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MOP$10

MACAU, PARAÍSO ARTIFICIAL ENTREVISTA

TÁXIS

TRÍADES AO VOLANTE PÁGINA 4

SEGURANÇA NACIONAL

POLÍCIA DENTRO DA POLÍCA

Cerca de metade das empregadas domésticas de Macau não serão abrangidas pelo “desconto” relativo ao aumento das taxas de parto no hospital público. Quem ganhar acima de 4.050 patacas terá de suportar um acréscimo de nove vezes a taxa em vigor, em vez de desembolsar “apenas” o triplo dessa quantia para dar à luz em Macau. PÁGINA 8

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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PÁGINA 5

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A meia verdade de Alexis

JOSÉ DIAS

TIAGO ALCÂNTARA

hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

TERÇA-FEIRA 8 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4046

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

JOSÉ DIAS

Chegou a Macau em 1990 e trabalhou até 2008 no Instituto de Habitação. O arquitecto José Dias lamenta que a qualidade das habitações públicas tenha piorado, sobretudo ao nível da área reduzida dos apartamentos. Em relação ao campus da Universidade de Macau, José Dias defende que o projecto está longe de ser moderno, além de ter fragilidades ao nível de esgotos, água e electricidade

“[Nos anos 90] Era mais fácil dominar a situação [do planeamento de casas públicas] e o corrupto não intervinha, ficava calado na sua secretária.”

“Corrupção começa nas obras públicas” Falou do ambiente artificial que existe em Macau. Quando aqui chegou, alguma vez pensou que o território iria desenvolver-se desta maneira, ou que os arquitectos teriam de trabalhar, na sua maioria, com este tipo de ambiente artificial? Estava em Moçambique e recebi uma oferta para trabalhar em Macau. Nessa altura a presença portuguesa era mais acentuada. Não é que não se soubesse o que ia acontecer. E depois da transição as coisas mudaram instantaneamente. Lembro-me de ter alugado um apartamento que estava à venda por 500 mil patacas, um T4. Em 2000 a casa valia uns quatro ou cinco milhões de patacas. É curioso que tudo isso se está agora a debater. Hong Kong está, neste momento, a debater a injustiça dos ricos elevarem os preços das rendas e pede-se que o Governo interfira, porque pode interferir, controlar o crescimento. Isto nasce do sistema democrático, que é livre, mas depois verificamos que a liberdade é fictícia, porque é livre à custa dos que estão bem instalados e que até fizeram os seus negócios e se sacrificaram, mas são ricos. Há outros que não o são e cada vez têm menos possibilidades. Em Hong Kong há também o debate em torno da dimensão reduzida dos apartamentos, e há cada vez mais pessoas a viver em gaiolas. Acredita que o mesmo pode acontecer em Macau? Já existe esse problema. Há muita pouca racionalização, tanto em Hong Kong como em Macau, no que diz respeito ao crescimento. Não há controlo deliberado, age-se por emergência e não há um plano que controle o desenvolvimento do jogo, por exemplo. Tem alguma expectativas positivas em relação aos novos aterros? Acredita que poderá trazer algum desenvolvimento sustentável? Vai acontecer o mesmo que já aconteceu: tudo começa por estar regularizado e depois começa a ser empolado. Isso tudo vai diminuir a disponibilidade de área livre. Em primeiro lugar começam por

ocupar o mar, mas nunca sabemos até onde vai esta tentação, e há uma perspectiva de agravamento. As coisas não vão mudar e podem até agravar-se, porque vai permitir-se mais população, e os mesmos espaços de Macau vão ser ocupados pelo dobro das pessoas, e isso tem consequências imprevisíveis. Macau é uma cidade com muitas fragilidades e a construção em altura não está a ser ponderada devidamente. É um paraíso artificial, digamos assim. Em que sentido? Estamos constantemente sujeitos a surpresas. Veja isto [referindo-se ao campus da Universidade de Macau]. É um quilómetro quadrado entregue a Macau, mas aparentemente, porque está a ser manipulado pela China. Não se percebe, porque se as pessoas tivessem mais discernimento, fariam com que isto tivesse uma maior apetência. [Macau] é um tesouro que se vai extinguir, como Hong Kong. Considera então que Macau vai desaparecer. O mais natural é que seja absorvido, porque são apenas 700 mil pessoas perante mais de um bilião de pessoas [a residir na China]. Isto não é nada e desaparece, de um momento para o outro. Basta uma perspectiva diferente, um plano de acção diferente para se extinguir, pura e simplesmente. Refere-se também à extinção da cultura e do património? Sim, com prejuízo para a China. Portugal é a Europa e para a China é um relacionamento fácil. Podemos ficar num cantinho a pensar em Macau, mas é uma coisa temporária. Das duas uma: ou há uma perspectiva criativa, optimista, ou então há uma perda de toda a identidade criada. Ainda sobre a altura dos edifícios. O Governo português soube travar muitas das situações que o Governo chinês não está a conseguir travar? Penso que não. A China tem de intervir para que se cumpra a Lei Básica, porque entregar passiva-

mente [projectos] a novos profissionais sem assegurar a qualidade da intervenção é um pouco perigoso. Refiro-me a questões técnicas e à competência profissional, que é preciso salvaguardar. Não houve nenhuma intervenção de Macau neste projecto, por exemplo [referindo-se ao campus da Universidade de Macau]. Lamenta que este campus... Não seja mais moderno. Não se vincula à modernidade, na sua linguagem é um projecto neoclássico. Mas fundamental seria o respeito pelas regras da construção, sobretudo ao nível do fornecimento de água, esgotos e electricidade. São coisas fáceis de fazer se houver uma fiscalização íntegra.

“Há muita pouca racionalização, tanto em Hong Kong como em Macau, no que diz respeito ao crescimento.” Voltemos à sua vinda para Macau. Foi convidado pelo Instituto da Habitação e acompanhou o processo de construção de habitações públicas. Habitação económica, sobretudo. Comparando essa altura com a actual, acha que... Agravou-se a qualidade das habitações. O espaço foi reduzido e hoje é possível ocupar uma sala se estendermos os dois braços. Na altura, havia uma lei portuguesa, já ultrapassada, que estabelecia as áreas, mas esse decreto-lei foi alterado, para pior, e as áreas foram diminuídas. Havia um risco de manipulação que se agravou depois da transferência de soberania e não há nenhuma perspectiva de melhoria da habitação. Posso concluir que não lhe agrada o empreendimento de Seac Pai Van. É pior em termos de área. Mas isto também tem o consentimento das

pessoas, porque a população em geral não tem uma consciência. Mas os que acompanham as questões da Administração Pública sabem. E não se perspectiva nenhuma melhoria das condições. Aqui [no campus da UM], por exemplo, estamos numa criação nova. Há espaço desafogado, mas se formos ver as habitações lá dentro, não têm, por exemplo, sifões nas casas de banho, e isso leva a que haja maus cheiros. A qualidade da construção deste campus tem sido, aliás, bastante questionada. Poderia ter-se feito muito melhor? É evidente, sobretudo nestes aspectos que podem ser subvertidos. Quais eram as directrizes para a construção de habitação pública quando chegou a Macau? Actualmente, há muitas queixas sobre o planeamento do Governo a esse nível. Na altura, esse planeamento era melhor? Era, simplesmente porque havia menos procura. Era mais fácil dominar a situação e o corrupto não intervinha, ficava calado na sua secretária. As ofertas em termos de corrupção são sempre feitas na altura de [elaboração do projecto]. Observou casos em concreto? Nunca observei nenhum caso porque sempre que via alguma situação que estava contra a lei eu não aprovava, chamava a atenção e mandava alterar. A corrupção não é facilmente visível, e começa logo nas obras públicas, que não fazem o controlo do projecto. Vejo o projecto, corrijo o que está errado e segue, mas ele não vai ser feito como está, vai ser alterado e é aí que se dá a corrupção. O construtor alinha com as obras públicas e arranja maneira de subverter a situação. Mas isso acontece em todas as áreas. Há uma crítica constante em relação ao funcionamento das obras públicas. Acredita que algo pode mudar ao nível da celeridade de aprovação de projectos? É sempre possível, e isso começa nas hierarquias. Se há fenómenos exteriores que denunciam situações extremamente graves, as pessoas

SOFIA MARGARIDA MOTA

ARQUITECTO E EX-FUNCIONÁRIO DO INSTITUTO DA HABITAÇÃO


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assunto poderia ser resolvido de outra maneira, negociando a remodelação dos edifícios no chamado casco velho, ou zona antiga da cidade. Há uma comissão que regula essa intervenção, mas penso que é pouco eficaz e não se tem feito quase nada para a reabilitação da construção antiga.

“Aqui [no campus da UM], por exemplo, estamos numa criação nova. Há espaço desafogado, mas se formos ver as habitações lá dentro, não têm, por exemplo, sifões nas casas de banho, e isso leva a que haja maus cheiros.” Que projectos da sua carreira destaca? Fiz sobretudo muita obra em Moçambique, onde nasci, em Nampula, e também Maputo e Lourenço Marques. Aliás, a minha última obra foi aí, com um projecto de nove habitações de rés-do-chão e primeiro andar. Era mais fácil fazer arquitectura nas ex-colónias? Claro que era, mas não havia muito trabalho a fazer. Este trabalho foi pedido por um serviço de manutenção de estradas. Em Nampula construí alguns edifícios em altura, mas apenas com três andares. Precisava de um novo desafio na sua carreira, e foi por isso que aceitou Macau? Sim, estava tudo muito paralisado e as condições de manutenção não eram fáceis. entram em pânico e tomam medidas. Ninguém faz a denúncia porque é lesado por isso. Esta é uma situação generalizada. Macau e Hong Kong sofrem as consequências de uma alta pressão da China, a que esta está sujeita também. A China alterou-se profundamente nos últimos anos e o que acontece é que está sob alta pressão de 1.4 bilião de pessoas. Como era ser arquitecto na altura em que chegou? Apesar de ter estado na Função Pública, fazer arquitectura era mais desafiante? Claro. O arquitecto português vem de fora e vem com uma cultura e experiência determinada. Alguns primam pela isenção e há outros

que aproveitam as oportunidades de singrarem e ganharem mais dinheiro. Isso agravou-se desde essa altura para cá e o arquitecto passou a ter menos influência. Ainda agora houve uma exposição sobre o trabalho de José Maneiras, e ele seguiu as regras da escola do Porto, e procurou fazer o melhor possível dentro das suas possibilidades. Mas teve de enfrentar desafios, nomeadamente de quererem alterar coisas nos seus projectos indevidamente. Mas isso não quer dizer que as novas gerações sejam piores. Actualmente é difícil fazer arquitectura de autor, fora destes grandes projectos ligados ao jogo?

É difícil intervir quando já estão estabilizados certos núcleos. Há uma série de equipas que trabalham e que são independentes e que têm fornecimento de trabalho de forma regular. E essas equipas são sempre as mesmas, as que se estabilizaram e encontraram formas de sobreviver. Falo do Bruno Soares, Maneiras, Carlos Marreiros, o Rui Leão e a esposa. Cada vez há menos construção mas, por outro lado, isso não é bem assim, porque ela surge pelos novos aterros ou pelas alterações que são solicitadas. Agora solicitei junto das obras públicas um cartão para exercer a actividade, e tenho esse cartão, mas até agora procurei trabalho e tenho tido alguma dificuldade.

Tem, portanto, vontade de regressar. Do que tem mais saudades? Talvez agora nesta altura fosse mais aliciante fazer acompanhamento de obra. Há sempre inovações e realizações no processo de construção. Considera que faltou planeamento para o futuro, ao nível de habitação pública, tendo em conta o crescimento populacional que se verificou em Macau? Está em curso a construção dos novos aterros, sobretudo o mais importante para a habitação pública [zona A]. Isso vai estabilizar e proporcionar mais habitação económica, mas penso que este

A Associação de Arquitectos de Macau e outras entidades têm feito o suficiente para preservar a memória da arquitectura portuguesa em Macau? Deve-se salvaguardar, de uma forma geral, os empreendimentos e chegou a fazer-se algo sobre o trabalho de Manuel Vicente, e agora sobre José Maneiras. É sempre possível fazer um levantamento urbano. Pode-se sempre fazer mais alguma coisa. Cheguei a escrever sobre a [importância] da intervenção e preservação no casco velho [zona antiga da península]. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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8.5.2018 terça-feira

CHUI SAI ON GOVERNO INCENTIVA INTERCÂMBIO ENTRE JOVENS DA REGIÃO E DO CAMBOJA

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volvidos na iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", o Chefe do Executivo anunciou que o Governo irá apoiar os jovens cambojanos a prosseguirem os seus estudos em Macau. O anúncio foi feito no discurso de abertura da "Mesa Redonda entre jovens de Macau e do Camboja", no qual Chui Sai On sublinhou

a importância de todos os sectores trabalharem para maximizar "o aproveitamento da inovação e o espírito de esforço da nova geração". O responsável máximo de Macau enfatizou o empenho do território em aprofundar o intercâmbio para uma maior "fluidez das trocas comerciais, com

vista a "uma maior interactividade e oportunidades de emprego para ambas as populações". Por fim, Chui afirmou que Macau irá continuar a desempenhar a sua função de plataforma de serviços e comércio e a explorar com o Camboja o mercado dos países que se encontram

na rota da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa "Faixa económica da rota da seda e a Rota da seda marítima do século XXI", mais conhecida como "uma Faixa, uma Rota", está avaliada em 900 mil milhões de dólares, e visa reactivar as

antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático. Redes ferroviárias intercontinentais, portos, aeroportos, centrais elétricas e zonas de comércio livre estão a ser construídos em mais de 60 países, abrangendo 65 por cento da população mundial.

TIAGO ALCÂNTARA

Chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, apelou ontem ao intercâmbio entre jovens do território e do Camboja, país que participa na iniciativa chinesa "Uma Faixa, Uma Rota". No primeiro dia de uma visita ao Camboja e à Tailândia, onde espera aprofundar a cooperação com os países en-

Condenações por crimes contra a vida, integridade física ou autodeterminação sexual, entre outros, passam a impedir o acesso à profissão de taxista. A comissão da Assembleia Legislativa quer saber porque razão o crime de associação criminosa não faz parte da lista

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proposta da nova lei que regula o sector dos táxis prevê um aumento no tipo de crimes que impedem o acesso à profissão. Contudo, os deputados da comissão permanente da Assembleia Legislativa que está a analisar o diploma querem perceber a razão de crimes como associação criminosa não fazerem parte da lista elaborada pelo Executivo.

TÁXIS DEPUTADOS EXIGEM EXPLICAÇÕES SOBRE CRIMES NO ACESSO À PROFISSÃO

Excepções mafiosas De acordo com a legislação em vigor, as pessoas que tiverem cometido um crime no exercício da condução ou um crime que implique a inibição de conduzir no últimos dois anos, não podem ser taxistas. Porém, a nova proposta inclui a prática dolosa de crimes contra a vida, integridade física, contra a liberdade pessoal, liberdade e autodeterminação sexual, contra a propriedade, assim como crimes ligados ao terrorismo, tráfico de estupefacientes, entre outros. Ou seja, os condutores que tiverem cometido este tipo de crimes, com sentença transitada em julgado, ficam impedidos de aceder à profissão. A excepção é se tiver havido reabilitação. Já o período de inibição de conduzir passa a impedir o acesso ao posto de taxista, caso tenha sido aplicado nos três anos anteriores ao pedido de carta de condutor de táxi, ou seja o período cresce de dois para três anos. No entanto, os deputados querem saber a razão do Governo ter

deixado alguns crimes mais graves de fora da lista, como o crime de associação criminosa. “Actualmente, a lei não é tão rigorosa ao nível dos crimes que não permitem o acesso à profissão. Mas a nova lei tem um número maior de crimes. Enquanto comissão, ainda não temos uma posição sobre se apoiamos esta medidas”, afirmou o presidente da 3.ª comissão permanente, Vong Hin Fai. “Queremos saber a razão de terem sido escolhidos estes crimes, em vez de outros mais graves, como a associação criminosa”, acrescentou. Ainda em relação a este aspecto, Vong Hin Fai admitiu que os deputados querem perceber se o facto da profissão ficar impedida a certo tipo de criminosos, não fará com que a reabilitação dessas pessoas e reintegração na sociedade não ficará mais complicada.

HORAS DE TRABALHO

Outra das dúvidas da comissão incide nas horas de trabalho que

“Queremos saber a razão de terem sido escolhidos estes crimes, em vez de outros mais graves, como a associação criminosa.” VONG HIN FAI PRESIDENTE DA 3.ª COMISSÃO PERMANENTE

os taxistas pode fazer por dia. Segundo a lei vigente, os taxistas podem trabalhar 10 horas seguidas, sem contar com as pausas para refeições. A nova proposta reduz o número para nove horas. Contudo, a Lei das Relações Laborais diz que os trabalhadores não devem cumprir mais de oito horas diárias. “A comissão questiona a razão de serem definidas na nova lei nove horas de trabalho, mas na Lei das Relações Laborais serem oito. Vamos questionar

o Governo sobre este aspecto”, indicou o presidente da 3.ª comissão permanente. Ainda neste aspecto, em caso de infracção é aplicada uma multa de 3 mil patacas. O documento não explica de forma clara quem é o responsável pelo pagamento: “Queremos saber quem vai pagar a multa, porque a Lei das Relações Laborais implica nestes casos também um pagamento para os patrões. Será que a multa pode ser aplicada ao empregador?”, explicou Vong Hin Fai sobre a dúvida. Outra novidade no documento proposto pelo Executivo passa pela obrigação dos taxistas terem seis horas para entregarem às autoridades um objecto esquecido pelos passageiros na viatura. Os deputados questionam a base legal para esta imposição. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 8.5.2018

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FP TURNOS DE SEIS HORAS INCLUEM 30 MINUTOS DE DESCANSO

Pausa incluída

Os trabalhadores que trabalham no regime por turnos da função pública podem fazer uma pausa de trinta minutos. O período de descanso será incluído nos turnos com duração de seis horas. Apesar de haver deputados que exigem o nivelamento de direitos entre algumas carreiras do regime de especial, nomeadamente no que respeita a condições de dispensa de trabalho por turnos, o Governo não considera ainda oportuno avançar nesse sentido TIAGO ALCÂNTARA

S turnos de seis horas de trabalho vão incluir um período de descanso não superior a meia hora. A garantia foi dada pelo Governo ontem em sede de comissão onde está a ser discutida na especialidade a alteração aos estatutos dos trabalhadores da função pública. Os deputados que constituem a 3ª comissão permanente mostraram-se preocupados por considerarem que os turnos de seis horas não estavam em consonância com as disposições previstas na Lei Laboral que "prevê que o trabalho consecutivo não seja superior a cinco horas". Em resposta, o Governo afirmou que cada turno terá a duração de seis horas, uma frequência de seis turnos por semana, sendo que em cada dia de trabalho por turnos, os trabalhadores têm 18 horas de descanso. Acresce ainda o facto da própria lei salvaguardar que os turnos de seis horas implicam uma interrupção de 30 minutos que conta como horário de trabalho. “As interrupções para repouso ou refeições por parte dos trabalhadores da função pública dentro do regime de turnos, desde que não superem os trinta minutos, consideram-se incluídas no período de trabalho”, referiu o presidente da comissão, Vong Hin Fai. "Isto quer dizer que, dentro do turno de seis horas, há um período máximo de 30 minutos que é cedido

“Dentro do turno de seis horas, há um período máximo de 30 minutos que é cedido ao trabalhador para repouso ou para refeições, e que está incluído no tempo de trabalho.”

ao trabalhador para repouso ou para refeições, e que está incluído no tempo do trabalho”, reiterou.

REGIMES ESPECIAIS DE FORA

Ainda dentro do trabalho por turnos a comissão questionou o Governo se seria possível aplicar na proposta em análise as condições que são dadas aos regimes especiais relativos às carreiras de auxiliar de saúde e de enfermagem. O regime que regula estas profissões prevê que as trabalhadoras grávidas a partir do quarto mês, os trabalhadores com idades acima dos 50 anos ou que tenham filhos com idade inferior a um ano, possam requerer a dispensa do exercício de trabalho por turnos. No entanto, “os representantes do Governo consideram que, nesta fase, não é adequado incluir os casos que se inserem dentro dos regimes de carreira especiais no regime geral dos trabalhadores da função pública”, apontou Vong Hin Fai. De acordo com o Executivo, explicou o presidente da 3ª comissão permanente, “as carreiras de auxiliar de saúde e de enfermagem têm nas suas remunerações incluída a vertente de trabalho por turnos e as suas condições”, referiu. No regime geral, apesar de não ficar escrito no diploma "se o funcionário por algum motivo não puder fazer os turnos, pode pedir ao seu superior que seja dispensado deste regime ao seu superior”, disse Vong. Os deputados da comissão permanente que analisa o diploma pediram ainda ao Governo que ficasse esclarecido no diploma que “o trabalho por turnos exige um esforço acrescido no desempenho das funções”, sendo que o Executivo afirmou ponderar a inclusão desta premissa na proposta final. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

VONG HIN FAI DEPUTADO

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Polícia Judiciária vai criar um entidade específica na Polícia Judiciária para implementar a lei relativa à defesa do Estado. Esta é a hipótese que está em cima da mesa, de acordo com as declarações do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, à margem de uma cerimónia de juramento de chefes assistentes do Corpo de Bombeiro. O secretário defendeu a necessidade de ser criado um departamento dentro da PJ só para lidar com os casos que envolvem a segurança do Estado, mas que esse

Estado quase policial

Vai ser criada uma entidade dentro da PJ para garantir Segurança do Estado

passo precisa ainda de ser discutido no seio do Conselho Executivo e na Assembleia Legislativa. A criação desta entidade específica tem inspiração na Comissão de Segurança Nacional, que existe no Interior da China. No que diz respeito à segurança do estado, Wong sublinhou que é necessário mais diplomas, como a lei antiterrorismo e a lei de sigilo. O primeiro documento está pronto, disse Wong, e

depende dos Serviços para a Administração e Justiça para que vá a consulta pública. Wong Sio Chak abordou ainda a questão da vigilância das escutas e aplicações móveis e explicou que “a intercepção de comunicações telefónicas é um instrumento de investigação criminal” e que a sua utilização não se trata de curiosidade. De acordo com o secretário, a vigilância apenas acontece “havendo um procedimento

legal a cumprir, nomeadamente tem de ser ordenada ou autorizada por despacho do juiz”. O ex-director da PJ fez também questão de sublinhar que a utilização de escutas é “uma prática comum na investigação”.

MAIS DO QUE ESCUTAS

Sobre este assunto, Wong Sio Chak clarificou que as técnicas de investigação não se resumem apenas a escutas telefónicas, mas vão

igualmente abranger “todo o tipo de dispositivos”, dando a entender as aplicações móveis e as novas tecnologias de comunicação. Por outro lado, o secretário prometeu que os critérios de acesso às comunicações vão manter-se inalterados, admitindo, porém, que haja intercepção de comunicações em caso de difamação por telefone ou importunação. O dirigente justificou as alterações à lei com a necessidade da polícia “fazer face ao desenvolvimento de telecomunicações, através do recurso a tecnologia de

ponta”. A consulta pública sobre a nova lei deverá acontecer a partir de Julho ou Agosto. Sobre a questão dos agentes da PSP que se queixaram à Novo Macau por não terem direito a folga, quando trabalham em feriados, Wong Sio Chak apontou que os agentes estão sob a alçada de um regime diferente dos restantes funcionários públicos e que não são compensados com dias de dispensa mas com uma remuneração suplementar mensal. João Santos Filipe

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O Governo está a ponderar a criação de um subsídio para as trabalhadoras locais de forma a apoiar as pequenas e médias empresas no pagamento de mais dias de licença de maternidade. A conclusão consta no relatório da consulta pública relativo à revisão da lei laboral PUB

8.5.2018 terça-feira

Gravidez comparticipada Governo pondera subsídios para residentes para apoiar pequenas e médias empresas

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S T Á concluído o processo de consulta pública relativo à revisão da lei laboral, pelo menos, em alguns pontos. Ontem foi divulgado o relatório e pode ler-se que o Governo está aberto à criação de subsídios para trabalhadoras grávidas, mas apenas para as que são portadoras de bilhete de identidade de residente. “Daremos início ao trabalho [do aumento do número de dias de licença de maternidade] sob a premissa de ter em consideração os direitos e interesses das trabalhadoras e a capacidade de sobrevivência das empresas. No que se refere à remuneração da licença de maternidade, poderemos proporcionar um subsídio aos trabalhadores locais”, refere o documento. O relatório revela que 91,9 por cento daqueles que apresentaram a sua opinião concordam com o aditamento de 14 dias de faltas justificadas às mães, após estas gozarem os 56 dias de licença de maternidade já previstos por lei. A concessão do subsídio foi um dos pontos sugeridos durante a consulta pública.

“Algumas opiniões consideram que deve ser o Governo e o empregador a suportarem o prolongamento da licença de maternidade, sugerindo que deveria ser o empregador a conceder as férias, e o Governo a pagar a remuneração do prolongamento da licença de maternidade.” Foi também sugerido que sejam os cofres públicos, através do Fundo de Segurança Social (FSS), por exemplo, a suportar o pagamento de cinco dias de licença de paternidade. Contudo, o Executivo não se pronunciou sobre esta matéria. “Existem ainda opiniões que consideraram que o número de dias de licença de paternidade pode ser prolongado, assumindo o Governo e o empregador o respectivo encargo. O empregador

autoriza a licença de paternidade, mas o Governo é o responsável pela remuneração.” Quem defendeu esta posição acredita que, se for o Governo a suportar este custo, tal “não afecta as regalias do trabalhador como também não aumenta os encargos das micro, pequenas e médias empresas”. Um total de 93,2 por cento das pessoas que participaram na consulta pública concordam que deve ser criada a licença de paternidade. Contudo, houve vozes que defenderam que a medida seja aplicada apenas a residentes. “Algumas opiniões indicaram que o trabalhador deve ter o direito ao gozo da licença de paternidade remunerada depois de reunir alguns requisitos, como ter um casamento legal, o parto do cônjuge ter ocorrido em Macau ou ser trabalhador residente”, lê-se.

FSS E TEMPO PARCIAL

No que diz respeito à criação do regime de trabalho a tempo parcial, o Governo está disposto a incluir este tipo de trabalhadores

no regime de contribuição obrigatória do FSS, aponta o mesmo relatório. “Algumas opiniões manifestaram a preocupação sobre a não aplicação do regime, o que poderá levantar problemas no que diz respeito ao gozo dos benefícios da segurança social. Assim, iremos ponderar sobre esta questão e estudar a aplicação do regime de contribuição do FSS aos trabalhadores a tempo parcial.” Ainda sobre esta matéria, as autoridades deverão legislar o trabalho em regime part-time com o mesmo número de horas de trabalho, independentemente da sua natureza. “Tendo em conta uma perspectiva prática, também concordamos que será mais adequado definir o trabalho a tempo parcial por um único número de horas de trabalho.” A nova lei deverá também implementar um mecanismo transitório entre os contratos a tempo parcial e inteiro. “Concordamos que há necessidade de criar um mecanismo de tratamento destas questões, pelo que iremos estipular disposições transitórias e um mecanismo de conversão de contrato”, conclui-se. Andreia Sofia Silva

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terça-feira 8.5.2018

HOTELARIA TRABALHADORES-ESTUDANTES COM OPINIÕES NEGATIVAS SOBRE COLEGAS

UM INVESTIGAÇÃO A WEI ZHAO TERMINADA

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investigação do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) à demissão de Wei Zhao, antigo reitor da Universidade de Macau, está terminada e as conclusões já chegaram ao Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. A informação foi avançada ontem pela agência Macau News Agency, que cita uma resposta oficial do GAES. “O nosso Gabinete já terminou o relatório [da investigação]. Entretanto, entregamos os resultados ao gabinete que tem a competência para acompanhar a situação”, informou o GAES à Macau News Agency, que afirma que o Governo não quis explicar qual o departamento ou divisão em causa. Por outro lado, o Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura confirmou a recepção do documento, explicando que o relatório já foi enviado para os departamentos competentes, que vão “analisar profundamente” as conclusões. Wei Zhao demitiu-se do cargo de reitor da Universidade de Macau a 31 de Dezembro, e apesar de ter vindo a público, através de uma queixa anónima, que estaria obrigado a um período sabático de seis meses, saiu directamente para assumir a posição de Chefe do Gabinete de Pesquisa, na Universidade Americana de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. No entanto, na altura, a Universidade de Macau veio a publico defender o reitor, afirmando que o regulamento interno não obrigava os profissionais da instituição a um período sabático. Wei Zhao assumiu as funções no Emirados Árabes Unidos a 9 de Janeiro deste ano, antes disso esteve entre 2008 e 2017 como reitor da Universidade de Macau.

Energia Prorrogada duração do GDSE

Uma Ordem Executiva, publicada ontem em Boletim Oficial, prorroga por mais dois anos a duração do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE). A Ordem Executiva produz efeitos a 1 de Janeiro de 2019, pelo que a duração do GDSE é estendida até 1 de Janeiro de 2021.

Invejosos, rudes e aborrecidos

Estudantes que trabalham nos casinos tendem a ter uma opinião negativa sobre os colegas e consideram que as chefias são invejosas pelo facto de não serem licenciadas na área, segundo um estudo da Universidade Cidade de Macau

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S trabalhadores-estudantes, que integram os cursos oferecidos pelos casinos ou hotéis em parceria com as instituições de ensino, têm uma opinião “muito negativa” sobre o ambiente de trabalho. Esta foi a conclusão de um estudo realizado por académicos da Universidade Cidade de Macau e da Universidade Chinesa de Hong Kong, que aferiu a opinião de 231 trabalhadores-estudantes de hotéis e casinos do território.

Numa escala de um a cinco, em que um significa “discordo totalmente” e cinco “concordo totalmente”, as frases “considero as pessoas que trabalham na indústria hoteleira e do jogo aborrecidas”, “as chefias têm invejas das pessoas com licenciaturas na área da hotelaria e jogo”, e “a maior parte das pessoas que trabalham na indústria da hotelaria e jogo são rudes” atingiram uma média acima de 2,5 pontos. Esta é uma medida considerada elevada pelos autores do documento.

A questão dos trabalhadores no sector poderem ser considerados pessoas antipáticas ou rudes foi aquela com que mais trabalhadores-estudantes se identificaram, com um pontuação 2,83 pontos. No que diz respeito ao ambiente do trabalho, seguiu-se o facto dos trabalhadores-estudantes considerarem ser alvo de inveja por parte das chefias, que não têm licenciaturas na área da hotelaria e do jogo. Esta foi uma frase que conseguiu uma média de 2,77 pontos. Finalmente, a frase em

que os inquiridos consideraram os colegas de trabalho “aborrecidos” reuniu um consenso de 2,68 pontos. “Houve uma atitude muito negativa [dos inquiridos] face ao Clima Organizacional, que foi medida pelas questões ‘considero as pessoas que trabalham na indústria hoteleira e do jogo aborrecidas’, ‘as chefias têm invejas das pessoas com licenciaturas na área da hotelaria e jogo’ e ‘a maior parte das pessoas que trabalham na indústria da hotelaria e jogo são rudes’”, apontam os investigadores nas conclusões.

RESULTADOS INOVADORES

Os académicos reconhecem que os resultados diferem dos estudos feitos anteriormente. Contudo, justificam esta diferença com o facto das 231pessoas questionadas já estarem integradas no ambiente de trabalho, e terem um entendimento diferente da realidade. “Os estudantes que fazem parte destes programas que conciliam o estudo com o trabalho têm um entendimento mais profundo da indústria, incluindo do Clima Organizacional, do que a maior parte dos estudantes das áreas do turismo e do jogo”, começa por ser explicado. “Por exemplo, muitos dos empregados da área do jogo e dos hotéis não tem um elevado nível de qualificações académicas. Os estudantes com um melhor conhecimento da indústria desenvolvem facilmente atitudes negativas face a própria indústria”, é defendido.

“Houve uma atitude muito negativa [por parte dos inquiridos] face ao Clima Organizacional [nos hotéis e casinos]” Segundo as conclusões do estudo, “a experiência de trabalho na indústria do turismo e da hotelaria afecta de forma negativa a intenção dos estudantes continuarem nos sectores”. A investigação foi publicada na edição n.º 10 na revista Sustainable, com o título: “Attitudes of Undergraduate Students from University-Industry Partnership for Sustainable Development: A Case Study in Macau”. Jian Ming Luo, Ka Yin Chau, Guo Qiong Huang e Iok Teng Kou são os académicos da Universidade Cidade de Macau envolvidos. Chi Fung Lam é o representante da Universidade Chinesa de Hong Kong. João Santos Filipe

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ADOBESTOCK

8.5.2018 terça-feira

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estimativa foi facultada ontem pelo Governo: sensivelmente metade das empregadas domésticas de Macau poderá ficar de fora do “desconto” nas novas taxas de serviços de partos no hospital público, que entram em vigor a 1 de Junho. Tal como anunciado, as trabalhadoras não residentes vão pagar nove vezes mais para dar à luz no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), mas podem beneficiar de uma redução do valor dos encargos em dois terços, ou seja, pagar o triplo face ao preçário em vigor, em caso de “carência económica”. Essa excepção foi aberta pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, para as trabalhadoras não residentes que auferem baixos rendimentos, particularmente as empregadas domésticas, na sequência de controvérsia gerada em torno da proposta de actualização inicialmente

PARTOS ESTIMA-SE QUE APENAS METADE DAS EMPREGADAS DOMÉSTICAS BENEFICIEM DO “DESCONTO”

Era muita fruta

Uma grande fatia das empregadas domésticas vai ficar de fora do “desconto” no aumento das taxas de partos no hospital público. “Só” vão pagar o triplo – em vez de nove vezes mais – as trabalhadoras domésticas não residentes que auferirem até 4.050 patacas por mês apresentada pelos Serviços de Saúde. No entanto, sabe-se agora, muitas das que integram a categoria mais mal paga dos trabalhadores não residentes vão ser excluídas do “desconto” e acabar por pagar (na mesma) nove vezes mais por um parto. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, que actualiza as taxas em vigor

Ensino MUST com licenciatura em Ciências da Nutrição e Alimentação

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) vai oferecer, a partir do próximo ano lectivo, um curso de licenciatura em Ciências da Nutrição e Alimentação. De acordo com um despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, publicado ontem em Boletim Oficial, o curso, com a duração de quatro anos, tem o chinês e o inglês como línguas veiculares.

há quase 20 anos, têm de apresentar um “atestado comprovativo” de que se encontram em “situação de carência económica” emitido pelo Instituto de Acção Social (IAS). E, na prática, tal significa que apenas são elegíveis ao corte no aumento se o valor do rendimento mensal não ultrapassar o do risco social, fixado desde 2016 em 4.050 patacas.

Ora, a utilização do montante mínimo de sobrevivência estipulado pelo Executivo para o caso de uma pessoa que vive sozinha como patamar para o “desconto” vai excluir aproximadamente metade das empregadas domésticas, dado que, apesar de serem mal pagas, recebem acima do tecto definido. O número foi avançado pelo chefe de Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do IAS, Tang Yuk Wa, em conferência de imprensa. De acordo com dados oficiais, Macau conta com mais de 27 mil empregadas domésticas, as quais representam 15 por cento do universo de mão-de-obra importada. O atestado de carência económica pode ser requerido junto de cinco centros do IAS no prazo de 30 dias, dispondo

o organismo do mesmo período de tempo para a emissão do documento a apresentar, posteriormente, aos Serviços de Saúde, explicou, por seu turno, a chefe da Divisão da Assistência Social do IAS, Lam Son Wa. À luz dos novos valores referentes aos cuidados de saúde dos serviços especiais de obstetrícia e de gravidez e parto, as trabalhadoras não residentes que comprovem carência económica vão pagar 2.925 patacas por parto normal e 5.850 patacas por cesariana, ou seja, o triplo comparativamente aos preços praticados actualmente. Para as demais portadoras de ‘blue card’, as taxas a cobrar por parto normal vão subir de 975 para as 8.775 patacas, enquanto, no caso de cesariana, aumentam de 1.950 para 17.550 patacas. As turistas também vão pagar nove vezes mais: o custo do parto normal aumenta de 1.950 para 17.550 patacas, enquanto o da cesariana passa de 3.900 para 35.100 patacas. Segundo dados dos Serviços de Saúde, em média, recorrem ao hospital público 220 trabalhadoras não residentes por ano, ou seja, menos de oito por cento do total de parturientes. Já as turistas que deram à luz no CHCSJ representaram aproximadamente um quinto.

CASAMENTO NO PAPEL

De resto, tal como avançado anteriormente, o despacho

As trabalhadoras não residentes apenas são elegíveis ao corte no aumento das taxas de parto se auferirem até 4.050 patacas por mês consagra outra excepção na actualização das taxas, excluindo do aumento às trabalhadoras não residentes cujo cônjuge seja residente da RAEM, prevendo que ficam apenas sujeitas ao pagamento das taxas actuais. No entanto, há um pormenor: têm de estar casados. Determina o despacho que o matrimónio tem de ser “comprovado mediante apresentação da certidão de registo emitida há menos de seis meses pelas autoridades competentes”, pelo que deixa de fora os casais que vivem como tal ou em união de facto. “A união de facto é muito difícil de comprovar”, afirmou a subdirectora dos Serviços de Saúde, Ho Ioc San, sublinhando tratar-se do mesmo modelo adoptado para a transferência dos vales de saúde. “É uma decisão política”, sustentou a mesma responsável quando confrontada com o facto de a certidão de casamento não atestar paternidade. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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terça-feira 8.5.2018

JUSTIÇA EMPRESA HIO KENG VAN PERDE TERRENO AO LADO DO HOTEL EMPEROR

Economia Cartões de crédito denominados em renminbi em alta O número de cartões de crédito emitidos pelos bancos em Macau ascendeu a 1,21 milhões no final do primeiro trimestre, traduzindo um aumento de 12,1 por cento em termos anuais homólogos. De acordo com dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a maior subida foi registada no número de cartões de crédito denominados em renminbi, que cresceu 15 por cento para 266.755. Já os cartões de crédito denominados em patacas aumentaram 12 por cento, em termos anuais, para 860.764, enquanto os em dólares de Hong Kong cresceram 4,6 por cento atingindo 89.029 no final de Março. Em relação ao período homólogo, o crédito usado e o montante do reembolso registaram crescimentos de dois dígitos no primeiro trimestre do ano, segundo a AMCM.

Crime Autoridades detiveram mais de 100 pessoas no Cotai desde quinta-feira Uma operação liderada pelos Serviços de Polícia Unitários, levada a cabo em conjunto com a Polícia Judiciária e Polícia de Segurança Pública em vários casinos no Cotai, resultou na detenção para interrogatório de 119 pessoas desde quinta-feira, segundo dados facultados pela PJ ao HM. Na sequência da acção, com vista ao combate do câmbio ilegal de dinheiro, um homem foi preso. De acordo com a PJ, trata-se de um imigrante ilegal que é suspeito da prática de três crimes relacionados com jogo.

Shanghai Boy sem terra

A Sociedade de Investimento Imobiliário Hio Keng Van perdeu no Tribunal de Segunda Instância (TSI) o recurso interposto com o intuito de cancelar a recuperação de um terreno por parte do Executivo

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terreno em questão tem 4169 metros quadrados e fica situado na Avenida Comercial de Macau, numa parcela ao lado do hotel e casino Emperor. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) negou à Sociedade de Investimento Imobiliário Hio Keng Van o recurso que pretendia cancelar a recuperação do imóvel. Segundo o portal Macau Concealers, este foi o terreno que Shanghai Boy havia mencionado num vídeo em que acusou Edmund Ho de ter sido chantageado para ceder um terreno a Ma Ching Kwan, proprietário do jornal Oriental Daily. No recurso interposto para o tribunal superior, entre os argumentos utilizados pela Hio Keng Van, constava o facto da empresa considerar que com a reversão da concessão havia uma violação do direito de propriedade e mencionava o artigo 6.º da Lei Básica. O tribunal afirmou que o argumento é “inócuo” para o caso. A empresa Hio Keng Van argumentava igualmente com o artigo 103.º da Lei Básica, que define que a RAEM “protege, em conformidade com a lei, o direito das pessoas singulares e colectivas à aquisição, uso e disposição e sucessão por herança da propriedade e o direito à compensação em caso de expropriação legal”. O tribunal

limitou-se a considerar que a reversão não é uma expropriação e que o argumento não se aplica ao caso em apreço.

CONCESSÃO DE 1992

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) negou à Sociedade de Investimento Imobiliário Hio Keng Van o recurso que pretendia cancelar a recuperação do imóvel

Em relação ao argumento da violação da propriedade privada, a defesa recusou a utilização do artigo 120.º, que protege os contratos de concessão de terras. “O contrato celebrado [entre o Governo e a concessionária] em nada impedia a prática do acto administrativo [recuperação do terreno] que aqui está em apreciação, por em nada ter afrontado o clausulado inicial do contrato e das suas revisões”, é justificado. O terreno em causa tinha sido cedido à Sociedade de Empreendimentos Nam Van, em 1992, na altura tendo como finalidade um edifício com espaços comerciais, escritórios e estacionamento. O tempo para a construção era de 66 meses, prazo que não foi cumprido. Contudo, em 1998, o contrato foi alterado, tendo passado para o nome da Sociedade de Investimento Imobiliário Hio Keng Van e finalidade foi alterada para construção. No final desse prazo, voltou a haver um prolongamento por mais 10 anos, até que Raimundo do Rosário ordenou a recuperação do terreno, por falta de aproveitamento, a 5 de Setembro de 2016. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

JOGO MORPHEUS SEM ZONA VIP OPERADO POR ‘JUNKETS’

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hotel Morpheus, que integra o complexo do City of Dreams, não vai ter zonas VIP (de grandes apostas) operadas por ‘junkets’, revelou o presidente da Melco Resorts, Lawrence Ho, à agência Reuters. “É muito melhor desenvolvermos a nossa própria base de

dados, do que depender dos ‘junkets’”, afirmou. Lawrence Ho tinha já adiantado que o espaço dedicado ao jogo no Morpheus destinar-se-á ao segmento de massas ‘premium’, em que as apostas são na ordem dos milhares de dólares de Hong Kong. O presidente

da Melco, que opera quatro casinos em Macau, afirmou ainda que há poucos detalhes relativamente ao que vai suceder após o termo dos contratos das seis concessões e subconcessões, que expiram entre 2020 e 2022. “Estamos muito interessados em [saber] como vai ser

o processo de renovação e o novo concurso”, sublinhou, apontando que tanto Macau como Pequim têm mantido silêncio a esse respeito. O Morpheus, desenhado pela arquitecta iraquiana-britânica Zaha Hadid, que morreu em 2016, resulta de um investimento de mil

milhões de dólares norte-americanos. Com abertura prevista para a primeira metade do ano, o novo hotel, de 160 metros de altura, vai oferecer mais de 700 quartos.


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8.5.2018 terça-feira

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escritor Jorge Molist venceu a 13.ª edição do Prémio Fernando Lara, com o romance “Canción de Sangre y Oro”, uma narrativa épica e histórica. Usando da palavra na entrega do galardão, Jorge Molist afirmou tratar-se de “uma história real que mudou a História da Europa e surpreendeu o mundo”, noticiou a Efe. O romance, inédito, será publicado pela editora Planeta e conta a história de uma menina de 13 anos que teve de deixar sua família e seu

país para ir para um lugar distante e se casar com um homem mais velho, que não conhecia, porque esta era a única maneira de salvar a vida do seu pai, o rei da Sicília. O sacrifício é, no entanto, inútil, uma vez que o exército do rei de França invade a Sicília e mata o seu pai. O prémio tem o valor pecuniário de 120.000 euros. Jorge Molist, nascido há 67 anos em Barcelona, estreou-se na literatura em 1996, com “Los muros de Jericó”. Foi até 2000 director-geral do departamento videográfico da Paramount Pictures Spain SL, subsidiária da Paramount Pictures Home Entertainment. Em Portugal, do autor espanhol, estão publicados pela Ésquilo “O Anel - A Herança do Último Templário” (2004) e “O Regresso dos Cátaros” (2005).

ALBERGUE ARLINDA FROTA MOSTRA AZULEJOS E PINTURA

De três em pipa

É inaugurada amanhã a exposição “Do passado à modernidade” de Arlinda Frota no Albergue SCM. Composta por azulejos, pinturas e uma peça isolada, a mostra apresenta a diversidade de técnicas e abordagens da artista portuguesa

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O passado à modernidade” é uma exposição em três momentos. Azulejos, pintura em acrílico e uma peça em porcelana compõem o conjunto de trabalhos que Arlinda Frota apresenta a partir de amanhã no Albergue SCM. Para a primeira parte da exposição, a artista plástica reproduziu um conjunto de 17 azulejos em homenagem PUB

oriente”, revela a apresentação.

TIAGO ALCÂNTARA

LIVROS JORGE MOLIST VENCE PRÉMIO FERNANDO LARA “CANCIÓN DE SANGRE Y ORO”

PINTAR O ABSTRACTO

à cerâmica portuguesa, uma expressão artística que já vai com mais de 500 anos de história. De acordo com a apresentação do evento, a escolha do azulejo foi uma forma de adoptar um material representativo da história de Portugal. “Os azulejos transcenderam a sua função decorativa utilitária em Portugal, tornando-se uma das formas artísticas mais expressivas da cultura portuguesa”, lê-se. O azulejo, apesar de ser uma peça que não tem origem em Portugal, ganhou em terras lusas uma outra vida. “A sua utilização ininterrupta por mais de cinco séculos, para cobrir grandes superfícies, tanto no interior como no exterior de edifícios, tornou-se representativa da evolução da arte portuguesa nos últimos 500 anos”, sublinha o comunicado de apresentação de “Do passado à modernidade”. “Os azulejos mostram influências de inúmeras culturas, desde os primeiros desenhos de estilo mourisco, aos temas relacionados com a natureza e animais, do Gótico e do Renascimento, e foram ainda inspiração para tecidos do

A segunda parte da exposição é composta por 32 pinturas abstractas em acrílico em que a artista Arlinda Frota “incorpora a sua diversificada experiência artística”. A artista “aproveitou para mergulhar no universo das cores, descobrindo uma combinação espontânea de tonalidades em que cria novos mundos gerando novas ideias e interpretações”, lê-se.

“Os azulejos mostram influências de inúmeras culturas, desde os primeiros desenhos de estilo mourisco aos temas relacionados com a natureza e animais, do Gótico e do Renascimento, e foram ainda inspiração para tecidos do oriente.” Por último, a mostra conta com a exposição de uma peça única em porcelana, “A beleza do casamento”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ROSTO PRECÁRIO • Eugénio de Andrade Para Eugénio, antibiografista e fingidor, o poeta “nega onde outros afirmam, desoculta o que outros escondem”, e é nesta medida que a escrita representa “uma forma de encontro com o próprio rosto”. Ecce Poeta, parece dizer cada texto. Eis o Poeta: fiel ao Homem, à Terra, à Palavra e ao seu Rosto. Nada efémero, nada precário.» Joana Matos Frias.


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escritor Mario Vargas Llosa, de 82 anos, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2010, participa pela primeira vez no Hay Festival, que se realiza em Novembro, em Arequipa, sua cidade natal, anunciou a organização. Nas três edições enteriores, participaram no Hay Festival cerca de 25.000 pessoas, noticiou a Efe, segundo a qual além do autor de “Elogio da Madrasta”, no certame participam também o indo-britânico Salman Rushdie, que recentemente publicou “A Casa Golden”, e a escritora e jornalista argentina Leila Guerriero, que em 2010 venceu o Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez. Leila Guerriero participa pela segunda vez no festival, que teve a sua primeira edição, em Arequipa, em 2015. O IV Hay Festival de Artes y Literatura realiza-se de 8 a 11 de Novembro, no centro histórico da denominada “Cidade Branca”, pelos seus edifícios construídos em cantaria vulcânica de cor branca, e onde Vargas Llosa, nobilitado como marquês pelo rei João Carlos de Espanha, tem a sua casa museu. O Hay Festival, que junta escritores, filósofos, cientistas e jornalistas, é originário do País de Gales, e além do Peru, tem edições na Colômbia, México, Dinamarca, e Espanha, designadamente em Segóvia. O escritor Mario Vargas Llosa esteve em Lisboa, em Outubro de 2016, para apresentar o seu mais recente romance, “Cinco esquinas”, na sala Almada Negreiros, no Centro Cultural de Belém.

REFERÊNCIA LITERÁRIA

Mario Vargas Llosa nasceu em 1936, em Arequipa, no

Estreia em Casa

Vargas Llosa pela primeira vez no Hay Festival

Peru e actualmente tem dupla nacionalidade, peruana e espanhola, tendo recebido vários prémios literários internacionais, entre eles, o Prémio P.E.N./Nabokov, o Cervantes, o Príncipe das Astúrias e o Grinzane Cavour. Em 2010, foi distinguido com o Prémio Nobel de Literatura pela “sua cartografia das estruturas de poder e pelas imagens pungentes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos”, segundo fonte editorial. Dos seus títulos refira-se “A cidade e os cães”, que lhe valeu o Prémio Biblioteca Breve, em 1962 e o da Crítica Espanhola, em 1963).

Autor de mais de uma dezena de romances, Vargas Llosa é também autor de peças de teatro, nomeadamente “A menina de Tacna”, e de obras de ensaio, como “A Civilização do espetáculo”, editada em 2012. Entre outras condecorações estrangeiras, o Governo francês distinguiu o escritor com a Medalha de Honra, em 1985, e, em Fevereiro de 2011, o rei de Espanha nobilitou-o com o título hereditário de Marquês de Vargas Llosa. Vargas Llosa obteve a nacionalidade espanhola em Março de 1993, sem nunca renunciar à peruana.

UNIVERSIDADE DE SÃO JOSÉ GREGORY B. LEE TRAZ A MACAU A CHINA IMAGINADA

“C RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

DIÁLOGOS COM JOSÉ SARAMAGO• Carlos Reis José Saramago entrevistado por Carlos Reis. Um registo de testemunhos realizado durante cerca de sete horas em que o professor universitário questiona o criador de Blimunda sobre a formação, a aprendizagem, a profissão e a condição de escritor. Sobre a História como experiência.

HINA Imagined: From Western Fantasy to Spectacular Power” é a palestra a cargo de Gregory B. Lee que vai decorrer na Universidade e São José (USJ) no próximo dia 29 de Maio pelas 18h30. De acordo com a organização, a China tem sido um país estudado e explorado por sinólogos e escritores, mas sempre dentro do âmbito de um país imaginado. “Entenda-

-se por imaginário, o conjunto de frases, imagens e crenças que compõem a compreensão partilhada de um grupo ou de comunidade (seja uma etnia ou uma nação, a nossa ou de outra pessoa)”, refere a apresentação do evento. Mas, os tempos estão a mudar e o imaginário ocidental da China começa a ficar situado num ponto sem descrição com a sua posição reconhecida enquanto po-

tência mundial. A palestra pretende responder à questão “De onde vem a China?” Gregory B. Lee é um académico e autor, professor de Estudos Chineses e Transculturais na Universidade Jean Moulin. De entre as suas publicações, a organização destaca “Dai Wangshu: A vida e a poesia de um modernista chinês (1989)” e a “Década perdida da China (2009, 2012)”. S.M.M.


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8.5.2018 terça-feira

ECONOMIA GRUPO QUE QUER COMPRAR SEGUROS DO MONTEPIO ENFRENTA GRAVE CRISE

Em paradeiro incerto O grupo chinês CEFC Energy, que quer comprar o ramo segurador do Montepio, atravessa uma grave crise, suscitada pelo desaparecimento do seu presidente e o fracasso do negócio para comprar 14,16 por cento da petrolífera russa Rosneft

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S agências de rating chinesas reduziram a classificação do crédito da empresa para nível "lixo", tornando mais difícil o seu financiamento, numa altura em que os credores processam a firma, visando assegurar activos. O jornal chinês China Business News escreve que dezenas de instituições que adquiriram obrigações do grupo reuniram-se, este fim-de-semana, num hotel em Xangai, a "capital" financeira da China, para exigir informações sobre a situação financeira do grupo e garantias de reembolso da dívida. Mais duas reuniões de investidores foram agendadas para ontem e dia 15 de Maio, com um

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gigante de telecomunicações chinesa ZTE entrou com um recurso nos Estados Unidos que visa suspender a sanção que proíbe a empresa de comprar componentes norte-americanos, numa altura de crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington. A ZTE, responsável pelo desenvolvimento da infraestrutura 5G na China, anunciou no domingo que solicitou ao Departamento de Comércio dos EUA a suspensão da sanção. Pequim

a empresa negou que o seu presidente estivesse a ser investigado e afirmou que aquelas notícias "não têm fundamento".

SALADA RUSSA

Ye Jianming, fundador e presidente da empresa

total de 263 milhões de euros em obrigações do grupo a expirar em 21 de Maio. Com sede em Xangai, o CEFC está no processo de compra das seguradoras do Montepio, enquanto a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu pôr termo à negociação que decorria com o grupo para a venda da petrolífera Partex, devido à "incapacidade desta empresa em esclarecer cabalmente" uma investigação ao seu presidente.

O presidente da Associação Mutualista, Tomás Correia, afirmou também já que duvida que a venda do ramo segurador do Montepio ao CEFC se concretize, mesmo que obtenha luz-verde do regulador. Ye Jianming, fundador e presidente da empresa, está desaparecido desde Março passado, quando a imprensa chinesa avançou que se encontrava "sob investigação" das autoridades na China. Na altura,

Ye Jianming, fundador e presidente da empresa, está desaparecido desde Março passado, quando a imprensa chinesa avançou que se encontrava “sob investigação” das autoridades na China

O jornal de Hong Kong South China Morning Post avança também que o governo do município de Xangai tentou assumir o controlo do grupo, através da estatal Shanghai Guosheng, mas a empresa acabou por retroceder, após avaliar a situação financeira do CEFC. A firma tornou-se mundialmente famosa no ano passado, quando acordou pagar 7,4 mil milhões de euros por 14,16 por cento da petrolífera russa Rosneft. O consórcio que detinha aquela participação, composta pelo fundo soberano do Qatar e a gigante da mineração Glencore, no entanto, anunciaram na sexta-feira que suspenderam o negócio. Já no ano passado, uma proposta de 92 milhões de euros do CEFC pela empresa financeira norte-americana Cowen Group foi travada pelo governo dos Estados Unidos por motivos de segurança nacional. Também nos EUA, uma investigação anticorrupção chamou a atenção para o grupo, após Chi Ping Patrick Ho, que geria uma organização não-governamental em Hong Kong financiada pelo CEFC, ter sido acusado por um tribunal de Nova Iorque por corrupção e lavagem de dinheiro. O Departamento de Justiça norte-americano acusa Ho de ter subornado funcionários do Chade e do Uganda em troca de contratos para uma empresa de energia chinesa. Registos públicos indicam que Ho representava a CEFC China's China Energy Fund, em 2011.

Elementos essenciais

ZTE apela aos EUA que suspendam sanção na compra de componentes

criticou também a decisão junto das autoridades norte-americanas, durante as negociações da semana passada, em Pequim, em torno das disputas comerciais, com uma delegação dos EUA chefiada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. Segundo um comunicado do ministério do Comércio da China, a delegação

prometeu repassar os protestos da China ao Presidente norte-americano, Donald Trump. No mês passado, Washington decidiu pôr fim às exportações de componentes destinadas ao grupo chinês ZTE, devido a declarações fraudulentas num inquérito sobre a investigação ao embargo imposto ao Irão e à Coreia do Norte. Os Estados

Unidos já tinham aplicado, em Março de 2017, uma multa de 1,2 mil milhões de dólares ao grupo chinês das telecomunicações ZTE por ter violado o embargo aos dois países. Em 2016, o grupo chinês assumiu a responsabilidade por ter adquirido equipamento aos Estados Unidos e os ter reexportado para o Irão e a Coreia do Norte, apesar

Região DIPLOMACIA SINGAPURA ACOLHERÁ EM JUNHO CIMEIRA KIM-TRUMP

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histórica cimeira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, realiza-se em meados de Junho em Singapura, noticiou ontem o diário sul-coreano Chosun Ilbo. Trump disse na sexta-feira que a data e o local do encontro tinham sido definidos e seriam em breve anunciados. A cimeira decorrerá “em meados de Junho”, afirma o Chosun Ilbo, citando fontes diplomáticas que obtiveram a informação do conselheiro norte-americano para a Segurança Nacional, John Bolton. A agência de notícias sul-coreana Yonhap também tinha indicado, no fim de semana, que o local favorito para o encontro Trump-Kim era Singapura. Trump tinha anteriormente dado a entender que a Zona Desmilitarizada (DMZ), onde se realizou no final de Abril a terceira cimeira entre as duas Coreias, poderia ser apropriada para o seu encontro com Kim Jong-un. A Mongólia e a Suíça foram igualmente apontadas como locais possíveis.

das sanções impostas aos dois países devido aos seus programas militares e a violações dos direitos humanos. A decisão de Washington ameaça a sobrevivência da gigante das telecomunicações, que depende de tecnologia norte-americana, como chips e o sistema operacional Android, para fabricar dispositivos móveis. A sanção surge num período de crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington. Na raiz desta disputa está o plano de Pequim, designado "Made in China

2025", para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Segundo o banco de investimento CICC, a ZTE tem em stock componentes para um ou dois meses, antes que a sanção comece a afectar os seus negócios. A negociação de títulos da ZTE nas Bolsas de Valores de Hong Kong e Shenzhen foram, entretanto, suspensas desde a decisão dos EUA.


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ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que "independentemente do que os Estados Unidos dizem, isso nunca mudará o facto objectivo de que existe apenas uma só China, e que as regiões de Hong Kong, Macau e Taiwan são parte inalienável do território chinês". "As empresas estrangeiras a operar na China devem respeitar a soberania e integridade territorial da China, cumprir a lei chinesa e respeitar os sentimentos do povo chinês", afirmou em comunicado Geng Shuang, porta-voz do ministério. Companhias aéreas norte-americanas e a empresa têxtil espanhola Zara foram forçadas a pedir desculpa à China por se referirem a Taiwan como um país nos seus portais electrónicos ou em publicidade. Este fim-de-semana, a Casa Branca condenou os esforços chineses em controlar a forma como as companhias aéreas norte-americanas se referem a Taiwan, Hong Kong e Macau. O Governo norte-americano classificou a postura chinesa como "absurdo orwelliano". Sarah Huckabee Sanders, porta-voz da Casa Branca, afirmou em comunicado que o Presidente norte-americano, Donald Trump, vai "apoiar os americanos que resistem aos esforços do Partido Comunista Chinês em impor as suas noções de politicamente correcto às

Este fim-de-semana, a Casa Branca condenou os esforços chineses em controlar a forma como as companhias aéreas norte-americanas se referem a Taiwan, Hong Kong e Macau

TAIWAN PEQUIM DESVALORIZA CRÍTICAS DOS EUA

Além da semântica

Pequim desvalorizou ontem as críticas de Washington, que classificou como “absurdo orwelliano” as exigências chinesas de que as companhias aéreas estrangeiras não se refiram a Taiwan como um país, por respeito à soberania da China

empresas e cidadãos norte-americanos".

NO AR

Segundo a Casa Branca, a Administração de Aviação

Civil da China pediu uma alteração, nas referências a Taiwan, a 36 companhias aéreas estrangeiras. "Trata-se de um absurdo orwelliano e parte de

COREIA PEQUIM ESPERA QUE CIMEIRA ENTRE KIM E TRUMP DECORRA SEM PROBLEMAS

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China expressou ontem o seu desejo de que a cimeira entre os líderes da Coreia do Norte e Estados Unidos decorra "sem contratempos", depois de Pyongyang ter criticado a política de sanções de Washington. Numa altura em que se prepara o histórico encontro entre Kim Jong-un e Donald Trump, visando a desnuclearização da península coreana, e que deverá ocorrer no final deste mês ou início de Junho, a China pediu a ambas as partes que trabalhem para melhorar as suas relações, através do diálogo. "Face às circunstâncias actuais, todas as partes

relevantes devem permanecer firmes e trabalhar na mesma direcção", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Geng Shuang. No domingo, a Coreia do Norte acusou Washington de provocar o país com a sua decisão de manter as sanções e "ameaças militares" e de "manipular a opinião pública", ao referir que a vontade expressa por Pyongyang de se desnuclearizar "é resultado da pressão e sanções". "Os EUA afirmam que não relaxarão as sanções e a pressão até que a RPDC (República Popular Democrática da Coreia, nome

oficial do país) abandone completamente o seu programa nuclear, enquanto actua para agravar a situação na península, ao destacar activos estratégicos e ao empregar o tema dos direitos humanos contra a RPDC", acusou um porta-voz norte-coreano. Questionado sobre se estas acusações podem colocar em perigo a celebração da cimeira entre Kim e Trump, Geng Shuang reafirmou o desejo de Pequim de que a cimeira "decorra sem contratempos, de acordo com o previsto".

uma tendência crescente do Partido Comunista Chinês de impor as suas visões políticas aos cidadãos e às empresas americanos", afirmou Sanders.

A porta-voz disse que a Administração de Donald Trump apelou à China para que "pare de ameaçar e coagir as companhias aéreas e cidadãos norte-americanos".

O comunicado da Casa Branca surge depois de uma delegação norte-americana, liderada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ter regressado de Pequim, onde na semana passada reuniu com as autoridades chinesas para encontrar uma solução para as crescentes disputas comerciais entre as duas potências. Também o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, falou este fim-de-semana por telefone com Yang Jiechi, membro do Politburo do PCC, que "afirmou a importância de uma relação bilateral construtiva e orientada para resultados".

PCC MEMBROS PROVAM LEALDADE EM TESTE DE REALIDADE VIRTUAL

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S membros do Partido Comunista da China (PCC) da cidade de Binzhou, na província oriental de Shandong, serão os primeiros do sistema político chinês a demonstrar a sua lealdade ao partido por meio de testes de realidade virtual. Nos testes, avaliam-se, entre outras coisas, a vontade de contribuir para o bem do povo e do próprio partido e se são ou não um modelo ético para a sociedade, segundo o

diário Global Times, próximo do Governo de Pequim. Para fazerem o teste de quase 30 perguntas, que tanto inclui temas de teoria política como questões da vida pessoal, os examinados devem colocar óculos de realidade virtual e entrar numa divisão levando um comando de controlo remoto. As instalações onde decorrem os exames situam-se num centro local do PCC de Binzhou, custaram 92.000 euros e começaram a funcionar em Abril. Entre as perguntas do teste, há algumas formuladas de forma complexa, como “Estás de acordo que, se não fores corrupto, serás marginalizado?”, à qual os avaliados

deverão responder escolhendo a opção “não”, das cinco respostas possíveis. O objectivo destes testes é determinar os pontos frágeis dos membros do PCC, segundo o Global Times, para que depois possam ser assessorados por especialistas do partido de forma presencial ou remota para os melhorarem. Contudo, como advertiu Cai Zhiqiang, professor da Escola do Partido, centro de formação dos altos responsáveis do regime, estes exames precisam de ter uma base mais científica para reforçar a fiabilidade dos resultados, que deverão ser utilizados para fomentar a qualidade dos membros do PCC.


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Cada irmão é diferente. Sozinho acoplado a outros sozinhos

Elementos do bem e do mal Jales Coutinho

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OGO depois da libertação (Janeiro de 1945), um médico e um químico, colegas de cativeiro no campo para judeus de Monowitz, redigem um relatório, provavelmente a pedido dos soviéticos, sobre a organização higiénico-sanitária naquele Lager. Leonardo De Benedetti e Primo Levi continuaram pela vida fora a dar testemunho dos onze meses ali vividos. Monowitz era um dos cem campos dependentes do centro administrativo de Auschwitz. Era um bom campo, dirá Levi noutra ocasião, por ser um Arbeitslager, um campo de trabalho forçado, e não um de extermínio. A média de vida ali era

de três meses. Quando as forças se esvaíam, uma inspeção rápida despachava os homens para as câmaras de gás num campo próximo. O relatório é publicado numa revista médica em 1946. Mais ou menos por essa altura Primo Levi decide dedicar-se à literatura. Também a escrita testemunhará o que viveram, ele e todos aqueles com que se cruzou. Não mais deixará de investigar os detalhes dessas vidas, para as resgatar do olvido. Igualmente a formação em Química intervirá nessa demanda. No relatório iniciático e em relatos subsequentes explica o funcionamento das câmaras de gás (os chuveiros) e dos fornos crematórios do campo de Birkenau. Pelas válvulas das câmaras, descreve, era libertado o Zyklon B, um

pó inicialmente usado para desratizar os porões dos navios. * Sam Kean é um exímio contador de histórias da história da ciência. Seja o código atómico, o código genético, o cérebro, o ar que respiramos, tudo lhe vem servindo para coleccionar casos e histórias de exemplo e proveito. Fritz Haber é uma das suas personagens paradigmáticas, por encarnar a dualidade fundamental da ciência, o bem e o mal. Um daqueles casos (frequentes) em que uma descoberta ou invenção brilhante é reconvertida em agente de destruição. Consta que Arquimedes usou espelhos para atear o fogo aos navios dos romanos; dizia-se que a dinamite de Alfred Nobel era apenas para abrir estradas e túneis...

Haber tornou-se mundialmente famoso ao produzir amoníaco com o nitrogénio (elemento 7). Daí vieram os fertilizantes, que salvaram (e salvam) milhões de seres humanos da fome. A história aparece já no primeiro livro de Sam Kean (2010), dedicado à tabela periódica dos elementos químicos, livro de que saiu agora aliás uma edição para leitores jovens (abril de 2018). No seu mais recente livro (2017), dedicado à atmosfera terrestre, o caso de Haber regressa e merece ainda mais atenção. O ar que respiramos é composto em 78 por cento por moléculas de nitrogénio (uma molécula do gás de nitrogénio tem dois átomos de nitrogénio). Nem sempre foi assim. A primeira atmosfera da Terra era essencialmente hidrogénio e hélio, sobras ainda do (pequeno) big-


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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-bang que originou o nosso sistema solar, há 4,6 mil milhões de anos. Depois, com os planetas rochosos ainda meio pastosos, a (segunda) atmosfera da Terra formou-se principalmente dos gases vindos do seu interior: vapor de água e dióxido de carbono, gases sulfúricos, vapores metálicos. Talvez os constantes choques de asteroides e cometas tenham reconfigurado muitas vezes a atmosfera e o planeta, incluindo os lagos e os oceanos que se formavam; talvez asteroides e cometas tenham acrescentado outros gases à atmosfera... A terceira atmosfera da Terra formou-se há 2,5 mil milhões de anos. Os choques de asteroides e cometas tornaram-se raros, a crosta do planeta arrefeceu, solidificou em rocha dura. O magma no interior continuou a libertar gases, que se acumulam em alguns pontos e acabam por explodir. Formam-se os vulcões, pelos quais os gases continuam a ser expelidos para a atmosfera, incluindo alguns gases ricos em nitrogénio. O nitrogénio acumula-se na atmosfera porque os seus dois átomos, fortemente unidos, não se misturam com outros átomos. Apesar de vivermos num oceano de nitrogénio, e de ele ser indispensável em todas as nossas células, o nosso organismo não o consegue assimilar diretamente do ar; como faz com o oxigénio, por exemplo, através dos pulmões. O desenvolvimento de algumas bactérias capazes de cindir os dois átomos (ligando-os aos átomos de hidrogénio, criando naturalmente amoníaco) estabiliza um ambiente favorável à vida de plantas e animais. Essas bactérias vivem nas raízes de algumas plantas e em alguns tipos de solo, trocando o nitrogénio por outros nutrientes. Os animais metabolizam o nitrogénio alimentando-se das plantas. Na linguagem colorida de Kean, só no início do século XX uma espécie de não-bactérias foi capaz de fazer o mesmo: produzir amoníaco. A tentativa de se criar um estrume químico já vinha de meados do século XIX, e foi isso mesmo que uma empresa pediu a Haber em 1905: uma nova maneira de se obter amoníaco, para se produzirem fertilizantes. Comprimindo moléculas de nitrogénio e hidrogénio com pressões centenas de vezes superiores à pressão atmosférica, experimentando metal atrás de metal como catalisador, acertando o nível das altas temperaturas, Haber conseguiu finalmente obter as primeiras gotas de amoníaco. A industrialização do processo foi entregue a Carl Bosh, um engenheiro químico. A produção de fertilizantes a partir do amoníaco não parou de cres-

cer, até hoje. Como se dizia na altura, Haber conseguira o milagre de transformar o ar em pão. Ah!, suspira Kean, se esta história pudesse terminar aqui... Com o início da guerra, Haber entrega-se às tarefas militares. Dirige a produção em larga escala de amoníaco para o fabrico de explosivos de nitrogénio (capturado no amoníaco). Mas tem outros projetos em mãos, um deles o de desenvolver uma arma química superior às dos ingleses e franceses, que desse a vitória à Alemanha. Haber vira-se então para o cloro (17), com o qual produziu e fez testar no campo de batalha vários gases altamente tóxicos, e sobretudo aterradores, como o gás mostarda. Kean diz que o ser humano guarda um medo primitivo à falta de ar, à asfixia por um ar venenoso. No meio de protestos, e de denúncias pelos seus pares de vários países, com o labéu de criminoso de guerra, Haber recebeu o Nobel em 1919 (de Química, relativo a 2018). Nunca foi formalmente acusado, ao contrário de Bosh, que continuou a boicotar o acesso dos Aliados à tecnologia do amoníaco mesmo depois do Tratado de Versalhes. Haber dissimulou a sua indústria de guerra, garantindo que estudava maneiras de destruir os gases em reserva ou de os reconverter em pesticidas. Assim se inventou o Zyklon A.

Com a chegada de Hitler ao poder, o destino de Haber estava traçado. Não aceitou ter de despedir os cientistas judeus, ele próprio com raízes judaicas. O seu laboratório foi encerrado e a sua fortuna confiscada. Morreu em 1934, em fuga, tentando que algum país o acolhesse. Daí a uns anos, os nazis tinham desenvolvido a segunda geração do pesticida, o Zyklon B. * «Tinha numa gaveta um pergaminho miniatura com caracteres aprimorados que dizia que se conferia a Primo Levi, de raça hebraica, a licenciatura em Química com 110 e louvor. Portanto, era um documento dúbio, semiglória e semizombaria, semiabsolvição e semicondenação. Estava naquela gaveta desde julho de 1941 e novembro já terminara. O mundo caminhava para a catástrofe e à minha volta nada acontecia. Os alemães espalharam-se pela Polónia, pela Noruega, pela Holanda, pela França, pela Jugoslávia, e penetravam nas planícies russas como faca na manteiga. Os Estados Unidos não se mexiam para ajudar os ingleses, que continuavam sozinhos. Eu não encontrava trabalho e estoirava-me à procura de uma ocupação qualquer desde que fosse paga; no quarto ao lado do meu, prostrado por causa de um tumor, o meu pai vivia os seus últimos meses.» Sexto capítulo. Como todos os 21 capítulos do livro, tem por título o

Fritz Haber é uma das suas personagens paradigmáticas, por encarnar a dualidade fundamental da ciência, o bem e o mal. Um daqueles casos (frequentes) em que uma descoberta ou invenção brilhante é reconvertida em agente de destruição

nome de um elemento: "Níquel". É a tabela periódica de Primo Levi: O sistema periódico, 1975 (Dom Quixote 2017). Lembranças sobretudo do antes e do depois; as do cativeiro estão já essencialmente no seu primeiro livro: Se isto é um homem, 1947 (Livros RTP 2018). Levi vai arranjar logo a seguir um emprego, o seu primeiro emprego depois da licenciatura, meio secreto, ligado aos militares, numa mina de extração de amianto, que já derrubara uma montanha. Tarefa, analisar os restos das rochas deixados pela extração, para ver se havia algum níquel. Entusiasma-se, pelo menos estava a viver na montanha, faz todas as experiências possíveis. Um leve pensamento que por vezes o assalta, o de estar provavelmente ao serviço da produção de armas para o governo italiano, não o inquieta. Mas o níquel é residual, nada a fazer, senão procurar outro emprego. Lembra as suas primeiras tentativas literárias, dois contos meio fantásticos ("Chumbo", "Mercúrio"), cola-os a seguir, ficam aqui «entre estas histórias de química militante». Também «sonhava escrever a saga de um átomo de carbono». Escrevê-la-á muitos anos depois, é o último capítulo ("Carbono"). Desde 1942 em Milão, os sete amigos de Turim enfrentam agora a realidade. Itália ocupada, juntam-se aos partigiani, três são presos. Em novembro de 1944, Levi está no Lager; o único conto ("Cério") em que regressa ao cativeiro, ao laboratório da fábrica de borracha sintética, a Buna-Monowitz, local de trabalho para que fora selecionado. Já todos estão à espera dos «russos libertadores», há só que vencer a fome. «Roubava tudo, exceto o pão dos meus companheiros.» Encontra uns pedaços de ferrocério num armário. Descobre que podem servir como pedra de isqueiro; rouba-os, um pedaço de cada vez; molda-os; troca-os por comida. Anos depois da guerra, já anos 1960, na correspondência comercial da fábrica de vernizes que dirige (penúltimo capítulo, "Vanádio"), aparece-lhe um nome... «Müller. Numa minha anterior encarnação havia um Müller.» Acaba por escrever-lhe, e confirmar, o seu «colega produtor de vernizes» fora o responsável pelo laboratório de Buna-Monowitz. Müller tinha uma boa «(louca!)» opinião sobre a fábrica de Buna (que não chegou a entrar em funcionamento), a fábrica destinava-se a «proteger os judeus». Gostara do livro (o de 1947, edição alemã) que Levi lhe enviara, também tinha umas notas daquele período, queria conversar sobre o passado, encontrar-se com ele...


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Amélia Vieira

Judith Teixeira

A

S mulheres sempre tiveram percursos ilegítimos no contexto social quando arrojaram sair dos seus silêncios. Elas sem dúvida manifestam uma força estranha e um requinte extremo, que desafiou a grande farsa das correntes mantidas pelo prestígio dos homens que, em matéria de voluptuosidade, pareceram sempre aquém, e é sempre com espanto que as lemos na sua modernidade, na sua ousadia, no seu vanguardismo, na cor por onde o ser se mantém vivo diante dos caminhos imperiosos da inteligência estéril. Vejamos que um poeta da sua dimensão dispensa o género mas, se não fosse mulher, o genérico da sua mensagem seria muito menos representativo. Nasceu em 1880, curiosamente no mesmo dia de Virgínia Woolf, 25 de Janeiro, em Viseu. A sua obra é um imenso desfolhar de beleza, erotismo e de uma magistral forma de conceber a língua na construção dessa coisa outra que é a atmosfera onde brilha uma alma. Porém, no seu tempo, tudo lhe fora adverso. Em 1923, quando da rusga do Governador Civil de Lisboa que instaurou uma insurreição pela vontade dos Estudantes Católicos, diga-se, contra a chamada Literatura Dissolvente, cujo propósito era literalmente lançar para a fogueira este registo de coisas que punham em causa os costumes da Nação, com ela iam então António Botto com Sodoma Divinizada, Raúl Leal, e Decadência da própria Judith de Sousa, e tudo seria feito, caso Fernando Pessoa não os defendesse, ou seja, defendesse a legitimidade histórica dessas obras. Chamavam-lhe então «desavergonhada» para não mencionarem o seu nome os bons pensadores da época, que pouco ou nada ligaram também ao interdito de Pessoa. Em 1927, a poeta sai do País e o seu modernismo, a sua criatividade, a sua intervenção cívica - dirige a revista «Europa» no tempo em que os alvores da Ditadura davam então os primeiros passos. Curioso é que mesmo aqueles que eram seus pares a resolvem esquecer. E ficamos assim, ainda hoje, quase que despojados de uma singular e excelente voz em que a luxúria pareceu ter sido uma afronta, o desejo, um preço a pagar, e o talento, uma qualquer ousadia imperdoável. Se Sá Carneiro se enleia e volteia de brocados carmesins numa voluptuosidade sem par, é maravilhoso sim, mas Judith tem lá dentro o outro, que não raro sofisma ser do mesmo género em alguns dos seus poemas, o que dá azo ainda a mais controvérsia. Mas lembro que alguns poemas de Pessoa insinuam ser de mulher na primei-

bons samaritanos genuinamente morais que é o mesmo que dizer, a grande boutada que hoje escutamos - a ética. Mas ninguém reabilitou com a justiça devida a grande poeta. «Satânia», outro título inquietante, o nome dela bem como os títulos dos livros talvez anunciem um secreto preconceito muito peculiar no eterno mundo rural português. Seria ela o que todos desconfiavam e não diziam? E se o disse, todos tentaram não ouvir. As feministas do país, agora todo revolto uma outra vez, dão-lhe um espaço breve nas suas enciclopédias. Estas mulheres, não são de facto uma Judith Teixeira, são outras coisas tiradas das bainhas das calças dos homens, que desfilam sem mérito numa suposta e impactante erudição sem brio. Creio que é a Hora! A hora de fazer lembrar. Passaram-se quarenta e quatro anos e parece que chegámos sem saber aos mesmos patamares de selecto obscurantismo. Andamos ocupados, o que é compreensível, não se dissimula um estado destes apenas com Revoluções, dado que essas, vão e vêm, mas a incapacidade atávica, essa sim, é imóvel, igual, e nem uma aragem faz correr. Hoje é de novo vinte e cinco de Abril de um ano qualquer e não achei melhor tema do que este. Melhor oferenda de Liberdade! Ela, por tudo o que sei, não está, nem foi consolidada. A Liberdade continua a ser um vínculo, sempre, e para sempre, radicalmente poético. Já não há mais censura mas é como se existisse, essa censura censurável da omissão. Continuaremos pederastas e patriarcais? Muito, e bem para além disso.

A sua obra é um imenso desfolhar de beleza, erotismo e de uma magistral forma de conceber a língua na construção dessa coisa outra que é a atmosfera onde brilha uma alma ra pessoa, e muito desapercebidamente ninguém pareceu notar tal subtileza: as pessoas vêem sempre condicionadas por aquilo que acham que estão lendo, e não reconhecem a verdadeira leitura poética que é sempre mais vasta nos interstícios. «Nua», o seu livro choque. A «Capital» faz uma crítica excelente, mas a propaganda está activa, a "Revolução Nacional" varre tudo que lhe pareça vergonhoso. Dizia mesmo o artigo: “«Nua» tem de tudo: espírito, carne - e sonho. Eles revelam, com brilho e com beleza, os estados de alma dum superior

espírito de mulher”. A sociedade, essa, omite-lhe o nome, e cruelmente lhe chama «A bailarina cor de sangue», pensando eles que seria opróbrio e, nessa desforra impudica de imundície moralista, dão-lhe paradoxalmente uma bela designação. Mesmo, ou até mesmo, sobretudo Marcelo Caetano, fundador e redactor da Ordem Nova, diz isto: «Arte sem moral nenhuma». Efectivamente, Portugal nunca foi moderno. Levantou-se, sim, a acção republicana naqueles anos dourados em que muitos viram desgraça, para logo se calar, ficando-se pelas suas lendas de

O MEU CHINÊS Nos olhos de seda Traçados em viés; Tem um ar sensual O meu chinês... Às vezes numa ânsia inquietante que eu não mitigo, e que me domina, num sonho de poeta ou de heroína, fujo levando o meu Chinês comigo! E lá vamos! Nem eu sei Para que alcovas orientais. Realizar as horas sensuais.... Eu e o meu Chinês Temos fugido tanta, tanta vez! Inverno-Noite- Hora Inquieta- 1922.


(f)utilidades 17

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TROVOADA

O QUE FAZER ESTA SEMANA

MIN

Terça-feira FILME 2 “CALL ME BY YOUR NAME” Cinemateca Paixão | 21h30 1 9 4 7 3 6 5 8 2 Sexta-feira 5 8| FANSTYLE, 2 4POR1SAI HONG 9 FAN 7 6 3 EXPOSIÇÃO MMM workshop & JUJU studio | Das 18h30 às 21h30 7 3 6 2 5 8 1 4 9 FILME “CARNIVAL” 2 4 8 5 7 1 9 3 6 Cinemateca Paixão | 19h30 6 1 5 3 9 4 2 7 8 Sábado BEX9CAFE7REUNION 3 PARTY 8 6 2 4 5 1 Dream Café, Taipa | A partir das 22h00 8 5 1 6 2 7 3 9 4 DJ SET COM MARK NIGHT 4 2Pacha7| A partir 9 8 3 6 1 5 Discoteca das 23h00 3 “WHEN 6 BITSEY 9 1MET OYUN” 4 5 8 2 7 FILME Cinemateca Paixão | 21h30

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MAX

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HUM

7 6 3 52 95 9 4 17 1 1 45 64 6 8 97 9 3 9 89 8 7 3 2 41 4 6 8 1 9 62 6 5 3 74 3 4 16 71 7 8 2 95 2 2 57 5 4 3 9 1 8 7 12 1 8 4 6 5 9 64 6 3 9 25 2 78 7 5 5 9 8 7 31 3 26 2

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9O CARTOON STEPH

2 7 4 8 1 9 6 3 5

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4 1 3 9 6 2 5 7 8

6 5 8 1 7 4 3 2 9

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9 6 7 5 3 1 2 8 4

8 3 2 4 9 6 7 5 1

RAMPAGE SALA 1

16.30

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 14.30, 18.00, 21.00

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C]

AVENGERS: INFINITY WAR [B]

SALA 2

RAMPAGE [C] Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 21.30

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth

8 2 5 7 9 6 3 1 4

DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 9

3 9 1 6 5 7 8 4 2

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30

11 2 65DISCO 6 7 9 HOJE 8 1 4 UM 7 7 8 4 2 31 93 9 5 1 Um 1 disco 3 que 9 musicalmente 4 5 6 78 27 arranca o coração do ouvinte 26 2no meio 1 3de7um 9 7 8 e4 o coloca 7bouquet 32 13 1 8 7 de 5 rosas 6 4secas. Belo, agreste e complexo, 3 com 9 5diversas 1 85 camadas 8 7 6 2 que encolhem e expandem 6 82átomos 8 geradores 3 7 5de 4 9 como rock progressivo. 24 32 3 5 1 7 69 Na6minha opinião, “Lift Your Skinny 4Fists to Hea9 3Like 4 8Antennas 3 28 2 1 65 6

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ven” é o melhor disco dos canadianos Godspeed You! Black Emperor. Uma pérola suja que continua a brilhar depois do seu lançamento, há 18 anos, o segundo disco da banda canadiana é feito de ocasos e auroras carregadas de drone e das coisas boas do experimentalismo noisy e progressivo. João Luz

SALA 3

THE TROUGH [C] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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VIDA DE CÃO

Diariamente 9 4 MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM 7| Até5Domingo 3 1 4 6 2 8 9 1 3 68 6 29 2 4 57 EXPOSIÇÃO DESIGN3“HOJE, 9 9 6 75 7 8 4 12 1 1 4DE 2 8 ESTILO 9 SUÍÇO” 5 6 7 Galeria Tap Seac | Até 17/06 2 2 7 4 1 35 3 6 9 6 8 9 7 2 5 1 4 3 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” 5 5 79 7 8 6 1 3 24 5 City1Macau 4 9 7 8 6 3 2 Studio 3 6 7 2 5 1 4 9 8 6 12 1 43 4 5 87 98 2 9 8 6 3 4 7 1 5 4 38 3 2 97 9 1 5 Cineteatro 8 7 5 C 4 1I 3N 9E 2 M6 A 8 1 2 9 73 7 65 6 53 5 6 14 1 8 9 2 9 2 1 8 6 7 3 5 4 4 3 6 5 9 2 8 7 1 7 4 9 5 2 86 8 13

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www. hojemacau. com.mo

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8 54 3 28 7 7 5 1 1 79 2 2 6

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O CÃO DE WINNIE FOK 95 1 62 6 4 9 7 3 8

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PROBLEMA 10

S U D O K U

TEMPO

Em Macau não são comuns as notícias sobre a vida pessoal do Chefe do Executivo, Chui Sai On, e da sua esposa, Winnie Fok. E não têm de ser, ainda que a vida pessoal dos políticos seja um dos temas preferidos dos media hoje em dia. Apenas é do domínio público que ambos têm uma filha adoptada e que pertencem a duas importantes famílias da comunidade chinesa. São ainda mais raras as notícias sobre Winnie Fok. Contudo, a sobrinha de Henry Fok, magnata e empresário de Hong Kong, foi protagonista nas redes sociais por estes dias por ter adoptado um cão na ANIMA, ao invés de ter comprado um animal numa loja. O acto foi partilhado na página de Facebook da ANIMA e tratou-se de um exemplo, vindo de cima, para que outras famílias façam o mesmo. Numa altura em que tanto se discute a necessidade das corridas de galgos no Canídromo chegarem ao fim, é importante tornar público e reconhecer este acto da mulher do Chefe do Executivo. É também importante que seja sinónimo de uma postura do Governo em prol de uma verdadeira protecção dos animais e o fim das atrocidades contra eles cometidas. Porque, apesar de não aparecer com regularidade, Winnie Fok pode e deve ter um papel ao nível de intervenção cívica. Andreia Sofia Silva

12 8 LIFT8YOUR 36 3FISTS 95 LIKE 2 SKINNY 97 1 7 4 ANTENNAS TO HEAVEN | GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR 9 1 85 8 47 4 3 6 2 7 7 3 64 6 1 52 95 9 8 61 96 9 2 4 5 8 3 7 3 5 7 69 6 8 2 14 1 2 4 8 7 3 91 59 5 6 5 37 3 21 2 6 4 8 9 94 29 52 5 8 7 6 1 3 6 8 1 4 9 73 7 2 5

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 opinião

8.5.2018 terça-feira

OLAVO RASQUINHO

(Texto a propósito do tufão Hato, do Dr. Fong Soi Kun e da sanção sobre ele decidida) REMBRANDT, THE STORM ON THE SEA OF GALILEE

C

OMO subdirector e director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG), no período 1996-1998, ainda com Macau sob administração portuguesa, tive a oportunidade de conhecer o Dr. Fong Soi Kun, que nessa altura desempenhava as funções de diretor adjunto dos SMG. Mais tarde, de Fevereiro de 2007 a Abril de 2015, durante as minhas funções como Secretário do ESCAP/WMO Typhoon Committee, Fong foi designado o elo de ligação entre o Secretariado do Comité e o governo da RAEM. Tive então a oportunidade de testemunhar a contribuição que Fong teve para o prestígio de Macau na área da Meteorologia junto dos países membros do Comité, tendo sido durante 2007 presidente desta organização intergovernamental. Devido a este prestígio, Macau foi local de importantes eventos internacionais nas áreas da Meteorologia, Hidrologia e Redução de Riscos de Desastres, as três componentes do Comité. Também se deveu a Fong Soi Kun, coadjuvado pelo então subdirector, António Viseu, a transferência do Secretariado do Comité de Manila para Macau, na sequência de decisão tomada por escrutínio secreto entre os membros desta organização intergovernamental, tendo Macau sido seleccionado pelas condições vantajosas oferecidas pelo Governo da RAEM, com o apoio da China. No que se refere às acusações de que Fong é alvo devido às consequências do tufão Hato, é de frisar que as previsões meteorológicas, embora baseadas nas ciências Física e Matemática, estão sempre imbuídas de um certo grau de incerteza, o que motiva decisões que posteriormente poderão ser consideradas erradas. A incerteza é tanto maior quanto mais um determinado fenómeno se comporta de maneira anormal. O não levantamento mais cedo dos sinais 8, 9 e 10, no caso do tufão Hato, poderá ser justificados por essa incerteza. Entre as várias acções em que Fong Soi Kun colaborou como Diretor dos SMG, destaco um evento promovido em 8 de Junho de 2010 pelo Dr. Jorge Morbey, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, que consistiu num painel sobre “ Riscos e Proteção contra Catástrofes Naturais em Macau: o tufão de 22/23 de Setembro de 1874 ”, que decorreu em Macau no Clube C & C, nos escritórios do Dr. Rui Cunha. Os organizadores convidaram todas as entidades de Macau relacionadas com questões respeitantes a desastres naturais: Capitania dos Portos; Comité de Tufões; Corpo de Bombeiros; Direcção dos Ser-

Um dia o lobo virá…

A pesada sanção, que mais parece um assassinato de carácter, constitui uma atitude muito grave de quem decidiu, na medida em cria um clima de medo sobre os que futuramente vão decidir sobre içar ou não um determinado sinal de tufão ou de storm surge viços de Cartografia e Cadastro; Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos; Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes; Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas; Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais; Laboratório de Engenharia Civil de Macau; Protecção Civil. Destas entidades, apenas três estiveram disponíveis para participar na discussão: os SMG (representados por Fong e a meteorologista Chrystal Chang), o Comité dos Tufões (representado por mim) e o Laboratório de Engenharia Civil de Macau (representado pelo saudoso Eng. Henrique Novais Ferreira e Eng. Tiago Pereira). Uma palestra muito bem concebida sobre o tufão de Setembro de 1874, que recriava a sua formação, aproximação e consequências, foi

apresentada pelos SMG. Durante a discussão foram lançadas dúvidas se a RAEM estaria preparada para enfrentar as consequências de um tufão semelhante. A resposta foi dada em 2017 com a passagem do tufão Hato, de menor intensidade. Alguns dirigentes que foram convidados e não compareceram a esse evento ocupam, actualmente, altos cargos na administração da RAEM. Apesar de não ser raro, os responsáveis dos Serviços Meteorológicos serem chamados pelos respectivos governos ou assembleias legislativas a aprestarem esclarecimentos sobre previsões relacionadas com eventos meteorológicos gravosos, numa tentativa de dar resposta às pressões pública e mediática, foi com grande surpresa que tomei conhecimento da pesada sanção decidida pelo governo de Macau em relação ao

ex-diretor dos SMG, baseada em relatórios elaborados a quente por elementos alheios à meteorologia. É estranho não ter sido tomado em consideração o relatório de uma equipa de especialistas que incluía meteorologistas, nomeada por entidades governamentais da China (Comissão para a Redução de Desastres, Ministério para os Assuntos Civis e o Gabinete para Assuntos de Hong Kong e Macau), no qual está expresso que o tufão Hato constituiu um fenómeno com evolução difícil de prever, tendo sido caracterizado por extrema anormalidade. A expressão “extrema anormalidade”, usada nesse relatório, reflecte bem a dificuldade da sua previsão. Não se pode prever eficientemente algo de anormal. Do conhecimento que tenho do Dr. Fong, trata-se de uma pessoa muito discreta mas muito racional, que desempenhou as suas funções com competência e representou condignamente a RAEM em diversos eventos de Meteorologia e de Geofísica, contribuindo para o prestígio de Macau nestas áreas. Teve um grande azar: no fim da sua carreira foi alvo de graves acusações devido a um fenómeno que se comportou de maneira anormal, na medida em que, contrariamente ao que é estatisticamente comprovado, o Hato intensificou ao aproximar-se de terra. Também o mínimo da pressão atmosférica coincidiu com a maré alta, o que implicou a subida do nível do mar junto à costa. A pesada sanção, que mais parece um assassinato de carácter, constitui uma atitude muito grave de quem decidiu, na medida em cria um clima de medo sobre os que futuramente vão decidir sobre içar ou não um determinado sinal de tufão ou de storm surge. No futuro, em situações de dúvida, é altamente provável que sejam emitidos avisos com maior frequência, o que vai implicar situações de “aí vem o lobo…” tantas vezes repetidas que criarão no público o descrédito na informação meteorológica. O pior é que, um dia, o lobo certamente virá… Post Scriptum: Depois de ter escrito o texto acima, tomei conhecimento de um artigo científico de especialistas do Tokyo Institute of Technology (Hiroshi Takagi, Yi Xiong e Fumitaka Furukawa) intitulado “Track analysis and storm surge investigation of 2017 Typhoon Hato: were the warning signals issued in Macau and Hong Kong timed appropriately?” em que se menciona “A nossa análise do padrão da tempestade sugere que as decisões das duas regiões relativas à emissão de sinais podem ser consideradas razoáveis ou, pelo menos, não podem ser simplesmente responsabilizadas, dada o rápido movimento e intensificação do Hato e os riscos económicos associados em jogo.” (Our analysis of the storm’s pattern suggests that both regions’ decisions regarding signal issuance could be considered reasonable or at least cannot be simply blamed, given the rapid motion and intensification of Hato and the associated economic risks at stake). (Presidente da Associação Portuguesa de Meteorologia e ex-diretor dos SMG de Macau e ex-secretário do UN ESCAP/WMO Typhoon Committee)


opinião 19

terça-feira 8.5.2018

macau visto de hong kong DAVID CHAN

Á pouco tempo atrás, o jornal de Hong Kong “Oriental Daily” publicou um artigo que alertava para o facto de o aeroporto da cidade estar a ser usado por turistas e pessoas sem abrigo para pernoitar. A notícia centrava-se inicialmente em dois turistas. O primeiro, vindo da Holanda, era um homem de negócios. Este homem afirmava que o aeroporto é um local seguro e com diversas vantagens. É possível ter acesso rápido à internet e passa-se a noite sossegado. Além disso é uma forma grátis de ficar alojado. É o local ideal para ficar. O holandês disse ao jornalista que, desta vez, planeava ficar em Hong Kong por um mês. Já tem vindo várias vezes e, na maior parte delas, fica alojado no aeroporto. Como agora vem em negócios, só conta ficar no aeroporto por três dias. O nosso amigo já criou aqui uma rotina. De manhã, ao pequeno-almoço, come pão com marmelada e, à tarde, delicia-se com uma cervejinha. Já é intímo do pessoal do aeroporto e as senhoras da limpeza cumprimentam-no sempre. O outro turista, que se chama John, é um inglês com mais de 80 anos. Quando foi entrevistado empurrava um carrinho com sete malas, enquanto deambuleava pelas instalações. Afirmou ter sido professor de química durante vinte cinco anos. Há cinco anos atrás reformou-se e também se divorciou. Adora viajar pelo mundo fora. Contou que já tinha vindo a Hong mais de vinte vezes. Costuma ficar no aeroporto quase sempre. Desta vez já lá está “acampado” há vários meses. Espera regressar a Inglaterra em Agosto. John revelou que, noutras ocasiões, já ficou instalado no Aeroporto de Heathrow, Londres, e também no Aeroporto de Sydney. No entanto, neste ultimo todas as noites a polícia fazia a verificação dos bilhetes. Não era permitido passar a noite nas instalações. O Aeroporto de Hong Kong permite muita liberdade. Não existem restrições. Chega a encontrar-se aqui com os amigos. De vez em quando, empurrava o carrinho com as malas até às cabines telefónicas par ver se alguém se esqueceu de uma moeda na ranhura, embora afirme que tem dinheiro que chegue. Para além dos turistas, existem cerca de vinte sem-abrigo a dormir no aeroporto. Têm todos um entendimento tácito. Cada um deles ocupa um banco, que lhe servirá de cama. Alguns deles estão aqui como em casa. Trazem chinelos, escova de dentes e toalhas.

KEITH WOODCOCK, IMPERIAL AIRWAYS CROYDON AIRPORT IN THE 1930’S

H

Aeroporto ou hotel?

Os sem-abrigo concentram-se no Terminal 2 do aeroporto. Todas as noites uma fila de bancos vira camarata. Às 6.00h da manhã, levantam-se e vão para a casa de banho tratar da higiene. Os sem-abrigo são cada vez mais jovens. Um homem de cerca de 30 transporta os chinelos, o pijama, a louça, uma couve e noodles instantâneos num carrinho de bagagens. De dia, vai até ao 7-11 cozinhar os noodles e carregar o telemóvel. Deita-se às 10.00 da noite. O aeroporto tornou-se um paraíso para quem não tem casa. Os seguranças já estão habituados à situação. De manhã, as patrulhas diurnas cumprimentam-nos um a um, de forma amigável. Entretanto, o jornalista dirige-se a um homem de meia idade. Depois de acordar, este homem vai até à casa de banho lavar os dentes e a cara. A seguir, após mudar de roupa, dirige-se ao restaurante. Depois do pequeno-almoço, sai apressadamente e vai trabalhar. Alguns sem-abrigo trabalham. Dormem no aeroporto por ser seguro, limpo e climatizado. É muito melhor do que quartos pequenos, sufocantes e caros. Não é difícil compreender os motivos desta escolha. Devido aos elevados preços

das casas e à falta de segurança das áreas urbanas, esta parece ser uma boa opção. Eles não se importam de pagar transportes caros para ir e vir do aeroporto, é melhor do que arrendarem uma câmara mortuária. No entanto, com o afluxo cada vez maior de pessoas sem tecto ao aeroporto, vão necessariamente surgir problemas de ordem pública e de higiene. Podem criar-se conflitos potenciais entre eles o pessoal do aeroporto e alguns viajantes mais impressionáveis. Os sem-abrigo também vão afectar a imagem do aeroporto internacional de Hong Kong. O Governo deveria pensar numa estratégia para solucionar este problema.

O aeroporto tornou-se um paraíso para quem não tem casa. Os seguranças já estão habituados à situação. De manhã, as patrulhas diurnas cumprimentam-nos um a um, de forma amigável

O porta-voz do aeroporto declarou que os seguranças e a polícia patrulham frequentemente os terminais. Quando se deparam com estas situações são normalmente compreensivos. Costumam notificar a segurança social para que seja feito o acompanhamentos destes casos, ou, se necessário, é pedida a intervenção dos agentes. Antigamente, a Autoridade do Aeroporto recebia queixas sobre a estadia nas instalações de pessoas nestas condições. Também costumava ter reuniões com a polícia para discutir e seguir estes casos. De acordo com a secção 17 (1) do Decreto-Lei para a Autoridade do Aeroporto, Cap. 483A, “ninguém poderá ter comportamentos que perturbem de alguma forma as outras pessoas, na área sob esta legislação”. Processar os sem-abrigo não terá qualquer efeito prático e não vai resolver o problema. Em última análise, este pessoas escolhem o aeroporto para pernoitar porque as rendas são demasiado caras. Se este problema não se resolver, cada vez mais gente sem casa vai escolher o aeroporto para se abrigar.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas. Marquês Maricá

ÍNDIA SEGUNDA ADOLESCENTE VIOLADA E QUEIMADA EM ESTADO GRAVE

EUA TRUMP DEFENDE NOMEAÇÃO POLÉMICA DE CANDIDATA A LIDERAR A CIA

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MA adolescente indiana encontra-se hospitalizada em estado considerado grave depois de ter sido violada e queimada tratando-se do segundo caso a verificar-se na Índia nos últimos dias. “A rapariga sofre de queimaduras de primeiro grau em 70 por cento do corpo”, disse à agência France Press Shailendra Barnwal responsável da polícia do distrito de Pakur, Estado de Jharkhand, na zona oriental do país. As autoridades já interpelaram um jovem de 19 anos que vive na mesma rua da vítima de 17 anos. “Ele despejou querosene sobre a rapariga e queimou-a”, acrescentou Barnwal referindo-se ao ataque ocorrido na sexta-feira. No mesmo dia, uma outra rapariga de 16 anos, da mesma região, foi violada, agredida e queimada não tendo sobrevivido ao ataque. A adolescente foi retirada da casa onde se encontrava na altura em que a família assistia a um casamento tendo sido violada numa floresta. O principal suspeito da primeira violação é o chefe da aldeia onde ocorreram os ataques que estão a escandalizar os habitantes da zona. O Governo instaurou a pena de morte para os violadores de crianças menores de 12 anos depois do caso da violação em grupo de uma criança de oito anos, de origem muçulmana, na aldeia hindu de Kathua, Estado de Jamnu Caxemira, norte da Índia. Cerca de 40 mil mulheres foram violadas na índia em 2016, mas as autoridades admitem que o número pode ser superior porque muitos casos são silenciados pelas próprias comunidades.

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Abrir mão Temer admite não ir a votos para apoiar candidato do centro

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Presidente do Brasil, Michel Temer, admitiu ontem que pode desistir de participar nas próximas eleições presidenciais do país, que se realizam em Outubro, para apoiar um candidato que possa agregar apoio de vários partidos. “Se necessário abro mão [da candidatura] com paz de espírito. Não haveria dificuldade”, disse o Presidente brasileiro, numa entrevista ao programa Power Focus, exibido na rede de televisão SBT. Michel Temer, cuja popularidade está abaixo de 6 por cento, disse que para ele desistir da reeleição será necessário que as forças políticas do Brasil se unam em torno de apenas um candidato “de centro”. “Se queremos que o centro [vença] não podemos ter sete ou oito candidatos. A classe política precisa mobilizar-se para escolher um nome”, afirmou o chefe de Estado. O Presidente brasileiro citou os pré-candidatos Geraldo Alckmin,

Flávio Rocha, Afif Domingos e Paulo Rabelho de Castro como possíveis para representarem os partidos do centro. O nome do actual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que lançou sua pré-candidatura à Presidência no início de Março, também foi incluído por Michel Temer nesta lista. O Presidente abordou ainda a possibilidade de o ex-juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ser candidato e consiga eleger-se Presidente do Brasil. Joaquim Barbosa, negro, de origem humilde e que teve uma forte popularidade quando foi relator de um julgamento sobre um escândalo de suborno que ocorreu no Governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apareceu nas últimas sondagens como um dos candidatos que tem hipóteses de vencer as eleições. Para Michel Temer, porém, estas caraterísticas não devem ser decisivas. O Presidente brasileiro

disse que não acredita que o antigo magistrado terá sucesso na corrida presidencial apenas “por ser negro ou porque ele era pobre”. “Se me permite, eu discordo do facto de que ele poderá ser o Presidente porque é negro ou porque era pobre. Pobre, eu também fui. Lula era pobre. Esta não será a razão que fará alguém ser ou não Presidente “, disse Michel Temer. Michel Temer voltou a defender o seu Governo e a continuidade do seu trabalho, frisando a importância de projectos como as mudanças no sistema de pagamento de pensões de reforma e a privatização da Eletrobras. O chefe de Estado brasileiro mostrou-se visivelmente incomodado com as perguntas de jornalistas sobre as acusações de que ele supostamente teria usado o dinheiro ilícito para pagar obras em casa da sua filha. A polícia está a investigar se as obras na casa de Maristela Temer foram pagas ilegalmente, depois de fornecedores de material daquela obra terem admitido que receberam dinheiro em espécie das mãos da mulher do coronel João Batista Lima Filho, amigo íntimo do Presidente brasileiro, como pagamento dos seus serviços.

Economia Eurodeputados visitam China para abordar questões comerciais Uma delegação da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu está na China para abordar questões comerciais, depois de os Estados Unidos terem aumentado as taxas alfandegárias sobre o aço e alumínio oriundos da China. A delegação, chefiada pelo presidente da comissão, Bernd Lange, vai reunir-se com funcionários do ministério chinês do Comércio, dirigentes do Partido Comunista da China, representantes de sindicatos e membros da comunidade empresarial europeia, detalhou PUB

terça-feira 8.5.2018

PALAVRA DO DIA

um comunicado da delegação da União Europeia (UE) em Pequim. Os eurodeputados vão abordar as taxas recentemente impostas pelos EUA sobre as importações de aço e alumínio, o excesso de capacidade de produção, um acordo bilateral de investimento, acesso ao mercado chinês e direitos de propriedade intelectual, detalha a mesma nota. A UE alertou já, por várias vezes, para os perigos para a economia mundial de uma guerra comercial.

Presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu ontem Gina Haspel, nomeada para presidir à CIA e que deverá ser ainda confirmada pelo Senado, após críticas à sua alegada participação em actos de tortura após o 11 de Setembro. “Aminha muito respeitada nomeada para ser directora da CIA, Gina Haspel, foi criticada porque foi demasiado dura com os terroristas”, disse Trump na sua conta na rede social Twitter. O Presidente lamentou que, “nestes tempos tão perigosos”, os EUA tenham “a pessoa mais qualificada, uma mulher, que os democratas queiram fora porque é demasiado dura com o terror”. Haspel, que assumiu interinamente a direcção da CIA há duas semanas, deverá submeter-se na quarta-feira a um processo de confirmação no Senado que se antevê complicado devido às acusações sobre a sua alegada participação em actos de tortura. O diário The Washington Post escreveu na sexta-feira que Haspel estaria a ponderar retirar a sua candidatura antes da sessão no Senado para proteger a sua imagem e a da CIA. No entanto, funcionários da Casa Branca disseram, entretanto, que o Presidente mantém o seu apoio e que Haspel não irá retirar-se. Os ‘media’norte-americanos têm acusado Haspel de ter sido a máxima responsável de uma prisão secreta na Tailândia, para a qual foram transferidos vários presumíveis terroristas islamitas que sofreram graves formas de tortura.

Hoje Macau 8 MAI 2018 #4046  

N.º 4046 de 8 de MAI de 2018

Hoje Macau 8 MAI 2018 #4046  

N.º 4046 de 8 de MAI de 2018

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