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MOP$10

GCS

OMS | ÁLCOOL

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TERÇA-FEIRA 9 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4149

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

STARTUPS

TRABALHOS DE GRUPO

COPOS CHEIOS GRANDE PLANO

CHINA

TIGRES E ANESTESIAS

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hojemacau

PÁGINA 5

Crimes raros Desde que foi implementada, em 1999, a lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais, apenas por três vezes foi violada: em Maio de 2010, Junho de 2012 e Janeiro de 2015. Dois dos casos foram encaminhados para o MP. O terceiro foi punido com uma multa de 2.000 patacas.

PÁGINA 7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINAS 10-11


2 grande plano

9.10.2018 terça-feira

ÁLCOOL

O último relatório da Organização Mundial de Saúde sobre o consumo de álcool e os problemas de saúde daí derivantes revela que a China tem vindo a enfrentar um número crescente de hospitalizações relacionadas com a ingestão de bebidas alcoólicas. As doenças de fígado mais do que duplicaram no período entre 2002 e 2013

PAIS COM OS C O CHINA ENFRENTA AUMENTO “ALARMANTE” DE DOENÇAS DE FÍGADO

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comportamento da população chinesa em relação ao álcool tem vindo a mudar nos últimos anos e o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), relativo ao consumo de álcool e problemas de saúde daí derivados revela uma nova tendência. Nos últimos anos têm-se registado cada vez mais casos de doenças de fígado causadas pelo álcool, como é o caso das cirroses, e o panorama a curto prazo não deverá sofrer grandes alterações. Os autores do relatório pegam nos casos que o Beijing 302 Hospital, um dos maiores hospitais do país, situado na capital, tem recebido ao nível das doenças hepáticas. “O Beijing 302 Hospital é um grande hospital que trata pacientes

oriundos da maioria das zonas da China, incluindo cerca de 40 mil doentes por ano com doenças de fígado. Os que são tratados com este tipo de patologias reflectem a tendência das doenças hepáticas na China. No período de 2002 a 2013, a distribuição dos tipos de doenças de fígado mudou no hospital, com uma maior proporção da doença de fígado causada pelo álcool, que mais do que aumentou.” Além disso, “neste período a maioria dos doentes com esta patologia, cerca de 98%, eram homens”. O relatório cita mesmo um estudo publicado em 2017 onde se afirma que “o número de pacientes com esta doença constitui um sinal alarmante na China”. O documento não contém dados relativos às regiões admi-

“O Beijing 302 Hospital é um grande hospital que trata pacientes oriundos da maioria das zonas da China, incluindo cerca de 40 mil doentes por ano com doenças de fígado. Os que são tratados com este tipo de patologias reflectem a tendência das doenças hepáticas na China.” RELATÓRIO DA OMS

nistrativas especiais de Macau e Hong Kong, mas mostra que, no resto do mundo, o cenário é também preocupante. Mais de três milhões de pessoas morreram, no mesmo período, devido a complicações de saúde causadas pelo álcool, sendo que uma em cada 20 mortes é causada pelo consumo excessivo deste tipo de bebidas. Contudo, as mortes não acontecem apenas devido a doenças de fígado. A grande causa de fatalidades no mundo dos consumidores de álcool deve-se a lesões diversas, representando uma fatia de 28 por cento. Seguem-se as mortes por doenças do foro digestivo, enquanto que 19 por cento dos consumidores morre por problemas de coração. “As restantes causas de morte devem-se a doenças infecto-contagiosas, cancros, problemas do foro mental e outros estados de saúde que se possam atribuir ao consumo de álcool.” Citado pela CNN, Vladimir Poznyak, coordenador do departamento de abuso de substâncias da OMS, defendeu que “o consumo do álcool continua a ser bastante elevado”. E a prevenção ainda não é suficiente. “Todos os países poderiam fazer muito mais para

reduzir os custos de saúde e sociais do uso prejudicial do álcool.”

EMPURRADOS PELA ECONOMIA

O consumo de álcool per capita aumentou nos últimos anos na zona do Pacífico Ocidental e regiões do sudeste asiático, onde se incluem os territórios “altamente povoados” como a China e a Índia. E também nestes países se bebeu muito. Na China bebia-se, per capita, 4,1 litros de álcool em 2005, valor que subiu para 7,1 em 2010 e 7,2 litros em 2016. Na Índia, bebia-se, em 2005, um total de 2,4 litros, seguindo-se 4,3 litros em 2010 e 5,7 litros em 2016. A nível mundial, aponta o relatório, “o álcool é consumido por mais de metade da população em apenas três regiões”, sendo elas as Américas, Europa e Pacífico Ocidental. Nesta última, houve um aumento do consumo de 51,5 por cento registado no ano de 2000 para 53,8 por cento em 2016, “tendo-se mantido estável na zona sul e sudeste asiático”. O aumento de doenças hepáticas causadas pelo consumo de álcool não deverá estar dissociado do crescimento económico que a China tem conhecido nos últimos anos, uma vez que a OMS estabelece este paralelismo. “A estabilidade económica dos países está associada a um maior consumo de álcool e uma maior prevalência de consumidores habituais em regiões abrangidas pela OMS.” Se olharmos para o género dos consumidores de álcool, os homens

O futuro não promete uma redução do consumo, bem pelo contrário. A OMS prevê um aumento per capita nos próximos dez anos, especialmente nas zonas do sudeste asiático, Pacífico Ocidental e Américas


grande plano 3

terça-feira 9.10.2018

COPOS continuam a liderar a tabela dos bebedores. “Em todas as regiões abrangidas pela OMS, as mulheres bebem menos frequentemente do que os homens, e quando as mulheres bebem, bebem menos do que os homens.” Há, contudo, uma zona do mundo onde o panorama é diferente. “Em todo o mundo a prevalência do consumo por parte das mulheres reduziu na maioria das regiões,

à excepção do sudeste asiático e regiões do Pacífico ocidental, mas o número das consumidoras habituais aumentou no mundo.”

BEBIDAS ILEGAIS

Quase metade do álcool que é consumido no mundo, ou seja, 44,8 por cento, são bebidas espirituosas. Segue-se a cerveja, que representa no panorama global 34,3%, e o vinho, com 11,7 por cento.

A OMS declara que “ocorreram poucas mudanças em termos de preferências de bebidas desde 2010. As grandes alterações ocorreram na Europa, onde houve um decréscimo de 3% no consumo de bebidas espirituosas e um aumento de 3% no consumo de vinho e cerveja.” O consumo no seio dos adolescentes não é ignorado neste documento. “Mais de um quarto (26,5%) dos adolescentes entre os 15 e 19 anos são consumidores de álcool, o que representa 155 milhões de pessoas. Os resultados dos inquéritos nas escolas revelam que em muitos países da América, Europa e Pacífico Ocidental o consumo começa antes dos 15 anos e a prevalência do consumo de álcool entre os estudantes de 15 anos representa uma percentagem entre 50 a 70%, com ligeiras diferenças entre rapazes e raparigas.”

“O consumo do álcool continua a ser bastante elevado. Todos os países poderiam fazer muito mais para reduzir os custos de saúde e sociais do uso prejudicial do álcool.” VLADIMIR POZNYAK COORDENADOR DO DEPARTAMENTO DE ABUSO DE SUBSTÂNCIAS DA OMS

No meio destes números, a OMS faz também referência ao álcool que é produzido informalmente e que escapa ao controlo das autoridades, sobretudo nos países onde o consumo é proibido. “Cerca de 25,5 por cento do álcool consumido em todo o mundo não está registado. Trata-se do álcool que não está incluído nas estatísticas oficiais para fins de impostos ou vendas tal como é normal na sua produção, sendo vendido em canais informais que estão fora do controlo do Governo”, lê-se.

PUBLICIDADE SEM CONTROLO

As declarações de Vladimir Poznyak são sustentadas por alguns dados constantes no relatório relativamente à publicidade: se a maioria dos países não permite anúncios a marcas de álcool, a verdade é que esse controlo escapa quando esses anúncios chegam aos meios digitais. “A grande maioria dos países têm algum tipo de restrições à publicidade a cerveja, com uma total eliminação na televisão e rádio. Cerca de metade dos países afirmaram não ter quaisquer restrições na internet e redes sociais, o que sugere que a regulação acontece

fora das inovações tecnológicas e do marketing. [Por sua vez] um total de 35 países não possuem qualquer regulação nos media.” Só em África existem 17 países onde os Governos não criaram qualquer tipo de regulação, incluindo 11 nas Américas. No que diz respeito ao pagamento de impostos, a quase totalidade dos países abrangidos pela OMS, ou seja, 95 por cento, cobram impostos sobre o álcool, mas menos de metade têm estratégias ao nível de preços, como o ajustamento de impostos tendo em conta a inflação. O futuro não promete uma redução do consumo,

bem pelo contrário. A OMS prevê um aumento per capita nos próximos dez anos, especialmente nas zonas do sudeste asiático, Pacífico Ocidental e Américas. “Até 2025 o total de consumo de álcool por parte de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos deve aumentar nasAméricas, sudeste asiático e Pacifico ocidental.” Contudo, “haverá uma compensação por quebras substanciais no consumo de outras regiões”. “Como resultado, o total de consumo de álcool per capita no mundo pode ser de 6,6 litros em 2020 e sete litros em 2025”, conclui a OMS. A.S.S.


4 política

ISTOCK

9.10.2018 terça-feira

Pedro Leal, advogado “O direito de queixa depende da vontade da parte. A Judiciária pode perfeitamente dizer, venha cá pedir desculpas porque se excedeu.”

ESCUTAS ULTIMATO DA PJ A AU KAM SAN DENTRO DA LEGALIDADE

Limpinho, limpinho

Questionável, mas inteiramente legal. É desta forma que os advogados ouvidos pelo HM classificam o pedido de desculpas exigido pela PJ ao deputado Au Kam San na sequência de declarações em que o deputado levantou suspeitas de realização de escutas ilegais

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Polícia Judiciária (PJ) está a actuar dentro da lei quando exige ao deputado Au Kam San que peça desculpas pelas declarações em que acusou a força de segurança de realizar escutas ilegais, ou seja, sem a autorização prévia de um juiz. A situação foi explicada por dois advogados ao HM, Álvaro Rodrigues e Pedro Leal, que sublinham o facto de se tratar de um crime que exige a apresentação de queixa. “O crime de difamação é um crime particular, ou seja o ofendido pode retirar a queixa mediante um pedido de desculpas. Se alguém me

difamar, eu posso abordar a pessoa e dizer que se ela me pedir desculpa fica tudo bem”, começou por dizer Álvaro Rodrigues. “Quando se trata de uma entidade pública, como a Polícia Judiciária, a questão já é mais delicada. Embora qualquer entidade pública também possa ‘negociar’ com o cidadão. Se este pedir desculpas, a PJ também pode desistir da queixa ou do direito à queixa. Está dentro dos parâmetros da forma de lidar com este tipo de crimes. Estamos a falar de crimes menores”, acrescentou. Pedro Leal partilha também esta opinião. “O direito de queixa depen-

de da vontade da parte. A Polícia Judiciária pode perfeitamente dizer, venha cá pedir desculpas porque se excedeu”, apontou o causídico. “É uma situação legal. A PJ também pode escolher apresentar queixa e tem seis meses para o fazer. Tendo em conta a natureza do crime, não pode ser o Ministério Público a avançar com o caso, porque uma eventual investigação está dependente de queixa”, clarificou.

DÚVIDAS SOBRE A ACTUAÇÃO

Se por um lado, os juristas ouvidos pelo HM não têm dúvidas em reconhecer que a PJ está a actuar

dentro dos limites da lei, por outro lado questionam se esta será a melhor forma de lidar com toda a situação. “Uma vez que se trata de uma instituição pública que tem como funções prevenir e combater o crime, se atentarmos ao facto da Polícia Judiciária ter de dar o exemplo à sociedade e que as acusações podem ser entendidas como graves, apesar do crime estar dependente da apresentação da queixa, não sei se deixar passar o caso com um pedido de desculpas é a melhor forma de lidar com a situação”, ressalvou Álvaro Rodrigues. “Mas é legal”, vincou. Pedro Leal entende que a PJ deveria pedir ao deputado que provasse os factos imputados, ou seja que apresentasse provas sobre escutas feitas sem autorização prévia. “A PJ pode dizer ao deputado para pedir desculpas. Isso é legal. Agora, se eles disserem venha apresentar desculpas ou fazemos queixa, esta forma de actuar não me parece a mais correcta para um instituto público. A PJ devia pedir ao deputado que provasse os factos imputados. Só se este não conseguisse é deveria apresentar queixa”, considerou. Au Kam San tinha dito a um jornal em língua chinesa que acreditava na prática de escutas ilegais por parte da PJ e mencionou um caso em 2009. Na altura, um homem ameaçou imolar-se pelo fogo numa esquadra de Macau. Quando chegou ao local já as forças da autoridades estavam preparadas com extintores. A PJ defendeu-se com o facto de o indivíduo ter prestado declarações à imprensa sobre o assunto e ter gritado na rua, até chegar à esquadra. Por isso, as autoridades, sob a tutela de Wong Sio Chak fez um ultimato a Au: ou pede desculpas ou responde em tribunal.

Metro Ligeiro Pereira Coutinho quer garantias sobre segurança da Ponte Sai Van

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deputado Pereira Coutinho pretende saber que estudos e garantias foram dadas pela empresa fornecedora para que o Metro Ligeiro possa circular na Ponte Sai Van. Numa interpelação escrita enviada ao Governo, o legislador pergunta ainda se foram efectuadas obras de melhoramento necessárias para a circulação no tabuleiro inferior, incluindo para garantir a segurança dos veículos e motas. “Quais os parâmetros internacionais que vão ser utilizados para garantir a segurança do Metro Ligeiro na circulação do tabuleiro inferior da Ponte Sai Van e mesmo na mesma ponte?”, questiona Pereira Coutinho. Na missiva, o deputado recorda uma resposta, que lhe foi dada em 2010 a propósito do mesmo tema, pelo ex-coordenador do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) que indicava que, no contrato de adjudicação do fornecimento do sistema e material circulante da primeira fase do Metro Ligeiro, se exigia à empresa adjudicatária a contratação de uma equipa de especialistas em pontes para proceder a uma avaliação integral e aprofundada sobre a segurança da circulação das carruagens na Ponte Sai Van.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 126/2018

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 613/AI/2018

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à notificação pessoal, pelo presente notifique-se o Senhor SOUZA ROBERTO, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 12225xx(x), requerente da licença do restaurante “LE BISTRO MARCELLINHO”, sito na Estrada Nordeste n.° 973, Island Park, Bloco 14, Loja XIV, na Taipa, que na sequência do Auto de Notícia n.° 065/B/2017-P°225.48, levantado pelo CPSP em 26.09.2017, e por despacho da signatária de 26.09.2018, exarado no Relatório n.° 597/DI/2018, de 18.09.2018, foi aplicada a multa de $30.000,00 (trinta mil patacas), em conformidade com o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 67.° do Decreto-Lei n.° 16/96/M, de 1 de Abril, por infracção ao artigo 30.° - “Os estabelecimentos hoteleiros e similares só podem abrir ao público após a emissão da licença respectiva.” do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 62.° do Decreto-Lei n.° 16/96/M, de 1 de Abril, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do citado artigo.-------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 30 dias, conforme estipulado na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n. ° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata de decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora REN JINRONG, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C30873xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 78/DI-AI/2017, levantado pela DST a 01.04.2017, e por despacho da signatária de 26.09.2018, exarado no Relatório n.° 565/DI/2018, de 22.08.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B - 361-K, I On Kok, 20.° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Setembro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Setembro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


política 5

terça-feira 9.10.2018

STARTUPS MACAU COM PRIMEIRO ESPAÇO NACIONAL DE TRABALHO COLABORATIVO

Começar por cima GCS

O espaço nacional de trabalho colaborativo das regiões de Hong Kong e Macau, inaugurado ontem, pretende apoiar startups locais ao mesmo tempo que promove relações com o continente e os países de língua portuguesa

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OI ontem inaugurado o primeiro espaço nacional de trabalho colaborativo das regiões de Hong Kong e Macau do qual faz parte o Centro de Incubação de Negócios para Jovens. A medida representa a inclusão deste centro nos projectos do Ministério de Ciência e Tecnologia da China, uma “iniciativa sem precedentes nas regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong”, apontou Francis Tam, presidente do Conselho de Administração da Parafuturo, a entidade gestora do centro de incubação. O objectivo é apoiar “startups” de Macau e Hong Kong e reforçar as relações económicas com a China e a aposta nos países lusófonos. Os espaços nacionais de trabalho colaborativo são destinados ao estabelecimento de redes de contactos, ao intercâmbio e partilha de recursos, com o intuito de fornecer aos empreendedores uma nova plataforma de serviços económicos.

De acordo com Tam, “trata-se de um marco no caminho para a perfeição e profissionalização dos serviços do centro, ao integrar-se no sistema normativo dos espaços nacionais de trabalho colaborativo”. O que significa que “será acelerada a integração de Macau na implementação da directriz nacional ‘empreendedorismo inovação por todos’”, acrescentou. A cerimónia de inauguração contou com a presença

do vice-ministro do Ministério da Ciência e Tecnologia da China, Zhang Jianguo, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, e do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. Zhang Jianguo defendeu a importância da inclusão do centro de incubação enquanto participante numa nova era nacional. “Uma nova era proporciona novas oportunidades, mas também implica novas missões”, apontou o vice-

Entre 2015 e 2017 nasceram 5700 espaços criativos na China, responsáveis por mais de um milhão de empregos. Destes, 1976 têm o estatuto de espaços nacionais de trabalho colaborativo, aos quais se junta agora a entidade de Macau

Inundações Pedidos corredores para atenuar subida das águas Ng Kuok Cheong pede ao Governo que estude a possibilidade de construir corredores junto às zonas ribeirinhas de modo a prevenir inundações. Em interpelação escrita, o deputado pró-democrata recorda a passagem do tufão Hato pelo território. As inundações do ano passado

geraram opiniões a favor da construção de infra-estruturas junto das áreas marítimas de forma a mitigar estragos. Mas, além de prevenir inundações, este tipo de estrutura pode ainda servir como passeio e acesso de veículos, refere. Neste sentido, o deputado quer saber

se o Governo tenciona construir corredores de diferentes níveis junto às zonas marítimas. Por outro lado, Ng questiona o Executivo sobre a hipótese de utilizar um corredor deste tipo para servir de linha de metro capaz de fazer a ligação entre a Barra e outras zonas do território.

-ministro do Ministério da Ciência da Tecnologia. O Governante destacou ainda que entre 2015 e 2017 foram abertos 5700 espaços criativos na China, responsáveis por mais de um milhão de empregos. Destes, 1976 têm o estatuto de espaços nacionais de trabalho colaborativo, aos quais se junta agora a entidade de Macau.

BALANÇO POSITIVO

Na cerimónia de ontem, o presidente do Conselho de Administração do Centro de Incubação de Negócios para Jovens de Macau, Chui Sai Peng, aproveitou para fazer um balanço do primeiro ano de actividade da entidade que abriu em Outubro do ano passado. De acordo com o responsável, “entre os projectos que já entraram

no centro, os sectores mais populares são a ciência e a tecnologia (47 por cento), os serviços comerciais (18 PUB

DINHEIROS PROMETIDOS

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pós a cerimónia de inauguração do espaço nacional de trabalho colaborativo, Chui Sai On encontrou-se com cerca de 20 membros e representantes de empresas fundadoras do Centro de Incubação que, apesar de se mostrarem satisfeitos com a cooperação, expressaram também dificuldades relativas aos apoios financeiros e respectivos processos de aprovação e à necessidade de mais espaços para escritórios. Chui Sai On garantiu que o Governo vai estudar a possibilidade de dar mais apoios políticos e financeiros, “com o objectivo do empreendedorismo ir mais longe”. O Chefe do Executivo revelou que vai reforçar os apoios para o desenvolvimento nesta área nas Linhas de Acção Governativa para o próximo ano.

por cento) e a cultura (13 por cento)”. Em menos de um ano, o Centro assinou acordos de cooperação com cerca de 20 instituições e atraiu mais de 130 projectos, dos quais mais de uma centena foram aprovados. Sofia Margarida Mota (com V.N.)

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6 sociedade LUSA

9.10.2018 terça-feira

Saúde Mais de 4.300 inspecções sanitárias no primeiro semestre

Pansy Ho, accionista MGM “Quanto muito [a guerra comercial] vai ser um teste para vermos se a oferta de elementos não-jogo em Macau é suficiente.”

PANSY HO CONFIANÇA PARA EVENTUAIS DESAFIOS DA GUERRA COMERCIAL

Um sono pesado

A directora-executiva da MGM China não está preocupada com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, mas espera que o Governo Central encare as operadoras do jogo americanas como empresas locais

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directora-executiva e accionista da MGM China Pansy Ho diz que não está preocupada com a guerra comercial, entre a China e os Estados Unidos. Contudo, defende que as operadoras norte-americanas em Macau devem ser encaradas como empresas locais, pela forma como contribuem para o desenvolvimento da região. As afirmações da filha de Stanley Ho foram feitas, ontem, à margem da conferência de imprensa de lançamento do Fórum de Economia de Turismo Global. “Até agora não vimos qualquer tipo de pressão governamental, ou do Governo Central, com me-

didas que desencorajem a vinda a Macau dos turistas do Interior da China. Pelo contrário, de uma forma geral os números têm sido muito consistentes. Não sentimos qualquer influência [da guerra comercial]”, começou por dizer Pansy Ho. A director da MGM China destacou depois que Macau tem vindo a diversificar a oferta ao nível do entretenimento, e que o território se está a afastar cada vez mais de ser visto apenas como um centro de jogo. “Temos feito um bom trabalho com base na missão do Governo Central de diversificar o entretenimento com os elementos não-jogo, principalmente com a

construção dos hotéis integrados de nível internacional. Por isso, quanto muito [a guerra comercial] vai ser um teste para vermos se a oferta de elementos não-jogo em Macau é suficiente”, considerou. “Mas estamos muito confiantes e felizmente já estamos no caminho certo há algum tempo”, acrescentou.

ESTADOS UNIDOS DE MACAU

Apesar do optimismo face ao diferendo comercial entre as duas maiores potências económicas do Mundo, a accionista da MGM espera que as operadoras americanas em Macau sejam vistas mais como empresas locais. “A marca [que utilizamos] é americana, mas

espero que as operadoras americanas consigam demonstrar que têm actuado como operadoras locais. São empresas que têm utilizado o conhecimento local e que têm contribuído para construir uma cidade de Macau melhor”, vincou. “É assim que queremos ser encarados”, frisou. Já em relação à renovação das licenças, Pansy Ho admitiu que já houve abordagens do Governo, embora não tenha elaborado mais sobre o assunto. “Claro que já houve diferentes formas de discussão [sobre a renovação das licenças]. Mas não quero entrar em detalhes”, confessou. A MGM opera em Macau como subconcessionária da SJM. A licença da SJM é a primeira das três existentes a expirar, o que acontece em 2020. O Fórum de Economia de Turismo Global vai decorrer entre 23 e 24 de Outubro, com o tema “Parceria Estratégica numa Nova Era, Fomentando um Futuro Compartilhado”. Em discussão vai estar o impacto da cooperação estratégica no sector do turismo entre a China e a União Europeia. João Santos Filipe

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TABACO MAIS DE 4000 MULTADOS ATÉ SETEMBRO POR FUMAR EM LOCAIS PROIBIDOS

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NTRE Janeiro e Setembro, 4.131 pessoas foram multadas por fumarem em locais proibidos, ou seja, menos 1.231 do que em igual período do ano passado, indicaram ontem os Serviços de Saúde. Nos primeiros nove meses do ano foram ainda sinaliza-

dos 13 casos referentes a ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco e quatro relacionados a venda de produtos de tabaco em prateleiras visíveis ao público. Segundo o mesmo organismo, nos primeiros nove meses do ano foram realizadas 259.445 inspecções

a estabelecimentos, o que perfaz uma média diária de 950, mais 9.165 em termos anuais homólogos. Dois terços das multas foram aplicadas a turistas (2.728), enquanto 1.285 (ou 31,1 por cento) envolveram residentes e os remanescentes 118 diziam respeito a trabalha-

dores não residentes (2,9 por cento). A esmagadora maioria das infracções foi cometida por homens. Três em cada dez infracções tiveram lugar nos casinos (1.253), seguindo-se os parques/jardins e zonas de lazer com 510 (12,3 por cento) e o aeroporto foram

sinalizados 427 casos (10,3 por cento). De acordo com os Serviços de Saúde, em 101 casos foi necessário o apoio das forças de segurança.

Os Serviços de Saúde indicaram ontem que foram realizadas mais de 4.300 inspecções sanitárias e acompanhamentos, incluindo a prevenção e controle de mosquitos e roedores no âmbito das medidas preventivas de doenças transmissíveis. Os números foram divulgados num comunicado em que o organismo garante não haver razões para alarme na sequência de um caso detectado em Hong Kong de hepatite E transmitida a humanos por roedores, descrito como o primeiro no mundo. Em causa figura um paciente, de 56 anos, que recebeu um transplante de fígado e que se acredita que terá sido infectado por alimentos contaminados com excrementos de roedores. Os Serviços de Saúde sublinham que, até ao momento, não está comprovado que o vírus é facilmente transmissível a humanos com função imunológica normal. O organismo garante ainda que tem estado atento à higiene de vários pontos comunitários (incluindo locais privados) e fiscalizado periodicamente ‘pontos negros’, onde são registados problemas relevantes.

Restauração Receitas subiram 5,5 por cento em 2017

As receitas do sector da restauração subiram 5,5 por cento no ano passado para 11,22 mil milhões de patacas, enquanto as despesas aumentaram 5 por cento para 11,01 mil milhões de patacas. Dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicam que em 2017 estavam em actividade 2.309 restaurantes, estabelecimentos similares, bem como lugares de comidas e bebidas nos mercados municipais (+44 face a 2016). O sector contava, em 2017, com 32.749 trabalhadores (+198). O valor acrescentado bruto, que reflecte o contributo económico do sector, atingiu 4,06 mil milhões de patacas, traduzindo um crescimento de 3,4 por cento em termos anuais. As estatísticas excluem os estabelecimentos e instalações similares explorados directamente pelos hotéis e casinos e as tendas de comidas de rua.


sociedade 7

terça-feira 9.10.2018

Imprensa Ou Mun lança jornal destinado a estudantes Vai ser hoje lançado um novo jornal destinado aos estudantes com o objectivo de desenvolver hábitos de leitura e escrita. A nova publicação da Ou Mun, o maior jornal de Macau em língua chinesa, vai sair às terças-feiras. Denominado Ou Iat Hok Sang Pou (tradução fonética) visa oferecer uma plataforma mais diversi-

ficada aos alunos para que obtenham conhecimentos fora das aulas, conheçam a sociedade e desenvolvam a capacidade de pensar independentemente. Lio Chi Heng, subeditora do Ou Mun, indicou que o novo jornal vai cobrir temáticas como vida escolar, história, ciência e tecnologia, educação familiar e cultura e arte.

Prémio “Macau GeoGuide” distinguido na categoria de inovação tecnológica O projecto “Macau GeoGuide”, da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC), valeu a Macau a conquista do prémio cidade verde e inteligente sino-europeia 2018 na categoria de inovação tecnológica. Em comunicado, divulgado ontem, a DSCC indica que a distinção foi atribuída no âmbito da terceira cimeira da “Cidade Verde e Inteligente Sino-Europeia” de 2018, realizada a 7 de Setembro em Ningbo, na província chinesa de Zhejiang. A cimeira e o prémio são orientados pela Comissão Europeia e

organizadas em conjunto pelo Centro para o Desenvolvimento e Reforma de Cidade e Vila da Comissão para a Reforma e Desenvolvimento Nacional da China, Fondation Prospective et Innovation e pelo governo de Ningbo. O evento visa seleccionar cidades da China e Europa que têm alcançado resultados notáveis no desenvolvimento do conceito de cidade verde e inteligente e empresas com potencial de desenvolvimento e contribuição proeminente na cooperação internacional urbana sino-europeia.

CRIME TRÊS VIOLAÇÕES À LEI SOBRE BANDEIRA, EMBLEMA E HINO NACIONAIS

As simbólicas ameaças Duas de três violações à lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais seguiram para o Ministério Público. Os crimes em questão são puníveis com pena de prisão até três anos

Já o terceiro caso, que remonta a Janeiro de 2015, versa sobre o artigo que diz que a bandeira ou emblema que se apresentem deteriorados, sujos, descolorados ou por qualquer outra razão degradados, não podem ser exibidos nem utilizados. A transgressão, considerada infracção administrativa, é punível com multa de 2.000 a 10.000 patacas. Segundo adiantou a PSP, foi imposta uma multa de 2.000 patacas ao infractor, ou seja, o valor mínimo previsto por lei.

REVISÃO LEGAL

Em meados de Agosto, a Assembleia Legislativa aprovou, na generalidade, uma proposta de alteração à lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais. A revisão do diploma visa alinhar-se com a nova Lei do Hino Nacional da China, em vigor desde 1 de Outubro de 2017. Tal sucede depois de, no mês seguinte, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) ter aprovado a sua inclusão nos anexos das Leis Básicas de Macau e de Hong Kong, os quais regulam as leis nacionais a aplicar nas duas Regiões Administrativas Especiais. A proposta de lei vem alargar ao hino (ou à sua letra e partitura) a proibição de uso para determinados fins, como comerciais e outros tidos como “indevidos”, algo que o diploma vigente não define expressamente. No entanto, a legislação deixa bem claro que o acto intencional de adulterar a letra ou partitura do hino nacional chinês ou proceder à execução instrumental e vocal do mesmo de forma distorcida e depreciativa, em ocasiões ou locais públicos, constitui crime de ultraje. A moldura penal mantém-se, contudo, inalterada.

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ESDE a entrada em vigor, em 20 de Dezembro de 1999, da lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais foram sinalizadas três violações. Segundo dados facultados pela Polícia de Segurança Pública (PSP) ao HM, dois dos três casos foram encaminhados para o Ministério Público, desconhecendo-se se entretanto houve novos desenvolvimentos. O primeiro caso ocorreu em Maio de 2010, perto do mercado do Patane, enquanto o segundo teve lugar em Junho de 2012 na Praça Flor de Lótus. Em ambos está em causa o crime de ultraje aos símbolos nacionais. Em concreto, o acto de queimar, danificar, pintar, sujar ou pisar a bandeira ou o emblema nacionais, de acordo com as informações fornecidas pela PSP ao HM. Crime punível com pena de prisão até três anos ou multa até 360 dias.

Dois casos de violação à lei seguiram para o MP. Um terceiro resultou em multa de 2.000 patacas

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Ensino Superior Reitores da China e de Portugal visitam Macau no final do mês

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EITORES de instituições do ensino superior da China e de Portugal vão reunir-se em Macau nos próximos dias 26 e 27. Segundo anunciou ontem o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), trata-se do primeiro fórum de reitores das instituições do ensino superior da China e de países de língua Portuguesa subordinada à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Em comunicado, o organismo indica que o evento vai contar com mais de cem especialistas, estudiosos e representantes das instituições de ensino superior, das entidades de formação de língua portuguesa e dos serviços relacionados de Macau, Hong Kong e China, bem como dos países de língua portuguesa. O objectivo da iniciativa – organizada pelo GAES, Universidade de Macau e Universidade de São José – passa por explorar as perspectivas e as oportunidades de desenvolvimento do ensino superior ao abrigo da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. O papel de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ para os países de língua portuguesa” e o desenvolvimento e oportunidades do ensino superior no contexto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau figuram entre os temas a abordar. Na cimeira de reitores discutir-se-á o intercâmbio de estudantes, docentes e investigadores das instituições do ensino superior da Grande Baía e os países de língua portuguesa, bem como a cooperação em matéria de investigação científica e inovação.


8 eventos

A primeira edição do programa de residência artística promovido pela associação Babel tem o fotógrafo Nuno Cera como convidado. O resultado da estadia do artista em Macau, que tem duração de um mês, será apresentado em Maio de 2019

9.10.2018 terça-feira

Visto de for

FOTOGRAFIA NUNO CERA É O PRIMEIRO CONVIDADO DA RESIDÊNCIA ARTÍSTICA DA BABEL

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UNO Cera, fotógrafo e artista visual, é o primeiro convidado da Babel para o novo programa de residências artísticas, uma iniciativa da associação cultural Babel que dá os primeiros passos e p retende ter periocidade anual. A ideia é trazer um artista de fora para viver e trabalhar durante um mês em Macau com o intuito de apresentar o fruto desse trabalho em exposição, explica Margarida Saraiva, curadora do projecto e responsável pela Babel. “No seu conjunto, o programa de residências criará uma memória visual, literária e contemporânea da cidade de Macau, produzindo novo conhecimento a partir de uma diversidade de olhares”, acrescenta. De acordo com a responsável, a residência tem

como objectivo promover o intercâmbio internacional e explorar práticas artísticas e curatoriais experimentais, fundadas na investigação transdisciplinar. O projecto funciona por convite porque

“para alguns artistas faz muita diferença o espaço em relação ao qual a obra se desenvolve, enquanto para outros nem tanto”, refere a curadora. Como o programa tem a finalidade de potenciar novos

olhares sobre Macau, “não faz sentido que venham para um projecto com estas características artistas que não usufruam da influência do espaço onde se encontram”, sublinha Margarida Saraiva.

Outro dos detalhes fundamentais nesta iniciativa é o facto destes olhares terem de ser externos ao território, ou seja, “a forma como artistas do mundo inteiro olham para a nossa cidade e de que forma

ela pode influenciar a sua obra”, explica. Mas os desígnios do programa não se ficam por aqui. De acordo com Margarida Saraiva, é fundamental que da iniciativa resultem pesquisas

CONGRESSO HOMENAGEIA SARAMAGO 20 ANOS DEPOI

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Convento São Francisco, em Coimbra acolhe, até amanhã, o congresso internacional “José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobel”, num evento que terá a presença do Presidente da República. Ontem, quando passaram exactamente 20 anos sobre o anúncio da atribuição do Nobel da Literatura a Saramago, será também

publicado o “Último Caderno de Lanzarote”, inédito do escritor, derradeiro volume do diário que escreveu ao longo dos 17 últimos anos de vida, quando se fixou nesta ilha das Canárias. O congresso, organizado pelo Centro de Literatura Portuguesa (CLP) da Universidade de Coimbra e pela Câmara Municipal, contou com

a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, da presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, na sessão de abertura. “A expectativa do congresso é dupla. Primeiro: que se faça uma actualização do conhecimento em torno do escritor, nestes 20 anos


eventos 9

terça-feira 9.10.2018

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A exposição dos trabalhos realizados por Nuno Cera em Macau vão ser expostos na Casa Garden a partir de 2 de Maio do próximo ano. Da mostra vão ainda constar outras obras do fotógrafo, uma vez que a ideia não é apenas mostrar o trabalho que fez no território, mas também o realizado previamente em outras cidades do mundo dentro do projecto “Futureland”.

O ARTISTA

que “façam sentido para o território, para que fique o registo de uma memória segundo uma perspectiva externa”, aponta.

A CIDADE COMO ALVO

Nesta primeira edição, Nuno Cera foi o convidado a integrar a residência artística, que decorre desde 15 de Setembro e se estende até ao próximo dia 15. “É um artista que trabalhou dentro de uma investigação à escala global acerca do desenvolvimento das cidades”, conta a curadora. O trabalho de Cera aborda questões espaciais, a arquitectura e situações urbanas, “através de formas ficcionais, poéticas e documentais”. Dentro deste período de tempo, o artista desloca-se ainda a Cantão e Hong Kong e, ao longo da viagem, dará continuidade a uma investigação que é já longa no seu percurso e em que “explora a terra e o mar, o interior e o exterior, a paisagem e a construção, o cheio e o vazio, o espaço e o tempo, a arquitectura e a música”, aponta a curadora. Dentro do trabalho que tem vindo a desenvolver, intitulado “Futureland”, Nuno Cera fotografou Istambul, Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Xangai, Hong Kong, Jacarta e Mumbai. De acordo com Margarida Saraiva, o fotógrafo costuma debruçar-se “sobre a forma como

IS DO NOBEL subsequentes à atribuição do Prémio Nobel da Literatura e também naqueles que se seguiram à sua morte, em 2010. Segundo, que essa actualização abra novas pistas de análise da obra de Saramago, especialmente em âmbito académico”, sublinhou o coordenador da comissão executiva do congresso, o professor Carlos Reis.

“No seu conjunto, o programa de residências criará uma memória visual, literária e contemporânea da cidade de Macau, produzindo novo conhecimento a partir de uma diversidade de olhares.” MARGARIDA SARAIVA CURADORA

a cidade se desenvolve e expande”. “Estamos a falar de megalópolis e por isso achámos que poderia ter interesse juntar a estas ci-

dades mais uma visão, desta feita sobre Macau, e por esta via colocar o território em diálogo com outras cidades do mundo”, reitera.

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para integrar uma residência artística na Kunstlerhaus em 2000, em Berlim, Nuno Cera publicou em 2002, com o arquitecto Diogo Seixas Lopes, o livro “Cimêncio”, um levantamento de paisagens suburbanas. Foi nomeado para o prémio Besphoto 2004 e participou numa residência artística em Nova Iorque, em 2006. Em 2007 e 2008 realizou o vídeo Sans, Souci e o projecto Futureland, uma investigação artística sobre 10 metrópoles com o apoio da Dgartes - Ministério da Cultura de Portugal. Em 2012 foi seleccionado na XX edição da Bolsa Fundación Botin, Santander, com o projecto The Symphony of the Unknown. Nuno Cera integrou ainda a residência artística na International Artist Residency Récollets, em Paris, no ano de 2013, além de ter fotografado para os Guias de Arquitectura Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura. Este ano, participou na representação Portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza. Entre as suas exposições individuais mais recentes destacam-se: “Dark Forces / V”, “Poesia Mineral – Eduardo Souto de Moura”, “A Pressão da Luz – Álvaro Siza”, “Vestiges du Réel”, “Tour d´Horizon | Amadeo de Souza-Cardoso”, e “Symphony of the Unknown”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Goa de visita “Viagem Oriental” a partir de hoje no Jardim de Lou Lim Iok

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exposição fotográfica “Viagem Oriental”, organizada pela realizadora de origem goesa Nalini Elvino de Sousa, regressa a Macau pelas mãos da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa. A mostra, que abre hoje ao público, tem inauguração oficial marcada para o próximo dia 14, no Pavilhão Chun Chou Tong do Jardim de Lou Lim Iok, e fica patente até ao dia 18. Para a exposição foram seleccionadas 20 fotografias do livro homónimo, apresentado em 2016 na Escola Portuguesa de Macau, que faz um levantamento de peças decorativas e de colecção oriundas de Macau e que ainda hoje habitam as casas senhoriais goesas. “Estes objectos ajudam a divulgar a herança dos séculos de intenso intercâmbio cultural e comercial entre as duas regiões e a exposição serve de mote a uma palestra com Nalini Elvino de Sousa”, refere a organização em comunicado. A conversa sobre as ligações entre Goa e Macau, sobre o que uniu as duas regiões e as novas pontes que poderão ser criadas, decorre dia 14, data escolhida também para a inauguração da exposição fotográfica. A cerimónia oficial está marcada para as 16 horas, enquanto a tertúlia decorre entre as 17 e as 19 horas.

RECORDAÇÕES DISTANTES

O livro, e consequente exposição, tiveram origem numa competição de fotografia, através da qual se seguiram os vestígios já ténues dos vasos de porcelana, dos potes azuis, das figuras chinesas, dos serviços de chá guarda-

Reino Unido Músicos britânicos alertam May para risco do ‘Brexit’

Theresa May

Músicos britânicos como Ed Sheeran ou Rita Ora alertaram a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, para o risco que o sector musical corre se Inglaterra sair da União Europeia sem um acordo bilateral, noticiou ontem o The Observer. O alerta consta de uma carta enviada à chefe do Governo britânico e que é subscrita por Damon Albarn, Brian Eno, Sting, Jarvis Cocker, Simon Rattle e Paul Simon, entre outros. A missiva foi promovida por Bob Geldof, para quem “um ‘brexit’ falido” silenciará a “vasta voz” do sector musical britânico, confinando-o a “uma jaula cultural autoerigida”. Os subscritores da missiva assinalam que sair da União Europeia (UE) sem acordo ou com um mau acordo afectaria as vendas e os direitos de autor e restringiria as possibilidades de promover digressões ou concertos, o que representaria um prejuízo para o sector musical de perto de 5.000 milhões de euros por ano.

Nalini Elvino de Sousa

dos nas prateleiras dos enormes armários, normalmente com um lugar de destaque nas casas senhoriais de Goa. As imagens que vão estar expostas em Macau foram tiradas dentro dessas casas, cujos proprietários aceitaram abrir as suas portas ao concurso fotográfico. Ainda no âmbito da vinda de Nalini Elvino de Sousa até Macau, será organizado um workshop de dança “Vauraddi Xetkamti”, na qual se utilizam cascas de coco como instrumento ritmico. Esta dança está intimamente ligada aos kunbis, gente que se dedica ao trabalho agrícola, cultivando várzeas e subindo coqueiros. A iniciativa vai ter lugar nos dias 17 e 18 de Outubro, no exterior do Pavilhão Chun Chou Tong do Jardim de Lou Lim Iok, às 17.45h e desdobra-se em duas sessões de 60 minutos cada para um máximo de 20 participantes por aula. De origem goesa, Nalini Elvino de Sousa nasceu em Lisboa e mudou para Goa onde vive há 19 anos. Realizou, apresentou e produziu mais de 100 documentários para a série “Contacto Goa” que foram transmitidos na RTPi e RTP Africa. É, actualmente, responsável pelo programa “Hora dos Portugueses” na Índia, transmitido na RTPi e RTP1. Produz ainda curtas-metragens e outros documentários através da sua produtora Lotus Film & TV Production. Nalini Sousa dirige igualmente a ONG Communicare Trust que ensina a comunicar em diversas línguas, incluindo a portuguesa, e organiza eventos relacionados.


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9.10.2018 terça-feira

INTERPOL PEQUIM ACUSA EX-PRESIDENTE DE TER RECEBIDO SUBORNOS

Queda de um tigre

A viagem de Meng Hongwei à China, em Setembro deste ano, revelou-se fatal para o ex-presidente da instituição de cooperação policial. O antigo vice-ministro da Segurança Pública de Pequim está detido pela prática de alegados actos de corrupção que colocaram em “perigo” o partido

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S autoridades da República Popular da China acusaram o ex-presidente da Interpol Meng Hongwei de ter recebido subornos, poucas horas depois de terem confirmado que se encontrava detido por alegada “violação da legislação estatal”. A Comissão Central de Inspecção Disciplinar do Partido Comunista - entidade responsável pelas investigações de corrupção informou no domingo através de um breve comunicado publicado nos jornais locais, que Meng Honngwei tinha sido acusado de “violação da legislação” do Estado. O ministro da Segurança Pública, Zhao Kezhi, convocou ontem responsáveis do Partido Comunista para comunicar a acusação contra Meng que “aceitou subornos” e “violou a lei”. O Comité do Partido Comunista da República Popular da China mostrou “apoio unânime” à investigação e “à luta anticorrupção liderada pelo presidente Xi Jinping”. As autoridades chinesas destacaram também que os actos de alegada corrupção cometidos por Meng puseram em “perigo” de forma “grave” o partido e a polícia e acrescentaram que vai ser formado

um grupo de trabalho para perseguir todos os “alegados cúmplices” do ex-presidente da Interpol. Os delitos de corrupção não foram especificados. Meng, 64 anos, foi vice-ministro da Segurança Pública do Governo de Pequim até Novembro de 2016, altura em que foi nomeado para o cargo de presidente da Interpol.

SEM REGRESSO

A família de Meng Hongwei tinha denunciado o desaparecimento do ex-presidente da Interpol logo após uma deslocação à República Popular da China, no passado dia 25 de Setembro. No sábado, o secretário-geral da Interpol, o alemão Jurgen Stock pediu a Pequim para “clarificar a situação” do presidente da organização. Entretanto, no domingo a Interpol anunciava que tinha recebido a renúncia do presidente da organização “com efeito imediato”.

Meng, 64 anos, foi vice-ministro da Segurança Pública do Governo de Pequim até Novembro de 2016, altura em que foi nomeado para o cargo de presidente da Interpol A mulher do ex-presidente da Interpol, Grace Meng, que tinha denunciado junto da polícia francesa o “desaparecimento preocupante” do marido disse durante o fim de semana aos jornalistas de Lyon, cidade francesa onde está instalada a sede da Interpol, que o marido se “encontrava em perigo”. A Interpol, organização de cooperação policial, é constituída por 192 países.

PEQUIM E LUANDA O FIM DA DUPLA TRIBUTAÇÃO NAS TRANSACÇÕES COMERCIAIS

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NGOLA e China Pequim e Luanda vão assinar um acordo que evita a dupla tributação nas transacções comerciais durante a visita oficial que o Presidente angolano, João Lourenço, efectua hoje e amanhã a Pequim, anunciou ontem fonte oficial. Fonte da Casa Civil do Presidente da República de Angola indicou que os dois países deverão assinar um conjunto de acordos bilaterais, mas não adiantou quais, desconhecendo-se o ponto de situação das negociações para um novo pacote de empréstimo chinês avaliado em 11.700 milhões de dólares. Segundo a Casa Civil do Presidente da

República, durante a visita, João Lourenço tem na agenda desta terça-feira, primeiro dia, encontros com Xi Jinping e com o primeiro-ministro, Li Keqiang, bem como com outros altos dirigentes governamentais. João Lourenço, que deixou Luanda no sábado, é acompanhado por uma delegação de alto nível, composta por dois ministros de Estado, Manuel Nunes Júnior, do Desenvolvimento Económico e Social, e Frederico dos Santos Cardoso, chefe da Casa Civil do Presidente da República, bem como o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano.

Na delegação estão também os ministros das Relações Exteriores, Manuel Augusto, das Finanças, Archer Mangueira, Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, e Energia e Águas, João Baptista Borges. Ao longo da última década, a China alcançou uma posição proeminente na economia de Angola, com as relações sino-angolanas a caracterizarem-se, por um lado, pela crescente procura chinesa por petróleo e por recursos financeiros e, por outro, pela necessidade de reconstrução e pela produção do crude do país.

Região Caxemira indiana Eleições sob fortes medidas de segurança

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primeira fase das eleições municipais começou ontem na parte do estado da Caxemira controlada pela Índia sob um forte dispositivo de segurança e com os separatistas a apelarem ao boicote. As autoridades destacaram 40.000 soldados adicionais para a região, já altamente militarizada, para as eleições, que estão a ser realizadas em quatro fases. Polícias armados e soldados vigiavam mais de 800 secções de voto na parte indiana da região, enquanto forças governamentais montavam arame farpado e erguiam barricadas de nas estradas. Um recolher obrigatório está em vigor em partes da cidade de Srinagar para evitar protestos contra a Índia. Lojas, empresas e a maioria das escolas foram fechadas como parte de uma greve convocada por líderes separatistas. A Índia diz que as eleições são um exercício de base vital para impulsionar o desenvolvimento e abordar questões cívicas. Os líderes políticos separatistas e grupos rebeldes armados, que desafiam a soberania da Índia sobre a Caxemira, fizeram um apelo ao boicote das eleições, dizendo que o sufrágio é um exercício ilegítimo sob ocupação militar. Quase 1,7 milhões de moradores estão registados como eleitores nas cidades. As eleições nas aldeias serão realizadas separadamente, em novembro. Os principais partidos políticos pró-Índia da Caxemira, como a Conferência Nacional e o Partido Democrático do Povo, estão a boicotar as eleições, acusando Nova Deli de mexer no estatuto especial da Caxemira na Constituição indiana. A Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão e os dois países reivindicam o território na íntegra.


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terça-feira 9.10.2018

ECONOMIA INJECTADOS 110.000 MILHÕES DE DÓLARES FACE A GUERRA COMERCIAL

CHINA ESPERA QUE VISITA DE POMPEO AJUDE A RESTABELECER A CONFIANÇA

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Um tónico analgésico

China afirmou ontem esperar que a visita a Pequim do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, restabeleça a confiança mútua entre os dois países, apelando ao fim das “más práticas”, que levaram ao deteriorar das relações. “Estamos dispostos a manter os contactos com a parte norte-americana, mas julgamos que as más práticas dos Estados Unidos em algumas questões não contribuíram para a cooperação”, afirmou em conferência de imprensa Lu Kang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O porta-voz disse que Washington deve voltar ao “caminho certo” e “mostrar a sua disposição em trabalhar com a parte chinesa, para alcançar uma melhoria nas relações entre os dois países”. Pompeo reuniu-se ontem com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, para analisar possíveis avanços na desnuclearização do regime norte-coreano, numa altura de crescentes disputas comerciais entre os dois países. “Pompeo mostrou a sua vontade em trabalhar sobre a questão da península coreana e a China está também disposta a tratar deste assunto”, afirmou Lu. “Como dois importantes membros do Conselho de Segurança, a China e os EUA têm necessidade de reforçar a cooperação em certas questões internacionais, e restabelecer a confiança mútua”, disse.

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diplomacia chinesa condenou este fim de semana a “cláusula envenenada” no novo acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, que permite a Washington travar um acordo comercial entre estes países e a China. A embaixada chinesa em Otava afirmou, em comunicado, que o artigo 32.10 do Acordo EUA-México-Canadá [USMCA, na sigla em inglês], “fabrica noções do que é ou não uma economia de mercado fora do quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC)” e serve de “desculpa para alguns países fugirem às suas obrigações e recusarem cumprir

O objectivo das autoridades chinesas visa reduzir o impacto da disputa comercial com os norte-americanos e ao mesmo tempo fortalecer o desenvolvimento económico

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China anunciou que vai reduzir o dinheiro de reserva dos bancos comerciais, permitindo libertar 110.000 milhões de dólares norte-americanos em crédito, e atenuar o impacto da guerra comercial com Washington. O Banco do Povo (banco central) indicou, no domingo, que vai cortar o coeficiente de reservas obrigatórias em 1%, a partir de 15 de outubro, para garantir um “crescimento razoável do crédito” e impulsionar o desenvolvimento económico. Analistas consideraram que a decisão constitui um sinal de crescente preocupação de Pequim em relação ao impacto na economia doméstica das disputas comerciais com os Estados Unidos. “Este é um sinal de flexibilização da política monetária que visa contrariar [os efeitos] da guerra comercial EUA/China, e mostra a determinação de Pequim em manter o ritmo de crescimento [económico]”, afirmou, em comunicado, Liao Qun, economista sénior do China Citic Bank. O investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais Zhang Ming considerou, em comunicado, que a medida do banco central é uma resposta de Pequim à desaceleração económica, relativamente às disputas comerciais.

Liao Qun, Economista sénior do China Citic Bank “Este é um sinal de flexibilização da política monetária que visa contrariar [os efeitos] da guerra comercial EUA/China, e mostra a determinação de Pequim em manter o ritmo de crescimento [económico].”

“O aprofundamento das disputas comerciais com os EUA vai reduzir o peso do comércio externo no crescimento”, considerou. Vários indicadores económicos apontam para uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia chinesa.

EM QUEDA

Em Setembro, a actividade da indústria manufactureira da China caiu para o nível mais baixo desde Fevereiro, perante a queda das encomendas para exportação e da produção e inventário. No turismo, os gastos nos primeiros quatro dias da ‘semana

Espalhar “veneno” Condenada cláusula que dá aos EUA direito de veto no acordo com Canadá e México

os seus compromissos internacionais”. Na mesma nota, a embaixada chinesa protestou contra a “atitude

hegemónica” dos EUA e disse “sentir pena” pelo Canadá, por ter renunciado à soberania económica.

dourada’ aumentaram 8,1%, em termos homólogos, depois de, no ano passado, terem crescido 21%, segundo dados oficiais. E desde o início das disputas comerciais entre Washington e Pequim, a bolsa de Xangai caiu mais de 20%. A redução nas taxas de reserva obrigatórias, pela quarta vez este ano, contrasta também com a política monetária dos EUA. No final de Setembro, a Reserva Federal (Fed) norte-americana subiu as taxas de juro em 25 pontos base, no terceiro aumento desde o início do ano, para o nível mais alto da última década.

Em causa está a cláusula imposta pelos EUA no USMCA, que exige ao Canadá e ao México que notifiquem Washington em caso de negociação de um acordo comercial com uma “não economia de mercado”. Acláusula obriga os países a revelarem detalhes sobre

O economista do banco francês Natixis, em Hong Kong, Xu Jianwei afirmou que o Governo chinês não tem outra opção a não ser adoptar uma política monetária diferente dos EUA. “Numa guerra comercial, a economia chinesa vai enfrentar mais dificuldades, face à menor confiança dos investidores (...) a China tem que injectar mais liquidez [na economia]”, afirmou. O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas do país asiático. Pequim retaliou com taxas sobre bens norte-americanos. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano “Made in China 2025”, que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

as negociações e permite a Washington romper o acordo comercial com estes, caso façam um acordo com Pequim. Os EUA, a UE e o Japão recusam reconhecer a China como “economia de mercado”, por considerarem que a intervenção do Estado chinês na economia continua a ser forte. Uma decisão contrária retiraria poderes aos outros países ao nível das acusações de ‘anti-dumping’ - produção subsidiada que mantém o preço abaixo do custo de fabrico - na OMC.

FECHAR PORTAS

O comunicado da embaixada chinesa é a primeira reacção pública da China à cláusula incluída no USM-

CA, concluído na semana passada, em substituição do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês). No domingo, fonte da Casa Branca, citada pelo jornal Financial Times, afirmou que Washington vai tentar incluir a mesma cláusula em outros acordos, nomeadamente com a UE, o Japão e o Reino Unido. “Será isto um precedente para o futuro? Absolutamente”, afirmou a mesma fonte. “É importante ter a certeza que qualquer acordo que façamos não é minado e que a China não encontra uma porta traseira para aceder ao mercado norte-americano”, acrescentou.


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Amélia Vieira

E FAREWEL

XISTIU algures uma teoria da arquitetura portuguesa que não é mais do que a extensão do desenho das emoções projectáveis que ao modelar a paisagem teceu a linha da saudade. A linha horizontal. Nunca de facto o gótico foi expressivo entre nós, nem os vastos guindastes para os céus enaltecidos enquanto desafios imaginários. A linha que se estende oceânica também modela as vozes e tem verbos longos, arrastados, que abre vogais, amplia noções, pega no fio e transporta-o em deleitoso arrastar de forma

9.10.2018 terça-feira

Perdi meus fantásticos castelos

Uma língua de mar deitada. Uma paisagem que os sentidos apreendem, as vontades compõem e dá origem a formas de pensamento. Ao partirmos de um lençol deitado, bordado, desses monumentos compridos, densos, transformáveis, levamos ainda o grande fio que irá servir de laço «laços de amor» às vestes dos Vice-Reis da Índia. Uma corda em pedra que sobe, que é rente, que enreda, serpenteia, não é o mesmo que um bastão de um «Excalibur» nesta designada outrora terra de Mu, ou reino das serpentes, que definitivamente não gosta da recta e onde

tudo ao redor nos lembra disso. Até os signos alfabéticos nos dão conta, quando ao percorrê-los vamos encontrar um «S» exponencial para as concordâncias que atravessam a língua toda: terra dos Silvas, das Saudades, das Saúdes, das Sardinhas, das Senhoras, dos Soares, dos Sousas, dos Sidónios... dos Salazares, um manuelino enroscado à teia de uma consciência da vida como «Capela Imperfeita» que ao não ter tecto faz das alturas estelares uma visão aterradora. Octógonos em pedra, deitados nas lajes os mártires que aspiram nevoeiros.

Toda a sinuosidade se adapta ao espaço, contornando-o – uma manobra dançante – teme o obelisco, corta as partes contundentes, ameaça ser um lago e lança-se em oceanos. Lá chegados, as terras que fomos inventar são hoje uma panorâmica surpreendente do ventrículo luso, as cidades onde ora acontecemos parecem ainda hoje ter as “tripas de fora” nos postes de abastecimento energético, que a tripa é uma curvatura lindíssima e serpenteia cidades como uma piton iluminada. Nós não vemos isto, aliás, nós, agora tão Encobertos não olhamos quase nada e vamos melancolicamente a direito dentro de cápsulas sem préstimos e qualidades. A errância, essa grande teia, tem uma língua que propulsou, tomou cuidados, e foi em correntes de água molhar as bocas que encontrava. E hoje, a memória do que outrora levávamos não tem voz, a nossa lembrança não tem chão, perdemos tudo ao tentar ser outros e cegos fomos ficando no intenso nevoeiro. Louvámos os charcos e calcinámos as frotas. De grande, restou-nos um certo círculo onde se tece a teia, onde se nasce para o fundo de cabeça a descoberto... e agora, que todas essas redes gravitacionais que dançavam numa estranha mas fascinante inspiração colectiva para sempre se foram, eis-nos que somos o que a ninguém lhes acontece ser: reflexos. Qualquer coisa no entanto e de novo se faz sentir, pode até coincidir com o último trago, mas não será em vão tentar pensá-lo. Já poucos, aguardamos, cansados, nem por isso desistimos. Os ciclos são esféricos e quase sempre pela brecha que não esperávamos muda o mundo. Pode haver um senão: não estarmos aqui, mas outros tomarão os remos da ideia começada. E pela mesma razão que a língua galgou as praias por onde Velhos anunciavam desventuranças, iremos agora buscá-la mais além, nos locais onde beijamos outros. Tudo isto, e não sei em que sentido me lembra este poema de Manuel Bandeira: “Aceitar o castigo imerecido, Não por fraqueza mas por altivez No tormento mais fundo o teu gemido. Trocar num grito de ódio a quem o fez. As delícias da carne e pensamento Com que o instinto da espécie nos engana. Não tremer de esperança nem de espanto Nada pedir nem desejar, senão A coragem de ser um novo santo Sem fé no mundo além do mundo. E então Morrer sem uma lágrima, que a vida Não vale a pena e a dor de ser vivida.”

Uma língua de mar.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 9.10.2018

A primeira vez que tive contacto com Li Bai remonta ao ano de 1992, com a tradução de António de Graça Abreu dos poemas deste poeta da Dinastia Tang. Seguiram-se outras traduções ou versões que fui encontrando, aqui e ali. Mais tarde, em 2001, nos três meses que passei por Macau, o contacto com o poeta Yao Jing Ming – que tinha conhecido no ano anterior em Lisboa – motivou-me para aprofundar o conhecimento do poeta. Estive sempre ciente do enorme muro da língua chinesa e limitei-me às traduções de outros e alguns textos teóricos acerca do poeta. Assim,

os poemas que aqui vou apresentar, são poemas que cruzam inúmeras traduções e, sempre que possível, esclarecimentos com pessoas chinesas. Não pretendo que os poemas sejam lidos como traduções, que não são, evidentemente, nem tão pouco assumo qualquer tipo de autoridade que não seja o do amor à poesia em geral e aos poemas de Li Bai – ou o que julgo serem os seus poemas – em particular. De resto, respeito o número de versos de cada poema e tento sempre que posso apresentá-los com a concisão que me é possível, exigência dos próprios originais.

Poemas de Li Bai por Paulo José Miranda

DEIXAR DE VER UM AMIGO Montanhas verdes e azuis, por detrás dos muros do norte. A leste, a cidade é cortada por águas puras, brancas. É onde nos iremos separar. Ao vento, as sementes das árvores viajam mais de mil quilómetros. Nuvens e pensamentos, de quem se põe a caminho, nunca param. Tão rápido acaba o dia como uma velha amizade. Despedimo-nos como se fosse do lugar e não de nós. Picamos os cavalos, que relincham, relincham de tão sós.

DIÁLOGO NO ALTO DA MONTANHA Perguntas-me porque decidi viver no alto da montanha. Sorrio, e o meu coração tranquilo não sopra uma resposta sequer. Pétalas de pessegueiro dançam as suas pequenas mortes nas águas do rio. Aqui não existe erro, tudo é diferente dos homens, até o céu e a terra.


14 (f)utilidades POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje TEATRAU 2 – O NOSSO ESTALEIRO NAVAL “VICTORY” (MACAU) Antigo Tribunal | 20h00

9 4 2 7 1 8 5 6 3 Amanhã 7 8 6 5 9 3 1 4 2 TEATRAU – TEMPO PR’A DIZER (BRASIL) Antigo 3 Tribunal 5 1| 20h00 4 6 2 8 9 7 4 6 7 9 3 1 2 5 8 Quinta-feira TEATRAU – MENOS UM (CABO VERDE) 5 1 9 8 2 4 3 7 6 20h00 2 3 8 6 7 5 9 1 4 Sexta-feira UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA 1 7 5 3 8 6 4 2 9 Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00 8 9 4 2 5 7 6 3 1 INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “ONCE UPON A TIME” AFA 6| Das218h303às 19h30 1 4 9 7 8 5 TEATRAU – A ÚLTIMA VIAGEM DO PRÍNCIPE PERFEITO (ANGOLA) 20h00

PALESTRA SOBRE APLICAÇÃO EM MACAU DA CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Fundação Rui Cunha | Das 10h30 às 12h00

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EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12

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WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | Até 21/10

9 5 8 2 7 6 1 3 4 4 6 BOOK-HOP 1 9 3 8 2 5 7 EXPOSIÇÃO Casa Garden 7 3 2 1 4 5 9 6 8 EXPOSIÇÃO “PINTURA DE ZHAO MINGSHAN” 8 de9Arte5de Macau 4 |2 3 7 1 6 Museu Até 26/10 6 4 7 5 8 1 3 2 9 EXPOSIÇÃO “PARA ALÉM DA PAISAGEM” DE WU LI Museu Até 11/11 1 de2Arte3de Macau 7 |6 9 4 8 5 EXPOSIÇÃO 2 1“CHAPAS 6 8CÍNICAS” 9 4 5 7 3 Museu das ofertas sobre a transferência 7 de4Macau 6 | Até57/122 8 9 1 da3 soberania 5 8“ESCULTURA, 9 3 UM1CAMINHO”, 7 6DE ANTÓNIO 4 2LEÇA EXPOSIÇÃO Albergue SCM | Até 21/10

Cineteatro

C I N E M A

SALA 1

VENOM [C] Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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MAX

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HUM

60-90%

EURO

9.25

BAHT

Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Shun Oguri, Masaki Suda, Kanna Hashimoto, Shinichi TsuTsumi 19.15

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YUAN

1.16

VIDA DE CÃO

CÃO SOBRE CÃO 7

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9O CARTOON STEPH

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DE

4 6 2 9 5 3 1 7 4 8 Sábado

4 8 5 9 6 7 1 1 7 3 2 4 8 9 FESTIVAL 5 3TRAVESSA 2 DO1ARMAZÉM 7 6VELHO8 Rua dos Ervanários | Das 14h00 às 20h00 7 9 4 8 2 5 6 TEATRAU – TRÊS PEÇAS 8 Tribunal 1 6| Das415h009às 20h30 3 2 Antigo 3 5 7 6 1 2 4 Domingo TEATRAU – TRÊS PEÇAS 9 Tribunal 6 8| Das715h005às 20h30 4 3 Antigo 2 4 1 3 8 9 5 Diariamente

MIN

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78 7 145 49269 6 5945 461 6 3 2 8 6 2 398 9 715 1 1 91 978 743 4 625 5 4 2 9 876 7 3 3 3 627 2 1 5 8 4 7 1 5 382489469 2 3263 6 4 51971 7 4 8 9 6 7 123 2 11

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 9

PROBLEMA 10

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5UM 19 138 425LIVRO 2 796HOJE 68 6 9 135 3 742 1 Este 8248por415 relatos 1 livro 7 é3composto 6 5 do lado negro de Hong Kong, onde se incluem mais 46horrendos 14 1 789 alguns 8 3dos62 homicídios e episódios de vida de 3 2quem 34vive 25nas 4 sombras 5 9da prosperida1 8 7 de da região vizinha. Feng Chi-shun, 5 1 6e antigo 8 dono 4 7de um3bar9 patologista em Kowloon City, inspirou-se no 98escrever 2 4 5da7cidade 687para 9 3 submundo Um dos casos abordados 3este 6 livro. 3 7 9 1 2 5 4 é o homicídio da Hello Kitty, um dos crimes 9 8mais1bárbaros 4 3e 2sanguinários 562 6 das últimas décadas da região vizinha.

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S U D O K U

TEMPO

9.10.2018 terça-feira

9 6 2 4 8 5 7 3 1

Mais precisamente, galgos. Depois das corridas nas pistas do Canídromo, esta raça faz tinta correr nos jornais, empurrada pela fraqueza do poder decisório. Este é mais um dos casos de total ausência de garras na resolução política do Executivo de Chui Sai On. Sempre pronto a mostrar os dentes perante qualquer sinal de dissidência, ou opinião divergente, na gestão das questões quotidianas o Governo cede à mínima crítica. A única área onde se sente músculo é no atropelo a direitos fundamentais e liberdades individuais. De resto, a falta de legitimidade popular coloca o poder numa posição de ridícula fragilidade. Seja na localização de um crematório, alojamento temporário para cães (que antes moravam numa das zonas mais populosas da cidade), proibição total do consumo de tabaco, a bússola decisória do Executivo parece mudar de rumo conforme os ventos. A patética situação a que assistimos com os galgos demonstra a falta de coragem política. Vão para aqui, vão para ali, não vão para lado nenhum. Total ausência de punho, determinação rarefeita, para um problema que se via a milhas, que tinha data marcada há muito tempo e para o qual as soluções apontadas pela concessionária cheiravam a esturro. Entretanto, em Macau há também pessoas que vivem muito mal, apesar da abundância iluminada a luzes de néon. Não quero com isto dizer que uma coisa invalida a outra, mas seria interessante ver o Governo agir perante a gritante desigualdade entre os residentes da cidade, independentemente do seu estatuto na imigração. João Luz

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97 69 26 42 4 3 1 85 1 1 5 94 69 6 8 3 72 2 8 3 5 7 1 6 49 5 6 82 18 71 7 4 3 8 7 1 3 9 24 2 56 34 3 9 6 2 5 7 8 6 1 5 4 28 92 9 7 3 23 72 7 1 5 9 8 4 49 84 78 7 63 6 15 1

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HONG KONG NOIR | FENG CHI-SHUN

O caso de um taxista que resvala para o assassinato em série é também abordado em Hong Kong Noir, além da colecção de histórias de infortúnio profundamente hongkongers. Uma leitura acessível na linguagem e pesada no conteúdo. João Luz

SALA 3 SALA 2

PROJECT GUTENBERG [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 14.15, 16.45, 21.45

GINTAMA 2: RULES ARE MADE TO BE BROKEN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

A SIMPLE FAVOR [C] Um filme de: Paul Feig Com: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding 14.30, 16.45, 21.30

JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN [B] Um filme de: David Kerr Com: Rowan Atkinson, Olga Kurylenko, Emma Thompson 19.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

terça-feira 9.10.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

X

Um crime quase perfeito (I)

U Jinshan, Professor Associado do Departamento de Anestesia e Terapias Intensivas, da Faculdade de Medicina da Universidade Chinesa de Hong Kong, foi condenado pelo homicídio da mulher e da filha. Devido às dificuldades com que os investigadores se depararam, quase que este chegou a ser um crime perfeito. Mas a polícia trabalhou com afinco, sem nunca desistir, e a verdade acabou por vir ao de cima. As vítimas foram Huang Xiufen, a mulher de 47 anos de idade e a filha Lily, de apenas 16. Foram encontradas inconscientes no carro, um Mini Cooper, no dia 22 de Maio de 2015. Morreram a caminho do hospital. A autópsia revelou que a causa da morte foi envenanamento por inalação de monóxido de carbono. E donde terá vindo este monóxido de carbono? Esta foi a pergunta chave colocada pelos investigadores. Inicialmente, os agentes inspeccionaram o Mini Cooper, mas não encontraram indícios de qualquer mau funcionamento, até porque Huang Xiufen o tinha levado há pouco tempo para a revisão e o carro estava em perfeitas condições. A origem deste gás passou a ser uma dor de cabeça para os investigadores. Seis meses depois, em Novembro de 2015, a polícia seguiu outra linha de investigação. Descobriram que na parte de trás do carro estava uma bola insuflável vazia. Pensaram que a bola poderia ter contido o monóxido de carbono, que se teria eventualmente libertado. A bola foi para análise mas infelizmente não acusou vestígios do gás. O passo seguinte foi a identificação de todos os fornecedores de monóxido de carbono. Descobriram que, a 8 de Abril de 2015, tinha sido entregue no Hospital Prince of Wales, local de trabalho de Xu Jinshan, uma quantidade de monóxido de carbono, 99.9% puro. A nota de recepção do gás não tinha sido assinada por Xu Jinshan, mas sim pelo seu colega Zhou Yiqiao. Os registos demonstraram que em Outubro de 2014, a Hong Kong Oxygen Co., Ltd. tinha recebido um email a perguntar o preço do monóxido de carbono. O endereço deste email continha a palavra “khaw”, que é o equivalente Malaio de “Xu”. A polícia submeteu Zhou Xiaoqiao a um interrogatório. Zhou afirmou que tinha pedido o gás para experiências hospitalares, mas que não estava a par dos pormenores dessas experiências. Investigações

posteriores apuraram que Xu Jinshan tinha realizado dois ensaios com o monóxido de carbono e que a sua amante Shara Lee também tinha participado nesses estudos. Nessa altura os investigadores confrontaram Zhou com uma pergunta chave, quem

O advogado de defesa argumentou que as provas recolhidas pela polícia não evidenciavam que Xu Jinshan tenha colocado a bola fatal nas traseiras do Mini Cooper, para que o gás propositadamente se volatizasse. O elemento “causa/efeito”, ou seja “devido aos actos do réu as vítimas morreram” não se pode provar neste caso

é que tinha tirado o gás do laboratório? Zhou respondeu que tinha visto Xu Jinshan levar o monóxido de carbono dentro de duas bolas insufláveis, dois dias antes das mortes. Quando Zhou perguntou a Xu Jinshan porque é que estava a levar o gás do laboratório, este respondeu-lhe que a amiga precisava de verificar o seu grau de concentração. Até esse momento, a polícia já tinha apurado que duas pessoas tinham morrido dentro do carro, devido a envenenamento por inalação de monóxido de carbono, e que o veículo estava em boas condições. Xu Jinshan, era marido de uma das vítimas e pai da outra. Em 2014 tinha sido enviado um email para a empresa que fornece o gás a indagar o preço. O endereço de email contendo a palavra “khaw” pertencia provavelmente a Xu Jinshan. O monóxido de carbono foi levado para o laboratório e Xu Jinshan usou-o numa experiência. Levou ainda duas bolas insufláveis para colocar o gás. A partir destas provas, a polícia só precisava de saber como é que Xu tinha

colocado a bola nas traseiras do carro e como é que tinha feito para que o gás se libertasse. A 12 de Maio de 2016, a polícia prendeu Xu Jinshan por suspeita de homicídio. O réu prestou esclarecimentos de livre vontade. Começou por contar que tinha transportado as duas bolas insufláveis e um detector de gás no seu próprio veículo, uma carrinha Toyota de sete lugares. Nesse noite dormiu em casa de Shara Lee. No dia seguinte, Xu Jinshan foi directamente para o Hospital. Quando chegou ao trabalho, percebeu que o detector estava a dar sinal, porque uma das bolas estava a deixar escapar gás. Como não havia nada a fazer, deixou o gás sair e foi para casa buscar o o Mini Cooper, onde colocou a outra bola, e voltou à Universidade para ir jogar ténis. Na manhã do incidente, Huang Xiufen foi no Mini Cooper levar as crianças à escola, onde deveriam estar às 7.30. Como Lily tinha feriado, ficou em casa. Quando regressou, Huang Xiufen esteve no jardim e na sala até às 10.00 e depois foi descansar para o quarto. Por volta das 14.00, Huang Xiufen e Lily sairam no Mini Cooper. Xu Jinshan foi para a Universidade, para assistir a apresentações de alunos e a seguir dirigiu-se ao Hospital. Às 14.25, um condutor de autocarro viu um carro particular estacionado numa paragem. Esta paragem ficava apenas a 1,6 km de distância da casa de Xu Jinshan. Às 15.35, uma transeunte reparou no Mini Cooper e pensou que as duas ocupantes estivessem a dormir. Por volta das 16.15, a mesma transeunte voltou a passar no local e, estranhando a situação, alertou a polícia. Regra geral, se uma pessoa permanecer num local fechado com uma concentração de 6400 ppm de monóxido de carbono no ar, passado 1 a 2 minutos, começa a sentir dores de cabeça e tonturas, e morrerá num intervalo de 10 a 15 minutos. Durante o julgamento, o advogado de defesa começou por salientar que Xu Jinshan não tinha qualquer intenção de matar a mulher. Embora tivesse uma relação com a sua assistente, Shara Lee, e se desse mal com a esposa, este relacionamento era do conhecimento da família. O divórcio chegou a ser considerado, mas acabaram por acordar que seria melhor ficarem juntos para acabar de criar os filhos. Ou seja, não haveria motivo para Xu Jinshan matar a mulher. Seguidamente, o advogado de defesa argumentou que as provas recolhidas pela polícia não evidenciavam que Xu Jinshan tenha colocado a bola fatal nas traseiras do Mini Cooper, para que o gás propositadamente se volatizasse. O elemento “causa/efeito”, ou seja “devido aos actos do réu as vítimas morreram” não se pode provar neste caso.

Continua na próxima semana

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. José Saramago

PALAVRA DO DIA

terça-feira 9.10.2018

Ciência Inaugurados mais dois laboratórios

Muda de vida

Limitar a 1,5ºC pode impedir a extinção de espécies e destruição total do coral, fundamental para o ecossistema marinho. Pode reduzir a subida do mar em 10 cm até 2100 e salvar áreas costeira

Relatório exige transformações “sem precedentes” para limitar aquecimento global

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M relatório de especialistas da ONU advertiu ontem que o mundo terá de avançar com transformações “rápidas e sem precedentes” nos sistemas de energia, transportes, construção e indústria para limitar o aquecimento global a 1,5º Celsius. Se “continuar a crescer ao ritmo actual”, sob o efeito da emissão de gases com efeito de estufa, o aquecimento global deverá ultrapassar esta barreira entre 2030 e 2052, alertou o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

O documento apresentado em Incheon, na Coreia do Sul, explora alternativas para limitar o aquecimento a 1,5ºC em vez de 2ºC, meta estabelecida no Acordo Climático de Paris. Para os especialistas, os efeitos para o planeta serão “muito menos catastróficos” se a barreira mais ambiciosa for alcançada. Limitar o aquecimento a 1,5ºC pode impedir, por exemplo, a extinção de espécies e a destruição total do coral, fundamental para o ecossistema marinho. Pode ainda reduzir a subida do mar em 10 centímetros até 2100 e salvar áreas costeiras. Por outro lado, exceder esse limite irá provocar chuvas

torrenciais ou secas profundas, o que terá um impacto negativo na produção de alimentos, especialmente em áreas sensíveis como o Mediterrâneo ou América Latina. Também irá afectar a saúde, o abastecimento de água e o crescimento económico, com um impacto especialmente negativo nas populações mais pobres e vulneráveis do planeta, referiu o texto, que tem seis mil referências científicas e é assinado por 91 especialistas de 40 países.

SER EFICAZ

Para que a meta seja alcançada, é urgente um consumo de energia mais eficiente, uma agricultura

mais sustentável e menos extensiva, ou mais terras para o cultivo de recursos energéticos. O relatório, dirigido aos países da Convenção-quadro da ONU sobre alterações climáticas, será usado como base para as discussões da 24.ª cimeira do clima, em Katowice, na Polónia, em Dezembro próximo. O documento foi encomendado pela ONU após o Acordo Climático de Paris de 2015, no qual os signatários se comprometeram a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitá-lo a 1,5ºC em relação aos valores registados no século XIX.

BRASIL BOLSONARO E HADDAD DISPUTAM SEGUNDA VOLTA DIA 28 DESTE MÊS

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PUB

candidato Jair Bolsonaro (PSL) venceu as eleições presidenciais brasileiras de domingo, com 46,7% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 28,37%, confirmando uma segunda volta entre ambos. Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, no terceiro lugar da contagem ficou o candidato Ciro Gomes (PDT), com 12,52% dos votos contabilizados. Perante os números divulgados nenhum candidato está já, oficialmente, em condições de atingir a marca de 50% dos votos válidos, e como tal haverá uma segunda volta.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil fica assim adiada para 28 de outubro, com a eleição a ser disputada entre Jair Bolsonaro, o candidato da extrema-direita brasileira, e Fernando Haddad, que substituiu Lula da Silva na liderança da candidatura do PT (esquerda). No domingo, 147 milhões de brasileiros foram às urnas para escolher um novo Presidente, membros do Parlamento (Câmara dos Deputados e Senado), além de governadores e legisladores regionais em todo o país.

De acordo com a Rádio Macau, o território conta, desde ontem, com mais dois laboratórios de referência. Um deles chama-se Laboratório de Referência do Estado da Internet das Coisas da Cidade Inteligente, que estará sob alçada da Universidade de Macau (UM), e o Laboratório de Referência do Estado da Ciência de Lua e Planeta, que irá funcionar na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau. No total, o território fica com quatro laboratórios de referência. Ouvido pela Rádio Macau, Rui Martins, vice-reitor da UM, o novo laboratório, “vai estar ligado até ao desenvolvimento de Macau como smart city, como se refere há algum tempo”. Numa primeira fase, o laboratório da UM vai estar ligado à “dinamização do treino de alunos, promoção de doutoramentos nesta área, mas também com a aplicação ao desenvolvimento da cidade, que é uma área nova no mundo inteiro”.

Wuhan Ávila perde pontos ganhos no fim-de-semana

Rodolfo Ávila perdeu o sexto lugar conquistado na segunda corrida do fim-de-semana em Wuhan, depois da organização do Campeonato da China de Carros de Turismo ter desclassificados todos os Volkswagen Lamando. Em causa esteve a utilização por parte da equipa de pastilhas de travões que não estavam homologadas. A medida afectou também os colegas de equipa de Ávila, Colin Turkington, Zhang Zhen Dong e Yang Fan. A exclusão não afecta os resultados da primeira corrida, em que o piloto de Macau tinha desistido depois de um toque de um adversário.

Ilegais Detectados 77 suspeitos

Durante o mês de Agosto foram detectados 77 trabalhadores ilegais, de acordo com um comunicado do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Os suspeitos foram identificados em operações efectuadas em conjunto e individualmente pelo CPSP, Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e outros serviços. As operações de fiscalização tiveram lugar em 403 locais, nomeadamente em estaleiros de obras de construção civil, residências, e estabelecimentos comerciais e industriais, de acordo com o CPSP.

‘Semana dourada’ Número de visitantes sobe 7,2%

Mais de 890 mil turistas visitaram Macau durante a ‘semana dourada’ que concentrou os feriados relativos à implantação da República Popular da China. Dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), indicam que, entre 1 e 7 de Outubro, Macau recebeu mais de 890 mil turistas, número que traduz um aumento de 7,2 por cento relativamente a igual período do ano passado. Durante a ‘semana dourada’, o mercado da China Continental representou, sem surpresas, o maior fluxo com 849 mil entradas, um aumento de 10,9 por cento comparativamente a 2017. Os estabelecimentos hoteleiros registaram uma taxa média de ocupação diária na ordem dos 92 por cento.

Hoje Macau 9 OUT 2018 #4148  

N.º 4148 de 9 de OUT de 2018

Hoje Macau 9 OUT 2018 #4148  

N.º 4148 de 9 de OUT de 2018

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