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CONSULADO

Decisão até Outubro PÁGINA 6

EDUARDO ASCENSÃO

ILHA VERDE MARGINAL

ENTREVISTA

KEVIN ZOLLMAN

SEGUNDA-FEIRA 6 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4108 SOFIA MARGARIDA MOTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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Um adeus invisível

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hojemacau

Respeitinho Vem aí a Lei do Hino. Quem com intenção adulterar a letra ou partitura do hino nacional chinês, ou cantar de forma distorcida ou depreciativa, incorre no crime de ultraje. De acordo com o Governo, o acto deve ser grave, público e intencional. Os infractores arriscam uma pena que pode ir até aos 3 anos de prisão. As normas também se aplicam a estrangeiros. PÁGINA 5

MOP$10

VALÉRIO ROMÃO


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EDUARDO ASCENSÃO

ENTREVISTA

ANTROPÓLOGO URBANO

“Um lugar totalmente à margem”

Investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Eduardo Ascensão está a realizar um trabalho de investigação sobre o antigo bairro de lata da Ilha Verde, demolido em 2010. O académico fala de um lugar que serviu de acolhimento de imigrantes chineses ilegais em duas fases distintas, nos anos 60 e 80, e do papel da Administração portuguesa nas tentativas de realojamento dos moradores

Como é que surgiu o interesse pelo bairro de lata da Ilha Verde? É um interesse particular dentro de um enquadramento mais geral. O meu projecto de investigação é sobre diferentes formas de intervenção de estruturas do Estado em bairros de barracas ou populares, em diversas cidades de língua portuguesa. Faço uma abordagem histórica e também geográfica. Histórica no sentido em que pego em alguns exemplos de locais e nas suas transformações ao longo do tempo, o que implica contextos que eram coloniais e depois uma passagem para os contextos pós-coloniais. Tenho olhado para intervenções como as favelas do Rio de Janeiro ou uma série de programas de melhoramentos de bairros periféricos que houve na Guiné-Bissau nos anos 90. Em Lisboa, também temos uma história longa de habitação informal desde os anos 50. Macau aparece aqui porque vivi cá em criança e adolescente e lembrava-me bem do bairro da Ilha Verde, onde eu às vezes me perdia a andar de bicicleta. Lembro-me que era um lugar bastante diferente em relação ao resto da cidade e sempre me despoletou a curiosidade de como é que o bairro ali tinha nascido. SOFIA MARGARIDA MOTA

Era um lugar à margem. Era um lugar totalmente à margem, notava-se até pouca presença de polícia ou de outras instituições mais oficiais e tive agora confirmação disso. Entrevistei alguns moradores que me falaram desse carácter muito peculiar do bairro. Alguma pesquisa histórica e de arquivo foi desfiando uma história muito interessante, um local que sempre, desde os anos 20 do século XX, foi aquilo que os estudos de emigração chamam de área de recepção de migrantes pobres e ilegais, que cá se denominam refugiados da China continental.

“Porque é que este plano da Administração colonial portuguesa, que implicava a construção de alguns prédios de habitação de altura média, não foi construído e, em vez disso, foi subsistindo um bairro de barracas pré-fabricadas relativamente melhoradas até 2010?”

Isso é muito interessante porque já na altura era denominado bairro dos indigentes chineses, ou seja, das classes operárias mais baixas. Eram pessoas que trabalhavam ali perto, em fábricas de cimento, de panchões, e tinham ali uma habitação precária relativamente perto do local de trabalho. No final dos anos 50 há referências de que em toda a zona em redor da Ilha Verde, e também a norte do Canídromo, ou Fai Chi Kei, houve um enorme afluxo de

“Muitos entravam em Macau pela zona do Canal dos Patos. Uma residente, por exemplo, veio a nado, como era muito comum nessa altura, por razões económicas e também porque queria fugir da política do filho único.”

refugiados da China, antes ou depois da Revolução Cultural, e era uma imigração económica mas também mais complexa, ligada à Revolução Cultural. Muitos chineses da província de Guangdong, mas também de outras províncias chinesas, vinham a nado pelo Canal dos Patos e depois instalavam-se no bairro de lata em barracas por eles construídas. E é este período que está a estudar? Não. O foco da minha investigação é o momento sucessivo a este, quando a Administração portuguesa, ainda administração colonial, estabelece comunicações com Lisboa, com o governo colonial de Hong Kong e com agências da ONU para os refugiados quanto à necessidade de providenciar alguma habitação menos precária para este enorme afluxo de refugiados. Quantas pessoas viviam nessa altura no bairro? Entre duas a cinco mil pessoas, seria uma população muito flutuante e difícil de enumerar. A população de Macau nessa altura rondaria as 100 mil pessoas, no princípio dos anos 60, e houve um afluxo massivo de refugiados que poderiam ser cerca de 60 mil pessoas. Também havia bairros de barracas na Taipa e na parte do Porto Exterior, mas a maior parte deles estava na zona do Fai Chi Kei, Doca do Lam Mau, Ilha Verde, bairro Tamagnini Barbosa. Já tinha havido a necessidade de habitação social nos anos 50 com o bairro Tamagnini Barbosa na sua primeira versão, que era constituído por blocos térreos onde foram depois feitos edifícios mais altos.Apergunta que fui fazendo sobre o bairro da Ilha Verde é porque é que este plano da Administração colonial portuguesa, que implicava a construção de alguns prédios de habitação de altura média,

não foi construído e, em vez disso, foi subsistindo um bairro de barracas pré-fabricadas relativamente melhoradas até 2010. Havia infra-estruturas, tal como esgotos ou electricidade? Sim. Não havia inicialmente, mas depois houve a provisão de esgotos e pontos de água. Alguns moradores optavam, ainda assim, por aceder apenas aos pontos de água colectivos para não pagarem. Segundo relatos de ex-moradores, estas casas tinham uma baixa renda, de cerca de três patacas ao mês, o que, na prática, fazia com que as pessoas não tivessem custos com a habitação. Este é um factor que se repete nos bairros precários pelo mundo fora. Essa renda era paga a quem? Era paga ao Governo ou à Câmara Municipal do Leal Senado. Há coisas que ainda não consegui apurar. Uma das respostas que quero obter é se as antigas casas do bairro de lata foram feitas através da despensa de materiais iguais pelo Leal Senado ou se eram modelos iguais porque havia


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SOFIA MARGARIDA MOTA

segunda vez, como área de recepção de imigrantes ilegais e que se foram estabelecendo por ali. O que percorre muitas memórias e histórias dos habitantes com que falei é a existência de um espírito comunitário bastante particular, que é, mais uma vez, uma característica que se repete em muitos assentamentos informais do mundo. Depois dessa segunda vaga de imigração, não houve mais nenhuma até à sua total demolição? Sim, e nesse intervalo estamos a falar de um período de 30 anos. Houve tentativas de destruir o bairro e realojar as pessoas ao longo desse período? No início dos anos 80, o Instituto de Acção Social e as Obras Públicas construíram os centros temporários de habitação (CTH) para retirarem algumas pessoas, numa óptica de erradicação de barracas, que depois iriam ser canalizadas para as listas de espera de habitação social. Havia aqui uma política pensada e com algum impacto oficial.AAdministração portuguesa terá muitos aspectos negativos mas julgo que neste período, anos 80, foi um dos períodos de maior desenvolvimento. Alguma legislação que sai no Boletim Oficial, em 1993, é em muito semelhante ao plano especial de alojamento do Programa Especial de Realojamento (PER) português de 1993, que tinha como objectivo erradicar as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

empreiteiros locais que reproduziam os modelos. Alguns elementos arquitectónicos destas casas são semelhantes, tirando as palafitas e algumas casas da ilha de Coloane. No segundo andar as famílias dormiam e quase tudo acontecia no piso térreo. Mas ainda vou ter que deslindar melhor essa dúvida que, para o projecto, é a mais importante. Isto porque o alinhamento das ruas no bairro é resultado de um processo de planeamento.As ruas tinham número e tudo provém do plano de refugiados do início dos anos 60. Essa topografia foi feita por moradores, ou pelas autoridades? Foi feita pelo Governo. Era uma malha típica de planeamento racional e moderno por parte das autoridades e depois foi sendo preenchida com a construção das casas feita ao longo do tempo. Havia um plano residencial e moderno, da década de 60, que nunca chegou a ser feito. Porquê? Haverá uma razão mas ainda não consegui apurar, mas essa situação

repetiu-se em diversos contextos no final do colonialismo português. Criaram-se planos para populações ditas autóctones ou indígenas, e que estiveram ligados à pressão internacional que houve sobre o colonialismo português quando todos os outros impérios já tinham dado origem a países independentes. O caso de Macau é sempre particular, mas é neste quadro de desenvolvimento de planos que nem sempre eram postos em prática que se pode incluir este plano. A Administração portuguesa, na altura, afirmava em documentos que não tinha capaci-

“Segundo relatos de ex-moradores, estas casas tinham uma baixa renda, de cerca de três patacas ao mês, o que, na prática, fazia com que as pessoas não tivessem custos com a habitação.”

dade para providenciar habitação para tantas pessoas. Aí é feita uma comunicação com Lisboa para ter algum apoio nesse sentido, o que mostra que não é surpreendente que os planos para as populações pobres não tenham sido implementados. Após a revolução de 1974 em Portugal aAdministração portuguesa deixa de ser do tipo colonial e passa a ser de transição. A partir daí, no início dos anos 80, há um esforço muito grande para levar avante planos de habitação social para as classes mais vulneráveis chinesas. Portanto, não podemos falar de uma falta de investimento de Portugal em Macau ao nível da habitação social, mas sim de dificuldades técnicas e legais de implementação. Não. O bairro de Tamagnini Barbosa já era uma tentativa de habitação social para classes sociais e não apenas para funcionários públicos. Já nos anos 50 havia a percepção de que havia essa necessidade. Não me parece que tenham existido dificuldades técnicas ou legais na implementação

desses planos. Em Macau havia menos a compulsão dos poderes coloniais em querer exercitar o poder civilizacional sobre as populações chinesas [por oposição ao que aconteceu nas ex-colónias portuguesas em África] porque havia uma espécie de separação sem essa compulsão de civilizar. Admitia-se que os chineses tinham uma civilização muito rica e havia um pacto de co-habitação. Já na altura as comunidades viviam completamente separadas. Um pouco separadas. A partir dos anos 80 foram feitos enormes investimentos e aí a Administração portuguesa tem, se calhar, uma história feliz, pois dá-se início a uma verdadeira política de habitação social. É também no início dos anos 80 que se dá um novo fluxo de imigrantes chineses. Entrevistei muitos que entravam em Macau pela zona do Canal dos Patos. Uma residente, por exemplo, veio a nado, como era muito comum nessa altura, por razões económicas e também porque queria fugir da política do filho único. O bairro da Ilha Verde serve então, pela

Houve então essa influência portuguesa. Foi-se buscar essa legislação para, de alguma forma, existirem instrumentos legais para proceder de forma justa administrativamente, ou seja, sem o despejo violento de moradores. Tudo isso foi um pouco suspenso, e no início dos anos 2000 há uma parte do bairro que é demolida para construir um viaduto que liga o Fai Chi Kei e a zona de acesso à Ponte da Amizade. Em 2010 dá-se o processo final de demolição. Mas se no início as pessoas eram encaminhadas para os CTH e habitação social, no final umas famílias foram realojadas na zona da Areia Preta, mas outros foram indemnizados com um valor mais baixo do que aquele que iria permitir adquirir uma habitação. Este processo final já foi mais discricionário e é uma pergunta que fica para as autoridades locais à qual não tenho resposta. O bairro da Ilha Verde tem uma história muito rica, percorre todo o século XX e percorre-o de uma forma importante e positiva. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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As normas aplicam-se a estrangeiros. “Todas as pessoas que estão a participar no evento têm este dever de respeitar o hino nacional, sejam locais ou estrangeiros”, pelo que ficam sujeitos às mesmas sanções, esclareceu o mesmo responsável. Os actos que desrespeitem o hino durante a sua execução constituem infracção administrativa punível com multa de 5.000 a 50.000 patacas, a mesma prevista já para os casos de uso indevido da bandeira.

INSTRUÇÕES PARA ESCOLAS E ‘MEDIA’

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acto intencional de adulterar a letra ou partitura do hino nacional chinês ou proceder à execução instrumental e vocal do mesmo de forma distorcida e depreciativa em ocasiões ou locais públicos vai constituir crime de ultraje. É o que prevê expressamente a proposta de alteração à lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais, cujos principais contornos foram apresentados na sexta-feira em conferência de imprensa pelo Conselho Executivo. Aexistência de dolo figura assim como um dos requisitos para que haja crime de ultraje, como realçou o director dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ). “Também vamos ver se o acto é público e grave. Com certeza tem de atingir um certo nível de gravidade”, complementou Liu Dexue. A moldura penal, tal como anunciado anteriormente, mantém-se. À luz da lei em vigor, que data de 1999, quem ultrajar os símbolos nacionais é punido com pena de prisão até três anos ou com multa até 360 dias. No caso particular do hino considera-se como falta de respeito a execução “maliciosa” fora dos precisos termos da sua partitura formal ou com alteração da sua letra. A proposta de lei vem também alargar ao hino (ou à sua letra e partitura) a proibição de uso para determi-

LEI DO HINO ULTRAJE APENAS EM ACTOS GRAVES, PÚBLICOS E INTENCIONAIS

Som e respeito

Apenas actos graves, públicos e intencionais de deturpação do hino nacional chinês vão ser considerados crime de ultraje à luz da proposta de alteração à lei da utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais nados fins, como comerciais e outros “indevidos”, algo que o diploma vigente não define expressamente. “Para além de fins comerciais ou de publicidade, conforme a lei do hino nacional do Estado [e] em adequação com a situação actual de Macau, não podemos utilizar o hino nacional para fins pessoais”, indicou o director da DSAJ, dando como exemplo o uso da “Marcha dos Voluntários” como “música de ‘background’ para eventos ou actividades profissionais”. Em paralelo, à semelhança do definido para a bandeira e emblema, estende-se ao hino a possibilidade de ser proibido “noutras ocasiões ou locais” pelo Chefe do Executivo. A revisão do diploma, que segue agora para aAssembleia Legislativa,

Infra-estruturas GDI passa a direcção de serviços O Governo quer que o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) passe a direcção de serviços de acordo, é o que se depreende de uma resposta

do Executivo a uma interpelação da deputada Song Pek Kei, de acordo com o canal Macau da TDM. A deputada considera que é importante que o organismo

reúna quadros suficientes para o desenvolvimento das infra-estruturas e dos serviços. Para já, o Governo admite essa reestruturação mas não avanca com datas.

visa alinhar-se com a nova Lei do Hino Nacional da China, em vigor desde 1 de Outubro. Tal sucede depois de, no mês seguinte, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) ter aprovado a sua inclusão nos anexos das Leis Básicas de Macau e de Hong Kong, os quais

“Todas as pessoas que estão a participar no evento têm este dever de respeitar o hino nacional, sejam locais ou estrangeiros.” DIRECTOR DA DSAJ

regulam as leis nacionais a aplicar nas duas Regiões Administrativas Especiais.

DE PÉ E COM COMPOSTURA

De modo a “dar mais um passo” na concretização das normas relativas à defesa da dignidade do hino nacional chinês, a proposta de lei introduz uma espécie de código de conduta. “Sugere-se que, durante a sua execução instrumental e vocal, os presentes devem permanecer respeitosamente de pé e comportar-se com compostura”, afirmou o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, durante a apresentação do diploma. “Não é [em] qualquer momento que têm de ficar de pé. O que estamos a solicitar é respeito. Vamos ver qual tipo de evento [e] o número de participantes”, explicou Liu Dexue. “Se estivermos numa sala com muitos intervenientes e é um grande evento normalmente vamos ficar todos de pé, mas por exemplo, se uma pessoa tem alguma deficiência ou outros problemas [é] claro que não vamos pedir-lhe [isso]. Vamos analisar caso a caso”, sublinhou o director da DSAJ.

O diploma define também a integração do hino nacional chinês no ensino primário e secundário da educação regular, aplicável a todas escolas, incluindo às internacionais e à Escola Portuguesa de Macau. À luz do proposto, as instituições de ensino devem organizar os alunos “para aprenderem a cantar o hino e ensinar-lhes a compreender o seu espírito, bem como a respeitar o cerimonial relativo à sua execução instrumental e vocal”. O director da DSAJ garantiu, no entanto, que a autonomia das escolas vai ser respeitada, não estando previstas sanções para o incumprimento. “Cada escola, com base na autonomia de ensino, pode seguir essas instruções e depois fazer a respectiva organização. O processo de implementação também tem a sua flexibilidade e elasticidade”, afirmou. Para os meios de comunicação social também foram delineadas instruções, com o diploma a sugerir que o Governo pode solicitar-lhes que se “adeqúem ao desenvolvimento das acções de divulgação sobre o hino nacional por si promovidas, com vista à promoção dos conhecimentos alusivos ao cerimonial de execução instrumental e vocal do mesmo”. “Não vamos punir nem sancionar os meios de comunicação social por não divulgarem ou não respeitarem essas instruções. O que gostaríamos é de promover o hino nacional (...) e de solicitar a vossa colaboração”, clarificou Liu Dexue. “É uma medida facultativa e não obrigatória. Vamos respeitar a vossa autonomia e toda a liberdade de expressão”, garantiu. Já em concreto para as estações de televisão e rádio o diploma dita que devem reproduzir o hino em determinadas celebrações importantes, como a tomada de posse do Chefe do Executivo ou do presidente da Assembleia Legislativa, exemplificou o director da DSAJ. O hino chinês, composto nos anos 1930 e conhecido como a “Marcha dos Voluntários”, foi elevado ao seu estatuto actual após a instauração da República Popular em 1949, ainda que durante a Revolução Cultural tenha sido proibido e substituído pela popular melodia “O Leste é Vermelho”, que exalta Mao Tsé-Tung. Diana do Mar

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LEI ELEITORAL INCLUSÃO DE REPRESENTANTES DO ÓRGÃO MUNICIPAL NA COMISSÃO QUE ELEGE O CHEFE

Espaço aos municipais

AL Leong Sun Iok retira proposta de debate sobre trabalho a tempo parcial

Foi retirada a proposta de debate submetida por Leong Sun Iok em que o deputado defendia o adiamento do regime de trabalho a tempo parcial. A proposta do deputado dos Operários estava agendada para o plenário de amanhã, mas, segundo a nota de agenda da Assembleia Legislativa, foi retirada, desconhecendo-se as razões. Na missiva, que submeteu a 12 de Julho, Leong Sun Iok argumentava que o regime de trabalho a tempo parcial devia ser adiado até haver “um amplo consenso” e uma “boa proposta”. Leong Sun Iok sustentava que o documento alvo de consulta pública reduzia as garantias mínimas oferecidas pela actual lei laboral.

Segue para a Assembleia Legislativa a proposta de alteração à Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo de modo a que a comissão que escolhe o líder do Governo passe a incluir dois representantes do futuro órgão municipal. A nova entidade pública entra em funcionamento a 1 de Janeiro

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ACE à criação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que inicia funções a 1 de Janeiro, o Governo apresentou uma proposta de alteração à Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo para incluir dois membros do órgão municipal sem poder político na comissão de 400 membros que escolhe o líder do Executivo. O diploma define que os representantes do IAM a inserir na Comissão Eleitoral para o Chefe do Executivo sejam seleccionados de entre os membros do Conselho de Administração e do Conselho Consultivo “mediante sufrágio interno”. Apesar da mexida, a Comissão Eleitoral que elege o Chefe do Executivo, com um mandato de cinco anos, vai manter o mesmo número de membros, ou seja, 400. Com a entrada em cena de representantes do futuro órgão municipal – prevista na Lei Básica – haverá, no entanto, uma redistribuição dos assentos. Segundo o diploma, cujos principais contornos foram apresentados na sexta-feira pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, os dois representantes do IAM vão integrar o quarto sector, composto por 50 membros,

Saúde Ella Lei quer saber o número de psiquiatras no serviço público

A deputada Ella Lei interpelou o Governo sobre o número de psiquiatras disponível nos Serviços de Saúde (SS). A deputada nota que tem havido uma maior procura pelos serviços de saúde mental no hospital público, mas dúvida que haja número suficiente de médicos, apesar dos SS terem referido que o número de profissionais tem vindo a aumentar. Por essa razão, Ella Lei quer saber se no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) existem recursos humanos suficientes para atender os residentes com essas necessidades, e se foram contratados mais enfermeiros especializados.

O deputado Sulu Sou entregou uma interpelação escrita ao Governo onde defende que os motociclos são o meio de transportes mais conveniente para a população, razão pela qual são necessários mais lugares de estacionamento. De acordo com dados relativos ao primeiro trimestre deste ano, apresentados pelo membro da Assembleia Legislativa, há apenas 50 mil lugares de estacionamento público para motas, quando em Macau se encontram registadas 120 mil. Desta forma, Sulu Sou quer saber se o Governo vai ponderar a construção de um parque de estacionamento de utilização automática nas zonas onde há poucos lugares disponíveis e estender o período de estacionamento nocturno aos domingos e feriados. São também pedidas medidas de redução da insegurança nas estradas e melhoria da concepção dos parquímetros para motas.

GCS

Estacionamento Sulu Sou pede mais lugares para motociclos

que engloba 22 representantes dos deputados à Assembleia Legislativa, 12 deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional e 16 representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Os dois assentos a serem ocupados por membros do órgão municipal vão ser subtraídos aos destinados aos representantes de Macau na CCPPC, que passarão então a ser 14 em vez dos actuais 16. A proposta de alteração à Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo tem entrada em vigor prevista para 1 de Janeiro do próximo ano, coincidindo assim com a data da criação do IAM.

FLEXIBILIDADE SUPERIOR

O Conselho Executivo deu ainda luz verde a três projectos de regulamento administrativo relativos à Lei do Ensino Superior, aprovada no Verão passado, que entra em vigor na próxima quarta-feira, dia 8. O primeiro diz respeito ao Regime de Avaliação da Qualidade do Ensino Superior, destinada às instituições e aos seus cursos, em que se define expressamente os requisitos das duas modalidades de avaliação (acreditação e a auditoria).

No âmbito dos processos de avaliação, o diploma, que visa aumentar o nível das instituições de ensino e assegurar a qualidade dos cursos, prevê o recurso a especialistas ou entidades para prestar opiniões, incluindo para a constituição do Grupo de Peritos para a Avaliação da Qualidade. Um processo que, segundo o coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior se encontra em curso. “Estamos no processo de constituição”, indicou Sou Chio Fai, dando conta de que gostaria de contar com especialistas de Portugal, China e Estados Unidos. Os novos cursos (locais e não locais) e os que sofrem alterações significativas um ano após a entrada em vigor são sujeitos à avaliação conforme os cursos

“Os dois assentos a serem ocupados por membros do órgão municipal vão ser subtraídos aos destinados aos representantes de Macau na CCPPC”

correspondentes, estando estipulado um período de transição de um ano. Na próxima quarta-feira entra também em vigor o Estatuto do Ensino Superior, que regula especificamente os requisitos e os procedimentos sobre o estabelecimento da instituição do ensino superior e a criação dos cursos. O regulamento administrativo também introduz melhorias às regras de admissão ao ensino superior, definindo a qualificação e os requisitos para exercer funções do pessoal docente, bem como o processo e os requisitos de atribuição de graus de mestrado e doutorado. Por fim, o terceiro regulamento administrativo respeitante ao Regime do Sistema de Créditos no Ensino Superior, que define um período de transição de cinco anos para os cursos existentes, à excepção dos cursos que conferem o grau de mestre. Em suma, o trio de regulamentos administrativos vai introduzir maior flexibilidade, indicou Sou Chio Fai, dando como exemplo a possibilidade de os institutos que sejam aprovados na avaliação ministrarem mestrados. Diana do Mar

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Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal está a analisar o pedido do Governo da República Popular da China para alterar a denominação do Consulado-Geral em Macau e deixar cair Hong Kong do nome. A posição foi tomada pelo ministério liderado por Augusto Santos Silva, em resposta ao HM.

Piscinas privadas Lam Lon Wai quer nova regulamentação

O deputado Lam Lon Wai interpelou o Governo sobre a necessidade de implementar uma nova lei que regule o funcionamento das piscinas privadas, depois da ocorrência de um acidente num hotel do Cotai que quase vitimou mortalmente uma criança de quatro anos. Lam Lon Wai frisou que este tipo de casos acontece quase todos os anos no período de mais trabalho para nadadores salvadores, e que se agrava uma vez que não é obrigatório ter um profissional destes nas piscinas privadas. É neste sentido que o deputado pede nova legislação. Apesar das instruções criadas pelos hotéis, o deputado acredita que em muitos deles as regras podem não ser totalmente respeitadas.

DIPLOMACIA PORTUGAL SOB PRESSÃO PARA TOMAR DECISÃO ATÉ OUTUBRO

“Sim, recebemos o pedido. Compreendemos que todos os consulados em Hong Kong e Macau receberam pedidos dos género”, afirmou o consulado do Canadá, de acordo com um jornal da RAEHK.

O tempo que foge “O assunto está a ser analisado. A decisão será tomada a seu tempo”, foi esta a posição do MNE de Portugal, face a questões enviadas na quarta-feira passada ao Governo português. Apesar do ministério de Augusto Santos Silva frisar que a decisão vai ser tomada a seu tempo, o assunto não será assim tão simples, segundo apurou o HM. No pedido feito a Portugal pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China foi expresso o desejo que a mudança de nomenclatura deveria ocorrer ainda antes da chegada do novo cônsul, que está agendada para finais de Setembro ou princípios de Outubro. Actualmente, a representação da República Portuguesa em Macau tem a denominação Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong-Kong, uma vez que a área de intervenção envolve as duas regiões chinesas. Contudo, segundo o pedido da China, o nome deve ser alterado para o Consulado-Geral de Portugal em Macau. Paulo Cunha Alves, actualmente Embaixador de Portugal na Austrália, poderá assim ser o primeiro cônsul de Portu-

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No pedido feito a Portugal pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China foi expresso o desejo que a mudança deveria ocorrer ainda antes da chegada do novo cônsul, que está agendada para finais de Setembro ou princípios de Outubro

gal em Macau, uma vez que a mudança poderá mesmo acontecer aquando da mudança de homem ao leme da diplomacia nacional no território. Recorde-se que o actual cônsul português em Macau, Vítor Sereno, está de saída para o Dakar, onde além de assegurar a representação no Senegal vai ainda ter garantir as mesmas funções no Burquina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Libéria,

Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, defendeu na sexta-feira que o aproveitamento das águas marítimas representa um “novo impulso” ao crescimento económico do território e ao desenvolvimento da região da Grande Baía. “A posse de 85 quilómetros quadrados de área marítima (...) não só irá injectar uma nova dinâmica no desenvolvimento de Guangdong, de Hong Kong e de Macau, como irá abrir um novo espaço para o desenvolvimento adequado e diversificado da economia”, afirmou. “No século XXI, o século do mar, a economia azul está a tornar-se numa das novas locomotivas do crescimento económico”, por isso, “Macau deve assegurar um aproveitamento científico e rigoroso destas águas marítimas com vista ao desenvolvimento da economia marítima e de diversas indústrias marítimas”, sublinhou.

Mali, Mauritânia, República da Guiné e Serra Leoa.

PEDIDO GENERALIZADO

Após o HM ter noticiado os pedidos por parte do Governo da República Popular Chinesa aos diferentes países representados em Macau e Hong Kong para uniformizarem as denominações das representações consulares, foram surgindo mais reacções à notícia.

Em Hong Kong foi pedido a vários consulados que retirassem Macau do nome e que apenas mantenham a referência à região vizinha. A informação foi primeiramente confirmada pelo Gabinete da União Europeia em Hong Kong e Macau. Também o Consulado-Geral do Canadá em Hong Kong e Macau admitiu ter recebido um pedido semelhante, de acordo com vários meios de comunicação social da região vizinha.

“O século do mar”

A outro meio, o mesmo consulado explicou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China tinha mostrado preocupação com as diferentes nomenclaturas utilizadas. Contudo, segundo o HM conseguiu apurar, a verdade é que o pedido feito pelo Governo chinês não apresentou uma justificação muito clara, pelo que vários países ainda estão a tentar perceber as razões por detrás do solicitado. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

GCS

O Governo português diz que vai tomar uma decisão “a seu tempo” sobre a alteração do nome do consulado em Macau. Mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China foi claro quanto ao prazo para implementar a alteração: até à tomada de posse do novo cônsul

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Governo diz que área marítima é novo impulso para a economia

Chui Sai On falava na abertura da “Conferência Internacional sobre Gestão, Utilização e Desenvolvimento das Áreas Marítimas de Macau”, de acordo com um comunicado oficial. Em Dezembro de 2015, por determinação do Conselho de Estado chinês, Macau passou a ter jurisdição sobre 85 km2 de águas marítimas, o que criou “novas condições e oportunidades para desenvolver projectos ligados ao mar e dele tirar proveitos e prosperar”, realçou o Chefe do Executivo. Para Chui Sai On, a gestão, o aproveitamento e o desenvolvimento da área marítima de Macau é “de maior importância” numa altura em que a China promove

a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e a construção da “Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau”.

PLANEAMENTO ATÉ 2036

Segundo o coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas, Mi Jian, estão “basicamente concluídos” os trabalhos relativos ao Estudo para o Planeamento de Médio e Longo Prazo de Utilização e Desenvolvimento das Áreas Marítimas da RAEM (2016-2036). Este planeamento define metas para três períodos diferentes. Em comunicado, refere-se que o objectivo a curto prazo passa pela resolução de problemas cruciais relacionados com a vida da po-

pulação, como tráfego, protecção ambiental ou prevenção e redução de desastres. Já a médio prazo o objectivo passa por desenvolver o “quarto espaço”, enquanto a longo prazo a meta é a “integração nas estratégias nacionais”.


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GALGOS ALBANO MARTINS SUGERE REALOJAMENTO EM COLOANE

Em paradeiro incerto

Um terreno na Cordoaria em Coloane é o “sítio mais viável” para realojar os mais de 500 galgos que se encontram no Canídromo. Quem o diz é Albano Martins, que não concorda com a utilização de casas particulares devido a problemas logísticos. O responsável pela ANIMA lamenta ainda que o IACM não alargue o prazo de 60 dias para manter os animais no Canídromo KELSEY WILHELM

edifício do terreno no Pac On que albergaria o Centro Internacional de Realojamento de Galgos necessita de alterar a sua finalidade industrial para poder acolher os galgos. Com a necessidade de uma nova estratégia e tendo em conta que os cães só podem estar mais dois meses no Canídromo, a Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) entregou um plano com um total de 12 sugestões de realojamento dos mais de 500 cães. Para o presidente da Sociedade Protectora dos Animais (ANIMA), Albano Martins, a solução mais viável é a utilização de um terreno na Cordoaria, em Coloane, adiantou ao canal Macau da TDM. “Nós aceitámos esta sugestão feita pela Yat Yuen que nos dá a possibilidade de serem colocados contentores adaptados para residências de animais”, disse o responsável ao HM. Entretanto, o terreno em causa parece apresentar as condições necessárias para a acolher as estruturas. “O meu pessoal foi ver o terreno e não levantou problemas. É um terreno razoavelmente grande, com 7718 metros quadrados que dariam para esta fase transitória”, aponta o activista referindo-se ao período de tempo necessário para tratar dos processos de adopção dos animais. Por outro lado, “é um terreno rústico, e depois não é concessão nenhuma, é por aforamento, pelo que não é preciso pedir autorização ao Governo quanto à sua utilização a não ser para fazer edificações, o que não vai acontecer”, explicou Albano Martins. No entanto, e para que não fiquem dúvidas quanto à legalidade da sua utilização, o presidente da ANIMA e a Yat Yuen aguardam entre hoje e amanhã uma resposta da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Foi pedido, para não haver confusões, um parecer para saber se havia algum impedimento nesta utilização daquele terreno”, referiu. De acordo com o presidente da ANIMA, a impressão que foi dada a quem fez o pedido, o advogado da Yat Yuen, foi de que não haveria problemas. Ainda assim, as partes iriam formalizar o pedido por escrito “porque agora toda a gente o quer, o que deve acontecer entre hoje e amanhã”, disse. A Yat Yuen apresentou outra alternativa para o mesmo terreno que consistia na utilização de casas pre-

fabricadas naquela área. No entanto, dada a época de tufões, o Governo mostrou-se contra a utilização deste tipo de estrutura por não ser segura. “O Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais (IACM) disse, e muito bem, que se aproximava o período dos tufões e que isso era perigoso”, apontou Albano Martins. Tal como acordado, o financiamento para o realojamento dos galgos continua a cargo da Yat Yuen, garantiu.

CASAS COMPLICADAS

No que respeita às sugestões de realojamento temporário dos galgos em casas particulares, o responsável pela ANIMA não considera que seja uma solução viável essencialmente dada a logística que implicaria. “As sugestões que foram apresentadas eram de vivendas e de espaços residenciais que, na minha opinião e como presidente daANIMA, levantam muitos

problemas de logística”, explicou. Para Albano Martins a melhor solução seria sempre permitir que os animais estejam todos no mesmo sítio, admitindo que pode “haver uma ou outra moradia que funcione como família de acolhimento”. Por outro lado, considera, “é também irracional que 100 ou 200 animais ficassem em moradias encostadas a sítios onde vivem as pessoas”, acrescentou. Albano Martins está ainda desapontado com a falta de flexibilidade em alargar o prazo de estadia dos animais nas instala-

ções do Canídromo. O pedido de 60 dias foi aceite, mas dadas as complicações com o processo de realojamento no terreno do Pac On, o responsável pela ANIMA considera que o prazo deveria ser alargado de modo a dar tempo para ser pensado outro plano. “Com a ANIMA, não havia razão nenhuma para os animais não continuarem no mesmo sítio até que uma solução melhor fosse encontrada, mas o IACM faz questão de manter o limite dos 60 dias”, lamentou. Para já, a construção de um centro internacional de realoja-

“É um terreno rústico, e depois não é concessão nenhuma, é por aforamento, pelo que não é preciso pedir autorização ao Governo quanto à sua utilização a não ser para fazer edificações, o que não vai acontecer.” ALBANO MARTINS ANIMA

mento, pensada para o edifício do terreno no Pac On, fica parada. “É uma questão que a Yat Yuen vai ter que resolver com o concessionária do terreno e com as obras públicas e se for uma solução fora do baralho paciência”, apontou. No entanto, Albano Martins lamenta o desenrolar dos acontecimentos até porque considera que “é uma hipocrisia ter uma solução deste tipo que iria colocar Macau no mapa a nível mundial”, disse. A esperança que o projecto avance já é muito pouca. “Já não podemos continuar com esta coisa de Macau querer ser um Centro Internacional e depois serem colocados tantos entraves”, rematou. Sofia Margarida Mota

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6.8.2018 segunda-feira

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PATRIMÓNIO GRUPO DE ARQUITECTOS ENTREGA CARTA AO INSTITUTO CULTURAL

Deus salve a Rainha Pelo seu valor e impacto na malha urbana de Macau. Estes são alguns dos argumentos de um grupo de arquitectos locais em defesa da classificação do Edifício Rainha D. Leonor. Causa que justificou a entrega de uma petição, com 610 assinaturas, ao Instituto Cultural SOFIA MARGARIDA MOTA

M grupo de arquitectos locais encabeçado pela deputada Agnes Lam entregou, na sexta-feira uma carta assinada por 610 pessoas ao Instituto Cultural (IC) a defender a instauração de um processo de classificação do Edifício Rainha D. Leonor. O objectivo é salvar a construção, que é considerada pelos presentes um exemplo da arquitectura moderna de Macau. “Entregámos uma carta ao Instituto Cultural com 610 assinaturas que recolhemos nas últimas semanas. Queremos que o Governo volte a analisar a questão do Edifício Rainha D. Leonor e que considere a hipótese de ser mantido como um exemplo de património, no futuro”, disse a deputada, após a entrega do documento. Na carta, além das 610 assinaturas, constam igualmente as razões do ponto-de-vista técnico que justificam a classificação. Na entrega da carta ao IC, entidade responsável pelos processo de classificação do património, esteve também presente o arquitecto João Palla. O profissional do sector destacou a relevância da construção “na malha urbana” de Macau. “A ideia da entrega de uma carta parte de um conjunto de cidadãos que visa o mesmo interesse: pedir a classificação do Edifício Rainha D. Leonor. Juntamos a essa carta uma lista com uma petição, que neste momento tem 610 assinaturas”, começou por dizer o arquitecto. “Esperamos

Por outro lado, a deputada Agnes Lam expressou ainda o desejo que este movimento de classificação do Edifício Rainha D. Leonor leve o Governo a criar uma lista sobre património mais moderno, que possa ser classificado no futuro.

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o que diz respeito ao Hotel Estoril, a deputada Agnes Lam defendeu que apenas devia ser preservada a fachada, incluindo os mosaicos. Quanto ao resto da construção, defende que não tem valor para ser salvo. “No Hotel Estoril acho que a fachada deve ser mantida, até porque faz parte da memória colectiva. Mas no interior, e houve um estudo sobre isso, não há grandes traços que distingam a construção”, admitiu.

CRIPTOMOEDA DEZENAS DE LESADOS EM MACAU S autoridades de Macau e Hong Kong estão a investigar um alegado caso de fraude ligado a uma criptomoeda que terá lesado cerca de 70 pessoas aqui no território, entre as quais a conselheira das comunidades portuguesas, Rita Santos, e o filho, revelou o Canal Macau da TDM. À mesma fonte, a Polícia Judiciária (PJ) disse estar a investigar o caso que envolve um empresário de Hong Kong, Dennis Lau, que angariou em Macau investidores para um projecto de exploração de uma criptomoeda, alegadamente

UMA LISTA MAIOR

SÓ FACHADA

“Esperamos que seja aberto um processo de classificação do edifício, pelo valor arquitectónico, pela relevância que tem, e teve, para a cidade, não só por si, mas pela importância na malha urbana.” JOÃO PALLA ARQUITECTO

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que seja aberto um processo de classificação do edifício, pelo valor arquitectónico, pela relevância que tem, e teve, para a cidade, não só por si, mas pela importância na malha urbana”, sublinhou.

com promessas de rendimentos que chegavam a 25 por cento ao mês. Pelos menos dois dos cerca de 70 lesados em Macau já apresentaram queixa à PJ, após terem investido 1,7 milhões de dólares de Hong Kong sem o retorno prometido. O investimento foi feito em Abril, mas os lesados deixaram de receber dividendos desde Junho. O suspeito terá dito às vítimas que a empresa estava com problemas financeiros. De acordo com o Canal Macau, Rita Santos e o filho, o empresário Frederico dos Santos

Rosário, dizem-se lesados, mas um dos investidores considera que também têm responsabilidades. O homem, que pediu para não ser identificado, afirmou ao Canal Macau que decidiu investir por recomendação da comendadora e do filho, de quem diz ser amigo. Frederico dos Santos Rosário terá mesmo afirmado que era dono da empresa. Já em comunicados enviados à TDM, Rita Santos e o filho dizem ter apresentado queixa à polícia de Hong Kong e que também ponderam uma acção judicial

contra Dennis Lau. Rita Santos explicou ao Canal Macau que apresentou queixa na qualidade de investidora e que se constituiu assistente no processo para poder acompanhar o caso. Por outro lado, o empresário de Hong Kong defende-se alegando ter sido ele o enganado. De acordo com o jornal do território vizinho Apple Daily, Lau acusa o filho de Rita Santos de ter alterado o contrato fornecido aos investidores e de ter passado o retorno de 25 por cento ao ano para 25 por cento ao mês.

“O Governo tem feito um bom trabalho na preservação dos prédios antigos, dos templos e igrejas, assim como das partes antigas da cidade, principalmente entre as áreas classificadas pela UNESCO”, apontou a legisladora. “Mas em relação às partes mais modernas da cidade acho que o trabalho ainda não começou. O Governo precisa de ser mais activo a identificar património que tem potencial para ser classificado no futuro”, frisou. Contudo, a deputada admitiu que há vários desafios na criação de uma lista de edifícios mais modernos para serem classificados: “Muitas vezes é difícil convencer as pessoas que vivem nos edifícios que há valor arquitectónico para a classificação”, notou. O projecto de alteração ao edifício Rainha D. Leonor, propriedade da Santa Casa da Misericórdia (SCM), foi anteriormente discutido no seio do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) e o IC mostrou-se contra a classificação. Por sua vez, António José de Freitas, provedor da SCM, revelou a vontade de demolir a construção de 1961. João Santos Filipe

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segunda-feira 6.8.2018

EDUCAÇÃO AUMENTAM AS QUEIXAS DE VIOLAÇÃO ENTRE PROFESSORES E ALUNOS

UM Curso de português de Verão concluído por 460 alunos

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Decorreu na sexta-feira a cerimónia de encerramento do curso de português de Verão da Universidade de Macau (UM), iniciativa que vai na 32ª edição, que juntou um total de 460 alunos oriundos de dez países e regiões. De acordo com um comunicado da UM, um total de 23 professores participou neste curso, que este ano registou um recorde de participações de estudantes oriundos da Austrália, Reino Unido, França, Índia ou Japão, entre outros. Yonghua Song, reitor da UM, referiu que a universidade pública tem vindo a promover o ensino da língua portuguesa. De acordo com um comunicado, o curso “continuou este ano a dar ênfase ao aumento da compreensão dos alunos sobre a história de Macau e a cultura portuguesa”.

Tendência alarmante

Desde o início do ano, foram registadas duas queixas de violações entre professores e alunos, mais do que entre 2015 e 2017 quando não se registaram queixas. Os dados são da Polícia Judiciária, que não quis prestar esclarecimentos sobre o caso desconhecido do público

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TÉ Julho de 2018 já foram registados dois casos de queixas de violação entre professores e alunos. A informação foi avançada, ao HM, pela Polícia Judiciária (PJ) na passada sexta-feira. “Em 2018, houve dois casos de queixas entre professores e alunos por violação”, afirmou uma porta-voz da PJ. Os números não contabilizam eventuais queixas que tenham surgido em Agosto e numa altura em que ainda faltam cerca de cinco meses para o final do ano, o registo já ultrapassou os números dos três anos anteriores juntos. “Entre 2015 e 2017 foram registadas 0 casos de queixas entre professores e alunos por violação”, acrescentou a mesma fonte. Em relação aos casos registados ao longo deste ano, um diz respeito ao ex-reitor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, John Mo, que está a ser acusado de violação por uma aluna de outra universidade local. O caso terá ocorrido após um jantar num dos casinos no território.

Sobre o outro caso, a PJ escusou-se a fornecer qualquer explicação, alegando que a vítima pediu total sigilo. Além destes dois casos, entre professores e alunos, houve igualmente queixas de abuso sexual em duas instituições de ensino, nomeadamente no Jardim-de-Infância D. José Costa Nunes, que está sob investigação, e denúncias ligadas à escola secundaria Sam Yuk, um caso que foi encerrado sem acusações.

MAIOR DISPOSIÇÃO

Para o secretário-geral da Cáritas Macau, Paul Pun, este aumento no número de queixas reflecte uma mudança de atitudes no seio da sociedade. Paul Pun admite também a hipótese de terem havido casos de violação ou assédio sexual entre 2015 e 2017, que acabaram por

ser abafados devido à vergonha das vítimas. “O facto deste ano já terem sido registadas duas queixas para este tipo de situações [violações] mostra que as pessoas estão mais atentas aos seus direitos. Não consigo separar esta tendência do movimento #metoo. Acho que fez com que as pessoas estivessem mais disponíveis para apresentar queixas e partilhar os seus casos”, apontou. O movimento #metoo tornou-se popular em 2017, com várias pessoas, principalmente celebridades, a admitirem através das redes sociais que tinham sido vítimas de abusos sexuais ou mesmo violações. A iniciativa teve como principal intenção levar as vítimas deste tipo de situações a não terem medo de apresentar queixa. “No passado sempre houve a tendência para as vítimas não

“Não consigo separar esta tendência do movimento #metoo. Acho que fez com que as pessoas estivessem mais disponíveis para apresentar queixas e partilhar os seus casos.” PAUL PUN SECRETÁRIO-GERAL DA CÁRITAS MACAU

querem partilhar o ocorrido nestes casos, mesmo entre a família e amigos. Isso também poderá explicar a ausência de queixas”, considerou. Ao HM, Paul Pun negou que o problema do assédio sexual e violações seja limitado ao meio académico, onde diz reconhecer o trabalho do Governo neste tipo de casos, e sublinhou a necessidade de haver uma postura pró-activa de toda a comunidade para lidar com estas situações. “Não é só o Governo que precisa de trabalhar activamente na prevenção deste tipo de situações. É necessário um esforço colectivo e a sociedade precisa de se mobilizar. São situações que podem acontecer em qualquer lado e é preciso que as vítimas tenham todas as condições para apresentar queixa e que os atacantes sejam responsabilizados”, frisou o secretário-geral da Cárita Macau. João Santos Filipe

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6.8.2018 segunda-feira

Vai tudo abai ARTE AI WEIWEI DENUNCIA DEMOLIÇÃO DE ESTÚDIO EM PEQUIM

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realizador russo Kirill Serebrennikov, a cumprir prisão domiciliária há um ano, em Moscovo, foi nomeado comandante da Ordem das Artes e das Letras num decreto assinado no final da semana passada pela ministra da Cultura de França, Françoise Nyssen, noticiou a AFP. Kirill Serebrennikov é acusado de ter desviado perto de um milhão de euros de dinheiros públicos, acu-

Entre quatro paredes

Realizador russo Kirill Serebrennikov condecorado em França

sação que o realizador classifica de "absurda". O realizador e encenador viu recentemente a prisão domiciliária prorrogada até 22 de Agosto. A prisão do cineasta e encenador causou uma onda de contestação no meio artístico

russo e internacional, que acusa a Rússia de ter detido o cineasta por motivos políticos. Entre as entidades que têm contestado a prisão do realizador conta-se a organização do Festival de Avignon que, além de ter reivin-

dicado a libertação imediata de Kirill Serebrennikov, programou uma das suas peças para a edição de 2019 do certame.

ACESSO NEGADO

A organização do Festival de Cinema de Cannes foi outro dos organismos que se insurgiram contra a situação do realizador uma vez que esta inviabilizou a sua deslocação à última edição do Festival onde, em Maio

último, o seu filme “Summer” foi apresentado em competição. Na ocasião, a cadeira onde o realizador se devia sentar ficou vazia, sem que, porém, a organização do certame lhe tenha prestado homenagem na passadeira vermelha e o público tenha acolhido o seu último trabalho com uma forte ovação. A 10 de Maio último, a Rússia confirmou ter recebido e recusado um pedido do Festival de Cannes


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segunda-feira 6.8.2018

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para que o realizador estivesse presente no evento, alegando que "ninguém tem o direito e o poder de influenciar decisões judiciais". O delegado-geral do festival de cinema de Cannes, Thierry Frémeaux, afirmou em conferência de imprensa que Cannes e o Governo francês enviaram um pedido a Moscovo para que Serebrennikov fosse autorizado a sair do país, para participar na estreia do filme.

O estúdio de Ai Weiwei em Pequim foi demolido na passada sexta-feira. O artista não foi notificado pelas autoridades e divulgou as imagens através da sua conta no Instagram. Outros estúdios e galerias estão a ser informados que vão ter de sair de Caochangdi, o bairro artístico localizado na zona nordeste da capital

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ONHECIDO como um espaço alternativo ao conhecido bairro artístico de Pequim 798 Art District, Caochangdi, localizado na zona nordeste da capital tem sido um porto de abrigo que acolhe artistas e estudantes. Antes, uma aldeia que vivia de agricultura, actualmente Caochangdi é conhecido como um dos locais de maior dinamização artística da capital. Dado o contexto social, torna-se lógico que o conhecido artista Ai Weiwei tenhado escolhido este bairro para fixar o seu estúdio. No entanto, na passada sexta-feira, Ai publicou na sua conta de Instagram vários vídeos e imagens que denunciavam a demolição de Zuoyou, o estúdio que mantinha em Pequim e de onde saíram algumas das suas mais conhecidas obras. Num dos vídeos, o artista mostra escavadoras a derrubarem a fachada, as paredes e janelas de Zuoyou. De acordo comAi, a demolição foi feita sem que tivesse qualquer conhecimento ou notificação prévia por parte do Governo. “Hoje, começaram a demolir o meu estudio ‘Zuoyou’, em Pequim, sem me prevenir… Adeus”, refere o artista numa das publicações, citado pela publicação online “Artforum” Depois de mostrar a destruição do estúdio, Ai publicou também algumas das obras que ali foram concebidas desde que ocupou aquele espaço há mais de 15 anos. Entre elas o artista destacou Template (Collapsed) de 2009, Tree e Yu Yi de 2015 e o protótipo da instalação dedicada aos refugiados que esteve recentemente em exposição em

Segundo Frémeaux, o festival recebeu uma resposta pessoal do presidente russo, Vladimir Putin, dizendo que o realizador "tem problemas com a justiça" e que nada pode fazer, "porque os tribunais são independentes". "Summer" conta a história do músico Víktor Tsoi, um dos nomes do rock soviético, que morreu em 1990, mas para a produtora Ilya Stewart, tudo o que Serebrennikov

Hong Kong, “Law of the Journey” de 2017.

ACONTECIMENTOS REPETIDOS

Este é o segundo estúdio do artista e dissidente destruído pelas autoridades chinesas, depois de em 2011 o seu espaço em Xangai ter tido o mesmo destino. É de salientar que o artista de 61 anos reside actualmente em Berlim. Zuoyou, era descrito por Ai Weiwei como uma "fábrica socialista ao estilo da Alemanha de Leste", uma vez que tinha albergado uma oficina de automóveis.

NA DISSIDÊNCIA

O artista, que participou no projecto do Estádio Olímpico de Pequim em 2008, é conhecido por se opor ao regime. Esta oposição valeu-lhe a condenação a prisão domiciliária, na China, entre 2011 e 2015, ano em que recuperou o passaporte e se mudou para a Alemanha, onde estabeleceu um estúdio em Berlim. O trabalho de Ai denuncia as violações dos direitos humanos

A demolição foi feita sem que tivesse qualquer conhecimento ou notificação prévia por parte do Governo. “Hoje, começaram a demolir o meu estudio ‘Zuoyou’, em Pequim, sem me prevenir… Adeus”, refere o artista

faz "tem relação com a actualidade, seja no cinema ou no teatro". "Summer" concorreu à Palma d'Ouro e foi montado em casa do realizador em Fevereiro, sem qualquer contacto com o mundo exterior. A prisão domiciliária de Kirill Serebrennikov deveria ter terminado a 19 de Abril, o que lhe permitiria viajar para Cannes, mas, na altura, a justiça russa prolongou-a até 19 de Julho.

em todo o mundo, a crise por detrás do êxodo, a censura e a apatia através de vários materiais e plataformas, explicou o activista na inauguração da última exposição em Santiago do Chile, em Maio passado. Ai Weiwei teve apenas uma exposição autorizada no continente em 2015. A mostra em apreço era composta por uma instalação, exposta no 798, que reconstruía um templo em ruínas.

AGORA É DE VEZ

Não é a primeira vez que o bairro artístico corre perigo. Esteve sob ameaça de destruição ao longo de vários anos, mas em Maio de 2011 o Governo optou pela sua preservação. Na altura, já era um marco do panorama artístico e arquitectónico da capital. Preservando a estrutura de uma aldeia, Caochangdi mantinha-se um espaço conhecido pela sua singularidade e dinamismo silencioso, à margem do frenesim comercial. No entanto, estes dias estão contados. A demolição acontece depois das autoridades de Pequim terem notificado algumas das galerias e estúdios daquele bairro da capital que Ai Weiwei também ajudou a construir. De acordo com o site “Artforum”, galerias como a De Sarthe e a X Gallery, por exemplo, foram avisadas que teriam 13 dias para se relocalizarem. Caochangdi Art District é um dos vários bairros artísticos localizados na zona norte de Pequim e que vai ser alvo de um plano de intervenção do Governo ainda desconhecido. Sofia Margarida Mota (com agências) sofia.mota@hojemacau.com.mo

CINEMA NUNO ROQUE ESTREIA-SE EM FRANÇA

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artista português Nuno Roque, que entrou em várias óperas em França, vai estrear-se no cinema francês no filme “Les Bonnes Intentions”, do realizador Gilles Legrand, com participação da actriz Agnès Jaouï. O filme vai ter antestreia no Festival du Film Francophone de Angoulême, a 24 de Agosto, e vai chegar às salas francesas de cinema a 21 de Novembro e às portuguesas a 17 de Janeiro. O português desempenha o papel de um jovem autista brasileiro numa comédia dramática que conta a história de uma professora de francês, interpretada por Agnès Jaouï, determinada em conseguir que o seu grupo de sete alunos imigrantes passe no exame do código da estrada. “Foi interessante. A Agnès [Jaouï], eu conhecia bastante bem o trabalho dela, tinha a impressão de que nos íamos dar muito bem e demo-nos muito bem. Ela fala português, ela canta em português, é uma boa companheira de trabalho. O realizador é uma pessoa muito atenta, cuida bem da sua equipa e tive bastante sorte porque ouço dizer, por aí, que é muito raro”, contou Nuno Roque à agência Lusa. Entrar num filme francês “pela primeira vez” não foi fácil, devido a uma “certa resistência” contra os actores portugueses. “Não há nenhum português que seja extremamente chamado. Por exemplo, há vários actores espanhóis, há vários actores alemães que tu vês constantemente nos filmes e, às vezes, ainda há um bocado essa resistência de: ‘Só chamaremos um português quando for para fazer alguma coisa em português’”, testemunhou. Paralelamente, Nuno Roque, de 30 anos, está a realizar a sua primeira curta-metragem, que descreve como “um filme manifesto artístico”, que só deverá estar pronta em 2020. “É quase um filme manifesto artístico. É um filme em que eu interpreto quatro personagens diferentes. É um filme estético que está a ser rodado integralmente dentro de um estúdio, não há nenhuma imagem de um lugar real. É um pouco como os velhos filmes de Hollywood, que eram todos rodados dentro de um estúdio”, explicou.


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6.8.2018 segunda-feira

COMÉRCIO PEQUIM VOLTA A AMEAÇAR ESTADOS UNIDOS COM TARIFAS

Escalada de tensões A China disse estar pronta para aplicar tarifas de 60 mil milhões de dólares (cerca de 52 mil milhões de euros) aos Estados Unidos, caso aquele país avance com taxas alfandegárias aos produtos chineses

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M causa estão 5.207 produtos norte-americanos como café, mel e químicos industriais - aos quais serão aplicadas tarifas que rondam os 60 mil milhões de dólares, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério das Finanças chinês. Esta é a resposta da República Popular da China à eventual imposição de taxas sobre produtos chineses, num valor que pode alcançar os 200 mil milhões de dólares (172 mil milhões de euros). Acusando a presidência norte-americana de Donald Trump de prejudicar a economia mundial com tais tarifas, a tutela das Finanças chinesa nota que “a China é forçada a apresentar contra-medidas”. O Ministério das Finanças

chinês admite, por isso, “tarifas de retaliação de 25 por cento, 20 por cento, 10 por cento ou 5 por cento”, que avançam caso a administração dos Estados Unidos “persista em colocar as suas ideias em prática”.

PANELA DE PRESSÃO

Na quarta-feira, o Governo de Pequim vincou que as tentativas de chantagem e pressão dos Estados Unidos sobre a aplicação de taxas alfandegárias aos produtos chineses nunca “vão funcionar”. “A chantagem e a pressão dos Estados Unidos nunca vão funcionar com a China e se foram tomadas medidas que piorem a situação nós iremos aplicar contra-medidas para que possamos manter os nossos direitos e

interesses”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Geng Shuang. “Pensamos que os conflitos comerciais devem resolver-se

O Ministério das Finanças chinês admite “tarifas de retaliação de 25 por cento, 20 por cento, 10 por cento ou 5 por cento”, que avançam caso a administração dos Estados Unidos “persista em colocar as suas ideias em prática”

TECNOLOGIA ALIPAY É A MARCA MAIS VALORIZADA, À FRENTE DO WECHAT E DA HUAWEI

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serviço de pagamento digital Alipay, da gigante chinesa do comércio electrónico online Alibaba, foi eleita a marca mais valorizada pelos consumidores chineses, à frente do Wechat e da Huawei, de acordo com um estudo da consultora britânica YouGov. A consultora britânica analisou a percepção que os clientes da potência asiática têm sobre

várias marcas, nacionais e internacionais, tendo em conta fatores como a qualidade, valor acrescentado, reputação, satisfação de utilização e se recomendariam ou não o produto. Nos três primeiros lugares ficaram marcas chinesas. Em segundo lugar ficou o Wechat. Criado em 2011 pelo gigante chinês da Internet Tencent, o Wechat

com conversações e negociações. Os nossos esforços e a nossa sinceridade estão à vista de todos”, acrescentou. Fontes próximas da administração norte-americana indicaram na

atingiu recentemente mil milhões de perfis de utilizadores. Aquela aplicação, que une as funções de rede social e carteira digital, é usada no país asiático para fazer compras, através da leitura do código QR, chamar um táxi, apanhar o metro, ou pagar luz e água ou impostos. A gigante chinesa de telecomunicações Huawei, que no segundo trimestre deste ano se tornou a segunda maior vendedora de telemóveis do mundo, atrás da Samsung, é a terceira marca mais valorizada. Em 2017, a gigante chinesa de telecomunicações obteve lucros de cerca de 6,130 mil milhões de euros.

terça-feira que os Estados Unidos pretendem estabelecer taxas alfandegárias de 25 por cento sobre as exportações chinesas, o que pode vir a totalizar um valor correspondente aos 200 mil milhões de dólares. “O diálogo deveria ter como base a confiança mútua e a igualdade, estabelecendo regras e credibilidade porque as ameaças unilaterais e a pressão são contraproducentes”, frisou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim.

TUFÃO PELO MENOS 88 MIL PESSOAS RETIRADAS DE XANGAI

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ELO menos 88 mil pessoas foram deslocadas de Xangai para abrigos temporários e mais de cem voos foram cancelados nos dois aeroportos da cidade devido à passagem do tufão Jongdari, informaram as autoridades chinesas. O prefeito da cidade, Ying Yong, disse que o tufão Jongdari terá mais impacto do que o Typhoon Ampil, que há duas semanas obrigou à retirada de 220 mil pessoas, mas cuja passagem acabou por não causar grandes danos. Até à noite de quinta-feira, cerca de 88 mil pessoas haviam sido deslocadas para abrigos temporários. O transporte ferroviário Jinshan-Xangai foi suspenso e também o transporte de água nos distritos de Chongming e Pudong. A autoridade de transporte da cidade mobilizou 840 autocarros para operar rotas

temporárias no caso de suspensão da circulação do metro, que ainda não foi cancelado, mas cuja velocidade foi reduzida. A Comissão de Educação de Xangai ordenou que as escolas suspendessem todas as actividades ao ar livre e actividades de Verão, enquanto mais de cem parques da cidade foram fechados. De acordo com as autoridades de aviação, nos dois aeroportos de Xangai, Hongqiao e Pudong, pelo menos 151 voos foram cancelados e o controlo de tráfego aéreo emitiu o alerta vermelho de alto nível. O Serviço Meteorológico de Xangai elevou o alerta de tufão para o nível amarelo na quinta-feira, o terceiro mais alto no sistema de alerta de quatro níveis. No entanto, nos distritos costeiros de Jinshan, Chongming, Fengxian e Pudong foi emitido o alerta laranja, o segundo mais grave.


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segunda-feira 6.8.2018

INTERNET AUTORIDADES ELIMINAM VÍDEOS, MÚSICA E CONTEÚDOS PRÓ-FASCISTAS

Região

Nem para maiores de idade

Entre titãs

População da Índia irá ultrapassar a da China em 2022

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população da Índia deverá ultrapassar a da China, actualmente o país mais populoso do mundo, no ano de 2022, de acordo com novos dados divulgados pelo Banco Mundial. “A China, com 1,4 mil milhões de habitantes é o país mais populoso do mundo em 2017. No entanto, a Índia, segundo país mais populoso, com 1,3 mil milhões de pessoas, deverá superar a população da China até 2022”, revelam dados do Banco Mundial, disponíveis no portal da instituição sobre saúde, nutrição e população mundial, através de gráficos e tabelas que apresentam previsões até 2050. Em 2022, as previsões indicam que a população da Índia será de 1.411.415.000 enquanto a China terá 1.404.652.000 habitantes. Segundo os dados, a taxa de fertilidade da China diminuiu drasticamente desde a década de 1970. Os dados também indicam que, embora o México e o Japão tenham população semelhante (129 milhões e 127 milhões, respetivamente) em 2017, as estruturas etárias desses países parecem muito diferentes. As pirâmides populacionais dos dois países mostram que a população do México é muito mais jovem do que a do Japão. O México tem mais jovens e o Japão tem mais idosos. A população com mais de 65 anos aumentou rapidamente desde os anos 90 no Japão. No entanto, a população com mais de 65 anos no México deverá exceder 10 milhões em 2020 e aumentar de forma constante. Estima-se que as diferenças na população com idades entre 65 anos ou mais entre o Japão e o México diminuam até 2050.

As autoridades chinesas eliminaram milhares de arquivos de vídeo e música online e estão a investigar obras “que promovem o fascismo e o militarismo”, informou o Ministério da Cultura e Turismo, em comunicado

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ministério removeu 4664 produtos musicais online, mais de cem mil vídeos e 4.300 comentários de utilizadores por “infracções” genéricas e ordenou a 18 plataformas de música online a realização de “inspecções” ao seu conteúdo para que se autocensurem. A mesma entidade ordenou às autoridades culturais do município de Pequim, bem como às das províncias de Zhejiang e Guangzhou para investigarem casos de “obras musicais online que glorifiquem o fascismo e o militarismo”. A campanha chinesa visa “regular a ordem comercial do mercado de cultura online e investigar aqueles produtos culturais online que contêm conteúdo vulgar”. Nesta última acção foram eliminados conteúdos de alguns dos fornecedores mais populares do país, como QQ Music, ou as páginas Douyin e Kuaishou que permitem aos utilizadores carregar e partilhar vídeos.

ALÉM DA SUGESTÃO

Por outro lado, 11 empresas de banda desenhada online retiraram

da internet 977 obras e 167 histórias. Alguns meios de comunicação estatais já tinham acusado algumas dessas empresas de divulgarem “imagens sexualmente sugestivas” e até mesmo “conteúdo incestuoso”, de acordo com o jornal China Daily. O ministério acrescentou que vai reforçar a supervisão sobre os operadores para os obrigar a tomarem “medidas fortes” contra o conteúdo pornográfico, vulgar, violento e pouco ético, assim como contra todos aqueles que incitem ao crime. Na semana passada, a China tinha lançado uma campanha contra 19 aplicações de vídeo, incluindo Bilibili e Miaopai, populares entre os adolescentes, que acusou de difundir conteúdo “obsceno, violento ou pornográfico”, bem como de “promoverem informação distorcida”. A acção resultou no encerramento definitivo de três aplicações e a retirada da Bilibili por um mês da loja de aplicativos Android. A campanha é liderada pela Administração do Ciberespaço da China que tem desde quarta-feira um novo responsável, Zhuang Rongwen.

NÚMEROS DA SAÚDE

O ministério acrescentou que vai reforçar a supervisão sobre os operadores para os obrigar a tomarem “medidas fortes” contra o conteúdo pornográfico, vulgar, violento e pouco ético, assim como contra todos aqueles que incitem ao crime

Direitos Humanos Crítico do Governo desaparecido após entrevista O paradeiro de um ex-professor chinês crítico do Governo de Pequim permanece desconhecido, dois dias depois de a polícia chinesa ter interrompido uma entrevista de rádio com a Voice of America, emissora internacional financiada pelos Estados Unidos. Sun Wenguang estava a falar para a estação de rádio na noite de quarta-feira quando polícias entraram

no seu apartamento na cidade de Jinan, no leste do país. “Eu tenho a minha liberdade de expressão”, exclamou antes de cair a ligação. A Voice of America informou que o professor não respondeu a várias tentativas de contacto. Ex-professor de física, Sun Wenguang, de 84 anos, foi detido várias vezes pelas suas críticas à liderança comunista chinesa.

No que toca à saúde, o estudo refere, por exemplo, que as mulheres são mais vulneráveis ao VIH do que os homens, especialmente na África Subsaariana. Em 20 países da África Subsaariana, mais de 60 por cento da população afectada pelo VIH são mulheres. Em outras regiões, menos da metade da população afectada pelo HIV são mulheres (sul da Ásia: 33 por cento, América Latina e Médio Oriente: 38 por cento). Segundo o Programa das Nações Unidas para o Combate ao VIH/Sida (UNAIDS), factores estruturais, comportamentais e biológicos estão a aumentar o risco de infecção pelo VIH entre as mulheres. Os dados indicam que há mudanças na causa da morte em países de baixo rendimento nos últimos 16 anos. Em países de alto rendimento, a maioria das mortes é causada por doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas e AVC, enquanto a maioria das mortes em países de baixo rendimento é causada por doenças transmissíveis.


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Toma-me, ó noite eterna, nos teus bracos ´ E chama-me teu filho Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Antes de se pintarem paisagens

G

IOTTO di Bondone (C.1267-1337) viveu num tempo e num lugar em que se aproximavam grandes transformações na sociedade europeia. Quando, cerca de 1304-06, pintou a fresco na parede da capela degli Scrovegni em Pádua, ao compor o tema «A deposição de Cristo», para além da modelação das figuras, como em todas as outras cenas representadas, introduziu um extraordinário factor novo: rompendo com a tradição de mostrar figuras contra um fundo preferencialmente dourado e resplandecente, toda a cena decorre diante de uma paisagem rochosa onde nem falta uma árvore. A atenção à natureza circundante coincidiria com a

placas gravadas em pedra do seu túmulo. Se Yan Liben era ainda um pintor às ordens de um soberano, como qualquer outro serviçal, Zhang Yanyuan sublinha numa anedota o carácter inconformado do artista: convocado subitamente pelo imperador para pintar um pássaro raro num lago, o pintor ficou de tal modo mortificado por ser reconhecido apenas pela sua habilidade, em detrimento dos seus porfiados estudos, que terá prevenido o seu filho para nunca se dedicar à arte da pintura. A questão persegui-lo-ia quando, depois de sucessivos postos nobiliárquicos, ao alcançar a posição de chanceler, foi escrito em seu detrimento que, se outros conquistaram o cargo por feitos de bravura em campo

A atenção à natureza circundante coincidiria com a crescente presença humana nos quadros dos posteriores pintores do Renascimento, quer em frescos quer em telas crescente presença humana nos quadros dos posteriores pintores do Renascimento, quer em frescos quer em telas. Mas pintar a fresco dentro de templos foi um facto também durante a dinastia chinesa dos Tang (618-906). No decurso de uma breve perseguição ao Budismo em 845, o crítico e coleccionador Zhang Yanyuan (810?-880?) lamentaria a destruição de pinturas murais da autoria de alguns dos nomes que se tornariam referências da História da pintura, «glórias de todos os tempos», como Li Sixun ou Wu Daozi. Entre eles estava Yan Liben (c. 600-673) que trabalhou para o imperador Taizong (r.627-49), em Changan, que lhe encomendou entre outras, a pintura dos seus favoritos cavalos de guerra, que se tornariam os modelos para as

de batalha, no deserto, ele conquistara o cargo pela fama de uma pintura. Yan Liben pintava retratos, cavalos, figuras isoladas, só depois viriam as paisagens. O dia chegaria em que o pintor Mi Fu (1051-1107) nomeado para um cargo na província, em vez de se apresentar ao seu superior hierárquico como mandava a etiqueta, foi apresentar-se a um rochedo famoso por suas formas extravagantes. Dentro de poucos anos os pintores escolheriam a paisagem como modelo principal. Notar-se-á então a coincidência de como, na antemanhã da generalização da pintura de e com paisagem, o caminho do pintor na sua atenção à natureza, alcançaria não apenas o respeito dos seus contemporâneos mas restituiria, como num espelho, ao homem a sua dignidade.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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KEVIN ZOLLMAN

Ofício dos ossos Valério Romão

A

S redes sociais vieram revolucionar a forma como fazemos negócios, como acedemos à informação ou como ouvimos música. Mas acabaram por mudar, ainda que mais subtil e gradualmente, a forma como nos relacionamos. Por um lado, alargaram o campo de possibilidades: a nossa presença online permite-nos não depender do corpo e da sua geografia existencial para encetar ou manter contacto com alguém. Habituámo-nos a dispor de duas formas de apresentação distintas: no Facebook (e restantes redes sociais) e pessoalmente. Uma não exclui nem complementa a outra. São dois mundos que – embora por vezes se possam sobrepor – têm uma existência perfeitamente independente. Esta adjudicação mais ou menos involuntária de um património alargado de conhecimentos virtuais não acontece sem um acréscimo de ansiedade da nossa parte. De repente, este “outro mundo” passa a exigir-nos uma atenção existencial: há toda uma série de comportamentos e de reacções digitais que

Um adeus invisível nos convidam a estar atentos e a interagir. Seja na apreciação do conteúdo que os outros colocam na rede, seja na análise do modo como os outros reagem ao que fazemos online. Este mundo fosforescente não é – ainda – um substituto da realidade física e do leque de estímulos e perspectivas que esta possibilita. É antes um faz-de-conta assaz elaborado que nos permite ter uma presença social semi-velada, semi-comprometida de que podemos dispor sem o receio de que as nossas escolhas tenham as consequências que estas costumam ter no “mundo real”. Mas esta vida dupla não acarreta somente a ansiedade da notificação. Traz também o conforto de ter sob a alçada

dos polegares um conjunto de situações no formato da disponibilidade. Se fulano não pode sair hoje há sempre sicrano ou beltrano – e, coincidência, até estão online; se a mulher ou homem com quem estou decide, por algum motivo, deixar-me, não fico refém da minha limitada geografia existencial para suprir as necessidades que uma relação colmata. Mas nem precisamos de chegar ao limite supra-enunciado: o próprio balancete a que estão sujeitas todas as relações – e que lhes determina o futuro – é afectado pela aparente amplitude de possibilidades que o virtual dispõe sobre o tecido do tempo. A paciência para solucionar as fricções que necessariamente advêm do contacto continuado entre duas pes-

De repente, este “outro mundo” passa a exigir-nos uma atenção existencial: há toda uma série de comportamentos e de reacções digitais que nos convidam a estar atentos e a interagir

soas é menor; a disposição para fazer as mudanças que permitem aumentar o grau geral de tolerância numa relação diminuem. Tudo o que é difícil parece ou fica mais difícil. Desde logo, encetar ou terminar uma relação parecem ser os únicos momentos em que as coisas são mais fáceis que dantes. Ghosting é a palavra escolhida para o fenómeno que consiste em determinado sujeito eclipsar-se numa relação. É o equivalente contemporâneo a “ir comprar tabaco” e a forma mais eficiente de alguém se ver livre de um compromisso sem as consequências que advêm de verbalizá-lo. Sem conversas, sem justificações, sem lágrimas. A forma como já tínhamos higienizado da morte da vida contemporânea estendeu-se agora aos finais de relação. Para quê perder tempo e apanhar uma camada de nervos quando dispomos do silêncio para anunciar a nossa saída de cena? No máximo um “não sei o que te dizer” ou “deixo-te as chaves” e o outro que resolva as ambiguidades de sentido. É fácil. É tudo fácil.


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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES DOS CONTABILISTAS Aviso Faz-se público, em conformidade com deliberação da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, de 31 de Julho de 2018, e nos termos do disposto no nº 1 do artigo 18º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei nº 71/99/M, de 1 de Novembro, no nº 1 do artigo 13º do Estatuto dos Contabilistas Registados, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, bem como do disposto no ponto 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que nos dias 24 de Novembro, 1 e 8 de Dezembro do corrente ano, irá realizar-se a prestação de provas para inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas. 1. Prazo, local e horário de inscrição  Prazo de inscrição: De 6 de Agosto a 17 de Agosto de 2018  Local de inscrição: Instalações da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, no 1º andar do “Centro de Recursos da Direcção dos Serviços de Finanças”, sito na Rua da Sé, n.º 30, em Macau.  Horário de inscrição: De 2ª a 5ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h45 6ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h30 2. Condições de candidatura Auditores de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como Auditores de Contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto. Contabilista registado e técnico de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como contabilistas registados ou técnicos de contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido com o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto. 3. Local de levantamento do boletim de inscrição O boletim de inscrição, os esclarecimentos relativos à prestação de provas, o regulamento das provas e as regras da prestação de provas relativas aos candidatos e conteúdo das provas podem ser obtidos no sítio da internet da Direcção dos Serviços de Finanças, no local relativo à CRAC (www.dsf.gov.mo) ou levantados nos seguintes locais: 1) Instalações da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, no 1º andar do “Centro de Recursos da Direcção dos Serviços de Finanças”, sito na Rua da Sé, n.º 30, em Macau. 2) Rés-do-chão do Edifício da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande n.ºs 575, 579 e 585; 3) Centro de Serviços da RAEM, Rua Nova de Areia Preta N.º 52; 4) Centro de Atendimento Taipa, Rua de Bragança, Nº 500, R/C, Taipa. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995342, ou através do e-mail crac@dsf.gov.mo. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 31 de Julho de 2018.

O Presidente da CRAC Iong Kong Leong

Abertura do prazo de candidatura para a Bolsa de Mérito Especial Prazo de candidatura 6 a 24 de Agosto de 2018 Requisitos de candidatura 1. Ser residente permanente da RAEM; 2. Ter completado, cumulativamente, três anos de frequência no ensino não superior nas escolas primárias ou secundárias, públicas ou privadas, ou no ensino superior nas instituições do ensino superior na Região Administrativa Especial de Macau; 3. Frequentar curso de licenciatura, em regime de frequência obrigatória e a tempo inteiro, em instituição de ensino superior constante no ranking mundial das universidades publicado pelo jornal britânico TIMES; 1) Podem candidatar-se à bolsa os estudantes que frequentem qualquer curso nas universidades classificadas dentro das 100 melhores no ranking mundial; ou 2) Podem candidatar-se à bolsa os estudantes que frequentem os cursos especificados nas universidades classificadas até ao 50.º lugar do ranking mundial, por áreas dos cursos, e apenas serão aceites os estudantes que frequentem os cursos especificados nestas universidades. 4. Frequentar curso de licenciatura, em regime de frequência obrigatória e a tempo inteiro, numa das instituições de ensino superior classificadas dentro das 10 melhores de outros rankings mundiais de reconhecido mérito, carecendo, no entanto, de apreciação e aceitação da Fundação Macau. Para mais informações, queira consultar o website da Fundação Macau: www.fmac.org.mo Apresentação de candidatura e consulta Endereço: Avenida de Almeida Ribeiro, nºs 61-75, Circle Square, 7ºAndar, Macau Telefone: 87950920 / 87950966 E-mail: db_info@fm.org.mo Horário de expediente: De segunda a quinta-feira, 9H00—13H00, 14H30—17H45; À sexta-feira, 9H00—13H00, 14H30—17H30.

INSCRIÇÕES PARA AS PROVAS DO SUNCITY GRUPO 65.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU

Início das inscrições: 13 de Agosto de 2018 Fim das inscrições: 7 de Setembro de 2018 Em relação aos Regulamentos Desportivos das corridas, por favor consulte a Página Electrónica do Grande Prémio de Macau: www.macau.grandprix.gov.mo Local das inscrições: Associação Geral de Automóvel de Macau - China Avenida da Amizade Edf. Grande Prémio de Macau R/C Horário de funcionamento: De Segunda-feira a Sexta-feira, das 09:30h às 13:00h, 14:30h às 18:30h. (excepto aos Sábados, Domingos e feriados Públicos) Para mais informações poderá ligar para o seguinte número de telefone: (853) 28726578

Aviso Publicação da lista de bolseiros às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo de 2018/2019 A lista de bolseiros às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados, do ano lectivo de 2018/2019, está afixada no Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, 7.o andar), e no Centro dos Estudantes do Ensino Superior, do GAES (Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, 68-B, Edifício Va Cheong, r/c B, Macau, em frente à paragem de autocarros do Jardim Lou Lim Ioc). Além disso, para consultar esta lista, pode aceder à página electrónica (www.gaes.gov.mo/ctabe), da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados. Pelos interessados podem ser interpostos recursos contenciosos, dentro do prazo de trinta dias a contar do dia seguinte da publicação da referida lista. Macau, aos 6 de Agosto de 2018. O Presidente Sou Chio Fai


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18 (f)utilidades TEMPO

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” 25 Grande Praça – MGM | Até 9/9

9 2 3 1 4 6 7 8 5 7 3 2 9 1 6 4 1 8 7 5 9 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” 4 7do Boi2| Até69/9 5 8 3 Armazém 3 6 8 9 1 2 4 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” 1| Até99/9 7 3 4 8 Art5 Garden 2 3 5 4 9 1 6 EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” 7 das8Ofertas 4 sobre 2 a6Transferência 3 5 Museu de Soberania de Macau | Até 7/8 1 9 6 5 8 7 2 EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9

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O CARTOON STEPH 28

9 8 2 5 1 6 7 4 3 4 7 5 2 3 8 1 6 9 6 3 1 4 7 9 5 2 8 7 2 9 8 4 3 6 1 5 3 6 4 1 2 5 8 9 7 1 5 8 9 6 7 2 3 4 5 1 6 7 9 4 3 8 2 8 9 3 6 5 2 4 7 1 “MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” 2 4 7 3 8 1 9 5 6 MAM | Até 26/8

7 3 2 6 1 8 4 5 9

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29 Cineteatro 1 8 4 9 C 6I 5N 2E7M3

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DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 14.30, 16.30, 19.30

ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com; Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, Don Lee 21.30 SALA 2

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B]

Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.30, 18.00, 21.00 SALA 3

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7 8 5 2 5 1 7 8 6 9 2 4 3

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9 2ATTENBOROUGH 1 7 5 |8 GANDHI, RICHARD 19823

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A

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3 44 1 9 8 2 75 36 6 8 9 3 7 5 51 2 7 57 5 2 6 4 1 3 8 6 34 1 5 8 2 73 9 7 2 7 23 4 19 6 8 65 79 6 8 1 5 87 12 4 65 2 4 97 1 9 6 53 4 8 9 16 82 3 4 7 21 11 33 7 55 66 8 4 9 PROBLEMA 29

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4 6FILME 3 9 5HOJE 8 1 UM

9 5 2 1 4 “Alguns 8 1homens 7 2mu-6 dam os seus tempos. Um 1 homem 8 6mudou 7 o2 mundo para sempre.” 2a partir 4 9 Foi desta3 pre-8 missa que o conhecido 3 e7realizador 5 6Ri-1 actor chard Attenborough 6 3 1 4 7 contou a história de Mahatma 7 9 Gandhi, 8 5ac-3 tivista pela independência 5 2indiana. 4 8Ao9 longo de mais de três

7 3 4 5 9 2 6 1

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S U D O K U

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 28

CHRISTOPHER ROBIN SALA 1

8 5 1 9 4 3 7 2 6

A28 situação foi relatada por Albano Martins, há edifícios industriais que estão a ser utilizados como dormitórios dos casinos. Caso se prove a veracidade das declarações, isto mostra bem o que é o Governo de Macau. Com dinheiro tudo se faz. Quando, há alguns tempos, houve associações de artistas que queiram realizar as suas actividades em edifícios industriais, o Governo não permitiu, alegando que poderia haver risco para as pessoas. Em causa estava, por exemplo, a possibilidade de haver incêndios que poderiam colocar em risco os artistas e os espectadores das eventuais actividades. Houve também várias PMEs que tentaram começar a operar nesse tipo de construções, e sem levarem uma nega directa, foram-lhes 30 pedidas mais e mais licenças por parte do Executivo... até que, finalmente, desistiram com prejuízos acumulados. Alguns desses negócios proporcionavam inclusivamente espaços agradáveis para as famílias. Agora, Albano Martins vem referir que existem dormitórios de casinos a funcionar em edifícios industriais. Não será surpreendente que sejam espaços com poucas condições e cheios de trabalhadores não-residentes... Mas neste caso, parece que a segurança já não é uma preocupação. Mais uma vez, e como em tantas outras, os que têm dinheiro tudo podem, os outros... Paciência e rezem para que não aconteça nenhum desastre. João Santos Filipe

4 1 1 6 7 5 3 2 2 8 9

9 7 5 4 1 8 6 3 2

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DUAS MEDIDAS 32

4 2 55 6 68 7 1 33 9 1 3 2 5 4 66 8 37 6 48 3 99 51 24 2 8 95 87 41 36 2 3 9 6 9 4 5 53 8 2 77 52 83 91 67 4 9 5 6 5 7 72 9 41 3 8 4 8 1 4 9 8 2 46 7 5 2 3 78 36 84 7 95 9 1 29

16.8.2018 7segunda-feira 4 6 9 9 5 6 8 5 0.24 YUAN 1.18 7 1 8 4 8 3 1 VIDA DE2CÃO 9 8 1 7 DOIS PESOS, 9 3 2

4 3 1 5 1 7 2 7 1 6 9 5 8

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horas, o espectador tem a oportunidade de acompanhar a vida do homem que através de meios pacíficos personificou o activismo pelos direitos humanos ao ponto de ser tornar num ícone da história mundial. João Santos Filipe

CHRISTOPHER ROBIN [A] Um filme de: Marc Forster Com: Ewan Mcgregor, Hauley Atwell, Bronte Carmichael 14.30, 19.30, 21.30

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B] Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 16.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 6.8.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

Milhões BARRELS OF MONE, VICTOR DUBREUIL

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QUILO que separa o homem do servo. A abundância numérica dos vitoriosos, a aritmética que define quem manda nisto tudo, que separa o ouro do joio, porque cereal e mercadorias são relíquias de mercados ancestrais. Sou o denominador comum a todos os poderes, a escala decimal que torna tudo possível. Nada funciona com centavos, a unidade da miséria, a identidade cambial dos ratos que se banqueteiam com as migalhas que caem das nossas mesas. Nada alguma vez será erigido com centavos. Podem esquecer outro hospital, sistema de metro, rede de esgotos e tratamento de águas residuais digno do grau civilizacional que os países médios atingiram há muito tempo. Objectivos que não estão ao alcance dos centavos e que acabam por não ser prioridades absolutas dos milhões.

Entretanto, os centavos dormem em quartos húmidos, íntimos com o bolor e as pestes, ocupados com trabalhos que lhes permitem ficar à tona no imenso lago de milhões que é Macau, a sonhar com opulência distante, a fantasiar com as meninas que distribuem publicidade dos casinos, à espera que um golpe de sorte os empurre para o paraíso dos milhões. No outro lado do espectro, os milhões descansam nos paraísos onde não há impostos, coisa de pobre. Paraísos onde tudo se torna impessoal, onde os milhões gozam de anonimato, impessoalidade, onde ficam à margem a multiplicarem-se numa miríade de empresas offshore, em labirintos de quotas sociais que se dissipam por labirintos de opacidade até não serem de ninguém. Milhões elusivos, fugidios, ocultos, imperceptíveis apesar de estarem à vista de todos. Milhões de auto-geração, que se multiplicam espontaneamente, milhões que crescem na sombra, enquanto os centavos minguam

ao sol como peixe seco. Milhões que deixam o pendor para a barbárie acentuar-se, que tratam animais como evocações de tempos medievais. Milhões que não se atemorizam com a autoridade, com outros pequenos milhões de multa, mas que actuam quando sentem que a má publicidade chegue às flutuações bolsistas. Milhões que se juntam de forma natural, maniatados por quem sabe, seguindo aritméticas místicas que são a génese de impérios, que transformam homens em deuses. Os centavos, por sua vez, são pesados. São um fardo que verga as costas de quem os acumula em sacos e bolsos que se recheiam de fatiga. Metal pesaroso, que pouco vale, chocalhando miséria nos bairros mais modestos. Centavos e trocos que mais ninguém quer, que são lixo inútil para os que conseguem compor uma mesa diariamente sem esforço. Espalham-se centavos no chão e só o pobre os vê, só ele o detecta.

Os centavos dormem em quartos húmidos, íntimos com o bolor e as pestes, ocupados com trabalhos que lhes permitem ficar à tona no imenso lago de milhões que é Macau, a sonhar com opulência distante, à espera que um golpe de sorte os empurre para o paraíso dos milhões

Os milhões não são assim. Os milhões não têm peso, flutuam num vácuo existencial, dividem-se entre carteiras de acções, cartões vários, participações sociais, dividendos rachados, fracções de heranças, títulos de propriedade. Os milhões só quando estão em pânico se agregam num saco e mesmo assim não são tão pesados como um saco de trocos. Trocos são os sedimentos sólidos que restam das reacções económicas, o refugo, a escória da vida fatigante que se vai acumulando nos bolsos de quem gasta tudo o que amealha. Os milhões não veem a rua, não conhecem a luta diária de quem tem tecto incerto, os milhões não têm concepção das cruéis escolhas entre bens essenciais que os centavos têm de fazer. O quando se acumulam em biliões, os milhões olham para baixo para o patobravismo dos milhões inferiores, seus lacaios e assassinos. É por isso que os milhões olham para o mercado imobiliário como uma arena de arrendatários trapaceiros, animais sem escrúpulos. É por isso que os milhões olham para as inundações no Porto Interior como uma oportunidade de investir alguma caridade. É por isso que os milhões estarão para sempre em antagonismo com os centavos e numa relação que mestre e servo.


A imaginação é a visão da alma. Joseph Joubert

SUÍÇA VINTE PESSOAS TERÃO MORRIDO EM QUEDA DE AVIÃO

ISRAEL MILHARES PROTESTAM EM TELAVIVE CONTRA A LEI ESTADO-NAÇÃO

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ERCA de 20 pessoas morreram no acidente de um avião militar antigo, no sábado, no leste da Suíça, de acordo com informação ontem veiculada por meios de comunicação social suíços. O aparelho, um Junker JU52 HB-HOT, construído em 1939 na Alemanha, pertencia à JU-Air, fundada em 1982 por amigos da Força Aérea, referiu a agência de notícias ATS. O aparelho, que pode transportar 17 passageiros e três membros da tripulação, despenhou-se contra a vertente oeste do maciço Piz Segna, a uma altitude de 2.540 metros, no cantão de Grisons, leste da Suíça. Segundo o jornal diário suíço de língua alemã Blick, o avião estava cheio neste voo e o acidente terá resultado na morte das 20 pessoas. Depois de 24 horas do acidente, a polícia cantonal ainda não havia fornecido qualquer balanço. A polícia informou que cinco helicópteros participavam nas operações de salvamento e que o espaço aéreo por cima do local da catástrofe tinha sido fechado até domingo à noite. No site, a companhia JU-Air exprime “a sua profunda tristeza” e presta pesar aos “passageiros, aos membros da tripulação, às famílias e aos amigos das vítimas”, adiantando que os seus voos estão suspensos. A companhia refere ainda, no site um único acidente em 1987 no aeroporto de Coblence, no centro da Alemanha, do qual não resultou qualquer vítima. Um outro acidente de avião ocorreu no sábado de manhã no norte da Suíça quando um pequeno avião de turismo com um casal e duas crianças a bordo se despenhou numa floresta em Hergiswil, no cantão de Nidwald (norte) e incendiou-se imediatamente depois. Os socorristas não encontraram qualquer sobrevivente.

segunda-feira 6.8.2018

PALAVRA DO DIA

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Quem te avisa Diplomatas asiáticos instam Pyongyang a destruir arsenal nuclear

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IPLOMATAS asiáticos de topo pressionaram no fim-de-semana a Coreia do Norte para cumprir o seu compromisso de desmantelar totalmente o seu arsenal nuclear, numa altura em que há preocupações de que esteja a prosseguir os seus programas armamentistas. O ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Ri Yong Ho, por seu lado, atacou os Estados Unidos num fórum sobre segurança na Ásia, em Singapura, acusando-os de certas atitudes “alarmantes”, entre as quais “elevar mais ainda a sua voz para manter as sanções contra” a Coreia do Norte. Tais atitudes, disse Ri aos seus homólogos, poderão fazer com que um acordo com a Administração Trump, que engloba o compromisso de Pyongyang em proceder à desnuclearização total da Península da Coreia, “enfrente dificuldades”. A China e os Estados do sudeste asiático também foram

alvo de apelos, nas reuniões de Singapura, para concluírem rapidamente um pacto de não-agressão eficaz que possa ajudar a evitar possíveis confrontos no disputado mar do Sul da China. Ambas as partes anunciaram um acordo de princípio sobre um “código de conduta” regional que classificaram como um marco, após 16 anos de negociações esporádicas. O alarme relativo ao aumento do proteccionismo comercial, que os Governos asiáticos advertiram poderá impedir o crescimento económico, dominaram também as reuniões, com o Japão a exortar a rápida conclusão de um acordo de livre comércio entre os 16 Estados asiáticos que não inclua os Estados Unidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros filipino, Alan Peter Cayetano, afirmou que a aproximação entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, juntamente com a conclusão de

Indonésia Sismo de magnitude 7 abala ilha de Lombok

Um sismo de magnitude 7 abalou ontem a ilha indonésia de Lombok (sul), anunciou o instituto norte-americano de geofísica (USGS), admitindo responsáveis da Indonésia a possibilidade de um tsunami. O USGS adiantou que o sismo foi desencadeado a 10 quilómetros de profundidade e a 2,4 quilómetros a leste de Loloan, uma localidade no norte da ilha. Há uma semana um outro tremor de terra de magnitude de 6,4 causou 17 mortos e mais de 350 feridos naquela ilha turística situada a leste de Bali e dominada pelo vulcão Rinjani. A Indonésia está localizada no designado “anel de fogo do Pacífico”, área de grande actividade sísmica, que regista cerca de 7.000 sismos anualmente, a maioria moderados.

uma primeira versão do “código de conduta” para o mar do Sul da China são progressos, mas acrescentou que “como qualquer avanço em negociações diplomáticas, poderá levar a alguma coisa muito boa ou poderá levar a nada”. “Agora, o trabalho difícil está mesmo nos pormenores”, disse Cayetano à imprensa antes de iniciar um dia de reuniões entre os membros da Associação de Estados do Sudeste Asiático (ASEAN) e os seus parceiros Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul. Os chefes da diplomacia da ASEAN e os seus homólogos da China, Japão e Coreia do Sul instaram os Estados Unidos e a Coreia do Norte “bem como partes interessadas, a continuarem a trabalhar no sentido da obtenção de paz e estabilidade duradouras numa Península Coreana desnuclearizada”, de acordo informação a que a agência Associated Press (AP) teve acesso.

ILHARES de pessoas manifestaram-se este fim-de-semana em Telavive contra a lei do Governo que define Israel como “Estado-nação do povo judeu” e que limita aos judeus o direito à autodeterminação e que é considerada discriminatória para as minorias do país. Os participantes concentraram-se na praça Rabin após o final do ‘shabat’, o dia de descanso judeu, com milhares de pessoas a confluírem para o local e muitas agitando bandeiras israelitas ou da comunidade drusa, que liderou o protesto iniciado às 20h30 locais (01:30 em Macau) contra aquela lei. “Somos todos irmãos, somos todos iguais”, foi o lema dos organizadores, numa mobilização que alguns presentes apenas compararam aos grandes desfiles pela paz da década de 1990. O líder espiritual druso, xeque Muafak Tarif, foi um dos primeiros a discursar, seguido pelo general druso na reserva Amal Asad, que numa recente declaração na sua página na rede social Facebook considerou que Israel, sob a liderança do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, estava em risco de se tornar num “Estado de Apartheid”. Os líderes da comunidade drusa – com mais de 130 mil pessoas em Israel, que cumprem o serviço militar obrigatório e que sentem uma vinculação especial com o país – já interpuseram um recurso junto do Tribunal Supremo contra a lei, que classificaram de “acto extremo” de discriminação contra as minorias. Os drusos vivem sobretudo na Galileia, norte de Israel, falam árabe e professam uma fé derivada de um Islão muito heterodoxo. A lei Estado-Nação, com peso constitucional, que estabelece que apenas os judeus têm direito à autodeterminação em Israel, foi aprovada em 19 de Julho, desencadeando duras críticas das minorias israelitas, da comunidade internacional e de grupos judeus na diáspora.

Hoje Macau 6 AGO 2018 #4107  

N.º 4107 de 6 de AGO de 2018

Hoje Macau 6 AGO 2018 #4107  

N.º 4107 de 6 de AGO de 2018

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