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GRANDE PRÉMIO

MUDA DE VIA PÁGINA 7

MOP$10

QUINTA-FEIRA 7 DE NOVEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº4407

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

FIC

LIVRO

ÚLTIMO BALANÇO

LIGADOS A MACAU

PÁGINA 8

GRANDE PLANO

OPINIÃO

ONDE O MAR SE ACABA OLAVO RASQUINHO

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hojemacau

Pessoal e transmissível A possibilidade de violação de dados pessoais e a fuga de informações está a preocupar os deputados que analisam a Lei da Governação Electrónica. O recente caso de ameaças ao advogado Jorge Menezes, após a digitalização do bilhete de identidade de um familiar, pode vir a ser abordado num pedido de esclarecimentos ao Governo sobre o tratamento de dados pessoais. PÁGINA 5


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7.11.2019 quinta-feira

COMUNIDADE PORTUGUESA EM MACAU

GERACOES LUSAS ´ E DESAFIOS NA GRANDE BAÍA

O

advogado Óscar Madureira, ex-residente de Macau e professor na UCP, é outro dos oradores da palestra de hoje, que visa mostrar ao público português mais sobre a RAEM. “Achamos que ainda existe pouca visibilidade”, disse o causídico ao HM, que vai falar sobre o sistema jurídico local. Sobre este tema, Óscar Madureira defendeu que existem alguns desafios no contexto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, mas não só. “Há alguns desafios que estão na calha, um deles é o da modernização do Direito que é transversal à maioria das jurisdições. Quanto a Macau no contexto da Grande Baía, temos de ver como é que, em termos jurídicos e políticos, o sistema jurídico de Macau se vai integrar. Há outros dois sistemas jurídicos que são muito díspares”, concluiu. A palestra de hoje conta também com a presença de Isabel Castro, ex-editora do HM e ex-directora do Ponto Final, Jorge Pereira, Sara Medina e Manuel Fontaine.

“Apesar de já se ter escrito muita coisa sobre Macau, não existe aquilo que é uma articulação da história da presença e da população portuguesa, com uma caracterização sociológica daquilo que são os portugueses, os macaenses e outras identidades portuguesas. Não havia um estudo que se articulasse com a história da presença portuguesa depois do handover”, começou por dizer Victor Teixeira. O livro traça, assim, um retrato de antigas gerações de emigrantes e dos jovens que decidem mudar-se, nos dias de hoje, de armas e bagagens para Macau. “Este trabalho resulta de um interesse manifestado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM), que deu o suporte à ideia quando estávamos em Macau. Há um enquadramento histórico dos portugueses que chegaram a Macau até à idade contemporânea, enquanto que eu procurei compreender os portugueses que chegaram há muito tempo em Macau e aqueles que, tendo a oportunidade de regressar a Portugal aquando do handover, resolveram ficar”, adiantou Susana Costa e Silva.

O CRESCIMENTO PROFISSIONAL

Tendo como base inúmeras entrevistas realizadas a portugueses que residem em Macau, Susana Costa e Silva identificou factores “ligados ao crescimento pessoal, mais ao nível micro, factores ligados ao crescimento profissional e um nível mais macro factores que se relacionam com interesse ou não pelo território. A facilidade dos portugueses de se ligarem ao Oriente, de aprenderem culturas diferentes”. A ida para Macau no contexto de crise económica que se viveu em Portugal foi uma das fases de emigração identificada pelos autores, protagonizada por profissionais qualificados que partiram em busca de novas oportunidades. Estes “procuraram num território longínquo do ponto de vista geográfico, mas que do ponto de vista cultural não é tão longínquo assim”. “Concluímos que há sempre um elo de ligação ao território, um familiar ou até algum conhecido, há uma rede que faz com que os factores de

atracção de Macau sejam mais significativos do que em relação a outras localizações”, frisou a autora. “São as motivações profissionais e não de ligação afectiva que atraíram esta nova leva de jovens para Macau”, disse ainda Susana Costa e Silva. O CLARIM

MIGRÁMOS para Macau, fizemos negócios, desistimos, regressámos, voltámos novamente. As gerações mais velhas ficaram para sempre, as mais novas buscam novas experiências profissionais e crescimento pessoal. A comunidade portuguesa em Macau tem sido constituída por diferentes cenários e motivações ao longo dos séculos, que são agora vistos à lupa num novo livro. O projecto académico “Portugueses em Macau”, da autoria de Susana Costa e Silva e Victor Teixeira, ex-residentes do território e professores da Universidade Católica Portuguesa (UCP), é hoje lançado no auditório Carvalho Guerra, na UCP do Porto. A apresentação insere-se numa palestra intitulada “Macau, 20 anos depois do handover”.  Apesar dos muitos estudos feitos sobre a comunidade portuguesa em Macau, os autores ressalvam o facto de esta obra procurar ser transversal às várias fases de emigração dos portugueses. 

TIAGO ALCÂNTARA

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NOVO LIVRO APRESENTADO HOJE EM PORTUGAL

Além disso, a ida para Macau representa uma oportunidade posterior de emigração para outros países. “O facto de terem estado em Macau faz com que haja outras oportunidades a Oriente que se afigurem atractivas, tal como a própria China ou Xangai. Isso

acontece sobretudo nas gerações mais novas. Entrevistámos várias pessoas que disseram que já não saem de Macau, e os que ficam em Macau para sempre tem mais de 55 anos. Os mais jovens não têm essa ligação a Macau tão enraizada e vão mais à aventura em busca

“Entrevistámos várias pessoas que disseram que já não saem de Macau, e os que ficam em Macau para sempre têm mais de 55 anos. Os mais jovens não têm essa ligação a Macau tão enraizada e vão mais à aventura em busca de oportunidades profissionais.” SUSANA COSTA E SILVA


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quinta-feira 7.11.2019

É hoje lançado, no auditório Carvalho Guerra da Universidade Católica Portuguesa do Porto, um novo livro sobre a comunidade portuguesa de Macau, que traça um quadro histórico das idas e vindas dos portugueses a Oriente e das suas motivações. “Portugueses em Macau” é uma obra da autoria de Susana Costa e Silva e Victor Teixeira e conta com o apoio do Instituto de Estudos Europeus de Macau sencialmente de negócios”, disse Victor Teixeira. Em 1884, com a chegada do Governador Ferreira do Amaral, o panorama altera-se. Aí criam-se os interesses próprios de Macau, que passa a ser uma ponte entre a China e o Império Ultramarino. “Os portugueses em Macau vão-se fixando, uns morrem lá, outros regressam, sentem a população do ponto de vista do negócio, de outras actividades relacionadas com a Índia e com o sudeste asiático”, aponta o académico.  Ferreira do Amaral é assassinado já no século XIX e, uma vez que os ingleses já se encontram em Hong Kong desde 1842, Macau “muda também e passa a ser uma cidade que acorda de uma letargia desse comércio com Goa”. “Vai conhecer uma nova reorganização do ponto de vista de inserção no Império, vai ter uma regularização em termos institucionais embora não seja factor de atracção como Hong Kong ou Pequim”, acrescentou Victor Teixeira.  Em 1966 dá-se o movimento “1,2,3” que marca “o começo do abandono do estatuto perpétuo da administração portuguesa em Macau”, seguindo-se, gradualmente, “o abandono de algumas franjas portuguesas e de macaenses até 1999”. 

E O FUTURO?

de oportunidades profissionais”, disse Susana Costa e Silva.

DIFÍCIL AVALIAÇÃO

Victor Teixeira fala de diversos comportamentos dentro de uma só comunidade. “Temos uma comunidade quase difícil de avaliar. Conhecemos algumas figuras dos restaurantes, jornalistas, advogados, mas existe uma massa grande de população que se casou e que vive na grande zona chinesa da cidade, que submergiu e que é muito difícil de apanhar. Existem muitos que não gostam de aparecer e há muitos que vão ficando na sua vida.” Actualmente “a comunidade é composta por portugueses temporários, não é uma comunidade

que vive a sua vida toda em Macau e o crescimento da comunidade depende de muitos factores económicos ou de novas fases”, adiantou o professor universitário, frisando que “nos últimos dois anos temos assistido ao regresso de muitos portugueses desta vaga após 2008 e de muitos dos que estavam em Macau antes de 1999”. Desta forma, “é muito vasto e instável do ponto de vista estatístico e numérico desenharmos uma tendência (de evolução da comunidade), porque é uma população oscilante, sobretudo do pós século XXI”. Contudo, nem sempre foi assim. Tempos houve em que os portugueses emigraram para Ma-

cau por questões de negócio do Império ou para cumprirem serviço público ou militar. O próprio posicionamento de Macau no Império português foi mudando. “Há vários exemplos, várias fases. Numa primeira fase é uma extensão daquilo que são

os negócios da Índia, Malaca e uma abertura do Japão até 1639. Existia o tráfego com o Japão e com o sudeste asiático, e Macau era uma terra de oportunidades, de aventureiros e mercadores, a parte informal do império formal. A população tinha o atractivo es-

O projecto académico “Portugueses em Macau”, da autoria de Susana Costa e Silva e Victor Teixeira, ex-residentes do território e professores da Universidade Católica Portuguesa (UCP), é hoje lançado no auditório Carvalho Guerra, na UCP do Porto. A apresentação insere-se numa palestra intitulada “Macau, 20 anos depois do handover”

Victor Teixeira não tem dúvidas de que, até 2049, haverá comunidade portuguesa em Macau, protegida legalmente e respeitada. “Pelo menos até 2049 está tudo enquadrado na Lei Básica. E é óbvio que é observado e cumprido pela China, de acordo com as palavras dos dirigentes e da comunidade portuguesa, da existência de uma simpatia e um desejo que os portugueses permaneçam em Macau. Não podemos escamotear isso, existe teórica e juridicamente esse respeito e vontade. Mas se me perguntar, na prática, penso que existe uma vontade da comunidade portuguesa e macaense de se manterem além de 2049”, concluiu Victor Teixeira. Andreia Sofia Silva

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7.11.2019 quinta-feira

ANÚNCIO Concurso Público n.º 25/DGF/2019 “Prestação de serviços de transporte de objectos removidos” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), tomada em sessão de 18 de Outubro de 2019, se acha aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de transporte de objectos removidos”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www. iam.gov.mo). Os concorrentes que pretendam fazer o descarregamento dos documentos acima referidos, assumem também a responsabilidade pela consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 do dia 18 de Novembro de 2019. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, sito no rés-do-chão do Edifício do IAM, e prestar uma caução provisória no valor de MOP 10.000,00 (dez mil patacas). A prestação da caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, r/c, Macau, por depósito em numerário, cheque ou garantia bancária em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM, sita na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edf. China Plaza, 6.º andar, Macau, pelas 10h00 do dia 19 de Novembro de 2019. Aos 21 de Outubro de 2019 O Administrador do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Mak Kim Meng www. iam.gov.mo

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quinta-feira 7.11.2019

O acesso de cidadãos a dados online disponibilizados pelo Governo poderá ser feito com recurso a dados biométricos, como reconhecimento facial ou impressões digitais. Os legisladores dizem estar preocupados com a protecção dos dados pessoais

DADOS PESSOAIS ADMITIDA ABORDAGEM A FUGA DE INFORMAÇÃO QUE FOCOU JORGE MENEZES

Ameaças da via digital

Mas podemos falar um bocadinho sobre o assunto com o Governo”, acrescentou. Em Outubro, Jorge Menezes denunciou ter sido alvo de uma ameaça através da digitalização do BIR de um familiar. Na carta em que relatou a denuncia às autoridades, o causídico afirmou que o BIR nunca tinha sido utilizado ou digitalizado.

COM PROTECÇÃO

A

protecção dos dados pessoais dos cidadãos e o caso da fuga de informação do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) de um familiar de Jorge Menezes – utilizada para ameaçar o advogado – vão ser alguns dos assuntos abordados pelos deputados da 2.ª Comissão Permanente na discussão da Lei da Governação Electrónica. A comissão presidida pelo deputado Chan Chak Mo esteve ontem reunida pela primeira vez para debater na especialidade esta lei e a principal preocupação dos deputados recaiu sobre a protecção dos dados pessoais. “A maior parte dos deputados está preocupada com a privacidade e a protecção dos dados pessoais”, afirmou Chan. “Acho que vão questionar o Governo sobre o tratamento dos dados pessoais”, acrescentou. Nas declarações iniciais, o presidente da comissão afirmou

Chan Chak Mo, deputado “Só podem ter acesso as pessoas qualificadas, ou seja as que precisam de lidar com os dados. Se uma pessoa não estiver qualificada não vai poder aceder”

não ter havido casos conhecidos publicamente de fugas de informação em relação a dados pessoais dos cidadãos. Porém, quando questionado sobre o caso que envolve o advogado Jorge Menezes, Chan admitiu estar mal informado face à

situação, mas colocou a hipótese de serem levantadas questões junto do Executivo. “Foi um caso pontual. Não tenho muita informação sobre o caso, nem sei se houve fuga de informação. Desconheço como tiveram acesso ao documento ou

GCS

CHEFE DO EXECUTIVO CHUI SAI ON PROMETE TRANSMITIR DIRECTRIZES A HO IAT SENG

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Chefe do Executivo garantiu ontem que “o Executivo da RAEM está a acompanhar os trabalhos preparatórios relativos à mudança de Governo, e prometeu comunicar e transmitir da melhor forma as directrizes destas reuniões, como continuar a impulsionar os vários trabalhos em andamento, com o objectivo de se concretizar a Grande Baía.”

O compromisso assumido por Chui Sai On, citado num comunicado do seu gabinete, foi feito na reunião plenária do Grupo de Líderes para Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, em Pequim. A reunião foi presidida pelo vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado, Han Zheng. O comunicado do gabinete de Chui Sai On destaca ainda as medidas levados a cabo pelo Governo Central no âmbito projecto regional. Nomeadamente, medidas que promovem “a participação dos residentes de Macau no desenvolvimento das cidades da Grande Baía, em vários sectores, especialmente no regime fiscal, no apoio aos jovens empreendedores, no desenvolvimento de inovação, ciência e tecnologia, no reforço da facilitação ao fluxo de pessoas e logístico”.

como acederem à senha de acesso online...”, indicou. “Acho que os deputados vão questionar o Governo sobre o tratamento dados pessoais. Claro que podem abordar essa questão um bocadinho. Se calhar o sistema dele não era seguro.

Ainda em relação ao acesso à informação online, o Executivo vai definir as diferentes formas de autenticação dos cidadãos. Em cima da mesa está a possibilidade de o acesso ser feito através dos dados biométricos dos envolvidos, além das tradicionais passwords, com recurso ao reconhecimento facial ou a impressões digitais. Este tipo de informação poderá ser trocado entre os diferentes departamentos governamentais, mas Chan Chak Mo sublinhou que será de acordo com a lei que regula a protecção dos dados pessoais. “Só podem ter acesso as pessoas qualificadas, ou seja as que precisam de lidar com os dados. Se uma pessoa não estiver qualificada não vai poder aceder”, apontou. Como forma de segurança, o deputado defendeu ainda que os programas em vigor permitem registar as diferentes pessoas que visualizam os dados e que esse mecanismo também é uma forma de proteger os dados. João Santos Filipe

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HABITAÇÃO ECONÓMICA LEONG SUN IOK QUER FOGOS EM TERRENOS RECUPERADOS

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deputado Leong Sun Iok pegou no relatório que mediu a necessidade de habitação pública, elaborado pelo Governo em 2017, para sugerir a construção de fogos destinados a habitação económica em terrenos recuperados a concessionários. Em declarações ao jornal Ou Mun, o legislador recordou que o estudo revelou a carência de 19.585 apartamentos para o ano de 2021. Um número que Leong considera não representar a nova realidade, desde que se abriu o apoio social à habitação à

classe média com os ajustes aos limites dos rendimentos para candidatura. O deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau entende que ao mesmo tempo que o alargamento dos requisitos beneficia a classe média, prejudica as famílias com problemas financeiros, ainda mais se estes agregados familiares tiverem muitos membros. A justificação dada por Leong Sun Iok prende-se com a falta de correspondência entre os aumentos dos limites de rendimentos para

a candidatura e os aumentos salariais. Recorde-se que foram divulgados na terça-feira os limites mínimos e máximos de rendimento mensal e o limite máximo de património líquido dos candidatos a compra de fracções de habitação económica. Os limites mínimos passaram de 8490 patacas para 11640 patacas, e os máximos ficam 38910 patacas depois de um aumento de 7160 patacas. A última vez que o Governo mexeu nestes limites foi em Maio de 2014. I.N.N.


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7.11.2019 quInta-feira

MUST FUNDO FINANCIOU PROJECTOS COM 340 MILHÕES DE PATACAS

apenas 11 projectos”, mas há a possibilidade de cada vez mais startups de Macau poderem viajar para Lisboa nos próximos anos. “Este é um passo muito importante e penso que no próximo ano será diferente”, acrescentou.

ESTREIAS E NÃO SÓ

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Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau financiou 260 projectos de investigação científica com 340 milhões de patacas entre Janeiro e Outubro. Os números foram apresentados ontem com o relatório das actividades do Fundo presidido por Frederico Ma, numa conferência de imprensa que teve lugar na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês). A principal novidade entre o ano passado e o actual foi o aumento do orçamento, que mais do que duplicou, ao passar de 247 milhões de patacas, em 2018, para 535 milhões no corrente ano. Em relação à taxa de aprovação dos projectos científicos este ano, a taxa de aprovação foi de 43 por cento, uma vez que houve 604 pedidos de financiamento que resultaram em 260 projectos apoiados. No evento de ontem estiveram igualmente presente alguns dos autores dos projectos apoiados, entre eles Lok Ka In, investigador ligado ao Instituto de Enfermagem do Kiang Wu, que foca a eficácia das aplicações para dispositivos móveis na gestão, ao nível dos valores do sangue, na doença Diabetes de Tipo 2. De acordo com Lok, a aplicação permite gravar a informação sobre a glicose, pressão arterial e comunicação em tempo real com a equipa de médicos que acompanha o doente. “Asituação de download doApps ainda não é ideal, mas existe a possibilidade de trazer verdadeiros benefícios médicos para o território. Muitas vezes os doentes crónicos têm muita falta de disciplina no controlo da doença, mas assim é possível mudar essa hábito e controlar os diabetes de forma mais eficaz”, afirmou Lok sobre as vantagens do projecto. O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia aposta também num aumento da cooperação com o exterior e lançou, em conjunto com o Departamento de Ciência e Tecnologia da Província de Cantão, um apoio para projectos das área que chega aos 20 milhões de patacas. J.N.C.

STARTUPS MACAU COM REPRESENTAÇÃO INÉDITA NA WEBSUMMIT

O primeiro centro

A Direcção dos Serviços de Economia de Macau levou à WebSummit um total de 11 projectos desenvolvidos por startups locais, duas associações e quatro professores universitários. É a primeira vez que a RAEM tem um lugar próprio na maior cimeira de tecnologia do mundo

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HEGA hoje ao fim mais uma edição da WebSummit, que decorre em Lisboa, mas este ano a maior cimeira de tecnologia do mundo conta com uma novidade, uma vez que as startups de Macau fazem-se representar, pela primeira vez, num espaço próprio. A Direcção dos Serviços de Economia (DSE), em parceria com a Fábrica de Startups, em Portugal, levou um total de 11 projectos ao Centro de Incubadoras de Macau presente no Parque das Nações, onde decorre o evento. Edgar Cheong, responsável pelo Centro, disse ao HM que a

ideia é expandir cada vez mais a presença das empresas de Macau no evento de tecnologia que reúne as startups mais inovadoras do momento. “Queremos, em primeiro lugar, que os membros do nosso Centro mostrem os seus projectos

na WebSummit e também dizer às pessoas que Macau funciona como uma plataforma”, adiantou. A lista de interessados para participar na WebSummit era grande, frisou Edgar Cheong. “Por limitações de espaço trouxemos

“Está a ser dado um passo firme. Este Centro de Incubadoras foi lançado há dois anos e o Governo tem esta área como uma das prioridades. Não é de um ano para o outro mas acredito que esta (presença de Macau) se vai intensificar ao longo dos anos.” MARCO RIZZOLIO FUNDADOR DA STARTUP FOLLOW ME MACAU

SEAC PAI VAN PREOCUPAÇÕES COM INAUGURAÇÃO DE CENTRO DE SAÚDE

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ONG Lai I, membro do Conselho Consultivo de Serviço Comunitário das Ilhas, disse estar preocupada com a data de inauguração do novo centro de saúde do complexo habitacional de Seac Pai Van. De acordo com o jornal Cheng Pou, na reunião plenária deste Conselho Consultivo, realizada esta terça-feira, foi levantada a questão de o espaço destinado ao centro de saúde estar ainda com muitos materiais de construção

no seu interior, não existindo nenhum andamento das obras. A data de inauguração do centro de saúde foi já adiada por duas vezes, estando prevista agora para depois de 2020. Em declarações ao jornal Ou Mun, Liu Fengming, coordenadora-adjunta do Conselho Consultivo, adiantou que os representantes dos Serviços de Saúde explicaram que dois andares do espaço destinado ao centro de saúde serão utilizados

pelo Instituto de Acção Social para ali abrir um novo lar de idosos e um centro de reabilitação para doentes mentais. Desta forma, o centro de saúde de Seac Pai Van vai funcionar em apenas dois pisos do Complexo Comunitário de Seac Pai Van ao invés dos quatro inicialmente previstos. Liu Fengming disse que a alteração do projecto está a ser analisada pela Direcção dos Serviços de Solo, Obras Públicas e Transportes.

Marco Rizzolio, fundador da startup Follow Me Macau, é um dos rostos que este ano integra o Centro de Incubadoras de Macau. Há dois anos fundou a empresa que mostra tudo o que se pode fazer no território fora dos casinos, e, desde a sua fundação, já foram vendidas 2300 experiências. A Follow Me Macau trabalha sobretudo com empresas do ramo de exposições e convenções que, aquando da sua passagem pelo território, procuram proporcionar aos seus funcionários um dia de entretenimento, organizado pela startup. O responsável adiantou ao HM que esta presença na WebSummit é muito importante para Macau e para o seu sector empresarial. “Está a ser dado um passo firme. Este Centro de Incubadoras foi lançado há dois anos e o Governo tem esta área como uma das prioridades. Não é de um ano para o outro mas acredito que esta (presença de Macau) se vai intensificar ao longo dos anos.” Para Jonathan Lok, fundador da DianDian Macau, a presença na WebSummit é uma estreia. “Está a ser uma experiência muito interessante e espero que possamos ligar-nos a outras pessoas e empresas para vivenciar mais este ecossistema de negócios e levar estas experiências para Macau. Também queremos ver se temos oportunidades em Portugal como porta de entrada para a Europa”, adiantou.  A DianDian Macau dedica-se à criação de um software ligado ao sistema de gestão de clientes para Pequenas e Médias Empresas, para que, através da aplicação, tudo seja feito de forma digital, com menor recurso ao papel. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Xinhua Associação de jornalistas condenou ataque à Agência

O presidente da Associação dos Trabalhadores da Comunicação Social de Macau, Lok Po, condenou veemente o ataque dos manifestantes de Hong Kong ao edifício da agência Xinhua, que ocorreu no passado sábado. As declarações proferidas na terça-feira pelo dirigente associativo, e citadas pelo jornal do Cidadão, vão de encontro à declaração divulgada pela All-China Journalists Association que manifestou apoio aos órgãos patrióticos de comunicação social de Hong Kong.


sociedade 7

quinta-feira 7.11.2019

Drones Proibidos de voar durante o GP

O Governo da RAEM emitiu um comunicado onde proíbe todas as actividades de voo com aeronaves não tripuladas durante a 66.ª Edição do Grande Prémio de Macau, que decorre entre os dias 14 e 17 de Novembro de 2019. Com o objectivo de “salvaguardar a segurança do circuito e a boa ordem no decurso do Grande Prémio de Macau”, a Autoridade de Aviação Civil (AACM) vai implementar a proibição de voos com drones na península de Macau durante os quatro dias de competição. Os infractores podem ser punidos com uma multa de 2.000 a 20.000 patacas. “Excepto actividades oficiais expressamente autorizadas pela Autoridade de Aviação Civil, ninguém pode voar aeronaves não tripuladas durante as datas e no local acima mencionados”. O Regulamento de Navegação Aérea de Macau, entrou em vigor a 20 de Setembro de 2016.

TRÂNSITO OPERAÇÃO DO GRANDE PRÉMIO ENVOLVE 700 EFECTIVOS

Muda de rumo

O evento que decorre entre 14 e 17 de Novembro vai afectar a circulação do trânsito e alterar o percurso normal de mais de 40 autocarros. A organização apela aos residentes para que nesses dias reservem mais tempo para as deslocações e optem por andar a pé

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organizaç ão do Grande Prémio de Macau vai envolver um contingente com cerca de 700 pessoas, entre agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Corpo de Bombeiros e agentes da Polícia Judiciária. Os números envolvidos foram revelados ontem por Lao Sio Hap, subintendente do CPSP, na conferência de imprensa sobre as alterações do trânsito para os dias 14 e 17 de Novembro, da próxima semana. Os agentes do CPSP vão ser destacados principalmente para os cruzamentos e pontos em que há mais pressão sobre o trânsito devido ao corte de várias vias para a realização das corridas. “Vamos assegurar o funcionamento das vias durante a realização das provas. Mas estamos à espera que o trânsito seja mais afectado nas zonas Norte e Centro da cidade, porque vai haver nessas

áreas uma maior concentração de circulação de veículos”, afirmou Lao Sio Hap. O representante da CPSP revelou igualmente que no ano anterior não foram multados condutores por infracções relacionadas com as modificações de trânsito, como o estacionamento ou a paragem em áreas proibidas. “Houve um grande apoio da população ao evento e durante as provas não houve multas relacionadas com infracções devido aos arranjos do trânsito. As pessoas estavam bem informadas e esperamos que o apoio da população volte a estar presente na edição deste ano”, disse o subintendente. Este aspecto, explicou ainda Lao, não impediu que fossem detectadas infracções em outros pontos da cidade durante o evento.

ARTÉRIAS CORTADAS

Nos quatro dias de provas 46 autocarros que vão ser afectados, com

mudanças nos respectivos percursos. No caso do autocarro H2, que circula entre a Habitação do Fai Chi Kei e Hospital Conde São Januário, o serviço vai mesmo ser suspenso. No sentido oposto, são criados os percursos especiais 12T, entre o Terminal Marítimo do Porto Exterior e a Praça Ferreira Amaral, e 31T, entre o Terminal Marítimo do Porto

“Vamos assegurar o funcionamento das vias durante a realização das provas. Mas estamos à espera que o trânsito seja mais afectado nas zonas Norte e Centro da cidade.” LAO SIO HAP CPSP

Exterior e a Paragem Provisória do Fórum Macau. As viagens nestes autocarros são gratuitas. Ao mesmo tempo, vai ser criada junto ao casino Jai Alai uma zona de paragens para os autocarros de transporte de turistas para os casinos. Devido a fazerem parte do circuito, as artérias Avenida de Amizade, Avenida Venceslau Morais, Ramal dos Mouros e Rua dos Pescadores serão cortadas ao trânsito, o que vai fazer com que a Rua Cidade de Sintra, junto ao Hotel Starworld, tenha trânsito nos dois sentidos, quando normalmente apenas se circula de Este para Oeste. Também a zona circundante do Jardim da Montanha Russa vai sofrer alterações no sentido do trânsito. Em várias artérias da cidade vai ainda haver supressão de lugares de estacionamento para permitir a circulação de mais viaturas. Este ano a organização instalou 151 portões nas barreiras de metal e espera-se que o circuito possa abrir todos os dias ao trânsito entre as 17h30 e as 18h00, de acordo com o programa das provas. Estas alterações levaram também o Coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Pun Weng Kun, a apelar à compressão dos cidadãos: “Os cidadãos estão habituados a esta situação, até porque esta já é a 66.ª edição. Porém, apelo a que se desloquem a pé nesses dias e que utilizem mais os autocarros públicos”, sublinhou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Alimentação Apreendidas 23 toneladas de comida desde 2013

Desde que a lei da segurança alimentar entrou em vigor, em 2013, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apreendeu mais de 23 toneladas de alimentos não inspeccionados. Isto segundo Lei Wai Nong, vice-presidente do (IAM), em declarações ao Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. As 23 toneladas apreendidas foram o resultado de mais de 60 mil inspecções a 6.500 estabelecimentos de restauração. O IAM investigou ainda 130 casos suspeitos de intoxicação alimentar. A quantidade de alimentos não inspeccionados detectados pelo IAM está a descer. Entre Janeiro e Setembro deste ano foram apanhados 1.238 quilos, um número que contrasta com as 7,7 toneladas referentes a 2016 e 2,1 toneladas em 2018. Por outro lado, o vice-presidente do IAM revelou que as infracções à lei da segurança alimentar estão em queda. Entre Janeiro e Setembro deste ano, registaram-se 48 irregularidades, em 2015 as infracções foram 84 e em 2018 registaram-se 66 casos.


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7.11.2019 quinta-feira

FIC PRESIDENTE DE SAÍDA ANUNCIA FINANCIAMENTOS DE 502 MILHÕES EM 6 ANOS

Estudo Alunos dizem ter boa relação com os pais, mas falta-lhes afecto

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M estudo desenvolvido pela Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau e pela Associação de Pesquisa Sobre Juventude de Macau conclui que 65 por cento dos estudantes do ensino secundário, de um total de 899 inquiridos, diz ter uma boa relação com os pais. Em média, estes estudantes dizem conversar diariamente com os pais durante uma hora, falando essencialmente do aproveitamento escolar. O inquérito revelou ainda, por outro lado, que mais de 50 por cento dos entrevistados consideram que os seus pais não confiam muito neles nem estão satisfeitos, com 60 por cento dos estudantes a afirmar ter recebido poucos afectos dos pais ou orientação por parte dos seus pais. Neste sentido, as duas associações sugerem que os pais mudem a sua forma tradicional de agir com os filhos, baseada numa relação de poder, aumentando as actividades interactivas com os mais pequenos, respeitando as suas vontades e descobrindo as suas qualidades. Além disso, foi também sugerido ao Governo que se crie uma escola para que os pais possam receber orientações para educar os seus filhos, noticiou o canal chinês da Rádio Macau.

Balanço de despedida

Em dia de dizer adeus, Leong Heng Teng anunciou que o Fundo das Indústrias Culturais de Macau (FIC) financiou, desde a sua criação em 2013, um total de 256 projectos e procura agora “apoiar cada vez mais os jovens”

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S contas estão feitas no dia da saída de Leong Heng Teng. O Presidente do Conselho de Administração do Fundo das Indústrias Culturais de Macau (FIC) abandona o cargo que ocupa desde a sua criação em 2013, e mostra-se satisfeito com o trabalho realizado e o caminho percorrido pelo FIC nos últimos 6 anos. “A decisão de sair nesta altura foi tomada há dois anos e seis anos não são um período curto. Faço parte desta área há muito tempo e, na verdade, o Fundo já promoveu muitas iniciativas que me deixam muito feliz”, sublinhou Leong Heng Teng na Apresentação de Trabalhos de 6 anos do FIC. A reforçar a produção do Fundo, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, elogiou também Leong Heng Teng pela “liderança e excelente desempenho no exercício

das suas funções públicas”, num louvor publicado via Boletim oficial. “A lealdade, espírito empreendedor, grande dedicação, a busca constante por inovação e determinação com que Leong Heng Teng enfrentou os desafios, granjearam-lhe respeito e muitos elogios

Desde que foi criado em 2013 até Outubro deste ano, o FIC recebeu um total de 926 candidaturas, sendo que destas acabaram financiados 256 projectos, com o valor total concedido a ser de 502 milhões de patacas

entre colegas e no sector das indústrias criativas e culturais”, pode ler-se. No imediato, a presidência do FIC, ficará temporariamente a cargo de Davina Chu, membro do Conselho de Administração do fundo cultural, que marcou também presença na sessão de apresentação de resultados. Quando questionada sobre se a nomeação do sucessor de Leong Heng Teng não deveria ser divulgada nos próximos dias, Davina Chu remeteu todas as responsabilidades para o governo. “O mandato do nosso Presidente termina hoje. A nomeação é com o Governo e eu fico até nova nomeação”, vincou Davina Chu.

MARCA NA CULTURA

Desde que foi criado em 2013 até Outubro deste ano, o FIC recebeu um total de 926 candidaturas, sendo que destas acabaram financiados 256 projectos, com o valor total concedido a ser de 502 milhões de patacas. Segundo os

relatórios de fiscalização de 136 projectos recebidos, o investimento total das iniciativas implementadas foi de 650 milhões de patacas, o que permitiu criar, segundo o FIC, 1.687 postos de emprego. O financiamento concentrou-se sobretudo em áreas como o Design, media digital, moda, cinema, televisão, animação, software e jogos. Focado na importância do fomento da participação dos mais jovens no sector cultural, além das candidaturas regulares, o FIC lançou também 11 programas específicos, que procuraram colocar o intercâmbio e o apoio à massa mais jovem

do sector da cultura, no centro da equação. De entre os programas referidos foram especificados o “crescimento das empresas”, “criatividade cultural nos bairros comunitários”, “turismo cultural”, “plataformas de serviços”, “exposições e espectáculos culturais” e ainda “promoção de marcas”. “É preciso colocar as pessoas a falar”, apontou Davina Chu. “A indústria cultural é uma área muito difícil, com rendimentos geralmente baixos e por isso as empresas, sobretudo as mais jovens, têm de conseguir procurar mais investimentos”, acrescentou. Exemplo disso mesmo, o programa dedicado à “criatividade cultural nos bairros comunitários” tem como função unir empresas criativas a lojas ou estabelecimentos específicos para as ajudar a desenvolver a sua marca e com isso atrair mais consumidores e aumentar o fluxo de pessoas num determinado bairro. Em relação a 2019, o FIC recebeu um total de 306 candidaturas. Após a avaliação, foram aprovados 82 projectos, com o apoio financeiro concedido no valor total de 147 milhões de patacas, dos quais, 78 milhões foram para subsídios a fundo perdido e 69 milhões para empréstimos sem juros.

WANG SAI MAN A BORDO

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e por um lado Leong Heng Teng está de saída, Wang Sai Man foi nomeado novo membro do Conselho de Curadores Fundo das Indústrias Culturais de Macau. Recorde-se que Wang Sai Man é vice-presidente da Associação Industrial de Macau e é também o candidato único à eleição suplementar para a Assembleia Legislativa marcada para o próximo dia 24 de Novembro, preparando-se para ocupar o lugar de deputado deixado por Ho Iat Seng.


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mercado de massas tem cada vez mais peso nas receitas dos casinos de Macau. Uma tendência que os analistas da Sanford C. Bernstein estimam que continue a acentuar-se nos próximos anos. Do outro lado do espectro, o segmento VIP tende a diminuir. Até 2022, a equipa de análise de mercado da Bernstein, citada pelo portal GGRAsia, prevê que as receitas anuais apuradas pelo segmento VIP baixem até 34 por cento, incluindo também os negócios não-jogo. Um fenómeno que se sentiu recentemente, depois de no terceiro trimestre as receitas das mesas de bacará VIP terem caído 22,5 por cento, em relação ao período homólogo de 2018, de acordo com dados da Direcção de Inspecção de Coordenação de Jogos (DICJ). A proporção das receitas apuradas pelo bacará VIP em relação ao bolo inteiro de receitas de jogo também está em queda, aliás do terceiro para o segundo trimestre caiu de 47,2 para 43,9 por cento.

Mão na massa

Analistas estimam que segmento VIP desça para um terço até 2022

Num relatório divulgado ontem, os analistas da Bernstein escrevem que “a percentagem das receitas VIP tem caído consideravelmente na última década”. “Em 2011, o segmento VIP

equivalia aproximadamente a 70 por cento das receitas brutas (incluindo negócios não-jogo). Em 2018, esse número desceu para 41 por cento. Estimamos que até 2022 caia para cerca de 34

por cento das receitas dos casinos de Macau”.

MERCADO SÓLIDO

Por outro lado, a análise projecta que o sector do jogo continue a ser conduzido pelo

crescimento a longo-prazo do mercado de massas, apesar dos desafios trazidos pelo arrefecimento da economia chinesa e dos efeitos colaterais da guerra comercial. A melhoria nas áreas dos transportes e infra-estruturas são elencadas como importantes elementos para o crescimento do consumo “premium” chinês, ou seja, o sustento do crescimento a longo-prazo do mercado de massas. Os dados da DICJ dão corpo à boa performance das receitas dos jogos de massa, que cresceram 17,7 por cento no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. A nota dos analistas da Sanford Bernstein destaca ainda a estabilidade do segmento de massas. “Historicamente, o mercado VIP tem mostrado muito mais volatilidade do que o de massas. Daqui para a frente, com o expectável crescimento estrutural do jogo de massas e a redução do contributo VIP, esperamos que a indústria se torne menos volátil”, lê no comunicado. João Luz

info@hojemacau.com.mo

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Aviso Avisam-se todos os interessados que estão abertos os concursos de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 45, II Série, de 6 de Novembro de 2019, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 26 de Novembro de 2019: Carreira de docente do ensino secundário de nível 1, 1.º escalão: - Área disciplinar: língua portuguesa - três lugares (Número de referência: DS06/2019*) - Área disciplinar: educação física - um lugar (Número de referência: DS07/2019*) - Área do ensino especial - um lugar (Número de referência: DS08/2019**) - Área do ensino especial - um lugar (Número de referência: DS09/2019*) - Área disciplinar: geografia - um lugar (Número de referência: DS10/2019*) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (primário), 1.º escalão: - Área de língua portuguesa - nove lugares (Número de referência: DP11/2019*) - Área de música - um lugar (Número de referência: DP12/2019*) - Área do ensino especial - um lugar (Número de referência: DP13/2019*) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (infantil), 1.º escalão : - Área de língua portuguesa - seis lugares (Número de referência: DI02/2019*) *Em língua veicular portuguesa. **Exercer funções na subunidade administrativa. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, aos 30 de Outubro de 2019. O Director, Lou Pak Sang

DICJ Paulo Martins Chan fica mais um ano como director

Paulo Martins Chan vai continuar à frente da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), pelo menos, até ao dia 1 de Dezembro de 2020. A comissão de serviços do director da entidade que regula o jogo no território foi renovada por um ano, de acordo com despacho assinado pelo Chefe do Executivo e publicado ontem em Boletim Oficial. A cumprir a comissão de serviços agora renovada, Martins Chan fará cinco anos à frente da DICJ, depois de ter assumido a liderança da entidade em Dezembro de 2015.


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7.11.2019 quinta-feira

A Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau promove, na zona das Casas-Museu da Taipa, uma mostra de arte exclusivamente feita no feminino. A exposição, intitulada “Exposição de Arte da Nova Mulher Contemporânea” está patente até ao dia 16 deste mês e revela obras de mulheres naturais de Macau ou que viveram no território, com uma grande aposta na diversidade PALESTRA “ARTE E MOVIMENTO NA ESCOLA”

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ECORRE hoje na Fundação Rui Cunha, por volta das 18h30, a palestra e mesa redonda intitulada “Arte e Movimento na Escola”, que visa reflectir sobre o papel do movimento criativo e artístico na Educação. O evento está inserido na programação da Plataforma UNITYGATE 2019, contando com a participação de José Manuel Simões, professor da Universidade de São José, a bailarina Sandra Battaglia e Ana Cristina Paulo, professora de educação física numa escola luso-chinesa do território. De acordo com uma nota oficial, o objectivo desta mesa redonda é “criar um espaço informal de apresentações e debate sobre o assunto, aproximando pessoas, artes, partilhando saberes, experiências e exemplos sobre um assunto da maior importância na educação da pessoa e das sociedades”. A entrada é livre.  A plataforma UNITYGATE foi criada por Sandra Battaglia, bailarina, coreógrafa, investigadora, professora. Sandra é formada na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Em 2011, foi convidada pelo Instituto Cultural de Macau para ser directora artística de vários projectos locais com várias participações em Festivais em Macau, Hong Kong, Taiwan e Miami.

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A mulher co EXPOSIÇÃO ARTE FEMININA EM DESTAQUE NAS CASAS-MUSEU DA TAIPA

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Instituto Cultural (IC), a Fundação Macau e a Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau promovem, até ao dia 16 de Novembro, a “Exposição de Arte da Nova Mulher Contemporânea”, que revela o trabalho de seis mulheres artistas com ligações ao território. De acordo com uma nota de imprensa, a ideia é mostrar o trabalho de artistas que viveram ou vivem em Macau, como Yang Sio Maan, Angel Chan, Luna Cheong, MJ Lee, Ana Jacinto Nunes e Tchusca Songo. Estas “criam peças de

centésimo aniversário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen foi ontem celebrado em todo o país com iniciativas diversas que passaram por concertos, declamação de textos da autora, exposições e espetáculos teatrais. Em Lisboa, o Teatro Nacional de São Carlos foi palco de uma récita, em versão de concerto, da ópera “Orfeo ed Euridice”, de Christoph W. Gluck, que contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. A Associação Católica do Porto promoveu o encontro “À conversa com...” o professor universitário Manuel Correia Fernandes sobre “O Cavaleiro da Dinamarca”.

arte com diferentes perpectivas da mulher”, sendo que “as obras foram criadas de diversas formas e são apresentadas no sentido contemporâneo de liberdade, singularidade e inovação”. Citada pelo mesmo comunicado, Kathine Cheong, curadora e directora artística da exposição, disse esperar que “o público possa prestar mais atenção às similaridades dos géneros dos seres humanos através do tema da exposição deste ano”.  Neste sentido, a temática da mostra é “WM”, “Woman” (Mulher em inglês), mas também representa Macau, adiantou Kathine Cheong.

Celebrar Sophia

Poetisa homenageada em Portugal com actividades culturais

Foi também apresentado o espectáculo “A Menina do Mar”, organizado pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, com textos de Sophia de Mello Breyner, música de Edward Ayres d’Abreu e encenação de Ricardo Neves-Neves. Um outro espectáculo teve lugar em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente: intitulado “DeclAMAR Poesia”, uma iniciativa dinamizada por um colectivo de cinco leitores de poesia (Catarina

Matos, Lurdes Telmo, Olga Coval, Rui Amado e Vanda Ecm). Em Grândola, o Cineteatro Gondolense exibiu o documentário de Pedro Clérigo “O Nome das Coisas – Sophia de Mello Breyner Andresen” e a curta-metragem de João César Monteiro, “Sophia de Mello Breyner Andresen”. O evento “Aniversário de Sophia” assinala, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, a data de nascimento da poetisa, com a partilha de textos e poemas de sua

autoria. No mesmo local, houve ainda espaço para a apresentação do conto musical “O rapaz de Bronze” – Histórias da Vida em Dó maior”, dirigida ao público escolar. Mais a sul, Loulé o aniversário da escritora foi assinalado com um recital de poesia, por Pedro Lamares, na biblioteca municipal.

OUTRAS SESSÕES

AAlagamares - Associação Cultural, em parceria com o Chão de Oliva, em Sintra, realizou uma sessão literária, com a participação do ensaísta, escritor e crítico literário Miguel Real e da escritora e jornalista, biógrafa de Sophia, Isabel Nery. Durante esta sessão foram ainda lidos textos e poemas da autora de “A Menina do Mar”, pela actriz Regina Gaspar, numa colaboração com a Musgo-Produção Cultural. Viana do Castelo abriu portas às celebrações do centenário com a iniciativa “Poesia a Copo”, onde a comunidade foi convidada a escutar ou ler um poema, na biblioteca municipal. Em Ponta Delgada, na ilha açoriana de São Miguel, a Direção Regional da Cultura, através Biblioteca Pública e Arquivo Regional, inaugurou uma exposição documental dedicada à poetisa, na qual divulgou, através de poemas manuscritos pertencentes ao seu arquivo, o vasto universo de Sophia.


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ontemporânea Para a responsável, o território é “uma terra abençoada que combina as culturas chinesa e ocidental e que também cultiva artistas locais e multiculturais”. “Esperamos poder expressar o lado único dos sentimentos humanos e contar a história e cultura de Macau através de cada obra artística nesta exposição”, acrescentou.  “WM” significa ainda “WE (WO MEN)” em mandarim. “Dentro dos constrangimentos do sistema social e das influências culturais, a maior parte exalta determinadas características de um género humano em particular, ignorando a existência de PUB

uma homogeneidade entre homens e mulheres”, aponta a mesma nota. Assim, esta exposição explora o termo “WE” (Nós), no sentido de promover oportunidades iguais para pessoas de diferentes géneros. Além disso, o termo “MUN” (“WO MUN”) significa “DOOR” (Porta) representando Macau (cujo nome em cantones é Ou Mun), levando a que as artistas participantes possam fazer um intercâmbio de ideias e partilhar as suas inspirações.

COR BRANCA

A mostra patente nas Casas-Museu da Taipa é dominada pela cor branca, o que mostra

Kathine Cheong, curadora e directora artística da exposição, disse esperar que “o público possa prestar mais atenção às similaridades dos géneros dos seres humanos através do tema da exposição deste ano”

ao público presente “um forte sentido de espaço, o que vai de encontro aos trabalhos das artistas e ao tema da exposição”. O local da mostra conta com design de Sueie Zhe, também natural de Macau. Até ao dia 16 de Novembro os organizadores irão promover uma série de actividades interactivas com o público, como visitas guiadas e workshops, entre outras. Estas iniciativas visam levar o público “a compreender de forma profunda a filosofia e as ideias dos artistas”. A Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau foi criada em 2017 e reúne mulheres de várias idades e de diferentes campos profissionais. Através da promoção de eventos ligados à cultura e arte, este grupo pretende “promover o desenvolvimento das mulheres a nível psicológico e físico”. A.S.S.


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7.11.2019 quinta-feira

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tecnológica chinesa Huawei, que foi colocada numa ‘lista negra’ pela administração norte-americana, assegurou hoje estar “preparada” para limitações de negócios com os Estados Unidos, onde tem um volume de vendas pouco significativo, mas lamentou este “tratamento injusto”. “De uma certa forma, nós estamos preparados”, afirmou o representante chefe da Huawei para as instituições europeias, Abraham Liu, em entrevista à agência Lusa, à margem do Dia Europeu de Inovação da Huawei, que se realizou em Paris. Numa altura em que Washington e a Huawei estão numa guerra global por causa da cibersegurança e das infraestruturas a nível mundial, que já levou à criação de limites por parte da administração norte-americana nas compras feitas por empresas dos Estados Unidos à companhia chinesa (a chamada ‘lista negra’), Abraham Liu garantiu à Lusa que a fabricante se tem vindo a “preparar para

TECNOLOGIA HUAWEI DIZ ESTAR PREPARADA PARA ‘LISTA NEGRA’ DOS EUA

Pronta para a guerra o pior cenário”, ou seja, para a entrada em vigor destas limitações. O responsável disse também que tais restrições, feitas num contexto de guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, não deverão ter impacto significativo por a Huawei ter “poucas vendas nos Estados Unidos”. Ainda assim, Abraham Liu criticou a postura da administração norte-americana: “Os Estados Unidos consideram-se a maior potência do mundo e o país mais democrático e equilibrado, mas eu questiono no caso da Huawei, em que não houve qualquer conclusão por parte da justiça, onde está essa verificação e equidade?”. “Este tipo de medidas contra a Huawei não são, de todo, justas”, lamentou.

Segundo Abraham Liu, “o mundo dos negócios tem a sua forma de funcionar e quanto menos os ventos políticos influenciarem

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“Os Estados Unidos consideram-se a maior potência do mundo e o país mais democrático e equilibrado, mas eu questiono no caso da Huawei, em que não houve qualquer conclusão por parte da justiça, onde está essa verificação e equidade?” ABRAHAM LIU HUAWEI

Notificação edital (31/FGCL/2019)

Notificação edital (32/FGCL/2019)

Nº de pedido: 41/2019

Nos dos pedidos: 100/2019, 101/2019, 102/2019, 105/2019

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “LAM MOK SENG, TITULAR DE ESTABELECIMENTO DE COMIDAS TING FONG HOI SIN”, com sede na Rua Três da Cidade Nova de T'oi Sán, Edf. Cheong Seng Kok, 24 Andar A, Macau, o seguinte:

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “Tam Chio Meng – titular de Kong Meng Decoration Engineering”, com sede na Estrada Almirante Magalhães Correia, nº 271, Edf. Jardim Hoi Wan, bloco Hoi Kong, 2 andar AM, Taipa, Macau, o seguinte:

Relativamente ao ex-trabalhador Chen Zhengrong, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 28 de Outubro de 2019, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa à ex-trabalhadora acima referida, no valor total de $10 629,00 (Dez mil e seiscentas e vinte e nove patacas).

Relativamente aos 4 ex-trabalhadores (Chang Wa Chio, Cheang Cheong, Chio Chon Hong e Mui Fai Meng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 28 de Outubro de 2019, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $70 652,10(Setenta mil e seiscentas e cinquenta e duas patacas e dez avos).

Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquela ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos.

Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos.

O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocarse à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocarse à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

30 de Outubro de 2019

30 de Outubro de 2019

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais,

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais,

Wong Chi Hong

Wong Chi Hong

esse círculo, melhor, todos beneficiam”.

PRINCÍPIO DA INCERTEZA

O representante da Huawei para a União Europeia

(UE), que tem vindo a ser crítico da pressão feita pelos Estados Unidos no espaço comunitário, assinalou também que a administração norte-americana,

liderada pelo Presidente Donald Trump, “parece estar baseada na incerteza em relação ao resto mundo”. Os Estados Unidos têm vindo a acusar a chinesa Huawei de ser uma ameaça à segurança nacional, alegando que utiliza equipamentos para espionagem, o que a tecnológica rejeita. Em Maio deste ano, os Estados Unidos decidiram banir a Huawei do mercado norte-americano, colocando-a numa ‘lista negra’ que limita os seus negócios no país. A administração norte-americana criou, também nessa altura, isenções temporárias para determinadas empresas norte-americanas que negoceiam com o grupo chinês, permitindo-lhes vender alguns produtos ou mudar de fornecedores durante esse período. Estas isenções foram prorrogadas em Agosto, aguardando-se agora uma decisão norte-americana sobre a entrada em vigor das limitações relacionadas com a ‘lista negra’. “As suspeitas estão aí há meses, mas onde estão as provas? É injusto. Vá lá, nós somos uma companhia privada e estamos a ser atingidos pelo poder máximo. As suspeitas existem, mas a história tem provado que não cometemos nenhum erro”, adiantou Abraham Liu à Lusa. Ana Matos Neves Agência Lusa

5G CRÍTICAS À “PRESSÃO TRANSATLÂNTICA”

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fabricante chinesa Huawei criticou ontem a “pressão vinda do outro lado do Atlântico”, dos Estados Unidos, para a União Europeia (UE) relativamente às redes móveis de quinta geração (5G), afirmando esperar que Bruxelas seja “inteligente o suficiente”. “Obviamente, há pressão política vinda do outro lado do Oceano Atlântico […], está em todo o lado na Europa e é feita directamente por líderes políticos de topo dos Estados Unidos”, afirmou o representante chefe da Huawei para as instituições europeias, Abraham Liu, em entrevista à agência Lusa, à margem do Dia Europeu

de Inovação da Huawei, em Paris. Numa altura em que a Huawei está no centro da polémica por alegada espionagem em equipamentos 5G, no seguimento de suspeitas lançadas pelos Estados Unidos sobre a instalação de ‘back doors’ (portas traseiras de acesso), Abraham Liu disse à Lusa que “a pressão está aí”. Ainda assim, apontou que a Huawei tem um “historial de 20 anos” de presença na UE, e que tem demonstrado que “é um parceiro de confiança”. Por isso, o responsável disse esperar que a Europa seja “capaz e inteligente o

suficiente para tomar as suas decisões”.“Acredito que a Europa deve ter a cibersegurança nas suas próprias mãos, independentemente do que os seus vizinhos sussurram aos seus ouvidos”, insistiu. Para Abraham Liu, “a cibersegurança é mais uma questão técnica do que um assunto político”, já que “os Estados Unidos, mesmo sem a Huawei, estão a enfrentar sérios riscos”. O responsável argumentou também que “a Europa tem especialistas e operadoras de topo – como a Vodafone, Orange, Telefónica – e todos têm competências técnicas muito fortes e […] sabem o que estão a fazer”


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quinta-feira 7.11.2019

HONG KONG DEPUTADO PRÓ-PEQUIM ESFAQUEADO

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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS MACRON E XI PEDEM 90.000 MILHÕES DE EUROS

Apelos de Pequim

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Presidente francês, Emmanuel Macron, e o homólogo chinês, Xi Jinping, apelaram ontem aos países desenvolvidos que invistam 90.000 milhões de euros, até 2025, para combater as alterações climáticas. Numa declaração conjunta, intitulada “O apelo de Pequim à conservação da biodiversidade e ao combate às alterações climáticas”, os dois líderes reafirmaram o seu “firme apoio ao Acordo de Paris”, que consideraram “um processo” irreversível e uma “bússola” para uma “acção forte” na questão ambiental. Macron e Xi disseram que “estão determinados a fazer esforços sem precedentes para garantir o futuro das novas gerações” e “intensificar os esforços internacionais” para combater as alterações climáticas, além de “acelerar a transição para o desenvolvimento verde”. A declaração pede que “todos os países, autoridades

internacionais, empresas e organizações não-governamentais publiquem, até ao próximo ano, as suas estratégias de desenvolvimento a longo prazo, até 2050, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa”. Os dois chefes de Estado apelaram ainda a “um compromisso activo dos líderes políticos ao mais alto nível”, em favor da biodiversidade, e ao trabalho conjunto para “reverter a curva de perda da biodiversidade” até 2030. Ambos os países pediram ainda um compromisso para com a restauração dos ecossistemas e medidas ambiciosas para interromper

e reverter a degradação da terra e do mar, recuperando pelo menos 30 por cento dos ecossistemas degradados. Os dois líderes enfatizaram que o “Fundo Verde” para o clima das Nações Unidas “desempenha um papel essencial na mobilização de recursos financeiros para os países em desenvolvimento”.

ADEUS AMERICANO

A declaração conjunta, emitida durante a visita de Estado de Macron a Pequim, surge após os Estados Unidos informarem a Organização das Nações Unidas (ONU) de que iniciaram o processo de retirada do acordo de com-

Macron e Xi disseram que “estão determinados a fazer esforços sem precedentes para garantir o futuro das novas gerações” e “intensificar os esforços internacionais” para combater as alterações climáticas, além de “acelerar a transição para o desenvolvimento verde”.

bate às alterações climáticas, assinado em Paris há quatro anos. O Acordo enunciou a meta de impedir um agravamento da subida já verificada na temperatura média mundial em mais entre 0,5 e 1 grau Celsius. Mas os compromissos avançados pelos participantes em 2015 são insuficientes para impedir aqueles níveis de aquecimento. O aquecimento global, provocado pela queima de carvão, petróleo e gás, já causou o aumento da temperatura média global em um grau centígrado desde o final do século XIX. Entre os seus resultados estão a fusão dos gelos, eventos extremos e a acidificação dos oceanos. E os cientistas asseguram que, dependendo da quantidade de dióxido de carbono emitido, a situação só vai piorar até ao final do século, com a temperatura a aumentar vários graus e o nível médio do mar em pelo menos um metro.

Pequim Políticas para Hong Kong e Xinjiang defendidas por ministro da Defesa O ministro da Defesa chinês defendeu ontem as políticas de Pequim nas questões controversas de Hong Kong e da região de Xinjiang, durante uma conversa por telefone com o seu homólogo dos Estados Unidos. Segundo a agência

noticiosa oficial Xinhua, Wei Fenghe também referiu Taiwan e o mar do Sul da China, durante uma conversa por telefone, na terça-feira, com o secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper. Embora seja comum a China reafirmar

a soberania sobre aqueles dois territórios com as autoridades norte-americanas, a referência a Hong Kong e Xinjiang é menos comum. Hong Kong é há cinco meses palco de protestos antigovernamentais que Pequim acusa os EUA e outras forças

estrangeiras de encorajar. O Governo chinês enfrenta também uma crescente pressão diplomática devido às acusações de que mantém detidos cerca de um milhão de uigures em centros de doutrinação política em Xinjiang.

deputado de Hong Kong Junius Ho, da ala pró-Pequim, foi ontem esfaqueado durante uma acção de campanha para as eleições locais, tendo a polícia já detido o agressor, de acordo com a imprensa local. Em comunicado, Junius Ho, que tem sido alvo de duras críticas por parte dos manifestantes pró-democracia, indicou que vai ser submetido a cirurgia, mas garantiu estar “livre de perigo”. Um homem foi detido na sequência do ataque, gravado e publicado na plataforma ‘online’ do jornal South China Morning Post. O vídeo mostra o agressor a aproximar-se de Ho e a entregar-lhe um ramo de flores, agradecendo “todos os esforços” do parlamentar. De seguida, alegando que gostaria de tirar uma fotografia com o deputado, retirou uma faca da mala e esfaqueou o candidato. O membro do Conselho Legislativo de Hong Kong (LegCo) esteve na rua em campanha para as eleições

para o conselho distrital, que se realizam a 24 de Novembro sem o proeminente activista Joshua Wong, que foi afastado da corrida. O deputado Junius Ho tornou-se alvo de críticas em finais de Julho, após o ataque a uma estação de metropolitano, onde passageiros e manifestantes foram espancados arbitrariamente por um grupo de homens armados. Ho foi mais tarde visto num vídeo a apertar a mão a um dos alegados atacantes, na estação de Yuen Long, ainda que o deputado tenha negado qualquer ligação com o grupo que envergava ‘t-shirts’ brancas, normalmente utilizadas em Hong Kong pelos manifestantes pró-regime. A respeito das eleições, Ho declarou que este é um “dia negro”, mas que não vai desistir. “Não há ordem nas eleições. Embora a atmosfera eleitoral já seja injusta e tenha perdido a ordem, continuarei a ser corajoso e destemido”, afirmou.

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澳門特別行政區立法會 Região Administrativa Especial de Macau Assembleia Legislativa

Aviso Faz-se público que, de harmonia com a deliberação da Mesa da Assembleia Legislativa, de 11 de Outubro de 2019, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, em regime de contrato administrativo de provimento, dos Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa, para o provimento de cinco lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, área jurídica, (Concurso de Rec03/2019). O aviso de abertura encontra-se publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 45, II Série, de 06 de Novembro de 2019. As condições de candidatura e as informações respectivas constam do referido aviso, que se encontra disponível na página electrónica da Assembleia Legislativa, em http://www.al.gov.mo/ e na página electrónica dos SAFP, em http://www.safp.gov.mo/. Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa, aos 29 de Outubro de 2019. A Secretária-Geral, Ieong Soi U.


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Folhetim Fernando Sobral

7.11.2019 quinta-feira

A cidade tem pracas de palavras abertas ´

A grande dama do chá

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S relâmpagos sobre as águas iluminavam o horizonte. A chuva caía, persistente, e o vento soprava, cada vez com mais força. Dentro do Chevrolet Confederate, estacionado perto do Cais 16, Jin Shixin e Cândido Vilaça tentavam ver a azáfama em que se tornara a descarga das caixas que tinham chegado a Macau. Lá fora, Patapoff, como sempre muito direito, dava ordens, apesar da chuva que ensopava os corpos de todos os que não estavam abrigados. Era um trabalho duro, ainda mais porque todos tinham de estar alerta. Ninguém sabia o que poderia acontecer. Não havia sinais de Toshio Nomura ou dos seus homens. Deveriam estar à espera deles junto do armazém, ou no caminho, para fazer uma emboscada. Ou poderiam mesmo estar ali, à espera do momento ideal para atacar. Jin Shixin abriu a porta do automóvel e saiu. Dirigiu-se num passo seguro para Patapoff e, quando parou junto dele, começou a dizer algo, que Cândido não entendeu. Também ele decidiu deixar o conforto do Chevrolet e deu um par de passos no chão molhado. Jin voltou-se para para ele e começou a gritar algo. Não acabou a frase. Ouviram-se tiros e Cândido só viu Patafff atirar Jin para o chão e tirar uma pistola do bolso. Muitos dos carregadores correram e foram em busca das suas armas. Vindos das sombras muitos homens aproximaram-se a disparar. Eram, por certo, os homens de Nomura. Não tinham esperado. O ataque era agora. Viu alguns corpos a cair no chão, ceifados pelas balas. Mas outros entrincheiraram-se e os tiros aumentaram de frequência. Nesse momento um pequeno orofício do tamanho de uma moeda de pataca apareceu-lhe no ombro. Ajoelhou-se, tossiu com a dor, e caiu com a cara no chão. Ouviu gritos e mais tiros, mas tudo deixou de ser nítido. Sabia o que ia acontecer. Jin tinha muitos homens escondidos, à espera do ataque de Nomura. Agora eles iriam surgir por detrás, tapando o caminho à fuga dos japoneses e dos seus aliados. E estes ficariam cercados, entre dois fogos. Ele tinha sido o isco. E Nomura, sem ter medido bem as consequências da sua decidão, caira no logro. Muitas memórias que atropelavam-se agora umas nas outras, mas todas sem sentido. Abriu os olhos e só viu pés a mover-se. Tentou soerguer-se, mas não conseguiu. O sangue saía do ombro e tentou estancá-lo com um lenço. Pediu auxílio, mas ninguém o ouviu. Viu um carro a estacionar perto de onde estava caído. O motorista abriu a porta e fugiu. Talvez já o tivesse feito outras vezes. Mas desta vez era diferente. Não

havia para onde fugir. Ouviu mais tiros e viu o corpo do homem a cair no chão, ficando como uma sombra imóvel fustigada pela chva. O boné de motorista caiu da cabeça e foi afastado pelo vento. A seguir o silêncio impôs-se. Deixara de ouvir. Voltou a fechar os olhos. Não sabia o que se estava a passar. Viu-se no meio de um clube em Xangai, empurrado por homens e mulheres que se riam na sua cara. Todos tinham máscaras, bigodes muito grandes e lábios muito pintados. A seu lado estava uma jovem chinesa, assustada. Gritava, para não escutar os risos. Na mão tinha uma pistola. Parecia pertencer a uma geração enganada pelos seus sonhos, enganada pelas suas fantasias, enganada pelos serviços secretos de todos os que mandavam num pedaço de Xangai, enganada pelos amigos e pelos inimigos, aniquilada moral e fisicamente, sacrificada a interesses que nunca iria conhecer. Era só um peão, num jogo sem regras. Alguém dava um tiro nela e ria, por detrás da máscara. Às vezes a moral e a lei excluem-se. É isso a condição humana. Os gregos chamavam a isso tragédia. E dela não há saída. Quando entrávamos no mundo perdíamos toda a esperança. Por isso um homem livre tem de atender à verdade. Cândido não sabia se sonhava, se delirava.

Voltou a abrir os olhos. A chuva continuava a cair com força e ia limpando a rua de sangue que tinha saído dos corpos caídos. Depois, voltou a perder os sentidos. Quando acordou, demorou um pouco a descobrir onde estava. Tudo à sua volta estava enovoado. Percebeu que estava deitado e procurou os cigarros. Só depois reparou que Jin estava ali. Sorriu e deslizou da cama, com cuidado. Sentiu tonturas e teve de colocar as mãos sobre o colchão. A chinesa, que estava defronte dele, agarrou-lhe nos ombros e disse: - Deixa-te estar sossegado. A ferida não é grave, mas perdeste muito sangue. - O que aconteceu? - O que se estava à espera. Os homens de Nomura emboscaram-nos no cais, julgando que atacavam de surpresa. Mas tínhamos tudo previsto. Ficaram cercados e lutaram para sobreviver. Cândido fechou os olhos e depois voltou a abri-los para ver se focava melhor a imagem. - E Nomura? - Tentou fugir. Mas não podíamos ter a mínima piedade por ele. Morreram muitos dos nossos. - Os japoneses vão enviar alguém para o substituir. Esta luta não terá fim. Jin fungou e encolheu os ombros. Os seus olhos estavam frios como gelo. Disse, num tom áspero:

Cândido afastou-se dela e foi até à janela. As nuvens cinzentas estavam estacionadas no céu. Ia voltar a chover. Pensou que, para um crente, a fé na salvação, sem o travão da mão de Deus, pode fazer com que sacerdotes com outros intentos usem o único critério que resta para os desacordos: matar o inimigo

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- Esta guerra não se restringe a Macau, Cândido. Não é só este canteiro que conta. Não está isolado do resto. Todo o jardim está em chamas. - E agora? - Agora vamos continuar a guerra. Não há tempo a perder. Nem dúvidas. Sabes, Cândido, os grandes mestres sempre nos disseram que há quem oculte a sua debilidade por detrás da máscara da fortaleza e, outros, a sua fortaleza por detrás da máscara da fraqueza. Continua a ser assim, como sempre foi. Mas sabemos que a máscara da fortaleza trunfa sobre a da debilidade. Aí radica o poder. Temos de usar a máscara da fortaleza para garantirmos a vitória. Só assim nos seguirão. Cândido olhou para Jin. Ela, no fundo, tinha de acreditar no que dizia. De outra forma, tudo se desmoronava. Não parecia crer que os opostos se uniam e que, muitas vezes, a debilidade não era mais do que a máscara de uma profunda fortaleza. Reparou que os olhos de Jin estavam agora tristes e inquietos. - Que tens mais para me dizer? - Uma coisa triste. A tempestade trouxe mais um corpo para a superfície. É o do teu amigo José Prazeres da Costa. Tal como a Amélia foi morto a tiro. - Não me estás a mentir? - Eu só minto o imprescindível. Cândido levantou-se e abraçou-a. Entre o ombro e o pescoço dela encontrou o aroma de pele que o fazia perder a noção da realidade. Encheu os pulmões e deixou-se ficar assim durante algum tempo. - Iam fugir, não é verdade? - Parece que sim. Julgaram que era possível o amor. Mas, nestes dias, também ele é uma vítima de quem tem outros desígnios. Cândido afastou-se dela e foi até à janela. As nuvens cinzentas estavam estacionadas no céu. Ia voltar a chover. Pensou que, para um crente, a fé na salvação, sem o travão da mão de Deus, pode fazer com que sacerdotes com outros intentos usem o único critério que resta para os desacordos: matar o inimigo. Era o que se estava a passar. Deixara de haver alguém que travasse a loucura que estava à solta na China. E agora, que fazer? Quando um homem tem medo e sente que não tem nada a perder pode fazer muitas coisas. Mas Cândido tinha uma fragilidade: amava. Virou-se e olhou para Jin. Depois voltou novamente a face para a janela. Chovia. Chineses corriam com embrulhos às costas, indiferentes à intempérie, mostrando que a vida continuava e era preciso sobreviver. Afinal, o que vale a pena salvar da pesada chuva que não escolhe amigos ou inimigos?


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 7.11.2019

retrovisor Luís Carmelo

U

MA das minhas últimas leituras foi ‘Teoria da Viagem’ de Michel Onfray. Trata-se de um autor de que gosto e que tento seguir. Este pequeno livro entrevê a viagem como uma bússola que vive do limbo onde sempre se digladiaram o sedentarismo e o nomadismo. Uma tensão que explode nos atritos do território e que coloca em evidência o mundo em fluxo que diariamente partilhamos. A obra foca-se na viagem enquanto mobilidade voluntária (turismo incluído) e não enquanto mobilidade da sobrevivência, embora uma e outra coloquem hoje em movimento no planeta milhões e milhões de pessoas. Onfray distingue na sua teoria um antes “em que se sonha com um destino” daquilo que, logo a seguir, designa por “espaço intermédio” e que coincide com a logística existencial da partida, mas antes ainda de se ter atingido a meta. É o momento dos aeroportos, da consciência aberta aos possíveis, da errância interior.

Espaços intermédios

Nesta fase, o autor do Journal hédoniste atribui ao viajante “uma espécie de abandono característico das salas de espera dos consultórios ou, presumivelmente, dos laboratórios de análises clínicas. Afastado da rigidez social e da conveniência imposta, das regras colectivas e dos hábitos sociais, o viajante frequenta um mundo suspeito de pessoas entregues à confidência, àquilo

que Heidegger denomina falatório: uma espécie de decadência da palavra, talvez uma prática compensatória da angústia gerada pelo abandono do domicílio e pela chegada a um mundo sem pontos de referência”. O livro capta depois o momento da viagem e realça dois aspectos interessantes: a invenção da inocência, ou a necessidade de o olhar se colocar em

O tempo existencial e tecnológico de hoje corresponde, em muitos aspectos, à situação do “espaço intermédio” que, segundo Onfray, precede a viagem. Estamos cada vez mais apeados do território, na medida em que a maior parte da informação e das referências que nos abismam provêm da rede e dos mais variados dispositivos digitais

tábula rasa (longe dos preconceitos e do pré-conhecimento), e a redescoberta da subjectividade, na medida em que “o ser do mundo provém do ser que o observa”. Segue-se o tempo do regresso em que o enraizamento valida o nomadismo: “voltar é decidir não permanecer, confirmando e validando o que parecia constituir um dado adquirido e definitivo, ou seja, o domicílio”. A viagem convida a que se perceba o mundo como uma geologia jamais adquirida. Daí que o ‘depois da viagem’ se confunda com a fase das narrações (que se cumpre segundo “o princípio de uma melodia, uma reposição, um tema insistente, uma variação, uma fuga, um contraponto”). Ao fim e ao cabo, narrar é percorrer um feixe ilimitado de trajectos, porque a palavra possibilita sempre colocar em perspectiva “instâncias que, a priori, não possuem nenhuma relação entre elas”. Razão por que Almeida Faria fechou o seu ‘Murmúrio do Mundo’ (2012), livro sobre uma viagem à Índia, com estas palavras: “Trouxe comigo um bloco confusamente escrevinhado, uma curiosidade acrescentada, uma crescente descrença na elegância da descrença. E tornei-me mais atento à infindável memória do mundo…” O tempo existencial e tecnológico de hoje corresponde, em muitos aspectos, à situação do “espaço intermédio” que, segundo Onfray, precede a viagem. Estamos cada vez mais apeados do território, na medida em que a maior parte da informação e das referências que nos abismam provêm da rede e dos mais variados dispositivos digitais. Neste estado, que é o de uma geografia cindida pela fúria do imediato (e do instantâneo), a disposição e o ânimo que nos lançam ao mundo assemelham-se à sépia das gares e dos aeroportos polvilhada pela ansiedade, pela errância interior e pelo stress sem objecto. A recente campanha eleitoral ilustrou este facto na perfeição: uma ou outra contingência aliada ao denominador comum do falatório dos media ditou um mês de debate esvaziado, deserto e sem qualquer destino ou meta que se pudesse destrinçar. A “infindável memória do mundo” não é algo que hoje se transmita, mas sim uma matéria esvaída e sem as alegorias mitológicas que a conseguissem agregar. O que poderá até ser uma virtude, fazendo eco do penúltimo parágrafo da ‘Teoria da Viagem’ de Onfray: “A apreensão do Diverso contradiz o desafio do Mesmo e, em compensação, inicia-se na vondade de multiplicar o Outro”. Onfray, Michel. Teoria da Viagem. Uma poética da geografia. Quetzal, Lisboa. 2019 (2007).


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quinta-feira 7.11.2019

Anabela Canas

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Maré de mar

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ÁRMARA. Mar mente. Mar de Aral. Mares e marés, extintos ou por extinguir. Mares. Mares interiores. Marés de vagas mansas ou insubmissas a avançar por nós ou a recuar com a força do que é assim em virtude de ventos e lunares atracções. Solares. Desvios de uma inércia pela força da gravidade. Emoções graves a gravar no corpo rastos de sal. Rastos de sol. Estar em cada momento em cada maré. Estar de maré. Um estar, como tendência para algo, em vagas, em nada definitivo como elas. Que quando tendem para terra, sempre voltam a tender para o mar. O mar e mares. O todo e as pequenas águas. O todo, mais todo, e a parte mais parte. Águas pequenas face aos oceanos. Escondidas deles ou à espreita. Interiores fechados. Interiores isolados. Ou abertos em pequenas deixas, estreitos pontos aquosos de passagem. Mas o interior, sempre interior, o oceano também. Amar o mar. Amar o desafio orgânico, o embalo e o risco. Aprender-lhe o perigo e deixarmo-nos morrer dele. E do risco, uma vez mais apreender a curva de nível, essa linha dos acidentes geográficos, em cotas ou alturas. Da linha do risco, a aureola topográfica que define a insularidade do visível, ou a insularidade da terra invisível por debaixo da água. Insularidades diferentes como eternos símbolos de contentor ou continente. Mar interior. O avesso insular. Tanto mar. Mares tímidos e isolados no seu ser avesso e sem comunicação. Fechados e interiores. Entranhados em terra. Baixos, silenciosos, por vezes mortos. Mortos de vida possível e ainda assim a morrer mais. Como o mar Morto. Que já o era, mas ainda tem vida para morrer. O mar Cáspio, o mar de Aral. Grandes lagos salgados. Grandes lágrimas retidas na face da terra. A secar com o tempo. E outros. E mares alegres ou mediterrânicos, de uma pontinha espreitam o grande oceano e daí se fazem trocas e temperaturas a refrescar no que é vindo de longe e da amplidão. Portas que não se fecham, mas resguardam a interioridade. Outros abertos, pontuados de ilhas e ilhas, estranhas identidades junto a mar aberto, ou ao oceano, dizendo bem. Juntas as águas, mas distintas. Num namoro fluido e duradouro. Abertos ao mundo e sem fronteira nítida entre uma gota de si e uma gota que não é de si. O da China, o do Japão. O mar de Celebes, o de Flores, o de Mindanau. Tantos. Junto a cada oceano, a cada continente. Ou por dentro. Que outras marés de uma vida, de um corpo, se foram com o mar de Aral. Que águas se retiraram como dragões do mar no Triássico, quando um ecossistema emocional se altera no corpo do

sentir. Temperatura, alimento. Ou a extinção abrupta das estrelas. Do mar. Milhões atacados por vírus. Coisas tóxicas que matam. As outras, mais lentamente aos olhos. Continuamos a vê-las quando já lá não estão, mas a notícia, esse rasto visual que um dia vai chegar, leva o seu tempo. Como uma dor a instalar-se depois do trauma. Mas não logo. Só quando o corpo a reconhece, repara, passa a sofrer. A doer. Um desfasamento ínfimo no tempo. Se pensarmos no tempo de uma estrela. Estrelas e dragões, num intervalo estreito entre a memória e o mito. Mas mares e lagos, mesmo açudes a entristecer os corações de ausência, e com as suas águas, a vida. A ensombrar olhares de futuro incerto nos interiores. Do Brasil ou da Rússia. O mesmo mundo e a mesma humanidade. A construir por um lado e a destruir pelo outro. Da geografia. De uma geografia como a de sentir. Revela-se uma topografia em linhas sinuosas, desenhos de limites entre camadas em altitude e

profundidade como fatias de um real em que nem sempre há comunicação entre vasos. Porque nem todos comunicantes. Mares que ficam abaixo do nível do mar. Como se contrário ao senso sentido comum. Que realidade se desprende de um mar interior. Esse avesso do insular que nos habita. Que calmarias os limitam adentro dos seres que os protegem como continentes. Contentores, na verdade. Aquilo que contém um mar e as marés que esse traz. O que define um mar interior para além dessa contrária imagem, à imagem de ilha. É sempre a terra que esconde, se esconde ou revela. Que se tapa, da fluidez das águas como suaves velaturas e sedosas, ou se desnuda. E os mares. Mesmo abertos para os oceanos, sempre isolados em si. Em ilhas de liquidez e de águas distintas. Outros com apertadas portas para as águas exteriores. Outros, os mais solitários, isolados em ilhas como pequenas peças de roupa a cobrir um seio de terra. Sempre a terra na base de cada chão. De água. Só dos

Quanto em nós é levado pelos mares. Quanto de mar interior, se funde no grande mar de contemplação. Perpassando num estreito em que flui a alma

icebergues, flutuantes gigantes de gelo sem mais, soltos e imensos e secretos se diria secretas ilhas. Verdadeiras. Rodeadas de ausência por todos os lados e mais um. O céu. Da imensidão oceânica a devastar progressivamente a terra emersa, na ameaça de engolir como a outra, não vou pensar. Os mares, sim. Os interiores e que mais mansos do que os outros, particulares e pequenos, se distinguem no modo como navegamos. Quanto em nós é levado pelos mares. Quanto de mar interior, se funde no grande mar de contemplação. Perpassando num estreito em que flui a alma. Quando aí se refresca de límpida serenidade, pequenez confortável. Comunicação de iguais na essência, mas a humanidade pequena do pequeno mar, face à humanidade abstrata do enorme mar. Quanto nos embala numa onda suave de melancolia ou poético sentimento de algo, ou nos submerge em reviravoltas de que a custo retomamos as coordenadas, sustendo a respiração para que o mar não invada todo o mar interior. E de que a custo, voltamos a emergir. Mar perigoso o grande mar. Quanto mar agita. Quanta água afoga. Quanta mágoa afoga. Ao longo de uma vida. De um dia. De um dia na vida de mar interior. Tanto mar.


18 (f)utilidades POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado 5.º FESTIVAL DE MÚSICA BARROCA 50 – ALLIANCE FRANÇAISE DE MACAU

Centro 0 Cultural 3 6de Macau 7 1| 20h00 4

8 2 5 9 8 5 4 0 9 2 3 6 1 7 Domingo 5.º FESTIVAL 2 9 DE3MÚSICA 1 BARROCA 7 5 6 8 4 0 – ALLIANCE FRANÇAISE DE MACAU 1 Militar 2 |5 8 0 6 7 4 9 3 Clube 19h30  6 7 9 4 3 8 5 0 2 1 Diariamente  4 |1IV CICLO 7 DE6CINEMA 2 DE9MOÇAMBIQUE 0 5 3 8 CINEMA Fundação Rui Cunha | Até 7/11 7 0 8 5 4 3 9 1 6 2 3 8 | “LÍNGUA 2 9FRANCA 5 –12ª EXPOSIÇÃO 4 7 ANUAL 0 6DE EXPOSIÇÃO ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” 5 6 1 3 8 0 2 9 7 4 Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino | Até98 de4Dezembro 0 2 6 7 1 3 8 5 EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11

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4 9 7 2 3 6 8 1 0 5

EXPOSIÇÃO | “WE ART SPACE - DOCUMENTARY EXHIBITION” 3 5do Boi 6 | Até88/120 1 2 7 4 9 Armazém

8 1 5 3 9 7 0 4 6 1 1 0 9 4 2 5 3 6 7 EXPOSIÇÃO CALIGRAFIA 6 4 | OBRAS 3 0DE CERÂMICA 1 2 E5 9 8 DE UNG CHOI KUN E CHEN PEIJIN 5 2Rui 1 Fundação Cunha7 8 9 4 0 3 7 3 8 5 6 4 1 2 9 2 8 4 9 7 0 6 3 5 9 6 0 1 5 3 7 8 2 Cineteatro EXPOSIÇÃO | “BY THE LIGHT OF THE MOON 0 7BY HONG 2 WAI” 6 4 8 9 5 – WORKS AFA – Art Garden | Até 5/12

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C I N E M A

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7 1 9 4 6 0 5 3 8 2

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6 7 4 0 2 5 1 8 9 3

9 4 1 6 8 3 7 2 5 0

2 3 0 5 1 9 8 7 4 6

DOCTOR SLEEP SALA 1

TERMINATOR: DARK FATE [C] Um filme de: Tim Miller Com: Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Mackenzie Davis 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

DOCTOR SLEEP [C] Um filme de: Mike Flanagan Com: Rebecca Fergunson Ewan McGregor, 14.30, 17.00, 21.30

THE ADDAMS FAMILY [B] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Conrad Vernon, Grerg Tierman

MIN

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PREVENIR

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este tipo de eventos. “Investir em sistemas de alerta e infraestruturas resilientes será vital para salvar vidas e economias”, declarou a representante especial do secretário-geral da ONU para a redução de riscos de desastres, a japonesa Mami Mizutori, em entrevista à ONU News, na terça-feira.

26 1 6 0 4 0 9 8 7 5 3 57 9 7 0 8 6 3 8 3 2 4 8 3 42 57 2 7 9 6 1 0 6 7 0 78 1 8 4 3 5 4 5 6 2 2 69 23 9 1 3 5 1 5 8 4 8 7 0 4 48 0 85 1 2 5 6 2 9 6 7 9 7 3 59 27 9 7 1 0 1 8 4 8 7 4 7 4 38 61 8 1 0 5 9 9 67 54 7 4 3 0 2 0 1 1 1 8 0 26 9 6 3 7 3 4 5 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 57

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PEDRAS NA ENGRENAGEM Alínea A) Pessoas que entram nos au-

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UM DISCO HOJE

4 2 4 8 5 7 9 61 0 1 7 1 7 14 3 4 6 0 8 0 5 2 9 5 61 9 1 5 2 0 5 0 8 3 8 7 “Coming Home” é o penúltimo 0 da 7 dupla 6 1alemã 9 3 1de electróni3 24 5 4 7disco ca/dub Boozoo Bajou, lançado em 85 03 5 4 3 2 4 7 2 9 7 9 6 2010. Para não variar muito, este registo qualidade 5 4 3mantem 9 8 6 1a 8que 1 0 7 4 9 7a 6 a duo Florian Seyberth e Peter Hei2 9 0os8seus 4 537 3 2der1 habituou 4 0seguidores. Apesar ter3quase 9 0 8de 0 1 7 3uma7década, 64 6 2 “Coming Home” continua a soar 4 5 6 7muito 6 bem 2 9produzido, 1 98308 4 5sofisticado, com batidas que não se impõem, 6 3 6 2 0 8 5 194 9 mas que não se podem ignorar. Ouvir estes discos, como os registos de Tosca ou Snooze, leva-me sempre à mesma pergunta: Porque será que projectos destes desapareceram? Não soam datados e continuam a ter frescura. Devo estar a precisar de sugestões, em vez de as dar. Alguém desse lado? João Luz

5 1 0 9 7 3 6 2 8 4 3 9 4 8 1 2 6 5 0 7

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7 6 81 12 0 0 8 8 45 09 4 3

PROBLEMA 58

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49 5 38 1 62 93 4 70 7 16

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0 80 8 7 7 45 26 2 9 54 8 8 9 3 3 1 4 60 65 6 2 2 93 1 71 7

4 0 3 85 6 9 12 7 8 1

03 7 49 98 54 60 71 26 5 82

80 3 64 79 15 46 37 52 1 98

8 2 6 47 1 4 63 5 0 9

52 1 25 4 39 17 6 48 3 70

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1 9 7 6 78 25 0 3 2 4

S U D O K U

TEMPO

7.11.2019 quinta-feira

1 4 13 5 07 48 6 92 9 0

73 6 1 32 0 4 57 9 5 48

47 9 8 63 1 2 15 0 6 94

4 0 95 6 42 07 1 13 8 9

5 32 9 18 4 0 83 1 07 6

92 3 47 1 6 9 8 74 0 35

69 18 4 0 35 56 2 7 41 23

6 1 0 7 3 5 9 8 4 2

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tocarros e estacionam o corpanzil logo à entrada, mesmo que não falte espaço no autocarro, sem qualquer noção de que os seus corpos têm volume ou que as malas que transportam são autênticos Himalaias que os outros têm de contornar. Alínea B) Pessoas que não sabem que existem headphones, seja por usarem o modo “alta voz”, ou por acharem que a novela, jogo, ou música ranhosa que estão a ouvir é digna de ser partilhada com quem não quer. Alínea C) Pessoas que não percebem a razão pela qual se forma uma fila para atendimento ou acesso a algo, que julgam ter prioridade no mundo por pertencerem a uma casta que as isenta de convenções sociais. Alínea D) Pessoas que em conjunto com outras pessoas, igualmente culpadas, decidem parar em grupo causando o congestionamento de um passeio. Esta estirpe representa o equivalente social a uma trombose, bloqueadores de artérias que se estão a marimbar para o natural fluxo dos passeios já por si estrangulados de gente. Alínea E) Pessoas que nem sequer exibem o mínimo de pudor em atirar lixo para o chão, como se a rua fosse uma extensão da sua badalhoquice privada. Totalmente imunes a olhares reprovadores. Esta coluna é pequena demais para conter todos os sub-grupos de pessoas que não estão prontas para viver em sociedade. Pessoas que deviam estar numa cave a ponderar comer as suas próprias fezes, sem compreender para onde vai o sol à noite, ou que existem outras pessoas. João Luz

BOOZOO BAJOU | COMING HOME

Com: Charlize Theron, Chloe Grace Moretz, Allison Janney, Oscar Isaac 14.30, 21.30 SALA 3

GUILT BY DESIGN [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenneth Lai, Paul Sze, Lau Wing Tai Com: Nick Cheung, Kent Cheng, Eddie Cheung 14.30, 16.30, 21.30

JOKER [C] Um filme de: Todd Phillips Com: Joaquin Phoenix, Robert de Niro, Zazie Beetz 19.15

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opinião 19

quinta-feira 7.11.2019

a propósito de

OLAVO RASQUINHO*

Onde o mar se acaba e a terra começa

N

ÃO, não é engano. O título deste texto é mesmo “Onde o mar se acaba e a terra começa” e não “Onde a terra se acaba e o mar começa”, como Luís de Camões escreveu numa das estrofes do canto III dos Lusíadas: Eis aqui, quase cume da cabeça De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa, E onde Febo repousa no Oceano. Este quis o Céu justo que floresça Nas armas contra o torpe Mauritano, Deitando-o de si fora, e lá na ardente África estar quieto o não consente

Vem este texto a propósito do que está gravado numa placa do monumento que se encontra perto da cidade Choshi, junto ao farol do Cabo Inubo, o local mais a leste da prefeitura de Chiba, no Japão: “Cabo Inubo e Cabo da Roca – Monumento à amizade – Aqui… Onde o mar se acaba e a terra começa”. A situação geográfica deste cabo faz com que fique sujeito com certa frequência à ação de tempestades tropicais e tufões. Na parte oeste do Pacífico Norte os ciclones tropicais (tempestades tropicais e tufões) formam-se em geral no bordo sul do anticiclone subtropical característico dessa região, estatisticamente entre as Ilhas Marianas e as Filipinas, deslocando-se para oeste à medida que intensificam, progredindo em seguida para noroeste e norte, atingindo um ponto em que as suas trajetórias invertem o sentido passando o movimento a ser para nordeste ou leste, acabando por atingirem as latitudes médias. Ao progredirem neste trajeto afetam com certa frequência o Japão, nomeadamente a sua maior ilha, Honshu, onde se encontra o cabo Inubo. Foi na sequência de um tufão que causou o naufrágio de um navio de guerra japonês que provocou 13 vítimas mortais, em outubro de 1868, que surgiu a necessidade da construção de um farol neste cabo, cujo início de funcionamento se reporta a 1874. Sensivelmente à mesma latitude do Cabo Inubo, no extremo oeste do continente euroasiático, no Concelho de Sintra, freguesia de Colares, também surgiu a necessidade de se erguer um farol no Cabo da Roca, não por causa de ciclones tropicais, mas devido à frequência de nevoeiros e à forte agitação marítima causada por sistemas frontais no inverno e forte nortada no verão. Antes do século XIV acreditava-se na Europa que os penhascos do Cabo da Roca, varridos quase permanentemente por vento forte, eram a extremidade do mundo, o que inspirou Camões para escrever o célebre verso da estrofe do canto III. O farol do Cabo da Roca, um dos mais antigos do nosso país, foi mandado erguer durante a vigência do marquês de Pombal, tendo começado a funcionar em 1772, cerca de cem anos mais cedo que o do Cabo Inubo.

À semelhança da inscrição gravada na placa perto do farol do Cabo da Roca (“Onde a terra se acaba e o mar começa”), as autoridades de Choshi decidiram colocar uma placa perto do farol do Cabo Inubo, com uma frase análoga, numa manifestação de amizade para com o povo português. Nessa placa estão gravadas as coordenadas de ambos os cabos

Cabo da Roca

O nome do Cabo Inubo provém da junção de dois carateres chineses, o primeiro dos quais significa cão e o segundo uivo. Uma das várias explicações desse nome é a de que nessa região eram frequentes as concentrações de leões-marinhos, cujo som emitido é semelhante ao uivo dos cães. Há, no entanto, outras versões, nomeadamente a que se baseia na lenda que narra que um cão ali perdido uivou

durante sete dias e sete noites. Se fosse um cão qualquer não seria motivo para inspirar uma lenda, mas tratava-se do animal de estimação de Minamoto no Yoshitsune (11591189), um dos mais famosos samurais da história do Japão. O Cabo da Roca tem também sido fonte de lendas, das quais sobressai aquela em que um menino de cerca de 5 anos fora raptado por três bruxas e largado num buraco próximo do Cabo da Roca. Tendo ouvido o choro da criança, uns pastores deram o alarme e o menino foi salvo pelos habitantes de uma aldeia próxima. José Gomes, era esse o seu nome, contou à mãe que durante o tempo que esteve no buraco fora alimentado com sopa de cravos, por uma senhora muito bonita. Mais tarde sua mãe, para agradecer o resgate, foi rezar numa igreja onde estava uma imagem de Nossa Senhora, tendo a criança afirmado que fora aquela senhora que o havia alimentado. À semelhança da inscrição gravada na placa perto do farol do Cabo da Roca (“Onde a terra se acaba e o mar começa”), as autoridades de Choshi decidiram colocar uma placa perto do farol do Cabo Inubo, com uma frase análoga, numa manifestação de amizade para com o povo português. Nessa placa estão gravadas as coordenadas de ambos os cabos. Tive conhecimento deste assunto em conversa com Minoro Kamoto, na altura presidente do Grupo de Trabalho de Hidrologia do Comité dos Tufões, com sede em Macau desde 2007, quando lhe disse que vivia em Portugal a cerca de 15 km do Cabo da Roca, o local mais a oeste da Europa continental. Deixou-me curioso quando me deu a conhecer que visitara o cabo Inubo, tendo-se referido ao monumento com a inscrição “Aqui… onde o mar começa e a terra acaba”. Também me falou da existência de um vídeo que circula na Internet, intitulado “Inubousaki and Roca Cape – Friendship Monument” (https://www.youtube.com/ watch?v=l3U5iCyeJLs), onde tive a oportunidade de me inteirar sobre a atitude amistosa das autoridades japonesas de prestarem homenagem à amizade luso-japonesa através da inscrição junto ao farol de Inubo. Numa época em que se constroem muros entre os povos, é com satisfação que se toma conhecimento que também se edificam pontes.

Cabo Inubo “Aqui... onde a terra se acaba e o mar começa”

*O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico


Aqueles que merecem um monumento não precisam dele. William Hazlitt

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 7.11.2019

UNESCO CONFIANÇA NA INSCRIÇÃO DA “ROTA MARÍTIMA DA SEDA” NO PATRIMÓNIO

Mares antes navegados

O

Governo está confiante na inscrição da “rota marítima da seda” na lista do património cultural da UNESCO, um desejo de Pequim que engloba, para já, 25 cidades. “Esperamos que, tal como fomos inscritos no património mundial em 2005 [centro histórico de Macau], também façamos parte daqui a uns anos desta rota”, afirmou ontem o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam. Tam falava aos jornalistas à margem do Simpósio internacional da Rota Marítima da Seda, que reuniu em Macau

académicos locais e do interior da China. Depois de ter visto classificada, em 2014, parte da rota terrestre que serviu de corredor para os intercâmbios comerciais e culturais entre a Ásia e a Europa, a China tem lutado, desde então, pela protecção do itinerário marítimo. Macau, que também foi um “importante porto de trânsito”, salientouAlexis Tam, juntou-se em Maio a uma aliança de 24 cidades chinesas que têm trabalhado para a candidatura deste itinerário junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Ao discursar no evento, o vice-director da administração estatal do património cultural da China, Gu Yucai, sublinhou tratar-se “não só de uma rota comercial”, mas também de uma “importante rota cultural”, na qual convergiram várias culturas. “Não só cidades da China, esperamos também que cidades de outros países possam também integrar esta lista. E esperamos que a UNESCO e outras instituições continuem a apoiar-nos em prol da preservação desta rota marítima”, disse.

FAIXA DO MEIO

Sobre Macau, Gu Yucai sublinhou o “papel importante” que

o território desempenhou na rota da seda e as “vantagens únicas” que desempenha na iniciativa chinesa “Uma Faixa, uma Rota”, também conhecida como a Nova Rota da Seda. Durante o encontro, os dois responsáveis assinaram um acordo de cooperação, que “serve para reforçar ainda mais a cooperação no âmbito do património cultural relacionada com a rota marítima da seda, e para reforçar a preservação do património cultural relevante, facilitando a candidatura da rota marítima da seda para inscrição no património cultural”, foi anunciado durante o simpósio.

Alexis Tam “Esperamos que, tal como fomos inscritos no património mundial em 2005 [centro histórico de Macau], também façamos parte daqui a uns anos desta rota.”

A

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vice-Presidente das Filipinas, Leni Robredo, aceitou ontem a oferta do Presidente Rodrigo Duterte para desempenhar um papel de liderança na luta contra as drogas no país. Leni Robredo, antiga advogada de direitos humanos, disse que, ao concordar com esta oferta incomum, poderia salvar vidas dentro desta operação de repressão contra as drogas, que já deixou milhares de mortos em alegados confrontos com a polícia, situação que alarmou os governos e os grupos de direitos humanos ocidentais. "Muitos manifestaram a preocupação de que esta oferta não é sincera, de que é uma armadilha que só visa minar-me e

Presente envenenado?

Vice-Presidente das Filipinas na liderança contra as drogas

envergonhar-me", disse Robredo numa conferência de imprensa. "Embora se possa dizer que essa oferta é apenas politiquice e que as agências (de combate à droga) não me seguirão e farão tudo para que eu não tenha sucesso, estou pronta para suportar tudo isso", acrescentou. "Se eu puder salvar uma vida inocente, os meus princípios e o meu coração dizem-me que eu devo tentar", disse a vice-Presidente. O secretário de Comunicações, Martin Andanar, elogiou a decisão de Robredo.

"Acreditamos que os críticos mais barulhentos devem agir, deve ir além de meros observadores, contribuir ativamente para a mudança", afirmou Andanar. O director regional da Amnistia Internacional para o leste e sudeste da Ásia, Nicholas Bequelin, defendeu por seu lado que Robredo “deverá ter o poder de interromper os assassínios diários e alterar a estrutura mortal de comando (…), caso contrário, esta mudança será um gesto vazio". "A sua nomeação não muda o facto de que a 'guerra às drogas'

TAILÂNDIA PELO MENOS 15 MORTOS EM ATAQUE DE INSURGENTES

P

ELO menos 15 pessoas morreram e várias ficaram feridas ontem na sequência de ataques coordenados atribuídos aos insurgentes muçulmanos no sul da Tailândia, um conflito que já vitimou cerca de 7.000 pessoas desde 2004. Os rebeldes invadiram três postos de segurança na província de Yala na noite de terça-feira, disse à agência espanhola Efe um representante do Comando de Operações de Segurança Interna. Como é norma nos ataques no sul da Tailândia, ainda nenhum dos grupos rebeldes que operam na região reivindicou estes ataques coordenados. Os ataques com armas brancas, assassinatos e ataques com explosivos são frequentes nas províncias de Pattani, Yala e Narathiwat, no sul da Tailândia, apesar do destacamento de 40.000 membros das forças de segurança e do facto de o estado de emergência estar em vigor. Mais de 7.000 pessoas morreram em confrontos nessa área desde que o movimento separatista muçulmano retomou a luta armada em 2004, após uma década de paz, segundo a organização Deep South Watch. Os insurgentes, muçulmanos e de origem malaia, denunciam a discriminação que sofrem do Governo central e exigem mais autonomia e até a criação de um estado islâmico que integre as três províncias que formaram o antigo sultanato de Patani e que a Tailândia anexou séculos atrás.

do governo Duterte equivale a crimes contra a humanidade", disse Bequelin. Perante as constantes críticas de Robredo à sua campanha contra as drogas, Duterte indicou-a como uma das duas líderes de um comité interinstitucional que inclui a polícia e os militares e tem a tarefa de supervisionar e coordenar os esforços do Governo no combate às drogas ilegais.

MAR DE SANGUE

É a última reviravolta na repressão em massa sem precedentes que Duterte lançou depois de assumir o cargo, em meados de 2016. Mais de 6.300 suspeitos de envolvimento com drogas foram mortos após resistirem à prisão e cerca de

1,3 milhões de pessoas foram presas, disseram as autoridades. Grupos de direitos humanos citam um número maior de mortos e acusam alguns polícias de matar suspeitos desarmados com base em evidências frágeis e alterar cenas de crime para fazer parecer que os suspeitos reagiram violentamente. Presidentes e vice-Presidentes são eleitos separadamente nas Filipinas, resultando por vezes em candidatos de partidos rivais como Duterte e Robredo, que acabaram na liderança do país e frequentemente estão em lados opostos em relação às políticas que devem ser implementadas nas Filipinas.

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Hoje Macau 7 NOV 2019 # 4406  

N.º 4406 de 7 de NOV de 2019

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