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Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Director carlos morais josé • sexta-feira 5 de julho de 2013 • ANO XII • Nº 2886

pouco nublado min 26 max 33 hum 60-95% • euro 10.3 baht 0.2 yuan 1.3

h

Ter para ler Venham mais cinco (séculos)

branqueamento de capitais

Governo da raem admite vir a controlar entradas de dinheiro Página 2

eleições 2013

Agnes Lam não percebe lei que não permite campanha

Estranha numa terra estranha

• deolinda

da Conceição

100 anos

Agnes Lam apresentou o seu programa e os membros da sua lista, considerando que as “difamações” deviam ser analisadas pela Comissão Eleitoral. Mas o que, sobretudo, estranha é esta coisa de não se poder fazer a campanha que todos andam a fazer. página 3

hoje macau

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Rihanna insinua que Cristiano Ronaldo é homossexual Página 16

entrevista bárbara Ian

Quando a moda pode e deve cruzar fronteiras Centrais

loucura onde estão os seus limites? pub

Gonçalo lobo pinheiro

• bronca!

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política

sexta-feira 5.7.2013

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Macau quer controlar movimentos de dinheiro na fronteira

Seppuku ou morte lenta?

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Governo de Macau está a ponderar implementar nas suas fronteiras um sistema de declaração ou dever de notificação de transporte de certos montantes de dinheiro, disse à agência Lusa a directora do Gabinete de Informação Financeira (GIF). “O Governo está a analisar a viabilidade de implementar uma declaração ou o dever de notificação” de certos montantes que sejam transportados por quem atravessar a fronteira “para cumprirmos as nossas obrigações internacionais, nomeadamente de observar as recomendações do Grupo de Acção Financeira Internacional” (FATF, na sigla inglesa), afirmou a directora do GIF, Deborah Ng. Ao salientar que ainda não há qualquer plano de acção ou calendário para a entrada em vigor desta medida, a responsável indicou que, no âmbito das recomendações da FATF, o dever de notificação refere-se à “obrigação dos viajantes de fornecerem informação apropriada e verdadeira às autoridades mediante solicitação, sem lhes ser pedida uma declaração inicial oral ou escrita”. “Macau é um porto livre e actualmente não há qualquer restrição imposta à quantidade de dinheiro com que se entra ou sai” do território, ressalvou. A lavagem de dinheiro é crime em Macau, mas não há qualquer sanção criminal para quem não declarar ou para quem prestar informações falsas sobre os fundos que transporta. O Grupo de Acção Financeira

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa (ATFPOC) teve ontem uma reunião com o Chefe do Executivo, Chui Sai On, onde foram entregues muitas propostas que visam melhorar os benefícios dos funcionários públicos com cargos mais baixos. Aumentar os subsídios foi o primeiro ponto apresentado pela ATAFPOC. “Com a inflação cada vez mais alta, os baixos cargos, com salários entre a pontuação 110 e 150, têm dificuldades no dia-a-dia. Recomendamos que sejam dados mais 40 pontos ao actual subsídio (cada ponto vale 70 patacas), por forma a ajudá-los”.

da região Ásia Pacífico contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (APG, na sigla inglesa) defende desde 2007 a necessidade de Macau definir um montante a partir do qual é obrigatória a declaração dos fundos com que se atravessa a fronteira e a criminalização de declarações falsas para combater os movimentos ilícitos de dinheiro.

Num relatório de Julho de 2007, o APG concluiu que o sistema em vigor em Macau “contribui pouco para combater o contrabando de dinheiro, podendo mesmo ser propício a tal actividade”. Esta situação, aponta o documento, deriva do facto de a China proibir a saída do país de mais de 20 mil yuan por dia por pessoa, de “muitos visitantes entrarem

em Macau com grandes quantidades de dinheiro ou recorrerem a mecanismos informais de transferências de dinheiro” com a China continental. O APG realçou também que a ausência de medidas de controlo dos movimentos transfronteiriços de fundos se deve a uma tentativa das autoridades locais de impedirem o seu eventual impacto adverso

sobre a indústria do jogo, o motor da economia local. Deborah Ng recorda que este relatório “apontava deficiências aos sistemas de controlo nas fronteiras de Macau” e que, por isso, o Governo local está a estudar medidas para “corrigir essas deficiências”. De acordo com o APG, Macau começou em 2006 a identificar nas fronteiras quem transportava mais de 300 mil patacas. No entanto, a equipa de avaliação desta entidade constatou que tais movimentos eram apenas “detectados em buscas aleatórias, não havendo qualquer programa de inspecção”. Por outro lado, a APG criticava o facto de a Polícia Judiciária “fazer pouco mais do que conduzir entrevistas com suspeitos de lavagem de dinheiro para detectar a verdadeira origem e propósito dos fundos” e de “não haver praticamente cooperação entre esta polícia e os Serviços de Alfândega”, nem troca de informações com as autoridades de outros territórios. A Lei do Comércio Externo de Macau prevê a declaração de valores a partir das 5.000 patacas (480 euros), como moeda e ouro, por entidades como bancos e lojas, não se aplicando a bens transportados por indivíduos, e para os casos de falhas nessa declaração há multas até 100 mil patacas (9.600 euros), mas o APG indicava não haver em 2007 “evidência da aplicação de multas a correios de dinheiro suspeitos de lavagem de dinheiro”. A mesma entidade observou que, nas fronteiras de Macau, “só grandes caixas seladas” passam no raio-x, mas que as bagagens pessoais não são inspeccionadas e “a maior parte do dinheiro parece ser transportada em malas que não são normalmente controladas”. - Lusa

Exigidos mais benefícios nos cargos inferiores da Função Pública

Subsídios e resistência

O presidente da ATAFPOC, Cheong Kuok In, disse ainda que o Chefe do Executivo teve uma resposta positiva para esta questão, tendo prometido estudar o assunto juntamente com os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), por forma a usar o subsídio de habitação como apoio aos funcionários dos cargos mais baixos. O segundo ponto proposto está relacionado com a lei laboral, tendo sido proposto a criação de contractos mais longo ou mesmo contractos sem prazo, por forma a incentivar os melhores

funcionários e a estabilizar a própria Função Pública. “Muitos funcionários que já trabalham para o Governo há mais de dez ou vinte anos, e que tiveram uma avaliação muito satisfatória, ainda precisam de assinar contrato a cada um ano ou dois, ou mesmo seis meses.”

Chui vai analisar

O último requisito da ATAFPOC é a criação de um mecanismo para tratar das reclamações. “Muitas vezes quando os funcionários públicos são alvo de mau tratamento não têm um

lugar onde se queixar, mas os restantes cidadãos têm muitas vias para o fazer. O Governo já considerou a criação de um mecanismo

interdepartamental o ano passado, mas até agora ainda não apresentou nenhuma proposta. Esperamos que o Governo possa implementar

estes compromissos relevantes o mais rapidamente possível.” Em comunicado oficial, Chui Sai On garantiu que “a acção governativa depende dos esforços, contributos e aperfeiçoamento dos trabalhos dos funcionários” e que o Executivo “está atento à estabilidade da equipa da função pública, acompanhando sempre algumas pressões para a vida dos funcionários de índice mais baixo.” Ficou garantida a consulta das “sugestões viáveis da Comissão de Avaliação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública e das associações”, com vista a “ponderar a melhoria dos apoios, nomeadamente na área dos subsídios e habitação”.


sexta-feira 5.7.2013

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Eleições Agnes Lam entregou o seu programa político e criticou lei eleitoral

As regras estranhas hoje macau

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

gnes Lam entregou ontem o seu programa político à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Além da apresentação da lista e do programa político, a professora da Universidade de Macau (UMAC) também comentou o conflito as regras sobre o período de campanha, que diz ser “estranha”, uma vez que não se percebe o que se pode ou não fazer. “Acho que as regras sobre a campanha eleitoral em Macau são um pouco estranhas. Já entregámos as listas e programa político, mas até ao fim de Agosto ainda não podemos fazer nenhuma campanha. Não estou a dizer que a vou fazer, mas acho que as regras precisam de ser melhoradas.” Agnes Lam apresentou novamente a lista, Observatório Cívico, que inclui o arquitecto português, Rui Leão, mas também outros nomes, como defensores dos direitos dos deficientes visuais, assistentes sociais e artistas dando também

mais atenção às reivindicações dos mais jovens. “O nosso programa político é baseado no das últimas eleições, apenas

mudámos alguns pontos, que o Governo já realizou durante estes quatro anos. Agora apareceram mais problemas na sociedade de Macau e, por isso, propomos mais eficiência administrativa, participação pública nos assuntos políticos e administrativos e protecção ambiental vão ser considerados no nosso programa político.” Na última vez, Agnes Lam ficou em 17º quando houve apenas 12 lugares para lutar. Desta vez, as eleições “oferecem” 14 lugares, mas também há 22 grupos a tentar entrar na Assembleia Legislativa, incluindo dez deputados actuais. Agnes Lam admitiu que a competição vai ser mais dura, mas quer lutar para que os eleitores também se interessem pelo seu programa político. “Acho que durante as eleições, é normal que apareçam difamações a um ou outro grupo. Neste caso, a CAEAL deve alertar os candidatos.”

Lei Siu Peng e Agnes Lam falam sobre manifestações O comandante da Polícia de Segurança Publica (PSP), Lei Siu Peng fez ontem uma declaração escrita à rádio chinesa, onde refere que alguns residentes andam a partilhar informações erradas nas redes sociais, acusando a PSP de abuso de poder nas manifestações contra Florinda Chan, no domingo passado. “A PSP não impediu nenhum cidadão cujo objectivo real era passear no Jardim da Penha, apenas impediu os que se aproveitaram desta desculpa para contornarem a rota da manifestação. O que a PSP fez tem legitimidade e racionalidade.” Agnes Lam apontou também que, durante o caso, a Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança de Macau desapareceu. “A comissão tem a sua responsabilidade de fiscalizar não apenas os comportamento dos polícias, mas também os conflitos durante as manifestações.” Esta comissão é liderada pelo deputado Leonel Alves.

Lei Kin Iun afirmou que vai usar adereços na AL A Associação Activismo para a Democracia também entregou ontem a sua lista e programa político. Lei Kin Iun, número um, disse que a ideia geral do programa é promover o sistema político de democracia real. “Na assembleia vou usar muitos adereços e sugerir muitas propostas. Com o sistema político não-democrata, os dirigentes do Governo não precisam de ter responsabilidade perante os residentes, por isso temos de usar esta maneira mais poderosa.” Lei Kin Iun discorda ainda da regra de que cada lista precisa de, pelo menos, quatro candidatos. “Um residente também pode ser uma lista. A regra agora é contra os direitos humanos.”

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política

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política

Os deputados mostraram-se preocupados com a quantidade de recursos humanos na saúde, e Lei Chi Ion disse que “o que mais nos falta são enfermeiros”. Para este ano, deverão ser contratados mais 200 Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

tiago alcântara

segunda parte do debate na Assembleia Legislativa (AL) dedicado às respostas para as interpelações dos de-

sexta-feira 5.7.2013

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Director dos Serviços de Saúde assume falta de enfermeiros

“É um problema mundial” putados abriu ontem com a área da saúde, mas o director dos Serviços de Saúde (SSM), Lei Chi Ion, abandonaria a sala de rompante deixando muitos dos membros do hemiciclo sem resposta. Ficou a promessa de entrega de mais dados concretos, directamente aos deputados. Confrontado com diversas questões sobre os recursos humanos, Lei Chi Ion admitiu que “o que mais nos falta são enfermeiros” mas que se trata de um “problema a nível mundial” e que “não se verifica apenas em Macau”. De seguida, limitou-se a falar dos planos a curto

prazo para a contratação de profissionais. “Para além de apoiarmos o recrutamento nos dois hospitais, desde o ano passado que colaboramos com o Instituto de Acção Social (IAS) para a contratação de enfermeiros na China para os lares de idosos.” Para este ano, o director dos SSM deixou a promessa de recrutamento de mais 200 enfermeiros e cerca de 60 farmacêuticos e pessoal auxiliar, “com vista a ultrapassar as dificuldades”. “Há 200 licenciados em Medicina que estão a frequentar os cursos de formação dos SSM e estamos a planear abrir uma escola

de enfermagem no hospital das ilhas”, afirmou Lei Chi Ion, que explicou que o “número de médicos é estimado consoante o número de camas”. Segundo o director dos SSM, entre 2011 e 2012 foram recrutados e formados 400 médicos. Já entre 2010 e 2012, foram contratados 167 médicos em regime de internato, 240 enfermeiros e 41 auxiliares. No meio das explicações, Lei Chi Ion admitiria ainda que “há falta de espaço para formação”. “Muitos dos nossos formandos vão para a China, Portugal ou Hong Kong para ter formação. O nosso maior problema reside no local para

a realização do internato, mas agora realizam-se dois turnos”, disse.

Como funciona a credenciação?

Ouvidos os números sobre os actuais recursos humanos na saúde, os deputados mostraram-se também preocupados com a credenciação dos profissionais. Ho Ion Sang, autor da interpelação escrita em debate, considerou a resposta do director dos SSM “decepcionante”. “É insuficiente o plano para o desenvolvimento dos médicos. Só o Governo é que forma os profissionais e há falta de credibilidade. Parece que nunca mais temos

Coutinho irrita-se com José Chu O tom do debate subiu quando chegou a hora de José

Pública. José Chu garantiu estar a acompanhar o caso

Chu, director dos Serviços de Administração e Função

e falar com os departamentos em questão, mas a

Pública (SAFP), responder à interpelação do deputado

resposta não bastou a Coutinho. “Mais uma vez estou

José Pereira Coutinho sobre a falta de pagamento

desapontado consigo e com a sua resposta, parece

das horas extraordinárias aos motoristas da Função

que tem andado a levar-nos a passear.”

uma calendarização sobre a formação e continuam a ser os SSM a implementar as regras do jogo.” Já o deputado Pereira Coutinho defendeu que os SSM poderiam adoptar o mesmo regime de credenciação semelhante ao que já funciona para os advogados. Lei Chi Ion garantiu que “no futuro vai ser exigida a submissão de provas para a credenciação profissional e para cada área caberá aos próprios profissionais fazer a avaliação”, tendo deixado mais pormenores para a fase da implementação do conselho para os assuntos médicos. Contudo, as explicações não satisfizeram muitos dos presentes, nomeadamente a deputada Melinda Chan. “O conselho está aquém das expectativas. Quais as principais diferenças face ao que já acontece em termos de qualificação profissional?”


sexta-feira 5.7.2013

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Deputados preocupados com direitos dos consumidores

Quando uma lei não é urgente Lee Chong Cheng questionou o Executivo quanto aos casos de pagamentos antecipados por parte dos consumidores. Os seus colegas exigiram renovar legislação de há 20 anos. O Executivo não atribuiu urgência ao assunto Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

P

agar uma taxa adicional por um serviço em altura de festa ou ter de pagar determinado serviço de forma antecipada são situações frequentes no sector comercial de Macau, para as quais o deputado Lee Chong Cheng chamou ontem a atenção. Os seus colegas no hemiciclo chamaram a atenção do Governo para o facto dessas situações carecerem de regulamentação, exigindo a revisão das leis em vigor há 20 anos. Pediram também a criação de um novo diploma para a protecção dos direitos dos consumidores. Contudo, Sou Tim Peng, director dos Serviços de Economia (DSE), frisou que não é uma questão urgente na agenda política: “Ainda estamos a recolher opiniões e vamos dar seguimento a esta questão do pagamento antecipado. Actualmente não damos uma importância muito grande para legislar sobre esta questão”, admitiu. Da parte de Wong Hon Neng, presidente do Conselho dos Consumidores (CC) a resposta foi em tudo semelhante. “Temos 16 casos por ano relacionados com a questão do pagamento antecipado e a percentagem das reclamações, em com-

paração com outros casos, não chega a 1%. Não é uma questão urgente para resolver.” Sou Tim Peng disse mesmo que tanto a arbitragem como a via judicial são outras formas para resolver este tipo de conflitos. “O Governo da RAEM dá muita importância aos direitos dos consumidores, e para o pagamento antecipado temos um mecanismo para esta questão.” E justificou a existência de um diploma específico. “Não temos uma legislação vigente que controle estas situações porque é um método utilizado pelas empresas, e dentro deste método as empresas devem ter mais

negócios mas também dar mais benefícios aos consumidores.”

Lei obsoleta

Muitos deputados não baixaram a voz na hora de exigir uma nova legislação. “A lei já entrou em vigor há 20 anos e o senhor director admitiu que está desactualizada. Não vejo uma lei própria para a protecção dos direitos dos consumidores ao nível do pagamento antecipado. Da parte do CC, apesar de querer resolver algumas questões não tem competências para esta questão. Os direitos dos consumidores não estão a ser salvaguardados. É urgente a revisão da lei vigente e espero que os membros que estão aqui no hemiciclo possam levar a mensagem aos seus superiores.” Gabriel Tong, que além de deputado nomeado é também jurista, disse que a arbitragem não pode resolver tudo. “Espero que no futuro sejam apresentadas mais propostas de lei para acompanhar os avanços da sociedade”. Coutinho lembrou ainda o facto de muitos produtos em Macau, nomeadamente as rendas, serem pagos em dólares de Hong Kong e não em patacas, tendo dito que “há um problema” com a moeda local. Mas o director da DSE disse que “o uso da moeda ultrapassa as competências”, tendo prometido “enviar a mensagem aos serviços competentes”.

Planeamento urbanístico Deputados votam a proposta antes de 10 de Agosto

A urgência de ordenar

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

s trabalhos da comissão que estuda a proposta de lei de planeamento urbanístico estão praticamente finalizados. Segundo o presidente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), Chan Chak Mo, o diploma vai a votação na especialidade até ao próximo dia 10 de Agosto. Os deputados esperam chegar a acordo com o Governo, nas próximas semanas, sobre algumas dúvidas deixadas na nova versão do diploma até ao fim de Julho, deixando a porta aberta para a aprovação da lei nesta legislatura. “Esperamos que até ao final do mês vamos ter o parecer pronto. Quer dizer, antes do dia 10 [de Agosto] pode subir ao plenário”, garantiu o deputado.

Ontem, na segunda reunião da comissão esta semana, ficou finalmente claro que as regras vão mudar no que toca às indemnizações que os proprietários de terrenos privados podem requerer caso haja alterações nas condições de construção. Ao contrário do que sucede actualmente, os promotores do terreno deixam de ter necessidade de aprovação da licença de obra bastando-lhes somente ter em sua posse o plano de alinhamento oficial - documento no qual a Administração estabelece as regras que orientam os projectos em determinada zona - para obter uma compensação. “Após a entrada em vigor, se for alterada a planta de alinhamento oficial e caso haja prejuízos, então haverá indemnização mesmo antes da [aprovação da] licença de obra”, esclarece Chan Chak Mo, embora reconheça que o artigo

continua por clarificar, pelo que os deputados esperam esclarecimentos do Governo sobre a nova redacção do articulado. O Governo acabou assim por ceder à opinião dos deputados, que defendem apenas a apresentação desse comprovativo ou do anteprojecto da obra para a obtenção de indemnização, e do sector de construção, que entende que o plano de alinhamento oficial já contém informação sobre o eventual valor da construção. Mas, para já, até entrar em vigor - possivelmente em Fevereiro ou Março do próximo ano - as licenças de obra mantêm-se necessárias. Chan Chak Mo sugere no entanto que os promotores do terreno peçam a planta de alinhamento oficial (só válida por um ano) antes da entrada em vigor do diploma sob pena de perderem

o direito de compensação. Ou, de outro modo, terão de seguir a via judicial para tentarem uma indemnização fora do estipulado na nova lei. Outras matérias por resolver estão relacionadas com a nova comissão de avaliação das indemnizações, que deverá propor um valor de compensação, com os deputados a oporem-se à ideia de que seja apenas composta por membros das Obras Públicas e da Administração Pública. A 2ª Comissão Permanente, explica Chan Chak Mo, também quer ver clarificada a questão dos planos director e de pormenor, que ficarão relegados para regulamento administrativo, e concluídos entre dois a cinco anos, bem como os factores (na sua maioria, relacionados com catástrofes naturais) considerados para a suspensão dos planos urbanísticos.

política

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Mercado Falta de condições mexe com a saúde pública

Não há condições de trabalho para os proprietários das bancas do mercado Iao Hon. Mas, acima disso, está a ser posta em causa a qualidade dos produtos vendidos que sem a temperatura necessária para a sua conservação podem criar um problema de saúde pública. As queixas, que chegaram às mãos do deputado Pereira Coutinho, vêm dos próprios funcionários que se dizem negligenciados pelo Governo. “Não há instalação de ar condicionado, há uma falha no sistema de ventilação e ainda, devido ao tempo escaldante dos últimos dias, a elevada temperatura no interior do mercado fez com que se parece com um grande forno, nomeadamente, nas bancas de venda de carnes, sitas no segundo andar, onde as ventoinhas não se encontram ligadas [...] ambiente este que é um viveiro para a proliferação de bactérias e também não garante a higiene das carnes”, enumera o deputado, salientando que tal afecta “a saúde dos vendedores e dos cidadãos”. Os vendedores queixam-se ainda que o “centro de comidas, adjacente ao mercado, acaba por enfraquecer a função do sistema de ventilação geral”, devido ao vapor quente emitido durante a cozedura dos alimentos. Os comerciantes também acusam a pouca iluminação no mercado, o piso escorregadio e a falta de cobertura na zona de descarga das mercadorias do parque de estacionamento, já que “em tempo chuvoso, ficam danificadas, com frequência, pois molham-se com a chuva”. Em interpelação escrita, Pereira Coutinho põem-se ainda do lado dos trabalhadores, que têm visto prejudicados os seus negócios pela falta de condições laborais e pede que sejam revistas as suas condições de trabalho com remodelações das instalações e optimização do sistema de ventilação de modo a ser resolvida a falta de condições higiénicas no interior do mercado Iao Hon. - R.M.R.

Rua da Emenda Comerciantes queixam-se de estacionamento

Os resultados do novo plano de reordenamento da Rua da Emenda parecem não estar a ser os mais positivos para os mais comerciantes. Quem o diz é Melinda Chan, que ontem perguntou se o Governo pretende olhar para as perdas dos comerciantes e abrir mais zonas de estacionamento para motociclos. Um dos vice-presidentes do IACM confirmou que as conversações com os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) continuam a bom ritmo. “Continuamos a fazer uma coordenação para a instalação de parques de estacionamento para motociclos por forma a facilitar as compras. Vamos encontrar mais zonas de parqueamento para motociclos por forma a facilitar as compras. Já temos cinco zonas para facilitar a entrega de mercadorias.” A deputada entregou, em Fevereiro, os resultados de um inquérito realizado a 189 comerciantes, sendo que 80,9% consideram que o fluxo de pessoas e o volume de negócios diminuiu cerca de 41,9%. No plenário, Chan voltou a questionar o IACM quanto à sua posição sobre estes dados, mas a resposta foi inconclusiva. “O trabalho de recolha de opiniões é contínuo e faseado e o objectivo é saber o que os lojistas e moradores acham do novo reordenamento. O processo está em curso e não é possível divulgar os resultados, mas gostaria que houvesse um equilíbrio com o ambiente dos negócios”, garantiu o responsável do IACM. Já Coutinho lembrou os custos elevados na aquisição do estacionamento e exortou o Executivo a resolver a questão. “Se os problemas se mantiverem essas lojas vão ter de fechar.” - A.S.S.


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sociedade

Daqui a exactamente uma semana faz 14 anos que entrou em vigor o decreto lei que permite o tratamento compulsivo de pessoas que sofram de distúrbios mentais graves. Para Carlos Duarte, psiquiatra, o diploma permanece “adequado e actualizado” face às realidades de Macau, apesar de mostrar algumas limitações

sexta-feira 5.7.2013

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Aos 14 anos, decreto que permite tratamento compulsivo é “ainda adequado”

Os esquivos limites da loucura

ao tratamento, é possível obter, em algumas situações, resultados positivos”, comenta Carlos Duarte.

Números baixos

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

opinião de Carlos Duarte, médico psiquiatra do Centro Hospitalar do Conde de São Januário, é expressa num estudo publicado na mais recente versão da Revista Administração Pública: o decreto-lei 31/99/M, que permite o tratamento compulsivo de pessoas que sofram de distúrbios mentais graves, ainda está adequado, apesar de apresentar alguns aspectos negativos. Estávamos a 12 de Julho de 1999 quando a ainda administração portuguesa elaborou o decreto lei, baseado na lei de Portugal. O objectivo do regulamento é proteger as pessoas com distúrbios mentais, ao mesmo tempo que clarifica os regimes de internamento compulsivo e de internamento de urgência. Em Macau, actualmente, e segundo a nota justificativa do decreto lei, apenas o São Januário presta cuidados nesta área, apesar de haver clínicas de aconselhamento psiquiátrico. Mas o que permite este decreto que se faça aos doentes mentais graves? Segundo Carlos Duarte, “a regulamentação veio possibilitar o tratamento destas pessoas, desde que exista uma situação de perigo para si própria ou para a segurança pública”. Por outro lado, vem permitir que estes doentes sejam tratados para que não piorem. Mas, tal como a maioria das leis, também este regulamento apresenta algumas falhas.

Limites do decreto

O facto de existirem escassos recursos de saúde mental e judiciais na RAEM, aponta o médico, é o motivo principal para que o decreto-lei tenha lacunas, uma vez que é preciso encontrar um equilíbrio entre estes factores e os direitos do doente.

O que está, então, menos bem feito no regulamento feito há 14 anos? “[O facto de] a avaliação clínico-psiquiátrica do internado poder ser feita apenas por um psiquiatra, em situações não urgentes, em vez de ser feita obrigatoriamente por dois, como é recomendado”, aponta o médico. Outra limitação é que o regulamento não obriga a que seja feita uma sessão conjunta – onde esteja o doente, o requerente do internamento, o juiz, o defensor do internado e psiquiatras -, antes de se iniciar o tratamento compulsivo. O estudo feito por Carlos Duarte aponta ainda que para que seja iniciado o tratamento compulsivo são sempre necessárias duas decisões – uma clínica e outra judicial -, mas para terminá-lo basta uma delas. “Não existem restrições sobre quem pode ser o psiquiatra que faz esta avaliação. Após a assinatura do director clínico, a alta é comu-

nicado ao tribunal, que encerra o processo.” Mas há mais aspectos negativos. O diploma estabelece que a regulação dos processos judiciais dos tratamentos compulsivos é efectuada por um diploma próprio “imprescindível para se utilizar adequadamente este tratamento”. Este, contudo, ainda não terá sido publicado, de acordo com o estudo da revista da Administração. O decreto de Macau é ainda diferente de outros à volta do mundo no que toca às chamadas “directivas antecipadas”, ou seja instruções deixadas por escrito por alguém sobre a preferência em relação a

tratamentos em caso de perda no futuro da sua capacidade de decisão. “Se existirem estas directivas poderão ser aceites e ter alguma eficácia”, nota Carlos Duarte. O decreto 31/99/M tem, no entanto, aspectos positivos que passam, por exemplo, pelo facto de estar de acordo com a maioria das recomendações internacionalmente aceites. O regulamento tem ainda prevista a possibilidade do tratamento compulsivo ser feito no ambulatório. “Com este regime, apesar das limitações impostas à liberdade da pessoa a ele sujeita e das consequências para esta do estigma eventualmente associado

“Com este regime, apesar das limitações impostas à liberdade da pessoa a ele sujeita e das consequências para esta do estigma eventualmente associado ao tratamento, é possível obter, em algumas situações, resultados positivos” Carlos Duarte, psiquiatra

A nota justificativa que acompanha o decreto de 1999 afirma que as grandes linhas de orientação desta iniciativa legislativa são o “escrupuloso respeito pela dignidade e pelos direitos individuais do portador de distúrbio mental e o seu não afastamento do meio sociofamiliar em que está inserido”. Carlos Duarte acrescenta: “note-se que as consequências do tratamento compulsivo afectam não apenas os pacientes a ele sujeitos, mas toda a assistência de saúde mental”. Um estudo efectuado cinco anos após a entrada em vigor do decreto-lei, e citado pelo estudo do médico, mostra que o total dos internamentos compulsivos variou entre 0% e 2,4% anuais, ou seja 1,7 pessoas por cada cem mil pessoas. Números pequenos, mas que podem esconder a realidade. “Estas quotas afiguram-se diminutas quando comparadas com a dos países da UE”, revela Carlos Duarte. E porquê? “Estarão relacionadas com um conjunto complexo de factores culturais, sociais, clínicos e legais e não com factor individual. Estas quotas apontam para a existência de uma quantidade apreciável de pessoas que, apesar de apresentarem critérios para tratamento compulsivo, não beneficiam dele.” Um dos problemas para isto pode ser encontrado no facto de a sociedade chinesa de Macau ser bastante conservadora no que toca a expor familiares com problemas psicológicos, conforme já mencionado por profissionais de saúde em diversas ocasiões. Em Macau, no ano passado e segundo dados dos Serviços de Saúde (SS), havia cerca de dez mil pessoas com distúrbios mentais. Isto faz com que 1,8% do total actual de residentes da RAEM apresente anomalias psíquicas, dividas em casos psicóticos e neuróticos. Os primeiros, revelou em 2012 Ho Chi Veng, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário, ocupam cerca de 40% das consultas actuais no hospital. Os segundos, entre 30% a 40%. O Hoje Macau tentou perceber juntos dos SS quantas pessoas com distúrbios mentais necessitaram de tratamentos compulsivos durante os últimos 13 anos em que este decreto lei esteve em vigor, mas não foi possível obter qualquer esclarecimento até à hora do fecho desta edição.


sexta-feira 5.7.2013

sociedade

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Ensino Ano lectivo arranca em Setembro sem mais professores

Já não cabe mais ninguém

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) não se mostra interessada em aumentar o número de professores. Ao contrário do ano passado, em que assumia um arranque do ano com escassez de docentes, em Setembro não vai haver necessidade de aumentar os recursos humanos. Isto porque, os docentes já não necessitam de trabalhar em “serviços não pedagógicos”

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

D

epois da entrada em funcionamento do novo Quadro Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares, no passado ano lectivo, que reduziu substancialmente a carga horária dos professores, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) assumia, nas vésperas do arranque do ano escolar 2012/2013, a falta de cerca de sete centenas de professores. Por essa razão, anunciava também, a necessidade dos professores cumprirem horas extraordinárias nos estabelecimentos de ensino. No entanto, este problema de recursos humanos parece ter sido resolvido. A solução do Governo passou por

libertar os professores de “serviços não pedagógicos”, explica a DSEJ em resposta ao Hoje Macau. Desta forma, adianta, no próximo ano não espera aumentar a procura de novos professores. “Previa-se que o volume de trabalho iria aumentar [no ano transacto], envolvendo o esforço de cerca de 700 docentes [que compõem os quadros]. A par da publicação do Quadro Geral, esta Direcção de Serviços emitiu instruções para a dispensa da componente lectiva para as escolas, indicando que alguns serviços não pedagógicos deveriam ser prestados por outros funcionários da escola”, adiantou o organismo tutelado por Leong Lai. Desta forma, salientou, foram libertados cerca de 400 docentes, os quais juntamente com os 300

novos professores (contratados no ano passado) “conseguiram satisfazer o volume de trabalho previsto no ano passado”. A conclusão é clara. “Prevê-se que não haverá necessidade de aumentar, significativamente, a procura de docentes para o novo ano lectivo.” Recorde-se que, com a entrada em vigor da nova legislação, registou-se uma redução de horas lectivas, de um máximo de 26 tempos lectivos para 18 tempos lectivos. O objectivo com a nova política era conseguir diminuir o stress e tornar a carreira mais atractiva. A DSEJ diz ter conseguido não só “a redução do volume de trabalho do pessoal”, dando-lhes mais tempo para estarem atentos ao “desenvolvimento integral, tanto físico como psicológico, dos alunos”.

No próximo ano lectivo, no entanto, a DSEJ promete pôr em prática de forma mais eficiente o Quadro Geral, nomeadamente, no que toca à implementação da diferença entre os níveis inicial e final do salário base mensal do pessoal docente, de 1,3 vezes, e a optimização dos rácios entre turma e professor ou professor e alunos da educação regular, não dando, no entanto, a conhecer a proporção em causa. No entanto, espera poder baixar a relação de um docente para 11,9 alunos, ou a média de 29,5 crianças por turma, dados relativos ao último ano lectivo. Por outro lado, espera aumentar as condições dos alunos, com o “aumento de 23% a 26% dos subsídios de escolaridade gratuita” e a subida do “subsídio de propinas de 10 para 15%”.

Mais formação e financiamento para promoção do português A procura crescente do ensino de português já não é uma novidade. Mas a DSEJ diz estar a apostar na formação de mais professores locais da área. “Através de instituições do ensino superior, incluindo a Universidade Católica Portuguesa, as quais ministram cursos preparatórios de língua e cultura portuguesas, com a duração de um ano, direccionados aos alunos locais que queiram frequentar cursos de licenciatura e mestrado”, refere o organismo, em resposta ao Hoje Macau. “Além disso, por meio de bolsas de estudo e planos de apoio financeiro, dá “prioridade aos cursos de língua portuguesa como um dos cursos de financiamento, esperando assim, criar condições, encorajando mais alunos excelentes de Macau a frequentarem cursos de ensino superior que incluam a componente de formação pedagógica”. Segundo últimos dados da DSEJ, há 5000 alunos a aprender a língua portuguesa nas 10 escolas oficiais, como disciplina regular, e em 16 instituições particulares, como disciplina extracurricular, para as quais a DSEJ diz enviar professores de língua portuguesa.

Maioria quer crematório. Mas não há condições

Uma questão prática

O

presidente da Associação de Empregados de Agências Funerárias de Macau, Lei Coek Bing citou, ontem, um estudo feito pela associação que apontava que 90% da população de Macau prefere a cremação dos corpos, quando da morte de familiares. Os números, diz, comprovam a dificuldade de transferir restos para a China interior,

que actualmente tem de se fazer, devido à falta de um crematório local. Num seminário onde foi discutido, em conjunto com a Associação de Beneficência Sin Chong, a “aplicabilidade e urgência da construção de um crematório público”, o empresário de Macau Kwan Wai Lam, participante, defendeu que a ausência deste

crematório pode tornar-se “um desastre”, em casos de epidemia. “De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, os mortos de epidemia não podem ser transferidos para fora da região”, relembrou. Para além destas preocupações, o preço excessivamente alto dos crematórios privados e a morosidade de cremação

na China continental também foram mencionados durante o seminário. No fim, o presidente apelou ao Governo para resolver o problema com rapidez. Recorde-se que, recentemente, na conferência que Florinda Chan deu sobre o caso das campas após ter sido declarada não pronunciada como arguida no processo, a secretária foi

questionado sobre a falta de espaço nos cemitérios. Florinda Chan disse, na altura, que Macau não tem condições para ter um crematório. “O IACM já tem proposto a construção de mais ossários. Já na altura da Câmara foram feitos estudos sobre a incineração, mas Macau não tem condições, pelo que um ossário será um bom plano”, disse, na altura. - Z.X. e J.F.

Egipto RAEM recomenda evitar

O Egipto enfrenta mais um momento de crise política e social. Cerca de meia centena de pessoas já faleceu nos conflitos que opõem manifestantes pró-Mohamed Mursi, presidente do país, e o exército, que por meio de um golpe militar conseguiu a exoneração do governante, o primeiro eleito democraticamente depois da queda de Mubarak. Macau não está alheio a situação frágil do país e, por isso, recomenda aos cidadãos que não se desloquem até ao país. O Gabinete de Gestão de Crises de Turismo (GGCT) alerta os cidadãos que tencionem deslocarse às zonas mais afectadas para ajustarem o plano de viagem. Num comunicado do organismo, é pedido que os residentes evitem eventuais planos de viagem com destino ao país, se não forem estritamente necessários, e que quem já esteja no local não descure a sua segurança pessoal. Para já, salienta a Administração, segundo dados apurados junto das agências de viagens de Macau, não existe nenhuma excursão local naquele país, embora haja cerca de cinco turistas em viagem individual. O mesmo apelo das autoridades de Macau é repetido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, que alerta os cidadãos para terem atenção à sua segurança, especialmente em cidades como o Cairo, Alexandria e as zonas do Delta de Nilo.

Governo preocupado com a língua inglesa

A aprendizagem do inglês é vista como uma mais valia aos olhos da Administração. O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) vai levar 24 estudantes à terra de James Cook para aperfeiçoarem o seu nível de inglês. A “Viagem à Austrália para Formação da Língua Inglesa e Capacidade de Liderança” tem lugar no dia 6 de Julho e o programa decorre durante três semanas na Universidade de Queensland. “O GAES pretende, através dessas actividades, aumentar o nível da língua inglesa e das técnicas de liderança dos estudantes, bem como alargar os seus horizontes, a nível internacional”, explicou o organismo, por meio de comunicado de imprensa. Mais de seis centenas de candidaturas foram apresentadas, por alunos oriundos de Macau a frequentarem 17 instituições de ensino superior de Macau, China, Hong Kong e Taiwan.


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Requerentes de asilo enfrentam condições difíceis em Hong Kong

Tratamento desumano e ilegal

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ong Kong é descrito como um dos centros financeiros asiáticos mais abastados e atractivos, mas as centenas de requerentes de asilo são forçados a viver em condições de vida deploráveis, afirmam activistas citados pela AFP. Aqueles que fogem da perseguição e tortura nos seus países de origem são atraídos pelo sistema jurídico de Hong Kong e entrada no território livre de visto para muitas nações, mas muitos ficam enredados durante anos num sistema cheio de ambiguidades, tendo de trabalhar ilegalmente para fazer face às despesas, denunciam organizações de direitos humanos. Em Hong Kong, a localidade de Ping Che, junto à fronteira com o interior da China, apresenta uma vasta extensão de barracas, feitas de chapas de zinco e tijolo, as quais alojam mais de 100 pessoas em busca de protecção. Numa dessas barracas, uma pequena casa de banho comum é partilhada por cerca de 10 residentes com os esgotos a céu aberto. Algumas dessas divisões albergam mais de uma dúzia de pessoas, em contraste com os apartamentos de milhões de dólares frequentes na cidade, descreve a agência de notícias francesa. Um requerente de asilo do Bangladesh, que se identificou como Ali, foi levado para Hong Kong através da China há quatro anos.

“Nós somos refugiados, não somos mendigos, nem criminosos”, disse Ali à AFP, esclarecendo que deixou o seu país de origem devido a “pressões políticas”. Centenas de refugiados vivem em dezenas de complexos “em diferentes estados de desespero e

ilegalidade”, dispersos nas áreas rurais do distrito dos Novos Territórios, disse Cosmo Beatson, director da VisionFirst, uma organização que fornece apoio aos requentes de asilo. “Ao visitarmos estes complexos, encontramos muitas situações

desumanas e frequentemente ilegais, e isto não está certo em Hong Kong”, acrescentou. Os requerentes de asilo qualificados recebem um subsídio de renda de cerca de 1.200 patacas pagos directamente aos senhorios. Mas os alojamentos partilhados mais baratos custam cerca de 2.000 patacas, dizem os activistas, ao denunciarem que esta situação os “empurra” para as condições desumanas encontradas em Ping Che, para evitarem pagar os depósitos das rendas. Tal como muitos dos que estão na mesma situação, Ali trabalha ilegalmente para fazer face às despesas, o que acarreta riscos elevados. Dois requerentes de asilo enfrentam 15 meses de prisão depois de terem sido detidos por trabalharem ilegalmente numa sucata em Maio. Mesmo o trabalho voluntário é proibido. “Isto é ridículo, ninguém pode aceitar isto. Nós somos humanos, temos de sobreviver e satisfazer as necessidades básicas, por isso é que vamos trabalhar”, disse Ali. Muitos encontram trabalho a tempo parcial como estivadores ou em sucatas, recebendo cerca de 150 250 patacas dólares por um turno de 12 horas. De acordo com grupos activistas, mais de 5.000 pessoas que pediram protecção por perseguição e tortura no sudeste asiático e África aguardam uma decisão sobre os seus processos em Hong Kong.

Apple julgada em Xangai por violação de direitos de propriedade

O juiz decide

China pede ao Japão para que oiça apelo internacional

A porta-voz do Ministério dos Negócios estrangeiros chinês, Hua Chunying, disse esta quarta-feira esperar que o Japão escute o apelo da comunidade internacional e trate com cautela os problemas históricos. A declaração foi feita em resposta às declarações do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que numa reportagem se negou a esclarecer a posição oficial sobre a invasão dos países vizinhos durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a porta-voz chinesa, é inegável a história das invasões japonesas. Um líder político só pode criar um futuro para a sua nação uma vez que encare a actualidade e a história e respeite a verdade, disse a portavoz, afirmando ainda que China espera que o Japão respeite e reconheça a história com uma atitude responsável e escute o apelo da comunidade internacional.

U

m tribunal de Xangai iniciou esta terça-feira um processo em que o aplicativo Siri da Apple é acusado de infringir os direitos de propriedade intelectual (DPI) de outra empresa. De acordo com o Tribunal Intermediário Nº 1 de Xangai, a Shanghai Zhizhen Network Technology Co. está a processar a Apple Inc., assim como a Apple Trading (Shanghai) Co., Ltd., por suspeita de violação de direitos autorais. A empresa acusa cinco produtos da Apple que operam o Siri, incluindo o iPhone 4S, de infringirem os DPI do seu sistema de comunicação.

A Shanghai Zhizhen requer que a Apple suspenda a fabricação e a venda dos produtos relevantes. A Apple nega as acusações, dizendo que o Siri ultrapassa os direitos de propriedade intelectual da Shanghai Zhizhen, e pediu ao tribunal para rejeitar todos os requerimentos da Shanghai Zhizhen . O Siri foi primeiramente lançado como aplicativo disponível na Loja de Aplicativos da Apple nos Estados Unidos. A Apple introduziu o iPhone 4S em Outubro de 2011 com o Siri, que é integrado ao iOS e oferece comunicação interactiva através de múltiplos aplicativos.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, de 1951, da qual a China é signatária, não foi estendida a Hong Kong, que considera não ter obrigação legal de conceder asilo aos refugiados. Os casos são reportados para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que os envia para outros lugares, descreve a AFP. Já a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura (CAT) que impede o envio de pessoas ameaçadas de tortura para os países de origem - aplica-se a Hong Kong. Mas não há um sistema para encaminhar estes casos para outros países. Apenas sete requerentes de asilo foram reconhecidos pelo Departamento de Imigração sob a convenção desde 2009. Há, no entanto, algum optimismo depois de duas decisões recentes do Tribunal de Última Instância terem ampliado o critério “tortura”. Hong Kong indica agora que oferece assistência que esteja em conformidade com as convenções de direitos humanos e as leis locais e não deporta aqueles que enfrentam tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante nos seus territórios de origem. À luz das duas decisões, o Governo disse que está a planear unificar o mecanismo de verificação para aqueles que procuram protecção, o que aumentaria as hipóteses de terem os seus pedidos reconhecidos, de acordo com o advogado e defensor dos direitos humanos estabelecido em Hong Kong Mark Daly. “A taxa de sucesso tem sido muito baixa no sistema de alegações de tortura. Mas se o sistema estiver a trabalhar de forma justa e adequada, será melhor”, disse Daly.


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Exportação de enchidos lusos para a China talvez ainda este ano

À espera do bom chouriço

A

exportação de presuntos e enchidos de carne de porcos portugueses para a China poderá será autorizada ainda este ano, acentuando o “bom entendimento” já alcançado na área dos lacticínios, anunciou ontem o secretário de Estado do sector. “Estamos numa fase extraordinariamente avançada (das negociações). Tivemos hoje (ontem) a confirmação que muito em breve teremos boas notícias. Provavelmente será ainda este ano”, disse o secretário de Estado português da Alimentação e Inovação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, à agência Lusa em Pequim. A confirmação foi dada pelo director da Administração-geral da Qualidade e Inspecção da

Vieira e Brito revelou também estar empenhado em “abrir o mercado chinês às frutas portuguesas” China (AQSIQ), o vice-ministro Wei Chuanzhong, que assinou em Maio passado, em Lisboa, o acordo que permite a exportação de lacticínios portugueses para a China. Nuno Vieira e Brito encontrou-se com o homólogo chinês ontem de manhã, naquele que foi o terceiro encontro entre os dois governantes no espaço de apenas dois meses. “Há um bom entendimento com as autoridades chinesas, que

permitiu agilizar este tipo de procedimentos”, realçou o secretário de Estado português. Vieira e Brito contou que o homólogo chinês “gostou imenso do presunto e dos vinhos portugueses”. “A China já reconheceu a qualidade e segurança dos nossos produtos alimentares”, acrescentou. Vieira e Brito revelou também estar empenhado em “abrir o mercado chinês às frutas portuguesas”, nomeadamente uvas de mesas sem grainha, cerejas, kiwis, pêra rocha, maças e dióspiros, e “fomentar a cooperação tecnológica bilateral no domínio agro-alimentar”. O secretário de Estado deslocou-se à China acompanhado por responsáveis de sete empresas

portuguesas de lacticínios, na primeira promoção do género realizada naquele país. A produtividade agro-alimentar em Portugal aumentou 28,3% nos últimos doze anos e, no domínio das exportações, aquele sector foi o que mais cresceu em 2012, realçou Vieira e Brito num seminário empresarial promovido pelo AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), que decorreu num hotel de Pequim. Um seminário idêntico decorreu na quarta-feira em Xangai, a capital económica da China, organizado pela delegação local do AICEP. “Portugal é bem conhecido pela elevada qualidade e extrema segurança de um conjunto de produtos como o vinho, azeite, hortaliças,

frutas e lacticínios”, disse Vieira e Brito aos profissionais chineses. Segundo indicou, “as exportações do sector agro-alimentar português cresceram 7,6% em 2012 e o objectivo, este ano, é atingir “um crescimento próximo dos dois dígitos”. Vhumana, Lactaçores, Montiquiejo, Queijo Saloio, Bel Portugal, Indulac e Lactovil são as empresas portuguesas presentes no seminário. “Queremos transformar a China num dos principais clientes das nossas exportações alimentares”, disse ainda o embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres-Pereira. A exportação para a China de lacticínios e enchidos de carne de porco portugueses foi um dos temas abordados há um ano, em Pequim, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Na altura, Portas anunciou que Portugal já tinha entregue às autoridades chinesas os dossiers técnicos necessários e admitiu que o processo de certificação estivesse concluído em 2013.

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

2.

3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua de Francisco Xavier Pereira, n.ºs 112 a 112F e Avenida do Ouvidor Arriaga, n.ºs 57 a 61, em Macau, (Edifício Yue Xiu Garden); - Avenida do Ouvidor Arriaga, n.ºs 49 a 51C e Rua de Pedro Coutinho, n.ºs 31 a 31F, em Macau, (Edifício Golden Garden); - Avenida da Amizade, n.ºs 985 a 1057C e Rua de Xiamen, n.ºs 2 a 18J, em Macau, (Edifício Nam Fong). Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento da Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 20 de Junho de 2013. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.°183/AI/2013 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LU YONGXIANG (Portador do passporte da RPC n.°G30563xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 12/ DI-AI/2011 de 11.02.2011, levantado pela DST, por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B - 361-K, Edifício I On, 15.° andar G e utilizada para a prestação ilegal de alojamento, bem como por despacho da signatária de 18.06.2013, exarado no Relatório n.° 220/DI/2013, de 20.05.2013, foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e n.° 1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010. -----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° dos Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma. -----Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada. -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau. -----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Junho de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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Bárbara Ian, designer de moda

“Tecidos e cores de Macau são a minha prin info@hojemacau.com.mo

N

asceu em Macau, estudou no Liceu até a família decidir ir para Cascais, Portugal, tinha 12 anos. Poucos anos depois, Caraíbas, Barbados, recebem Bárbara Ian. De novo por opção familiar. Aos 16 anos, sem influência familiar, escolheu design de moda como objecto de estudo. Aos 17 aterrava em Inglaterra, local propício para moda, para artes. O primeiro ano em Kingston, a seguir em plena Londres, na Universidade de Artes. Curso obtido, ali fica por 9 anos conhecendo gente de nome ligada ao fashion designer. Fez parte do conjunto de criativos que compôs o Macau Fashion Link deste ano. Que balanço faz da sua participação? Sincera e claramente positivo. Tanto da minha parte como, penso que posso dizer, da parte de todos os intervenientes. No meu caso, posso dizer que as pessoas que desconheciam a marca, “Cocoberryeight”, tiveram oportunidade de ter contacto directo, pois através desta iniciativa houve maior exposição. Apreciei bastante chegar até a um público a que ainda não tinha chegado. Macau está a evoluir bastante neste sector.

Portugal, o que é óbvio, porque inicialmente fiz grande promoção direccionada, via Facebook. Claro que em Portugal tenho bastantes amigos e família que vão divulgando gentilmente a minha marca. O mesmo sucedendo em Inglaterra onde estive bastantes anos. Para os Estados Unidos também considero muito positivo,  até porque um dos websites com quem trabalho é dos Estados Unidos, o que faz com que venda bastante também para os Estados Unidos.

gonçalo lobo pinheiro

Helder Fernando

Locais de encomendas muito diferentes. Os gostos também? Sim, um bocadinho... Por exemplo, na Austrália e Inglaterra, noto que quem encomenda é um público mais jovem, daí mais lantejoulas, mais cores. Para os Estados Unidos são mais tecidos delicados, em seda, não com tanta cor. Na sua agenda de trabalho, o que vem em seguida? Vamos ter o Macau Fashion Link com mostra de novos trabalhos. Não posso adiantar mais pormenores, mas penso que antes do final do ano e que terei imenso gosto em participar. Apresentará peças completamente diferentes... Sim, esta foi a colecção de Verão, ainda tenho uma colecção, um pouco mais pequena, de meia-estação, depois então apresentaremos no próximo Macau Fashion Link, as colecções de Inverno. 

Pelo sucesso colectivo, a organização decidiu prolongar por mais uma semana a venda, aqui nesta loja do Albergue? Precisamente, continuamos a disponibilizar os nossos trabalhos até este fim de semana, encerrando domingo às 10 da noite. Tem corrido bastante bem este Macau Fashion Link, daí nos terem sugerido este prolongamento por mais esta semana.

Possui espaço próprio onde cria os seus trabalhos? Sim, nem podia ser de outro modo. Ali faço concebo e faço tudo sozinha. Várias pessoas sabem porque visitam o meu espaço destinado exclusivamente às minhas criações na moda. Fica nos edifícios Nova City, torre 15, 4º B. É lá que a marca Cocoberryeigth nasce para o mundo.

Apesar de mostrar bastante algumas das suas criações em espaços virtuais como o FB, por exemplo. É verdade, mas há pessoas que não usam o Facebook. Através da Macau Fashion Link, com a particularidade Pop Up Shop, alcancei muito mais pessoas. Reflecte-se no alcançar mercados? A ideia é essa! Dar consequência ao que cada um de nós apresentou e disponibilizou durante as semanas do evento, mas para o futuro. A Bárbara tem potencializado o seu relacionamento mais com o mercado exterior... Assim é. No início, quando regressei a Macau, claro que tentei trabalhar com o mercado local, mas apostei muito mais no mercado internacional através da internet, utilizando vários

DO DESENHO À COSTURA

sites com que trabalho. É com este processo que faço a maior parte das vendas, embora tenha alguns clientes em Macau pedindo peças personalizadas e feitas à medida. Encomendas personalizadas não podem ferir os seus conceitos como designer? Acho que não. Naturalmente, temos

de nos adaptar, tentando não fugir muito ao nosso estilo ou mesmo conceito pessoal. O que é mais frequente, esse tipo de encomendas por medida, personalizadas, ou as encomendas que lhe chegam porque viram os trabalhos, o seu estilo e gostaram não querendo alterar?

Localmente, o mais frequente são as coisas específicas para casamentos e outras ocasiões especiais. Internacionalmente, as encomendas são solicitadas exactamente como os interessados as viram nas exposições que tenho através da internet como já referi. Quais os principais destinos lá fora? Muito para a Austrália, muito para

Nove anos em Londres contribuíram para a definitiva opção profissional? Claro que a decisão tinha sido tomada tempos antes, mas a experiencia londrina acrescentou substância aos meus projectos. Distante dos pais, vivendo uma vida completamente diferente, um pouco boémia até, por estar em Nothing Hill. O certo é que fui abrindo, ou abriram-se-me, várias portas, trabalhei tanto com designers menos conhecidos, como em ateliês maiores, por exemplo o


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ncipal inspiração” da famosa Stella McCartney. Em Portugal trabalhei com a Fátima Lopes, tudo em estágios, pois foram muitos anos a estagiar de graça. Até que decidiu pelo regresso a Macau... Vim para passar férias e acabei por ficar. As tecnologias aplicadas ao design de moda são fundamentais como autora? Bom, de momento eu sou bastante artesanal, faço tudo à mão, faço os moldes, desenho, corto, tudo. Sei que dá mais trabalho, gasta mais tempo, toma mais de nós, mas é mesmo o que eu gosto de fazer. Quando corto, muitas vezes vou alterando o design. Gosto desse processo, mas é realmente mais trabalhoso. É natural que venha a travar esse processo, arranjando colaboradores. Acaba por render mais, tendo em conta o trabalho e o tempo, factores que podem ser pub

determinantes na resposta à subida do volume de encomendas. Um designer de moda pode acrescentar felicidade às pessoas que adquirem os produtos de autor? Acho que sim. Por outro lado, as pessoas escolhem a roupa de acordo com a disposição, o humor em que estão. E a tão falada obediência à ditadura da moda? Na verdade existe muito isso. Por outro lado, os designers independentes, como é o meu caso, não costumam trabalhar com a obediência às modas, seguem vários outros caminhos, fazem as suas próprias modas, digamos assim. Penso que muitas pessoas gostam cada vez mais de adquirir vestuário junto de autores independentes. E a Bárbara, não como autora mas como pessoa, preocupa-se até que ponto com as modas? Não tenho esse tipo de prioridades,

e gosto de pensar que as minhas peças podem ser usadas mais do que apenas durante uma estação. Onde se inspira para a concepção dos trabalhos? Nos tecidos, logo à partida. Tecidos e cores, as cores de Macau também, isso me transmite ideias de modo a passar

para o processo de design. Quando desenho uma peça, desenho também para mim. Como pessoa actualizada, acho que todas as buscas nos actualizam. No dia a dia veste o que desenha? Oitenta a noventa por cento das roupas que uso são desenhadas por mim, sim.

O que é mais importante, o conhecimento técnico ou a inspiração? Depende, no meu caso são as duas. Porque sou eu que corto e porque fui treinada na escola em Londres, para entrar na indústria, aprendendo a desenhar, a cortar, a costurar, para melhor saber exprimir a tal criatividade.


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vida

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Transporte Novo autocarro eléctrico começa hoje a funcionar na Taipa

Pronto para experimentar

A

partir de hoje já pode estrear o primeiro autocarro eléctrico a circular em Macau. A sair da Taipa e a circular apenas até ao Cotai, uma vez que é a título experimental, os serviços vão ser gratuitos desde as 6h30

às 17 horas até ao dia 26 de Setembro. O novo autocarro (E01), assegura o Executivo, faz menos barulho e as emissões poluentes são reduzidas entre 60% a 86%. Os custos de circulação poderiam ainda descer para cerca de uma pataca

por quilómetro, quando um autocarro normal ultrapassa as 500 patacas por cem quilómetros. A ideia do Governo é concretizar gradualmente o conceito de zero emissões pelos meios de transporte públicos. Uma das desvantagens do

Taxistas querem aumentar tarifas por causa do ambiente

O presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi de Macau, Kuok leong Son, disse ontem ao Jornal Ou Mun que o aumento das tarifas no ano passado já não consegue cobrir as despesas operacionais. Na cerimónia do 27º aniversário da associação, o responsável afirmou que as despesas aumentaram devido ao Governo ter começado a exigir o uso de veículos amigos do ambiente. Kuok Ieong Son não explicou mais, mas basicamente revelou que a Associação está a considerar sugerir outro aumento ao Governo no segundo semestre deste ano. Contudo, assegura, “as opiniões dos passageiros, dos cidadãos e das autoridades serão tomadas em consideração”. Recorde-se que as tarifas de táxi já aumentaram de 13 para as 15 patacas, no ano passado. A associação não disse para quanto queria aumentar as tarifas.

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Percurso • Edifício do Lago • Estádio de Macau • Piscina Olímpica de Macau • Baía da Nossa Senhora da Esperança • Istmo Taipa-Coloane/City of Dreams

autocarro, cita a Rádio Macau, é a de que, de acordo com o Governo, são necessárias cinco horas de carregamento para que o veículo possa percorrer entre 150 a 200 quilómetros. Os ensaios da segunda fase do autocarro eléctrico terão lugar nos bairros antigos.

• Istmo Taipa-Coloane/Sands COTAI Central • Rotunda Flor de Lótus • Istmo Taipa-Coloane/Venetian • Estrada da Baía da Nossa Senhora da Esperança • Rotunda da Piscina Olímpica • Edifício “Wa Pou Fa Un

Kanebo vai retirar todas as unidades

Branco sujo

O

fabricante japonês de cosméticos Kanebo anunciou hoje que vai retirar do mercado todas as unidades de 54 produtos de branqueamento da pele vendidas em vários países asiáticos, perante receios de que possam provocar manchas ou coloração irregular. Todos os produtos sob suspeita contêm rhododenol, uma substância desenvolvida

pela própria companhia e que reduz a produção de melanina. A retirada voluntária dos cosméticos acontece depois de alguns clientes terem detectado que formavam manchas brancas na pele, refere a Kanebo em comunicado. A empresa vai tentar recuperar os 450.000 cosméticos já vendidos, assim como todas as embalagens que estão no

mercado, principalmente no Japão, mas também noutros países do sudeste asiático. A Kanebo terá recebido 39 queixas de clientes, uma decisão que pode levar a prejuízos de 3,8 milhões de euros. Desde que o fabricante colocou no mercado em 2008 produtos branqueadores já vendeu mais de 4 milhões de unidades.


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cultura

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Será a misteriosa escultura de Úbeda uma obra de Miguel Ângelo?

Um pastor chamado João

Escultura do século XV guardada em Espanha e recentemente restaurada em Florença continua a gerar polémica entre especialistas na obra do artista do Renascimento.

H

i stor i adores , críticos e outros especialistas juntaram-se na semana passada em Espanha para tentar determinar a origem de uma escultura restaurada em Florença no Opificio delle Pietre Dure. Em causa está a possibilidade de a peça ser do mestre da renascença Miguel Ângelo, atribuição que é discutida há pelo menos oito décadas. Antes de ser levada à instituição de restauro italiana, uma das mais prestigiadas do mundo, em 1994, a escultura permaneceu durante quase 400 anos na Capela do Salvador, no município de Úbeda, na Andaluzia. Os historiadores e biógrafos do artista defendem que, entre 1494 e 1496, Miguel Ângelo esculpiu um São João Baptista em mármore, por encomenda do aristocrata e mecenas Lourenço de Médicis. A diferença, explica o diário norte-americano The New York Times,

está no facto de uns acreditarem que a obra em causa é a que acaba e ser restaurada no Opificio delle Pietre Dure, e outros não. No arquivo digital do Palazzo Medici Ricardi, antiga residência dos Médicis em Florença e hoje um museu, o São João Baptista do mestre, conhecido como San Giovannino, vem referido, mas não aparece localizado: “Não há descrições precisas ou ilustrações iconográficas do jovem São João Baptista esculpido por Miguel Ângelo, que infelizmente se perdeu (ou até agora não foi identificado)”, lê-se nos documentos disponíveis na Internet. Toda a discussão à volta desta escultura começou em 1930, quando o historiador espanhol Manuel Gómez Moreno colocou a hipótese de esta misteriosa peça da capela de Úbeda ser o S. João do autor de David  e dos frescos da Capela Sistina. Muitos concordam com esta

teoria de Moreno, incluindo Ignacio de Medina y Fernández de Córdoba, empresário, historiador e duque de Segorbe, que falou ao New York Times, garantindo que a cidade de Úbeda tem uma obra do artista italiano: “Temos um Miguel Ângelo [...]. Isto é um sonho realizado e o fim de uma história muito, muito longa.” O professor de História de Arte da Universidade de Nápoles Francesco Caglioti também argumenta que há semelhanças entre o São João Baptista da Andaluzia e outros trabalhos do artista, como um Baco de Florença e uma pintura inacabada da National Gallery de Londres, conhecida como Madonna de Manchester, ambos de finais da década de 1490. A curadora do departamento de desenho e gravura do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, Carmen Bambach, já admitiu ao diário americano que Caglioti lhe parece muito convincente.

Lady Gaga e Anita Mui na Torre de Macau

Mulheres de cera

T

rês figuras de cera do Museu Madame Tussaud, nomeadamente Lady Gaga, , Mr. Charming Louis Koo e a lendária diva asiática Anita Mui deixaram Hong Kong, viajaram até à RAEM e podem agora ser vistas na Torre de Macau. Para assinalar os dez anos do desaparecimento de Anita Mui vai também estar em exibição uma colecção de objectos pessoais da diva, nunca antes mostrados publicamente, cedidos pelo “Clube de Fãs de Anita Mui”. A sessão de abertura da mostra teve ontem lugar no nível 58 observation lounge da Torre de Macau e contou com a presença de Kelly Mak, Directora Geral do Madame Tussauds Hong Kong, Selina So, Presidente do Clube de Fãs de Anita Mui e Mr. Rutger Verschuren, da Shun Tak Holdings (Macau) entre outros. O Museu Madame Tussauds de Hong Kong é mundialmente reconhecido pelo realismo das figuras dos artistas e estrelas que ali estão em exibição. Esta é a primeira colaboração entre o Museu de Hong Kong e a Shun Tak, estando previstas para o futuro outras iniciativas para trazer até ao território mais figuras de cera. Para já, esta mostra vai ficar na Torre de Macau até ao fim de Agosto. - J.C.M.

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Mas há quem não concorde com a hipótese levantada por Moreno. O historiador alemão Frank Zöllner ainda só viu a escultura restaurada do jovem santo através de fotografias, mas isso não o impediu de concluir que o estilo de Miguel Ângelo não está presente. Para este professor da Universidade de Leipzig, a figura tem os olhos e a boca demasiado planos quando comparada com outras esculturas do artista. Já em 1958, Roberto Longhi, um importante historiador de arte italiano, autor de completos estudos sobre Piero della Francesca, Domenico Veneziano e Caravaggio, não vira qualquer ligação da escultura de Úbeda ao mestre do Renascimento. Longhi dizia simplesmente que a peça era de “baixa qualidade” e, por isso, não podia ter saído das mãos de Miguel Ângelo. A escultura, que em breve deverá regressar à capela de Úbeda, num espaço especial em que terá disponível toda a informação relativa aos trabalhos de conservação e restauro, chegou ao Opificio delle Pietre Dure em 14 fragmentos. Explica o site de notícias Huffington Post que foram precisos quase 20 anos para minorar os danos causados pela Guerra Civil de Espanha e para que este São João Baptista voltasse a estar de pé. Agora que está completa, a escultura poderá atrair ainda mais especialistas. O debate promete continuar. - Público

Mariza actua no Venetian a 20 de Julho

Chamam-lhe a nova rainha do Fado e vai estar em Macau já no próximo dia 20 de Julho. Mariza escolheu o território para cantar o tradicional Fado português – recentemente listado pela UNESCO como património cultural intangível da humanidade. Mariza actua no Venetian Theatre, naquela que será mais uma paragem da sua tournée mundial. Os bilhetes já estão à venda com preços que variam entre as 250 e as 350 patacas. A fadista portuguesa – nascida em Moçambique – foi nomeado para três grammy, tendo vendido mais de um milhão de álbuns em todo o mundo.


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desporto

sexta-feira 5.7.2012

Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

Benfica melhor que o Porto

Nolito seguiu a fase final da última temporada, nomeadamente os jogos decisivos, como o do Dragão, contra o FC Porto, na penúltima jornada do campeonato, e entende que o Benfica não falhou. “Podem dizer o que quiserem, mas não me parece que o Benfica tenha falhado. Fizeram o que tinham a fazer, mas, por sorte, o FC Porto marcou aquele golaço [de Kelvin] mesmo no fim. Foi uma jogada que estragou tudo. Mas, do meu ponto de vista, o Benfica foi muito melhor do que o FC Porto ao longo de toda a época. Talvez tenha havido um pouco de falta de confiança nesse jogo, mas não foi isso que derrotou o Benfica”, comentou o extremo, desresponsabilizando os companheiros.

Rodrigo Mora volta hoje à Luz

Terminado o seu empréstimo ao River Plate e ainda sem solução viável para o seu futuro, Rodrigo Mora deverá apresentar-se na próxima sexta-feira no Caixa Futebol Campus para integrar também os trabalhos de pré-temporada. A imprensa argentina dá conta disso mesmo, dando ênfase também à despedida do jogador dos adeptos “milionários”. “Vivi coisas incríveis! Nunca me irei esquecer! Obrigado a todos pelo apoio”, sublinhou o avançado, através da sua contra no “Twitter”. De resto, os jornais do país das pampas têm dado conta nos últimos dias de que o dianteiro já foi inclusivamente oferecido ao Racing de Avellaneda, clube onde milita o médio Bruno Zuculini, que interessa às águias.

Giggs é jogador e... treinador

O Manchester United anunciou esta quinta-feira que Ryan Giggs vai passar a cumular as funções de jogador e treinador já esta temporada. O médio galês vai assim reforçar a equipa técnica de David Moyes, técnico escocês que chegou este ano a Old Trafford para substituir o lendário Alex Ferguson. Giggs, de 39 anos, renovou até Junho de 2014 com o United no final da última temporada, o que faz com que continue a jogar para lá dos 40. No entanto, o veterano jogador nunca escondeu a vontade de um dia se tornar treinador, algo que vai ser possível a partir de agora.

R

odolfo Ávila e o Team Jebsen retomam este fim-de-semana a sua campanha na Taça Porsche Carrera Ásia. Actualmente no terceiro lugar do campeonato, o piloto português de Macau terá pela frente um dos mais exigentes circuitos do calendário, o imprevisível Circuito de Ordos, na Mongólia Interior, República Popular da China. Inaugurado em 2010 e localizado nas planícies desertas do norte da China, o circuito de Ordos ganhou a reputação de ser imperdoável para ambos, pilotos e máquinas, com as suas curvas e contra curvas e dramáticas elevações, combinadas com uma aderência do asfalto em constante mudança. Esta será a terceira visita do campeonato a Ordos. Em 2011, Ávila e o Team Jebsen celebraram a sua primeira vitória juntos, embora uma série de factores não permitiu repetir o resultado em 2012, no que terá sido o mais complicado fim-de-semana da pretérita temporada. Desta vez, depois de dois pódios na prova de Zhuhai em Maio, o piloto apoiado pela Asia Creative Group e pelo Grupo Jebsen espera continuar esta senda de bons resultados. Com três pódios já conquistados, nas primeiras cinco corridas da temporada, o Team

Ávila preparado para novo desafio

Quem Ordos aqui sou eu Jebsen está a apenas 14 pontos do primeiro classificado no campeonato. Apesar do circuito de Ordos não reunir muitos admiradores, Ávila gosta do traçado e sabe como ali conduzir nos limites o Porsche 911 GT3 Cup com o nº20. “A pista de Ordos é difícil mas é um circuito que realmente gosto e sou rápido. O facto da aderência da superfície estar em constante

mudança, faz com que qualquer volta seja uma volta diferente, o que obriga a não perder a concentração. A extrema adrenalina que provoca faz-me lutar ainda mais. Quanto ao carro, a experiência e o conhecimento que tem o Team Jebsen fazem-me acreditar que vamos ter as afinações certas desde a primeira hora. Estamos a ficar mais fortes corrida após

corrida, e queremos aproveitar o momento este fim-de-semana. Não será fácil, mas nós estamos confiantes e preparados para a luta”, explica Ávila. Os treinos-livres disputam-se na sexta-feira, enquanto a qualificação e a primeira corrida de 14 voltas decorrem no sábado. Para domingo está agendada a segunda corrida, a sétima da temporada 2013.

Rihanna sobre Ronaldo

U

«Tenho muitos amigos gays»

ma resposta no mínimo desconcertante, que tem feito correr muita tinta. Vamos por partes: Cristiano Ronaldo é um fã assumido de Rihanna, cantora norte-americana que em maio esteve em Portugal, para dar um concerto no Meo Arena. Na altura, o craque português e a estrela da pop tiveram mesmo oportunidade de se encontrar nos bastidores, tendo tirado uma fotografia que correu

as redes sociais. Ora, um encontro que fez imediatamente nascer mil e um rumores sobre um eventual encontro mais romântico entre os dois. Recentemente, e questionada sobre o que achou do internacional português e se tinha acontecido algo mais entre os dois, Rihanna respondeu simplesmente assim: «Cristiano Ronaldo? Tenho muitos amigos gays e apoio a diversidade sexual».


sexta-feira 5.7.2013

[ ] Cinema Man of steel [b]

(Falado em cantonês) Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 16.15, 19.45

Um filme de: Zack Snyder Com: Henry Cavill, Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner 14.15, 16.45, 19.15

man of steel [3d] [b]

World war z [c]

Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 21.45

Um filme de: Zack Snyder Com: Henry Cavill, Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner 21:30

Sala 2

Sala 3

(Falado em cantonês) Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 14.30, 18.00

(Falado em cantonês) Um filme de: Lee Hwan-gyeong Com: Shin Chinawut, Namcha Sheranat, Sean Jindachote 14.15, 19.45

DESPICABLE ME [3d] [c]

epic [A]

epic [3d] [A]

(Falado em cantonês) Um filme de: Lee Hwan-gyeong Com: Shin Chinawut, Namcha Sheranat, Sean Jindachote 16.15, 19.45

World war z [c] Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 16.00

now you see me [b]

Um filme de: Louis Leterrier Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Mélanie Laurent 21.30

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1- Conjunto de preceitos ou regras de bem para bem dizer ou fazer qualquer coisa; defender de perigo. 2 – Tecido transparente com que as senhoras cobrem o rosto; conferência entre chefes de Estado ou líderes de organizações. 3 – Nome da letra I (pl.); pedra circular e rotativa de moinho ou de lagar; fluido gasoso, transparente e invisível que constitui a atmosfera; metade da pedra do lago do dominó ou lado do dado, que tem marcado um só ponto ou pinta. 4 – Desigantivo de afirmação; grande massa e extensão de água salgada. 5 – Matilha de cães a correr; sensação produzida no ouvido pelas vibrações dos corpos sonoros. 6 – Sorri; fértil; avenida (abrev.). 7 – Chefe etíope; pequeno canal ou telha por onde corre a água ou outro líquido. 8 – Mesquinho; possuir. 9 – Antes do meio-dia (abrev.); medida itinerária chinesa; designa dor, admiração, repugnância (interj.); mover-se de um sítio para outro. 10 – Acanhamento; unidade das medidas agrárias. 11 – Aplanem; zumbir. VERTICAIS: 1 – Dar aviso; peça de vestuário larga e cómoda, abotoada à frente ou atrás, que se veste por cima da roupa, geralmente em casa, constituindo também uniforme de algumas profissões ou de algumas escolas. 2 – Ter a sua residência; um milhar. 3 – A tua pessoa; filho de burro e égua ou de cavalo e burra; outra coisa; terceira nota da escala musical. 4 – Contr. da prep. a com o art. def. o (pl.); o m.q. lírio. 5 – Prep. que indica várias relações, como companhia, instrumento, ligação, modo, oposição, etc.; braço ou vara de videira. 6 – Sétima nota da escala musical; justificação do réu, que consiste em provar ter estado fora do lugar em que foi cometido o crime de que é acusado; prep. que indica lugar, tempo, modo, causa, fim e outras relações. 7 – Desejar; fulgor. 8 – Interpretar por meio de leitura; debaixo de. 9 – Observei; poeira; italiano (abrev.); contr. da prep. a com o pron. dem. o. 10 – Lavra a terra com arado; o m.q. macieira. 11 – Liso; limpar com vassoura.

Aqui há gato [Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360° (Diferido) 14:40 RTPi DIRECTO 18:40 Cougar Town - Sr.2 19:00 TDM Talk Show (Repetição) 19:30 Vingança 20:30 Telejornal 21:20 Ler + Ler Melhor 21:30 Cenas do Casamento 22:10 Escrito nas Estrelas 23:00 TDM News 23:30 Portugueses Pelo Mundo 00:20 Telejornal (Repetição) 01:00 RTPi DIRECTO

23:00 (LIVE) Formula Friday 23:30 FIA F1 World Championship 2013 - P ractice Session 1 German Grand Prix

informação tdM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Percursos 15:35 Correspondentes 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 CENÁRIO NATURAL 17:35 Feitos ao Bife 19:05 Depois do Adeus 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:05 ingrediente Secreto 22:30 Verão Total 30 - FOX Sports 13:00 MLB Regular Season New York Yankees vs. Minnesota Twins 15:55 (LIVE) FIA F1 World Championship 2013 Practice Session 1 German Grand Prix 17:30 Inside Grand Prix 2013 18:00 2 Wheels 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) FIA F1 World Championship 2013 Practice Session 2 German Grand Prix 21:30 Football Asia 2013/14 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Total Rugby

40 - FOX Movies 13:00 X-Men: First Class 15:15 Once Upon A Time 16:05 Cat 8 - Part 1 Of 2 17:40 What To Expect When You;Re Expecting 19:30 Spy Kids: All The Time In The World 21:00 Safe 22:40 21 Jump Street 00:30 What Lies Beneath 41 - HBO 12:30 Safe House 14:25 Arthur 16:15 Miss Congeniality 18:00 Puss In Boots 19:30 Harry Potter And The Prisoner Of Azkaban 22:00 Killer Elite 00:00 Remember The Titans 42 - Cinemax 13:00 Darklight 14:30 Green Lantern 16:00 Ulzana’S Raid 17:45 Louis L’Amour’S The Diamond Of Jeru 19:15 Seeking Justice 21:00 Epad On Max 221 21:15 Xiii 23:00 One Night Stand 23:30 Flight Of The Conchords 00:30 Hall Pass

HORIZONTAIS: 1-ARTE. SALVAR. 2-VEU. CIMEIRA. 3-I. MO. AR. AS. 4-SIM. MAR. 5-ADUA. SOM. 6-RI. OPIMO. AV. 7-RAS. BICA. 8-VIL. TER. 9-AM. LI. UI. IR. 10-TIMIDEZ. ARE. 11-ALISEM. ZOAR. VERTICAIS: 1-AVISAR. BATA. 2-RESIDIR. MIL 3-TU. MU. AL. MI. 4-AOS. LIS. 5-COM. VIDE. 6-SI. ALIBI. EM. 7-AMAR. LUZ. 8-LER. SOB. 9-VI. PO. AO. 10-ARA. MACEIRA. 11-RASO. VARRER.

Triplo • Ken Follett Autor com mais de 130 milhões de livros vendidos em todo o mundo, Ken Follett tornou-se célebre pelos seus thrillers e romances históricos. “Triplo” é um enredo com contornos de grande suspense, bestseller do New York Times, sobre um espantoso golpe de espionagem – e um dos mais bem-guardados segredos – do século XX.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Que tal uma “Plage Paris” em Macau?

31 - STAR Sports 11:30 The Championships, Wimbledon 2013 Ladies’ Singles Semifinals 16:30 Hot Water 2013/14 17:30 Inside Sailing 2013 18:00 49er Worlds 18:30 The Championships, Wimbledon 2013 Daily Highlights Day #10 19:30 (LIVE) The Championships, Wimbledon 2013 Gentlemen’s Singles Semifinals

À venda na Livraria Portuguesa

REGRAS |

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Sala 1

futilidades

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Nostradamus - As 100 Melhores Profecias • Mario Reading “… as quadras de Nostradamus, suportadas pela precisão das suas datas de índice, transformavam-se lentamente perante os meus olhos numa onda de conhecimento que abrangia um período que vai desde o mundo clássico, passando pelo nascimento de Cristo, até ao fim do mundo e do armagedão” Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Ouvi aqui há tempos uma ideia de um dos deputados da Assembleia Legislativa que não pôde deixar de me intrigar. Nestes dias de sol e calor quem trabalha e vive na península de Macau fica a pensar muitas vezes onde poderá almoçar numa esplanada, com vista desafogada, ao mesmo tempo que aproveita uma aragem marítima. Claro que já estão a pensar que a descrição está longe de assentar a um sítio como Macau, mergulhado em prédios, que mal deixam passar os raios de sol. Até que se pensa na zona dos lagos Nam Vam e Sai Van e, ora bem, todo um novo mundo de possibilidades se abre. O deputado em causa acha por bem transformar a zona numa praia fluvial, ao estilo “Plage Paris”, tendo já inclusivamente apresentado a mesma proposta ao Governo. Bom não é que fossemos a banhos, segundo o projecto da capital francesa, mas de facto seria uma ideia caricata ter umas espreguiçadeiras para apanhar uns belos banhos de sol (embora sem poder molhar os pés) acompanhados de uma ligeira brisa, sob uma areia branca, trasladada, e uns refrescos (ou geladinhos) sempre a passar. Consta que, ao estilo parisiense, haveria lugar a uns repuxos para refrescar o pessoal. Não tenho dúvidas que a ideia seria bem acolhida pelas comunidades portuguesa, filipina, indonésia, as minorias em Macau, que passam bem é em convívios fora de portas. Mas pergunto-me, será que as gentes de Macau se interessariam por semelhante ideia? Segundo um pequeno inquérito, entre colegas, percebo que a resposta poderia até ser surpreendente. Talvez até aceitassem melhor do que o mercado (gastronómico) nocturno do lago Sai Van. Só nos resta então esperar que os governantes acolham bem a ideia, que se calhar não vai encher os bolsos de ninguém, sobretudo de alguém próximo, e a apresentem ao público. Confesso que a gostava de ver sair do papel. E veremos então se o próximo Verão será diferente na península de Macau.

Pu Yi


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opinião

sexta-feira 5.7.2013

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Carlos Morais José

editorial

A escritora e o queijo

a

destas instituições se lembrou de o fazer. E é pena. Torna-se fútil atribuir más intenções seja a quem for. Neste caso, trata-se com certeza de um fatal esquecimento. Mas não deveria o IC proteger e promover os escritores locais, sobretudo quando tanto representam para a cidade? Não será obrigação da APIM instruir os jovens na cultura e nas figuras que marcaram a história de Macau? E não será um dever da ADM reforçar a identidade macaense, celebrando uma das suas mais distintas mulheres? Parece-me que os lídimos representantes das referidas instituições não responderiam que não... Foi, de certo, um mero esquecimento. Mas que pode ainda ser reparado. Por que não organizar uma exposição no Teatro D. Pedro V? Por que não promover um encontro onde se discuta a obra da única mulher macaense e escritora, publicada em Portugal e com artigos sobre a sua obra assinados pela pena dos mais importantes

dieta à base de queijo parece ser muito comum em Macau. Mergulhados que estamos neste lufa-lufa quotidiano, esquecemos amiúde factos e datas importantes, não para cada um de nós mas para a co mu n id ad e em geral. É o caso vertente do centenário da escritora macaense Deolinda da Conceição. Hoje publicamos o nosso suplemento sobre a sua vida e obra e, naturalmente, quisemos saber o que estava programado, em termos de eventos, para o dia 7 de Julho (em que fará 100 anos do seu nascimento). E ficamos espantados com a resposta: nada, absolutamente nada. Repare-se que estamos perante uma pessoa cuja vida e obra é transversal a todas as comunidades. Alguém que o Instituto Cultural tinha obrigação de lembrar, que a APIM devia de não deixar cair no esquecimento, que a Associação dos Macaenses poderia celebrar. Mas nenhuma

críticos da sua época? Por que não criar iniciativas sobre Deolinda da Conceição na Escola Portuguesa, entre outras? Para além da obra, a vida de Deolinda da Conceição reflecte a condição da mulher em Macau, a luta pelos seus direitos e a sua abnegação. Quem viajar pelo excelente texto de Helena Vale da Conceição, que hoje publicamos, deparar-se-á com um painel do século XX local, entre novelas e notícias, e mover-se-á por tertúlias e jornais de uma sociedade conservador onde a escritora foi um farol de modernidade para quem tivesse coragem para olhar de frente a sua luz. É-nos difícil imaginar a comunidade macaense não preste uma homenagem a Deolinda da Conceição neste seu centenário. Não o fazer é, mais uma vez, um modo de se esquecer de si própria de não velar pela sua identidade. Se não o fizer, todos sabemos o que no fim sobrará: será o queijo, meus caros amigos... o queijo...

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Empregador)

N.º 66/2013

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Empregador)

N.º 67/2013

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o empregador CHOI WAI KIT, para no prazo de dez (10) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 1947/2013, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços em 05/3/2013, pela ex-trabalhadora não-residente Pham Thi Hong, relativamente à matéria de salário em dívida.

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o sr. ROQUE ROEL BALABA, ex-trabalhador de AUTO APEX CAR CARE CENTER, para no prazo de dez (10) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 2227/2013, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços em 14/3/2013, e relativamente à matéria de salário em dívida.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 26 de Junho de 2013.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 28 de Junho de 2013.

A Chefe de Departamento,

A Chefe de Departamento,

Lurdes Maria Sales

Lurdes Maria Sales


sexta-feira 5.7.2013

opinião

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Paul Chan Wai Chi*

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um grito no deserto

No dia do Festival do Barco Dragão

n

o dia do Festival do Barco Dragão escrevi o prefácio para a reedição do livro “Democracia” de Ng Kuok Cheong. Conheci Kuok Cheong quando andava no liceu e desde essa altura que testemunho a sua persistência em defesa dos seus ideais, que nunca mudaram. Não é difícil ter de escolher entre vários caminhos, o que é verdadeiramente difícil é persistir em percorrer o mesmo caminho até ao fim. A primeira edição do livro “Democracia” foi publicada em 1990 pela Youth Literary Bookstore, que entretanto fechou. Actualmente não é fácil de encontrar este livro nas livrarias. As sociedades de Macau e de Hong Kong mudaram muito nas últimas duas décadas. A democracia popularizou-se e deixou de ser um desejo de um pequeno círculo de pessoas. Há cada vez mais gente a falar e a perseguir o ideal democrático. O livro necessitava de ser revisto para acompanhar o

Sem igualdade não pode haver harmonia; não há paz se não houver justiça. desenvolvimento social, por isso sugeri a Ng Kuok Cheong que se fizesse uma reedição para que os leitores de hoje pudessem ter uma visão da democracia contemporânea. Todas as coisas mudam para acompanhar o ritmo da evolução social e a democracia não é excepção. Para enfrentar os novos desafios os democratas têm de estar bem preparados e lutar de forma plena. A revisão do livro de Ng Kuok Cheong foi baseada na sua experiência acumulada ao longo de muitos anos de debates e discussões políticas. Ng Kuok Cheong elabora a origem e os princípios da democracia tanto através da teoria como da sua prática actual. As suas explicações são uma boa referência para aqueles que qui-

serem conhecer e participar no movimento democrático. Sem igualdade não pode haver harmonia; não há paz se não houver justiça. É fácil preocupar-nos com nós mesmos, o que é difícil é preocupar-nos com o que se passa à nossa volta. Há 2000 anos atrás, durante o período de guerras entre os reinos da China, um oficial superior do Reino de Chu, Qu Yuan, atirou-se para o rio quando viu que o seu reino estava prestes a cair. Apesar do sacrifício de Qu, o reino acabou mesmo por cair. Por vezes é mais difícil viver do que pôr fim à vida; é mais fácil não nos comprometermos do que participar. Alguns académicos dizem que quando realizam estudos sobre o “Chu Ci”, ficam doentes, o que talvez se deva às descrições de extrema infelicidade e dor ali contidas. Quando escrevi o prefácio para o livro de Ng Kuok Cheong, fiquei comovido.

Mas quando se enceta pelo caminho da democracia não há retorno. Estou muito agradecido ao director do “Hoje Macau” por me deixar partilhar os meus pontos de vista e sentimentos sobre todo o tipo de assuntos, na coluna “Um Grito no Deserto”. No entanto, o dia das eleições para a 5ª Assembleia Legislativa está a aproximar-se e sinto que é tempo de suspender os meus artigos para que todos os candidatos possam competir em circunstâncias iguais. É por isto que luto. Não sei se voltarei a escrever para esta coluna nos dias vindouros, mas sei que os meus leitores tem sido muito tolerantes com as minhas opiniões e estou-lhes muito grato. Por fim, queria agradecer a todos os que tornaram possível a publicação desta coluna. *Deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Soraia Zhou [estagiária] Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 5.7.2013

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Coreias conversam sobre complexo industrial

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul concordaram ontem manter conversações sobre a reabertura de um complexo industrial conjunto, encerrado devido às tensões militares entre os dois vizinhos. O acordo surge após meses de ameaças de guerra de Pyongyang, depois de um teste nuclear em fevereiro ter resultado em novas sanções da ONU, e um dia depois de o Norte ter restaurado a ligação da linha de emergência bilateral e declarado que autorizava uma visita de empresários do Sul ao complexo de Kaesong, a dez quilómetros da fronteira e em território nortecoreano. O Ministério da Unificação sul-coreano respondeu aos gestos norte-coreanos com a sugestão de um encontro de trabalho na aldeia fronteiriça de Panmunjon, no sábado. Depois de alguma indecisão relativamente ao local, o Norte aceitou a proposta do Sul, disse um porta-voz do ministério sul-coreano à agência noticiosa francesa AFP.

c a r t o on por Steff

O líder da Resistência Nacional de Moçambique, Afonso Dhlakama, ameaçou, na quarta-feira, “forçar um Governo de transição”, caso o diálogo com o Governo se “arraste infrutífero” até expirar o mandato constitucional do Presidente Armando Guebuza. O dirigente da Renamo assumiu esta posição em conferência de imprensa, no seu quartel-general, em Sadjundjira, na Serra da Gorongosa, Sofala, centro de Moçambique, caso o diálogo dos grupos de negociações da Renamo e Governo e o seu próximo encontro com Guebuza “não der resultados”. “Eu sei que não vai resultar nada esta conversa com PR antes que os nossos grupos de negociações tenham avançado. Tenho experiências do passado, foi necessário ter amizade com Chissano (antigo Presidente) para chegarmos a consensos”, referiu Afonso Dhlakama, lamentando o “menosprezo” do actual chefe de Estado. O segundo mandato constitucional de Armando Guebuza, não renovável, termina no próximo ano, com a realização das eleições gerais, ainda sem data.

Militares confirmam detenção de Morsi

Uma alta patente militar confirmou ontem à agência AFP que o Presidente egípcio deposto está sob detenção como tinha revelado um responsável da Irmandade Muçulmana. «Ele está detido preventivamente para os preparativos finais», disse o militar sugerindo que Mohamed Morsi poderá enfrentar acusações formais relacionadas com as denúncias feitas pelos seus adversários políticos.

Portugal Reformados devem processar o governo

Estado quebra contratos

J

Renamo ameaça “forçar Governo de transição”

golpe egípcio

oão Salgueiro defende que é contraditório o Estado estar a quebrar contratos que firmou com os portugueses, como é o caso dos pensionistas. E apela à união de todos os que se sentem lesados para lutarem pelos seus direitos, com recurso aos tribunais internacionais se tal se mostrar necessário. “Não há outros contratos que estão a ser mantidos apesar dos prejuízos que provocam ao país?”, interrogou-se. A intervenção do ex-ministro foi feita durante uma conferência organizada pelo CIDSENIOR - Movimento para a Cidadania Sénior. Num tom que não lhe é habitual, Salgueiro defendeu que os problemas do país não se resolvem porque os políticos ficam reféns das suas promessas eleitorais e quando chegam ao poder não conseguem pôr em prática as medidas necessárias para reformar o país. “Há um problema de cultura em Portugal”, disse. “A publicidade faz

o mesmo: promete às pessoas benefícios imaginários. Na política ainda não se gasta tanto, mas o raciocínio é o mesmo. E a sorte dos reformados está ligada à sorte do país.” O também antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos apelou a que outros grupos se juntem ao recém-formado Movimento para a Cidadania Sénior a fim de que lutem e defendam uma estratégia de competitividade e crescimento, mas num enquadramento em que haja uma garantia de cumprimento dos contractos transversal a todas as situações. A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite também se distanciou forte e feio do governo, acusando-o de estar a querer confundir os portugueses com a necessidade de reformar o sistema da segurança social e os cortes cegos que têm estado a ser feitos nestes apoios. “Estamos a misturar dois problemas”, defendeu. “Uma coisa é a sustentabilidade do sistema, que toda a

vida foi discutido e em que tem de ser feito mais um ajustamento devido ao facto de a população estar a diminuir e a esperança de vida estar a aumentar. Mas a situação actual é diferente, tem a ver com as finanças públicas e o ajustamento que estamos a fazer. E avança-se com este argumento para cortar onde há dinheiro.” Ferreira Leite acrescenta que se está a utilizar a Segurança Social para tapar os buracos que existem um pouco por todo o lado: nas PPP, nas empresas públicas, nas autarquias, nas empresas municipais, nos desperdícios, nas fraudes ou nas decisões mal tomadas. “Quando analisamos os problemas das contas públicas”, recorda, “nunca foi a Segurança Social a causar problemas. Antes pelo contrário. Foi a única parcela que nunca apresentou défices, ao contrário das restantes, como os fundos autónomos ou as autarquias.” Mas o que choca verdadeiramente a ex--governante é o discurso oficial estar a provocar uma guerra geracional. “Devo dizer que estou disponível para aceitar a discriminação absurda dos cortes que afecta um sector e não o outro. Mas não aceito pelos motivos que estão a ser invocados, que dividem as gerações, e deixam implícita a ideia de que os reformados têm benefícios para os quais nunca descontaram. E que as vítimas são as novas gerações. É um discurso do ponto de vista dos valores absolutamente condenável, atribuindo aos antigos uma passagem por aqui absolutamente inútil.”

Índia aprova programa alimentar para pobres O governo indiano aprovou um ambicioso programa de ajuda alimentar para os mais pobres, uma medida adiada várias vezes e anunciada um ano antes das eleições gerais. O programa está destinado a quase 70% da população indiana, mais de 800 milhões de habitantes, e pode tornar-se o mais importante do mundo. A nova lei garantirá um fornecimento de entre três e sete quilos de cereais por mês a cada pessoa em função dos rendimentos. O programa de ajuda alimentar, que aumentará os subsídios do Estado para um total de 20 mil milhões de dólares, segundo fontes do governo, é parte da estratégia eleitoral do Partido do Congresso, que lidera a coligação governamental.

Mastercard suspende boicote ao Wikileaks

O slogan da Mastercard diz que «há algumas coisas que o dinheiro não pode comprar, mas, para todas as outras, há o Mastercard». Agora esse «todas as outras» volta a incluir doações para o Wikileaks. Após quase três anos a promover o bloqueio financeiro à instituição, agora a Mastercard terá de aceitar doações ao Wikileaks novamente. A mudança foi comunicada pelo próprio site. O comunicado diz que a Mastercard International foi notificada pela empresa VALITOR, parceira da Visa e Mastercard na Islândia. A mudança é consequência de um processo que corre há dois anos e acusava a VALITOR de quebra de contractos ao aceitar os bloqueios. O Supremo Tribunal da Islândia determinou que a companhia deveria voltar a aceitar doações para o Wikileaks. A Visa ainda não se pronunciou. O Wikileaks afirma que também luta por um processo de indemnização financeira no valor de 72,47 milhões de dólares.

Hoje Macau 5 JUL 2013 #2886  

Edição do jornal Hoje Macau N.º 2886 de 5 de Julho de 2013.

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