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Ter para ler

hojemacau

Pornografia infantil deve ser criminalizada Uma deputada e um advogado afirmam, com todas as letras, que o novo Código Penal não contempla a posse e visualização de pornografia infantil. O que, clamam, está errado. Profundamente errado.

política página

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Saúde Utentes criticam hospital da MUST por causa da localização O deputado Au Kam San denunciou o assunto: a maior parte dos que utilizam o hospital da MUST estão insatisfeitos. Racionalmente, afirma-se, não faz sentido. sociedade página

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Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

quinta-feira 7 de janeiro de 2016 • ANO Xv • Nº 3487

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Director carlos morais josé

Angela leong sobre desfalque no L’arc

Kim soltou a bomba

Hora

H páginas 2-3

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Só sei que nada sei

sociedade página

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h

Ondina


2 grande plano

bomba H

O regime de Pyongyang afirma ter feito explodir uma bomba de hidrogénio. A condenação é geral. A China retira gente da fronteira

Coreia do Norte diz que testou pela primeira vez bomba de hidrogénio

O teste foi encomendado pessoalmente por Kim Jong-un e aconteceu dois dias antes do seu aniversário

Apocalipse A

Coreia do Norte afirmou ontem ter realizado, com sucesso, o seu primeiro teste nuclear de hidrogénio, dando um significativo passo no desenvolvimento do seu programa nuclear. “O primeiro teste com bomba de hidrogénio da República foi realizado com sucesso às 10:00 do dia 6 de Janeiro, 2016, baseado na determinação estratégica do Partido dos Trabalhadores”, anunciou a televisão estatal norte-coreana. Vários centros de actividade sísmica detectaram ontem um abalo na Coreia do Norte, levantando-se, de imediato, a pos-

sibilidade de ter sido causado por um teste nuclear. “Com o sucesso total da nossa histórica bomba-H, juntámo-nos ao grupo dos Estados nucleares avançados”, anunciou Pyongyang, acrescentando que o teste foi feito com um dispositivo “miniaturizado”. O teste foi encomendado pessoalmente por Kim Jong-un e aconteceu dois dias antes do seu aniversário. No mês passado, durante uma inspecção militar, Kim sugeriu que Pyongyang tinha já desenvolvido uma bomba de hidrogénio, apesar de o anúncio ter sido acolhido com cepticismo por especialistas internacionais.

A bomba de hidrogénio, ou termonuclear, usa a fusão nuclear numa reacção em cadeia que resulta numa explosão poderosa. “O último teste, totalmente assente na nossa tecnologia e pessoal, confirmou que os nossos recursos tecnológicos, recentemente desenvolvidos, são precisos e demonstram cientificamente o impacto da nossa bomba-H miniaturizada”, disse o apresentador televisivo, que transmitiu a mensagem do regime. A realização efectiva do teste tem ainda de ser confirmada pela comunidade internacional. Apesar de se comprometer a não ser o primeiro a recorrer à bomba,

o regime de Pyongyang indicou que continuará a desenvolver as suas capacidades de ataque nuclear. “Enquanto persistir a política anti-Coreia do Norte dos Estados Unidos não vamos parar de desenvolver o nosso programa nuclear”, afirmou.

Chineses deslocados

Entretanto, os chineses que residem em zonas perto da fronteira com a Coreia do Norte foram deslocados de suas casas, após o anúncio da realização de um teste nuclear, informa a imprensa oficial. Os residentes fronteiriços “sentiram claramente tremores”,


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Reacções

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China Firme oposição

Coreia do Sul Isto muda tudo

A China, o principal aliado da Coreia do Norte, disse ontem que se “opõe firmemente” ao teste nuclear de Pyongyang, acrescentado que o ensaio foi realizado “apesar da oposição da comunidade internacional”. “Instamos fortemente a DPRK [Coreia do Norte] a respeitar o seu compromisso de desnuclearização, e a suspender qualquer ação que possa tornar a situação ainda pior”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying.

Apresidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, disse que o país vai tomar medidas firmes contra qualquer provocação adicional da Coreia do Norte e trabalhar com a comunidade internacional para garantir que Pyongyang pague o preço pelo seu mais recente teste nuclear. Em declarações divulgadas pelo gabinete presidencial sul-coreano, Park disse que o novo teste pode mudar a natureza fundamental da situação sobre o programa nuclear da Coreia do Norte. Separadamente, a agência de notícias sul-coreana Yonhap disse que o serviço de inteligência de Seul acredita que a potência da explosão provocada pelo teste norte-coreano foi equivalente a 6.0 quilotons.

Japão Condenação veemente

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, condenou hoje o teste de uma bomba de hidrogénio, anunciado pela Coreia do Norte, considerando-o uma “ameaça grave” para o Japão e um “sério desafio” aos esforços de não-proliferação nuclear. “Condeno-o veementemente”, afirmou Abe. “O teste nuclear que foi realizado pela Coreia do Norte é uma grave ameaça à segurança da nossa nação e não podemos, absolutamente, tolerá-lo”, disse. O primeiro-ministro nipónico considerou também que o teste representa “um sério desafio aos esforços internacionais de não-proliferação” nuclear.

após Pyongyang ter detonado o que diz ser uma bomba de hidrogénio, afirmou a emissora pública chinesa CCTV. As zonas evacuadas incluem Yanji, Hunchun e Changbai na província de Jilin. Segundo a televisão chinesa CCTV, os residentes de Yanji viram as mesas e cadeiras abanarem durante vários segundos e algumas empresas ordenaram aos funcionários que abandonassem os escritórios. Os estudantes de uma escola secundária foram dispensados durante um exame depois de uma fenda ter surgido no pátio.

“Se um dispositivo nuclear foi detonado pela Coreia do Norte, isto é uma grave violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e uma provocação que eu condeno”, disse o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond. “Estamos a trabalhar com outros membros do Conselho de Segurança da ONU para garantir que a comunidade internacional responda com urgência e de forma decisiva esta ação da Coreia do Norte”, acrescentou Hammond.

A Rússia classificou ontem de violação flagrante das resoluções da ONU o anúncio feito pela Coreia do Norte do seu primeiro teste com uma bomba de hidrogénio. «Se esse teste for confirmado, representará um novo passo de Pyongyang no caminho do desenvolvimento de armas nucleares o que constitui uma violação do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU», afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em comunicado.

e 2013, disse à agência Efe um porta-voz do Ministério da Defesa japonês. Os testes para detectar material radioactivo podem fornecer informação sobre a natureza do teste nuclear. No último teste

“A França condena esta violação inaceitável das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e apela a uma forte reacção da comunidade internacional”, afirmou o gabinete do presidente francês, François Hollande.

Reino Unido Grave provocação

Rússia Violação das resoluções da ONU

governamentais à agência Kyodo. Os Estados Unidos também enviaram aviões para o local com o mesmo objectivo, como fizeram em testes nucleares anteriores da Coreia do Norte, em 2006, 2009

França Violação inaceitável

atómico norte-coreano, em 2013, os aviões de reconhecimento não encontraram quaisquer vestígios, o que poderia indicar que o país fechou totalmente os túneis onde ocorreu a explosão.

Um diplomata ocidental disse que, caso seja confirmado o teste nuclear da Coreia do Norte, os membros do conselho expandirão as actuais sanções da ONU contra Pyongyang

Japão e EUA medem radiação no ar

Por seu lado, o Japão e os Estados Unidos enviaram ontem aviões de reconhecimento para uma área próxima da península coreana para medir a radioactividade no ar, depois de o governo norte-coreano ter anunciado o primeiro teste de uma bomba de hidrogênio. Um avião das Forças de Defesa do Japão vai recolher amostras de ar para analisar a presença de partículas radioactivas, o que representaria um indício do novo teste atómico desenvolvido pelo regime de Kim Jong-un, informaram fontes

Conselho de Segurança reúne de emergência

O

Conselho de Segurança da ONU planeava realizar ainda ontem, quarta-feira, uma reunião de emergência para discutir o teste feito pela Coreia do Norte com uma bomba de hidrogénio, disse a missão dos EUA na ONU. Falando à Reuters sob a condição de anonimato, vários diplomatas disseram que a reunião foi marcada para as 11h (22h, pelo horário de Macau). Os diplomatas disseram que a reunião será provavelmente à porta fechada. “Os Estados Unidos e o Japão solicitaram consultas de emergência ao Conselho de Segurança, com relação ao alegado teste nuclear da Coreia do Norte”, disse a porta-voz da missão dos EUA

na ONU, Hagar Chemali, em comunicado. “Condenamos qualquer violação das resoluções do Conselho de Segurança e, novamente, pedimos à Coreia do Norte que se adeque às suas obrigações e compromissos internacionais”, acrescentou. Não ficou imediatamente claro qual atitude a tomar pelo Conselho de Segurança, formado por 15 países, em resposta ao comunicado da Coreia do Norte afirmando ter conduzido um teste nuclear. Um diplomata ocidental disse que, caso seja confirmado o teste nuclear da Coreia do Norte, os membros do conselho expandirão as actuais sanções da ONU contra Pyongyang.

Dúvidas sobre a realidade da explosão. Ver última


4 política

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Gás natural Governo continua a negociar com a Sinosky

Reacender a mortiça chama O Executivo continua a negociar com a Sinosky para resolver os problemas de fornecimento de gás natural, sendo que todas as hipóteses contratuais estão em aberto. Hoi Chi Leong, novo coordenador do GDSE, quer “estabilidade” no fornecimento

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ano passado a Sinosky foi notícia devido aos problemas de fornecimento de gás natural, tendo sido avançada a possibilidade de rescisão de contrato com a concessionária. Um ano depois, continua tudo em aberto. “Estamos em negociação com a empresa e vamos encontrar a situação mais viável para resolver a situação. Vamos ver todas as opções para garantir que não há uma interrupção do fornecimento do gás natural”, disse ontem Hoi Chi Leong, novo coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE), à margem da cerimónia de tomada de posse. No seu discurso, Hoi Chi Leong disse querer “assegurar a estabilidade e a segurança do fornecimento de electricidade e de gás natural a longo prazo a Macau”, bem como “promover a cultura de conservação energética e de redução de emissões”. O engenheiro promete envidar “os maiores esforços para o desenvolvimento do sector energético”. Data de 2007 o primeiro contrato para o fornecimento de gás natural assinado entre o Executivo e a Sinosky, sendo que até ao momento pouco foi feito para garantir a totalidade desse fornecimento. Em Agosto do ano passado, os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas já levantaram dúvidas sobre a implementação de uma rede de gás natural no território. “Esse prazo já passou de metade e ainda não foi celebrado

“Uso racional” dos recursos

“Estamos em negociação com a empresa e vamos encontrar a situação mais viável para resolver a situação. Vamos ver todas as opções para garantir que não há uma interrupção do fornecimento do gás natural”

Portugueses Conselheiros falam com Edmund ho

O

s Conselheiros das Comunidades Portuguesas José Pereira Coutinho, Armando Jesus e Rita Santos encontraram-se com o ex-Chefe do Executivo e actual vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Edmund Ho, para falar sobre os trabalhos desenvolvidos pelo

um contrato de fornecimento a longo prazo de gás natural (…) duvidando-se assim da possibilidade de concretização da política de gás natural, lançada pelo Governo”, referiu o representante da Comissão na altura. Actualmente apenas o complexo de habitação pública de Seac Pai Van e o campus da Universidade de Macau (UM) possuem este tipo de fornecimento.

Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) em Macau. Entre as tarefas prioritárias está a facilitação de integração de jovens locais em instituições universitárias portuguesas, o apoio ao Consulado de Portugal na marcação de datas para renovação de documentos oficiais, a implementação de cursos de Português em esco-

las na China e a renovação de licença especial de trabalho para portugueses integrados no Governo local. De acordo com comunicado do CCP, Edmund Ho “elogiou os trabalhos” até aqui desenvolvidos pelo organismo e pediu o reforço do “intercâmbio cultural e económico e económico” entre Macau, Portugal e a China.

Num breve discurso, Raimundo do Rosário, Secretário para as Obras Públicas e Transportes disse que Hoi Chi Leong “cumprirá com elevado sentido de responsabilidade estas novas funções”. “Para que os objectivos possam ser cumpridos, é naturalmente imprescindível a cooperação de todos, empresas e população, pelo que continuar-se-á a investir em trabalhos de educação e sensibilização com vista a uma utilização mais racional dos recursos energéticos”, apontou o Secretário. O novo coordenador do GDSE não deixou de recordar a sua anterior experiência como director substituto dos Serviços para a Regulação das Telecomunicações (DSRT). “É do vosso conhecimento que tenho vindo a exercer funções no sector das telecomunicações. Embora este e o sector energético pertençam a duas indústrias com tecnologias diferentes, estão ambas envolvidas com a prestação de serviços públicos em Macau”, referiu. “Aproveitarei a minha experiência anterior no âmbito da Administração e da regulação de serviços de utilidade pública e procurarei familiarizar-me com o funcionamento do serviço e do sector, que para mim são novos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CEM negoceia tarifas O novo coordenador do GDSE garantiu que o aumento de tarifas da electricidade ainda está a ser discutido com a Companhia de Electricidade de Macau (CEM). “Ainda estamos em negociações com a companhia sobre o preço da electricidade. O preço da electricidade depende da economia e de outros custos”, explicou.

Transmac contrato segue Raimundo do Rosário garantiu que a questão do terreno concedido à Transmac não está a trazer problemas à alteração do contrato com a operadora de autocarros. “Não, de todo. São duas questões. Uma coisa é o contrato. Há um parecer do CCAC que pede para regularizar a situação e que pede para passarmos isto para a concessão pública. Estamos a tratar disso. E outra coisa totalmente independente são os terrenos em relação à sua caducidade. As Obras Públicas vão iniciar os procedimentos para a declaração da caducidade desses terrenos”, frisou. A empresa está a funcionar com um contrato que não dá grande poder ao Executivo, quando deveria ter um contrato de prestação de serviços.

Lei do Erro Médico sem novidades A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Lgislativa teve ontem uma reunião interna sobre o Regime Jurídico de Tratamento de Litígios Decorrentes de Erro Médico, mas sem chegar a qualquer conclusão. Em declarações ao HM, a deputada e membro da Comissão Ella Lei explicou que não foram discutidas quaisquer cláusulas. “O encontrou serviu apenas para percebermos em que situação está a processo da lei e o que é o Governo está a fazer neste momento”, indicou, sem adiantar qualquer outra informação. A reunião foi à porta fechada e não foi permitida a cobertura jornalística.


5 política

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Escapou algo na revisão ao Código Penal: a visualização de pornografia infantil deveria ser criminalizada, dizem analistas

Jurista e deputada defendem criminalização de pornografia infantil

Monstros ao largo

ção Legislativa da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), foi também convidado para o programa e afirmou que, no âmbito internacional, espera eliminar totalmente eventuais casos que incluam pornografia desta natureza. No entanto, diz, é necessário considerar questões como métodos de recolha de provas e casos concretos para incriminar um suspeito. “O organismo deve considerar acrescentar uma cláusula para aumentar a protecção. Contudo, se os navegadores não tiverem intenções criminosas, é preciso perceber como lidar com estes casos”, afirmou. O especialista exemplificou com situações em que a navegação em websites legais é interrompida com a abertura involuntária de janelas contendo estas imagens e vídeos de componente sexual. Em relação ao facto do assédio sexual verbal e da pornografia não estarem incluídas na proposta de alteração ao CP, Wong Kit Cheng defende que o conteúdo das cláusulas devia ser alargado, uma vez que o significado de assédio verbal é demasiado restritivo.

O

advogado Ho Kam Meng e a deputada Wong Kit Cheng defenderam ontem a necessidade de criminalização de actos como o assédio verbal e a posse ou visualização de pornografia infantil. Para o jurista, que ontem falou no programa Macau Talk do canal chinês da Rádio Macau, navegar em sites de pornografia infantil “é a mesma coisa que violar os direitos jurídicos dos menores”. A revisão do Código Penal (CP) para criar novos tipos de crimes foi um dos temas abordados no programa de ontem. Durante a sessão, um ouvinte disse que a proposta da revisão do CP mencionou o crime de posse e aquisição de pornografia, mas não detém qualquer alínea acerca de pornografia com menores. Cheong Ham, chefe substituto do Departamento de Estudo do Sistema Jurídico e Coordena-

Lei está quase a chegar Diploma contra violência doméstica pronto “em breve”

A

Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) afirmou ao Jornal Ou Mun que os trabalhos de legislação da Lei de Violência Doméstica estão

“basicamente concluídos”. O organismo acredita que o diploma possa, em breve, ser entregue à Assembleia Legislativa (AL) para entrar em processo legislativo final.

Segundo a publicação chinesa, depois da aprovação na generalidade da Lei de Violência Doméstica, em Janeiro de 2015, a 1.ª Comissão Permanente da AL reuniu várias vezes

para discussão do tema. A definição de crime público ou semi-público é a grande pedra no sapato deste regulamento. Melinda Chan, deputada e também membro da 1.ª Comissão Permanente, confirmou ao jornal que a proposta será apreciada em breve pela AL, indicando que na última o Governo não se mostrou contra a definição de crime público. Sinal, defende, de alguma concordância para com a grande dúvida. “Depois do Governo entregar a proposta, a Comissão irá reunir outra vez”, confirmou Melinda Chan. Há mais de quatro anos que o Governo está a trabalhar nesta lei. O trabalho legislativo foi preparado pela DSAJ, pelo Instituto de Acção Social e pela Polícia de Segurança Pública, que será a responsável pela aplicação da lei. Tomás Chio

info@hojemacau.com.mo

A proposta da revisão do CP mencionou o crime de posse e aquisição de pornografia, mas não detém qualquer alínea acerca de pornografia com menores Já o advogado considera que existe dificuldade na recolha de provas para acusar alguém de assédio sexual verbal, mas, adiantou, “não significa que não haja necessidade operacional e real” para implementar este tipo de medidas. O crime não deve ser excluído da legislação, acrescentou. Cheong Ham, responsável da DSAJ, afirmou que o organismo tem uma atitude aberta sobre a questão do assédio verbal, mas acredita que estes crimes também podem ser resolvidos através de acção cível. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

IC Tomada de posse de 14 novos funcionários

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omaram ontem posse 14 novos funcionários do Instituto Cultural (IC), numa cerimónia que foi presidida pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. Os novos funcionários chegam no seguimento de uma reestruturação no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), que passou algumas das suas competências para o IC. Entre os funcionários estão a Chefe do Departamento do Património Cultural, Leong Wai Man, o Chefe do Departamento

de Promoção das Indústrias Culturais e Criativas, Ho Ka Weng, e o Chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Cultural, Chan Chong. “A reestruturação das funções ajuda a unificar e integrar os recursos culturais de Macau, o IC espera que a nova equipa traga um novo cenário para a cultura de Macau, esforce-se continuamente para o objectivo de estabelecimento de Macau como uma cidade culturalmente sustentável”, diz Alexis Tam num comunicado.


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hoje macau quinta-feira 7.1.2016

Anúncio (95/2015) 1. 2. 3. 4.

Entidade adjudicante: Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau. Entidade que põe a obra a concurso: Instituto de Habitação (IH). Modalidade do concurso: Concurso público. Denominação do concurso: Prestação de serviços para a administração dos edifícios para os Bairros Sociais do IH (I) 5. Objectivo: Concurso para a prestação de serviços de administração dos bairros sociais, nomeadamente serviços de limpeza, guarda, reparação e conservação das partes comuns e dos equipamentos colectivos, nos seguintes locais e prazos: ─ Blocos B e C do Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho, Bloco 3/ 4/ 5 do Hou Kong Garden, Habitação Social da Ilha Verde – Edifícios Cheng Chun/ Cheng Nga/ Cheng Choi I/ Cheng Choi II/ Cheng Chong, o prazo de serviços é de 21 meses, entre o dia 1 de Julho de 2016 e o dia 31 de Março de 2018 . ─ Habitação Social de Fai Chi Kei – Edifício Fai Tat, o prazo de serviços é de 19 meses, entre o dia 1 de Setembro de 2016 e o dia 31 de Março de 2018. 6. Condições gerais dos concorrentes: Podem concorrer ao presente concurso as empresas que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito das suas actividades, inclua a prestação de serviços de administração de propriedades, total ou parcialmente, e que não sejam titulares da licença de segurança nem exerçam a actividade de segurança privada, nos termos da lei. 7. Obtenção do programa e processo do concurso: Podem consultar e obter o respectivo programa e processo do concurso, na recepção do IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, nas horas de expediente. A obtenção da fotocópia dos documentos acima referidos, é mediante o pagamento da importância de MOP200,00 (duzentas patacas), em numerário, para os custos das fotocópias ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). 8. Visita ao local e esclarecimento por escrito: A visita ao local será feita no dia 12 de Janeiro de 2016, às 9H30. Os interessados devem chegar ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, e serão guiados pelos trabalhadores do IH. Durante a visita não serão prestados esclarecimentos. Caso os interessados tenham dúvidas sobre o conteúdo do presente concurso, devem apresentá-las, por escrito, à entidade que põe a obra a concurso, antes do dia 18 de Janeiro de 2016. Os interessados devem dirigir-se à recepção do IH ou através do telefone n.º 2859 4875, nas horas de expediente, antes do dia 11 de Janeiro de 2016, para proceder à marcação prévia da visita ao local. 9. Caução provisória: O montante é de MOP440 000.00 (quatrocentos e quarenta mil patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário através da conta em nome do IH, no Banco da China, sucursal de Macau. 10. Local, data e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues a partir da data da publicação do presente anúncio até às 17H00 do dia 15 de Fevereiro de 2016, no IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, nas horas de expediente. 11. Local, data e hora do acto público do concurso: terá lugar no IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, às 10H00 do dia 16 de Fevereiro de 2016. 12. Critérios de adjudicação: ─ Preço: 50% ─ Experiência (incluindo a experiência na gestão global e manutenção dos sistemas do edifício, na execução dos trabalhos necessários para este efeito e na prestação dos serviços do concurso, bem como a estrutura e dimensão da empresa e a sua capacidade de gestão profissional): 10% ─ Plano de serviços de administração (incluindo os planos para o controlo de entrada e saída do edifício, a fiscalização e segurança, a limpeza, a manutenção dos sistemas e os recursos humanos e equipamentos para a prestação de serviços, bem como os planos de elevação da qualidade de todos estes serviços): 40% 13. Outros assuntos: Os pormenores e assuntos a observar sobre o presente concurso constam do processo do concurso, e as informações posteriores sobre o concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). O Presidente, Ieong Kam Wa 23 de Dezembro de 2015


7 hoje macau quinta-feira 7.1.2016

O

Pedida transferência de serviços de urgência da MUST para o Carmo

Ser racional não chega

Au Kam San sugere: E se parasse de se gastar tanto dinheiro com o arrendamento de parte do hospital da MUST e se pusesse o Centro de Saúde público do Lago a prestar esses serviços de urgência? Tiago Alcântara

deputado Au Kam San quer saber porque é que o Governo não faz a transferência dos serviços e equipamentos de urgência do Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) para o Centro de Saúde de Nossa Senhora do Carmo-Lago, na Taipa. O pró-democrata considera irracional o facto do Governo estar a arrendar o espaço, quando poderia apostar no desenvolvimento do Centro de Saúde. O arrendamento do serviço de urgência da MUST causou polémica em 2011, quando a MUST anunciou a cobrança de 910 mil patacas ao Governo pelo serviço, que está localizado num terreno cedido gratuitamente pelo Executivo à universidade.

Sociedade

Vários cidadãos já apresentaram as suas preocupações, sobre este serviços de urgência, queixando-se que não é conveniente já que falta um sistema completo de transportes na zona “Há alguns anos o Governo arrendou uma parte da área do hospital da MUST para conseguir oferecer serviços de urgência aos residentes das ilhas. Assim conseguiria aliviar a pressão sentida pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário. Este arrendamento custava mais de novecentas mil patacas, na altura, por isso é possível que a renda já tenha aumentado muito nos últimos anos. É um valor sobre o qual nada se sabe porque o Governo, até hoje, ainda não divulgou quanto é que gasta”, frisou o deputado numa interpelação escrita. Au Kam San relembra ainda que vários cidadãos já apresentaram as suas preocupações,

A

deputada Angela Leong interpelou o Governo sobre o desenvolvimento do sector de convenções e exposições (MICE), sugerindo que sejam criados locais públicos de exposição para diminuir a pressão dos expositores locais. “Em Macau só existem alguns espaços privados para exposições e convenções e as empresas têm de pagar muito pela renda. Se o Governo criar espaços públicos com instalações mais completas,

no programa de rádio da TDM ‘Macau Talk’, sobre este serviços de urgência, queixando-se que não é conveniente já que falta um sistema completo de transportes na zona. Outros têm vindo a queixar-se de falta de

serviços deste género no Centro de Saúde do Carmo. “Ao mesmo tempo, o Centro de Saúde Nossa Senhora do Carmo-Lago - que é o maior Centro de Saúde - tem um grande espaço de estacionamento e uma boa rede de transportes. Infeliz-

Pedidos de deputada

Angela Leong quer espaços públicos para sector MICE

os expositores vão apreciar essa medida e vai fazer com que o sector atinja um nível internacional. Gostaria de saber se o Governo vai ou não construir isso”, questionou. A também administradora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) escreveu na sua interpelação que “há

muitas exposições realizadas todos os anos em Macau e muitos turistas viajam para Macau só por causa disso”, pelo que o papel deste sector é “muito importante” para Macau. “No relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2015, o Governo disse que ia realizar uma

mente, o Centro só está aberto até às oito da noite, ainda que tenha capacidade para ter serviços de urgência. Por isso, queria saber se o Governo tem um plano para transferir os serviços de urgência do hospital da MUST para o Centro”, indaga o deputado,

que diz ainda que “a transferência pode fazer poupar dinheiro público” e que é preciso saber quais os gastos correntes que o Governo tem tido com este arrendamento.

análise da eficácia económica do sector MICE, tendo referido que o Estudo sobre o Plano de Desenvolvimento de Convenções e Exposições de Macau iria ficar concluído em 2016. Como a análise e o estudo vão criar as principais orientações para o sector, para formular o seu desenvolvimento futuro, gostaria de saber se o Governo vai terminar esses trabalhos dentro do prazo”, interpelou. A deputada apresentou ainda os exemplos das cidades de

Zhongshan, em Guangdong, e Yiwu, em Xijiang, onde “existem exposições variadas, sobre pequenos itens, mas em Macau o sector ainda não aproveita as vantagens trazidas pelo papel de plataforma entre a China e os países lusófonos”. “Será que o Governo vai aproveitar esse papel para construir um centro internacional para o sector?”, questionou.

Tomás Chio

info@hojemacau.com.mo

Tomás Chio

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8 Peter Stilwell defende que a Lei do Ensino Superior – ainda em análise pelos deputados – virá beneficiar, em muito, o sector do ensino superior local

U

ma das alterações positivas que virá com a entrada em vigor da Lei do Ensino Superior será, de acordo com Peter Stilwell, a facilidade na criação de cursos em modelo de intercâmbio. O reitor da Universidade de São José (USJ) relembrou ao HM que o actual modelo educativo universitário não permite este tipo de formatos de aprendizagem, numa afirmação que surgiu na sequência da renovação de um protocolo de cooperação com a Universidade Católica Portuguesa. pub

hoje macau quinta-feira 7.1.2016

Nova lei trará benefícios Ensino Superior Protocolos condicionados por falta de Regime, diz Peter Stilwell

gonçalo lobo pinheiro

Sociedade

“Estes protocolos estão condicionados a uma questão: a actual Lei [do Ensino Superior] não permite a realização de graus com outras universidades ou instituições e só quando a nova lei for aprovada é que esse tipo de protocolos são viáveis”, começou por dizer. “Quando a lei for publicada, já irá ser permitida a realização de licenciaturas, mestrados e até doutoramentos conjuntos, que são coisas que, hoje em dia, são do maior interesse e importância a nível internacional”, acres-

centou o responsável. É que está em causa, defende Stilwell, “uma conjugação de competências” em termos do que de melhor cada universidade tem para oferecer.

Ver para crer na qualidade

A Universidade de São José assina, às 10h30 de hoje, um protocolo com Universidade Católica Portuguesa para a realização do curso de mestrado integrado de Teologia. Ao HM, o reitor da USJ explicou que se trata de um acordo que vem sendo reno-

A ideia do protocolo é que os alunos locais possam completar cadeiras do curso de Estudos do Cristianismo na USJ para depois terem uma certificação de mestrado da Católica

vado desde a sua primeira assinatura, em 2009. “Começou para que o curso ensinado aqui tivesse uma atribuição de grau pela Faculdade de Teologia da Católica.” Ao curso disponível na USJ acresce mais um ano de estudos para completar o grau desejado e expresso no acordo. “Até agora completaram este curso vários alunos nos últimos dois anos, já que o mestrado dura cinco anos em média”, disse. A ideia do protocolo é que os alunos locais possam completar cadeiras do curso de Estudos do Cristianismo na USJ para depois terem uma certificação de mestrado da Católica. Os finalistas realizam um exame que será avaliada por um júri seleccionado pela universidade portuguesa e ficam assim com o aval da Católica. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


9 hoje macau quinta-feira 7.1.2016

Caso L’ Arc Angela Leong “desconhece funcionamento” do casino

Não é nada comigo

A

ngela Leong, número um da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), assegurou ontem não saber como funciona o Casino L’Arc, de onde foram alegadamente desviados cem milhões de patacas investidos numa sala VIP. Instada a comentar o caso, a também deputada não se alongou muito. De acordo com informações da Polícia Judiciária, o vice-director de uma sala VIP do casino terá desviado 99,7 milhões de dólares de Hong Kong e desaparecido sem deixar rasto, numa situação semelhante à da promotora Dore. Ainda não sabe o nome da empresa que geria esta sala VIP no Casino L’ Arc, mas sabe-se que o rombo levado a cabo por Chan Yan Hung teve impacto em pelo menos dez outras salas do casino. Ainda assim, questionada sobre o assunto,

E

m média, por mês, cerca de 17 mil menores de 21 anos viram-lhes ser recusada entrada nos casinos ao longo de 2015, de acordo com dados facultados à agência Lusa pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Ao abrigo da Lei de Condicionamento da Entrada, do Trabalho e do Jogo nos casinos, em vigor desde 1 de Novembro de 2012, os espaços de jogo estão impedidos de contratar ou de permitir o acesso a menores de 21 anos.

gonçalo lobo pinheiro

Instada a comentar o caso do desaparecimento de cem milhões de dólares de HK de uma sala VIP, a directora da SJM diz nada sabe nem quer saber

zar investidores, Leong respondeu apenas que “não”.

Revisões precisam-se

Para o deputado Zheng Anting este não é só mais um caso semelhante à Dore: é apenas “a ponta do iceberg”. O deputado aponta ter conhecimento de “muitas insolvências de negócios de salas VIP”, o que só mostra, diz, que há “falta de regulamentos ou leis” para um desenvolvimento saudável do Jogo. Zheng Anting pede à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) que acelere a revisão das leis relativas ao Jogo, criando um regime de registo dos trabalhadores dos casinos e diminuindo, assim, a possibilidade de desvio de fundos. Também o advogado Keon Chan concorda com a necessidade do Governo regular melhor as empresas promotoras de Jogo para que estas não possam transferir o dinheiro dos investidores das salas VIP e que tenham, ainda, de apresentar contas aos clientes.   Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

a directora-executiva da SJM, a quem pertence o casino, afirmou que “não sabe bem o funcionamento financeiro entre as salas

VIP e o casino”. Ao canal chinês da TDM, Angela Leong afirmou que não participa na gestão do casino, “nem entende

bem o funcionamento das contas”. Questionada sobre se irá ser a responsável pela eventualidade de indemni-

Demasiado novos para entrar Mais de 230 mil jovens com entrada recusada nos casinos

Apesar de elevado, o número reflecte uma tendência de diminuição: em 2015 foi recusada entrada a 236 mil menores de 21 anos de idade, ou seja, menos 94 mil do que em 2014. Em 2013, segundo a DICJ, o número de recusas foi exactamente igual a 2014 – 330 mil –, enquanto em Novembro e Dezembro de 2012 – primeiros meses de entrada em

vigor da lei – foram 50 mil os menores de 21 anos que ficaram à porta dos espaços de jogo. Esta lei – que esteve longe de ser consensual – foi beber a outras ordens jurídicas, que embora consagrem os 18 anos como a maioridade definem o tecto dos 21 anos para o exercício de actividades como a entrada em espaços de jogo.

A lei prevê sanções administrativas para quem violar as regras, cujas multas oscilam entre as mil e dez mil patacas. É ainda imposto um “dever de fiscalização” às concessionárias de jogo, cujo incumprimento é penalizado com coimas que vão de dez mil patacas até 500 mil patacas. Além do Corpo de Polícia de Segurança Pública

sociedade

e da Polícia Judiciária são autoridades competentes para solicitar a identificação dos frequentadores dos casinos e para ordenar a sua expulsão, quando em exercício de funções, inspectores da DICJ e respectivas chefias e os directores dos casinos. LUSA/HM

Novos Aterros Zona A volta a ter areia para construção

A oferta de areia para a construção da zona A dos novos aterros já está restabelecida, confirmou a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Segundo o jornal Ou Mun, nos últimos dias vários navios de transporte de areia e máquinas voltaram a operar na zona. A DSSOPT avançou ainda que, antes do problema de fornecimento de areia, já tinha sido concluído 70% da construção da zona A. Para já, o Governo diz que vai exigir ao construtor o ajuste dos processos da obra, esperando concluir todas as obras relacionadas com as areias já no primeiro trimestre deste ano. O problema da falta de areia na zona A começou em Fevereiro do ano passado, o que causou atrasos na obra, para além das influências na conclusão da ponte Hong Kong-ZhuhaiMacau.

Túnel da Guia não fica pronto este ano

A construção do túnel pedonal da Guia não deverá estar concluída este ano, já que os Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) ainda só confirmam a conclusão da análise de um estudo sobre a viabilidade da obra para Junho deste ano. Ao HM, a entidade explicou, na versão original da resposta em Chinês, que a análise estará finalizada “no segundo trimestre de 2016”, admitindo que não está ainda definido um orçamento. A resposta indica então que não é certa a construção do referido túnel. Em Novembro passado, a deputada Kwan Tsui Hang pediu esclarecimentos ao Executivo sobre os avanços no processo. O túnel deveria ser construído perto do local onde, antes do Grande Prémio de 2014, foram inauguradas passagens de peões que ligam a zona da Avenida Rodrigo Rodrigues à Guia.


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hoje macau quinta-feira 7.1.2016

Do Tarot ao Zentangle

Bistro D’Indochine Paris no copo, China no prato

Vinho e noodles

A

galeria Macpro organiza, nos próximos dias 9 e 23 de Janeiro e 20 de Fevereiro, três workshops temáticos com lugares limitados. A reserva deverá ser efectuada através de registo prévio no site da galeria e cada curso tem o custo de 350 patacas com direito a chá durante a actividade. O primeiro workshop, que se realiza já no próximo sábado, vai focar-se no cultivo de mini-plantas, com a condução de Minnian Ng. A artista é professora a tempo inteiro numa escola primária, mas tem as Artes como passatempo, interessando-se especialmente por decoupage, uma técnica de colagem de tecidos em objectos. Este vai das 14h30 às 17h30 e é leccionado em Inglês e Cantonês. O segundo curso também acontece a um sábado e lecciona a arte do Zentangle – agregação das palavras “zen” e “entrelaçar” –, uma técnica de desenho com figuras estruturadas para criar formas como animais, prédios e até mesmo cidades inteiras. Este é conduzido pelo treinador espiritual Sumitro Wong, que vai ensinar, entre as 14h30 e as 17h30, a arte de desenhar em padrões com o intuito de relaxar e promover o bem-estar interior. Em último lugar está o workshop de Tarot, onde o monitor Sandeep vai ajudar a que os participantes saibam ler cartas de Tarot, também das 14h30 às 17h30 de dia 20 de Fevereiro. Todas as sessões serão acompanhadas de chá gratuito e terão lugar na sede da galeria de arte, na Avenida de Praia Grande. L.S.M.

M

acau tem um novo espaço que pretende juntar o Ocidente com o Oriente. Chama-se Bistro D’Indochine e traz o sabor de Paris ao copo, através dos seus vinhos, e o da China, nos tão típicos noodles que chegam ao prato. “O Bistro D’Indochine abriu um pouco antes do Natal e o que estamos a fazer é um bistrô estilo francês, que muitas vezes é visto em Paris, mas introduzindo a comida chinesa, assim como as [típicas] baguetes”, começou por explicar Stephen Anderson ao HM, também dono do Café Cathedral. Do menu fazem parte vários pratos, mas a especialidade é de facto os noodles, assim como típicos vinhos franceses, ainda que haja vinhos também de outros países. Tal como aconteceu no Café Cathedral, a escolha deste lugar foi altamente pensada. “Um pequeno pátio”, como Stephen Anderson descreve, numa transversal a uma das principais ruas da zona história de Macau. “Temos também uma pequena área de jardim. Limpámos toda aquela zona e neste momento pode ser usada pelos nossos clientes”, aponta, frisando que a intenção é

facebook

Galeria de arte com workshops até final de Fevereiro

Música Rapper Heems tem concerto marcado amanhã

O

rapper Heems actua em Macau amanhã, na Live Music Association (LMA). O cantor, de sangue indiano e americano, pertencia ao grupo Das Racist e tem espectáculo marcado para as 21h30. O show faz parte da sua tour asiática, sendo esta a primeira vez que Heems está em Macau. O cantor lançou o seu primeiro álbum a solo “Eat

Pray Thug” no ano passado, sendo conhecido pelos seus beats “maduros” e mais ponderados no momento da elaboração. Heems não deixa de lado, contudo, as letras sem preconceitos que eram a cara dos Das Racist, aborvendo na sua lírica temas políticos e sociais. Além de rapper, Heems é também fundador da Greedhead Music.

A abrir o concerto do rapper de Nova Iorque estão artistas locais, também ligados ao hip hop. São eles Rocklee, Dj que começou com breakdance, e Burnie, do grupo Evade. Os bilhetes custam 100 patacas se comprados antecipadamente (no Macau Design Center ou na Livraria Portuguesa) e 120 patacas à porta, no dia do concerto.

À venda na Livraria Portuguesa Obrigaste-me a Matar-te • Ana Isabel Fonseca, Tânia Laranjo

Esta é a história de Maria. Um relato na primeira pessoa de uma mulher que sonhou com um casamento perfeito e uma vida feliz ao lado de Rui e viveu um verdadeiro pesadelo, entre quatro paredes, durante décadas. Em silêncio, marcada no corpo e na alma pelas mãos, pontapés e palavras malditas do marido, assistindo à violência contra as suas filhas, incapaz de reagir, demasiado assustada, demasiado dependente... até ao dia em que a coragem suplanta a dor e a vergonha, pega numa arma, que mais cedo ao mais tarde a iria matar, e assassina o marido, o pai das filhas, o homem que jurou respeitá-la e amá-la, no cimo de um altar. Esta é a história da Maria, mas poderia ser da Ana, da Sofia, da Francisca, etc... Em 2010 morreram quarenta e três mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal, 29 delas já com queixas apresentadas às autoridades. As jornalistas Ana Isabel Fonseca e Tânia Laranjo lidam diariamente com casos de violência doméstica que acontecem todos os dias no nosso país. Esta é uma viagem a um mundo de dor e sofrimento, de sentimentos e vergonha que não pode deixar ninguém indiferente.

sempre trazer as pessoas à cidade e humanizar mais as ruas. “O mesmo que acontece no pátio em frente ao Café Cathedral”, reforçou. A proximidade ao Consulado Português é também uma forma de chamar clientes portugueses, adiantou o empresário. “O que quereremos é basicamente revitalizar a zona histórica da cidade”, frisou. Neste momento, o novo espaço está aberto até às 22h00, todos os dias, mas Stephen Anderson conta, em breve, com a nova licença que permitirá ter o Bistro D’Indochine aberto até à meia-noite. Para os apreciadores de vinho e noodles, o café situa-se no Pátio da Lenha, perto da Rua Pedro Nolasco da Silva. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Beethoven pela Orquestra de Macau

A Orquestra de Macau apresentará o concerto “Tudo Sobre Beethoven”, no dia 16 de Janeiro, sábado, pelas 20h00 horas, no Teatro Dom Pedro V. Neste concerto, a Orquestra irá apresentar o Quarteto de Cordas N.º 14 em dó sustenido menor de Beethoven. O programa do concerto inclui duas obras influentes de música de câmara do compositor. Será ainda apresentada outra obra de Beethoven, o Serenata para Flauta, Violino e Viola em Ré Maior. Os bilhetes para o concerto estão disponíveis na Bilheteira Online de Macau e vão das cem às 120 patacas.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Primeiro Alquimista A Idade do Bronze em Portugal • Sofia Martinez

Quando a jovem Breia recupera a consciência depara-se com Bran, o grande mestre fundidor da aldeia da Fraga, e Tor, o seu corajoso aprendiz. Estes calcorreavam o vale em busca do precioso minério, para forjar machados de bronze. Breia assusta-se ante os dois estranhos. Sentia ainda o cansaço e o medo de ter sido perseguida durante dias por dois homens que a ameaçavam com os seus machados. Sentia as dores no corpo de ter caído naquele abismo, de onde nunca imaginara poder sair. Mas, ao cruzar os seus olhos com os de Tor, Breia vê nele o seu porto de abrigo, o seu salvador. O mestre fundidor decide adoptar a jovem, que se recusa a dizer o seu nome e a revelar as suas origens, e leva-a para a sua pequena aldeia. Decide chamar-lhe Nan-tai e é com este novo nome que a jovem se adapta à sua nova vida. No entanto, tudo se complica quando o povo do Norte vem à aldeia da Fraga para entregar Raina, a noiva de Binan, o filho do chefe da aldeia. O segredo de Breia seria finalmente descoberto.


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Pior arranque de ano das últimas décadas nas bolsas mundiais

País do Meio arrasta o mundo A China era vista como um dos maiores riscos para os mercados em 2016. E na primeira sessão do ano, os receios sobre o abrandamento chinês levaram a fortes quedas nas bolsas

A

China foi um dos focos de tensão nos mercados em 2015, com os receios sobre o abrandamento da economia chinesa a provocarem um Verão turbulento nas bolsas mundiais. Nas perspectivas para 2016, os bancos de investimento também colocaram a China na lista dos maiores riscos para o mercado. E, logo na primeira sessão do ano, esses receios aparentam ter atingido em cheio os investidores. Os dados da produção industrial na segunda maior economia do mundo saíram pior do que o esperado o que, conjugado com a alteração de algumas regras de funcionamento do mercado, levaram a um regresso da turbulência.

tomadas por Pequim para controlar as quedas d bolsa no Verão, terão causado pressão adicional nos mercados chineses. “Oproblema mais material é que os investidores estão a antecipar o fim da proibição de venda de acções por grandes accionistas no final desta semana”, admitiram os analistas do ScotiaBank.  O regresso da turbulência às

A bolsa de Hong Kong tombou 2,68% e a praça de Xangai afundou 7%, com a negociação a ser suspensa ao longo da sessão. Os novos mecanismos de suspensão da negociação introduzidos nos mercados chineses foram accionados logo na primeira sessão do ano, o que, segundo analistas citados pelas agências internacionais, retirou liquidez ao mercado e levou a maior nervosismo dos investidores. Além disso, o aproximar do final do prazo em que os grandes investidores estão impedidos de vender acções, uma das medidas

praças chinesas acabaria por contagiar as restantes bolsas mundiais, com muitas delas a terem o pior arranque de ano das últimas décadas. “Estamos apenas no início de 2016 e começamos logo com uma queda surpreendente de 7% na China. Este factor, conjugado com os desenvolvimentos em entre a Arábia Saudita e o Irão, está a criar situações difíceis no arranque do ano”, comentaram os analistas da Makor Group. Os mercados mundiais não ficaram incólumes à instabilidade vinda da China. O índice Dow Jones Global - que mede a performance de

acções que transaccionam a nível global em 95% dos mercados accionistas - vai a caminho de registar a maior queda na primeira sessão do ano desde 1992, ano a partir do qual a Bloomberg tem registos. O índice europeu Stoxx 600 cedeu 2,50%, a pior primeira sessão anual desde 1987. A bolsa alemã, que tem das cotadas mais expostas à China, foi das mais penalizadas. O DAX tombou 4,28%. Do outro lado do Atlântico, o S&P 500 seguia, à hora de fecho desta edição, a ceder quase 2%. O PSI 20 também foi arrastado por esta onda de quedas, se bem que conseguiu conter mais as perdas. O índice de referência do mercado nacional cedeu 1,54%. Para os investidores, a primeira sessão de 2016 foi uma espécie de regresso ao pior de 2015. “Os monitores de mercado estão pintados de vermelho. O catalisador provável para isso é a preocupação sobre o mercado accionista e a economia chinesa e as tensões no Médio Oriente. O mesmo que ocorreu no ano passado”, observam os analistas ScotiaBank numa nota aos investidores.

Alto e pára o baile das bolsas!

HK algumas Livrarias retiram livros proibidos na China

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A

Pequim continua a impedir grandes accionistas de venderem acções

s autoridades chinesas vão continuar a intervir no mercado accionista e preparam-se para prolongar o actual impedimento de venda de acções por parte de accionistas que detenham participações superiores a 5%, que terminaria nesta sexta-feira. A notícia está a ser avançada pelo Financial Times, que por sua vez cita a agência de notícias oficial chinesa. De acordo com a referida agência, o prolongamento da proibição está inserida num conjunto de medidas que a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China (CRMV), reguladora do mercado de capitais chinês, têm em preparação, e que visam estabilizar as bolsas. Não é avançada uma data para o anúncio das novas medidas. As principais bolsas chinesas, Shangai e Shenzhen, arrancaram o ano da pior maneira, com quedas que chegaram a 7%, e que poderiam ser maiores

se o encerramento da sessão não tivesse sido antecipado em mais de uma hora. A empolar a queda na primeira sessão do ano esteve o receio de aumento da venda de acções até agora bloqueadas, e que, sem nova proibição, poderiam ser transaccionados já na próxima segunda-feira. Em causa estão mil milhões de títulos, que estão bloqueados desde 8 de Julho do ano passado. A nova proibição de negociação daquelas acções deverá ter contribuído para a subida das bolsas na sessão desta quarta-feira: Xangai fechou com uma valorização de 2,25%, e Shenzhen ganhou 2,24%. A ajudar está também a intervenção de grandes fundos soberanos, que receberam ordem para intervir activamente no mercado. Paralelamente às medidas às medidas do supervisor da bolsa, e para além da injecção de 130 mil yuan (cerca de 18.500 milhões de euros) no mercado,

feita esta terça-feira, o Banco da China (PBOC) voltou a cortar a taxa de referência da moeda chinesas, o que pode indiciar futuras desvalorizar a moeda, que está em mínimos de 2011. Estas medidas pretendem acelerar o crescimento da economia chinesa, numa altura em que alguns indicadores estão a abrandar. As intervenções governamentais tem tido a vantagem de criar alguma estabilização nos  mercados, mas também cria receios junto de investidores internacionais sobre a liberalização da economia chinesa. Os mercados accionistas europeus, que têm sido fortemente influenciados pelo andamento dos congéneres asiáticos, abriram hoje negativos. A preocupar os investidores está ainda o anúncio da Coreia do Norte que realizou o primeiro ensaio nuclear com uma bomba de hidrogénio e a queda do petróleo brent para mínimos de 12 anos.

lgumas livrarias conhecidas de Hong Kong estão a retirar dos seus escaparates títulos proibidos na China, após o misterioso desaparecimento de uma série de livreiros críticos do regime chinês. Uma delas é a Page One, focada sobretudo em títulos em língua inglesa, que conta com oito espaços em Hong Kong, seis dos quais no Aeroporto Internacional, a qual eliminou das suas estantes publicações com material crítico relativamente ao regime comunista depois do desaparecimento misterioso de livreiros da antiga colónia britânica. Responsáveis da Page One, com sede em Singapura e sucursais na China (Pequim, Chengdu e Hangzhou), começaram a retirar das estantes das lojas em Hong Kong os livros politicamente sensíveis no final do mês de Novembro, segundo noticiou ontem o South China Morning Post, citando funcionários que indicaram que os exemplares em causa não voltar a ser colocados à venda. As obras que compilam sórdidos detalhes sobre o funcionamento interno do Partido Comunista e a vida privada de membros do Governo chinês encontram-se, com

frequência, entre as mais vendidas nas livrarias de Hong Kong, incluindo a Page One e a Causeway Bay. Foi desta última, especializada em livros sobre política chinesa proibidos no interior da China, ou da casa editora associada (a Mighty Current) que desapareceram cinco livreiros, quatro dos quais desde Outubro e o mais recente na quarta-feira, dia 30 de Dezembro, num caso que veio desencadear a suspeita de que o caso contou com a ‘mão’ de Pequim e continua envolto em mistério. Já os gestores da Eslite, com sede em Taiwan, insistem, segundo o mesmo jornal, não sentir qualquer pressão para retirar literatura politicamente sensível dos escaparates em Hong Kong, numa altura em que a livraria até tem expandido operações na antiga colónia britânica. “Realmente não sentimos [pressão para retirar qualquer livro]. Pelo menos por agora não”, afirmou a vice-presidente da Eslite, Mercy Wu, ao jornal de Hong Kong South China Morning Post, depois de hoje ter aberto a terceira loja da cadeia de livrarias que passa a ser maior Eslite em Hong Kong.


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Especialista em economia chinesa garante que esta “crise” chinesa é provocada pelo Governo, que pretende equilibrar o excesso de produção com o consumo interno

“Não é crise: é política económica”

A

afirmação é do professor Roberto Dumas, mestre em Economia da China pela Universidade de Fundan e em Economia Mundial pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Profundo conhecedor da economia chinesa, o Professor Roberto Dumas garante que os fatos registados na China na segunda-feira, 4 (desvalorização da moeda nacional, o yuan, e quedas simultâneas nas duas Bolsas de Valores, de Shangai e Shenzhen), só surpreenderam quem não está ciente das decisões das autoridades chinesas. “O Governo do Presidente Xi Jinping e do Primeiro-Ministro Li Kekiang decidiu que a China, neste momento, deve priorizar o consumo interno para escoar a sua enorme produção. Por isso, o Governo optou pela desvalorização do yuan e pela diminuição das actividades nas suas Bolsas – e até mesmo pela redução do crescimento do PIB. Aquela

afirma que o que acontece naquele país “é subproduto de uma política pública, do próprio Governo chinês, que quer rebalancear o modelo de crescimento económico, ou seja, parar de investir para tentar impulsionar cada vez mais o consumo doméstico”. “Mas o chinês não consome muito? Sim, o chinês consome muito, só que ele produz ‘muito ao quadrado’. Para ele, aumentar o consumo doméstico em relação ao PIB, é importante que o PIB cresça menos e o consumo aumente para que se encontrem no meio do caminho. Para se ter uma ideia, até 2008 esse excedente de produção geralmente era vendido para os Estados Unidos. Após a crise de 2008, como os EUA não têm mais interesse em comprar todo o excedente chinês, quem virou o ‘darling’ da China passou a ser

o Brasil, ou seja, os chineses tentaram vender o excedente que não conseguiam vender para os EUA e passaram a vender tanto para o Brasil como para outros países da América Latina e alguns países da África. Só que os chineses perceberam que não adiantava produzirem demais para um mundo que não quer tanto consumo, e resolveram produzir menos e consumir mais internamente para conseguir equilibrar a economia.” O mestre em Economia da China explica ainda: “Esta queda no crescimento da produção industrial chinesa era absolutamente esperada. É isso que o Governo quer: crescer menos para compensar a queda da exportação e aumentar o consumo doméstico. Não existe uma crise no consumo. Para se ter uma ideia,

“O que está a acontecer na China nada mais é do que o resultado de uma bem planeada política económica de Governo, que produz os efeitos esperados”

china no Brasil o consumo, em relação ao PIB, representa 66%; e na China, 35%. Ou seja, na China produzem muito mais do que consomem e precisam de alguém para escoar esse excedente – e o mundo não quer mais esse excedente. Como a população doméstica não consegue consumir tudo que o país produz, vamos produzir menos. Por isso é que isso é um subproduto de uma política pública.” “A China vai continuar trazendo não surpresa, mas notícias negativas ao longo deste ano e do próximo. O crescimento vai ser menor. Aqueles dias em que a China crescia 10%, 11%, 12% absolutamente acabaram, e aí teremos impacto nas economias emergentes como Brasil, Peru, Chile, Colômbia, México, porque esses países basicamente são exportadores de commodities metálicas. Como a China quer investir menos do que investia, a demanda por commodities metálicas – minério de ferro, cobre, ouro, platina – tudo isso vai continuar caindo de preço”, conclui Roberto Dumas.

pub

EDITAL fase do PIB a crescer a dois dígitos acabou. Em 2015, a China cresceu menos de 7%, e não vou me admirar se em 2016 seu crescimento económico ficar na casa dos 6% a 6,5%. E assim será nos anos subsequentes.”

“Na China”, observa Dumas, “não há crise de consumo, mas, sim, a necessidade de o consumo interno aumentar”. Ao contrário do que pensam muitos analistas – de que a China vive uma crise –, Roberto Dumas

Edital n.º Processo n.º Assunto

: 5/E-BC/2016 : 908/BC/2015/F :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Beco dos Artilheiros n.º 6, Edf. Yuk Meng, fracção 3.º andar A (CRP: A2), Macau.

Locais

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber por este meio ao(s) dono(s) da obra e ao(s) proprietário(s) do local acima indicado, o seguinte: 1.

O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

1.1

pub 1.2 1.3 1.4

1.

Aprovação do Relatório de Contas do exercício do ano de 2015, que estará patente na sede da Associação, a partir do dia 21 de Janeiro corrente, para consulta dos associados.

2.

Outros assuntos.

Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, ao 07 de Janeiro de 2016. A Presidente da Mesa da Assembleia Geral Comendadora Rita Botelho dos Santos

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Concluída

Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício.

Em curso Em curso Em curso

Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício.

2.

As janelas e varandas são consideradas como ponto de penetração para realização operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruído com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto ponto(s) de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terão necessariamente de serem determinadas pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

Os processos podem ser consultados durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

CONVOCATÓRIA Rita Botelho dos Santos, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, vem, nos termos do nº 3 do artigo 29º dos estatutos desta Associação, convocar a Assembleia Geral para o próximo dia 28 de Janeiro de 2016 (quinta-feira), pelas 18H00, na sede da A.T.F.P.M., sita na Avenida da Amizade Nºs. 273-279 r/c, Macau, com a seguinte ordem de trabalhos:

Construção de um compartimento não autorizado composto por paredes em alvenaria de tijolo, portão de correr metálico, pala metálica e suporte de vaso metálico no terraço de recuo em frente da fracção. Instalação de gaiola metálica no terraço de recuo em frente da fracção. Fechamento da janela da fracção com parede em alvenaria de tijolo. Instalação de gaiola metálica na parede exterior em frente da janela da fracção.

Aos 16 de Dezembro de 2015 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


h artes, letras e ideias

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Subjectividade, alteridade e ficção

Q

UAse que me atrevo a dizer que escrever sobre Maria Ondina Braga me estava destinado com o sabor de um encontro e de uma fatalidade. E porquê? Desde logo porque os meus mais de dez anos de Macau fizeram com que os nossos caminhos se cruzassem (como eu gosto desta palavra, caminho, que intuitivamente se liga intimamente com andança, paragem, partida, diáspora, etc.). Não sou muito dado a leituras que não deseje e a cultos priveligiados de obras ou autores através de mecanismos de identificação obrigatória, seja pela nacionalidade ou pela língua. As minhas escolhas nunca suportaram esse tipo de condicionamento e não seria agora que o iriam suportar. Como tal grande parte do que se escreveu e escreve em Macau, não me interessa e nunca me interessou e não acabará por me interessar. Mas Maria Ondina Braga interessou-me desde sempre. A trajectória existencial da escritora de Angústia em Pequim, profundamente associada a deslocamentos geográficos constantes, por França, Goa, Angola, Inglaterra e Macau, colocava-a na órbita das minhas potenciais paixões literárias. Propositadamente misturei os lugares, sem nexo e sem fio codutor e sem linha de eventual continuidade histórica, para acentuar a matriz anárquica da deriva, da procura, da insatisfação, pois a haver um nexo, ele não será geográfico, mas ontológico, disso, pelo menos, estou certo. A obra de Maria Ondina Braga é inseparável desta flutução itinerante, desta viagem, deste processo de desenraizamento que me é tão caro. Não sei à partida o que é a causa e o efeito, se a biografia se o Eu. Não sei quem engendrou quem e provavelmente nem fará sentido esse

tipo de escrúpulo analítico. A obra seguramente não irá deslindar o ovo da galinha, imbrincados como já estarão lá a vida e a arte, a ficção e a memória. Será a obra e a memória que a vida produziu que determinará a auto consciência de uma dispersão das modalidades existenciais, ou será essa dispersão nativa, autóctone e estrutural, diria, que dramaticamente estimula a vida às travessias, aos exílios e às diásporas reconfigurando no espaço e no tempo o que por si já aparece a si na sua vocação íntima acrónica e atópica, e, quem sabe, por uma demanda insatisfeita e agónica de uma eutopia soteriológica. O que sabemos de modo iniludível, por ser da ordem positiva dos factos é que Maria Ondina Braga, fez da fragmentação uma obra e da prossecução da obra uma vida fragmentada, porque não tenhamos dúvidas era a arte, que nela havia, o motor da sua insatisfação e esta a causa última e primeira do trânsito obstinado. A instabilidade estrutural do eu, ou seja dos eus, ou das suas fragmentações dispersas, encontraria no território da escrita a sedimentação possível de uma ilusão de permanência. Precária ilusão, acrescento sem medo, pois a ficcionalização do eu constitui a máxima artificialidade da ficção. A recriação da unidade do eu que passa primeiro por uma ideia de desdobramento entre a vida, através do exercício da memória, e a subjectividade aí espelhada, acentua ainda mais a inevitável não conformidade entre o ser e o devir. E portanto nesse sentido a ficção alimenta-se de uma ficção e torna-se a ficção suprema. Procuramos ouvir a nossa voz, na ilusão de que ela pode assegurar a transparência fenomenológica da consciência mas, simplesmente, a reelaboração da consciência e da me-

Maria Ondina Braga nasceu em Macau a 3 de Janeiro do ano de 1932 e faleceu em Braga a 14 de Março de 2003. Estudou em França e Inglaterra, tendo-se licenciado em literatura Inglesa pela Royal Asiatic Society of Arts. Trabalhou vários anos como enfermeira durante o período dos seus estudos no estrangeiro. Entretanto viveu em Angola, Goa e Macau, tendo regressado definitivamente a Portugal em 1964. Fixou-se em Lisboa, mas no fim da vida regressou às origens, para a cidade que a viu nascer, Braga. Da sua obra destaco: O livro de crónicas, Eu Vim para Ver a Terra de 1965. Os livros de contos, A China Fica ao Lado de 1968, Amor e Morte de 1970, A Revolta das Palavras de 1975 e O Homem da Ilha e Outros Contos de 1982. A coleção de novelas, Os Rostos de Jano de 1973. E finalmente os romances Estátua de Sal de 1969, A Personagem de 1978 e Nocturno em Macau de 1991. Destas obras eu seleccionei os seguintes contos e crónicas: Angústia em Pequim de 1988, Chá de Jasmim, Coloane, Macau nos Longes do Tempo, Chinesinha, Mulheres de Letras na China Antiga, Macau Uma roda Cega, Nam Van, A Condição Feminina na Literatura Chinesa do Século XX e Porto Interior.


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Fichas de leitura

mória nunca são a realidade. Essa realidade em que se acredita, esse modo de pensar que ‘é assim que as coisas estão a acontecer’, ou se passaram, é de uma ingenuidade tocante. A mobilidade territorial do eu, a sua inconstância, a sua alienação quer do ponto de vista da gnose, quer do ponto da afectividade falsifica as próprias modalidades da apropriação e portanto tudo se transforma ou numa forma cristalizada do vivido, que é sempre falsa, ou numa forma de representação onírica que é sempre fluida, projectada apenas como vaga nostalgia ou desejo. Entre estes dois pólos se move a escrita de Maria Ondina Braga. Vamos ver como. Vou centrar a minha abordagem no conto que transcrevo aqui em parte: “ (…) Nem no primeiro, nem no segundo, nem no terceiro Natal que passei em Macau, a senhora Tung era cristã, mas todos os anos se nomeava catecúmena. A seguir ao jantar falava-se nisso. A directora, uma francesa de mãos engelhadas que noutros tempos frequentara a Universidade de Pequim, perguntava em chinês formal quando era o baptizado. Inclinando a cabeça para o peito, a senhora Tung balbuciava, indicando a irmã Chen-Mou. A filha... a filha sabia. Talvez se pudesse chamar cristã pelo espírito, mas o coração atraiçoava-a. O coração continuava apegado a antigas devoções... Todavia, vestira-se de gala para a festividade da meia-noite, tinha no quarto o Menino Jesus cercado de flores, e a alma transbordava-lhe de alegria como se cristã verdadeiramente fosse. O conto é manifestamente autobiográfico e o narrador que neste caso é também manifestamente omnisciente, embora não o pareça, é a própria Maria Ondina Braga. Isso pouca importância teria se não devêssemos exigir à autora um desdobramento que lhe permita o jogo lúdico de uma duplicidade hetero referencial. Nas narrativas autobiográficas o autor é obrigado a produzir dentro de si a emergência de um outro, uma figura da alteridade no seu próprio teatro interior, pois só assim se instala um universo ficcional completo. Muitas vezes nas crónicas essa dimensão especular não chega a aparecer e a narrativa persiste no âmbito de uma veracidade empírica de verosimilhança histórica. Nem o papel ambíguo da memória a salva, pois muitas vezes a salutar ambiguidade e até o anacronismo ficcional é substituído por um rigor positivista eventualmente conveniente na historiografia mas contra-

Braga, Maria Ondina, A China Fica ao Lado, Instituto Cultural, Macau, 1996. Descritores: Literatura portuguesa, conto, De longe a China: Macau na historiografia e na literatura portuguesas / coord. Carlos Pinto Santos, Orlando Neves, - 4 vol., p. 1545-1559 Cota: Mc/S234d

producente na efabulação romanesca. O ideal neste domínio é justamente o contrário do rigor documental e da veracidade confirmável, mas antes o sentimento de dúvida e eventualmente de estranheza ou incredulidade. Será que as coisas se passaram assim? Será que isto é mesmo autobiográfico. Onde começará a ficção e acabará a realidade? Essa perplexidade surge neste texto? E como? Em minha opinião surge e é isso que faz a diferença entre a boa literatura e a Grande Literatura. Os textos de Maria Ondina Braga contêm aquilo que Mikhail Bakhtin considera imprescindível, o desdobramento da consciência em duas entidades que não coincidem. É a irrupção da alteridade no seio do mesmo que abre o caminho ao processo efabulador e ficcional. A dado passo ela diz: “A menina sabia... ― a «menina» era a irmã Chen-Mou, a subdirectora do colégio ―, sabia que ela continuava a venerar a Deusa da Fecundidade. Tratava-se de uma pequena divindade, toda nua e toda de oiro. Fora ela quem lhe dera filhos. Estéril durante sete anos, a senhora Tung recorrera à sua intercessão divina quando o marido já se preparava para receber nova esposa. Não podia portanto deixar de a amar. Toda a felicidade lhe provinha daí, dessa afortunada hora em que a deusa a escutara. Parava a meio do largo átrio enluarado, de olhar meditabundo, mãos cruzadas no colo. E as palavras saíam-lhe lentas e soltas, como se falasse sozinha.... E aquele mistério da virgindade de Nossa Senhora! Virgem e mãe ao mesmo tempo... Não se lia no Génesis: «O homem deixará o pai e a mãe para se unir a sua mulher e os dois serão uma só carne?» Não era essa a lei do Senhor? Porquê então a Mãe de Cristo diferente das outras, num mundo de homens e de mulheres onde o Filho havia de vir pregar o amor? A Deusa da Fecundidade, patrona dos lares, operava milagres, sim, mas racionalmente, atraindo a vontade do homem à da

sua companheira e exaltando essa atracção. Como o Céu alagando a Terra na estação própria. Retomávamos a marcha em direcção aos nossos aposentos. Difícil para mim responder às dúvidas da senhora Tung, nem ela parecia esperar resposta. Mudava, rápida, de assunto, aludindo ao tempo, à viagem de regresso, às saborosas guloseimas da criada macaísta. Já em casa, convidava-me a ir ver o seu presépio. O quarto cheirava fortemente a incenso. Em cima da cómoda, entre flores, lá estava o Menino Jesus, de cabaia de seda encarnada, sapatinhos de veludo preto, feições chinesas. (…) Os olhos da senhora Tung atentavam nos meus, como se à procura de compreensão, mas as suas palavras prontas (a deter as minhas?) eram de autocensura. Não, não devia fazer aquilo. A filha asseverara que o Menino Jesus entristecia, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta. E quem sabia mais do que a filha? Eu já sentia frio, apesar da aguardente de arroz. O Inverno, ali, chegava de repente. A senhora Tung, no entanto, tinha as mãos quentes e as faces afogueadas. Despedíamo-nos. Eu sempre

Manuel Afonso Costa

me apetecia dizer-lhe que estivesse sossegada, que de certeza o Menino Jesus não havia de se entristecer, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta. Mas nunca lho disse nos três anos que passei o Natal com ela. Palpitava-me que a senhora Tung se enervava com o assunto. E que, de qualquer jeito, não me acreditaria”. Acreditamos que tenha existido esta senhora Tung, mãe de uma freira de nome Chen-Mou e que viesse passar regularmente o Natal naquele colégio de freiras sub entendido e ainda que conhecesse suficientemente bem a Bíblia para discutir a virgindade de Maria, etc. Tudo é verosímil e provável, mas a narrativa, partindo de factos seguramente comprováveis possui a dimensão onírica de uma memória nubelosa à luz da qual, passe o paradoxo, as pessoas e sobretudo a senhora Tung adquirem uma dimensão de personagens que não possuíam na vida real. Trata-se de uma modulação mínima, que instaura os contornos de um universo poiético e que constitui o segredo da literatura. A senhora Tung existiu, vamos acreditar, mas esta senhora Tung, enquadrada do modo como Ondina Braga a concebe, é já uma personagem, enfim o esboço de uma personagem e é dessa personagem que nos começamos a aproximar e a afeiçoar. A senhora Tung só nos atrai e provoca curiosidade porque nos surge transformada pela retorta alquímica da escritora, que ao caracterizá-la fisica e socialmente não como o teria feito a Maria Ondina Braga que com ela contracenou, mas como o faz a escritora que agora no seu gabinete de trabalho a manipula levando-a a adquirir uma aura estranha e fascinante. Nesta mesma transformação é arrastada a própria autora que aqui contracena com a senhora Tung e que a senhora Tung seguramente não conheceu. Em boa verdade a mutação deu-se primeiro em Maria Ondina Braga e só depois por arrastamento em tudo aquilo que ela convoca, a começar pela senhora Tung, que seguramente também não se reconheceria a si mesma agora na pessoa de uma personagem.

No quadro da colaboração de Manuel Afonso Costa com a Biblioteca Central de Macau-Instituto Cultural, que consiste entre outras actividades no levantamento do espólio bibliográfico da biblioteca e na sua divulgação sistemática, temos o prazer de acolher estas “Fichas de Leitura” que, todas as quintas-feiras, poderão incentivar quem lê em Português.


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h

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Amélia Vieira

T

al como a Fénix renasce da sua própria cinza, a sarça – quando parasitada por uma outra planta de frutos e inflorescências avermelhadas – dá-nos a impressão de chamas. Esta planta é mais vulgarmente conhecida como acácia e os seus belos ramos, tão valorizados em ritos e liturgias. A Fénix é uma ave e esta é uma planta: as coisas extraordinárias acontecem entre estes dois planos, de forma sempre renovável, presente e até insondavelmente desafiando muitas leis ditas imutáveis e pondo a funcionar o mecanismo alternativo da realidade paralela, partindo das mesmas organizações internas mas mudando-lhes a forma. Para os primeiros hebreus, Deus era mesmo designado por “Ehyeh” “Ehyeh-Asher-Ehyeh” – o que habita na sarça – sendo todos os objectos da liturgia feitos a partir dela. A Fénix entrava em combustão e desfazia-se, as suas lágrimas curavam a dor e a doença ao misturarem-se com o que sobrou do incêndio dela; tinha o poder de voltar à vida, a sarça não se consumia, não ardia, não entrava em combustão, era um fogo que não tinha o ciclo transformador. Aparentemente entre uma Sarça e uma Fénix parece haver antagonismo completo: onde mora o estático da planta que arde e não consome? As árvores sempre guardaram segredos. São os reinos vegetais, tão passíveis de produzir frutos proibidos como comestíveis, a estranha maneira de morrerem de pé com aquilo que por cima delas se passa e aparece, como se o reino vegetal fosse aquele onde os insondáveis caminhos do conhecimento de Deus mais falam sem que possamos extrair de tanta linguagem grande coisa. É nos ciclos de florestação que os incidentes mais bonitos e estranhos se consumam e quase sempre os seus efeitos, ora perversos, ora benéficos, nos instruem da finalidade sagrada da sua função. As aves quase sempre podem também morrer no ar, que o mesmo é dizer que de pé, mas, no vasto princípio paradisíaco, elas não estavam lá nem se manifestavam, era talvez um paraíso onde o céu não era este e o apelo da liberdade não se punha. Afinal, o Homem Adâmico era «Para lá do Bem e do Mal». Nietzsche testou esse efeito e conseguiu provar que nem toda a consciência necessita de juízo de valor. Os anjos vieram mais tarde como querubins que guardam a

Marc Chaggal, Moisés e a Sarça Ardente

Sarça ardente

parte oriental ainda do Paraíso e não se lhes conhecendo outras actividades de mor importância nestas entradas, eles velam, voam, como a Fénix combusta, mas nada lhes é dado ainda de efeito inalterável “estão ao serviço de...”. São “intermediários”. Muitas vezes – e hoje que estamos no fim do Ano –as coisas tornam-se de uma eterna monotonia giratória, pois que ele se devolve aos nossos sonhos como cantigas de um circuito instável. Nós estamos efectivamente numa Terra com pouca sustentabilidade para podermos continuar aqui por muito mais tempo. O Ano que vem já deve ser a descontar para o «Êxodo» e nem que comamos as ervas amargas e o pão que o diabo amassou, parecemos aptos a recomeçar.

Nomear, ouvir, escutar, mas o cérebro tornou-se intolerante à solidão, o cérebro humano não ausculta e por isso não ardem as sarças nos locais de uma fogueira, que o lume aquece e os dias do últimos dias do Ano são frios

Como não somos a Fénix, não ardemos, nem fazemos arder. Estamos em formas mansas de atrasar a transformação radical, mas que seria bom não esquecermos da vista, pois que a saturação dos Invernos é como a saturação dos cadáveres: gera pestilência. Entre coisas que nos deviam aproximar e a distância do sorriso bom do Verão, vimos como as águas avançam mais que as labaredas e a humidade do ar seguramente será boa para batráquios daqui para a frente. Nada de gelar que estamos a aquecer, mas este melhoramento climatérico tem pouco de risonho, ele quase nos agride a reserva biológica de dispositivo automático. Embora nem todas as plantas sejam acácias, o que arde deve fazer-nos pensar e o que nos inunda também. Não haver combustão não é suficiente para que salvemos o Mundo, nem as asas nos protegerão em caso de raios disparados, mas há algo que me intriga na grande marcha ambiental. Chegámos mais rápido do que julgáramos. Tão rápido que todas as esferas sonhadas e sabidas nos vêm agora à memória como possíveis esclarecimentos e tentativas de compreensão. A Terra é efectivamente e cada vez mais um planeta instável, onde a grande transformação se dá com alguma incerteza para o nosso permanecer. Vicissitudes de origem invulgar, abruptas, chegam-nos como tufões, os anjos devem andar chamus-

cados neste redil, e nem de nós por vezes dão conta, com o seu sistema de renovação radical. Por vezes, podem ser desesperantes como o de Heine Muller, que se suicidou num 30 de Dezembro e escreveu o «Anjo do desespero», no qual acrescentou esta coisa tão bela e enigmática: «Depois do desaparecimento das mães o trauma do segundo nascimento e o que eu vi era mais do que eu podia suportar». Talvez que nascer segunda vez não seja afinal um bem, talvez que não suportemos essa forma de nós outra vez. É certo que os anos passam, ou seja, que nós passamos pelo tempo, umas vezes tão indelevelmente que ele nos esquece. Parecemos abandonados da sua demolidora passagem, mas, depois, vimos que tal como a Sarça que estávamos sem nos consumirmos e sagramo-nos da sua luz estática. Depois tudo avança e desejamos descansar, um estranho sono que nos ajude pela mão das ervas daninhas a ficar sem a memória das coisas que fôramos. Quase nem podemos chorar! Há uma calcinação muito grande nos olhos que nos obrigam a manter abertos e que empurramos com quentes lágrimas pela vida que nos deram. Por vezes era melhor saudarmos coisas mais simples, ter reservas, andar em outro chão... por vezes não aguentamos as “asas” como bem disse Baudelaire : “o poeta é semelhante ao princípio da altura .... exilado no chão em meio à corja impura ... a asa de gigante impedem-no de voar”. Sim, mas nunca de se gastar, de fazer de si a Fénix e deixar para Deus as labaredas sem chamas, como as línguas do Espírito Santo, que sendo luzes e em luz caem, permanecendo todas e como vozes, produzindo a não combustão. A língua como um fenómeno imenso, os homens antigos ouviam sempre vozes... talvez haja um lado cerebral que os dispunha para isso... As vozes à medida que as sociedades se transformam vão tendo outras características. Esta nossa, mais visual, e já nada nos visita de forma apelativa, e com o tempo de tudo dizer, as vozes se foram. Nomear, ouvir, escutar, mas o cérebro tornou-se intolerante à solidão, o cérebro humano não ausculta e por isso não ardem as sarças nos locais de uma fogueira, que o lume aquece e os dias do últimos dias do Ano são frios.


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tempo

muito

O que fazer esta semana Amanhã Apresentação dos livros

?

nublado

min

16

max

23

hum

55-85%

euro

8.58

baht

Entrada livre

Sábado Apresentação Da revista “Órphão”, de Carlos Morais JOSÉ Livraria Portuguesa, 18h00 Entrada livre

Diariamente Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau (até 10/01/2016)

o cartoon steph

Sudoku

de

Albergue SCM (até 15/01/2016) Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas Exposição “Salpicos” de Sofia Bobone Fundação Oriente, Casa Garden Entrada livre

Solução do problema 3

problema 4

uma série hoje

Cineteatro

C i n e m a

the 33 Sala 1

The 33 [b]

Filme de: Patricia Riggen Com: Antonia Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 Sala 2

secret in their eyes [c] Filme de:Billy Ray Com: Chiwetel Ejiofor, Nicole Kidman, Julia Roberts 14.30, 16:30, 21.30

Ip Man 3 [c]

Falado em Cantonês legendado em Chinês e ingles

Filme de: Wilson Yip Wai Shun Com: Donnie Yen, Lynn Xiong, Max Zhang 19.30

yuan

1.24

Aprender na vida

Creative Macau, 16h00 às 20h00

Exposição “A Jornada de Um Mestre”

0.22 aqui há gato

“The Journey Within” e “The Journeys Beyond”

Entrada livre

(f)utilidades

Conheço bem os humanos. No fundo são iguais aos animais: precisam sempre de experimentar para aprender algo. Desde pequenino que aprendi a comer, a andar, a brincar, a ir à casa de banho, a rasgar sofás e cadeiras. Os humanos aprendem mais, claro. Sabem caracteres, palavras, línguas e têm muitos conhecimentos que lhes são passados por professores ou pais. Mas, se aprendemos todos os dias, perdemos também. É muito fácil ficarmos perdidos na vida, sem saber o que queremos, sobretudo quando enfrentamos dificuldades. Podemos fazer mal a nós próprios ou a outros, sem sequer saber! Simplesmente porque fomos influenciados por uma qualquer acção, uma telenovela, uma notícia ou uma pessoa. Eu gosto de aprender com todos, incluindo os animais com deficiência: eles vivem bem, trabalham bem, têm amigos e familiares e uma coragem sincera de quem não sabe mentir. A sua existência inspira-me, porque estes, ao menos, são melhores que muitos outros que por aí andam e que, apesar de terem dinheiro, capacidades, dignidade ou poder preferem usar estas benesses para enganar ou fazer mal aos outros, gostam de esconder segredos. Os meus donos sempre me disseram que existem pessoas destas aqui em Macau. Mesmo assim, agradeço que me deixem conhecer o mundo e como ele funciona enquanto ainda sou novo. Espero continuar a experimentar coisas boas e coisas más. Só não me dêem comida horrível. Meow! Pu Yi

“Shameless USA” (John Wells, 2011)

A história, por partes, de uma família disfuncional. Na verdade, de qualquer clã, já que nenhum é perfeito. A figura de Frank Gallagher – belamente interpretada por William H. Macy – está no centro da intriga, que vai tendo novos desenvolvimentos a cada episódio. Entre gravidezes (in)desejadas, detenções por tráfico de droga, reabilitações feitas por engano, bebedeiras de 24 horas, sexo com professores universitárias e venda de álcool falso, “Shameless” é exactamente aquilo que diz ser: completamente sem vergonha. A série toca pontos sensíveis da vivência humana, como a procura constante pelo amor verdadeiro, a forma de lidar com a mentira e o esforço de educar cinco crianças com pouco mais do que tostas de pão Bimbo e sumo de laranja de pacote. A Macy juntam-se Emily Rossum, Shanola Hampton, Justin Chatwin e os incríveis Cameron Monaghan e Jeremy Allen White. “Shameless” é assustadoramente hilariante e, embora por vezes nos leve às lágrimas, está certamente no top 5 de escolhas. Até porque ninguém dá um centavo pela série original britânica. Leonor Sá Machado

Sala 3

Sherlock: The Abominable Bride [c] Filme de: Douglas Mackinnon Com: Benedict Cumberbatch Martin Freenman 14.30, 16.45, 21.30

The Boy and The beast [B] Falado em Japonês legendado em Chinês e ingles Filme de: Mamoru Hosoda 19.15

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado; Tomás Chio Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@ hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 opinião

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chá (muito) verde

medida que vamos ficando crescidinhos, tenho a sensação que em vez de percebermos mais vamos percebendo cada vez menos. Não sei se sente o mesmo mas comigo é o que se passa. Não vislumbro se é fruto de alguma condição somática ainda não diagnosticada o que, claro, me preocupa, por isso resolvi desabafar esperando que talvez você que agora lê esta minha confissão me possa dizer se estou, ou não, a perder o juízo. Ficam aqui um resumo das (muitas) coisas que não compreendo. Neste mundo e nos outros. Não compreendo porque o Chefe do Executivo da RAEM ainda vai pensar num plano para a diversificação económica de Macau quando isso já foi pedido por Wen Jiabao e por Hu Jintao. Não compreendo como se pode incrementar a diversificação económica em Macau e cortar os orçamentos dos departamentos do governo que, como se sabe, é o principal motor da economia local. Não compreendo o que o Governo de Macau entende por diversificação económica. Não compreendo como o governo de Macau só depois do anúncio das milhas marítimas vai pensar num plano para as águas territoriais. Terá sido uma genuína surpresa de Natal? Não compreendo a draconiana lei do fumo na cidade do lazer quando, ainda por cima, aparecem cada vez mais opções alternativas (e melhores) nos países vizinhos sem proibições cabotinas como esta. Não compreendo como a mesma cidade do lazer em vez de fechar ruas ao trânsito e de criar alternativas de transporte não poluente prefere aumentar os impostos sobre veículos, cavando mais divisão social e mantendo um mau ambiente. Não compreendo como Macau ainda não tem autocarros amigos do ambiente. Não compreendo porque há tantos autocarros parados com o motor ligado apenas para manter o motorista fresco à custa dos cidadãos que têm de levar com mais diesel pelas narinas acima. Não compreendo porque a cidade do lazer não tem equipas para investigar os veículos poluentes e os motoristas encalorados como tem para fiscalizar os bandidos dos fumadores. Não compreendo porque a zona nobre de Macau é dedicada ao estacionamento de autocarros. Não compreendo porque o plano pecuniário de Macau é atribuído de forma igualitária e não ponderada. Não compreenderei se o governo não disser o que vai fazer em termos de desenvolvimento económico e social com os 223 milhões que sobraram do apoio pecuniário. Não compreendo como Macau continua a fazer planos dia a dia e ainda não conseguiu imaginar uma cidade para o futuro. Não compreendo como o Chefe do Executivo da RAEM pode nomear para a AL indivíduos como Fong Chi Keong e não responder politicamente pelas barbaridades do sujeito.

Michelangelo Antonionni, Zabriskie Point

À

Coisas que não compreendo

Não compreendo tanta coisa... Estarei doente? Será da idade? Não compreendo a plataforma Macaense para a China e os países de língua Portuguesa. Não compreendo como foi possível o canídromo ver a licença renovada. Não compreendo porque é a marijuana considerada medicamento nuns países e droga proibida noutros. Não compreendo a guerra contra a droga. Não compreendo a relação entre os escândalos bancários em Portugal e o número de arguidos. Não compreendo o acordo ortográfico. Não compreendo a presença de um futebolista num panteão. Não compreendo para que serve um Panteão. Não compreendo a quantidade de inglesismos utilizados no português de Portugal quando existem palavras no léxico luso para os substituir. Não compreendo o enorme “tempo de antena” que os média portugueses dão à política quando, no limite, isso faz com que as pessoas se enjoem da política. Não compreendo como Portugal tem telejornais a abrirem com notícias de futebol. Não compreendo porque os políticos portugueses mandam tantos bitaites sobre a bola mas quando devem intervir, como no caso dos direitos televisivos, ficam calados que nem ratos. Não compreendo para que servem as conferências de imprensa da bola se a conversa é sempre a mesma jogo após jogo, ano após ano. Não compreendo como se gasta tempo num telejornal em Portugal com a conferência de imprensa do bipolar presidente do Real Madrid a falar de treinadores de futebol. Não compreendo os benfiquistas. Mesmo. Não compreendo o número avassalador de medalhas que Cavaco já entregou. Não compreendo como ninguém se apercebe das incongruências do Marcelo Rebelo de Sousa e já todos lhe estendem a carpete para Belém. Não compreendo a paixão insensata pelo turismo em Portugal. Não compreendo como antes o nosso dinheiro tinha correspondência directa com ouro e agora não. Nem de longe. Não compreendo como a NATO ainda não puxou as orelhas à Turquia. No mínimo.

Não compreendo como a Comunidade Europeia tolera no seu seio governos como o húngaro ou o polaco sem lhes puxar as orelhas. No mínimo. Não compreendo a incapacidade logística e organizativa da Europa para lidar com a crise de refugiados. Não compreendo como ninguém debate os mapas desenhados a régua e esquadro pelas potências coloniais quando é claro que grande parte dos problemas de África e do Médio Oriente residem neles. Não compreendo como o mundo actual produz que chegue e tem condições técnicas e humanas para cuidar de todos e continuamos em guerra e com tantos milhões a passarem fome e sem condições dignas para existirem. Não compreendo porque os detentores do capital tudo fazem para aumentar a desigualdade social quando, a montante, desigualdade crescente implica problemas de rentabilização do capital. Não compreendo como existem dirigentes de países que se eternizam no poder e o mundo tolera. Para além do Alberto João. Não compreendo como o Brasil continua a não ser capaz de conter a destruição da Amazónia e ainda não teve qualquer tipo de sanção, ou ameaça de perder a soberania do território a favor das Nações Unidas (esta figura legal se não existe, não compreendo a sua inexistência). Não compreendo como ninguém leva a sério os líderes sul-americanos que clamam pela dívida europeia sobre as riquezas roubadas durante a colonização, no mínimo como garantia de perdão das dívidas soberanas. Não compreendo porque a China pretende mais território. Não compreendo porque os países asiáticos, de uma forma geral, não atribuem a nacionalidade a estrangeiros nem a nados no próprio país que não sejam da mesma etnia. Não compreendo porque o mapa-mundi do Mercator continua a ser utilizado como “o mapa” se já toda a gente percebeu que está grosseiramente errado nas proporções. Não compreendo como se permitem indústrias privadas de armamento sabendo que o fito de qualquer indústria é expandir negócio.

Fernando Eloy | 义來

Não compreendo como a guerra pode ser privatizada. Não compreendo como depois do que os judeus passaram os israelitas façam agora parecido aos palestinianos. Não compreendo como ainda nos dividimos por religiões e dentro das próprias religiões. Não compreendo como a Arábia Saudita preside à Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Não compreendo as pessoas que concordam com o Donald Trump. Não compreendo o que Donald Trump pretende dizer com “Make America Great Again”. Está a falar de que período? Da lei seca? Da Colonização? Da Guerra-civil? Do Apartheid? Do “Macartismo”? Do assassinato de Kennedy? Está a falar do quê, exactamente? Não compreendo como um país tão grande como os EUA precisa de socorrer-se de herdeiros políticos (Bushes, Clintons, Flinstones...) na corrida à presidência. Não compreendo como ninguém foi punido pelo escândalo das financeiro dos fundos imobiliários de Wall Street. Antes pelo contrário. Não compreendo como o Federal Reserve Bank pode imprimir notas como se fossem panfletos de massagens em Macau. Não compreendo os conservadores. Não compreendo porque os americanos se referem a “afro-americans”, “native americans”, “italian-americans”, “irish-americans”, “asian-americans” e por aí fora. Fico sem saber quem são os americanos no meio de tudo isso. Não compreendo os americanos de uma forma geral. Não compreendo como alguém possa pensar que negócios como a Uber são o futuro se apenas promovem emprego precário e sem qualquer tipo de apoio social. Não compreendo como os indianos ainda não perceberam que grande parte das violações provêm de uma sociedade sexualmente reprimida. Não compreendo porque o sexo faz tanta confusão a tanta gente. Não compreendo como se pode ilegalizar a prostituição. Não compreendo porque os homens podem andar de tronco nú e as mulheres não. Não compreendo porque o Paris-Dakar ainda se chama Paris-Dakar. Não compreendo porque o governo Angolano pratica o nepotismo e tem medo de músicos. Não compreendo porque existem carros que andam a muito mais de 120 km/h e praticamente em todo o mundo ultrapassar esse limite é ilegal. Não compreendo porque não existem estradas onde se possa conduzir a mais de 120 km/h. Não compreendo tanta coisa... Estarei doente? Será da idade?

MÚSICA DA SEMANA “Shameless” - Groove Armada featuring Bryan Ferry (...) I can read your lips I can read your mind, It’s all I want to hear, Why am I so blind? And the way we were Fatefully entwined In a shameless world, Rock ‘n roll desire (...)


19 hoje macau quinta-feira 7.1.2016

bairro do oriente

Ei, você aí! Não viu... ...um livreiro aí? Resolvi acabar a frase no início do texto senão o título ia ficar “de rabo cortado”, como no último texto publicado (cala-te boca). Mas até vem mesmo a calhar, já que falamos de rabos que após contados se apercebe da ausência de cinco deles, aparentemente vis propagadores do mal para uns (sabemos bem quem), e paladinos das liberdades e da democracia para outros (ainda a anunciar): [voz tenebrosa] livreeeeeeiroooos!!! Espera aí, livreiros??? Aqueles velhinhos corcundas com olhos de lupa que na indústria cinematográfica porno estão na categoria de “weirdo”? Essa agora, já não bastava que alguém com a pinta de Jason Chao fosse considerado “inimigo público número um” para certas sensibilidades, e temos “Os doze indomáveis livreiros”, que neste caso são cinco, e terão pavor de borboletas. “Talvez eu esteja agora aqui a brincar com coisas sérias” – pensarão alguns. “O vosso problema é mesmo esse: pensam, e deviam abster-se dessa inglória e frustrada ambição”, responderei eu, que nada aqui é a brincar, “leidizangentelmén”. Não há nada pior do que me abster de ler notícias, escrever qualquer coisa ou ler mensagens (fiquei dez dias sem abrir o Facebook, pasme-se) desde o Natal até aos reis, e a primeira notícia com que dou de frente com a tromba quando resurjo ao mundo, é esta, do tipo: “Olha, já foste, acabou-se o que era doce”. Deveras. Quem é que podia adivinhar uma coisa dessas, depois de ter andado tanto tempo a brincar com coisas sérias? Não vou aqui fazer nenhuma leitura política ou qualquer outra deste facto, mas o desaparecimento dos tais livreiros por razões com que nos fingimos surpreendidos são mais do tipo “andas-te a pedi-las”. E acreditem, depois de ter andado o último quartel do ano passado a deparar com pessoas A DESEJAR que acontecessem tragédias para depois usá-las para incriminar um certo grupo de outras pessoas, fiquei mais ou menos imune aos anti-corpos da “indignação”, aquela panaceia para todos os terrores mas administrada na forma de “vai lá tu que eu fico aqui a torcer por ti” – nem sei como é que ainda não se processou judicialmente certos personagens, que iam ao ponto de difundir notícias falsas com o óbvio intento de causar o pânico. Adiante que se faz tarde. Assim, mal soube da notícia, fui inquirir um colega meu, orgulhoso patriota que nem disfarça – antes ostenta – a sua simpatia e intimidade com o Partido (aquele, “o único”): “Olha lá, onde é que puseste os livreiros desaparecidos? Atão qué isto, uh?”. Ao que ele então retorquiu, identificando de imediato a minha intenção: “Claro... naturalmente!”, e sem mover um nervo em sobressalto, tal era a certeza de que “digam o que disserem, não têm nada contra nós desta vez”. Muito na linha oficial do Partido (o tal), que na forte

Frank Darabont, shawshank redemption

leocardo

Imaginem só se certos tipos desatassem a molestar-vos a toda a hora, porque “ouviram dizer” que vocês faziam assim e eles assado, e “eles é que estão certos, e vocês são uns bárbaros”. Quanto tempo iam aguentar até ir ao focinho do primeiro que estivesse à vossa frente? possibilidade de se dizer do lado do bem e estar a afirmar a verdade, tem adoptado este estilo tão cândido de fada dos nenúfares. É até bem possível que alguém o tenha feito por eles, e sem que eles o encomendassem – ou aprovassem, até. Que sorte e azar ao mesmo tempo, vejam só. Talvez esta seja a versão em chinês do “quem anda à chuva, molha-se”, que no Ocidente tem paralelo numa certa elite que repete vezes sem conta anedotas sem graça para provocar quem dizem ser “maléfico”, mas que no fundo não é mais do que alguém como nós, e quem já andaram a encher até aos cabelos com provocações parvas. Imaginem só se certos tipos desatassem a molestar-vos a toda a hora, porque “ouviram dizer” que vocês faziam assim e eles assado, e “eles é que estão certos, e vocês são uns bárbaros”. Quanto tempo iam aguentar até ir ao focinho do primeiro que estivesse à vossa frente? Pensamento profundo, mas no

fim fico com pena realmente dos livreiros-pessoas, e não dos livreiros-utensílios de arremesso político. Sabe-se lá onde estão, e se estão bem, e se não precisam de tomar de alguma medicação, ou se dormem em ambientes salúbres. Isso é que me preocupa. Falando como pessoa, é claro, para o resto estou nem aí. Vamos ver agora quem “vai à frente”, que a gente fica aqui a “dar a nossa poia moral”. Para reflectir em 2016, já que 2015 ficou marcado pela queda no ridículo daquilo a que chamam “luta pela liberdade”, com manifestações por tudo e por nada, e sempre com aqueles figurões já com mais que idade para ter juízo, ostentando fitas à volta da mona pedindo “fleedom”. Especialmente encantadora foi aquela greve de fome que se ficou pelo jantar do dia seguinte, aparentemente ao melhor estilo do antigos filmes “B” da antiga colónia britânica, com muito “Amelican style”. “You pay now”. Sayonara.

opinião


Quando chega a hora da partida, chega também a hora da saudade. Da saudade que é uma canção dolente, um misto de nostalgia, de solidão e amargura, a sibilar no rumor do vento”.

O Iraque vai actuar como mediador para tentar resolver a disputa diplomática entre o Irão e a Arábia Saudita, disse ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) iraquiano, Ibrahim al-Jaafari. Jaafari fez o anúncio em conferência de imprensa ao lado do MNE iraniano, Mohammad Javad Zarif, transmitida ao vivo pela televisão estatal iraniana. As declarações de Jaafari foram traduzidas em legendas exibidas no canal iraniano em inglês Press TV. Na mesma conferência de imprensa, Zarif disse que a Arábia Saudita está a aumentar a tensão na região, enquanto Teerão tenta reduzi-la. «Criar tensão não é um sinal de poder, mas sim fraqueza», afirmou.

Tailândia Turista morre

Uma lancha atingiu uma turista francesa que nadava numa zona reservada a praticantes de ‘snorkeling’ num resort na Tailândia, provocando a sua morte imediata, avançou ontem a polícia. A mulher, de 52 anos, morreu no local, na terça-feira, depois de a lancha a atingir enquanto fazia ‘snorkeling’ na ilha de Poda, uma das muitas pequenas ilhas na turística província de Krabi. A polícia deteve o condutor do barco, Yothin Subsak, de 29 anos, acusando-o de causar a morte da mulher por comportamento imprudente. “Ele confessou as acusações”, disse à AFP o comandante da polícia de Krabi Man Rotthong. “A vítima e o marido estavam instalados em Phuket e ela comprou um pacote para fazer mergulho aqui”, explicou.

Vídeo «trama» hotel

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Os clientes de um hotel em Manhattan, Nova Iorque, filmaram um vídeo que mostra uma praga de percevejos na cama onde dormiram, acabando com fortes reacções cutâneas. Elgin Ozlen e a namorada estavam de visita à cidade para celebrar o seu aniversário. A mãe ofereu a estadia no hotel Astor on the Park. «Estávamos à espera de umas férias para nos lembrarmos o resto das nossas vidas. E vamos lembrá-las o resto das nossas vidas», comentou Ozlen ao Eyewitness News. «Em pleno aniversário estou no hospital e tive que lavar as roupas, que trouxe para estas férias, e no processo muitas das peças ficaram estragadas, porque não é suposto serem secadas». O vídeo (na versão completa) mostra não só a quantidade preocupante de percevejos, como o estado da pele da namorada. «Espero que este vídeo chegue ao tribunal, e que o hotel receba o que merece», afirma durante a filmagem. O estabelecimento devolveu o custo da estadia e recusou comentar o episódio.

José Silveira Machado In Macau em mil palavras

Publicada biografia do padre Áureo e Castro

Iraque mediador entre Arábia Saudita e Irão

M

quinta-feira 7.1.2016

Missão: músico

issionário, músico e pedagogo é como o padre Áureo Nunes e Castro, um açoriano do Pico, é descrito numa biografia recentemente publicada em Macau, um território onde ainda se mantém vivo o seu legado. A obra, que constitui o volume VIII da colecção “Missionários para o Século XXI”, do Instituto Internacional de Macau, foi escrita por João Guedes, jornalista e investigador da história de Macau, autor de diversos livros, que fez a sua “estreia” no género da biografia. Nascido na Candelária do Pico (Açores) em janeiro de 1917, o padre Áureo Nunes e Castro morreu em Janeiro de 1993 em Macau, onde passou a maior parte da sua vida dedicada à Igreja e à música, sendo a Academia S. Pio X, que fundou e dirigiu desde o início até praticamente à sua morte, uma espécie de marca viva da importância

que teve na cultura em geral e na música erudita. “Creio que esta biografia traz a público uma coisa ignorada: a própria vida dele. Em Macau várias figuras distinguiram-se em diversos campos, mas a música no âmbito cultural é uma coisa pouco falada, não aparecem na história da música vultos como aparecem na literatura ou na pintura. O padre Áureo e Castro é uma excepção importantíssima na área da música e particularmente na da música sacra”, realçou João Guedes. Áureo e Castro veio para Macau aos 14 anos para integrar o Seminário de São José, numa altura em que “havia uma corrente de estudantes que eram recrutados pela Igreja Católica e que vinham de dois pontos de Portugal - Freixo de Espada à Cinta e Açores” -, numa altura em que a evangelização da China seria o destino, como contextuali-

za João Guedes. Contudo, “quando o padre Áureo já está formado, a revolução já tinha acontecido e surge a República Popular da China [1949] e, portanto, esses padres todos ficaram impedidos de seguir para a China e ficaram em Macau”. “O padre Áureo e Castro gostava de música, era um músico acima da média e acaba por ser escolhido para ir para o Conservatório de Música de Portugal para tirar o curso de maestro/compositor. Vai para lá, sai formado com altas notas e regressa a Macau para fundar uma filial do Conservatório de Música de Lisboa, o que depois não acontece por vicissitudes várias, de maneira que acaba por se fundar a Academia S. Pio X”. Como nota João Guedes, “ele não emparceirou com os grandes compositores mundiais apenas porque escreveu pouco” – esta é, aliás, a opinião, que vem citada no livro, do maestro Simão Barreto, que foi aluno do padre Áureo e Castro.

Hímen artificial faz sucesso entre muçulmanas

Uma empresa alemã que criou um ‘hímen falso’, para as mulheres que não podem perder a virgindade antes do casamento – como as muçulmanas – está a obter um enorme sucesso com o produto. Foi a pensar no artifício de uma pretensa virgindade que a empresa alemã VirginiaCare concebeu e testou um produto que simula o rompimento do hímen. São duas membranas ultrafinas com sangue sintético injectado, que a mulher deve inserir na vagina pouco antes da relação sexual. À medida que as membranas são pressionadas rompem-se e soltam o líquido aquoso de cor muito similar à do sangue — parecendo, então, que o hímen acabou de ser rompido. Cada embalagem do ‘hímen falso’ é vendida por cerca de 500 patacas. A empresa que desenvolve o produto afirma fazer entregas no mundo inteiro. O site da empresa recebeu diversos comentários de clientes — na maioria de mulheres muçulmanas — elogiando a qualidade do produto e agradecendo a oferta. Actualmente, existe mesmo uma cirurgia que “recoloca” o hímen na mulher. Porém, a intervenção é cara — custa cerca de 23000 patacas — tornandose incomportável para a maior parte das mulheres.

Hidrogénio, mas pouco

A bomba de Kim era pequenina mas está a incomodar muita gente

O

Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou ontem que as autoridades do país acreditam que o ensaio nuclear ontem anunciado por Pyongyang envolveu uma pequena quantidade de hidrogénio. “Vamos descobrir o que aconteceu depois de uma análise mais aprofundada, mas o que sabemos, para já, é que uma pequena quantidade de hidrogénio foi utilizada no quarto teste nuclear” da Coreia do Norte, explicou o porta-voz do ministério, Kim Min-seok, citado pelo serviço noticioso online MoneyToday. O anúncio norte-coreano, ontem de manhã, acerca de um primeiro teste com uma bomba de hidrogénio começou por ser recebido com algum cepticismo. Peritos ouvidos pelas agências internacionais levantaram dúvidas sobre a verdadeira composição do ensaio levado a cabo pelo regime de Kim Jong-un, afirmando que

a actividade sísmica provocada pela explosão sugere a utilização de um explosivo com menos potência. O especialista australiano Crispin Rovere, perito em controlo de armas e em política nuclear, entende que o tremor de terra de magnitude 5.1 registado no local de testes nucleares de Punggye-ri, na Coreia do Norte, não sustenta a notícia avançada por Pyongyang. “Os dados sísmicos que foram recebidos indicam que a explosão é provavelmente mais fraca do que seria de esperar de uma bomba de hidrogénio”, aponta. “Parece que conseguiram conduzir com sucesso um teste nuclear, mas não foram bem-sucedidos na segunda fase da explosão do hidrogénio.” Também Choi Kang, vice-presidente do Instituto para o Estudo de Políticas Asan, com sede em Seul, tem reticências

em relação à verdadeira natureza da explosão. “Não me parece que tenha sido um teste de uma bomba de hidrogénio. A explosão teria de ser maior se fosse uma bomba desse género”, defende. A Coreia do Norte, um dos regimes mais fechados do mundo, tem feito vários anúncios em torno do armamento nuclear de que dispõe, mas são alegações que, até à data, estão por confirmar. Entre as capacidades bélicas que Pyongyang diz ter está a possibilidade de um ataque aos Estados Unidos, uma hipótese que, até à data, tem sido afastada pelos especialistas na matéria. Bruce Bennett, analista de defesa a trabalhar para a Rand Corporation, não estava ontem convencido da autenticidade do anúncio norte-coreano: “Se fosse uma verdadeira bomba de hidrogénio, o registo na escala de Richter teria sido muito mais forte do que aquele que vimos”.

Rambo deu o último tiro

Após anos a dizer que estaria a escrever um novo argumento para «Rambo V», Sylvester Stallone afirmou numa nova entrevista para a revista Variety que não tem intenção de voltar a interpretar o icónico personagem. «O coração está disposto, mas o corpo diz: ‘Fica em casa’», disse Stallone à revista. «É como os lutadores que voltam para o último round e são destroçados. É deixar para outra pessoa.» O actor e realizador acrescentou ainda que não há mais nada a fazer. «Quando me pedem para fazer um novo ‘Rambo’, eu digo: ‘Se eu não pude fazer melhor do que eu fiz da última vez, porque conseguiria agora?» Stallone adiantou ainda que deverá fazer uma sequela para «Creed» com o encontro entre Rocky e Apollo. Ainda não está certo se Ryan Coogler voltaria como realizador, porém Stallone e o cineasta estariam a desenvolver novas ideias para a sequela do filme. A ideia, segundo a Variety é fazer um filme com alguns flashbacks.

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Hoje Macau 7 JAN 2016 #3487  

N.º3487 de 7 de Janeiro de 2016

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