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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

JULHO À VISTA PÁGINA 4

hojemacau

CHEQUES PECUNIÁRIOS

SOFIA MARGARIDA MOTA

SEXTA-FEIRA 4 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4044

APOIOS SOCIAIS

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PROPOSTA INCLUSIVA PÁGINA 5

COMUNA DE PEDRA

TEATRO MATERIAL

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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EVENTOS

A harmonia segundo Kevin Kevin Ho, empresário e sobrinho de Edmund Ho, acha que em Macau não existe especulação imobiliária e que o preço da habitação é acessível. Além disso, o homem de negócios não vê necessidade para uma lei sindical porque Macau vive uma situação de pleno emprego e quem não se sentir bem tratado num trabalho pode facilmente procurar outro. ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

KEVIN HO

Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho e responsável pela KNJ Investment, falou ao HM de negócios e de Macau. No entender do investidor, o mercado imobiliário local é acessível. Por outro lado, o presidente da Associação de Estudo de Economia Política, que está encarregue do estudo sobre as condições para a discussão da lei sindical, considera que os direitos dos trabalhadores locais já estão protegidos

“Em Macau não há especulação imobiliária” Passaram-se quase seis meses desde a aquisição de 30 por cento da Global Media. Que balanço faz? Assinámos, realmente, há quase seis meses, mas assumimos funções em Dezembro, ou seja, cerca de quatro meses. Para já, temos tido essencialmente reuniões de administração acerca do planeamento geral da companhia. Estamos a desenvolver novos produtos ao mesmo tempo que mantemos os que já existem. Durante este período ainda não mudou muita coisa.

Quando o contrato foi fechado disse que um dos objectivos no negócio seria a aposta na internacionalização da Global Media. Tem algum plano concreto neste sentido? Sim, a internacionalização inclui vários aspectos. Claro que implica a cooperação e o investimento de dois países diferentes ou ter operações num lugar em particular fora de Portugal. Esta não é a nossa acção imediata. Já registámos o escritório de representação da Global Media em Macau em Fevereiro. No futuro, o gabinete de Macau vai contratar pessoal e vamos complementar o trabalho que se faz em Portugal. Ou seja, quando em Portugal se está a descansar, Macau assume as suas funções. A ideia é ter a estrutura a funcionar 24h por dia em tempo real. Actualmente, as notícias estão relacionadas com velocidade e quanto mais rápido conseguirmos colocar as notícias online, mais pessoas têm acesso. Este serviço não se vai materializar num jornal impresso, vai ser estritamente digital. Já temos uma aplicação e várias plataformas online e vamos tentar fazer com que esta seja uma plataforma importante neste negócio. Além de Macau, vamos ter mais novidades dentro de meses. Já assinámos um bom número de acordos e memorandos. A título de exemplo, avançámos com a TDM, com uma empresa em São

Paulo, com umas quatro ou cinco empresas de media em Angola e estamos a tentar fazer o mesmo com Moçambique. Além disto, já temos a LUSA. Isto quer dizer que, em termos de internacionalização, não estamos nada mal. Estes memorandos de entendimento permitem às partes envolvidas a partilha de informação, livremente. Estamos a trabalhar com calma mas estamos a conseguir andar no sentido que queremos. Estou também muito feliz com a minha equipa. Temos uma equipa muito forte em Portugal. Estou contente com a abertura que têm, até porque vamos ter muitas mudanças que se vão expressar especialmente com a criação de novos produtos que vão fazer parte da marca Global Media. Não posso ainda revelar especificamente quais são, mas já estão em teste e penso que no Verão já se vão saber mais coisas.  

“No início do ano foi assinado um acordo para aumentar o número de voos que ligam a China a Portugal, directamente, para 21 por semana, o que representa três voos por dia.” Está a pensar investir mais no Porto, nomeadamente na criação de incubadoras de startups nos antigos armazéns de Gaia. Porquê este investimento em Portugal? Em primeiro lugar, acho que esta é uma excelente oportunidade para investir no Porto. Há excelentes armazéns com óptima localização e que estão vazios. Já tive reuniões com alguns dos responsáveis do Porto e de Gaia e revelaram-me que não há planos para estes espaços

SOFIA MARGARIDA MOTA

EMPRESÁRIO

que são marcos na cidade. Por isso, temos de encontrar um bom uso para eles. Além de se adequarem à instalação de incubadoras para startups, são edifícios que podem estar ao serviço do turismo. Muitos deles eram armazéns de vinho do porto e podemos usar este marketing para fazer um local de apresentação para os vinhos portugueses. Portugal tem vinhos de grande qualidade mas não são exportados e não têm um marketing a funcionar. São vinhos muito bons e pouco conhecidos. Podemos também usar estes armazéns como local de exposição para estes produtos ou como centro logístico, de distribuição e vendas. O Porto é uma cidade diferente. Há coisas a desenvolver no Porto que já o foram em Lisboa.  Como por exemplo? O turismo. Penso que o Porto é uma cidade da moda, especialmente para os europeus, mas ainda não chegou a esta parte do mundo. Pequim já tem três voos directos para Lisboa por semana. No início do ano foi assinado um acordo para aumentar o número de voos que ligam a China a Portugal, directamente, para 21 por semana, o que representa três voos por dia. Uma nova linha aérea vai ainda entrar neste acordo. Penso que o Porto pode estar neste mapa de voos e, se isso acontecer, a cidade vai ser um lugar completamente novo. Isto vai trazer muitas mudanças não só a nível do turismo como da própria dinâmica e ambiente de negócios.  Uma outra área que pretende investir em Portugal é no mercado imobiliário.  Talvez. Não há propriamente uma área especifica em que saiba ao certo que vou investir. Sou um investidor e onde houver oportunidade de negócio eu estou lá.  E qual é a sua opinião acerca da especulação imobiliária em Macau?

Acho que em Macau não há especulação imobiliária. Também tenho investimentos na indústria imobiliária no território e tenho uma posição diferente da maioria das pessoas. Não penso que Macau tenha preços demasiado altos e não é só por eu estar neste sector que o afirmo. Em Macau, quer os preços sejam altos ou baixos, as pessoas têm sempre uma casa para viver. Já em Hong Kong, penso que o mercado imobiliário está um bocadinho inflaccionado. Em Hong Kong há muita especulação, mas é uma cidade com uma economia muito livre, em que o dinheiro circula também livremente. Por outro lado, a economia de Hong Kong e as suas fundações, são muito boas apesar de ser uma cidade pequena quando comparada com as grandes cidades do mundo. Por isso, a situação do imobiliário em Hong Kong é justificável. Toda a gente diz que Macau é caro. Não vejo Macau como sendo muito caro. As pessoas podem


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que actualmente, com ou sem lei sindical, os nossos trabalhadores sejam mal tratados. Não quero dizer que todos os trabalhadores são bem tratados, mas temos de admitir que a sociedade de Macau dos últimos 15 anos, e que podemos projectar para os próximo 20 ou 30 anos, é uma sociedade de emprego. Por isso, mesmo sem a lei, se um trabalhador sofre porque é mal tratado pelo seu empregador, pode arranjar outro emprego facilmente noutro lado. Não é o mesmo que acontecia quando estávamos nos anos 70 ou 80. Naquela altura, precisaríamos de uma boa lei para proteger os trabalhadores. Vocês jornalistas, normalmente, veem-me como sobrinho de Edmund Ho, mas também sou o neto de Ho Yin. O meu avô era um homem de negócios, mas sempre defendeu os direitos dos trabalhadores. 

“A lei sindical é um assunto muito sensível, especialmente para mim. Venho do sector dos negócios e estarei ao lado deste sector. Não acho que actualmente, com ou sem lei sindical, os nossos trabalhadores sejam mal tratados.”

não conseguir comprar as casas mas isso não quer dizer que seja caro. Vamos comparar diferentes estatísticas. Olhemos para Hong Kong, Macau, Pequim e Shengzhen. Entre estas cidades qual é a que tem o maior rendimento per capita? Macau. Em qual delas o salário médio é mais alto? Macau. Qual é que tem maiores perspectivas de crescimento? Talvez seja Shengzhen, mas Macau não está em último. Se se comparar

“Não penso que Macau tenha preços demasiado altos e não é só por eu estar neste sector que o afirmo. Em Macau, quer os preços sejam altos ou baixos, as pessoas têm sempre uma casa para viver.”

o custo por metro quadrado em Macau, entre o passado e agora, as pessoas podem dizer que pagar 11 mil patacas por metro quadrado é muito caro comparado com as 1000 que custava há uns anos. Há uns anos, era realmente muito barato o que não quer dizer que agora seja caro. Se olharmos para um apartamento em segunda mão de 1000 metros quadrados em que se encontram preços de 5000 patacas por metro quadrado, temos uma casa que pode ir dos cinco aos seis milhões de patacas. Quem é que não tem poder de compra para uma casa destas? Um casal que seja comprador pela primeira vez, na casa dos trinta anos, com um trabalho decente em que cada um ganha provavelmente entre 30 e 40 mil patacas por mês, faz com que em conjunto recebam mensalmente cerca de 80 mil pataca. Se tiverem nas suas poupanças cerca de um milhão, não precisam de se preocupar com a compra de casa. Por isso não penso que seja assim tão cara a habitação em Macau.

Quanto à sua carreira na política, quais são os seus planos? Não tenho planos.  Nem enquanto membro da Associação Popular Nacional (APN)? Candidatei-me e perdi no ano passado. Fiquei como primeiro substituto e se existir alguma desistência passarei a exercer funções. Se não, posso concorrer de novo daqui a quatro anos. E vai fazê-lo? No dia de hoje respondo-lhe que sim, porque acho que é um óptimo canal para que possa representar Macau no nosso país.  E como representaria o território? O que acha que é necessário fazer? Temos de saber representar o sector que representamos. Felizmente, ou infelizmente, sou mais próximo da área dos negócios. Não sou um médico ou advogado, por isso não vou representar esses sectores profissionais com

certeza. Mas no que respeita ao sector dos negócios, do desporto e da cultura, em que estou mais envolvido nos últimos anos, gostaria de levar a Pequim um maior entendimento do que se passa nestas indústrias em Macau. As pessoas tendem a pensar que ser representante na APN é uma posição muito elevada e que se está no cimo de muita coisa. Quando me candidatei no ano passado, sempre disse aos votantes que era apenas um representante de alguns sectores. Nós representamos o povo de Macau. Qual é a sua opinião acerca da lei sindical? Penso que Macau tem uma história enquanto sociedade harmoniosa. Por isso, em vez de se lançar um grande debate seria melhor que a lei tivesse o acordo das partes envolvidas. A lei sindical é um assunto muito sensível, especialmente para mim. Venho do sector dos negócios e estarei ao lado deste sector. Não acho

Fala-se muito da diversificação da economia. Que negócio abriria para contribuir para essa diversificação? O que vou abrir a seguir. É um projecto novo, e é um negócio de manufacturação. Não posso ainda dizer o que é em concreto porque ainda está em fase de estudo e planeamento. Mas para investir em qualquer coisa, especialmente em Macau, temos de olhar para o mercado do jogo, isto porque mesmo uma lavandaria aqui tem de estar relacionada com esse sector. Se tivermos um negócio de confecção de uniformes também temos de pensar no mercado do jogo. Kevin Ho é um homem de negócios. Além disso, o que gosta de fazer? Gosto de viajar, por exemplo. Gosto também de fumar charutos e de beber whisky. Não é muito saudável, mas gosto muito.   Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

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A nova ronda de distribuição de cheques pela população inicia-se no próximo dia 3 de Julho. Os residentes permanentes recebem 9.000 patacas, enquanto os não permanentes 5.400 patacas

COMPARTICIPAÇÃO PECUNIÁRIA DISTRIBUIÇÃO COMEÇA A 3 DE JULHO

Uma data de cheques têm direito a 5.400 patacas, com a medida a representar um encargo financeiro de 6,19 mil milhões de patacas. Entre 2008 e 2017, o Governo desembolsou mais de 43,1 mil milhões de patacas com o plano de comparticipação pecuniária, cujo objectivo passa pela partilha dos frutos do desenvolvimento económico da RAEM.

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OM os valores inalterados, tal como os procedimentos afectos à distribuição, faltava apenas o calendário. O Conselho Executivo anunciou ontem ter terminado a análise ao projecto de regulamento administrativo relativo ao plano de comparticipação pecuniária para 2018. A nova ronda de distribuição de dinheiro inicia-se a 3 de Julho (tal como no ano passado), começando por quem recebe por transferência bancária, como beneficiários de subsídios, funcionários públicos e indivíduos que tenham registado a recepção da devolução de impostos ou demais pagamentos a cargo da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Segue-se o envio dos cheques cruzados para a caixa de

Plano de comparticipação pecuniária de 2018 representa um encargo financeiro de 6,19 mil milhões de patacas

correio pela ordem sequencial da data de nascimento, num processo que deve ser dado como concluído em meados de Setembro. São elegíveis os residentes que, a 31 de Dezembro, eram titulares do

Bilhete de Identidade de Residente (BIR), sendo que a distribuição de dinheiro chega também aos que vivem no exterior. A título de exemplo, no ano passado, foram enviados para o estrangeiro 64 mil cheques, indicou

o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. Ao abrigo do plano para este ano, 656.772 residentes permanentes vão receber 9.000 patacas; enquanto 53.280 não permanentes

A medida foi lançada a título provisório em 2008 pelo anterior Chefe do Executivo, Edmund Ho. Dados facultados recentemente pela DSF ao HM indicam que, em dez anos, mais de 50 mil cheques, no valor de quase 370 milhões de patacas, estavam por depositar, o equivalente a pouco mais de um por cento das verbas atribuídas. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

CONCERTAÇÃO SOCIAL COUTINHO QUER PRAZOS PARA DISCUSSÃO DE TEMAS LABORAIS

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secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, disse ontem que o Governo espera, para este ano, um aumento das receitas do jogo na ordem dos 20 por cento. “De acordo com as expectativas do orçamento de 2018, prevê-se uma subida de 20 por cento no valor total das receitas do jogo, este ano, em termos anuais”, referiu, citado por um comunicado oficial. Além disso, Lionel Leong adiantou que os números estão de acordo com as expectativas do Executivo. “As receitas do jogo, de Janeiro a Abril, subiram, mantendo-se estáveis e com tendência positiva. O seu desempenho já voltou aos níveis de 2012, e dentro das expectativas do Governo da RAEM.”

Algo que também está dentro do previsto é o crescimento das apostas no mercado de massas. “O Governo da RAEM espera que o desempenho das salas do jogo de massas seja mais activo e impulsione o desenvolvimento de todo o sector de jogo, e Macau cumprir ainda mais a sua posição de centro mundial de turismo e lazer”, lê-se no comunicado. Lionel Leong falou ainda da redução do número de junkets, que deixaram de ser 270 para os actuais 110. Tal ocorreu devido às “maiores exigências do Governo no que se refere às condições de acesso ao mercado dos promotores de jogo, bem como a uma rigorosa avaliação da idoneidade e financeira, criação de normas, para uma maior

regulamentação do funcionamento e desenvolvimento do respectivo sector, ficando sujeito fiscalização absoluta”. O secretário considerou que “a estabilidade e a tendência positiva do mercado de jogo irá ajudar os promotores a funcionar de forma mais dinâmica”. Sobre as medidas de gestão da procura de casas no mercado imobiliário, Lionel Leong lembrou que “a proporção de compradores que adquiriram a segunda casa ou mais diminuiu significativamente, enquanto houve um aumento de aquisição da primeira habitação por jovens, através destas medidas”. Lionel Leong referiu ainda esperar que “oferta do mercado seja mais oportuna para que os jovens consigam adquirir facilmente casa”.

deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde pede que sejam determinados prazos para a discussão de temas no seio do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). “O Governo deve ponderar a melhoria do mecanismo interno do CPSP, tal como definir que as propostas têm de ter um calendário e objectivos para a sua discussão, isto é, não ficam sem prazo, com vista a evitar que isto se torne um meio para a fuga de responsabilidades por parte do Governo.” Na opinião de Pereira Coutinho, “o CPCS passou a ser uma desculpa do Governo para demorar os res-

GONÇALO LOBO PINHEIRO

JOGO GOVERNO ESPERA SUBIDA DE 20 POR CENTO NAS RECEITAS DO JOGO

pectivos trabalhos.Algumas propostas de lei, após negociações do CPCS, perderam a sua validade por causa do longo tempo de discussão ou não obtiveram consenso no seio da sociedade por falta de representatividade suficiente”. Além disso, o deputado à Assembleia Legislativa volta a defender que o número de membros do CPCS deve aumentar em prol de uma maior

representatividade. “O Governo deve ponderar o aumento do número de membros do CPCS e absorver mais pessoas de sectores diferentes, com vista a evitar que o CPCS não obtenha consenso entre os empregadores, os trabalhadores e a sociedade, por falta de representatividade, e que se torne um órgão para troca de interesses. Vai fazê-lo?”, questionou. A.S.S.


política 5

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O Governo propôs uma alteração ao Regime de Segurança Social que prevê a eliminação de um requisito que tem limitado o acesso à pensão de invalidez

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ARA “oferecer uma melhor protecção social de base às pessoas portadoras de deficiência”, o Governo decidiu mexer no Regime de Segurança Social para permitir que a pensão de invalidez seja atribuída a todas as pessoas que se encontram nessa situação. Tal vai ser feito por via da eliminação de um dos requisitos para a atribuição. Ao abrigo da proposta de lei, cujos principais contornos foram apresentados ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, vai cair o requisito que dita que “a invalidez seja verificada depois de obtida a qualidade de beneficiário”. Actualmente, aos indivíduos que se encontrem em situação de invalidez antes de obtida a qualidade de beneficiário do Regime de Segurança Social e que preencham os outros requisitos legais, é atribuído um subsídio. Trata-se do denominado subsídio provisório de invalidez, lançado em Julho de 2014, cujo montante mensal é igual ao da pensão de invalidez (que corresponde actualmente a 3.450 patacas). Segundo dados facultados por Leong Heng Teng, 612 pessoas recebiam o subsídio provisório de invalidez, representando um custo anual na ordem dos 25 milhões de patacas, enquanto este ano foram contabilizadas 820, valor que traduz um encargo financeiro de 36 milhões de patacas. Ora, com a alteração proposta ao Regime de Segurança Social, vai ser cancelado o subsídio provisório de invalidez. O objectivo é que os seus beneficiários passem então a receber a pensão de invalidez do Regime da Segurança Social, que conta, neste momento, com mais de 4.000 beneficiários, indicou o porta-voz do Conselho Executivo.

APOIO SOCIAL PROPOSTA DE LEI FLEXIBILIZA REQUISITOS DE ATRIBUIÇÃO DA PENSÃO PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA

Pela inclusão À luz da lei, considera-se em situação de invalidez aquele que, temporária ou permanentemente e de forma absoluta, esteja privado da integralidade da sua capacidade de trabalho ou de ganho, em consequência de doença ou acidente comuns ou profissionais.

COMPLEMENTO PRORROGADO

Ontem o Conselho Executivo também deu conta das novidades relativamente ao subsídio complementar aos rendimentos do trabalho, lançado há dez anos. A medida, destinada aos residentes permanentes com rendimentos mensais inferiores a 5.000 patacas, vai ser prorrogada até ao final do ano. Segundo revelou ontem Leong Heng Teng, os requisitos para o

pedido do subsídio vão ser “aligeirados”, alterando a estipulação inicial de os requerentes terem de estar inscritos no Fundo de Segurança Social como trabalhadores por conta de outrem até ao fim do ano anterior a que respeita. Ora, com a mexida, basta que estejam no trimestre em que apresentam o requerimento, permitindo que “sejam beneficiadas as pessoas portadoras de deficiência que acabam de concluir os cursos de formação profissional, bem como outros trabalhadores por conta de outrem com baixos rendimentos”, explicou o porta-voz do Conselho Executivo. Os requerentes devem apresentar os pedidos para o subsídio no final de Maio, Julho, Outubro e Janeiro de 2019. Os efeitos do

regulamento administrativo, que tem entrada em vigor prevista para o dia seguinte ao da sua publicação em Boletim Oficial, retroagem a 1 de Janeiro. Os pedidos do subsídio complementar aos rendimentos de

O objectivo é que os seus beneficiários passem então a receber a pensão de invalidez do Regime da Segurança Social, que conta, neste momento, com mais de 4.000 beneficiários

trabalho têm vindo a diminuir. No ano passado, o número médio de requerentes autorizados por trimestre foi de 255, com o montante total do subsídio atribuído de 7,12 milhões de patacas. A título de exemplo, no primeiro ano da medida, em 2008, houve em média 2.341 requerentes autorizados por trimestre e o valor concedido ascendeu a 31,47 milhões de patacas. Leong Heng Teng notou em particular uma “descida muito significativa” do número médio de requerentes autorizados por trimestre na viragem de 2015 para 2016 (de 1.120 passaram a 329) devido “à implementação do salário mínimo” para os trabalhadores de limpeza e segurança, em vigor desde 1 de Janeiro de 2016. De acordo com o porta-voz do Conselho Executivo, o subsídio complementar aos rendimentos do trabalho “deixará de ser necessário” quando houver um salário mínimo universal em Macau. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

UNIVERSIDADE DE MACAU JÚRI DE PROVAS DE DOUTORAMENTO MAIS FLEXÍVEL

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júri das provas de doutoramento na Universidade de Macau (UM) vai deixar de ser exclusivamente presidido pelo reitor ou pelos vice-reitores. A alteração ao decreto-lei de 1994, que regu-

la as formas de obtenção dos graus de mestre e de doutor na UM, foi anunciada ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. O “crescente número de estudantes de doutoramento”

e, por conseguinte, o “grande volume de trabalho” figuram como a principal razão para a mexida, explicou Leong Heng Teng, dando conta de que existem, actualmente, “quase 950 doutorandos”

naquela instituição de ensino superior pública. À luz do novo regulamento administrativo, o reitor da UM preside ao júri das provas de doutoramento, mas pode delegar esta competência num

vice-reitor ou “num professor catedrático, professor catedrático distinto ou professor catedrático de mérito que tenha sido orientador de, pelo menos, três estudantes que tenham concluído o curso

de doutoramento”, indicou o mesmo responsável em conferência de imprensa. O regulamento administrativo entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação em Boletim Oficial.


6 sociedade

4.5.2018 sexta-feira

ENSINO ÁLVARO BARBOSA NOMEADO VICE-REITOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO JOSÉ

A espada muda de mão

O até agora director da Faculdade de Indústrias Criativas da USJ vai assumir o cargo de vicereitor da instituição, substituindo Maria Antónia Espadinha, que deixou o cargo em finais de Abril

director da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José (USJ), Álvaro Barbosa, foi nomeado vice-reitor, sucedendo a Maria Antónia Espadinha, que deixou a posição no final de Abril. A notícia foi avançada, ontem, pela Rádio Macau e confirmada ao HM pelo próprio, que se confessa entusiasmado por poder contribuir para a equipa reitoral da universidade. “Era director da Faculdade de Indústrias Criativas e fui convidado pelo reitor da Universidade [Peter Stilwell] para ser vice-reitor. É um cargo que vou ocupar a par do professor Vincent Yang e a nomeação está confirmada. A tomada de posse deverá ser feita mais tarde”, afirmou Álvaro Barbosa, futuro vice-reitor da instituição ao HM. Apesar desta alteração nas suas funções, o académico não olha para a mudança como uma subida na carreira. “Não encaro a alteração propriamente como uma promoção. Na vida académica as promoções têm que ver

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) recusou o pedido de suspensão de eficácia apresentado pela Focus-Gestão, Operação e Manutenção de Instalações, empresa ligada ao universo CESL-Ásia, a 14 de Fevereiro deste ano. O pedido foi feito no âmbito de uma decisão do TSI relativa um concurso público que foi realizado em Dezembro de 2016 para a “Prestação do serviço de manutenção das instalações do Terminal Marítimo de Passageiros da

posição pelo facto da vice-reitora Maria Antónia Espadinha estar em vias de se reformar, no final de um mandato de dois anos. As minhas funções não vão ser exactamente as mesmas que ela desempenhava, mas têm uma lógica de continuidade”, explicou. Em relação ao desafio que tem pela frente, o futuro vice-reitor sublinha que “é um projecto no sentido de desenvolver uma universidade de cariz internacional em Macau, com ligações fortes com a diocese e com a Univer-

sidade Católica Portuguesa”, apontou.

“Na vida académica as promoções têm que ver com os graus. Por exemplo, uma pessoa que passe de professor associado a catedrático. Eu era director e agora vou desempenhar uma nova função na equipa da universidade, não é propriamente uma promoção.”

APOSTA NO MULTICULTURALISMO

Nos últimos anos a USJ tem trabalhado para conseguir autorização para receber alunos do Interior da China. Ao HM, Álvaro Barbosa explicou que essa intenção enquadra-se na missão das universidades de Macau de ajudarem a formar quadros qualificados para o Continente. “Até ao momento, não houve autorização para esse recruta-

TIAGO ALCÂNTARA

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com os graus. Por exemplo, uma pessoa que passe de professor associado a catedrático. Eu era director e agora vou desempenhar uma nova função na equipa da universidade, não é propriamente uma promoção”, considerou. Em relação às expectativas para o novo cargo, Álvaro Barbosa considera que não se devem esperar alterações de fundo, uma vez que o seu objectivo é auxiliar, da melhor forma possível, o actual reitor. “O reitor tem um projecto de continuidade. Eu chego a esta

ÁLVARO BARBOSA ACADÉMICO

mento, mas vamos continuar a candidatarmo-nos e esperar que seja decidida essa possibilidade, por parte das autoridades competentes. É uma questão que deve ser vista não como da Universidade de São José, mas como as universidades de Macau a proporcionarem acesso ao ensino superior ao estudantes da China”, explicou sobre o assunto. No entanto, esta formação não é exclusiva do Interior da China, o futuro vice-reitor recordou que a USJ tem uma vocação multicultural na qual vai continuar a apostar. Além de ser director da Faculdade de Indústrias Criativas na USJ, Álvaro Barbosa era também o coordenador do departamento de música. No currículo, o académico conta com um doutoramento em ciência e tecnologia das artes, mestrado em gestão de indústrias criativas e uma pós-graduação em fotografia e design digital. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Decisão desfocada

TSI recusa pedido de suspensão de eficácia feito pela CESL-Ásia

Taipa”, que foi adjudicado à Focus. Contudo, uma das empresas concorrentes, a CCCC Terceiro Macau Limitada, foi a tribunal, alegando que o regulamento do concurso público não foi devidamente cumprido e que os critérios para a escolha da empresa não foram seguidos, de acordo com os parâmetros

previamente definidos. O TSI acabaria por anular o resultado do concurso público, em Janeiro deste ano, sendo que, após recurso apresentado, o Tribunal de Última Instância (TUI) continuou a dar razão aos juízes do TSI. Após esta decisão, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, “proferiu des-

pacho [a 14 de Fevereiro deste ano], determinando proceder ao cumprimento do referido acórdão do TUI dentro do prazo legal”. Já a Focus-Gestão, Operação e Manutenção de Instalações decidiu apresentar o pedido de suspensão de eficácia da decisão do TSI alegando que “a execução deste acto lhe causará prejuízos de difícil

reparação”, além de que “a suspensão da execução não acarreta qualquer prejuízo para o interesse público, e inexistem indícios de ilegalidade do recurso”, aponta o acórdão ontem divulgado. No entanto, o TSI entendeu que “não se afigura que seja um acto administrativo cuja eficácia é susceptível de suspensão”. Na prática, o Governo terá de realizar um novo concurso público para a manutenção das instalações do novo terminal marítimo, uma vez que não

só o TSI anulou o resultado da adjudicação do concurso público como o TUI voltou a considerar, em Janeiro, que “a Comissão de Avaliação das Propostas violou o Programa do Concurso ao valorizar experiência de empresas com personalidade jurídica diversa de concorrente ao concurso, a quem é imputada a mencionada experiência”, de acordo com o respectivo acórdão. A.S.S.


sociedade 7

Trânsito Menos veículos nas estradas de Macau

No final de Março circulavam nas estradas de Macau 238.970 veículos, número que representa uma queda de 2,6 por cento em termos anuais, indicam dados dos Serviços de Estatística e Censo, de acordo com o canal de rádio da TDM. As razões têm que ver, sobretudo, com a diminuição do número de ciclomotores – 28.182, menos 15,2 por cento. Em contrapartida, o número de motas com cilindrada superior a 50 centímetros cúbicos, 96.453, aumentou 2,5 por cento. De acordo com a mesma fonte, entre Janeiro e Março houve também menos acidentes de viação – 3484 –, tendo, ainda assim, havido registo de duas vítimas mortais e de mais de mil feridos.

Comunicações Número de utilizadores de telemóvel aumenta

Segundo as estatísticas sobre transportes e comunicações, o número de utentes de telemóvel era no final de Março de 2.327.834, um aumento anual de 17,6 por cento. No final de Março havia 130.437 utentes de telefone da rede fixa, uma queda anual de 4,8 por cento. De acordo com o canal de rádio da TDM, existiam 407.676 assinantes de serviços de internet, isto é, mais 10,1 por cento. No primeiro trimestre de 2018, o número de horas utilizadas dos serviços de internet foi de 309 milhões de horas, o que representa uma subida de 3,3 por cento em termos anuais.

TIAGO ALCÂNTARA

sexta-feira 4.5.2018

“Estamos comprometidos em continuar a apoiar a visão do Governo em tornar Macau num Centro Mundial de Turismo e Lazer como demonstram as fases 3 e 4 do Cotai e o nosso plano de desenvolvimento em Hengqin”

JOGO RECEITAS DA GALAXY CRESCERAM QUASE UM TERÇO NO PRIMEIRO TRIMESTRE DO ANO

Os guardiões da galáxia

A Galaxy registou, entre Janeiro e Março, receitas de 18,5 mil milhões de dólares de Hong Kong entre Janeiro e Março, um aumento de quase um terço em termos anuais homólogos

A

S receitas da Galaxy Entertainment cresceram 32 por cento no primeiro trimestre do ano para 18,5 mil milhões de dólares de Hong Kong, anunciou ontem a operadora em comunicado. As receitas de jogo, que representaram sensivelmente 93 por cento dos ganhos, foram de 17,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, traduzindo uma subida de 31 por cento em termos anuais homólogos. As receitas geradas pelo segmento VIP (de grandes apostadores) deram um pulo de 44 por cento para 9,9 mil milhões de dólares de Hong Kong, enquanto as do mer-

cado de massas totalizaram 6,7 mil milhões de dólares de Hong Kong, reflectindo um aumento de 17 por cento comparativamente aos primeiros três meses do ano passado, segundo os resultados não auditados. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) atingiu 4,3 mil milhões de patacas, mais 36 por cento em termos anuais homólogos e mais 4 por cento face ao trimestre anterior, indicou a empresa que opera seis dos 42 casinos de Macau. “Estamos muito satisfeitos por anunciar que registamos um arranque positivo em 2018, com um EBIDTA

ajustado trimestral recorde. Trata-se do nono trimestre consecutivo de crescimento do EBITDA apesar de o mercado de Macau ter mais capacidade competitiva”, afirmou Lui Che Woo, presidente e fundador do Galaxy Entertainment Group (GEG), para quem o grupo se encontra “excepcionalmente posicionado para o crescimento a longo prazo”.

PLANO DE EXPANSÃO

“Estamos comprometidos em continuar a apoiar a visão do Governo em tornar Macau num Centro Mundial de Turismo e Lazer como demonstram as fases 3 e 4 do Cotai e o nosso plano de

desenvolvimento em Hengqin [Ilha da Montanha]”, afirmou. As fases 3 e 4 do Cotai vão incluir jogo, 4500 quartos de hotel, lojas, restaurantes, bem como um espaço de 16 mil pés quadrados para o sector das convenções e exposições, além de uma sala de espectáculos com capacidade para 16 mil lugares, entre outros equipamentos. Já os planos de expansão internacional passam nomeadamente pelas Filipinas. Em Março, a Galaxy anunciou a intenção de investir até 500 milhões de dólares norte-americanos num ‘resort’ de baixa densidade, de elevada qualidade e amigo do ambiente, que

incluía um pequeno casino com até 60 mesas de jogo, na estância balnear de Boracay. Contudo, os planos foram colocados em causa pelo Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, que questionou a mais-valia de ter um casino em Boracay, ilha que, no final de Abril, foi encerrada aos turistas por um período de seis meses. “Apoiamos a decisão do Governo filipino de fechar temporariamente Boracay e a sua iniciativa de restaurar a ilha. Vamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros locais para procurar mais esclarecimentos”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com

JORNALISMO AIPIM PEDE CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE SEGURANÇA DOS JORNALISTAS

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Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) juntou-se ao apelo da Federação Internacional de Jornalistas para a criação de uma convenção internacional para a segurança e independência dos profissionais da comunicação social.

“Neste Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, 3 de Maio, chamamos a atenção para o recente aumento substancial da violência atingindo jornalistas em certos países - em vários casos com consequências fatais”, declarou a direcção da AIPIM, em comunicado. A AIPIM defendeu ainda

que “não pode haver liberdade de imprensa quando os jornalistas vivem e trabalham num clima de medo e intimidação”. A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) divulgou ontem um comunicado em que denunciou a morte de 32 jornalistas ou profissionais de comunicação social, em 2018, “uma

média de dois jornalistas mortos a cada semana”. Por essa razão a IFJ urgiu para a necessidade da criação de uma convenção internacional para a segurança e independência dos jornalistas e profissionais da comunicação social que estabeleça “normas vinculativas que criem salvaguardas espe-

cificamente para jornalistas e trabalhadores dos media”. “Não podemos celebrar o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa sem apelarmos aos governos que assumam a responsabilidade de garantir a segurança de nossos colegas”, apelou o presidente da IJF, Philippe Leruth, em comunicado.


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sexta-feira 4.5.2018

A entrada do casino controlado pela Sands China foi palco de uma cena de pancadaria, que envolveu, pelo menos, 11 indivíduos. A situação que foi revelada por um vídeo nas redes sociais, acabou com a intervenção de dois polícias. A PSP diz que o caso foi resolvido no local e que não resultou em queixas

D

URANTE o dia de ontem circulou um vídeo das redes sociais de uma batalha campal na rampa de entrada ao casino e hotel Venetian, no qual é possível ver cerca de 11 indivíduos em confrontos físicos. O vídeo foi gravado entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, mas segundo as informações fornecidas pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública não houve detidos, nem qualquer queixa. “Um indivíduo do Continente foi rodeado por mais de dez pessoas. Mas a PSP tinha polícias naquela zona que estavam junto do Venetian, a controlar o trânsito. Quando um dos agente se deslocou para o local e se aproximou do indivíduo que foi rodeado, os restantes começaram a dispersar”, afirmou fonte oficial da PSP, ao HM. Nas imagens que circularam durante o dia de ontem nas redes sociais, é possível ver, pelo menos, dois agentes policiais no local, antes das imagens terminarem. Também é possível ver confrontos entre pares de pessoas, com cerca de 11 de indivíduos, apesar

ENTRADA DO VENETIAN FOI PALCO DE BATALHA CAMPAL

Uma história de violência

Porta-voz da PSP “A Polícia questionou se o sujeito que foi rodeado desejava apresentar queixa para desencadear os procedimentos policiais. Mas ele disse muitas vezes que não se tinha passado nada e que não era preciso apresentar queixa.”

da versão oficial defender que a situação foi despoletada devido à oferta de um empréstimo a um grupo de jogadores, por parte de um alegado agiota. “A Polícia questionou se o sujeito que foi rodeado desejava apresentar queixa para desencadear os

procedimentos policiais. Mas ele disse muitas vezes que não se tinha passado nada e que não era preciso apresentar queixa”, acrescentou a PSP. Neste contexto, em que o alegado agiota que a PSP refere ter sido rodeado pelas restantes pessoas e que não

PUB HM • 2ª VEZ • 4-5-18

ANÚNCIO PROCESSO: DECLARAÇÃO DE MORTE PRESUMIDA n.º CV3-18-0009-CPE

3º JUÍZO CÍVEL

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO REQUERIDOS: IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG, casado, com última residência conhecida na China, Pac San, ora ausente em parte incerta; e INTERESSADOS INCERTOS. ****** FAZ-SE SABER que, pelo 3º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos, respectivamente, de TRÊS MESES e TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o ausente IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG e os INTERESSADOS INCERTOS para, no prazo de TRINTA DIAS, findos os dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos acima identificados, apresentada pelo requerente, na qual pede se julgue procedente e provada a presente acção e, em consequência, se declare a morte presumida de IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG, devendo as provas ser requeridas com a contestação, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua disposição. Aos 23 de Abril de 2018

quis apresentar queixa, o caso nem chegou a levar os intervenientes na escaramuça à esquadra da PSP mais próxima. “Nem houve deslocação à esquadra porque o indivíduo não quis apresentar queixa. Ele só disse que não se passava nada, que não

perdeu nada e que não havia ferimentos. Nestes casos, a polícia não pode fazer nada, porque ele não quis apresentar queixa”, foi explicado.

VÍDEO VIRAL

Apesar dos poderes da Polícia serem limitados neste tipo de situações, esse facto

não impediu que o caso fosse altamente comentado e partilhado nas redes sociais, principalmente entre os residentes que falam chinês. Entre os vários comentários que a situação despoletou, houve quem, em tom de brincadeira, sugerisse ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que levasse o Festival Internacional de Mestre de Wushu da Praça do Tap Seac para o empreendimento da Sands China. No mesmo registo, houve quem comparasse a situação à que se pode ver nos filmes nos acção asiáticos com cenas memoráveis de grandes batalhas campal, normalmente entre diferentes tríades, ou até quem tenha dito que se tratava da edição de 2018 do popular jogo de luta Street Fight. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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FAM COMUNA DE PEDRA EXPLORA A COREOGRAFIA COM MATERIAIS

“Estamos obcecados com a manipulação” A Associação de Arte e Cultura Comuna de Pedra apresenta nesta edição do Festival de Artes de Macau o espectáculo “Murmúrio da Paisagem”, onde os corpos humanos perdem protagonismo em detrimento da manipulação de materiais. Jenny Mok juntou-se ao designer visual Nip Man Teng para um espectáculo novo que mistura dança e instalação teatral

A

colina que se vê não é uma colina; o riacho que se vê não é um riacho. Uma ilusão temporal entre uma colina e um riacho é uma moldura instável que se desmorona com uma simples rajada de vento.” É desta forma que o Instituto Cultural (IC) descreve o novo espectáculo que a Associação

de Arte e Cultura Comuna de Pedra leva ao palco na edição deste ano do Festival de Artes de Macau (FAM), nos dias 19 e 20 de Maio. Em “Murmúrio da Paisagem”, Jenny Mok, directora da Comuna de Pedra, decidiu criar um espectáculo de dança e instalação teatral onde materiais como espuma ou plástico ganham importância em palco em detrimento do corpo huma-

no. Para atingir este objectivo, a Comuna de Pedra trabalhou em parceria com Nip Man Teng, designer visual. “Este é o primeiro projecto que faço deste género e comecei a trabalhar nele no início de 2016”, explicou Jenny Mok ao HM. Este é, aliás, um projecto que surge no seguimento de “Paisagem Entrelaçada: Maré da Noite”, já apresentado e onde a directora da associação Comuna de Pedra também trabalhou com Nip Man Teng. “Comecei a trabalhar na ideia de fazer coreografia com materiais e essa é a ideia base do espectáculo. Quando falamos em teatro ou performances o foco principal é o corpo humano, independentemente do tipo de espectáculo. Então pensei em colocar o corpo humano numa posição mais secundária e dar mais destaque aos materiais e objectos. Tentei fazer coreografias para estes materiais e ver qual seria o resultado”, adiantou. O espectáculo da Comuna de Pedra vai revelar ao público um projecto em duas fases. “Numa primeira fase usei sacos de plástico e tecidos elásticos, e numa segunda fase concentrei-me apenas no plástico. Eu e o meu designer

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIVER E MORRER NOS CÁRCERES DO SANTO OFÍCIO • Isabel Drumond Braga

A historiadora Isabel Drumond Braga apresenta-nos uma investigação original que nos transporta para o universo sombrio do Santo Ofício, dando-nos a conhecer o dia-a-dia daqueles que eram presos pela Inquisição. Homens e mulheres, gentes do litoral e do interior, pobres e abastados, arrependidos ou pertinazes, mas sempre em busca de um objetivo, muitas vezes não alcançado: a saída rápida do cárcere e o recomeço de uma nova vida.

visual decidimos mudar para outros objectos diferentes para fazermos coreografias.” “Murmúrio da Paisagem” é também uma forma de espelhar a forma como utilizamos materiais no nosso dia-a-dia,

uma vez que, na visão de Jenny Mok, “manipulamos estes objectos para tornar as nossas vidas melhores, e há séculos que fazemos isso”. “Isso é algo interessante sobre o ser humano, porque

adoramos manipular tudo. Com estas coreografias feitas com objectos e materiais pretendemos também explorar a relação que se estabelece com o ser humano. Há uma projecção para o futuro, colocamos muita imaginação sobre aquilo que vai acontecer no que diz respeito à manipulação feita pelos humanos.”

PERSPECTIVA AMBIENTAL

“Com estas coreografias feitas com objectos e materiais pretendemos também explorar a relação que se estabelece com o ser humano. Há uma projecção para o futuro, colocamos muita imaginação sobre aquilo que vai acontecer.” JENNY MOK DIRECTORA DA ASSOCIAÇÃO COMUNA DE PEDRA

Jenny Mok confessou também que outra das ideias por detrás de “Murmúrio da Paisagem” é a de chamar a atenção para o desperdício de recursos e a forma como, diariamente, poluímos o meio-ambiente. “Todos os locais podem ser considerados paisagem, mas, no caso de Macau, e tendo em conta que vivemos numa cidade, existe a consciência de que podemos ver apenas uma pequena parte da paisagem, e muitas vezes não é sequer possível. Tudo o que podemos ver actualmente, e que pode ser uma paisagem, é algo manufacturado depois da manipulação do ser humano.” Num território onde a construção não pára e onde o antigo e natural tem dificuldades em permanecer, “manipulamos imenso, os terrenos,

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SPÍNOLA E A REVOLUÇÃO , DO 25 DE ABRIL AO 11 DE MARÇO DE 1975 • Francisco Bairrão Ruivo

Desde finais do marcelismo que a acção do general António de Spínola apontava para a chegada ao poder, estando umbilicalmente ligada à questão africana. Com o golpe militar de 25 de Abril de 1974, tornava-se o primeiro Presidente da República após o Estado Novo. Até Setembro desse ano, procurará reforçar os poderes presidenciais, retardar a descolonização e aplicar-lhe uma via federalista, impor um projecto político assente na limitação de direitos e liberdades, na contenção da democratização e, fundamentalmente, do que se afirmava como uma revolução. Meses depois, regressaria com o precipitado golpe de 11 de Março de 1975. Talvez nunca se tenha falado tanto em «povo» como naqueles anos, sinal de que, no período revolucionário de 1974 e 1975, dificilmente se pode encontrar maior ou tão central protagonista. Será, precisamente, nesse «povo», ou parte dele, nos movimentos sociais e na revolução que Spínola encontrará a razão fundamental do fracasso do seu projecto político.


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sexta-feira 4.5.2018

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Labaça-Crespa Nome botânico: Rumex crispus L. e outras espécies do mesmo género Sinonímia científica: Lapathum crispum (L.) Scop. Família: Polygonaceae. Nomes populares: CATA-CRUZ; LABAÇA; REGALO-DA-HORTA.

a construção dos edifícios enormes, e a própria natureza em prol de nós próprios”. “É uma parte irónica, porque achamos que estamos no topo de qualquer coisa, temos autoridade sobre algo, manipulamos, mas sabemos que, eventualmente, isso vai-nos matar, mas continuamos a fazê-lo. Estamos obcecados com a manipulação”, defendeu Jenny Mok.

Neste sentido, o espectáculo tem também um lado político ao decidir apresentar dança e instalação tendo objectos como protagonistas. “Colocamos o foco em algo a que queremos prestar atenção, para ser a parte principal do espectáculo. Então há também uma mensagem aqui, e ao fazer coreografias com os materiais também os estamos a manipular. Há um significado

Nativa da Europa e África, a Labaça-crespa cresce espontaneamente em muitas regiões temperadas de todo o mundo. Encontra-se facilmente nos terrenos incultos, sebes e bermas dos caminhos, onde muitas vezes se torna invasora e difícil de erradicar devido às suas raízes profundas. Apresenta caules erectos, estriados, folhas lanceoladas em roseta basal, e inflorescências mais ou menos densas; os frutos são lenhosos, tornando-se vermelhos com a maturação. Pode alcançar mais de um metro e meio de altura. A espécie é hermafrodita e é polinizada pelo vento. Conhecida por atrair vida selvagem, é considerada uma erva daninha. Com uma longa história de usos populares, a Labaça-crespa é muito apreciada como alimento e remédio. Actualmente, em fitoterapia são usadas as raízes e, por vezes, as folhas.

em tudo isto, na forma como exploramos estes temas.”

UMA FORMA DE COMUNICAR

Fazer um espectáculo, seja ele qual for, implica comunicar com artistas, actores, bailarinos. Um dos desafios que Jenny Mok sentiu foi o de ter de estabelecer algum tipo de diálogo com os plásticos ou tecidos usados para “Murmúrio na Paisagem”. “O grande desafio foi trabalharmos com estes materiais quase como se tivéssemos a trabalhar com artistas humanos. Quando comunicamos com um artista é diferente, pois quando estamos a comunicar com os materiais eles não te vão dar uma resposta, não há uma maneira de falar com eles. Então há que conhecê-los.” Houve, portanto, “um processo de comunicação e também de manipulação, mas ao mesmo tempo os materiais também te vão dando ideias pela maneira como te dão feedback. Há um equilíbrio entre manipular e ser manipulado por esses materiais, e essa é uma parte interessante”, rematou a directora da Comuna de Pedra.

Composição Antraquinonas (crisofanol, emodina, nepodina), taninos, catequinas, flavonóides (caempferol, quercetina), ácidos fenólicos (ácido gálhico), derivados naftalénicos e óleo essencial; contém ainda minerais (ferro, fósforo), e ácido oxálico livre e na forma de oxalato de cálcio e de potássio. Sabor levemente amargo.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

FAM Patrícia Portela apresenta “Parasomnia” este fim-de-semana IACM

Até domingo a artista portuguesa Patrícia Portela apresenta, na Casa do Mandarim, uma performance intitulada “Parasomnia”, no âmbito do Festival de Artes de Macau. Trata-se de um “teatro imersivo com recurso a instalações de imagens e sons, que leva os espectadores a reflectirem sobre os estados de sono e consciência através de artes visuais, poemas e sugestões interactivas”. A Casa do Mandarim será transformada num local com “várias divisões, incluindo sala de estar, quarto, casa de banho, sala de leitura e sala-mistério”. O sábado, dia 5, é o dia para a apresentação do espectáculo do grupo belga de teatro físico Peeping Tom, intitulado “Rua Vandenbranden, 32”. O espectáculo acontece às 20h no Centro Cultural de Macau.

Acção terapêutica Como o teor em antraquinonas e taninos é variável, consoante o local, a época de colheita e até mesmo a dose, a Labaça-crespa pode apresentar propriedades laxativas ou adstringentes. Considerada um laxante suave, seguro e eficaz, esta erva beneficia ainda o apetite, estimula a digestão, aumenta a produção de bílis e melhora a sua excreção da vesícula para o duodeno. Trata-se de uma planta desintoxicante, pois, ao melhorar o fluxo biliar favorece a eliminação das toxinas, e, ao diminuir a permanência das fezes no intestino reduz a reabsorção dos resíduos do metabolismo. É utilizada em caso de intestinos preguiçosos, obstipação ligeira, digestões difíceis, dor de estômago, desintoxicação do fígado, icterícia e como antidiarreico. Pode igualmente ser útil nas anemias por deficiência de ferro e convalescenças, pela actividade tónica, remineralizante e vitamínica. Nas hemorróidas detém o sangramento e melhora a consistência das fezes. Diurética e sudorífica, a Labaça-crespa é também depurativa, o que, aliado às

suas propriedades desintoxicantes, a torna valiosa no tratamento de diversas afecções resultantes da acumulação de toxinas no organismo. Estes incluem problemas de pele, como acne, furúnculos, herpes, eczemas, psoríase, entre outros, e reumatismo. Em alguns países, é tradicionalmente usada nas doenças venéreas. Outras propriedades Pelas propriedades expectorantes, a Labaça-crespa é benéfica nas afecções respiratórias e como hemostático no sangramento dos pulmões. A planta tem sido usada com resultados positivos no tratamento do cancro, tendo sido já comprovadas a sua actividade anti-inflamatória, antioxidante e anticancerígena. Em uso externo, emprega-se como anti-séptico e cicatrizante nas feridas, chagas, úlceras, inflamação das gengivas e picadas de insectos. Como tomar • Uso interno: Decocção: 20 gramas das raízes para 750 ml de água, 20 a 30 minutos de fervura em lume brando, até reduzir a 2/3. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Em xarope, elixir, tintura, cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para as afecções respiratórias, desintoxicação hepática e como drenante no emagrecimento. As folhas jovens podem ser consumidas em saladas como um tónico primaveril. Também podem ser adicionadas a sopas – é muito apreciada pelos Árabes a sopa de Labaças com Grão – ou cozinhadas como outra hortaliça. Têm um sabor ácido agradável e são muito ricas em vitaminas (A, C) e minerais (ferro). As sementes torradas empregam-se como um substituto do Café. • Uso externo: A raiz esmagada pode ser usada como cataplasma. Picadas de Urtiga: esfregar o local com as folhas frescas. A Labaça-crespa cresce normalmente na proximidade das Urtigas e constitui um bom antídoto para as suas picadas. Precauções A Labaça-crespa não deve ser tomada durante a gravidez e amamentação, nem em caso de cálculos renais ou vesicais. Em doses elevadas pode provocar náuseas, vómitos, espasmos gastrintestinais e diarreia. A ingestão das folhas deve ser feita com moderação, devido ao elevado conteúdo em oxalatos que, em doses excessivas, pode conduzir a litíase renal e gota. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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O

Presidente norte-americano, Donald Trump, que acusa Pequim de práticas comerciais "injustas" e definiu como prioridade reduzir o défice comercial com a China, nomeou o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, para liderar as negociações. A delegação, que chegou ontem a Pequim, inclui ainda os principais responsáveis pela política comercial de Washington, incluindo o secretário do Comércio, Wilbur Ross, o representante comercial da Casa Branca, Robert Lighthizer, e o assessor económico máximo de Trump, Larry Kudlow. A visita ocorre a poucos dias do fim do período de apreciação das taxas al-

“Este é um passo construtivo, desde que os Estados Unidos sejam sinceros (...), mas dada a complexidade das economias dos dois países, não é realista imaginar uma solução para todas as disputas.”

COMÉRCIO DELEGAÇÃO NORTE-AMERICANA EM PEQUIM PARA NEGOCIAR DISPUTAS

A arte do negócio

HUA CHUNYING PORTA-VOZ DA DIPLOMACIA CHINESA

ou robótica. Aquela medida afectará, no conjunto, 50.000 milhões de dólares nas exportações chinesas para os EUA. As negociações decorrem na Residência de Hós-

pedes Oficiais Diaoyutai, em Pequim, segundo a embaixada dos EUA na China. Do lado chinês, as discussões são lideradas pelo vice-primeiro-ministro Liu

LIU XIAOBO VIÚVA DE DISSIDENTE CHINÊS DISPOSTA A MORRER EM PROTESTO

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IU Xia, a viúva do Nobel da Paz e dissidente chinês Liu Xiaobo, está disposta a morrer em casa, em protesto, caso as autoridades chinesas a mantenham sob prisão domiciliária, garantiu um amigo. A mensagem foi transmitida pelo escritor chinês exilado Liao Yiwu, numa carta publicada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, na sequência de uma conversa por telefone com Liu. A viúva, que não foi acusada de qualquer crime, é mantida em prisão domiciliária, desde 2010, quando o marido foi distinguido com o Nobel da paz. Liu Xia garantiu estar disposta a morrer em sua casa, em protesto. Liu Xiaobo foi condenado, em 2009, a 11 anos de prisão,

EXPECTATIVAS TÍMIDAS

Uma delegação norte-americana de alto nível iniciou ontem conversas em Pequim visando pôr fim à guerra comercial com a China, apesar de ambos os lados considerarem difícil um acordo definitivo entre as duas maiores potências comerciais

fandegárias propostas por Washington sobre um total de 1.300 produtos chineses de vários sectores, incluindo aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação

por subversão, após ter apelado a reformas democráticas na China. Em 13 de Julho passado, morreu de cancro, aos 61 anos, num hospital de Liaoning, semanas depois de ter sido colocado em liberdade condicional por motivos de saúde. "Não há nada a temer agora. Senão me deixarem sair, morrerei em casa. Xiaobo já se foi, e não há nada neste mundo que reste para mim. Morrer é mais fácil do que viver", afirmou Liu Xia, citada na carta de Liao. "Não há nada mais natural para mim do que morrer em protesto", afirmou. Junto com a carta, o escritor Liao, que vive exilado em Berlim, publicou uma gravação de uma conversa telefónica entre

ambos, em que Liu Xia explica, a chorar, que não tem mais razões para viver. "A chanceler alemã [Angela] Merkel virá [à China] em breve. Queremos que muitas organizações e indivíduos escutem a voz de Liu Xia", disse Liao. Segundo relatos de pessoas próximas de Liu, esta tem tomado medicamentos antidepressivos, desde a morte do marido, dado que a prisão domiciliária a mantém isolada do mundo exterior. Liu foi vista pela última vez no funeral do marido. Liu Xiaobo foi o primeiro prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938, num hospital, detido pelos nazis.

dos, que almejam uma redução de 100.000 milhões no défice comercial com a China, reclamam uma maior abertura do mercado chinês.

He, principal encarregado da política económica e financeira do país asiático e visto como próximo do Presidente da China, Xi Jinping. Os Estados Uni-

Washington exige ainda uma protecção mais forte dos direitos de propriedade intelectual e critica a "transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual norte-americana" em troca de acesso ao mercado chinês. Ambos os lados expressaram, no entanto, cautela sobre o resultado das negociações. "Este é um passo construtivo, desde que os Estados Unidos sejam sinceros (...), mas dada a complexidade das economias dos dois países, não é realista imaginar uma solução para todas as disputas", afirmou na quarta-feira Hua Chunying, porta-voz da diplomacia chinesa. Também Lighthizer advertiu: "Eu prefiro esperar, mas nem sempre sou optimista. É um grande desafio". Pelas contas do Governo chinês, no ano passado, a China registou um excedente de 223,5 mil milhões de euros no comércio com os Estados Unidos. As contas de Washington fixam o excedente chinês ainda mais acima, em 304,1 mil milhões de euros.

TECNOLOGIA FABRICANTE DE SMARTPHONES QUER DISPERSAR CAPITAL EM HONG KONG

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fabricante chinês de dispositivos móveis Xiaomi solicitou ontem ao operador da bolsa de Hong Kong uma Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês) que, a confirmar-se, será a maior dos últimos anos a nível mundial. A empresa, com sede em Pequim, é a quarta maior fabricante do mundo de 'smartphones' (telemóveis inteligentes) por quantidade

de produção, segundo a unidade de pesquisa International Data Corp. Os documentos ontem enviados à bolsa de Hong Kong não fornecem detalhes sobre a venda de títulos ou o valor da empresa. O jornal South China Morning Post cita, no entanto, fontes anónimas que apontam que a Xiaomi planeia captar até 8,3 mil milhões de euros na bolsa, o que fixaria o valor da empresa em 83 mil milhões de euros. Caso se confirme, trata-se do maior IPO desde a entrada do gigante chinês do comércio electrónico Alibaba na bolsa de Nova Iorque, em 2014, então numa operação de actualmente cerca de 18,8 milhões de euros. Fundada em 2010, a Xiaomi cresceu rapidamente através da venda de 'smartphones' cujos preços podem rondar os 100 euros, e da distribuição e marketing via 'online'.


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sexta-feira 4.5.2018

BANGLADESH 700.000 REFUGIADOS ROHINGYA ENFRENTAM PERIGO DAS MONÇÕES

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ILHARES de refugiados rohingya que fugiram da repressão na Birmânia enfrentem agora o perigo eminente das monções no sul do Bangladesh, um dos países mais propensos a inundações, advertiram organizações de ajuda humanitária. As monções anuais, responsáveis por chuvas e ventos fortes, estão prestes "a varrer" os acampamentos onde cerca de 700.000 muçulmanos rohingya vivem em cabanas feitas de bambu e plástico, construídas ao longo de colinas íngremes, alertaram várias organizações, de acordo com as agências noticiosas France Presse e EFE. A ponta sul de Bangladesh está a menos de três metros acima do nível do mar. As chuvas intensas, combinadas com as marés, colocam até mesmo cidades importantes, como Chittagong, ao alcance da água. Várias organizações humanitárias alertaram para uma possível catástrofe nos campos de refugiados. O abastecimento prévio dos campos é fundamental uma vez que as enchentes podem facilmente bloquear os meios para obter alimentação, água e assistência médica. De acordo com as organizações, chuvas ocasionais já atingiram os campos, com a monção completa prevista para as próximas semanas. Na quarta-feira, a missão das Nações Unidas pediu uma investigação aos crimes cometidos contra a minoria rohingya na Birmânia e defendeu que se criem condições para o regresso de centenas de milhares de refugiados que fugiram para o Bangladesh. "É muito importante melhorar as condições para o regresso dos refugiados", afirmou o diplomata peruano Gustavo Meza-Quadra, no fim da visita ao país da missão criada pelo Conselho de Segurança.

O colectivo multidisciplinar japonês teamLab, conhecido mundialmente por exposições futuristas e interactivas, vai abrir em Tóquio, este verão, o primeiro museu dedicado inteiramente à arte digital. A ideia é concretizar o sonho de “libertar a arte das restrições físicas”

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E passeios bucólicos em campos de arroz, a "florestas" de lâmpadas de várias cores e movimentos, as instalações do novo museu têm um único objectivo: a imersão do visitante. A equipa dedicada a moldar sonhos sob a forma de arte digital foi fundada em 2001 pelo artista Toshiyuki Inoko. Na altura com 41 anos, juntou-se a quatro amigos da Universidade de Engenharia e juntos começaram a desenhar

assim como todos os outros visitantes", disse Toshiyuki Inoko. Nos bastidores, actuam ao mesmo tempo 500 artistas, engenheiros, programadores, matemáticos, especialistas em robótica e arquitectos.

JAPÃO MUSEU DIGITAL PARA LIBERTAR A ARTE DAS RESTRIÇÕES FÍSICAS

Sonhos digitais o futuro. "Achamos que a arte digital pode ampliar o conceito de beleza", resumia o manifesto da teamLab. Só dez anos mais tarde o conceito se viria a materializar de forma a ganhar contornos mundiais. Foi a estreia artística em Taipei, capital de Taiwan, em 2011, que lhes garantiu a rampa de lançamento. Em

2014, integravam já a Pace Gallery, em Nova Iorque. A primeira exposição no Japão, um ano mais tarde, atraiu cerca de 500.000 visitantes em cinco meses, à qual se seguiram exposições de Londres à China. Criar o próprio museu é “um novo passo” para a TeamLab, um caminho possível depois da parceria com a Mori Building, líder

de desenvolvimento urbano em Tóquio, e do apoio de vários grupos japoneses, da Panasonic à Epson, que fornecem equipamentos sofisticados.

ARTE-TEC

Apresentado como "único" no mundo, o museu estende-se por uma vasta área de 10.000 m² e reúne cerca de cinquenta instalações na ilha artificial de Odaiba, a seis quilómetros da capital japonesa. Com 520 computadores e 470 projectores, é acima de tudo um "feito tecnológico". As peças apresentadas não são "nem animações pré-gravadas nem imagens em loop", mas realizadas em tempo real, insiste o teamLab. "O universo transforma-se com a presença do outro e isso é muito importante para nós, eu sou parte do trabalho,

Apresentado como “único” no mundo, o museu estende-se por uma vasta área de 10.000 m² e reúne cerca de cinquenta instalações na ilha artificial de Odaiba, a seis quilómetros da capital japonesa. Com 520 computadores e 470 projectores, é acima de tudo um “feito tecnológico” O investimento do projecto não foi tornado público, mas um membro da equipa indicou que cada instalação pode rondar entre um e dois milhões de dólares. O "Mori Building Digital Art Museum teamLab Borderless" abre ao público no dia 21 de Junho por 3.200 ienes (24 euros), na esperança de atrair uma grande audiência nos Jogos Olímpicos do Japão, em 2020.

COREIA DO NORTE PAZ LEVA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NA FRONTEIRA

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possibilidade de Pyongyang e Washington chegarem a acordo para a desnuclearização da península coreana está a ter efeitos nos preços do imobiliário em Dandong, cidade chinesa que faz fronteira com a Coreia do Norte. Segundo o jornal oficial China Daily, o preço das casas em Dandong aumentou 60 por cento nas últimas semanas, depois de o líder norte-coreano Kim Jong-un ter visitado

Pequim e reunido com o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Já o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, assegura que, em alguns casos, o preço duplicou, desde 3.000 yuan (390 euros), por metro quadrado, para 6.000 yuan. Houve mesmo casas cujo valor subiu 10 por cento num só dia, informou o mesmo jornal. As agências imobiliárias locais estão a apro-

veitar o rumor de que uma possível abertura da Coreia do Norte poderá converter Dandong num novo polo económico. Por aquela cidade passa cerca de 80 por cento do comércio entre a China e a Coreia do Norte, mas é também a apenas 100 quilómetros dali que Pyongyang efectuou, no ano passado, três testes nucleares, na região de Punggye-ri, causando apreensão entre os residentes de Dandong.

Segundo constatou a agência Lusa, a hipótese de um desastre nuclear passou então a ser tema frequente de conversa naquela cidade de 800.000 habitantes, à medida que as tensões na península coreana atingiram níveis inéditos desde a Guerra da Coreia (1950-53). Desde o início deste ano, no entanto, o regime de Pyongyang alterou radicalmente a sua postura, afirmando estar disposto

a abdicar do programa nuclear e aceitando dialogar com Seul e Washington, enquanto recuperou a antiga aliança com a China. Segundo Liu Chao, especialista nas relações entre a China e a Coreia do Norte citado pelo China Daily, "o preço das casas em Dandong sempre reflectiu o momento dos laços entre os dois países" e "não é a primeira vez que ocorrem variações dramáticas no mercado imobiliário da cidade".


14

h

4.5.2018 sexta-feira

Era uma vez uma flor. Nasceu à beira de um Poeta

José Simões Morais

Primeiro dia das comemorações

N

ÃO basta a peste e desde 25 de Abril de 1898 junta-se-lhe notícias da Guerra Hispano-Americana, devido à intervenção norte-americana nas guerras de independência que sobretudo Cuba e as Filipinas travam contra Espanha. Aqui próximo, nas Filipinas, os espanhóis viriam a ser derrotados a 12 de Junho, tornando-se estas ilhas do Pacífico independentes, mas anexadas logo de seguida pelos americanos, prosseguindo os nativos assim na luta pela sua independência. Perdida a guerra em todas as frentes, a 12 de Agosto de 1898 teve a Espanha que ceder aos EUA as Filipinas, Porto Rico e Guam, tornando-se Cuba independente, mas sobre supervisão americana. Se a nível internacional ocorre a Guerra Hispano-Americana, com barcos de guerra americanos a sair do porto de Hong Kong para ir fazer o cerco a Manila, também neste final de Abril, o ambiente de Macau é bastante desfavorável a grandes festejos para comemorar o IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia. Grassa já a peste bubónica e segundo O Porvir de 30 de Abril de 1898, “Diz-se que foi exportada de Hong Kong, pois daí tem fugido muita gente que não gosta do tratamento médico e das medidas sanitárias adoptadas nessa colónia. Bom seria que as autoridades de Macau tomassem medidas rigorosas para evitarem que continue o êxodo de chineses de Hong Kong para Macau”. Devido ao crescente número de casos de peste bubónica, o governo de Macau resolve transformar a abandonada Fortaleza de D. Maria II em lazareto. Por isso, refere O Porvir de 21 de Maio, são eliminados do programa dos festejos do IV Centenário tudo o que pudesse promover aglomeração dos habitantes de Macau, ou concurso dos nacionais ou estrangeiros das colónias, ou povoações próximas.

NO PRIMEIRO DIA

Os jornais, como O Porvir de 21 de Maio de 1898 publicado em Hong Kong e em Macau, o Echo Macaense e O Independente, ambos de 22 de Maio, dedicam colunas das suas páginas a descrever o dia-a-dia dessas celebrações. Assim, num apanhado dessas notícias, deixamos aqui registados os quatro dias de comemorações. Como introdução refere O Independente, “Foram modestos e simples os festejos (...), pelas más condições de salubridade em que se encontra esta terra; mas

À tarde, pelas 5 horas, tem lugar um Te Deum na Sé Catedral. Está a igreja bem decorada, sobressaindo as bandeiras portuguesas que ornam a parte superior do altar-mor e as tribunas, e completamente cheia, tanta é a concorrência do povo que aquele vasto templo mal o pode comportar

o sentimento patriótico sobressaiu em todos esses actos, sem grandes expansões de entusiasmo, mas intimamente, mas convictamente”. A cidade acorda, ao raiar do dia 17 de Maio de 1898, com o toque de alvorada às seis da manhã em frente ao Palácio do Governo executado por elementos da guarnição de Macau, enquanto as fortalezas de S. Francisco e de S. Paulo do Monte salvam com 21 tiros. Em seguida, a banda musical da guarnição faz soar o hino do Centenário e segue em direcção ao Paços do Concelho (Leal Senado), onde em frente toca também esse hino e com ele depois prossegue o seu trajecto, percorrendo as ruas da cidade. À tarde, pelas 5 horas, tem lugar um Te Deum na Sé Catedral. Está a igreja bem decorada, sobressaindo as bandeiras portuguesas que ornam a parte superior do altar-mor e as tribunas, e completamente cheia, tanta é a concorrência do povo que aquele vasto templo mal o pode comportar. Aí está presente o Governador, com o seu estado-maior, o Leal Senado, o Dr. Juiz de Direito com os seus escrivães e oficiais de diligências, o Secretário-geral, o Chefe do Serviço de Saúde, o Inspector da Fazenda, o Procurador Administrativo, o Chefe do Expediente Sínico, os corpos docente e discente do Liceu, oficiais de mar e terra e todo o clero. O soleníssimo Te Deum tem como celebrante Sua Excelência Reverendíssima o Sr. D. José Manuel de Carvalho, que chegara à cidade a 1 de Março de 1898, após ser eleito Bispo de Macau por decreto de 4 de Fevereiro de 1897 e preconizado em consistório de 16 de Abril desse mesmo ano. José de Carvalho nascera a 16 de Setembro de 1844 em Torigo, freguesia do Barreiro, concelho de Tondela e estudara Teologia em Viseu, onde tomou ordem de Presbítero em 1867 e entrando na Universidade, concluiu em 1881 a formatura em Direito. No início de um brilhante discurso, o Revendo cónego Conceição Borges declara ser a última vez que ora ao público de Macau. Tece com verdadeiros rasgos de eloquência, que por vezes comovem a audiência, o panegírico do Vasco da Gama e dos portugueses do seu tempo, relacionando o acontecimento que se comemora com a doutrina de Cristo. Depois disto, dois cavalheiros de Hong Kong (o Sr. Kraal e Vicente Senna), a D. Maria Guedes e a D. Emília Pacheco, com a sua belíssima voz de soprano e cheia de senti-

mento, cantam primorosamente uma Ave-Maria, sendo acompanhados pela orquestra. Ensaiada e regida pelo Dr. Gomes da Silva, é a orquestra constituída por alguns amadores (Condessa de Senna Fernandes e os srs. drs. Gonçalves Pereira, Fernando Cabral, António Vicente da Silva e Carlos Cabral) e seis músicos da banda da Companhia de Infantaria. Segue-se o Te Deum solene cantado pelos seminaristas, estando a parte instrumental a cargo da banda dos alunos do Seminário de S. José. Estes, antes de chegar à Sé, tinham passado pelo Leal Senado, onde interpretaram o hino da Carta. Terminadas aquelas cerimónias, a guarda de honra, postada no Largo da Sé dá três descargas, salvando nessa ocasião a fortaleza do Monte com 21 tiros. A banda musical do Seminário saindo da Sé dirige-se para o Palácio do Governo onde toca os hinos da Carta e do Centenário, assim como esses alunos dão vivas a Portugal, à família real portuguesa, ao coronel Galhardo e ao Vasco da Gama, recolhendo em seguida todos ao seminário. À noite, os alunos do Liceu, com archotes e o seu estandarte, percorrem diferentes ruas da cidade, seguindo à frente a sua filarmónica, regida pelo jovem Fernando Cabral. Vão às casas dos seus professores e à do ancião Luiz Maria do Rosário, o brioso militar único sobrevivente dos 32 bravos que tomaram a Fortaleza do Passaleão [nome dado pelos portugueses a Pac-Sa-Leong] e que vive desfavorecido de fortuna. Constatam ser a iluminação dos edifícios públicos igual à habitual, mas quando passam pelo edifício do Leal Senado, numa das suas janelas está colocado um quadro transparente, executado por Sr. Jaime dos Santos e representando a chegada de Vasco da Gama a Calicut. Também à porta da ‘Empresa Económica’, a ocupar toda a sua extensão, outro quadro com a imagem de um selo postal do centenário, o de 4 avos. Iluminado com balões chineses, o Hotel Hingkee tem pintadas bandeiras de todas as nações. Os alunos do liceu são por todos recebidos esplendidamente e erguem calorosos vivas a Portugal, à família real portuguesa, a Galhardo, à Academia macaense e ao povo de Macau. Em casa do Sr. Conde de Senna Fernandes há uma soirée dançante, onde se acha reunida a elite da cidade. Este, o programa do primeiro dia das comemorações realizadas em Macau a 17 de Maio de 1898.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 4.5.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

T

UDO o que vemos está à nossa frente. Os olhos estão dirigidos para fora, têm uma orientação, uma direcção, nem sempre um alvo. Podemos perder-nos no horizonte ou nos objectos espalhados pelo hemisfério que captamos. Entre o céu azul em cima de nós e o plano que se estende dos nossos pés até lá ao “fundo” à linha do horizonte, o olhar pode apanhar tudo o que aí está pulverizado em cima e em baixo, distante e próximo, dentro e fora, à direita e à esquerda. É assim que vemos o pôr do sol. Uma vez posto, viramo-nos para a direcção contrária. O que tínhamos à nossa frente “desfaz-se”, desaparece da vista para fora, fica literalmente atrás das nossas costas, e passamos a ter à nossa frente outro hemisfério. Vejo agora também lá ao fundo o céu ainda azul do fim de tarde de onde se perfilam as casas da aldeia concentradas em diferentes planos fundidos, mas diferentes, uns mais próximos dos outros. Entre a concentração de edifícios na aldeia e o sítio onde estou estendem-se a estrada e os passeios que a ladeiam, a praia, as pessoas que ainda lá se encontram. Há sempre um arredondamento dos conteúdos do mundo, mesmo que do meu mundo. Só vemos o que está à nossa frente e para onde nos dirigimos. É por aí que nos orientamos. À medida que nos viramos, rápida ou lentamente, desaparece o que tínhamos e aparece o que não tínhamos. Há sempre apenas a sensação de que temos mundo atrás das costas, para onde não estamos a olhar. Para o activarmos, porém, temos de olhar nesse sentido e nessa direcção. O plano de fundo tende a atrair objectos que concentra espalhados numa abó-

Raccord I bada. As estrelas espalhadas pelo céu na noite de Agosto estão todas aparentemente numa mesma película, num mesmo plano, com um brilho diferente. E, contudo, se ainda lá estiverem, e estão sempre enquanto brilham, estão a distâncias diferentes de cada um de nós. Podemos perceber a lua e o sol mais próximos de nós. Mas a partir de determinada distância todos os objectos são empurrados para o seu limite homogéneo, todos eles lá ao fundo. Só a proximidade nos dá o relevo, alto e baixo, permite resolver com nitidez os contornos dos objectos e, com as diversas, percepções ter uma imagem mais completa da realidade do que são. Com o tempo passa-se o mesmo. Há um aparente predomínio do presente. É agora que estamos a atravessá-lo com uma velocidade configurada pela actualidade das actividades ou inactividades a que nos dedicamos. A manhã passa rápida ou lenta, não damos pelo tempo passar ou damos por ele a passar tão lentamente que parece que ouvimos cada segundo a passar no relógico cósmico. A actualidade do presente mantém aderida a si ainda o dia de ontem, como decorreu, o que fizemos, como se estivéssemos a olhar para uma página

do diário em que tudo foi apontado tim tim por tim-tim, ou como quando tentamos lembrar-nos do que comemos de véspera, se fizemos ou não fizemos X, Y e Z. A actualidade mantém também o estilo de experiência com que esperamos o que se passará no dia de amanhã, que dia da semana é e o que costumamos fazer nesse dia da semana, se é dia feriado ou um dia normal, que dia da semana é. Ainda assim, é do tempo presente e vivo da actualidade que mantemos esses dois olhos virados para o passado e para o futuro. Quando pensamos no dia de ontem e tentamos reconstituí-lo temos à nossa frente os objectos como se estivéssemos a percepciona-los. A lembrança tem sempre uma orientação e direcção para o olhar. Mesmo quando me lembro do pequeno almoço, a janela está à minha frente quando entro na cozinha e só quando lhe viro as costas vejo a porta de entrada. A lembrança segue o padrão da percepção. Quando antecipo o jantar de hoje e as pessoas que irei encontrar, vejo-as também de frente e se lhes virar as costas sei que não as verei. Apenas “as farei a ser”. Quando não penso no dia de ontem nem no dia de amanhã, percebo que me aparecem em lembretes as impressões deixadas e as

O plano de fundo tende a atrair objectos que concentra espalhados numa abóbada. As estrelas espalhadas pelo céu na noite de Agosto estão todas aparentemente numa mesma película, num mesmo plano, com um brilho diferente

antecipações do que há-de ser uma impressão no presente. Mas a actualidade do presente está sempre impregnada do próprio sentido da impressão deixada pelo que foi vivido e pela antecipação da impressão que será deixada e dos estados em que ficaremos depois de termos passado pelo futuro que nós dará a viver em actualidade o que é meramente virtual. O futuro e o passado são o horizonte que servem de fundo às fases de tempo entre o passado todo e o presente ou o futuro todo e o presente. Está mais próximo de nós o dia de ontem do que a semana passada, os últimos vinte anos do que os últimos quarente. Está também mais próximo de nós o dia de amanhã do que depois de amanhã, os próximos anos do que mais tarde. Mas o passado tende a atrair e absorver tudo o que é passado para um fundo idêntico ao céu por onde se distribuem as estrelas, lá ao fundo e num mesmo plano indistinto. Também o futuro dos futuros é esse céu que mantém em si todos os momentos de tempo. Não só os momentos futuros de todas as pessoas que estão aí comigo e das que ainda nascerão. Esse céu que tem espalhado por si todos os tempos no seu fim. É lá que se encontra também a primeira vez de todas as primeiras vezes. A primeira vez não está atrás de mim, nas minhas costas, tão pouco como o futuro está à minha frente à minha espera. Todo o meu passado está à espera de mim na hora da minha morte. E pode também acontecer que não tenha já futuro. O que quer dizer que o meu olhar se perde nele como se perde no céu azul, deixando-me sem distância para a proximidade e o que está à mão.


16 desporto

4.5.2018 sexta-feira

Evitar confusões CTCC RODOLFO ÁVILA COMEÇA NOVA ÉPOCA À PROCURA DO TÍTULO nas primeiras voltas e ir somando pontos ao longo de todas as provas. Esta é a receita de Rodolfo Ávila para o Campeonato da China de Carros de Turismo, em que o título de pilotos pode ser mesmo uma realidade no final da temporada

Prego a fundo na ambição

O

Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) arranca este fim-de-semana no Circuito Internacional de Xangai e Rodolfo Ávila (Volkswagen Lamando) parte para a ronda inaugural da competição com aspirações ao título. O vice-campeão do CTCC já rodou ontem com o

carro na capital financeira da China e, apesar de reconhecer que poderá estar na luta pela vitória, sublinha que o mais importante é conseguir marcar muitos pontos. “No ano passado não venci nenhuma prova e acabei em segundo no campeonato. Vai ser esta mentalidade que vou adoptar para o campeonato. Vou estar focado em evitar

os acidentes e as confusões habituais das primeiras voltas. Mas, claro, se puder vencer, não vou querer desperdiçar a oportunidade, até porque ainda não ganhei no CTCC”, afirmou Rodolfo Ávila, ao HM. Em relação à equipa, os objectivos passam por voltar a reconquistar o título de marcas, a que pretende juntar

o título de pilotos, que fugiu no ano passado. Partindo para a segunda época completa no CTCC e depois de ter sido vice-campeão na temporada passada, Rodolfo Ávila pode ser mesmo o ponta-de-lança da formação, com o auxílio do experiente Rob Huff. O britânico e colega de equipa de Ávila, que já venceu no Circuito da Guia por nove

“No ano passado não venci nenhuma prova e acabei em segundo no campeonato. Vai ser esta mentalidade que vou adoptar para o campeonato. Vou estar focado em evitar os acidentes e as confusões habituais das primeiras voltas.” RODOLFO ÁVILA PILOTO DE MACAU

Mundial 2018 Putin assegura que está tudo pronto O presidente russo, Vladímir Putin, assegurou ontem ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que tudo está pronto para o campeonato do mundo de futebol, que vai ser disputado entre 14 de junho e 15 de Julho, na Rússia. “Os preparativos para o Mundial de futebol que o nosso país vai acolher estão praticamente terminados. A Rússia está pronta para o torneio”, afirmou Putin, em Sochi, numa reunião do comité organizador da competição. Quando faltam 42 dias para o início do

Mundial2018, Putin advertiu os dirigentes regionais a não deixar para a última hora a conclusão de infraestruturas, apelando às forças de segurança “correcção” e “delicadeza”. “Há que recordar que o Mundial é uma grande festa para muitos milhares de adeptos de todo o mundo”, frisou Putin, antes de, juntamente com Infantino, receber o passaporte do adepto (FAN ID), um documento obrigatório para aceder aos 12 estádios que vão receber jogos da competição.

vezes, vai participar em quatro provas do campeonato. “Aprendi bastante no ano passado, apesar de haver alguns termos de afinações que ainda não domino totalmente, em termos de condução estou mais habituado e consigo portar-me bem. Também tenho como colega de equipa o Robert Huff, com quem aprendo bastante”, contou Ávila. “Apesar de ele só ir fazer quatro provas, dá-nos, aos pilotos da equipa, um bocado na cabeça quando está connosco. O que é um bom, porque puxa por nós e faz-nos andar mais rápido”, acrescentou.

SEM GRANDES ALTERAÇÕES

Ontem, o piloto de Macau já teve a oportunidade de rodar no Volkswagen Lamando GTS, sendo que não são muitas as diferenças face ao ano anterior. O maior condicionalismo acaba mesmo por ser a existência de um novo fornecedor de combustível.

“O carro é o mesmo do ano passado, com algumas actualizações e melhorias. Há um pacote aerodinâmico novo, pelo que esperamos que esteja melhor. Temos travões novos, houve uma troca de amortecedores e outras partes do carro, mas 70 por cento é o mesmo do ano passado”, começou por explicar o piloto. “Mas houve uma mudança de fornecedor de combustível e nota-se alguma diferença porque o combustível não é tão bom. Tivemos de descer a potência dos motores em cerca de 10 ou 15 cavalos, mas não vai fazer uma grande diferença porque é para todas as equipas”, respondeu. Sobre a concorrência, Ávila aponta a KIA e a BAIC como os principais adversário, com a Ford um pouco mais atrás. Porém, recorda que ao longo da época, o construtor norte-americano pode apanhar o ritmo das outras marcas.

Ténis Marcelo promete voltar ao Estoril Open por João Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, surpreendeu ontem a organização do Estoril Open com uma visita inesperada e prometeu voltar caso o português João Sousa consiga apurar-se hoje para as meias-finais. Conhecido fã de ténis e uma presença habitual no torneio ao longo dos anos, o chefe de Estado enfatizou mesmo a importância para Portugal de ter um tenista luso a progredir no quadro principal e manifestou a sua esperança num

grande ano do vimaranense, de 29 anos, no circuito mundial. “Foi uma surpresa. Tive, de repente, um intervalo, porque falhou uma audiência e tinha uma hora e meia, duas horas, e decidi dar aqui um pulo, aproveitando a hora de almoço para ver o começo desta tarde de Estoril Open e com um português a avançar, o que é muito bom. Amanhã [hoje], infelizmente, não posso vir, mas se ele avançar para as meias-finais cá estarei no sábado”, afirmou.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


(f)utilidades 17

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

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FAM | “HANJIANG GATE” - ÓPERA CANTONENSE Cinema Alegria | 19h30 FAM | “MIGRATION” Macau Experimental Theatre | Antigo Tribunal | 20h00

Domingo

FAM | “MIGRATION” Macau Experimental Theatre | Antigo Tribunal | 20h00

Diariamente

MULHERES ARTISTAS 1ª Bienal Internacional de Macau | MAM | Até 13/5

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9 68 6 29HOJE 1 3LIVRO 2 4 57 5 UM 9 9 6 75 7 8 4 12 1 3 2 O2conto7foi4publicado 1 35pela3primeira 6 9vez 8 na revista Esquire, corria o ano de 1936 5 e deu 5 7mote 9 para 7 uma 8 colectânea 6 1 3de2textos 4 2 pequenos do escritor norte-americano. 98dos 9 6 1Neves 2 1do4Kilimanjaro” 3 4 5 8é7um “As bons3livros de Hemingway, no meio 4 8 3 2 97 9 1 5de 6 uma obra algo incongruente, que ainda assim destaca 8 1 2 um 9 7autor 3 como 7 65um 6dos 4 vultos da literatura norte-americana. Este 5conto 14de um 3 retrata 5 6a vida 1 moribundo 8 9 2per- 7 dido numa safari na Tanzânia. Enquanto 7 4 a 9morte, 5 acompanhado 2 86 8 1pela 3 1 aguarda

9

proximidade metafórica e omnipresente de uma hiena, o protagonista torna-se intragável 11 para as pessoas que lhe estão próximas. A colectânea de contos “As Neves 2 65do Kilimanjaro” 6 7 9 são8um1pequeno 4 3 legado daquilo que de melhor se escreveu 7inglês 8 no4século 2 3passado. 1 93 9João5Luz 6 em

11 6 5 3 2 7 4 6 1 9 8 7 8 9 7 2 1 5 4 6 3 RAMPAGE 1 1 3 9 4 6 1 4 9 3 8 5 7 2 AVENGERS: INFINITY WAR [B] 2 6 8 3 9 TOMORROW 1 7 IS ANOTHER 5 4DAY [C] 4 26 2 1 78 7 5 6 4 5 1 8 6 7 2 3 9 3 7 9 5 2 4 8 1 6 3 9 51 85 RAMPAGE [C] 1 8 6 4 5 3 9 2 7 6 82 8 3 THE TROUGH [C] 9 4 3 1 7 2 6 8 5 5 1 7 69 AVENGERS: INFINITY WAR [B] 49 34www. 83 28 7 2 5 6 8 9 3 4 1 hojemacau. SALA 1

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 21.30

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth

16.30

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30 SALA 3

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

8 2 5 7 9 6 3 1 4

com.mo

8 54 95 9 2 1 63 6 78 3 1 7 46 84 8 2 9 28 62 56 5 9 7 1 3 7 7 6 3 4 2 1 9 85 5 4 32 83 98 9 7 1 1 1 9 8 7 6 5 24 2 79 7 1 8 45 34 3 6 2 2 3 15 1 7 6 8 4 6 8 94 39 3 52 5 7

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PROBLEMA 8

7 5 4 8 6 3 2 9 1

S U D O K U

7O CARTOON STEPH DE

A

1.27

TROCAR A ÁGUA AOS CRAVOS (E À LIBERDADE)

Amanhã

2 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” 1 9 4 7 3 6 5 8 2 Studio City Macau 5 8 2 4 1 9 7 6 3 7 3 6 2 5 8 1 4 9 Cineteatro 2 4 8 C 5 7I 1N 9E 3M6 6 1 5 3 9 4 2 7 8 9 7 3 8 6 2 4 5 1 8 5 1 6 2 7 3 9 4 4 2 7 9 8 3 6 1 5 3 6 9 1 4 5 8 2 7

YUAN

VIDA DE CÃO

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “APAIXONADOS POR MACAU - CALIGRAFIA E PINTURA DE MACAU” Museu de Arte de Macau | 18h30

EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria Tap Seac | Até 17/06

0.25

O nosso dia-a-dia é cheio de metáforas. Temos percepção imediata de algumas delas, mas outras passam-nos ao lado. Ontem fui trocar a água dos cravos que ainda estão na minha secretária desde o 25 de Abril. É tão importante trocar a água da jarra, para que os cravos não apodreçam mais depressa, como é tão importante renovar os ideais que eles trazem consigo. É importante uma água nova que renove a liberdade e a democracia que conquistámos nos últimos anos. Esta metáfora remeteu-me para o dia da liberdade de imprensa que se celebrou ontem em todo o mundo. Há cada vez mais jornalistas a serem mortos por fazerem o seu trabalho, a sofrerem pressões de várias ordens para não escreverem verdades incómodas. É certo que o jornalismo mudou, a forma como ele se faz também (muitas vezes para pior), mas é preciso haver aqui uma água nova para mudar o exercício da liberdade de imprensa. Não sei de onde virá esta água, mas acredito que vem do esforço individual de muitos que buscam reportar de forma livre. Não é à toa que têm surgido nos últimos tempos vários projectos paralelos de notícias, sobretudo online, que lutam para se manter financeira e politicamente independentes. São eles que trazem a tal água renovadora no seu cântaro. Andreia Sofia Silva

10 38 63 6 4 7 1 9 2AS 5NEVES DO KILIMANJARO | ERNEST HEMINGWAY 1 79 37 3 52 5 4 86 8 25 2 84 8 9 76 7 3 1 63 16 1 9 8 4 5 27 2 2 7 59 5 31 83 8 4 6 4 5 28 2 76 7 3 1 9 9 8 3 41 24 2 6 5 7 7 17 51 5 6 3 9 2 8 4 6 4 2 7 5 8 91 39 3

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 retrato

“S

OU doce, tão doce, como um rapaz de chocolate”. Começa assim a música Chocolate Boy (em português Rapaz de Chocolate) do artista de Macau Hyper Lo, cantor de pop, que viria a marcar a sua afirmação no panorama da indústria do entretenimento local. Mas se, por um lado, foi este tema, com forte inspiração no pop coreano, que reforçou a imagem de um cantor polivalente, por outro, é através das baladas que Hyper Lo conquista o público, principalmente os mais novos e os pais. “O tema Chocolate Boy é inspirado no pop coreano, um género musical que aprecio muito devido ao ritmo e à vibe que transmite. Curiosamente, foi um tema que me surpreendeu porque sendo algo diferente do habitual, chegou a um público muito maior”, conta o cantor. “Muitas crianças gostaram da música e ouvi muitas críticas positivas por parte de muitos pais”, acrescentou. Actualmente, Hyper Lo trabalha a tempo inteiro para a produtora SP Entertainment. Além da carreira a solo, faz igualmente parte do grupo MFM, que é constituído ainda pelo macaense Adriano Jorge, assim como Josie Ho, cantora e filha do deputado Ho Ion Sang. Ao HM, Hyper Lo confessou que é com os MFM que tem mais sucesso, e que na rua é muito abordado pelo trabalho feito em grupo. “Para ser sincero, posso dizer com orgulho que muitos locais gostam das nossas músicas como MFM. Somos um grupo muito próximo e trabalhamos juntos desde 2014. Temos uma química especial”, admitiu. “Conseguimos popularidade em Macau por causa das nossas músicas de dança, também fomos pioneiros no território ao nível do investimento monetário que fazemos na qualidade de produção das nossas músicas e videoclips”, explica. É também como membro do trio que Hyper Lo deixa a musa tomar conta da sua criatividade. “Espero que os MFM venham logo à cabeça doas pessoas, quando as pessoas pensam em artistas de Macau”, confessa.

DESAFIOS LOCAIS

Sobre a indústria local do entretenimento, Chocolate Boy admite que há vários desafios e aconselha os interessados nesta carreira a não se dedicarem a tempo inteiro. “Não é fácil ser artista a tempo inteiro e não encorajo ninguém a fazerem-no logo após terminarem o ensino secundário ou superior. No início, é melhor concentrarem-se em desenvolver também outras habilidades para poderem ter outras formas de ser auto-suficientes. Só quando tiverem um bom suporte financeiro é que aconselho a encararem a possibilidade de serem artistas a tempo-inteiro”, aponta.

4.5.2018 sexta-feira

HYPER LO, CANTOR

O rapaz de chocolate

Aos 31 anos, Hyper Lo estabeleceu-se principalmente como cantor, no entanto, a sua carreira poderia ter sido bem diferente. Na altura de começar os estudos no ensino superior, Hyper foi aceite na Universidade de Macau para tirar a licenciatura em Inglês. Contudo, foi nessa altura que decidiu tomar a decisão de se mudar para Taiwan e estudar artes performativas. “Senti que era o meu sonho e que se esperasse pelo final da licenciatura seria muito velho para lutar pelo que queria. Tive em mente que há muitos cantores que começam as carreiras aos 16 anos. Por isso, senti que essa era a melhor altura para apostar neste tipo de estudos”, recorda. Enquanto artistas, tem como principal ídolo a cantora e actriz de Hong Kong Viviana Chow, com quem já trabalhou anteriormente. “Adoro-a porque ela é sempre muito bonita e elegante, canta muito bem e é uma pessoa com quem é muito fácil trabalhar”, justifica. No dia-a-dia a inspiração começa em casa, com a mãe. “Foi uma pessoa que não teve a oportunidade de frequentar um curso superior mas que, mesmo assim, não deixou de se interessar e ser autodidacta, através de livros e jornais. É uma pessoa que me ajuda muito e que tem sempre um conselho, uma opinião para dar, mesmo agora”, admite.

BANHOS PARA RELAXAR

Enquanto residente de Macau, na altura de relaxar Hyper Lo não tem dúvidas sobre o seu local favorito. Por isso, quando se sente mais cansado, trocas as ruas efervescente da Península e da Taipa pela tranquilidade de Coloane. “Adoro a vila antiga de Coloane porque é o único local onde me sinto relaxado e descontraído. Sempre que me sinto stressado e a precisar de descansar é para lá que vou”, revela. Contudo, também encontra alternativas e revela um dos seus prazeres proibidos: “Adoro relaxar com longos banhos de imersão”. No que diz respeito à relação com a cidade, as memórias mais agradáveis que recorda da infância são os passeios de bicicleta na Taipa antiga: “Macau era uma cidade muito diferente muito mais tranquila, tinha muito menos pessoas e trânsito. Tenho saudades desse tempo”, recorda. Apesar disso, o Rapaz de Chocolate não tem dúvidas em dizer que se sente muito feliz por viver em Macau e também por ter seguido esta carreira, mesmo que o trabalho lhe imponha alguns amargos de boca. “Gosto muito de chocolate, desde que não seja branco, infelizmente como preciso de me manter em forma já não posso comer tanto”, reconhece. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 4.5.2018

TIAGO BONUCCI PEREIRA

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iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” (OBOR ou BRI) pode em certa medida ser encarada como a evolução natural da política “Going Out” promovida por Jiang Zemin em 1999, política essa centrada na internacionalização da economia chinesa, traduzida pela transição da República Popular da China (RPC) de país receptor para país promotor de investimento directo estrangeiro (IDE). A estratégia foi progressivamente consolidada em 2001 com a admissão da China na Organização Mundial do Comércio e o anúncio, em 2004, pela Comissão Nacional para Reformas e Desenvolvimento da RPC (NDRC) e pelo China Eximbank de medidas de apoio ao investimento em 4 sectores específicos: (i) recursos naturais e bens primários relativamente aos quais a China é deficitária; (ii) investimento em sectores exportadores ou que envolvam novas tecnologias e equipamentos; (iii) colaborações com entidades estrangeiras em projectos de investigação e desenvolvimento (I&D) e novas tecnologias, gestão e formação de quadros; (iv) fusões e aquisições com vista ao aumento progressivo da competitividade internacional de firmas nacionais e à expansão dos mercados de produção e vendas. O plano conjuga, portanto, a transformação progressiva do tecido económico e industrial Chinês para sectores de valor acrescentado com a internacionalização de empresas e sectores cujo mercado interno caminha para a saturação. Com efeito, a China apresenta actualmente excesso de capacidade em sectores críticos, como a construção e indústrias associadas, bem como no sector energético. Como tal, a sustentabilidade dessas empresas exige uma política expansionista em busca de mercados em território estrangeiro. Os dois sectores acima referidos são porventura os que têm maior visibilidade. A produção de energia a carvão constitui um exemplo de conjugação de várias políticas: Pequim, a partir de 2014, reintroduziu taxas sobre a importação de diversas qualidades de carvão e proibiu a compra de carvão de baixa qualidade. Medidas estas que surgem na sequência da implementação de políticas de combate à poluição, bem como de protecção dos produtores chineses. Por outro lado, e já antes do anúncio da iniciativa BRI, têm-se multiplicado a construção de centrais térmicas a carvão por empresas chinesas no estrangeiro.

THOMAS HART BENTON

Da Política “Going Out” à Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”

No que respeita ao IDE, foi feita uma descrição, num artigo anterior, do crescente investimento chinês em África, num padrão onde se constata a progressiva transferência de indústria transformadora para regiões com menores custos laborais, funcionando em simultâneo como uma forma de criação de emprego e de desenvolvimento económico e social. Padrão similar observa-se nos países do Sul da Ásia. Mas o cenário muda radicalmente quando olhamos para o continente europeu. A Europa é a principal destinatária do IDE chinês (29 por cento do total), estando a aposta centrada nos sectores de energia, finança, tecnologia e infraestruturas. O sector imobiliário perdeu importância nos últimos anos em virtude de um maior controlo administrativo chinês sobre certos tipos de transacções, como forma de travar a fuga de capital. No entanto, o incentivo à diversificação para firmas chinesas é inegável. As restrições sobre o investimento em imobiliário, de resto, resultaram num

redireccionamento do investimento chinês para outros sectores, também em face da desaceleração do mercado doméstico. Conhecemos bem os exemplos portugueses, como o investimento da China Three Gorges na EDP e a aquisição pela Fosun da Caixa Seguros. Todavia, Portugal, com um total de investimentos entre 2000 e 2017 de 6 mil milhões de euros, é o sétimo destinatário europeu do IDE chinês. O pódio pertence ao Reino Unido (42 mil milhões de euros), Alemanha (20.6 mil milhões de euros) e Itália (13.7 mil milhões de euros). Exemplos recentes de investimentos são a aquisição pela Midea da empresa alemã de robótica KUKA e a compra por um consórcio chinês de 49 por cento da operadora de centro de dados do Reino Unido Global Switch. A aposta chinesa em sectores de valor acrescentado poderá ser associada ao plano “Made in China 2025”, um masterplan anunciado em 2015 e que tem em vista a tranformação da China nas próximas décadas numa

A China apresenta actualmente excesso de capacidade em sectores críticos, como a construção e indústrias associadas, bem como no sector energético. Como tal, a sustentabilidade dessas empresas exige uma política expansionista em busca de mercados em território estrangeiro

superpotência industrial com base em tecnologias inovadoras. Contudo, esta aposta era já visível a partir de 2004. Os números assim o demonstram: investimento chinês no estrangeiro disparou a partir sensivelmente de 2005, tendo o IDE na década seguinte tido uma média anual de crescimento de 30 por cento. O investimento chinês em Investigação & Desenvolvimento aumentou exponencialmente a partir da mesma data, correspondendo actualmente a 20 por cento do investimento mundial nesta área. Circunstâncias mais recentes (desaceleração económica; desenvolvimento económico e social; saturação de certos sectores) poderão ter ditado uma aceleração mais acentuada. Mas é nítido que esta aposta estava já na mente dos governantes chineses. Constata-se agora um crescente nervosismo na classe política europeia com as aquisições chinesas em sectores chave da sua economia, argumentando falta de reciprocidade na medida em que muitos investimentos são em sectores nos quais as empresas estrangeiras continuam a encontrar barreiras no acesso ao mercado chinês. Acresce que problemas políticos no seio da União Europeia, como os diferendos com os países do leste, são encarados como sendo agravados por acções como a iniciativa “16+1” entre a China e países da Europa Central de Leste, iniciativa esta que tem em vista a realização de projectos no âmbito do BRI. Que a liderança europeia esteja preocupada com o crescimento chinês e o impacto económico e político na Europa é normal. Estranha-se, no entanto, é que esta preocupação surja de forma tardia. Por outro lado, as preocupações têm mais a haver com problemas europeus do que propriamente com a China. A reciprocidade é possível através de negociações. E as deficiências institucionais europeias são um problema exclusivamente europeu. Percebe-se que existe uma sequência lógica na evolução do investimento externo chinês, num processo contínuo de aprendizagem e delineado com rigor e pragmatismo. Perante isto, como podemos interpretar a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”? Será tentador encará-la de forma cínica como nada mais do que um processo de etiquetagem e exercício de retórica sobre um projecto já em marcha, mas essa interpretação não corresponderia à verdade. Este tópico, porém, merece um artigo em separado.


O amor é Física, o casamento é Química. Alexandre Dumas

Ponte Chui Sai On visitou Ilha Artificial

O Chefe do Executivo fez ontem uma visita à Ilha Artificial onde fica a zona fronteiriça da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, tendo sido acompanhado pelos secretários do Governo, comissários do CCAC e Comissariado de Auditoria, Procurador da RAEM e membros do Conselho Executivo. Durante a deslocação, a comitiva foi brindada com uma apresentação sobre a disposição da Zona de Administração de Macau na Ilha Artificial, a cargo do coordenador substituto do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Luís Madeira de Carvalho. A explicação sobre a rede de transportes para a ilha ficou a cargo do director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San.

FUTEBOL CHINA PLANEIA TECTO SALARIAL PARA COMBATER INSUSTENTABILIDADE

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liga chinesa de futebol planeia estabelecer um tecto salarial no futebol, tendo em vista a sustentabilidade nos clubes, depois das transferências milionárias dos últimos anos, segundo noticiou ontem a imprensa local. Segundo o jornal oficial China Daily, o tecto salarial equivalerá a 75 por cento das receitas anuais de cada clube e poderá entrar em vigor em 2021. A medida foi debatida na última reunião entre os emblemas da primeira e segunda divisões da China e surge face à pressão da Administração Geral dos Desportos da China, após várias contratações milionárias terem feito disparar os gastos dos clubes. Calcula-se que o argentino Carlos Tevez tenha sido o futebolista mais bem pago do mundo em 2017, ao receber cerca de 37,4 milhões de euros no Shanghai Shenhua. O antigo jogador do FC Porto Hulk ou o internacional brasileiro Óscar são outros dos jogadores que rumaram à China com contratos milionários. Na Superliga chinesa alinham três portugueses. José Fonte (Dalian Yifang), Orlando Sá e Ricardo Vaz Tê (ambos no Henan Jianye), além de três treinadores orientarem clubes do primeiro escalão, casos de Vítor Pereira (Shangai SIPG), Paulo Sousa (Tianjin Quanjian) e Paulo Bento (Chongqing Dangdai Lifan). No entanto, os gastos com jogadores estrangeiros tornaram os clubes deficitários, como é o caso do sete vezes campeão da China Guangzhou Evergrande, que registou perdas de cerca de 130 milhões de euros, em 2017.

sexta-feira 4.5.2018

PALAVRA DO DIA

JOGO LUCROS DA MELCO RESORTS SOBEM 38,1 POR CENTO NO PRIMEIRO TRIMESTRE

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Dito por não dito Trump diz que avença a advogado cobria pagamento a actriz porno

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presidente norte-americano disse ontem que o valor pago ao seu advogado pelo silêncio da actriz porno Stormy Daniels correspondia a uma avença mensal e assegurou que não foi usado qualquer dinheiro da campanha eleitoral. Donald Trump escreveu no Twitter que o seu advogado Michael Cohen recebia uma avença mensal através do qual pagava “um contrato privado entre duas partes, conhecido como acordo de confidencialidade” e que era usado para impedir “as acusações falsas e extorsionárias” da actriz sobre a relação que mantiveram. As declarações de Trump surgem depois de o ex-presidente da Câmara de Nova Iorque Rudy Giuliani ter dito numa entrevista à estação de televisão Fox News, que Trump “reembolsou” o advogado pelo pagamento dos 130 mil dólares acordado com a

actriz de filmes pornográficos, numa aparente contradição com as alegações anteriores do presidente de que desconhecia a origem do dinheiro. “Pelo que sei, Trump não conhecia os detalhes, mas tinha conhecimento de que havia a possibilidade de um acordo e que Michael (Cohen) ia encarregar-se do assunto”, disse ainda Rudy Giuliani. Stormy Daniels e Donald Trump enfrentam-se num processo judicial desde que, no princípio do ano, foi publicado na imprensa que Cohen fez um pagamento à actriz antes das presidenciais norte-americanas em 2016. Supostamente, o pagamento terá sido efectuado para que Stormy Daniels não revelasse a relação sexual que manteve com Trump em 2006, pouco depois do casamento com a actual primeira dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A transacção pode configurar como violação das

leis norte-americanas sobre financiamento eleitoral, caso se considere que o pagamento teve como finalidade manter a imagem de Trump, como candidato, num momento especialmente delicado da campanha. Giuliani afirmou na entrevista à Fox News que o pagamento não transgrediu a lei eleitoral, porque o montante referido não saiu das contas da campanha do Partido Republicano. No início de 2018, Stormy Daniels, nome artístico de Stephanie Gregory Clifford, 39 anos, recorreu aos tribunais para renunciar ao pacto, um litígio judicial que ainda não foi resolvido. O advogado Michael Cohen pediu, entretanto, uma quantia milionária à actriz por não cumprimento do pacto de confidencialidade ao tornar pública a ligação que, supostamente, manteve com Donald Trump.

Médio Oriente Guterres alerta Trump para “risco real de guerra” com o Irão O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ontem para que o Presidente dos EUA, Donald Trump, não rejeite o acordo nuclear com o Irão, alertando para o facto de existir um risco real de guerra se o acordo terminar. Em declarações à BBC, Guterres classificou o acordo alcançado em 2015 com o Irão como “uma importante vitória diplomática” e defendeu que não deve ser rasgado “a menos que exista uma boa

alternativa”. “Enfrentamos tempos perigosos”, alertou. Trump tem sido um crítico do acordo, alcançado durante a Presidência do seu antecessor, Barack Obama, no qual o Irão se comprometeu a limitar o seu programa nuclear em troca de um levantamento das sanções a que estava sujeito. O Presidente norte-americano deverá decidir até 12 de Maio se mantém ou rasga o acordo.

operadora de jogo Melco Resorts & Entertainment anunciou lucros líquidos de 156,9 milhões de dólares (130,8 milhões de euros) no primeiro trimestre deste ano, mais 38,1 por cento face ao período homólogo do ano passado. De acordo com o comunicado divulgado ontem, o grupo alcançou receitas de 1,3 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a receita tinha sido de 1.277,2 milhões de dólares. “O aumento na receita líquida é principalmente atribuível às maiores receitas brutas em todo o segmento de jogo”, declarou operadora de jogo, no comunicado. O EBITDA ajustado (lucros antes de impostos, amortizações e depreciações) aumentou 14 por cento relativamente aos meses de Janeiro a Março de 2017, para 401,8 milhões de dólares. Lawrence Ho, filho do magnata do jogo de Macau Stanley Ho e presidente da Melco Resorts afirmou que “Macau teve um forte começo de ano com um crescimento de receita de jogos no ano de aproximadamente 22 por cento em comparação com o mesmo período de 2017”. Lawrence Ho considerou ainda que com a abertura, para breve, da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau “a região vai beneficiar de um aumento da procura”. Além de Macau, “o Japão continua a ser a prioridade central” da Melco, sublinhou Ho. A Melco Internacional está presente na China, Filipinas, Rússia, Macau e garantiu a primeira e única concessão para um casino no Chipre. A operadora de jogo Melco Resorts & Entertainment, uma das seis concessionárias que operam em Macau, anunciou em Fevereiro que obteve receitas de 5,3 mil milhões de dólares em 2017, com lucros atribuíveis ao grupo de 347 milhões de dólares.

Hoje Macau 4 MAI 2018 #4044  

N.º 4044 de 4 de MAI de 2018

Hoje Macau 4 MAI 2018 #4044  

N.º 4044 de 4 de MAI de 2018

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