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MOP$10

CCAC espantado com Obras Públicas

Não era um legume, mas um terreno. Que, num ápice, decuplicava de tamanho. Como foi isto possível? GRANDE PLANO

HABITAÇÃO

STEVE WYNN DEIXA A EMPRESA

Tensão alta A pressão é muita. Steve Wynn, acusado de abusos sexuais nos EUA, resolveu demitir-se de presidente da sua própria empresa. O HM explica as consequências para Macau. O Professor Jorge Godinho reflecte sobre as consequências legais do caso, agora e no futuro. PÁGINAS 8-9

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TEATRO

A COREIA E A MORTE EVENTOS

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António Cabrita escreve sobre lembrar e esquecer

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Mais vale selo que parecê-lo e outras fábulas

JESSICA RINALDI / THE BOSTON GLOBE VIA GETTY IMAGES

Caso Casamata

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

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QUINTA-FEIRA 8 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3990

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

8.2.2018 quinta-feira

O LEGUME´ DA DISCORDIA

CCAC A IRREGULARIDADES PRESCREVERAM. EMPRESA DE SIO TAK HONG É “LESADA”

André Cheong, do Comissariado contra a Corrupção, explicou ontem que as irregularidades relacionadas com o terreno da casamata de Coloane já prescreveram e que, por enquanto, nada pode ser imputado à empresa Win Loyal, do empresário Sio Tak Hong, que é “lesada” no caso. Ficou por esclarecer se os responsáveis da DSSOPT, à época, foram ou não ouvidos

investigação que mais trabalho deu ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC), relativa ao terreno localizado no Alto de Coloane, onde se situa a histórica casamata, continua a dar que falar. André Cheong, comissário do CCAC, deu ontem uma conferência de imprensa para explicar mais detalhes sobre o caso. André Cheong adiantou que as irregularidades detectadas quanto à demarcação da área do terreno junto da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) e emissão de certificado com a área do terreno falsificada pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), realizadas durante os anos 90, já prescreveram. Além disso, os autores das irregularidades, Vong Tam Seng e Vong Tak Heng, já faleceram. Relativamente ao advogado Paulo Remédios, “trabalhava em Macau mas deixou o território, mas isso não constitui uma situação especial”, frisou André Cheong. “Temos um período de prescrição em termos de responsabilidade penal. Nestes casos é de 15 anos, e depois não podemos voltar a questionar [os intervenientes]. No entanto, e de acordo com as suas competências, o CCAC vai continuar a acompanhar o caso. Não é por ter prescrito que vamos deixar de o fazer”, referiu. Por enquanto nada pode ser imputado à empresa de Hong Kong, a Win Loyal Development, do empresário Sio Tak Hong, que também está ligado ao caso polémico do terreno da Fábrica de Panchões, na Taipa. “Actualmente, e de acordo com a investigação do CCAC, não há informações que possam ser reveladas de que a Win Loyal interveio no que foi feito nos anos 90. Em relação às práticas fraudulentas de demarcação do terreno a Win Loyal não teve qualquer participação. Aí a companhia é lesada dessas condutas fradulentas”, apontou. A Win Loyal adquiriu em 2004 o referido terreno por 88 milhões de dólares de Hong Kong, sem alegadamente saber que o tinha comprado aos falsos proprietários e que as plantas emitidas continham dados falsificados. “De acordo com a nossa investigação a Win Loyal está numa posição prejudicada, é o lesado neste caso e pode recorrer às vias legais”, acrescentou André Cheong. O relatório divulgado esta terça-feira dá conta de que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) não cumpriu o Plano de Ordenamento de Coloane, implementado em 1997, tendo autorizado a construção de um edifício habitacional com um máximo de 100 metros de altura, quando o referido plano previa prédios com um máximo de 20 metros. Com essa autorização, foram também violadas normas internas.


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Contudo, o CCAC não quis comentar a possibilidade da Win Loyal ter feito tráfico de influências junto dos funcionários da DSSOPT para ver o projecto aprovado. “A planta emitida pela DSSOPT deve ser considerada nula porque violou uma circular da própria DSSOPT. Se alguém cometeu algum crime o CCAC não se pronuncia”, disse André Cheong. O CCAC não põe de parte a realização de mais investigações criminais no decorrer deste processo. “Se verificarmos indícios de algum crime, nomeadamente corrupção, abuso de poder ou até fraude que envolva funcionários públicos e se forem actos criminais que compete ao CCAC acompanhar, não deixaremos de o fazer. Mas estas medidas em relação a qualquer acto suspeito de crime não foram mencionadas no relatório e antes de estarem concluídas também não as vamos divulgar junto da comunicação social.”

DSSOPT OUVIDA?

O comissário do CCAC não quis fazer comentários sobre a possibilidade de serem instaurados processos disciplinares aos funcionários públicos da DSF e da DSCC que estiveram envolvidos neste caso e que não verificaram a veracidade das informações, emitindo documentos que vieram a ser usados pelo tribunal para comprovar uma falsa propriedade por herança. “Os funcionários da DSCC foram inquiridos, os que estavam antes e

“Como é que foi possível que a DSSOPT não tenha colocado dúvidas sobre este terreno, sobretudo quando foi pedida uma demarcação do terreno no dobro do tamanho? Não estamos a falar de um legume que compramos no mercado.” “Se verificarmos indícios de algum crime, nomeadamente corrupção, abuso de poder ou até fraude que envolva funcionários públicos e se forem actos criminais que compete ao CCAC acompanhar, não deixaremos de o fazer.” ANDRÉ CHEONG COMISSÁRIO DO CCAC

depois de 1999 nos serviços, e estes foram questionados relativamente às opiniões e pareceres técnicos. Todos afirmaram que não era possível emitir uma planta deste género e nestas condições. É um terreno sem dono.” O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, também não emitiu quaisquer opiniões sobre este caso, quando questionado sobre o assunto à margem de uma reunião com deputados da Assembleia Legislativa. De frisar que Raimundo do Rosário chegou a ser director da DSSOPT mas num período anterior à prática das irregularidades administrativas, ou seja, entre 1979 e 1990. O processo relativo ao terreno da casamata arrancou em 1992. André Cheong mostrou-se incrédulo com a falta de acção da DSSOPT. “Como é que foi possível que a DSSOPT não tenha colocado dúvidas sobre este terreno, sobretudo quando foi pedida uma demarcação do terreno no dobro do tamanho, quase toda a colina era deles [Vong Tam Seng e Vong Tam Kuong]? Como foi possível uma grande diferença de área, já aqui haveria indícios de ilegalidade, não era o primeiro requerimento e a área foi sendo reduzida até os serviços aceitarem? Não estamos a falar de um legume que compramos no mercado.” A investigação do CCAC levou o Chefe do Executivo, Chui Sai On, a encaminhar o relatório para o

Nunca é tarde demais

CCAC garante ter estado atento ao Alto de Coloane antes das queixas

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investigação levada a cabo pelo CCAC começou há dois anos, mas os indícios de que algo não estaria bem com o terreno no Alto de Coloane começaram muito antes. Em Março de 2012 surgiram as primeiras notícias sobre a possibilidade do último pulmão verde do território poder vir a ter um edifício com 100 metros de altura, tendo surgido os primeiros receios relativamente à falta de protecção da colina e da casamata. Em 2016 é que duas associações locais, a Novo Macau e Choi In Tong Sam, apresentaram queixas ao CCAC sobre o caso. Terá o organismo agido tarde e ignorado os sinais de alerta? André Cheong garantiu que não. “Também lemos as notícias que saem nos órgãos de comunicação social. Não esperamos apenas pelas queixas [para iniciarmos um processo de investigação] e não fazemos uma investigação passiva. Se suspeitarmos de alguma ilegalidade, e se tiver dentro das nossas competências, podemos iniciar um processo”, adiantou. “O terreno começou a ter problemas em 1903, pois alguém o comprou e não desenvolveu nada lá. Era uma situação estranha e também podemos ter as nossas dúvidas. O CCAC deu atenção ao caso antes do início do processo. Se não tivéssemos acompanhado o processo antes era impossível termos um relatório tão pormenorizado”, frisou o comissário.

Contudo, nem todos pensam da mesma maneira. Ao HM, o deputado José Pereira Coutinho adiantou que o CCAC está sob alçada do Chefe do Executivo e que podem ocorrer fases específicas para se avançar com determinados processos. “Nos termos do Capítulo IV do artigo 59 da Lei Básica, o CCAC faz parte da estrutura política directamente dependente do Chefe do Executivo, respondendo perante o mesmo, não obstante funcionar como órgão independente. Portanto o CCAC é um órgão bifurcado e essencialmente político e desempenha funções de autoridade com poderes de investigação criminal. Sempre existirão situações de ponderação da oportunidade na instauração quer nas situações de investigação quer na fase de inquérito.”

DSPA QUER FAZER E NÃO PODE

Joe Chan, activista sobre questões ambientais, e que foi uma das vozes mais activas neste processo, há quatro anos, também defende que o CCAC poderia ter iniciado as investigações mais cedo. “O Governo deveria ter tido um papel mais activo na monitorização nos casos relacionados com os terrenos. Penso que o CCAC deveria ter iniciado a investigação mais cedo. O caso começou a ser falado em 2013 e acho que aí

Ministério Público, para que sejam investigados indícios criminais. O terreno onde se localiza a fortaleza militar construída pelos portugueses há mais de 400 anos foi comprado em 1903 por Choi Lam, mas nunca foi desenvolvido até à sua morte. Em 1991, dois moradores da vila de Coloane, de nome Vong Tam Seng e Vong Tak Heng, conseguiram provar em tribunal, com base numa certidão passada pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), com dados falsos, de que eram proprietários do terreno, por serem netos de Choi Lam. Estes conseguiram também a emissão de uma planta pela DSCC com base em dados falsos. O CCAC, no decurso da sua investigação, chegou à conclusão que não só o parentesco não ficou devidamente provado como foi alterada a verdadeira dimensão do terreno, que na verdade não tinha 53.866 metros quadrados, mas apenas “algumas centenas de metros”. “O relatório demorou dois anos a ser realizado e envolveu muitos serviços e pessoas. Foi uma decisão tomada com todo o rigor e seriedade. Todos estes documentos não têm um efeito jurídico e não foram emitidos de acordo com a lei. O registo mudou a localização do terreno de nordeste para noroeste”, concluiu André Cheong. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

já era a altura para o Governo se começar a preocupar com o assunto.” Joe Chan aponta também o dedo à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), que teve “um papel bastante passivo neste processo”. O relatório do CCAC alerta para o facto da DSPA não ter uma base legal para fiscalizar a implementação de relatórios de impacto ambiental, além de que o seu parecer técnico não foi tido em conta pela DSSOPT. “Não há uma lei ou autoridade no que diz respeito aos relatórios de impacto ambiental. Não há registo das empresas que fazem este tipo de trabalhos, ainda não é obrigatório e não são feitos relatórios científicos. Penso que a DSPA quer realizar o seu trabalho mas não tem poder legal para o fazer.” Sulu Sou, deputado suspenso temporariamente e ligado à Associação Novo Macau, revelou ao HM estar satisfeito com a divulgação deste relatório depois da queixa apresentada. “Trata-se de um caso típico de leis e terrenos em Macau. Independentemente se aconteceu antes ou depois de 1999, não é aceitável a forma como o Governo lidou com este caso, sobretudo ao nível da informação difundida junto do público. Este tem a responsabilidade legal sobre as acções administrativas. O Governo deveria começar rapidamente o processo legal para reaver o terreno.” Há também uma preocupação do ponto de vista ambiental. “A Novo Macau pede que o Governo conclua o plano director de Macau para que Coloane fique protegida e um espaço agradável.” A.S.S./J.S.F.

Fábrica de Panchões Sio Tak Hong pede compensação

Em 2016 o CCAC considerou que a permuta de terrenos relativa à Fábrica de Panchões, na Taipa, foi ilegal. O caso ainda está em tribunal e Sio Tak Hong, também concessionário deste terreno, pede uma compensação por 15 mil metros quadrados. “O Governo deve reaver o terreno devido ao acto nulo da permuta de terrenos e não precisa de dar uma compensação [ao promotor]. A sociedade preocupa-se que nada aconteça depois da publicação do relatório mas este assunto não foi esquecido, porque o Chefe do Executivo deu atenção ao relatório e está a acompanhar o caso. Está em curso o despejo das pessoas que estão no terreno para que este possa voltar para a RAEM. O caso ainda está em processo judicial e precisamos de ter uma confirmação pela via judicial. Empresa acha que merece compensação por 15 mil metros quadrados, mas o Governo não tem de dar nada à companhia. Estamos a acompanhar o caso”, referiu André Cheong.

Win Loyal afirma Terreno adquirido nos termos legais

A empresa Win Loyal reagiu ontem ao relatório do CCAC com um comunicado de página inteira na imprensa chinesa. Esta afirma que “adquiriu o terreno nos termos legais”, além de frisar que os seus “direitos e interesses legais não estão garantidos”, uma vez que se pede a reversão do terreno para a Administração. A empresa Win Loyal, cujo principal accionista é a Poly Property Group, de Hong Kong, adiantou ainda que o relatório pode causar uma má interpretação da sociedade em relação à empresa, além de causar a perda de confiança dos investidores.


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GCS

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Á três fases a cumprir na realização dos concursos públicos para a realização de obras e inúmeros procedimentos burocráticos que levam a um longo período de espera até que uma obra pública esteja concluída. As etapas de um concurso público foram ontem explicadas por Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, que esteve reunido com os deputados que compõem a comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas. “Ouvimos as explicações do Governo sobre os procedimentos adoptados pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), e a partir daí podemos saber quais são os obstáculos que o Governo enfrenta. O Governo disse que há três fases num concurso público e sabemos que em cada uma das fases são necessários um a três meses para o tratamento das formalidades”, explicou a deputada Ella Lei. No futuro a comissão pretende reunir com o secretário para debater as várias fases dos concursos públicos em curso. “A comissão propôs que no futuro haja mais contactos

OBRAS DEPUTADOS PASSAM A SABER DETALHES DOS CONCURSOS PÚBLICOS

Um novelo sem fim

Raimundo do Rosário foi ontem àAssembleia Legislativa explicar os procedimentos relacionados com os concursos públicos e que justificam os inúmeros atrasos com os projectos. No futuro serão realizadas várias reuniões sobre o assunto e reuniões com o Governo sobre as diferentes fases dos concursos”, adiantou a presidente. Raimundo do Rosário garantiu, à margem da reunião, de que alterações dos procedimentos não estão em cima da mesa. “Foi uma conversa sobre a preocupação que a comissão tem relativamente à forma de adjudicação de projectos e obras. Explicámos os procedimentos que são necessários para realizar um projecto, seja por concurso seja por consulta, e

as diversas fases da obra. Ficou combinado de que no futuro teremos encontros mais pormenorizados.” “Há a ideia geral de que andamos devagar e que as coisas levam muito tempo, e viemos explicar porque é que as coisas levam tempo. Estamos numa fase de esclarecimento e não de alteração”, frisou.

LIMITES ORÇAMENTAIS

A deputada Ella Lei lembrou ainda os casos do terminal marítimo do Pac On, que demorou dez anos

“Há a ideia geral de que andamos devagar e que as coisas levam muito tempo, e viemos explicar porque é que as coisas levam tempo. Estamos numa fase de esclarecimento e não de alteração.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO

a ser construído, ou do metro ligeiro, que, quase uma década depois, será uma realidade apenas na Taipa. “O Governo explicou-nos algumas das suas limitações no que diz respeito ao número avultado de obras, porque num determinado período tem de avançar com vários projectos e deparam-se com falta de pessoal”, apontou. A reunião não incidiu sobre as questões relacionadas com os recursos humanos, mas a verdade é que persistem constrangimentos orçamentais para contratar pessoas, uma vez que o sistema de contratação está centralizado nos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). “O Governo não nos fez uma explicação pormenorizada sobre isso. Tendo em conta o Estatuto dos Trabalhadores da Adminis-

tração Pública de Macau, quem faz o recrutamento de pessoal são os SAFP. É feito um exame geral e têm de ser seguidos uma série de procedimentos, também relativos ao orçamento. Por causa destas restrições a DSSOPT não consegue realizar concursos públicos [para a contratação]”, adiantou Ella Lei. Actualmente trabalham cerca de 3400 funcionários na DSSOPT, tendo Raimundo do Rosário admitido no hemiciclo de que não tem fiscais suficientes na sua tutela para tantas obras públicas em curso. “Quanto ao recrutamento de pessoal os procedimentos demoram muito tempo e o orçamento é um dos factores que limita ou restringe essa matéria. Este volume de trabalho vai criar alguma pressão aos trabalhadores. Se isto

continuar é difícil resolver os problemas com as obras públicas”, frisou Ella Lei, que preside à comissão.

LEIS NÃO SÃO MÁS

Na reunião foi abordado o problema da “desactualização dos montantes [nos concursos públicos] previstos nos diplomas legais”, tendo Ella Lei defendido que seria importante uma actualização de algumas leis e regulamentos. Foi também falada a necessidade de encurtar os prazos de resposta dos serviços na emissão de pareceres técnicos para a realização dos concursos públicos, actualmente cifrados em 30 dias. “O Governo tem vindo a dialogar com os serviços competentes e disse que há margem de melhoria para esses diplomas, mas tudo isto demora muito tempo. Será que com tanto volume de trabalho se consegue avançar para isso?”, questionou a deputada. Raimundo do Rosário deixou, contudo, bem claro de que o problema não reside na falta de qualidade das leis. “O secretário disse que o maior problema não é a legislação, porque não é má, mas há margem de melhoria para os procedimentos internos.” Andreia Sofia Silva

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HABITAÇÃO GOVERNO APROVOU LEI PARA LANÇAR IMPOSTO ESPECIAL DE SELO, MAS SOFRE DERROTA

Vitória de Pirro

TIAGO ALCÂNTARA

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Lionel Leong pretendia evitar a especulação com a limitação do acesso dos casais à segunda casa, mas viu os deputados chumbarem esta parte da proposta. Antes da votação deste ponto, o secretário tinha admitido que chumbo colocava em causa a eficácia das medidas

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Assembleia Legislativa aprovou ontem, na especialidade, o pagamento de um imposto de selo especial para a compra da segunda e posteriores habitações. O Governo pretendia que nos casos em que um dos membros é o único detentor de uma casa, que a propriedade fosse extensível ao outro cônjuge apenas para efeitos do pagamento deste imposto. Contudo este ponto acabou mesmo por ser chumbado em grande parte devido aos votos dos deputados eleitos pela via directa. Nem os avisos do secretário da Economia e Finanças, Lionel Leong, para o facto do chumbo colocar em causa o funcionamento da nova lei e abrir a porta para a especulação fez os membros da AL mudar de opinião. Para evitar a fuga ao novo imposto, o Governo pretendia que independentemente do regime de partilha de bens e de apenas um dos membros do casal ter em seu nome uma habitação, que qualquer outra casa adquirida por esse casal teria de pagar o novo imposto, mesmo que fosse em nome do cônjuge sem qualquer habitação. Com o chumbo, o Governo admite que os casais podem passar os bens todos para o nome de um dos cônjuges, enquanto o outro compra a segunda e terceira casa do casal, sem ter de pagar os impostos aprovados ontem. Através da transmissão da posse dos bens, o processo pode ser repetido várias vezes. “Queremos evitar situações de fuga aos impostos,

mas não queremos alterar em nada o regime de bens do casamento. A lei só produz efeitos para este imposto”, justificou Lionel Leong, sobre a proposta. “Pretendemos reduzir a vontade da população em adquirir mais de um imóvel para evitar a especulação. O casamento é para constituir uma família e os cônjuges devem viver num imóvel”, defendeu o director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong. “Sobre o regime da separação de bens, um casal pode aproveitar todas as lacunas para não pagar impostos. Isso só iria prejudicar a proposta de lei e evitava os objectivos pretendidos. Já estamos a prever que muitos casos não sejam declarados”, acrescentou, ainda antes do chumbo ser conhecido.

CASAMENTOS EM CAUSA

Entre os argumentos contra a proposta, os deputados apontaram as situações em que há pequenos proprietários que querem comprar casas para os filhos, ou os casos em que um membro do casal é prejudicado por estar casado com uma pessoa que já tem uma habitação em seu nome, mesmo que vivessem em regime de separação de bens. Também houve deputados a defender que este ponto da lei iria afectar a estabilidade das famílias em Macau e que poderia levar a uma redução do número de casamentos. Mak Soi Kun e Song Pek Kei foram os deputados que justificaram o chumbo com este argumento.

“Devido a esta proposta de lei, consigo ver muitos casais a terem dúvidas sobre o matrimónio. As leis não devem incentivar as pessoas a não pagarem impostos, mas também não devem fazer com que não se casem ou mesmo que se divorciem”, justificou a deputada ligada à comunidade de Fujian. Porém Ip Sio Kai recusou a ideia de que o casamento possa ser posto em causa devido a benefícios fiscais: “O casamento é sagrado. É muito complicado fugir ao fisco. Se acham que as pessoas vão tentar evitar o casamento para fugirem ao fisco, isso não corresponde aos nossos valores. Não é uma situação comum em Macau”, afirmou Ip Sio Kai. No final, esta parte da lei acabou mesmo por ser chumbada com os votos contra de: Kou Hoi In, Chan Hong, Ng Kuok Cheong, Au Kam San, Si Ka Lon, Wong Kit Cheng, Song Pek Kei e de Ip Sio Kai. Abstiveram-se Vong Hin Fai, Leong On Kei, Mak Soi Kun, Ho Ion Sang, Zheng Anting, Lei Cheng I, Lei Chan U, Lam Lon Wai e Leong Sun Iok. A favor votaram José Pereira Coutinho, Agnes Lam e os deputados nomeados pelo Chefe do Executivo. De acordo com a lei aprovada ontem, na especialidade, e que entra em vigor hoje, uma pessoa que compre a segunda habitação em Macau fica sujeita a um imposto de selo extra no valor de 5 por cento. Se a casa for a terceira ou posteriores, o imposto sobe para 10 por cento. João Santos Filipe

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CHEFIAS NOS SERVIÇOS DE ALFÂNDEGA

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ambém ontem os deputados aprovaram, por unanimidade, a proposta que vai permitir às Forças de Segurança de Macau e à Escola Superior da Forças de Segu-

rança de Macau recrutarem dos Serviços de Alfândega pessoas para os cargos de direcção. O diploma não gerou qualquer tipo de debate entre os deputados e foi votado em

menos de cinco minutos. Os Serviços de Alfândega tinham sido separados das Forças de Segurança em 2001, após a transição, mas voltam com esta alteração voltam aproximar-se.


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ALEXIS TAM CONFESSA GRANDE EXPECTATIVA

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secretário para os Assuntos Sociais e Cultura revelou ter uma grande expectativa face ao trabalho da nova presidente do Instituto Cultural, apesar de admitir que o desafio não é fácil. “A pressão não é pouca, mas posso dizer que a nova presidente tem as capacidades necessárias para exercer o cargo. Temos uma grande expectativa face ao seu trabalho e todos os resultados do anterior trabalho dela na área da cultura tiveram resultados muito positivos”, afirmou Alexis Tam, durante a tomada de posse. Por outro lado, o secretário definiu como prioridade a defesa do património e disponibilização de espaços e oportunidades para os artistas locais: “Vamos continuar a prestar apoio aos artistas locais, com lugares onde possam desenvolver o seu talento e mostrar os seus trabalhos”, sublinhou Alexis Tam.

aproximação aos Países de Língua Portuguesa: “Um dos trabalhos mais importantes para este ano é a criação do Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Temos de organizar actividades artísticas, espectáculos e exposições”, indicou.

BEM PREPARADA

Mok Ian Ian, “Tenho uma grande experiência de muitos anos na função pública e sei que tenho de enfrentar muito stress e pressão, não só dentro dos serviços, mas também por da sociedade”

INSTITUTO CULTURAL NOVA PRESIDENTE DEFINE PROTECÇÃO DO PATRIMÓNIO COMO PRIORIDADE

Harmonia e pressão alta

Mok Ian Ian recusa entrar em conflito com os interesses do imobiliário mas promete assegurar a protecção do património através do diálogo. A quarta presidente do IC em menos de um ano, admite também que está num cargo com muito stress e pressão

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MA presidente à espera de muito stress e muita pressão, uma área com um grande escrutínio. Foi desta forma que a nova presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian, comentou a posição que assumiu ontem de forma oficial, no Centro Cultura de Macau. “Tenho uma grande experiência de muitos anos na função pública

e sei que tenho de enfrentar muito stress e pressão, não só dentro dos serviços, mas também por da sociedade”, afirmou Mok Ian Ian, sobre o facto de ser a quarta pessoa a assumir o cargo, menos de um ano. “No Instituto Cultural temos uma grande tarefa pela frente”, reconheceu. Em relação às prioridades para o ano que agora começa, a nova presidente do IC apontou a

situação dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun e a questão do Centro Histórico da Cidade. “Nesta momento os trabalhos mais importantes passam pela consulta sobre os Estaleiros Navais de Lai Chi Vun e pelo Centro Histórico de Macau. O IC trabalha sobretudo a para protecção do Património Cultural”, frisou. Em relação aos confrontos entre os interesses do sector imo-

biliário e a protecção do património histórico, Mok recusa entrar em confronto directo: “Não sou uma pessoa que vá entrar em conflitos directamente. Vou apostar na comunicação para perceber as ideias das diferentes partes. Através do diálogo acho que em conjunto com a minha equipa podemos conseguir resultados interessantes”, sublinha Porém este não é o único objectivo e 2018 pode trazer uma maior

Formada em jornalismo e com mestrado e doutoramento em Ciências do Teatro, Mok Ian Ian conta no currículo com passagens pelo Instituto Cultural e Gabinete de Comunicação Social. Entre 2015 e 2017 integrou também o Conselho de Administração do Fundo das Indústrias Culturais, por nomeação do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. A presidência do IC chega num momento muito conturbado para o próprio organismo. Devido ao escândalo da utilização de contratos de prestação de serviços, Guilherme Ung Vai Meng teve de abandonar a presidência do Instituto Cultural, em Fevereiro de 2017. O mesmo caso acabaria por afectar o sucessor Leung Hio Ming, que deixou o organismo em Dezembro. Também a substituta de Leung, Cecilia Tse, foi forçada a deixar o posto por motivos de saúde, menos de um mês após ter tomado posse. No entanto, Mok Ian Ian expressou acreditar ter as condições para alcançar o sucesso no cargo, apostando no apoio da equipa e na sua dedicação. Ao mesmo tempo, comprometeu-se a seguir as políticas definidas pelo Governo durante as Linhas de Acção Governativa. João Santos Filipe

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ENSINO ALEXIS TAM PROMETE MAIS INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO E ENSINO ESPECIAL

Ninguém fica para trás

Durante a tomada de posse do novo director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, Alexis Tam referiu que pretende investir mais recursos na educação no futuro e garantiu que não vai deixar para atrás nenhum estudante com necessidade de ensino especial DSEJ

URANTE o discurso na cerimónia da tomada de posse do novo director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Alexis Tam revelou insatisfação acerca do desenvolvimento no sector de educação. “Desde a transferência de soberania de Macau, o Governo colocou recursos no sector de educação e foram bem utilizados. Por isso, a educação em Macau está a desenvolver-se a um bom ritmo. No entanto, acho insuficiente”, referiu o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam admitiu a insuficiência de investimento de recursos públicos nas áreas de educação e de saúde, problema que descobriu na sequência de uma visita à Singapura. Considerando que as áreas de educação e saúde ocupam respectivamente 15 por cento e 10 por cento dos recursos da função pública,Alexis Tam notou a necessidade de investir mais recursos nessas duas áreas, particularmente, a educação da ciência e tecnologia, ensino técnico-profissional, e das línguas estrangeiras.

ENSINO PARA TODOS

Ainda assim, o secretário mencionou também a dificuldade no ensino especial em Macau, referindo que com os esforços envidados pela DSEJ o sector educativo está a reconhecer cada vez mais a importância de ensino especial, e que o Governo dá importância às crianças que necessitam de ensino especial. “É um prazer dizer-vos que o Governo não vai deixar que crianças com necessidade e dificuldade especiais estejam fora da equipa. Todas são importantes”, sublinhou Alexis Tam, antes de acrescentar que vai oferecer mais recursos aos professores para poderem ensinar crianças especiais.

Alexis Tam“É um prazer dizer-vos que o Governo não vai deixar que crianças com necessidade e dificuldade especiais estejam fora da equipa. Todas são importantes”,

Por outro lado, relativamente à situação da gripe, Alexis Tam pede à população que não esteja preocupada, uma vez que não se registou um número muito elevado de estudantes infectados pelo vírus,

mantendo-se a situação controlada. Daí as declarações do secretário que entendeu que “o Governo não considerou a hipótese de suspender as aulas”, e que quando houver surto deste tipo de casos, as auto-

Fumar mata a carteira Serviços de Saúde defendem aumento de imposto

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chefe do Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo de Macau defende “um aumento substancial” dos impostos sobre os produtos do tabaco para reforçar as medidas de controlo do tabagismo. Na análise do trabalho de controlo do tabagismo, Tang Chi Hou disse ser preciso um maior acompanhamento do consumo de tabaco entre os jovens e o impacto de novos produtos de tabaco aquecidos, sem combustão, e também um reforço de aplicação da lei. Entre os jovens e os idosos, “o aumento do imposto sobre o tabaco é adequado para travar a subida do consumo nestes dois grupos etários”, afirmou o responsável,

em conferência de imprensa, sublinhando ser essa também a recomendação da Organização Mundial de Saúde. “O Governo vai vigiar constantemente o desenvolvimento e o consumo de produtos do tabaco aquecidos, sem combustão, para os incluir, o mais rapidamente possível, na regulamentação legal, de modo a reduzir o seu impacto entre os jovens”, indicou. Em Janeiro último, as autoridades realizaram 34.280 inspecções de controlo do tabagismo e acusaram 507 pessoas de infracções, menos 20 por cento do que no período homólogo de 2016. Dos acusados, 63,7 por cento são turistas, 32,7 por cento são

residentes e 3,6 por cento são trabalhadores não residentes. Cerca de 13 por cento das infracções foram registadas em paragens de autocarros, acrescentou. É proibido fumar a menos de 10 metros dos sinais indicadores de paragens de autocarros e de táxis. Em 2017, 67.300 indivíduos com mais de 15 anos consumiam tabaco, sendo 23,2 por cento do sexo masculino. Tang Chi Hou sublinhou que, nos últimos anos, as doenças do foro oncológico, pulmonares e

ridades vão informar os residentes. Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde, relatou que no próximo fim-de-semana os centros de saúde vão estar abertos para a vacinação da população.

cardiovasculares, em que o uso do tabaco é um dos principais factores de risco continuaram a estar entre as dez principais causas de morte em Macau. Nos últimos anos, a mortalidade por doenças relacionadas com o tabagismo em Macau foi de quase 30 por cento, ou seja, três em cada dez. Aprovada a 1 de Janeiro de 2012, a Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo começou por visar a generalidade dos espaços públicos. A versão final da lei, aprovada pela Assembleia Legislativa em meados de Julho de 2017 e em vigor desde 1 de Janeiro último, prevê a proibição de fumar em todos os recintos fechados, à excepção dos casinos e dos aeroportos, os únicos dois locais onde as salas para fumadores são permitidas.

Os residentes podem dirigir-se directamente aos centros durante esses dois dias para ser vacinados sem necessidade de marcação. Vítor Ng (com J.L.)

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GGCT acompanha sismo em Taiwan

O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) emitiu ontem um comunicado onde aponta que está atento ao sismo ocorrido em Taiwan, tendo estado em “contacto permanente com a Delegação Económica e Cultural de Macau em Taiwan de modo a acompanhar o seu desenvolvimento”. Não foi ainda recebido qualquer pedido de informação ou assistência. Segundo o comunicado, “não há indicações de que residentes de Macau tenham sido afectados”. Foi apenas recebido um pedido de informação.


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teve Wynn é presidente honorário vitalício da ANIMA e um dos seus maiores apoiantes. Algo que segundo o presidente da associação, Albano Martins, “é para continuar”. Depois da Fundação Macau, o magnata norte-americano é o maior patrocinador da ANIMA. “O Steve Wynn disse-me particularmente, há uns anos atrás, para eu ficar sossegado que a partir de agora a ANIMA nunca mais teria problemas financeiros porque ele ajudaria a resolver. Até hoje ele tem honrado a palavra e tudo leva a crer que vai continuar”, conta Albano Martins. Segundo o presidente da ANIMA, Wynn “é vegan e um homem que reconhece a importância de se tratar os animais com decência”. Albano Martins tem confiança de que a postura de Steve Wynn se irá manter intacta.

“A suspensão é normal, sobretudo quando se pensa na saída de um elemento importante, como é o Steve Wynn, sobre tudo numa bolsa muito emotiva como é a de Hong Kong.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

Steve Wynn continuará por detrás do grupo, até porque é o principal accionista da empresa que foi moldada a sua gosto. Entretanto, a Wynn respondeu prontamente à polémica e remodelou a cúpula de dirigentes da empresa. Matthew Maddox passa a ser o CEO, director executivo e presidente ao conselho de administração da Wynn Resorts Macau. Os cargos de director será ocupado por Ian Coughlan, enquanto que Linda Chen, actual COO e directora executiva da companhia, continua nos cargos que ocupava. Maddox exerceu funções de director não executivo da Wynn Macau Ltd e, até 2014, foi o director financeiro da subsidiária sediada em Macau. A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos anunciou que se vai manter atenta ao caso.

MILHÕES PERDIDOS

Desde que as alegações foram publicadas no Wall Street Journal, no final do mês passado, as acções da companhia mãe caíram cerca de 20 por cento. Os maiores accionistas da empresa são Steve Wynn e a sua ex-mulher Elaine, com quem se encontra numa luta legal por divórcio litigioso. A antiga esposa do magnata detém 9 por cento das acções da Wynn

SOFIA MARGARIDA MOTA

Resorts que, provavelmente não pode vender devido a restrições estabelecidas no acordo do divórcio. Desde que o escândalo rebentou, o magnata norte-americano não vendeu uma única acção, de acordo com dados revelados pela empresa. A desvalorização em bolsa valeu ao empresário do Connecticut a perda de cerca de 440 milhões de dólares norte-americanos. Desde que as alegações chegaram ao conhecimento público, Steve Wynn negou que alguém vez terá abusado de alguém e chegou a ser ventilado para o exterior que a investigação jornalística do Wall Street Journal reflecte as alegações feitas em tribunal pela ex-mulher. Ainda assim, de acordo com informação revelada pelo conselho de administração da empresa, terá sido constituído um comité especial de investigação às alegações feitas contra o fundador da empresa. A reportagem do jornal financeiro detalha relatos de várias dúzias de actuais e antigas empregadas da empresa, o que constitui décadas de um padrão de abusos sexuais. Além disso, há o caso do pagamento de 7,5 milhões de

GONÇALO LOBO PINHEIRO

WYNN E A ANIMA S

Sozinho em JOGO STEVE WYNN DEMITE-SE DE CEO DA WYNN RESORTS

GONÇALO LOBO PINHEIRO

“N

AS últimas semanas, vi-me no centro de uma avalanche de publicidade negativa. Enquanto reflicto no ambiente que isso criou, em que o julgamento precipitado toma conta de tudo o resto, incluindo os factos, cheguei à conclusão que não consigo desempenhar as minhas funções com eficácia”. Esta mensagem poderia ter sido escrita por uma quantidade considerável de pessoas de elevado perfil, principalmente em Hollywood. A mensagem foi enviado por Steve Wynn, CEO e fundador da Wynn Resorts, que detém a Wynn Resorts Macau, que se demitiu dos cargos que ocupava na companhia que fundou após a denuncia de vários casos de abusos sexuais. Durante o dia de ontem, as negociações das acções da Wynn Resorts Macau foram suspensas da bolsa de valores de Hong Kong a pedido da própria empresa. De acordo com informação revelada pela subsidiária local, a empresa requereu à Bolsa de Hong Kong o levantamento da suspensão de negócio de acções da companhia a partir das 9h de hoje. O economista Albano Martins olha para a suspensão de negociação de acções como algo “normal quando há convulsões em empresas, para evitar perdas e obrigar os investidores a pensar um bocado antes de tomarem decisões precipitadas”. A jogada da Wynn Resorts Macau permite estabelecer um curto período de reflexão para evitar a especulação. “É normal, sobretudo quando se pensa na saída de um elemento importante, como é o Steve Wynn, sobre tudo numa bolsa muito emotiva como é a de Hong Kong”, explica o economista. Apesar de ter saído de cena, Albano Martins considera que

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“Comparando com as outras operadoras, as regalias oferecidas pela Wynn aos funcionários são satisfatórias. Dentro da Wynn há menos casos de regalias reduzidas.” CLOEE CHAO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU PARA OS DIREITOS DOS TRABALHADORES DO JOGO

dólares após o acordo com uma manicure que, alegadamente, o magnata terá pressionado para ter relações sexuais.

CASO ENTERRADO

Outra das situações que não abona a favor de Steve Wynn é a notícia de que o Las Vegas Review Journal silenciou durante 20 anos uma investigação que indiciava conduta imprópria do magnata. O jornal do Nevada publicou, na segunda-feira, um artigo longo reconhecendo que sabia de alegações de assédio sexual do magnata do jogo. O caso terá acontecido em 1998 no Hotel

Mirage de Las Vegas, e foi sustentado por documentos apresentados em tribunal e depoimentos prestados por duas alegadas vítimas, submetidas a detector de mentiras. Os depoimentos apontaram para um ambiente de normalidade na referida unidade hoteleira. A credibilidade da reportagem foi colocada em causa, uma vez que o Las Vegas Review Journal foi comprado, em 2015, por Sheldon Adelson, um competidor directo de Steve Wynn, tanto em Las Vegas como em Macau. Entretanto, o escândalo sexual ameaça comprometer um


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casa

O bilionário norte-americano, fundador da Wynn Resorts, demitiu-se do cargo de CEO da companhia que fundou devido a alegados abusos sexuais. Por cá, a Wynn Macau suspendeu as negociações das suas acções na bolsa de Hong Kong até ao anúncio dos novos directores COMENTÁRIO

Prof. Jorge Godinho*

O

S factos que vieram a público colo- novas nos factos que têm por base. O que cam, de modo claro, um problema se passa é que o ambiente mudou. de idoneidade do detentor de uma partiNeste contexto, é preciso ter serenidacipação qualificada numa concessionária de e objectividade. Os problemas de idode jogos de fortuna ou azar em Macau. neidade sempre foram tradicionalmente A lei exige o requisito de idoneidade vistos como questões relativas ao mundo em relação a qualquer pessoa com 5% dos negócios e à criminalidade. Uma pesou mais de capital numa concessioná- soa não seria idónea para ser accionista, ria. Este é, para já e no imediato, um administrador ou alto responsável de uma problema norte-americano, relativo aos concessionária de jogo se, por hipótese, vários Estados em que a Wynn Resorts tivesse ligações ao crime organizado, opera ou se prepara para operar: Nevada, ou se tivesse um historial negativo em Massachusetts e Washington. Cada um matéria de negócios, nomeadamente destes Estados tem o seu regulador. A falências fraudulentas, ou se tivesse sido bitola pode não ser a mesma. O caso de condenado por criminalidade económica, Pansy Ho mostrou-o, com New Jersey a como por exemplo branqueamento de inclinar-se num sentido e o Nevada nou- capitais ou corrupção, entre outros aspectro, em relação à mesma tos do foro patrimonial. matéria. Nunca se entendeu que O requisito de ido- Se daqui em diante a conduta sexual teria neidade é algo vago: a tudo puder ser trazido relevo neste domínio. lei usa expressões muito Se as coisas mudarem à baila e invocado amplas como “expee daqui em diante tudo riência”, “reputação” e para questionar a puder ser trazido à baila “carácter”. O requisito idoneidade, abrir-se-á e invocado para quesé de índole administrationar a idoneidade, um espaço sem limites tiva, o que aumenta a abrir-se-á um espaço margem de apreciação; sem limites, em que não se trata de um aspecto penal, que quaisquer alegações serão “fair game” seria sempre sujeito a uma leitura mais contra qualquer pessoa, mesmo se do restritiva. A análise deste problema não foro privado, íntimo, pessoal ou familiar. pode ignorar o momento e o contexto. Há que ter atenção ao precedente que se Há uma certa afirmação de valores ― irá estabelecer. Creio que tem de haver seguramente respeitáveis ― feministas, cuidado e preservar limites adequados. relativos à consideração devida às mulheNo imediato, é necessário aguardar res. E há a disputa política nos EUA, que pelas conclusões a que irão chegar os continua muito polarizada desde a vitória reguladores. Com base em tudo o que de Donald Trump sobre Hillary Clinton. se falou e veio a público, e com base em Sabe-se que Steve Wynn é um republicano, investigações adicionais, os reguladores pelo que não há que ter ilusões sobre o irão fazer as suas apreciações e retirar potencial de aproveitamento político dos conclusões. A bola está neste momento factos agora revelados. Vive-se um tempo no campo dos reguladores. muito particular nos Estados Unidos, com aspectos de «cruzada moral», desde o caso Weinstein. Muitas das alegações agora *Professor de Direito do Jogo na Universidade vindas a público, ao que parece, não são de Macau

projecto de grande envergadura da Wynn Resorts, isto porque as entidades reguladoras do Estado do Massachusetts estão a reavaliar as licenças para a empresa abrir e operar mesas de jogo no Estado. A entidade reguladora pode revogar a licença caso considere o magnata norte-americano como “desadequado” como operador de casino. O Wynn Boston Harbour, em Everett, é um projecto de 2,1 mil milhões de dólares, com abertura prevista para 2019.

JOGAR EM MACAU

Apesar de ter sido um dos vultos que ajudou na reconstrução do

Las Vegas Strip, nomeadamente com a construção do Bellagio, Treasure Island e Mirage, os lucros gerados na cidade do pecado no Estado do Nevada não chegou a um quarto dos lucros totais do grupo. O sucesso da Wynn tem sido feito em Macau, desde que se fixou por cá em 2006, colhendo os frutos da rápida expansão económica da China. Dos ganhos de 1,7 mil milhões de dólares nos últimos quatro meses de 2017, mais de 1,3 mil milhões foram apurados em Macau. A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos não planeia

revogar a licença da Wynn Macau, que expira em 2022, porém, não afasta a hipótese de conduzir uma investigação às alegações feitas contra Steve Wynn. Por cá, o magnata norte-americano é considerado como um dos melhores patrões entre as concessionárias de jogo. “Comparando com as outras operadoras, as regalias oferecidas pela Wynn aos funcionários são satisfatórias. Dentro da Wynn há menos casos de regalias reduzidas”, conta Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo.

No que diz respeito à repercussões laborais do escândalo, a dirigente associativa crê que “os funcionários do nível básico não vão sofrer qualquer influência, assim como o funcionamento normal do casino”, conta. Cloee Chao revela que a única preocupação dos trabalhadores que representa prende-se com o aumento salarial que, normalmente, acontece em Fevereiro. Em relação à pessoa, Cloee Chao conheceu Steve Wynn numa reunião em 2012, e entende que é alguém com uma imagem simpática entre os trabalhadores da companhia.

Chega assim ao fim, oficialmente, o controlo do magnata à frente da empresa que fundou, apesar entre os analistas da especialidade ser dado assente que Wynn se manterá nas rédeas da empresa. Algo que se pode ver no emotivo comunicado da companhia que diz que “foi com coração pesado que o conselho de administração da Wynn Resorts aceitou a demissão do fundador, CEO e amigo Steve Wynn”. João Luz

info@hojemacau.com.mo


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Hoje às 20h sobe ao palco do Edifício do Antigo Tribunal a peça “A Reunificação das Duas Coreias”, pela mão da encenadora local Cheong Kin I. A peça estará em cena até 11 de Fevereiro, sempre às 20h, com a excepção com espectáculo do dia 10, que será às 10h. O HM falou com a encenadora sobre amor, identidade e a natureza da realidade Como foi o primeiro contacto com a obra de Joël Pommerat? A primeira vez que conheci a obra de Joël Pommerat foi quando um amigo meu encenou “Les Marchands”. Pommerat insiste sempre em escrever e encenar os seus próprios argumentos, uma vez que considera que não há ninguém que sabia melhor o que é que ele quer. Tem os seus próprios actores e designers de iluminação com quem tem vindo a colaborar já há muito tempo. Costuma ensaiar directamente nos espaços onde as suas peças são interpretadas, para que os seus designers de iluminação possam participar

O

S criadores da série televisiva “Guerra dos Tronos”, que termina no próximo ano, vão escrever e produzir um novo conjunto de filmes da saga “Guerra das Estrelas”, anunciou a Disney. Em comunicado, foi revelado que os responsáveis pela adaptação dos livros de George R. R. Martin ao

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CHEONG KIN I

“Aspiro criar a minha ENCENADORA A PEÇA “A REUNIFICAÇÃO DAS DUAS COREIAS”

activamente no processo de criação das peças. Pommerat gosta da obscuridade. A iluminação é só para projectar sobre e para as interpretações, as vozes e os corpos dos seus actores. Tem uma estética extraordinária. Esta peça não é sobre política, mas sobre amor. Que ligação sentiu com a história? O título parece muito politizado, mas não tem nada a ver com a política. São vinte capítulos com vinte histórias sobre o amor, entre aspas. Trata-se de uma metáfora para falar sobre vinte tipos de amores acabados devido à impossibilidade de comunicação, das clivagens nas relações e da impotência de amar. Vejo a palavra “reunificação” como muito irónica. Todas estas histórias falam de separações. Penso que Joël Pommerat queria também falar do facto que cada um é um indivíduo completamente independente, sempre com diferentes maneiras de pensar, mesmo a respeito das coisas minúsculas numa relação e na vida em geral. Tenho a expectativa que nesta peça as actrizes e os actores de Taiwan e de Macau possam aproveitar bem as suas diferenças culturais e linguísticas para abordar a impossibilidade de comunicação como um ponto fundamental do espectáculo. Tem alguma ideia de como será próximo projecto? Imagino que, depois da “A Reunificação das Duas Coreias”, vou continuar a trabalhar nos temas identitários, directamente ou indirectamente. Não acho que possa mudar nada, mas pelo menos penso que sou capaz de me mudar a mim própria.

Quais os maiores desafios de realizar um projecto destes em Macau? Aspiro criar a minha própria realidade, mas vai ser sempre só um processo de procura, porque, como dito, a realidade não existe. É uma ilusão eterna. É uma grande ironia que sempre procuramos ao falar de tudo o que vimos a acumular, como percepções e experiências de vida. Mas isso não me interessa para representar na peça porque, como não é nada novo para ninguém, já não tem importância. Sempre detestei qualquer género de discriminação ou exclusão. Nos meus primeiros tempos em Taiwan, negava sempre quando me diziam que ser de Macau queria dizer ser da China continental. Com o passar do tempo, comecei a

Criadores de “Guerra dos Tronos” vão escrever novos “Guerra das Estrelas”

ecrã, David Benioff e D. B. Weiss, vão criar novos filmes “separados, quer da saga Skywalker, quer da recém-anunciada trilogia desenvol-

vida pelo realizador de ‘Os Últimos Jedi’, Rian Johnson”. “David e Dan são dos melhores contadores de histórias no activo,

Júlio Telles Fernandes – brasileiro viúvo e rico – chega a Lisboa com duas missões secretas: interceder junto do Marquês de Pombal pela independência do Pernambuco e entregar nas mãos da judia Violante Dias, prima da sua falecida mulher, um anel que há muito vem passando de geração em geração. A Voz da Terra narra a história da passagem da Lisboa supersticiosa, marinheira e imperial dos Descobrimentos – a Cidade de Santo António, governada pela Voz do Céu – para a Lisboa burguesa, racional e geométrica, consequência do Terramoto – a cidade do Marquês de Pombal.

o mundo, antes de pedir qualquer coisa a Macau. Qual a sua ligação às artes dramáticas? O seu irmão escolheu o cinema, você o teatro. Porquê? Partilho um ponto comum com Pommerat: não falamos da realidade, mas procuramos a realidade. Para mim, a realidade não existe. Isso é simples e complicado ao mesmo tempo. É vida, é impressão, é imaginação, é criação. No ano passado, em Agosto, a Associação Teatro de Sonho convidou-me para

“Partilho um ponto comum com Pommerat: não falamos da realidade, mas procuramos a realidade. Para mim, a realidade não existe.”

De uma guerra para a outra

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A VOZ DA TERRA • Miguel Real

reflectir se também eu própria discriminava os chineses do continente. Lá em Taiwan, toda a gente pensa de maneira independente e faz muitos esforços para trazer Taiwan ao mundo. O que me levava a questionar sobre, sendo eu de Macau, qual seria a minha identidade. Macau é um território minúsculo, onde as convenções ainda são muito predominantes. Mas não é razão para que o teatro siga também esta direcção. Pergunto sempre a mim própria como é que posso contribuir para

hoje. A sua direcção de personagens complexas, de profundidade de história e de riqueza mitológica traçará novos terrenos e vai desafiar

‘Guerra das Estrelas’ de maneiras que penso serem incrivelmente entusiasmantes”, afirmou, no mesmo comunicado, a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy. Por seu lado, Benioff e Weiss disseram ter viajado “para uma galáxia distante” em 1977, ano do lançamento do primeiro episódio

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O BOM INVERNO • João Tordo

O balão negro onde Don Metzger partiu foi encontrado na ilha de Ponza, no fundo de uma falésia, perto do final do Verão. O corpo tinha apodrecido e sido parcialmente dilacerado pelas gaivotas. A polícia italiana considerou que a morte fora causada por um «acidente», e não foi feita qualquer autópsia. «Um enorme romancista que nos redime do horror, como os grandes mestres, pela força misteriosa da escrita.» (António-Pedro Vasconcelos, Sol). «O novo romance do século XXI em Portugal» (João Céu e Silva, Diário de Notícias).


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realidade”

encenar uma peça. Naquele momento, estava já muito interessada pela questão da identidade. Li uma antologia bilingue franco-chinesa dos dramaturgos franceses co-publicada pelo Festival de Artes de Taipé, na qual encontrei o argumento “A Reunificação das Duas Coreias”. Fiquei profundamente atraída quando o li pela primeira vez.

não é suficiente. Era só uma história de cinco minutos. Nesta história, não se via uma causa nem um efeito. Havia só as emoções no meio da história, sem início, sem fim. É justamente neste meio que existe mais tensão dramática. Quanto ao meu irmão, foi feita há já alguns anos a sua “Uma Ficção Inútil”, que tem sido apresentada várias vezes em Taipé. É um filme difícil de compreender, no qual há muitas imagens de árvores. Lembro-me que, no tempo da nossa infância, quando ele estava triste, levava-me a ver as árvores no Jardim de Camões. Agora já tenho 26 anos e ele 32. Não sei quando é que começou a fazer filmes. Ele está à frente e eu atrás. Fico orgulhosa do meu irmão.

Alguma parte em especial? Eis uma passagem do argumento da qual gosto muito: O marido pergunta à mulher: O que é que se passa? Porque não consegues dormir? A mulher responde: Não é que não consiga dormir. É que não quero mais ficar contigo. Vou ter que partir. O marido pergunta: Estás com outra pessoa? A mulher diz: Não. Eu amo-te e tu amas-me. Mas isto

Andreia Sofia Silva (com J.L.) info@hojemacau.com.mo

AP

de “Guerra das Estrelas”. Os dois criadores disseram-se “honrados pela oportunidade, um pouco assustados pela responsabilidade e muito entusiasmados por começar, mal a última temporada de ‘Guerra dos Tronos’ esteja completa”. A saga “Guerra das Estrelas” viu estrear-se, em Dezembro passado, o mais recente volume da série principal, realizado por Rian Johnson, estando o episódio IX previsto para 2019, com realização de J. J. Abrams. Fora da história principal, vai estrear-se, em 25 de Maio, “Solo: Uma História de Guerra das Estrelas”, centrada em particular na personagem de Han Solo, historicamente interpretada por Harrison Ford, e aqui encarnada pelo actor Alden Ehrenreich.

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MPULSIONADAS pela inovação e pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, as marcas chinesas têm recebido um reconhecimento cada vez maior nos mercados globais, especialmente nos sectores dos produtos electrónicos e do comércio electrónico, de acordo com o último relatório de marcas divulgado na terça-feira pela Google e Brandz. Analisando em profundidade as marcas chinesas que estão a criar impacto nos mercados internacionais, o relatório Top 50 Chinese Global Brand Builders 2018 classifica as marcas chinesas em termos de influência no exterior. A categoria de electrónicos de consumo é, de longe, a que contém as marcas mais conhecidas, como por exemplo a Lenovo, Huawei, Xiaomi e Anker. Simultaneamente, o sector dos jogos tem sido uma categoria com um rápido crescimento, com duas marcas classificadas no top 10 deste ano. Colectivamente, os electrónicos de consumo, jogos para dispositivos móveis e comércio electrónico representam 61% das 50 principais marcas chinesas mais influentes, segundo o relatório. “Os jogos são geralmente subestimados em termos de influência”, disse Scott Beaumont, presidente da Google Greater China, à CGTN na terça-feira, observando que o chamado nicho de mercado é muitas vezes maior do que as indústrias de filmes e música combinadas. Além da inovação em produtos e serviços, a iniciativa Uma Faixa, Uma Rota desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de empresas no exterior. As empresas chinesas são encorajadas a ampliar os seus horizontes, e muitas delas começaram a explorar novos mercados, como o Brasil e o México, em vez de pensarem

Pequim Poluição mais baixa desde 2013

Pequim, uma das mais poluídas cidades do mundo, conseguiu que em Janeiro passado não se registasse qualquer dia com alto nível de poluição, a primeira vez desde 2013 e resultado da guerra à poluição decretada pelo Governo. Segundo as autoridades locais, a concentração média de partículas PM 2.5 - as mais finas e susceptíveis de se infiltrarem nos pulmões - na capital chinesa fixou-se no mês passado em 34 microgramas por metro cúbico. Em anos anteriores, aquele indicador chegou a superar os 500 microgramas, levando as autoridades a suspender aulas e reduzir o trânsito. Entre os 31 dias de Janeiro, 25 tiveram uma qualidade de ar boa. A substituição do uso de carvão por gás natural, em muitos sistemas de aquecimento central em Pequim e cidades vizinhas, somado a condições climatéricas favoráveis, contribuíram para uma melhoria na atmosfera da capital.

MARCAS CHINESAS CONQUISTAM MERCADOS

Mundo a seus pés

Os rankings são baseados em pontuações obtidas por um algoritmo aplicado a 168 marcas chinesas, em 12 categorias de produtos, com base em dados do Google e BrandZ.

A China enviou aos Estados Unidos um pedido por conversas relacionadas com uma possível compensação pelas elevadas tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre painéis solares e máquinas de lavar importados, mostraram documentos enviados pelo país à Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta terça-feira. A China disse que está a exercer o seu direito como um grande exportador ao exigir uma compensação. O país ainda disse acreditar que as medidas dos EUA quebraram inúmeras regras da OMC. O movimento da China acompanha medidas similares de Taiwan e Coreia do Sul, após o anúncio da tarifa pelos EUA.

baseado nas realidades nacionais do país, guiado pelas suas próprias teorias, garantido por seu próprio sistema e estabelecido

em sua própria cultura, disse Cui. “Então, nosso caminho do desenvolvimento não pode e não deve mudar.” “A escolha chinesa do caminho do desenvolvimento não mudará devido ao pensamento de outras pessoas. Espero que aqueles O embaixador disse que a China permanece confiante, mas também permanecerá aberta a novas ideias e está disposta a aprender com outras culturas.

As empresas chinesas são encorajadas a ampliar os seus horizontes, e muitas delas começaram a explorar novos mercados, como o Brasil e o México, em vez de pensarem apenas na Europa e nos EUA apenas na Europa e nos EUA, afirmou Beaumont. Concomitantemente, a expansão global das marcas chinesas também beneficiou da abertura dos jovens consumidores. “Os consumidores

mais jovens estão a voltar-se para marcas como a Lenovo, Alibaba e JD.com, pois combinam bons produtos com serviços interessantes e acessíveis”, referiu Doreen Wang, chefe global da BrandZ.

Embaixador sem papas na língua “China permanece confiante e aberta apesar do fraco juízo de alguém nos EUA”

O

embaixador chinês nos Estados Unidos, Cui Tiankai, disse recentemente que apesar do fraco juízo de alguém nos Estados Unidos, a China permanecerá confiante no caminho do desenvolvimento e os que esperam pelo contrário devem enfrentar a realidade.

“Recentemente, registaram-se alguns desenvolvimentos nas relações China-EUA que são matéria de preocupação, o que reflecte a deficiência de alguém dos Estados Unidos no seu entendimento da China, e também o seu fraco juízo de estratégias adoptadas pela China. Por

exemplo, alguém se sente deprimido por causa de adesão da China ao seu próprio caminho de desenvolvimento,” disse Cui numa reunião realizada na embaixada chinesa para celebrar o Ano-Novo chinês. O caminho do desenvolvimento escolhido pela China está

Painéis solares EUA têm de compensar


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quinta-feira 8.2.2018

Receita do turismo cresce de dois dígitos

A China ganhou 5,4 biliões de yuans com o sector de turismo em 2017, um aumento anual de 15,1%, anunciou na terça-feira a Academia Chinesa de Turismo. Os turistas chineses fizeram 5 mil milhões de viagens domésticas e 131 milhões de viagens ao exterior em 2017, aumentos de 12,8% e 7%, respectivamente. No ano passado, a China recebeu 139 milhões de visitas, um crescimento anual de 0,8%, das quais 75% foram feitas por residentes asiáticos. Os dados preliminares mostraram que o sector turístico contribuiu com 9,13 biliões de yuans para o PIB, respondendo por 11% da produção económica. O turismo criou 80 milhões de empregos para a China. A China é a maior fonte de turistas para o exterior e o quarto maior destino turístico em todo o mundo.

P

ELO menos quatro pessoas morreram e 225 ficaram feridas num sismo de magnitude 6,4 registado em Taiwan na terça-feira à noite, havendo 145 pessoas ainda desaparecidas, segundo a Agência Noticiosa Central de Taiwan. Seis edifícios de Hualien ficaram bastante danificados e três deles ruíram parcialmente, incluindo um hotel, cujo piso térreo abateu, matando um funcionário e deixando outros dois presos nos escombros. De acordo com a televisão TVBS, está ainda em curso a operação de resgate e salvamento no hotel Marshal, embora os hóspedes estivessem

SISMO EM TAIWAN FAZ PELO MENOS QUATRO MORTOS

A terra treme sobretudo nos andares superiores do edifício. Devido à destruição causada pelo terramoto em edifícios e infra-estruturas, as autoridades suspeitam de que o número de mortos pode aumentar nas próximas horas, à medida que decorrerem as operações de resgate. O sismo danificou ainda dois hospitais e duas pontes de Hualien tiveram de ser encerradas devido aos estragos. Também se registaram deslizamentos de terras

que afectaram uma auto-estrada central da ilha e há fendas em várias estradas e ruas, com roturas em canos de água e gás e colapso de fios eléctricos, serviços que foram interrompidos em milhares de casas. O sismo ocorreu às 23:50 locais, com epicentro a 18 quilómetros da cidade de Hualien e foi sentido em toda a ilha, incluindo a capital, Taipé. O governo de Taiwan, citando informações do serviço de bombeiros,

relatou que outro hotel também sofreu danos, mas sem adiantar mais pormenores, nomeadamente sobre eventuais vítimas. O USGS, organismo norte-americano que é uma referência a nível mundial em matérias sismológicas, precisou que o sismo foi registado a uma profundidade de cerca de 9,4 quilómetros. Nos últimos três dias foram registados mais de 20 movimentos sísmicos diários e o sismólogo Lee

Chyi-tyi, da Universidade Central de Taiwan, referiu, na segunda-feira, que a ilha entrou num ciclo sísmico de 100 anos. No século XX, a ilha de Taiwan, que a China considera ser parte integrante do seu território, registou dois sismos de magnitude 8,0. Um ocorreu em 1910 ao largo da costa de Yilan, enquanto o outro foi registado em 1920 ao largo da costa de Hualien. Alguns sismólogos em Taiwan afirmam que será provável o registo de sismos de magnitude 8,0 em torno da Fossa Ryukyu, uma fenda geológica que se encontra a entre 500 e 600 quilómetros de Hualien, dentro de 10 anos.

Yuan Maior peso do mercado na taxa de câmbio do

O Banco do Povo da China (o Banco Central chinês) anunciou hoje que vai ampliar o peso do mercado na definição da taxa de câmbio do yuan neste ano, mas reiterou que continuará a agir para manter a moeda chinesa num nível “razoável”. O BC também afirmou que irá aperfeiçoar seu sistema de monitoramento de risco e reforçar a supervisão de operações bancárias paralelas e de financiamento de imóveis residenciais. Além disso, o BC chinês revelou ter planos de melhorar o seu sistema de financiamento imobiliário e criar um sistema financeiro para empresas de leasing de imobiliário. Após reunião de dois dias concluída nesta terça-feira, o BC também prometeu estabelecer um mecanismo de monitorização de longo prazo para o sector financeiro online.

Novos projectos de PPP

O Ministério das Finanças chinês publicou terça-feira detalhes sobre novos projectos de demonstração de parceria público-privada (PPP), com investimento total de 758,8 mil milhões de yuans. Esse é o quarto lote desde 2014, à medida que o país tenta estimular o capital social a sustentar o crescimento económico. Os 396 projectos recémacrescentados, incluindo uma via expressa para o novo aeroporto de Pequim, cobrem habitações a preços acessíveis, transporte, educação, tecnologia, turismo, energia e agricultura, disse o ministério. As PPPs são projectos entre o governo e empresas privadas. Até agora, o governo publicou detalhes dos projectos de demonstração com investimento total de 2,77 biliões de yuans. As autoridades chinesas experimentaram financiar obras de infra-estrutura e públicas por modelos de PPP desde o fim de 2013, devido à preocupação crescente sobre o aumento das dívidas dos governos locais.

O

S veículos voadores que se deslocam entre arranha-céus, costumava ficar exclusivamente pelas histórias de ficção científica. No entanto, o sonho de voar sobre o trânsito rodoviário torna-se realidade. O primeiro drone de passageiros no mundo, EHang 184, realizou o seu primeiro voo na terça-feira. Uma vez que os passageiros entram na pequena cabine e apertam o cinto de segurança, o avião automático pode descolar. “Nenhum veículo voador tradicional pode materializar a meta de voo autónomo, por isso, é cedo para dizer que o veículo pode ser usado no transporte diário,” disse Hu Huazhi, CEO da EHang, o fa-

Vem voar comigo

Primeiro drone de passageiros realiza voo inaugural

bricante do drone. O voo levado a cabo na terça-feira significa que a cena da ficção científica “está bem próxima à população comum”, acrescentou Hu. O fabricante afirma que o veículo é movido a energia eléctrica. O aparelho pode carregar uma pessoa com peso até 100 quilos, voando a uma altitude de 500 metros com a velocidade máxima de 100 km por hora por 25 minutos. A companhia diz que o drone foi submetido a mais de mil testes, sendo projectado para resistir a

vento moderado com a velocidade de até 50 km por hora. Mas a maior preocupação continua a ser a segurança. “Temos sistemas especiais de segurança que podem controlar o drone em caso de avaria. Além disso, os passageiros podem fazer

com que o veículo páre e fique no lugar se for necessário,” afirmou Hu. Acredito que este ano podemos obter a permissão de voo em 80% dos países e regiões no mundo.” No ano passado, o Dubai anunciou um plano de cooperar com a EHang para desenvolver um táxi de voo autónomo para transportar as pessoas na cidade. De acordo com especialistas, o veículo voador autónomo pode reduzir o congestionamento visivelmente e, mais importante, pode ser usado nos serviços urbanos como resgate de emergência. A EHang afirmou que o produto final para uso comercial provavelmente entrará no mercado dentro de um ano.


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8.2.2018 quinta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 5/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 18 de Dezembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de Medicamentos do Extra-formulário Hospitalar aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP75,00 (setenta e cinco patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 9 de Março de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 12 de Março de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 1 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços, Lei Chin Ion

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Concurso Público n.º 1/2018 Prestação de Serviços de Plataforma de Apoio Informático

De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o Despacho da Exm.ª Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 26 de Janeiro de 2018, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder a concurso público para a “Prestação de Serviços na Plataforma de Apoio Informático”. 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: fornecimento aos SAFP de “Prestação de Serviços na Plataforma de Apoio Informático”. 5. Prazo de validade das propostas: não inferior a noventa dias, a contar da data do acto público do concurso.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 6/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 25 de Janeiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Empreitada de Fornecimento, Instalação e Ensaio de Duas Máquinas de Lavar Instrumentos aos Serviços de Saúde, Bem Como Obra de Remodelação no Local da Instalação», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP96,00 (noventa e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 12

de Fevereiro de 2018, às 15,00 horas para visita de estudo ao local da instalação do equipamento a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 15 de Março de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 16 de Março de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP78 000,00 (setenta e oito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 1 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

6. Caução provisória: A caução provisória é de MOP 48.000,00 (quarenta e oito mil patacas) e deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau - Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de admissão: podem candidatar-se ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritórios na RAEM, tenham no âmbito das actividades, total ou parcial, o fornecimento de equipamentos de informática, sistemas e serviços e, comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. 9. Todas as dúvidas sobre o Programa do Concurso e o Caderno de Encargos deste concurso público podem ser apresentadas de acordo com o determinado no mesmo Programa do Concurso, e realizar-se-á uma sessão de esclarecimento sobre o presente concurso público no seguinte local, data e hora: Local: Sala Polivalente do 4.º andar de Vicky Plaza, sita na Rua do Campo, n.os 188-198, Macau. Data e hora: 10:00 horas do dia 9 de Fevereiro de 2018.

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

10. Local, data e hora limite para entrega das propostas:

: 4/E-BC/2018 :336/BC/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua de Entre-Campos n.º 15, EDF. Peng Iun, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar E, Macau.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados o dono da obra ou o seu mandatário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado se realizou a seguinte obra não autorizada: Obra 1.1

2.

3. 4.

5.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com paredes em alvenaria de tijolo, cobertura metálica, janelas de vidro, Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, tubos metálicos de abastecimento de água e tubos obstrução do caminho de evacuação. plásticos de drenagem de água na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar E.

Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores no referido espaço, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desse espaço enquanto caminho de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 02 de Fevereiro de 2018

Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, Edifício Administração Pública, n.º 162, r/c, Macau. Data e hora limite: Até às 17:30 horas do dia 28 de Fevereiro de 2018 (não serão aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local:

Sala Polivalente do 4.º andar de Vicky Plaza, sita na Rua do Campo, n.os 188-198, Macau.

Data e hora:

10:00 horas do dia 1 de Março de 2018.

12. Forma de consulta do processo: A partir da data da publicação do anúncio, os interessados poderão obter a cópia do programa do concurso e do caderno de encargos através da página electrónica dos SAFP, em www.safp. gov.mo, ou, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, R/C, para a consulta do programa do concurso e do caderno de encargos ou para a obtenção da cópia dos mesmos, mediante o pagamento da importância de MOP200.00 (duzentas patacas). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Projecto global (30 valores) b) Grau de conformidade com os requisitos de serviços (20 valores) c) Experiência como adjudicatário em serviços semelhantes (20 valores) d) Preço (30 valores) 14. Esclarecimentos adicionais: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, os concorrentes podem, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, Edifício Administração Pública, r/c, Macau, ou visitar a página electrónica dos SAFP (www.safp.gov.mo) para obterem quaisquer eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, 31 de Janeiro de 2018.

O Director dos Serviços Li Canfeng

O Director, Kou Peng Kuan


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ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

Sentado durante meio dia, esquecendo cem anos de tristeza. diários de próspero António Cabrita

RICHARD OELZE, A EXPECTATIVA

Duas fábulas sobre lembrar e esquecer

03/02/2018

2017. O calor vara o corpo, goteja pelas costas. Bebo uma caneca em dois tragos e peço outra. Na mesa em frente à minha uma ruiva magra como um galgo sofre a fustigação de uma negra de grande envergadura, que lhe quer mostrar como fala bem o inglês e lhe despeja à fraca figura parágrafos sobre parágrafos, sem tomar o fôlego. Para a outra aquele ímpeto é um verdadeiro apedrejamento e equilibra-se como pode, cilindrada. Conheceram-se pela Net e é a primeira vez que se encontram. A ruiva chegou de Joanesburgo, veio visitar a amiga. A moçambicana decidiu-se a tomar a ruiva como cunhada e martela-a com o extenso rol das qualidades dos irmãos. Numa pressão que a paralisa. Ao fim de quarenta minutos a negra, faz-lhe um reparo: Mas estamos aqui há uma hora e ainda não sei nada de ti. A ruiva balbucia qualquer coisa, timidamente. Antes de acabar a terceira frase a outra atalha: Deixa lá, o melhor é irmos para casa, temos de preparar o teu quarto.

Mas primeiro deixa-me fazer uma oração pela nossa amizade. Uma oração? - pergunta a pobre, desconcertada. Uma oração. Nós somos muito religiosos. Não te importas? Não... – gagueja a ruiva. Óptimo... Mete as mãos em prece e abre a torneira: Oh Lord, agradeço-te por nos teres trazido esta irmã, por nos brindares com a sua amizade como o maná no deserto, e que, oh Lord, ela encontre no nosso lar o seu refúgio e a inspiração para superar as provações que a vida lhe dará, mas, Oh Lord, sê suave e benevolente com ela, e com o meu irmão Jacques que alimenta muitas esperanças nesta amizade, e Oh Lord, não tragas tormentas onde os caminhos são de flores para colher... Oh Lord faz com que a Jessica nunca mais se esqueça de nós… A oração prossegue infindável, por dez, quinze minutos. A Jessica está um feixe de vergonha, quer já esquecer os «oh Lord» que a amiga percute, a triste ideia de ter vindo. Quando a amiga acaba, salta da cadeira no mesmo lance e arrasta-a. Só lhe falta pôr a coleira.

Uma das empregadas está siderada. Uma miúda dos seus vinte anos, com tudo intacto. Entreolhamo-nos, ela ri-se: Que bom, ainda haver pessoas assim. Bom, teríamos de saber mais qualquer coisinha, pode ser muito boa na oração e ser uma grande, grande, pecadora...- minimizo. Não... brinca, vê-se que é uma cristã... E isso tem uma grande importância? Para mim, sim - diz. Então qual é a sua igreja... A Igreja Universal – responde-me. Ah, uma vez assisti a um dos vossos cultos... Onde? No Cinema África, está a ver ao tempo... Então está cá há muito tempo. Eu, vivo cá há treze anos… Não me diga que agora vou ver sempre esta cara-linda... A cara-linda é comigo? – insisto, surpreso. Claro. Sai-me de jacto: Mas você julga que não sei o que é uma ruína? Retorque: Cada idade tem a sua beleza... Já sabe tudo sobre o comércio de Deus. Não me hei-de esquecer de voltar.

05/02/2018

1982. Um fox terrier com três patas. O Tripé. Mordeu-me duas vezes na bochecha

esquerda. A de baixo, entenda-se. Lembro-me porque era o cão do Spencer, um cabo-verdiano que era um diabrete com a bola. O talhante Dias vaticinou, Este rapaz está destinado ao Benfica. Aos catorze redobrou-se a aliança: o Spencer entrou no Benfica. Foi uma festa no bairro e abriu-se o champanhe. Lembro-me que o pai do Adriano era embarcadiço e a mãe – uma mulata com dengue – começou a ter uns casos. Constava. Tudo se abafava, à mãe da futura estrela do Benfica perdoava-se tudo. Lembro-me da primeira vez que nos zangámos. O Victor Hugo, my best friend, desentendeu-se com ele e o Spencer deu-lhe um empurrão que o fez cair desamparado, partindo o braço. Lembro-me que no instante em que o reencontrámos, no bar do cinema, há sete anos que não falávamos. O Victor Hugo cochilava ao meu lado com os diálogos rebarbativos do Ingmar Bergman. Ao intervalo quis dar de frosque. Fomos ao bar esgrimir argumentos. Foi aí que o encontrámos. Jogava no Braga, no Benfica fora barrado pelo Chalana e mudara-se para o norte. Tivera duas épocas de vulto, mas agora estava lesionado. Tornou-se evidente que teria de rever o filme noutra ocasião. Arrastou-nos para uma discoteca, em frente à Lisnave. Aí passámos a pente fino as recordações comuns, decilitro a decilitro. Com um senão que foi espalhando as metástases: as pequenas incidências, os ângulos de vista sobre os episódios vividos em comum dividiam-nos em tudo. Enfim, tudo quanto marcara o Spencer, não nos causara mossa, impressão, não recordávamos, e vice-versa. Vivêramos duas vidas paralelas e instalava-se o nevoeiro. Ele, pelo seu lado, não se lembrava do “acidente” em que partira o braço ao Victor Hugo, «não me lembro, juro...», e emborcava o seu quinto whisky. Tínhamo-nos afastado tanto? E estávamos a caminho da segunda garrafa de whisky. O Adriano, mandou vir outra a garrafa, que ele pagaria, pois estávamos tesos. Eram os 500 contos que ele se gabara de ganhar contra os 10 do Victor Hugo na Lisnave salvaguardavam-nos de quaisquer hesitações. Só que ele insistiu em continuar a desfilar as suas lembranças e nós a disfarçarmos as lacunas com um olho na miúda da pista. De repente levantou-se um burburinho na porta e o Spencer julga reconhecer a voz de um patrício e foi espreitar a confusão. Nós, aliviados, comentávamos o desacerto do reencontro. Bebemos mais meia garrafa, antes de começarmos a suspeitar que ele não voltava. Mais tesos que o Tripé, e com oito contos de despesas. Um ano depois, a sair de casa, reencontro-o a estacionar o Mustang à entrada do prédio da mãe. Dou-lhe um abraço, chamo-lhe sacaninha e pico-o pela «banhada». Ele ouve a queixa, mede a situação, saboreia os pormenores e sentencia, secamente, Oh, pá, não me lembro de nada, juro!


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8.2.2018 quinta-feira

Cadernos de Geografia Gisela Miravent

Suspiro

F

OI depois da partida daquele amor que ela deu início ao seu jardim interior, que contemplava em momentos de maior aflição. Tornou-se vital criar raízes suplementares que a agarrassem ao chão sempre que este ameaçasse fugir-lhe debaixo dos pés. Acontecia a todo o momento. Ponderou, todavia, que não podia dar-se ao luxo de abrigar árvores de corpo inteiro, copas gigantes e ramos entroncados – teria de começar por plantas de pequeno porte e arbustos miúdos, raízes-penugem, de outra forma, como sustentar no tempo por vir o peso tomado entretanto para si? Além disso, as árvores acabariam por lhe exigir anos de pensamentos concêntricos antes que pudesse deixá-los fluir, e aos fragmentos dolorosos de si, através das ramadas finíssimas e das folhas quando chegasse a altura de se desprenderem, cansadas de se suportar, à medida das estações do ano. Sentada no sofá da sala, o olhar preso do filme interior que discorria em câmara lenta para trás e para diante, sem nunca se cansar de o ver, balouçava o corpo num ritmo de quem queria só ir. Felizmente as raízes entretanto nascidas nas plantas dos pés puxavam-na de volta ao lugar em que, apesar de tudo, se obrigava a habitar. Pegava, assim, na chávena de porcelana, e sorvia um sopro de vida no chá quente.  O filme: certa vez tinham os dois viajado para um país de bosques e casas de madeira. Ansiavam por passear de mãos dadas, atentos aos sons e aos cheiros locais, por vogar nas águas do grande lago nas proximidades e, à noite, por assomar à vila, procurar os seus habitantes e talvez rir com eles. Inventaram tudo isso ao longo de três dias deliciosos, em que não abandonaram o quarto. No dia de regresso despediram-se do bosque encantado, do lago misterioso e das pessoas que tanto lhes haviam dado. Germinavam felicidade. Àquelas lembranças o estômago contraía-se-lhe num aperto indizível. Dobrava-se então sobre as raízes ainda tenras e incapazes de sustentar tamanha perdição. Houve que lançar novas sementes dentro de si e conceder que botões de rosa minúsculos lhe despontassem no estômago. Suaves como a suavidade de que precisava para acalentar aquele lugar de dor recorrente. As rosas elevá-la-iam na justa medida das suas hastes trepadoras. Ténue, mas inexoravelmente, haviam de subir pelo avesso de si, redefinindo-lhe uma ossatura fibrosa sem a sobrecarregarem - e isso era importante. Os botõezinhos acomodaram-se, pois, àquele caramanchão quente e floresceram em rosaspúrpura. O seu estômago exalava um perfume maravilhoso e ela deu por si a ensaiar movimentos que não comandava,

passos de dança inesperados e absurdos; estava longe dela pensar sequer em dançar. E ainda sem que conseguisse explicar porquê, sentiu que devia soltar o cabelo que trazia arranjado numa trança em redor da cabeça. E foi o que fez. À medida dos dias, o espelho grande à entrada da casa devolvia-lhe a imagem de uma mulher a caminho de jardim. Nos cabelos dela despontavam brincos de princesa e lírios do campo e uma ou outra papoila bela como só as papoilas o sabem ser. Apeteceu-lhe tornar-se tão pequena que lhe fosse possível correr naquele abismo campestre que lhe tomara a cabeça, com a vantagem de o saber infinito, já que era redondo, como a Terra. Certo dia concentrou-se, olhos fechados, pensamento suspendido: começou por ouvir um zumbido de abelha, depois um bater de asas de cigarra nos dias em que o sol parece brotar directo do chão. Num sonho só de serenidade deixou-se ir através de um campo de espigas e, assim que viu uma papoila, correu a abraçá-la. A papoila também a apertou nos braços e depois estendeu-lhe um cestinho merendeiro, cheio de bolos de canela. Aquela proximidade revelou-lhe não ser a flor uma verdadeira papoila, mas a própria Capuchinho Vermelho. Então ela admirou os pézinhos leves daquela menina corada, um pouco parecidos com os seus, rodeados de uma penugem fina feita de raízes dançarinas. Deram-se as mãos e correram e saltaram pelo prado a imitar gazelas, rãs e andorinhas. E estavam entretidas nisto quando deram com um lobo cinzento a experimentar brincos de princesa nas orelhas felpudas. Convidaram-no logo a correr com elas e acabaram os três a saltar à corda. Passaram uma tarde deliciosa e foi só quando o sol mergulhou naquele mar doirado pontuado de flores, que ela viu os amigos desvanecerem-se a seu lado enquanto riam alto e lhe enviavam beijos de despedida ternurentos. A um tremor do corpo reencontrou-se na sua sala, ao lusco-fusco, o chá frio incapaz de lhe instilar vida. Levou as mãos à cabeça pensando que talvez recuperasse as criaturas sublimes para jantarem consigo. Mas nas mãos só grãos de terra, algumas sementes e sim, um pequeno caracol tão enfiado dentro de si que ou partira de vez ou se escondera como se para sempre. Todavia, o encontro com o caracol deu-lhe o alento de que precisava para se levantar e caminhar até à cozinha obscurecida. Pousou o bichinho numa mesa junto à janela e dispôs-se a viver mais um pouco. E se preparasse um jantar para o caracol? Era uma ideia tão boa como outra qualquer. Prontificou-se a retirar de um louceiro de mogno polido um prato do serviço das visitas que não tinha, debruado a fio de ouro. Sor-

riu levemente ao pato real que voava no rebordo a que nunca escaparia. Tomou o peso ao prato e ocorreu-lhe que era pouco mais pesado que a casca do caracol. De uma gaveta do mesmo móvel escolheu um garfo, uma faca e uma colher de prata que não serviriam para nada, mas ajudariam a compôr a mesa que ela queria oferecer à sua visita. Noutra gaveta procurou um guardanapo de linho com rosas bordadas por ela num tempo de que não se lembrava. Finalmente, um copo de cristal onde habitavam veados minuciosamente cinzelados. Depois encaminhou-se para o quintal da casa.   O quintal era maior do que a sua casa de três divisões. Selvagem, verde, inebriante. Estava escuro e, assim que ultrapassou a porta de sacada da sala para o passeio de tijoleira, deu consigo a chapinhar. Apercebeu-se de que caía uma chuva miúda pelo que se apressou a enterrar-se na terra molhada e a deixar que as finas raízes nas plantas dos pés absorvessem a humidade que, pouco depois, lhe corria nas veias. A mistura de sangue e seiva conferiam-lhe um brilho especial à pele e ela sentiu-se crescer. Elevou os braços e tocou os ramos da magnólia a que normalmente não chegava. Depois lembrou-se de que ali fora em busca de tomilho fresco, que tencionava servir ao caracol. Isto se o caracol sempre existisse para além da casca. Colheu algumas hastes da erva e logo lamentou estarem molhadas – não era natural que o seu visitante as fosse apreciar, imaginava-o a preferir iguarias transportadas em caravanas coloridas através de desertos inóspitos, em que tudo sabia garantidamente a seco. Pousou as hastes sobre o oleado de xadrez da mesa de cozinha e surpreendeu-se por distinguir tudo à volta como se tivesse acendido a luz. Que permanecia apagada. No entanto, ela via e deixava de entrever o vulto do caracol uma e outra vez – acabando por perceber ser ela própria a fonte de luz cadenciada, a partir do alto da sua cabeçaprado. Procurou o espelho à entrada de casa e fascinada, descobriu um rosto ainda de mulher mas em cujo cabelo, para além das flores, da erva, das espigas e lírios-violeta, cintilavam agora pequeninas estrelas: pirilampos. Eram eles quem desenhava os caminhos de intermitência que ora abriam ora fechavam círculos de luz à sua frente. Voltou à cozinha e sentou-se à mesa num banco de madeira, de frente para o caracol. Os pirilampos piscavam a sua coreografia natalícia e, a determinado momento, ela notou que a casca de caracol continha de facto um corpo minúsculo encolhido. Parecia um embrião. Chamou-o devagarinho, caracol caracolinho, muitas vezes, muitas vezes mesmo, experimentando tons de voz diferentes e até línguas desconhecidas.

Deu por si a ensaiar uma cantiga de embalar a um embrião por nascer; então o seu corpo escolheu acompanhar o ritmo de vaivém da melodia e as raízes nas plantas dos pés flutuaram ligeiramente acima do soalho, as mais frágeis de entre elas feitas uma penugem que esvoaçava ao sabor de correntes de ar imperceptíveis. Finalmente, caiu num sono profundo. O sonho: uma infinidade de beijos, a soma de todos os que haviam dado com a dos que não tinham chegado a dar. Ela procurava reter o cheiro da pele dele e cumprir o número infinito de vezes com que prometera saudá-la, docemente. Ele ria: de felicidade, das cócegas, do mundo lá fora tão sério quando tudo era tão engraçado. A caminho do infinito ela adormeceu de bruços para um sonho dentro do sonho e foi a vez dele pousar os lábios sobre o corpo dela, professando o desejo dos dois rumo ao número impossível. Ao longo do dia chegaram a ser um único beijo planetário, capaz de encher a casa onde moravam e até de tocar cada erva do jardim que a abraçava. Foram dormindo e acordando, observando-se num silêncio cúmplice. No único momento em que ela desviou o olhar para o ramo de flores silvestres à cabeceira da cama surpreendeu um pequeno caracol sobre um galho seco. Pensou que havia de levá-lo para junto do tanque no jardim, antes que a noite caísse. Acordou anos depois, curvada sobre a mesa da cozinha, desperta pelo frenesim matinal dos pássaros excitados com o festival de orvalho que sucedia à chuva da noite anterior.  Deveriam estar a tomar banho, a beber e a tratar de dar de beber água aos filhos. Era uma situação que noutro tempo lhe teria dado vontade de rir e apreciar ao vivo: os pássaros pareciam perder o juízo, atropelavam-se, chamavam-se nomes, namoriscavam as penas lavadas machas e fêmeas, nada no mundo seria capaz de os desiludir em tais alturas. Mas agora a sua gritaria alegre era-lhe quase insuportável aos ouvidos. Desviou a atenção para as próprias mãos e julgou ver raízes – mas ainda não, era só impressão, as suas veias é que palpitavam animadas com a seiva fecundada pela chuva. Quando levantou a cabeça deparou com o caracol à sua frente, no exacto sítio onde o tinha deixado. Olhava para ela e, no cimo dos pauzinhos, os seus olhos sorriam. Ela procurou as hastes de tomilho, que encontrou intocadas. Perguntou ao caracol se queria que ela o servisse, mas ele disse que não apreciava tomilho fresco, preferia de longe bolinhos de canela. Ela ficou logo angustiada, há meses que não fazia bolinhos de canela, a Capuchinho Vermelho é que agora andava com eles no cesto merendeiro, mas sabia lá quando a ia encontrar de novo. Levou as mãos


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quinta-feira 8.2.2018 ANA JACINTO NUNES, SEM TÍTULO

à cabeça mas só conseguiu despentear-se muito, tanto que o caracol se encolheu para a casca um tanto perplexo – afinal só queria bolinhos de canela. Ele não sabia que ela deixara de fazer compras. Há muito tempo que a sua despensa não tinha canela ou tão-pouco farinha, muito menos manteiga fresca… a ideia de sair de casa apavorava-a embora parecesse quase boa quando comparada à de ter que entrar na mercearia. Talvez pudesse encomendar os bolinhos de canela? Como, se não tinha telefone e não comunicava com ninguém desde não se lembrava quando? Ela e o caracol trocaram um olhar prolongado e face ao óbvio desespero estampado no rosto dela, ele acabou por anuir que talvez um chá de tomilho… Aliviada ela pegou nas hastes e preparou-as para uma infusão. Deixou a água ferver, mergulhou o tomilho dentro do tacho a tremer sobre o lume forte e aguardou por que o líquido ganhasse cor. Não cheirava a chá que ela pudesse gostar de beber mas faria companhia ao simpático caracol. Entretanto meditava que não estava a ser uma boa anfitriã, e isso afligia-a, na verdade era tão raro ter visitas… acabou por se dirigir ao roupeiro do quarto e de lá puxou um capote. Vestiu-o de frente para o espelho, à entrada de casa. Puxou o capuz sobre os olhos. Teria de servir. Preocupavam-na mais os pés. Era preciso encontrar as suas velhas socas de jardinagem. Desapareceu para a arrecadação no exterior e veio de lá com um par de socas vermelhas e tachas de latão, cobertas de teias de aranha. Lamentou destruir assim o maravilhoso trabalho de uma tecedeira mas livrou as socas das teias e conseguiu enfiá-las nos pés com as raízes aconchegadas entre a sua pele e a pele do calçado. O caracol estava animado e agradeceu a chávena de chá comentando que era uma bebida muito agradável. Ela sorveu uns goles fugidios da sua própria chávena e, muitíssimo inquieta, desapareceu para a rua atirando com a porta de casa.   Seguiu pela calçada empedrada rente ao muro exterior da casa, depois da casa seguinte, e da seguinte, e da seguinte ainda. Não se cruzou com ninguém excepto

duas borboletas que passaram a segui-la numa alegria inexplicável. Pareceu-lhe distinguir muito ao fundo, sob o capuz, uma vozinha conhecida. A Capuchinho Vermelho?! Pois claro, ela adorava borboletas, pela certa estaria a tentar convencêlas a saltar à corda… que pena, que pena tremenda faltar a tal encontro. Teve de atravessar uma rua e fugir apressada de um cão que felizmente caminhava com o dono pela trela, de contrário teria vindo a correr ter com ela. Olhava-a com o maior espanto, o focinhito no ar, baralhado com a mulher-jardim. Se o cão alimentava um sonho, era o de ter uma dona assim. A certa altura, dois pardalitos pousaram-lhe no ombro, depois foi a vez de joaninhas e de uma abelha a adoptarem; a todos estes pequenos seres fascinava o jardim com pernas – felizmente a mercearia era ao virar da esquina. Farinha, ovos, manteiga e canela. Pagou e saiu tão depressa quanto entrara, ouvindo ainda o comentário a respeito do maravilhoso perfume a rosas daquela senhora estranha. Que prova, caracol caracolinho. Que desconcerto íntimo, que avalanche de emoções. Era como se caminhasse sobre arame. Se alguma vantagem havia a retirar daquela saída sofrida era a de esclarecê-la definitivamente sobre o futuro próximo. Claramente, o seu lugar já não era ali. De resto, se quisesse ser honesta consigo própria, sabia-se agora mais jardim que mulher. Estava na altura de partir, partir apenas. Escreveu mentalmente o anúncio que haveria de afixar na montra da mercearia por causa da sua casa: oferecese bom jardim com casa, seguindo-se uma descrição minuciosa das árvores de fruto e das floribundas, da horta e ervas de cheiro e dos canteiros carregados de bolbos, roseiras bravas, malmequeres, cravinhos, sardinheiras, alecrim e alfazema. A propósito da casa indicaria as três pequenas divisões: a sala e o quarto aconchegados, a cozinha minúscula e a casa de banho exígua, alertando para o facto do telhado deixar entrar água, o que tornava a cultura de cogumelos profícua e especialmente bela de apreciar no outono – ainda que o seu consumo fosse desade-

quado ela decidiu que era uma mais-valia a enumerar. Podia ainda referir a arrecadação exterior e oferecer todo o recheio da casa. Com certeza alguém se interessaria. Mas ninguém se interessou. Volvidas duas semanas não houvera quem tivesse manifestado estar disposto a aceitar a sua oferta generosa. Talvez achassem que o anúncio era uma brincadeira? Entendeu que não valia a pena pensar muito no assunto e que tudo se resolveria por si só, num acordo tácito superior aos desejos banais dos homens, das mulheres e até dos animais. Passou a fazer bolos de canela dia sim, dia não. Partilhava-os com o caracol e os pássaros, desde que acordassem em silenciar o turbilhão de pius que se gritavam a toda a hora, como se o cansaço não existisse. Um casal de pombas brancas habituou-se também a lanchar com ela e a partilhar daquele silêncio comovido. Dentro de si o jardim crescia e, à flor da pele, ela passou a trazer o perfume das ervas de cheiro que rodeavam o tanque de água: manjerico, hortelã, coentros, salsa e rosmaninho. Sentia agora uma hera tenra envolver-lhe os ossos dos braços e só podia estar agradecida aos seus caules maleáveis mas firmes, que embora a afastassem sempre mais do mundo de pessoas que um dia fora o seu, lhe amparavam os gestos a que emprestavam graciosidade e onirismo. Passava a maior parte das horas no jardim da casa, prolongando-se pela terra em que se enterrava, bebendo a água da chuva e da atmosfera, acolhendo o sol, o vento, a geada. De vez em quando procurava a Capuchinho Vermelho para um passeio campestre e esses eram os momentos em que deixava de se preocupar porque se esquecia. Andavam tanto, tanto que era o lobo quem acabava por carregá-las às costas, geralmente ao pôr do sol. Despediam-se uns dos outros a cantar, trocando abraços carinhosos e recordações gulosas para o caracol – que preferia recordar a esquecer e dispensava acompanhar aquelas excursões que só adiavam o inevitável. As horas seguintes eram sempre extraordinariamente difíceis para ela porque já não podia esquecer o esquecimento e era então tolhida por uma mágoa que parecia abrir buracos dentro de si, nomeadamente por não ter como partilhar e usufruir mais da felicidade que a preenchera até há menos de nada. O caracol fazia os possíveis por lhe dar alento, nunca se cansando de lhe fazer festas com os pauzinhos – de resto, remetia-se ao silêncio. Pouco a pouco ela acabava por dar de si, pouco a pouco ela era outra vez um pouco, mesmo que um pouco menos. O caracol só não queria que ela deixasse de ser ao menos um pouco.       E isso não aconteceu. Quando estava prestes a abismar-se no vácuo do esquecimento, quando se contavam já três dias desde que ela se pegara à terra, decidida a

ser só mais uma planta no seu jardim, os poros perfumados da sua pele gotejaram algum orvalho ao raiar da madrugada e depois germinaram em nada de concreto e em tudo o que se possa imaginar. Fragilizada, incapaz de concentração e até de entender o que poderia estar a acontecerlhe começou, através deles, a dar à luz uma e outra vez. Num ciclo de gestações curtíssimas, ela fazia nascer filhos e filhas de cores, texturas e formas variadas, alimentados da sua seiva e do seu sangue e, felizmente, ao contrário dela, vigorosos e dispostos a uma vida longa. Horas mais tarde ela acabaria por ceder ao cansaço, exausta mas também muito feliz por ser uma mãe-natureza, perplexa com a beleza das plantas, flores e até dos pequenos arbustos que se lhe colavam ao corpo, como que a pedir-lhe colo e amor. E ela sim, sempre que despertava do seu torpor abraçava-os e transbordava a seiva que alimentava aqueles filhos que a preenchiam como a um duplo que ganhava forma e corpo a seu lado. A noite chegou e ela não resistiu ao sono mais profundo. O caracol velava por ela, só mais um pouco. A verdade: Na manhã seguinte os pássaros respeitaram o silêncio do jardim. Quem quis desdizer piares e coisas do dia-a-dia foi mandado para outras paragens, com patos e flamingos em debandada. As pombas anicharam-se sob as flores das ervilhas de cheiro ao redor do tanque e o caracolinho preparou-se para saudar a sua amiga. A mulher-jardim demorou a acordar. Sentia-se bem, mas deu por si deitada sobre a erva húmida, até um bocadinho fria. À medida que tomava consciência do corpo, entrou inicialmente em pânico… estava deitada no solo porque as plantas se tinham ido de dentro de si e não tinha mais como contrabalançar o peso do mundo à sua volta – caíra desamparada. Os seus filhos! Apalpou em volta e procurou a medo pelos recém-nascidos formosos. Ao seu olhar revelou-se, no entanto, colada ao seu corpo muito esguio, uma forma dupla de si. Tocou-a e entrelaçou os dedos por ela, o coração a bater acelerado, a respiração primeiro ofegante, depois desaustinada: filhos e filhas eram agora um só, um pouco maior que ela, esguio também, nu. Quem era? Ela olhou em volta e deu com o caracol assente num raminho seco ao pé de si. E então lembrou-se do sonho: da aragem levíssima, dos corpos quentes, do beijo cósmico… e desenhou um sorriso interior. Compreendeu que lhe cumpria uma tarefa infinita: tantos beijos por dar… o seu duplo adormecido não tardaria a abrir os olhos. Foi assim que apertou num abraço o seu amor maior e pousou os lábios sobre a sua pele docemente perfumada, tal como a recordava desde sempre.


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

8.2.2018 quinta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

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NUBLADO

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16

HUM

30-70%

EURO

10.01

BAHT

CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00 (Exibição até 25/02)

Domingo

CONCERTO | HEIDI LI ITALIAN JAZZ DUO ESPAÇO “WHAT’S UP” POP UP Calçada do Amparo | 19H00 às 20h30

Diariamente

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EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

O CARTOON STEPH 13 DE

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UM 2 DISCO 7 5 6 HOJE 1 3 4

SALA 1

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D]

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B] Filme de: Steven Spielberg

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION EPISODE I [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 14.30, 21.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 19:15

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PROBLEMA 14

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SUDOKU

3 6 5 1 4 2 7THE JESUS AND MARY 6 CHAIN 1 | PSYCO 7 2CANDY5 15 16 5 6 3 4 2 7 1 4 5 1 6 3 7 2 2 7 3 6 1 “Psyco Candy” é o disco inaugural C I N E M A dos3escoceses The Jesus and Mary 4 arranque 1 47glorioso 6 que2 5 6 2 17 45 21 4 3 7 4 5 1 6 Chain, um chegou2aos escaparates 74simbiose 3 emcriativa 51985.6 7 2 3 64 7 6 1 5 3 2 4 5 7 A1 banda 2 vive da de dois irmãos, Jim e William 3 4 21 4 2 3 47 5 6 6 respectivamente 5 2 1vocalista 7 e4 3 1 6 2 3 4 Reid, guitarrista. Este disco é essencial à 34 51de qualquer 7 2melómano 3 5 6 5 7 6 64 2 53 1 4 5 1 7 3 discografia que goste de post-punk, noise e 6 5 shoegaze, 7 3com6um 5som assente 4 1 2 7 21 33 2 5 66 4 5 3 6 4 2 em guitarras abrasivas e vocaliza3 5 Na ingrata tarefa 5 7 ções negligentes. de distinguir faixas do álbum é 17 23 6 impossível 7 18 1 3 não mencionar “Just Like Honey”, “You Trip me Up” e “Some 3 4Candy7Talking”. 6 Um 1 dos2 5 4 7 1 3 5 6 2 7 4 3 1 2 MAZE RUNNER: THE DEATH CURE discos mais influentes dos últimos 151 anos do 7século2passado. 4 João 3 Luz5 6 1 3 5 4 7 2 6 1 3 2 5 7 7 6 5 2 4 3 1 3 2 6 5 1 4 7 2 6 5 4 3 17 18 5 3 6 1 7 4 2 6 1 2 7 4 3 5 4 1 6 7 5 3 4 1 7 2 João Luz; José C. Mendes7 Redacção 4 1 3 5Propriedade 2 Fábrica 6 de Notícias, 7 Lda Director Carlos5Morais José 4 Editor3António 6Castro 2 1 Andreia Sofia Silva; João3Santos Filipe; 7 Sofia1Margarida 2 Mota;6 Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; 7 6Vitor 4 7 Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério 6 2 4 7José 5 1 3 7 5 4 2 6 1 3 6 5 7 3 4 Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos 2 www. 1Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração5Rui Rasquinho Agências7Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de Morada Calçada de 2hojemacau. 5 1 3redacção 6e Publicidade 7 4Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) 2 A,6Macau7Telefone1Assistente 3 de marketing 5 4Vincent Vong Impressão Tipografia 5 2Welfare 4 6 1 com.mo Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar2 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 5 3 428752401 Fax 5 7 3 7

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13

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A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/03

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Uma longa corrida de 12 horas, com picos de sprint pelo meio e na recta final, e a culminar com momentos hilariantes e impulsos irresistíveis de gargalhadas tolas à medida que a meta se aproxima. O arranque da maratona começa com um passo contido, a meter o jornal na net, olhar para a cidade e o mundo, absorver, regurgitar e expelir na folha de word. Mandar emails, responder, ler um relatório, escrever mais umas palavras, não perder o equilíbrio face à avalanche de acontecimentos, palavras, reacções. Sair para uma entrevista, mais uma, apanhar com todo o trânsito que a cidade consegue conjurar num final de tarde, regressar com meias coisas, medianamente satisfatórias, escrever mais um pouco. O papel exige caracteres exigentes, 19 sempre mais, uma fome insaciável que não respeita a escassez de recursos, cansaço e todos os limites do corpo humano. De repente, uma brisa de caos e piadas fonéticas, champanhe vertido em canecas de café para acompanhar pizza à secretária. Sair e respirar fundo o ar frio da noite ainda com a adrenalina armada em Usain Bolt a voar pelas veias a alta velocidade. Regressar a casa e suspirar, trocar breves palavras e dedicar um pouco de tempo às pessoas amadas. O pavio do dia chega ao fim, antecipando automaticamente as explosões dos próximos dias e as maratonas que se avizinham. João Luz

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EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

Cineteatro

1.27

MARATONISTAS

SATURDAY NIGHT JAZZ - THE JAZZ GIRLS & MJPA SEXTET Fundação Rui Cunha | 21h00 às 23h00

EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02

YUAN

PÊLO DO CÃO

UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

Sábado

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opinião 19

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bairro do oriente

LEOCARDO

M

UITO se tem falado por aí da “falência da democracia” ou do seu fracasso. Engraçado e ao mesmo tempo trágico que se fale, se analisem as causas, façam-se as analogias históricas, retirem-se as devidas conclusões e, no fim, se encare o “fim da democracia” como uma inevitável fatalidade. É pena que assim seja, uma vez que, e como disse o pensador, a democracia é o pior dos sistemas com excepção de todos os outros. O que se passa é que ainda se confunde democracia com classe política. E Estado com Governo. Quando falha o Estado não falha este ou aquele Governo: falhamos todos nós, que somos o Estado. E falando de falhas, mas agora das geológicas, aquilo a que temos assistido nos últimos três ou quatro anos é uma intensa actividade sísmica na zona que é conhecida pela falha na placa tectónica da política – a falha politológica. As frentes populistas a que temos assistido a sair agora da toca, anunciando o longo inverno da classe política convencional e a morte da democracia por holocausto nuclear, são agora as mesmas que eram antes, mas com outros temas. O avanço da tecnologia não foi acompanhado pela democracia, que assim não se dotou de um anti-vírus do populismo, e tem sido um derramar de infecções, umas atrás das outras, manifestadas através de meio cibernético, como não podia deixar de ser, e neste caso assumindo a forma de Facebooks e Twitters, os “transformers” da anti-democracia. Aí encontramos todos os vírus que contaminam a democracia. De um lado os conspiracionistas, do outro os saudosistas. Os primeiros engendraram uma teoria da conspiração que passa por acreditar que uma tal “Nova Ordem Mundial” está a levar a cabo um plano, com a cumplicidade da classe política e económica dominante e do Vaticano (pasme-se), que passa pela “substituição populacional” ou ainda “genocídio branco”. Isto seria complicado de explicar aqui em poucas palavras, mas “in a nutshell” quer dizer que se eu optar por casar e ter filhos com uma pessoa de outra designação étnica que não a minha, estou a cometer “genocídio”. A sério, é isto mesmo e mais nada, e não se deixem convencer de outra coisa. Os saudosistas, e destes tenho mesmo muita pena, são pessoas que descobriram finalmente que a democracia não foi feita para eles. Queriam uma placa dourada com o seu nome, descerrada com honras de

A falha politológica

pano de veludo vermelho, mas não deu. Daí que evoquem Salazar, o seu bom pastor, e recordem com saudades os tempos em que eram todos ovelhinhas no seu Presépio pobrezinho, coitadinho, que “nunca roubou”,

sendo isto o melhor que se pode dizer dele. Os saudosistas que nasceram depois do 25 de Abril – data que desprezam sem saber nada dela – são simplesmente ignorantes. Não sabem do que falam.

Queriam uma placa dourada com o seu nome, descerrada com honras de pano de veludo vermelho, mas não deu. Daí que evoquem Salazar, o seu bom pastor, e recordem com saudades os tempos em que eram todos ovelhinhas no seu Presépio pobrezinho

No fundo e no fim de contas, o que está mal não é a democracia. É a falha politológica, a provocar todos estes abanões que nos fazem temer pela solidez das fundações da democracia. E para isto não há remédio, não sei, nem vou dizer a ninguém o quê ou como deve pensar. Passa tudo por um exame de consciência, mas se querem uma recomendação que não fica mal aceitar, aqui vai: leiam, analisem, duvidem, coloquem-se no lugar das pessoas, em suma, pensem.


Há palavras que nos beijam / como se tivessem boca.

Alexandre O’Neill

A

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maioria das opiniões recolhidas na consulta pública sobre a Lei de Cibersegurança de Macau apoia o recurso a dados de identificação na compra de cartões pré-pagos de telemóvel, revela o secretário para a Segurança. Wong Sio Chak afirmou que as 716 opiniões recolhidas em 45 dias de consulta pública estão agora a ser analisadas para aperfeiçoar a proposta de lei, fase que deverá ser concluída ainda no primeiro semestre do ano. O processo legislativo deverá ser iniciado no segundo semestre, disse à imprensa, segundo um comunicado do Governo. As opiniões, recolhidas entre 11 de Dezembro e 24 de Janeiro, referem-se principalmente aos dados de identificação (“real name system”) na aquisição de cartão pré-pago, prática já existente em muitos países e territórios, acrescentou. O responsável acrescentou que o sector das telecomunicações apresentou sugestões no âmbito da protecção dos dados pessoais e dos procedimentos. O pedido aos utentes dos dados de identificação (“real name system”) na aquisição de um cartão pré-pago pode ser feito mediante o registo da informação pessoal na altura da aquisição, a inserção dos dados na activação do cartão, ou ainda uma combinação das duas, disse Wong Sio Chak. O secretário indicou ainda que a direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações está a analisar a questão para escolher o processo que dê maior protecção aos dados pessoais. Os trabalhos de monitorização referidos na Lei de Cibersegurança visam garantir a segurança de infra-estruturas críticas e a dos cidadãos na utilização da internet, visando-se apenas o tráfego e características dos dados e não o conteúdo, reiterou. A descodificação do conteúdo só será possível com a autorização judicial, em caso de suspeita de crime, sublinhou Wong Sio Chak.

P

LIGA DE ELITE REFORÇOS LEONINOS JÁ TREINAM COM A EQUIPA

Perfume nigeriano poder ajudar o clube nos seus objectivos”, apontou. “Com esta aposta em Macau quero poder conseguir dar um primeiro passo para depois poder actuar em outras ligas asiáticas mais competitivas”, revelou. Aggreh não é o único reforço para o ataque e vem acompanhado por Malachy Elu, atleta de 22 anos, que também está a fazer a estreia fora de portas.

“Estou a sentir-me muito bem. Esta mudança está a correr bem até agora e acredito que é o clube certo. O primeiro jogo a que assistimos já deu para ver algum do nível local e vou tentar ajudar o clube”, apontou Elu.

DEFESA COM PASSAGEM POR ANGOLA

Entre os jogadores que agora chegam ao Sporting de Macau o mais experiente é Chidi Bright,

BESSA ALMEIDA

SEGURANÇA MAIORIA APOIA RECOLHA DE IDENTIFICAÇÃO NA COMPRA DE CARTÃO PRÉ-PAGO

RINCE Aggreh, Malachy Elu e Chidi Bright são os nomes dos três reforços que o agente de futebol Graham Heydorn colocou no Sporting de Macau para esta época. Os atletas, de origem nigeriana, estão a treinar sob a orientação de Nuno Capela desde o início da semana e assistiram, logo no Domingo passado, à vitória do Benfica diante do Chao Pak Kei por 4-1. “O meu objectivo é fazer uma boa época pelo Sporting de Macau e acredito que o clube tem condições para isso. Estou a ter uma boa impressão do clube e posso dizer que fui muito bem recebido e orientado nos primeiros dias”, disse Aggreh, ontem, ao HM. O jogador é ponta-de-lança, tem 21 anos e conta com seis internacionalizações e três golos pela selecção da Nigéria. No Sporting tem pela frente a primeira experiência a jogar no estrangeiro e espera poder dar o salto para outros voos com esta oportunidade. “Até agora joguei sempre na Nigéria, mas acredito que tomei a decisão certa ao vir jogar para o Sporting de Macau, onde posso criar outras oportunidades. Espero

vice-presidente norte-americano revelou ontem que os Estados Unidos se preparam para anunciar sanções económicas “mais agressivas” contra a Coreia do Norte nos próximos dias, intensificando a pressão sobre o governo norte-coreano durante os Jogos Olímpicos de Inverno. Mike Pence, que está preparado para liderar a delegação dos EUA nas cerimónias de abertura dos jogos, na sexta-feira, fez o anúncio no Japão, após reuniões com o primeiro-ministro Shinzo Abe. “Os Estados Unidos da América revelarão o maior e mais agressivo pacote de sanções económicas à Coreia do Norte e continuaremos a isolar a Coreia do Norte até que ela abandone os seus programas de mísseis nucleares e balísticos de uma vez por todas”, disse Pence.

Fontes norte-americanas recusaram-se a detalhar as sanções esperadas, alegando que qualquer informação adicional poderia ser usada por aqueles que tentam ignorar as novas medidas. Espera-se que sejam aplicadas antes da conclusão dos jogos. Numa viagem de seis dias ao Japão e à Coreia do Sul, Pence procura tranquilizar e reorientar os aliados americanos sobre a crescente ameaça nuclear da Coreia do Norte. Em reuniões com líderes do governo, militares e membros do serviço diplomático dos EUA, Pence disse que quer ter a certeza de que os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang não distraem as pessoas dos abusos dos direitos humanos norte-coreanos e do programa nuclear. “Os Estados Unidos estão com vocês nesse desafio”, disse Pence a Abe,

de 25 anos. O atleta actuou na época passada no Santa Rita de Cássia de Angola e muda-se para Macau, onde também espera criar oportunidades para outros mercados. Antes, actuou na Nigéria e na Jordânia. “Em Angola aprendi algum português muito básico, só algumas palavras. Mas acredito que me está a facilitar a nível da adaptação à realidade de Macau. Sinto-me bem por poder conviver novamente com pessoas que falam português”, afirmou. No Sporting de Macau Chidi Bright vai reforçar a defesa, actuando no centro do terreno. Os atletas já estão disponíveis para jogar no próximo encontro, no Domingo, diante da Polícia. Os leões ocupam actualmente o 6.º lugar da Liga de Elite com quatro pontos, em nove possíveis. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

EUA Sanções mais duras contra Coreia do Norte O

quinta-feira 8.2.2018

PALAVRA DO DIA

enquanto começavam as conversações bilaterais. “E continuaremos ao lado do povo do Japão, do povo da Coreia do Sul e dos nossos aliados e parceiros em toda a região até alcançar o objetivo global da desnuclearização da península coreana”, acrescentou. Disse ainda que “o povo do Japão pode estar descansado” pois as Forças Armadas dos Estados Unidos “continuarão dedicadas à protecção do Japão”, prometendo uma vez mais que “todas as opções estão em cima da mesa” para responder à ameaça norte-coreana. O vice-presidente dos Estados Unidos garantiu ainda que não permitirá que “a propaganda norte-coreana sequestre a imagem e a mensagem dos Jogos Olímpicos”. “Não permitiremos que [a Coreia do Norte] esconda por detrás da bandeira olímpica a rea-

lidade, que escraviza a sua população e ameaça outros países”, afirmou, após a reunião com o primeiro-ministro nipónico. Pence assistiu a um exercício, pelas tropas japonesas, da implantação do sistema de defesa de mísseis de superfície a ar do Japão, ao simularem uma tentativa de interceptar um míssil norte-coreano. O governante também participou num ‘briefing’ no Ministério da Defesa do Japão. Mike Pence viajará para a Coreia do Sul na quinta-feira - para reuniões com o presidente Moon Jae-in -, onde ele promoverá a campanha de “pressão máxima” da administração Trump contra a Coreia do Norte. À medida que a Coreia do Norte caminha no sentido de obter um míssil nuclear com capacidade para atingir os Estados Unidos, a administração

Trump trabalha para reunir a comunidade internacional para adoptar sanções económicas mais duras e isolar a Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, Pence não descartou um eventual encontro com funcionários norte-coreanos nas Olimpíadas, dizendo aos repórteres: “Veremos o que acontece”. Contudo, prometeu que a sua mensagem em qualquer encontro incluiria a mesma mensagem que tem passado até aqui: que o Norte renuncie às suas armas nucleares e ao programa de mísseis. “Não permitiremos que a propaganda norte-coreana sequestre a mensagem e as imagens dos Jogos Olímpicos. Estaremos lá para animar nossos atletas, mas também estaremos lá para manter os nossos aliados e lembrarmos ao mundo que a Coreia do Norte é o regime mais tirânico e opressivo do planeta”, afirmou.

Hoje Macau 8 FEV 2018 #3990  

N.º 3990 de 8 de FEV de 2018

Hoje Macau 8 FEV 2018 #3990  

N.º 3990 de 8 de FEV de 2018

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