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MOP$10

QUARTA-FEIRA 7 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3989

GCS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HABITAÇÃO AGITA ASSEMBLEIA

JOVEM SINA

hojemacau

A crise do lado PÁGINA 9

JAO TSUNG-I

A morte do mestre

CORRUPÇÃO NAS OBRAS PÚBLICAS?

CCAC DESMONTA VENDA DE TERRENO EM COLOANE

Caso mata Relatório do CCAC é claro: um terreno de centenas de metros quadrados passou a ter milhares. Entre outras ilegalidades. Agora deveria reverter para a RAEM. É onde está a histórica casamata.

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINA 5

GOVERNO TEM RESERVAS

GRANDE PLANO

EVENTOS


2 grande plano

7.2.2018 quarta-feira

TIAGO ALCÂNTARA

ALTO DE COLOANE

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SPERAVA-SE a construção de um edifício com cem metros de altura no coração de Coloane. Temia-se que o pulmão do território pudesse ser parcialmente destruído com um projecto de habitação de uma empresa privada de Hong Kong. tal como a histórica casamata, uma fortaleza militar que os portugueses construíram há mais de 400 anos. Todos esses receios não deverão ser realidade em relação ao terreno localizado no Alto de Coloane, uma vez que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) considerou que este deve passar para a alçada da Administração por existirem erros e falhas nos documentos que comprovam a propriedade privada do terreno. O relatório do CCAC foi ontem divulgado, depois de duas queixas apresentadas por duas associações, uma delas a Novo Macau, e o Governo já reagiu ao caso. O relatório considera que “a planta cadastral do terreno, emitida pela Direcção

TERRENO ONDE FICA CASAMATA DEVE PASSAR PARA O GOVERNO

CCAC DIXIT O Comissariado contra a Corrupção considera que o terreno situado no Alto de Coloane, onde se localiza a histórica casamata, deve passar para a alçada do Executivo, sendo anulados todos os projectos de construção previstos. O Ministério Público já está com o caso em mãos. Houve erros na demarcação da área do terreno e alegada “fraude” no preenchimento de documentos que provaram a propriedade em tribunal

dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC), em 1994, é inválida, sendo que as plantas de alinhamento requeridas e o anteprojecto do plano de obras aprovado com base nas informações cadastrais são igualmente inválidos”. Neste sentido, “o actual lote onde se encontra localizado o projecto de construção do Alto de Coloane deve ser terreno vago e não se encontra registado na Conservatória do Registo Predial”. “De acordo com a Lei Básica da RAEM, o referido terreno faz parte dos


grande plano 3

quarta-feira 7.2.2018

Dimensões do terreno forjadas? Dos milhares às centenas

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terrenos do Estado. O CCAC considera que o Governo da RAEM deve recorrer aos devidos procedimentos e vias legais, com vista a reaver o terreno em causa”, lê-se ainda. O CCAC concluiu ainda que o terreno “foi ‘deslocado’ para o Alto de Coloane da Estrada do Campo e da Estrada de Seac Pai Van, tendo a área do mesmo sido ampliada cerca de 100 vezes mais, destinando-se à construção de edifícios com 100 metros de altura”.

MP INVESTIGA

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, decidiu enviar o relatório para o Ministério Público (MP) para mais investigações, uma vez que “alguns pontos registados no documento são de extrema importância, tais como a demarcação da área do terreno”. Chui Sai On considera que as questões envolvidas se revestem de “complexidade e seriedade”, pelo que o envio do relatório ao MP prevê a garantia da “protecção dos terrenos públicos

O relatório considera que “a planta cadastral do terreno é inválida, sendo que as plantas de alinhamento requeridas e o anteprojecto do plano de obras aprovado com base nas informações cadastrais são igualmente inválidos” O CCAC concluiu ainda que o terreno “foi ‘deslocado’ para o Alto de Coloane da Estrada do Campo e da Estrada de Seac Pai Van, tendo a área do mesmo sido ampliada cerca de 100 vezes mais, destinando-se à construção de edifícios com 100 metros de altura” e os interesses legalmente tutelados pelos proprietários privados”. O terreno começou a ser alvo da atenção pública em Março de 2012, quando a imprensa noticiou de que já haveria uma planta de alinhamento oficial emitida pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para o local. De imediato se levantou a questão da

protecção da histórica casamata e do meio ambiente de Coloane. A empresa proprietária do terreno, Win Loyal Development, é de Hong Kong e tem Sio Tak Hong como principal accionista. Este é proprietário do Hotel Fortuna e fez parte do Comité Nacional da Conferência Continua na página seguinte

ARA explicar a propriedade do terreno onde está situada a casamata teremos de recuar a 1903, sendo que o CCAC acredita que aqueles que se diziam proprietários, e que venderam o terreno à empresa de Hong Kong, forjaram documentos e não teriam, de facto, laços familiares com o segundo proprietário do terreno. O CCAC foi vasculhar documentos à Conservatória do Registo Predial, que mostram que, nesse ano, Mac Hip Si vendeu a Choi Lam um terreno situado na Estrada do Campo de Coloane, bem como três habitações na Rua dos Negociantes, pelo valor de 1.100 patacas. O registo de propriedade foi feito por Choi Lam em Dezembro de 1903. Tudo se manteve inalterado até 1991, quando Vong Tam Seng e Vong Tak Heng decidiram avançar para tribunal para provar que tinham direito ao terreno na qualidade de herdeiros. O tribunal decidiu a seu favor em 1992. Os problemas chegaram depois, quando a Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) recusaram duas vezes a emissão da planta cadastral do terreno, por “faltarem dados comprovativos” e por existir uma “desconformidade manifesta da localização do lote do terreno face ao que constava no registo predial”. Em 1993 Vong Tam Seng e Vong Tak Heng venderam, por 150 milhões de patacas, o terreno à Sociedade Chong Fai, mas ficou decidido que “o comprador iria pagar o preço só após a emissão da planta cadastral”. Só em 1994, e mediante a apresentação da certidão do registo predial com a área do terreno e uma certidão da DSF, é que a DSCC entendeu que “as dúvidas existentes já tinham sido eliminadas”, tendo sido definidos os limites e a área do terreno. O terreno seria vendido, em 2004,

à empresa de Hong Kong por 88 milhões de dólares de Hong Kong. O CCAC aponta para a existência de “erros notórios” no processo de demarcação do terreno, pois foram apontadas áreas diferentes, e só aquela que foi escrita na certidão da DSF foi tida em conta, sem que tenha sido provada a sua veracidade por outra via. Há também a suspeita de “situações fraudulentas”. Coube ao advogado Paulo Remédios o acompanhamento do processo. Não havia “qualquer suporte documental comprovativo” da área do terreno antes da existência da certidão da DSF, que acabou por levar à confirmação da propriedade por parte do tribunal. De acordo com o CCAC, “a área em causa não é de 53866 metros quadrados, sendo que deverá ter, no máximo, apenas algumas centenas de metros quadrados”. De acordo com o CCAC, “a DSF não possuía a capacidade de confirmação da veracidade do teor das declarações de Vong Tam Seng e Paulo Remédios”. Houve, portanto, “uma série de operações de branqueamento”, tendo sido escritas diferentes localizações na morada.

CCAC afirma que laços de parentesco não estão provados

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A década de 90 os tribunais consideraram que Vong Tam Seng e Vong Tak Heng eram netos de Vong Tam Kuong, que também tinha o nome de Choi Lam. Contudo, estes “não apresentaram quaisquer documentos que fizessem prova” desse laço de parentesco, sendo que as testemunhas “referiram em julgamento que não conheciam o avô deles”, além de que “nunca foi provado que Vong Tam Kuong e Choi Lan eram uma e a mesma pessoa”.

O CCAC aponta também de que “nos registos de nascimento de Vong Tam Seng e Vong Tak Heng, não existia qualquer registo no sentido de que o avô deles tivesse, a título alternativo, o nome de Choi Lam”. Foram analisadas a escritura pública e a “escritura de papel de seda Sá-Chi-Kai”, tendo o CCAC descoberto que há discrepâncias nos nomes em chinês. “O facto de uma pessoa com o apelido Vong ter simultaneamente o apelido Choi não corresponde aos hábitos relativos à adopção de apelidos pelos chineses. Mesmo que Vong Tam Kuong tivesse como nome alternativo Choi Lam, não existe nenhum comprovativo de que seja a mesma pessoa que figurava como proprietário no registo predial do terreno, “Chui Lam”, lê-se. O relatório frisa, portanto, que ambos menti-

ram em tribunal e que se apropriaram de um terreno que não lhe pertencia por herança. “O CCAC considera que o teor das declarações prestadas por Vong Tam Seng e Vong Tak Heng no processo judicial foram desconformes com os dados constantes no registo civil, o que indicia violação da previsão legal, segundo a qual um facto relativo ao estado civil só pode ter por fundamento o registo civil, não podendo ser elidido por recurso a qualquer outra meio de prova.” Vong Tam Seng e Vong Tak Heng faleceram, respectivamente, em 1995 e 1999, tendo o terreno sido vendido em 1993 por 150 milhões de patacas à Sociedade Chong Fai, que depois o vendeu à empresa de Hong Kong.


4 grande plano Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Além disso, Sio Tak Hong foi um dos proprietários envolvidos no caso da troca de terrenos da Fábrica de Panchões Iec Long, que também o CCAC considerou ilegal. O CCAC entende que o terreno do Alto de Coloane deve passar para as mãos

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do Governo por estarem em causa falhas na demarcação do terreno e alegadas “fraudes” no preenchimento de documentos que acabaram por constituir a única prova, em tribunal, de que a propriedade do terreno pertencia a Vong Tam Seng e Vong Tak Heng. Proprietários da Sociedade Chong Fai, venderiam o ter-

reno à Win Loyal pelo valor de 88 milhões de dólares de Hong Kong. A parte documental deste caso esteve a cargo de Paulo Remédios, advogado de Vong Tam Seng e Vong Tak Heng, que já em 2010 tinha sido julgado num processo semelhante ocorrido em Macau nos anos 90, e rela-

cionado com as escrituras de habilitação de herdeiros de dois prédios situados no território. Paulo Remédios, que foi também assessor do ex-presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, já não tem escritório de advocacia em Macau. Além disso, a DSSOPT, à data dirigida por Jaime

Carion, é acusada de violar normas internas na emissão da planta de alinhamento do terreno. Houve também “falta de enquadramento legal no procedimento de avaliação do impacto ambiental, das paisagens e espaços verdes [do projecto de construção]” por parte da Direcção dos Serviços de Protecção Am-

Um estranho comportamento

Q

UEM também fica mal na fotografia tirada pelo CCAC é a DSSOPT. Não respeitou plano de ordenamento de Coloane e não cumpriu circulares internas. As opiniões do IACM e DSPA sobre impacto ambiental do projecto não foram sequer tidas em conta pelas Obras Públicas, afirma relatório. À data dirigida por Jaime Carion, entretanto aposentado e incontactável até ao fecho da edição, a DSSOPT fez leituras diferentes do “Plano de Ordenamento de Coloane”, implementado em 1997, que nem sequer teve força de lei na emissão das plantas para o projecto da casamata, o que levou à aprovação de um edifício com cerca de 100 metros de altura. De lembrar que o plano permite edifícios com um máximo de 20 metros de altura. Segundo o CCAC, “há diferentes entendimentos no seio da DSSOPT no que diz respeito à eficácia do plano”, não tendo sido cumpridas muitas circulares internas. “Existem também práticas diferentes em relação à necessidade, ou não, do cumprimento das condições previstas no plano aquando da aprovação dos projectos de construção em Coloane.” Os serviços actualmente dirigidos por Li Canfeng explicaram ao CCAC que o referido plano “tem apenas carácter de referência interna e não é vinculativo no que diz respeito às condicionantes urbanísticas do respectivo lote de terreno”. O CCAC notou um enorme aumento em termos de altura e dimensões do projecto. “Se fizermos uma comparação entre a dita planta de alinhamento [a última a ser emitida] e as duas plantas emitidas em 1999 e 2009, além de um aumento significativo de quase 12 vezes mais do índice de utilização do solo, fixado em cinco, o controlo da altura das edificações deixou de ser efectuado em função das configurações do terreno.” Na prática, iriam ser feitas escavações na colina onde se situa a casamata, algo que ia contra os pareceres emitidos pela DSPA e IACM. “A cota altimétrica para

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DSSOPT não respeitou plano de ordenamento de Coloane

biental (DSPA) e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). (Ver texto secundário) O HM tentou contactar Jaime Carion, mas o ex-director da DSSOPT manteve o telemóvel desligado durante todo o dia. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O CCAC aponta para a “inexistência de um mecanismo legal com efeito vinculativo de investigação”, pois a DSPA ou IACM nem sequer podiam entrar no terreno para verificar se as regras estavam a ser cumpridas, por se tratar de um terreno privado. Estas entidades apenas podiam emitir instruções à DSSOPT e esperar que estas fossem cumpridas. Neste contexto, o CCAC pede que a DSSOPT “cumpra o princípio da legalidade no âmbito da autorização dos projectos de construção, incluindo as respectivas circulares”. Quanto à DSPA e IACM, “devem aperfeiçoar a legislação relacionada com a avaliação de impacto ambiental, paisagem e zonas verdes, a fim de poder haver legislação que possa ser verdadeiramente cumprida”.

SERVIÇOS PRÉ-1999 NEGLIGENTES

Jaime Carion

a altura máxima permitida para a construção de edifícios foi fixada em 100 metros, o que significava que se iria proceder à escavação de uma grande parte das colinas.”

Ficou provado que as opiniões emitidas pela DSPA e IACM “não tiveram um efeito vinculativo em relação à autorização do projecto”. Contudo, o CCAC acusa estes dois

“A cota altimétrica para a altura máxima permitida para a construção de edifícios foi fixada em 100 metros, o que significava que se iria proceder à escavação de uma grande parte das colinas.” RELATÓRIO DO CCAC

organismos de violarem a lei por terem, mais tarde, assinado por baixo do projecto. A partir do momento em que a Win Loyal apresentou o anteprojecto da obra à DSSOPT, a DSPA e IACM “emitiram propostas de alteração apenas para os relatórios profissionais apresentados pelo proprietário”, sendo que “acabaram por aceitar os relatórios de avaliação relativamente ao impacto ambiental e à paisagem”.

O organismo liderado por André Cheong volta a apontar o dedo ao funcionamento dos serviços públicos, e nem a Função Pública do tempo da Administração portuguesa escapa às críticas. O relatório fala da “existência de problemas como o da falta de clareza na investigação e do exercício de funções de forma negligente por parte dos serviços públicos daquela altura”. A começar, pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), cujos funcionários violaram “a prática de trabalho pré-determinada e as suas competências legais enquanto serviço público” aquando da emissão da certidão que continha a área errada do terreno, e que serviu de prova em vários processos. Quanto à Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro, “violou as disposições legais e o senso comum profissional”, ao ter aceite o documento da DSF. O CCAC considera que, “é pouco provável que situações semelhantes se possam repetir”, uma vez que tudo aconteceu antes da transferência de soberania e houve melhorias. Ainda assim, “os serviços públicos e os seus trabalhadores devem estar cientes de que o desempenho fiel das suas funções não é apenas um ‘slogan’”. A.S.S.


política 5

GCS

quarta-feira 7.2.2018

A proposta de lei de habitação social prevê que os estudantes a tempo inteiro não possam ser candidatos. Governo teme abusos quando as candidaturas forem permanentes, mas deputados pedem diferentes classificações para não afastar candidatos com necessidades

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S deputados da Assembleia Legislativa (AL) querem que o Governo clarifique melhor o conteúdo da proposta de lei de habitação social, no que diz respeito à proibição dos estudantes a tempo inteiro de serem candidatos às casas do Governo.

HABITAÇÃO SOCIAL DEPUTADOS QUEREM CLARIFICAR ESTUDANTES CANDIDATOS

Pôr os pontos nos is De acordo com Ho Ion Sang, presidente da primeira comissão permanente da AL, que está a analisar o diploma na especialidade, é necessário fazer diferentes classificações em relação aos vários tipos de estudantes. “Queremos que haja uma classificação diferenciada em relação aos estudantes. Antes houve alunos que requereram habitação social e verificaram-se abusos, e por isso o Governo decidiu criar esta norma. Mas não devem ser menosprezados os estudantes com reais necessidades. Queremos que as coisas sejam redigidas com maior clareza”, defendeu o deputado. Ho Ion Sang lembrou que há estudantes a tempo inteiro mas que trabalham a tempo parcial. “Temos diferentes situações. O Governo não explicou bem como se tratam este tipo de casos, tendo feito uma promessa de fazer uma diferenciação para evitar abusos de direitos.” À margem da reunião, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do

Rosário, não foi claro quanto a uma mudança neste ponto. “A nossa proposta é que não o possam fazer [candidatar-se]. Todos os anos há cinco a seis mil pessoas que acabam o secundário, e se não tiverem

“A nossa proposta é que não o possam fazer [candidatar-se]. Todos os anos há cinco a seis mil pessoas que acabam o secundário, e se não tiverem nenhum rendimento, caso se candidatem, ficam bem classificados, e portanto eventualmente tirarão lugar aos que verdadeiramente precisam.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS

À base do desperdício

Lei Chan U arrasa estudo de 9 milhões colocado na gaveta

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legislador Lei Chan U acusa o Governo de estar a desperdiçar fundos públicos, no âmbito da reconstrução da zona das Portas do Cerco, que vai ter um custo de pelo menos 140 milhões de patacas, diz o deputado. Segundo Lei Chan U, apoiado pela FAOM, o Executivo está a desperdiçar dinheiro com as

obras frequentes nesta zona, que resultaram num total de cinco intervenções nos últimos 13 anos, além do pagamento de o estudo de nove milhões, que acabou por ser “colocado na gaveta”. A explicação do Executivo passa pela necessidade de fazer um novo plano para o projecto da renovação das Portas do Cerco, porque

o estudo em causa incluía trabalhos também na sede da Unidade Táctica de Intervenção Policial e no Campo dos Operários. No entanto, segundo o deputado, o Governo diz agora que estas obras não são possíveis e lançou um novo concurso público, para um novo projecto. Uma opção incompreensível para Lei Chan U.: “O

nenhum rendimento, caso se candidatem, ficam bem classificados, e portanto eventualmente tirarão lugar aos que verdadeiramente precisam.” Ho Ion Sang contou que, no passado, o Instituto da Habitação (IH) registou situações de abusos por parte de estudantes que se candidataram e que obtiveram um apartamento. Contudo, os responsáveis do Governo prometeram fornecer mais dados na reunião de hoje. O deputado lembrou ainda que, em 90 por cento dos casos, quem ganha uma habitação social não necessita de pagar renda nem despesas de condomínio.

CORRIGIR RESTRIÇÕES

Na reunião de ontem foram também discutidas outras partes da proposta de lei que podem constituir restrições a quem deseja ter acesso a uma habitação social. “Alguns dos requisitos que estão num dos artigos não são propriamente requisitos, são limitações à candidatura. Estamos a ver se

Governo pagou à empresa que elaborou o Plano Conceptual de Intervenção Urbanística da Zona do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e Envolvente um total de nove milhões em duas fases, em 2011 e 2012. Assim, um novo concurso significa que o erário público gasto foi um desperdício e que os sete anos gastos são irrecuperáveis e incompensáveis”, afirmou o deputado.

PRECIPITAÇÃO

“O Governo vem agora ignorar um relatório com

vamos deixar essas limitações neste ou noutro artigo. Há uma norma que impede as pessoas que deixaram de ocupar as casas de se candidatarem durante algum tempo, também discutimos este assunto”, adiantou Raimundo do Rosário. Um dos casos diz respeito aos candidatos que obtém uma chave e que depois não ocupam as suas casas, ou que acabam por as alugar a outras pessoas. “Isto leva a um desperdício de recursos”, frisou Ho Ion Sang. “O Governo quer impor algumas restrições e achamos que têm a sua razão de ser, mas não devemos menosprezar as pessoas com reais necessidades. Pedimos ao Governo para fazer uma diferenciação tendo em contas as diferentes situações.” “Quando se faz um corte uniforme há pessoas com reais necessidades que ficam de fora. Governo disse que vai introduzir algumas alterações e prometeu melhorar a redacção”, concluiu o deputado.

o qual gastou muito, sem razão nem justificação, portanto, compreende-se que haja quem considere que o Governo está a desperdiçar o erário público e a agir de forma precipitada”, acrescentou. Por estas razões o legislador da FAOM pediu que se volte atrás e se reconsidere o relatório apresentado anteriormente. Lei Chan U apelou ainda ao Executivo que adopte uma postura responsável em relação à utilização dos

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

dinheiros públicos: “Como não há avanço na diversificação económica, as receitas do Governo continuam a depender do sector do jogo, portanto, este deve aumentar o seu sentido de crise e aproveitar melhor o erário público”, apontou. “Recentemente registaram-se casos de grave excesso de gastos e atraso em vários projectos grandes, o que levou a sociedade a questionar se o Governo não estará a desperdiçar erário público”, frisou. J.S.F.


6 política

7.2.2018 quarta-feira

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RENDAS AL APROVA MEDIDAS PARA COLOCAR MAIS CASAS NO MERCADO

Pacote para a habitação

Os deputados aprovaram o fim da isenção fiscal para as pessoas com casas desocupadas e um aumento de impostos para quem compra a segunda e seguintes habitações

MAK SOI KUN RECORDA AVISO DE XI JINPING

GCS

partir de hoje os proprietários de fracções não habitadas começam a pagar por ano uma taxa de seis por cento. Já os proprietários de fracções que comprem a segunda casa, em seu nome pagam um imposto especial sobre o preço do imóvel de cinco por cento, se forem proprietários de duas casas e quiserem comprar uma terceira, ou quarta, o imposto sobre para 10 por cento, por cada imóvel destinada à habitação. As duas medidas foram aprovadas ontem, por maioria, na Assembleia Legislativa. No entanto, o Executivo representado pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, viu os diplomas serem alvos de muitas críticas, pelo facto de grande parte dos membros do hemiciclo considerarem que o problema da habitação só é resolvido com a construção de mais casas. O primeiro diploma a ser discutido foi a “Alteração ao regulamento da Contribuição Predial Urbana”, que eliminou a isenção fiscal para os proprietários de fracções não ocupadas. A proposta foi atacada por vários deputados, mas acabou por ser aprovada com 31 votos a favor, em 31 votantes.

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urante o debate, o deputado Mak Soi Kun recordou o aviso do Presidente Xi Jinping de que as casas são para viver e não para especular. “As pessoas querem especular com as habitações. É a realidade de Macau. Após o Retorno à Pátria todos começaram a especular”, recordou Mak Soi Kun. “Até o Presidente Xi Jinping nos disse que as casas não são para especular, mas para viver. E é claro que o Governo [local] tem de tomar as medidas necessárias, não quer ser avestruz”, acrescentou.

ATAQUE AOS “TRAPACEIROS

Entre as críticas houve deputados a questionar a eficácia da medida para fazer com que as casas não ocupadas entrem no mercado do arrendamento, como o Governo pretende. Em causa, disseram os legisladores, está o facto dos arrendatários não pagarem as rendas. “Com tantos problemas com os arrendatários os proprietários preferem não arrendar para não terem problemas, com os arrendatários que não pagam as rendas”, afirmou Mak Soi Kun. “O maior problema são os arrendatários trapaceiros. As pessoas não querem recorrer à via judicial para não terem problemas e acabam por não arrendar as casas”, justificou o deputado. A mesma opinião foi partilhada por Angela Leong, a deputada que declarou a propriedade de maior

número de imóveis no hemiciclo. “Em Macau existem tantos prédios devolutos porque, como Mak Soi Kun disse, há um problema com os arrendatários trapaceiros. O regime jurídico não protege as pessoas que arrendam”, afirmou a quarta mulher de Stanley Ho.

Nesta discussão, Ip Sio Kai, deputado e funcionário do Banco da China, ainda pediu para que fosse equacionada a possibilidade dos proprietários de fracções comerciais continuarem isentos. Contudo Lionel Leong excluiu por completo essa hipótese: “O pagamento do

imposto é uma obrigação de todos os residentes, independentemente da finalidade da fracção”, frisou.

COMPRA DE CASAS MAIS CARAS

Em relação ao pagamento de um imposto de selo extra para a compra da segunda e seguintes casas,

ELLA LEI REPROVA CONTRATAÇÃO DE NÃO-RESIDENTES QUALIFICADOS

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deputada Ella Lei, ligada a Federação das Associações dos Operários de Macau, considera que as exigências para a importação de quadros qualificados não-residentes são demasiado permissivas. Ontem, na Assembleia Legislativa, a deputada criticou o processo por ser um meio para ajudar os estrangeiros a obterem o Bilhete de Identidade de Residente e exige a adopção de um

sistema semelhante ao australiano. “Para requerer a fixação de residência em Macau por via da ‘imigração de quadros técnicos’ basta reunir requisitos básicos, por exemplo, ser contra-

tado por empregadores locais, possuir habilitação académica igual ou superior a licenciatura, auferir salário não inferior ao salário mediano ou médio do sector em causa. Estes requisitos e padrões nem sempre conseguem articular-se com as necessidades de Macau”, começou por apontar Ella Lei. “Há quem diga que é muito fácil o requerimento, desde que se seja titular de cargos de gerente ou

que se alegue ser dirigente. Tudo isto reprime as oportunidades de promoção dos locais e passa a ser um meio para ajudar os estrangeiros a obterem o BIR de Macau”, acusou. Apesar de afirmar que a contratação é muito fácil, por outro, sublinhou que em áreas como na medicina e informática, que o mesmo já não acontece: “Segundo alguns empregadores, tentaram importar talentos com

muita experiência das áreas da medicina e informática, com o desejo destes introduzirem novas técnicas, experiências e práticas, e ensinarem os talentos locais”, apontou. “Porém acabaram por ser impedidos, por causa da existência de incertezas nas normas jurídicas, e não sabem como é possível satisfazer as exigências da apreciação, o que contraria a intenção original legislativa”, revelou. J.S.F.

a medida foi posta em causa pelo facto dos deputados considerarem que não ataca a raiz do problema. A maioria dos deputados votou a favor, mas considerou que a medida vai ter efeitos muito limitados e que é necessário aumentar o número de casas no mercado. “A maior parte dos deputados não concorda com esta proposta de lei porque só tem um efeito no curto prazo, restringe as actividades do mercado imobiliário durante algum tempo, mas depois o mercado adapta-se”, afirmou Kou Hoi In, um dos deputados mais activos contra as medidas aprovadas ontem, a par de Ip Sio Kai. “Só estas medidas mais polémicas não chegam para resolver a situação e o preço dos imóveis. Mesmo após esta lei nem todos os residentes vão comprar uma habitação”, considerou Zheng Anting. Apesar das críticas a lei “Imposto do Selo Sobre a Aquisição para Segundo e Posteriores Bens Imóveis” foi aprovada com 27 votos a favor, 2 votos contra de Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam e a abstenção de Kou Hoi In. Os pró-democratas justificaram o seu voto com o facto de considerarem esta medida não vai ter os resultados pretendidos. Segundo Lionel Leong, entre o início de 2016 e o fim do ano passado, os preços da cara subiram 27 por cento, um situação que o secretário definiu como “escaldante”. João Santos Filipe

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CHUI SAI PENG QUER BICICLETAS EM TRAVESSIA AÉREA JUNTO AO METRO LIGEIRO

ANTÓNIO FALCÃO

quarta-feira 7.2.2018

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S deputados Kou Hoi In, José Chui Sai Peng e Ip Sio Kai querem construir vias aéreas para a circulação de bicicletas e travessias pedonais. A ideia foi sugerida por Chui Sai Peng, ontem, na Assembleia Legislativa, e passa por aproveitar as plataformas já construídas para o Metro Ligeiro e prepará-las para receberem este tipo de circulação “verde”. “Sugere-se o aproveitamento dos espaços dos viadutos e de elevação do Metro Ligeiro para construir ciclovias. Os membros eleitos pela via indirecta defendem que Macau devem seguir o exemplo da cidade de Xianmen: “Foi a primeira cidade do nosso Estado a construir ciclovias por debaixo das pontes das vias rápidas, e as respectivas obras demoraram apenas 5 meses e tal”, sublinhou Chui. “É uma situação que nos deve servir de referência”, acrescentou. O primo do Chefe do Executivo pede assim ao Governo que inicie os estudos de viabilidade para a construção das vias tão brevemente quanto possível.

Mais dias de baixa para mulheres que perdem filhos

A deputada Agnes Lam afirmou ontem que é necessário mudar a legislação vigente para garantir que as grávidas que perdem os filhos podem estar mais tempo de baixa. Para a legisladora existe uma contradição na lei pelo facto das mulheres que perdem os filhos apenas terem direito a uma baixa que vai de 7 a 30 dias, enquanto a licença de maternidade permite que as mães de recém-nascidos fiquem durante 90 dias em casa. Agnes Lam justifica a proposta considerando que as mulheres em ambas as situações perdem alguma da sua vitalidade física, no entanto, no caso daquelas que perdem os filhos há ainda um trauma para ultrapassar.

TRÂNSITO HO ION SANG ARRASA COMPORTAMENTO DE CONDUTORES E PEÕES

Espelhos de alcatrão

O legislador eleito pelos kaifong defende que os acidentes e comportamentos nas estradas reflectem o civismo da população e apela para que o Governo aumente a consciencialização sobre a segurança nas estradas

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S conflitos entre condutores e peões nas estradas, assim como os vários acidentes de trânsito, entre eles os casos de atropelamentos de pessoas nas passadeiras, em Janeiro, levaram Ho Ian Sang a dizer que

a situação reflecte o civismo da população de Macau. Apesar de admitir que houve uma redução no número de acidentes, o deputado dos Kaifong pediu ontem, na Assembleia Legislativa, ao Governo que actue uma vez que “os conflitos entre veículos e peões são cada vez mais graves”. “Nos últimos anos, o trânsito de Macau ficou cada vez mais intenso, há sempre engarrafamentos e os conflitos entre veículos e pões são cada vez mais graves, a que se acresce o incumprimento das regras de trânsito por parte de veículos e peões, assim, a situação da segurança rodoviária de Macau é vista com pessimismos”, afirmou Ho Ion Sang, deputado. “O civismo no trânsito e nas deslocações reflecte a qualidade dos residentes, o nível de gestão global do Governo e o grau de civismo da cidade. O aumento da consciencialização sobre a segurança do trânsito exige a participação conjunta do Governo e da sociedade”, considerou. Como exemplo da falta de civismo, o deputado mencionou

os “condutores [nas passadeiras] que disputam sempre o caminho com os peões para poderem passar rapidamente e reduzir o tempo de espera” e os pões que “também não ligam aos semáforos nem aos veículos”. Por outro lado, o legislador acusou o Governo de ter um planeamento das vias rodoviárias insuficiente.

PEDIDOS MAIS ESTACIONAMENTOS

Ainda em relação ao trânsito, o assunto dos parques de estacionamento foi abordado por Leong Sun Iok. Segundo os rácios apresentados pelo legislador, por cada carro existe 1,10

“O civismo no trânsito e nas deslocações reflecte a qualidade dos residentes, o nível de gestão global do Governo e o grau de civismo da cidade.”

estacionamentos. O caso é mais grave no caso das motos, em que há quase o dobro destes veículos face ao lugares de estacionamento, sendo o rácio de 1 moto para 0,56 lugares. Face ao problema, Leong Sun Iok defendeu a ideia de construir parques de estacionamento tridimensionais em Macau, ou seja aqueles com elevador para arrumar os carros nos diferentes lugares, assim como o aumento de lugares temporários para o período da noite. “O Governo deve proporcionar mais lugares de estacionamento temporário e, durante o período nocturno, aumentar o espaço de estacionamento nas vias públicas”, sugeriu. O legislador da FAOM defendeu igualmente a necessidade dos patrões fornecerem locais de estacionamento para os empregados no local de trabalho. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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MA década de declínio”, este é o título do relatório da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) sobre a liberdade de imprensa na China e que também incide sobre Hong Kong e Macau. “Comparativamente com anos anteriores, este relatório em traços gerais, é menos negativo do que anteriores para”, comenta José Carlos Matias, presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM). O maior reparo do relatório da organização internacional foca-se na forma como as autoridades de Macau barraram a entrada de jornalistas oriundos de Hong Kong aquando da passagem do tufão Hato pelo território. O documento especifica que este tipo de actuação é expectável durante a ocorrência de eventos sensíveis. “Pelo menos cinco jornalistas e fotógrafos do Apple Daily, HK01 e do South China Morning Post viram negada a entrada em Macau por poderem constituir uma ameaça à segurança interna”, lê-se no documento. A IFJ lamenta o facto de que a Polícia de Segurança Pública tenha argumentado que o banimento respeitou a lei, enquanto que o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, defendeu a decisão do Executivo argumentando que “outras regiões também banem entradas e Macau não é excepção”. “Essa postura foi alvo de forte crítica por parte da AIPIM, não só por uma questão de princípio mas também porque considerámos que as explicações foram difíceis de compreender”, recorda José Carlos Matias. “Salientámos na altura que este tipo de incidentes prejudica a imagem internacional da RAEM, era de esperar que esse episódio tivesse eco neste relatório”, acrescenta o presidente da AIPIM.

MENSAGENS DIRECTAS

7.2.2018 quarta-feira

IMPRENSA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE JORNALISTAS CRITICA GOVERNO

Puxão de orelhas

O relatório da Federação Internacional de Jornalistas sobre a liberdade de imprensa na China critica a actuação do Governo de Macau quando bloqueou a entrada de jornalistas de Hong Kong para cobrir os efeitos do tufão Hato. A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau realça que o relatório deste ano não foi tão duro como os anteriores

O maior reparo do relatório da organização internacional foca-se na forma como as autoridades de Macau barraram a entrada de jornalistas oriundos de Hong Kong aquando da passagem do tufão Hato pelo território.

O relatório da IFJ mostra que a 29 de Agosto a Associação de Jornalistas de Macau, de língua chinesa, reportou que o Governo estava a orquestrar a forma como os órgãos

de comunicação social de língua chinesa estavam a cobrir a reposta das autoridades ao tufão Hato. “Pelo menos cinco órgãos de comunicação social receberam

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Rodas muito baixas

O I ontem publicado em Boletim Oficial (BO) um despacho assinado pelo Chefe do Executivo que dá conta da abertura de um novo concurso público para a atribuição de 100 novas licenças de táxis. O despacho revela que as novas licenças terão a validade de oito anos, sendo que o prazo não pode ser estendido. As licenças também não poderão ser transmitidas a outros taxistas. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da Associação Geral dos Proprietários de Táxis de Macau, Leng Sai Hou, disse

directrizes para serem positivos nos seus trabalhos e que não perseguissem o Governo, em especial o Chefe do Executivo, a exigir responsabilidades”, lê-se no relatório.

Governo abre concurso para mais 100 licenças de táxis

que a abertura deste concurso tem apenas como objectivo preencher as lacunas deixadas pelas 100 licenças que vão chegar ao fim daqui a um ano. Leng Sai Hou sugeriu também a introdução de motoristas não residentes noutros sectores, para permitir que o sector dos táxis possa ter mais candidatos portadores de BIR.

O responsável adiantou que, durante as épocas de feriados, em que há um aumento de passageiros, os taxistas sentem uma grande pressão, sobretudo ao nível do trânsito. Quanto à possibilidade dos taxistas poderem estender a sua licença por mais seis meses, devido aos estragos causados pela passagem do tufão Hato. Leng Sai Hou disse concordar com a medida mas pede

A associação reagiu declarando que a atitude do Governo “distorce a ética profissional dos jornalistas”. O relatório menciona ainda o inquérito feito pela AIPIM aos seus

que haja mais apoios aos taxistas, no sentido de conceder o mesmo período de extensão de licença aos táxis que precisam apenas de remover algumas peças do veículo.

MEDIDA NÃO É EFICAZ

Choi Seng Hong, membro permanente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, apontou também que a atribuição de 100 novas licenças de táxis não é uma medida eficaz para resolver os problemas que o sector tem enfrentado. Em declarações ao Jornal do Cidadão, Choi Seng Hong lembrou

afiliados, que mostrou uma forte preocupação no acesso às fontes. Três quartos dos inquiridos revelaram ter experimentado restrições a noticiar temas de natureza política, económica, social, cultural e institucional. O relatório destaca o acesso à informação no ramo judicial, executivo e legislativo. Na altura, a AIPIM declarou que “sem acesso facilitado a fontes de informação, a liberdade de imprensa é colocada em questão”. O relatório da IFJ traçou um cenário muito mais complicado da liberdade de imprensa em Hong Kong, ainda assim o Índice de Liberdade de Imprensa de Hong Kong subiu ligeiramente desde que Carrie Lam tomou posse, o primeiro ano depois de descida todos os anos desde 2013. Ainda assim, aquando da visita de Xi Jinping ao território houve relatos de que foram pedidos dados privados dos jornalistas que foram cobrir o evento, nomeadamente a morada. Outra situação enunciada no relatório da IFJ prende-se com ameaças reportadas pela redacção do Hong Kong Free Press, no desaparecimento de colunas que, habitualmente, eram críticas das decisões do Governo Central e do Executivo local, pressão sobre jornalistas que cobrem os movimentos pró-democráticos. O relatório de 2017 da Associação de Jornalistas de Hong Kong, intitulado “Dois sistemas cercados”, diz que a influência de Pequim sobre a autonomia da cidade se tem sentido de uma forma crescente em todos os sectores. Apesar das fortes críticas deixadas pela IFJ, José Carlos Matias mantém o optimismo, mesmo quanto às situações de jornalistas impedidos de entrarem em Macau. “Não podemos perder a esperança, a nossa intervenção tem sido no sentido de que este tipo de incidentes deixem, pura e simplesmente, de existir”, comenta. João Luz

info@hojemacau.com.mo

que desde 1999 que o número de licenças tem vindo a aumentar sem que tenha sido resolvido o problema da dificuldade em apanhar um táxi. Choi Seng Hou exige ao Governo que o regulamento dos táxis seja alterado o mais rapidamente possível e que haja fiscais à paisana da parte do Governo para fiscalizar os actos indevidos dos taxistas. Este exigiu também a inclusão de um sistema de gravação no interior dos veículos, para que se possa elevar a qualidade dos serviços. V.N./A.S.S.


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quarta-feira 7.2.2018

MERCADOS GOVERNO PRONTO A REAGIR A FLUTUAÇÕES INTERNACIONAIS

Sobe e desce

O Governo revela que existe solidez financeira e promete estar atento às flutuações das principais praças financeiras mundiais. Ontem as bolsas de valores da Ásia recuaram após a maior queda no índice norte-americano Dow Jones desde 2011

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bolsa de valores norte-americana registou a maior quebra desde há seis anos o que gerou quebras nas restantes praças financeiras, mas ainda assim a RAEM mostra-se confiante na reacção que poderá ter no caso de uma crise. Segundo um comunicado oficial ontem divulgado, o Governo assume que “existem na economia mundial certos factores instáveis e inesperados”, pelo que vai dar “uma grande atenção à evolução dos mercados económico-financeiros internacionais, bem como ao mercado monetário e financeiro de Macau”. No que diz respeito à Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM), “os mecanismos de supervisão e de emergência operam de forma contínua, sendo acompanhados por esquemas de comunicação e coordenação, com as instituições financeiras locais”. Desta forma, “serão tomadas, oportunamente, medidas apropriadas, quando a situação o justificar, de modo a assegurar a estabilidade da economia e do sistema financeiro local”. O Executivo afirma ainda que a RAEM “dispõe de um sólido poder em termos de finanças públicas, com uma balança de pagamentos externos positiva, um regime de indexação cambial fiável e um sistema financeiro estável e saudável”, pelo que existe “capacidade suficiente para

fazerem face às flutuações dos mercados financeiros”. O comunicado lembra ainda que a economia chinesa tem vindo a registar um importante crescimento, de acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional. “O Produto Interno Bruto do Interior da China, no ano de 2017, foi de 6,9 por cento, representando o primeiro crescimento mais acentuado nos últimos sete anos. Prevê-se que, neste ano, o Interior da China continue a dar passos de crescimento estável. Aliás, os Estados Unidos

da América e a Zona Euro também têm sido marcados por indícios de crescimento mais acelerado.”

HONG KONG CAIU 4 POR CENTO

As praças financeiras asiáticas foram ontem abaladas pela queda em Wall Street, na segunda-feira, com o índice japonês Nikkei 225 a recuar 4,7 por cento, depois de ter aberto a cair 7 por cento. Todas as praças na região foram afectadas pela maior queda percentual no índice norte-americano Dow Jones Industrial Average, desde Agosto de 2011.

Na China, a bolsa de Xangai, principal praça financeira da China, fechou a cair 3,35%, para 3.370,65 pontos. Hong Kong recuou 4,4%, para 30.827,73 pontos. O índice australiano S&PASX 200 caiu 3,2%, para 5.833,30. O sul-coreano Kospi fechou a cair 1,5%, para 2.453,31. Dois dias de quedas acentuadas anularam os ganhos alcançados por Wall Street, desde o início do ano, pondo fim a um longo período de expansão do mercado. Quedas de 10% ou mais são comuns quando o mercado está em alta. Há dois anos que não ocorria uma. O mesmo ocorreu em muitos outros mercados globais, onde os observadores esperavam já uma correcção. O pânico noutros mercados pode encorajar os investidores a procurar a segurança da moeda japonesa yen, comentou Jingyi Pan, analista no grupo de serviços financeiros IG. Isso prejudicaria exportadores japoneses e de outros países da região, cuja competitividade é afectada caso o valor da moeda dos respectivos países valorize, encarecendo os seus produtos. Na segunda-feira, o índice tecnológico norte-americano Nasdaq perdeu 3,78%, e o S&P500, que representa as maiores 500 empresas cotadas nos EUA, recuou 4,11%. Os investidores venderam os seus títulos face às preocupações de que a Reserva Federal aumente as taxas de juro, numa altura de subida da inflação, tornando o crédito mais caro, o que levaria a um abrandamento no crescimento da economia. A queda de segunda-feira foi grande, mas houve pior, durante a crise financeira global de 2008, quando em Setembro desse ano Dow Jones perdeu 777 pontos, o equivalente a sete porcento. Uma queda de 10 por cento, face ao pico mensal, é referido em Wall Street como uma “correcção». A última queda assim ocorreu no início de 2016, quando a cotação do petróleo afundou. A.S.S.

GALAXY FUNCIONÁRIOS PEDEM AUMENTO SALARIAL DE CINCO POR CENTO

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LOEE Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, releva ter recebido duas dezenas de queixas de funcionários da Galaxy, que esperam que a operadora distribua bónus num valor de um salário. Além disso, os trabalhadores esperam um aumento de, pelo menos, cinco por

cento do vencimento. As reivindicações valeram a entrega de uma petição assinada por trabalhadores da operadora, entregue por Cloee Chao. Falando aos jornalistas, Cloee Chao disse que, de acordo com os funcionários, a operadora que prometeu distribuir dois bónus a cada ano e acabou por distribuir apenas 65 por cento ou 75

por cento do salário para cada bónus. Considerando esta posição injusta e como as outras operadoras anunciaram o oferecimento de 14 meses do salário, os funcionários pedem que seja dado bónus no valor de um mês de salário. Ao HM, Cloee Chao contou que após ter ido à Galaxy entregar a petição deslocou-se à Direcção

dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para se queixar do sistema “Casino Chip Attribution System” nas mesas de jogo da MGM, por haver suspeita de serem prejudiciais à saúde dos funcionários. Segundo a dirigente associativa, as autoridades estão a proceder à investigação do sistema. Vítor Ng (com J.L.)

MACAU LEVA ALIMENTOS LUSÓFONOS À CHINA

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Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) vai levar os produtos dos países lusófonos à primeira exposição internacional de importações da China, em novembro, em Xangai. A representação na exposição de Xangai será feita mediante delegações de empresas de produtos alimentares de Macau e de agentes e distribuidores no território de alimentos dos países de língua portuguesa, organizadas pelo IPIM, de acordo com um comunicado oficial. A direção dos Serviços de Turismo de Macau vai organizar também a participação de operadores turísticos de Macau. Além da delegação empresarial, vai participar na exposição uma delegação governamental do território.Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em maio passado, durante o fórum “Uma Faixa, Uma Rota” para a cooperação internacional, a exposição internacional de importações da China constitui uma importante medida de Pequim para apoiar a liberalização do comércio e a globalização económica, abrindo ainda mais, por iniciativa própria, o mercado chinês ao mundo.

Caso da agressão com 11 arguidos terá leitura de sentença em Março

O caso que violência que ocorreu no Natal de 2016 na Avenida de Venceslau de Morais tem desfecho, ou leitura de sentença, marcada para 2 de Março, de acordo com o Jornal Ou Mun. O incidente aconteceu à porta de um restaurante, quando dois grupos de jovens se envolveram numa zaragata, que resultou no esfaqueamento e agressão de um indivíduo. O caso resultou num processo crime que levou 11 arguidos à barra do Tribunal Judicial de Base. O arguido de apelido Ku admitiu o crime de posse de arma proibida e alegou estar arrependido e lamentou ter-se zangado e levado uma faca de cozinha do restaurante para esfaquear a vítima. O arguido prometeu compensar o sinistrado com 5 mil patacas. Os arguidos são acusados da ofensas simples à integridade física, sendo que a leitura de sentença está agendada para o dia 2 de Março.


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7.2.2018 quarta-feira

MÃO MORTA E LULU BLIND COM EDIÇÕES ESPECIAIS PARA O RECORD STORE DAY

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S álbuns de estreia dos Mão Morta e dos Lulu Blind vão ser reeditados, em edições comemorativas, à boleia das celebrações do Record Store Day, a 21 de Abril, revelou ontem à Lusa a Rastilho Records. De acordo com a Rastilho Records, dos Mão Morta será reeditado o primeiro registo, homónimo, que o grupo de lançou no verão de 1988 pela Ama Romanta, e que incluía temas como “E se depois” e “Oub’la”. Na altura, além de Adolfo Luxúria Canibal e Miguel Pedro - que permanecem até hoje -, os Mão Morta integravam Carlos Fortes, Joaquim Pinto e Zé dos Eclipses, que já não fazem parte do grupo. Na biografia oficial na Internet, os Mão Morta recordam que, em 1988, vivam um momento de culto, conquistado pouco antes pelas “performances e carisma de Adolfo Luxúria Canibal”. Na altura, o grupo assegurou a primeira parte de concertos de nomes como Nick Cave & The Bad Seeds, Wire e Jesus & Mary Chain. Ao longo de 2018, numa altura em que os Mão Morta preparam um novo disco, a Rastilho Records planeia ainda reeditar os álbuns “Corações Felpudos”

(1990) e “O.D., rainha do rock & crawl” (1991). Para o Record Store Day, a editora assinalará ainda os 25 anos de “Dread”, primeiro álbum dos Lulu Blind, grupo rock que durou cerca de uma década e do qual fizeram parte nomes como Tó Trips, Pedro Filete, Jorge So What e Samuel Palitos. Produzido por Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, “Dread” é “um disco cru, inocente e visceral que retrata fielmente os primeiros anos de uma banda em ascensão”, escreve a Rastilho. No ano em que editaram “Dread”, os Lulu Blind andaram em digressão como banda de suporte dos Xutos & Pontapés. Antes de se separarem, em 2001, ainda editaram “Blast” (1995) e “Fogoe de ti” (2001). O Record Store Day é uma iniciativa internacional criada em 2007 para celebrar e promover a edição discográfica e as lojas de música independente. A celebração é feita em vários países com edições discográficas raras e especiais, a maioria em vinil, e com uma maior divulgação de um trabalho de proximidade das pequenas lojas de discos com os consumidores.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A IMORTALIDADE • Milan Kundera O sexto romance de Milan Kundera emerge a partir de um gesto casual de uma mulher para o seu instrutor de natação, um gesto que cria uma personagem no espírito de um escritor chamado Kundera. Tal como a Emma de Flaubert, ou a Anna de Tolstói, a Agnès de Kundera torna-se num objeto de fascínio, de indefinida nostalgia. A partir dessa personagem nasce um romance… um gesto da imaginação que personifica e articula o supremo domínio de Kundera sobre o romance e a sua finalidade: explorar a fundo os grandes temas da existência.

O se S

ÓBITO JAO TSUNG-I, M

URPRESA e consternação. Foram estas as primeiras palavras que o Chefe do Executivo, Chui Sai On, usou para se referir ao falecimento do mestre de estudos chineses e grande nome das artes, Jao Tsung-I. Este morreu na madrugada de ontem, depois de uma carreira preenchida, que passou pela criação de duas academias com o seu nome, em Macau e Hong Kong. Jao Tsung-I veio para Macau em 1981, quando foi convidado para ser professor catedrático da antiga Universidade da Ásia Oriental, actual Universidade de Macau (UM). Foi ele o fundador do departamento de história e literatura chinesa desta instituição de ensino. Chui Sai On referiu-se a ele como sendo “um grande mestre dos estudos chineses, uma personalidade conceituada na China e no exterior”. “O professor Jao Tsung-I foi um famoso historiador, paleógrafo, literato, calígrafo e educador, cuja fama cruzou mares. Durante toda a sua vida, divulgou a cultura chinesa, contribuindo de forma importante para o ensino superior e a investigação académica em Macau.” O Chefe do Executivo destacou ainda a importância que Jao Tsung-I continuou a ter na sociedade local após o regresso de Macau à China. Este “continuou a dedicar-se e a orientar os estudos na área da paleografia, apoiando veementemente o nosso desenvolvimento cultural”. “Expôs aqui repetidas vezes os seus trabalhos de caligrafia e pintura, tendo oferecido algumas das suas obras aos museus locais”,

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NEWBORN - 10 DIAS NO KOSOVO • Amadora BD 2011 - Prémio Juventude / Prémio Melhor Desenho de Autor Português de Ricardo Cabral “O Kosovo do Ricardo não é o mesmo país que encontramos nas notícias e nos títulos dos principais órgãos de comunicação ou nos relatórios e telegramas diplomáticos de Bruxelas, Nova Iorque, Moscovo e Washington. Munido de lápis e câmara fotográfica, Ricardo vê para lá da superficialidade do estereótipo político, e capta a vida linda que as pessoas comuns levam no seu dia-a-dia.”


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quarta-feira 7.2.2018

enhor das artes

MESTRE EM ESTUDOS CHINESES, FALECEU ONTEM

Faleceu, na madrugada de ontem, o mestre Jao Tsung-I, que nos anos 80 veio para Macau onde fundou, na antiga Universidade da Ásia Oriental, o departamento de história e literatura chinesa. No território, Jao Tsung-I deu também o nome a uma academia dedicada às artes e cultura. O Chefe do Executivo dedicou condolências à família

disse Chui Sai On. Essas obras levariam à criação daAcademia Jao Tsung-I. Além disso, o mestre de estudos chineses tinha “o espírito patriótico”. “O trabalho académico meticuloso do professor Jao Tsung-I são um modelo para todos nós”, acrescentou o Chefe do Executivo.

UM GRANDE CONTRIBUTO

De acordo com a biografia disponível no website da Academia Jao Tsung-I, o mestre, ao criar o departamento na Universidade da Ásia Oriental, com cursos de mestrado e doutoramento, “contribuiu consideravelmente para o desenvolvimento académico local lançando as sementes

de estudos subsequentes em literatura chinesa”. Em 2004 a UM concedeu a Jao Tsung-I o grau de doutor honoris causa em Humanidades, tendo-lhe sido atribuído também o título de Professor Honorário da universidade. A sua biografia aponta que o mestre “deu bastante atenção aos estudos arqueológicos em Macau, dando conselhos e orientando as escavações do sítio arqueológico da baía de Hac-Sa, Coloane, em 2006”. Em 2011, Jao Tsung-I doou 30 pinturas e caligrafias da sua autoria ao Museu de Arte de Macau, além de 159 peças de arte e trabalhos académicos ao Governo, em 2013. “Ter estas peças de arte entre nós é uma honra e sentimo-nos gratos pois servirão de inspiração aos

artistas locais e às gerações vindouras”, aponta a biografia do mestre. Foram diversas as exposições que Jao Tsung-I realizou no território: Terra Pura – Exposição de Pintura e Caligrafia do Jao Tsung-I (Centro UNESCO de Macau, Novembro de 1999); Exposição de Caligrafia e Pintura de Rao Zongyi (Museu de Arte de Macau, Julho de 2001) onde, a par de 103 obras de arte de autoria do Professor Jao, foram apresentados outros trabalhos de artistas chineses do continente e ultramarinos, bem como uma variedade de objectos ornamentais e estudos; Lótus Imortal: Pintura e Caligrafia de Jao Tsung-i.

Alem disso, em Novembro de 2006 foi feita uma exposição para celebrar o seu 90º aniversário, tendo sido realizada, em Novembro de 2011, a iniciativa Aspirações Convergentes: Exposição de Pinturas e Caligrafias Doadas ao Museu de Arte de Macau por Jao Tsung-I, patente no Museu de Arte de Macau.

O APOIO À MACAULOGIA

Entretanto, a UM reagiu também à morte do mestre, tendo referido, num comunicado, que os membros da universidade “nunca se vão esquecer” do seu contributo. Jao Tsung-I foi, aos olhos da UM, “um académico erudito e um escritor prolífero”, bem como “um mestre da sinologia, um historiador, arqueólogo e académico de Confúcio”. “Ele dedicou toda a sua vida à promoção da sinologia, também com grandes realizações na arte e literatura. O professor Jao Tsing-I e a sua persistência nos objectivos académicos é um exemplo para todos nós.” Na UM, Jao Tsing-I “apoiou activamente o desenvolvimento da Macaulogia, tendo dado uma grandiosa contribuição para a UM na implementação e desenvolvimento da disciplina”. A.S.S.

EXPOSIÇÃO SOBRE FERNANDO PESSOA INAUGURADA HOJE EM MADRID POR ANTÓNIO COSTA

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primeiro-ministro português, acompanhado pelo ministro espanhol da Cultura, inaugurou ontem uma exposição sobre Fernando Pessoa e a vanguarda de artistas portugueses do princípio do século XX no museu Rainha Sofia, em Madrid. “Pessoa. Tudo é uma forma de literatura” é uma mostra que “aproxima o espectador do pouco conhecido cenário vanguardista português desenvolvido entre 1914 e 1936”, assinalou o Rainha Sofia em nota à imprensa. Este museu de arte do século XX e contemporânea acrescenta que Fernando Pessoa (1888-1935) participou na evolução deste movimento artístico “através dos seus escritos e suas amplas e versáteis propostas artísticas”. A exposição, aberta ao público de 07 de Fevereiro (quarta-feira) até 7 de Maio, vai reunir mais de 160 obras de arte (pintura, desenhos e fotografia) de cerca de 20 artistas, como José de Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo

Viana, Sarah Affonso, Júlio, Sonia e Robert Delaunay, entre outros. Os comissários da mostra são a historiadora de arte Ana Ara e o sub-director do museu Rainha Sofia, o português João Fernandes, que na semana passada disse à Lusa que esta exposição vai ser “uma grande revelação”, com “nomes fundamentais” da história do Modernismo em Portugal. António Costa vai aproveitar a deslocação a Madrid para realizar um almoço de trabalho com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, no qual serão discutidos os grandes temas da actualidade bilateral, europeia e internacional. Uma das matérias a tratar será a visita de Estado que o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, deverá fazer a Espanha ainda durante o primeiro semestre de 2018 e que ainda não tem data marcada. O Museu Rainha Sofia é o mais visitado de Espanha e um dos mais visitados em todo o Mundo, com mais de 3,6 milhões de entradas em 2016.


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7.2.2018 quarta-feira

PEQUIM, CONTRA DECLARAÇÕES DOS EUA, SAI EM DEFESA DA VENEZUELA

Fusão cria maior elétrica do país

A eléctrica chinesa, a China Guodian Corporation, chegou ontem a acordo para se fundir com a China Energy Corporation, no que dará origem à maior empresa do país nos sectores do carvão e electricidade. Segundo os comunicados enviados pelas duas firmas à bolsa de Xangai, a fusão precisa agora ser aprovada pelos reguladores. A medida faz parte do esforço de Pequim para reduzir o excesso de capacidade de produção nos sectores do carvão e energia, através da reestruturação das firmas estatais, visando aumentar a rentabilidade e eficiência destas. Outros sectores do Estado chinês têm sido também submetidos a fusões, com o número total de firmas estatais chinesas a cair para metade, desde as 196 existentes em 2003. Estas firmas são directamente tuteladas pelo Governo central chinês, através de um organismo conhecido como SASAC (Stateowned Assets Supervision and Administration Commission) e dominam os sectores-chave da economia chinesa, ilustrando um sistema que Pequim designa como economia de mercado socialista.

Americanos ciumentos

Suécia critica detenção “brutal”

A Suécia criticou ontem a China pela detenção “brutal” e “arbitrária” de um cidadão sueco que vendeu livros críticos do regime chinês, e que voltou a ser levado por agentes da polícia no mês passado. Gui Minhai, que tem dupla nacionalidade, chinesa e sueca, seguia num comboio com dois diplomatas suecos, em 20 de Janeiro passado, quando foi detido por polícias chineses, em Pequim. O editor, que tem estado sob vigilância policial numa casa em Ningbo, no leste da China, deslocava-se à capital chinesa para consultar um médico devido a sintomas da doença de Charcot-Marie-Tooth, uma neuropatia de que padece. Em comunicado, a ministra sueca dos Negócios Estrangeiros, Margot Wallstrom, questiona o primado da lei na China, sugerindo que Estocolmo vai adotar uma postura mais assertiva para lidar com esta questão. A detenção de Gui “infringe regras internacionais básicas de apoio consular”, aponta Wallstrom.

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g o v er n o da China tomou posição na segunda-feira sobre as ameaças feitas pelos Estados Unidos à Venezuela, depois da viagem do secretário Rex Tillerson a vários países da América Latina. Tillerson chegou a defender um golpe militar na Venezuela e criticou a China, ao dizer que não há espaço para uma nova “potência imperial” na região. O secretário norte-americano pediu, inclusive, aos países do continente que intervenham no país vizinho, liderado por Nicolas Maduro. O Tesouro dos Estados Unidos acusou a China de ajudar o governo do presidente venezuelano com investimentos suspeitos envolvendo empréstimos em troca de

petróleo. Num discurso proferido na sexta-feira,no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, o principal diplomata especialista em economia do Tesouro dos EUA, David Malpass, disse que o foco da China nas “commodities e em acordos financeiros vagos” prejudicaram, e não ajudaram, países da América Latina. O ataque ao papel chinês no apoio ao governo da Venezuela veio um dia depois de o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, ter aventado a hipótese de um golpe militar no país sul-americano rico em petróleo, antes de iniciar uma digressão de cinco dias pela América Latina.  O porta-voz do MNE chinês Geng Shuang disse que a coope-

ração financeira bilateral com a Venezuela foi estabelecida com base em princípios comerciais benéficos para os dois países. “O que os Estados Unidos disseram é infundado e extremamente irresponsável”, afirmou Geng. A cooperação entre a China e a Venezuela auxiliou a construção de mais de 10 mil casas de baixo custo, a geração de electricidade e o gasto com electrodomésticos para três milhões de lares venezuelanos de baixo rendimento, acrescentou, segundo informa a Reuters.  “A cooperação China-Venezuela incentivou favoravelmente o desenvolvimento socioeconómico da Venezuela e é aprovada e apoiada por todos os níveis da socieda-

de”, disse Geng. “Uma Venezuela estável atende aos interesses de todos os lados”. Ainda segundo a Reuters, recentemente, após a imposição de sanções individuais e económicas sobre Caracas pelos EUA, Maduro acusou Washington de tentar depô-lo para ter mais acesso à riqueza petrolífera do país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

EUA TEMEM PERDER INFLUÊNCIA

Washington advertiu vários países latino-americanos sobre os riscos da influência cada vez maior de Pequim na região e sobre os riscos de uma suposta dependência excessiva da segunda economia mundial, advertências vistas pela


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quarta-feira 7.2.2018

China como uma falta de respeito à política exterior dessas nações. Enquanto a administração Trump rompeu acordos e questiona alianças, o gigante asiático impulsionou os laços políticos, culturas e sociais, com destaque para a América Latina; as viagens constantes de Xi Jinping continuam a seguir a proposta de construir “uma comunidade global de futuro partilhado”. Na América Latina, a China, que há mais de dez anos é um importante parceiro comercial, aumenta agora sua influência política, cultural e social para ocupar o vazio criado pela ausente estratégia norte-americana. E, dessa maneira, a China acabou por se tornar uma ameaça aos interesses dos EUA na região, que por décadas esteve presente interferindo continuamente na soberania e nas decisões dos países latino-americanos.  Tillerson, pouco antes de fazer uma viagem por países como o México, Argentina, Peru e Colômbia, afirmou que a região não precisa de “novas potências imperiais” e advertiu sobre a estratégia de se apoiar excessivamente na China, “que significa ganhos no curto prazo em troca de uma dependência no longo prazo”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês considerou que essa premissa é falsa e que o intercâmbio com a América Latina se baseia “em interesses comuns e necessidades mútuas”. Como a China defendeu até o momento, a sua aproximação com as outras nações acontece seguindo os princípios de “igualdade, reciprocidade, abertura e inclusão”. A China reforçou recentemente seus laços com a região durante o segundo fórum ministerial entre o gigante asiático e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizado há apenas duas semanas em Santiago, no Chile, como informa o El País. O bloco decidiu apoiar, numa declaração oficial, a iniciativa chinesa da nova Rota da Seda – o megaprojeto de interconexão mundial idealizado pelo presidente chinês, Xi Jinping, que colocou sobre a mesa bilhões de dólares para investi-los em obras de infra-estrutura que melhorem a conectividade. O objectivo, segundo o MNE chinês, Wang Yi, é que o país se transforme no “parceiro mais confiável” da região.

PORTUGAL CEFC CHINA ENERGY COMPRA PARTEX OIL & GAS

Novas políticas para empresas de Taiwan

Pequim introduzirá novas políticas para garantir o tratamento igual para os compatriotas e empresas de Taiwan, disse na segunda-feira um funcionário da China continental. Em 2018, o continente chinês trabalhará para promover a cooperação entre as empresas através do Estreito e melhorará os serviços financeiros para dar mais apoios às empresas de Taiwan no continente, disse Zhang Zhijun, director do Departamento de Trabalho de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista da China e do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado. Mais políticas “efectivas” e “cordiais” estão a ser elaboradas, disse Zhang ao discursar num encontro da Associação de Empresas de Investimento de Taiwan na parte continental. Ao enfatizar que as relações e a situação através do Estreito enfrentam maior complexidade e desafios em 2018, Zhang disse que a parte continental da China seguirá inabalavelmente o princípio de Uma Só China e o Consenso de 1992, opor-se-á resolutamente a todas as formas da “independência de Taiwan” e promoverá os intercâmbios económicos e culturais entres os dois lados do Estreito.

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Está lá fora o Vaticano

Jornal do PC garante relações “mais cedo ou mais tarde”

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M jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) considerou ontem que Pequim e o Vaticano vão estabelecer relações diplomáticas “mais cedo ou mais tarde”, o que implicaria que a Santa Sé cedesse na nomeação dos bispos. “Acreditamos que os diplomatas de Pequim podem gerir as negociações tendo em conta o interesse nacional e as crenças religiosas”, escreve o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC. Pequim e a Santa Sé não têm relações diplomáticas, divergindo sobretudo na nomeação dos bispos, com cada lado a reclamar para si esse direito. A China tem cerca de 12 milhões de católicos, mas as manifestações católicas no país são apenas permitidas no âmbito da Associação Patriótica Católica Chinesa, a igreja aprovada pelo PCC e independente do Vaticano. O objectivo é garantir que os católicos do país funcionam “independentemente” de forças externas e “promovem o socialismo e patriotismo através da religião”. Milhões de católicos chineses estão, porém, ligados às chama-

das igrejas clandestinas, constituídas fora do controlo daquele organismo estatal e que juram lealdade ao papa. “A chegada a um acordo com a China sobre a escolha dos bispos iria reflectir a habilidade dos católicos para se adaptarem às mudanças”, acrescenta o Global Times, em editorial. Vários órgãos de comunicação próximos do Vaticano afirmam que um acordo entre ambos os Estados está pronto e pode ser assinado nos próximos meses, mas não se sabe ainda como será resolvida a questão da nomeação dos bispos. No caso do Vietname, país vizinho da China e também governado por comunistas, um acordo assinado em 1996 estabelece que a Santa Sé propõe três bispos a Hanói, e o governo vietnamita escolhe um deles. Na semana passada, o cardinal de Hong Kong Joseph Zen criticou a própria Santa Sé pelos seus avanços diplomáticos com o regime chinês. Zen acusou a igreja de forçar bispos a retirarem-se, para que possam ser substituídos por outros, apoiados por Pequim.

grupo chinês CEFC China Energy deverá adquirir por uma soma próxima de 500 milhões de euros a Partex Oil and Gas (Holdings) Corporation, a SGPS para o sector do petróleo da Fundação Calouste Gulbenkian, escreveu recentemente o semanário português Expresso. “A Fundação Calouste Gulbenkian tem vindo a equacionar a alienação dos investimentos nos combustíveis fósseis (que representaram cerca de 18% dos activos em 2017), tendo em conta uma nova matriz energética e os seus objectivos em prol da sustentabilidade, na linha do movimento internacional seguido por outras fundações”, informou a instituição em comunicado divulgado na passada semana. O semanário escreveu que do outro lado do negócio está o grupo chinês CEFC China Energy que, em Novembro de 2017, adquiriu uma participação de controlo na companhia de seguros Lusitânia, detida pela associação mútua Montepio, aguardando-se apenas a autorização do regulador, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. O jornal Negócios informou que o negócio da Partex está longe de concluído, mas adiantou que o mesmo será feito como um todo, o que implica activos e pessoal. A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou, por outro lado, que o encaixe financeiro a ser obtido com a venda da Partex será aplicado em outros activos. O grupo CEFC China Energy é um conglomerado privado que em 2014 obteve receitas de 263 mil milhões de yuans derivadas do petróleo e gás (60%) e dos serviços financeiros (25%).

AUTORIDADES URGEM MAFIOSOS A ENTREGAREM-SE

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S quadrilhas que actuam como mafia e os indivíduos que protegem as quadrilhas devem-se entregar às autoridades antes do dia 1 de Março, assinalou uma circular oficial. Quem se entregar receberá uma punição menor, enquanto que

os funcionários de órgãos estatais que protegem quadrilhas serão investigados e processados conforme a lei, refere a circular emitida pelo Supremo Tribunal Popular da China, Suprema Procuradoria Popular, Ministério da Segurança Pública e

Ministério da Justiça. Os familiares e amigos dos criminosos devem convencê-los a entregar-se, indica o documento. Um documento emitido no mês passado pelo Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e pelo

Conselho de Estado assinalou que o país começará uma nova campanha contra o crime organizado e contra funcionários que protegem organizações criminais. A luta concentra-se nas indústrias e áreas propensas a crimes de quadrilha, crimes organizados

que geram “forte reacção pública” e delitos “detestados” pelas pessoas, indicou. O documento assinalou que a campanha envolverá a luta contra a corrupção, incluindo funcionários corruptos de baixo nível, e quem proteger as quadrilhas. Xinhua


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7.2.2018 quarta-feira

Suas Almofadas são cabecas de tigre, ´ sua cama um leito de marfim diário de um editor João Paulo Cotrim

A morte é um insulto guns estados prepararam-se para proibir em letra de lei qualquer crítica ao estado de Israel. A prazo, humidade no ferro, isso minará a estrutura das sociedades dita democráticas. O tema será sensível e complexo, mas o papel do cartoonista reside numa simplificação que tantas vezes detecta o essencial. O lugar libertado da opinião, e da opinião desenhada, foi árdua conquista que se encontra hoje ameaçada com vigilâncias de tipo variado, do mais subtil ao directo, e dos mais dispersos quadrantes, da esquerda bem pensante à direita trauliteira e vice-versa. Abdicar da sensibilidade pessoal, até íntima, para discutir o que nos divide, sem a tentação dos argumentos censórios ou violentos, só ajudaria ao entendimento do… essencial. E se determinada perspectiva aguenta a corrosão do riso, para mim, estará mais próxima de uma qualquer verdade – chamemos-lhe assim, por falta de tempo para encontrar melhor. Entendo que alguém se possa sentir insultado com determinada representação, que até pode pisar o risco do estereótipo, mas diz-nos a História que se respira melhor quando, por exemplo, no humor desenhado, a liberdade chega à ofensa. A infância ensina-nos a enfrentar os muitos matizes do ultraje e do vilipêndio. E depois, o chão do medo será sempre movediço.

HORTA SECA, 22 JANEIRO 2018 Nuvem andarilha em fundo azul de paisagem, certos escritores passam por nós riscando-nos com o mistério intemporal de contar, de nos pôr a viajar longe ao que não existe, perto ao miolo de personagens que talvez possamos ser, ter sido, vir a ser. A mecânica de fluidos da convenção literária faz com que escritores como Ursula K. Le Guin (19292018) pouco existam na espuma dos dias da autoritária novidade, instantânea e avassaladora. E contudo são correntes do grande oceano. Precisava ter extraído do caos arrumado o exemplar da Fragmentos de «Tão Longe de Sítio Nenhum» (a que tradutor atribuir tão belo título?) para confirmar que sobrevive além de incandescentes adolescências. «A Mão Esquerda das Trevas» ou «Os Despojados» também me pedem o prazer da releitura. Deixo-me ir por este rio tranquilo? HORTA SECA, 23 JANEIRO 2018 Venceu muito mais que os cem anos, este Nicanor Parra (1914-2018). Desconfio até que dobrou os números à maneira dos versos, relâmpagos do pensamento. Conhece-se pouco, dolorosamente pouco, de Parra, o que erguia o dedo médio às entrevistas: «cada pergunta é uma impertinência, uma agressão». Há tanto para fazer no que a este continente diz respeito. Faltou-me partilhar um tinto com o velho, mas haverá sempre tempo amanhã para um Último brinde: «Lo queramos o no/ Sólo tenemos tres alternativas:/ El ayer, el presente y el mañana.// Y ni siquiera tres/ Porque como dice el filósofo/ El ayer es ayer/ Nos pertenece sólo en el recuerdo:/ A la rosa que ya se deshojó/ No se le puede sacar otro pétalo.// Las cartas por jugar/ Son solamente dos:/ El presente y el día de mañana.// Y ni siquiera dos/ Porque es un hecho bien establecido/ Que el presente no existe/ Sino en la medida en que se hace passado/ Y ya pasó...,/ como la juventud.// En resumidas cuentas/ Sólo nos va quedando el mañana:/ Yo levanto mi copa/ Por ese día que no llega nunca/ Pero que es lo único/ De lo que realmente disponemos.» HORTA SECA, LISBOA, 29 JANEIRO 2018 Não tarda, todas as entradas se sublinharão com o marcador negro da necrologia e a página estender-se-á campo santo. Acontece. Tropeço na notícia que não lhe faz justiça, mas como poderia? Cruzei-me com o Ângelo Teixeira, que trabalhava para os lados do nuclear, por alturas de movimentações congregadoras em torno PSR e conservo a genero-

Se determinada perspectiva aguenta a corrosão do riso, para mim, estará mais próxima de uma qualquer verdade sidade e a alegria que explicou ser, sem o dizer, a ossatura de uma cidadania activa. Resultou ainda ser a centelha de criatividade em qualquer gesto público, nas manifestações mais festivas como nas agrestes, distribuía mais sorrisos que folhetos, ergueu sempre a frase que desprezava o sound bite, por vezes de forma quase íntima, gritando baixinho, inventou farol com engenharias várias no capacete. Enfim, e suspiro, não deixou nunca de ser o indivíduo no meio da multidão. Viveu época em que a rua foi palco. Vivemos. SALGADEIRAS, LISBOA, 30 JANEIRO 2018 Em comentário aos massacres de Sabra e Chatila, nos idos de 1982, António [Antunes] publicou, no seu Expresso de sempre, cartoon polémico, como deviam ser todos (algures nesta página). Pegou em fotografia tristemente célebre do gueto de Varsóvia, na qual uma criança levantava os braços e trocava para sempre a inocência pelo medo face às espingardas nazis, e espelhou-a. As vítimas da barbárie de então apontavam

agora as armas e o miúdo era palestino de kefiah. O estilo do António tornou a cena ainda mais soturna. Tantas décadas depois, a imagem mantém-se tragicamente actual e o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, dirigido pela Maria do Céu Guerra, editou-a em serigrafia e, a pretexto, chamou-me para conversa. Além do concreto da situação, ainda de chumbo, o assunto interessa por causa das imagens, do que muda quando o argumento se faz ilustrado, em força mas não necessariamente em clareza. Está disseminada a ideia falsa de não que precisamos aprender a ler as imagens, que estas são objectivas, transparentes. Este tema suscitou, no pós 25 de Abril, mais debate do qualquer outro (além deste caso, também no jornal Combate, com João Fonte Santa, e no Diário de Notícias, com André Carrilho), muito pela obscena vitimização que confunde os que sofreram a Shoah com o estado e a política israelita. Quem critica Israel não está a defender o nazismo ou a cometer pecado de anti-semitismo. Ainda assim, na sanha proibitiva que nos assalta, al-

VÃO DE ESCADA, COSSOUL, 1 DE FEVEREIRO 2018 O Vasco [Gato], de conluio com outros cidadãos, anda a alimentar a alma da [Guilherme] Cossoul e pede-me para me sentar nos degraus da devoluta casa de Santos. O frio empurra-nos para o bar, o que não me desconforta. Podia lá ser de outro modo? Horas antes varri os livros à mão de semear e cheguei a uma escolha das mais heteróclitas, pondo-me a ler em voz alta banda desenhada e até cartoon. Hei-de repetir. Fugi dos autores da casa, mas nem tanto. Tentei de mim escapar, mas lá mostrei restos de Má Raça. Fui à Itália do António [Mega Ferreira] e às sombras de Zagajewski. Visitei Pessanha, por sermos próximos e ter versão de bolso. Por falar em sonetos, e para minha surpresa, a rede pescou do passado, «Mecânico de Ovnis», uns 20 do Fernando Grade que celebram «Portugal em «p», pequeno país de puritanos»: «Gaivotas que desceis pro sobre a polpa/de um beijo feito de água e neblina/ quando a tarde é um tango ou uma polca/ e os dedos são aranhas nos sobre até à boca.» A noite, que foi de tango, subiu-nos à boca, com mágoas a que voltarei, talvez. Só a dong hai-sopa ácido picante do Dim Sum Macau, a melhor de Lisboa, nos confortou.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 7.2.2018

Cidade Ecrã Rui Filipe Torres*

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STE texto não é sobre esse objecto de qualidade singular que é uma película de cinema, mas sobre algumas impressões sensoriais e reflexivas nesta mais recente passagem no território da RAEM. Registo de viagem que afinal é quase sempre próximo do a-e-i-o-u da sintaxe do cinema, travelling, panorâmica (horizontal, vertical), plano fixo, escala de enquadramento, a que se junta a exploração da rede cromática do visível e o universo sonoro e, no caso, a meteorologia, bem como essa casa de tudo, o tempo, esse escultor de infindáveis e invisíveis braços. É certo que todo o regresso a um lugar onde se já esteve é sempre uma perda de espontaneidade, surpresa, e muitas das vezes frescura. Sobre Macau, escreveu o ex-embaixador de Portugal em Pequim, João de Deus Ramos: “Dos cerca de seis milénios da história da humanidade, a China entra pelo menos nos últimos quatro. E, caso, único, só ela, ao longo desse tempo, não sofreu soluções de descontinuidade na sua evolução como civilização e cultura, sempre igual a si mesma, sempre percorrendo a mesma linha evolutiva. Olhando para os quatro mil anos da História da China, para essa vasta unidade de que os chineses tem bem consciência, vemos que as expedições marítimas de Zheng He aconteceram num passado psicologicamente bem recente, o equivalente para os portugueses, em termos de percepção da duração, ao tempo da queda da monarquia em 1910. A percepção do ‘meio-caminho histórico’ para os Chineses, está em torno da dinastia Han, da altura em que Cristo andou pela terra. Mas, para nós portugueses, a viagem do Vasco da Gama está no centro temporal do nosso percurso. Assim, enquanto nós olhamos para a viagem à Índia de 1497 como um evento bem longe no tempo, os chineses intuem as viagens de Zheng He como acontecimentos da época moderna, quase contemporânea. Ignorar estas realidades falseia, à partida, olhares que se lancem sobre as viagens chinesas e portuguesas, numa perspectiva não apenas de comparação, mas sobretudo de abordagem conjunta. Vale a pena quedarmo-nos um pouco no sentido que pode ter a ‘aceleração’ do presente, tendo como contraponto a relativa ‘desaceleração’ do passado. . . “Macau não é fácil de ‘explicar’... A cidade do Nome de Deus sobreviveu a mudanças dinásticas, de regime e a revoluções, em Portugal e na China, a crises económicas tremendas, à concupiscência das potências, a duas Guerras Mundiais, a confrontos militares navais e terrestres, a actos de banditismo e de pirataria e a episódios que, normalmente, teriam posto termo à

KONSTANTIN BESSMERTNY, CASINO REPUBLIC (DETALHE)

Impressões de um bárbaro do sul

ligação do território a Portugal. Provável era que Macau tivesse acabado algures em meados do séc. XVII; improvável, que perdurasse por mais de quatro séculos.”1 Macau continua e vai continuar, agora, desde o início do séc. XXI, com administração pelas suas gentes e soberania Chinesa. Na verdade, são os registos das complexas práticas referentes ao exercício da soberania por parte da administração portuguesa, esse exercício da soberania quase sempre foi formal e informalmente partilhado com o mandarinato próximo, imperador, e governos da república de 1911, ou de 1949 quando da constituição da RPC. Um exercício com a sabedoria do bambu ( phyllostachys), dobrando-se segundo a direção dos ventos mas permanecendo firme no lugar de crescimento. É curioso o facto da transição administrativa de Macau, corresponder a um momento em que globalmente os centros de

Tenho sentido uma alegria débil ou quase a falta dela na comunidade portuguesa. O Ano Novo Chinês está aí. Onde anda a alegria?

poder financeiro, económico, comercial, tendem a deslocar-se do Ocidente para o Oriente. Sendo certo que Macau foi pioneira na sua qualidade de porto marítimo aberto ao comércio do mundo no processo de globalização contemporâneo, é de alguma forma uma cidade com identidade proto-global, o que é uma outra forma de dizer cidade multicultural na sua matriz vivencial e identitária. A identidade da RAEM, na qual as marcas da europa através de Portugal são incontornáveis, parece integrar-se movimento do que se pode chamar afirmações de identidade locais dentro da grande China, ou seja na afirmação do direito a ser diferente, ter uma identidade própria, dentro da identidade da grande China. A percepção nesta visita é a de que, tal como na mais recente cinematografia de Godart, o multiculturalismo maioritariamente vivido na cidade acontece por camadas, estratos sociais étnicos demográficos que vivem sobrepostos no mesmo território em comunidades pouco abertas para fora de si mesmas. É uma percepção, que em muito resulta do desconhecimento da língua Chinesa, mas também da realidade social observada. Por falar em língua, Macau parece mais ter tido como potência administrante o reino de sua majestade do que Portugal. Inglês todos falam, Português, só na gravação indicativa das paragens nos autocarros se consegue ouvir, grosso modo claro.

Na cidade o contraste entre a hipermodernidade e um parque habitacional em decadência parece ter aumentado, provavelmente em razão de espera do investimento em negócio do imobiliário. Para um estrangeiro cineasta há sempre encanto nas marcas do tempo impressas na falência das velhas paredes, guardiãs de antigos sonhos, quotidianos, vidas, mas revela também uma certa forma como a cidade se vê e se trabalha a si mesma e, atendendo aos números do encaixe financeiro, talvez fosse de esperar um outro cuidado com os velhos muros. É muito provável que seja de mim e não da realidade sempre tangencial com que me tenho cruzado, talvez mesmo da perca de fervor entusiástico que a repetição de lugares também provoca, mas tenho sentido uma alegria débil, ou quase a falta dela, na comunidade portuguesa a viver no território. O Ano Novo Chinês está aí. Onde anda a alegria? 1 - Ramos, João de Deus, Portugal e a Ásia Oriental, pág. 151, 103 , Fundação Oriente , 2012 ISBN 978 972 785 102 7 *Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.


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7.2.2018 quarta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 5/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 18 de Dezembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de Medicamentos do Extra-formulário Hospitalar aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP75,00 (setenta e cinco patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 9 de Março de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 12 de Março de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 1 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços, Lei Chin Ion

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Concurso Público n.º 1/2018 Prestação de Serviços de Plataforma de Apoio Informático

De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o Despacho da Exm.ª Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 26 de Janeiro de 2018, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder a concurso público para a “Prestação de Serviços na Plataforma de Apoio Informático”. 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: fornecimento aos SAFP de “Prestação de Serviços na Plataforma de Apoio Informático”. 5. Prazo de validade das propostas: não inferior a noventa dias, a contar da data do acto público do concurso.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 6/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 25 de Janeiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Empreitada de Fornecimento, Instalação e Ensaio de Duas Máquinas de Lavar Instrumentos aos Serviços de Saúde, Bem Como Obra de Remodelação no Local da Instalação», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP96,00 (noventa e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 12

de Fevereiro de 2018, às 15,00 horas para visita de estudo ao local da instalação do equipamento a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 15 de Março de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 16 de Março de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP78 000,00 (setenta e oito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 1 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

6. Caução provisória: A caução provisória é de MOP 48.000,00 (quarenta e oito mil patacas) e deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau - Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de admissão: podem candidatar-se ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritórios na RAEM, tenham no âmbito das actividades, total ou parcial, o fornecimento de equipamentos de informática, sistemas e serviços e, comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. 9. Todas as dúvidas sobre o Programa do Concurso e o Caderno de Encargos deste concurso público podem ser apresentadas de acordo com o determinado no mesmo Programa do Concurso, e realizar-se-á uma sessão de esclarecimento sobre o presente concurso público no seguinte local, data e hora: Local: Sala Polivalente do 4.º andar de Vicky Plaza, sita na Rua do Campo, n.os 188-198, Macau. Data e hora: 10:00 horas do dia 9 de Fevereiro de 2018. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, Edifício Administração Pública, n.º 162, r/c, Macau. Data e hora limite: Até às 17:30 horas do dia 28 de Fevereiro de 2018 (não serão aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local:

Sala Polivalente do 4.º andar de Vicky Plaza, sita na Rua do Campo, n.os 188-198, Macau.

Data e hora:

10:00 horas do dia 1 de Março de 2018.

12. Forma de consulta do processo:

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo

A partir da data da publicação do anúncio, os interessados poderão obter a cópia do programa do concurso e do caderno de encargos através da página electrónica dos SAFP, em www.safp. gov.mo, ou, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, R/C, para a consulta do programa do concurso e do caderno de encargos ou para a obtenção da cópia dos mesmos, mediante o pagamento da importância de MOP200.00 (duzentas patacas). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Projecto global (30 valores) b) Grau de conformidade com os requisitos de serviços (20 valores) c) Experiência como adjudicatário em serviços semelhantes (20 valores) d) Preço (30 valores) 14. Esclarecimentos adicionais: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, os concorrentes podem, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, Edifício Administração Pública, r/c, Macau, ou visitar a página electrónica dos SAFP (www.safp.gov.mo) para obterem quaisquer eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, 31 de Janeiro de 2018. O Director, Kou Peng Kuan


quarta-feira 7 6 1 7.2.2018 4 5

3 2 4 5 3 6 2 7 1 6 1 2 3 4 5 7 T5E M7 P O 6 P O2U C1O 4 N U3 BLADO 1 4 7 5 3 2 6 2 QUE 3 5 FAZER 1 7 6 4 O ESTA 3 2 SEMANA 4 7 6 1 5

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9Sexta-feira

UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

1 5 3 2 6 4 7 SATURDAY JAZZ - THE 4 2NIGHT 6 5JAZZ1GIRLS &7MJPA SEXTET 3 Fundação Rui Cunha | 21h00 às 23h00 2 3 7 4 5 1 6 CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00 (Exibição até 25/02) 6 4 1 7 3 5 2 Domingo 5 1| HEIDI2LI ITALIAN6JAZZ7DUO 3 4 CONCERTO ESPAÇO “WHAT’S UP” POP UP Calçada 7 do6Amparo5| 19H00 3 às 20h30 4 2 1 Diariamente 3 7 4 1 2 6 5 EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES Sábado

IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02

8

4 2 3 M I6N 1 7 5 10

3 6 7 1 5 4 2

3 7 5 28 4 1 6 4 5 1 3 6 2 7

5 2 1 4 6 7 3M A1X 2 6 4 5 7 3 5 7 2 4 3 6 1

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1 3 4 1 56 7 6 2 6 3 5 7 2 1 4

7 6 6 5 2 1 4H U7M 5 3 3 2 1 4 1 2 3 6 4 7 5

O CARTOON STEPH 12

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

2 5 3 4 7 6 7“O TEMPO 4 MEMORÁVEL” 2 5 EXPOSIÇÃO Museu de Macau | Até 25/02 7 3 1 6 2 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu 3 de6Arte de5Macau1| Até 4/034 5 2 7 3 1 1 4 2 7 6 4 1 6 5 3

6 1 5 2 4 3 7

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5 6 2 4 1 3 7

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6 2 4 1 5 7 3

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 12

3 5 7 2 4 6 1

1 4 6 3 7 2 5

2 7 5 6 3 1 4

UM FILME HOJE Cineteatro

C I N E M A

THE POST SALA 1

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

SALA 3

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D] Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B] Filme de: Steven Spielberg

Um casal regressa ao local na floresta onde deram o primeiro beijo, um sítio onde, aliás, regressam religiosamente todos os anos. Subitamente, após uma discussão, a mulher desaparece no meio do lago, aparecendo morta dias depois. Contudo, esta é uma morte envolta em mistério que deixa o marido angustiado quando a polícia resolve começar com as investigações, anos depois do sucedido. O final é surpreendente. Andreia Sofia Silva

EURO

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Johnson Lee 14.30, 19.30

www. hojemacau. com.mo

BAHT

4 3 1 7 2 5 6

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YUAN

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AS GRALHAS

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3 5 6

7

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PROBLEMA 13

A vida está cheia delas, não são só os jornais.Anossa existência é, em parte, a gestão de frustrações face às muitas imperfeições com que nos deparamos e que nos constituem. As nossas casas têm gralhas, algumas delas estruturais e de difícil correcção. O poder que nos governa compõe diariamente hinos às falhas e aos equívocos. O sistema bancário é uma armadilha de ilusão de estabilidade onde as gralhas não são um atributo, mas a natureza, a essência do próprio sistema. A felicidade também abre lugar à mácula, que entra sem pedir licença pelas frinchas da razão, da memória, da relativização, da consciência do sofrimento. O nosso corpo, que os religiosos gostam de enaltecer como perfeito por ser obra do tal criador, é uma colectânea de defeitos. A faringe é uma 14 armadilha sufocante ao acumular as funções de alameda para comida e ar em simultâneo. A única função do apêndice é infectar e manifestar-se em apendicite. A nossa coluna e bacia ainda não estão totalmente preparadas para a realidade de nos termos levado até à civilizada posição de bípedes. Enfim, somos um somatório consciente de gralhas, sem termos um corrector à mão. Nesse sentido, e como ser profundamente falível, peço desculpa pelas gralhas que nos escapam mas que também nos definem. De uma forma errónea é a forma mais pura de seguirmos a nossa natureza e o garante de pertença a um mundo de equívocos. João Luz

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NÃO DIGAS A NINGUÉM | GUILLAUME CANET | 2006

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FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C]

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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 21:30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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18 opinião

7.2.2018 quarta-feira

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

O HM ERROU Na notícia relativa ao acórdão sobre o pedido de providência cautelar entregue por Sulu Sou junto do Tribunal de Segunda Instância, o HM errou na tradução do termo “inadmissible” ao nível do seu contexto. Num comunicado de reacção ao acórdão, Sulu Sou escreveu, em inglês, “Appeal of the AL Deliberation Rejected by TSI as Inadmissible”. Na verdade, o deputado à Assembleia Legislativa suspenso temporariamente não se referiu à decisão do tribunal como inadmissível, querendo dizer, pelo contrário, que os juízes do TSI entenderam ser inadmissível interpor recurso à decisão, uma vez que a votação da AL que levou à suspensão do deputado foi considerado um acto político e, por essa razão, impossível de ser avaliada pelos tribunais. Aos leitores e aos visados, as nossas desculpas.

O HM ERROU OUTRA VEZ No artigo relativo aos casos de assédio sexual ocorridos em Macau, com o título “Cloee Chao denuncia casos nos casinos e assume-se vítima”, o HM errou no cargo da docente Melody Lu. Melody é professora do departamento de sociologia da Universidade de Macau e não do Instituto Politécnico de Macau, como foi escrito. Aos leitores e à visada, as nossas desculpas.

ZHANG XIAOGANG, BLOODLINE BIG FAMILY NO. 9, 1996

Filhos únicos

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OM a viragem para o ano do cão – feliz ano novo chinês vindouro! – penso sempre se este será um bom ano para ter filhos. Será que os recém-casados vão correr para procriar e trazer boa fortuna para a vida do seu rebento e entes queridos? Não sei. Infelizmente, sei pouco sobre o zodíaco chinês, e também sei pouco sobre nascimentos, mas digamos que um excerto semanal sobre a sexualidade sabe dizer uma, duas ou três coisas sobre a procriação. Dediquei-me, há uns dias atrás, ao tema do controlo à natalidade os incentivos e as proibições - e eis que não será certamente surpresa para ninguém que a política do filho único chinesa tenha sido das mais controversas e das mais invasivas às singularidades da vida privada. Argumentos prós e contra, há muitos. O meu foco não será tanto na argumentação da adequação do projecto de desenvolvimento económico e populacional. O que eu quero é reflectir acerca da dificuldade que é de implementar leis que lidam tão intimamente com a nossa intimidade, desculpar-me-ão a redundância. Se houve partes que correram mal nesta experiência de engenharia social foi porque haviam normas – tradições – que não estavam alinhadas com a proposta legal. No que toca à sexualidade, ao género e à família há valores e assumpções muito enraizadas nos seres e nas sociedades. A primazia do primogénito ou a valorização dos múltiplos filhos para ajudar a sustentar a família não mudou depois de 1979, quando, de repente a lei obrigava a ter um só filho. Tudo o que aconteceu para que as famílias pudessem ter o filho homem para continuar a linhagem familiar envolveu muitas decisões difíceis, e às vezes até crimes. Isto agora resulta numa discrepância brutal na quantidade de homens e mulheres na China continental,

estima-se que existirão entre 32 a 36 milhões de homens a mais. Ninguém sabe muito bem o que é que este desequilíbrio de género poderá trazer. Os historiadores dizem que tanto homem junto só poderá trazer violência, e perpetuam a ideia de que quando demasiada testosterona está junta só poderá ter consequências nefastas – uma espécie de explosão de masculinidade tóxica. Mas eu quero ser mais positiva do que isso. Vem aí o novo ano, e novos anos são de renovação – e de limpezas primaveris – e eu fantasiei que esta é uma oportunidade para re-invenção familiar. Há mais homens do que mulheres na China, e depois? Acho que isso só é problemático se insistirmos com a lógica heteronormativa (lembram-se deste conceito?) em que não há nada para além de uma constelação familiar que envolva um homem e uma mulher. A vida familiar e privada parece definir a constelação societal, e ao estudar a política do filho único ainda mais impressionada fiquei acerca de como a nossa intimidade exige que as sociedades se reinventem, para melhor ou para pior. Quando a lei dita tão claramente de que forma devemos viver a nossa sexualidade e quantos filhos devemos ter, assistimos à formas de transformação familiares que influenciam gerações. Se calhar, mais do que se preocuparem com a quantidade de homens na China, podemos preocuparmo-nos com os ‘pequenos imperadores’ e ‘imperatrizes’ que governam a vida das suas famílias com exigências ‘imperiais’ acrescidas. Será que a China comunista, de valores anti-feudais, está preparada para sustentar os caprichos de tantos que nunca tiveram um irmão com quem partilhar as suas coisas, as suas ideias e a atenção dos seus familiares? Não quero eu dizer que todos os filhos únicos sejam uns mimados! Nada disso. Mas a vida familiar não é de todo simples, e desde muito cedo que molda as nossas perspectivas e expectativas acerca do mundo. Curiosamente, apesar de ser um tema mais que debatido na esfera pública chinesa, nunca ninguém se debruçou acerca deste fenómeno. Quem são os filhos únicos, e como é que eles vão liderar a China para o sonho chinês?


ócios/negócios 19

quarta-feira 7.2.2018

CHE CHE CAFE GABRIEL YUNG, GESTOR

“Macau precisa destes sítios” O Che Che Cafe continua a reinventar-se com uma ementa nova e uma lista de sake e cervejas que desafiam os palatos mais tradicionais. Gabriel Yung é o gestor e o rosto do novo Che Che Cafe, uma pérola escondida bem no centro de Macau

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Á sítios que marcam as cidades, mesmo que passem ao lado dos tradicionais circuitos turísticos. O Che Che Cafe, na Rua Tomás Vieira perto do Hospital Kiang Wu é um desses locais que caracteriza uma cidade e lhe dá vida. Apesar de ter pouco mais de uma década de história inscrita nos anais da boémia local, é um lugar característico, autêntico, a milhas de distância dos espaços formatados por cadeias de franchising que tudo uniformizam. O que mantem espaços como o Che Che Cafe é precisamente a forma como a gestão local tem capacidade para moldar uma casa a seu gosto. Apesar de ser uma casa com alguma tradição, quando o anterior dono manifestou vontade de fechar o bar, Gabriel Yung não hesitou e revelou que queria “tomar conta do lugar e tentar o melhor possível para fazer o espaço funcionar”, conta. Estavam lançados os dados para o novo Che Che. Gabriel, Yung já era um cliente habitual, principalmente por gostar do ambiente do bar. “Não há em Macau muitos sítios deste tipo, onde uma pessoa se possa sentar, conversar e beber um copo

num ambiente que estimule a criatividade”, releva. Aliás, o Gabriel Yung acha que “Macau precisa deste tipo de sítios”. Na altura em que surgiu a possibilidade de tomar conta do espaço, Novembro de 2016, Gabriel Yung já estava preparado para o desafio porque vinha de um background apropriado, depois de ter estudado “fine dinning” Hoje em dia, o Che Che Cafe quer possibilitar aos seus clientes uma experiência de qualidade, quer na ementa de petiscos, quer nas bebidas. No capítulo etílico, a casa dá primazia à qualidade das cervejas artesanais e do novo sake. “Escolhemos destiladoras de sake no Japão que fazem uma bebida mais moderna, com algumas notas frutadas, mais completo e preenchido, com mais sabores como o que se verifica na indústria do vinho. Aliás, chamamos-lhe mais do que sake”, explica.

PRATOS DE REQUINTE

No que diz respeito à comida, as novas apostas do Che Che Cafe centram-se na fusão entre paladares chineses e ocidentais, com um toque requintado e contemporâneo.

“A comida é caseira, começámos por fazer uns pequenos snacks e pratos que misturam, por exemplo, a gastronomia italiana mas com ingredientes chineses”, revela Gabriel Yung. O gestor acrescenta ainda que “quando se come comida chinesa há uma ideia muito clara dos temperos e dos ingredientes, de sabores fortes como o gengibre ou o cebolinho”, sabores que transportou para pratos de outra latitude. O objectivo da nova filosofia do menu é dar mais possibilidades de escolha aos clientes que gostam de provar comidas e bebidas de outros países mas, sobretudo, agradar aos clientes que procuram qualidade. “A maioria das pessoas aceita

“Não há em Macau muitos sítios deste tipo, onde uma pessoa se pode sentar, conversar e beber um copo num ambiente que estimula a criatividade.”

R. de Tomas Vieira, 70 A Edificio Lai San

coisas novas, mas depende sempre muito de cada um, porque nada é feito de forma massificada, ou seguindo uma determinada tendência culinária”, explica o gestor. No Verão passado, um artigo do jornal britânico The Telegraph descrevia o Che Che Cafe como “um sítio confortável onde se pode apreciar uma bebida com Bjork ou Radiohead como banda sonora, longe do glamour dos casinos”. A clientela também mereceu os elogios do jornal, principalmente devido à sua diversidade “expats, locais, hipsters, velhos bêbedos e jovens que precisam mostrar identificação para provar que são maiores de idade”. Estes atributos valem ao bar uma clientela fiel. “Não somos um bar tradicional, tentamos sempre ter coisas novas para o cliente. No futuro espero que venham mais jovens ao Che Che, muitos deles vão para fora regularmente e experimentam coisas novas”. No fundo, o tipo de cliente da casa. Quem queira ir mais além de um copo e experimentar o menu do Che Che Cafe é melhor ligar a reservar mesa. João Luz (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo


O homem é uma corda sobre o abismo entre o animal e o super-homem.

Nietzsche

O amigo americano

FAO ALERTA “EPIDEMIA AVASSALADORA” DE OBESIDADE

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Erdogan acusa EUA de enviar armas desnecessárias

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Presidente da Turquia acusou ontem os Estados Unidos de intervirem na Síria para prejudicar os interesses da Turquia, Irão e “talvez Rússia” e voltou a criticar Washington pelo seu apoio às milícias curdas sírias que Ancara considera “terroristas”. “Por que motivo continuam os Estados Unidos a enviar armas para o norte da Síria depois da expulsão do Daesh [acrónimo árabe do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI)]? Por que motivo continuam ali? Por que motivo continuam a chegar armas? Fazeis cálculos contra a Turquia, Irão e talvez a Rússia”, afirmou o Presidente turco durante um encontro do seu partido em Ancara, segundo o canal televisivo CNNTürk. A Rússia, Turquia e Irão são garantes do cessar-fogo decretado na Síria há quase um ano e patrocinaram o designado processo de Astana, apesar de Moscovo e Teerão apoiarem o regime de Bashar al-Assad, enquanto a Turquia colabora com as milícias curdas que combatem as forças de Damasco. Erdogan voltou a pedir a retirada da milícia curda síria da região de Manbech, e voltou a criticar o envio de armamento pelos Estados Unidos a esta guerrilha, após ter sido declarada a derrota do EI. O chefe de Estado turco também criticou os EUA pela suposta promessa feita a Ancara de forçar a retirada das Unidades de Proteção do Povo (YPG, a milícia curda local) desse território, e onde per-

manecem forças militares norte-americanas, cuja presença no atual contexto também foi criticada. As milícias curdas laicas YPG foram o principal aliado dos Estados Unidos no combate às forças ‘jihadistas’ na Síria, mas Ancara rotula esta formação de “terroristas”, pelos estreitos vínculos que mantém com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda da Turquia. O Governo turco também receia que as YPG assumam o controlo efetivo da região entre Manbech e Afrine, separadas por apenas 80 quilómetros, para estabelecer uma faixa territorial sob domínio curdo ao longo da fronteira norte da Síria com a Turquia. Em 20 de janeiro a Turquia desencadeou a operação “Ramo de oliveira” contra as YPG no enclave de Afrine, um cantão isolado do restante território dominado por esta milícia, e onde os Estados Unidos não possuem presença militar. Omtem, milhares de manifestantes percorreram as ruas deste enclave em protesto contra a ofensiva turca, que entrou na terceira semana. As relações entre os Estados Unidos e a Turquia, que integram a NATO, deterioraram-se nos últimos 18 meses devido às divergências em torno do conflito na Síria e pela recusa de Washington em extraditar o clérigo islamita Fethullah Gülen, que Ancara acusa de ter organizado o fracassado golpe de Estado militar de julho de 2016.

Fome e fartura director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) defendeu ontem que a fome no mundo se restringe cada vez mais a zonas de conflito, mas advertiu que a obesidade é “uma epidemia avassaladora”. “Hoje estamos confiantes no progresso em reduzir o número de famintos, cada vez mais a fome se restringe a ambientes de conflito explícito, guerra civil, impactados pela mudança climática e alguns bolsões de pobreza extrema”, disse José Graziano da Silva, na abertura do seminário sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no âmbito da reunião de alto nível de três dias a decorrer em Lisboa. O director-geral da FAO alertou que, “paralelamente, uma epidemia fora de controlo, avassaladora, tanto em África como na Europa, ameaça-nos: a malnutrição, a obesidade, mais especificamente, em mulheres e crianças”. Na sua intervenção, José Graziano apontou algumas medidas essenciais para apoiar o sector da agricultura familiar, como a garantia do acesso dos agricultores aos recursos naturais e meios de produção, alertando que a ausência de “políticas específicas” impede um “re-

conhecimento explícito deste setor diferenciado”. O responsável do organismo da ONU deu o exemplo “de muito sucesso” no Brasil, já replicado em vários países africanos e da América Latina, que garante compras directas aos produtores familiares para os lanches escolares. Graziano alertou ainda para a necessidade de “fortalecer os instrumentos da protecção social”, face ao envelhecimento da população de agricultores familiares. “Os agricultores familiares são fundamentais para a coesão social, o desenvolvimento do interior, a luta contra a desertificação da população, a manutenção da paisagem e a preservação dos vários ecossistemas”, considerou o responsável da FAO.

China testou com sucesso sistema antimíssil

A agricultura familiar é “o maior empregador” na maioria dos Estados-membros da CPLP (entre 60 a 85% da população) e responsável pela produção de uma média dos 70% dos alimentos básicos, mas “a paradoxal verdade” é que os agricultores familiares “estão entre os mais pobres”, advertiu, por seu turno, a secretária-executiva da organização lusófona, Maria do Carmo Silveira. Além disso, em vários países, as mulheres são “a maioria da força de trabalho na agricultura”, mas enfrentam “desigualdades de género”, com restrição de acesso aos recursos naturais, disse. Construir uma CPLP “livre da fome” é “um dos maiores desígnios” da comunidade lusófona, sublinhou a secretária-executiva.

A China anunciou ontem que testou com sucesso um sistema de defesa antimíssil, numa altura de tensão na península coreana e em que Pequim adopta uma política mais assertiva no Mar do Sul da China. Em comunicado, o Ministério da Defesa chinês disse que o teste alcançou os seus objectivos, sem avançar com mais detalhes. Este sistema permite destruir um míssil balístico enquanto este voa no espaço e antes de reentrar na atmosfera. O ministério afirmou que o teste foi “defensivo e não se dirige contra nenhum país”.

PALAVRA DO DIA

quarta-feira 7.2.2018

HONG KONG TRÊS ALEGRES TIGRES

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RÊS membros do movimento pró-democracia evitaram a prisão após o tribunal superior em Hong Kong aceitar o seu recurso, num caso considerado como um teste sobre a independência da justiça em relação a Pequim. Os activistas Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow advertiram, no entanto, que ainda não é hora de celebrações, porque a liberdade de pensamento e de expressão ainda estão ameaçadas no território, que foi devolvido pelo Reino Unido à China em 1997. Joshua Wong, de 21 anos, que se tornou o rosto da “revolta dos guarda-chuvas” - que ocorreu no outono de 2014 -, e os seus companheiros foram condenados, em agosto, a penas de entre seis e oito meses de prisão. Essa condenação seguiu-se a um recurso do Ministério Público, que pedia sentenças mais pesadas do que as decididas em primeira instância - realização de serviço comunitário e penas suspensas. Os três foram libertados sob fiança algumas semanas depois, enquanto decorria a análise do seu recurso perante o Tribunal Supremo de Hong Kong, o mais alto tribunal de recurso. O juiz Geoffrey Ma referiu ontem que os três activistas receberam penas “significativamente mais pesadas” do que as sentenças geralmente impostas em casos de manifestações ilegais. Levando em consideração o idealismo dos réus, a sua juventude e o facto de o seu registo criminal estar limpo, o tribunal de primeira instância fez um julgamento adequado, declarou o juiz Ma. Os três activistas foram condenados pelo seu papel numa manifestação ocorrida em 26 de Setembro de 2014, quando manifestantes escalaram barreiras de metal e entraram na Praça Cívica, que está situada num complexo governamental. Na semana passada, 12 deputados dos Estados Unidos propuseram a nomeação dos líderes da ‘revolta dos guarda-chuvas’, Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow, como candidatos ao Prémio Nobel da Paz, a atribuir em Outubro. De acordo com uma carta enviada ao comité Nobel, os 12 republicanos e democratas acreditam que Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow, que lideraram o movimento, devem ser honrados “pelos seus esforços pacíficos para implementar reformas políticas e proteger a autodeterminação de Hong Kong”.

Hoje Macau 7 FEV 2018 #3989  

N.º 3989 de 7 de FEV de 2018

Hoje Macau 7 FEV 2018 #3989  

N.º 3989 de 7 de FEV de 2018

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