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Director c a r l o s m o r a i s j o s é • s e x ta - f e i r a 6 d e m a i o d e 2 0 1 1 • ANO X • Nº 2363

tempo muito nublado min 23 max 29 humidade 60-95% • câmbios euro 11.9 baht 0.26 yuan 1.23

os americanos em macau

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Lei de Imprensa vai custar milhões É a auscultação pública que os profissionais dos órgãos de comunicação não entendem. Mas o governo insiste em levar a coisa para a frente. Assim, para saber o que pensa a população da revisão da Lei de Imprensa, está disposto a gastar alguns milhões do erário público. >Página 4

opinião Carlos Morais José

Uma visita ao museu e outros temas • página 17

Jorge Rodrigues Simão

educação, sociedade e ambiente • página 19

O ar que respiramos

Primeiro de Maio

• h 12

• página 6

A coisa não está nada boa

Democratas ao ataque

Sou Chio Fai, em entrevista, afirma

“Agora percebe-se a importância da língua portuguesa” É a primeira entrevista que dá depois de ter deixado os Serviços de Educação e Juventude e assumido o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. Sou Chio Fai analisa a realidade do ensino na RAEM, onde entende ser fundamental uma reforma curricular. Até para que possa competir com a assanhada vizinhança. > Centrais


sexta-feira 6.5.2011 www.hojemacau.com.mo

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actual

Legislação chinesa diminui crimes puníveis com pena capital

“Encarnar a humanidade do país”

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ovas alterações à legislação chinesa entraram em vigor no domingo, excluindo 13 tipos de crimes de serem puníveis com a pena de morte. Entre estas modificações, surgiram ainda aumentos nas sentenças para os produtores de alimentos contaminados e para quem conduza depois de ingerir bebidas alcoólicas. Apartir de agora, os 13 crimes que não são mais passíveis de morte são principalmente de ordem financeira e não violenta e incluem fraude fiscal e “actividades fraudulentas fiscais”,

avançou o jornal China Daily. O contrabando de relíquias culturais e o comércio de espécies selvagens ameaçadas ficam também de fora da lista dos crimes aptos à sentença de morte.

A publicação chinesa avança ainda que as alterações foram apresentadas ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional para a primeira revisão em Agosto do ano passado, na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal Popular, em 2007, que ditou que deveriam ser revistas todas as decisões judiciais que envolvessem a pena capital. Na nova legislação, a pena de morte não será imposta a pessoas que têm 75 ou mais anos de idade na época do seu julgamento, salvo se forem crimes que envolvam “extrema crueldade”. No passado, as

Estudo | Afinal o arroz só tem uma origem

Totalmente made in China U

ma equipa de investigadores estudou o genoma do arroz interpretando a sua história evolutiva ao longo de milhares de anos. Os dados obtidos revelam que o arroz terá sido originado há cerca de 9000 anos no vale Yangtze, na China. Muitos estudos anteriores sugeriam que o arroz tinha duas origens distintas, a China e a Índia, e davam força à perspectiva de terem existido domesticações paralelas em diferentes locais da Ásia, devido às grandes diferenças genéticas encontradas entre as subespécies da Índia e da China. Neste estudo, os investigadores, utilizando modelos mais modernos, conseguiram determinar que as duas subespécies de arroz são geneticamente mais próximas entre si do

únicas excepções eram feitas para os infractores menores de 18 anos ou mulheres grávidas no momento do seu julgamento. As alterações visam “temperar a justiça com misericórdia” e “encarnar a humanidade do país”, disse Guifang Li, vice-presidente do comité de defesa criminal da Associação Chinesa dos Advogados, ao China Daily. O responsável ressalvou que esta é a primeira vez desde que o Direito Penal entrou em vigor em 1979 que o país tem reduzido o número de crimes sujeitos à pena de morte, o

que destaca “o respeito à vida e à protecção dos direitos humanos” no país, segundo Guifang Li em declarações ao jornal chinês. Também no dia em que se assinalou o Dia do Trabalhador, o Código da Estrada da China sofreu alterações, acrescentando punições mais severas para os motoristas que conduzam de forma perigosa, negligente ou sob o efeito de álcool, ficando estes sem renovação da carta de condução por um período de cinco anos. De acordo com a lei de trânsito que foi alterada, os condutores com fins lucrativos, tais como motoristas de táxi, vão ainda enfrentar uma revogação de licença de dez anos, além de uma multa de 5000 yuans. Com estas alterações, o Direito Penal chinês encurtou a lista de crimes passíveis de punição capital, passando dos 68 existentes para os 55 actuais.

Quer um vestido de noiva igual ao de Kate?

que cada uma delas com a espécie selvagem, sugerindo que terão uma origem comum. Além disso, os modelos de sequenciação de fragmentos de genes produziram resultados mais consistentes com a hipótese de origem comum. O arroz (“Oryza sativa”) é uma das culturas mais antigas do mundo e hoje apresenta já dezenas de milhares de variedades, na sua maioria pertencentes às subespécies japónica e índica. Agora, de acordo com dados arqueológicos que demonstram a domesticação do arroz na vale Yangteze há 8000-9000 anos atrás, os investigadores indicam que a separação das subespécies japónica e índica, terá ocorrido apenas há 3900 anos.

Ásia | 3 MIL MILHões de pessoas na classe média até 2050

Novos ricos alastram-se A

Ásia terá a sua classe média aumentada em mais três mil milhões de pessoas na metade deste século se continuar o crescimento económico actual e solucionar alguns dos riscos da sua economia, indicou ontem o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD). Num relatório apresentado na sua reunião anual em Hanói (Vietname), o BAD ressalta que se for mantida a mudança do centro de gravidade da economia

mundial em direcção à Ásia, o continente pode acumular mais da metade da produção, do investimento e do comércio mundial em 2050. No cenário mais optimista previsto pelo organismo, o Produto Interno Bruto (PIB) asiático alcançaria 148 triliões de dólares em meados deste século, enquanto a renda per capita ficaria em 38.600 dólares, acima do valor de 36.600 dólares projectado para a

média mundial. No entanto, o BAD projecta outra situação no caso de as economias de China, Índia, Indonésia e Vietname registarem queda em suas taxas de crescimento ao alcançarem certo nível e observarem a estagnação de suas receitas na próxima década. Nesse caso, a Ásia representaria apenas 32% do PIB mundial em 2050, e o PIB per capita não superaria 20.300 dólares.

O vestido de noiva de Kate Middleton fez suspirar várias noivas um pouco por todo o mundo e promete ser um verdadeiro sucesso em termos comerciais. O vestido já está a ser copiado por vários estilistas que não têm mãos a medir para tantas encomendas. A China promete responder a este desafio e já fala mesmo em vender o mesmo modelo, mas em versão “low cost”. Os vestidos poderão ir dos 800 aos 1000 patacas e a entrega poderá demorar entre os 15 e os 20 dias. Para aqueles que querem apenas admirar o vestido sempre podem ver uma réplica do modelo num centro comercial em Belfast, na Irlanda do Norte.


Uma terra sustentada por casinos tem a obrigação de gastar o dinheiro em iniciativas culturais, no sentido de proporcionar à sua população uma cultura de cariz universal, que a coloque no mundo; e aos turistas agendas culturais de grande prestígio que sirvam de alternativa aos casinos, às lojas de ouro, carne seca e bolachas. Carlos Morais José P.17

Escritora e jornalista critica falta de progresso no continente

“A China está em ebulição”

N

a China há uma tensão crescente que pode degenerar numa revolta se não houver progressos visíveis na liberdade de expressão, justiça e educação, afirmou em entrevista à Agência Lusa a jornalista e escritora chinesa Xinran. “Neste momento há muita tensão acumulada. A China está em ebulição, a uma temperatura muito elevada (…) Se a liberdade de expressão, a justiça e a educação não melhorarem verdadeiramente, a China vai ter grandes problemas”, disse. Para a autora, que esteve esta semana em Lisboa para lançar o seu último livro, “Mensagem de uma Mãe Chinesa Desconhecida”, a China vive uma situação ímpar, 30 anos depois de iniciar um processo de abertura ao mundo que ainda não permitiu mudar nem acomodar os valores de 500 mil anos de civilização. Com o número crescente de chineses que viaja para o Ocidente e uma nova geração “que não teve uma educação suficiente e vive de televisão, computador e telemóvel”, não há “tempo para abrandar, para pensar no que é o melhor para o futuro da China” equilibrando tradição e modernidade. “As mudanças são muito rápidas e vão colidir com uma tradição imensa. Não temos as crenças, a religião, a ideologia, a educação, nem o dinheiro. Se o fizerem [uma revolta], façam-no rápido. Se houver uma guerra, se houver outra revolução, este país morre”, disse.

Xinran, que tem 53 anos, tornouse conhecida pelos seis livros que escreveu sobre a condição feminina na China, editados em dezenas de países mas proibidos no seu. No entanto, ao mesmo tempo que declara o seu apoio inequívoco à defesa dos direitos humanos, reprova as críticas do Ocidente à China nesta matéria: “Os direitos humanos tornaram-se um jogo político”. “Os ocidentais usam o seu conhecimento para julgar a China antes de

entenderem a China. É injusto”, diz, quando aborda os casos de Liu Xiaobo, detido desde 2008 por “incitamento à subversão contra o Estado”, e Ai Weiwei, detido desde Abril por “crimes económicos, bigamia e difusão de imagens pornográficas”. Liu Xiaobo foi distinguido em 2010 com Nobel da Paz. As autoridades chinesas criticaram a decisão e não o autorizaram, nem à família, a viajar para Oslo para receber o prémio.

“Os ocidentais nunca pensam por que razão isso acontece. Por que razão há tantos chineses contra a decisão ocidental? Podemos compreender que o governo discorde, mas por que discordam os chineses? Porque lhes disseram que Liu traiu os seus amigos e isso contraria os valores chineses”, disse. O caso de Ai Weiwei é diferente: “Ai Weiwei é uma pessoa muito inteligente, admiro-o verdadeiramente. Usou a sua arte para desafiar o governo e apoiá-lo-ei sempre. Mas infelizmente é hoje popular entre os artistas ter mais de uma mulher. Essa é a verdade”. Xinran admite que “de alguma maneira o governo o atacou devido à sua expressão política”, mas o artista cometeu um crime e, como tal, “deve ser tratado como os outros”. A autora critica a forma como alguns chineses, especialmente os que são célebres, se aproveitam da situação “para fazerem certas coisas, e depois dizerem ‘oh, o governo castigou-me’”: “Vamos ser claros - não temos um sistema legal independente e ambos os lados jogam com isso”. Volta a criticar o Ocidente quando fala da morte de Osama Bin Laden. “Ainda ficamos contentes por matar uma pessoa. Ele matou os nossos e nós vamos matá-lo. É isso que estamos a dizer? Quem nos deu esse direito? Porque é que continuam a usar a morte em vez da justiça? Seremos civilizados?”, questiona.

Relações sino-norueguesas em maus lençóis

Desculpas pelo Nobel da Paz O

governo da Noruega vai ter de pedir desculpas por entregar o prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo, se desejar que as relações entre aquele país e a China “sejam reparadas”. Segundo a edição de ontem do jornal South China Morning Post (SCMP), Tang Guoqiang, embaixador chinês na Noruega, afirmou que a escolha do Nobel dificultou em muito as relações entre os dois países. À margem de uma competição em língua chinesa, levada a cabo pelo Instituto Confúcio em Bergen, Marit Warncke, director da Câmara de Comércio da cidade, disse acreditar que “Tang Guoqiang crê que a Noruega foi desrespeitadora para a China e que pedir desculpa era a coisa certa a fazer”, avança o mesmo jornal. Tang Guoqiang fez um discurso onde referiu

que os danos na relação entre os dois países só podem ser rectificados se a Noruega pedir desculpa à China, já que o suporte do país ao Comité da entrega do Nobel “afectou seriamente as cooperações”. Citando o embaixador, o SCMP refere que “o governo norueguês deve tomar medidas efectivas para limpar o impacto negativo que cresceu após a decisão do Nobel”, sem no entanto mencionar a expressão de “pedidos de desculpa”. Pequim ficou chocado com a entrega do Nobel a Liu Xiaobo, condenado a pena de prisão de 11 anos em 2009, por alegadamente incitar a uma revolução democrática no continente. Pequim considerou a entrega do Nobel da Paz a este activista como “uma farsa anti-China”, refere

a publicação de Hong Kong, acrescentando que o Governo central chegou mesmo a incitar boicotes à cerimónia. Tang não afirmou que as ligações entre China e Noruega só poderiam reforçar laços exclusivamente após o pedido de desculpas, mas fez questão de ressalvar o problema que advém deste conflito. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês disse que o país estava a “trabalhar para reforçar as relações sino-norueguesas” mas salientou que “o prémio Nobel foi entregue de forma independente do governo da Noruega”, avança o SCMP. O Nobel da Paz foi entregue, simbolicamente, a uma cadeira vazia, onde deveria estar Liu Xiaobo. - J.F.

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3 Director chinês do hotel Hilton condenado a prisão perpétua O empresário chinês Peng Zhimin, accionista maioritário e director do hotel Hilton de Chongqing, foi condenado a prisão perpétua por subornar políticos e dirigir uma rede criminosa num casino ilegal do hotel. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, a rede, que operava sob o nome “Diamond Dinasty Club”, manteria um negócio de prostituição e narcotráfico no casino que funcionava na unidade e alguns funcionários de Peng Zhimin terão utilizado a violência contra concorrentes do empresário por alegadamente terem afectado os seus negócios. O tribunal de Chongqing, que condenou o empresário, também aplicou uma pena de 14 anos de prisão ao director do departamento de Terras e Recursos Hídricos do distrito de Nanan, em Chongqing, Lu Yonghe, e ao número dois do mesmo departamento, He Defu, por terem aceite subornos de Peng. Outros três responsáveis do Governo local foram condenados a penas de três a 11 anos de prisão, enquanto que 26 membros da rede criminosa de Peng foram condenados a penas entre um ano de prisão e prisão perpétua. As suspeitas de negócios ilícitos no hotel Hilton de Chongqin levaram a que a unidade hoteleira, que era inicialmente de cinco estrelas, baixasse de categoria. Peng Zhimin, segundo edições anteriores do jornal “China Daily”, teria estado preso por roubo na década de 80. O Governo de Chongqing, no centro da China, enfrenta há vários anos uma dura luta contra o crime organizado, uma campanha que já resultou em mediáticas condenações de polícias, juízes e outros responsáveis da região. A campanha contra as máfias ou sociedades negras, como se chamam na China, coincidiu com a chegada ao poder local do carismático político comunista Bo Xilai, ex-ministro chinês do Comércio e que, segundo alguns analistas, pretende regressar ao poder central quando ocorrer uma renovação na cúpula de Pequim, em 2013.


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política

Lei de imprensa pode custar 500 mil ou 3 milhões de patacas

Vanessa Amaro

O

vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

s jornalistas e os órgãos de comunicação já torceram o nariz para o processo de revisão da lei de imprensa que o Gabinete de Comunicação Social (GCS) está a levar a cabo. Mas o formato vai manter-se e há duas empresas locais interessadas em levar a auscultação pública para frente. O Governo anunciou ontem que recebeu e admitiu duas propostas entregues ao concurso público para a adjudicação da prestação de serviços de inquérito e análise da opinião pública sobre a revisão da Lei de Imprensa e da Lei de Radiodifusão. A Companhia ERS Soluções e a Universidade de Macau (UMAC) estão na corrida, com valores e prazos de conclusão muito distintas. A ERS apresentou um orçamento de 3,5 milhões de patacas para um ano, enquanto que a UMAC promete ser mais rápida em cinco meses e mais poupada: pede menos de 500 mil patacas pelo trabalho todo. O GCS afirma que irá agora

António Falcão | bloomland.cn

Uma revisão que pode sair cara

avaliar os prós e os contras de cada uma das propostas, mas não define uma data para a apresentação da empresa seleccionada. Sabe-se por agora que a auscultação pública irá envolver profissionais do média

e toda a população, ponto que não caiu bem entre os órgãos de comunicação. Em Março, numa sessão de trabalhos apresentada por Victor Chan, director do GCS, à impren-

sa, os jornalistas presentes fizeram uso de citações da Lei de Imprensa em vigor para evidenciar que é escusado ouvir a população em geral. Para os profissionais da área, existem apenas dois pontos

de interesse comum: a liberdade de imprensa e o direito de resposta do cidadão. Estes destacam-se entre os muitos outros que se debruçam na especificidade da profissão, como por exemplo, “os estatutos do jornalista”, código deontológico profissional e os “exercícios e funções do jornalista”. A questão mais debatida está à volta da necessidade de ter que se fazer uma auscultação pública, quando estas são revisões legislativas de uma determinada classe profissional, à qual tais artigos dizem respeito. Na altura, Victor Chan disse perceber a preocupação e salientou que “as opiniões [dos jornalistas] eram bem-vindas”, acrescentando que será implementado um “método científico para avaliar de forma diferente essas opiniões”. A verdade é que, nos dispostos no regulamento do concurso público, não há qualquer tipo de referência sobre a forma como as opinião dos profissionais serão levadas em conta. O caderno de encargos para a empresa adjudicatária contempla “ter como destinatários, além do sector da comunicação social, uma amostra representativa das diferentes áreas da sociedade” e ter como referência inquéritos prévios, como os muitos feitos em Hong Kong, e o estudo primário da revisão das leis, elaborado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Pereira Coutinho volta a atacar o casal mais popular da RAEM

Ai esses pandas N

ão gostou da resposta que teve do Governo e lançou um novo ataque. José Pereira Coutinho continua sem perceber o porquê da criação de um Fundo dos Pandas com autonomia administrativa e orçamento próprio, quando os pandas são da total responsabilidade do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Em Março, o deputado da Assembleia Legislativa redigiu uma interpelação ao Executivo a questionar as razões que levaram à criação do Fundo. O director dos Serviços de Administração da Função Pública, José Chu, respondeu que os pandas eram um tesouro nacional e que o organismo criado especificamente para os animais tinha “como objectivo principal financiar o desenvolvimento da educação, estudos e projectos no âmbito da conservação dos pandas”. Pereira Coutinho não ficou con-

vencido com a resposta que recebeu e rebobinou a cassete, a bater na mesma tecla. “Por que razão teve de ser criado um Fundo dos Pandas, uma entidade dotada de autonomia administrativa e financeira, com um orçamento privativo, gerido por um Conselho Administrativo, cujos membros têm direito a uma remuneração mensal?”, questiona o legislador. Coutinho pergunta ainda o Governo sobre se não seria possível o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) encarregar-se dos animais. Na resposta que obteve, o Governo disse que o facto dos pandas terem sido oferecidos pelo Governo Central representa um sinal de amizade e alega que os animais “trazem grande alegria à RAEM”. A Administração considera ainda que a permanência de animais em vias de extinção no território pode não só contribuir para espalhar a mensagem

de que Macau se preocupa com a protecção do ambiente como para levar a RAEM a atrair turistas. O que o deputado eleito por sufrágio directo quer mesmo é que o Fundo dos Pandas seja extinto. Para Pereira Coutinho esse seria o caminho ideal para desburocratizar, “reduzindo custos e aumentando a eficiência da administração, uma vez que para tratar dos pandas basta o IACM, que de facto já o faz”, refere no documento. As dez patacas de entrada cobradas para o Pavilhão dos Pandas, em Seac Pai Van, também não saem da cabeça de Pereira Coutinho. O deputado faz uma comparação ao urso Bobo do Jardim da Flora, para o qual não é cobrada nenhuma tarifa. O deputado aponta que se os ursos foram oferecidos pelo Governo Central, qual é a necessidade de os residentes pagaram para ir visitá-los?


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Fracções económicas | Governo pede mais por pé quadrado do que mercado privado

“Boa fé da RAEM” não satisfaz Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Gonaçalo lobo pinheiro

oi calculado em 1100 patacas por pé quadrado o preço destinado às habitações económicas, um valor em muito superior às 600 a 800 patacas pela mesma áreas das fracções do mercado privado. Ontem, em sede da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), voltaram a ser discutidos pontos relativos ao “Regime de Construção e Venda de Habitação Económica”. Desta vez, em análise esteve a fixação dos preços e a possibilidade de venda antecipada deste tipo de fracções. Segundo Cheang Chi Keong, presidente da comissão, o cálculo terá sido feito em função do limite mínimo dos rendimentos definidos para os candidatos, ou seja, 6000 patacas para uma família de apenas uma pessoa e de 12 mil para um agregado com dois membros. Feitas as contas, uma família de duas pessoas que consiga no total um rendimento de 9100 patacas e tendo em conta um pedido de empréstimo bancário de 70%, com pagamento no prazo de 20 anos e 5% de juros, terá de aplicar 30% do valor

do rendimento no reembolso das amortizações da venda da habitação. Cheang Chi Keong disse que o Governo lançou o plano de cálculo tendo em conta a capacidade económica dos candidatos actualmente em lista de espera, cerca de 12 mil, e que seguiu o mesmo critério de países e regiões vizinhas. O presidente da comissão fala em “boa fé do Governo”, mas alguns deputados entendem que este cálculo pode “criar problemas, uma vez que pode dar a entender aos cidadãos que o Governo está a lucrar com as habitações económicas”, já que os custos do mercado imobiliário privado cobre entre 600 a 800 patacas pela mesma área. Lau Si Io, secretário da Direcção de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), explicou que “diferentes tipos de construção exigem diferentes tipos de custos”, como por exemplo a exploração do terreno, que pode exigir explosões de rocha ou limpeza de terreno. As habitações económicas envolvem despejos e demolição de construções, factores que tentam justificar o preço definido para a compra das fracções económicas.

Cheang Chi Keong disse, no entanto, que a ideia não satisfaz e que a comissão terá pedido ao Governo que “não considere todas as despesas para que o preço não seja tão alto”. Actualmente, o preço deste tipo de habitações é regulado por um decreto lei de 1980, mas a Administração está a ponderar transferi-lo para regulamento administrativo. Cheang Chi Keong apelou aos interessados nas habitações económicas que não tenham, no entanto, “condições” para as adquirir, não se candidatem, já que abaixo dos limites fixados “não há capacidade para comprar” e os com rendimentos acima do limite máximo também não podem. As outras hipóteses dessa “classe sanduíche”, como caracterizou o presidente da comissão, são “adquirir habitações sociais” ao invés das económicas. A próxima reunião está agendada para segundafeira e tem como tema principal a venda antecipada das fracções, algo com que a comissão diz concordar já que “oferece vantagens, como a garantia de uma casa para o candidato”.

Notificação Edital

N.º 125/2011

(Exercício do direito de defesa) Considerando que não se revela possível notificar, nos termos dos artigos 10.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, Luceno Ricky Espadero, residente na Estrada Marginal do Hipódromo, Edifício Iao Tim, 2ª Fase, 3º andar, sala I, Macau, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre as matérias acusadas pelas eventuais infracções: 1) ao n.º 5 do artigo 96.º do Decreto-Lei n.º 57/82/M, de 22 de Outubro – Regulamento Geral de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimentos Industriais; 2) ao n.º 1 do artigo 62.º do Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto – Regime Jurídico da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais; 3) à alínea 1) do artigo 2.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal; e 4) à alínea 4) do artigo 2.º e n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal. João Paulo Sou, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho Substº, manda que se proceda, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, conjugado com o artigo 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei 57/99/M, à notificação do mesmo, que é suspeito, pelo exercício de actividade sem possuir a autorização administrativa para exercer, pessoal e directamente, actividade em proveito próprio, obtendo dela proveito próprio; pela contratação, sem possuir a autorização para contratação válida, de dois trabalhadores não-residentes para fazer a transferência, por meio de uma bomba de gás, de oxigénio duma botija para outra, o que provocou, no início dessa transferência, a explosão da bomba, causando um acidente de trabalho; pela não transferência da responsabilidade pelas reparações de danos para seguradoras autorizadas a explorar o ramo de seguro de acidentes de trabalho no território de Macau, infringindo eventualmente o n.º 5 do artigo 96.º do DecretoLei n.º 57/82/M, de 22 de Outubro, o n.º 1 do artigo 62.º do Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, as alíneas 1) e 4) do artigo 2.º e o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004. Quanto às matérias infringidas acima referidas, as respectivas situações são as seguintes: Violação da situação referida no ponto 1): nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 1.º da Lei n.º 2/83/M, de 19 de Fevereiro, conjugado com o artigo 3.º do mesmo Decreto-Lei, se a infracção for causa de acidente, os limites das multas são elevados ao dobro, pelo que o infractor suspeito acima referido deve ser sujeito a multa de MOP$1,000.00 (mil patacas) a MOP $3,000.00 (três mil patacas). Violação da situação referida no ponto 2): nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 66.º do Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, a infracção ao n.º 1 do artigo 62.º do mesmo DecretoLei dá lugar à aplicação de multa de MOP$1,000.00 (mil patacas) a MOP $5,000.00 (cinco mil patacas) por cada trabalhador. Violação da situação referida no ponto 3): nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004, a multa a aplicar é de MOP$20,000.00 (vinte mil patacas) a MOP $50,000.00 (cinquenta mil patacas) por cada trabalhador, pelo que a multa total deve ser de MOP$40,000.00 (quarenta mil patacas) a MOP $100,000.00 (cem mil patacas). Violação da situação referida no ponto 4): nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004, a infracção acima referida é punida com a multa de MOP$20,000.00 (vinte mil patacas) a MOP $50,000.00 (cinquenta mil patacas), e nos termos do artigo 10.º do mesmo Regulamento Administrativo, o infractor suspeito também pode estar sujeito à sanção acessória de impedimento de exercício de qualquer actividade laboral em Macau por um período de dois anos. Por tal motivo, é concedido ao infractor suspeito acima referido o prazo de 15 dias, a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação do presente edital, para exercer por escrito o seu direito de defesa. O infractor suspeito pode deslocar-se, dentro das horas de expediente, ao Departamento de Inspecção do Trabalho, sito na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1º andar, em Macau, para fazer o levantamento da nota de culpa, sendo também permitida a consulta do processo em causa (nº 6559/2009). Finda o prazo anterior seguirá a tramitação do processo da presente infracção administrativa nos termos do Decreto-Lei n.º 52/99/M. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 28 de Abril de 2011.

O Chefe de Departamento, Subst.º

João Paulo Sou


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sociedade

Democratas põem o dedo na ferida do 1.º de Maio e reforçam queixas

As associações que participaram nos protestos do 1.º de Maio queixaram-se da atitude da polícia e exigem um pedido de desculpas. O Novo Macau engrossou ontem o coro e disse que a polícia estava mal preparada para lidar com os manifestantes e os jornalistas. O secretário para a Segurança reconhece que houve confusão, mas justifica que os agentes tiveram de agir para manter a ordem pública e houve sempre respeito pela imprensa Virginia Leung

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virginia.leung@hojemacau.com.mo

poeira dos protestos do 1.º de Maio está longe de assentar. Depois de na quarta-feira seis associações terem entregue uma queixa escrita ao Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), a associação Novo Macau também entrou no rol de queixosos. Os democratas querem duas coisas: que o Governo peça desculpa pela confusão e que dê ouvidos aos pedidos das 3000 pessoas que participaram na manifestação de domingo. Na tarde de ontem, o deputado Ng Kuok Cheong, referiu, numa conferência de imprensa, que os agentes do CPSP se mostraram mal preparados para acalmar a multidão e agiram de forma negligente ao impedir a cobertura do evento por parte da imprensa. O democrata lembrou que o CPSP já emitiu uma série de comunicados a tentar explicar-se, mas que continuam brechas por tapar e os problemas não foram assumidos. Desde domingo, o CPSP modificou a sua resposta ao público pelo menos três vezes, facto que demonstra por si só uma “irresponsabilidade” em relação ao que se passou e um certo sinal de não saber o que está a fazer. Para Ng Kuok Cheong, essas atitudes são simples de explicar: a polícia não estava preparada para agir e, em caso de falha, não sabe para onde se há de virar. “Há conflitos e contradições em manter a segurança dos jornalistas ao se optar por usar um cordão humano, já que isso pode reduzir a liberdade da imprensa”, referiu o deputado da Assembleia Legislativa (AL). Ng Kuok Cheong, assim como seis outras associações, estão à espera

de que o Governo e o CPSP emitam uma resposta adequada ao que se passou e que assuma as responsabilidades dos seus actos. “Por um lado, a atitude da polícia é positiva, porque está a tentar explicar-se perante a imprensa e o público. No entanto, não lhes podemos perdoar a falta de preparo em manter a segurança sem limitar liberdades”, disse o deputado ao Hoje Macau. Para o deputado, o Governo está a tentar estabelecer à força “regras latentes” para manter uma ordem “podre”. Em manifestações anteriores, o CPSP deteve uma série de pessoas e libertou-as horas depois, o que serviria, segundo Ng, para mostrar à população que quem manda é o Governo e que há consequências para protestos incomodativos. “Se as coisas estivessem completamente fora de controlo, a polícia tinha o direito e o dever de fazer o que fosse preciso para restabelecer a ordem. Mas, nesta situação específica, a polícia não tinha o direito a interferir da maneira como o fez e insistir mais uma vez em deter pessoas a justificar que era necessário verificar as suas identificações”, apontou. Assim sendo, o CPSP opta pela política do medo, como explica o democrata, ao ameaçar claramente os residentes que participam em protestos e a dizer-lhes como devem comportar-se. O vice-presidente do Novo Macau, Scott Chiang, apoiou Ng Kuok Cheong nesta ideia e revelou acreditar que a polícia esteve a usar a força para limitar várias liberdades consagradas na Lei Básica.

Resposta selectiva

O CPSP defende-se dos ataques a argumentar que nunca foi a sua intenção obstruir a cobertura noticiosa

virginia leung

Uma questão de não se saber o que fazer

do evento, muito menos limitar as liberdades dos cidadãos de Macau. Os responsáveis do organismo afirmam que reviram os vídeos daquele dia para confirmar que não agiram contra a lei. Um dos queixosos, Wong Wai Man, conta que o seu veículo tinha sido autorizado a transportar propaganda durante o protesto, mas foi detido sob a acusação de estar a bloquear o trânsito. O CPSP explica que apenas naquele momento teve de pedir que as viaturas saíssem da zona por motivos logísticos. Para evitar acidentes, a polícia teve então, na versão oficial, de conter os jornalistas que tentavam fotografar e encaminhá-los para o perímetro de segurança. “Não fomos brutos nem mal-educados em todo o processo”, garante o CPSP, que ainda assim promete continuar a investigar o que se passou para responder às queixas que lhe chegaram. Os jornalistas “banidos” não ficaram convencidos com a resposta do Governo e querem que os porquês sejam todos respondidos de forma directa e clara.

Secretário reage

Na noite de ontem, o secretário para a Segurança, Cheong Kuok Vá, decidiu quebrar o silêncio e pronunciar-se sobre as manifestações de domingo. O comunicado oficial alega que a polícia patrulhou as ruas no sentido de “garantir aos cidadãos exprimirem, nos termos de lei e de forma razoável, as suas expectativas”. Por outro lado, o responsável admite que “ocorreu uma pequena confusão na via rodoviária junto da sede de Governo”, mas assegura que a polícia tomou medidas atempadas para “restabelecer a ordem pública em curto espaço de tempo”. Cheong Kuok Vá frisa que “não é desejável o facto de agentes policiais terem colidido com jornalistas”, mas

que as autoridades de segurança reiteram o respeito pela liberdade de imprensa, pelos direitos dos trabalhadores dos média, “estando dispostas a criar um ambiente seguro e conveniente para os trabalhos de entrevista e reportagem, articulando-se com a

Protesto de seis vértebras • Ala dos professores de escolas privadas - Publicitar de uma forma melhor o sistema de professores do ensino privado para melhorar o estatuto dos docentes e elevar a qualidade - Construir um sistema para facilitar a comunicação entre professores e Governo - Organizar a criação de um Sindicato Geral dos Professores • Ala dos trabalhadores - Lutar contra a inflação e a contratação de ilegais - Controlar os preços do mercado imobiliário e garantir empregos estáveis • Ala do desenvolvimento social - Acabar com as atitudes ilícitas em relação à auscultação pública do Metro Ligeiro • Ala dos pais - Permitir que os filhos maiores residentes na China obtenham autorização de residência na RAEM • Ala de Ka-Hó - Resolver de uma vez por todas a poluição decorrente do aterro das cinzas volantes • Ala dos jovens - Implementar uma sociedade justa e garantir todas as liberdades

divulgação de notícias dos média”. Por isso mesmo, segundo explica o secretário, procurou-se “com todo o esforço” um equilíbrio entre a garantia da liberdade de imprensa, a facilitação da cobertura dos média e a protecção da ordem pública e da segurança de pessoas. A fim de evitar episódios semelhantes no futuro, o secretário da Segurança avança que irá “reforçar a ligação com organismos na área da comunicação social”, de forma a “promover o entendimento mútuo e evitar mal-entendidos desnecessários”. Mais nenhuma outra explicação para os acontecimentos de domingo é dada.

Forte adesão

Scott Chiang reforçou a ideia de que o número de pessoas na rua - perto de 3000 - demonstra que a sociedade não está satisfeita com a governação e pediu que o Executivo deixasse de fazer ouvidos moucos aos seus pedidos. “Há cada vez mais manifestantes e associações a participarem em protestos, o que reflecte a necessidade de vários segmentos sociais mostrarem o seu descontentamento e pedir mais acções sociais”, observou o vice-presidente do Novo Macau. Apesar de não ter organizado nenhum movimento por si só, o Novo Macau esteve presente como “observador” e aproveitou para criar um sumário dos seis principais apelos feitos ao Executivo (ver caixa). O documento elaborado pelos democratas servirá, como explicaram, para ajudar as autoridades locais a traçarem uma resposta franca, eficiente e a tempo de minimizar os problemas. Para os democratas, o Governo tem muito espaço agora para melhorar as suas três directrizes de ajuda às camadas mais diferenciadas da comunidade. “Quando é que o Governo irá dar ouvidos aos pedidos populares e implementar um plano eficaz para resolver os problemas sociais? O Governo tem a determinação e a capacidade de melhorar a sociedade?”, questiona o dirigente associativo. Na opinião de Scott Chiang, o Executivo precisa, sobretudo, de demonstrar que está determinado em criar uma RAEM melhor, a seguir a regra “Macau governado pelas suas gentes”. Ouvir verdadeiramente mais pode ser o caminho, indica o democrata.


Galaxy lança mega campanha no metro de Hong Kong A Galaxy arrendou os espaços publicitários da estação de metro de Tsim Sha Tsui em Hong Kong onde passam diariamente milhares de pessoas e onde vai o seu novo espaço de jogo em Macau. No total e de acordo com informações reveladas ao South China Morning Post pela JCDecaux, a empresa promotora dos espaços publicitários, serão cerca de 10 mil metros quadrados dedicados exclusivamente a promover o novo empreendimento da Galaxy.

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DSAL já recebeu mais de mil reclamações contra Venetian

Queixas dos trabalhadores disparam

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glp@hojemacau.com.mo

e 700 passaram para mais de mil em duas semanas. A conferência de imprensa convocada para dar a conhecer os trabalhos da reunião do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) estava marcada, mas o assunto quente de ontem voltou a ser, uma vez mais, a questão relacionada com as queixas de centenas trabalhadores de limpeza e manutenção do Venetian. Em causa está o pagamento de horas extraordinárias, fundo de pensão, alojamento e princípios de igualdade. Shuen Ka Hung, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), reiterou que está a acompanhar a situação e prometeu resoluções para breve. “Continuamos a investigar o que realmente se tem passado. Até agora já recebemos mais de mil queixas, mas cada departamento do Venetian tem situações diferentes. Posso garantir que já estamos a tratar dos casos.” Segundo o director da DSAL, os primeiros casos a serem tratados são aqueles que duram há mais de um ano, porque “se ultrapassarem os dois anos é obrigatório submetêlos ao tribunal”. Sheun Ka Hung sublinhou que existe uma lei que tem de ser cumprida e lembrou que os trabalhadores, a terem contratualizado hora de refeição, “essa terá de ser gozada como estes bem entenderem”. “Durante o horário de refeição o trabalhador pode fazer o que quiser com a hora que tem. Uns almoçam no trabalho, outros almoçam em casa. O trabalhador tem a liberdade de almoçar onde quiser”, lembrou. Para o director da DSAL, a questão fulcral “é saber se o Venetian obrigou os trabalhadores a ficar no local de trabalho durante as horas de almoço”. Se isso for provado nas investigações, o maior casino do mundo “terá de pagar as horas extras”.

Seguros para tempestades

O CPCS reuniu ontem para discutir questões como a revisão do regime jurídico do seguro de acidentes no trabalho e doenças profissionais. A DSAL, segundo Shuen Ka Hung disse aos jornalistas, “está a ponderar o que fazer nos casos

em que o trabalhador tem mesmo de ir trabalhar em momentos de tempestades”. Até agora os seguros de acidentes de trabalho apenas cobrem percalços dentro do local de trabalho. Mas haverá novidades. A discussão da revisão contempla que o empregador seja obrigado, num prazo de 15 dias, a entregar a documentação relacionada com a ocorrência de algum acidente de trabalho. Paralelamente, o CPCS também está a discutir a possibilidade de alargar esse tipo de seguros aos trabalhadores que se vêem obrigados a trabalhar mesmo em dias de intempérie. Outra questão que também foi abordada na reunião de ontem

prende-se com o regime de relação de trabalhos marítimos. Shuen Ka Hung garantiu que a elaboração deste regime terá de ter em conta o que está convencionado internacionalmente. “Em Macau, por enquanto, ainda não temos qualquer regime de registo de barcos. Iremos definir quais os barcos que vão fora da fronteira de Macau e aqueles que trabalham mais perto do território. Deste modo, temos de seguir uma convenção internacional e iremos por esse caminho para o acompanhamento dos trabalhos.”

Relações laborais em discussão

Em Maio do ano passado, a DSAL recebeu as opiniões das partes

laboral e patronal no que respeita a relações laborais. Na altura, as opiniões reveladas pelas partes foram muito diferentes e a DSAL sugeriu a ambos os lados que, dentro de um prazo, estes dessem um feedback acerca dos pontos levantados pela outra arte. “No próximo dia 19, tanto a parte laboral como a parte patronal, têm de submeter à DSAL todas as suas opiniões e aquilo que pensam das aspirações da outra parte. A seguir iremos discutir as relações laborais de uma forma geral”, revelou Shuen Ka Hung. Também o projecto do fundo de garantia salarial veio à baila. Anteriormente discutido, voltou

gonçalo lobo pinheiro

Gonçalo Lobo Pinheiro

a sê-lo no dia de ontem. “A nossa conversa baseou-se apenas no fundo de garantia social, cujo montante vem directamente dos cofres da RAEM.” A proposta de lei de garantia dos créditos emergentes das relações laborais já se encontra em processo legislativo. Mesmo assim, o CPCS viu necessidade de trabalhar ainda alguns pontos. “Basicamente discutimos o artigo 2.º do documento. Se o trabalhador, por exemplo, for despedido devido a processo de insolvência da empresa onde presta serviço, este pode estar descansado porque pode requerer ao fundo um adiantamento de dinheiro. Este é o conteúdo do fundo de garantia salarial. Haver uma garantia concreta para o trabalhador”, afirmou o responsável da DSAL. O salário mínimo foi menos discutido desta vez. Apesar disso, Shuen Ka Hung lembrou que o processo está a decorrer e que tem de haver uma classificação por sector no que a esta questão diz respeito. “Os representantes laborais e patronais estão a discutir connosco todas as questões. Depois o passo seguinte será o de efectuar algumas reuniões com académicos para assim iniciar um plano que nos permita iniciar o estudo nessa matéria.”

Aumenta número de queixas sobre protecção de dados pessoais

População mais alerta Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

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á mais queixas relacionadas com a protecção de dados desde 2007. Segundo revelou ontem o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP), se em 2009 foram investigados 47 casos, no ano passado foram registados 66 e este ano já são 25 os casos averiguados. A maioria, especifica o Gabinete, refere-se a queixas por “falta de legitimidade do tratamento de dados”. Entre Abril de 2007 e o mesmo período deste ano, nove pessoas participaram casos de violação do dever do sigilo e 16 reportaram protecção inadequada dos direitos do titular. Em quatro anos foram dados como concluídos 147 casos. Em conferência de imprensa, ontem à

tarde, a coordenadora do GPDP, Chan Hoi Fan, disse que o aumento de casos se deve ao facto de a população estar “cada vez mais sensibilizada para a protecção dos seus dados pessoais”. A coordenadora deu conta de seis situações investigadas pelo organismo para “servirem de exemplo”. Um deles dizia respeito ao sistema móvel de videovigilância do tráfego rodoviário, efectuado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). As entidades foram obrigadas a deixar de usar o sistema colocado nos motociclos, e nos automóveis quando os últimos estiverem parados. Também alertaram a DSAT e o CPSP para terem cuidado com o local de instalação das câmaras e o ângulo de filmagem.

O Gabinete também apresentou dois casos que resultaram na aplicação de uma multa de 4000 patacas. Uma delas a um banco por ter continuado a enviar mensagens promocionais a um antigo cliente. No final da conferência, alguns jornalistas dos meios de comunicação social chineses questionaram ainda o Gabinete sobre filmagens alegadamente feitas por polícias à paisana durante as manifestações do 1.º de Maio. A coordenação escusou-se a comentar a situação por se tratar de “um caso pontual” sobre o qual “não foi efectuada qualquer investigação”, ressalvando no entanto que “independentemente de ser um serviço público ou privado todas as entidades têm a obrigação de cumprir a Lei de Protecção de Dados Pessoais”.


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8 Vanessa Amaro

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vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

ma obra do artista dissidente chinês Ai Weiwei aterrou esta semana em Nova Iorque depois de uma viagem de cinco escalas. O conjunto de 12 esculturas em bronze intitulado “Círculo do Zodíaco/Cabeças de Animais” mereceram o corte de fitas por parte do presidente do município de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que referiu a “honra agridoce” de inaugurar a exposição de uma obra “de um dos cidadãos mais criativos e valente dos mundo”, que está detido desde o dia 3 de Abril em local incerto. Nesse dia, Ai Weiwei, de 53 anos, deveria ter apanhado um avião que o levaria de Pequim a Hong Kong. A viagem foi interrompida abruptamente com a sua detenção, sem que as autoridades notificassem familiares ou advogados. De acordo com a agência Efe, um jornalista da agência estatal Xinhua escreveu uma carta sob anonimato à associação Human Rights Watch a relatar que o artista está e continuará a ser torturado até que confesse ter cometido fraudes económicas. O caso faz lembrar o que aconteceu ao advogado Gao Zhisheng, em 2009, cujas torturas foram gravadas em vídeo pela própria polícia. Mesmo que sem poder assistir à inauguração da sua

cultura Conjunto de esculturas de Ai Weiwei dá volta ao mundo

Cabeças sem corpo

Ai Weiwei está há mais de um mês detido sem que ninguém saiba onde está ou qual é o seu estado. A sua obra, contudo, continua a rodar o mundo. As suas 12 cabeças de animais que representam o zodíaco chinês foram esta semana inauguradas em Nova Iorque, numa cerimónia emotiva. As esculturas ainda têm um longo caminho a viajar obra na fonte Pulitzer, no Central Park, o artista esteve sempre presente no acto. Bloomberg teceu rasgados elogios a Ai e mostrou-se comovido ao falar sobre a situação do dissidente chinês. “Os artistas arriscam tudo para criar. Correm o risco do fracasso, da rejeição e da crítica pública, mas artistas como Ai Weiwei, que vêm de lugares onde não se valoriza ou protege a liberdade de expressão, arriscam ainda mais. A sua vontade de assumir riscos e enfrentar as consequências mostra o seu valor e o seu desejo indomável em garantir a liberdade de cada ser humano”, assinalou o “mayor” de Nova Iorque no seu discurso inaugural.

Saque e repatriação

Aobra inaugurada na quartafeira no Central Park foi antes a estrela da Bienal de Arte de

São Paulo em Setembro de 2010, que teve como tema central a relação da arte com a política. Neste conjunto de esculturas, o artista chinês centra a sua atenção em temas como o saque e a repatriação, assim como mantém a sua exploração das cópias piratas tão difundidas pela China em todos os tipos de objectos. As esculturas recriam a escala aumentada de 12 cabeças de animais que representam os signos do zodíaco tradicional chinês. Cada uma das cabeças de animais tem 1,2 metros de altura, pesa cerca de 363 quilos e fica sobre uma grande base de mármore. As cabeças foram inspiradas pelo desenho do relógio-fonte de Yuanming Yuan, um retiro imperial do século XVIII nas proximidades de Pequim. As cabeças foram originalmente desenhadas por dois jesuítas europeus no século

Estrangeiros, calem-se

O Governo Central não dá ouvidos às críticas ou pressões estrangeiras à situação do artista dissidente. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu, reafirma que “o caso está a ser investigado de acordo com a lei chinesa”. “Esperamos que respeitem a soberania judicial da China e deixem as autoridades competentes tratarem do caso de acordo com a lei”, acrescentou. O responsável assinalou que as entidades ocidentais não deveriam estar a “comentar arbitrariamente” um caso que não lhes diz respeito. A detenção de Ai Weiwei tem sido criticada por vários governos ocidentais e instituições internacionais, incluindo museus. Segundo a imprensa oficial, o artista “está a ser investigado por suspeita de crimes económicos”.

XVIII, segundo a revista de arte artdaily.org, mas foram saqueadas e roubadas pelas tropas britânicas e francesas em 1860. Depois de Nova Iorque, onde as cabeças estarão expostas até 15 de Julho, o conjunto artístico segue para Londres, Los Angeles e Washington.

Mais casos

Ai não é o único artista chinês em apuros. O escritor Liao Yiwu não pôde viajar para os EUA para participar no Pen World Voices Festival of International Literature e teme-se que ele possa ser o próximo alvo do Governo Central. Entre outros alvos estão Ye Du, Teng Biao e Liu Xianbin - condenado à prisão em Março por incitação à subversão, a mesma acusação assacada contra o Prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo, que cumpre pena de 11 anos, desde 2009. As vidas de artistas são mais frágeis que as suas criações. O poeta Ovídio foi exilado por Augusto para um “buraco” à margem do Mar Negro chamado Tomis, mas sua poesia sobreviveu ao Império Romano. Osip Mandelstam morreu num campo de trabalho estalinista, mas a sua poesia sobreviveu à União Soviética. Federico García Lorca foi morto por sequazes do General Francisco Franco da Espanha, mas a sua poesia sobreviveu ao regime tirânico.

Patti Smith e Kronos Quartet vencem Polar Music Prize

O Nobel da música A Patti Smith

Kronos Quartet

cantora rock Patti Smith e o grupo de música clássica Kronos Quartet, ambos norte-americanos, foram distinguidos em Estocolmo, na Suécia, com o prémio Polar, conhecido como o “Nobel da Música”. A distinção, a mais alta deste género, é entregue pela Academia Real Sueca de Música e premeia todos os anos um artista pop e um clássico. AAcademia Real distinguiu este ano a artista e poeta Patti Smith, de 64 anos, “por dedicar a sua vida às artes em todas as suas formas, demonstrando quanto o rock and roll existe na poesia e quanta poesia há no rock and roll.” “Patti Smith é uma Rimbaud com amplificadores Marshall. Transformou a forma de ver, pensar e sonhar de toda

uma geração”, escreveu o júri em comunicado. Em relação ao Kronos Quartet, o júri destacou a forma como o grupo incorporou o rock avant-garde e as várias músicas do mundo. “Ao longo de quatro décadas revelaram o potencial do género de quarteto de cordas no seu estilo e conteúdo”, pode-se ler no mesmo comunicado. “A sua obra poder ser usada para tocar músicas de Mozart ou Beethoven mas também para comentar a politica internacional, interpretar rock vanguardista e incorporar músicas de todos os lados do mundo.” O Polar Music Prize foi criado em 1989 por Stig Anderson, agente da famosa banda sueca ABBA. O prémio distingue individualidades, grupos ou

mesmo instituições, reconhecendo o trabalho excepcional feito em prol da criação e do progresso da música. Patti Smith e Kronos Quartet são assim os sucessores do compositor Ennio Morricone e da cantora islandesa Björk, vencedores da edição do ano passado. B.B. King, Cyorgy Ligeti, Keith Jarrett, Bob Dylan, Ray Charles, Pierre Boulez, Elton John, Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Pink Floyd, Dizzy Gillespie, Sony Rollins e Gilberto Gil são alguns dos já laureados com esta distinção. Os prémios, no valor de 113 mil euros (cerca de 1200 mil patacas), vão ser entregues pelo rei Carlos XVI Gustavo numa cerimónia em Estocolmo, a 30 de Agosto.


Uma semana para participar no concurso “Conto MDT”

Termina no próximo dia 13 o prazo para entrega dos trabalhos concorrentes ao concurso de conto promovido pelo diário em língua inglesa “Macau Daily Times”. Na iniciativa podem participar todos os residentes de Macau (permanentes ou não) e os contos podem ser apresentados em inglês, chinês ou português, dentro das condições previstas no regulamento, e entregues, na Redacção do “Macau Daily Times até às 18h de 13 de Maio. Serão apurados nove vencedores: os três primeiros em cada uma das línguas do concurso, a quem serão atribuídos três primeiros prémios de 5000 patacas, três segundos prémios de 3000 e três terceiros prémios de 2000 patacas. Os resultados do concurso serão publicados na imprensa até 9 de Junho e os trabalhos serão publicados em livro.

Satisfeito com a adesão às comemorações do Dia da Língua Portuguesa e Cultura, o secretário executivo da CPLP diz que a dinâmica da comunidade está “bem viva”, inclusive a Oriente Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

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Secretariado Executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) promoveu ontem um colóquio comemorativo do “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”. O académico Adriano Moreira, a presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, e o embaixador Antó-

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Dia da Língua Portuguesa e Cultura na CPLP

“Estamos com o orgulho inflamado” nio Monteiro foram algumas das individualidades presentes na Sociedade de Geografia de Lisboa para falar sobre o desenvolvimento das actividades da comunidade e partilhar experiências. À margem do evento, via telefone, o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, disse ao Hoje Macau que a iniciativa deixou o organismo com o “orgulho inflamado” por se terem ouvido “testemunhos de pessoas com um percurso de vida que enaltece e torna grandioso o projecto CPLP”. O secretário frisou que mais do que falarem das instituições, os responsáveis explicaram “aquilo que é a visão que orientou a criação da CPLP de forma a renovar todos os fundamentos e objectivos que continuam válidos ainda hoje e devem sustentar todo o esforço conjunto que deve ser desenvolvido”. Numa análise global da dinâ-

mica da CPLP, Simões Pereira disse que estava “satisfeito”. “Todos estamos confrontados com restrições, com problemas e com dificuldades financeiras e é importante ver que isso não desmobilize a comunidade, coloca alguns desafios mais acentuados, mas a CPLP continua motivada, os países continuam a participar com aquilo que têm e vãos aprendendo a utilizar o disponível”, justificou. No que toca ao continente asiático, o secretário executivo da CPLP

disse que estava convencido de que nos próximos dias o secretariado iria receber relatos de acontecimentos comemorativos do Dia da Língua Portuguesa e Cultura da CPLP realizados deste lado do globo, à semelhança do que aconteceu no ano anterior. Domingo Simões Pereira recordou também a visita que fez a Macau em Setembro, aquando do XX Encontro anual da Associação das Universidade da Língua Portuguesa (AULP). “Os dias que passei em Macau foram de

surpresa em surpresa”, confessou. “Surpreendeu-me o nível da Escola Portuguesa de Macau, o interesse no português na Universidade de Macau, o canal português da Teledifusão de Macau (TDM), não só pelo número de pessoas que mobiliza como pelos conteúdos que retrata, o que só veio a confirmar que este longo percurso conjunto, que através de Portugal e de outros países tem sido possível estabelecer com a China e Macau, se mantém uma plataforma de oportunidades que não só é reconhecida por parte de Macau como do Mundo de forma crescente.” O Dia da Língua Portuguesa e Cultura na CPLP vai continuar a ser assinalado nos próximos dias um pouco por toda a comunidade. A lista de eventos e outras informações estão disponíveis na página electrónica do IC: www.institutocamoes.pt.

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 126/2011

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do “Regulamento da Inspecção do Trabalho”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. ZHAO XINGFA, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO HOBBS, LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício Advance Plaza, em Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 5899/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima. Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 25 de Abril de 2011. O Chefe do Departamento, Subst.º João Paulo Sou


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entrevista

Sou Chio Fai, coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior

“A reforma curricular é fundamental” Foi transferido do cargo de director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) para o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) há apenas dois meses. Na sua primeira entrevista depois de assumir o novo cargo, Sou Chio Fai fala do estado do ensino superior no território e admite a necessidade de instaurar uma reforma curricular. Sem esquecer os principais pontos negativos do ensino, como a escassez na oferta de cursos, o novo coordenador diz ainda estar a adaptar-se ao sistema universitário, mas promete melhorias, acompanhamento e evolução. Até porque para existir qualidade, não se pode ficar limitado ao território Gonçalo Lobo Pinheiro e Joana Freitas glp@hojemacau.com.mo joana.freitas@hojemacau.com.mo

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a terça-feira foi assinado um protocolo entre a Universidade de Macau e as universidades portuguesas. Em que consiste exactamente esse acordo? Seria mais fácil perguntar directamente à Universidade de Macau, uma vez que o protocolo foi assinado entre a UMAC e o senhor presidente do conselho das universidades portuguesas. Do meu conhecimento, sei que é uma cooperação entre as universidades e a UMAC na criação de um centro de estudos. Então, o GAES nada tem a ver com esse protocolo? Não, mas o GAES está numa posição de apoiar as instituições educativas do ensino superior em colaborar com os países estrangeiros, especialmente com os países lusófonos, sobretudo Portugal. O GAES coordena as instituições de ensino superior, mas como se dividem essas instituições? Há dez instituições educativas do ensino superior, das quais quatro são públicas: a UMAC, o Instituto de Formação Turística, o Instituto Politécnico de Macau e a Escola Superior da Segurança. Há seis outras privadas, como a Universidade de São José, o Instituto de Ciências e Tecnologias de Macau, a Universidade da Cidade de Macau e outros institutos, como a Escola Superior de Enfermagem do Kiang Wu. Além destas, há ainda institutos que em cooperação com universidades fora de Macau ministram cursos superiores no território. Tendo em conta que é o GAES quem coordena então essas instituições, têm em vista a assinatura de algum tipo de protocolo semelhante ao recentemente elaborado pela UMAC? Sim. Passei da DSEJ para cá há apenas dois meses. Ainda estou a aprender o que está a acontecer no ensino superior.

Mas o GAES tem a competência de coordenar e apoiar o desenvolvimento do ensino superior de Macau. Por isso, no futuro estamos a focar-nos em duas áreas principais: uma é a coordenação do desenvolvimento do ensino superior do território, que tem a ver não só com as instituições de ensino superior, como também com as instituições que apoiam ao ministrar do ensino superior cá em Macau. Tudo tem a ver com a qualidade de ensino. As três funções principais das instituições de ensino superior são, primeiramente, ensino, depois investigação científica e, por fim, trabalho para a comunidade. É possível, através do nosso apoio e serviço, melhorar e continuar a desenvolver a qualidade ou a melhorar a qualidade destes trabalhos. A segunda área onde o GAES planeia focar-se é no apoio aos alunos de Macau. Que alunos são esses? São três tipos. O grupo dos alunos de Macau que aqui fazem o curso superior, o outro grupo de alunos de Macau, como os finalistas da Escola Portuguesa, que estão a fazer cursos fora de Macau. Eles são filhos da terra e temos obrigação de dar apoio. O último grupo são os alunos que não são de Macau mas que frequentam cursos aqui no território. Como espera dar esse apoio? Através de um website. Com a inscrição neste website, os alunos vão receber periodicamente algumas informações sobre Macau. O acordo entre Macau e a província de Guangdong vai afectar muito o desenvolvimento económico do território. Temos de divulgar essa notícia e deixar os nossos alunos saberem, porque isto é algo com que os alunos têm de se deparar e estar preparados. Também vamos convidar dirigentes de serviços públicos e responsáveis de outras empresas principais de Macau para partilharem experiências através do website com os nossos alunos. Ainda há pouco falei com o director dos Serviços de Saúde de Macau, porque há centenas de alunos a fazer cursos de medicina no exterior que precisam de saber

como é o futuro destas profissões cá no território. Por isso, vamos convidar o senhor director para partilhar a sua experiência através do website. Um aluno que esteja a frequentar o curso em Portugal, por exemplo, pode ter acesso a essas opiniões e trocar opiniões com eles. Estão a ser preparados para, quando terminarem o curso, poderem voltar e integrar com mais facilidade a vida profissional aqui. Pegando na questão de não existir um curso de medicina ocidental em Macau, que não permite formar médicos especialistas, há uma intenção do Governo em abrir esse tipo de cursos no território ou os alunos terão sempre de ir para fora?

duas instituições com cursos de enfermagem em Macau, o IPM e a Escola Superior de Enfermagem de Kiang Wu, que estão, aliás, a colaborar com outras universidades fora de Macau a formar enfermeiros em mestrados. Quanto à medicina, como Macau é pequeno é difícil criar uma faculdade de medicina de especialidades. Sente que há procura, da parte dos alunos, dessas áreas específicas em medicina? Sim. De acordo com os dados do GAES, há centenas de estudantes a fazer cursos de medicina na China e noutros países. No futuro, e como o senhor Chefe do Executivo já disse na Assembleia, o GAES vai preparar

“O carro que conduzia na DSEJ era automático, andava a mais velocidade. Agora, no GAES, o carro tem mudanças manuais. Ainda tenho de me acostumar à máquina, andar mais devagar para circular com segurança” Isso é uma questão com dois aspectos diferentes. Um é o político, portanto, é preciso tomar uma decisão. Neste momento temos já dez instituições de ensino superior numa cidade tão pequena. Tem de se ter em conta a procura e a oferta. O segundo aspecto: em Macau, para formar um médico, é preciso muitos apoios e recursos. Lembro-me de um estudo de há cinco anos, encomendado a Singapura, para saber como é possível formar, bem, um médico especialista em cardiologia. O resultado foi de que, em cada ano, o estudante teria de receber, no mínimo 400 casos. Como é possível ter tantos casos aqui para formar um especialista nesta área? Mas, por exemplo, a formação a nível de oncologia seria possível, uma vez que infelizmente em Macau não são escassos os doentes com cancro, tendo em conta os últimos dados oficiais? Sim, bem, neste momento eu entendo que o nosso serviço, em termos de clínica geral, não está mal. Prestamos os cuidados médicos básicos. Existem

uma base de dados com os recursos humanos que se necessitam, também podemos incluir estes números nesse banco de dados. Portanto, não está prevista a criação de uma universidade de medicina aqui em Macau? Que seja do meu conhecimento, não. É difícil suportar uma faculdade de medicina dentro de uma população tão pequena. Nunca esteve em discussão criar um centro de estudos de medicina ocidental, à semelhança do centro de estudos de medicina tradicional chinesa da Ilha da Montanha? Anatureza e características desses centros são um pouco diferentes. Macau poderá ser um centro de investigação e ensino, através da cooperação com o continente na ilha da montanha, poderemos criar um centro de produção da medicina chinesa, encadear o ensino da investigação científica e da produção. Já temos bases nisso. Mas quanto à medicina ocidental, é mais difícil porque a natureza é diferente e necessitamos de

ter mais cuidado e pensar muito bem sobre essa área. Ambas as medicinas se podem complementar, não? Com certeza. Quanto à área de produção de medicinas ocidentais, esse é um factor que poderá ser considerado, mas nada tem a ver com o ensino superior. É uma indústria. Não há o risco da RAEM ficar sem profissionais, uma vez que não tendo oferta de cursos, eles vão para fora e podem decidir não voltar, aumentando a escassez de recursos humanos? Sim, por isso estamos a conceder, através do Governo de Macau, da DSEJ e do GAES, bolsas de estudo para os alunos de Macau. O que estamos a ponderar é que além da atribuição dessas bolsas, colocar os alunos do ensino secundário com o melhor aproveitamento em determinados cursos, com o apoio financeiro do Governo, mas com o requisito de que tenha que voltar a Macau para trabalhar. As bolsas de estudo que são concedidas actualmente já incluem esse requisito? Depende do tipo de bolsa. Por exemplo, o GAES concede uma bolsa de


Gonçalo lobo pinheiro

mérito para o grau de mestrado e doutoramento, sem obrigar a que os alunos voltem para o território logo que acabem o curso. Quanto às bolsas concedidas pelo Fundo deAcção Social da DSEJ, uma é a de empréstimo, que obriga as pessoas a voltarem a Macau e a reembolsar o dinheiro, a de mérito, para os alunos com melhor aproveitamento e sem o requisito de terem de regressar ou pagar. Depois há mais dois tipos: a bolsa para formação que se considera necessária para Macau... Qual é essa formação? Na altura em que saiu, englobava o direito português e terapia da fala. Mas estes cursos vão sendo diferentes de ano para ano, consoante a comissão responsável. E o outro tipo de bolsa de que falou? É atribuída através da Fundação Macau e para alunos que frequentem o curso nas 50 melhores universidades do mundo. Esta obriga as pessoas a voltarem a Macau. Estas modalidades poderão ser revistas para haver uma forma mais eficaz de formar os quadros locais. Quantos alunos saem de Macau por ano para frequentar cursos universitários? Alguns saem no ensino secundário e fazem-no lá fora seguido do curso superior. Mas, excluindo estes, que sabemos que são centenas e que saem das escolas de línguas veiculares inglesa e portuguesa, são cerca de 6000 a 7000 os finalistas anuais do ensino secundário. Desses, 90% fazem o curso superior e desses, 50% a 55% ficam em Macau. Ou seja, cerca de 2000 a 3000 por ano fazem curso no exterior. E desses 3000, quantos voltam? Isso é que ainda não sabemos ao certo, não temos os dados ainda. Mas vamos reuni-los. É importante que os alunos que estudam fora regressem e sejam uma mais-valia para o território, mas essa não será uma forma que condiciona o futuro dessas pessoas? Um curso superior é um fenómeno global. Apesar de termos 90% a fazer o curso superior, os outros 10% também fazem. Um grau de ensino superior em Macau é geral. Concordo que, se existirem oportunidades para os alunos ganharem experiência numa empresa multinacional, é óptimo para Macau. São experiências preciosas para subirem na carreira. Vamos ver como

“Em Macau não vivemos só nesta área de 30 quilómetros quadrados. Estamos a competir com Hong Kong, Zhuhai, China. Se a qualidade de ensino não está a melhorar à mesma velocidade com que os outros estão, esse é um problema para o sistema educativo. Temos de fazer muito” é possível fazer melhor nesta área. De momento, sim, os bolseiros que recebam estas bolsas especiais têm de voltar e trabalhar em Macau. Não há excepções? Há, como o caso de alunos que tiram mestrado e continuam a estudar lá fora. Caso a caso há uma avaliação. Se para um aluno valer a pena tirar mestrado ou doutoramento, fica no exterior. Para trabalhar lá fora, ainda tem de ser ponderado. Isto porque há vários interesses? O da pessoa e o da RAEM? Exacto. E o da própria empresa onde o aluno vai trabalhar com apoio do dinheiro do Governo. Quais são os principais cursos por que os alunos optam? Gestão de empresas é o primeiro. Depois, engenharia e medicina. São os mais procurados. E quais são os recursos humanos realmente necessários em Macau? Difícil dizer. É algo que é necessário pensar bem e falar com o sector privado. Esta procura de cursos depende da própria procura do mercado. Por exemplo, desde que o Governo deu ênfase à necessidade de profissionais da indústria cultural, muitos foram os alunos que fizeram esse curso. De dezenas passaram a centenas. Porque é que os cursos relacionados com o português não se encaixam nessa procura? Talvez a procura seja grande. A oferta desses cursos é que é limitada. Temos poucas instituições em Macau e fora que ofereçam esses cursos. Há falta de docentes? Acho que faltam docentes, sim. Neste momento, o IPM está a fazer um bom trabalho em formar professores que ensinem os cursos de tradução de mandarim para português nos países lusófonos. E está ainda a colaborar nesse sentido com o Politécnico de Leiria. Há realmente uma grande procura. Mas o número de alunos que fazem cursos de interpretação e tradução para português e de língua e literatura portuguesa são poucos.

Isso porque vêem o ensino do português como apenas conveniente ou obrigatório e não porque gostam da língua? Não, eu creio que não. Em Macau só temos duas instituições que ofereçam esses cursos, a UMAC e o IPM. Claro que os alunos podem frequentar o curso em Portugal, mas é difícil para os estudantes das escolas chinesas ou inglesas fazerem um curso da língua ou literatura portuguesa sem conhecimentos da proficiência básica da língua. Alguns finalistas conseguem, mas outros não têm bases. Nós temos mais de cem alunos a fazer o curso em Portugal, maioria em direito, mas antes fazem curso de língua portuguesa. A oferta em Macau é muito limitada. Há muitos que querem português até porque Macau serve de plataforma entre a China e os países lusófonos. A iniciativa tem de partir das universidades em ensinar o português? O GAES não pode incentivar a isso? A próxima semana vamos reunir pela primeira vez com três instituições públicas de ensino superior, por iniciativa do GAES. A percepção do papel do GAES é diferente. Por mim, poderá tomar um papel mais activo ou mais pró-activo. Mas a decisão depende das universidades: têm autonomia administrativa e pedagógica. A última palavra não pertence ao Governo? Claro, até porque é o Governo que apoia as instituições a nível financeiro a fazer estes cursos. Em entrevista ontem ao Hoje Macau, Li Changseng dizia que a culpa de não ser tão marcante o legado do português era da própria administração portuguesa. Qual é a sua opinião? Sou testemunha do desenvolvimento do processo educativo de Macau, do ensino não superior. Havia uma grande guerra nos anos 1989/1990, antes da publicação da lei relativa ao sistema educativo do território, em 1991, entre o sector privado e o Governo da altura, que queria impor o ensino do português nas escolas. Mas o sector

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11 privado e a comunidade escolar recusavam muito isso. Por isso, embora tenha criado o Centro de Difusão da Língua Portuguesa e tenha feito muito nas escolas privadas, até colocando de forma gratuita o ensino do português nas escolas, havia sempre essa guerra. Agora é um pouco diferente, o sector escolar percebe a importância da língua portuguesa. Mas tem também dificuldades. Aorganização curricular é muito intensa, acrescentar mais uma disciplina significaria cortar outra. Desde há cinco anos há cada vez mais adultos a fazer cursos de português no IPOR, por exemplo. O problema, naquela altura, era a guerra de mentalidades. Agora, Macau é uma região especial, as pessoas têm uma mentalidade mais aberta e querem comunicar. Saber mais uma língua tem mais vantagens a nível profissional. Então partiu das pessoas sentir mais interesse ou os recados do Governo Central têm contribuído para isso? Ambos os factores contribuem para este fenómeno. Pegando nessa abertura de mentalidade e tendo em conta recentes contactos que tivemos com estudantes do ensino superior, há determinados assuntos relativos à história mundial, por exemplo, ou ao senso comum, de que os alunos de Macau não têm as mínimas noções. Como podemos caracterizar o ensino superior em Macau, tendo em conta isto? Aquestão prende-se muito com o facto da generalização do ensino superior, de tornar o acesso ao ensino superior mais fácil. Antes era mais selectivo. Depois também há o facto de trabalharem e estudarem ao mesmo tempo. Depois, também tem a haver com a forma de que cada ver o mundo, há um grande espaço para melhorar o nosso sistema educativo. Relativamente às ciências sociais, há um grande espaço a ser melhorado. Claro que temos em vista a reforma curricular em termos do ensino superior. O GAES está a pensar instaurar uma avaliação padrão para, por exemplo, introduzir os exames de chinês e matemática de entrada da universidade com uma avaliação padrão. Porque há esse requisito mas feito por cada universidade, por isso é preciso rever isto. Essa revisão consistiria em quê? Em Fevereiro assisti a uma conferência em Portugal e perguntei-me como é possível que Portugal, que no PISA de há dez anos era do últimos, teve agora resultados superiores a Macau. Avançou muito. A avaliação padrão desde o ensino primário é uma medida a ser tomada em Macau, porque o sistema é muito diversificado. Aqui, cada escola oferece o seu programa. A reforma curricular é fundamental para garantir a qualidade de ensino em Macau. O território é pequeno, temos de olhar para as experiências

dos países vizinhos e Portugal. A intenção é melhorar, com certeza. Em Macau não vivemos só nesta área de 30 quilómetros quadrados. Estamos a competir com Hong Kong, Zhuhai, China. Se a qualidade de ensino não está a melhorar à mesma velocidade com que os outros estão, esse é um problema para o sistema educativo. Temos de fazer muito. Quais os benefícios que o novo campus da Ilha da Montanha pode trazer? Os alunos podem concentrar-se mais nos estudos estando distantes do trabalho, depois o ambiente é o de uma cidade universitária, a cultura de universidade não está tão dispersa. Mudando um pouco o rumo, qual a principal diferença do trabalho que desempenha no GAES do que desempenhava na DSEJ? Vou dar um exemplo automóvel: o carro que conduzia na DSEJ era automático, andava a mais velocidade. Agora, no GAES, o carro tem mudanças manuais. Ainda tenho de me acostumar à máquina, andar mais devagar para circular com segurança. Estou a adaptar-me e esta “máquina” também se está a adaptar a mim. Um balanço destes primeiros dois meses? Positivo. A maioria dos colegas aqui é jovem e com qualificações altas, muitos sabem até quatro línguas, o que é vantajoso para trabalhar. Esta é uma oportunidade para aprender a realidade do ensino superior. Estamos a tentar proporcionar que se saiba mais sobre esta área, criando um fio de comunicação. Somos um gabinete de apoio ao ensino superior, temos de saber a realidade do ensino superior para melhorar. Com os serviços que tinha sob a alçada da DSEJ considera que tinha autonomia para dirigir esse “veículo” ou tem mais autonomia aqui no GAES? Acho que há mais espaço aqui no GAES para desenvolver. Trabalhei 20 anos na DSEJ e chegamos a uma altura em que para melhorar existe um grande desafio, o nível é outro. Aqui há o desafio, claro, é grande mas há espaço para o desenvolver, há trabalho concreto, novas ideias e é uma realidade onde se pode fazer muito. Desejos para melhorar o ensino superior a curto prazo? Acabar e publicar a lei do ensino superior e os regulamentos da lei orgânica do GAES e do fundo para o ensino superior, os temas de avaliação e acreditação para o ensino superior. Depois, medidas para cuidar dos nossos alunos. E a longo prazo? Os finalistas do ensino secundário vão descer rapidamente daqui a cinco, seis anos. Temos de perceber como é possível manter o ensino superior no território e saber qual o seu futuro.


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Notificação Edital

N.º 131/2011

Notificação Edital

N.º 132/2011

(Solicitação de Comparência do Trabalhador)

(Solicitação de Comparência do Trabalhador)

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se a não-residente Sra. NING SHUMENG, ex-trabalhadora autorizado a prestar trabalho para a sociedade “MELCO CROWN (COD) HOTEIS LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 4576/2010, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. ANATOLY TESLENKO, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “SUNDUST, LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 4421/2010, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 27 de Abril de 2011.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 26 de Abril de 2011.

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou

Notificação Edital

N.º 133/2011

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou

Notificação Edital

N.º 134/2011

(Solicitação de Comparência do Trabalhador)

(Solicitação de Comparência do Trabalhador)

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. CHU WAI KI, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “EMPRESA DE ENGENHARIA HIP HENG (MACAU), LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 5861/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se a não-residente Sra. ELIZABETH ALMENDRAS CUETO, ex-trabalhadora autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COTAI-GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS S.A.”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 1326/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 25 de Abril de 2011.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 27 de Abril de 2011.

O Chefe de Departamento, Substº João Paulo Sou

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou


desporto

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Futebol | Equipa de Pelé joga promoção no domingo

Casa acima ou casa abaixo? Marco Carvalho

É

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o encontro do ano para Pelé e companhia. O onze do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau disputa no domingo, frente ao Lai Chi, aquele que se poderá vir a revelar – em caso de vitória – como o desafio mais importante da presente temporada. Se conseguir levar a melhor sobre o adversário de domingo, a formação orientada por Pelé agarra a liderança da série A do Campeonato da Terceira Divisão e dá um passo de gigante rumo à ambicionada subida ao segundo escalão. À partida para a penúltima

jornada da fase regular da prova, o Lai Chi é quem lidera as contas da classificação, mas uma vitória frente ao principal rival na

corrida pela promoção bastaria para catapultar a Casa de Portugal para a liderança da Série. O Lai Chi, diz Pelé, é

um adversário duro de roer, mas o grupo de trabalho que comanda está confiante de que um bom resultado é possível. “Entre os adversários que enfrentámos e que ainda vamos enfrentar este ano, o Lai Chi é a equipa mais dura e é também aquela que pratica um futebol mais estruturado e mais parecido com o futebol que praticámos. De qualquer forma, tenho a equipa na máxima força e temos vindo a treinar com afinco durante a semana, para estarmos o melhor preparados possível para um jogo que se pode revelar decisivo para as ambições que nutrimos”, sustenta o técnico. Moralizado, o onze da

Badminton | Obrigação de vestimenta contestada

Sou mulher mas não gosto de saias O

badminton vive um momento de grande polémica, por causa das novas regras que obrigam as jogadoras a usarem saia. As críticas foram tantas que a federação

internacional veio defender ontem que não se trata de uma “medida sexista”, mas sim de uma forma de captar adeptos. A regra – que deveria ter entrado em vigor a 1 de Maio, mas foi adiada para 1 de Junho – impõe que as jogadoras usem saia ou vestido, mesmo que por baixo possam vestir calções ou calças. “Não podemos obrigar toda a gente a usar saia”, contestou a indiana Jwala Gutta. “Isso depende de cada um, do seu conforto. Não me parece que as pessoas gostem que lhes digam o que devem ou não vestir”. A chinesa Li Xuerui já experimentou jogar de saia num torneio e queixou-se de que isso “interferiu” no seu rendimento. O ministro inglês responsável pelos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Hugh Robertson, também já veio a público afirmar que devem

ser os atletas a escolher o que vestir. “[Impor saia] não é uma abordagem do século XXI”, argumentou. A Federação Internacional de Badminton (BWF, na sigla inglesa) reagiu ontem à polémica, embora sem dar qualquer sinal de recuo. “Não é nossa intenção apresentar as mulheres como objectos sexuais e não é isso que fazemos”, declarou Paisan Rangsikitpho, vice-presidente da BWF, argumento existir a necessidade de “diferenciar o jogo das mulheres”. “Esta regra faz parte de uma campanha mais vasta para valorizar o nosso desporto. Ajudar-nos-á a captar um público mais vasto, entre os mais jovens e os mais velhos, as mulheres e os homens, porque a apresentação estética e o estilo dos jogadores é um critério importante”, defendeu o mesmo dirigente.

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Casa de Portugal em Macau parte para o encontro consciente de que a derrota pode comprometer o trabalho desenvolvido ao longo da época e nem o facto de ter ainda pela frente um outro encontro, frente à Selecção de Sub-16 da Associação de Futebol de Macau, pode ajudar a reparar um eventual desaire perante o Lai Chi. Sem margem de manobra para o fracasso, a formação orientada por Pelé quer estar na máxima força no domingo e vai por isso reservar o dia de sábado para descanso, depois de ter vindo a treinar com regularidade durante toda a semana. “Hoje [quinta-feira] trabalhamos a parte física

no ginásio e amanhã [hoje] temos um treino com bola no complexo desportivo da Taipa e no sábado descansámos. O equilíbrio dos três factores deve permitir que possamos estar na máxima força no domingo”, remata o técnico da formação de cariz português. A Casa de Portugal alcançou no fim-de-semana passado uma vitória abastada sobre a formação do J. Speed, goleando o adversário por seis bolas a uma, num encontro com golos para todos os gostos. Marcelino, Carlos Vilar, Rui Lemos, Tó, Pedro Duarte e o francês Jean Friedman foram os autores dos tentos do conjunto orientado por Pelé. No domingo, o grupo de trabalho do onze da Casa de Portugal sobe ao relvado do Canídromo por volta das quatro horas da tarde para aquele que poder vir a ser o encontro mais importante da época.


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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 127/2011

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 128/2011

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do “Regulamento da Inspecção do Trabalho”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. EDWIN CAMENADE WACAN, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE CORRIDAS DE CAVALOS DE MACAU, S.A.R.L.”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício Advance Plaza, em Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 67/2010, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Nos termos da alínea b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. FAN ZUDONG, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO URBANA J & T LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 3556/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 25 de Abril de 2011.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 26 de Abril de 2011.

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 129/2011

O Chefe de Departamento, Substº João Paulo Sou

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 130/2011

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do “Regulamento da Inspecção do Trabalho”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. WU SHUNMU, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE GESTÃO DE SERVIÇO DE SEGURANÇA KUN LUN, LDA.”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício Advance Plaza, em Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 4906/2010, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. ZHU BIAO, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “HOTEL WALDO LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 4011/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 28 de Abril de 2011.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 28 de Abril de 2011.

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou

O Chefe do Departamento, Substº João Paulo Sou


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Rita Ferreira | Designer gráfica

“O meu grande sonho era criar vestidos” Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

Quando tinha uns sete ou oito anos

andava sempre com um bloquinho na mão, daqueles que faziam conjunto com as canetas e o estojo, e desenhava fatos. “Mas desenhava impecavelmente bem, modéstia à parte!”, diz Rita Ferreira, com aquele olhar reguila de quem abre o baú de tesourinhos de infância. Nessa altura, já tinha deixado Lisboa para viver em Viseu com os pais, “longe de saber o que era um estilista ou um designer de moda”. Mais ainda da definição de “designer gráfica”, profissão que exerce actualmente em Macau. Mas já lá vamos. A culpa, na verdade, foi da vizinha. “Chegou lá a casa, viu o meu bloco, olhou para mim e disse: Tu vais ser estilista!” A dica bastou para que o desejo de enveredar pelo mundo da moda toldasse todo o seu percurso daí para a frente. Mas entre esquissos nos cadernos e idas à ModaLisboa, na altura de entrar para a universidade o destino resolveu pregarlhe uma partida. Não só não foi colocada na tão desejada Lisboa, como tinha entrado em Design de Comunicação e Técnicas Gráficas. “Nem fazia bem ideia do que era, até porque ainda não se falava da área de forma autónoma”, conta. Mas a verdade é que o gosto pegou. Acabou por galgar o país e concluir o curso no Porto. Pouco tempo depois estava a fazer um estágio de três meses no ateliê “António Queirós Design”. Só sairia mais de um ano depois. “Aprendi mais ali do que em três anos no curso”, confessa. Dos projectos que abraçou fazem parte a sinalética do Estádio Municipal de Braga e do Museu Grão Vasco, em Viseu, ambas obras do “mestre” Eduardo Souto Moura. “Ele fazia os projectos de arquitectura e nós assistíamos, foi uma óptima experiência.” Ainda trabalhou noutra empresa e passou pelo Teatro Rivoli, quando acontece o desafio Macau. O namorado, actual marido, recebeu uma proposta para integrar um escritório de advocacia no território. “Comecei a pesquisar por algo relacionado com o design gráfico na RAEM e nada. Não me aparecia nada.” As notícias do designer macaense António Conceição Júnior, com quem entretanto estabeleceu contacto, também não seriam as mais animadoras, mas também não demoveram a profissional que acabou por aterrar mesmo no território. “No dia 3 de Setembro de 2007”, precisa. “Cheguei com quatro entrevistas marcadas, fui à primeira e já não fui às outras”, conta. A proposta da Steelman Partners, empresa norte-americana de arquitectura e design

de interiores envolvida em projectos como o casino Sands, o Venetian e mais recentemente o Galaxy, convenceu Rita. Entretanto a moda já estava longe dos horizontes. Mas a criação artística não. “Comecei a procurar escapes para tentar colmatar a parte criativa e continuar a criar.” A Creative Macau foi o primeiro. Seguiram-se escritórios de advogados, Casa de Portugal, jornal Ponto Final, entre outros. Entretanto o design gráfico tornava-se um conceito mais familiar às pessoas de Macau. “Mas continua a ser complicado chegar aqui e vencer, porque as pessoas ainda confiam muito no mercado de Hong Kong, onde há bons designers”, nota. No ano passado, Rita fez a sua primeira exposição a solo. Mais uma mostra do talento que, vinca, “já tem uma identidade própria”. A artista admite que nos tempos que correm “já não há espaço para grandes inovações”, mas considera “aliciante” o desafio da conjugar diversas influências e ferramentas. Foi o que fez com fotografias de algumas “mulheres de Macau” como a artista plástica Lúcia Lemos e a jornalista Isabel Castro. “Comecei por brincar com uma fotografia minha e achei que podia dar-lhe a volta, manipular, usar mais técnicas que não só a máquina e a lente, e fazer a minha interpretação.” O resultado foi “When Taste Comes Out”. Um gosto que ainda não se multiplicou noutros projectos semelhantes por “falta de tempo” que é normalmente consumido pelo trabalho. “Às vezes quero adormecer rápido, para a noite passar logo, levantar-me cedo e ir trabalhar porque estou cheia de vontade de ir trabalhar.” As folgas diluemse noutros sabores. “Adoro cozinhar. Se não fosse designer era chef”, atira. É que tanto podemos encontrar Rita a devorar livros de receitas como a ler publicações sobre design sentada no chão de uma livraria. A estética está sempre presente, tanto no ecrã como no prato, e o Oriente a condimentar. “As cores, os padrões, os elementos gráficos, tudo é completamente diferente”, aponta. Tem uma certeza: voltar para Portugal. “Vou acabar os meus dias numa cozinha rústica, com colheres de pau enormes de madeira nas mãos, gatos pelo chão, galinhas a caminhar lá fora, a fazer bolos ou algo do género”, confessa entre risos. Até lá, não cruza os braços. Trabalha nos seus múltiplos projectos, inclusive o de ser mãe. “A curto prazo.”


[f]utilidades sexta-feira 6.5.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

16

[ ] Cinema Sala 2

water for elephants [b] Um filme de: Francis Lawrence Com: Robert Pattinson, Reese Witherspoon 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Sala 1

SALA 3

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Kenneth Branagh Com: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

fast & furious 5 [c]

VERTICAIS: 1-Patas. Exigir formalidades ou cumprimento de certos deveres. 2-Que revela falta ou esquecimento. Percebe. 3-Escola profissional. Classe de mocho. República Portuguesa. 4-Mandrião. Planta euforbiácea do Brasil. 5-Agudeza de espírito. Medida polaca, para líquidos. 6-Antiga moeda de ouro, na Índia. Unif. Res. Loc. 7-Duas vezes a. Danificado, estragado. 8-Grande bródio. Deslocar-se, mover-se de um lado para outro. 9-Ave brasileira, espécie de saracura pequena. Entre os Muçulmanos, guia, chefe. 10-Casa, antigamente. Substância que se extrai do sangue-de-drago. 11-Género de plantas criptogâmicas da América do Sul, vizinho dos fetos. Gente ordinária, populacho, ralé.

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-POEMA. ABACA. 2-EMPACHAR. AZ. 3-SI. DIO. OSSO. 4-SERENADA. L. 5-OSCA. AVONDA. 6-BOUÇO. ARAR. 7-R. LOCURI. AR. 8-ISO. TRIOICO. 9-GA. TULA. MIL. 10-ABRITA. DIANA. 11-REPULSOR. AO. VERTICAIS: 1-PES. OBRIGAR. 2-OMISSO. SABE. 3-EP. ECULO. RP. 4-MADRAÇO. TIU. 5-ACIE. OCTUAL. 6-HONA. URL. S. 7-AA. AVARIADO. 8-BRODORIO. IR. 9-A. SANA. IMA. 10-CAS. DRACINA. 11-AZOLA. ROLAO.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Composição poética, mais ou menos extensa. Espécie de bananeira. 2-Obstruir, encher muito, embaraçar. Gume. 3-Flexão do pron. ele. Deus, em italiano. Fragmento ou parte de um arcaboiço. 4-Serenata. 5-Rosca das fiandeiras. Basta! 6-Tipo de associação. Arbusto leguminoso da Índia e da África. 7-Árvore silvestre cuja madeira se aplica a frechais e vigotas. Assembleia da República. 8-Elemento designativo de igualdade. Triécico e triécia. 9-Símbolo químico do gálio. Género de plantas rubiáceas. Muitos, em quantidade indeterminada. 10-Desunia, descerrava. Deusa da caça. 11-Que repulsa. Contracção da preposição a e do artigo o.

thor [B]

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 17:35 Liga Europa: Braga vs Benfica (Repetição) 19:00 Ásia Global (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 Acontecimentos Históricos 20:35 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:00 Viver a Vida 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Liga Europa: Villarreal vs Porto (Repetição) 01:00 Telejornal (Repetição) 01:30 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Biosfera 15:15 Retrospectivas 15:30 Gostos e Sabores 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Quem Quer Ser Milionário – Alta Pressão 17:45 O Olhar da Serpente 18:30 Portugal Tal & Qual 19:00 Conta-me Como Foi III 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Expo Shanghai 2010 22:30 Salvador 22:45 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 I.N.K. Invisible Network of Kids 17:00 Escape From Scorpion Island 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rick Stein’s Far Eastern Odyssey 21:30 Friday Hall Of Fame: Persepolis 22:30 Marketplace 22:35 Friday Hall Of Fame: Persepolis 23:35 The CEO Connection 23:40 World Market Update 23:45 News Roundup 00:00 Earth Live 00:05 Dolce Vita 00:30 America’s Next Top Model (XIII) 01:20 Get Reel Music Mix 01:45 European Art at the MET 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 2011 State Farm College Slam Dunk & 3-Point Championships 15:00 Planet Speed 2010/11 15:30 MLB Regular Season 2011 New York Yankees vs. Detroit Tigers 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2011 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Football Asia 2011/12 20:30 Global Football 2011 21:00 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. Boca Juniors

22:00 Planet Speed 2010/11 22:30 Sportscenter Asia 23:00 Football Asia 2011/12 23:30 Global Football 2011

STAR SPORTS 31 12:30 (LIVE) Maekyung Open Day 2 15:30 WTA - Barcelona Ladies Open Final 17:00 V8 Supercars Championship 2011-Highlights 19:00 HSBC Asian 5 Nations Rugby Hong Kong vs. Japan 21:00 Football Asia 2011/12 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 MotoGP World Championship 2011 - Highlights Grande Premio De Portugal 23:00 (Delay) Maekyung Open Day 2 H/ls STAR MOVIES 40 12:55 The Silence Of The Lambs 14:55 Brooklyn’S Finest 17:00 John Grisham’S The Rainmaker 19:20 My Life In Ruins 21:00 The Code 22:50 Stealth 00:55 All About Steve HBO 41 13:00 Land Of The Lost 14:40 Turbulent Skies 16:05 Fletch 17:45 Throw Momma From The Train 19:15 Big Daddy 21:00 Harry Potter And The Half-Blood Prince 23:35 Green Zone CINEMAX 42 12:00 Blood And Bone 14:00 Army Of Darkness 16:00 Tremors 3: Back To Perfection 18:00 Critters 4 19:45 Out Of Sight 21:45 Epad On Max 109 22:00 When A Stranger Calls Back 23:30 Love And A Bullet MGM CHANNEL 43 12:30 Charlie Chan and the Curse of the Dragon Queen 14:15 Class 15:45 Tokyo Pop 17:30 The Mighty Quinn 19:15 April Morning 21:00 Wicked Stepmother 22:45 Carrie DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Greased Lightning 14:00 First Time Film Makers Vietnam - Jam Busters 14:30 Eye on Malaysia - Honey Hunters 15:00 Mega Builders - Peak Power - Toba River, Canada 16:00 Build It Bigger - New Orleans Surge Barrier 17:00 Dirty Jobs - Roadkill Cleaners 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Construction Intervention - Charlie’s Back! 20:00 Tattoo Hunter - Indonesia 21:00 Mythbusters - Green Hornet Special 22:00 I Almost Got Away With It 23:00 Forensics: You Decide - Caught On Tape 00:00 Mythbusters - Green Hornet Special

(MCTV 51) National Geographic Channel 00:00 Beast Hunter - African Swamp Monster

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 ABOUT ASIA - Megastructures 13:25 Animal Mega Moves: Elephant Herd 14:20 iPredator: Polar Bear 15:15 Fight Science: Super Cops 16:10 Superhuman: Steroids 17:05 My Music Brain 18:00 Extraordinary Dogs 19:00 Seconds From Disaster 20:00 ABOUT ASIA - ShowReal Asia 21:00 Beast Hunter - African Swamp Monster 22:00 Ancient Secrets: The Lost Ship Of Rome 23:00 Taboo - Death 10 00:00 Beast Hunter - African Swamp Monster ANIMAL PLANET 52 13:00 Mad Mike And Mark 14:00 Caught In The Moment 15:00 Wild Hearts: Wolves At Our Door 16:00 Wildest Africa - Cape Coast 17:00 Animal Cops Miami 18:00 Animal Cops Houston 19:00 Beverly Hills Groomer 20:00 Mad Mike And Mark 21:00 Wild Hearts: Growing Up... 22:00 Wildest Africa - Madagascar 23:00 Animal Cops Miami 00:00 Mad Mike And Mark HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Icons Of Power 16:00 Modern Marvels 17:00 Brad Meltzer’s Decoded 18:00 Shockwave 19:00 Modern Marvels 20:00 The Works 21:00 Third Reich: The Fall 23:00 Hitler’s Secret Science 00:00 Monsterquest BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention - Sara 14:00 Manny Pacquiao 15:00 The Locator 15:30 Storage Wars 16:00 Rachael Ray 17:00 Obsessed - Al, Tammy, Jodi 18:00 Intervention - Sara 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 Tough love 21:00 Private Sessions 22:00 Gene Simmons: Family Jewels 22:30 Storage Wars 23:00 Intervention - Travis & Matt 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 Csi: Ny 13:05 24 14:00 Wipeout 14:50 Cyril: Simply Magic 15:45 Leverage 16:35 Csi: Ny 17:25 Csi: Crime Scene Investigation 18:15 House 19:10 Csi: Crime Scene Investigation 20:05 Criss Angel Mindfreak 20:35 Ebuzz 21:05 Csi: Miami 22:00 Csi: Ny 22:55 Csi: Crime Scene Investigation 23:50 The Bourne Supremacy STAR WORLD 63 12:10 American Idol 13:25 DC Cupcakes 13:50 American Idol 14:45 Swift Too Sweet: Taylor Swift 15:10 Avril Lavigne Presents Goodbye Lullaby 15:40 Masterchef Australia 17:10 Glee 18:00 American Idol 19:00 Don’t Stop Believing 20:00 American Idol 21:00 Glee 21:50 Royal Pains 22:45 Masterchef Australia 23:40 American Idol 00:35 Glee

Informação Macau Cable TV


opinião

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17 ed i t or i a l Carlos Morais José

Uma visita ao museu O Museu Nacional de Taiwan possui

o maior espólio conhecido de obras de arte e relíquias arqueológicas chinesas. Chiang Kai-shek levou para a ilha a colecção dos imperadores da dinastia Qing, que incluía os extraordinários bronzes dos Shang, entre muitos tesouros de valor histórico e artístico incalculáveis. O edifício é visitado por milhares de turistas e de residentes da ilha, nomeadamente jovens e crianças que ali aprendem muitos dos fundamentos da sua própria cultura. Em termos tecnológicos trata-se de um museu avançado, interactivo, que permite aos visitantes “mexer” nas obras milenares e deleitarem-se com a facilidade com que, independentemente de não se ser chinês, se compreende a historicidade das obras e as suas principais características em termos artísticos. Contudo, o que mais me surpreendeu foi que, numa sala de exposições temporárias, o Museu Nacional de Taiwan apresenta uma retrospectiva do grande pintor russo Marc Chagall, com cerca de uma centena de pinturas. Uma oportunidade única para os amantes de pintura e de cultura para verem ao vivo as obras do grande mestre de quem Picasso dizia “ter anjos na cabeça”. O dis-

ca r t o o n por Steff

É uma pena que os responsáveis pela Cultura nesta terra não ponham os olhos nos nossos vizinhos e assumam de uma vez por toda que Macau tem condições excelentes para proporcionar uma oferta cultural de qualidade que, aos poucos, eleve o nível da população.

curso pictórico de Chagall é extremamente poético (por isso étnico), sendo de fácil apreensão nos seus conteúdos mais óbvios mesmo para os leigos ou as crianças. Afinal, como dizia o meu avô, o povo é igual em toda a parte. Assim, enquanto me deliciava com Chagall, seus amores e fantasmas, tive a oportunidade de assistir a crianças taiwanesas encantadas com os quadros, assistidas por

professores de arte que as “provocavam” na interpretação das imagens. O que ressaltava também era a universalidade dos temas e a porta que assim se abria na mente dos miúdos à cultura universal. E em Macau? O Museu de Arte, ainda no tempo de Ung Vai Meng, trouxe duas exposições com este tipo de carácter: a primeira de artistas contemporâneos franceses, na qual sobressaía Yves Klein; e a outra uma selecção

Nova iorque

vasta de obras de Bada Shanren e Shitao, dois enormíssimos pintores cuja influência foi decisiva, no século XVII e XVIII, para as mudanças que ocorreram na pintura chinesa. Fora isto, basicamente nada. Ora porque razão não está Macau na rota das exposições dos grandes pintores universais? Ou, dito de outro modo, porque razão está a mostra de Chagall em Taipé e não aqui? Dir-me-ão que custa caro e eu atiro-me ao chão, de mãos agarradas à barriga, de tanta vontade de rir. Uma terra sustentada por casinos tem a obrigação de gastar o dinheiro neste tipo de iniciativa, no sentido de proporcionar à sua população uma cultura de cariz universal, que a coloque no mundo; e aos turistas alternativas culturais de grande prestígio que sirvam de alternativa aos casinos, às lojas de ouro, carne seca e bolachas. Certamente que o rendimento per capita de Taiwan é inferior ao da RAEM, mas a vontade de educar o seu povo não. É uma pena que os responsáveis pela Cultura nesta terra não ponham os olhos nos nossos vizinhos e assumam de uma vez por toda que Macau tem condições excelentes para proporcionar uma oferta cultural de qualidade que, aos poucos, eleve o nível da população. * E por falar nisto é também inacreditável que continuem a não existir campanhas cívicas, nomeadamente no que diz respeito ao trânsito. A situação nas ruas desta cidade está cada vez mais descontrolada, não por causa de uma gestão da circulação mas porque ninguém cumpre as regras mínimas de civismo. As passadeiras não são respeitadas, nomeadamente pelos condutores de autocarros, que deviam ser os primeiros a dar o exemplo. E, sinceramente, este é um indicador básico para medir o civismo de uma população nos nossos dias. Não se compreende porque razão o governo não cria as referidas campanhas. Provavelmente, terá de fazer um estudo, seguido de uma auscultação, complementada por um novo estudo e uma posterior auscultação. Pois façam. Mas façam qualquer coisa. Assim já quase dá vergonha ser peão ou condutor nesta cidade, onde as regras de civismo e mínima boa educação tendem a ser continuamente menosprezadas e desleixadas a um nível que hoje já quase faz corar a maior parte dos países em vias de desenvolvimento. Este povo cumpre as regras se a tal for incitado. Não é especialmente rebelde ou desinteressado. Assim os seus líderes lhe dêem a importância suficiente e tenham por ele a necessária consideração.


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18 ca r t a a o d i r ect or Senhor director, Não me obriguem a comprar malas mas aceitem o meu agradecimento. As informações que vieram a público sobre a exposição do Arquitecto Oscar Niemeyer mostram que o governo mente quando afirma que apoia a cultura e as indústrias criativas. Reponha-se a verdade. O governo não apoia a cultura e as indústrias criativas. Resta agora saber se esta desvinculação da sua obrigação enquanto educador das massas acontece porque o governo não quer fazer ou porque o governo não sabe fazer. Em Lisboa já foi assim. Uma instituição privada, a Fundação Calouste Gulbenkian, oferecia música, bailado, cinema, bibliotecas, publicação de livros e exposições e teve uma importância central na formação do gosto e na iluminação das almas de muitos. O governo pouco fazia e muitas vezes fazia mal. Em Macau não há livrarias, não há uma biblioteca de dimensão internacional e não há um curso superior na área das belas artes. Em Macau não há uma companhia de bailado clássico ou contemporâneo de mérito. Não há nenhum Cine-clube. O Centro Cultural não tem uma temporada de música. O Centro Cultural organiza um pequeno ciclo de cinema com filmes do Festival de Cinema de Hong Kong onde estão ausentes os filmes mais importantes. O Festival de Artes de Macau é paupérrimo (e nunca o foi tanto como este ano) e o Museu de Arte de Macau só tem (aparentemente) dinheiro para montar partes de exposições. Tanto quanto me lembro nunca por este museu passou uma exposição de um grande nome das artes plásticas contemporâneas – apenas uns desenhos de Picasso.

Em Macau não há nenhum acontecimento cultural de dimensão internacional em nenhuma área - o Festival Internacional de Música de Macau ficando-se aquém dessa categoria Que eu saiba, o MAM não tem uma política decente de compra de arte em leilões, feiras de arte ou a particulares, o que o incapacita de construir uma colecção com nomes que não sejam os locais e que possa exibir para elevação dos residentes e turistas. Em Macau não há nenhum acontecimento cultural de dimensão internacional em nenhuma área - o Festival Internacional de Música de Macau ficandose aquém dessa categoria. Em Macau não há mercado de arte e fica a cerca de uma hora daquele que é o mais importante mercado de arte da Ásia - Hong Kong – consideração acerca da qual já não há quaisquer dúvidas. A escolha da Gagosian em abrir uma galeria em Hong Kong, e não no Japão, Pequim ou Singapura, é o sinal mais brilhante desta distinção (a Ben Brown fê-lo também há pouco tempo). Não admira que a Feira de Arte de Hong Kong (este ano de 26 a 29 de Maio) seja já a mais importante da Ásia. Admira é que em Macau não haja nada. Em Macau não há, como há em Cantão ou em Hong Kong, o hábito de contratar aquele tipo de trabalho de arquitectura que por si só pode transformar o rosto de uma cidade durante mil anos para melhor. Os olhos do mundo estão postos em Cantão. A construção do seu Centro Financeiro Internacional, do Museu da

Província de Cantão, da Torre da Televisão, da Ópera, da Nova Biblioteca de Cantão e de alguns hotéis (com todos os problemas que algumas destas estruturas já revelam) só não coloca um indelével rubor nas faces da administração local porque ninguém deve saber do que é que eu estou a falar. Em face da construção, num futuro próximo, dos novos edifícios da biblioteca central e da universidade, ó, vós, incautos habitantes da cidade de Macau, preparai-vos para o pior. Mas, felizmente, temos a Louis Vuitton. À sua galeria de arte o famoso maleiro trouxe várias peças de um dos artistas chineses mais importantes e mais conhecidos da actualidade – Zhang Huan. Atrevo-me a dizer que esta é talvez a exposição mais importante, em termos de actualidade, das últimas décadas. A acompanhar a exposição há um catálogo feito de propósito para esta exposição. A exposição de Oscar Niemeyer que o Museu de Arte de Macau montou (deve ter sido rápido) não vem acompanhada, que se saiba, de qualquer catálogo. Foi também a galeria da Louis Vuitton que trouxe ao território um ou dois quadros de Damien Hearst a propósito da exposição que estreou aquela que é a melhor galeria de arte privada do território. Esperemos que a Louis Vuitton continue a oferecer a Macau, uma vez que o Museu de Arte de Macau não o consegue, exposições onde possamos ver obras de alguns artistas plásticos contemporâneos de craveira internacional. Esperamos também, muito sinceramente, que o governo de Macau nunca venha a administrar a Louis Vuitton. Leitor identificado


Quando é nobre o ideal, vale a pena Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

morrer por ele.

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opinião

p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Educação, sociedade e ambiente (I) “What we resolve to do in school only makes sense when considered in the broader context of what society intends to accomplish through its educational investment in the young. How one conceives of education is a function of how one conceives of culture and its aims, professed and otherwise.” Faith Schools and Society Jo Cairns

O

ensino científico praticado nas escolas insere-se num contexto mais amplo, que é o de saber como se evitará que uma grande parte da espécie humana não cause danos ao ambiente global. Os professores devem ser desafiados a encontrarem a forma mais eficaz de transmitirem aos seus alunos a urgência da acção que parece ser necessária. Importa compreender o que os professores tentam fazer e qual o contexto em que desenvolvem a sua actividade. Existem actividades muito importantes e empolgantes que podem ser desenvolvidas nas escolas em complementaridade com as existentes. Cientistas e pesquisadores devem assumir o que é o seu dever e envolverem-se mais na educação das crianças e jovens. Na sua actividade diária, para os professores o sentimento expresso pelo poeta senegalês Baba Dioum de que “No fim, conservaremos apenas o que amamos, amaremos apenas o que compreendemos e compreenderemos apenas o que nos ensinam” é mais pragmático e auspicioso do que alguns cantos de sereia que se ouvem por muito pertinentes que sejam. Exprime bem o desafio feito a todos aqueles que se preocupam com a ciência e educação. Mesmo que até agora se tenha conseguido atingir esse alvo muito simples, o conceito de sustentabilidade começa a fazer da mudança uma realidade. O ensino científico nas escolas deve ser enquadrado por dois pensamentos fundamentais; um que analisa o papel das escolas no incitamento à mudança social e o outro que examina o papel da ciência nas escolas como agentes de educação para a mudança. A utilização abusiva do ambiente não é uma novidade, dado remontar à pré-história. O professor Lyn White, há quase 40 anos acusou a tradição judaico-cristã que conforma os valores da civilização europeia e ocidental de alguns dos nossos males ambientais. Apesar da sua culpa, dessa cultura dominante nasceu sem dúvida uma grande parte da nossa ciência e mundovisão contemporânea. Para sobrevivermos só temos uma opção, que é de sermos muito lúcidos quanto às nossas capacidades e termos uma perspectiva de

futuro. É disso que trata a educação. A crise sistémica global veio por em causa não apenas os males do sistema financeiro internacional, com as graves consequências da recessão económica e outros males quiçá maiores, pondo a descoberto as más politicas económico-sociais seguidas pelos países, integrados num contexto de competição e comércio injusto que caracteriza a globalização. Uma das políticas sociais a par com a da saúde e da segurança social é a da educação. O papel da educação na sociedade é um, senão o mais importante, para a realização de outras políticas que com ela devem caminhar abraçadas. Alterar a maneira de pensar das pessoas constitui uma tarefa social e educacional da maior importância. Há que colocar a questão de saber como podem as escolas estimular a mudança social. O filósofo francês Émile Durkheim, fundador da sociologia, considerava que a função da educação era transmitir as normas e os valores da sociedade. Defendia que uma sociedade só seria coesa se os seus membros fossem alertados para a importância da cooperação e da solidariedade social. As opiniões de Durkheim são largamente aceites e difundidas na actualidade, por exemplo no modo como as crianças e jovens nos Estados Unidos atingem um sentimento de lealdade nacional para com a sociedade, através de um sistema educativo comum e apesar das diversas origens étnicas. Considerava que a escola era o veículo para este processo de socialização; o estudante americano que começa o seu dia com um voto de fidelidade nacional sabe quem são os fundadores da nação, conhece a “Constituição”, Abraham Lincolm e as raízes da democracia. Não há a mínima dúvida de que as escolas constituem agentes poderosos dessa socialização. Porque não se há-de ensinar o ambientalismo e assistir a uma rápida mudança? Quem se prepara para ser professor pode-se ver confrontado com um comentário bastante condenatório e pungente por parte de pais que defendem a ideia de que “Se o aluno não apreendeu, é porque o professor não ensinou.” Esquecem-se os pais, que também são educadores, conjuntamente com o professor e quiçá com maior responsabilidade. Porque razão as crianças e os jovens, ao atingirem a idade adulta não conseguem alterar o comportamento da sociedade onde se integram? Por certo, alguns professores não proporcionam o devido acompanhamento

Cientistas e pesquisadores devem assumir o que é o seu dever e envolverem-se mais na educação das crianças e jovens às crianças e jovens, pois não são as escolas o meio social onde desenvolvem as suas aptidões e formulam as suas próprias ideias e atitudes? A maioria das pessoas que não pertencem ao universo da sociologia, talvez considere que a educação escolar é altamente formadora e poderosa na sua capacidade de fomentar a mudança da sociedade. Assim pensam os que alcançaram o nível académico e muitas vezes é essa a esperança dos jovens professores que ingressam na profissão. Talvez as escolas sejam um reflexo da sociedade a que pertencem, muito mais do que agentes da transformação social. Émile Durkheim, embora encarasse com optimismo a capacidade da escola criar a mudança social, afirmou que a educação “…é apenas a imagem e o reflexo da sociedade. Ela imita-a e reprodu-la de forma abreviada; não a cria. A educação só é saudável, quando as pessoas são saudáveis; mas corrompe-se com estas, e não consegue mudar-se a si própria. Se o ambiente moral é afectado, os professores, que vivem nele, não podem deixar de ser influenciados…A educação só pode ser reformada se a sociedade for reformada”. As escolas não são então o ponto de partida? Tentar alcançar uma ecologia humana mais sustentável pode envolver uma grande mudança de valores sociais. Neste domínio as escolas têm uma longa história

como espectadores da mudança. A este respeito vale a pena espreitarmos por cima do ombro e relembrar algumas transformações ocorridas na história social e educacional do passado recente. No século XIX no Reino Unido, houve um grande debate no seio da elite culta, quanto à necessidade da educação de massas então proposta a servir a revolução industrial iminente, fornecendo uma força de trabalho minimamente culta. Por outro lado, o consequente esclarecimento da classe mais baixa poderia também lançar as sementes da revolução e da destruição do poder controlado pela elite dominante. Ganhou o argumento anterior, segundo o qual as massas deveriam ser cultas para satisfazerem as necessidades da indústria. Contudo, o que se seguiu nas escolas foi um afastamento gradual da ênfase inicial dada ao objectivo social da formação, que sem dúvida foi alcançado, no sentido de promover uma educação esclarecida emanada do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, permitindo que cada individuo se aperfeiçoasse. A sociedade mudou muito em consequência disso e os vaticínios da elite original acerca da sua perda de poder também se confirmaram amplamente. No Reino Unido e nos Estados Unidos, por exemplo, a ética da autoconfiança e do trabalho árduo dotou muitas pessoas do talento e da capacidade necessárias para ultrapassar as barreiras sociais. No Reino Unido a tensão inicial sobre os objectivos da educação de massas ainda persiste no presente. A escolaridade é uma formação destinada a ir ao encontro de um objectivo económico e social e uma verdadeira educação libertadora, que permite que as pessoas se modifiquem no seu interesse, também para desafiarem as elites dominantes e ultrapassarem as barreiras sociais. Um governo, que controla o financiamento estatal, deve ver a educação em termos de formação profissional, não sendo motivo de surpresa, pelo que urge a criação de escolas profissionalizantes. A maior parte dos professores nos países ocidentais mostra-se bastante hostil à ênfase dada à formação pura e simples e está muito empenhada em alargar o âmbito da educação das suas crianças e jovens. Por conseguinte, uma grande parte do sistema educativo ocidental reside no que o professor David Hargreaves apelidou de cultura do individualismo, com a sua quota-parte de criatividade, liberdade e autonomia.

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Hoje Macau 5 MAI 2011 #2363