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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

GREG GIRARD

SEGUNDA-FEIRA 7 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4045

OPINIÃO | SLAVOJ ŽIŽEK

KOWLOON CITY

25 anos depois da demolição

Isto só vídeo PÁGINA 5

JUSTIÇA

Pais mas pouco PÁGINA 6

A actualidade de Marx

hojemacau

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TIAGO ALCÂNTARA

GRANDE PLANO

TÁXIS

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Chui Sai On elogiou a juventude de Macau, que considera dotada de espírito crítico e maturidade. O Chefe do Executivo entende que os jovens locais, mesmo quando não concordam com as posições do Governo, dão opiniões construtivas. PÁGINA 4

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Para sempre jovem


FOTOS GREG GIRARD

2 grande plano

7.5.2018 segunda-feira

EFEMÉRIDE

HÁ 25 ANOS, A CIDADE MURALHADA DE KOWLOON ERA DEMOLIDA

CIDADE DAS TREVAS O arquitecto Mário Duque e o secretário-geral da Cáritas, Paul Pun, recordam as visitas que fizeram à cidade muralhada de Kowloon. Era um “labirinto” de apenas 2,7 hectares onde chegaram a residir 50 mil pessoas. A ilegalidade fez do local um problema para o Governo britânico que só foi resolvido em 1994. A demolição dos 500 edifícios aconteceu há 25 anos


grande plano 3

segunda-feira 7.5.2018

espaços comuns de circulação e transformam-nos, e ali estava tudo ocupado.”

“SENTI-ME SEGURO”

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M chinês era conhecida como a “cidade da escuridão”. Não havia recolha de lixo, muito menos elevadores, água potável ou instalações eléctricas legais. Um frágil sistema de esgotos foi instalado quando as autoridades perceberam que os dejectos estavam a contaminar a água que era consumida. A construção foi sendo feita ao longo de décadas, sem mão de arquitectos ou engenheiros, sem inspecções ou fiscalizações. A cidade muralhada de Kowloon, casa de 50 mil pessoas que viviam em 500 edifícios construídos em pouco mais de 2,7 hectares, tornou-se numa mancha negra na história da administração britânica em Hong Kong. Essa mancha foi definitivamente apagada há 25 anos, com a demolição de todos os edifícios. As pessoas foram realojadas nas habitações sociais dos Novos Territórios, além de terem recebido uma indemnização. Em lugar do vazio deixado pelo território, que foi o mais densamente povoado do planeta, existe hoje um parque que conta as memória de um lugar que muitos recordam com saudade. Mário Duque, arquitecto, visitou a cidade muralhada de Kowloon, mas não foi sozinho. Levou um amigo que lhe mostrou como entrar num espaço cheio de becos e ruelas escuras. “Era um espaço de uma enorme densidade e percebia-se que tinha alguma organização, porque as coisas funcionavam. Era uma espécie de colmeia e não se percebia muito bem como é que aquilo tudo funcionava, porque toda a gente corria de sítio para sítio, sabia de onde vinha e sabia para onde ia e desenvolviam funções lá dentro. Era um sítio de trabalho e de habitação também. Tinha uma organização com alguma informalidade, mas que, na realidade resultava. Havia ares condicionados, a água corria pelo chão e paredes, havia electricidade.” Mário Duque recorda-se da sensação de se estar num “território estranho, para o qual não

temos um mapa, não sabemos por onde se entra, nem por onde vamos”. “Tínhamos de ir com alguém que conhecesse minimamente o espaço. Não sabíamos sequer por onde entrar e por onde circular. Ninguém estava disponível para falar, porque estava toda a gente muito atarefada. Não devo ter passado do rés-do-chão, a zona dos pódios dos edifícios. Ali eram casas de comida, oficinas, fábricas e também habitações em simultâneo.” Mesmo sem ter conseguido falar com trabalhadores ou moradores, Mário Duque percebeu que havia ali uma certa estrutura social. “Notava-se que havia sítios onde as pessoas não estavam propriamente a trabalhar. Reuniam à volta da mesa, conversavam, pareciam os administradores do local. Toda a gente corria, todos tinham uma função, e não era propriamente uma cooperação, era cada um por si.” A cidade muralhada de Kowloon tinha a presença de algumas tríades da China e de Hong Kong e era comum a existência de bordéis e consumo de estupefacientes. Muitos trabalhavam sem documentos, em fábricas que não eram inspeccionadas pelas autoridades, em longas jornadas de trabalho que aconteciam todos os dias da semana, sem folgas. Nos andares de baixo funcionavam várias lojas, restaurantes onde se consumia

“Houve um crescimento tão grande, e com uma intensidade tal, que tínhamos a sensação de estar dentro de uma colmeia, com tudo a funcionar, com muito pouco espaço. Era um labirinto, mesmo ao nível das circulações.” MÁRIO DUQUE ARQUITECTO

comida de cão e dentistas sem qualquer tipo de licença. O arquitecto, a residir há décadas em Macau, recorda-se de que os espaços disponíveis para circulação dentro da cidade eram reduzidos ao essencial. “Em tempos, deveria ter tido uma construção organizada, mas depois foi apropriada. Houve um crescimento tão grande, e com uma intensidade tal, que tínhamos a sensação de estar dentro de uma colmeia, com tudo a funcionar, com muito pouco espaço. Era um labirinto, mesmo ao nível das circulações. Uma das coisas a que estamos habituados em Macau nos edifícios antigos é que muitas vezes as pessoas ocupam os

Paul Pun, secretário-geral da Cáritas, já fazia trabalho de apoio social quando visitou pela primeira vez a cidade muralhada de Kowloon. Nunca se sentiu inseguro, apesar da existência omnipresente de consumidores e traficantes de drogas e da ausência de autoridades policiais. “Naquela altura, na cidade muralhada, viviam apenas chineses, e havia uma ligação às tríades. Eles não estavam presentes apenas na cidade, mas em vários pontos de Hong Kong. Lá havia mais liberdade para as tríades levarem a cabo as suas actividades, porque não havia câmaras.” O secretário-geral da Cáritas foi, durante dois anos, estudante da Universidade de Hong Kong. Na altura optava por andar a pé, evitando autocarros ou eléctricos, para sentir mais de perto o pulsar da cidade. Mais tarde, visitaria a cidade muralhada de Kowloon, sem ajuda de ninguém. “Não tinha ligações a ninguém, ou a qualquer associação. Cheguei a trabalhar com portadores de deficiência, que muitas vezes tinham de ir fazer tratamentos a Hong Kong, e algumas pessoas vinham a Macau pedir apoio e tínhamos de os ajudar nos contactos. Antes, as pessoas de Hong Kong perdiam dinheiro no jogo e nós fazíamos esse trabalho de apoio”, contou. Paul Pun recorda a ligação que existia entre as muitas famílias que tinham de partilhar pequenos espaços. Várias gerações nasceram e morreram na cidade muralhada de Kowloon que, originalmente, era um forte militar chinês. A sua população aumentou drasticamente com a ocupação japonesa de Hong Kong durante a II Guerra Mundial. “O espaço era gerido por eles próprios e tinha uma coisa boa: as pessoas mantinham a harmonia lá dentro, as pessoas não olhavam para ti, faziam com que te sentisses acolhido. Eu senti-me normal lá dentro, não me senti um estranho”, acrescentou Paul Pun, que, quando questionado sobre as condições das estruturas dos edifícios e do ambiente, recordou uma curiosidade. “Não sei se cheirava mal, porque na altura tive um problema de saúde e não conseguia ter cheiro. Por isso, é que quando caminhei lá não senti problemas a esse nível, mas garanto que era um lugar seguro.” Na cidade muralhada de Kowloon, Paul Pun recorda-se de existir uma ligeira diferenças no modo de estar das pessoas de Macau e Hong Kong. “Eu não me vestia como alguém de Hong Kong. Naquela altura, havia uma maior diferença na forma de vestir e até de andar, porque as pessoas de Hong Kong andavam mais depressa, por exemplo. Quan-

do entrei num supermercado da cidade muralhada perceberam que eu não era de Hong Kong, porque andava mais devagar. Mas senti-me bem acolhido.”

DENSIDADE DE HOJE

Na cidade muralhada de Kowloon, os apartamentos eram minúsculos e poucos tinham o luxo de morar numa casa exposta à luz do sol e ao ar da rua. Quem vivia nos apartamentos cá em baixo precisava subir vários andares a pé para o terraço do edifício, onde o espaço era dominado por um vasto campo de antenas de televisão desorganizadas.

“Quando entrei num supermercado da cidade muralhada perceberam que eu não era de Hong Kong, porque andava mais devagar. Mas senti-me bem acolhido.” PAUL PUN SECRETÁRIO-GERAL DA CARITAS

Hoje em dia, permanece o problema da falta de espaço em Hong Kong e é cada vez mais visível a realidade dos que são obrigados a viver em gaiolas ou em apartamentos. Em Macau nunca existiu um espaço tão densamente povoado como a cidade muralhada de Kowloon, mas Paul Pun alerta para a situação em que vivem hoje muitos trabalhadores migrantes. “Se compararmos com Hong Kong, sempre tivemos numa melhor situação, com a diferença dos trabalhadores migrantes, que vivem em espaços mais apertados. Estamos a falar de um espaço que era mais pequeno do que Seac Pai Van”, frisou o secretário-geral da Caritas. Mário Duque fala de uma predisposição cultural para que os asiáticos se organizem na cidade de uma forma mais densa, uma vez que os europeus, pelo contrário, precisam de espaço para comunicar uns com os outros. Ainda que a uma escala diferente, e sem a dimensão da cidade muralhada de Kowloon, o arquitecto dá exemplos de aglomerados urbanos que se mantiveram imunes ao desenvolvimento urbano, com uma organização própria. “Em escalas muito pequenas encontramos isso em Macau, quando determinado núcleo urbano tradicional foi incorporado numa estrutura urbanística geral, como as ilhas que permaneceram lá dentro, com a sua própria organização. Encontramos isso nas zonas viradas para o Patane e Porto Interior.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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HOJE MACAU

7.5.2018 segunda-feira

Habitação Song Pek Kei questiona planeamento de lotes da Doca do Lam Mau

CHUI SAI ON ACHA QUE JOVENS PENSAM DE FORMA DIFERENTE DO GOVERNO

Juventude quieta

O Chefe do Executivo foi de férias na sexta-feira, mas deixou uma mensagem alusiva ao Dia da Juventude. Chui Sai On elogiou o progresso da juventude local e mostrou-se satisfeito por haver opiniões construtivas, mesmo que diferentes das propostas pelo Governo

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A sexta-feira celebrou-se o Dia da Juventude e o Chefe do Executivo, apesar de ter tirado dois dias de férias – segundo um despacho em Boletim Oficial – revelou-se “profundamente satisfeito” com o progresso dos mais jovens, através de uma mensagem gravada. Chui Sai On destacou também o espírito crítico da nova geração do território e destacou que muitas das opiniões diferentes das seguidas pelo Governo são construtivas. “Os intercâmbios realizados ao longo destes anos, deixam-me profundamente satisfeito por verificar o progresso dos jovens de Macau”, começou por dizer. “Os jovens contemporâneos de Macau são mais maduros no

seu pensamento e têm uma visão da vida mais ampla; detêm uma elevada capacidade de julgamento e consciência crítica, e têm opiniões diferentes em relação às políticas e medidas do Governo, muitas das quais são construtivas”, apontou. Por outro lado, Chui Sai On recordou a iniciativa quase singular durante a sua governação, em que os secretários se mostraram disponíveis para participar

em palestras com os alunos da Universidade de Macau. O líder do Governo não deixou passar a ocasião para fazer um balanço positivo da iniciativa. “É minha convicção que esta comunicação directa e pessoal contribui para que as novas gerações tenham um melhor conhecimento sobre os trabalhos do Governo e, em particular, sobre as ponderações e as prioridades tidas em consideração para tomada de

“Os jovens contemporâneos de Macau são mais maduros no seu pensamento e têm uma visão da vida mais ampla; detêm uma elevada capacidade de julgamento e consciência crítica.”

decisões. Podemos assim concluir que esta forma de comunicação tem efeitos positivos quer para o desenvolvimento dos jovens, quer para os trabalhos do Governo”, rematou.

“VIVAM BEM A JUVENTUDE”

Nascido a 3 de Janeiro de 1957, Chui Sai On tem actualmente 61 anos e do alto da sua experiência deixou um conselho para os mais jovens: “vivam bem a juventude”. A frase foi proferida após o Chefe do Executivo ter pedido aos locais que recebam de braços abertos os jovens do Interior da China e do estrangeiro. “Espero que os jovens se preparem e se integrem activamente no desenvolvimento global do País e que, com uma mente-aberta, acolham a vinda de jovens do Interior da China e do estrangeiros para Macau, com o propósito de aprendizagem, e que no processo da aprendizagem conjunta, vivam bem a juventude, se auto-realizem, e contribuam para o desenvolvimento contínuo do País e de Macau”, aconselhou. Ao longo do discurso, o líder máximo do Governo local fez ainda vários apelos ao amor pelo País e ao patriotismo. Chui recordou também a visita do presidente Xi Jinping, aquando a celebração dos 15 anos da RAEM. João Santos Filipe

FERNANDO CHUI SAI ON

joaof@hojemacau.com.mo

VISITA OFICIAL CHUI SAI ON VAI HOJE PARA CAMBODJA E TAILÂNDIA

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, parte hoje para uma visita oficial ao Cambodja e Tailândia no âmbito da política “Uma Faixa, Uma Rota”, aponta um comunicado. O objectivo da visita é “aprofundar a cooperação e intercâmbio na área do

turismo, economia e comércio e, de acordo com as necessidades do País, aproveitar as vantagens de Macau, para que o território desempenhe o seu papel singular de ponte, contribuindo para a grande estratégia de desenvolvimento da construção de ‘Uma Faixa,

Uma Rota’”. A comitiva inclui a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, os membros do Conselho Executivo e representantes da

A deputada Song Pek Kei entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona o planeamento de dois lotes na zona da doca do Lam Mau, no Fai Chi Kei. Song Pek Kei recorda que o Governo prometeu dar prioridade à construção de habitações públicas mas, no entender da deputada, os pequenos terrenos na zona da doca do Lam Mau podem não ter as condições ideais para erguer casas públicas. Nesse sentido, a deputada quer saber se é possível construir nos referidos terrenos mais lares de idosos, creches e espaços para a prática desportiva, uma vez que são espaços de que a população também necessita.

comunidade ultramarina e de jovens de Macau. A visita termina esta sexta-feira, estando na agenda visitas às capitais Phnom Penh e Banguecoque. Está prevista a realização de “encontros com vários oficiais de alto nível dos dois países”.

Mercado da Taipa Leong Sun Iok quer calendário das obras

O deputado Leong Sun Iok entregou uma interpelação escrita ao Governo onde pergunta sobre prazos para a renovação do mercado municipal da Taipa. Na opinião do membro da Assembleia Legislativa, o plano de ampliação do espaço tem decorrido a um ritmo lento, sendo que há vários anos que os moradores não procuram o espaço para fazer as suas compras, o que causa dificuldades aos vendilhões. Tendo em conta que o mercado é o único a funcionar na Taipa, Leong Sun Iok quer saber quando é que as obras serão realizadas e quais as medidas que serão criadas para apoiar os vendilhões durante este processo. Além disso, o deputado deseja saber se o plano de ampliação contém uma zona de comidas e bebidas, para que haja uma maior variedade de serviços e incentivo para que os moradores ali façam as suas compras.


política 5

segunda-feira 7.5.2018

TRANSPORTES DEPUTADOS DEFENDEM INSTALAÇÃO DE CÂMARAS DE FILMAR NO INTERIOR DE TÁXIS

Táxis, mentiras e vídeo Alguns dos legisladores da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa defendem que além de gravações de som, o Governo devia obrigar à instalação de câmaras dentro dos táxis. Os deputados vão pedir esclarecimentos sobre a proposta que só prevê gravação áudio

áudio e de GPS. Mas queremos saber a razão para não estar prevista a instalação de captação de imagens, como tinha constado na consulta pública. Uma parte dos deputados considera que a gravação de imagens devia fazer parte da lei”, afirmou Vong Hin Fai, presidente da comissão, em conferência de imprensa. Por este motivo, quando a comissão começar as reuniões com o Executivo, o que deverá acontecer dentro de cerca de duas semanas, este vai ser um dos assuntos abordados: “Queremos ouvir as explicações do

Governo. Foi por motivos de privacidade? Ou houve outros motivos?”, questionou o membro daAssembleia Legislativa. Segundo o presidente da comissão, o tema não é completamente unânime entre os deputados que estiveram na reunião de sexta-feira, mas alguns consideram que só a gravação de som poderá não ser suficiente enquanto prova em caso de desacatos entre taxistas e clientes. “Para a recolha de provas, temos de ver se só a gravação do som é suficiente. Pode não ser suficiente e nesses casos

há deputados que defendem que se captem imagens”, frisou. Em relação à questão dos novos equipamentos de captação de som e ao GPS, os deputados querem saber quem vai ser o proprietário dos equipamentos instalados nos táxis: se os taxistas ou o Governo. Por outro lado, querem saber sobre quem cai a responsabilidade de pagar os custos de manutenção. Outra das questões que os deputados querem que o Governo

VONG HIN FAI DEPUTADO

A comissão tem um novo encontro previsto para hoje, sendo que os deputados esperam acabar a análise preliminar da lei dentro de duas semanas. Depois começam as reuniões com o Executivo para discutir as dúvidas. Em relação à consulta pública que a Assembleia Legislativa lançou sobre a lei espera-se que o processo de auscultação chegue ao fim a 28 de Maio. Isto depois da consulta do Governo ter sido realizada há cerca de quatro anos.

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e, como estão à procura de emprego, mesmo que insatisfeitos com o teor da procuração, não se atrevem a manifestar-se contra”. Leong Sun Iok afirma categoricamente que “os trabalhadores são como que forçados a assinalá-la”, lê-se na missiva dirigida ao Executivo. A posição do deputado baseia-se em abusos levados a cabo pelas operadoras. “Devido à falta de fiscalização, a apreciação do perfil por parte das empresas facilmente dá lugar a abusos e quebra de sigilo, privando os

“No artigo 10 da lei está prevista a instalação de um sistema de gravação áudio e de GPS. Mas queremos saber a razão para não estar prevista a instalação de captação de imagens, como tinha constado na consulta pública.”

ENTRE ALVARÁ E LICENÇA

LGUNS dos deputados que estão a analisar a proposta do Governo sobre a nova lei de táxis defendem a instalação de sistemas de vídeo no interior das viaturas e querem saber a razão desta possibilidade não estar prevista no documento. O diploma está a ser discutido na especialidade pela 3.ª Comissão Permanente da Assembleia e a questão esteve em cima da mesa, na passada sexta-feira. “No artigo 10 da lei está prevista a instalação de um sistema de gravação

Governo deve assegurar a privacidade dos dados pessoais para quem está à procura de emprego no sector do jogo. A ideia é deixada pelo deputado Leong Sun Iok em interpelação escrita onde apela à defesa dos trabalhadores deste sector. “As concessionárias exigem a assinatura das referidas procurações para apreciação de perfil”, denuncia o tribuno. O pedido feito por parte dos empregadores não deixa outra hipótese aos interessados do que a obediência, até porque “são parte frágil

explique é a diferença entre os conceitos de alvará de táxi e licença. A questão surgiu pelo facto do diploma apresentado não ter uma definição legal do significado das duas palavras. “Na situação actual só há alvará. Mas a nova lei fala também em licenças, mas não faz uma diferença entre os dois conceitos”, referiu Vong Hin Fai. “Neste aspecto, a lei não parece muito clara, não se percebe se uma licença corresponde a um alvará ou se uma licença pode ser responsável por vários alvarás”, acrescentou.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Diz-me quem foste Leong Sun Iok quer limites no acesso a dados pessoais por parte das operadoras de jogo

trabalhadores do seu direito ao emprego”, refere Leong. Por outro lado, a medida pode ainda proporcionar “a difusão intencional de informações não verídicas ou comentários mal intencionados”.

LISTAS CINZENTAS

Ao acesso, quase forçado, aos dados pessoais dos que procuram emprego no sector

do jogo, acresce a problema da suposta existência de uma lista negra para este segmento da população activa de Macau. “O Governo defende que não há indícios da existência de tal lista, mas as queixas não param”, aponta o deputado. De acordo com Leong Sun Ion, constam desta lista os dados sobre os trabalhadores despedidos, ou que

deixaram os seus empregos devido a más relações com as concessionárias. Para o deputado, a troca de dados facilitada através da existência da lista negra de trabalhadores de jogo, é uma forma acordada entre as concessionárias “para assegurarem a filtragem automática dos indivíduos dessa lista impedindo-os de voltar a trabalhar no sector”. Tanto a assinatura de uma procuração que permita o acesso aos dados pessoais dos que andam à procura de emprego, como a lista negra

“violam manifestamente o princípio da boa-fé na lei laboral, retirando aos residentes o gozo do direito de igualdade”. O deputado acrescenta ainda que estas realidades deixam ainda a suspeita de violações da lei de protecção de dados pessoais Nesse sentido, o deputado entende que é necessário que o Governo tome medidas para assegurar os direitos dos trabalhadores do sector, bem como a protecção dos seus dados pessoais. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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7.5.2018 segunda-feira

TRIBUNAIS FILIPINO E INDONÉSIA CONDENADOS POR ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO

Forças de segurança Novo Macau pede compensação de feriados

O Tribunal Judicial de Base considerou que o pai ordenou à mãe que matasse a criança e, por isso, vai cumprir uma pena efectiva de quatro anos. Já a trabalhadora indonésia foi condenada por um crime de abandono com pena suspensa e sai em liberdade

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Filho de um deus menor

O

homem filipino, de 30 anos, e a mulher indonésia, de 25 anos, que abandonaram um recém-nascido na Areia Preta, em Abril do ano passado, foram condenados pelo Tribunal Judicial de Base, na sexta-feira. O pai, sobre quem caiu o principal ónus do crime, vai ter de cumprir uma pena efectiva de quatro anos devido a tentativa de homicídio.Amãe, porque se mostrou arrependida e manifestou vontade de reaver a custódia do filho, foi condenada a uma pena suspensa de 2 anos e 6 meses, pela prática do crime de abandono. No tribunal o juiz Lam Peng Fai deu como provados todos os factos relacionados com a acusação e teve um discurso mais ríspido com o empregado de mesa, de apelido Fajardo, que considerou o principal responsável pela situação. Já a arguida Wina foi tida como influenciada devido à situação em que tinha sido colocada pelo homem de 30 anos.

“O primeiro arguido [Fajardo] sabia bem que a segunda arguida tinha dado à luz um bebé, mas para evitar ter de suportar despesas e cuidar do bebé, sugeriu o homicídio, o que levou a que a segunda arguida abandonasse a criança na rua”, afirmou o juiz. “Por sorte, uma empregada de limpeza encontrou o bebé, que foi salvo. Mas os factos provam o crime de tentativa de homicídio”, frisou. “Para a segunda arguida [Wina] está em causa um crime de abandono. Sabia que se o bebé fosse abandonado não tinha capacidades para sobreviver”, lê-se na sentença. “Registou-se um elevado grau de dolo, apesar de serem pais biológicos abandonaram o bebé. Portanto, vemos que não respeitaram o valor da vida da criança. É um acto altamente censurável”, explicou o juiz.

MÃE EM LIBERDADE

Como instigador do caso, Fajardo foi condenado com uma pena de quatro

“O primeiro arguido [Fajardo] sabia bem que a segunda arguida tinha dado à luz um bebé, mas para evitar ter de suportar despesas e cuidar do bebé, sugeriu o homicídio, o que levou a que a segunda arguida abandonasse a criança na rua.”

anos efectiva, que vai ter de cumprir na prisão de Coloane. O homem de 30 anos já estava em prisão preventiva há cerca de um ano, pelo que tem ainda três anos pela frente. Já a também empregada de restaurante, de 25 anos, PUB

NOTIFICAÇÃO N.° 316/AI/2018 -----Atendendo a que não é possível proceder à respectiva notificação pessoal, pela presente notifique-se o da fracção autónoma situada na Travessa Quarta do Patio do Jardim n.° 2-B, Hing Cheong Kok, 1.° andarA, quenodia07.05.2018caducaramasmedidasprovisóriasqueforamaplicadasàreferidafracçãonasequência do Auto de Notícia da DST n.º 258/DI-AI/2017,de 08.11.2017.------------------------------------------------------Para mais informações, o ora notificado pode comparecer nas horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.º andar.----------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 30 de Abril 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

foi condenada a uma pena de prisão de 2 anos e 6 meses pelo crime de abandono, que fica suspensa durante um período de três anos. É de salientar que este crime tem uma moldura penal que vai dos dois aos cinco anos. “Uma vez que é o primeiro crime, que confessou de forma voluntária, por ter sido influenciada pelo primeiro arguido, por não haver grandes consequências e ainda por estar disponível para assumir a custódia da criança, a pena fica suspensa durante três anos”, explicou Lam Peng Fai. “A segunda

arguida pode assim ser libertada”, acrescentou. O caso julgado na sexta-feira aconteceu há cerca de um ano, quando na última semana de Abril foi encontrado um recém-nascido abandonado na Areia Preta, perto do edifício da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais. A criança é fruto de uma relação extraconjugal, uma vez que tanto Fajardo como Wina são casados, tendo os cônjuges e os respectivos filhos nos países de origem.

Associação Novo Macau (ANM) emitiu ontem um comunicado onde defende a compensação dos dias feriados ao pessoal das forças de segurança. A associação afirma ter vindo a receber queixas de algumas trabalhadores que apontam que, devido às restrições impostas pelo sistema actual, o pessoal da Polícia de Segurança Pública (PSP) e do Corpo de Bombeiros (CB), assim como os agentes dos Serviços de Alfândega (SA) e guardas prisionais da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) devem trabalhar por turnos, o que significa que não podem gozar alguns dos feriados. Sulu Sou, vice-presidente da ANM e deputado suspenso à Assembleia Legislativa, referiu que já foi apresentada uma carta formal ao secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, onde explicita o assunto e frisa que o pessoal das forças de segurança tem o direito a gozar todos os feriados públicos. A ANM alerta ainda para o facto de todos os pedidos de compensação de feriados serem rejeitados com a justificação de que não existem recursos humanos suficientes. Nesse sentido, Sulu Sou pede que Wong Sio Chak resolva o problema, a fim de aumentar a moral dos trabalhadores e a eficiência no local de trabalho.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Crime Autoridades detém 34 cidadãos chineses no Cotai De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, os Serviços de Polícia Unitários (SPU) levaram a cabo uma acção conjunta com a Polícia Judiciária (PJ) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) que resultou na detenção de 34 cidadãos do continente suspeitos da prática de vários crimes na zona do Cotai. Na passada madrugada, um total

de 25 homens e nove mulheres foram levados ao posto da polícia, suspeitos da prática de câmbio ilegal de moeda, enquanto que um total de 16 homens e seis mulheres foram apanhados pela PSP por, alegadamente, se terem envolvido em actividades ilícitas e de terem incomodado jogadores de casinos.


sociedade 7

IAS Apoio para vítimas de acidentes já existe e é flexível

TIAGO ALCÂNTARA

segunda-feira 7.5.2018

O Instituto de Acção Social (IAS) sublinha que o subsídio para apoio a vítimas de acidentes rodoviários é flexível e que pode ser dirigido às vítimas e aos seus familiares. A informação foi dada em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U que pedia ao Governo um fundo destinado apenas para este fim. De acordo com a resposta do IAS, em situações em que a espera de ajudas possa demorar, a entidade tem mecanismos capazes de ajudar os mais desfavorecidos de modo a que estes continuem a ver satisfeitas as necessidades básicas do quotidiano.

Ensino Universidade de Macau realiza congresso sobre língua portuguesa

O Departamento de Português da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de Macau (UM) vai realizar um congresso internacional sobre as confluências em língua portuguesa, linguística, literatura e tradução, anunciou a instituição. Na conferência, que ocorre entre os dias 10 e 12 de Maio, “serão apresentadas comunicações orais de mais de 40 investigadores e professores”, refere a UM, acrescentando ainda que o evento “contará com a presença e participação de diversos académicos, educadores e alunos de pós-graduação”. De acordo com a universidade, o encontro, que vai focar-se no ensino e na aprendizagem do português como Língua Estrangeira, vai receber professores e investigadores de vários países, nomeadamente Portugal, Brasil, Moçambique, França, Itália, Japão e China.

Turismo David Chow quer construir hotel mais baixo na Doca dos Pescadores

A presidente do empreendimento turístico Doca dos Pescadores, Melinda Chan, disse ontem que vai entregar em breve um novo projecto de construção junto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para a edificação de um hotel com 60 metros de altura, ao invés dos 90 metros inicialmente previstos. A informação foi ontem divulgada pelo canal chinês da Rádio Macau, tendo a mulher do empresário David Chow, proprietário dos espaços Doca dos Pescadores e Landmark, avançado que, tendo em conta o ajustamento da altura do hotel, será feito um novo plano de concepção. Neste momento, estão a ser estudados os melhores elementos a inserir no novo projecto, frisou. Recorde-se que a intenção de construção deste hotel levou a um intenso debate sobre a necessidade de preservação da vista do Farol da Guia por parte de várias associações locais.

O TUI considera que “o crime pelo qual foram condenados os dois recorrentes é punível com uma pena de 3 a 15 anos de prisão, e dos autos não resultam quaisquer circunstâncias que militem a favor dos recorrentes, com excepção de o recorrente Alexandre Coutinho ser delinquente primário”, lê-se no acórdão.

JUSTIÇA TUI NEGA RECURSO À DEFESA DOS IRMÃOS PEREIRA COUTINHO

Fim da linha

Benjamim e Alexandre Pereira Coutinho foram condenados no Tribunal Judicial de Base a 8 anos e seis meses de prisão efectiva por tráfico de drogas. O recurso avançou para a Segunda Instância onde o provimento foi negado. Ontem foi dada a conhecer a decisão do recurso enviado para o Tribunal de Última Instância que também negou as intenções da defesa. Os filhos do deputado José Pereira Coutinho vão ter de cumprir a pena que lhes foi aplicada

O

Tribunal de Última Instância (TUI) negou provimento ao recurso pedido pelos irmãos Pereira Coutinho. Condenados a 17 de Outubro,

pelo Tribunal Judicial de Base, pela prática em co-autoria de um crime de tráfico ilícito de estupefacientes a uma pena de oito anos e seis messes de prisão efectiva, Alexandre e Benjamim

Coutinho viram ser-lhe negado o último recurso de que dispunham. De acordo com o acórdão emitido ontem pelo TUI, o tribunal entendeu que a actividade criminosa, ou seja a expedição

de uma encomenda de canábis do Canadá para Hong Kong, com Macau como destino último, começou a partir deste acto em que o produto entrou em circulação. O argumento dos arguidos de falta de correspondência temporal na remessa dos estupefacientes não foi considerado válido. A defesa alegou que no dia em que a encomenda contendo droga foi expedida, Benjamim Coutinho já não se encontrava no Canadá. Por outro lado, os registos das conversas telefónicas, nomeadamente através do WeChat e do Whatsapp, feitas entre os dois recorrentes sobre a mesma encomenda, “revelam, sem dúvida”, que o pacote foi mandado por Benjamim Coutinho a Alexandre Coutinho, com a colaboração de um terceiro elemento, Wong, que foi condenado a sete anos e três meses de prisão efectiva.

MEDIDA JUSTA

Quanto ao argumento relativo ao excesso de

medida de pena, o TUI considera que “o crime pelo qual foram condenados os dois recorrentes é punível com uma pena de 3 a 15 anos de prisão, e dos autos não resultam quaisquer circunstâncias que militem a favor dos recorrentes, com excepção de o recorrente Alexandre Coutinho ser delinquente primário”, lê-se no acórdão. Ainda de acordo com o TUI, “o crime de tráfico de drogas é sempre frequente em Macau e põe em risco a saúde pública e a paz social”, pelo que são prementes as exigências de prevenção geral. A agravar a situação está o carácter transfronteiriço deste crime. “Pelo exposto, o TUI não entendeu excessiva a pena de 8 anos e 6 meses de prisão aplicada aos recorrentes”, remata o TUI. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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M biombo Namban do século XVII e um capacete Namban datado de 1600 fazem parte das peças mais significativas da colecção do Museu do Oriente, em Lisboa, de onde estão proibidas de sair devido ao seu valor e raridade. Estas são algumas das preciosidades que a entidade acolhe, dentro de uma colecção iniciada já em 1988 pela Fundação Oriente, que viria a inaugurar o museu em 2008, indicou à agência Lusa a directora, Joana Belard da Fonseca. A responsável foi entrevistada pela Lusa a propósito das celebrações dos 30 anos da Fundação Oriente e dos dez anos do Museu do Oriente, que envolveram uma vasta programação de exposições, concertos, palestras e oficinas. Questionada sobre os “tesouros” do Oriente guardados pelo museu, a directora, que acompanhou o nascimento do espaço, há dez anos, e a sua evolução, indicou que tanto o biombo PUB

7.5.2018 segunda-feira

Tesouros fechados Biombo e capacete cerimonial Namban são “joias raras” no Museu do Oriente

como o capacete Namban não podem sair pela sua preciosidade e fragilidade, embora sejam várias as solicitações de outros museus de todo o mundo. O biombo Namban foi comprado num leilão em Nova Iorque, em 1999, e representa o encontro entre os missionários jesuítas e os japoneses. Normalmente, os artistas Namban criavam sempre uma peça sobre a chegada de uma embarcação, e outra com a partida.

“Esta peça só saiu uma vez do museu, em 2012, para uma exposição em Florença, na Itália”, recordou a directora, enquanto o capacete cerimonial, que surge frequentemente nas pinturas dos biombos, comprado em Nova Iorque, em 2000, nunca saiu.

MACAU PRESENTE

Outra das preciosidades da coleção do Museu do Oriente é um outro biombo Namban da segunda metade do século

XVIII, adquirido em 1993, em Londres, que representa o território de Macau de um lado e de Cantão do outro. “Consideramos que é um grande risco estas peças saírem”, justificou Joana Belard da Fonseca, acrescentando que, à medida que a entidade vai fazendo missões para adquirir peças daquele lado do mundo, vai descobrindo a sua raridade. No entanto, o Museu do Oriente cede outras peças da sua coleção de 3.000 peças dedicada à presença portuguesa na Ásia, e outro conjunto, também do acervo, de características muito específicas, que é a Kwok On, que reúne 14.000 obras. A aquisição de novas peças para enriquecer o acervo tem continuado ao longo dos anos através da realização de ´missões´ para encontrar determinadas peças que vão enriquecer alguns dos núcleos, ou através de compras em leilões nacionais e internacionais.

Festa dos

CREATIVE MACAU FESTIVAL SOUND & IMAGE

Ainda não fecharam as inscrições e a org & Image já recebeu mais de 1500 filmes do festival. Destes, “pelo menos 27” sã gueses. Este ano Miguel Dias vai fazer

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9.ª edição do Sound & Image Challenge de Macau, festival que motiva todos os anos produtores locais e internacionais de curtas-metragens e música a competir no território, já recebeu pelo menos 27 candidaturas de filmes portugueses. “Até agora já recebemos 1604 filmes da Grécia, Egipto, Estados Unidos, Reino Unido, Irão, Portugal, Brasil, etc.”, afirmou à Lusa a coorde-

nadora do Creative Macau, Lúcia Lemos, que organiza o festival. A coordenadora do espaço cultural, que este ano celebra o 15.º ano de existência, anunciou ainda que “um dos directores do festival internacional de Curtas de Vila do Conde, Miguel Dias, vai ser grande júri do Festival”. Para a competição de curtas, os trabalhos serão recebidos até 16 de Junho,


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segunda-feira 7.5.2018

s sons e imagem

E COM MAIS DE 25 CANDIDATURAS PORTUGUESAS

ganização do Sound s para a nona edição ão de autores portuparte do júri sendo o prazo alargado até 20 de Agosto para os vídeos musicais. O Sound & Image Challenge International Festival divide-se em duas competições: a de curtas-metragens, nas categorias de Ficção, Documentário e Animação, e a vídeos musicais.

PRÉMIOS NOVOS

A estes prémios, a organização decidiu acrescentar este ano novas nomeações: Prémios de melhor realizador, melhor cinematografia, melhor edição, melhor música, melhor banda sonora, melhores efeitos visuais para a competição de curtas, e de melhor canção e melhores efeitos visuais para a competição de vídeos musicais, que por enquanto não têm valor monetário. Os trabalhos finalistas vão ser apresentados de 4 a 9 de Dezembro no teatro Dom Pedro V. Lúcia Lemos fez um balanço muito positivo dos 15 anos Creative Macau já que foram alcançados todos os objetivos, de “ser uma plataforma e um centro de apoio aos criativos locais”. Este espaço criativo, que conta com mais de 500 membros, dá a possibilidade aos associados de “exporem em grupo, nas exposições colectivas, os

Prémios do Indie “Baronesa” e “Lembro mais dos corvos” vencem IndieLisboa 2018

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S filmes “Baronesa” e “Lembro mais dos corvos”, dos brasileiros Juliana Antunes e Gustavo Vinagre venceram, ´ex-aequo`, o grande prémio de longa-metragem Cidade de Lisboa da 15.ª edição do IndieLisboa Festival de Cinema Independente. “Solar Walk”, da realizadora alemã Réka Bucsi, venceu o grande prémio de curta-metragem . “Baronesa” e “Lembro mais dos corvos” foram ainda galardoados ´ex-aequo` com o prémio especial do júri canais TVCine & Series. Na competição internacional das curtas-metragens, o prémio Silvestre foi para “Braguino”, do realizador francês Clément Cogitore. O prémio Turismo de Macau para melhor animação foi atribuído a “Rabbit´s Blood”, da realizadora Sarina Nihei, enquanto o prémio Turismo de Macau para melhor documentário foi para “La bonne education”, da realizadora chinesa GuYu. Na mesma categoria, mas para a melhor ficção o prémio foi para “Matria”, do realizador galego Álvaro Gago.

NA ALA PORTUGUESA Lúcia Lemos, coordenadora da Creative Macau “Até agora já recebemos 1604 filmes da Grécia, Egito, Estados Unidos, Reino Unido, Irão, Portugal, Brasil, etc.”

seus trabalhos e também podem ser convidados a fazer exposições individuais”, explicou a coordenadora. Para além dos membros, os alunos da Universidade de São José, em Macau, e

do Instituto Politécnico de Macau podem utilizar o espaço para divulgarem os seus trabalhos. Para as celebrações do aniversário do espaço, no dia 28 de Agosto, a coordenadora

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA AS PRIMEIRAS VÍTIMAS DE HITLER • Timothy W. Ryback Em 1933, durante um período de seis semanas dramáticas, um homem correu contra o tempo para expor os nazis como assassinos na véspera do Holocausto. Esta é a história espantosa de As Primeiras Vítimas de Hitler. No dia 13 de Abril de 1933, às nove da manhã, o procuradoradjunto Josef Hartinger recebeu um telefonema solicitando a sua presença no recém-inaugurado Campo de Concentração de Dachau, onde quatro presos tinham sido alvejados a tiro. Os guardas SS falaram em tentativa de fuga mas o que Hartinger encontrou – uma jaula de arame farpado no meio de um deserto industrial, cadáveres atirados sem cerimónia para um paiol, ferimentos de bala a curta distância nas cabeças dos quatro judeus – convenceu-o de que algo estava terrivelmente errado.

admitiu que ainda não sabe que trabalhos vai exibir, “mas certamente que vão existir peças de portugueses”.

Na competição nacional, o prémio Allianz para melhor longa-metragem portuguesa foi para “Our madness”, de João Viana, enquanto o prémio Dolce Gusto para melhor curta-metrragem portuguesa foi atribuído a “Os mortos”, de Gonçalo Robalo. “A árvore”, de André Gil Mata, venceu o prémio de melhor realizador para

longa-metragem portuguesa. Duarte Coimbra, com “Amor, avenidas novas” foi o vencedor do prémio Novo Talento FCSH/Nova, o prémio novíssimo Walla Collective+Portugal Film foi para “Infância, adolescência, juventude”, de Rubem Gonçalves, e a menção honrosa novíssimos Walla Coolective + Portugal film foi para “Fauna”, de Lúcia Pires. O prémio Silvestre para melhor longa-metragem foi para “O processo”, de Maria Augusta Ramos, e o prémio IndieMusic Schweppes foi para “Matangi/ Maya/M.I.A”, de Steve Loveridge. Já o prémio Amnistia Internacional foi para “Waste N0.5 The Raft of the Medusa”, de Jan Ijäs. “Russa”, de João Salaviza e Ricardo Alves Júnior, venceu o prémio Árvore da Vida para filme português e “Bostofrio – Où le ciel rejoint la terre”, de Paulo Carneiro, venceu uma menção honrosa. “Tremors”, de Dawid Bodzak, obteve o prémio Escolas e “An elephant stings still”, de Hu Bo, venceu o prémio Universidades. No que respeita ao júri do Público, o prémio de longa-metragem foi para o documentário “O processo”, de Maria Augusta Ramos, e o de curta-metragem para “Stay ups”, de Joanna Rytel. Já o prémio do Público Indie Júnior Doctor Gummy foi para “Professor sapo”, de Anna van der Heide. A15.ª edição do IndieLisboa começou a 26 de Abril e terminou no Sábado. LUSA

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A SÍRIA EM PEDAÇOS • Bernardo Pires de Lima Poucos momentos na história recente sofreram tantas alterações como estes quatro anos no Norte de África e no Médio Oriente. Este livro passa esses anos em análise, tendo a Síria como centro de gravidade. Acompanha as motivações da «Primavera Árabe», a ascensão e o equilíbrio entre as potências sunitas e xiitas, os posicionamentos das grandes potências externas, o papel das organizações internacionais, o roteiro dos grupos islamitas radicais, e o foco de jihadismo na Europa que o ataque ao Charlie Hebdo aproximou do caos sírio. Tudo isto em fotogramas sobre o que o rodeou, consumiu, minou e sobreviveu. Numa Síria em pedaços.


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7.5.2018 segunda-feira

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Meu querido Karl

Xi enaltece ideais de Marx apesar de abertura do país ao capitalismo

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O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 2ª vez do ano 2018

(1)

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Fins

O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

Alvos de Patrocínio

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Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.

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Presidente chinês, Xi Jinping, enalteceu os ideais de Karl Marx, que teoricamente continuam a reger o país, onde milhares de operários morrem anualmente em acidentes laborais, numa celebração do bicentenário do nascimento do filósofo alemão. "Como um espectacular amanhecer, o marxismo ilumina o caminho da humanidade", afirmou Xi, no Grande Palácio do Povo, local que acolhe os mais importantes eventos políticos da China, situado junto à Praça de Tiananmen.

Durante um discurso de uma hora e meia, proferido perante personalidades militares e civis da China, Xi classificou Marx como "o maior pensador dos tempos modernos". "Duzentos anos depois, apesar das enormes e profundas mudanças na sociedade humana, o nome de Karl Marx continua a ser respeitado em todo o mundo e a sua teoria continua a ser iluminada pela luz da verdade", lembrou Xi. Um enorme retrato do filósofo alemão, nascido em 5 de Maio de 1818, ocupou o espaço normalmente reservado aos símbolos do regime chinês no Grande Palácio do Povo.

O REVERSO DA MOEDA

Projecto de Apoio Financeiro

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Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; Pedidos de patentes.

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Valor de Apoio Financeiro

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Data do Pedido

(1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 13 de Abril até 15 de Maio de 2018

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(O próximo pedido será realizado no dia 10 de Agosto ao 14 de Setembro de 2018)

Forma do Pedido

Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.

Condições de Autorizações

Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT,

Ma Chi Ngai 2018 / 4 / 13

Desde que ascendeu ao poder, em 2013, Xi Jinping tem vindo a promover o estudo do marxismo entre os altos quadros do Partido Comunista, visando um "regresso às raízes". O segundo centenário do nascimento de Karl Marx foi comemorado na China com várias actividades, incluindo a organização de exposições ou a reedição de clássicos marxistas como o "O Capital" ou "O Manifesto Comunista". Segundo a sua Constituição, a China é "um Estado socialista, liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa".

Xi Jinping “Duzentos anos depois, apesar das enormes e profundas mudanças na sociedade humana, o nome de Karl Marx continua a ser respeitado em todo o mundo e a sua teoria continua a ser iluminada pela luz da verdade.”

Em 1979, no entanto, o país abriu-se à iniciativa privada e ao investimento estrangeiro e é hoje a segunda maior economia do mundo, após quatro décadas a crescer, em média, quase 10 por cento ao ano. Desde então, centenas de milhões de chineses saíram da pobreza extrema, num "milagre" sem precedentes na História moderna. No entanto, segundo contas da Organização Internacional do Trabalho, o operariado chinês regista, em média, cerca de 70.000 mortes por ano devido a acidentes no trabalho - 192 óbitos por dia. A desigualdade social é também uma das principais fontes de descontentamento popular no país. O rendimento ‘per capita' em Pequim ou Xangai, as cidades mais prósperas do país, é dez vezes superior ao das áreas rurais, onde quase metade dos 1.750 milhões de chineses continua a viver.

Região Filipinas Terramoto de magnitude 6,1 na escala de Richter

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M terramoto de magnitude 6,1 graus na escala de Richter atingiu no sábado as Filipinas, mas as autoridades ainda não informaram se há vítimas, danos materiais ou se activaram o alerta de tsunami. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que regista a actividade sísmica mundial, localizou o epicentro do tremor a 17 quilómetros de profundidade. O mesmo organismo referiu que o terramoto aconteceu a 58 quilómetros a noroeste de Pandan, na ilha de Catanduanes,

e a 319 quilómetros a leste de Manila, na ilha de Luzón. O serviço sismológico filipino (Philvolcs), entretanto, indicou que a magnitude do terramoto foi de 5,9 graus na escala de Richter e que se situou a 46 quilómetros de profundidade. O Philvolcs apontou que não esperam que o terramoto tenha causado danos, mas preveem que aconteçam réplicas do tremor. O Centro de Alertas de Tsunamis do Pacífico não emitiu algum aviso por risco de ondas gigantes.


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segunda-feira 7.5.2018

UE Bruxelas atenta à expansão chinesa na América Latina

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representante da União Europeia no Panamá disse ontem que Bruxelas está atenta à expansão do investimento chinês na América Latina e à sua entrada naquele mercado, mas recusou que a situação cause “especial preocupação”. De acordo com Giovanni Di Girolamo, a presença da China na América Latina é vista pela União Europeia “com interesse porque, evidentemente, é um grande agente económico”. “Mas não há especial preocupação, apenas se trata de novas empresas que chegam e que podem concorrer com as europeias”, acrescentou. Giovanni Di Girolamo assinalou que “a decisão de cada país relacionar-se com a China é independente, [já que] há países europeus com relações comerciais com a China desde os anos 1970 e há empresas europeias que operam na China” há algum tempo também. “Qualquer país que chega à região com ideias, com dinheiro e com investimento pode contribuir para o desenvolvimento dessa mesma região dentro do que é considerado um mercado ordenado e aberto”, notou. O representante diplomático acrescentou que “quem acredita no livre comércio, quem acredita em concorrência, tem de aceitar o facto de que eles podem ser concorrentes e isso tem de estimular [os europeus]”, desde logo ao nível da oferta e da qualidade. Giovanni Di Girolamo adiantou que “a América Latina está muito na moda porque é região rica, com um elevado potencial pelos recursos naturais, pela variedade cultural, pela energia, pelos jovens”, pelo que “estranho seria que [os chineses] ali não se fixassem”, como outras potências mundiais.

COMÉRCIO “GRANDES DIFERENÇAS” PREVALECEM ENTRE PEQUIM E WASHINGTON

Guerra dos mundos

Pequim e Washington acordaram estabelecer um mecanismo que permita lidar com as crescentes disputas comerciais, mas reconheceram que prevalecem “grandes diferenças” entre os dois países, noticiou a agência oficial chinesa

Analistas consideram ser difícil China e EUA chegarem a um consenso, tendo em conta a forte incompatibilidade entre as estratégias de ambos para o sector tecnológico, no qual Pequim ambiciona competir com Washington

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agência noticiosa oficial Xinhua, que cita o ministério chinês do Comércio, afirma que os dois lados abordaram um aumento das exportações norte-americanas para a China, comércio de serviços, protecção de propriedade intelectual e como resolver as disputas em torno da implementação de taxas alfandegárias. Os dois lados "chegaram a um consenso em algumas matérias", refere a agência, sem avançar com mais detalhes. Também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, deu um sinal positivo sobre as negociações com as autoridades chinesas, que decorreram em Pequim. "As conversas estão

a correr bem", disse, num breve comentário aos jornalistas. O Presidente dos EUA, Donald Trump, quer reduzir em 100.000 milhões de dólares o deficit na balança comercial com a China e exige que Pequim garanta às empresas norte-americanas uma melhor protecção dos direitos de propriedade intelectual. A sua administração ameaçou subir as taxas alfandegárias sobre um total de 150.000 milhões de dólares em exportações chinesas para o país, incluindo produtos do sector da aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação ou robótica. Em retaliação, Pequim ameaçou subir as taxas alfandegárias sobre uma lista de produtos norte-americanos, cujas exportações

para a China se fixaram, no ano passado, no mesmo valor.

EXPECTATIVAS VS REALIDADE

Continua a não ser claro se as negociações desta semana vão levar as autoridades de ambos os países a anular aquelas medidas, que perturbaram as praças financeiras em todo o mundo, temendo uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta. Analistas consideram ser difícil China e EUA chegarem a um consenso, tendo em conta a forte incompatibilidade entre as estratégias de ambos para o sector tecnológico, no qual Pequim ambiciona competir com Washington. O jornal oficial China Daily lembra que é normal que existam

diferenças entre os EUA e a China em torno de questões comerciais, mas que os recentes "ataques mostram o quão acesas se tornaram as disputas e o quão difícil será para os dois lados ficarem satisfeitos". Um acordo é apenas possível se os "dois lados tiveram expectativas realistas", acrescentou o jornal. Na raiz desta disputa está o plano de Pequim, designado "Made in China 2025", para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. A China fabrica 90 por cento dos telemóveis e 80 por cento dos computadores do mundo, mas depende de tecnologia e componentes oriundos dos EUA, Europa e Japão, que ficam com a maior margem de lucro. Washington queixa-se de que as autoridades chinesas estão a subsidiar empresas locais e a protegê-las da concorrência, enquanto forçam firmas estrangeiras a partilhar tecnologia com potenciais futuros rivais chineses, em troca de acesso ao mercado do país. A delegação norte-americana incluiu ainda o secretário do Comércio, Wilbur Ross, o representante comercial da Casa Branca, Robert Lighthizer, e o assessor económico máximo de Trump, Larry Kudlow. Do lado chinês, as discussões foram lideradas pelo vice-primeiro-ministro Liu He, principal encarregado da política económica e financeira do país asiático e visto como próximo do Presidente da China, Xi Jinping.

Índia Polícia prende 14 suspeitos de violar e matar uma adolescente

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polícia indiana prendeu no sábado 14 pessoas suspeitas de sequestrar, violar e queimar o corpo de uma adolescente, no mais recente caso de crimes contra as mulheres na Índia, mesmo com o recente endurecimento das leis. O magistrado do distrito, Jitendera Singh, disse que

os acusados sequestraram a adolescente em Chatra, uma aldeia no estado de Jharkhand, enquanto a jovem estava a participar numa cerimónia de casamento, na quinta-feira. Alguns dos acusados alegaram que a violaram e depois deixaram-na ir para casa. Os líderes do conselho da aldeia impuseram uma multa

de 50.000 rupias (585 euros) aos acusados no dia seguinte aos acontecimentos. Singh disse que, na sexta-feira, os suspeitos espancaram membros da família da jovem por fazerem queixa deles. O magistrado disse ainda que a polícia está a procurar o principal suspeito do caso.

A Índia tem sido abalada por uma série de agressões sexuais desde 2012, quando uma estudante foi violada e assassinada num autocarro

em Nova Deli. Esse ataque gerou no país uma revolta generalizada em relação aos crimes contra as mulheres, que há muito tempo

era aceite silenciosamente. Respondendo à indignação generalizada em relação aos recentes casos de violação e assassínio de crianças e adolescentes, o Governo da Índia aprovou no mês passado a pena de morte para condenados por violar crianças menores de 12 anos.


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O tempo é a substância de que sou feito Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Da solidão sonora dos eremitas

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IERONYMUS Bosch (1495-1510) só poderia utilizar do mundo do visível as suas formas mais terríveis, porque perante o radical silêncio vivido por António, as imagens tal como as palavras seriam sempre uma violência. Nas Tentações de S. Antão do Museu de Arte Antiga em Lisboa, o último dos pintores medievais, encena um mistério cristão importante: a tentação para o pecado. Na pintura de Bosch parece existir uma afinidade entre as imagens e as tentações de António, que na

Dessa jornada ele haveria de recordar Zhongren, o monge do budismo Chan, do mosteiro de Huaguang . Antes, após a morte da segunda mulher ele já se retirara para um mosteiro daoísta em Anhui tomando então o nome do lugar, Shangu Daoren, «O homem do dao do vale da montanha». E era essa a via, a chave com que descobria a pintura: ao entrar em meditação (o chan) e atingir o estado de «não inquietação» podia venerar a receptividade: «então, ao olhar para pinturas, eu entendi completamente a esperteza e a estupidez, a habilidade

Na pintura de Bosch parece existir uma afinidade entre as imagens e as tentações de António, que na língua portuguesa é designado Antão desde que por tanto o admirar um outro Santo lhe tomou o nome para si língua portuguesa é designado Antão desde que por tanto o admirar um outro Santo lhe tomou o nome para si. Aí, no entanto, estava uma ponte que o santo anacoreta repetidamente atravessou: «Os demónios não são corpos visíveis, mas nós transformamo-nos nos seus corpos quando aceitamos deles pensamentos tenebrosos. Porque ao acolhermos esses pensamentos, acolhemos os próprios demónios e tornamo-los corporalmente manifestos.» O silêncio exterior feito escuta de si mesmo e do mais ínfimo do que passa no mundo pode ser um perigo mas houve quem demonstrasse que era aí que residia a disciplina do pintor. Huang Tingjian (10451105), calígrafo, pintor e poeta, acreditava que perceber e apreciar a pintura era algo tão misterioso e difícil como a própria actividade criativa. Nele conviviam o Daoísmo e o Budismo Chan, que aperfeiçoara no decurso de uma das suas peregrinações para a região de Xiaoxiang, que chegou a ser apelidada de «portas do inferno».

ou vulgaridade dos pintores até ao mais pequeno detalhe, e entrei no misterioso. Mas como falar disto a pessoas que só viram algumas poucas coisas e só escutaram um pouco?» O seu percurso vital marcado por um exílio injusto levou-o a ver e entender muitas coisas. O caso de Huang Tingjian é semelhante a muitos outros pintores e poetas Chineses que seguiram o caminho do exílio, da solidão partilhada em cenóbios ou naquilo que os antigos chamaram «o deserto», que são apenas os lugares ermos, longe das povoações. Foi aí que se forjaram as misteriosas formulações do Chan, nascidas da pedagogia do instante como «o aplauso de uma só mão», que Antão certamente entenderia. De alguns deles ainda ficaram alguns traços de pincel em tinta preta. De outros, diante dos seus eremitérios, ficamos à porta, as palavras ou as formas com que tentamos desvendar o seu terrível silêncio são pobres tentativas porque nós é que somos os estranhos.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

Ofício dos ossos Valério Romão

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MA das razões pelas quais o amor continua a merecer a atenção dos poetas é a sua inesgotável capacidade de nos desassossegar. De repente, um tipo tem uma rotina que não detesta, amigos com quem partilhar banalidades e filosofia de bolso, uma ocupação dominical com puzzles ou outro hobby solitário, a convicção de que a vida em mono tem a inequívoca vantagem de permitir a livre expressão da vontade unipessoal. No entanto, um contacto inesperado com uma criatura que surge da bruma num misto de estranheza e familiaridade muda tudo. A coisa nunca é uma surpresa, pelo menos na forma como se dá. São afinidades importantes (nunca as mesmas), visões de vida com pontos de confluência, uma salutar discordância em coisas de somenos e uma cumplicidade imediata que parece ter sido herdada de outra vida. Um tipo, por contraste, percebe que a vida de ontem, tão equilibrada quanto confortável, estava para a realidade como a simulação informática do Matrix. Apesar de jogar com as mesmas categorias, tem a consistência espúria de um sonho. É no seu todo muito menos do que uma pequena parte da vida de agora. Parece mentira. Esta sensação de despertar subitamente para a textura plena das coisas sabe a vida. O sujeito passa da condição de espectador interessado para o de actor de pleno direito. É tão raro como inebriante. O apaixonamento tem a característica de radicalizar o ponto de vista. Não voltamos a contentar-nos com as coisas pela metade, com uma faceta apenas dos fenómenos. A gula própria de quem quer abocanhar a vida até à raiz faz-nos querer nunca menos de tudo. E sentimo-nos, como nos diversos discursos do simpósio platónico, em posse da “metade em falta”. Essa maximização das sensações e o empoderamento que dela decorre faz com que um sujeito tenha de reconfigurar de algum modo a vida. Criam-se hábitos novos, rotinas de casal, alguns laços enfraquecem, nomeadamente por falta de tempo e vontade para continuar a cuidar deles com a diligência do passado, outros, parte integrante do mundo que a outra pessoa traz como bagagem, surgem naturalmente. A vida, que nos parecia confortavelmente definida, sofre uma reconfiguração de monta. Mas vale a pena o esforço, porque a vida antes era apenas uma coisa pela metade que vivíamos na ilusão de tê-la por completo. Agora não, agora têmo-la toda pelo cachaço Se a coisa corre bem, o mundo e o sentido novo que o preside não deixam nunca de ter um rumo e coloração unívocos. Os obstáculos que decorrem naturalmente de uma relação em que duas vontades têm de encontrar espaço para a cedência ultrapassam-se com a serenidade de quem está imbuído de uma força e resolução superiores. A dois tudo é mais fácil.

1880 PIERRE AUGUSTE COT - THE STORM

segunda-feira 7.5.2018

Das matizes da paixão Quando um dos elementos do tandem começa a perder interesse naquela rota a pares, a coisa complica-se. A construção começa a mostrar sinais de desgaste e, enquanto um se apressa a dar

conta das fissuras na parede, o outro só pensa na forma menos dolorosa de abrir a porta de saída. Aquele sinal na cara, mesmo no queixo, que antes era adorável, é agora insuportável. Um sujeito dá

Esta sensação de despertar subitamente para a textura plena das coisas sabe a vida. O sujeito passa da condição de espectador interessado para o de actor de pleno direito. É tão raro como inebriante. O apaixonamento tem a característica de radicalizar o ponto de vista. Não voltamos a contentar-nos com as coisas pela metade, com uma faceta apenas dos fenómenos

finalmente conta de que a outra pessoa não bebe a água de forma correcta, de que não pronuncia bem os erres, de que tem um objectivo de vida incompatível e incomportável. Tudo o que parecia justo e adequado afigura-se agora estranho e inorgânico. Não se quer estar ali, não se quer alimentar esta estranha criatura feita de retalhos alheios. E, quando finalmente as coisas acabam, um tipo volta a arrumar tudo nos sítios como um adolescente à espera do regresso dos pais depois da festa em casa. Voltamos ao passatempo solitário de domingo, aos amigos que nos recebem sem rancor, a quotidianidade em mono. Com o tempo, tudo passa a fazer novamente sentido. Até alguém aparecer para desarrumar tudo outra vez.


14 (f)utilidades TEMPO

7.5.2018 segunda-feira

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

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EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Studio City Macau

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11 2 5 6 7 9 7 8 4 2 1 1 3 9 4 5 AVENGERS: INFINITY WAR [B] 4 6 2 1 3 8 7 5 6 4 3 9 1 5 8 RAMPAGE [C] 6 2 8 3 7 5 1 7 9 6 AVENGERS: INFINITY WAR [B] 9 4 3 8 2 SALA 1

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 21.30

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth

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8 1 4 3 3 9 5 6 RAMPAGE 6 8 7 2 TOMORROW 9 7 IS ANOTHER 8 5DAY [C] 2 3 1 9 7 6 2 4 5 4 9 1 THE TROUGH [C] 4 2 3 8 1 5 6 7 16.30

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30 SALA 3

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 8

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10 8 3FILME 6 4 7HOJE 1 9 UM 1 9 7 3 2 5 4 Vencedor 5 2de três 4óscares, 8 o9 6 7 “Crepúsculo dos Deuses” é um filme obrigatório 3 6 1 9 8 4 5 pelo tema que aborda. Focado na vida da actriz 2 7 9 5 1 3 8 Norma Desmond, interpretada por Gloria Swan4 a 5película 8 mostra 2 6 7 3 son, como a artista entra num 9 8de 3insanidade 1 4 2 6 período mental, após ter perdido o 7 1de estrela 5 máxima 6 3 9 2 estatuto de Hollywood e ter sido 6 4à insignificância, 2 7 5 8 1 reduzida com o fim dos filmes mundos. Realizado em 1950 e a preto-e-branco, a obra de Billy Wilder foi um dos primeiros acessos do grande público à realidade por detrás do glamour dos ecrãs do cinema. João Luz

12 8 2 6 3 9 1 5 8 7 3 4 6 1 6 9 2 3 5 7 9 2 4 8 7 5 7 3 1 4 9 2 5 6hojemacau. 8www. 1 4 com.mo

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PROBLEMA 9

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O8Governo está a trabalhar numa nova lei do hino e insiste que as pessoas devem respeitar este símbolo nacional. É uma questão de bom senso, apesar de alguns receios iniciais, que Sónia Chan fez questão de afastar. Contudo, há um assunto que carece de explicação do Governo. Entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano começou a circular nas redes sociais a imagem do símbolo de uma universidade turca, a Universidade de Kirklareli, que foi fundada em 2007. A semelhança entre o símbolo dessa universidade com uma flor de lótus em quase tudo igual à do símbolo de Macau, à excepção da cor que é azul, é evidente. Pessoalmente, considero que os turcos tiveram bom gosto. Mas o símbolo de Macau tem inscrito em caracteres chineses: Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Também no topo da flor de lótus de Macau estão as cinco estrelas douradas da bandeira chinesa. Portanto, não é abusivo considerar 10o símbolo local é um símbolo nacional que da República Popular da China e, como tal, merece respeito e não devia ser plagiado. Mas, e apesar das perguntas enviadas pelo HM a 14 de Janeiro ao gabinete do Chefe do Executivo sobre o assunto, até hoje não houve resposta. Não é um caso único, mas tratando-se de um símbolo nacional não era do interesse do Governo clarificar a situação? Desconheço se houve contactos directos entre Macau, ou indirectos através do Governo Central, com a universidade turca. Mas quase cinco meses depois não houve explicações do Governo e o emblema da universidade de ensino continua o mesmo. Numa altura em que o Executivo está preocupado com o hino nacional, não fazia também sentido começar por impor respeito pelos símbolos nacionais que temos em casa? João Santos Filipe

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SÓ INTERESSA O HINO?

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5 9 1 7 4 7 4 3 6 2 1 2 5 9 8 4 5 8 3 7 6 8 2 4 1 3 1 9 5 6 2Propriedade 6 4Fábrica8de Notícias, 9 Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 8José 7 6 1 3 Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 9dos 3 7 2 5 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 15

segunda-feira 7.5.2018

SLAVOJ ŽIŽEK

Q

A actualidade de Marx

UANDO penso no bicentenário de Karl Marx comemorado este ano, ocorre-me logo uma piada soviética sobre a rádio Yerevan. Um ouvinte pergunta: “É verdade que Rabinovitch ganhou um carro novo na lotaria?”. E a rádio responde: “A princípio, é verdade, sim. Só que não foi um carro novo, foi uma bicicleta velha, e ele não a ganhou, ela foi-lhe roubada.” Não seria possível dizer que algo semelhante não vale também para o destino do ensinamento de Marx nos dias de hoje, 200 anos após seu nascimento? Perguntemos à rádio Yerevan: “É verdade que Marx ainda é actual hoje?”. Dá para adivinhar que tipo de resposta teríamos: “A princípio, sim, ele descreve maravilhosamente a dança louca das dinâmicas do capitalismo, que só atingiu seu auge hoje, mais de um século e meio depois de seus escritos, mas… Gerald A. Cohen enumerou os quatro atributos fundamentais da noção marxista clássica de classe trabalhadora: (1) ela constitui a maioria da sociedade; (2) ela produz a riqueza da sociedade; (3) ela consiste dos membros explorados da sociedade; (4) seus membros são os necessitados da sociedade. Quando se combinam esses quatro atributos, geram-se mais dois: (5) a classe trabalhadora não tem nada a perder com uma revolução; (6) ela pode e irá iniciar uma transformação revolucionária da sociedade. Não se pode dizer que os quatro primeiros atributos se aplicam à classe trabalhadora actual. É por isso que não se pode produzir os enunciados (5) e (6). (Ainda que algumas das características possam ser válidas para certas partes da sociedade actual, elas não estão mais unificadas em um único agente: os necessitados na sociedade não são mais os trabalhadores, etc.) O impasse histórico do marxismo não repousa apenas no facto de que ele contava com a perspectiva da crise derradeira do capitalismo e, portanto, não conseguia explicar como o capitalismo saía de cada crise fortalecido. Há um equívoco ainda mais trágico em operação no corpo clássico do marxismo, descrito de maneira muito precisa por Wolfgang Streeck: o marxismo estava certo a respeito da “crise final” do capitalismo; é evidente que estamos hoje nessa derradeira fase, mas essa crise é simplesmente isso, um processo prolongado de corrosão e desintegração, sem que haja uma Aufhebung hegeliana fácil à vista, sem que haja nenhum agente para conferir a essa corrosão uma viragem positiva e transformá-la em passagem para algum nível mais elevado de organização social: “É um preconceito marxista – ou melhor, modernista – que o capitalismo, enquanto época história, so-

Num paradoxo dialético, os próprios impasses e fracassos do comunismo do século XX, impasses que eram claramente ancorados nas limitações da visão de Marx, ao mesmo tempo comprovam sua actualidade: a solução marxista clássica fracassou, mas o problema permanece mente se irá encerrar no momento em que uma sociedade nova e melhor estiver à vista, e em que houver um sujeito revolucionário disposto a implementá-la para fazer avançar a humanidade. Isso pressupõe um grau de controlo político sobre nosso destino comum com o qual não podemos nem sonhar depois da destruição da autonomia colectiva (e inclusive da esperança por ela) realizada na revolução neoliberal-globalista.” A visão de Marx era a de uma sociedade gradualmente se aproximando da crise final, uma situação marcada pela simplificação da complexidade da vida social a um grande antagonismo entre capitalistas e a maioria proletária. No entanto, até mesmo um rápido panorama das revoluções comunistas do século XX deixam claro que essa simplificação nunca efectivamente chegou a ocorrer: os movimentos comunistas radicais sempre estiveram circunscritos a uma minoria vanguardista que, para obter hegemonia, precisava aguardar pacientemente uma crise (geralmente uma guerra) que fornecia uma estreita janela de oportunidade. Em tais situações, uma autêntica vanguarda tem a chance de pode aproveitar o momento, mobilizar o povo (ainda que não a maioria) e tomar o poder. Aqui, os comunistas sempre se mostraram totalmente “não-dogmáticos”, prontos para se colarem a outras pautas: terra

e paz na Rússia, libertação nacional e unidade contra a corrupção na China, por exemplo… Eles sempre tiveram plena consciência de que a mobilização acabaria logo e trataram de preparar cuidadosamente o aparato de poder para garantir sua manutenção no poder naquele momento. O grande problema do marxismo ocidental (e até mesmo do marxismo como tal) era a ausência do sujeito revolucionário: como explicar que a classe trabalhadora não conclui a passagem do em-si ao para-si de forma a se constituir enquanto agente revolucionário? Esse problema fornecia a principal raison d’être do recurso à psicanálise, evocada no interior dessa tradição precisamente para explicar os mecanismos libidinais inconscientes que bloqueiam o surgimento da consciência de classe inscrita no próprio ser (situação social) da classe trabalhadora. Dessa forma, salvou-se a verdade da análise socioeconómica marxista: não havia motivo para renunciar a teorias “revisionistas” sobre a ascensão das classes médias etc. É por essa mesma razão que o marxismo ocidental também sempre se mostrou atento a outros actores sociais que poderiam desempenhar o papel de agente revolucionário, como substituto da classe trabalhadora indisposta: camponeses do Terceiro Mundo, estudantes e intelectuais, marginais excluí-

dos… A versão mais recente dessa ideia recorre aos refugiados: somente um influxo de um número muito grande de refugiados seria capaz de revitalizar a esquerda radical europeia. Essa linha de pensamento é profundamente obscena e cínica. Para além do facto de que tal desdobramento certamente impulsionaria enormemente a violência contra os imigrantes, o aspecto realmente insano dessa ideia é o projecto de se preencher a lacuna dos proletários ausentes importando-os do exterior, de forma que teríamos a revolução por meio de um agente revolucionário substituto terceirizado. Então como ficamos? Devemos descartar os textos de Marx como documentos interessantes do passado e nada mais? Num paradoxo dialético, os próprios impasses e fracassos do comunismo do século XX, impasses que eram claramente ancorados nas limitações da visão de Marx, ao mesmo tempo comprovam sua actualidade: a solução marxista clássica fracassou, mas o problema permanece. Hoje, o comunismo não é o nome de uma solução, é o nome de um problema, o problema dos comuns em todas as suas dimensões: os comuns da natureza enquanto substância da nossa vida, o problema de nossos comuns biogenéticos, o problema de nossos comuns culturais (“propriedade intelectual”), e, last but not least, os comuns enquanto espaço universal da humanidade do qual ninguém deve ser excluído. Qualquer que seja a solução, ela terá necessariamente de enfrentar esses problemas. Nas traduções soviéticas, o famoso comentário de Marx a seu genro Paul Lafargue, “Ce qu’il y a de certain, c’est que moi je ne suis pas marxiste”, ficou “Se isso é marxismo, então eu não sou marxista”. Esse erro de tradução transmite perfeitamente a transformação do marxismo num discurso universitário: para o marxismo soviético, até mesmo o próprio Marx seria um marxista que participava do mesmo conhecimento universal que constitui o marxismo. Na verdade, o que Marx queria dizer era algo mais radical: uma lacuna separa o próprio Marx – o criador que possui uma relação substancial diante dos seus ensinamentos – dos “marxistas” que seguem seus ensinamentos. Há uma conhecida piada dos irmãos Marx que endereça bem essa lacuna. O capitão Spaulding pergunta: “Você parece-se muito com o Emanuel Ravelli. Você é irmão dele?” Ao que o sujeito responde: “Mas eu sou Emanuel Ravelli.” E Spaulding simplesmente rebate: “Então não é à toa que você se parece com ele! Mas insisto, há uma semelhança.” O sujeito que é Ravelli não se parece com ele, ele simplesmente é Ravelli. E, da mesma forma, o próprio Marx não é um marxista (um de entre os marxistas); ele é o ponto de referência eximido da série. É a referência a ele que faz dos outros marxistas. E a única forma de se permanecer fiel a Marx hoje é não ser mais um “marxista”, mas sim de repetir o gesto fundador de Marx de uma nova maneira.


A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces. Aristóteles

segunda-feira 7.5.2018

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA PAPA PEDE FIM DA VIOLÊNCIA

ISRAEL NETANYAHU DIZ QUE É PREFERÍVEL ENFRENTAR IRÃO AGORA

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papa Francisco pediu ontem o fim da violência e da vingança na República Centro-Africana, depois dos últimos ataques que fizeram inúmeras vítimas no país, entre as quais um sacerdote. Francisco fez o pedido depois de rezar a oração Regina Coeli (oração rezada pelos católicos durante a época pascal, substituindo a oração do Angelus), na praça de São Pedro, no Vaticano. O papa convidou os fiéis a rezarem pela população da República Centro-Africana, que disse “levar no coração” (…), “depois da grave violência dos últimos dias que deixou inúmeros mortos e feridos, entre os quais um sacerdote”. Francisco visitou a República Centro-Africana em Novembro de 2015. Albert Toungoumale Baba foi padre assassinado num ataque a uma igreja católica na capital, Bangui. “O Senhor, com a intercessão da Virgem Maria, ajude a todos a não decidirem pela violência e pela vingança, mas para construírem juntos a paz”, sublinhou. Os últimos ataques dos rebeldes afectaram forças das Nações Unidas em Bangui. Pelo menos, 19 pessoas foram mortas e 98 ficaram feridas na onda de violência sectária na capital da República Centro-Africana, Bangui, com alvos que incluíram uma igreja, uma mesquita e instalações de saúde. A República Centro-Africana vive um complicado processo de transição desde que, em 2013, os rebeldes Séléka derrubaram o Presidente François Bozizé, levando a uma onda de violência entre muçulmanos e cristãos, causando milhares de mortos e obrigando um milhão de pessoas a abandonarem os seus lares.

Ténis João Sousa é o primeiro português a vencer o Estoril Open

O português João Sousa venceu ontem o Estoril Open em ténis, ao derrotar o norte-americano Frances Tiafoe, em dois ‘sets’, conquistando o terceiro título da carreira. Para ser o primeiro português a conquistar o único torneio do circuito ATP em Portugal, João Sousa, 68.º do mundo, precisou de uma hora e 20 minutos para derrotar Tiafoe, 64.º, por 6-4, 6-4. “Não há palavras para descrever esta emoção, estiveram fantásticos durante toda a semana. Foi incrível. Foi um sonho tornado realidade, sempre quis vencer aqui em Portugal. É incrível todo o esforço, durante tantos anos...”, afirmou Sousa visivelmente emocionado. PUB

PALAVRA DO DIA

COREIA DO NORTE ACUSA EUA DE PROVOCAR COM SANÇÕES E AMEAÇAS MILITARES

Os agentes provocadores

A

Coreia do Norte adverte que a postura da Casa Branca não contribui para a desnuclearização, nem para a paz na região. Pyongyang lançou essas críticas contra Washington através de um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, num momento em que ambos os países se preparam para a realização de uma cimeira, que irá tratar da desnuclearização, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente norte-americano, Donald Trump. O porta-voz acusou os Estados Unidos de “manipular a opinião pública”, afirmando que a vontade de desnuclearizar Pyongyang expressa na Declaração de Panmunjom, “é o resultado da pressão e de sanções”, referiu o responsável norte-coreano, citado pela agência de

notícias estatal KCNA. O responsável norte-coreano referia-se à declaração conjunta assinada pelos líderes das Coreias Norte e do Sul na cimeira realizada em 27 de Abril, na fronteira entre os dois países, antes da reunião prevista entre Kim e Trump, prevista para o final de Maio ou início de Junho. “Os Estados Unidos afirmam que não relaxarão as sanções e a pressão até que a Coreia do Norte abandone completamente as armas nucleares, actuando para agravar a situação na península, deslocando activos estratégicos com a intenção de utilizar a questão dos direitos humanos contra a Coreia do Norte”, disse. O porta-voz acrescentou que isto tudo é “uma provocação deliberada” contra Pyongyang, “num momento em que a península coreana está a mover-se em direcção

à paz e à reconciliação graças à histórica cimeira Norte-Sul”. O responsável norte-coreano enfatizou que os Estados Unidos “não devem interpretar como fraqueza” a vontade pacifista expressada por Pyongyang e adverte que “não seria propício” continuar com a “pressão e ameaças militares”. Na Declaração de Panmunjom, as Coreias do Norte e do Sul concordaram em trabalhar para alcançar a “completa desnuclearização” da península e comprometeram-se a conseguir a assinatura de um tratado multilateral para acabar com o estado de guerra técnico na região que existe desde a Guerra da Coreia (1950-1953). Espera-se que essas questões também sejam os pontos fulcrais da cimeira entre Kim e Trump, o primeiro encontro da história entre os líderes de Pyongyang e Washington.

primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que o Irão está a fornecer armas avançadas para a Síria, o que representa um perigo para Israel, sendo preferível enfrentar Teerão “agora do que mais tarde”. Netanyahu disse ontem, durante uma reunião de gabinete, que está “determinado a bloquear a agressão do Irão” contra Israel. “(…) Mesmo que isso signifique lutar. Melhor agora do que mais tarde”, declarou o primeiro-ministro. “Nós não queremos uma escalada (na situação), mas estamos prontos para qualquer cenário”, acrescentou. Israel alertou repetidamente que não tolerará uma presença militar iraniana permanente na vizinha Síria. O Irão é um importante aliado do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e forneceu ajuda militar crucial às suas forças. Por outro lado, o Irão é um dos maiores “inimigos” de Israel. Ontem o Irão advertiu que os Estados Unidos vão arrepender-se “como nunca” se decidirem deixar o acordo internacional nuclear iraniano, como uma ameaça ao Presidente norte-americano, Donald Trump. O acordo nuclear com o Irão foi concluído em Viena entre Teerão e o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha), antes da chegada à Casa Branca de Donald Trump. O acordo regula as actividades nucleares de Teerão, de modo a garantir sua natureza exclusivamente pacífica. “Hoje, todas as tendências políticas sejam de direita, esquerda, conservadores, reformistas e moderados, estão unidas (…). Trump deve saber que o nosso povo está unido, o regime sionista (Israel) deve saber que o nosso povo está unido”, disse Rohani.

Marcha Portugueses nos primeiros 50 no Campeonato do Mundo de Nações

Os portugueses João Vieira e Miguel Rodrigues terminaram ontem nos 50 primeiros lugares os 20 quilómetros marcha no Campeonato do Mundo de Nações em Marcha Atlética, em Taicang, China. João Vieira, do Sporting, fez a prova em 1:26.59 horas, alcançando o 35.º lugar, enquanto Miguel Rodrigues, do Benfica, posicionou-se em 41.º lugar, com o tempo de 1:27.47 horas. Já Miguel Carvalho, também do Benfica, acabou a prova na 69.ª posição, em 1:32.41 horas. A prova foi ganha pelo japonês Koki Ikeda (1:21.13 horas), cabendo ao chinês Wang Kaihua a medalha de prata (com mais nove segundos). O italiano Massimo Stano alcançou o bronze, depois de ter feito mais 20 segundos que o primeiro classificado. Com três atletas nas sete primeiras posições, o Japão conquistou a medalha de ouro por equipas. A Itália ficou com a medalha de prata e a China conquistou o bronze.

Hoje Macau 7 MAI 2018 #4045  

N.º 4045 de 7 de MAI de 2018

Hoje Macau 7 MAI 2018 #4045  

N.º 4045 de 7 de MAI de 2018

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