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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

A missiva de Coutinho PÁGINA 6

GRANDE PRÉMIO

PÁGINA 17

DRAGÃO DE VOLTA

Canções h LI HE

Realidade OPINIÃO JOÃO LUZ

KEN RIEMER PRODUCTIONS

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

ASSEMBLEIA

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 5 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4166

Salva de palmas O último relatório das Nações Unidas sobre direitos humanos elogia os progressos alcançados pelo Governo de Macau na matéria. Violência doméstica, direitos laborais e igualdade de género são alguns dos pontos em destaque no documento. PÁGINA 5

SURF HONG

SALVA DUT

Com água pelo pescoço PÁGINA 9

UM FILHO DA GUERRA ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

SALVA DUT ACTIVISTA E SOBREVIVENTE DA GUERRA CIVIL DO SUDÃO

Que memórias guarda do dia em que foi obrigado a fugir da sua aldeia devido à guerra? É um dia que tenho muito presente. Eram 10h da manhã e estava na escola. De repente, começámos a ouvir o barulho dos tiros e tivemos de fugir. O nosso professor apenas nos disse para fugir... E corri na direcção oposta ao som das balas... Que cenário viu quando fugiu da escola? Foi um momento muito assustador. Lembro-me de ver pessoas perdidas a correrem em todas as direcções. Muitas já estavam cobertas por sangue, havia sangue por todo o lado. Entre esse momento, em 1985, até 2002 esteve 16 anos sem saber da sua família. Pensou neles quando fugia? Não. Num momento daqueles não se pensa em quase nada. O nosso objectivo é fugir, evitar o perigo e chegar a um lugar seguro. Quando o professor nos disse para fugir, deixei tudo para trás, até o livro de exercícios. Só queria fugir para longe do barulho das balas e nem pensei na minha família. Quando se lembrou deles? Quando me senti mais seguro, comecei a pensar neles, a perguntar-me como ia regressar a casa, a pensar se eles estariam vivos. Foi um pensamento que me perseguiu durante quase 17 anos... Após a fuga, em conjunto com 1500 rapazes, passou a fronteira para a Etiópia e mais tarde para o Quénia, com uma nova passagem pelo Sudão. Temeu morrer durante a fuga? Sem dúvida, o medo estava sempre muito presente. Não estávamos num lugar seguro, não tínhamos como arranjar água nem comida, e depois havia os ataques das tribos e dos animais selvagens... Nessa altura, um dos meus melhores amigos morreu devido a um ataque de um animal. Foi atacado por um leão? Não sei dizer, talvez tenha sido

N

ascido em 1974, Salva Dut nasceu na tribo Dinka e aos onze anos, em 1985, viu-se obrigado a fugir da aldeia onde vivia, no Sul do Sudão, devido à Segunda Guerra Civil. É um dos 40 mil “Lost Boys” [crianças perdidas em português], nome para os menores que se perderam dos pais devido ao conflito armado. Em fuga, com um grupo de várias crianças, Salva teve de percorrer centenas de quilómetros, para encontrar abrigo, primeiro, num campo de refugiados na Etiópia e, depois, no Quénia. Em 1996, ao abrigo de um programa das Nações Unidas foi adoptado por uma família de Nova Iorque. Actualmente, é cidadão norte-americano e licenciou-se em Negócios Internacionais no Colégio Comunitário de Monroe, que pertence à Universidade Estadual de Nova Iorque. Em 2003, fundou com um grupo de amigos a associação sem fins lucrativos Water for South Sudan [Água para o Sudão do Sul], que tem como objectivo levar água potável a um dos mais novos países do mundo.

um leão ou uma hiena. Aconteceu tudo à noite, quando estávamos entre a vegetação e não vimos como aconteceu. Só começámos a ouvir os gritos dele e percebemos que estava a ser atacado. Mas era de noite e não conseguimos ver nada, por isso também não pudemos fazer nada... Fomos ouvindo os gritos até que eles chegaram ao fim... A caminhada foi feita principalmente à noite? Tinha de ser, até porque tínhamos de passar por outras tribos. Se nos vissem, o normal era que ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA

Era só mais um dia de escola quando os tiros romperam pela aldeia onde vivia Salva Dut, à altura com 11 anos. Depois de perder o contacto com a família, a luta pela sobrevivência deu-lhe forças para caminhar centenas de quilómetros no deserto até chegar a um campo de refugiados. Hoje, com 44 anos, leva água potável ao país de origem e conta a sua história na primeira pessoa

FOTOS TIS

“Corri na direcção oposta ao som das balas”

nos atacasse porque nos consideravam o inimigo. Assim, à noite caminhávamos para tentar passar sem ser vistos, e durante o dia tínhamos de manter-nos escondidos. Eram alturas em que não se descansava. O que passa pela cabeça de um rapaz de 11 anos que vive uma experiência destas? Sobreviver. Estamos tão assustados que só pensamos em fazer tudo para chegar a um lugar seguro. Não pensamos em mais nada que não seja, para onde vamos ou como vamos arranjar água ou comida.

SUDÃO DO SUL

• NOME OFICIAL: República do Sudão do Sul • DATA DA FUNDAÇÃO: 9 de Julho de 2011 • POPULAÇÃO: 12,23 milhões • ÁREA: 619,7 mil km2 • CAPITAL: Juba • HINO: Sudão do Sul Oyee! • LÍNGUA: Inglês a nível oficial, e mais de outras 60 línguas reconhecidas • RELIGIÃO: Maioria cristã

Também há sempre o medo de sermos encontramos pelo inimigo, que nos quer matar. São dias em que o único pensamento é a sobrevivência. Neste tipo de conflitos, há tendência para os militares matarem as crianças, que se podem tornar soldados do inimigo. Vocês tinham noção disso? Sim, nós sabíamos que as crianças eram alvos preferenciais e, como é óbvio, isso contribuía para que tivéssemos mais medo.

“Foi um momento muito assustador. Lembro-me de ver pessoas perdidas a correrem todas as direcções. Muitas já estavam cobertas de sangue.” Como é que uma criança com 11 anos lida com esta situação e com o facto de ter perdido o contacto com a família? Eu estava tão focado em sobreviver que o meu cérebro não pensava em mais nada. Só às vezes, nos momentos de descanso, é que pensava no que estava a acontecer e na minha família... Mas o que é que eu podia fazer? Não havia correios, não havia telefones, não havia transportes para regressar... Tive de aceitar que o que não tem remédio, remediado está... O Salva Dut é cristão. Alguma vez pensou que Deus não existisse nesta fase? (Pausa) Acho que nunca tive esse sentimento. Eu rezava sempre à noite e de manhã. Rezar e estabelecer uma ligação com Deus foi um grande apoio, uma grande motivação nessa fase. Até porque quando uma porta se fecha, há sempre a possibilidade de Deus abrir outra. Considero que foi isso que aconteceu.


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Esteve no campo de refugiados de Lodawar, no Quénia, seis anos. Como era a vida nesse local? Foi uma altura em que estava por minha conta. Não tinha familiares e no campo, que é gerido pelas Nações Unidas, davam-nos comida e roupas. De resto, não havia muito mais nada para fazer. O objectivo era estar num lugar seguro.

ser adoptado por um família em Rochester, Nova Iorque. Foi uma mudança radical? Foi muito difícil. O choque cultural foi tremendo e lembro-me que achava que estava sempre frio. Também não falava a língua, mas tinha de ir à escola, trabalhar... Foi difícil, mas sabia que tinha de me adaptar, porque poderia melhorar muito a minha vida.

Em 1996, é escolhido num programa norte-americano para

Vinha de uma aldeia onde não havia água nem electricidade.

“Só começámos a ouvir os gritos dele e percebemos que estava a ser atacado [por um animal]. Mas era de noite e não conseguimos ver nada [...] Fomos ouvindo os gritos até que eles chegaram ao fim...”

Sentiu uma grande diferença no estilo de vida? Sim. Na casa onde vivia no Sudão do Sul não existiam lâmpadas nem água. Quando cheguei ao EUA há todas estas coisas que tornam a nossa vida muito confortável e que utilizamos de forma automática. Por exemplo, eu não sabia acender uma luz. Este tipo de coisas que as pessoas nos países mais desenvolvidos fazem de forma natural, porque sempre viveram com elas, eu tive de aprendê-las.

Como se sentiu por ir para os EUA? Sinto-me abençoado por Deus, que me guiou e me deu algo de positivo, apesar de todas as situações difíceis. Estive numa situação de guerra com 11 anos, tive toda aquela caminhada de centenas de quilómetros até chegar a um lugar seguro, foram condições em que muitos morreram. Eu sobrevivi e Continua na página seguinte


4 entrevista

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Conflitos armados desde 1955

Em 2011, a República do Sudão do Sul tornou-se oficialmente um país. Porém, encontra-se em guerra civil desde 2013. Na semana passada, foi assinado um acordo de paz entre o Governo e as forças rebeldes, mas há bastantes dúvidas quanto ao sucesso da resolução, uma vez que no passado, por várias vezes, acordos deste género não foram cumpridos. Desde 1955, altura em que o território que agora constitui a República do Sudão do Sul pertencia ao Sudão, que a História do país está marcada pela guerra. Nos períodos 1955-1972 e 1983-2005, o Sudão do Sul, maioritariamente cristão, lutou com o Sudão, maioritariamente muçulmano, por maior representatividade e mais tarde por independência. O objectivo foi alcançado em 2011, após um referendo. Porém, dois anos depois, conflito armado regressou à região. Agora, Salva Kiir, presidente do país, e Riek Machar, líder dos rebeldes, dizem que vão partilhar o poder. Resta saber se vão efectivamente conseguir entender-se e terminar a guerra.

Convite da Escola Internacional de Macau ainda tive a oportunidade de ir para os EUA. Também pude regressar ao Sudão do Sul, ajudar as pessoas lá, e reencontrei os meus pais. É algo fantástico. Em 2002, um ex-companheiro do campo de refugiados informa-o que o seu pai está a ser tratado numa clínica das Nações Unidas... Como foi o reencontro? Foi uma emoção tremenda. Quando me aproximei dele, ele não me reconheceu. Eu, primeiro, disse: “Olá, pai”, e ele respondeu: “Quem és tu?”. Tive de dizer: “Sou eu, o Salva” e ficámos ambos muito emocionados. Durante esses anos todos tinha muitas dúvidas de que o voltaria a ver vivo. É também a partir desse momento que decide criar a Water for South Sudan, fundação que tem como objectivo levar água potável às várias aldeias do Sudão do Sul... Ele estava a receber tratamento devido a uma doença causada pela ingestão de água que não é potável. Nessa altura, decidi que tinha de fazer alguma coisa para ajudar as pessoas como o meu pai.

E o reencontro com a sua mãe, quando ocorreu? O meu pai teve de caminhar mais de 480 quilómetros para chegar à clínica e ela ficou na nossa aldeia a tomar conta do resto da família. Por isso, só estive com ela depois de regressar aos EUA e voltar novamente ao Sudão do Sul. Ela reconheceu-o? Não, fui eu que a reconheci. Estava sentado numa mesa numa sala, quando ela entrou. Nessa altura não a vi logo, porque estava a falar com o meu tio. Até que ela entra e pergunta ao meu tio: “Onde é que ele está?”. E ele disse “é este rapaz aqui”. Foi fantástico o reencontro.

“Acho que nunca tive esse sentimento [de duvidar da existência de Deus]. Eu rezava sempre à noite e de manhã. Rezar e estabelecer uma ligação com Deus foi um grande apoio.”

Como se sente por ter estado tanto tempo afastado da sua família? Sinto-me muito mal com isso. É algo que desejava que nunca tivesse acontecido. E é isto que é a guerra. Sempre que há guerra quem sofre são os inocentes. Este tipo de injustiça motiva-o para tentar melhorar a situação no Sudão do Sul? Talvez seja uma das razões... Uma das ideia que defende é que o acesso a água pode pacificar os conflitos entre as diferentes tribos do Sudão do Sul. Porquê? Quando as pessoas têm acesso à água não precisam de se deslocar à procura deste bem-essencial. Esta busca é uma das causas dos conflitos entre as tribos. É frequente no Sudão do Sul, ver as pessoas mais novas a matarem-se umas às outras devido ao acesso à água. Neste sentido, trazer água para as diferentes aldeias também é contribuir para a paz. E isso não cria um sentimento de inveja? Não é a isso que temos assistido, pelo contrário. É comum que pes-

soas de tribos diferentes se ajudem a abrir novos poços. Nessas situações é comum ouvirmos as pessoas de tribos diferentes a dizerem somos todos o mesmo povo. Qual é o maior desafio nos trabalhos de escavação de poços de água? Há muitos. O principal é a falta de infra-estruturas, não temos estradas, fábricas com capacidade para produzir tubos que utilizamos, ou as bombas de água. Todos os materiais que utilizamos são importados. O Sudão do Sul está em guerra civil desde 2013. Na semana passada houve um acordo de paz entre o Governo e as forças rebeldes. Acredita que é desta que a guerra termina? No passado houve acordos semelhantes que foram violados. Não sei o que vai acontecer desta vez. Mas espero que seja diferente, que haja paz. As pessoas do Sudão do Sul já sofreram demasiado com as guerras e só com a paz e estabilidade poderá haver prosperidade. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Salva Dut esteve em Macau a convite da Escola Internacional de Macau [The International School, em inglês], onde teve a oportunidade de partilhar a sua história e falar das actividades da Water for South Sudan com os alunos da instituição. Além disso, houve actividades promovidas pela escola de recolha de fundos para financiar a escavação de mais poços no Sudão do Sul. “Até hoje, já cavámos 349 poços e treinámos uma equipa especializada para auxiliar as diferentes aldeias em questões de higiene e manutenção desses poços”, disse Salva Dut, ao HM. “Os efeitos da escavação de um poço são fantásticos para as comunidades. A menina que antes tinha de andar quilómetros para ir buscar água para a família passa a ter tempo para poder ir à escola. E isso é uma semente para um futuro melhor para o Sudão do Sul e para a sua população”, acrescentou.


política 5

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O Governo de Macau fez vários progressos na área dos direitos humanos, sobretudo ao nível da violência doméstica, direitos laborais e igualdade de género, de acordo com o terceiro relatório do Exame Periódico Universal do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas

DIREITOS HUMANOS ONU DESTACA “PROGRESSOS” FEITOS PELO GOVERNO

Palmadas nas costas dos trabalhadores expatriados para mantê-los livres de situações de abuso e exploração”. “A DSAL adoptou várias estratégias, usando diferentes línguas, para reforçar a consciência dos trabalhadores no que diz respeito às leis laborais e em relação aos seus próprios direitos, bem como o desenvolvimento de relações laborais harmoniosas”, lê-se ainda.

“A RAEM tem feito progressos em várias áreas dos direitos humanos, em particular ao nível legislativo.”

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nova lei da violência doméstica, que passou a tipificar o acto como um crime público, e a revisão ao Código Penal, que institui o crime de assédio sexual, são dois pontos em destaque no mais recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), Exame Periódico Universal do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas. Um documento onde o Governo de Macau sai bem na fotografia. “A RAEM tem feito progressos em várias áreas dos direitos humanos, em particular ao nível legislativo. Novas leis foram promulgadas, incluindo a lei de prevenção e combate à violência doméstica, a definição do assédio sexual e a pornografia infantil”, pode ler-se. Ainda no que diz respeito à violência doméstica, a ONU também destaca o facto do Governo de Chui Sai On ter adoptado uma “aproximação transversal e compreensiva da violência doméstica em termos legais (constituição do crime público), institucionais (mecanismos de cooperação regional) e a nível prático, tendo tomado várias medidas de assistência às vítimas, tal como a assistência económica e jurídica, entre outras”.

CONSELHO DOS DIREITOS DO HOMEM DAS NAÇÕES UNIDAS

Além disso, “foi criado um mecanismo de notificação em conjunto com entidades públicas e privadas que providenciam serviços para crianças, mulheres, idosos e pessoas com deficiência para que possam reportar situações de violência doméstica”.

PORTUGAL QUESTIONA CHINA

E

ste relatório da ONU faz-se acompanhar de perguntas de vários Estados sobre a situação na China e até Hong Kong, mas não existe uma única pergunta sobre o panorama dos direitos humanos em Macau. Portugal optou por questionar directamente a China neste campo. “Pode o Estado em análise descrever o mecanismo nacional ou o processo responsável por coordenar a implementação das recomendações aceites do Exame Periódico Universal, a monitorização do seu progresso e impacto?”, questiona Portugal. A representação portuguesa questiona também se a China tem vindo a aplicar esse tipo de mecanismo tendo em conta os tratados e “mecanismos regionais”. “Pode o Estado em análise resumir de forma breve a sua experiência na criação deste mecanismo, incluindo os desafios encontrados e as lições aprendidas, tal como avançar com os planos ou necessidades de reforço no futuro?”, lê-se ainda.

Desde ontem, e até ao próximo domingo, dia 11, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, vai estar em Genebra na qualidade de subchefe da delegação da China do Conselho dos Direitos do Homem, para responder a perguntas sobre estes

tópicos, juntamente com Liu Dexue, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça, entre outros membros do Executivo. Areunião tem como ponto principal da ordem de trabalhos “proceder à avaliação sobre a situação dos direitos humanos na República Popular da China (incluindo a RAEHK e a RAEM)”. De acordo com um comunicado do gabinete da secretária, a delegação de Macau “está preparada para responder às perguntas colocadas pelo referido Conselho a propósito da promoção do desenvolvimento e a concretização da protecção dos direitos humanos em Macau”.

MAIS DIREITOS LABORAIS

O mesmo relatório dá ainda destaque à protecção laboral dos trabalhadores expatriados no território, uma vez que o Governo “tem vindo a reforçar a protecção dos direitos

O relatório da ONU lembrou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças. Em particular, a formulação de uma política intitulada “Objectivos de Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que se vão focar em sete áreas: educação e formação, cuidados de saúde, segurança, segurança social, economia, participação nos sistemas decisórios e participativos e nas áreas dos media e cultura”. Medidas como a elaboração do regime de garantias dos idosos e para as mais recentes políticas de controlo da emissão de gases de veículos também são destacadas pela ONU. “O Governo de Macau dá grande importância à protecção ambiental e tem vindo a adoptar medidas inovadoras e progressivas para reduzir as emissões de carbono e o número de veículos em circulação”, escrevem os autores do documento. O relatório faz também referência às mudanças ocorridas na área da protecção civil após a passagem do tufão Hato por Macau, a 23 de Agosto do ano passado. O Exame Periódico Universal é um mecanismo do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas criado em 2006 para supervisionar a situação dos direitos humanos. É a terceira vez que Macau, na qualidade de membro da Delegação da China, se submete à avaliação desde a criação do mecanismo em apreço, sendo que se realizaram anteriormente duas rondas de avaliação, em Fevereiro de 2009 e Outubro de 2013. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


6 política

RÓMULO SANTOS

5.11.2018 segunda-feira

Zheng Xiasong Cinzas depositadas em Pequim

As cinzas do ex-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Zheng Xiasong, foram depositadas no sábado no cemitério revolucionário de Babaoshan, em Pequim, de acordo com o canal de rádio da TDM. A escolha do local, aponta a mesma fonte, deve-se ao facto de ser essa a vontade manifestada pela família. Recorde-se que Zheng morreu na sequência de uma queda da sua casa, no passado dia 20 de Outubro, em Macau.

Ciência Chefe do Executivo reuniu com dirigente chinês

Cartas da guerra

É preciso colocar tudo em pratos limpos. José Pereira Coutinho ainda aguarda os documentos de defesa da AL no processo de Sulu Sou e quer saber se Ho Iat Seng autorizou que fosse usado o argumento de que os deputados não têm direitos fundamentais

J

OSÉ Pereira Coutinho quer que o presidente da Assembleia Legislativa (AL) clarifique as alegadas declarações prestadas ao Tribunal de Última Instância (TUI) em que terá defendido que os deputados não têm direitos fundamentais. Em causa está a linha de defesa adoptada por Ho Iat Seng e a mesa da Assembleia Legislativa, no âmbito do processo em que o deputado Sulu Sou contestava a forma como foi conduzida a sua suspensão. As declarações foram reveladas pelo advogado de defesa de Sulu Sou, numa entrevista à estação pública de Macau, a 29 de Setembro deste ano. Agora, José Pereira Coutinho quer ter acesso aos documen-

tos de defesa do caso, que terminou a 12 de Setembro, e que ainda não foram entregues aos membros da Assembleia Legislativa. Por esta razão, no passado dia 26 de Outubro, segundo uma carta endereçada ao presidente da AL a que o HM teve acesso, José Pereira Coutinho fez um pedido urgente para ter acesso a todo o processo de defesa. Na resposta assinada por Ho Iat Seng, que chegou quatro

dias depois, com data de 31 de Outubro, o acesso foi prometido, mas só quando toda a informação estiver na posse da AL. “A Assembleia Legislativa encontra-se, de momento, a juntar e a fazer o tratamento de todas as peças processuais, algumas das quais se encontram no escritório de Advogados que representou a Assembleia Legislativa neste processo, após o qual fará o devido envio aos

“Vossa Excelência [Ho Iat Seng] fez uma intervenção processual junto do Tribunal de Última Instância, na qual alegou que os deputados não são titulares de direitos fundamentais. Tal seria uma alegação de extrema gravidade.” CARTA DE JOSÉ PEREIRA COUTINHO

Senhores Deputados”, pode ler-se na resposta assinada por Ho Iat Seng.

FORTES CRÍTICAS

Na carta endereçada ao presidente da AL, José Pereira Coutinho criticou a forma como a defesa da AL foi conduzida, e alerta para a gravidade das declarações. “Vossa Excelência [Ho Iat Seng] fez uma intervenção processual junto do Tribunal de Última Instância, na qual alegou que os Deputados não são titulares de direitos fundamentais. Tal seria uma alegação de extrema gravidade”, é apontado. O deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau recorda ainda a Ho Iat Seng que este não é o principal envolvido no processo, mas antes um representante do Plenário da AL. “É fundamental que Vossa Excelência compreenda os limites e a finalidade dos poderes do Presidente, e esses são agir em representação de nós, Deputados, titulares de todos os direitos e deveres que corporizam a Assembleia Legislativa”, é apontado. “Vossa Excelência tem o dever de representar os nossos direitos enquanto membros do órgão Plenário da AL, cuja deliberação foi posta em causa na acção administrativa acima identificada”, é sublinhado. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Diplomacia Xi Jinping recebe Chui Sai On na próxima semana

O Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, desloca-se na próxima semana a Pequim, onde será recebido pelo Presidente chinês Xi Jinping, anunciou o porta-voz do Governo. Chui Sai On viaja no próximo sábado para a capital chinesa, onde vai participar num conjunto de actividades no âmbito da celebração de Hong Kong e Macau do 40.º aniversário da reforma e abertura nacional, nos dias 11 e 12, informou o gabinete em comunicado. Adoptada pelo então líder chinês Deng Xiaoping, em 1978, a política de Reforma e Abertura impulsionou o sector privado, que hoje contribui para mais de metade da receita tributária do país, 60 por cento do Produto Interno Bruto ou 80 por cento dos postos de trabalho nas cidades, segundo dados oficiais. GCS

AL DECLARAÇÕES SOBRE DIREITOS FUNDAMENTAIS CAUSAM POLÉMICA

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, reuniu no passado dia 1 com Huai Jinpeng, vice-presidente executivo e primeiro-secretário da Associação para a Ciência e Tecnologia da China, por ocasião dos 20 anos da Associação Promotora das Ciências e Tecnologias de Macau. De acordo com um comunicado do gabinete do Chefe do Executivo, Chui Sain On declarou que o Governo vai assinar um acordo de cooperação com a associação chinesa, algo que “trará benefícios ao progresso técnico da área”. “O Governo da RAEM está particularmente atento à sensibilização, estudo e inovação da área da ciência e tecnologia, e espera poder reforçar mais a cooperação com a associação, para permitir um esforço e progresso conjunto”, acrescenta ainda o mesmo comunicado.


política 7

segunda-feira 5.11.2018

E

LLA Lei quer saber como o Governo de Macau está a acompanhar o caso do acesso indevido a dados pessoais de cerca 9,4 milhões de passageiros da Cathay Pacific. A deputada do universo da FAOM quer ainda saber se o Executivo tomou alguma medida junto das autoridades de Hong Kong de modo a perceber se foram roubadas informações de residentes de Macau, revela em interpelação escrita. Em causa está o ataque informático que a operadora aérea de Hong Kong sofreu em Março, uma operação à margem da lei em que hackers conseguiram aceder a informação pessoal e confidencial de mais de 9 milhões de clientes da companhia aérea. Também a subsidiária Dragon Airlines foi afectada pelo ataque informático O caso foi dado a conhecer publicamente no final do mês passado. Entre a informação “sensível” que os piratas informáticos tiveram acesso estão nomes completos de passageiros, nacionalidades, datas de nascimento, números PUB

Dados que voaram Pedido acompanhamento na sequência de roubo de dados na Cathay

de telefone, emails, endereços residenciais, números de cartão de identidade, detalhes de atendimento ao cliente e históricos de voos. A transportadora revelou ainda que os responsá-

veis pelo ataque acederam a 403 números de cartão de crédito, entre os quais 376 tinham o código de segurança associado. Os piratas ficaram também com acesso a 860 mil nú-

meros de passaportes e 245 mil cartões de residente de Hong Kong.

INFORMAÇÃO TARDIA

De acordo com o site de noticias especializadas em

tecnologia Tecmundo, a companhia aérea admitiu que o sistema registou uma actividade suspeita em Março deste ano. Como tal, a transportadora aérea contratou uma empresa de cibersegurança para perceber como o ataque tinha ocorrido e de que maneira poderia prevenir a repetição de acontecimentos similares. Só dois meses depois, em Maio, a Cathay Pacific descobriu que os criminosos tinham acedido aos dados pessoais de cerca de 9,4 milhões de passageiros. Para já, ainda se desconhece em que termos a companhia aérea de Hong Kong alertou os clientes para a situação ocorrida, mas informou que irá informar os lesados através de email. Neste sentido, Ella Lei não só quer saber o que está a ser feito para acompanhar os residentes eventualmente lesados, como questiona o Governo acerca do que está estabelecido legalmente sobre os prazos de notificação dos lesados neste tipo de situações. Para a deputada esta questão não está prevista na actual lei sobre os

A transportadora revelou ainda que os responsáveis pelo ataque acederam a 403 números de cartão de crédito, entre os quais 376 tinham o código de segurança associado dados pessoais, como tal apela à sua revisão. Em comunicado, o CEO da Cathay Pacific, Rupert Hogg, pediu desculpas pelo sucedido. “Agimos imediatamente para conter a ocorrência, iniciámos uma investigação com a assistência de uma reputada firma cibersegurança e fortalecemos a protecção dos dados”, lê-se no comunicado assinado por Rupert Hogg. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


8 sociedade

5.11.2018 segunda-feira

Casinos Receitas superiores a 27 mil milhões de patacas em Outubro Os casinos de Macau fecharam o mês de Outubro com receitas de 27.328 milhões de patacas, mais 2,6 por cento que no período homólogo de 2017, anunciaram as autoridades do território. Em Outubro do ano passado, as receitas dos casinos tinham atingido 26.633 milhões de patacas, de acordo com os dados publicados na página online da Direcção de Inspecção

e Coordenação de Jogos (DICJ). Em relação ao mês de Setembro, as receitas dos casinos em Outubro deste ano subiram cerca de 5.376 milhões de patacas. As receitas brutas acumuladas nos dez primeiros meses do ano totalizaram 251.383 milhões de patacas, um aumento de 14,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais.

Acidente Taxista adormece e bate em dezoito veículos

Um táxi atingiu na madrugada do passado sábado 15 motas e três carros estacionados na Rua de Foshan na Taipa. O acidente ocorreu depois do taxista ter, alegadamente, adormecido ao volante. De acordo com o Jornal Ou Mun, do acidente não resultaram feridos, incluindo o passageiro que abandonou o táxi depois do choque. As forças policiais foram chamadas ao local e foi feito o teste de alcoolemia ao motorista sem registos de álcool. Foi concluído que o acidente se ficou a dever ao facto do taxista ter momentaneamente adormecido ao volante.

JOGO GOVERTSEN AFIRMA QUE GOA PODE SER DESTINO DE OPERADORAS SEM LICENÇA EM MACAU

Caminho para a Índia

Face à vontade manifestada pelo Governo Indiano de abrir casinos em Goa, é possível que as operadoras que não têm licença em Macau aproveitem para investir naquele país. A ideia foi deixada por Grant Govertsen, que avança ainda que o monopólio do território no sector pode estar em risco a partir de 2025, altura em que o Japão vai a jogo

O

analista de jogo Grant Govertsen disse, na semana passada, que o Governo indiano quer mais casinos em Goa e já pediu aos operadores para começarem a construir ‘resorts integrados’ na antiga colónia portuguesa, para a tornar no “próximo Macau”. Num evento promovido pela Associação Comercial Britânica em Macau (BBAM, na sigla inglesa), o director Executivo da Union Gaming afirmou que o Governo indiano “pediu aos casinos para começarem a construir ‘resorts integrados’ em Goa” para fazer de Goa “Macau da Índia”. Grant Govertsen apontou para o grande potencial de jogo da Índia e que está subvalorizado: “Os jogos de casinos ainda estão embrionários [na Índia], representam apenas 200 milhões de dólares, apesar de terem uma população de 1,3 mil milhões de pessoas”. Os casinos em Goa estão geralmente localizados em barcos fluviais e os que estão em terra não são, para já, apelativos para os milionários indianos, sublinhou o analista.

TERRA À VISTA

“O Governo não quer mais barcos fluviais e quer que os casinos se desloquem para terra”, afirmou o diretor executivo da Union Gaming.

Na opinião do analista, os operadores de jogo que não entraram em Macau, quando o jogo foi liberalizado no início do milénio, “não querem perder o barco” de Goa e querem apostar naquele que poderá ser o “próximo Macau”. “O desenvolvimento do jogo na Ásia esmaga o resto do mundo”, apontou o analista. O Japão, Coreia, Vietname, Tailândia, Camboja, Laos, Myan-

mar e Filipinas, são na opinião de Grant Govertsen as principais ameaças ao monopólio do jogo em Macau.

“O Japão representa a maior oportunidade para qualquer operador de jogo”, apontou Govertsen. “Vai haver um risco real para

Os operadores de jogo que não entraram em Macau, quando o jogo foi liberalizado no início do milénio, “não querem perder o barco” de Goa e querem apostar naquele que poderá ser o “próximo Macau”

Macau”, mas só depois 2025, a data prevista para o arranque dos casinos no Japão.

LIGAÇÃO AMERICANA

O parlamento nipónico aprovou em Julho uma lei que permite a abertura de três casinos e várias operadores de Macau já demonstraram interesse garantir uma licença no Japão. “O relacionamento especial entre o Japão e os EUA pode ajudar os operadores norte-americanos”, como a MGM Resorts. Das seis operadoras em Macau, a Las Vegas Sands, a Wynn e MGM têm a maioria de capital norte-americano. “Acreditamos que a Las Vegas Sands, MGM e a Melco Resorts estão entre os operadores de casinos com maior probabilidade de obter uma licença no Japão”, disse à Lusa, em Julho, a analista da Bloomberg, especialista no jogo na Ásia, Margaret Huang. Nesse mesmo mês em resposta a agência Lusa, a operadora de jogo em Macau Galaxy Entertainment Group demonstrou todo o interesse em conseguir uma das três vagas existentes. A aposta no Japão acontece no momento em que as licenças de jogo em Macau terminam entre 2020 e 2022. Até à data não é conhecido um calendário para a revisão das licenças, nem é claro se será mantido o modelo de concessões e subconcessões. “Tenho dificuldade em acreditar que vá haver alguma mudança [nas concessões] com o actual Governo”, afirmou Govertsen. “Os investidores estão muito focados nas concessões e claro que estão a pensar que a guerra comercial entre os EUA e a China pode não ser bom para os operadores norte-americanos” e por essa razão, o analista da Union Gaming acredita que as autoridades de Macau só vão tomar uma decisão em relação às concessões “daqui a sete ou mais anos”.


sociedade 9

segunda-feira 5.11.2018

SURF HONG EMPRESA PODE SER MULTADA EM 10 MILHÕES DE PATACAS

Explosão Restaurante corre o risco de ter licença suspensa

Na sequência do caso de explosão num restaurante no Porto Interior, Lo Chi Kin, vice-presidente do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), explicou aos jornalistas que a licença emitida ao restaurante em causa prevê o uso de fogão eléctrico, mas os gerentes optaram por usar bilhas de gás. Lo Chi Kin considera que os casos em que se utilizam fogões diferentes sem autorização não são comuns e alerta que, nessas situações, os restaurantes em causa correm o risco de verem a sua licença suspensa. De acordo com o Jornal do Cidadão, Lo Chin Kin disse que o Governo tem vindo a reforçar os trabalhos periódicos de fiscalização no sector da restauração, agendando inspecções anualmente. Ainda assim, o responsável do IACM defende que o mais importante é aumentar a consciência do sector em prol de uma maior segurança ao nível do fornecimento de energia.

EXPOSIÇÃO IPIM COM PRODUTOS LUSÓFONOS EM XANGAI

Sem bóia de salvação Dez milhões de patacas pode ser o valor mínimo de multa aplicada à Surf Hong por irregularidades laborais com os nadadores salvadores, revelou o presidente do Instituto do Desporto Pun Weng Kun

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Surf Hong pode ter que pagar uma multa de um mínimo de dez milhões de patacas na sequência de irregularidades contratuais cometidas com os nadadores salvadores e que levaram ao encerramento das piscinas locais no passado mês de Agosto. A informação foi dada pelo presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun, ao jornal Ou Mun. O responsável pelo ID afirmou à mesma fonte que a adjudicação dos contratos das piscinas é feita através de concurso público, mas admitiu que na maioria das vezes apenas a Surf Hong apresentava os requisitos necessários para desempenhar funções. Por

outro lado, apontou, esta empresa foi, por vezes, a única que se candidatou. Com os problemas que se registaram este ano e que levaram à greve de 24 nadadores salvadores e ao consequente encerramentos das piscinas de Macau, Pun Weng Kun espera que mais empresas mostrem interesse em assumir o funcionamento daqueles espaços e

venham a apresentar as respectivas candidaturas nos próximos concursos públicos. Por ouro lado, o director do ID nega que a Surf Hong detenha o monopólio deste serviço, até porque, afirmou, “nos últimos dez anos o Governo tem formado nadadores-salvadores e apesar de muitas pessoas conseguirem obter o certificado, nenhuma parece querer dedicar-

Pun Weng Kun espera que mais empresas mostrem interesse em assumir o funcionamento daqueles espaços [piscinas] e venham a apresentar as respectivas candidaturas nos próximos concursos públicos

-se a trabalhar no sector”, refere ao Jornal do Cidadão.

MULTA DE TOSTÕES

O deputado Sulu Sou, que mostrou o seu apoio aos profissionais em greve, confessou que o valor de 10 milhões de patacas é pouco para uma empresa que recebeu mais de 100 milhões de patacas pelo serviço que lhe tem sido adjudicado ao longo dos anos. A opinião foi dada através de uma publicação no facebook do deputado em que o pró-democrata lamenta ainda que a investigação à Surf Hong por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tenha sido lenta, dado o incumprimento, mais uma vez da empresa, em apresentar os documentos exigidos a seu tempo. Este atraso fez ainda com que 18 nadadores profissionais que se manifestaram em Outubro mais uma vez, tivessem sido despedidos. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo

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Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), apresenta, desde ontem, produtos locais e dos países lusófonos na primeira exposição internacional de importações da China (CIIE), em Xangai. A exposição, que reúne a participação de mais de 130 países, vai acolher 39 empresas de Macau responsáveis pelo comércio de produtos locais, mas também de países de língua portuguesa com canais de distribuição no território, de acordo com um comunicado do IPIM. “Com uma área completamente aberta (...) os dois pavilhões [reservados a Macau] vão apresentar produtos alimentares e bebidas macaenses e lusófonos, visando promover o papel de Macau como plataforma sino-lusófona”, lê-se no comunicado da instituição. A delegação de Macau, liderada pelo Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, conta com representantes do comércio, serviços financeiros, ciência e tecnologia, hotelaria, turismo, restauração, indústria transformadora, entre outros. Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em Maio do ano passado, durante o fórum “Uma Faixa, Uma Rota” para a cooperação internacional, a CIEE constitui uma importante medida de Pequim para apoiar a liberalização do comércio e a globalização económica, abrindo ainda mais, por iniciativa própria, o mercado chinês ao mundo.

SAÚDE INAUGURADO CENTRO DE PROCRIAÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA

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centro de procriação medicamente assistida do Hospital Kiang Wu foi inaugurado no passado sábado. A valência é composta por dez profissionais que, de acordo com o subdirector do hospital, Chan Tai Ip, são suficientes para esta fase, sendo esperado que o centro venha a dar resposta a cerca de mil casos por ano. De acordo com o Jornal do Cidadão, o mesmo responsável mostrou-se satisfeito com o período experimental de funcio-

namento do centro que decorreu nos últimos 15 dias de Outubro, tendo recebido 40 casais. O responsável recordou que, segundo as informações de regiões vizinhas, um em cada seis casais tem problemas de fertilidade. Em Macau, Chan estima que existam cerca de setecentos casais nestas circunstâncias, por ano. Apesar de considerar que a equipa composta por dez pessoas seja sufiuciente para corresponder à procura local, Chan Tai Ip

admite a possibilidade de vir a contratar mais profissionais se as necessidades assim o exigirem. O serviço de inseminação artificial no centro de procriação medicamente assistida do Hospital Kiang Wu vai custar 70 mil patacas e as expectativas de sucesso rondam os 50 por cento das intervenções, aponta o responsável à mesma fonte. No entanto, a nova valência não permite fazer o diagnóstico genético de pré-implantação na medida em

que ainda não existe um regime para o efeito. Mas, “em casos especiais o hospital vai cooperar com entidades em regiões vizinhas e vai ter em conta a possibilidade de transfência de casos para o exterior”, cita o Jornal do Cidadão. Em declarações ao Jornal Ou Mun, a deputada Wong Kit Cheng referiu que a entrada em funcionamento do centro de procriação medicamente assistida marca um novo avanço nos serviços de saúde.


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A cantora, compositora e pianista Maria Guinot, que representou Portugal no Festival da Eurovisão em 1984, com “Silêncio e Tanta Gente”, morreu sábado, aos 73 anos

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ARIA Adelaide Fernandes Guinot Moreno - Maria Guinot - nasceu em Lisboa, em 1945. Fixou-se com a família no Barreiro e ainda na infância iniciou uma formação musical clássica, em finais da década de 1950, mas foi no modelo de canção que se destacou. Editou um primeiro ‘single’, em 1968, com “Criança Loura”, “A Canção Que Eu Canto”, “La Mère Sans Enfant” e “Toi, Mon Ami”, revelando-se como autora, na linha dos ‘baladeiros’, que emergia na época.

Cai o pano ÓBITO MARIA GUINOT MORREU AOS 73 ANOS

A perspectiva foi reafirmada num segundo disco, no ano seguinte, com canções como “Balada do Negro Só”, “Silêncios do Luar”, “Escuta Menino”, “Poema de Inverno”. Apesar de ouvida na rádio, ficou afastada dos palcos durante vários anos. O regresso aconteceu em 1981, com "UmAdeus, Um Recomeço", que lhe garantiu o 3.º lugar no Festival RTP, a edição de novos discos e a revelação de novas canções: "Falar Só Por Falar", "Vai Longe O Tempo", "Um Viver Diferente".

SUCESSO CONQUISTADO

Foi, porém, em 1984, quando venceu o Festival RTP, com "Silêncio e Tanta Gente", que o seu nome chegou ao grande público. A interpretação ficou na memória: em solidariedade com os músicos em greve, Maria Guinot recusou o ‘playback’ adoptado nessa edição, e acompanhou-se a si mesma ao piano. Em 1986, compôs "Homenagem às mães da Praça de Maio", nos dez anos do início da concentração das mulheres que, em Buenos Aires, exigiam saber dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar argentina (1976-1983). A canção foi incluída no duplo álbum da CGTP-Intersindical “Cem anos de Maio” e foi uma das ‘bandeiras’ do programa "Deixem Passar a

Em 1986, compôs “Homenagem às mães da Praça de Maio”, nos dez anos do início da concentração das mulheres que, em Buenos Aires, exigiam saber dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar argentina (1976-1983)

Música", da RTP, no qual Maria Guinot foi acompanhada por José Mário Branco, que produziu e dirigiu a orquestra. Guinot cantou aqui grande parte do seu repertório, destacando-se a sua "Saudação a José Afonso", canção recusada pelo júri do festival da canção de 1986. “Não podia deixar passar esta oportunidade de homenagear um homem como José Afonso”, disse Maria Guinot no programa, emitido pouco antes da morte do compositor de “Grândola, Vila Morena”. “A orquestração de José Mário Branco é de desespero e de raiva”, acrescentou. No ano seguinte, lançou o seu primeiro álbum, "Esta Palavra Mulher", numa edição de autor.

ARTE “A SOMBRA MANIFESTA” VAI REPRESENTAR MACAU NA BIENAL DE VENEZA 2019

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Sombra Manifesta” de Lio Sio Man e Heidi Lau foi a proposta escolhido apara representar Macau na Bienal de Veneza, em Itália. Esta obra vai, no evento que se realiza em Maio do próximo ano vai, desconstruir a “imagem actual demasiadamente simplificada de Macau e revelar a sua identidade cultural intrincada, mostrando assim a Macau invisível”, revela o Instituto Cultural (IC), em comunicado. “A Sombra Manifesta”, é uma obra que utiliza a sobretudo o trabalho em cerâmica e que tem como objectivo, “alterar a impressão estereotipada das pessoas sobre Macau e mexer com a re-imaginação da cidade e da sua

identidade através da reconstrução mental da terra natal na memória, da introspecção sobre as ruínas da cidade e da inferência de mitos paranormais”, refere a mesma fonte. A obra de Lio Sio Man e Heidi Lau foi considera pelo júri como detentora de um discurso estético completo além de representar uma “retrospecção sobre o homem e a sua cultura”. A obra reflecte ainda sobre a “monstruosidade” do território materializada “na diversidade de culturas, na mistura de diversas religiões, na tradição e na modernidade do real e do irreal”, indicadores relevantes do contexto híbrido de Macau. S.M.M.

Seguir-se-ia, em 1991, "Maria Guinot", com produção de José Mário Branco, e a participação de músicos como PUB

a violoncelista Irene Lima, o contrabaixista Carlos Bica, o saxofonista Edgar Caramelo e o percussionista João Nuno

Represas. Até 2004, quando foi editado “Tudo Passa”, não há registo de outros disco de Maria Guinot. Escreveu, porém, “Histórias do Fado” (1989), com Ruben de Carvalho e José Manuel Osório, e manteve a intervenção política e social: subscreveu a saudação ao 30.º aniversário da Revolução Cubana, em 1989, com o actor Rogério Paulo, os escritores José Saramago e Natália Correia; condenou a política de não admissão de mulheres por bancos privados portugueses, no manifesto “Dizemos Não Aos Bancos Com Preconceitos”, no início dos anos de 1990; fez parte do movimento pela despenalização do aborto e da Frente para a Defesa da Cultura, que, na época, marcou a contestação do setor. Em 1991, actuou em Cabo Verde, no Dia de Portugal. Em 1994, nos 20 anos do 25 de Abril, montou o espetáculo "Os Poetas de Abril", com a actriz e encenadora Fernanda Lapa. Afastada do activo desde 2010, por doença, recebeu, em 2011, a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.


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5.11.2018 segunda-feira

ANALISTAS CAPITALISMO DE ESTADO ALIMENTA DISCÓRDIA COM OCIDENTE E AMEAÇA ECONOMIA

Riscos de um modelo atípico Economistas alertam para os efeitos nocivos que o retrocesso na política de abertura e reforma lançada em 1978 poderão ter no desenvolvimento do país

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NALISTAS alertam para os crescentes riscos políticos e económicos na China, à medida que o Partido Comunista reforça o domínio sobre a segunda maior economia mundial, quarenta anos após ter aberto o país ao investimento privado. O modelo de capitalismo de Estado vigente na China, em que os sectores chave da economia são dominados pelas firmas estatais, alimenta riscos de um conflito com o Ocidente, alertaram esta semana dois conhecidos economistas chineses. “O modelo chinês é para o Ocidente uma anomalia alarmante, e leva à discórdia com a China”, afirma Zhang Weiying, professor da Universidade de Pequim, num discurso publicado no portal oficial da instituição, e entretanto apagado. “Aos olhos do Ocidente, o modelo chinês é incompatível com o comércio justo e a paz mundial, e não deve avançar triunfante”, observa. Pequim interdita o acesso de empresas estrangeiras a vários sectores, enquanto as firmas chinesas compraram, nos últimos anos, empresas e activos estratégicos em todo o mundo.

Zhang Weiying “Aos olhos do Ocidente, o modelo chinês é incompatível com o comércio justo e a paz mundial, e não deve avançar triunfante.”

Sheng Hong, director executivo da unidade de investigação Unirule Institute of Economics, com sede em Pequim, adverte as autoridades chinesas que, ao recuarem na política de Reforma e Abertura, lançada em 1978, e que abriu o país ao comércio e mercado livres, aumentam o potencial de conflito com o Ocidente. “A reforma e abertura da China é a garantia de cooperação estratégica entre a China e os Estados Unidos”, afirma Sheng, num artigo difundido pelo jornal Financial

Burlas telefónicas Jovens perdem mais de 850 mil euros Mais de 80 alunos do interior da China e de Hong Kong perderam, nos últimos quatro meses, mais de 850 mil euros em burlas telefónicas, informou no sábado o jornal South China Morning Post. Só entre Julho e Outubro, os valores perdidos na sequência deste tipo de fraude foram superiores aos registados nos primeiros seis meses do ano, de acordo com as autoridades citadas pelo jornal. Os burlões fazem passar-se por agentes da polícia, um esquema que é já recorrente na região. Uma jovem, estudante do primeiro ano

da universidade de Hong Kong, perdeu em meados de Setembro mais de 100 mil euros, depois de a terem intimidado com falsas acusações. Segundo a mesma publicação, a vítima mais jovem tinha apenas 14 anos e foi burlada em mais de três mil euros. A adolescente terá sido convencida a transferir o dinheiro para uma conta bancária no interior da China. Um total de 82 estudantes, incluindo 48 do interior da China, encontravam-se entre as 138 pessoas vitimas de fraude nos últimos quatro meses, na China e em Hong Kong.

Times, atribuindo à abertura da economia chinesa “a convergência de valores com o Ocidente”.

GRANDE PLANO

No entanto, desde a ascensão ao poder do Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013, o Partido Comunista da China (PCC) reforçou o seu controlo sobre a sociedade civil, ensino ou economia. Um plano de modernização designado “Made in China 2025” visa transformar as estatais do país em líderes globais em sectores de alto

valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Dinny McMahon, autor do livro “China Great Wall of Debt” (“A Grande Muralha de Dívida da China”), alerta para os perigos económicos do modelo chinês, face à obsessão de Pequim em assegurar altas taxas de crescimento económico, consideradas essenciais para assegurar a estabilidade social, uma preocupação constante do PCC. “Desde a crise financeira global [em 2008], o crescimento da

economia chinesa tem assentado no investimento alimentado por dívida”, explica McMahon, que foi também correspondente em Pequim do Wall Street Journal, entre 2009 e 2015, estimando que o país criou, nos últimos dez anos, “63% do novo dinheiro a nível global”. No espaço de uma década, enquanto as economias desenvolvidas estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos ou dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas. No entanto, segundo a agência suíça Bank for International Settlements (BIS), durante o mesmo período, a dívida chinesa quase duplicou, para 257% do Produto Interno Bruto (PIB). “Penso que no núcleo desta questão reside a necessidade política de garantir um determinado ritmo de crescimento”, afirma Dinny McMahon. O problema é exacerbado pelas autoridades locais e empresas estatais, cuja promoção dos quadros depende sobretudo do ritmo de crescimento do PIB das respectivas províncias ou cidades. “Visto que um presidente da câmara tem um mandato de cinco anos, mas por norma fica apenas três ou quatro, a forma mais fácil de estimular o crescimento económico é contrair dívida para construir”, afirma McMahon. Um dos efeitos mais visíveis do desperdício gerado por este ciclo são as dezenas de cidades “fantasma” erguidas por todo o país: condomínios, torres de escritórios, centros administrativos, edifícios governamentais, teatros ou complexos desportivos totalmente abandonados. “Enquanto mais dívida contraí, mais constrói, e maior crescimento alcança”, descreve. “Mas quando chega a altura de pagar as dívidas contraídas, o responsável já foi promovido”, explica.

Gansu Pelo menos 14 mortos e 27 feridos em acidente Pelo menos 14 pessoas morreram e 27 ficaram feridas, na noite de sábado, na sequência de um acidente rodoviário na província de Gansu, no noroeste da China, informaram as autoridades do país. De acordo com as autoridades, um veículo pesado perdeu o controlo e colidiu contra uma fila de veículos numa praça de portagem na província de Gansu. Na semana passada, 15 pessoas morreram depois de um autocarro ter caído ao rio Yangtzé, em Chongqing. O acidente foi provocado por uma discussão entre o motorista e uma passageira, segundo a polícia, que mais tarde divulgou imagens das câmaras de segurança.


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segunda-feira 5.11.2018

República Dominicana abre embaixada em Pequim

O Presidente da República Dominicana, Danilo Medina, inaugurou sábado a embaixada do país em Pequim, na sequência do estabelecimento das relações diplomáticas com a China, no passado dia 1 de Maio. A cerimónia contou com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, Miguel Vargas e Wang Yi. Na primeira visita oficial de um Presidente dominicano ao gigante asiático, na sexta-feira, Medina reuniu-se com o homólogo chinês, Xi Jinping, e juntos assinaram vários acordos de cooperação bilateral, no âmbito do comércio, educação e finanças. “A história e os factos vão provar que a decisão de estabelecer relações diplomáticas entre a China e a República Dominicana é absolutamente correcta”, afirmou o Presidente chinês, citado pela agência estatal Xinhua.No passado dia1de Maio, a República Dominicana decidiu reformular a sua política externa, ao quebrar os laços históricos com Taiwan e estabelecer relações com a China.

COMÉRCIO CONVERSA “EXTREMAMENTE POSITIVA” COM TRUMP

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Presidente chinês, Xi Jinping, teve uma conversa telefónica “extremamente positiva” com o Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre comércio e outros assuntos, indicou sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Os dois líderes acordaram “reforçar as trocas comerciais”, disse o porta-voz do ministério, Lu Kang, sem dar indicações sobre se foram feitos progressos na resolução da escalada na guerra de tarifas sobre a política relativa à tecnologia de Pequim. Trump tinha referido antes na rede social Twitter que ele e Xi tinham tido uma “muito boa” conversa. “Concordo, esta conversa telefónica foi extremamente positiva”, declarou Lu num contacto com os jornalistas. Pequim está a investir milhares de milhões de dólares para formar fabricantes de ‘chips’, visando tornar o país no líder global nos sectores robótica ou inteligência artificial. Os EUAconsideram que a estratégia

de Pequim viola os seus compromissos em abrir o mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às firmas domésticas, enquanto as protege da competição externa. O Presidente norte-americano já anunciou taxas de até 25% sobre um total de 250 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, visando pressionar o país a recuar nos seus planos. Trump disse que se encontrará com Xi durante um encontro do G20 que irá decorrer este mês na Argentina. “Ambos os líderes atribuem grande importância aos laços entre a China e os Estados Unidos e às relações económicas”, disse Lu, adiantando que Trump e Xi concordaram que a disputa comercial “deve ser tratada adequadamente” através de conversas com substância.

ECONOMIA XI JINPING PROMETE MEDIDAS PARA APOIAR SECTOR PRIVADO

Injecção de confiança

Após um encontro com administradores de algumas das maiores empresas privadas do país, o Presidente chinês deixou uma mensagem de apoio ao sector que se tornou “numa força indispensável” no desenvolvimento económico do país

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Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu medidas para apoiar o desenvolvimento do sector privado no país, incluindo a redução da carga fiscal ou a facilitação no acesso ao crédito, informou sexta-feira a imprensa estatal. Xi teve na quinta-feira um raro encontro com representantes das maiores empresas privadas chinesas, incluindo os gigantes da Internet Baidu e Tencent. Na reunião estiveram ainda presentes os vice-primeiros ministros chineses Han Zheng e Liu He. “Estou hoje aqui para vos dar confiança”, assegurou o líder chinês. “Nos últimos quarenta anos, o sector privado converteu-se numa força indispensável do desenvolvimento da China”, disse. Citado pela imprensa estatal, Xi Jinping prometeu reduzir a carga fiscal e dar isenções às empresas novas e pequenas, facilitar o financiamento, eliminar restrições no acesso ao mercado, promover a relação entre o Governo e as empresas e proteger a segurança e propriedade dos empreendedores. Apesar de as empresas privadas chinesas partilharem do mesmo estatuto legal das firmas estatais, na prática, as segundas têm mais apoio dos bancos, dominados pelo Estado, e gozam de tratamento preferencial por parte das autoridades. As palavras de Xi surgem numa altura de abrandamento da economia chinesa e de reno-

vadas tensões com os Estados Unidos, em torno de disputas comerciais. Também a Europa se queixa frequentemente dos obstáculos no acesso ao mercado chinês, e de tratamento desigual, face às firmas estatais.

OUTRO RITMO

Xi apelou ainda a maior confiança na economia chinesa,

assegurando que conta com grande capacidade de recuperação e potencial. No terceiro trimestre do ano, o crescimento da economia chinesa abrandou para 6,5%, em termos homólogos, o ritmo mais lento desde o primeiro trimestre de 2009, segundo dados publicados na semana passada.

O investimento em activos fixos, motor fundamental do crescimento, abrandou para 5,4%, nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período do ano passado. O sector privado contribui hoje para mais de metade da receita tributária do país, 60% do Produto Interno Bruto ou 80% dos postos de trabalho nas cidades, segundo dados oficiais.

PAQUISTÃO PEQUIM DISPÕE-SE A AJUDAR O PAÍS A SUPERAR CRISE FISCAL

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Governo chinês afirmou sábado estar disposto a oferecer assistência ao Paquistão para ajudar o país a superar a actual crise fiscal, mas sublinhou que as condições ainda estão a ser discutidas. O anúncio do vice-ministro dos Negócios

Estrangeiros, Kong Xuanyou, surgiu depois de uma reunião, em Pequim, entre o primeiro-ministro chinês Li Keqiang e o recém-eleito primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan. O responsável chinês escusou-se, no entanto, a avançar o montante espe-

cífico da ajuda que a China está disposta a oferecer. A emergente crise fiscal no Paquistão tem levantado dúvidas sobre a capacidade do país devolver os empréstimos concedidos por Pequim no âmbito da iniciativa chinesa “Uma Faixa, uma Rota”.

A China prometeu mais de 60 mil milhões de dólares ao Paquistão, através de empréstimos e investimentos, para estradas, portos e parques industriais. Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa “Faixa económica da rota da seda e

a Rota da seda marítima do século XXI”, mais conhecida como “Uma Faixa, Uma Rota”, está avaliada em 900 mil milhões de dólares e visa reactivar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.


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Se te pertenco, separo-me de mim. ´ Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Zheng Banqiao abraça o verde

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ILIPPINO Lippi (1457-1504) era filho de um encontro extraordinário entre um frade rebelde que também era pintor (Filippo Lippi) e uma freira que, sendo seu modelo, foi raptada por este durante uma procissão (Lucrezia Buti). Seguiu a profissão de seu pai na Toscânia, Itália, e aprendeu com Botticelli, outro importante pintor que foi discípulo de seu pai. As fronteiras, os limites e a sua ultrapassagem eram já parte da sua bagagem biográfica. Quando pintou uma «Anunciação na companhia de S. João Evangelista e Santo André», c. 1485, um curioso pormenor desencadeia uma inevitável reflexão sobre a delimitação dos espaços. A cena entre os dois protagonistas desenrola-se num jardim de áreas

«ainda não, prestes a acontecer», uma transição que é uma intromissão no decurso do tempo, que corresponde ao relato evangélico (Lc. 1, 26-38). E um jardim é um lugar de encontro da racionalidade com a energia da Natureza e que Filippino pintou com a minúcia de um jardineiro. Jardineiro foi a função a que alguns pintores Chineses se dedicaram nos últimos anos das suas vidas, revelando a vontade de tocar essa mesma matéria que lhes servira de motivo na pintura. Foi o caso de Shitao ou de Zheng Xie (1693-1765), mais conhecido como Zheng «Banqiao», nome que pode ser traduzido como «a ponte que leva». Depois de uma carreira de magistrado cumprida na Província de Shandong, regressou à

Jardineiro foi a função a que alguns pintores Chineses se dedicaram nos últimos anos das suas vidas, revelando a vontade de tocar essa mesma matéria que lhes servira de motivo na pintura. Foi o caso de Shitao ou de Zheng Xie (1693-1765), mais conhecido como Zheng «Banqiao», nome que pode ser traduzido como «a ponte que leva» bem delimitadas: de um lado o Anjo e noutro a Virgem porém, subtilmente, o manto azul que cobre a Virgem ultrapassa o limite em que cada um está a desempenhar o seu papel. Um pequeno detalhe teria que ter consequências dentro do quadro de pensamento em que se movia Filippino Lippi. O seu foi o tempo da emergência de uma ordenação racional do mundo, designada na pintura como a perspectiva de ponto de fuga único, que se impunha na percepção do espaço pintado e onde portanto, nada no quadro estaria por acaso. O facto de a cena se desenrolar num jardim já era em si mesmo uma audácia, na sequência do que fizera Leonardo da Vinci em 1472. O tema da Anunciação remete para um «momento quase», um

sua cidade de Yangzhou onde, para lá de outros trabalhos agrícolas, edificou o seu «Jardim a Abraçar o Verde». Nele se podiam ver entre outros, salgueiros lotos ou crisântemos. A sua atenção enquanto pintor já fora dedicada a géneros particulares da flora como «orquídeas e bambus», sobre os quais escreveu que «durante mais de cinquenta anos não fiz outra coisa». Não faltam na história da pintura chinesa relatos fantásticos, ao contrário, em que pessoas entraram dentro de pinturas e nelas desapareceram, uma disponibilidade semelhante à da Virgem de Filippino que deixou escorregar pudicamente a fímbria do seu manto para o jardim de um Anjo, como sinal de quem se dispõe a atravessar uma fronteira.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 5.11.2018

A Poesia Completa de Li He

長歌續短歌 長歌破衣襟,短歌斷白發。    秦王不可見,旦夕成內熱。    渴飲壺中酒,饑拔隴頭粟。    淒淒四月闌,千里一時綠。    夜峰何離離,明月落石底。    徘徊沿石尋,照出高峰外。    不得與之游,歌成鬢先改。

Canções Longas Depois de Curtas Canções longas racharam meu colarinho, Canções curtas tosquiaram meu cabelo embranquecido. O rei de Qin não se divisa nenhures e, assim,1 De aurora a ocaso arde febre em mim. Com sede, bebo vinho de um jarro, Com fome apanho sorgo no topo do dique. Gelado e só, vejo Maio passar por mim E, repentinamente, mil léguas reverdecem. Infindos, cumes de montanha à noite, A luzente lua parece tombar entre penedos. Enquanto vagueio, buscando pelas rochas, A sua luz luz para além dos tremendos picos. Não podendo viajar com a lua, o cabelo embranqueceu-me Antes de terminar minha canção.

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“Canção longa” e “canção curta” eram designações de baladas yue-fu que tinham por tema a brevidade da vida humana. A referencia a Qin deve-se ao facto de, à época, para lá se ter mudado o Imperador Xian-zong.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


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2 5 4 6 3 8 7 9 1

EXPOSIÇÃO “PARA ALÉM DA PAISEGEM” DE WU LI Museu de Arte de Macau | Até 11/11

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Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kemji Shibayama Com: Takanori Iwata, Hana Sugisaki, Kenta Suga, Sei Ashina, Magy 16.45, 21.30

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2 7DISCO 9 5 8 HOJE 1 3 4 UM 1 3 4 6 9 O6 Japão 5é uma 8 panó7 4 plia de descobertas e 3 do 6outro 7mundo, 8 5 coisas e a música pode ser 5 4disso.2 Os1Ye-3 reflexo llow Magic Orchestra 9 8 1 2 7 lançaram um álbum homónimo 19781 7 9 3em 4 quando o disco sound explodia 8 1 na6Europa, 9 2 mas o seu trabalho 4 2 5 3 acaba por estar mais6 ligado aos primórdios da música electrónica e até à sonoridade da banda alemã Kraftwerk. Além destas influências notamos, no entanto, uma sonoridade absolutamente oriental e moderna, com referências ao mundo da tecnologia. Andreia Sofia Silva

com.mo

2 3 9 6 4 5 7 8

5 2 1 9 6 8 4 7

7 1 2 8 3 6 5 9

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8 1 3 5 9 6 4 7 2 5 7 3 1 2 5 8 3 9 8 4 4 7 6 2 7 4 1 6 5 3 2 9 6hojemacau. 8www. 9 1

Um filme de: Donovan Marsh Com: Gerard Butler, Gary Oldman 14.30, 19.15

9 2 3 5 8 4 1 7 6

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5 2 8 6 1 9 7 3 4 1 7 4 8 5 3 9 6 2 9 6 3 2 4 7 5 8 1 3 1 7 4 GOOSEBUMPS 8 2 6 9 HALLOWEEN 5 2: HAUNTED 4 8 2 9 6 HUNTER 5 3 1 7 KILLER [C] GOOSEBUMPS 2: HAUNTED HALLOWEEN [B] 6 9 5 7 3 1 4 2 8 8 3 6 5 2 4 1 7 9 WORLD [A] 7 5 1 3 9 PERFECT 8 2 4 6 HALLOWEEN [C] 2 4 9 1 7 6 8 5 3 Um filme de: Ari Sandel Com: Madison Iseman, Wendi McLendon-Covey, Jeremy Ray Taylor 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

4 7 6 2 9 1 8 3 5

PROBLEMA 27

30

SALA 3

1.16

26 Raimundo do Rosário por uma Admiro única característica, uma vez que apenas o conheço como jornalista: é pragmático. Isso faz com que esteja a tentar resolver uma série de dossiers pendentes desde o tempo do anterior secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, e parece estar a ser bem sucedido. Podemos também considerar Raimundo do Rosário como sendo bem humorado, pois no último plenário da Assembleia Legislativa, proferiu a seguinte frase “tenho cada vez mais casos judiciais na minha área e começo a pensar se o secretário deve ser um engenheiro ou um jurista”. Contudo, não sei se a piada terá caído bem em termos de imagem política. Se não, vejamos: os processos relacionados com a declaração de caducidade dos terrenos enchem os tribunais e, vai-se a ver, se calhar o Governo 28 até teve culpas no cartório em alguns casos e muitos empresários podem ter perdido direitos na qualidade de concessionários. O metro ligeiro anda a passos lentos e com várias polémicas à mistura, e começam a ser comuns processos relacionados com adjudicações em concursos públicos. Pergunto-me se o excesso de situações consideradas ilegais pelos juízes darão vontade de rir a algumas pessoas ou se farão bem à credibilidade do Governo da RAEM. No meio de uma panóplia de debates cinzentos naAssembleia Legislativa, o humor e a honestidade de Raimundo do Rosário são uma lufada de ar fresco. Mas não devemos esquecer que ele é também um político, com as componentes que isso acarreta. Andreia Sofia Silva

5

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 26

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SALA 1

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DE

EXPOSIÇÃO SALÃO DE OUTONO Casa Garden | Até 30/11

YUAN

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CINEMA | DOC LISBOA - “O CANTO DO OSSOBÓ” DE SILAS TINY 18h30 | Auditório Dr. Stanley Ho

C 6 7 2 3 5 1 9 8 4

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EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12

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Quinta-feira

SALA 2

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CINEMA | DOC LISBOA -“SPELL REEL”, DE FILIPA CÉSAR 18h30 | Auditório Dr. Stanley Ho

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BAHT

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“O GAJO – CAMPANIÇA GUITAR CONCERT” Live Music Association | 22h00

3 6 4 5 2 8 7 1 9

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O SECRETÁRIO BEM HUMORADO

Quarta-feira

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EURO

VIDA DE CÃO

CINEMA | DOC LISBOA - “PÉ SAN IÉ – O POETA DE MACAU” DE ROSA COUTINHO CABRAL 18h | Cinemateca Paixão

27 Cineteatro

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8 MAGIC ORCHESTRA | 19787 YELLOW 6

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6 4 9 7 2 8 2 5 3 1 1 9 6 4 8 3 6 7 9 4 7 1 2 6 5 9 5 8 1 3 2Propriedade 8 3Fábrica5de Notícias, 9 Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; Navarro José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 4José 7 1de Andrade; 8 6 Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Santos 5dos 3 Cartoonista 4 2 Steph 7 Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


desporto 17

segunda-feira 5.11.2018

Moto2 Miguel Oliveira entrega título a Bagnaia

Miguel Oliveira terminou ontem em segundo lugar no Grande Prémio da Malásia de Moto2, permitindo já ao italiano Francesco Bagnaia festejar o título da classe intermédia, ficando o português como vice-campeão mundial. O piloto da KTM terminou a cerca de um segundo do italiano Luca Marini, irmão de Valentino Rossi, um resultado insuficiente para levar a discussão do título até à derradeira corrida da temporada, em Valência, devido ao terceiro lugar do italiano Francesco Bagnaia, novo campeão, numa Kalex da Sky Racing. Oliveira, que nesta corrida não teve apoio do colega de equipa, o sul-africano Brad Binder, precisava de vencer e esperar que Bagnaia fosse pelo menos terceiro classificado. Assim, ficou a 32 pontos do italiano da equipa de Valentino Rossi quando ficam 25 pontos em disputa na última prova. Depois do segundo lugar em 2015 no Mundial de Moto3, Miguel Oliveira volta a ser vice-campeão mundial.

A

lista de inscritos para a terceira edição da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 ficou completa no final da pretérita semana, com a confirmação das presenças do espanhol Alex Palou e do japonês Ryuji Kumita. Ambos vão conduzir monolugares Dallara-Volkswagen da equipa nipónica B-MAX Racing Team. Palou tem sido um habitual das provas de Fórmula 3 nas últimas temporadas, tendo terminado no 11º lugar em 2017. Já o empresário-piloto Ryuji Kumita, que utiliza a alcunha de “Dragon”, depois da estreia infeliz no ano passado, vai superar o seu próprio recorde: o de piloto mais velho a correr na prova de Fórmula 3 do Circuito da Guia. O piloto nipónico de Fórmula 3 de 51 anos começou e terminou a sua participação na prova de então na quinta-feira. Na sessão de treinos livres, o então campeão da classe secundário do Campeonato Japonês de Fórmula 3, bateu logo na sua primeira volta à pista. Reparado

FÓRMULA 3 DRAGON REGRESSA AO GRANDE PRÉMIO AOS 51 ANOS

O Dragão e a Yoko o monolugar Dallara-Volkswagen para a qualificação da tarde, "Dragon" voltou a bater de frente nas barreiras de protecção, junto à Polícia, logo na sua primeira volta rápida, mas desta vez magoou-se num dedo e assim deu por terminada a sua participação na prova. Apesar do infortúnio e da curtíssima passagem pela prova, o japonês prometeu voltar e vai cumprir a promessa. Os campeões da Europa e Japão de Fórmula 3, assim como o ven-

cedor do ano passado, encabeçam uma lista de inscritos de grande qualidade da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3. O vencedor da edição de 2017, o britânico Dan Ticktum, também estará presente, assim como o jovem piloto de Macau Charles Leung.

BORRACHAS JAPONESAS PARA TODOS Pela 35ª vez, a Yokohama, através da sua gama desportiva Advan, que celebra o seu quadragésimo

Os campeões da Europa e Japão de Fórmula 3, assim como o vencedor do ano passado, encabeçam uma lista de inscritos de grande qualidade da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3

aniversário, irá ser o fornecedor exclusivo de pneus do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3. Desde 1983, quando a categoria foi introduzida no Grande Prémio, apenas por uma vez, em 2016, o construtor japonês não foi o fornecedor exclusivo da prova, tendo na altura perdido o concurso anual aberto pela FIA para a rival Pirelli. O Grande Prémio de Macau é o evento desportivo asiático mais importante para o construtor fundado em 1917. A marca japonesa também fornece dos pneus da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) e alguns concorrentes da Taça de Carros de Turismo de Macau. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

Moto3 Jorge Martín campeão do mundo

O espanhol Jorge Martín assegurou ontem o título mundial de Moto3, ao vencer o Grande Prémio da Malásia na categoria mais baixa do Mundial de Velocidade. O piloto da Gresini Honda deixou Lorenzo della Porta a 3,556 segundos. O quinto lugar do italiano Marco Bezzecchi (Redox KTM) e o sexto de Fabio Giannantonio (Gresini Honda) permitiu a Jorge Martin chegar à derradeira prova da temporada, em Valência, já campeão. "Foi um ano difícil, mas incrível", disse o piloto espanhol de 20 anos. Este foi o 600.º triunfo de um piloto oriundo de Espanha no campeonato do mundo. A Itália, no entanto, com 802, é o país com mais vitórias no Mundial.

Benfica Svilar associado ao Inter

Mile Svilar, guarda-redes do Benfica com passaportes belga e sérvio, 19 anos, continua a ser notícia na Imprensa internacional, sendo desta feita associado ao Inter, que estará já à procura de um sucessor para o internacional esloveno Handanovic. A publicação Calciostyle coloca o guardião dos encarnados na lista de jogadores que interessam ao Inter, mas faz a ressalva de que pode ser missão impossível em virtude dos preços que o Benfica costuma pedir pelos jogadores jovens. Svilar, recorde-se, foi também recentemente colocado na órbita dos belgas do Club Brugge, que poderiam tentar a contratação em Janeiro, mas o negócio está longe de se concretizar, até porque o futebolista parece disposto a manter-se na Luz, onde acreditará que é possível adquirir os minutos de competição que pretende, apesar de Vlachodimos ser por agora o titular.

CHINA SHANGHAI SIPG E VÍTOR PEREIRA MUITO PERTO DE SEREM CAMPEÕES

O

Shanghai SIPG, treinado pelo português Vítor Pereira, deu sábado um passo, provavelmente, decisivo, para se sagrar campeão chinês de futebol, ao vencer por 5-4 no estádio do perseguidor e heptacampeão Guangzhou

Evergrande, na 28.ª e antepenúltima jornada. A equipa orientada por Vítor Pereira - que poderá em breve juntar o título de campeão chinês aos que já conquistou em Portugal, no FC Porto, em 2012 e 2013, e na Grécia, no Olympia-

cos, em 2015 -, passou a dispor de cinco pontos de vantagem na liderança do campeonato, com apenas seis em disputa. O Guangzhou Evergrande, pelo qual foi totalista o brasileiro Talisca, ex-jogador do Benfica, até

chegou ao intervalo a vencer por 3-2, num jogo com nove golos, um dos quais marcado pelo compatriota Hulk, antigo futebolista do FC Porto, aos 89 minutos, de grande penalidade. Os restantes golos do Shanghai SIPG foram mar-

cados por Lu Wenjun (14 minutos), Cai Huikang (40), Wu Lei (50) e Zhang Chenglin (79, na própria baliza), tendo o heptacampeão ‘facturado’ por intermédio de Paulinho (30 e 45+3) e Alan (43 e 90+5, o último de grande penalidade).


18 opinião

5.11.2018 segunda-feira

MAR CO RIZZOLIO

A

Macau na WebSummit

WebSummit é “a conferência” anual sobre empreendedorismo: uma das mais importantes do mundo, focada na Internet e em Tecnologia. Trata-se do maior e mais importante marketplace de tecnologia da Europa. Os empreendedores ligados à tecnologia estão constantemente a procurar melhorias, e ali é onde encontram ferramentas para que isso aconteça. Hoje em dia, a maioria das inovações é impulsionada pela “Internet das Coisas”. Quando falamos de siglas como VR (Realidade Virtual), AR (Realidade Aumentada), AI (Inteligência Artificial) ou Crypto (BlockChain), muitas destas inovações têm um impacto disruptivo na sociedade, transformando a nossa maneira de viver. Estamos a falar de novos produtos ou de serviços que criaram novos mercados mudando os hábitos das pessoas, como a Netflix, AirBnB, Uber, Drones ... Mas todos nós temos que concordar que a transformação da nossa sociedade pela tecnologia deve ser sustentável e tem que criar um impacto positivo na sociedade. Os empreendedores que usam a tecnologia são sempre curiosos e querem manter-se atualizados sobre as novas tendências que ocorrem nos seus segmentos de negócios. Este ano, a WebSummit terá nove áreas, onde diretores de inovação e pesquisa, CEOs, CTOs, CMOs de empresas como Huawei, Xiaomi, Apple, IBM, etc., irão cobrir tópicos desde Data-Science, Big-Data, e até, e mais urgente, tecnologia e inovação que visam a melhoria imediata do meio ambiente e sustentabilidade do planeta. Websummit não é apenas um encontro onde aprendemos sobre as novas inovações tecnológicas. Todo o ecossistema de startups estará presente na conferência, formada por incubadoras, aceleradoras, universidades, organizações financiadoras, investidores, assessores jurídicos, multinacionais, governos. É um melting pot de participantes, desde pequenas startups a multinacionais, que têm a oportunidade de marcar reuniões e fechar acordos durante o evento de três dias. Todos os participantes da conferência procurarão fazer network, tentando estabelecer novos acordos parcerias. O CEO da Uber afirma que o acordo de investimento mais importante da vida dele foi assinado durante a Websummit de 2011 em Dublin. Dois tipos de eventos acontecerão durante a Websummit: •Side Events: sessões com um formato de mini apresentações durante as horas fora da agenda do evento, para as pessoas socializarem. (ou seja, Sunset Summit e outros eventos

privados patrocinados por grandes empresas) •Night Events: Durante a noite, os participantes são convidados a continuar o network em 3 locais diferentes para cada noite: LX Factory, Bairro Alto e Rua Cor de Rosa no Cais do Sodré. Aqui, o network será muito mais leve, mas não menos eficaz.

ECOSSISTEMA DE STARTUPS NA RAEM

O governo de Macau está a tentar acompanhar a tendência destes ecossistemas que já existem em várias partes do mundo há mais de 20 anos e onde o empreendedorismo provou impulsionar o desenvolvimento rápido e sustentável do conceito de cidades inteligentes. Macau não quer perder o comboio com as cidades vizinhas da Grande Baía, como Hong Kong, Shenzhen, onde as primeiras incubadoras nasceram no início dos anos 2000. Lugares como Sillicon Valley, Shenzhen, Hong Kong, Lisboa, Tel-Aviv, Berlim e muitas outras cidades perceberam há anos a importância destas estruturas empresariais e o ganho económico real para a comunidade, trazendo a troca de conhecimento; conectando investidores com stakeholders e criação de talentos. A nossa cidade vizinha, Hong Kong já viu o nascimento de empresas 7 unicórnios (empresa com valorização acima de 1B $USD), entre elas a GoGoVan, Klook, Bitmex, Sensetime, Lalamove, TinkLabs e WeLab. Em Macau, as primeiras incubadoras começaram a surgir em 2014. O Macau Design Centre e o Centro de Serviços Integrados Culturais e Criativos de Macau, financiadas pelo FIC (Fundo de Indústrias Culturais de Macau), foram as primeiras incubadoras que tiveram a pretensão de incubar e acelerar as empresas instaladas na suas estruturas. Ambas aceitam principalmente empresas ligadas as indústrias criativas, como design, multimédia e artes. O Macau Envision é outro acelerador também fundado no ano passado e alberga actualmente cerca de 10 startups. Em 2017, o Departamento de Economia de Macau também lançou um espaço de

trabalho partilhado sob a administração da empresa Parafuturo. O MYIEC (Centro de Jovens Empreendedores de Macau) é a primeira incubadora/aceleradora “de verdade”, que abrange sectores mais diversificados, como software, medicina, multimédia, viagens, logística e financiamento directo do governo. A Parafuturo recebeu mais de 120 pedidos e cerca de 60 projectos estão a ser incubados no MYEIC, ajudando as startups a conectarem-se com potenciais parceiros, investidores, mas também mentores. Macau está a abraçar esta nova onda de empreendedorismo e já está a construir o seu próprio ecossistema de startups. No início deste ano, a Parafuturo juntou-se a uma competição de startups “Protechting”, aberta a empresários locais, em cooperação com os grupos de investimento e tecnologia chineses Fosun e Alibaba. O Protechting é um programa de aceleração de startups lançado há três anos e desenvolvido pela Fosun e pela Fidelidade. Este ano, as startups locais de Macau vão participar na competição dedicada à Healthtech, Fintech e Insurtech, que será realizada no dia 8 de Novembro, no WebSummit Lisbon.

DO DESENVOLVIMENTO

As Startups são fundamentais para ajudar a diversificar a economia de Macau. O desenvolvimento deste ecossistema faz parte do plano de desenvolvimento de cinco anos de Macau e também faz parte de uma das 19 acções governamentais sugeridas pela Secretaria do Fórum Económico de Macau.

O papel de Macau no futuro do ecossistema de grandes startups da Grande Baía é conectar-se com empresas de países de língua portuguesa que querem ter acesso ao mercado chinês. Isso também funciona ao contrário com empresas da Grande Baía que queiram ter acesso ao mundo ocidental Apesar de Macau ser uma cidade com 650.000 habitantes e uma economia dependente do jogo, muitos empreendedores estão a gerir negócios nas mais variadas áreas, desde desportos, produtos de saúde, designers de moda, programadores, consultores, multimédia… O pequeno tamanho do mercado de Macau é uma vantagem para as startups locais, já que menos investimentos são necessários para conquistar uma participação de mercado, enquanto isso, possivelmente chamando a atenção de um possível parceiro de investimentos chinês. Há também uma mudança de mentalidade da nova geração que quer trabalhar de forma independente e construir seu próprio negócio.

Macau está já a trabalhar na expansão das oportunidades de desenvolvimento local e internacional para os seus empresários da área da Grande Baía e dos países de língua oficial portuguesa. O MYEIC assinou um acordo de cooperação com a empresa portuguesa Beta-i, em Lisboa, e concordou em criar uma “Zona Interactiva Macau”, onde ambos os membros podem solicitar o uso do espaço de trabalho e desfrutar dos seus serviços de incubação. O Centro de Incubação de Jovens Empreendedores de Macau estará a trabalhar no próximo ano com a incubadora brasileira Fábrica de Startups Rio, para estender a “Macau Interactive Zone” ao Brasil e procurar oportunidades de projectos empresariais de alta qualidade para entrar em Macau e na China. Um modelo semelhante já foi criado no 760 Creative Industry Park em Zhongshan, na província de Guangdong. O MYEIC e a DSE estão a reforçar a cooperação com muitas incubadoras da grande área da baía: em Henqhin, Zhongshan, Guagdong, Shenzen e Hong Kong. Empresários locais com o ID de Macau poderão usar esta rede de centros de Incubadoras na China, que os ajudarão a facilitar a abertura de uma empresa na China, tendo escritórios, participando em programas de aperfeiçoamento e ajudando a encontrar trabalhadores qualificados e potenciais investidores chineses. Um outro acordo foi assinado no ano passado entre o Gabinete Económico de Macau e a Fábrica de Startups, permitindo que vários empresários de Macau pudessem usufruir de programas de consultoria/mentoring em Portugal, ao mesmo tempo que tinham um escritório de partilha no Second Home em Lisboa. Algumas empresas do MYEIC já têm sucesso internacional como é o caso de Aomi e Bingui. O papel de Macau no futuro do ecossistema de grandes startups da Grande Baía é conectar-se com empresas de países de língua portuguesa que querem ter acesso ao mercado chinês. Isso também funciona ao contrário com empresas da Grande Baía que queiram ter acesso ao mundo ocidental. A estratégia de longo prazo passa pelo fortalecimento das relações e parcerias entre os diversos pólos de empreendedorismo: vinculando toda a cadeia de ciclo do ecossistema: incubadoras, aceleradoras, investidores, universidades, entidades governamentais, assessores jurídicos, mentores etc. São serão sempre necessários programas permanentes de Incubação e Aceleração para empreendedores locais: mentoring avançado que abrange vários aspectos relacionados à gestão de negócios e à abertura de canais de investimento para facilitar o desenvolvimento dessas startups. A consolidação do ecossistema existente na área da Grande Baía precisa de leis que ajudem a quebrar as barreiras da cooperação. No caso dos Países de Língua Portuguesa, ainda estamos num estágio menos avançado devido à distância, mas certamente veremos os frutos das parcerias que têm sido criadas, nos próximos anos.


opinião 19

segunda-feira 5.11.2018

reencarnações JOÃO LUZ

NARCISSUS, CARAVAGGIO (1594-96)

A

realidade já não mora aqui, mudou-se de malas e bagagens para a Rua da Amargura. Se quiser endereçar questões, por favor considere uma outra opção da sua preferência, porque é nesses termos que nos encontramos. Vivemos tempos de realidade customizada, personalizada, feita à sua medida. Lembra-se da promessa quimérica de tornar a fantasia em realidade?! Pois é, o devaneio, o sonho está no comando das operações. A verdade depende de quem a compra, está intimamente ligada à posição do indivíduo no espectro político, social, futebolístico, emocional, por aí fora. Hoje em dia, a realidade é uma opção, uma escolha que se pode contornar caso mexa com as crenças pessoais. Hoje em dia, o fascismo pode ser um movimento de esquerda e o comunismo um regime de direita. A água pode ser usada para secar algo e o calor fazer gelar a mesma água. Tudo o que existe, perceptível ou não pelos sentidos, pode ser transformado no seu completo oposto. Afebre ideóloga derrubou as fronteiras dos conceitos e significados, aliada à total falta de informação e conhecimento, cujo vazio afectivo foi substituído por propaganda também ela personalizada. A realidade tornou-se uma ofensa, uma provocação pessoal que afronta a crenças solidificadas nas redes sociais. O ser humano moderno é, essencialmente, um internauta, um troll, um soldado armado de tecnologia, pronto para disparar rajadas de incongruências raivosas na guerra aos factos. Se um jornal citar ipsis verbis as declarações de alguém que têm pontos de vista factualmente odiosos, que lança ameaças de violência contra inteiros grupos sociais, esse artigo será caracterizado como o equivalente a odiar quem proferiu tais palavras e, além disso, declarado falso apesar de ser uma compilação de citações. Nada está seguro neste mundo pós-real, pós-factual.Arealidade é uma condicionante emocional, uma circunstância que pode ofender o frágil estado afectivo do Homo Facebookis. Factualidade divide-se entre identificação ou ofensa. Não existe neutralidade nesta guerra sem quartéis. Ou estás comigo ou contra mim. Sem nuance, sem contexto, sem noção, só confronto e barricadas invisíveis de lados que se digladiam por nada. A ironia de esta crise acontecer numa altura em que o ensino chega a mais pessoas que nunca, em que o conhecimento é livre e disponível, ultrapassa os limites da comédia em direcção à tragédia. Séculos de conhecimento adquirido são pulverizados num segundo por um meme idiota de internet. Estamos a atingir níveis de estupidez que colocam em risco a sobrevivência do planeta. Vacinas passaram

Realidade

a ser vistas como uma arma biológica de propagação do autismo, a Terra voltou a ser plana, o Homem nunca foi à Lua, escapes de aviões são gases libertados pela população com um objectivo nefasto à escolha do freguês, os jornalistas são perigosos elementos perturbadores da paz numa sociedade onde resquícios tríades ainda deixam rasto. O comunismo está em todo o lado, apesar da queda da União Soviética há quase 30 anos e da China idolatrar o dinheiro de uma forma que faria o mais fervoroso capitalista corar. Aliás, o bicho-papão do comunismo tem actualmente uma cotação equiparável aos tempos de caça

Nada está seguro neste mundo pós-real, pós-factual. A realidade é uma condicionante emocional, uma circunstância que pode ofender o frágil estado afectivo do Homo Facebookis. Factualidade divide-se entre identificação ou ofensa

às bruxas dos anos 1950. Nesse aspecto, a queda da Venezuela foi instrumental, uma dádiva caída dos céus para a diabolização de tudo o que tem a palavra social. A realidade é opcional, um capricho etéreo, um fantasma intocável face à soberana materialização do “Eu”. O ego está claramente a ganhar ao mundo tangível, mensurável e comprovado. O Homem retorna ao umbigo. História, ciências exactas, matemática e conhecimento adquirido são potenciais ameaças à suprema afectividade do narcisismo. Orgulho e vaidade são o prato do dia, num menu onde já não consta a razão.


As pessoas pedem-te uma crítica, mas querem apenas um elogio. William Maugham

Fome sem fim à vista

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 5.11.2018

A

S Nações Unidas lamentaram ontem os poucos avanços na luta contra a subnutrição na região da Ásia-Pacífico, devido à pobreza, desigualdade e alterações climáticas, especialmente na infância. “A região da Ásia-Pacífico alberga mais da metade das pessoas subnutridas do mundo”, disse a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), numa declaração conjunta com outras agências da ONU. AFAO lamentou o “progresso lento” contra a desnutrição e a obesidade, apesar de décadas de crescimento económico na região, e exortou os países a aumentarem os esforços para acabarem com todas as formas de desnutrição até 2030, um objectivo alinhado com os compromissos da ONU. Em 2017, o número de pessoas subnutridas na Ásia-Pacífico totalizou 486,1 milhões (11,4% da população total), em comparação com 486,5 milhões (11,5% do total) no ano anterior, apontou a FAO. A desnutrição afectou 11,6% da população da região em 2015, 13,8% em 2010 e 17,7% em 2005. Especialistas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Programa Alimentar Mundial e da Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas também colaboraram no relatório. “A desnutrição cobre um espectro muito amplo e afecta pessoas de todas as idades variando desde a desnutrição

TOMMY TRENCHARD

ASIA-PACÍFICO ONU LAMENTA POUCOS AVANÇOS NA LUTA CONTRA A SUBNUTRIÇÃO

Campo de refugiados no Bangladesh Uma mulher tenta alimentar o filho desnutrido com o único alimento que dispõe: pasta de amendoim

severa ao sobrepeso e à obesidade”, disseram as agências no comunicado conjunto, que alertou para estes perigos especialmente em crianças.

TRISTE REAL

Um total de 79 milhões de crianças, ou uma em cada quatro com menos de cinco anos, sofre de problemas de desenvolvimento e 12 milhões sofrem de desnu-

trição severa que coloca as suas vidas na Ásia-Pacífico em risco. “A triste realidade é que um número inaceitável de crianças na região continua a enfrentar os múltiplos problemas da desnutrição, apesar de décadas de crescimento económico. Isto pressupõe uma perda humana colossal, dada a associação entre desnutrição e um pobre desenvolvimento cognitivo”, sublinham os autores.

“A triste realidade é que um número inaceitável de crianças na região continua a enfrentar os múltiplos problemas da desnutrição, apesar de décadas de crescimento económico.” RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO

O

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“Superfície revelada” é a exposição que vai ocupar a galeria Taipa Village Art Space entre os próximos dias 5 de Dezembro e 8 de Fevereiro. A mostra traz à Taipa as fotografias de Chan Hin Io capturadas através de um drone. “A exposição oferece uma visão única da cidade, utilizando imagens aéreas, uma forma de arte relativamente nova e que traz a olho nu aquilo que muitas vezes é apenas imaginado”, revela a organização em comunicado. “Superfície revelada” vais mostrar Macau e o seu tecido urbano de “forma única” sublinha a organização. O artista, Chan Hin Io, começou a estudar fotografia em 1996 e é membro da Associação de Fotógrafos da China, da Associação de Fotógrafos de Guangdong e consultor da Sociedade Fotográfica de Macau.

Nuclear Pyongyang ameaça voltar ao fabrico de armas

O aumento dos desastres naturais devido às mudanças climáticas, bem como o acesso limitado a alimentos saudáveis, água potável e instalações sanitárias, contribuem para a desnutrição entre adultos e crianças. O relatório também observa que cerca de 14,5 milhões de crianças com menos de cinco anos têm excesso de peso devido ao aumento do consumo de alimentos baratos e insalubres devido ao seu alto teor de sal, açúcar e gordura e baixo teor de nutrientes. Embora o excesso de peso tenha aumentado em toda a região desde 2000, os dados variam, desde a redução de 16% no leste da Ásia e um aumento de 128% no sudeste da Ásia.

AVIAÇÃO JAPÃO REFORÇA CONTROLO DO CONSUMO DE ÁLCOOL ENTRE PILOTOS Governo nipónico anunciou sexta-feira que vai reforçar o controlo do consumo de álcool entre funcionários de companhias aéreas, como resposta aos recentes casos de pilotos japoneses com altos níveis de alcoolemia horas antes dos voos.

Fotografia Exposição revela Taipa vista de cima

Em declarações à imprensa, o ministro japonês dos Transportes, Keiichi Ishii, garantiu que vão ser

tomadas “todas as medidas possíveis” para garantir a segurança aérea. Adecisão do Executivo é conhecida dias depois de um piloto japonês ter sido detido em Londres com uma taxa de alcoolemia quase dez vezes superior ao limite legal. O ministro

japonês afirmou, ainda, que o país vai rever os seus regulamentos aéreos para atender aos padrões internacionais, já que este caso e outros acontecimentos recentes questionaram a credibilidade do controlo interno das companhias aéreas nipónicas.

Na última quarta-feira, outra companhia aérea japonesa, a ANA, pediu desculpa pelo atraso de cinco voos do arquipélago de Okinawa, porque um piloto não estava em condições para voar depois de ter bebido demasiado na noite anterior.

A Coreia do Norte advertiu, na sexta-feira, que poderá reactivar uma política de estado dirigida a fortalecer o seu arsenal nuclear se os Estados Unidos não suspenderem as sanções económicas contra Pyongyang. O comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, na noite de sexta-feira, surge no meio de uma sensação de desconforto entre Washington e Seul, entre a aplicação de sanções e a pressão para que o Norte renuncie ao seu programa nuclear. O ministério avisa, na mesma nota, que o Norte poderá trazer de volta a sua política de avançar, simultaneamente, com a sua força nuclear e o desenvolvimento económico, isto se os Estados Unidos não mudarem de posição.

Tailândia Funeral do dono do Leicester começou no sábado

O funeral budista do milionário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, proprietário do Leicester, que se vai prolongar por vários dias, começou sábado em Banguecoque, onde futebolistas, técnicos e dirigentes do clube inglês de futebol são esperados. O dono do Leicester, equipa na qual alinham os internacionais portugueses Adrien Silva e Ricardo Pereira, foi uma das cinco pessoas que morreram na queda de um helicóptero em 27 de outubro, num parque de estacionamento junto ao estádio do clube inglês. Vichai, que morreu aos 60 anos, comprou o Leicester por 39 milhões de libras em 2010, quando estava no campeonato da segunda divisão e financiou a revitalização, que atingiu o pico ganhando de uma forma improvável a Premier League inglesa em 2016.

Hoje Macau 5 NOV 2018 #4165  

N.º 4165 de 5 de NOV de 2018

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