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josé simões morais

Director carlos morais josé

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O império e o folclore josé simões morais

terça-feira 4 de agosto de 2015 • ANO Xiv • Nº 3386

opinião

Um mundo transparente fernando eloy

O fiscal fiscaliza? política página

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hong kong

O seio não é uma arma Agência Comercial Pico • 28721006

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china página

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hojemacau

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Ter para ler

eleições | portugal partidos negam convite a coutinho

Sonho de uma campanha de Verão A inclusão do nome de Pereira Coutinho nas listas para as Eleições Legislativas portuguesas continua envolta em mistério. Enquanto o candidato à presidência do Conselho das Comu-

nidades Portuguesas (CCP) continua a afirmar ter recebido o convite de um partido para ingressar numa lista, PSD e PS negam ter feito alguma solicitação para tal. O Secretário de Estado

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grande plano Página

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das Comunidades Portuguesas, José Cesário, afirma também desconhecer a existência de algum convite. José Pereira Coutinho faz voto de silêncio até às eleições de Setembro para o CCP.


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diário de bordo

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por carlos morais josé

“Os jovens não participam tanto na política em Macau e penso que é muito devido à cultura chinesa que têm, mas temos de transmitir os valores democráticos”

EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT

ontem macau

A presidente sul-coreana, Park Guen-hye, cumprimenta o líder do principal partido democrata da oposição japonês, Katsuya Okada, durante um encontro na residência presidencial em Seoul, Coreia do Sul. Os dois países estão a discutir mais medidas de cooperação.

horah

“[Pereira Coutinho] tem também de esclarecer, antes das eleições, [se for candidato] por qual lugar optará: pelo lugar de deputado da Assembleia Legislativa de Macau ou de deputado à Assembleia da República de Portugal. Se o não fizer claramente, estamos perante mais um embuste. Em qualquer caso, tanto ele, como o partido pelo qual venha a ser eventualmente candidato, estarão, à partida, descredibilizados” Tiago Pereira • Secretário-Geral da secção de Macau do PS

“O Governo deve definir orientações, com carácter obrigatório, para a vistoria das obras” Leong Veng Chai, deputado, sobre as normas para as vistorias às obras no território | P. 4

Gabinete de Estudo das Políticas

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Da passividade e outras fábulas Quando me vieram buscar não havia ninguém para me defender. Paráfrase de Bertold Brecht

Gilberto Camacho • Candidato suplente da lista ao CCP

“A maioria dos empregados (50 a 60%) recebe assistência adequada. No entanto, são poucas as empresas que favorecem o gozo da licença de paternidade, estimando-se em apenas um terço (31,8%). Nestas circunstâncias, os trabalhadores vêem-se obrigados a tirar dias de licenças por maneira própria”

édito

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

Fez bem o novo responsável pela secção do PS em Macau em emitir um comunicado por ocasião da notícia de uma eventual candidatura de José Pereira Coutinho à Assembleia da República. Perante a real possibilidade do deputado e conselheiro alavancar alguns milhares de votos, Tiago Pereira veio à liça denunciar alguns aspectos deste processo político, cujo desenlace está longe de ser claro. Trata-se, sublinhe-se, de um processo, ou seja, algo que vem de trás, de um passado com mais de uma década, que tem produzido efeitos contínuos e que tende agora para uma maximização de algum modo inesperada. A verdade é que, pelo menos desde 2003, Pereira Coutinho tem vindo a contar com cada vez mais votos de pessoas com nacionalidade portuguesa, mas cujas língua, cultura e realidade social lhes dificultam o acesso aos temas da política lusitana, sejam estes do âmbito da comunidade local ou, ainda menos, nacional. Este distanciamento ficou bem patente na qualidade da mensagem (SMS), de origem misteriosa, que insinuava uma eventual perda de nacionalidade, no caso de não se proceder ao recenseamento, e que forçou o cônsul Vítor Sereno a emitir um incontornável esclarecimento. Só uma população totalmente ignorante dos seus direitos de cidadania nacional, da sua portugalidade, poderia engolir este tipo de esparrela e deslocar-se bovinamente ao Consulado para se recensear, como provavelmente se deslocará para votar nas eleições para o Conselho das Comunidades e para a Assembleia da República. A comunidade portuguesa da RAEM tem sido, do ponto de vista político-eleitoral, pouco a pouco, feita refém da “bondade” expressa no passado, com a excelência da atribuição generalizada da nacionalidade portuguesa à população de Macau, perante a complacência das forças vivas presentes no terreno. O mérito de Coutinho foi ter sabido detectar uma mina de ouro eleitoral, puríssimo, sem ideologias nem interesses reais, pronta a ser rentabilizada e avançar decididamente, de picareta na mão, na sua exploração. Os resultados têm sido excelentes. Curiosamente, enquanto Coutinho utilizou o seu método a nível local, no âmbito das eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas, tornando fútil o aparecimento de outros candidatos e o debate político, para o PS não veio mal ao mundo. Mas agora, que aposta mais alta se levanta, entendeu emitir um comunicado a denunciar esta bizarra situação. Porquê só agora? Porque Pereira Coutinho poderá realmente ser eleito e isso é “um problema” (para quem)? Porque o seu método não preenche os mínimos requisitos éticos, quando em causa está a Assembleia da República, mas não faz mal quando se trata do Conselho das Comunidades? Tiago Pereira resolveu emitir um comunicado. Muito bem. Em muitas das suas passagens, digamos que me tira palavras da boca ou ideias dos meus textos. É, portanto, fácil de perceber que concordo com o seu conteúdo. Há uns meses, José Rocha Dinis, também com responsabilidades no PS local, publicara um artigo em que se interrogava sobre o assunto. Muito bem. Mais vale tarde do que nunca. Não sei é se vêm a tempo de alguma coisa, que a coisa tem as suas raízes na era das fábulas. É que, como o mesmo Rocha Dinis prognosticou em 2003, antes das eleições para o CCP, estes jogos estão há muito viciados. E, desde então, perante a complacência e a passividade geral ou quase. l i g u e - s e • pa r t i l h e • v i c i e - s e

hojeglobal w w w. h o j e m a c a u . c o m . m o facebook/hojemacau twitter/hojemacau


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Pereira Coutinho diz que sim, mas alguns partidos dizem que não. O deputado afirma que recebeu um convite de um partido – sem divulgar qual – para ingressar na lista para as Eleições Legislativas Portuguesas no próximo mês de Outubro. PSD e PS dizem que daqui “não houve nenhum convite”

grande plano

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Eleições Portuguesas Partidos negam convite a Pereira Coutinho

Ninguém que ser meu amigo

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ma simples análise às listas públicas dos partidos políticos portugueses para as Eleições Legislativas Portuguesas de 4 de Outubro de 2015 - listas essas fechadas na passada quinta-feira –, permite perceber que em nenhuma delas, no Círculo Fora da Europa, se encontra o nome do deputado José Pereira Coutinho. Contudo, para tirar as dúvidas que podiam restar, o HM falou com os possíveis partidos que podiam ter convidado o deputado – segundo o mesmo – para ingressar nas listas. E estas negam esse convite. “As listas foram aprovadas na passada quinta-feira. Desconheço completamente o facto [de existir algum convite para Pereira Coutinho]”, começou por esclarecer José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. O representante afirmou ainda que o deputado não faz parte da lista que encabeça. “Da lista [da coligação PSD/CDS] faço parte eu, o Carlos Páscoa Gonçalves (como número dois), a Maria João Ávila (como primeira suplente) e António Simões, (do CDS, como segundo

“As listas foram aprovadas na passada quintafeira. Desconheço completamente o facto [de existir algum convite para Pereira Coutinho]” José Cesário Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

suplente)”, referiu. O PSD e o CDS candidatam-se na coligação “Portugal à Frente” pela primeira vez em mais de 30 anos. Do Partido Social Democrata (PSD) de Macau não existiu nenhum convite. Isso mesmo garante Miguel Bailote, presidente da secção de Macau do partido. “Não houve convite nenhum”, diz, adiantando que a única coisa que leu “foi que o deputado Pereira Coutinho terá manifestado alguma ambição de se candidatar, mas não houve convite nenhum. Da parte do PSD de Macau não partiu nenhum convite”.

Socialistas insistem

Do lado do Partido Socialista (PS), Tiago Pereira, Secretário-Coordenador do partido na RAEM, reforça a ideia: não existiu qualquer convite. “Eu não sei se o deputado recebeu algum convite de outros partidos, mas do nosso não recebeu”, garante. Num artigo publicado ontem pelo HM, Tiago Pereira afirmava que o suposto convite ao deputado é uma tentativa de manipular as eleições. O PS classifica a candidatura do deputado como de uma “ímpar omnipresença”, relembrando o facto de José Pereira Coutinho ser candidato da única lista ao Conselho das Comunidades Portuguesas, presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), deputado e, agora, eventual candidato à Assem-

bleia da República de Portugal. O PS defendeu mesmo que as críticas constantes de Pereira Coutinho ao trabalho do cônsul Vítor Sereno foram um “preparar do caminho para esta eventual candidatura” e que é necessário esclarecer a situação. O PS chegou a dizer num comunicado que Pereira Coutinho teria de “esclarecer, antes das eleições, por qual lugar optará: pelo lugar de deputado da Assembleia Legislativa de Macau ou de deputado à Assembleia da República de Portugal” caso seja candidato. “Se o não fizer claramente, estamos perante mais um embuste. Em qualquer caso, tanto ele, como o partido pelo qual venha a ser eventual-

“O deputado Pereira Coutinho terá manifestado alguma ambição de se candidatar, mas não houve convite nenhum. Da parte do PSD de Macau não partiu nenhum convite” Miguel Bailote Presidente da secção de Macau do PSD

mente candidato, estarão, à partida, descredibilizados”, podia ler-se numa carta enviada aos meios de comunicação.

Sem comentários

“Não posso revelar nada”. Assim reagiu Pereira Coutinho quando questionado sobre a existência do convite. “Eu nunca contactei nenhum partido”, disse, deixando no ar a ideia de que terá sido o suposto partido a entrar em contacto com o próprio deputado. “Neste momento estamos envolvidos no programa eleitoral para o Conselho das Comunidades Portuguesas e é isto o que mais me preocupa, são as eleições no próximo dia 6 de Setembro. Só isso”, referiu. Questionado sobre a resposta negativa dos partidos, o deputado foi claro: “não vou falar mais sobre este assunto. Só depois das eleições para o Conselho é que vamos poder falar sobre o resto. Agora não vou falar mais nada”. Também Rita Santos, ex-secretária-geral adjunta do Fórum Macau e também membro da lista candidata ao Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), foi um dos nomes apresentados para candidata às eleições legislativas portuguesas. O jornal O Clarim avançava a candidatura da comendadora pelo Governo da RAEM, algo que a própria desmentiu. “Não pretendo e nunca pensei em par-

“Eu nunca contactei nenhum partido. (...) Não vou falar mais sobre este assunto. Só depois das eleições para o Conselho [das Comunidades Portuguesas] é que vamos poder falar sobre o resto” José Pereira Coutinho Deputado

ticipar em nenhumas eleições em Portugal. Estou mais interessada em trabalhar em Macau ajudando José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai no atendimento aos cidadãos de Macau diariamente. Também estou a dar apoio à lista liderada por Pereira Coutinho nas eleições para o CCP”, afirmou ao HM no mês passado. As listas, que não têm, então, o nome de Pereira Coutinho são passíveis de alteração em caso de necessidade até dia 28 de Agosto, dia em que serão entregues a tribunal. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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política

Leong Veng Chai quer que as normas dos cadernos de encargos das obras públicas passem a ser obrigatórias, permitindo que os responsáveis por derrapagens e erros possam ser investigados. Em causa estão os problemas do Parque Central da Taipa

O

deputado Leong Veng Chai pediu ontem ao Governo que fossem definidas e melhor reforçadas as orientações para as vistorias às obras no território. “O Governo deve definir orientações, com carácter obrigatório, para a vistoria das obras”, escreve Leong Veng Chai numa interpelação escrita, ilustrando com o caso do Parque Central da Taipa. O Comissariado de Auditoria (CA) publicou, em Maio passado, um relatório onde denuncia uma série de anomalias, atrasos e derrapagens orçamentais nas obras daquele parque. No documento, o CA deu exemplos de falhas na obra, como um curto-circuito ocorrido em Abril deste ano na bomba de drenagem de uma piscina. Esta falha fez com que o sistema de escoamento deixasse de funcionar e a água da piscina invadisse o esgoto do auto-silo.

Descuidos e desleixo

É no sentido de colmatar este tipo de falhas técnicas e de manutenção que o deputado pede que as normas dos cadernos de encargos das obras públicas sejam consideradas obrigatórias e os seus responsáveis alvo de penalizações, caso não sejam cumpridos os requisitos. Além disso, Leong Veng Chai argumenta que os serviços públicos mantêm uma “postura de desleixo” perante a segurança dos cidadãos. “A vistoria e fiscalização às obras, efectuadas pelos serviços

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Fiscalização Leong Veng Chai quer cerco apertado a vistoria de obras

Sem margem para erros respectivos, não respeitaram os procedimentos legalmente previstos. A vistoria foi efectuada de forma apressada e descuidada, porque só se pretendia concluir as obras antes do termo do prazo fixado, tendo-se assim ignorado a segurança do público”, acusa Leong Veng Chai. O deputado argumentou que as obras da piscina do Parque da Taipa foram defeituosas e que tal se deveu a uma fraca fiscalização por parte do Executivo. Ao mesmo tempo, o deputado questionou o Governo sobre se as disposições constantes dos cadernos de encargos – documentos obrigatórios que descrevem várias acções, materiais e outros elementos de uma obra – são de natureza obrigatória ou simplesmente facultativa. “O caderno de encargos prevê disposições concretas para a realização das obras e, mesmo que estas não sejam cumpridas, não se coloca qualquer problema de responsabilidades, nem para os serviços, nem para as pessoas. Afinal, aquelas disposições têm carácter obrigatório e efeitos de

“O caderno de encargos prevê disposições concretas para a realização das obras e, mesmo que estas não sejam cumpridas, não se coloca qualquer problema de responsabilidades, nem para os serviços, nem para as pessoas. Afinal, aquelas disposições têm carácter obrigatório e efeitos de responsabilização?” Leong Veng Chai Deputado

Consulta pública sobre Lei do Tabaco até Setembro

A consulta pública sobre o Regime de Prevenção e Controlo do Tabagismo arrancou na passada segunda-feira e prolonga-se até 30 de Setembro. A iniciativa foi anunciada pelos deputados da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa que discutem a legislação na especialidade em Julho, mas só agora teve início oficial, segundo o jornal Ponto Final. Os cidadãos interessados podem dar as suas opiniões e argumentos através de carta escrita para o presidente da 2ª Comissão Permanente da AL, Chan Chak Mo, ou via email dirigido ao mesmo responsável.

responsabilização?”, perguntou o deputado ao Executivo no mesmo documento.

Tempo e dinheiro

O relatório do CA admitia mesmo que se “verificaram deficiências na fiscalização da execução dos contratos e no procedimento de recepção provisória da obra, os quais provocaram desperdícios de tempo e de recursos e, em determinadas

circunstâncias, colocaram em risco a segurança dos utentes”. A responsabilização foi, na sua grande maioria, atribuída à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), que alegadamente “não actuou de forma adequada no que respeita à consulta aos utentes”, sendo necessário proceder a “trabalhos a mais”. O projecto inicial excedeu em vários dias e milhares de patacas as previ-

sões iniciais, tendo sido adjudicada por 441 milhões de patacas e por um prazo de execução de cerca de dois anos e meio. De acordo com o CA, houve um acréscimo no orçamento da obra de 48,8 milhões de patacas e algumas zonas – como as piscinas – só ficaram concluídas dois anos depois do prazo inicial de finalização da obra. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

IAS Atribuição de subsídio especial tem início este mês

O subsídio especial para a manutenção de vida das famílias vulneráveis começa a ser atribuído a partir de amanhã. O Governo vai investir cerca de 15 milhões de patacas, de acordo com um comunicado publicado ontem pelo Instituto de Acção Social (IAS). São mais de 3800 as famílias que vão beneficiar do apoio este mês, recebendo valores que oscilam entre as 2400 e as 9100 patacas, para famílias com agregados familiares de um a nove ou mais membros. Entre as famílias beneficiárias, 2076 estão a receber este subsídio de forma “regular”, enquanto outras 1784 têm o apoio depois de efectuarem um pedido através de associações ou instituições.


política 5

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Economia Lionel Leong descarta medidas de austeridade

Desta vez ainda passa

O

s números do mês passado face às receitas do Jogo apontam para um total de 18,6 mil milhões de patacas em receitas brutas, pelo que o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, assegura que não será preciso empregar medidas de austeridade. Pelo menos para já. “Neste momento, é ainda e provisoriamente desnecessária a aplicação de medidas de austeridade em relação às finanças públicas”, refere o Gabinete de Leong em comunicado. No entanto, o Secretário afirmou que caso as receitas sofram mais quedas, pode ser necessário proceder a

gcs

As receitas de Julho ultrapassaram os 18 mil milhões de patacas, valor-limite estabelecido para a implementação de medidas de austeridade. Para já, o Governo não precisa de efectuar cortes profundos, ainda que o movimento das salas VIP vá ser analisado e as medidas de contenção não estejam completamente fora de questão

alguns cortes, ainda que assegure que estes não irão “afectar as despesas anunciadas em prol do bem-estar” da população.

“Devido à persistência de grandes incertezas relativamente ao desenvolvimento do sector do Jogo durante o segundo semestre

do corrente ano, o Governo continuará a manter-se firme em adoptar uma postura prudente na administração das finanças públicas,

A

do país em Macau e das relações entre as Filipinas e a RAEM. Segundo um comunicado enviado pelo Consulado das Filipinas em Macau ao HM, na agenda de Rosalinda Dimapilis Baldoz está um encontro

Da prevenção

No comunicado publicado ontem é referido que “o Governo irá proceder a uma fiscalização rigorosa às operadoras de Jogo” e em especial às actividades das salas VIP, de forma a que sejam “adoptadas atempadamente medidas de contingência para fazer face a qualquer incidente imprevisto” que possa ter lugar. Tal só não acontece se as receitas do Jogo se mantiverem no patamar dos 20 mil milhões de patacas, como previsto pela Lei da Revisão do Orçamento de 2015. “[O Governo] continuará também a prestar elevada atenção à evolução das receitas brutas do Jogo, lançando, de imediato, medidas de austeridade logo que se verifique [uma queda abaixo dos 18 mil milhões]”, frisa a entidade no comunicado. Os valores foram apresentados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, que aponta para um valor acumulado de 140,3 milhões de patacas durante os primeiros seis meses deste ano. Este mês, a queda foi de 34,5% face ao mesmo mês do ano passado. No final do mês passado, Lionel Leong já havia referi-

“Neste momento, é ainda e provisoriamente desnecessária a aplicação de medidas de austeridade em relação às finanças públicas” Lionel Leong Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças

do a eventual necessidade de medidas de austeridade, caso as receitas ficassem abaixo dos 18,35 mil milhões. O responsável disse que seria agendada uma reunião com o Chefe do Executivo no início deste mês para discutir a implementação de medidas de contenção. No comunicado, o Secretário salienta ainda “com regozijo”, que se tem assistido ao um aumento dos valores relacionados com a economia não-Jogo, como são os sectores do turismo, das convenções e exposições e do comércio regional. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Execuções Fiscais Pedida revisão do Código

Secretária do Trabalho das Filipinas em Macau Secretária para o Trabalho e Emprego das Filipinas, Rosalinda Dimapilis-Baldoz, realiza uma visita oficial a Macau. Esta vai durar até quinta-feira e tem como objectivo falar dos trabalhadores não-residentes

cumprindo à letra os princípios de economizar nos gastos”, salienta.

com Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças. Rosalinda Dimapilis-Baldoz deverá ainda participar “num fórum com membros da comunidade filipina em Macau por forma a disseminar informações sobre os programas e serviços que o Governo das Filipinas providencia aos trabalhadores filipinos no estrangeiro e aos trabalhadores que queiram regressar ao país quando virem os seus contratos finalizados”. A visita oficial da Secretária do Trabalho e Emprego, que também inclui Hong Kong e Taiwan, serve ainda para “reforçar as relações económicas, de comércio e laborais entre as Filipinas e Macau”. Esta é a segunda vez que um representante do Governo filipino realiza uma visita oficial ao território, que serve de casa a cerca de 22 mil filipinos. Em 2008, o então Secretário para os Negócios Estrangeiros, Alberto G. Rómulo, veio a Macau inaugurar a representação consular do país. O HM contactou o Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças no intuito de saber mais detalhes sobre o encontro, mas até ao fecho desta edição não obtivemos qualquer resposta. A.S.S.

O deputado José Pereira Coutinho quer a revisão do Código de Execuções Fiscais. Numa interpelação escrita, Pereira Coutinho critica o facto deste regime estar há mais de 60 anos em vigor e pede medidas ao Executivo. “Decorrido mais de meio século do Código das Execuções Fiscais, o [regime] encontra-se extremamente desactualizado e desfasado da realidade social, nomeadamente quanto ao enquadramento dos casos de oposição por simples requerimento nas situações de ilegitimidade da pessoa citada, prescrição da dívida exequenda, duplicação de colecta, etc.” O deputado relembra que passaram quase 16 anos desde o estabelecimento da RAEM e que as cobranças coercivas de dívidas ao Governo – derivadas de multas não pagas, impostos, contribuições e outros rendimentos – se regem por este Código que tem mais de 60 anos. “Que medidas vão ser tomadas para modernizá-lo?”, questiona.


sociedade

Pela primeira vez, a Tanzânia surgiu num relatório de Estado norteamericano como sendo um dos países de origem de mulheres para tráfico humano em Macau. O Governo rejeita a ideia e diz tratar-se de um único caso e de lenocínio. Juliana Devoy também diz desconhecer mais vítimas oriundas desse país

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Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas rejeita que a Tanzânia seja um dos países de origem de mulheres vítimas de tráfico humano no território. O relatório de Estado norte-americano referente aos casos de Macau em 2014 cita pela primeira vez o país, ao lado de outros locais como a China, Mongólia, Vietname, Ucrânia e Rússia. Mas o Executivo garante que o único caso registado com uma mulher da Tanzânia nem sequer foi considerado pelas autoridades como sendo de tráfico humano. “Em 2014 um dos casos registados pela polícia como tráfico de pessoas envolveu uma cidadã tanzaniana. A correspondente investigação foi realizada e o caso foi transferido para o Ministério Público (MP), tendo sido qualificado como lenocínio, deixando portanto de ser qualificado como um

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Hospital Queen Mary de Hong Kong conseguiu fazer um transplante inovador a um homem de Macau. O órgão é formado com partes fígado de duas filhas, um procedimento realizado de forma simultânea pela primeira vez em todo o mundo, informava ontem a imprensa da região vizinha. Segundo o jornal South China Morning Post, o receptor foi Cheng Chi-ming, um segurança de Macau que sofria de Hepatite B, que se encontrava em coma e que, segundo os médicos, apenas podia sobreviver uma semana caso não recebesse um fígado saudável.

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Tráfico Humano Governo rejeita existência de casos da Tanzânia

“Um mal entendido” antónio falcão

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nas saunas e não têm acesso a ninguém”. A directora do Centro Bom Pastor garantiu anda que “este tipo de casos é difícil de identificar, porque as pessoas que estão nessa situação têm de ter blue card, não são ilegais”. E a cada três meses fazem exames médicos. “Sabemos que há muitos traficantes de droga que vêm de África e que chegam via Hong Kong, mas em termos de vítimas de tráfico humano não penso que haja um número para além desse caso”, referiu ainda.

Reconhecer o problema

caso de tráfico de pessoas”, revelou ao HM a Comissão, por email. Além disso, “a descrição referida no Relatório de Tráfico de Pessoas pelo Departamento de Estado dos EUA terá que ser considerado um mal-entendido uma vez que em 2014 todos os casos qualificados como tráfico de pessoas as vitimas foram provenientes da República Popular da China”, assume ainda a Comissão. Juliana Devoy, directora do Centro Bom Pastor, que desde 2012 já recolheu 40 menores sinalizadas como vítimas de tráfico humano, não conhece mais casos para além do referido pelo Executivo.

A saber mais

“O único caso que conheço foi o de uma rapariga vinda da Tanzânia, que tinha cerca de 19 anos, mas não a vi na lista de vítimas, pelo que provavelmente não aceitaram o seu caso como sendo de tráfico humano.

Mas não sei como é que ela chegou a Macau. O mais importante é perceber se ela chegou a Macau via China, de avião ou por barco. Penso que há muitas questões por responder”, explicou ao HM Juliana Devoy, que frisou: “Sei que o Governo não está contente com o relatório”. De realçar que o website da Comissão apenas contém o número

“Em 2014 um dos casos registados pela polícia como tráfico de pessoas envolveu uma cidadã tanzaniana. A correspondente investigação foi realizada e o caso foi transferido para o Ministério Público (MP), tendo sido qualificado como lenocínio, deixando portanto de ser qualificado como um caso de tráfico de pessoas” Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas

homem recebe transplante inovador

Bons fígados As três filhas de Cheng Chi-ming foram submetidas a exames para comprovar se podiam ser dadoras do pai, atestando-se depois que duas (Lam Lam, de 23 anos, e Kei Kei, de 22) cumpriam os requisitos. Contudo, também se verificou que os seus órgãos eram demasiado pequenos, pelo que se decidiu usar dois terços do fígado de Kei Kei e um terço do de Lam Lam e, com os excertos, reconstruiu-se

de casos ocorridos por ano, sem mais informações sobre a idade ou país de origem das vítimas. Juliana Devoy lembra que “há mulheres que estão a praticar prostituição em Macau, além das que chegam da China”. Contudo, a responsável diz não saber “até que ponto poderão estar ligadas ao tráfico humano. Há suspeitas de que podem trabalhar

um novo órgão para transplantar no pai. A operação de extracção das partes dos fígados, ligação entre ambos e o transplante demorou apenas 55 minutos, indicou Lo Chung-mau, um dos membros da equipa médica que conduziu a intervenção cirúrgica.

Reduzir riscos

Noutros hospitais, este tipo de transplantes duplos tem vindo a ser

realizado de forma não simultânea, isto é, em duas operações distintas, em que o receptor recebe o transplante de uma parte de cada vez. Contudo, no caso em particular, os médicos escolheram esta opção, atendendo à gravidade do paciente, que assim reduz para metade os riscos e o tempo de recuperação. “O transplante duplo do fígado coloca questões éticas no mundo da medicina e não tomámos a decisão de ânimo leve, já que estava em causa a vida de três pessoas”, assegurou o mesmo médico, apontando que a prioridade passa sempre por utilizar o fígado de um único dador e, caso possível, que já tenha falecido. Lusa/HM

Apesar de já ter reconhecido que o Governo poderia fazer mais no combate ao tráfico humano, Juliana Devoy diz que, por comparação a Hong Kong, tem vindo a fazer muito. “Macau e Hong Kong aparecem no mesmo lugar no ranking [do relatório norte-americano], mas Hong Kong não aceita que tem um problema de tráfico humano. O Governo de Macau tem feito muito, criou uma Comissão para lidar com o problema. O Governo de Hong Kong não admite que existe esse problema, enquanto que o Governo de Macau tem mostrado bastante abertura para o combater. São duas aproximações completamente diferentes.” Juliana Devoy aponta que o tráfico humano pode ser mais visível em Macau devido aos casinos, por serem uma espécie de “atractivo magnético para as prostitutas”. “Em Hong Kong são as organizações não-governamentais (ONG) que lidam directamente com as prostitutas e que tentam que o Governo tenha o conhecimento necessário sobre o problema, mas o Governo não reconhece e não adopta acções legais.” A responsável dá um exemplo. “Em 2013 participei num simpósio organizado pela associação de mulheres advogadas de Hong Kong e uma associação da China. O Secretário para a Segurança fez um discurso e deixou a sala, não ouvindo os argumentos”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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ETAR TSI não aceita recurso do MP face a Pedro Chiang

Impossibilidades jurídicas

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) rejeitou um recurso do Ministério Público relativamente a Pedro Chiang pelo envolvimento no chamado caso das ETAR. A justificação é clara: “sem notificação de sentença não pode haver recurso”. Quem o explica é João Miguel Barros, advogado de Pedro Chiang. “Isto não é um problema do Pedro Chiang, é um problema de todos aqueles que

tiago alcântara

O TSI rejeitou um recurso do MP que envolvia Pedro Chiang e alguns outros arguidos. A razão é simples: sem notificação de sentença do arguido não pode haver recurso

não estiveram no julgamento, nem foram notificados da sua sentença”, esclareceu o advogado, indicando, como

já tinha feito, que, por isso, o seu cliente não recorreu, assim como alguns dos outros arguidos.

Tráfego veículos nas estradas voltam a aumentar

Cidade pelas costuras A té Junho passado, estavam matriculados no território mais de 244 mil veículos, dos quais 51,9% eram motociclos e 41,4% automóveis ligeiros. Os números dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) apontam para um cresci-

mento do número de carros e motas na cidade de mais de 5% quando comparando com o mesmo período do ano passado. Assim, a DSEC afirma que existiam nas estradas da RAEM mais de dez mil veículos com matrí-

Autocarros Metade das queixas visam a Nova Era Segundo dados enviados à Rádio Macau pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), a Nova Era liderou no número de queixas recebidas pelos utilizadores de autocarros públicos. De um total de 2218 queixas recebidas em 2014, 1043, ou seja, 47%, dizem respeito à Nova Era. Já a Transmac registou 30% das reclamações, 663, enquanto que a TCM foi alvo de 512 queixas, 23%. A DSAT explicou que as queixas se devem à existência de “carreiras atrasadas, recusa de transporte, desrespeito pelas paragens e a atitude dos motoristas”. A DSAT garante que não só analisa cada queixa recebida como exige às operadoras “esclarecimentos” e o devido “tratamento” dos casos. O Governo explicou ainda à Rádio Macau que as três empresas são sempre alvo de um processo de “melhoria” com base nas queixas registadas, sendo que a “frequência das carreiras”, a “instalação de paragens” e o “ajustamento dos itinerários” são os itens avaliados pelo Governo.

culas novas, o que aponta para um aumento de 2,3% comparando com 2014. Os números do último semestre demonstram que também os acidentes de viação aumentaram 1,3% face ao mesmo período do ano anterior, o que perfaz mais de 7600 acidentes, que resultaram em 2675 vítimas, nove delas mortais. A DSEC aponta ainda para a passagem transfronteiriça de mais de 418 mil veículos só durante o mês de Junho. Já no primeiro semestre do ano, foram mais de 2,5 milhões os carros que se desocaram entre Macau e o continente, o que revela um aumento de 5% face a 2014. No que diz respeito ao sector das telecomunicações, a DSEC aponta para a diminuição do número do utentes de linhas fixas, mas um aumento de 10,5% daqueles que utilizam telemóvel. L.S.M.

Em Junho passado, a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) divulgou um novo mandado de captura internacional contra Pedro Chiang, cinco anos depois de ter sido obrigada a levantar o “alerta vermelho”. O mandado de captura surge após o Tribunal Judicial de Base (TJB) ter condenado Pedro Chiang a três anos e três meses de cadeia por corrupção passiva, em Março do ano passado.

O MP chegou a dizer, na leitura da sentença, que o caso deveria originar penas pesadas devido ao “mediatismo” que originou, dando a entender não concordar com as penas impostas. Neste caso, explica João Miguel Barros, “o MP recorreu para toda a gente, mas não o podia ter feito”. Fê-lo, diz, “porque tem essa prática”. Como consequência, o TSI “não reconheceu o recurso do MP em relação a todos os que não foram notificados da sentença e o TSI também entende que essa é a única via correcta de garantir os direitos de defesa das pessoas”. Assim, explica, não foi interposto recurso. “Quando fomos notificados pela decisão do MP, apenas dissemos ao TSI que não era possível a apreciação do recurso [deste organismo] e, claro, os outros [arguidos] também devem ter feito o mesmo”. Os processos estão ligados ao caso Ao Man Long, o ex-

(o TSI) “não reconheceu o recurso do MP em relação a todos os que não foram notificados da sentença e o TSI também entende que essa é a única via correcta de garantir os direitos de defesa das pessoas” João Miguel Barros Advogado de Pedro Chiang

-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, que se encontra a cumprir uma pena de 29 anos e meio de prisão. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Feira Guangdong-Macau Mais de 128 mil pessoas e 800 bolsas de contacto

T

erminou no passado domingo mais uma edição da Feira de Produtos de Marca Guangdong-Macau, que contou com mais de 128 mil visitantes, tendo sido assinadas 815 bolsas de contacto com várias empresas da província de Guangdong, de Portugal e de Macau. Segundo um comunicado, “tanto o fluxo de pessoas como a situação de vendas dos expositores de Guangdong e Macau foram satisfatórios, tendo sido também frutíferas as negociações e os contactos comerciais realizados no recinto”. Durante quatro dias, a feira realizou-se no recinto

da Doca dos Pescadores, tendo sido resultado da organização conjunta do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e dos Serviços do Comércio da Província de Guangdong. Na área de exposição dos produtos de Macau também estiveram disponíveis produtos portugueses, incluindo um espaço apenas destinado à Associação dos Jovens Empresários Portugal-China e às empresas participantes. Um representante de uma empresa portuguesa de produtos alimentares, citado no comunicado, referiu que “as

vendas nos quatro dias foram acima das expectativas, sendo cinco vezes superior ao que costuma vender em dias normais, tendo todos os dias praticamente esgotado o seu stock, sendo até necessário restabelecê-los durante a noite”. Uma outra empresa, também de Portugal, referiu que o evento “não só lhe permitiu contactar directamente os consumidores como ajustar as suas estratégias na comercialização e embalagem de produtos”, tendo-lhe proporcionado ainda o contacto directo “com distribuidores e outros comerciantes”.

Trabalhadores da SJM apresentam queixa à DSAL

Ontem, um grupo de trabalhadores da construção do futuro projecto da Sociedade de Jogos de Macau no Cotai apresentou uma queixa à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Em causa está uma ordem de despedimento “sem justa causa”, como adianta o canal chinês da Rádio Macau. De acordo com a TDM, 30 trabalhadores locais, contratados pela Companhia de Construção Civil Seng Long, receberam uma notificação de que não precisavam de voltar aos estaleiros. Os funcionários afirmam ainda que estão impedidos de entrar na obra. A Companhia de Construção Civil Seng Long garante que os contratos foram feitos por subempreiteiros e não pela empresa.


eventos

hoje macau terça

Timor-Leste Colar de conchas com 6.500 anos ajuda a datar comunidades

O segundo mais antigo do mundo ve nos esforços de perceber a interacção humana nas ilhas do sudeste asiático e na Austrália, ajudando a identificar o uso de símbolos, identidade individual e estatuto social. “Estamos a investigar a região porque os humanos modernos podem ter-se movimentado do sul da Ásia para a Austrália por esta zona. Estamos à procura de provas sobre o que as comunidades mais antigas faziam e como se organizavam no caminho para a Austrália”, sublinhou Langley.

U

m colar de conchas trabalhadas com mais de 6.500 anos e que poderá ser o segundo mais antigo do mundo, encontrado recentemente em Timor-Leste, pode ajudar arqueólogos de uma universidade australiana a perceber melhor a interacção humana no sudeste asiático. “Esta é a prova mais antiga deste tipo de conchas usadas nesta região do mundo e a segunda mais velha do mundo”, explicou Michelle

Langley, da Faculdade de Arqueologia e História Natural da Australiana National University (ANU), em Camberra. O colar de conchas nassarius foi encontrado numa expedição na ponta leste do país, financiada pelo Australian Research Council (ARC), uma das várias conduzidas em Timor-Leste nos últimos anos. Para a equipa envolvida na investigação, as conchas podem ser um elemento cha-

faro apurado

As conchas marítimas encontradas em Timor-Leste evidenciam uma zona onde foi deliberadamente tirada uma parte para que pudessem ser cozidas na roupa ou usadas como colar, refere. São visíveis marcas de outros instrumentos usados para trabalhar a concha que tem ainda umas marcas vermelhas, tudo indica provenientes do tecido com que estiveram em contacto. Recorde-se que esta mesma equipa, liderada pela

arqueóloga Sue O’Connor, encontrou já os anzóis mais antigos do mundo, datados de há entre 16 mil e 23 mil anos, e ossos de peixes que demonstram que os humanos começaram a pescar mais cedo do que se pensava. Os estudos conduzidos em Timor-Leste nos últimos 15 anos permitiram corrigir significativamente as estimativas anteriores sobre a colonização humana da ilha, com as datações arqueológicas mais antigas a serem de 42 mil anos. Arte rupestre, alguns objectos e outros elementos orgânicos (como conchas em cavernas) são alguns dos vestígios que ajudaram a contextualizar a datação. Já no que toca ao metal, a descoberta, antes de 1999 - mas só conhecida publicamente no ano passado - de um tampo de um tambor Dong Son do Vietname - ajudou a datar a entrada de metais em Timor-Leste, já referenciada em pinturas rupestres, especialmente na ponta leste (Tutuala) e na zona montanhosa de Baguia.

O

Instituto Cultural (IC) e os Correios de Macau lançam entre as 12h00 e as 17h00 de hoje, uma série de 300 envelopes comemorativos para celebrar o 10º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na UNESCO e o centenário do professor Jao Tsung-I, um sinólogo reconhecido a nível mundial. Jao é uma “figura notável” em Macau e que teve, de acordo com o IC, uma ligação estreita com a região, tendo ainda sido responsável por uma série de investigações e trabalhos

IC

Jao Tsung-I IC e Correios lançam envelopes comemorativos

no campo da literatura. A sua mestria valeu-lhe a criação da Academia Jao Tsung-I. “[Jao] mantém uma ligação estreita com Macau, apoiando fortemente as acti-

vidades culturais da cidade, doando obras de pintura e caligrafia a instituições museológicas de Macau”, conta a organização em comunicado. AAcademia serve

À venda na Livraria Portuguesa Regras da Traição • Christopher Reich

Em 1980, um B-52 norte-americano despenha-se numas montanhas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Quase trinta anos mais tarde, e percorrendo lugares por todo o mundo, uma verdade terrível será revelada. Jonathan Ransom regressa na qualidade de médico engenhoso que se vê lançado num mundo obscuro de agentes duplos e triplos onde não se pode confiar em absolutamente ninguém. Um romance magistral que faz jus à reputação de Christopher Reich de ser um dos mais admirados escritores de thrillers de espionagem da atualidade.

para desenvolver uma série de actividades relacionadas com esta personalidade, nomeadamente dar a conhecer à população a “cultura tradicional chinesa”. Hoje serão ainda oferecidos quatro modelos tridimensionais em papel de locais inscritos na UNESCO como Património Mundial. A Academia será inaugurada na próxima semana, a 11 de Agosto e estará aberta ao público das 10h00 às 18h00 diariamente. Abre na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida.

Sands China

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Uma competição Sands Cotai Concu fotográfica completamente virada para as actividades e Sands abriu um personagens da concurso de fotoDreamWorks grafia para amadores e profissionais. começou este mês A competição, que decorre até 16 de Agosto, tem como e decorre até dia objectivo apanhar em imagem os melhores momentos rela16. Os prémios cionados com a Dreamworks são diversos Experience, que diariamente acontece nos hotéis do Sands tanto para Cotai Central. Tanto residentes, como fotógrafos, como visitantes podem participar na competição, intitulada para votantes

Apanh

A

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Bar Flaubert • Alexis Stamatis

Yannis Loukas é um jornalista freelancer, filho de um prestigiado escritor, que aceita ajudar o pai a compilar uma autobiografia. Esquadrinhando o arquivo pessoal da família, Yannis descobre um misterioso manuscrito intitulado Bar Flaubert, cuja publicação o pai tinha recusado alguns anos antes. Ao lê-lo, a sensação de que alguém transpôs para o papel os seus sentimentos mais íntimos e secretos leva Yannis a querer encontrar o autor, um homem chamado Loukas Matthaiou. Mas quem é de facto esse homem e por que razão todos os que com ele se cruzaram parecem de alguma forma ter sido marcados pela sua personalidade carismática? Seguindo as pistas que Matthaiou foi deixando ao longo do seu livro, a vida de Yannis irá sofrer uma reviravolta imprevisível, numa demanda que cruza as fronteiras da ficção com a realidade.


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hoje no prato Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Acelga Nome botânico: Beta vulgaris L. ssp. cicla L. Família: Chenopodiaceae. Nomes populares: Celga.

urso de fotografia da Dreamworks

ha o panda “DreamWorks Spectacular Summer Photo Competition”, sendo que as fotografias têm de estar relacionadas com as personagens da Dreamworks, decorações, actividades ou espectáculos como o Dreamworks Summer Feast, a Kung Fu Panda Academy, a DreamWorks Experience All Star Parade ou a DreamWorks Experience Kid’s Corner. As fotografias devem ser submetidas até 16 de Agosto para o email

da dreamworksexperience@ sands.com.mo.

Noite na suite

“A melhor fotografia vai merecer um pacote que inclui uma noite na Premier Suite do Holiday Inn, três mil patacas em compras, um Dreamworks Experience Birthday Party no valor de sete mil patacas, bilhetes de ferry para duas pessoas e mais”, começa por indicar a organização. Mas há mais. “Há muitas oportunidades para

ganhar prémios fabulosos, incluindo três segundos prémios, cinco terceiros lugares e dez prémios de mérito. Adicionalmente, haverá ainda um prémio para a fotografia que receber mais ‘likes’ no Facebook, mas que não tenha sido escolhida para ser a finalista. Há ainda três prémios para as pessoas que mais votarem no Facebook.” Estes participantes podem ganhar também estadias no hotel e a votação na rede social decorre de 24 a 30 de Agosto. Os prémios atribuídos acumulados chegam às 50 mil patacas, sendo que só serão aceites fotografias de maiores de 18 anos.As imagens são escolhidas pela operadora e os vencedores anunciados nas páginas do Facebook do hotel Holiday Inn do Sands Cotai Central. J.F.

COD The House of Dancing Water celebra cinco anos

O espectáculo permanente The House of Dance Water comemora este ano o seu quinto aniversário e é visto pela directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, como um evento que ajudou à diversificação da economia local e ao estabelecimento de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer. “O City of Dreams tem apoiado sempre a construção de Macau como um Centro Mundial de Turismo e Lazer e a promoção da diversificação moderada da indústria do turismo e da economia”, disse a responsável. Helena de Senna Fernandes referiu ainda que esta produção permanente é o único espectáculo de grande envergadura em água. “The House of Dancing Water tem enriquecido os elementos não-Jogo de Macau, dando mais escolhas aos visitantes e residentes”, acrescentou a directora da DST. Desde a sua criação, em 2010, este espectáculo atraiu mais de 3,4 milhões de pessoas de todo o mundo com mais de dois mil shows.

Originária da bacia mediterrânica, a Acelga é uma planta herbácea de grandes folhas verdes, nervuradas, lisas ou enrugadas, e talos carnudos de cor diversa: brancos, amarelos, laranjas ou vermelhos, consoante as variedades. Parente próximo da Beterraba, ambas derivam de um antepassado comum, a Acelga-brava (Beta vulgaris L. ssp. maritima). Com uma longa história, a Acelga é uma das verduras mais antigas que se conhecem, sendo já consumida pelos Assírios no século VIII a.C. No século IV a.C., Gregos e Romanos elogiavam as suas virtudes medicinais e Aristóteles terá escrito sobre ela. Os Romanos apreciavam-nas em caldo com Malvas silvestres, provavelmente com intuitos laxativos. Além das propriedades nutricionais, a Acelga tem sido usada em medicina popular. Composição Muito rica em nutrientes, em variedade e quantidade, a Acelga contém vitaminas (A, B1, B2, B3, B5, B6, biotina, folatos, C, E, K), minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio) e oligoelementos (cobre, ferro, manganésio, zinco), carotenóides (alfa e betacaroteno, luteína, zeaxantina), compostos fenólicos (ácido siríngico, caempferol), fibras (mucilagem, celulose) e água; apresenta ainda algumas proteínas, hidratos de carbono e gordura; muito pobre em calorias. Sabor levemente amargo e salgado. Acção terapêutica Além de refrescante, a Acelga sacia o apetite, favorece a digestão, suaviza as mucosas digestivas e melhora o trânsito intestinal, sendo recomendável no excesso de acidez do estômago, gastrite, obstipação e para aliviar o desconforto das hemorróidas. Pelo seu teor mineral contribui para a saúde dos dentes e ossos. É diurética, depurativa e alcalinizante do sangue sendo usada nas inflamações urinárias, doenças de pele e no emagrecimento. Regula os níveis de açúcar no sangue, contribuindo para a prevenção e controlo da diabetes e suas complicações. Esta verdura promove a formação de glóbulos vermelhos no sangue, sendo útil aos anémicos; regula a coagulação sanguínea,

sendo favorável em caso de tendência para hemorragias. Beneficia a visão, reduzindo o risco de desenvolver doenças oculares como a degeneração da mácula e as cataratas. Outras propriedades Rica em compostos antioxidantes, a Acelga protege as células dos danos provocados pelos radicais livres e combate o envelhecimento; reforça as defesas e reduz a inflamação, prevenindo doenças crónicas como as doenças cardiovasculares e o cancro. Popularmente, esta verdura tem sido usada nas leucemias e outros cancros. Como consumir Deve escolher as folhas de Acelga verdes e viçosas e de talo firme e estaladiço, desprezando as amareladas ou acastanhadas, com furos ou talos moles, sinais de deterioração. Conserva-se no frigorífico durante muito poucos dias e pode ainda ser congelada depois de submetida a uma ligeira fervura, mas o ideal será consumi-la o mais fresca possível. No momento da confecção deve lavar bem em água corrente, remover a extremidade do talo e cortar as folhas em pedaços. Sugestões: • Cozidas em água ou, de preferência, ao vapor: temperadas com azeite e sumo de Limão ou refogadas com azeite e Alho laminado. • As folhas tenras podem ser consumidas cruas, em saladas. • Em sopas e esparregado. • Podem substituir o Espinafre nas lasanhas ou ser adicionadas a pratos de massas, ovos ou feijoadas. • As folhas são a base de uma torta, de sabor adocicado, característica da região de Nice. • Os talos (pencas de Acelga) são, por vezes, considerados “um petisco” e podem ser cozidos, passados pelo ovo e farinha e fritos, adicionados aos ovos mexidos ou a sopas. • Tradicionalmente também se usa o suco e a infusão (30:1000) das folhas, com fins terapêuticos. Precauções Devido ao conteúdo em ácido oxálico, a Acelga deve ser ingerida com moderação em caso de litíase renal. Pelo conteúdo em vitamina K, ter em atenção a possível interacção com medicamentos anticoagulantes. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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A manifestação aconteceu após uma mulher ser presa por “agredir um policia com o seio”. A ‘agressão com seio’ valeu uma condenação de três meses e 15 dias de prisão

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entenas de homens e mulheres protestaram em Hong Kong usando sutiãs após uma mulher ser presa por, segundo a Justiça, agredir um policia com o seio. Ng Lai-ying, de 30 anos, tinha acusado o policia Chan Ka-po de tocar nos seus seios durante um protesto em Março. Mas o tribunal decidiu contra a mulher, dizendo que Lai-ying deliberadamente empurrou os seios em direcção ao policia para poder acusá-lo de agressão. Cerca de 200 pessoas participaram da Breast Walk (algo como “Marcha do Seio”) em frente à sede da polícia no bairro de Wan Chai no domingo, usando

HK Protesto contra acusação de uso de seio como ‘arma’

A marcha do sutiã sutiãs por cima da roupa ou levando a peça nas mãos, dizendo que um seio não era uma arma.

Contra chineses

Ng participava num protesto no bairro de Yuen Long contra a presença de chineses que visitavam Hong Kong para comprar produtos mais baratos e de mais qualidade — assunto que há tempos causa polémica no território. A mulher afirmou que, durante um confronto com a polícia, o inspector-chefe

Chan tentou agarrar a sua bolsa, mas a mão acabou no seu peito. Acusou-o de agressão sexual, mas, em contrapartida, o policia também a acusou de usar o seio para o agredir. O tribunal de Tuen Mun decidiu pela sua condenação

“Tivemos que usar este método um tanto quanto estranho para mostrar ao mundo o quão ridículo isto é” James Hon Professor aposentado

Bolsa de Xangai caiu 1,1%

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bolsa de Xangai, agitada há mais de um mês por grande volatilidade, voltou a cair ontem (1,1%), fechando em terreno negativo pela terceira sessão consecutiva. O Indice Composite de Xangai fechou nos 3,622 pontos, abaixo dos 3.663 pontos de sexta-feira passada, e a bolsa de Shenzhen caiu 1,72%. Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, a bolsa de Xangai começou a sessão em terreno negativo, a cair 1,33%, e ao início da tarde estava a perder 3%. A queda coincidiu com a divulgação de indicadores da actividade industrial da China em Julho, compilados pela revista especializada Caixin, que apontam para um abrandamento do sector. Há uma semana, a bolsa de Xangai registou a maior queda dos últimos oito anos (8,48%), mas dois dias depois subiu 3,44%,

em Julho. O magistrado Michael Chan Pik-kiu disse que a mulher tentou prejudicar a reputação do policia. Segundo o jornal South China Morning Post, o agente disse que ela “usou a sua identidade feminina para criar a alegação de

interrompendo três sessões consecutivas em terreno negativo, e a seguir voltou a cair. A queda de segunda-feira passada, descrita na imprensa oficial como “colapso”, reavivou a extrema volatilidade registada entre meados de Junho e a primeira semana de Julho, quando a bolsa chinesa perdeu cerca de 30%. Antes disso, e durante cerca de um ano inteiro, a bolsa chinesa valorizou-se mais de 150%, atraindo milhões de novos investidores. A China é a segunda economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, e desde a crise de 2008 é vista também como o motor da recuperação económica global. No primeiro semestre de 2015, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês abrandou para 7% - 0,4 pontos percentuais abaixo da média de 2014, que foi a mais baixa dos 24 anos anteriores.

que o policia a tinha molestado”. Chan justificou a sentença, pronunciada na semana passada, dizendo ser necessário “dissuadir este tipo de acção, para não “trivializar” agressões a policias durante protestos”. O magistrado disse que recebeu ameaças pessoais após o veredicto. Os manifestantes no domingo disseram que a decisão era “ridícula”. “Tivemos que usar este método um tanto quanto es-

tranho para mostrar ao mundo o quão ridículo isto é”, disse o professor aposentado James Hon — que destacou que era a primeira vez que usava sutiã — à agência de notícias AFP. “A decisão é absurda. Como é qu os seios podem ser uma arma?”, disse a ativista Ng Cheuk-ling, destacando que temia que isso desmotivasse as mulheres a participar em protestos políticos. “A polícia precisa rever suas directrizes para lidar com manifestantes femininas”, disse à AFP. Outro homem disse ao South China Morning Post: “A forma como me estou a vestir hoje é bem feio para um homem, mas não tão feio quanto o julgamento”.

Lucros do HSBC descem 3,8% no segundo trimestre

O

banco britânico HSBC anunciou ontem uma queda de 3,8% nos seus lucros líquidos no trimestre terminado em Junho, e ter concordado vender a sua filial no Brasil por 5,2 mil milhões de dólares ao banco brasileiro Bradesco. O maior banco europeu anunciou em Junho que iria cortar o universo de trabalhadores em todo o mundo até 50 mil com a saída do Brasil e da Turquia.

Na primeira metade do ano, os lucros líquidos do HSBC sofreram uma quebra de 1,3%, apesar de a empresa destacar a subida dos lucros antes de impostos, que aumentaram 10% entre Janeiro e Junho. Entre Janeiro e Junho, o HSBC obteve lucros líquidos de 9,68 mil milhões de dólares, dos quais 4,35 mil milhões registados no segundo trimestre. “O ambiente para a banca permanece desafiante”, afirmou

o presidente do grupo, Douglas Flint, salientando, por outro lado, que o banco continua a manter uma “posição privilegiada” no comércio e investimento globais. “Temos a robustez financeira e as pessoas certas em todos os níveis da firma para fazer com que a maioria das oportunidades abertas para nós”, acrescentou, citado pela agência AFP. O HSBC confirmou a venda da filial do Brasil num comunicado separado à bolsa de Hong Kong, no qual indicou que a acção “representa um passo significativo no objectivo declarado pelo HSBC de optimizar a sua rede global e reduzir a sua complexidade”. O CEO Stuart Gulliver acrescentou: “Tenho o prazer de poder anunciar hoje a transacção que permite tanto obter um sólido resultado financeiro como o cumprimento rápido de uma das nossas acções definidas”.


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artes, letras e ideias

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Festa dos Tabuleiros em Tomar o pão era levado à Igreja Paroquial, para ser solenemente bento pelo pároco. De início, normalmente, cada freguesia tinha mais de um grupo. Depois nesse domingo da Quinquagésima, realizava-se um ágape de todos os cristãos do Grupo, onde comiam e bebiam o pão, a carne e o vinho benzidos, e elegiam um pobre ou um menino como Imperador da Festa e os dois Reis Mordomos para o ano seguinte, que coroavam com as coroas encimadas pela alva pomba, símbolo do Espírito Santo, cujo dia era, num gesto de humildade, igualdade, caridade e amor cristãos. Com os tempos os grupos aumentaram, acabaram por reunir-se por freguesias (e já nos nossos dias no Concelho) e, na impossibilidade prática de realizar a refeição comunitária, voltou-se à fórmula inicial do BODO, onde a cada um se dava a pesa, ou seja, uma ração de pão, carne e vinho bentos, que cada família comia respeitosamente em sua casa”.

Os cortejos

A

s Festas do Espírito Santo em Tomar são conhecidas por Festas dos Tabuleiros e realizam-se de quatro em quatro anos, tendo em 2015 ocorrido entre os dias 4 e 12 de Julho. Estas festividades foram criadas pela Rainha S. Isabel e o seu marido o Rei D. Dinis, que ao colocarem a “coroa fechada e encimada por uma pomba branca no homem de baixa condição, no pobre, ou na criança, os tornou Imperadores do Espírito Santo.” Era a preparação para a Terceira Idade do Mundo, como António Quadros refere no seu livro Portugal, Razão e Mistério. “O ritual e as festas tal como se realizavam, a correlação das crenças e das ideias, das classes e das forças, nesse éon de fidelidade, não à palavra dos bispos, mas ao Evangelho Eterno.” “Profetizado por S. João no Apocalipse: vi, depois, outro anjo a voar no mais alto do Céu, o qual tinha um evangelho eterno para anunciar aos habitantes da Terra, a toda a nação, tribo, língua e povo”. E continuando com António Quadros: “Ao criar as Festas do Espírito Santo (D. Dinis) legou a Portugal um sentir solidário ao qual está ligado o Quinto Império. Deu alma a essa força fazendo coroar de

rei, um dia por ano, uma criança ou uma pessoa do povo. Trovando em cantigas de amigo, vai dotar Portugal dos meios que permitiram a fantástica aventura que foi navegar em conquistas de espaço e avançar até ao Homem Moderno.” Conhecida no início pelas Festas do Império, Tomar, a cidade dos Templários aos quais a Ordem de Cristo sucedeu, celebrou-as logo desde o século XIV, mas com o passar dos tempos a tradição foi-se perdendo e transformada “só resta já o folclore dos coloridos Tabuleiros” como Amorim Rosa na sua História de Tomar de 1965 escreve. E com ele prosseguindo: “Iniciada pelo baptismo dos catecúmenos em Sábado Santo, no Domingo de Páscoa reuniam em cada lugar ou sesmo os recém-baptizados e os velhos cristãos sob a égide do Chefe da Festa, eleito no ano anterior. Porque o Imperador, os Reis, Mordomos ou Vereadores, e o alferes (porta-bandeira do Espírito Santo) parece que eram eleitos no Pentecostes transacto. Durante os cinquenta dias que medeiam entre a Páscoa e o Pentecostes, as Coroas e o Pendão do Divino Paráclito saíam a dar uma volta pela área, sesmo ou vila, cada domingo, e depois o Pendão do Espírito Santo e as Coroas

eram guardadas durante a semana em casa de cada mordomo, saindo em festa de Saída das Coroas e recepção em casa do feliz mordomo da semana seguinte, a quem tão alta distinção era dada. Em dia, ou véspera da Pentecostes, em procissão, cada grupo levava as suas oferendas de pão em seus tabuleiros, envergando as moçoilas as suas túnicas brancas vestidas no Sábado Santo e despidas no Domingo <in Albis> - Pascoela. Junto com a carne e o vinho, fornecidos pelo Imperador, Mordomos ou vizinhos mais abastados, e géneros adquiridos com as esmolas recolhidas durante os domingos da Saída das Coroas,

Conhecida no início pelas Festas do Império, Tomar, a cidade dos Templários aos quais a Ordem de Cristo sucedeu, celebrou-as logo desde o século XIV, mas com o passar dos tempos a tradição foi-se perdendo e transformada “só resta já o folclore dos coloridos Tabuleiros”

A Festa dos Tabuleiros, uma das componentes da antiga procissão do Império, acontece no fim do Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa. São setenta dias de festa que culmina no domingo da Sétima Semana com a Sopa do Espírito Santo. O Cortejo dos Tabuleiros realizou-se na tarde do Domingo, dia 12 de Julho de 2015, mas já durante a manhã ocorrera a Procissão da Coroa e Pendões do Espírito Santo, tendo-se realizado uma missa na Igreja de S. João Baptista, situada na Praça da República. Às quatro da tarde, foi então a vez do Cortejo dos Tabuleiros sair da mata dos Sete Montes, onde estiveram em exposição. Os tabuleiros, com a altura das mulheres que os transportam sobre a cabeça, pesam entre dezoito e vinte e cinco quilos e actualmente a sua estrutura é constituída por quatro varas na vertical onde estão enfiados de cinco a sete pães, cada um com quatrocentos gramas e enfeitados com flores, verdadeiras ou de papel. Todos os tabuleiros têm uma coroa a encimá-lo e no topo desta apresenta-se a pomba branca do Espírito Santo, ou a Cruz de Cristo. Nesses tabuleiros eram originariamente levadas as oferendas ao Espírito Santo, mas, desde meados do século XX ficaram transformados num produto folclórico essencialmente ligado à promoção turística. E o resultado


artes, letras e ideias 13

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José Simões Morais texto e fotos

é a avalanche de turistas que encheram Tomar, apercebendo-se haver entre eles muitos estrangeiros. Durante quase quatro horas o Cortejo dos Tabuleiros percorreu as ruas ornamentadas da cidade, capital dos Templários portugueses. A meio caminho do percurso entrou este na Praça da República e aí os tabuleiros foram retirados da cabeça das mulheres com a ajuda do par masculino, que a acompanha, para descansar daquele enorme peso. Reposta a energia e escutadas as palavras do prelado, com o tabuleiro de novo na cabeça, seguiu-se a bênção deles, que voltaram a circular pelas ruas cheias de pessoas, que durante horas esperaram ao Sol escaldante para ver passar o cortejo. No final do cortejo seguiam três carroças puxadas cada por uma parelha de bois e onde se encontravam sentadas em cada uma três crianças. Como nos prospectos distribuídos no Turismo nada referem sobre a História destas festas, vemo-nos obrigados a recorrer ao que diz Maria Micaela Soares sobre o Imperador: “No primeiro ano é coroado; no segundo, imperador; e no terceiro vai entregar a bandeira.” Assim “a mesma criança figura portanto em três festas, a

não ser que por qualquer motivo o não possa fazer”. No entanto, nenhuma destas crianças vinha coroada. Já sobre a tourada, que no final servia para com a morte do touro, a carne ser consumida no Bodo, nada aparece no cartaz das festas.

O joaquimita Joaquim de Flore, nascido em Celino, na Calábria em 1132, como pajem de Rogério de Sicília foi à Terra Santa e quando regressou entrou para a Abadia Cisterciense de Sambuccino, onde mais tarde foi Prior e Abade. Período em que a Ordem de Cister relaxava as suas regras feitas por S. Bernardo no século VI, Joaquim recusou voltar ao rigor das regras anterior e por isso, em 1192 esteve na origem da congregação “de Flore”, em San Giovanni que quatro anos mais tarde foi aprovada pelo papa Celestino III. Movimento espiritual que lhe deu o título de Bem-Aventurado, mas pelo qual mais tarde Roma o condena como ortodoxo herético. A obra de Joaquim de Flore compreende: “Concordia dos dois testamentos”, “Comentários do Apocalipse” e “Dez cordas do Saltério”.

Um século depois, nos finais do XIII, o monge Liberatus publicou “Vaticina Joachimi”, as profecias de Joaquim que eram escutadas com sucesso até ao século XVI. Em 1595, o beneditino Arnold de Wion publicou “Lignum Vi-

tae” “A Árvore da Vida” que anunciava a destruição de Roma e o Juízo Final no fim de 111 Pontificados. D. Dinis, em conjunto com D. Isabel trouxeram para Portugal a trindade joaquimita dos franciscanos espirituais e numa consciente acção de planeamento, povoou, plantou, cantou o encanto do Ser Humano em quem investiu, em vez das catedrais góticas. “Para os Franciscanos espirituais dos séculos XIII, XIV, o Abade Joaquim tinha sido o novo S. João Baptista, anunciando o novo Cristo de uma Idade onde já não haveria lugar para a Igreja clerical.” “...compreender-se-á por que julgamos ser a Festa do Império, no seu protocolo, uma manifestação ritual concebida como anúncio e preparação para a Idade do Espírito Santo, Terceira Idade do Mundo. Dest’ arte a Festa do Império constitui o paradigma simbólico e ritual do projecto áureo português, projecto religioso universal através da iniciativa dionisíaca, que irá guiar e iluminar singularmente a história nacional no seu período mais fecundo e criacionista, que será ferozmente combatido pelos ventos da Contra-Reforma, chegados até nós no tempo de D. João III e dos Filipes, mas que perdurará no destino lusíada até aos dias de hoje, nos nossos mitos do Encoberto e do Quinto Império, nas festas do Espírito Santo e nas comunidades espalhadas pelo mundo, pela nossa memória inconsciente e no saudosismo poético e literário, persistente no nosso pensamento.” Palavras retiradas do livro “Portugal, Razão e Mistério” de António Quadros em cortadas citações, para atingir a ideia que gostaríamos de transmitir.


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Cinema

mission: impossible rogue nation Sala 1

mission: impossible rogue nation [b] Filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 Sala 2

ant-man [B]

insidious: chapter 3 [c] Filme de: Leigh Whannell Com: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson 16.45, 21.30 Sala 3

inside out [a]

Falado em cantonês Filme de: Peter Docter 14.15, 17.45, 19.30

minions [a]

Filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Michael Douglas 14.30, 19.15

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Pierre Coffin, Kyle Balda 16.00, 21.30

Amanhã Inauguração da exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre

Diariamente

Aconteceu Hoje

Exposição de obras de arte de agentes da PSP (até 9/08) Centro UNESCO de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre

Morre Hans Christian Andersen

Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 22/08) Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “Ao Risco da Cor - Claude Viallat e Franck Chalendard” Galeria do Tap Seac (até 9/08) Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

4 de agosto

U m l i v r o h o j e “O diário de Ma Yan” (Ma Yan/Pierre Haski, 2004) Pierre Haski é um jornalista francês que trabalhava como correspondente na China. Foi aqui que encontrou a mãe de Ma Yan, uma adolescente que vive na remota e isolada província de Ningxia, no noroeste da China. Filha de camponeses pobres, Ma Yan sabe desde cedo que terá de enfrentar uma vida difícil. A menina descreve toda a revolta que sente num diário que, mais tarde, a mãe entrega ao jornalista. Um diário para perceber uma China real, onde milhares de pessoas ainda vivem sem as mínimas condições e onde a pobreza está longe de ser erradicada. Joana Freitas

• A 4 de Agosto de 1875 morre Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês de contos infantis. Andersen foi um escritor e poeta de histórias infantis, nascido na actual Dinamarca, e foi o autor de histórias, como “O Patinho Feio” e “João e Maria”. Andersen misturava lendas populares, ensinamentos morais e humor. Andersen era filho de uma família pobre, o que o levou a ter dificuldades para conseguir educar-se. No entanto, os seus ensaios poéticos e o conto “Criança Moribunda” garantiram-lhe um lugar no Instituto de Copenhaga. Escreveu peças de teatro, canções patrióticas, contos, histórias, e, principalmente, contos de fadas, pelos quais é mundialmente conhecido. Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai adorava o filho, a quem fomentou a imaginação e a criatividade, deixando-o aprender a ler, contando-lhe histórias. Hoje ainda persistem especulações de que Andersen pode ter sido um filho ilegítimo da família real. Seja qual for o motivo, o rei Frederico VI teve um interesse pessoal nele quando jovem e pagou parte de sua educação. Andersen foi, segundo estudiosos, a “primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para crianças” e buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adoptados pela nova sociedade que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre “poderosos” e “desprotegidos”, “fortes” e “fracos”, “exploradores” e “explorados”. Ele também pretendia demonstrar a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais. No final de 1872, Andersen ficou gravemente ferido ao cair da cama, morrendo a 4 de Agosto de 1875. Neste dia, em 1900 nasce Elizabeth, rainha-mãe da Inglaterra. Em 1901, nasce Louis Armstrong, músico norte-americano. No ano de 1934, morre Marie Curie, pesquisadora polaca, prémio Nobel de Física em 1903. EM 1957 o piloto argentino Juan Manuel Fangio conquista o título de pentacampeão na Fórmula 1.

João Corvo

fonte da inveja

Se ouvires o teu mar interior,

perceberás quão à deriva te encontras.


opinião

hoje macau terça-feira 4.8.2015

Fernando Eloy | 义來

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chá (muito) verde

Privacidade ou transparência?

P

arece-me uma questão essencial nos dias que correm e um absurdo advogar as duas. A sensação que tenho é que a transparência vai acabar por ganhar. Transparência absoluta, isto é. De governos, de corporações e de indivíduos. Não me parecem conceitos compatíveis. Não me parece sequer que a privacidade seja viável no mundo que se vive e, especialmente, no que se avizinha. Provavelmente ainda podemos passar por um temível buraco negro onde nada é transparente antes de conseguirmos ver alguma luz, mas não me parece que o futuro seja esse. O grande paradoxo disto tudo é que são precisamente as mentes mais liberais que mais advogam... as duas. Para um conservador a questão pura e simplesmente não existe - privacidade e pronto, pública e privada. Mas para um pensador liberal a transparência de corporações e governos é um dado absolutamente fundamental tal como a preservação da nossa privacidade individual. A primeira por querermos governos e empresas mais justas e, acima de tudo, mais responsáveis. A preservação da privacidade de cada um precisamente para prevenir comportamentos abusivos de corporações e governos. Mas também para impedir perseguições políticas, religiosas ou outras, para prevenir a invasão da nossa esfera individual por “marketeiros” e, inclusivamente, por questões tão prosaicas como o acesso ao emprego numa altura em que é cada vez mais frequente um candidato, ou funcionário, ser sujeito a uma análise criteriosa do seu comportamento nas redes sociais e alvo de discriminação, ou despedimento, se elas não se ajustarem aos princípios do empregador. A privacidade do individuo é, portanto, um direito fundamental de uma sociedade que se pretenda moderna e tolerante. Parece-me claro. Ou não. A questão não é a do direito, perfeitamente compreensível, a questão é onde a privacidade individual leva e até que ponto ela é vantajosa para o bem comum e, consequentemente, para o bem de cada um de nós. Haverá com certeza muitos que concordarão que a possibilidade de termos uma persona para a família, outra para os colegas, mais uma para os amantes e ainda outra para os amigos de café faz parte das nossas liberdades inalienáveis e, naturalmente, essa possibilidade deve ser preservada a todo o custo. Mas faz mesmo sentido esta multiplicidade de comportamentos? Todos nós, ou a grande maioria, o pratica mas faz mesmo falta? Que temos nós a ganhar como indivíduos e, principalmente, que temos nós a ganhar como sociedade com esta multiplicidade de personas? Se para o indivíduo pode gerar a incapacidade de alguma vez fruir completamente a persona que realmente é, para os seus interlocutores cria realidades alternativas as quais duvido nos façam falta. No limite,

“Caminhamos a passos largos para um mundo onde a transparência será cada vez maior e a privacidade vai provavelmente acabar no caixote das recordações. Estamos no limiar de uma nova era da história da humanidade” temos aquele testemunho típico do vizinho: “Não, nunca dei por nada, era uma pessoa extremamente calma, muito cordata...” mas acabou de assassinar a família ou de colocar uma bomba no metropolitano. Eu sei, isto é o limite. Mas podemos ir para a versão leve do marido que se casou para fazer figura perante família e sociedade mas na realidade é gay e vive amarfanhado naquela realidade alternativa que até obriga a mulher a servir para fora. Um dia é apanhado com a boca na botija e... pronto, vida desgraçada. A dele, a da mulher e até da avó de Trás-os-Montes que já tinha desconfiado da coisa e até dava de barato mas não vai conseguir aguentar a vergonha lá na aldeia, agora que toda a gente sabe. Foi ele, podia ter sido ela. (Estes meus artigos seguem rigorosamente critérios de igualdade de oportunidades mas não necessariamente de quotas...) Voltando à vaca fria, se é que ela alguma vez aqueceu, nós próprios somos os primeiros a violar a nossa privacidade ao postarmos nos facebooks e twitters a nossa vida e mais um par de botas. No fundo, e aparentemente, a necessidade de não ser privado parece maior do que a do ser privado. Dirá agora o leitor que isso é uma necessidade de afirmação, de combate à solidão, até de exibicionismo não fazendo parte das características gerais da populaça. Pode até ser, mas é cada vez mais frequente e penso que terá de concordar comigo neste ponto, senão atente nisto: Em 2010, o homem-cadeira da Google, Eric Schmidt, dizia que desde o dealbar da civilização até 2003 tinham sido recolhidos 5 exabytes (Eb) de informação (sendo 1 Eb igual a 1 quintilião de bytes) e que naquela altura já eram recolhidos os mesmos 5 Eb mas a cada dois dias... Há quem diga que ele exagerou um pouco mas não por muito pois hoje, segundo dados da IBM publicados no ano passado, em 2012 o Google recebeu mais de 2 milhões de pesquisas por minuto valor que dobrou em 2014... Hoje, o Google recebe mais de 4 milhões de pesquisas por minuto provindas da população internáutica mundial estimada em cerca de 2.4 biliões de utilizadores. Mas estes números, naturalmente, tendem a aumentar com mais países cobertos pela internet e com a proliferação

de acessos móveis, porque hoje apenas 40% da população mundial tem acesso à Internet... E a partilha de informação, porque é essa razão que me levou para estes meandros da “Byto-contabilidade”, num futuro não muito distante vai conhecer contornos completamente diferentes ao ponto do mesmo homem-cadeira dizer este ano na conferência de Davos que a Internet como a conhecemos vai desaparecer em breve, e justifica: “Há tantos IP’s, tantos dispositivos, sensores, coisas que nós vestimos, coisas com que interagimos que nem sentimos. Vai ser parte da nossa existência a todo o momento. Imagine que entra numa sala e a sala é dinâmica. E que com a sua permissão, e por aí fora, está a interagir com as coisas que se passam na sala.” Isto já nem sequer cheira a ficção cientifica. É uma questão de meses, nem de meia dúzia de anos. Em resumo, todos nós sabemos que esta dinâmica de partilha e troca de informação deixa pegadas digitais. Algures, alguém com o devido algoritmo conseguirá compilar sem grande esforço toda a nossa vida internáutica que é, cada vez mais, a vida toda. Sem grande esforço, o nosso retrato virtual pode ser pintado por um curioso na Índia ou por um policia em Chicago. Há umas semanas, um grupo de hackers afirmava que em breve vão conseguir publicar as preferências porno de cada um de nós, ou daqueles que o consomem, e que não me parece serem tão poucos assim a julgar pelos dados que o Pornhub vai frequentemente divulgando - Ui! A fronteira da sexualidade, esse grande tabu. Já nem esse escapa. A perda de privacidade é um processo em curso e, parece-me, inevitável. Por mais que possamos argumentar em favor dela nós somos os primeiros a dinamitá-la. Por isso as minhas questões: a privacidade é compatível com a transparência? Será que

cartoon

precisamos realmente de privacidade? Nesta fase sim, porque a informação pode ser usada contra nós, porque os governos não são suficientemente transparentes, nem de confiança, porque muitos empregadores são uns cretinos. Mas existe alguma razão de facto para as reuniões de um conselho ministros não serem públicas, por exemplo? Só as vigentes, ou seja, não pode ser apenas um governo a tornar-se transparente têm de ser vários. Todavia, caminhamos a passos largos para um mundo onde a transparência será cada vez maior e a privacidade vai provavelmente acabar no caixote das recordações. Estamos no limiar de uma nova era da história da humanidade. Em boa verdade, quando ninguém tiver nada a esconder que mais resta para esconder? Que chantagem será possível quando todos soubermos tudo de todos? O conhecimento dos hábitos sexuais do vizinho, ou o ordenado do colega passa a ser informação tão corriqueira que mais ninguém ligará. Talvez seja o caminho para uma vida mais plena, mais verdadeira, mais próxima do que somos de realmente e não consigo imaginar nada melhor do que isso. O único travão que nos atira para a necessidade da privacidade é o medo. Mas medo do quê? Por mim, concordo com o Astérix, só tenho medo que o céu me caia em cima da cabeça.

MÚSICA DA SEMANA Androcell – “Process of Unfolding” “We experience the feeling that this body right Here and now, is only a cross- section of a Process that has been going on for Four billion years on this section of space It’s not a story about processes out of control It’s a story, which gives honor To every part of the unfolding experience” (...)

por Stephff

o gigantesco complexo industrial chinês agoniza


hoje macau terça-feira 4.8.2015

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Espionagem | EUA Japão pede explicações

“Amigo” americano T óquio pediu explicações a Washington sobre a denúncia do portal WikiLeaks , segundo a qual a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos espia há vários anos o Governo, entidades e empresas nipónicas. “Pedimos encarecidamente ao director da agência de inteligência nacional dos Estados Unidos [James] Clapper que verifique os factos”, disse ontem o ministro-porta-voz do executivo nipónico, Yoshihide Suga, durante uma conferência de imprensa. O ‘site’WikiLeaks publicou, esta sexta-feira, documentos em que assegura que a NSA espiou o Governo e várias empresas do país asiático. Além de relatórios, o portal fundado por Julian Assange compilou uma lista de 35 alvos japoneses de “alta prioridade” para interceptar telefonicamen-

te, da qual figuram o Governo, o Banco do Japão, vários ministérios e grandes grupos como a Mitsubishi. Segundo o Wikileaks, as escutas remontam até 2006, altura em que o actual primeiro-ministro, Shinzo Abe, governava pela primeira vez. “A ser verdade, o Japão, como aliado [dos Estados Unidos], consideraria os feitos realmente lamentáveis”, afirmou Suga, em declarações reproduzidas pela agência Kyodo. Segundo o Wikileaks, as informações obtidas “demonstram um conhecimento pormenorizado de decisões internas do Japão sobre questões como as importações de produtos agrícolas e os diferendos comerciais, as posições japonesas no ciclo de negociações multilaterais de Doha da Organização Mundial de Comércio, sobre energia nuclear e emissões de gases com efeito de estufa”.

Construção Ordenados em queda

E

ntre Abril e Junho deste ano, os trabalhadores da construção civil viram o seu salário diário médio descer cerca de 3% no geral, fixando-se agora nas 704 patacas diárias. De acordo com dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), também os TNR tiveram um descréscimo nos seus ordenados, ficando-se este pelas 609 patacas por dia. Já os trabalhadores residentes viram o seu salário aumentar cerca de 1,1%, recebendo diariamente 945 patacas em média.

Em termos específicos, foram os salários dos assentadores de tijolo, estucadores e armadores de ferro que mais desceram, oscilando a queda entre os 0,9% e os 1,9%. Já os operadores de máquinas electromecânicas e os carpinteiros de cofragem, que ganharam entre 790 e 860 patacas diárias, viram os seus salários aumentar 6,6% e 1,9% respectivamente. Foi, no entanto, o salário de quem monta equipamento de combate a incêndios que mais aumentou, com estes profissionais a auferirem uma média diária de 813 patacas, depois de um acréscimo do valor de 20,3%. Assim, o salário médio de trabalhadores não especializados cifra-se nas 405 patacas por dia, ou seja, mais 3,1% em termos trimestrais. Em relação ao preço dos materiais de construção mais usados, não houve oscilações significativas face aos três meses anteriores, tendo os materiais para a construção de edifícios habitacionais aumentado 0,2%.

Hoje Macau 4 AGO 2015 #3386  

N.º3386 de 4 de AGO de 2015

Hoje Macau 4 AGO 2015 #3386  

N.º3386 de 4 de AGO de 2015

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