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SEGUNDA-FEIRA 9 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4026

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TNR

SULU SOU

POLÍCIA JUDICIÁRIA

VALÉRIO ROMÃO

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h

CONHAQUE VS LABOR

DIA DO JULGAMENTO

JOGO DOS DADOS

SÓ DEZ POR CENTO É VERDADE

Porta aberta Lionel Leong afirma que poderá juntar-se à corrida a Chefe do Executivo caso sinta que pode ser útil ao país e a Macau e se tiver aptidão para o cargo. Analistas ouvidos pelo HM consideram o secretário para a Economia e Finanças um candidato com potencial. GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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2 grande plano

9.4.2018 segunda-feira

ANÁLISE

Ainda não ponderou sobre o assunto, mas se sentir que pode ser útil ao País e a Macau, o secretário para a Economia e Finanças pode mesmo juntar-se à corrida, onde também é possível que tenha à sua espera o presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng. A confissão foi feita em entrevista à Rádio Macau

“Se for prestável para o País, se for prestável para Macau, e se tiver aptidão para esse cargo, irei envidar todos os esforços para desempenhar bem esse papel e realizar um bom trabalho.” LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS

EM NOME ´ DO PAIS S “

LIONEL LEONG NÃO AFASTA CORRIDA A CHEFE DO EXECUTIVO

E for prestável para o País, se for prestável para Macau, e se tiver aptidão para esse cargo, irei envidar todos os esforços para desempenhar bem esse papel e realizar um bom trabalho”. Foi com estas palavras que Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças, deixou a porta aberta sobre uma possível candidatura à posição de Chefe do Executivo, em entrevista à Rádio Macau. Numa altura em que falta cerca de um ano e oito meses para a tomada de posse do futuro Chefe do Executivo, as declarações de Lionel Leong e Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa, não divergem muito. Os dois são vistos como candidatos à sucessão de Fernando Chui Sai On e, actualmente, não negam a hipótese. No entanto, também ninguém afirma, preto-no-branco, que está na corrida. Segundo os analistas políticos ouvidos pelo HM, uma eventual candidatura de Lionel Leong é vista como uma forte possibilidade, principalmente pelo facto de haver um conhecimento muito profundo de Macau e uma ligação às elites locais. A competência a nível do mundo dos negócios de Leong também não é esquecida. “Lionel Leong tem um perfil que se adequa a Chefe do Executivo. É o secretário para a Economia e Finanças, tem um conhecimento profundo sobre o que se passa diariamente no território e sabe o que é necessário fazer em relação à indústria do jogo e às finanças locais”, afirmou Larry So, politólogo, ao HM.

“Na minha opinião esta competência ligada à gestão e à indústria do jogo é uma das suas grandes vantagens face a Ho Iat Seng. É um dos pontos em que está à frente”, acrescentou.

“CANDIDATO NATURAL”

Por sua vez, o académico Arnaldo Gonçalves encara Lionel Leong como um “candidato natural”, que pertence a uma nova geração de líderes na RAEM. “É um candidato natural. Tem uma relação forte com as chamadas quatro ou cinco famílias de Macau, sobretudo com o Dr. Edmund Ho”, começou por dizer Arnaldo Gonçalves. “É um homem de uma nova geração, é de Macau e que conhece bem a singularidade do território e o facto de ser um espaço de comunhão entre as várias comunidades e maneiras de estar. Tem também uma carreira de gestor em Macau que já vem do tempo da administração portuguesa, com quem também tinha uma boa relação”, frisou.

“É um homem de uma nova geração, é de Macau e que conhece bem a singularidade do território e o facto de ser um espaço de comunhão entre as várias comunidades e maneiras de estar.” ARNALDO GONÇALVES ANALISTA

Também José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus e ex-presidente do Leal Senado, encara Lionel Leong como uma pessoa competente para a assumir a posição. Contudo, recusa, por enquanto, especular sobre corridas à posição de Chefe do Executivo. “Não sei interpretar com rigor as declarações de Lionel Leong, mas, obviamente, o secretário para a Economia e Finanças tem todas as características e qualidades para ser um bom candidato”, considerou. Sales Marques recusou igualmente a ideia de que a ligação a Edmund Ho possa ser vista como um obstáculo para Lionel Leong: “Não vejo nenhum problema ou dificuldades para o Dr. Lionel Leong pelo facto de poder estar ligado a Edmund Ho. Nem tenho elementos que me confirmem essa ligação. Mas tem toda a legitimidade para ser candidato”, apontou.

OS FAVORITOS

No que diz respeito às hipóteses de sucesso, as opinião dos analistas estão longe de gerar consenso. Para Larry So, Ho Iat Seng está neste momento à frente, pela confiança que inspira em Pequim. O presidente da Assembleia Legislativa mostrou-se mais interventivo do que o habitual em relação aos assuntos locais, quando esteve em Pequim para participar na Assembleia Popular Nacional. “Ninguém pode responder neste momento sobre quem é o principal favorito. Temos duas candidaturas em perspectiva, sendo que Ho Iat Seng poderá estar em vantagem por ter um pouco mais

a bênção do Governo Central”, justificou Larry So. “Ho Iat Seng tem um contexto familiar muito importante e, principalmente, uma ligação com o Governo Central muito forte. Pessoalmente, neste momento, acredito que Ho Iat Seng terá mais possibilidades do que Lionel Leong de ser o próximo Chefe do Executivo. Mas é muito cedo para fazer previsões”, vincou. Arnaldo Gonçalves recusa que haja alguém em vantagem: “Estão os dois na mesma posição: são os dois próximos das famílias locais, são dois empresários com vida e currículo em Macau. Representam


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segunda-feira 9.4.2018

GCS

WONG SIO CHAK NEGA INTENÇÃO DE SER CHEFE DO EXECUTIVO

“N

unca pensei em candidatar-me ao cargo de Chefe do Executivo e nem vou pensar nesse assunto”, afirmou, ontem, Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. O antigo director da Polícia Judiciária tinha sido apontado como um dos possíveis candidatos à posição do Chefe do Executivo, para suceder a Fernando Chui Sai On. Contudo, ontem, Wong negou esse cenário, quando questionado pela comunicação social. Anteriormente, também Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa, tinha negado sempre a hipótese de ser candidato a CE, mas em Março recuou neste discurso, afirmando que actualmente não sabe se poderá avançar com uma candidatura.

bem a identidade local e ambos são facilmente considerados bons candidatos”, apontou. Mesmo assim, o académico confessou preferir Ho Iat Seng como Chefe do Executivo, devido à experiência. “Pessoalmente, e talvez por uma questão de idade, prefiro o Ho Iat Seng. É uma pessoa com mais de 60 anos e que faria bem a transição. Contudo, se for escolhido o Lionel Leong não há problema. É uma pessoa capaz de conseguir manter a autonomia em relação às políticas do Governo Central. Isso é o que importa”, sublinhou. Sales Marques recusou apontar favoritos à corrida, mas considerou

que Ho Iat Seng também é um bom candidato. “É uma pessoa com as competências indicadas. Não me parece que pudesse ocupar a presidência da Assembleia Legislativa se não tivesse as qualidades necessárias”, afirmou.

CORRIDA COM CAUTELA

Além dos analisas mencionados, o HM ouviu uma outra fonte sobre este assunto, que pediu para não ser identificada. Segundo a fonte, a decisão sobre o futuro Chefe do Executivo ainda está longe de ser tomada, porque há outros assuntos mais urgentes para discutir em Pequim.

“A corrida vai ser decidida de acordo com a opinião do presidente Xi Jinping. É a opinião dele que vai fazer a diferença entre os possíveis

“Obviamente, o secretário para a Economia e Finanças tem todas as características e qualidades para ser um bom candidato.” JOSÉ SALES MARQUES EX-PRESIDENTE DO LEAL SENADO

candidatos. É por isso que, nesta altura, está tudo muito atento ao que Pequim pensa. Contudo, falta muito tempo para Dezembro de 2019 e o Governo Central não vai olhar tão cedo para esta questão”, afirmou. No entanto, a fonte deixa uma certeza: “O escolhido não vai ter um forte apoio da população. Vai ser alguém que não é bloqueado pela maioria. Até porque Pequim não quer ninguém que lhe faça frente e seja difícil de controlar, como foi Edmund Ho”, considerou. Segundo a pessoa ouvida, o receio de um líder forte foi o que afastou Chan Meng Kam de uma

eventual corrida à posição de Chefe do Executivo. E a decisão pode ter sido tomada ainda antes da legislativas de 2017: “Chan Meng Kam é leal a Pequim. Mas tem muito poder junto da população e o Governo Central não o vê como um bom candidato, porque teme que o apoio popular o impeça de seguir as instruções de Pequim por completo”. Por outro lado, a fonte ouvida pelo HM considera que a corrida à posição do Chefe do Executivo vai acontecer longe dos holofotes e do espaço público. O aviso, considera, foi deixado com o caso de Ho Chio Meng: “Foi condenado a mais de 20 anos de prisão porque se moveu no sentido de ser Chefe do Executivo. Essa é a verdadeira razão. A corrupção foi só um pretexto. Com este aviso, os candidatos sabem que não é prudente afirmarem-se como tal”, explicou. João Santos Filipe e Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo


4 política

9.4.2018 segunda-feira

TNR PROPOSTO TÍTULO DE ENTRADA PARA TRAVAR TURISTAS EM BUSCA DE EMPREGO

Em férias, ou trabalho? GCS

De modo a pôr termo aos casos de quem procura directamente emprego em Macau enquanto permanece no território com um visto de turista, o Governo avançou com uma proposta de alteração à lei da contratação de trabalhadores não residentes que prevê a obtenção prévia de um título de entrada para fins de trabalho

À

luz da proposta de lei, discutida na sexta-feira no seio do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), os trabalhadores não especializados e os empregados domésticos vão deparar-se, na prática, com burocracia adicional na busca de emprego, dado que têm que obter previamente um título de entrada para fins de trabalho. Porém, nos termos actuais, a mexida não satisfaz nem a ala laboral, nem a patronal. Esta alteração visa “aperfeiçoar a lei e evitar que turistas possam entrar em Macau e, de

um dia para o outro, passarem a serem trabalhadores não residente”, afirmou o coordenador da Comissão Executiva do CPCS no final da reunião plenária. Segundo Wong Chi Hong, o Governo estuda desde 2015 uma solução para combater o fenómeno, recorrentemente abordado, em particular na Assembleia Legislativa, que “a comunidade entende como irregular” e passível de “ter impacto até ao nível da segurança”. Essa solução passa em concreto por uma alteração ao artigo 4.º da lei da contratação de trabalhadores não residentes relativo à autorização

de permanência, que foi alvo de mexidas em 2013, ou seja, três anos depois de o diploma ter entrado em vigor. “Por exemplo, se eu pretender contratar um trabalhador não especializado, como um empregado de mesa, por exemplo, para que [ele]

“Este novo mecanismo já é uma melhoria, mas não corresponde às nossas exigências” CHOI KAM FU REPRESENTANTE DA ALA LABORAL

possa entrar e trabalhar cá [tenho] que entregar todos os documentos necessários para que os Serviços de Migração emitam esse título de entrada para fins de trabalho.” A emissão do título “vai ser transmitido às fronteiras” que, assim, passam a saber que a pessoa em causa veio para Macau com essa finalidade. O título de entrada para fins de trabalho – sem emolumentos associados – permite que o trabalhador possa começar a exercer funções de imediato, sendo-lhe emitida, quando entra no território, uma autorização de contratação provisória.

Não há ainda um calendário para a apresentação da proposta de lei ao hemiciclo. “Vamos tentar que seja o mais rápido possível”, disse o mesmo responsável.

NEM A GREGOS NEM A TROIANOS

No entanto, a alteração não satisfaz nem a ala laboral, nem a ala patronal. “A pessoa depois de conseguir emprego sai e, no dia seguinte, por exemplo, vai a Hong Kong e entra novamente em Macau [já] com esse novo título”, pelo que “parece que não consegue resolver” os casos de quem vem para Macau na qualidade de turista para arranjar emprego, observou Choi Kam Fu. Para o representante da ala laboral, no mínimo, apenas se “impõe mais uma tramitação”: “Este novo mecanismo já é uma melhoria, mas não corresponde às nossas exigências”. Já a parte patronal advertiu que a medida “pode ter impacto nas PME e nas famílias” com empregadas domésticas, falando, na “grande inconveniência” que pode acarretar, dado que exige que o trabalhador não residente saia e apenas volte a entrar munido do novo título. Este mecanismo “deve ser mais bem estudado e de uma forma mais aprofundada”, afirmou Wang Sai Man, no final da reunião plenária do CPCS, que contou com o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. Esta alteração legislativa não afecta os trabalhadores não residentes especializados, dado que há uma apreciação prévia antes da autorização de permanência nomeadamente às habilitações literárias. Macau contava no final de Fevereiro com de 180781 trabalhadores não residentes que apenas podem permanecer enquanto o contrato de trabalho estiver válido, não possuindo direito de residência. Apesar de perfazerem mais de um quarto da população (27,6 por cento dos 653.100 habitantes estimados no final do ano passado), os portadores do chamado ‘blue card’ não contam com um mandatário formal no seio da Concertação Social. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

ACIDENTES DE TRABALHO ELLA LEI PEDE INDEMNIZAÇÕES MAIS ALTAS

A

deputada Ella Lei defende que as indemnizações pagas às vítimas de acidentes de trabalho deviam aumentar, após a última actualização ter ocorrido em 2011. Numa interpelação escrita, a deputada da Federação das Associações dos Operários

de Macau, divulgou que ao longo dos anos o território tem registado mais de 7 mil feridos em acidentes de trabalho por ano, sendo que no ano passado foram registadas 7,428 vítimas, das quais 17 ficaram incapacitadas permanente de trabalho e 19

morreram. Tendo em conta o número, a deputada considera que o Governo não só precisa de garantir trabalhos de fiscalização de forma mais eficaz, como melhorar as leis para reforçar os trabalhos de gestão da segurança e saúde ocupacional.

Ao mesmo tempo, a legisladora defende um aumento dos apoios às vítimas de acidentes, como às famílias, exigindo uma revisão do valor das indemnizações. Ella Lei critica o Governo por ter feito a última revisão dos montantes em 2011, e diz

que o valor já não se adequa ao custo de vida, nem acompanha a taxa de inflação, registada desde essa altura. Por estas razões, a deputada quer saber se as autoridades vão ajustar o valor de indemnização para os trabalhar que percam a vida ou fiquem

incapacitados de forma permanente devido a acidentes de trabalho ou doença profissional.Além disso, a deputada quer também rever os limites pecuniários no pagamento das prestações para diagnósticos, fornecimento e reparação de próteses e ortopedia. V.N.


política 5

segunda-feira 9.4.2018

HABITAÇÃO CHAN TAK SENG QUER RESPONSABILIZAÇÃO DE CONSTRUTORAS

Controlo de qualidade TIAGO ALCÂNTARA

A alteração ao regulamento geral da construção urbana não avança e o Governo tem de tomar medidas, no entender do vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau. A associação sugere a responsabilização das construtoras de habitação pública por um período de cinco a sete anos e apela a vistorias obrigatórias

GRANDE BAÍA SI KA LON SUGERE CRIAÇÃO DE ZONA MARÍTIMA DE TURISMO MUNDIAL

S

I Ka Lon, deputado à Assembleia Legislativa, considera que o plano geral do desenvolvimento da indústria do turismo de Macau está desactualizado, face às tendências mais recentes da indústria, e entende que há necessidade de melhorar os seus conteúdos. O deputado afirmou que não está incluído no plano geral a cooperação turística com a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, e, por isso, confessou estar preocupado com a perda de oportunidades futuras. O legislador ligado à comunidade de Fujian considera que a RAEM arrisca perder a oportunidade “de enriquecer os elementos turísticos locais através da cooperação regional”. Para evitar esse desfecho, Si Ka Lon interpelou por escrito o Executivo para perguntar se o plano para reforçar os elementos turísticos locais através da cooperação com as cidades da Grande Baía será reforçado. O deputado quer saber se existe um plano do Governo para intensificar a cooperação regional e criar, em conjunto, uma zona marítima de turismo e lazer de nível mundial.

Elevadores Lam Lon Wai exige legislação em interpelação escrita Chan Tak Seng, Aliança de Povo de Instituição de Macau “Não é aceitável que os construtores recebam prémios quando o que fazem é de má qualidade.”

A

S construtoras responsáveis pela construção de habitação pública devem ficar responsabilizadas pela qualidade dos edifícios durante um período que pode ir dos cinco aos sete anos, após a conclusão das obras. A ideia é do vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng que quer ver a medida referida no regulamento geral da construção urbana. Em declarações ao Jornal do Cidadão, Chan Tak Seng recorda que as queixas relativas à falta de qualidade das construções destinadas à habitação pública têm sido uma constante no território. O responsável critica ainda o Executivo

pela premiação das empresas de construção por cumprirem os prazos. De acordo com Chan Tak Seng, “não é aceitável que os construtores recebam prémios quando o que fazem é de má qualidade”, refere.

ESPERA INTERMINÁVEL

Chan Tak Seng acrescenta ainda que cabe ao Governo tomar medidas para garantir a qualidade da habitação pública local, ao invés de repetir o discurso de que é necessário auscultar a opinião da população. O responsável deixa ainda algumas sugestões já avançadas pelo Governo e com as quais está em concordância. Como, por exemplo, a introdução de um sistema de seguro e melhorias no

mecanismo de fiscalização. Neste último capítulo, Chan Tak Seng considera que a fiscalização deve ser feita durante um período mais alargado de tempo para que exista responsabilização dos construtores durante cinco a sete anos após a conclusão da construção. Também Ella Lei está insatisfeita com a actuação da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). De acordo com a deputada, tendo em conta uma resposta que recebeu do Executivo, não há ainda calendarização para admissão do regulamento geral da construção urbana à Assembleia Legislativa (AL). Ao Jornal do Cidadão, Ella Lei refere que é inaceitável o facto

da alteração ao diploma estar na calha há mais de dez anos e critica o impasse do Governo. Ella Lei admite que tem sido um processo polémico, no entanto sugere que, nas partes em que existe consenso, se passe à acção. Por sua vez, o deputado nomeado Wu Chou Kit entende que existe a necessidade de alterar o regulamento geral da construção urbana e sugere que se fomente progressivamente a vistoria obrigatória dos edifícios. Wu Chou Kit considera que o Governo deve, em primeiro lugar, “consciencializar os cidadãos sobre a importância da vistoria dos edifícios e depois introduzir medidas sancionatórias”, aponta.

O deputado Lam Lon Wai insiste na necessidade de se legislar em matéria de segurança dos elevadores. Em interpelação escrita, o tribuno apela para que o Executivo avance com medidas concretas e recorda os incidentes que ocorreram com a passagem do tufão Hato pelo território. Mais, há ainda equipamentos que não estão em funcionamento porque não há consenso sobre a sua reparação. Para Lam Lon Wai é preciso o apoio da legislação para resolver as questões da segurança e do bom funcionamento dos elevadores. Nesse sentido, o deputado quer saber quando vão avançar os trabalhos legislativos.


6 política

S

ULU Sou vai começar a ser julgado no Tribunal Judicial de Base (TJB) a 14 de Maio, depois de dois adiamentos, de acordo com a informação disponibilizada no portal dos tribunais. O jovem, de 26 anos, é acusado do crime de desobediência qualificada na sequência de uma manifestação

Maduro Maio

Julgamento de Sulu Sou marcado para o próximo mês

que remonta a 2016, quando ainda não era deputado. Em causa no processo judicial, em que também é arguido Scott Chiang, figura o protesto de 15 de Maio de 2016, convocado pela Novo Macau contra a controversa atribuição, por parte da Fundação Macau, de um subsídio de 100 milhões de reminbis à Universidade de Jinan, na China. O julgamento foi agendado para a véspera do segundo aniversário do protesto que levou mais de 3.000 pessoas, segundo os organizadores, e 1.100 de acordo com a polícia, a saírem à rua para pedir a demissão do Chefe do Executivo. A Novo Macau, que era então presidida por Scott Chiang, entendia haver conflito de interesses pelo facto de Fernando Chui Sai On presidir ao Conselho de Curadores da Fundação Macau e ser, em simultâneo, vice-presidente do Conselho Geral da Universidade de Jinan.

NA ÚLTIMA INSTÂNCIA

A Assembleia Legislativa (AL) suspendeu, em 4 de Dezembro, o mandato do parlamentar, um feito

inédito desde 1997. A decisão dos deputados permitiu o avançar do processo judicial contra Sulu Sou, que se tornou no mais jovem

O julgamento foi agendado para 14 de Maio, a véspera do segundo aniversário do protesto que levou mais de 3000 pessoas segundo os organizadores, e 1100 de acordo com a polícia, a saírem à rua para pedir a demissão do Chefe do Executivo

deputado de Macau após ter conquistado um assento nas eleições de Setembro. Após a suspensão do mandato, a primeira audiência de julgamento foi marcada para 9 de Janeiro, mas seria adiada em uma semana, a pedido do advogado de defesa. Com efeito, a 16 de Janeiro, a juíza titular do processo, Cheong Weng Tong, decidiu adiar o julgamento até o Tribunal de Segunda Instância (TSI) se pronunciar sobre a acção apresentada por Sulu Sou a pedir a suspensão de eficácia da deliberação da AL de lhe suspender o mandato. Isto porque se o TSI aceitasse a providência cautelar, Sulu Sou retomaria as funções de deputado, o que impediria, por conseguinte, a continuidade do processo judicial. Com efeito, no início de Fevereiro, o TSI rejeitou tanto a providência cautelar como o recurso contencioso sobre eventuais violações à lei no processo de suspensão do mandato pela AL, argumentando que nenhum tribunal de Macau tem competência para julgar actos políticos. Sulu Sou recorreu da decisão do TSI para o Tribunal de Última Instância (TUI), que ainda não se pronunciou. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

GCS

Já se conhece a data marcada para Sulu Sou comparecer em audiência de julgamento: 14 de Maio. O deputado, que tem o mandato suspenso, é acusado do crime de desobediência qualificada, num processo em que Scott Chiang também é arguido

9.4.2018 segunda-feira

Fórum de Boao Chefe do Executivo participa hoje e amanhã como convidado

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, participa hoje e amanhã, na qualidade de convidado, na reunião anual do Fórum de Boao para a Ásia, que decorre na província de Hainão. Segundo um comunicado do Gabinete do Porta-voz do Governo, o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China em Macau, Ye Dabo, foi novamente convidado a integrar a delegação da RAEM como assessor. O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que também estará presente, irá participar na sessão temática sobre a Grande Baía Guangdong - Hong Kong – Macau. À margem do Fórum Boao, Fernando Chui Sai On tem previstos encontros com responsáveis provinciais e municipais, refere a mesma nota oficial.

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Abertas as inscrições para a Bolsa de Estudo “Uma Faixa, Uma Rota” 2018 Requisitos obrigatórios “Bolsa de estudo no exterior” Prazo de inscrição: de 9 a 27 de Abril de 2018 Os candidatos devem ser residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau ou residentes da China Interior: (I) Residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau 1. Sejam finalistas do último ano do ensino secundário; 2. Pretendam frequentar um curso de licenciatura a tempo inteiro no Brasil, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia ou Camboja. (II) Residentes da China Interior 1. Cidadãos de Guangdong ou Fujian; 2. Sejam finalistas do curso de licenciatura ministrado por uma das instituições do ensino superior de Macau; 3. Pretendam frequentar um curso de mestrado a tempo inteiro no Brasil, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia ou Camboja. “Bolsa de Estudo em Macau” Prazo para recomendação: até ao dia 30 de Abril de 2018 1. Possuir a nacionalidade Portuguesa, Brasileira, Malaia, Filipina, Indonésia, Tailandesa ou Cambojana; 2. Pretendam frequentar um curso de licenciatura a tempo inteiro numa instituição de ensino superior de Macau; 3. Devem obter uma recomendação da Autoridade de Educação do país onde residem. Consulte mais informações detalhadas no site da Fundação Macau: www.fmac.org.mo Inscrições e outras Informações Endereço: Avenida de Almeida Ribeiro, NºS 61-75, Circle Square, 7° andar, Fundação Macau Telefone : 87950920 ou 87950913 E-mail : db_info@fm.org.mo


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GCS

segunda-feira 9.4.2018

OMS MACAU VAI TER EQUIPA DE RESPOSTA A EMERGÊNCIAS ACREDITADA

Com bênção internacional Dentro de um ano e meio, Macau poderá ter uma equipa de resposta a emergências acreditada pela Organização Mundial de Saúde. De acordo com Lei Chin Ion, a candidatura já está feita e, findo o processo, será a terceira equipa acreditada da China

M

ACAU vai ter uma equipa de resposta a emergências acreditada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O anuncio foi feito ontem pelo director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, na conferência “Respostas de Emergência e Partilha de Experiências e Capacitação” que teve lugar em Coloane. “Estamos a preparar uma equipa de emergência que esperamos ser acreditada pela OMS”, revelou o responsável. A candidatura para os procedimentos de certificação já foi entregue, e o processo deverá estar concluído dentro de um ano e meio, referiu Lei Chin Ion. A equipa será formada por voluntários, todos residentes de

Macau e inclui médicos, enfermeiros, técnicos especialistas em emergência e resgate, paramédicos, e pessoal para a parte logística, esclareceu o director dos Serviços de Saúde. O objectivo desta formação especializada é responder a situações de desastre na região da Ásia Pacífico e deverá estar acreditada até ao final do próximo ano. Além de pretender ser um corpo preparado para responder aos cenários de emergência locais, a ideia é ser também uma força pronta a dar o devido apoio aos países vizinhos quando necessário. Dentro dos três níveis de equipas de emergência, que têm como função a resposta a catástrofes, acreditados pela OMS, Macau

insere-se no nível que diz respeito a um corpo de intervenção médica capaz de atender até 100 utentes em regime ambulatório e que dá assistência às equipas das restantes duas categorias encarregues de realizar cirurgias, criar tendas médicas e hospitais de campanha em desastres.

ter capacidade para lidar com a situação”, começou por dizer. A responsável acrescentou ainda que o território “tem a capacidade para ajudar outros países", sublinhou a responsável. Esta será a terceira equipa da China acreditada pela entidade internacional.

MACAU, UM EXEMPLO

NO OLHO DO TUFÃO

A conferência contou com a presença de representantes da OMS. A directora regional para a Segurança da Saúde e Emergências da OMS, Li Ailan, considerou que “quando acontecem desastres, e é pedida ajuda à organização internacional, esta pode demorar algum tempo e, como tal, é necessário ter equipas prontas perto das regiões afectadas”, apontou. Por outro lado, a responsável entende ainda que o território já tem provas dadas. De acordo com Li, Macau mostrou ter capacidade de resposta a catástrofes e representa uma boa ajuda para territórios terceiros na eventualidade de acontecerem casos semelhantes. “No caso do Tufão Hato e no que diz respeito aos Serviços de Saúde locais, Macau mostrou

Na cerimónia de abertura do encontro “Respostas de Emergência e Partilha de Experiências e Capacitação” foi ainda destacada a importância de Macau, não só em termos de resposta a emergência, como pelo facto de estar situado

A equipa será formada por voluntários, todos residentes de Macau e inclui médicos, enfermeiros, técnicos especialistas em emergência e resgate, paramédicos, e pessoal para a parte logística

numa das zonas mais delicadas da Ásia Pacífico quando se fala de calamidades. O alerta foi dado pelo responsável da equipa médica de Emergência e de Operações de Emergência da OMS, Ian Norton. “Fiquei chocado quando estava a fazer pesquisa e verifiquei que a zona do Delta é sítio mais perigoso da região quando se fala de tempestades e de cheias, e Macau está no centro desta região”, disse o responsável. De acordo com Ian Norton “a Ásia Pacífico e o Sudeste Asiático representam 80 por cento dos desastres naturais em todo o mundo”. A ideia foi corroborada pela directora regional para a Segurança da Saúde e Emergências da OMS. Para Li Ailan “é inevitável o surgimento de desastres naturais nesta região”, sendo que a solução para responder a calamidades passa, necessariamente, pela colaboração entre os recursos disponibilizados e preparados das várias regiões desta zona. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


8 sociedade

Um investigador criminal da Polícia Judiciária (PJ) foi detido na passada quarta-feira por ter, alegadamente, fornecido informações internas a uma rede de agiotas

A

PJ anunciou na sexta-feira a detenção de um dos seus investigadores criminais que terá, alegadamente, facultado informações confidenciais a uma rede de agiotagem e sequestro em troca de benefícios ilegais. Além do crime de favorecimento pessoal praticado por funcionário, o agente é acusado de acesso ilegítimo a sistema informático e de obtenção, utilização ou disponibilização ilegítima de dados informáticos. Segundo a PJ, o suspeito, de 40 anos, terá consultado informações e o andamento da investigação relativa a um caso de usura que

9.4.2018 segunda-feira

Agente duplo

tamento do agente ter chamado a atenção de colegas de trabalho que transmitiram as suspeitas aos seus superiores. De acordo com a PJ, os meios de monitorização interna acabariam por confirmar a actuação indevida. De acordo com TDM, o polícia, que foi detido na passada quarta-feira, admitiu o crime mas não explicou o motivo, nem tão pouco revelou a quem divulgou as informações em causa. A PJ continua a investigar o caso.

Investigador da Polícia Judiciária detido por suspeita de fornecer dados a grupo criminoso

TOLERÂNCIA ZERO

a polícia resolveu em Março, seguindo as instruções do grupo criminoso, e tentado entrar no sistema informático da polícia e

aceder aos arquivos do processo sem autorização. A PJ actuou na sequência de denúncias recebidas em Janeiro, depois de o compor-

“Mais uma vez, a PJ adverte todos os trabalhadores que têm de cumprir a lei e que, caso venha a descobrir quaisquer actos ilegais, [infracções] disciplinares ou actos que prejudiquem a imagem ou a dignidade da PJ, os mesmos serão tratados severamente.”

Além do processo criminal contra o investigador, a PJ indicou em comunicado ter instaurado um processo disciplinar, que na sexta-feira se encontrava em fase de instrução. Afirmando estar “muito atenta” e descrevendo o caso como “muito lamentável”, a Polícia Judiciária promete tolerância zero: “Mais uma vez, a PJ adverte todos os trabalhadores que têm de cumprir a lei e que, caso venha a descobrir quaisquer actos ilegais, [infracções] disciplinares ou actos que prejudiquem a imagem ou a dignidade da PJ, os mesmos serão tratados severamente de acordo com a lei e sem tolerância”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Pena Suspensa Fotógrafo furtivo de roupa interior condenado

O homem que em 2016 foi detido na Areia Preta, por andar a tirar fotografias de mulheres por debaixo das saias, foi condenado a uma pena de prisão de um ano, que fica suspensa pelo período de dois anos. Ou seja, se durante dois anos, o homem voltar a cometer alguma infracção, vai ter de cumprir a pena. Em audiência de julgamento, segundo o jornal Macau Daily, o homem admitiu a prática do crime e confessou que utilizava as imagens para se masturbar. O arguido foi detido, depois de uma mulher ter constatado que estava sempre no mesmo sítio para fotografar a roupa interior das estudantes, por debaixo das saias. Na altura, em casa do homem, a polícia encontrou um vasto arquivo fotográfico, com as imagens organizadas em diferentes pastas, de acordo com a parte do corpo captada.

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Notificação edital (14/FGCL/2018)

Notificação edital (15/FGCL/2018)

Notificação edital (16/FGCL/2018)

Nos de pedidos: 5/2018 e 8/2018

No de pedido: 9/2018

No de pedido: 10/2018

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Wong Meng Iek – proprietário de Agência de Joalharia e Relojoaria Kam Wan”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n˚ 600, Edifício First International Commercial, 12˚ andar, sala 5, Macau, o seguinte:

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do número de pedido acima referido, “Café Cubos De Macau Lda.”, com sede na Rua de Cinco de Outubro nos 119B-119C, Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Sin Wai Meng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 26 de Março de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $122 300,00 (cento e vinte e duas mil e trezentas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do número do pedido acima referido, “Companhia De Grupo M&G Limitada”, com sede na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção nos 336-342, Centro Comercial Cheng Feng, 8º andar A, R, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Tang Ka Ian), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 26 de Março de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $18 824,30 (dezoito mil, oitocentas e vinte e quatro patacas e trinta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

Relativamente aos dois ex-trabalhadores (Cheong Soi Fong e Chao Lai Wa), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 26 de Março de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $110 188,50 (cento e dez mil, cento e oitenta e oito patacas e cinquenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 3 de Abril de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hon

3 de Abril de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

3 de Abril de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hon

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sociedade 9

segunda-feira 9.4.2018

Solidariedade Jogos por Maria arrecadam 22,5 mil patacas

Trânsito Motociclista de 45 anos morreu após acidente

Ontem, por volta das 11 da manhã, um motociclista com 45 anos morreu após ter embatido numa viatura ligeira, de acordo com a informação divulgada ontem pelo canal chinês da Rádio Macau. O acidente ocorreu junto aos Jardins do Oceano, edifício Peach Court, e o acidentado entrou imediatamente em coma. O homem ainda foi transportado para o Centro Hospitalar Conde São Januário, mas acabou por ser declarado morto.

EDUCAÇÃO MAIS DE 70 POR CENTO DAS ESCOLAS PRIMÁRIAS USA MANUAIS PATRIÓTICOS

Lições de amor

TIAGO ALCÂNTARA

O FC Porto de Macau organizou no sábado um jogo de solidariedade, que contou com a presença do Consulado de Portugal, e angariou 11,5 mil patacas para auxiliar nos tratamentos de Maria, residente que está em Hong Kong a receber tratamentos a uma doença de foro oncológico. Também o Sporting de Macau, que defrontou o C.P.K. para a Liga de Elite, igualmente no sábado, conseguiu amealhar um total de 11 mil patacas. No total, foram amealhados 22,5 mil patacas para Maria.

Sete em cada dez escolas primárias utilizam os materiais didácticos da disciplina de Educação Moral e Cívica elaborados por uma editora da China

A

disciplina de Educação Cívica tornou-se obrigatória no ensino primário em 2016/2017, após a introdução, no ano anterior, de conceitos básicos no ensino infantil, na sequência de uma reforma curricular com implementação faseada. Como tal, mais de setenta por cento das escolas primárias do território usaram material didáctico de cariz patriótico nessas aulas. Os dados foram fornecidos na sexta-feira pelo chefe substituto do departamento de Estudos e Recursos Educativos da Direcção dos Serviços para a Educação

e Juventude (DSEJ), Vong Iat Hang. No próximo ano lectivo, dá-se o salto para o ensino secundário geral e, por fim, em 2019/2020, para o complementar. Com efeito, antes da obrigatoriedade da disciplina, foram introduzidas “versões experimentais” dos referidos manuais que, no caso do secundário, por exemplo, se encontram em uso desde 2009 (no geral) e 2010 (no complementar), sendo que mais de metade das escolas secundárias utilizam-nos por sua iniciativa. Os manuais didácticos da disciplina de Educação

Os manuais didácticos da disciplina de Educação Moral e Cívica, que promovem o “amor pela pátria”, têm sido actualizados com regularidade, devendo ser introduzidos ajustes após a entrada em vigor da proposta de lei sobre o Hino Nacional

Moral e Cívica, que promovem o “amor pela pátria”, têm sido actualizados com regularidade, devendo ser introduzidos ajustes após a entrada em vigor da proposta de lei sobre o Hino Nacional (cujo conteúdo não foi ainda divulgado), de acordo com Vong Iat Hang. As informações foram facultadas no final de uma reunião plenária do Conselho de Juventude, em que foram apresentados os trabalhos relativos às acções de sensibilização sobre a Lei Básica e a Constituição desenvolvidos pela DSEJ. Em Hong Kong, a disciplina que se designava de Educação Nacional não chegou a sair do papel. Em 2012, uma agressiva campanha popular rejeitou-a como obrigatória por receio de que tentasse forçar um sentimento de identidade nacional para com a China que muitos residentes da antiga colónia britânica não subscreviam. Diana do Mar

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FINANÇAS RECEITAS PÚBLICAS AUMENTARAM 23,7 POR CENTO ATÉ FEVEREIRO

A

Administração fechou os primeiros dois meses do ano com receitas de 21,1 mil milhões de patacas, valor que traduz um aumento de 23,7 por cento em termos anuais homólogos. Dados provisórios disponíveis no portal da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Os impostos directos sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 17,6 mil milhões de patacas, reflectindo uma subida de 24,7

por cento face ao período homólogo do ano passado e uma execução de 21,4 por cento face ao orçamento autorizado para 2018. A importância do jogo encontra-se patente no peso que detém no orçamento: 83,5 por cento nas receitas totais, 84,09 por cento nas correntes e 95,7 por cento nas derivadas dos impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 9,5 mil milhões de patacas até Fevereiro, de acordo com os mesmos dados. Apesar

de cumpridas em apenas 9,7 por cento, aumentaram 83,9 por cento, comparativamente ao período homólogo do ano passado. Nesta rubrica destacam-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 4,1 mil milhões de patacas, com a taxa de execução a corresponder a 19,5 por cento. O valor traduz um ‘pulo’ exponencial, atendendo a que,

nos primeiros dois meses do ano passado, tinham sido despendidos apenas 11,1 milhões de patacas. Entre receitas e despesas, a Administração acumulou nos primeiros dois meses do ano um saldo positivo de 11,5 mil milhões de patacas, menos 2,5 por cento face a igual período de 2017. No entanto, a almofada financeira excede já em mais de dois terços o orçamentado para todo o ano (6,9 mil milhões de patacas). D.M.


10 eventos

9.4.2018 segunda-feira

ISAO TAKAHATA MORREU O REALIZADOR DE “HEIDI”

O

realizador japonês de filmes de animação Isao Takahata, cofundador do estúdio Ghibli com Hayao Miyazaki e conhecido por “O Túmulo dos Pirilampos”, morreu aos 82 anos, anunciou o estúdio. Em comunicado, o estúdio confirmou que o realizador morreu na madrugada de quinta-feira, num hospital de Tóquio, onde tinha sido internado devido a um cancro do pulmão. A notícia, já confirmada pelo estúdio Ghibli, tinha sido avançada por vários meios de comunicação japoneses. Nascido a 29 de Outubro de 1935, Isao Takahata iniciou a carreira nos estúdios de animação Toei em 1959. Foi lá que conheceu Hayao Miyazaki. Em 1985, Takahata e Miyazaki fundaram o estúdio de animação Ghibli, considerado o principal estúdio de animação japonesa do mundo. “O Túmulo dos Pirilampos”, a história de dois PUB

irmãos que lutam para sobreviver no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, é considerado a sua principal obra. Isao Takahata dirigiu a série “Heidi”, em 1974, e “Marco, dos Apeninos aos Andes” (1976), bem como “Pompoko” (1994), “A Família Yamada” (1999) e, mais recentemente, “O Conto da Princesa Kaguya” (2013), uma adaptação de um conto popular datado do século X, considerado um dos textos fundadores da literatura nipónica. Nomeado para Óscar de Melhor Filme de Animação em 2015, “O Conto da Princesa Kaguya” conquistou o Grande Prémio Monstra para melhor longa-metragem da 14ª edição da Monstra – Festival de Cinema de Animação de Lisboa em 2015. Takahata tinha anunciado, na estreia desta obra, que seria o seu último trabalho. LUSA

FESTIVAL HUSH!! MÚSICA VOLTA À PRAIA DE

Dançar com O Festival “Hush!!” está de volta para mais uma edição entre os dias 29 de Abril e 1 de Maio na praia de Hac Sá. Este ano, a música vem acompanhada de algumas novidades, entre elas o Palco Summer Chill e a Discoteca Silenciosa GEG

J

Á é quase uma tradição. À medida que o mês de Abril chega ao fim e o regresso do calor convida à festa à beira-mar, a praia de Hac Sá recebe o “HUSH!! Concerto na Praia”. De acordo com a organização, o evento vai apresentar “um banquete

musical” dividido entre dois palcos. Uma das novidades é o “Palco Summer Chill”. A ideia por detrás deste espaço prende-se com a promoção de géneros musicais variados. Para o efeito, vai ser montado um stand de venda de discos, ao mesmo tempo que é dirigi-


eventos 11

segunda-feira 9.4.2018

HAC SÁ NO FINAL DO MÊS

m os pés na areia do o convite a artistas locais independentes para entrarem em contacto e partilharem as suas experiências e conhecimentos musicais. Os géneros presentes não podiam ser mais diversos e vão da música electrónica ao folclore, passando pelas desgarradas à cappella. Outra das novidades deste ano é a ligação do “Hush!!” ao “Kill the Silence”, “um popular festival de música experimental nas regiões de Hong Kong e Macau”, refere o comunicado oficial. De acordo com a organização será um momento único do “Hush!!”. Entretanto, a organização disponibilizou o cartaz do conhecido “Palco Onda Musical” que irá receber convidados estrangeiros e locais. Entre os artistas que vêm de fora contam-se os Crossfaith (Japão), Mary See the Future (Taiwan), Life and Time (Coreia do Sul), .gif (Singapura), Wu Tiao Ren (Haifeng, Guangdong), GDJYB (Hong Kong), Jason Kui (Hong Kong) e Eva Tana & Maisha (Yunan e Macau). Mas há ainda espaço para os talentos locais. Blademark, WhyOceans, Zenith, M7, Cancer Game, Ferdinand, Strawberry Kingdom, Seize the Throne, Serpent, Eva Tana & Sin Wong, Frog.W, Rachel & Judas Law (Macau e Hong

Kong), Akitsugu Fukushima, Romeu, Bobby, Kay & Coolson, Water Singers, Lobo Ip e a Associação de Promoção de Jazz de Macau vão mostrar o que se faz por cá. Dançar com headphones é uma opção bem conhecida em muitos locais mas que chega a Macau pela primeira no decurso do evento. A “HUSH!! Discoteca Silenciosa GEG” é o lugar designado para dançar “em silêncio”, nas noites de 29 e 30 de Abril. O espaço é patrocinado pela Galaxy Entertainment Group (GEG),

VER E APRENDER

Vai ser montado um stand de venda de discos, ao mesmo tempo que é dirigido o convite a artistas locais independentes para entrarem em contacto e partilharem as suas experiências e conhecimentos musicais

À semelhança das edições anteriores não vão faltar os workshops, desta feita dedicados à guitarra e ao beatbox. A aprendizagem de técnicas nas cordas vai estar a cabo de Jason Kui, de Hong Kong enquanto Sam Lau, também da região vizinha e membro do grupo à cappella “Yat Po Singers”, traz a percussão vocal. Paralelamente, o evento vai voltar a contar com um concurso de vídeo, o “Hush! 300 Segundos”. Para participar, é necessário apenas o preenchimento da ficha de inscrição. Os interessados têm como prazo limite da primeira fase de inscrição o dia de hoje, sendo que será aberta uma segunda fase entre amanhã e o dia 25 deAbril. As inscrições para os workshops e para o “HUSH!! Discoteca Silenciosa GEG” estão abertas, sendo os lugares limitados e distribuídos por ordem de inscrição. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Seminário Mulheres na contemporaneidade discutido na quarta-feira “O Desafio das Mulheres Artistas na Contemporaneidade” é o nome do seminário que vai ter lugar na próxima quarta-feira, pelas 19h, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM). O seminário vai ser orientado por Angela Li, uma jovem artista chinesa fundadora da ART23 Galeria de Arte Contemporânea, definido como um dos espaços de arte contemporânea mais influentes em Guangzhou. A palestra será conduzido em mandarim, embora

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O ÚNICO FINAL FELIZ PARA UMA HISTÓRIA DE AMOR É UM ACIDENTE • João Paulo Cuenca

Num futuro próximo na cidade de Tóquio, Shunsuke Okuda é um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas a sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, que é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. Com uma estrutura caleidoscópica e narradores tão surpreendentes quanto uma melindrosa boneca insuflável, o romance apropria.-se da cultura japonesa de ontem e de hoje para narrar uma história de amor surpreendente e perturbadora, em que a vida fragmentada das metrópoles, o voyeurismo e a perversão figuram como vilões onipresentes.

sejam disponibilizadas informações através de ‘power point’ em inglês. A iniciativa é organizada pelo Instituto Cultural, MAM e pelo Albergue SCM. A entrada é livre, embora seja necessário fazer a pré-inscrição para o seminário atendendo à capacidade limitada da sala. O evento insere-se na ARTFEM – a primeira bienal internacional de mulheres artistas – que se encontra patente no MAM até 13 de Maio.

Ensaio sobre a distinção

Prémio Vergílio Ferreira atribuído a obra de Maria do Rosário Cristóvão

O

Prémio Literário Vergílio Ferreira 2018, instituído pela Câmara Municipal de Gouveia, foi atribuído à obra “Que possível ensaio sobre a verdade em Vergílio Ferreira”, da autoria de Maria do Rosário Cristóvão, anunciou a autarquia. O anúncio do vencedor do galardão, que este ano distingue uma obra na categoria de ensaio, aconteceu no decorrer de uma sessão realizada na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, em Gouveia, por Alípio de Melo, representante da autarquia no júri. Segundo o responsável, o júri decidiu atribuir o prémio por “unanimidade”, a Maria do Rosário Cristóvão, professora de Filosofia, residente em Portimão, que concorreu com o pseudónimo Sebastião Moura. O prémio tem o valor pecuniário de cinco mil euros e a obra vencedora será editada pelo município de Gouveia, no distrito da Guarda. Segundo a autarquia de Gouveia, presidida por Luís Tadeu, ao prémio deste ano concorreram 31 trabalhos, na categoria de ensaio, destacando-se uma significativa participação de concorrentes brasileiros. As obras a concurso foram apreciadas por um júri constituído por Alípio de Melo (representante do Município de Gouveia), José Manuel Mendes

(Associação Portuguesa de Escritores) e Cristina Robalo Cordeiro (professora Universitária).

DISTINÇÃO ALTERNADA

Após o anúncio do vencedor do Prémio Literário, decorreu uma homenagem póstuma ao poeta, romancista e jornalista José Correia Tavares, falecido no dia 18 de Janeiro, que foi membro do júri do Prémio Literário Vergílio Ferreira desde 1997 até 2016. No âmbito da homenagem foi apresentada a sua obra póstuma “Herdeiro Universal”, numa iniciativa da Associação Portuguesa de Escritores em parceria com a editora Húmus e o Município de Gouveia. O Prémio Literário Vergílio Ferreira foi criado em 1997 pela Câmara Municipal de Gouveia, com o objectivo de homenagear o autor de “Manhã Submersa”, bem como defender e divulgar a criação literária em língua portuguesa. Inicialmente o galardão distinguia um romance inédito, mas a partir de 2007 passou a premiar, alternadamente, um romance e um ensaio literário. Vergílio Ferreira nasceu na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916, e morreu a 1 de Março de 1996. O Prémio Literário Vergílio Ferreira já distinguiu, entre outras, as obras “Dor de Ser Quase, Dor Sem Fim”, de Iolanda Martins Antunes (2016), “O Cómico em Vergílio Ferreira”, de Jorge Costa Lopes (2013), “Diário dos Imperfeitos”, de João Morgado (2012) e “Estação Ardente”, de Júlio Conrado (2006). LUSA

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL • Rui Cardoso Martins

Durante uma grande enxurrada em Lisboa, um homem - cego desde os 8 anos, advogado - cai numa caixa de esgoto aberta, situada junto da igreja de S. Sebastião da Pedreira. Na mesma altura, um escuteiro que regressava de uma actividade na mesma igreja é também arrastado para o mesmo esgoto. É a viagem de ambos, através de uma Lisboa subterrânea, enquanto cá fora são tomadas todas as medidas para os salvarem, que o autor nos conta neste segundo livro. Mas é também a entreajuda, a cumplicidade entre o cego e a criança, naquela terrível aventura.


12 china

A nova agência encarregue de supervisionar a ajuda prestada pela China além-fronteiras permitirá a Pequim desempenhar um papel “mais eficaz” como doador e coordenar o apoio financeiro com a sua agenda diplomática, afirmam analistas

9.4.2018 segunda-feira

ANÁLISE NOVA AGÊNCIA CHINESA TORNA “MAIS EFICAZ” APOIO DE PEQUIM AO EXTERIOR

A Rota do Ouro

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ESIGNADA como Agência de Cooperação e Desenvolvimento Internacional, a nova entidade aprovada esta semana no órgão legislativo chinês vai responder directamente ao Conselho de Estado, o órgão executivo máximo do país, e consolidar funções até agora dispersas entre os ministérios do Comércio e dos Negócios Estrangeiros. "A agência ajudará a reduzir a lacuna entre os crescentes recursos financeiros disponibilizados

pela China e a sua posição como parceiro de desenvolvimento", escreve Annalisa Prizzon, investigadora no centro de pesquisa com sede no Reino Unido Overseas Development Institute (ODI).

"Apesar do importante papel da China como doador, a sua visibilidade e participação nos mecanismos de coordenação dos países têm sido baixas", refere. Segundo a proposta apresentada pelo Governo chinês

ECONOMIA RESERVA DE DIVISAS DA CHINA AUMENTA 0.28 POR CENTO EM MARÇO

A

reserva de divisas da China, a maior do mundo, aumentou 0,28 por cento em Março, atingindo os 3,14 mil milhões de dólares (2,55 mil milhões de euros), informou o Banco Popular da China (o banco central). O país aumentou as suas reservas de moeda estrangeira em

6.780 milhões de euros, embora o crescimento tenha sido menor que o esperado, destacou a agência oficial de notícias chinesa Xinhua, citando previsões de analistas. Em todo o caso, o aumento representa o regresso à tónica de crescimento da reserva chinesa após a queda de Fevereiro, quando esta reduziu depois de 12 meses consecutivos em crescimento. O banco central divulgou também os dados das reservas de ouro do país, que se mantiveram nas 59,24 milhões de onças que, devido às oscilações de mercado valorizaram ligeiramente para 63.600 milhões de euros.

aos quase 3.000 deputados da Assembleia Popular Nacional, a nova agência "servirá a estratégia global do país, para avançar com a Nova Rota da Seda". A decisão surge numa altura de crescente sofisticação

da diplomacia chinesa, materializada naquela iniciativa - um gigantesco projecto de infraestruturas lançado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que abrange China, Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático.

PONTES PARA O MUNDO

Parte das novas ligações ferroviárias, portos, aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre previstas no programa estão a ser desenvolvidas em países e regiões voláteis. Barnaby Willitts-King, também investigadora no ODI, lembra como "as ambições globais da China a levam para regiões frágeis" do globo. "A China precisa de gerir os riscos de se envolver em regiões afectadas por conflitos e a nova agência poderá ser crucial nesse esforço", explica. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Mao Shoulong, professor do departamento de Administração Pública na Universidade Renmin, em Pequim, concorda que a nova agência reflecte a crescente importância do apoio financeiro na estratégia global da China. "Diplomacia e exército têm sido os dois pilares da sua estratégia internacional, mas a China depende cada vez mais dos laços económicos, incluindo ajuda financeira, para alcançar os seus objectivos", afirma. A China compete já com os Estados Unidos como maior doador do mundo, numa tendência que beneficia sobretudo África e Ásia, com Angola a figurar entre

Segundo a proposta apresentada pelo Governo chinês aos quase 3.000 deputados da Assembleia Popular Nacional, a nova agência “servirá a estratégia global do país, para avançar com a Nova Rota da Seda”. os três maiores receptores do apoio financeiro prestado por Pequim, logo atrás da Rússia e Paquistão, segundo a unidade de investigação sediada nos EUA ChinaAid. Entre 2000 e 2014, o país africano recebeu 11,5 mil milhões de euros em empréstimos e doações de Pequim, detalha a mesma fonte. Em troca, o país asiático "obteve condições favoráveis para a exploração de minérios" na nação africana, lê-se na pesquisa da China Aid. Aquela unidade de investigação estima que, no total, o país asiático doou cerca de 286 mil milhões de euros a 140 países, entre 2000 e 2014. Durante o mesmo período, a ajuda financeira prestada pelos EUA fixou-se em cerca de 319 mil milhões de euros.

TRUMP CONGRESSO NOTIFICADO DA IMPOSIÇÃO DE TAXAS SOBRE AÇO E ALUMÍNIO

O

Presidente dos EUA, Donald Trump, notificou formalmente o Congresso da imposição de taxas alfandegárias de 25 por cento para as do aço e 10 por cento para as de alumínio, uma medida polémica que deixou alguns países de fora. Sobre estes mesmos casos, Trump recordou que os países isentos destas tarifas têm até 1 de Maio para negociar com os EUA a manutenção desta isenção. “As tarifas alfandegárias sobre as importações alumínio e aço (provenientes) de Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, México, membros da União Europeia e Coreia do Sul estão suspensas

até 1 de Maio de 2018”, escreveu Trump, em carta dirigida aos líderes das maiorias republicanas no Senado e na Câmara dos Representantes, Mitch McConell e Paul Ryan, respectivamente. Por outro lado, Trump abriu a porta a futuros acordos com qualquer país aliado dos EUA que actualmente não esteja isento destas tarifas. “Qualquer país com uma relação de segurança com os EUA que não esteja isento continua a ser bem-vindo a discutir connosco uma possível isenção baseada em meios alternativos para abordar a ameaça de deterioração da nossa

segurança nacional”, escreveu Trump na sua carta. Trump assinou em 8 de Março a imposição destas taxas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio, decisão que foi então criticada pelo seu assessor económico na altura, Gary Cohn, que abandonou o cargo por divergências com o proteccionismo de Trump. A imposição destas tarifas alfandegárias foi o início de uma série de golpes nas últimas semanas entre a China e os EUA, que pode acabar no que os analistas classificam de “guerra comercial”.


região 13

segunda-feira 9.4.2018

TIMOR-LESTE LU OLO PEDE CAMPANHA SOBRE PROGRAMAS POLÍTICOS E SEM ATAQUES PESSOAIS

Quer um combate limpo

O Presidente timorense apelou no fim-de-semana aos líderes políticos do país para que na campanha para as eleições de 12 de Maio debatam programas, evitando ataques pessoais, com propostas de consolidação do desenvolvimento e da paz em Timor-Leste

“O

S cidadãos querem ouvir falar do programa político para desenvolver Timor-Leste. Vamos fazer uma campanha eleitoral livre, honesta e útil para melhorar o país”, afirmou Francisco Guterres Lu-Olo num discurso perante os principais líderes nacionais. “Apelo aos líderes, aos candidatos todos, aos activistas e simples cidadãos: não insultem. Apresentem políticas para o desenvolvimento. Para o bem do país, vamos trabalhar para tornar esta eleição um acontecimento importante no caminho do desenvolvimento, no processo de construção desta terra amada e no combate à pobreza em Timor-Leste”, frisou. O chefe de Estado falava na sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE) no encerramento da cerimónia de assinatura de um pacto de unidade nacional por representantes dos oito partidos e coligações

candidatos às eleições legislativas antecipadas de 12 de Maio. Centenas de pessoas, incluindo os titulares dos órgãos de soberania, líderes políticos, sociais e religiosos do país e representantes do corpo diplomático, acompanharam o evento, que começou com rituais conduzidos por chefes tradicionais (lian nain). A cerimónia decorreu dias antes da campanha eleitoral que começa na terça-feira com os partidos políticos espalhados em acções em praticamente todo o território timorense.

BUSCA DE ESTABILIDADE

Falando directamente aos líderes partidários, “mais velhos ou mais novos”, Lu-Olo pediu que as críticas e os debates na campanha se foquem “nas políticas e nos programas eleitorais que propõem” e “não no ataque às pessoas”. “Não tenho dúvida de que as críticas podem ser necessárias e úteis para fazer o debate político avançar e apontar caminhos para o

desenvolvimento”, afirmou. “Mas, agora, quando conquistámos a paz pelo sacrifício do nosso povo - do povo todo - os cidadãos não querem ouvir mais ataques às pessoas. Os cidadãos não querem sentir-se atacados por serem do partido A ou B ou C. Não”, enfatizou. Para Lu-Olo, as eleições de 12 de Maio devem servir para ajudar a “aprofundar a determinação dos

Falando directamente aos líderes partidários, “mais velhos ou mais novos”, Lu-Olo pediu que as críticas e os debates na campanha se foquem “nas políticas e nos programas eleitorais que propõem” e “não no ataque às pessoas”

cidadãos” com o trabalho focado “nas prioridades de desenvolvimento para melhorar as condições de vida do povo”. Frisando a importância do pacto de unidade nacional dos partidos e coligações, o Presidente da República disse que compete a todos os líderes políticos “garantir a paz, a estabilidade e as condições para o exercício dos direitos dos cidadãos, incluindo o direito ao desenvolvimento”. “Promover condições favoráveis ao desenvolvimento é um dever de todos e, em primeiro lugar, dos que querem estar na vanguarda do povo, para servir melhor Timor-Leste e os timorenses”, afirmou. O voto de 12 de Maio, relembrou, é uma oportunidade para dar “uma nova demonstração da cultura democrática do país e conquistar o reconhecimento e admiração da comunidade internacional”, transformando a política “num instrumento de desenvolvimento e melhoria do bem-estar para todo o povo”.

Deixando apelos à máxima participação eleitoral para “reforçar a democracia” timorense, Lu-Olo sublinhou a importância do pacto de unidade nacional, vincado em tradições ancestrais que são a “raiz” do país mas que podem e devem ser “harmonizadas” com a inovação necessária para o futuro. “Juntos, em paz e em estabilidade, podemos contribuir para Timor-Leste dar um salto em frente. Juntos podemos continuar a desenvolver a nossa terra amada para que todos possamos viver com mais bem-estar - agora e nos próximos cinco anos”, afirmou. Lu-Olo recordou que mais do que apenas simbólicas, os rituais tradicionais estão profundamente enraizados e trazem consigo um factor de obrigatoriedade, com ‘sanções’ próprias a quem não os respeitar e cumprir. “Se o prevaricador julga que fica impune engana-se, porque fica propenso a um agravo de consciência, mais cedo ou mais tarde”, disse, relembrando que a lei formal também prevê sanções para quem não cumprir as regras eleitorais. “Os que hoje assinaram este Pacto de Unidade Nacional prometeram obediência. Acredito que o irão cumprir, porque o fizeram com maturidade política e sinceridade, com um só objectivo: servir o país e o povo que todos nós amamos”, afirmou. A qualidade da democracia do país, disse, “é uma conquista” da sociedade timorense, que perante a crise dos últimos meses demonstrou grande “maturidade política”, aspecto que deve nortear a ação da liderança política.


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o meu coracão desce; ´ um balão apagado... Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Pintores de montanhas Um dos pontos em que as pinturas da China se cruzam com a pintura europeia toca numa questão sensível, como escreveu Confúcio nas Conversações: «Ao homem de inteligência agrada a água, ao homem de ren a montanha; a um o movimento, ao outro o repouso. O homem de inteligência vive feliz, o homem de ren vive muito tempo.» (Livro VI, 21)

P

AUL Cézanne (1839-1906) pintou incessantemente uma montanha. Outros pintores seus contemporâneos, como Van Gogh (1853-1890), sentiam-se atraídos pelo grafismo surpreendente das estampas japonesas mas a intuição de Cézanne aproximou-o daquele que se tornaria o motivo fundamental da arte e da cultura da China. A montanha, que ele designava como um «beau motif», era há séculos reverenciada na China e depois no Japão, estando na origem de pinturas e de poesias designadas «montanhas e águas», «shanshui». O Solitário de Aix-en-Provence Todas as pinturas da montanha de Cézanne eram diferentes, espelho da inquietação da sua procura que era já um encontro. O método de Cézanne era trabalhar «a partir da natureza», reencontrando a ordem e a harmonia dos velhos mestres como Nicolas Poussin (15941665). Cézanne cumpria na sua ter-

Gauguin partirá para o Tahiti, Van Gogh não voltará à Holanda. Todos em busca de ver «pela primeira vez» e resolver novos problemas que a arte da pintura se colocava a si mesma.

ra natal, no sul da França, um exílio voluntário, um destino partilhado por outros pós-impressionistas rebeldes que revolucionaram a pintura no século dezanove. Gauguin (1848-1903) partirá para o Tahiti, Van Gogh não voltará à Holanda. Todos em busca de ver «pela primeira vez» e resolver novos problemas que a arte da pintura se colocava a si mesma. No século dezoito na China, era já uma preocupação antiga que insistentemente se renovava. Shitao (1642-1707), um rebelde, escreveu: «Procurei incessantemente os cumes extraordinários, deles fiz esboços: montes e vales encontraram-se com o meu espírito e nele a sua impressão metamorfoseou-se, de modo que finalmente me são reconduzidos.» A modesta montanha de Cézanne tinha nome santo, Sainte-Victoire; montanhas sagradas na China estão há muito codificadas cinco, para abranger os quatro pontos cardeais mais o centro. De uma delas, Taishan, em Shandong, escreverá o poeta Du Fu (712-770): «Virá o dia em que subindo ao teu ponto mais alto verei os outros cumes à volta, desprezíveis diante da tua majestosa grandeza.» À altura prodigiosa das montanhas chinesas se refere a pintura de Shitao, «Observando a cascata no monte Lu» (c.1700) que é um dos cumes das duas artes irmãs, a pintura e a poesia, inspirada no poema de Li Bai (701-762), «A cascata de Lushan» que descreve o pico Xianglu, o «pico do turíbulo», ou «incensório», que exala as volutas de nuvens que envolvem constantemente o monte Lu em Jiangxi. Dele se pode olhar para o alto e pasmar: «Não será a Via Láctea tombando do céu?»1

1 - Traduzido por A. Graça de Abreu, em Poemas de Li Bai, Inst. Cultural de Macau, Macau, 1990, p.250-251.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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ofício dos ossos Valério Romão

“O

LHA, estava a pensar propor-te uma coisa: tenho visto os teus vídeos no Facebook, curto imenso da forma como tocas guitarra, acho que estás a ter a atenção que mereces e vais chegar muito longe. O meu primo tem um bar aqui onde vivo, é sensivelmente a uma hora de Lisboa, poderias vir cá um dia destes tocar, ficavas em minha casa, eu fazia-te o jantar e o pequeno-almoço, só tinhas de pagar as passagens, ia ser super divertido e era bom para te promoveres, o bar não é grande mas conseguimos ter lá na boa 30 pessoas se anunciarmos o teu nome com antecedência, e podes beber à pala.” “Gosto muito de te ver em palco. Tens presença, uma dicção irrepreensível, és seguro e, ainda assim, vulnerável. Parabéns. Vou dar um jantar cá em casa para a semana e pensei que poderias animar a noite – antes ou depois do jantar, logo veríamos – com um pequeno monólogo ou um improviso (desde que não fossem aquelas coisas incompreensíveis que alguns de vocês gostam de fazer, nisso, devo confessar, sou algo conservador, acho que o teatro tem que manter um certo nível de inteligibilidade e de seriedade para continuar a ser uma arte completa). Se quiseres ficas cá a dormir depois, garanto-te que faço um excelente pad thai, podes comer connosco à mesa, acho que os convidados vão achar piada e tenho imensa cerveja chinesa estupidamente gelada que vai maravilhosamente com as especiarias da comida tailandesa.” “Acho fantástico aquele edifício que desenhaste na Pascoal de Melo, conseguiste respeitar a paisagem e a identidade da rua sem comprometeres nada da tua estética, que é muito mais arrojada e contemporânea. Estou a pensar fazer obras em casa e queria dar ao empreiteiro uma planta em condições e uns 3D para que ele seguir e evitar confusões, que eu não falo a mesma língua que ele, mas tu sim. Podíamos combinar uma tarde aqui em casa, eu explicava-te o que pretendo e tu ias desenhando. Tenho uma garrafa de Lagavulin por abrir, quando acabássemos bebíamos um copo e fumávamos um daqueles charutos que trouxe de Cuba no ano passado.” “Eu não sabia que a casa era assim tão grande. E que precisava de tantas obras. Ou nunca teria arriscado marcar aquele jantar de que te falei, com o meu chefe e o chefe dele, lembras-te? É daqui a um mês. Gastei tudo quanto tinha a mobilar esta merda, agora tenho um canto na sala praticamente a ruir e não tenho como mandar arranjar aquilo, não queres passar por cá e vês se con-

BELISARIUS PEDINDO PARA AS ALMAS, JACQUES-LOUIS DAVID (PORMENOR)

Só dez por cento é verdade

segues pelo menos disfarçar a coisa? Eu sei que não és pedreiro ou estucador, mas já te vi no atelier de volta da pedra e do gesso e, para escultor, desenrascas-te muito bem com os materiais. Não precisas de trazer nada, tenho cá muitas sobras das obras da outra casa. No máximo, traz as tuas ferramentas, deves estar mais habituado. Depois, se quiseres, podes aparecer no jantar com o

meu chefe, desde que te vistas apropriadamente. Vamos ter ostras para entrada. Há quanto tempo não comes ostras?” “Fantástica aquela tua curta que ganhou em Berlim. Gostei imenso, já a mostrei aqui em casa, apesar de a qualidade do vídeo que meteste no Vimeo não ser perfeita. Vocês não filmam em 1080p? Aquilo tem um nadinha de grão a mais, mas isto sou eu que sou muito

“Eu sei que não és pedreiro ou estucador, mas já te vi no atelier de volta da pedra e do gesso e, para escultor, desenrascas-te muito bem com os materiais. Não precisas de trazer nada, tenho cá muitas sobras das obras da outra casa. No máximo, traz as tuas ferramentas, deves estar mais habituado. Depois, se quiseres, podes aparecer no jantar com o meu chefe, desde que te vistas apropriadamente.”

esquisitinho. Precisava de saber se terias uma tarde livre para editar um vídeo que fiz com a minha D600 para dar à Rita no dia de anos dela. Eu até me ajeito no Movie Maker, mas queria dar um ar mais pro, e tenho a certeza de que tu, com a minha orientação, eras a pessoa perfeita para conferir um toque de classe ao projecto. É por que o diabo está nos detalhes, sabes? É o que digo a todos os meus clientes. Comprei uma erva bestial quando fui a Amesterdão o mês passado. Se a coisa ficasse porreira, fumávamos uns a seguir e depois chamava-te um Uber para ires para casa. Que dizes?” “Gosto muito do que escreves. Gostava de te convidar para ler aqui no meu bar, todas as quintas. Pago-te uns copos antes – poucos, para a coisa não descambar – e outros depois da leitura. Tens namorada? Podes trazer a namorada. Ela também bebe à pala, desde que não sejam aqueles gins caríssimos ou whiskey velho. Só precisas de confirmar quanto tempo é de leitura. Menos de 45 minutos não vale a pena. Se forem duas horas, fazemos intervalo. Assim até dá para beberes mais.”


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desporto 17

segunda-feira 9.4.2018

LIGA DE ELITE C.P.K EM SEGUNDO COM VITÓRIA POR 2-1 FRENTE AO SPORTING

Diego, o salvador O Chao Pak Kei isolou-se no segundo lugar com um golo de Diego Patriota já nos tempos de desconto. Por sua vez, o Benfica de Macau é cada vez mais líder, após vencer a Polícia por 2-0

D

IEGO Patriota foi o herói do Chao Pak Kei e apontou os dois golos que permitiram à formação orientada por Ignacio Hui vencer o Sporting de Macau, por 2-1. O golo da vitória chegou no último lance da partida e vale o segundo lugar da Liga de Elite isolado ao C.P.K.

Com a luta pelo segundo lugar ao rubro, C.P.K. e Sporting de Macau defrontaram-se no sábado à noite, no Estádio de Macau, naquele que foi o primeiro encontro entre as duas formações esta temporada, em jogos oficiais. A partir dos minutos iniciais, o C.P.K. assumiu o controlo do encontro, com a equipa instalada no meio-campo defensivo do Sporting. Por sua vez, a formação orientada por Nuno Capela preocupava-se em não dar espaços defensivos, apostando em contra-ataques conduzidos pelos nigerianos Prince e Malachy, jogadores com uma velocidade muito acima da média. Foi nesta toada que a primeira oportunidade de golo surgiu para o C.P.K., aos 8 minutos, com Bruno Nogueira a rematar no bico da área do Sporting. O remate do brasileiro tomou a direcção da baliza, mas o guardião Rui Oliveira, atento, agarrou sem grandes dificuldades. Volvidos mais seis minutos, o C.P.K. voltou a ter uma nova oportunidade de golo. Após um

Após um primeiro cruzamento de longe, a defesa do Sporting não consegue aliviar a bola, que sobra para Lam Ka Seng. O jogador do C.P.K. em vez de rematar passa à entrada da área para Patriota, que coloca a bola junto ao poste esquerdo e faz o 2-1

livre na esquerda do ataque, marcado à Camacho, ou seja com um toque para a entrada da área, Diego Patriota surgiu na cara do golo. Com todo o tempo do mundo, o brasileiro rematou fraco, permitindo a Rui Oliveira mais uma defesa. Até ao intervalo a formação o Chao Pak Kei continuou a carregar e aos 34 minutos, Lam Ka Seng teve mesmo o golo nos pés. Contudo, à imagem de Patriota, rematou fraco no momento decisivo.

REVIRAVOLTA

Logo após o intervalo, a estratégia de Nuno Capela deu frutos. Num contra-ataque rápido, Prince passa por três defesas do C.P.K. e encontra, num misto de cruzamento e remate, Malachy, ao segundo poste. O nigeriano não perdoou e encostou para o 1-0. Um golo que premiou a eficácia leonina, contra o maior caudal ofensivo do adversário. No entanto, o empate chegou 10 minutos depois. Num lance com uma bola bombeada para a área, Eric Peres toca com um braço o peito de Danilo, que cai na área. O árbitro não tem dúvidas e apita para grande penalidade. Na consequência do lance, Peres teve mesmo de ser substituído devido a lesão no tornozelo. Na marcação do castigo máximo, Patriota rematou rasteiro para a direita da baliza e enganou o guarda-redes, que se atirou para o

2.ª Divisão Consulado de Portugal sofre quinta derrota

A formação do Consulado de Portugal perdeu, na sexta-feira, com o Chong Wa por 2-1, em partida a contar para a 2.ª Divisão. O Consulado sofreu o primeiro golo aos 17 minutos, mas aos 32 conseguiu empatar, por intermédio de Ruan Silva. O golo da derrota chegou ainda antes do intervalo, aos 41 minutos, por intermédio de Chiu Yue Ting. Com este resultado, o Consulado de Portugal soma três vitórias, um empate e quatro derrotas, em oito partidas. Já a Casa de Portugal entra em acção na quinta-feira, diante da formação dos sub-23.

lado oposto. Estava feito o empate a 1-1, quando o relógio indicava os 56 minutos. Com o jogo empatado o C.P.K. continuou mais pressionaste. A vitória poderia ter chegado logo aos 78 minutos, porém, Danilo teve um falhanço incrível, quando se conseguiu isolar. Lugar 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º

Finalmente, aos três minutos de desconto, surgiu o momento decisivo. Após um primeiro cruzamento de longe, a defesa do Sporting não consegue aliviar a bola, que sobra para Lam Ka Seng. O jogador do C.P.K. em vez de rematar passa à entrada da área para Patriota, que coloca a bola junto ao poste esquerdo e faz o 2-1.

BENFICA FIRME NA LIDERANÇA

Já na sexta-feira, o Benfica de Macau tinha ganho à Polícia por 2-0, num jogo mais sofrido do que inicialmente seria espectável. Os golos só surgiram no segundo tempo, primeiro por Pang Chi Hang, aos 49 minutos, e depois por Filipe Duarte, aos 89 minutos. No jogo dos últimos classificados o Hang Sai venceu os Serviços de Alfândega por 2-1 e o Ka I bateu o Lai Chi por 11-1. À hora de fecho da edição do HM, Monte Carlo e Ching Fung ainda estava a disputar o último jogo da jornada. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Equipa Pontos Jogos Vitórias Empates Derrotas Benfica 24 8 8 0 0 C.P.K. 19 8 6 1 1 Ka I 16 8 5 1 2 Sporting 16 8 5 1 2 Ching Fung* 14 7 4 2 1 Polícia 9 8 3 0 5 Monte Carlo* 7 7 2 1 4 Hang Sai 6 8 2 0 6 Alfândega 3 8 1 0 7 Lai Chi 0 8 0 0 8

Golos 36-5 50-8 34-7 27-6 12-9 11-22 9-11 7-37 4-41 4-50

* Ching Fung e Monte Carlo ainda estavam a jogar, à hora de fecho da edição do HM.


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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 49

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SALA 1

READY PLAYER ONE [B] Um filme de: Steven Slpielberg Com: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller 14.30, 19.00, 21.30

PETER RABBIT [B]

YO-KAI WATCH THE MOVIE: A WHALE OF THE WORLDS [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Shinji Ushiro 17.00

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Will Gluck Com: Domhnall Gleeson, Rose Byrne 16.00, 19.30

SALA 2

MARY MAGDALENE [B]

Filme de: Steven S. DeKnight Com: John Boyega, Scott Eastwood, Rinko Kikuchi, Zhang Jin

Um filme de: Garth Davis Com: Rooney Mara, Joaquin Phoenix,Chiwetel Ejiofor, Tahar Rahim 21.30

PACIFIC RIM: UPRISING [B]

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UM 3 1FILME 5 4HOJE 6 7 2

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Um estudo recente mostrou que 44 por cento das assistentes sociais em Macau consideram que a violência doméstica é um assunto familiar e que deve ser resolvido dentro das famílias. Tirando o facto da amostra ter sido limitada a cerca de 15 pessoas, que é um número francamente reduzido, os dados não deixam de ser preocupantes, enquanto indicador sobre alguns dos profissionais do sector. Ao ler sobre as conclusões do estudo, e aceitando igualmente que a maioria defende a criminalização da violência doméstica, não pude deixar de me questionar: quantos casos de violência doméstica são abafados porque, no final de contas, as agressões são “uma questão familiar”? É um assunto pertinente até porque na semana passada uma discussão entre pai e filho terminou em fratricídio, na Areia Preta. Em 2016, Macau deu um grande passo em frente, quando o Governo, ao contrário do que tem feito recentemente, principalmente na questão dos trabalhadores não-residentes, aceitou ser um factor de mudança e tornou a sociedade um pouco mais humana. Elogie-se o papel de Alexis Tam nesta questão, que com um grande apoio de movimento cívicos, como o da incansável irmã Juliana Devoy, conseguiu uma grande vitória ao nível dos Direitos Humanos. Porém, os dados apresentados mostram que ainda há um longo caminho pela frente, a começar pelas próprias assistentes sociais. João Santos Filipe

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STEEL RAIN | YANG WOO-SEOK | 2017

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14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

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S U D O K U

O CARTOON STEPH 49

1 2 67 3 4 6 3 2 2 7 2 7 5 6 15 4 2 61 3 3 1 4 25 6 6 53 21 7 6 7 25 6 4 1

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

EXPOSIÇÃO “JOSÉ MANEIRAS - MODERNISMO À MACAENSE” Pavilhão do Jardim Lou Lim Ieoc | Até hoje

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YUAN

VIDA DE CÃO

MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5

Cineteatro

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O desencadeamento de um golpe militar na Coreia do Norte, com a tentativa de homicídio do líder do regime, coloca a península à beira de uma guerra nuclear. No meio da confusão, o espião norte-coreano Eom Chul-woo, interpretado pelo actor Jung Woo-sung, foge para o sul da península com o líder do regime, que se encontra inconsciente. É a partir da Coreia do Sul que Eom se vai ter de aliar com o agente inimigo Kwak Chul-woo, interpretado por Kwan Do-won, de forma a restaurante a normalidade na Coreia do Norte e evitar uma guerra nuclear. João Santos Filipe

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Nick Park 14.15, 17.45

PETER RABBIT [B]

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opinião 19

segunda-feira 9.4.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

THE WATER TROLL WHO EATS ONLY YOUNG GIRLS, THEODOR KITTELSEN

O

meu habitat é a caixa de comentários de uma qualquer rede social. Aí floresço como uma trepadeira argumentativa sustentada por um emaranhado de memes e enfurecedores desafios ao conhecimento adquirido. Sou o assassino a soldo que veio matar o diálogo através de verborreia inflamável. Quero que tudo arda, principalmente a paciência dos meus incautos interlocutores que pensam ingenuamente que estão a ter uma conversa. O comentário que responde ao que escrevi é o meu sustento, alimento-me da reacção que consigo despoletar face ao arrazoado de bombas verbais que despejo indiscriminadamente tanto em cima de assuntos sérios, como da mais banais trivialidades. Este é o ambiente onde prospero. Se me vir na circunstância menor de discutir um assunto à mesa de um café tenho de conceder a minha intransigência à concórdia e render alguns dos meus inquinados trunfos. Frente a frente tenho, de rosto descoberto, sinto-me nu e exposto. A remanescente humanidade que ainda possuo tende a ceder pontos num debate deste tipo. Perco capacidades de litígio e a minha indignação esmorece, verga-se perante os argumentos do lado oposto. Mas ao menos vinco essa oposição, o mínimo que posso fazer. Irrita-me o compromisso, a cedência que em presença tenho de fazer quando me apresentam um pedaço de informação desconhecido acompanhado de um rosto que pode, não ou, sorrir-me. Frente-a-frente não consigo responder com a bomba de fumo da comunicação cibernética que é o meme, ou a exclamação espasmódica de “fake news”. As outras armas que não convém usar numa conversa em presença é o desvio de conversa para o “então e...”, ou a velha, mas sempre útil, ofensa pessoal. Outra das chatices do falatório presencial é a ausência de caps lock na vida real, até porque não quero dar muito nas vistas e GRITAR NUMA ESPLANADA. A minha voz não se fez para os decibéis elevados, apenas o meu teclado. Como sou um ser que floresce na treva, vivo entrincheirado na minha própria cabeça, preso naquilo que considero ser a minha verdade, que deixou de ser algo universal para passar a ser do domínio pessoal. A minha verdade é uma arma de arremesso argumentativo e uma armadura que protege a minha identidade.

Trol

Para além do músculo, o meu coração é a minha identidade. Eu sou aquilo que penso ser a minha verdade. As minha opiniões fazem parte da estrutura que me compõe. Não tenho opiniões a favor ou contra, eu sou contra ou a favor. Preto e branco. Nuance é o nome que deram às fraquezas dos que se irritam comigo nos comentários de um grupo de Facebook. As minhas posições definem-me, constituem aqui-

Nuance é o nome que deram às fraquezas dos que se irritam comigo nos comentários de um grupo de Facebook. As minhas posições definem-me, constituem aquilo que sou. Discordar do que digo é invalidar a minha existência. Vivo, respiro e concebo-me nas minhas opiniões

lo que sou. Discordar do que digo é invalidar a minha existência. Vivo, respiro e concebo-me nas minhas opiniões. Este foi o resultado de um isolamento a que me votei, é o somatório da distância que ganhei com os outros através de uma ferramenta que deveria servir para aproximar pessoas e facilitar a comunicação. Eu sou a pedra na engrenagem, a misantropia na rede social, a salada de palavras que não pretende ter legibilidade. Quero marés altas de spam a inundar todos os cantos da Internet e extravasar para o mundo palpável. Quero um mundo a arder, nervos em franja daqueles que me respondem ou leem, quero atenção, visibilidade neste campo de batalha virtual. Quero tumultos na rede, cascas de banana no chão, pedras nos sapatos. Quero ser lido e validado por aquilo que sou, e aquilo que sou é aquilo que penso. Sou a materialização rasteira da máxima descartiana. “Troglodytarum, ergo sum”. Alimentem-me, por favor. Procuro em vós a autenticação, ratifiquem-me com a vossa ira, legitimem-me com a vossa atenção. Odeiem-me que eu adoro.


Não há segredos que o tempo não revele. Jean Racine

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 9.4.2018

AEROPORTO MAIS DE DOIS MILHÕES DE PASSAGEIROS NO PRIMEIRO TRIMESTRE

TIAGO ALCÂNTARA

Terminal composto

acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pela CAM. Durante esse período, foram registados 15 mil voos, o que representa um aumento de 14 por cento comparativamente ao ano anterior. Só nas férias da Páscoa, entre a sexta e segunda-feira, foram contabilizados 90 mil passageiros, mais 12 por cento em relação ao mesmo período de 2017. Os mercados da China, do Sudeste Asiático e de Taiwan registaram um

aumento de 33, 19 e 7 por cento, respectivamente. Já as viagens em companhias aéreas convencionais e de baixo custo registaram aumentos respectivos de 23 e 17 por cento. Com a entrada no mercado de novas transportadoras, a CAM afirmou esperar “manter a tendência de crescimento” no segundo trimestre do ano. Além do voo directo entre Macau e Moscovo, que irá arrancar em Maio com duas ligações semanais,

SÍRIA TRUMP CHAMA “ANIMAL” A BASHAR AL- -ASSAD DEVIDO A ALEGADO ATAQUE QUÍMICO

O

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apelidou ontem de “animal” o seu homólogo sírio, Bashar al-Assad, devido ao alegado ataque com armas químicas em Douma, considerando que Damasco terá de “pagar um preço alto”. “Numerosos mortos, entre os quais mulheres e crianças, num estúpido ataque QUÍMICO na Síria”, afirmou Trump a propósito de um bombardeamento aéreo, alegadamente do regime sírio, contra a aldeia rebelde de Douma. “A zona das atrocidades está confinada e cercada pelo

exército sírio, tornando-a completamente inacessível ao resto do mundo. O Presidente Putin, a Rússia e o Irão são responsáveis pelo seu apoio ao Animal Assad. É preciso pagar um preço alto”, sublinhou o Presidente norte-americano, sem precisar quem tem de pagar o preço e que preço será esse. A 7 de Abril de 2017, Donald Trump ordenou um ataque aéreo - com mísseis tomahawk - contra uma base aérea síria que, segundo Washington, albergava armas químicas. Esta instalação tinha servido de base para um ataque com armas químicas

poucos dias antes, contra a localidade rebelde de Khan Cheikhoun. “É preciso abrir imediatamente a área para ajuda médica e inspeções”, exigiu ainda o chefe de Estado americano. Trump também criticou o seu antecessor, o democrata Barack Obama, por não ter posto em prática o plano, de 2013, de atacar Bashar al-Assad se este usasse armas químicas. Caso isto tivesse sido feito, afirmou Trump, “o desastre sírio estaria terminado há muito tempo e o Animal Assad já seria história” antiga, sublinhou.

Sarampo Faltam contactar 42 residentes No total foram 114 os residentes de Macau que viajaram nos quatro voos com pessoas infectadas com sarampo realizados pela Tigerair, entre a RAEM e Taiwan. De acordo com os Serviços de Saúde, já foram contactados 72, sendo que estão em falta 42 passageiros. “Só contactamos 72 residentes e os outros, se calhar, ainda estão em viagem. Quando voltarem para Macau, a entidade competente vai notificá-los”, disse ontem o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, aos jornalistas, à margem da conferência “Respostas de Emergência e Partilha de Experiências e

Capacitação” que decorreu em Coloane. De acordo com o responsável, os residentes implicados têm idades entre os 2 e 78 anos de idade. Lei Chin Ion garante que a situação não é alarmante até porque cerca de 95 por cento dos residentes estão vacinados e Macau tem o certificado de erradicação da doença desde 2014.Entretanto, oito residentes foram vacinados com urgência depois de terem viajado em voos da Tigerair Taiwan com tripulantes infectados. Este procedimento abrangeu apenas os passageiros do voo da Tigerair do dia 2 de Abril, entre Taoyuan e Macau.

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Aeroporto Internacional de Macau (MIA, na sigla em inglês) registou mais de dois milhões de passageiros no primeiro trimestre do ano. Trata-se de um aumento de 20 por cento em comparação com o período homólogo do ano passado. Entre Janeiro e Março, o aeroporto recebeu, diariamente, uma média de 22 mil passageiros em 160 movimentos aéreos, de

a CAM irá cooperar com mais companhias aéreas internacionais com vista a voos “charter”. O objectivo é apoiar o desenvolvimento de Macau como centro de lazer e de turismo mundial, indicou a empresa na mesma nota. A empresa prometeu ainda “acelerar o ritmo da modernização das instalações aeroportuárias no futuro”, dado que o tráfego médio diário atingiu os 22 mil passageiros e, tendo em conta, “as oportunidades resultantes da entrada em funcionamento da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

Hoje Macau 9 ABR 2018 #4026  

N.º 4026 de 9 de ABR de 2018

Hoje Macau 9 ABR 2018 #4026  

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