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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUARTA-FEIRA 8 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3930

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

hojemacau

DEFICIÊNCIA

Benefícios insuficientes

HABITAÇÃO SOCIAL LEI APROVADA ENTRE CRÍTICAS

HOJE MACAU

GLOBAL MEDIA | KNJ

Contrato fechado PÁGINA 8

O novo regime de habitação social foi ontem aprovado por unanimidade na AL. No entanto, os deputados não deixam de apontar várias lacunas no diploma, como o acesso de jovens e idosos à habitação pública. Raimundo do Rosário promete acompanhar “artigo a artigo e palavra por palavra” a discussão da lei na especialidade.

SAAM

Água com fartura PÁGINA 9

AP/ALEX BRANDON

PÁGINA 4

MACAU EM LISBOA EVENTOS

Musas sem metafísica PUB

h JOÃO PAULO COTRIM

VISITA DONALD NA CHINA GRANDE PLANO

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Os buracos do regime

PÁGINA 5


2 grande plano

A

visita do Presidente norte-americano a Pequim acontece numa altura em que os dois chefes-de-estado estão em pólos opostos em termos de situação política. Xi Jinping viu renovada e fortalecida a sua liderança. Por outro lado, Donald Trump chega hoje a Pequim à medida que se aperta o cerco da investigação do procurador-especial Robert Mueller, ex-director do FBI e Presidente da Conselho Especial de Investigação que se debruça sobre as alegadas interferências de Moscovo na corrida à Casa Branca. De momento, Paul Manafort, ex-director da campanha que ganhou as presidenciais, encontra-se com pulseira electrónica e já foi formalmente acusado de crimes, onde se inclui lavagem de dinheiro. Também a braços com a justiça está George Papadopoulos, conselheiro para assuntos internacionais da Administração Trump que admitiu ter mentido ao FBI e mantido contacto com os serviços secretos do Kremlin. Entretanto, o foco da investigação aproxima-se do próprio Presidente, com a investigação a virar-se para o filho mais velho de Trump. Este é o contexto em que a visita decorre, também numa altura em que Xi Jinping almeja um papel de maior relevo da China num panorama internacional dividido entre duas superpotências. Um assumida aspiração geopolítica de Pequim, que foi negada pela Administração Obama por receio de isso significar a diminuição da influência norte-americana na Ásia. “Pela primeira vez, a China não está numa posição de humildade em relação a Washington, que normalmente tem a vantagem”, diz ao The New York Times Yan Xuetong, professor de relações internacionais da Universidade de Tsinghua de Pequim.

ANÁLISE

BIG SHOW

DONALD TRUMP SERÁ RECEBIDO EM PEQUIM COM GRANDE POMPA

TIME MAGAZINE

Donald Trump visita Pequim numa altura de grande fragilidade interna e num momento de pico de força de Xi Jinping. A China procura equilibrar o jogo de poder no xadrez internacional, enquanto Washington pretende uma resposta regional dura para os desvarios bélicos de Pyongyang e alterar os pratos da balança comercial entre as duas potências

8.11.2017 quarta-feira

ESPLENDOR CHINÊS

Donald Trump tem sido ambivalente quando o tema é a China. Durante a visita ao Japão, o Presidente norte-americano propôs a venda de armamento a Abe Shinzo e voltou a mencionar a construção de um espaço “Indo-Pacífico livre e aberto”, uma expressão que enfatiza o equilíbrio de forças na região entre os aliados americanos face à crescente influência chinesa. Se por um lado, Trump diz que a China beneficia de uma posição comercial injusta para os interesses americanos, por outro não poupa elogios a Xi Jinping. Ouvido pelo The New York Times, David M. Lampton, professor na Faculdade de Estudos Internacionais da John Hopkins, considera que “o resultado do choque de ambições nacionais será o maior, e talvez mais perigoso, das próximas décadas”.

Neste contexto, Pequim tem uma estratégia montada para impressionar o Presidente norte-americano, naquilo que os chineses estão a designar de “visita de Estado com um extra”. Donald Trump terá uma elaborada ceri-

mónia a aguardá-lo no Grande Salão do Povo, onde se realiza o Congresso Nacional Popular e uma recepção nos pavilhões antigos da Cidade Proibida. O objectivo é fazer com que Trump se sinta importante, reflectindo

a ideia de que esta é a melhor forma de lidar com o grande ego do bilionário. O Presidente norte-americano, que já havia ficado surpreendido com a parada militar aquando da visita a França, terá oportunidade


grande plano 3

quarta-feira 8.11.2017

CHINA

E CIRCUNSTÂNCIA

A cerimónia servirá ainda para Xi Jinping apresentar o seu “Sonho Chinês”, a ideia da liderança sino-americana do mundo, quebrando um quadro histórico de conflito entre as duas potências. Na frente económica, na comitiva de Trump viajam representantes de cerca de 40 empresas norte-americanas.

INCÓGNITA DONALD

Não foram raras as vezes que o bilionário norte-americano teceu rasgados elogios a Xi Jinping, inclusive descrevendo-o como um amigo, algo que não é nada comum na história das relações diplomáticas entre as duas maiores potenciais económicas mundiais. Trump chegou mesmo a repetir argumentos usados pelo próprio secretário-geral do Partido Comunista Chinês. Ainda assim, existe alguma preocupação quanto à imprevisibilidade do magnata nova-iorquino, principalmente no que toca ao seu temperamento online. Pequim tem sempre uma grande atenção ao detalhe e ao protocolo quando recebe chefes-de-estado. Neste capítulo importa lembrar que o Twitter está bloqueado na China, mas que está, geralmente, acessível em telefones estrangeiros. Porém, o vice ministro chinês, Zheng Zeguang, veio a terreiro dizer que não havia motivos para preocupação sobre a forma como o Presidente norte-americano comunicará com o exterior.

Durante a visita ao Japão, Trump afirmou que “a Era de paciência estratégica chegou ao fim”, horas antes de se deslocar para a Coreia do Sul, onde discursou a apenas 100 quilómetros da fronteira com Coreia do Norte

de assistir à impressionante precisão de marcha do Exército de Libertação Popular e a um faustoso banquete de Estado. Os detalhes foram revelados pelo Embaixador chinês nos Estados Unidos, Cui Tiankai, no site da embaixada.

“Esperamos que a família Trump tenha oportunidade para conhecer a cultura e a história do povo chinês e que se estabelecem conversações para aprofundar as relações sino-americanas”, projectou o embaixador.

Apesar da água na fervura, a visão algo dúbia que Trump tem demonstrado em relação à China é motivo para preocupação no seio do partido. Principalmente tendo em conta a semente de isolacionismo plantada por Stephen Bannon, e que ainda germina na Casa Branca, sobre uma posição mais firme em termos comerciais com Pequim. Na génese da tese de Bannon está a ideia de que a China se aproveita da abertura comercial americana, enquanto mantém os seus mercados chegados. Para a ala mais isolacionista existem razões para se avançar para uma guerra comercial caso não se chegue à reciprocidade.

BILIÕES E MAIS BILIÕES

Noutro patamar está o genro de Trump, Jared Kushner, que consi-

Yan Xuetong professor de relações internacionais da Universidade de Tsinghua “Pela primeira vez, a China não está numa posição de humildade em relação a Washington, que normalmente tem a vantagem.”

dera a China um inevitável parceiro económico e uma gigantesca oportunidade de negócio. Aliás, o marido de Ivanka tem levado este mantra demasiado a peito, ao ponto da Kushner Companies, uma empresa de imobiliário gerida pela irmã de Jared, estar sob investigação por suspeita de garantir vistos a magnatas chineses em troca de investimentos em activos da sua empresa. Uma das companhias americanas que se fará representar em Pequim é a Viroment, uma empresa de tratamento de águas, que tem em vista fechar um negócio no valor de 900 milhões de dólares com a construtora Guangye Guangdong Environmental Protection Industrial Group e a Hangzhou Iron and Steel. O negócio irá equipar mais de 800 empresas do sector têxtil situadas na província de Zhejiang e 80 estações de tratamento de águas de Guangdong, de forma a que sejam cumpridas as regulações ambientais de Pequim. Este é apenas um exemplo dos possíveis negócios que se podem firmar ao longo da visita de Estado. Na comitiva de Donald Trump viajam empresários de sectores económicos tão distintos como empresas de tecnologias, comerciantes de soja, empresas ligadas às energias renováveis ou engenharia digital. Outra das empresas que poderá estar prestes a firmar um acordo milionário é a Digit Group, que deverá assinar um contrato de construção de um parque temático de realidade virtual com 200 hectares em Qingdao. O negócio está estimado em 4,85 mil milhões de dólares. Seja qual for o ramo económico, entre os empresários norte-americanos há um desejo comum: a flexibilização e a redução das

tensões nas relações comerciais que permitam a entrada na apetecível economia chinesa. Ao lado do braço-de-ferro económico existe a omnipresente ameaça de conflito na península coreana. Durante a visita ao Japão, Trump afirmou que “a Era de paciência estratégica chegou ao fim”, horas antes de se deslocar para a Coreia do Sul, onde discursou a apenas 100 quilómetros da fronteira com Coreia do Norte.

Pequim tem uma estratégia montada para impressionar, o objectivo é fazer com que Trump se sinta importante, reflectindo a ideia de que esta é a melhor forma de lidar com o grande ego do bilionário O Presidente norte-americano, antes de partir para a China, afirmou que 25 anos de fraqueza retórica levaram ao estado actual na península coreana, acrescentando que está na altura de aplicar a máxima pressão sobre Pyongyang. Para já, Pequim não adianta muito sobre qual será a sua posição nesta matéria. Mas uma coisa é certa, Xi Jinping não verá com bons olhos uma demonstração de poder bélico norte-americano na região. João Luz

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4 política

8.11.2017 quarta-feira

HABITAÇÃO SOCIAL LEI APROVADA. DEPUTADOS FALAM EM LACUNAS

Idosos, jovens e outras histórias

F

OI aprovado na generalidade, com 29 votos, a proposta relativa ao regime de habitação social. A proposta de lei arrecadou aplausos dos deputados por estabelecer um mecanismo de candidaturas permanentes a casas sociais, sem que haja necessidade de esperar pela abertura do concurso por parte do Instituto Habitação. Ainda assim, o diploma foi alvo das críticas dos deputados, o que levou Raimundo do Rosário, secretário dos Transportes e Obras Públicas, a admitir que, na análise na especialidade, os pormenores da lei vão ser analisados “artigo por artigo e palavra por palavra”.

A proposta de lei arrecadou aplausos dos deputados por estabelecer um mecanismo de candidaturas permanentes a casas sociais, sem que haja necessidade de esperar pela abertura do concurso

O acesso à habitação pública a jovens e idosos foi um dos pontos que não foi considerado “justo”. Para Agnes Lam “a habitação social não deveria ser só para famílias desfavorecidas, e deveria também contemplar os idosos”. Para a deputada, está em causa a situação precária em que uma grande faixa desta população ainda vive. “São cada vez mais as construções em ruínas e há idosos a viver em edifícios com mais de 30 anos e sem elevador. Há habitação para estes idosos?”, questionou. A preocupação foi partilhada por Mak Soi Kun. A tónica recaiu no rendimento máximo exigido para que os residentes possam ter acesso à habitação económica. Para o deputado, o limite estabelecido na proposta, ainda que seja superior ao que está de momento em vigor, é insuficiente para satisfazer as necessidades desta faixa crescente da população. “A poupança dos idosos ultrapassa o limite definido pelo Governo e estas pessoas que têm idade avançada, vivem apenas das suas poupanças”, disse o deputado. Leong Sun Iok foi mais longe e lembrou a passagem do tufão Hato em Macau para justificar um maior cuidado para com os idosos. Para o deputado há que garantir, depois

Sou, tendo lamentado que “esta alteração à habitação social não vai ter grande impacto junto dos jovens locais”, apontou. Angela Leong concordou e sugeriu que o Governo atribua pensões aos jovens adultos com menos de 23 anos para os ajudar no arrendamento de casa. O secretário disse que a preocupação de Sulu Sou não tem fundamento, pois “numa situação normal, os jovens com menos de 23 anos estão normalmente a estudar a tempo inteiro e, como tal, não trabalham”. Raimundo do Rosário justificou a situação, recordando o seu caso pessoal em que não teve de trabalhar enquanto estudava. No entanto, admitiu a ocorrência de excepções e a sua análise pelos serviços responsáveis. “Não vou tratar estes casos, dos 18 aos 23 anos, como casos especiais. Se for um agregado familiar normal, podem candidatar-se à habitação social normal. Temos um ponto de vista diferente para o caso desta faixa etária”, apontou o secretário.

GCS

Os deputados aprovaram por unanimidade, na generalidade, o novo regime de habitação social, que traz um sistema permanente de candidaturas. Contudo, as críticas levaram Raimundo do Rosário a garantir a sua presença em todas as futuras reuniões de comissão, para que o diploma não apresente qualquer ambiguidade

SUBIR DE NÍVEL do Hato, que estes têm mais facilidades de acesso à habitação social.

PARÂMETROS JOVENS

Sulu Sou mostrou a sua preocupação com os mais novos. O pró-democrata considerou que a proposta em análise, apesar de ter melhorias face à lei actual, continua a não ter em conta as necessidades dos jovens. Em causa está o facto de os residentes entre os 18 e os 23 anos não terem acesso à habitação social, a não ser que sejam estudantes a tempo inteiro. Com 18 anos, e de acordo com a legislação local, os

jovens são considerados adultos e podem votar, referiu. “Há ainda quem tenha família antes dos 23 anos e não estude”, ilustra Sulu

“A poupança dos idosos ultrapassa o limite definido pelo Governo e estas pessoas que têm idade avançada, vivem apenas das suas poupanças.” MAK SOI KUN

DEBATES PROPOSTAS APRESENTADAS, PROPOSTAS APROVADAS

F

ORAM ontem aprovadas as quatro propostas de debate apresentadas por deputados na Assembleia Legislativa (AL). Se a proposta da deputada Ella Lei, que pretende trazer ao plenário a necessidade de melhoramento dos transportes públicos não suscitou dúvidas por parte da hemiciclo e foi aprovada por unanimi-

dade, já as apresentadas pelos candidatados pró democratas, Ng Kuok Cheong e Sulu Sou, dirigidas à responsabilização pelas consequências da passagem do Hato pelo território, foram aprovadas por uma diferença de votos mínima. Ng Kuok Cheong conseguiu aprovar a ideia de discutir pormenorizada-

mente as responsabilidades dos governantes relativas às consequências da passagem do Hato pelo território com 16 votos a favor, 12 contra e uma abstenção. Com a mesma temática, avançou também a proposta de Sulu Sou. O pró-democrata quer ver debatidas as responsabilidades gerais e as medidas a tomar em caso de ca-

tástrofe e conseguiu que o debate fosse aprovado com 14 votos a favor, 13 contra e duas abstenções. Sulu Sou avançou ainda com a ideia de trazer para a AL a questão ligada às condições do trânsito e de circulação na zona das Portas do Cerco. Para o deputado, é necessário “iniciar de imediato o planeamento geral do posto

fronteiriço daquela área”. A proposta foi aprovada com 25 votos a favor, dois contra e duas abstenções. Chui Sai Cheong apresentou ainda uma declaração de voto manifestando a sua oposição a três das quatro propostas de debate apresentadas. O deputado apenas aprovou a proposta apresentada por Ella Lei. S.M.M.

A possibilidade de deixar a habitação social para ter acesso à habitação económica foi outra das questões levantadas. Para Au Kam San, o novo regime continua a ter lacunas no que respeita à evolução ascendente dos que pretendem passar do arrendamento de habitação social para a aquisição de habitação económica, enquanto Lam Lon Wai quer saber se o Governo vai abolir ou não o limite mínimo para aquisição de habitação económica. Questões ligadas a mecanismos de saída, avaliação de riqueza ou regulamentos administrativos que definem as características deste tipo de habitação serão analisadas em sede de especialidade. “Vou estar em todas as reuniões relativas a esta proposta de lei, vou acompanhar todo o processo e estou disposto a discutir com cada um dos deputados da AL”, referiu o secretário. Concluída a análise desta proposta de lei, será tempo de avançar com o regime jurídico da habitação económica. “Depois vamos alterar o regime jurídico da habitação económica”, rematou Raimundo do Rosário. Sofia Margarida Mota

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política 5

AL Orçamento privativo de 2018 inferior ao de 2017

TIAGO ALCÂNTARA

quarta-feira 8.11.2017

O orçamento privativo da Assembleia Legislativa (AL) para o próximo ano foi ontem aprovado na generalidade e na especialidade, pela totalidade dos deputados presentes. No total, o documento prevê um orçamento de quase 185 milhões de patacas. Dos cortes nas despesas destaca-se a diminuição de custos com o pessoal, despesas com a aquisição de bens e serviços, que relativamente a 2017 equivalem a uma redução em cerca de 10 por cento, e nas despesas correntes. Nos gastos acrescidos estão os referentes a despesas de capital que envolvem custos com substituições em equipamentos do edifício, nomeadamente nos ares condicionados. Relativamente a 2017, o orçamento do ano que vem é cerca de um milhão de patacas inferior, o que corresponde a um decréscimo anual da despesa na ordem 0,71 por cento.

Execução orçamental Documento será analisado na especialidade O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, disse ontem na Assembleia Legislativa que o documento relativo à execução orçamental de 2016 será analisado pelos deputados em sede de especialidade na 2ª comissão permanente, ainda que não tenha sido sujeito a votação. O ano passado, “as receitas orçamentais iniciais da RAEM para 2016 foram de 94.829 milhões de patacas, enquanto as despesas orçamentais iniciais se cifraram em 91.360 milhões de patacas”. Uma das despesas diz respeito aos abonos e subsídios concedidos à população, que atingiram as 9.654 milhões de patacas. Os deputados voltaram a questionar a baixa taxa de execução orçamental no sector das obras públicas, lembrando os estragos causados pelo tufão Hato. O secretário prometeu que “no orçamento do próximo ano serão absorvidas as opiniões e vamos investir mais nas infra-estruturas”.

Portas do Cerco Zheng Anting pede abertura parcial do terminal

O deputado Zheng Anting interpelou o Governo sobre a necessidade de manter, ainda que parcialmente, o funcionamento do terminal de autocarros das Portas do Cerco. Zheng Anting considera que o fecho deste terminal, localizado numa das fronteiras mais movimentadas, vai trazer inconveniência para os moradores, sugerindo que este esteja em funcionamento ao mesmo tempo que decorrem as obras. O deputado lembra que o Executivo deve ter um planeamento geral das Portas do Cerco na agenda, para que possa responder às necessidades da sociedade.

DEFICIÊNCIA DEPUTADOS QUEREM MAIS DO QUE BENEFÍCIOS FISCAIS ÀS PME

Caminhos da inclusão Os deputados aprovaram na generalidade a proposta de lei que concede benefícios fiscais às PME que contratem deficientes, mas afirmaram que, só isso, não chega. Foi pedido ao Governo a elaboração de um plano de inclusão social e laboral destas pessoas

A

proposta de lei que prevê a atribuição de benefícios fiscais às Pequenas e Médias Empresas (PME) que contratem pessoas portadoras de deficiência foi ontem aprovada na generalidade, por unanimidade, na sessão plenária da Assembleia Legislativa (AL). No entanto, a proposta não passou sem reparos. Os deputados

manifestaram que a medida, por si só, é insuficiente para atingir o objectivo de contribuir para a inclusão profissional e social das pessoas portadoras de deficiência. Para a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Ella Lei, o Executivo tem de fazer mais. “Além dos benefícios fiscais, o Governo deve ter em conta a criação de mais medidas de protecção destas pessoas.” Para o efeito, urge a definição clara de planos de ajuda de modo a que os deficientes vejam “os seus direitos e interesses salvaguardados”. Por outro lado, há que ter em conta questões ligadas à formação profissional que escasseia no território, quando se fala de ensino especial e técnico direccionado a esta população, expressaram alguns dos deputados presentes na sessão plenária. Lei Chan U considerou que, para garantir a integração, há que ter em conta as percepções e preconceitos da própria sociedade. “Quanto ao conceito de emprego, os portadores de deficiência têm dificuldades na procura de trabalho porque a maioria das pessoas acha que este tipo de funcionários não consegue garantir o desempenho completo das suas funções”, disse. O deputado sugeriu ainda ao Executivo a implementação de

“Os portadores de deficiência têm dificuldades na procura de trabalho porque a maioria das pessoas acha que este tipo de funcionários não consegue garantir o desempenho completo das suas funções.” LEI CHAN U DEPUTADO

medidas de divulgação capazes de “mudar os preconceitos relativamente a esta faixa da população com formas capazes de promover a igualdade”. Em resposta, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, prometeu dar instruções à Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais no sentido de promover uma maior compreensão desta faixa da população, bem como para dar mais formação técnica no sentido da integração laboral.

HORAS INAPROPRIADAS

Outra das questões levantadas pelos membros do hemiciclo, relativamente à proposta de lei,

tem que ver com as horas de trabalho previstas para que uma contratação seja abrangida pelos benefícios fiscais. Para os deputados, as 128 horas de trabalho mensais não são plausíveis, tendo em conta as limitações das pessoas portadoras de deficiência. Para Agnes Lam, trata-se de um horário mensal que não tem em conta as especificidades desta população que, muitas vezes, não pode trabalhar, por exemplo, duas horas seguidas. De modo a evitar este tipo de problema, a deputada sugeriu que o horário seja discutido em profundidade na análise em sede de comissão. Lionel Leong justificou a escolha do limite de tempo mensal com os estudos feitos tendo em conta a mesma situações em outras regiões. “Tivemos algumas legislações como referência para fixar as 128 horas mensais que correspondem a um pouco mais de quatro horas por dia”, referiu o secretário. No entanto, Lionel Leong admitiu ainda que se trata de um aspecto com especificidades, sendo que “nem todos têm a mesma deficiência e será um problema a que temos de atender”. Sofia Margarida Mota

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8.11.2017 quarta-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

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Faz-se saber que em relação ao concurso público para a execução da empreitada de “CONSTRUÇÃO DA PASSAGEM SUPERIOR PARA PEÕES JUNTO A FISHERMAN’S WHARF DAAVENIDA DAAMIZADE”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n° 43, II Série, de 25 de Outubro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2° do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Infra Estruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n°33, 16° andar, Macau. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 27 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços, Substo SHIN CHUNG LOW KAM HONG

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招標公告 Open Tender Notice “澳門國際機場工程項目監察及技術支援顧問服務 2018 (RFQ-242)” 之公開招標 “Supervision and Technical Support Service for Engineering Projects in Macau International Airport 2018 (RFQ-242)” 1. 招標實體: 澳門國際機場專營股份有限公司 Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 2. 招標方式: 公開招標 Tendering method: Open tendering 3. 目的: 選擇富有經驗的顧問團隊,對澳門國際機場2018年之工程項目進行監察及技術支 援顧問服務。 Objective: To seek for a fully experienced Consultant team to supervise and facilitate the projects in Macau International Airport for the year 2018. 4. 招標文件: 至截止投標日止,有意者可瀏覽CAM 官方網站 www.camacau.com 查閱招標 文件及相關資料。 有意參與投標人士應時常留意上述網站以獲取涉及招標文件並得 隨時公佈的最新附加資訊、說明或修改內容。 Release of tender documents: Tender Documents and other pertinent information are available on www.camacau.com until the deadline for submission of Bidders’ proposals. Please always check the website for additional information, clarification or modification of the Tender Documents that may be published from time to time. 5. 遞交投標書地點、截止日期及時間: 遞交投標書地點:澳門氹仔偉龍馬路機場專營公司辦公大樓四樓接待處 截止日期及時間:2017年11月29日中午12:00前 (澳門時間) 收件人必須註明為: 執行委員會主席 恕不接納規定日期及時間後所收到之投標書 Location and deadline for submission of Bidders’ proposals: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00 noon on 29 November 2017 (Macau Time) The addressee of the proposal shall be Chairman of the Executive Committee. The proposals received after the stipulated date and time will not be accepted. 6. 澳門國際機場專營股份有限公司保留不表明因由而全部或部份拒絕任何投標書之權利。 CAM reserves the right to reject any proposals in full or in part without stating any reasons. -完-END-


política 7

quarta-feira 8.11.2017

LINHAS DE ACÇÃO GOVERNATIVA PODER DO POVO PEDE AUMENTO DO CHEQUE PECUNIÁRIO

A

vice-presidente da associação, diz ter ouvido alguns residentes com rendimento mais baixos e na sequência dessa auscultação pede a Chui Sai On o aumento do cheque pecuniário de 9000 patacas para 10 mil.

O assunto de habitação pública consta também da carta da associação. Cheong Weng Fat lembra que aquando da abertura da candidatura à habitação económica em 2014 concorreram mais de 42 mil candidatos. Deste

universo, apenas perto de 1900 conseguiram uma casa. Cheong Weng Fat salienta que é necessário acelerar o processo da construção de fracções nos novos aterros de forma a responder às necessidades da população.

Para isso, no futuro documento das LAG, a Poder do Povo espera ver uma calendarização sobre o fim das obras dos projectos de habitação pública. Além disso, os dirigentes associativos estão

preocupados com o montante insuficiente da pensão para idosos que, segundo Cheong Weng Fat, mal chegam para sobreviver na região, ainda para mais não são ajustadas há mais de 16 meses. V.N.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Associação Poder do Povo apresentou ontem uma carta dirigida ao Chefe do Executivo com o objectivo de submeter sugestões para as próximas linhas de acção governativa (LAG). Cheong Weng Fat,

Chan assume as funções de presidente em dois casos: na Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau, desde Março de 2015, e na Associação de Antigos Alunos da Escola Pui Tou

RENDIMENTOS CHAN IEK LAP LIGADO A NOVE GRUPOS ASSOCIATIVOS

O médico das associações O deputado Chan Iel Lap está envolvido em nove associações, sendo presidente da Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau e da Associação de Antigos Alunos da Escola Pui Tou

O

deputado Chan Iek Lap está envolvido em nada menos do que nove associações diferentes. Os dados foram disponibilizados pelo próprio médico, na declaração de rendimentos exigida a deputados, entregue a 18 de Outubro. Entre os cargos que o ocupa, Chan assume as funções de presidente em dois casos: na Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de

Macau, desde Março de 2015, e na Associação de Antigos Alunos da Escola Pui Tou, desde Julho de 1999. O deputado, que foi eleito através do sufrágio indirecto, ocupa também, desde 2008, o cargo de vice-presidente da Associação dos Naturais de Pun Un de Macau. Chan é igualmente membro da Fundação Dr. Stanley Ho para o Desenvolvimento da Medicina e Consultor Médico na União Geral

das Associações dos Moradores de Macau, ou seja dos Kaifong. Ainda no que diz respeito a cargos em associações, o médico de 59 anos é supervisor geral da Associação de Antigos da Universidade de Jinan em Macau, membro da Associação Fraternal da Zona de Cantão de Macau, supervisor da Associação Choi In Tong Sam e Consultor da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar. Em relação ao património, Chan não declarou participações em empresas e declarou como imóveis a posse de uma casa em Macau, que também está em nome do cônjuge, e a posse de três lugares de estacionamento.

NG KUOK CHEONG DO ARRENDAMENTO

Por sua vez, Ng Kuok Cheong, que é deputado desde a década de

1992, declarou como património um fracção de condomínio com fins habitacionais e duas fracções para arrendamento. O membro da Assembleia Legislativa pró-democrata não tem na sua posse qualquer estacionamento. Ao nível da participação em associações sem fins lucrativos, Ng Kuok Cheong declara ser membro da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia, desde 1989. A partir do momento em que tomam posse como deputados, os legisladores tem 90 dias para apresentar as declarações de rendimentos. O primeiro a fazê-lo foi Sulu Sou, que entregou o documento logo a 19 de Outubro, ou seja três dias depois da tomada de posse. O documento preenchido pelo mais jovem deputado de sempre a

sentar-se no hemiciclo de Macau, com 26 anos, não declara qualquer posse a nível de imóveis ou participações em empresas. Por outro lado, o deputado declarou em Outubro que era vice-presidente da Associação Novo Macau, lugar em que já foi substituído por Wong Kin Long, e ainda secretário da Open Macau Society, desde 2014. Com a entrega de três declarações de rendimentos, ficam a faltar 30 deputados fazerem o mesmo. O prazo dos 90 dias definidos por lei após a tomada de posse do cargo termina por volta de meados de Janeiro do próximo ano. João Santos Filipe

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8 sociedade

8.11.2017 quarta-feira

IC Mais 13 bens imóveis para protecção patrimonial O presidente do Instituto Cultural, Leung Hio Ming, adiantou ontem, à margem de uma reunião do conselho do património cultural, que mais 13 bens imóveis serão incluídos na lista de património classificado, noticiou a Rádio Macau. O presidente não quis, no entanto, referir a localização dos imóveis. “Já temos a lista preparada. Quando houver condições, será anunciado. São 13. Não vou agora dizer quais são porque estão muito interesses envol-

K

Comércio Número de trabalhadores do retalho a subir

De acordo com os dados dos Serviços de Estatística e Censos, ao longo do ano passado estavam em actividade 14.465 estabelecimentos do comércio por grosso e a retalho, arrendatários nos mercados municipais e vendedores de rua com lugar fixo. Ou seja, mais 460, face a 2015. O número de trabalhadores foi de 68.292, um crescimento de 6,7 por cento, em termos anuais, dos quais 82,1 por cento eram trabalhadores remunerados. As receitas cifraram-se em 110,91 mil milhões de patacas no ano de referência, mais 1,8 por cento. As despesas situaram-se em 100,95 mil milhões de patacas, tendo aumentado 1,4 por cento, devido aumento dos custos com pessoal e às despesas de exploração.

GLOBAL MEDIA KEVIN HO QUER INTERNACIONALIZAR GRUPO PORTUGUÊS

Olhos no mundo

Demorou, mas foi. Está finalizada a entrada da KNJ, do sobrinho de Edmund Ho, no capital social da Global Media, empresa portuguesa que detém jornais e uma estação de rádio. Kevin Ho quer internacionalizar os títulos e diz que os receios que existem em Portugal, face ao negócio, são “hiper-sensibilidades” HOJE MACAU

EVIN Ho quer ajudar a Global Media a crescer. A ideia é dada pelo responsável da KNJ, Kevin Ho, ao HM. A empresa de investimento local assinou ontem o contrato com o grupo português, e vai proceder à injecção de 15 milhões de euros (mais de 139 milhões de patacas) na empresa que detém meios de comunicação social como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e ou a TSF. Kevin Ho passa assim a ter uma participação de 30 por cento no grupo português. “É uma companhia que já mostrou, ao longo dos anos, que tem bons produtos”, começa por dizer o responsável da KNJ. A ideia é, agora, apostar, com todo um plano de inovação, na internacionalização da Global Media. O objectivo é contrariar os resultados financeiros negativos que a empresa tem vindo a acumular e que estão na origem das restruturações recentes que implicaram, entre outras medidas, o despedimento de pessoal. A participação da KNJ na Global Media está assinada, mas ainda há muito a fazer. “Isto é apenas o início e ainda é cedo para dizer quando é que vamos crescer mas acho, que dado o passado do grupo, podemos, devagar, implementar novas estratégias e planos de modo a iniciar o processo de crescimento”, sendo que, salienta, a KNJ vai fazer parte deste processo. As fragilidades financeiras do grupo de media português não assustaram Kevin Ho. “Nos últimos anos, os maus resultados financeiros não se resumem apenas à Global Media mas a toda a indústria do sector em Portugal, que tem estado num processo de reconstrução”, afirma. Por outro lado, e dadas as circunstâncias, a escolha do investimento da KNJ “tem que ver com o facto de ser uma oportunidade de ajudar a reconstruir a estrutura global da empresa”. No entanto, o processo vai acontecer sem que sejam mudadas as bases da Global Media, garante Kevin Ho. “Não vamos mudar as fortes fundações que a Global media já tem, só queremos ajudar a que, com o peso que já tem, possa ser ainda maior. Queremos que as marcas a ela

vidos”, justificou Leung Hio Ming. Os estaleiros de Lai Chi Vun, em Coloane, não serão incluídos nesta lista de património a proteger e serão tratados em separado. Além disso, o IC irá iniciar um processo de consulta pública no próximo ano sobre esta lista. À margem desta reunião, foi ainda anunciado que serão restauradas as estátuas das Ruínas de São Paulo, existindo também um plano para a renovação das muralhas da Fortaleza do Monte.

associadas tenham vitalidade e um forte potencial outra vez”, diz ao HM.

INVESTIMENTOS MAIORES

Os países de língua portuguesa são a aposta da KNJ na Global Media. “Estamos a olhar para os países de expressão portuguesa porque ainda não existe nenhuma empresa de media a fazer isso até à data, e queremos desenvolver essa área”, aponta o responsável. Para Kevin Ho, países de língua portuguesa como o Brasil, Angola e Moçambique e claro a região

de Macau, já estão a trabalhar no sentido de não se resumirem ao próprio país. “O mesmo se pode passar com a Global Media que

“Não existiram obstáculos. É sempre preciso muito tempo para conseguir aquilo que realmente queremos.” KEVIN HO RESPONSÁVEL DA KNJ

penso tem de evoluir rumo a um nível internacional”, refere. Mas Portugal é, para já, o alvo a considerar principalmente como destino de conteúdos referentes ao território. “Ao ser uma empresa de Macau a investir numa companhia portuguesa, esperamos, claro, afirmar o território com mais evidência em Portugal”. Actualmente o semanário Plataforma Macau já é distribuído semanalmente com o DN.

CUSTOU, MAS FOI

Há meses que se fala na assinatura deste contrato entre Global

Media e KNJ. A demora, contido, parece não ter sido consequência de obstáculos no acordo entre as partes. Kevin Ho esclarece: “Não existiram obstáculos. É sempre preciso muito tempo para conseguir aquilo que realmente queremos e no que respeita à KNJ, há uma série de coisas que pretendemos fazer no futuro e levou algum tempo a conseguir colocar tudo junto num projecto e chegar a um acordo”. Em resposta às vozes que se manifestaram reticentes ao investimento chinês numa empresa de media local, Kevin Ho considera que são passam de “hiper-sensibilidades”. “Somos apenas uma empresa de investimento que está a investir numa outra ligada aos media e o que queremos fazer, como sempre, é procurar e conseguir bons investimentos em qualquer área e em qualquer lugar”, esclarece. Por outro lado, trata-se de uma aliança óbvia para o empresário, sobrinho do ex-Chefe do Executivo Edmund Ho. “Este investimento faz todo o sentido até por ser em Portugal com quem Macau tem tido uma boa relação ao longo dos anos, considera. Para que não restem dúvidas: “Para nós não tem nada que ver com a China ou com investimento chinês ou com o povo chinês. As pessoas têm sempre reticencias quando se trata num investimento na área dos media principalmente se for chinês, mas para nós é apenas um investimento”, sublinha Kevin Ho. Em declarações à Rádio Macau, Paulo Rêgo, director do semanário Plataforma e mediador do negócio, explicou que, desde o início, a estratégia era que não existisse qualquer accionista maioritário na Global Media. “Já era assim antes e vai continuar. Não há um accionista maioritário e a estratégia é de participação. Mas, claro, há um accionista, até por ser novo e ter entrado com capital e uma nova estratégia de modernização, que não manda, mas que é muito influente. Falo do Kevin Ho.” Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 9

quarta-feira 8.11.2017

Segunda vida

Novo Banco Ásia passa a chamar-se Banco Well Link

E

S T Á concluído o processo de venda do Novo Banco Ásia, entidade que restou depois da queda do Banco Espírito Santo em Portugal e consequente mudança de nome para Novo Banco. O Grupo Well Link investiu 183 milhões de euros na compra de 75 por cento do Novo Banco Ásia, o que levou à adopção do nome Banco Well Link. Zhang Shengman, nascido em Xangai, é o novo presidente do conselho de administração, sendo que o economista José Morgado continua a fazer parte da comissão executiva. Segundo a Rádio Macau, o Banco Well Link quer abrir balcões em Macau, apesar de ainda estar a analisar o mercado. “Temos de ver qual a velocidade da nossa expansão, porque tem de ser consistente com a procura, mas também com análise dos custos/ benefícios”, afirma.

PASSO A PASSO

Zhang Shengman acrescentou que a estabilização da instituição bancária é um dos principais objectivos, além da intenção de ser uma ponte para os países de língua portuguesa e China. “Temos sede em Macau e é em Macau que começa a nossa oferta de serviços. Reconhecemos que Macau é pequeno e que é uma ponte para os países de língua portuguesa. Queremos operar daqui, mas fazer ligações com a Grande Baía, e esperamos que com a China e o resto do mundo. Mas não quero induzir em erro – não vamos para já apostar no mundo inteiro. Vamos começar por Macau e pelo que existe aqui e depois pensar na expansão para lá de Macau”, acrescentou. Em comunicado, o banco assume ainda querer “providenciar aos clientes serviços mais modernos”, “trazer novos conceitos de banca inteligente ao sector bancário de Macau e providenciar aos clientes serviços financeiros de qualidade”. O Novo Banco em Portugal continua a deter 25 por cento do Banco Well Link. Após a compra dos 75 por cento de acções, estas foram distribuídas pela família Ma, que passa a deter 15 por cento, e pelo Grupo KingKey de Shenzhen, que tem também 15 por cento. O próprio Zhang Shengman detém dez por cento das acções, sendo que as restantes estão distribuídas por outros investidores. O Banco Well Link detém um capital social de 200 milhões de patacas, valores que devem aumentar nos próximos anos. Segundo a Rádio Macau, prevê-se que, nessa altura, o Novo Banco, em Portugal, reduza a sua posição accionista.

ÁGUA AUTONOMIA DE ABASTECIMENTO PASSA PARA 12 HORAS

Abram as torneiras

A passagem do Tufão Hato colocou a nu as fragilidades do abastecimento de água em Macau e agora a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau está a trabalhar para preparar uma resposta mais eficaz em caso de desastres naturais

O

território vai passar a ter uma autonomia de 12 horas no abastecimento de água, quando ocorrerem desastres naturais que danifiquem a rede. Actualmente a autonomia é de quatro horas, mas a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) está a proceder a um estudo para expandir as instalações. O documento, que deve ficar pronto no próximo ano, vai depois ter de ser aprovado pela Direcção de Serviços dos Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O andamento dos trabalhos foi explicado, ontem, por Nacky Kuan, directora-executiva da SAAM, à margem de um seminário organizado pela empresa sobre “abastecimento de água e plano de contingência durante catástrofes naturais”. “Queremos aumentar a autonomia dos serviços de água de quatro para 12 horas. Consideramos que 12 horas são suficientes para termos tempo de fazer as reparações necessárias e implementar o sistema de resposta em casos de emergências”, afirmou Nacky Kuan. Quando o tufão Hato passou por Macau, houve zonas do ter-

ritório que estiveram mais de 12 horas sem terem fornecimento de água. No entanto, a directora-executiva da SAAM frisou que os atrasos na reposição do abastecimento de água se ficaram a dever às dificuldades de acesso às instalações da empresa, que ficaram inundadas. “A autonomia de 12 horas tem como referência a legislação de países da União Europeia, como o Reino Unido. Os problemas e atrasos na reposição do serviço durante o tufão Hato não tiveram a ver com as obras de reparação da rede”, apontou. “Os principais problemas foram o transporte dos técnicos para a estação de abastecimento da Ilha Verde. Foi um processo que demorou cerca de quatro horas. Depois a estação estava inundada, tivemos de pedir ajuda aos bombeiros para resolver essa questão, porque não tínhamos electricidade para fazer com que

as nossas bombas removessem a água da estação”, acrescentou. Nacky Kuan afirmou também que a empresa já implementou medidas para resolver esses problemas e aumentou a capacidades dos geradores para bombear águas. “Instalámos comportas nas nossas estações para prevenir as cheias. Claro que se a subida da maré for muito muito elevada ainda podem ocorrer inundações, mas se a altura for 1,5 metros, estamos bem preparados. Foram medidas temporárias que agora estamos a reforçar para serem permanentes”, clarificou.

DSAMA À ESPERA

No evento esteve também presente o vice-director da DSAMA, Chou Chi Tak. O responsável explicou que o Governo está neste momento a aguardar pela proposta da SAAM sobre as medidas a adoptar para aumentar a capacidade.

O vice-director da DSAMA considerou haver uma boa base com o mecanismo utilizado durante o tufão Hato, quando Zhuhai enviou camiões cisterna para abastecimento de águas nas zonas afectadas

“A autonomia vai ser aumentada com a instalação de tanques elevados, por isso precisamos de esperar que a SAAM façam um estudo sobre todas as instalações do fornecimento de água e sugestão de futuras localizações para os tanques. Podem optar por construir os tanques novos ou expandir os actuais”, disse Chou Chi Tak. “Nesta altura temos dois tanques: um fica situado na Colina da Guia o outro na Colina da Taipa Grande. Só temos essas duas localizações e vamos ter de aguardar pela proposta da SAAM”, explicou sobre uma eventual abertura para instalar os tanques em áreas verdes, como Coloane. Chou Chi Tak sublinhou também que na preparação do mecanismo de resposta a situações de catástrofes, que o Governo está a trabalhar para alargar o âmbito da cooperação com as autoridades do Interior da China. Este é um trabalho que deve demorar tempo, mas Chou considerou haver uma boa base com o mecanismo utilizado durante o tufão Hato, quando Zhuhai enviou camiões cisterna para abastecimento de águas nas zonas afectadas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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8.11.2017 quarta-feira

PESSANHA DOIS DIAS DE COLÓQUIO

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Instituto Politécnico de Macau promove, nos próximos dias 13 e 14 de Novembro, um colóquio sobre o nascimento do poeta português Camilo Pessanha, considerado o poeta “mais chinês de todos os poetas portugueses”. O colóquio inclui dez comunicações científicas, da responsabilidade de docentes de várias instituições de Macau, como o IPM, Universidade de Macau ou Universidade de São José. O evento terá ainda a participação de quatro convidados vindos de Portugal: Maria Antónia Jardim, Celina Veiga de Oliveira, Isabel Duarte e José Carlos Seabra. O primeiro dia conta com a palestra de Carlos André, director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, que vai falar sobre as “Contradições e o sentimento de ausência em Camilo Pesanha”. Segue-se a apresentação de Sara Augusto, académica do IPM, cuja palestra vai incidir sobre a temática “Espelho Inútil: a missão impossível de Clepsidra”. Já Maria Antónia Jardim introduz o tema “Camilo Pessanha – Um Educador”. O IPM espera, com esta iniciativa, “trazer novos contributos para o estudo da obra do autor de Clepsidra e, se possível, suscitar novas interrogações e abrir novos rumos”. A entrada é livre.

Um século em f EXPOSIÇÃO “MACAU, CEM ANOS DE FOTOGRAFIA” INAUGURA AMANHÃ NO MUSEU DO ORIENTE

É inaugurada amanhã a exposição “Macau, Cem Anos de Fotografia”, no Museu do Oriente, em Lisboa. A mostra documental, reunida por Rogério Beltrão Coelho, demonstra a evolução da cidade, assim como alguns dos mais marcantes episódios da história de Macau

U

M século de Macau através de 220 fotografias carregadas de história. Este é o somatório do acervo fotográfico recolhido por Rogério Beltrão Coelho e que se materializa

na exposição “Macau, Cem Anos de Fotografia”. A mostra estará patente no Museu do Oriente, em Lisboa, a partir de amanhã até 7 de Janeiro. As imagens retratam uma Macau praticamente irreconhecível, uma vez que do traço

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MUDANÇAS • Mo Yan

Em Mudanças, Mo Yan descreve, na primeira pessoa, as alterações políticas e sociais no seu país ao longo das últimas décadas, num romance disfarçado de autobiografia, ou vice-versa. Ao contrário da maioria dos escritos históricos sobre a China, que se limitam a narrar acontecimentos políticos, Mudanças conta a história do povo, numa perspectiva mais intimista de um país em transformação. Avançando e recuando no tempo, Mo Yan dá vida à História, descrevendo com acutilância e muito humor os efeitos dos acontecimentos do dia-a-dia na vida do cidadão comum. “A haver um Kafka na China, talvez ele seja Mo Yan. Tal como Kafka, Mo Yan possui a capacidade de analisar a sua sociedade através de uma multiplicidade de lentes, criando transformações fantasistas ao jeito da Metamorfose ou evocando a burocracia entorpecedora e a crueldade despreocupada dos governos modernos.” - Publishers Weekly

arquitectónico original pouco sobra, sendo notório no espólio apresentado as sucessivas mutações que a cidade teve ao longo das décadas. Porém, os costumes e tradições ainda mantêm alguma ligação com um passado mais recente.

Ao longo da exposição estão registado momentos marcantes e tão díspares como o IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia (1898), a Exposição Feira de 1926, a viagem aérea do Pátria (1924) e do aviador Humberto Cruz (1931) e o aparecimento da Aviação Naval em Macau. Estão igualmente retratados os efeitos dos tufões (com particular destaque para o de 1874), o início das carreiras dos hidroaviões da Pan American, assim como diversas festas sociais, costumes e tradições característicos do

território e a presença institucional portuguesa de Macau em cerimónias relevantes da comunidade chinesa.

LENTE COM HISTÓRIA

O trabalho de pesquisa e recolha de Beltrão Coelho

Um século de Macau fotografias carregada proposta da reunião d recolhido por Rogério se materializa na expo Anos de Fotografia”

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA • Haruki Murakami

A obra-prima do maior escritor de culto da actualidade. Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida. Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendentes como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar. «Murakami é um forjador de mitos para o milénio, dono de uma sábia pretensão.» - New York Times Book Review


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quarta-feira 8.11.2017

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Inhame-selvagem Nome botânico: Dioscorea villosa L. e outras espécies Família: Dioscoreaceae. Nomes populares: INHAME; INHAME-BRAVO; INHAMEMEXICANO; WILD YAM.

fotos esbarrou na dificuldade da dispersão da obra fotográfica que se encontra espalhada pelo mundo, principalmente no que toca à fotografia amadora. Além dos espólios de museus e instituições nacionais internacionais, parte

através de 220 as de história. Esta é a de acervo fotográfico o Beltrão Coelho e que osição “Macau, Cem

substancial da imagética de Macau estará, seguramente, em colecções particulares. Nesta exposição, parte considerável das fotografias são mesmo provenientes do acervo do Museu do Oriente, mas também do Arquivo Histórico Ultramarino, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, da Sociedade de Geografia e do Centro de Documentação do Centro Científico e Cultural de Macau. No que diz respeito aos fotógrafos, um dos profissionais chineses de maior relevo em Macau foi Man Fok, que já fotografava nos anos 70

IC Lançada plataforma com informação sobre património cultural de Macau

O presidente do Instituto Cultural (IC), Leung Hio Ming, anunciou à margem da reunião do Conselho do Património Cultural, a criação de uma plataforma para informar o público sobre o espólio patrimonial e cultural de Macau. Na lista vão estar incluídos 137 bens imóveis classificados e mais de 600 edifícios espalhados pela cidade. O objectivo é proporcionar aos residentes uma ferramenta para a denúncia de danos junto dos serviços do IC para que sejam destacados funcionários que acompanhem a situação. A monitorização por parte dos cidadãos deverá conduzir a inspecções e trabalhos de restauro, caso sejam necessários, e pretendem também envolver a população na preservação do património de Macau.

do século XIX. Entre os portugueses, destaque para José Catela, que retratou a cidade entre as décadas de 1920 e 1940. Lee Yuk Tin foi um fotógrafo com uma das carreiras profissionais mais activas de Macau, sendo um marco incontornável da fotografia do século XX da cidade. O mestre faleceu recentemente no passado dia 29 de Junho com 99 anos. Além dos profissionais, a fotografia de Macau também teve muito contributo de amadores que viram na cidade detalhes dignos de ficarem eternizados fotograficamente. Durante a exposição será exibido ainda o curto documentário, com pouco mais de 6 minutos, “Macau: Cidade Progressiva e Monumental”, realizado por Antunes Amor. João Luz e Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

Trepadeira indígena da América do Norte e América Central, o Inhame-selvagem habita em locais arborizados, soalheiros e húmidos, sendo actualmente muito cultivado em várias regiões de clima tropical, subtropical e temperado. Apresenta folhas caducas em forma de coração, flores verdes muito pequeninas e pode alcançar 6 metros de altura. Enquanto planta medicinal, o Inhame-selvagem foi usado pelos Maias e Astecas, possivelmente para aliviar dores. Designado na América Central por raiz para aliviar cólicas e raiz anti-reumatismo, terá sido empregue pelos primeiros colonos europeus no tratamento destas afecções. Nas tradições ameríndias era ainda utilizado nas dores dos ovários, para evitar um aborto espontâneo no final da gravidez e aliviar as dores de parto. Em 1936, foi identificado um composto semelhante aos esteróides, a diosgenina, o que esteve na origem da criação da primeira pílula contraceptiva. Actualmente, o Inhame-selvagem é a fonte vegetal da diosgenina usada industrialmente na hemi-síntese de várias hormonas esteróides. Em fitoterapia são usados as raízes e os rizomas. Composição Saponósidos esteróides (diosgenina), fitosteróis (beta-sitosterol), taninos e alcalóides (dioscorina); glúcidos (amido), proteínas, sais minerais, vitamina C e betacaroteno. Sabor primeiro insípido, depois acre. Acção terapêutica Apesar da semelhança entre as estruturas moleculares dos saponósidos esteróides do Inhame-selvagem e várias hormonas esteróides humanas, alguns autores referem não ser o corpo capaz de fazer esta conversão (feita apenas laboratorialmente). Porém, outros autores atribuem-lhe uma acção reguladora hormonal, admitindo ser esta planta um precursor no organismo das hormonas sexuais femininas. Neste sentido, é uma das plantas recomendadas para aliviar os sintomas da menopausa e combater a osteoporose; é ainda usada para atenuar os sintomas da síndrome pré-menstrual e as dores menstruais. É igualmente usada na

frigidez, impotência e espermatorreia. Planta amarga, o Inhame-selvagem é anti-inflamatório, antiespasmódico, suaviza as mucosas digestivas protegendo contra as úlceras, aumenta a excreção de bílis para o duodeno melhorando a digestão, e protege o fígado; é indicado para as digestões difíceis, cólicas intestinais e da vesícula biliar, inflamação da vesícula, gastrite, enterite, síndrome do cólon irritável e diverticulite. Tem também actividade antioxidante e diminui os níveis elevados de colesterol e açúcar no sangue. Usado nas afecções reumáticas (artrite, artrite reumatóide), dores musculares e cãibras, esta erva desinflama os tecidos, reduz a dor e relaxa os músculos tensos. Outras propriedades Com propriedades antienvelhecimento em vários órgãos, o Inhame-selvagem é um regenerador da pele e estimula a produção de colagénio aumentando a firmeza dos tecidos. No emagrecimento, além de combater a flacidez, é diurética e ligeiramente sudorífica, favorecendo a eliminação das toxinas. Como tomar • Uso interno: Decocção: 10 gramas para meio litro de água. Ferver até reduzir a 300 ml. Tomar 2 chávenas por dia, às refeições. A raiz é comestível, sendo usada em vários pratos tradicionais. Em ampolas, xarope, tintura, cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para as perturbações hormonais da mulher (menopausa, SPM, dores menstruais, irregularidade dos ciclos), osteoporose, andropausa e prevenção da hipertrofia da próstata, inflamação e úlcera do estômago e intestinos, e dores articulares e musculares. • Uso externo: Em creme, para as perturbações hormonais da mulher e dores articulares e musculares; também como antienvelhecimento. Precauções O Inhame-selvagem está contra-indicado durante a gravidez. Não estão registados efeitos adversos quando tomado nas dosagens terapêuticas. Porém, em doses excessivas pode originar perturbações gastrintestinais. Pode reduzir o efeito da indometacina e aumentar o efeito estrogénico quando administrado em concomitância com fármacos contendo estrogénio. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


12 china

8.11.2017 quarta-feira

HONG KONG LÍDERES DO OCCUPY AUTORIZADOS A RECORRER DE PENAS DE PRISÃO

Último recurso

O Ciclismo Agressões na Volta a Hainan levam a expulsão de equipa O ciclista Wang Xin, bem como toda a equipa chinesa Keyi Look, foi excluído da Volta a Hainan, depois de ter agredido membros de uma equipa suíça, o que levou à intervenção da polícia. A organização da prova, que decorre no sul da China, junto à fronteira do Vietname, indicou que o ciclista, bem como a equipa a que pertence, não voltarão a ser convidados para a competição. Um vídeo publicado online mostra um ciclista suíço a ser atirado ao chão e depois pontapeado, e, posteriormente, o agressor a dirigir-se a um carro de apoio,

do qual recolhe uma bomba de ar, com a aparente ideia de a utilizar como arma. Os incidentes ocorreram no final da sétima etapa, entre as cidades de Sanya e Wuzhishan. A Federação chinesa de ciclismo já disse ter aberto um inquérito ao sucedido e que não tolerará “atitudes não civilizadas e comportamentos violentos”, mas ressalva que os acontecimentos foram desencadeados por um toque do suíço no corredor chinês. “Não lhe tocámos, podem ver o vídeo da corrida”, defendeu o antigo ciclista Danilo Hondo, ‘manager’ da equipa suíça. PUB

HM • 2ª VEZ • 8-11-17

ANÚNCIO Execução Por Indemnizações n.º

LB1-16-0071-LCT-A

Juízo Laboral

Exequente : Ministério Público da RAEM. Executada : CALI PROMOÇÃO DE JOGOS – SOCIEDADE LIMITADA, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o nº 39399 SO, com sede em 澳門羅理基博士大馬路 600E 號第一國際商業中心 12 樓 05 室. *** FAZ-SE SABER, que no dia 30 de Novembro de 2017, pelas 16:30, no local de Arrematação deste Tribunal e no processo acima indicado, se procederá à venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte bem penhorado: Automóvel Ligeiro Veículo automóvel de matrícula MM-13-56, marca TOYOTA, modelo VELLFIRE 3.5 Z-G 2 WD A/T. Valor base da venda: MOP210,000 (DUZENTAS E DEZ MIL PATACAS). *** São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar à Secção Central deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 29 de Novembro de 2017, pelas 17:45 horas, e o preço das propostas devem ser superior ao valor acima indicado devendo o envelope da proposta, conter, a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO LB1-16-0071-LCT-A”. No dia da abertura das propostas, podendo os proponentes assistir ao acto. Para proteger os seus interesses, antes da proposta, pode dirigir-se ao depositário para examinar o bem. É fiel depositário SR. VICTOR MANUEL AMADA UNG (Secretário JudicialAdjunto, subst.o do Serviço do Ministério Público junto do Tribunal Judicial de Base , Número de telefone de contato: 89887121), que está obrigado, durante o prazo do Edital e Anúncio, a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. Quaisquer titulares do direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma for aceite, nos termos do art. 787º do C.P.C.. Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., aos 24 de Outubro de 2017. ***

mais alto tribunal de Hong Kong deu ontem luz verde aos líderes estudantis pró-democracia Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow para recorrerem das sentenças de prisão pelo protesto que desencadeou a ocupação das ruas em 2014. O Tribunal de Última Instância (TUI) aprovou ontem os pedidos de recurso numa sessão que demorou cerca de meia hora. A audiência do recurso foi ontem agendada para 16 de Janeiro de 2018, segundo os media de Hong Kong. EmAgosto, Joshua Wong (21 anos) foi condenado a seis meses de prisão, Nathan Law (24 anos) a oito meses de prisão, e Alex Chow (27 anos) a sete meses, na sequência de um recurso do secretário para a Justiça. Wong e Law foram libertados sob fiança no mês passado, depois de terem cumprido dois meses de prisão. Na sessão de ontem, o tribunal estendeu a liberdade sob fiança Wong e Law e concedeu fiança a Chow, que não tinha ainda feito o pedido. Esta é a última oportunidade dos três jovens activistas de recorrerem das penas de prisão a que foram condenados em Agosto, na sequência do pedido pelo governo da revisão das sentenças concedidas em 2015, que não incluíam então termos de prisão efectiva.

PARA A HISTÓRIA

O caso dos três activistas remonta a uma assembleia considerada ilegal em 26 de

Setembro de 2014, quando os manifestantes escalaram barreiras metálicas e entraram na Praça Cívica, nas imediações da sede do Governo e Conselho Legislativo. Esse protesto em prol da democracia e do sufrágio universal esteve na origem da ocupação de várias zonas de Hong Hong durante 79 dias até meados de Dezembro de 2014. Os advogados dos três líderes estudantis vão apre-

Esta é a última oportunidade dos três jovens activistas de recorrerem das penas de prisão a que foram condenados em Agosto

sentar os argumentos pelos quais consideram que as sentenças de prisão são inapropriadas. Caso percam os recursos, os jovens activistas terão de cumprir o restante tempo das penas de prisão a que foram condenados em Agosto.

ROSTO DA FÉ

Joshua Wong disse numa entrevista na semana passada à Associated Press que havia boas hipóteses de voltar para a prisão, fosse pelo caso do protesto na Praça Cívica ou pelo julgamento de outro caso em que também está envolvido. “Haverá mais ocasiões no futuro em que grupos de jovens vão para a prisão, mas vamos continuar a manter a fé e trabalhar em conjunto para lutar pela democracia”, disse Wong nessa entrevista. Joshua Wong ficou conhecido como o rosto dos

protestos pró-democracia há três anos contra a decisão de Pequim para restringir as eleições para o líder do governo de Hong Kong. Então ainda adolescente, Joshua Wong é a personagem principal de um documentário da Netflix que pode entrar na corrida aos Óscares. As prisões efectivas dos jovens activistas fizeram disparar as preocupações sobre a independência do sistema judiciário da cidade. Ao abrigo do princípio “Um país, dois sistemas”, Pequim prometeu deixar Hong Kong manter o elevado grau de autonomia e liberdades após a transição da soberania britânica para a chinesa em 1997. Parte da população que está descontente com a alegada interferência de Pequim nos assuntos da cidade acusa os líderes chineses de violarem a sua promessa.

LIVRO SEGUNDA PARTE DE “XI JINPING: A GOVERNANÇA DA CHINA”

A

segunda parte do livro do Presidente chinês, “Xi Jinping: a governança da China”, foi ontem publicada em chinês e inglês, informou a agência oficial Xinhua, depois de o primeiro volume ter vendido 6,42 milhões de cópias. O livro compila dezenas de fotos do líder chinês, 99 discursos, conversas, instruções e cartas, que “reflectem o desenvolvimento e os princípios do pensamento” de Xi, explica um comunicado da editora da Foreign Languages Press.

A obra descreve ainda as orientações do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC), com Xi no seu núcleo, “para unir e guiar os chineses na manutenção e desenvolvimento do socialismo com características chinesas numa nova era”, acrescenta a mesma nota. Durante o XIX Congresso do PCC, que se celebrou em Outubro passado, a teoria de Xi foi incluída na Constituição do partido, o que eleva o estatuto do Presidente chi-

nês ao nível dos líderes históricos comunistas Mao Zedong e Deng Xiaoping. “Também se espera que o novo volume ajude a comunidade internacional a compreender melhor a trajectória, o conceito e o modelo de desenvolvimento da China”, aponta a editora. Publicada em Setembro de 2014, a primeira parte do livro vendeu 6,42 milhões de cópias, em mais de 160 países, e foi traduzida para 21 idiomas.


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Santo Deus, que entroncamento esta vida! na ordem do dia Julie O’yang

热风

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Casamento e divórcio durante a Revolução Cultural

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RANSCREVO em baixo, na integra, uma decisão sobre um divórcio de 1968. O Tribunal elencou os motivos da recusa do divórcio, que na época eram considerados justos e adequados. O veredicto abria a Suprema Decisão com a citação de alguém que era, nem mais nem menos, do que o próprio Presidente Mao: *** Suprema Decisão Combatei o egoísmo e o egocentrismo, bem como o Revisionismo! O vencedor da luta ideológica entre o proletariado e a burguesia é, por enquanto, desconhecido. Devemos continuar a resistir aos pensamentos burguês e pequeno-burguês. Se não compreendermos esta realidade e desistirmos da constante luta ideológica, cairemos no erro e na incorrecção. Supremo Tribunal Cível do Povo de Pequim Reg. No. XXX Proponente: Shi Dehong, sexo masculino, 38 anos, quadro do Secretariado da West Mining, Pequim Citado: Pan Xiulan, sexo feminino, 35 anos, quadro do comité do partido na prefeitura de Xianning Província de Hubei. Caso: divórcio Shi Dehong e Pan Xiu-lan casaram-se em 1952. Tinham uma relação normal e dois filhos: uma rapariga, Xiaoling, de 14 anos e um rapaz Xiaoxia, de 7. Recentemente, Pan Xiulan começou a ver o mundo com outros olhos e permitiu que a ideologia burguesa sobre casamento e família a dominasse. Por causa disso, em 1964, Pan Xiulan apelou para o Tribunal Popular de Mentougou, Distrito de Pequim, e interpôs um processo de divórcio contra o marido, alegando que o casamento tinha sido arranjado e que não se amavam um ao outro. Em Junho de 1965, o Tribunal Popular do Distrito de Mentougou declarou o divórcio por comum acordo (Reg. No. XXX). Shi Dehong recusou-se a aceitar o veredicto. Em Novembro de 1967, O Tribunal Popular Intermédio de Pequim manteve a decisão de divórcio de comum acordo (Reg. No XXX). Shi Dehong, insatisfeito com o resultado, continuou a lutar por uma reconciliação. Na sequência da sua luta apelou para o nosso Tribunal. O Tribunal apurou que Pan Xiulan e Shi Dehong se conheciam e trocaram pre-

Certidão de casamento de 1971. À esquerda pode ler-se: O Partido Comunista Chinês é a nossa força motriz. O quadro teórico que nos guia é o Marxismo-Leninismo.

sentes antes do casamento, o que prova que tinham um relacionamento de livre vontade. O casamento não foi “arranjado”. O alegado “casamento arranjado” não é factual. Quanto à alegação “os esposos não se amavam um ao outro”, ela é única e exclusivamente derivada da contaminação de Pan Xiulan por ideais burgueses. Estamos perante um caso em que, no seio de um casamento e de uma família socialistas, se travou uma luta feroz entre a burguesia e o proletariado. A ideologia burguesa deve ser criticada e combatida a todos os níveis. Nunca podemos permitir que se espalhe livremente e que mine a prática do casamento e da família socia-

listas. Desde que Pan Xiulan tome como princípio orientador o “Combate ao egoísmo, ao egocentrismo, bem como ao Revisionismo!”, recorrendo ao pensamento do grande Mao Tsé Tung para criticar, assim como ultrapassar as ideias e os comportamentos burgueses respeitantes à família, o casamento poderá ser salvo e aperfeiçoado. O Presidente Mao disse: “Ainda teremos de lutar por muito tempo contra a burguesia e a pequena-burguesia. Todas as ideias erradas, todas as ervas daninhas e todos os monstros terão de ser criticados, e nunca devemos permitir que andam à solta e proliferem.” Ao lidar com confli-

Ao lidar com conflitos familiares e matrimoniais, o tribunal do Povo deve estabelecer a diferença entre o certo e o errado, baseado na teoria da luta de classes e no método de análise de classe e, ser sempre resolutamente crítico e resistente à ideologia burguesa

tos familiares e matrimoniais, o tribunal do Povo deve estabelecer a diferença entre o certo e o errado, baseado na teoria da luta de classes e no método de análise de classe e, ser sempre resolutamente crítico e resistente à ideologia burguesa. A decisão do Tribunal Popular de Pequim, Distrito de Mentougou, revela que a luta de classes entre as duas ideologias foi ignorada e demonstra ser um sub-produto da simpatia burguesa de Khrushchov pelos “sentimentos”. O Tribunal Popular Intermédio falhou por não ter condenado esta visão reaccionária de casamento, e por não ter corrigido o erro. Ambos os veredictos estão errados e devem ser anulados. Em conformidade, o nosso Tribunal delibera o seguinte: 1. O Tribunal anula o (Reg. No. XXX) do Tribunal Intermédio de Pequim e o (Reg. No XXX) do Tribunal Popular de Pequim, Distrito de Mentougou. 2. Este Tribunal indefere o divórcio entre Pan Xiulan e Shi Dehong.                               28 de Junho, 1968


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A Poesia Completa de Li He

三月 東方風來滿眼春,花城柳暗愁殺人。  複宮深殿竹風起,新翠舞衿淨如水。  光風轉蕙百余裡,暖霧驅雲撲天地。  軍裝宮妓掃蛾淺,搖搖錦旗夾城暖。  曲水漂香去不歸,梨花落盡成秋苑。

Terceira Lua Do Leste sopra um vento, Enchendo de primavera nossos olhos, Na cidade das flores escurecem salgueiros, Partindo nossos corações. Nos fundos átrios dos andares do palácio Treme uma brisa de bambu, Dançamos de colarinhos novos verde-esmeralda, Translúcidos como água. Um vento ensolarado dobra o trevo-amarelo Por mais de cem léguas,1 Uma névoa morna atiça as nuvens, Acariciando o céu e a terra. Adornadas tais dragões, meninas-de-palácio Penteiam meticulosamente as sobrancelhas,2 Estandartes bordados se agitam Ao longo da quente estrada murada.3 O perfume no vento levado se evola Pela Serpentina,4 Flores de pessegueiro juncadas por toda a parte Trazem outono ao parque.5

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Um vento que sopra quando o sol aparece depois da chuva. “Penteiam as sobrancelhas à moda, juntos aos olhos.” Uma estrada murada que ia desde os apartamentos das mulheres no palácio até à Serpentina. A Serpentina era um lago em meandros no parque do palácio. Para as meninas do palácio que ficavam para trás, a primavera era tão melancólica quanto o outono; as flores de pessegueiro caídas são como folhas fenecidas.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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Diário de um editor João Paulo Cotrim

Musas sem metafísica HORTA SECA, LISBOA, 27 OUTUBRO Um indivíduo chega exaurido, ainda que ao começo dos dias, cada manhã travestida de etapa intermédia na escalada dos himalaias. Desconsigo responder às solicitações, que logo florescem até ganhar as maduras cores da urgência. E depois vai chegando esta sazão das datas redondas, com amigo atrás de amigo a propor-se apreciar, qualificar, classificar, ajuizar, julgar, analisar, considerar, rever, medir, mensurar, aquilatar, ponderar, examinar, aferir pedaços de vida. Tenho andado com o meio século do Zé Luiz [Tavares] iluminado pela melancolia, que não falho de humor. «Do cimo dos telhados vejo/ coisas atiradas sobre o mundo:/ um livro a arder num incêndio/ valente. Muita merda a passar/ sob as pontes. (Alguma/ é a poesia que se pode). // Uma bicicleta ergue-se entre/ o escuro e os meus dentes –/ é a musa sem metafísica, e leva/ o mundo no guiador. (Agora é bem/preciso arrojo para se ser poeta/ sem a almofada do divino).» Ando, portanto, de bicicleta entre o escuro e os meus dentes, aliás pouco claros – coisas da vida. Vai daí o Nuno [Saraiva], por causa da exposição que o Festival de BD da Amadora lhe dedica por estes dias, deixa cair a banalidade de estar a celebrar 30 anos de carreira, palavra estranha em quem terá sempre a idade da adolescência. Contém trajectória e correria, vereda e linha de autocarros, mas não soa bem se aplicada a profissões que não parecem trabalho. Conhecemo-nos há tantos incêndios e muitas luas. Pus-me a rever a LX Comics, primeira paragem da carreira que apanhámos lá para os lados de Alvalade a pensar no Bairro Alto, quando ainda era uma coisa e outra em nós. Folhear a velha revista deu-me belo motivo para procrastinar, arte que o Nuno pratica com afinco! Logo ali, o anti-herói, Ladislau, contava em preto e branco de contornos bem vincados, gesto tardo-Tardi, diria o outro, peripécias de uma cidade que se descobria hedonista e múltipla, com várias margens e outras tantas suburbanidades. O desenho das musas respirava óbvia, mas terna volúpia e terá sido por isso que o sugeri ao Júlio [Pinto] para o feliz casamento que pariu, nas páginas do Independente, a Filosofia de Ponta. Foi por aqui, neste sucesso transversal, que trouxe a bd para a idade adulta e para fora dos guetos onde tende a cair, que o Nuno se começou a agigantar novo Stuart. Ou velho Saraiva, que sei eu. Não por acaso, qualquer pretexto lhe

serve para o homenagear (veja-se no desenho desta página, uma das muitas personagens que a Amadora reclama como suas). E hei-de ainda descobrir caricatura do Nuno a borra de café assinada Stuart. A colecção, que há anos enchi de imagens, velhas e novas, com o El Corte Inglés e que a Assírio & Alvim editou, a pretexto do Prémio Stuart de Desenho de Imprensa, finou-se quando preparávamos volume sobre o Saraiva. Este

projecto, como outros, que desta palavra ambos gostamos, não ficará para sempre atrasado. Nele se perceberá que, como o velho mestre, parte da arte do Nuno está na recolha, agora com três décadas anos, das figuras que fazem cidade, que são a sua pele. A edição recente (Arranha-céus/ EGEAC) do álbum para colorir, «Pintar as Festas», resume as folhas da alface tão frescas e exuberantes que o desenho dele vem tatuando nas mais recentes Festas

da Cidade. Diz ele: «Um marujo guitarrista arranha uma guitarra-bacalhau. Um cantor disco-pop-xunga que en-canta no palco e que é elétrico na micro-sardinha e acústico no salpicão. Uma marchante toda moderna e cheia de genica, tatuada com andorinhas que parecem atrair algumas sósias tradicionais peças de cerâmica. Um DJ Pride com phones-manjericos, master dos pratos com sardinha e chouriça. Um marujo apaixonado pela peixeira que, por intuição lógica, lhe oferece um ramo de sardinhas.» Uma graça, que dá outra pincelada no seu mister, a que mistura os tempos, o real e o mito. Regressemos a anteontem, onde as figuras da modernidade se cruzavam de forma disléxico com o jargão de pensamento prêt-a-porter. Foi aquele retrato nosso de fim-de-século, delirante e sarcástico e prazeroso, que a Bedeteca de Lisboa quis celebrar, em 1996, dedicando a sua exposição inaugural à Filosofia de Ponta. Exaltávamos ainda a inextricável relação entre o texto e a imagem, afinal a matéria-prima da narrativa gráfica. Houve muito de exultação naqueles dias, naquela casa. Apesar de inúmeros incêndios e tristezas valentes. Acabei até como personagem em fulgurante bd do Nuno cujo tema outro não podia ser que os atrasos… e a cidade. Era episódio de projecto mais lato, cuja intenção era desvelar as muitas cidades que Lisboa esconde. Como que por acaso, na empresa mais recente, o folhetim com Ferreira Fernandes, que o DN publicou, também a capital se ergueu protagonista: Lisboa, Porto de Abrigo (no prelo, em versão aumentada). Do hoje mais visceral saltou o artista para aquele passado que não deixou nunca de regressar: o fado. Outra afinidade com o malquisto pintor das nuvens e das varinas, mas o Nuno amadureceu, procrastina um pouco menos e investiga bastante mais, tendo contribuído em muito para dar corpo a contornos sumidos das figuras e das histórias daquele género de melancolia meio gritada, meio chorada, por vezes até alegre. Setúbal, e o pretexto não foram as suas magníficas bocagianas personagens que viveram pelas ruas, dedicou-lhe, há um ano, uma primeira retrospectiva. Modesta, sem alcançar o preito que tarda, mas o país parece ter o atraso como fado. Alegro-me que a Amadora te tenha dado palco, quanto mais não seja porque as tuas figuras identitárias a vão encher de cor. E afinal, o que são 30 anos na vida de um gajo?


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“The emerging U.S.-China bipolarity will be tense but stable because balancing will be efficient and misjudgments about each other’s capabilities and intentions will be minimized”. Managing Hegemony in East Asia: China’s Rise in Historical Perspective Yuan-kang Wang

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China no mar da China Meridional, contra as Filipinas muito mais fraca e o Vietname não-alinhado, está disposta a intensificar o discurso do seu primado histórico autodeclarado na região. O confronto de Scarborough Shoal, refere-se às tensões entre a China e as Filipinas que começaram a 8 de Abril de 2012, com a apreensão pela marinha filipina de oito navios de pesca chineses no disputado local, tendo no mesmo dia um avião de vigilância, avistado oito navios de pesca chineses ancorados nas águas objecto de reivindicação. O navio patrulha foi enviado no mesmo dia para pesquisar o local e confirmou a presença das embarcações de pesca, e as suas actividades, tendo a 10 de Abril de 2012, constatado a captura de peixe, pelos navios de pesca chineses. A equipa de inspecção filipina descobriu corais apanhados ilegalmente, mariscos e tubarões vivos dentro de um dos navios. O navio patrulha filipino tentou prender os pescadores chineses, mas foram impedidos pelos navios chineses de vigilância marítima e desde então, a tensão continuou entre os dois países. A defesa económica que a China teve na região foi mostrada pela resposta de muitos legisladores e empresários filipinos que advertiram o governo para não provocar a China, pois prejudicaria as relações comerciais entre os dois países. A reacção chinesa era de congelar a importação de frutas filipinas, arriscando o emprego de duzentos mil trabalhadores da indústria bananeira, e limitar os voos para as Filipinas por alegados motivos de segurança. Alguns meios de comunicação social chineses solicitaram que o governo se envolvesse numa guerra de pequenas dimensões com as Filipinas para resolver de vez o conflito. Após dois anos, em 2014, a China instalou uma grande plataforma de exploração de petróleo dentro da Zona Económica Exclusiva do Vietname, acompanhada de navios de guerra e da guarda costeira. Todos os navios vietnamitas que tentaram entrar nas imediações foram atingidos ou atacados com canhões de água de alta pressão. Ainda que a China esteja a explorar o petróleo, o Vietname tenta manter o equílibrio com outras potências regionais e comprou à Rússia seis submarinos de ataque a diesel, bem como uma grande quantidade de mísseis antinavio.

As Filipinas, por outro lado, decidiram renovar a sua antiga aliança com os Estados Unidos, apesar das menos boas e complexas relações que os dois países atravessam, depois da eleição do Presidente Rodrigo Duterte, que pretende fazer uma política externa independente, sem a vassalagem dos seus aliados. Os Estados Unidos são o país-chave em qualquer tentativa de formar uma coligação de equilíbrio para conter o poder da China. É de relembrar que um dos momentos mais complexos dos últimos quarenta anos das relações sino-americanas, foi a crise do Estreito de Taiwan, em 1996. A política de uma China única, exerceu influência sobre os eleitores da ilha para não votarem em um partido político pró-independência, realizando uma série de exercícios militares no Estreito. Os Estados Unidos, retaliaram, em ingerência de política considerada interna chinesa, enviando dois porta-aviões para a área, sem que se tenha produzido qualquer conflito. A China, desde meados da década de 1990, empreendeu um programa bem financiado de modernização militar. É uma tentativa de contrariar a potencial projecção das forças armadas americanas, dentro das águas disputadas do primeiro grupo de ilhas. A desvalorização das forças navais dos Estados Unidos e a liberdade de movimento nos mares do Leste e do Sul da China é vital. A capacidade da China de manter a marinha dos Estados Unidos afastada das águas da Ásia Oriental, constitui uma condição necessária e quase suficiente para deter uma hegemonia regional. A grande maioria dos académicos nacionalistas reconhecem que a China cometeu um erro histórico, ao ignorar os oceanos e que a falta de preparação para a guerra naval, levou às humilhações do século XIX, e esta sensação foi mostrada em uma conferência na Universidade de Pequim, em 2007, onde a maioria dos oficiais militares, analistas do governo e académicos participantes, apoiaram a construção de uma grande marinha equipada com porta-aviões. Todavia, não é uma tarefa fácil, construir e criar uma frota de mar que poderá levar várias décadas a concretizar pela marinha do Exército de Libertação Popular, para alcançar a paridade com a marinha dos Estados Unidos. Os militares chineses estão a construir a possibilidade e a capacidade de deter as operações americanas no Leste Asiático. A sua estratégia de dissuasão poderá ser o do uso de uma táctica militar chamada de “negação de área”, que inclui o uso extensivo de mísseis anti-aéreos e antinavio, que podem causar uma alta taxa de risco para os aviões dos Estados Unidos em qualquer conflito, dentro do primeiro conjunto de ilhas, o que faria afastar a marinha americana para longe do continente chinês, dificultando a sua flexibilidade operacional. Todavia, qualquer tentativa de consideração de hegemonia regional será reduzida por várias desvantagens da China.

CHEN HAO

A China e a liderança na

A China, em termos de tecnologia militar, ainda se encontra muitos anos atrás dos americanos, ainda que esteja a evoluir a passos de gigante, dependendo da Rússia para a maioria dos seus equipamentos militares de ponta, incluindo motores para o seu avião de combate. Os submarinos nucleares que estão a ser construidos são similares à tecnologia da Guerra Fria e não são comparáveis ao actual equipamento da marinha americana. Os Estados Unidos, por outro lado, têm as suas debilidades. A guerra económica provavelmente funcionaria melhor contra a China, mesmo integrada mundialmente, quando comparada com a Guerra Fria contra a União Soviética que criou enormes prejuízos aos Estados Unidos e o assassinato do presidente John Kennedy. Os Estados Unidos e a China estão em um relacionamento mutuamente seguro economicamente, e cada um pode retaliar em uma guerra económica iniciada pela outra. Todas as acções mal calculadas dos Estados Unidos podem empurrar alguns dos seus aliados do Leste Asiático para o lado da China. A força

da influência económica da China não deve ser subestimada. Actualmente, existem oitenta países no mundo que têm a China como seu maior parceiro comercial. O comércio com a China é vital para a prosperidade dos países da ASEAN, pois dado o tamanho da classe média chinesa ainda em crescimento, é óbvio que a Organização Regional precisa mais do mercado chinês, do que o inverso. É de prever que até 2018, a China seja a maior economia do mundo, em termos de PIB. É natural que a China deseje dominar a sua região, porque em um mundo sem uma autoridade hegemónica, somente os países que maximizam o seu poder podem, tal como defende o realismo ofensivo, garantir a sua sobrevivência. A China pode precisar de hegemonia regional para garantir o seu acesso às reservas mundiais de combustível fóssil, dado que na década de 2030, prevê-se que precisará de importar 80 por cento das suas reservas de petróleo, provenientes do Golfo Pérsico e do Estreito de Malaca. A situação, indiscutivelmente levará a China a ser ainda mais


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perspectivas

Ásia Oriental

assertiva na reivindicação do primado no Mar da China Meridional. Além disso, se o crescimento económico actual da China continuar nas próximas décadas, e os seus gastos militares seguirem uma trajetória idêntica, pode ser difícil para os actores regionais resistirem ao seu poder. Se os Estados Unidos e os seus aliados regionais não conseguirem criar uma coligação de equilíbrio efectiva, terão grandes dificuldades em fazer face às movimentações da China. A China poderia alcançar a hegemonia regional de forma viável, e ser inatacável em virtude do seu tamanho económico e da sua capacidade militar. A China foi o poder hegemónico no Leste Asiático durante séculos, antes dos europeus e americanos abrirem a região ao comércio no século XIX. Após o sucesso das reformas económicas de Deng Xiaoping, a China é mais uma vez um jogador na região e no cenário mundial e de acordo com a teoria do realismo ofensivo, é provável que a China faça uma tentativa em direcção à hegemonia regional. O seu comportamento nos mares

JORGE RODRIGUES SIMÃO

(II)

do Leste e do Sul da China, bem como o crescente poderio militar e o surgimento do nacionalismo no país, dão a entender que tal processo se iniciou. A China, no entanto, ainda não possui as capacidades militares para desafiar os Estados Unidos em um confronto directo. Se os Estados Unidos puderem criar uma coligação efectiva de equilíbrio, o poder chinês será contido. A China ainda não é uma hegemonia regional, mas se o seu potencial continuar a crescer de forma económica e militar como se prevê, pode ser uma força irresistível de conter, pelo que os actores regionais podem não ter outra escolha senão o de acomodar a China devido à sua própria sobrevivência econômica, e por falta de capacidade para contrabalançar militarmente. Se vasculharmos a memória o Comunicado de Xangai, também chamado de Comunicado Conjunto dos Estados Unidos da América e da República Popular da China (RPC), que foi assinado durante a visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972, tendo levado a uma aproximação sino-americana que teve um impacto dramático na geopolítica asiática. Tal, aconteceu após a visita igualmente importante e secreta à China do então conselheiro de segurança nacional de Nixon, Henry Kissinger. As palavras consignadas no comunicado são particularmente significativas, afirmando que não devem procurar a hegemonia na região da Ásia-Pacífico, e cada uma das potências opõe-se aos esforços de qualquer outro país ou grupo de países para estabelecer tal hegemonia... A China nunca será uma superpotência e opõe-se à hegemonia e política de poder de qualquer tipo. Os Estados Unidos naquele momento não reconheceram a RPC. O assento chinês na ONU foi ocupado pela designada República da China, até 25 de Outubro de 1971, quando foi aprovada a resolução 2758, pela Assembleia Geral da ONU, substituindo Taiwan pela RPC, em todas as suas instâncias e organismos. A 23 de Novembro de 1971, tornou-se membro permanente do Conselho de Segurança com direito a veto. Os Estados Unidos, contudo, só reconheceram oficialmente a RPC como o único governo legítimo da China, a 1 de Janeiro de 1979. O que fez os Estados Unidos mudarem a sua política em relação à RPC? A União Soviética e a RPC sofreram um conflito fronteiriço em 1969. A divisão sino-soviética foi um dos principais determinantes da política americana para com a China. Era geopolíticamente prudente que os Estados Unidos dividissem o conjunto de irmãos comunistas A RPC de Mao Tsé-Tung nunca se viu como um pequeno irmão da União Soviética. Existia um pensamento geopolítico bastante simples para enfrentar uma nação comunista contra outra e verificar a expansão daquele que era o inimigo e concorrente dos Estados Unidos no ambiente de segurança global. O inimigo era a União Soviética. À China, importava o entendimento com um poder extra-regional para verificar os

avanços de um grande poder ao seu redor e nada melhor que a estratégia de uma nação comunista unida a uma nação capitalista para verificar as tendências hegemónicas de outra nação comunista na Ásia-Pacífico. Todavia, os cálculos geopolíticos, parecem ser muito estranhos no século XXI. Um documento de estratégia divulgado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Janeiro de 2012, com o título “Sustentando a liderança global: prioridade para a defesa do século XXI” afirma que o crescimento do poder militar da China deve ser acompanhado por uma maior clareza das suas intenções estratégicas para evitar causar fricção na região. Além disso, as considerações resultantes de subsequentes debates, examinam a probabilidade de uma armadilha de Tucídides nas relações entre os Estados Unidos e a China, pelo que se sentia a inevitabilidade da procura da hegemonia regional da China na Ásia-Pacífico, que poderia criar um iminente conflito entre os dois países. Assim, existe matéria combustível suficiente na região, incluindo a estratégia de negação de área/anti-acesso da China aos mares do Sul e do Leste da China versus a posição da América quanto à liberdade de navegação e operações marítimas na região e as tensões sobre o Estreito de Taiwan.

A China ainda não é uma hegemonia regional, mas se o seu potencial continuar a crescer de forma económica e militar como se prevê, pode ser uma força irresistível de conter O que tais situações implicam em termos de comportamento para uma grande potência e a continuidade e mudança das suas percepções de ameaças? Tal, significa que qualquer país que goze de um grande estatuto de poder ao ter uma hegemonia estabelecida no seu hemisfério, como os Estados Unidos no hemisfério ocidental, detestaria o surgimento de outro concorrente em outro hemisfério, neste caso o provável aumento da China como uma hegemonia no hemisfério oriental? Nesse caso, o medo do surgimento de outra hegemonia regional que restringa o acesso do estatuto hegemónico a essa região certamente será desafiado, independentemente de quem é o actor. A União Soviética durante a Guerra Fria foi claramente o inimigo dos Estados Unidos e teve que ser combatida por todos os meios possíveis, incluindo cedências e acordos impressionantes com uma China que tinha mais ou menos os mesmos valores políticos e que transtornou os Estados Unidos. Os Estados Unidos tentaram de tudo, incluindo apoiar as forças do Kuomintang contra as forças comunistas na Guerra Civil chinesa e, mais tarde, espicaçar uma Índia

não-alinhada para actuar como contrapeso contra uma China comunista antes de procurar uma aproximação. Actualmente, um dos maiores desafios para os Estados Unidos é usar velhas e novas ferramentas que variam entre estratégias de cooperação e coerção para gerir o crescimento da China. Os Estados Unidos, que parecem querer retirar-se da liderança global, enfrentam uma China que, sob o comando do seu poderoso líder, presidente Xi Jinping, abandonou a estratégia de ocultar e abraçou plenamente a estratégia do “Sonho Chinês” que querem partilhar com o mundo, e em particular com os Estados Unidos, para que reconheçam que o tempo da China chegou. Os chineses desejam mais influência, respeito e espaço. Esses desejos parecem todos abrangentes em termos das implicações de uma China que tem visto o crescimento político, económico e militar e mostra intenções de remodelar normas e regras globais à sua imagem. A influência económica da China é palpável mesmo entre os países com os quais compartilha equações de segurança adversas, levando a análises que alguns países queiram alinhar com a China em questões económicas e com os Estados Unidos em questões de segurança. A demarcação enganosa e simples dificilmente se desenrola facilmente na complexa geopolítica do século XXI. Os empreendimentos económicos da China, incluindo a ambiciosa “Iniciativa uma cintura, uma estrada (BRI na sigla inglesa) ”, têm objectivos estratégicos. O nome dado à iniciativa não ajuda a esclarecimentos. A “cintura” refere-se às ligações terrestres entre a China e a Ásia Central, reproduzindo a rota da seda que durante séculos foi o eixo que dominou o comércio mundial entre o Extremo Oriente e a Europa, pois foi a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, no final do século XV, que coincidiu com o seu declínio. A “estrada” trata-se da rota marítima através da qual a China pretende reforçar a sua ligação ao Sudeste Asiático, e conectá-la a África, onde a presença de empresas chinesas é assinalável. Os corredores de conectividade e os seus resultados económicos para a China são ingredientes do pensamento do país de distribuir bens públicos no sistema internacional como uma grande potência. Mas ainda não está claro quais são os compromissos para a generosidade chinesa e qual a oportunidade que os países estão dispostos a pagar por enredar-se com os projectos geopolíticos e geoeconómicos chineses. O que tudo isso implica para a liderança global dos Estados Unidos e compromissos com países preocupados com uma China forte, ainda estão enredados na rede económica chinesa? O julgamento ainda está fora da natureza da dinâmica Estados Unidos-China e das suas implicações para a geopolítica global. No entanto, uma coisa parece ser clara, que é a procura da hegemonia e do jogo do equilíbrio de poder ser uma constante, pois apenas os actores mudam.


18 (f)utilidades TEMPO

C H U VA

8.11.2017 quarta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

SPEEDY COLOR, A VISUAL EXPERIENCE BY ANTÓNIO MIL-HOMENS Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

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FRACA

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HUM

65-98%

EURO

9.29

BAHT

Sábado

CINEMA | HIROKAZU KOREEDA HEART AND BLOOD OF A CHILD Cinemateca Paixão | 14:30 - 16:00

DIARIAMENTE SALÃO DE OUTONO Casa Garden

O CARTOON STEPH

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING MAM | Até 4/3/2018

PROBLEMA 156

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 155

UM LIVRO HOJE

FLATLINERS SALA 1

19.30

Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

THOR: RAGNAROK [B]

SALA 2

FLATLINERS [C] Fime de: Niels Arden Oplev Com: Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton 14.30, 16.30, 21.30

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu

SUDOKU

DE

REPRESENTAÇÕES DA MULHER COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX MAM | Até 10/12

C I N E M A

1.21

NUDISMO MOTORIZADO

PALESTRA “O LEGADO ARTÍSTICO DE SILVA MENDES” POR ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Clube Militar | 18h30

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

Amanhã

EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11

0.24

Os jornais de ontem trouxeram o insólito para a palavra impressa. Mais do que o costume e fora do âmbito do surrealismo político protagonizado pelo habitual conjunto de artistas locais. Nenhum chavão vazio serviu para calar uma preocupação real de cidadãos. Não! Desta vez o insólito chegou pela forma de duas actividades que raramente andam de mãos dadas: Motociclismo e nudismo. Talvez numa homenagem ao clássico do cinema “Easy Rider”, um cidadão decidiu dar uma volta de moto completamente nu. Segundo informação revelada pela polícia, a pessoa em questão estaria embriagada. Proclamo-o, desde já, o herói da semana, um verdadeiro e intrépido defensor da liberdade. Não há nada mais final e honesto do que a natureza ao descoberto, a ausência de tabus a alta velocidade. Porém, a lei interpretou este acto de celebração da vida como um acto de exibicionismo. Em primeiro lugar, o passeio nu só chegou à atenção das autoridades depois de terem visto uma fotografia numa rede social. Ou seja, a polícia incorreu num acto despudorado de voyeurismo contra um cidadão que nada fez senão exercer o seu direito à autodeterminação corporal, território onde só ele é soberano. Considerar-se um acto de imodéstia cabe à sensibilidade de cada um. Por mim, longe de ser favorável à condução sobre o efeito de álcool, alargo a minha censura à condução condicionada por vestuário. Longa vida, despido motard. João Luz

PARA COMPREENDER O JORNALISMO | ESTRELA SERRANO (2006)

Ex-assessora de Mário Soares, Estrela Serrano é uma das figuras mais importantes do meio académico português ao nível dos estudos sobre a área do jornalismo. Neste livro, editado pela Minerva Coimbra, Estrela Serrano parte das cartas que recebeu de leitores quando era provedora do leitor no Diário de Notícias para pensar a forma como o jornalismo é feito e o impacto junto de quem ouve ou lê as notícias. Um livro que não interessa apenas a académicos ou estudantes, mas a todos aqueles que se possam interessar sobre o conteúdo noticioso que invade os nossos dias. Andreia Sofia Silva

LET ME EAT YOUR PANCREAS [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Sho Tsukikawa Com: Minami Hamabe, Takumi Kitamura, Shun Oguri 14.30, 16.30, 19.30

ALWAYS BE WITH YOU [C] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Herman Yau Com: Louis Koo, Julian Cheung, Lam Ka Tung, Charlene Choi 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 8.11.2017

HONECT, EMPRESA DE MARKETING DIGITAL IGNACIO VALLS, FUNDADOR

Estratégias online Foi há dois anos que Ignacio Valls se aventurou no mundo digital por conta própria. A Honect providencia serviços de marketing digital, criação de websites e elaboração de planos de marketing para as empresas utilizarem nas redes sociais. O trabalho é, na sua maioria, feito para as Pequenas e Médias Empresas

N

UM mundo que é um rodopio, a imagem externa de qualquer empresa conta. Sobretudo se esta imagem existir nas inúmeras plataformas online actualmente disponíveis. Depois de uma experiência na China, Ignacio Valls veio para Macau e percebeu, pouco tempo depois de trabalhar numa empresa de marketing, que muito ainda havia a fazer nesta área. Daí até investir no seu próprio negócio, mas virado para o mundo digital, foi um passo. Nascia a Honect. “Percebi que não há muitas empresas que façam marketing digital, ainda é tudo feito offline, com a impressão de folhetos, por exemplo”, começou por contar ao HM. “Não há muitas opções e também percebi que há muitas empresas de Macau a deslocarem-se a Hong Kong para procurarem este tipo de serviço, como a gestão de redes sociais ou a criação de planos de marketing digital.” Hoje a Honect disponibiliza quatro tipo de serviços, que vão desde a elaboração de planos de branding para empresas, à promoção em redes sociais como o Facebook ou o Instagram. Ainda assim, as características do tecido empresarial local

levam a que a Honect seja mais procurada para determinado tipo de serviços. “Em Macau focamo-nos sobretudo na área da criação de websites e no marketing concebido especificamente para as redes sociais. Trabalhamos muito com empresas que operam na área de comidas e bebidas, como restaurantes e empresas de importação e exportação.”

“Percebi que não há muitas empresas que façam marketing digital. Ainda é tudo feito offline, com a impressão de folhetos, por exemplo.”

As PME acabam por constituir a maioria dos clientes. “A maioria das grandes empresas procuram este tipo de serviços fora de Macau, em Hong Kong por exemplo.”

FALTA DE CRIATIVIDADE

Apesar de existir no mercado há dois anos, a Honect continua a funcionar quase como começou: com colaboradores à medida das necessidades. “Somos uma equipa pequena, com alguns designers. Depende sempre do projecto que temos em mãos.” Desde que a Honect abriu portas, Ignacio Valls confessa ter visto poucos desenvolvimentos na área do marketing digital, sobretudo ao nível da criatividade e inovação. “Penso que há falta de criatividade nesta área. Aqui há sobretudo o marketing que é feito offline, e depois o marketing digital faz-se apenas recorrendo ao Facebook.”

Avenida Comercial De Macau • FIT Center, 5 Andar A Macau

A situação é bem diferente na China, país onde o comércio vive um ritmo de desenvolvimento alucinante e onde tudo funciona online, inclusivamente sistemas de pagamento. “Na China há muita inovação, é um país com muito comércio e criam-se novas formas de fazer marketing. Aqui é necessária uma maior criatividade.” A Honect garante que disponibiliza serviços a preços simpáticos, tendo em conta a pequena dimensão da maioria das empresas do território. O estabelecimento da confiança junto do cliente é o mais importante. “Queremos construir uma relação de confiança com os nossos clientes e eles não querem deixar os nossos serviços. Providenciamos serviços que conseguem suportar financeiramente”, rematou Ignacio Valls. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo. PALAVRA DO DIA

Vladimir Maiakóvski

O massacre dos inocentes

M Óbito Funeral do Padre Nicosia na terça-feira

O funeral do Padre Gaetano Nicosia vai decorrer na terçafeira, às 10h00, na Sé de Macau, de acordo com uma nota do Instituto Salesiano. Após a missa do funeral, o corpo do padre italiano que dedicou a vida a ajudar as pessoas que sofriam de lepra em Macau vai ser enterrado no Cemitério de São Miguel de Arcanjo. Antes do funeral haverá ainda uma missa, na segunda-feira, às 18h45, também na Sé. Nicosia morreu na passada segundafeira, aos 102 anos, em Hong Kong, onde vivia, após ter deixado Macau, em 2011. PUB

AIS de uma dezena de crianças e uma grávida integram a lista das 26 vítimas mortais da maior matança na história do Estado do Texas, perpetrada domingo no templo na Primeira Igreja Batista na localidade de Sutherland Springs. Apesar de não existir uma lista oficial com os nomes das vítimas de Devin Kelley, o autor da matança, familiares e amigos confirmaram a vários meios de comunicação locais o desaparecimento dos seus próximos nesta violenta ocorrência. Annabelle Pomeroy, uma adolescente de 14 anos e filha do pastor da paróquia atacada, Frank Pomeroy, foi a primeira vítima do ataque confirmada pelo próprio pai, que se encontrava com a esposa em viagem no vizinho Estado do Oklahoma. O tiroteio indiscriminado dentro da igreja foi realizado por Devin Kelley, um jovem branco, de 26 anos, que a tiro matou 26 pessoas inocentes e feriu cerca de 20, das quais 10 estão hospitalizadas em estado crítico. Uma família perdeu oito elementos.

ERIC GAY

Mais de dez crianças e uma grávida entre os mortos em Sutherland Springs

As idades dos assassinados vão dos 17 meses aos 77 anos.

TRUMP E AS ARMAS

O Presidente norte-americano rejeitou ontem a necessidade de abrir o debate sobre o controlo de posse de armas nos Estados Unidos e disse que, com mais restrições, as vítimas

do tiroteio no Texas “poderiam ter sido centenas”. “Se esse homem não tivesse uma arma e não tivesse disparado (contra o atacante), as vítimas poderiam ter sido centenas”, disse Donald Trump, referindo-se ao residente de Sutherland Springs que, com a sua espingarda, enfrentou o autor da chacina.

quarta-feira 8.11.2017

Academia do Sporting de Macau com parceria do MGM para torneio

A Academia de Futebol do Sporting de Macau e a operadora MGM Macau chegaram a acordo para uma parceria que vai permitir a organização de um torneio de escolas de futebol infantil ou juvenil, no território, durante o primeiro trimestre do próximo ano. A informação foi avançada ontem, em comunicado.“O objectivo do torneio passa por promover a Academia do Sporting em Macau e no exterior, para lhe dar mais visibilidade e passar a mensagem que é um projecto forte, pujante e que tem uma capacidade organizativa de autodesenvolvimento”, afirmou José Reis, director da Academia, em declarações ao HM. “Paralelamente queremos contribuir para o desenvolvimento do futebol infantil e juvenil local, também na vertente desportiva e não apenas lúdica. O contacto com as academias do exterior vai permitir-nos também uma maior exposição”, sublinhou. Além do apoio ao torneio, a MGM Macau vai igualmente patrocinar cinco bolsas anuais na Academia para “jovens de reconhecido talento e potencial para a prática do futebol”. Os escolhidos vão ter idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos.

Hoje Macau 8 NOV 2017 #3930  

N.º 3930 de 8 de NOV de 2017

Hoje Macau 8 NOV 2017 #3930  

N.º 3930 de 8 de NOV de 2017

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