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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 6 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4282

PORTUGUESES | XANGAI

PARTIDAS E CHEGADAS

hojemacau

GRANDE PLANO

O lugar das cinzas

PALESTRA

MEMÓRIAS DA PRAIA GRANDE EVENTOS

FUGITIVOS

DÚVIDAS EXISTENCIAIS PÁGINA 4

ANTÓNIO FALCÃO

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TIAGO ALCÂNTARA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

A construção de crematórios fora dos cemitérios foi aprovada, na passada sexta-feira, pelo Conselho Executivo. Embora não haja ainda uma definição concreta dos terrenos que podem vir a albergar um futuro crematório, o projecto, que data já dos anos 90, pode finalmente ir para a frente.

EDITORIAL

LISBOA SEM MORAL PARA DAR LIÇÕES SOBRE MACAU CARLOS MORAIS JOSÉ

PÁGINA 5


2 grande plano

Xangai, a maior cidade da China, é o grande centro financeiro do país e um destino para muitos portugueses, mas a volatilidade dos mercados também se estende aos emigrantes, que ora chegam, ora partem

C

ELSO Benídio chegou no dia anterior, enquanto Bruno Colaço parte após seis anos. São os extremos da comunidade portuguesa em Xangai, limitada pelas dificuldades em obter vistos e a fraca presença empresarial portuguesa. No Consulado-Geral de Portugal em Xangai, que cobre também as províncias vizinhas de Jiangsu, Zhejiang, Anhui e Jiangxi, estão registados cerca de 580 portugueses. Mas o próprio cônsul-geral Israel Saraiva admite que haja muitos que tenham partido sem avisar as autoridades. A comunidade estará mais perto das 300 pessoas, estima Bruno Colaço, um dos fundadores do Clube Português de Xangai. O número de portugueses registados no consulado estagnou desde 2017, coincidindo com um período em que a comunidade estrangeira em Xangai tem vindo a decrescer, diz Israel Saraiva. Uma das explicações, refere o diplomata, é a “questão complexa” dos vistos de trabalho para a China. No caso de Celso Benídio, a empresa suíça que contratou o especialista em tecnologia já investiu mais de mil euros para conseguir um visto. “Podes ser muito talentoso mas se não falas a língua a tua empresa tem que explicar muito bem porque

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EMIGRAÇÃO

METROPOLIS PORTUGUESES EM XANGAI, ENTRE O CHEGAR E O PARTIR

vai contratar um estrangeiro e não um local”, diz o português. “Temos visto esta dinâmica a acentuar-se, sobretudo nos últimos três anos”, confirma Bruno Colaço. O gestor lamenta que a comunidade esteja também limitada pela falta de uma diáspora empresarial na China. “Não há uma câmara de comércio e contam-se pelos dedos de uma mão o número de empresas portuguesas presentes efectivamente na China, com uma representação própria, um escritório e uma empresa legalmente estabelecida”, diz Bruno. “Embora haja promessas e mais promessas, o quadro regulatório da China permanece relativamente complexo, o que não tem criado facilidades para as empresas”, explica Israel Saraiva. Ainda assim, o cônsul acredita a pressão externa, nomeadamente da União Europeia, tem levado a novas leis que vão no sentido de “tornar o ambiente regulatório mais previsível e menos aleatório”.

MARCELO E A REVIRAVOLTA

Durante a visita oficial à China, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que existe "uma empatia" ao mais alto nível político nas relações luso-chinesas e pediu aos empresários que aproveitem este momento para "ir mais longe e ir mais depressa" nos negócios. As declarações foram proferidas, na semana passada, em Xangai, aquando da abertura de um seminário económico, perante empresários portugueses e chineses. "É um momento que não podemos desperdiçar. Porque há a memória de um conhecimento recíproco, uma capacidade de compreensão também singular, porque há uma confiança que se criou. E a confiança é crucial. Está criada a confiança, a todos os níveis", considerou. Segundo o Presidente da República, nas recentes visitas recíprocas entre titulares do poder político de Portugal e da China, "entre primeiros-ministros, como desde logo entre presidentes da República, nasceu uma empatia, renovou-se uma empatia". "O quadro hoje é um quadro de excelência nas relações políticas institucionais. E é um quadro de excelência na empatia pessoal", reforçou.

O chefe de Estado defendeu que "isso é importante" para as empresas, argumentando que "a empatia no quadro político institucional pode facilitar ou dificultar as relações empresariais". Dirigindo-se aos empresários dos dois países, deixou-lhes um desafio: "É ir mais longe e ir mais depressa, porque a velocidade neste tempo é outra, e não há vazios, os vazios têm de ser preenchidos. Não podemos perder um minuto. Não podem perder um minuto na concretização dos vossos projectos". "Foi essa a mensagem que quis aqui trazer com a minha presença.

“Podes ser muito talentoso, mas se não falas a língua a tua empresa tem que explicar muito bem porque vai contratar um estrangeiro e não um local. Temos visto esta dinâmica a acentuar-se, sobretudo nos últimos três anos.” BRUNO COLAÇO CLUBE PORTUGUÊS DE XANGAI

Quis dizer que, naquilo que depende dos presidentes, nós estamos presentes: está presente o Presidente Xi, estou presente eu. Naquilo que depende dos poderes políticos, estamos presentes. Agora, a vida não se faz nem só nem sobretudo com os poderes políticos, faz-se com as pessoas, faz-se com os empresários, faz-se com aqueles que criam riqueza", acrescentou.

OSCILAÇÕES DE NÚMEROS

Apesar dos discursos políticos, e face às dificuldades burocráticas de fixação na China, o número de portugueses em Xangai continua instável.


grande plano 3

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No terreno o resultado dessas dificuldades é uma comunidade portuguesa flutuante, composta sobretudo por estudantes e profissionais a trabalhar para empresas multinacionais, como é o caso do marido de Patrícia Dias. “A nossa estadia aqui não será para a vida, ele tem um contrato de quatro anos e depois logo se vê”, diz a enfermeira, que está a estudar acupuntura em Xangai. “Não é surpreendente que as pessoas estejam cá só um ano ou dois”, diz Israel Saraiva. “Estão integradas num projecto profissional, adquirem experiência, adquirem currículo e surge-lhes uma oportunidade noutro sítio, para porventura daqui a uns anos regressarem cá”, explica o cônsul. É o caso de Henrique Dias, que veio há um mês do Dubai para Xangai, após ter trabalhado anteriormente em Guangzhou. “Acredito mesmo que neste momento no mundo só a China e a Índia têm potencial para continuar a crescer”, explica o arquitecto.

ÍMAN DO YUAN

Apesar do recente abrandamento económico, a China continua a ser para muitos portugueses um lugar de futuro. “Quando se fala

“Embora haja promessas e mais promessas, o quadro regulatório da China permanece relativamente complexo, o que não tem criado facilidades para as empresas.” ISRAEL SARAIVA CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM XANGAI

de inovação em tecnologia, a China é a mais avançada em muitas áreas, nomeadamente aquelas viradas para o consumidor”, diz Celso Benídio. João Graça Gomes, bolseiro da China Three Gorges, accionista da EDP - Energias de Portugal, está também optimista. “Assim que eu anunciei no LinkedIn que ia começar a estudar na Universidade Jiaotong de Xangai, recebi logo duas ofertas de emprego na China de uma empresa norte-americana”, revela o investigador em energias renováveis. Ao ver o investimento chinês a chegar a Portugal, João já tinha

começado a aprender mandarim no Instituto Confúcio em Lisboa. E não é o único a encarar a língua chinesa como uma vantagem competitiva. A filha de Patrícia Dias, de nove anos, frequenta uma escola internacional em Xangai onde está a aprender mandarim, falado e escrito. Mesmo Henrique Dias garante que a filha, com apenas nove meses, irá no futuro aprender a língua chinesa. Entre chegadas e partidas, a maioria dos portugueses parece ter uma certeza, a de não ter planos para regressar ao país natal. “Aqui tenho a possibilidade de trabalhar no futebol de formação a tempo inteiro, o que não acontece em Portugal”, explica Rui Vitorino. “No nosso nível ninguém fica rico, mas dá-nos qualidade de vida”, diz o treinador dos sub-15 da zona de Yangpu. “Adorava contribuir para o meu país mas não necessariamente voltar”, diz Celso Benídio. “Agora, trabalhar para uma empresa portuguesa e estar focado em Portugal, isso não, de todo”.

METROPOLE EM EXPANSÃO

Hoje em dia, Xangai é um dos incontornáveis polos financeiros

numa época em que o centro de gravidade da economia global se desloca para o oriente. Xangai tem uma população de cerca de 24 milhões de habitantes e está previsto que até 2050 dê o salto demográfico para uma marca algures entre os 35 e os 45 milhões de habitantes. Importante referir que no contexto circundante do Delta do Rio Yangtze, se estima que o número de habitantes ascenda aos 200 milhões. A taxa de crescimento da cidade tem-se mantido estável e consistente desde a década de 1980, quando a população era

“Assim que eu anunciei no LinkedIn que ia começar a estudar na Universidade Jiaotong de Xangai, recebi logo duas ofertas de emprego na China de uma empresa norte-americana.” JOÃO GRAÇA GOMES BOLSEIRO DA CHINA THREE GORGES

menos de metade da actual. Apesar do crescimento do número de habitantes, Xangai soube reinventar-se para acompanhar este pulo demográfico. Por exemplo, a rede de metro da cidade, com comboios a circular em 12 linhas, é a mais extensa do mundo. Facto notável, principalmente se tivermos em conta que a primeira linha abriu apenas em 1993. Neste aspecto, importa referir que existem mais quatro linhas em construção, e cinco das existentes estão em expansão. Este exemplo é demonstrativo da forma como a cidade se soube equipar para fazer face ao salto demográfico. Actualmente, Xangai de uma taxa de crescimento de entre 700 a 800 mil pessoas por ano. Em termos comparativos, Toronto é o centro urbano que regista maiores taxas de crescimento demográfico na América do Norte e Europa, com uma taxa entre 100 a 125 mil por ano. Se a tendência continuar, estima-se que até 2025, mil milhões de pessoas vão viver nas grandes cidades chinesas.


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FUGITIVOS SULU SOU QUER EXPLICAÇÕES SOBRE ACORDOS COM PEQUIM

No segredo dos deuses

Sulu Sou está preocupado com violações aos direitos humanos de residentes de Macau que sejam entregues ao Interior da China. O deputado pró-democrata pede igualmente o acesso à proposta do Executivo de 2015, que acabou por ser retirada RÓMULO SANTOS

O PUB

COLÉGIO ELEITORAL CAECE ALERTA QUE CANDIDATURAS TERMINAM AMANHÃ MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 85/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor HUANG SHEHONG, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º W68327xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 144/DI-AI/2017, levantado pela DST a 06.06.2017, e por despacho da signatária de 16.04.2019, exarado no Relatório n.° 68/DI/2019, de 25.03.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 416, Edf. “Hot Line”, 4.° andar AB, Macau onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Abril de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

O

prazo de entrega da candidatura para participar nas eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo termina no próximo dia 7 de Maio, alertou a presidente da Comissão deAssuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE), Song Man Lei, na passada sexta-feira após mais uma reunião do organismo. Durante o encontro foi discutido o design do boletim de voto para as eleições do dia 16 de Junho. Para facilitar o processo de entrega de candidaturas os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) estiveram abertos durante o fim-de-semana. Até às 11h horas de sexta-feira, os serviços tinham recebido um total de 192 boletins de candidatura.

NOMES PORTUGUESES

Entretanto, já se conhecem alguns nomes que apresentaram a sua

candidatura, ligados à comunidade portuguesa. De acordo com a Rádio Macau, Jorge Neto Valente e Paulino Comandante candidatam-se pelo sector profissional. Neto Valente candidata-se enquanto representante daAssociação dosAdvogados de Macau. Já o também advogado Paulino Comandante é candidato pelaAssociação dos Investigadores, Praticantes e Promotores da Medicina Tradicional Chinesa. Mónica Cordeiro é a candidata da Associação do Pessoal de Enfermagem de Macau. O sector profissional pode ter 43 representantes no Colégio Eleitoral. Pelo sector do trabalho, que pode eleger 59 representantes, concorre Rita Santos, pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública. Um dos 50 lugares destinados ao sector social pode vir a ser preenchido pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia, António José de Freitas. Ambrose So é candidato pelo sector cultural enquanto representante do Clube Militar de Macau. Os candidatos precisam do apoio de, pelo menos, 20 por cento do total das associações do sector que representam. S.M.M.

deputado Sulu Sou está preocupado com o secretismo das conversações entre o Executivo local e o Governo Central sobre a transferência de fugitivos. Como tal, escreveu uma interpelação ao Executivo a pedir esclarecimentos. No texto revelado ontem, o pró-democrata alerta que a transferência de fugitivos pode representar uma ameaça ao Segundo Sistema, uma forma “disfarçada” de aplicar aos residentes de Macau o sistema judicial do Primeiro Sistema, razão pela qual quer garantias que os direitos humanos dos fugitivos vão ser respeitados. “Se as restrições na entrega de fugitivos e de pessoas forem levantadas e os cidadãos da RAEM forem enviados para o Interior da China sem critério, o sistema criminal do Interior da China vai começar a aplicar-se em Macau de forma disfarçada”, começa por realçar o deputado ligado à Associação Novo Macau. “Se este for o caso, vai verificar-se uma violação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e os direitos fundamentais, as liberdades e garantias não passarão de palavras num documento de papel”, é sublinhado. Sulu Sou destaca igualmente a falta de independência da Justiça do Continente, em que os tribunais estão subordinados ao órgãos po-

“Se as restrições na entrega de fugitivos e de pessoas forem levantadas [...] o sistema criminal do Interior da China vai começar a aplicar-se em Macau de forma disfarçada.” SULU SOU DEPUTADO

líticos. “Se olharmos para os governantes do Interior da China, e mesmo para as principais figuras do sistema judiciário, de certo em certo tempo enfatizam a responsabilidade política dos tribunais, assim como o controlo do Partido [Comunista] sobre os tribunais. Mas este princípio é contrário aos valores-chave dos tribunais de Macau, em que a independência é fundamental”, defende.

DIREITOS HUMANOS

O deputado pró-democrata exige que o Governo garanta que no caso de haver transferência de residentes de Macau para o Interior da China os seus direitos humanos são respeitados: “O princípio da protecção dos direitos humanos para a entrega de fugitivos está consagrado na Lei da Cooperação Judiciária em Matéria Penal. O Governo vai respeitar estes princípios nas futuras propostas legislativas e acordos relacionados com a cooperação judiciária?”, é questionado. No mesmo documento, o deputado cita também frases atribuídas a governantes de Pequim onde a independência dos tribunais é sempre rejeitada. Por isso, o deputado pergunta como podem ser dadas garantias que os direitos fundamentais vão ser respeitados e se sem independência dos tribunais no Interior da China faz sentido o Governo da RAEM considerar a transferência de fugitivos. Sulu Sou queixa-se ainda que já tentou por várias vezes sem sucesso aceder a proposta de lei de 2015 sobre este tema. O documento chegou a ser entregue à Assembleia Legislativa, mas depois foi retirado. Sulu Sou diz que o acesso foi negado por Ho Iat Seng, que justificou que os deputados só podem aceder às propostas de lei relacionadas com o corrente ano legislativo. Por sua vez, o Governo, citado na interpelação, considera que disponibilizar o conteúdo dessa proposta antiga “não é adequado”. Face a esta resposta, o legislador questiona o próprio Governo se este não estará a infringir as leis do território. Face à falta de resposta, Sulu Sou considera que o clima de “segredos” contribui para que a população fique mais preocupada com as discussões entre os dois governos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


política 5

segunda-feira 6.5.2019

CONSELHO EXECUTIVO LUZ VERDE PARA CREMATÓRIOS FORA DE CEMITÉRIOS

Cinzas no exterior

A alteração regulamentar que vai permitir a construção de crematórios fora de cemitérios em Macau foi aprovada pelo Conselho do Executivo na passada sexta-feira. Em 2018, dois terços dos cadáveres de residentes foram cremados no continente

O

Conselho Executivo terminou a discussão do decreto-lei que vai permitir a construção de crematórios fora de cemitérios. “O projecto propõe o alargamento do âmbito da seleccção de locais para crematório, sendo permitida a instalação de crematórios também nos terrenos que satisfaçam a finalidade e as condições de uso e aproveitamento correspondentes, para além dos cemitérios, que disponham de condições técnicas adequadas”, disse o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, em conferência de imprensa.

Esta alteração surge na sequência dos problemas quanto à instalação de um crematório no cemitério de Sa Kong, quando este plano foi anunciado em Junho do ano passado. Recorde-se que o projecto foi suspenso depois do manifesto desagrado da população que vive nas imediações daquele cemitério na sequência da divulgação dos planos do Governo. Na altura, o Executivo revelou que para resolver o problema iria rever a legislação. No entanto, apesar de ser admitida agora a construção de crematórios em terrenos fora

de cemitérios, ainda não existe qualquer definição das características que estes terrenos devem ter. “Mesmo o diploma de 1985 não prevê este tipo de condições. Mas o Governo tem tido em conta as vozes da sociedade”, revelou Leong Heng Teng. Esta alteração vai “permitir mais espaços viáveis para construir um crematório”, até porque “com a urbanização de Macau, os cemitérios estão muito próximos das zonas residenciais”, acrescentou.

PRECAUÇÕES TOMADAS

como forma de tratamento de cadáveres que ponham em perigo a saúde pública e dos restos mortais não reclamados”. Esta alteração é de relevo, salientou o porta-voz do Conselho Executivo. “O acordo de transladação com o continente já previa que em caso de morte por doenças contagiosas os cadáveres não poderiam ir para a China por porem em causa a saúde pública”, disse. Estes corpos acabam por ser enterrados em Macau. Depois da construção de um crematório no território, esta questão não se coloca e vai permitir “o reforço da saúde pública”, apontou Leong Heng Teng. “Não queremos que os cadáveres dos que morrerem devido a epidemias fiquem em Macau e por isso devem ser cremados”, frisou. De acordo com os dados facultados pela representante do Instituto para os Assuntos Municipais, também presente na conferência de imprensa, no ano passado das 2.100 mortes de residentes, cerca de 75 por cento dos corpos foram transladados para o continente para serem cremados. Recorde-se que o projecto para a construção de um crematório em Macau data dos anos 90. O novo regulamento entra em vigor 30 dias após a publicação em Boletim Oficial. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

A alteração do diploma acrescenta ainda “a cremação

PASSAPORTES MACAU IMPLEMENTA NOVAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

O

S passaportes e títulos de viagem vão passar a ser mais seguros. A ideia foi deixada na passada sexta-feira pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, depois da aprovação do regulamento administrativo que prevê novas regras para estes documentos. “O modelo é praticamente idêntico ao actual, tendo sido apenas reforçadas as características contra a falsificação do design original”, ou seja, é adoptado o uso de um chip mais moderno com técnicas

de encriptação reformadas, hologramas e impressão ultravioleta apenas visível sob a iluminação à luz ultravioleta”, apontou. O objectivo é “acompanhar a evolução da tecnologia contra a falsificação de documentos de viagem e elevar integralmente o nível de qualidade e segurança”, acrescentou Leong Heng Teng. Com estas alterações as taxas de emissão dos documentos vão aumentar. O passaporte passa a ter um custo de 430 patacas, mais

130 patacas do que o custo actual, e o título de viagem, destinado a cidadãos chineses residentes não permanentes em Macau e sem direito a passaporte, aumenta de 250 patacas para 360 patacas. As novas regras entram em vigor em Dezembro, mas os passaportes que ainda estejam dentro da validade podem continuar a ser utilizados até que esta termine. Actualmente, 410 mil pessoas têm passaporte de Macau e 20 mil residentes o título de viagem. S.M.M.

Salário Mínimo Ponderada inclusão de trabalhadores domésticos

O subdirector da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Chan Un Tong, afirmou ao Jornal do Cidadão que o alargamento aos trabalhadores domésticos no âmbito da criação do salário mínimo vai ser estudado tendo em conta as diferentes opiniões da população. Na proposta inicial, os trabalhadores domésticos e com deficiências ficavam de fora, mas a DSAL quer ouvir melhor a opinião pública antes de tomar uma decisão definitiva. Ainda em relação à aprovação da lei este ano, Chan citou o Chefe do Executivo, nas LAG, quando apontou que a medida fazia parte do Plano Quinquenal de Desenvolvimento da RAEM, que se prolonga até 2020. Tendo em conta esta resposta, poderá ser mesmo o próximo Chefe do Executivo a criar o salário mínimo. Segundo as estatísticas da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, a taxa de desemprego foi de 1,7 por cento. Em relação a estes resultados, Chan Un Tong afirmou que a RAEM vive uma situação de pleno emprego. PUB

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 153/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor TUNG Ah Choi, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° D3360xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 178/DI-AI/2017, levantado pela DST a 05.07.2017, e por despacho da signatária de 15.04.2019, exarado no Relatório n.° 129/DI/2019, de 01.04.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1017, Edf. Nam Fong, Bloco 1, 7.° andar G onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Abril de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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6.5.2019 segunda-feira

Lições patrióticas

TURISMO LEONG SUN IOK QUER COMBATER GUIAS ILEGAIS

Às três pancadas

O

deputado Leong Sun Iok pede ao Governo mais medidas para evitar a entrada de guias turísticos ilegais em Macau. Em interpelação escrita, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) recorda que o problema dos guias turísticos ilegais já é antigo e que “tem vindo a piorar”. Uma das causas do fenómeno é a abertura da Ponte HKZM que fez disparar o número

TIAGO ALCÂNTARA

A DST tem de promover mais medidas de combate à entrada de grupos de turistas conduzidos por guias ilegais. O apelo é do deputado Leong Sun Iok, que alerta para o aumento de guias ilegais no território, factor com impacto negativo na imagem de Macau e na vida da população

Chefe do Executivo quer jovens activo na “grandiosa revitalização da nação”

cada vez mais desenfreada”, aponta Leong, promovendo uma “concorrência feroz”, aos profissionais de Macau. Para Leong Sun Iok, esta situação está a afectar negativamente a imagem do território enquanto capital internacional de turismo e lazer. “Alguns guias locais relataram que estes guias turísticos ilegais tentam economizar tempo e custos promovendo mesmo almoços nas calçadas das ruas”, ilustra.

VIAS ALTERNATIVAS

de viagens de um dia de grupos de visitantes do continente. Esta situação tem possibilitado a entrada de cada vez mais grupos acompanhados por guias

turísticos ilegais, considera o deputado tendo em conta queixas recebidas. “De acordo com a indústria de viagens, a situação dos guias turísticos ilegais tornou-se PUB

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 171/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 187/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIU MEILING, portadora do Salvoconduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C40311xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 16/DIAI/2017 levantado pela DST a 18.01.2017, e por despacho da signatária de 16.04.2019, exarado no Relatório n.° 139/DI/2019, de 20.03.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Cantao n.° 72-R, Edf. I San Kok, 8.° andar A, Macau.-------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHUI, KAN SANG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° A3703xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 202/DI-AI/2017 levantado pela DST a 11.08.2017, e por despacho da signatária de 17.04.2019, exarado no Relatório n.° 150/DI/2019, de 25.03.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes n.° 576, Hung On Center, Bloco 2, 14.° andar N onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Abril de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Abril de 2019.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Acresce ainda o facto destas excursões não organizadas se dirigiram muitas vezes a destinos que não estão definidos, acabando por perturbar a comunidade local. “Os grupos ilegais de visitantes são diferentes dos grupos de turismo tradicional. Os autocarros para fazer as tours não são alugados com antecedência, e as rotas turísticas e atracções a visitar não são fixas”. Tudo isto “perturba a ordem da comunidade e faz com que estes visitantes acabem por concorrer com os residentes no acesso aos transportes públicos”, exemplifica.

“Alguns guias locais relataram que estes guias turísticos ilegais tentam economizar tempo e custos promovendo mesmo almoços nas calçadas das ruas.” LEONG SUN IOK DEPUTADO

No entanto, as queixas à Direcção dos Serviços de Turismo não representam a realidade, pelo que apela a uma maior inspecção nesta matéria e a mais medidas de modo a detectar grupos de turistas ilegalmente acompanhados. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

tenário no ano em que se assinala o 70.º aniversário da fundação da República Popular da China.

BANDEIRA NO FÓRUM MACAU

O

chefe do Governo exortou os jovens do território a contribuírem para a “grandiosa revitalização da nação chinesa”. O apelo de Chui Sai On foi feito na véspera do Dia da Juventude, uma celebração chinesa fundada no “Movimento Quatro de Maio”, de inspiração anti-imperialista, cultural e política que cresceu de manifestações estudantis em Pequim. “Espero sinceramente que a nossa geração de jovens continue a promover o ‘espírito do Quatro de Maio’, a transmitir o sentimento de pertença nacional, a promover a continuidade da tradição honrosa do amor à pátria e a Macau, a apreender conhecimentos tecnológicos modernos e a preparar-se a todos os níveis para se integrar no desenvolvimento nacional”, afirmou em comunicado. Chui Sai On lembrou a sua última ida a Pequim, na qual sentiu a “capacidade de liderança e de influência da China enquanto grande potência”, e alertou os jovens a seguirem as palavras do Presidente Xi Jinping: “amar fervorosamente a pátria é um alicerce para viver na sociedade e para obter sucesso na vida”. O Movimento Quatro de Maio celebra o seu cen-

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) promoveu no sábado, junto ao Fórum Macau, a cerimónia do hastear da bandeira para celebrar os 100 anos do Movimento de 4 de Maio. De acordo com um comunicado oficial, a cerimónia serviu para “promover a educação do amor pela Pátria e por Macau e reforçar os conhecimentos dos alunos sobre o espírito e a história do Movimento do 4 de Maio”, bem como “prosseguir o seu espírito patriótico e contribuir para a materialização do sonho chinês de revitalização da nação chinesa”. Estiveram presentes comitivas de 82 escolas e representantes de 28 associações juvenis, num total superior a duas mil pessoas. A DSEJ notou que “todas as escolas de Macau içaram ou exibiram também a Bandeira Nacional no Dia da Juventude de 2019, e organizaram grupos de docentes e alunos para participarem na cerimónia do hastear da Bandeira Nacional, com vista a divulgar o 'espírito do 4 de Maio', reforçar a educação sobre a Bandeira Nacional, cultivar o amor dos alunos pela Pátria, contribuir para o progresso social e prosseguir o caminho da democracia e da ciência”.

Taxa de Turismo Mak Soi Kun defende isenção para residentes

O deputado Mak Soi Kun defende que os residentes não devem pagar taxa de turismo quando consomem em locais como bares, hotéis, restaurantes, entre outros, que ficam em locais classificados como pertencentes à indústria turística. É este o conteúdo da última interpelação escrita assinada pelo legislador ligado à Associação de Conterrâneos de Jiangmen, que tem por base os pedidos de residentes que sentem que não acederam ao desenvolvimento económico do território. “O Governo vai alterar a lei para não cobrar a taxa turística aos residentes?”, questiona Mak. Segundo o deputado, bastava que no momento do consumo os residentes mostrassem o BIR de forma a ficarem isentos do pagamento. Actualmente, mesmo os residentes que consumam em espaços do turismo têm de pagar uma taxa adicional de 5 por cento sobre o preço dos bens consumidos. Por exemplo, se uma bebida custar 100 patacas, o preço sobe para 105 patacas devido ao imposto.


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“T

ANTOquanto sei, é o primeiro curso oficial com este conteúdo. É uma primeira tentativa, ao nível da pós-graduação, de estudar, falar e tratar do maquista", explicou Alan Baxter, um dos coordenadores do novo mestrado da USJ, em entrevista à agência Lusa. O especialista em crioulos de base portuguesa, que regressou a Macau em 2016 para dirigir a Faculdade de Humanidades daquela universidade, assumiu preferir o termo maquista, já que este "radica a língua dentro de uma tradição local". Para Alan Baxter, "o patuá merece um lugar oficial e de reconhecimento na educação superior". Assim, esta língua, em tempos corrente na comunidade macaense, é um dos nove módulos da especialização em linguís-

ENSINO NOVO MESTRADO DA USJ VAI ENSINAR PATUÁ

Língua mestra TIAGO ALCÂNTARA

O patuá vai ser “estudado e falado” no futuro mestrado em estudos lusófonos da Universidade de São José (USJ), numa tentativa de preservar a língua a um passo da extinção, disse um dos coordenadores

tica do novo mestrado da USJ, mas é também opcional para os que optam pela outra especialização, literatura. Derivado do crioulo de Malaca, o kristang, uma "língua ainda viva", o patuá não sobreviveu a "atitudes ignorantes e colonialistas", tendo "sido suprimido" com o passar dos anos, referiu Baxter. Há quase uma década, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) classificou-o como "gravemente ameaçado",

o último patamar antes de uma língua se extinguir por completo. Uma posição que tem vindo a ser reiterada por vários linguistas. Em Setembro passado, também o investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Hugo Cardoso tinha dito, em entrevista à Lusa, que esta "fase avançada de declínio" motivou, entre a comunidade macaense, "um movimento de reapropriação da língua". Assim, e apesar do perigo de extinção, Alan Baxter

“Tanto quanto sei, é o primeiro curso oficial com este conteúdo. É uma primeira tentativa, ao nível da pós-graduação, de estudar, falar e tratar do maquista.” ALAN BAXTER COORDENADOR DO NOVO MESTRADO DA USJ

Trânsito Três mortes nas estradas no primeiro trimestre

Dados oficiais do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelam que nos primeiros três meses do ano morreram nas estradas três pessoas, mais uma face ao igual período de 2018, noticiou a TDM Rádio Macau. No primeiro trimestre deste ano houve ainda menos infracções à lei do transito rodoviário, mas registou-se um aumento das violações graves, uma vez que o número de casos de condução com excesso de álcool no sangue aumentou 57 por cento. No que diz respeito ao número de pessoas que utilizam o telemóvel enquanto conduzem, os números duplicaram para 2.735 casos. Também o excesso de velocidade grave nas vias públicas teve uma subida de 62 por cento, com um total de 105 casos. Até ao final do primeiro trimestre registaram-se 3.184 acidentes de viação, número que traduz uma queda anual de 8,6 por cento.

afirmou que houve, desde então, alguns avanços. "Há mais interesse agora do que havia. Há um interesse visível, sobretudo em termos dePUB

mográficos", frisou o antigo director do Departamento de Português da Universidade de Macau (2007–2011).

TEATRO VIVO

Actualmente, o patuá é preservado essencialmente através do grupo de teatro Dóci Papiaçam di Macau, que encena uma peça por ano maioritariamente falada em crioulo. A próxima está em cena nos próximos dias 18 e 19. Para o especialista, o "grupo de pessoas envolvidas no teatro" nos últimos anos é um dos exemplos dessas "mudanças de atitude". O novo mestrado da USJ foi aprovado no mês passado pelo Governo de Macau e as candidaturas já estão abertas. Quanto ao público-alvo, Baxter sublinhou que o objectivo é "fomentar o interesse da comunidade macaense", mas também "de outras pessoas". Em 2017, o curso que leccionou na USJ sobre patuá, teve uma adesão surpreendente: houve um manifesto "interesse da parte da comunidade chinesa", recordou. “Há dois anos ofereci um curso de extensão so-

bre o patuá, e apanhei um susto porque houve muito interesse. Acho que tivemos 22 pessoas que chegaram a fazer o curso”, acrescentou. Apesar destes esforços, Alan Baxter realçou a importância da documentação, isto é, de "elaborar materiais interactivos audiovisuais". "Na verdade, há poucas pessoas capazes de manter uma conversa nesta língua hoje em dia, infelizmente. Esse tipo de material é fundamental", sustentou. Em contrapartida, a gramática do kristang, que ainda "é uma língua viva e falada", é "muito parecida" com a do patuá, por isso, todos os interessados podem aprender muito com o crioulo de Malaca, defendeu. Baxter deixou uma sugestão: "Se há um grupo de jovens interessados, é possível, colaborando com a comunidade de Malaca, enviar um grupo para lá". "A pronúncia é diferente, mas a gramática e o léxico" são semelhantes, "daria para fazer a transição e ganhar um grau de influência que não é possível conseguir em Macau", concluiu.


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Crime Homem recorreu a faca para fazer refém Um homem de 50 anos fez uma refém, depois de ameaçá-la com uma faca, no sábado à noite, por volta das 21h00, junto ao Jardim da Montanha Russa. As razões que levaram o homem residente a atacar a mulher de 28 anos, também ela residente, ainda não são conhecidas e estão a ser investigadas. Contudo, as autoridades suspeitam que o

U

M grupo de três agiotas raptou, torturou, filmou e matou um homem a quem tinha emprestado 50 mil patacas para o jogo. O caso foi revelado na sexta-feira à noite pelas autoridades, depois do corpo ter sido encontrado no Pensão Va Fat, na Praia Grande. De acordo com a informação divulgada pela Polícia Judiciária, o rapto aconteceu no dia 1 de Maio, por volta das 6 da manhã. Até essa altura, o homem tinha estado a jogar num casino no centro de Macau e pediu 50 mil patacas de empréstimo, aos três agiotas. Durante o tempo em que demorou a perder todo o dinheiro, o jogador, que tinha cerca de 40 anos, acumulou uma dívida em juros de 7 mil patacas. Foi com essa dívida adicional que o jogador foi levado para a Pensão Va Fat. No quarto de hotel foi-lhe colocada uma toalha na boca e começou

homem tem problemas mentais, uma vez que agiu de forma emotiva, mesmo quando estava a falar com a polícia sem que para isso tivesse justificação. Também de acordo com o chefe do departamento de serviços familiares e comunitários, Tang Yuk Wa, citado pelo Jornal do Cidadão, a polícia suspeita que o homem era uma pessoa com

deficiência auditiva, dado que mandou um tradutor de língua gestual ajudar no caso. Por sua vez, a mulher afirmou que não conhecia o homem antes da ocorrência. O homem de 50 anos acabou reencaminhado para o Hospital Conde São Januário e as autoridades estão agora à espera que recupere para o poderem interrogar.

Segurança Wong Chi Fai é o novo subdirector da ESFSM Foi realizada, na passada sexta-feira, a cerimónia de posse do novo subdirector da Escola Superior das Forças de Segurança de Macau (ESFSM), Wong Chi Fai, de acordo com um comunicado. Segundo o despacho do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, o Intendente Wong Chi Fai foi nomeado, em comissão de serviço,

pelo período de um ano com efeitos desde 1 de Maio. Wong Chi Fai é licenciado em Ciências Policiais e possui igualmente licenciatura e mestrado em Direito em Língua Chinesa. Desempenhou as funções de Chefe do Centro de Instrução Conjunto da ESFSM, de Chefe, interino, da Divisão de Investigação e Informações do Departamento de

HOMICÍDIO HOMEM SEQUESTRADO, TORTURADO E MORTO POR 57 MIL PATACAS

Cenário de terror

Entre os três criminosos, um estava ilegal no território desde Março e já tinha sido expulso no ano passado. Os outros dois tinham visto de entrada e, além da agiotagem, ganhavam a vida a pedir nas mesas de jogo dos casinos a ser espancado, com cintos, chinelos, murros e pontapés. Ao mesmo tempo, os agiotas fizeram igualmente vídeos do espancamento para enviarem aos familiares do jogador, para que estes saldassem as dívidas. As agressões foram-se repetindo até sexta-feira de manhã, quando o jogador acabou por morrer. Perante este cenário, os agiotas cobriram o corpo com o cobertor do hotel e fugiram, já por volta das 7h00 da manhã de sexta-feira, altura

em que também terá sido dado o alerta às autoridades, alegadamente por um dos três agiotas. Perante a denúncia anónima, as autoridades deslocaram-se rapidamente para o local e interceptaram os três indivíduos, nas imediações do hotel. Ao mesmo tempo, os bombeiros entraram no quarto e depararam-se com o cadáver na cama do hotel. Os trabalhos de investigação duraram cerca de seis horas e segundo a PJ o cadáver

apresentava várias nódoas negras e sinais de violência, principalmente na cabeça e nas mãos.

ILEGAL EM MACAU

De acordo com a informação revelada pela PJ, pelo menos um dos homicidas encontrava-se de forma ilegal no território e já tinha sido expulso, anteriormente. O homem em causa tem 31 anos, vivia no Interior da China, onde estava desempregado, e já no ano passado

tinha sido reencaminhado para o outro lado da fronteira, também por estar envolvido em actividades de agiotagem. Porém, segundo a PJ, terá reentrado de forma ilegal em Macau em Março deste ano, conseguindo durante mais de dois meses enganar as forças comandadas por Wong Sio Chak, até ter cometido o crime. Os restantes agiotas têm 34 e 29 anos, tinham os documentos que lhes

Informações do Corpo de Polícia de Segurança Pública, de Chefe do Comissariado Policial n.º 1 do Departamento Policial de Macau, de Adjunto do chefe do Departamento Policial de Macau, de Chefe do Departamento de Informações, de Assessor do Gabinete do Secretário para a Segurança, e o cargo de Subdirector do CPSP.

permitiam entrar em Macau e ganhavam a vida a pedir nos casinos. Este é um tipo de actividade muito frequente em Macau, em que as pessoas andam a circular nas áreas de jogo e que quando vêem alguém ganhar, aproximam-se para pedir ou exigir o pagamento de uma “gorjeta”. O caso foi reencaminhado para o Ministério Público, os suspeitos enfrentam acusações da prática dos crimes de sequestro que resultou em morte, punida com pena entre 5 a 15 anos de prisão, usura agravada, punida com pena que vai até aos 5 anos de prisão, usura para o jogo, punida com pena que também pode chegar aos 5 anos e ainda associação criminosa, cuja penalização vai dos 3 aos 12 anos de prisão. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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ESTACIONAMENTO NOVAS CÂMARAS PARA DETECTAR POSSÍVEIS ILEGALIDADES

A

zona do NAPE, junto do edifício China Civil Plaza e a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues estão agora equipadas com novas câmaras de vigilância para detectar carros ilegalmente estacionados, apontou a Rádio Macau. Esta é a terceira versão do sistema de detecção de estacionamento ilegal e é constituída por quatro câmaras que registam imagens fotográficas e de vídeo com melhor resolução do que os equipamentos já instalados noutros pontos da cidade. O sistema utiliza um novo método em que identifica a matrícula, sem identificar o condutor. O objectivo é aumentar a eficácia da autuação electrónica, segundo a mesma fonte. As autoridades acreditam que este sistema terá efeitos dissuasores.

No troço da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, as câmaras cobrem a paragem de autocarro e a zona de estacionamento do Centro de Transfusões de Sangue, e o centro comercial do Grupo Brilhantismo. Já naAvenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, apanham o edifício da Nam Kwong e a paragem de autocarro. No centro, a área fiscalizada pelo novo equipamento abrange a paragem do edifício comercial Si Toi. As quatro câmaras custaram 130 mil patacas. O sistema começou a ser instalado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) em 2011 e encontra-se em funcionamento em 19 locais. As multas para quem parar ou estacionar ilegalmente variam entre 300 e 600 patacas. No ano passado foram aplicadas quase 20 mil multas.

SAÚDE DETECTADOS MAIS DOIS CASOS DE RUBÉOLA

O

S Serviços de Saúde de Macau (SSM) foram notificados, na passada sexta-feira, sobre a ocorrência de mais dois casos de rubéola no território, sendo que neste momento já foram diagnosticados 33 casos desde o início do ano. O primeiro caso foi diagnosticado num homem de 41 anos, residente de Macau e que trabalha no Casino Landmark. Na noite de 28 de Abril o paciente apresentou dores de cabeça, dores nas articulações dos membros e erupções cutâneas na perna, tendo recorrido, numa primeira fase, a uma clínica privada e depois ao centro de saúde da Ilha Verde no dia seguinte. Só na quinta-feira, 2 de Maio, é que o doente se dirigiu ao serviço de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Actualmente, o paciente

“ainda apresenta erupções cutâneas, sem febre, sendo o estado de saúde considerado normal”. O segundo caso foi detectado num homem com 48 anos de idade, topógrafo, residente de Macau. No dia 22 de Abril, durante uma viagem ao exterior manifestou sintomas de calafrios e fadiga. “Neste momento o paciente já não tem febre nem erupções cutâneas, sendo o estado de saúde considerado normal”, aponta um comunicado, que explica ainda que os “familiares de ambos os doentes não apresentaram sintomas semelhantes”.

GRANDE BAÍA SHENZHEN PROCURA ATRAIR TALENTOS DE MACAU E HONG KONG

O canto da sereia

As autoridades de Shenzhen anunciaram um pacote de medidas que visam atrair os jovens talentos de Macau e Hong Kong. Entre os incentivos contam-se baixas rendas, subsídios, apoios nos custos dos transportes e recompensas em dinheiro vivo

N

O total, são 36 as medidas avançadas pelas autoridades da zona económica especial de Qianhai, em Shenzhen, para atrair jovens empreendedores de Macau e Hong Kong, com idades entre os 18 e os 45 anos, segundo uma notícia publicada no South China Morning Post. As autoridades de Shenzhen vão atribuir subsídios, recompensas em dinheiro vivo que ascendem a vários milhões de yuan, alojamentos de rendas baixas e apoios nos transportes. As medidas destinam-se a servir de chamariz para os jovens que queiram sediar o seu negócio nos 15 quilómetros quadrados da zona de comércio livre de Qianhai, na costa oeste de Shenzhen. “Os incentivos foram pensados para criar um clima favorável para que os jovens de Macau e Hong Kong se integrem no desenvolvimento nacional”, lê-se num comunicado emitido pelas autoridades de Qianhai. A iniciativa surge semanas depois da divulgação do alívio fiscal que saiu da segunda reunião de planea-

mento do grupo de desenvolvimento do projecto da Grande Baía. Os baixos impostos têm a mesma intenção de encorajar os jovens das regiões administrativas especiais a desenvolver inovação na região.

MUNDOS E FUNDOS

De acordo com o comunicado emitido pela Autoridade de Qianhai, será criado um fundo com cerca de 58.2 milhões de HKD destinados às start-ups das regiões administrativas especiais. Empresas criadas por jovens de Macau e Hong Kong em Qianhai podem ser

Os incentivos também se vão estender a profissionais oriundos das regiões administrativas especiais, com apoios entre os 20 mil e os 50 mil yuan, dependendo do grau académico do empregado

recompensadas até 2 milhões de yuan se forem aceites nas bolsas de valores de Xangai, Shenzhen, Hong Kong, Tóquio e Nova Iorque. Os incentivos também se vão estender a profissionais oriundos das regiões administrativas especiais, assim como aos empregadores de Qianhai que os contratarem, com a atribuição de apoios entre os 20 mil e os 50 mil yuan, dependendo do grau académico do empregado. Num outro patamar, o South China Morning Post dá conta do plano de construção de apartamentos pensados para profissionais de Hong Kong, e a possibilidade de arrendar apartamentos de renda baixa com contratos de três anos. Finalmente, serão prestados apoios ao nível dos transportes, como a agilização na passagem da fronteira, criação de autocarros shuttle e apoios monetários. De acordo com o South China Morning Post, as autoridades de Shenzhen vão divulgar, num futuro próximo, mais detalhes concretos.


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Histórias

GONÇALO LOBO PINHEIRO

PALESTRA O PATRIMÓNIO DESAPARECIDO REVISITADO POR UM MAC

“A Mansão do Poço da Velha” é o tema da António Conceição Júnior leva esta quar Maio pelas 18h30, à Fundação Rui Cunha. do orador vão recordar outros tempos da gente e outros lugares que existiram ali na Grande, a mesma onde agora acontece es

M

ACAU é um lugar por onde perpassam vários planos de memórias. Algumas foram sendo esquecidas ou então são ignoradas pela mudança das gentes que o povoam, que a terra foi, desde sempre, local de passagem”, lê-se na nota de imprensa da Fundação Rui Cunha (FRC), que convidou António Conceição Júnior para o próximo ciclo “Pauta de Histórias”, quarta-feira ao final da tarde. “A Mansão do Poço da Velha” é o mote da conversa sobre as recordações de um património desaparecido, que o artista macaense – autor de uma extensa obra artística de ilustração, pintura, fotografia, artes gráficas, e também ex-dirigente cultural por muitos

O

Museu do Oriente inaugura a exposição “Um Mundo de Porcelana Chinesa – A Antiga Colecção Cunha Alves”, no dia 9 de Maio, quinta-feira, com cerca de 180 peças de porcelana de exportação, decorada com cenas europeias, datada dos séculos XVII a XIX, que a Fundação Oriente adquiriu no ano de 2018. O conjunto faz agora parte integrante do acervo museológico, segundo informa a instituição. A Colecção Cunha Alves é “uma das maiores e mais completas colecções de porcelana chinesa de exportação existente na Europa,

anos no território – ainda guarda no seu baú de narrativas. E esta história é sobre “uma parte do património de Macau” e sobre uma antiga “mansão onde vivi quando era criança, aqui em Macau, e a que chamei Mansão do Poço da Velha”, desvenda Conceição Júnior ao Hoje Macau, sem querer revelar muito mais. O casarão já não existe. Mas é também sobre isso que vai falar na palestra. Afinal, os tempos mudaram. E a baía, onde hoje fica a sede da Fundação, foi outrora

“Eu acho que hoje as pessoas não sabem o que era a comunidade portuguesa de Macau e, dentro dessa, a comunidade macaense. Sobretudo, aquela que era a elite macaense”. ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

Porcelana Chinesa ao gosto ocidental Museu do Oriente adquire e mostra peças da Colecção Cunha Alves

que passa a estar integrada na exposição permanente dedicada à presença portuguesa na Ásia”. Foi adquirida ao coleccionador e diplomata Paulo Cunha Alves, que a constituiu ao longo de 25 anos, em países como Portugal, Bélgica, Estados Unidos, França, Países Baixos, Reino Unido e Austrália. A aquisição constitui um importante marco para a instituição. Trata-se de um conjunto expressivo de peças

que, pela sua raridade, qualidade e quantidade, constitui um dos mais valiosos núcleos de porcelana chinesa de encomenda no contexto nacional. A mostra dá a conhecer diferentes formas e motivos decorativos que foram resultado de encomendas inspiradas em distintas fontes iconográficas europeias. O que se encontra neste conjunto são “imagens ao gosto europeu que os artesãos chineses copiaram deixando

transparecer no traço a pouca familiaridade para com este tipo de representação, muitas vezes conotada com costumes e hábitos ocidentais”, revela o comunicado do Museu do Oriente. “Desenhos, gravuras e pequenas pinturas a óleo, tendo por base modelos em prata, faiança, porcelana, estanho e madeira, eram enviados para serem copiados pelos artesãos chineses, resultando em coloridas representações a

lugar de palacetes e mansões opulentas, tal como testemunha a prolífera obra do pintor inglês do século XIX que encontrou no território a sua morada e aqui veio a falecer. “Toda a Praia Grande, se for ver as pinturas de George Chinnery, verá que era constituída por palacetes com mobiliário vindo de Portugal. Estamos a falar do século XVIII, século XIX. E nos princípios do século XX, ainda havia palacetes”, conta Conceição Júnior. A conversa será sobre muito mais. “É de facto a

azul e branco sob o vidrado, e a esmaltes da “família rosa”, grisaille, preto e sépia, rosa carmim e dourado, sobre o vidrado”, conforme exemplifica a instituição. A exposição vai estar agrupada de acordo com os temas “Expansão da Fé Cristã”, “Os Deuses do Olimpo” e “Prazeres da Vida ao Ar Livre”.

ARTE POR ENCOMENDA

A chegada de Vasco da Gama à Índia, em 1498, e a con-

quista de Malaca em 1511, marcaram o início das encomendas de porcelana chinesa para o mercado ocidental, onde Portugal desempenhou um papel pioneiro, recorda o museu. “Foi na dinastia Ming que os portugueses procederam à encomenda de uma série de porcelanas personalizadas, as mais antigas a ostentarem formas ou decorações europeias, como as armas reais portuguesas, (...), a esfera armilar, o monograma IHS, heráldica de nobres e ordens religiosas e inscrições em português e latim”, lê-se no documento.


eventos 11

segunda-feira 6.5.2019

s do arco da velha

CAENSE

a palestra que rta-feira, 8 de As memórias cidade, outra a baía da Praia ste encontro

revelação de um espaço e de uma forma de vida dos macaenses. Porque eu acho que, hoje em dia, as pessoas não sabem o que era a comunidade portuguesa de Macau e, dentro dessa comunidade portuguesa, a comunidade macaense. Sobretudo, aquela que era, digamos, a elite macaense, que vivia muito bem, vivia de uma forma esplêndida”. E acrescenta, “a comunidade macaense era de tal forma pujante, até aos anos 60, que todos os portugueses – e eram muito poucos aqueles que vinham para Macau – eram imediata e prontamente absorvidos pela comunidade. Entre essas pessoas contam-se o Manuel da Silva Mendes ou o Camilo Pessanha, que são pessoas que, passe a expressão, se tornaram macaenses. Não por nascimento, mas pelo

Sob a dinastia Qing, “a porcelana atingiu uma perfeição incomparável no âmbito da técnica”. “Todos os problemas foram resolvidos, desde os da matéria aos do fogo, e o gosto pela cor domina, tendo sido inventados novos tons até então desconhecidos”. A produção sob a dinastia Qing foi extremamente abundante, tendo sido exportada em massa para a Europa pelas diferentes Companhias das Índias europeias e, posteriormente, para os Estados Unidos da América, recorda ainda o museu.

afecto. São só dois exemplos de um período mais distante, mas houve outros, como o Joaquim Morais Alves, noutro período, que foi presidente do Leal Senado, e por aí fora”.

MEMÓRIAS DE MENINO

António Conceição Júnior nasceu em Macau, em Dezembro de 1951. Licenciado

em Artes Plásticas e Design, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, veio a ser dirigente cultural em Macau desde 1978, responsável por muita da formulação da política cultural do território. Pelo meio, “viveu em diversos espaços e cresceu com lembranças que lhe foram legadas. Em menino ouvia o

seu pai e amigos conversarem sobre Manuel da Silva Mendes [professor, sinólogo, filósofo], Camilo Pessanha [poeta, advogado, juiz, professor], de quem fora aluno, ou José Vicente Jorge [intérprete e tradutor de assuntos políticos]”, personalidades que marcaram a política e a sociedade da época.

“Conviveu com personalidades do círculo mais erudito de Macau, tendo tido acesso, por exemplo, a Luís Gonzaga Gomes e às primeiras edições das suas obras, saídas do prelo na colecção “Notícias de Macau”, jornal propriedade de Herman Machado Monteiro, e em cuja redacção os pais de Conceição Júnior, ambos jornalistas, se

casaram”, conforme relata o comunicado da FRC. Se dúvidas houvesse, aqui se encontram razões de sobra para não faltar a este encontro de fim de tarde. A entrada é livre. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau.@gmail.com

LISBOA CINQUENTA ANOS DA EDITORA-LIVRARIA ULMEIRO EM MOSTRA DOCUMENTAL

“I

STO anda tudo ligado” é o título de uma exposição documental a inaugurar no sábado em Lisboa sobre os 50 anos do projecto editorial e cultural Ulmeiro, fundado por José Ribeiro em 1969, revelou a organização. A exposição, com documentos do acervo de José Ribeiro de colecções particulares, é inaugurada na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, e pretende “revisitar uma experiência colectiva ‘sui generis’ que divulgou muitas ideias e obras de criadores da cultura portuguesa e universal”, sustenta o historiador Daniel Melo, um dos organizadores, em comunicado.

A par da mostra, que ficará patente até Julho, estão previstas várias iniciativas culturais para recordar a Ulmeiro, nomeadamente uma feira do livro, tertúlias, música e exibição de documentários, um dos quais sobre a editora. José Ribeiro, “livreiro-editor-poeta inquieto e inconformista”, tem vivido os últimos anos quase sempre na incerteza de poder fechar portas. Em 2016, quando lançou o primeiro alerta de um possível encerramento, o livreiro lamentava à agência Lusa as transformações do panorama livreiro, a alteração do poder de compra dos consumidores, as mudanças conjunturais até do

próprio bairro, de Benfica, onde a Ulmeiro ainda funciona. “Um puto que nasceu numa aldeia onde não se lia, como era o meu caso, numa casa onde não havia livros, com pais analfabetos, que descobriu as bibliotecas [itinerantes] da Fundação Gulbenkian e teve uma professora primária, que teve uma influência enorme, opta por ir para Lisboa para ser livreiro, editor. E assim foi”, recordou José Ribeiro. Meio século depois, o livreiro, agora com 77 anos, tem conseguido manter as portas abertas, apesar das incertezas e por entre milhares de livros espalhados pela livraria lisboeta.


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ECONOMIA WARREN BUFFETT DEFENDE PROSPERIDADE DE AMBOS OS PAÍSES LÍDERES MUNDIAIS

Um planeta, dois sistemas

O

lendário investidor norte-americano Warren Buffett disse que, embora os EUA e a China compitam em diversas áreas, devem reconhecer que um mundo em que ambos possam prosperar será um mundo melhor. Numa entrevista gravada aquando do fórum de investimento EUA-China em Omaha, na sexta-feira, Buffet disse ao editor chefe do Yahoo Finance, Andy Serwer, que acredita que Washington e Pequim “serão sempre competidores... nos negócios, nas ideias e em todo o tipo de formatos”. “Nós apenas temos de assegurar que a competição não nos arrasta para um ponto em que não consigamos perceber que um mundo melhor é aquele no qual ambos a China e os EUA

“Um mundo perfeito é onde os EUA e a China possam ambos prosperar”, afirmou Warren Buffett, durante um fórum de investimento em Omaha, na sexta-feira. O magnata norte-americano não se mostra preocupado com o crescimento económico chinês na ordem dos 6% a 6,5% e acredita que a China ainda está longe de atingir todo o seu potencial possam prosperar”, disse, citado pelo Diário do Povo. O magnata de 88 anos de idade defende que os EUA, a China e a Rússia “todos reconhecem os perigos de deixar a competição ficar fora de controlo”, acrescentando que os países “podem ser competidores sem serem inimigos”.

OLHAR PARA FORA

Inquirido sobre se o Berkshire Hathaway, o aglomerado multinacional do qual é presidente, alguma vez “faria

uma grande aquisição na China”, Buffett disse que “a resposta é que faríamos”. Conhecer as leis, os procedimentos, a contabilidade e as pessoas melhor nos EUA do que em outros países do mundo, facilita a realização de grandes aquisições no país de origem, o que não impede que se olhe para o que está à nossa volta. “Tenho mais trabalho se espreitar para lá das fronteiras, mas agrada-me muito a ideia de o fazer”, afirmou Buffett. Quanto à economia chinesa, Buffett disse não se preocupar sobre o impacto global de um crescimento económico mais lento na China, na ordem dos 6 a 6,5 por cento ao ano. “A China irá crescer muito ao longo do tempo. Quando se pensa no que aconteceu desde 1949, é algo sem precedentes”, constatou. “E ainda nem sequer chegaram perto de atingir todo o seu potencial”. A Berkshire Hathaway realizou a sua reunião anual de accionistas na cidade natal de Buffet, em Omaha, Nebraska, no sábado.

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HSBC Lucros aumentaram 31,4% no primeiro trimestre Request for Proposal – No. PTB201901R – North Duty Free Services Subconcession at Macau International Airport 1. Company: Macau International Airport Company Limited (CAM) 2. Method: Open Request for Proposal (RFP) 3. Objective: To select ONE operator to operate the Duty Free Services at the designated locations of Macau International Airport 4. Location and Size: Shops – 1, 2, 3&4 and Kiosks – G2, A, B, C and C1, approximately of a total 1,122m2 at the Departure North Airside of the Passenger Terminal Building of the Macau International Airport 5. Validity of the Bidders’ Proposals: The validity period of the Bidder’s proposals shall be 180 days counting from the deadline for submission of proposals 6. Minimum Qualification: For details, please refer to Section B.4 of Pages 9 to 11 of the RFP 7. Request for Proposal Documents: The RFP documents and other pertinent information are available on the following website: www.camacau.com, within the period from 2 May 2019 to 12:00 noon, 29 July 2019 (Macau local time) Please always check the website for additional information, clarifications or modifications of the RFP documents that may be published from time to time 8. Location and Deadline for Submission of Bidders’ Proposals: Attention to: Chairman of the Executive Committee Macau International Airport Company Limited (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Avenida Wai Long, Taipa, Macau S.A.R. Deadline for Submission: 12:00 noon, 29 July 2019 (Macau local time) Proposals submitted after the stipulated deadline will not be accepted 9. Proposal Evaluation Criteria: Experience and Qualifications 200 points Customer Service 200 points Financial 280 points Marketing and Operation Plans 200 points Design and Proposed Capital Investment 120 points -------------------------------------------------------------------------------------------- Total .............1,000 points 10. CAM reserves the right to reject any proposal in full or in part without stating any reasons

O banco HSBC, uma das maiores entidades financeiras do mundo, obteve lucros de 4.910 milhões de dólares no primeiro trimestre, mais 31,4 por cento do que no mesmo período de 2018, foi sexta-feira anunciado. As receitas do HSBC cifraram-se em 14.428 milhões de dólares nos primeiros três meses, mais 5,2 por cento do que no

mesmo período de 2018. Os gastos operacionais desceram para 8.222 milhões de dólares, menos 12 por cento do que no período homólogo de 2018. Num comunicado enviado à bolsa de Hong Kong, o HSBC sublinha que os resultados do primeiro trimestre são “encorajadores”, especialmente num contexto de incertezas no sistema económico

mundial. “São uns resultados encorajadores. Entretanto, permanecemos em alerta aos riscos da economia global. Estamos a administrar de forma proactiva os custos e os investimentos, em linha com esta perspectiva mais incerta”, sublinha no comunicado o CEO (Chief Executive Officer, presidente executivo) do HBSC, John Flint.

TAIWAN PRESIDENTE DA GUATEMALA CONCLUI VISITA E REFORÇA LAÇOS COM A ILHA

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Presidente da Guatemala, Jimmy Morales, concluiu sexta-feira uma visita oficial de quatro dias a Taiwan para reafirmar os laços diplomáticos e soberanos com a ilha nacionalista. O ponto alto da visita foi uma reunião com a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, na qual foi debatida a cooperação bilateral. “A história une-nos e identifica-nos como duas nações que defendem a sua soberania, a liberdade e a independência”, disse o Presidente guatemalteco que, no início da cerimónia de

boas-vindas, reiterou o apoio diplomático à ilha. “O Presidente Jimmy Morales reitera o compromisso de fortalecer a relação histórica de amizade e cooperação entre a Guatemala e a República da China (Taiwan)”, de acordo com um comunicado divulgado na rede social Twitter pelas autoridades da Guatemala. Esta visita surge numa altura

de renovadas tensões entre a China e Taiwan. Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”, mas já ameaçou “usar a força” caso a ilha declare a independência. Pequim tem também isolado Taiwan: nos últimos três anos, cinco países cortaram relações diplomáticas com Taipé, incluindo São Tomé e Príncipe, que em 22 de Dezembro de 2016 anunciou o corte com a ilha e o reconhecimento da República Popular da China. Actualmente, Taipé conta apenas 17 aliados diplomáticos.


segunda-feira 6.5.2019

Ah,abram-me outra realidade!

José Simões Morais

Um volte face

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general Wu Sangui (16121678), estacionado na Passagem de Shanhaiguan, tinha sobre o seu comando o único exército capaz de fazer frente, tanto ao dos rebeldes comandados por Li Zicheng, que com 60 mil homens cercava Beijing, como ao dos manchus, à frente do qual estava Dorgon, o Príncipe de Rui regente da manchu Dinastia Qing, que no outro lado da Grande Muralha esperava uma oportunidade para invadir a China. Após o Imperador Chongzhen se enforcar, encontrava-se o filho, o príncipe Zhu Cilang, prisioneiro de Li, que entrara triunfante na capital. Wu, que se recusara a enviar o seu exército para ajudar o imperador, agora negociava alianças, primeiro com Li, para este lhe entregar o herdeiro ming com o título de Príncipe e conceder-lhe o poder feudal sobre as províncias ocidentais, comprometendo-se a não o hostilizar quando como imperador subisse ao trono. Li convencido ter força bastante para derrotar Wu não aceitou e avançou para a guerra, mas o general fizera também um acordo com Dorgon e numa aliança, aceitou o título de príncipe feudal manchu, abrindo as portas da Grande Muralha em Shanhaiguan para o exército qing entrar na China. Quando Li Zicheng iniciou o combate e de repente apareceu a cavalaria manchu percebeu ser melhor retirar-se para Beijing e cumprir o acordo, enviando o príncipe herdeiro a Wu Sangui. Este logo proclamou Zhu Cilang imperador e assumiu-se seu regente, negociando a paz com Li; permitiu-lhe ficar com o produto do saque, mas teria de se retirar de Beijing para as províncias do Oeste, dividindo a China entre os dois. Esta a solução mais conveniente para Wu pois, em vez de ser príncipe feudatário dos manchus, tornava-se regente do imperador ming. Sem suspeitar do acordo entre Wu e Li, Dorgon preparava a invasão a Beijing, mas a retirada de Li da capital, levou-o a imediatamente seguir com o seu exército e cercar a cidade. Encontrava-se o acampamento de Wu nos arredores, fazendo-se os preparativos para no dia seguinte ser o Imperador Zhu Cilang colocado no Trono do Dragão. Sabendo de tal, o Príncipe de Rui proibiu o acesso do general Wu e do jovem soberano ao Palácio Imperial e no dia 6 de Junho de 1644 foi buscar ao acampamento o general e com ele seguiu para a Sala do Trono do Palácio, onde como regente do Imperador Shunzhi aceitou em nome deste o trono. O primeiro acto foi “conceder a Wu o principado prometido e logo a seguir ordenar-lhe que perseguisse e derrotasse Li e

trouxesse de volta o tesouro roubado e o produto do saque de Pequim.” Seguiam os revoltosos liderados por Li Zicheng para Oeste, a caminho de Shaanxi, quando as tropas manchus e ming unidas os perseguiram e onde hoje é a província de Hubei, Li foi morto numa batalha no Monte Jiugong, com a idade de 39 anos, encontrando-se o seu mausoléu no distrito de Tongshan. No entanto Gonçalo Mesquitela tem outra versão e refere, “Numa série sucessiva de acções, Li foi derrotado e teve que se refugiar na longínqua província de Shaanxi, depois de perder tudo de que se apropriara. Dois anos depois entrava para a vida monástica, no Sul de Hunan, no Monte Chia, em Au-Fu, onde se refugiara. Ali viveu mais 28 anos, como monge anónimo, até morrer em 1674.”

FIM DA DINASTIA MING DO SUL

Os manchus conquistaram a capital e capturaram os dois filhos do Imperador Chongzhen, fazendo-os desaparecer. Extinguia-se a linha directa do último imperador ming, mas tal não significou ficarem os manchus a controlar a China, pois muitos dos oficiais ming preferiram, em vez de colaborar com os usurpadores

bárbaros e manter os privilégios, apoiar os descendentes da família real que pelo Centro e Sul ergueram a Dinastia Ming do Sul (1644-1662). Curtos e sucessivos reinos ming foram criados, sendo o primeiro estabelecido em Nanjing e durou um ano, terminando no Verão de 1645, seguindo-se a conquista pelos manchus dos reinos de Shaoxing e de Fuzhou (Fujian), onde em Outubro de 1646 foi executado o Imperador Long Wu (Zhu Yujian, Príncipe de Tang). O seu irmão mais novo, Zhu Yuyue escapando de barco chegou a Guangzhou onde fundou um novo estado Ming, tendo a 11 de Dezembro de 1646 ficado com o título de reinado Shao Wu. Mas em Zhaoqing, capital da província de Guangdong e Guangxi, já se encontrava Zhu Youlang como imperador. Guerreavam-se ambos pelo trono quando em Janeiro de 1647 o exército manchu liderado por Li Chengdong tomou Cantão e matou Shao Wu. Sobrava Zhu Youlang (1623-1662), Príncipe de Yongming e neto de Wanli (14.º imperador ming entre 1573 e 1620), que desde 18 de Novembro de 1646 ostentava o título de Imperador Yong Li (1646-1662) e fora para Zhao-

Em 1650, os manchus atacaram de novo Cantão com dois exércitos, capitaneados por Geng Jimao e Shang Kexi, cercando-a durante nove meses. A cidade foi conquistada em 25 de Novembro, morrendo mais de cem mil pessoas e três dias mais tarde, os manchus tomavam e saqueavam Guilin

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qing devido ao suporte de Qu Shisi, oficial militar ming com o cargo da defesa dessa província. Era também ajudado por três mandarins convertidos ao Cristianismo, assim como pelo eunuco Pang Tianshou, baptizado em 1628 pelo jesuíta Longobardi em Beijing, que o acompanhou sempre com grande fidelidade. Li Chengdong, ex-comandante da Dinastia Ming do Sul que liderava um grupo de tropas Qing, após capturar Cantão seguiu para Zhaoqing, de onde Yong Li se retirou e fugiu para Guilin. Em auxílio do imperador Macau enviou 300 soldados portugueses, sobretudo artilheiros, comandados por Nicolau Ferreira e ajudados por missionários jesuítas, que conseguiram acabar em Julho com o cerco feito desde Março de 1647 à cidade de Guilin. Expulsos os manchus, esta vitória foi o sinal para a revolta geral na China e não somente em Guangdong. Os manchus tinham deixado nos postos os governadores ming que se lhes submeteram, mas estes colocaram-se ao lado do Imperador Yong Li quando se começou a acreditar ser possível voltar a restabelecer a Dinastia Ming. Até 1649 os governantes de sete províncias (Yunnan, Guizhou, Guangdong, Guangxi, Hunan, Jiangxi, Sichuan) e de três províncias no Norte, Shaanxi, Shanxi e Gansu, assim como Fujian e Zhejiang, juntaram-se ao Imperador. Às suas forças aliaram-se ainda as do exército armado de camponeses que integrara o grupo de Li Zicheng e as tropas ming, até então associadas com as dos manchus. Em Guilin, o jesuíta alemão André Koffler baptizou em 1648 a Imperatriz Helena, esposa de Yong Li, assim como Ana, a mãe deste e o filho herdeiro, Constantino. Em 1650, os manchus atacaram de novo Cantão com dois exércitos, capitaneados por Geng Jimao e Shang Kexi, cercando-a durante nove meses. A cidade foi conquistada em 25 de Novembro, morrendo mais de cem mil pessoas e três dias mais tarde, os manchus tomavam e saqueavam Guilin. Nos finais de 1651 estava Yong Li reduzido às províncias de Yunnan e Guizhou e mesmo aí perseguido. Em 1656 o general Sun Kewang quis ocupar o lugar de Yong Li, sendo este protegido pelo general Li Dingguo que, após uma batalha, o levou para Yunnan. Derrotado, Sun Kewang passou com o seu exército para o lado dos manchu e perseguiu o imperador, que teve de fugir para Burma. Em 1661, Yong Li foi entregue aos manchus e por ordem do general Wu Sangui estrangulado em Yunnan a 11 de Junho de 1662.


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Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

6.5.2019 segunda-feira

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Os Hóspedes do Pavilhão das Orquídeas

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RANS Hals (1582? -1666) conseguiu transmitir aos seus retratos a sensação da descontração. A sua agilidade e a leveza contrastam com a tradicional formalidade deste género de pintura que era, no tempo e nas circunstâncias da Holanda da Reforma, o modo como os pintores colocados perante a diminuição do mecenato religioso, podiam sobreviver colocando a sua arte no mercado. Desejavam-na abastados comerciantes ou colectividades para comemorar eventos. É assim que Frans Hals irá fazer, por mais do que uma vez, o retrato conjunto dos oficiais da Companhia da Milícia de São Jorge de Haarlem. O sucesso do primeiro deles em 1616, de um conjunto de três com o mesmo título, demonstra já a sua habilidade para construir uma cena dinâmica com vários intervenientes e iniciará uma obra reconhecida como das mais influentes da pintura europeia. O que nela está representado é uma celebração, uma festa com os participantes exibindo as suas fardas de gala e aonde não faltam uma porta, ou janela para o exterior, uma mesa e o vinho. A memória de uma alegre reunião, a celebração da hospitalidade mais do que um motivo para o facto artístico foi, por vezes, ocasião da emergência de uma revelação que faria coincidir a estética com a ética. Wang Xizhi (303-361) escreveu o prefácio de uma recolha de poemas compostos durante um encontro de 42 literatos em Shaoxing (Zhejiang) que se prolongará no tempo, sempre que hou-

ver um leitor para o que e como então se escreveu. É certo que a admiração da caligrafia do texto superou a do seu conteúdo mas a leitura do texto conhecido como Lantingji Xu, Prefácio da Colectânea do Pavilhão das Orquídeas, pode ser esclarecedora: «No nono ano de Yonghe, no início da Primavera tardia reunimo-nos no Pavilhão das Orquídeas, a norte da montanha Kuaiji para o Ritual da Purificação. Juntaram-se literatos jovens e maduros. Aqui, existem altas montanhas e colinas ingremes, densos arvoredos e bambus elegantes bem como um curso de água límpido que reflecte tudo em seu redor. Sentámo-nos junto de um braço artificial do rio por onde flutuavam cálices de vinho. Embora nos faltasse a música, o vinho e os poemas foram suficientes para partilharmos os nossos sentimentos. Quanto a este dia, há um céu claro e um ar fresco; acolhe-nos uma brisa leve. Olho para cima, o universo imenso, olho para baixo tantas composições (poéticas). Assim como o nosso olhar vagueia, assim o nosso espírito. Um verdadeiro prazer para todos os sentidos. Os conhecimentos feitos aqui rapidamente durarão uma vida inteira (…)» A caligrafia, o modo como isto está dito, será certamente o mais importante mas a correspondência com a narração também contribui para a recriação da atmosfera então vivida, como a festa que Frans Hals representou, fazendo passar através ao pincel a imponderável sensação da leveza.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 6.5.2019

Meu tão certo secretário Rita Taborda Duarte

“Um Chouriço é tão Poético como uma Rosa”

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INDE cá, meu tão certo secretário, e de mansinho, aconchegado, acolhei estoutros versos que são teus; é que, se tudo vai sendo feito de mudança, tomando-se sempre de novas qualidades, se se converte, é certo, em choro, o doce canto, e a neve, como previsto, se sobrepõe ao verde manto; a bem da verdade, mesmo que tudo se transmude, sim, como soía, essa mudança, faz-se, ‘inda assim, de maior espanto. Debaixo do mesmo sol, a metamorfose é regra, não novidade: a crosta, sabemo-lo, altera-se mutante, encerrando no imo a mesma matéria. A pedra fóssil recobre o bicho antigo; o âmbar sobrepõe-se à resina; e é próprio da pérola ter o empedernido coração de um grão de areia. Assim corre a vida, também a poesia. A poesia está aí, no mundo, e mutatis mutandis, se rege pelas mesmas regras, mesma ciência: como ele, é cíclica, sim, em mutação, mas, no fundo, a mesma, sempre girando em torno da palavra, como a terra à roda do sol. Retoma novos atributos, sem perder os antigos. Tantas vezes, à poesia, então, não lhe basta por isso ser lida; há que ser manuseada, mas usando o corpo todo e os sentidos, para que lê-la seja literalmente testar-lhe as formas, os contornos e alterá-la, sim. A poesia, por vezes não se conforma à língua (um absurdo: o mesmo é que o dia não se queira sujeitar ao sol…). Mas o certo é que alguns leitores lhe adivinham o incorformismo; procuram, mansamente, satisfazer-lhe os desejos. Meu tão certo secretário, perguntais, já: «A que vem isto agora?». Que não? Que não perguntastes nada, que pensáveis até noutra coisa, distraído?... Pois tende paciência, e prestai atenção, que ainda assim te respondo: Tudo isto vem propósito de Alberto Pimenta, para quem «uma rosa é tão poética como um chouriço», tal como, para o outro, o binómio de Newton ganhava aos pontos à Vénus de Milo… Alberto Pimenta foi por estes dias duas vezes lido, duas vezes metamorfoseado, tomando-se sempre de novas qualidades, sem deixar, no entanto, de se mostrar como soía. A sua poética foi por duas vezes tomada e tornada corpo de performance. Dois modos distintos de a ler, mas mantidos num elo triangular, que fazem da poesia de Pimenta massa de modelar: poesia em processo de mutação e metamorfose; formas de leitura que actuam performativamente, poeticamente, até, nos seus próprios

os exércitos de guerreiros ávidos com tanta guerrilha ainda a devir? eu, se pudesse, escreveria sempre» (Manuel Rodrigues, Anastática, Abysmo, 2019)

textos: em primeiro lugar, o filme (que não documentário) de Edgar Pêra (com argumento do próprio Pêra e de Manuel Rodrigues), a que foi dado o título «O Homem-Pykante- Diálogos Kom Pimenta», e que estreou no «Indie», 2018 e que teve, agora, a sua estreia comercial. Esta leitura da sua obra transmutada em filme é uma poesia-performance em movimento, em que o acto de montagem se transfigura no procedimento de montagem/colagem da própria linguagem poética de Alberto Pimenta. Tratar-se-á da sua poesia feita corpo-em-movimento, sempre dando conta da incomodidade da língua, em que a poesia vive. Sim, há sempre que fazer sentir o peso da língua; este grilhão de que o poeta não se livra. Alberto Pimenta bem foi escrevendo, avisado,

Sim, há sempre que fazer sentir o peso da língua; este grilhão de que o poeta não se livra. Alberto Pimenta bem foi escrevendo, avisado, que «não há opressão maior/e mais infame que a da língua.»

que «não há opressão maior/e mais infame que a da língua.». Mas outra leitura-metamorfoseada foi lançada também por estes dias: a publicação de «Anastática para Alberto Pimenta», antologia poética de Manuel Rodrigues (Abysmo, 2019) e dedicada a Pimenta, com prefácio e selecção de Edgar Pêra. Estes poemas, assim dispostos, \assumem novamente um corpo performativo, de duplo efeito; por um lado, são lidos inevitavelmente com a voz espectral de Pimenta a assombrá-los; por outro, obrigam, em simultâneo, a reler a sua poesia, através do eco de Manuel Rodrigues. E, ao assumir-se Pimenta e a sua poética múltipla, prenhe de estilos, como o destinatário único de cada poema, ergue-se, audivelmente, do livro, um diálogo, a que o leitor assiste como espectador de uma cena dramática que se liberta das páginas. Poemas, portanto, que se tornam cena em acto, como se a língua não se bastasse a si mesma e se procurasse no texto o espectro de um corpo-destinatário: «Para Tal te Evitar» se eu pudesse morreria ao escrever um pintor que poderia desejar senão uma morte d’óleo diante à tela pianista o piano e cigala em cantante amador a mando que ama a valer _que quererão para boa morte_ esses povos sob mitos de recitar? ora, diz-me lá tu, que leste mais como crês que preferirão morrer

Bem o sabemos, desde Lavoisier, que nada é novo e tudo se transforma; mas que fazer, se nós, leitores e habitantes do mundo, todos à uma, vamos vivendo como se a vida e a poesia fora coisa nova, exultando-as, em plena liberdade do espírito: Assumimos o mesmo exacto espanto perante um poema (escrito, claro está, com a mesma massa da língua que nos oprime), assim como perante o sol nascente por cima de cada manhã, gratos pela beleza que mais não é, afinal, do que a prova do tempo a morder-nos as canelas..«[…]/Pois é: sempre o mesmo e/ sempre desencontrado, o tempo/com o tempo.//Ele destrói tudo./Destrói tudo./ Destrói tudo.// Como não havia de destruir-se a si mesmo? Levantar paredes/e deitá-las abaixo, /para poder levantar de novo…// - Não é o princípio/das estações do ano?/De que te queixas? » (Alberto Pimenta, Nove fabulo, o mea vox/De novo falo a meia voz, Pianola, 2016). A previsibilidade do sol, consabido, requentado, a pontuar de laranja o fundo do horizonte traz a mesmíssima novidade de um poema. Atrás de um, a angústia do tempo passando, atrás de outro, as grilhetas da língua, asfixiando: e perante esse espectáculo triste, nós leitores e habitantes do mundo, celebramos o espanto, ainda assim. Por isso, estas insistências, absurdas, mas tão essenciais, em transformar a obra em metamorfoses, oferendas, tributos, palimpsestos, como se pretendesse alongar o efeito do nascer do sol. Na sua lição de sapiência, na Universidade Nova de Lisboa, Pimenta explica, a dada altura, que os poetas seriam importantes para exprimirem o indizível: se fosse para dizer, tão só, o dizível, explicava, então, «não seriam necessários poetas, bastar-nos-ia a prosa.» Mas, atrever-me-ia a dizer que, neste ponto, talvez Alberto Pimenta não tivesse razão: os poetas não procuram sequer dizer o indizível. Pelo contrário, procuram criá-lo e fazer crer ao mundo a sua existência. Na verdade, todos sabemos que, provavelmente, no princípio não estava sequer o verbo. Mas quem sabe se estará no fim? Por isso, só por isso, não basta ler os poetas: às vezes é preciso transformá-los, continuá-los, para que o ciclo não se acabe, nunca.


16 desporto

6.5.2019 segunda-feira

AUTOMOBILISMO PILOTOS LUSÓFONOS DÃO BOA CONTA DE SI

Barcos-Dragão IAM chegou às meias na Malásia

A equipa do Instituto para os Assuntos Municipais esteve a participar num torneio de corridas de barcosdragão na Malásia, em Johor Bahur, e conseguiu o sétimo melhor tempo entre 15 equipas nos 200 metros. A prestação de sábado valeu a ida às meiasfinais. A formação da polícia da Malásia foi a grande vencedora. Já ontem, na vertente de 500 metros, a formação do IAM repetiu a façanha, mas voltou a ser eliminada nas meias. Desta vez conseguiu o oitavo melhor registo, entre as 14 equipas que disputaram esta categoria.

Liga chinesa Shanghai SIPG, de Vítor Pereira, sobe ao segundo lugar

O campeão Shanghai SIPG, treinado pelo português Vítor Pereira, subiu sábado ao segundo lugar da Superliga chinesa de futebol, ao vencer o Guangzhou R&F por 2-0, na oitava jornada. Com um início de campeonato em que consentiu já uma derrota e um empate, a equipa de Xangai garantiu o triunfo de sábado, graças aos golos de Li Shenglong, aos 60 minutos, e do brasileiro Hulk, aos 74. O triunfo mantém o Shanghai SIPG a cinco pontos do Beijing Guoan, que tem o pleno de oito vitórias, mas agora em segundo, um ponto acima do Guangzhou Evergrande, que sofreu a segunda derrota à oitava jornada.

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OUTHAMPTON e Guangzhou R&F vão defrontar-se no dia 23 de Julho no Estádio de Macau, uma quarta-feira, às 20h00, num encontro com o objectivo de celebrar o 20.º Aniversário do Estabelecimento da RAEM. Os pormenores sobre a partida foram revelados na última sexta-feira e os 10 mil bilhetes vão ser gratuitos. Segundo Pun Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto, esta iniciativa organizada a pensar nos residentes de Macau, turistas e

Feriado a acelerar

Na corrida de sábado, o experiente piloto macaense foi um dos vários desafortunados traídos pelas condições escorregadias da pista, tendo abandonado numa das escapatórias do circuito permanente da cidade chinesa adjacente a Macau. Souza não foi o único piloto da RAEM em pista, tendo Alex Liu Lic Ka, em Cupra TCR, completado a segunda corrida no nono posto.

Esta estratégia arrojada de manter Couto ao volante do carro italiano nº87 da equipa JLOC o maior tempo possível, resultou na medida que o Huracan GT3 vermelho rodou dentro dos lugares pontuáveis na classe nos turnos dos pilotos nipónicos Tsubasa Takahashi e Kiyoto Fujinami

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E VALENTE FAZ O MESMO EM ZHAOQING

período festivo da “Semana Dourada” do 1º de Maio foi bastante agitado para os pilotos lusófonos de automobilismo de Macau, com André Couto, Filipe Souza e Rui Valente a competirem em diferentes palcos. Couto regressou ao Japão para a segunda prova da temporada de 2019 do campeonato nipónico Super GT para disputar os “500 km de Fuji”. Depois do início de época em Abril, numa corrida encurtada no circuito de Okayama, em que ficou no 16º lugar, Couto e todo o pelotão do campeonato viram-se novamente a braços com condições climatéricas desfavoráveis na pista localizada nos arredores do icónico Monte Fuji. A forte chuva obrigou mesmo a que a corrida realizada na tarde

de sábado fosse momentaneamente interrompida. O Lamborghini Huracan GT3 do piloto português arrancou do 19º lugar da grelha de partida, entre os concorrentes da categoria GT300, e foi dos últimos carros da classe a realizar a primeira paragem nas boxes. Esta estratégia arrojada de manter Couto ao volante do carro italiano nº87 da equipa JLOC o maior tempo possívewl, resultou na medida que o Huracan GT3 vermelho rodou dentro dos lugares pontuáveis na classe nos turnos dos pilotos nipónicos Tsubasa Takahashi e Kiyoto Fujinami. Contudo, já nas voltas finais da corrida, este acabaria por cair para o 11º lugar, a primeira posição fora dos pontos. Couto voltará ao Japão para a terceira jornada da temporada no último

fim-de-semana de Maio, mas já esta semana viaja até à Tailândia para participar na segunda prova do campeonato Blancpain GT World Challenge Asia no traçado de Buriram.

SOUZA FAZ PÓDIO EM ZHUHAI

Filipe Clemente Souza aproveitou o regresso este fim-de-semana do campeonato TCR Asia Series ao Circuito Internacional de Zhuhai para conduzir novamente o Audi RS3 LMS TCR que tripulou no passado mês de Novembro no Circuito da Guia. Numa jornada que era também pontuável para o campeonato TCR China, Souza esteve em destaque ao conquistar o quarto lugar à geral na corrida disputada na tarde da pretérita sexta-feira, o que lhe valeu um lugar no pódio entre os participantes do campeonato chinês.

Ainda no Sul da China, nas redondezas da cidade de Zhaoqing, para ganhar ritmo de competição para a mini-temporada que aí vem do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS), Rui Valente participou na corrida de resistência de uma hora no Circuito Internacional de Guangdong. Correndo a solo e com o seu inseparável Honda Integra DC5 (N2000), o veterano piloto português terminou na segunda posição da geral, a uma volta do carro vencedor, um mais potente e moderno Volkswagen Golf TCR, conduzido pelos pilotos chineses do território Ng Kin Veng e Ip Tak Meng. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

Southampton vs. Guangzhou R&F em Julho Governo vai distribuir 10 mil bilhetes para o encontro no Estádio de Macau, no dia 23, às 20 horas

adeptos de futebol, envolve “vários jogadores de nível nacional” e terá um impacto “muito significativo durante este Verão”. De acordo com Pun este evento vai não só permitir “divulgar localmente a modalidade”, mas também “promover o desenvolvimento do desporto local ao exterior, atrair a vinda de turistas e demonstrar os

efeitos sinérgicos entre o desporto e o turismo”. Posteriormente o ID vai anunciar a forma como vão ser distribuídos os dez mil ingressos disponíveis. Antes dos encontros de ontem da jornada, o Southampton ocupava 16.º lugar, com sete pontos acima da linha de água. A equipa tem nos seus quadros o português Cédric

Soares, mas como este se encontra emprestado ao Inter de Milão não deverá estar presente no encontro. Tem ainda como jogadores mais conhecidos o médio espanhol Oriol Romeo, o internacional dinamarquês Pierre-Emile Højbjerg, o guardião Alex McCarthy e Danny Ings, este último emprestado pelo Liverpool. Já o Guangzhou R&F ocupa o 9.º

lugar da SuperLiga Chinesa e tem como principal figura o central Dusko Tosic, que chegou a actuar no Besiktas. Além da partida de futebol, o Southampton vai fazer um treino com a selecção de Macau, no que se espera que seja uma oportunidade para o “desenvolvimento do futebol local”. Sobre esta sessão de treino conjunta, Chong Coc

Veng, presidente da Direcção da Associação de Futebol de Macau, disse esperar que “a selecção de Macau participe activamente no treino” e que “o treinador e os jogadores possam aprender o sistema de treinos de equipas de elevado nível, estilo dos treinadores, as técnicas dos jogadores, e também as estratégias de jogo e treinos”. J.S.F.


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segunda-feira 6.5.2019

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2 0 7 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 20 MAX 24 HUM4 8 7 3 4 O QUE FAZER

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Diariamente 49 EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: 8 6 3DA COLECÇÃO 4 2 DO 9 MUSEU 5 7 OBRAS-PRIMAS NACIONAL DE ARTE DA CHINA” 9 1 7 6 8 3 0 5 MAM

1 0 2 4 2 5 4 0 1 7 6 9 3 8 EXPOSIÇÃO 0 7 | “100TH 2 8ANNIVERSARY 4 5 OF1THE3MAY9FOURTH 6 MOVEMENT IN CHINA” 6 4 1 9 7 2 3 8 0 5 IFT 5 8 0 2 3 4 9 1 6 7 EXPOSIÇÃO 7 3 | SEASON 9 5LAO6E HAGURI 0 SATO 8 2 4 1 Albergue SCM | Até 08/05 4 2 6 1 9 8 7 0 5 3 EXPOSIÇÃO 3 9 | “PHOTO-METRAGENS” 5 7 0 1 DE 4 JOÃO6 MIGUEL 8 BARROS 2 Oficinas Navais nº1 | Até 02/06 1 0 8 3 5 6 2 4 7 9 EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA MAM | Até 30/06

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0 3 7 1 4 6 9 0 2 1 8 3 Cineteatro 5 7 4 2 1 0 5 9 9 2 6 7 6 8 3 5 3 5 1 6 8 9 2 4 7 4 0 8

5 8 6 1 4 0 2 7 3 9

4 7 9 8 6 3 1 0 5 2

2 3 5 0 7 8 4 9 6 1

6 1 4 9 8 5 7 2 0 3

9 2 7 6 3 4 0 8 1 5

8 5 0 3 2 1 9 4 7 6

C I N E M A

53 5 1 7 3 2 4 8 9 6 0

2 8 6 1 0 5 9 3 4 7

9 4 0 7 3 8 6 2 1 5

8 5 3 2 1 6 4 0 7 9

6 9 2 0 5 1 7 4 3 8

7 0 1 4 8 9 3 5 2 6

4 3 9 6 7 2 5 8 0 1

0 6 4 8 9 3 1 7 5 2

1 7 8 5 4 0 2 6 9 3

3 2 5 9 6 7 0 1 8 4

0

50 8 2 3 0 4 9 7 1 5 6

1 7 4 3 6 0 5 2 9 8

6 5 9 2 1 7 8 0 4 3

9 1 6 4 8 5 2 3 7 0

7 6 5 1 2 8 0 9 3 4

0 4 2 7 3 6 9 8 1 5

3 8 0 9 5 4 1 7 6 2

4 3 7 8 0 1 6 5 2 9

2 9 8 5 7 3 4 6 0 1

A FACE DA GUERRA

51

17 2 5 8(f)utilidades 1 7 1 6 4 8 9 8 9 7 9 6 0 3 5 6 80-98% • EURO 9.05 BAHT 0.25 YUAN 1.19 1 7 2 8 0 1 8 5 0 0 3 4 1 6 9 5 4 2 4 1 2 0 9 1 VIDA DE CÃO 9 8 3 7 0 1 4 5 9 7 3 1 6 0 8 GANÂNCIA 3 2 7 6 3 0 2 9 7 4 5 6 8 3 0 1 7

1

MÁXIMA

55

36 8 3 1 47 24 60 2 9 5 5 69 2 4 3 75 8 6 21 57 0 0 2 0 1 35 64 99 52 7 8 6 3 1 5 7 45 0 2 86 3 91 9 8 4 6 1 03 54 91 8 0 5 89 6 2 7 9 2 2 66 7 0 8 89 53 45 14 1 3 5 39 8 27 4 1 72 3 90 6 4 8 7 62 76 03 90 5 4 41 9 8 8 94 3 6 39 1 7 8 10 5 2 7O primeiro-ministro israelita, 1Benjamin 2 ontem 6 que4deu5instruções 7 3 ao exército 8 00 Netanyahu, 89 95 anunciou

israelita para continuar com os "ataques massivos" contra alvos do Hamas e da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza. "Dei instruções ao exército para continuar os ataques massivos contra os elementos terroristas da Faixa de Gaza, e ordenei para que as forças estacionadas em redor da Faixa de Gaza fossem reforçadas com tanques, artilharia e tropas", disse.

52 8 2 7 0 5 4 1 6 3 9

4 1 6 8 3 7 9 2 0 5

5 9 3 2 1 6 0 4 7 8

6 4 5 1 2 0 8 3 9 7

3 7 9 6 8 5 4 0 1 2

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 52

0 8 1 9 7 2 6 5 4 3

2 5 0 3 4 9 7 1 8 6

7 0 8 4 6 3 2 9 5 1

9 3 2 7 0 1 5 8 6 4

1 6 4 5 9 8 3 7 2 0

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57

5 3 0 7 5 17 04 59 6 9 38 42 0 1

PROBLEMA 53

59

6 9 DOCUMENTÁRIO 0 5 3 7 1 8 2 4 HOJE 3 UM 2 1 7 0 4 9 8 3 5 6 8 4 8 5 9 6 2 1 8 6 3 5 0 4

A cena mais icónica do 3 filme 0 6O Bom, 4 5 O Mau e o Vilão 7 3 1no final, 6 0 acontece quando se dá o duelo 5 2 8 7 9 final, no cemitério, que 0 curiosamente 4 9 2 foi1 construído só para o 1 6pelo2exército 8 7 filme espanhol, em 1966. 9 7 4 3 8 Neste documentário, uma 8 equipa 5 3de filma1 2 gens volta ao local, mais de 40 anos depois, e volta a explorar esta cena icónica. João Santos Filipe

3 7 2 4 5 0 6 9

7 2 9 1 6 4 5 0

0 8 4 3 7 9 1 6

1 9 5 0 8 3 2 7

6 2 4 3 1 7 8 0 15 59

5 0 4 6 1 7 2 9

4 1 9 3 8 2 7 0 5 6

89 58 1 20 12 66 5 04 3 7 6 7 2 1 0 5 9 4 8 3

1 99 27 05 0 2 4 46 8 3 7 2 0 5 6 9 4 1 3 8

5 03 10 41 9 8 7 52 6 4 5 6 8 4 3 0 2 9 1 7

48 36 2 64 73 25 1 87 9 0 9 0 4 8 1 7 3 2 6 5

4 7 8 2 6 0 3 9 51 25 1 3 7 9 2 8 5 6 0 4

0 4 9 56 45 01 2 63 97 8

37 1 56 9 8 3 0 15 4 42

S U D O K U

ESTA SEMANA

50

2 5 3 8 7 4 9 1 0 6

56

O52 filho do agente imobiliário foi atropelado num parque no Iao Hon. O outro 8 6 4 7 23 10 0 8 9 rapaz era mais velho, uns quatro anos, e chamar-lhe 2 81 à2razão 1 não7 era98suficiente. 5 3 O 03 agente queria mais, queria uma compen5 19 nesta 9 03 3 41 terra 60 tudo 58 7 sação financeira porque funciona a dinheiro e as contas do hospital, 5 9 21 46 89 33 7 6 devido às “muito graves” escoriações, não 13 a si. 7 Vai5daí9o homem 0 2obrigou 6 30 se pagam o rapaz de 9 anos a levá-lo à casa do avô. 3 5do idoso 4 1que 21 7porta8da 6 Foi já à0 residência exigiu 2 uma 3compensação. 48 84 76Face97 a 0inú- 5 meras ameaças, contou a PJ, o avô disse 7 14 a polícia. 03 60 Foi35o erro 81 fatal. 29 4 que ia chamar O agente imobiliário não hesitou e lidou 3 30 5 9 01 64 1 4 86 com este “trapaceiro” com um murro. No9dia4 seguinte 6 8o avô52morreu 23 7devido 9 à1 agressão. O caso aconteceu na semana passada e devido à visita do Marcelo passou 54 mais despercebido do que devia. No entanto, alguém fica verdadeiramente surpreendido 9 1 Nesta 3 0 6 6 8com7o que4aconteceu? terra, e no que diz respeito à maioria 2 07imobiliários, 90 64 79não8existem 53 3 dos agentes infortúnios, não existem brincadeiras, 18 3 4 5 2 0 7só 60 existem oportunidades de lucrar, de sacar mais um 50pagamento, 2 64 uma 05 comissão. 11 97 4E o 88 pior é que em nome de uns tantos esta 03 5é cada 16vez20mais38incentivada. 62 8 74 mentalidade E com protecção política, diga-se. 42 7 87 99 56 34Apesar 2 13 das inúmeras ilegalidades dos agentes, na 74 9Legislativa 32 11 os83“trapaceiros” 45 6 57 Assembleia são sempre os outros. Mesmo quando os 3têm dificuldades 4 2 7 em6efectuar 5 0 9 agentes6 des- 9 pejos, porque contratos 8 14não03declaram 38 40os 7 6 95 2 para não pagarem os impostos, os outros 9 “trapaceiros”. 6 5 8 Está 0 enraizado. 2 1 4 8 são é que João Santos Filipe

58

60

2SAD 8HILL0UNEARTHED | 2017 8 |3GUILLERMO 4 9 2 0 7 5 DE OLIVEIRA 4 5 9 7 2 1 8 3 5 6 0 3 6 1 6 5 0 2 4 1 9 7 6 2 7 9 0 3 5 8 7 1 6 9 7 5 1 9 2 6 0 4 3 8 1 4 3 4 6 8 3 7 2 5 9 8 0 6 0 7 5 1 6 9 4 2 5 3 8 2 1 6 0 9 3 8 4 7 9 4 3 8 7 4 5 6 0 1 0 1 2 5 4 9 7 1 8 2 3

AVENGERS: ENDGAME SALA 1

AVENGERS: ENDGAME [B]

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 14.30, 17.45, 21.00

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 16.45, 20.00

AVENGERS: ENDGAME [B]

SALA 2

P STORM [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, Kevin Cheng, Raymond Lam, Lam Ka Tung, Chrissie Chau 14.30

SALA 3

HOTEL MUMBAI [C] Um filme de: Anthony Maras Com: Dev Patel, Armie Hammer, Jason Isaacs, Nezanin Boniadi 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

51 66 8 0 4 7 1 9 22 30

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6 4 3 2 5 1 8 7 9 0


18 opinião

6.5.2019 segunda-feira

reencarnações

P

OR vezes só precisamos mesmo de um abraço. A vinda de Marcelo Rebelo de Sousa a Macau foi um festim de política emocional no seu aspecto mais benigno, um aconchego institucional à carência desterrada. Primeiro, alastrou-se um leve resmungo de protesto, pelos cantos até chegar à superfície, face ao pouco tempo que o Presidente estaria no território, como um pai que se ausenta em negócios a maior parte do ano. Depois tudo ficou para trás face ao calor do abraço presidencial. Marcelo é um emo-presidente, a consubstanciação política do sentimento que brota do solo nutrido por anos de presença paternal televisiva e relativo afastamento da arena ideológica. Na realidade, o professor nunca se coibiu de ter uma voz política, mas fê-lo, quase sempre, de uma forma supra-partidária, pairando acima do lodo partidário, como um ente supremo e omnipresente, sorrindo em horário nobre a uma nação de pupilos. A sua presidência mantém essa qualidade paternal, não no sentido pernicioso do único salvador capaz de proteger a ninhada contra o mundo iníquo dos predadores sanguinários, mas como uma âncora afectiva que nos amarra a um porto de decência e compreensão. Os jornais multiplicam-se em letras gordas que anunciam afectos, como se a amor fosse uma ferramenta política despida da necessidade de acção. Em Macau não há desemprego, nem salários de 700 euros para pagar rendas de 300. Por cá, sente-se a vertigem da opulência e a facilidade de um conforto exilado. Não precisamos tanto de actos, de acção de um Estado que nos valha. Mas, pelos vistos, precisamos muito de colinho, somos carentes politicamente, queremos mimo e reconhecimento de existência do coração português. Queremos encurtar a distância com empatia institucional, algo que sempre nos foi vedado por gerações de políticos frios e padrastos na acepção ruim dos contos de fadas. É desta familiaridade entre o tosco e o amoroso que somos carentes. Investimentos financeiros, apoios à fixação de empresas, relações diplomáticas, visões geopolíticas e economia global são minudências de circunstância face à necessidade de calor humano, uma selfie e uma simples troca de palavras de apreço. Queremos amor do Chefe de Estado, carinho do mais alto magistrado da nação. Continuamos a precisar de um pater politicus, da autoridade que nos assegure que tudo vai ficar bem no fim, que com fé e aplicação as nossas preces serão ouvidas, a figura sebastiânica que nos segure pela mão e nos guie face à evidência de que não

Marcelo

somos suficientes para acudir às nossas próprias aflições. Marcelo é também um político que soube ler o zeitgeist. Voltámos a uma era de política identitária e emocional. Discursos ideológicos são coisas do passado. Nestes dias queremos panaceias para os mil e um medos que cultivamos, procuramos remédios para os traumas e

carências afectivas que enfrentamos. Vivemos num tempo em que as soluções pragmáticas e científicas são vistas pelo prisma da frieza tecnocrática. Queremos uma reforma do coração, algo de mais fofo que nos toque, que puxe ao sentimento, não fossemos nós uma nação sentimentalona de gargantas de fado embargadas pelo emoção e olhos sempre à beira do dilúvio.

“Marcelo é um emo-presidente, a consubstanciação política do sentimento que brota do solo nutrido por anos de presença paternal televisiva ... um ente supremo e omnipresente, sorrindo em horário nobre a uma nação de pupilos.”

JOÃO LUZ

Felizmente, esta necessidade de submissão à política emocional ainda não nos levou para os braços de um padrasto vingador, do punho autoritário que nos puxa do parque porque todos os outros meninos são uma ameaça às nossas fronteiras emocionais e aos nossos recursos de nervo e pulso. Para já, um Marcelo chega bem, sem fazer lembrar outros Marcelos. Para já, este abraço aquece sem sufocar, puxa-nos para perto do peito sem nos esmagar. Mas andaremos sempre a passear numa linha ténue entre a perdição e a liberdade quando somos tomados pela paixão desmedida e a carência de colo político.


opinião 19

segunda-feira 6.5.2019

editorial

CARLOS MORAIS JOSÉ

OR ocasião da visita do presidente Marcelo, entendem alguns que Lisboa não faz o suficiente para deter o que vêem como um erodir dos valores democráticos em Macau, tal como foram proclamados na Declaração Conjunta e plasmados na Lei Básica. Por exemplo, Marco Carvalho escreve no seu blogue: “Para Lisboa, o facto da ideia de democratização só pontificar, em Macau, nos dicionários é uma circunstância que nem aquece, nem arrefece. O Chefe do Executivo é eleito por 400 predestinados? A Assembleia Legislativa está nas mãos de acólitos nomeados pelo Governo ou eleitos por via indirecta? Os trabalhadores não são livres para se constituir em sindicatos e o direito à greve não está legislado? E então?”, dando a entender que perante estes aspectos descritos deveriam o Presidente da República e o Governo português tomar uma dura posição. Ora parece-me existir aqui um pensamento apressado, órfão da história, bem intencionado no seu âmago, é certo, mas ainda assim atascado em preconceitos que ignoram de onde vimos e como chegámos aqui. Ou seja, por outras palavras, que cidade, que sistema político, que economia, que práticas administrativas e correntes, receberam os actuais donos da RAEM há 20 anos? Primeiro, a questão da eleição do Chefe do Executivo. Como se sabe, o Governador português era nomeado pelo Presidente da República, escolhia discricionariamente os seus Secretários e caía aqui de pára-quedas. Ponto. A tal comissão de “400 predestinados” é, ainda assim, um passo positivo no sentido da representividade democrática e se não estamos este ano a votar para eleger um novo Chefe, entre candidatos não rejeitados por Pequim, tal deve-se à praga amarela que infestou Hong Kong e impediu a ex-colónia britânica de dar mais um passo no sentido do sufrágio universal. Um passo muito mais importante do que nos tentam impingir os vendedores de democracia enlatada e de consequências imprevisíveis, pois os cenários daí resultantes repousariam na imponderabilidade do acto eleitoral. Por contágio, por medo, sem uma razão da mesma ordem, Macau viu igualmente o caminho para o sufrágio universal suspenso. Na mesma várzea, seria igualmente importante reflectir se o sufrágio universal tem aplicabilidade numa região especial como Macau, cuja economia depende quase exclusi-

ANTÓNIO FALCÃO

P

Lisboa não tem moral para dar lições a Pequim sobre Macau

vamente do Jogo, cujos lucros atingem valores astronómicos e cuja população apresenta uma maturidade cívica e política que a prática eleitoral tem demonstrado assustadora. Poderá esta cidade ser deixada entregue a si própria quando, enquanto porto franco de vários comércios e espaço de Jogo, está aberta e sujeita à erupção de fenómenos que fundem política e crime? Não assistimos já a tentativas no passado, com ramificações podadas no presente? Fica o repto. Quanto à Assembleia Legislativa, assistimos neste vinte anos a um alargar tímido da representividade democrática. Sem pôr em questão o sistema, o peso dos deputados eleitos directamente cresceu, o que em muito pouco alterou ao hemiciclo o papel de “carimbo” das políticas e das propostas de lei do Governo. Como sempre o fora. É preciso compreender que “segundo sistema” foi o nome dado às práticas políticas, cívicas, económicas e sociais que vigoravam em Macau e Hong Kong antes das transferências de soberania e estas não eram propriamente um hino à democracia, em termos de representatividade, nem os Governos agiam de forma transparente e democrática. Havia, com certeza, nas duas últimas décadas de presença europeia, liberdade de expressão, de reunião, de imprensa, etc., mas o povo não escolhia os seus representantes, não piava quanto às políticas implementadas

e o seu voto só preenchia uma parte menor dos respectivos hemiciclos. AAssembleia Legislativa sempre esteve “nas mãos de acólitos nomeados pelo Governo ou eleitos por via indirecta” (isto é o segundo sistema!), embora nestes 20 anos se tenha relativamente “democratizado”, sem que isso tenha beliscado os interesses instalados. Portanto, estamos a falar de quê?

Queriam que Lisboa exigisse a Pequim o que nunca exigiu a si mesma? Ou esquecemos que o nosso segundo sistema era uma quase ditadura militar, infestada por corruptos e especialista no abuso de poder contra os que não alinhavam e não eram “bons portugueses”? A quantos despedimentos do estilo Cardinal-Taipa ou pior, em que se perseguia toda a família, não assistimos nos anos 90?

Queriam que Lisboa exigisse a Pequim o que nunca exigiu a si mesma? Ou esquecemos que o nosso segundo sistema era uma quase ditadura militar, infestada por corruptos e especialista no abuso de poder contra os que não alinhavam e não eram “bons portugueses”? A quantos despedimentos do estilo Cardinal-Taipa ou pior, em que se perseguia toda a família, não assistimos nos anos 90? Ou seja, por que razão estranha e descabida Macau — a cidade-casino, frequentada por tríades e empresários de reputação duvidosa, cuja população, na sua maioria chegada há uma geração, nem identidade local tem e vota nos seus conterrâneos — se tornaria numa democracia plena, em roda livre governada pelas suas gentes, nas costas de Pequim? Era esta gente que ia gerir à tripa-forra o patacame do Jogo? Havia de ser lindo... Mantenham-se os direitos políticos e civis garantidos pela Lei Básica, aprofunde-se a participação cívica e que venha o sufrágio universal, restrito a candidatos não rejeitados por Pequim. Outros caminhos conduzem à catástrofe. E, nem que seja por pudor, já que realismo parece não funcionar, inibam-se os que entendem estar Portugal em posição de dar lições à China sobre Macau. Não está. Se a língua portuguesa aqui ainda é falada e tem estatuto, isso deve-se a Pequim e não a Lisboa. Entre muitos outros aspectos que negar roça, no mínimo, a ingratidão...


O homem mais forte do mundo é o mais solitário. Henrik Ibsen

PYONGYANG KIM JONG-UN SUPERVISIONOU DISPAROS PARA O MAR DO JAPÃO

TAILÂNDIA REI VAJIRALONGKORN COROADO NO PALÁCIO REAL

O

PUB

rei Vajiralongkorn da Tailândia foi sábado coroado numa sumptuosa cerimónia no Grande Palácio Real, em Banguecoque, quase três anos depois de ter sido proclamado rei após a morte do seu pai, Bhumibol Adulyadej. O monarca de 66 anos foi acompanhado pela sua mulher, a rainha Suthida, general da força de segurança do palácio e ex-comissária de bordo, com quem casou na semana passada. Para além de Suthida, estiveram ainda presentes membros do Governo e do Conselho Privado do rei. Pelo menos 10 mil membros das forças de segurança foram mobilizados em torno do palácio, onde as cerimónias de coroação durarão até esta segunda-feira com um orçamento de 1.000 milhões de bat (cerca de 27,9 milhões de euros). Vajiralongkorn, décimo monarca da dinastia Chakri, foi proclamado rei em Dezembro de 2016, três meses após a morte de seu pai, o rei Bhumibol Adulyadej, que reinou por sete décadas. Na sexta-feira, Vajiralongkorn aprovou um decreto real que concede um indulto em massa, que poderá beneficiar centenas de prisioneiros tailandeses. “O rei está consciente de que a auspiciosa ocasião da coroação é considerada um evento especial e, num acto de graça real, considerou adequado conceder indultos para presos que lhes dão a oportunidade de ser bons cidadãos que fazem boas acções para o futuro da nação”, refere o decreto publicado na Gazeta Real. Desconhece-se o número de presos que poderão beneficiar do indulto, que está em vigor desde de sábado. Os condenados à morte verão a sua sentença comutada para prisão perpétua, contanto que não tenham beneficiado de um indulto anterior.

segunda-feira 6.5.2019

PALAVRA DO DIA

A

Células proibidas Descoberta clínica privada que disponibilizava tratamentos sem autorização

O

S Serviços de Saúde de Macau (SSM) descobriram no território uma clínica privada que se propunha a disponibilizar a futuros pacientes tratamentos que vão contra a lei que determina o licenciamento de entidades que prestam tratamentos no sector privado. Já está a decorrer um processo de averiguações por parte dos SSM. De acordo com um comunicado oficial, os SSM foram informados do sucedido através de uma denúncia anónima de um residente, que “alertou para a descoberta online da eventual criação de um laboratório e centro médico (Macau) da Alemanha LDG”, que, alegadamente, será “uma instituição médica especializada em células imunológicas, estabelecida em Macau pelo Grupo Médico Alemão LDG – SOP, fornecendo serviços de tratamento para pacientes oncológicos, com uma tecnologia patenteada LANEX-DC do Grupo”. Os SSM asseguram que o “Centro Médico (Macau) da Alemanha LDG” é a mesma entidade que o “Centro Médico (Macau) LDG”. Foi essa mesma entidade que obteve, em Janeiro deste

ano, o alvará do estabelecimento para o exercício da actividade de cuidados de saúde. Contudo, e de acordo com os SSM, “o nome da tabuleta na foto (Centro Médico Macau da Alemanha LDG) não corresponde ao nome do estabelecimento autorizado”, não tendo sido “pedida a apreciação e aprovação da publicidade médica junto dos Serviços de Saúde”. “Além disso, o Centro não foi autorizado para prestar os serviços de terapia celular imunológica”, aponta o mesmo comunicado.

NO LOCAL

Na sexta-feira os SSM enviaram pessoal ao local descrito na denúncia anónima, que se situava na

“Nenhum estabelecimento privado de cuidados de saúde de Macau foi autorizado pelos Serviços de Saúde a realizar a terapia celular imunológica tumoral”. SERVIÇOS DE SAÚDE

zona do NAPE. Aí, “verificou-se que a tabuleta do centro intitulada ‘Centro Médico (Macau) da Alemanha LDG’ tinha sido demolida e que no local havia obras de remodelação”. Os SSM concluíram que “as instalações do estabelecimento não estão em conformidade com o projecto arquivado pelos Serviços de Saúde e que alguns instrumentos e equipamentos do estabelecimento não foram comunicados aos Serviços de Saúde”. Os SSM concluíram também que a clínica disponibiliza tratamentos na área da análise sanguínea de rotina e a cultura estéril, sendo que “nunca foi autorizado para prestação da terapia celular imunológica em combate a tumores”. A entidade dirigida por Lei Chin Ion alerta para a existência de “grandes riscos com a aplicação da terapia celular auto-imune e de requisitos rigorosos para instalações e equipamentos, qualificações de profissionais, procedimentos operacionais”. Isto leva a que, actualmente, “nenhum estabelecimento privado de cuidados de saúde de Macau tenha sido autorizado pelos Serviços de Saúde a realizar a terapia celular imunológica tumoral”.

Coreia do Norte procedeu a ensaios de lança-foguetes múltiplos de longo alcance e de armas tácticas teleguiadas no decurso de exercícios supervisionados pelo líder Kim Jong-un, referiu no sábado a agência noticiosa estatal KCNA. A agência precisou que os disparos ocorreram no sábado, quando a Coreia do Norte também efectuou disparos de projécteis de curto alcance em direcção ao mar do Japão. “Após determinar a ordem e o procedimento de ataque, [Kim Jong-un] deu a ordem de fogo”, revelou a agência. “O objectivo destes exercícios consistiu em inspeccionar as capacidades operacionais e a precisão do disparo de lança-foguetes múltiplos de grande calibre e de longo alcance e ainda armas tácticas dirigidas”, indicou a KCNA, acrescentando que os disparos foram enviados na direcção do mar do Japão. Seul instou no sábado Pyongyang “a pôr fim a acções que activam a tensão”, referindo-se ao lançamento de mísseis de curto alcance, na mensagem mais dura de Seul desde que se iniciou a aproximação entre as duas Coreias. “O lançamento de vários mísseis de curto alcance da Coreia do Norte viola o espírito do acordo de 19 de Setembro”, é referido num comunicado do Governo sul-coreano, referindo-se à declaração assinada na cimeira entre as duas Coreias em Pyongyang do ano passado. Este lançamento de mísseis pela Coreia do Norte ocorre numa altura de estagnação no diálogo sobre a desnuclearização com os Estados Unidos e parece indicar uma crescente impaciência de Pyongyang, que exige a Washington uma proposta de desarmamento mais flexível e acompanhada de um levantamento gradual das sanções. O lançamento de sábado aconteceu pouco mais de uma semana depois da cimeira entre o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o Presidente russo, Vladimir Putin, em Vladivostok.

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Hoje Macau 6 MAI 2019 # 4282  

N.º 4282 de 6 de MAI de 2019

Hoje Macau 6 MAI 2019 # 4282  

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