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SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 9 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3991

hojemacau

ALTO DE COLOANE | MP PROMETE

TODOS SERÃO INVESTIGADOS

TIAGO ALCÂNTARA

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CONDUTORES DA CHINA

CARTAS NA MESA

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PÁGINA 7

BYUNG-CHUL HAN

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Hatos e Homens O Governo facilitará o acesso a habitação social a quem tiver sido atingido por calamidades como o tufão Hato. E os jovens também são contemplados nas novas medidas.

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PÁGINA 4

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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O CANSAÇO DE NÃO SER h


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ROGÉRIO MIGUEL PUGA

ENTREVISTA

“Forbes reforçou a fortuna em Macau”

A passagem de comerciantes britânicos por Macau originou uma forma linguística própria. Qual a dimensão identitária deste dialecto? O chinese pidgin english foi uma língua comercial que primeiro faz um decalque do crioulo, do papiação de Macau, e que depois os ingleses e os americanos em Macau utilizam para falar com os chineses. É uma língua comercial, com uma estrutura uma estrutura sintáctica muito básica. Não chega a ser crioulo, o pidgin passa a crioulo quando as crianças aprendem esse pidgin como língua nativa, como nunca se instalou nunca passou a crioulo. É daí que vêm as expressões como “long time no see”, “no can’t do”, são expressões de chinese pidgin english, traduções directas do cantonense e que entram na língua inglesa em Macau e em Cantão no século XVIII e XIX. Como a palavra “savvy” que vem do português “saber”. O pidgin morreu, ninguém o fala, mas o primeiro relato de viagem que fala no século XVIII do pidgin english é quase todo português. Surge com um chinês a perguntar a um inglês “queles pequena ou glande whole”, “queres uma prostituta alta, ou baixa”. O pidgin começa a ser um decalque directo do português, com a palavra whore sem o fonema “r”. Quando os americanos e os ingleses regressam aos seus países continuam a utilizar estas expressões, são copiadas e acabam por entrar na língua inglesa. Esse chinese pidgin english passa a ser um traço identitário dessa comunidade comercial que viveu no sul da China, que regressou multimilionária e que o pidgin como tique de alguém que esteve na China para fazer “show off” e criar uma noção de identidade.

ainda hoje se utiliza muito a expressão “Kowloon Side”, isto é uma expressão fóssil do chinese pidgin english que ficou no dia-a-dia, mas que desapareceu com a comunidade mercantil e a internacionalização do inglês no século XX.

O chinese pidgin inglês não teve a penetração, durabilidade e identidade do patuá. Não, porque os ingleses eram temporários aqui. Vinham com a Companhia das Índias e iam embora. Mas foi falado em Macau, nos portos todos que foram abertos depois da Guerra do Ópio e em Hong Kong. Em Hong Kong desaparece nos anos 50, mas

Os britânicos e norte-americanos que vinham para Macau tinham uma vida social muito particular. Quais as suas especificidades? Viviam em “golden ghettos”. Os americanos vinham para Macau comprar chá. Aliás, o Boston Tea Party, que marca o início da independência norte-americana, é com chá de Cantão. Logo a

PAULO CORDEIRO

ACADÉMICO

Até à fundação de Hong Kong, Macau era a porta de entrada na China, facto que levava a que muitas famílias anglófonas se fixassem no território administrado por portugueses. O cruzamento entre fontes em língua inglesa e portuguesa permitiriam ao investigador Rogério Miguel Puga desvendar o século XVIII e XIX de Macau e da região

seguir à independência dos Estados Unidos da América eles enviam um navio para Macau e o responsável por essa missão torna-se no primeiro embaixador dos Estados Unidos na China e vivia em Macau. Isto foi antes da abertura de Hong Kong, portanto, Macau era a única porta de entrada para a China, ou para o complexo de feitorias em Cantão que também era fechado, tal e qual

como Macau. Estes “golden ghettos” eram constituídos por grupos de comerciantes americanos, ingleses, dinamarqueses e portugueses que viviam em Macau, porque não podiam viver na China e que depois subiam a Cantão onde viviam numa espécie de aglomerado murado de feitorias, de onde não podiam sair. Não chegavam a entrar em Cantão, por isso é que é um “golden ghetto”, eles iam

“Ainda hoje há muitos turistas americanos que vêm a Macau visitar os antepassados que estão sepultados no Cemitério Protestante, fazem excursões e faz parte da mitologia das famílias.”

fazer comércio, ficavam lá seis meses, as mulheres ficavam em Macau. As mulheres estrangeiras não podiam entrar na China. Há um episódio de uma jovem e a tia entram disfarçadas de homens e os chineses param o comércio enquanto as senhoras não saíssem de Cantão. Porquê esta restrição? Acho que era uma forma de evitar que os estrangeiros se estabelecessem com famílias na China de forma duradoura. Era uma maneira de serem apenas pássaros migratórios, que apenas estavam de passagem. Por isso é que Macau ficou tanto tempo sobre administração dos portugueses, foi muito

útil para as administrações chinesas. Tinha o comércio e depois era delegado nos portugueses a administração dos estrangeiros todos, Macau funcionava como um tampão. Era um “ghetto” porque viviam fechados em Macau e em Cantão. “Golden” porque eram pessoas ricas, quem vinha como comerciante para a China já era rico. Os próprios sobrecargas da Companhia das Índias inglesa também já eram de famílias abastadas. Já tinham dinheiro mas reforçavam as fortunas. A família Forbes reforçou a fortuna em Macau. Os Delano, nomeadamente o tetra-avô do presidente Franklin Delano Roosevelt morou em


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é portuguesa, mas tem um nome inglês, porque foi arrendada ao director da Companhia das Índias inglesa cá em Macau. Não havia viajante que não visitasse a Casa Garden e a Gruta de Camões. O nome do poeta é internacionalizado em Macau, todos os viajantes americanos que vinham a Macau eram levados à gruta e diziam-lhes que, de acordo com a lenda, Camões terá escrito uma grande parte de “Os Lusíadas” naquela gruta. Macau funcionou sempre como um espaço de divulgação da cultura portuguesa para qualquer viajante que fizesse uma circunavegação, uma viagem científica. Paravam aqui e eram confrontados com a cultura portuguesa. Nomearia a Casa Garden, o Cemitério Protestante, a Capela Protestante. Grande parte da colecção da Biblioteca Morrison da Universidade de Hong Kong foi feita com base nos livros de língua inglesa que estavam em Macau e Cantão que esses comerciantes traziam e deixavam em Macau. O primeiro museu que abriu portas na China foi em Macau, pela mão destes ingleses, quer missionários, quer comerciantes. Há uma série de heranças que persistem.

Macau. Mas também havia muitos comerciantes que faziam fortuna durante quatro ou cinco anos, regressavam aos Estados Unidos, investiam e perdiam a fortuna e regressavam mais uns anos a Macau para recuperar o dinheiro perdido. Construíam mansões onde punham todas as coisas chinesas, os artefactos culturais e isso tornava-se uma marca de riqueza, sobretudo na zona e nos portos de Boston, Nova Iorque e Filadélfia. Era uma marca de um estatuto especial, uma forma de “show off”. Hoje usamos BMWs e Audis, na altura eram os artefactos chineses, as sedas, os leques de marfim e o uso do chinese pidgin english.

Ainda existem vestígios destas comunidades por cá? Existem, sobretudo arquitectónicos. O Cemitério Protestante, onde estão sepultados muitos dos americanos que morreram em Macau e que não podiam ser sepultados em território católico. A Companhia das Índias compra o terreno e todos os norte-americanos, ingleses eram enterrados aí. Pode-se fazer a história do comércio

e da presença americana, das suas famílias, com base no cemitério. Ainda hoje há muitos turistas americanos que vêm a Macau visitar os antepassados que estão sepultados no Cemitério Protestante, fazem excursões e faz parte da mitologia das famílias. Macau é assim uma coisa distante e exótica. O Cemitério Protestante é muito referido nos diários das mulheres que viveram em Macau. A Casa Garden

“A família Forbes reforçou a fortuna em Macau. Os Delano, nomeadamente o tetra-avô do presidente Franklin Delano Roosevelt morou em Macau.”

Como académico e investigador, como começou este fascínio por esta zona do globo? Foi em miúdo. Lembro-me de estar na escola, no 9º ano, e a minha professora de história fazer uma exposição das casas portuguesas de Macau. Desde aí senti um fascínio. A arquitectura portuguesa na China foi algo que mexeu comigo. Depois quando fiz a investigação para o doutoramento decidi estudar Macau na literatura inglesa e nas fontes inglesas, que era uma coisa pouco estudada, podendo cruzá-la com as fontes portuguesas. Porque há muitos vazios nas fontes portuguesas que eram revelados nas fontes inglesas e vice-versa. Como por exemplo... Tricas com barcos, ou amantes locais que mantinham, rixas locais que não queriam que os directores da Companhia das Índias soubessem, mas os portugueses refe-

“O Boston Tea Party, que marca o início da independência norte-americana, é com chá de Cantão. A seguir à independência enviam um navio para Macau e o responsável por essa missão torna-se no primeiro embaixador dos Estados Unidos na China e vivia em Macau.” riam-nas na documentação que enviavam para Portugal e vice-versa. Segredos que os portugueses não gostavam que chegassem a Portugal e que os estrangeiros de língua inglesa referem, até porque havia espionagem comercial. Este cruzamento de olhares é muito interessante. Por exemplo, os americanos estranhavam uma coisa que um português nunca estranharia: o repicar os sinos a toda a hora. Um protestante acha que nós somos malucos e queixa-se dos incessantes toque dos sinos. Este olhar protestante sobre Macau é muito interessante porque nos permite perceber as especificidades do quotidiano de Macau que, como portugueses, não conseguimos por não haver distância suficiente.

Economicamente foi um grande choque. As águas do Porto de Hong Kong eram profundas, ao contrário de Macau, então os barcos a vapor deixam de vir para cá a passam a ir para Hong Kong. Ferreira do Amaral e os sucessivos governadores tentam responder tornando o Porto de Macau franco, exigindo da China as mesmas garantias que tinham dado a Hong Kong, em muitos casos em vão. Mas a importância regional de Macau muda completamente, sobretudo, com a Guerra do Ópio que dá na fundação de Hong Kong. Foi uma mudança de grande impacto ao nível do arrendamento de casas, aluguer de barcos, comércio, mobílias, todas as despesas que essa comunidade endinheirada tinha

“Long time no see”, “no can’t do”, são expressões de chinese pidgin english, traduções directas do cantonense e que entram na língua inglesa em Macau e em Cantão no século XVIII e XIX. Como a palavra “savvy” que vem do português “saber.’’ A partir do momento em que se dá a fundação de Hong Kong e o comércio anglófono se desloca para lá, como fica a situação social de Macau? Não é uma transição assim tão rápida, é gradual. No início de Hong Kong havia muitas doenças, a cidade estava a ser construída. Se alguém tivesse uma família não a levaria imediatamente para Hong Kong. O êxodo é gradual. Mas muitas firmas mantiveram uma representação em Macau, apesar da grande debandada anglófona. Como é que isso foi sentido pelas comunidades portuguesa e chinesa de Macau?

em Macau desaparecem. Há um impacto grande na economia local e na sociedade. A comunidade inglesa promovia eventos culturais. Houve representações de Shakespeare em Macau, óperas, o Chinnery pintava os cenários das peças de teatro que eles encenavam. Claro que isto era muito circunspecto à comunidade britânica. Mas, de qualquer forma, animavam a vida cultural da cidade e o Governador e a elite portuguesa era convidada para estes acontecimentos. João Luz

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9.2.2018 sexta-feira

HABITAÇÃO SOCIAL POBREZA E CALAMIDADES DARÃO FACILIDADES DE ACESSO

A nova proposta de lei de habitação social prevê que, em caso de calamidades ou de pobreza extrema, os candidatos possam ter maior facilidade de acesso a um apartamento. A decisão deverá caber ao Chefe do Executivo, mas os deputados têm dúvidas sobre qual o governante com competência sobre esta matéria

O

S deputados da 1ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) estiveram ontem novamente reunidos com o Governo para discutir a proposta de lei da habitação social na especialidade. O deputado Ho Ion Sang, que preside à comissão, garantiu que serão criadas situações excepcionais para aqueles que sejam vítimas de calamidades ou que fiquem em situação de pobreza extrema. Esses casos vão fazer com que os candidatos possam ter uma casa mais rapidamente, sem ser necessário permanecer na lista de espera. Haverá também abertura para aqueles que não são candidatos a uma habitação social e que necessitem urgentemente de um sítio para viver. “O Governo concordou que, no futuro, serão inseridas algumas isenções para os casos excepcionais. Para as pessoas que se vejam

“Para as pessoas que se vejam numa situação mais desfavorecida, ou que sejam vítimas de calamidades ou desastres, podem ser levantadas as restrições impostas e podem estas pessoas candidatar-se a uma habitação social.” HO ION SANG DEPUTADO

numa situação mais desfavorecida, ou que sejam vítimas de calamidades ou desastres, podem ser levantadas as restrições impostas e podem estas pessoas candidatar-se a uma habitação social”, explicou o deputado. Nos casos de extrema pobreza, esta tem de ser sinalizada pelo Instituto de Acção Social (IAS). Estão também previstos casos de pessoas que residem em prédios muito antigos e em risco de queda. Ho Ion Sang falou mesmo do caso do edifício Sin Fong Garden, em que alguns moradores continuam a residir em quartos de hotel ou a receber subsídios para arrendar casas. “O Governo poderá dispensar determinados requisitos, como ter sido proprietário de uma habitação económica. No caso do Sin Fong Garden, como o Governo não tinha reservas de habitação social, tiveram de ser pagos quartos de hotel. No último tufão Hato o Chefe do Executivo poderia ter resolvido urgentemente as necessidades de habitação das vítimas”, exemplificou. Nestas situações, será o governante a decidir os prazos dos contratos e as rendas a serem pagas. Apesar de, como notou Ho Ion Sang, estas excepções irem de encontro à finalidade do diploma, a comissão mantém dúvidas quanto à competência para atribuir estas casas: será do Chefe do Executivo ou do presidente do Instituto da Habitação (IH)? “Cabe ao Chefe do Executivo autorizar os pedidos, mas há uma questão relacionada com as competências. Numa situação de pobreza, por exemplo,

Fórum Macau deverá ser alvo de uma avaliação externa O secretariado permanente do Fórum Macau esteve em Pequim onde foi feito um balanço dos trabalhos realizados em 2017 e o plano de actividades para este ano. Segundo um comunicado oficial, nos próximos meses pretende-se realizar uma avaliação externa

TIAGO ALCÂNTARA

Desgraçado também mora

cabe ou não ao Chefe do Executivo decidir? Ou entregamos esse poder ao presidente do IH? No futuro vamos melhorar a redacção destes artigos, no sentido de clarificar as competências”, adiantou.

CLARIFICAÇÃO PRECISA-SE

Além dos casos de pobreza extrema, de ocorrência de calamidades ou da queda de edifícios antigos, a proposta de lei prevê ainda outros casos excepcionais que vão facilitar o acesso a uma habitação social.

ao organismo. “Relativamente aos trabalhos futuros, o Fórum Macau irá organizar uma série de actividades por ocasião das comemorações do 15º aniversário do estabelecimento do Fórum Macau, incluindo a realização da Avaliação Externa do Fórum de Macau.”

A título de exemplo, os membros do agregado familiar de um proprietário de uma habitação económica, ou de alguém que tenha beneficiado de uma bonificação de juro de quatro por cento, poderão ser candidatos a casas sociais. Por decidir está a definição do estudante a tempo inteiro, sendo que o Governo vai ponderar uma conjugação com a questão do acesso com uma idade mínima de 23 anos. “Se ficar decidido que são 23 anos [a idade mínima], então

Deverá também realizar-se um seminário sobre o mesmo assunto. A visita realizou-se entre os dias 28 de Janeiro e 1 de Fevereiro, sendo que a secretária-geral do Fórum Macau, Xu Yingzhen, falou também da “conclusão integral do programa de trabalho de 2017”.

não faz sentido manter a questão dos estudantes a tempo inteiro. Este assunto foi adiado para ser discutido posteriormente”, apontou o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. Ho Ion Sang lembrou que a comissão continua a pedir uma maior clarificação sobre este ponto. “Se a idade de 23 anos for confirmada aí poderemos resolver a questão da definição de estudante a tempo inteiro. Temos de conjugar esta situação com o artigo dos casos excepcionais. Queremos que o Governo admita alguns casos excepcionais para que aqueles estudantes consigam, numa situação especial, requerer uma habitação social. Isto tem a ver com a finalidade da proposta de lei, que é ajudar as pessoas”, rematou. Andreia Sofia Silva e João Luz info@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 9.2.2018

A RÓMULO SANTOS

Direcção de Serviços de Finanças garante que vai fazer tudo para garantir que a medida do imposto de selo especial para quem a compra da segunda e terceira casas em Macau tenha o efeito pretendido de diminuir a procura e arrefecer o mercado de habitação. A promessa foi deixada pelo director dos serviços Iong Kong Leong, após a Assembleia Legislativa ter chumbada parte da proposta apresentada pelo secretário Lionel Leong. Segundo a intenção original do Governo recusada pelos deputados, as pessoas casadas tinham de pagar um imposto extra de selo na compra da segunda casa ou terceira casa,

HABITAÇÃO APESAR DE CHUMBO GOVERNO COMPROMETE-SE A ARREFECER MERCADO

A força da vontade imóvel no caso da segunda casa, nem de dez por cento nas restantes. Ontem, Iong Kong Leong admitiu que as pessoas possam sair beneficiadas se optarem por transmitir os imóveis para a habitação, mas recordou que se a transmissão acontecer antes de passarem três anos, após a compra da casa, que estão sujeitas a um imposto de selo.

GCS

Apesar de Lionel Leong não ter conseguido convencer a Assembleia Legislativa a aprovar a lei para o pagamento de imposto de selo extra na compra de segunda e terceira habitação entre casais, as Finanças prometem trabalhar para fazer cumprir o diploma

MEDIDAS DIFERENTES

independentemente da titularidade da primeira habitação poder estar apenas em nome de um dos membros do casal. Os deputados consideraram a proposta injusta e demonstraram receio que fosse um incentivo para que as pessoas não se casassem.

“Respeitamos todas as opiniões partilhadas na Assembleia Legislativa. Vamos ter de actuar de acordo com a legislação aprovada para impedir que as pessoas evitem o imposto.”

“Respeitamos todas as opiniões partilhadas na Assembleia Legislativa. Vamos ter de actuar de acordo com a legislação aprovada para impedir que as pessoas evitem o imposto. Vamos actuar dentro da forma como a lei foi aprovada e fazer o nosso trabalho e esforços para lidar com a situação”, afirmou Iong Kong Leong, em conferência de imprensa. A proposta do Governo tinha o objectivo de evitar que os membros do casal fugissem ao pagamento do imposto de selo extra, ao escolherem o regime de separação de bens e colocarem todos os bens em nome de um único membro. Assim, se a compra for feita pelo membro sem habitação em seu nome, não há pagamento de um acréscimo de cinco por cento sobre o valor do

Além do imposto, o Governo anunciou um esquema para facilitar o acesso por parte dos jovens com idades entre os 21 e os 44 anos aos crédito para a compra da primeira casa. A medida só está disponível para casas com valor até aos 8 mil milhões, com a taxa de cobertura do empréstimo a variar entre os 80 e 90 por cento. A medida foi questionada pelo facto de por um lado se pretender

limitar o acesso ao mercado com um novo imposto, mas por outro de facilitar o crédito. No entanto, os representantes defenderam que se tratam de coisas diferentes: “São medidas diferentes, mas faz sentido falar em contraditórias”, justificou Lau Hang Kun, representante da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Esta medida foi também explicada com o facto de haver pessoas que têm capacidade para pagar as prestações mensais, mas que não conseguem juntar o suficiente para cobrir a entrada do empréstimo. No entanto, Lau Hang Kun sublinhou que se exige cautelas aos jovens e bancos, para que não se endividem acima das suas capacidades. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ENTREGUES QUASE DEZ MIL BOLETINS DE CANDIDATURA

O

Instituto da Habitação (IH) recebeu um total de 9.600 boletins de candidatura para o mais recente concurso para a atribuição de habitações sociais, cujo prazo chegou ao fim esta quarta-feira. De acordo com um comunicado, metade dos candidatos não entregou todos os documentos necessários, e, caso não o façam até 2 de Março, serão desqualificados. “Os principais documentos em falta são relativos a documentos comprovativos dos rendimentos e do património líquido, nomeadamente: documento comprovativo do rendimento mensal, e documento comprovativo emitido pelo banco ou caderneta bancária, com o valor patrimonial líquido, na data definida”, explica o IH. Além disso, “após o termo do prazo da entrega dos documentos em falta, o IH irá iniciar, de imediato, os trabalhos de apreciação das candidaturas e proceder à elaboração da lista provisória de espera e lista de candidatos excluídos”.

PONTE HZM APESAR DAS FALSIFICAÇÕES, VISTORIA FOI CONCLUÍDA COM SUCESSO

A

vistoria da nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau foi concluída com sucesso esta terça-feira. De acordo com o jornal Ou Mun, os trabalhos de vistoria das condições da ponte foram avaliados numa reunião em Zhuhai, tendo as condições da ponte obtido mais de 90 pontos em 100. O jornal escreve que os membros que estiveram presentes na reunião aprovaram os requisitos de qualidade e concepção da ponte, tendo frisado que a infra-estrutura dispõe de condições para a circulação de veículos, ainda a título experimental.

O responsável da Autoridade da Ponte Hong-Kong-Zhuhai-Macau, ZhujYongling, sublinhou que a vistoria das obras para a ponte em Y põe um ponto final no projecto da construção que demorou vários anos, sendo a ponte o laço importante que liga os lados leste e oeste da zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O próximo passo passa pela concretização mais profunda das opiniões e sugestões da reunião, fazer uma cooperação entre as três regiões para o teste em conjunto do sistema, para que a infra-estrutura esteja preparada para a abertura oficial.

De frisar que a nova ponte esteve envolvida num escândalo de falsificação de testes de materiais, como o cimento e o aço, usados na zona sob responsabilidade de Hong Kong. O caso obrigou a uma investigação da Comissão Independente Contra a Corrupção de Hong Kong, tendo um suspeito sido detido. O jornal Apple Daily escreveu que alguns engenheiros consideraram o caso grave para a segurança da ponte, tendo sido instaurado um processo de investigação pelo Gabinete de Transportes e Habitação de Hong Kong.


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DIRECTOR DO GABINETE DE LIGAÇÃO QUER APRENDER MAIS SOBRE MACAU Z

heng Xiaosong, director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, disse ontem que ainda tem muito a aprender sobre o território, tendo falado da necessidade de implementação do princípio “Um País, Dois Sistemas” e no planeamento do futuro de Macau. Zheng Xiaosong falou também da importância de garantir o auxílio entre os residentes, bem como prestar atenção ao desenvolvimento dos jovens. O director revelou ainda que desde ontem que funciona em Macau mais um canal do interior da China (Guangdong), o GDTV World. O canal gerido pela Guangdong Radio and Television Station transmite principalmente programas em língua inglesa. O director acredita que a entrada do novo canal televisivo em Macau abre uma nova janela aos residentes de Macau, e espera que através dele a população de Macau possa compreender melhor o desenvolvimento da China.

ALTO DE COLOANE MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO AFASTA ACUSAÇÃO A DIRIGENTES

Todos no mesmo saco

Ip Son Sang, procurador da RAEM, disse ontem que todos os envolvidos no caso do terreno de Coloane serão investigados, não descartando eventuais acusações a funcionários públicos. O procurador considerou o caso divulgado num relatório do CCAC “complexo”

O

procurador do Ministério Público (MP) da RAEM, Ip Son Sang, garantiu ontem que todos os envolvidos no caso do terreno divulgado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC) serão investigados. Caso sejam provados os factos, haverá lugar a acusação. “Se os indivíduos ainda estão a desempenhar cargos [na Função Pública], não é um factor que [o MP] vai ter em consideração”, frisou, quando questionado se os antigos responsáveis dos serviços públicos, que já não estão no activo, serão também alvo de investigação. O relatório do CCAC relativo ao terreno do Alto de Coloane, onde se encontra a histórica casamata, foi divulgado esta semana, tendo sido descoberto que houve irregularidades no registo e demarcação da área do terreno, bem como ao nível da propriedade do mesmo.

Ip Son Sang disse que o próximo passo a ser adoptado pelo MP será investigar o caso de acordo com os procedimentos. Contudo, o procurador disse “não ter cora-

gem para responder” ao pedido de previsão de um calendário para a conclusão da investigação. A única coisa que Ip Son Sang tem a certeza é que a investigação

vai ser demorada e complexa. “[O caso decorre] desde 1903 até à presente data. Estão envolvidos muitos documentos e haverá um grande volume de trabalho. Se o terreno

CHEFE DO EXECUTIVO GARANTE INVESTIGAÇÃO RIGOROSA

O

Chefe do Executivo, Chui Sai On, falou ontem à margem do evento organizado pelo Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, tendo comentado o relatório do CCAC. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On disse que o documento “foi analisado minuciosamente e, seguindo as opiniões dos assessores jurídicos, foi entregue de imediato ao Ministério Público (MP) para se proceder à devida investigação”. “Caso envolva comportamentos e infracções ilegais, incorrerá em responsabilidade legal, sublinhando que considerando a complexidade e gravidade da situação mencionada no relatório do CCAC, foi necessário entregar o caso ao MP para acompanhar e investigar em conformidade com a lei”, acrescentou Chui Sai On.

No seu discurso, o Chefe do Executivo falou também do início da transmissão do canal GDTV World. O canal “disponibilizará informações relativas aos avanços no desenvolvimento da Província de Guangdong e à iniciativa Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, satisfazendo assim as aspirações da população de Macau no que respeita à diversificação de opções televisivas”. Chui Sai On disse ainda que o Executivo “está empenhado no reforço da capacidade de prevenção e de redução de desastres, colocando em primeiro lugar a garantia da segurança da vida e dos bens materiais dos residentes, mediante uma maior alocação de recursos e a adopção de medidas de curto, médio e longo prazo, no sentido de criar um mecanismo eficiente de longo prazo no âmbito da prevenção e redução de desastres”.

pertencer à Administração, de certeza que será recuperado”, frisou. O procurador garantiu que, assim que o MP recebeu o relatório do CCAC enviado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, que iniciou os trabalhos de instrução do processo. O procurador falou à margem da realização do encontro de Ano Novo Chinês do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, dois dias depois da divulgação de um polémico relatório que põe culpas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, por não ter respeitado o plano de ordenamento de Coloane e ter autorizado a construção de um edifício com um máximo de 100 metros de altura, quando o limite máximo era apenas de 20 metros. À data dos acontecimentos, Jaime Carion, entretanto aposentado, era o director da DSSOPT. Houve ainda irregularidades levadas a cabo por funcionários da Direcção dos Serviços de Finanças e da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro, ainda nos anos 90. Ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, voltou a não querer comentar o assunto, pelo facto do caso se encontrar em processo de investigação. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 9.2.2018

CARTAS DE CONDUÇÃO DA CHINA NOVO MACAU EXIGE CONSULTA PÚBLICA TIAGO ALCÂNTARA

Perguntas com resposta AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COUTINHO QUESTIONA ATRASO NA NOVA LEI

O

deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona as razões do atraso para a revisão do decreto-lei relativo à aquisição de bens e serviços, datado dos anos 80. “Estamos em 2018 e o Governo falhou a promessa de submeter a revisão do decreto-lei. Quais foram as razões do atraso na modernização da legislação específica sobre a aquisição de bens e serviços pelos serviços públicos por parte da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF)?”, inquiriu. O deputado pretende saber “quais as razões que originaram uma demora de mais de uma década na modernização da referida legislação”. “Quando vai ser apresentado o novo projecto?”, perguntou ainda. José Pereira Coutinho, que é também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), lembrou que, em Dezembro de 2016, o director da DSF havia prometido a apresentação do novo diploma. Na altura, e de acordo com a interpelação do deputado, já tinham sido recolhidos “pareceres e sugestões emitidos por vários serviços públicos sobre a revisão da legislação, estando a maior parte concentrados no aperfeiçoamento da prática da aquisição de bens e serviços, bem como nas respectivas operações e procedimentos”. Nessa altura, a DSF já se encontrava na “fase de compilação e análise das respostas, pelo que estava a tentar “concluir o projecto da respectiva legislação de forma a que se possa entrar em processo legislativo em 2017”. A.S.S.

AAssociação Novo Macau foi ontem à sede do Governo entregar uma carta ao Chefe do Executivo onde pede uma consulta pública sobre a implementação do reconhecimento mútuo das cartas de condução entre o continente e Macau. Sulu Sou, deputado suspenso, exige mais transparência

A

possibilidade de Macau poder começar a receber condutores da China, mediante reconhecimento automático das suas cartas de condução, levou ontem a Associação Novo Macau (ANM) a dirigir-se à sede do Governo para pedir a Chui Sai On que realize uma consulta pública sobre esse assunto. “Queremos que o Governo inicie uma consulta pública sobre este processo, porque esta política está a gerar a oposição de muitas pessoas. Os cidadãos preocupam-se com o agravamento da situação de trânsito”, disse Sulu Sou, membro da ANM e deputado temporariamente suspenso, aos jornalistas. Este adiantou também que existem receios de que o reconhecimento mútuo das cartas de condução pode causar um impacto negativo ao trânsito, sobretudo em termos de segurança. “A segurança do trânsito pode ficar pior do que antes. As políticas importantes devem ser alvo de uma consulta pública, e de acordo com

os procedimentos legais, este é um assunto que merece ser alvo de uma consulta, em prol de uma maior transparência e de divulgação de informações junto do público.”

NEM COM A NOVA PONTE

A ideia de implementar o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre o interior da China e Macau já não é nova e tem vindo a ser adiada pelo Executivo. Contudo, os governantes desejam avançar agora com esta medida para responder à abertura da nova

ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que, aliás, já está concluída. Contudo, Sulu Sou acredita que deve continuar a existir uma autorização especial para que os condutores da China possam trazer os seus veículos para o território. “Deveria usar-se um procedimento para examinar as cartas de condução e permitir a sua utilização em Macau. Penso que seria uma medida concretizável”, adiantou Sulu Sou. “A Novo Macau pensa que não é necessário que exista política. O Governo diz que é importante para

“A segurança do trânsito pode ficar pior do que antes. As políticas importantes devem ser alvo de uma consulta pública, e de acordo com os procedimentos legais, este é um assunto que merece ser alvo de uma consulta, em prol de uma maior transparência e de divulgação de informações junto do público.” SULU SOU MEMBRO DA NOVO MACAU

a cooperação com a China, mas essa não é uma razão forte para levar o público a aceitar esta medida. Antes não havia essa política e as relações com o continente já eram fortes”, rematou. Apesar da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego já ter revelado a existência de uma proposta preliminar, já aceite pelo Conselho Executivo, a verdade é que vários deputados do hemiciclo fizeram várias críticas. Em declarações públicas, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, disse que o Executivo não pode adiar mais esta questão, por ser um projecto que está na gaveta há mais de dez anos. “Esta é uma medida que tem a ver com a ponte [Hong Kong, Zhuhai e Macau] que vai ser inaugurada em breve. [Macau não pode estar] permanentemente a fechar as portas”, frisou. Andreia Sofia Silva e Vítor Ng andreia.silva@hojemacau.com.mo


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9.2.2018 sexta-feira

GCS

ASSÉDIO SEXUAL INSPECÇÃO DE JOGOS VAI AVALIAR NOVOS LÍDERES DA WYNN MACAU

Depois da tempestade A demissão de Steve Wynn do cargo de CEO da concessionária de jogo levou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos a avaliar os perfis dos próximos líderes da empresa. Paulo Martins Chan disse que ainda não foram registadas novas queixas sobre assédio sexual ocorridas no sector

P Paulo Martins Chan “O que estamos a fazer é verificar o background das pessoas que foram recentemente nomeadas para os respectivos cargos”

AUL O Martins Chan, responsável pela Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), disse ontem à Rádio Macau que estão a ser avaliados os perfis dos futuros dirigentes da Wynn Macau, depois da saída de Steve Wynn da empresa, após rebentar o escândalo de assédio sexual. “Neste momento, o que estamos a fazer é verificar o background das pessoas que foram recentemente nomeadas para os respectivos cargos”, disse Paulo Martins Chan. Neste momento a presidência da Wynn Macau é assumida por Matthew Maddox, que ocupou também a posição de liderança na Wynn Resorts, em Las Vegas. Allan Zeman, até agora director não executivo, foi nomeado, também com efeitos imediatos, presidente não executivo.

IPIM CONVENÇÕES INCENTIVAM PME

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Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que passou a coordenar e acompanhar todos os trabalhos relacionados com o desenvolvimento de convenções e exposições em Macau a partir de 2016, fez o balanço das suas actividades no ano de 2017, nas quais se promoveu prioritariamente o desenvolvimento do sector de convenções e exposições. Assim, o IPIM revela que incentivou “muitas delegações de convenções e exposições para visitar e consumir nos bairros comunitários”. Além disso, foram realizadas várias convenções de grande envergadura em Macau, envolvendo os sectores de medicina, produtos cosméticos e tecnologia, entre outros, reunindo muitos operadores do sector de convenções e exposições nacionais e estrangeiros.

Segundo o IPIM, “as entidades organizadoras ficaram satisfeitas com todos os aspectos dos eventos e afirmaram que Macau é um sítio ideal para realizar convenções de grande envergadura, disponibilizando instalações hoteleiras completas, lojas abrangentes e recursos turísticos típicos”. Ainda segundo o instituto, “há entidades organizadores que afirmaram que, através de apoio de organizadores de eventos e agências de viagem locais, uma média de millhares de visitantes de MICE viajam todos os dias em vários bairros de Macau, chegando a experimentar Macau e a sua gastronomia. Além de fazer compras, os participantes visitaram os bairros comunitários para apreciar o património mundial e a atmosfera festiva de Macau, compartilhando, O IPIM

cita o exemplo da Sra. Iu, gerente de um restaurante chinês na zona Norte, que, em meados de Dezembro, recebeu uma média de 600 visitantes de MICE por dia, alargando a clientela. Já o Sr. Wu, doutro restaurante chinês da zona do NAPE, referiu que “os meses de Março até Setembro constituem um período fora da época alta, podendo-se, assim, preencher o período branco com a nova clientela e aliviar a pressão operacional fora de temporada”. Para o IPIM, as grandes convenções levaram numerosos turistas para o sector de restauração, criando também as oportunidades de negócio para os sectores de comércio a retalho e transporte, dando um impulso ao desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau.

Paulo Martins Chan disse ainda à Rádio Macau que não há registo de mais casos de assédio sexual relacionados com operadoras de jogo. “Não recebemos nenhuma queixa dessa natureza. Isso dificulta muito a nossa investigação por razão territorial. Nós chegámos a mandar um ofício ao Gaming Control Board do Nevada para nos informar caso haja alguma evolução da situação. Penso que eles vão fazer uma investigação. Naturalmente eles têm melhores condições para aceder às pessoas, às provas, que nós não temos aqui. Aguardamos as notícias deles”, afirmou. O magnata norte-americano dos casinos Steve Wynn é acusado de agressão sexual por várias empregadas do seu grupo, cujos testemunhos foram recolhidos pelo Wall Street Journal.


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sexta-feira 9.2.2018

Steve Wynn apresentou a demissão esta terça-feira enquanto presidente do conselho de administração da Wynn Resorts, com efeitos imediatos, em virtude das alegações de conduta sexual imprópria que têm sido noticiadas desde o final do passado mês de Janeiro. Em comunicado, informou que decidiu afastar-se porque “uma avalanche de publicidade negativa” originou um ambiente “no qual a rapidez de julgamento prevalece sobre tudo o resto, incluindo de factos”, de acordo com o The New York Times.

GALAXY ENTRA NA BOLSA DE TÓQUIO

JOCKEY CLUB COM NOVIDADES

Sobre o Jockey Club, da Sociedade de Jogos de Macau, Paulo Martins Chan prometeu anunciar novidades “muito em breve”, uma vez que o contrato com a empresa terminal no final deste mês. “Estamos a trabalhar nisso. E naturalmente porque envolve trabalhos em muito sectores, nomeadamente as Obras Públicas, o Turismo, etc. De modo que nesta parte técnica também gastámos bastante tempo. Mas penso que em muito em breve vai haver notícias”, frisou. O responsável da DICJ adiantou que foram exigidas melhorias às cavalariças do Jockey Club, porque “algumas estão degradadas”.

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grupo Galaxy foi escolhido para entrar no Índice de Investimentos Nikkei Asia300, um novo índice asiático dirigido para produtos financeiros, como fundos de investimento. De acordo com o comunicado da empresa, o grupo Galaxy é a única empresa de Hong Kong do sector do jogo

e uma entre 34 empresas de Hong Kong incluídas no índice bolsista japonês. Porém, é um entre várias empresas de jogo sediadas no Pacífico asiático a entrar no índice bolsista. Outras operadoras de casinos incluem a sul coreana Kangwon Land, a Genting Singapore, a Resorts World Sentosa e a Genting Malasya. O Nikkei Asia300 inclui companhias da China, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Índia. As empresas que constituem o índice são sujeitas a uma revisão anual. A entrada em bolsa do grupo acontece quando a empresa tenta uma licença para um resort integrado no Japão. Os planos da Galaxy para o mercado nipónico surgem também após o anúncio do desenvolvimento de um resort amigo do ambiente na ilha de Boracay, nas Filipinas. Em comunicado emitido ontem, o vice-presidente da Galaxy Entertainment, Francis Lui Yiu Tung, referiu que “é uma grande honra ser incluído no prestigiante Índice Nikkei Asia300, ao lado de algumas mais maiorias companhias da Ásia”. .J.L.

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Registados 4 casos de hipotermia ligeira

Do dia 7 de Fevereiro até ontem, foram registados no Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário quatro casos de hipotermia, um homem e três mulheres, com idades compreendidas entre os 59 e os 90 anos. Dois utentes estão a ser observados no hospital e outros dois pacientes tiveram alta. Informações recentes da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, revelam que a temperatura de Macau, nos próximos dias, deverá manter-se num nível baixo. Neste contexto os Serviços de Saúde apelam aos residentes, especialmente aos idosos e às pessoas portadoras de doenças crónicas, para se prevenirem contra a hipotermia, prestando particular atenção ao uso de roupas adequadas contra o frio, bem como apelam aos indivíduos ou às entidades responsáveis pelos cuidados dos idosos e doentes com doenças crónicas que devem aplicar as medidas adequadas de prevenção e cuidados, com vista a proteger a saúde destes grupos.


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DETIDA EMPRESÁRIA PRÓXIMA DE WEI JIABAO

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S autoridades chinesas detiveram uma das mulheres mais ricas da China, que no passado fez negócios com familiares de um antigo primeiro-ministro chinês, avançou o jornal norte-americano The New York Times (NYT). A detenção de Duan Weihong, 49 anos, indica que a campanha anti-corrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, poderá voltar a atingir um alto responsável do regime comunista. Duan, que fundou empresas em conjunto com familiares de Wen Jiabao, primeiro-ministro da China entre 2003 e 2013, foi detida no ano passado, nas vésperas do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês, segundo o NYT, que cita várias fontes não identificadas. Nascida no norte da China, Duan Weihong trabalhou para uma firma estatal antes de criar um grupo imobiliário em Tianjin, cidade portuária a cerca de 120 quilómetros de Pequim. Segundo o NYT, o relacionamento entre Duan e Wen Jiabao, que é natural de Tianjin, remonta aos anos 1990, durante o seu período de ascensão no regime. De acordo com registos corporativos citados pelo jornal, Duan fundou várias empresas com a mãe, o irmão e a filha de Wen Jiabao. Uma das firmas de Duan realizou também investimentos em conjunto com a New Horizon Capital, um fundo de investimento gerido por Wen Yusong, filho de Wen Jiaobao, detalha o NYT. Em 2012, Duan reconheceu numa entrevista ao jornal norte-americano que era próxima da mulher e familiares de Wen, e que registou empresas em nome destes. Ela disse então que utilizou a identificação destes para esconder a sua participação na Ping An, um dos maiores conglomerados financeiros do país. “Quando investi na Ping An, não queria que ficasse registado”, disse na altura. “Por isso, pedi a familiares meus que encontrassem pessoas que pudessem manter a minha participação”, contou.

9.2.2018 sexta-feira

DÍVIDA DE EMPRESAS ESTATAIS TROCADA POR ACÇÕES

Elefantes endividados São a estrutura central da economia chinesa. E estão cheias de dívidas. O governo quer agora ver acções a privados para solucionar o problema

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Conselho de Estado chinês divulgou na quarta-feira uma série de medidas para reduzir ainda mais as dívidas das empresas estatais no seu mais recente esforço para controlar os riscos financeiros. A China fornecerá um apoio mais forte para a troca de dívidas por acções, vai promover a reforma de propriedade mista e melhorar as políticas sobre reorganizações e falência de empresas, disse uma nota divulgada depois de uma reunião executiva presidida pelo primeiro-ministro Li Keqiang. As empresas estatais continuarão a ser prioridade na campanha de recuperação e o trabalho deve ser executado com meios orien-

tados pelo mercado e baseados na lei, segundo a nota. A proporção dívidas/activos das empresas industriais com um facturamento anual de mais de 20 milhões de yuans caiu para 55,5%

Importações sobem mais de 30%

As importações chinesas registaram em Janeiro uma subida homóloga de 30,2%, para 1,19 biliões de yuan, depois de em Dezembro terem crescido apenas 4,5%, segundo dados das alfândegas chinesas. No mesmo mês, as exportações da segunda maior economia mundial cresceram 6%, para 1,32 biliões de yuan. No conjunto, as trocas comerciais entre a maior potência comercial do planeta e o resto do mundo fixaram-se em 2,51 biliões de yuan, um aumento de 16,2%

no fim de 2017, face aos 56,1% de há um ano atrás. A proporção para as empresas controladas pelo Estado ficou em 60,4%. Os programas de troca de dívidas por acções receberam desta-

face a Janeiro de 2017. A China tem sido o motor da recuperação global, desde a crise financeira de 2008, e uma aceleração nas importações chinesas pode ter repercussões em vários países cujas economias dependem da exportação de matérias-primas. Nos primeiros seis meses de 2017, por exemplo, a China comprou 25% do conjunto das exportações brasileiras. O país é também o principal cliente do petróleo angolano. O excedente comercial da China caiu

que durante a reunião. O governo alargará o canal ao capital privado para a troca de dívidas por acções das empresas estatais. As instituições de investimento em acções serão incentivadas a participar do processo, com medidas para permitir o estabelecimento de fundos de private equity concentrados na troca de dívidas por acções. As instituições financeiras como bancos, companhias estatais de investimento de capital e seguradoras, serão apoiadas para conduzir trocas de dívidas por acções usando unidades existentes ou criando novos departamentos. Haverá directrizes específicas do governo para melhorar a qualidade das trocas e executar os acordos relacionados o mais breve possível. Medidas serão adoptadas para melhorar a governança corporativa. Um mecanismo de controlo de dívidas será estabelecido e capitais corporativos podem ser reabastecidos por ofertas adicionais de acções ou entrada de investidores estratégicos. A reforma de propriedade mista será promovida. As políticas sobre a reestruturação de dívidas e falência também serão melhoradas. Governo, empresas e bancos assumirão juntos as perdas de acções resultantes da falência das “empresas zombie”, que têm altas dívidas e prejuízos.

59,7% em Janeiro, relativamente ao mesmo mês de 2017, para 135.800 milhões de yuan. As exportações chinesas para a União Europeia, o principal parceiro comercial do país, aumentaram 11,6%, para 33,7 mil milhões de dólares, enquanto as importações de produtos europeus subiram 44,4%, para 23,8 mil milhões de dólares. O excedente comercial da China com a UE caiu 29,8%, face ao mesmo mês do ano passado.

PEQUIM PEDE AOS EUA PARA SEGUIREM EXEMPLO DAS COREIAS

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ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, enalteceu ontem a aproximação entre as duas Coreias, por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, e pediu aos Estados Unidos para seguirem o exemplo. “Enquanto as duas partes na península coreana estão a abrir a porta, não é correcto que outros a tentem fechar”, afirmou Wang, numa conferência de imprensa em Pequim.

“Esperamos que o diálogo por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno se transforme em conversações de rotina, e o que existe agora entre as duas Coreias se expanda a outras partes, sobretudo entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”, acrescentou. Uma delegação da Coreia do Norte vai participar no evento desportivo que se realiza na cidade sul-coreana de PyeongChang.

Kim Yo-jong, irmã do atual líder norte-coreano Kim Jong-un, vai assistir ao evento, enquanto os atletas dos dois países desfilarão lado a lado na cerimónia de abertura, na sexta-feira. “Os dois lados da península tiveram recentemente uma interacção positiva nos preparativos para os Jogos Olímpicos de Inverno, e como vizinhos queremos que isto acabe com a situação de

ponto morto e alivie as tensões”, afirmou Wang Yi. A China, que é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial do regime norte-coreano, defende o regresso ao diálogo e propõe que Pyongyang suspenda o programa nuclear em troca do fim dos exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul, que Pyongyang considera um treino para uma invasão.


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sexta-feira 9.2.2018

Oito mortos em colapso de estação de metro

Pelo menos oito pessoas morreram e três estão desaparecidas em consequência do abatimento do túnel de uma estação de metro em construção no sul da China, segundo as autoridades locais. A Câmara Municipal de Foshan indicou que o colapso da estrutura ocorreu às 20:40 de quartafeira e que foram salvos nove trabalhadores. Foshan situa-se na província de Guangdong.

Nove mortos no sismo de Taiwan

O número provisório de mortos devido ao sismo de magnitude 6,4 ocorrido na terça-feira à noite em Taiwan subiu para nove, havendo ainda 62 pessoas desaparecidas. Seis edifícios de Hualien ficaram bastante danificados e três deles ruíram parcialmente, incluindo um hotel, cujo piso térreo abateu, matando um funcionário e deixando outros dois presos nos escombros. O sismo ocorreu às 23:50 locais, com epicentro a 18 quilómetros da cidade de Hualien e foi sentido em toda a ilha, incluindo na capital, Taipé. De acordo com as autoridades, pelo menos 256 pessoas ficaram feridas. As equipas de socorro prosseguiam ontem as operações de busca e salvamento no local.

Harbin Apresentada a maior escultura de gelo do mundo

Uma equipa internacional de estudantes e professores universitários holandeses e chineses construíram a maior escultura de gelo do mundo, com 31 metros de altura. Foram necessários dois anos de preparação. A escultura pode ser admirada em Harbin, China. Chama-se “Flamenco Ice Tower”, tem 31 metros de altura e pode ser admirada na “capital do gelo”, Harbin, China, um destino conhecido pelo seu festival internacional de gelo e neve, que ocorre todos os anos naquela cidade. A escultura ganha assim o estatuto de maior do mundo, sendo que a sua antecedente tinha 21 metros de altura. A obra foi realizada por estudantes e professores de universidades em Eindhoven (Holanda) e Harbin (China) e demorou dois anos a preparar. O design da escultura baseia-se também nas torres tradicionais chinesas. A sua estrutura tem uma espessura média de 25cm de gelo, que foi pulverizado sobre um gigante insuflável.

De baraço ao pescoço Mercedes-Benz pede desculpas à China por citar Dalai Lama

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A segunda-feira, a Mercedes publicou uma mensagem no Instagram, promovendo um salão da marca, acompanhada da frase “Observe uma situação de todos os ângulos, abra a sua mente!”. O autor foi devidamente citado: Dalai Lama. Apesar de o acesso ao Instagram ser bloqueado na China, a mensagem desencadeou reacções furiosas com toques nacionalistas nas redes sociais chinesas. O governo chinês diz que o Dalai Lama é “um lobo disfarçado de monge” e “um separatista”, apesar de o líder tibetano, exilado na Índia, exigir apenas maior autonomia para a região chinesa do Tibete. Diante da fúria chinesa, a Mercedes apagou prontamente a mensagem e publicou, no dia seguinte, um pedido de desculpas, em mandarim, na plataforma Weibo, uma versão local do Facebook. “Estamos conscientes de que ferimos os sentimentos do povo deste país”, reconheceu a empresa, afirmando “lamentar profundamente a publicação de informações

extremamente incorrectas” e estar determinado a “aprofundar seu conhecimento da cultura chinesa”. A Mercedes-Benz tem todos os motivos para não desagradar à China, o seu primeiro mercado e onde as vendas aumentaram 26% no ano passado. PUB

MARRIOTT SOFRE IMPACTO COMERCIAL

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S autoridades de Xangai solicitaram o encerramento dos portais e aplicativos chineses da Marriott International por uma semana em Janeiro. O pedido foi feito após o grupo hoteleiro divulgar um e-mail em que classificou Hong Kong, Macau, Taiwan e Tibete como países separados. Este facto significa um impacto comercial considerável, já que a determinação afecta directamente a capacidade da empresa de receber reservas. O facto é ainda mais significativo  porque o mercado chinês é actualmente o maior do mundo, e marcas hoteleiras globais estão bem cientes da relevância do país. Por fim, a suspensão torna-se ainda mais

preocupante porque os consumidores chineses dependem cada vez mais de aplicativos móveis para realizar reservas. Não foi um bom período para o grupo ficar fora da internet, já que os chineses estão a fazer os seus planos de férias para o próximo Ano Novo Lunar. A ocasião propicia uma das maiores migrações humanas do mundo, já que centenas de milhões de viajantes da China voltam para casa. A Marriott International, com sede nos Estados Unidos, emitiu um pedido de desculpas ao governo chinês antes de tirar o portal do ar e escreveu: “A Marriott International respeita a soberania e a integridade territorial da China. Não apoiamos grupos separatistas que subvertem a soberania e a integridade territorial da China. Pedimos sinceras desculpas por quaisquer acções que possam ter sugerido o contrário”.

Apesar das desculpas da empresa, a versão digital do Diário do Povo, porta-voz do Partido Comunista, dedicou ao incidente um editorial inteiro nesta quarta-feira: “Mercedes-Benz, tornaste-te um inimigo do povo chinês”, diz o texto, que acusa a empresa

de “obter grandes benefícios” na China, principal mercado de automóveis do mundo, enquanto “humilha” o seu povo. Várias empresas ocidentais foram identificadas nas últimas semanas por ignorar a linha oficial de Pequim sobre a sua soberania, seja sobre o Tibete, Hong Kong, Macau ou Taiwan. Há tempos, os artistas sabem o quanto custa caro atravessar tais linhas vermelhas. O grupo de rock britânico Placebo recebeu no ano passado “a proibição vitalícia” de se apresentar na China, depois de publicar uma foto do Dalai Lama no Instagram. A comunicação das empresas é controlada de perto. A marca espanhola Zara e a companhia aérea americana Delta Airlines foram accionadas em Janeiro por terem incluído as suas sedes em Hong Kong e Taiwan na lista de “países”, como se fossem entidades independentes. A porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, sublinhou recentemente que a China “recebe com grande prazer as empresas estrangeiras, mas todas devem respeitar a soberania e a integridade territorial do país”.


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Cinema “Macau – Um Longe Tão Perto” na Cinemateca Paixão

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documentário do realizador Rui Filipe Torres, “Macau – Um Longe Tão Perto”, será exibido no próximo sábado, dia 10 de Fevereiro, às 19h na Cinemateca Paixão. O filme é uma remontagem de três documentários sobre Macau produzidos para a RTP Internacional em Dezembro de 2012 e Janeiro de 2013. O documentário estreou-se no Museu do Oriente, em Lisboa, no início de 2014. O documentário de Rui Filipe Torres é uma abordagem panorâmica sobre o papel da Região Administrativa Especial de Macau enquanto plataforma entre a China e os países da lusofonia. Tem como ângulo os pontos chave das dinâmicas sociais e políticas e a forma como estes elementos marcam a caracterização e identidade do território. A frescura da visão de Rui Filipe Torres é algo que advém de uma certa ingenuidade de quem chega pela primeira vez a Macau vindo de Lisboa e que descobre que a 11 mil quilómetros de distância se continua a viver e sentir Portugal, numa singular afirmação de cosmopolitismo e abertura ao mundo contemporâneo. “Macau – Um Longe Tão Perto” também lança um breve olhar sobre a posição geopolítica de Macau na perspectiva da política “Um País, Dois Sistemas”, através do testemunho de algumas personalidade que, de diferentes formas, são actores relevantes nas dinâmicas sociais, culturais e políticas do território. Alista de entrevistados, em Macau e Lisboa, tem personalidades como Adriano Moreira, Amélia António, Miguel de Senna Fernandes, Paulo Coutinho, Joaquim Magalhães de Castro, José Pereira Coutinho, James Chu, José Drummond, João Marques da Cruz, José Maças de Carvalho, Ivo Ferreira, Luís Pimenta Machado, Ana Paula Cleto, Carlos Manuel José, Carlos Manuel Piteira, Rita Santos, Rui D´Ávila Lourido, e Zhong Yi Seabra de Mascarenhas. J.L.

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Heidi Li cresceu a ouvir e cantar ópera cantonesa, uma paixão que herdou dos pais. Aos 17 anos, a cantora sai de Hong Kong para estudar. Vive no Canadá, Reino Unido, França até se fixar em Itália. A vida que levou está na génese do EP “Third Culture Kid” que pode ser escutada ao vivo, em três línguas, no domingo às 19h no What’s Up POP UP, na Calçada do Amparo

CONCERTO HEIDI LI ITALIAN JAZZ DUO AO VIVO NO DOMINGO NO WHAT’S UP POP UP

Miúda das três culturas A

O longo da história da música, e das artes no geral, a fusão de influências tem sido um motor criativo que nos trouxe revoluções como o rock n’ roll, o punk e o jazz. É frequente que na génese destas correntes estejam pessoas

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SACANAS COM LEI • Rosa Ramos, Sílvia Caneco

Todos os dias, de segunda a sexta-feira, a partir das dez da manhã, vagas de pequenos criminosos acorrem à zona Oriental de Lisboa. Não para praticar delitos, mas para responder por eles. É aí que fica o Tribunal de Pequena Instância Criminal, onde as jornalistas do i Rosa Ramos e Sílvia Caneco testemunharam, ao longo de vários meses, dezenas de histórias mirabolantes do pequeno crime à portuguesa. Com protagonistas reais de uma imaginação ilimitada, tanto na hora do crime como perante a justiça, este é um livro onde o humor e a desgraça entram em choque – mas o humor acabar por vencer.

que também são elas próprias resultado de fusão cultural. Heidi Li é a personificação desse tipo de caleidoscópio cultural. A cantora sobe ao palco do What’s Up POP UP no domingo, às 19 horas, para um concerto onde vai interpretar músicas do disco “Third Culture

“Tenho tido sempre a influência directa de diferentes culturas e esse álbum reflecte esse multiculturalismo, com músicas cantadas em inglês, cantonense e italiano.” HEIDI LI CANTORA

Kid” e a adaptação de “belíssimas músicas de folk italiano”. Em palco estará um pianista e Heidi Li a cantar em três línguas. O trilinguismo surge natural para quem teve o percurso que a cantora teve. Começou cedo, com apenas três anos de idade, a cantar ópera cantonense, algo que aconteceu porque era o que se escutava em casa. “Ouvia essa música a toda a hora porque é uma paixão dos meus pais, até que um dia me levaram a um ensaio com orquestra”, conta. Esse episódio demarca-a da maioria dos comuns mortais, não é qualquer pessoa que tem a hipótese de actuar informalmente com uma orquestra. “Ajudou-me a construir a confiança para cantar em público, algo que se tornou muito natural para mim. Quando tinha 4 ou 5

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TINTIN NO TIBETE • Hergé

Em férias numa estação alpina, Tintin lê num jornal que um avião caiu no Nepal. Nessa noite, Tintin sonha com Tchang, um grande amigo, que pedia socorro. Logo depois, descobre que naquele avião que se dirigia à Europa se encontrava o jovem chinês Tchang. Tintin, convencido pelo seu sonho que o amigo sobreviveu ao acidente aéreo, parte à sua procura, acompanhado pelo Capitão Haddock.


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sexta-feira 9.2.2018

anos os meus pais incentivaram-me a cantar, era como um jogo para mim, era divertido. Acho que nunca fui tímida em relação a cantar em público”, conta. Aos 17 anos, Heidi Li deixou Hong Kong e partiu mundo fora para estudar. O primeiro destino foi o Canadá, seguindo-se o Reino

Unido e a França, até se fixar em Perúgia, em Itália.

PIÙ BELLA

Itália trouxe ao de cima a cantora que havia dentro de Heidi Li. Mudou-se para Perúgia em 2010, quis o destino que a sua casa se situasse em cima de um clube de jazz. “Conheci alguns

músicos locais e foi assim que as coisas começaram, fazíamos algumas jams sessions, fui aprendendo e nasceu a vontade de fazer algo sério”, conta. Em Maio lançou o seu primeiro disco, um EP, intitulado “Third Culture Kid”, um termo para designar quem nasceu no seio de uma família multicultural e que vive num país onde se

fala uma terceira língua. “Tenho tido sempre a influência directa de diferentes culturas e esse álbum reflecte esse multiculturalismo, com músicas cantadas em inglês, cantonense e italiano”, revela. As viagens que faz são uma inevitável fonte de inspiração para a cantora. De momento, Heidi Li anda em tourné

com um projecto chamado “Heidi sings in all italian dialects”, que fará parte da performance que traz a Macau no próximo domingo. O projecto começou por ser uma ideia pensada para o Youtube, com a cantora a viajar pelo culturalmente assimétrico território italiano e a colaborar com artistas locais. “Viajei por Itália e cantei nos dialectos locais músicas de folclore dessas terras, também com músicos locais”, explica. O objectivo da cantora é transformar esta experiência e estes episódios do seu canal de Youtube num disco, que a natural de Hong Kong espera poder gravar assim que regressar a Itália, no próximo Verão. Para já, essas músicas ganham vida em palco através de uma rearranjos para voz e piano. Apesar do contexto muito etnográfico como começou a sua carreira musical, Heidi Li tem um gosto ecléctico que extravasa em muito o jazz clássico, apesar do amor a Bill Evans. Na aparelhagem da cantora tem-se tocado muito Dhafer Youssef, um músico tunisino que descobriu ao vivo em França.Além disso, Heidi Li tem mantido um vício auditivo com a música da baixista e cantora norte-americana Esperanza Spalding e a banda de neo-soul australiana Hiatus Kaiyote. As notas da multiculturalidade vão soar no final da tarde de domingo na Calçada do Amparo.

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Local de recolha de lixo de grandes dimensões antes do Ano Novo Chinês 【02/02/2018 - 15/02/2018, 20H00 - 23H00】

Depósito de lixo na Rua do Canal das Hortas n°47 Depósito de lixo na Rua Norte do Canal das Hortas n°235 Depósito de lixo na Alameda da Tranquilidade n°103 Contentor de compressão de lixo, Rua Seis do Bairro Iao Hon nº 18 Depósito de lixo na Av. de Artur Tamagnini Barbosa (perto do auto-silo do edf. Tamagnini Barbosa) Contentor de compressão de lixo, sito na Rua Seis do Bairro Iao Hon (ao lado das zonas de vendilhões) Contentor de compressão de lixo, na Rua Central de T’oi Sán nº 200 Depósito de lixo fechado da Zona de Lazer da Rua Quatro do Bairro Iao Hon Depósito de lixo na Rua Nova de Toi San n°12 Depósito de lixo na Estrada Marginal do Hipódromo Depósito de lixo na Travessa Norte do Patane n°16 Depósito de lixo na Estrada Marginal da Ilha Verde (lado oposto do Matadouro) Depósito de lixo na Rua da Ilha Verde n°51 Depósito de lixo na Rua do General Castelo Branco n°67 Depósito de lixo na Rua do Templo Lin-Fong n°89 Depósito de lixo na Rua Sul do Patane (ao lado do Edf. Fai Tat) Depósito de lixo na Rua Sul do Patane n°181 Depósito de lixo na Rua dos Estaleiros Contentor de compressão de lixo, na Avenida de Horta e Costa Depósito de lixo na Rua de Kun Iam Tong n°63 Depósito de lixo no Beco do Pagode do Patane, n.º 11 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 131 Depósito de lixo na Rua do Coronel Mesquita, n.º 5 Depósito de lixo na Rua de Entre-Campos Depósito de lixo da Rua de Silva Mendes nº1 (Próximo da Casa Memorial do Dr. Sun Yat-Sen) Depósito de lixo na Rua de Tomás Vieira n°80 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Alegria n°11B Depósito de lixo no Beco dos Faitiões n°21 Depósito de lixo na Rua da Esperança Depósito de lixo na Calçada de S. Francisco Xavier n°1 Depósito de lixo na Travessa do Armazém Velho n°1 Depósito de lixo no Largo do Pagode do Bazar Depósito de Lixo na Av. do Coronel Mesquita n°85 Depósito de lixo na Rua de Luís João Baptista n°13 Depósito de lixo na Rua de Henrique de Macedo n° 2 Depósito de lixo na Rua do Pato n°12 Depósito de lixo no Pátio de S. Domingos nº 2 Depósito de lixo no Pátio de Hó Chin Sin Tong n°1 Contentor de compressão de lixo, Rua do Almirante Sérgio n.º 13B Depósito de lixo na Zona de Lazer do Largo do Aquino Contentor de compressão de lixo, na Rua Nova à Guia nº. 276 Contentor de compressão de lixo, Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques n.º 49 Depósito de lixo no Miradouro de Henry Dunant Contentor de compressão de lixo, Rua das Alabardas, em frente ao nº 10 D

M45 Depósito de lixo fechado na Avenida da Praia Grande nº 291 (Cruzamento com o Pátio do Pagode) M46 Depósito de lixo fechado na Praceta de 1 de Outubro M47 Depósito de lixo fechado na Rua do Almirante Sérgio nº 209 M48 Depósito de lixo na Calçada da Paz n°4 M49 Travessa do Bom Jesus n°16 M50 Depósito de lixo na Travessa da Prosperidade n°26 M51 Depósito de lixo na Av. da República n°2A M52 Depósito de lixo na Rua de S. Tiago da Barra n°15 M53 Depósito de lixo na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.º 745 (ao lado do Jardim Comendador Ho Yin) M54 Contentor de compressão de lixo, no Mercado Provisório do Patane M55 Depósito de lixo na Rua Seis do Bairro da Areia Preta n°152 M56 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 61 M57 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 149 M58 Contentor de compressão de lixo, no exterior do Templo Chok Lam M59 Contentor de compressão de lixo, na Saída do Auto-Silo de Automóveis Pesados da Avenida 1º de Maio M60 Contentor de compressão de lixo, na Estrada Marginal da Areia Preta n.º 87 M61 Contentor de compressão de lixo, na Rua Cidade de Braga M62 Alameda Dr. Carlos d’Assumpção 403 - 439 (Centro Unesco de Macau) M63 Depósito de lixo na Travessa de S. Domingos, n.º 16B M64 Contentor de compressão de lixo, Rua das Estalagens nº. 110A M65 Depósito de lixo na Avenida do Comendador Ho Yin M66 Contentor de compressão de lixo, Estrada de Adolfo Loureiro nº 12J M67 Contentor de compressão de lixo,Rua de Martinho Montenegro nº 13 M68 Depósito de lixo na Rua da Harmonia n°129 M69 Depósito de lixo na Rua do Matapau, n.º 83 M70 Depósito de lixo na Rua das Lorchas n°357 M71 Depósito de lixo na Travessa das Hortas n°3 M72 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 4 com a Rua de Silva Mendes M73 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 41 com a Rua do Almirante Costa Cabral M74 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 99 com a Rua da Madre Terezina M75 Contentor de compressão de lixo, na Avenida da Longevidade nº. 49 M76 Contentor de compressão de lixo, na Rua Nova à Guia nº. 119 M77 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira, em frente ao nº 19 C M78 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Madre Terezina, em frente ao nº 4 A M79 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Lu Cao, n.º 68 M80 Contentor de compressão de lixo, Rua do Bispo Medeiros nº. 24 M81 Contentor de compressão de lixo, Estrada Marginal da Ilha Verde nº. 1162 M82 Depósito de lixo na Praça de Luís de Camões M83 Depósito de lixo na Rua de Luís Gonzaga Gomes (Jardim da Rua de Malaca) M84 Contentor de compressão de lixo, Avenida do Almirante Lacerda nº 72 M85 No local de encontro da Rua Central da Areia Preta com a Rua da Pérola Oriental M86 No local de encontro da Rua Rua Central da Areia Preta com a Rua 1º de Maio

João Luz

info@hojemacau.com.mo

M87 Contentor de compressão de lixo, Rua do Padre João Clímaco n.º 23 M88 Contentor de compressão de lixo, na Estrada da Vitória, em frente ao n.º18 M89 Contentor de compressão de lixo, na Rua de S. Lourenço nº. 8 M90 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Almirante Sérgio n.º 165 M91 Contentor de compressão de lixo, na Travessa dos Bombeiros n.º 3ª M92 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Ribeira do Patane n.º 159 M93 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Infante, em frente ao nº 11 M94 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Coelho do Amaral nº 3 M95 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Tomás Vieira nº 68B M96 Contentor de compressão de lixo na Rua de João de Araújo nº 68 (Travessa dos Cules) M97 Em frente da Avenida do Nordeste nº 244 (Edf. TONG WA SAN CHUN, bloco X) M98 Em frente da Rua Nova da Areia Preta nº 213 (Edf. U WA, bloco II) M99 Depósito de lixo na, Rua do General Ivens Ferraz M100 Contentor de compressão de lixo, na Avenida do General Castelo Branco(à frente do Edf. Cheng) M101 Contentor de compressão de lixo, na Avenida do Governador Jaime Silvério Marques nº 203 M102 Contentor de compressão de lixo, no lado oposto do Estrada de Coelho do Amaral nº 40 M103 Contentor de compressão de lixo, Travessa dos Calafates M104 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Almirante Costa Cabral nº 88 M105 Contentor de compressão de lixo, na Avenida Marginal do Lam Mau (Avenida Marginal do Patane) M106 Contentor de compressão de lixo, na Rua dos Currais T01 T02 T03 T04 T05 T06 T07 T08 T09 T10 T11 T12 T13

Contentor de compressão de lixo, no Largo dos Bombeiros, Taipa Depósito de lixo fechado na Rua de Évora, Taipa (Jardim da Cidade das Flores) Contentor de compressão de lixo, na Avenida de Kwong Tung, Taipa Depósito de lixo fechado na Rua de Lagos nº 90, Taipa Depósito de lixo fechado na Avenida dos Jardins do Oceano nº 147, Taipa (Ao lado do Centro de Saúde) Avenida Dr. Sun Yat Sen, Taipa (Próximo da estação de autocarros do Edifício Chun Leong) Depósito de lixo na Travessa da Rebeca, Taipa Depósito de lixo fechado na Rotunda do Estádio, Taipa Depósito de lixo fechado no Caminho das Hortas, Taipa Depósito de lixo na Estrada Lou Lim Ieok, Taipa Contentor de compressão de lixo, na Rua de Pequim, Taipa (Edf. Do Lago bloco IV) Depósito de lixo, no Largo da Ponte, Taipa Depósito de lixo na Rua de Viseu, Taipa (ao lado do Edf. De Servicos Socials de Pou Tai)

C01 C02 C03 C04 C05 C06 C07 C08 C09

Depósito de lixo na Rua dos Navegantes, Coloane Depósito de lixo fechado no Largo da Cordoaria, Coloane Depósito de lixo na Avenida da República, Coloane Depósito de lixo na Estrada do Campo, Coloane Depósito de lixo na Estrada de Hac Sá, Coloane Depósito de lixo no Caminho da Povoação de Ká Hó, Coloane Contentor de compressão de lixo, na Alameda da Harmonia, Coloane (Edf. Ip Heng bloco IX) Contentor de compressão de lixo, na Alameda da Harmonia, Coloane (Edf. Lok Kuan bloco III) Contentor de compressão de lixo, na Rua Um de Koi Nga, Coloane (Edf. Koi Nga, entre os blocos III e V)


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se permaneces em silêncio e não falas, as geracões futuras nada terão que contar. ´ José Simões Morais

Direcções das Estrelas Voadoras

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S geomantes do Feng Shui prevêem para 2018 um ano de Extremos. O Caule Celeste Wu, associado ao elemento terra yang, conjugado com a Terra do Ramo Terrestre Xu, dá para este ano, terra dentro de Terra, encerrando no seu interior o fogo. Este, ao criar ainda mais terra, fará transbordar a água, cortada pela terra. Como se tal não bastasse, encontra-se a direcção Centro, Terra, o yin yang do ser humano, enclausurado dentro de si, sem poder harmonizar as quatro estações do ano. Encontradas as direcções do posicionamento das nove Estrelas Voadoras para 2018, aqui se deixam as previsões, por nós entendidas das feitas por Lei Koi Meng (Edward Li), sobre o que ocorrerá no mundo. Referindo as características e localizações das Estrelas Voadoras, primeiro trataremos das quatro de malévolas energias, seguindo depois nas boas vibrações das outras cinco. No entanto, para este ano, a bafejante estrela voadora 9 Roxo (Jiu Zi, fogo) estará localizada ao centro (terra) do Tai Ji (quadrado mágico de nove Palácios, fazendo o do meio de espelho, linha reflectora entre a materialidade da Terra e o espírito do Céu, a essência que dá à substância o significado das realidades) e por isso se refere estar aprisionada. Estrela a representar harmonia e paz, cooperação e o visionar do que está para vir, enclausurada, não permite encontrarem-se esses atributos. Deixa as gerações jovens sem esperança, pois não conseguem vislumbrar o que virá. Tal leva-as a encerrar-se em casa e isoladas, ficam os exteriores contactos feitos apenas pelo telemóvel e internet no computador. Ligando com o corpo humano, a 9 Roxo representa os olhos que, aprisionados ao ecrã, lhes provoca inúmeros problemas devido à luz vir contra eles, aprisionando-os à projecção, mas sem criar reflexão. Energias interiores condensadas, sem vivos interlocutores para serem trocadas, descarregam-nas pelas ainda mortas máquinas. Essa falta de comunicação com o espaço exterior leva, perante as realidades, a transformarem-se em agitados maníacos. Tal continuará a ocorrer até ao fim de 2019. Para analisar um país, uma coisa se sabe, é necessário conhecer quem o dirige. Em 2018 serão raros os países que contam com governantes conscientes da consciência, e a conseguir pelos 5 Elementos entender as acções a tomar. O fogo e a terra poderosíssimos, sem a água para lhes fazer balança! Representando a água, sabedoria e mente limpa, pode-se assim imaginar um dirigente sem tal, o que ele poderá fazer!? Para este ano, desastres provocados pela Natureza, como tsunamis, erupções

para 2018 so na carreira, boas relações de amizade e reputação, assim como a fama e promoção na carreira. Localiza-se este ano a Noroeste, (metal) e encontra-se nos países da Europa do Leste. Já a 6 Branco (Liu Bai, metal), agora enfraquecido o seu celeste abençoar, traz potencial de inesperadas vantagens e riquezas, estando colocada a Sudoeste (terra), localiza-se sobre a Índia e ajuda a emigrar e a trabalhar fora do país. A estrela voadora 8 Branco (Ba Bai, terra), da Prosperidade e Saúde, a melhor entre todas as nove estrelas, traz riqueza, fortuna, nobreza e boa saúde, favorece promoções, incrementa o salário e leva ao sucesso na carreira. Localizada a Sudeste (madeira), apresenta-se nos países do Sudeste Asiático. Por fim a 4 Verde (Si Lü, madeira) que, apesar de ser benéfica, no actual período 8 dos ciclos do Feng Shui contém aspectos positivos e negativos. Por estar a Sul (fogo), regerá Macau, Hong Kong, Austrália, assim como os países de África.

PREVISÕES PARA ALGUNS MESES

vulcânicas e tremores de terra, tufões, inundações devido a fortes chuvadas e grandes nevões, tal como as catástrofes criadas pelos humanos, como ataques terroristas e grandes flutuações nos mercados bolsistas, causarão um grande desgaste aos dirigentes. Assim, ficam em intenções todos os internacionais projectos de cooperação, pois não haverá energia para os levar por diante. Cada país apenas terá tempo para se proteger e pensar em si. A estrela voadora 5 Amarelo (Wu Huang, terra), instável, causadora de obstáculos e problemas, tem em 2018 a sua maligna influência perturbada colocada a Norte (água), localizada na Rússia, onde se prevê ocorrer perdas, também de saúde, doenças e tragédias. Já para a Europa, a 2 Preto (Er Hei, metal), localizada a Oeste (metal), trará doenças longas e incuráveis se os seus habitantes este ano não tratarem com cuidado esta direcção. A beligerante estrela voadora 3 Jade (San Bi, madei-

ra), que traz conflitos, disputas e caos, encontra-se a Nordeste (terra), localizada na Península da Coreia. Se não colocarem mais fogo, poderá continuar em Paz. A 7 Vermelho (Qi Chi, metal), estrela voadora violenta que traz injúrias, roubo, fogo e acção nos tribunais, leva a perdas financeiras e muitas disputas tanto em casa como no emprego, localiza-se a Leste (madeira), na América e Japão. Terra é o elemento do nascimento dos EUA e o do seu actual presidente, que, ampliando-se com mais a tripla terra deste ano, dá para imaginar o que pode ocorrer! Edward Li faz fervorosos votos para que reine a Paz e não haja guerra. Refere que, para resolver os problemas causados só grandes chuvadas e nevões, o que parece já ter começado a acontecer, qual ajuda celeste a refrear os ânimos. Tratando agora a localização nas direcções das auspiciosas estrelas voadoras: a 1 Branco (Yi Bai, água) estrela da prosperidade para o que virá, traz suces-

Neste início da Primavera, entre 4 de Fevereiro a 5 de Março, o yang menor do elemento madeira, direcção Leste, tem a complementar o yin maior do Inverno, a água do Norte, e assim, a dupla terra deste ano encarcera o fogo alimentado pela madeira e cria mais terra, levando a erupções vulcânicas, tremores de terra, acções terroristas e ainda um apagão eléctrico. As pessoas deverão ter muito cuidado e prevenir-se de ataques de coração e AVC’s. No mês seguinte, a juntar a tudo isso, epidemias e algo a sair da nossa capacidade de controlo. Em geral, pode-se dizer que as pessoas nascidas entre 7 de Novembro e 3 de Fevereiro, isto é, no Inverno, terão um ano mais vantajoso, pois necessitam de fogo e ele não faltará. Por oposição, quem nasceu no Verão, entre 5 de Junho e 7 de Agosto, deverá tomar maiores precauções, pois ao seu fogo juntar-se-á ainda mais fogo e ficará ON FIRE. Cuidado com o fogo dentro de casa. Já no nono mês, sob o signo de Cão, tal como o ano, de 8 de Outubro a 6 de Novembro, o elemento é terra yang e aliada com o ano de terra yang dentro de Terra, cria a tripla terra, significando túmulo, que apaga o fogo e origina problemas como a interrupção de energia eléctrica. Assim confrontados, iremos ser obrigados a repensar o uso de aparelhos como telemóveis e computadores no nosso quotidiano. Será que não ocuparão um espaço demasiado grande nas nossas vidas? Faltando a electricidade... Uma calamitosa desordem, a poder definir-se como caos do primaveril estado. E tudo se inicia pelo Vazio.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 9.2.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

HENRI MATISSE, MULHERES E MACACOS, 1952

Colagens

U

M texto sobre partes da carne e fragmentos. É do “corpoaos-pedaços” de que se trata. “Este texto é feito de impressões, sobretudo visuais, que resultaram [da] infância”. […] “O texto tenta fixar algumas interrogações para tratar um assunto concreto: a representação dos fragmentos.” […] [É] tentar pensar essas imagens ‘aos bocados’. O fragmento, […] miniatura, isolado … e …inteiro em si mesmo (Schlegel). “São Vicente é o paradigma do corpo fragmentado, a sua expressão extrema”. [N]ão era senão aos pedaços”. […] “queimado, rasgado e despedaçado. […] [L]ançado às feras para estas o devorarem. [M]as são impedidas de o fazer. [I] ntervenção de um corvo. […] “[S]éculos mais tarde, [dá]-se um naufrágio e toda a tripulação soçobra.”[…] “[E]stratégias de recuperação das relíquias de um mesmo santo espalhadas pelo mundo. Com vista [à] reconstituição coesa.” “Mas [a]s nossas experiências da dor e, consequentemente, as representações do corpo a ela associadas, alteraram-se radicalmente.” […] “Hoje, [há] químicos.” […] “O contrário de uma imagem fragmentada do corpo [pode] ser simplesmente a par-

te da representação (da parte) do corpo que falta para investir de significado, […] complemento simétrico dessa parte no contexto do corpo, geralmente estruturado por dualidades simples (diretas: mão esquerda/mão direita, ou indiretas: peito/ costas; ou , ao nível da linguagem, uma parte que se lhe oponha (cabeça/pés); ou sujeito a uma dimensão performativa do corpo (boca/ ânus ou boca/orelha); ou social, ou moral). Ou, ainda, em última instância, o salto que vai do fragmento do corpo biológico ao corpo cósmico ou divino.” (PHILIP CABAU) “A paisagem é a natureza? Se a paisagem for o que o meu olhar abarca, que papel desempenha o meu corpo na apreciação de uma paisagem? São Vicente a caminho de Lisboa teria tido uma experiência da paisagem?” […] “A visão terá porventura primazia, mas a paisagem não é apenas o visível, ela reclama […] cheiros, sabores, sons, a sensação de frio, calor, humidade ou secura do ar, ao vento ou sua ausência, a percepção táctil da suavidade ou firmeza do solo e dos elementos que a compõem.” A experiência é “a reunião de todos os elementos percepcionados

“existencial[mente]”: “[o] ciclo das estações do ano […] vegetal, mineral, animal, vital” (MOIRIKA REKER). “A nau é um símbolo da segurança possível na travessia perigosa que é tanto a vida quanto a morte, remetendo no Antigo Testamento para a Arca da Aliança e no Novo Testamento para a Igreja. Muito profunda é a observação de Bachelard de que a barca simboliza simultaneamente um berço redescoberto, o seio ou a matriz e o caixão, que considera ter sido porventura a primeira barca (além de ser a última). Seja como for, quem embarca não desembarca igual. A barca é símbolo da mais profunda e constante viagem, a do espírito ou da consciência, aquela “na qual nasce o próprio viajante”, como escreveu José Marinho. A barca é símbolo de transição e passagem, de metamorfose, de conversão de um limite em limiar.” (PAULO BORGES) “À flor da pele, bem te quero” (NELSON GUERREIRO) “[N]os alvores do cristianismo, as relíquias de partes dos corpos de mártires

eram importantes, pois considerava-se que seriam estes os primeiros a levantar-se no momento da ressurreição, liderando os fiéis a caminho da vida eterna.” É, pois, por isso, que “[n]a génese da visão de todo este Projecto está o cartografar dos farrapos de um mito que sobrevivem na memória colectiva (pavimentos em calçada portuguesa, candeeiros urbanos), mas igualmente a promoção de uma sensibilidade sempre emergente.” (MÁRIO CAEIRO) “A referida proliferação de escritos íntimos e memórias, e não questionação do significado disso, vão contribuindo para reduzir a realidade a um conjunto de aparências nas quais nenhum objeto se inscreve, na medida em que o objeto é justamente o-de-fora-de-aparência, o seu vazio, aquilo que se inscreve nela como a sua eternidade, ou a sua desaparição.” […]“É na desaparição — dos objetos, que estão aí diante de nós carregados da morte com que os fixamos — que se guardam os vestígios da aparição do Outro, daquilo que no objecto é sem medida comum” (Mallarmé).” (NELSON GUERREIRO)


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O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, um destacado dissecador da sociedade do hiperconsumismo, fala sobre suas críticas ao “inferno do igual”

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S Torres Gémeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque  que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando  binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han  (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Livros como A Sociedade da Fadiga,  Psicopolítica  e  A Expulsão do Diferente reúnem o seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo. “No  1984  orwelliano  a sociedade era consciente de que estava a ser dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou na sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), em Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se auto-exploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”. AUTENTICIDADE. Para Han, as pessoas vendem-se como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”. AUTOEXPLORAÇÃO. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar a fazer tudo o que poderia ser feito”, e se não és um vencedor, a cul-

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pa é tua. “Hoje a pessoa explora-se a si mesma achando que se está a realizar; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina no síndrome de  burnout”. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento. ‘BIG DATA’. Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”. COMUNICAÇÃO. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”. JARDIM. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, tu passas um dedo e pronto... É a abolição da realidade; o meu próximo livro será esse Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números. NARCISISMO. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no facto de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de auto-estima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias

“Hoje o indivíduo explora-se e acredita que isso é realização” Byung-Chul Han


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Byung-Chul Han injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”. OS OUTROS. Esta é a chave para as suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso, propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”. REFUGIADOS. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai passar férias nos seus países. TEMPO. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração actual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar a trabalhar; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”. “Estamos na Rede, mas não escutamos o outro, só fazemos barulho”, diz Byung-Chul Han, que viaja o necessário, mas não faz turismo “para não participar do fluxo de mercadorias e pessoas”. Também defende uma política nova. E a relaciona com a Catalunha, tema cuja tensão atenua brincando: “Se Puigdemont prometer voltar ao animal original, eu me torno separatista”. Já no aspecto político, enquadra o assunto no contexto da União Europeia: “A UE não foi uma união de sentimentos, mas sim comercial; é um monstro burocrático fora de toda lógica democrática; funciona por decretos...; nesta globalização abstracta acontece um duelo entre o não-lugar e a necessidade de ser de um lugar concreto; o especial é incómodo, gera desassossego e arrebenta o regional. Hegel dizia que a verdade é a reconciliação entre o geral e o particular e isso, hoje, é mais difícil...”. Mas recorre à sua revolução do tempo: “O casamento faz parte da recuperação do tempo livre: vamos ver se haverá um casamento entre a Catalunha e Espanha, e uma reconciliação”.

in El País

Por que não é hoje possível a revolução? Para decifrar a alta estabilidade do sistema de dominação liberal é preciso entender como os atuais mecanismos de poder funcionam. O comunismo como mercadoria é o fim da revolução

Q

UANDO debati com Antonio Negri, um ano atrás, no Berliner Schaubühne, ocorreu um embate entre duas críticas do capitalismo. Negri estava entusiasmado com a ideia da resistência global ao império, ao sistema de dominação neoliberal. Apresentou-se como revolucionário comunista e autodenominava-se professor céptico. Clamava com ênfase à multidão, à massa interconectada de protesto e revolução, a quem confiava a tarefa de derrotar o império. A posição do comunista revolucionário pareceu-me muito ingénua e fora da realidade. Por isso tentei explicar a Negri por que razão as revoluções já não são possíveis. Por que o regime de dominação neoliberal é tão estável? Por que há tão pouca resistência? Por que toda resistência se desvanece tão rápido? Por que a revolução já não é mais possível apesar do crescente abismo entre ricos e pobres? Para explicar isso é necessária uma compreensão adequada de como funcionam hoje o poder e a dominação. Quem pretende estabelecer um sistema de dominação deve eliminar resistências. Isto é certo também para o sistema de dominação neoliberal. A instauração de um novo sistema requer um poder que se impõe frequentemente através da violência. Mas esse poder não é idêntico ao que estabiliza o sistema por dentro. É sabido que Margaret Thatcher tratava os sindicatos como o “inimigo interior” e combatia-os de maneira agressiva. A intervenção violenta para impor a agenda neoliberal não tem nada a ver com o poder estabilizador do sistema. O poder estabilizador da sociedade disciplinadora e industrial era repressivo. Os proprietários das fábricas exploravam de forma brutal os trabalhadores industriais, o que ocasionava protestos e resistências. Nesse sistema repressivo são visíveis tanto a opressão como os opressores. Existe um oponente concreto, um inimigo visível diante do qual a resistência faz sentido. O sistema de dominação neoliberal está estruturado de uma forma totalmente diferente. O poder estabilizador do sistema já não é repressor, mas sedutor, ou seja, cativante. Já não é tão visível como o regime disciplinador. Não existe um oponente, um inimigo, que oprime a liberdade diante do qual a resistência era possível. O neoliberalismo transforma o trabalhador oprimido em empresário, em empregador de si mesmo. Hoje cada um é um trabalhador que explora a si mesmo na sua própria empresa. Cada um é amo e escravo numa só pessoa. Também a luta de classes se torna uma luta interna consigo mesmo: o que fracassa culpa-se a si mesmo e envergonha-se. A pessoa questiona-se a si mesma, não à sociedade. É ineficiente o poder disciplinador que com grande esforço oprime os homens de forma violenta com os seus preceitos e

proibições. É essencialmente mais eficiente a técnica de poder que se preocupa com que os homens por si mesmos se submetam à trama da dominação. A sua particular eficiência reside no facto de não funcionar através da proibição e da subtracção, mas através do deleite e da realização. Em lugar de gerar homens obedientes, pretende fazê-los obedientes. Essa lógica da eficiência é válida também para a vigilância. Nos anos oitenta, protestou-se de forma muito enérgica contra o censo demográfico. Os estudantes foram para as ruas. Da perspectiva actual, os dados necessários como função, diploma escolar ou distância do local de trabalho são ridículas. Era uma época na qual se acreditava ter pela frente o Estado como instância de dominação que arregimentava informação das pessoas contra a sua vontade. É precisamente esse sentimento de liberdade que torna impossível qualquer protesto. A livre iluminação e o livre desnudamento próprios seguem a mesma lógica da eficiência que a livre auto-exploração. Protestar contra o quê? Contra si mesmo? É importante distinguir entre o poder que impõe e o que estabiliza. O poder estabilizador adquire hoje uma forma amável, ‘smart’, e assim se faz invisível e inatacável. O sujeito submetido nem sequer é consciente da sua submissão. Acredita ser livre. Essa técnica de dominação neutraliza a resistência de uma forma muito eficiente. A dominação que submete e ataca a liberdade não é estável. Por isso o regime neoliberal é tão estável, é imunizado contra toda a resistência porque faz uso da liberdade, ao invés de submetê-la. A opressão da liberdade gera resistência de imediato. Ao contrário, isso não ocorre com a exploração com a liberdade. Depois da crise asiática, a Coreia do Sul estava paralisada. Veio então o FMI e deu crédito aos coreanos. Para isso, o Governo teve que impor a agenda neoliberal com violência contra os protestos. Hoje mal existe resistência na Coreia do Sul. Pelo contrário, predomina um grande conformismo e consenso com depressões e síndrome de Burnout. Hoje a Coreia do Sul tem a mais alta taxa de suicídio do mundo. A pessoa emprega a violência contra ela mesma, em vez de querer mudar a sociedade. A agressão ao exterior que teria como resultado uma revolução cede perante a auto-agressão. Hoje não existe nenhuma multidão cooperativa, interconectada, capaz de se transformar numa massa de protesto e revolucionária global. Pelo contrário, a solidão do auto-empregado isolado, separado, constituiu o modo de produção presente. Antes, os empresários competiam entre si. Entretanto, dentro da empresa era possível existir solidariedade. Hoje todos competem contra todos, também dentro da empresa. A concorrência total ocasiona um

enorme aumento da produtividade, mas destrói a solidariedade e o sentido de comunidade. Não se forma uma massa revolucionária com indivíduos esgotados, depressivos, isolados. Não é possível explicar o neoliberalismo de um modo marxista. No neoliberalismo não existe lugar nem sequer para a “alienação” a respeito do trabalho. Hoje dedicamo-nos com euforia ao trabalho até a síndrome de Burnout [fadiga crónica, ineficiência]. O primeiro nível da síndrome é a euforia. Síndrome de Burnout e revolução excluem-se mutuamente. Assim, é um erro pensar que a multidão derrotará o império parasitário e instaurará a sociedade comunista. E o que ocorre hoje com o comunismo? O sharing  (compartilhar) e a comunidade são constantemente evocados. A economia do sharing deve suceder à economia da propriedade e a posse. Sharing is caring [compartilhar é cuidar], diz a máquina da empresa Circler no novo romance de Dave Eggers, The Circle. Os paralelepípedos que formam o caminho até a central da empresa Circler contém máximas como “procure a comunidade” ou “envolva-se”. Cuidar é matar, deveria dizer a máxima da Circler. É um erro pensar que a economia do compartilhar, como afirma Jeremy Rifkin no seu mais recente livro, “A Sociedade do custo marginal nulo”, anuncia o fim do capitalismo, uma sociedade global, com orientação comunitária, na qual compartilhar terá mais valor que possuir. É exatamente o contrário: a economia do compartilhar conduz, em última instância, à comercialização total da vida. A mudança, realizada por Rifkin, que vai da posse ao “acesso” não nos libera do capitalismo. Quem não tem dinheiro, tampouco terá acesso ao  sharing. Também na época do acesso continuaremos a viver no Bannoptikum, um dispositivo de exclusão, no qual os que não têm dinheiro ficam excluídos. O Airbnb, o mercado comunitário que transforma cada casa em hotel, rentabiliza até mesmo a hospitalidade. A ideologia da comunidade ou do comum realizado em colaboração leva à capitalização total da comunidade. A amabilidade desinteressada já não é mais possível. Numa sociedade de valorização recíproca a amabilidade também é comercializada. A pessoa é amável para receber melhor valorização. Na economia baseada na colaboração também predomina a dura lógica do capitalismo. De maneira paradoxal, nesse belo “compartilhar” ninguém dá nada voluntariamente. O capitalismo chega em sua plenitude no momento em que o comunismo é vendido como mercadoria. O comunismo como mercadoria: isto é o fim da revolução.

in El País


18 desporto

9.2.2018 sexta-feira

ESQUI ATLETA NATURAL DE MACAU DEFENDE CORES DE PORTUGAL NA COREIA DO SUL

Nascido para esquiar

As Olimpíadas de Pyongchang arrancam hoje e o porta-estandarte português nasceu em Macau, tem o apelido Lam e fala fluentemente cantonense. Após ter saído do território com três meses, o atleta nunca mais regressou, mas admite o desejo de voltar para visitar a cidade

Apesar de a língua com que está mais à vontade ser o inglês, Kequyen, que só conseguiu a nacionalidade em 2006, consegue falar fluentemente cantonense e um bocado de português, embora de uma forma limitada.

ESTREIA EM JOGO OLÍMPICOS

Orgulhoso por representar as cores de Portugal, apesar de viver no Canadá, Kequyen vai realiza a estreia nos Jogos Olímpicos. A oportunidade chegou depois do atleta profissional ter tomada uma decisão radical e mudado de modalidade, há cerca de dois anos e meio, após uma lesão que o impossibilitou de tentar apurar-se para as Olimpíadas de de Sochi, em 2014.

“Foi uma ideia maluca porque sempre fui um atleta de provas de pouca duração, as minhas corridas duravam um minuto e meio. Fazer uma adaptação tão grande para provas com uma duração com mais de 30 minutos parecia-me uma coisa quase impossível.” KEQUYEN LAM ESQUIADOR

O

S Jogos Olímpicos de Inverno começam hoje em PyeongChang e entre os competidores vai estar Kequyen Lam, esquiador nascido em Macau, de 38 anos, que representa as cores de Portugal. Filho de pais chineses que viviam no Vietname, Lam nasceu após pais terem procurado refúgio em Macau, como consequência da Guerra Sino-Vietnamita. Desde então não regressou, mas fala cantonense e não esquece o território onde nasceu, apesar da passagem só ter durado três meses. “Os meus pais viveram em Macau durante um ano, no campo de refugiados. Depois de eu ter

nascido ainda ficaram aí durante três meses, até terem conseguido emigrar para Abbotsford, no Canadá”, contou Kequyen Lam, em entrevista ao HM. “Como só estive três meses em Macau e era bebé não tenho memórias. Também não voltei a Macau desde que nasci, mas espero ter a oportunidade de visitar o território brevemente”, explicou. Mesmo não guardando memórias físicas, o facto do território e das pessoas terem acolhido a sua família não foi esquecido pelo esquiador, como atesta o livro electrónico que lançou em inglês e está à venda na Internet com o título: “Na mente de um atleta olímpico”.

“Com braços abertos, Macau, as pessoas de Macau, os portugueses e muitas pessoas envolvidas nos movimentos de ajuda internacional receberem aos meus pais. Ofereceram-lhes abriga e ajudaram-nos

a recuperar a sua saúde no campo de refugiados”, recorda no livro. “Foi desta forma que os meus pais sobrevieram durante um ano. E durante esse ano, nasci, nasci numa colónia Portuguesa”, acrescenta.

Até essa altura, o atleta competia na modalidade Snowboard Cross, em que quatro atletas deslizam em pranchas individuais ao longo de uma descida para ver quem é o primeiro a cortar a meta. A lesão fê-lo apostar em algo completamente diferente: “Depois da lesão, tirei algum tempo para me afastar do desporto, mas a chama ainda estava acesa. Eu sentia o desejo de ser atleta e de competir. Por isso, há dois anos e meio tive a ideia de me desafiar, defini novos objectivos: qualificar-me para os Jogos Olímpicos de 2018 na modalidade de Cross Country”, contou. “Foi uma ideia maluca porque sempre fui um atleta de provas de pouca duração, as minhas corridas duravam um minuto e meio. Fazer uma adaptação tão grande para provas com uma duração com mais de 30 minutos parecia-me uma coisa quase impossível. Mas consegui e estou muito entusiasmado”, frisou. Sobre a participação em PyeongChang, Kequyen está à espera de uma prova tranquila que inspire Portugal a apostar mais nos desportos de inverno. O atleta já está na Coreia do Sul e entra em acção a 16 de Fevereiro, às 16h00, hora de Macau na prova de Cross Country 15 km livres. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.com


opinião 19

sexta-feira 9.2.2018

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

LUTA ENTRE MULHERES, LOUIS LEOPOLD BOILLY

O grande desafio

R

ECENTEMENTE, dois apelos a instâncias superiores da justiça, um na RAEM e o outro na RAEHK, chegaram ao fim. Em Hong Kong, o Tribunal de Última Instância aceitou o apelo de Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow que recorreram da sentença do Tribunal de Primeira Instância. Os activistas tinham sido condenados a penas de prisão por terem tentado forçar a entrada na sede governamental, na sequência dos protestos associados à “revolta dos guarda-chuvas”. A sentença inicial foi revista e o Tribunal optou por pena suspensa e prestação de serviço comunitário. Os três jovens saíram em liberdade. Em Macau, o deputado Sulu Sou apresentou um recurso no Tribunal de Segunda Instância, contestando a decisão do plenário da Assembleia Legislativa de suspender as suas funções, mas o Tribunal recusou o apelo bem como o pedido de providência cautelar. Se Sou não recorrer para o Tribunal de Última Instância, a questão relativa à legitimidade dos procedimentos que levaram à suspensão do seu mandato na Assembleia Legislativa chegará ao fim. O Tribunal Judicial de Base retomará o julgamento do seu caso. Os finais distintos dos dois apelos demonstram a independência do poder judicial em ambas as regiões. Qualquer avaliação de

sentenças de um Tribunal só pode ser feita através de processos jurídicos. É a salvaguarda da independência do poder judicial à luz do enquadramento legal. Um acto político não equivale ao estado de direito e não pode violar a justiça processual. Caso contrário, o estado de direito será substituído pela anarquia. Prefiro não falar sobre estes dois apelos, mas gostava de partilhar os meus pontos de vista sobre a lei através de um filme que vi. A TV Cabo de Macau passa muitas vezes um filme intitulado “O Grande Desafio”. É baseado numa história real protagonizada por Melvin B. Tolson, um poeta negro americano, que foi professor na década de 30. O filme conta como Melvin Tolson fundou e treinou a primeira equipa de debate do Wiley College, uma escola do Texas para negros, que viria mais tarde a vencer um desafio contra a equipa da Universidade de Harvard. É uma demonstração da difícil luta dos negros contra a discriminação racial. Como o filme passava repetidamente, acabei por vê-lo várias vezes. Para mim, um dos momentos altos da história é a apresentação do argumento de James L. Farmer, Jr.

Se pensamos que uma lei é má, devemos lutar para corrigi-la, não para quebrá-la. Se todos transgredirem a lei porque a acham desadequada, a ordem social será destruída e só podemos esperar o pior Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

(filho de um pastor negro) durante a última sessão do debate, na qual citou a famosa frase de Augustine Hippo, “Uma lei injusta não é uma lei”, para contrapor a afirmação da equipa de Harvard, “nada do que ataca o estado de direito pode ser legítimo”. Nesse tempo, os negros não tinham os mesmos direitos dos brancos perante a lei. James L. Farmer afirmou ainda que, perante uma lei injusta, tinha o direito e o dever de a combater de todas as formas possíveis. Não através da agressão, mas sim com acções não-violentas. O Movimento da Não Violência continua a ser uma doutrina que surgiu com as lutas sociais dos anos 30. Há algum tempo atrás tive uma conversa com um membro pró-democrata do sector jurídico de Hong Kong. Ele defendia que a lei deve ser respeitada por todos os sectores da oposição. Se pensamos que uma lei é má, devemos lutar para corrigi-la, não para quebrá-la. Se todos transgredirem a lei porque a acham desadequada, a ordem social será destruída e só podemos esperar o pior. Estas palavras merecem-nos alguma reflexão. Nos últimos 100 anos da História da China houve sempre ausência de legitimidade democrática, dando origem à violência institucional, que tem um impacto muito maior do que qualquer outra violência. No processo de construção de uma sociedade governada pela lei, é vital encarar a sociedade como um todo, independentemente dos sistemas e do papel desempenhado pelos representantes da autoridade. Se tivermos a coragem de falar a verdade abertamente, podemos enfrentar grandes desafios. Quem ousar viver uma vida de verdade, será sem dúvida uma pessoa realizada.


20 opinião

9.2.2018 sexta-feira

A China no “Compared with the congress of two parties (Republican Party and Democratic Party) in the United States, the National Congress of the Communist Party of China takes a longer time for the change of state leadership compared with the President selection of the United States, the democratic form is more completed, the democratic selection procedure is more completed, the democratic contents are more adequate, the democratic essence is more effective and the democratic achievements are more abundant, already exceeding the United States.” China’s Road and China’s Dream: An Analysis of the Chinese Political Decision-Making Process Through the National Party Congress Angang Hu

O

Ano Novo Chinês do Cão, que começa oficialmente a 16 de Fevereiro de 2018 e termina em 4 de Fevereiro de 2019, será palco da realização e execução de profundas e sérias alterações na China, no seguimento do decidido pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC), a 19 de Janeiro de 2018, ao propor e escrever o pensamento do presidente Xi Jinping sobre o “Socialismo com Características Chinesas para uma nova era na Constituição da China”, a lei fundamental do país. O presidente Xi Jinping, que também é Secretário-geral do Comité Central do PCC, pronunciou um discurso na Segunda Sessão Plenária do 19.º Comité Central do PCC, realizada em Pequim entre 18 a 19 de Janeiro de 2018. A Segunda Sessão Plenária aprovou uma proposta do Comité Central do PCC sobre a revisão da Constituição. As principais conquistas teóricas, princípios e políticas adoptadas no 19.º Congresso Nacional do PCC devem ser incorporadas em uma revisão da Constituição, de acordo com o conteúdo divulgado após a dita Sessão Plenária. As novas realizações, experiências e requisitos do desenvolvimento do Partido e do país devem ser incorporados na Constituição revista, em que se deve manter o compasso dos tempos e melhorar a Constituição, mantendo a sua consistência, estabilidade e autoridade. O Comité Central do PCC convidou o Partido a unir-se, com o presidente Xi Jinping, no seu centro, e aderir ao Estado de direito socialista com características chinesas. A sessão foi presidida pelo Politburo Político do Comité Central do PCC. O presidente Xi fez um discurso na dita sessão, tendo contado com a participação de duzentos e três membros e cento e setenta e dois membros suplentes do Comité Central do PCC, membros do Comité Permanente da Comissão Central de Inspecção Disciplinar do PCC, responsáveis principais em assuntos proeminentes, alguns deputados

ao 19.º Congresso Nacional do PCC, eleitos de base de organizações e especialistas. Na sessão, os líderes adoptaram uma proposta de alteração de algumas partes da Constituição. O presidente da Comissão Permanente do Congresso Nacional do Povo apresentou o projecto de proposta na referida sessão, pelo que se tornava necessário alterar a Constituição da China, nesta nova era. A República Popular da China (RPC) promulgou a sua primeira Constituição em 1954. O Quinto Congresso Nacional do Povo, em 1982, aprovou a presente Constituição, que sofreu quatro alterações, em 1988, 1993, 1999 e 2004, respectivamente. A Constituição tem desempenhado um papel importante no progresso do país, pois foi alterada em conformidade com a realidade e desenvolvimento do Partido e do país, e desde a última alteração em 2004, o Partido e o país passaram por importantes mudanças. O 19.º Congresso Nacional do PCC fez importantes implementações estratégicas no socialismo com características chinesas para a nova era, pelo que é essencial alterar a Constituição para incorporar realizações teóricas, práticas e institucionais feitas pelo Partido e pelo povo. O processo de modificação deve levar o marxismo-leninismo, o “Pensamento de Mao Tse Tung”, a “Teoria de Deng Xiaoping”, a “Teoria dos Três Representantes” que têm como pilares os interesses da maioria do povo, a cultura e as forças produtivas avançadas, a “Perspectiva Científica do Desenvolvimento”, e o “Pensamento do presidente Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas” para uma nova era, como guia. O pensamento do presidente Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era é uma orientação que o Partido e o país defenderão a longo prazo. É de enfatizar que o pensamento do presidente Xi Jinping é a última conquista na adaptação do marxismo ao contexto chinês e é o tipo de marxismo para a China contemporânea e para o século XXI. O pensamento deve ser uma ideologia orientadora a ser mantida a longo prazo pelo PCC e pelo país, pelo que a liderança do Partido, deve ser fortalecida e confirmada em todas as áreas de actuação. A adesão à liderança do PCC é justificada como um princípio na revisão da Constituição e a liderança do PCC é o atributo essencial do socialismo com características chinesas e a maior força do sistema. O plano integrado de cinco alcances, que é de promover de forma coordenada o avanço económico, político, cultural, social e ecológico, e a nova visão do desenvolvimento inovador, verde, aberto e universal, são vitais para o rejuvenescimento nacional. Os objectivos passam pela finalização da construção de uma sociedade moderadamente próspera, em todos os aspectos até 2020, basicamente, realizando a modernização socialista em 2035 e construindo a China, como um grande país socialista moderno, em meados do século XXI. É de atender que, seguindo o caminho do desenvolvimento pacífico, procurar

uma estratégia mutuamente benéfica de abrir e promover a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, é de grande importância para a causa do desenvolvimento pacífico da humanidade. A reforma para estabelecer um sistema de supervisão nacional, que está sob a liderança do Partido e abrange todos os que exercem o poder público é uma reforma significativa do sistema político e uma decisão importante para fortalecer a auto-supervisão do Partido e do Estado, pelo que todos, devem obedecer à Constituição. É de destacar o importante papel da Constituição na governança estadual e o comprometimento universal na garantia da sua implementação. Os empenhos para aderir ao domínio da lei devem dar prioridade à regra da Constituição.

Os esforços para aderir ao governo pela lei devem colocá-lo em conformidade com a supremacia da Constituição. É de entender que todo comportamento anti-constitucional deve ser corrigido, sem falhas, e nenhuma organização ou indivíduo tem o poder de violar a Constituição ou a lei. Assim, todas as pessoas, órgãos do Estado, forças armadas, partidos políticos, grupos civis, instituições públicas e empresas devem ter a Constituição como seu guia fundamental. As pessoas em todos os níveis de cargos públicos, especialmente os principais funcionários, devem exercer o poder e trabalhar de acordo com a Constituição e a lei, e submeterem-se à supervisão do povo. É obrigação geral enriquecer as principais disposições institucionais da Constituição, o que desempenharia um papel importante na


opinião 21

sexta-feira 9.2.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

Ano do Cão

melhoria e desenvolvimento do sistema de socialismo com características chinesas. A revisão da Constituição, proporcionará uma garantia poderosa para o desenvolvimento do socialismo com características chinesas na nova era, dado que a Constituição é o cerne do sistema de direito socialista chinês, e a adesão ao Estado de Direito deve dar prioridade à regra da Constituição. Os esforços para aderir ao governo pela lei devem fazer, que se actue em conformidade com a Constituição, como sendo a máxima prioridade. Esta experiência, que é aprendida com a história do desenvolvimento da China, deve ser respeitada e amada. A partir do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, o Comité Central do PCC com o presidente Xi no centro do poder, levou o país a manter e a desenvolver o

socialismo com características chinesas, estabelecendo o referido Pensamento. A revisão pode manter a Constituição ao ritmo do desenvolvimento do Partido e do país, mantendo a sua consistência, estabilidade e autoridade. Este é o compromisso do Comité

Procurar uma estratégia mutuamente benéfica de abrir e promover a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, é de grande importância para a causa do desenvolvimento pacífico da humanidade.

Central do PCC de oferecer o seu conceito de governança de acordo com a Constituição. O PCC também fortalecerá a supervisão para garantir o cumprimento da Constituição, avançar na revisão constitucional e salvaguardar a poder da Constituição. O Comité Central do PCC, desde 2012, tomou medidas significativas para salvaguardar a dignidade e autoridade da Constituição, como por exemplo, ao estabelecer o “Dia Nacional da Constituição”, que é um mecanismo que tem por fim assegurar fidelidade à Constituição. A revisão proposta reforçará a implementação e a adesão à Constituição por toda a sociedade, aumentará a confiança das organizações de base em reformas e desenvolvimento, e fornecerá orientação constitucional para diversos sectores com vista a acelerar a reforma. O presidente Xi Jinping pediu, em 4 de Dezembro de 2017, no “Dia Nacional da Constituição”, para aumentar a conscientização pública sobre a Constituição e a sua implementação, que tem sido observada pela China desde 2014. A Constituição contém as regras fundamentais do país, e deve ser cumprida durante a implementação da lei, como disse o presidente Xi, em uma instrução enviada para a abertura de uma sala de exposições em Hangzhou. O salão apresenta documentos sobre a primeira Constituição da RPC, que foi redigida no mesmo local e promulgada em 1954. A legislatura da Assembleia Popular Nacional, adoptou a actual Constituição, a 4 de Dezembro de 1982, com base na versão de 1954. A sala de exposições é importante para a promoção da Constituição, para que mais pessoas se tornem conscientes e respeitem as leis do país de acordo com o Pensamento do presidente Xi, que solicitou ainda, à administração da sala de exposições para defender a liderança e o Estado de Direito e do Partido, e desempenhar o seu papel na promoção e implementação da Constituição. A partir de 4 de Dezembro de 2016, todos os funcionários eleitos ou nomeados, têm que fazer juramento público de fidelidade à Constituição. É importante salientar que a 28 de Novembro de 2017, um conjunto de regulamentos para promover a transparência nos assuntos do Partido foi revisto e adoptado, em uma reunião do Politburo Central do PCC, e publicados a 25 de Dezembro de 2017. O Regulamento do PCC sobre “Transparência nos Assuntos do Partido (Julgamento)”, foi o primeiro documento oficial divulgado desde o 19.º Congresso Nacional do PCC, em Outubro de 2017, que estabelecem as bases para as futuras regras de divulgação dos assuntos do Partido e especificam a definição, princípios, conteúdo, procedimentos e formas de trabalho. A transparência foi um passo importante para a implementação do espírito do 19.º Congresso Nacional do PCC e uma obrigação para o desenvolvimento da democracia intrapartidária e democracia socialista. O PCC, nos últimos anos, fez grandes esforços para explorar o caminho para a

transparência nos assuntos do Partido, tendo revelado um conjunto de documentos, como o “Regulamento sobre o Estabelecimento de um Sistema de Porta-Vozes para os Comités do PCC”, o “Regulamento para Promover a Transparência dos Assuntos do Partido nas Organizações Primárias do PCC” e do “Regulamento de Estabelecimento e Melhoramento de Mecanismos de Divulgação de Informações e Interpretação de Políticas”. A partir do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, o Partido acelerou a sua campanha anticorrupção. A divulgação de informações sobre funcionários corruptos de alto nível e os casos de violações do Código de Austeridade de oito pontos do Comité Central do PCC, atraiu a atenção das pessoas para a “Comissão Central de Inspecção Disciplinar do PCC (CCDI) ”, em uma clara demonstração dos esforços para promover a transparência nos assuntos do Partido. Além disso, um relatório anual divulgado pelo Departamento de Organização do Comité Central do PCC, contém o número de membros e organizações do Partido, bem como a composição das organizações a todos os níveis. Além de promover a transparência em alguns assuntos dentro do escopo das suas funções, alguns departamentos do Partido, incluindo o CCDI, bem como a organização e os departamentos internacionais do Comité Central do PCC, também realizaram eventos do dia aberto aos diplomatas estrangeiros, agências de média estrangeira e público. Todavia, permanece um fosso entre o actual nível de transparência nos assuntos do Partido e os requisitos da nova era. O propósito da informação a divulgar não é suficientemente amplo, os procedimentos não são totalmente institucionalizados e a transmissão ao público muitas vezes mostra-se rígida e restrita. Algumas organizações e departamentos do Partido não conseguiram divulgar as informações mais interessantes para as pessoas mas, em vez disso, tornam públicas informações inadequadas, como segredos de comemorações. Os regulamentos sobre a transparência nos assuntos do Partido são de grande importância no exercício de uma governança completa e rigorosa, fortalecendo a supervisão intrapartidária e aproveitando o entusiasmo, a iniciativa e a criatividade de todo o PCC. É de considerar que há muito tempo houve divergências em teorias e práticas sobre a conotação de transparência nos assuntos do Partido. Os novos regulamentos do PCC pela primeira vez dão uma definição clara e autorizada a este respeito, pois exigem que as organizações do Partido divulguem assuntos relativos à sua liderança e construção, entre os seus membros. Assim, a liderança e a construção do Partido constituem todos os assuntos do PCC. Os assuntos do Partido, referem-se principalmente ao seu funcionamento interno, são o que as suas organizações e os membros têm o direito de conhecer, pois o PCC é o partido no poder na China e os seus assuntos e políticas influenciarão o desenvolvimento nacional.


22 (f)utilidades TEMPO

9.2.2018 sexta-feira

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SATURDAY NIGHT JAZZ - THE JAZZ GIRLS & MJPA SEXTET Fundação Rui Cunha | 21h00 às 23h00

Domingo

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Diariamente

3 4 2 6 7 7 1“O TEMPO 6 MEMORÁVEL” 3 4 EXPOSIÇÃO Museu de Macau | Até 25/02 1 2 5 7 3 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu Arte de 4 Macau 5 | Até 4/03 2 de 3 6 4 7 1 2 5 5 6 3 4 1 6 5 7 1 2 15

2 7 5 6 5 6 3 4 Cineteatro C I 3 4 1 7 1 2 4 3 6 5 2 1 4 1 7 2 7 3 6 5

17

3 1 7 5 4 6 2

SALA 1

4 7 6 3 1 2 5

7 2 5 6 3 4 1

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B]

Filme de: Steven Spielberg

3 7 E 2 6 4 5 1

5 2 6 1 3 7 4

4 1 M A 5 7 3 6 2

6 1 2 5 MAZE RUNNER: THE DEATH CURE 4 3 5 6 2 4 3 1 1 7 4 2 5 2 6 7 7 5 1 3 3 6 7 4

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D]

1 2 N 6 5 7 3 4

1 5 4 7 6 2 3

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION EPISODE I [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 14.30, 21.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 19:15

O CARTOON STEPH 14 DE

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1 THE7KITAZAWAS: 2 5WE MIND 3 OUR 4 OWN BUSINESS 3| SATORU 4 NAKAJIMA 7 5| 20181 4 Kitazawas: 5 1We Mind 6 Our 3 7 2 7 3 6 1 4 5 1 18 7 2 3 6 “The Own Business” é uma comédia 6 2japonesa. 7 A5história 1 4 3 4 5 11 6 2 3 4 5 67 2 3 dramática fala dos vários incidentes dentro da2 família 3Kitazawa, 4 composta 7 6 1 5 2 4 5 7 61 6 5 1 4 6 74 pelos membros todos de elite, que insistem em proteger a 1 4da família 2 3 7 5 6 6 22 3 4 15 7 7 3 5 1 25 imagem para não ser prejudicada. No entanto, 6 director 4 2de 3 1 5 1 7 3 6 2 6 2 3 72 4 um5dia, o7 pai Taizo, uma escola secundária, mostrou aos7seus filhos 1 uma 3 foto2em que 5 6 4 3 6 4 2 77 1 2 6 1 43 5 surge nu numa cama, estando a ser chantageado para que essa 4 1 7 imagem não seja publicada e divulgada. Taizo pede então 18 23 1 24 2 6 7 aos seus filhos para arranjarem maneiras para eliminarem todas 1 um3possível 5 6 2 7 4 3 1 2 6 5 4 7 2 6 5 as 4 provas7e evitar escândalo. . Vítor Ng 1 3 5 4 7 2 6 1 3 2 5 7 4 6 5 2 6 7 4 3 2 6 5 1 4 7 2 6 5 4 3 1 7 7 1 3 4 6 6 1 2 7 4 3 5 4 1 6 7 5 3 2 1 5 7 3 2 José Editor Filipe; Sofia 5 4 3 6Propriedade 2 Fábrica 7 de Notícias, 1 Lda Director Carlos3Morais 7 1João Luz;2José C.6Mendes5Redacção 4 Andreia Sofia Silva; João2Santos 4 5Margarida 1 Mota;3 Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério 7 5 4 2José 1António3Conceição Júnior; David Chan; 6 Fa5Seong; Jorge 7 Morbey; 3 Jorge4Rodrigues 2 Simão;1Leocardo; Paul Chan Wai6Chi; Paula 3 Bicho;4Tânia 2 1 Romão 6 Colunistas dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de www. redacção Morada 5 Calçada7 de 2hojemacau. 6 7 1 3e Publicidade 5 4Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) 5 2 4 6Assistente 1 de marketing 7 3Vincent Vong Impressão Tipografia 3 6Welfare 1 com.mo Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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A capacidade para a autocrítica é uma prova de maturidade, de crescimento e confiança. É um exercício de humildade, de despojamento de alguém que atingiu um patamar de sensatez em que as suas falhas são assumidas, registadas, para que possam ser resolvidas. Um Governo está longe de ser uma pessoa, mas como um indivíduo precisa de escrutínio extremo, limites, leis, algo que circunscreva a sua acção uma vez que é entidade social que detém o monopólio da violência legal. Um Governo não se pode limitar à autocrítica e à auto-avaliação. Sim, estou a pensar nos organismos que fiscalizam o Governo de Macau e que com ele se confundem. Por um lado temos uma Assembleia Legislativa que não legisla e que é constituída por membros paralelos do Governo, apontados pelo 16 o seu simulacro Executivo, que fazem de fiscalização. Por outro lado, temos um Comissariado contra a Corrupção, que fiscaliza o Governo ao mesmo tempo que é composto por... nomeados pelo próprio Governo. Isto é o equivalente a eu escolher um amigo meu para juiz da minha causa, não sem antes meter a minha irmã à frente do Conselho Superior da Magistratura, o meu primo no Tribunal Constitucional, por aí fora. Resta a alguma esperança de autocrítica e o medo de aborrecer a população ao ponto de motivar algum protesto mais visível. Este sistema é muito próximo do absolutismo, a sua única limitação é a vergonha que tende a se perder por caminhos obscuros. João Luz

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SUDOKU

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

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CONCERTO | HEIDI LI ITALIAN JAZZ DUO ESPAÇO “WHAT’S UP” POP UP Calçada do Amparo | 19H00 às 20h30

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CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00 (Exibição até 25/02)

EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02

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PÊLO DO CÃO

UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

Amanhã

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FACEBOOK

sexta-feira 9.2.2018

NUANCE U, GESTORA DE MARKETING

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Fascínio comunicativo

gosto pela comunicação e o fascínio pelo desafio de encontrar a melhor estratégia para transmitir os valores de uma marca além das palavras, fazem de Nuance U uma apaixonada pela área do marketing. É por essa razão que a residente se dedica a esta área e à comunicação, desempenhando as funções de gerente de marca. “É um campo muito interessante e que me fascina muito porque exige uma grande capacidade de planeamento e aptidão para adoptar as estratégias correctas. Este desafio de fazer as escolhas certas para ajudar a construir uma marca e transmitir os valores que pretendemos é mesmo muito fascinante. Foi por isso que decidi licenciar-me em marketing em comunicação”, contou Nuance U, ao HM. Depois de completar o ensino secundário no território, Nuance licenciou-se em marketing, na Universidade de Macquarie. No entanto, o gosto pela escrita, outra das suas paixões, fez com que frequentasse o King’s College, em Londres, onde estudou a escrita jornalística.

Esta experiência na capital inglesa acabou por ser muito marcante para a residente de 30 anos, que se apaixonar pelo Reino Unido. Ainda hoje não tem dúvidas em apontar o Reino de Sua Majestade como o seu destino turístico preferido. “Senti uma grande diferença em relação a Macau. É um local que tem uma cultura muito diferente em áreas que também aprecio, como a arquitectura e a arte. Foi um local muito interessante para estudar e viver porque tive acesso a experiências que em Macau não teria”, explica. Sobre Londres, a gestora de marca destaca a gentileza dos britânicos no dia-a-dia: “As maneiras muito bem-educadas que as pessoas têm na sua rotina foi algo que me marcou. São aspectos culturais muito interessantes e diferentes que também me fizeram gostar de lá ter estudado e que me deixam sempre vontade de voltar”, sublinhou. Em termos de viagens, a gerente de marcas confessa ainda o sonho de visitar os Estados

Unidos deAmérica: “Quando escolho os locais que visito tenho o cuidado de optar por destinos com um contexto históricos e com uma arquitectura que acho que me vai impressionar. Por isso, neste momento, quero muito ir aos Estados Unidos”, admitiu. “Tenho muita curiosidade em passear por Nova Iorque e viver o ambiente cosmopolita de Manhattan”, frisou.

VICIADA EM LIVROS E INFORMAÇÃO

Além de viajar, nos tempos livres Nuance gosta de frequentar os cafés locais, onde não dispensa a companhia de um livro ou dos portais de informação anglo-saxónicos: “Se tenho mais tempo livre, gosto muito de ir para os cafés ler. E felizmente Macau tem muitos espaços interessantes que permitem ler com tranquilidade”, afirmou. “Também passo muito tempo a ler informação. Gosto de aceder com frequências aos portais da imprensa estrangeira, como da BBC, do jornal New York Times ou mesmo da CBN”, apontou.

A gerente de marca também não dispensa a visita aos grandes casinos do território, onde gosta de relaxar nos Spas e, por vezes, fazer compras. O piano, que aprendeu a tocar desde pequena, é também uma companhia para os momentos mais relaxantes. “Uma das coisas que gosto muito de fazer em Macau é ir aos Spas. Temos a sorte de ter no território as grandes cadeiras de hotéis que trazem Spas com grande qualidade. É muito importante para relaxar bem os músculos”, explicou. Sobre Macau há dois aspectos que apaixonam Nuance: a convivência entre as culturas oriental e ocidente e o ambiente de Hac Sá: “Tenho memórias muito boas da Praia da Hac Sá. Gosto muito da venda dos churrascos na rua. Também tem os restaurantes portugueses onde a comida é deliciosa. Por outro lado, não posso deixar de mencionar que é o local onde o ar é mais puro”, sublinhou.


A terra é mais do que dígitos e números.

Byung-Chul Han

Amizade impertubável

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ESPONSÁVEIS chineses e africanos classificaram ontem uma investigação do jornal francês Le Monde que indica que Pequim espiou a sede da União Africana (UA) como uma tentativa de desestabilizar as relações bilaterais. Moussa Faki, presidente da Comissão da UA, o cargo executivo mais importante da organização, disse aos jornalistas em Pequim que não acredita que a China tenha espionado o edifício da organização em Adis Abeba. “São tudo mentiras”, afirmou Faki, após um encontro com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi. “Não há manobras que nos possam distrair ou desviar do nosso objectivo” de fortalecer as relações com a China, acrescentou Faki, que anunciou ainda que a UA vai abrir este ano um novo escritório em Pequim. As novas instalações na capital chinesa serão disponibilizadas pelo Governo chinês. PUB

AP/MARK SCHIEFELBEIN

China e União Africana negam espionagem de Pequim

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou sobre a reportagem do Le Monde que “tentativas de dividir a China e África não serão bem-sucedidas”. “Algumas pessoas, alguns poderes, não querem ajudar África a desenvolver-se”, apontou Wang. O responsável chinês afirmou que o apoio da China ao desenvolvimento de África é feito “altruisticamente”, enquanto outros países têm os seus próprios interesses.

Citando várias fontes internas na UA, o Le Monde assegurou que os informáticos da organização constataram há cerca de um ano que o conteúdo dos servidores da Internet da organização foi transferido para outros servidores na cidade chinesa de Xangai. As mesmas fontes dizem que essas transferências ocorreram desde 2012, após concluída a construção do novo edifício da UA. Os servidores foram alterados

PALAVRA DO DIA

em 2017, quando essa falha no sistema foi descoberta. A nova sede da UA, o mais alto edifício de Adis Abeba, com 22 andares e uma sala de conferências com 2.500 lugares, foi uma “oferta da China a África”. O Le Monde acrescenta que, após ter sido exposta a transferência dos dados para a China, especialistas da Etiópia em segurança descobriram microfones escondidos nas mesas e paredes das salas da sede. A China é desde 2009 o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, em 2015, o comércio China-África somou 169 mil milhões de dólares, mais do dobro do comércio de África com a Índia, que surge em segundo lugar, à frente dos Estados Unidos. A China é, por exemplo, o maior cliente do petróleo angolano. Há quase trinta anos que o ministro dos Negócios Estrangeiros da China começa sempre o ano com uma viagem a África. No início deste ano, Wang Yi esteve em Angola e São Tomé e Príncipe. No final de 2015, o Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu conceder aos países do continente um total de 60 mil milhões de dólares em empréstimos e crédito à exportação.

sexta-feira 9.2.2018

Ramos-Horta Coligação da oposição é “absurdo político” O ex-Presidente e actual ministro timorense José Ramos-Horta considerou a grande coligação das forças de oposição timorenses um “absurdo político” onde se evidenciam grandes diferenças programáticas e “insatisfação” sobre as listas de candidaturas às eleições antecipadas de Maio. “Não vejo solidez nenhuma na coligação. Pode haver uma grande vontade individual, a nível do Xanana [Gusmão] e do Taur Matan Ruak. Mas é pontual e será até quando?”, questionou José Ramos-Horta. “Dadas as enormes diferenças que prevalecem dentro dessa coligação, quanto tempo durará? Uma coligação a três ou até a 13 é um absurdo político completo, sem pensarem nas implicações ou consequências”, disse Ramos-Horta. As três forças da oposição - o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), liderado por Xanana Gusmão, o Partido Libertação Popular (PLP), liderado por Taur Matan Ruak e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) - formaram um bloco maioritário no actual parlamento nacional, já depois da tomada de posse do actual Governo. A Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) transformou-se recentemente na Aliança para Mudança e Progresso (AMP), nome com o qual os três partidos se querem apresentar, unidos, às eleições previstas para 12 de maio. À AMP podem ainda juntar-se outras forças políticas mais pequenas.

Hoje Macau 9 FEV 2018 #3991  

N.º 3991 de 9 de FEV de 2018

Hoje Macau 9 FEV 2018 #3991  

N.º 3991 de 9 de FEV de 2018

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