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FRIDA CASTELLI

GETTY IMAGES

ORÇAMENTO | SAÚDE

TÓNICO DE 670 MILHÕES SOFIA MARGARIDA MOTA

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MOP$10

QUARTA-FEIRA 4 DE DEZEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº4426

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

h

DE QUE VALE O TEMPO

PATERNIDADE

NASCIDOS SEM PAI

NUNO MIGUEL GUEDES

LADRAR À MARESIA JOÃO PAULO COTRIM

O LUGAR DAS ESTACAS

PÁGINA 9

GISELA CASIMIRO

hojemacau

‘‘

Vamos ter bons secretários O advogado e ex-deputado Leonel Alves mostra-se satisfeito e optimista quanto ao futuro desempenho do novo Governo, salientando o grande conhecimento da equipa governativa da realidade de Macau.

ENTREVISTA

OPINIÃO

AUSÊNCIAS TÂNIA DOS SANTOS


2

LEONEL ALVES

ENTREVISTA

ADVOGADO E EX-DEPUTADO, SOBRE NOVO GOVERNO

“Macau está de SOFIA MARGARIDA MOTA

Leonel Alves considera que os nomes anunciados esta segunda-feira que farão parte do novo Executivo, liderado por Ho Iat Seng, Chefe do Executivo eleito, revelam, sobretudo, grande conhecimento de causa. O advogado, que esteve na Assembleia Legislativa 33 anos, espera que Sam Hou Fai continue a ser presidente do Tribunal de Última Instância. Quanto às políticas adoptadas na área da videovigilância, Leonel Alves assume que é preciso fiscalização não apenas de entidades públicas como de privados em caso de abusos


3 quarta-feira 4.12.2019 www.hojemacau.com.mo

parabéns” Numa primeira leitura, que comentário faz aos nomes anunciados esta segunda-feira? Não há grandes surpresas. Os nomes são todos bons, são pessoas com conhecimento das realidades de Macau em cada um dos sectores, de maneira que Macau está de parabéns, vamos ter bons secretários e bons titulares dos principais cargos públicos, todos eles já conhecedores daquilo que deve ser resolvido nos próximos anos.  A nomeação do procurador-adjunto para o CCAC é um bom nome? Chan Tsz King esteve ligado ao processo Ho Chio Meng… E não só, esteve ligado aos processos de Ao Man Long e teve muito ligado a todos os processos quentes, chamemos-lhe assim, a todos os processos de corrupção em Macau. Portanto é um conhecedor da matéria e poderá contribuir para liderar esta importante entidade de Macau.  É então um nome que tem o apoio das autoridades não apenas de Macau como da China e é um sinal de uma política de combate à corrupção? Creio que é uma personalidade adequada para o desempenho dessas funções dentro do quadro traçado pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, de haver uma Administração transparente e incorruptível.  O secretário para a Economia e Finanças não está muito ligado ao sector empresarial ou do jogo… Mas como ouvi na conferência de imprensa, é um responsável do IAM e com uma ligação bastante directa aos assuntos relacionados com as Pequenas e Médias Empresas (PME). Foi a explicação que ouvi do Chefe do Executivo e é a pessoa adequada para a prossecução de uma política visando também promover e dinamizar este importante sector da actividade económica de Macau constituída pelos pequenos e médios empresários. Em relação a outros assuntos da área financeira, dos jogos de fortuna e azar, obviamente que o senhor Chefe do Executivo terá uma assessoria adequada para dar as informações e os pareceres.  Na área da Administração e Justiça entra André Cheong, já com provas dadas. Que expectativas deposita neste nome?

“Tem de haver uma maior fiscalização quer pública quer privada, quer através da Comissão Fiscalizadora quer através dos jornais, por exemplo.”- quando questionado sobre as políticas ligadas à videovigilância Já tive a oportunidade de trabalhar com ele em alguns diplomas jurídicos. É uma pessoa conhecedora do mundo do Direito de Macau, da sua realidade jurídica e das suas carências e das áreas que devem merecer melhoramento. No que diz

“Acho que Sam Hou Fai tem servido muito bem o lugar de presidente do TUI, e eu como cidadão e advogado gostaria de continuar a vê-lo exercer essas funções.”

respeito à Administração Pública, ele próprio diz que é funcionário público há muitos anos, portanto não é um desconhecedor desta matéria e de acordo com as coordenadas do CE obviamente que dentro de um ano ou menos do que isso haverá notícias sobre a tão desejada reforma administrativa de Macau. Que balanço faz do mandato de Sónia Chan à frente da mesma tutela? Desejo-lhe o melhor possível. Houve melhorias na área do Direito e da Administração Pública, é pena que o timing para alguns diplomas não tenha sido suficiente para que determinados diplomas pudessem ser aprovados e entrassem em vigor. Refiro-me à alteração do Código do Processo Civil, por exemplo, e de algumas carreiras específicas na área da Função Pública. Foram trabalho feitos ao longo dos anos e o tempo não foi suficiente para que fossem tornados públicos e discutidos nos órgãos próprios, neste caso, a Assembleia Legislativa.  Alexis Tam sai do cargo de secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Foi um governante atento às culturas portuguesa e macaense, acredita que Ao Ieong U poderá seguir o mesmo caminho? Daquilo que ouvi do Chefe do Executivo [eleito], ele escolheu o melhor elemento da Função Pública que deu provas da maior eficiência da nossa máquina administrativa, e tenta usar os conhecimentos da nova secretária para introduzir melhorias funcionais nas áreas desta secretaria, como a assistência social, saúde, cultura e educação. É uma aposta na eficiência e no uso das novas tecnologias.  Há uma aposta na manutenção com os nomes de Raimundo do Rosário e Wong Sio Chak, sobretudo no que diz respeito a projectos essenciais a Macau. Houve uma preocupação de continuidade? Há dois aspectos. O primeiro é a capacidade técnica de dar continuidade de concretizar projectos de grande volume para Macau, e por outro lado o Chefe do Executivo salientou o carácter impoluto desta personalidade no desempenho desta função, que exige de facto a presença de uma pessoa com uma grande base de ética e moral a fim de evitar situações que aconteceram no passado relativamente a um dos secretários. É uma tutela permeável e encontrou-se o melhor elemento de impermeabilização (risos).  No caso da tutela da Segurança, não teme evoluções mais negati-

vas relativamente à questão da videovigilância? Não tenho receios nenhuns. O uso das novas tecnologias é um factor essencial. Mas as novas tecnologias também podem ter um efeito contraproducente, designadamente no que diz respeito à protecção da privacidade das pessoas. Em Macau temos instituições, tal como a Comissão Fiscalizadora das Forças de Segurança de Macau, temos uma imprensa livre, organizações, cidadãos e deputados que também têm de cumprir o seu dever de evitar que situações de violação à lei aconteçam e que essas notícias sejam encaminhadas para os órgãos competentes a fim de a polícia cumprir rigorosamente o que está escrito na lei. Essas tecnologias existem para combater a criminalidade, ou seja, para servir o interesse público de encontrar quem é o autor de um crime, mas as entidades que têm acesso a essas tecnologias não podem abusar delas, e quem abusa tem de ser devidamente punido. Também tem de haver uma maior fiscalização quer pública quer privada, quer através da Comissão Fiscalizadora quer através dos jornais, por exemplo.

“É uma tutela permeável e encontrou-se o melhor elemento de impermeabilização (risos).” – sobre a continuidade de Raimundo do Rosário à frente dos Transportes e Obras Públicas Chegou a ser avançado o nome do Ip Son Sang como possível substituto de Sam Hou Fai para a presidência do Tribunal de Última Instância, mas Ip Son Sang mantém-se como Procurador do Ministério Público. Espera uma saída de Sam Hou Fai? Nunca ouvi falar nisso. A nomeação dos juízes, e também do presidente do TUI, está sujeita a um processo próprio, liderado por uma comissão independente de magistrados. Acho que Sam Hou Fai tem servido muito bem o lugar de presidente do TUI, e eu como cidadão e advogado gostaria de continuar a vê-lo exercer essas funções. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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4.12.2019 quarta-feira

GOVERNO ASSOCIAÇÕES ESPERAM MUDANÇAS MAS CONFIAM NO NOVO ELENCO

Estamos todos juntos

Várias associações reagiram ontem ao anúncio dos novos titulares nomeados por Ho Iat Seng para os principais cargos do quinto Governo de Macau. Se, por um lado, as características do novo elenco governativo agradam à maioria, os dirigentes associativos esperam também ver melhorias nas suas áreas de actuação

A

S associações de Macau estão com o novo Governo, mas esperam mudanças. É esta a ideia que fica das opiniões expressas por vários líderes associativos acerca do novo Executivo. O presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Iao Lai apontou que, embora existam muitas caras novas no próximo Governo, está confiante na capacidade do novo Executivo de continuar a exercer o modelo “Um país, dois sistemas”, dado que os novos responsáveis estavam actualmente a desempenhar cargos na função pública. Ma espera ainda, de acordo com o jornal Ou Mun, que o próximo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, lance medidas inovadoras que ajudem a resolver os problemas relacionados com a falta de recursos humanos e a legislação, existentes no sector de indústria e do comércio. Segundo a mesma publicação, também o vice-presidente executivo da Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau, Chan Pou Sam, sublinhando que todos os responsáveis do novo Governo vieram da função pública, diz acreditar que Ho Iat Seng tem as capacidades necessárias para liderar a nova equipa, onde a experiência ocupa um lugar de destaque. Por outro lado, Chan Pou Sam espera que o novo Governo preste mais atenção às Pequenas e Médias Empresas de Macau e se foque

também no projecto da Grande Baía, de forma a promover um ambiente mais empreendedor para os jovens.

HABITAÇÃO NO CENTRO

O presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Iao Lai apontou que, embora existam muitas caras novas no próximo Governo, está confiante na capacidade do novo Executivo de continuar a exercer o modelo “Um país, dois sistemas”

Já Ng Siu Lai, presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, espera mais proximidade do novo Governo, considerando que é importante a criação de mais medidas focadas na resolução de problemas relacionados com a habitação e com o trânsito. Também segundo o jornal Ou Mun, Lam Un Mui, o presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau espera que o novo Governo implemente políticas e medidas focadas nas necessidades dos residentes de Macau, promovendo uma economia diversificada em prol do bem-estar social. Mostrando também confiança no novo Executivo, a Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau entendeu, pela voz de Ieong Man Un, que Macau está a enfrentar mudanças desafiantes e potenciais em termos de oportunidades que precisam de encontrar eco nas ambições dos jovens de Macau, sobretudo, em áreas como o ensino, o emprego e a habitação, dado que esta franja da população pertence à classe média que não consegue candidatar-se à compra de casas do Governo, a já intitulada “classe sanduíche”. In Nam Ng

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SEMINÁRIO CHUI SAI ON DIZ QUE LEI BÁSICA GARANTE “REGRESSO À PÁTRIA COM SUCESSO”

O

Chefe do Executivo, Chui Sai On, participou ontem em Pequim no “Seminário comemorativo do vigésimo aniversário da implementação da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On disse no seu discurso proferido na capital chinesa que “no futuro é necessário continuar a promover a implementação plena e precisa da Lei Básica em Macau e persistir no princípio de unidade de direitos e deveres”, bem como “salvaguardar o interesse de soberania nacional, garantir a prosperidade e estabilidade e também potenciar plenamente as vantagens do sistema concedidas pela Lei Básica”. Chui Sai On considera também fundamental a promoção da “implementação estável e duradoura do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. Ainda no que diz respeito a este conceito, Chui Sai On frisou que há duas ideias essenciais sobre a sua concretização, uma vez que, “a nível do sistema constitucional, a Lei Básica é um documento pragmático legal para o Governo Central reconhecer o estatuto da RAEM”. Deve-se “utilizar a lei para pormenorizar e regulamentar a grande ideia do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, assim como as orientações das principais políticas do País para a RAEM, no sentido de construir uma protecção legal sólida para uma transição suave, um regresso à Pátria com sucesso e um desenvolvimento contínuo”, acrescentou o Chefe do Executivo.  O seminário teve lugar no Grande Palácio do Povo, em Pequim, tendo sido presidido pelo vice-presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Wang Chen. De Macau estiveram ainda presentes personalidades como o presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, o presidente do Tribunal de Última Instância, Sam Hou Fai, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan e o procurador-geral do Ministério Público, Ip Son Sang, entre outros.

20 ANOS ZHANG XIAOMING DIZ QUE MACAU RESPEITA SOBERANIA DE PEQUIM

O

Director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho do Estado, Zhang Xiaoming, referiu ontem que no caminho para a concretização do princípio “Um País, Dois Sistemas”, Macau poderá enfrentar novos problemas, mas com as experiências acumuladas nestes 20 anos, o Governo da RAEM e os

sectores da sociedade podem ter mais confiança ao lidar com esses próximos desafios. Zhang teceu rasgados elogios à forma como a Macau defende a segurança nacional e articula a Lei Básica com s Constituição chinesa. O discurso foi proferido no «Seminário comemorativo do vigésimo aniversário da implementação da Lei Básica

da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China», em Pequim. Li Zhanshu, presidente do Comité Permanente do Assembleia Popular Nacional, disse na mesma ocasião que está fora de questão que numa região administrativa especial possa existir “responsabilidade constitucional” e “Estado de

Direito” fora da Constituição. O mesmo dirigente disse ainda que a RAEM no exercício de alto grau de autonomia, deve persistir da autoridade do Governo Central e da liderança centralizada e unificada, não podendo prejudicar a soberania, a segurança, os interesses de desenvolvimento do País, e a soberania integral. J.N.C.

ERRATA No artigo de ontem com o título “O Caminho a Seguir” constava que Hoi Lai Fong iria ocupar no próximo Governo o cargo de comissária-adjunta do CCAC e de chefe do gabinete do Chefe do Executivo Ho Iat Seng. A informação estava errada porque Hoi vai mesmo deixar o CCAC. O HM pede desculpas aos leitores e aos visados pelo erro.


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quarta-feira 4.12.2019

SAÚDE DESPESAS COM SERVIÇOS AUMENTAM 8 POR CENTO EM 2020

Orçamento reforçado Ao todo são mais 670 milhões de patacas relativamente ao orçamento do ano passado, destinadas a cobrir as despesas dos Serviços de Saúde (SS) em 2020. O Governo justifica o aumento com recrutamento de pessoal, aumento do número de camas e novos postos de saúde

A

proposta sobre a lei do orçamento para 2020 esteve ontem em análise, uma vez mais, pela 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). Na reunião, que juntou a Comissão e representantes do Executivo, foram revelados os detalhes orçamentais respeitantes a cinco serviços públicos. Assim, para 2020, os Serviços de Saúde irão contar com mais 670 milhões para fazer face às despesas do próximo ano, de um total de 9 mil milhões de patacas. Segundo o Presidente da 2ª Comissão Permanente da AL, Chan Chak Mo, o Governo justificou o aumento, que representa 8 por cento do orçamento total dos Ser-

viços de Saúde, essencialmente, com o recrutamento de novos técnicos e gastos com o pessoal, sendo que desta percentagem e só neste quadrante, os gastos previstos são de 370 milhões de patacas (54.8 por cento). “Está previsto um aumento de 8 por cento do orçamento para 2020, sendo que as despesas com pessoal

Os Serviços de Saúde irão contar com mais 670 milhões para fazer face às despesas do próximo ano, de um total de 9 mil milhões de patacas

representam a maior fatia do aumento. Ao todo estamos a falar 90 médicos, 85 estagiários, 23 farmacêuticos, 63 técnicos superiores de saúde, 89 técnicos superiores, 22 auxiliares, (…) e 280 enfermeiros”, detalhou Chan Chak Mo. Além das despesas com o pessoal que incluem ”o pagamento de horas extraordinárias, subsídios e abonos”, a outra grande parte do montante, cerca de 200 milhões de patacas, será destinado, segundo Chan Chak Mo, à “criação de novos postos de saúde e ao aumento do número de camas”, mas também a cobrir gastos relacionados com medicamentos e material médico Após a reunião, o Presidente da 2ª Comissão Permanente da AL divulgou ainda as justificações do Governo relativamente à actualização salarial de 3.4 por cento da função pública. De acordo com Chan Chak Mo a taxa de actualização salarial “tem em conta diversos factores como o índice salarial do mercado privado, a inflação, a situação financeira do Governo, entre outros aspectos”, apontou. Sobre o orçamento destinado ao Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-struturas (GDI), o Governo justificou que o aumento de 800 milhões de patacas é devido aos custos inerentes aos estudos da quarta travessia Macau-Taipa. “O aumento do orçamento está relacionado com a quarta ligação Macau-Taipa. Neste momento as obras foram adjudicadas e têm o valor de 5,2 mil milhões de patacas. Esse valor não é definitivo porque há que ter em conta também outros factores como as sondagens, a capacidade do solo, obras relacionadas, por exemplo, com as fundações e ainda, com a evolução dos preços dos materiais (…). Esse estudo está orçamentado em 10 milhões de patacas”, transmitiu Chan Chak Mo.

A BEM DA CULTURA

O orçamento destinado ao Instituto Cultural (IC) prevê também um aumento na ordem das 100 milhões de patacas relacionado com obras de manutenção de equipamentos, eventos agendados e ainda, despesas inerentes aos gastos com as orquestras de Macau, que anteriormente estavam associados ao Fundo de Cultura. “O orçamento total vai passar de mil milhões para 1,1 mil milhões. Mas as despesas estão também relacionadas com o grande número de eventos que vão ser realizados pelo IC. Há também obras que, à partida, seriam relacionadas pelo serviço de obras públicas, mas que afinal vão acabar por ser suportadas pelo próprio IC”. A Comissão espera agora cumprir o parecer até ao próximo dia 10 de Dezembro para que a proposta de lei do Orçamento para 2020 possa depois ser discutida em sede de plenário. Pedro Arede

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Serviços de Administração e Função Pública Palestra aborda oportunidades da Grande Baía Os Serviços de Administração e Função Pública organizou ontem uma palestra sobre o 70º aniversário da República Popular da China na qual esteve presente Zhang Weiwei, professor da Universidade Fudan. Durante a ocasião, segundo o canal chinês da Rádio Macau, o académico considerou que a economia da China e a planificação da Grande Baía vão permitir que Macau se

integre melhor no desenvolvimento do país, o que vai permtir um novo ciclo de crescimento. Nesta lógica, Zhang apontou que Macau já tem vantagens por ser uma plataforma comercial entre países lusófonos e a China, que é o principal parceiro económico de grande parte destes países. Na ocasião esteve presente Ao Ieong U, futura secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.

PUB HM • 1ª VEZ • 4-12-19

ANÚNCIO Execução ordinária n.º

CV2-16-0037-CEO-C

2º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A. 中國工商銀行(澳門)股份有限公司, com residência em Macau, na Avenida da Amizade, n.º 555, Edifício Macau Landmark Torre ICBC, 18º andar, Macau. Executados: 1. LOI FONG SENG 雷豐誠, masculino, e mulher 2. PANG XIAOTING 彭小婷, ambos com última residência conhecida em Macau, na Avenida do Hipódromo, n.º 86, Edifício Nam Fai, Bloco I, 12º andar E, ora ausente em parte incerta. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Bens penhorados (pertence à executada PANG XIAOTING) Denominação da fracção autónoma: 1/2 do “E12” do 12º andar “E”. Situação: Em Macau, nºs 71 a 117 da Rua da Paz, nºs 72 a 120 da Rua de Serenidade, nºs 121 a 169 da Rua da Tribuna e nºs 72 a 118 da Avenida do Hipódromo. Fim: Para habitação. Número de matriz: nº. 071564. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 22095, a fls. 172v do Livro B129. Macau, aos 28 de Novembro de 2019.


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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 42/P/19

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 18 de Novembro de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Reagentes Exclusivos para o Laboratório de Hematologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Dezembro de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 52,00 (cinquenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 6 de Janeiro de 2020. O acto público deste concurso terá lugar no dia 7 de Janeiro de 2020, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 28 de Novembro de 2019 O Director dos Serviços, Subst.º Cheang Seng Ip

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 55/P/19 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 15 de Novembro de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e Instalação de Dez Sistemas Automáticos de Gestão de Medicamentos (Armários Electrónicos de Dispensa de Medicamentos) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Dezembro de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina 17,30 horas do dia 3 de Janeiro de 2020. O acto público deste concurso terá lugar no dia 6 de Janeiro de 2020, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP110.000,00 (cento e dez mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 28 de Novembro de 2019 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

ANÚNCIO VENDA EM HASTA PÚBLICA

Faz-se público que se vai realizar uma venda em hasta pública de sucata resultante de veículos e de sucata de bens, que reverteram a favor da Região Administrativa Especial de Macau nos termos da lei ou que foram abatidos à carga pelos serviços públicos. Os locais, dias e horas marcadas para visualização dos bens agora colocados à venda, para efeitos de prestação da caução e da hasta pública propriamente dita, são os seguintes: Visualização dos bens 1. Sucata resultante de veículos e sucata de bens Na tabela abaixo indicada encontram-se discriminados os lotes de sucata resultante de veículos e de sucata de bens colocados à venda, bem como, a respectiva data, hora e local para visualização dos mesmos na presença de trabalhadores da Direcção dos Serviços de Finanças: No. de lote VS01 (parte), VS02 MS01 (parte) e MS02 VS01 (parte), MS01 (parte) L01 ` L02 e L03

Local de armazenamento

Data de identificação

Horário (1)

Local (2)

Taipa e Coloane

12/12/2019

10:00

Parque de estacionamento provisório para veículos abandonados (Estrada de Flor de Lotus, Coloane)

Macau

12/12/2019

15:00

Macau

13/12/2019

10:00

Edifício Veng Fu San Chun (Rua da Penha n.º 3 – 3C, Macau) Edifício Industrial Cheong Long (Ramal dos Mouros, n.º 11-21, Macau)

Nota

(1) A visualização de sucata resultante de veículos e de sucata de bens inicia-se, impreterivelmente, quinze minutos após a hora marcada, não sendo disponibilizada uma outra oportunidade para o efeito. Os interessados devem providenciar meio de transporte para se deslocaram ao local de armazenamento de cada lote. (2) Para se dirigirem aos locais de armazenamento de sucata resultante de veículos e de sucata de bens, devem os interessados concentrar-se nos locais acima indicados. Não há lugar à visualização de sucata resultante de veículos e sucata de bens no dia da realização da hasta pública, mas são projectadas fotografias dos mesmos através de computador. 2. As listas de bens podem ser consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica desta Direcção dos Serviços (website: http://www.dsf.gov.mo). As listas dos bens com descrição pormenorizada podem ser consultadas no 8.º andar do Edifício “Finanças”, sala 803. Prestação de caução Período: Montante: Modo de prestação da caução

Desde a data do anúncio até ao dia 17 de Dezembro de 2019 $5,000.00 (cinco mil patacas) - Por depósito em numerário ou cheque, o qual será efectuado mediante a respectiva guia de depósito e paga em instituição bancária nela indicada. A referida guia de depósito será obtida na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; ou, - Por garantia bancária, de acordo com o modelo constante do anexo I das Condições de Venda

Realização da Hasta Pública Data: Horário: Local:

18 de Dezembro de 2019 (quarta-feira) Às 09:00 horas – registo de presenças Às 10:00 horas – início da hasta pública Auditório, na Cave do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.º 575, 579 e 585.

Consulta das Condições de Venda As Condições de Venda podem ser: - obtidas na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; - consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica da Direcção dos Serviços de Finanças (website:http://www.dsf.gov.mo). O Director dos Serviços Iong Kong Leong


política 7

quarta-feira 4.12.2019

A Associação Novo Macau voltou a questionar a legalidade do sistema de vigilância assente na tecnologia de reconhecimento facial. Entre as preocupações dos pró-democratas está a falta de fé nas garantias dadas pelo Governo e na falta de regulação do sistema de forma a salvaguardar os direitos dos cidadãos

A

Associação Novo Macau (ANM) “fará tudo para parar” a introdução do sistema de reconhecimento facial. Assim termina o comunicado dos pró-democratas, enviado ontem às redacções, onde argumentam que não existe uma base legal para o estabelecimento do sistema de vigilância que usa câmaras equipadas com reconhecimento facial. Conclusão apurada após a consulta a juristas e especialistas na matéria.

SEGURANÇA NOVO MACAU QUESTIONA BASE LEGAL DE RECONHECIMENTO FACIAL

Câmaras obscuras A associação queixa-se da falta de leis de regulamentação e mecanismos de supervisão, de o plano não estar sujeito às opiniões vinculativas do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais e de os detalhes específicos de funcionamento não serem claros. Depois do anúncio de que o sistema de reconhecimento facial irá entrar em fase de testes no primeiro trimestre do próximo ano, a Novo Macau levantou algumas dúvidas que só se aprofundaram com as respostas das autoridades.

Guarda Costeira Demonstração de força antes da visita de Xi A Guarda Costeira chinesa publicou um vídeo na plataforma Weibo onde faz uma demostração de força e capacidade de resposta em acções entre Hong Kong e a zona costeira de Guangdong, assim como ao longo da Ponte HKZM. O vídeo procura demonstrar a prontidão das autoridades para intervir, antes da vinda do Presidente Xi

Jinping a Macau para as celebrações do 20º aniversário da transferência da Administração de Macau para a China. Nas imagens pode ver-se as autoridades a desmantelar operações de traficantes, sem que se perceba exactamente o local ou a origem dos envolvidos e uma frota entre cinco e sete embarcações de patrulha em

Um dos pilares argumentativos da associação é que não existe base legal para recolha e processamento das imagens de vídeo das câmaras públicas de CCTV. “Mesmo que os vídeos sejam recolhidos legalmente, isso

não significa que possam ser processados arbitrariamente. Por exemplo, a polícia tem autorização explicita para usar o sistema de reconhecimento de matrículas de automóveis, mas não existem disposições legais que autorizem a polí-

“O reconhecimento facial fortalece imenso a habilidade do Governo para recolher informação da vida privada dos residentes, algo que não é permitido pelas leis actuais.” ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

cia a usar o reconhecimento facial no processamento dos vídeos recolhidos”, lê-se no comunicado.

SEPARAR AS ÁGUAS

Outro dos pontos da ANM é a necessidade de distinguir entre “revisão manual” e “reconhecimento automático”, dois conceitos que não se podem misturar. Isto porque “o reconhecimento facial fortalece imenso a habilidade do Governo para recolher informação da vida privada dos residentes, algo que não é

permitido pelas leis actuais”. Também os objectivos do sistema de reconhecimento facial não são muito claros para a ANM. O comunicado dos pró-democratas salienta que no início as autoridades recusaram prometer que não seria construída uma base de dados de larga escala, o que pode significar que mesmo que os vídeos sejam apagados, de acordo com a lei, não fica excluída a possibilidade de reter dados adicionais, tais como os movimentos diários de cada cidadão. “É óbvio que os procedimentos não estão regulamentados e que os direitos fundamentais dos cidadãos continuam em risco. Dizer apenas que tudo será feito ‘de acordo com a lei’não ajuda.” João Luz

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LEI SINDICAL PROJECTO DE LEI RETIRADO A PEDIDO DA FAOM redor da Ponte HKZM, assim como em terra num posto fronteiriço. O vídeo da Guarda Costeira foi publicado depois de no fim-de-semana ter sido divulgado um vídeo de um exercício de larga escala anti-terrorismo, com mais de 1000 polícias. O exercício decorreu no limite da cidade vizinha, junto à Ponte HKZM.

O

S deputados à Assembleia Legislativa (AL) Lam Lon Wai e Lei Chan U, ligados à Federação das Associações dos Operários e Macau (FAOM), decidiram congelar o projecto de lei sindical que já tinha dado entrada no hemiciclo e que aguardava agendamento para votação na generalidade.

De acordo com a TDM Rádio Macau, Lam Lon Wai explicou que o pedido de suspensão foi feito para terem mais tempo para preparar a discussão relativa ao diploma, além de que preferem esperar pelo estudo elaborado pela associação presidida por Kevin Ho, relativo à necessidade de uma lei sindical. Esse estudo foi

entregue em Outubro ao Conselho Permanente de Concertação Social e, para Lam Lon Wai, o resultado dessa análise poderá levar a uma aprovação do referido projecto de lei. Também à TDM Rádio Macau, a presidência da AL, liderada por Kou Hoi In, disse concordar com a suspensão temporária do projecto de lei e o

agendamento assim que os autores do diploma estiverem preparados. Esta segunda-feira, o deputado José Pereira Coutinho enviou uma carta a Kou Hoi In onde exigia o agendamento de um plenário para debate e votação do projecto de lei na generalidade até ao final deste ano, questionando os motivos do atraso.


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4.12.2019 quarta-feira

EDUCAÇÃO MACAU ALCANÇA O TERCEIRO LUGAR NOS TESTES PISA

A revolução silenciosa

Na avaliação da leitura, matemática e ciências, os alunos locais conseguiram levar o território ao terceiro lugar do pódio, apenas atrás da China, que só contabiliza duas cidades e duas províncias, e de Singapura Macau ficou acima da média da OCDE, que registou resultados de 487 pontos em literatura e 489 pontos a matemática e ciências. Portugal também ficou acima da média, com 492 pontos em todos os três aspectos analisados. Na apresentação, esteve igualmente o académico Cheang Kwok Cheung, da Universidade de Macau que desempenha as funções de Administrador do Projecto Nacional do PISAde Macau. Cheang afirmou que os resultados obtidos vão ser uma referência para as restantes economias e países. “Macau vai servir de exemplo a países e economias, vão querer reunir-se connosco para aprenderem”, considerou.

O CALCANHAR D’AQUILES

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ACAU ficou em terceiro lugar no ranking mundial da educação medida pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos, conhecido como PISA. Os resultados foram apresentados durante a tarde de ontem com Macau a ficar no pódio em todas as competências analisadas, nomeadamente leitura, matemática e ciências. Nos exames realizados no ano passado, na área da leitura os alunos locais conseguiram uma média de 525 pontos, quando no último teste, de 2015, tinha sido de 508 pontos. Em matemática a média foi de 558 pontos, uma subida face aos 544 pontos. Em ciências a média foi de 544 face aos 529 pontos de

2015, quando foram publicados os resultados do teste anterior. De acordo com os resultados apresentados, Macau ficou apenas atrás da China (avaliada pelas cidades de Pequim, Xangai, e as província de Jiangsu e Zhejiang) e Singapura. O Interior ficou em primeiro com 555 pontos em literatura, 591 em matemática e 590 em ciências, já Singapura alcançou um resultado de 549 pontos em literatura, 569 pontos em matemática e 551 pontos em ciências. “Os resultados são encorajadores. Entre os 79 países e economias, estamos em terceiro logo a seguir à China e a Singapura. Pela primeira vez alcançamos nas três áreas avaliadas o terceiro lugar a nível mundial”, afirmou Lou Pak Sang,

Director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), na apresentação dos resultados. “Segundo a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, responsável pelo teste] Macau é uma das economias com um progresso contínuo e rápido da qualidade educativa”, acrescentou.

“Macau vai servir de exemplo a países e economias, vão querer reunir-se connosco para aprenderem.”

O pior registo para as escolas de Macau está relacionada com o bullying, como tradicionalmente acontece. A região saltou do grupo dos piores ambientes escolares para um grupo médio, ainda assim abaixo da médica da OCDE, e por isso a DSEJ prometeu continuar a trabalhar nesta área, através de um grupo de trabalho que foca a felicidade dos alunos. Nos testes PISA de 2018 participaram mais de 600 mil alunos, de 79 economias participantes, entre os quais 37 países membros da OCDE e 42 que não fazem parte da organização. Já em Macau, foram 45 as escolas envolvidas, com 3775 alunos a fazerem parte do teste, ou seja 99,1 por cento dos estudantes das instituições participantes.

CHEANG KWOK CHEUNG ACADÉMICO

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

COOPERAÇÃO CARITAS PORTUGUESA REACTIVA COLABORAÇÃO COM MACAU

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Caritas Portuguesa reactivou a colaboração com a congénere de Macau, com a qual vai desenvolver projectos conjuntos em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, disse à Lusa o presidente da instituição em Portugal, Eugénio Fonseca. Nos últimos 20 anos, a cooperação esteve praticamente interrompida, mas desde Maio que voltou a ser

estabelecida uma colaboração mais estreita, com a celebração de um acordo que está agora a “dar os primeiros frutos”, afirmou o responsável. A iniciativa surgiu na sequência de um encontro mundial de Caritas em Roma, onde os responsáveis aproveitaram para restabelecer a relação bilateral. “Vamos contar com o apoio da Caritas de Macau

para projectos internos, nomeadamente no apoio a desempregados”, indicou Eugénio Fonseca, referindo-se a iniciativas previstas para Portugal. A Caritas de Macau está também disposta a financiar projectos para ensino do mandarim, seja para chegar a novos alunos ou para ajudar os que têm dificuldades, acrescentou.

Eugénio Fonseca sublinhou que em Macau não há, neste momento, necessidade de intervenção por parte da Caritas Portuguesa. A Caritas de Macau tem mais fundos, de acordo com o dirigente, e está disponível para ajudar igualmente as congéneres de São Tomé e da Guiné, que “são paupérrimas”. O objectivo é ajudar na capacitação das estruturas

para candidatarem projectos e obterem fundos. Eugénio Fonseca atribuiu à distância geográfica e à escassez de meios da Caritas de Portugal a interrupção da cooperação com Macau nos últimos 20 anos. Porém, no início de Janeiro fará uma deslocação ao território chinês, de onde tenciona trazer desenhados “projectos mais concretos”.

Ambiente Pedido alargamento do âmbito da lei de cobrança de sacos de plástico

Chu Oi Lei, coordenadora do Centro de Apoio Familiar da Zona Norte da Associação Geral das Mulheres de Macau, defende, de acordo com o jornal Ou Mun, que a lei que estabelece a cobrança de uma pataca por cada saco de plástico deve ser alterada a fim de abranger também outros produtos de plástico, como é o caso de utensílios de cozinha ou palhinhas, bem como sacos de plástico mais finos. Esta medida iria de encontro ao que já é praticado na China e em Hong Kong. A responsável aponta que o Governo deve continuar a promover acções de sensibilização. Ainda que a nova lei tenha sido bem recebida por comerciantes e residentes, Chu Oi Lei adiantou que há muitas pessoas que desconhecem a obrigatoriedade do pagamento dos sacos de plástico em supermercados e lojas.

Acidentes Base de dados sem calendário

O Governo está a trabalhar para criar uma base de dados sobre os acidentes de viação na RAEM, mas não tem um calendário para completar os trabalhos, que estão a decorrer. Segundo as declarações de um porta-voz da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) ao canal chinês da Rádio Macau, são vários dados que precisam de ser tratados para completar os trabalhos e que estão a ser coordenados com o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP).


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quarta-feira 4.12.2019

JUSTIÇA SEGUNDA INSTÂNCIA LEVA EX-CONCESSIONÁRIOS A PERDER TERRENOS PARA GOVERNO

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) considerou improcedentes cinco recursos apresentados por ex-concessionários de terrenos que passaram para a hasta pública, pelo facto de não terem sido aproveitados no prazo de 25 anos. De acordo com uma nota oficial ontem divulgada,

as decisões do TSI foram proferidas a 31 de Outubro e nos dias 7 e 14 de Novembro deste ano. Em quatro casos, os recursos dizem respeito à declaração de caducidade da concessão por parte do Chefe do Executivo, Chui Sai On, enquanto que um dos casos diz respeito a um despacho assinado pelo se-

Entre Janeiro e Outubro 94 mães recusaram identificar os pais dos recém-nascidos. Segundo a lei, os casos em que um do progenitores está em falta têm de ser relatados aos tribunais, que este ano já resolveram 34 ocorrências

O

número de recém-nascidos que foram registados sem pai está quase a duplicar face ao ano passado. Segundo os dados fornecidos pela Direcção de Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) ao HM, só nos primeiros dez meses deste ano foram registados 60 bebés sem pai, quando no ano anterior o número tinha sido de 34 recém-nascidos. Se a tendência de seis registos sem pai por mês for mantida em Novembro e Dezembro o valor vai chegar às 72 ocorrências, o que representa um aumento de 38 registos com pai desconhecido. O valor dos primeiros dez meses deste ano também já ultrapassou o total de 2017, quando foram feitos 50 registos de crianças sem pai. Por este prisma, percebe-se que depois de haver uma quebra de 16 registos entre 2017 e 2018, este ano voltou a haver um aumento na tendência dos registos de crianças com pai incógnito. Os números mencionados dizem respeito aos casos em que não foi possível

cretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, onde se decreta a desocupação do terreno. O primeiro caso diz respeito a um terreno situado na Taipa, no cruzamento da Estrada do Pac On com a Rua da Felicidade, concessionado à Fábrica de Isqueiros Chong Loi (Ma-

cau), Limitada. O segundo caso diz respeito a um outro terreno, também localizado na Taipa, no aterro do Pac On, concessionado à Metalminer (Pacific) - Indústria de Materiais de Precisão S.A. Também na Taipa, na Rua de Viseu, encontra-se o terreno relativo ao terceiro caso, concessionado a Pedro

Yep Wai Chau. Já o quarto caso diz respeito a um terreno localizado em Coloane, na Zona Industrial de Seac Pai Van, concessionado a Lau Lu Yuen. O quinto processo diz respeito a um terreno situado na península de Macau, na Estrada Marginal da Ilha Verde, sendo a concessioná-

ria a Companhia de Géneros Alimentícios Congelados Macau, Limitada. A 21 de Março de 2016 o Chefe do Executivo proferiu despacho, no sentido de declarar a caducidade da concessão do terreno pelo seu não aproveitamento até ao termo do prazo do arrendamento. A.S.S.

PATERNIDADE NÚMERO DE CRIANÇAS REGISTADAS SEM PROGENITOR QUASE DUPLICA

Tem pai desconhecido apurar a paternidade, apesar da intervenção das autoridades pelos meios legais disponíveis. O código civil de Macau estabelece que sempre que haja um registo de nascimento tem de constar o nome do pai e da mãe. Por isso, os funcionários do registo ficam obrigados a remeter as situações em que tal não acon-

tece para os tribunais que depois tentam averiguar oficiosamente a identidade do pai.

DAS INVESTIGAÇÕES

Nos primeiros dez meses deste ano houve 94 mães que recusaram identificar o pai na altura do registo. Por isso, segundo o decreto-lei 65/99/M, os casos são remetidos

para os tribunais onde é feita uma investigação oficiosa e confidencial, conduzida pelo MP. Após o relatório da investigação do MP, o tribunal tem de decidir se arquiva o caso ou se arranca um processo, desta forma oficial, para apurar a identidade do progenitor em falta. Em relação aos 94 casos relatados este ano, os progenitores

Ainda de acordo com os dados fornecidos pela DSAJ entre 2017 e Outubro deste ano não houve nenhuma criança registada com mãe desconhecida

foram identificados por 15 vezes devido às investigações dos tribunais, que tiverem de fazer valer a prova da investigação. Em outras 19 ocorrências, os pais acabaram fornecer os seus dados e assumir a paternidade “voluntariamente”, numa segunda fase, quando questionados pelas autoridades. Também as situações em que os pais assumem a paternidade num segundo momento foram menos frequentes este ano. Por exemplo, em 2017 houve 44 pais a dar os dados e a declararem-se progenitores. O número destas situações aumentou para 57, no ano passado, mas está novamente em quebra. Em relação aos casos em que os tribunais completaram o registo, houve 24 situações em 2017 e 18 no ano passado. Ainda de acordo com os dados fornecidos pela DSAJ, entre 2017 e Outubro deste ano não houve nenhuma criança registada com mãe desconhecida. João Santos Filipe

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4.12.2019 quarta-feira

Viagem ao coração A exposição de fotografia “O Caminho Chinês”, com imagens de Paolo Longo, fica patente no Museu do Oriente, em Lisboa, até Fevereiro do próximo ano. Esta mostra revela um percurso feito pelo fotógrafo e jornalista italiano na China, a partir do ano de 2004, na qualidade de correspondente do canal televisivo Rai

S PUB

ÃO 56 imagens que revelam o quotidiano de homens e mulheres chineses tal como ele é, captadas pela lente de Paolo Longo, jornalista e fotógrafo italiano. A viagem na China começou em 2004, devido a uma proposta de trabalho, para ser correspondente do canal italiano Rai, e resultou em múltiplas descobertas de uma cultura diferente. “O Caminho Chinês” é o nome desta mostra que estará patente no Museu do Oriente, em Lisboa, até Fevereiro do próximo ano. A 17 de Janeiro, Paolo Longo dará uma palestra, com entrada gratuita. Esta iniciativa conta com a colaboração do Instituto Italiano da Cultura em Lisboa.  De acordo com uma nota oficial escrita pelo próprio Paolo Longo, esta exposição “é uma ‘viagem do coração’ na vida quotidiana do povo chinês na época do boom económico e da grande transformação económica, social e cultural”.  “Quando cheguei à China, num gélido dia de Janeiro de 2004, para começar a trabalhar como correspondente da Rai, tinha uma imagem da transformação da China baseada nos grandes sinais económicos e políticos. Um sexto da população do planeta passava pela maior experiência política e económico-social da História. Comecei então a olhar mais profundamente para o quadro completo e a descobrir não “o povo chinês”, mas “os chineses”, e comecei a compreender o que

PAOLO LONGO

FOTOGRAFIA MUSEU DO ORIENTE APRESENTA “O CAMINHO CHINÊS”, DE PAOLO LONGO

havia lido nas páginas de Lu Xun, um grande escritor chinês do século XX”, descreve o fotógrafo.

UM PAÍS DIFERENTE

Para Paolo Longo, “cada fotografia torna-se, portanto, numa história que faz referência a outras histórias ou que vive por si mesma”. O público poderá, assim, ter contacto, através da imagem, com “histórias de pessoas, histórias verídicas, imagens do quotidiano na China do boom económico”. “A vida do dia a dia que à primeira vista pode parecer enfadonha, mas que encerra a política, a história, a cultura, as emoções, os desejos e os segredos de uma sociedade”, acrescenta o autor. Na hora de escolher as fotografias que iriam fazer parte de “O Caminho Chinês”, o fotógrafo disse ter eliminado “tudo o que estava relacionado com a ‘crónica’ e do que tinha o sabor do exótico, do ‘Extremo e Misterioso Oriente’”. Paolo Longo diz ter visto “uma China diferente” em relação ao passado, “onde a história da comunidade se

dissolve numa infinidade de histórias individuais, de vitórias e de derrotas, de riqueza e de pobreza, de descobertas, de batalhas, de desperdício, de protestos, mas sempre histórias de indivíduos debatendo-se com um novo caminho que se abria”.

“O Caminho Chinês” de imagens que começ resta da China comun última aldeia comunis transformado num íco numa personagem pa como Elvis”. PAOLO LONGO F


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quarta-feira 4.12.2019

o da China

Para o repórter, “muitos caminhos têm sido abertos na China nos últimos anos”. “Os jornalistas que trabalharam na China na década de 1960 falavam de como os chineses eram todos iguais. Durante 30 anos, desde a vitória da revolução

” revela uma sequência ça “com aquilo que nista (Nanjiecun, a sta) e o mito de Mao, cone sem cabeça ou assível de ser imitada,

FOTÓGRAFO E JORNALISTA

até à morte de Mao, o país habituou-se a pensar em termos do colectivo, grupos de trabalho, movimentos de massas”, frisou. Sendo assim, “O Caminho Chinês” revela uma sequência de imagens que começa “com aquilo que resta da China comunista (Nanjiecun, a última aldeia comunista) e o mito de Mao, transformado num ícone sem cabeça ou numa personagem passível de ser imitada, como Elvis”. Segue-se um percurso feito através das “ruínas das cidades imperiais, pelas vielas de Pequim, pela mítica cidade de Lijiang com os seus telhados de lousa; olha para a metrópole futurista pro-

jectada no século XXI e para os seus habitantes, que recordam muito pouco do passado e olham para o Ocidente para encontrar um caminho chinês para a modernidade”. É também captada uma “mistura do passado e o presente nos jovens da nova classe média que se disfarçam para serem fotografados como protagonistas da antiga ópera chinesa, tal como fazem os camponeses de uma aldeia não muito longe de Pequim, que seguem dos campos para a caracterização, e daí para o palco”.  

RAEM, 20 anos Exposição de fotografia inaugura hoje no Consulado É hoje inaugurada a exposição de fotografia intitulada “20 anos, 20 fotos”, promovida pela agência Lusa e que visa celebrar os 20 anos de estabelecimento da RAEM e da transferência de soberania de Macau para a China. A mostra terá lugar no consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. De acordo com uma

nota oficial, em 1999, a agência Lusa foi “responsável pela criação e gestão do centro de imprensa internacional para cerca de 400 pessoas, que incluía auditório para conferências de imprensa, cafetaria e restaurante”. Além disso, a agência “dirigiu a ‘pool’ internacional de fotojornalistas, no âmbito da EPA, e registou todos

os acontecimentos relativos às cerimónias de transferência”, tendo resultado “um enorme acervo fotográfico do qual esta exposição, patente até 15 de Dezembro, nos traz alguns destaques”. A exposição estará depois patente em Lisboa no espaço Noémia de Sousa, na sede da agência Lusa, a partir do dia 12 de Dezembro.

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Geleia Real A Geleia Real é uma substância de consistência cremosa e cor clara produzida pelas abelhas obreiras jovens, a partir do mel, néctar e água. Constitui o alimento exclusivo da abelha-rainha durante toda a vida, sendo também usado pelas abelhas para alimentar todas as larvas durante os três primeiros dias de vida. Assim sendo, a diferenciação da abelha-rainha face às restantes abelhas deve-se à Geleia Real, já que a abelha-rainha adquire o dobro do tamanho e o triplo do peso destas. Além disso, pode atingir 5 anos de vida e produzir mais de 2000 ovos diariamente, enquanto as restantes têm apenas 5 a 6 semanas de vida e são estéreis. Considerado o “alimento mais rico da Natureza”, e impossível de sintetizar ou reproduzir, a Geleia Real tem um efeito único sobre o crescimento, a longevidade e a reprodução. Diversos estudos têm confirmado os seus benefícios e referido novas propriedades. Composição Com mais de cem constituintes diferentes, a Geleia Real possui uma composição de grande complexidade, uma pequena parte da qual permanece ainda por explicar. Apresenta um teor elevado de: proteínas, sendo de realçar a proteína lactina-real (royalactin), responsável pela programação epigenética da abelha-rainha; aminoácidos (arginina, cistina, glicina, lisina, metionina, prolina, serina, valina), alguns dos quais essenciais; ácidos nucleicos (DNA e RNA); vitaminas, especialmente as do complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, biotina, inositol e ácido fólico) e as antioxidantes A, C e E; enzimas e outros compostos bioactivos, como vários ácidos orgânicos, esteróides e fenóis. Contém ainda: hidratos de carbono de fácil assimilação (sobretudo frutose e glicose); lípidos, com destaque para o 10-HDA (ácido 10-hidroxi-2-decenóico), o ácido gordo da abelha-rainha e considerado o seu principal princípio activo; e, diversos minerais e oligoelementos (cálcio, cobre, ferro, fósforo, manganês, potássio, silício, zinco). Sabor ácido e amargo. Acção terapêutica Altamente nutritiva, a Geleia Real acelera o crescimento, regenera os tecidos e aumenta a vitalidade, sendo um excelente reconstituinte do estado geral do organismo. É usada tradicionalmente como um tónico energizante, em caso de falta de apetite, anorexia, anemia, estados de debilidade, fadiga, astenia, esgotamento, convalescença

e desportistas, sendo apropriada para crianças e idosos. Em virtude da concentração elevada de ácido pantoténico (vitamina B5), favorece o funcionamento das glândulas supra-renais; estas glândulas regulam a resposta do organismo ao stress, influenciando directamente o metabolismo e os níveis de energia. Stress, ansiedade, nervosismo, depressão e desgaste psíquico são outras das suas inúmeras indicações. Tem ainda actividade antioxidante e neuroprotectora, prevenindo o envelhecimento dos neurónios; oxigena o cérebro, e melhora a memória e o desempenho cognitivo, sendo muito recomendada para os estudantes e no esgotamento intelectual. A Geleia Real estimula o funcionamento dos ovários e testículos, aumentando a produção de hormonas sexuais; tem propriedades estrogénicas, conferindo uma protecção adicional contra a osteoporose. Nas mulheres, atenua os sintomas pré-menstruais e da menopausa e, nos homens, melhora a produção de testosterona testicular. Com acção antibacteriana, reforça as defesas do organismo, sendo desde há muito usada na prevenção de gripes e constipações. Além disso, é antioxidante, anti-inflamatória e antitumoral (previne o cancro da mama) e, de acordo com estudos existentes, pode ser administrada a pacientes a fazerem radio ou quimioterapia (como adjuvante). Outras propriedades Benéfica na redução do risco cardiovascular, a Geleia Real combate os radicais livres, reduz os processos infamatórios, melhora os níveis de colesterol no sangue e previne a aterosclerose; dilata os vasos sanguíneos e baixa a pressão arterial; melhora também os níveis de açúcar no sangue. Como tomar Uso interno: • Pode ser tomada fresca ou em ampolas, xarope e cápsulas, em simples ou fórmulas, como fortificante do organismo, para o sistema nervoso e imunidade. Tomar de acordo com as indicações. Precauções A Geleia Real pode ser tomada a partir do primeiro ano de vida, no entanto, os bebés e crianças devem ser acompanhados por um profissional. Se surgir alguma reacção alérgica, o tratamento deve ser suspenso. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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VISTOS ‘GOLD’ CHINA INVESTIU MAIS DE 2.500 MILHÕES DE EUROS DESDE 2012

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Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong “A assinatura da legislação vai ter um impacto no desenvolvimento económico da cidade. Isso prejudicará a confiança e criará um ambiente instável que vai afectar as empresas norte-americanas com sede em Hong Kong.”

HONG KONG RESOLUÇÃO DOS EUA TERÁ IMPACTO NEGATIVO NA ECONOMIA

A palavra de Carrie

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líder de Hong Kong afirmou ontem que a resolução de apoio aos direitos humanos e à democracia no território aprovada por Washington vai ter um impacto negativo na economia da cidade. “A assinatura da legislação vai ter um impacto no desenvolvimento económico da cidade. Isso prejudicará a confiança e criará um ambiente instável que vai afectar as empresas norte-americanas com sede em Hong Kong”, disse Carrie Lam, em conferência de imprensa. “Teremos que ver quais as avaliações que eles [Estados Unidos] fazem. Mas é claro que isso terá um impacto. Isso apenas cria incerteza e não é bom para o desenvolvimento económico”, reforçou. A Chefe do Executivo local voltou a condenar aquela resolução, aprovada na sema-

na passada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sublinhou tratar-se de uma “clara interferência nos assuntos internos de Hong Kong”. Estas afirmações chegam um dia depois de a China ter proibido navios e aeronaves militares norte-americanas de estacionar em Hong Kong, numa retaliação contra a medida aprovada por Washington, uma legislação que permite sancionar autoridades chinesas que violem os direitos humanos na região semiautónoma. Pequim decidiu ainda punir organizações não-governamentais (ONG) como a Human Rights Watch (HRW), indicou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, que voltou a considerar a rectificação da Lei dos Direitos Humanos e Democracia em Hong Kong

uma “grave violação do Direito internacional”. “Vamos apoiar o Governo central e as medidas adoptadas nesse sentido”, afirmou Carrie Lam, frisando que os cidadãos de Hong Kong “desfrutam de liberdade de imprensa, liberdade religiosa e liberdade de reunião”.

ALÍVIO EM CURSO

O texto aprovado por Trump põe em causa o estatuto comercial de que beneficia actualmente a região administrativa especial chinesa e prevê sanções contra autoridades chinesas responsáveis por violações dos direitos humanos em Hong Kong, como detenções arbitrárias e extrajudiciais, tortura ou confissões forçadas. A líder de Hong Kong anunciou ainda “medidas de alívio” para sustentar a economia da cidade, depois do anúncio, na segunda-feira, de que Hong

Kong vai registar este ano o primeiro défice orçamental em 15 anos. Lam não especificou em que consistem essas novas medidas, e apenas se comprometeu a encontrar uma maneira de parar a violência «da forma mais rápida possível» para que a economia «volte ao normal». Hong Kong é há seis meses palco de manifestações, iniciadas em protesto contra uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental. O Governo de Hong Kong acabou por retirar a proposta, cedendo a uma das exigências dos manifestantes. Mas a decisão não foi suficiente para travar os protestos antigovernamentais em prol de reformas democráticas e contra a alegada crescente interferência de Pequim no território.

investimento chinês captado através dos vistos ‘gold’totalizou 2.529 milhões de euros nos sete anos do programa, enquanto o brasileiro foi de 678,6 milhões de euros, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Lançadas em Outubro de 2012, as Autorizações de Residência para Actividade de Investimento (ARI) captaram ao fim de sete anos quase cinco mil milhões de euros (4.911.263.689,42 euros), com a aquisição de imóveis a somar 4.433.605.566,52 euros. Do montante total captado, o investimento oriundo da China representou mais de metade (51%), num total de 4.424 ARI atribuídos. No caso do Brasil, ao longo do programa foram atribuídos 844 vistos ‘gold’. O investimento de origem turca ascendeu a 200 milhões de euros (370 ARI) e o russo a 198,7 milhões de euros (290 ARI). África do Sul integra o grupo das cinco principais nacionalidades que investiram

em Portugal através daquele instrumento, com 194,6 milhões de euros investidos, com a concessão de 318ARI. No mês de Outubro, o investimento através dos vistos ‘gold’ recuou 19 por cento face a igual período de 2018, para 59,9 milhões de euros. Já face a Setembro, o investimento captado aumentou 23,7 por cento. Nos primeiros 10 meses do ano, o investimento totalizou 661 milhões de euros, menos 0,8 por cento do que em igual período de 2018. Entre Janeiro e Outubro, o investimento chinês totalizou 196,1 milhões de euros, menos 10,8 por cento face a igual período do ano passado, o brasileiro recuou 23 por cento para 142,9 milhões de euros, e o da Turquia caiu para metade, em termos homólogos, atingindo 40,6 milhões de euros. Estados Unidos (com 39,3 milhões de euros) e a Rússia (31,3 milhões de euros) são outros dos dois países que mais investiram através de vistos ‘gold’ em 2019.

Guerra comercial Trump confia em acordo depois das eleições

Um acordo comercial com a República Popular da China pode ser “alcançado depois das eleições” presidenciais norte-americanas de 2020, disse ontem o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump. “Não tenho nenhum prazo”, afirmou Trump, acrescentando que prefere pensar no período pós-eleitoral. “De certa forma, gosto da ideia de aguardar até depois do período das eleições para alcançar um acordo com a China”, disse mostrando-se convencido de que vai ser reeleito nas presidenciais do próximo ano, nos Estados Unidos. Trump mostrou-se igualmente confiante na possibilidade de um acordo com a República Popular da China apesar dos sinais contrários das últimas semanas, nomeadamente, do seu homólogo chinês Xi Jinping. O chefe de Estado norte-americano falava numa conferência de imprensa antes da abertura oficial da Cimeira da Aliança Atlântica que começou ontem em Londres e que se prolonga até quarta-feira. A cimeira da NATO assinala os 70 anos da organização.


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quarta-feira 4.12.2019

Que prenda queres? Coreia do Norte insiste que cabe aos EUA escolher “presente de Natal”

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Coreia do Norte repetiu ontem que os Estados Unidos têm pouco tempo para salvar as negociações sobre o programa nuclear, sublinhando caber inteiramente a Washington escolher que “presente de Natal” pode receber de Pyongyang. Esta declaração, atribuída a um diplomata, surgiu quando a Coreia do Norte continua a aumentar a pressão sobre a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Governo sul-coreano, à medida que se aproxima o prazo do final do ano para que os Estados Unidos proponham os termos de um acordo mutuamente aceitável para todas as partes. As negociações estão num impasse desde a cimeira de Fevereiro, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e Donald Trump, que terminou sem acordo e depois de Washington ter rejeitado as exigências de Pyongyang relativas a um abrandamento das sanções económicas em troca de uma “rendição” parcial das capacidades nucleares do Norte.

“O diálogo elogiado pelos Estados Unidos não representa nada e é apenas um truque para manter a República Popular Democrática da Coreia presa ao diálogo, usado em favor da situação política e das eleições nos Estados Unidos”, afirmou Ri, de acordo com a imprensa oficial norte-coreana. “O que resta é uma opção dos Estados Unidos e cabe aos Estados Unidos escolher que presente de Natal podem receber”, acrescentou.

AMEAÇAS VELADAS

Reuniões de trabalho realizadas em Outubro, na Suécia, terminaram devido aquilo que os norte-coreanos descreveram como “a velha posição e atitude” dos norte-americanos. Um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano encarregado das questões norte-americanas, Ri Thae Song, acusou

os negociadores norte-americanos de repetirem propostas de negociações destinadas apenas a ganhar tempo, sem proporem quaisquer soluções reais. Ri reiterou a anterior posição e declarações da Coreia do Norte de que o país só continuará com a diplomacia nuclear, se obtiver algo substancial em troca.

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Kim tinha afirmado já que vai procurar “um novo caminho” se Washington mantiver as sanções e a pressão. O Norte realizou vários testes de sistemas de mísseis nos últimos meses, o que peritos consideraram alargar potencialmente a capacidade para atacar alvos na Coreia do Sul e no Japão. Por outro lado, o regime norte-coreano ameaçou também suspender a moratória sobre mísseis de longo alcance e retomar os lançamentos sobre o Japão. Kim e Trump trocaram insultos e ameaças bélicas em 2017, quando a Coreia do Norte efectuou vários testes nucleares e de mísseis, mas os dois líderes afirmaram manter boas relações pessoais desde que iniciaram os seus encontros em 2018.

Filipinas Pelo menos duas vítimas mortais na passagem do Kammuri

Pelo menos duas pessoas morreram ontem nas Filipinas devido à passagem do tufão Kammuri, com rajadas e chuvas intensas, que provocou também a retirada de milhares de pessoas das suas casas e o encerramento do Aeroporto Internacional de Manila. A tempestade tropical, que atingiu na noite de segunda-feira o sudeste de Luzon, a maior ilha do arquipélago, chegou ontem ao sul da capital filipina. Manila actualmente recebe os Jogos do Sudeste Asiático e algumas das provas tiveram de ser suspensas devido ao mau tempo. Em particular, o tufão atingiu a ilha de Mindoro (centro), onde dois homens morreram, um após a queda de uma árvore e o outro depois de ser atingido por um pedaço de madeira levado pelo vento, segundo as autoridades policiais.


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Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

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E que vale o tempo, de que nos valerá essa entidade criadora e criatura inventada por nós, mesmo que a tentativa de a domesticar tenha falhado? “Time must have a stop”, diz um personagem de Shakespeare no seu desespero lúcido. Mas não há paragens, só passos irreversíveis. E por vezes, quando temos sorte, há tempos que se cruzam e que fazem com que compreendamos o que antes não seria possível porque pura e simplesmente ainda não tínhamos tempo suficiente dentro de nós. Para bem do leitor tentarei explicar o parágrafo anterior, entre o místico e o críptico, com o que sempre norteia estas crónicas: o quotidiano, princípio e fim de tudo. Melhor ainda, recorrendo à música popular, arte próxima, palpável e

4.12.2019 quarta-feira

ouco o eco do amor há muito soterrado ´

De que vale o tempo

que medra dentro dos dias. Pela audição de dois discos três tempos encontraram-se: o meu e o dos dois autores e compositores. O primeiro disco chama-se Thank You For The Dance, legado póstumo mas desejado de Leonard Cohen. Prossegue o caminho de You Wanted It Darker, o derradeiro disco que o canadiano editou em vida (viria a morrer dezanove dias depois do disco ver a luz). É mais um acerto de contas com a vida e

sobretudo com a morte mas ainda mais frágil. As canções de Thank You For The Dance foram compostas por vários músicos a partir das gravações da voz de Cohen, já muito debilitado e em reclusão domiciliária. São pequenas pérolas negras, algumas de alegria, outras de raiva, outras ainda de resignação irónica de alguém que vê o seu tempo terminar e está preparado para isso. No extraordinário um minuto e doze segundos que demo-

Não é por acaso que o nosso olhar não está preparado para assimilar o muito que nos é dado quando nos é dado pela primeira vez. É preciso que a vida nos atravesse e atravesse as coisas

ra a canção The Goal, ele resume o seu estado e o que fica: “No one to follow /And nothing to teach/ Except that the goal /Falls short of the reach”. A visão do finito – que de resto sempre passeou pela obra de Cohen – ganha aqui o último acabamento de uma catedral de beleza. Mas para o tempo de Cohen já estava preparado. O espanto veio com a descoberta de Bookends, disco de Paul Simon e Art Garfunkel, editado em 1968. Sendo o que vos escreve admirador de Paul Simon, nunca tinha ouvido este disco como deve ser. Por misteriosas razões ( provavelmente porque agora era o tempo certo, quando o posso compreender na plenitude, “no meio do caminho da nossa vida”, para citar o padroeiro desta coluna) peguei nele. E perdoai a recensão tardia mas tenho que a fazer: é um disco extraordinário, conceptual. Os temas são a velhice, a mortalidade, o tempo. Mais extraordinário ainda quando se sabe que foi escrito por um jovem de vinte e tal anos – num tempo de inícios. O tempo está por toda a parte: Overs, por exemplo, é uma canção de separação que me fez lembrar do célebre sermão de António Vieira sobre o tempo e o amor: “O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos.” A colagem de vozes de velhos (Voices Of Old People, feita por Art Garfunkel) é ainda mais explícita sobre o que se pode ver no final desta nossa corrida. Old Friends e Bookends são elegias melancólicas ao que passou e ao que está inexoravelmente por passar. A parte conceptual do disco dura apenas um lado. Depois seguem-se canções de temas mais ou menos sortidos. Ou não: Hazy Shade Of Winter, que conta com um dos melhores riffs que conheço, abre com as palavras “Time time time, see what’s become of me/ While I looked around for my possibilities” - e não é reconfortante que pelo meio o narrador afirme “Hang on to your hopes, my friend/ That’s an easy thing to say/But if your hopes should pass away/Simply pretend/ that you can build them again”. Não é por acaso que o nosso olhar não está preparado para assimilar o muito que nos é dado quando nos é dado pela primeira vez. É preciso que a vida nos atravesse e atravesse as coisas. Que haja tempo, e que esse tempo que não irá parar possa por momentos demorar-se em nós. Do tempo vem o espanto, o entendimento e a desilusão. Todos são preciosos. Até porque como escreveu um ainda mais jovem Paul Simon (a lembrar Beckett) “Hello, hello, hello, hello/ Goodbye, goodbye, goodbye, goodbye/ That’s all there is /And the leaves that are green turn to brown.”


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 4.12.2019

diário de um editor João Paulo Cotrim

CABO RUIVO, LISBOA, 25 NOVEMBRO Chovia, de maneira que derrapagens eram permitidas. Antes, e na companhia do Afonso de Melo e do tu-Barão da Brandoa, experimentámos no Calcutá, entre outros condimentos, alguns acabados de chegar do Índico, sublimes fígados de frango, e, arrisco dizê-lo, o melhor kebab de borrego que me foi dado provar. Regado, já agora, na justa medida por um Vinhas Velhas assinado Paulo Laureano. Aquele recanto do meu coração será sempre ruivo, por milhentas razões, e lá nos postámos no estúdio treze da Antena três, aguardando hora. Estávamos abrigados em território Indiegente, sob comando do Nuno Calado, que disparava em boas direcções. Às segundas também se arranja alvo, nas barbas de Anjos-o-José, para a palavra por cantar, a sobrar ao canto do lábio. Vai de dizer inéditos dos buques que se avizinham cá em casa, o da Inês [Fonseca Santos], de par com o do Henrique [dodecassílabo Fialho], mai-lo Paulo [José Miranda] e o Miguel [Martins], que puxei para o meu regaço para o dirigir à noite escura a ver se acertava em alguém. Disse no mais alto sussurro que alcancei: «A vida é impossível, não importa/ o Vicks VapoRub, o que nos fazem/ ou o que nós fazemos, se ou quando./ Desde que o primeiro homem se lembrou/ de que não era cão, ficámos condenados/ a saltérios e musas e juros com fermento,/ à sina de gravatas e aprestos./ Que mal tinha ser cão, além do bem/ de comer carne crua e cheirar cus/ e vaguear pelas estações do mundo?/ Mas não: havia que salgar a focinheira/ do porco, pôr rosmaninho nas virilhas/ e inventar a cadeira rotativa,/ moribundelirar amores obtusos/ e de tudo intentar a mais-valia,/ composta e previdente e pequenina./ Ora, acontece que, seja dia ou noite,/ só me apetece ladrar à maresia.» HORTA SECA, LISBOA, 26 NOVEMBRO Devia a prosa, segundo ditames do bem cronicar, coser-se pelos fios do óbvio dos dias que tombam mal o sol ascende. Ou seja, nenhuma razão para falar agora de sardinhas. Excepto para mim, que não

Ladrar à maresia as gramo da maneira pópulare a debitar a gordurinha na brasa faiscante, agudizando os graus das festas ou de um inferno qualquer, apesar de regado a carrascão ou cerveja, valha-nos Santa Greta! Mão amiga oferece-me o deleite de 500 + 500 sardinhas/sardines (ed. EGEAC|Imprensa Nacional). Por várias vezes estive para tomar o pulso aos volumes evocativos das décadas que se dobraram sobre o fenómeno. Logo na primeira, o mastermind [Jorge] Silva previa-o: «o Galo de Barcelos que se cuide, que a sardinha ganha-lhe aos pontos.» E comeu-o mesmo, e assim para a alface ou o corvo, o Pessoa-poeta o ou António-santo. Assoprem as brasas académicas, que alguma explicação se devia colocar no assador para este assombro: bicho de somenos, alimento do pobre, a ganhar corpo enfezado de gourmet, mas gordalhão do marquetingue, forma maior para cidade, que digo?, país. Não salgo a redacção com números, mas crede, irmãos, que sobem ao absurdo. O que me diverte e celebro está na forma longilínea que acolhe a cidade, não apenas Lisboa, mas a ideia cosmopolita de centro, virtual e intangível, o ícone que nos faz ser mais nós aqui e agora, brincando. Brilha intensidade de sinal que parece farol, maneira de vir à tona, o arrepio de que fala o saudoso [José] Sarmento [de Matos]. «Este ritual cria à superfície das águas uma vibração detectável a olho nu, espesso em ebulição, saudando em comunhão colectiva o bafo quente e luminoso que lhe regula o ritmo de vida.» Promete ser ritual, esta ida à lota destes livrinhos para cheirar a experimentação vivíssima, ó freguês!, de um cabide linha aos braços dados de cores distintas celebrando a junteza das festas. Simples e detalhado, poético e narrativo, delirante e obscuro, nada escapa a este mínimo corpo: notas de vinte e o zorro, episódio de História e a pen, vegetais e sorvetes, o reino animal e ídolos rock, fado e a Luza, azulejos e os muitos mundos do mundo. Cheirei o nascimento da primeira, espalmada no escanner, amarela depois e um detalhe verde, indivíduo perdido em cartaz (algures na página). Assisti depois à explosão do cardume. Continuo

por perceber, maravilhado, o milagre da multiplicação das espécies em uma só. FUNDAÇÃO SARAMAGO, LISBOA, 27 NOVEMBRO Queria que mais gente tivesse ouvido o Pedro Mexia dissertar sobre a trilogia dita da criação, do Paulo [José Miranda], na atinente apresentação. O essencial de cada volume e figura foi apresentado com reflectida lucidez, com atenção ao detalhe, mas mormente colhendo ideias, gesto apropriado a romances que são árvores. Ficou-me a ética da alegria e a estética da tristeza aplicada que nem autocolante, dos transparentes. Nos pontos cruzados que andamos fazendo em tricot simbólico era ali, nos Bicos e perto da oliveira, que fazia sentido celebrar os vinte anos do primeiro Prémio José Saramago, mas as mastigadas agendas regurgitaram aquele dia e hora, com interesse mínimo de quem de direitos e consequências modestas. Ainda assim não por perdido o tempo. FUNDAÇÃO SARAMAGO, LISBOA, 29 NOVEMBRO Escorre do monte próximo das leituras, após noite basta afectiva, o voluminho «Uma só volta do sol», da Mónia Camacho (ed. Nova Mymosa). O conto distópico parece conter ingredientes suficientes para insuflar fôlego romanesco, mas não deixa de nos levar, de mão dada, por entre cacos de vidro e personagens, a um «momento anti-mundo sem notas de rodapé.» Esta melancolia, que resulta de uma universal e doentia ausência de sentimentos, possui as matizes, lá está, de pedaço de cristal. Não nos apazigua, não nos desespera, tomba apenas sobre a leitura como tecido, aqui denso, além vaporoso. Que me sobra? «Uma saudade elementar dos dias em que nada acontecia. Em que ficávamos a desperdiçá-los. A usá-los em nada. Porque podíamos. Juventude, essa ilusão de que há tempo. Agora, a minha vida é apenas uma cicatriz ao espelho. O medo de já não sentir vem fazendo sombra no meu olhar. Parte de

mim nega essa possibilidade. Afasta-a para um canto morto. Há um lado fêmea nas dores que sentimos. É daí que vem a resiliência.» SANTA BÁRBARA, LISBOA, 30 NOVEMBRO Trouxe espólio da surtida a Pisa. «Walt, o il freddo e il caldo», de [Fernando] Assis Pacheco (ed. Urogallo), por exemplo e o mais. Tomem nota que o romanzetto – gémeo divertido de noveleta – foi acontecendo, pela mão da Valeria [Tocco], em laboratório de tradução. Que melhor exemplo de escola de traditori? Aceito a mercê de Santa Coincidência, de quem sou devoto menor, e corro a reler essa notável peça de teatro do absurdo que leva nome do narraferes, «Walt», misto de pistola e autor de imaginários animados. Não era essa intenção, mas de vez em quanto fui espreitar o modo de desfazer nós que me pareciam cegos. E alegrei-me. Chafurdei, isso sim, em bela coboiada, de toada mais melancólica que as de quiosque, embora. Havia enfrentado o bicho por primeira vez na adolescência, momento dado a moralidades de treta, de sabor a sardinha. Terá nascido aqui o pós-modernismo de ponta e mola, com o narrador metido no fio da meada, a intrigar-se, a despir-se, a lixar-se? A nossa guerra está pra ali sem estar, o exército inteiro apresentando-se no cais, entalado entre o bater de palas e botas, para comer e beber e foder e o mais, marinheiros de não saber nadar que nunca partiram bem e em mil pedaços retornarão. Raio de prosa faiscante e malabarista que cruza tempos e lugares, concretos e imaginários, erudições escritas e falas vivas! E nisto constrói um chão que se pode tocar, mas a grande altura. O narrador-alferes armado em polícia sinaleiro de todos os múltiplos sentidos, mesmo o da crítica, que se apresentava vindo debaixo. Cada homem atirado em direcção ao Apocalyse, navio merdoso atracado na gare bêbedomarítima, foi mundo implodido. Percebem, ó caras pálidas?!


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4.12.2019 quarta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 648/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 669/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 676/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 693/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIN, YONG, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C42116xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 16/DI-AI/2018, levantado pela DST a 26.01.2018, e por despacho da signatária de 15.11.2019, exarado no Relatório n.° 490/DI/2019, de 04.10.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes n.° 576, Hung On Center, Bloco 2, 19.° andar N, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Novembro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHENG JINSHUI, portador do SalvoConduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C42079xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 227/DIAI/2017 levantado pela DST a 01.10.2017, e por despacho da signatária de 15.11.2019, exarado no Relatório n.° 503/DI/2019, de 14.10.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 4, 9.° andar E onde se prestava alojamento ilegal.-------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Novembro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIN TING, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C58386xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 2/DI-AI/2018, levantado pela DST a 03.01.2018, e por despacho da signatária de 11.11.2019, exarado no Relatório n.° 509/DI/2019, de 15.10.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.os 297-303, L’Arc Macau, 24.° andar K, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Novembro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIANG, JIANGAO, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C25733xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 264/DI-AI/2017 levantado pela DST a 15.11.2017, e por despacho da signatária de 07.11.2019, exarado no Relatório n.° 524/DI/2019, de 21.10.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Paris n.° 167, Seng Hoi Hou Teng, Bloco 4, 12.° andar T, Macau onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Novembro de 2019.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 703/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 709/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora XU LICHUN, portadora do SalvoConduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C50324xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 169/DI-AI/2018, levantado pela DST a 05.09.2018, e por despacho da signatária de 11.11.2019, exarado no Relatório n.° 532/DI/2019, de 23.10.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Kunming n.° 92, Phoenix Garden, 16.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.--------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Novembro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora MAI THI HIEN, portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1641xxx e portadora do Titulo de Identificação de Trabalhador Não-Residente n.° 13929xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 77/DI-AI/2018 levantado pela DST a 11.04.2018, e por despacho da signatária de 11.11.2019, exarado no Relatório n.° 536/DI/2019, de 25.10.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 3, 4.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Novembro de 2019.

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quarta-feira 4.12.2019

estendais Gisela Casimiro

O lugar das estacas

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OLTEI ao lugar das estacas, expressão popularizada pela apresentadora Cristina Ferreira em 2016 quando declarou, emocionada: “Mesmo que eu um dia tenha de voltar à feira, ainda sei o lugar das estacas”. Considero este um dos grandes momentos da televisão portuguesa, com laivos de Scarlett O’Hara na sua saudosa Tara, declarando a Deus que jamais voltará a passar fome. Ao contrário de Cristina, que muitos consideram a figura deste ano que encerra, eu nunca vendi na feira, mas recordo-me bem de uma entrevista em que ela dizia só ter andado de avião pela primeira vez aos trinta. Há anos que não visitava a Feira do Relógio, a qual tenho descoberto ser ainda um mistério para alguns residentes lisboetas. Também eu me tenho esquivado, por preguiça e por ter vivido três anos na rua contígua à Ladra, a voltar à mãe de todas as feiras. Tolice. Nada faz passar a melancolia dominical como uma ida ao Relógio. Cresci em Alverca do Ribatejo, uma das muitas cidades onde há uma feira, no mínimo, todos os sábados. O ritual de sair para passear, normalmente em família, reencontrar toda a gente, ver coelhos e pintainhos à venda, voltar para casa com saias a dois euros e farturas no bucho em qualquer altura do ano, é parte da qualidade de vida que perdi quando me mudei. Que me perdoem os farmer’s markets, mas esta é uma liga superior: dos lugares mais mágicos, surreais e divertidos, em estímulo exagerado e contínuo de todos os nossos sentidos. Nada se faz pela metade a não ser, talvez, o preço. Há alguns domingos, depois de uma primeira desistência por causa da chuva na semana anterior, lá me dispus a percorrer novamente a Avenida de Santo Condestável. Abre o olho! Vá lá, vá lá, vá lá! Muito artigo bom e barato. Dois a um euro! Três a um euro. E há a quatro euros, também! Uma mulher usa um megafone e sobe a um pequeno escadote e há quem suba à própria banca onde tem os artigos. Desde que não chovam pedras!, repete alguém. Há quem cante Ciiiiinco euros, em falsete de fazer corar o Prince. Cinco, cinco, cinco é o mantra repetido em tom gutural. “Because I love you”, canta um homem que por mim passa, reclamando entredentes que o saco vai muito pesado para o seu gosto. É tão fácil existir aqui. Por todo o lado, sacos de plástico com desenhos de Pai Natal envolvem cuecas e tomadas eléctricas. Uma banca está protegida por uma toalha que reconheço: um padrão de ursinhos, que me remete de imediato para um primeiro date, há quase um ano. Já acreditávamos, mas isto confirma o seu lugar como a melhor toalha do mundo. Reparo ainda num belo avental, osten-

tado por uma feirante, com a inscrição “Deus te abençoe e te guie” pintada. Andem mal vestidas, andem. Não gastem o dinheiro, não. Ó jeitosas! Ó jovem! Ó menina, pode mexer à vontade. Um euro cada, se comprar cinco leva seis. Leva um oferecido. Já não é quinze, é a dez! A dez a dez a dez, é para a criança andar bem vestida na rua, na escola, para ir à missa! Cheguem-se para cá! É três por dez! Artigos de loja, artigos de marca! Para homem, para mulher: coisa linda! Leve tudo, leve tudo! É coisa boa, não é Primark, não é lixo. É da Loja das Meias! Pode abrir e ver. Aproveitem, Carolina, Francisca! Venham ver! Vá lá, princesa! Três collants! Olha a mala! Pode levar maiores e mais pequeni-

Parar não é permitido. A feira pulsa, ribomba em sons e línguas diversos, e quem está nela deve acompanhar os seus movimentos. Cães a passeio e carrinhos de bebé são levados com cautela pelo mar de gente em constante desvio, uns dos outros e das estacas de metal que seguram as tendas com fios grossos e coloridos

nas, está bem, querida? Olhem que eu tenho luxo! Ó Teresa, esta menina diz para eu não a provocar. Vocês hoje estão uns chatos do caraças! É de roer! Andem bonitas, mulheres! Parar não é permitido. A feira pulsa, ribomba em sons e línguas diversos, e quem está nela deve acompanhar os seus movimentos. Cães a passeio e carrinhos de bebé são levados com cautela pelo mar de gente em constante desvio, uns dos outros e das estacas de metal que seguram as tendas com fios grossos e coloridos. Por aqui, há quem ande de patins em linha, quem branda pijamas-escalpe do Pikachu, quem fale com abacates, quem declare que é o próprio homem, o próprio ser humano quem está a dar cabo disto tudo. Delicio-me com um pastel de vento, clássico brasileiro de massa tenra com recheio de carne e queijo, que mal cabe no prato. Bifanas, garrafões de vinho, ervas aromáticas frescas e secas. Águas de colónia, bolas de futebol, a genialidade da expressão “jogo de cama”. Buzinas, serras, flores falsas e verdadeiras. Encanto-me com giló, malagueta em forma de rosa, pitaya de polpa roxa. Há pássaros, plantas, ovos em caixas intermináveis e bem organizadas. Com sorte até cassetes e disquetes. Soldados de brincar, porquinhos-mealheiro, mantas multiusos, um pinguim verde de louça que me acena, facas, bálsamo chinês, cola e escovas de dentes convivem num caos irónico que me tranquiliza. Posso comprar um sofá, um pente fluorescente, uma toalha de praia com golfinhos, um relógio do SLB, um baralho de UNO, pensos rápidos, brincos, uma Nossa Senhora que brilha no escuro ou pães chamados bebés. Não há limites. São ou não são os melhores, estes domingos de manhã na cápsula do tempo, no museu vivo de todas as coisas tuga?

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18 (f)utilidades POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Hoje INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “20 ANOS, 20 FOTOS”, 13 DA AGÊNCIA LUSA Consulado-geral de Portugal em Macau

3 4 2 6 7 1 5 7 1“JUSTIÇA6RESTAURATIVA 3 4VS TERRORISMO” 5 2 PALESTRA Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 22h30 1 2 5 7 3 4 6 INÍCIO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE MACAU Vários 2 locais 3 (ver4programa5próprio) 6 7 1 Sexta-feira 4 7 DA1EXPOSIÇÃO 2 “ESTABLISHMENT”, 5 6 3 INAUGURAÇÃO DE PEDRO PASCOINHO 5Garden 6 | 18h30 3 4 1 2 7 Casa Diariamente 6 5 7 1 2 3 4 EXPOSIÇÃO | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL DE Quinta-feira

ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino | Até Domingo

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2 7 5 6 1 3 4 5 6“BY THE 3 LIGHT4OF THE2MOON7– 1 EXPOSIÇÃO | WORKS BY HONG WAI” AFA | Até Quinta-feira  3– Art Garden 4 1 7 6 2 5 EXPOSIÇÃO 1 2| OBRAS4DE CERÂMICA 3 5E CALIGRAFIA 6 7 DE UNG CHOI KUN E CHEN PEIJIN Fundação Rui Cunha  6 5 2 1 7 4 3 YNGMEI CURIOUS MACAU 4 1 2 3 5 6 Armazém do Boi |7 Até 22/12 7 3 6 5 4 1 2

EXPOSIÇÃO | “WE ART SPACE - DOCUMENTARY EXHIBITION” Armazém do Boi | Até Domingo

Cineteatro 17

3 1 7 5 4 6 2

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C I N E M A

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21 BRIDGES SALA 1

FROZEN II [A]

Ian McKellen, Russell Tovey, Jim Carter 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Chris Buck, Jennifer Lee 14.30, 17.00, 19.30

SALA 3

21 BRIDGES [C] Um filme de: Brian Kirk Com: Chadwick Boseman, J.K. Simmons, Sienna Miller, Taylor Kitsch 21.30 SALA 2

THE GOOD LIAR [C] Um filme de: Bill Condon Com: Helen Mirren,

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2 3 5 7 1 quarta-feira6 4.12.2019 6 2 3 1 0.26 YUAN 1.14 7 VIDA DE CÃO

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ESPERANÇA DE VIDA 16 3 4 6 2 1 5 7

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 16

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2 7 2 1 3 3 41 6 4 5 3 7 2 6 3 5 4 3 37 51 6 2 5 4 6 1 6 57 2 5 3 1 6 4 5 7 2 6 4 2 37 55 3 1 3 5 4 3 61 6 4 2 5 7 1 4 7 2 5 1 6 7 4 3 7 Os navios 2 Alan6 Kurdi, da organização5alemã 7 2 Viking, 4 dos1Médicos6Sem Sea Eye,3 e o Ocean Fronteiras (MSF) e SOS Mediterranée, com 121 migrantes a bordo, incluindo 17 menores não acompanhados, um bebé de 3 meses e o seu irmão de 3 anos, aguardam há cinco dias que Malta ou Itália autorizem o desembarque destas pessoas resgatadas do mar.

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UM DISCO 4 7 1 3 HOJE 5 6 2 1 3 6 5 7 2

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Sujo e negro como sempre, “It Should Be Us”, o sexto disco do britânico Andy Stott, o DJ e produtor que empurra a música de dança às pazadas para uma cova onde fica enterrada uma projecção de tecno futuristas e utópico. Depois de três anos sem lançar um disco, Stott regressa à decadência electrónica, sem batidas claras, sons arrastados, arritmias e samples cheios de ruído. Mais um brilhante disco do músico de Manchester, que ainda precisa de umas audições até chegar ao patamar de “Luxuy Problems”. João Luz

16 POIS NADA

7 1 4 2 6 3

2 4 3 7 1 5

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PROBLEMA 17

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7 1 2 4 3 6 5

1 7 4 2 6 45 13 4 3 6 1 7 5 2

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S U D O K U

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3 1 2 6 7 5 4

“Ão, Ão!”, faz o cão um pouco por toda a parte: trela solta, barriga cheia 20 e meios de condução. Não sabe se tem patrão, porque hoje ninguém sabe a quantas manda, se manda e porque o faz. Finalmente, o castelo vazio. Máquina quase perfeita. Praga. A primavera da tua cara na minha mão. Os tanques outra vez. Braga e variações de cordame lesto, a soltar uma estrela. E por todo o lado o cão. A fazer “ão, ão!”, ressabiado. Um súbito tornado, a cabeleira loira, o silicone. Um trombone recita o hino, mas fino. O cão faz “ão, ão”. Chama terno pelo patrão. Ele hoje não vem. Está em reunião, está sempre em reunião. A máquina e a bonança: a marionete não se importa, ela dança e redança pelas ruas. Pas de 22 18de quatre. “Ão, ão”, deux. Beaucoup agita o cão. Propriamente. Basta um madeiro, dizia eu, para navegar até ao fim do mundo – se a gente quiser – que é ali atrás daquela esquina, sobretudo depois da cheia neste porto interior. Mas não chegava, porra!... Não alcançava, belzebu!... Só partia, só partia... só velava, na surdez frígida da capela, e no altar, de meu barco, ardia a vela. Ardia também a urze, lentamente, na peneira. Haurido o fumo ficar. Perdido o rumo nadar. “Ão, ão”, vasculha o cão. “Olha, não achei nada”, rosna baixo o desgraçado. Pois nada, meu filho, nada... Carlos Morais José

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ANDY STOTT | IT SHOULD BE US

KNIVES OUT [C] Um filme de: Rian Johnson Com: Danie Craig, Chris Evans, Toni Collette, Jamie Lee Curtis 14.30, 17.00, 21.30

GUILT BY DESIGN [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenneth Lai, Paul Sze, Lau Wing Tai Com: Nick Cheung, Kent Cheung, Eddie Cheung 19.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; In Nam Ng; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Pedro Arede Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; António Falcão; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; Gonçalo M.Tavares; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

quarta-feira 4.12.2019

sexanálise

N

EM todos precisam de sexo. Há quem seja sexual e há quem seja assexual. Cada um vive a sua sexualidade ausente ou presente. Num futuro utópico isto não precisará de ser explicado, mas no presente distópico em que vivemos ainda é preciso relembrarmo-nos que a auto-determinação sexual é o privilégio de quem pode pensar sobre o sexo e agir sobre ele. Para os que estão habituados (e sedentos) da presença do sexo, a sua ausência pode ser problemática. A ausência da troca de corpos e vivências pode ser dolorosa, não porque enlouqueça ou torne testículos azuis, mas porque nos é entendida como essencialmente humana. A dor de não ter com quem partilhar um orgasmo é o reflexo de um entendimento sexual animal, na nossa sofisticação racional. Mas a recusa de adoptar visões simplistas do mundo, ou visões congruentes do mundo, é grande. O nosso ambiente sexual não é, nem nunca será assim. O sexo vive da polémica, do conflito e da tensão. A ausência e presença do (e no) sexo é só uma forma complicada de olhar para a coisa. O sexo, os genitais, os fluídos que se trocam, os gemidos e os prazeres da fisionomia e dos desejos. Como é que se vive sem sexo? Para os que já resolveram esta ausência e para os que acreditam que o sexo é um simples impulso. A conexão connosco próprios e com quem partilhamos os medos e as alegrias de existir, faz parte desta compreensão. E ela revela-se na relação longa e trabalhada, ou no miscrocosmos de partilha fugaz. Uma noite, uns dias ou uma vida. A ausência desses momentos traz-nos para o sofrimento e para além dele. Transporta-nos para descobertas inexistentes, incompreensíveis a olho nu. Pior do que a total ausência de sexo é quando o sexo é vazio, sem sentido, direcção ou consciência. Às vezes acontece, mas quando se torna rotina, a sua total ausência começa a fazer mais sentido. O que nos impede de seguirmos sugestões pré-definidas do que é certo ou errado é a curiosidade que temos do mundo. É com sentido crítico ou apropriação do que achamos melhor para nós, para os nossos corpos indefinidos, estranhos e tantas vezes monstruosos que percebemos as múltiplas possibilidades de ser, fora da moralidade barata que nos

Ausências FRIDA CASTELLI

TÂNIA DOS SANTOS

incumbem. A ausência oferece um espaço para esse encontro que não é mediado pelo desejo com o outro, pelo seu conforto. O desconforto que a ausência nos causa torna-nos alienígenas ao que é suposto. A ausência pode ser assustadora quando tudo o que esperámos era a ligação sexual divina, simples e incontestável. Muitas vezes carregamos esses desejos e raivas às normas – ao que é expectável - interligadas na nossa própria confusão. A confusão que reflecte a consciência da complexidade. Navegamos na flexibilidade e na inflexibilidade com o carinho de quem tem paciência de errar, as vezes que

A ausência pode ser assustadora quando tudo o que esperámos era a ligação sexual divina, simples e incontestável

precisarmos. Vamos aprendendo com a vida que não é linear, mas uma montanha russa de uma feira popular, que deixou de existir e que passou a ser nostálgica. Vamos aprendendo nesta complexidade, como nos permitimos. Iludimo-nos se pensarmos que podemos abraçar a diferença e a dificuldade assim, facilmente. Mas o sexo ensina-nos como fazê-lo, se estivermos disponíveis. Nesta incerteza das emoções e dos desejos que nunca mais acabam. Somos um poço sem fim de quereres incompreensíveis. Com ou sem sexo. O sexo e o prazer são direitos que não estão escarrapachados na carta dos direitos humanos. Talvez precisassem de estar: o prazer que carrega estas tensões, dilemas e dificuldades. O sexo é um factor complicador à vida. Estas formas de ser ausentes e presentes de outros, de nós próprios, e de prazeres que pensámos não merecer sentir, são as cartas do nosso baralho. Já temos tanta coisa, e já nos falta tanta coisa também. Falta-nos tesão de bondade.


O destino não vem do exterior para o homem, emerge do próprio homem. PALAVRA DO DIA

Rainer Maria Rilke

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Presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que o seu país está preparado para cooperar com a NATO, apesar do seu comportamento “rude”, no momento em que a organização celebra o seu 70.º aniversário, numa cimeira em Londres. “Exprimimos repetidamente a nossa disposição para cooperar com a NATO, em ameaças reais, como o terrorismo internacional, conflitos armados locais e a proliferação de armas de destruição em massa”, disse o Presidente russo, na cidade de Sochi, citado por uma agência noticiosa. Contudo, Vladimir Putin denunciou o que considera ser o comportamento “incorrecto ou até rude” da NATO, que não “tem levado em conta os interesses da Rússia”, apesar de Moscovo “ter tentado sucessivas vezes propor uma agenda construtiva” para a Aliança Atlântica. Ao longo dos últimos anos, o Kremlin tem criticado insistentemente a NATO, acusando-a de continuar a crescer apesar das promessas feitas antes do colapso da antiga União Soviética, o bloco político e militar contra quem lutava e de quem se protegia. “Pensar em termos de estereótipos de bloco nunca é uma boa forma para procurar e tomar decisões efectivas nas condições de um mundo moderno que está a mudar rápida e abruptamente”, explicou Vladimir Putin em Sochi (no sul da Rússia), onde participou numa reunião sobre defesa marítima russa. A cimeira da Nato, que conta com os líderes dos 29 países membros, decorre num ambiente tenso, perante múltiplos desafios externos e divergências internas sobre questões críticas como a intervenção militar da Turquia na Síria, a ameaça chinesa e o financiamento da organização que, em recente entrevista, o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse estar “em morte cerebral”.

A luta continua Greta Thunberg chega a Lisboa e agradece recepção na capital portuguesa

REUTERS

NATO PUTIN DIZ QUE A RÚSSIA ESTÁ PRONTA PARA COOPERAR

quarta-feira 4.12.2019

Greta Thunberg, activista “Não iremos parar, iremos continuar e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance: a viajar, a pressionar as pessoas que têm o poder para que coloquem as prioridades no devido lugar.”

A

a ctivista sueca Greta Thunberg manifestou ontem gratidão pela forma como foi recebida em Lisboa, após 21 dias a viajar no mar, e apelou a todos para manterem pressão sobre os políticos com vista ao combate à crise climática. “Sinto-me tão grata por ter feito esta viagem, por ter tido esta experiência, e tão honrada por ter

chegado aqui a Lisboa”, afirmou a adolescente sueca, que desembarcou ao fim da manhã na capital portuguesa, antes de viajar nos próximos dias para Madrid, onde decorre a cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP25). Em conferência de imprensa, deixou a garantia de que não vai parar a luta para que os protestos dos jovens sejam ouvidos: “Não iremos parar, iremos continuar e fazer

tudo o que estiver ao nosso alcance: a viajar, a pressionar as pessoas que têm o poder para que coloquem as prioridades no devido lugar”, afirmou a activista de 16 anos, deixando um apelo às dezenas de activistas que a receberam: “Continuem a ajudar-nos para tornar tudo isto possível”. Instada a comentar a forma como alguns adultos a vêem como uma criança zangada,

respondeu que “as pessoas subestimam a força das crianças zangadas”, acrescentando: “Estamos zangados, frustrados, por uma boa razão. Se querem que deixemos de estar zangados, parem de nos tornar zangados. Depois de participar numa cimeira em Nova Iorque, a jovem activista deveria ter viajado para o Chile, para a COP25, mas à última hora o Governo chileno renunciou à organização do encontro devido à instabilidade social no país, tendo Madrid assumido a sua organização. Por esse motivo a jovem sueca embarcou em 13 de Novembro, de regresso à Europa, no catamarã “La Vagabonde”, como forma de evitar os aviões e a sua forte carga poluente. No entanto, ontem na conferência de imprensa, admitiu que é impossível que o seu exemplo seja seguido por todos. “Não estou a viajar assim para que todos o façam. Estou a viajar assim como símbolo”, declarou. Antes da conferência de imprensa, Greta Thunberg foi recebida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e pelo presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, José Maria Cardoso, além de activistas portuguesas da greve climática estudantil.

Jacarta Dois militares feridos em explosão

Pelo menos dois soldados indonésios ficaram ontem feridos numa explosão, de origem ainda desconhecida, no complexo do Monumento Nacional, no centro de Jacarta, informaram as autoridades. O porta-voz da polícia indonésia, Argo Yuwono, disse que a explosão ocorreu pelas 7:05 dentro do complexo, em frente ao Ministério do Interior, no centro da capital indonésia. Os dois soldados feridos foram transportados para o hospital militar Gatot Subroto. As autoridades acrescentaram que estão já em curso uma investigação para apurar as causas da explosão.

Chile Sismo de magnitude 6,0 na costa norte

Um sismo de magnitude 6,0 na escala de Richter foi ontem registado na costa norte do Chile, sem relatos de danos. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que regista a actividade sísmica mundial, o terramoto ocorreu às 03:46 locais com epicentro a 37 quilómetros oeste-sudoeste da cidade de Arica e a uma profundidade de 32 quilómetros. Em 2010, o Chile foi atingido por um forte sismo, de magnitude 8,8 na escala de Richter, que causou um tsunami responsável por mais de 500 mortes.

ZIMBABUÉ MUGABE DEIXOU 10 MILHÕES DE DÓLARES MAS CRÍTICOS ACHAM POUCO

A

riqueza do antigo Presidente do Zimbabué Robert Mugabe sempre foi um mistério, mas a primeira lista oficial de bens revelou que deixou 10 milhões de dólares e várias casas, quando morreu, em Setembro. Para alguns, trata-se de uma lista modesta uma vez que Mugabe governou durante 37 anos e era acusado pelos críticos de acumular

riqueza e estar ligado a uma forte corrupção. A informação divulgada pelo jornal Herald não menciona valores no exterior, embora algumas propriedades na África do Sul e na Ásia estivessem associadas a Mugabe. O mesmo documento cita advogados que afirmam que a lei estipula que a mulher de Mugabe,

Grace, e os filhos herdarão os bens. Mugabe deixou ainda uma quinta, dez carros e 11 hectares de terra que incluem um pomar na casa rural onde foi enterrado. A sua filha, Bona, registou a propriedade em nome da família, segundo o relatório. Mais de uma dúzia de fazendas são conhecidas por terem sido confiscadas de fazen-

deiros negros e brancos pela família do antigo Presidente e homem forte do Zimbabué. Mugabe morreu de cancro num hospital de Singapura, aos 95 anos, dois anos após ter sido forçado pelo exército e pelo partido no poder do Zimbabué a demitir-se.

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N.º 4425 de 4 de DEZ de 2019  

N.º 4425 de 4 de DEZ de 2019

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