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Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Director carlos morais josé • sextA-feira 8 de março de 2013 • ANO XII • Nº 2807

pouco nublado min 16 max 25 hum 30-80% • euro 10.2 baht 0.2 yuan 1.2

especulação imobiliária

Pereira Coutinho entrega proposta de lei sobre o arrendamento que prevê mudanças

violência doméstica

a triste história de chan página 5

discriminação

ONU confirma ter recebido carta de Jason Chao Página 2

Chega de aumentos

José Pereira Coutinho fez chegar à Assembleia Legislativa um projecto de lei sobre o arrendamento do imobiliário privado destinado à habitação. Para o deputado urge travar o aumento exagerado das rendas e impedir que os senhorios aumentem os valores nos dois primeiros anos, duração legal do primeiro contrato de arrendamento. “É preciso deixar de colocar os inquilinos numa posição de terem que aceitar esses aumentos ou terem que sair da casa”, referiu o legislador na nota justificativa entregue na AL. A iniciativa, uma novidade, espera agora admissão do presidente do organismo, Lau Cheok Vá. Página 3

wynn vs okada

Empresa retira algumas queixas contra japonês página 7 pub

educação

Governo disponibiliza 690 milhões para 2013 página 6

Ter para ler Venham mais cinco (séculos)

h

• a demanda do Tao

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política

sexta-feira 8.3.2013

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Carta enviada por Jason Chao à ONU vai chegar a Pequim e traz recomendações a Macau

Confirmada recepção de documento Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou ter recebido a carta enviada pelo Grupo de Defesa dos Direitos da Comunidade LGBT de Macau. Enviada no dia 1 de Março pelas mãos do co-fundador do grupo, Jason Chao, o documento apresentava uma queixa contra o território, assegurando que o Governo está a violar a Convenção Internacional dos Direitos Políticos e Civis por ter retirado da Lei de Combate e Prevenção à Violência Doméstica o artigo que incluía a protecção a co-habitantes do mesmo sexo. Em declarações ao Hoje Macau, Jason Chao afirma que a intenção não é chegar ao Tribunal de Haia, a instituição internacional de justiça que tem como principal função resolver conflitos jurídicos a ele submetidos e emitir pareceres sobre questões jurídicas apresentadas pela ONU. Ainda assim, assegura que, caso as autoridades da RAEM não voltem atrás na decisão do que considera “discriminação”, o Grupo de Defesa dos Direitos da Comunidade LGBT de Macau tenciona insistir. “O envio da nossa carta não tem nada a ver com a instauração de um processo judicial, só queremos dar prioridade ao cumprimento dos Direitos Humanos”, diz Jason Chao. “Em duas semanas, vai ser revelado o relatório sobre a forma como Macau trata os direitos humanos. Eles receberam a nossa Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

inda não existem quaisquer datas concretas para o Governo avançar para a fase legislativa que vai criar o regime de credenciação dos assistentes sociais, a fim de profissionalizar o sector. Depois do relatório final da consulta pública ter sido publicado em Dezembro último, só agora é que o conselho de acção social, do Instituto de Acção Social (IAS) abordou o assunto, no âmbito da primeira sessão plenária do ano. No encontro ficou decidido que a proposta de lei só vai começar a ser redigida depois do resultado da consulta pública ser analisado por uma comissão ‘ad hoc’, que ainda não está criada e que deverá reunir de dois em

queixa e vão enviar recomendações ao Governo de Macau e o Governo terá de as seguir, caso contrário a Comissão dos Direitos Humanos da ONU poderá fazer algo.” Jason Chao confirma que a carta enviada pelo grupo foi recebida, porque a ONU disponibiliza o relatório no seu site, tornando-a de acesso público. A acção de Jason Chao e dos restantes membros do grupo vai ser reportada a Pequim, uma vez que tomou as proporções de chegar ao comité dos Direitos Humanos da ONU. “Pequim vai falar com Macau, uma vez que o território tem de cumprir a Convenção Internacional dos Direitos Políticos e Civis. “Se Macau não cumprir as recomendações, claro, vamos fazer mais acções.”

Lacunas na lei

A carta enviada à ONU indica que o Instituto de Acção Social (IAS) lançou a primeira versão do projecto de lei em consulta pública ainda contendo o artigo que referia que as relações entre vítima e abusador incluíam pessoas do mesmo sexo com quem o agente mantinha ou mantém relações próximas e seus ascendentes e descendentes. O motivo que leva o grupo LGBT a elaborar a queixa chega depois do IAS decidir dar um passo atrás. “Meses depois da consulta pública, o IAS publicou em Novembro de 2012 a conclusão, onde referia que os casais do mesmo sexo tinham sido retirados da lei”, escreve o grupo na carta para a ONU. “A justificação dada foi que não havia

consenso sobre o facto de pessoas do mesmo sexo serem consideradas como membros da mesma família.” As denúncias do Grupo de Defesa dos Direitos da Comunidade LGBT contam ainda episódios da Assembleia Legislativa, onde o IAS terá respondido a uma interpelação de um deputado que a remoção do casal do mesmo sexo da lei contra a violência doméstica será para pre-

venir “mudanças no sistema legal”, uma vez que “não há qualquer lei que mencione a co-habitação entre casais do mesmo sexo”. Na carta enviada à ONU, é ainda mencionada a falta de igualdade perante os homossexuais. São diversas as leis em Macau onde não se incluem os LGBT, como é o caso do casamento e da união de facto, recorda o Grupo.

No ano passado, uma reportagem feita pelo Hoje Macau indicava também que o Código Penal pune mais severamente crimes com causas específicas, tais como “ódio racial”, religião ou política. Contudo, não existe qualquer referência a questões de orientação sexual, ao contrário do que sucede, por exemplo, em Portugal ou no Reino Unido.

Lei só avança depois da análise da nova comissão ‘ad hoc’

Regime dos assistentes sociais sem calendário dois meses, embora possam existir “reuniões extraordinárias”. “Queremos ser o mais rápidos possível para iniciar o processo legislativo. Encontrámos muitas opiniões divergentes e temos de as analisar. Tudo depende da comissão especializada, de quanto tempo vai levar para se chegar a um consenso. Não temos um calendário, depende muito do ponto de situação dos trabalhos da comissão nos próximos meses”, garantiu Zhang Hong Xi, do conselho de acção social. Este grupo será composto por 20 elementos, sendo que dez pertencem

ao conselho de acção social do IAS e outros pertencem a associações do sector, ou são, eles próprios, assistentes sociais. “Quando for criada a comissão especializada, a composição vai ser divulgada”, garantiu Zhang Hong Xi. “Trata-se de uma comissão ‘ad hoc’, que vai servir para analisar a revisão do regime, analisar todas as opiniões recolhidas e ouvir mais sobre a legitimidade e legalidade de todos os aspectos”, acrescentou.

SAFP querem dois regimes

Uma das principais criticas apontadas no relatório final

do processo de consulta pública diz respeito ao pedido de inserção dos assistentes sociais que trabalham na Função Pública,

mas o IAS ainda não tem a certeza se isso vai, de facto, acontecer. “Neste âmbito, durante e após a consulta, mantivemo-nos

Subsídios especiais alargados Na mesma conferência de imprensa, o IAS anunciou que irá alargar o subsídio especial a quem seja portador de demência, autismo e epilepsia, sendo que o subsídio deverá começar a ser pago a partir do próximo mês de Abril. “Vamos fazer ajustamentos a cada seis meses, e em meados de Julho será feito o próximo”, garantiu a entidade sobre os muitos apoios para este ano. Ficou ainda a promessa de abertura de mais cinco creches com 1400 vagas e de um novo lar de idosos na Taipa, “de grande envergadura”, com 300 vagas, cujo projecto ainda está por delinear. O que se mantém é a actualização do subsídio de apoio à velhice, que sobe para 6600 patacas anuais, algo que será feito no final do ano.

em contacto com os colegas da área jurídica dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). Ainda estamos a ver essa possibilidade através da criação de uma carreira especial. Temos de analisar os regimes e princípios. Mas segundo os SAFP, haver dois regimes para a mesma carreira é natural, porque a forma de recrutamento e a progressão da carreira são diferentes. O nível de exigência e profissionalismo deve ser igual, mas podem ser em regimes separados. Iremos clarificar esta questão”, explicou Zhang Hong Xi.


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política

Projecto de lei entregue na AL impede actualizações de renda demasiado elevadas e espontâneas

ção. O objectivo é precisamente licenciar os agentes imobiliários que exercem a actividade em Macau, até porque o próprio Governo admite que a falta de legislação neste sentido prejudica os direitos do consumidor. O projecto não especifica se será aplicável aos arrendamentos, uma vez que fala apenas em “transacção”. Por isso mesmo, o deputado considera que esta ausência criou uma situação de “verdadeira emergência social no mercado imobiliário da RAEM” e sugere, além de outras coisas, que num período transitório de dois anos as rendas dos imóveis destinados à habitação sejam congelados, não podendo sofrer quaisquer aumentos ou actualizações. Em 2012 o preço de compra da habitação subiu 46%, fixando-se no final de Dezembro de 2012 em 70.407 patacas por metro quadrado contra 45.540 patacas por metros quadrados em Dezembro de 2011. No mesmo período, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos reporta que a taxa de inflação anual, sem considerar o custo de habitação, atingiu 6,11%. “Desde há muito que se faz sentir uma forte especulação no mercado imobiliário, que tem a sua principal origem em investidores do exterior que procuram adquirir imóveis no território da RAEM não para os habitarem, mas para aguardarem pela sua valorização e assim captarem mais-valias aquando da revenda. Numa economia capitalista de mercado aberto, nada há a apontar a estes investidores capitalistas, mas é também certo que não é razoável continuar a permitir que o universo das habitações da RAEM, em resultado de investimentos puramente especulativos do exterior, veja os seus valores subirem para preços que não estão ao alcance da maioria da população”, defende a nota justificativa. Resta agora esperar pela eventual admissão da AL, para que o projecto de lei possa ser discutido entre os deputados.

sexta-feira 8.3.2013

O passo que faltava tiago alcântara

Um projecto de lei sobre o arrendamento do imobiliário privado destinado à habitação foi entregue na Assembleia Legislativa por José Pereira Coutinho. O deputado considera urgente travar o aumento exagerado das rendas e impedir que os senhorios possam aumentar os valores nos dois primeiros anos de contrato. A proposta – a primeira do género - espera agora admissão de Lau Cheok Vá, presidente do hemiciclo Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Assembleia Legislativa (AL) recebeu no final do mês passado um projecto sobre a Lei do Arrendamento, entregue pelo deputado José Pereira Coutinho. Segundo a nota justificativa que acompanha a proposta do diploma – ainda não admitido na AL -, a ideia é proteger os inquilinos, impondo limites à actual liberdade contratual. Acabar com a hipótese das rendas serem “actualizadas livremente”, sem terem como base a inflação, e impedir que os valores dos arrendamentos possam ser alterados no decorrer dos primeiros dois anos obrigatórios de contrato são dois dos pontos fulcrais da proposta de lei. “[O projecto] visa dar resposta ao excessivo aumento das rendas ocorridos nos últimos anos, onde muitas vezes os senhorios impuseram actualizações de rendas demasiado elevadas aos inquilinos, colocando os inquilinos numa posição de terem que aceitar esses aumentos ou terem que sair da casa”, contesta Pereira Coutinho na nota justificativa entregue ao hemiciclo. O projecto de lei propõe que as rendas dos imóveis destinados à habitação passem a ser actualizadas anualmente em função do índice de inflação apurado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. “Em caso de violação deste regime legal de actualização de rendas, a proposta de lei determina a existência de uma responsabilidade civil contratual por danos causados com o excesso de renda cobrado, bem como a aplicação de in-

fracções administrativas, ou em casos mais graves mesmo uma responsabilidade penal.” O projecto redigido por Pereira Coutinho incumbe o Instituto da Habitação de fiscalizar o regime da actualização de rendas e impor as sanções administrativas que punem o senhorio caso este decida impor aumentos de rendas exces-

sivos e em desconformidade com os limites previstos no diploma.

Controlar aumentos

Recorde-se que, quando o Governo anunciou oito medidas para travar a especulação no mercado imobiliário de Macau, frisou não ser viável a implementação de regras para controlar problemas como o

aumento exacerbado das rendas no mercado imobiliário privado. Na altura, Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, justificou a ausência de medidas devido ao mercado ser livre em Macau. Na Assembleia Legislativa está a Lei de Mediação Imobiliária, actualmente à espera de aprova-

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APOMAC elege corpos gerentes no próximo sábado

Fão e Manhão na frente

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Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) vai eleger os seus corpos gerentes no próximo dia 9 de Março. Francisco Manhão encabeça a lista como presidente da direcção, ao lado de Alberto dos Santos, que actua como vice-presidente da associação. A lista do actual responsável da APOMAC continua a integrar Jorge Fão como o presidente da Assembleia Geral, entre outras 12 pessoas nomeados. Se eleitos, os novos membros administrativos da associação vão ficar nos cargos até 2016, altura em que haverá novas eleições. A lista de candidatura de Francisco Manhão tem como lema “Fazer mais e melhor” pela APOMAC, e os membros comprometem-se a apresentar ao Governo uma proposta que

visa rever a legislação respeitante à atribuição da Pensão de Sobrevivência ao cônjuge do funcionário ou aposentado da função pública, no sentido de aumentar a taxa percentual de 50% para 60% do valor da pensão. Entre outras promessas, a lista de Manhão frisa ainda querer organizar um maior número de passeios turísticos nas proximidades de Macau, reforçar e melhorar os serviços prestados pela Clínica de Saúde da associação, propondo a criação de novos serviços e aquisição de melhores equipamentos e ainda continuar a prestar o necessário apoio aos associados junto da Caixa Geral de Aposentações em Portugal e do Fundo de Pensões de Macau. A eleição dos corpos gerentes começa às 14h30 de sábado. - J.F.


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política

sexta-feira 8.3.2013

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Casos de SIDA aumentam no território, mas autoridades descartam preocupação

O valor mais elevado da década em Macau

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acau registou, no ano passado, 33 novas infecções por VIH, o valor mais elevado da década, mas o presidente da Associação para os Cuidados da SIDA de Macau, Dennis Cheang, referiu que a situação está sob controlo. “As informações relativas a 2012 não significam que se esteja a verificar uma mudança no que diz respeito à situação da SIDA em Macau”, apontou o dirigente da organização não-governamental, sustentando que o aumento dos casos, em termos anuais, foi ligeiro. Em 2011, foram declaradas 21 infecções por VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) contra as 33 de 2012, segundo os dados dos Serviços de Saúde, que dão ainda conta de uma subida do número de

casos que evoluíram para SIDA, de quatro para 13. “Não estamos muito preocupados”, apontou Cheang, realçando que, na realidade, a taxa pode ser considerada “baixa” e como estando “sob controlo”. Mais turistas e pessoas oriundas de diferentes países têm vindo para Macau ao longo da última década, pelo que é mais provável que haja mais infecções por VIH, sustentou, referindo que a associação continua a promover acções no sentido de elevar o conhecimento sobre a SIDA, tentando ainda diminuir a eventual discriminação dos seropositivos. A principal via de transmissão é a sexual (57,5% do total) - dos quais 12 casos ocorreram por via heterossexual e sete por homossexual/bissexual - seguida da utilização de drogas injectáveis,

com quatro casos ou 12%. Já nos restantes dez casos sinalizados em 2012, a via de transmissão é “desconhecida”. O sexo masculino continua a ser o mais afectado: 20 dos 33 casos de VIH e 11 dos 13 de SIDA envolviam homens. Segundo os mesmos dados, quatro em cada dez infecções por VIH diziam respeito a residentes locais. Cumulativamente, desde 1986 até ao final de Dezembro do ano passado, o número de casos de infecção por VIH detectados em Macau foi de 508, dos quais 45% envolviam “residentes temporários ligados à indústria de diversões”. Do total, 73 evoluíram para SIDA. - Lusa

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8 de Março de 2013

Aviso Tendo por objectivo de melhorar a qualidade dos serviços de telecomunicações, a CTM irá efectuar a actualização dos seguintes projectos, nos próximos dias 9 e 10 de Março de 2013 respectivamente, a saber: Data/Hora

Projectos

Serviço Afectado

Das 00h30 às 05h00, 9 de Março de 2013

Actualização e manutenção da Plataforma de Serviços Móveis Pré-pago

Alguns serviços da Plataforma Pré-Paga Móvel, como a activação de cartões novos, consultas a saldos, o carregamento de cartões, aplicações de valor acrescentado e o acesso ao código USSD podem vir a ser interrompidos intermitentemente. Os restantes serviços não serão afectados.

Das 02h00 às 07h00, 9 de Março de 2013

Actualização e manutenção da rede de Internet

Alguns utilizadores nas zonas da Rua de São Paulo e Avenida de Almeida Ribeiro poderão ter o seu serviço de Internet de Banda Larga eventualmente interrompido durante 5 minutos.

Das 02h00 às 07h00, 10 de Março de 2013

Actualização e manutenção da rede de Internet

Alguns utilizadores nas zonas da Ilha Verde, Areia Preta, Iao Hon, Av. Coronel Mesquita, Avenida do Sidónio Pais, Mercado Vermelho e Colina da Penha poderão ter o seu serviço de Internet de Banda Larga eventualmente interrompido durante 5 minutos.

Caso encontre deficiências da cobertura móvel durante o período de actualização, a CTM sugere aos seus utilizadores que procedam da seguinte maneira: desligar e tornar a ligar novamente o seu aparelho móvel permitindo assim a conexão à rede móvel da CTM. Para informações detalhadas queira contactar a Linha de Serviço da CTM: 1000. Agradecemos a atenção dispensada e apresentamos as nossas desculpas pelo incómodo que possa a vir causar. Companhia de Telecomunicações de Macau, S.A.R.L.


sexta-feira 8.3.2013

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Cecília Lin

cecília.lin@hojemacau.com.mo

C

han Sio Mui (nome fictício) casou com o homem que a faria sofrer durante anos sem o seu coração bater de amor. Foi em Fujian, província do continente, que aconteceu o enlace ditado pelas conveniências sociais, apoiado por amigos em comum. Os anos que se seguiriam seriam de sofrimentos físicos e psicológicos, que ainda hoje permanecem no rosto e na memória de Chan: à medida que fala da violência doméstica de que foi vitima, as lágrimas caem-lhe do rosto. Gesticula muito, à medida que as palavras lhe saem. “Ele sempre me bateu quando estava bêbedo, depois do trabalho. Gravava as minhas conversas com outras pessoas em casa, porque nunca tinha confiança em mim. Não sei ler nem escrever, e no início não sabia que ele gravava as minhas conversas em casa”, conta. Em 1995 nasceu a filha de Chan, hoje com 18 anos. Chan pensava que tudo iria melhorar, mas foi o contrário. Em 2004 veio para Macau e passou a estar dependente do marido devido a questões de migração. “Antes de 2005, quando obtive o meu BIR, tinha sempre de voltar a Fujian a casa três meses. O meu marido também não tinha BIR, só autorização de residência, mas depois conseguiu. Eu tenho o BIR porque sou esposa dele.” Até então, nunca trabalhou fora de casa. “Ele nunca me tratou bem e tinha uma amante. Sempre

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tiago alcântara

Depois do debate na Fundação Rui Cunha sobre a violência doméstica, em que o director dos Assuntos de Justiça frisou que ainda analisar se será ou não um crime público, o Hoje Macau foi à procura das vítimas, mas apenas uma aceitou contar a sua história. Apesar de ter trabalho e de viver numa casa com a filha, ainda hoje a senhora Chan tem medo de encontrar o marido na rua e de perder o apoio do Centro Bom Pastor, que a acolheu

sociedade

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De nome Chan, a mulher que falou ao Hoje Macau, sofreu abusos físicos do marido até 2006

Quando a violência ultrapassa a vergonha do divórcio quis dar tudo à minha filha, e já suportei muita coisa, mas ele nunca fazia nada, nem cuidava das coisas em casa nem me dava dinheiro para comprarmos comida. Tinha de cuidar dos filhos de outras pessoas, porque os pais trabalhavam fora de Macau e só precisava de cuidar deles à hora das refeições e ganhava entre duas a três mil patacas, e essa era a minha fonte de rendimento”, diz a senhora Chan.

Policias disseram para retirar queixa

A sua chegada a Macau ficaria marcada pela descoberta de que a filha sofria de epilepsia. Mas nem aí o marido deu uma ajuda. “No início o meu marido não me deixava levar a minha filha para o hospital, dizia que não era uma doença mas sim um espírito mau que estava no seu corpo. Fui eu que a levei secretamente para o hospital. O meu marido nunca

bateu na minha filha, mas com esta doença ela não podia ver mais as cenas de violência em casa, e isso piorou a doença.” Com o passar dos anos, Chan conseguiu trabalhar fora de casa e aí a sua situação acabou por ser descoberta pelos colegas de trabalho. “Propuseram que eu chamasse a polícia, porque não conseguia andar com as feridas que tinha nas pernas. Mas eu achava que não ia ajudar em nada. Quando fui parar ao hospital, os médicos chamaram a polícia por mim.” Nesta fase tomou contacto com a dura realidade: as autoridades chegaram a propor-lhe retirar a queixa no prazo de três meses, a bem da harmonia familiar. Levaram-na à assistência social do Instituto de Acção Social (IAS), mas os profissionais também lhe disseram que deveria regressar a casa. O alerta chegou quando Chan foi posta na rua com a filha nos

braços. “O meu marido bateu-me e pôs-me fora de casa. Não tinha um sitio para ficar e acabei por dormir na polícia. No dia seguinte a policia descobriu-nos, chamou os assistentes sociais para nos encontrarem alojamento.” Para ela, o contacto com as autoridades foi “complicado”. “Não sei assinar os documentos e tinha de usar a minha impressão digital. Algumas vezes em que fiquei na policia, ainda me perguntaram se tinha sido eu a culpada. Um amigo meu, uma vez, sabia da minha situação e chamou a policia, mas o meu marido começou a chamar-lhe nomes.” A fuga passou a ser a única opção. Chegou a regressar a casa, mas foi ameaçada de morte. “Os assistentes sociais e os policias, no inicio, não acreditavam que ele poderia estar a falar a sério, mas depois viram que eu e a minha filha estávamos numa situação muito má.” Foi aí que Chan e a

filha chegaram ao Centro Bom Pastor, dirigido por Juliana Devoy, em 2006.

O medo

Com a entrada no centro, Chan pôde contar com a ajuda de Juliana Devoy. Conseguiu encontrar um trabalho numa escola, bem remunerado, o que lhe permitiu alugar uma casa com a filha. Neste momento, ainda tem documentação legal pendente com o marido, no que diz respeito à casa que compraram em 2007 e ao divórcio decretado pelo tribunal, que o marido nunca aceitou. “Os assistentes sociais chegaram a perguntar porque é que eu não voltava para casa, mas depois propuseram-me o divórcio. Eu disse que na minha terra uma pessoa divorciar-se com 40 ou 50 anos é uma vergonha, não faz sentido. Mas a minha filha disse que era o que eu devia fazer.” Com a doença da filha curada, Chan já pensa nos seus estudos universitários, caso o Governo lhe dê apoio financeiro. Se não, terá de ir trabalhar. Gostava de ter uma habitação económica, mas não é residente permanente. Sobre o lado jurídico da realidade que viveu, apenas diz que “é bom uma pessoa chamar a policia para proteger as vitimas de violência”. No momento em que deixamos Chan, no Centro do Bom Pastor, esta vive em estabilidade com o medo sempre à espreita – afinal de contas, o marido está solto e pode encontrá-la. Tem medo que um dia Juliana Devoy já não a possa proteger mais, quando deixar de coordenar o centro – sente que aí estará por sua conta e risco.


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sociedade

sexta-feira 8.3.2013

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Orçamento do Fundo de Desenvolvimento Educativo é maior em 2013

Ensino recebe 690 milhões

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) garantiu mais 140 milhões de patacas para o Fundo do Desenvolvimento Educativo (FDE) para o ano de 2013, em comparação ao ano anterior. À parte deste orçamento também foram disponibilizados 470 milhões de patacas para a “realização de grandes obras de reconstrução e ampliação de instalações escolares”, indica o Governo ao Hoje Macau rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

orçamento do Fundo de Desenvolvimento Educativo (FDE) para 2013 é de 690 milhões de patacas. O valor disponibilizado pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) garantem assim mais 140 milhões de patacas no corrente ano comparativamente a 2012 (cujo orçamento foi de 550 milhões), segundo indicou o Governo ao Hoje Macau. No ano passado, 100 escolas foram financiadas para 720 projectos, ao abrigo do Plano

de Desenvolvimento das Escolas, programa incluído no FDE, indicou a DSEJ, em resposta enviada ao Hoje Macau. Os projectos, relacionados com os alunos, foram divididos em três domínios: melhoria da capacidade linguística, cultivo das suas qualidades morais e cívicas e promoção da aprendizagem descontraída e eficaz, explica a direcção tutelada por Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. “Os conteúdos incluem aprendizagem da língua, educação moral, promoção da leitura, ensino técnico-profissional,

tiago alcântara

Rita Marques Ramos

Empresa onde Ao Man Long ainda possui acções continua a operar

Governo prolonga contrato com CSR até Outubro O

Executivo decidiu aumentar o prazo de concessão no tratamento e recolha de resíduos à Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) até ao dia 31 de Outubro, devido ao facto de ainda estar a analisar as cinco propostas das empresas que se candidataram ao concurso público para esse sector. A confirmação chegou ontem através de uma nota oficial do Executivo. “Atendendo ao interesse do público e à imagem da cidade turística de Macau, assim como à transferência, com sucesso, dos serviços referidos, o Governo da RAEM

decidiu prorrogar o prazo de prestação de serviços até ao dia 31 de Outubro do corrente ano, nos mesmos termos e condições do contrato assinado com a CSR Macau, para que haja tempo suficiente para se proceder aos preparativos da transferência de trabalhos.” Recorde-se, no entanto, que o ex-secretário das Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, actualmente a cumprir pena por corrupção, ainda detém uma posição accionista na empresa. O concurso público teve inicio no dia 19 de Fevereiro e, neste momento, o Executi-

vo garante que está a avaliar as cinco propostas recebidas. “A avaliação das propostas do concurso público para o contrato de prestação de serviços encontra-se em curso de modo intensivo, estando a ser envidados todos os esforços para se concluir e publicar o resultado da avaliação das propostas o mais rapidamente possível”, aponta o comunicado. A nova concessão será para um prazo de dez anos e o Executivo considera que necessita de ser “rigoroso, prudente e cauteloso” na análise das candidaturas. - A.S.S.

Jornal Ou Mun recebeu 160 mil patacas por publicidade O diário de língua chinesa Ou Mun, cujo director é o delegado por Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) Lok Po, publicou ontem uma publicidade de uma página inteira às novas notas do ano da serpente, pela qual recebeu 160 mil patacas. A questão está a gerar polémica porque a publicidade é encomendada por uma empresa local que pede para que se comprem notas dos

residentes para posterior revenda. Roy Choi, membro da Associação Novo Macau (ANM), foi o autor da divulgação do valor recebido pela publicidade. Os residentes falam de incitamento à especulação e Si Ka Lon, parceiro politico do deputado Chan Meng Kam, disse à imprensa chinesa que o jornal “só pensam em dinheiro, incita à especulação e traz danos aos residentes”. - C.L.

promoção da saúde escolar ensino integrado, reparação dos edifícios escolares e actualização de equipamentos, formação de docentes”, enumerou a direcção, explicitando ainda outras áreas no âmbito do ensino afectas aos estudantes. Por outro lado, a DSEJ ainda adiantou outro subsídio global para além dos pedidos anuais. “O FDE financiou também a realização de grandes obras de reconstrução e ampliação de instalações escolares, obras urgentes de reparação ou aquisição de equipamentos, renovação ou suplemento dos computadores dos alunos

e dos portáteis do pessoal docente, sendo o montante total do subsídio de 470 milhões patacas”, avança. A DSEJ não avança, no entanto, se todo o montante de 2012 foi atribuído, embora, tal como foi publicado na quarta-feira em Boletim Oficial, só no quarto trimestre foram garantidos mais de 185 milhões de patacas, o que representa cerca de 58% do total dos montantes atribuídos pelo FDE. O organismo faz crer que ainda não foram entregues candidaturas, para o ano lectivo de 2013/2014, para a realização dos planos e actividades educativas. “As escolas, de acordo com os seus próprios conceitos e características de ensino, o seu rumo de desenvolvimento e capacidade assumida, irão entregar os seus pedidos. O FDE considerará, avaliará e analisará, amplamente, a situação de desenvolvimento das escolas, o nível detalhado dos planos, a participação dos intervenientes, a racionalidade dos orçamentos e a eficácia do desempenho, entre outros aspectos, para conceder subsídios”, frisou.

Trocas comerciais entre China e Lusofonia caem em Janeiro

Menos compra e venda com Portugal

A

s trocas comerciais entre a China e a lusofonia caíram 0,07% em Janeiro face ao mês homólogo de 2012 para 9,25 mil milhões de dólares, revelam os dados da alfândega chinesa. As estatísticas ontem divulgadas pelo Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau indicam que a segunda economia mundial comprou, em Janeiro, aos oito países lusófonos produtos no valor de 5,80 mil milhões de dólares, menos 4,70% do que no mesmo mês do ano passado. Por outro lado, a China exportou para a lusofonia produtos no valor de 3,45 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 8,78% em relação ao primeiro mês de 2012. O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com

um volume de trocas comerciais de 5,51 mil milhões de dólares, menos 13% do que em Janeiro do ano passado. As exportações brasileiras ascenderam a 2,71 mil milhões de dólares menos 26,63%, enquanto as compras à China totalizaram 2,79 mil milhões de dólares, mais 6,16% do que em Janeiro de 2012. Já com Angola, o segundo parceiro chinês no mundo lusófono, as trocas comerciais aumentaram 32,87% para 3,31 mil milhões de dólares, com vendas à China de 2,93 mil milhões de dólares, mais 30,51%, e compras de 375 milhões de dólares, mais 54,81% face a igual período de 2012. Com Portugal, o terceiro parceiro económico da China na lusofonia, as trocas comerciais registaram uma queda de 9,92% para 295 milhões de dólares numa balança comercial favorável a Pequim, que vendeu produtos no valor de 193 milhões de dólares, menos 10,31% do que em Janeiro de 2012. As exportações de Portugal para a China também caíram no primeiro mês do ano 9,18% para 101 milhões de dólares. - Lusa


sexta-feira 8.3.2013

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Wynn retira algumas queixas contra Okada. Projecto nas Filipinas terá sido apresentado a Steve Wynn

Recuar em tribunal Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

K

azuo Okada enfrenta menos processos na justiça norte-americana depois de a Wynn Resorts ter decidido retirar algumas queixas contra o nipónico. O anúncio foi feito pelo próprio empresário japonês, que diz ainda ter recebido autorização para novos locais de jogo. “Desde Fevereiro de 2012, e depois da Wynn me ter processado num tribunal do Nevada, tenho recebido novas licenças de exploração de jogo me 17 jurisdições onde a [Aruze] não estava licenciada”, refere Okada num comunicado citado pela imprensa norte-americana. A Aruze é uma empresa pub

que desenha e fabrica ‘slot machines’e outros aparelhos de casinos e é totalmente presidida pelo nipónico. A Aruze conseguiu ainda mais de 50 licenças renovadas, o que, diz Okada, mostra que o comportamento do empresário é “adequado”. No mesmo comunicado, Okada assegura que a Wynn Resorts tentou também retirar as queixas contra o nipónico sobre as acusações de que este teria “desviado segredos comerciais” entre empresas. Mas há mais. “A Wynn Resorts também admite que já tinha conhecimento da intenção de Okada em abrir um casino-resort nas Filipinas muito antes de 2011, contrariando a queixa original da operadora, de Fevereiro de 2012”, pode ler-se no comunicado.

Recorde-se que esta foi uma das justificações de Steve Wynn para colocar Okada em tribunal e obrigá-lo a vender 20% das suas acções. “A Wynn Resorts, sob a presidência de Steve Wynn, tentou caracterizar-me como ‘inadequado’ baseando-se em acusações sem fundamento, mas a verdade está agora a vir à tona. A verdade é que nós fomos convidados pelo governo das Filipinas para considerar o projecto do casino e eu, pessoalmente, apresentei-o a Steve Wynn como uma oportunidade para a Wynn Resorts, mas Steve Wynn deixou-a fugir.” Segundo a Bloomberg, a Wynn Resorts terá deixado cair as queixas devido à preocupação dos juízes face à sua validade. Os processos duram há mais de um ano.

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uando o governo Obama distribuiu aos fornecedores de internet americanos uma longa lista confidencial de endereços digitais ligados a um grupo de hackers que furtou vários terabytes de dados de corporações dos EUA, um facto crucial ficou de fora: o de que praticamente todos os endereços estavam num bairro de Xangai onde funciona a sede do comando cibernético das Forças Armadas chinesas. Essa omissão deliberada salienta a alta sensibilidade dentro do governo Obama sobre até que ponto convém confrontar directamente a

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Guerra Fria cibernética testa relação China-EUA

Sensibilidade e bom senso nova liderança chinesa por causa dos hackers, enquanto Pequim diz não ter envolvimento com os ataques. A questão ilustra como a Guerra Fria cibernética entre as duas maiores economias mundiais é diferente dos conflitos entre superpotências de décadas atrás -menos perigosa sob certos aspectos, porém mais complexa e perniciosa sob outros. Funcionários do go-

Embaixador de Portugal optimista com relações económicas com a China

Em entrevista concedida à Rádio Internacional da China, o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares, afirmou acreditar que a mudança de liderança chinesa não vai influenciar as actuais políticas do país. Para o embaixador, o desenvolvimento da economia, a manutenção da estabilidade social e o aumento da actuação no cenário mundial continuarão a ser a direcção das políticas internas e diplomáticas da China. Soares afirmou que o desenvolvimento da China beneficia não só o povo chinês, mas também todo o mundo. A China é a força motriz do crescimento económico mundial e da estabilidade política. José Tadeu disse que está feliz em testemunhar o papel desempenhado pela China nos assuntos internacionais. Em relação aos desafios actuais, o embaixador disse que o país asiático enfrenta problemas nas áreas de protecção ambiental e segurança alimentar, mas acredita que os líderes chineses possam lidar com as questões numa atitude explícita.

verno dizem agora estar mais dispostos a acusar directamente os chineses - como fez recentemente o secretário de Justiça, Eric Holder, ao anunciar uma nova estratégia para o combate ao furto de propriedade intelectual. Mas o presidente Barack Obama evitou citar nominalmente a China - ou a Rússia e o Irão- quando declarou no seu discurso que sabia

“que empresas e países estrangeiros atacam os nossos segredos corporativos”. Obama acrescentou: “Agora os nossos inimigos estão também a procurar ferramentas para sabotar a nossa rede eléctrica, as nossas instituições financeiras e os nossos sistemas de controle do tráfego aéreo”. Definir “inimigos” nem sempre é tarefa fácil. A China não é uma inimiga declarada dos EUA, da mesma forma como a União Soviética era. A China é, ao mesmo tempo, um competidor económico, um cliente e um fornecedor crucial. Os dois países tiveram um comércio de cerca de 3,3 biliões de patacas no ano passado, e a China continua a ser, apesar das muitas tensões diplomáticas, um financiador importante da dívida americana. No caso dos indícios de que o Exército chinês seja provavelmente a força por trás do “Comment Crew”, o maior dos cerca de 20 grupos de hackers acompanhados pela inteligência americana, os EUA estão a ser altamente circunspectos.

Funcionários do governo adoraram que a Mandiant, uma empresa privada de segurança, tenha divulgado um relatório localizando a origem dos ataques digitais nas imediações do comando cibernético chinês. As autoridades disseram reservadamente que não vêem problemas nas conclusões da Mandiant, mas que não o queriam dizer publicamente. Isto explica por que a China não foi mencionada como o local de servidores suspeitos no alerta aos fornecedores da internet. “Disseram-nos que constranger directamente os chineses seria um tiro que sairia pela culatra”, disse um funcionário dos serviços secretos. “Isto só os tornaria mais defensivos e mais nacionalistas.” Mas esta visão está a começar a mudar. Nos próximos meses, dizem as autoridades dos EUA, haverá muitos alertas privados de Washington aos líderes chineses, inclusive Xi Jinping, que assume em breve a Presidência

da China. Os americanos devem argumentar que a dimensão e a sofisticação dos ataques dos últimos anos ameaçam desgastar o apoio à China por parte da comunidade empresarial dos EUA -principal aliada de Pequim em Washington. As recomendações sobre o que fazer variam muito -de uma negociação calma e sanções económicas a discussões sobre contra-ataques a serem feitos pelo Comando Cibernético dos militares americanos, uma unidade que já se envolveu em ataques digitais contra instalações nucleares do Irão. O próximo debate é, portanto, sobre uma retaliação americana. Washington já está farto de conferências a falar de “domínio da escalada” e “dissuasão ampliada”, termos emprestados da Guerra Fria. Esta retórica tem algo de exagero, sendo alimentada pela crescente indústria da segurança cibernética e pelo desenvolvimento de armas cibernéticas ofensivas, embora o governo dos EUA jamais tenha admitido seu uso. Mas há uma discussão séria nos bastidores sobre o tipo de ataques às infra-estruturas americanas - algo que os hackers chineses ainda não tentaram a sério - poderia induzir um presidente a ordenar um contra-ataque.


sexta-feira 8.3.2013

Portuguesa abre exposição em Pequim

Haiku ou um poema em aberto Maria João Belchior Em Pequim

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que é aquele pinheiro em cima de um muro? Rafaela Teves, portuguesa residente em Pequim, começa as fotos com uma interrogação. Porquê e que significado têm pequenos detalhes na paisagem urbana de Tóquio? A inaugurar este Sábado em Pequim, a exposição da jovem portuguesa que nutre uma paixão por fotografia, retrata Tóquio em dois momentos diferentes, duas viagens feitas pri-

meiro no ano 2010 e depois em 2012. Detalhes da cultura japonesa e que a tornam diferente aparecem agora em doze fotografias que vão ser expostas num Café bar em Pequim. “Haiku – esque tokyo” é o nome da exposição e passa pela analogia entre o formato dos pequenos poemas tradicionais japoneses, e os detalhes sem explicação que vão surgindo aos olhos de um observador atento. “Tal como num haiku, não são frontais mas um pouco mais impressionistas, oferecendo-nos apenas pistas para aquilo

que é retratado” disse Rafaela Teves para descrever as imagens. Para a portuguesa de 32 anos e há oito anos a viver em Pequim, há um olhar para Tóquio para além do estereótipo do que se imagina na capital japonesa. Podem ser pormenores sem palavras, “talvez pudessem ser de outro sítio qualquer”, mas são japoneses. Imagens tiradas no formato analógico, de momentos captados num meio urbano e agora contados em formato visual com nome de poema, em mostra até 11 de Abril.

China será o maior importador mundial de petróleo antes de 2015

Ultrapassagem aos EUA à vista

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China poderá tornar-se o maior importador mundial de petróleo antes de 2015, ultrapassando os Estados Unidos, prevêem especialistas do sector citados ontem na imprensa oficial chinesa. Em 2012, a China importou em média 5,4 milhões de barris por dia, menos 2,01 milhões do que os Estados Unidos, mas no último mês do ano, as importações chinesas excederam os 6 milhões, enquanto as norte-americanas desceram para 5,98 milhões,

região

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indicou o China Daily. “Alguns peritos chineses prevêem que a China se torne o maior importador de petróleo em 2015, mas isso poderá acontecer até mais cedo dada a rápida transformação em curso”, disse Niu Li, economista chefe de um grupo de reflexão do Governo, citado por aquele jornal. O petróleo importado anualmente pela China, nomeadamente de Angola, o seu maior fornecedor, a seguir a Arábia Saudita, representou 58% do que o país consumiu em 2012,

e, este ano, a percentagem deverá subir para 59,4 por cento. Nos Estados Unidos, pelo contrário, as importações de petróleo estão a diminuir acentuadamente e ao longo do ano passado, desceram de 8,1 milhões de barris em Janeiro para 5,98 milhões em Dezembro. Devido ao rápido aumento da produção interna, em 2030, os Estados Unidos poderão ser energeticamente auto-suficientes, disse o China Daily.

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Autoridades japonesas registam aumento de 42,1% de casos de abusos de menores em 2012

Número recorde

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s autoridades do Japão intervieram, em 2012, num total de 16.387 casos de abusos de menores, um número recorde que traduz um aumento de 42,1% face ao ano anterior, informou ontem a polícia nipónica. “Temos recebido cada vez mais casos de abusos de crianças à medida que aumenta a consciencialização para o problema”, afirmou um porta-voz da polícia do Japão, em declarações à agência Kyodo. “Esperamos poder abordar estes casos na altura em que ocorrem em cooperação com os

centros” de assistência aos menores, aditou, indicando que, em 2012, a polícia transferiu para aquelas unidades 5.222 relatórios sobre casos de abusos físicos e 8.266 referentes a abusos psicológicos. Os restantes 2.736 dizem respeito a denúncias por negligência familiar, envolvendo nomeadamente menores a quem não eram proporcionados alimentos, enquanto 163 se prendem com vítimas de abuso sexual. Desde que as forças de segurança do Japão começaram a compilar os dados

Comércio entre as duas Coreias aumentou 15 % em 2012, apesar da tensão O comércio entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte ascendeu a cerca de 10.524 milhões de patacas em 2012, mais 15 % do que no ano anterior, apesar da constante tensão, indicam dados ontem divulgados em Seul. De acordo com a Associação de Comércio Internacional da Coreia (KITA), as trocas comerciais entre as duas Coreias registaram uma importante subida durante o primeiro ano do regime liderado pelo jovem Kim Jong-un marcado, tal como no ano anterior, por uma deterioração das relações. Contudo, o comércio entre as duas Coreias em 2012 representou apenas um terço do volume que a Coreia do Norte transaccionou com a China, o seu principal aliado, de acordo com dados da KITA. No ano passado, o comércio bilateral entre a China e a Coreia do Norte cifrou-se em cerca de 40.562 milhões de patacas, mais 5,4 % comparativamente a 2011.

Japão escolhe substituto no Banco Asiático de Desenvolvimento

O Japão escolheu ontem Takehiko Nakao, vice-ministro das Finanças para os Assuntos Internacionais, como candidato à presidência do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), depois de Haruhiko Kuroda ter renunciado ao cargo para concorrer a governador do emissor japonês. “Já começámos a enviar cartas aos 66 membros” do BAD, propondo Takehiko Nakao, 57 anos e especialista no mercado de divisas, afirmou ontem o ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, em declarações citadas pela agência nipónica Kyodo. A proposta surge depois de Haruhiko Kuroda ter apresentado, na semana passada, a demissão da liderança do organismo, estando a aguardar pela aprovação do Parlamento japonês para ocupar o posto de governador do Banco do Japão (BOJ) em substituição de Masaaki Shirakawa.

referentes a abusos de menores, em 2004, altura em que foram apresentadas 962 queixas, o número aumentou 17 vezes. No Japão, uma vez recebidas pelas autoridades informações sobre abusos, os centros de cuidados de menores tomam medidas como levar as crianças para uma das unidades ou proporcionar ajuda aos pais. Em 2011, o número de denúncias por abusos de menores foi de 59.862, dos quais 51 acabaram por resultar na morte das crianças, de acordo com um estudo apresentado pelo Governo. O relatório de 2011 revela que nesse ano 51 menores morreram devido a abusos, sendo que 80% tinha menos de três anos. A maioria, 47, foi morta pelos pais antes de estes se suicidarem, um valor que está acima dos 39 que perderam a vida em idênticas circunstâncias em 2010, segundo o governo nipónico.


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entrevista

Helder Fernando info@hojemacau.com.mo

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s livros que escreve fazem-nos navegar por todos os mares lado a lado com os grandes navegadores portugueses, mas também com os marinheiros anónimos, sofrendo horrores, sentindo mil prazeres. Formada em filologia românica, foi professora, é poliglota, dinamiza blogues culturais, conferencista, vasta obra publicada no que toca a romance histórico, Deana Barroqueiro é umas das grandes figuras convidadas para a Rota das Letras-Festival Literário que agora tem início em Macau. Logo depois continuará viajando por algumas terras onde andaram, a Oriente, certos verdadeiros heróis portugueses. Uma entrevista que vai emocionar o leitor. Pode dizer-se que mais do que uma escritora de viagens talvez nem contando as que faz, é uma investigadora que publica romances históricos fundamentalmente situados nos Descobrimentos e Renascimento portugueses? Eu não escrevo sobre as minhas viagens nem sobre as minhas experiências de vida, porque não desejo fazer diários mas sim romances históricos, dando a conhecer aos leitores, vidas e acontecimentos fascinantes da nossa História e Cultura, que são das mais ricas da Europa. Só a saga dos Descobrimentos Portugueses, oferece um manancial inesgotável de personagens reais, tão extraordinárias que podem emparelhar com os mais audaciosos heróis da ficção. Comecei a explorar o tema, talvez para contrariar a visão dos que encaram os Descobrimentos Portugueses como um período vergonhoso da nossa História que se deve repudiar e esquecer. No entanto, as nações outrora nossas rivais vangloriam-se dos seus impérios passados, conquanto tenham sido muito mais violentas do que Portugal, tendo até destruído com premeditação povos e civilizações inteiras, como a Espanha na América do Sul, a Holanda nas Molucas ou os ingleses na Austrália, em pleno século XX. Os Descobrimentos fazem parte do nosso passado colectivo que deve ser assumido com objectividade, sem desculpar os crimes e abusos, mas também sem esquecer que, com esta grande empresa, Portugal se tornou cabeça da Europa,

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sexta-feira

Deana Barroque

“Mais g as nova culta, n muito à frente das outras nações, pelo desenvolvimento científico, social e civilizacional que atingiu e pelo seu protagonismo numa pioneira globalização do mundo e de outros acontecimentos que trouxeram a Europa para a modernidade. Esta sua presença na Rota das Letras em Macau dever-se-á ao facto de ser bastante conhecida pelos leitores da diáspora? Não sou uma escritora muito mediática, passo meses sem sair de casa, a estudar e a escrever, publicando um livro cada dois ou três anos, porque o romance histórico sério implica um longo trabalho de investigação. Contudo, já escrevi onze romances históricos e dois livros de contos; D. Sebastião e o Vidente recebeu um prémio e realmente tenho tido bastante divulgação nos media da diáspora portuguesa. Não é, pois de estranhar que, através dos blogues e redes sociais da internet, tenha conseguido alguns leitores em Macau, despertando a curiosidade da Sra. presidente da Casa de Portugal. Quando soube que “O Corsário dos Sete Mares” narrava a vida de Fernão Mendes Pinto e de outros aventureiros portugueses na China, a Dra. Maria Amélia António convidou-me para fazer a sua apresentação na Rota das Letras.

Não sou uma escritora muito mediática, passo meses sem sair de casa, a estudar e a escrever, publicando um livro cada dois ou três anos, porque o romance histórico sério implica um longo trabalho de investigação


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eiro, escritora de romance histórico

gente manejando com perícia as tecnologias, mas menos não os estimularam a ler” Do multifacetado programa em termos temáticos e quanto a diferenciados autores, que expectativas sente? Conheço grande parte das obras dos autores lusófonos convidados, por isso a minha curiosidade e interesse vão para os escritores de Macau, da China e da Tailândia, porque, no meu romance, procurei mostrar a ligação entre os portugueses e o Oriente, no séc. XVI, dividindo-o em sete mares, cujos capítulos começam por um texto antigo – poema, carta, documento oficial, outros – dos países que Fernão Mendes Pinto conheceu. Li muitíssimas obras clássicas destas nações, mas desconheço os autores contemporâneos, por isso vou aprender muito nestes encontros. E há também o cinema, essa arte que possibilita viajar e conhecer o mundo e até a alma de um povo através do olhar. Sinto que vai ser uma experiência muito enriquecedora. Durante umas semanas, dentro e fora do âmbito da Rota das Letras, vai viver um pouco deste Oriente, agora num tempo tão diferente dos séculos XVI, XVII ou XVIII que costuma contemplar nos seus estudos em grande parte reflectidos na globalidade da sua obra literária... Vou fazer aquilo que sempre faço quando termino um livro: viajar pelos lugares onde as minhas personagens viveram durante as suas vidas reais, para ver quanto dessa realidade ainda permanece no séc. XXI e até que ponto se aproxima da realidade virtual das vidas ficcionadas que eu lhes criei no meu romance, a partir dos mais variados textos coevos. Em todas as minhas obras, procuro fazer com que o leitor viaje no tempo e veja esse mundo antigo através do olhar dessas personagens do séc. XV ou XVI, respire os

entrevista

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mesmos odores e fedores, saboreie os mesmos exóticos manjares ou se mareie com o biscoito bichoso e a água salobra. Por isso, nunca vou conhecer os lugares por onde peregrinaram os meus heróis antes de terminar o livro, para não contaminar o seu mundo com o meu olhar de turista do século XXI. Na muralha da China, imaginarei Fernão Mendes Pinto e os oito companheiros, a cumprirem a pena de trabalhos forçados na sua construção, tal como o descrevi no meu romance. Seguirei o seu rasto pelos rios que o levaram de Nanquim a Pequim; evocarei Tomé Pires com a trágica odisseia da primeira embaixada de uma nação europeia à China, há 500 anos; e em Cantão recordarei Galiote Pereira, catorze anos preso na terra estranha, e sentirei emoção e respeito por estes homens, muitos deles anónimos, que redesenharam o Mundo, fazendo a sua História. Presto-lhes homenagem com os meus romances, dando voz a essa gente ignorada que não deixou o nome mas a vida pelo mundo repartida em sangue, sémen, suor e lágrimas. É tão aliciante o que acaba de dizer e a forma como nos diz! É nítido que concebe as suas personagens, os cenários, com base na realidade histórica. Alguns observadores da sua obra, dizem que a investigação que faz (“O Espião de D. João II”, “D. Sebastião e o Vidente”, “O Romance da Bíblia”, por exemplo), é obedecida com o produto final dos livros, ou seja o que lá está é verdade. É assim? O romance histórico deve dar ao leitor algo mais do que uma simples narrativa para entretenimento, pode e deve contribuir para um melhor conhecimento da época e do espaço retratada, da geografia, dos ambientes, das gentes e costumes. Por isso se consi-

dera o histórico como o mais difícil de todos os romances, porque, para se impregnar desse “espírito de época”, é necessário muito estudo e imensa pesquisa, um sacrifício que poucos se dispõem a fazer neste tempo em que tudo é ligeiro e superficial, até a Literatura. A minha melhor recompensa está em os leitores reconhecerem e apreciarem esse trabalho meticuloso de recriação histórica, que eu julgo ser um dos aspectos mais importantes nas minhas obras.

dos alunos gosta mesmo de ser estimulado para a leitura, para a literatura de língua portuguesa, ou a preocupação sobre a escassez de saídas profissionais, é demasiado absorvente? Há mais de uma década que o ministério da Educação tem promovido o facilitismo no ensino, com consequências catastróficas. Entre outros cortes nas disciplinas de Humanidades, os programas de Português do ensino básico e secundário foram esvaziados

Os Portugueses povoaram lugares desérticos, influenciaram a língua, a política, as religiões e os costumes - por vezes até a geografia - dos lugares e nações que visitaram Poderá dizer-se que esses portugueses realizaram a globalização ainda antes de existir esse conceito? Os Portugueses foram, sem dúvida, os pioneiros da globalização, não por mero acaso mas com um projecto começado no tempo de D. João I, com a conquista de Ceuta e o domínio da costa Marrocos, continuado pelas navegações henriquinas até à Serra Leoa, retomado por D. João II de forma pensada e sistematizada, à luz dos conhecimentos científicos mais avançados da época, e prosseguido triunfalmente por D. Manuel I. Os Portugueses povoaram lugares desérticos, influenciaram a língua, a política, as religiões e os costumes - por vezes até a geografia - dos lugares e nações que visitaram. Contudo, não souberam gerir e manter essa grande empresa, acabando por ser espoliados dela pelas nações rapaces suas rivais, nomeadamente os Países Baixos. Tem assinalável experiência em visitar estabelecimentos de ensino secundário e superior, como acontecerá em Macau. A generalidade

dos conteúdos literários, em prol de uma pretensa competência em textos não literários, todavia, muito redutores para o conhecimento da nossa língua e também dos seus escritores. Enquanto um aluno habituado a ler e interpretar textos literários não tinha dificuldade em escrever uma carta, elaborar uma lista ou o regulamento de um concurso, o inverso já não acontece, como se pode constatar pela dificuldade que a maioria dos jovens, universitários ou já com os cursos concluídos, têm em interpretar um texto ou até uma pergunta, expressar um pensamento e pior ainda escrevê-lo. Se, nas escolas, os alunos não conhecem nem aprendem a gostar das obras dos grandes escritores, dificilmente se tornarão bons leitores em adultos e ainda menos saberão escrever uma carta. Teremos cada vez mais gente capaz de manejar com perícia as novas tecnologias, mas cada vez menos culta e com uma visão estreita do mundo que a rodeia, formada pelos “saberes” pesquisados na internet, habituada ao parasitário “copy/paste”,

em prejuízo de um trabalho original que implique estudo e trabalho. Lendo-a, nos seus livros e nos blogues literários que mantém, noto que não utiliza o chamado Novo Acordo Ortográfico. Trata-se de uma não concordância assumida por uma filóloga românica, como é o seu caso? Não aceito este Acordo Ortográfico, feito no segredo dos gabinetes e à revelia das instituições que estudam a língua, suscitando o mais firme repúdio da maioria dos seus utentes, que sentiram este acordo como um bom serviço prestado pelos nossos governantes ao Brasil que, para cúmulo do ridículo, se recusa agora a assiná-lo! Fruto de um trabalho apressado, pouco reflectido e incompetente que, na sua ânsia de uniformizar a diversidade da língua, acabou por complicar em vez de simplificar, levando o caos às escolas e ao país. Uma língua é um organismo vivo que se modifica, desenvolve, moderniza e enriquece, de forma natural e harmoniosa, diversificando-se. Ela é a expressão da identidade de um povo. Nós somos a nossa língua, uma língua com muitos séculos de história, tão sábia, pujante e maleável, que se tornou matriz, língua-mãe da Lusofonia e das suas soberbas variantes, dispersas pelos quatro cantos do mundo. E é essa multiplicidade que a torna única no mundo, por isso não se deve permitir a uns poucos a destruição de um valioso património que é de todos. Para além de no evento Rota das Letras, a Deana Barroqueiro integrar um painel de escritores de literatura de viagem, vem apresentar o seu mais recente trabalho literário, o já considerado empolgante “O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto”. Não querendo este jornal antecipar o tanto que dirá, pergunta: ele foi um aventureiro cheio de sorte, um grande cronista e relator de factos vividos, uma pessoa à procura de fronteiras ou um peregrino? Fernão Mendes Pinto encarna o espírito empreendedor, criativo e aventureiro do homem dos Descobrimentos, mas também do nosso tempo, com todas as qualidades e defeitos que fazem dos portugueses um povo singular, disposto a emigrar para longes terras em busca de nova vida, sujeitando-se aos caprichos da sorte,

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adaptando-se às mais duras condições e prosperando em qualquer lugar habitável do planeta. Por outro lado, a Peregrinação mostra-o como o grande precursor do romance moderno, cujas personagens são gente comuns, expondo, com grande realismo, os vícios e virtudes dos homens em luta constante com a adversidade e capazes de tudo para sobreviver. Personalidade das mais importantes do séc. XVI, está profundamente ligado à saga dos Portugueses no Oriente, quer como embaixador nos reinos vizinhos de Malaca, quer como mercenário ou ainda navegador experiente e descobridor de mundos ignorados na Europa. Inteligente e com uma surpreendente abertura de espírito, a sua curiosidade insaciável leva-o a procurar saber tudo sobre os povos e terras que encontra ao longo da sua peregrinação de 21 anos no Oriente, sem emitir juízos de valor depreciativos, denunciando igualmente a violência, a corrupção e os crimes dos Portugueses, mouros e gentios. Afinal, Fernão Mendes Pinto não foi, mesmo ironicamente, um mentiroso... Como costuma acontecer aos que mais contribuem para a valorização de Portugal, Fernão foi desacreditado pelos seus compatriotas, que se encarniçaram contra a “inveracidade” da sua narração, incapazes de apreciarem o valor e a singularidade da Peregrinação que, logo após a sua publicação em 1614, teve vinte edições em várias línguas, tornando-se o roteiro dos viajantes e dos corsários das nações rivais, em particular dos Holandeses. Estudos actuais, feitos por um naipe de especialistas internacionais provam que mais de 80% do conteúdo da Peregrinação é verdade. Afinal Fernão não mentiu. A viagem está como que no seu ADN. Filha de portugueses, nasceu na América, ou seja é filha da diáspora. Aos dois anos de idade, fiz o percurso contrário ao dos nossos emigrantes, vindo com a minha mãe e irmãos, dos Estados Unidos, onde nasci, para Portugal. Por isso costumo dizer que o meu gosto pelas viagens e pelo tema dos Descobrimentos, começou aí, com esse ritual da passagem transatlântica. E logo a saudade pela ausência do pai, a família dividida, tudo isso me formatou a alma e me converteu no que sou.


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publireportagem

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Monges guerreiros no Teatro do Venetian

Shaolin em Macau

Embaixadores da Caridade da Sands visitam idosos para acolher o Novo Ano Chinês

No dia 3 de Fevereiro, 45 voluntários do programa de Embaixadores da Caridade da Sands, visitaram 15 idosos que vivem sozinhos, numa acção que é já uma tradição anual. Os voluntários ajudaram a limpar as casas dos idosos, para receber o novo ano da serpente. Num gesto caloroso os voluntários ofereceram também vários presente aos idosos, para acolher o novo ano. Este é o quarto ano consecutivo em que os Embaixadores de Caridade da Sands desenvolvem a actividade de limpeza da Primavera. Seja a limpar as cozinhas, a esfregar os sítios de mais difícil acesso, a aspirar o chão ou a tirar o lixo de casa, a limpeza da Primavera é uma tradição de ano novo do povo chinês, que procura afastar a má sorte. Os 45 voluntários dividiram-se em 15 equipas, cada uma a deslocar-se a uma casa diferente, para ajudar os idosos solitários.

Amor à solta no Sands Cotai Central

Para comemorar o dia de São Valentim, 14 de Fevereiro, numa acção que visa dar apoio à comunidade local, a Sands China, adquiriu à Associação de Pais de Deficientes Mentais de Macau, flores feitas por aquela associação e ofereceu-as como presente às clientes do sexo feminino que jantavam no Sands Cotai Central. As flores feitas de sabão, criadas pelos membros da associação, foram oferecidas às visitantes femininas que jantavam nos restaurantes Dynasty 8, Grand Orbit e Do Mar, situados naquela área da cidade. A Sands China procurou assim dar mais uma contribuição para apoiar e desenvolver acções de caridade no seio da comunidade local. A Associação de Pais de Deficientes Mentais de Macau é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1992 por um grupo de pais cujos filhos sofrem de distúrbios intelectuais.

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e 9 a 26 de Janeiro, de 2013, o Venetian trouxe até Macau um proeminente grupo de monges guerreiros do reputado templo de Shaolin, para apresentar a fascinante arte tradicional, Shaolin kung Fu no Teatro do Venetian.

Reconhecido como o berço do kung fu chinês e a origem do Zen, o templo de Shaolin está situado no monte Song, uma das cinco grandes montanhas chinesas, e é possuidor de uma longa e profunda história cultural. A formação dos

monges guerreiros segue os fundamentos do budismo zen e os estudantes são escolhidos de acordo com um critério muito estrito. A Associação de Artes Marciais e Educação Física dos Operários de Macau teve a fantástica oportunidade

de interagir com os monges guerreiros. Catorze monges encontraram-se com cerca de 20 atletas desta associação, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, e partilharam experiências como a prática de qiong, wushu e Dança do Dragão. Uma semana depois desta iniciativa, os monges guerreiros organizaram uma segunda actividade comunitária ao encontrarem-se com a Associação de Artes Marciais da Cultura Shaolin de Macau. Quinze monges guerreiros partilharam experiências, na sua maioria relacionadas com o qigong, com cerca de 30 membros da associação, de idades à volta dos 30 anos. Os monges também tiveram oportunidade de contar aos convidados várias histórias do seu quotidiano no templo de Shaolin, nomeadamente como é o seu padrão de treinos naquele local mítico. Com este tipo de iniciativas o Venetian Macau espera promover, no território da RAEM, uma das artes marciais chinesas mais respeitadas em todo o mundo, num esforço para facilitar as trocas culturais, e contribuir para que a cidade se desenvolva cada vez mais com um centro internacional de turismo e lazer.

Embaixadores da Caridade da Sands celebram com 100 idosos

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Membros da Sands China oferecem géneros alimentícios à Caritas Macau

Nos dias 20 e 21 de Fevereiro membros da equipa da Sands Macau deram uma mão para ajudar os mais necessitados de Macau, ao participarem na iniciativa de doar pilhas de géneros alimentícios à Caritas e contribuindo também para as iniciativas “verdes” da empresa, com vista a diminuir os desperdícios de alimentos. Latas de biscoitos e de bolos, outros enlatados e caixas de noodles foram recolhidos em dois dias e depois doados à Caritas Macau em três bancos alimentares para distribuição pelas famílias de Macau mais necessitadas.

A Primavera dos mais velhos

o dia 21 de Fevereiro, dando continuidade à tradição do Novo Ano Chinês, a Sands China convidou um grupo de cem idosos da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, para um buffet de chá no Bambu, no Macau – Venetian – Resort-Hotel. Os voluntários do programa de Embaixadores da Caridade da Sands passaram uma tarde maravilhosa com o grupo de idosos, com quem partilharam uma deliciosa refeição e trocaram desejos de bom Novo Ano da Serpente.

Este é o sexto ano consecutivo que a Sands China organiza o buffet de chá com grupos de idosos. Quinze voluntários dos Embaixadores da Caridade da Sands conviveram com os idosos num restaurante, tendo sido dado a cada uma das pessoas de idade avançada um “saco da sorte” como um gesto de calor para receber o Novo Ano Chinês. “É sempre com imenso prazer que passamos o nosso tempo com um dos grupos mais importantes da nossa comuni-

dade,” declarou Melina Leong, Vice-Presidente de Relações Públicas e Assuntos Comunitários do Venetian Macau. “Estamos muito satisfeitos por continuarmos a cumprir esta tradição anual com a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, que sabemos ter sido uma experiência recompensadora, tanto para os idosos, como para os Embaixadores da Caridade da Sands. Esperamos para o ano repetir este evento,” acrescentou Melina Leong.


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Fundo de Conservação Energética atribuiu mais de 67 milhões de patacas a 700 candidatos

Ensino ainda sem direito a subsídios Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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té Dezembro, foram já distribuídas 67 milhões de patacas a 700 empresas e instituições que requereram apoio do Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética (FPACE), desde que foram aceites candidaturas em Setembro de 2011.Através deste Plano de Apoio Financeiro, empresas comerciais, bem como da área de construção, educação, cultura e comunicação puderam requerer a cobertura em 80% do montante gasto com equipamentos de maior eficiência energética, num valor máximo de 500 mil patacas. No entanto, até ao momento, ainda está a ser estudada pela Direcção dos Serviços de Educação Ambiental (DSPA) - que tutela o FPACE - a possibilidade de escolas e universidades poderem ser incluídas neste plano de financiamento.

“No ano de 2013, o Governo da RAEM irá aperfeiçoar , de modo contínuo, o funcionamento do FPACE, ampliar o âmbito de cobertura do plano aos estabelecimentos de ensinos (...) estudar e lançar outro tipo de plano de financiamento no sentido de impulsionar melhor a prática de actos ambientais na vida quotidiana de toda a população”, explica a DSPA em comunicado. No encontro ontem com a comunicação social, a mesma direcção não avançou datas sobre quando poderão ser incluídas estas instituições no Plano de Apoio Financeiro da FPACE.

Hotéis financiados

Uma das empresas que beneficiou deste financiamento foi o Grand Emperor Hotel, em cerca de 500 mil patacas (valor máximo de financiamento). O valor foi investido na instalação de dispositivos com eficiência energética para nove elevadores (cujo

investimento total do hotel foi de 450 mil patacas) e na instalação de dispositivos da conversão de frequência para doze escadas rolantes (de um montante total de 430 mil patacas). “Ao preço de 1,29 patacas por kwh, o investimento nos nove elevadores do hotel permite poupar cerca de 110 mil patacas por ano, sendo o prazo de retorno de quatro anos”, explica Wong Sio Teng, engenheiro-chefe do Grand Emperor, no decorrer de uma visita promovida pela DSPA à unidade hoteleira, “Segundo as estatísticas, em

Palestra sobre protecção ambiental na UMAC

Pedem-se melhores leis Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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o debate sobre protecção ambiental ocorrido ontem nas instalações da Universidade de Macau (UMAC), o deputado da Associação Novo Macau (ANM) frisou que a Assembleia Legislativa (AL) já tem em mãos a lei da salvaguarda do património cultural, do planeamento urbanístico e de terras. Mas falta uma. “Ainda não temos uma lei chamada Lei do Ambiente. O Governo está a fazer o planeamento ambiental para o período entre 2010 e 2020, mas ainda falta um diploma. Quando chegarmos a 2020, não tenho a certeza se ainda haverá ambiente para ser protegido.” Paul Chan Wai Chi pede ainda que os residentes mostrem as suas opiniões quanto a este tema. “Não podemos estar sempre a ser representados pelo Governo, porque este só avisa para os projectos ambientais que possam ter interesse para os construtores e comerciantes. Temos de ter a nossa voz.” O activista ambiental Joe Chan concorda. “É ridículo que um território com uma história de mais de 400 anos ainda não tenha uma lei do ambiente, sendo que as leis relevantes ainda estão em processo legislativo. Em 1937, a cidade de Nanjing, na China, fez a primeira lei de planeamento urbanístico da China”, apontou. “Ainda temos de ver bem qual o ponto de

vista a considerar na hora de elaborar a lei do planeamento urbanístico. Não se podem considerar sempre os interesses dos comerciantes e construtores. Acredito sinceramente que os negócios entre construtores e o Governo impede uma correcta formulação da lei, e o Governo deveria ter uma posição mais forte”, acrescentou.

Coloane e Xi Jinping

Kaman Chang, assistente de Paul Chan Wai Chi, apontou que a avenida Almeida Ribeiro tornou-se uma das poucas avenidas com lojas tradicionais, e que Macau está a perder as suas características. “Na época de Ao Man Long, foram atribuídas cerca de 70 ou 80% das terras, e com Lau Si Io já se chegou aos 90%. A luta está a chegar a uma outra fase, que é para conseguir terrenos pequenos. Quase todos os terrenos são roubados por construtores, para construírem casas para ganharem dinheiro.” Quanto aos projectos em Coloane, o responsável frisou “ter medo”. “Sei que o Governo está a fazer um plano para Coloane e tenho medo que este terreno, ainda a salvo, também seja roubado.” Joe chan disse ainda que Xi Jinping, novo presidente chinês, apontou que Coloane deveria ser protegida, aquando de uma visita em 2009. “Mas parece que o Governo não ouviu a proposta do Governo Central”.

cada escada rolante poupou-se cerca de 1110 kwh por mês, o investimento nas doze escadas rolantes do hotel permite poupar cerca de 200 mil patacas por ano, sendo o prazo de retorno de dois anos.” Por outro lado, o hotel fez saber ainda que também investiu, a título pessoal, na substituição de lâmpadas de alto consumo por LED (no interior do hotel e placas publicitárias), o que representou um investimento entre 50 e 60 mil patacas, não tendo ainda sido contabilizado a poupança a médio-longo prazo. E ainda na reciclagem do calor residual para o aquecimento de caldeiras de água quente cujo investimento foi de um milhão e duzentos mil com um prazo de retorno de quatro anos. O Hotel Man Va, também visitado pela comunicação social, bem como a Pensão Residencial Forson, registadas pela mesma empresa,

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receberam um apoio total de 500 mil patacas para o sistema de iluminação, esquentador centralizado e redutores de caudal. Os resultados mais visíveis foram a redução de despesas de combustíveis (deixaram de existir) para o esquentador centralizado, cuja percentagem de poupança chegou superou os 50% nos dois hotéis. Segundo o hotel, em comunicado, “como não é necessário obter calor através de combustão deixou de exis-

tir saída de fumo negro devido ao funcionamento da caldeira, eliminando, por consequência, o impacto ambiental sobre o ar pela emissão de resíduos produzido pela combustão”. O FPACE, devido à procura de produtos ambientais por diversos sectores da sociedade, já alargou o prazo de candidatura até 31 de Dezembro de 2013. Para o Plano de Apoio Financeiro do FPACE são disponibilizados 200 milhões de patacas.

MIECF 2013 Entre os dias 21 e 23, vai ter lugar o Fórum 2013 MIECF subordinado ao tema “Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Rumo a Um Futuro Verde”, no Venetian. Esta é a sexta edição do evento, que no último ano contou com 392 empresas, provenientes de 28 países e regiões, numa área de exposição de 16 mil metros quadrados, no qual foram assinados 35 protocolos de cooperação através de 702 sessões de contacto. Na edição desta ano, haverá um total de nove fóruns e dois workshops, a participar no evento estarão dos especialistas da área de renome, Jeffrey Sachs e C.S Kiang, respectivamente dos Estados Unidos e China.


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cultura

sexta-feira 8.3.2013

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José Drummond expõe na “The Age of Divinity”, em Lisboa

“Real” - “Imaginário” a partir de Borges José C. Mendes info@hojemacau.com.mo

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galeria Plataforma Revólver, em Lisboa, inaugurou ontem pelas 22h, a exposição, “The Age of Divinity,” que junta os artistas José Drummond, Johanna Billing, Eric Corne, Jan Fabre, Raquel Melgue, Catarina Mil-Homens, João Onofre, Raúl Perez, Ana Rito, Ernesto de Sousa, Pedro Vaz, Liao Chi-Yu, e Hugo Barata que é também o curador desta mostra. A exposição “The Age Of Divinity” é um projecto expositivo que nasceu da leitura da obra “A Fauna dos Espelhos”, de Jorge Luís Borges, e procura realizar uma reflexão em torno da relação “real” ↔ “imaginário”, imagem e reflexo, a partir de obras de um conjunto de artistas nacionais e internacionais que, no seu conjunto, exploram conceitos como representação, imagem e encenação, informa a nota da organização. “Esta jornada poderia ser encarada como o início de uma estória, um relato ténue daquilo que se poderia apelidar de imaginação manifesta. É uma jornada acerca da nossa condição de seres imaginantes, entidades não governadas por normas da ciência, da razão ou da verdade, mas antes governadas pelo tributo dos sonhos e dos pesadelos na configuração de uma expressão do mundo. No conto de Jorge Luís Borges descreve-se um tempo no qual as criaturas que viviam nos espelhos, ao apoderar-se do espaço terreno que era pertença do ser humano, são novamente aprisionadas e condenadas eternamente a mimetizar e a reflectir a imagem do mundo “real”. Na obra

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acau está promover-se até domingo na feira de turismo ITB em Berlim, na Alemanha, com um ‘stand’que pretende dar a conhecer as principais atracções da cidade para captar mais turistas internacionais, anunciaram ontem os Serviços de Turismo. Além dos serviços oficiais, operadores turísticos locais participam na feira, que abriu portas na quarta-feira, com um ‘stand’ de 90 metros quadrados “para dar a conhecer Macau aos operadores de todo o mundo e aos visitantes alemães”, refere uma nota oficial. Macau aproveita a ITB para divulgar dois grandes

do escritor argentino, baseada no mito chinês do Imperador Amarelo e da fauna existente nos espelhos como universo alternativo, somos confrontados com a ideia de “seres” irrequietos – imagens desobedientes – que se transpor-

taram para a nossa realidade para aí iniciarem a destruição e o caos. Dir-nos-á a história das crenças que, graças a um poderoso feitiço do Imperador Huang Di, os entes foram controlados e derrotados. A estória que se deseja contar

cresce da reflexão em torno da relação “real” ↔ “imaginário”, imagem e reflexo. Ambos os conceitos são considerados como momentos que se nos impõem e que, através da arte, se cruzam ou trocam de lugar, produzindo sombras, aterrorizando

padrões de representação, razão ou verdade, fundindo ou deformando relações simbólicas que esperaríamos estáveis. Assim sendo, observe-se o artista como aquele que lança falsificações para a “realidade real” e também, vice-versa, aquele que aprisiona essa mesma “realidade” nas representações e nos objectos que cria.(...) (...) Partindo da poesia como pretexto, a exposição “The Of Divinity” é uma leitura aberta que procura desapontar a esperança de um qualquer literalismo(...) escreve o curador Hugo Barata. José Drummond (Lisboa, 1965) é um artista contemporâneo e curador português que, actualmente, vive e trabalha em Macau. É director do VAFA, festival de vídeo-arte em Macau. Estudou pintura, desenho e cenografia em Lisboa e frequentou o Atelier Livre do Professor Pedro Morais. Mais tarde estudou Gestão de Artes. Os seus trabalhos não são definidos por média, estilo ou tema, mas pela noção de processo. Algumas das estratégias que adopta no seu trabalho fazem sobressair o sentido sobre a estética. No entanto, é a condição de relacionar arte com ilusão o limite imposto. A dualidade entre visibilidade e invisibilidade, fantasia e realidade, experimentação e referência, a par de uma investigação específica dos materiais, dos seus limites e parâmetros, são aspectos intrínsecos da sua abordagem, pode ler-se na nota da organização. Desde o final da década de 1980, Drummond tem vindo a criar um conjunto de trabalhos que incluem fotografia, vídeo, pintura, desenho, instalação e objectos.

RAEM promove-se em feira de turismo de Berlim

Sentir Macau na Alemanha eventos que vai acolher este ano, nomeadamente a 60.ª edição do Grande Prémio em Fórmula 1 e o 25.º Concurso Internacional de Fogo de Artifício. O ‘stand’ de Macau está estrategicamente localizado próximo dos expositores da China e de Hong Kong para “maior promoção do turismo regional”, refere o comunicado. Neste sentido, os Serviços de Turismo de Macau organizaram na ITB com

a entidade homóloga de Hong Kong um cocktail para operadores turísticos com o objectivo de “incrementar o diálogo e divulgação” das duas Regiões Administrativas Especiais chinesas, que se promoveram como “um destino, duas cidades”. As duas entidades lançaram ainda na ocasião uma revista, em alemão, destinada a potenciais visitantes. Nos dias em que o certame estará aberto ao público,

Macau vai dar a conhecer a sua herança cultural através de espectáculos da tradicional dança do leão. A ITB, com mais de 40 anos de história, é uma das maiores feiras de turismo do mundo, que este ano conta com a participação de cerca de 113 mil operadores turísticos de 180 países e territórios. Macau recebeu 28 milhões de visitantes em 2012, dos quais apenas 0,9% eram provenientes da

Europa, 1,1% da América e 97,4% da Ásia, sendo que a maioria, 16,1 milhões, era originária da China continental. Mesmo assim, o território continua a apostar na sua promoção como destino turístico na China continental, marcando também presença a desde ontem na Feira Internacional de Turismo de Cantão, com uma delegação formada por mais de 40 representantes de 21 hotéis, agências de viagem e

infraestruturas que acolhem eventos. Num ‘stand’ com 225 metros quadrados, dedicado ao tema “Momentos Memoráveis - Sentir Macau”, os Serviços de Turismo locais divulgam o centro histórico da cidade classificado pela UNESCO e os principais eventos que o território acolhe este ano. A Feira Internacional de Turismo de Cantão, que decorre até domingo, é um dos maiores certames internacionais do sector do interior da China e da Ásia, que atraiu no ano passado mais de 650 expositores de 36 países e regiões e cerca de 80 mil visitantes. - Lusa


sexta-feira 8.3.2013

cultura

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Embaixador de Angola na China é “Personalidade do Ano”

Casa de Portugal lança concurso de artes plásticas sobre o 25 de Abril

Diplomata poético

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embaixador de Angola na China, João Garcia Bires, foi considerado “a personalidade do ano” por um grupo de ‘media’ chinês pelo seu “abundante conhecimento diplomático” e “temperamento poético romântico”. A distinção será formalmente assinalada no dia 18 de Março em Pequim, numa cerimónia na Associação de Amizade da China com os Povos Estrangeiros, disse ontem à agência Lusa fonte do Home and Abroad News Press, grupo sedeado em Hong Kong. João Garcia Bires, 68 anos, formado em Direito Internacional na antiga União Soviética, está colocado em Pequim desde Dezembro de 2011.

O diplomata, que já foi embaixador na Namíbia e em Moçambique, é também membro da Associação de Escritores Angolanos, com três livros de poesia e uma antologia de contos já publicados Ao distinguir Garcia Bires como “personalidade do ano”, aquele grupo de ‘media’ chinês realçou que o embaixador angolano “manifestou vontade de apoiar a China na abertura de um Instituto Confúcio em Angola tão cedo quanto possível”. Angola e China estabeleceram relações diplomáticas em 1983. Trinta anos depois, Angola é um dos maiores fornecedores de petróleo à China, a seguir à Arábia Saudita, e

“reconstrução nacional” lançado pelo Governo angolano há uma década, depois de “uma guerra prolongada e destruidora”. “Sob a clarividente direcção do Partido Comunista, a China respondeu prontamente e sem pré-condições ao apelo do Governo angolano para assistência económica, financeira e técnica para a reconstrução do país. O apoio do Governo chinês aconteceu numa altura crucial”, disse. Segundo fontes chinesas, o montante dos empréstimos e linhas de crédito concedidos pela China a Angola desde 2004, através de vários bancos estatais, ronda cerca de 110,14 mil milhões de patacas.

cerca de 260 mil chineses trabalham naquele país africano, sobretudo em obras públicas e construção de infra-estruturas. Em Novembro passado, na celebração do dia nacional de Angola, Garcia Bires manifestou a “mais sincera gratidão” ao “pronto apoio” da China ao programa de

Joana Vasconcelos põe uma ‘Vespa’ no quarto da rainha

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oana Vasconcelos está na Ajuda a convite do ex-secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Com a sua saída o projecto foi assumido por Jorge Barreto Xavier, o novo titular da Cultura, e por Isabel Godinho. “É com enorme prazer que fecho a minha carreira com chave de ouro, com uma exposição de Joana Vasconcelos”, diz a directora do palácio, que se vai reformar após 32 anos na Ajuda. A ideia inicial era trazer as peças que estiveram no ano passado no Palácio de Versalhes, em França. Mas, com a ajuda do comissário Miguel Amado e após algumas visitas à Ajuda, ficou claro para Joana Vasconcelos que esta seria uma outra exposição: “Fiquei deslumbrada com o espaço. E quanto mais sabia as histórias do palácio, das salas, dos objectos que aqui estão,

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percebi que esta seria uma exposição muito diferente. Versalhes é um palácio quase sem decoração e sem móveis, muito despido de intimidade. A Ajuda é um palácio muito vivido, tem um lado doméstico, e eu quis usar isso.” Entre o andar de baixo, onde a família real vivia, com os quartos e salinhas, e o andar de cima, com os salões de recepção, vão estar quase 40 peças. Algumas estiveram em Versalhes (como Vitral, Lilicoptère ou Royal Valquyrie) mas há muitas obras novas e outras que já não eram vistas há anos. Aqui não há ecos de Maria Antonieta mas há vestígios de Maria Pia, e essa foi também uma inspiração. No quarto da rainha estará uma enorme Vespa, com loiça de Bordalo e bordados do Pico. E na sua sala de toilette estará uma das peças novas, Tropicália.

A Casa de Portugal em Macau lançou ontem o concurso “25 de Abril sempre” que, no campo das artes plásticas, promove a criatividade dos cidadãos para retratar o tema da revolução dos cravos em trabalhos a apresentar a concurso. Promovido pela Casa de Portugal, o concurso tem o patrocínio da Fundação Macau e obriga a que os trabalhos estejam centrados no 25 de Abril “sob qualquer perspectiva ou interpretação do autor, na área das artes plásticas, sendo livre a escolha do formato, dimensões, técnicas e materiais utilizados”. Os trabalhos terão de ser entregues na Casa de Portugal até 05 de Abril e os resultados do concurso, com um prémio de 25.000 patacas (cerca de 2.500 euros) será anunciado a 25 de Abril. Os trabalhos a concurso serão expostos no espaço Lvsitanvs, uma espaço de promoção da gastronomia e produtos portugueses, entre 25 de Abril e 13 de Maio, sendo que a obra vencedora passará a ser propriedade da Casa de Portugal.

Feira do Livro arranca sábado no Espaço Sintra

A Feira do Livro, uma das iniciativas do Festival Literário Rota das Letras deste ano, inaugura este sábado, pelas 15h, com encerramento previsto às 20h30. Para animar aquele espaço, e dando o pontapé de saída à pré-inauguração do Festival Literário, o cantor português Bernardo Devlin e o músico de Hong Kong, Wilson Tsang, vão actuar, a partir das 19h. A feira do livro, que junta doze bancas de várias livrarias e editoras vai estar aberta no domingo a partir das 11h, com encerramento também às 20h30, contando nesse dia com um concerto da cantora de jazz croata, Inês Tricovich. Pela terceira vez em Macau, Inês Tricovich, vai desta vez apresentar um reportório dedicado à Bossa nova em jeito de homenagem à língua portuguesa. Durante a semana o horário da feira altera-se, passando a abrir às 11 e a fechar às 19h.

Magia e Humor no MGM

O mágico cubano, Jose Almenares, vai estar no Lion’s Bar do MGM no próximo dia 14 de Março, para um espectáculo de entretenimento, que alia a ilusão ao humor. Jose Almenares é membro da Irmandade Internacional de Mágicos e do Vancouver Magic Circle. Os seus números têm a duração de dois a seis minutos e são dirigidos de forma muito directa aos espectadores. A grande proximidade de Almenares com o público, à mistura com uma grande dose de comicidade, promete uma noite mágica recheada de divertimento. O artista cubano já foi várias vezes premiado internacionalmente.

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BANCO TAI FUNG, S.A. MACAU CONVOCATÓRIA É convocada a Assembleia Geral Ordinária deste Banco, para se reunir no dia 26 de Março do corrente ano (terça-feira), pelas 10,30 horas, na sede social estabelecida em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção nº 418, 21º andar, Edifício “sede do Banco Tai Fung”, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do Balanço e das Contas do referido Banco, respeitante ao exercício findo em 2012, do relatório do Conselho de Administração, do parecer do Conselho Fiscal e do relatório dos auditores; 2. Distribuição de resultados e de dividendos; 3. Eleição de titulares do Conselho Fiscal; 4. Contratação de auditores; 5. Outros assuntos de interesse para o Banco. Nos termos da lei, o relatório do Conselho de Administração, o Balanço e as Contas, o parecer do Conselho Fiscal e o relatório dos auditores, respetiante ao exercício findo em 2012, encontram-se depositados na sede do Banco para consulta dos sócios. Macau, 8 de Março de 2013 A Presidente da Mesa da Assembleia Geral CHAN KING

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2012 nos termos do disposto na alínea c) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 22 de Março, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Vong, através do nº 85990168 ou 85990139, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 28 de Fevereiro de 2013. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong


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desporto

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Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

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Sporting Clube de Macau deixou ao início da noite de ontem claro que é um dos mais sérios candidatos ao triunfo na edição de 2013 do Campeonato de Futebol da II Divisão. Os leões do território golearam a exigente formação do Hong Ngai por seis golos sem resposta e consolidaram a primeira posição na classificação geral, num desafio em que o dianteiro Pascoal Júnior esteve em grande evidência. À entrada para a sétima ronda do Campeonato, o Hong Ngai ocupava a quarta posição da tabela, a três pontos dos leões do território. Os responsáveis pela formação verde e branca não esperavam facilidades no frente-a-frente com uma das equipas mais experientes do segundo escalão, mas o Hong Ngai acabou por se revelar presa fácil para o leão no desafio ontem disputado no campo

Sporting vence Hong Ngai e consolida liderança

Leões cada vez mais líderes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Mais eficaz, o Sporting assumiu desde cedo o controlo da partida e os golos surgiram com naturalidade.

O veterano Pascoal Júnior fez o gosto ao pé por três ocasiões, o macaense Francisco Cunha marcou dois golos e o suplente Bruno Anjos, que entrou para o

lugar de Leandro Fernandes na recta final da partida, fechou a contagem com um golo oportuno. Na semana passada, os leões do território bateram

a inexperiente formação da Selecção de Sub-18 por três bolas a uma e beneficiaram da nulo entre o Lai Chi e o Hong Ngai para ascender à liderança do Campeonato.

Acidente com outras duas viaturas na A44, em Gaia

Decisiva, a sétima ronda da competição colocava frente a frente as quatro primeiras formações da tabela classificativa. Para além do Hong Ngai-Sporting, o relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia acolheu ao fim da noite de ontem um outro duelo de peso, com o Ponte 48 a esgrimir argumentos com o Lai Chi, em partida que decorri ainda à hora de fecho da presente edição do Hoje Macau. Na quarta-feira, a Casa de Portugal alcançou o seu segundo triunfo na presente edição do Campeonato do Futebol da II Divisão, ao golear os Serviços de Alfândega por cinco bolas a duas, com cinco golos de Leonel Fernandes. No outro desafio disputado na quarta-feira, o Chang Wai derrotou a Selecção de Sub-18 por quatro bolas a duas. A jovem formação da Associação de Futebol de Macau ainda não pontuou e ocupa o décimo e último posto da classificação com quatro golos marcados e dezoito sofridos.

Liedson saiu ileso mas o carro incendiou-se O Arrigo Sacchi avalia momento do Barcelona Em entrevista à Radio2 Rai de Itália, Arrigo Sacchi, ex-treinador do AC Milan, afirmou esta quintafeira que “Messi não é um jogador devastador”, já que o Barcelona não está no seu melhor momento. Sacchi acrescenta ainda que ultimamente não tem tido as melhores impressões do clube espanhol e que este “parece uma equipa desconhecida”. Contudo, diz que “o AC Milan pode correr o risco de sair derrotado da eliminatória se apresentar sinais de medo”. Para o ex-treinador, o facto de ter perdido Guardiola, em conjunto com as vitórias na Liga fazem com que, provavelmente, o Barça se sentisse “mais relaxado”, o que poderá ter originado, no último mês, um baixo rendimento do craque argentino.

avançado do FC Porto Liedson sofreu esta manhã um acidente que envolveu três automóveis e provocou um incêndio na viatura do futebolista. O “Levezinho” escapou ileso, tal como os ocupantes das outras duas viaturas que, às 9h30, chocaram na A44, no sentido sul/norte, junto ao acesso ao El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia. Ao que tudo indica, o BMW de Liedson sofreu um embate na traseira e incendiou-se logo a seguir. O acidente implicou o corte da A44 no local. Segundo os Sapadores de Gaia, chamados a extinguir o incêndio e a proceder à limpeza da via, a Brigada de Trânsito da GNR está a desviar o trânsito para a rotunda existente sobre este ponto da A44, permitindo aos automobilistas reentrarem na auto-estrada um pouco mais a norte. Segundo fonte do gabinete de comunicação do FC Porto contactada pelo jornal Público, Liedson compareceu para treinar normalmente esta manhã com o resto da equipa no centro de treinos do Olival.


sexta-feira 8.3.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB

one piece film z [b]

(Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Tatsuya Nagamine 19.45 Sala 2

jack the giant slayer [3d] [B]

9-9-81 Sala 1

9-9-81 [c]

(Falado em thai, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Disspong Sampattavanich, Pirun Anusuriya, Pitak Ruangrojsin, Sut Com: Patthita Attayatomwittaya 14.30, 16.15, 18.00, 21.25

Um filme de: Bryan Singer Com: Darren Lemke, Christopher McQuarrie, Dan Studney, David Dobkin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3

Aqui há gato

LINCOLN [b]

Um filme de: Steven Spielberg Com: Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

VERTICAIS: 1-Grande bráctea que envolve e protege a espiga das plantas espadices (Bot.). Animal ruminante. 2-Grespa, encarapinhada. 3-Dessa terra. Imagem ou estátua de falsa divindade. 4-Orladura. Espanto, chamada (Interj.). Tua (Arc.). 5-Reentrâncias das costas marítimas e lacustres. Afastados da conviência social. 6-Arte clínica, medicina. 7-Termina, conclui. Caminho (abrev.) 8-Gratuita. Dignatário etíope. Multidão, queixal (Prov.). 9-Preceptor de crianças ilustres. Alto, topo (pl.). 10-Dia de descanso, entre os Judeus (pl.). 11-Emagrece extraordinarimente. Porver ade aba.

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Não estendida. 2-Campo semeado de cereais. Iam abaixo. 3-Reabilitado. 4-Antes-de-Cristo (abrev.). Rio costeiro de França que desagua no mar do Norte. Bário (s.q.). Escândio (s.q.). 5-Três (Pref.). Senhora (Bras.). Dá queda. 6-Cantor ambulante entre os antigos gregos. Ribanceira. 7-Teatro para vários géneros de representações. 8-Povoação de categoria superior a aldeia. Refresco feito com bicarbonato de soda e ácido tartárico com água açucarada. 9-Adiciono. Textualmente. No tempo de. 10-Aqui. Fazem soar um instrumento musical. Sua (Arc.). 11-Realizamos o casamento.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:45 19:00 19:30 20:30 21:15 21:30 22:15 23:00 23:30 23:45 01:20 02:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360º (Diferido) RTPi Directo TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Ler + Ler Melhor Cenas de um Casamento Escrito nas Estrelas TDM News Resumo Liga Europa Liga Europa: Benfica – Bordeaux Telejornal – Repetição RTPi Directo

(Repetição)

INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 15:00 Telejornal Madeira 15:40 Percursos 16:35 AntiCrise 17:00 Bom Dia Portugal 18:00 Sextas às 9 18:35 Estado de Graça 19:00 Feitos ao Bife 20:10 Depois do Adeus 21:00 Jornal da Tarde 22:20 O Preço Certo 23:05 Especial Dia Internacional da Mulher 30 - FOX Sports 13:00 Great Edinburgh X Country 13:30 US Open 9-Ball C’ship 2012 17:00 Australian Ironwoman 2012/13 18:00 Cardiff Half Marathon 2012 18:30 Great Edinburgh X Country 19:00 The Football Review 2012-2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) Asean Basketball League 2013 Indonesia Warriors vs. San Miguel Beerman 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Football Asia 2012/13 23:00 Smash 2013 23:30 Global Football 2012/13

31 - STAR Sports 13:00 Furusiyya FEI Nations Cup 2013 14:00 FIM Snowcross World Championship 2013 Highlights 14:30 Laureus Spirit Of Sport 15:00 F1 Classics - 2003 Malaysian Grand Prix 16:00 F1 Classics - 2003 Brazilian Grand Prix 17:00 Cadillac Championship 2013 Day 1 20:00 MotoGP World Championship 2012 Highlights Grand Prix De France 21:00 Game 2012 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Cadillac Championship 2013 Daily Day 1 Highlights 40 - FOX Movies 13:00 Conan The Barbarian 14:50 What’S Your Number? 16:40 Transporter: The Series 17:30 Anaconda 3: Offspring 19:00 The Grey 21:00 White Chicks 22:50 The Son Of No One 00:25 Transporter: The Series 41 - HBO 11:45 Safe House 14:00 Game Change 16:00 The Color Of Money 18:00 Peter Pan 20:00 The Bourne Supremacy 22:00 Bunraku 00:10 Changing Lanes 42 - Cinemax 12:50 Louis L’Amour’S The Diamond Of Jeru 14:15 Ghost Rider 16:00 Winning 18:00 Batman: Under The Red Hood 19:20 Kings Of South Beach 20:45 Epad On Max 21:00 Banshee 23:00 Spartacus: Vengeance 00:45 The Rite

O verde(te) dos casinos Inteiramente de acordo que Macau use a sua árvore das patacas para investir num crescimento económico mais sustentável. Mas será que o Governo não podia ser mais selectivo? A saber: o Governo está a ponderar se deve ajudar as escolas e as universidades a investirem em equipamentos eléctricos com maior eficiência energética. No entanto, para dar às empresas hoteleiras não houve qualquer ponderação. Ou seja, para instituições de ensino - públicas e privadas -, que podem garantir uma internacionalização qualificada do território e seu prestígio, não há subsídios. Mas para os monstros, que ostentam barras de ouro no chão, como é o caso do Grand Emperor, siga atribuir o montante máximo previsto - 500 mil patacas. Está tudo muito bem. Acho óptimo que o Governo promova junto dos hotéis - os quais acabam por atingir os valores mais elevados de consumo energético - mas não através do Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética. Mas façam-no com campanhas de sensibilização porque massa têm eles para substituírem as lâmpadas por outras de menor consumo, para usarem redutores de caudais nas torneiras e chuveiros, para porem dispositivos com maior eficiência energética nos elevadores ou ainda dispositivos de conversação de frequência nas escadas rolantes, entre outras medidas do género. Porque daqui a uns dias, se for preciso, oiço falar do Prémio Hotel Verde de Macau, onde são distribuídas outras gratificações aos mesmos hotéis, que já garantiram financiamento para tal. Às vezes pergunto-me o que vai na cabeça de quem autoriza estes subsídios. Afinal, há tantas coisas a melhorar a nível social antes de se pensar em eficiência energética. Vejo que se trata aqui de um retorno fácil do dinheiro gerado. Os hotéis - por meio dos casinos - fazem chegar 40% dos seus lucros ao Governo e a Administração volta a libertá-los para os mesmos: todo para tornar Macau num paraíso de casinos verdes.

Pu Yi

HORIZONTAIS: 1-E. DOBRADA. E. 2-SEARA. CAIAM. 3-P. ILIBADO. A. 4-AC. AA. BA. SC. 5-TRI. SIA. CAI. 6-AEDO. A. RIBA. 7-POLITEAMA. 8-VILA. R. SODA. 9-ADO. SIC. SOB. 10-CA. TOCAM. SA. 11-A. CASAMOS. R. VERTICAIS: 1-ESPATA. VACA. 2-E. CREPIDA. 3-DAI. IDOLO. C. 4-ORLA. OLA. TA. 5-BAIAS. I. SOS. 6-R. B. IATRICA. 7-ACABA. F. CAM. 8-DADA. RAS. MO. 9-AIO. CIMOS. S. 10-A. SABADOS. 11-EMACIA. ABAR

À venda na Livraria Portuguesa Alguns dos títulos que poderá encontrar na Feira do Livro do Festival Rota das Letras (Espaço Sintra, de 9 a 13 de Março) Os Meus Sentimentos • Dulce Maria Cardoso

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

É uma noite de temporal. A noite do acidente. Há uma gota de água suspensa num estilhaço de vidro que teima em não cair. Há um instante que se eterniza. Reflectida na gota, Violeta mergulha nessa eternidade e recorda o que pode ter sido o último dia da sua vida, e nesse dia, toda a vida, e nessa vida, os pais, a filha, a criada, o bastardo, e em todos, a urgência da vida que prossegue indiferente como a estrada de onde ainda agora se despistou. Nessa posição instável, de cabeça para baixo, presa pelo cinto de segurança, parece que tudo se desamarra. O presente perde a opacidade com que o quotidiano o resguarda e Violeta afunda-se nos passados de que é feita, uma espiral alucinada de transparências e ecos. Violeta vira uma esquina (ou será uma página?) e a revolução de Abril irrompe, empunhando a raiva do bastardo. Abre uma porta (talvez um parágrafo)

da casa vazia e a mãe chama por ela enquanto o pai enlouquece lá fora, no quintal. Um homem afoga o desejo no corpo dela (vírgula, de certeza) e a menina dos patins desliza à frente da filha que perde a vida como caixa de hipermercado. A criada, como sempre, está calada (ponto final).

Teoria Geral do Esquecimento • José Eduardo Agualusa

Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício – do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.

O Ano em que Pigafetta Completou a Circum-Navegação • Luís Cardoso

“É este um romance luminoso, em que a história contemporânea de Timor-Leste se transforma e resplandece no transbordante prazer de contar histórias. Histórias todas elas pontuadas por movimentos de navios: oArbiru, que desapareceu um belo dia, o Lusitânia Expresso, que nunca pode trazer o auxílio português, e a nauVitória, que aportou em Timor e na qual viajava António Pigafetta, o cronista da primeira viagem de circum-navegação. E todas elas são contadas e reinventadas pela voz da narradora, a sandália esquerda da Carolina, filha de um empresário e integracionista confesso. 
O romance inclui generosamente todos os que participaram na construção do país: os que ficaram e os que partiram, os que lutaram e os que colaboraram; as mulheres que perderam os maridos e tiveram de pedir ‘protecção’ aos agentes dos invasores, em suma, todos os timorenses, sem censurar uns e outros, e com um enorme sentido de humor e uma profunda humanidade em que todos têm direito ao seu lugar.” - Isabel Moutinho

A Feira do Livro é inaugurada domingo, dia 10, às 18h30, numa cerimónia que contará com a presença dos autores convidados do Festival Rota das Letras. R u a d e S . D o m i n g o s 1 6 - 1 8 • T e l : + 8 5 3 2 8 5 6 6 4 4 2 | 2 8 5 1 5 9 1 5 • Fa x : + 8 5 3 2 8 3 7 8 0 1 4 • m a i l @ l i v r a r i a p o rt u g u e s a . n e t


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opinião

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Arnaldo Gonçalves

crepúsculo dos ídolos

As lições da História

A

história tem para a narrativa do presente uma influência que foge normalmente aos mais escapistas ou desatentos. David Hume, o filósofo inglês disse num livro famoso “An Enquiry Concerning Human Understanding” que “os homens são de tal forma os mesmos, em todos os tempos e lugares que a história não nos diz nada de novo ou estranho neste aspecto. A sua utilidade essencial é que nos permite descobrir os princípios constantes e universais da natureza humana.” A China reúne a sua 12º Assembleia Popular Nacional para escolher os que serão os principais dirigentes do Estado chinês, nos próximos cinco anos. Esta tem sido qualificada como a geração de transição embora não seja claro que tipo de transição estamos em presença. Relembremos alguns factos. O comunismo chegou à China via União Soviética. Estaline mandou o seu homem de confiança, Grigori Voitensky, à China para criar a Liga Comunista e sobretudo para controlar Chen Duxiu que seria o primeiro secretário-geral do Partido Comunista Chinês. Chen era trotskista e por essa ou qualquer outra razão morreu no exílio interno quando Mao, mais adiante, se apropriou do leme do partido. Tenho-me perguntado muitas vezes que constituindo o dogma oficial do regime um “socialismo de características chinesas” se tivermos em conta a sua cronologia chegamos à conclusão que se trata de uma ideologia absolutamente externa e estranha à tradição intelectual chinesa. Chen Shao-Yu, mais conhecido como Van Min, foi o principal assessor da liderança soviética para as questões chinesas e levou algum tempo a convencer os principais membros do Politburo soviético que o socialismo podia ser construído num país atrasado, como era a China, sendo o campesinato (e não o operariado) a classe “motora” da revolução. Digo “algum tempo” porque no princípio o regime soviético apoiou política e militarmente o Kuomintang (e não o PCC) que considerava o partido mais capaz de acautelar os seus interesses na China. Ainda assim, a profunda desconfiança de Estaline em relação ao regime comunista chinês manter-se-ia ao longo dos anos (até 1953 data da morte do ditador soviético) e já em tempo de Khrushchev ela conduziria a um enorme cisma ideológico entre a China e a União Soviética e a uma disputa ríspida pela liderança do movimento comunista internacional. O inefável Van Min tomaria partido, nesta peleja ideológica, pelo Partido Comunista da União Soviética e Mao nunca lho perdoaria, impedindo-o de regressar à China e ter algum registo nos anais do Partido Comunista Chinês. Serve este respigar histórico para chamar a atenção que os processos históricos - soviético e chinês - não estão tão distanciados

no tempo como por vezes se alvitra e a elite comunista chinesa formada na Escola de Quadros do PCC não está tão divorciada do “mindset” leninista quanto a “capitalização” do modelo económico chinês possa induzir. Fechado o ciclo da abertura ao exterior, chegado o país ao limiar definido por Deng Xiaoping, no início dos anos 80, com a China a tornar-se a segunda maior economia mundial com taxas de crescimento (do PIB) na ordem dos 10% anuais, não deixa de ser contraditório que os valores do seu PIB per capita, em 2011, se tenham situado em 8.400 dólares, segundo os cálculos do Banco Mundial ou em 8.378 dólares, segundo idêntico cálculo do Fundo Monetário Internacional. Esses valores colocam a China no 93º/94º lugar na lista dos países ordenados pela riqueza disponível por habitante, abaixo por exemplo de países como o Equador, a Albânia ou a Bósnia-Herzegovina. Dir-se-ia olhando para estes valores que houve uma parcela significativa da riqueza gerada pelo processo de desenvolvimento dos últimos vinte anos que se escapou pelos interstícios do sistema administrativo-governativo sem que revertesse para o benefício global da população e para a resolução dos seus problemas concretos e urgentes. Na verdade, apesar de 600 milhões de chineses terem saído da armadilha da pobreza crónica, 170 milhões (e segundo alguns estudos 300

Dir-se-ia que as tarefas que Xi Jinping e os seus “peers” têm pela frente são imensas e provavelmente condenadas a um fracasso a médio prazo. Até aonde quererá Xi Jinping ir no processo de reformas interna? Que tipo de abertura política no sistema central estará disposto a protagonizar? milhões) vivem ainda hoje com menos de 1.25 dólares por dia (10 patacas por dia). Esta é a medida de pobreza crónica estabelecida pelas agências internacionais. O que no mínimo é bizarro e lança naturalmente sinais vermelhos de alerta a quem, a partir desta sessão da Assembleia Popular Nacional, tem responsabilidades de governar a China. Os líderes políticos avaliam-se não pelas declarações que fazem ou pela sua linhagem mas pela capacidade que mostram, em cada tempo, de compreenderem os problemas dos cidadãos e dar-lhes respostas “possíveis”. Num sistema fechado quanto o chinês os líderes são normalmente entronizados, colocados num balão de cristal acima das populações donde olham para o país não

como ele é mas como os burocratas querem que eles o percebam. Esse distanciamento é fundamental para a manutenção do poder e da influência das estruturas intermédias da burocracia chinesa e para o enriquecimento de muitos dos seus dirigentes regionais e provinciais. Mas esse distanciamento é também um convite à esclerose e à decrepitude do regime chinês. Observando a postura de Xi Jinping veio-me à memória, um destes dias, a figura de Chernenko, o secretário-geral do PCUS entre 1982 e 1984. Uma personalidade que mereceu na altura os maiores encómios por parte de quem acompanhava o processo de transição de liderança na União Soviética, na sequência da morte do emblemático Leonidas Brejnev. Relembro as promessas falhadas de abertura política por dentro, o combate à corrupção existente no partido, o aprofundamento das relações com o Ocidente sem perda da “autenticidade” do socialismo soviética. Chernenko desapareceria rapidamente do panorama político soviético, aparentemente por doença, e um jovem chamado Mikhail Gorbachev vir-se-ia projectado, de um momento para o outro, na liderança comunista da URSS. O profundo processo de mudanças políticas que impulsionaria a partir de 1985 para reformar a União Soviética e salvar o Partido Comunista Soviético de uma agonia célere acentuaria uma ilação que a história não cessaria de repetir: os regimes autoritários mantém-se na medida em que exercem um poder férreo e incontestável sobre as populações, restringindo as liberdades civis, impondo a censura aos meios de comunicação de massas, fazendo funcionar a doutrina única do Estado. No dia em que abrem, ainda que timidamente ao exterior, que as populações começam a conhecer a realidade que existe lá fora, torna-se gritante o absurdo do regime e a sua irracionalidade como sistema fechado. A queda do Muro de Berlim em Novembro de 1989 assinala este desenlace para a história e deixa-nos inúmeras lições se nos dermos ao trabalho de ter memória. Dir-se-ia que as tarefas que Xi Jinping e os seus “peers” têm pela frente são imensas e provavelmente condenadas a um fracasso a médio prazo. Até aonde quererá Xi Jinping ir no processo de reformas interna? Que tipo de abertura política no sistema central estará disposto a protagonizar? Como controlará o descontentamento da facção que rodeava Bo Xilai e que quer o regresso ao maoísmo puro e duro? Como lidará com a subida de um nacionalismo belicista que ganha um cada vez maior número de aderentes nas Forças Armadas e nos serviços de segurança? Estas são perguntas para já sem resposta no momento em a majestática teatralização do convénio dos comunistas chineses escolhe aqueles que governarão o país nos próximos dez anos.


sexta-feira 8.3.2013

opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

A casa

H

á duas ou três coisas que me parecem essenciais para se viver bem. Desde logo, saber-se que, em caso de doença, não se morre na calçada e se está em boas mãos. Depois, para o caso de haver um azar, ter a convicção de que o sistema judicial é justo. Por fim – mas não menos importante, que a ordem de tudo isto é aleatória –, ter a noção de que aquilo que se ganha com o trabalho que se tem vai ao encontro do custo de vida, do que é básico para o corpo e também do que faz falta à alma. Estou em crer que, para a generalidade das pessoas que vive por cá, houve alturas em que estes três requisitos estavam mais ou menos cumpridos. O hospital não estava a rebentar pelas costuras e os tribunais inspiravam confiança. O custo de vida ia sendo suportável. Macau fez-se, ao longo dos tempos, por ser apetecível, por oferecer uma vida melhor do que do outro lado da fronteira, independentemente da distância da fronteira. Uma verdade que se aplica a chineses, a portugueses e a gente de todas as nacionalidades e proveniências que fizeram de Macau aquilo que Macau foi sendo – mas que se arrisca a deixar de ser. Conheço várias pessoas que estão neste momento com um problema chamado casa. São residentes de Macau que não se enquadram em nenhum dos parâmetros que o Governo contempla naquilo que diz ser a política de habitação, que de política nada tem e de habitação tem pouco, se pensarmos nos caixotes com grades que vão sendo construídos para albergar quem já não consegue encontrar um poiso melhor. Estas pessoas que andam à procura de casa tamb��m não fazem parte dos altos quadros dos casinos a quem mais dez, menos cinco tanto lhes dá, como se lhes deu. São pessoas assim a dar para a classe média, a tal classe ensanduichada que vive apenas do salário normal que tem e que foi dando para viver com alguma tranquilidade. Algumas nasceram cá, outras vivem cá há tantos anos que mal se lembram de como foi viver onde nasceram. São residentes de Macau, cidadãos de Macau, pessoas de Macau. Por mais que me atirem estatísticas e me digam que a grande maioria da população da cidade tem casa própria, não consigo compreender como é que o Governo não tem uma política para o arrendamento, sobretudo num espaço que depende, de forma tão significativa, dos recursos humanos que vai buscar ao exterior. A mão-de-obra não qualificada, aquela que segura as pontas nos trabalhos que ninguém quer, vive com um título de perma-

nência que a afasta das benesses definidas na tal política de habitação. A outra mão-de-obra, a qualificada, chega com a incerteza do tempo de residência em Macau. É um clássico: os que não nasceram aqui vieram para cá viver com contratos de dois anos. A verdade é que o Governo ignora esta fatia significativa da população – uma fatia que é uma minoria, é certo, mas que nem por isso tem menos importância, por fazer aquilo que os que são de cá (há mais tempo) não sabem, não podem ou simplesmente não querem fazer. É esta minoria com significado que hoje se vê à rasca para encontrar uma casa que consiga arrendar. Numa cidade onde tantas luzes de tantos apartamentos estão apagadas à noite, o processo de encontrar uma casa é um filme de terror. Detectada a casa menos suja e menos maltratada, tem início o kafkiano momento de negociação com as agências e/ou com os senhorios, muitos deles profissionais da arte de arrendar apartamentos a preços e em condições que vão além da indecência. Nem as agências, nem estes senhorios profissionais têm qualquer tipo de consideração pelo que está escrito na lei e muito menos se regem por critérios mínimos de moralidade. É pegar ou largar. Encontrado o buraco onde se vai viver, com sorte, durante dois anos, fazem-se contas à vida para se descobrir que, afinal, em Macau já não se vive – sobrevive-se. Um facto normalíssimo num mundo em crise que não é o de Macau. Um facto do qual Macau e os seus governantes se deveriam envergonhar. O Governo e a Assembleia Legislativa não vão mais longe nas políticas de controlo da especulação e não mexem na lei do arrendamento – que deixa desprotegido o elemento mais fraco da relação contratual – por razões que todos conhecemos: os ricos da terra têm no sector imobiliário uma das principais fontes de riqueza. Pelo que se tem visto do modo com os governantes actuam em relação a esta matéria, é tempo perdido pensar que vai haver medidas que, efectivamente, imprimam alguma razoabilidade no que se passa no mercado da habitação local. Fica uma ideia: à semelhança da luta desenfreada que se lançou contra quem prevarica ao acender um cigarro no lugar errado, declare-se guerra aos prevaricadores do tecto arrendado. Crie-se uma equipa de fiscais que ande pelas agências e acompanhe os processos de negociação entre arrendatários e proprietários dos imóveis a arrendar. Fiscalizem-se os contratos e castiguem-se as agências e senhorios que obrigam os arrendatários a alinharem em situações de ilegalidade, na lógica do é pegar ou largar.

Encontrado o buraco onde se vai viver, com sorte, durante dois anos, fazem-se contas à vida para se descobrir que, afinal, em Macau já não se vive – sobrevivese. Um facto normalíssimo num mundo em crise que não é o de Macau. Um facto do qual Macau e os seus governantes se deveriam envergonhar Abra-se um gabinete onde seja possível obter apoio jurídico básico e onde seja fácil apresentar queixa das agências que, através da coacção, expulsam arrendatários para ficarem com apartamentos vazios que vão arrendar pelo triplo do preço.

Macau podia ser mais perfeita do que todas as cidades do mundo. Mas é preciso que quem manda nela queira a perfeição, saiba o que é a perfeição, desça à terra e queira muito, mas mesmo muito, que quem aqui vive não se limite a sobreviver.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 8.3.2013

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c a r t oon Hugo Chávez morreu após “ataque cardíaco fulminante”

farol

por Steff

Asteróide vai passar perto da Terra amanhã

Depois de no passado mês de Fevereiro um meteorito ter caído na Rússia, provocando milhares de feridos, e de um asteróide ter rasado a Terra, o Planeta Azul volta a estar na rota de um asteróide já este fim de semana. O asteróide, do tamanho de um campo de futebol, vai passar a quase um milhão de quilómetros da Terra, com os cientistas a assegurarem que não há qualquer perigo e que a passagem do 2013 ET não será como a do meteorito que assolou a Rússia, no passado dia 15 de Fevereiro. O astrofísico Gianluca Masi, que dirige o «Virtual Telescope Project» italiano, está a preparar uma emissão gratuita da passagem do asteróide em tempo real que vai ser transmitida no site oficial do telescópio virtual. A passagem do 2013 ET, prevista para sábado dia 9 de Março, não deverá vista a olho nu, uma vez que este vai estar tão distante da Terra como está a Lua.

O chefe da guarda presidencial da Venezuela, o general Jose Ornella, revelou esta quinta-feira, que Hugo Chávez morreu após um “ataque cardíaco fulminante”, em entrevista à agência AP. “Ele não podia falar, mas disse com os lábios… `Eu não quero morrer, por favor não me deixe morrer´, porque ele amava o seu país, sacrificou-se por ele”, sublinhou Ornella que estava ao lado do presidente quando este morreu. Hugo Chávez morreu esta terça-feira, aos 58 anos, depois de ter perdido a luta contra um cancro na região pélvica.

Standard & Poor´s melhora classificação de Portugal

A agência de notação financeira Standard&Poor´s melhorou, esta quinta-feira, a classificação de Portugal como pagador de dívidas a longo prazo. Esta revisão da perspectiva sobre Portugal surgiu após os ministros da União Europeia terem chegado a acordo para prolongar o prazo do empréstimo para ajuda financeira ao País. A agência de rating passou a perspectiva de classificação da solvabilidade a longo-prazo de Portugal de “negativa” para “estável”. No entanto, a S&P manteve Portugal na categoria “BB”.

Pentágono supervisionou torturas no Iraque

Veteranos de guerra norteamericanos foram encarregados de realizar torturas aos prisioneiros iraquianos, segundo o jornal britânico “The Guardian”. O Pentágono terá enviado para o Iraque militares veteranos que para supervisionar comandos policiais realizavam detenções clandestinas e organizavam centros de tortura para obter informações. Foi, aparentemente, o ex-secretário da Defesa, Donald Rumsfeld quem pediu ao coronel James Steal para colaborar com as forças paramilitares no Iraque.

Rota das Letras acertou programa nas escolas

Livros entre recreios Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

Festival Literário de Macau - Rota das Letras estará inteiramente direccionado às instituições de ensino, na parte da manhã. O Festival arranca já amanhã mas o “Rota das Escolas” começará na próxima segunda-feira. As palestras, com escritores lusófonos, francófonos e chineses, vão ter lugar entre as 9 e as 15 horas. A Escola Portuguesa de Macau receberá três sessões. Na segunda-feira, pelas 11h30, vai ter a presença de Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink, na quarta-feira, Dulce Maria Cardoso, José Educardo Agualusa e Han Shaogong e quinta-feira, Deana Barroqueiro irá visitar a instituição de ensino de matriz portuguesa. No mapa de ensino literário, entre 11 e 15 de Março, estão também o Instituto de Formação Turística, a Universidade de São José, o Instituto Politécnico de Macau, a Universidade de São José, a Universidade de Ciência e Tecnologia, a Escola Pui Cheng, a Escola Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, a Escola Secundária Choi Nong e a Escola Yuet Wah.

O quadro do programa foi finalmente fechado e confirmados estão também a sessão “Dentro e Fora da Fronteira”, na quarta-feira pelas 18h30, organizado pela Macau Pen Club, com a presença de Wong Man Fai, Joe Tang, U Sio San, Tong Mui Sio, Agnes Lam e LEi Kun Ting. Amanhã, primeiro dia do evento, além de Bernardo Devlin também Wilson Tsang dará um concerto de abertura, pelas 19h na Praça da Amizade. A banda de Macau L.A.V.Y

junta-se à artista taiwanesa Joanna Wang no Cotai Arena, no Venetian, às 20h30. Os portugueses Dead Combo e Camané vão estar no resort no dia seguinte, também pelas 20h30. Mais informações e detalhes do programa estão no sítio online (www.thescriptroad.org).

Real Madrid Marcelo arrisca pena de prisão

Depois de Benzema e Essien, é agora a vez de Marcelo ser notícia no Real Madrid devido a problemas com a polícia de trânsito. Se os dois primeiros foram notícia por conduzir em excesso de velocidade, o lateral brasileiro foi apanhado com a carta caducada no passado dia 12 de Fevereiro, depois de ter cometido uma infracção nas imediações do centro de treinos da equipa merengue. De acordo com a Imprensa espanhola, Marcelo incorre numa pena de prisão de entre três e seis meses.

Desistências

No “Rota das Letras” há, no entanto, duas baixas. O escritor Francisco José Viegas, antigo secretário de Estado da Cultura não vem até Macau, no âmbito do festival, por não ter registado melhorias no seu estado de saúde. A escritora chinesa Sheng Keyi também vai estar ausente por dificuldades “com a obtenção de visto”, indica a organização do festival. Apesar das desistências, o director do festival, Ricardo Pinto, disse à Rádio Macau estar confiante no sucesso da iniciativa. “Creio que vamos ter um programa muito aliciante e muito atractivo”, revelou.

Rihanna publica foto apenas de botas e fio dental

Rihanna já é conhecida pelas fotografias provocadoras que publica nas redes sociais e a última não foge à regra. Esta quarta-feira, a cantora dos Barbados publicou através do Instagram, onde utiliza o nome “badgalriri”, uma fotografia de costas, apenas de cuecas e com umas botas de cano alto. A acompanhar, mais uma, polémica foto, Rihanna agradeceu à designer italiana Miuccia Prada que lhe terá oferecido as botas. “Grande rabo e botas Prada personalizadas. Miuccia és a maior. Obrigada!”


Hoje Macau 8 MAR 2013 #2807