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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

TERÇA-FEIRA 9 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3968

HO IAT SENG PRESIDENTE TAMBÉM GANHA

hojemacau GONÇALO LOBO PINHEIRO

LIGA CHOQUE DE TITÃS NA PRIMEIRA JORNADA PÁGINA 17

ALICIA CLARKE

A ovelha branca

FRINGE EVENTOS

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NO OLHO DA RUA

Os rádio-táxis, cujo comportamento tem sido exemplar, são mais procurados que o açúcar e o seu reduzido número faz com que muitas chamadas fiquem sem resposta. A empresa quer mais veículos e o público entende que este é um meio de escapar ao reino PÁGINA 7 eterno das “ovelhas negras”.

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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RÁDIO-TÁXIS NÃO CHEGAM PARA AS ENCOMENDAS

PÁGINA 4


2 grande plano

UNIVERSIDADE DE HONG KONG

9.1.2018 terça-feira

TEMPOS DIFICEIS O reitor da Universidade de Hong Kong, Peter Mathieson, está de saída do cargo e fala de pressões políticas da parte de “toda a gente”, incluindo membros do Gabinete de Ligação e outros lados

REITOR SAI E REVELA DE “PRESSÕES DE TODO O LADO’’

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Á quatro anos que assumia o cargo de reitor na centenária Universidade de Hong Kong, lugar que serviu de embrião à revolução dos guarda-chuvas e que sempre assumiu posições elevadas nos rankings académicos internacionais. Peter Mathieson, em entrevista ao jornal South China Morning Post, disse que se demitiu do cargo, tendo adiantado que também foi alvo de pressões políticas. O nefrologista parte agora para o Reino Unido, onde vai ser vice-chanceler da Universidade de Edimburgo.

Sofreu “pressões de toda a gente”, inclusivamente dos oficiais do Gabinete de Ligação do Governo Central em Hong Kong, que lhe davam avisos “o tempo todo”, revelou Mathieson. “Todos os dirigentes das universidades têm contactos com o Gabinete de Ligação, que tem um interesse no sistema educativo de Hong Kong, tal como em outros assuntos. Considero isso como parte do meu trabalho”, adiantou o reitor. “Eles podem dizer-me o que acham que eu devo fazer, mas basicamente eu faço o que acredito ser melhor para os interesses da

universidade. Sim, houve pressões, mas não considero isso como sendo irrazoável”, admitiu o reitor demissionário. Além disso, Mathieson disse esperar que o ensino superior na região vizinha deixe de ser tão politizado. Peter Mathieson frisou ainda que, muitas vezes, sentiu que representava as vozes de uma minoria. “Nem sempre consegui o meu caminho no conselho, e isso levou-me a algumas situações difíceis”, adiantou. Em entrevista ao diário de língua inglesa de Hong Kong, Peter Mathieson disse esperar que


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NÃO HÁ OUTROS MAIS LEAIS

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a Universidade de Hong Kong se torne mais internacional, apesar de ser importante a busca por fundos que venham do continente, além de outras parcerias com universidades internacionais, como a Universidade de Stanford ou Johns Hopkins. “Para a Universidade de Hong Kong obtivemos uma boa posição ao trabalhar com a China, mas também conseguimos trabalhar com o resto do mundo. é um símbolo de uma colaboração internacional entre universidades semelhantes e é um sinal de respeito mútuo”, acrescentou. O responsável adiantou ainda que a sua saída se deveu, em parte, à entrada do professor Arthur Li Kwok-cheung para os corpos dirigentes da universidade, considerado pró-Pequim. Mathieson garantiu que nunca discutiram a possibilidade de um segundo mandato, sendo que este ano o contrato de cinco anos chegaria ao fim. Perante a ausência de discussão, Mathieson resolveu avançar com a proposta que recebeu da Universidade de Edimburgo.

AS LIMITAÇÕES EXISTEM

Eric Sautedé, ex-docente da Universidade de São José, actualmente

radicado em Hong Kong, afirmou ao HM que, na região vizinha, “existe liberdade académica”, uma vez que são realizados vários estudos críticos com foco na China e também em Hong Kong. “Mas isso não significa que não haja nenhuma pressão, e se existe na democrática Europa, imagine-se em Hong Kong, onde todas as universidades públicas são lideradas por um reitor que é nomeado por Pequim. Mas Hong Kong é um território internacional, com uma reputação a defender, então os membros das faculdades têm vindo a resistir a várias pressões”, frisou. Para Eric Sautedé, a situação da liberdade académica em Hong Kong “é preocupante, mas há, pelo menos, alguém para a defender ou proteger”. Bill Chou, ex-docente da Universidade de Macau, actualmente a dar aulas na Universidade Baptista de Hong Kong, prefere recordar o recente episódio do chumbo da nomeação de Johannes Chan, académico pró-democracia, para o cargo de vice-chanceler da Universidade de Hong Kong. “É claro que a autonomia institucional das universidades de Hong Kong está em risco.”

“Sim, houve pressões (do Gabinete de Ligação), mas não considero isso como sendo irrazoável” PETER MATHIESON REITOR DA UNIVERSIDADE DE HONG KONG

Em relação à liberdade académica, existe mas com algumas nuances negativas. “Mas tudo depende de como definimos liberdade. Se a liberdade está relacionada com o ensino, tenho a dizer que o criticismo em relação ao Governo chinês pode levar a críticas dos alunos junto dos departamentos administrativos e a baixas avaliações dos professores. Alguns departamentos levam essas queixas a sério e avisam os professores para serem mais ‘equilibrados’. Eu próprio tive essa experiência em Macau”, referiu Bill Chou. Arnaldo Gonçalves, professor convidado do Instituto Politécnico de Macau e jurista, defende que continua a existir liberdade académica em Hong Kong, dando como exemplo os debates que têm vindo a ser orga-

nizados pela Faculdade de Direito da Universidade de Hong Kong, sobre democracia e a Lei Básica. Ainda assim, existem pressões, encaradas pelo académico como algo natural depois do discurso de Xi Jinping no último congresso do Partido Comunista Chinês. “Há uma alteração do tom da relação entre o Governo Central e os governos das duas regiões administrativas especiais que foi anunciado pelo presidente Xi Jinping quando foi reeleito. Ele tem a visão soberanista de que Macau e Hong Kong são China e tem uma visão leninista na forma como se relaciona com os países, a população e o aparelho da administração pública.” Neste contexto, “o facto da desobediência civil que verificamos com a revolução dos guarda-chuvas ter partido da Universidade de Hong Kong deve ter levado as autoridades da China a pensar que têm de ter uma intervenção mais crispada e evitar manifestações mais empolgadas de espírito anti-Pequim.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

M Macau a questão de alegadas violações da liberdade académica surgiram em 2014, quando Eric Sautedé deixou a Universidade de São José. Pouco tempo depois, o tema viria à tona com o afastamento de Bill Chou do departamento de ciência política da Universidade de Macau. Poucos anos depois ambos continuam a afirmar que a liberdade académica na RAEM é “limitada” e que jamais um reitor, quer seja de uma instituição pública ou privada, se demitiria por razões políticas. “Os reitores em Macau são leais”, disse ao HM Bill Chou. Já Eric Sautedé lembra que o financiamento da Fundação Macau cria vários tipos de constrangimentos. “Se algum projecto for ligeiramente crítico da política de Macau ou da China, não é financiado”, referiu. “Em Macau os reitores das instituições públicas são completamente subservientes, e na UM ainda é pior. Nas instituições privadas uma delas é gerida por pessoas que pertencem ao Conselho Executivo, enquanto que a USJ, a única instituição católica, é gerida por alguém que tem medo da sua própria sombra e que acredita que os ‘portugueses são meros convidados em Macau. Foi o que me disse quando me despediu’”, disse Eric Sautedé, referindo-se a Peter Stilwell, reitor da USJ. Arnaldo Gonçalves faz referência ao caso da saída do reitor da UM, Wei Zhao, que estaria a ser investigado por alegado incumprimento de contrato. “Veja-se o perfil dos reitores das universidades. Veja-se o caso do ex-reitor da UM, iria haver um inquérito, já houve alguma conclusão? Não vi nada. Ele era um homem pró-Pequim, o novo assim será. Em Macau há uma obediência quase cega em relação aquilo que presumem que é a vontade de Pequim.” Apesar de considerar que a liberdade académica está garantida na lei do ensino superior, “cada académico pode tomar uma posição de acordo com aquilo que pensa”. “Depois há as diferenças culturais. O chinês que está ligado à cultura confuciana, segue a ideia de lealdade ao chefe”, acrescentou. Tendo em conta este ponto, Eric Sautedé lança ainda críticas à forma como os professores são recrutados. “Os processos de recrutamento são completamente opacos em Macau, enquanto em Hong Kong temos comités de investigação para preencher as vagas nas faculdades.


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9.1.2018 terça-feira

ETAPM Governo elimina reembolso no caso de faltas por doença

A Sociedade Industrial Ho Tin instalou alguns dos poucos painéis solares que existem no território, nomeadamente no Instituto da Habitação, CEM e Instituto de Formação Turística

AL HO IAT SENG TEM IMÓVEL NOS EUA E EMPRESA DE PAINÉIS SOLARES

Quanto vale um presidente?

O presidente da Assembleia Legislativa é accionista de uma empresa de painéis solares, que tem vindo a realizar diversos projectos para o Governo e Gabinete de Ligação. Além disso, de acordo com a sua declaração de rendimentos, detém quatro imóveis, um deles nos Estados Unidos

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STÁ entregue no tribunal a declaração de rendimentos actualizada de Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa. Além de quatro imóveis que o deputado eleito pela via indirecta detém, um deles localizado nos Estados Unidos, Ho Iat Seng é accionista, com 20 por cento de participação, e director da Sociedade Industrial Ho Tin SARL, uma empresa que opera na área da energia solar. De acordo com o portal da empresa, esta funciona há cerca

de 20 anos e arrancou com um capital social de 400 mil dólares. A Sociedade Industrial Ho Tin SARL instalou alguns dos poucos painéis solares que existem no território, nomeadamente no Instituto da Habitação, a CEM ou o Instituto de Formação Turística. Além disso, a empresa também instalou painéis solares no edifício onde está situado o Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM. Ho Iat Seng é também presidente do conselho de administração da Companhia de Investimento

e Desenvolvimento Ho Tin Limitada, detendo 49 por cento de participação numa empresa que tem 180 mil dólares como capital social. O presidente da AL é também director da Companhia de Investimento do Centro de Macau (tradução não oficial), detendo 17,5 por cento de participação. É também director da Hangzhou Qiantang River City Development Ltd., detendo 20 por cento da empresa. Ho Iat Seng é também director de uma empresa que opera na

área do imobiliário, a Companhia de Desenvolvimento Imobiliário Chu Hoi Hong Kok (tradução não oficial), detendo apenas 35 por cento. A empresa tem um capital social de 25,65 milhões de dólares norte-americanos.

DO ENSINO À SAÚDE

O presidente da AL desempenha diversos cargos em associações locais. O mais importante será o de vice-presidente da Associação Comercial de Macau, uma das mais antigas e tradicionais associações locais, um cargo que ocupa desde o ano de 2003. É ainda presidente da Associação Industrial de Macau desde 2011. Ho Iat Seng tem ainda um papel activo no ensino superior local, tanto público como privado, uma vez que é membro do conselho e da assembleia da Universidade de Macau. É accionista do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau desde 1996 e membro do conselho de curadores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, estando também ligado à fundação da universidade privada. Está também ligado à Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, exercendo ainda funções em outras 41 organizações não lucrativas.

Já deu entrada na Assembleia Legislativa a nova proposta de lei relativa à alteração do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ETAPM). Segundo a Rádio Macau, o Governo eliminou o artigo que visava a possibilidade de reembolso aos funcionários públicos, caso estes sejam alvo de penalizações por darem faltas por doença. Actualmente é previsto que, nos primeiros 30 dias de faltas ao trabalho por motivo de doença, o funcionário público perca 1/6 do ordenado, mas pode pedir o reembolso do dinheiro. A proposta elimina essa parte e traz novas regras: quem der 15 faltas por ano por doença não sofre qualquer redução do salário, enquanto que, com faltas entre 16 a 30 dias, passam a haver cortes na ordem dos 50 por cento, agora sem possibilidade de reembolso.

Função Pública Sistema de avaliação não é claro, diz Song

A deputada Song Pek Kei duvida da eficácia do diploma referente à revisão do sistema de avaliação dos funcionários públicos. “Existem muitas falhas, os métodos de avaliação são muito simples e a supervisão é fraca”, aponta a deputada em interpelação. Para Song Pek Kei, trata-se de um sistema que ao invés de precaver “as cunhas” pode mesmo promovê-las, e mais, pode ainda dar origem a situações de corrupção. A razão, aponta, tem que ver com o facto dos critérios a ser avaliados carecerem de especificidade. A deputada sugere ainda que para evitar que este tipo de situações ocorra, o Governo deve reconsiderar o sistema de quotas que a proposta de lei em causa define e aumentar as medidas capazes de evitar os “compadrios” dentro da função pública.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

SAÚDE ORAL COUTINHO PEDE PARCERIAS DO GOVERNO COM CLÍNICAS PRIVADAS

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deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde pede mudanças nos cuidados de saúde oral prestados pelo serviço público de saúde, os quais são “bastante insuficientes”. Na visão do deputado, o Executivo

deve estabelecer mais parcerias com clínicas privadas. “O Governo da RAEM deve tomar como referência a prática de Hong Kong, encaminhando as pessoas para as clínicas privadas locais, optimizando a cooperação entre as

instituições médicas nos bairros comunitários e os centros de saúde”, escreveu o membro da Assembleia Legislativa. Além disso, o deputado pede que sejam aumentados os subsídios concedidos aos idosos. “Atendendo ao enve-

lhecimento populacional, o Governo deve definir planos de médio e longo prazo, no sentido de conceder mais subsídios para a saúde oral. Já o fez?”, questionou. Na visão de José Pereira Coutinho, os Serviços de

Saúde devem “evitar as situações de atraso [por parte dos pacientes] nos tratamentos por falta de capacidade financeira e o surgimento de outras doenças mais graves por causa de problemas com os doentes”. A.S.S.


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terça-feira 9.1.2018

CASO SULU SOU CAUSÍDICO ESCOLHIDO ACOSTUMADO A CASOS MEDIÁTICOS

Um advogado à parte

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ASCIDO em Portugal há 51 anos e há mais de duas décadas em Macau, sempre ligado ao Direito, o advogado Jorge Menezes assume um novo desafio na carreira, com a defesa do deputado Sulu Sou e do activista Scott Chiang. Ao HM, amigos e profissionais do Direito destacam a competência de Menezes, assim como a coragem em assumir a defesa dos activistas. “É um advogado altamente classificado e está entre os melhores que estão em Macau, indiscutivelmente. É senhor de uma grande preparação académica e profissional”, disse Sérgio Correia de Almeida, advogado, ontem ao HM. “Sendo meu colega e amigo, fico satisfeito por saber que aceitou o patrocínio de uma causa tão difícil como é aquela em que está neste momento envolvido”, acrescentou. Também Pedro Legal, amigo e advogado, considerou que a defesa dos activistas não poderia estar em melhores mãos: “É uma pessoa muito competente e inteligente. São duas das suas principais características como profissional. Conheço-o bem, trabalhamos juntos algumas vezes. É um bom colega, competente e inteligente”, afirmou sobre o colega. “Não me surpreende absolutamente nada que ele tenha sido escolhido para este caso. Ambos os arguidos estão muito bem entregues, não tenho qualquer dúvida sobre isso”, frisou.

ADVOGADO E ACADÉMICO

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, em 1991, Jorge Menezes prosseguiu os estudos académicos e em 2001 completou o grau de Mestre em Direito, na Universidade de Cambridge. Antes disso, em 1996, concluiu uma pós-graduação na mesma área, também na Universidade de Lisboa. Deu aulas de Direito e Filosofia em universidades em Lisboa, Guiné-Bissau, na Universidade de Stanford e de Oxford. Uma vertente académica muito destacada pelo advogado Pedro

HOJE MACAU

Jorge Menezes foi o advogado escolhido por Sulu Sou e Scott Chiang para representá-los no julgamento por desobediência qualificada. Ao HM, colegas de profissão e amigos destacam-lhe o profissionalismo, coragem e envolvimento académico, que Pedro Redinha diz fazer de Menezes um homem à parte na advocacia de Macau

Redinha, em conversa ao HM: “Infelizmente não sou uma pessoa que prive muito com o Dr. Jorge Menezes. Mas tive a oportunidade de pleitear com ele, pelo menos uma vez, num tribunal de Hong Kong, e tenho do Dr. Jorge Menezes a ideia de que é um homem à parte do panorama da advocacia em Macau”, disse o causídico. “É muito mais do que um advogado, é professor, é um homem muito distinto, que eu considero muito. Julgo que não havia pessoa mais qualificada para patrocinar esta causa”, defendeu. Em relação ao percurso profissional em Macau, Jorge Menezes chegou ao território depois de ter exercido advocacia em Lisboa

entre 1992 e 1995. Em 1998, começou a trabalhar como assessor jurídico Governo de Macau, em assuntos ligados ao Direito comercial, do jogo ou laboral. É também em 1998 que se muda para o escritório de Jorge Neto Valente, actual presidente da Associação dos Advogados de Macau, onde permanece por dois anos. No seu percurso conta ainda com passagens pelo escritórios de António Ribeiro Baguinho, FC Law, entre outros.

ATACADO EM 2013

Entre os casos mais mediáticos em que está envolvido destaca-se igualmente o processo que opõe Marshall Hao a Sheldon

JULGAMENTO ADIADO PARA DIA 16

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primeira sessão do julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang estava agendada para hoje às 09h45 mas foi adiado, a pedido da defesa, para dia 16 deste mês. A informação foi avançada ontem pelo Tribunal Judicial de Base, em comunicado. Esta é a segunda vez que o julgamento é adiado. Na primeira ocasião, em Novembro, o tribunal ainda aguardava pela suspensão do deputado, que só foi votada mais tarde. Sulu Sou e Scott Chiang são acusados da prática do crime de desobediência qualificada, devido às actividades da manifestação contra a doação de 100 milhões de yuan por parte da Fundação Macau à Universidade de Jinan.

Adelson e à empresa Las Vegas Sands. Hao exige 375 milhões de dólares norte-americanos à concessionária por ter ajudado a Sands a garantir uma licença de jogo em Macau. Um caso que ainda decorre nos tribunais locais. Também em Maio de 2013 Jorge Menezes fez as manchetes da imprensa local e foi notícia nos Estados Unidos, após ter sido atacado por duas pessoas, quando levava o seu filho à escola. Um ataque que disse, na altura, ser uma forma de intimidação. É também por não ter medo de aceitar casos complexos que Sérgio de Almeida Correia define Menezes como um homem corajoso: “É evidente que assumir este caso [Sulu Sou] mostra uma grande coragem. Mas a advocacia, como costumo dizer, é uma profissão para gente de bem e corajosa”, apontou. “É natural que o Dr. Jorge Menezes, independentemente das vicissitudes que tenha passado na sua vida profissional, como homem de grande coragem que é e como advogado que é, não podia dizer que não a uma causa de um cliente”, considerou.

SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS

Ao HM, Sérgio de Almeida Correia, Pedro Leal e Pedro Redinha foram unânimes em considerar o caso complexo. As consequências políticas subjacentes para Macau, incluindo uma possível perda do mandato do deputado Sulu Sou, e o mediatismo do julgamento foram apontados como as principais razões da complexidade. No entanto, os advogados mostraram-se confiantes na prestação de Jorge Menezes, com Pedro Leal a dizer que o colega vai saber lidar com a complexidade do julgamento: “Nós, advogados, temos de defender as pessoas e desligar-nos das questões políticas no exercício das nossa funções. Não tenho dúvidas que ele vai conseguir isso e focar-se apenas no que é relevante para o processo que decorre no tribunal”, rematou Pedro Leal. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

AUTOCARROS AU KAM SAN QUER AUMENTOS APROVADOS PELO GOVERNO

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S tarifas de autocarros duplicaram em seis anos e o deputado Au Kam San quer saber o porquê deste aumento e para onde vai o dinheiro, sendo que os transportes públicos em Macau são subsidiados pelo Governo. Au Kam San pede esclarecimentos públicos no que respeita ao cálculo do custo dos autocarros para os utilizadores e de que forma os aumentos registados são autorizados pelo Executivo. Para o tribuno, trata-se de um aspecto “de interesse público e que afecta a qualidade de vida da população”, lê-se na interpelação escrita dirigida ao Executivo. Mas pior para o deputado é os aumentos registados terem sido decididos e implementados de forma silenciosa. “O público não pode entender que os preços dos autocarros tenham aumentado, silenciosamente, de três patacas para seis em cerca de seis anos”, aponta Au Kam San. O deputado salienta a necessidade de esclarecimento, não tendo os trajectos sido modificados nem alargados, e mais, tendo os subsídios dados às concessionárias, aumentado. É necessário legislar e emitir diretrizes no que respeita ao aumento das tarifas de transportes públicos, afirma. “A electricidade, o abastecimento de água, as tarifas de telecomunicações e mesmo as taxas dos táxis de Macau devem ser aprovadas pelo Governo”, aponta, salientando que o mesmo deve acontecer com os autocarros locais. S.M.M.

Hoje há debate sobre tarifas na Assembleia

A Assembleia Legislativa vai hoje debater o aumento das tarifas de autocarros, um debate que foi pedido pela deputada Ella Lei. Na proposta de debate, a deputada considerou que “o aumento das tarifas dos autocarros tem a ver com a vida da população, e a proposta de aumento destas tarifas por parte do Governo não pode apenas assentar no alívio do orçamento do respectivo serviço público, pois é necessário considerar as influências dessa proposta na vida da população e na política de ‘primazia dos transportes públicos’.”


6 política

9.1.2018 terça-feira

NASCIMENTOS WONG KIT CHENG PEDE UM MECANISMO DE APOIO UNIVERSAL

Bebés públicos e privados

Um sistema que garanta que os apoios ao nascimento são semelhantes para os pais que trabalham na função pública e privada é o pedido que a deputada Wong Kit Cheng faz ao Governo. Apesar da proposta de lei aumentar os montantes para ambos os sistemas, o diploma que entra hoje em análise na especialidade acaba por não garantir um apoio universal para o futuro

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NTRA hoje em análise na especialidade a proposta de lei relativa ao ajustamento do montante do subsídio de nascimento, no entanto a deputada Wong Kit Cheng não está convencida com a justiça do diploma. O receio é manifestado em interpelação escrita em que Wong Kit Cheng afirma estar em causa a promoção de medidas que abranjam a totalidade da população. Apesar dos argumentos apresentados pela secretária para a administração e jus-

tiça, quando a proposta foi aprovada na generalidade e que incidiam na aproximação dos valores recebidos pela função pública àqueles que eram facultados pelo Fundo de Segurança Social (FSS) no sector privado, a deputada ainda considera que há um desfasamento que não está a ser previsto. De acordo com Wong Kit Cheng, o aumento dos apoios ao nascimento da função pública registam-se todos os anos tendo em conta o próprio aumento salarial, situação que não acontece no emprego privado. PUB

HM • 1ª VEZ • 9-1-18

ANÚNCIO

Interdição n.º

CV3-17-0056-CPE

3º Juízo Cível

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO.-----------------REQUERIDO: UNG SEONG SON, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Lar São Luís Gonzaga, Taipa.---------------------------------------------* ----Faz Saber que, no Juízo Cível e Tribunal acima referidos, foi distribuída uma acção contra UNG SEONG SON, maior, solteiro, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Lar São Luís Gonzaga, Taipa, supra identificado, para o efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica.----------------------------R.A.E.M., 06 de Dezembro de 2017.-----------------*

“O sistema de subsídio de nascimento para funcionários públicos foi ajustado em 2014 do montante fixo anterior para um ponto salarial, o que basicamente significa que o subsídio anual para os filhos dos funcionários públicos é aumentado à medida que os salários aumentam”, começa por explicar Wong Kit Cheng. O mesmo não acontece no sistema privado em que o ajustamento do subsídio não tem sido actualizado. A deputada exemplifica: “Por exemplo, o subsídio para nascimentos para funcionários públicos e crianças aumentou de 3.330 patacas em 2014 para 3.735 em 2017 e o subsídio do FSS aumentou apenas de 1.800

patacas em 2014 para 1957 em 2017”, aponta.

FALHA CRESCENTE

Para Wong Kit Cheng, a questão que se coloca á clara: se o Governo não optimizar o sistema existente de segurança social a discrepância entre os benefícios respeitantes ao nascimento do sector públi-

co e privado vai ser cada vez mais acentuada. O resultado apontado pela deputada põe em questão o argumento do próprio Governo em ter uma política universal de apoio ao nascimento no território. Wong Kit Cheng apela ao Executivo para que reformule o mecanismo de apoio ao nascimento de modo a estabelecer ajudas

De acordo com Wong Kit Cheng, o aumento dos apoios ao nascimento da função pública registam-se todos os anos tendo em conta o próprio aumento salarial, situação que não acontece no emprego privado

semelhantes tanto ao sector público como ao privado e questiona o Governo se pretende promover estudos para formalizar políticas que optimizam os apoios do FSS. Tendo em conta o envelhecimento da população local e a necessidade de promoção dos nascimentos, Wong Kit Cheng questiona ainda o Executivo se pretende, além de implementar medidas que promovam os nascimentos, estudar medidas relativas à fertilidade. Foi aprovada na generalidade, no passado mês de Dezembro, a proposta de lei relativa ao ajustamento do montante do subsídio de nascimento. O diploma prevê o aumento do subsídio de nascimento pago aos trabalhadores dos serviços públicos de 4980 patacas e 5100 patacas para 3735 e 3825 patacas. Na apresentação do política, Sónia Chan explicou que o subsídio pago aos trabalhadores do sector privado, através do Fundo de Segurança Social, vai ser actualizado para as 5000 patacas com o novo orçamento e que o objectivo passa por fazer com que os trabalhadores do sector público acompanhem a tendência. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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terça-feira 9.1.2018

TÁXIS EMPRESA DE RÁDIO-TÁXIS PRECISA DE MAIS 100 VEÍCULOS. E A POPULAÇÃO TAMBÉM...

A procura é mais que muita O Governo vai abrir concurso para uma licença de 100 táxis e a Rádio Táxi admite a necessidade destes veículos. O serviço que está em funcionamento há menos de um ano queixa-se de não conseguir responder às necessidades e das dificuldades na contratação de motoristas

apresentar resultados positivos na medida em que está em funcionamento há muito pouco tempo. “Abrimos a 1 de Abril do ano passado, há menos de um ano, e ainda é difícil ter um equilíbrio entre receitas e despesas” afirmou. Por outro lado, os custos elevados que implicam o funcionamento deste tipo de serviços também não contribuem para um lucro rápido, considerou, sendo que “a companhia tem estado empenhada no ajuste de estratégias de forma a melhorar o seu funcionamento”. Para o presidente da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, para que a Rádio Táxis consiga ganhar a centena de carros que o Governo vai colocar em concurso é necessário resolver algumas falhas que os serviços ainda apresentam.

INFRACÇÕES AUMENTARAM

A

empresa de serviços de táxi, Rádio Táxis, pretende concorrer para conseguir ter direito a ter em funcionamento mais uma centena de veículos. A informação foi deixada pelo gerente da empresa, Kevin U Kin Lung ao Jornal do Cidadão. A necessidade de pelo menos mais 100 carros em circulação deve-se não só à grande procura do serviço como às perdas registadas com os estragos provocados pela passagem do tufão Hato no território. “Tivemos 9 carros danificados e neste momento temos em circulação apenas 91 veículos”, referiu. O responsável revelou que, desde que arrancaram os serviços, o número de chamadas recebidas tem vindo a aumentar entre cinco a dez por cento mensalmente. Mas, a taxa de chamadas atendidas fica-se nos 40 por cento do total o que reflecte,

O considera, a grande falta de veículos para responder às necessidades. À falta de veículos, junta-se a falta de motoristas. De acordo com Kevin U Kin Lung, a dificuldade não terá que ver com a remuneração. “O nível salarial dos taxistas da companhia é atraente, uma vez que em Julho e Agosto do ano passados cerca de dois taxistas tiveram uma remuneração superior a 40 mil patacas, tendo a média de salário nesses dois meses estado entre as 25 e as 28 mil patacas”, explicou. Actualmente, a Rádio Táxis dispões de 130 taxistas e o respon-

Ponte HMZ Abertura em Maio ou Junho

O jornal China Daily noticiou ontem que a nova ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai deverá começar a receber os primeiros veículos em Maio ou Junho deste ano, sendo que as datas dependem da construção dos postos fronteiriços em Hong Kong ou Zhuhai. Quanto a Macau, o posto fronteiriço “deverá estar concluído mais cedo tendo em conta o progresso [da obra]”, disse uma fonte ao jornal. Entretanto, e de acordo com o boletim oficial, já foi criado o Regulamento de Utilização e Exploração do Auto-Silo Oeste do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, entrando hoje em vigor.

sável espera conseguir recrutar, pelo menos, mais 30. Entretanto, Kevin U Kin Lung confessou que se nos restantes meses do ano a empresa não consegue proporcionar um salário mais alto, tem que ver com o momento que a companhia atravessa e em que os

lucros ainda são difíceis de atingir, sendo que cada motorista ganha em média um ordenado de cerca de 20 mil patacas.

SUCESSO LENTO

De acordo com o responsável, a Rádio Táxis ainda não consegue

A necessidade de pelo menos mais 100 carros em circulação deve-se não só à grande procura do serviço como às perdas registadas com os estragos provocados pela passagem do tufão Hato no território

número de infracções dos táxis aumentou 32,3 por cento em 2017, apontam os dados divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP). De acordo com as estatísticas, no ano passado, registaram-se 5491 infracções de taxistas, o que corresponde a um aumento de 1339 casos em relação a 2016, ano em que se contabilizaram 4152 infracções. Entre as infracções registadas, 57,9 por cento, num total de 3180 casos, dizem respeito à cobrança abusiva de taxas. Foram também registados 1574 casos de recusa de transporte de passageiros, 49 casos de tomada passageiros em paragens sem ser seguida a ordem da fila de espera e 688 casos de infracções diversas. A PSP divulgou ainda que, em 2017, apreendeu um total de 1232 casos de táxis ilegais, número que diminuiu ligeiramente em comparação com 2016.

SAÚDE REGISTADO UM CASO DE HIPOTERMIA

U

M idoso de 90 anos foi atendido no serviço de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário e diagnosticado com hipotermia ligeira, tendo recebido alta médica passado pouco tempo. Como as temperaturas baixas se devem manter nos próximos dias, os Serviços de Saúde aconselham que idosos e doentes crónicos se protejam

do frio de forma a evitar mais casos de hipotermia, algo que acontece quando a temperatura corporal desce abaixo dos 35 graus. Os sem-abrigo são um dos grupos de risco mais vulneráveis às temperaturas baixas, como tal, o Instituto de Acção Social (IAS) abriu o Centro de Abrigo de Inverno, sito na Rua do Asilo, na Ilha Verde. As instalações vão es-

tar abertas ao público e serão disponibilizados edredões, comida e bebidas a quem precisar. Em simultâneo, os assistentes sociais do IAS vão fazer rondas em várias zonas para aferir as necessidades das pessoas desalojadas e distribuir-lhes artigos contra o frio, assim como apelar que fiquem no Centro de Abrigo de Inverno.


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O

período de reintegração e de adaptação ao emprego para os beneficiários da pensão de invalidez do Fundo de Segurança Social (FSS) aumenta de 30 para 90 dias. A medida foi comunicada pela Instituto de Acção Social em resposta a uma interpelação da deputada Ella Lei. De acordo com o Governo, a iniciativa entrou em vigor no dia 1 de Janeiro deste ano e tem como finalidade “permitir aos participantes deste programa terem mais tempo para se adaptarem à nova situação laboral”. A promoção da autonomia e a inserção com sucesso no mercado de trabalho é o obejctivo último da medida do Executivo, sendo que durante o chamado período experimental de cerca de três meses, os benificiários continuam a usufruir do subsídio do Governo. Já os formulários que são exigidos pelo FSS após o início e o final da actividade laboral vêm o seu período de apresentação também PUB

9.1.2018 terça-feira

Tempo para integrar Período de adaptação a emprego para deficientes já é de 90 dias

alargado. O Governo decidiu que os cinco dias previstos, passassem a 15. Paralelamente o Instituto de Acção Social (IAS) vai continuar a promover um conjunto de políticas que tem vindo a desenvolver. “Serão prestados serviços de assistência ao emprego aos interessados ​​ a través da criação de uma rede de colaboração intersectorial para, desta forma, conseguir aumentar os casos de empregabilidade bem sucedida”, lê-se na missiva do IAS.

DE PILOTO A EFECTIVO

A política agora implementada é o resultado de um projecto piloto lançado no passado mês de Julho. De acordo com o IAS o objectivo da experiência foi de “aumentar a motivação das pessoas portadoras de deficiência a integrar o mercado de trabalho e com isso, melhorem a sua auto confiança”.

Segundo os dados apresentados pelo Governo, até 30 de Novembro de 2017 participaram no projecto piloto 11 beneficiários da pensão de invalidez. Destes 11, três concluíram os 90 dias

e adaptação com sucesso e passaram a estar totalmente integrados na situação de trabalho, seis ainda desempenhavam funções dentro do período experimental, e duas voltaram a receber o

fundo de invalidez através do dispositivo de retorno previsto pela legislação.

BARREIRAS ADIADAS

Na mesma resposta o IAS volta a sublinhar os esforços que tem vindo a promover de modo a que seja desenvolvida uma política de circulação sem barreiras em Macau para as deslocação de pessoas com deficiências. O projecto relativo às “normas para a concepção de design universal e livre de barreiras” que tem vindo a ser estudado deverá ditar resultados este ano. “De acordo com o progresso dos estudos deste projecto as normas a serem implementadas serão publicadas em 2018”, refere o IAS. No entanto, o projecto é ainda e apenas referente às instalações que integram as obras públicas e obras subsidiadas, sendo que as construções privadas continuam sem ser abrangidas pela obrigatoriedade para cumprirem os requisitos que permitem às pessoas com deficiência uma circulação facilitada. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

Fumo 76 pessoas acusadas de fumar em local proibido em setes dias

Desde o início do ano até 7 de Janeiro foram acusadas 76 pessoas de fumar em sítios proibidos, uma média de 11 por dia, desde que entrou em vigor a nova lei de controlo do consumo de tabaco. Entre as pessoas acusadas, 36 delas era turistas, 38 residentes locais e dois trabalhadores não residentes. Entre as que foram apanhadas pelos fiscais, 15 fumavam perto da toma de passageiros dos transportes públicos. De acordo com comunicado dos Serviços de Saúde, todos os acusados têm colaborado ao longo do procedimento de execução da lei. Durante os primeiros sete dias do ano foram feitas inspecções a 11.300 estabelecimentos e 1005 inspecções efectuadas nos abrigos afectos a veículos de transporte colectivo de passageiros.


sociedade 9

terça-feira 9.1.2018

DOENÇAS RARAS SERVIÇOS DE SAÚDE NEGAM DIAGNÓSTICO TARDIO Os pais de uma criança com Síndrome de Angelman acusam o serviço público de saúde de vida, sendo que, a partir de um ano e oito meses de de adiarem o idade a criança “recebeu trano Serviço de Medidiagnóstico, mas tamento cina Física e de Reabilitação do CHCSJ com a realização os Serviços de de duas sessões de terapia da fala, duas sessões de Saúde garantem terapia ocupacional e duas que houve um sessões de fisioterapia”. Os explicam que a criança acompanhamento SS continuou a ser seguida no Centro de Desenvolvimento do caso desde o Kai Chi, “onde continuou os treinos de reabilitação e nascimento, por já então existirem ensino especial”. NO TEMPO CERTO “suspeitas de Como argumento contra a acusação de diagnóstico distúrbio de tardio, os SS explicam que desenvolvimento” “a nível internacional, e de

Síndrome à hora certa TIAGO ALCÂNTARA

“Contudo os profissionais dos SS conseguiram, ao fim de dois anos e quatro meses, diagnosticar o Síndrome de Angelman, período mais curto do que a média internacional e revelador de que não houve adiamento quer no diagnóstico quer no tratamento”, lê-se ainda. Os SS afirmam já terem contactado o casal através do grupo de intervenção precoce infantil, que é composto não só pelos SS como também pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e o Instituto de Acção Social. O contacto serviu para os pais “se inteirarem da situação mais recente criança”, tendo os SS assegurado “que irão continuar a prestar todo o apoio e suporte de ensino de intervenção precoce de forma atempada e adequada para esta criança”.

É

uma doença rara que se manifesta com um atraso no desenvolvimento, que inclui distúrbios no desenvolvimento da inteligência ou capacidade motora, além de poder ocorrer microencefalia e epilepsia. É desta doença que padece uma criança que tem vindo a ser tratada no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ). Contudo, os seus pais acusaram, num fórum público, os médicos de terem feito um diagnóstico tardio, algo que os Serviços de Saúde (SS) refutam, em comunicado. “Desde a nascença e até que perfez ano e meio de vida esta criança foi acompanhada no centro de saúde, tendo sido posteriormente transferida para o CHCSJ, onde foi submetida a exames pormenorizados devido à existência de suspeitas de distúrbio de desenvolvimento.” Os SS garantem que a criança “foi submetida a consultas individuais e colegiais que envolveram as especialidades neuropediátrica, genética pediátrica, desenvolvimento infantil e medicina física e de reabilitação”, além de “avaliações que foram coadjuvadas com os resultados imagiológicos cerebrais, exames de electrofisiologia e testes de cromossomas e de genes”. O diagnóstico chegou aos dois anos e quatro meses

um modo geral, a idade do diagnóstico do Síndrome de Angelman varia entre os dois e os seis anos, sendo que a média da idade de diagnóstico ocorre entre os três e os quatro anos”. “Um estudo da clínica do Departamento de Saúde de Hong Kong (Hong Kong Department of Health) revela que a média da idade de diagnóstico é de 6,2 anos. Neste caso, repita-se, o diagnóstico foi conseguido pelos SS aos 2 anos e 4 meses de idade. Mais cedo do que a média de idades normalmente alcançada a nível internacional”, aponta o mesmo comunicado. A entidade liderada por Lei Chin Ion adianta que, com dois anos de idade, as crianças suspeitas de padecerem desta doença “não apresentam ou não têm manifestações significativas da síndrome o que torna complexo e difícil a realização do diagnóstico”.

“Neste caso o diagnóstico foi conseguido pelos SS aos 2 anos e 4 meses de idade. Mais cedo do que a média de idades normalmente alcançada a nível internacional.” COMUNICADO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

PUB HM • 2ª VEZ • 9-1-18

ANÚNCIO Anulação de Títulos de Créditos n.º CV1-17-0055-CPE REQUERENTE: 1) Loi Ieng Sut, viúva, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, na Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, IR/C;----------------------------------------------------------------------------------------------------2) Iu Kin Chi, viúvo, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, na Rua de Sacadura Cabral, n.º 68, R/C; ----3) Iu Vai Pan, casado com Lai Neng, em regime da participação nos adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, IR/C;----------------------------------------------------------4) Iu Ion Tong, casado com Leung Vai Tong, em regime da comunhão de adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, JR/C;---------------------------------------------5) Iu Veng Hang, casado Iu Lam Kuok Kok, em regime da comunhão adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, E 1.º andar.-----------------------------------------REQUERIDA: Sociedade de Cimentos de Macau S.A.R.L., com sede em Macau, na Estrada de Nossa Senhora de Ka-Ho, s/n, Ka-Ho, Coloane, registada na Conservatória dos Registos Comercial e Bens Móveis sob o n.º 1270.--------------------------------------------------------------------------------------*** ----O Juiz de Direito do 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da Região Administrativa Especial de Macau ordena o seguinte:-----------------------------------------------------------------------------------------FAZ SABER que por sentença de 13/12/2017, proferida nos autos acima indicados, foi decretada a anulação provisória dos títulos representativos do capital social da requerida Sociedade de Cimentos de Macau S.A.R.L., a saber:-------------------------------------------------------------------------------------------1) 3.974 quotas que o Iu Hoi possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----------------------------Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 9 53.501 a 56.000 2.500 20 79.046 a 79.195 150 27 82.421 a 82.565 145 302 124.024 a 124.123 100 303 124.124 a 124.223 100 304 124.224 a 124.323 100 305 124.324 a 124.423 100 306 124.424 a 124.523 100 307 124.524 a 124.623 100 308 124.624 a 124.723 100 309 124.724 a 124.823 100 310 124.824 a 124.923 100 311 124.924 a 125.023 100 312 125.024 a 125.123 100 313 125.124 a 125.173 50 314 125.174 a 125.183 10 315 125.184 a 125.193 10 316 125.194 1 317 125.195 1 318 125.196 1

319 320

1º Juízo Cível 125.197 125.198 a 125.202

1 5

----2) 692 quotas que o 2.º requerente Iu Kin Chi possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 14 64.001 a 64.500 500 21 79.196 a 79.225 30 356 127.532 a 127.631 100 357 127.632 a 127.681 50 358 127.682 a 127.691 10 359 127.692 1 360 127.693 1 ----3) 692 quotas que o 3.º requerente Iu Vai Pan possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 15 64.501 a 65.000 500 22 79.226 a 79.255 30 361 127.694 a 127.793 100 362 127.794 a 127.843 50 363 127.844 a 127.853 10 364 127.854 1 365 127.855 1 ----Assim, convida-se, por esta forma, quaisquer eventuais detentores dos títulos representativos das quotas, para os vir apresentar em Juízo ou contestar, no prazo de TRÊS MESES, contados da data da publicação do último anúncio, sob pena de os títulos serem definitivamente anulados tudo, nos termos do artigo 862.º do C.P.C.---------------------------------------------------------------------------------------------------Caso seja apresentada contestação, é obrigatório o patrocínio judiciário (artigo 74.º do Código de Processo Civil de Macau).------------------------------------------------------------------------------------------R.A.E.M., aos 18 de Dezembro de 2017.


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9.1.2018 terça-feira

FESTIVAL FRINGE INVADE A CIDADE COM PERFORMANCES ARTÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS

Nas margens da arte Na área da dança destaque para “Trinamics”, um espectáculo da autoria de duas companhias, a Unlock Dancing Plaza, de Hong Kong e a Namstrops do Japão, que será apresentada nos dias 20 e 21 de Janeiro o edifício do Antigo Tribunal. “Trinamics” divide-se em três actos, com coreografias escritas e interpretadas pelas duas companhias. Os Unlock Dancing Plaza são vencedores recorrentes da Hong Kong Dance Awards, enquanto que a companhia japonesa é um grupo jovem que produz uma larga gama de espectáculos baseados no improviso, na força física e no arrojo dos movimentos corporais. A peça promete levar ao Antigo Tribunal uma performance vigorosa onde a agilidade leva os bailarinos a desafiar a gravidade.

No dia 16 e 17 de Janeiro, o mesmo palco do Antigo Tribunal recebe a performance de dança, “Idiot –

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Syncrasy” da dupla baseada em Londres Igor Urzelai e Moreno Solinas. O duo é inspirado pelas tradições folclóricas da Sardenha e do País Basco, as origens dos bailarinos, levando a dupla a usar o movimento como forma de comunicar ideias. A actuação que trazem

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ao Fringe 2018 é conceptualmente simples mas poderosa, séria e divertida, procurando demonstrar as mais puras das aspirações presentes na natureza humana. Com a chancela da Comuna de Pedra, em parceria com o Hao Theater de Taiwan, o Teatro Experimental Hiu Kok recebe nos dias 19 e 20 a peça “Holidays”. O conto de Gabriel Garcia Márquez “Só Vim Telefonar”, serviu de base para três anos de trabalho de produção conjunta entre Jenny Mok e Shanshan Wu. O resultado foi esta peça que mistura o teatro físico e os fantoches. O movimento é o principal elemento da narrativa, que usa o mínimo essencial de palavras na procura da exploração daquilo que há de mais insuportável na natureza humana. A peça

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E todos os eventos culturais organizados em Macau, o Festival Fringe é aquele que mais arrisca em termos de arrojo performativo. Apesar de já ter alguma actividade na rua, o Fringe 2018 arranca esta sexta-feira, com mais de duas dezenas de espectáculos, performances e exposições em mais de vinte locais. Com a organização do Instituto Cultural (IC), o festival oferece também uma série de actividades de divulgação e sensibilização artística onde se incluem palestras, workshops e crítica de arte com o intuito de alargar os horizontes da percepção do público local.

OV.MO

A 17º edição do Festival Fringe já mexe com mais de duas dezenas de performances de artistas e grupos locais e estrangeiros. Já a partir de sexta-feira, o Fringe oferece um vasto leque de peças de teatro, dança, performances interactivas, exposições e animação espalhada pela cidade

é um hino ao sarcasmo e ao humor negro. “Holidays” assenta na situação de duas personagens, A e B, que encaram a deportação, torturas e penas a que foram condenados por serem trabalhadores pouco produtivos como umas aprazíveis férias. Outro dos destaques na área do teatro é a peça “White Rabbit Red Rabbit”, apresentado peça companhia do Teatro Inside-Out, do Interior da China, e Chan Si Kei, que subirá ao palco no dia 18 de Janeiro no edifício do Antigo Tribunal. O conceito inusitado da peça parece feito de propósito

para o cartaz de uma edição do Fringe, no entanto já foi interpretada mais de um milhar de vezes pelo mundo fora. Ainda assim, Macau tem o privilégio de assistir à estreia da peça em cantonês, através da performance do actor local Wong Pak Hou. “White Rabbit Red Rabbit” é um jogo teatral de interacção com o público, uma peça que dispensa sinopse onde a direcção, o palco, os ensaios e mesmo as palavras são supérfluas. Aliás, não existe nada que se possa saber de antecedência que potencie o prazer de assistir e participar na performance.

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Esta é uma autobiografia que evoca a família e a vida da escritora sensivelmente até ao 25 de Abril, simultaneamente um retrato de um Portugal desaparecido e um livro indispensável para compreender as raízes da escrita da mais importante escritora portuguesa viva, um dos vultos marcantes da cultura portuguesa contemporânea. Começa por recordar os avós, segue para o pai «brasileiro», jogador inveterado, personagem romântica por excelência. A mãe aparece como uma figura mais apagada. Mas há também uma tia em que inspirou a «Sibila» e uma galeria de outros secundários. Em criança, Agustina isola-se nos livros, num cinema que o pai explorava, no exemplo de uma professora. Sente-se com vocação para a escrita, e o pai apoia a sua carreira literária. Aos quinze anos produz os seus primeiros romances. Lê muito. Entretanto peregrina por terras do Norte: Amarante, Gaia, Maia, Póvoa, Vila do Conde, e também por Coimbra, onde decide casar, e finalmente o Porto. No seu estilo incomparável, Agustina deambula pelo passado e auto-retrata-se pelo caminho. Abundantemente documentada por fotografias familiares de época do espólio pessoal da autora, numa edição em elegante formato, cartonada, mas de preço acessível ao leitor médio, esta nova edição permite agora divulgar junto do grande público um texto que fora anteriormente publicado numa edição limitada e numerada e em formato de luxo.

NOS SONHOS COMEÇAM AS RESPONSABILIDADES • Delmore Schwartz

Nos Sonhos Começam as Responsabilidades é uma obra-prima da literatura americana. Uma avaliação confirmada pelos leitores em todo o mundo, mas também por grandes escritores como Vladimir Nabokov, T.S. Eliot ou Saul Bellow. Um adolescente, cujo nome nunca saberemos, assiste à projecção de um filme...


eventos 11

terça-feira 9.1.2018

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Primavera Nome botânico: Primula veris L. Sinonímia científica: Primula officinalis (L.) Hill Família: Primulaceae. Nomes populares: PÃO-DE-LEITE; PRIMAVERA-DAS-BOTICAS; PRIMAVERAS; PRÍMULA.

O autor iraniano Nassim Soleimanpour escreveu a peça quando foi proibido pelo Governo de passar as fronteiras do Irão. O teatro era o seu álibi para conseguir fugir do país e viajar pelo mundo fora. Toda a performance é envolvida em mistério, o actor recebe o guião mesmo à última hora, quando entra em palco já com as luzes acesas e quando encara a audiência. Numa experiência que sai da internet para as ruas de Macau, “Bear with Us”, produzido pela companhia de teatro australiana Memetica e a Point View Art Association, propõe uma expedição pela

cidade. Como tal, Macau será invadida por três ursos gigantes que vão andar pelas ruas da cidade numa senda exploratória com imparável vontade que promete desvendar os mistérios de todos os cantos do mundo. Esta actividade é assente nas tropelias de três ursos fantoches que prometem surgir do nada e convidar pessoas para partilhar aventuras. As companhias sugerem que se

sigam as páginas de Facebook e o Instagram “Bear with Us”. A 17ª edição do Fringe 2018 terá ainda uma série de outros eventos que aliciam o público a explorar Macau e a olhar para a cidade com uma perspectiva nova, uma perspectiva Fringe. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Nativa das regiões montanhosas da Europa e Ásia Ocidental, a Primavera cresce em zonas húmidas e soalheiras, como prados e bosques, sendo também cultivada. Apresenta grandes folhas pecioladas, rugosas, ovaladas, verdes na página superior e acinzentadas na inferior, dispostas em roseta basal; o caule, que pode atingir 30 cm de altura, termina numa umbela de lindas flores campanuladas amarelo-vivo, maculadas de cor-de-laranja. As flores, muito apreciadas como ornamentais e aromáticas, são das primeiras a abrir quando chega a Primavera. Santa Hildegarda, abadessa beneditina do século XII, recomendava-a como remédio para a melancolia. Era ainda empregue na gota, como tónico cardíaco e no tratamento de feridas. Fazendo jus à sua longa fama de conservar a beleza, assim se referia a ela, no século XVI, o herbanário William Turner: «Algumas mulheres… salpicam flores de Primavera com vinho branco e depois… lavam o rosto com essa água… para se tornarem bonitas aos olhos do mundo, e não aos olhos de Deus, a quem não receiam ofender». Actualmente, as suas indicações mais importantes já foram confirmadas pelos investigadores. Em fitoterapia são usadas as raízes e os rizomas e, por vezes, as flores. Composição Raízes e rizomas: Saponósidos triterpénicos (ácido primúlico), flavonóides, taninos, heterósidos fenólicos (primaverósido, primulaverósido), sais minerais e traços de óleo essencial. Os heterósidos fenólicos originam, por hidrólise, derivados salicílicos, os principais constituintes do óleo essencial. Flores: Teor mais elevado em flavonóides e menor quantidade de saponósidos triterpénicos em relação às partes subterrâneas. Contêm ainda caroteno e vestígios de cumarinas. Aroma suave, sabor agradável. A raiz cheira a Anis.

Cinema Abertas inscrições para o projecto “Macau – O Poder da Imagem” O Centro Cultural de Macau volta a desafiar os realizadores locais para que apresentem projectos cinematográficos para a nova edição do “Macau – O Poder da Imagem”. Os cineastas têm até 22 de Janeiro para propor as suas ideias que serão avaliadas por um júri. O concurso tem um orçamento disponível superior a um milhão de patacas e será distribuído por categorias, mais especificamente documentário, curtas-metragens e animação. Existem também vários níveis de participação baseados na experiência dos

realizadores. A edição deste ano propõe-se financiar até 17 projectos individuais. O “Macau – O Poder da Imagem” começou em 2007 e ao longo dos anos recebeu mais de 500 propostas, resultando em 104 filmes finalizados. Um deles foi “Crash”, um filme premiado e que foi exibido no exterior. As equipas seleccionadas para a última fase terão apoio técnico e financeiro para concluir as suas produções, incluindo um plano de orientação durante o qual os realizadores serão aconselhados por profissionais convidados.

Acção terapêutica Devido ao seu conteúdo em saponósidos, a Primavera provoca, através de um mecanismo neuronal, um reflexo gastropulmonar aumentando as secreções gástricas e brônquicas; desta forma, o muco torna-se mais fluido e menos viscoso, o que facilita a expectoração; é antioxidante, anti-inflamatória, combate os espasmos e inibe

o crescimento do vírus da gripe, de várias bactérias e fungos; auxilia ainda a baixar a febre. É recomendada na tosse e catarro, tosse convulsa, sinusite, constipação, gripe, bronquite aguda e crónica, asma brônquica e broncopneumonia. Embora as raízes e rizomas tenham uma acção mais intensa, para estas indicações podem também ser tomadas as flores ou uma mistura de ambas. As raízes e rizomas são ligeiramente diuréticos e têm actividade analgésica e anti-reumática; as flores são diuréticas e depurativas. A planta pode ser útil nos cálculos urinários, gota, reumatismo e neuralgias. As flores são usadas na ansiedade, insónia e hiperactividade das crianças, pelas propriedades sedativas, e nas dores de cabeça e enxaquecas, pela acção antiespasmódica. Outras propriedades Externamente empregam-se as raízes e rizomas, para desinflamar e acalmar a dor em caso de contusões, entorses e mialgias.A aplicação tópica de preparações elaboradas com as saponinas da raiz é eficaz no tratamento de estomatites causadas por Candida albicans resistentes aos antibióticos. Como tomar Uso interno: • Decocção das raízes e rizomas: 1 colher de chá por chávena de água. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. Nas afecções respiratórias, adoçar com mel e tomar quente. • Infusão das flores: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Devido ao seu aroma e sabor agradável é muito indicada para as crianças. • Em xarope ou cápsulas, em fórmulas de plantas, para as afecções respiratórias e como sedativo e indutor do sono. • A planta é usada para aromatizar a cerveja e melhorar o bouquet dos vinhos. Com as flores envolvidas em açúcar fazem-se rebuçados. Uso externo: • Decocção das raízes e rizomas: 50 gramas por litro de água, 15 minutos de fervura. Aplicar em compressas na região afectada. Precauções A Primavera está contra-indicada em caso de gastrite ou úlcera do estômago. Em doses elevadas ou tratamentos prolongados, devido ao aumento das secreções provocado pelos saponósidos, pode provocar irritação gastrintestinal, com náuseas, vómitos e diarreias. Externamente, a planta fresca pode causar dermatites em pessoas sensíveis. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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9.1.2018 terça-feira

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PRESIDENTE FRANCÊS PROMETE VISITAR CHINA “PELO MENOS UMA VEZ POR ANO”

Onde tudo começou

Emmanuel Macron começou a sua visita por Xian, a cidade de onde partia a Rota da Seda. A França quer fazer parte do plano global chinês

AFP

Presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu ontem voltar “pelo menos uma vez por ano” à China, durante um discurso que proferiu em Xian, primeira etapa da visita de Estado de três dias que iniciou ao país. Isto “porque é a condição” para que a relação entre a França e a China “entre numa nova era”, afirmou Emmanuel Macron, num discurso de mais de uma hora. Na sua intervenção, o chefe de Estado francês pediu uma aliança entre a França e a China para “o futuro do mundo”, em particular

BATALHA CLIMÁTICA

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Presidente francês, Emmanuel Macron, propôs ontem à China “relançar a batalha climática” e “preparar um aumento dos compromissos” contra o aquecimento global durante a próxima COP24, prevista para o final do ano, na Polónia. Invocando a necessidade de uma co-liderança franco-chinesa neste domínio, Emmanuel Macron anunciou para 20182019 a organização de um “ano franco-chinês da transição ecológica” durante um discurso em Xian, primeira etapa de uma visita de Estado de três dias à China.

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no domínio do ambiente, e para a Europa cooperar no colossal projecto chinês de criar novas rotas da seda. Neste sentido, reveste-se de particular importância o facto de Emmanuel Macron, que realiza a sua primeira viagem oficial à Ásia, ter escolhido visitar Xian, no norte da China, dado que

presidente chinês Xi Jinping enfatizou “consistência” em apoiar e desenvolver o socialismo com características chinesas no seu discurso para os funcionários de alto nível, estabelecendo directrizes para o Partido Comunista da China (PCC) fazer novos progressos. Xi pediu aos funcionários que promovam “constantemente” o “grande novo projecto da construção do Partido” e aumentem o sentimento de precaução e prevenção face a riscos e desafios. O discurso de Xi colocou o “socialismo com características chinesas numa nova era” na sua linhagem histórica de revoluções sociais liderada pelo PCC, ilustrando as ligações de continuidade. Também situou o socialismo com

aquela cidade milenar figurou como ponto de partida da antiga rota da seda. A iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, do Presidente chinês, Xi Jinping, pretende recriar “novas rotas da seda”, um conjunto de ligações terrestres e marítimas entre a Europa e a Ásia, com a construção de uma série de

infra-estruturas, como estradas, portos ou caminhos-de-ferro, em 65 países, um projecto avaliado em mais de um bilião de dólares. Depois de Xian, Emmanuel Macron, que se faz acompanhar pela mulher, Brigitte, e de seis dezenas de líderes de empresas e instituições, deslocar-se-á

Xi exalta “consistência” Xinhua analisa último discurso do presidente

características chinesas no contexto da evolução de socialismo mundial. Assim, quando o socialismo surgiu era uma forma social totalmente nova e o socialismo com características chinesas é causa pioneira sem precedente que deve continuamente desenvolver-se. A “consistência” na construção do Partido tem sido a chave para a vitória do PCC, do “grande projecto” da construção do Partido proposto em tempos revolucionários para o “grande novo projecto da construção do Partido” durante a reforma e abertura, e a rigorosa

governanção própria do Partido desde seu 18º Congresso Nacional em 2012. Xi disse que o Partido deve ter coragem para realizar a auto-reforma e tornar-se mais forte a fim de apoiar e desenvolver o socialismo com características chinesas na nova era. A governanção rigorosa do Partido começa pela “minoria em posição chave”, referindo-se aos funcionários de alto nível. Xi pediu que “a minoria em posição chave” seja firme nas suas convicções e posições políticas, promova o seu sentimento de responsabilidade,

a Pequim, onde permanecerá até quarta-feira. Ainda ontem terá tido uma reunião com o seu homólogo chinês e a sua mulher, antes de um jantar a quatro. Na terça-feira, ponto forte da agenda, Macron vai ser recebido de maneira mais formal, com o programa a incluir uma visita à Cidade

fortaleça as suas capacidades e competências, e melhore os seus modos de trabalho. Domesticamente, a China ainda enfrenta tarefas de reforma difíceis, desenvolvimento desequilibrado, e a tendência de crescentes riscos económicos e sociais. Internacionalmente, as situações estão a mudar constantemente e o ambiente dos países vizinhos é cada vez mais complexo e sensível. O modelo de desenvolvimento da China atraiu atenção mundial, mas julgamentos incorrectos e desfavoráveis de alguns países testaram a nossa sabedoria e habilidade. Como Xi disse, o PCC deve “dar as suas respostas ao teste dos nossos tempos”. O povo avaliará o quão bom é o desempenho do Partido. Xinhua

Proibida, um encontro com o presidente da Assembleia Popular Nacional e com o primeiro-ministro, uma cerimónia de boas-vindas no Grande Palácio do Povo, bem como a assinatura de acordos e uma declaração conjunta, além de um jantar de Estado. Emmanuel Macron vai reunir-se igualmente com empresários e chefes de cozinha franceses radicados na China. Já na quarta-feira vai realizar uma visita à Academia de Tecnologia Espacial chinesa, onde os dois países trabalham juntos no desenvolvimento de um satélite de observação da Terra. Esta primeira viagem à Ásia marca uma nova etapa na diplomacia do Presidente francês, concentrada até aqui na Europa e em África, com Emmanuel Macron a querer fazer de Xi Jinping um aliado em várias frentes: ambiente, luta contra o terrorismo, apoio à força do G5 no Sahel e ao desenvolvimento de energias renováveis em África.

DIREITOS HUMANOS

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organização não-governamental Human Rights Watch apelou ao Presidente francês para que “cumpra a sua promessa” e peça a Pequim para melhorar a situação dos direitos humanos na China, durante a visita oficial ao país. A directora para França da Human Rights Watch (HRW), Bénédicte Jeannerod, afirmou que o líder francês “deve cumprir” o compromisso de exigir maior respeito pelos direitos humanos na China. Jeannerod lembrou que Macron tinha afirmado anteriormente que “os imperativos diplomáticos e económicos” franceses para a China “não podem justificar o encobrimento da questão dos direitos humanos”. “Se Macron levar a sério a promoção da liberdade e da democracia em todo o mundo, deverá levar uma longa lista para o Presidente Xi e outros líderes chineses”, afirmou a responsável da HRW, em comunicado. A HRW pediu a Macron, por exemplo, que reitere publicamente o apelo francês para que seja dada total liberdade de movimento a Liu Xia, viúva do falecido dissidente e prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo.


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terça-feira 9.1.2018

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Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 1ª vez do ano 2018 (1) Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM. (2) Alvos de Patrocínio (i)

Pequim perde vapor Expulsão de migrantes ameaça comércio electrónico

A

expulsão de dezenas de milhares de trabalhadores migrantes das suas casas nos subúrbios de Pequim está a ter impacto nos serviços de entrega ao domicílio, um pilar da difusão ímpar do comércio electrónico na cidade. “Há um mês que os serviços de entrega não funcionam bem”, disse à agência Lusa um estrangeiro radicado na capital chinesa. Este serviço, outrora infalivelmente pontual, passou nas últimas semanas a registar atrasos prolongados, numa altura em que uma campanha contra construções ilegais expulsou milhares de trabalhadores migrantes dos subúrbios de Pequim. Como a agência Lusa pôde testemunhar esta manhã, por exemplo, a entrega de uma refeição ao domicílio registou um atraso de 40 minutos, situação que ameaça um sector que registou nos últimos anos um ‘boom’ nos grandes centros urbanos da China, revolucionando as práticas de consumo. Desde fruta e refeições a produtos de higiene ou electrónicos, muitos chineses passaram a fazer as compras exclusivamente ‘online’, convertendo a China no maior mercado

mundial de vendas pela Internet. Em 2017, o comércio ‘online’ no país atingiu quase um bilião de dólares, um valor equivalente a cerca de cinco vezes o Produto Interno Bruto (PIB) português, segundo a agência de análise e notação financeira S&P Global Ratings. Nas ruas de Pequim, o frenesim das motorizadas que fazem entregas rápidas ao domicílio tornou-se uma constante, um cenário que perdeu nas últimas semanas intensidade, depois de um dos mais graves incêndios dos últimos anos na capital chinesa, registado em Novembro passado. O incêndio causou 19 mortos e serviu de pretexto para a demolição de casas, lojas e restaurantes nos subúrbios da cidade. Privados de habitação, muitos destes trabalhadores terão regressado às terras natais ou migrado para outras cidades, contrariado o fluxo de rurais que alimentou durante décadas o desenvolvimento da capital chinesa. “À medida que muitas das pessoas que faziam entregas ao domicílio estão a ser expulsas, irá tornar-se cada vez mais difícil contratar”, explicou Huang Gang, especialista em logística da Associação

de Comércio Electrónico da China, citado pelo jornal Financial Times. “Os salários vão ter que aumentar”, notou. Mais de 25 centros de distribuição foram encerrados em Pequim ou estão a operar para além da capacidade, devido à falta de mão-de-obra, avançou a imprensa local. Não só os serviços de entrega ao domicílio em Pequim dependem dos trabalhadores migrantes, como também a construção ou os transportes, mas as autoridades da capital chinesa querem combater a sobrelotação e limitar o número de residentes a 23 milhões. Uma petição assinada por mais de cem académicos, advogados e artistas chineses colocou assim a questão: “O desenvolvimento de Pequim é não só fruto do trabalho árduo dos seus cidadãos, mas também do sacrifício e contribuição de pessoas de outras partes do país. Pequim deve agradecer aos cidadãos chineses, em vez de esquecer e retribuir às pessoas do país com arrogância, discriminação e humilhação, sobretudo ao grupo com rendimento mais baixo”.

Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D);

(ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. (3) Projecto de Apoio Financeiro (i)

Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico;

(ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes. (4) Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (5) Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 2 até 15 de Janeiro de 2018

(O próximo pedido será realizado no dia 2 ao 15 de Maio de 2018)

(6) Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo. (7) Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro».

O Presidente do C. A. do FDCT,

Ma Chi Ngai

2017 / 12 / 29


14

h

9.1.2018 terça-feira

A montanha mais alta é a que construimos com a nossa reverência. Aluvião Miguel Martins

O arqueólogo encavacado RUDOLF BAUER, SPACE

Numa dessas ocasiões, uma das menos disparatadas, participei, em Genebra, a convite de J., ex-deputado, empresário e divulgador de música rock, num congresso do Partito Radicale Transnazional. Aí, conheci figuras relevantes da política italiana, como Marco Pannella e Emma Bonino. Mas a figura deste partido que alguma vez teve maior mediatismo (para incómodo dos actuais dirigentes) estivera com ela em Lisboa, muitos anos antes, num contexto totalmente diverso — refiro-me a Ilona Staller, vulgo Cicciolina, actriz de filmes pornográficos, deputada e, depois, mulher e musa do escultor Jeff Koons.

Antigamente, fazia tantas coisas que agora nem me passam pela cabeça. Política, por exemplo. Aquando dessa sua passagem por Lisboa, Ilona visitou a Assembleia da República. A esse propósito, a poetisa Natália Correia, ao tempo deputada, escreveu a seguinte quadra: Estava o Parlamento em tédio morno Do Processo Penal a lei moendo Quando carnal a deputada porno Entra em S. Bento. Horror! Caso tremendo!

P.

é um arqueólogo norte-americano, com quem trabalhei durante algum tempo, e que esteve na origem de me ser atribuído, em 1997, um vistoso diploma, devidamente emoldurado, a castanho e dourado, com os seguintes dizeres: Texas A & M University Recognizes Dr. Miguel Martins In appreciation of Excellence in Teaching within the discipline of Anthropology. Ora, acerca de P., não posso perder a oportunidade de contar um par de histórias: A primeira tem que ver com o seu irmão, portador de uma doença mental que não sei precisar qual seja mas que faz com que, a maior parte do tempo, viva internado numa instituição especializada. Todavia, segundo P., poderíamos passar um dia inteiro a conversar com o irmão sem que nos apercebêssemos de qualquer desvio à chamada normalidade. Acontece, apenas, que o rapaz se torna violento, tendo já obrigado à hospitalização de vários indiví-

duos, sempre que, na rua, vê mimos e homens-estátua. A outra história passou-se directamente com P., aquando da sua participação num congresso, algures na Califórnia. Aí, durante um dos momentos de convívio, conheceu uma rapariga, tendo havido imediato interesse mútuo, o que conduziu a que acabassem por passar a noite juntos, em casa dela. Tratava-se de uma faustosa vivenda, a que se chegava percorrendo uma alameda que desembocava num largo arborizado, usado como parque de estacionamento. Ora, a meio da noite, P. despertou e achou por bem regressar ao seu hotel. Não encontrando papel e caneta para deixar um bilhete, decidiu que regressaria, na manhã seguinte, para despedir-se da moça. Entrou no carro e, ao fazer marcha atrás, embateu numa árvore. Não se preocupou por aí além. Pensou: “Amanhã, quando me vier despedir, pedirei desculpa pelo sucedido”. Só que, no dia seguinte, estacionou no mesmo local, saiu do carro e, olhando a

malfadada árvore, viu que esta, completamente tombada, arrancada ao solo pelas raízes, ostentava uma placa com a seguinte inscrição: “Plantada em 17??, esta é uma das árvores mais antigas da Califórnia”. Entrou em pânico e partiu imediatamente, sem sequer se despedir da rapariga. Não gosto de congressos, reuniões, conferências, debates, etc. Raro me apanham nisso e, quando vou, regresso quase sempre irritado comigo. Antigamente, gostava. Fosse como ouvinte ou como orador. Mas, antigamente, fazia tantas coisas que agora nem me passam pela cabeça. Política, por exemplo. Cruzes, canhoto! – digo hoje, procurando enxotar para bem longe de mim tanto disparate. (Convicções, bem vistas as coisas, nunca as tive, ou, melhor dizendo, sempre soube o que recusava mas, quanto ao que pretendo, isso sempre me remeteu, de imediato, para o plano do onírico – e ainda bem! O pensamento não é, no meu caso, uma operação que se realiza sobre a realidade mas sim aquém ou além dela).

Também conheci Natália Correia. Sem pretender com isso diminuir a sua erudição, devo dizer que era uma pessoa insuportável. Ouvi-la falar, na televisão ou ao vivo, era um teste à paciência de um santo. Como política, uma desgraça (em todo o caso, claro, melhor do que 95% dos que agora temos). Como poeta, quase sempre desinteressante (em todo o caso, claro, melhor do que 80% dos que agora temos). Poetas (quero dizer, escritores de poesia, que poetas é outra coisa, só às vezes — raro — coincidente), poetas irritantes, dizia, a roçar o insuportável, é, aliás, o que há mais — aí, a percentagem deve andar pelos 70%. Estas percentagens, como se calcula, são de uma cientificidade absoluta… O rigor, supérfluo e presumido, acessório da vaidade e, logo, da fraqueza, é outra coisa que me irrita. O interesse reside na exposição, não na veracidade. Acredito na star quality, não no método. Gosto muito mais do Humphrey Bogart do que do Marlon Brando.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 9.1.2018

JOSH KLINE, PRODUCTIVITY GAINS

E

STAMOS a iniciar um novo Ano com a sensação de transpormos uma porta deixando para trás os embates vividos, saldando dívidas, reciclando os cismas, atestando as fórmulas, esperançados que uma qualquer bonança nos acolha e providencie o fluxo no tempo circular. Chegamos a um momento em que os projectos se dissipam quando os muitos que foram se afiguraram impossíveis e desejamos a partir de um dado tempo organizar as horas e os dias, para terminarem bem que a vida é feita de regras bem mais do que de excepções. A enorme propagação de miríades de vontades embate muitas vezes no nosso cansaço com aquela impressão indelével da frase de Pessoa “nem invejas que dão movimentos de mais aos olhos” num aparelho deveras rudimentar como um corpo no cavalgar de asfalto que exercido de forma continuada nos prostrou exangues e feridos. Outros, porém, as vítimas do cansaço da paz adormecida não estarão mais livres, os arrastados por torpe calmaria sem futuros e com esquecimentos passados ou carregando-os na orla da imprecisão doentia de todas as seguranças. Como espectros ocupam os espaços, e sem razão aparente, vivem, porque sim. Este Fini Anual ciclo das Festividades é um aparatoso lastro de bloqueios na nossa já dorida insensatez, por mais vivência e desapego chegamos até aqui com a sensação de todos os reféns. Batemos os pés, dançamos por cima... no vento, com a impressão de fugir a estas duras penas, mas não blindados, que

Amélia Vieira

Cronólogo o mundo será sempre mais forte que a suspeição que temos de que exista. As mudanças climatéricas, as protuberâncias dos Estados, a difícil capacidade de gestão metidos que somos num recanto do Universo, são tão grandes que não há lugar por mais recôndito que nos pareça que fique incólume perante esferas tão radicais. A História, bem como a Pré-História Humana, tem-se arrastado, prosperado, mudado, pelos ciclos solares, e basta dele haver uma leve dissidência para que tudo se arraste e mude de um local para outro, de tempos para épocas, de eras para ciclos intermédios, um aluvião sem garante e sem fixidez nos foi legado como habitat, e se há épocas onde os equilíbrios se mantiveram serenos dando lugar a grandes Idades de Ouro eles são rompidos pela massa gravitacional que nos faz de novo peregrinos incansáveis dentro desta imensa organização. Os glaciares derretem, as águas sobem, os continentes desaparecem, as Atlântidas estão na nossa memória colectiva como filtros bem camuflados para não escusarmos jamais o transitório. Hoje é já um novo ano no século vinte e um, século que se torna cada

vez mais radical, uma radicalidade de que não suspeitávamos nascidos que fôramos ainda nos tempos dos equilíbrios que entretanto se romperam, porque todos os equilíbrios existem visando a imponderabilidade da ruptura. Os Verões escaldam, os Invernos congelam, as chuvas breves e intensas passaram todas a tropicais, os ventos não deixam ninguém de pé, e, dir-se-ia que viver numa atmosfera assim requer dos corpos fortes adaptações uma vez que não somos matéria elástica nem o ritmo da montanha russa é o nosso maior exercício aplicado à sobrevivência. Tempo breve haverá que tenhamos de viver em cativeiro, em tubos com oxigénio - cápsulas - que serão as casas a nascer brevemente. Este tempo não só é para breve como já está acontecendo. Fazendo o ritmo das transumâncias, os “rebanhos” que agora somos, falta-lhes pastores, os nacionalismos querem aferroar a vida nas suas fronteiras e viverem a “longa metragem” dos herdeiros do nada, depois, vêm os patriotas mais amenos assim como as Primaveras, mas que se salvaguardam da onda inoportuna dos avanços dos que se movem em ritmo de fuga numa

força extrema de sobrevivência. As comportas foram abertas numa antecipada e bem visível onda de choque que para toda uma Civilização adormecida não passa de charcos que querem roubar as suas seguranças, sem capacidade de acção estamos a ver os desastres, atónitos, sentados, erguemos muros, ostracizamos outros, numa ânsia de bote à deriva com duas pessoas a bordo, pois que os que se afundam podem por alarme fazer perigar os raros. Os governantes do mundo são ferramentas que operam agora num tecido imprevisto e que lhes desconhecem as dimensões, e não só arrastamos as leis severas da reconfiguração da massa, como estamos debaixo dos seus tratados impossíveis. E é neste momento que Voltaire volta a nascer «construir cada um o seu jardim» amuralharmo-nos, todos mais ou menos blindados num paraíso que cada um saberá, e onde se encontram os Arlequins que a tais quimeras presidem. Não tarda, quem andar lá por fora enlouquece, pois que encolhe e dilata num ano o que o elemento da elasticidade não permite, não raro nos vem à ideia que somos fustigados por caprichos, só esse “maravilhoso” Ano que jaz passado, vi não só seres irrespiráveis, como aqueles que já não podiam literalmente respirar. Aos poucos a Terra vai parecendo um amontoado de lixo a céu aberto com diversões escusas e ardentes artefactos numa enciclopédia ambulante de como atingir a demência em curtas manobras de Cruzeiro. Nesta altura festejavam os Romanos as suas Saturnais, grandes festividades! Saturno é o senhor absoluto do Tempo e nem sempre engole pedras pensando que são seus filhos, que esses, absorvem-se, mas as pedras são vomitadas, e neste caso, onde caírem erguem-se Templos. Depois, como já não se pode comer o filho dado que aos deuses são dadas outras apetências, pode-se em cima dela sacrificá-lo...mas que não , que não...era só uma experiência, mas mais adiante, sem apelo nem agravo, o Pai está mudo. Foi esta a linda história de Cronos que em Tempo se foi tornando, dando o seu monstro à medida da consciência de cada um. Lamartine obsequiou-nos com a bela expressão «Oh tempo, suspende o teu voo!» Suspensos estamos no Tempo. E ficar no Tempo é não ter de voltar a ele. E disse-o num monólogo eloquente o grande Vitorino Nemésio: “O Verão vai longo e dizer o quê a quem e como?” Efectivamente, já não temos gentes que nos interpelem assim. Cada um tem um plano que geralmente não resulta e todos juntos, fazemos finalmente o Caos. Nos Açores levantavam-se Ilhas por volta do solstício do Verão devido às placas tectónicas e muitos ficaram ruídos de espanto até Pessoa pegar naquilo tudo e fazer o belo poema das «Ilhas do Encoberto» Pois claro! “É em nós que é tudo”. Não é com Ilhas do Fim do Mundo nem com palmares de sonho ou não que a alma cura seu mal profundo e o bem nos entra no coração. Lembrei-me deles pois que são dignos de lembrança. Não tenho nenhuma razão maior para louvar, nem ninguém que me possa devolver o essencial que é tudo o que por ora convém saber.


16

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9.1.2018 terça-feira

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Máquina Lírica Paulo José Miranda

A última garrafa

PARTE 4

(Num consultório privado)

RAUL: Então o que é que está em causa, doutor? DOUTOR: Remédio. O que está em causa é o remédio. Os outros encontram-no e você não. É isto que está em causa.

DOUTOR: Vamos a ver. Vamos a ver. RAUL: O problema, doutor, é que não tenho muito tempo. Não quero continuar a sofrer mais, nem quero morrer coberto de dores. DOUTOR: Calma, amigo, não desespere! Para já, isto vai bem encaminhado.

RAUL: Não é que não tenha tentado. DOUTOR: Será? RAUL: Porque dúvida? Julga que... DOUTOR: Se quer mesmo saber, você parece-me demasiado decente para ter remédio. Para se ter realmente esforçado em encontrar um.

RAUL: Isto o quê, doutor? DOUTOR: O seu pedido.

RAUL: Não estou a compreender. DOUTOR: Está. Não quer é compreender, que é diferente. Meu amigo, você não tem qualquer problema com a vida. Você não tem é vida. Vive, tem responsabilidades, como já disse, mas, no fundo, está à parte dela. Em relação à vida, você está de fora. Porque não se quer sujar. Não é possível viver e não se sujar. Há que casar, há que trair, há que ser encornado, há que conspirar, aqui e ali, contra este ou aquele, há que dizer mal. Sou capaz de jurar que você nunca ganhou sequer um escudo ilícito. Isso não é viver. Você trabalha em contabilidade, já alguma vez se enganou propositadamente?

RAUL: Então o quê, doutor?

RAUL: Julgo que o doutor está a confundir a vida com o mundo. DOUTOR: Estou? E qual é a diferença, é capaz de me dizer? RAUL: O mundo é o mundo, a vida é a vida. São palavras diferentes. E as palavras devem ter alguma razão. DOUTOR: Pois para resposta não está mal. Fica-se na mesma. RAUL: Olhe, posso dizer-lhe que o mundo não me dói, e a vida sim. O que se passa no mundo, o que as pessoas fazem, não me causa o menor abalo. Mas a vida é-me insuportável. Falava em decência, mas julga que me importa a fome que há no mundo, as guerras que o estão a destruir? Julga que me importa a miséria nas ruas, a violência, a droga? Nada disto me causa o menor abalo, doutor. Mas a vida dói-me. DOUTOR: E importa-lhe a miséria que habita cada um de nós, sem excepção? RAUL: Não, doutor. Porque isso é luxo que eu não tenho. Preocupar-se pela miséria do ser humano é um luxo. Como também é um luxo não se preocupar com nada, viver constantemente em diversão. Infelizmente, não me posso dar a esses luxos, porque a vida dói-me muito, doutor. (silêncio e, entretanto, o doutor serve mais whisky)

RAUL: Vai então dar-me o comprimido? DOUTOR: Calma! Não disse isso.

RAUL: Obrigado. DOUTOR: No fundo, o que me está a dizer é que não é humano. RAUL: Talvez, doutor. A minha doença não me permite sê-lo. Mas não esqueça que essa ideia de humano é formada por os que não estão doentes. Talvez para os sãos, os que adoecem e recuperam, os irrecuperáveis não sejam humanos. Já pensou nisso? DOUTOR: Não, ainda não tinha pensado nisso. Talvez tenha razão. Talvez seja necessário pensarmos de novo o que é ser humano. RAUL: Talvez, doutor. DOUTOR: Por outro lado, pensar que algum dia se irá aceitar a doença como parte integrante do humano é ingenuidade. A doença é um intervalo na vida. RAUL: Na vida, não, doutor. A vida também pode ser uma doença, como pode constatar por mim. DOUTOR: Talvez então a doença seja um intervalo na existência, um intervalo no modo como se entende o mundo. (com ar de ausência) Sim, talvez seja mais isso. (regressando do seu curto estado de ausência) Mas está agora a compreender melhor o ódio que se tem aos médicos, não? RAUL: Sim... Até onde me pode ser possível, porque não tenho muita experiência acerca disso. DOUTOR: De qualquer modo, não diga ainda que eu constato a sua doença. Vamos tentar. Mas até agora... RAUL: Quer dizer que ainda continua a não acreditar no que lhe digo. DOUTOR: Não se trata disso, homem! Antes de mais acredito que não me está a mentir. Depois também acredito que me está a relatar algo que, embora estranho, não parece destituído de sentido. Ou você julga que se o julgasse doido ainda estava aqui a ouvi-lo? Pode não parecer,

mas tenho mais que fazer. (pausa) Preciso é de compreender, percebe? RAUL: Perceber, percebo, doutor. Mas o problema é que julgo que está a ir pelo lado errado. Isto não se compreende. DOUTOR: A ser assim, estamos mal. Mas, seja como for, se conseguir compreender que não se compreende já é alguma coisa. RAUL: E, para isso, precisa de tempo. DOUTOR: Exactamente! Tempo. RAUL: Está a sugerir que venha aqui com regularidade e, de cada vez, passemos uma ou duas horas a conversar até que possa compreender que não compreende? E, entretanto, continuo a sofrer. DOUTOR: Bem, meu amigo, convenhamos que não lhe restam muitas outras saídas. Por um lado, você não se quer matar e, por outro, eu também não o mato. Não o mato é como quem diz, não lhe dou o comprimido que necessita para morrer em paz. (não deixando de falar, levanta-se e dirigi-se à estante com livros) Não vamos estar com ilusões. Qual era o médico que estaria interessado em compreender o seu problema e em ajudá-lo? Enviava-o para a psiquiatria ou, no melhor dos casos, para a neurologia e já estava. Passava a bola a outro, está a ver? Mas eu não. Eu quero realmente compreendê-lo. Quero compreender o que se está a passar consigo. Não me parece que tenha muitas alternativas, amigo. De qualquer modo, se quiser, se assim o entender pode procurar outro médico. Está à vontade para o fazer. Aliás, uma segunda ou terceira opinião será sempre melhor. RAUL: Doutor, eu não quero opiniões, quero um comprimido. Quero morrer, doutor. Agora diga-me com sinceridade. Julga que tenho realmente hipóteses de receber esse comprimido, ou não? (regressa à mesa com um livro na mão e pousa-o sobre a mesa)

(silêncio) RAUL: Responda-me, por favor! DOUTOR: (procurando uma página do livro) Você costuma ler? RAUL: Não, nem por isso. DOUTOR: Se não se importar, gostava de lhe ler uma passagem deste livro. RAUL: Faça favor! DOUTOR: «O único problema filosófico é o suicídio. (...)» Conhece o autor? RAUL: Não. Quem é? DOUTOR: Camus. Albert Camus. Escritor e filósofo francês, que morreu ao volante do seu automóvel em 1967 com 51 anos. RAUL: E o que é que isso tem a ver para a nossa conversa, doutor? Já lhe disse que não me quero suicidar. DOUTOR: Precisamente por isso! Você não quer viver, mas também não se quer matar. É um problema novo, homem. Compreende o que lhe quero dizer? RAUL: Não estou bem certo disso. Mas também é coisa que não me interessa. Já lhe tinha dito anteriormente que não me interesso por filosofias. DOUTOR: Mas o que é certo é que você, tanto quanto sei, e quer queira quer não, está a abrir um precedente para a compreensão do homem e das suas relações com a vida e a morte. RAUL: Pois, pode até ser. Mas não é coisa que me interesse, doutor. Aquilo que me interessa... DOUTOR: Já sei, homem! O que lhe interessa é o comprimido. RAUL: E, então, sempre mo vai dar, ou vai escrever um livro acerca de mim?

(continua)


desporto 17

terça-feira 9.1.2018

LIGA DE ELITE SORTEIO DITOU JOGO GRANDE LOGO À PRIMEIRA JORNADA

Entrada electrizante águias, que se sagrou campeão na época passada. “É um plantel que já joga junto há muitos anos. Este ano, ao contrário da época passada, não há grande diferenças, é praticamente o mesmo plantel que foi campeão em 2017. Isso vai fazer com que o desafio [estreia do técnico] não seja tão complicado, como seria de esperar se houvesse alterações significativas”, considerou. O objectivo das águias para a temporada volta a passar pela a conquista do título, que seria o quinto consecutivo. Porém, o administrador do Benfica de Macau lamentou o facto de nesta altura ainda não haver campos relvados com as dimensões do futebol onze para as equipas de Macau treinarem. “É um problema que afecta todas as equipas e é igual para todos. Também compreendemos que ainda estamos a falar de consequências da passagem do tufão Hato. Mas também para promover o futebol local e o espectáculo, era importante que já estivéssemos a treinar nos campos indicados”, justificou. Nos restantes encontros da primeira jornada, o Chao Pak Kei vai ter pela frente o Lai Chi, no Sábado, dia 20, às 18h30. No domingo, dia 21 de Janeiro, Cheng Fung e Sporting de Macau defrontam-se às 14h00, terminando a jornada com partida entre as formações dos Serviços de Alfândega e da P.S.P.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Benfica de Macau começa a defesa do título com um desafio complicado diante do Ka I, que esta temporada volta a ser orientado pelo brasileiro Josecler. Liga arranca a 19 de Janeiro, com o encontro entre Monte Carlos e H.S.

D

ITOU o sorteio da Liga de Elite que Benfica de Macau e Ka I se encontrem no sábado, 20 de Janeiro, às 20h30, naquele que é o principal encontro da primeira jornada do campeonato de futebol 11. No entanto, a jornada inaugural da competição começa na sexta-feira, às 21h00, no Estádio de Macau, com a partida entre o Monte Carlo, um dos candidatos ao título, e o H.S., que foi promovido na época passada. A jornada promete mesmo assim emoções fortes, com o novo técnico das águias, Bernardo Tavares, a ter uma estreia de fogo, diante de um dos treinadores mais experientes do campeonato, Josecler, que está de regresso ao Ka I, depois de um época à frente do Kei Lun. Ao HM, Duarte Alves, administrador do Benfica, lembrou a importância de uma entrada vitoriosa. “Vamos começar a Liga de Elite com o Ka I, depois segue-se o Lai Chi e na terceira jornada temos pela frente o C.P.K.. É um início de campeonato contra equipas muito fortes, principalmente o Ka I e o C.P.K. são equipas que estão a investir mais do que na época passada”, disse Duarte Alves, ao HM. “As equipas que podem roubar pontos umas às outras não são muitas na Liga de Elite, por isso temos de entrar com uma intensidade elevada e forte. É importante não perder pontos, até porque à excepção de 2016, o campeão não tem terminado a mais de dois ou três pontos do segundo lugar”, explicou.

PLANTEL EXPERIENTE

Sobre a estreia de Bernardo Tavares, Duarte Alves considerou que a tarefa é em parte facilitada devido à experiência do plantel das

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Segunda Divisão Começo complicado Casa de Portugal e Consulado defrontam-se à quinta jornada

A

Casa de Portugal e o Consulado de Portugal vão começar a participação na presente época da Segunda Divisão diante de Chong Wa e Cheac Lun, respectivamente, de acordo com o sorteio de Domingo. O primeiro encontro entre as duas formações de matriz portuguesa está agendado para a quinta jornada. Porém, até ontem à noite, a Associação de Futebol de Macau ainda não tinha revelado os dias e as horas dos encontros da jornada inaugural.

Esta temporada, a Casa de Portugal vai ter como objectivo a manutenção na Segunda Divisão e o treinador Pelé está à espera de uma estreia difícil diante do Chong Wa. “Se mantiverem a mesma equipa da temporada passada vão ser um forte candidato aos três primeiros lugares da liga porque jogam muito bem”, disse Pelé, ao HM, sobre a estreia na competição. No pólo oposto, a Casa de Portugal, que chegou a estar na luta pela promo-

ção na temporada passada, parte para a competição com objectivos muito mais modestos. O primeiro passa mesmo pela manutenção devido às várias alterações na constituição do plantel.

15 CARAS NOVAS

“Temos 15 jogadores novos, dos quais três são regressos ao clube, como são os casos de Jean Peres e Gonçalo Coteriano, que na temporada passada estiveram no Atlético de Macau”, explicou o técnico da Casa de Portugal.

“Depois temos sete jogadores sub-16 e cinco jogadores que são estudantes vindos de Cabo Verde. Ao contrário do ano passado, também não contamos com os jogadores estrangeiros que vinham do Interior da China para os jogos na época passada”, acrescentou sobre o plantel. O treinador explicou igualmente que a época foi prepara a pensar no futuro e médio prazo do projecto. Pelé sublinhou também a qualidade dos jovens que vão defender as cores da Casa de Portugal.

“São jovens com grande qualidade que tiveram convites de alguns clubes da Liga de Elite, mas que preferiram acreditar no nosso projecto, também muito pela garantia que aqui têm mais oportunidades para jogar”, frisou. Em relação aos outros encontros da Segunda Divisão, os Sub-23 vão ter pela frente os Artilheiros, o Hong Lok defronta o Hong Ngai e o Tim Iec joga com o Lun Lok. J.S.F.


18 (f)utilidades TEMPO

C H U VA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado

“THE FLEA MARKET AT OLD BORDER GATE” ESPAÇO “WHAT’S UP POP UP” Rua dos Ervanários | Das 14h às 20h

9.1.2018 terça-feira

? MIN

8

MAX

18

HUM

75-98%

EURO

9.64

BAHT

EXPOSIÇÃO “MOSTRA FOTOGRÁFICA ‘UM CORAÇÃO DIVIDIDO” Fundação Rui Cunha | Até 13/01 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 193

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 192

UM DISCO HOJE

COCO SALA 1

COCO [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 14.30, 16.45, 19.15

SUDOKU

DE

C I N E M A

1.24

AOS MEUS HERÓIS

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até Hoje

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

Diariamente

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

0.24

Esta coluna não tem caracteres suficientes para discorrer a lista de vultos das letras e música que me alicerçam, que conferem solidez aos meus ossos. O que seria de mim sem a exposição ao génio de Charlie Parker, o gerador onde tudo começou, o pai do bop, de Davis e Coltrane. Será que o meu sangue conseguiria transportar oxigénio se nos meus glóbulos vermelhos não corresse também Baudelaire, Rimbaud e Henry Miller? E os meus sentidos? Será que conseguiria ver sem as lentes emocionais de Kerouac, sem as vísceras apaixonadas de Hemingway, sem a peçonha genial de Céline? Quem seria eu sem as dúvidas absurdas de Camus, sem as alucinações reveladoras de Hunter Thompson, ou a ingenuidade do swing de Boris Vian? Será que conseguiria ter equilíbrio sem a vertigem de Ian Curtis? E o que dizer da taquicardia do coração ébrio de Tom Waits e a forma como me oferece sobriedade? O que faria sem a paz sacramental das guitarras estridentes dos Sonic Youth, ou o baixo com slide de Mark Sandman? Mal posso imaginar o sufoco da normalidade de uma vida sem Herberto, Ginsberg, Burroughs e todos os poetas malditos e metafísicos, incendiários da pasmaceira quadrada que encerra os dias. Difícil de conceber a liberdade sem a asfixia de Kafka ou as reflexões de Fyodor que colocam a humanidade em carne viva. Para onde apontaria a minha agulha sem norte? Quem seria eu sem mim? João Luz

SWING SLOW | MIHARU KOSHI AND HARUOMI HOSONO

Lançado em 1996, “Swing Slow” é um disco cheio de charme e sonoridades exóticas e hipnóticas. O álbum nasce da colaboração entre dois vultos da música japonesa. A cantora Miharu Koshi com uma forte inspiração no música clássica europeia, na Chanson française e no jazz, fornece a sedutora voz ao disco musicado pela mestria de Haruomi Hosono. O compositor japonês participou em projectos como Yellow Magic Orchestra com Ryuichi Sakamoto e Happy End e tem uma carreira musical em vários estilos musicais. “Swing Slow” é um disco onde predomina a Exotica, o estilo onde pontuaram nomes como Martin Denny, Les Baxter ou Juan García Esquivel. João Santos Filipe

SALA 2

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel Com: Lyn Shaye, Angus Sampson, Leigh Whannell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]

SALA 3

Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian, Kevin Hart 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Katsuyuki Motohi Com: Takeru Satoh, Go Ayano, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

AJIN [C]

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 9.1.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

semana passada falámos sobre a instalação de postos aduaneiros da China continental e de Hong Kong, --- responsáveis pelo controlo alfandegário, de imigração e pelos procedimentos de quarentena---, na West Kowloon Station (WKS). Estes postos estarão situados no terminal do troço ferroviário que liga Guangzhou e Shenzhen a Hong Kong e que faz parte da Hong Kong Express Rail Link (XRL). O acordo de partilha aduaneira tem dado muito que falar em Hong Kong. Ficámos a par dos argumentos apresentados por Li Fei, Sub-Secretário Geral do Comité para a Lei de Bases e Presidente do Comité Permanente do Congresso Nacional Popular (CPCNP). Também acompanhámos as opiniões de Ronny Tong, Conselheiro Sénior e membro do Conselho Executivo, de Eric Cheung Tat-ming responsável pela cadeira de Direito da Universidade de Hong Kong e membro da Ordem dos Advogados e, finalmente, ouvimos Elsie Leung Oi-sie, a primeira Secretária da Justiça após a reunificação de Hong Kong. Hoje continuaremos a analisar este assunto. O Governo da RAEHK tinha declarado, há algum tempo atrás, que o acordo de partilha aduaneira seria implementado em três fases. A primeira fase passaria pela assinatura por ambas as partes das condições estabelecidas. A segunda fase passaria pela aprovação do Congresso Nacional Popular e, finalmente, a legislatura de Hong Kong criaria por decreto a legislação adequada para implementar a decisão. A primeira fase concluiu-se dia 18 de Novembro. A segunda a 27 do mesmo mês, dia em que o Congresso Nacional Popular aprovou o acordo. A terceira fase – tornar a decisão parte da lei de Hong Kong – deverá estar concluída ainda este ano. Para essa altura espera-se que haja mais burburinho em redor desta questão. Maria Tam, membro do Comité da Lei de Bases de Hong Kong (LBHK), afirmou: “A jurisdição de Hong Kong não se deve sobrepor às decisões do Congresso Nacional.” Estas declarações indicam claramente que o Tribunal de Hong Kong não irá contra as decisões do Congresso. Maria Tam adianta: “Não podemos ler ou esperar que (a decisão do CPCNP respeitante ao acordo de partilha aduaneira) esteja escrita como as deliberações do Tribunais de Hong Kong.”

WILLIAM KENTRIDGE, TIDE TABLE

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Partilha aduaneira (II)

Quem tiver acesso ao assento de um julgamento de um dos Tribunais de Hong Kong, pode verificar que são elencadas muitas razões, são referidas muitas leis e são citados muitos precedentes, de forma a apoiar a decisão tomada pelo juiz. O Professor Johannes Chan Man-mun, antigo Reitor da Faculdade de Direito da Universidade de Hong Kong, afirma que as interpretações da Lei de Bases feitas pelo Congresso Nacional Popular prevalecem sobre os Tribunais locais (ver artigo 158 da LBHK), mas o mesmo não se aplica às decisões tomadas por aquele órgão. “O CPCNP toma muitas decisões … o princípio ‘um País dois sistemas’ define que as políticas do continente não se aplicam directamente a Hong Kong. Continua a ser uma questão sobre a natureza das decisões do Congresso Nacional.” Johannes Chan continua: “Num estado de direito, as pessoas ficam desiludidas se as autoridades não conseguirem explicar claramente as bases legais de um projecto que está em curso há oito anos.”

“Se está preocupado com a aplicação da lei chinesa na WKS, não apanhe o comboio da Express Rail Link em Hong Kong.” A 30 de Dezembro último, enquanto o debate prosseguia, foi vista pela manhã, na encosta da Kowloon Lion Rock, uma faixa amarela com 30 m de comprimento onde se podia ler “defendamos Hong Kong”. Não se sabe porquê nem quem a colocou. A faixa foi retirada as 11h da manhã do mesmo dia. O antigo Presidente do Conselho Legislativo de Hong Kong, Jasper Tsang Yok-sing, escreveu na sua coluna, publicada num jornal de língua chinesa, que o acordo de partilha aduaneira não está em conflito com o princípio “um País, dois sistemas”. Mas, se pessoas de responsabilidade continuarem a insistir que este acordo vai contra a Lei de Bases de Hong Kong, só conseguirão fazer

diminuir a confiança da população na Lei Básica da cidade. “A administração irá permitir que os funcionários continentais apliquem as leis nacionais no terminal ferroviário.” “A Lei Básica não deixa espaço para a implementação do acordo de ‘partilha aduaneira’, o Governo não deve tentar encontrar justificações nas cláusulas da lei, deve sim admitir que esta situação não podia ter sido prevista pelos legisladores há 20 anos atrás. A manter esta posição, vai criar nas pessoas o medo de não continuarem a estar protegidas pela Lei Básica de Hong Kong.” “O Governo deverá admitir que este acordo é especial e excepcional. As disposições do acordo não contradizem o modelo “um País, dois sistemas” ao abrigo do qual é garantido por Pequim a Hong Kong um alto grau de autonomia.” Mas, é possível que esta frase de Li Fei elimine de vez as preocupações da sociedade de Hong Kong: “Se está preocupado com a aplicação da lei chinesa na WKS, não apanhe o comboio da Express Rail Link em Hong Kong.”

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Em Arte, há uma maneira só de ser imoral: é ser superficial. PALAVRA DO DIA

António Patrício

Seul quer reinício de encontros de famílias separadas

S

EUL vai aproveitar o raro encontro com Pyongyang para abordar o reinício dos encontros das famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953), com Pyongyang a insistir, por seu lado, na necessidade de se conseguir a reunificação. As duas Coreias acordaram na semana passada manter conversações esta terça-feira, dia 9, em Panmunjom, aldeia fronteiriça onde foi assinado o armistício, nunca substituído por um tratado de paz definitivo, o que faz com que as duas Coreias permaneçam tecnicamente em guerra desde o conflito em que se enfrentaram. Tratar-se do primeiro encontro entre Norte e Sul desde Dezembro de 2015. Esta reunião deve abrir caminho à participação de Pyongyang nos Jogos Olímpicos de Inverno, que arrancam no próximo mês, em PyeongChang, na Coreia do Sul, mas as duas delegações devem aproveitar a oportunidade para colocar outros temas sobre a mesa. “Estamos a preparar conversações sobre a questão das famílias separadas e sobre os meios para apaziguar as tensões militares”, declarou aos jornalistas o ministro da Unificação sul-coreano, Cho

Myoung-Gyon, segundo a agência de notícias Yonhap. Milhões de pessoas foram separadas durante a Guerra da Coreia, sendo que a maioria morreu sem ter tido a oportunidade de voltar a ver familiares próximos, uma vez que estão interditas comunicações transfronteiriças, troca de cartas ou chamadas telefónicas. As reuniões de famílias começaram realmente após uma histórica cimeira Norte-Sul em 2000. Inicialmente, houve um encontro por ano, mas o surgimento regular de tensões na

o “botão” nuclear na ponta dos seus dedos. Não obstante, Kim também aproveitou o discurso para, num feito raro, estender a mão ao Sul, evocando a participação de atletas norte-coreanos nos Jogos Olímpicos de Inverno. “A força por detrás da mais recente melhoria das relações não é estrangeira, é da própria nação coreana”, afirmou, este fim de semana, a agência oficial norte-coreana KCNA. “A submissão e a ideia de dependência em relação às forças externas são o veneno que torna a Nação servil e sem alma”, acrescentou.

Arte Peça força público a sair

A dupla de artistas portuguesa Von Calhau!, composta por Marta Ângela e João Alves, inaugura na quinta-feira uma exposição inédita em Londres que inclui uma peça insuflável de grande dimensão que força o público a sair da galeria. Intitulada “Phantom Blot Back to Attack” [Mancha Negra Volta a Atacar], a exposição parte de um grafito da frase datado dos anos 1970-80 e que ainda visível numa parede de um edifício em Venda Nova, perto da Amadora, um subúrbio de Lisboa. Mancha Negra, ou, na tradução para inglês, Phantom Blot, é também o nome do personagem de banda desenhada de Walt Disney, rival de Mickey Mouse e o maior criminoso de Patopólis, tendo como característica deixar uma mancha negra nos locais por onde passa. A exposição vai consistir de uma instalação sonora, que será gravada durante uma performance da dupla no dia da inauguração, de um conjunto de imagens com colagens e jogos de palavras, e de uma peça intitulada Mancha Negra e que é construída unindo sacos de plástico do lixo de cor preta. Usando uma máquina, o adereço, que foi feito à medida da sala, é lentamente enchido com ar e depois esvaziado, num ciclo contínuo que dura vinte minutos, descreve João Laia. “Aquilo vai enchendo, enchendo, enchendo, enchendo até que ocupa o espaço todo e as pessoas, das duas uma: ou fogem ou ficam presas dentro do espaço da galeria porque já não podem sair sem destruírem o objecto”, diz. Activos desde 2006, os Von Calhau! possuem um trabalho fértil e variado de colaboração nas áreas da música e das artes visuais, com se reflecte em concertos e performances, na edição de discos, na realização de filmes e vídeos, na produção de desenhos e obra gráfica e em publicações.

BBC/CHINA DELEGADA CONTRA DESIGUALDADE

DIDI PREPARA-SE PARA TRANSPORTAR O MUNDO

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responsável da BBC para a China anunciou ontem no blogue pessoal que se demitiu da actual posição, por considerar que existe desigualdade salarial entre homens e mulheres na cadeia de rádio e televisão britânica. Carrie Gracie, que trabalha há 30 anos para a estação pública do Reino Unido, afirmou que vive uma “crise de confiança”, provocada pela desigualdade de género. A jornalista indicou que vai regressar ao posto anterior na redação da BCC, onde espera “receber de forma igualitária”. “Não estou a pedir mais dinheiro. Penso que sou já muito bem paga, sobretudo para trabalhadora de uma organização financiada pelo Estado. Simplesmente, quero que a BBC respeite a lei e valorize os homens e as mulheres de forma igual”, escreveu. Gracie lamentou que a informação sobre salários, divulgada pela BBC há seis meses, tenha mostrado uma “diferença indefensável” entre o que é pago a homens e mulheres que ocupam as mesmas posições. Em Julho passado, a cadeia britânica divulgou uma lista dos funcionários com salários anuais superiores a 150.000 libras, no qual PUB

península afectou esse ritmo. O recomeço do diálogo tem lugar na sequência de dois anos de constante deterioração do clima na península, durante os quais a Coreia do Norte realizou três ensaios nucleares e múltiplos disparos de mísseis. Actualmente, Pyongyang afirmou ter alcançado o objectivo militar de ser capaz de ameaçar com fogo nuclear todo o território continental norte-americano, com o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, a reafirma-lo, na mensagem de Ano Novo, na qual voltou a advertir que tem

terça-feira 9.1.2018

não consta o nome de Gracie. O documento permitiu-lhe constatar que os responsáveis por delegações internacionais ganham, “pelo menos, 50% mais” do que mulheres que ocupam cargos semelhantes. Gracie reclamou então um salário equivalente e a BBC ofereceu-lhe um aumento, que elevou o seu salário para valores distantes dos auferidos pelos colegas. A jornalista explicou no seu blogue que é fluente em chinês, especialista em assuntos da China e há 30 anos transmite notícias sobre o país asiático. Há quatro anos foi promovida a responsável pela delegação local da BCC, uma posição que aceitou, apesar de saber que “exigiria sacrifícios e resistência”. “Tive que trabalhar a 5.000 milhas (8.000 quilómetros) do meu filho adolescente, num país com alto nível de censura e governada por um partido único, que exerce vigilância, perseguição policial e intimidação oficial”, sublinhou. Na rede de mensagens Twitter, muitos utilizadores demonstraram já o apoio à jornalista, com o ‘hashtag’ #IStandWithCarrie (eu apoio Carrie), e que já se tornou um dos tópicos mais comentados entre os comentários de britânicos.

principal aplicação de serviços de transporte chinesa, Didi Chuxing, completou em 2017 um total de 7.430 milhões de viagens e foi utilizada por 450 milhões de pessoas, anunciou a empresa, equivalente à Uber, em comunicado. Entre o número total de viagens, mais de 1.100 milhões foram percorridas por taxistas, o que permitiu à empresa “melhorar a eficiência operativa da indústria do táxi”, notou. Em comunicado, o Didi revelou que está a construir uma plataforma que “cobrirá integralmente a cadeia do sector do transporte” e que poderá prever a procura por transporte em algumas áreas da China, com 15 minutos de antecedência, e uma taxa de precisão superior a 85%.

Em termos de segurança, no ano passado, a empresa lançou uma série de iniciativas que permitiram reduzir em 21% o volume de acidentes registados na plataforma, até um nível “muito menor do que o sector tradicional dos transportes”. Entre as medidas para promover a segurança dos condutores e passageiros, o Didi criou o Sistema de Condução Segura, que deteta o nível de fadiga do condutor e controla o seu comportamento. Durante o ano passado, a empresa conseguiu também aumentar de 2,5% para 10% o uso do cinto de segurança na parte traseira dos veículos. A empresa endureceu ainda o sistema que permite avaliar o historial dos seus condutores, estabelecendo acordos com as autoridades,

para verificar os documentos de identidade, carta de condução e licença de veículos. O Didi destaca ainda a sua contribuição na melhoraria da sinalização em várias cidades do país, através da análise do ‘big data’ – os dados acumulados pelos motoristas e utilizadores. A principal aplicação de transporte chinesa comprou, em meados de 2016, as operações da Uber na China, assumindo controlo total do mercado do país, o primeiro a aprovar uma lei para regular este modelo de negócio. Na semana passada, deu o primeiro passo para a internacionalização, ao comprar uma participação na brasileira 99Taxis, aplicação de transporte privado líder do mercado em São Paulo e Rio de Janeiro.

Hoje Macau 9 JAN 2018 #3968  

N.º 3968 de 9 de JAN de 2018

Hoje Macau 9 JAN 2018 #3968  

N.º 3968 de 9 de JAN de 2018

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