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˜ DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUINTA-FEIRA 4 DE ABRIL DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4264

INDONÉSIA

AEROPORTO

INDIELISBOA

GRANDE PLANO

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EVENTOS

A “guerra” Mudanças, Com marca dos mundos precisam-se de Macau

MOP$10

OPINIÃO

Clima e menopausa OLAVO RASQUINHO

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Pensão discórdia O edifício da Pensão Comercial San Tung Fong é arrasado por Carlos Couto. “Aberrante e uma afronta ao património de Macau”, diz o arquitecto. Já Mário Duque sublinha a falta de respeito pelo modelo das fachadas da Almeida Ribeiro. O Instituto Cultural diz que as recomendações incidiram na altura da arcada e no reboco. PÁGINA 9

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PRESSAGIAR CATÁSTROFES LUÍS CARMELO

TUPPERWARE GISELA CASIMIRO

OS PÉS PELAS MÃOS ANTÓNIO CABRITA


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4.4.2019 quinta-feira

SEGUNDO ASSALTO INDONÉSIA

UMA DAS MAIORES ELEIÇÕES DO MUNDO MARCADA PARA 17 DE ABRIL

A Indonésia encontra-se numa encruzilhada entre a continuidade e um possível retorno ao passado, a menos de duas semanas de um dos maiores actos eleitorais do mundo, em que participam cerca de 192 milhões de eleitores. Ligeiramente à frente nas sondagens, o actual Presidente Joko Widodo enfrenta nas urnas Prabowo Subianto, general reformado e ex-genro de Suharto, numa reedição das eleições de 2014

N

AS atafulhadas ruas de Jacarta, onde o caótico trânsito se adensa na época das chuvas, proliferam os capacetes verdes das motas de transporte, que circulam ao lado dos multicoloridos cartazes e bandeiras das eleições nacionais de 17 de Abril. Tal como há cinco anos, os rostos dominantes nos pósteres de campanha são os dos dois principais candidatos presidenciais: de um lado o actual chefe de Estado, Joko Widodo, quinto Presidente desde a queda do antigo ditador Suharto, do outro o ex-general das Forças Especiais e ex-genro de Suharto, Prabowo Subianto, derrotado por Widodo nas eleições de 2014. As sondagens indicam uma ligeira vantagem para Joko Widodo, numa campanha onde se mistura tudo, desde economia a educação, ao debate do secularismo ‘versus’

o conservadorismo ou até as alterações climáticas e a política externa. Até Timor-Leste já foi falado, de passagem, num dos debates presidenciais, com Prabowo a referir-se ao referendo de há 20 anos - ainda que o seu passado como militar nas Kopassus, as Forças Especiais indonésias, seja praticamente ignorado. A dimensão do processo eleitoral vê-se bem pelos números: são 192 milhões de eleitores e entre eles 70 milhões, entre 16 e 20 anos, que votam pela primeira vez. Além do Presidente e vice-Presidente, os eleitores escolhem os 711 membros das duas câmaras da Assembleia Consultiva Popular (MPR), 575 no Conselho Representativo Popular (DPR) e 136 no Conselho Representativo Regional (DPD). Em jogo estarão ainda mais de 19.500 lugares em mais de 2.000 distritos eleitorais legislativos ao nível regional, municipal e local.

Há 16 partidos concorrentes, entre eles quatro estreantes.

OS CANDIDATOS

A candidatura da oposição disse ter encontrado irregularidades ao nível de dados afectando milhões de cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais. Depois da apresentação de queixa, e insatisfeitos com a resposta da comissão eleitoral, o partido de Prabowo Subianto fez a ameaça velada de usar o “poder do povo” caso os seus argumentos não forem atendidos. A oposição diz ter encontrado erros em datas de nascimentos, números de cartões de identidade duplicados, entre outras anomalias em cerca de 17,5 milhões de eleitores, um número que representa cerca de 9 por cento do total do eleitorado. Do lado da campanha que procura a reeleição de Joko Widodo existem receios de que a disseminação de notícias falsas possa influenciar o resultado do sufrágio. O actual Presi-

dente foi acusado de ser comunista, cristão e de ser de origem chinesa. No que toca à campanha propriamente dita, Widodo, 57 anos, escolheu para seu ‘número dois’ Ma’ruf Amin – um intelectual e político islâmico, líder da Majelis Ulama Indonesia, a principal estrutura clerical muçulmana do país, criada na Nova Ordem de Suharto.

Esta é a terceira tentativa de Prabowo chegar ao Palácio Presidencial, ele que foi número dois na campanha de 2009 e rival de Jokowi em 2014, tendo na altura conseguido 46,85 por cento dos votos

A dupla do actual chefe de Estado tem o apoio de nove partidos, entre eles o PDI-P da ex-Presidente Megawati Sukarnoputri, o Golkar (partido de Suharto) e o PKB, do ex-Presidente Wahid: entre si representam actualmente 60 por cento dos lugares no actual parlamento e 62 por cento dos votos nas últimas eleições. Prabowo, por seu lado, tem como número dois Sandiaga Uno, actual vice-governador de Jacarta que, antes de entrar no mundo político, era um empresário de destacado perfil, com a dupla apoiada por vários partidos de menor dimensão que, entre si, representam 40 por cento dos lugares do parlamento e 36 por cento dos votos das eleições de 2014. Esta é a terceira tentativa de Prabowo chegar ao Palácio Presidencial, ele que foi número dois na campanha de 2009 e rival de Jokowi em 2014, tendo na altura conseguido 46,85 por cento dos votos contra os 53,15 por cento obtidos pelo actual Presidente.


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Na metrópole que continua a crescer a um ritmo desenfreado – a zona urbana de Jacarta acolhe 30 milhões de habitantes – os cartazes da campanha evidenciam as opções: fotos dos candidatos e, em alguns casos, um quadrado do boletim de voto com o desenho do prego de ferro com que, por estas paragens, se exerce o direito ao voto.

HIJABS E CAPACETES

No dia-a-dia da cidade, os motoristas das motas do GoJek e da Grab, as empresas de transporte com que muitos indonésios ganham o seu rendimento, serpenteiam por entre os carros, com os passageiros sentados atrás, tentando ganhar tempo no lento percurso. “Eu uso isto para ganhar mais algum dinheiro. É preciso porque as coisas estão mais caras. Mas há muitos clientes”, conta Dewi, uma motorista da Go-Jek, com o capacete por cima do hijab preto, um dos símbolos

mais evidentes do crescente conservadorismo na Indonésia. Goenwan Mohamad, hoje escritor e pintor, mas outrora jornalista e fundador da revista Tempo – uma das primeiras que nos anos 90 do século passado desafiou a Nova Ordem de Suharto –, diz que o crescente uso do hijab mostra “uma perda de liberdade de expressão física”. “As pessoas pensam que a religião pode embelezar a alma, tornar-te até menos corrupto. Mas na prática isso não ocorre. O que se nota, sim, e é muito visível, por exemplo na forma como as pessoas se vestem, é um autocontrolo nas expressões físicas”, disse à Lusa. “Há 25 anos quase ninguém usava hijab. A liberdade de expressão física está muito mais limitada”, conta à Lusa. Por outro lado, a proliferação dos capacetes verdes de quem oferece transporte na Indonésia – e a paralela revolução dos serviços ‘online’, de quase tudo, que continuam a crescer

a ritmos estonteantes no sudeste asiático – é um sinal do empreendedorismo do país.

CREDO ECONÓMICO

Mas, ainda que a economia indonésia continue a crescer – não aos 7 por cento prometidos por Joko Widodo – e que sejam evidentes os sinais de uma robusta classe média, as dispa-

Do lado da campanha de Joko Widodo existem receios de que a disseminação de notícias falsas possa influenciar o resultado do sufrágio. O actual Presidente foi acusado de ser comunista, cristão e de ter origem chinesa

ridades mantêm-se com muitos na sociedade a viverem em condições de total insegurança económica. Na agenda dos debates eleitorais, por isso, figuram questões como o desenvolvimento económico nacional, a capacitação da mão-de-obra ou até problemas globais como as alterações climáticas, ainda que nos bastidores se viva, como explicou à Lusa o director do Australia Indonesia Centre, Kevin Evans, um debate entre uma visão secular e pluralista do país, de um lado, e o maior conservadorismo religioso e moral, do outro. “As divisões políticas aqui não são baseadas em classe, a afiliação política não se decide pelo rendimento ‘per capita’. Define-se sempre entre os que se agarram firmemente a uma visão de uma sociedade mais pluralista e igualitária ‘versus’ os que querem um maior papel da religião, no caso o Islão, uma divisão idêntica à que se pode ver na Índia, ou em Israel”, disse.

Ainda assim Evans diz-se optimista, afirmando que os sinais de conservadorismo crescente duram há 30 anos e que começam a aparecer, até sinais de “maior agitação e mobilização dos que defendem os valores tradicionais de pluralismo”. A religião está sempre presente, com Jokowi a mostrar-se mais pluralista, mas depois a escolher como ‘número dois’ um dos principais líderes islâmicos do país, e Prabowo a começar a relembrar que a sua mãe é cristã, mas depois a convocar uma oração colectiva em todos as mesquitas do país na manhã do próximo domingo. Os candidatos presidenciais estão nos próximos dias em campanha em vários pontos do país, regressando a Jacarta na recta final, antes dos dois dias de reflexão e do voto.


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Comissão deAcompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL) sugeriu a venda da colecção de arte japonesa, adquirida na década de 1980, pelo Fundo de Pensões. Em causa, figura um conjunto de 84 gravuras datadas dos séculos XVIII e XIX, guardado nos cofres do BNU há 30 anos. “É melhor investir em imóveis do que em obras de arte que não se valorizam”, afirmou o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL, Mak Soi Kun, confirmando que os deputados sugeriram ao Governo a venda da colecção de arte, como aliás o próprio deputado tinha feito numa interpelação escrita submetida no ano passado. “Se não se consegue valorizar, não vale a pena investirmos nas obras de arte”, sustentou Mak Soi Kun, recordando que, além do retorno praticamente nulo, implica despesas de conservação e de armazenamento na ordem de 10 mil patacas por ano. Adquirido na sequência da crise bolsista de 1987, por 13,6 milhões de patacas, o conjunto foi avaliado, três décadas depois, em sensivelmente 16 milhões. Além de duas gravuras avulsas de Kitagawa Utamaro (1754-1806) e Suzuki Harunobu (1724-1770), o conjunto inclui duas colecções: uma da autoria de Katsushika Hokusai (1760-1849), formada por 46 gravuras; e outra de Ando Hiroshije (1797-1858), composta por 36, sob a temática “As Trinta e seis vistas do Monte Fuji”. Além da colecção de arte japonesa, o Fundo de Pensões também é proprietário de um imóvel em Portugal. Em causa figura o prédio na Avenida 5 de Outubro, no centro de Lisboa, onde funciona a sede da Delegação Económica e Comercial de Macau, avaliado em 54 milhões de patacas.

NOVO ESTUDO

A sustentabilidade do Fundo de Pensões continua a “preocupar”

Mak Soi Kun, deputado “É melhor investir em imóveis do que em obras de arte que não se valorizam.”

FUNDO DE PENSÕES DEPUTADOS SUGEREM VENDA DE COLECÇÃO DE ARTE

Onda no mercado

Encontra-se guardada num cofre, implica despesas de manutenção e tem um retorno praticamente nulo. Eis as razões que levaram deputados a propor a venda da colecção de arte japonesa detida pelo Fundo de Pensões os deputados, dado que, em 2022, à luz de estimativas anteriores, as contribuições não vão dar para cobrir as prestações que tem de pagar e, em 2031, ter-se-ão esgotado todos os activos que detém.

Em 2018, o Fundo de Pensões registou um défice acumulado de 570 milhões de patacas. O Governo garantiu que o prejuízo é “inevitável”, mas deixou claro estar actualmente “em condi-

ções” de assegurar a execução do regime de aposentação e sobrevivência, abrindo ainda a porta a um “reajustamento” na actual carteira de investimentos, explicou Mak Soi Kun.

JOCKEY CLUB DÍVIDA DE 113 MILHÕES LIQUIDADA APENAS EM 2021

O

Fundo de Pensões tem a receber uma dívida de 113 milhões de patacas da Companhia de Corridas de Cavalos que apenas vai ser liquidada em 2021, sem que haja lugar à cobrança de juros, apesar de remontar a 2005. A informação foi confirmada ontem pela Comissão de Acompanhamento para osAssuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL) depois de uma reunião com membros do Governo para dar acompanhamento à situação financeira e dos investimentos do Fundo de Pensões.

“Em 2005, [a Companhia de Corridas de Cavalos] deixou de pagar o montante devido ao Fundo de Pensões. A dívida, até ao final de 2018, era de 113 milhões. Por que razão o Jockey Club não pagou? Segundo nos foi ex-

plicado, as negociações sobre as condições de pagamento foram feitas pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos [DICJ]”, explicou o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL, Mak Soi Kun. Em causa, estará a contribuição correspondente a um por cento sobre as apostas, destinada ao Fundo de Pensões. Os deputados também indagaram, em vão, por que motivo a Companhia de Corridas de Cavalos não vai pagar juros pelo atraso no pagamento da

dívida que vai ser liquidada na íntegra apenas em Março de 2021. “Quando contraímos uma dívida ao banco também temos de pagar juros, por que razão eles não têm? Como foi a DICJ que negociou não nos foram dados mais pormenores. Só nos foi dada essa justificação”, afirmou o deputado. O contrato de concessão da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau foi renovado, em Fevereiro do ano passado, por um período de 24 anos e seis meses, ou seja, até 31 de Agosto de 2042. D.M.

Os deputados insistiram, porém, na necessidade de haver injecções de capital, uma hipótese que o Fundo de Pensões reiterou estar a equacionar. Essa decisão – de cariz “político” – deve ser tomada apenas depois da nova análise actuarial – as anteriores projecções remontam a 2014 – que vai ser levada a cabo em Junho/Julho. No entanto, o Governo tem vindo a afectar verbas anualmente para o Fundo de Pensões, ainda que “de forma irregular consoante as necessidades”, atribuídas sob a forma “subsídio”. Segundo o presidente da Comissão deAcompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL, em 2018, por exemplo, foi feita uma dotação para as despesas correntes do Fundo de Pensões no valor de 101 milhões de patacas. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

CAECE Lançado Guia de Formalidades

Os Serviços para os Assuntos de Função Pública publicaram o “Guia de Formalidades das Eleições dos Membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo” que explica todos os

procedimentos sobre o acto que vai eleger o colégio eleitoral para escolher o sucessor de Chui Sai On. A informação foi revelada ontem, após um encontro da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo. Além das formalidades a que os membros do colégio têm de respeitar, o documento tem um calendário, e pode ser levantado no Balcão de Atendimento dos Assuntos Eleitorais dos Serviços de Administração e Função Pública, na Rua do Campo. O documento está disponível nas línguas portuguesa e chinesa e pode ser igualmente descarregado online.


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HABITAÇÃO PARA A TROCA REGIME PRONTO PARA ESPECIALIDADE, SEM DATA PARA APLICAÇÃO

Quarto sem calendário

O

diploma que permite a proprietários de bens imóveis arrendar uma habitação para alojamento temporário ou comprar uma para troca se forem afectados pela renovação urbana deve subir em breve a plenário para ser votado na especialidade. Os deputados da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) firmaram ontem o parecer, mas reconhecem desconhecer quando pode ser arrendada ou vendida a primeira fracção habitacional ao abrigo do novo regime. Não só porque as novas habitações estão por construir, mas também porque faltam diplomas fundamentais para executar o novo regime, como o relativo à própria renovação urbana. Foi o que explicou ontem o presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisou em sede de especialidade o diploma, aprovado na generalidade, em Dezembro. “Ainda não há essas habitações, não é?”, perguntou, de forma retórica. Mais do que a inexistência das novas casas, os deputados afirmaram estar preocupados com a falta de diplomas, em particular com o regime jurídico principal da renovação urbana. “Nos diplomas não há definição jurídica para renovação urbana”, um conceito mencionado desde logo no título” e em 15 artigos da proposta de lei, assinalou Vong Hin Fai. “Para aplicar e coordenar as políticas ligadas à renovação urbana há que ter definição para isto, por isso alertamos o Governo para acelerar o respectivo regime. “Queremos saber quando é que o Governo vai lançar este regime”, complementou. Isto porque, até lá, a maioria das disposições do novo diploma “não vai ser efectivamente aplicada”, lê-se no parecer da proposta de lei.

ARESTAS POR LIMAR

Outro problema prende-se com o facto de ainda não estar criada a empresa que vai ficar encarregue da ‘pasta’ da renovação urbana.

TIAGO ALCÂNTARA

Desconhece-se quando pode ser arrendada ou vendida a primeira casa ao abrigo do novo regime de habitação para alojamento temporário e para a troca. Além das fracções em si, faltam outros diplomas, incluindo sobre a própria renovação urbana e constituir a empresa de capitais públicos que vai assumir esses trabalhos

AL COUTINHO QUER DEBATER RESPONSABILIZAÇÃO DE GOVERNANTES

O

deputado José Pereira Coutinho fez entrar na Assembleia Legislativa (AL) um pedido debate sobre a revisão do regime de responsabilização dos titulares dos principais cargos públicos. Na nota justificativa do debate, que terá de ser aprovado pelo hemiciclo, o legislador ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) recorda que a revisão do regime de responsabilização tinha sido uma promessa das Linhas de Acção Governativa de 2018. “A RAEM após quase vinte anos da sua existência, continua a ser flagelada com casos de abusos de poderes públicos, o nepotismo, o despesismo e a corrupção”, apontou Coutinho. “Os níveis baixos de uma administração íntegra e incorrupta são factores negativos para o desenvolvimento saudável da economia, quer a nível interno da RAEM quer a nível da sua imagem externa”, é acrescentado. Na proposta de debate são referidos alguns episódios que marcaram a actualidade nos últimos anos, como o caso das cunhas com a secretária Sónia Chan e a ex-secretária Florinda Chan, a investigação à troca de terrenos relacionada com o Alto de Coloane, em que o Governo entregou terrenos para receber outros terrenos, que legalmente já lhe pertenciam, ou esquema de imigração por investimentos relevantes. Para Coutinho a responsabilidade sobre o actual estado da corrupção está nos principais titulares dos altos cargos, porque é a eles que “reportam os directores e subdirectores”. Por isso, o membro da AL defende que é “vital” discutir as “responsabilidades políticas disciplinares e jurídicas” dos titulares dos principais cargos políticos, como Chefe do Executivo ou os secretários. J.S.F.

Conselho dos Magistrados Chui Sai Cheong e Eddie Wong reconduzidos Compete-lhe tratar das candidaturas e tem a responsabilidade de construir a habitação para alojamento temporário e para a troca. No entanto, tal estará para breve, dado que foi marcada para hoje

Detalhes sobre constituição da empresa de capitais públicos Macau Renovação Urbana conhecidos hoje

uma conferência de imprensa do Conselho Executivo sobre um projecto de regulamento administrativo versando precisamente sobre a constituição da Macau Renovação Urbana. Embora originalmente criado para impulsionar a renovação urbana, o regime foi alargado, passando a abranger promitentes-compradores de fracções habitacionais em construção afectados pela declaração de caducidade da concessão provisória do terreno, como sucedeu com os investidores do Pearl Horizon. Não

obstante, independentemente do número de fracções adquiridas em planta cada um fica elegível a apenas uma habitação. As formas de atribuição de habitação para alojamento temporário e de habitação para troca vão ser fixadas por despacho do Chefe do Executivo.Arenda da habitação da primeira e o preço de venda da segunda também vão ser definidos pelo líder do Governo, mediante proposta da entidade responsável pela renovação urbana. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

O Chefe do Executivo voltou a nomear o irmão, Chui Sai Cheong, e o arquitecto Eddie Wong para o Conselho dos Magistrados do Ministério Público. Apesar de não serem magistrados, os dois ocupam neste órgão cargos destinados a “personalidades da sociedade”, por nomeação do líder do Governo. A escolha é feita sob proposta da Comissão Independente para a Indigitação de Juízes, que tem como membros Lau Cheok Va, ex-presidente da AL, Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância, Philip Xavier, Vítor Ng, Tina Ho, Ieong Wan Chong e Hoi Sai Iun. Também os membros da Comissão Independente são nomeados pelo Chefe do Executivo.


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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 116/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LOU JUNYUE, portador do Passaporte da RPC n.° E93693xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 177.1/DI-AI/2017 levantado pela DST a 05.07.2017, e por despacho da signatária de 20.03.2019, exarado no Relatório n.° 95/DI/2019, de 25.02.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Cantao, n.° 72-R, I San Kok, 6.° andar F.-------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Março de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 130/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 144/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 155/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor DAN HANBING, portador do passaporte da RPC n.° E52701xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 100/DIAI/2017, levantado pela DST a 21.04.2017, e por despacho da signatária de 20.03.2019, exarado no Relatório n.° 114/DI/2019, de 04.03.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luís Gonzaga Gomes n.° 576 Hung On Center, Bloco 2, 6.° andar J, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIU LIANG, portador do Passaporte da RPC n.° E21073xxx e portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º C21900xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 85/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.04.2017, e por despacho da signatária de 14.12.2018, exarado no Relatório n.° 696/DI/2018, de 22.11.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 21, Hoi Keng Fa Un (Lei Keng Kok), 11.° andar A.--------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora YANG MEIYING, portadora do SalvoConduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C45839xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 120.1/DIAI/2016 levantado pela DST a 12.10.2016, e por despacho da signatária de 28.01.2019, exarado no Relatório n.° 44/DI/2019, de 18.01.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Travessa da Amizade n.° 82, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 7, 2.° andar B, Macau.------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Março de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Março de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Março de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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quinta-feira 4.4.2019

AACM RECOMENDADA REVISÃO DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA NO AEROPORTO

Ventos de mudança BLUESKYROTOR.COM

O relatório da Autoridade de Aviação Civil de Macau sobre o caso das aterragens falhadas do Airbus da Capital Airlines conclui que o Aeroporto de Macau deve rever alguns procedimentos de segurança. Entre outras propostas, é sugerida a instalação de um sistema de detecção de condições meteorológicas adversas para aterragem e de detritos na pista

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OMO se previa, as condições meteorológicas estiveram na origem do incidente que forçou o Airbus A320-214 da Capital Airlines a aterrar no Aeroporto de Baoan em Shenzhen, depois de duas tentativas falhadas de aterragem no Aeroporto Internacional de Macau. Esta é uma das conclusões do relatório final elaborado pela Au-

toridade de Aviação Civil de Macau (AACM) sobre o incidente da aeronave da companhia do Interior da China, ocorrido no passado dia 28 de Agosto. Em primeiro lugar, a AACM entende que o aeroporto local deve “instalar equipamento apropriado para detectar condições meteorológicas adversas”, incluindo as ondulações de fluxo de ar que fizeram a aeronave da Capital Airlines

perder altitude subitamente quando se preparava para tocar na pista do Aeroporto Internacional de Macau. Além disso, é também sugerida uma revisão das operações e procedimentos que verificam a existência de objectos estranhos, ou destroços, na pista. Esta recomendação ganha particular relevo tendo em conta que na sequência da segunda abordagem ao Aeroporto de Macau, o

Airbus da Capital Airlines ficou com o trem de aterragem destruído, espalhando destroços pela pista. Aliás, a AACM indica que a Companhia de Aeroporto de Macau (CAM) deve aferir a necessidade de instalar um equipamento de detecção automática de detritos na pista.

SIMULADORES E FISCAIS

Parte dos detritos do trem de aterragem viriam a atingir o

motor esquerdo da aeronave. Quando o avião voltou a ganhar altitude, depois da segunda aterragem falhada, a torre de controlo do Aeroporto de Macau comunicou com o Airbus informando a tripulação da existência de fogo no motor esquerdo da aeronave. Segundo o relatório da AACM, ambos os pilotos não perceberam a comunicação da torre de controlo e perguntaram que motor estava em chamas. Depois das tentativas falhadas de aterrar em Macau, o avião seguiu em direção a Shenzhen onde aterrou em segurança, tendo sido acionado o mecanismo de resposta de emergência. A pista do Aeroporto de Baoan teve de ser temporariamente fechada devido à detecção de detritos de dois pneus do Airbus da Capital Airlines. Os mais de 160 tripulantes do avião não sofreram ferimentos graves, excepto cinco feridos leves que foram imediatamente socorridos, sem que tenha havido necessidade de internamento hospitalar.

A AACM entende que o Aeroporto de Macau deve “instalar equipamento apropriado para detectar condições meteorológicas adversas”, incluindo ondulações de vento Como o avião pertence a uma companhia chinesa e aterrou em Shenzhen, o relatório ao incidente foi elaborado pela AAMC em conjunto com a congénere chinesa. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Aeroporto CAM tem de entregar relatório em 30 dias sobre entradas em zonas restritas

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CAM tem um mês para entregar um relatório final sobre os recentes dois casos de entrada em zonas de acesso restrito do Aeroporto Internacional por passageiros, revelou ontem a Autoridade de Aviação Civil (AACM). Além de uma investigação às causas dos incidentes, o órgão regulador quer planos concretos por parte da operadora do Aeroporto Internacional de Macau que permitam travar a ocorrência de novos casos do tipo. “Os relatórios preliminares com o relato factual dos dois casos foram-nos entregues ontem pela proprietária do aeroporto, a CAM. Exigimos ainda à CAM que nos entregue, no prazo de 30 dias, um relatório de investigação final, elencando as causas e as medidas correctivas”, informou a AACM em comunicado. Não obstante, o órgão, liderado por Simon Chan, deu ainda conta de que “iniciou a sua própria investigação relativamente aos dois casos”. À luz da lei o operador tem de “assegurar o normal funcionamento e a segurança operacional no aeródromo”, pelo que a AACM vai “estudar a penalização a impor, se tal for considerada necessária após a investigação”, refere o órgão regulador. “Os casos de dois passageiros que entraram na área restrita do aeroporto sem autorização, detidos posteriormente pela polícia e pelos funcionários do aeroporto há dias são, de facto, violações aos requisitos de segurança do aeroporto. Lamentamos que tais casos tenham acontecido no nosso aeroporto”, diz a AACM na mesma nota. Os recentes incidentes foram qualificados pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, como “preocupantes”. D.M.

Rádio Táxis Quase 40 por cento das chamadas sem resposta diariamente Perto de 40 por cento das chamadas telefónicas para o serviço de rádio táxis ficaram por responder diariamente, segundo informação veiculada pela TDM Rádio Macau. Os números foram divulgados pela própria Rá-

dio Táxis. No entanto, Kevin U Kin Lung, director-geral da companhia, afirmou que a taxa de resposta se deve aproximar dos 100 por cento com os 200 de táxis adicionais que a companhia conseguiu através de concurso

público. “No total recebemos cerca de 8 mil chamadas por dia e conseguimos prestar serviço a cerca de 5 mil. Até aqui não tínhamos táxis suficiente. Foi por isso que concorremos ao concurso e que conseguimos vencer.

Olhando para este número de 8 mil chamadas por dia, julgamos que os 300 táxis que passamos a ter são suficientes”, afirmou, depois de ter participado no programa fórum da Ou Mun Tin Toi e citado pela Rádio Macau.


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MA aberração na jóia da coroa de Macau. É a descrição do arquitecto Carlos Couto para o edifício da Pensão Comercial San Tung Fong, construído na Avenida Almeida Ribeiro, onde estava um parque de estacionamento de superfície, e que teve licença de utilização em 2017. “Na realidade, não se entende como é possível fazer-se tamanha aberração na Av. Almeida Ribeiro, a ‘jóia da coroa’ de Macau. Não é só falta de gosto, é acima de tudo muita estupidez e uma verdadeira afronta à preservação do Património”, afirmou Carlos Couto, em declarações ao HM. No entanto, o arquitecto defende que o que está mal não é a construção de novos estilos na Avenida Almeida Ribeiro, mas antes a falta de harmonia com a zona envolvente. “Admito o novo como uma necessidade cultural, pois há que ‘escrever’ arquitectura actual em todo e qualquer parte do tecido urbano da cidade”, começa por sublinhar. “Mas o ‘novo’, a ser feito, tem de, acima de tudo, ter grande qualidade para se integrar, harmonizar, respeitar o passado e ser o contributo da arquitectura contemporânea, como peça nova, e que também será antiga no futuro próximo, sendo assim o contributo do nosso tempo na construção do património edificado da cidade”, acrescentou. Contudo, para Carlos Couto a qualidade foi algo que não ficou garantida no projecto este edifício. “A fazer-se um novo edifício, há que exigir-se uma arquitectura de grande qualidade. Agora isto que foi feito,

altos para três pisos baixos, a escala da rua altera-se”, defendeu.

FOCO NA ARCADA

PATRIMÓNIO PENSÃO SAN TUNG FONG LEVANTA CRÍTICAS DE ARQUITECTOS

Elemento estranho

Uma construção que não respeita o modelo das fachadas na Avenida Almeida Ribeiro e que altera as escalas da rua. É desta forma que Mário Duque encara o edifício da Pensão San Tung Fong. Já para Carlos Couto a construção é uma “aberração” na “jóia da coroa de Macau” pela falta de qualidade, é inqualificável, aberrante e uma afronta à qualificação do Património de Macau”, acusou. “Onde estão as autoridades que deviam zelar pelo bom que temos nesta cidade? Não sei, não as vejo. É triste e vergonhoso”, apontou.

FORA DE LUGAR

Já para o arquitecto Mário Duque a principal questão

com o edifício prende-se com a fachada, nomeadamente com o facto de por cima das arcadas este edifício ter três andares, enquanto os restantes têm dois andares com uma altura maior. “A escala é de que por cima da arcada são dois pisos altos. É uma constante da rua porque na altura se construía com aquelas medidas mais altas para haver

maior circulação de ar e manter os espaços frescos”, explicou Mário Duque. “Na Avenida Almeida Ribeiro os edifícios são todos diferentes e é essa a sua génese. Mas havia uma escala, com um andar de rés-do-chão e depois dois pisos altos por cima”, acrescentou. A emergência dos ares-condicionados trouxe novas possibilidades à arquitectura

e em vez de replicar as fachadas da restante rua, o edifício da pensão já reproduz esta alteração, o que faz com que a fachada divirja do restante. “Hoje em dia, como os ares-condicionados arrefecem os espaços, as novas regras da construção permitem uma maior ocupação, com pisos com menor altura. É isso que acontece neste edifício. Mas quando se passa de dois pisos

Ao HM, o Instituto Cultural (IC) explicou que as recomendações se focaram na altura da arcada e o reboco. O número de pisos imediatamente acima da arcada não foi focado. “Quando o IC respondeu à consulta sobre as Plantas de Alinhamento Oficial, emitiu um parecer sobre a altura do conjunto de edifícios, a colunata e o material da fachada, incluindo a construção da arcada, a sua altura que deve estar em correspondência com a dos edifícios adjacentes, e o reboco pintado nas paredes”, foi explicado. “Ao mesmo tempo, o material das portas e janelas de madeira ou metal de novos prédios também é especificado”, acrescentou o organismo. O edifício em questão, no que diz respeito ao hotel, é propriedade da empresa Fomento Predial e Desenvolvimento Dong Kin Cheong Limitada, que tem como um dos principais accionista o empresário Chong Siu Kin. A concessão do terreno, que inclui cinco parcelas, foi cedida em 2014 durante um período de 25 anos. O objectivo passava pela construção de uma pensão, que foi respeitado. A Avenida Almeida Ribeiro é considerada uma zona protegida, como conjunto, devido ao “seu interesse cultural relevante, a sua arquitectura, a sua unidade e a sua integração na paisagem”. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TERRAS TRIBUNAL DE ÚLTIMA INSTÂNCIA DÁ RAZÃO AO CHEFE DO EXECUTIVO

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Tribunal de Última Instância (TUI) considerou que o Tribunal de Segunda Instância (TSI) deu razão ao Chefe do Executivo no diferendo que mantinha com a Sociedade de Fomento Predial Socipré, Limitada. Em causa está a declaração de caduci-

dade do arrendamento de um terreno na Ilha da Taipa, na Avenida Kwong Tung, designado por Lote BT8, com a área de 3.177 metros quadrados. O arrendamento do terreno foi válido pelo prazo de 50 anos, contados a partir de 29 de Outubro de 1964

até Junho de 2003. O prazo para a construção inicialmente previsto era de 42 meses, que não foi respeitado. Em 15 de Maio de 2015, o Chefe do Executivo proferiu despacho de caducidade da concessão do terreno e a empresa recorreu para os tribunais.

O TUI recusou os argumentos da Socipré que se defendia com o facto de ter havido outros casos em que não foi declarada a caducidade. “Se esta [Administração], noutros procedimentos administrativos, ilegalmente, não declarou a caducidade de outras

concessões, supostamente havendo semelhança dos mesmos factos essenciais, tal circunstância não aproveita, em nada, à concessionária em causa [Socipré] visto que os administrados não podem reivindicar um direito à ilegalidade”, apontou o TUI.


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Da história co Ivo Ferreira é talvez o nome que mais se destaca no cartaz da edição deste ano do festival de cinema independente que todos os anos se realiza em Lisboa. Além da antestreia de “Hotel Império”, serão exibidos três episódios da série “Sul”. Os 20 anos de transição de Macau para a China serão recordados com a exibição de mais cinco filmes do território

EDUARDO MARTINS

INDIELISBOA CARTAZ ASSINALA 20 ANOS DE TRANSFERÊNCIA DE SO

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Hotel Império de Ivo Ferreira

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OI ontem apresentado em Lisboa o cartaz da edição deste ano do festival de cinema IndieLisboa. Além da antestreia de “Hotel Império”, filme de Ivo Ferreira, bem como de três episódios da sua nova série, intitulada “Sul”, serão exibidos alguns filmes que visam celebrar o aniversário dos 20 anos da transferência de soberania de Macau para a China. Na categoria “Especial Macau 20 anos” será exibido “Foco Macau – 20 anos depois” de Lou Ka Choi, bem como “The Cricket Dynasty”, de Chang Seng Pong, ambos de 2018. O cartaz conta também com a película “G.D.P.: Grandmas’ Dangerous Project”, de Peeko Wong, e “Rabbit Meets Crocodile”, de Sam Kin Hang, um filme de animação também produzido em 2018. “Sheep”, de Mak Kit Wai, também do mesmo ano, encerra o cartaz dedicado ao cinema local. O IndieLisboa leva também um pedaço do cinema asiático a Lisboa, com as cur-

tas-metragens chinesas “A Fly in the Restaurant”, de Xi Chen e Xu An, bem como “Wong Ping’s Fables 1”, de Hong Kong. “A Million Years”, uma curta de Danech San, em representação do Cambodja, também será exibida. No painel das longas metragens há também lugar para “Present.Perfect.”, de Shengze Zhu, um documentário que nasce de uma produção conjunta entre os EUA e Hong Kong, realizada este ano.

BRASIL EM DESTAQUE

Além do relevo de Macau, o programa inclui também uma prospecção sobre o cinema do Brasil e uma reflexão sobre a produção cinematográfica portuguesa. "Desde a primeira edição, há um trabalho de reconhecimento do cinema que se faz em Portugal", afirmou Miguel Valverde, um dos programadores, a propósito da presença de filmes portugueses nas várias secções do IndieLisboa e do aumento

de obras seleccionadas para a competição. Este ano, o 16.º IndieLisboa contará com mais de 50 filmes portugueses, presentes em toda a programação, entre estreias mundiais, estreias nacionais e primeiras obras. Há 17 filmes na competição de curtas-metragens, Destaque, por exemplo para as seis longas da competição portuguesa, entre ficção e documentário: "Alva", de Ico Costa, "Campo", de Tiago Hespanha, "Mar", de Margarida Gil, "Aminha avó trelototó", de Catarina Ruivo, "Tragam-me a cabeça de Carmen M.", de Felipe Bragança e Catarina Wallenstein, e "Tristeza e alegria na vida das girafas", de Tiago Guedes. "Past Perfect", de Jorge Jácome, está integrado na competição internacional de curtas-metragens. O IndieLisboa, que se apresenta já como "um festival generalista", contará com cerca de 250 filmes distribuídos pelas várias secções, algumas já anunciadas


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ontada

OBERANIA DE MACAU

nas últimas semanas, como a retrospectiva dedicada à actriz Anna Karina, em parceria com a Cinemateca. A actriz, um dos rostos da Nouvelle Vague francesa, estará em Lisboa entre 5 e 9 de Maio, estando previsto um encontro com o público no dia 8. Na apresentação, em Lisboa, o programador Nuno Sena sublinhou uma das escolhas deste ano, sob o título "Brasil em transe", com mais de trinta filmes do recente cinema brasileiro. O objectivo

Na categoria “Especial Macau 20 anos” será exibido “Foco Macau – 20 anos depois” de Lou Ka Choi, bem como “The Cricket Dynasty”, de Chang Seng Pong, ambos de 2018

é reflectir sobre o presente e o futuro do cinema brasileiro. "Tem uma missão mais prospectiva do que retrospectiva. Percebemos que era impossível conter o cinema brasileiro num programa com 10, 20 filmes. É um país em que a produção ultrapassa as duas centenas por ano, com uma produção independente fortíssima", afirmou. É neste programa que serão mostrados filmes de Petra Costa, Helvécio Marins Jr., Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro e André Novais Oliveira. Alguns deles estarão presentes numa mesa-redonda, no dia 11 de Maio. No "IndieMusic", entre outros, será mostrado o documentário "Ela é uma música", de Francisca Marvão, que contará com um concerto, a 10 de Maio, nas Carpintarias de São Lázaro, com mulheres que fizeram e fazem o rock nacional: Lena d’Água, Adelaide Ferreira, As Gaijas, The Dirty Coal Train, Anarchicks, Panelas Depressão, Clemen-

tine, Decibélicas, Matriarca Paralítica e Aurora Pinho.

LUGAR AOS NOVOS

Apresentado como um festival dentro do Indie, os programadores voltam a sublinhar a importância do IndieJúnior, que é já a maior secção do IndieLisboa, em termos de espectadores. Estão previstas duas sessões especiais para os mais novos: uma composta por 'curtas' clássicas do cinema polaco de animação, dos anos 1960, e um filme-concerto com um trio de músicos da Casa da Música a tocarem para filmes de Charles Chaplin e Buster Keaton. O 16.º IndieLisboa decorrerá de 2 a 12 de Maio na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa, no Cinema Ideal e Carpintarias de São Lázaro, onde desembocará a programação paralela de concertos e festas. Em 2018, o IndieLisboa contou com 37 mil espectadores. A.S.S.

HOJE NO PRATO Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Cerefólio Nome botânico: Anthriscus cerefolium (L.) Hoffm. Família: Apiaceae (Umbelliferae). Nomes populares: CEREFOLHO; CEREFOLHO-DAS-HORTAS; CERÓFILO. Nativo do Cáucaso, o Cerefólio foi disseminado por toda a Europa pelos Romanos, tendo-se naturalizado em diversas regiões. Pode ser encontrado no estado silvestre em terrenos incultos, sendo cultivado em hortas e jardins por todo o mundo. Trata-se de uma aromática de aspecto semelhante ao da Salsa, muito cerrada, que pode alcançar mais de meio metro de altura; apresenta caules finamente estriados, folhas verde-claras pubescentes recortadas em numerosos segmentos e inúmeras pequenas flores brancas dispostas em umbelas compostas; o fruto é liso, prolongado e rematado por uma espécie de bico, e negro quando maduro. Por ser uma das primeiras plantas de jardim que pode ser colhida na Primavera, o Cerefólio é um símbolo de vida nova. Com uma longa história de uso, o Cerefólio foi uma prestigiada planta para os antigos Egípcios, Gregos e Romanos, que a usavam como condimento e remédio. As suas sementes foram encontradas no túmulo de Tutankhamon. Foi referido por Plínio, O Velho, naturalista romano do século I, na sua obra História Natural, que o recomendava para os soluços, entre outras indicações. Também Santa Hildegarda, abadessa beneditina alemã do século XII, lhe reconhecia o efeito curativo. Apesar dos seus usos medicinais terem subsistido até nós, actualmente o Cerefólio é mais conhecido pelos seus usos culinários. São usadas as partes aéreas, folhas e sementes. Composição Partes aéreas e folhas: Óleo essencial (com anetol, apiol e estragol), flavonóides (apiina, luteolina, quercetina), lignanos (desoxipodofilotoxina), cumarinas e princípios amargos. Contém ainda glúcidos, vitamina C em elevado teor, caroteno e sais minerais (cálcio, ferro, magnésio, potássio). Aroma fresco e agradável, semelhante ao do Anis; sabor agridoce. Acção terapêutica O Cerefólio é uma aromática nutritiva, sendo usado como remédio para abrir o apetite e melhorar a digestão; beneficia ainda o fígado, estimulando a função hepática e a produção de bílis, e pode ser tomado em caso de icterícia. Com actividade diurética e depurativa,

esta erva torna-se útil quando seja necessário aumentar a excreção de urina, e na presença de cálculos, gota e artrite. Tradicionalmente, é utilizada como tónico de Primavera, purificando o sangue e drenando o fígado e os rins. Pode também contribuir para baixar a pressão arterial elevada. O Cerefólio descongestiona o nariz, acalma a tosse, favorece a expulsão das mucosidades das vias respiratórias e induz suavemente a sudação, sendo indicado na constipação, tosse, bronquite e para aliviar a febre. Combate a astenia e é igualmente indicado na falta de memória e depressão mental. Outras propriedades Em uso externo, o Cerefólio resolve inchaços e inflamações, é anti-séptico, cicatrizante e suavizante dos tecidos, sendo popularmente empregue nas feridas, eczemas, abcessos, herpes, prurido, olhos sensíveis e inflamados, contusões e para aliviar as dores nas articulações; a planta também pode ser aplicada sobre os seios doridos e para suprimir a secreção láctea. Em cosmética apresenta propriedades antioxidantes e rejuvenescedoras, aumentando a elasticidade da pele e diminuindo a formação de rugas, sendo indicada para a pele envelhecida e combater as rugas e estrias. Como consumir O Cerefólio perde rapidamente o seu aroma. Por isso, deve ser usado fresco, recém-colhido; para o conservar, é preferível a congelação à secagem. Deve ser adicionado no final da confecção dos alimentos, para preservar o seu aroma e sabor. • É usado de forma semelhante à Salsa, em sopas, saladas, molhos, legumes, cogumelos, aves e pratos de peixe magro. • Muito utilizado na cozinha francesa para aromatizar omeletes e pratos de peixe, o Cerefólio é um ingrediente indispensável das fines herbes. • Em fitoterapia, é usada a infusão e o suco das partes aéreas. Externamente, é empregue o suco em compressas, a cataplasma das folhas frescas contundidas em aplicação tópica e a infusão em lavagens oculares. Precauções Não existem restrições ao uso do Cerefólio na cozinha. Com fins medicinais não deve ser usado por grávidas e lactantes. Também deve ser evitado por pessoas com alergias ou sensibilidade ao Cerefólio, ou a outras plantas da família das Apiáceas. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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CORRUPÇÃO DETIDO PRESIDENTE DA ADMINISTRAÇÃO NACIONAL DE ENERGIA

Mais um “tigre” na jaula

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UR Bekri, o ex-governador da região de Xinjiang, extremo noroeste chinês, foi detido por alegadamente ter aceitado subornos, anunciaram ontem as autoridades chinesas, parte da mais persistente e ampla campanha anticorrupção na história da China comunista. O caso de Nur Bekri, que mais recentemente foi responsável pela agência de

NA REDE

planeamento energético da China, transitou, entretanto, para as instâncias judiciais, após ter sido formalmente expulso do Partido Comunista Chinês (PCC). Bekri foi inicialmente investigado pela Comissão Central de Inspecção e Disciplina do PCC, como sucede sempre em casos envolvendo funcionários do partido. Está acusado de usar a sua autoridade para colocar pessoas em posições-chave e

PUB HM • 2ª VEZ • 4-4-19

ANÚNCIO Execução Ordinário

outros serviços, para seus familiares, enquanto levava uma "vida extravagante". Como governador de Xinjiang, região rica em recursos naturais, e no seu cargo mais recente, Bekri era um dos quadros mais altos da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur.

ALEXANDER F. YUAN

A campanha anti-corrupção levada a cabo desde a chegada do Presidente Xi Jinping ao poder fez cair mais um “tigre”. Nur Bekri é acusado de ter recebido subornos, de abuso de poder e de levar uma “vida extravagante”

CV2-17-0283-CEO

2º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀(澳門)股份有限公司), com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555 – Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executados: 1. TANG KAM TONG (鄧錦業), masculino, maior, com Última residência conhecida em Macau, Taipa, na Rua da Madeira, nº 99, Edifício do Lago – Bloco IV, 45º andar “F”, ora ausente em parte incerta; e 2. WAN HUIJUAN (万慧娟), feminino, maior, residente em Macau, Taipa, na Estrada Coronel Nicolau de Mesquita, nº 99, Edifício do Lago – Bloco VI, 45º andar “F” Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do excutado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Direito penhorado Natureza: Direitos emergentes do contrato de promessa de compra e venda, datado de 31/05/2012, relativo à seguinte fracção autónoma: Denominação da fracção autónoma: “F45” do 45.º andar “F”, denominado “Edifício do Lago – Bloco VI”. Situação: Em Macau, Taipa, na Rua da Madeira, nº 99. Fim: Para habitação. Número de matriz nº.40931. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº.23298-VI. Aos 26 de Março de 2019.

a avançarem com negócios e empreendimentos no sector dos minérios, em troca de grandes quantias de dinheiro e propriedades.

O ex-governador terá ainda alegadamente abusado do seu poder, ao ter organizado passeios em veículos de luxo, com motoristas privados, e

Bekri está acusado de usar a sua autoridade para colocar pessoas em posições-chave e a avançarem com negócios e empreendimentos no sector dos minérios, em troca de grandes quantias de dinheiro e propriedades

A China castigou mais de um milhão e meio de funcionários públicos, (moscas), e investigou cerca de 500 altos quadros do regime, (tigres), parte da campanha anticorrupção lançada há seis anos pelo Presidente chinês, Xi Jinping, segundo dados oficiais. Os dois casos mais mediáticos envolveram a prisão do antigo chefe da Segurança ZhouYongkang e do ex-director do Comité Central do PCC e adjunto do antigo Presidente Hu Jintao, Ling Jihua. Antes de 2014, Bekri ocupou ao longo de três décadas vários cargos na região de Xinjiang. Não há indicações de que a investigação esteja relacionada com a campanha repressiva lançada pelas autoridades sobre os uigures, que resultou na detenção de mais de um milhão de pessoas em campos de doutrinamento político no Xinjiang.

Hunan Dois mortos e dois feridos em ataque numa escola

Um homem matou ontem duas pessoas e feriu pelo menos duas crianças com uma faca numa escola primária no centro da China, divulgaram as autoridades locais. As duas crianças feridas foram hospitalizadas e não correm risco de morte, de acordo com um comunicado do condado de Ningyuan, que se localiza na província de Hunan. As autoridades não divulgaram a identidade e a idade das duas pessoas que morreram. Segundo a mesma fonte, a polícia prendeu um homem de 31 anos de nome Zheng, da aldeia de Baijiazhen, onde também fica a escola. As razões para o ataque do homem ainda não foram divulgadas pelas autoridades. Os ataques com faca em escolas aumentaram nos últimos anos na China, forçando as autoridades a reforçar as medidas de segurança.

BAD ECONOMIA CRESCE 6,3% ESTE ANO E 6,1% NO PRÓXIMO

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economia chinesa vai crescer 6,3 por cento, este ano, e 6,1 por cento, em 2020, previu ontem o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), dentro da meta estabelecida por Pequim, e apesar das disputas comerciais com os Estados Unidos. Na actualização do relatório Asian Development Outlook (Perspectivas para o Desenvolvimento Asiático), o economista-chefe do BAD, Yasuyuki Sawada, considerou que a economia chinesa "permanece forte". Em 2018, a economia da China cresceu 6,6 por cento, o ritmo mais lento dos últimos 28 anos. Para Sawada, a incerteza causada pela guerra comercial com os EUA poderá prolongar o abrandamento económico, mas as medidas promovidas por Pequim, como reduções no imposto sobre rendimento ou nas contribuições

para a segurança social, contribuíram para diminuir o efeito da menor subida dos salários e impulsionar o consumo. O relatório analisa um total de 45 países asiáticos vinculados à instituição, uma região que, no conjunto, deve crescer 5,7 por cento, em 2019, e 5,6 por cento, em 2020. Em Março, o Governo chinês estabeleceu como meta para 2019

um crescimento económico "entre 6% por cento e 6,5 por cento ". Trata-se de um ritmo ligeiramente abaixo daquele alcançado no ano anterior, mas ainda assim entre os mais rápidos do mundo. Na segunda metade do ano passado, China e EUA aumentaram as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um. O Presidente norte-americano, Donald Trump, exige que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes actores em atividades de alto valor agregado. Washington quer também mais acesso ao mercado, melhor protecção da propriedade intelectual e o fim da ciberespionagem sobre segredos comerciais de firmas norte-americanas.


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Sossega,coracão inútil,sossega! ´

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Retrovisor Luís Carmelo

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conhecido o apego romântico pelas ruínas que fez escola a partir do primeiro terço do século XVIII. Houve na época - e um pouco mais tarde - quem sacralizasse e até quem forjasse ruínas. William Gilpin (1724-1804), amante deste tipo de poética, chegou a propor a destruição parcial de algumas villas de Palladio para que o gozo do “laconismo do génio” se tornasse possível. No final desse século, o círculo dos românticos de Jena, nomeadamente Schlegel e Novalis, também não escondeu a paixão por uma estética do inacabado. Este último traduziu o encanto pelo escorço através da fórmula: “devolver ao finito uma aparência infinita”. Nestes casos de admiração pelo não acabado, pelo informe e pelo puro fragmento está em causa aquilo que, de modos muito diversos, Freud e Agamben viriam a designar por fetichismo, ou seja, a substituição de um todo (de um corpo) por algo que o representasse com o intuito de o tornar presente e, ao mesmo tempo, de o ofuscar (em Delfos, vinte e tal séculos antes, o oráculo não fazia outra coisa). O fetichismo faz parte da fantasia com que se imagina um vaivém regular entre um objecto que se deseja e um (efabulado e bem tratado) objecto interposto que o prefigura. A publicidade, sobretudo depois dos anos cinquenta, aprendeu e interiorizou muito bem esta lição (percebendo que as ruínas também implicam a consciência de um tempo que é humano e que, portanto, não nos cai de cima, desamparado, vindo de uma qualquer graça divina). Em 1765, o pintor Hubert Robert regressou a Paris, após uma estadia em Roma - tinha então pouco mais de trinta anos -, e viu-se subitamente recebido em festa. Os seus arcos de triunfo cobertos de ervas daninhas e os seus pórticos desabados mereceram grande aplauso. Diderot, que foi pioneiro no que se viria a chamar ‘crítica de arte’ (ao escrever sobre os Salões do Louvre), foi um dos entusiastas de Robert, tendo considerado que os seus quadros suscitavam um estranho efeito de “doce melancolia”: “Viramo-nos para nós próprios, antecipamos os efeitos da passagem do tempo… e eis assim consagrada a poética das ruínas”.

RUINS OF A DORIC TEMPLE, HUBERT ROBERT

Pressagiar catástrofes com amor

Congelemos as palavras de Diderot e reatemos a conta-corrente do nosso tempo: a humanidade ‘despeja’ todos os dias na rede um número incalculável de palavras, grafos, algarismos, pasmos, idiotias, seja o que for, enfim, que advenha do acto de teclar (e de outros tipos de inscrição que nos são familiares). Dessa quantidade de material pouco sobra ou tem utili-

dade uns dias depois. O que se actualiza, quase logo se desactualiza. O mais curioso é que a cultura da rede só dá realce - e em jeito de compulsão - ao ‘agora’. O que implica que se está a formar no planeta um arquivo morto, ou, se se preferir, uma imensa amálgama de ruínas. Gilpin e Robert dariam saltos de gáudio por cima das fogueiras de Santo António.

É possível que um ‘renascer’ da antiga tradição da poética das ruínas venha, um dia, a revelar o âmago da época em que vivemos, pois parte dela é diariamente submergida e raramente sujeita a uma reciclagem, digamos, definitiva

É possível que um ‘renascer’ da antiga tradição da poética das ruínas venha, um dia, a revelar o âmago da época em que vivemos, pois parte dela é diariamente submergida e raramente sujeita a uma reciclagem, digamos, definitiva. Talvez o teor desta futura arqueologia venha a conhecer ressonâncias parecidas com o teor dos plásticos que devoram oceanos e que estão hoje a ameaçar as espécies marinhas. De qualquer modo, o papel das ruínas sempre foi o de pressagiar a catástrofe, enquanto parte intrínseca do fôlego moderno. Mesmo quando elas são invisíveis e aparentemente pouco ruidosas, como é o caso dos destroços, dos resíduos e de todo o tipo de restos (mais ou menos) mortais que são gerados pela rede.


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Estendais Gisela Casimiro

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amor é um alimento”, recorda-me o Facebook nas suas memórias. Quem o diz, num vídeo, é Gustavo Santos, o guru que todos amamos odiar. Ontem, no comboio para casa dos meus pais, uma rapariga contava, ao telefone: “Sabes aquela marmita? A minha mãe encheu-a de salsichas e molho.” Eu própria regressei coleccionando mais um tápáruére, como se diz em bom português, com doce de côco, consequência da última ida da minha mãe à Guiné. É uma verdade universal que os ditos, pertencentes a alguém que seja mãe, devem ser estimados e devolvidos imaculados, o mais depressa possível, sob ameaça de desencadear várias pequenas guerras familiares à escala mundial. Recordo uma amiga ter-me levado dois, certa vez, um com uma inscrição a marcador preto onde se lia que o dito lhe pertencia, a ordenar “favor devolver” e outro, da sogra, que já lho pedira há bastante tempo e que ela, julgando-o perdido, suspirou de alívio ao saber que ainda existia. Devolvi-lhe as caixas com almôndegas que tinha feito nesse dia. Se, para alguém que adora livros e ainda os empresta, não há nada pior do que não os reaver (excepto dobrarem os cantinhos de páginas que não marcámos), é também verdade que é por nunca devolvermos alguns que a nossa biblioteca ganha contornos mais interessantes. Por três vezes comprei e empres-

4.4.2019 quinta-feira

Tupperware tei um dos meus preferidos, “A balada do café triste“, de Carson McCullers, e lhes perdi o rasto. Paz à alma dos “Contos Completos” de Truman Capote e à versão bilingue do “Book of Longing“, de Leonard Cohen. Anos passados, encontrei este último em versão original na estante de alguém que me é querido, e trouxe-o apenas para,uma hora depois, declarar, insolente, que não lho devolveria. Mas ele deixa. O amor, tal como os tupperware, também pode ser rastreado, perdido, devolvido mas nunca de igual modo, não importa se numa caixa de gelado de tamanho familiar usada para congelar malaguetas ou num daqueles dos bons, com abertura para deixar escapar o vapor e que vedam tão bem que quase não conseguimos abri-los. Cresci com uma mãe que é a melhor cozinheira que conheço e de quem de momento tenho três caixas em casa. Mas vou encontrando outras que não reconheço logo: a de tampa azul da Andrea, o frasco de vi-

dro da Lilit, o de tampa amarela do Daveed. Vou-me apercebendo de quanto da nossa memória afectiva está contida nessas caixinhas e frascos. Lembro-me de ter deixado um saco com o meu melhor tupperware, de sopa, à porta de um rapaz que amei muito e durante muito tempo. Foi a primeira vez que o fiz. Como um gato que nos recebe com um pássaro ou rato morto na boca e o deposita a nossos pés. Gestos de amor, delicados. Rituais e oferendas, sacrifícios. Afectos por vezes recíprocos, tupperware muitas vezes não recuperáveis. Lembro-me de voltar de casa dos meus pais com uma das comidas preferidas do meu namorado da altura, feita pela minha mãe, e de ele a ter devorado sorridente, mandando recados elogiosos para ela, que ainda nem sabia que ele existia. O prazer de preparar refeições para a semana e ver aquele amontoado de caixinhas cheias de segredos e coisas boas, acalma e é demasiado bom, sobretudo

Lembro-me de ter deixado um saco com o meu melhor tupperware, de sopa, à porta de um rapaz que amei muito e durante muito tempo. Foi a primeira vez que o fiz. Como um gato que nos recebe com um pássaro ou rato morto na boca e o deposita a nossos pés

para quem tem algum transtorno obsessivo-compulsivo. Sim, porque também cozinho para mim, para conforto próprio. Outro dia saí com sopa e bolo (eu juro que cozinho muitas outras coisas) para uma amiga que estava muito doente. Desta vez, pedi que passasse o que trouxera para outros recipientes ou pratos, ela lavou-os e eu trouxe-os de volta comigo. Talvez eu esteja em estágio para a maternidade sem o saber. Certamente já passei demasiado tempo a tentar fazer coincidir tampas e caixas, no armário e na vida (se nunca partilharam casa, não sabem como é difícil conseguir harmonia e coordenação de recursos). Mas quero com isto dizer que voltei com bem mais do que levei, e nem me refiro a chás arménios e colombianos ou a uma conserva maravilhosa. Regressei a casa sabendo que ainda agora lá estava, e é esse o motivo pelo qual vou continuar sempre a demonstrar, da maneira como o fizeram comigo, o que é para mim o amor. Um alimento, uma partilha, uma delícia. Na mochila, em sacos, nas mãos, na poesia de e.e. cummings, carregamo-nos uns aos outros, aos nossos corações e às nossas boas intenções e más interpretações. Uma e outra vez nos transportamos do frigorífico para a mesa, para o aprofundar de laços, para celebrações demasiado íntimas para caberem em algum lado. Mas nós bem que tentamos. Home is where _____________’s (insert person you love here) tupperware is.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 4.4.2019

diários de próspero António Cabrita

Os pés pelas mãos

E

XIGIU Donald Trump aos norte-coreanos que eles transferissem todo o seu arsenal nuclear para os EUA, sem explícita garantia de que o guardariam com inigualável segurança e particular atenção à fadiga dos materiais. Acho um plano genial e não vejo motivo para não ter desdobramentos, a todos os níveis. O Brexit, por exemplo, resolvia-se trocando os cidadãos britânicos com os húngaros. Estes, às margens do Tamisa ganhariam a cor louçã dos ingleses e posturas democráticas. Deslocados os problemas, estes deixariam de fazer sentido. Nem todos os britânicos seriam deslocados, Theresa May manter-se-ia na ilha para ensinar os preceitos da etiqueta a Viktor Orbán. A rainha Elisabeth II de Inglaterra, como no youtube a dizem reptiliana, seria substituída pelo melhor ginete cigano de Budapeste – um equídeo, além de especialista no xadrez como o comprovou Swift em As Viagens de Gulliver, enobrece sempre qualquer réptil. Eu próprio já exigi ao meu vizinho de 26 anos, com quem não me dou nada bem e que tem o meu porte, que me ceda o esqueleto dele; em ficando com os meus bicos-de-papagaio baixará a gripa. De Donald Trump só me interessa a cabeleira; dispenso-lhe o “arsenal”, para cogumelo basta o meu. Para compensar, estou a investigar sobre o “pinto” de Leon Tolstoi, e, por intermédio de um espírita amigo, negoceio o nosso transplante de pélvis. À minha mulher há-de agradar esta nova Guerra e Paz! (à mulher do cronista, não confundam sujeito da crónica com o sujeito civil - mas não lhe digam, que é surpresa!) Ah, como serei dedicado e preventivo contra a fadiga dos materiais! E a Putin, por que não exigir o mesmo a Putin, ó Donald? Segredaram-me que os chineses se prontificam a entregar aos EUA toda a tecnologia referente à Inteligência Artificial, desde os segredos da HUAWEI ao fabrico das robots-sexuais que fazem boletins meteorológicos e traduzem os poemas de Li Bai. Cuidado América, esta oferta pode não passar de um cavalo de tróia, embora, nesses domínios, quem melhor para cuidar da fadiga do material? Entretanto, parece que nos campos de golfe de Trump - delataram os funcionários – só ele pode ganhar. Quem lá vai deixar o couro e o cabelo por uns metros de relvado e a codicia dos buracos, tem de ceder à prerrogativa. Os milionários pagam para se comprometer a deixar o boss ganhar. Uma medida digna de Kim Il Sung, avô. Foi o que os terá aproximado da

primeira vez? Contudo, agora, Kim ficou ofendido por considerar que a proposta americana apontava para a crença de que haveria nele uma fadiga da inteligência. Foi-me pedido um parecer sobre esta matéria e prometo depois divulgar o meu relatório.

O Brexit, por exemplo, resolvia-se trocando os cidadãos britânicos com os húngaros. Estes, às margens do Tamisa ganhariam a cor louçã dos ingleses e posturas democráticas. Deslocados os problemas, estes deixariam de fazer sentido

Esta semana foi farta em acontecimentos. Escreveu-me a Joice Hasselmann, representante do partido de Bolsonaro no Congresso. Eis o teor da missiva: «Meu caro Cabrita a política é como a pesca ao corrico - lança-se o isco para longe e vai-se puxando, a ver se pica cardume... O Jair Bolsonaro nunca foi desses pescadores que fazem de cegonhas no mercado antes de voltarem a casa. Onde deixa cair o anzol é certinho, só não vêm sereias porque a Michelle não deixa. Mas muito robalo, pirarucu, dourado… até o atum, conhece? O atum prostra-se aos seus pés. E o Jair sabe escolher a melhor minhoca, a corrente do peixe, os ventos favoráveis... com ele não há demoras. Uma genebrazinha apura-lhe o faro, a intuição. Só peixes nobres. Nesse dia foi à pesca, a espairecer, consumia-o a política do PT. Contra os vermelhos, um peixinho de sangue azul, porque ele se põe o anzol, até o lagostim trepa, mesmo o macho... Teria sido escusado ele levar a melhor cana, uma cana de carbono, de quatro metros, que tinha comprado em Montevideo, para ali era desnecessário, mas um homem tem a sua vaidade! Uma cana de carbono, negríssima, com uma flexibilidade que não se via em mais nenhuma. Ainda dizem que o Jair é

racista… E estava por ali, na Estação Ecológica de Tamoios, entre Angra dos Reis e Paraty, sossegado a contar as guelras que se iam amontoando no balde e congeminando como salvar o país dos comunistas quando apareceu aquele fiscal, O senhor não pode pescar na Estação, é proibido. Mas sabe quem eu sou, perguntou-lhe o Jair, eu sou o próximo salvador da pátria. Pode ser, mas eu sou do Ibama e hoje tem de tomar multa, 10 mil reais. Olhe que eu vou salvar o país, eu nunca minto! Eu até acredito no senhor, mas lei é lei… e aplicou-lhe a multa. Há dez anos, senhor Cabrita. Eu sei que parece coincidência ser o único fiscal do Ibama exonerado agora que o Bolsonaro chegou ao poder, mas é preciso ser muito caro de pau para achar que neste gesto de despedimento houve ressentimento. Repare, o espírito religioso é o mais apto à defesa do Meio Ambiente e esse senhor não era um simples fiscal mas um Chefe; ao não reconhecer em Bolsonaro o seu dom e a sua missão mostrou como estava despreparado para o cargo que ocupava. Quando Cristo fez secar a figueira que não deu frutos à sua passagem houve todo este sururu? Então? Ainda vai ser estudado: a Parábola do Peixe Ilícito. Sei que o senhor é um jornalista sério, e por isso passe a Palavra. Sua, Joice»


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16 (f)utilidades

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente 31

EXPOSIÇÃO | OBRAS-PRIMAS DE ARTE RUSSA 1 0 4 8 5 6 2 3 MAM | Até 22/04

MIN

7 9 5 7 2 1 9 4 3 6 0 8 EXPOSIÇÃO 8 3 | JU9MING2 7 0 6 1 5 4 MGM Cotai | Até 07/04 6 4 5 7 3 1 0 9 8 2 CONCERTO 0 2 | “CONCERTO 6 5 8DE PÁSCOA 9 4- ORATÓRIO 7 3 1 DE HANDEL: MESSIAS” 7 9 8 6 0 3 1 4 2 5 Igreja de S. Domingos | 20/04 4 1 3 9 2 5 8 0 6 7 CONCERTO 9 8 | HANGAR 0 418 +6EMILY 2 BURNS 7 5 1 3 LMA | 10/04 3 5 7 0 1 8 9 2 4 6 2 6 | NEUROOTS 1 3 +4SIDE7BURNS 5 + SINO 8 HEARTS 9 0 CONCERTO

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2 5 9 7 1 6 2 0 8 3 5 9 4 6 9 5 2 8 3 1 0 2 3 6 7 Cineteatro 5 4 7 8 0 9 7 6 4 1 2 0 9 2 0 6 3 1 8 3 1 4 7 5

CONCERTO | FAUX FIGHTERS 1 8 0 5 LMA4| 30/04

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SHAZAM! [B] Um filme de: David F.Sandberg Com: Zachary Levi, Asher Angel, Mark Strong 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

P STORM [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, Kevin Cheng, Raymond Lam, Lam Ka Tung, Chrissie Chau 14.30, 16.30, 21.30

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o,

SALA 3

DUMBO [A]

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6 1 FILME 8 9 3 HOJE 4 0 2 UM

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5 4 2 6 7 1 8 9 0 3 4 2 5 7 O desencadeamento de 7 golpe 9 militar 5 1 na8Coreia 3 6 um do Norte, com a tentativa 1 7 6 2 9 0 5 de homicídio do líder do 3 8 coloca 0 7 1 2à 4 regime, a península beira 0 de 2 uma 4 guerra 5 6nuclear. 8 3 No meio da confusão, o 4 3norte-coreano 1 0 5 Eom 6 9 espião Chul-woo, interpretado 8 5 9 3 0 7 2 pelo actor Jung Woo-sung, 2 para 6 o7sul 8 4 9 1 foge da península com o líder do regime, que se encontra inconsciente. É a partir da Coreia do Sul que Eom se vai ter de aliar com o agente inimigo Kwak Chul-woo, interpretado por Kwan Do-won, de forma a restaurante a normalidade na Coreia do Norte e evitar uma guerra nuclear. João Santos Filipe

MASQUERADE HOTEL [B]

www. hojemacau. com.mo

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PROBLEMA 35

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PORTO ESQUECIDO 0 1 5 9

conversações com Jeremy Corbyn. Nigel Adams confirmou ontem a sua saída por considerar que foi um “erro grave” a primeira-ministra ter apelado a um acordo com o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

0 5 4 1 9 8 6 7 2 3

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02. 295 5 Y U A 1 N7 1 . 230 4 8

1 8 4 3 VIDA DE CÃO 3

3 6 4 8 1 2 2 8 9 0 7 3 4 9 7 1 6 3 8 1 4 3 7 0 6 5 1 0 7 6 9 5 6 4 8 1 2 8 3 9 4 2 1 8 3 5 2 1 0 9 9 0 0 1 7 6 3 4 8 1 6 7 9 3 9 0 5 6 2 7 5 8 2 1 7 2 4 8 5 9 1 4 3 6 7 8 1 9 5 0 2 0 6 3 1 8 4 7 4 0 1 3 2 8 6 5O ministro 6 2conservador 9 4com7a pasta 3 do País de Gales bateu com a porta depois de Theresa May ter iniciado 35

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FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Burton Com: Colin Farrel, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito 14.30, 16.30, 19.15

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki Com: Takuya Kimura, Masami Nagasawa 21.15

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HUM

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Winston Duke, Elisabeth Moss 19.15

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 34

US SALA 1

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A época dos tufões está no horizonte e o aparato de protecção civil montado 34 no ano passado está pronto para entrar em acção. Aquando da passagem 0 1 em 8 2018 4 9por do colossal5Mangkhut Macau,2tivemos5a sorte de não9termos 4 apanhado em cheio com a tempes0 Ainda assim, a2Protecção 7 tade. Civil mostrou um nível de preparação que 9 4 6 não existia durante o Hato. Com a 3 dos tufões 4 a aproximar-se,1as época preocupações viram-se para as Obras 5 Públicas. A2tutela de Raimundo6do Rosário 1 8tinha uma dezena de emprei- 0 tadas por cumprir para o plano de 2 4 de9catástrofes, prevenção e redução onde estão 0 incluídos 2 os muito6falados 1 muretes. A maioria das empreitadas 8lume 3 brando, 0 1 a7 5 continua em marinar na eterna fase de estudos, confirmando o cepticismo dos moradores 36Porto Interior quanto à eficácia do de resposta do Governo para evitar 9 3 de4uma 0 parte a devastação sazonal da cidade votada ao esquecimento. Nesta matéria, parece que as zonas 2 5o Porto 7 6Inribeirinhas,3em4especial terior, são os cordeiros sacrificiais, 7 5 8 3 0 as famigeradas partes da cidade destinadas 1 ao 6castigo. 2 Tirando 5a Ponte 8 16, a zona não tem casinos, nem 3 de grande 0 7 porte, é uma 4 área 5 hotéis residencial, 0 4pobre e6histórica. 8 Muito 1 do que é Macau nasceu naquela zona 1 se 0 continua 5 6 a9avistar 7 e por lá ainda como uma ensombração. É uma pena que o muito apregoado amor a 4 9em1termos Macau seja tão8 selectivo geográficos. João Luz

STEEL RAIN | YANG WOO-SEOK | 2017

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 17

quinta-feira 4.4.2019

a propósito de

OLAVO RASQUINHO

frequente a confusão entre “tempo” e “clima”, no entanto são conceitos totalmente diferentes. “Tempo” refere-se às condições meteorológicas que ocorrem num dado momento ou num período relativamente curto. Quando falamos de clima já nos estamos a referir aos valores médios das variáveis meteorológicas (temperatura do ar, pressão atmosférica, humidade, nebulosidade, visibilidade, vento, etc.) referentes a um período longo. Assim, por exemplo, ao afirmar que neste momento está muito calor e a chover em Macau ou que em Pequim está muito frio, estamos a referir-nos ao tempo. Por outro lado, se dissermos que Macau é uma cidade sujeita ao regime de monções e que é caracterizada pelo facto de o ar ser geralmente muito quente e húmido nos meses de maio a setembro, já nos estamos a referir ao seu clima. São de tal maneira diferentes estes dois conceitos que para caracterizar o tempo basta conhecer os valores das variáveis meteorológicas num determinado momento, enquanto que para caracterizar o clima são necessários valores médios desses parâmetros referentes pelo menos a… trinta anos! Trinta anos é o período mínimo preconizado pela Organização Meteorológica Mundial, agência especializada das Nações Unidas, para caracterizar as condições meteorológicas médias de uma determinada região ou local. Não é raro ver-se escrito ou ouvir-se em alguns meios de comunicação social que, por exemplo, não se realizou um determinado evento ao ar livre devido às “condições climatéricas”. Esta expressão está de tal maneira arreigada na linguagem corrente que é também frequentemente usada por altos dirigentes do Estado. Nem sequer se recorre ao termo “climáticas” em vez de “climatéricas”, o que seria mais elegante, apesar de continuar a ser errado o seu uso naquelas circunstâncias. Não há nenhum profissional das áreas da meteorologia e da climatologia que utilizem o termo “climatérico” em vez de “climático”, embora alguns dicionários classifiquem estas palavras como sinónimas. Além de que o termo “climatérico” se pode prestar a confusão, pois designa-se por “climatério” o conjunto de sintomas que surgem antes e depois da menopausa. Corre-se o risco de se querer referir ao tempo e acabar-se por falar em… menopausa!

cerão completamente diluídos nos tais pelo menos trinta anos que são necessários para caracterizar o clima! No entanto, cético como é sobre o aquecimento global, não perde a oportunidade para criticar o que milhares de cientistas em todo o mundo já aceitaram como verdadeiro.

RAIN, STEAM AND SPEED THE GREAT WESTERN RAILWAY, JOSEPH MALLORD WILLIAM TURNER (DETALHE)

É

Tempo, clima, aquecimento global e ...menopausa Na realidade, a causa principal do aquecimento global é o aumento da concentração dos gases de efeito de estufa provenientes das atividades humanas desde o início da era industrial, ou seja, desde há mais de cento e cinquenta anos

Ainda a propósito de tempo e clima, foi muito comentada a nível mundial a seguinte mensagem através do “Twitter” do Presidente dos EUA, Donald Trump:

Trump faz referência a um acontecimento meteorológico que consiste no deslocamento para latitudes mais baixas de uma massa de ar ártico muito frio, que circula numa vasta região depressionária, designada por vórtice polar, que permanece quase estacionária na região polar, no hemisfério norte. No inverno passado ocorreu uma destas migrações de ar ártico, o que afetou os Estados Unidos da América durante alguns dias, período em que as condições meteorológicas foram caracterizadas por valores da temperatura do ar extremamente baixas. O que Trump não sabe é que esses valores da temperatura apare-

Nota - O autor escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

Mas… terá Trump razão para duvidar do aquecimento global e, consequentemente, das alterações climáticas causadas pelas atividades humanas? Na realidade não é só ele a duvidar, pois há mesmo alguns cientistas que partilham esta atitude crítica. Um dos argumentos que os detratores do aquecimento global apresentam em sua defesa consiste no facto de que, em muitos casos, o ambiente envolvente das estações meteorológicas se ter degradado devido à expansão das zonas urbanas. É um facto que as cidades ao crescerem, envolvendo as estações meteorológicas que anteriormente se encontravam em áreas não urbanizadas, poderão influenciar os valores da temperatura do ar. É sabido que as grandes cidades constituem verdadeiras ilhas de calor, falseando os valores que a temperatura do ar deveria ter se as estações meteorológicas não sofressem essa influência. No entanto, este argumento não é muito válido na medida em que também é detetado aumento de temperatura nas estações que permaneceram em ambientes rústicos. Vem até mesmo reforçar o que tem vindo a ser afirmado por milhares de investigadores, que o aquecimento a nível global se deve a atividades humanas. Na realidade, a causa principal do aquecimento global é o aumento da concentração dos gases de efeito de estufa provenientes das atividades humanas desde o início da era industrial, ou seja, desde há mais de cento e cinquenta anos. O conceito de clima é muito mais vasto do que aquele que mencionamos quando comparamos os significados de “tempo” e “clima”. Como afirmam os Professores José Pinto Peixoto e Abraham H. Oort, na obra “Physics of Climate” (publicado em 1992 pelo American Institute of Physics), “the climate is always evolving and it must be regarded as a living entity”.


18 opinião

4.4.2019 quinta-feira

“The choice we face is not between saving our environment and saving our economy. The nation that leads the world in creating new energy sources will be the nation that leads the 21st-century global economy.” Barack Obama

A

nossa existência começou há muitos mil milhões de anos, quando uma pequena bola de fogo surgiu do nada e daí tudo se originou, desde a mais majestosa nebulosa até ao mais ínfimo animal. Somos todos criados a partir dessa grande unidade. Agimos como se pudéssemos viver separados dessa circunstância, no entanto, obtemos o retorno desse processo. O aquecimento global é um retorno muito desagradável. É facto que ao libertar carbono e destruir florestas valiosas, estamos a causar o aquecimento dos oceanos e da atmosfera da Terra. Se a temperatura subir três graus centígrados, muitas florestas se transformarão em savana, grandes áreas da Terra se tornarão em deserto e o nível do mar aumentará vinte e cinco metros. Se a temperatura aumentar seis graus centígrados, a maior parte da vida será exterminada. Trata-se de palavras terríveis de escrever e ainda assim, se continuarmos no nosso caminho actual, é para onde estamos a ir. É com razão que muitos cientistas do clima estão a puxar os cabelos, procurando chamar a atenção do mundo. Mas é possível inverter esta situação? É de recordar que nos últimos quinhentos anos, mesmo tendo praticado todo o tipo de crueldade e atrocidades, os inovadores e pioneiros da Terra realizaram empreendimentos inacreditáveis. Assim, no século XVI criaram o Renascimento, no século XVII, legaram o método científico e o início do comércio global, no século XVIII, fizeram a Revolução Industrial e o início do movimento antiesclavagista, no século XIX, presentearam com o nascimento da medicina moderna e da educação pública e no século XX, transmitiram a libertação das mulheres, o início dos direitos civis universais e as primeiras viagens ao espaço, a Internet e muito mais. O que nos trará o século XXI? Tendo como exemplo, os habitantes da cidade austríaca de Güssing, que quase conseguiram uma economia totalmente neutra em carbono, até aos habitantes da cidade de São Francisco, a caminho de uma economia com desperdício zero, o mundo está cheio de pessoas que têm iniciativa e determinação para ter sucesso. Se tivermos vontade, podemos acabar com o uso de combustíveis fósseis e criar toda a energia que precisamos a partir do vento, marés e do sol, e devemos envolver os administradores florestais, em

TELESCÓPIO HUBBLE, AGLOMERADO DE WESTERLUND 2 E ARREDORES

Superar a ignorância

uma missão para acabar com todo o desmatamento e restaurar a biodiversidade e o esplendor das florestas. É dever envolver os agricultores em uma missão para restaurar a fertilidade do solo. É dever envolver os líderes empresariais e os banqueiros na procura de uma solução para garantir que todas as transacções se harmonizem com a natureza, tanto no livro contábil, quanto no terreno. É dever envolver os professores em uma missão para garantir que toda a criança entenda a sabedoria da natureza e a nossa necessidade de viver em harmonia com as suas leis. Se tivermos a vontade e a capacidade de superar a nossa ignorância e orgulho, podemos alcançar resultados inimagináveis e como civilização, olharíamos para o passado com vaidade e vergonha ocasional. Sabemos que somos a

civilização mais moderna e tecnologicamente mais avançada que habitou na Terra. Podemos andar na Lua, substituir os nossos enfermos corações e pulmões e comunicarmos telefonicamente através dos continentes pela Internet. Estamos acostumados a orgulharmos os nossos sucessos, embora reconheçamos a nossa estupidez periódica. A origem da nossa espécie, se permitirmos que as nossas mentes viajem de volta pela grande cadeia do ser, jaz há quatro mil milhões de anos no passado. O facto de vivermos é um testemunho de que todos os nossos ancestrais, sem excepção, viveram o suficiente para transmitir a sua sabedoria biológica acumulada, e datarmos a origem da espécie humana que começou há cerca de cinco milhões de anos. Começamos a aventura da ciência moderna,

que nos ensinou muito sobre a natureza há quinhentos e que representa apenas um décimo de milésimo desse tempo. Vivemos dentro de uma bolha de tempo, e por isso é difícil ponderar a existência de seres humanos nos próximos quinhentos anos, muito menos em um milhão de anos, mas será sempre interessante imaginar como será a condição da humanidade nesse tempo do futuro. Talvez a maioria de nós responderá com pessimismo, sugerindo que seremos extintos, se não na primeira data, certamente seriamos na segunda. No entanto, um milhão de anos é apenas um pequeno fragmento adicional de 0,028 por cento do tempo desde que a vida começou. O que tudo isto tem a ver com o aquecimento global? Tem a ver com o nosso estado


opinião 19

quinta-feira 4.4.2019

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

e o orgulho

de espírito, pois o factor mais importante que determinará se navegaremos ou não os caminhos dos desafios do aquecimento global com sucesso, será o de ver se os fenómenos que se produzem são um desastre inevitável ou é algum tipo de retribuição para a ganância humana e ecológica. Trata-se de ignorância, ou um convite emocionante para embarcar em uma nova aventura em um mundo ecologicamente harmonioso e amigável do clima. O nosso futuro está nas nossas mentes. Se permitirmos que a negatividade e o pessimismo prevaleçam, tudo estará perdido. Mas, se nos apegarmos ao nosso optimismo, lembrando-nos das coisas incríveis que os seres humanos alcançaram e da incrível promessa do que está por vir, teremos as

ferramentas necessárias para ter sucesso. Não há dúvidas quanto à urgência do tema. Sabemos que o dióxido de carbono e os outros gases de efeito estufa aprisionam calor, e temos conhecimento de que durante os últimos milhões de anos, o dióxido de carbono atmosférico da Terra nunca subiu acima de trezentas partes por milhão (ppm). No entanto, e como resultado da queima de combustíveis fósseis e da destruição das florestas tropicais, a concentração chegou a quatrocentas ppm, e está a aumentar constantemente em mais de duas ppm anualmente. Os cientistas do clima estão a alertar com vozes cada vez mais desesperadas e urgentes de que podemos estar a perder a nossa capacidade de impedir que a temperatura da Terra suba dois graus centígrados, e se não passarmos desse valor poderemos evitar novos aumentos de três, quatro, cinco ou seis graus centígrados, colocando em risco toda a existência da vida na Terra. Estamos certamente em apuros, e precisamos de uma resposta urgente. Se nos dedicarmos a encontrar uma solução, não existe motivo para acreditar que não podemos ter sucesso. Os suprimentos mundiais de petróleo e gás, também estão prestes a esgotar-se, e mesmo que o aquecimento global não existisse, como muitos cépticos gostariam de acreditar, ainda assim teríamos que realizar uma transição organizada para um mundo que pode florescer sem combustíveis fósseis. Qual a razão pela qual deveríamos pensar que não podemos alcançar tal transição? Apenas cem anos atrás, a maioria das pessoas andava a cavalo ou a pé e vejamos o que foi alcançado. A espécie humana pode ser teimosa, estulta e orgulhosa, mas também é inteligente, criativa, corajosa e ama um desafio. Escalámos montanhas e pedalámos através dos continentes para criar milhões de causas que tocaram os corações. O impensável acontece, como pessoas cegas a fazer pára-quedismo e tetraplégicos a velejarem. O aquecimento global representa um enorme desafio. Se falharmos, condenamos as futuras gerações a milénios de mágoa e destruição que vão amaldiçoar os nossos nomes, pois sabíamos o que aconteceria e optamos por continuar a satisfazer o nosso amor pelos combustíveis fósseis, em vez de parar e mudar de direcção. Se conseguirmos, toda uma nova era começará. Será que o lado aventureiro da nossa natureza humana irá enfrentar o desafio e nos conduzirá a um futuro ecologicamente sustentável? Ou será que o lado preguiçoso da nossa natureza humana vencerá, criando desculpas ainda mais patéticas, à medida que o nível do mar aumenta e as espécies da Terra se extinguem? Apenas os futuros historiadores da Terra saberão. A nossa tarefa é de aceitar o desafio antes que seja tarde demais. Todo o universo é feito de energia e tem sido a grande verdade desde o primeiro momento da sua formação. Pensamos que somos suficientemente inteligentes, mas quando se trata de entender como toda essa energia funciona, somos apenas iniciantes.

Muito antes dos seres humanos serem um brilho nos olhos de um dinossauro, o Sol, gigante reactor termonuclear no universo, brilha na Terra, e envia o calor que a vida precisa para evoluir e florescer. Durante o período que chamamos de carbonífero, trezentos e sessenta a duzentos e oitenta e seis milhões de anos atrás, árvores gigantes, samambaias e musgos usavam a fotossíntese para capturar energia, criando carbonatos. Quando morriam e caiam em pântanos, o seu carbono foi bloqueado e ao longo de milhões de anos, transformou-se em carvão e nos oceanos, as antigas plantas, plâncton e bactérias transformaram-se em petróleo e gás. Milhões de anos se passaram. Os dinossauros desapareceram, os mamíferos evoluíram e os humanos apareceram e há cerca de seiscentos mil anos descobrimos como fazer fogo. Mais tarde, usámos o fogo para fazer cobre, bronze, ferro e aço. Usando metal em vez da pedra, fomos capazes de cortar as árvores mais rapidamente. Na Idade Média, partes da Europa usavam como adubo cinzas de madeira. As casas, navios, moinhos de água e de vento e muitas pontes foram construídas em madeira.

Todo o universo é feito de energia e tem sido a grande verdade desde o primeiro momento da sua formação. Pensamos que somos suficientemente inteligentes, mas quando se trata de entender como toda essa energia funciona, somos apenas iniciantes A indústria do vidro usava madeira nos seus fornos e a indústria do ferro usava carvão. A França, até 1300 foi quase completamente desmatada, com florestas que cobrem apenas treze milhões de hectares dos seus cinquenta e quatro milhões hectares. Um único forno de ferro usando carvão poderia igualar uma floresta por um raio de um quilómetro em apenas quarenta dias. As pessoas no século XIII começaram a usar um material preto estranho que encontraram no chão chamado de carvão, e começou a segunda grande revolução energética. A Rainha Eleanor de Inglaterra, em 1257, foi retirada do seu castelo em Nottingham, devido a fumaça de carvão mineral queimado na cidade. O carvão alimentou a Revolução Industrial, e existe carvão suficiente para mais duzentos anos, mas o seu impacto como causa do aquecimento global é tão grande que devemos parar de o usar a menos que se possa capturar e sequestrar com segurança dióxido de carbono. Em meados dos anos 1800, houve uma apetência renovada para a energia. As baleias eram abatidas pois

até finais do século XIX, servia o seu óleo como combustível para iluminação de casas e ruas. O primeiro poço moderno de petróleo foi descoberto em Bacu, no Azerbaijão, em 1846, sendo nas Américas em 1858, em Oil Springs no Ontario, Canadá, seguido em 1859 por Drake Well, na Pensilvânia, Estados Unidos. O gás natural foi novamente redescoberto no século XVIII e normalmente obtido como subproduto da produção do petróleo. A descoberta de combustíveis fósseis tem sido uma viagem de assombro e inocência. Quando foi descoberto o primeiro poço de petróleo, a maioria das pessoas acreditava que o mundo tinha sido criado da forma como a Bíblia diz, pois o livro do naturalista inglês, Charles Darwin, “A Origem das Espécies” só foi publicado em 1859. As pessoas não tinham a ideia do que eram os combustíveis fósseis ou o que seu carbono libertado faria na atmosfera. A maioria das pessoas nem sabia que a Terra tinha uma atmosfera e queimamos os combustíveis fósseis em total ignorância do impacto que teriam ao aprisionar o calor do Sol na atmosfera, derretendo o gelo e perturbando os padrões climáticos que nos deram estabilidade por milénios. Ainda que, por alguns meios estranhos a crise climática não existisse, ou alguém inventasse uma tecnologia que pudesse miraculosamente absorver o excesso de carbono da atmosfera, e armazená-lo em blocos maciços de carbonato de cálcio para servir como muros no oceano protegendo as costas ameaçadas, dificilmente haveria uma pessoa na Terra que acreditasse que os combustíveis fósseis durariam sempre. O petróleo atingirá o seu pico de produção entre 2010 e 2025 e o que acontecerá depois? Essa é a questão crucial e, na escuridão do não saber, as nossas mentes seguem um de dois pensamentos, ou vão em direcção ao desespero convencidos de que, sem petróleo, as civilizações da Terra entrarão em colapso rapidamente; ou vão para um lugar maravilhoso e excitante, sabendo que estão prestes a dar um enorme salto civilizacional para a Era Solar, substituindo os combustíveis fósseis por energia limpa e renovável, construindo um futuro em que os nossos filhos e netos vão adorar viver. Tal escolha simples é o ponto crucial do qual o nosso futuro depende. A negatividade acalma a criatividade. Se permitirmos que a nossa mente mude para a negatividade, activará pensamentos de sobrevivência e não protegerá a nossa espécie durante o próximo colapso. Se mudarmos para uma forma de pensar positiva, activará a criatividade, emoção e a determinação e em todo o planeta, e a nossa escolha tornar-se-á uma profecia auto-realizável. Se acreditarmos que estamos fadados ao fracasso, acabaremos exterminados. Se acreditamos que os combustíveis fósseis são um presente do passado e que devemos mudar já a fim de construir um futuro incrível, é de acreditar que sobreviveremos. Tudo sempre dependerá de nós.


A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata. Virginia Woolf

quinta-feira 4.4.2019

PALAVRA DO DIA

E para amanha A COREIA DO SUL TORNA-SE NO PRIMEIRO PAÍS A DISPONIBILIZAR REDE 5G

Sarampo Número de casos sobe para 28 Subiu para 28 o número de casos de sarampo registados em Macau desde o início do ano. O mais recente foi diagnosticado ontem num residente de Macau que se deslocou à Tailândia entre 14 e 19 de Março. O

homem, de 32 anos, estava vacinado contra o sarampo, de acordo com os Serviços de Saúde que, dado o historial de contacto e o tempo de início de sintomas, classificaram o caso como importado.

Tabagismo Infracções nos casinos cresceram 11,2% até Março

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Durante os primeiros três meses do ano, 446 pessoas foram apanhadas a fumar em locais proibidos dentro dos casinos, aliás, o tipo de estabelecimento com o maior número de infracções à Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, informaram ontem os Serviços de Saúde em comunicado. As infracções – mais 45 ou mais 11,2 por cento em termos anuais homólogos – foram detectadas na sequência de 589 inspecções, levadas a cabo

em conjunto com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), mais do dobro (ou mais 353) face a igual período do ano passado. Em termos globais, ascenderam a 1.602 as infracções sinalizadas até Março, das quais 12 relativas a ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco. Segundo os Serviços de Saúde, 1.235 (ou 77,1 por cento) das pessoas sancionadas por fumarem em zonas interditas já pagaram as multas.

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Coreia do Sul começa, esta sexta-feira, a disponibilizar a rede móvel de quinta geração (5G) através de três operadoras, tornando-se no primeiro país com esta tecnologia, que pretende estender a todo o território, foi ontem anunciado. Segundo a informação ontem divulgada, o 5G será disponibilizado na Coreia do Sul por três operadoras nacionais: a KT Corporation, a SK Telecom e a LG Uplus. Em comunicado, a KT refere que esta tecnologia,

que sucede ao 4G, poderá “conectar simultaneamente um milhão de dispositivos por quilómetro quadrado”. A estimativa da companhia é de que, até ao final do ano, “mais de três milhões de sul-coreanos tenham mudado para o 5G”, segundo o vice-presidente da KT, Lee Pil-Jae. Por seu lado, a SK Telecom considerou, através do seu vice-presidente executivo, Young Sang Ryu, que “é significativo que as empresas de telecomunicações sul-coreanas estejam a disponibilizar serviços e redes com altos padrões de velocidade e qualidade aos seus clientes nacionais”. O país chegou a testar esta tecnologia numa zona limitada dos jogos olímpicos de Inverno, em Fevereiro do ano passado, na região de PyeongChang. Também na sexta-feira, na Coreia do Sul, será lançado o primeiro telemóvel com capacidade para 5G da fabricante sul-coreana Samsung, o Galaxy S10 5G. Estas iniciativas colocam a Coreia do Sul à frente na corrida tecnológica do 5G, que envolve outros países como os Estados Unidos

e a China, que ficam agora atrás nos avanços.

ATRÁS DO FUTURO

Nesta ‘corrida’ está também a União Europeia (UE), com os Estados-membros a darem passos para que o 5G seja disponibilizado, de forma comercial, em pelo menos uma cidade por país até 2020 e para que haja uma cobertura mais abrangente até 2025. Nesta nova tecnologia móvel haverá mais velocidade, maior cobertura e mais recursos. Além de ser aplicado às comunicações móveis, o 5G será ainda crucial para áreas do quotidiano, mas também para potenciar outros avanços tecnológicos, nomeadamente nos carros autónomos.

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Isto porque a potência desta rede de quinta geração vai além da rapidez nos ‘uploads’ e ‘downloads’ e assenta, sobretudo, na redução da latência, ou seja, do tempo de resposta de um aparelho a partir do momento em que recebe a ordem até a executar. Quanto menor for a latência, mais rápida é a reacção de um aparelho accionado à distância. Isto aplica-se aos electrodomésticos e a outros aparelhos, incluindo os que estão ligados à internet, que passarão a ser mais eficientes, podendo trazer benefícios nas áreas do entretenimento, agricultura, indústria, saúde, energia e na realidade virtual.

ARTE ‘RESORTS’ E CONSULADOS COMO GALERIAS

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ACAU vai realizar, entre Junho e Outubro, um “festival internacional” que propõe transformar, ao longo de cinco meses, vários 'resorts' e consulados da cidade em galerias de arte, indicou ontem a organização. Além de integrar outros eventos já existentes no território, o “Arte Macau” estabeleceu parcerias para levar exposições a diferentes palcos: consulados estrangeiros, hotéis e ‘resorts’.

As seis operadoras de jogo já deram o ‘sinal verde’ao Governo, disponibilizando-se a sediar nos seus espaços várias exposições naquele período, disse à Lusa fonte do Instituto Cultural (IC), que organiza o certame a par da Direcção dos Serviços de Turismo. Quanto às representações diplomáticas, o IC escusou-se a nomear as participantes, adiantando apenas que “diferentes consulados” já aceitaram sediar as mostras.

Os “pré-eventos” arrancam já na próxima semana, com destaque para a inauguração da exposição “Desenhos da Renascença Italiana do British Museum”, no Museu de Arte de Macau, no dia 12. Apesar do secretismo à volta da programação, o IC já anunciou o espectáculo de dança contemporânea "O Cerco por Yang Liping" e concertos pela Orquestra de Macau e pela Orquestra Chinesa de Macau.

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Hoje Macau 4 ABR 2019 # 4264  

N.º 4264 de 4 de ABR de 2019

Hoje Macau 4 ABR 2019 # 4264  

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