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MOP$10

TERÇA-FEIRA 7 DE JANEIRO DE 2020 • ANO XIX • Nº 4443

hojemacau

IRÃO | EUA

ACHAS NA FOGUEIRA GRANDE PLANO

DIPLOMACIA

SERENO DISTINGUIDO ANTÓNIO FALCÃO

PÁGINA 5

Prometido e devido Uma das promessas de campanha de Ho Iat Seng foi o uso cauteloso do erário público, desígnio reavivado com as críticas ao alegado despesismo de Alexis Tam. Sulu Sou quer a promessa cumprida e pediu ao Executivo que legisle a regulação das empresas e fundos de capitais públicos. PÁGINA 4

PNEUMONIA

TRIOLOGIA FEBRIL ÚLTIMA

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

HO IAT SENG SEDE DE CAMPANHA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

7.1.2020 terça-feira

O MUNDO EM S IRÃO-EUA

Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, chorou e rezou ontem no funeral do general Qassem Soleimani, em Teerão. A morte ordenada por Donald Trump está a provocar tensão a nível mundial e obrigou a NATO a reunir ontem de emergência. A China pede “calma e contenção”, enquanto as Filipinas preparam a retirada de cidadãos do Iraque e Irão

LÁGRIMAS NO FUNERAL DE QASSEM SOLEIMANI E URGENTE REUNIÃO DA NATO

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situação política no Médio Oriente está num limbo difícil de resolver depois da morte do general Qassem Soleimani levada a cabo por tropas norte-americanas sob ordens de Donald Trump. O líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, orou e chorou ontem próximo dos caixões do general Qassem Soleimani e de outros mortos no ataque norte-americano em Bagdade na sexta-feira, durante as cerimónias fúnebres em Teerão. O sucessor de Soleimani na força de elite iraniana Al-Quds, Esmail Ghaani, ficou ao lado de Ali Khamenei, assim como o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, e outros líderes da República Islâmica durante as cerimónias fúnebres. Centenas de milhares de pessoas presentes no acto fúnebre também choraram a morte do general iraniano. A filha de Qassem Soleimani, Zeinab, ameaçou directamente um ataque às forças armadas dos EUA no Médio Oriente enquanto falava diante de multidão em Teerão. “As famílias dos soldados norte-americanos no oeste da Ásia (...) passam o dia esperando a morte de seus filhos”, disse Zeinab. A TV estatal iraniana falou numa multidão de “milhões” de pessoas, embora esse número não possa ser verificado. O líder do grupo militante palestino Hamas, Ismail Haniyeh, está em Teerão e assistiu também às cerimónias fúnebres de Soleimani. Ismail Haniyeh, num discurso aos iranianos, descreveu o general Qassem Soleimani, como “o mártir de Jerusalém”. O responsável do Hamas prometeu que grupos militantes palestinianos - incluindo o seu grupo, que controla a Faixa de Gaza -, seguirão o caminho de Soleimani “para confrontar o projecto sionista e a influência norte-americana”.

REUNIÃO DA NATO

A escalada da tensão na região teve início quando o general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, morreu na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto

O líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, orou e chorou próximo dos caixões do general Qassem Soleimani e de outros mortos no ataque norteamericano em Bagdade

ao aeroporto internacional de Bagdade, ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No mesmo ataque morreu também o ‘número dois’ da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras oito pessoas. O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e só terminou quando Donald Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente. O incidente obrigou os embaixadores dos 29 países da NATO a reunir ontem de forma extraordinária para discutir a crise entre o Irão e os Estados Unidos, disse um porta-voz da organização à agência de notícias AFP. “O secretário-geral [Jens Stoltenberg] decidiu organizar esta reunião de embaixadores da NATO depois de ter discutido com os aliados.” No sábado, a NATO anunciou que suspenderia as operações de treino no Iraque após a morte do general iraniano Qassem Soleimani. A missão da NATO no Iraque, que tem algumas centenas de militares, treina as forças do país desde Outubro de 2018, a pedido do Governo iraquiano, para impedir o retorno do Estado Islâmico (EI).

A POSIÇÃO DA CHINA

Entretanto, as autoridades chinesas consideraram ontem que a “pressão máxima” exercida pelos Estados

Unidos está na raiz das renovadas tensões com o Irão. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, respondeu assim, em conferência de imprensa, a uma questão sobre a decisão de Teerão de abdicar das limitações impostas ao seu programa nuclear pelo acordo de 2015. Pequim apelou aos outros participantes do acordo - Rússia, França, Reino Unido e Alemanha - que “mantenham a calma e contenção”. Para a China, o acordo só poderá sobreviver através de uma solução “política e diplomática”, o fim de interferências externas e evitando “qualquer medida que possa complicar ainda mais a situação”. A Europa tentou tomar medidas para salvaguardar o acordo, mas o canal de pagamentos especiais,

que visava contornar as sanções, ainda não foi lançado. Wang Jianwei, professor de ciência política da Universidade de Macau, declarou ao HM que “a China deverá manter uma posição forte durante um eventual conflito entre os EUA e o Irão”. “Em termos gerais, a China procura sempre evitar o uso de força. Um conflito na região entre os EUA e o Irão não interessa aos assuntos da China.


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terça-feira 7.1.2020

SUSPENSO Por isso, acho que a posição da China será no sentido de apelar à calma a ambos os lados (...) para a tensão não escalar na região”, acrescentou o académico.

JAPÃO E COMPANHIA

Outros países asiáticos também já manifestaram receio sobre a escalada de violência, nomeadamente Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão. “Quero pedir às partes im-

plicadas que se esforcem para evitar uma escalada destas tensões”, afirmou Shinzo Abe, na primeira conferência de imprensa do ano, durante uma visita à prefeitura de Mie, a sudoeste de Tóquio. O chefe do Governo japonês manifestou “profunda preocupação” com a actual situação e lembrou que o Japão importa a quase totalidade do petróleo que consome do Irão e de outros países do Médio Oriente.

“Em termos gerais, a China procura sempre evitar o uso de força. Um conflito na região entre os EUA e o Irão não interessa aos assuntos da China. Por isso, acho que a posição da China será no sentido de apelar à calma a ambos os lados.” WANG JIANWEI PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA DA UM

“Vamos desenvolver esforços diplomáticos para aliviar as tensões e para estabilizar a situação”, sublinhou Abe. O Japão e o Irão mantêm uma relação estreita, reiterada pelos dois Governos nos últimos meses. Por sua vez o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, ordenou que os militares preparassem as suas aeronaves e os seus navios para retirar, “a qualquer momento”, milhares de trabalhadores filipinos do Iraque e do Irão. Duterte realizou uma reunião de emergência com o seu secretário de Defesa e altos oficiais militares e policiais no domingo para discutir os planos de retirada dos seus nacionais naquela região. “O Presidente Duterte ordenou que as Forças Armadas das Filipinas estivessem preparadas para deslocar activos militares para repatriar filipinos no exterior, principalmente do Irão e do Iraque, a qualquer momento”, disse o senador Christopher Lawrence Go, um aliado próximo do Duterte que esteve na reunião. O chefe de gabinete militar de Duterte, tenente-general Felimon Santos Jr., disse que as forças filipinas identificaram possíveis rotas para a retirada dos seus nacionais não apenas do Iraque e do Irão, mas de outros pontos críticos, como Israel. “Existem estas probabilidades e estamos a melhorar os nossos planos para cobrir tudo, caso algo aconteça”, disse Santos aos jornalistas em Manila. Existem mais de 7.000 trabalhadores filipinos e dependentes no Iraque e no Irão, incluindo muitos que trabalham para os EUA e em outras instalações estrangeiras e estabelecimentos comerciais em Bagdad, disse o Departamento de Defesa Nacional. Outras nações asiáticas com grandes populações de mão-de-obra expatriada podem enfrentar decisões semelhantes perante a escalada da tensão entre os Estados Unidos e o Irão. O Governo sul-coreano já está a discutir o fortalecimento da protecção para os quase 1.900 sul-coreanos no Iraque e no Irão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano,

Raveesh Kumar, disse que a Índia “ainda” não planeia retirar cidadãos daquela região. Os asiáticos representam 40 por cento dos migrantes do mundo e os países do Médio Oriente são um destino comum. Os migrantes africanos também são mão-de-obra comum no Médio Oriente, embora a possibilidade de seus países de origem organizarem uma retirada seja incerta. Os países árabes do Golfo abrigam mais de sete milhões de expatriados indianos que ajudam a impulsionar a economia da região e a manter as suas cidades repletas de médicos, engenheiros, professores, motoristas, trabalhadores da construção civil. Nos Emirados Árabes Unidos, os indianos superam os nacionais em três para um.

AS AMEAÇAS DE TRUMP

No Iraque, o parlamento aprovou uma resolução em que pede ao Governo para rasgar o acordo com os EUA, estabelecido em 2016, no qual Washington se compromete a ajudar na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico e que justifica a presença de cerca de 5.200 militares norte-americanos no território iraquiano.

“Eles têm o direito de matar os nossos cidadãos (...) e não temos o direito de atingir os seus locais culturais? Isso não funciona assim.” DONALD TRUMP PRESIDENTE DOS EUA

Entretanto, Donald Trump prometeu ontem “enormes represálias” caso ocorram ataques iranianos contra instalações norte-americanas no Médio Oriente. “Se eles fizerem alguma coisa, haverá enormes represálias”, declarou ontem Donald Trump a bordo do avião presidencial Air Force One, no regresso a Washington após duas semanas de férias na Florida. Trump deixou também a ameaça de atacar locais culturais iranianos. “Eles têm o direito de matar os nossos cidadãos (...) e não temos o direito de atingir os seus locais culturais? Isso não funciona assim”, declarou. Trump reagia assim à aprovação pelo parlamento iraquiano de uma resolução que pede o fim da presença das tropas norte-americanas no país, pondo fim ao acordo com os Estados Unidos, estabelecido em 2016. A.S.S./P.A./ com agências


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Na primeira petição submetida pela Novo Macau ao Governo, Sulu Sou pediu a Ho Iat Seng que cumpra o que foi dito sobre a utilização cautelosa do erário público e que sejam dadas explicações sobre o novo Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos

A

Associação Novo Macau (ANM) entregou ontem uma petição endereçada ao novo Governo a pedir legislação destinada a controlar e regular os gastos das empresas de capitais públicos e de fundos com autonomia administrativa e financeira. Com o objectivo de optimizar a “eficácia e a gestão” destas empresas, Sulu Sou, deputado e vice-presidente da associação, recordou as palavras de Ho Iat Seng quando venceu as eleições e mais tarde, no primeiro dia em funções (26 de Dezembro), quando se referiu à necessidade “de controlar as despesas da Admininstração”, e deu o exemplo “despesista” do ex-secretário para os As-

FINANÇAS NOVO MACAU VOLTA A PEDIR LEI PARA REGULAR CAPITAIS PÚBLICOS

“É importante ter a legislação pronta o quanto antes porque o Governo tem vindo a criar desde 2011 inúmeras empresas de capital público e, até hoje, não existe nenhuma lei específica para as monitorizar. Estas são empresas que consomem todos os anos uma enorme quantidade de dinheiro ao erário público. Acho que esta é uma oportunidade para o novo Governo resolver a questão rapidamente”, explicou Sulu Sou. Sobre a legislação específica dedicada a empresas de capital público, Sulu Sou lembrou ainda que até hoje a sua criação continua a ser uma “promessa por cumprir” feita em 2019 pelo ex-secretário para a Economia e Finanças Lionel Leong. “Eu e outros deputados pedimos esta legislação mais de três vezes, na Assembleia Legislativa – mas ainda não obtivemos resposta”, sublinhou.

Chamado à pedra

GABINETE LEVANTA DÚVIDAS

suntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. “Acho que o novo Chefe do Executivo deve ter presente o que disse quando venceu as eleições. Na

“Acho que o novo Chefe do Executivo deve ter presente o que disse quando venceu as eleições. Na altura, disse que devemos usar os recursos financeiros do Governo de forma cautelosa...” SULU SOU DEPUTADO

altura, disse que devemos usar os recursos financeiros do Governo de forma cautelosa porque além do caso de Singapura não há mais casos de sucesso referentes à criação de fundos de investimentos”, explicou o deputado. Para justificar a necessidade de fiscalização das empresas de capitais públicos, Sulu Sou fez ainda referência à polémica proposta do anterior Governo, entretanto retirada, que previa transferir 60 mil milhões de patacas para um fundo soberano sem divulgar qualquer informação acerca do assunto. “O nosso pedido é muito simples: queremos supervisionar a questão relativa às empresas de capital público. Isto porque em Agosto do ano passado o Governo foi forçado a retirar a lei que previa o financiamento de um fundo

de investimento no valor de 60 mil milhões de patacas”, esclareceu Sulu Sou. Sulu Sou defendeu ainda que, nesta fase, antes de avançar para a criação do

Fundo de Investimento e Desenvolvimento, o Governo deve interromper a criação de outras empresas de capital público enquanto não for criada a devida legislação específica.

SULU SOU “INFORMAÇÕES DE WUHAN DEMORAM A CHEGAR” À

margem da entrega da petição Sulu Sou comentou ainda as medidas tomadas pelo Governo no seguimento do aumento do número de casos da doença respiratória não identificada em Wuhan, no Interior da China. Segundo o deputado, apesar de considerar que “a principal responsabilidade está agora nos ombros das autoridades da China continental, pois são quem está a recolher a informação em primeira mão sobre os casos em Wuhan”, os Serviços de Saúde (SS) de Macau “têm a obrigação de obter essa informação”. “Pedi aos SS que considerem o envio de representantes à região para contactar directamente com o problema, pois as informações de Wuhan têm demorado a chegar e acho que deveriam existir actualizações diárias sobre o assunto”, explicou o deputado. Sulu Sou referiu ainda que, por ser uma região pequena, a situação pode ser muito perigosa para Macau se não for controlada. “Ninguém quer assistir a uma situação como a que já tivemos de lidar com a SARS, lembrou.”

O vice-presidente da ANM referiu ainda que a petição entregue na manhã de ontem visava também apelar à maior transparência do novo Gabinete para o Planeamento da Supervisão dosActivos Públicos anunciado pelo Governo de Ho Iat Seng no passado dia 20 de Dezembro. Coordenado pela ex-secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o novo organismo visa precisamente fiscalizar as empresas de capitais públicos e de fundos com autonomia administrativa e financeira, mas, segundo Sulu Sou, carece ainda de muitos esclarecimentos, nomeadamente sobre os seus poderes e âmbito de actuação. “Esperamos que o novo Chefe do Executivo possa dar mais explicações assim que possível sobre os princípios e a missão do novo Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos”, referiu. Pedro Arede

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METRO LIGEIRO SULU SOU ACUSA DSAT DE NÃO SEGUIR A LEI QUANDO HÁ AVARIAS

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M relação às avarias verificadas desde o início da operação do sistema de Metro Ligeiro, o deputado Sulu Sou acredita que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) não reagiu de acordo com a “lei do sistema de transporte de metro ligeiro”. “Considero inaceitável quando o director substituto da DSAT, Lo Seng Chi inventou um novo termo,

descrevendo os três casos como ‘problemas menores’ dado que, de acordo a Lei, só existem duas hipóteses: acidente ou incidente”, apontou o deputado. Assim sendo, Sulu Sou considerou que a DSAT deve começar por esclarecer qual a natureza dos três casos. “Caso sejam incidentes, então a DSAT tem de esclarecer dois pontos: a necessidade de investigação téc-

nica e a divulgação do relatório de investigação. No entanto, caso não haja necessidade de realizar uma investigação técnica, a DSAT também precisa de produzir um relatório que fundamente essa decisão”, explicou Sulu Sou. Questionado sobre a resposta do Corpo de Bombeiros (CB) e facto de o organismo não ter notificado a comunicação social

acerca da mais recente avaria do Metro Ligeiro, Sulu Sou afirmou que este tipo de informações deve ser divulgadas apenas por uma entidade. “Pelo que conheço, o CB tem um mecanismo muito eficaz para notificar os órgãos de comunicação social, por isso, não considero que o Metro Ligeiro seja um caso especial. O CB não deve criar excepções porque isso pode

causar confusões entre departamentos e até ter consequências na opinião pública”, respondeu Sulu Sou. I.N.N e P.A.


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embaixador Vitor Sereno recebeu ontem o Prémio da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) para o diplomata económico do ano, premiando o trabalho em sete países da África Ocidental, incluindo Costa do Marfim e Senegal. “É uma honra e uma responsabilidade, sou o mais novo de sempre a receber este prémio, é

Ponte da Amizade Deputado alerta para regulamento desactualizado

Dois acidentes graves ocorridos na ponte da amizade nos últimos dias levaram o deputado Si Ka Lon a interpelar o Governo sobre a necessidade de rever o regulamento da ponte, bem como de outras passagens entre Macau e Taipa como a ponte Nobre de Carvalho ou de outros viadutos. O deputado recorda que esses regulamentos estão em vigor há mais de 25 anos, pelo que deveriam ser revistos. Além disso, no que diz respeito à lei do trânsito rodoviário, Si Ka Lon defende a introdução do sistema de carta de condução por pontos, medida que ainda está a ser equacionada pelo Executivo e que prevê a redução de pontos à medida que o condutor realiza infrações. O deputado pede também um aumento das multas. Ainda no que ao trânsito diz respeito, o deputado defende mais fiscalização da velocidade média dos carros e a adopção de um sistema de vigilância de alta qualidade para combater as ultrapassagens perigosas e o uso de telemóveis durante a condução.

DIPLOMACIA VÍTOR SERENO GANHA PRÉMIO DE DIPLOMA ECONÓMICO DO ANO

Serenidade africana uma responsabilidade acrescida receber o Prémio Francisco de Melo e Torres enquanto embaixador responsável pelo Senegal, Gâmbia, Guiné-Conacri, Serra Leoa, Burkina Faso e Libéria”, disse Vítor Sereno, em declarações à Lusa. Para o diplomata, a entrega do prémio mostra “uma mudança de paradigma geracional” e o reconhecimento do trabalho de “lóbi” feito pela embaixada. “Nós trabalhamos o lóbi institucional, nós, representações internacionais de Portugal, não temos de ter medo de dizer que fazemos lóbi todos os dias pelas empresas portuguesas na região”, defendeu Vítor Sereno, que antes de ir para Dacar, em Setembro de 2018, já esteve destacado nas missões portuguesas em Roterdão, Macau e Hong Kong e Estugarda, entre outras. A relação comercial entre Portugal e estes países africanos aumentou significativamente nos últimos anos, segundo o diplomata, que destaca as “enormes oportunidades para as empresas portuguesas” que queiram apostar na região. “Entre 2018 e 2019, o investimento directo português nestes países passou de 74 milhões de euros para 180 milhões de euros, representando um aumento de 143 por cento, e o volume de negócios aumentou de 80 milhões de euros em 2018 para 190 milhões no ano passado, ou seja, subiu 237 por cento”, destacou o diplomata.

OS RISCOS

Apesar de destacar as oportunidades, Vítor Sereno não esconde os riscos existentes nos países para onde foi destacado. “Há quatro grandes riscos na minha zona, desde logo a presença em força de grandes economias, como a China, a Turquia e a França, que

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Vítor Sereno, excônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, actualmente a desempenhar funções de embaixador no Senegal, ganhou o prémio de diplomata económico do ano de 2019. Para Sereno, o prémio representa “uma mudança de paradigma geracional”

é incontornável, as dificuldades aduaneiras em certos produtos, como o vinho, o elevado preço do crédito bancário e um desconhecimento generalizado destes mercados pelas empresas portuguesas.” Vítor Sereno pretende melhorar este aspecto com a organização de

missões empresariais e a presença em feiras e exposições de carácter comercial. Sobre o Senegal, país onde reside, o embaixador destaca que é um país muito apetecível, sendo uma das economias em mais rápido crescimento e com estabilidade política e segurança jurídica.

“Nós trabalhamos o lóbi institucional, nós, representações internacionais de Portugal, não temos de ter medo de dizer que fazemos lóbi todos os dias pelas empresas portuguesas na região.” VÍTOR SERENO DIPLOMATA

“A Costa do Marfim e o Senegal são das economias mais fortes do continente, o Senegal em 2019 foi a quinta maior a crescer em África e vai entrar no top 3 de certeza”, disse, destacando que “como diz o ministro dos Negócios Estrangeiros local, no Senegal vota-se ao domingo e trabalha-se normalmente à segunda-feira”. Além da estabilidade política, Vítor Sereno salienta ainda os 12 mil milhões de euros em investimentos ao abrigo do plano Senegal Emergente, “que são oportunidades para os empresários portugueses na construção e obras públicas, agro-indústria, metalomecânica, energia e infra-estruturas logísticas”.

SACOS DE PLÁSTICO COUTINHO PEDE APERFEIÇOAMENTO NO REGIME LEGAL

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deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a necessidade de melhorar a legislação que restringe o fornecimento gratuito de sacos de plástico por lojas ou outros estabelecimentos comerciais, que entrou em vigor no passado dia 28 de Novembro. Afirmando que a legislação “está ainda repleta de deficiências”, o que leva os residentes a sentir que “o

Governo quer despachar o assunto”, o deputado lembrou na interpelação escrita que, em 2018, Macau “utilizou mais de 100 toneladas de sacos de plástico”, ultrapassando o número registado em cidades como Pequim ou Xangai, de acordo com dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). José Pereira Coutinho aponta ainda que existem empresários que

se estão a aproveitar da situação para “ganhar mais”, obrigando os clientes a adquirir sacos de plástico, mesmo quando não há necessidade e que a lei deixa de fora outros objectos como “palhinhas de plástico, caixas de esferovite e talheres de plástico”. Além disso, para o deputado, o dinheiro cobrado deveria ser aplicado “noutras medidas de protecção ambiental”.

Acusando o Governo de não ter avançado com “medidas concretas para reduzir, na fonte, a utilização de objectos de plástico”, o deputado sugere que seja regulamentada a disponibilização por parte de empresários de sacos ecológicos e de papel e a “redução do uso de películas aderentes para embrulhar frutas (…) milho, cebola e outros vegetais”. P.A.


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7.1.2020 terça-feira

Fronteiras Seis iranianos com passaportes falsos detidos em Macau

TÁXIS INFRAÇÕES COMETIDAS POR TAXISTAS CAEM 48,2% EM 2019

Travagem a fundo

Desde 3 de Junho com a aplicação da nova lei dos táxis, e até ao final de 2019, as infrações cometidas por taxistas caíram drasticamente. Segundo dados da PSP, o número de casos de cobranças excessivas caiu mesmo 96 por cento comparando com o mesmo período de 2018

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EPOIS da entrada em vigor do “regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer”, a chamada lei dos táxis, o número de infrações cometidas pelos taxistas diminuiu quase para metade (48,2 por cento) em termos anuais, em relação a 2018, revelou na passada sexta-feira, a Polícia de Segurança Pública (PSP). Assim, em 2019 foram registados, no total, 3,172 casos, uma descida de 2,954 casos em relação a 2018, ano em que se registaram 6,126 infrações de taxistas. Já quando confrontado o período compreendido entre 3 de

Junho e 31 de Dezembro de 2019 e o mesmo período do ano anterior, os números divulgados da PSP, citados pelo Macau News, mostram uma descida de infrações ainda mais notória, fixando-se nos 85,1 por cento. Segundo a mesma fonte, durante esta janela temporal foram registados 475 casos, uma descida de 2,708 infrações em relação a 2018, quando a polícia registou

um total de 3,183 ocorrências. Segundo a PSP, dos 475 casos, 73 disseram respeito a cobranças excessivas, 121 a situações de recusa de serviço e 281 a outras situações. Especificando o impacto da nova lei por tipo de irregularidade, o relatório da PSP refere que o número de casos de cobranças excessivas desceu 96,4 por cento de um ano para o outro, quando

O número de casos de cobranças excessivas desceu 96,4 por cento de um ano para o outro. Já o número de casos referentes à recusa de serviço caiu 81,8 por cento

comparado o período visado entre Junho e Dezembro. Já o número de casos referentes à recusa de serviço caiu 81,8 por cento, face ao mesmo período de sete meses entre 2018 e 2019.

VIDA NOVA

O aumento significativo das multas terá estado assim na base da diminuição do número de ocorrências. Com a entrada em vigor da nova lei dos táxis, a multa para a cobrança excessiva subiu de mil patacas para um valor entre as 6 mil e as 15 mil patacas, dependendo do dinheiro cobrado. Já em relação à recusa do serviço, está actualmente em vigor uma multa de 3 mil patacas, que representa um aumento de mil patacas. Segundo informações citadas pelo Macau Post Daily, a PSP registou ainda uma diminuição de 26 por cento nos casos de taxistas sem licença, passando assim de 165 (2018) para 122 (2019). De acordo com a nova lei os casos de táxis a operar sem licença incorrem num multa de 90 mil patacas, ao passo que antes a multa era de 25 mil patacas. Pedro Arede

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Informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) dá conta da detenção de seis iranianos em Macau devido à posse de passaportes falsos. De acordo com a TDM Rádio Macau, estes cidadãos estariam a tentar fugir para a Europa para escapar à instabilidade que se vive no país desde que o general Qassem Soleimani foi morto por tropas norte-americanas. A intenção dos seis iranianos seria pedir o estatuto de refugiado aquando da chegada ao destino final. Os seis iranianos, dois deles um casal, chegaram a Macau no sábado, com três a chegarem de um voo oriundo da Malásia e outros três de Pequim. Os detidos terão pago entre oito a dez mil euros para obter os passaportes e ajuda de passadores no processo de fuga. Foram apresentados passaportes da Suécia, Espanha, Itália e Israel, o que levou a que fossem ontem entregues ao Ministério Público suspeitos do crime de falsificação de documentos.

Crime Dois apartamentos roubados em Toi San

Dois apartamentos foram assaltados em Toi San, com um prejuízo total do conteúdo furtado avaliado em 150 mil patacas. Citada pelo portal Macau Concealers, a Polícia Judiciária (PJ) afirmou que um dos apartamentos, localizado na Rua Três da Cidade Nova de Toi San, foi assaltado no dia 3 de Janeiro, ao passo que o outro, na Rua dos Currais, foi roubado no dia seguinte. Afirmando que, em ambos os casos as portas dos apartamentos estavam bem trancadas e existiam porteiros, a PJ considera segundo a mesma fonte que os dois roubos foram feitos da mesma forma. Ou seja, os assaltantes terão usado uma chave falsa para abrir a porta, tendo saído de Macau logo após os assaltos. Segundo a PJ, um dos suspeitos foi, entretanto, detido quando voltou para Macau na passada quinta-feira, tendo o caso sido transferido para o Ministério Público, onde o presumível assaltante irá responder por crime de furto qualificado. O segundo suspeito continua a monte.


sociedade 7

terça-feira 7.1.2020

O facto de os modelos mais antigos do MacauPass não estar a ser aceite pelos parquímetros geridos pela Forehap Parking Management gerou um mar de críticas nas redes sociais. A MacauPass SA prometeu resolver o problema, mas os utentes queixamse da necessidade de apresentar documento de identificação

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página de Facebook Macau Buses and Public Transport Enthusiatic, destinada a partilhar notícias e informações sobre autocarros e outros meios de transporte público, tem sido o lugar escolhido por dezenas de condutores para criticarem o facto de os cartões antigos da MacauPass não serem aceites nos parquímetros geridos pela empresa Forehap Parking Management. De acordo com a mesma página, para actualizar o cartão é necessário apresentar documento de identificação, um requisito que não é pedido a quem compra o cartão normalmente. Caso a pessoa não tivesse consigo este documento teria de adquirir um novo MacauPass em vez de actualizar o seu cartão antigo, o que motivou críticas. De acordo com o jornal Cheng Pou, a MacauPass SA emitiu um comunicado no sábado a prometer melhorias no sistema. “Verificou-se recentemente que os cartões mais antigos da Macau Pass não

MACAUPASS PARQUÍMETROS NÃO ACEITAM CARTÕES ANTIGOS

Não passar cartão

Habitação económica IH recebe mais de 2600 candidaturas

Foi ontem divulgado o relatório do Instituto da Habitação (IH) relativo ao concurso público para atribuição de 3011 apartamentos de habitação económica. Foram recebidas 2691 candidaturas, com candidatos individuais a representarem 41,8 por cento do total. Já as famílias compostas ou três ou mais pessoas totalizaram 36,3 por cento das candidaturas, enquanto que agregados familiares compostos por apenas duas pessoas constituem 21,7 por cento. Além disso, o relatório dá conta que o grupo mais representativo, com 60,7 por cento, é composto por pessoas que têm entre 25 e 44 anos, enquanto que os candidatos mais velhos, com idades entre 45 e 64 anos, constituem apenas 26,5 por cento. Os jovens com idades entre os 18 e 24 anos representam apenas 8,5 por cento de todas as candidaturas.

IFT Fanny Vong quer atrair mais alunos oriundos da China

funcionam normalmente. Vamos colaborar com os responsáveis pela gestão dos parquímetros para que tudo volte à normalidade”, lê-se no comunicado citado pelo jornal. No entanto, um dia depois das explicações da empresa, a Forehap Parking Management colocou em todos os parquímetros um anúncio onde se lê que deve ser usado o novo cartão da MacauPass, o cartão Quickpass ou proceder ao pagamento com moedas.

DUAS OPÇÕES

Os anúncios colocados nos parquímetros levaram à corrida às lojas da MacauPass, onde, segundo relatos dos cibernautas, constavam as mesmas informações avançadas pelo comunicado de sábado. Nas redes sociais, as questões foram várias. “Isto viola ou não a lei de

protecção de dados pessoais?”, “Não é o cartão que precisa de ser actualizado, mas sim a empresa” ou “Os parquímetros têm problemas, mas

“Isto viola ou não a lei de protecção de dados pessoais?”, “Não é o cartão que precisa de ser actualizado, mas sim a empresa” ou “Os parquímetros têm problemas, mas pede-se a actualização dos cartões? Ridículo”, foram algumas das reacções de cibernautas

pede-se a actualização dos cartões? Ridículo”, são algumas reacções publicadas na página Macau Buses and Public Transport Enthusiatic. Na manhã de ontem, a MacauPass divulgou um novo comunicado onde garante que há, afinal, duas soluções para o problema. A empresa assegura que os utilizadores podem mudar de forma gratuita para um novo cartão, com a transferência do montante existente, ou actualizar o cartão antigo para que volte a funcionar nos parquímetros. Ao jornal Cheng Pou, responsáveis da MacauPass garantiram que não é necessária a apresentação de um documento de identificação para obter um novo cartão.

Fanny Vong, presidente do Instituto de Formação Turística (IFT), disse que a instituição de ensino superior vai receber mais alunos oriundos da China, uma vez que há cada vez menos alunos de Macau a terminar o ensino secundário. No caso do IFT, cerca de 85 por cento dos alunos são naturais de Macau ou estrangeiro, sendo a restante percentagem composta por alunos da China. No entanto, de acordo com o Jornal do Cidadão, Fanny Vong espera que os locais passem a representar apenas 70 por cento de todo o universo escolar já no ano lectivo de 2020/2021, que arranca em Setembro. Estão previstas matrículas de 440 alunos para os cursos de licenciatura e cerca de 40 alunos de mestrado. No que diz respeito aos cursos de doutoramento, existem três alunos matriculados.

Andreia Sofia Silva In Nam Ng

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IAM O LAM TOMA POSSE COMO VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

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ECORREU ontem, no salão nobre do edifício do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a tomada de posse de O Lam como vice-presidente do Conselho de Administração do IAM. A cerimónia foi presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

O Lam agradeceu a confiança em si depositada pelo Chefe do Executivo e pelo secretário e comprometeu-se em auscultar os diversos sectores, para melhor servir a população de Macau. Também André Cheong aproveitou a ocasião para traçar as prioridades da se-

cretaria que passou a liderar desde que o novo Governo tomou posse. Como tal, o secretário para a Administração e Justiça comprometeu-se com a implementação da reforma da Administração Pública, a optimização do sistema jurídico e a prestação de serviços municipais

que facilitem a vida dos residentes André Cheong dirigiu-se ainda a O Lam, afirmando que a nova vice-presidente tem vasta capacidade na área da Administração Pública, tendo vindo a trabalhar de forma cautelosa e a tomar decisões com determinação.

Acrescentou ainda que, com a adesão desta à equipa do IAM, os serviços municipais irão entrar num novo patamar. O Lam é licenciada em Economia e Finanças Internacionais pela Universidade de Jinan e possui mestrado em Gestão de Empresas Internacionais pela The American

Graduate School of Business, na Suíça. Ingressou na Administração Pública em 2000, ao serviço do Instituto do Desporto. Entre os anos de 2009 e 2019, foi assessora e de chefe do gabinete do Chefe do Executivo, além de secretária-geral do Conselho Executivo, em regime de acumulação. J.L.


8 eventos

Era uma v 7.1.2020 terça-feira

FESTIVAL FRINGE OS POEMAS MUSICADOS QUE CONTAM COMO FOI E É MACAU

A Casa de Portugal em Macau apresenta nos dias 11 e 12 deste mês o espectáculo “Era uma vez em Macau”, com poemas musicados da autoria de Diana Soeiro. A ideia é que o público presente na Fortaleza do Monte e no Jardim Camões possa descobrir mais sobre o passado e o presente de Macau num espectáculo que junta música e animação

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UDO começou em Setembro do ano passado, quando a Casa de Portugal em Macau (CPM) levou aos palcos do teatro D. Pedro V o espectáculo “Era uma vez em Macau”, a pensar nos mais pequenos. O mesmo projecto integra agora o cartaz da edição deste ano do Festival Fringe, com o espectáculo a voltar a ser mostrado ao público nos dias 11 e 12 deste mês na Fortaleza do Monte e Jardim Camões. O espectáculo tem como conceitos principais a poesia musicada e animação infantil. Diana Soeiro, coordenadora da CPM e autora dos poemas, contou ao HM o que o público pode esperar de um projecto que, inicialmente, era pessoal. “Foi pensado para celebrar os 20 anos de Macau, mas com o objectivo de sensibilizar os mais pequenos para a história e cultura de Macau, para que ganhassem consciência daquilo que os rodeia. Eu fiz os poemas e a nossa equipa de

músicos da CPM fez a parte da composição musical.” A possibilidade de participação no Fringe surgiu depois, com a decisão do Instituto Cultural (IC) em integrar o espectáculo “Era uma vez em Macau” no cartaz da 19ª edição do evento. “É um concerto onde vão ser apresentadas 13 músicas e vai ter animadores. Pensámos em criar personagens porque os poemas falam de personagens que podem estar relacionadas com o imaginário das crianças sobre Macau. Vamos ter um dragão a interagir com os mais pequenos, por exemplo. Vamos ter mais coisas, mas tem de ser surpresa. Também vamos ter um número de marionetas para interagir com o público.” Entre o D. Pedro V e o Fringe foram necessárias adaptações. “Quando apresentámos o projecto em Setembro foi em formato de auditório, mas adaptámos o cenário e a experiência dos animadores para o conceito de um espectáculo ao ar livre.”


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terça-feira 7.1.2020

Diana Soeiro, mãe de três crianças, cresceu em Macau e pretende manter a memória de uma terra que sente sua. “Os poemas que escrevi são dirigidos às crianças, falam de alguns aspectos da história de Macau. O desafio foi pesquisar e tentar transmitir esses aspectos da história e cultura de Macau com uma linguagem acessível às crianças.” O disco que serve de mote ao espectáculo tem, assim, canções sobre o Farol da Guia, Jardim Camões, o Cotai ou o Jetfoil entre Macau e Hong Kong. “A ideia era conciliar aspectos do passado com Macau mais actual para que através das músicas tenham mais vontade de conhecer e perceber melhor o que os rodeia.”

IR ALÉM DA COMUNIDADE

Para esta edição do Fringe, Diana Soeiro tem expectativas elevadas, uma vez que no último ano “o espectáculo da CPM contou com um público muito participativo”. “Há uma diferença em relação aos anos anteriores, que é o facto de termos dois dias de espectáculo. Um deles é na Fortaleza do Monte e aí estamos a contar com menos público português, será um espectáculo mais direccionado para os turistas. Vamos ter de apostar mais na animação porque terão mais dificuldade em perceber as letras. No Jardim Camões estamos à espera de um público português.”

O disco que serve de mote ao espectáculo tem canções sobre o Farol da Guia, Jardim Camões, o Cotai ou o Jetfoil entre Macau e Hong Kong Para a coordenadora da CPM, estes espectáculos ajudam a associação a expandir-se a toda a sociedade e a chegar a um público mais vasto. “Sentimos que através destes projectos conseguimos concretizar esta parte do entretenimento dos residentes, mas que também divulgamos o português. O nosso objectivo é divulgar a língua e a cultura portuguesas e Macau. Através destes projectos conseguimos chegar a um público muitíssimo variado e divulgar o trabalho das casas. Os turistas e a comunidade chinesa aderem com enorme entusiasmo.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Gala dos galos

“1917” de Sam Mendes ganha Globos de Ouro para melhor filme e realizador

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S filmes “1917”, de Sam Mendes, e “Era uma Vez… em Hollywood”, de Quentin Tarantino, foram os grandes vencedores da 77.ª edição dos Globos de Ouro, que trouxe várias surpresas na cerimónia desta madrugada em Los Angeles. O filme “1917” foi coroado com o Globo de Ouro para melhor Drama, batendo “Joker”, “Marriage Story”, “O Irlandês” e “Os Dois Papas”, uma escolha inesperada da Associação da Crítica Estrangeira em Hollywood. “1917” deu ainda a Sam Mendes a estatueta de Melhor Realizador, numa categoria onde estavam também nomeados Martin Scorsese com “O Irlandês” e Quentin Tarantino. “É difícil fazer filmes sem grandes estrelas e espero que as pessoas o vão ver no grande ecrã, onde foi feito para ver”, disse Sam Mendes ao aceitar o galardão. “1917” é protagonizado por dois actores britânicos pouco conhecidos, George MacKay e Dean-Charles Chapman. Já “Era Uma Vez… em Hollywood” confirmou o favoritismo vencendo o globo na categoria de Comédia ou Musical e dando ainda a Brad Pitt o galardão de Melhor Actor Secundário em Comédia ou Musical e a Quentin Tarantino a estatueta para Melhor Argumento. De cinco nomeações o filme venceu três, o melhor resultado entre os títulos mais nomeados. “Joker”, de Todd Phillips, deu a Joaquin Phoenix o Globo de Melhor Actor em filme dramático e ainda venceu na categoria de melhor banda sonora original, premiando a compositora islandesa Hildur Guönadóttir. Da lista de surpresas consta a vitória do filme de animação “Missing Link”, da Laika Entertainment, superando os pesos-pesados da Disney - “Frozen 2”, Toy Story 4” e “O Rei Leão” - e “Como Treinares o Teu Dragão: O Mundo Secreto”, da Universal, o que gerou grande comoção na cerimónia.

No sentido inverso, “O Irlandês” de Martin Scorsese e com Al Pacino não recebeu qualquer dos Globos de Ouro entre as cinco nomeações que tinha. Também o filme com mais nomeações (seis), “Marriage Story”, de Noah Baumbach, saiu da cerimónia apenas com uma estatueta, entregue a Laura Dern na categoria de Actriz Secundária. Ambos os títulos são da plataforma Netflix, que não confirmou as expectativas geradas pelo elevado número de nomeações que recebeu para esta edição dos Globos de Ouro: de um total de 17, venceu apenas dois. Na televisão, foi a HBO, Hulu e Amazon Prime que dominaram. A série “Succession” da HBO levou para casa o Globo mais cobiçado de melhor série dramática e o seu protagonista Brian Cox, que interpreta o magnata Logan Roy, recebeu o galardão de melhor actor em série dramática. “Chernobyl”, também da HBO, foi considerada a melhor série limitada e Stellan Skarsgård venceu o globo para actor secundário em série, série limitada ou filme para televisão. Na comédia, e tal como aconteceu nos prémios Emmy, em Setembro de 2019, “Fleabag” da Amazon Prime foi a melhor série e Phoebe Waller-Bridge recebeu o Globo de melhor actriz em Comédia ou Musical. Olivia Colman foi premiada pelo desempenho em “The Crown”, da Netflix, levando o Globo para Melhor Actriz em Série Dramática, Patricia Arquette foi a Melhor Actriz em Série Limitada por “The Act” (Hulu) e Renée Zellweger Melhor Actriz em Filme Dramático, por “Judy”. Entre os títulos que não conseguiram qualquer estatueta estão “Os Dois Papas”, “Knives Out” e “The Marvelous Ms. Maisel”. “Parasitas”, do sul-coreano Bong Joon-ho, venceu na categoria de Filme em Língua Estrangeira, tal como esperado.


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7.1.2020 terça-feira

NOTIFICAÇÃO EDITAL (notificação de sanção)

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo

Nº: 1/2020

Lai Kin Lon Kenny, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), manda que se proceda, nos termos dos artigos 14.º e 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com o n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, do transgressor “HO LON”, o proprietário do “Green House Plant” do infractor da notificação n.º IA-1387/2019/DIT, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, procederem ao pagamento da multa aplicada nas respectivas notificações, devendo nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do prazo acima referido entregar nestes Serviços o documento comprovativo do pagamento da multa. O infractor, aplicada multa de $5,000.00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea do artigo 27.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por violação nos termos da alínea 4) do n.º 2 do artigo 32.º da aludida Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”. O infractor pode, dentro das horas de expediente, levantar a cópia do respectivo despacho, a notificação e a guia de receita eventual para pagamento da multa no Departamento de Inspecção do Trabalho da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, podendo também, mediante requerimento por escrito, consultar o respectivo processo (n.º 1488/2018). Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação do documento comprovativo do pagamento da multa implica a remessa, nos termos legais, das cópias dos respectivos documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para ser efectuada cobrança coerciva. Nos termos dos artigos 145.º, 149.º e 155.º do CPA, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, o infractor pode impugnar a referida decisão da Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, pelos seguintes meios: a) No prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante reclamação para a Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho; b) No prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante recurso hierárquico necessário para o Director dos Serviços para os Assuntos Laborais. A decisão punitiva acima referida não é susceptível de recurso contencioso. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 31 de Dezembro de 2019. Chefe do D.I.T., Lai Kin Lon Kenny


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terça-feira 7.1.2020

WUHAN AUTORIDADES DE SAÚDE NEGAM PNEUMONIA ATÍPICA

Respirar fundo

As autoridades chinesas negaram ontem que a doença respiratória que infectou dezenas de pessoas numa cidade no centro da China seja pneumonia atípica, que causou centenas de mortes na China no início do século

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ECEIOS de uma recorrência do vírus, que matou mais de 700 pessoas no continente chinês, surgiram este mês, após vários doentes terem sido hospitalizados com uma pneumonia desconhecida em Wuhan, a capital da província de Hubei. A epidemia da pneumonia atípica, ou síndrome respiratória aguda grave (SARS), começou no sul da China e matou globalmente mais oito mil pessoas, entre 2002 e 2003. No domingo, 59 pessoas foram diagnosticadas com a doença e isoladas enquanto recebem tratamento, indicou a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan. Sete dos pacientes encontram-se em estado crítico e os restantes em condição estável.

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MAdelegação chinesa viajará para Washington na próxima semana para assinar a “primeira fase” de um acordo que visa pôr fim às disputas comerciais entre a China e os Estados Unidos, avançou a imprensa de Hong Kong. Segundo o South China Morning Post, a delegação chinesa, liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, permanecerá em Washington entre os dias 13 e 16 de Janeiro. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou anteriormente que um acordo “muito abrangente” seria assinado no dia 15 de Janeiro, na Casa Branca, com a presença de altos

Em comunicado, a comissão informou que as investigações iniciais descartaram a hipótese de se tratar da síndrome respiratória aguda grave ou influenza, gripe aviária e adenovírus. Amesma entidade detalhou anteriormente que o sintoma mais comum da doença é febre e falta de ar, enquanto as infecções pulmonares surgiram num “pequeno número” de casos. Não há indicações claras de que a doença seja transmissível entre seres humanos. Vários pacientes trabalhavam num mercado de alimentos nos subúrbios de Wuhan. A Comissão disse que o mercado foi encerrado e está sob investigação.

PARA ESTE LADO

O director dos Serviços de Saúde de Macau anunciou no domingo que o nível de alerta

Passar a papel

Delegação visita Washington para assinar acordo parcial sobre comércio

funcionários de Pequim, mas sem o homólogo chinês, Xi Jinping. “Assinarei a fase muito abrangente do acordo comercial com a China em 15 de Janeiro.Acerimónia

vai realizar-se na Casa Branca. Representantes de alto nível da China estarão presentes”, anunciou Donald Trump, através da rede social Twitter. Donald Trump disse ainda que “numa data posterior”, viajará até Pequim, “onde as negociações para a segunda fase do acordo começarão”. Após quase 18 meses de guerra comercial, com os governos dos dois países a impor taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens importados um do outro, os

de emergência foi elevado para três para reforçar a prevenção e coordenação na resposta à pneumonia viral de Wuhan. Lei Chin Ion sublinhou não ter sido registada qualquer ocorrência em Macau, que tem duas ligações aéreas diárias com Wuhan. A legislação de Macau define cinco níveis de alerta, sendo o primeiro “especialmente grave” e o quinto “normal”. O nível de alerta três é um grau de risco médio que exige um acompanhamento mais apertado. Também no domingo, a Autoridade Hospitalar de Hong Kong disse que um total de 15 pacientes estão a ser tratados na região semiautónoma chinesa, devido a sintomas como febre e infecção respiratória, após terem visitado Wuhan recentemente. As autoridades ordenaram hospitais e médicos a relatar às autoridades casos de febre entre pacientes que tenham viajado para Wuhan nos últimos 14 dias, informou a secretária para a Saúde de Hong Kong, Sophia Chan. A região activou um nível de “resposta séria” para conter a propagação da infecção. Chan apelou aos moradores de Hong Kong para que evitem visitar mercados ou consumam carne de caça selvagem na China continental.

A Organização Mundial da Saúde disse que está a monitorizar de perto a situação e que mantém contacto com as autoridades chinesas, mas descartou a necessidade, para já, de impor restrições a viagens ou comércio A Organização Mundial da Saúde disse que está a monitorizar de perto a situação e que mantém contacto com as autoridades chinesas, mas descartou a necessidade, para já, de impor restrições a viagens ou comércio.

dois lados anunciaram, em Dezembro passado, que alcançaram um acordo parcial que inclui a retirada progressiva de taxas e o aumento das importações de produtos norte-americanos por parte da China. O vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen, confirmou que a primeira fase do pacto inclui questões sobre transferência de tecnologia, propriedade intelectual, expansão das trocas comerciais e estabelecimento de mecanismos de resolução de disputas. Os Estados Unidos vão, no entanto, manter taxas alfandegárias adicionais de 25 por cento sobre 250.000 milhões

de dólares de bens importados da China e de 7,5 por cento sobre mais 120.000 milhões de dólares. As tensões comerciais entre as duas principais economias mundiais tiveram já graves consequências para a economia mundial. Nas últimas previsões para a economia mundial, publicadas em Outubro passado, o Fundo Monetário Internacional reduziu as perspectivas de crescimento, para este ano, para 3 por cento, dois décimos a menos que a previsão feita em Julho, face ao agravar da disputa comercial.

HONG KONG LUO HUINING ESPERA QUE CIDADE “VOLTE RAPIDAMENTE AOS TRILHOS”

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novo representante do Governo Central em Hong Kong afirmou ontem esperar que a região semiautónoma "volte rapidamente aos trilhos", após uma crise política sem precedentes desde o retorno da sua soberania, pelo Reino Unido, em 1997. A China anunciou no sábado a nomeação de Luo Huining para substituir Wang Zhimin como director do Gabinete de Ligação em Hong Kong, na mudança mais importante feita pelas autoridades chinesas desde o início dos protestos pró-democracia em Junho passado. Luo, de 65 anos, fez ontem uma breve declaração, mas não indicou uma possível mudança na posição de Pequim face à turbulência no território. "Nos últimos seis meses, a situação em Hong Kong quebrou o coração de todos. Esperamos sinceramente que Hong Kong possa voltar aos trilhos", disse Luo, que não respondeu às perguntas colocadas pelos jornalistas. Luo reconheceu o contributo "importante" da cidade para a "abertura e modernização" da China. Numa referência velada à violência nas ruas, o responsável citou o Presidente chinês, Xi Jinping, que, no seu discurso de ano novo, questionou "como é possível as pessoas viverem e trabalharem em paz sem um ambiente harmonioso e estável". PUB

Aviso sobre pedido de junção de restos mortais em sepultura perpétua Eu, Leong Veng On (梁榮安), nos termos da alínea 5) do n.º 1 e dos n.ºs 2 e 3 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento o pedido relativo à junção das ossadas de Chan Kam Fong (陳金鳳), que era cônjuge de Leong Chuen (梁枝錦), inumada na sepultura n.º SM-1-1637 do Cemitério São Miguel Arcanjo, nessa sepultura. Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso, ao IAM. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos de cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito dentro do prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 07 de Janeiro de 2020 Leong Veng On


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7.1.2020 terça-feira

O sol é branco, as flores legítimas, o amor confuso

Novas instituições em Macau e a indústria dos relógios José Simões Morais

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S portugueses de Macau, perante o Vice-Rei de Liangguang (Guangdong e Guangxi) Chen Rui, reconheceram-se vassalos do Imperador do Celeste Império, passando desde 27 de Dezembro de 1582 a ter autorização oficial de permanência em Macau e os padres a possibilidade de poder viver em Zhaoqing. Para tal, muito contribuiu o relógio mecânico de rodas feito de ferro mandado da Europa e entregue pelo padre português Rui Vicente a Ruggieri, que o levou como presente a Chen Rui. Este relógio suscitou o interesse das elites chinesas e foi o primeiro dos muitos que se seguiram a serem enviados para a China, originando logo em 1583 uma produção relojoeira em Macau a cargo dos jesuítas, que continuou ao longo do século XVII. Luís Filipe Barreto refere, “O fabrico de relógios implica a existência de técnicos especializados e, no ano de 1583, um artífice/relojoeiro indiano, que aprendera a fabricar relógios com os portugueses, seguiu de Macau para a China para na Missão de Zhaoqing fabricar um relógio para o governador provincial Wang Pahn” [Chen Rui fora destituído a 6 de Fevereiro de 1583]. Segundo informava Matteo Ricci, os únicos relógios conhecidos dos chineses <eram os de água (as clepsidras), os do fogo, cuja chama era alimentada por certas bolinhas cheirosas, todas do mesmo tamanho, e outros com rodas movidas por areia, sendo coisas muito imperfeitas. De (relógios) solares, só tinham o equinocial, mas não o sabiam colocar bem>. Também na Europa, o relógio mecânico de rodinhas, inventado em 947 por Gerberto, um monge francês que em 999 viria a ser o Papa Silvestre II, era pouco usado pois atrasava ou adiantava um par de horas por dia. Apesar de se tornar uma moda, eram pouco precisos e assim continuava-se a utilizar os relógios de água, de sol e as ampulhetas de areia, para tomar conhecimento das horas. Nem a invenção da mola de aço em espiral, criada por volta de 1500 em Nuremberga por Peter Henlein, a substituir o peso [utilizado no relógio de 947, mas ainda sem o pêndulo aplicado nos relógios por Huygens em 1656, que veio dar maior rigor à medição do tempo] como motor do mecanismo registador das horas, trouxe maior fiabilidade. Foi só em meados do século XVI, com o regulador da mola a assegurar uma força

motriz constante, que o relógio mecânico ganhou maior precisão. A política da oferta de relógios como presentes por parte dos jesuítas, segundo o padre Manuel Teixeira, ocorrera já em 1551, quando no Japão o Pe. Francisco Xavier ofereceu ao soberano Yamaguchi um grande relógio e oito anos depois, Luís Fróis, S.J., “conseguiu ter uma audiência com o imperador do Japão, vencendo as últimas repugnâncias do grande Kubosama, oferecendo-lhe um relógio que dava as horas.”

NOVAS INSTITUIÇÕES EM MACAU

Em 1583, “o Vice-rei de Guangdong-Guangxi admitiu publicamente que Macau era uma povoação especial do distrito de Xiangshan. Foi também este governante que introduziu em Macau o regime baojia, para a administração da população chinesa (sistema administrativo, baseado no registo dos residentes por unidade familiar, e no esquema de responsabilidade mútua). Foram erguidas, nas quatro ruas principais que atravessavam o centro da povoação, placas de grande dimensão, com palavras de ordem a inspirar respeito pelas autoridades chinesas”, segundo Victor F. S. Sit, que refere,

“Após o reconhecimento chinês do estatuto de Macau, a comunidade portuguesa local, sob a supervisão do Bispo de Macau, fez, em 1583, a eleição do primeiro Senado da Câmara. Eleito por três anos, o Senado era constituído por três vereadores, dois juízes ordinários e um Procurador da cidade. Para a decisão sobre assuntos de importância maior, o Senado tinha que ser presidido conjuntamente pelo Bispo, pelo Capitão de Terra e pelo Magistrado.” Anteriormente, já a povoação elegia quatro vereadores, mas com o rápido desenvolvimento da população foi criado o Senado, tendo o bispo de Macau D. Leonardo de Sá presidido às primeiras eleições do governo municipal de onde surgiu o lugar de Procurador. Este cargo, cujo título oficial era de Regente Ocidental dos Assuntos de Macau, tinha como função gerir as relações com a China e por ser o chefe da administração portuguesa em Macau, em 1584 o Imperador Wan Li atribuiu-lhe o segundo grau de oficial, “com jurisdição sumária sobre os chineses em Macau”, segundo Montalto de Jesus, que refere, “este ‘olho dos bárbaros’ [Yi Mu], como os mandarins lhe chamavam, em casos importantes era substituído pelo prefeito de Xiangshan.” Já Victor Sit refere,

“O fabrico de relógios implica a existência de técnicos especializados e, no ano de 1583, um artífice/relojoeiro indiano, que aprendera a fabricar relógios com os portugueses, seguiu de Macau para a China para na Missão de Zhaoqing fabricar um relógio para o governador provincial Wang Pahn.”

“O Imperador decretou igualmente regulamentos sobre as visitas de inspecção dos mandarins a Macau, aos quais o Regente Ocidental tinha obrigação de prestar informações. Quanto ao protocolo oficial, ficou estabelecido que aquando da visita a Macau, os funcionários civis e militares (chineses) ocupam os lugares nobres no Senado e o Regente Ocidental, o lugar secundário. Estes regulamentos confirmaram, de facto, o estatuto de Macau como um fanfang (bairro estrangeiro), com autonomia administrativa interna.” Sob a origem do Governo Municipal (que tomou o nome de Senado da Câmara em 1584), Beatriz Basto da Silva refere, estar “o facto de os portugueses residentes em Macau, receosos de se tornarem simples súbditos espanhóis (união ibérica-1580), terem deliberado em reunião presidida pelo Bispo D. Belchior Carneiro, criar uma forma de administração que lhes desse alguma independência.” Em 1582, o comércio na China deixava de ser feito pela troca de produtos, sendo usada a prata para pagar as mercadorias. A povoação aumentava e a população solicitava “cada vez maior oferta religiosa e educativa”, segundo Rui Manuel Loureiro, que refere, “um número cada vez maior de religiosos passava pelo litoral chinês a caminho do Japão, exigindo adequadas condições de alojamento e de formação. Alessandro Valignano (...) consciente de que seria necessário reforçar a retaguarda operacional, desenvolveu o projecto de construir em Macau um grande colégio, que complementasse o conjunto de edifícios que a Companhia já possuía no porto luso-chinês e que servisse de pólo aglutinador de todas as actividades desenvolvidas pelos jesuítas no Mar do Sul da China.” “Como o ensino crescera até ao nível universitário, a 30 de Novembro de 1594, a Casa da Companhia de Jesus passou a denominar-se Colégio dos Jesuítas e ministrava a 60 alunos lições de Português e Latim, Artes, Casos e Teologia”, segundo Beatriz Basto da Silva, que refere, a 1 de Dezembro de 1594, “a escola criada pelos jesuítas passou à categoria de Colégio Universitário. O Colégio de São Paulo foi a primeira Universidade ocidental no Extremo Oriente.” O primeiro passo de uma nova expansão missionária na China fora já dado pelos jesuítas Matteo Ricci e Ruggieri que inauguraram em 14 de Setembro de 1583 a missão católica em Zhaoqing, dois séculos depois da saída dos franciscanos aquando da chegada da Dinastia Ming ao trono do Celeste Império.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 7.1.2020

Contos para normais Paulo José Miranda

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filósofo espanhol Miguel de Unamuno viveu obcecado pela figura de Tomás de Taranto durante um período da sua vida, chegando a escrever vários pequenos textos que nunca chegou a publicar por razões misteriosas e que estiveram para vir a lume em dois volumes com o título “Uma Asa no Além – Volumes I e II”. Tomás de Taranto nasceu em Tavira em 1243, quatro anos depois de D. Paio Peres Correia ter conquistado o Castelo de Tavira e expulsado os mouros dessa cidade, e talvez seja por isso que ainda hoje se conheça muito pouco da sua vida e do seu pensamento filosófico e místico, que parece ainda muito dever aos árabes, e que nos anos da sua vida e subsequentes à sua morte deveriam parecer muito desviantes dos dogmas cristãos. De facto, os seus escritos, apesar de religiosos e cristãos eram considerados heréticos e este misto deve ter despertado a atenção de Unamuno, que sempre roçou uma asa pelo além. Mas Taranto não era descendente de árabes, mas de um comerciante do sul de Itália, que se casou com uma fidalga de Tavira e por aí ficou. O seu fascínio pela cultura árabe, segundo Unamuno, deve ter vindo da descoberta da tradução dos textos gregos antigos, especialmente dos estoicos. Livros que o pai lhe terá trazido numa das

Uma asa do além suas viagens marítimas e comerciais pelo sul de Espanha e norte de África. Independentemente do indiscutível interesse desses textos, para mim este interesse de Miguel de Unamuno por Tomás de Taranto traz os seus melhores frutos se nos detivermos numa tentativa de compreender o que leva alguém a querer entender outro com mais profundidade do que propriamente o sumo que se retira de entender essa figura herética. No fundo, trata-se da reflexão – que percorre muitos desses textos – acerca do que é que nos leva até ao outro, mesmo que seja, não a milhares de quilómetros de distância, mas a um infinito de distância, que é séculos passados. Unamuno, contudo, fascinado pela figura desse medieval português, salienta algumas passagens de Taranto acerca da diferença entre uma pessoa ética e uma pessoa boa, que reproduzo aqui: “Uma

pessoa pode ser ética sem ser boa em sentido de afável; é o caso daquela pessoa que não tira de si para dar aos outros, mas jamais tiraria dos outros para dar a si. E uma pessoa boa (em sentido de afável) pode não ser ética; é o caso daquela pessoa que dá muitas vezes de si aos outros, mas nem sempre se comporta de modo correcto.” A pertinência da citação desta passagem, prende-se com o facto de nos mostrar que Taranto entendia o comportamento ético muito mais em sentido de não prejudicar o outro do que em fazer-lhe bem. Uma pessoa ética pode até nem dirigir a palavra a ninguém, ou em muito poucas ocasiões, ser aquilo a que usualmente se chama “pessoa fechada” ou antipática. Em outra passagem, lê-se: “Há muito mais ética no recolhimento do que na festa, no silêncio do que no canto.” E, quer se queira quer não, escutamos ecos do estoicismo. A ética, se não é dependente do recolhimento,

São muitas as páginas em que ele discorre acerca da luz de Tavira, do céu, das nuvens, como se de algum modo essa paisagem fosse a antecâmara de Deus ou, expressão feliz que usa num dos seus fragmentos: “uma asa do além”

é pelo menos sua vizinha próxima. Isso não basta, evidentemente, mas parece ser fundamental. Mas não seria por aqui que o interesse de Unamuno despertaria para as páginas deste português de Tavira, seguramente. Miguel de Unamuno refere acima de tudo o fascínio que a luz causava em Taranto, e são também estes os textos que mais me agradam. São muitas as páginas em que ele discorre acerca da luz de Tavira, do céu, das nuvens, como se de algum modo essa paisagem fosse a antecâmara de Deus ou, expressão feliz que usa num dos seus fragmentos: “uma asa do além”. O céu, que em português tanto pode ser metáfora do paraíso como o limite do planeta Terra – contrariamente à língua inglesa que distingue sky e heaven –, era para Taranto a unificação da natureza e de Deus, a síntese possível e visível da perfeição de Deus e da sua criação. O céu, para além do deslumbramento que causa, escreve Taranto, “lança a alma num desejo de mais que não encontra eco no mundo”. Unamuno, que algumas vezes se refere a Taranto como “o português do céu”, sublinha que essa relação entre céu e terra, sagrado e profano, que ele considera privilegiada, foi comum às povoações costeiras do sul durante séculos, mas que encontra a sua expressão máxima na cidade de Tavira, com Tomás de Taranto.


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BOM PETISCO

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3 7 2 1 4 76 51 3 1 2 75 6 25 4 7 2 7 63 4 15 3 6 2 1 6 7 5 3 6 5 3 4

4 6 6 351 2 4 2 7 3 1 5 3 72 5 47 1

HUM

EURO

8.95

BAHT

0.26

YUAN

1.14

VIDA DE CÃO

3 6 EXPOSIÇÃO 4 5“GAME6– GIGI LEE’S 1 MULTIMEDIA 3 7SOLO2 27 2 3 64 EXHIBITION” 6 do1Boi | 7 3 1 26 7 Armazém Até 16/25 4 2 3 7 1 3 2 7 6 4 5 1 55 44 2 EXPOSIÇÃO “MACAU CANIDROME-POUCHING TSAI SOLO 2 6 3 4 5 1 7 4 6 7 5 3 EXHIBITION” Armazém do Boi | Até 11/2 3 4 1 2 7 5 46 2 33 1 6 5 7“NO YA4ARK: INVISIBLE 3 2VOYAGE”6 1 5 4 2 1 EXPOSIÇÃO Armazém do Boi | Até 2/2 7 2 5 6 1 3 4 4 6 7 5 28 33 Cineteatro 3 6 4C 7I 1N 2E 3M 5

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 33

2

atum-rabilho. O peixe, com um peso total de 276 quilos, foi arrebatado em leilão por quase 14,5 milhões de patacas.

4 7 3 1 6 5 2

6 5 7 3 2 4 1

5 2 4 6 1 3 7

UMA 5 2 SÉRIE 4 7 HOJE 3 1 6

1 7 3 5 3 4 6 62 57 5 21 6 4 51 7 13 6 3 2 4 2 6 5 1 2 4 4 3

7

7 5 1 6 5 3 4 5 41 2 7 6 2 5 4 2 1 7 54 3 36 5 7 3 6 4 1 5 6 3 4 2 7 4 2 1 76 2 1 7 15 44 3 5 4 7 64 3 2 6 7 5 1 6 7 3 5 7 3 2 6 1 4 3 1 do 2 4 5em Tóquio, 1 preparam 3 2um Empregados principal restaurante da7 cadeia6Sushizanmai,

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Esta mini-série italiana de apenas dois episódios conta a história do empresário Adriano Olivetti, proprietário da fábrica das famosas máquinas de escrever. A mini-série conta a história por detrás do aparecimento da máquina de escrever portátil lettera 22, que revolucionou a forma de escrever quando não existiam computadores, mas também o pensamento empresarial de Olivetti, que criou comunidades para os seus trabalhadores com oferta de serviços sociais e culturais. A não perder. Andreia Sofia Silva

1

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A HARMONIA

6 5 4 2 1 7

2 7 3 6 5 4

4 1 2 5 7 3

34 34

32 5 67 3 4 6 1 1

PROBLEMA 34

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4 36 5 3 5 26 3 2 7 1

1

S U D O K U

MUITO

KAZUHIRO NOGI-AFP VIA GETTY IMAGES

TEMPO

7.1.2020 terça-feira

3 7 16 5 2 51 4

76 4 1 2 57 5 3

7 23 34 1 5 2 6

5 2 53 6 61 4 7

4 1 5 47 6 73 2

3 2 7 4 5 31 6

7 1 6 3 4 12 65

5 4 22 1 6 3 17 6

2 3 5 7 41 6 4

1ADRIANO 6 OLIVETTI - A FORÇA DE UM SONHO | 2013 6 7 64 1 2 5 7 3 55 4 3 2

5

1 6 2 4 3 7 5

Harmonia é uma das palavras mais ouvidas nos discursos políticos da região. Procurar e atingir harmonia social!Ahhh, refastelem-se nesta chaise-longue conceptual, soa tão bem, como um desígnio celestial, uma aspiração ao divino. Uma forma quase holística de designar paz social. Na humilde opinião deste vosso escriba, a paz e a concórdia são algo que deve nascer de dentro de uma sociedade, tendo o Estado apenas a vocação de a proteger, não deve partir de cima, da supra-estrutura para a sociedade. Harmonia sob ameaça não é harmonia, é sequestro, branqueamento, uma fantasia política que mascara o autoritarismo. Se quisermos viver nesta aparência, olhemos para a Coreia do Norte. Nunca vi fotografias com tão rasgados sorrisos, esgares de pura felicidade. Nunca ouvi falar numa greve, manifestação, contestação popular. Será que isso faz de Pyongyang uma cidade harmoniosa? Em contrapartida, dou um rebuçado a quem encontrar fotos com carantonhas mais sisudas do que as que retratam cidadãos do norte da Europa, onde prolifera a contestação social. Tal como o amor, a harmonia não se impõe e importa distinguir harmonia do conceito de ordem de Estado imposta com punho-de-ferro. E não me venham dizer que para ter uma opinião, para abrir a boca, tenho de frequentar 50 licenciaturas e mais três vidas de pesquisa histórica, se não querem bater o recorde do elitismo de polichinelo. Isso não é um argumento, não se aproxima de uma réplica, mas é, apenas, um escapismo infantil que procura o silêncio apaziguador do poder alérgico ao ruído da rua. Uma rua silenciosa é uma rua morta, jamais harmoniosa. João Luz

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RICHARD JEWELL SALA 1

RICHARD JEWELL [C] Um filme de: Clint Eastwood Com: Sam Rockwell, Kathy Bates, Jon Hamm, Olivia Wilde 14.15, 16.45, 19.05, 21.30 SALA 2

ASHFALL [B] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

Um filme de: Lee Hac-Jun, Kim Byung-Seo Com: Lee Byung-Hun, Ha Jung-Woo, Ma Dong-Seok A.K.A. Don Lee 14.30, 16.30, 19.05, 21.30 SALA 3

CATS [A] Um filme de: Tom Hooper Com: James Corden, Jason Derulo, Taylor Swift 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; In Nam Ng; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Pedro Arede Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; António Falcão; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; Gonçalo M.Tavares; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

terça-feira 7.1.2020

macau visto de hong kong DAVID CHAN

TOM HASELTINE, GETTY IMAGES

Bons auspícios para 2020

N

ESTE primeiro artigo de 2020, desejo um feliz Ano Novo a todos os meus leitores e a concretização de todas as suas aspirações. Rezo também pela paz mundial e para que todos tenham saúde e sejam felizes. Para Hong Kong, que tem vivido períodos conturbados, espero que seja possível reencontrar a paz neste ano que agora começa. No dia 2, a Hong Kong TVB transmitiu uma notícia sobre quatro casos que estão a decorrer em tribunal. No primeiro, o réu está a ser julgado pela destruição do anúncio luminoso colocado na entrada da Hongkong and Shanghai Banking Corporation. O réu também terá entrado no edifício da administração central financeira do Banco e destruído uma máquina de depósito de cheques, duas máquinas de depósito de dinheiro e quatro ATMs. O réu foi acusado e considerado culpado desta ofensas. O juíz não aceitou a fiança e pediu que cumprisse a pena num centro de desintoxicação.

O segundo caso é conhecido de todos. Um indivíduo encapuçado agrediu, com uma grelha de drenagem, um trabalhador que se encontrava a desimpedir o acesso a uma rua bloqueda por barricadas. O agressor foi acusado de atentado grave à integridade física. O juíz recusou a fiança e encaminhou o caso para julgamento. O terceiro caso foi muito falado na comunicação social. Umas pessoas que estavam a tirar fotografias foram atacadas por um casal que usava máscaras. O agressor atacou as vítimas com um pau, enquanto a mulher abria um guarda chuva para impedir que o ataque fosse visto. Foram ambos acusados de atentado grave à integridade física. O juíz recusou a fiança. O quarto caso está relacionado com cocktails molotov. O réu foi encontrado com dois cocktail molotov, duas latas de gás butano e um martelo. Foi acusado de posse de armas ofensivas. Foi considerado culpado e condenado a 12 meses de prisão.

Todos estes relatos indicam que ultimamente a polícia de Hong Kong não tem estado apenas focada nos distúrbios provocados pelos manifestantes. Só combatendo o crime se lhe pode pôr fim

Para além destes quatro casos, a Hong Kong TVB também noticiou no dia seguinte mais três situações. Na primeira, várias pessoas foram encontradas na posse de armas ofensivas. Um dos réus, a quem chamaremos Mr. A, já tinha sido julgado em Setembro por um caso similar. Por ser reincidente, Mr. A não teve direito a fiança. O outro réu, a quem chamaremos Mr. B, era professor assistente numa Universidade de Hong Kong. O réu foi encontrado com 22 paus, dos quais 20 estavam afiados. Foi acusado de posse de armas ofensivas. O juíz concedeu-lhe fiança e o caso foi agendado para julgamento. No caso seguinte, o réu tinha escrito “bestas” nas barreiras policiais, um insulto à polícia. Foi preso e acusado de danos criminosos. Foi condenado ao pagamento de uma multa de HK$2.000. O ultimo caso refere-se a um homem que atacou um carro da polícia com uma mala com rodas, durante uma manifestação. O réu foi acusado de atentado à propriedade publica. Foi condenado a uma pena suspensa de 15 meses. Todos estes relatos indicam que ultimamente a polícia de Hong Kong não tem estado apenas focada nos distúrbios provocados pelos manifestantes. Só combatendo o crime se lhe pode pôr fim. Espero que este início auspicioso indicie que Hong Kong está voltar gradualmente à normalidade no ano que acabou de entrar.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“O desejo floresce, a posse faz murchar todas as coisas.” Marcel Proust

terça-feira 7.1.2020

AUSTRÁLIA 1,2 MIL ME PARA RECUPERAR ÁREAS AFECTADAS PELOS INCÊNDIOS

EUA/IRÃO MERKEL E PUTIN DEBATEM NO SÁBADO AUMENTO DA TENSÃO

A

A

Austrália vai canalizar 1,2 mil milhões de euros para a recuperação de áreas afectadas pelos incêndios, anunciou ontem o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison. Segundo o primeiro-ministro, o dinheiro será distribuído nos próximos dois anos e gerido por uma nova agência dedicada à a reconstrução de casas e infra-estruturas danificadas. Os incêndios na Austrália já destruíram, desde Setembro, mais de 5,5 milhões de hectares, o equivalente a um país como a Dinamarca, e provocaram a morte de 24 pessoas. O dia ontem amanheceu mais calmo, graças a uma leve chuva no território, mas o fim-de-semana “foi catastrófico”, de acordo com as autoridades, que contabilizaram mais um morto no sábado e a retirada de milhares de pessoas, além de “danos consideráveis”. “Vai fazer-se o que for preciso, custe o que custar”, garantiu o primeiro-ministro numa conferência de imprensa realizada após reunir-se com a comissão de segurança nacional para analisar a resposta aos incêndios. Scott Morrison acrescentou que esta ajuda provém do Orçamento do Estado e é independente de outros auxílios já aprovados, sublinhando ainda que se trata de um “acordo inicial” que poderá subir, se necessário, caso os danos aumentem. “Vamos concentrar-nos nos custos humanos e nos custos de reconstrução da vida das pessoas (...) para garantir que fazemos o melhor possível, o mais rápido possível”, acrescentou. Esta medida surge depois da decisão de convocar 3.000 militares na reserva para reforçar o combate aos incêndios e após a disponibilização de cerca de 12,5 milhões de euros para alugar quatro hidroaviões e outros meios aéreos que o primeiro-ministro anunciou no sábado ao final de um dos piores dias da onda de incêndios.

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PALAVRA DO DIA

Os três pacientes estiveram “em Wuhan antes da manifestação dos sintomas e dentro do período de 14 dias”

Trio de achaque

Detectadas três pessoas com sintomas de gripe e febre que estiveram em Wuhan

O

Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Pneumonia de Origem Desconhecida emitiu ontem um comunicado onde é referido que foram detectados ontem três novos casos de pessoas com sintomas de gripe e febre que estiveram recentemente na cidade de Wuhan. Tratam-se de três residentes de Macau, dois homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 19 e os 22 anos de idade. De acordo com o comunicado, “entre o dia 1 e 4 de Janeiro começaram a manifestar sintomas como febre e tosse”. Situação que, acumulada com o facto de os três pacientes terem estado “na cidade de Wuhan antes da manifestação dos sintomas e

dentro do período de 14 dias”, levou ao alerta das autoridades. “Após a realização do exame foi confirmada a presença do vírus influenza. O estado de saúde das três pessoas é considerado estável e não apresentaram pneumonia”, lê-se ainda. Desde o dia 1 de Janeiro que foram registados oito casos relacionados com pessoas que estiveram na cidade de Wuhan e que manifestaram sintomas no período de 14 dias. Um total de sete pessoas foi diagnosticada infecção viral tipo influenza ou constipação comum. Porém, as autoridades dão conta de um caso de uma paciente que ainda se encontra em isolamento. Trata-se de uma turista de Wuhan, com 44 anos de idade, que já não apresenta sintomas

de febre, mas que ainda está isolada porque “os resultados de exames complementares ainda não são conhecidos”. “Em Macau não foi ainda diagnosticado nenhum caso relacionado com a pneumonia de origem desconhecida da cidade de Wuhan”, concluem as autoridades. Na China, até domingo, foram registados 59 casos de pneumonia viral de origem desconhecida na cidade de Wuhan. Em sete situações o estado clínico é considerado grave, com os sinais vitais dos demais pacientes a serem considerados estáveis. De momento, todos os pacientes estão em isolamento para tratamento médico nas instituições médicas em Wuhan. Não foram registadas mortes até ao momento. A.S.S.

chanceler alemã,Angela Merkel, vai visitar a Rússia no próximo sábado, a convite do Presidente russo, Vladimir Putin, para debater as tensões no Médio Oriente e o cumprimento dos acordos de Minsk, informou ontem o Kremlin. “Durante as conversações deverão ser debatidos temas da actualidade internacional, incluindo a situação na Síria, na Líbia e o aumento das tensões no Médio Oriente na sequência do ataque dos Estados Unidos contra o aeroporto de Bagdade, em 3 de Janeiro”, indicou o gabinete de imprensa da presidência russa. O Kremlin também informou que durante a reunião entre Merkel e Putin serão analisados o cumprimento dos acordos de Minsk de 2015, que visaram pôr fim à guerra no leste da Ucrânia, e os alcançados sob o designado “formato de Normandia” (Ucrânia, Rússia,Alemanha e França) em 9 de Dezembro, em Paris. O acordo assinado na capital francesa comprometeu os líderes russo e ucraniano, nomeadamente, a trabalhar para um cessar-fogo “total” e efectivo até ao final do ano e para um intercâmbio completo dos respectivos presos. Os intervenientes também acordaram implementar condições políticas e de segurança em quatro meses para permitir eleições locais em Dombass, mas não chegaram a acordo sobre o controle da fronteira russo-ucraniana.

VENEZUELA PARA PORTUGAL, JUAN GUAIDÓ LIDERA A ASSEMBLEIA NACIONAL

O

chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, afirmou ontem que para Portugal e para a União Europeia Juan Guaidó é o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e condenou como “inaceitável” a “pretensa eleição” de domingo em Caracas. “O que aconteceu ontem [domingo] às portas da Assembleia Nacional é inaceitável, visto que não

é possível encenar uma eleição da junta directiva da Assembleia Nacional impedindo os deputados, começando aliás pelo presidente em funções, de entrar na Assembleia para livremente votarem”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros à imprensa à margem do Seminário Diplomático, ontem em Lisboa. “Portanto, não reconhecemos a pretensa

Augusto Santos Silva

eleição que ocorreu e, pelo contrário, tomamos boa nota de que os deputados impedidos de exercer o seu direito livremente se tenham reunido noutras instalações e tenham renovado o mandato do presidente Guaidó. Para nós, Portugal, e para nós, UE, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela é o deputado Juan Guaidó”, declarou. O

Ministério dos Negócios Estrangeiros português já tinha reagido no domingo, através do Twitter, para afirmar” grande preocupação” em relação à situação na Venezuela e considerar “inadmissível” qualquer “pretensa eleição” realizada à margem da lei e das regras democráticas.

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Hoje Macau 7 JAN 2020 # 4443  

N.º 4443 de 7 de JAN de 2020

Hoje Macau 7 JAN 2020 # 4443  

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