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HOJE MACAU

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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QUARTA-FEIRA 4 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4024

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O futuro segundo Chow O CEO da Macau Legend, David Chow, defende que o Governo deve facilitar a acção dos investidores locais no sector do jogo. Além disso, confessa não entender o negócio de venda de parte da Wynn Macau à Galaxy.

ENTREVISTA

LEI CHAN U

JASON CHAO

NOVO MACAU

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PÁGINA 7

CERCO ÀS EMPREGADAS BANCO DOS RÉUS ROTA DAS LETRAS NA ONU


2 ENTREVISTA

DAVID CHOW

“É importante permitir a entrada no mercado a investidores de Macau” O empresário e CEO da Macau Legend pede ao Governo para que acompanhe as investigações nos Estados Unidos ao empresário Steve Wynn e que actue para evitar danos para Macau. Chow questiona igualmente os contornos do negócio em que a Galaxy comprou parte da Wynn Macau “É preciso aprender com tudo [escândalo Steve Wynn] e tirar lições. Todos precisam de perceber muito bem as suas responsabilidades como concessionárias.”

Defendeu recentemente uma investigação do Governo ao negócio em que a operadora Galaxy adquiriu cerca de 3,5 por cento da Wynn Macau. Porque defende a investigação? A lei permite que haja investimentos e compras das concessionárias. Se fossem outras pessoas a fazer o negócio, que não uma concessionária, não haveria problemas. Mas não é esse o caso. Honestamente, não compreendo o negócio. A Galaxy justificou a compra com o acesso à informação da Wynn numa perspectiva de aprendizagem. Só que eles são uma concessionária com um modelo muito diferente da Wynn e já têm um modelo de negócio que gera muitos lucros, mais do que a Wynn. É um negócio que carece de esclarecimento. Considera que esta movimentação contribui para reduzir a concorrência no mercado local? Sim, parece-me um negócio que segue uma direcção oposta à li-

beralização do jogo. Quando se liberalizou o mercado queria-se uma maior concorrência, mas com esta movimentação tenho dúvidas que esse espírito esteja a ser respeitado. O mercado tem de ser mais aberto. Assim há uma companhia a ir numa direcção que me parece oposta. Julga, então, que as autoridades locais deviam analisar muito bem todos os contornos do negócio. Acho que há a necessidade de haver mais esclarecimentos por parte das autoridades. Por outro lado, parece-me necessário uma posição sobre para onde se quer que a indústria caminhe. Estamos a falar de assuntos muito sérios, que devem ser muito bem esclarecidos, até pela importância da indústria para a cidade. No seu entender, qual é a verdadeira razão por trás deste negócio?

Não sou eu que tenho de analisar o negócio, mas como simples cidadão tenho algumas preocupações e questiono-me. Há muitas perguntas que gostava de ver respondidas, por exemplo, a Galaxy vai comprar 100 por cento da Wynn no futuro? O Governo devia clarificar muito bem a sua posição. São dúvidas que devem ser tratadas atempadamente, até porque estamos a aproximar-nos dos próximos processos de atribuição de licenças de jogo. Também se mostrou preocupado com os contornos do escândalo que envolve Steve Wynn. Porque está preocupado com o caso, mesmo depois do milionário se ter afastado da empresa? Estamos a falar de um caso que pode causar danos enormes ao nível da imagem da indústria de Macau. Se virmos o que se está a passar nos Estados Unidos, onde há uma investigação não só a Wynn, mas também aos directores da empresa. Lá querem saber se houve intenção das pessoas que estão à frente da operadora de proteger e cobrir os actos de Wynn. Espera uma investigação da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) semelhante à que se verifica nos Estados Unidos? As pessoas de Macau têm de fazer alguma coisa face ao caso. É preciso ver como se vão desenrolar as investigações por lá e ponderar o futuro da empresa. Será que esta empresa tem mesmo capacidade para gerir uma concessão?

“TEMOS UMA AMIZADE FORTE”

D

urante a entrevista de ontem, David Chow abordou os rumores sobre um eventual despedimento do amigo Jorge Fão. O empresário desmentiu esse cenário e fez questão de realçar a grande amizade entre os dois: “Eu e o Jorge Fão somos grandes amigos e temos uma amizade forte. Há muita gente a falar sobre o que não sabe. Não faz qualquer sentido os rumores que circularam e não percebo a intenção. Somos amigos há muito tempo. Ele está reformado mas é uma pessoa que me tem ajudado muito”, afirmou.

HOJE MACAU

EMPRESÁRIO E CEO DA MACAU LEGEND

Estamos a falar de um grupo que assumiu as suas responsabilidades nos Estados Unidos... As exigências em Macau, que tem um mercado com base em concessões, são muito superiores aos de um mercado aberto, como acontece em Las Vegas. O Governo de Macau precisa de ser mais rigoroso na forma como tem encarado toda

este caso. No passado, dizia-se que Macau precisava de aprender com o que se passava na indústria de Las Vegas. Esta aprendizagem não implica também adoptar este tipo de investigações, como acontece nos Estados Unidos? Como considera então que o Governo devia lidar com o caso? Parece-me que há dois passos inevitáveis: por um lado é preciso investigar toda a direcção da empresa e ver quem são as actuais pessoas que estão à frente da Wynn. Que tipo de responsabilidade vão assumir? Será que quando ele se comprometeu com uma licença de jogo disse que tinha um passado limpo? Este tipo de coisas não devia ter sido declarado? E o resultado da atribuição de licenças de jogo teria sido diferente à luz destes dados? Há muitas dúvidas. Não se pode agir como se o caso fosse apenas a passagem do tufão. É preciso aprender com tudo e tirar lições.


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na América Latina, América do Sul, África, no espírito da política nacional Uma Faixa, Uma Rota. Esteve recentemente em Portugal e teve reunido com o presidente da República Portuguesa. Mas a verdade é que o projecto está a levar o seu tempo... Temos de aguardar e respeitar o tradicionalismo português na forma como lidam com concursos públicos e questões ambientais. Temos e queremos cumprir com tudo. Mas sentimos que temos apoio para o projecto, tanto em Setúbal como em Tróia. Até o presidente mostrou o seu apoio, também o ex-Governador de Macau, Rocha Vieira... Quando nos derem indicações começamos as obras.

“Neste momento, vemos Portugal como a melhor plataforma para Macau e a melhor área para investir. Estamos a ver muitas oportunidades de investimento dentro da política Uma Faixa, Uma Rota.”

Todos precisam de perceber muito bem as suas responsabilidades como concessionárias. E o segundo passo? É preciso mudar o nome dos resorts em Macau porque o nome Wynn está ligado ao escândalo. É terrível para Macau estar ligado a este caso. Wynn pagou 7,5 milhões dólares americanos perante uma conduta sexual imprópria, sobre isso parece não haver dúvidas. O acordo foi feito. Queremos mesmo espaços de entretenimento ligados a estas condutas? Que implicações e mensagem é transmitida? Entre 2020 e 2022 as licenças do jogo chegam ao fim. Existe a perspectiva de renovações anuais, com uma nova atribuição das licenças. Que pontos gostava de ver destacados nos novos concursos? Criação de mais oportunidades de promoção para os locais que estão há vários anos na indústria

a aprender. Mas tenho confiança que o Governo vai ser justo na atribuição das novas licenças do jogo e que vai criar oportunidades de investimento para os locais. Sejam seis, sete ou oito licenças de jogo, isso não é o mais relevante. O importante é que se permita a entrada no mercado dos especialistas e investidores de Macau, que permitem a promoção dos trabalhadores residentes.

“A Galaxy justificou a compra com o acesso à informação da Wynn numa perspectiva de aprendizagem. Só que eles são uma concessionária com um modelo muito diferente da Wynn.”

O facto de nos últimos anos ter crescido o número de investidores de Macau a lançarem-se na indústria do jogo no exterior, mostra que há pessoas capazes de assumir um maior papel internamente? Os locais estão a investir no estrangeiro porque não há uma política que lhes permita investir no jogo em Macau. Parece-me que o mais importante é pensar como se podem trazer novos mercados para Macau. O que quer dizer com os novos mercados? As pessoas na Ásia estão a ficar cada vez mais ricas e querem frequentar casinos. Mas porque é que vão para outros mercados como, por exemplo, Singapura? Elas poderiam vir a Macau... Não tem sido feito um bom trabalho por parte das concessionárias de atrair novos mercados. Elas só têm mostrado vontade de contar com os jogadores chineses, mas

isso não ajuda verdadeiramente Macau. Não se diversifica a origem dos jogadores. Mas deixe-me dizer, todas as minhas questões e exigências têm um objectivo: aumentar o nível de Macau e catapultar a cidade internacionalmente. Se não alcançarmos um nível de excelência como podemos ajudar Macau a integrar-se na política Uma Faixa, Uma Rota e na Plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa? Tem sido um dos investidores que mais tem acompanhado a política Plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa ao nível do turismo. Como está o projecto em Portugal? Estamos na expectativa, à espera de instruções. Portugal é uma posição estratégica, tem uma política estável e as pessoas percebem o que querem e têm coragem, como se viu com a política dos Vistos Gold. Também são bons amigos da China e permitem uma ligação com facilidade a mercados

Além de Portugal e Cabo-Verde que outros investimentos podemos esperar nos Países de Língua Portuguesa? Já temos as obras em curso em Cabo Verde e agora preciso das orientações de Portugal, para começar as obras. Estamos em contactos com Angola e Timor-Leste. Mas, neste momento, vemos Portugal como a melhor plataforma para Macau e a melhor área para investir. Estamos a ver muitas oportunidades de investimento dentro da política Uma Faixa, Uma Rota. Nos últimos tempos o seu filho Donald Chow tem estado mais ligado ao grupo. Está a preparar a sucessão? É o meu filho. Veio trabalhar connosco depois de se ter formado na universidade. Dei-lhe a oportunidade, mas ele começou do fundo, o primeiro salário que teve foram 12 mil patacas. Tem vindo a aprender e aprender. Mas por agora é a minha mulher, Melinda Chan, que está a gerir o negócio em Macau e no Interior da China. Eu estou mais focado nos investimentos lá fora. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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AL LEI CHAN U QUER GARANTIR QUALIDADE DE SERVIÇOS DOMÉSTICOS

Limpar quem limpa

AL Mak Soi Kun pede aperto de vigilância

O deputado dos Conterrâneos de Kong Mun pede ao Governo uma maior cooperação policial e judiciária entre Macau e o continente e a melhoria dos sistemas de videovigilância. Em interpelação, Mak Soi Kun salienta a necessidade de combater o crime de forma mais eficaz e elogia o avanço da tecnologia chinesa como forma de alcançar os melhores resultados. “A polícia necessita de reforçar a aplicação de técnicas mais avançadas, por exemplo instalar mais câmaras de vigilância, proceder ao upgrade destas, tomar como referência as práticas da China onde se aproveitam a inteligência artificial e os megadados para fazer previsões e criar uma rede de videovigilância”, referiu ontem no período de antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa (AL). Mak Soi Kun está preocupado com o aumento do crime e que, diz, tenderá a aumentar com a maior movimentação de pessoas dentro do projecto da Grande Baía.

As crianças de Macau estão, em grande parte, à guarda de empregadas domésticas. A importância da função e do seu bom desempenho são os motivos que levam o deputado Lei Chan U a pedir ao Governo que garanta a qualidade de quem é exemplo para os mais novos. O tribuno exige medidas para evitar que se registem casos de abusos

AL Ho Ion Sang acha racional o aumento de tarifas autocarros para TNR

É

preciso “limpar” o mercado das empregadas domésticas. A afirmação foi feita pelo deputado nomeado Lei Chan U, ontem, no período antes da ordem do dia da Assembleia Legislativa, dedicado a interpelações. Em causa estão os casos, recentemente divulgados, de maus tratos a crianças por parte de empregadas, justifica o deputado. A necessidade de garantir a qualidade no serviço de quem cuida dos mais vulneráveis é o mote de Lei Chan U, até porque “são cada vez mais as famílias em que ambos os pais trabalham e muitos residentes trabalham por turnos, assim, a pessoa com quem os filhos dessas famílias mais contactam é, provavelmente, a empregada doméstica”, afirmou. Neste sentido, o papel da empregada doméstica e do exemplo que dá é fundamental, sublinhou. “Os hábitos de vida e a atitude da empregada doméstica vão, provavelmente, influenciar os filhos dessas famílias, nomeadamente os bebés e as crianças, pois vão ganhando os seus hábitos

e comportamentos”, afirmou o deputado. É neste sentido que a contratação “de uma funcionária de alta qualidade é cada vez mais uma preocupação essencial da população local”, explicou. Paralelemente, os números confirmam a necessidade crescente deste tipo de serviço. “Segundo os dados estatísticos, o número de trabalhadores não residentes, que exercem funções de trabalho doméstico, foi de 16 256 em finais de 2011 e aumentou

para 26 974, em finais de 2017, ou seja, um aumento de 65,9 por cento”, apontou.

SOLUÇÃO À VISTA

A optimização deste tipo de serviço pode passar por várias medidas. “O Governo e os sectores sociais devem ponderar mais em como criar relações de trabalho harmoniosas e estáveis”, começou por sugerir Lei. Na prática, são necessários aperfeiçoamentos legais e a definição

“Os hábitos de vida e a atitude da empregada doméstica vão, provavelmente, influenciar os filhos dessas famílias, nomeadamente os bebés e as crianças, pois vão ganhando os seus hábitos e comportamentos.” LEI CHAN U DEPUTADO

de regimes, tendo em conta as características das funções dos trabalhadores domésticos, defende Lei. Ao mesmo tempo, cabe ao Executivo ponderar a criação de uma base de dados em que são registados comportamentos dos empregados domésticos de forma a proibir “os que têm más condutas, ou registo criminal, de trabalharem na respectiva área”. É ainda necessário reforçar acções de formação antes do ingresso na carreira, bem como aumentar os benefícios e regalias destes trabalhadores tendo em conta uma maior competitividade, remata o deputado. É de salientar que as empregadas domésticas estão entre os trabalhadores do território que menos ganham. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

O aumento das tarifas de autocarros anunciado há meio ano pelo Governo tem de ser posto em prática o mais breve possível. A demanda foi feita ontem pelo deputado Ho Ion Sang no período dedicado a interpelações na Assembleia Legislativa. A medida que causou alguma polémica por aumentar as tarifas dos trabalhadores não residentes no território é, considera Ho Ion Sang, fundamental. Para o deputado, está em causa uma utilização dos transportes públicos mais racional. “Considero que o aumento pode ajudar a reduzir a procura não real dos serviços de autocarros e incentivar os passageiros de percurso curto a deixar de andar de autocarro, para que os espaços desocupados nos autocarros fiquem para os residentes com verdadeira necessidade”, afirmou o deputado. É com este intuito de facilitação que o tribuno apela para uma resolução rápida da situação que, considera, estar num impasse.

Funcionários Públicos Au Kam San quer revisão do regime da aposentação

O deputado pró-democrata Au Kam San quer a revisão do regime de aposentação dos funcionários públicos. Em declarações ao Jornal do Cidadão, o tribuno lamenta o caso do ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Fong Soi Kun que pode vir a receber um valor de cerca de 80 mil patacas por mês da pensão de aposentação. Para Au Kam San a situação não é aceitável mas, no entanto, é legal. Para que não se repita, o deputado apela a uma revisão do regime de modo a exigir mais aos membros do Governo. O objectivo é garantir a responsabilização dos governantes em casos de negligência.


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A

AL LEI DO DIREITO A REUNIÃO E MANIFESTAÇÃO APROVADA NA GENERALIDADE

Passou, pois claro

A proposta de lei referente à alteração do pedido de reunião e manifestação foi ontem aprovada na generalidade apesar das reservas apresentadas por alguns deputados. Sónia Chan garante que a lei não vai restringir qualquer direito da população GCS

proposta de lei relativa ao direito de reunião e manifestação foi aprovada ontem na generalidade na Assembleia Legislativa (AL), com três votos contra, apesar das garantias da secretária para a administração e justiça, Sónia Chan, de que não se trata de uma alteração na própria lei, mas sim de uma questão de atribuições. Os deputados Au Kam San, Ng Kuok Cheong e José Pereira Coutinho não ficaram convencidos e consideram tratar-se de uma forma de limitar as manifestações na RAEM. O diploma prevê que o pedido de reunião e manifestação passe a ser entregue directamente à Polícia de Segurança Pública (PSP) em vez de ser ao Instituto para ao Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), entidade responsável pela gestão dos espaços públicos locais. De acordo com Sónia Chan, as preocupações com a possível restrição do direito da população em se manifestar são infundadas. “Trata-se de uma transferência simples de competências que não vai reprimir, ou atacar, os direitos fundamentais da população. A questão de reprimir ou ter mais rigor não é uma boa interpretação”, afirmou ontem, na reunião plenária, em resposta aos deputados. Para a secretária, a transferência de atribuição do pedido de reunião e manifestação faz todo o

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

MENSAGEM DIRECTA

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VENTOS DE MUDANÇA

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GCS

proposta de lei aprovada ontem na generalidade que altera o destinatário dos pedidos de reunião e manifestação é uma “grande mudança”. A ideia foi deixada ontem pelo deputado suspenso Sulu Sou, à margem da reunião plenária de ontem. De acordo com o pró-democrata, com a alteração “a Polícia de Segurança Pública (PSP), vai ter mais poder para decidir que tipo de manifestação pode acorrer nos espaços públicos da cidade e onde podem acontecer alegando motivos legais”. De acordo com Sulu Sou, o facto de os pedidos para a realização de reuniões públicas e de manifestações terem de ser dirigidos à PSP é uma forma de limitar este tipo de acções. Para o pró-democrata a lei deveria ser alterada mas no sentido de facilitar a realização de manifestações.

e consecutiva transferência de funções. “A deputada Song Pek Kei já ajudou a responder ao motivo desta alteração: no processo de criação do IAM, fizemos um estudo sobre as suas atribuições e algumas vão ser transferidas, incluindo o aviso prévio das manifestações, a questão da gestão de armas e munições e licenciamentos sobre panchões e fogos de artifício”, disse. Um dos principais opositores à proposta aprovada ontem na generalidade, o deputado José Pereira Coutinho salientou ainda a ausência de consulta pública na concepção e apresentação da proposta de lei. A secretária explicou que não haveria necessidade deste procedimento. “Não fizemos uma consulta pública porque não reduzimos qualquer direito da população. Não há possibilidade da redução do seu âmbito. A lei é a mesma”, sublinhou.

Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça “Trata-se de uma transferência simples de competências que não vai reprimir ou atacar os direitos fundamentais da população.”

sentido. “Entendemos que, neste momento, quanto ao processo de reunião e manifestação, a polícia assume um papel muito importante”. Mais, trata-se de um processo idêntico ao que tem acontecido, mas só que ao contrario. “Depois da policia ter recebido o aviso sobre uso dos espaços públicos, basta um

diálogo entre o IACM e a policia e mais nada”.

AQUECIMENTO PARA O IAM

Song Pek Kei, à semelhança de outros deputados, questionou a secretária acerca dos motivos desta alteração e apontou uma justificação associada já a uma

preparação para a criação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que irá substituir o actual IACM. A secretária Sónia Chan confirma. Trata-se já de uma acção que tem em vista outras mudanças que podem ocorrer com a criação do novo órgão sem poder político

deputado José Pereira Coutinho mostrou-se manifestamente contra a alteração prevista no diploma aprovado ontem em que os pedidos de manifestação e reunião em espaço público passam a ser dirigidos à Polícia de Segurança Pública (PSP). Para o deputado o intuito é evidente: a restrição do direito à manifestação. “O Governo pretende, com esta alteração, passar a mensagem para a sociedade que no futuro quem se quiser manifestar, fazer um comício ou qualquer outra reunião em espaços públicos terá de se dirigir à polícia, o que é um retrocesso em todo o processo de solicitação de espaço público nos termos consagrados da Lei Básica”, disse à margem da reunião plenária de ontem. Para Coutinho não se trata de uma forma subtil de limitar as manifestações de protesto públicas no território. “É uma forma muito directa de o fazer” referiu. “Não houve qualquer tipo de argumentos que pudessem justificar de facto esta mudança”, rematou, sendo que considera que se trata de uma situação “preocupante e que “vai permitir às autoridades policiais apertar mais o cerco à manifestação da população”.

AL APROVADA A CRIAÇÃO DO INSTITUTO PARA OS ASSUNTOS MUNICIPAIS

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OI ontem aprovada na generalidade a proposta de lei que prevê a extinção do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e a criação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O novo organismo, que assume a configuração de um órgão municipal sem poder político, tem sido alvo de críticas, nomeadamente porque

os membros do conselho de administração e dos conselhos consultivos serão nomeados. Ng Kuok Cheong, um dos três votos contra a proposta aprovada ontem na generalidade, defendeu que sendo um órgão para a população deveria ser representado por pessoas eleitas pela mesma. A opinião e o voto contra foram partilhados pelos

deputados José Pereira Coutinho e Au Kam San. A secretária para a administração e justiça, Sónia Chan, voltou a argumentar que, sendo um órgão que obedece ao Governo e sem poder político, o facto dos seus membros serem na totalidade pessoas nomeadas pelo Executivo está em consonância com a Lei Básica.


6 política

Zheng vs trapaceiros

isso faz com que ambas as partes de um arrendamento fiquem sem protecção nem garantias”, refere em interpelação.

Deputado dos Conterrâneos de Kong Mun aponta falhas ao novo regime de arrendamento

E

NTROU em vigor no passado mês de Fevereiro e até agora só tem resultado em problemas. A acusação foi feita ontem pelo deputado Zheng Anting referindo-se à alteração do regime jurídico de arrendamento. Durante o período de antes da ordem do dia, o deputado Zheng Anting apontou algumas falhas que afirmou lhe terem sido denunciadas pela população relativamente à aplicação da lei. Uma das razões apresentadas pelo Governo para avançar com o diploma teve que ver com o combate aos arrendatários que não cumpriam com o devido pagamento, no entanto, afirma o deputado, o regime em vigor não se tem mostrado eficaz para o efeito. “São limitados os efeitos para combater o problema dos arrendatários trapaceiros” começa por dizer Zheng Anting. Em causa, considera, está a dificuldade que os senhorios têm em entender o próprio diploma. Neste sentido, a lei não é clara no que respeita às formas que os senhorios dispõem

TRABALHO A MAIS

HOJE MACAU

Senhorios sem saber o que fazer, lugares de estacionamento com contratos orais e exigência de reconhecimento de assinatura no notário são algumas das queixas mais apontadas pela população no que respeita à nova lei do arrendamento. Este foi o cenário traçado ontem pelo deputado Zheng Anting que pede ao Governo medidas para colmatar as falhas apontadas

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para pôr em prática despejos, situação pela qual consideram “não estarem bem protegidos”. Para resolver a situação, o deputado pede ao Governo que ceda aos pedidos dos senhorios e, como tal, organize seminários com a participação de especialistas da área jurídica para esclarecer os proprietários de casas arrendadas acerca dos procedimentos da “execução forçada”, o mecanismo que evite o recurso a um moroso processo judicial.

CONTRATO DE BOCA

As falhas não se ficam por aqui. Para Zheng Anting, há ainda o

problema relativo ao arrendamento dos lugares de estacionamento que, com o novo regime, não têm registo de propriedade horizontal. O resultado é o aluguer por via da palavra porque o contrato não estar enquadrado legalmente. Esta forma, considera Zheng, não é benéfica nem para o proprietário nem para o arrendatário porque não confere a nenhum deles qualquer segurança. “Como esses lugares não podem ser objecto de reconhecimento notarial só podem ser arrendados verbalmente e não por contrato escrito, tal como acontecia antigamente. Portanto,

Por último, Zheng Anting revela-se fortemente contra a obrigatoriedade de registo notarial que a nova lei do arrendamento exige. De acordo com o deputado, o problema reside no facto da medida estar a aumentar muito o trabalho dos notários locais e consequentemente, o tempo de espera dos respectivos registos contratuais. “Em Macau há cerca de 100 mil fracções ou parques que estão a ser arrendados, portanto, se todos esses contratos necessitarem de reconhecimento de assinatura por notários, cada notário tem de tratar um grande número de casos por dia”, queixa-se Zheng Anting. A medida, afirma, contraria o próprio princípio de “simplificação administrativa”, promovido pelo Governo. Zheng Anting salientou a sua abstenção neste ponto quando o diploma foi aprovado na especialidade. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

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Anúncio Faz-se saber que nos Concursos Públicos N.os 12/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 1) aos Serviços de Saúde》, 13/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 2) aos Serviços de Saúde》e 14/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 3) aos Serviços de Saúde》, publicados no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 10, II Série, de 7 de Março de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa dos concursos públicos pela entidade que os realizam e que foram juntos aos respectivos processos. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 27 de Março de 2018

O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 19/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 21 de Março de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação de Serviços de Reparação e Manutenção do Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens Médicas (PACS) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Abril de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP47,00 (quarenta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no átrio do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, no dia 10 de Abril de 2018, às 10,00 horas, e na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, R/C, Macau, no dia 10 de Abril de 2018, às 15,00 horas, para efeitos de visita às instalações a que se destina a prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 4 de Maio de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 7 de Maio de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 275.000,00 (duzentas e setenta e cinco mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 27 de Março de 2018

O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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NOVO MACAU CASO ROTA DAS LETRAS NO RELATÓRIO SOBRE DIREITOS HUMANOS DA ONU

negra” de pessoas proibidas de entrar no território, tendo afirmado que a negação de entrada se deve a questões de segurança interna. Contudo, a ANM diz que “o senso comum leva-nos a crer que estas justificações não são muito convincentes”.

A suspensão da vinda de três escritores ao festival literário Rota das Letras, depois do aviso do Gabinete de Ligação do Governo Central, consta no mais recente relatório sobre direitos humanos enviado pela Associação Novo Macau à ONU

OLHA O PASSARINHO

Inoportunidades Unidas

TIAGO ALCÂNTARA

A

s étima edição do festival literário Rota das Letras ficou marcada pelo cancelamento da presença dos escritores Jung Chang, Suki Kim e James Church, depois da organização do festival ter recebido um aviso do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM de que a sua presença não seria “oportuna”. O caso chega agora à Organização das Nações Unidas (ONU) pela mão da Associação Novo Macau (ANM), que abordou a questão no seu mais recente relatório sobre o panorama dos direitos humanos no território. A participação foi feita no âmbito da revisão da convenção da ONU nesta área. “Em Fevereiro de 2018, a organização do Festival Literário de Macau [Rota das Letras] retirou o convite a três proeminentes autores depois do seu director ter recebido a sugestão do Gabinete de Ligação de que ‘não seria garantida a entrada em Macau” desses três escritores”, lê-se no relatório ontem apresentado. De frisar que o caso foi uma das razões para o pedido de demissão do director de programação do festival, Hélder Beja, que, numa entrevista, confessou que esta situação levou à abertura “de um precedente”. Na visão dos activistas da Novo Macau, “os laços históricos, culturais e económicos entre Macau e as regiões vizinhas fizeram com que a liberdade de entrada e saída de Macau fosse parte da vida das pessoas”. Tendo referido também os casos de proibição de entrada de deputados e académicos de Hong Kong, bem como de jornalistas da região vizinha durante a passagem

Associação Novo Macau “Os laços históricos, culturais e económicos entre Macau e as regiões vizinhas fizeram com que a liberdade de entrada e saída de Macau fosse parte da vida das pessoas”

do tufão Hato, o relatório alerta para a necessidade de divulgação das verdadeiras razões para a proibição de entrada de pessoas em Macau. A Novo Macau pede que a ONU exija ao Governo “que crie os recursos efectivos para que as pes-

soas impedidas de entrar em Macau tenham acesso às verdadeiras razões para a entrada no território”. Tudo para que “se possam defender da avaliação das autoridades”. Neste sentido, os activistas consideram fundamental a revisão da lei de protecção dos dados pessoais, em

vigor desde 2008. Tudo para que se possa “providenciar medidas efectivas para que os cidadãos, cuja entrada no território é recusada, tenham acesso à informação que as autoridades detém sobre eles”. Até ao momento o Governo sempre negou que haja uma “lista

L

EONG, representante da aliança constituída por vários grupos de pessoas que perderam carros nas inundações provocadas pela passagem do tufão Hato, critica a demora das medidas prometidas pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Os proprietários lesados aguardam a redução e isenção do imposto sobre veículos motorizados anunciadas pela entidade.

Em declarações ao Jornal Ou Mun, Leong considera que foi enganado pelo Governo. Em Agosto do ano passado, a DSF anunciou medidas de apoio, nomeadamente a devolução de impostos já pagos na aquisição de novos veículos. No entanto, passando meio ano, o representante da associação de lesados critica a falta de seguimento deste processo. O representante recorda que na altura foi exigido aos

proprietários o cancelamento das matrículas dos veículos inundados. Os proprietários cooperaram, no entanto ainda não receberam qualquer tipo de imposto. Para Leong trata-se de um engano e acusa mesmo o Executivo de ter ficado com o dinheiro obtido com a venda dos carros em hasta pública sem que o tivesse usado para retribuir aos lesados na dedução do imposto.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

RÓMULO SANTOS

HATO PROPRIETÁRIOS COM CARROS INUNDADOS SENTEM-SE ENGANADOS

A proposta de lei da cibersegurança é outro dos pontos que a ANM destaca no seu relatório, sendo referido que “o público não tem possibilidades de verificar se a lei [Regime jurídico da videovigilância em espaços públicos] é respeitada pelas autoridades policiais”, além de que “o mecanismo para proteger os cidadãos de abusos ao nível dos dados pessoais é fraco”. Isto porque “apesar de Macau ter adoptado a lei de protecção dos dados pessoas em linha com [as directivas da União Europeia], os actos do Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) têm posto em causa a sinceridade no que diz respeito à protecção da privacidade dos cidadãos”. A Novo Macau recorda que, nos últimos tempos, “o GPDP tem unido forças com a polícia para reprimir iniciativas civis”, além de que “apoiou a proposta de lei da cibersegurança sem reservas”. Neste sentido, o relatório aponta não só para a obrigatoriedade das autoridades em revelarem “informação completa e verdadeira sobre as capacidades das tecnologias de vigilância em rede, no que diz respeito à nova proposta de lei da cibersegurança” A revisão da lei de protecção de dados pessoais, de que fala a Novo Macau, iria também criar um mecanismo mais efectivo no tratamento das queixas apresentadas, uma vez que nunca há conclusões sobre os processos. A desigualdade de género existente na legislação local, sobretudo na lei de prevenção e combate à violência doméstica, e a ausência de eleições directas para o futuro órgão municipal sem poder político, Chefe do Executivo e deputados à Assembleia Legislativa são outros dos pontos referidos no documento.


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4.4.2018 quarta-feira

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ASON Chao está a ser acusado por Wang Jianwei, docente da Universidade de Macau, da prática de um crime de difamação e vai ter de comparecer em tribunal no dia 24 de Julho. O caso foi revelado ontem pelo activista e confirmado, ao HM, pelo professor da universidade. Em causa está um artigo da Macau Concealers, publicação afecta à Novo Macau, em que era noticiada a existência de processos internos na Universidade de Macau, sobre alegadas práticas de assédio sexual cometida por professores, em 2014. O artigo foi publicado apenas em 2015, e em resposta à publicação, Wang Jianwei, na altura director do Departamento de Administração Pública e Governamental, veio a público admitir que era um dos investigados. “É um caso de difamação. Ele acusa-me de difamá-lo em 2015. É um processo ligado aos alegados casos na Universidade de Macau de assédio sexual por parte dos corpos docentes. Na altura, divulgámos a existência das investigações e das queixas na publicação Macau Concealers. Mas nunca referimos o nome do professor envolvido”, afirmou Jason Chao, em declarações ao HM. “Ele depois fez um comunicado a admitir a existência de queixas e a abertura de investigações. Foi ele que se identificou. Também a UM fez um comunicado, em que admitiu a existência de investigações e de um processo interno sobre as alegadas práticas de assédio sexual, em que não foram identificadas as pessoas”, completou. Ao HM, Wang Jianwei confirmou a existência do processo. “Está a decorrer nos tribunais e por isso não quero fazer comentários”, afirmou. O docente confirma que continua a ensinar na Universidade de Macau, mas não quis comentar os processo internos. “É uma questão que deve ser levantada junto da universidade”, frisou. A sessão do julgamento está agendada para as 11h da manhã, sendo a prática do crime de difamação punida com uma

MULHERES ASSOCIAÇÃO NEGA HAVER VAGAS SUFICIENTES NAS CRECHES DE MACAU

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Jason Chao, activista “Na altura, divulgámos a existência das investigações e das queixas na publicação Macau Concealers. Mas nunca referimos o nome do professor envolvido.”

JUSTIÇA ACTIVISTA PROCESSADO POR DOCENTE DA UM

A vez de Jason

O membro da associação Novo Macau está a ser acusado por um docente da Universidade de Macau da prática do crime de difamação. Em causa está um artigo sobre a alegada existência de práticas de assédio sexual na publicação Macau Concealers pena de prisão até seis meses ou pena de multa de 240 dias.

PROCESSO ENCERRADO

Contactada pelo HM, a Universidade de Macau afirmou que o professor Wang foi ilibado das alegações de que era alvo: “Após uma investigação profunda, as alegações foram consideradas infundadas e o caso foi fechado em Julho de 2015”, afirmou a instituição.

Poré, Jason Chao considerou que a revelação dos casos contribuiu, na altura, para melhorar os mecanismos de resposta da UM às questões do assédio sexual e situações semelhantes. “Na minha perspectiva não vejo razões para este caso. Mas considero que o facto de termos mencionada as investigações internas contribuiu para despertar as consciências para o fenómeno do

assédio sexual nas universidades e melhorar os mecanismos de queixas e resposta, mesmo da Universidade de Macau”, apontou. “Também não me parece que o que tenhamos feito seja errado, porque nós demos enfâse aos inquéritos que tinham sido abertos. A UM confirmou a existência dos mesmos”, acrescentou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.moi

UO Ping, vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau (AGMM), considera que, apesar de o Governo ter garantido o aumento do número de estabelecimentos relativamente ao ano passado, a insuficiência de vagas continua a ser um problema. De acordo com o responsável a situação deve-se, em grande parte, ao aumento de casos em que ambos os cônjuges trabalham. O problema é mais evidente em algumas regiões do território, considera. Para a vice-presidente da AGMM, e de acordo com os dados divulgados, existem mais de 18 mil crianças com idade para se inscreverem em creches. No entanto, devido à grande procura e falta de vagas, várias famílias têm de inscrever os filhos em creches particulares e suportar os preços elevados. De acordo com o plano do Governo relativo ao desenvolvimento dos serviços das creches de 2018 a 2022, está prevista a prioridade às crianças de famílias vulneráveis. Luo Ping concorda e enfatiza que é também necessário oferecer apoios a dezenas de milhares de famílias com ambos os pais a trabalhar. Luo pede ainda às autoridades para que considerem mais amplamente as necessidades das famílias locais tendo sugerido que o Executivo atribua adequadamente vagas às diferentes zonas do território. V.N.

Hospital das Ilhas Concepção da obra já está concluida

O coordenador do Gabinete Organizador para a Construção de Novas Instalações dos Serviços de Saúde (SS), Chou Kuok Hei, revelou que a concepção da obra da construção do Edifício do Hospital Geral no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas foi concluída. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o responsável acrescentou ainda que o processo está em fase de discussão com o Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas (GDI) no que respeita aos documentos para o acto público de abertura de propostas. O coordenador revela que o Hospital Geral das Ilhas irá dispor de 1100 camas e que estará apetrechado com equipamentos com tecnologia de ponta. Como exemplos de equipamentos referiu a protecção médica, radiologia terapêutica e o sistema automático de dispensa de medicamentos. Relativamente ao edifício destinado às doenças transmissíveis, Chou Kuok Hei explicou que os trabalhos na concepção da obra de construção estão divididos em várias partes. O Governo está a rever a planta de acordo com as opiniões dos respectivos serviços.


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quarta-feira 4.4.2018

Um estudo desenvolvido pela docente Cecília Ho, do Instituto Politécnico de Macau, conclui que 44 por cento das assistentes sociais acredita que a violência doméstica é uma questão familiar que deve ser resolvida no seio do casal. Há, contudo, uma importante percentagem que defende a sua criminalização

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ERCA de dois anos depois da implementação da nova lei da violência doméstica, que a transformou num crime público, há ainda muito trabalho a fazer no que diz respeito à consciencialização dos profissionais que lidam de perto com estes casos. Um estudo desenvolvido pela académica Cecília Ho, professora do Instituto Politécnico de Macau (IPM), revela que 44 por cento das assistentes sociais em Macau continua a achar que a violência doméstica é uma questão que apenas diz respeito às famílias e que deve ser resolvida com base na conversação entre o casal, em prol da harmonia familiar. As conclusões foram ontem apresentadas num seminário ocorrido no IPM e organizado pelo Centro do Bom Pastor. Cecília Ho baseou-se na análise feita a um grupo de 15 assistentes sociais e estudantes de serviço social, tendo realizado também um inquérito. O objectivo foi olhar para a “percepção que as assistentes sociais têm em relação à violência doméstica e as necessidades em termos de educação na área social”, contou Cecília Ho ao HM.

ASSISTENTES SOCIAIS 40% DIZ QUE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA É QUESTÃO FAMILIAR

Não meter a colher A académica fala de contradições e alguma controvérsia nos resultados. “Em Macau a violência doméstica é crime público, e, de acordo com o meu estudo, os participantes concordam que a violência doméstica deve ser crime. Contudo, uma parte, cerca de 44 por cento, considera que a violência doméstica é uma questão familiar. Então há uma contradição, porque uma parte defende a criminalização e outra acha que é uma questão que deve ser resolvida no seio das famílias. Isto é controverso.” Para Cecília Ho, “temos de apostar mais na igualdade de género e também na perspectiva dos direitos humanos, sobretudo no que diz respeito à violência entre casais que vivem em união de facto”. A académica foi uma das vozes mais activas aquando do longo debate sobre a necessidade de transformar a violência num crime público, ao invés de semi-público. Ao HM, Cecília Ho defendeu que não devem existir ideias pré-concebidas na hora de contactar vítimas e famílias. “As assistentes sociais são o primeiro contacto das vítimas, e se não têm qualquer sensibilidade no que diz respeito à questão do género, podem ter ideias pré-concebidas, como pensar que a mulher está a fazer algo de errado para fazer o marido recorrer à violência. Para eliminar isso, defendemos que as assistentes sociais devem ter mais consciência da questão da igualdade de género e dos direitos humanos no seio da família.”

MUDAR A LEI

Na visão de Cecília Ho, vai levar algum tempo a mudar as mentalidades, sobretudo porque o diploma está em vigor apenas há dois anos. A académica defende mesmo que, aquando da revisão da lei, deveria alterar-se a noção de casal para a designação “parceiros íntimos” por abranger um maior número de potenciais vítimas, no-

Cecília Ho, académica do IPM “Cerca de 44 por cento considera que a violência doméstica é uma questão familiar. Então há uma contradição, porque uma parte defende a criminalização e outra acha que é uma questão que deve ser resolvida no seio das famílias.”

meadamente as que fazem parte da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero). Actualmente, o diploma determina que violência doméstica é um acto que ocorre “no âmbito de uma relação familiar ou equiparada”, sendo que, aos olhos do legislador, uma “relação familiar ou equiparada” abrange “as relações familiares constituídas por casamento, parentesco ou afinidade na linha recta, e adopção”, bem como as “relações familiares constituídas por parentesco ou afinidade na linha colateral até ao quarto grau quando exista coabitação”. Estão também incluídas “as relações existentes entre pessoas que vivam em situação análoga à dos cônjuges”, sem esquecer “as relações existentes entre ex-cônjuges”, entre outras situações. Desta forma será mais fácil para os assistentes sociais lideram com os casos. “Alguns estudos mostram que ambos os sexos, incluindo a comunidade LGBT, enfrentam violência física, por isso sugiro que na lei se altere o nome de casal para parceiro íntimo, porque esta designação engloba um maior número

de vítimas. Apesar disso, em Macau e Hong Kong, bem como na sociedade chinesa no geral, as mulheres continuam a ser as grandes vítimas de violência doméstica. Em Macau as mulheres representam 70 por cento das vítimas.” Para Cecília Ho, “a implementação da lei pode mudar a mentalidade dos profissionais no que diz respeito à violência doméstica”, mas cabe ao Governo também fazer mais acções promocionais. “Já existem vários programas que tentam promover a harmonia social, mas deveriam existir mais programas focados nos indivíduos e nas famílias. As assistentes sociais podem lidar de perto com casos de violência doméstica e não ter a percepção de que estão perante um caso de violência doméstica, não conseguem fazer a identificação do problema e a devida prevenção, para que não se torne um caso mais grave”, rematou a docente do IPM. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ANÚNCIO VENDA EM HASTA PÚBLICA Faz-se público que se vai realizar uma venda em hasta pública de sucata resultante de veículos, de sucata de bens e de bens (telemóveis e vinho), que reverteram a favor da Região Administrativa Especial de Macau nos termos da lei ou que foram abatidos à carga pelos serviços públicos. Os locais, dias e horas marcadas para visualização dos bens agora colocados à venda, para efeitos de prestação da caução e da hasta pública propriamente dita, são os seguintes: Visualização dos bens 1. Sucata resultante de veículos, sucata de bens e bens (telemóveis) Na tabela abaixo indicada encontram-se discriminados os lotes de sucata resultante de veículos, de sucata de bens e bens (telemóveis) colocados à venda, bem como, a respectiva data, hora e local para visualização dos mesmos na presença de trabalhadores da Direcção dos Serviços de Finanças: No. de lote VS01 (parte), VS02 a VS10 MS01 a MS04 IS01 (parte) L03, L04(I) VS01 (parte), IS01 (parte) L01, L02 B01

Local de armazenamento Data de identificação Horário (1)

Local (2)

Taipa e Coloane

09/04/2018

10:00

Parque de estacionamento provisório para veículos abandonados (Estrada de Flor de Lotus, Coloane)

Macau

09/04/2018

15:00

Macau

10/04/2018

10:00

Edifício Veng Fu San Chun (Rua da Penha, n.º 3 – 3C, Macau) Edifício Industrial Cheong Long (Ramal dos Mouros, n.º 11-21, Macau)

Nota

(1) A visualização de sucata resultante de veículos, de sucata de bens e de bens (telemóveis) inicia-se, impreterivelmente, quinze minutos após a hora marcada, não sendo disponibilizada uma outra oportunidade para o efeito. Os interessados devem providenciar meio de transporte para se deslocarem ao local de armazenamento de cada lote. (2) Para se dirigirem aos locais de armazenamento de sucata resultante de veículos, de sucata de bens e bens (telemóveis), devem os interessa dos concentrar-se nos locais acima indicados. Não há lugar à visualização de sucata resultante de veículos, de sucata de bens e bens (telemóveis) no dia da realização da hasta pública, mas são projectadas fotografias dos mesmos através de computador. 2. Bens (vinho) Há lugar à visualização dos bens no local da realização da hasta pública, e, simultaneamente, são projectadas fotografias dos mesmos através de computador. 3. As listas de bens podem ser consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica desta Direcção dos Serviços (website:http://www.dsf.gov.mo). As listas dos bens com descrição pormenorizada podem ser consultadas no 8.º andar do Edifício “Finanças”, sala 803. Prestação de caução Período: Desde a data do anúncio até ao dia 10 de Abril de 2018 Montante: $5,000.00 (cinco mil patacas) Modo de prestação da caução: - Por depósito em numerário ou cheque, o qual será efectuado mediante a respectiva guia de depósito e paga em instituição bancária nela indicada. A referida guia de depósito será obtida na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; ou; - Por garantia bancária, de acordo com o modelo constante do anexo I das Condições de Venda.

Realização da Hasta Pública Data: Horário: Local:

11 de Abril de 2018 (quarta-feira) às 09:00 horas – registo de presenças às 10:00 horas – início da hasta pública Auditório, na Cave do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585.

Consulta das Condições de Venda As condições de Venda podem ser: - obtidas na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; - consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica da Direcção dos Serviços de Finanças (website: http://www.dsf. gov.mo). O Director dos Serviços Iong Kong Leong


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O jornalista e autor João Guedes lança no próximo sábado a obra “Chui Tak Kei – História numa biografia”, dedicado à vida do tio do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On. Chui Tak Kei foi um dos principais elos de ligação entre as comunidades chinesa e portuguesa, a par de nomes como Roque Choi e Ho Yin PUB

4.4.2018 quarta-feira

CHUI TAK KEI JOÃO GUEDES LANÇA FOTOBIOGRAFIA DO TIO DO CHEFE DO EXECUTIVO

A história do poder

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Albergue SCM promove o lançamento, este sábado, da fotobiografia sobre o tio do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On, uma figura histórica da comunidade chinesa em Macau, falecida em 2007. “Chui Tak Kei - a História numa biografia” é da autoria de João Guedes, ex-jornalista da TDM e autor de várias obras sobre a história de Macau. João Guedes desvendou ao HM um pouco sobre a obra que ele próprio propôs realizar e que contou de imediato com o apoio de Carlos Marreiros, arquitecto e director do Albergue SCM. Além disso, a Fundação Macau também apoia o projecto. “Não há biografias em Macau e o que existe são pequenos artigos de jornal ou resumos biográficos”, contou. “A única biografia de fôlego que conheço foi a que foi publicada sobre o Roque Choi [da editora Livros do Oriente, de Rogério Beltrão

“Durante a guerra pertencia à Associação Tung Sin Tong e deu auxílio aos refugiados. Esse é um ponto importante, porque é aí que inicia a sua vida política.” JOÃO GUEDES AUTOR

Coelho e Cecília Jorge]. Há uma quantidade enorme de pessoas com interesse que não têm biografias”, acrescentou. Chui Tak Kei é um nome proveniente da família Chui, uma das mais importantes de Macau. Tio de Chui Sai On, foi empresário nos mais diversos ramos, um dos quais o imobiliário. No plano político destacou-se como vice-presidente da Assembleia Legislativa e participou no processo de transferência de soberania de Macau e na elaboração da Lei Básica. Como membro da comunidade chinesa, Chui Tak Kei foi uma das figuras que serviu de elo de ligação com a comunidade portuguesa. João Guedes prefere destacar a época da II Guerra Mundial e a crise do “1,2,3”, no período da Revolução Cultural, como dois momentos importantes na vida de Chui Tak Kei. “Durante a guerra pertencia à Associação Tung Sin Tong e deu

auxílio a refugiados. Esse é um ponto importante, porque é aí que inicia a sua vida política. Também fazia parte da Associação Comercial de Macau, que era uma espécie de governo sombra da comunidade chinesa na altura”, contou. De frisar que a família Chui ainda hoje está ligada à Tung Sin Tong, uma das associações de caridade mais antigas de Macau.

VERSÃO TRILINGUE

A vida de Chui Tak Kei é contada e revelada num livro que estará disponível em português, inglês e chinês, e que contém 240 páginas repletas de “fotografias impressas em alta qualidade e documentação sobre Chui Tak Kei que, até agora, nunca tinham estado disponíveis ao público.” De acordo com um comunicado do Albergue, Chui Tai Kei foi uma “personalidade de invulgar dimensão humana e cívica, que Macau ainda lembra com saudade e respeito”. Chui Tak Kei nasceu em Macau em 1911. Licenciado em Farmácia e com o curso técnico de Arquitectura, assume os negócios da família, ligados à construção civil, a partir de 1935. Figura preponderante do mundo empresarial de Macau, presidente da Associação Comercial de Macau,


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quarta-feira 4.4.2018

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funda, nos anos 70, a Associação de Construtores Civis de Macau, de que seria o presidente executivo e mais tarde presidente honorário até ao fim da vida. Foi uma figura de vulto nas instituições públicas e privadas do território e nos órgãos políticos de Macau, tendo ocupado o cargo no Conselho Consultivo do Governador e na Vereação do Leal Senado. Foi membro do Conselho da Redac-

ção da Lei Básica da RAEM e da Comissão Preparatória da RAEM, bem como presidente do Comité Consultivo para a Lei Básica da RAEM. Amante de música e de Belas Artes, dedicou-se, nos tempos livres, ao desenho, pintura e caligrafia chinesa, além de ser um grande apreciador e coleccionador de arte chinesa. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

EXPOSIÇÃO OBRAS DE XU QINSONG NO MUSEU ATÉ DIA 12

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OI ontem inaugurada a exposição de pintura “Magnífico - Montanha e Água de Xu Qinsong”, que estará patente até ao próximo dia 12 de Abril na sala de exposições do Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau. O Instituto Cultural (IC) revela que o objectivo desta iniciativa é “promover o desenvolvimento da cultura e artes tradicionais da China e permitir a mais pessoas de Macau conhecer e sentir o encanto da pintura de paisagem chinesa”. A exposição, que inclui um total de 80 obras, é organizada

pela Fundação Macau e Academia de Pintura de Guangdong. As obras são “grandes pinturas de paisagens e esboços, e até a obra ‘Nuvem em cume de montanha com chuva’, que gerou um conflito de direitos de propriedade intelectual devido à sua utilização no documentário ‘A mordida da China’, estará patente nesta exposição”. Na visão do IC, o artista chinês inclui na sua obra aspectos ocidentais da arte da pintura. “Ao desenhar os esboços, por um lado, o artista pensou novamente na cultura sob a forma de paisagem da China, numa lógica inovadora da sua

pintura paisagista, mas, por outro, procurou criar um modelo linguístico da pintura de paisagem individual.” Os trabalhos de Xu Qinsong “quebraram a tradição inerente das paisagens tradicionais, pois observam a natureza a partir de uma perspectiva mais elevada.Através do olhar para baixo onde se vê a terra e do olhar para cima onde se vê o céu, ambos expressam a profundeza das montanhas, o mistério e a vastidão do universo, bem como combinam, da melhor forma possível, a realidade e a virtualidade, que serão apresentados aos visitantes da exposição.”

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directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e os Presidentes das Filipinas e da Áustria, Rodrigo Duterte e Alexander van der Bellen, respectivamente, também estarão presentes, afirmou Wang Yi. O evento, que se celebra entre 8 e 11 de Abril, contará ainda com os primeiros-ministros de Singapura, Holanda, Mongólia e Paquistão, acrescentou. Portugal, que em 2017 esteve representado pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, não terá este ano participação a nível ministerial. Fundado em 2001, o fórum celebra-se na cidade chinesa de Boao, na ilha tropical de Hainan, no extremo sul do país, e tem nesta edição o tema "uma Ásia aberta e inovadora para um mundo próspero". O discurso de inauguração caberá a Xi Jinping, indicou Wang Yi, adiantando que o líder chinês vai reunir-se com mandatários estrangeiros presentes na iniciativa. É a terceira vez que Xi assiste ao fórum, desde que assumiu o cargo de Presidente, o que mostra o "seu compromisso e forte apoio", segundo Wang Yi. "Boao converteu-se numa importante ponte entre a China e o resto do mundo", destacou o ministro. A edição deste ano vai dar especial importância ao processo de reforma e abertura económica, adoptado pelo China há 40 anos, e que permitiu ao país converter-se na segunda maior economia mundial.

4.4.2018 quarta-feira

ECONOMIA XI E GUTERRES PRESENTES NO FÓRUM BOAO, O “DAVOS ASIÁTICO”

Conversas globais

O Presidente chinês, Xi Jinping, assistirá esta semana ao Fórum Boao, conhecido como o “Davos Asiático”, e que contará também com o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês

Fundado em 2001, o fórum celebra-se na cidade chinesa de Boao, na ilha tropical de Hainan, no extremo sul do país, e tem nesta edição o tema “uma Ásia aberta e inovadora para um mundo próspero”

Mais de dois mil líderes políticos e económicos, entre os quais directores de grandes multinacionais chinesas e estrangeiras, vão estar presentes no fórum.

BOLSAS ENCOLHEM

O encontro de acontece numa altura em que se

desenrola uma guerra comercial entre as duas maiores potências económicas mundiais. As principais bolsas mundiais registaram quedas pelo segundo dia consecutivo, com investidores a reagir às crescentes tensões comerciais entre os

Estados Unidos e a China, noticiou ontem a agência Associated Press (AP). A tensão comercial entre os Estados Unidos e a China agravou-se depois de Pequim ter anunciado na segunda-feira novas tarifas sobre produtos agrícolas, uma retaliação contra as

taxas na importação de aço e alumínio, aplicadas pela administração de Donald Trump. Como consequência, os mercados da China, Japão e Coreia do Sul caíram na terça-feira e o iene subiu em relação ao dólar. A bolsa de Xangai abriu

ONG EXIGIDA LIBERTAÇÃO DE ACTIVISTA CHINÊS DESAPARECIDO EM SETEMBRO

V

ÁRIAS organizações não governamentais (ONG) exigiram, nos últimos dias, a libertação imediata do activista de direitos humanos chinês Zhen Jianghua, desaparecido desde Setembro, depois de ter sido formalmente acusado de subversão, foi ontem no ticiado. Para a directora da Human Rights Watch na China, Sophie Richardson, a prisão do activista mostra a intenção das autoridades chineses em erradicarem a "supervisão dos direitos humanos na China", disse, em comunicado, citado pela agência noticiosa espanhola EFE. O activista coordenava, desde 2015, a organização Human Rights

Campaign, na China, a qual tem feito esforços para acabar com a detenção de alguns defensores dos direitos humanos no país. Zhen, de 32 anos, foi preso a 1 de Setembro pelas autoridades chinesas, que o mantiveram desde então sob prisão domiciliária, sem especificar onde. O advogado do activista chinês, formalmente acusado em Abril de incitar à subversão contra o Estado, revelou não ter acesso ao cliente, há quase sete meses. "Zhen Jianghua está detido há mais de sete meses por exercer o direito à liberdade de expressão (...) e corre um risco sério de tortura", declarou o advogado, que pediu às

autoridades chinesas a "correção rápida dos seus erros". Também através de um comunicado, defensores dos Direitos Humanos na China exigiram do governo chinês a libertação imediata do activista, cuja prisão é "mais um sinal de repressão implacável a grupos da sociedade civil e à livre expressão". A organização não governamental de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) também já alertou publicamente sobre o risco de tortura de Zhen, enquanto a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) exigiu, há alguns dias, a libertação imediata do activista.

com uma queda de 1,05 por cento, o índice Nikkei, de Tóquio, caiu 1,28 por cento, e o indicador Kospi, de Seul, desceu 0,21 por cento. Na segunda-feira, também a bolsa de Wall Street fechou em forte recuo, com o receio do agravar das tensões comerciais internacionais e com os investidores a provocarem a queda de alguns valores simbólicos da tecnologia, como a Amazon ou a Intel. O crescente escrutínio público das empresas de tecnologia é apontado como outro motor de queda dos mercados mundiais, verificando-se uma "queda acentuada" das acções de várias empresas, como a Amazon, a Intel e a Tyson, de acordo com a AP. A Amazon, empresa transnacional de comércio electrónico, afundou no último fim-de-semana, enquanto o Facebook entrou em colapso com o "crescente escândalo" de privacidade que continua a pesar nas ações da empresa. A iminente ameaça de uma regulamentação mais rigorosa no sector de tecnologia na Europa e nos EUA levou os investidores a retirar dinheiro de empresas como a Netflix, a Microsoft e a Alphabet, empresa-mãe do Google, avançou a mesma fonte. Depois de um mês de negociações públicas entre os Estados Unidos e vários outros países, a China foi o primeiro estado a colocar tarifas sobre produtos dos EUA em retaliação contra as recentes sanções comerciais do governo Trump.


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quarta-feira 4.4.2018

Região Embarcação com 56 refugiados rohingya resgatada na Malásia

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AVIOS de guerra da Malásia interceptaram ontem uma embarcação com refugiados da minoria muçulmana rohingya que desembarcaram na ilha de Langkawi, no norte do país, informaram fontes oficiais de Kuala Lumpur. Na embarcação viajavam 56 pessoas, incluindo 18 mulheres e 19 crianças da minoria muçulmana vítima de perseguições na Birmânia. “Os refugiados desembarcaram em Lankawai e encontram-se sob a alçada das autoridades responsáveis pela imigração”, disse o comandante da Mohamad Rosli da Marinha de Guerra da Malásia. “Encontram-se em boas condições. Demos-lhes água e comida”, acrescentou o oficial.

A Marinha de Guerra da Malásia encontrava-se em alerta e esperava a passagem da embarcação com os refugiados que tinha sido avistada ao largo da ilha tailandesa de Lanta no domingo. Devido ao mau tempo, a embarcação com os 56 refugiados a bordo aproveitou para abastecer-se antes de navegar rumo à Malásia onde vive uma importante comunidade rohingya. Trata-se do primeiro bote com refugiados detectado no mar de Andaman desde 2015, ano em que milhares de rohingya e cidadãos do Bangladesh foram abandonados pelas redes de tráfico de pessoas da Tailândia. Várias organizações já alertaram para o risco de um êxodo de grandes proporções devido à deterioração das condições de vida nos campos de refugiados do Bangladesh onde se encontram 700 mil pessoas que fugiram da Birmânia onde são perseguidos pelos militares. As Nações Unidas acusam as autoridades birmanesas de “limpeza étnica” contra a minoria muçulmana.

FÉ PEQUIM DIZ QUE LIMITAR ORDENAÇÃO DE CLÉRIGOS NÃO VIOLA LIBERDADE RELIGIOSA

Bispos em cheque

A China disse ontem que limitar o controlo do Vaticano na nomeação dos bispos não restringe a liberdade religiosa dos crentes chineses, numa altura em que Pequim e a Santa Sé discutem um primeiro acordo

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vice-director da Administração de Assuntos Religiosos da China Chen Zongron reafirmou a noção de que os grupos religiosos do país não podem ser controlados por "forças estrangeiras". "A constituição chinesa afirma claramente que os grupos e assuntos religiosos não podem ser controlados por forças estrangeiras, e que estas não devem interferir de forma alguma", afirmou. O responsável, que falava durante a apresentação de um livro branco do Conselho de Estado chinês sobre a liberdade religiosa no país, afirmou que discorda que Pequim esteja a restringir a prática religiosa por não dar "controlo absoluto" ao Vaticano na nomeação dos bispos. Pequim e a Santa Sé estão prestes a quebrar mais de meio século de antagonismo com a assinatura de um primeiro acordo sobre a nomeação dos bispos.

Encontro Chefe da diplomacia da Coreia do Norte em Pequim

O chefe da diplomacia norte-coreana encontra-se na República Popular da China onde se vai reunir com o homólogo chinês, Wang Yi, indicou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim. “Ri Yong Ho chegou hoje a Pequim” disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang. A visita de Ri Yong Ho a Pequim decorre poucos dias depois da deslocação do líder norte-coreano Kim Jong-un à capital da República Popular da China e a quatro semanas antes da cimeira entre Pyongyang e Seul.

Chen Zongron, vice-director da Administração de Assuntos Religiosos da China “A constituição chinesa afirma claramente que os grupos e assuntos religiosos não podem ser controlados por forças estrangeiras, e que estas não devem interferir de forma alguma.”

Os dois Estados romperam os laços diplomáticos em 1951, depois de Pio XII excomungar os bispos designados pelo Governo chinês.

REZAR NO ESCURO

Os católicos chineses dividiram-se então entre duas igrejas: a Associação Católica Patriótica Chinesa, aprovada por Pequim, e

a clandestina, que continuou fiel ao Vaticano. Segundo o acordo, que observadores afirmam que será anunciado em breve, o Vaticano deve reconhecer sete bispos nomeados por Pequim, enquanto dois bispos da igreja clandestina terão que se afastar. O acordo tem suscitado críticas de que a Santa Sé está a abdicar de muito, depois de quase sete décadas

a reafirmar a necessidade de manter a igreja católica independente do controlo do Governo chinês. Na semana passada, Guo Xijin, um dos bispos ordenados pelo Vaticano que deverá ceder o seu posto por não ser reconhecido pelas autoridades chinesas, foi temporariamente removido da sua paróquia, no sul do país, mas regressou no domingo para celebrar a páscoa.

INSÓLITO CONDUTOR QUE FUGIU DE ACIDENTE DESCOBRE QUE EMBATEU CONTRA FAMÍLIA

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M homem que fugiu após ter embatido com a sua carrinha contra uma bicicleta eléctrica, no leste da China, descobriu mais tarde que tinha matado o próprio filho e deixado a mulher gravemente ferida, segundo a imprensa local. Identificado como Zhang, o homem conduzia alegadamente embriagado quando bateu contra a bicicleta, em 22 de Março, na ci-

dade de Zibo, província de Shandong, norte da China. A polícia informou ontem que a mulher sofreu fracturas ósseas e que está a receber tratamento. A causa exacta da morte do rapaz continua por determinar, segundo os jornais chineses. O acidente ocorreu depois de a família jantar com amigos. A mulher e o filho, de seis anos, voltaram para casa de

bicicleta, enquanto o homem seguiu na carrinha. Após ter embatido contra a bicicleta, o homem fugiu imediatamente, deixando a mulher e o filho, até que os dois foram encontrados caídos na estrada. Na sequência do acidente o rapaz acabou por morrer no hospital. A polícia conseguiu descobrir a matrícula da carrinha através de câmaras instaladas na rua

e ligou para o número de telemóvel no qual o veículo estava registado, e que pertencia à mulher. Funcionários do hospital atenderam a chamada e afirmaram que a proprietária do telemóvel estava a receber tratamento, segundo os jornais. O condutor admitiu o acidente e disse que desconhecia a identidade das vítimas quando fugiu.


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Presas velozes são difícies de atingir

Diário de um editor

Paisagem e desequilíbrio BARRACA, LISBOA, 23 MARÇO «Comecemos pela porta de entrada, esse laço incerto que quebra pragas e que quase une o desavindo com que a terra se faz oscilação, ilha, escora de magma, rua, céu, habitação, telhado, enfim: paisagem proscrita para que o poema desequilibre pelo menos uma parte essencial do mundo.» Abre (quase) assim a interpretação do Luís [Carmelo], lida com o fulgor habitual no lisboeta atiramento de de «Rua Antes do Céu», do José Luiz [Tavares]. Paisagem proscrita para que o poema desequilibre pelo menos uma parte essencial do mundo. Paisagem e desequilíbrio. De facto,

vejo o Zé Luiz a subir e descer escarpas, tantas vezes em queda, de lugares muito seus, muitos céus, muito de costas para o mar, muita terra de dar gente. Descubro nos seus versos, a cada leitura, aguçada humanidade, que tanto fere como acaricia, feita de linguagem e consciente de uma obra, seja casa sem telhado. «Intentar o voo e estatelar no chão./ Do avesso, recolher de si e do mundo/ a parte perdida — assim se engendra/ um livro, nas sonoridades desajustadas,/ num enfrentamento que reclama/ a mão soberana no domar dos relinchos/ do monstro vivo que é a obra.» Este era um primeiro Umbral, de-

pois substituído pelo publicado que se ouviu na voz gravada do Renato [Filipe Cardoso], chamando os amigos à função de celebrar esta parte essencial do mundo: «E é dos tropeços da vida// dos sonhos que só tinta/ da queda em seco/ a um sol/ sem mais aquelas/ que aos puros nus/ destapa// e como um verão de procelas/ desata/ o rapaz que foras tu/ entre rogos riso e praga». Paisagem, desequilíbrio mas também infância, que a pátria da inocência se desvela nesta epopeia que tropeça. Percorrer caminhos inóspitos ou alcatifados em contínuo estremecimento, recolhendo de si e do mundo partes perdidas, surge-me neste exacto momento como sinónimo do desconchavado trabalho de editor, arado e antena. Recomecemos. ARQUIVO, LEIRIA, 24 MARÇO Uma sala cheia acolhe o Valério [Romão], cheia não apenas de gente, mas de interesse, com leituras feitas e opiniões por partilhar. Ternura, até. A Susana [Neves] distribuiu jogo com grande habilidade e aquele saber que só desponta em quem gosta e gosta de partilhar. O pretexto era «Cair Para Dentro», pelo que se esticou a família como pano de fundo, além do recorrente refrão da habilidade do autor para esculpir figuras femininas. Ouviram-se também, em toada habitual, aplausos para a capa do Alex [Gozblau], cujo trabalho se celebra e expõe, por este estes dias,

A melodia oscilante das palavras que cobrem o chão de Cesariny soa como gatos, uma pieira que resulta de estar entalada entre o grito e o sussurro, um nó na garganta da alegria como da tristeza. Um nó na garganta, vejo agora e oiço aqui, poderia ser uma pátria gigantesca

João Paulo Cotrim

em Paris, por iniciativa da Anne Lima, da Chandeigne. Cada capa da trilogia «Paternidades Falhadas» acabou sendo um caso, de acerto, digo eu. A de «Autismo» por nada conter além de brinquedo de pernas para o ar. Muitas desgraças nos foram anunciadas, por causa dessa mudez, e nem a lombada que, de tão grossa, gritava o título em parangonas, as minorava. O leitor, coitado, não seria capaz de perceber… Em «O da Joana» simulava-se um rasgão, com o branco-buraco a causar estranheza e dúvida. Esta mais recente tem rosto a desfazer-se, do mesmo modo que tantos se desfazem em elogios. Destoa, claro, mas não pretendemos outra coisa. (Algures nesta página uma primeira versão, ainda com título provisório.) Também as quatro ilustrações, que abrem sempre os volumes desta colecção, são distintas compondo simples e engenhosa narrativa. Depois de brinquedos e de lugares, temos finalmente figura humana: um rosto feminino que se apaga para deixar surgir outro. Dificilmente se encontraria melhor maneira de dizer ao leitor ao que irá, o ambiente que encontrará, a sugestão das personagens, se não mesmo o essencial do jogo. HORTA SECA, LISBOA, 25 MARÇO Morreu o Manuel Reis (1947-2018), inventor de noites e cidades. Em jornal seu, escrevi em tempos prosa dedicada a Cesariny, que agora lhe dedico, por ser também ele lugar de lugares. E por me faltar a palavra exacta. «Algumas figuras crescem de modo assustador até se tornarem lugares. Pode chegar-se a Cesariny de muitas maneiras, mas a mais absorvente e nacional não haja dúvida que será esperar sentado que nos atinja de um golpe. Países há onde mar e mar os fazem ir e voltar, e só isso explica que haja países a dar a volta ao mundo atropelando escolhos e tédio e mortes. […] Cesariny vem de um tempo em que viver era rasgar possibilidades, Mário, e as contas não foram ainda feitas, de Vasconcelos, pelo que não sabemos quanto lhe devemos em desejo e ventania, em confusão e lucidez, em verticalidade e camisolas de alças, inteireza e veludo com nódoas. Afiou cada âncora como palito, de maneira que os dentes acabaram por se tornar estrelas. Lugares irrequietos onde só se vislumbram re-


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ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

gressos, como este, fazem-se difíceis de atracar aos mapas e só com muita sorte e acaso se conseguem indicações capazes de levar o viajante ao encontro da sua perdição, aquela que buscamos com íntimo desespero ao fugir-lhe. […] Voltemos à paisagem de Cesariny atravessando como funâmbulos o fio do arame da voz por sobre os infernos e os outros. Sei que nada é preciso, nem navegar, nem respirar, menos ainda dançar ou fornicar, pelo que não teria sido necessário ouvir a sua voz como a ouvi escorrer aqui e além: quebradiça e cristalina, embaraçada e embaraçante, pendular e rastejante, áspera e cuspida, esculpindo nuvens ou arrepiando caminho. Não mais que uma palavra, um verso, vá, desde que impresso, no papel húmido ou na cassete pirada, funciona como chave, vá lá, para vencer as cores, as estações, as sombras, as distâncias, os medos. A melodia oscilante das palavras que cobrem o chão de Cesariny soa como gatos, uma pieira que resulta de estar entalada entre o grito e o sussurro, um nó na garganta da alegria como da tristeza. Um nó na garganta, vejo agora e oiço aqui, poderia ser uma pátria gigantesca. Como a língua, uma língua viscosa e vermelha que se agite da boca para fora numa careta kamikaze da vontade mas que cospe desafios ao bem-estar, ao bem-viver e ao bem-pensar. Faz-se desta carne uma rebeldia que bebeu na tradição do brinco e da perna de pau o riso escaninho e a respiração dos prazeres maldosos. Oiçamos bem o que foi recolhendo da vida esta asma conspirativa a ponto de se fazer uma terra. Quero ir passar uns tempos à terra, que sou de Cesariny. Esta altura que não está feita de beijos na boca, a voz cesarínea dizendo ou pintando ou escrevendo serve inutilmente para quebrar algumas nozes do mundo, para detectar o curto-circuito que liga em relâmpago as mãos e as coisas, para interpretar as letras com as quais dizemos uns aos outros a solidão, para trautear as canções-moscas com que alimentamos as plantas carnívoras, para engrossar o mijo com que vamos regando aos esses os cogumelos venenosos da floresta de enganos. Temos que entrar descalços a correr por esta noite escura sangrando os pés no bruto diamante cesaríneo.»


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M.C.ESCHER

Tonalidades

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António de Castro Caeiro

Diagnósticos II

O

presente, a eficácia da actualidade, a sua forma acesso positiva: a sensação ou a percepção e negativa: imperceptibilidade foram, por isso, desde sempre, privilegiadas. O passado e a forma específica do seu acesso: lembrança ou esquecimento, e o futuro na sua antecipação, previsão e predição ou imprevisibilidade, incapacidade de predição, ausência de antecipação são realidades e formas de acesso consideradas degenerativas por comparação com o presente e a percepção. O passado não é já realidade. O futuro não é ainda realidade. Lembrança e antecipação são formas de acesso que dão para horizontes sem realidade. A realidade é classicamente expressa pelo indicativo. O modo do passado e do futuro é diferente. Não estamos a falar gramaticalmente. Um dos paradoxos do acesso, contudo, é que a lembrança que ressuscita o passado havido ou imaginado ocorre num dado presente. É “agora” que me lembro da situação A, B e C. É “agora” que eu estou lá a assistir e até mesmo a intervir nesse passado. É também “agora” que tenho acesso directo ao futuro, numa antecipação que nem o põe em causa. “Agora” que marco na agenda um encontro, uma consulta médica, uma ida a um sítio. Eu estou já lá “agora” nesse futuro X, Y ou Z e, contudo, não saio do regime não anulável do presente. Podemos perceber que é assim com fantasias, ficções, imaginações, com as mais diversas formas de acesso. Abrem-se mundos a partir de um acesso que se constitui num momento presente e que se estende numa duração. Enquanto se vive essa extensão temporal, somos catapultados para o passado, para o presente, para um outro tempo, um outro mundo, um outro horizonte erigido pelas nossas fantasias, imaginações, encenações e ficções. Não são apenas mundos abertos, paisagens em tudo absolutamente semelhantes à do mundo real. Lembro-me de estar em Schauinsland e ver a paisagem da montanha alemã estender-se por encostas e vales “pintadas” de branco de neve, tudo a perder de vista. Lembro-me “agora” neste dia de Março, como se apagasse a realidade do quarto, o tampo da mesa, tudo na proximidade da redondeza onde estou inserido. Deixo de estar sentado e passo a estar de pé, abandono o presente e recuo no tempo décadas, mudo de roupa, de companhia. De facto, a complexidade dos conteúdos da percepção não é completamente apagada. Ouço os carros na ponte 25 de Abril, sinto o cheiro do pão torrado, a TV está ligada numa outra sala. Mas tenho presente as mãos na estrutura metálica gelada da torre de onde vejo estender-se a paisagem até ao fundo lá longe do horizonte.

É agora que antecipo deslizante a tarde do dia de hoje, os aniversários de amigos que se aproximam com as respectivas comemorações, o fim de Março e o início de Abril. O futuro é um plano de fundo volumoso, de onde se perfilam como vultos as realidades a haver das marcações efectivamente feitas nas agendas virtuais ou mentais da nossa existência. Equaciono já sem me deter nessa possibilidade nas futuras férias grandes, onde irei, se irei. Nesse lapso de tempo estou todo eu em Agosto, numa realidade temporal que galgou muitos meses. E regresso ao presente, sem regressar necessariamente aos conteúdos reais do presente. O cursor do acesso abre mundos com paisagens mais ou menos extensas, mais ou menos fechadas, no interior ou no exterior, para sítios onde estive ou para sítios onde poderei estar. Pode invocar também sentimentos, estados de espírito que hão-de estruturar o modo como estarei, estive e estou. A fantasia encena possibilidades sem tempo específico. Podem ser compreendidas a acontecer já no presente e são o conteúdo específico do “agora” que me faz evadir do conteúdo específico do soalho do meu quarto, da luminosidade da manhã crua das 11h34 minutos do dia de hoje. Pode ser uma retrospectiva do passado vivido ou uma antecipação que “vê” em prospecto o futuro sem saber se terá lugar ou não. Mas é a possibilidade que compreende o passado. Como tudo poderia ter sido e não foi. O que nunca poderia ter acontecido e foi mesmo o que aconteceu. O sentido do passado é possibilidade na sua versão positiva e negativa. É a possibilidade que constitui o nosso presente. O que fizemos acontecer o que fomos, o que nos tornamos, o que somos tudo está lá traz, não só no que fizemos acontecer mas no que esquecemos. O que ficou para traz não nos assola apenas no presente. Está à nossa espera na hora da nossa morte. É a estranheza do passado na vida humana o não ter passado. O passado é ter sido. O ter sido é também não ter sido. Quer tivéssemos sido que não, o que foi está a actuar sobre nós a partir futuro. Cada instante vivido é projectado em lançamento temporal para o fim do tempo.

O futuro é pura possibilidade em aberto, com probabilidades e improváveis. É de onde vem o tempo. Desde sempre o futuro se abriu e começou a contar em modo decrescente o tempo que já não temos para viver, as possibilidades que são obliteradas, a compreensão do maciço que se aproxima com o seu fim. O afluxo de tempo diminui com

O passado não é já realidade. O futuro não é ainda realidade. Lembrança e antecipação são formas de acesso que dão para horizontes sem realidade. A realidade é classicamente expressa pelo indicativo. O modo do passado e do futuro é diferente. Não estamos a falar gramaticalmente

as suas possibilidades e o caudal do tempo passado aumenta com as suas possibilidades perdidas. O futuro é também a possibilidade do impossível, a possibilidade simples da impossibilidade. O presente afinal está ensanduichado entre duas realidades que não são já e não são ainda mas enquanto realidades. O humano existe num horizonte em que o que o afecta são as possibilidades. Como gostaria de ser-se, o que gostaríamos que tivesse acontecido. O presente é apenas testemunha do impossível porque a sua estrutura é de todo em todo realidade. O que é não é compatível com o que pode ser. Estranhamento a realidade confronta-nos com o que é e o que é é isso mesmo: a possibilidade de conviver sem possibilidades, pelo menos durante algum tempo. E assim resistir.


18 desporto

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FUTEBOL IONG CHO IENG ASSUME SELECÇÃO DE MACAU

O senhor que se segue

O actual técnico da selecção local de sub-18, Iong Cho Ieng foi o substituto encontrado para ocupar o lugar deixado vago por Chan Hiu Ming. A Associação de Futebol de Macau chegou também a um princípio de acordo para disputar os campeonatos amadores do Interior da China “Para reforçar a promoção do futebol de Macau, aAssociação de Futebol de Macau e a Associação de Futebol da China chegaram a um pré-consenso sobre os trabalhos a concretizar. Para o efeito, será criado o Grupo de Trabalho de Desenvolvimento Técnico, cujos trabalhos serão coordenados pelo Sr. Tam Iao San. Os trabalhos abrangem a participação de Macau nos campeonatos de futebol amador do Interior da China, bem como a formação de treinadores, árbitros, comissários do jogo, entre outros”, é revelado.

SELECÇÃO À BENFICA

I

ONG Cho Ieng é o novo seleccionador de futebol de Macau, substituindo Chan Hiu Ming. A decisão foi anunciada, ontem, pela Associação de Futebol de Macau, em comunicado. Iong chega ao comando da selecção principal, depois de um percurso nos escalões de formação da selecção da Flor de Lótus. “O cargo de treinador da selecção de Macau será assumido pelo Sr. Iong Cho Ieng”, pode ler-se no comunicado emitido com a data de ontem.

Também o vice-presidente da AFM, Daniel Sousa, fez um balanço da carreira do técnico, em declarações ao HM: “É um treinador local que tem trabalhado com os escalões de formação, principalmente com os sub-16 e sub-18, que ainda treina”, afirmou Daniel Sousa. “Respeitando a decisão do nosso director técnico, que pretende trabalhar em Hong Kong a tempo inteiro, Iong Cho Ieng vai substitui-lo, logo após o fim do contrato. É uma aposta a tempo inteiro.”, acrescentou.

A saída do anterior seleccionador foi igualmente abordada em comunicado. “O actual Director Técnico, Chan Hiu Ming, por motivos familiares, decidiu voltar a trabalhar em Hong Kong após o termo do seu contrato, mas continuando a colaborar com os trabalhos de desenvolvimento do futebol de Macau”, é explicado. Por outro lado, AFM revela um princípio de acordo com as entidades do Interior da China, que visa aumentar a competitividade do futebol local.

Também ontem, Carlos Leonel, avançado do Benfica de Macau e internacional pela selecção da Flor de Lótus, deixou o desejo de que a selecção possa seguir as pisadas das águias. Até ao momento, o Benfica de Macau somou duas vitórias em outros tantos jogos na fase de grupos da Taça AFC. “Um dos nossos objectivos é que a selecção possa fazer algo semelhante ao Benfica de Macau. É importante que se encare o futebol de uma forma mais positiva, e que não se parta para os jogos com o pressuposto que somos os mais fracos e que vamos perder por poucos. Nesse aspecto, o Benfica de Macau tem mostrado que quando se joga com ambição evolui-se e conseguem-se bons resultados”, disse Carlos Leonel, ao HM, ainda antes de ser conhecido o nome do seleccionador. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Basquetebol Equipa de sub-16 em dificuldades

Em duas partidas a contar para o Campeonato Asiático de Basquetebol no escalão sub-16, a selecção local sofreu pesadas derrotas. Ontem, diante do Irão, a equipa orientada por Mu Jianxi foi derrotada por 45-148. O jogador do Irão Matin Aghajanpour foi o homem do encontro com 27 pontos. Já por Macau, destaque para Navalta que encestou 12 pontos. Porém, a selecção da Flor de Lótus deixou uma fraca imagem com um registo de 18 em 55 lançamentos com sucesso, correspondente a uma percentagem de 33 por cento. Já na segunda-feira, Macau tinha sido derrotada por Taiwan, desta feita por 47122. Hua Liang foi o jogador em destaque da equipa local, com 12 pontos. No primeiro encontro, Macau tinha registado uma marca de 18 cestos certeiros, num total de 60 tentativas, o equivalente a uma percentagem de 30 por cento. Com estes resultados Macau confirma o último lugar do Grupo C da competição.

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OLIMPÍADAS OITO CANDIDATOS À ORGANIZAÇÃO DOS JOGOS OLÍMPICOS DE INVERNO 2026

Anúncio Esta Direcção de Serviços, no uso das suas competências nos termos do n.º 1 do artigo 32.º e do artigo 35.º do Decreto-Lei n.° 38/93/M, de 26 de Julho, na redacção dada pelo Decreto-Lei n.° 33/97/M de 11 de Agosto, tendo-se frustrado todas as tentativas de notificação nos termos do n.º 1, do artigo 72.º, do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, vem, nos termos do n.º 2, do referido artigo, NOTIFICAR a interessada Academia Macau Talentos Lda. de que foi contra ela instaurado procedimento administrativo, no qual é acusada de ter cessado o funcionamento da instituição educativa particular “Centro de Educação da Academia Macau Talentos”, localizada na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 336-342, Edif. Fu Tat Fa Yuen 14.° andar A-R, Macau. Mais fica a interessada notificada de que deverá, no prazo de 10 dias, a contar do dia seguinte ao da publicação do presente anúncio, comparecer nesta Direcção de Serviços, na Av. D. João IV, n.os 7-9, 1.º andar, Macau, para, nos termos dos artigos 10.º, 58.º e 93.º do Código do Procedimento Administrativo, ser ouvido em audiência de interessados, podendo, também, no mesmo prazo e local, consultar o processo, apresentar defesa escrita, juntar documentos e pareceres ou requerer diligências de provas úteis para o esclarecimento dos factos e com interesse para a decisão. A falta de comparência, no referido prazo, sem prévia justificação válida, será considerada desistência da interessada do direito a ser ouvida no presente procedimento, antes da decisão final por parte desta Direcção de Serviços. A interessada: Academia Macau Talentos Lda. (N.º de Registo Comercial﹕31525 SO) Local da suposta infracção: Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 336-342, Edif. Fu Tat Fa Yuen 14° andar A-R, Macau Macau, aos 28 de Março de 2018. O Director dos Serviços, Lou Pak Sang

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presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, mostrou-se ontem satisfeito com a recepção de oito candidaturas de sete países para organizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Graz (Áustria), Calgary (Canadá), Sapporo (Japão), Estocolmo (Suécia), Sion (Suíça), Erzurum (Turquia), Cortina d’Ampezzo e a candidatura conjunta Milão-Turim (Itália) são as oito

propostas para receberem os Jogos, cujo organizador será conhecido em Setembro de 2019. “Fico sinceramente feliz com o interesse demonstrado pelos países e cidades em sediar os Jogos Olímpicos de Inverno. O objectivo final é escolher a melhor cidade possível para sediar os melhores Jogos Olímpicos de Inverno para os melhores atletas do planeta “, disse o presidente.

O interesse de acolher este evento tem tido poucas candidaturas nos últimos anos com os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 a terem uma disputa entre Pequim (China) e Almaty (Cazaquistão), tendo vencido a metrópole chinesa. Em 2018, Pyeongchang (Coreia do Sul), Annecy (França) e Munique (Alemanha) foram as propostas candidatas, tendo vencido a cidade sul-coreana.


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O CARTOON STEPH 47 DE

2 2 1 46 3 1 57 24 3 5 3 6 1 6 5 24 67 2 76 52 1 7 34 3 7 2 6 7 4 5 7 32 5 4 5 3 4 71 6 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 47

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UM LIVRO HOJE

READY PLAYER ONE SALA 1

SALA 3

Um filme de: Steven Slpielberg Com: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller 14.30, 19.00, 21.30

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Will Gluck Com: Domhnall Gleeson, Rose Byrne 14.00, 15.45

READY PLAYER ONE [B]

YO-KAI WATCH THE MOVIE: A WHALE OF THE WORLDS [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Shinji Ushiro 17.00 SALA 2

PACIFIC RIM: UPRISING [B] Filme de: Steven S. DeKnight Com: John Boyega, Scott Eastwood, Rinko Kikuchi, Zhang Jin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

PETER RABBIT [B]

5 6 2 7 3 4 1 5 6 2 4 1 3 7

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PROBLEMA 48

4 71 6 •7 5 2 3 7

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6 2 32 4 3 55 E1 U R66 O 7 3 4 1 5 7 1

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(f)utilidades 19 3 6 1 B 5A H T 0 . 2 5 Y U A N 1 . 2 7 4 7 VIDA DE CÃO 2 CAN’T GET NO

SATISFATION

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S U D O K U

5 4 6 43 4 38 quarta-feira 7 6 5 4.4.2018 4 1 3 12 4 3 2 1 77 1 5 3 3 1 4 7 6 2 5 4 6 5 2 3 4 7 1 3 62 6 35 T5E M3 P O 1M U NU5 B N 7 2 0 4M A6X 2I T7O 6 4L A6D O1 M I 1 1 7 6 5 2 4 3 6 4 3 7 2 QUE 4 7 FAZER 1 3 5 6 2 5 7 4 O 4 2 SEMANA 3 6 5 1 457 5 6 1 2 ESTA 6 4 Hoje 40 45 FILME “UMA MULHER FANTÁSTICA” Cinemateca Paixão | 19h30 7 6 5 1 6 3 2 4 7 1 12 6 3 Amanhã FILME “120 BATIMENTOS POR MINUTO” 3 2Paixão4| 21h305 1 7 56 4 7 3 71 Cinemateca 2 6 7 4 3 5 1 3 6 5 37 DIARIAMENTE 4 MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM 4 | Até513/5 1 7 6 2 3 5 4 32 6 2 EXPOSIÇÃO “JOSÉ MANEIRAS - MODERNISMO À MACAENSE” 6 do3Jardim5Lou Lim2Ieoc7| Até hoje1 4 7 1 54 5 Pavilhão 1 7 2 6 4 3 5 6 5 1 2 Cineteatro 7 4 3 C1I 5N 6E M 2 A 2 3 7 4

Hoje escrevo-vos sobre satisfação inatingível, aquele dissabor que nasce da fonte da frustração menor e que corre por leitos de conforto extremamente sensível. O descontentamento troll, vazio, de quem não tem mais nada que fazer com o seu tempo, além de lançar lamúrias ocas para um éter indiferente. Progenitura meretrícia de pequeno burgo. Nada presta, além do emaranhado de vocábulos conjurados pela mais brilhante aproximação ao analfabetismo revestida a títulos académicos e salários que jamais conseguiriam auferir noutro lugar. Esta é a terra em que os concursos de talentos se tornaram vida real e onde a meritocracia veio para morrer. Imagino horários de expediente e uma vontade imensa de quebrar a monotonia de não fazer nenhum. Indefinição de personalidade mascarada de cidadania militante, falta de identidade e um sentido de titularidade mimada, de indignaçãozinha frívola de egos que passam cheques a intelectos que não têm fundos para cobrir. Demasiado tempo livre entre mãos, um luxo que invejo e para o qual imagino tantos outros fins, na minha óptica, mais produtivos. Nada de errado com o fel, a bílis é natural e cumpre uma função, mas haja paciência, mas fico a ansiar silêncio e livros recheados de belas conjugações de palavras, alguma elevação como bálsamo contra a mediocridade. João Luz

“KAFKA À BEIRA MAR” | HARUKI MURAKAMI

São duas personagens que dão vida a “Kafka à Beira Ma”. Nakata, um velho inocente que perdeu a memória devido a um acontecimento de infância que nunca é revelado tem a capacidade de falar com gatos até matar o pai de Kafka Tamura, um miúdo de 15 anos que foge de casa e que vive confrontado com uma maldição. Neste romance de Murakami, os gatos conversam com pessoas, há chuvas de peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Entre o surreal e o retrato de uma sociedade em que as emoções permanecem entre o tabu e a ousadia, “Kafka à Beira Mar” é um livro para se ir lendo e descobrindo. Sofia Margarida Mota

PETER RABBIT [B] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Will Gluck Com: Domhnall Gleeson, Rose Byrne 19.45

MARY MAGDALENE [B] Um filme de: Garth Davis Com: Rooney Mara, Joaquin Phoenix,Chiwetel Ejiofor, Tahar Rahim 17.30, 21.30

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A vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema. Woody Allen

ONU Obtida “mais de dois terços” da verba pedida para ajuda ao Iémen ONU anunciou que obteve “mais de dois mil milhões de dólares” (cerca de 1,6 mil milhões de euros) de promessas de financiamento da ajuda humanitária ao Iémen, que vive “a pior crise humanitária do mundo”. “É um êxito assinalável da solidariedade internacional com o Iémen”, congratulou-se o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa declaração à imprensa no final de uma conferência de doadores em Genebra. “Mais de dois mil milhões de dólares” foram prometidos pelos doadores e “vários países anunciaram que haveria mais doações até ao final do ano”, disse. “Estamos bastante optimistas quanto à possibilidade de atingirmos o nível correspondente às necessidades com que o

povo iemenita se confronta”, acrescentou. Na abertura da conferência, ontem de manhã, Guterres pediu à comunidade internacional cerca de 2,4 mil milhões de euros, para os programas de ajuda de emergência no Iémen, confrontado com “a pior crise humanitária do mundo”. Em 2017, a ONU lançou um apelo de 2,5 mil milhões de dólares e os doadores avançaram fundos num valor total de 73 por cento daquela verba. Mas as necessidades são hoje maiores no Iémen, onde desde 2015 uma coligação dirigida pela Arábia Saudita combate os rebeldes ‘huthi’, apoiados pelo Irão, que controlam a capital. A ONU estima que 8,4 milhões de pessoas estão em risco de fome no Iémen.

quarta-feira 4.4.2018

Sala de combate DSEJ CONFIRMA AGRESSÕES PROMOVIDAS POR DOCENTE NA ESCOLA PORTUGUESA

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Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) confirmou a existência de um caso na Escola Portuguesa de Macau, em Dezembro de 2016, em que os alunos da instituição agrediram um colega, sob a orientação de um docente. Após um processo interno, o professor em causa, cujo género não foi revelado, reconheceu o erro e continuou a exercer funções, com a promessa de que o caso não se repetiria. “A DSEJ recebeu uma carta anónima, a 16 de Dezembro de 2016, com uma queixa para a ocorrência de um episódio de luta entre alunos da Escola Portuguesa de Macau. O caso foi lidado com o máximo de atenção e exigiu-se à escola que submetesse um relatório sobre a ocorrência”, afirmou a DSEJ ao HM.

“A escola enviou um relatório escrito sobre o incidente a 9 de Janeiro de 2017, em que consta que a 29 de Novembro de 2016 um aluno do quarto ano bateu num colega, durante o intervalo. Para fazer o aluno sentir-se na posição do agredido e perceber as consequências do comportamento impróprio, o professor pediu aos outros alunos que batessem nesse estudante”, é acrescentado. Ainda antes de ter sido entregue o relatório, houve uma reunião, a 13 de Dezembro, com a direcção da escola, pais, professores e psicólogos em que o docente “reconheceu que o método educativo utilizado é inapropriado” e comprometeu-se “a nunca mais repetir o caso no futuro”. “Os pais expressaram a sua compreensão face à situação e consideraram que não eram necessárias mais me-

didas para lidar com o caso”, é revelado ainda pela DSEJ. O Governo diz ainda que os alunos foram acompanhados por psicólogos, que consideraram que os estudantes não ficaram alterados com a situação dentro da aula.

RELATÓRIO APÓS PÁSCOA

Também ontem, a DSEJ admitiu desconhecer a investigação do Ministério da Educação de Portugal sobre este caso, assim como sobre o caso das agressões do passado 14 de Março, que resultaram no internamento de um dos alunos. No entanto, face ao caso mais recente, a DSEJ informou que ainda aguarda o relatório da EPM, que ficou prometido para o final das férias da Páscoa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

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PALAVRA DO DIA

Índia Retiradas credenciais a jornalistas que criem ou difundam notícias falsas

O governo da Índia vai passar a suspender as credenciais de imprensa de jornalistas acusados de criar ou difundir notícias falsas, foi ontem noticiado. O Ministério da Informação e Transmissão indiano anunciou que, de acordo com uma nova directiva das autoridades, as credenciais de qualquer jornalista que "crie e/ou propague" notícias falsas ('fake news') serão suspensas até à conclusão da investigação, de acordo com um comunicado. A nota não define notícias falsas, ou como poderá decorrer todo o processo. Na primeira vez, as credenciais são suspensas por seis meses, na segunda um ano e se acontecer mais uma vez o jornalista perde a credencial definitivamente. Segundo o comunicado, as investigações serão conduzidas por um grupo que inclui jornalistas, proprietários de 'media' e, por vezes, políticos.

ISRAEL MINISTRO DA DEFESA PROMETE RESPOSTA DURA AOS PROTESTOS EM GAZA

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PUB

ministro da Defesa israelita disse ontem que os militares não vão alterar a sua resposta dura aos protestos na faixa de Gaza, advertindo que os que se aproximarem da fronteira com Israel poem em risco as suas vidas. Avigdor Lieberman falava perto de Gaza, onde 17 palestinianos foram mortos por fogo israelita na sexta-feira, o primeiro dia de pro-

testos convocados pelo Hamas e que devem durar mais de seis semanas. Além dos 17 mortos, mais de 1.400 palestinianos ficaram feridos, 757 com tiros de balas reais, segundo o Ministério da Saúde em Gaza. Lieberman e outros altos responsáveis israelitas foram acusados ontem pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch de apelarem

ilegitimamente ao uso de fogo real contra manifestantes palestinianos que não representam uma ameaça. O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta-representante da diplomacia europeia, Federica Mogherini, já exigiram um “inquérito independente” à utilização por Israel de balas reais, um pedido rapidamente rejeitado pelo Estado hebreu.

A Human Rights Watch disse que Israel não apresentou provas de que o arremesso de pedras ou outras formas de violência tenham ameaçado seriamente os soldados do outro lado da cerca que separa a faixa de Gaza do território israelita. Os protestos, designados “marcha do retorno”, visam exigir o “direito ao retorno” dos palestinia-

nos, dos quais centenas de milhares foram expulsos das suas terras durante a guerra que se seguiu à criação de Israel, em 1948. O fim do protesto está marcado para 15 de Maio, o aniversário da criação de Israel, designado pelos palestinianos como ‘Nakba’(catástrofe).

Hoje Macau 4 ABR 2018 #4024  

N.º 4024 de 4 de ABR de 2018

Hoje Macau 4 ABR 2018 #4024  

N.º 4024 de 4 de ABR de 2018

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