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s e x ta - f e i r a 6 d e f e v e r e i r o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 2 6 8

hojemacau

Director carlos morais josé

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Empurrado pelas costas

saúde

Doentes têm boleia com hora marcada sociedade Página

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Assembleia

Deputados contestam Coutinho política Página

thomas lim | actor e realizador

Nasceu em Singapura mas tem orgulho em fazer parte da comunidade de cineastas de Macau. Diz serem precisos mais produtores e guionistas no território que ajudem à mudança de mentalidades. Para que o cinema não seja apenas um evento social e haja espaço para que verdadeiras histórias de vida possam ser levadas à tela.

pub

entrevista páginas 2-3

FIGO

À descoberta do talento de Macau pub

última Agência Comercial Pico • 28721006

Conta- me histórias daquilo que eu não vi

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entrevista

hoje macau sexta-feira 6.2.2015

Thomas Lim Realizador pede mais produtores e guionistas para Macau

“É sempre fácil apontar o dedo ao Governo O realizador e actor nascido em Singapura e radicado em Macau fala sobre as indústrias culturais e criativas, principalmente na área do cinema e da realização. Para Thomas Lim, faltam em Macau guionistas e produtores que saibam captar investimento e é preciso mudar as mentalidades, internacionalizando-as Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Começando com a questão das Indústrias Culturais e Criativas. Este é, aparentemente, um assunto importante para o Governo que está a tentar desenvolver, transformando o território num local relevante nesse sentido. Na sua opinião, isto já está a acontecer? Uma vez que sou realizador de cinema, apenas poderei falar em termos da indústria cinematográfica e não de outras indústrias em Macau. Vejo, definitivamente, que Macau está a fazer grandes progressos, sendo que também a moral – em termos gerais – deste sector está a crescer. Sei que há uns dias atrás, houve um grande evento de estreia do filme ‘Macau Stories 3’, onde centenas de membros da imprensa estiveram presentes para noticiar o momento. Um evento destes seria inconcebível há cinco ou dez anos.

São precisas duas mãos para bater palmas e a responsabilidade de promover este sector [indústrias culturais] é tanto do Governo como dos artistas Sei, também, que o Governo está a fornecer financiamentos que oscilam entre os 100 e os 200 dólares norte-americanos a realizadores locais... Mais uma vez, isto é algo que nunca se viu. Portanto sim, considero que a indústria está definitivamente muito melhor do que anteriormente. O Governo tem vindo a frisar a importância do desenvolvimento

destas indústrias há já algum tempo. No entanto, alguns profissionais da área – produtores, designers, estilistas – queixam-se de falta de apoio por parte do Executivo. Concorda? Julgo que a mudança leva tempo e os artistas devem sempre comparar a situação actual com a que se vivia no passado e não compará-la com aquilo que acham que devia ser. Se as coisas estão a desenvolver-se, parte dos artistas a iniciativa de utilizarem recursos adicionais – ainda que os julguem escassos – para fazer ainda mais e melhor, de forma a convencer o Governo a investir no seu trabalho futuramente. São precisas duas mãos para bater palmas e a responsabilidade de promover este sector é tanto do Governo como dos artistas. Além disso, nunca ouvi artistas a dizerem que o seu país lhes dá ajudas suficientes para os seus projectos. Acredito que o financiamento governamental nunca será suficiente porque a responsabilidade do Executivo é apoiar e não financiar por completo. Os artistas de pequena envergadura fazem uso dos recursos que o Governo oferece enquanto fundo inicial – e talvez se aliem a uma produtora com capacidade – para procurarem mais recursos ou financiamento para realizarem os seus projectos. É mais fácil falar do que fazer, mas a verdade é que nunca foi suposto ser fácil. E isto é uma realidade em qualquer país, não apenas em Macau. Recentemente, algumas pessoas e associações, que detêm pequenas empresas locais, afirmam que a ajuda financeira não é suficiente e que é precisa ajuda noutros aspectos como espaços de estúdio e lojas e programas de formação. Na sua perspectiva, o que sente que é preciso? Penso que Macau precisa de produtores. Esta situação não acontece somente em Macau, mas também em muitas outras indústrias onde

trabalhei, como em Singapura, onde nasci. A maioria das pessoas quer fazer a parte sexy do trabalho de realizador ou actor, mas temos que perceber que sem produtores – que devem ser óptimos em juntar dinheiro para os projectos – pode não haver uma produção. É sempre fácil apontar o dedo ao Governo para dizer que o dinheiro não chega, mas a verdade é que

Acho que Macau precisa de um curso que ensine produtores a encontrar dinheiro para produzir e distribuir os filmes

quase nunca é suficiente e temos que nos convencer disso. À parte desta questão, é também muito importante ter produtores fortes que consigam arranjar dinheiro de investidores privados. Também os programas de ensino são sempre essenciais para um desenvolvimento geral da indústria. Acho que Macau precisa de um curso que ensine produtores a encontrar


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hoje macau sexta-feira 6.2.2015

para dizer que o dinheiro não chega” dinheiro para produzir e distribuir os filmes. Vê esta indústria realmente a ter sucesso, tendo em conta o tamanho do território? O tamanho de Macau não é, definitivamente, uma vantagem para a indústria de artes local. No entanto, estes podem e devem sempre tentar chegar ao mercado maior que está lá fora: o mais óbvio será a China. Relativamente ao sucesso, há vários factores que estão em jogo e que não dependem dos artistas. Veja-se Hong Kong, que entre os anos 80 e 90 tinha apenas sete milhões de pessoas, mas era já considerada a ‘Hollywood do Oriente’. Tal aconteceu principalmente porque a China não era tão aberta como é actualmente e os chineses que imigraram para os EUA e para o Sudoeste asiático estavam sedentos por entretenimento em língua chinesa. Consequentemente, os filmes de Hong Kong serviam todas estas pessoas e não apenas que lá vivia. Esta situação já não acontece em Hong Kong e é por isso que os realizadores e actores desta cidade estão a mudar-se para a China continental. Na minha opinião, o sucesso da indústria criativa de Macau vai depender muito da forma como a relação entre as artes e a política no continente vão evoluir e, mais do que isso, da reacção dos artistas e das alterações nos seus trabalhos face a essa relação. Comparando com Hong Kong, quão grande se pode tornar a indústria aqui? Sabe-se que Hong Kong tem muito mais infra-estruturas do que Macau... Sim e tem uma mais longa e rica história de realização – e outras indústrias criativas –, mas é também um local em declínio em várias áreas. As pessoas de Hong Kong estão a focar o seu futuro na China. Pessoalmente, estou muito orgulhoso de fazer parte da comunidade de cineastas de Macau e acho que o território não devia estar sempre a comparar-se com Hong Kong. Tenho imenso respeito por Hong Kong e pelas pessoas, mas será que Macau quer mesmo comparar-se com uma indústria em declínio? Acho que o desafio para os realizadores locais deverá ser não só fazer filmes para os locais apreciarem, mas também para um público mais amplo, como as pessoas do continente, outros públicos chineses pelo mundo e até mesmo a nível internacional. Isto serve para Macau, como para outros pequenos mercados, como é o de Singapura.

Há quem diga que é necessário mudar mentalidades aqui, defendendo que as pessoas têm que perceber que a indústria não sobrevive apenas do fabrico de ‘canecas e t-shirts’. Concorda? Sim. Julgo que as indústrias da realização e do cinema só vão crescer quando deixarem de ser vistas apenas como um evento social onde mais de metade de plateia são familiares, amigos e conhecidos do cineasta. Só quando isso acontecer é que os realizadores vão começar a pensar em criar trabalhos que atraiam pessoas que não os conhecem e, gradualmente, pessoas que não conheciam quase nada de Macau antes [de ver o trabalho]. Este deveria ser o principal objectivo de contar histórias através dos filmes: contar uma história sobre a sua vida e que as pessoas desconheçam e contar histórias sobre uma terra-natal à qual as pessoas nunca foram.

O sucesso da indústria criativa de Macau vai depender muito da forma como a relação entre as artes e a política no continente vão evoluir Como é que esta mentalidade pode ser alterada? Isto pode ser feito no momento em que os realizadores começarem a fazer e distribuir os seus filmes por um público mais vasto, tanto local como internacionalmente. Quando os filmes são vistos por mais pessoas, terão naturalmente mais ‘feedback’ sobre o que é bom e mau na obra. Nessa altura, os realizadores têm que saber interpretar este ‘feedback’ com mente aberta e não se tornarem defensivos quando ouvem críticas. Só podemos melhorar quando há críticas. Com o tempo, os realizadores podem aprender como fazer o seu próximo filme (com a mensagem seguinte) mais acessível ao público. Este é um processo por vezes duro e até mesmo cruel, uma vez que a distribuição é a parte mais difícil no processo de fazer um filme. Até agora, esta é uma parte que os filmes de Macau não fazem bem. Colocando a hipótese de que esta mudança de mentalidade realmente acontece... Quanto tempo acha que ainda é preciso

para que a indústria chegue ao seu auge? Isso depende do quão prolíficos são os realizadores de cinema de Macau. Quanto mais rápido fizerem trabalhos, mais rapidamente a indústria cresce no seu todo. Relativamente a talentos locais. Sendo simultaneamente actor e realizador, considera que existem profissionais suficientes – actores, produtores, designers, arquitectos – suficientes para colmatar a falta nas Indústrias Culturais e Criativas? Mais uma vez, apenas posso falar sobre a indústria cinematográfica, pois não estou familiarizado com as outras áreas. Penso que Macau precisa de mais produtores e guionistas, porque ambas as posições são os primeiros criadores de um projecto. Só quando houver profissionais destes é que os realizadores e actores têm oportunidade para praticar o ónus das suas capacidades e crescer. No que diz respeito ao seu mais conhecido filme sobre Macau, o ‘Roulette City’... Teve algum apoio do Governo? E de associações privadas? Como não sou residente de Macau, não preenchia os requisitos para me candidatar ao fundo do Executivo. O meu produtor era local e tentou, mas a candidatura foi rejeitada porque o realizador (eu) não era residente. O financiamento do filme veio de investidores privados

Estou muito orgulhoso de fazer parte da comunidade de cineastas de Macau e acho que o território não devia estar sempre a comparar-se com Hong Kong que arranjei através de contactos estabelecidos quando era actor na China e em Hong Kong. Por isso não tive qualquer apoio do Governo local. Considera que o financiamento por parte do Executivo e de empresas privadas é importante para a sustentabilidade desta indústria? Muito provavelmente. A não ser que se trate de uma pessoa de uma família endinheirada ou de um excelente jogador (risos), os investimentos público e privado são muito importantes. De certa forma, estes podem traduzir-se nas únicas fontes de investimentos. Outra das formas poderá ser contactar agências de talento, estações televisivas ou cinemas para investir, que é o que se faz no Japão. No entanto, acho que isso é muito difícil em Macau. Que projectos futuros tem pensados? Tanto como actor e realizador. Estão previstos mais filmes alusivos a Macau?

Os cargos principais que ocupo no cinema são a realização e a representação. De momento estou em Los Angeles e a preparar-me para realizar um filme japonês que muito provavelmente será filmado aqui. Vou também ser o protagonista do trabalho. Além disso, fui contactado para realizar e escrever um filme de terror e que me deram a escolher onde posso gravá-lo. Sempre disse que Macau é um óptimo sítio para fazer filmes de terror. Nesse sentido, Macau seria a minha primeira escolha para realizar esse filme. Ou então Japão. Estou ainda a escrever um terceiro esboço de um guião para propor a um Produtor Executivo do Japão. Vou ainda voltar a Macau para dirigir um ‘Curso Avançado de Guionismo’da Creative Macau. Trata-se da continuação de um curso de guionismo que dei em Dezembro do ano passado, que teve muito bom ‘feedback’. Estou muito contente por receber este convite e, com sorte, o filme de terror estará já a andar, pelo que poderei entrevistar pessoas para representar e fazer parte da equipa técnica. Estou ainda envolvido num filme americano como produtor executivo. O realizador é Michael R. Morris e eu já produzi três dos seus filmes. Considera que esta cidade dá oportunidades suficientes aos seus artistas para fazerem as suas próprias peças, sejam elas de cinema, pintura, escultura ou multimédia? Em termos cinematográficos, sim! Eu fiz dois filmes em Macau: ‘Roulette City’ e ‘Returnees’ e ambos tiveram um sucesso tremendo, tanto local como internacionalmente. O primeiro foi comercialmente lançado em muitos países asiáticos e distribuído mundialmente, e ‘Returnees’ está a começar a fazer a ronda dos festivais pelo mundo. Já disse isto várias vezes e digo-o mais uma: grande parte do público de todo o mundo tem-me perguntado como é que conseguem ver mais filmes relativos a Macau e isto é mais do que uma prova para me fazer acreditar que o território é um bom local para a criação de filmes. Desde aí que tenho vindo a recomendar trabalhos de Macau a festivais internacionais e consegui que ‘Macau Stories 2’ foi mostrado em Tóquio. Também a reacção a este filme foi positiva. Diria ainda que, relativamente a artistas locais de outras vertentes, acredito que estes poderão chegar longe e captar o interesse de pessoas por todo o mundo se tiverem a internacionalização como principal objectivo.


política

Três deputados estão contra as acusações de José Pereira Coutinho sobre a revisão do Regimento da Assembleia Legislativa e garantem que o diploma não foi “cozinhado” pela secretária-geral. Kwan Tsui Hang diz que, se Coutinho tem provas, que as apresente ao CCAC

hoje macau sexta-feira 6.2.2015

Deputados rejeitam acusações de Coutinho sobre Regimento da AL

Porque não vai ao CCAC?

disse, Ho Ion Sang diz que “todos os deputados podem apresentar opiniões sobre a lei”. “A promoção de pessoas na AL é algo ligado ao presidente (Ho Iat Seng), o vice-presidente e a comissão de execução. Não é apenas decidido por uma pessoa.” O HM tentou obter declarações dos deputados Melinda Chan, Gabriel Tong e Leonel Alves, mas até ao fecho da edição não foi possível estabelecer contacto.

António Falcão

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Palavras ditas

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

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epois do deputado José Pereira Coutinho ter acusado a secretária-geral da Assembleia Legislativa (AL), Stella Ieong, de ter “cozinhado” a revisão da Lei Orgânica da AL para promover pessoas próximas, eis que outros deputados do hemiciclo afirmam não entender os motivos para estas acusações. A mais crítica é Kwan Tsui Hang. “A proposta de lei foi aprovada e até o deputado Coutinho votou a favor. Porque é que vem dizer isto agora? Podia votar contra. Se de facto descobriu isso, poderia ter apresentado (as informações) na AL, e não agora”, disse ao HM. A deputada directa, que no hemiciclo representa a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), vai mais longe e

“A proposta de lei foi aprovada e até o deputado Coutinho votou a favor. Porque é que vem dizer isto agora? Kwan Tsui Hang Deputada

frisa: “se o deputado tem tantas queixas e dados, deveria dirigir-se ao CCAC (Comissariado contra a Corrupção)”. Kwan Tsui Hang acredita que a revisão da lei não irá prejudicar os funcionários mais antigos, acusação feita por Coutinho. “Não sinto isso. Até ao momento não sabemos quem vai ser promovido, porque é que ele sabe que os amigos da secretária-geral vão ser promovidos? Nós, deputados, não podemos controlar isso”, defendeu. O HM tentou entrar em contacto com José Pereira Coutinho para ter uma reacção a estas declarações, mas até ao fecho da edição o deputado não atendeu o telefone.

Outros desentendimentos

Song Pek Kei disse ao HM que a revisão da Lei Orgânica do hemiciclo “não foi apresentada pela secretária-geral mas pelo vice-presidente (Lam Heong Sang) e três deputados, não entendo porque é que Coutinho disse isso”. A deputada directa, número três

de Chan Meng Kam, considera mesmo que o “vice-presidente e os três deputados não elaboraram a revisão da lei por uma pessoa,

“A promoção de pessoas na AL é algo ligado ao presidente (Ho Iat Seng), o vice-presidente e a comissão de execução. Não é apenas decidido por uma pessoa” Ho Ion Sang Deputado

mas recolheram várias opiniões, defendendo que a Lei Orgânica deve ser alterada e coordenada com a sociedade”. Song Pek Kei acrescenta que “há espaço para discutir”. “Já apresentei as opiniões quando a proposta foi votada na generalidade, mas como não sou mesmo da 2ª comissão permanente (que analisa o diploma), não consegui apresentar mais opiniões detalhadas”, apontou. Ho Ion Sang diz também não compreender a situação apontada por Coutinho e explica que a maioria dos deputados concorda com a revisão do diploma, afirmando que o objectivo da apresentação da proposta “é claro”. “Com o aumento dos trabalhos da AL, é preciso uma estrutura mais completa, para que os profissionais possam subir na sua carreira”, disse ao HM o deputado directo que representa a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM). Apesar de dizer que “não pode confirmar” aquilo que Coutinho

Coutinho mostrou-se desde o início contra o facto desta proposta de lei ter sido apresentada sem uma auscultação pública ao sector. Ao HM, levantou mais críticas ao processo. “Segundo informações que obtive junto dos trabalhadores, este projecto foi cozinhado pela secretária-geral e teve como adjunto o vice-presidente. Foram essas as duas pessoas responsáveis pela revisão e não tiveram o cuidado de ouvir deputados, trabalhadores e associações representativas, entre as quais a ATFPM, que tem sócios dentro da AL”, disse. Alegadas injustiças na promoção dos funcionários do hemiciclo foi outro dos pontos referidos. “Recebemos muitas críticas da forma como foi revista esta legislação, porque dá a entender que só as pessoas de relação de amizade pessoal com a secretária-geral é que estão a ser beneficiadas. A grande maioria, com mais de 20 anos de serviço, são os que ficaram mais prejudicados”, concluiu.

[a revisão da Lei Orgânica ]“não foi apresentada pela secretária-geral mas pelo vice-presidente (Lam Heong Sang) e três deputados, não entendo porque é que Coutinho disse isso” Song Pek Kei Deputada


política 5

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Deputados directos lideram pedidos de debate desde a transferência

Quinze anos à procura de soluções Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

C

abe aos deputados da Assembleia Legislativa (AL) apresentarem propostas de debate ao seu presidente sobre assuntos que considerem prementes ou de interesse público. Olhando para a lista publicada no website do hemiciclo, constata-se que os deputados eleitos pela via directa têm vindo a dominar, desde 1999, o número de pedidos feitos à presidência. A excepção parece ter surgido na actual Legislatura (a quinta, que irá durar até 2017), uma vez que a deputada Ella Lei, eleita pela via indirecta pelo sector do trabalho e que representa a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), já apresentou duas propostas de debate. A ala dos democratas tem sido a mais interventiva desde os idos tempos da transferência de soberania. A começar por Ng Kuok Cheong, que apresentou dez propostas de debate, seguindo-se Au Kam Sam, com sete propostas, e o ex-deputado Paul Chan Wai Chi, que assinou por baixo de uma proposta. A deputada Kwan Tsui Hang, também da FAOM, fez três propostas, sendo que Leong Veng Chai se estreou nesta Legislatura com um pedido do género.

Desde o estabelecimento da RAEM que os deputados eleitos pela via directa lideram o número de pedidos de debate no hemiciclo, com especial destaque para a ala dos pró-democratas. Os temas, esses, permanecem os mesmos: maior fiscalização ao Governo, transportes, poluição e fim do monopólio no sector alimentar

27

total das propostas de debate apresentadas

15

delas acabariam por ser rejeitadas em pleno plenário

AL Valor coberto pelas seguradoras pode ser actualizado

Um aumento aqui, uma descida ali Filipa Araújo

No total, foram apresentados 27 propostas de debate, sendo que 15 delas acabariam por ser rejeitadas em pleno plenário.

Soluções por encontrar

Olhando para os temas de debates propostos, constata-se que a área dos transportes, obras públicas e contratos públicos têm dominado as preocupações dos deputados, sendo que muitos assuntos continuam sem ter medidas concretas por parte do Executivo. Só a obra do Metro Ligeiro já

gerou duas propostas de debate por parte de Ng Kuok Cheong. O ano passado, o deputado queria saber pormenores da empreitada na zona dos NAPE e a ligação entre a Taipa e a península de Macau, bem como a definição dos orçamentos. Esta semana, o deputado veterano entregou nova proposta, onde volta a apresentar as mesmas dúvidas. Por entre o relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sobre os contratos dos autocarros públicos e a situação do contratos com a Vang Iek (empresa de rádio-táxis, cujo serviço já chegou ao fim), destaca-se o pedido de debate de Au Kam San em 2008, sobre as “ameaças de graves inundações nas zonas baixas de Macau”, em que era pedido ao Executivo para “rever o grande plano de aterros entre a península e a ilha da Taipa”. Ao longo destes anos repetiram-se os pedidos para maior fiscalização do hemiciclo e da população sobre as mais diversas políticas públicas, principalmente na área dos transportes. Ng Kuok Cheong também não tem desistido de levar a plenário a discussão sobre a democracia. Em 2012, ano em que o Governo levou a cabo a reforma política, Ng Kuok Cheong pediu, primeiro, para se fazerem rectificações ao documento de consulta”, com a inclusão de “mecanismos rigorosos para a recolha de opiniões da população”. Au Kam Sam pedia para discutir a possibilidade dos “quatro grandes sectores componentes da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo deverem ser partilhados (...) por mais sectores”. Ambos foram recusados pelo hemiciclo. Na I Legislatura, que durou entre 1999 e 2001, os deputados Ho Teng Iat, nomeado, e Tong Chi Kin, indirecto, também apresentaram propostas de debate. Ambos propuseram a discussão sobre a “eventual redução da idade para a imputabilidade criminal”.

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

O

valor coberto pelas seguradoras em caso de acidentes de trabalho, e se a vítima se dirigir a clínicas, pode ser alterado. Depois da reunião que decorreu ontem da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), responsável pela análise e alteração do Regime de Reparação dos Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças profissionais, foram propostas algumas alterações. “Alguns membros da comissão consideram que se trata de um montante que não foi alterado há muito tempo. Segundo as normas, cabe

ao Governo actualizar o montante. O Governo assumiu a promessa de discutir este problema junto do Chefe do Executivo. Mas não diz qual é a margem”, explicou a presidente da comissão, Kwan Tsui Hang, à TDM, sobre o valor em causa.

Clínicas à parte

Recorde-se que actualmente só é devolvido o dinheiro pelo seguro, aos trabalhadores caso os mesmos se dirijam ao hospitais existentes em Macau, Hospital Kiang Wu, Centro Hospitalar Conde de São Januário, Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e Hospital de Dia da Clínica Taivex Malo, colocando de parte todas as clínicas.

Nos restantes espaços existe, diz o canal, um limite de 270 patacas na comparticipação. Também o valor do prémio adicional ao funcionários que trabalham em tempestade tropical, com sinal igual ou superior a oito, será de 0,3% e não de 0,4% como anteriormente definido. Relativamente ao casos de litígio entre empregadores e funcionários, Kwan Tsui Hang explicou que a comissão propõe a criação de uma junta médica. “Este mecanismos pretende evitar o arrastamento da situação e permite que os médicos assumam uma posição neutra e o trabalhador possa ter um tratamento justo”, disse a presidente.Ajunta médica, defende Kwan, deve ser criada por uma entidade credível, e deve ser composta por profissionais do sector.


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Residência Pedida suspensão de autorização por investimento

Novo Macau Nova petição entregue

Sem desistir parece que está a Associação Novo Macau que mais uma vez entregou uma nova petição, no dia de ontem, na sede do Governo. Defendendo a necessidade urgente numa reforma política, a associação apela assim a que Chui Sai On, Chefe do Executivo, assuma a sua responsabilidade. Em declarações ao canal chinês da rádio Macau, Sulu Sou, presidente de da associação em causa, defendeu que o Chui Sai On não se pode desviar do trabalho que tem pela frente, sublinhando que cabe a si, ao Chefe do Executivo, avançar com a reforma política. Diz ainda a rádio, que os levando em punho alguns cartazes com imagens do Chefe do Executivo, os presentes envolveram em pequenas confusões com os seguranças presentes, algo que desvaneceu rapidamente. pub

A deputada Ella Lei clama pela revisão dos critérios de autorização de residência que classifica de desactualizados e pouco claros pedindo um maior aproveitamento dos talentos locais Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

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ouco claros e arcaicos, é assim que a deputada Ella Lei classifica os critérios de pedidos de fixação de residência em Macau. A deputada defende que há mais de 20 anos que

hoje macau

Onde moram os talentos?

estes critérios não são alterados, acusando também que a aprovação é pouco clara e, ainda, que não existe um mecanismo de supervisão público e transparente, para a análise dos respectivos pedidos. Ella Lei põe em causa o objectivo inicial da implementação desta medida, que seria o de atrair ta-

de pontuação mais objectivos e completos, assegurando que os talentos agora no território sejam aproveitados da melhor forma, evitando assim alguns problemas que possam surgir, como por exemplo o caso do investimento de imóveis por emigrantes, actividade suspensa em 2007.

O que se faz lá fora

lentos técnicos e de investimento apropriados. Numa interpelação escrita, Ella Lei considera que é necessário rever as condições de pedidos de fixação de residência seja a nível profissional ou de investimento. A deputada considera que também devem existir critérios

“Vários países e regiões já apertaram a entrada de emigração, ou cancelaram a política de emigração de investimento, tais como Singapura, Canadá e Hong Kong. A justificação da suspensão do Governo da cidade vizinha foi de “atrair emigrantes investidores já não é uma política urgente”, disse a deputada no documento. Indaga a deputada, se o Executivo vai suspender o plano de emigração com o objectivo de grandes investimentos, se irá rever e ajustar os requisitos dos sistema de pontuação de pedidos para fixação de residência, tendo em conta os “administradores e técnicos com qualificação especial”. Por último Ella Lei, pergunta se o Governo vai implementar um mecanismo de aprovação transparente, assegurando a entrada adequada de emigrantes a Macau.


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Filipa Araújo

Filipa.araujo@hojemacau.com.mo

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osso garantir-lhe que não tenho conhecimento algum de situações dessas”, assim começou por afirmar João Ambrósio, Secretário Geral da Cruz Vermelha, quando questionado sobre as afirmações da deputada Chan Hong que indicam que há utentes que passam horas à espera de transporte. As declarações da deputada vão ainda mais longe que afirma existirem casos de utentes que foram obrigados a “passar a noite no hall do hospital”, por não ter forma de voltar a casa. Em declarações ao HM, o gabinete da deputada afirmou que “várias instituições se queixaram deste problema”. Às instituições chegam as famílias dos utentes, ou os próprios pacientes, que desesperam por uma solução. Numa interpelação escrita sobre como a saída do mercado dos rádio-táxis “amarelos” prejudicou e mudou a vida dos portadores de deficiência ou outro tipo de doença que coloque em causa a mobilidade do utente, Chan Hon defende que o serviço de transporte, da responsabilidade de algumas instituições, “não consegue satisfazer a procura”, explicando que isto acontece devido “devido ao elevado número de utentes”.

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Saúde Depois do horário utentes ficam por sua conta

Transporte quase garantido A deputada Chan Hong apontou o dedo ao Governo acusando-o de não ter condições para responder aos pedidos de transporte de utentes para as instituições de saúde. Em reposta a Cruz Vermelha esclarece: ninguém fica sem boleia...pelo menos até às 17h30 Sem querer “desafiar o Governo”, Paul Pun afirma que “há muitos idoso que precisam de apoio”, mas que sem motoristas e sem carros a associação nada mais poderá fazer. “Queremos recrutar motoristas no futuro para fazer o transporte de doentes para o hospital ou ao médico. Precisamos de promover este serviço que é relativamente recente”, conta o presidente que adianta que ao cargo da associação estão pelo menos “cinco transportes diários”. “Para termos mais carros disponíveis são precisos donativos, porque este não é um serviço apoiado pelo Governo”, remata. O HM tentou entrar em contacto com o Centro Hospital Conde São Januário mas até à hora do fecho desta edição não recebeu qualquer feedback.

Cruz positiva

“Pela Cruz Vermelha todos os pedidos das famílias e utentes que requerem o serviços de transporte são respondidos positivamente”, começou por explicar João Ambrósio, clarificando que o serviço se divide em dois: transportes de doentes a hospitais ou clínicas para consultas ou tratamentos e transporte de doentes que acabaram de ter alta mas têm dificuldade de mobilidade. “Desde Julho de 2003 – ano de início do primeiro tipo de serviço – foram transportadas mais 182,744 pessoas”, adianta o Secretário Geral, pormenorizando que só no ano passado mais de 25 pessoas foram atendidas. Questionado sobre a situação apresentada pela deputada, João Ambrósio, reforçando que nunca ouvira de tal reclamações, avança que “as pessoas têm que ser um pouco pacientes quanto ao tempo”, atirando o tráfego como maior causa de “pequenos atrasos das nove carrinhas em serviço”, com capacidade de 20 a 30 pacientes.

Tudo estaria bem, se efectivamente o serviço funcionasse, para além dos sete dias por semana – que funciona – com horário

[depois das 17:30] “Terão que encontrar uma forma de voltar para casa” João Ambrósio Secretário Geral da Cruz Vermelha

alargado, o que não acontece. Segundo explicou o Secretário Geral este serviço de transporte funciona “até às 17horas e 30 minutos”. E o que acontece aos utentes que por calendarização ou próprio atraso do médico só estão disponíveis depois desse horário? “Terão que encontrar uma forma de voltar para casa”, clarifica João Ambrósio. “Os utentes têm que compreender que não podemos estar a atrasar todos os outros pacientes por um”, conta. Unindo esta particularidade do serviço ao facto do serviço de rádio-táxis ter deixado de existir, Chan Hon critica de forma directa o “serviço insuficiente” prestado.

Feitas as contas

No mesmo documento a deputada afirma que “em Macau existem apenas seis carrinhas de transporte de utentes para a reabilitação e três carrinhas de transporte não

urgente”. Em declarações ao HM, Paul Pun avança que a Associação Cáritas dispõe apenas “de duas carrinhas, ao contrário de outras instituições que contam com dez ou mais carrinhas”. O número de veículos não agrada ao presidente da associação que assume que os pedidos são muitos mas que a Cáritas “tenta fazer o melhor que consegue”. “Claro que não é suficiente, e este serviço [de transporte] precisa de mais apoio por parte do Governo. Se alguém diz que o serviço não é satisfatório é preciso perceber porque é que falha. Aqui [Cáritas] só temos dois carros e tentamos fazer o melhor que podemos”, argumenta, sublinhando que há muita dificuldade em encontrar motoristas, mas isso não significa que “o serviço seja posto em causa”. “As nossas carrinhas estão sempre ocupadas”, afirmou.

“Claro que não é suficiente, e este serviço [de transporte] precisa de mais apoio por parte do Governo. Se alguém diz que o serviço não é satisfatório é preciso perceber porque é que falha” Paul Pun Presidente da Cáritas


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hoje macau sexta-feira 6.2.2015

Conselho de Enfermeiros pela promoção de cuidados ao domicílio

A deputada Ella Lei sugeriu ao Governo a implementação de um mecanismo de penalização para as empresas que façam pedidos por TNR, mas acabem por não os preencher. A ideia passa por impedir as empresas de contratar mais pessoal e estar atento aos prevaricadores

A Presidente do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN na sigla inglesa), Judith Shamian sugeriu, durante um encontro com o Chefe do Executivo, uma maior atenção e promoção da área de cuidados ao domicílio. “[Judith Shaiman] sugeriu ainda que Macau poderá promover os serviços de cuidados ao domicílio e que, considerando a construção de infra-estruturas na área da saúde, o governo local precisa de planear os recursos humanos tendo conta os dados demográficos”, referem os Serviços de Saúde em comunicado. Em conversa com Lei Chin Ion, director dos SS, a presidente do ICN frisou a necessidade do estabelecimento de um regime de credenciação profissional de enfermeiros. Do ICN fazem parte mais de 1,6 milhões de enfermeiros de mais de 120 países e a instituição tem como função estabelecer uma linha de internacional em termos de colaboração.

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

E

USJ Familiares de construtores reclamam mais de 20 milhões

Trabalho Pedidas penalizações para empresas com ilegais

Paga quem mal emprega desta prática por parte das empresas. “Trocar informações entre departamentos públicos é apenas o primeiro passo porque o mais crítico é criar um mecanismo de penalização para as empresas que cometem irregularidades. Tanto nas obras públicas como nas privadas, as construtoras sofrem pressão devido à falta de mão-de-obra e por isso mesmo pedem quotas para empregar TNR, mas parte deles não chegam sequer a

trabalhar no território”, disse a deputada ao jornal Ou Mun.

Mais DSAL

Ella Lei considera que, além de tratar de queixas laborais, a Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL) deve ainda resolver conflitos e notificar o GRH sobre estas situações, nomeadamente ficando atenta aos pedidos de trabalhadores TNR por parte de empresas que estiveram já envolvidas em conflitos.

Quatro pessoas protestaram ontem junto ao local onde está a ser construída a Universidade de São José (USJ) na Ilha Verde. De acordo com notícia do canal chinês da rádio Macau, os manifestantes, que eram familiares de sócios da Companhia de Engenharia Civil e Construção HCCG – construtora da universidade – reclamavam a recuperação de 20 milhões de patacas, valor que dizem ser parte do pagamento pela obra. À transmissora, o grupo referiu que este dinheiro não foi ainda recebido, sendo que até momento não tiveram qualquer novidade. A PSP dispersou os manifestantes, uma vez que estes não haviam agendado qualquer encontro com a empresa responsável pela construção. Recorde-se que no ano passado, cerca de 150 TNR protestaram no mesmo local em prol da recuperação de mais de sete milhões de patacas em remunerações.

No que toca a empresas que tenham vários registos de recrutamento ilegal de TNR, Ella Lei sugere a limitação das quotas para estes, até que o número de trabalhadores a trabalhar diminua e a empresas compreendam que “é necessário pagar o custo quando se infringem leis”. A deputada considera ainda que o GRH “não deve tornar-se cúmplice” quando se trata de ilegalidades deste género.

Número de sociedades criadas em Macau aumentou em 2014

E

m 2014 foram constituídas em Macau 5.409 sociedades, ou seja, uma média superior a 450 por mês, e mais 928 do que em 2013, indicam dados oficiais ontem divulgados. O valor do capital social mais do que duplicou em termos anuais, crescendo 143,9% para 1,8 mil milhões de patacas, de acordo com dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Mais de um terço das no-

vas sociedades pertencia ao comércio – por grosso ou a retalho –, seguindo-se o sector de serviços prestados às empresas, cujos capitais sociais atingiram, respectivamente, 209 milhões e 348 milhões de patacas. Em contrapartida, entre Janeiro e Dezembro do ano passado, foram dissolvidas 536 sociedades, com um capital social global de 111 milhões de patacas, indica a DSEC.

Quase sete em cada dez das novas sociedades (3.749 ou 69,3%) detinham um capital social inferior a 50 mil patacas, enquanto 155 capital social igual ou superior a um milhão de patacas. No final do ano passado, o número de sociedades registadas em Macau totalizou 48.626, ou seja, mais 4.873 em termos anuais, das quais 480 eram sociedades comerciais offshore, isto é, menos nove em comparação com o registado em 2013. - Lusa

tiago alcântara

lla Lei considera que é importante criar um mecanismo de penalização para as empresas que utilizam quotas de trabalhadores não residentes (TNR) de forma ilegal. O Secretário para e Economia e Finanças, Lionel Leong, e Raimundo Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, tiveram encontros com vários departamentos laborais, onde pediram que estes criassem um melhor mecanismo de intercâmbio de informações, deixando ainda a mensagem de uma melhor supervisão dos pedidos, aprovações e trabalhos dos trabalhadores não residentes (TNR). A afirmação da deputada surge na sequência disso mesmo, mas realça uma problema crítico: quando os empregadores cometem ilegalidades, como explorar os direitos dos trabalhadores, deveria existir um modelo de penalização, por parte do Gabinete para os Recursos Humanos (GRH), para minorar a incidência


sociedade 9

hoje macau sexta-feira 6.2.2015

IACM Venda de óleo usado não está ligado ao Centro Segurança Alimentar

Banha “reciclada” só para exportar FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

F

oi avançando pelos meios de comunicação chineses que a Fábrica de Banha de Porco Hao Kei guardava e vendia óleo de cozinha usado, algo que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) já veio clarificar. O óleo em causa foi apenas usado para exportação e não foi utilizado no território. Em declarações ao Jornal Ou Mun, um funcionário de uma operadora de

Protecção Ambiental afirmou que recolheu óleo de cozinha usado e o vendeu para a Fábrica de Banha de Porco Hao Kei, de forma a ganhar um dinheiro extra. Ng Sao Hong, membro do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), referiu que depois de investigação junto com a Direcção dos Serviços de Economia (DSE), a fábrica em causa produzia óleo alimentar e comprava o óleo de cozinha e usava-o apenas para exportação para Hong Kong, garantindo que como não tinha equipamento de

Governo garante controlo da gripe

O

s Serviços de Saúde (SS) confirmaram ontem, em conferência de imprensa, que a situação da gripe em Macau está controlada, numa altura em que já foram registados 238 casos só em Janeiro, sendo que, em igual período do ano passado, registaram-se 569 casos. Lam Cheong, responsável dos SS, confirmou que “de acordo com os dados estatísticos, não se registou nenhum caso grave em Macau. A situação não é tão grave, comparando com o mesmo período do ano passado”, segundo declarações transmitidas pela Rádio Macau. Em Janeiro de 2014, ocorreram 569 casos de gripe. O Governo comprou 107 mil doses de vacinas, no total de seis milhões de patacas, tendo já sido administradas, desde Setembro último, 82 mil vacinas. Os SS planeiam adquirir mais dez mil vacinas contra o vírus da gripe H3N2, o que custará 500 mil patacas, transmitiu a Rádio Macau. Até agora o caso mais grave de gripe registou-se num homem de 68 anos de idade, que foi internado no final de Janeiro. Mas o paciente não correu perigo de vida. Situação contrária vive Hong Kong, onde já morreram mais de 100 pessoas com esta patologia, escreveu o jornal South China Morning Post.

Residentes com mais depósitos

O

s depósitos dos residentes de Macau subiram 10,2% ao longo de 2014 tendo terminado o ano fixados em 476.732,3 milhões de patacas. De acordo com os dados das Estatísticas Monetárias e Financeiras, a maioria dos depósitos estava cativo em contas a “prazo” com um valor global de 292.003,9 milhões de patacas, mais 10,1% do que em Dezembro de 2013. Já os depósitos de não residentes totalizavam 219.389,1 milhões de patacas, mais 25,7% do que no final de 2013, havendo o registo de 167.197,3 milhões de patacas, ou mais 25,2%, integrados em depósitos a prazo. O sector público aumentou os seus depósitos em 12,9% para 340.532,8 milhões de patacas - cerca de 5,7 vezes mais do que os quase 60.000 milhões de patacas gastos ao longo de todo o ano de 2013. A Autoridade Monetária de Macau é a “fiel depositária” da maioria dos depósitos do sector público com o registo de 245.572,6 milhões de patacas, mais 7,7%, mas a banca local viu a sua posição reforçada em 29% para 94.960,2 milhões de patacas. No capítulo dos empréstimos, o sector privado interno contabilizava um saldo de 339.078,5 milhões de patacas em Dezembro de 2014, uma subida de 31,8% enquanto entidades ou pessoas do exterior detinham 350.622,9 milhões de patacas, mais 26,4%. - LUSA

purificação de óleo usado, não o vendia como óleo alimentar. Acrescentou Ng que o caso não está relacionado com o Centro de Segurança Alimentar, porque não o óleo não foi usado em produtos alimentares. Mesmo assim, a fábrica já pediu suspensão de negócio no fim do mês passado. Devido ao caso, o Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediu ao IACM para publicar informações, de forma transparente, dos processos de inspecção ou verificação de alimentos e não apenas os nomes dos alimentos.

Calçada IACM justifica destruição de passeio

pub

• O verniz estalou quando o exdocente Éric Sautedé partilhou na sua página da rede social Facebook uma fotografia que mostrava uma forma de melhoria da via pública, um pouco polémica. Em causa está o manto de cimento colocado sobre a calçada portuguesa, numa parte do passeio que acompanha os lagos de Sai Van. Indignado com a situação, o académico partilhou a fotografia exigindo explicações. Em declarações ao HM, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) explicou que “após a verificação da existência de pedras soltas na superfície da rua”, o instituto deliberou avançar com a reparação de forma imediata. O resultado foi o então manto e cimento que, curiosamente, pela manhã de ontem começou a ser retirado. Agora, o IACM explica que pretende que a rua volte a “recuperar a forma original”, e por isso, a calçada portuguesa voltará a reinar naquela rua. - F.A

BNU Cartão de crédito que dá milhas

O Banco Nacional Ultramarino (BNU), em parceria com a Asia Miles, acaba de lançar o cartão de crédito VISA BNU Asia Miles, que irá permitir “aos seus utilizadores ganharem Asia Miles (milhas na Ásia) directamente através dos seus gastos”. O produto bancário já está disponível nas 18 agências bancárias do BNU nas variantes Visa Platinum e Visa Gold. O cartão platina irá atribuir aos seus utilizadores uma milha por cada dez patacas gastas, bem como descontos.

IC Mais critérios de bolsa para uso de dinheiro público

O Instituto Cultural (IC) criou uma Bolsa de Investigação Académica no início deste mês com o objectivo de “estimular o desenvolvimento de estudos académicos originais sobre a cultura de Macau e sobre o intercâmbio entre Macau, China e outros países”. O chefe do Divisão de Estudos, Investigação e Publicações do IC, Wong Man Fai, explicou ao canal chinês de Rádio Macau, que o montante de bolsa aumentou de 180 mil para 280 mil patacas. O pedido de qualificação também aumentou de mestre para doutoramento, a fim de realizar estudos de maior exigência, utilizando assim “o cofre do Governo de forma mais razoável”. O chefe revelou que o IC já distribuiu 16 bolsas, desde 2006 e foram distribuídos oito milhões e 500 mil patacas. Wong Man Fai considera que esta medida tem-se mostrado bastante eficaz. A bolsa é atribuída uma vez por ano.


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eventos

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Curta-metragem sobre fábrica ‘Iec Long’ com destaque em Berlim

O antigo que se fez novo O

s realizadores portugueses João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata voltam a ganhar destaque no circuito cinematográfico, com a sua mais recente curta a ganhar um lugar no Festival de Cinema de Berlim. A curta-metragem documental ‘Iec Long’ volta a dar vida à já esquecida e abandonada fábrica de panchões – ou foguetes de artifício –, situada na Taipa. De acordo com uma entrevista dos autores à Agência da Curta Metragem, em Dezembro passado, a ideia surgiu durante a realização de ‘A Última Vez que Vi Macau’, quando filmaram parte da trama na fábrica. “Quando visitámos pela primeira vez a Fábrica de Panchões Iec Long em 2011, esta estava em ruínas e era utilizada para ‘war games’, um género de ‘paintball’, explicavam os realizadores. O destino desta velha estrutura era então incerto, havendo quem defendesse a demolição. “Estava em risco de ser demolida devido à feroz especulação imobiliária. Líamos notícias contraditórias nos jornais de Macau: seria recuperada ou demolida para dar lugar a mais um casino? Imediatamente percebemos que teríamos que voltar a Macau para filmar a Iec Long”, contaram.

Concerto Katy Perry actua no Venetian em

Digressão mundi passa pela ilha A cantora norte-americana Katy Perry actua no território em Maio deste ano, com dois concertos marcados para dia 1 e 2, na Arena Cotai do Venetian. O evento acontece em virtude da digressão mundial ‘Prismatic’

Outras luzes

Foi a partir disso mesmo que a mais recente obra da dupla parece ter nascido, dando a mostrar ao mundo um pedaço da cidade que por vezes parece esquecido e abafado pelas luzes e caos dos casinos. A obra estreou mundialmente no dia 11 de Dezembro do ano passado, no Festival de Cinema Porto/Post/ Doc. O trailer, que é facilmente acessível através da internet, mostra apenas uma série de foguetes e fogo-de-artifício a ser queimado, ficando a câmara cheia de coloridas luzes. ‘Iec Long’ parece, no entanto, contar não só a história da fábrica, mas sim de uma cidade que já pouco existe sem que seja em cantos escondidos ou travessas traseiras, como é o caso da fábrica da Taipa. - L.S.M.

Fundação Rui Cunha organiza debates ‘Café da Filosofia’

A Fundação Rui Cunha vai acolher ‘Café da Filosofia’, mais um ciclo de debates sobre vários assuntos, estreando o circuito com uma discussão sobre o “Universalismo Filosófico e o papel da China no mundo de hoje”. A conversa, em inglês, será moderada pelo professor da Universidade de Macau, William Franke, que vai explorar a “necessidade e os limites universais e tentar discernir quais os tipos de universalidade que são apropriados”, explica a fundação em comunicado. O conceito destes ciclos ‘Café da Filosofia’ tiveram origem no Café des Phares, numa França de 1992 e foram realizados pelo filósofo Marc Sautet. O objectivo é, de acordo com a organização, “que os participantes deixem a discussão com mais perguntas do que tinham quando chegaram”. O evento, que conta com a participação da UM, terá lugar entre as 19 e as 22 horas da próxima segunda-feira, na Fundação Rui Cunha. A entrada é livre.

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

K

aty Perry, a cantora que no ano passado ensinou os fãs a rosnar com o êxito musical ‘Roar’ vai actuar no território nos dias 1 e 2 de Maio. A Cotai Arena, no Venetian, foi o local escolhido para os dois concertos, tal como anunciou o grupo Sands China, em comunicado. A digressão mundial que passa pelo território e por Hong Kong chama-se ‘Prismatic’ e promete trazer a palco êxitos como ‘California Girls’, ‘Teenage Dream’ ou a mediática música ‘I Kissed a Girl’, sobre uma experiência homossexual. “Estou muito entusiasmada por trazer a digressão mundial Prismatic a alguns dos meus sítios

preferidos na Ásia, bem como a locais sensacionais onde nunca estive. Mal posso esperar para absorver as vistas e cultura e partilhar a minha música, bem como conhecer todos os meus novos fãs”, refere a artista, em comunicado da empresa organizadora. Os bilhetes estão à venda daqui a uma semana e custam entre 380 e 1680 patacas, dependendo da proximidade ao palco. A tour da cantora conta com o apoio do banco Citi, pelo que quem tiver este cartão poderá comprar o seu bilhetes durante os três dias anteriores à venda ao público. “Estamos muito satisfeitos por poder oferecer à legião de fãs [de Katy Perry] nesta região a hipótese de ver o quão electrizante foi a digressão até ao momento”, conta Scott Mes-

Associação cabo-verdiana organiza projecto solidário no Hard Rock

A Associação de Divulgação da Cultura Cabo-verdiana (ADCC) organiza hoje ‘Djunta Mon’ (‘junta as mãos’ em português), uma noite solidária para ajudar as vítimas da erupção vulcânica que teve lugar na Ilha do Fogo. O evento, no Hard Rock Cafe – hotel City Of Dreams – vai contar com a participação do colectivo musical ‘Humberto e amigos’ e do grupo da escola de Samba e Axê Capoeira. O evento, que começa às 23 horas, tem entrada livre, mas será disponibilizado o número de uma conta bancária para quem quiser contribuir para ajudar as pessoas da Ilha do Fogo.


eventos 11

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Hong Kong Artista português com obras em galeria de arte

Contemporaneidade assente O

m Maio

ial

singer, vice-presidente de marketing da Sands China, em comunicado. O responsável refere ainda que Perry integra agora a lista de artistas que a empresa trouxe até ao território como esforço para diversificar o panorama cultural de Macau.

Que não se esgotem

O espectáculo da presente digressão já esgotou 17 salas de concerto no Reino Unido, 66 nos EUA e 25 das salas da Nova Zelândia e Austrália. Para o resto de 2015, Katy Perry tem ainda concerto marcados pela Europa e América do Sul, finalizando com um espectáculo no Rock in Rio 2015, que este ano se realiza no final de Setembro, no Rio de Janeiro. Katy Perry é uma artista prolífica,

“Estou muito entusiasmada por trazer a digressão mundial Prismatic a alguns dos meus sítios preferidos na Ásia”

artista português nascido em Coimbra, João Vasco Paiva tem actualmente três obras originais em exposição na galeria Edouard Malingue, em Hong Kong. Ainda na casa dos 30, o artista luso tem já um longo percurso no mundo da criação, fazendo bom uso de plataformas multimédia, som e imagem. De acordo com uma das responsáveis pela galeria, estarão em exposição 17 peças de várias artistas, das quais três são de João Vasco Paiva. Tanto ‘Blindspots’ como ‘Lobby Blues’ e ‘The Fading’ foram produzidas há menos de um ano, com recurso a materiais como resina, verniz, aço e tinta acrílica em tela. Contudo, João Vasco Paiva não é novo em Hong Kong, já que é nesta cidade que vive há já vários anos, ocupando parte do tempo a dar aulas nas faculdades de Arte de Hong Kong e de Media Criativos na Universidade Cidade de Hong Kong. A

A variedade da concórdia

‘Invisible Light’ estreou a 15 de Janeiro e estará patente na galeria Edouard Malingue até 7 de Março. A mostra tem entrada livre e conta com a apresentação de trabalhos de quatro outros artistas: Eric Baudart, Jeremy Everett, Ko Sin Tung e Nuri Kuzucan. No fundo, esta exposição parece ser um aglomerado de diferentes formas de expressão artísticas, passando pelo pincel, papel, cola e tesoura e fotografia. - L.S.M.

com cinco álbuns musicais e várias participações em séries televisivas e filmes. Aos 30 anos, a jovem nascida na cidade norte-americana de Santa Bárbara prepara-se então para ocupar vários palcos asiáticos e Macau está já marcado no mapa e no calendário.

À venda na Livraria Portuguesa

par com uma licenciatura tirada na Faculdade de Belas Artes do Porto, o português é ainda mestre em Belas Artes de Media Criativos, curso que concluiu na região vizinha. Além da sua participação em ‘Invisible Light’, João Vasco Paiva teve oportunidade de ver o seu trabalho exposto na Casa Garden, da Fundação Oriente. ‘Cast Away’ foi o nome escolhido para a mostra e são algumas dessas obras que integrarão a exposição na galeria de Hong Kong.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Tribunal é o Réu, As Questões do Divórcio • Daniel Sampaio “O Tribunal É o Réu – As Questões do Divórcio” está dividido em duas partes. Na primeira, analisa-se o caminho seguido por um casal em contacto com o sistema judicial: fala-se do ambiente do tribunal, do papel dos juízes, procuradores e advogados, do atraso e da qualidade das decisões e de várias situações que têm de ser vividas por pais e crianças. Fazem-se algumas propostas, colocando a criança em risco como protagonista de um novo olhar sobre estas questões. A segunda parte conta como a história de amor de um jovem casal caminhou para um divórcio difícil, em que muitas das situações referenciadas na primeira parte do livro foram vividas com angústia e dor.

O Menino de Deus • João Carlos da Costa O João Carlos é um menino com autismo que, para surpresa de muitos, incluindo familiares e terapeutas, comunica recorrendo à escrita. Fá-lo sempre com papel e lápis, e com a ajuda da mãe que lhe ampara o braço. Se a escrita do João em si já é surpreendente, as suas palavras tornam-na ainda mais especial: dão a conhecer na primeira pessoa o que sente quem vive com autismo e transmitem uma mensagem de amor, luz e esperança.


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china

hoje macau sexta-feira 6.2.2015

Banco Central chinês corta depósito compulsivo dos bancos

Crédito com novo estímulo A iniciativa do Banco Central acontece depois de ter sido anunciada a menor taxa de crescimento dos últimos 25 anos

O

banco central da China ampliou as medidas para libertar mais recursos para os bancos do país como uma forma de estimular o crédito, o que demonstra uma renovada preocupação do governo com a desaceleração do crescimento económico. As medidas tomadas esta quarta-feira — que reduzem as reservas que os bancos são obrigados a manter — vão efectivamente injectar mais de 100 mil milhões de dólares na economia logo após a China ter divulgado a menor taxa de crescimento anual em 25 anos. A iniciativa pode ainda ser um prelúdio de outros estímulos futuros, dizem autoridades e economistas chineses. As medidas também mostram que as preocupações com o crescimento estão a superar o receio de que os estímulos anteriores tenham ajudado apenas sectores muito endividados e o aquecido mercado

accionista do país, mas não conseguiram revigorar áreas que alimentam a procura e o consumo, como pequenas empresas.

Cedências

O Banco Popular da China vinha a envidar esforços direccionados em vez de iniciativas mais amplas como a anunciada agora. Antes do anúncio, a filial do banco central em Xangai informou que a instituição não iria relaxar demasiadamente o crédito. O BPC está, porém, acedendo cada vez mais às exigências do governo para reduzir o custo de financiamento das empresas, segundo as autoridades chinesas e consultores do banco central. “Este é o início de um ciclo de flexibilização”, disse uma autoridade do BPC em entrevista recente ao The Wall Street Journal. A questão agora é saber se os consumidores e as empresas chinesas vão tirar proveito destas novas iniciativas ou vão continuar a adoptar uma postura conservadora face aos sinais do aprofundamento da desaceleração económica. “Não temos nenhum plano de expandir nossos negócios e, com certeza, não vamos contrair empréstimos bancários”, disse ao WSJ Guo Liyan, dono da Jiangyin Heyuan Textile Co., uma fabricante de tecidos na província de Jiangsu, no leste do país.

A

Ontem, o BPC cortou em meio ponto percentual a parcela dos depósitos que os bancos comerciais devem reservar para o caso de terem problemas financeiros. A medida, que entra agora em vigor, liberta cerca de

Desespero pouco virtual J com o “tormento” do seu vício, dirigiu-se até à rua e num banco do jardim, pegou numa

O avião da TransAsia caiu após ter descolado. Os pilotos desviaram aparelho para fora de áreas residenciais. Há 31 mortos e 15 feridos. Foi por centímetros que a queda de um avião, ontem, em Taipé, não provocou uma tragédia ainda maior. O aparelho da companhia TransAsia fazia a ligação entre a capital de Taiwan e Pequim, na China, quando se despenhou no rio Keelung. Entre as 58 pessoas que seguiam no avião, 31 morreram, 15 estão em estado grave e 12 continuam desaparecidas. Os pilotos já foram considerados heróis, uma vez que a decisão de dirigirem o avião para o rio impediu que este se despenhasse numa zona residencial próxima. “Mais uma vez estamos a ver imagens chocantes de um desastre de avião. Pensar-se-ia que o acto de voar estaria a tornar-se mais perigoso, mas não está. De facto, quando observamos os números de desastres e mortes comparado com o número de pessoas que voam hoje, podemos compreender que estamos numa era dourada da segurança aérea”, comentou Richard Westcott, especialista em transportes da BBC.

Manila insta Pequim a respeitar a sua soberania territorial no Mar do Sul

500 mil milhões de yuans, em fundos que os bancos já podem emprestar. Outras medidas específicas destinadas à agricultura e às pequenas empresas acrescentaram mais 160 mil milhões de yuans, dizem os analistas.

Jovem corta a própria mão para acabar com o vício da internet

ovem chinês de 19 anos, da cidade de Nantong, na província de Jiangsu, desesperado para se curar do vício da internet, foi levado para o hospital depois de ter cortado a própria mão. Viciado na internet, o adolescente chinês tratado por “Little Wang”, em português “Pequeno Wang”,decidiu cortar a mão esquerda na tentativa de acabar com o vício, conta o jornal britânico The Telegraph. Sozinho em casa e determinado a acabar

TransAsia Pilotos heróis por levarem avião a cair no rio

faca (roubada da sua cozinha) e certo de que ninguém o estaria a ver cortou a mão pelo pul-

so. Depois disso, ligou para um táxi e pediu-lhe que o levasse para o hospital. A mãe do adolescente de 19 anos só se apercebeu do que tinha acontecido quando encontrou um bilhete do filho no quarto, às onze da noite. O recado deixado pelo filho dizia para não se preocupar, que se tinha ausentado para ir ao hospital e que não tardava a chegar. Os cirurgiões do hospital conseguiram recolocar a mão ao “Pe-

queno Wang”, depois das autoridades a terem recuperado no local, sem garantias que voltasse a ter a mesma mobilidade. Actualmente estima-se que haja 24 milhões de jovens “viciados na web” na China. Activistas acreditam que os países asiáticos, como a China, que possui cerca de 649 milhões de usuários de internet, estão em risco de uma grande epidemia do vício online. Tao Ran, um psicólogo que dirige um centro de reabilitação de Pequim para os viciados na internet, estima que cerca de 14% dos jovens do seu país sejam viciados.

s Filipinas acusaram ontem a China de expulsarem barcos de pesca filipinos de uma área disputada no Mar do Sul da China, e pediram a Pequim para respeitar a sua soberania territorial. O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou ter enviado duas notas de protesto sobre dois incidentes, incluindo um a 29 de Janeiro ao largo dos atóis de Scarborough. “As Filipinas continuam a instar a China a respeitar os direitos de soberania das Filipinas e a sua jurisdição sobre Bajo de Masinloc”, disse o secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Albert del Rosario, à AFP, referindo-se ao atol pelo nome local. A China deve “abster-se de realizar actividades que não só colocam em perigo as vidas, segurança e subsistência dos pescadores filipinos, como danificam o frágil ambiente marinho naquela zona”, acrescentou. O Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas alega que três barcos com bandeira filipina foram “intencionalmente abalroados” por um navio com identificação da guarda-costeira chinesa, causando danos e colocando em perigo as vidas das tripulações. O mesmo organismo alega que 24 barcos chineses capturaram moluscos gigantes em vias de extinção na mesma área uma semana antes.


região

hoje macau sexta-feira 6.2.2015

A

presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua afirmou ontem ter sido abordada a possibilidade de criação de uma cátedra em língua portuguesa na Universidade de Goa, esperando ter ainda novidades ainda este ano. “Vimos a possibilidade de criar uma área de investigação – uma cátedra em língua portuguesa – que possa estudar as relações entre o português e as línguas locais”, referiu Ana Paula Laborinho à agência Lusa, indicando que o assunto foi debatido pela primeira vez. Para Ana Paula Laborinho, essa cátedra pode ser “um meio muito relevante para desenvolver a investigação, na medida em que a Universidade de Goa tem jovens professores que também estão a fazer carreira e importa desenvolver não só a investigação, mas [também a] direccionada para as questões linguísticas específicas do ensino em Goa e na Índia em geral”.

X

anana Gusmão informou os três partidos da coligação do Governo que Rui Araújo, ex-ministro da Saúde e membro do Comité Central da Fretilin, será o seu sucessor como primeiro-ministro, confirmaram à Lusa fontes de duas formações políticas. A decisão do primeiro-ministro foi comunicada durante a tarde de ontem, hora local, aos líderes do Congresso Nacional da Resistência Timorense (CNRT), ao Partido Democrático (PD) e à Frente

Goa Abordada criação de cátedra em português

A rota da língua “Nós estamos na Universidade de Goa – a única que tem, neste momento, o programa completo de Estudos Portugueses e também mestrados e doutoramentos. A universidade – tive também oportunidade de reunir com o reitor [Satish Shetye] – está numa grande aposta: contratou mais professores para o departamento e, neste momento, tem inclusivamente alunos de outros estados visto que aqui é a única possibilidade de estudarem”, realçou a presidente do Camões. Nesse sentido, “Goa pode ser uma importante plataforma para o ensino da língua portuguesa na Índia”, até porque, “os alunos – quase todos – são imediatamente contratados por companhias interes-

sadas no seu domínio da língua portuguesa”.

No terreno

Na manhã de ontem Ana Paula Laborinho reuniu-se com o responsável de uma das duas faculdades de Direito (Salgaocar College of Law, em Miramar) em Goa, onde o Direito Civil é de matriz portuguesa. “Por isso, a nossa colaboração em termos de formação na área – também como temos com o instituto de cooperação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa – é muito relevante pela especificidade”. Esta sexta-feira, encontrar-se-á com um dirigente do Paravatibai Chowgule College (Margão), entidade com a qual o Instituto também tem em vigor acordos,

e, antes, assina um Protocolo de Cooperação com o Colégio de St. Xavier de Artes, Ciência e Comércio (Mapuçá). O Camões também mantém com a Indo-Portuguese Friendship Society um “programa de formação na área do ensino secundário e até de uma oferta de cursos ao público em geral numa região vasta do estado (…), mais informal, mas que acaba por chegar a muitos”, o qual também foi analisado, realçou Ana Paula Laborinho, cuja visita coincide com a VI Semana da Cultura Indo-Portuguesa.

Em nome do presente

“Por enquanto, estes cursos são paralelos também por razões que se prendem com a formação de professores

“Goa pode ser uma importante plataforma para o ensino da língua portuguesa na Índia. (...) “Os alunos – quase todos – são imediatamente contratados por companhias interessadas no seu domínio da língua portuguesa” Ana Paula Laborinho Presidente do Camões Instituto da Cooperação e da Língua

e a necessidade de termos mais e devidamente habilitados para este efeito”, afirmou.

Timor Xanana demite-se. Rui Araújo é o novo PM Mudança (FM), segundo as fontes do CNRT e do PD ouvidas pela Lusa. Um dirigente da FM contactado pela Lusa preferiu não fazer qualquer comentário. Xanana Gusmão demitiu-se ontem do cargo de primeiro-ministro de Timor-Leste, numa carta endereçada ao Presidente da República, Taur Matan Ruak, a que a agência Lusa teve acesso.

“Venho apresentar a vossa excelência o meu pedido de demissão, assegurando-lhe que irei continuar a estar disponível para servir os melhores interesses do Estado e da Nação e pela intransigente defesa e consolidação da independência e soberania nacional, contribuindo na promoção da unidade nacional e sentido de responsabilidade por parte dos cidadãos”, escreveu Xanana Gusmão.

Tanto o PD como o CNRT convocaram reuniões da sua liderança para analisar as consequências da escolha de Xanana Gusmão para seu sucessor, com “grande descontentamento” no seio dos dois partidos, segundo fonte do PD. “O bloco (coligação) pode estar terminado. Haverá uma reunião amanhã (hoje) para ver exactamente o que vamos fazer”, disse à Lusa um dirigente do CNRT.

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“Temos de passar a mensagem que aprender português não se faz por razões de passado, mas por razões de presente e de futuro que encontram numa presença anterior da língua portuguesa aqui a plataforma ideal para desenvolver estes estudos”, rematou a presidente do Camões. Actualmente, há aproximadamente 1.500 estudantes a aprender português em Goa, números considerados “escassos”. Ana Paula Laborinho realçou que todos os contactos estabelecidos desde terça-feira “têm sido muito úteis”, destacando ainda os encontros com o ministro-chefe – também ministro do estado de Goa para a área da Educação –, Laxmikant Parsekar, em que foram analisadas possibilidades para uma “cooperação mais alargada e sólida”, e com o director-geral de Arte e Cultura e secretário executivo da Kala Academy – o mais relevante centro cultural de Goa –, Prasad Lolienkar.


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artes, letras e ideias

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José Simões Morais

推背图 “Tui Bei tu” LIVRO DE PROFECIAS

“T

ui Bei tu”, que significa empurrado pelas costas, é um livro chinês de profecias publicado no século VII, durante a dinastia Tang e foi escrito em conjunto entre Yuan Tiangang e Li Chunfeng, hipoteticamente em Langzhong, quando ambos aí se encontravam a viver. Baseado em apenas sessenta hexagramas do Yi Jing, quando este contém sessenta e quatro, daí, estes dois brilhantes geomantes, por adivinhação predisseram o futuro da China. Yuan Tiangang e Li Chunfeng usaram o Livro dos livros na China, o Livro das Mutações, como é conhecido em português o Yi Jing, para criarem o “Tui Bei tu” onde registaram as suas previsões para os dois mil anos seguintes. Traduzindo os caracteres 易經 (Yi Jing), temos para Yi, o significado de mudança ou mutação, ou simplicidade/

pureza e para Jing, o significado de “Clássico”. O conceito de mudança/ mutação advém da natureza simples do yin e yang sempre a transformar-se um no outro, tal qual como as relações em permanente fluxo do Homem com a Natureza. Assim, o Yi Jing avalia o movimento e as forças dinâmicas que despertam no momento, pois nele guarda a teoria dialéctica do Yin e Yang e dos 8 Trigramas. Tem como tema central a mutação de todas as coisas, em ciclos próprios no Universo, ligados ao Céu, à Terra, ao Trovão, à Água, à Montanha, ao Vento, ao Fogo e ao Lago. O Yi Jing, um livro oracular, pois nele estão todas as coisas reflectidas pelas leis do Céu e Terra, começou há aproximadamente cinco mil anos por ficar registado nas paredes argilosas das grutas em Sichuan, para servir de ponte ao que era necessário trazer como

herança intangível da humanidade do Paleolítico e traduzir para a Idade do Neolítico, da qual ainda não saímos e na qual se iniciou a vida pelo Trato (o estar e comércio).

“Tui Bei tu” tem sessenta desenhos e cada um é acompanhado por um poema, sendo o seu nome usado como título do último oráculo, onde no desenho do sexagésimo poema aparece uma figura a empurrar pelas costas a outra

Na sua forma actual, o Zhou Yi Jing foi muito usado ao longo dos tempos pelos imperadores chineses e Confúcio, que a ele dedicou parte da sua vida. Livro só salvo da fogueira, que o primeiro imperador da dinastia Qin fez a todos os livros em 213 a.n.E., por se tratar de um livro de Adivinhação. A versão do Yi Jing que chegou aos nossos dias é a do início da dinastia Zhou, quando o Rei Wen pegando nos oito trigramas deixados por Fu Xi, o ancestral que viveu no início do terceiro milénio antes da nossa Era, e compondo-os, criou os sessenta e quatro desenhos dos hexagramas, dando a cada um título e uma pequena introdução. O Livro das Mutações não é para ser lido como um normal livro, mas para ser consultado. A sua consulta estava a cargo de funcionários específicos, tal como a interpretação das respostas por ele dadas. A partir do Zhou Yi Jing, a versão da dinastia Zhou do Livro das Mutações,


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muitos livros foram escritos e entre eles, na dinastia Tang, o Livro das Profecias.

Empurrado pelas costas “Tui Bei tu” tem sessenta desenhos e cada um é acompanhado por um poema, sendo o seu nome usado como título do último oráculo, onde no desenho do sexagésimo poema aparece uma figura a empurrar pelas costas a outra. Se o primeiro desenho do livro Tui Bei tu é o de dois anéis interligados, (a representar yin e yang, terra e Céu, Lua e Sol, feminino e masculino), até ao momento actual em que vivemos, já ocorreram cinquenta e cinco desses oráculos. Quando foi escrito o “Tui Bei tu” estava-se a desenrolar o período do segundo capítulo, o que tem representado no desenho, maçãs colocadas num prato. As vinte e uma maçãs são o número de imperadores da dinastia Tang, representada no prato e que terminou no ano de 907, quando o livro “Tui Bei tu” foi escrito dois séculos e meio antes. Olhando com atenção para o desenho das maçãs colocadas numa posição piramidal, observa-se, uma delas não tem pé. História ligada com Wu Zhao que, ainda com aproximadamente catorze anos entrou na corte da dinastia Tang como concubina do segundo imperador Tang, Li Shimin (626-649) e este deu-lhe o nome de Wu Mei. Daí, uma vida de intrigas e jogos de poder na corte deram o título de imperador a uma mulher, a única que existiu durante a monarquia imperial chinesa. Com um pulso de ferro, desenvolveu o país e elegeu os competentes para os cargos administrativos, estando no entanto a sua história envolta em muitos mistérios. Wu Zhao nasceu a 16 de Fevereiro de 624, provavelmente na capital Chang’an (hoje Xian, na província de Shaanxi), sendo de uma família da aristocracia militar de Shanxi. Pouco tempo depois, o seu pai Wu Shihuo chamou a casa o credenciado geomante Yuan Tiangang para que este predissesse o futuro dos seus filhos. A mãe aproveitou e colocou-a entre ambos os filhos e assim, quando chegou a vez dela, ao olhar para essa criança, crendo ser um rapaz para o qual tinha vindo predizer o futuro, disse ser pena não ser rapariga, pois apresentava sinais e linhas promissoras.

No desenho do sexagésimo poema aparece uma figura a empurrar pelas costas a outra

O primeiro desenho do livro Tui Bei tu é o de dois anéis interligados, (a representar yin e yang, terra e Céu, Lua e Sol, feminino e masculino)

Li Chunfeng

Aviso do destino Tudo começou em 648, com a queda de um meteorito e um tremor de terra no Sul de Sichuan. Sinal de alerta para o segundo imperador da dinastia Tang, já que prognosticava mudança de imperador, ou de dinastia.

O imperador Li Shimin (626-649) muito preocupado, logo mandou chamar os adivinhos da corte, que eram geomantes e astrónomos, Yuan Tiangang e o seu discípulo, Li Chunfeng. Questionando-os, Li Chunfeng ao analisar todos os dados revelava que, após três gerações, um futuro imperador iria aparecer num local a quinhentos quilómetros, vindo da família Wu. Ao ouvir tal, o imperador enviou cada um destes iniciados da cultura Wu Zhu à procura desse local, para ver se conseguiriam cortar o veio a essa fonte de energia. Yuan Tiangang chegou a Langzhong e logo se apercebeu das características únicas do lugar e ao subir à montanha Jinping, no outro lado do rio e de frente para a cidade, descobriu o Dragão, que desembocava no Monte Panlong, sobranceiro à povoação. Mandando escavar parte da encosta, cortou o veio do Dragão e assim, este monte deixou de poder gerar um imperador. Quando por diferentes caminhos Li Chunfeng aqui chegou, ao seguir o Dragão estava já a montanha a ser cortada e uma fonte a libertar o qi (a energia) deste. História que ouvimos narrada no Museu do Feng-Shui, situado na cidade antiga de Langzhong e onde funciona também um hotel. O nome de Langyuan apareceu depois de 713, chamando-se anteriormente Longyuan mas, como o imperador Xuan Zong (712-755) da dinastia Tang tinha esse mesmo nome, teve o da cidade que ser mudado. Langyuan, que designava o Jardim Paraíso, continuou a ser muitas vezes assim chamada pelos poetas, mesmo depois de passar a ter o nome de Langzhong. E terá sido nessa zona que Fu Xi se inteirou da Filosofia mágica do Dao.

As vinte e uma maçãs são o número de imperadores da dinastia Tang

Filho de um Oficial Civil, proeminente daoista, Li Chunfeng foi matemático, astrónomo e historiador. Nasceu no ano de 602 em Baoji, actual província de Shaanxi, governava a dinastia Sui. Aos dezasseis anos, assistiu à mudança da dinastia Sui para a Tang e havendo condições para a formação de eruditos, seguiu a via do estudo. Foi em 627 trabalhar no Departamento Imperial de Astronomia, onde se preparava o que ficou conhecido por Calendário Wuyin. Mas logo desde o início, este calendário mostrou ter muitos problemas no predizer os eclipses, sendo Li um dos mais críticos ao novo calendário. Por essa altura, esteve a trabalhar na construção de uma nova esfera armilar, que ficou pronta em

Com este livro Li Chunfeng foi considerado um profeta, tendo passado desta vida em Chang’ an, no ano de 670 e como regente à frente dos destinos da China, por doença do marido, estava a imperatriz Wu 633, juntando-lhe um terceiro anel aos outros dois até então representados. Em 641 foi apontado como um dos elementos da direcção do Departamento Imperial de Astronomia e sete anos depois, director. Altura em que se começou a trabalhar para o novo Calendário Linde, apresentado por Li Chunfeng em 665. Nesse calendário foram desenvolvidos os conhecimentos sobre o predizer da localização/ posição dos planetas e incluiu o mês intercalar de três em três anos, para conseguir ajustar as diferenças entre o calendário lunar e o solar. Como matemático, Li Chunfeng fez correcções ao conteúdo do livro “Nove Capítulos da Arte da Matemática” trabalho de Liu Hui. Demonstrou ser o número 27 720 o múltiplo denominador comum de dois, três, cinco, sete e onze. Também fez cálculos sobre a área de uma esfera (a partir do trabalho de Zu Geng), tendo atingido para o valor de pi (π) = 22/7. No ano de 656, com Liang Shu e Wang Zhenru, Li Chunfeng escreveu “Shibu Suanjing, Dez Manuais de Matemática”. Como historiador, Li contribuiu para os livros dos Sui e dos Jin, sobre a História destas duas dinastias. Discerniu por escrito sobre as descobertas realizadas no seu tempo em astrologia, metrologia e música. Escreveu em 645, outro livro sobre a importância da astrologia na Cultura Chinesa, chamado Yisizhan e talvez influenciado pelo seu pai redigiu sobre os costumes e tradições daoistas. Já o “Tui bei tu” é um livro que usa a numerologia para prever o advir. “-Quanto mais tempo é necessário para contar a História dos milhares de anos, é melhor fazer uma pausa e ir às massagens!” Com este livro Li Chunfeng foi considerado um profeta, tendo passado desta vida em Chang’ an, no ano de 670 e como regente à frente dos destinos da China, por doença do marido, estava a imperatriz Wu.


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desporto

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Apesar da Corrida da Guia ter na sua história regulamentos abrangentes e inclusivos, é, aos olhos da realidade actual, pouco provável que a grelha de partida deste ano seja partilhada por carros do TCR e do BTCC Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

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epois de dez anos consecutivos a receber a final do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC), a Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau encontra-se com um vazio por preencher. Porém, na passada quarta-feira a imprensa inglesa revelou que a Comissão do Grande Prémio de Macau, com o intuito de suprir esse vácuo, tem mantido conversações com a TOCA, a empresa que tem a responsabilidade de organizar e promover o popular Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC) e que ficou internacionalmente conhecida pelo videojogo com o mesmo nome no final da década de noventa. “Os patrões de Macau têm estado em contacto com a TOCA”, admitiu Alan Gow, director da empresa britânica ao semanário inglês Motorsport News. “Eles estão a estudar várias opções e os carros do BTCC são uma das opções”, acrescentou o australiano que também é o presidente da Comissão de Carros de Turismo da FIA. O BTCC é uma competição que goza de muita popularidade no Reino Unido pelas suas corridas animadas e recheadas de contacto entre as viaturas, mas que não corre fora de portas, nem tem ambições para se internacionalizar. Os organizadores do BTCC não têm planos para realizar uma prova nas ruas da RAEM, apesar de vários membros da TOCA serem presença assídua no evento automobilismo do mês de Novembro. Gow explicou que “eles (os organizadores do Grande Prémio) perguntaram se as equipas estariam interessadas e eu entrei em contacto com as equipas e a maior parte disse que sim. A reacção foi positiva, mas penso que (as equipas) só trarão alguns carros. Os organizadores ainda

Equipas do BTCC estão a ser aliciadas para a Corrida da Guia

Macau pesca no Reino Unido não entraram em contacto directo com as equipas, portanto eles só estão a pescar por ai para ver o que há disponível”. Segundo a imprensa inglesa, à imagem do que já acontece na prova de F3, Macau terá oferecido o custo do transporte e viagens do pessoal das equipas, o que reduz o custo da prova para as equipas que vêm nesta possibilidade uma oportunidade de fazer negócio, alugando as suas viaturas em fim de temporada a quem quiser abrir os cordões à bolsa. Recorde-se que nos últimos anos do WTCC em Macau, as equipas europeias requisitavam mais de 500,000 patacas pelo

aluguer das suas viaturas na prova do WTCC.

E o tal TCR?

Após o WTCC anunciar que em 2015 rumaria ao Catar em vez de visitar o sul da China, o novo campeonato TCR International series, fundado pelo ex-homem forte do WTCC, Marcello Lotti, terá sido a primeira possibilidade colocada em cima da mesa para dar continuidade à Corrida da Guia. O empresário italiano deslocou-se a Macau na segunda-feira após o Grande Prémio, o que deu ainda mais asas à especulação. Esta nova competição, que apresenta um novo conceito para as corridas de carros de turismo, com

custos mais baixos que o WTCC, ainda não revelou qual o circuito que acolherá o seu último evento do ano, apesar da data já definida e inscrita no calendário internacional da FIA coincidir precisamente com o fim-de-semana do Grande Prémio de Macau. No entanto, e contra tudo o que já foi escrito, a WSC Limited, a empresa que detém os direitos do TCR International, de forma alguma admitiu até hoje publicamente que o Circuito da Guia seria palco da final da primeira temporada do campeonato que gere. Contudo, o “irmão asiático”, o TCR Asia, tem incluído no seu calendário de 2015 o Circuito da Guia, dando indícios fortes de uma jornada em conjunto no

mês de Novembro. Fonte oficial do campeonato recusou-se a comentar ao HM em que estado se encontram as negociações com Macau. O conceito TCR tem ganho bastante apoio junto das federações de diversos países, entre os quais Portugal e China, mas o último Conselho Mundial da FIA rectificou o regulamento das viaturas do BTCC como a primeira classe para as corridas dos campeonatos nacionais de turismo. Apesar da Corrida da Guia ter na sua história regulamentos abrangentes e inclusivos, é, aos olhos da realidade actual, pouco provável que a grelha de partida deste ano seja partilhada por carros do TCR e do BTCC.


Opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

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urante muitos anos, anos de mais, tive a fiel companhia, nas horas difíceis e nas fáceis também, de um pacote (ou mais) de cigarros de cor vermelha. Serve esta frase para garantir a quem nunca fumou que a sensação pulmonar de fazer a pé a Rua do Campo, às nove da manhã ou às quatro da tarde, equivale a fumar meio maço de Marlboro. Sensação semelhante terá o leitor de bons hábitos que ande de autocarro. Estar numa paragem, qualquer que seja o ponto da cidade em que se encontra, à espera daquele transporte público específico que só passa a cada 20 minutos equivale, no que às vias respiratórias diz respeito, a uma noitada em que se acende um cigarro com o outro, sem precisar de pedir emprestado o isqueiro ao vizinho do lado. Estas minhas comparações respiratórias – sem qualquer base científica, construídas apenas com base nos sentidos – passaram a fazer, desde ontem, alguma lógica académico: diz um estudo da Greenpeace e da Universidade de Pequim que a poluição atmosférica mata mais na China do que o tabaco. Em 2013, explicam os especialistas, aquelas partículas pequeninas a que deram o nome de PM 2,5 estiveram na origem de 257 mil mortes prematuras no conjunto de 31 municípios e capitais provinciais abrangido pela pesquisa. As partículas pequeninas, as mais perigosas, nem sempre fizeram parte do modo como se estuda a qualidade do ar em Macau – é uma novidade relativamente recente. Mas desde que a monitorização do que nos entra nos pulmões começou a ser feita com seriedade científica internacional que os números são assustadores: são em demasia os dias em que o ar está impróprio para consumo, sobretudo se os consumidores forem crianças pequenas, idosos ou pessoas com problemas respiratórios. À espera do autocarro numa fumarenta paragem, na ponte atrás de carrinhas e de shuttle bus com problemas que se revelam através do tubo de escape, ou a ouvir as juras de pés juntos dos responsáveis da CEM acerca do inofensivo fumo negro que pintou o céu azul da cidade, dou por mim a pensar que, de todas as características que me desagradam nesta Macau de hoje, a poluição é a que mais me assusta. Assusta-me por egoísmo, egoísmos vários, pelos meus e por mim. No meio de tudo isto, enquanto esperamos que da China venham bons ventos – que, no caso em apreço, dizem que a culpa é da mãe pátria, em pouco patriótica assunção da quota-parte da responsabilidade –, o Governo anuncia a ideia de acabar com os cigarros nos casinos. Egoisticamente, tanto me faz, eu que não jogo. O Governo cede à pressão de associações de trabalhadores com invulgares mas pertinentes preocu-

“Pulp-fiction”, Quentin Tarantino

Egoísmos

pações respiratórias. Ou o Governo leva por diante com invulgar determinação os seus planos. E a mim tanto me faz, que não tenho de fazer contas a quanto é cada mesa sem cinzeiros dá aos bolsos privados e aos cofres públicos. Estaremos cá para ver até que ponto é compatível o fim dos vícios no reino do vício maior. No meio de tudo isto, os slogans dos Serviços de Saúde sobre o melhor ar que se respira porque há novas regras para o consumo de tabaco, as dezenas de inspecções feitas diariamente, os puxões de orelhas a quem prevarica e a publicidade

cartoon

A mim tanto me faz, que não tenho de fazer contas a quanto é cada mesa sem cinzeiros dá aos bolsos privados e aos cofres públicos. Estaremos cá para ver até que ponto é compatível o fim dos vícios no reino do vício maior

que se tenta fazer aos puxões de orelhas bem-sucedidos. Isto tudo sem esquecer, claro está, que Macau é uma cidade saudável e coisa e tal. Fazem-me confusão os fundamentalismos, esta mania do nosso tempo de sermos todos muito iguais uns aos outros, até quando queremos ser diferentes. E por isso faz-me ainda mais confusão que, no meio de tanto fundamentalismo respiratório, não se ande por aí a plantar árvores em cada metro quadrado disponível, não se ande a pensar na nova cidade com grandes parques, sem cimento nem metais, não se ande por aí de bloco na mão a multar quem conduz nuvens pretas com rodas, que não se resolva o problema com a empresa de gás natural, que não se avance hoje, agora mesmo, para autocarros menos poluentes do que aqueles que apanhamos todos os dias. Enquanto isso, quem não fuma, nunca fumou e nem pensa vir a fumar pode sempre ficar a saber que uma passagem a pé pela Rua do Campo é mais ou menos como acender meio maço dos cigarros vermelhos que eu fumava. Pena é que os nossos ambientalistas dirigentes não andem a pé – no conforto do ar condicionado das viaturas pretas não se sente o cheiro dos tubos de escape dos autocarros.

por Stephff


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euro

1º debate “Café da Filosofia”, com William Franke, em inglês Fundação Rui Cunha, das 19h às 22h Entrada livre

baht

Cineteatro

O que fazer esta semana • Hoje

9.1

0.2

yuan

1.2

Cinema

Jupiter Ascending

“Djunta Mon” – Sessão de solidariedade com a Ilha do Fogo, Cabo Verde com música de Humberto & Amigos Hard Rock Cafe, às 23h Entrada livre

Sala 1

Sala 2

Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski Com: Channing Tatum, Mila Kunis 14.30, 16.45, 21.30

(Falado em Coreano) Filme de: Yoo Ha Com: Lee Min-ho, Kim Rae-won, Jung Jin-young 14.00, 16.30, 19.00, 21.30

Jupiter Ascending [c]

• Diariamente

Gangnam Blues [c]

Sala 1

Sala 3

Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski Com: Channing Tatum, Mila Kunis 19.15

(Falado em Coreano) Filme de: Kim Hon-sun Com: Kim Woo-bin, Lee Hyun-woo, Go Chang-suk 19.15

Jupiter Ascending [3d] [c]

Exposição “Ponto de Partida: Pinturas de Dennis Murrel e dos seus Artistas” (até 31/01) Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre

The Con Artists [B]

Exposição de sândalo vermelho (até 22/03) MGM Resort Entrada livre Exposição de pintura “Korean Art”, com Oh Young Sook e Kim Yeon Ok (até 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre

Aconteceu Hoje

Dia de eternos: Isabel II é coroada e nasce Bob Marley

Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre “Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15 de Março) Centro de Design de Macau Entrada livre Retratos a Óleo dos Séculos XIX e XX: Colecção do Museu de Arte de Macau Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h (até 31/12) Entrada livre Ilustrações para Calendário, de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre “Beyond the Surface” de Mio Pang Fei (de 04/02 a 01/03) Albergue SCM, das 12h às 20h Entrada livre Exposição e passeios de barco guiados sobre a História da Pesca em Macau Esplanada do Museu Marítimo, das 9h40 às 16h25 (de 31/01 a 15/02) Bilhetes à venda por 25 patacas • Exposição de pintura do casal Zhang Zhong Huan e Deng Fei Centro UNESCO de Macau, das 10h às 19h (até dia 6 de Fevereiro) Entrada livre • Exposição ‘Invisible Light’, com obras de João Vasco Paiva e outros Galeria Edouard Malingue, Hong Kong, das 10 às 19 horas (até dia 7 de Março) Entrada livre

6 de fevereiro

H o j e H á F i l m e “Safe Haven” Lasse Hallstrom (2013) Katie – protagonizada por Julianne Hough –, figura principal deste filme, foge de casa do marido, que é detective criminal e abusa da esposa. Ao chegar a Southport, Katie consegue esquecer parte do seu passado e estabilizar o presente. A vida naquela pequena vila piscatória é mais calma e a protagonista acaba por conseguir um trabalho como empregada de mesa num restaurante, fazendo amigos e até uma amizade mais colorida. Josh Duhamel é Alex Wheatley, o dono de uma pequena drogaria que acaba por se apaixonar por aquela nova mulher, sozinha naquela terra. É então assim que começa um novo amor, mas todo o pânico volta quando o marido abusador descobre o paradeiro de Katie. No entanto, nem mesmo assim o amor de Alex se dissipa. A obra foi adaptada do romance de Nicholas Sparks, conhecida pela escrita de histórias de amor intemporais. - Flora Fong

• O dia 6 de Fevereiro marca a coroação da Rainha Isabel II, no Reino Unido. Em 1952, a rainha de Inglaterra subiu ao trono, para um longo reinado que perdura. E foi neste dia que nasceu o também eterno Bob Marley. A 6 de Fevereiro de 1294, é colocada a primeira pedra do Castelo do Alandroal, em Évora, construído no reinado de D. Dinis. Nos EUA, Massachusetts torna-se o sexto estado norte-americano, em 1788, e o território do Tennessee cria a sua primeira Constituição, em 1796. Muitos anos mais tarde, em 1959, no Cabo Canaveral, o primeiro lançamento de um míssil é realizado com sucesso. Em 1922, é eleito o Papa Pio XI, 260.º papa, que sucedeu o Papa Bento XV. A coroação da Rainha Isabel II, no Reino Unido, dá-se também a 6 de Fevereiro, em 1952. No desporto, destaque para a queda de um avião que transportava jogadores e dirigentes do Manchester United, além de jornalistas e adeptos. O desastre aéreo ocorreu em 1958, em Munique (Alemanha), e deveu-se a uma tempestade de neve. A 6 de Fevereiro de 1985, Steve Wozniak abandona a liderança da Apple, empresa que ajudara a fundar. No Brasil, uma ocorrência racista ocorrida em 2000 ganha eco na imprensa mundial: um cidadão é espancado até à morte por um grupo de skinheads, em São Paulo. Trata-se do primeiro caso de morte por ódio contra homossexuais, naquele país. Em 2004, em Moscovo, uma explosão no metropolitano mata 40 pessoas e fere 120. Um homem-bomba leva a cabo o atentado, reivindicado por um grupo terrorista checheno. Em Portugal, a Sonae anuncia a intenção de lançar uma OPA hostil sobre a Portugal Telecom, em 2006. Nasceram neste dia o Padre António Vieira, diplomata e escritor português (1608), Ronald Reagan, 40.º presidente dos EUA (1911), e Eva Braun, mulher de Adolf Hitler (1912). É um dia em que nasceram diversos nomes que se notabilizaram nas Artes: Zsa Zsa Gabor, actriz húngara radicada nos EUA (1917), Bob Marley, cantor e compositor jamaicano (1945), Natalie Cole, cantora norte-americana filha de Nat King Cole (1950), Axl Rose, cantor norte-americano (1962), e Rick Astley, cantor britânico (1966).

João Corvo

fonte da inveja

O problema dos juízes é quando a corrupção não tem ponta por onde se lhe pegue.


perfil

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Miguel Matos, jogador do Zhuhai Ming Shi

“Os emigrantes são um guerreiros” Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

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em aqui ao lado, mas num mundo tão diferente, está a viver Miguel Matos, a mais recente contratação da equipa de futebol de salão, Zhuhai Ming Shi. Da janela do seu apartamento na cidade vizinha, Miguel contempla toda “esta iluminação” dos grandes casinos que só “via pela televisão” quando ainda não pensava que viria aqui parar. O jovem jogador, de 28 anos acabados de fazer, classifica Macau como uma terra que sempre lhe pareceu longínqua, mas “que ao mesmo tempo significa tanto para os portugueses”, devido à sua relação histórica. É essa mesma proximidade, nesta “terra de luxos e extravagâncias, mas ao mesmo tempo de humildade e história”, que torna o processo de adaptação de Miguel Matos mais fácil. Isso e os restaurantes com comida portuguesa quando vem visitar os amigos que deste lado moram, brinca. Não é a primeira vez que o jogador, que começou a época em Itália, está em Zhuhai. Há dois anos Miguel Matos chegou de malas e bagagens a Zhuhai, uma temporada que lhe valeu um novo convite, mas desta vez para Zhengzhou. Ali ficou por mais uma temporada, uma aventura bem no interior da China. “Mentiria se não dissesse que foi difí-

cil, desde os hábitos culturais, alimentares, a diferença do idioma, o próprio fuso horário”, conta, registando que no início tudo pareceu “uma verdadeira confusão para quem está habituado ao sossego e tranquilidade de um país como Portugal”. Interrompendo a época italiana, um dia o empresário do jogador da modalidade surpreendeu-o com um telefonema onde lhe apresentou uma nova proposta para a equipa de Zhuhai. Em menos de duas semanas embarcava na nova aventura. “[A proposta] foi irrecusável e aceitei de imediato esta oportunidade”, refere o jogador. “Esta equipa tem alguns anos e experiência na modalidade e por isso conta já com alguma tradição”, começa por explicar, não escondendo o seu desejo de “ficar por aqui mais um ou dois anos”. Um sacrifício, muito devido à distancia, que lhe irá proporcionar uma estabilidade financeira importante, algo essencial para “o momento que se vive actualmente em Portugal”.

Adeptos fervorosos

O entusiasmo do público chinês tornam tudo melhor, conta. “A plateia é sempre alegre, os chineses gostam desta modalidade, gostam de ver os jogos, de incentivar as equipas e os próprios jogadores, gosta de fazer barulho nas bancadas e no final de cada jogo vão ao encontro dos jogadores para demonstrar o

seu carinho”, algo verdadeiramente importante para quem está tão longe de casa, conta Miguel Matos. “Essa [a distância] é a maior prova, o maior obstáculo”, partilha o jovem que não esconde que “sempre foi muito agarrado à família e amigos”. Deixar tudo para trás em busca de um sonho não é, diz, fácil, e existem dias em que tudo é colocado em causa. “Há dias em que apetece desistir e voltar para casa, naqueles em que as coisas não correm como queríamos, mas no fim sabemos que a nossa família estará sempre presente e à nossa espera, porque o tempo de ausência pode ser longo, mas há sempre um regresso à nossa casa e aos nossos”, explica. Na visão de Miguel, todos aqueles que passam por este processo vencem uma verdadeira luta. “Os emigrantes são uns guerreiros”, assina.

Abrir portas

A possibilidade da abertura das fronteiras 24 horas é algo que pode facilitar a vida a muitas pessoas, defende o jogador. “Apesar de não estar muito bem informado sobre esta questão, e neste momento ter um visto apenas temporário que não me permite muitas entradas, abrirem as fronteiras de forma constante seria muito importante e melhor para muitas pessoas que trabalham em Macau”, defende. E é aqui deste lado, que Miguel encontra o seu bocadinho de casa. “Desejava conhecer

mais e melhor Macau por ter tantas raízes portuguesas, talvez por isso seja mais fácil para comunicar. Mas a verdade é que aqui [Macau] as mentalidades são um pouco mais abertas, o que acaba por tornar a adaptação um pouco mais fácil a quem acaba de chegar”, conta.

Aqui em Macau as mentalidades são um pouco mais abertas, o que acaba por tornar a adaptação um pouco mais fácil a quem acaba de chegar Sem local de visita preferido, o jovem jogador conta que gosta particularmente da zona antiga do território, sendo as Ruínas de São Paulo um bom exemplo. “É uma zona onde há bastante história e cultura, isso agrada-me”, afirma. Vendo-se como um cidadão do mundo, Miguel Matos não coloca fora a hipótese de um dia jogar em Macau. “Porque não? Acho que ia adorar”, conta. Para já, vive um dia de cada vez, sabendo que todas estas experiências e aventuras farão para sempre parte da sua história, e da sua vida.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Agnes Lam; António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Figo marca presença em Macau

Fei Guê com nota positiva L uís Figo, antigo internacional português e candidato à presidência da FIFA, fez ontem um balanço extremamente positivo de um encontro, em Macau, com os presidentes do Instituto do Desporto local e da Associação de Futebol de Hong Kong. Luís Figo reuniu com José Tavares e Timothy Fok, respectivamente presidentes do Instituto do Desporto de Macau e da Associação de Futebol de Hong Kong, na residência do cônsul-geral de Portugal em Macau. “[Foi uma conversa] Extremamente agradável e positiva”, disse o antigo ‘capitão’ da selecção portuguesa à agência Lusa. Luís Figo, que nos últimos dias esteve em Cantão, a capital da província de Guangdong, onde possui uma academia de futebol com o seu nome e assistiu ao primeiro torneio organizado pela Winning League/Figo Football Acade-

pub

que penso, que seja bom para o futebol no futuro”, afirmou.

Região com potencial

Foi um prazer poder partilhar ideias sobre o futebol, ter conhecimento e mais informação sobre o futebol nesta região

my, agradeceu ao cônsul de Portugal, Vitor Sereno, por ter promovido o encontro, importante para o seu conhecimento do desporto e, em particular, do futebol, na região. “Foi um prazer poder partilhar ideias sobre o futebol, ter conhecimento e mais informação sobre o futebol nesta região e também trocar algumas ideias daquilo que pensamos, e

Instado a comentar a importância da Ásia e da China para a FIFA e para o futebol mundial, Luís Figo destacou a “potencialidade que existe na região” e que considera importante acompanhar. “Devido à potencialidade que existe nesta região e também pela preocupação global que um responsável de um organismo como a FIFA tem de ter, eu acho que é sempre importante constatar e preocupar-se com a situação do desporto e do futebol em todo o mundo e principalmente com o potencial que existe nesta região”, concluiu. Luís Figo (“Fei Guê, em chinês) e “C Luo” (Cristiano Ronaldo) são os nomes portugueses mais conhecidos na China, um país onde o futebol só em 1992 se tornou um desporto profissional.- Lusa

EPM Distância afasta candidatos a guarda prisional

O desinteresse em trabalhar como guarda prisional não é novidade, levando até o Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) a queixar-se da falta de recursos humanos, mesmo com candidaturas abertas. O salário de 30 mil patacas não atrai a população, porque, segundo um jovem que prefere manter o anonimato, “os jovens não querem trabalhar tão longe [Coloane] e também não querem lidar com presidiários”. O jovem, de 25 anos, frequenta o curso de Instrução para Guarda Prisional, mas preferiu, juntamente com os seus seis colegas, trocar a EPM pela Polícia de Segurança Pública (PSP), por ser mais perto. Algo que preocupa Ng Loi On, chefe do Departamento para Assuntos Sociais do EPM, que referiu ao jornal Ou Mun, que a falta de recursos humanos é sempre um problema presente. “Os jovens têm várias escolhas de emprego, todos os anos existe pessoal que se reforma ou saem da EPM, o pior é que todos os anos recrutamos recursos humanos, mas o número de vagas preenchidas é menor que o previsto. Por exemplo, abrimos 80 vagas, mas só 30 foram preenchidas”, conta. Actualmente a EPM tem em falta 83 vagas.

Hoje Macau 6 FEV 2015 #3268  

Hoje Macau N.º3268 de 6 de Fevereiro de 2015

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