que nos incita a saber em tempo tão curto coisas de uma intensidade tal, que uma vida, assim, até parece eterna. E os momentos que nos deixam esferas de uma provável imortalidade?! Ele quer que o céu se torne audaz para passarmos estas páginas, e

Como disse Jorge de Sena, a obra de Lautréamont é um marco miliário na construção de uma linguagem nova e tão insólita, de força tão estranha, que nos faz desviar o olhar

que os nossos passos andem para trás... No seu tempo andar para trás seria mais próximo... hoje, para trás é tão longe...! Este livro tem seis Cantos e no fim uma redenção tamanha que ficamos completos: «Poesias» dedicado a muita gente; condiscípulos, amigos futuros, passados e presentes, e até a um professor de retórica. O Fantástico está já distante daquilo que agora conseguimos alcançar «o passado fez brilhantes promessas ao futuro: é há-de cumpri-las. Para polir as minhas frases, utilizarei forçosamente o método natural, retrocedendo até aos selvagens, para que eles me ensinem» Assim está no Canto Sexto. Nenhum vindouro saberá como interpretar o que foi a nossa Humanidade. Do «Filho do Homem» nascerão ainda outros, nós, seremos a parábola, os tais «Filhos de Deus» que nunca vimos, fazendo Cantos para tentar ouvir a sua voz. E só nós soubemos que tinha várias.


16

h

ofício dos ossos Valério Romão

É

9.7.2018 segunda-feira

O peso do braço

frequente ouvirmos louvores acerca do trabalho e dos méritos de quem sobe a pulso na vida com pouco mais do que o suor do rosto. Nem o Cristiano Ronaldo escapa às loas que se tecem sobre o esforço e as suas recompensas. Como o português de César Monteiro, Cristiano Ronaldo não nasceu Cristiano Ronaldo, tornou-se Cristiano Ronaldo. E isso fá-lo ainda mais extraordinário. Melhor que o Messi. Este louvor do trabalho e do sucesso que lhe corresponde ou deve corresponder é uma das pedras basilares da sociedade capitalista. Sem ele e sem a promessa de mobilidade social que lhe está associada, seria difícil manter um sistema de cariz democrático a funcionar sem sobressaltos de maior. As pessoas continuam a ir a jogo porque existe – nem que seja apenas em teoria – a possibilidade de lhes sair a sorte grande. Mas para tal, e para começar, têm de se esforçar. Arduamente. Nos primeiros anos da longa carreira contributiva a que estamos votados, não nos poupamos a esforços. Entusiasmados com a ilusão do caminho glorioso

que se abre à nossa frente, cumprimos diligentemente aquilo que é esperado de nós e mais, muito mais. O credo diz que o esforço há-de ser recompensado. Reparamos nalgumas inconsistências a que damos pouca importância: um tipo que entra para um lugar para o qual não tem currículo adequado ou suficiente, mas que mostra ter uma relação inesperadamente afável com aquele director de departamento que não passa cartucho a ninguém; um aumento concedido àquele sujeito cuja única característica de monta é dizer que sim entusiasticamente a qualquer ideia, por mais trôpega que seja, que os seus superiores atirem para a mesa. Com o tempo, vamos percebendo as minudências pelas quais se rege o jogo empresarial, todo ele muito me-

nos limpo e transparente do que o publicitado. As inconsistências deixam de ser excepções à regra e passam a ser, elas próprias, as normas sub-reptícias que regem o jogo. A competência, o profissionalismo e, sobretudo, o trabalho árduo, ou não são suficientes para assegurar a progressão de carreira antecipada ou são mesmo obstáculos a que tal aconteça. Enquanto isso, vicejam os bajuladores, os atrevidos e, muito especialmente, os chicos-espertos. Damos conta, muitas vezes assaz tarde, de estarmos a viver num mundo ao contrário, um mundo que se descreve a si próprio como um paradigma de justiça e equidade mas que, na verdade, se vive exactamente ao contrário, e damos por nós a pensar em como é que este mundo se aguenta e se tem aguentado du-

Entusiasmados com a ilusão do caminho glorioso que se abre à nossa frente, cumprimos diligentemente aquilo que é esperado de nós e mais, muito mais. O credo diz que o esforço há-de ser recompensado

rante tanto tempo, como é que não só se parece aguentar, com um crescimento económico apenas interrompido por correcções de mercado ou pela inevitável ganância financeira a fazer os seus estragos, como parece florescer malgrado o substrato malsão de que é composto. E damos conta, inevitavelmente, de que esta coisa da meritocracia é uma espécie de Disney – com os seus príncipes e as suas princesas – para adultos. Nesse momento, a juventude e a energia ficaram pelo caminho. E é com isso que o sistema conta: com a nossa ilusão e o nosso vigor de jovens e com a nossa resignação e placidez de velhos. É assim que a máquina funciona e continua a funcionar. Li algures que numa daquelas conferências sobre o futuro da economia mundial e acerca da inteligência artificial e das suas consequências um dos assistentes, um empresário de renome com fábricas um pouco por todo o mundo, interrompeu o orador quando este discursava, empolgado, sobre um futuro livre do baraço do trabalho, um futuro em que cada um estivesse livre de labutar a vida toda a troco de umas migalhas de pão: “e que farão as pessoas sem os seus empregos?”, perguntou, indignado. “Outras coisas”, respondeu o orador, “tudo o que quiserem e que nunca puderam fazer”. “Isso nunca vai acontecer”, contrapôs o empresário. Não, por eles isso nunca vai acontecer.


desporto 17

Ciclismo Amaro Antunes sobe ao quarto lugar na Volta a Sibiu

O português Amaro Antunes subiu ontem ao quarto lugar da Volta a Sibiu em bicicleta, após a vitória da sua equipa, a CCC Sprandi Polkowice, no contrarrelógio por equipas da terceira etapa da corrida romena. O corredor luso enfrentou ontem os 152,8 quilómetros da quarta e última tirada, com partida e chegada em Sibiu, a 1.14 minutos do primeiro classificado, o colombiano Ivan Ramiro Sosa (Androni Giocattoli-Sidermec), que venceu a primeira etapa. A CCC Sprandi Polkowice foi a mais rápida a concluir os 9,6 quilómetros do ‘crono’ por equipas, em 11.26 minutos, menos nove segundos do que a Gazprom-Rusvelo e menos 11 do que a Elkov Author, segunda e terceiras classificadas, respectivamente. No sábado, as condições meteorológicas adversas levaram ao cancelamento da segunda tirada da prova.

Motos Morreu William Dunlop

William Dunlop, piloto de 32 anos, que em 2011 participou no Grande Prémio de Macau, morreu na sexta-feira, na sequência de um acidente na sessão de treinos da prova Skerries 100, na Irlanda. Este foi mais um acidente a assombrar a família Dunlop, depois de Robert, pai de William, ter morrido em 2009, igualmente na sequência de um acidente em prova, desta na feita na North West. Robert tinha sido o vencedor do Grande Prémio de Macau em 1989, na altura aos comandos de uma Honda. A tragédia em família não se fica por aqui, também o tio, Joey Dunlop morreu devido a um acidente em prova no ano de 2000, durante a participação na corrida Pirita-Kose-Kloostrimetsa, na Estónia. Joey tinha alcançado dois pódios em Macau, com um 3.º e 2.º lugares, em 1982 e 1983. William tem ainda um irmão, Michael, que também já competiu no Grande Prémio de Macau, inclusive em 2011.

TIAGO ALCÂNTARA

segunda-feira 9.7.2018

TAÇA PEDRO LOPES ESTREIA-SE NO SPORTING COM VITÓRIA FRENTE AO KA I POR 3-2

Leões seguem em frente O Sporting carimbou a passagem às meias-finais da Taça da Associação de Futebol de Macau com uma vitória por 3-2, diante do Ka I. Também o Benfica consegui o apuramento, com a goleada por 7-0 com o Lai Chi

O

técnico Pedro Lopes estreou-se no comando técnico do Sporting com uma vitória, no sábado à noite, diante do Ka I, por 3-2. No Estádio de Macau, os leões entraram a ganhar, mas deixaram-se empatar 2-2. Contudo, o tento de Jean Peres, aos 68 minutos, permitiu à formação verde e branca colocar-se na frente e carimbar a passagem à próxima fase. “Foi uma estreia que me fez sentir satisfeito. Este resultado é também a continuação do trabalho do Nuno Capela [treinador que deixou o clube na semana passada]. Mantivemos as coisas como tínhamos vindo a trabalhar, não fizemos grandes alterações, apenas

uns pequenos ajustes porque estávamos diante do um adversário complicado e demo-nos bem”, disse Pedro Lopes, treinador do Sporting de Macau, ao HM. “A mudança aconteceu de forma suave e os jogadores não sentiram muito as alterações, até porque esta é uma equipa que já veio a trabalhar junta este ano. Mas senti que os jogadores estavam muito determinados, tranquilos e focados em vencer. A prova disso é que mesmo quando foi o 2-2, a equipa reagiu bem e conseguiu apontar o 3-2”, acrescentou. Logo no primeiro tempo os leões criaram mais oportunidades e chegaram à vantagem por 2-0, com golos de Price aos 33 e 40 minutos. Porém, em cima

do intervalo, William fez o 2-1, com que a primeira parte chegou ao fim. Depois do intervalo foram apenas precisos oito minutos para que o Ka I, ainda motivado pelo golo, chegasse ao empate. Souza foi o marcador de serviço. Apesar do empate, a formação leonina não se deixou abalar e aos 68 minutos, Jean Peres, que tinha entrado minutos antes, fez o 3-2. Foi com este resultado que o encontro chegou ao fim.

Na próxima ronda da competição, as meias-finais, o Sporting vai ter pela frente o vencedor do encontro entre Cheng Fung e Monte Carlo, que se realizou ontem e que ainda decorria à hora de fecho do HM.

BENFICA SEGUIU EM FRENTE

Também o Benfica de Macau carimbou a passagem à próxima fase da competição com uma goleada por 7-0, diante do Lai Chi. Na próxima ronda, as meias-finais, os encarnados vão

ter pela frente o Chao Pak Kei ou o Hang Sai, encontro que terminou depois da hora de fecho do HM. Os golos do Benfica foram apontados por Lai Kam Hong (5), Alison Brito (11 e 19), Iuri Capelo (57), Ip Cho Kan (68), José Martins (62) e Pang Chi Hang (70). As meias-finais estão agendadas para 12 de Abril. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 443/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora WU YANHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° G48339xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 30/DI-AI/2017, levantado pela DST a 13.02.2017, e por despacho da signatária de 19.06.2018, exarado no Relatório n.° 415/ DI/2018, de 05.06.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.os 297-303, 24.° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Junho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00

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2 9 4 8 3 3 6 8 7 9 Diariamente 7 5 1 6 4 “ART IS PLAY” 8 Praça 2 9 Grande – MGM3 | Até6 9/9 6 7 5 4 1 1 4 3 5 2 5 8 6 1 7 4 3 2 9 8 9 1 7 2 5

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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kore-eda Hirokazu Com: Lily Franky, Ando Sakura, Matsuoka Mayu, Kiki Kilin 14.30, 16.45, 21.30

Um filme de: Gary Ross Com: Sandra Bullock, Cate Blanchett,

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PROBLEMA 9

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7 3 1 8 2 6 Vencedor 8 2 da6Palma 4 de5Ouro 9 no Festival de Cannes deste ano, 6 Shoplifters 7 3 é5um filme 4 que 8 foca a família e questiona as 1 pré-estabelecidas 4 9 6 3sobre 2 ideias a noção do ambiente ideal 2 o5crescimento 8 9 dos 1 mais 7 para novos. Vítima de violência 9 6 2Juri,7de 8quatro 5 doméstica, anos, 3 vive 1 com 7 os2pais,6numa 4 família tradicional, até ao dia em 4que8é encontrada 5 1 9na rua 3 por um casal de criminosos.

5 1 2 7 4 3 9 6

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 8

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Anne Hathaway, Mindy Kaling 19.30 SALA 3

Um filme de: Steven C. Miller Com: Sylvester Stallone, Dave Bautista, Huang XiaoMing 14.30, 21.30

Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 16.30, 19.00

com.mo

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É neste ambiente improvável que pela primeira vez a menina vai encontrar o amor de uma família. João Santos Filipe

2 4 9 8 5 8 7 1 6 1 3 7 9 3 2 5 4 7 6 2 1 5 8 3 7 9 1 6 3 2 5 4 8hojemacau. 6www. 4 9

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Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

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3 9 8 5 5 1 7 3 4 6 2 8 ANT-MAN AND THE WASP [B] 6 2 1 9 9 4 5 6 SHOPLIFTERS 7 8 [C]3 4 2 7 4 1 1 5 6 2 OCEAN’S 8 EIGHT 3 [B]9 7

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DOCUMENTÁRIO “SPELL REEL” – FESTIVAL CINEMA ENTRE CHINA E PALOP Cinemateca Paixão | 19h30

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | 15h30

1.21

Nas 8 últimas eleições Angela Leong foi eleita com 10.452 votos. Foi vista como uma derrotada, uma vez que tinha consigo William Kuan, que nas eleições de 2013 tinha conseguido cerca de 5 mil votos. Apesar da alegada derrota, e ao contrário do que tinha acontecido em 2013, Angela Leong não se queixou intensamente das leis que impedem acções campanha nos casinos. Contudo, e caso a memória não seja curta, a deputada parece estar focada em conseguir ainda menos votos nas próximas eleições. Enquanto empresária e pessoa eleita por sufrágio directo, Angela Leong tem de procurar um equilíbrio nas suas acções, tem de ser hábil, tem de perceber quem são as pessoas que votam por ela. Não é uma tarefa fácil. Mas nos últimos tempos Angela tem sido demasiado 10 empresária e pouco deputada. E a forma como tem defendido os seus interesses no Canídromo pode ser fatal nas próximas eleições. A deputada tem transparecido uma imagem – e até admito que seja totalmente falsa – de quem não se preocupa minimamente com os animais. Mais um galgo, menos um galgo, para ela parece ser igual, desde que o Canídromo faça dinheiro. É esta a imagem que fica. Neste momento, qualquer pessoa que se interesse pelos direitos dos animais não vai mais votar em Angela Leong. Por isso, a deputada deve questionar-se: será que o dinheiro que espera fazer com os galgos compensa arriscar o lugar de deputada? Ou será que está a contar com o esquecimento dos seus eleitores? João Santos Filipe

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Amanhã

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YUAN

QUANTO VALE O LUGAR NA AL?

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INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “AIYA” Casa Garden | 17h30

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VIDA DE CÃO

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS – HISTÓRIAS DE MACAU NA TORRE DO TOMBO” Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau | 16h45

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6 5 3 1 7 9 3 6 2 4 2 4 9 8 5 4 8 1 7 6 1 9 5 3 8 7 6 4 9 2 Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 5Propriedade 2 Mota; 8Fábrica 4deNgNotícias, 3 Lda Director Margarida Vitor Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 8José 1Valério 7 Romão 6 Colunistas 9 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca; Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 3dos 7 2e Publicidade 5 1Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de de redacção Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

segunda-feira 9.7.2018

RUI TAVARES

PERICLES’ FUNERAL ORATION, PHILIPP FOLTZ

in Público

Quem tem medo da democracia europeia?

A

democracia europeia, lá onde a deixam funcionar, não fica a dever a nenhuma das nossas democracias nacionais. “Ah, e tal, é impossível a democracia europeia funcionar” — diz-se. Ora porque os “europeus são muito diferentes uns dos outros” — como se os americanos dos estados onde há e onde não há pena de morte fossem parecidíssimos entre si. Ora porque “a diversidade de línguas torna impossível a emergência de um demos” — como se os indianos, com dezenas de idiomas, pelo menos quatro grandes religiões e centenas de castas, não tivessem um espaço democrático para mais de mil milhões de pessoas. Ai, porque “Bruxelas é muito longe” — como se Brasília fosse perto de Uraimutã, Roraima ou Anta Gorda, Rio Grande do Sul. Meus caros, metam isto na cabeça. A democracia europeia não funciona pela mesma razão que, antes de haver geringonça, era “impossível” a esquerda entender-se em Portugal. Lembram-se? Dantes também havia imensas teorias para a esquerda não

se entender: eram os traumas do PREC, era “o PS mais à direita da Europa”, era a sociologia de café sobre as bases eleitorais de cada partido, era aquele sucesso dos verões passados, hoje esquecido, “ajudar o PS a cumprir com o Tratado Orçamental é vender a alma por umas negociações no parlamento”. Nada disso, a explicação era mais simples: os partidos de esquerda não se entendiam porque as direções dos partidos não queriam que eles se entendessem. Ponto final. Quando houve pressão sobre as lideranças dos partidos, passaram a ter de querer. Em resumo: o supostamente impossível precisava de muitas teorias. O possível só precisa de prática. Com a democracia europeia passa-se o mesmo, a outra escala, com a mesma lógica ou falta dela. Querem tentar convencer-nos que na era da informação digital e das traduções automáticas, das reuniões pela internet e da escrita colaborativa, dos

Meus caros, metam isto na cabeça. A democracia europeia não funciona pela mesma razão que, antes de haver geringonça, era “impossível” a esquerda entender-se em Portugal. Lembram-se?

milhões de jovens erasmus e das discussões nas redes sociais através de vários fusos horários serão impossíveis deliberações pan-europeias (ou mais além). Porquê? Porque, dizem-nos, só é possível “discutir e tomar decisões com aqueles que connosco partilham uma língua, uma história, uma cultura e uma comunidade de destino”. Porque, dizem-nos, numa versão política do velho e famoso anúncio da carapinha e da cabeleira loura, o que é natural e fica bem é não haver “democracia para lá do estado-nação”. Como se dentro da nação nós forçosamente nos entendêssemos (Orbán e Soros são ambos húngaros, lembram-se?) e não fosse possível entendermo-nos entre progressistas, conservadores, liberais ou ecologistas de várias nações diferentes. O azar é que nada disto é verdade. A democracia europeia, lá onde a deixam funcionar, não fica a dever a nenhuma das nossas democracias nacionais. Vimo-lo de novo esta semana. Onde uma comissão do Parlamento Europeu aprovara uma reforma da diretiva de direitos de autor que obrigava, num agora célebre artigo 13, as plataformas digitais a implementar sistemas de censura prévia automática aos conteúdos que partilhássemos em rede, milhões de cidadãos em toda a UE mobilizaram-se para que tal enormidade não passasse sem mais emendas nem debate. Ontem, ganharam: por 318 votos contra 278, o plenário do PE decidiu que a diretiva não pode seguir já para negociações

com a Comissão e o Conselho, e que irá receber emendas. Falta muita coisa para fazer uma verdadeira Democracia Europeia. Mas não há nenhuma impossibilidade em fazê-la funcionar, a não ser a falta de vontade política, que é possível influenciar a partir da cidadania. Neste momento, não há democracia europeia porque quem tem medo dela não a quer. E quem tem medo da democracia europeia? Aqueles que, entre os burocratas e tecnocratas de um lado, nos governos nacionais por outro, nas chancelarias e até nas elites mediáticas nacionais, vão usufruindo de um poder sem verdadeiro escrutínio. Nota: A propósito deste tema, decidiu o eurodeputado Marinho e Pinto, pró-Artigo 13, brindar-me com uma crónica cheia de… — como dizê-lo, sem descer ao nível nela utilizado? — enfim, cheia de Marinho e Pinto. Após procurar uma solitária uva naquela imensidão de parra, resumia-se a crónica a um desafio para que eu dissesse onde é que, no artigo 13, se instituía um sistema de censura prévia automática. Desafio aceite: é onde diz que as plataformas digitais devem “adotar medidas (…) que impeçam a colocação à disposição nos seus serviços de obras ou outro material protegido identificados pelos titulares de direitos através da cooperação com os prestadores de serviços” ou, na versão da comissão JURI do PE que Marinho e Pinto aprovou: “medidas que levem à não-disponibilização” dos mesmos conteúdos. Ou seja: barrar conteúdos prévia e automaticamente e, pior, sem fiscalização independente nem possibilidade realista de recurso. Marinho e Pinto não esperava que o texto dissesse diretamente “institui-se um sistema de censura prévia automática”, pois não? Mas é o que, na prática, institui. Ou instituiria: felizmente, 318 deputados tiveram mais juízo do que ele.


As mulheres dão-se a Deus quando o Diabo já não quer nada com elas. Sophie Arnould

segunda-feira 9.7.2018

TWITTER MAIS DE 70 MILHÕES DE CONTAS SUSPENSAS EM DOIS MESES

GUTERRES ELIMINAR ARMAS NUCLEARES É A MAIOR PRIORIDADE

A

O

rede social Twitter suspendeu nos últimos dois meses mais de 70 milhões de contas, suspeitas de propagar informações falsas, no âmbito da luta contra actividades criminosas, divulgou o jornal Washington Post no fim-de-semana. Segundo o jornal norte-americano, que cita informações confirmadas pelo Twitter, a média de suspensões de contas supera o milhão por dia, mas teve um pico em meados de Maio, quando mais de 13 milhões de contas suspeitas foram suspensas numa única semana. A tendência manteve-se em Junho, segundo o jornal. As principais redes sociais, Facebook e Twitter à frente, colocaram em prática regras mais rígidas para as publicações políticas, depois de fortes críticas a propósito da inércia das redes face à proliferação de informações falsas durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos de 2016. Em muitos casos as mensagens eram colocadas por “bots” (contas automáticas) ou contas baseadas na Rússia. Em Maio, o Twitter anunciou a entrada em vigor de novas regras para os anunciantes políticos, que deverão fornecer documentos autenticados, provando que estão nos Estados Unidos. Para as eleições parlamentares de Novembro os candidatos terão de ser claramente identificados. “O Twitter está a livrar-se de contas falsas a uma velocidade recorde”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos na rede social, que usa diariamente, perguntando-se se o New York Times e o Washington Post, dois jornais que critica com regularidade, também fariam parte do lote.

THERESA MAY PEDE À UE QUE ABANDONE “POSIÇÃO RÍGIDA” SOBRE BREXIT

“Polir uma bosta”

A

primeira-ministra do Reino Unido, Teresa May, pede à União Europeia (UE) que abandone “a posição rígida" que tem nas negociações sobre o “Brexit”, segundo uma entrevista publicada ontem no The Sunday Time. Teresa May insta Bruxelas a considerar as suas propostas de forma “séria” depois de na sexta-feira ter chegado a um consenso com os seus ministros sobre um plano para a futura relação bilateral. Este plano será aplicável depois do período transitório de 21 meses após a saída dos britânicos da UE, prevista para 29 de Março de 2019. O plano, que inclui a criação de um mercado comum de bens da comunidade britânica, harmonizado a nível normativo e aduaneiro, suscitou críticas entre os deputados conservadores mais eurocéticos, que ameaçam desestabilizar a liderança, noticia a agência Efe, citando o jornal britânico. Para estes parlamentares, que, segundo

o jornal, preparam uma carta para promoverem uma mudança de líder, a chefe do Executivo considera que o desafio actual consiste em “fazer com que a UE leve o assunto a sério e que se sente à mesa das negociações com os britânicos". Achefe do Executivo assegura ainda que não “decepcionará” os 52 por cento de britânicos que votaram a favor do ´Brexit` no referendo de 23 de Junho de 2016. Os deputados pró-´brexit`, chefiados pelo aristocrata Jacob Rees-Mogg, lamentaram que o plano que o Governo apresentará esta semana à UE num Livro Branco seja equivalente a permanecer “ligado ao bloco”. E consideram que, tal facto, dificultará a possibilidade de fecharem tratados comerciais com outros países. O The Sunday Times explica que na reunião da passada sexta-feira na residência oficial de campo de Chequers, onde se chegou ao consenso, houve vozes muito discrepantes entre os ministros, ainda que, no final,

todos tenham acatado a decisão da maioria. Entre as vozes discordantes – mencionadas no jornal - contam-se a do ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, que terá afirmado que o “plano é uma bosta” e defendê-lo será “como polir uma bosta”. Num artigo conjunto no mesmo jornal, os ministros da Economia, Philip Hammond, e dos Transportes, Chris Grayling, insistem que o que se acordou em Chequers, no sudeste de Inglaterra, é um acordo de ´brexit` "pragmático e com princípios, que funciona tanto para o Reino Unido como para a UE". Na segunda-feira, Theresa May explicará o seu plano ao grupo parlamentar conservador na Câmara dos Comuns, enquanto os chefes de diplomacia do partido continuam a reunir-se com os deputados a fim de chegarem a consenso. O negociador chefe da UE, Michel Barnier, disse, entretanto, que aguarda a leitura do Livro Branco para decidir se a proposta britânica é “viável e realista”.

Biblioteca Central IC espera propostas de concepção no último dia O fim do prazo da apresentação de propostas para a concepção da nova Biblioteca Central está agendado para hoje e o Instituto Cultural ainda não recebeu nenhuma proposta. De acordo com a vice-presidente do IC, Leong Wai Man, a ausência de candidaturas deve-se à complexidade do processo e acredita que as empresas querem aperfeiçoar as suas propostas, pelo que irão PUB

PALAVRA DO DIA

entregar as mesmas nos últimos momentos. Segundo o Jornal do Cidadão, o IC afirmou que é preciso ter em conta a entrega de propostas recebidas no último dia para decidir se vai alargar o prazo. A vice-presidente revelou ainda que prevê que a biblioteca do Mercado Vermelho, que foi danificada na sequência da passagem do tufão Hato, possa reabrir em Julho.

secretário-geral da ONU, António Guterres, disse no fim-de-semana que a eliminação das armas nucleares é a maior prioridade do desarmamento a nível mundial, por ocasião do primeiro aniversário da adoção do Tratado de Proibição de Armas Nucleares. “As Nações Unidas continuam comprometidas com a eliminação total das armas nucleares como a sua mais alta prioridade de desarmamento”, referiu um breve comunicado emitido pelo porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, citado pelo serviço de notícias ONU News. O Tratado de Proibição de Armas Nucleares foi aprovado na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 7 de Julho de 2017, por 122 países, que se comprometeram a não desenvolver, adquirir, armazenar, usar ou ameaçar usar armas atómicas. Para Guterres, “a adopção do Tratado (…) demonstra o forte e legítimo apoio internacional que existe para acabar de forma permanente com a ameaça das armas nucleares”. Até à data, 59 Estados-membros da ONU assinaram o documento e 11 já ratificaram o texto. Quando 50 países ratificarem o tratado, o documento entrará em vigor. O secretário-geral da ONU acredita que o tratado vai tornar-se “um elemento importante do regime de desarmamento nuclear e da não-proliferação”. A 20 de Setembro de 2017, o Presidente do Brasil, Michel Temer, foi o primeiro chefe de Estado a assinar o documento. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os outros países lusófonos que assinaram o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, de acordo com a informação disponibilizada pelo serviço de notícias ONU News.

Hoje Macau 9 JUL 2018 #4087  

N.º 4087 de 9 de JUL de 2018

Hoje Macau 9 JUL 2018 #4087  

N.º 4087 de 9 de JUL de 2018

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