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Director carlos morais josé

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Passes para a discórdia

palco de comunicação semana de design

centrais

desmond lam professor da um olha para o jogo

Uma cidade dependente Macau não sobreviveria sem o Jogo. É o que diz o professor de Marketing que, no entanto, não vê nisso grande mal, desde que a indústria se torne mais transparente e limpa para que possa ser vista como um factor de entretenimento divertido e saudável.

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política página 5

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entrevista páginas 2-3

Agência Comercial Pico • 28721006

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Ter para ler

Tin Un ou Carrefour Xô daqui para fora andré ritchie

isabel castro

páginas 17-18

opinião

referendo civil

Comissão ilibada Comissão acusada política página 6

h

A filha de Tomé Pires josé simões morais

Vida em claro-escuro anabela canas


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entrevista

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Desmond Lam professor de Marketing e especialista em Jogo da Universidade de Macau

Desmond Lam considera que as receitas dos casinos só agora estão a atingir um patamar satisfatório e que o lucro excessivo nem sempre é positivo. O professor acredita que Macau poderá vir a ser uma cidade internacional, mas estabelece uma janela de dez a 20 anos para que tal aconteça No seu livro “Chopsticks and Gambling”, refere que o Jogo e o vício são vistos negativamente na cultura chinesa, mas que os números revelam ser os chineses quem mais joga. Como é que esta disparidade acontece? Tem mais que ver com a história da população, em termos de dinastias. Vemos que em cada uma delas, há uma série de medidas e políticas para banir o jogo, mas continua a existir, naturalmente. Aqueles que são normalmente acusados de jogar são, afinal, oficiais de Estado e membros do Governo. Penso que os chineses não vêem o jogo como uma doença ou um vício, como os

“Os casinos são, tal como o imobiliário ou as acções em bolsa, um investimento. Acredito que esta perspectiva faz mais sentido nos dias de hoje do que dizer apenas que é “um aspecto cultural”

ocidentais. Os chineses entendem é quem joga como sendo uma má pessoa. No mundo ocidental, os apostadores são vistos como psicologicamente doentes e na China, quem não consegue controlar os impulsos, é visto como sendo uma má pessoa. Julgo que esse é um problema grave, em termos da ajuda e do apoio que estas pessoas poderiam ter. É muito complicado fazer com que as pessoas viciadas em jogo peçam ajuda e dêem a cara. Mas porque é que é na população chinesa que a percentagem de viciados é maior? Esta é a pergunta decisiva: é muito complicado de explicar, mas na perspectiva da própria indústria percebemos que o vício afecta mais os chineses porque são quem mais joga. Não se sabe ainda é porque é que são quem mais joga... Pode ter causas biológicas ou de etnia, por ser uma questão cultural ou causa de forças exteriores. Talvez uma combinação das três. E é uma coisa que não é de agora, tem vindo a acontecer há séculos. Xangai tinha uma série de casinos que acabaram por desaparecer, embora haja uma faixa suburbana de jogo ilegal muito forte. Nas minhas pesquisas, concluí que a cultura chinesa que vem a Macau tem propensão para ver o jogo como uma forma de investimento. Assim, não vêem o facto de perderem como um “perda” em si, mas sim como uma actividade que terá retorno: “Jogo para ter uma taxa de 20% ou 30% de retorno”. Antes do ‘crash’da bolsa [de Xangai], claro, o negócio do imobiliário estava a crescer exponencialmente e as pessoas procuram dinheiro extra para ficar mais ricas e subir na escada social. Os casinos são, tal como o imobiliário ou as acções em bolsa, um investimento. Acredito que esta perspectiva faz mais sentido nos dias de hoje do que dizer apenas que é “um aspecto cultural”. O factor cultural entra em termos da forma como se joga, como é o exemplo das superstições que ganham vida entre as quatro paredes dos casinos. Que tipo de superstições existem? Uma série delas, mas é muito comum os chineses usaram lingerie vermelha ou banharem-se em água com flores e extractos de plantas antes de irem para as mesas, para trazer sorte. A superstição tem que ver com o reforço e atracção da sorte. O Feng Shui também desempenha um papel importante e as pessoas muitas vezes estão logo à espera de encontrar “emboscadas” de Feng Shui nos casinos. Normalmente

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“Macau deu o poder da indústria aos

também não se entra pelas portas principais... São tudo questões de sorte e azar. O número quatro também está presente nas mesas. Existe o número quatro nos baralhos, mas não existem quatro elementos de uma mesma coisa, sejam cartas, copos ou fichas. Como disse, há séculos que os chineses jogam e os governos têm vindo a banir o Jogo sucessivamente ao longo de várias dinastias. Acredita que isto possa vir a acontecer um dia em Macau? Dizer “banir” é um pouco drástico. Tem havido várias medidas de controlo do jogo, como são as

punições para oficiais do Governo que joguem. Antigamente, não havia capacidade para regular esta actividade, mas em Macau há. Na China, acredito é que a legislação vigente não está em consonância com o seu reforço. As pessoas podem não admitir, mas existem, de facto, casinos ilegais na China. Nos últimos dez anos, temos andado a crescer a um ritmo demasiado rápido. Em que sentido, exactamente? Quando o Jogo se começou a expandir, em 2002/2003, a ideia era transformar Macau numa cidade diversificada e internacionalizada,

mas a verdade é que isso foi uma coisa que só começou a acontecer muito mais tarde. O Governo tem apostado muito no desenvolvimento do mercado VIP e não no mercado de massas, mas esse é que está fortemente associado ao entretenimento, como acontece em Las Vegas. Até nisso creio que se tomaram escolhas não tão acertadas e o sector VIP tornou-se num mercado tão vasto, que só se associa à camada social mais endinheirada. Isto significa que Macau deu o poder desta indústria aos junkets e ao resto do sector VIP. Isto não é algo necessariamente negativo, mas


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junkets e ao resto do sector VIP” entrar em Macau nos últimos anos e que agora não vêm? Qual será a solução para colmatar a falta de jogadores? Não creio que devamos olhar para trás e querer que seja igual. Acho é que temos que tornar a indústria mais transparente e limpa e fazer com que o Jogo seja visto como um entretenimento. É importante começar a atrair pessoas que pretendam vir cá e sentar-se às mesas para se divertirem, mesmo que apostem menos dinheiro do que aqueles que antes vinham jogar para as salas VIP. Transformar a indústria numa coisa sustentável e que não esteja relacionada com branqueamento de capitais ou com oficiais de Estado. Diz-se que a queda das receitas está muito relacionada com o receio que muitas pessoas agora têm de vir até Macau... Sim, claramente. No entanto, também acredito que o sector VIP deve estar sempre presente em Macau, porque faz parte. A actividade do Jogo é um dos elementos que distingue esta cidade de outras semelhantes e creio que sem ele, Macau não sobreviveria. Temos uma série de actividades não relacionadas com o Jogo, mas é esta actividade que realmente faz com que as pessoas cá venham. Esta pode é ser vista como algo divertido, feliz e saudável. Não tem que ser algo negativo.

implica termos menos poder que está agora nas mãos de terceiros. Nem os promotores de junkets têm controlo sobre quem vem cá jogar e tudo isto traz consequências para a indústria. Mas o sector VIP tem tido grandes quedas nas receitas nos últimos meses... Sim e tudo devido à campanha anti-corrupção do Governo Central, que está a ganhar cada vez mais força. A pergunta que devíamos fazer é porque é que as receitas descem com uma campanha deste género? Por que afectam Macau? Quem são, então, as pessoas que têm vindo a

Considera que a proibição total de fumo nos casinos tem ajudado à queda das receitas? Julgo que a proibição total pode vir a ter efeitos negativos no mercado VIP, sim. No entanto, depois de estar numa série de sítios onde é proibido fumar nos casinos, apercebi-me que nos primeiros dois anos após a implementação da lei as receitas têm quedas entre os 10% e os 20% e isto é drástico para as operadoras. Mas com o tempo, vemos que a população que frequenta estes locais começa a alterar-se e passa a ser maioritariamente constituída por aquelas pessoas que nunca jogavam por não gostarem do cheiro a tabaco e do ambiente e agora o fazem por ser livre de fumo. Mas respondendo à pergunta: acho que o que realmente está a afectar a queda é a campanha do Governo Central e não esta proibição. Mas a solução não seria integrar as salas de fumo, como já se fez no ano passado? Essa é uma questão que deixo para a própria indústria responder. Só ela pode dizer, de uma perspectiva de

“[É importante] transformar a indústria numa coisa sustentável e que não esteja relacionada com branqueamento de capitais ou com oficiais de Estado”

O que considera que vale a pena em Macau, da perspectiva do turista? As pessoas acreditam que existe uma série de coisas interessantes aqui, desde locais protegidos pela UNESCO, prédios preservados do tempo do Governo português e uma componente tipo Las Vegas, com resorts com piscinas e, em breve, a roda gigante do Studio City. Macau é Las Vegas com quatro mil anos de história.

ou zonas de periferia. Qual é a sua opinião? O Louis XIII é um caso à parte, porque se trata de um complexo para as “grandes baleias”. O perigo são os espaços de lazer como o Mocha. Num sentido geral, não julgo que seja boa ideia ter casinos nem sítios com slot machines junto destas zonas porque atraem pessoas que recebem pouco mensalmente, como pensões. As leis e fiscalização têm que ser boas.

negócio, se isto resulta ou não. No entanto, acho que neste momento, com a queda, faz bastante mais sentido permitir que todos beneficiem dos casinos, fumadores e não fumadores.

Quanto tempo vai demorar até chegarmos a essa internacionalização? Não é possível fazê-lo de um dia para o outro. Não podemos é esperar que a indústria do Jogo, embora seja forte, continue a crescer tanto como nos últimos anos durante 20, 30 ou 50 mais. Temos que parar e desacelerar este crescimento para desenvolver.

A revisão dos contratos de concessão está aí à porta. O que acha que vai mudar? Sinceramente não sei, porque é uma questão política, que me ultrapassa. Pessoalmente, acho que nada vai mudar.

Como é que vê a abertura dos novos casinos e hotéis? Estamos a falar de coisas diferentes, porque se trata de empreendimentos com uma componente muito mais forte de entretenimento e elementos não jogo do que casinos e mesas propriamente ditas. O que é uma coisa boa, algo que se tem andado a tentar fazer desde 2002. Acha que vai funcionar? Ainda não se sabe, porque estão muitas coisas por abrir. No entanto, acredito que há mercado suficiente, feito de pessoas como nós, que estão dispostas a gastar umas cem ou 200 patacas no casino para se divertirem. Numa perspectiva exterior, é preciso diminuir as nossas expectativas. Sempre fomos a cidade do Jogo, mas passaremos a ser uma cidade onde o Jogo é uma das suas componentes. Acredita que Macau algum dia vai ser uma cidade internacional? Sim e é por isso que cá estou. Acho que não tem que ser só Jogo ou só qualquer outra coisa. A verdade é que o Jogo nunca vai desaparecer, nem deve. Tem é que se gerir esta indústria de forma inteligente, para a tornar transparente e fazer com que apostar não seja mais visto como uma actividade negativa. Acho que é preciso dar às pessoas várias razões para virem a Macau.

“Neste momento, com a queda, faz bastante mais sentido permitir que todos beneficiem dos casinos, fumadores e não fumadores”

Não acredita então que é possível virmos a ter uma crise financeira em Macau? Enquanto residente, não consigo sequer imaginar uma crise aqui, até porque os casinos continuam cheios de gente a jogar e nas lojas. A única coisa que falta são jogadores e isso não afecta directamente o resto das pessoas, como os residentes e os turistas. O Governo mencionou já várias vezes que poderão ser precisas medidas de austeridade. Não creio que sejam necessárias, se deixarmos o mercado seguir o seu curso. Quando tivemos aqueles cinco a sete anos de crescimento exacerbado, ninguém nunca disse que era preciso um plano de contingência, mas acho que sim. A certo ponto, cerca de 40% ou 50% é demais e as pessoas deviam ter reclamado. Houve uma série de coisas que não se desenvolveram porque tudo andou demasiado rápido. É preciso resolver os problemas de tráfego, dos transportes e as questões laborais antes de voltar a impulsionar as receitas. Na altura em que o mercado começou a crescer, as indústrias sentiram que precisavam de se adaptar e restaurantes, hotéis de luxo e mesas novas cresciam em todos os cantos, mas outros aspectos da vida social continuam por resolver. Havia dinheiro para dar a vender e era fácil e hoje em dia talvez não seja tanto e é onde a inteligência é precisa. Quanto à polémica de construir casinos em bairros comunitários

Poderá entrar uma nova operadora no sistema? David Chow considera que sim... Acho que não vai ser bom se isso acontecer, se será boa ideia injectar mais competição no mercado. Acho que devia ficar como está. Também não estou a ver o Governo a tirar alguém da corrida. É preciso é reinventarmos a indústria, estar sempre a inovar e atrair pessoas, como Las Vegas tem feito há tantos anos. O Governo tem, de facto, falado muito na reinvenção e diversificação. Será possível fazer isto somente com mão-de-obra local? Não posso falar pelo Governo, mas acredito que os estrangeiros [profissionalmente] trazem para Macau conhecimentos que os residentes, certamente, não têm. Quando se quer inovar nesta cidade, não se pode contar com os residentes ou mesmo com quem cá vive, mas não é residente. Continuamos a precisar de sangue novo. Mas isso não será tirar oportunidades para os locais? Temos estado a fazê-lo durante estes anos todos, mas é preciso trazer quem lhes mostre que o caminho é para cima, que se saiba gerir a sério. No fundo, é preciso mostrar aos residentes que existe mais para além daquilo que vêem. A mão-de-obra local é muito reduzida e na altura de expandir o mercado do entretenimento, vai ser preciso ter quem saiba do assunto. O conhecimento é essencial e o ideal seria formar o nosso próprio pessoal, mas isso leva tempo. Há pouco talento numa população de 600 mil pessoas e, em termos globais, os mais talentosos, não o são assim tanto. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


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consultivo que estes órgãos poderão vir a desempenhar junto do Governo. “A Secretária não tocou numa questão radical, que é a criação dos órgãos municipais. O Governo criou um grande número de órgãos consultivos, mas os resultados práticos não são bons, porque os membros são nomeados”, apontaram. A proposta de lei ontem aprovada na generalidade prevê a transferência das áreas da cultura e do desporto para o Instituto Cultural (IC) e Instituto do Desporto (ID), o que visa a transferência de 270 trabalhadores. Sónia Chan garantiu que ninguém ficará prejudicado com esta mudança. O deputado Au Kam San criticou ainda o atraso do processo. “Este é o terceiro ano em que abordamos a reestruturação do IACM. Só agora é que a Secretária avançou com uma coisa tão simples. Porque é que o Governo levou tanto tempo para uma tarefa pequena?”, questionou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Governo ainda não tem planos concretos para a criação dos órgãos municipais sem poder político, uma garantia que foi dada pelo Chefe do Executivo aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) de 2014. Os deputados da ala democrata pediram ontem ao Governo para incluir já a questão dos órgãos municipais na proposta de reestruturação do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), aprovada ontem na generalidade, mas o Governo garantiu que tal ainda não será implementado. “Quanto à reestruturação do IACM, vamos avançar este ano com a transferência de serviços. Quanto às demais funções, vamos continuar a analisar e a estudar, mesmo face às situações de sobreposição. De acordo com o que foi definido nas LAG, vamos tratar de tudo da melhor forma e vamos tratar do processo de análise quanto

IACM Criação de órgãos municipais ainda em estudo

Transferir sem problemas Os democratas pediram ao Governo para incluir já a criação de órgãos municipais na reestruturação do IACM, mas a Secretária para a Administração e Justiça disse que ainda estão a estudar uma medida anunciada nas LAG de 2014. Atraso na transferência das áreas da cultura e desporto foi criticado à criação de órgãos municipais sem poderes políticos”, explicou Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça. “Quais as funções que terão [os futuros órgãos municipais]? Não chegámos ainda a uma decisão e em tempo oportuno vamos divulgar”, acrescentou. O deputado Ng Kuok Cheong lembrou que em Hong Kong o

Aprovado Regime de Garantia dos Créditos Laborais

Os deputados aprovaram ontem na especialidade o Regime de Garantia de Créditos Laborais, uma lei apresentada ao hemiciclo a 27 de Maio do ano passado. Com o diploma, qualquer trabalhador, seja residente ou não residente, passa a poder dispor do Fundo de Garantia de Créditos Laborais para ter acesso a adiantamentos de dinheiro, em situações de compensações ou indemnizações em que não haja disponibilidade por parte da entidade patronal ou seguradora para pagar os montantes. O Fundo será constituído por 160 milhões de patacas, injectadas pelo Executivo. Caberá à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) dar apoio administrativo aos processos.

Executivo decidiu recentemente a criação destes órgãos municipais. “Será que o Governo, aquando da reestruturação do IACM, poderá criar órgãos municipais ao mesmo tempo? Decidiu-se em Hong Kong a criação desses órgãos que são eleitos pela população. O Governo deve seguir a Lei Básica e criar esses órgãos e, com determinação, permitir a sua

construção. Será que podemos criar órgãos municipais sem poder político para desenvolver trabalhos na área da cultura, que podem adiantar parecer de carácter consultivo ao Governo?”, questionou.

Mudanças sem prejuízo

Na sua declaração de voto, os deputados falaram do papel

Função Pública Tecto máximo para indemnizações reprovado

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Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem na especialidade o novo Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos. Contudo, 12 deputados acabaram por reprovar a existência de um limite máximo para o pagamento de indemnizações, no caso da rescisão do novo Contrato Administrativo de Provimento (CAP). Segundo a lei, qualquer trabalhador teria direito a receber uma

indemnização “limitada a doze vezes o vencimento mensal, o qual não pode ultrapassar as [20 mil patacas]”. Os mais de oito votos contra quiseram mostrar a Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça, a existência de “injustiças”. Ella Lei, apesar de ter elogiado os avanços obtidos com o diploma, acabaria por ser uma das que votou contra esta norma. “É

um avanço para a Função Pública e o Governo deve cancelar as duas outras restrições para o cálculo da indemnização, tendo em conta as práticas do sector privado. Ainda consta um limite máximo e isso é injusto para os trabalhadores que nunca falharam no seu posto de trabalho”, frisou a deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Simplificar atribuição de licenças A Secretária para a Administração e Justiça confirmou ontem que o sistema de atribuição de licenças a restaurantes e outros estabelecimentos similares poderá ficar mais simples. “O IACM procede à recolha de informações necessárias, mas fora desse âmbito já não consegue recolher outras informações. Numa fase preliminar estamos a penar dar competências ao IACM no sentido de poder prestar e recolher informações. Isto quer dizer que o requerente não tem de deslocar-se a vários balcões para tratar das formalidades, pode apenas ir ao IACM tratar”, explicou Sónia Chan. A Secretária garantiu ainda que “o IACM está a funcionar sem sobressaltos quanto à emissão de licenças de estabelecimentos de comidas”, sendo de 40 dias o prazo para a emissão de uma licença de operação.


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Os deputados Chan Meng Kam e Chan Hong consideram que o Executivo deve rever o regime de passes mensais nos parques de estacionamento. Chan Meng Kam fala de uma medida desactualizada face à realidade actual e pede mais esclarecimentos a Raimundo do Rosário

Auto-silos Medidas para passes mensais questionadas

Efeitos perversos

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questão da manutenção dos velhos passes mensais nos parques de estacionamento e o congelamento de novas emissões continua a gerar preocupação. Dois deputados da Assembleia Legislativa (AL), Chan Meng Kam e Chan Hong, utilizaram ontem o período de interpelações orais antes da ordem do dia para pedir ao Governo que mude a política. “Apelo ao Governo e aos serviços competentes para que procedam o quanto antes à alteração do Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento e à revisão do regime de passes mensais”, defendeu Chan Meng Kam. “Hoje em dia, atendendo ao preço elevado das rendas dos lugares de estacionamento e ao seu elevado valor de mercado, o regime de passes mensais já não se coaduna com as reais necessidades. O Governo deve tomar como referência a suspensão da fixação de residência através da compra de casa e rever o regime de passes mensais”, acrescentou o deputado. Já a deputada Chan Hong, nomeada pelo Chefe do Executivo, considera que as novas medidas

“Hoje em dia, atendendo ao preço elevado das rendas dos lugares de estacionamento e ao seu elevado valor de mercado, o regime de passes mensais já não se coaduna com as reais necessidades” Chan Meng Kam Deputado

anunciadas pelo Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, quanto ao novo preço de seis patacas por hora podem trazer consequências negativas. “Após a entrada em vigor da nova tarifa, a rotatividade dos lugares com parquímetros vai aumentar, mas muitos veículos terão de circular nas vias. Então isso não vai aumentar a sobrecarga das vias públicas? São bastante insuficientes os lugares de esta-

cionamento público dos auto-silos. Isto não contribui para aumentar a taxa de estacionamento ilegal? Esta medida vai ou não levar à subida significativa das rendas dos parques de estacionamento? Vai ou não afectar os trabalhadores e moradores das zonas-piloto? O Governo deve estudar e esclarecer estas questões”, apontou.

Em nome do interesse público

No passado mês Raimundo do Rosário esclareceu num debate

da AL que, afinal, os passes mensais não iriam acabar, estando apenas previsto o congelamento da emissão de novos passes. Para Chan Meng Kam, a medida devia ser alterada em nome do interesse público, dando como exemplo o fim abrupto dos táxis amarelos. “É perfeitamente possível que o Governo altere, ou suspenda até, por razões de interesse público, o regime de passe mensal, alvo de dúvidas de muitos residentes”, considerou. “O Regulamento prevê que os passes mensais são intransmissíveis e podem ser renovados, mas esses passes não são eternos, portanto o chamado regime de passe mensal vitalício é apenas desejo de uma das partes e não tem qualquer fundamento legal.” Para o deputado, há muitas questões que continuam sem resposta. “Quanto à revogação do regime do passe mensal, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas já disse coisas diferentes, por isso há que esclarecer isso. Por exemplo, segundo o modelo de gestão das empresas concessionárias sob controlo do Governo, a quem pertence este passe mensal? Como se decide isto? O funcionamento é transparente? Que factores é que o Governo teve em conta quando fixou as tarifas do passe mensal? Quantos lugares são ocupados por viaturas dos serviços públicos e dos governantes? O Governo deve esclarecer e divulgar informações junto do público sobre todas estas dúvidas, para este poder fiscalizar”, frisou Chan Meng Kam. Andreia Sofia Silva

Mais do que um gabinete O de promoção para o seu pessoal e vai fazer com que as diversas instituições de ensino superior, bem como docentes e alunos, consigam obter os necessários apoios administrativos”, começa por apontar, acrescentando que a mudança serve ainda “para responder ao aumento contínuo das exigências ao nível da diversificação, moder-

Os deputados Kwan Tsui Hang e Leong Veng Chai pediram ao Governo para rever as “Instruções para Apreciação, Aprovação, Vistoria e Operação dos Equipamentos do Tipo Elevador”, por estarem em vigor desde 2013 e não serem obrigatórias, para além de não haver um quadro sancionatório para as empresas incumpridoras. Os deputados pedem regras mais apertadas depois dos casos recentes de mortes em escadas rolantes ocorridas na China e Hong Kong. Leong Veng Chai lembrou que há mais de seis mil escadas rolantes em Macau com grande afluência de pessoas, tendo já ocorrido alguns acidentes sem gravidade. “As referidas Instruções foram implementadas há mais de dois anos, sendo indispensável proceder à avaliação dos efeitos da sua implementação e recorrer à iniciativa legislativa para a sua melhoria, com vista a salvaguardar a segurança do público”, defendeu o número dois de José Pereira Coutinho. Já Kwan Tsui Hang considerou que “em Macau a fiscalização regular das obras electromecânicas é quase nula”, e que “a fiscalização não consegue ainda responder às exigências da sociedade”.

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Ensino Superior Si Ka Lon pede nova estrutura para o GAES

número dois de Chan Meng Kam pediu ontem na Assembleia Legislativa (AL) que o Governo leve a cabo uma alteração à estrutura de funcionamento do Gabinete de Apoio para o Ensino Superior (GAES). Si Ka Lon diz que a ideia é responder ao aumento das instituições de ensino superior. “Proponho o aperfeiçoamento da estrutura interna do gabinete técnico do GAES e a reestruturação das equipas de projecto, criando departamentos e divisões, segundo as respectivas funções administrativas concretas. Isto vai criar canais

Exigidas regras mais apertadas para escadas rolantes

nização e internacionalização do ensino superior”. No período de apresentação de interpelações orais antes da ordem do dia, o deputado disse que “há toda a necessidade de actualizar a estrutura e funções do GAES”, para que esta entidade se possa “coordenar com o desenvolvimento contínuo do ensino superior e implementar sem sobressaltos a proposta de lei relativa à revisão do Regime do Ensino Superior”.

Demasiado simples

Criado em 1992 e com uma alteração orgânica em 1998, o GAES

possui, aos olhos de Si Ka Lon, “uma estrutura administrativa simples”, o que faz com que seja “difícil captar quadros excelentes e experientes, por não encararem perspectivas de desenvolvimento”. O GAES tem apenas um coordenador, Sou Chio Fai, apoiado por um coordenador-adjunto e equipas de projecto. “Quando se criou o GAES, este serviço apenas apoiava uma instituição de ensino superior. Actualmente apoia dez, sendo quatro públicas e seis privadas. Verificou-se um aumento exponencial no número de instituições de ensino superior, alunos, docentes e cursos disponibilizados. E, para enfrentar a complexidade das questões e garantir a qualidade do ensino, alargou-se de forma acentuada o âmbito de gestão do GAES”, rematou Si Ka Lon. A.S.S.


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Referendo Civil GPDP iliba “ilegalidade”, mas acusa activistas de nova violação

Se não é um, passa a ser outro J ason Chao acusa o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP) de estar a aplicar mal a Lei de Protecção de Dados Pessoais, depois do organismo ter acusado a Comissão Organizadora do Referendo Civil de uma nova violação do regime. Apesar de ter admitido que, afinal, o ‘referendo civil’ levado a cabo por três associações pró-democratas não era ilegal, o GPDP vem agora “dar uma interpretação diferente” ao ‘referendo civil’ e acusar os activistas de outra ilegalidade. Numa carta enviada aos órgãos de comunicação social, Chao explica que o Gabinete acusou os activistas de terem violado a Lei de Protecção de Dados Pessoais, por terem armazenado os dados pessoais de residentes numa iCloud fora de Macau.

Em instr ução

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A Comissão Organizadora do Referendo Civil foi, agora, ilibada de ter violado a Lei de Protecção de Dados Pessoais no que à recolha de dados diz respeito, mas o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais vem acusar os activistas de outra violação da lei

“Um parágrafo da carta diz que ‘no geral, a organização [do ‘referendo’] recolheu apenas os dados pessoais de eleitores com o seu consentimento e de acordo com o artigo da lei [que a isso diz respeito]. Com base na informação, o consentimento dado pelas pessoas maiores de 16 anos não pode ser negado’”, começa por explicar Jason Chao. “Os residentes de Macau devem lembrar-se que, em 2014, todo o Governo defendeu - de forma acérrima e sem precedentes – que este

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Em comunicado, o GPDP vem dizer que Jason Chao, promotor do referendo, pode apresentar um recurso da nova acusação. O Gabinete diz não poder fazer comentários precisamente por esse motivo. “O que se refere no ofício não é a decisão final do GPDP. O caso em causa ainda está em instrução – actualmente na fase de audiência prévia do administrado –, por isso não é oportuno o GPDP tecer qualquer comentário.” Mais ainda, o Gabinete – que não tinha acusado os activistas de mais ilegalidades – diz agora que “condições de legitimidade do artigo [que diz respeito à recolha de dados na Lei] foram satisfeitas, mas que não se pode daqui retirar que o tratamento de dados pessoais na actividade em causa satisfez plenamente todas as disposições da [mesma lei]”.

‘referendo civil’ era ilegal. O GPDP disse até que a recolha de dados para o caso era ‘ilegítima’ e que, por isso, o consentimento dos eleitores deveria ser considerado ‘inválido’”, recorda o activista, que fala da recolha de dados a que os activistas chamaram de ‘referendo civil’, sobre o desejo dos residentes verem sufrágio universal em Macau para eleger o Chefe do Executivo.

Nova acusação

Apesar de admitir que, afinal, a recolha de dados foi

legal, de acordo com Jason Chao, o GPDP vem acusar os activistas de outra alegada ilegalidade relativamente à actividade: “acusam a Comissão Organizadora de não se utilizar de servidores em Macau e de transferirem os dados pessoais dos eleitores para um outro país”. Isto porque fizeram uso de “iCloud”. Contudo, Chao considera que a lei não pune a transferência de dados para outros países quando esta não é feita de forma voluntária e quando acontece devido “à forma como as redes estão estruturadas”. “É um facto de que não há serviços de ‘nuvem’ em Macau e muitas empresas e associações escolhem usar servidores estrangeiros”, defende Chao, que acrescenta

que o GPDP foi informado de todas as medidas de protecção de dados pessoais implementadas pela Comissão do referendo. Jason Chao vai mais longe e acusa o GPDP de ter formas diferentes de aplicar a lei, já que uma associação pró-Governo utilizou o mesmo sistema para registar os dados dos residentes para um evento e o Gabinete considerou não haver ilegalidades. Por um lado, o activista não pode ser mais alvo da acusação que pendia contra si em tribunal, devido à ilegalidade do referendo, mas por outro a Comissão poderá ter de pagar uma multa por causa desta nova acusação, que poderá ascender às 80 mil patacas. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Para constar se lavrou este e outro de igual teor, que serão legalmente afixados. Tribunal Judicial de Base de RAEM, aos 28 de Julho de 2015. ***

atfpm

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO. REQUERIDO: SOU IAN VA, solteiro, maior, filho de Sou Kam Fu e de Ng Ieng, nascida em 13 de Outubro de 1963, natural de Macau, titular do BIR nº 5075814(3), com residência no Lar São Luís Gonzaga, sito em Macau na Taipa no Caminho das Hortas. *** A MM.ª JUIZ DO 1º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.RE.M. FAZ SABAER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 27 de Julho de 2015, uma Acção Especial de Interdição por Anomalia Psíquica, com o número acima indicado, que o Ministério Público move contra SOU IAN VA, a fim de ser decretado a sua interdição por anomalia psíquica.

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PROC INTERDIÇÃO N.º CV1-15-0030-CPE 1º Juízo Cível

La Scala Pedida habitação pública nos terrenos

O deputado Ng Kuok Cheong volta à carga sobre a construção de habitação pública nos terrenos do La Scala. Depois do Governo ter recuperado os direitos sobre os terrenos do La Scala – já que foi anulada a concessão à companhia Moon Ocean pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI) – o deputado quer que os lotes sirvam para construir habitação pública. Numa interpelação escrita, o deputado considera que o local aguenta mais de dez mil fracções de habitação pública e questiona se o Governo vai planear essa construção e qual será o departamento responsável. Além disso, o deputado quer saber qual é a área total de terrenos desocupados que não estão em processos a decorrer nos tribunais, para que se saiba quantos mais podem vir a ser utilizados para a população.

CCP pede reforço da participação dos jovens na política

O Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) e a Escola Portuguesa de Macau (EPM) sentem necessidade de reforçar a participação dos jovens lusos da região na política. Durante uma reunião do representante do Conselho das Comunidades Portuguesas José Pereira Coutinho com o director da Escola Portuguesa de Macau (EPM), Manuel Machado, “foi referida a necessidade de incentivar os jovens a uma maior participação cívica e política na RAEM como parte extra-curricular da aprendizagem”, como sublinha o presidente do Conselho em comunicado enviado ontem. Em cima da mesa estiveram ainda eventuais parcerias na organização de serviços comunitários e divulgação de informações políticas.


sociedade

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Hotel Estoril Siza Vieira é o arquitecto do projecto

Convite aceite

Alexis Tam convidou Siza Vieira para comandar o projecto do Hotel Estoril e o arquitecto aceitou. Com opinião de não manter a fachada, Siza Vieira deverá visitar Macau em Outubro. Alexis Tam garante que ainda não há decisão sobre o edifício

É

da boca do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que sai a confirmação: Álvaro Siza Vieira será o arquitecto responsável pelo projecto do Hotel Estoril. “Estive em Portugal, no Porto, visitei o

O

arquitecto Siza Vieira e no fim trocámos impressões sobre o desenvolvimento da cidade de Macau (...). Abordei a possibilidade de o arquitecto nos ajudar a fazer o projecto de design para um novo centro de actividades criativas e artísticas para os

ex-professor de Administração do Instituto Politécnico de Macau (IPM) Larry So considera que o Mecanismo de Protecção dos Idosos pode vir a causar uma ainda maior dependência dos hospitais e lares, agravando a pressão no sector da saúde e a falta de recursos humanos especializados. O Governo está a realizar consultas públicas em relação a este mecanismo, no qual se prevê que o envelhecimento da população cresça gradualmente até 2036. Larry So disse ao Jornal do Cidadão que o conteúdo do documento é muito rico, devido à sua composição de quatro diferentes áreas – serviços médicos e de assistência social, garantia de direitos, participação social e ambiente de vida –, incluindo um plano de actividades para até daqui a dez anos. No entanto, o também comentador de assuntos sociais acha que o mecanismo

jovens e ele aceitou o convite”, confirmou o Secretário. Foi na visita oficial de Alexis Tam a Portugal que o encontro – e o convite – aconteceu. “[No encontro] falámos sobre o projecto do Hotel Estoril uma vez que o Executivo quer tornar aquele

hotel abandonado num centro de actividades criativas e artísticas para os jovens. Perguntei a sua opinião, se vale a pena manter a fachada ou não”, relatou o Secretário. A obra dos anos 60 muita polémica tem trazido à praça pública. O arquitecto já se mostrou a favor da demolição da fachada do hotel, opinião também partilhada pelo arquitecto Souto de Moura, como confirmou ao HM esta semana, mas muito contestada por arquitectos locais.

Em aberto

Ainda assim, Alexis Tam garante que nada está decidido. “Será uma decisão difícil”, disse aos jornalistas, reforçando que nunca nenhuma decisão irá agradar a todos. “Seja o que for, as pessoas vão criticar, isso sem dúvida,

já estou preparado”, disse, salientando que a única coisa que é importante é o “interesse público”. Só depois do arquitecto cumprir os seus compromissos agendados em Nova Iorque é que virá a Macau. Algo que, segundo Alexis Tam, deverá acontecer no início de Outubro. O Governo diz que vai analisar os prós e contras e só depois tomar uma decisão. “A posição do Governo é aberta. Todas as associações de educação, incluindo professores e directores das escolas, não querem a manutenção da fachada. Ontem [quarta-feira], Souto de Moura também disse que não. Ainda não está tomada a decisão. Vamos ver”, reforçou. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

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“Abordei a possibilidade de o arquitecto [Siza Vieira] nos ajudar a fazer o projecto de design para um novo centro de actividades criativas e artísticas para os jovens e ele aceitou o convite” Alexis Tam Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura

Larry So contra transferência de idosos para a Ilha da Montanha

Envelhecer onde sempre se viveu apenas se foca no sector da saúde e dos cuidados de geriatria, mas não cobre questões como “cuidados na comunidade” e a necessidade de “passar os momentos de velhice

onde se nasceu e viveu uma vida inteira”, descreve o jornal em língua chinesa. “É mais prático ajudar os idosos a ter dignidade num ambiente que

Por uma pl ataforma de entreajuda de voluntários O membro da Comissão para os Assuntos do Cidadão Sénior, Leong Wai Fong sugere que seja criada uma plataforma de voluntários remunerados destinada a acolher e apoiar os idosos. De acordo com o Jornal do Cidadão, Leong propõe que as instituições ofereçam cursos de formação para cuidar, visitar e entregar refeições a outros idosos que não estejam em tão boa condição física. Esta actividade, explica Leong, teria carácter voluntário, mas seria paga. Quando forem executadas determinadas horas de serviço, serão oferecidos descontos de compras e viagens como remuneração pelo trabalho. Além disso, Leong concorda com Larry So, ao referir que deve ser valorizado o apoio comunitário e dos familiares.

lhes é familiar, até porque vivem de forma mais autónoma. É também importante transferir ou ligar os serviços de idosos de hospitais com a comunidade e o documento não é muito claro acerca disso, referindo-se apenas a um estudo futuro da matéria”, continuou.

Prós e contras

Larry So acrescentou que a execução de todas as medidas prometidas no documento é um factor positivo para os idosos, mas duvida da capacidade de mão-de-obra e infra-estruturas por parte do Governo para o efeito. So argumentou que será preciso investir muito mais recursos para depender dos hospitais e dos lares como o documento indica. No

entanto, as ideias de “cuidados em comunidade” e de passar a velhice no local onde se nasceu e viveu só exige investimento em recursos de instituições de serviços sociais, que têm já um suporte. O comentador criticou a proposta de cooperação com outras regiões na “exportação de idosos” para a Ilha da Montanha ou para Jiangmen. Considera que se trata de uma medida irresponsável, não fazendo para si sentido criar lares de idosos longe de casa. Larry So justificou que “eles preferem passar os momentos de velhice onde nasceram e viveram” e assim se sentirem confortáveis e seguros. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


8 sociedade

Os resultados da consulta pública da AL poderão ditar a posição do Governo quanto à permissão das salas de fumo nos casinos. Alexis Tam diz que decisões só depois dos resultados

hoje macau sexta-feira 7.8.2015

Tabaco Consulta pública poderá ditar regras para salas de fumo

Governo com “abertura total”

O

Governo não admite que abandonou a postura da “proibição total do fumo” nos casinos, mas avança que, caso as opiniões da consulta pública – que decorre no momento –, mostrem que a população quer manter as salas de fumo dos casinos, isso poderá mesmo acontecer. “A posição do Governo é de total abertura”, explicou Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). Ainda assim, mesmo que isso aconteça, as operadoras terão que mostrar ter condições para o fazer, mantendo sempre a saúde como prioridade. Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, reforçou a afirmação do presidente da Comissão que analisa na especialidade as alterações ao Regime de Prevenção e Controlo do Tabagismo, admitindo que a “posição do Governo é aberta”. “Se os casinos, ou se a AL, tiverem um outro resultado, nesta

Operários locais protestam por pagamento de salários

consulta pública, isto é, se a maioria das opiniões indicarem para o não cancelamento das salas de fumo, e satisfeita a exigência de atingir um nível do patamar da segurança do controlo do fumo [por parte das operadoras], então o Governo pode ponderar esta situação [de manter as salas]”, disse o Secretário no fim da reunião que aconteceu ontem. “Se os trabalhadores acharem que não é necessário cancelar as salas de fumo,

Um total de 23 trabalhadores locais de estaleiros de obras manifestaram-se contra a Companhia de Engenharia Wit por alegados despedimentos sem justa causa e pelo incumprimento no pagamento de remunerações. Os operários manifestaram-se ontem junto ao Edifício Industrial Air Way na Avenida de Venceslau de Morais. O representante dos trabalhadores, de apelido Choi, disse ao HM que trabalhavam numa obra no Inn Hotel Macau através dessa empresa há quase um mês e que foi acordado cada trabalhador ganhar 20 mil patacas por mês. No entanto, há dois meses, a companhia pediu a suspensão da obra e despediu os trabalhadores sem pagamento da remuneração. A justificação da companhia foi “que o hotel ainda não pagou as despesas da obra”. Contudo, o hotel revelou aos trabalhadores que já pagou três milhões de patacas à empresa. Choi disse ainda que caso não consigam recuperar os salários, os operários vão queixarse à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais.

então o Governo tem de preparar melhor o que virá no futuro”, assinalou. Assumir qual será o rumo é ainda “cedo de mais” para o Secretário porque, segundo o mesmo, é necessário esperar pelos resultados da consulta pública que termina a 30 de Setembro.

Operadoras preparadas

Questionado sobre os critérios que poderão avaliar as opera-

doras – quanto à possibilidade da existência das salas de fumo – Alexis Tam explicou que falou com todos os deputados e que depois de serem conhecidos os resultados da consulta pública – feita pela AL – é preciso saber se os trabalhadores e os residentes de Macau acham adequado o não cancelamento das salas de fumo nos casinos. “Vamos então ouvir quais as propostas por parte das

Estratégias para aumento da população

O

Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garante que o Governo vai apostar mais em estratégias para se coadunar com o crescente aumento da população. “Quanto ao número de 750 mil habitantes não comento e também não comento se Macau tem capacidade ou não para suportar um número tão grande de [pessoas]. O que podemos fazer, ou temos de fazer, é planear melhor para resolver ou acompanhar o aumento do número da população”, disse o Secretário. Alexis Tam explicou que o Governo irá estudar o relatório e depois disso “delinear uma série de estratégias”. “Pegando nesse número vamos ver como melhor podemos preparar as nossas instalações de acção social para o número crescente de idosos no futuro”, explicou. Mas não é apenas a

área da acção social que está incluída nas preocupações do Governo. Alexis Tam está ainda atento às “políticas a nível educativo”. Na possibilidade de haver mais terrenos, o Secretário garante que esses serão utilizados em prol da sociedade. “Se o Governo tiver mais terrenos irá dar esses espaços para a construção na área de acção social. Vamos reforçar os serviços dedicados à terceira idade”, garante. “No futuro iremos ter uma série de planeamentos estratégicos a nível de saúde e de acção social. Estou optimista, pois posso dizer que temos uma série de medidas para dar resposta às necessidades da sociedade”, tranquilizou o Secretário, acrescentando que não vão ser reduzidos os recursos no bem-estar da população. F.A.

operadoras dos casinos em relação ao critérios”, diz, sendo que, o “Governo também irá discutir [com as operadoras] esses mesmos critérios”. Ainda assim, mantém-se em cima da mesa a proibição total do fumo nos casinos, ideia que Alexis Tam continua a defender. “Discutimos isto porque o Governo tem sempre uma posição de assegurar a saúde dos residentes e turistas. É por isso que gostaríamos de implementar a proibição total do fumo nos casinos”, reforçou. Sobre a avaliação às condições das operadores, Alexis Tam afirma que o Governo ainda não sabe como tudo irá acontecer e que só tomará decisões depois da consulta pública terminar. Confrontado com os resultados de um estudo encomendado pelas operadoras, em Junho deste ano, que dava conta que a maioria de funcionários e clientes concorda com a criação de salas de fumo nos casinos, o Secretário volta a desvalorizar adiantando que confia mais no estudo levado a cabo pela própria Administração, que indicava número bem mais inferiores. Ainda assim, Alexis Tam admite que os tempos são outros e a tendência poderá também ser diferente. “Este estudo foi efectuado há um ano mas, como sabem, a situação económica agora é diferente. Por isso, vamos ver qual é o resultado do próximo estudo”, assinalou. Em discussão esteve ainda a proibição das salas de fumo no aeroporto e no Estabelecimento Prisional de Macau (EPM). “Atendendo a alguns exemplos internacionais, algumas cidades proibiram o fumo nos aeroportos, como por exemplo Pequim. Achamos que futuramente o número de aeroportos que vão cancelar as salas de fumo vai aumentar, contudo vamos acompanhar a situação. Temos abertura em relação à instalação e montagem ou manter ou não manter as salas de fumo no aeroporto de Macau”, esclareceu Alexis Tam. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


china

hoje macau sexta-feira 7.8.2015

Ajuda de emergência à Birmânia devido às inundações

A China anunciou ontem que vai oferecer à Birmânia ajuda de emergência devido às inundações que afectam grande parte do país vizinho que causaram pelo menos 69 mortos, informou a agência oficial Xinhua. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou que a ajuda, que inclui uma dezena de lanchas, está avaliada em 10 milhões de yuan. Segundo dados facultados pelas autoridades da Birmânia, pelo menos 270 mil pessoas foram afectadas pelas inundações. O Gabinete de Coordenação para os Assuntos Humanitários da ONU indicou, no seu mais recente relatório, que 4.050 quilómetros quadrados de terras de cultivo sofreram danos. Após várias semanas de intensas chuvas da época de monção, o Governo birmanês lançou um raro apelo para a ajuda internacional. A embaixada da China na Birmânia também pediu às empresas do gigante asiático com presença no país que ofereçam ajuda.

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m jornal oficial chinês acusou ontem o Japão de assinalar o bombardeamento atómico de Hiroshima “de forma calculista” e manter o silêncio sob os crimes de guerra que cometeu na China e na Coreia do Sul. Assinalar o 70.º aniversário do primeiro bombardeamento nuclear da história “é compreensível”, afirmou o Global Times, uma das publicações do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. “Mas é preciso dizer que as cerimónias concentram a atenção no facto de o Japão ter sido vítima das bombas atómicas e deixam totalmente de lado as razões” que levaram aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. “As comemorações ignoram que o Japão também cometeu crimes de guerra (...) e mostram até que ponto o Japão pode ser calculista e adoptar estratagemas” para fazer esquecer as suas responsabilidades históricas, insistiu o jornal oficial. Há 70 anos, às 8:15 locais, o bombardeiro norte-americano “Enola Gay” lançou uma bomba atómica sobre Hiroshima, ataque que levou à capitulação do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Japão acusado de esquecer crimes da II Guerra Mundial

O silêncio dos culpados

Este primeiro bombardeamento nuclear causou 140 mil vítimas, de acordo com estimativas.

In memoriam

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e representantes de 100 países - o maior número alguma vez presentes nas cerimónias de Hiroshima - encontravam-se ontem entre dezenas de milhares de pessoas que fizeram um minuto de silêncio

em memória das vítimas naquela cidade do oeste do Japão. Ao apoiar uma política de defesa mais dura, “Abe quer normalizar o estatuto do Japão (na cena internacional), mas sem fazer uma introspecção completa sobre os crimes de guerra nipónicos”, comentou o Global Times. Para Pequim, a invasão da China pelo exército imperial japonês e o período de ocupação entre 1937 e 1945 causaram mais de 20 milhões de mortos chineses.

“As comemorações [do bombardeamento de Hiroshima] ignoram que o Japão também cometeu crimes de guerra (...) e mostram até que ponto o Japão pode ser calculista e adoptar estratagemas” Global Times

Neste aniversário da capitulação do Japão, a 2 de Setembro de 1945, Pequim vai conferir uma solenidade inédita às comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial, destacando-se a realização de um grande desfile militar a 3 de Setembro, que será feriado na China.

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EDITAL Edital nº Processo nº Assunto Local

EDITAL

:14/E-OI/2015 :131/OI/2014/F :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) :Beco da Barra n.º 1, Edf. Hong Van, terraço sobrejacente à fracção 4.º andar B (CRP:J3), Macau.

Cheong Ion Man, subdirector substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 25, II Série, de 24 de Junho de 2015, faz saber por este meio aos donos da obra e aos proprietários, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização da obra abaixa indicada que infringiu o disposto no nº 1 do artigo 3º do Decreto-Lei nº 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei nº 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo nº 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que as obras são consideradas ilegais: 1.1 1.2 2.

3.

4.

Obra Alteração do acabamento das paredes e de pavimento no terraço do edifício sobrejacente à fracção. Instalação de pala metálica na parede exterior da caixa de escada do terraço do edifício sobrejacente à fracção.

Nestas circunstâncias e nos termos dos artigos 52º e 65º do RGCU, pode ser ordenado que os infractores procedam à demolição das obras ilegais referidas no ponto 1, e à reposição da parte comum afectada do edifício (terraço do edifício) de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços, pelo que, são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas. Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados podem apresentar a sua defesa por escrito e as demais provas para se pronunciar sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer diligências complementares, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data de publicação do presente edital. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, nº 33, 15º andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).

Aos 27 de Julho de 2015

Edital n :26/E-BC/2015 Processo no :137/BC/2014/F Assunto :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Beco da Barra n.º 1, Edf. Hong Van, terraço sobrejacente à fracção 4.º andar B (CRP:J3), Macau. o

Cheong Ion Man, subdirector substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 25, II Série, de 24 de Junho de 2015, faz saber por este meio aos donos da obra e aos proprietários, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

2.

3.

4.

5.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

1.1

Construção de um compartimento não autorizado com tijolo.

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.

1.2

Instalação de gradeamento metálico.

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.

1.3

Construção de um compartimento não autorizado com suporte metálico.

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.

Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terão necessariamente de serem determinadas pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95o do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).

Aos 27 de Julho de 2015

Pelo Director dos Serviços O Subdirector, Subst.º Cheong Ion Man

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Pelo Director dos Serviços O Subdirector, Subst.º Cheong Ion Man


eventos

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facebook

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Pela primeira vez Macau vai receber a Semana do Design. A edição número um do evento decorre entre os dias 15 e 22 de Agosto, onde os participantes poderão ver de perto o trabalho de 21 designers ou empresas locais e de Hong Kong, assistir a filmes ou ir ao mercado do design. Chao Sio Leong, coordenador, fala de um evento que serve de “plataforma de comunicação”

E

xposições, peças de design, filmes, um mercado, uma festa de encerramento. Todos os ingredientes estão preparados para organizar a primeira Semana do Design de Macau, que decorre entre os dias 15 a 22 de Agosto. A organização do evento está a cabo da Associação de Design de Macau, com o apoio do Centro de Design do território. Ao todo, o público poderá contar com 21 participantes da área, estando previstos vários eventos, como duas

exposições logo no arranque da Semana do Design, um seminário no dia 16, um mercado do design e a exibição de dois filmes. Para Chao Sio Leong, ligado à empresa Mo-Design e coordenador do evento, a Semana do Design de Macau vai servir de uma plataforma de comunicação para o público. “Os designers não vão apenas criar bonitos objectos para chamar a atenção das pessoas, mas vão interpretar as suas vidas, pensamentos e experiências enquanto descobrem a esté-

tica”, contou o designer ao HM. “Através da partilha dos trabalhos de design e de debates de grupo, os oito dias da Semana do Design de Macau vão levar o público a ter um contacto mais profundo com o design”, disse ainda. “Graças à intensidade dos seus trabalhos pode-se aumentar a consciência social. Como resultado, o design transforma-se numa ferramenta sustentável para o desenvolvimento económico e social, desempenhando um papel fundamental para o ser

À venda na Livraria Portuguesa Francis Bacon – Lógica da Sensação • Gilles Deleuze

Francis Bacon – Lógica da Sensação apresenta-nos o trabalho filosófico de Gilles Deleuze em confronto com a obra de um dos pintores mais marcantes do século XX: Francis Bacon. Tendo como base a lógica não-racional da sensação, Deleuze inaugura uma nova concepção da estética, que encontra a sua origem e paralelo em determinados aspectos das pinturas de Bacon. O texto, publicado pela primeira vez em 1981 (Éditions de la Différence, 2 vols.), está organizado numa cadência quase musical, dividindo-se em 17 sequências, através das quais vamos não só descobrindo uma composição de conceitos, mas ainda as ligações entre as artes visuais e as áreas da filosofia, da literatura e da música. Gilles Deleuze (1925-1995) é um dos mais importantes pensadores franceses da segunda metade do século XX. Ensinou história da filosofia na Sorbonne e foi professor durante vários anos na Universidade de Paris VIII. Publicou diversas obras de referência nas áreas da filosofia, da literatura, da pintura e do cinema.

humano”, acrescentou ainda Chao Sio Leong.

Vizinhos premiados

Além da Mo-Design, participam ainda nomes como Bruno Design, Chiii Design, CASES-

Primeira Semana do Design

Esboços

TATION, Cosmic Design ou Conde Group. O coordenador da Semana do Design de Macau prefere destacar a presença de dois designers de Hong Kong, que vão promover um seminário no dia 16.

Um deles é Joe Kwan, natural da região vizinha com estudos feitos no Reino Unido e Austrália. Depois de trabalhar com duas empresas do sector em Hong Kong, criou o Studiowill, que trabalha na

“Graças à intensidade dos seus trabalhos pode-se aumentar a consciência social. Como resultado, o design transformase numa ferramenta sustentável para o desenvolvimento económico e social, desempenhando um papel fundamental para o ser humano” Chao Sio Leong Coordenador do evento

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Iceberg • Clive Cussler

O gigantesco iceberg no Atlântico Norte era um túmulo flutuante. A colossal massa de gelo encerrava um navio no seu interior; selado de tal forma que nem o mastro era visível.

Uma patrulha da guarda costeira percebeu que algo se escondia no seu interior. Deixaram marcas para enviar uma equipa de investigação, mas alguém apagou a sinalização para que este local não fosse encontrado novamente. Duas figuras foram avistadas no local. Eis um mistério dos mares comparável ao Triângulo das Bermudas. Mas, para o Major Dirk Pitt, o maior aventureiro da Agência, esta foi a primeira pista de uma sequência de acontecimentos fantásticos que o levarão muito perto e demasiadas vezes à beira da morte. Que sinistra e bizarra conspiração se desenrola nas inóspitas tundras da Islândia? Que segredo macabro se esconde debaixo de um Iceberg?


eventos 11

a-feira 7.8.2015

IC Abertas inscrições para participação em Bienal de Urbanismo

Cidades juntas para reinventar E stão abertas as inscrições para quem queira participar na Bienal de Urbanismo e Arquitectura de Shenzhen e Hong Kong deste ano. De acordo com comunicado do Instituto Cultural (IC), a entrega de propostas de projecto acontece até 16 do próximo mês e é a segunda vez que Macau é convidada pela organização da Bienal para lá ter peças de profissionais seus. O tema deste ano é “Origens da Cidade” e todos os curadores podem participar a título individual ou colectivo. Para a presente edição, pretende-se criar “um mundo melhor” alicerçado na “remodelação do espaço urbano e residencial”, promovendo três “r”: reconsideração, reutilização e reimaginação.

saem à rua área do design gráfico, publicidade e fotografia. Vencedor de vários prémios, Joe Kwan entrou para a lista dos “100 melhores designers chineses”, elaborada pelo Shanghai Designer Club, em 2012. Outro dos profissionais presentes que Chao Sio Leong destaca é Adonian Chan. Além de ser designer, Adonian Chan é músico e tem um restaurante. Nascido em Hong Kong em 1986 e licenciado pelo Instituto Politécnico de Hong Kong em 2009, Adonian Chan criou a empresa Trilingua Design um ano depois. Tratando-se do primeiro evento do género a decorrer no território, o coordenador da Semana do Design de Macau não tem dúvidas de que a RAEM precisa de promover mais o que se faz por cá. Para Chao Sio Leong, “o mais importante é garantir que os objectivos são atingidos e que os espectáculos e o evento em si têm efeitos positivos”. Os bilhetes estão à venda no Centro de Design de Macau, localizado na Travessa da Fábrica, na zona da Areia Preta. Para ver os três filmes, os interessados

podem optar por um pacote de três bilhetes a 150 patacas, com uma bebida incluída. Não há informações quanto aos preços dos restantes eventos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Macau Design Week • Macau Design Exhibition (15 a 22 de Agosto) • Exposição sobre o livro “The Northern Way Dinasty” (15 a 22 de Agosto) • Filme “Fonting the City” (15 Agosto) • Mercado do Design (15 a 16 Agosto) • Seminário com Joe Kwan e Adonian Chan (16 Agosto) • Filme “Design and Thinking” (20 Agosto) • Documentário “Maker” (21 Agosto) • Festa de encerramento “Electronic Music Closing Party” no espaço MoWave (22 Agosto)

Alargar horizontes

De acordo com o mesmo comunicado, o IC espera que a participação da região “promova o intercâmbio cultural entre Macau e o exterior”, além de expandir os seus horizontes ao nível artístico e cultural com as experiências e obras internacionais. “Por outro lado, o IC espera ainda que incentive

SJM entrega 28 bolsas de estudo de 20 mil patacas

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a 11ª edição de entrega de bolsas de estudo, a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) atribuiu dez bolsas de ensino universitário aos melhores alunos de 2015 e renovou as bolsas de 28 outros jovens, que já haviam sido concedidas nos anos anteriores de 2012, 2013 e 2014. Este evento tem sido realizado anualmente e tem como objectivo ajudar os filhos de funcionários da SJM a seguirem os seus estudos. Este ano, concorreram à atribuição da bolsa 56 candidatos, todos eles chineses de Macau. Cada um dos finalistas vai receber 20 mil patacas anuais até completar o curso universitário no qual se inscreveu. Outros dois alunos, que não integraram a lista de vencedores, tiveram direito a dez mil patacas como galardão da sua performance e esforço escolares.

sjm

arranca dia 15

A ideia, de acordo com a organização, é reutilizar e inovar espaços e conceitos já existentes. A Bienal de Urbanismo e Arquitectura teve início há dez anos em Shenzhen, tendo Hong Kong sido convidada dois anos depois, em 2007. Foi nesse ano que inaugurou como mostra bi-citadina, organizada pelas duas cidades. Até ao momento, foram já realizadas cinco edições deste evento, no total con-

tando com mais de 770 obras internacionais, 310 fóruns e actividades variadas, tudo isto tendo a presença de mais de 860 mil visitantes. Foi em 2013 que a RAEM se estreou nesta mostra, sendo esta a segunda participação do território na mesma. Este ano, as estimativas apontam para a presença de 300 mil visitantes e mais de cem expositores de 25 países.

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Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Pára-quedas Todos somos emigrantes Quando sentes necessidade de partir vais sem olhar para trás, deixas as raízes…o existir, levas a certeza que um dia voltarás.

O programa existe desde 2005 e já premiou cerca de 120 filhos de funcionários, 70 deles finalizando o seu curso superior. Além de oferecer estas bolsas de estudo, a SJM também apoiado os seus funcionários sem estudos ou com poucos conhecimentos para apostarem na sua educação e completarem o ensino secundário.

Dez prémios para “Talentos de Macau” um total de 34 candidaturas, a Fundação Macau seleccionou dez premiados para os “Prémios para Talentos de Macau, 2015”.Amedalha de ouro foi para Kong Kat Kir, com “45th International Physics Olympiad”, seguindo-se Chan Ian Weng, com o primeiro lugar do “Microsoft Office Specialist World Championship 2014 (Microsoft Word 2010)”, Lo Kin Ian, com o primeiro lugar de “Microsoft Office Specialist World Championship

a criatividade junto da geração mais jovem de Macau, potenciando o nível artístico das suas obras, a fim de aprofundar os seus conhecimentos sobre obras de nível internacional e formar recursos humanos de reserva”, escreve o IC. A presente edição conta com curadores de Shenzhen e do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique. O projecto a seleccionar será supervisionado pela Comissão Organizadora da Exposição de Macau – Bienal Bi-citadina de Urbanismo e Arquitectura de Shenzhen e Hong Kong 2015. Os interessados podem tirar dúvidas sobre a inscrição e teor do projecto por email até dia 21 deste mês, para pr@icm. gov.mo.

2014 (Microsoft Excel 2010)”. Entre os premiados, está o macaense Paulo de Senna Fernandes, com uma medalha de bronze em prémios de Design. Os prémios, defende a Fundação num comunicado, têm como objectivo criar um estímulo nos residentes de Macau para que sejam incentivados a empenhar-se na procura da excelência do seu desenvolvimento pessoal, promovendo o seu próprio crescimento,

e assim contribuir para o desenvolvimento da sociedade de Macau. Os prémios destinam-se ainda a encorajar a participação dos residentes em diversas áreas, não só apoiando como premiando aqueles que se distinguem em competições ou actividades de nível nacional ou de nível mais alargado ou que, ainda, se tenham destacado com um trabalho de excelência numa determinada área profissional.

Saltas fronteiras, alargas horizontes ganhas o pão com suor constróis o mundo lançando pontes conquistas o direito a uma vida melhor. Cantas o fado da saudade diluída no sonho da prosperidade já desejada pelos nossos pais e avós. Por imperativo da realidade, pela nossa história e identidade, emigrantes somos todos nós.

Daniel Bastos, “Todos somos emigrantes, in Terra


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artes, letras e ideias

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Mendes Pinto encontra a filha de Tomé Pires

A

desajustada política de D. Manuel para os Mares da China, como ficou bem provado com Simão de Andrade “habituado ao autoritarismo com que os Portugueses se haviam imposto por todo o Índico, não se adaptou às práticas locais, nem se apercebeu de que estava num país assaz peculiar, tanto de um ponto de vista cultural como do político e, por isso mesmo, incomparável a outras regiões asiáticas onde já servira o rei” como refere João Paulo Oliveira e Costa e com ele continuando: “Assim que chegou à orla do Império do Meio, Simão de Andrade cometeu um erro que originou o primeiro equívoco grave nas relações com as autoridades locais”, “resolveu defender-se em terra: ergueu para isso um fortim na ilha de Tamau, sem que os governantes chineses fossem ouvidos. Detentor de toda a autoridade no ilhéu onde se fortificara, o capitão enforcou aí um dos seus marinheiros, facto que fez crescer ainda mais a indignação e a preocupação dos chinas. Com as relações já tensas, Simão impediu que comerciantes de outras nações vendessem as suas fazendas e autorizou os seus homens a comprar moços e moças filhos de gente honrada” e João de Barros acrescenta: “Simão de Andrade personificava as virtudes e os defeitos do optimismo manuelino”. Desmandos em Tamão e no vizinho mar de Tunmen de Simão de Andrade, aliados com o de mercadores portugueses terem batido num mandarim, foi o rastilho que estourou com Duarte Coelho a abrir fogo na batalha naval de 1521. Estas as grandes causas do malogro das duas primeiras embaixadas à China, a de Tomé Pires e a seguinte, em 1522 com Martim Afonso de Melo Coutinho como Embaixador e daí, “todas as desgraças que os portugueses sofreram na China nos mais de trinta anos seguintes, até ao aparecimento de Leonel de Sousa, que fez o assentamento de 1553-1554, em Kuóng-Hoi, com o Intendente Marítimo, Van-Pé (o haidao Wang Bo, subintendente dos Assuntos de Defesa Costeira que deu uma autorização de estadia temporária) - título que nos facultou o estabelecimento em Macau” A. Cortesão. A suspensão obrigatória de todas as actividades da vida chinesa após a morte do Imperador Zhengde, não tinham sido respeitadas pelos comerciantes

portugueses que se encontravam em Cantão, o que levou à expulsão dos bárbaros do país após duas batalhas navais e “como consequência, a proibição dos navios portugueses não poderem aportar em Cantão, nem estabelecer relações diplomáticas e comerciais com a China, fez os portugueses juntarem-se aos japoneses na pirataria pelas baías da costa de Fuquiam e Zhejiang, trocando a prata e outros produtos por seda com os contrabandistas chineses” A. Cortesão. Havia ainda mercadores portugueses que entravam na China disfarçados e misturados com os comerciantes das embaixadas dos países do Sudeste Asiático. Fernão Mendes Pinto e seus companheiros em 1542, após o barco naufragar na enseada de Nanquim e de muitas peripécias, seguiam pelo interior até Pequim fazendo-se passar por mercadores do Sião, mas acabaram presos. Já em 1525 um édito imperial decretara o fim da marinha mercante chinesa nos mares da China, tendo por isso alguns chineses emigrado e desrespeitando as leis tornaram-se mercadores renegados, dependendo dos portugueses para manter os contactos com os familiares e no comércio com os conterrâneos. Com estas amizades feitas, esses chineses ultramarinos forneciam aos portugueses guias e após o imbróglio com Simão de “Andrade, levaram-nos a Liampó (Ningpo), onde os mandarins, largamente subornados, faziam vista grossa ao comércio proibido, que, com o passar do tempo, se estendeu a Chincheu (Zhangzhou), chegando a restabelecer-se às próprias portas de Cantão”, como refere Montalto de Jesus citando Gaspar da Cruz. As costas passaram a estar cheias de comerciantes piratas japoneses e portugueses à procura dos apetecíveis produtos chineses, pois proibido pela dinastia Ming o comércio marítimo com outros países e a China sem esquadras para patrulhar a longa costa. Mas os lucros em prata eram muitos e estas enseadas de Fujian e Zhejiang foram bons locais para as trocas entre chineses e portugueses.

às mãos dos portugueses revelaram os sofrimentos atrozes da embaixada na prisão, onde roubaram a Pires os presentes reais recusados, assim como uma quantidade de almíscar, ruibarbo, damasco, cetim, ouro e prata que ele trazia consigo para fins comerciais. Era crença geral que, por fim, a desgraçada embaixada teria morrido na prisão.” Armando Cortesão complementa: “A carta de (o persa convertido Cristóvão) Vieira, concluída provavelmente em Novembro de 1524, diz que, de todos os companheiros de Tomé Pires, apenas ele e Vasco Calvo se encontravam vivos, na cadeia de Cantão, e à primeira vista dá a impressão de que Pires falecera em Maio desse ano. Esta passagem, que levou Barros, e todos os que, depois dele, mais ou menos levemente se têm referido ao assunto, a declarar que de facto Pires faleceu então na cadeia, é muito confusa e susceptível de várias interpretações. E aquela não é a interpretação que se coaduna

Tomé Pires está morto ou vivo? Montalto de Jesus refere que as “Cartas de Cantão que chegaram, anos depois,

Cantão

com outros elementos de informação conhecidos.” “Na verdade, Vieira não diz que Pires morreu na prisão, o que, no caso afirmativo, não deixaria de mencionar; a informação foi-lhe provavelmente dada pelos chineses, que teriam interesse em o enganar. Castanheda, que, nessa ocasião, se encontrava na Índia, diz que o Rei da China <mandou prender o nosso embaixador, e os outros que estavam com ele, e mandou que estivessem apartados uns dos outros, e que lhes fosse tomada toda sua fazenda, escrita e avaliada; e dizem uns que com tristeza adoeceu, e morreu o embaixador; outros que morreu com peçonha. E porque eu não pude saber as particularidades disto o digo assim em suma>. Porém, Gaspar Correia, que, durante quase todos esses anos, também esteve na Índia, diz positivamente que o Rei da China <mandou prender o nosso embaixador, e levar a outra terra em que esteve muito tempo,


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José Simões Morais

O simples boticário achouse, de repente, guindado a embaixador, para afinal vir a morrer ignoradamente, depois de tanta desilusão, ignomínia e sofrimento, perdido e esquecido numa terriola qualquer dessa China imensa, cujo mistério e riqueza tanto o haviam seduzido até que a El-Rei se lhe foi a menencoria (melancolia), e folgou de falar com ele; mas nunca o mais deixou tornar, e lá morreu>. Isto é ainda confirmado por um antigo documento chinês, citado por W. F. Mayers, em que este assunto é referido, no qual se diz que a embaixada de Pires foi enviada sob prisão de Pequim a Cantão <e os seus homens expulsos para além das fronteiras da província>.

Por onde andava Tomé Pires Ora, Fernão Mendes Pinto escreve, na Peregrinação, que, ao passar, em 1543, pela povoação de Sampitay, na

margem do Grande Canal, quando seguia preso de Nanquim para Pequim, encontrou aí uma mulher cristã que, depois de lhe mostrar a cruz que tinha tatuada no braço e o convidar e a seus companheiros portugueses para sua casa, lhes disse <que se chamava Inês de Leiria, e que seu pai se chamara Tomé Pires,>...<E que a seu pai lhe coubera em sorte ser seu degredo para aquela terra, aonde se casara com sua mãe, por que tinha alguma coisa de seu, e a fizera cristã, e sempre em vinte e sete anos que ali estivera casado com ela, viveram ambos muito catolicamente, convertendo muitos gentios à Fé de Cristo, de que ainda naquela Cidade havia mais de trezentos, que ali em sua casa se ajuntavam sempre aos domingos a fazer doutrina>” A. Cortesão. E com ele continuando, Fernão Mendes Pinto “confirmou tudo isto numa declaração escrita, ainda hoje existente, que, em 1582, fez a uns jesuítas que o visitaram em Almada”. Também Cristóvão Vieira na sua carta diz: <as mulheres dos línguas, assim as de Tomé Pires, que ficaram em esta cidade o ano presente (1524) foram vendidas como fazenda de traidores, aqui ficaram em Cantão espalhadas>. De onde A. Cortesão depreende “o facto de Pires ter, pelo menos, uma

“O nome de Tomé Pires é mais um a inscrever entre os de tantos dos seus compatriotas que pagaram o mais alto preço pela honra de bem servir a Pátria e a Humanidade” Armando Cortesão

mulher chinesa, ao que parece, a mãe de Inês de Leiria, de que nos fala Fernão Mendes Pinto. Pode, pois, reconstituir-se o que provavelmente se passou. Quando Pires, viajando pelo Grande Canal, quer na ida para Pequim, quer no regresso, parou em Sampitay, conheceu a mãe de Inês de Leiria, possivelmente, dama de certos meios e categoria, como cabia a um embaixador, com quem se juntou ou casou à maneira da terra. De modo que a venda da dama <como fazenda de traidores>, em Cantão, não teria tido para ela graves consequências, se é que foi abrangida em tal operação. Pelo que dizem Castanheda e, sobretudo, Gaspar Correia e o referido documento chinês, e Mendes Pinto confirma, se vê que Pires foi desterrado de Cantão, o que Vieira e Calvo não sabiam à data das suas cartas. Talvez nessa altura Inês de Leiria já tivesse nascido, ou estivesse para nascer, e é perfeitamente natural que Pires houvesse seguido com a filha e sua mulher para Sampitay, a terra em que esta tinha casa e bens” Armando Cortesão, que identifica “a Sampitay de Fernão Mendes Pinto, que então se chamaria Hsim (ou Sun) P’ei t’ai (segundo a grafia inglesa de nomes chineses) com a moderna povoação de P’i chou, ou P’ei chou, hoje, a uns nove quilómetros a nordeste do ponto mais perto no Grande Canal (cujo curso em certos sítios também variou muito durante os séculos), em latitude 34º 25’ N e longitude 118º 6’ E.” Conhecida actualmente por Pi Zhou, 邳 州, era Sampitay denominada Pi Xian (邳县) em mandarim e situa-se a Leste de Xuzhou e ao Norte da província de Jiangsu. Segue-se um elogiar de Armando Cortesão: “A descrição de Pinto carece de ajuste, num ou noutro ponto, o que não deve surpreender quando se considere que Inês de Leiria lhe falou em chinês, língua que ele decerto conhecia mal, que escreveu de memória quando, pelo menos, uns vinte e seis anos haviam já decorrido sobre os acontecimentos, e que a Peregrinação só foi publicada trinta e um anos depois da sua morte, com as <correcções> introduzi-

das por Francisco de Andrade, para que Inquisição a deixasse dar à estampa.”

O que teria sido a Suma Oriental se... Pela Peregrinação concluída em 1580, mas só editada em 1614, não se fica a conhecer o ano em que faleceu Tomé Pires, mas pela descrição que Inês de Leiria fez a Fernão Mendes Pinto se deduz ter sido por volta de 1540 e que da sua casa em Sampitay foram apreendidos papéis por ele escritos. Com os portugueses proibidos de entrarem na China, difícil terá sido a Tomé Pires em Sampitay ter feito chegar a Malaca o que escreveu nos últimos quinze anos da sua vida. Por Gaspar Correia ficamos a saber que Tomé Pires <mandou um livro em que dava conta das riquezas e grandezas do Rei da China, que pareciam duvidosas de crer> a D. Duarte de Meneses, Governador das Índias entre Janeiro de 1522 e Dezembro de 1524. Mas até esse desapareceu, tal como tudo o resto que Tomé Pires escreveu na China. Seguramente uma grande perda para a História, Geografia e Botânica do século XVI, perante o que na Suma Oriental nos é permitido imaginar poderem ter sido essas informações. “Depois duma mocidade cheia de esperança e de uma fecunda passagem de cinco anos pela Índia e Malaca – em que acumulou muito saber e não pouco cabedal, em cargos modestos mas que lhe permitiram grandes possibilidades de exploração e ao conhecimento do tão diferente e variado mundo oriental, com que os portugueses apenas vinham de entrar em contacto – o simples boticário achou-se, de repente, guindado a embaixador, para afinal vir a morrer ignoradamente, depois de tanta desilusão, ignomínia e sofrimento, perdido e esquecido numa terriola qualquer dessa China imensa, cujo mistério e riqueza tanto o haviam seduzido. O nome de Tomé Pires é mais um a inscrever entre os de tantos dos seus compatriotas que pagaram o mais alto preço pela honra de bem servir a Pátria e a Humanidade”. Londres, Abril de 1945, Armando Cortesão. Foi para comemorar os quinhentos anos do manuscrito Suma Oriental que, sobre a base do trabalho de Armando Cortesão e documentos dos arquivos chineses que têm visto tradução em português e transmitidos por muitos dos actuais historiadores de quem me socorri, fizemos esta longa viagem pelo percurso de Tomé Pires, esperando ter ficado o leitor, que acompanhou os episódios desta aventura, com uma visão sobre a acção e as dificuldades dos portugueses no primeiro período de relacionamento com a China, entre 1513 e 1522.


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A vida em claro-escuro

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ço e no tempo. “As formas, nos seus diversos estados, não estão suspensas numa zona abstracta, acima da terra, para além do homem. Elas misturam-se coma a vida de onde provém, traanabela canas

á uma determinada sensibilidade. Às luzes coadas. Às sombras difusamente delimitadas nas paredes, às formas projectadas pela luz e às formas reflectidas. A uma exposição ténue e indirecta da realidade que não fere, não magoa os sentidos, e sendo etérea de substância, e intangível, é também subtilmente fugidia. Com a inexorável e imparável evolução da luz. Ou a fuga em que a rotação da terra interminavelmente impede a aparência de se fixar. O visível suave ou delicadamente ambíguo, as formas das manchas a confundir-se nos seus diferentes planos do concreto material, ali a desenhar outras possibilidades, mutantes e mutáveis. O desfocado que lhes dá leveza, alguma insinuação de potencialidade de movimento, e, por outro lado, ligeiros movimentos e oscilações devidas a alguma aragem que se filtra pelas portas e janelas quase fechadas. O excesso de luz e calor a produzir ambientes suavemente obscurecidos. É a tradição do sul. Um sul que gosta de alguma obscuridade interior, e em contraponto, de ser visitado através de estreitas aberturas das portadas, por uma luz intensa. Uma determinada sensibilidade à natureza espessa, fortemente colorida e diferenciada, mas matericamente anulada na planitude das paredes. (Esse conceito ilusório de Flatness, que só mesmo na lisura completa, estéril e sem representações por mais etéreas, se verifica.) Tornada suave, transformada em benignas formas fantasmagóricas, em cinzentos claros. No limiar do reconhecível. Uma reminiscência platónica. Ou às velaturas, camadas transparentes delicadas cortinas sobre a crueza do real. Atmosferas oníricas. É a impermanência da não cor. No não lugar. As formas são de facto uma obsessão em que muitos não reparam mas do mesmo modo sofrem como excessivas. Nas palavras de Balzac: “Tudo é forma, a própria vida é uma forma”. E de facto, toda a actividade, toda a estrutura existencial e os seus padrões definidos, se deixam descodificar na medida em que tomam forma e inscrevem a sua curva desenhada no espa-

duzindo no espaço certos movimentos do espírito.” Fócillon A tentação do desejo de vislumbrar na forma um sentido diferente daquele que lhe corresponde, de confundir

a noção da forma explícita com a de imagem ou de símbolo. Uma espécie de talento para a deformação e o esquecimento. E assim determo-nos nas sombras delicadas e esfumadas, viran-


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de tudo e de nada

do as costas à sua origem. É um determinado anseio do espírito. Já que aí a vida das formas não é decalcada na vida das imagens, simulacros ou recordações. Paradigma de um intelecto in-

conformado com o excesso de registos e leituras que uma realidade tridimensional permite. E há ainda o tempo. E no entanto, aqueles cujo olhar vai desfocando por limitação orgânica, corrigem-no com lentes, para tornar a selecionar mentalmente uma camada do real a ver. Do todo demasido complexo, ou mesmo confuso, dedicamos a nossa limitada compreensão a uma parte, reelaborada de acordo com critérios. Padrões, por vezes. Mas estes existem ou somos nós que os recolhemos de um contexto mais complexo e de algum modo os construímos… como pepitas de oiro profusamente misturadas em areias de composição variada. Que se coam. Uns existem e outros formulamo-los. Esquecer então as cores e determo-nos numa realidade bem mais serena. Essa das luzes e das sombras. E só. A vida em chiaroscuro. Depois pensar no sfumato de Da Vinci, essa lucidez estética que deu origem à modelação dos volumes através da variação da luz. A vida em claro- escuro. O que não é semelhante a dizer vida a preto e branco. Embora se pudesse circunscrever os dados da percepção a esse universo das não cores. Carácteres planos ou caráteres redondos como na literatura. É disso que se trata. A vida faz-se dessa modelação subtil de tons, em gradações mais ou menos suaves, com uma escala de variações mais ou menos ampla e diversa. As diferenças ente o mais claro dos tons e o mais escuro, numa forma, podem ser ínfimas ou brutais. Disso se faz uma expressão ou uma linguagem mais ou menos violenta. Mais ou menos delicada. Por excesso ou por defeito de emotividade. E é dessa construção que se obtém a noção do volume das coisas. Nas formas lineares, o contorno no seu desvario de movimento, em torno de um vazio, pode ser suficiente para insinuar na imaginação, todo um mundo interior que lhe é implícito. Quanto maior a sensibilidade impressa na linha, quanto mais sinuosa, maiores as possibilidades de sugestão daquilo que lá não está. O mundo conceptual

do desenho, mesmo que se pense nele como raciocínio e não como imagem gráfica, é o das leituras múltiplas, escoradas abismalmente no olhar do observador, no seu museu imaginário e na sua relação com o movimento, com as formas do real, com a visão. E tanto mais este olhar pode ser aprofundado, quantas as pontes que se estabelecem. Estas coisas que têm a ver com a luz e as sombras. Com a revelação e as trevas. Revelação teatral, essa. Dramaticamente levada ao limite no tenebrismo de Caravaggio ou sobretudo na preciosa encenação da luz em Rembrandt. Mas Leonardo da Vinci, nas suas experiências de mago, encontrou no sfumato, mais uma maneira de, atenuando os contornos na sua dureza natural e linear, e eliminando as marcas do traço e da pincelada, amenizar a expressão humana. Um trabalho à custa de tons baixos que evaporam os limites como se de fumo se tratasse. Suponho que é esse o pequeno grande responsável pela aura de mistério atribuída ao sorriso lunar da sua Gioconda. E o facto é que, vista de perto, há nela uma quase trepidação, um quase menear dos traços, que, não chegando a sugerir movimento, parece uma respiração, uma pequena desfocagem que lhe transmite uma vida subtil. A vida é na verdade uma forma subtilmente modelada em tonalidades de claro- escuro. Difícil é situarmo-nos estavelmente e manter o equilíbrio nessa variada e imensa quantidade de cinzentos, com todas as suas inflexões e nuances. Mas como em qualquer observação ou esforço de localização, tudo é uma questão de focagem de estabilização do olhar, de respiração… E assim a tendência lógica, dado o esforço do mecanismo óptico, é para a radicalização do plano de focagem… Mais longe ou mais perto com maior ou menor profundidade de campo, no que se refere aos tons, infalivelmente se resvala para uma síntese facciosa ou maniqueísta do alto contraste. Reduzindo todos os tons por aproximação grosseira ao preto e ao branco. O eter-

Anabela Canas

no estado de graça de ver o mundo a preto e branco, literalmente. A saber, os bons e os maus sem meio termo e sem contemplações…É um anseio de alma. Organizar o mundo de maneira a nos situarmos por dentro ou por fora de algo sem dúvidas, dilemas, ou contradições de maior (uma das primeiras manifestações plásticas infantis, de carácter espontâneo, é estabelecer linhas de fronteira entre o objecto-eu, e o mundo exterior). Este cenário utópico e prosaico, tem uma virtude pragmática e as devidas disfunções redutoras de todos os modelos radicais. E a vocação abismal do costume… querer situar o nosso desgraçado conceito de si facilmente e sem atropelos, com a segurança de nada ser dúbio ou de duplo significado, e de nada depender de interpretações ou leituras, mas como se as coisas fossem elas próprias sem relação com o outro. O olhar, a leitura. Inequívocas e fechadas em si e na sua natureza específica. Confortável e redutora forma de estar…Abismal, como todas as outras porque, como todos os extremos, a necessidade dos opostos faz sentir o risco de erro com muito mais ênfase desta forma. E a vertigem inerente a uma escolha radical, é, por natureza apelativa e perigosa. O erro se ocorrer é total, tal como acertar seria uma contingência do jogo de consequências absolutas…Mergulhar no negro absoluto e negar todas as tonalidades intermédias, é virar as costas a um realismo sem as inflexões do romance, ou de difícil capacidade de lirismo….A opção pelo branco absoluto por outro lado seria a alienação completa de um referencial que tarde demais haveria de se fazer sentir. Não há inocência possível na opção pelo branco absoluto…E sabe-se que a vida é em tons de cinzento, múltiplos variados enriquecidos de outras cores, reflectores, instáveis, influenciáveis e absorventes de todas as ínfimas partículas do universo em redor… Nada a fazer. Terreno variado, trabalhoso, de difícil estabilização. É a vida nos seus tons. De cinzento. Na sua obesidade ontológica. Uma camada de realidade a cheio.


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Cineteatro

O que fazer esta semana

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Cinema

fantastic four Sala 1

fantastic four [b]

Filme de: Josh Trank Com: Miles Teller, Jamie Bell, Kate Mara, Michael B. Jordan 14.00, 17.50, 19.45, 21.45

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 15.55 Sala 2

mission: impossible rogue nation [b] Filme de: Christopher McQuarrie

Com: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 Sala 3

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 14.30

to the fore [b]

Falado em cantonês e mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Dante Lam Com: Eddie Peng, Siwon Choi, Shawn Dou 16.30, 19.15, 21.30

Diariamente exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre

Aconteceu Hoje

7 de agosto

Exposição de obras de arte de agentes da PSP (até 9/08) Centro UNESCO de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 22/08) Entrada livre

Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “Ao Risco da Cor - Claude Viallat e Franck Chalendard” Galeria do Tap Seac (até 9/08) Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

Nasce Caetano Veloso

U m d i s c o h o j e “The 3th Round” (Tank, 2009) O terceiro álbum do cantor e compositor taiwanês Tank quer expressar que, “no caminho da música é sempre preciso continuar, caso contrário, a derrota é pessoal”. Tank ainda sofre de uma doença cardíaca hereditária e durante algum tempo desistiu da sua paixão, por pensar que iria ter um fim semelhante ao da mãe e irmã, já falecidas. Mas o cantor conseguiu levantar-se novamente, através da música, criando canções conhecidas na Ásia. Exemplo disso é “Se Eu Me Tornasse Memória”, uma música para lembrar a sua família. Flora Fong

fonte da inveja

• A 7 de Agosto de 1942, nasce o músico brasileiro Caetano Veloso. Caetano é músico, produtor e escritor. Com uma carreira que já ultrapassa quatro décadas, Caetano construiu uma obra musical considerada como possuidora de grande valor intelectual e poético. Embora desde cedo já tivesse aprendido a tocar viola em Salvador, escrito entre os anos de 1960 e 1962 críticas de cinema para o Diário de Notícias e conhecido o trabalho dos cantores de rádios e dos músicos de bossa nova, Caetano iniciou o seu trabalho profissionalmente apenas em 1965. Em 1968, face ao endurecimento do regime militar no Brasil, compôs o hino “É Proibido Proibir”, que foi desclassificado e amplamente vaiado durante o III Festival Internacional da Canção. Em 1969, foi preso pelo regime militar e partiu para exílio político em Londres, onde lançou o disco Caetano Veloso (1971), disco com temática melancólica e com canções compostas em Inglês e endereçadas aos que ficaram no Brasil. O disco Transa (1972) representou o seu retorno ao país e o seu primeiro contacto com compassos de reggae. Caetano Veloso é considerado um dos artistas brasileiros mais influentes desde a década de 1960. Em 2004, foi considerado um dos mais respeitados e produtivos músicos latino-americanos do mundo, tendo mais de cinquenta discos lançados e canções em trilhas sonoras de filmes como Hable con Ella, de Pedro Almodovar e Frida, de Julie Taymor. Ao longo de sua carreira, também se converteu numa das personalidades mais polémicas e com maior força de opinião no Brasil. É uma das figuras mais importantes da música popular brasileira e considerado internacionalmente um dos melhores compositores do século XX, sendo comparado a nomes como Bob Dylan, Bob Marley, John Lennon e Paul McCartney.

João Corvo

Um ponto de luz não basta: quero girândolas de insensatez.


opinião

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André Ritchie

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sorrindo sempre

Caríssimo leitor, O que faz um colunista quinzenal quando, no mês de Agosto e em pleno silly season, encontra-se sem inspiração nem tema para desenvolver no seu espaço do jornal? Simples: agarra num trabalho anterior já finalizado e faz as devidas adaptações... Mais precisamente, o texto anteriormente preparado para o colóquio sobre a Identidade Macaense promovido pela ADM em 2012 e que (felizmente) não chegou a ser publicado. Confissão feita, começo por dizer que me aborrece profundamente a atitude de certos ilustres que, pese embora tenham saído de Macau há já uma data de anos e nunca mais regressado, falam sobre esta cidade com afirmações firmes e em termos absolutos, sem se aperceberem que, porventura, a realidade e os critérios de avaliação do tempo deles poderá não ser aplicável ao Macau de hoje. Qualquer cidade é um organismo vivo em constante transformação. Macau não foge à regra e, como todos nós sabemos, na nossa cidade essa transformação tem-se materializado de forma bastante acelerada até. As mutações de uma cidade não têm lugar apenas a nível da paisagem urbana. Em diversas intervenções que fiz no passado, tive a oportunidade de referir que actualmente, em Macau, parecem-me mais marcantes, não as transformações da paisagem urbana, mas sim as transformações da paisagem humana – dando origem a uma nova textura social com a qual não nos identificamos necessariamente. Sabendo o que sabemos hoje, o que irá acontecer ao futuro Macau? Não tenho nenhuma bola de cristal, mas entendo que por força das políticas de integração regional a que assistimos presentemente, Macau vai ganhar uma nova escala urbana e os nossos filhos vão ter um modo de vida muito diferente do nosso. Importa referir que este fenómeno não é mais do que uma nova fase da evolução que sempre existiu ao longo da História de Macau. Recorde-se que esta cidade chegou a ser intra-muros. Mesmo para nós, há pouco tempo atrás, não era comum ir viver para a Taipa. Coloane, então, era o fim-do-mundo. Estou-me a lembrar de uma tia-avó minha, já falecida, com quem numa conversa me apercebi que já não ia a Coloane há mais de uma década. Pois o dia-a-dia e a vida social dela resumiam-se aos lugares para onde ela conseguia ir, de casa, a pé. No gozo, lembro-me de lhe dizer que o Coloane dela era ainda o do tempo dos piratas e kwai chi lou! (*) Os nossos hábitos procuram acompanhar a evolução da cidade. Mas tudo tem limites, e a nossa capacidade de adaptação estará também limitada à nossa memória do lugar. Fora do limite, subitamente não nos sentimos confortáveis – porque já não nos sentimos em casa. Em tempos, numa conversa com um conterrâneo meu, foi-me explicado como Macau,

Richard Ayoade, submarine

Compras no Tin Un ou no Carrefour

antigamente, funcionava por bairros: Toi San, São Lázaro, Lilau... Contou-me inclusivamente um pequeno episódio em que os rapazes de uma família portuguesa recém-chegada a Macau, ao atravessaram um bairro de bicicleta, foram prontamente interceptados e interrogados pela nossa malta, pois a comunidade ainda não os conhecia! Não vivi esses tempos, mas a minha mãe ainda hoje diz, com algum orgulho bairrista, que é da família Xavier da Barra. Também brinquei no meu bairro e com a malta que lá morava. Mas não, já cresci nos anos 80-90 e nunca me identifiquei como sendo da família Ritchie da Penha. (“Papá, nós somos da família Ritchie do Ocean Gardens?”) No entanto, era eu miúdo quando a Taipa ainda era longe: ia a casa de uns amigos que moravam em frente ao Jockey Clube – os poucos prédios que havia na Taipa nessa altura – e sentia-me aliviado quando conseguia apanhar o autocarro de regresso a Macau para chegar a casa a horas. Hoje moro na Taipa e, tanto por motivos de trabalho como de lazer, desloco-me diariamente entre Macau, Taipa, Coloane, Zhuhai e Henqin. Confesso que estes dois últimos ainda me fazem alguma confusão. Talvez já tenha atingido o meu limite. Calculo que um dia o meu filho irá gozar comigo se eu lhe disser que combinar um almoço em Zhongshan não faz sentido.

A verdade é que actualmente há muita coisa em Macau que não faz sentido. Para além da falta de espaço e de todos os problemas daí resultantes, a falta de um horizonte distante para onde possamos dirigir o nosso olhar é algo que me parece bastante preocupante

(“Papá, o teu Zhongshan é ainda o do tempo dos kwai chi lou!”) Macau será parte de uma área metropolitana composta pelas diversas cidades da província de Guangdong, cuja fluidez de circulação de pessoas e de bens será cada vez maior e as fronteiras cada vez menos rígidas. Ou inexistentes. Os nossos filhos vão viver um Macau à escala metropolitana. Caríssimo leitor, não fique aflito: afinal quem vive em Lisboa, não vive necessariamente no Chiado. Quem vive em Paris, não vive necessariamente nos Campos Elíseos. Portanto, quem vive em Macau, não precisa de viver em Macau. Enfim, trata-se de um processo de transformação que sempre existiu e que nunca cessou, já que teve início com o crescimento da cidade, os surtos migratórios e as consequentes alterações da paisagem urbana e humana verificadas em Macau na segunda metade do século XX. Todavia, a grande diferença – e o que se calhar nos assusta – é que de repente essa transformação atingiu uma escala e uma dinâmica nunca antes sentida. Com o tempo, a barreira psicológica da fronteira com a China será – e para muitos até já foi – ultrapassada de vez e as nossas vidas irão inevitavelmente estender-se às regiões vizinhas. Não sei que impactos esse novo enquadramento poderá causar à nossa comunidade, mas seguramente a nossa presença será (ainda) mais diluída. Pelo que, uma vez mais, vou repetir aquele cliché: temos de nos fazer valer não pela nossa quantidade, mas sim pela nossa qualidade – seja ela qual for. A verdade é que actualmente há muita coisa em Macau que não faz sentido. Para além da falta de espaço e de todos os problemas daí resultantes, a falta de um horizonte distante para onde possamos dirigir o nosso olhar é algo que me parece bastante preocupante. Cuidadosamente, com moderação e sem extremismos e atropelos ao nosso sentido de identidade, temos de alterar a nossa mentalidade e aceitar essa nova realidade. Podemos continuar a fazer as nossas compras no Cheuk Chai Un e no Tin Un enquanto vamos a caminho da missa antecipada na Sé, para depois chuchumecâ um pouco no adro da igreja. Mas, simultaneamente, não podemos ignorar que em Zhuhai abriu um Carrefour com bons produtos, junto de um condomínio residencial com muito bom aspecto e uma espectacular esplanada da Starbucks mesmo à porta. Para o bem dos nossos filhos. (“Papá, o que tinhas na cabeça quando gastaste 2 milhões de patacas num parque de estacionamento na Taipa?”)

Sorrindo Sempre

Ah e tal... Pois, não gosto de tocar em assuntos polémicos da actualidade local, mas

desta feita não vou resistir à tentação de registar alguns acontecimentos relacionados com a questão do Hotel Estoril que me fazem (sor)rir: • Álvaro Siza, de quem fui aluno e merece a minha mais profunda consideração, teceu os comentários que teceu, vá-se lá saber porquê. Se fosse em Portugal ainda percebia, mas em Macau? O que se calhar Siza não sabe é que por cá não temos assim tantas obras do Modernismo europeu. • Maria José de Freitas, colega que não foi simpática comigo no célebre episódio da Rua de Londres (não guardo rancor, mas também não me esqueço facilmente das coisas) dirigiu a Álvaro Siza uma carta aberta com a qual até me posso identificar. Enfim, mais ou menos. • O académico Michael Turner, que participou no seminário de comemoração do 10º Aniversário do Património Mundial de Macau, ventilou que o Hotel Lisboa poderá fazer parte da lista do património cultural de Macau, ideia que qualificou como “interessante”. Ora bem. • O Hotel Estoril tinha em Portugal um primo chamado Hotel Estoril-Sol, também ele uma peça de arquitectura singular, que passou pelo mesmo antes de ser demolido. Macau é de facto uma cidade de origem portuguesa. • Numa sessão de recolha de opiniões sobre o Hotel Estoril, por alguma razão mereceu destaque a participação de um turista alemão que passou quatro dias em Macau e algum tempo na piscina municipal situado nas traseiras, considerando o conjunto todo muito interessante, mais do que algo em Hong Kong. Agora pergunto: (1) o que faz um turista alemão numa sessão de recolha de opiniões local e (2) porquê razão foi ele comparar com Hong Kong, que critério foi esse? Com o devido respeito, ele que vá tomar banho para Hong Kong. • Um ilustre cidadão ligou para o Ou Mun Kon Cheong (**) e defendeu que a fachada do Hotel Estoril não deve ser preservada porque contém um painel artístico inadequado, com uma mulher nua. Certo. Caríssimo leitor, cinismo à parte, saiba antes o seguinte: adjacente ao Hotel Estoril situava-se a antiga Escola Luso-Chinesa Sir Robert Ho Tung, um precioso e interessantíssimo exemplo do Modernismo Português. Foi demolido há relativamente pouco tempo. Sorrindo sempre. (*) Malfeitor que rapta crianças. (**) Programa matinal da Rádio Macau chinesa.


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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

Xô daqui para fora

A

Harold Ramis, National Lampoon’s Vacation

lguém que sabe muito mais disto do que alguma vez eu poderei saber escreveu, já lá vão alguns anos, que a Macau do futuro seria a cidade dos ricos. Na altura, as rendas ainda eram comportáveis e as contas do supermercado também. Mas o autor desta previsão – homem de estudos, viajado e com rasgo suficiente para antecipar problemas –, encontrava na aparente inércia governativa uma ideia para o futuro de Macau: mais cedo ou mais tarde, ia ser a cidade dos ricos, com os pobres e os remediados a viverem na periferia. Estava certo. É isso que está a acontecer. Conheço algumas pessoas que, não sendo pobres, deixaram de viver com conforto para passarem a integrar o grupo de quem se desenrasca até ao fim do mês com muita

Lao Pun Lap – cujos méritos desconheço, seja na investigação, na produção de pensamento ou na política – aponta para 2025 como se estivéssemos às portas de 2049. Há alturas em que parece que sim. Mas 2049 ainda não está aí ginástica financeira. As rendas dispararam, aos 30 ou aos 40 anos são poucos aqueles que, sem família, estão na disposição de regressarem ao estilo de vida universitário, e Zhuhai foi a opção. Casas mais baratas, casas melhores, uns trocos que sobram ao final do mês. Alguns sabiam ao que iam; outros foram às apalpadelas. Macau começa, assim, a ser cada vez mais a cidade dos ricos. O comércio destinado às pessoas vulgares deu lugar às lojas de quem compra diamantes ao pequeno-almoço. Há prédios que caem de velhos no centro da cidade, mas isso faz parte do charme da

terra. O contraste garante-se com os aviões de quatro rodas que circulam, de forma abundante e barulhenta, pelas ruas da terra. Há já alguns anos que Macau começou a expulsar, de forma mais ou menos velada, quem não é de cá. Quando as condições de vida dos sítios que não são nossos pioram, a tendência é fazermos as malas e voltarmos para os sítios que são nossos, o que faz todo o sentido: antes ser pobre entre os vizinhos que nos conhecem do que entre uma multidão que nos trata com transparência. A forma mais ou menos velada de expulsão deu lugar, nos últimos anos, a um discurso

mais assumido, mais corajoso e também mais indecente: infelizmente, não cabem numa mão aqueles que, sem noção da floresta, insistem que é no corte das plantas mais frágeis que se encontra a solução para os problemas do território. São as que não têm raízes, dizem eles, que não percebem nada nem das árvores, nem dos homens. Na semana passada, num discurso que jamais deveria ter acontecido, o coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo veio defender que é preciso começar a mandar quem não é de cá para o outro lado da fronteira. A principal ideia que se retira deste estudo prolongado e profundíssimo sobre a demografia de Macau é esta: xô daqui para fora, vens cá trabalhar mas vais dormir para outro sítio, que é preciso espaço para o resto. O resto são 750 mil pessoas em 2025. O coordenador ainda avisa que é preciso começar a pensar de forma inter-regional. Quem é de cá – está provado com outros estudos e outros números – sente de maneira diferente. Lao Pun Lap – cujos méritos desconheço, seja na investigação, na produção de pensamento ou na política – aponta para 2025 como se estivéssemos às portas de 2049. Há alturas em que parece que sim, parece que 2049 já chegou, que não existe grande diferença entre o Chimelong dos peixes grandes e as Ruínas de São Paulo dos turistas ricos disfarçados por chinelos. Mas 2049 ainda não está aí. Apesar de todos os esforços de integração regional, há quem não queira que 2049 aconteça já amanhã, neste sábado quente de Agosto. Os principais visados pela política de dispensa do think-tank de Chui Sai On são os não residentes, os mais frágeis, mas quem sai pior no meio de tudo isto são os de cá. Quem tem os seus mortos aqui enterrados e não conhece outra vida que não a de Macau não terá um futuro sossegado nesta terra que é cada vez mais dos ricos. A não ser que seja rico. A não ser que o Governo emende a mão e decida, por exemplo, pôr a pensar no futuro da cidade quem percebe das coisas das árvores e dos homens. P.S. – À consideração de quem manda: que se aproveite a mudança dos preços dos parquímetros para exigir à empresa concessionária dos ditos cujos a emissão de recibo. Eu, cliente regular e cumpridora, agradecia que a lei de Macau fosse respeitada. Dá-me jeito ter recibos do dinheiro que gasto em estacionamento, apesar de serem só uns trocos. Mas, sobretudo, chateia-me esta ilegalidade multiplicada pelas ruas de Macau. E chateia-me ainda mais que o Governo não exija à empresa a quem entregou a concessão que seja cumprida a lei. Está no Código Civil. É o Artigo 776o.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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joaquim alves

Joaquim Alves, engenheiro electrotécnico

“Macau é um amor-ódio” A

passagem de Joaquim Alves por Macau é diferente daquela a que estamos habituados. “Comecei a vir para Macau em 2012, na altura para uma obra da CEM”, contou ao HM o engenheiro electrotécnico, natural de Santa Maria da Feira, acrescentando que a empresa onde trabalha, em Portugal, começou a ter mais clientes. É por isso que são muitas as vezes que tem que vir a este lado do mundo. “Desde 2012, sem ter um número certo, acho que já viajei para Macau umas dez vezes”, relembra. A sua estada no território quase nunca ultrapassa os quatro meses seguidos, mas não é por isso que deixa de gostar mais ou menos, de ter menos ou mais saudades de Macau. Por entre o barulho ensurdecedor de uma obra, Joaquim Alves partilha o misto de sensação e a dualidade de sentimentos que Macau lhe provoca. “A adaptação é muito fácil aqui. Acho que não está relacionado com o pouco tempo que aqui passo. Claro, é diferente de estar aqui muito tempo, mas não implica que não sinta as coisas à minha maneira. Acho Macau um território fácil para um português se adaptar. As pessoas são diferentes, a condução, mas há outras coisas... A comida, a

comunidade portuguesa, os meus colegas de trabalho que já cá estão adaptados, por já estarem há mais tempo. Tudo isto fez, e faz, sempre que venho, que a adaptação seja fácil, não sinto qualquer dificuldade”, partilha.

Caro mas seguro

Macau é, diz o engenheiro, uma “coisa difícil de explicar”. “Macau com o passar do tempo torna-se, para mim, um bocado monótono. É um meio muito pequeno, muito limitado e quem habita aqui está um bocado restringido ao que aqui existe”, partilha. Ainda assim, mesmo com a questão de este ser um território pequeno, “há muitas atracções”, ainda que muito caras. “Qualquer coisa aqui em Macau está muito inflacionada para quem vem cá trabalhar e que pretende juntar algum dinheiro. Apesar dos ordenados serem bons em Macau, para fazer coisas diferentes ao fim-de-semana, como por exemplo ir ao cinema, ver um concerto ou um espectáculo, é caro, não o podemos negar. Ser um ponto turístico tem vantagens e desvantagens e esta é uma delas. Para se ter um fim-de-semana para descontrair da semana de trabalho tem que se gastar algum dinheiro”, argumenta.

Mas na segurança ninguém bate o território. É inegável, diz o engenheiro, a segurança que se sente a viver aqui. Joaquim Alves, para além de Portugal e Macau, já trabalhou no Brasil e em Angola, países com taxas de criminalidade elevadas, e por isso, melhor que ninguém percebe a enorme vantagem que é viver em Macau, nesse aspecto. “Não há melhor. Macau é um território bastante acolhedor e sentimo-nos seguros, podemos andar à noite à vontade, não temos zonas perigosas. Isso é muito bom. Temos liberdade em ir a qualquer lado a qualquer hora, é seguro, mais do que em Portugal. E claro, quem viaja muito em trabalho este é um dos pontos mais importantes, a segurança”, remata o jovem que completa este ano 33 primaveras.

Odeio-te meu amor

Sejam dois ou quatro meses, as saudades de Portugal batem à porta sempre. “Mesmo quando só fico dois meses aqui, quando chego a meio, quando passou um mês, começo a ter saudades de algumas coisas”, conta, apontando as suas pessoas, famílias e amigos como a primeira coisa que lhe vem ao pensamento. As praias, que tanto falta fazem em Macau, os passeio à beira

rio e as esplanadas são outras regalias que Portugal consegue oferecer e que “muita falta fazem” à sua ex-morada. Mas, curiosamente, o mesmo acontece quando volta para Portugal. “Macau é um amor-ódio, acho que esse é o melhor termo para definir esta região. Macau fica sempre a mexer-te por dentro. Há qualquer coisa que nunca passa. Quando volto para Portugal, passado duas ou três semanas começo a sentir falta de Macau, das pessoas. Começo a conversar com os colegas que aqui ficam e apetece-me estar com eles, ir aos jantares que eles estão a combinar, ir passar fins-de-semana fora. Não sei. Este é o poder de Macau”, relata o engenheiro. São esses passeios que Joaquim Alves tenta sempre fazer quando está cá. “Com visto de grupo ou individualmente facilmente conseguimos passar as fronteiras para a China e isso faz com que possamos conhecer mais coisas, que nos distraem e que faça passar o tempo sem pensarmos no que ganhamos ou perdemos estando longe”, diz. Várias cidades da China, Hong Kong e as suas praias são uma constante nos fins-de-semana entre Joaquim e os amigos. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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Iec Long Preservação custou terrenos do MGM, Mandarim e One Central

Japão André Couto defende liderança do campeonato de GT300 O português André Couto, aos comandos de um Nissan da equipa Gainer Tanax, defende este fim-de-semana, no circuito japonês de Fuji, a liderança do campeonato nipónico de GT300. Ao fim de três provas, André Couto lidera o campeonato, com 39 pontos, mais um que a dupla segunda classificada, composta por Kazuki Hoshino e Mitsunori Takaboshi, também em Nissan, e mais oito que os terceiros Koki Saga e Yuichi Nakayama, em Toyota. O português aposta para a corrida de domingo na “soma de pontos” e em “evitar problemas”. “Temos o carro com muito peso - 78 kg - e vamos fazer uma corrida para evitar problemas, tentar somar pontos e ficar à frente dos mais directos adversários”, explicou o piloto à agência Lusa. Na tabela do campeonato, André Couto surge sozinho na liderança, muito embora faça equipa com Katsumasa Chiyo, que está a disputar também um campeonato na Europa e cedeu o lugar a Ryuichiro Tomita na última prova.

Primeiro ‘mapa de formigas’ lançado em Hong Kong

O

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primeiro mapa de formigas do mundo, que mostra a sua distribuição em todo o globo, foi lançado ontem pela Universidade de Hong Kong (HKU), numa tentativa de dar mais esclarecimentos sobre os insectos. O mapa interactivo online (antmaps.org), que demorou quatro anos a ficar completo, mostra as localizações geográficas de cerca de 15.000 espécies de formigas, com o estado australiano de Queensland a abrigar o maior número nativo de espécies, mais de 1.400. “Os insectos são um dos principais grupos em que precisamos de nos focar quando falamos de biodiversidade”, afirmou Benoit Guenard, um dos co-fundadores do mapa e professor de Ciências Biológicas na HKU. “As formigas são muito importantes na maioria dos ecossistemas”, adiantou, dado

que mantêm o ciclo dos nutrientes no solo e ajudam na dispersão de sementes, acrescentando que “são um dos grupos de insectos melhor estudados”. ‘Antmaps’ (‘Mapa de Formigas), é um projecto conjunto da HKU e do Instituto de Ciências e Tecnologia de Okinawa e diferencia as formigas que são nativas de uma região e as espécies que foram importadas. Guenard explicou que o mapa irá fornecer um importante registo da vida dos insectos no mundo e irá ajudar na investigação e conservação da vida animal. Num estudo recente feito pelo Instituto Weizmann da Ciência, em Israel, publicado em Julho, descobriu-se que as formigas possuem uma habilidade surpreendente de misturar o músculo colectivo com a iniciativa individual para fazer o trabalho pesado.

Terra fértil para belas salgalhadas A

preservação da antiga Fábrica de Panchões Iec Long foi conseguida pelo Governo através da permuta de mais de 150 mil metros quadrados de terreno. O espaço onde estão construídos os empreendimentos One Central, Mandarim Oriental e MGM foram alvo dessa troca, que foi feita por Sio Tak Hong. A notícia foi ontem avançada pela publicação All About Macau. De acordo com um despacho de 2001, assinado pelo antigo Secretário para os Transportes e Obras Públicas Ao Man Long e analisado pelo HM, o Governo assinou um acordo de permuta de terrenos com a Sociedade de Desenvolvimento Predial Baía da Nossa Senhora da Esperança, S.A., “na qualidade de representante dos titulares do terreno da antiga Fábrica de Panchões Iec Long”. Os administradores desta empresa são Sio Tak Hong, membro de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e presidente-fundador da Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau – que levou da Fundação Macau, no segundo trimestre, mais de cinco milhões de patacas como primeira prestação para o maior encontro mundial de naturais deste local em Macau – e Tat Choi Kong, membro do quadro da Universidade de Macau e da Câmara de Comércio. O acordo iria permitir ao Governo a construção, no local, de um parque temático,

sendo que a sociedade cedeu o lote da Iec Long à RAEM. Em troca, recebeu um terreno localizado na Baía de Nossa Senhora da Esperança, junto à Avenida da Praia, na ilha da Taipa, com pouco mais de 152 mil metros quadrados, para a construção de um complexo turístico e habitacional. Mas, a empresa pediu a divisão deste terreno e concedeu duas parcelas de 99 mil metros quadrados à Shun Tak. Contudo, “por força do desenvolvimento” do Cotai, a empresa de Pansy Ho decidiu abdicar deste lote, tendo feito um pedido em 2005, em conjunto com a Propriedades Sub F, S.A., de Daisy Ho, do terreno nos NAPE onde ficam hoje o MGM, o One Central e o Mandarim Oriental. Subtraído o espaço que estes empreendimentos ocupam, de cerca de 19 mil metros quadrados, ainda faltam 133 mil metros quadrados para a empresa de Sio Tak Hong desenvolver.

Em negociações

O Executivo ainda não anunciou quaisquer planos para mais trocas de terrenos, tendo dito há pouco tempo ao HM que já foi iniciado um estudo que pretende transformar a antiga Iec Long num parque temático, mas que ainda estava com dificuldades no que ao domínio dos lotes diz respeito, uma vez que estes estariam divididos em proprietários e regimes

jurídicos diferentes. O Governo disse até que ainda estava a negociar uma indemnização. “O terreno onde se encontram construídas as antigas instalações da Fábrica de Panchões Iec Long é composto por várias parcelas de terreno com diferentes situações jurídicas, os quais compreendem os terrenos em regime de propriedade perfeita e por aforamento. Assim sendo, devido à complexidade desta questão, acrescido ainda pelo facto da Administração não ser a única proprietária dos terrenos, até hoje não foi concretizado o projecto do Parque Temático da Fábrica de Panchões Iec Long”, disse o Executivo ao HM. A Administração diz que tem vindo “ao longo destes anos” a manter contacto com os proprietários do espaço, mas confirma que já desde antes do estabelecimento da RAEM se deu início às negociações. “Existe ainda alguma divergência entre ambas as partes, pelo que no momento está ainda por se resolver a questão da propriedade destes terrenos”, dizia ainda a DSSOPT. O HM tentou pedir um esclarecimento sobre o assunto, mas devido ao avançado da hora, não foi possível. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Hoje Macau 7 AGO 2015 #3389  

N.º3389 de 7 de AGO de 2015

Hoje Macau 7 AGO 2015 #3389  

N.º3389 de 7 de AGO de 2015

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