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TIAGO ALCÂNTARA

MOP$10

SEXTA-FEIRA 8 DE JUNHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4068

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

DECISÃO h

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

CARTAS DE CONDUÇÃO

ONDE PARAM OS PATRIOTAS?

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MÉDICOS ALÉM-FRONTEIRAS PÁGINA 9

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hojemacau

Mais com menos Goreti Lima, psicóloga do Costa Nunes, conta como foi suspensa e como tanto a educadora da turma, como a directora da instituição, não solicitaram a sua intervenção aquando dos primeiros sinais de alerta de alegados abusos sexuais. A psicóloga revela ainda que a sua prioridade no jardim de infância eram os alunos com necessidades educativas especiais, e como o número de funcionários não acompanhou o aumento deste tipo de alunos.

PÁGINAS 2 A 4

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

HOJE MACAU

PÁGINA 6

ENSINO


2 especial costa nunes

PSICÓLOGA SUSPENSA DO JARDIM DE INFÂNCIA D. JOSÉ DA COSTA NUNES

“Nunca me pediram nada” Suspensa de funções, Goreti Lima garante que, quando soube dos alegados casos de abusos sexuais a 8 de Maio, tentou agir, mas que a educadora desvalorizou, prometendo-lhe medidas, além de que a directora não lhe deu instruções, apesar de saber do caso desde Abril. A psicóloga, com várias formações na área do autismo, deixou planos de intervenção para funcionários e crianças, a pedido da DSEJ, e acusa a direcção da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses de nunca ter agido para a contratação de mais pessoas

Quando soube do primeiro caso, a 27 de Março, diz, na carta enviada à APIM, que “se deixou mover pela veemência da educadora”. Mais à frente escreve que houve duas situações, em anos anteriores, em que foi além da educadora e fez queixas directamente à directora. Porque é que não agiu assim desta vez? Eu dou espaço às educadoras porque eu trabalho em paralelo com elas, não passo por cima delas. O seu trabalho é então acompanhar crianças com necessidades educativas especiais e não crianças regulares? Sim. Neste ano lectivo sim, mas não foi sempre assim. A prioridade este ano era dar apoio aos alunos de ensino especial, para os quais a escola não estava preparada. Mas recebemo-los. Quando os pais falam directamente comigo é uma coisa, mas quando reportam directamente à educadora... o que se passa na sala de aula é da sua responsabilidade, não me diz respeito. Neste caso, quando a 8 de Maio soube do segundo caso [de alegados abusos sexuais], e vou para comunicar à directora [Marisa Peixoto], percebo que ela já sabia desde 24 de Abril. Se achava que era necessária a minha presença na sala, aí teria de ser ela a dizer-me para eu parar o meu trabalho e mandar-me para onde achasse necessário. E isso nunca lhe foi pedido? Não. Nunca me pediram nada. E só soube do caso a 8 de Maio. Quando soube desse caso conversei com os pais e contaram-me o que se passava. Nessa tarde, os pais da primeira criança falaram comigo e com a directora directamente sobre esse assunto. Aí, disse que já sabia desde a véspera da páscoa [ 26 Março] mas que a educadora me tinha garantido que era mentira, que ia tomar medidas. Disponibilizei-me para falar com os pais, mas a educadora não quis. Não deveria ter insistido mais? Tenho as prioridades dos alunos com necessidades educativas especiais. Se uma educadora me diz “aqui não se passa nada, não preciso de ajuda” [não posso fazer nada]. Mas até dei algum apoio no sentido de se fazer um acompanhamento aos pais e às crianças. Dei algumas indicações à educadora, de como se poderiam fazer perguntas e abordar a questão.

Chegou a observar a criança quando soube do caso, a 8 de Maio? Não. Fizemos a interrupção lectiva a 28 de Março e soube dia 26 do primeiro caso. A educadora veio falar comigo mas disse-me que era mentira e que ele [o suspeito] era incapaz de fazer uma coisa destas. Disse-me que ia tomar algumas medidas, mas não sei que medidas ela tomou. Não sei se falou com a directora. Venho a saber, no dia 8 de Maio, que afinal já tinha falado. Ela é que tem de falar sobre estes assuntos.

“A directora já sabia desta situação a 24 de Abril e não me deu instruções precisas para eu avançar para este caso. Eu não sabia que ela sabia, só fiquei a sabê-lo no dia 8 de Maio.” Enviou duas cartas, a 14 de Maio e 5 de Junho, à direcção da APIM. Obteve alguma resposta? Não. Numa das cartaz enviadas diz que não foi questionada para a elaboração do relatório interno. Nunca prestei declarações. Fui à Polícia Judiciária, fui inquirida como testemunha para a DSEJ [Direcção dos Serviços de Educação e Juventude]. No dia em que o presidente da APIM confirma o caso ao jornal fui contactada por um elemento do Centro de Apoio Psico-Pedagógico e Ensino Especial (CAPPE) para me deslocar à DSEJ. Nessa reunião, disseram-me que tinham conhecimento que a escola ia entregar um relatório e aconselharam-me a anexar uns planos de intervenção para as duas crianças, a sala onde estavam e os pais, além de um plano profundo de formação para professores e a escola. Disseram-me que havia um subsídio que a escola podia requerer para poder fazer estas formações, e percebi que confiavam nas minhas competências para ser eu a avançar com isso. Na semana seguinte percebo, após reuniões de pais, que há alguns encarregados de educação que não confiam no meu profissionalismo. Não os

recrimino, porque a direcção da escola pôs-me numa posição que não abona a favor das minhas capacidades. Deixou estes planos feitos e no dia seguinte foi suspensa? Não, fui suspensa no próprio dia. Entreguei os dois planos na manhã do dia 17 de Maio e à hora de almoço recebi a carta de suspensão. Eles esperaram que entregasse os planos de intervenção e que o relatório fosse entregue. O que me dá a entender é que, com base nesse relatório, a escola fez as suas averiguações e percebe que eu tenho responsabilidade directa no assunto. Que argumentos foram usados para a sua suspensão? [Pega na carta e lê]. Dizem aqui que a minha atitude “acabou por frustrar as expectativas dos pais na segurança do jardim de infância e impossibilitou a tomada de uma decisão que pudesse, a tempo útil, pôr cobro à situação e evitar a exposição das crianças a casos graves”, e que posso ser acusada de “negligência grosseira”. A directora já sabia desta situação a 24 de Abril e não me deu instruções precisas para eu avançar para este caso. Eu não sabia que ela sabia, só fiquei a sabê-lo no dia 8 de Maio. Parece que aquilo que fiz pôs em risco, de imediato, a segurança das crianças e da escola, mas deixaram-me estar em funções até ao dia 17 de Maio. E aceitaram os planos de intervenção que elaborou. Acredita que vão ser postos em prática? Acredito. Os planos de intervenção são de formação, que é uma coisa pela qual me venho a bater há muito tempo. Entreguei um plano virado para todos os funcionários da escola e outro é um programa de intervenção nas áreas sócio-emocionais para os alunos. Era isso que eu podia ter feito se me tivesse alocado para este caso logo em Abril, ou se a educadora me tivesse pedido apoio, o que não fizeram.

“Tenho como prioridade os alunos com necessidades educativas especiais. Se uma educadora me diz “aqui não se passa nada, não preciso de ajuda” [não posso fazer nada].”

Diz nas cartas que a escola não estava preparada para receber crianças com necessidades educativas especiais, e chegou a fazer vários pedidos para que existisse mais formação. A direcção da APIM não fez o suficiente? A escola tem estado a receber estas crianças com os recursos que existiam, e que existem há vários anos. Estão desactualizados no sentido em que as características que estas crianças apresentam, neste momento, são cada vez exigentes. Temos dois alunos de ensino especial [dentro do grupo de 11 alunos autistas] e foi notório, logo em Setembro, que não conseguíamos dar resposta. Ainda assim, com as condições e os recursos humanos que temos, demos apoio. Éramos três pessoas, uma a tempo inteiro e duas a meio termo. E ainda é assim. Estamos a falar de dois alunos que não conseguem estar sozinhos numa sala com outras crianças e que precisam de alguém que os ensine a ter autonomia. Foi isso que fiz durante este ano. O que falta ao jardim de infância nesta área que a direcção da APIM não resolveu atempadamente? Sobretudo, pessoal. Numa reunião que tivemos em Outubro cheguei a pedir mais pessoal, nem que fossem agentes de ensino, pois eu depois dar-lhes-ia formação. Se não havia dinheiro para contratar psicólogos ou técnicos especializados nesta área, eu poderia dar formação a outras pessoas, e assim conseguia resolver essas lacunas. Que argumentos foram usados para que esse problema nunca tenha sido resolvido? (Hesita). Diziam-me que era preciso falar com a DSEJ, ou então “temos de ver isso”. Foi sempre uma constante com o presidente da APIM [Miguel de Senna Fernandes]. Isto porque o departamento que coordenava no jardim de infância é totalmente subsidiado pelo Governo. Então qual era o argumento? O cenário de crianças com necessidades educativas especiais tinha mudado bastante em relação a anos anteriores, tinha-se agravado. Foi por isso que tivemos essa reunião em Outubro. Nunca tivemos resposta da direcção da APIM em relação a isto. Houve situações em que a DSEJ fez contactos directos comigo no sentido de abrir uma

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GORETI LIMA

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sala de ensino especial para o próximo ano lectivo para podermos dar resposta. Preparei todo esse processo. Aparentemente, eu servia para isso e fui válida até ao dia 17 de Maio. Em Macau a Ordem dos Psicólogos Portugueses não pode actuar e existe apenas uma associação. Era necessário uma entidade que regulasse estas questões? O que faz falta a todas as escolas de Macau é uma formação para professores e funcionários. No tempo da Vera Gonçalves havia

“A educadora veio falar comigo mas disse-me que era mentira e que ele [o suspeito] era incapaz de fazer uma coisa destas. Disse-me que ia tomar algumas medidas, mas não sei que medidas ela tomou. Não sei se falou com a directora.”

essa formação e eu cheguei a chamar profissionais que conheci em cursos que fiz nos Estados Unidos. E houve cursos dados por mim. Depois as coisas mudaram completamente com a entrada da nova direcção da APIM. Quando houve o afastamento da Vera Gonçalves deixou de se investir em formação de pessoal. Até o processo de recrutamento de educadores e agentes de ensino antes era diferente. Como explica essa falta de investimento?

Não tenho resposta. Falta de financiamento não deve ser, porque eu desempenhava estas funções enquanto funcionária da escola, muitas vezes com horas extra que me eram pagas. Talvez falta de sensibilidade ou conhecimento, não sei. A escola sofreu com as várias mudanças de direcção que decorreram? Sofreu, porque cria-se sempre alguma instabilidade. Houve uma alteração no estilo de gestão, e com a Vera Gonçalves todos éramos implicados nas reuniões da escola.

E agora há falta de comunicação? Eu ainda não tive nenhuma comunicação com a direcção em termos oficiais. Ainda não fui a uma única reunião pedagógica este ano. Não fui convocada, e supostamente realiza-se uma reunião por mês. Está a ser realizado um processo de recrutamento. Mas, ainda assim, gostava de voltar à escola. Continua na página seguinte


4 especial costa nunes APIM MIGUEL DE SENNA FERNANDES EM SILÊNCIO SOBRE ACUSAÇÕES

Sabe quando termina o seu prazo de suspensão? Não, nunca fui informada de nada. Recebi esta carta a 17 de Maio e nunca mais houve nenhum contacto, nem da parte da direcção da escola ou da APIM. Antes também nunca houve, desde Outubro não voltei a reunir com ninguém sobre assunto nenhum. Quero voltar à escola porque tenho um projecto a desenvolver e quero continuar o trabalho com os alunos inclusivos. Só isto demonstra a falta de sensibilidade ou o desconhecimento quanto às práticas mais correctas para lidar com estas crianças.

Quais eram? A questão de definir as tarefas de cada funcionário e que fosse algo claro para todos, para não haver sobreposição. Reuniões em que as pessoas pudessem comunicar umas com as outras, para haver uma partilha do que contam às educadoras, para que estas pudessem fazer chegar esta informação a quem de direito. Questões sobre modelos de aprendizagem, também. Percebi que uma das coisas que podia correr melhor era a questão do pessoal. Demasiadas coisas aconteceram por causa disso. Era uma questão de muito volume de trabalho além do que as pessoas poderiam suportar. Há crianças a mais com necessidades específicas para o número de educadoras ou para a qualidade de formação de alguns funcionários. Os agentes de ensino fazem o que podem com aquilo que sabem. Quero que se mantenha o nível de qualidade que a escola tinha, pelo menos até à entrada desta nova direcção da APIM.

Reticências por explicar O presidente da Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM), entidade que tutela o jardim de infância D. José da Costa Nunes, nada diz quanto a eventuais faltas de pessoal para apoiar crianças com necessidades educativas especiais. Miguel de Senna Fernandes foi ontem ouvido pela DSEJ

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ONTINUA a decorrer o processo de investigação relativo ao caso de alegados abusos sexuais cometidos por um funcionário do jardim de infância D. José da Costa Nunes. Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM), foi ontem ouvido pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). “Não faço ideia [de quando o processo estará concluído],

esperemos que isso aconteça o mais depressa possível. Tudo vai depender do ritmo da DSEJ e estamos à disposição da DSEJ para tudo o que for necessário. Obviamente, que não posso adiantar nada em nome da confidencialidade.” Confrontado com as acusações da psicóloga suspensa, quanto aos inúmeros pedidos que terá feito em prol da contratação de mais pessoal, Miguel de Senna Fernandes optou por deixar explicações para outra altura.

“Não vou responder a isso. O que digo é que há um certo exagero nessa história do ‘várias vezes’. Ela sabe porque é que tivemos reticências em aceitar [a contratação de mais pessoas], mas não vou adiantar mais nada sobre isso.” “São questões que estão dentro do processo de averiguações que está em curso. Não vamos responder sem mais nem menos, mas um dia iremos responder. Achamos que não tínhamos de responder coisa alguma neste momento, mas a tempo próprio iremos fazê-lo”, acrescentou o presidente da APIM ao HM. Questionado sobre a possível implementação dos planos de intervenção que a psicóloga deixou feitos, Miguel de Senna Fernandes referiu que tudo vai depender da decisão da nova equipa de psicólogos. “Tudo vai depender da nova equipa, eles melhor saberão se devem ou não implementar esses planos. Não nos cabe a nós

TIAGO ALCÂNTARA

Faz também uma crítica à direcção da APIM, nestas cartas, quanto à sua actuação com os pais. Acha que houve má gestão do caso? Acho que quem esteve presente na reunião geral de pais percebeu que eles não estavam minimamente preparados para responder às questões que os pais tinham. Na reunião que houve com os pais da sala em questão, fui a única pessoa que tirou notas porque achei importante as sugestões que estavam a ser feitas, e as mudanças que queriam ver na escola.

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Acredita que o caso vai mexer com a imagem da escola? O caso foi muito chocante para todos nós e para a comunidade inteira, mas, apesar de tudo, isto deve mexer com todas as escolas em Macau, com as famílias e com todos nós. É importante que demos voz às crianças e que elas sejam a prioridade. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Miguel de Senna Fernandes, presidente da APIM “Não vou responder a isso. O que digo é que há um certo exagero nessa história do ‘várias vezes’. Ela sabe porque é que tivemos reticências em aceitar [a contratação de mais pessoas], mas não vou adiantar mais nada sobre isso”

decidir se esses planos vão ser implementados ou não, queremos também ouvir essa equipa de conselheiros.”

AS MESMAS ESTRUTURAS

Na primeira carta que enviou à direcção da APIM, Goreti Lima descreve o cenário com que teve de lidar quando entraram dois novos alunos que necessitaram de um maior acompanhamento. “A escola cresceu mas as estruturas são as mesmas e os apoios da APIM são nulos. A falta de comunicação é um problema. O meu departamento é totalmente financiado pela DSEJ/ CAPPE, mas as autorizações para a aquisição de material, melhoramento de recursos e até formação profissional é morosa e burocrática – é inaceitável. Como as verbas são bloqueadas e tardiamente libertadas, dificultando ainda mais o decurso do nosso quotidiano.” Na segunda carta que enviou, a psicóloga continua a defender que está inocente neste processo. “A educadora está em contacto directo com a directora e, aliás, nas reuniões semanais de certeza que relata as situações normais e anormais que acontecem na sua sala. Fiquei descansada, acreditando que o assunto estaria a ser tratado pela escola. Como podem imputar responsabilidades à minha pessoa se a directora da escola já tinha conhecimento dos casos e que estes seriam em número superior ao que tomei conhecimento?”, questionou. “É do vosso conhecimento que neste ano lectivo estou totalmente concentrada nos casos dos alunos de ensino especial e dos restantes alunos inclusivos, pelo que mesmo que quisesse proceder a um acompanhamento mais dedicado à sala, só o poderia fazer com a instrução da directora – facto que não aconteceu mas que podia ter acontecido a partir do dia 24 de Abril, se tivesse suscitado interesse ou representado uma prioridade para a escola”, acrescentou a psicóloga. Além disso, Goreti Lima afirma ter estado disponível para prestar declarações para a realização do relatório interno que a escola entregou à DSEJ. Contudo, nunca terá sido chamada. “Demonstro mais uma vez a minha inteira disponibilidade para colaborar na averiguação destes factos, assim como retomar imediatamente o meu posto de trabalho”, conclui. A.S.S.


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FUNDO DE SEGURANÇA SOCIAL SUSTENTABILIDADE ASSEGURADA NOS PRÓXIMOS 50 ANOS

Longa vida

Nem hoje, nem amanhã. O Fundo de Segurança Social (FSS) “não vai ter problemas nos próximos 50 anos” – palavra do Governo mil milhões de patacas; enquanto as de aplicações financeiras, descontando as despesas com gestão de fundos, atingiram 3,4 mil milhões. “Assim, as receitas totais dos investimentos em 2017 foram de 4,5 mil milhões”, tendo “conseguido cobrir todas as prestações do FSS”, sublinhou Mak Soi Kun. Até 31 de Dezembro, o valor dos activos líquidos correspondia a 77,4 mil milhões de patacas, pelo que a taxa de retorno foi de 6,4 por cento, um valor que deixou a Comissão “satisfeita”. “Estes dados demonstram que, nos próximos 50 anos, a situação financeira do fundo é estável” e, “em termos gestão financeira, continua a seguir-se o princípio da prudência no investimento para garantir um desenvolvimento sustentável a longo prazo”, realçou.

DIVERSIFICAR A CARTEIRA

E

MBORA “muitos cidadãos estejam preocupados com a situação [financeira] do Fundo de Segurança Social”, receando ficar privados das prestações no futuro, não há qualquer razão para alarme nos próximos 50 anos. Foi o que garantiu ontem o Governo aos deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL). “O Governo salientou que, nos próximos 50 anos, o Fundo [de Segurança Social] não vai ter problemas”, afirmou o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL, Mak Soi Kun, após uma reunião com o Executivo, que contou com o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, sobre a situação financeira do Fundo de Segurança Social (FSS) em 2017. “Foi um ano muito positivo para o FSS”, afirmou Mak Soi Kun, recordando nomeadamente o aumento do montante das contribuições mensais – de 45 para

“De acordo com os dados facultados pelo Governo, dentro de 50 anos, o FSS não terá problemas para pagar aos beneficiários.” MAK SOI KUN

90 patacas. Segundo os dados facultados, em 2017, as receitas totais do FSS ascenderam a 10,8 mil milhões de patacas; enquanto as despesas totalizaram 4 mil milhões de patacas, das quais 94 por cento destinadas aos pagamento das prestações, resultando, por conseguinte, num saldo positivo de 6,2 mil milhões. As principais fontes de receita do FSS são as contribuições do jogo (5,5 mil milhões ou 51 por cento do total em 2017) e as verbas do Governo (1 por cento das receitas correntes efectivamente apuradas em cada exercício do Orçamento da RAEM). Já as contribuições (de empregadores e trabalhadores

no caso do regime obrigatório; e de participantes individuais no caso do facultativo) e as taxas de contratação de trabalhadores de não residentes foram na ordem dos 700 milhões de patacas. A faltar ficam ainda os rendimentos dos investimentos privados, também analisados. Segundo o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL, as receitas provenientes dos depósitos bancários foram de 1,1

Actualmente, os depósitos a prazo têm um peso de 58 por cento na carteira de investimentos, o que levou os deputados a perguntar por que motivo não há uma maior aposta em aplicações financeiras. Na réplica, o Executivo indicou estar a caminhar-se para equilibrar a proporção. “Até 2019, estes investimentos vão ser alterados para que a proporção seja de 50-50”, indicou Mak Soi Kun. Em paralelo, em 2016, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, encomendou a uma “instituição especializada um estudo sobre a carteira de investimentos” para “definir uma nova política”, cujo resultado vai

ser divulgado “ainda durante o actual mandato”, ou seja, até ao final de 2019. “A Comissão não perguntou qual a empresa – também não fazia parte da ordem do dia de hoje. Apenas queríamos saber da situação financeira, [porque] estávamos preocupados se [o FSS] consegue pagar aos beneficiários no futuro”. “Quanto custava uma fracção há dez anos e quanto custa agora? Estamos preocupados com a evolução económica de Macau e, de facto, o Governo tem tudo previsto e está a efectuar estudos”, observou Mak Soi Kun. À luz das previsões, em 2018, o total de beneficiários será de 105 mil, um número que vai ser 1,5 vezes superior dentro de dez anos; pelo que o valor das prestações a pagar vai subir de 420 para 760 milhões de patacas, indicou. O universo de prestações inclui as pensões para idosos, de invalidez, bem como os subsídios de desemprego, de doença, de funeral, de casamento e de nascimento. “De acordo com os dados facultados pelo Governo, dentro de 50 anos, o FSS não terá problemas para pagar aos beneficiários, mas haverá um estudo a longo prazo porque o FSS é só um dos mecanismos”, insistiu, dando o exemplo do Regime de Previdência Central Não Obrigatório, que entrou em vigor a 1 de Janeiro último e que figura como o segundo nível do regime de segurança social. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Fundo de Pensões Imóvel em Lisboa vale 54 milhões de patacas A propriedade que o Fundo de Pensões detém na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, onde funciona a Delegação Económica e Comercial de Macau, vale 54 milhões de patacas, de acordo com uma avaliação de mercado feita em Março, noticiou a TDM. O presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL), Mak Soi Kun, afirmou, esta semana, que a mais recente avaliação do imóvel constante das contas do Fundo de Pensões

correspondia a 9,6 milhões de patacas. Em paralelo, ainda segundo a TDM, o Fundo de Pensões não detém todo o imóvel, mas dois andares e 15 lugares de estacionamento, adquiridos por 22,8 milhões de patacas em 1989. Já a colecção de arte japonesa, que inclui 84 gravuras actualmente guardadas em cofres no BNU, cujo valor contabilístico era de 13,6 milhões, tem um valor de mercado de 16,4 milhões, segundo uma avaliação feita também em Março, referiu ainda a emissora pública.


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Raimundo do Rosário “Vejam a bandeira de Macau, da República Popular da China, Macau é China. Os nossos compatriotas têm este direito e com esta medida Macau não está a dar nenhum privilégio a estes compatriotas. ”

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processo relativo ao reconhecimento das cartas de condução entre Macau e a China continental pode estar terminado ainda este ano, de acordo com o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. “Além dos procedimentos de Macau, há ainda os procedimentos do Governo Central e, portanto, estamos nesta fase da tramitação. Temos quase tudo feito e todas estas coisas têm um conjunto de procedimentos”, referiu ontem o secretário após o debate na Assembleia Legislativa acerca a matéria. Raimundo do Rosário deslocou-se à casa das leis ontem, pela segunda vez este ano, para a participar no debate proposto pelo deputado Ng Kuok Cheong. No plenário, o secretário revelou que a insistência neste tópico é algo que dá “uma certa vergonha”. O reconhecimento mútuo das cartas de condução, considerou, não se deve colocar por uma questão de princípio. De acordo com o governante, na abordagem deste assunto é necessário ter em conta duas questões. Uma está relacionada com o princípio subjacente ao reconhecimento das cartas de condução e uma outra referente a uma discussão sobre o que pode ser

CARTAS DE CONDUÇÃO RECONHECIMENTO MÚTUO PODE ESTAR PRONTO ATÉ AO FINAL DO ANO

“Macau é China”

Os trâmites relativos ao processo de reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o continente podem estar concluídos até ao final do ano, revelou ontem Raimundo do Rosário. O governante apontou ainda que a discussão desta medida, por motivos de princípio, “é embaraçosa” visto ser uma acção que contempla residentes do mesmo país feito para que esta medida avancem nas melhores condições. No primeiro ponto, Raimundo do Rosário sente-se constrangido por ser ainda um assunto de discussão. “Até estou numa situação embaraçosa por estarmos a discutir este assunto”, disse o secretário. Em causa está o facto de se estar a falar de um reconhecimento que abrange a população que faz parte de um mesmo país. “Vejam a bandeira de Macau, da República

Popular da China, Macau é China. Os nossos compatriotas têm este direito e com esta medida Macau não está a dar nenhum privilégio a estes compatriotas”, apontou. No entender de Raimundo do Rosário, se existem 110 países que já assinaram protocolos internacionais para o reconhecimento das suas cartas em Macau, não há razão para que os residentes do continente não o tenham. “Isto é um fenómeno natural e deve ser

DSAJ Área marítima e direito internacional discutidos em seminário A Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) promove, durante a próxima semana, um seminário subordinado ao tema “Jurisdição e Sustentabilidade: Ordenamento e Transporte Marítimo”. Inserido no 3.º Programa de Cooperação na Área Jurídica entre a Região Administrativa

Especial de Macau e a União Europeia, o seminário contará com Vasco Emanuel Vinagre Becker-Weinberg, professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e especialista no Grupo Consultivo de Direito Internacional Público; e com Paulo Parracho, con-

sultor na Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e ex-director de Serviços da Administração Marítima de Portugal. A acção será ministrada em português, com tradução simultânea para cantonês e é realizada no contexto do alargamento da área marítima de Macau.

feito naturalmente”, rematou a este respeito.

IMPLEMENTAÇÃO LIMPA

No que respeita às questões relacionadas com a forma como a medida pode ser implementada para não causar transtornos à população, Raimundo referiu que “há entidades próprias e competentes para resolver eventuais problemas que possam existir no futuro”. De acordo com a nota justificativa

do pedido de debate apresentada por Ng Kuok Cheong, uma das preocupações reveladas prende-se com os turistas do continente. Para o deputado, “se os residentes da China continental puderem conduzir em Macau, milhares de turistas vão fazê-lo”, disse. O responsável pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San, esclareceu este ponto dando como exemplo o que acontece em Hong Kong, região que aplica o sistema de reconhecimento de cartas de condução e que permite aos residentes do continente virem a Macau e usar o procedimento da região vizinha para poderem conduzir no território. Apesar desta possibilidade já existir, apontou o director da DSAT, não se assistiu ao seu uso em Macau, nem ao consequente aumento de turistas a conduzir no território, pelo que acredita que o mesmo se vai manter. “Hoje em dia, Hong Kong e o continente já têm este procedimento em que 50 milhões de turistas podem reconhecer a carta na região vizinha, entrar cá e conduzir”, no entanto isso não se verifica, explicou. Por outro lado, a medida tem que ser vista numa perspectiva mútua. Se os residentes do continente podem conduzir em Macau, também os de cá vão poder fazer o mesmo na China, referiu o responsável. Lam Hin San salientou ainda que há, neste momento, 25 mil matrículas duplas no território”. “Este reconhecimento mútuo também facilita muito a vida dos residentes de Macau”, referiu. Entretanto, em 2017 foram feitos 2500 pedidos por parte de residentes do interior para conduzir no território e até 18 de Abril deste ano, foram recebidos 447 pedidos. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


política 7

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GCS

PEARL HORIZON GRUPO DE 27 DEPUTADOS ENVIARAM CARTAS À POLYTEX

Postais de indignação

Os legisladores continuam a apoiar os promitentes-compradores do empreendimento Pearl Horizon e ontem a empresa Polytex recebeu duas cartas, com assinaturas de legisladores

U

razão, que isso não justifica que não assuma as suas responsabilidades. “Não há contradição porque o que estamos a exigir é que a empresa cumpra as obrigações legais. São obrigações contratuais, que significam o pagamento do dobro do sinal”, apontou.

SEGUNDA CARTA

Além do documento com 27 assinaturas, houve uma outra carta com o mesmo destinatário, que contou também com a assinatura de legisladores. Neste caso os signatários foram José Pereira

Cotuinho, Agnes Lam, Au Kam San, Ng Kuok Cheong e Zheng Anting. Contudo, já antes do dia de ontem, tinha circulado uma carta entre os promitentes-compradores, enviada pela empresa, que informava as pessoas sobre a existência de um plano para a devolução do dinheiro. “Estou muito contente com o evoluir da situação por saber que há planos de efectuar os pagamentos”, disse Agnes Lam, deputada, ao HM. Também Coutinho considerou esse facto “positivo”, caso se confirme.

Ainda ontem, um grupo de proprietários entregou uma carta no Banco da China a pedir para suspender o pagamento dos empréstimos para as habitações do Pearl Horizon, até receber o dinheiro da Polytex. Face a este assunto, José Pereira Coutinho mostrou-se mais cauteloso: “Os montantes eventualmente terão de ser cobrados, mas tudo depende da acção dos accionistas, que podem considerar a situação excepcional”, concluiu o legislador. Hoje Macau

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José Pereira Coutinho “É uma empresa [Polytex] que ganhou imenso com o ‘açambarcamento’ dos terrenos que conseguiu na Administração portuguesa.”

Pearl Horizon Kou Meng Pok pede suspensão de pagamento O presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, Kou Meng Pok, entregou uma carta ao Banco da China a solicitar a suspensão de pagamento dos empréstimos sem juros para a compra de fracções no empreendimento. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, Kou Meng Pok

revelou que 160 proprietários assinaram a carta. Relativamente à carta assinada pelos 27 deputados destinada ao presidente do Grupo Polytex, Kou Meng Pok manifestou-se agradecido e reiterou que os proprietários do Pearl Horizon apenas querem ter acesso às casas adquiridas nos ternos do contrato.

“UMA FAIXA, UMA ROTA” CONFERÊNCIA ELEVOU COMUNICAÇÃO COM O MUNDO

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TIAGO ALCÂNTARA

M total de 27 deputados assinou uma carta entregue à Polytex, empresa responsável pelo empreendimento Pearl Horizon, a exigir a devolução do dinheiro aos promitentes-compradores das fracções. Entre os membros da Assembleia Legislativa, apenas Ho Iat Seng, presidente, Chui Sai Cheong, vice-presidente, Kou Hoi In, Chan Chak Mo, Sulu Sou e Leong Sun Iok não deixaram a sua assinatura no documento. “Pretendemos que a empresa assuma as responsabilidades no âmbito contratual e resolva o problema dos promitentes-compradores, pagando o que está nos termos legais”, começou por explicar o deputado José Pereira Coutinho, em declarações ao HM. “Até hoje [ontem] o valor do sinal não foi pago pela Polytex. Eles têm de cumprir as suas obrigações legais e pagar o dobro do sinal. Se já houver contratos-promessa, e presumo que não existam, a Polytex vai ter de assumir as suas responsabilidades e dar uma casa às pessoas”, acrescentou. O Pearl Horizon era para ser um empreendimento de luxo, que acabou por não ser construído, uma vez que o prazo de aproveitamento do terreno expirou, sem que a obra tivesse sido concluída. “A Polytex beneficiou muito durante a Administração Portuguesa, conseguiu ‘reinados’ com a promessa de que ia construir edifícios industriais, onde ia colocar fábricas. Foi tudo uma tetra, que está a ser desmascarada pouco a pouco. É uma empresa que ganhou imenso com o ‘açambarcamento’ dos terrenos que conseguiu na Administração portuguesa”, considerou o legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “A infelicidade dos compradores foi terem confiando num empresa, vista como muito grande. Agora as pessoas estão em dificuldades”, sublinhou. Por sua vez, a empresa Polytex queixa-se que não teve tempo para finalizar os trabalhos devido aos atrasos do Governo na aprovação das licenças para as obras. Coutinho aponta que mesmo que a empresa tenha

Gabinete de Estudos das Políticas considerou que a conferência internacional sobre “Uma Faixa, uma Rota” criou “uma plataforma de comunicação entre o interior da China e a sociedade internacional”. Assim avaliou o coordenador do gabinete, Lao Pun Lap. A conferência de dois dias centrou-se na “forma de desenvolver, dinamicamente, as vantagens e o papel de Macau, para participar e ajudar a China na construção da “Faixa e Rota”, permitindo que o espírito da Rota da Seda tenha continuidade”. Para o Chefe do Executivo, Chui Sai On, a participação de Macau neste projecto é “uma obrigação e uma responsabilidade” e, por isso, “o território está determinado em aproveitar ao máximo as vantagens singulares”, declarou no arranque da conferência. De acordo com Chui Sai On, o volume total das trocas comerciais entre a China e os países ao longo da “Faixa, Rota” excede “os quatro mil milhões de dólares americanos e o investimento acumulado ultrapassa 60 mil milhões de dólares americanos, com 75 zonas de cooperação económica e comercial no exterior, criando mais de 200 mil empregos nos locais”. Por sua vez, o Presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Lei Heong Iok, referiu, no seu discurso, a construção do Laboratório de Tradução Automática Chinês-Português-Inglês, em colaboração com Global Tone Communication Technology, Co. e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, frisou o responsável. Lei Heong Iok lembrou ainda as colaborações com o Politécnico de Leiria e a Universidade de Coimbra, “para investigar e criar um sistema de tradução automática chinês e português”, para que a China e os países de língua portuguesa eliminem barreiras linguísticas.


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HOJE MACAU

TÁXIS PROFISSIONAIS APRESENTARAM CARTA AO GOVERNO

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RÓMULO SANTOS

INCO taxistas entregaram ontem ao Governo uma carta com mais de mil assinaturas para expressar as opiniões em relação à nova lei que irá regular o sector dos táxis, que se encontra de momento em discussão.   Em relação ao aumento de multas previsto na proposta de lei, os taxistas consideram que é um acto de chantagem por parte do Executivo e que não há razão para este tipo de medidas. Os condutores sublinham ainda que vão avançar acções para lutar pelos direitos e interesses do sector caso o Governo continue a ignorar as opiniões dos cidadãos. Man Chan Lei, taxista de cerca de 70 anos, considera que o regulamento em causa não é justo para taxistas idosos. Para Lei, o regime prevê a ajuda dos taxistas no transporte de malas dos passageiros, o que não é possível aos condutores mais velhos. “Em caso de chuva, como é que transportamos as malas? Os passageiros podem mudar da roupa depois de sair do táxi. Mas os taxistas têm de continuar a trabalhar com roupa molhada”, acrescentou, sublinhado que os condutores idosos podem ficar doentes. Outro taxista, de apelido Chan, referiu ontem que o Executivo pode adoptar outras medidas além do aumento de multas para combater as infracções no sector. Na perspectiva de Chan, a educação é um elemento importante. “O Executivo pode introduzir um sistema de redução de pontos para que os taxistas infractores fiquem com a licença suspensa e os obrigar ter formação”, apontou. De acordo com o comunicado enviado aos jornalistas, os taxistas criticam o Governo por considerarem que falta uma actuação eficaz do poder público em prol da população. Os profissionais recordam os casos de corrupção que têm acontecido desde 1999 em que não houve medidas efectivas por parte do Executivo. Vitor Ng

Sulu Sou “Há apenas 51 mil lugares de estacionamento para 123 mil motas.”

TRÂNSITO AUMENTO DE MULTAS NÃO É CONSENSUAL

Reacção alérgica

O aumento das multas que consta da revisão da lei do trânsito rodoviário está a provocar reacções de vários quadrantes da sociedade. A insuficiência de estacionamentos no território e a ausência de outro tipo de medidas para regular os problemas de tráfego são algumas das críticas tecidas por deputados e responsáveis associativos

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S aumentos das multas previstos na revisão da lei do trânsito rodoviário tem merecido críticas tanto de legisladores como de dirigentes associativos. Uma das vozes descontentes é de Ella Lei que entende que a insuficiência de estacionamentos no território provoca muitos incómodos aos residentes. No entender da deputada, o Executivo não pode aumentar as multas sem melhorar as instalações complementares do trânsito e os serviços de transportes públicos. Numa interpelação escrita, Ella Lei questiona se o Governo vai ter em conta a proporção entre o número total de veículos que circulam no território e os estacionamentos existentes. Ao mesmo tempo, a legisladora ligada aos operários quer saber se o Governo tenciona disponibilizar mais lugares para breve.

O deputado Leong Sun Iok revela que a sociedade está de acordo com o aumento de multas nos actos que coloquem a segurança pública em risco, como condução sob efeitos de droga e de álcool. Mas no entender do colega de bancada de Ella Lei, o aumento das sanções para o estacionamento ilegal não vai contribuir para a diminuição da sinistralidade rodoviária. O aumento de multas é, para José Pereira Coutinho, uma forma de dissuadir os residentes a usarem os seus veículos. Para o deputado, é uma medida “ridícula” e mostra que o Executivo não tem em consideração os problemas do quotidiano da população. Por seu lado, Sulu Sou avança na sua contestação à medida a apresentação de números. “Há apenas 51 mil lugares de estacionamento para 123 mil motas”, refere o deputado com mandato

suspenso. O pró-democrata recorda ainda que em 2007, quando o Governo elaborou a lei do trânsito rodoviário, o aumento das multas

NADA É DEFINITIVO À

margem do debate que teve lugar ontem na Assembleia Legislativa, o secretário para os Transportes e Obras Públicas fez questão de referir que o aumento de multas previsto na revisão da lei do trânsito rodoviário ainda não é um facto consumado. “Aquilo que foi divulgado na conferência de imprensa sobre as multas é uma informação que consta do documento de consulta”, apontou. De acordo com o secretário, a consulta pública faz parte do processo legislativo e pode apontar para modificações da proposta de lei que o Executivo vai elaborar.

para estacionamentos ilegais gerou reacções de protesto devido à falta de lugares.

ASSOCIAÇÕES UNIDAS

Em declarações ao Jornal do Cidadão, o presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Lei Leong Wong, critica Governo por recorrer apenas a medidas de carácter económico para resolver os problemas de trânsito. Para o dirigente associativo, é importante que as autoridades avancem com medidas complementares, e que estas políticas sejam apoiadas pelos cidadãos. Lei Leong Wong apela ao Executivo que ausculte as opiniões da sociedade e tenha em conta a situação actual e futura do tráfego local. Já Chan Ka Leong, vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong), considera, em declarações ao Jornal Ou Mun, que se o Governo pretende resolver os problemas no trânsito só através do aumento de multas, os resultados não serão satisfatórios. Além de não resolver qualquer problema, estas medidas vão ainda provocar desconforto na população. O vice-presidente dos Kaifong sublinha que o Executivo deve melhorar os serviços de transportes públicos, planear com eficácia os estacionamentos e garantir as instalações complementares no território. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 8.6.2018

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NTRE 2018 e 2020, 304 residentes de Macau vão concluir licenciaturas em Medicina. Todos os estudantes estão no exterior, uma vez que no território não existem instituições que disponibilizem este curso. A estimativa, a que o HM teve acesso, é da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, com base nos dados referentes ao Subsídio de Aquisição de Material Escolar, compilados pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. Segundo os dados apresentados, este ano vão ser formados 98 médicos, no próximo ano 108 e, em 2020, serão formados mais 98 profissionais. Entre os estudantes de medicina dos três anos, a maior parte está no Interior da China, ou seja 246 em 304, o equivalente a 81 por cento. Seguem-se os estudantes formados em Taiwan, com um total de 38, Hong Kong, 15, e Reino Unido com cinco estudantes. De acordo com a informação do Governo, não há alunos de Macau a estudar Medicina em Portugal.

MEDICINA GOVERNO PREVÊ 304 RESIDENTES FORMADOS NOS PRÓXIMOS TRÊS ANOS

Dá licença, Sr. Doutor?

O Interior da China é o principal local escolhido pelos residentes para se formarem em Medicina, seguindo-se Taiwan, Hong Kong e Reino Unido. Não há estudantes de Macau em Portugal a frequentar cursos de medicina um total de 218 estudantes. Já o número de pessoas a frequentar a licenciatura em Saúde Pública, área em que o Chefe do Executivo é doutorado, e que vão terminar os cursos nos próximos três anos é de 36. Entre os alunos que frequentam o curso de Saúde Pública, 16 vão concluir a licenciatura este ano, 11 no próximo ano e nove em 2020. Nesta área, é Taiwan que forma mais profissionais, com 13 alunos, seguindo-se o Interior da China, com 9 alunos, Austrália, com 5, Canadá e EUA, , cada país com quatro, e Portugal, com um aluno que deverá concluir a licenciatura em 2019.

Este ano vão ser formados 98 médicos, no próximo ano 108 e, em 2020, serão formados mais 98 profissionais

65 ALUNOS DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA contratar 63 médicos ao longo deste ano.

73 NOVOS DENTISTAS

No que diz respeito à Higiene Oral, os formados ao longo de três anos serão 73, com 25 a concluírem a licenciatura em 2018, 19 no próximo ano e 29 em 2020. Após 2020,

Chui Sai On Macau promove relação entre os povos A promoção da relação entre os povos é uma da missões de Macau no âmbito da participação na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. A opinião foi frisada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, durante o discurso de abertura do 9º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, que teve lugar ontem. Perante mais de 50 convidados, entre os quais vários ministros, o líder do Governo

as estimativas do Governo, com base nos estudantes nas instituições de ensino do exterior, são de 32 residentes a concluírem os seus estudos. A maior parte dos alunos está a estudar no Interior da China, havendo também uma pessoa em Portugal, que deve concluir a licenciatura ainda este ano.

reforçou a participação activa de Macau na iniciativa, que se concretiza com uma maior fluidez no comércio, circulação de fundos e capitais e também a relação entre os povos. Segundo Chui Sai On, com base nestes três o território poderá “alcançar o seu próprio progresso e desenvolvimento, bem como elevar, constantemente, a posição e função de Macau no desenvolvimento económico do país e na abertura ao exterior”, afirmou.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

No que fiz respeito ao período após 2020, os número do Governo não são tão detalhados, mas as estimativas apontam para que sejam formados 126 médicos. Contudo, o facto de serem formados alunos, não significa que estão obrigados a regressar a Macau, podendo optar por continuar a carreira noutras paragens. Também no início do ano, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura tinha afirmado que os Serviços de Saúde iam

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Finalmente, no que diz respeito aos Serviços Médicos, constituídos pelos cursos de fisioterapia e terapêutica, reabilitação e regeneração, optometria e nutrição, o número de licenciados nos próximos três anos será de 315 alunos. Neste aspecto, Taiwan é quem forma mais residentes, com

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ntre este ano e 2020, 65 residente de Macau vão-se formar em Medicina Tradicional Chinesa, com o pique a ser atingido no próximo ano, quando deverão ser formados 27. Naturalmente, o Interior da China é o principal local de formação, com 61 alunos, seguido por Hong Kong, cujas instituições de ensino são frequentadas por 3 residentes.

Ensino Superior UM sobe para o 443.º no ranking das universidades mundiais

A Universidade de Macau (UM) figura no 443.º lugar do ‘ranking’ de 2019 das universidades a nível mundial, elaborado pela consultora britânica Quacquarelli Symonds (QS), subindo 72 lugares. A UM também melhorou a sua posição no ‘ranking’ da Times Higher Education relativo às universidades com idade igual ou inferior a 50 anos, ascendendo sete lugares para o 60.º posto, num total de 250 instituições de ensino superior avaliadas.


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8.6.2018 sexta-feira

DIPLOMACIA PRESIDENTE RUSSO VISITA PEQUIM PARA REFORÇAR LAÇOS

Vodka, a ligar as pessoas O Presidente russo, Vladimir Putin, começa hoje uma visita de Estado à China, um mês depois de iniciar um novo mandato, o que ilustra a reaproximação entre Pequim e Moscovo face à crescente pressão dos Estados Unidos

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Rússia e a China têm reagido à estratégia de segurança nacional norte-americana, que classifica os dois países como os principais rivais dos EUA, com o compromisso de reforçarem a sua cooperação económica, política e militar. A reaproximação entre Pequim e Moscovo é impulsionada pela forte relação pessoal entre Putin e o Presidente da China, Xi Jinping, considerado o líder chinês mais forte desde

Mao Zedong, o fundador da República Popular. Os dois líderes reuniram já por 25 vezes, cinco das quais no ano passado. Sublinhando a sua relação próxima com Xi, Putin afirmou a uma emissora estatal chinesa que o Presidente chinês é o único líder mundial que ele já convidou para a sua festa de aniversário. “Bebemos um ‘shot’ de vodka e comemos umas salsichas no final de um dia de trabalho”, afirmou Putin, na entrevista difundida na

quarta-feira. O líder russo considerou Xi um “parceiro agradável” e “um amigo de confiança”. Os dois líderes reforçaram o autoritarismo nos respetivos países para travarem

qualquer oposição às suas lideranças. Xi emendou a constituição para poder permanecer no poder sem limite de mandatos, enquanto Putin, o líder russo há mais tempo

“Bebemos um ‘shot’ de vodka e comemos umas salsichas no final de um dia de trabalho”, afirmou Putin, na entrevista difundida na quarta-feira. O líder russo considerou Xi um “parceiro agradável” e “um amigo de confiança”

no poder desde Josef Stalin, acabou de ser reeleito para o sexto mandato. Moscovo depende cada vez mais do comércio e investimento chineses, após uma vaga de sanções impostas pelos países ocidentais atingir o seu sector energético e indústrias militares e limitar o acesso do país aos mercados financeiros mundiais. Unidos contra os estados “Durante a última década, desenvolvemos as relações para um nível sem paralelo no mundo actual”, afirmou Putin na entrevista.

“Estas relações são baseadas na consideração de interesses mútuos”, afirmou. Entretanto, as fricções entre a China e os EUA agravaram-se, face a uma possível guerra comercial e às críticas de Washington à reclamação por Pequim da soberania do Mar do Sul da China. “Tudo o que os EUA fazem para tentar sancionar a Rússia e restringir a China levam os dois países a elevar a cooperação a todos os níveis”, afirmou Li Xin, director do Centro de Estudos da Rússia e Ásia Central do Instituto de Estudos Estrangeiros de Xangai, citado pela agência Associated Press. A Rússia e a China alinharam já posições nas Nações Unidas, ao oporem-se a uma intervenção na Síria e anularem tentativas de criticar as violações dos direitos humanos pelos dois países. Moscovo apoia a oposição de Pequim à navegação da marinha norte-americana no Mar do Sul da China. Ambos os países realizaram já exercícios militares conjuntos, incluindo no Báltico. A Rússia partilhou também com a China alguma da sua tecnologia militar mais avançada. No nível económico, no entanto, a cooperação segue aquém da cooperação política e no âmbito da segurança. A China é o principal parceiro comercial da Rússia, enquanto a Rússia surge em décimo lugar entre os parceiros de Pequim. O comércio bilateral fixou-se, em 2017, em 90 mil milhões de dólares (76 mil milhões de euros). Em comparação, as trocas comerciais entre Pequim e Washington ascenderam a 636 mil milhões de dólares (538 mil milhões de euros), no mesmo período, com os EUA a registaram um deficit de 375,2 mil milhões de dólares (mais de 317 mil milhões de euros).

FACEBOOK FIM DA PARCERIA COM HUAWEI APÓS CRÍTICAS À PARTILHA DE DADOS

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Facebook anunciou ontem o fim da parceria com os chineses do Huawei, que envolvia a partilha de dados de utilizadores da rede social com o grupo de telecomunicações, que Washington considera uma ameaça à segurança nacional.

O Huawei esteve sob investigação pelo Congresso dos Estados Unidos, que num relatório de 2012 considerou que a empresa tem uma relação próxima com o Partido Comunista Chinês. Agências governamentais e o exército norte-

-americano baniram recentemente telemóveis fabricados pelo Huawei devido a questões de segurança. Na quarta-feira, o grupo chinês garantiu que nunca armazenou dados de utilizadores nos seus servidores. O porta-voz do Huawei,

Joe Kelly, disse que a parceria visava tornar os serviços do Facebook mais convenientes para os utilizadores dos seus telemóveis. Uma investigação do jornal The New York Times revelou esta semana que o Facebook estabele-

ceu acordos com 60 fabricantes de dispositivos móveis, que tiveram acesso, sem o consentimento explícito, a vários dados pessoais dos utilizadores, como religião, tendências políticas, amigos, eventos e estado civil.


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sexta-feira 8.6.2018

Copo meio vazio Austrália “irritada” com atrasos na entrada de vinhos na China

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ministro australiano do Comércio afirmou que semanas de atraso nos portos chineses para desembarcar vinho oriundo do seu país constituíam uma “irritação” nas relações comerciais biliterais, que têm florescido, apesar das tensões diplomáticas. Representantes dos setores do vinho e carne bovina da Austrália estão a pressionar Camberra para resolver as fricções diplomáticas com Pequim, temendo que estas afectem as exportações do país. A China é o maior parceiro comercial da Austrália, que tem adoptado várias medidas visando reduzir a interferência estrangeira na política doméstica. No mês passado, a firma de vinhos australiana Treasury Wine Estates, uma das maiores empresas vinícolas do mundo, informou que o seu vinho estava a ser atrasado durante o processo de entrada nas alfândegas chinesas. O ministro australiano do Comércio, Steven Ciobo, afirmou que abordou as queixas da empresa com as autoridades chinesas, durante uma visita recente a Xangai, a “capital” económica da China, e obteve “um alto nível de sucesso”. Ciobo não revelou quanto do vinho foi desbloqueado, afirmando que essa era informação comercialmente sensível. “Quando vemos uma irritação, trabalhamos de forma construtiva para resolver a questão”, disse Ciobo, citando pela imprensa australiana. “Não vou esconder que existem desafios, mas

é também importante que não percamos de vista o quadro maior, que é a de uma relação comercial e de investimento muito forte, ampla e profunda”, disse.

ACORDOS TINTOS

Desde que os dois países assinaram um acordo bilateral de livre comércio, em Dezembro de 2015, as exportações de vinho australiano para a China subiram de 221 milhões de dólares australianos (137 milhões de euros) por ano, há três anos, para mais de mil milhões, em 2017. O director da Federação de Produtores de Vinho da Austrália, Tony Battaglene, afirmou que vários exportadores australianos enfrentaram os mesmos problemas nas alfandegas chinesas. “Certamente assistimos a uma melhoria nesta questão após a visita de Ciobo. Esperamos que volte à normalidade”, afirmou. No mês passado, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, apelou à Austrália que tome “medidas concretas” para melhorar os laços bilaterais.

SECRETAS “ATAQUE ACÚSTICO” LEVAM EUA A RETIRAR FUNCIONÁRIOS DA CHINA

Investida sonora

Os Estados Unidos retiraram vários funcionários governamentais de Cantão, sul da China, depois de testes médicos terem revelado sintomas semelhantes aos causados pelos “ataques acústicos” em Cuba, no ano passado, informou o Departamento de Estado

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porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, revelou que “várias pessoas” foram levadas para os EUA, para além de uma outra que anteriormente registou sintomas semelhantes. Os funcionários foram retirados juntamente com as famílias depois de um segundo caso de um funcionário do consulado em Cantão ter sentido dor de cabeça, sonolência e náuseas, levando Washington a enviar uma equipa médica para realizar análises. A China reafirmou ontem que “não encontrou causas ou pistas” sobre possíveis ataques a diplomatas dos EUA no país. “Há pouco, num outro caso de um diplomata norte-americano,

a China realizou investigações e informou os EUA de que não encontramos sequer pistas” de que se trata de um ataque deliberado, afirmou ontem a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, em conferência de imprensa.

ALERTA SONORO

No primeiro caso, ocorrido no mês passado, um alerta de saúde emitido pela embaixada norte-americana em

Pequim revelava que “um funcionário do Governo dos EUA reportou recentemente sensações subtis e vagas, mas anormais, de ruído e pressão”. Hua disse que o segundo alegado caso não foi sequer oficialmente notificado à diplomacia chinesa. “Se há realmente algum problema, esperamos que os EUA possam comunicá-lo directamente, para que a China adopte uma atitude responsável e investigue”, acrescentou.

Os funcionários foram retirados juntamente com as famílias depois de um segundo caso de um funcionário do consulado em Cantão ter sentido dor de cabeça, sonolência e náuseas

O Departamento de Estado comparou estes casos com os ocorridos, no ano passado, com 24 diplomatas norte-americanos e respectivos familiares estacionados em Cuba, que experimentaram misteriosos “ataques acústicos”, que provocaram sintomas como perda auditiva, náuseas, tonturas, dor facial, dor abdominal, problemas cognitivos e danos cerebrais. No caso de Cuba, a imprensa norte-americana escreveu mais tarde que o FBI não conseguiu determinar a causa dos sintomas, apesar das acusações de Washington. Funcionários do Departamento de Estado insistiram, no entanto, que as pistas apontavam todas para um ataque coordenado.

Região JAPÃO GOVERNO VAI CRIAR PROGRAMA PARA FUNCIONÁRIOS SOBRE ASSÉDIO SEXUAL

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Governo japonês quer sensibilizar os altos funcionários do Estado para o problema do assédio sexual e vai oferecer cursos sobre boa conduta em relação às mulheres, depois de

um escândalo que atingiu o Ministério das Finanças. “Estamos actualmente a preparar” o programa, afirmou ontem um porta-voz do primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, uma iniciativa

que deverá ser aprovada na próxima semana. Junichi Fukuda, vice-ministro do Ministério das Finanças, foi forçado a renunciar depois de ser confrontado com alegações dos ‘media’

locais de assédio sexual a funcionárias daquele ministério. Esta semana, um alto funcionário encarregado das relações com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia foi suspenso por

nove meses, num caso que a imprensa japonesa diz estar relacionado também com denuncias de abusos sexuais. O chefe da diplomacia japonesa, Taro Kono, recusou-se a esclarecer as ra-

zões da punição, por respeito à privacidade da vítima. O número de funcionários que vão ter de frequentar estes cursos sobre boa conduta em relação às mulheres não foi divulgado.


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8.6.2018 sexta-feira

Posto no papel

“Júlio Pomar - O pintor no tempo” lançado em Lisboa

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livro “Júlio Pomar - O pintor no tempo”, da autoria da historiadora Irene Flunser Pimentel, foi lançado ontem em Lisboa. A historiadora, vencedora do Prémio Pessoa 2007, descreve, na obra, os contextos político, social e cultural da vida de Júlio Pomar (1926-2018), dando importância às suas facetas de crítico, historiador e teorizador da arte. Pintor e escultor, falecido no passado dia 22 de Maio, em Lisboa, Júlio Pomar é considerado um dos criadores de referência da arte moderna e contemporânea portuguesa, tendo o seu desaparecimento gerado muitas reacções de personalidades da cultura e da política lamentando a “imensa perda” para o país. Inicialmente, Irene Flunser Pimentel foi convidada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar “a partilhar, em modo oral, como numa conferência ou conversa informal, aspectos sobre o modo como se exerciam a censura e repressão, conducentes a diversos apagamentos históricos, sobre os quais se desconhece, em concreto, o modo como aconteciam”, recorda a directora do Atelier-Museu, Sara Antónia Matos, num texto sobre o lançamento da obra. “Dada a extensão e profundidade da investigação que se materializou em vertente escrita, o Atelier-Museu convidou Irene Flunser Pimental a publicar o seu estudo, que teve como ponto de partida a figura de

A platafo CULTURA FESTIVAL DE ARTES SINO-LUSÓFONO A PARTIR DE DIA 30

Júlio Pomar, aspirando assim contribuir para dar a compreender estes processos históricos, de apagamento e distorção, postos em prática pelos regimes de repressão quase sempre através de canais invisíveis, e que não raras vezes continuam a efectivar-se por outras vias, nomeadamente o silêncio a que são votados certos assuntos incómodos ou pouco consensuais”, acrescenta, no texto. A autora do livro - editado pelo Atelier-Museu e pela Sistema Solar - detém um vasto currículo sobre o período e instituições do Estado Novo, garantindo o acesso aos arquivos da Torre do Tombo, onde se encontram os dossiers e os arquivos da PIDE, polícia política do tempo do regime de Oliveira Salazar. O Atelier-Museu Júlio Pomar foi aberto em 2013, num edifício em Lisboa perto da residência do artista, com um acervo de cerca de 400 obras, que este doou à Fundação Júlio Pomar, de pintura, escultura, desenho, gravura, cerâmica, colagens e ‘assemblage’. PUB

Macau vai acolher, a partir do próximo dia 30, o primeiro “Festival de Artes e Cultura entre a China e os países de língua portuguesa”. Os bilhetes vão ser colocados à venda no fim-de-semana

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INEMA, música e dança figuram entre as propostas da primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.Ainiciativa, organizada pelo Instituto Cultural (IC), vai decorrer entre 30 de Junho e 13 de Julho. O Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa conta com 24 filmes, dividindos em três categorias: “Filmes em Chinês”, “Filmes em Português” e “Imagens, Macau”. “Wrath of Silence” (“Ira de Silêncio”), o filme mais recente do realizador chinês, Xin Yukun, abre o festival que vai fechar com uma “dobradinha” do cineasta português Manoel de Oliveira, falecido em 2015. Os filmes escolhidos foram “Aniki Bóbó” (a sua primeira longa-metragem) e “Douro, Faina Fluvial” (o seu primeiro documentário curto).

O cartaz inclui três películas contemporâneas da China, nove filmados recentemente em países de língua portuguesa, como Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau, bem como na África do Sul, e outros tantos (em chinês e em português) que foram gravados em Macau entre 1923 e 2015. As exibição dos filmes vai ser complementada com seminários pós-projecção e palestras, indicou o IC, num comunicado enviado ontem.

MÚSICA E DANÇA

Já a 6 de Julho, pelas 20h, realiza-se o Serão de Espectáculos entre a China e os países de língua portuguesa. O Grupo de Artes Performativas de Gansu é um dos que vai subir ao palco do grande auditório do Centro Cultural, dando a conhecer os costumes do povo do noroeste da China, através de música e dança com elementos do seu património cultural intangível, realça o IC. No que diz respeito aos grupos musicais e de dança dos oito países de língua portuguesa que também vão actuar no serão, o destaque vai para o agrupamento musical português Galandum

“Aniki Bóbó” e “Douro, Faina Fluvial”, ambos de Manoel de Oliveira, fecham o Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa

Galundaina que irá apresentar melodias antigas. Os bilhetes para o Festival de Cinema vão ser colocados à venda na Cinemateca Paixão a partir de amanhã, custando 60 patacas. Os ingressos para o Serão de Espectáculos vão ficar disponíveis na bilheteira online de Macau a partir de domingo, ao preço de 50 patacas. Diana do Mar

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orma no ecrã

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SÉRGIO GODINHO • Mútuo Consentimento

No ano em que passavam 40 anos da edição de “Os Sobreviventes”, o primeiro longa duração da sua carreira, Sérgio Godinho olhava em frente e apresentava um disco constituído por 11 novas canções como só ele sabe fazer. “Mútuo Consentimento” inclui algumas parcerias inéditas: Bernardo Sassetti, Noiserv, Francisca Cortesão (aka Minta), o percussionista António Serginho (Foge Foge Bandido) e a Roda de Choro de Lisboa são alguns dos que se juntaram à banda que tem acompanhado Sérgio Godinho nos últimos anos - “Os Assessores”.

LIVROS MAIS 55 EDITORES NO ANO PASSADO Ao longo do ano passado, 55 editores apresentaram novos pedidos de adesão ao sistema de ISBN, elevando o total para 910. Trata-se de um número 14,7 vezes superior ao registado em 2000 (62), quando foi criada a Agência do ISBN de Macau, subordinada ao Departamento de Gestão de Bibliotecas Públicas do Instituto Cultural (IC). Segundo o relatório sobre o estado da publicação livreira em Macau (2017), divulgado ontem, entre os 910 editores figuram 64 serviços do Governo, 32 escolas, 177 organizações comerciais, 384 não-governamentais, 236 indivíduos e 17 grupos especiais. “Os dados demonstram um desenvolvimento estável do sector da edição livreira na RAEM à medida que a consciência relativamente ao pedido de ISBN para os editores tem aumentado”, realça o IC no mesmo documento. “Auniformização internacional da edição livreira tem potenciado, em grande medida, a capacidade de introduzir livros de Macau no mercado internacional”, acrescenta. Já o registo de pedidos de número de padrão internacional de livro (ISBN, em inglês) variou em 2017: foi programada a publicação de 637 títulos de livros (mais 49) e de 21 títulos de periódicos (menos oito). Em paralelo, foram entregues 633 publicações à Biblioteca Central de Macau destinadas a integrar o seu acervo nos termos do regime de Depósito Legal (incluindo 567 publicações para as quais foram efectuados pedidos de ISBN), refere o relatório. D.M.

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BURAKA SOM SISTEMA • Komba

O sucessor de “Black Diamond”, gravado na vila algarvia de Monchique, conta com as colaborações de Igor Cavalera, fundador dos Sepultura, do austríaco Stereotyp e de outros nomes. A origem do nome Buraka Som Sistema, já se sabe, é o da freguesia da Buraca, na cidade da Amadora, arredores de Lisboa. O conceito de sound system, esse é oriundo da Jamaica.


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Viver sempre também cansa. O sol é sempre o mesmo e o céu azul José Simões Morais

Avenida Vasco da Gama

QUARTEL DA FLORA

Partindo do Palácio da Flora, residência de Verão do Governador, após atravessada a Rampa da Inveja apresenta-se, no extremo Norte do Campo dos Arrependidos, o edifício do Quartel da Flora. Ainda não representado no mapa de 1838, aparece referenciado em 30 de Março de 1882 quando para aí se mudou a 3ª Companhia da Guarda Policial e em 1896, no Quartel da Flora estava instalado o Corpo da Polícia de Macau. Entrando pela Praça da Vitória, inaugurada a 26 de Março de 1871, tal como o monumento ao centro colocado, “no mesmo jardim, entre o monumento e a rua que o torneia, com o centro na continuação do eixo da Avenida, acha-

actualmente à construção de um coreto para música, ao centro de um pequeno jardim, sendo este jardim fechado por duas rampas circulares d’ acesso da avenida para a estrada da Victoria que devem produzir um lindo efeito. Do lado da estrada da Flora, é a avenida cercada por sólidos muros de alvenaria e possui diversas escadas e rampas de acesso”, segundo Abreu Nunes.

BLOGUE MACAU ANTIGO

I

NAUGURADA às 5 e meia da tarde de 20 de Maio de 1898, quatrocentos anos depois do dia da chegada a Calicute da primeira armada portuguesa à Índia, a Avenida Vasco da Gama fora planeada pelo então Director das Obras Públicas, Eng. Augusto Abreu Nunes. Encontra-se no sopé do Monte da Guia e tem 32.500 m², tornando-se o segundo jardim público de Macau e a primeira ampla avenida da cidade. Em alameda, com um comprimento na sua maior extensão de 500 metros e largura média de 65 metros, situa-se entre a Estrada da Flora e a da Vitória e desde a Calçada do Gaio até ao Quartel da Flora. Abreu Nunes quando a descreve no início do seu texto prolonga-a, “... a NE. da cidade, na encosta dos outeiros da Guia e da Flora, entre a estrada da Flora e a da Victoria, estendendo-se desde a Calçada do Gaio até à Rampa da Inveja, que passa junta ao jardim do Palácio de Verão do Governador da Província. (...) É dividida no sentido longitudinal por muitos renques de árvores vulgarmente denominadas de S. José (Ficus chlorocarpas) que, apesar de recentemente plantadas, produzem já um efeito muito agradável e que quando se tornarem frondosas formarão extensas abóbadas de folhagem transformando aquele local num retiro fresco e aprazível. Do lado do Norte termina a Avenida por um pitoresco jardim com a forma circular cujo diâmetro é de 58 m sendo torneado pela rua central da Avenida. Ao centro do jardim eleva-se um elegante monumento de mármore, levantado pelo Leal Senado em 1864 para comemorar a vitória que em 1622 os portugueses alcançaram contra os holandeses que pretendiam tomar a cidade.” Como dá para perceber por estas palavras do Eng. Abreu Nunes, a avenida termina na Praça de Vitória, mas agora é a data do Monumento que não está em sintonia com a referida pela História.

INAUGURAÇÃO DA AVENIDA

-se implantado um vistoso lago de granito, tendo ao centro uma peça monumental de ferro formada de diferentes bacias de onde se desprende a água que nelas é lançada por meio de um tudo central. Quatro peixes, que ficam num plano inferior, lançam pela boca outros tantos jactos de água. Sobre a bacia superior, três garças simulam gozar aquela agradável frescura rematando assim este gracioso conjunto [o Padre Manuel Teixeira adita, <esta peça encontra-se agora no Jardim da Flora e as garças desapareceram>]. O lago é cercado por uma cadeia de ferro presa a doze pequenas colunatas colocadas nos ângulos de um polígono que o circunscreve sendo ela, a seu turno, cercada por canteiros de flores dispostos segundo uma coroa circular. Simétricos com o lago e em disposição análoga possui o jardim ainda um fontenário e dois elegantes caraman-

Inaugurada às 5 e meia da tarde de 20 de Maio de 1898, quatrocentos anos depois do dia da chegada a Calicute da primeira armada portuguesa à Índia, a Avenida Vasco da Gama fora planeada pelo então Director das Obras Públicas, Eng. Augusto Abreu Nunes

chões; é muito arborizado e, quando as árvores se desenvolverem, deve tornar-se aquele recinto de uma frescura agradabilíssima”, descrição do Eng. Abreu Nunes. <Este campo [dos Arrependidos, local onde os holandeses se encontravam e se mostraram indecisos e vacilantes (arrependidos) quando os dois tiros de canhão, calculados pelo Padre Rho e disparados da inacabada Fortaleza do Monte, fizeram estourar o seu barco da pólvora em frente da Praia de Cacilhas], ora transformado numa deliciosa Avenida e plantada de tenras árvores, já esteve regado de sangue...>, assim refere um jovem em 1898 n’ O Provir. Após descrever o lago, “no lado oposto está um fontanário também de ferro colocado simetricamente com o lago e em cada lado dele há um copo de metal preso por uma corrente”.

DESCRIÇÃO DA ALAMEDA

À Praça da Vitória chega a Avenida Vasco da Gama, cujos limites, a Leste tem a Estrada da Vitória e no outro lado, a Estrada da Flora, mais tarde chamada Rua Sidónio Pais. Colocados longitudinalmente na alameda uma fila de bancos de madeira e alguns renques de árvores de S. José. A cruzar a então longa Avenida Vasco da Gama duas ruas perpendiculares a ligar as estradas laterais, sendo uma próxima da Praça da Vitória, que deve ser a então Rampa da Vitória e a outra, aproximadamente a meio, a fazer a ligação da Estrada do Cemitério com a Estrada da Guia. Nesse pequeno troço, para o lado Leste, entre a Avenida Vasco da Gama e a Estrada da Vitória, aparece já um largo, onde se pretende colocar o busto do navegador. “Contíguo a este largo e do lado da estrada da Victoria procede-se

A cerimónia da inauguração da Avenida, realizada a 20 de Maio de 1898, ocorre no largo, ao lado do coreto que ficará ainda pronto em 1898, onde se projecta erigir o monumento com o busto do navegador português. O Independente de 22 de Maio de 1898 relata, “A acta do lançamento da primeira pedra, depois de assinada, foi encerrada num cofre de bronze, juntamente com uma colecção de estampilhas e bilhetes-postais do centenário, umas provas do Jornal Único (jornal feito para a comemoração), um exemplar do Echo Macaense e outro de O Independente. O cofre foi depois metido num bloco de pedra, onde assentaria o monumento a construir”. O busto de Vasco da Gama encontra-se ainda em forma de projecto, apresentado com um desenho no Jornal Único, diferente do que virá a ser realizado pelo escultor Tomás da Costa e só inaugurado a 31 de Janeiro de 1911. Abreu Nunes descreve-o em 1898: “Ao centro proximamente da avenida, no ponto onde esta cruza com uma rua transversal que parte da estrada da Flora, existe um largo com a forma poligonal onde se projecta elevar um elegante monumento a Vasco da Gama. Este monumento, representado na 1.ª vista [do Jornal Único], é construído por dois corpos de mármore sobrepostos encimados pelo busto fundido em bronze do grande Navegador; o todo eleva-se sobre uma escadaria de granito de forma hexagonal. Na superfície do corpo inferior de mármore serão colocadas passagens moldadas em bronze alusivas à saída de Lisboa da frota Vasco da Gama que em 1498 descobriu o caminho marítimo da Índia e à sua chegada a Calicut. No corpo superior serão aplicadas, em bronze também, de um lado as armas reais portuguesas e do outro, uma inscrição lembrando a época em que foi levantado o monumento.”


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 8.6.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

A

partir de determinada altura, deixamos de ter aniversários. Fazemos anos todos os dias. Ficámos, de algum modo, à espera. O que era para nós um projecto vital pode ficar hipotecado. Não tanto relativamente à promessa que temos com a vida, seja nós a fazê-la, seja a vida a fazê-la a nós. Mais relativamente ao meio que escolhemos para ser quem somos. Há muita gente que não terá tido essa possibilidade. Mas eu conheço muita gente que teve. Há alturas em que parece que ficamos desavindos com amigos. Sem sabermos bem por quê. Acontece. A resposta imediata de parte a parte resolve a situação. Não ficam ressentimentos. Voltamos a estar como se não houvessem mal entendidos. Os entusiasmos passados lentamente se tornam cruzes que temos de carregar. Todas as nossas decisões tomadas de ânimo leve ou difíceis abrem horizontes temporais que podem ser de longo prazo. Mesmo que achemos que foram acertadas no momento da escolha, a partir de determinada altura na vida, pensamos o que teria sido se não as tivéssemos tomado. Podemos pensar que não havia alternativa, mas o resultado que é esta vida, a única que temos, parece, se não, negativo, pelo menos difícil. O modo de vermos as coisas pode ter sido o do ultimato. A decisão podia ter parecido inevitável. Mas pensamos sempre se não poderíamos ter esperado mais um dia, se não poderíamos ter visto “melhor” as consequências das

Decisão I nossas acções: do sim e do não. De algum modo, parece que podemos ter cedido a tentações: a do prazer a que dissemos sim e à da fuga ao sofrimento a que dissemos não. Sabermos, ainda assim, se não foi uma decisão motivada por princípios “patológicos” como Kant lhes chamava: por um lado, a cedência à promessa do prazer, por que nos decidimos como se não houvesse amanhã. Por outro, a fuga à ameaça de sofrimento como se só houvesse um amanhã sem alternativa, difícil de suportar. Em ambos os casos vemos a promessa como o que vai ficar para sempre. Tudo será como é agora no presente. Todo o prazer será bom e cada vez mais frequente e intenso. Por outro lado, todo o sofrimento é visto no presente como a ameaça não anulável de um futuro onde só haverá condenação sem redenção. A racionalidade promete a possibilidade de um escrúpulo da não cedência à primeira dificuldade ou facilidade. Mas como podemos percorrer as nossas vidas na fantasia da imaginação para ver o que efectivamente vai acontecer se ficarmos ou se formos, se partirmos ou

insistirmos, se mudarmos ou ficarmos na mesma? É a racionalidade que transcende o prazer e o sofrimento, a promessa e a ameaça, a abertura possível a uma escolha que vai contra todo o prazer e tolera todo o sofrimento, que anula o vigor de promessas e ameaças como futuros aparentes e falsos? E esta elucubração sobre a possibilidade da racionalidade aparece por quê? Pode ela modificar o passado ou antecipar boas resoluções para o futuro? Posso eu ficar sossegado ao ver em retrospectiva as decisões passadas como boas decisões e que tudo estaria pior se tivesse optado pela outra alternativa? E no futuro, poderei eu decidir fora do âmbito do prazer ou do sofrimento e perceber que as coisas já acabaram e eu não sabia ou ainda não acabaram e eu também não sei? Nenhum sossego vem, contudo. Tudo é inquietação, porque achamos que somos o resultado da única alternativa possível. As coisas que fazemos por prazer admitem a abstenção. As que não fazemos por sofrimento admitem a motivação. Em qualquer dos casos, há alturas em que achamos que todas as nossas decisões

Tudo é inquietação, porque achamos que somos o resultado da única alternativa possível. As coisas que fazemos por prazer admitem a abstenção. As que não fazemos por sofrimento admitem a motivação

tomaram o curso errado. Mas a aparência de resolução desta possibilidade cai por terra, quando se multiplicam as decisões no âmbito de todas as frentes da vida. Só podemos ter uma vida e com ela há uma possibilidade infinita de vida que corre paralela a esta vida. Mas é só na nossa imaginação. Viver todas as vidas de todos os amores possíveis, viver em todos os países que vivemos, ter todos os trabalhos que gostaríamos ter tido, viver todas as aventuras possíveis. E, contudo, só há isto que podemos viver. Mesmo que nos multipliquemos não seremos artistas, sacerdotes, amantes ou lá o que pudemos ter sido e ser. Amamos muitas coisas na realidade e na imaginação, mas haverá um único verdadeiro amor? Porque achamos que é um único o verdadeiro amor e que é o amor a motivação intrínseca para sermos quem somos. Há amores infelizes e amores felizes, amores que dão prazer e outros que são duríssimos. Há assim as pessoas das nossas vidas e as relações que com elas temos e as actividade a que nos dedicamos e que nos definem. Mas que seremos sem essas pessoas todas? O que seremos sem as atividades que são as nossas vidas? O que seremos sem conteúdos? Posso ser sem biografia? Posso ser sem o conteúdo dos dias como se fosse uma tábua rasa de tudo sem nada? E poderíamos viver na indecisão? A não decisão tem consequências também. A angústia invalida até o horizonte em que as possibilidades de decisão ocorrem.


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8.6.2018 sexta-feira

ANÚNCIO [N.º 90/2018] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome

N.º do Boletim de candidatura Nome

N.º do Boletim de candidatura

LEI SE LIN

82201300218

HO IAO KAN

82201333440

LEONG CHIN FAI NG KAM SON LAM TAN FEI FONG MAN LUNG INACIO JERONIMO VICENTE

82201303308 82201333189 82201341403 82201314953 82201318942

82201319511 82201312938 82201320261 82201314519 82201316129

CHIU MEI MGO

82201321998

CHOI TONG HIO

82201303142

NG LAI SAN

82201307650

CHOI HONG IEONG CHOI KA LUNG CHAN U LOK VAI UN TENG

82201331471 82201323971 82201315150 82201319465

NG CHON U NG CHIO IEONG CHAN CHEK KEONG CHEONG MAN FAT CHONG CHONG CHON GAMOTEA EDWIN GUMARANG YIP PO LAI GUTANG MARIA ANA DANGAN CHEONG IOK SEONG LEE CHI MAN FONG MEI WAI ---

82201306023 82201311323 82201302380 82201309132 82201300606 82201330655 ---

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH Rua do Laboratório nº. 39, Edifício Cheng Chong, D  R/C, Macau, antes do dia 10 de Julho de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 6 de Junho de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos

Aviso 〔N.º54/2018〕 Assunto: Desocupação e demolição de barraca Local: Estrada da Barragem de Ká Hó n.o 22-04-02-044-001, em Coloane (assinalado no quadro anexo) São por esta via notificados os possuidores/utilizadores/terceiros incertos da barraca acima mencionada que, na sequência de deslocação ao local efectuada por este Instituto, verificou-se que a mesma se encontra abandonada por período superior a 45 dias, devem desocupá-la no prazo de 30 dias, a contar da data de publicação do presente aviso, nos termos da alínea e) do artigo 17.º, dos artigos 24.º e 28.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro, e pelo despacho do presidente do Instituto de Habitação, exarado na Prop. n.º 0707/ DHP/DFHP/2018, de de Junho de 2018. No caso de não desocupação da barraca, no prazo acima referido, a desocupação e demolição da mesma serão coercivamente efectuadas pela entidade competente e os encargos decorrentes da operação de demolição coerciva serão suportados pelos referidos indivíduos que violaram o citado diploma. Os utilizadores podem apresentar reclamação, sem efeito suspensivo, ao Presidente do Instituto de Habitação, no prazo de 15 dias, contados a partir da data da publicação do presente aviso, de acordo com o disposto nos artigos 148.º, 149.º e no n.º 2 do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro. Os utilizadores podem interpor recurso contencioso no Tribunal Administrativo, no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do presente aviso, nos termos do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro. Instituto de Habitação, aos 6 de Junho de 2018

O Presidente, Arnaldo Santos


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sexta-feira 8.6.2018

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 339/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora MIN JIE, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º W96197xxx e Passaporte da RPC n.° E27416xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 71/DI-AI/2016 levantado pela DST a 22.06.2016, e por despacho da signatária de 23.05.2018, exarado no Relatório n.° 318/DI/2018, de 30.04.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $220.000,00 (duzentas e vinte mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Cantão n.° 72-R, Edf. I San Kok, 8.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA CELEBRA O DIA DE PORTUGAL,

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 358/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora URBINA LYDIA NOVESTERAS, portadora do Passaporte das Filipinas n.° VV0226xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 28/DI-AI/2017, levantado pela DST a 07.02.2017, e por despacho da signatária de 24.05.2018, exarado no Relatório n.° 336/DI/2018, de 07. 05.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Avenida Dr. Sun Yat Sen (Taipa), n.° 325, Pou Long Fa Un, Bloco 3, Edf. Dragão de Ouro, 4.° andar B.--------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.----------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS 10 de Junho de 2018

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 24 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 367/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor WANG JUNJIE, portador do Passaporte da RPC n.° E34054xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 86/DI-AI/2016 levantado pela DST a 05.08.2016, e por despacho da signatária de 24.05.2018, exarado no Relatório n.° 346/DI/2018, de 10.05.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Xangai, n.° 75-D, Edf. I Keng Fa Un, I Pou Kok, 14.° andar I, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 24 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 386/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora JI YINFENG, portadora do Passaporte da RPC n.° E43145xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 134.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 13.11.2015, e por despacho da signatária de 29.11.2017, exarado no Relatório n.° 808/DI/2017, de 20.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 423, Praça Wong Chio, 3.° andar X, Macau.-------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A ASSOCIAÇÃO DOS MACAENSES CELEBRA O DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS


18 desporto

8.6.2018 sexta-feira

KARTING JOÃO AFONSO CORRE A PENSAR NO TOP TRÊS

Regresso à competição

O

Kartódromo de Coloane foi o local escolhido para o arranque do Campeonato Asiático da modalidade e Macau vai estar representado por João Afonso. Durante os três dias da primeira prova no território, o piloto vai ainda participar na corrida do Campeonato da China. “São as primeiras provas em que participo este ano, mas tenho a experiência acumulada dos anos anteriores. A nível físico tive uma preparação bem exigente e sinto-me apto para competir a nível físico e mental. Estou

ALAN LEUNG

Este fim-de-semana inicia-se a versão deste ano do Campeonato Asiático de Karting. O piloto local João Afonso arranca com ambições de conseguir um lugar entre os três primeiros

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preparado a 100 por cento”, disse João Afonso, ao HM. Em relação aos objectivos para o Asiático, o piloto de Macau quer terminar o campeonato, assim como a prova local, entre os três primeiros. Um objectivo que acredita poder concretizar, se não tiver problemas. “Com a experiência e o meu andamento, tenho como objectivo terminar entre os três primeiros. É um campeonato que conheço muito bem e acredito que é um objectivo realista”, acrescentou. Ao nível do Asiático, João Afonso vai participar na classe F125 SR Open/ X30 SR, que tem a corrida principal agendada para as 12h26. Os pilotos terão de cumprir 25 voltas ao circuito. Choi Kin Wa é o outro representante de Macau na prova. Esta é a primeira ronda do Asiático, que nesta edição conta apenas com quatro provas: duas em Macau, uma agora e outra em Dezembro, e outras duas rondas nas Filipinas, em Julho e Novembro.

TOP 3 NA PROVA CHINESA

Contudo, a actividade para João Afonso não se fica por aqui, e também no Domingo, o piloto a entra em acção, desta feita às 14h41, com a participação na corrida principal

do Campeonato da China. No total, o piloto vai ter de cumprir 15 voltas, na última prova do fim-de-semana. “Também no Campeonato da China espero andar entre os pilotos da frente, porque tenho muita experiência. É um campeonato onde corri muitas vezes, conheço bem os adversários e normalmente fico nos lugares da frente. O objectivo também tem de ser esse”, afirmou.

“Com a experiência e o meu andamento, tenho como objectivo terminar entre os três primeiros. É um campeonato que conheço muito bem.” JOÃO AFONSO PILOTO

No que diz respeito ao Campeonato da China de Karting, a cidade de Macau também só vai estar representada com dois pilotos. Wong Man Chong, colega de equipa de João Afonso na equipa Team 1 Racing, é o outro piloto a correr com a bandeira da RAEM. Esta prova marca igualmente o regresso à competição de João Afonso, depois de ser ter lesionado no ano passado, também no Kartódromo de Colaone. Na altura, o piloto foi atingido por trás por um karting, partindo uma costela. Contudo, terminou as duas provas em que participou, tendo sido 7.º numa das provas e 11.º na corrida do Asiático, depois de ter arrancado na posição 22 da grelha de partida. “Depois de seis meses dessa lesão estou óptimo. A confiança está em alta e sinto-me completamente preparado para regressar a correr”, concluiu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Liga de Elite Benfica de Macau pode chegar hoje ao título

O Benfica de Macau pode sagrar-se esta jornada campeão da Liga de Elite, pela quinta vez consecutiva. Para isso, as águias precisam de ganhar, hoje às 18h30, no Estádio de Macau, diante da Alfândega e esperar que o Chao Pak Kei não consiga vencer o Monte Carlo. A equipa que ocupa actualmente o segundo lugar entra em acção no sábado, às 18h30, também no Estádio de Macau. Neste momento, existe uma diferença de sete pontos entre as duas equipas, quando faltam quatro jornadas para disputar. Por sua vez, o Sporting de Macau defronta o Ka I, estando o encontro agendado para 20h30, de domingo.

Selecção Macau sobe um lugar no ranking FIFA

A selecção de Macau subiu ao lugar 185 do ranking FIFA, que foi actualizado ontem. A equipa da Associação de Futebol de Macau subiu uma posição, uma vez que anteriormente ocupava o 184.º lugar da tabela. No primeiro lugar está a Alemanha, posição que manteve. Por sua vez, Portugal está no 4.º lugar, não sofrendo alterações, e a China encontra-se no lugar 75, tendo caído dois lugares no ranking FIFA.


(f)utilidades 19

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TROVOADAS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

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CONCERTO “UPPERCUTZ X POMEGRANATESOUNDS PEARLRIVERDELTA TOUR” Live Music Association | Das 20h00 às 00h00

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30 1 4 3 9 2 5 6 8 JURASSIC 8 9WORLD:7FALLED1 KINGDOM [B] 7 2 4 5 5 3 8 6 9WALL6[C] 1 3 THE 6 7 9 2 3 8THE TALE 2 4 DESTINY: OF KAMAKURA [B] 4 1 5 7 SALA 1

Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryee Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

Um filme de: Doug Liman Com: Aaron Taylor-Johnson, John Cena 14.30, 16.30, 21.45

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki

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A

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2 7 6 8 5 PARK: FALLEN KINGDOM 3JURASSIC 4 1 7 9 5 6 3 4 2 8 CODE 1 GEASS 9 LELOUCH 6 OF3THE REBELLION II - TRANSGRESSION [C] 7 9 4 2 1 4 2 8 5 7 1 8 5 3 4 CHUNIBYO 9 LOVE 5 OTHER 7 DEKUSIONS 1 6[B] AND 6 3 2 9 8 Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15 SALA 3

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguehi Com: Jun Fukuyama, Takahiro Saurai, Yukana, Ami Koshimizu 14.30, 17.00, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tatsuya Ishihara 19.30

O CARTOON STEPH 31 DE

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33 2 3 8DISCO 1 7 5 6 3 6 14 HOJE UM 4 7 1 7 2 9 35 3 86 Faz 9 hoje 7 de 5 6um5quarto 83século 28 2 4 que esta pérola do rock inqualificável 3 5 6foi lançada 4 8 para9 1 27 gáudio dos melómanos. O 1 9 2disco 7 dos6 5 8 quarto estúdio 39de73 Faith No More é, para a gran7 5dos 4 1fãs, 5 o melhor 1 2 96 9 7de8maioria que a banda de São Francisco 6 9e um 8 35altos3 4 2 6 gravou 81dos pontos 5rock4dos anos 8 1990. 1 2As vo-7 9 3 4do calizações incríveis de Mike Patton, 7 3letras 2 surrealistas, 9 46 84 18 1 baixos carregados de groove,

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MÁ VIAGEM

GLOBAL WELLNESS DAY MACAU Hotel St. Regis | Das 9h00 às 18h00

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YUAN

VIDA DE CÃO

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O mundo tomou ácido e está a ter uma má “trip”. Os dias dos estadistas e do bom senso terminou há muito. Dias como estes levantam-me a crer que estamos entregues aos bichos, sem apelo nem agravo. O alucinado Dennis Rodman pode participar numa cimeira entre dois lunáticos egomaníacos armados com força nuclear. As lições do século passado teimam em desaparecer da memória como pesadelos difusos, o planeta é alegremente destruído em prol do lucro cego e um sentido saloio de nacionalismo envenena nações previamente consideradas civilizadas. A realidade derrete como os relógios do Dali contra a persistência da memória. Acho que estamos muito perto de enfrentar as demenciais possibilidades de termos um cartoon na presidência da Comissão Europeia, um holograma de anime a tomar conta dos destinos do Japão, um soldadinho de chumbo a dirigir a NATO, uma garrafa de Smirnoff no Kremlin e um galo de Barcelos em São Bento. Nesse sentido, precisamos de quem nos traduza o zeitgeist para linguagem humana. Precisamos de heróis como o Cesariny, o Breton, o Magritte, o Ken Kesey e o mundo musicado por Captain Beefheart e os Greatful Dead. Como diria o jornalista gonzo e vidente químico Hunter Thompson, e perdoem-me a anglofonice, “when the going gets weird, the weird turn pro”. Teremos de cavalgar estas ondas de medo e repugnância até que a viagem termine, na esperança que no final nos aguardem beijos redentores e sorrisos nos lábios. Apertem o cinto, porque a viagem promete ser violenta. João Luz

“ANGEL DUST” | FAITH NO MORE

guitarras ácidas, teclas que orquestram demência e uma bateria pesada constituem o ADN da banda. “Angel Dust” é um enorme disco. Sendo ingrato destacar faixas, seria impossível não mencionar hinos como “Caffeine”, “Midlife Crisis”, “Everything’s Ruined”, ou “A Small Victory”. João Luz

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com.mo

Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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8.6.2018 sexta-feira

“The cost of our success is the exhaustion of natural resources, leading to energy crises, climate change, pollution, and the destruction of our habitat. If you exhaust natural resources, there will be nothing left for your children. If we continue in the same direction, humankind is headed for some frightful ordeals, if not extinction.” Vital Dust: The Origin and Evolution of Life on Earth Christian de Duve

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S alterações climáticas são possivelmente o desafio ambiental mais significativo do nosso tempo e representa uma séria ameaça ao desenvolvimento sustentável no mundo e, mais ainda, na maioria dos países em desenvolvimento. O impacto das alterações climáticas afecta os ecossistemas, os recursos hídricos, a alimentação e a saúde. Assim, as políticas governamentais inter-relacionadas, devem ser projectadas para evitar conflitos no seu desenho e implementação. Existe uma ligação directa entre as alterações climáticas e a insegurança alimentar global, mais ainda nos países em desenvolvimento, onde as alterações climáticas agravadas com a pobreza exacerbaram os impactos. A fim de enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas, é necessário examinar os factores que contribuem para as mesmas e como tais, os que influenciam a produção de alimentos a nível global. Factores climáticos como a precipitação, evaporação, humidade e a duração do sol, formam a base para a melhoria da segurança alimentar. É necessário que os formuladores de políticas, comunidades e provedores de ajuda incorporem tecnologias baseadas em evidências de sistemas e conhecimento de alimentos. As tecnologias baseadas em evidências que são as que foram empiricamente testadas e usadas, incluem plantio directo, gestão integrada da fertilidade do solo, tecnologias de irrigação, como por exemplo a irrigação por gotejamento, melhoramento de sementes, captação de água, agricultura orgânica e incorporação do conhecimento local. O impacto de algumas das tecnologias pode ser visto à luz da melhoria global da produtividade de grãos, através do uso de tecnologias integradas de gestão da fertilidade do solo, chuva e do ambiente irrigado. As culturas de grãos tolerantes à seca, também podem ajudar a aumentar os rendimentos. Os resultados dos estudos realizados nesta área são pertinentes aos formuladores de políticas no campo da segurança alimentar e sustentabilidade dos meios de subsistência. As medidas de mitigação e adaptação devem ser eficazes, acessíveis e apropriadas

para a sustentabilidade e desenvolvimento ambiental. Tal controlo, defende a integração de sistemas convencionais baseados na agrociência, com o conhecimento tradicional da agricultura, a fim de mitigar a severidade das alterações climáticas e o seu impacto na segurança alimentar e na sustentabilidade dos meios de subsistência. A integração de agrociência e sistemas agrícolas tradicionais é importante para que a segurança alimentar seja sustentada. A expressão “alterações climáticas” significa a alteração do clima do mundo como resultado das actividades humanas através da queima de combustíveis fósseis, desmatamento de florestas e outras práticas que aumentam a concentração de “Gases de Efeito Estufa (GEE)” na atmosfera. Tal está de acordo com a definição oficial da “Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima UNFCCC (na sigla inglesa)”, que afirma que as alterações climáticas podem ser atribuídas directa ou indirectamente à actividade humana que altera a composição da atmosfera global e a variabilidade climática natural observada ao longo de períodos de tempo comparáveis. O “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)” define as alterações climáticas, como uma transformação no estado do clima que pode ser identificada por mudanças na média e ou na variabilidade das suas propriedades, e que persiste por um período prolongado, tipicamente décadas. As alterações climáticas são uma mudança sistemática nas principais dimensões do clima, incluindo a temperatura média e os padrões de vento e precipitação durante um longo período de tempo. No uso recente, especialmente no contexto da política ambiental, as alterações climáticas, geralmente, referem-se a mudanças no clima moderno. Pode ser qualificado como alterações climáticas antropogénicas, mais geralmente conhecida como aquecimento global ou “Aquecimento Global Antropogénico (AGW na sigla inglesa)”. É de considerar que devido à natureza predominante do efeito estufa melhorado na atmosfera, os seus efeitos ocorrem a nível global, regional e nacional. Tem havido evidências de aumento nas temperaturas globais que levaram às alterações climáticas a nível global, regional e nacional nos últimos cem anos. O aumento das temperaturas globais experimentadas ao longo do século passado, é o resultado da acumulação de GEE na atmosfera, levando ao aquecimento global. Utilizando modelos climáticos complexos, o IPCC, no seu terceiro relatório de avaliação, previu que a temperatura média da superfície global aumentará de 1,4 graus Célsius para 5,8 graus Célsius até ao final de 2100. Os múltiplos conjuntos de dados mostram essencialmente, a mesma tendência de aquecimento global nos últimos cem anos, com o aumento mais acentuado do aquecimento nas últimas décadas. A evidência das alterações climáticas induzida pelo ser humano vai além do au-

LES BETES SAUVAGES DANS LE DESERT 1975 BY SALVADOR DALI

O desafio das

mento observado nas temperaturas médias da superfície, pois inclui a fusão do gelo no Árctico, derretimento de geleiras ao redor do mundo, aumento da temperatura dos oceanos, incremento do nível do mar, acidificação dos oceanos devido ao excesso de dióxido de carbono, mudança nos padrões de precipitação e das funções do ecossistema e da vida selvagem. A produtividade agrícola reduzida com a escassez de alimentos, consequente, foi experimentada. Os estudos mostram que com menores concentrações de CO2, as plantas podem crescer mais e de forma rápida. No entanto, o efeito do aquecimento global pode afectar a circulação geral da atmosfera e, assim, alterar o padrão de precipitação global, bem como modificar os teores de humidade do solo em vários continentes. Houve um aumento no nível do mar observado em algumas partes do mundo

devido ao excesso de aquecimento do ar que causou a fusão em grande escala de coberturas de gelo, inundações de grandes proporções na Califórnia em 1999 e partes da costa ocidental da Índia nos últimos cinco a oito anos, que são testemunhos dos efeitos da elevação do nível do mar. É de atender que se o nível do mar subir oitenta a noventa centímetros, talvez muitas das cidades costeiras do mundo sejam arrastadas, além de grandes mudanças nos portos e suas instalações, rotas marítimas e na indústria pesqueira, bem como a perda de terras agrícolas férteis, ocasionada por inundações, impactos na segurança alimentar e meios de subsistência a nível doméstico e nacional. Existiu um aumento da seca e inundações a nível global e ironicamente, alterações no clima devido ao excesso de gases causadores do efeito estufa, estão a causar o aumento da seca


opinião 21

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perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

alterações climáticas

e das inundações. A actividade violenta das tempestades cresce à medida que a temperatura aumenta e mais água se evapora dos oceanos. Tal inclui a ocorrência de furacões mais poderosos, tufões e um aumento na frequência de tempestades e tornados considerados severos. As tempestades muitas vezes resultam em inundações e danos às terras agrícolas, causando insegurança alimentar. O aquecimento também causa a evaporação mais rápida em terras, levando à fome induzida pela seca. As alterações/mudanças nas estações e no carácter sazonal, ocorrem em todo o mundo devido à mudança na temperatura do ar e nos padrões de precipitação. Algumas estações foram reduzidas ou prolongadas. Os invernos estenderam-se em muitos locais, enquanto o verão é mais severo em outros lugares. O grau de confiabilidade diminuiu e o elemento

Muitas das pragas/doenças insignificantes, estão a atingir grandes proporções porque a composição da população microbiana é afectada pela mudança de temperatura e ciclos hidrológicos. Estes tiveram impacto na produção de alimentos e perda pós-colheita ocasionando escassez de alimentos e perda de meios de subsistência

de incerteza aumentou. Tal desorienta os agricultores das comunidades rurais que dependiam do conhecimento local na previsão de padrões climáticos para a produção de alimentos. As grandes mudanças ocorreram nos recursos hídricos do mundo, devido a perturbações nos ciclos hidrológicos. As zonas de chuvas intensas são gradualmente convertidas em áreas de baixa pluviosidade, com muitas áreas húmidas a serem transformadas em superfícies áridas e da mesma forma, a depleção de água subterrânea é alta e a recarga é muito baixa. Houve uma mudança nos ciclos de doenças/ pragas de plantas e animais. Muitas das pragas/doenças insignificantes, estão a atingir grandes proporções porque a composição da população microbiana é afectada pela mudança de temperatura e ciclos hidrológicos. Estes tiveram impacto na produção de

alimentos e perda pós-colheita ocasionando escassez de alimentos e perda de meios de subsistência. Os ecossistemas modificam e as alterações no clima farão que algumas espécies mudem de uma região para outra e, em combinação com outros factores de “stress” como o desenvolvimento, fragmentação de habitats e espécies invasoras, podem ter consequências negativas sobre a biodiversidade e os benefícios que os ecossistemas saudáveis ​​p roporcionam aos seres humanos e ao meio ambiente. O jacinto-de-água, uma espécie invasora no Lago Vitória, reduziu tremendamente as actividades pesqueiras com impacto nos meios de subsistência. As alterações climáticas afectarão sempre os meios de subsistência. A economia e o meio ambiente podem ser afectados como resultado das alterações climáticas, especialmente na ausência de contra medidas. Os impactos no sector da saúde afectarão as populações alterando o estado de saúde de milhões de pessoas, inclusive através do aumento de mortes, doenças e ferimentos devido a ondas de calor, enchentes, tempestades, incêndios e secas. O aumento da desnutrição, doenças relacionadas ao meio ambiente, como a cólera, disenteria, meningite, filariose linfática, febre-amarela, malária, tuberculose, entre outras, exercerão grande pressão sobre os recursos de saúde pública e as metas de desenvolvimento serão ameaçadas por danos de longo prazo à saúde. Torna-se necessário limitar o aquecimento global a 1,5 graus Célsius que poderá evitar cerca de três milhões e trezentas mil mortes de casos de dengue por ano, apenas na América do Sul e nas Caraíbas de acordo com uma nova pesquisa da “Universidade de East Anglia. (UEA)”. O novo relatório publicado na revista “Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS)”, a 28 de Maio de 2018, revela que limitar o aquecimento à meta do “Acordo de Paris”, também impediria a disseminação do dengue para áreas onde a incidência actualmente é baixa. A trajectória de aquecimento global de 3,7 graus Célsius pode levar a um aumento de até sete milhões e quinhentos mil de casos de dengue, adicionais por ano até meados deste século. A dengue é uma doença tropical causada por um vírus transmitido por mosquitos, com sintomas que incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares. É endémica em mais de cem países e infecta cerca de trezentas e noventa milhões de pessoas em todo o mundo anualmente, com uma estimativa de cinquenta e quatro milhões de casos na América do Sul e Caraíbas. Os mosquitos que transportam e transmitem o vírus prosperam em condições quentes e húmidas, sendo mais comum em áreas com essas condições climáticas. Não existe tratamento específico ou vacina para a dengue e, em casos raros, pode ser letal.


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SHIH-LIEN EUGENE YEN

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KAMYI LEE, ARTISTA DIGITAL

F

Da música às cores

OI na infância que Kam Ying Lee teve o primeiro contacto com o mundo das artes. As aulas de piano marcaram a jovem local, que com o passar do tempo trocou as teclas do piano pelos média digitais. Aos 27 anos, encontra-se em Los Angeles, a tirar um mestrado em Média Interactivos para Performance, e foi nos Estados Unidos que mostrou ao público os seus últimos trabalhos. “Sempre quis estar envolvida no mundo das artes desde a minha infância. Nessa altura, estava exposta principalmente à música porque aprendi a tocar piano. Mas com o passar do tempo desenvolvi um maior interesse pelas artes visuais, até que, na universidade, comecei a trabalhar com tecnologias digitais. Neste momento, a maior parte dos trabalhos que desenvolvo são focados nas componentes áudio e visual”, contou Kam Ying Lee, que tem como nome artístico Kamyi Lee. Antes de ingressar no Instituto de Artes da Califórnia, e quando ainda estava no território, optou, primeiro, por se licenciar em Comunicação na Universidade de Macau. Uma licenciatura que encarou como a melhor opção para se preparar para o que antevia como a carreira: “Decidi estudar artes porque é através dessa forma que quero exprimir e as minhas ideias. Quero que as pessoas compreendam o que vejo e o que quero partilhar”, contou.

a paginação de revistas locais, livros entre outros mais. “É uma área que sempre me interessou muito, ainda hoje me interessa, mas por agora estou mais focada nos meios digitais”, reconhece. “No fundo, o que tenho feito ainda está intimamente ligado ao design gráfico, só que estou a trabalhar com outros meios. Tenho um âmbito mais alargado, com outras plataformas”, frisou. Foi neste período, entre 2013 e 2014, que através da participação no Festival de Artes de Macau envolveu nos espectáculos “Mapping: Fabricado em Macau I e II” e “Um Sonho de Luz”. Os primeiros espectáculos projectaram imagens, combinadas com elementos áudio, sobre a Praça do Tap Seac e Casa do Mandarim, o segundo, em que desempenhou a função de assistente de produção aconteceu com a projecção de imagens sobre as Ruínas de São Paulo. “O espectáculo Um Sonho de Luz mudou um pouco a forma como vejo a zona das Ruínas de São Paulo. O projecto estava integrado no Festival de Artes de Macau, era uma grande equipa e tivemos cerca de 10 meses para prepará-lo. Envolveu muita pesquisa e isso permitiu-me ter uma melhor compreensão daquela zona”, reconhece Kam Ying Lee. “É uma das minhas zonas favoritas em Macau”, acrescenta.

DESIGN GRÁFICO

Com o avançar do tempo, Kamyi sentiu necessidade de se desafiar, seguir o seu caminho e continuou a desenvolver téc-

Concluídos os estudos, Kam Ying Lee focou-se essencialmente no design gráfico, com

MUDANÇA PARA OS EUA

nicas de trabalho. Por esta razão, decidiu mudar-se para os Estados Unidos. Mesmo que implicasse ficar sem trabalhar durante algum tempo. “Estava um bocado aborrecida em Macau, sentia que precisava de mexer um pouco com a minha vida e de me afastar para fazer um caminho meu. Também estou numa área em que nem sempre há projectos em Macau, por isso ir estudar para fora foi uma opção para me continuar a desenvolver”, sublinha. O facto de ter um irmão mais velho, fez com que a família aceitasse com naturalidade a mudança: “Sou a segunda filha e o meu irmão tem assumido o principal papel financeiro. Tenho sido a mimada da família e por isso os meus pais deixam-me fazer o que quero, desde que mantenha a independência financeira”, admite, em tom divertido.

SAUDADES DA CHUVA

Mas se o aspecto profissional e educativo tem entusiasmado Kamyi, que em dois anos desenvolveu seis projectos, alguns dos quais integrados no mestrado, por outro lado, a residente de Macau, nascida em Hong Kong, admite que sente saudades do território. “Tenho sempre muitas saudades, do ambiente da cidade, do mar, porque nos Estados Unidos vivo mais afastada do oceano, das pessoas e de falar cantonense de forma regular”, confessa, apesar de dominar fluentemente o inglês. “Nos pri-

meiros tempos foi difícil encontrar pessoas que falassem cantonense, e ainda hoje não conheço muitas. Portanto, acaba por haver essa saudade”, justifica. Nos últimos dias, com a passagem do tufão Ewiniar, ter saudades pode parecer estranho, contudo, Kamyi admite que depois de dois anos a viver quase num deserto, que se sentem bem nestas condições: “Tenho saudades da chuva, porque estou há dois anos quase numa zona de deserto e isso muda-nos perspectiva”, frisa. Foi também a chuva que serviu de inspiração para a sua última instalação em Los Angeles, que teve com o nome: The Peach Blossom Land. O trabalho consistiu numa série de chapéus-de-chuva com luzes LED, numa sala escura, presos ao tecto, que as pessoas podia mover à vontade. A partir do movimento das pessoas, as luzes mudavam também de cor, variando entre o vermelho, azul e verde. “A arte para mim tem de ser interactiva. É diferente ficar a apreciar um trabalho de forma passiva e poder mexer-lhe e interagir sobre ele. Para mim, é muito mais significativo envolver as pessoas”, explicou sobre o conceito. “Se estivermos de fora e virmos as pessoas a interagirem com a instalação, e eu fiz isso, há um significado especial. Para mim se fizer um trabalho e as pessoas não interagirem, não se envolverem, sinto que a exposição não está completa”, acrescentou. João Santos Filipe

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A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos. Platão

PALAVRA DO DIA

Diplomacia Chefe reunido com PM da Guiné Equatorial O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, reuniu-se ontem com o primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Francisco Pascual Obama Asue. Segundo um comunicado oficial, os dois líderes trocaram opiniões sobre a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e como potenciar o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Francisco Pascual Obama Asue veio a Macau para o 9.º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, no qual a

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Turquia anunciou ontem a suspensão do acordo bilateral de devolução de migrantes com a Grécia, em protesto pela libertação de quatro soldados turcos refugiados no país vizinho acusados de “golpismo” e cuja extradição era exigida por Ancara. O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu, anunciou a suspensão do acordo bilateral num encontro com os ‘media’na cidade de Antália, sul da Turquia, informou a agência noticiosa turca Anadolu. “Temos um acordo sobre migração com a União Europeia. Esse aplica-se. Também temos um acordo com a Grécia para o reenvio [de migrantes]. Este acordo de reenvio foi agora suspenso”, disse o ministro. Çavusoglu explicou que a medida constitui uma reacção à libertação pelas autoridades helénicas de quatro dos oito militares que fugiram da Turquia para a Grécia de helicóptero durante a noite do fracassado golpe militar de Julho de 2016. A Turquia exigia a extradição dos militares para serem julgados por “golpismo”, que já implicou a prisão perpétua para centenas de acusados, mas a justiça grega rejeitou o pedido ao argumentar a não existência de garantia sobre um julgamento justo em território turco. Um dos soldados – foram já todos libertados – obteve asilo político e prevê-se que aos restantes lhes seja atribuído em breve, decisão que motivou enérgicos protestos em Ancara e acusações a Atenas de “proteger golpistas”. PUB

UE PROCESSO DE INFRACÇÃO A ESPANHA E POLÓNIA EM MATÉRIA NUCLEAR

Guiné Equatorial participa pelo terceiro ano consecutivo. Chui Sai On destacou que a RAEM e a Guiné Equatorial têm a língua portuguesa como idioma comum, e, por isso, acredita que em diferentes fases da participação da RAEM na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e no desenvolvimento de “Um Centro, Uma Plataforma”, existe espaço de cooperação com aquele país, no âmbito do desenvolvimento do sector de turismo e do diálogo e intercâmbio cultural e humano, segundo a mesma nota oficial.

DIPLOMACIA TURQUIA SUSPENDE ACORDO COM A GRÉCIA SOBRE MIGRANTES

sexta-feira 8.6.2018

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Manifesto surrealista

Dennis Rodman pode participar na cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un

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an tig o jogador da NBA e concorrente do “The Celebrity Apprentice”, apresentado por Donald Trump, pode ser o elemento surpresa no histórico encontro entre os líderes norte-americano e norte-coreano, que se realiza no dia 12 de Junho, em Singapura. Rodman visitou a Coreia do Norte cinco vezes e é um improvável amigo de Kim Jong-un, uma vez que o líder do país mais isolado do mundo é um fã da NBA, em particular dos Chicago Bulls. A presença de Rodman no encontro não foi oficialmente confirmada por nenhuma das partes, mas uma fonte explicou ao The New York Post que “muitas vezes, em casos diplomáticos complexos, os países procuram encontrar embaixadores de boa vontade [que ajudem na aproximação”. “Quer se goste ou não,

Dennis Rodman preenche todos os requisitos”, disse a mesma fonte ao referido jornal. Outro dos agentes da ex-estrela da NBA, Chris Volo, que acompanhou Rodman em quatro das cinco visitas realizadas a Pyongyang, revelou ao The Washington Post que o jogador “adorava ir, mas que existem alguns detalhes logísticos a tratar antes de confirmar a viagem”. Volo referiu ainda que acredita que Dennis Rodman ficaria muito feliz perante a oportunidade de marcar presença na cimeira de Singapura, para “prestar apoio moral”. O polémico ex-atleta é um dos poucos ocidentais com “livre acesso” à Coreia do Norte. A primeira das cinco vezes que visitou Pyongyang foi em 2013 e, na altura, considerou o líder norte-americano “um amigo para a vida”. Rodman descreveu sempre as suas

viagens como sendo “diplomacia de basquetebol” e, em Junho do ano passado, disse que “tentava apenas abrir a porta” a um entendimento entre os dois países com a sua presença na Coreia do Norte. O fascínio da família Kim com a NBA já tem alguma história. Há 18 anos, no final de uma histórica visita à Coreia do Norte, a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, ofereceu a Kim Jong Il, pai do actual líder, uma prenda inesperada: uma bola de basquetebol assinada por Michael Jordan, a icónica estrela dos Chicago Bulls. O agente de Dennis Rodman, Darren Prince, revelou ontem à CNN que apesar de “ainda não haver planos, ou voos marcados” o antigo jogador de basquetebol está a considerar viajar para Singapura, até porque é a única pessoa no mundo que conhece os dois chefes de Estado.

Comissão Europeia (CE) abriu ontem um procedimento de infracção a Espanha e Polónia para instar a que seja completa a introdução nas suas legislações nacionais da directiva europeia em matérias de segurança nuclear. Espanha e Polónia dispõem de dois meses para responder à carta enviada pela CE e, se não o fizerem ou suas explicações não forem consideradas satisfatórias por Bruxelas, o procedimento pode prosseguir com um pedido formal para apresentar medidas concretas e, eventualmente, o caso acaba nos tribunais europeus. A União Europeia (UE) emendou a directiva sobre segurança nuclear em 2014, depois de realizar testes de resistências nos países, na sequência do acidente nuclear de Fukushima e para o cumprimento das exigências de organizações internacionais. O prazo para introdução nas legislações nacionais da directiva europeia sobre segurança nuclear terminou em Agosto do ano passado. Estas normas reforçam a prioridade que se dá à segurança em todo o ciclo de vida das centrais nucleares e, entre outras coisas, exigem uma reavaliação da segurança de todas as estações pelo menos uma vez a cada 10 anos, reforçando o poder dos reguladores nacionais e a sua independência dos Governos e permitir que alguns Estados avaliem o que os outros fazem. Em Dezembro, a CE abriu um procedimento de infracção à Bélgica pelo mesmo motivo que a Espanha e Polónia. Por isso, a CE deu mais dois meses à Bélgica, sob pena de levar o caso ao Tribunal de Justiça da UE.

Hoje Macau 8 JUN 2018 #4068  

N.º 4068 de 8 de JUN de 2018

Hoje Macau 8 JUN 2018 #4068  

N.º 4068 de 8 de JUN de 2018

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