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q u a r ta - f e i r a 5 d e a g o s t o d e 2 0 1 5 • ANO X i v • N º 3 3 8 7

hojemacau

Cada qual com o seu qi wang chong

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slots | regime

Uma máquina mal montada política Página

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opinião Um punhado de livros rui cascais parada

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lojas de animais

Os números também enganam

Mestres demolidores ´

A polémica em torno do futuro do Hotel Estoril continua a dar que falar. Desta vez é mais um premiado com o nobel da arquitectura, o Pritzker, que se junta ao coro dos acham que a demolição do edifício é a melhor solução. Souto de Moura é da opinião que a fachada não tem interesse suficiente e prefere um novo projecto, do seu colega Siza Vieira, para o local. Do outro lado da barricada, mantêm-se arquitectos e cidadões locais que defendem a preservação da história da cidade.

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hotel estoril souto de moura alinha com siza

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diário de bordo

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ontem macau

hoje macau quarta-feira 5.8.2015

Mais de 2000 pessoas morreram no Mediterrâneo desde Janeiro deste ano quando tentavam atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa. O balanço foi divulgado ontem pela Organização Internacional das Migrações. No mesmo período do ano passado, morreram menos 400 pessoas.

horah

“O deputado Pereira Coutinho terá manifestado alguma ambição de se candidatar, mas não houve convite nenhum. Da parte do PSD de Macau não partiu nenhum convite” Miguel Bailote • Presidente da secção de Macau do PSD, sobre a eventual candidatura de Pereira Coutinho às legislativas portuguesas

“O caderno de encargos prevê disposições concretas para a realização das obras e, mesmo que estas não sejam cumpridas, não se coloca qualquer problema de responsabilidades, nem para os serviços, nem para as pessoas. Afinal, aquelas disposições têm carácter obrigatório e efeitos de responsabilização?” Leong Veng Chai • Deputado, sobre as normas dos cadernos de encargos das obras públicas

“Em 2014 um dos casos registados pela polícia como tráfico de pessoas envolveu uma cidadã tanzaniana. A correspondente investigação foi realizada e o caso foi transferido para o Ministério Público (MP), tendo sido qualificado como lenocínio, deixando portanto de ser qualificado como um caso de tráfico de pessoas” • Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas, sobre o tráfico humano em Macau

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“Se eles [IACM] dizem que têm capacidade para licenciar lojas, apesar de não saber que lei que diz isso, como é que não têm capacidade de dizer que os animais à venda têm de estar todos licenciados?” Albano Martins, presidente da ANIMA, sobre a venda de animais em Macau | P. 9

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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grande plano

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Hotel Estoril Souto de Moura também defende demolição do edifício

“Fachada não tem grande interesse” O arquitecto Eduardo Souto de Moura diz preferir um “projecto novo” para o espaço onde se encontra o Hotel Estoril. Detentor de um prémio Pritzker, tal como Álvaro Siza Vieira, Souto de Moura diz que “a fachada não tem grande interesse”, por comparação à modernidade que se pode vir a obter com a nova concepção

O

debate de ideias sobre o destino a dar ao novo edifício do velho Hotel Estoril tem sido intenso, sobretudo desde que o arquitecto Álvaro Siza Vieira, detentor de um prémio Pritzker e futuro autor do novo projecto para a zona do Tap Seac, defendeu a total demolição da fachada e edifício que alberga o hotel. O HM contactou o arquitecto Eduardo Souto de Moura, também galardoado com o Pritzker em 2011, por forma a saber a sua opinião sobre o projecto. E também ele concorda com as ideias avançadas por Siza Vieira. “Entre um projecto dos anos 60, cuja fachada considero que não tem grande interesse, do que me lembro e pelas fotos que enviou, e um projecto do arquitecto Álvaro Siza, do século XXI, prefiro um projecto novo”, disse Souto de Moura numa resposta enviada por email. O desenho da fachada data de 1964 e foi elaborado pelo arquitecto italiano Osco Acconci, também autor de outros projectos em Macau. Foi no mês passado que o Governo anunciou, através de um comunicado oficial, ter reunido com Álvaro Siza Vieira, por ocasião de um encontro entre o arquitecto português e o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, no Porto.

Nesse encontro Siza Vieira terá feito as suas sugestões, sendo que só em Setembro é que a tutela de Alexis Tam tomará a decisão final. Segundo o comunicado, “Alexis Tam disse que o arquitecto propôs o desenvolvimento de um novo projecto, ou seja, não manter a fachada, porque considera que esta não integra o importante património cultural de Macau”. Isto porque “caso a fachada seja preservada, será necessário uma obra maior com um período de construção mais longo, para que o espaço se transforme num centro de actividades recreativas e culturais para os jovens, onde haverá áreas preparadas para acolher várias

actividades juvenis e um parque de estacionamento subterrâneo”. O HM tentou contactar o arquitecto Álvaro Siza Vieira para maiores esclarecimentos sobre a sua posição, mas até ao fecho desta edição – e quase uma semana depois do contacto - não foi obtida qualquer resposta.

Opiniões opostas

Em Macau, arquitectos e especialistas têm mostrado posições divergentes quanto ao futuro de um edifício icónico para a zona do Tap Seac. O primeiro sinal de que a demolição total estava em cima da mesa chegou no mês passado, no âmbito de uma

“Entre um projecto dos anos 60, cuja fachada considero que não tem grande interesse (...) e um projecto do arquitecto Álvaro Siza, do século XXI, prefiro um projecto novo”

do edifício, mas não quis avançar a sua opinião sobre o destino a dar à fachada do antigo hotel. “Preservar o edifício? Nunca fui apologista disso, seria um esforço com preços elevados e os espaços poderiam não ser adequados para as novas funções do edifício”, concluiu o arquitecto. Em artigos de opinião publicados no HM, vários arquitectos locais têm mostrado a sua indignação perante a posição de Siza Vieira. “Esta declaração pública, da ausência de qualidade arquitectónica do velho Hotel e da sua insignificância destrutível, é agressiva, cruel e ofensiva”, escreveu Eduardo Flores no artigo “Olhem de novo”. Também Maria José de Freitas escreveu uma carta aberta ao “mestre” da arquitectura. “A notícia caiu como uma bomba sobre todos nós, colegas e cidadãos aqui em Macau. Somos agora postos perante a circunstância de o ter a projectar para Macau, o que é sem dúvida uma honra, mas que traz consigo uma novidade: para haver construção terá de ocorrer a destruição do antigo Hotel Estoril! Ora, esse hotel que vai ser destruído tem um rosto, representa uma história e essa história tem relevo no panorama da arquitectura modernista na cidade”, defendeu a arquitecta.

Eduardo Souto de Moura Arquitecto

andreia.silva@hojemacau.com.mo

reunião do Conselho do Património Cultural (CPC). Três membros defenderam a demolição do prédio e fachada, incluindo o deputado nomeado e empresário Lau Veng Seng. “Se pudéssemos coordenar com outras instalações à volta seria muito bom, uma vez que a área utilizada não é muito grande. Como uma área tão pequena acho que vai ser difícil [recuperar], era bom conseguir aproveitar os recursos do solo. Se o mural deve ser conservado? Temos de ouvir as opiniões, mas a minha é que é melhor demolir e depois reconstruir.” Carlos Marreiros, em declarações ao HM, defendeu a demolição

Andreia Sofia Silva


política

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Regime de Máquinas de Jogo não vai ser revisto

Para pior já basta assim A DICJ tinha admitido que o actual Regime de Fornecimento de Máquinas de Jogo não era eficaz para acabar com as slot-machines perto das zonas residenciais, mas nem por isso vai rever o diploma, apesar de ter falado nessa eventualidade. Deputados queixam-se que, apesar de algumas salas terem fechado, outras já abriram

O

Governo não está a pensar para já rever o Regime de Fornecimento e Requisitos das Máquinas, Equipamentos e Sistemas de Jogo, apesar de o ter dito ao deputado Ho Ion Sang. Isso mesmo confirmou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ao HM, depois do director do organismo ter admitido que o actual regime não é eficaz no que ao afastamento das salas de Jogo perto dos prédios habitacionais diz respeito. Em Janeiro deste ano, numa resposta ao deputado dos Kai Fong, Manuel Joaquim das Neves admitiu que a implementação do Regime de Fornecimento e Requisitos das Máquinas, Equipamentos e Sistemas de Jogo, em 2012, “não se traduzia numa solução definitiva” para acabar com as máquinas de Jogo existentes nos bairros. Na mesma resposta, a que o HM teve acesso através do site da Assembleia Legislativa, o director da

DICJ dizia que a solução não era definitiva porque “o objectivo final definido pelo Governo da RAEM no âmbito das políticas para o sector do Jogo visa proibir cabalmente a instalação de salas de máquinas de jogos fora dos casinos”. Para isso, continuava o responsável, o Executivo iria não só continuar a tentar perceber as influências destas salas nas zonas residenciais, bem como adoptar medidas sempre que fosse necessário. Medidas que passavam, por exemplo, “pelo aperfeiçoamento ou revisão do diploma para assegurar o interesse público”. Contudo, a revisão não parece estar nos planos da Administração para já. Questionada sobre o assunto, a DICJ responde: “Não foram feitas nenhumas alterações desde que o Regime está em vigor. Se houver mudanças na tecnologia e nos requisitos das slot machines, ou se houver vozes no público que procurem alterações ao Regime, o Governo estará sempre aberto a considerar rever o

diploma, no futuro, para se adaptar às necessidades.”

Carentes de revisão

Desde 2012 que o Regime está em vigor, tendo sido aprovado precisamente depois da promessa do Executivo feita em 2007, nas Linhas de Acção Governativa (LAG), de remover gradualmente todas as salas de Jogo com slot machines das zonas residenciais. Na resposta ao HM é dado conta que apenas cinco estabelecimentos

de Jogo foram retirados de perto de zonas de habitações – “três foram encerrados e dois movidos para outros locais” - mas como relembra Ho Ion Sang na interpelação feita à DICJ, enquanto, desde 2012 até agora, estas cinco foram removidas, outras nasceram. “Imediatamente foram abertas outras salas de slot machines nas zonas residenciais do Porto Interior, havendo até uma estabelecida muito perto de um centro de idosos, um centro de saúde e uma escola”, começa por apontar o deputado, salientando que, na sua perspectiva, há motivos para o regulamento ser revisto. “As autoridades afirmaram que essas novas salas se encontram instaladas em prémios independentes sem moradores e a menos de 500 metros de um hotel-casino, ou seja, de acordo com os requisitos do Regime. Mas, evidentemente, o Governo não ponderou de forma global o ambiente geográfico real de Macau, como também não ponderou a forma de funcionamento das salas, motivando a existência de uma grande lacuna no Regime, fazendo com que essas salas não

“Não foram feitas nenhumas alterações desde que o Regime está em vigor. Se houver mudanças na tecnologia e nos requisitos das slot machines, ou se houver vozes no público que procurem alterações ao Regime, o Governo estará sempre aberto a considerar rever o diploma” Comunicado da DICJ

Louis sim ou não? O HM quis saber de que medidas dispõe o Governo para não permitir mais salas de Jogo junto das zonas residenciais, mas não foi possível obter resposta. Também sobre o facto do novo empreendimento Louis XIII, no Cotai, ter anunciado que iria ter mesas de Jogo, a DICJ não respondeu claramente. O deputado Au Kam San tem vindo a criticar a hipótese deste novo espaço – bem em frente às habitações públicas de Seac Pai Van – poder vir a receber mesas de jogo e slot-machines. O HM perguntou à DICJ se iria autorizar o Louis XIII a ter licença de Jogo, se este realmente a pedir, uma vez que está em frente ao empreendimento de habitação pública, mas a DICJ não foi clara na resposta, tendo apenas dito que “neste momento não é certo se vai haver mais alguma concessão [de licenças] adicional depois dos actuais contratos expirarem”.

possam ficar verdadeiramente fora dos bairros comunitários.” Uma das preocupações de Ho Ion Sang incidia precisamente na salas de jogos situadas perto de escolas. O Porto Interior não é o único local onde podem ser vistas estas salas, já que estas existem, por exemplo, na Taipa perto dos Nam San dos prédios em volta, na parte traseira da Avenida Almeida Ribeiro, onde existem prédios residenciais, e no Hotel Sintra, por exemplo. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo


política 5

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Os deputados pediram ao Governo para disponibilizar mais tempo para a adaptação dos contratos de trabalho ao novo Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos, mas o Executivo não aceitou o pedido. Caso a lei seja aprovada, as novas regras entram em vigor já em Novembro

Governo rejeita alargar prazo para adaptação de contratos

E ele disse que não

Comunicado da 2.ª Comissão Permanente da AL

É

já esta quinta-feira que os deputados vão votar na especialidade o novo Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos. Durante a discussão, os deputados da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) propuseram ao Governo alargar o prazo entre a aprovação da lei e a sua entrada em vigor (vacatio legis, na linguagem jurídica), para uma melhor adaptação de todos os contratos de trabalho da Função Pública. Contudo, o Governo não aceitou a proposta. “A entrada em vigor da proposta de lei envolve a conversão dos contratos de muitos trabalhadores”, revela o parecer jurídico sobre a análise do diploma. “Com vista a disponibilizar tempo suficiente para os serviços públicos procederem aos necessários trabalhos preparatórios, a comissão sugeriu uma vacatio legis mais ampla. No entanto, o Governo expressou o seu desejo de ver a proposta de lei entrar em vigor o mais rapidamente possível”, pode ler-se. Perante isto, as alterações contratuais a implementar com a nova lei deverão entrar em vigor em Novembro. “[O Governo] entendeu ainda que uma vacatio legis de dois ou três meses após a entrada em vigor da lei seria suficiente para concluir os necessários trabalhos preparatórios, portanto, definiu-se que a lei entraria em vigor no dia 1 de Novembro de 2015.” Segundo o deputado Chan Chak Mo, que preside à Comissão, os deputados chegaram a propor ao Executivo que a lei só entrasse em vigor em Janeiro de 2016. O novo Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos prevê a introdução do Contrato Ad-

“Com vista a disponibilizar tempo suficiente para os serviços públicos procederem aos necessários trabalhos preparatórios, a comissão sugeriu uma vacatio legis mais ampla. No entanto, o Governo expressou o seu desejo de ver a proposta de lei entrar em vigor o mais rapidamente possível”

ministrativo de Provimento (CAP) de longa duração, após o qual o trabalhador poderá passar a CAP sem termo, caso a sua avaliação seja satisfatória.

Com outros olhos

No parecer jurídico os deputados pedem ainda mudanças na forma como o Governo encara o contrato individual de trabalho, exigindo

maior uniformização. “De acordo com dados facultados pelo Governo, existem actualmente 889 trabalhadores que estão providos em regime de contrato individual de trabalho. No entanto, dado que não existem normas uniformes, existem diferenças entre os diversos serviços públicos quanto às modalidades de contratação, ao tipo de funções desempenhadas,

à sua descrição funcional, e aos direitos e deveres dos trabalhadores, entre outros aspectos. Assim sendo, a proposta de lei consagra preceitos para se proceder à uniformização dos procedimentos e das condições de trabalho dos contratos individuais de trabalho”, refere o parecer. Para o Executivo, “o contrato individual de trabalho é uma

situação excepcional”, pelo que se torna “difícil enumerar as condições concretas de contratação e as características deste tipo de contrato”. O Governo garantiu aos deputados que “vão ser empregues normas procedimentais de controlo para garantir a razoabilidade do uso desta modalidade de contrato, por exemplo, a autorização do Chefe do Executivo e o parecer dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), entre outros instrumentos”. A Comissão entende, assim, que há “necessidade da utilização do contrato individual de trabalho” e adiantou que isto permite que os serviços públicos “adoptem formas de provimento mais flexíveis para determinado pessoal, para o cumprimento das suas atribuições e para a satisfação de necessidades especiais”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Terrenos Negada audição proposta por pró-democratas

Não há nada para ninguém

“N

ão”. É esta a resposta que Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL), dá ao pedido de audição colocado pelos deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San, relativamente aos terrenos não recuperados pelo Governo. A reacção dos pró-democratas é clara: os deputados vão recorrer. “Sim, claro que vamos recorrer”, disse Ng Kuok Cheong ao HM, adiantando que caso este segundo recurso seja novamente negado, voltarão a recorrer mas desta vez através da Assembleia Geral da AL.

Questionado sobre os motivos que levaram Ho Iat Seng a negar a audição – que não era apenas um “debate mas também uma entrega de informações [por parte do Governo” – Ng Kuok Cheong acredita que existe uma “diferente interpretação da Lei Básica” entre os deputados e o presidente. O responsável da AL chumbou o pedido fundamentando que o mesmo não está a respeitar a Lei Básica. Ho Iat Seng entende ainda que a AL não reúne as competências necessárias para a realização da audição proposta, não dando sequer hipótese de que o pedido de audição seja analisado pelos deputados. “Sei que existem alguns deputados que sentem que a lei deve ser mais restrita para o pedido de audição, mas de acordo com a

legislação vigente temos direito de debater a proposta”, acrescentou ainda Ng Kuok Cheong. Questionado sobre a possibilidade da rejeição estar relacionada com a investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), o deputado esclareceu que a ala pró-democrata não quer apenas ouvir os dirigentes do Governo sobre os 16 terrenos que agora estão em investigação, mas sim sobre “todo o processo” - os 113 terrenos iniciais, depois os 48 que iriam ser recuperados pelo Governo e por fim os 16. Posto isto, Ng Kuok Cheong nega que o presidente da AL tenha rejeitado a audição por causa da investigação em curso. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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hoje macau quarta-feira 5.8.2015

COMISSÃO DO GRANDE PRÉMIO DE MACAU ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau faz público que, de acordo com o Despacho de 21 de Julho de 2015, do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, foi autorizado o procedimento administrativo para adjudicação do concurso público para “Fornecimento de serviços de segurança e vigilância para o Edifício do Grande Prémio, armazém e antiga Torre de Controlo em 2016”. 1.

Entidade que põe o serviço a concurso: Comissão do Grande Prémio de Macau.

2.

Modalidade do procedimento: Concurso público.

3.

Prazo de validade das propostas: 90 dias, a contar do acto público do concurso.

4.

Caução provisória: MOP50.000,00 (cinquenta mil patacas), podendo ser prestada por depósito em numerário ou mediante cheque visado, a entregar na Divisão Financeira da Direcção dos Serviços de Turismo, ou por garantia bancária, aprovados nos termos legais, à ordem da Comissão do Grande Prémio de Macau, devendo ser especificado o fim a que se destina.

5.

Caução definitiva: 5% do preço total de adjudicação.

6.

Valor do serviço: Sem preço base.

7.

Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, a sessão de esclarecimento, o termo de entrega das propostas e a abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora.

8.

Prazo de execução: Cumprimento das datas constantes no Caderno de Encargos.

9.

Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Entregue contra recibo na Comissão do Grande Prémio de Macau, sita em Macau, na Avenida da Amizade n.º 207, Torre de Controlo do Grande Prémio de Macau, 1.o Andar, até às 17.45 horas do dia 7 de Setembro de 2015.

10.

Sessão de esclarecimento: os interessados podem assistir à sessão de esclarecimento deste concurso público que terá lugar às 11.00 horas, do dia 12 de Agosto de 2015, na sede da Comissão do Grande Prémio de Macau.

11.

Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: sede da Comissão do Grande Prémio de Macau; Dia e hora: 8 de Setembro de 2015, pelas 11.00 horas. Os concorrentes poderão fazer-se representar no acto público de abertura das propostas para apresentação de eventuais reclamações e/ou esclarecimento de dúvidas acerca da documentação integrante da proposta.

12.

Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço 70%; b) Experiência na prestação do serviço da segurança e vigilância 20%; c) Certificação da qualidade do serviço de segurança prestado por concorrente 5%; d) Comprovativo do tempo de exercício da actividade de segurança 5%. Os modos de cálculo estão descritos no artigo 11.° do Programa de Concurso.

13.

Local, data, horário para exame do processo e preço para a obtenção de cópia: Local: sede da Comissão do Grande Prémio de Macau. Dias e horário: Dias úteis, a contar da data da publicação do anúncio até ao dia e hora do Acto Público do Concurso. Preço: MOP500,00 (quinhentas patacas).

A Comissão do Grande Prémio de Macau, aos 29 de Julho de 2015. O Coordenador, João Manuel Costa Antunes

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio - Concurso Público nº 2/CP/DSF-DGP/2015 -

Objectivo: Fornecimento de géneros alimentícios aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2016. Entidade adjudicante: Chefe do Executivo Entidade que realiza o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças Prazo e local de entrega das propostas: Dia 21 de Agosto de 2015, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579, 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810 Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 24 de Agosto de 2015, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande , nºs 575, 579, 585, Edf. Finanças – Auditório da Cave Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 23 de Setembro de 2015, às 09:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579, 585, Edf. Finanças – Auditório da Cave Caução Provisória: Valor: MOP $15,000.00 Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do Programa dos concursos; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado. Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. Finanças. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: MOP $ 50.00; ou por - Transferência gratuita de ficheiros pela Internet na Home page da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo) Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso, definidos no Programa dos concursos, e a adjudicação de cada fornecimento é feita ao concorrente que apresente a melhor proposta, sendo esta avaliada segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Eficiência demonstrada em fornecimentos idênticos nos últimos 3 anos – 15% Tempestade: Em caso de encerramento destes serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora estabelecidas de abertura do concurso, serão transferidos de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do Programa dos concursos.

O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio - Concurso Público nº 6/CP/DSF-DGP/2015 -

Objectivo: Fornecimento de combustíveis aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2016. Entidade adjudicante: Chefe do Executivo Entidade que realiza o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças Prazo e local de entrega das propostas: Dia 21 de Agosto de 2015, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579, 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810 Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 24 de Agosto de 2015, às 15:30 horas Avenida da Praia Grande , nºs 575, 579, 585, Edf. Finanças – Auditório da Cave Caução Provisória: Valor: MOP $10,000.00 Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do Programa dos concursos; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado. Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. Finanças. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: MOP $ 50.00; ou por - Transferência gratuita de ficheiros pela Internet na Home page da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo) Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso, definidos no Programa dos concursos, e a adjudicação de cada fornecimento é feita ao concorrente que apresente a melhor proposta, sendo esta avaliada segundo os seguintes parâmetros e percentagens: 1) Gasolinas e “Light Diesel Oil”: a) Preço – 55% b) Acessibilidade dos postos abastecedores – 35% c) Eficiência demonstrada em fornecimentos idênticos nos últimos 3 anos – 10% 2) Gasóleo pesado e gás butano: a) Preço – 70% b) Eficiência demonstrada em fornecimentos idênticos nos últimos 3 anos – 30% Tempestade: Em caso de encerramento destes serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora estabelecidas de abertura do concurso, serão transferidos de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do Programa dos concursos.

O Director dos Serviços Iong Kong Leong


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Água Edifícios inspeccionados sem níveis de chumbo acima da média

GIF Transacções ilegais aumentaram 14% no ano transacto

O poder de novas medidas O Gabinete de Informação Financeira confirma: as transacções ilegais aumentaram 14% no ano passado e a maioria é proveniente do sector do Jogo

O

número de queixas de transacções suspeitas, durante o ano passado, aumentou 14% comparativamente ao ano de 2013. Os números surgem no relatório anual de 2014 do Gabinete de Informação Financeira (GIF), tornado público no final do mês passado. O Gabinete indica que este aumento no número de relatórios das transacções suspeitas (STRs, na sigla inglesa) “é demonstrativo de uma tendência de melhoria dos sectores, designadamente do sector da indústria do Jogo, traduzido, neste caso, por uma preocupação crescente relativamente ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo”. Segundo os dados publicados no relatório, 1375 queixas referem-se ao sector do Jogo, perfazendo um total de 75% do número total das queixas recebidas. O GIF indica ainda

1375

queixas referem-se ao sector do Jogo, perfazendo um total de 75% do número total das queixas recebidas

que 441 dizem respeito ao sector financeiro, menos 3,5% do que no ano de 2013, “o que demonstra que o aumento do número de relatórios tem origem maioritariamente no sector do Jogo”.

Comparando com o ano de 2013, este sector manifestou um aumento de 20,4%, subida que está relacionada, defende o GIF, pela adopção, por parte das concessionárias de Jogo de “novas políticas directamente relacionadas com a implementação de medidas de diligência relativas à identificação dos seus clientes e ao controlo das transferências de capitais”. Relativamente às queixas de transacções ilegais em que não é possível a identificação do cliente, o GIF indica que existe um decréscimo que se tem registado de forma contínua.

Fichas em cima da mesa

Quanto à tipologia dos casos, o GIF indica que é a “conversão de fichas sem actividade de jogo significativa” que mais recolheu queixas (766), seguindo-se as “transferências electrónicas suspeitas”, com 346 queixas e “uso de cheques/notas promissórias/

transferências bancárias para a transferência de fundos”, com 274. Superando as 150 cada, estão as queixas sobre “actividades de obtenção dos elementos de identificação”, os “levantamentos de quantias excepcionalmente elevadas” e os “depósitos em numerário de quantias elevadas impossível de verificação da origem dos fundos”. Ao Ministério Público (MP) foram entregues 163 relatórios, correspondendo a um aumento de 10,9%, comparativamente aos 147 remetidos em 2013. O aumento, justifica o GIF, está “relacionado com o aumento de casos instruídos em que a informação suplementar foi facultada ao MP”. Relativamente ao número de novos casos de participação “efectivamente remetidos” ao MP, este registou, indica o relatório, um “ligeiro decréscimo”. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

wynn

Assim se honram compromissos A

jogo, que ressalva ainda as actividades da Academia, como fóruns e conferências com pessoas de renome.

Passado polémico

Esta é a segunda doação da Wynn Macau à FDUM, sendo que a primeira esteve envolta em polémica. Os reguladores norte-americanos abriram inclusive uma investigação à doação inicial, de 200 milhões de patacas. Esta, atribuída em 2011, gerou controvérsia primeiro perante Kazuo Okada, agora ex-parceiro de Steve Wynn, que fez queixa à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana por não concordar com a

O

Governo assegurou ontem que os testes feitos à água de mais de 50 edifícios de habitação pública do território descartam a possibilidade do líquido conter níveis de chumbo acima da média permitida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O valor mais elevado de chumbo na água foi registada no prédio Mong Sin, no complexo de habitação social de Mong Há. Aqui, a água apresentava níveis médios, de 3,2 miligramas por litro, quando a OMS fixa os dez miligramas por litro como valor máximo permitido. De acordo com um comunicado co-publicado ontem por várias entidades, “o resultado da análise mostra que a quantidade de chumbo contida nas amostras de água recolhidas enquadra os padrões de segurança da OMS”. Os resultado do segundo grupo de análises estão “quase concluídos”, de acordo com o mesmo documento. O Governo deu início à ronda de análises depois de um recente caso mediático ter tido lugar em Hong Kong. Em Junho passado, foi detectado um alto nível de chumbo na água de um complexo de habitação pública da região vizinha, em Kowloon. As três amostras recolhidas revelaram níveis bastante acima daqueles estabelecidos pela OMS e que oscilavam entre os 10,8 e os 35,1 miligramas por litro. Ontem, também um prédio de luxo em Hong Kong registou o mesmo problema. L.S.M.

Saúde Caso colectivo de gastroenterite devido a sandes

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Wynn doa 80 milhões de patacas à Universidade de Macau

Wynn Macau doou 80 milhões de patacas à Universidade de Macau (UM). O anúncio foi ontem feito pela empresa, que fez a doação à Fundação para o Desenvolvimento da universidade (FDUM). No comunicado, a Wynn assegura que a entrega de mais uma doação está relacionada com “o compromisso a longo-prazo feito pela Wynn à FDUM em 2011”. A operadora diz querer apoiar o desenvolvimento da Universidade de Macau e também da Academia de Economia e Gestão da Ásia-Pacífico nela integrada. “A Wynn Macau acredita que não há compromisso mais valioso e inspirador do que a educação e a preparação dos jovens para uma vida de sucesso num mundo em mudança. Como uma das suas mais abrangentes iniciativas sociais, a Wynn patrocina bolsas e doações anuais a escolas locais e universidades, com o objectivo de acelerar o desenvolvimento do talento local”, pode ler-se no anúncio enviado aos órgãos de comunicação social. Com as doações “generosas” e o apoio da Wynn, a Academia da Ásia-Pacífico conduz investigações de forma independente e pioneira, assegura a operadora de

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doação e por considerar esta estaria relacionada com a atribuição de terrenos em Macau. As autoridades dos EUA também colocaram a hipótese da doação ter violado a lei, mas depois chegaram à conclusão que não havia qualquer irregularidade. O compromisso da Wynn dura até 2022 com a atribuição anual de 80 milhões de patacas. Na atribuição do cheque deste ano, o reitor Wei Zhao disse que “com o apoio contínuo da Wynn, a UM se compromete a seguir a excelência académica e a criar excelentes graduados e futuros líderes de Macau”. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

s Serviços de Saúde (SS) detectaram esta segunda-feira um caso colectivo de gastroenterite, com residentes de Macau a sentirem os sintomas após terem consumido sanduíches oriundas de Taiwan, da marca “Horng Ryen Jen”. Segundo o comunicado, “foram adquiridas duas caixas, cada uma possuindo oito sandes. As caixas foram adquiridas por amigos dos doentes directamente de Taiwan e levados para Hong Kong”, sendo que uma das caixas foi trazida para Macau. “Duas famílias com cinco pessoas consumiram separadamente as respectivas sandes durante a manhã dos dias 28 e 29 de Julho. Entre sete a vinte horas após o consumo, duas pessoas manifestaram indisposição sendo que um deles, no dia 31 de Julho, teve choque séptico, necessitando de ser submetido a um tratamento de monitorização, devido à sua situação caso grave, no Hospital Kiang Wu”. Actualmente, o homem está em estado considerado clinicamente estável mas ainda necessita de internamento. O outro doente encontra-se em estado normal, explicam os SS. Os três amigos que consumiram o produto em Hong Kong também mostraram sinais de gastroenterite, com “indisposição como febre, dores abdominais, vómitos e diarreia”, tendo recorrido a tratamento médico. Os SS já analisaram o caso, com amostras laboratoriais, e confirmam que “existe uma enorme probabilidade de este incidente ser considerado uma infecção colectiva de gastroenterite” por salmonela. O Governo da RAEHK já baniu as sandes, depois de outras 46 pessoas terem também sido afectadas. Em Macau, segundo a Rádio não há destas sandes à venda.


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hoje macau quarta-feira 5.8.2015

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

: 24/E-BC/2015 : 463/BC/2011/F : Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Rua de Corte Real n.º 23, Edf. Siu Tak, escada comum entre o piso das fracções 3.º andar A, 3.º andar B, e 3.º andar C e o piso das fracções 3.º andar D, 3.º andar E e 3.º andar F, Macau.

Cheong Ion Man, subdirector substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 25, II Série, de 24 de Junho de 2015, faz saber por este meio aos dono da obra ou seus mandatários, aos encarregados das obras, aos técnicos responsáveis pelas obras e executores das obras existentes nos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

Em 21/03/2011, o agente de fiscalização desta DSSOPT constatou no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte:

Obra

Situação da obra

de portão metálico no local em 1.1 Instalação epígrafe. 2.

3.

Concluída

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Sendo os corredores comuns considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

Aos 29 de Julho de 2015 Pelo Director dos Serviços O Subdirector, Subst.º Cheong Ion Man

ANÚNCIO Concurso Público n° 005/SZVJ/2015 “Prestação de Serviços ao IACM para Manutenção de Árvores de arruamento da Península de Macau entre 1 de Novembro de 2015 e 31 de Outubro de 2016” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 23 de Julho de 2015, se acha aberto o concurso público para a “Prestação de Serviços ao IACM para manutenção de árvores de arruamento da Península de Macau entre 1 de Novembro de 2015 e 31 de Outubro de 2016”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos durante os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 20 de Agosto de 2015. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar, conforme os itens, uma caução provisória no valor de MOP15.000,00 (quinze mil patacas) até MOP60.000,00 (sessenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, garantia bancária ou cheque, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no Centro de Formação do IACM, sito na Avenida da Praia Grande, Edifício China Plaza, 6.º andar, pelas 10:00 horas do dia 21 de Agosto de 2015. O IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 15:00 horas do dia 6 de Agosto de 2015 no Centro de Formação do IACM. Macau, aos 27 de Julho de 2015. O Presidente do Conselho de Administração Vong Iao Lek www. iacm.gov.mo

Anúncio Concurso público para «Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Empreitada de Construção das Fundações por Estacas do Edifício do Hospital Geral e do Edifício de Apoio Logístico» 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

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Entidade que põe a obra a concurso: Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: no aterro adjacente ao Reservatório de Seac Pai Van, na Estrada do Istmo, no Cotai. Objecto da Empreitada: Construção das fundações por estacas e suporte e protecção de cave do Edifício do Hospital Geral e do Edifício de Apoio Logístico. Prazo máximo de execução: 420 (quatrocentos e vinte) dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por série de preços. Caução provisória: $ 25 600 000,00 (vinte e cinco milhões e seiscentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovados nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Dia e hora limite: dia 25 de Agosto de 2015, Terça-feira, até às 17:00 horas. Local, dia e hora do acto público: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, sala de reunião; Dia e hora: dia 26 de Agosto de 2015, Quarta-feira, pelas 9:30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Hora: horário de expediente; Preço: $ 3 000,00 (três mil patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável : 60%; - Plano de trabalhos: 10%; - Experiência e qualidade em obras: 18%; - Integridade e honestidade: 12%; Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, a partir de 17 de Agosto de 2015, inclusive, e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, ao 30 de Julho de 2015. O Coordenador Chau Vai Man


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hoje macau quarta-feira 5.8.2015

Animais Mais de três mil abatidos. Vinte lojas “licenciadas”

Números que confundem hoje macau

São pouco mais de duas dezenas as lojas licenciadas para o comércio de animais e 25 cães e gatos importados para venda. Números que não aparentam reflectir a realidade local. Mais de três mil foram abatidos em cinco anos, quase o triplo dos animais adoptados

M

acau conta com “21 estabelecimentos licenciados de venda de animais de estimação”, mas os números deixam confuso quem trabalha com animais. Os dados foram fornecidos ao HM pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), o mesmo organismo que contabiliza mais de três mil animais abatidos desde 2010. O IACM garante que a exploração de estabelecimentos dedicados à venda a retalho de animais tem de ser alvo de “licença de venda a retalho” junto do IACM. Contudo, quem trabalha com os bichos diz não perceber exactamente as informações do HM. “Não sei o que é que eles entendem por lojas licenciadas”, começa por dizer o presidente da ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais. “Tanto quanto sei, é um mercado livre. Isso é um pouco estranho, porque eles à [ANIMA] até dizem que não sabem quantos animais são comprados.” Ao que o HM conseguiu apurar, segundo o site do IACM, os estabelecimentos de venda de animais de estimação estão sujeitos a autorização prévia, mas a licença – válida por um ano – é semelhante à da venda de aves de capoeira ou até a de restaurantes, ou seja, uma licença administrativa. Não foi possível ao HM descobrir qualquer lei que indique a obrigatoriedade de se obter esta licença, tanto que o mesmo acontece com

os veterinários: não há obrigação de ser licenciado para exercer a actividade em Macau, como também foi já publicado pelo HM. O boletim de requerimento de licença pode até ser obtido gratuitamente nos Serviços de Inspecção e Sanidade do IACM ou através da internet. A maioria das lojas que o IACM tem como licenciadas no site fica em Macau, havendo apenas alguns destes espaços na Taipa.

Poucos demais

O mesmo acontece com a importação. Segundo o IACM, em 2014 foram importados para venda 14 cães e 11 gatos “para estabelecimentos licenciados”. Albano Martins, que já pediu através de cartas ao presidente do IACM o número de animais para venda nas lojas, explica que nunca foi dado à ANIMA qualquer dado sobre o assunto. Uma carta de Abril foi precisamente a base para o pedido de informações do HM ao IACM. Carta que pedia que fosse restringido o número de animais importados para Macau, de forma a evitar abandonos. “Eles recusaram dar essa informação, disseram que não

controlavam o número de animais comprados para venda. Se calhar, agora, estão já a disponibilizar os dados. Mas isso são poucos animais e poucas lojas. Estamos a falar de estabelecimentos licenciados, mas acho pouco possível. Não posso duvidar, nem dizer nada em contrário, porque não andei a investigar”, aponta o presidente da ANIMA, ressalvando que, no entanto, “parecem poucas lojas”. O mesmo diz Fátima Galvão, uma das fundadoras da Associação de Cães de Rua e do Bem-Estar Animal (MASDAW, na sigla inglesa). O IACM chega a dizer na resposta ao HM que apela aos cidadãos que nunca comprem animais de estimação de origem desconhecida e que devem “efec-

tuar a sua aquisição junto dos estabelecimentos licenciados de venda a retalho de animais de estimação”. Mas, um número tão pequeno de animais importados levanta outra questão: de onde vêm os cães e gatos à venda nas lojas? “Acreditamos que muitos deles venham do contrabando e outros vão acumulando ao longo dos anos, mas esse número de animais (25) é tão pequeno que é quase ridículo, porque o número de animais nas lojas de estimação é enorme”, aponta Martins. “Além disso, não entendo por que é que não têm microchip e são licenciados antes da venda, como em qualquer parte do mundo. Se eles dizem que têm capacidade para licenciar lojas, apesar de não saber que lei que diz isso, como é

“Eles [IACM] recusaram dar essa informação, disseram que não controlavam o número de animais comprados para venda. Se calhar, agora, estão já a disponibilizar os dados. Mas isso são poucos animais e poucas lojas” Albano Martins Presidente da ANIMA

que não têm capacidade de dizer que os animais à venda têm de estar todos licenciados?”

cifras enganosas

Uma visita ao site oficial do IACM permite perceber que, em cinco anos, foram abatidos 3223 cães e gatos nos canis municipais. Só nos últimos dois anos e até ao mês passado foram mortos 1334. A maioria, cães. Este ano, 250 caninos foram abatidos. Contudo, os números podem enganar, como explica Fátima Galvão ao HM. “As estatísticas oficiais não creio que reflictam os animais que são apanhados e que morrem no IACM sem ser por eutanásia”, explica, ressalvando que não pode comprovar este facto. “As estatísticas dizem respeito a animais abatidos, não aos que morrem lá.” O mesmo diz Albano Martins: “Teoricamente, [esses números] são face aos animais postos a dormir por eutanásia”, diz, acrescentando que não duvida destes dados. Há, contudo, cães que morrem no canil, muitas vezes por doenças contraídas no local ou até “por estarem misturados cães doentes e saudáveis”, como diz a responsável da MASDAW. Os dados do IACM diferem também entre “abandonados” – 1547 desde 2010 – e “resgatados” (885). Segundo o que foi explicado ao HM pelo presidente da ANIMA, os abandonados são geralmente os apanhados pelo IACM que têm chip, mas cujo dono não os quer de volta ou não vai sequer buscá-los. Quanto aos resgatados, são os que são apanhados na rua sem identificação possível. Só este ano, 151 cães e gatos já foram abandonados. Dados do IACM mostram que foram passadas cinco multas o ano passado e duas este ano a pessoas que abandonaram animais em espaços públicos, algo não permitido pelo Regime Geral destes locais. Apenas 1048 cães e gatos foram adoptados em cinco anos nos canis e o apelo da ANIMA em restringir o número de animais importados para lojas ou abertura de mais estabelecimentos é precisamente para acabar com a moda da “enorme procura irresponsável de alguns membros da comunidade, que os atiram para a rua quando cansados e vão comprar outros, repetindo-se o cenário sempre que o animal cresce”. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo


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eventos

Sara Chang Yan vence prémio de artes visuais da Gulbenkian

A

artista portuguesa Sara Chang Yan venceu por unanimidade a primeira edição do Prémio de Artes Visuais para Jovens Criadores, lançado pela Fundação Calouste Gulbenkian, foi segunda-feira anunciado. Sara Chang Yan venceu o prémio, no valor de 7.000 euros, com uma série de desenhos “sobre as várias possibilidades de ver e sentir a Fundação Gulbenkian”. O Prémio de Artes Visuais para Jovens Criadores, de carácter trienal, foi criado pela Fundação Calouste Gulbenkian “para dar a conhecer e estimular a criação de trabalhos originais sobre os seus edifícios, jardins e colecções”, sustenta a organização. Nascida em Lisboa, em 1982, Sara Chang Yan tem formação em arquitectura, desenho e artes plásticas

e expôs pela primeira vez individualmente em 2010. O Prémio de Artes Visuais para Jovens Criadores reparte-se em duas categorias - “Obras finalizadas” e “Ideias/Projectos” - mas o júri decidiu atribuir o prémio apenas na primeira. Nas duas categorias foram atribuídas ainda menções honrosas: Francisco Romão (“Obras Finalizadas”), Gil Delindro e Dileydi Florez Barrera (ambos em “Ideias/Projetos”). O júri deste prémio integrou Manuel Costa Cabral, Francisco Tropa e Lígia Afonso. O Prémio de Artes Visuais para Jovens Criadores destina-se a artistas portugueses ou estrangeiros, entre os 25 e os 35 anos, e que tenham feito formação em artes há menos de três anos.

Música Blademark festeja decénio com festival

A banda local de rock Blademark, liderada por Fortes Pakeong, vai organizar um dia inteiramente dedicado à música e ao entretenimento, no Albergue SCM a 5 de Setembro. É das 15h00 às 21h00 que o festival acontece, com as bandas LAVY, Catalyser, Qiu Hang e Blademark a abrirem as hostes, seguidos dos DJ Achu e Rocklee. O festival serve para comemorar o decénio do colectivo musical e tem o lema de “Deixar uma marca com a nossa lâmina”. O evento conta com o patrocínio da Associação Youth Creation e com o apoio da Fundação Macau, sendo de entrada livre. A Blademark foi formada em 2004 e é responsável, de acordo com entidades de crítica musical, por democratizar o estilo “metal” na região.

Pintura Choi Su Weng “reflecte” na Fundação Rui Cunha

O pintor local Choi Su Weng inaugura a sua mais recente exposição às 18h30 de amanhã, na Fundação Rui Cunha. Choi Su Weng é membro da Associação Art For All. Nascido no território em 1952, Choi preparou 16 quadros de pintura abstracta a óleo. De acordo com a organização, “as suas obras apresentam características únicas e uma forte expressividade”, servindo de espelho do “estado de espírito do artista” cheio de cor e textura. Nos seus trabalhos, o artista demonstra “o seu amor pela cidade”, tendo já expandido a sua perspectiva por exposições em Xangai e Pequim, Canadá e Portugal. Além disso, participou numa série de exposições colectivas desde 1997. A presente mostra está aberta ao público gratuitamente até 12 do próximo mês, na sede da Fundação. A galeria encontra-se aberta de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 19h00.

hoje macau quart

China Novos produtos portugueses invadem City Shop

Mais do que o paste No continente, a cadeia de supermercados City Shop, com sede em Xangai, disponibiliza cada vez mais produtos portugueses, com vista a captar a atenção do consumidor chinês

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aCity Shop de Fangcaodi, em Pequim, Portugal já não é só o pastel de nata, a iguaria do país mais conhecida na China, cujo nome (“pu shi dan ta”) significa tarte de ovo ao estilo português. Percorrendo com atenção as prateleiras daquele supermercado, encontra-se bolachas, conservas, sumos, azeitonas, chocolates, azeite e outros produtos importados de Portugal, que não se vêem nas lojas onde a maioria da população chinesa se abastece. Na secção de vinhos, há marcas de mais de uma dúzia de países, da França àAustrália. Mas de Portugal - “mei you” (não há). A própria empregada estranha a situação: “Não sei porque é que não há. Deveria haver”, diz, salientando a afinidade sonora entre as expressões chinesas para Portugal (“Pu tao ya”) e vinho (“pu tao jiu”). Os primeiros caracteres, “pu tao” (uva), são iguais e poderiam favorecer o marketing das marcas portuguesas. Sedeada em Xangai, a mais cosmopolita cidade da China continental, a

À venda na Livraria Portuguesa A Brisa do Oriente • Paloma Sánchez-Garnica

Em 1204, acompanhando o seu abade, Umberto de Quéribus, um jovem monge de Cister, inicia uma viagem que o levará a Constantinopla. A partir desse momento, arrastado para perigos e situações extremas, em que perde a candura infantil, a sua vida muda completamente. Durante a viagem de regresso ao mosteiro, conhece a insensatez da guerra, a violência desmedida e a imoralidade da avareza. Toma igualmente consciência das verdadeiras consequências da obediência cega e da enorme incerteza na destrinça do que está bem e do que está mal, imerso numa luta constante entre o que lhe ensinaram e o que de facto sente.

City Shop é considerada a maior cadeia chinesa de supermercados especializada em produtos importados.

De todo o lado

Cerca de 80% do que está à venda nos seus 12 estabe-

lecimentos (dez em Xangai e dois em Pequim) vêm de mais de vinte países de vários continentes, da Europa à Oceânia. A clientela é constituída sobretudo por quadros estrangeiros e as novas famílias ricas chinesas,

cujos gostos acompanham a rápida internacionalização da China. Também neste aspecto, a China já não é “a sociedade sem classes” enaltecida pela propaganda oficial das décadas de 1960 e 1970. A City

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

A Batalha do Apocalipse • Eduardo Spohr

Quando após a Criação Javé adormeceu num sono milenar, o Paraíso Celeste foi palco de terríveis insurreições entre as hostes angélicas, que se arrastaram ao longo dos tempos e durante toda história da Humanidade. No momento do Apocalipse, Absalon, o valoroso líder dos revoltosos que havia sido condenado a vaguear pela Terra, é aliciado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, para se juntar às suas hostes na batalha do Armagedão que decidirá não só o destino do mundo mas o próprio futuro do Universo. E a escolha de Absalon poderá ser decisiva. Uma grandiosa viagem pela história humana e um épico empolgante.


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el de nata Uma garrafa de meio-litro de “azeite extra virgem” português custa 88 yuan cinco vezes mais do que o salário mínimo à hora em Pequim. A cerveja importada de Portugal também não é barata: 12,9 yuan, o que corresponde ao triplo de uma marca chinesa com azeite e alho”, com “um gosto bem português”, chega aos 57,8 yuan. Para os cerca de 120 portugueses residentes em Pequim, descobrir num supermercado local produtos com embalagens a dizer “tomate 100% português”, “sardinhas em azeite” ou “feijão frade” tem um sabor especial.

Apontados à classe média

Shop de Fangcaodi, aberta há menos de dois anos, fica no 1.º piso de uma alta pirâmide de aço e vidro transparente chamada Parkview Green, com dezenas de lojas e restaurantes, um hotel, salas de cinema, escritórios, uma galeria de arte e um stand de automóveis eléctricos. Uma garrafa de meio-litro de “azeite extra virgem” português custa 88 yuan - cinco vezes mais do que o salário mínimo à hora em Pequim. A cerveja importada de Portugal também não é barata: 12,9 yuan, o que corresponde ao triplo de uma marca chinesa. Uma lata de “conserva de bacalhau

O alvo do sector agro-alimentar português é, contudo, a emergente classe média chinesa. No conjunto, são dezenas de milhões de pessoas, com crescente poder de compra e uma moeda que desde 2008 valorizou cerca de 40% em relação ao euro. Nos últimos três anos, as exportações portuguesas para a China mais do que duplicaram, ultrapassando os 1.600 milhões de dólares em 2014. Embora o sector automóvel e as “matérias-primas e processadas”, nomeadamente os veículos fabricados na Auto-Europa, o cobre, a cortiça e o mármore, continuem a representar quase dois terços daquele valor, os têxteis, calçado, mobiliário e agro-alimentar estão a crescer acima dos dois dígitos. Em Pequim ou Xangai, o pastel de nata está muito difundido, mas, como quase tudo, é “made in China”. HM/LUSA

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comédia “O pátio das cantigas”, de Leonel Vieira, foi o segundo filme mais visto no fim-de-semana de estreia, entre quinta-feira e domingo, com mais de 80.000 espectadores, segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual. Com estes dados dos primeiros dias de exibição, “O pátio das cantigas” é já o filme português mais visto de 2015, entre as quase vinte produções nacionais que se estrearam no circuito comercial. O filme de Leonel Vieira teve 80.973 espectadores e 426 mil euros de receita de bilheteira, ficando apenas atrás da animação “Mínimos”, líder de exibição no fim-de-semana, com 137.404 espectadores.

“O pátio das cantigas” já o mais visto em 2015

Comédia está em alta

Da trilogia

“O pátio das cantigas” é a primeira de três homenagens de Leonel Vieira aos clássicos do cinema português e baseia-se no filme realizado em 1942 por Francisco Ribeiro (Ribeirinho), com Vasco Santana e António Silva nos principais papéis. “Não refilmei o guião, distanciei-me muito, peguei em alguns elementos que mantive, que são para mim uma homenagem ao filme que nos inspira. (...) Fizemos um corpo totalmente novo, e acho que o nosso humor é renovado. São outros diálogos, as nossas cenas de humor estão noutras cenas e não tentei refazer as cenas emblemáticas”, afirmou o realizador à agência Lusa, antes da estreia. O filme conta com os actores Miguel Guilherme e César Mourão nos papéis antes interpretados por António Silva e Vasco Santana. “O pátio das cantigas”, de 1942, é considerado uma das comédias mais populares do cinema português, feita na

chamada “época de ouro”, nas décadas de 1930 e 1940. Nessa época estrearam-se também filmes como “A Canção de Lisboa” (1933), “Aldeia da

pub

roupa branca” (1938), “O pai tirano” (1941) e “O Costa do Castelo” (1943). A homenagem referida por Leonel Vieira inclui ainda

os novos filmes “O Leão da Estrela”, que deverá chegar aos cinemas pelo natal, e “A Canção de Lisboa”, com estreia marcada para 2016.


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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 165/2015 -----Atendendo a que não é possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o Senhor CHAN, Chee Cheung Dennis, portador do B.I.R.P. da RAEHK n.° G4764xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 33/DI/2013, levantado pela DST a 08.02.2013, e por despacho da signatária de 07.11.2014, exarado no Relatório n.° 879/DI/2014, de 28.10.2014, lhe foi aplicada a multa de $20,000.00 (vinte mil patacas), nos termos do n.° 1 do artigo 83.° do Decreto-Lei n.° 48/98/M, de 3 de Novembro, com a nova redacção dada pelo Regulamento Administrativo n° 42/2004, por infracção ao n.° 3 do artigo 67-B.° do mesmo diploma –“O transferista habilitado nos termos do número anterior só está autorizado a exercer a profissão após registo na DST e emissão do cartão de transferista, conforme o modelo constante do anexo II ao presente diploma.”---------------O pagamento voluntário da multa deverá ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 73.° do Decreto-Lei n.° 48/98/M, de 3 de Novembro, com a nova redacção dada pelo Regulamento Administrativo n° 42/2004, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do mesmo artigo.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 30 dias, conforme estipulado na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------Desta decisão , querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Julho de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 464/AI/2015 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 佘銀光, portador do passaporte da R.P.C. n.° E00472xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 126/ DI-AI/2013, levantado pela DST a 06.11.2013, e por despacho da signatária de 28.07.2015, exarado no Relatório n.° 511/DI/2015, de 20.07.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada em Macau, na Rua do Canal Novo N.° 72, Hoi Pan Fa Un Bloco XI, 17.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 28 de Julho de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 26/P/15 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 21 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação do Sistema Informático de Gestão de Sangue ao Centro de Transfusões de Sangue dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 5 de Agosto de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 60,00 (sessenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral

destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 5 de Outubro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 6 de Outubro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP144.410,00 (cento e quarenta e quatro mil, quatrocentas e dez patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 31 de Julho de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 28/P/15 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 21 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Equipamentos Laboratoriais Cedidos Como Contrapartida do Fornecimento de Reagentes ao Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 5 de Agosto de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 9 de Setembro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 10 de Setembro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 110 000,00 (cento e dez mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 31 de Julho de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


china

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Grupo Malo convidado para organizar faculdade de medicina dentária

Portugueses implantados em Tianjin O grupo Clínica Malo foi convidado para organizar a faculdade de medicina dentária de uma universidade que está a ser construída na China por um conhecido milionário local, anunciou ontem o presidente do grupo, Paulo Malo. “É a primeira parceria que fazemos a nível pedagógico, abrindo uma nova aérea de negócios para a Malo Clínica, e vai também permitir assegurar um ‘stock’ de dentistas necessário para acompanhar a nossa expansão na China”, disse Paulo Malo à agência Lusa. A futura universidade, situada em Tianjin, o maior porto do norte da China, a cerca de 150 quilómetros de Pequim, deverá começar a funcionar em 2018. Trata-se de um investimento de 10.000 milhões de yuan, finan-

algumas dos quais organizados em colaboração com instituições académicas norte-americanas, indicou Paulo Malo, um dos convidados estrangeiros que assistiu ao início oficial das obras, em meados de Julho.

Bom patrão

Paulo Malo

ciado pelo presidente e fundador do consórcio farmacêutico Tiens Group, Li Jinyuan. Com uma área de construção de 210 hectares, a projectada Tiens University estende-se por 3,2 qui-

lómetros quadrados e está pensada para acolher 30.000 estudantes. Além de medicina dentária, a universidade terá cursos de medicina tradicional chinesa, comunicação, biologia e agricultura,

O presidente do Tiens Group, Li Jinyuan, ficou mundialmente famoso há três meses, quando pagou quatro dias de férias em Paris e na Côte d’Azur a 6.400 dos seus empregados, 5.400 dos quais oriundos da China, para celebrar o 20.º aniversário da sua empresa. Foi a maior excursão do género recebida em França, com direito a um desfile na avenida marginal de Nice, e custou cerca de 33 milhões de euros. Paulo Malo contou que conheceu Li Jinyuan em Janeiro passado

Angola Ministra anuncia que kwanza vai ser aceite na China

No combate à crise do petróleo A

ministra do Comércio de Angola, Rosa Pacavira, anunciou que foi alcançado um acordo monetário com a China para aceitação das respectivas moedas em ambos os países, facilitando as importações angolanas. “O kwanza vai valer na China, o renminbi [moeda chinesa ou yuan] vai valer aqui em Angola”, disse a ministra, sobre aquele que será um dos resultados dos recentes acordos estabelecidos entre os governos dos dois países. Numa altura em que a quebra das receitais fiscais com a exportação de petróleo está a afectar o mercado cambial, devido à redução da cotação internacional do barril de crude e na entrada de divisas no país, esta medida,

admitiu a ministra do Comércio, levará a um aumento das compras à China. Isto porque as importações angolanas são feitas essencialmente em dólares norte-americanos, cujas reservas do país estão em quebra há vários meses devido à crise do petróleo, pelo que um acordo para aceitação recíproca da moeda dos dois países permitirá ultrapassar essas dificuldades, mas aumentando às compras à China.

Acordo único

“Nenhum país aceitou fazer isso, só foi a China. Isto é um dos grandes benefícios. A moeda vai valer em ambos os países”, sublinhou a ministra, num evento realizado na segunda-feira em Luanda, referindo-se às facilidades decorrentes do novo “acordo monetário”.

“Como Ministério do Comércio, nós temos que ver a qualidade dos produtos que vêm da China, para podermos também ter aqui produtos de qualidade”, disse ainda Rosa Pacavira. O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, visitou a China em Junho passado, tendo então sido anunciado um reforço do apoio financeiro chinês a Angola, mas em montante não revelado por ambas as partes. Oposição angolana e vários economistas nacionais têm vindo a público exigir informação sobre o conteúdo dos novos acordos com a China, que estende o entendimento em vigor desde 2004, sobretudo para financiar a recuperação do país após quase trinta anos de guerra civil.

em Tianjin, onde o Tiens Group tem a sede, e mais tarde viu-o no seu consultório, em Lisboa. Formado em medicina dentária pela Universidade de Lisboa, Paulo Malo fundou a primeira clínica em 1995. Vinte anos depois, o seu grupo emprega cerca de 3.000 pessoas em quase trinta países, um terço das quais em Portugal, salienta o empresário. “A Clínica Malo é o maior centro de educação de medicina dentária do mundo. Cerca de 3.500 dentistas e cirurgiões orais estrangeiros passam por ano pela nossa clínica em Lisboa”, afirmou. Em Novembro de 2013, o grupo Malo abriu a sua primeira clínica na China continental, em Pequim, e desde então já está também implantado em Xangai, Cantão e Taiyuan.

Jiangxi O maior guarda-chuva do mundo

Uma empresa da província de Jiangxi, no leste da China, fabricou o maior guarda-chuva do mundo, que mede 23 metros de diâmetro quando aberto, e 14,4 metros de altura, informa ontem a agência oficial Xinhua. O guardachuva, vermelho, azul, amarelo e verde, foi reconhecido como o maior do mundo por elementos do Livro Guinness de recordes, batendo um exemplar de 17,06 metros de diâmetro que foi exibido, em 2010, num centro comercial da cidade indiana de Puna. O guarda-chuva chinês pesa 5,7 toneladas, mais do dobro comparativamente ao indiano, podendo ser visto na localidade de Xingzi. Muitas localidades chinesas tentam deter este tipo de recordes, a fim de chamar a atenção de meios da comunicação social e turistas.

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Aviso Publicação da lista dos resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2015/2016

A lista dos resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados, do ano lectivo 2015/2016, está afixada no Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, 7.o andar), e no Centro dos Estudantes do Ensino Superior (Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, 68-B, Edifício Va Cheong, r/c B, Macau, em frente à paragem de autocarros do Jardim Lou Lim Ioc), do GAES. Ao mesmo tempo, para consulta desta mesma lista, pode aceder à página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados (www.gaes.gov.mo/ctabe). Os seleccionados para as Bolsas de Mérito, acima mencionadas, do mesmo ano lectivo, podem dirigir-se ao Centro dos Estudantes do Ensino Superior, do GAES, entre os dias 1 e 15 do próximo mês de Setembro, no horário de atendimento, para realizarem as formalidades sobre a aceitação das bolsas. Para mais informações, pode consultar a página electrónica da Comissão supracitada. Aos 5 de Agosto de 2015.

A Presidente, substituta Sílvia Ribeiro Osório Ho


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artes, letras e ideias

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WANG CHONG

王充

OS Discursos Ponderados DE WANG CHONG

Fluidos e longevidade – 2 O qi recebido [à nascença] pode ser abundante e resistente ou, ao contrário, parco e frágil. No primeiro caso, a pessoa viverá por muito tempo; no segundo, perderá [rapidamente] a vida. Algumas das plantas produzidas pelo Céu e pela Terra não são acabadas e, de forma análoga, certas crianças engendradas pelos seus progenitores são imperfeitas. Como exemplo do primeiro caso, podemos citar os frutos que secam, morrem e caem [antes de amadurecer]. Do mesmo modo, algumas crianças nascidas dos homens morrem prematuramente. Se o fruto não secasse, conseguiria chegar ao seu termo; se a criança não fosse atingida [demasiado cedo], teria vivido até aos cem anos de idade. Aquilo que produziu a morte do fruto e da criança foi a fraqueza do seu qi: mesmo que fossem perfeitos de aparência, a má qualidade e fraca quantidade de qi os faria imperfeitos. Se o recém nascido grita de forma aguda e estridente, é sinal de que viverá muito tempo; mas se emite só um fraco vagido, morrerá prematuramente. E porquê? Porque o destino que comanda a duração da vida é função da quantidade de qi, que determina a natureza [da criança e, como tal, dos seus gritos]. Se uma mulher concebe poucas crianças, estas viverão; porém, se dá à luz com demasiada frequência, estas morrerão [prematuramente]. E porquê? Porque uma certa distância entre as gravidezes preserva um qi abundante, enquanto que múltiplos partos resultam num seu enfraquecimento e, portanto, num enfraquecimento das crianças. Diz-se de um bebé no ventre de uma mulher que acabou de perder um outro que não viverá e se lhe dá o nome de “abortado”: acredita-se que a aflição [da mãe], causada pela morte de outra criança, implica um enfraquecimento da natureza do novo bebé. A criança de uma mãe que acabou de perder outra criança terá um destino funesto: os partos demasiado próximos causam um empobrecimento do qi e o bebé não consegue formar-se por completo. E, mesmo que seu corpo pareça perfeito, a criança será de constituição delicada, sempre a primeira a contrair doenças e a única a não recuperar plenamente delas. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.


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artes, letras e ideias 15

Aquilo que produziu a morte do fruto e da crianรงa foi a fraqueza do seu qi.


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( F ) utilidades

tempo

pouco

?

nublado

min

26

max

33

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hum

60-90%

euro

8.74

baht

0.23

Cineteatro

O que fazer esta semana

yuan

1.28

Cinema

mission: impossible rogue nation Sala 1

mission: impossible rogue nation [b] Filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 Sala 2

ant-man [B]

insidious: chapter 3 [c] Filme de: Leigh Whannell Com: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson 16.45, 21.30 Sala 3

inside out [a]

Falado em cantonês Filme de: Peter Docter 14.15, 17.45, 19.30

minions [a]

Filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Michael Douglas 14.30, 19.15

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Pierre Coffin, Kyle Balda 16.00, 21.30

Amanhã Inauguração da exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre

Aconteceu Hoje Morre Marilyn Monroe, nasce Neil Armstrong

Diariamente Exposição de obras de arte de agentes da PSP (até 9/08) Centro UNESCO de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 22/08) Entrada livre

Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “Ao Risco da Cor - Claude Viallat e Franck Chalendard” Galeria do Tap Seac (até 9/08) Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

5 de agosto

U m d i s c o h o j e “Not to Late” (Norah Jones, 2007) No seu terceiro álbum de originais, a cantora de jazz Norah Jones reinventa-se com um álbum mais maduro e cheio de boas canções, ideais para ouvir no final de um dia bem preenchido. “Thinking about you” foi o primeiro single, com uma onda bem mais pop, destacando-se também pelo bom videoclip, mas não podemos ignorar “Broken”, com uma sonoridade diferente. Andreia Sofia Silva

fonte da inveja

É muito triste a consciência da costureira:

• Nasceu Norma Jean Mortenson, mas foi baptizada nas artes como Marilyn Monroe – uma das mais famosas estrelas de cinema de sempre e um ícone de sensualidade. Marilyn morreu a 5 de Agosto de 1962, sendo que em 2012 se assinala o 50.º aniversário da sua morte. Também neste dia, nasceu o primeiro Homem a pisar solo lunar. Marilyn Monroe morreu há 50 anos, data que hoje se assinala. Foi uma das mais célebres, belas e sensuais actrizes de cinema, um símbolo da sétima arte, que permanece imune ao esquecimento, meio século depois da sua morte, quando contava apenas 36 anos. Marilyn teve uma infância difícil, longe do pai biológico de identidade desconhecida - e sem a presença da mãe, que teve de ser internada, com problemas psíquicos. A actriz viveu em orfanatos e em casa de familiares. Marilyn Monroe começou a carreira em pequenos filmes, mas depressa se viu catapultada para os grandes palcos da sétima arte. O seu talento, personalidade e sensualidade levaram-na ao sucesso. Não é justo dizer que Marilyn Monroe cresceu no cinema à custa da sua beleza e sensualidade. Essas suas características eram inegáveis, mas Marilyn era muito mais do que símbolo sexual da década de 50. Em termos amorosos, não foi feliz, com diversas relações falhadas. Correram boatos de que teria mantido uma relação secreta com o Presidente dos EUA, John F. Kennedy, a quem cantou os parabéns, numa das versões de ‘Happy Birthday To You’ mais conhecidas de sempre. Na manhã de 5 de Agosto de 1962, aos 36 anos, Marilyn foi encontrada morta, na sua casa de Brentwood, na Califórnia, por suposta overdose de medicamentos. O mundo ficou em choque e nunca esqueceu a loira mais sensual de todos os tempos. Também no dia 5 de Agosto, mas em 1930, nasce Neil Armstrong, astronauta norte-americano, célebre por ter sido o primeiro Homem a pisar solo lunar. Piloto de testes e aviador naval, liderou a missão Apollo 11, que a 20 de Julho de 1969 deu um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a Humanidade.

João Corvo

ligar pontos, atar fios, é todo o sentido que podemos dar à vida.


opinião

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lorde gin

Stephen Daldry, The Reader

Rui Cascais Parada

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Conteúdo de um livro. O sossego a que todo o movimento conduz

D

e regresso à cidade de Ulisses, Lorde Gin viajou só com um punhado de livros: traduções inglesas de Georges Bataille, a Obra Poética de Pessoa, Opus Posthumous de Stevens, um diário de Tanizaki, escritos de Hal Foster, uma novela de Lagerkvist e uma colecção de poemas de A.R. Ammons intitulada Glare. Em Bangkok ficaram duas toneladas de livros. Dois mil quilos de papel e tinta que hipoteticamente terão um dia qualquer de flutuar pelo Oceano Índico, subir o Mar Vermelho, esgueirar-se pelo Suez, velejar pelo Mediterrâneo, passar Gibraltar e saborear uma breve espuma atlântica antes de se juntarem a seu amo. O exemplar de Glare, publicado pela Norton em 1997, foi oferecido a Lorde Gin em 2009. Encontrou-o uma musa que visitava Nova Iorque e vasculhava as prateleiras inchadas e colossais da Strand Bookstore, ali à esquina da 12th Street & Broadway, perto da sempre garrida Union Square. Trata-se, claro, de um exemplar em segunda mão. Nas páginas 3 e 5, alguns versos sublinhados a fina caneta vermelha, respectivamente: “our deepest concerns\such as death or love or child-

-pain\ arousing a belly laugh or a witty dismissal” e “the stillness all the motions add up to”. As linhas vermelhas são trémulas, denunciando que o (ou a) sublinhante as desenhou sentado num qualquer meio de transporte em movimento. Ou então tremiam-lhe as mãos devido a uma possível aflição do corpo ou do espírito, enquanto buscava com que preencher, justificar, explicar a existência. Para isso servirão os sublinhados de poemas, pois acredita-se ainda, e de um modo algo piedoso, que neles se poderão descobrir destilações úteis, conclusões lapidares. Porém, as restantes páginas, quase trezentas, não apresentam mais nenhuma mutilação, o que talvez indique enfado com o material poético, ou uma infecção neurótica de impaciência e desinteresse.

O exemplar encontra-se em muito boas condições, confirmando o pouco uso que lhe foi dado. Prosseguindo a autópsia, Lorde Gin deparou-se com os seguintes detritos que para lá foi lançando: 1) A páginas 77, um cartão do Warung Pasir Putih, uma cabana de praia no sul do Bali onde se podia ingerir uma beberagem de cogumelos psicotrópicos e observar os diversos anzóis azuis do mar. Lá se lê: “how wonderful to be able to write:\it’s something you can’t do, like\ playing the piano, without thinking”. 2) A páginas 127, dois bilhetes de entrada no Botanic Garden de Ubud, onde Lorde avistou, numa tarde chuvosa e deserta, uma curta serpente

Em Bangkok ficaram duas toneladas de livros. Dois mil quilos de papel e tinta que hipoteticamente terão um dia qualquer de flutuar pelo Oceano Índico, subir o Mar Vermelho, esgueirar-se pelo Suez, velejar pelo Mediterrâneo, passar Gibraltar e saborear uma breve espuma atlântica antes de se juntarem a seu amo

brilhante que se balançava de um talo vegetal apenas segura pela cauda, esticada como uma pequena lança verde. E, aqui, o poema número 45 diz: “will I will the will to go on – what? –\from here where does going go, except\ to gone?” 3) A páginas 181, um marcador de livros do “Reading Room” do antigo hotel Oriental (hoje desgovernado pela cadeia Mandarin), na margem nascente do rio Chao Praya, mostra, impressa a prata, uma citação banal do magistral Graham Greene: “The world is not black and white. More like black and grey”. E, aí, o poema número 66 de Archibald R. Ammons retorque: “well, it’s true, clarity is in the extremes,\ whereas truth muddles in the middle”. 4) Por fim, a páginas 231, num anónimo pedaço de papel cor-de-rosa rasgado sem compunção, um dos sobrinhos de Gin gatafunhou uma primeira observação de infância ao sol de um estio espanhol ultravioleta: “O hotel de Conil. A piscina era muito garde [leia-se, “grande”]”. E, a isto, o poema 87, intitulado “Old Age”, rasga uma dentadura podre e sábia: “Whatever is wrong\won’t be wrong long”.


18 opinião

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Rui Tavares

in Público

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á dois géneros de pessoas: as que dividem o mundo em dois géneros de coisas e Aristóteles, que tinha hábito de dividi-lo em três. Aristóteles, por exemplo, não dividia o mundo só em cobardes e corajosos, ou verdadeiros e mentirosos. Na sua Ética a Nicómaco, as categorias da coragem ou da verdade são sempre três. O corajoso, por exemplo, é apenas a categoria intermédia entre os cobardes e os temerários. O sincero, por sua vez, é apenas a categoria intermédia entre o modesto e o mentiroso. Então é assim: os cobardes são aqueles que ficam paralisados pelo medo; os temerários aqueles para quem o medo não existe. E os corajosos aqueles que reconhecem o medo sem que isso os impeça de avançar. Um general cobarde é derrotado por não conseguir mexer as suas tropas; um general temerário avança mesmo quando pode perder todos os seus soldados. Um general corajoso é capaz de recuos estratégicos ou de esperar por reforços. A esta divisão-em-três Aristóteles acrescenta uma outra que continua a ser válida. É ela entre os “ironistas”, ou seja, aqueles que dizem de si sempre menos do que aquilo

cartoon por Stephff

Alejandro Amenábar, agora

O que faria Aristóteles?

que são, os “fanfarrões” (a palavra grega é “aleizón”) ou aqueles que exageram sempre as suas próprias qualidades, e finalmente, aqueles que falam genuinamente ou com sinceridade (a palavra grega é algo como “parrésia”) e portanto se apresentam na sua real medida. Nesse caso, um temerário pode ser mesmo um temerário ou um cobarde insincero. E um corajoso, se for sincero, deve começar por admitir o seu próprio medo.

Em época de escolhas as pessoas tendem a ser binárias, e a ser submetidas a pressões para serem mais binárias ainda, no limite do maniqueísmo: estás connosco ou estás com eles, recusas ou aceitas, és amigo ou inimigo. Nestas fases, o adversário é aquele a que se negam todas as qualidades, o aliado aquele a quem se negam todos os defeitos. Sabemos bem, contudo, que não pode ser assim. O maior desafio é manter as escolhas claras sem que elas se tornem um jogo de

plano de mudança ambiental

vitórias absolutas para derrotas absolutas. Nos jogos de futebol da minha aldeia, quando era miúdo, era sempre preciso cuidado para não humilhar a equipa adversária, evitando que o guarda-redes se zangasse e fosse embora. Nós éramos tão poucos que não dava para fazer três equipas. Era preciso vencer, convencer, mas garantir que no dia seguinte estávamos todos ali: precisávamos uns dos outros.

Se Aristóteles acordasse hoje não reconheceria a democracia ateniense na democracia contemporânea. No entanto, se algo sobreviveu foi isto: a necessidade de preservar o adversário, porque sem adversário não há política, e a necessidade de preservar distinções entre aliados, porque sem distinções não há parceria nem cooperação Se Aristóteles acordasse hoje não reconheceria a democracia ateniense na democracia contemporânea. No entanto, se algo sobreviveu foi isto: a necessidade de preservar o adversário, porque sem adversário não há política, e a necessidade de preservar distinções entre aliados, porque sem distinções não há parceria nem cooperação. Se entendermos isso, saberemos ver para lá dos cobardes e dos temerários, dos modestos e dos mentirosos, e encontrar em nós mesmos as fontes da coragem sincera. Nota 1: na última crónica citei um texto de Wolfgang Münchau em inglês, no Financial Times, esquecendo-me de dizer que os leitores encontram o mesmo texto em português, no Diário de Notícias, com o título “O reino de fantasia das regras da zona euro”.


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“Dona Gula”, negócio de take-away Inês Madeira, gerente

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“A Dona Gula tem cativado as pessoas por essa referência, por ter produtos de qualidade e comida caseira. A ideia é ter a comida portuguesa na mesa”

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O projecto do “Dona Gula” começou em família e acabou espalhado a todos aqueles que gostam de comida portuguesa como se fosse feita pelas mães ou avós. Inês Madeira gere o projecto com duas familiares e fala do sucesso das suas receitas, procuradas sobretudo por mães ocupadas

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iz o dicionário da Língua Portuguesa que “gula” é o “excesso no gosto de comer e beber”, um dos sete pecados mortais. E foi a pensar no gosto pela comida, mas sobretudo pelos pratos feitos com cuidado e qualidade, que nasceu o “Dona Gula”. Com apenas uma página na rede social Facebook e quase 300 gostos, o projecto visa a entrega de refeições, salgados e pastelaria em casa. Inês Madeira é designer e gere o negócio, não tendo qualquer experiência com tachos e panelas. Ao seu lado tem as “donas gulas”, como a própria lhes chama, Margarida Pereira, responsável pela parte dos salgados, e Marília Coutinho, a pasteleira responsável por fazer os bolos de aniversário. “Eu sou o maestro do que se está a passar”, conta Inês Madeira ao HM. “Tento criar algum dinamismo na página do Facebook e não apenas publicar fotos de comida. Tudo isto começou porque elas são pessoas da minha família e pensámos que,

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se os produtos que faziam já eram bons, poderíamos mostrar ao público em geral.” O que começou por ser uma brincadeira já se transformou num negócio muito procurado, sobretudo entre a comunidade portuguesa. “A Dona Gula aconteceu de forma muito espontânea e é resultado de um trabalho que já existia. Eu já consumia os produtos e pensei: ‘porque não fazer uma divulgação?’. Isto numa conversa de mesa, numa brincadeira. Foi uma brincadeira não muito na perspectiva de negócio, mas mais na divulgação dos produtos para as pessoas experimentarem, e acabou por se transformar na Dona Gula, que neste momento tem uma grande adesão por parte do público.” Inês Madeira conta que o projecto “Dona Gula” tem servido de apoio a festas de aniversário de crianças e adolescentes, mas também serve muitas mães que nem sempre têm tempo para cozinhar. “Curiosamente achava que as pessoas iam procurar a Dona Gula mais para festas, mas tem havido muita adesão mais para os salgados para refeições. As pessoas pedem muito esses produtos ainda conge-

lados para depois fazerem nas suas casas, como consumo diário. É uma questão de comodismo também, porque as pessoas não têm tanto tempo e disponibilidade para cozinhar, então acabam por encomendar à Dona Gula.”

O lado caseiro à mesa

Com uma oferta variada de salgados, tartes salgadas e bolos de aniversário, o projecto “Dona Gula” apresenta-se como sendo algo mais do que um negócio familiar de entrega de comida em casa. Cada encomenda tem a garantia de ser uma refeição caseira.

“As pessoas procuram muito os produtos portugueses, de referência. As receitas dos nossos avós são uma referência para nós, não é a mesma coisa que comer um rissol caseiro ou outro. É como o pastel de nata, estes são parecidos mas não têm o mesmo sabor, porque não há essa referência cultural do que é o pastel de nata. Os chineses aceitam, mas nós sentimos falta do sabor português. E a Dona Gula tem cativado as pessoas por essa referência, por ter produtos de qualidade e comida caseira. A ideia é ter a comida portuguesa na mesa, como se fosse a mãe ou a avó a fazer, mas nós é que entregamos. A comida chega à casa das pessoas como se fossem elas a fazer”, frisa Inês Madeira. Para já a página do Facebook está apenas em Português, sendo que a gestora do projecto considera que é necessário fazer com que o “Dona Gula” chegue a cada vez mais pessoas. “Queremos também tentar chegar a outro público. O grande número de clientes é português, curiosamente as mães. Sentimos que há uma preocupação em ter as refeições prontas em casa ou uma ajuda numa festa para não terem de encomendar em vários sítios. Depois também têm a referência dos ingredientes, da comida que é nossa, são mesmo receitas que vêm dos avós e as pessoas sentem-se familiarizadas com os produtos”, remata. Os preços dos produtos são variados: um bolo de aniversário personalizado pode custar quase 400 patacas, enquanto que uma tarde salgada pode atingir as 200 patacas. Também há a possibilidade de encomendar uma boa sopa de legumes ou salgados congelados, prontos a fritar. Tudo depende da gula de cada um. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


hoje macau quarta-feira 5.8.2015

Rio2016 Crise económica e corrupção não afectarão Jogos

EPM Recluso agride guarda

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m recluso do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) de apelido Xiong atacou, no passado domingo, um guarda prisional, ferindo-o. De acordo com um comunicado do EPM, o prisioneiro tinha um historial de violência, tendo já cometido actos semelhantes contra colegas e um outro guarda. A prisão assegura que já foi instaurado um processo de inquérito e a informação já passou para os Serviços Judiciários. O caso teve lugar perto das 10h40, quando dois guardas da ala masculina da prisão estavam a acompanhar um dos reclusos até à sua cela. No momento de fechar a porta da cela, o outro recluso correu repentinamente e agrediu o guarda na cabeça e no corpo. O mesmo comunicado refere que o guarda ferido foi imediatamente encaminhado para o hospital Conde de São Januário para observação, com “lesões e contusões” no corpo, não registando problemas graves. Xiong deu entrada no EPM no ano passado, pela condenação dos crimes de entrada ilegal no território e ofensa grave à integridade física. O mesmo estabelecimento frisa que este não foi o primeiro incidente relacionado com agressões a guardas e colegas de cela. “O relatório de avaliação psicológica mostra que o recluso possui grande tendência para a violência e suicídio”, adverte o EPM. A mesma entidade refere, no entanto, que já foram reforçadas medidas de vigilância do agressor. Assim, serão feitas rondas de meia em meia hora, controlo de acesso a determinados artigos e obrigatoriedade de algemas fora da cela.

Trabalhar com tranquilidade U m diplomata brasileiro disse ontem que o abrandamento económico e os casos de corrupção no Brasil não afectarão os Jogos Olímpicos de 2016, afirmando que a organização dos mesmos “é um compromisso do Estado e não do governo”. “O Brasil é uma grande democracia, com instituições fortes e que vêm desempenhando o seu papel”, disse o encarregado de negócios do Brasil na China, Marcelo Della Nina, numa conferência de imprensa em Pequim. Como dezenas de outras representações diplomáticas brasileiras pelo mundo fora, a embaixada do Brasil na capital chinesa assinalou ontem o início da contagem decrescente para a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, marcada para 5 de Agosto de 2016. “2014 (ano em que o Brasil organizou o Mundial de futebol) também foi politicamente muito intenso, com eleições presidenciais, e esse contexto de forma alguma afectou a ‘Copa’”, referiu Marcelo Della Nina, acrescentando: “A única tragédia foi a derrota frente à Alemanha, mas, desta vez, tenho a certeza, o Brasil não sofrerá uma derrota tão dura.”

Privados em força

O diplomata realçou também que o evento “é um dos que conta com maior nível de participação do sector privado”. Pelas contas do governo brasileiro citadas naquela conferência de imprensa, o orçamento dos Jogos ronda os 12.000 milhões de dólares, 57% dos quais assegurados por privados.

“De um modo geral, as obras estão avançadas e dentro do prazo”, disse Mónica Tambelli, diplomata encarregue das relações com a imprensa e da promoção dos Jogos na China. Marcelo Dela Nina foi peremptório: “O Comité Olímpico Internacional tem manifestado absoluta tranquilidade em relação aos preparativos. O estado das obras não gera preocupação.”

Quando o Rio de Janeiro formalizou a candidatura aos Jogos Olímpicos, há oito anos, a economia brasileira crescia acima dos seis por cento e o então presidente do país, Luís Inácio Lula da Silva, estava no auge da popularidade. No primeiro trimestre de 2015, a economia brasileira contraiu 0,2% e, entretanto, vários políticos associados ao antigo presidente foram considerados suspeitos de corrupção.

São Lázaro Filipinos detidos por pinturas em edifício classificado

Futebol Jorge Sousa apita Supertaça

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Jorge Sousa foi ontem nomeado pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol para dirigir no próximo domingo a Supertaça Cândido de Oliveira, entre o Benfica e o Sporting. O árbitro do Porto foi considerado o melhor árbitro da temporada passada, será coadjuvado pelos árbitros assistentes Bertino Miranda e Nuno Manso e pelo quarto árbitro Fábio Veríssimo. O derby está agendado para as 20.45 horas, (hora local), no estádio do Algarve.

Bebedeira que correu mal A

Polícia Judiciária (PJ) deteve cinco cidadãos de nacionalidade filipina por alegada pintura de grafittis em edifícios no bairro de São Lázaro. “A nossa investigação concluiu que o caso envolvia sete pessoas e cinco filipinos foram detidos no passado dia 3 [de Agosto]”, informou a PJ. “Quatro dos detidos admitiram ter cometido o crime e foram acusados de ‘dano qualificado’ e a polícia acredita que o quinto também

está envolvido”, acrescentou a autoridade. O caso remonta há cerca de duas semanas, quando o Instituto Cultural (IC) disse ter havido uma violação da Lei de Salvaguarda do Património Cultural com a pintura de grafittis nas fachadas de um edifício na Rua de Sanches de Miranda e outros prédios próximos do bairro de São Lázaro. De acordo com a PJ, alguns dos acusados defenderam-se, justificando o acto com o facto

de estarem alcoolizados, concluindo que se tratava de uma brincadeira. “Alegaram que foi uma brincadeira. O seu comportamento provocou danos no património cultural. Apelamos aos cidadãos que tenham cuidado com o comportamento e não adoptem atitudes que possam violar a lei”, afirmou o porta-voz da PJ, Chan Cho Man, segundo notícia da Rádio Macau. O caso seguiu já para o Ministério Público. O IC disse criticar “fortemente os comportamentos

desadequados”, frisando que a execução de pinturas ou inscrições em paredes exteriores de edifícios protegidos constitui uma violação a um dos artigos da legislação em vigor. A eventual danificação permanente dos edifícios pintados pode mesmo constituir ilícito criminal. De acordo com o canal chinês da rádio, o IC despendeu cerca de 21 mil patacas para recuperar os locais danificados. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Hoje Macau 5 AGO 2015 #3387  

N.º3387 de 5 de AGO de 2015

Hoje Macau 5 AGO 2015 #3387  

N.º3387 de 5 de AGO de 2015

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