Hoje Macau 07 OUTUBRO 2022 #5105

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

LUSOFONIA

O PODER DA LÍNGUA GRANDE PLANO

MOP$10

SEXTA-FEIRA 7 DE OUTUBRO DE 2022 • ANO XXI • Nº5107

VOZES

COMUNIDADE

EUROPA PERIFÉRICA

TEMPOS DIFÍCEIS PÁGINA 7

JOÃO ROMÃO

LUSA

PUB.

Paulo Cunha Alves está de saída da RAEM. Para o seu lugar, chega Alexandre Leitão, diplomata com passagens por Angola e Senegal, além de ter liderado a representação de Portugal na União Europeia em matéria de assuntos parlamentares. Natural de Coimbra, foi ainda embaixador em Timor-Leste e conselheiro de António Costa. PÁGINA 5 CCM

SER FELIZ PÁGINA 13

SENTIDO DE JUSTIÇA

Ana Cristina Alves

SU DONGBO

António Graça de Abreu

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hojemacau Bem-vindo Sr. Cônsul


2 grande plano

Um estudo publicado na terça-feira por Johnny Lam e Wai In Ieong, académicos da Universidade Politécnica de Macau, defende que língua e cultura portuguesa são elementos fundamentais para Macau se afirmar e contribuir para a construção da Grande Baía. Ao assumir plenamente a função de plataforma com os Países de Língua Portuguesa, Macau pode ajudar mais regiões da China a entrar em novos mercados e a promover o intercâmbio cultural

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LUSOFONIA

LÍNGUA E CULTURA SÃO CHAVES PARA A AFIRMAÇÃO DE MACAU NA GRANDE BAÍA

Fazer o que A

afirmação de Macau na Grande Baía passa pela promoção da língua de Camões, que é vista como chave para trocas comerciais e culturais com os Países de Língua Portuguesa (PLP). Esta é uma das conclusões de um estudo publicado, a 2 de Outubro, na revista científica Asia-Pacific Journal of Second and Foreign Language Education. A investigação esteve a cargo dos académicos Johnny Lam e Wai In Ieong, da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade Politécnica de Macau.

No artigo com o título “Translinguismo e Sociedade Multicultural de Macau: passado, presente e futuro”, os autores analisam alguns dos aspectos da sociedade de Macau e consideram que o multiculturalismo pode ser uma vantagem, principalmente para o projecto da Grande Baía. “Macau pode capitalizar as suas vantagens linguísticas e culturais, assumir-se como centro cultural e assumir um papel influente para facilitar a comunicação entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, é defendido por Lam e Wai.

“O multiculturalismo é uma das características vibrantes da sociedade de Macau, contribuindo para preservar as culturas religiosas,

“A longa História da cultura portuguesa em Macau também influencia as relações de proximidade entre Macau e os Países de Língua Portuguesa.”

étnicas, históricas e sociais, que por sua vez são altamente benéficas para o desenvolvimento de sinergias e a projecção de Macau na Grande Baía”, acrescentou. Esta conclusão em concreto tem por base um documento das autoridades municipais de Zhuhai sobre a Zona de Cooperação Aprofundada entre Cantão e Macau, na Ilha da Montanha. Segundo o documento, as autoridades do Interior da China esperam que a zona de cooperação permita a Zhuhai aprofundar a relação com os Países de Língua Portuguesa e ajudar


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grande plano 3

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não foi feito

estabelecer uma melhor plataforma de serviços e comércio com os Países de Língua Portuguesa”, sugerem. Desempenhando este papel, além da utilização da língua os investigadores recomendam igualmente que Macau promova as características culturais portuguesas na Grande Baía como uma forma de demonstração de soft power e aproximação aos mercados que serve como plataforma. Em relação ao “poder” da língua portuguesa, o facto de ser um idioma com origens europeias é também apontado como forma de promover melhores relações entre a China e a União Europeia.

Inverter a tendência

empresas da região a explorar mais nesses mercados e a estabelecer laços com companhias sediadas na América do Sul e em África.

Apostar na formação

Contudo, para poder chegar a este objectivo e para que Macau se possa afirmar como um centro comercial e cultural na Grande Baía com base na língua portuguesa, os autores destacam que é necessário continuar a apostar no ensino e na formação de quadros bilingues. “Quer seja para preservar a sua identidade cultural, respeitar

“Quer seja para preservar a sua identidade cultural, respeitar a diversidade das suas comunidades, ou alcançar plenamente o papel como uma plataforma [...] Macau precisa de formar mais tradutores de Chinês-Português.”

a diversidade das suas comunidades, ou alcançar plenamente o papel como uma plataforma de comércio e serviços entre a China e os Países de Lusófonos, Macau precisa de formar mais tradutores de Chinês-Português”, é recomendado pelos académicos. “Por isso, Macau pode desenvolver activamente a formação de mais quadros qualificados com competências nas duas línguas, promover a cultura portuguesa tanto interna como externamente, e fazer uma boa utilização das suas vantagens linguísticas para desenvolver e

A necessidade de formar mais quadros conhecedores da língua portuguesa é explicada com a tendência identificada no território, através da análise da proporção de falantes de português como língua materna. Os autores destacam que a proporção em 1991 já era reduzida, na casa dos 1,8 por cento da população, e que depois da transição caiu “significativamente” para 0,6 por cento da população, logo em 2001. A partir desse momento, até 2016, a proporção de pessoas com o português como língua materna manteve-se estável. No entanto, o número é reduzido face à fatia demográfica que tem o inglês como língua materna, que desde 2001 até 2016 cresceu de 0,7 por cento da população para 2,8 por cento da população. O inglês é visto como uma boa aposta para a região, uma vez que é a língua

“Evidentemente que todas estas iniciativas reconhecem o valor especial histórico de Macau, o património cultural único, a riqueza e bem-sucedida sociedade multicultural.”

O QUE É TRANSLINGUISMO? O título do estudo dos autores Johnny Lam e Wai In Ieong recorre ao conceito de translinguismo. Esta é a definição para um processo pedagógico desenvolvido no país de Gales por Cen Williams, que pedia aos alunos para que utilizassem o inglês para ler durante as aulas e escrevessem as notas do que liam em galês, para que desenvolvessem competências nas duas línguas. Desde os anos 80 que o conceito tem sido cada vez mais utilizado no campo da investigação científica, principalmente para definir o fenómeno em que duas línguas diferentes em contacto de influenciam e desenvolvem.

mais utilizada profissionalmente nas áreas científicas e financeiras. No campo das chamadas três línguas “mainstream” de Macau, a tarefa mais facilitada está relacionada com o chinês e a utilização do mandarim. Entre 1991 e 2016, a proporção de utilizadores do mandarim como língua materna cresce de 1,2 por cento para 5,5 por cento, ao mesmo tempo que do cantonês desceu de 85,8 por cento em 1991 para 80,1 por cento em 2016.

Reflexo característico

Sobre o papel de Macau na Grande Baía, os investigadores consideram ainda que reflecte o reconhecimento do valor linguístico e cultural da RAEM, o que se traduz no papel como uma plataforma.

“Macau pode desenvolver activamente a formação de mais quadros qualificados com competências nas duas línguas [chinês e português].” Esta plataforma vai ser construída com diferentes elementos, com os autores a destacarem o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), o Centro de Trocas Culturais entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Um Centro de Treinos para Talentos Bilíngues Proficientes em Chinês e Português, e ainda o Centro de Liquidação de Renminbis em Macau entre os Países de Língua Portuguesa. “Evidentemente que todas estas iniciativas reconhecem o valor especial histórico de Macau, o património cultural único, a riqueza e bem-sucedida sociedade multicultural”, é sustentado. “A longa História da cultura portuguesa em Macau também influencia as relações de proximidade entre Macau e os Países de Língua Portuguesa”, é completado. João Santos Filipe


4 política

NOVO BAIRRO DE MACAU FRACÇÕES À VENDA A PARTIR DO PRÓXIMO ANO

SÃO TOMÉ MACAU UNE-SE COM ÁGUA GRANDE ACAU passa a ser cidade geminada com o distrito de Água Grande, em São Tomé e Príncipe. O memorando assinado entre a região e o país foi promulgado no passado dia 28 de Setembro, mas só ontem foi publicado em Boletim Oficial (BO). O memorando determina que a geminação entre os dois territórios tem por objectivo “reforçar a compreensão mútua e desenvolver as relações de amizade entre as partes”. Desta forma, tanto Macau como o distrito de Água Grande “comprometem-se a aproveitar as vantagens próprias e a realizar as adaptações necessárias a fim de estabelecerem relações de amizade intensas e consolidadas” fomentando “conjuntamente

a prosperidade e o desenvolvimento de ambos os territórios”. A ideia é desenvolver acções de cooperação “nas áreas da economia, comércio, turismo, cultura, educação, ambiente e assuntos da juventude”. O plano de geminação passa ainda pela promoção da “comunicação e colaboração entre organismos oficiais”, além de se incentivar “o intercâmbio e visitas mútuas entre os oficiais dos Governos nas áreas de interesses comuns, a fim de reforçarem a construção e o desenvolvimento em ambos os territórios”. O acordo foi celebrado entre Ho Iat Seng, Chefe do Executivo, e José Maria Fonseca, presidente da Câmara Distrital de Água Grande.

A cidade da Montanha

Até ao final do ano, as 27 torres residenciais e edifícios escolares do Novo Bairro de Macau em Hengqin vão estar prontos. A Macau Renovação Urbana, S.A. anunciou que as fracções habitacionais serão colocadas à venda em 2023. Dos mais de 4.000 apartamentos, cerca de 80 por cento têm duas assoalhadas zonas comerciais, que podem albergar cerca de 60 estabelecimentos comerciais). Neste domínio, a Macau Renovação Urbana espera que os espaços concedam “oportunidades de negócio e abrindo um vasto leque ofertas de retalho que responda às necessidades diárias dos habitantes”. Tendo em consideração que o estacionamento é um dos problemas vividos pela população de Macau, o novo bairro vai estar equipado com mais de 4.000 lugares de estacionamento, mais de 3.000 metros quadrados com instalações desportivas e parques de diversão para crianças. Para completar os espaços de recreio, a Macau Renovação Urbano adianta que cerca de 35 por cento da área do projecto é ocupada por zonas verdes. No total, as autoridades esperam que o Novo Bairro de Macau seja habitado por uma comunidade composta entre 12.000 e 15.000 residentes.

GCS

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PUB.

Aviso sobre pedido de junção de restos mortais em sepultura perpétua Eu, Jerónimo Hung (吳智階), nos termos da alínea 3) do n.º 1 e dos n.os 2 a 3 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento um pedido da junção das cinzas de José Hung (吳智謙), na sepultura n.º SM-1-0287 do Cemitério de S. Miguel Arcanjo. O defunto cujos restos mortais se pretende juntar era bisneto do falecido já ali depositado, o primeiro inumado, Maria José aliás Maria Hó. Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso, ao IAM. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos de cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito dentro do prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 7 de Outubro de 2022 Jerónimo Hung

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Novo Bairro de Macau está a ganhar contornos concretos e é uma realidade cada vez mais próxima. A Macau Renovação Urbana (MRU) indicou ontem que as primeiras fracções habitacionais vão estar à venda no próximo ano e que o projecto global, com todas as infra-estruturas e equipamentos, deverá estar concluído na segunda metade de 2023. O complexo urbano é composto por elementos residenciais, educativos e com serviços de saúde e sociais, espalhados por cerca de 620 mil metros quadrados de área bruta localizados no coração da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, a uma distância de 6 minutos de carro do posto fronteiriço da Ilha da Montanha. A construção das 27 torres residenciais e os edifícios escolares adjacentes deverá ser

concluída ainda este ano, de acordo com a MRU. Em termos de tipologia, dos mais de 4.000 apartamentos disponíveis, cerca de 80 por cento têm dois quartos, enquanto os restantes têm três assoalhadas. A MRU indica ainda ter reservados mais de 200 fracções habitacionais para atrair quadros qualificados. Em termos de enquadramento paisagístico, o Novo Bairro de Macau tem nas “traseiras” a Montanha Xiao e está virado para rio Tianmu, “criando um ambiente residencial em que a natureza é incorporada na cidade”, escreve a empresa de capitais públicos. As 27 torres de apartamentos têm entre 19 e 26 andares,

com um piso típico a ter entre sete ou oito apartamentos.

Elementos extra

Além das áreas habitacionais, o Novo Bairro de Macau foi desenhado a pensar nas comodidades que tornam um local habitável para um residente de Macau. “O projecto vai ter equipamentos e serviços conectados a Macau, como uma creche (com capacidade para 12 turmas), uma escola do ensino básico (com capacidade para 18 turmas), um centro de saúde, um centro com serviços para idosos, e um centro com serviços familiares. Cerca de 5.000 metros quadrados serão dedicados a

Em termos de enquadramento paisagístico, o Novo Bairro de Macau tem nas “traseiras” a Montanha Xiao e está virado para rio Tianmu, “criando um ambiente residencial em que a natureza é incorporada na cidade”

Uns toques lusos

Outro dos trunfos do projecto, elencados pela Macau Renovação Urbana, é a conectividade entre edifício através de “corredores de vento e chuva”, que permitem aos residentes mover-se em segurança entre os prédios, independentemente das condições atmosféricas. Para que a transição de Macau para Hengqin seja suave, o design dos postes de iluminação, gradeamentos de rua e pavimentação das áreas públicas incorporam elementos estilísticos portugueses e do sul da Europa, como ruas empedradas e calçadas, exportando para a Ilha da Montanha as características de Macau. Recorde-se que o Novo Bairro de Macau nasceu em 2019 com o acordo para a transferência do usufruto do lote, negociado entre o Executivo da RAEM e o Governo Municipal de Zhuhai. A construção começou em 2021. João Luz


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DIPLOMACIA ALEXANDRE LEITÃO É O NOVO CÔNSUL DE PORTUGAL EM MACAU

ISTOCK

O Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos vai continuar a funcionar por mais um ano, a partir do dia 20 de Dezembro. A decisão foi tornada pública ontem através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. Este gabinete foi criado em 2019 e funciona sob alçada do gabinete do Chefe do Executivo, tendo como objectivos “rever o regime de supervisão e gestão dos activos públicos da RAEM”. Outra das acções da entidade é “analisar e estudar o modo de funcionamento e gestão de empresas cuja participação financeira é detida, directa ou indirectamente, pela RAEM ou por outras pessoas colectivas de direito público e de fundos que possuem autonomia administrativa e financeira”.

A

O senhor que se segue

Alexandre Leitão será o próximo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. O diplomata chega à RAEM depois de passar por Angola, Senegal e por cargos na União Europeia, ao longo de uma carreira com mais de duas décadas

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HEGADO a Macau em Outubro de 2018, Paulo Cunha Alves está de saída do cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. A notícia da sua substituição foi avançada ontem pela TDM - Rádio Macau, que aponta ainda o nome do diplomata Alexandre Leitão para o cargo de cônsul-geral na RAEM. O HM pediu uma reacção a Paulo Cunha Alves, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter respostas às nossas questões. Alexandre Leitão entrou para a carreira diplomática em 1999, assumindo

deputada Wong Kit Cheng, ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau, está preocupada com o aumento dos casos de violência doméstica devido à pandemia da covid-19. A posição foi tomada ontem num artigo publicado no jornal Ou Mun, em que Wong Kit Cheng recordou o sexto aniversário da entrada em vigor da lei de prevenção e combate à violência doméstica. Os dados oficiais do Sistema Central de Registo de Casos de Violência Doméstica de 2021 mostra, que o número de casos face a 2020 quase duplicou. E nem o facto de nos primeiros sete meses deste ano a tendência mostrar uma melhoria ligeira, segundo Wong Kit Cheng, contribui para que se possa desvalorizar o

Fez ainda assessoria para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Natural de Coimbra, o diplomata licenciou-se em Geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e começou por ser professor. Além disso, é formado em Administração Autárquica pelo Centro de Estudos e Formação Autárquica, além de possuir um mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa.

LUSA

Activos públicos Gabinete de supervisão continua por mais um ano

Mandato pandémico

funções consulares em Benguela e Senegal, além de ter sido Chefe dos Assuntos do Parlamento Europeu na Representação de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas. O futuro líder da representação diplomática de Portugal em Macau

Alexandre Leitão entrou para a carreira diplomática em 1999, assumindo funções consulares em Benguela e Senegal, além de ter sido Chefe dos Assuntos do Parlamento Europeu na Representação de Portugal junto da União Europeia

Panela de pressão Wong Kit Cheng alerta para aumento de violência doméstica devido à pandemia

fenómeno. “Podemos ver que o impacto da epidemia na economia e nas emoções dos residentes merece atenção social”, escreveu a deputada.

foi ainda embaixador da União Europeia em Timor-Leste. Ainda na área diplomática, Alexandre Leitão foi conselheiro do primeiro-ministro, António Costa, assessor do secretário de Estado da Administração Pública e da Modernização Administrativa.

Os dados para este ano ainda não estão disponíveis, mas segundo o Sistema Central de Registo de Casos de Violência Doméstica, em 2021 houve uma média de

6,8 casos suspeitos de violência doméstica por mês. Em comparação, a média de casos em 2020 tinha sido de 3,2 por mês. As estatísticas mostram também que durante o primeiro ano da pandemia o número de casos suspeitos de violência doméstico foi o mais baixo dos últimos cinco anos. Em 2019, a

Em Outubro de 2018, Paulo Cunha Alves afirmava que, no novo cargo diplomático em Macau, pretendia apostar numa “diplomacia cultural” através de uma “estreita cooperação” com o Instituto Português do Oriente (IPOR), como com o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. À data, Paulo Cunha Alves vinha do cargo de embaixador de Portugal na Austrália, Nova Zelândia e Estados do Pacífico Sul, substituindo Vítor Sereno. O ainda cônsul tinha também como prioridade o aprofundamento dos laços comerciais e económicos entre Portugal e Macau. Porém, grande parte do mandato de Paulo Cunha Alves acabou por ficar marcado pela pandemia e pelos entraves na circulação de bens e pessoas que afectaram toda a sociedade, mas também a comunidade portuguesa a residir em Macau. Andreia Sofia Silva

média de casos tinha sido de 3,8 ocorrências por mês. Para a legisladora, um dos motivos que explica o agravamento do fenómeno é a deterioração da situação financeira das famílias com a crise económica e o desgaste das pessoas com as medidas restritivas de combate à pandemia.

Grande contributo

Apesar da situação menos positiva dos últimos anos, Wong Kit Cheng destaca que um dos grandes contributos da entrada em vigor do regime legal foi o facto de ter alertado a “sociedade para a necessidade de prevenir e combater a violência doméstica”. Ainda assim, a deputada aconselha aos governantes que não parem de fazer este trabalho e que além de alertarem a população para

o fenómeno se proponham a actualiza a lei de forma regular, “na altura adequada”. Por outro lado, destacou que cada vez mais casos envolvem crianças e que tem recebido queixas a alertar para essa realidade, pelo que considera necessário que sejam pensadas mais medidas para que os casos seja detectados cedo e que se afastem o mais depressa possível os perpetuadores das vítimas. Por último, Wong Kit Cheng apelou às autoridades para prestarem atenção aos centros de abrigo, para optimizarem as condições existentes, ao mesmo tempo que criem outros serviços, como a oferta de empregos para as vítimas, no caso de serem maiores, mas financeiramente dependentes dos agressores. J. S. F.


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Tendência do ano

Em Abril deste ano, o território tinha levantado as restrições fronteiriças a trabalhadores filipinos, estudantes

TNR QUASE 3.700 DEIXARAM MACAU EM AGOSTO

Bilhetes de ida

Durante o mês de Agosto, quase 3.700 trabalhadores não-residentes saíram de Macau, no rescaldo do surto de covid-19 que começou 18 de Junho. Os sectores da hotelaria e restauração foram os mais afectados. Desde o início de Junho, mais de 11.000 não-residentes abandonaram a RAEM OLGA SANTOS

número de trabalhadores não-residentes (TNR) em Macau diminuiu em quase 3.700 em Agosto, o mês a seguir ao pior surto de covid-19 que Macau enfrentou desde o início da pandemia. Segundo dados da Polícia de Segurança Pública, no final de Agosto, Macau tinha pouco mais de 154 mil trabalhadores sem estatuto de residente, com mais de metade (quase 106.300) oriundos do Interior da China. As estatísticas, divulgadas ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que foram também os trabalhadores não-residentes da China os mais afectados (menos 2.100) pela diminuição sentida em Agosto, seguidos pelos do Vietname (menos 500). O sector da hotelaria e restauração foi o mais atingido pela queda, tendo perdido mais de 1.100 funcionários sem estatuto de residente em Agosto. Desde o início de Junho, Macau viu o número de trabalhadores não-residentes diminuir em mais de 11.200. Desde que Macau fechou as fronteiras a estrangeiros sem o estatuto de residente, em Março de 2020, perdeu quase 19 por cento da mão-de-obra não-residente, com cerca de 35.500 pessoas a ficarem sem emprego, situação que legalmente os obriga a abandonar a cidade.

Desde que Macau fechou as fronteiras a estrangeiros sem o estatuto de residente, em Março de 2020, perdeu quase 19% da mão-de-obra não-residente, com cerca de 35.500 pessoas a ficarem sem emprego

universitários e profissionais do ensino estrangeiros, como professores portugueses. A isenção foi mais tarde alargada a trabalhadores oriundos da Indonésia. No início de Setembro, Macau passou a permitir a entrada de todos os trabalhadores não-residentes, assim como viajantes de 41 países, incluindo o Brasil, e familiares de residentes. Apesar da diminuição do número de trabalhadores não-residentes, a taxa de desemprego em Macau atingiu 4,3 por cento entre Junho e Agosto, o valor mais elevado desde 2004. No final de Setembro, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, anunciou que a China iria voltar a permitir excursões organizadas e emitir vistos electrónicos para visitas a Macau, até Novembro, para “promover a recuperação do dinamismo económico” da cidade. João Luz com LUSA

FEIRA DE EMPREGO MAIS DE 1.100 VAGAS ESTE FIM-DE-SEMANA

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AIS de 1.100 ofertas de emprego serão proporcionadas na “Feira de emprego para jovens 2022”, que se realiza no sábado e domingo no salão de convenções do Venetian Macao, anunciou ontem a Direcção dos Serviços para osAssuntos Laborais (DSAL). O evento organizado pela Associação de Nova

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Juventude Chinesa de Macau, a Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau e a DSAL terá ainda 20 palestras temáticas dos vários sectores da economia representados no certame. A feira de emprego irá contar com a participação de mais de 70 empresas, número equivalente ao ano anterior.

Deste conjunto, oito são provenientes do Interior de China, enquanto as restantes empresas/entidades estão sediadas em Macau. Cerca de 70 por cento das empresas presentes operam nos sectores do turismo e lazer, de comércio a retalho, financeiro, tecnologias de informação e comunicação e

engenharia electro-mecânica. Para prestar apoio aos jovens na busca de emprego, serão organizados workshops de simulação de entrevista, redação de curriculum vitae para candidatura de emprego, serviços de apoio ao empreendedorismo juvenil, assim como formações sobre relações laborais. J. L.

COTAI INSCRIÇÕES PARA VISITAS ÀS ZONAS ECOLÓGICAS ABERTAS

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RRANCAM hoje as inscrições para as habituais visitas às zonas ecológicas do Cotai promovidas pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). O chamado “Dia Aberto ao Público” acontece nos dias 15 e 29, às 10h e 15h, existindo um total de 100 vagas. A visita dura duas horas e será orientada por guias que vão mostrar os detalhes da Zona Ecológica I, que está condicionalmente aberta ao público, e a Zona Ecológica II, que tem uma gestão aberta e onde se poderá apreciar as plantas e observar a beleza das aves. No próximo dia 15 acontece ainda, às 10h e 15h, o workshop “Actividade educativa sobre a natureza”, que se destina a pais e filhos,

disponibilizando um total de dez vagas. Durante a actividade, de duas horas e meia, o instrutor vai transmitir conhecimentos relativos à ecologia e orientar as crianças para fazerem desenhos de folhas aí recolhidas. No dia 29 de Outubro, decorre ainda o workshop “Conhecer mais sobre peixes” nas zonas ecológicas. A actividade permite que os participantes entrem nas referidas zonas e possam “medir os peixes comuns, elaborar desenhos e conhecer as espécies de peixes através da aplicação móvel da DSPA”. Será ainda permitido “completar a tabela de medição para adquirir mais conhecimento sobre os peixes que habitam nas zonas ecológicas”.

AMCM RESIDENTES DEPOSITARAM MAIS EM AGOSTO

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S depósitos de residentes subiram em Agosto 1,2 por cento em comparação com o mês anterior, tendo atingido um total de 668,8 mil milhões de patacas, indicou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Também os depósitos de não-residentes cresceram 6 por cento, atingindo 346,8 mil milhões de patacas. Os depósitos do sector público na actividade bancária acompanharam a tendência de ligeiro crescimento durante o mês de Agosto, 0,7 por cento, para um valor total de 262,3 mil milhões de patacas. No cômputo geral, o total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 2,3 por cento quando comparado com Julho,

tendo atingido 1.277,9 mil milhões de patacas. O dólar de Hong Kong continua a ser a moeda mais utilizada nos depósitos (com 46,5 por cento), seguido do dólar norte-americano (23,7 por cento), a pataca (19,9 por cento) e o renminbi (7,6 por cento). No capítulo dos empréstimos internos ao sector privado, aAMCM dá conta de um crescimento de 0,3 por cento em relação ao mês anterior, atingindo 564 mil milhões de patacas. Os empréstimos ao exterior decresceram 1,7 por cento, para um total de 749,7 mil milhões de patacas. Como resultado, os empréstimos ao sector privado decresceram 0,9 por cento em relação ao mês anterior, fixando-se em 1.313,7 mil milhões de patacas. J. L.


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PLATAFORMA MULTIMEDIA

No movimento contrário há residentes que estão a voltar ao território, depois de algum tempo fora. “Há pessoas que são residentes e que por qualquer razão ficaram fora e não puderam regressar. Agora estão a aproveitar para regressar. Acho que se nota”, afirmou a dirigente da Casa de Portugal. Ainda assim, as entradas não compensam as saídas: “Não vejo a compensação do número que tem saído”, reconheceu.

Metro Ligeiro Obras na estação da Barra terminam em Março

As obras de construção da estação da Barra do Metro Ligeiro deverão ficar concluídas em Março do próximo ano. A notícia foi avançada ontem pela TDM Rádio Macau, que, citando a imprensa chinesa, aponta para o atraso da construção devido à pandemia da covid-19. De frisar que o orçamento para a obra é de 1.100 milhões de patacas. O Metro Ligeiro começou a ser construído há dez anos.

Na corda bamba

Em relação à situação actual, e às políticas contra a pandemia, Amélia António admitiu que ainda

Portugal Assembleia da República analisa pedido da APOMAC

“Enquanto o horizonte continuar a ser que ao menor sinal é preciso fechar e tomar medidas drásticas, vivemos na corda bamba.”

A Assembleia da República vai analisar a queixa feita pela Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) que defende que os reformados portugueses de Macau devem receber o suplemento extra de meia pensão anunciado pelo Executivo de António Costa. A carta enviada ao HM, e assinada pela chefe de gabinete de Augusto Santos Silva, presidente da AR, diz que o pedido será encaminhado para a Comissão de Trabalho e Segurança Social e para o gabinete da Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares para uma análise mais aprofundada.

CTT Emissões filatélicas celebram aniversários de instituições

A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações decidiu aumentar o número de emissões filatélicas até ao final do ano com mais duas colecções especiais. O anúncio foi feito ontem através de um comunicado dos CTT, em que se explica que as novas colecções celebram a Transmac e a celebração do 70.º aniversário da companhia assim como o 130.º aniversário da Associação de Beneficência Tung Sin Tong. As colecções vão ser emitidas a 8 de Novembro e 22 de Novembro, respectivamente.

AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL

AMÉLIA ANTÓNIO ADMITE QUE SAÍDAS ULTRAPASSAM ENTRADAS

Um adeus lusitano

É cada vez mais difícil de convencer os portugueses a virem pela primeira vez para Macau, devido às medidas contra a pandemia. No entanto, alguns residentes que estiveram fora estão a regressar

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presidente da Casa de Portugal, Amélia António, admite que as saídas de portugueses de Macau estão a acontecer a um ritmo mais elevado do que as entradas. O cenário foi traçado na quarta-feira, 5 de Outubro, à margem da cerimónia de celebração da Implementação da República em Portugal, e traz

novos desafios para as instituições e comunidade portuguesa. “Sei que há professores que vieram [para o território]. Nós temos muitas falhas nos nossos formadores, porque temos gente a sair sem que entre outra para o mesmo lugar. Portanto, não há um movimento [de entradas] que seja assim visível”, afirmou Amélia António, em declarações ao Canal Macau.

Na visão da presidente da Casa de Portugal um dos entraves é a exigência de quarentena para quem chega do exterior. “Quem vem de novo, sabendo que vem para passar primeiro pela quarentena, e também pelo que se ouve das dificuldades que se têm vivido estes anos é difícil trazer gente que venha de novo para o território”, justificou.

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AUL Pun, secretário-geral da Caritas Macau, vai presidir nos próximos três anos ao Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS), cujo novo mandato tem efeitos a partir do dia 24 deste mês. Segundo o despacho

publicado ontem em Boletim Oficial, foram ainda designados os vogais, que tem como função principal a acreditação de profissionais e verificação de competências para exercerem. Desta forma, Alice Wong, do Instituto de

Acção Social, Lau Ping Kuen, da Universidade Politécnica de Macau e Lok Chan Nei, da Universidade de Macau Chan Nei, da Universidade da Cidade de Macau, ambos ligados à área do serviço social, são alguns dos nomes aponta-

dos como vogais. Ng Um Ieng, da Associação dos Assistentes Sociais de Macau, faz também parte deste grupo. A entidade conta ainda com mais cinco vogais. Este é o segundo mandato do CPAS que já esteve

envolto em polémica. Isto porque, em Abril, assistentes sociais, representados por uma associação de cariz sindical, queixaram-se de falta de transparência e problemas na nomeação dos seus representantes no órgão.

SOFIA MARGARIDA MOTA

ASSISTENTES SOCIAIS PAUL PUN PRESIDE AO CONSELHO PROFISSIONAL

é cedo para perceber o que vai acontecer nos próximos temos, mas que é necessário manter a esperança. “Actualmente, ainda é cedo para percebemos o que vai acontecer. Há esperança, há expectativa, mas é muito cedo”, indicou. “De um momento para o outro, enquanto o horizonte continuar a ser que ao menor sinal é preciso fechar e tomar medidas drásticas, vivemos na corda bamba, é como estar em cima do arame”, considerou. A CPM celebrou na quarta-feira o 112.º aniversário de Implementação da República e como tradicionalmente acontece foram entregues prémios aos melhores estudantes de português. “Há anos que decidimos que o 5 de Outubro seria sempre lembrado com a entrega dos prémios aos melhores alunos do ano. Fizemos uma ligação entre uma coisa e outra porque era uma maneira de atingir dois objectivos fundamentais”, explicou. “O que não podemos deixar de fazer, em circunstância nenhuma, é de assinalar a data e de assinalá-la da forma que julgamos mais importante, que é dando o destaque necessário à língua portuguesa”, vincou. João Santos Filipe


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Sentido de Justiça HERACLITO OU Heráclito, o Obscuro, nasceu em Éfeso, antiga colónia grega da Ásia Menor (Turquia), em meados do século VI a.C. Pensa-se que fosse filho do Rei-Sacerdote de Éfeso. Segundo Diógenes Laércio, abdicou do trono, heranças e mordomias cedendo os direitos ao seu irmão. Tornou-se misantropo e era muito admirado pela sua sabedoria, embora fosse considerado um pensador obscuro e ele mesmo tivesse como meta a sabedoria, acreditando à semelhança de um dos seus sucessores na filosofia, Sócrates, que esta se encontrava além, pois quanto mais fundo se ia no conhecimento, tanto mais vasta era a consciência do horizonte desconhecido. Abrigou-se por um tempo no templo de Ártemis, a deusa grega da caça, filha de Zeus e de Leto, irmã gémea de Apolo, personificava o espírito feminino independente. Depois tornou-se eremita nas montanhas, seguindo o mais estrito regime vegan, pois para a sua alimentação não contava com mais do que raízes e plantas. Segundo Heraclito, na physis, ou natureza, o princípio gerador e regulador do cosmos expressa-se no fogo, imagem viva da justa transformação, numa realidade em devir, cujas mutações seguiam uma racionalidade dialética própria, um logos, razão do universo, viabilizador do todo organizado, ou seja, o cosmos, iluminado por esta razão à semelhança do fogo solar, dando visibilidade a todos os seres da terra. É dele o famoso aforismo: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, porque tanto a água como o homem mudam incessantemente, estando e não estando; sendo e não sendo. Considerava, portanto, que o pensamento tudo governava, incluindo a mudança, que geria de um modo tensional, donde resultava a harmonia, da oposição e da discórdia. Um outro aforismo célebre é: A guerra é a mãe e rainha de todas as coisas, alguns transforma em deuses, outros em homens; de alguns faz escravos, de outros homens livres. Ainda que Heraclito reconhecesse a importância da guerra na lógica da organização do mundo, ele não era um guerreiro stricto sensu. O muito pouco que se conhece da sua biografia, leva a concluir precisamente o contrário. Sabemo-lo vegetariano e eremita. Mas não é menos verdade que terá depositado os seus escritos à guarda da Deusa da Caça, no tempo que lhe era dedicado. Assim, seria um guerreiro sábio lato sensu, já que destacava a luta e a discórdia para a organização de um cosmos sempre em transformação dialética e racional, personificada pelo fogo terreno e astral, que com os seus ritmos e regularidades iluminavam o mundo. Os escassos aforismos que nos chegaram de Heraclito aproximam-no, com algu-

ma margem hermenêutica, do pensamento de Sunzi (孙子), que também terá vivido entre os séculos VI e V a.C., sendo o maior estratega da antiguidade chinesa, igualmente filósofo, a quem é, por tradição, atribuído o tratado de estratégia, a Arte da Guerra 《孙子兵法 Sunzi bingfa》. Este, talvez registado pelos seus discípulos, inaugura com o capítulo “Planear da seguinte forma” (Sunzi, 2001:2): “Disse Sunzi: a guerra é uma questão de importância vital para o estado, uma questão de vida ou morte, uma estrada para a sobrevivência ou ruína. Assim é, um assunto que exige um estudo cuidadoso.” (孙子曰:兵者,国之大事,死生之地,存亡 之道,不可不察也) Ora, o estudo cuidadoso traduz-se numa exposição minuciosa da estratégia da guerra, cuja racionalidade deve ser analisada em profundidade, como sucede neste tratado de treze capítulos, que inicia com o Planear da Guerra, passando para Fazer Guerra, Ofensiva Estratégica, Formas e Disposições, Potencial; Pontos Fracos e Fortes; O Conflito; As Nove Variáveis; O Exército em Marcha; O Terreno; Os Nove Tipos de Terreno; O Ataque pelo Fogo, terminando em Utilização de Espiões. Nada é deixado ao acaso, neste jogo de vida ou de morte. Os planos devem ser estudados em pormenor, as ações medidas, porque se está perante um assunto da maior gravidade, definindo-se o grande estratega como aquele que consegue evitar o conflito no terreno, a menos que seja realmente forçado a partir para ele. Os cinco fatores fundamentais para perceber a conclusão de uma guerra são (Sunzi, 2001:2): o dao (道 dào), “caminho”; o céu (天 tian ); a terra (地dì); o comando (将 jiàng)e os regulamentos(法 fa ), sendo fundamental o primeiro, “o caminho”, definido em termos de “influência moral”. Oiça-se o estratega (Ibidem): “Pelo “caminho”, entendo a influência moral, ou o que leva a população a pensar da mesma forma que o soberano, seguindo-o em cada vicissitude, seja para viver ou para morrer, sem receio do perigo mortal” (道者,令民与上同意也。故 可以与之死,可以与之生,而不畏危). Há, assim, uma justiça inerente ao próprio processo de desencadear e conduzir o conflito que muito influencia a derrota ou a vitória numa guerra. Um soberano, que não obtenha a confiança do seu povo, ou um general, que não se imponha moralmente aos seus militares, estarão condenados ao fracasso. Não se espere, pois, que chefes injustos na distribuição de recompensas e castigos possam conduzir as suas tropas à vitória (Sunzi, 2001:7): “Para que eu possa prever qual dos lados sairá vitorioso, é preciso descobrir qual o soberano que possui mais influência moral, qual o general mais

capaz, qual dos lados beneficia de mais vantagens do céu e da terra, quais as tropas mais bem armadas e treinadas, qual o comando mais justo na distribuição de recompensas e castigos” (曰:主孰有道?将 孰有能?天地孰得?法令孰行?兵众孰强? 士卒孰练赏罚明?吾以此知胜负矣。) E se é verdade que a guerra implica logro e dissimulação, fingimento, até espionagem, estes estratagemas não devem servir causas menores. Digamos que um bom chefe age corretamente em todas as situações, sendo justo para quem o é, mas também deverá estar à altura do adversário, ou, em linguagem bélica, do inimigo, porque a sua responsabilidade maior é para com a população que deverá proteger. Para tal, será necessário recorrer à inteligência em profundidade, espera-se que seja um guer-

Lang Shining 郎世寧 (Giuseppe Castiglione), Batalha de Khurungui, 1758. General Zhao Hui derrota as forças Z

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reiro sábio, como somos informados em Ofensiva Estratégica, porque melhor do que travar batalhas é não o fazer (Sunzi, 2001: 21) : “Travar cem batalhas, ganhando cada uma delas, não é a atitude mais sábia. Quebrar a resistência do inimigo sem lutar, é.” ( 是故百战百胜,非善之善者也;不战而屈人 之兵,善之善者也。). Mas nem sempre é possível evitar o conflito, porque há atos agressores que não podem ficar sem resposta. Nesse caso, aconselha-se um conhecimento profundo das suas próprias forças e das do adversário, porque se parte do mesmo princípio a animar o pensamento de Heraclito, há medida e racionalidade em toda a natureza e nos comportamentos humanos, logo aquele que domina a sua própria razão e entende a dos outros, está votado ao sucesso.

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Assim somos aconselhados no capítulo O Terreno (Sunzi, 2001: 95): “Por isso se diz: Conhece o inimigo e conhece-te a ti mesmo para que a vitória não esteja em causa; conhece o céu e a terra para que a vitória seja completa.” (故曰:知彼知已,胜乃不殆; 知天知地,胜乃不穷。) O melhor chefe, nesta China dos tempos antigos, era quem possuía visíveis virtudes morais, ainda que tivesse de ostentar uma atitude silenciosa e imperscrutável perante as suas tropas, deveria ser capaz de manter a disciplina, quase espontaneamente, porque era imparcial e/ou justo, se o critério da justiça se aferir por um comportamento correto e equitativo, como nos é dito no capítulo Os Nove Tipos de Terreno (Sunzi, 2001: 107). Já no penúltimo capítulo, O Ataque pelo Fogo, não restam quaisquer

Pergunte-se se a mentalidade chinesa mudou ao longo dos séculos, sobretudo depois de verificar a consistência com que a China de Xi Jinping tem defendido a neutralidade no conflito russo-ucraniano e, talvez agora, se perceba melhor a razão por que o faz

Zungaras de Amoursana no Monte Khurungui (perto de Almaty, Casaquistão)

Ana Cristina Alves

Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau

dúvidas sobre os verdadeiros princípios defendidos neste primeiro tratado de estratégia chinês e o mais lido ao longo de toda a sua história. Se a guerra acompanha as transformações do mundo, sendo inevitável e de importância decisiva, tornando uns senhores e outros escravos, uns vencedores e de outros vencidos, é um assunto nesta tradição estratégica de uma gravidade tal, que nenhum conflito deve ser travado de ânimo leve, implicando cuidadosas deliberações; é sempre preferível em última análise, não a travar, porque (Sunzi, 2001:121 ) “Um estado que pereceu não pode ser restaurado, nem os mortos trazidos de regresso à vida. Por isso, o soberano iluminado aborda a questão da guerra com a maior precaução, evitando um bom comandante qualquer atitude precipitada. Porque este é o caminho para manter o estado seguro e o exército a salvo. ”(亡国就不可以复存,死者 不可以复生。故明君要慎之,良将警之,此 安国全,军之道也。) Pergunte-se se a mentalidade chinesa mudou ao longo dos séculos, sobretudo depois de verificar a consistência com que a China de Xi Jinping tem defendido a neutralidade no conflito russo-ucraniano e, talvez agora, se perceba melhor a razão por que o faz. O primeiro interesse do país é o de assegurar o bem-estar da sua própria população, sobretudo quando tem estabelecidas relações culturais e comerciais com o vizinho russo, que vêm de longa data, mais constantes desde os tempos da fundação da República Popular Chinesa, para a qual ao tempo a União Soviética contribuiu ideologicamente, e não só. Já que à época estes apoiaram o desenvolvimento económico chinês, nomeadamente no setor industrial. Recorda-nos José Milhazes em Rússia e Europa: uma parte do todo que nos anos 40 e 50 do século XX, Estaline e Mao juraram amizade eterna, “russos e chineses - irmãos para sempre” (Milhazes, 2016: 83), mas com a morte de Estaline reacenderam-se os combates fronteiriços entre os dois vizinhos. Ora é precisamente este tipo de situação que os chineses tentam evitar, para não mencionar os interesses nacionais entre a Gazprom e a China National Petroleum Corporation, com o consequente contrato de fornecimento de gás russo à China por 30 anos, a construção de gasodutos, etc. Embora haja grandes interesses económicos em jogo, nota-se que o presidente russo Vladimir Putin não consegue quebrar a tradição de neutralidade chinesa, que tem vindo a ser consolidada pela China nas questões de política internacional desde meados do século XX até ao presente, sendo os conselhos mais recentes de Xi Jinping ao homólogo russo de procurar restabelecer a paz perdida, com ênfase para

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o enaltecimento apenas via das conversações e do diálogo sem outros compromissos, como sucedeu recentemente no discurso que o presidente realizou na reunião do Conselho de Chefes de Estados Membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) a 16 de setembro de 2022, onde apelou aos valores éticos tradicionais que conduzem a política chinesa, aqueles que já conhecemos desde o clássico A Arte da Guerra: a preocupação com a segurança interna e externa, a confiança mútua, tolerância, justiça, cooperação e diálogo. Ontem e hoje os valores defendidos são os mesmos na China, é a ética que conduz a política e a meta a paz. Mas há quem veja intenções escondidas neste discurso neutro proferido pelas autoridades chinesas. Recordemos o que nos diz José Milhazes na obra já referida: “Pequim é conhecido pelo seu pragmatismo nas relações internacionais, que não deixa qualquer espaço a sentimentos. Por isso, a Rússia é, para a China, um dos muitos instrumentos que poderão ser aproveitados na disputa com os Estados Unidos” (Milhazes, 2016: 90). Não é esta a minha posição, acredito sinceramente na via da moralidade e segurança defendida pelos chineses, e se o fazem não é por razões sentimentais, no que partilho o parecer de Milhazes, mas sim por uma tradição racional, que encontra a sua justiça num sábio equilíbrio de opostos, onde a bela harmonia nasce, recordando as palavras de Heraclito da ponderação e afinação da discórdia.

Referências Bibliográficas • Frazão, Dilva. 2019. “Heráclito”. Ebiografia. Disponível em: https://www.ebiografia.com/ heraclito/, acedido a 22 de setembro de 2022. •

Kirk , G.S, J.E. Raven, M. Schofield. 1983 The Presocratic Philosophers: A Critical History with a Selection of Texts. Cambridge: Cambridge University Press.

Milhazes, José. 2016. Rússia e Europa: uma parte do todo. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

《孙子兵法》Sunzi: The Art of War. 2001. Tradução de 林戊荪.北京:外文出版社.

Sun Tzu. A Arte da Guerra. 2008. Tradução de Ricardo Silva. Versão resumida. Vila Nova de Famalicão: Quasi.


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Do Silêncio e do Vazio na poesia de Su Dongbo António Graça de Abreu

O GRANDE 蘇東坡Su Dongbo (1037-1101) não pára de nos surpreender. A sua vasta poesia, multifacetada nos temas, na abordagem ao real e ao fantástico, desdobra-se diante dos nossos olhos e sensibilidades, num painel distante e próximo de encantamentos e maravilhas. O vazio e o silêncio são temas caros à grande poesia chinesa. Eis quarenta caracteres de poemas de Su Dongbo, recriando o tema: VAZIO E SILÊNCIO (DOIS EXCERTOS) 欲令诗语妙 无厌空且静 静故了群动 空故纳万境 Para a maravilha do poema, o melhor é o vazio e o silêncio. Em silêncio, floresce tudo o que se move, o vazio alberga dez mil imagens. 我心空无物 斯文定何间 君看古井水 万象自往还 O meu coração vazio, suportando coisa nenhuma, não importam as comezinhas coisas do mundo. Olhem a água de um velho poço, dez mil imagens aparecem, desaparecem. A propósito destes versos, do silêncio e da água no velho poço, escreveu He Qing, letrado chinês nosso contemporâneo: “O vazio e o silêncio são considerados como o princípio primevo da poesia. Quanto mais vazio e silencioso um poema soa, mais valor estético ele ganha. “(...) Pode-se imaginar esse silêncio, essa imobilidade, essa limpidez, essa frescura, essa profundidade temporal da água de um antigo poço, e imaginar que esta água silenciosa reflecte, serenamente, os vôos das aves, as viagens das nuvens, as vibrações da luz do sol, as oscilações das relvas e dos ramos das árvores, as mil cores da natureza. Nesta imagem poética reside não só a maior sabedoria chinesa, mas também o estado ideal da estética chinesa: permanecer ancorado no silêncio mais profundo e contemplar os movimentos mais íntimos do universo...” (He Ding, Images du Silence, Pensée et Art Chinois, Paris, L’Harmattan, 1999, pag. 79/80.)

Su Dongbo, Árvore murcha e pedra estranha

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ONU PEQUIM DEMARCA-SE DAS CONDENAÇÕES A PYONGYANG E APONTA O DEDO AOS EUA

China e a Rússia demarcaram-se ontem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de uma condenação geral ao teste com um míssil balístico realizado pela Coreia do Norte e que sobrevoou o território do Japão. Exceptuando a Rússia e a China, todos os membros do Conselho de Segurança criticam o lançamento do míssil norte-coreano, referindo que foram violadas várias resoluções das Nações Unidas. Parte dos países pediu ainda medidas adicionais contra o Governo de Pyonyang, que já está sujeito a fortes sanções internacionais. Porém, a imposição de novas sanções parece impossível devido à posição da Rússia e da China que, em Maio passado, já vetaram uma resolução nesse sentido, tendo ontem mantido a mesma linha de orientação. Moscovo e Pequim culparam os Estados Unidos e os seus aliados pelos últimos testes de armas realizados pela Coreia do Norte, afirmando que estes foram realizados em resposta às suas manobras militares na região. “É óbvio que os lançamentos de mísseis de Pyongyang são uma consequência da actividade militar míope e beligerante em torno do país, levada a cabo pelos Estados Unidos”, referiu a representante da Rússia na sessão, Anna Evstigneeva. Na mesma linha, o diplomata chinês Geng Shuang salientou que os testes ocorrem num contexto de confronto dos Estados Unidos, a quem Pequim acusa de aumentar a tensão na região. Os dois países insistiram que é Washington que deve fazer concessões para facilitar o regresso ao diálogo com Pyongyang e que não consideram apropriadas novas sanções. O diplomata reafirmou que o diálogo e a consulta são a única

AP | BEBETO MATTHEWS

Ventos e tempestades A

na manutenção da paz e estabilidade na Península, realizando a desnuclearização da Península e resolvendo as questões através do diálogo e da consulta”. Por seu lado, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, acusou a Rússia e a China de repetirem “o mito de que as provocações da Coreia do Norte são, de alguma forma, uma consequência das políticas e acções hostis dos Estados Unidos”. “Não toleraremos que nenhum país culpe as nossas acções defensivas para responder às ameaças da Coreia do Norte como a causa inerente dessas ameaças”, sublinhou Thomas-Greenfiled, que lembrou que este ano Pyongyang já lançou 39 mísseis balísticos, um novo recorde.

Posição nipónica

forma de resolver a questão da Península Coreana, exortando o lado americano a agir, a mostrar sinceridade e a criar condições para o reinício do diálogo. “Todas as partes interessadas devem concentrar-se na situação global de paz e estabilidade na Península e evitar que a situação se agrave”,

“Como vizinho próximo, a China presta muita atenção à situação na Península e insistirá sempre na manutenção da paz e estabilidade.” GENG SHUANG REPRESENTANTE DA CHINA NA ONU

disse Geng Shuang, representante permanente adjunto da China nas Nações Unidas. Geng disse que a China reparou nos recentes lançamentos de mísseis da Coreia do Norte, e também reparou nos exercícios militares conjuntos realizados pelos EUA e outros países da região. “O recente reforço da aliança militar dos EUA na região da Ásia-Pacífico aumentou o risco de confronto militar, praticou dois pesos e duas medidas na questão nuclear e envenenou o ambiente de segurança regional. Neste contexto, a situação na Península torna-se inevitavelmente tensa”, comentou Geng. “A experiência histórica mostra que o diálogo e a consulta são a única forma correcta de resolver a questão da Península da Coreia.

Se o diálogo progredir sem problemas, a situação na Península será relativamente estável; se o diálogo estagnar ou mesmo inverter, a situação na Península agravar-se-á”, disse Geng. “Exortamos o lado americano a tomar medidas, a mostrar a sua sinceridade e a abordar eficazmente as preocupações legítimas e razoáveis do lado norte-coreano, a fim de criar as condições para o reinício do diálogo”, disse o diplomata. Geng salientou igualmente que o Conselho de Segurança da ONU deveria desempenhar um papel construtivo na questão da Península Coreana, e não deveria exercer força e pressão cegamente. “Como vizinho próximo, a China presta muita atenção à situação na Península e insistirá sempre

O Japão tinha pedido ao Conselho de Segurança da ONU para mostrar firmeza em relação à Coreia do Norte após o último teste de um míssil balístico norte-coreano, que sobrevoou o território japonês pela primeira vez em cinco anos. “Nós acreditamos que a Coreia do Norte poderia realizar actos mais provocativos, como um teste nuclear”, afirmou o porta-voz do Governo japonês, Hirokazu Matsuno, numa conferência de imprensa. O porta-voz classificou o recente aumento de testes de armas norte-coreanas como “uma ameaça à paz e à segurança do Japão e da comunidade internacional”. O Japão reforçou a vigilância sobre Pyongyang depois de o regime norte-coreano ter lançado um míssil na terça-feira. O míssil norte-coreano viajou cerca de 4.500 quilómetros antes de cair nas águas do Oceano Pacífico. O projéctil balístico atingiu uma altura de cerca de mil quilómetros e sobrevoou principalmente o Estreito de Tsugaru, que separa as ilhas de Hokkaido (norte) e Honshu, onde fica Tóquio. É a primeira vez desde 2017 que a trajectória de um míssil norte-coreano inclui parte do território japonês, facto que o Japão classifica como “uma ameaça grave e iminente” à sua segurança e como “um claro e grave desafio à comunidade internacional”.

TAIWAN AVIÕES DO CONTINENTE NO ESPAÇO AÉREO DA ILHA SERÁ CONSIDERADO UM “ATAQUE”

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MA incursão de aviões militares chineses no espaço aéreo de Taiwan seria considerada “um primeiro ataque contra o país”, disse o ministro da Defesa de Taiwan, Chiu Kuo-cheng, informou ontem a agência de notícias CNA. O ministro fez esta observação na quarta-feira, durante uma

reunião do Comité de Defesa Nacional da Câmara Legislativa da ilha. “A defesa nacional é uma linha vermelha para Taiwan”, disse, avisando que seriam tomadas “contramedidas” se a linha for atravessada. Pequim respondeu à visita em Agosto à ilha pela líder da Câmara dos Re-

presentantes do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, com manobras militares que incluíram fogo real, com aviões chineses a atravessarem a linha média do Estreito de Taiwan, que na prática tinha sido uma fronteira não oficial tacitamente respeitada por Taipé e Pequim nas últimas déca-

das. Chiu acusou Pequim de “quebrar” este acordo. No ano passado, Taipé registou numerosas incursões de aviões militares chineses na sua ADIZ (zona de identificação de defesa aérea), que não está definida ou regulamentada por nenhum tratado internacional e não corresponde

ao seu espaço aéreo. Chiu explicou também que Taiwan continuará a comprar armas dos Estados Unidos, o principal fornecedor de armas ao território, “de acordo com as necessidades” da ilha. A China chamou à viagem de Pelosi uma “farsa” e uma “traição deplorável”

e decretou sanções comerciais a Taiwan, que descreveu os exercícios militares como um “bloqueio”. O ministro disse que várias agências governamentais de Taiwan estão a avaliar a possibilidade de alargar o serviço militar obrigatório na ilha “de quatro para 12 meses”.


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EUA THEODORE RACING REGRESSA COM NOMES DE MACAU

De volta à ribalta

Depois de ter andado praticamente arredada dos grandes palcos internacionais desde 2019, a Theodore Racing regressa este fim de semana a uma casa muito querida pelo seu fundador Teddy Yip Sr, a Indianapolis Motor Speedway Ranking FIFA Selecção portuguesa mantém-se no nono lugar A selecção portuguesa de futebol manteve-se ontem no nono lugar do ranking da FIFA, apesar de ter falhado a presença na ‘final four’ da Liga das Nações, numa lista que continua a ser liderada pelo Brasil. Os resultados nos dois últimos jogos da Liga das Nações, em que venceu a República Checa (4-0) e perdeu em casa com a Espanha (0-1) não promoveram qualquer alteração na hierarquia para a equipa

liderada pelo selecionador Fernando Santos. O Brasil manteve-se no topo da classificação, seguido da Bélgica e da rival Argentina, com a Itália a ultrapassar a Espanha no sexto lugar, na única alteração no top-10. Dos adversários de Portugal no Grupo H do Mundial2022, a Coreia do Sul, orientada pelo treinador português Paulo Bento, segue no 28.º posto, ao passo que o Uruguai caiu para 14.º e o Gana para 61.º. PUB.

E

M parceria com a equipa Craft-Bamboo Racing, as cores da Theodore Racing serão vistas no Mercedes AMG GT3 da equipa de Hong Kong nas 8 Horas de Indianapolis, uma prova pontuável para o Intercontinental GT Challenge, a maior competição de resistência para viaturas da categoria FIA GT3. Esta parceria entre Darryl O’Young, o vencedor da última edição da Taça GT Macau e director da Craft-Bamboo Racing, e Teddy Yip Jr conta com um trio de pilotos muito competente, sendo dois deles “caras conhecidas” do Circuito da Guia: o italiano Raffaele Marciello, vencedor da Taça do Mundo de GT da FIA nas ruas de Macau em 2019, e o

espanhol Daniel Juncadella, vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2011. O terceiro piloto da equipa será o canadiano Daniel Morad, um velho conhecido de Yip Jr dos tempos da sua Status Grand Prix. A Theodore Racing, mais conhecida entre nós pelas múltiplas participações e vitórias no Grande Prémio de Macau, participou pela primeira vez nas 500 milhas de Indianapolis há quarenta e cinco anos. Antes mesmo da sua incursão pela

Fórmula 1, Yip Sr tentou a sua sorte nos Estados Unidos da América. Aliás, Yip Jr brinca invariavelmente com a situação de no dia do seu nascimento o seu pai estar nas 500 milhas de Indianapolis. Para este regresso da Theodore Racing aos “States”, o Mercedes-AMG GT3 irá apresentar o número 77 nas portas, pois o ano de 1977 foi o primeiro dos oito anos consecutivos em que a equipa participou “Indy 500”, tendo obtido dois lugares no pódio

“Estou muito satisfeito pelo regresso da Theodore Racing à Indianapolis Motor Speedway. Sei que o Teddy Sr adorava este lugar, como eu também adoro. Não há outro lugar assim.” TEDDY YIP JR

em 1979 e 1981. A pintura do carro também foi escolhida com cuidado para incluir o vermelho e branco tradicional da Theodore Racing. “Estou muito satisfeito pelo regresso da Theodore Racing à Indianapolis Motor Speedway. Sei que o Teddy Sr adorava este lugar, como eu também adoro. Não há outro lugar assim”, disse Teddy Yip Jr que ressuscitou o nome da equipa do pai em 2013. “Realizar esta prova com os meus amigos da Craft-Bamboo Racing, com quem eu trabalhei de perto e com tanto sucesso no passado, dá-nos confiança de uma boa exibição no dia da corrida. Isto, para além da nossa equipa de pilotos contar com veteranos de Macau e ex-Status Grand Prix que fazem este projecto ainda mais especial para mim.” A pandemia não afastou totalmente a Theodore Racing do Grande Prémio de Macau, pois as cores da equipa de Yip Jr foram vistas nas últimas duas edições da prova. Em 2021, para além de ter apoiado pelo segundo ano consecutivo o Mercedes AMG de Darryl O’Young, o empresário que residiu muitos anos no Canadá também viabilizou a participação do piloto local Charles Leong Hon Chio, que triunfou pela segunda vez consecutiva no Grande Prémio de Macau de Fórmula 4. Sérgio Fonseca

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 19/P/22 Faz-se público que, por despacho da Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 16 de Setembro de 2022, se encontra aberto o Concurso Público para a “Concepção e Execução de Obras de Remodelação da Sala de Radiofluoroscopia (sistema de radiofluoroscopia com tubo de raios X por cima da mesa do paciente) do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, bem como fornecimento e instalação de equipamentos”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 6 de Outubro de 2022, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP129,00 (cento e vinte e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário). Dado que o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas está em construção, com vista a inteirar-se de todas as situações que tenham eventuais impactos na forma de execução da obra, os concorrentes devem assistir à sessão de esclarecimentos, seguida duma visita aos locais a que se destinam as respectivas obras, a ter lugar no dia 10 de Outubro de 2022, pelas 10,00 horas, no r/c do Instituto de Enfermagem do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 21 de Novembro de 2022. O acto público deste concurso terá lugar no dia 22 de Novembro de 2022, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP159.780,00 (cento e cinquenta e nove mil e setecentas e oitenta patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 27 de Setembro de 2022. O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

TÉNIS DE MESA PORTUGAL NOS ‘QUARTOS’ DO MUNDIAL MASCULINO

A

selecção portuguesa masculina de ténis de mesa apurou-se ontem para os quartos de final do Mundial por equipas, ao derrotar a Eslovénia, por 3-0, defrontando o Japão na ronda seguinte em Chengdu, na China. No primeiro encontro da eliminatória,

Marcos Freitas, 33.º do ranking mundial, venceu Deni Kozul, 155.º, por 3-1 (11-8, 11-6, 9-11 e 11-7). A grande surpresa do dia foi da autoria de João Geraldo (49.º da hierarquia), que derrotou Darko Jorgic, actual oitavo jogador do mundo e vice-campeão europeu,

por 3-2 (11-6, 11-13, 4-11, 11-9 e 11-8). A qualificação para os quartos de final foi selada por João Monteiro (83.º), ao bater Peter Hribar (321.º), por 3-0 (11-9, 12-10 e 11-3). Portugal ‘vingou’ assim a derrota na final dos Jogos do Mediterrâneo de 2022, em Oran, naArgélia.

A seleção feminina, pela primeira vez nos quartos de final de um Mundial, defrontava ontem (após o fecho desta edição) a anfitriã e grande favorita China, que se apresenta com as três primeiras jogadoras do ranking mundial. A selecção portuguesa feminina de ténis de

mesa qualificou-se para os quartos de final do Mundial por equipas, ao derrotar o Luxemburgo, por 3-1. Depois de já ter feito história com uma inédita qualificação para os oitavos de final, em Chengdu, a equipa lusa garantiu a presença nos ‘quartos’.


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O Centro Cultural de Macau acolhe, em Novembro, a peça do conhecido encenador de Taiwan, Stan Lai, “Escrito na Água”. Entre os dias 25 e 26 de Novembro o público poderá ver um dos maiores exemplos do chamado teatro de vanguarda, com uma história sobre a busca da felicidade

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TEATRO CCM APRESENTA “ESCRITO NA ÁGUA”, DE STAN LAI, EM NOVEMBRO

Onde está a felicidade?

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OVEMBRO é o mês de Macau receber a peça “Escrito na Água”, do conhecido encenador de Taiwan Stan Lai. O espectáculo que acontece nos dias 25 e 26 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) conta a história de um homem que regressa a casa após um período de estudos no estrangeiro. Na esperança de iluminar algumas almas sombrias, inscreve-se num curso de “Felicidade”, mas depressa se desilude com a sede de lucro de um sócio ganancioso.

A peça inspira-se nas ideias do escritor francês, e também monge budista, Matthieu Ricard, autor de “O Livro da Felicidade”. “Escrito na Água” estreou há alguns anos no rescaldo da devastadora crise financeira do subprime 2008 A peça inspira-se nas ideias do escritor francês, e também monge budista, Matthieu Ricard, autor de “O Livro da Felicidade”. “Escrito na Água” estreou há alguns anos no rescaldo da devastadora crise financeira do subprime 2008. O Instituto Cultural (IC) salienta o regresso de Stan Lai ao CCM após a apresentação de dois espectáculos da sua autoria, “Um Amor Secreto no Paraíso” e

“A Aldeia”, descrito como sendo uma peça “épica”.

Longa carreira

Nascido nos EUA, Stan Lai iniciou a carreira criativa em Taiwan, e depressa os seus trabalhos subiram aos palcos na China, chegando depois tanto à diáspora chinesa como ao público ocidental. Ao longo de mais de 30 anos, o encenador tem criado inúmeras peças, muitas das quais foram reconhecidas por uma extensa lista de prémios e distinções. Nascido em 1954 em Washington, onde o pai trabalhava na embaixada da República Popular da China, Stan Lai voltou para Taiwan com a mãe em 1966. Na Universidade Católica de Fu Jen

o encenador estudou literatura inglesa, tendo-se formado em 1976. Dois anos depois casou, tendo regressado aos EUA. Em 1983, Stan Lai doutorou-se em arte dramática na reputada Universidade de Berkeley, na Califórnia.

De frisar, que a segunda sessão de “Escrito na Água” contará ainda com uma tertúlia, realizada antes do espectáculo, onde serão partilhadas algumas ideias sobre o extenso trabalho de Stan Lai. A sessão é aberta ao público

e apresentada em mandarim e cantonense. As duas sessões do espectáculo são em mandarim, mas terão legendas em inglês e cantonense. Os bilhetes estão à venda desde o dia 25 de Setembro.

Fotografia Revista da Halftone volta a sair este sábado Será lançado este sábado, às 18h30, na Livraria Portuguesa, o terceiro número da revista de fotografia da Halftone – Associação Fotográfica de Macau. Esta edição conta com trabalhos fotográficos de José Sales Marques, Pedro Benjamim, Stefan Nunes, António Bessa Almeida e Nuno Veloso, prestando ainda homenagem a Frank Lei,

falecido em Maio deste ano. O editorial desta edição intitula-se “Uma espécie de magia”, sendo as fotografias publicadas um retrato do sentimento “muitas vezes contraditório” do amor que se tem por Macau, ainda que haja “aspectos que se odeiam e outros que se gostam demasiado”. Recorde-se que este é um projecto que visa

dar a conhecer trabalhos de fotografia de fotógrafos amadores, sendo a revista publicada a cada três meses e com edições limitadas de 300 exemplares cada. A revista é editada com a orientação do Grupo Editorial da Halftone composto por António Duarte Mil-Homens, João Palla Martins, João M. Rato e Sara Augusto.


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10 | JOHN STEINBECK | 1933 A UM DEUS DESCONHECIDO 4 5 6 7 3 1 4 9 2 8 Entre 7 crenças pagãs, 8 9relatos 1 bíblicos 2 6 e5a ten3 tativa vã de controlar as forças da natureza, 3 1 Um Deus Desconhecido” 2 5 4 8acompanha 7 3 1a 9 “A de Joseph 5 história 6 7 Wayne, 2 9 a5partir 1 do4 mo8 5 mento em que este decide rumar à Califórnia 2 para 4 cumprir a promessa 5 1 6feita 7 ao3pai8antes 4 7 9 de8 morrer, e que4passava 3 8 por6 lá 9criar2 uma 7 quinta próspera. Ao chegar à nova terra, Jo6 seph 9 3 árvore 8 5onde 9 acredita 2 7 que 6 1 encontra uma o espírito do seu pai reside. A prosperidade 1 2 1 4 2 3 5 6 9 9 impera, Joseph casa e os seus irmãos mudam7 3 para a quinta9até 6que 7um deles, 4 8 temendo 1 5 8 -se crenças pagãs, decide matar a árvore. A fome e a morte chegam. Hoje Macau

4 2 9 8 1 5 7.10.2022 sexta-feira 5 7 6 4 3 1 7 9 EURO 8 6 7.94 BAHT 0.21 YUAN 1.13 2 3 CINETEATRO

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8TABLE FOR SIX [B] 4 9 6TICKET TO PARADISE [B] 2 5DRAGON BALL SUPER: SUPER HERO [B] 1 7 3 SALA 1

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Sunny Chan Com: Dayo Wong, Stephy Tang, Louis Cheung Kai Chung, Ivana Wong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

Um filme de: Ol Parke Com: George Clooney, Julia Roberts 14.30, 16.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tetsuro Kodama 19.30 SALA 3

LIFE MUST GO ON [C]

Um filme de: Ying Chi-Wen Com: Ekin Cheng, Catherine Chau, Gladys Li 14.30, 16.30, 21.30

SILENT PARADE [B]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nishitani Hiroshi Com: Kawatoko Asuka, Rei Dan, Natsuki Deguchi 19.00

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sexta-feira 7.10.2022

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confeitaria

vozes 15

João Romão

EUROPA PERIFÉRICA SÃO OS PAÍSES menos desenvolvidos da Ásia que vão registar neste e no próximo as maiores taxas de crescimento económico do continente, estima um relatório recentemente publicado pelo Banco Asiático para o Desenvolvimento. O documento revê com manifesto pessimismo as anteriores previsões para o desempenho da economia chinesa, ainda severamente afectada pelo impacto das restrições relacionadas com a pandemia de covid-19. De qualquer maneira, a China deverá ter um crescimento do PIB próximo dos 3,5 por cento este ano - nada mal, para tempo de crise - ainda assim acima dos menos de 3 por cento que se projectam para o crescimento económico médio na União Europeia. Diga-se, no entanto, que a incerteza quanto à evolução da economia dos países da Europa justifica inabituais cautelas: são tempos de guerra no Velho Continente e avizinha-se longo e frio Inverno, com escassez energética, preços despropositadamente altos, processos de recomposição acelerada das transações comerciais globais de combustíveis vários, numa inevitável transição pouco preparada dos fornecimentos de energia com origem em território russo para outras origens mais distantes, com as grandes empresas do lado ocidental do Atlântico a marcar nova posição dominante – e com os inerentes lucros monopolistas de empresas dos Estados Unidos em território europeu. Estão naturalmente por fazer as contas a estas pouco subtis transformações geo-económicas mas parece certo que a Europa continua a perder boa parte da sua centralidade na economia e política globais: não só tem tido fraca autonomia face à liderança dos Estados Unidos em relação aos posicionamentos políticos e militares relacionados com a guerra na Ucrânia, como parece remetida a um papel cada vez mais periférico e dependente (dos EUA) nos mercados globais de distribuição energética. Não será difícil prever que este longo Inverno com inusitadas taxas de inflação também se manifeste numa degradação generalizada da posição cada vez menos dominante das economias europeias no contexto planetário. É por isso que a notícia de que o crescimento económico no sudoeste asiático superou o chinês é menos problemática para a China do que para a Europa: na realidade, esta quebra ocorre no contexto de um contínuo e intenso processo de crescimento que tem caracterizado a economia da China nas últimas décadas e pouco afectará os benefícios que a sociedade chinesa foi acumulando ao longo do século 21: na realidade, não só a China mantém o seu papel cada vez mais central e preponderante na economia mundial, como vê este ano países vizinhos como a Índia, o Paquistão, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia ou o Vietname a assumir maior relevo nas dinâmicas económicas globais. Não são certamente más notícias para a China.

Esta tendência vai marcando gradual mas inexoravelmente uma transição para novos desequilíbrios no desempenho das economias mundiais, em que a Ásia vai assumindo cada vez maior centralidade e onde a Europa se vai posicionando cada vez mais como um espectador interessado mas pouco consequente no seu posicionamento na economia global deste nefasto capitalismo contemporâneo: nem se apresenta como uma alternativa ecologicamente viável, socialmente justa ou politicamente pacifista, nem se posiciona como uma economia competitiva, capaz de aproveitar as oportunidades da super-liberalização vigente nos mercados mundiais. Está hoje sob ameaça permanente o que sobra na Europa dos Estados Providência que a social-democracia foi construindo ao longo do século 20, sobretudo no centro e no norte do continente: economias dinâmicas, prósperas, com políticas sociais activas que promoveram educação, saúde, habitação ou mobilidade para quase toda a gente, num contexto de paz generalizada. Não faltaram os recursos para as infra-estruturas, nem para os serviços necessários para promover

O modelo social europeu é cada vez menos exemplar e as pessoas que ficam para trás – ou à margem dos processos de desenvolvimento são cada vez mais, num processo relativamente acelerado de concentração de rendimentos e poder

a eficiência dos sistemas económicos ou a equidade das condições sociais – incluindo o acolhimento sistemático de pessoas refugiadas que se foi fazendo até quase final do século 20. Hoje começa a faltar quase tudo: as cartilhas neo-liberais impõem exíguos orçamentos públicos que comprometem as políticas sociais, enquanto a economia especulativa dos mercados globais vai mobilizando recursos financeiros cada vez menos orientados para o investimento produtivo. É uma economia onde muito se fala de inovação mas em que na realidade pouco se inova na capacidade de criar e distribuir riqueza. O modelo social europeu é cada vez menos exemplar e as pessoas que ficam para trás – ou à margem dos processos de desenvolvimento - são cada vez mais, num processo relativamente acelerado de concentração de rendimentos e poder. O dinamismo e o crescimento movem-se noutras paragens – neste caso na Ásia. Sobram, entretanto, os dejectos desta prolongada crise no continente europeu: os movimentos de inspiração abertamente fascista que vão ganhando protagonismo e até governos, outra vez.


“Os mortos podem sobreviver como parte das vidas daqueles que ainda vivem. ” PALAVRA DO DIA

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EPA

ex-polícia tailandês que atacou uma creche no nordeste da Tailândia matou 24 crianças e 11 adultos, incluindo a mulher e o filho, segundo um novo balanço divulgado pelas autoridades. O atacante, que usou pelo menos uma arma de fogo e uma faca, matou 22 crianças (19 rapazes e três raparigas), e dois adultos na creche, disse a polícia. Depois de ter fugido, continuou a disparar do carro, atingindo várias pessoas na rua, disse o general Paisal Luesomboon, da polícia tailandesa, à agência norte-americana AP. Fora da creche, matou duas crianças e 10 adultos, incluindo a mulher e o filho, antes de se suicidar. Também há a registar 15 feridos, oito dos quais em estado grave, disse a polícia.As autoridades locais apelaram à população para que doasse sangue. O ataque começou cerca das 12:30 locais (, e ocorreu numa creche frequentada por crianças com idades entre os 2 e os 5 anos. Desconhece-se o motivo do ataque, mas as autoridades disseram que o suspeito, identificado como Panya Khamrab, 34 anos, tinha sido expulso da polícia em junho, por ter sido encontrado na posse de drogas. A polícia suspeita que o atacante estivesse sob a influência de droga na altura do ataque, segundo o jornal tailandês Bangkok Post. O ex-polícia deveria comparecer perante um tribunal na sexta-feira, num processo relacionado com a posse de drogas, noticiou o jornal tailandês Daily News. A notícia do ataque espalhou-se rapidamente por todo o país e desencadeou cenas de desespero e angústia em Uthai Sawan, uma cidade rural com cerca de 80.000 habitantes. Dezenas de familiares das vítimas correram para o infantário, que foi isolado pela polícia, em busca de informações sobre os acontecimentos e as identidades das vítimas. Uma das professoras que estavam na creche descreveu os momentos aterradores e testemunhou que o atacante “disparava, partia vidros e matava” adultos e crianças.

7.10.2022

MYANMAR DEZ ANOS DE PRISÃO PARA REALIZADOR JAPONÊS

REUTERS

TAILÂNDIA ATAQUE A CRECHE FAZ 35 VÍTIMAS MORTAIS

Kenzaburo Oe

sexta-feira

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Em busca de respostas Arranca julgamento de acidente de comboio que matou 80 pessoas em Espanha

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SPANHA começou a julgar o acidente de comboio que há nove anos matou 80 pessoas em Santiago de Compostela, com a audição ontem do maquinista Francisco José Garzón Amo, que denunciou as falhas de sinalização na linha ferroviária. O comboio de alta velocidade que Francisco José Garzón Amo conduzia em 24 de Julho de 2013 descarrilou numa curva à entrada da cidade de Santiago de Compostela, na Galiza, e embateu numa parede de betão quando seguia a 191 quilómetros por hora (km/h), mais do dobro do limite de 80 km/h para aquele ponto da via. “Não havia nenhum sinal para restringir a velocidade. Não havia nenhuma limitação, nem nenhum sinal, nem nenhuma baliza. Não havia nada de nada”, disse o maquinista, que testemunhou durante uma hora e chorou por diversas vezes. Segundo afirmou, não havia sinalização para uma redução faseada da velocidade até chegar à curva fatal, onde estava colocado, subitamente, um aviso de 80 km/h. “Não consegui travar. É praticamente impossível passar naquele ponto de 200 para 80, nesse ponto concreto”, afirmou

Francisco Garzón Amo, que acrescentou que “é absurdo” alguém pensar que poderia ter reduzido a velocidade naquele momento e garantiu que “evidentemente” a teria diminuído se houvesse sinalização nesse sentido. Questionado sobre se hoje, com os meios técnicos e sinalização aplicados entretanto naquela via, seria possível ocorrer o mesmo acidente, respondeu que “não, impossível”, mas afirmou que esses sistemas não são novos e já existiam há nove anos, só não tinham sido adoptados naquela linha ferroviária. O maquinista admitiu ter perdido “a consciência de localização” quando recebeu uma chamada de serviço, que as regras o obrigavam a atender, acreditando estar num túnel anterior àquele em que estava quando o comboio se aproximou da curva do acidente.

Banco dos réus

O maquinista é um dos dois acusados neste caso, cujo julgamento arrancou formalmente na quarta-feira, com a definição de questões formais de funcionamento, tendo hoje sido iniciadas as audições dos réus. Além do maquinista, está a ser julgado o responsável, na al-

tura do acidente, pela segurança na circulação da empresa Adif (que geria a infraestrutura), Andrés Cortabitarte, que só deverá ser ouvido pelo tribunal na próxima semana, após o seu advogado de defesa ter pedido um adiamento depois de o réu ter sido agredido por uma vítima do acidente na quarta-feira. Os dois estão acusados do homicídio de 80 pessoas por imprudência profissional, por 145 lesões pelo mesmo motivo e por um crime de danos. O Ministério Público pede quatro anos de prisão para cada um dos acusados, a proibição do maquinista exercer a profissão durante o mesmo tempo de condenação e a proibição de Andrés Cortabitarte exercer qualquer profissão que implique gestão, segurança ou responsabilidade deste tipo de infraestruturas. Em paralelo, o Ministério Público pede mais de 57,8 milhões de euros para reparação de danos e prejuízos. O julgamento do “caso Alvia”, o nome da empresa de comboios que assegurava a ligação, entre Madrid e Santiago de Compostela, vai demorar, previsivelmente, nove meses, por terem sido aceites 522 testemunhas e declarações de cerca de 150 peritos.

M tribunal militar birmanês condenou o realizador japonês Toru Kubota a dez anos de prisão por incitar à dissidência contra os militares e violar as leis de telecomunicações do país, noticiaram ontem os ‘media’ nipónicos. A sentença foi proferida na quarta-feira. O jovem de 20 anos foi condenado a sete anos de prisão por violação das leis de comunicação e mais três anos por sedição, disseram fontes diplomáticas à emissora pública japonesa NHK. Os detalhes específicos da decisão do tribunal de Myanmar (antiga Birmânia) não são conhecidos, uma vez que a sentença foi proferida à porta fechada e sem a presença do advogado de Kubota, de acordo com a NHK. Kubota foi preso em Julho passado enquanto filmava protestos contra a junta militar. Os militares birmaneses acusaram Kubota de violar as leis de imigração ao entrar no país com um visto turístico para realizar actividades jornalísticas, e de participar activamente nos protestos. Também alegaram que o cineasta tinha divulgado informações falsas sobre os rohingya, a minoria muçulmana perseguida em Myanmar, país de maioria budista. Kubota foi condenado por um tribunal criado na própria prisão. O golpe de 1 de Fevereiro de 2021 mergulhou Myanmar numa crise política, económica e social, com confrontos entre as forças da junta e os opositores, e levou a um aumento da repressão. De acordo com a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos, mais de 2.100 pessoas foram mortas pelas autoridades, enquanto quase 15 mil foram detidas arbitrariamente.