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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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TERÇA-FEIRA 31 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4104

hojemacau

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DEPUTADOS EM FÚRIA GRANDE PLANO

Executivo também é arguido serem julgados no Tribunal de Última Instância. Ou seja, ao contrário da intenção inicial, a proposta alarga o espectro de pessoas que podem ser julgadas em Macau sem possibilidade de recurso. PÁGINA 4

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

ÂNIMOS QUENTES PÁGINA 7

UMA VIDA A ARDER

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h PAULO JOSÉ MIRANDA AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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$$$ VIVA MACAU

No mesmo saco Um dos objectivos da revisão da lei de organização judiciária era possibilitar o recurso a titulares dos principais cargos públicos. Porém, uma das medidas em discussão abre a hipótese de os co-arguidos em processos em que o Chefe do

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MOP$10


2 grande plano

O empréstimo, aparentemente irrecuperável, concedido à Viva Macau levou ontem os deputados Sulu Sou e Pereira Coutinho a questionarem as relações privilegiadas do caso. O primeiro falou de um “caos” deixado pelo ex-Chefe do Executivo, Edmund Ho, enquanto o segundo acusou o Governo de encobrir o escândalo

“Os outros países podiam atribuir apoios de centenas de milhões sem avaliar a capacidade financeira das empresas e sem quaisquer hipotecas ou garantias concretas de reembolso? Isto é incrível!” SULU SOU

31.7.2018 terça-feira

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MAOS LARGAS É

DEPUTADOS QUESTIONAM RELAÇÕES PRIVILEGIADAS NO ÂMBITO DO CASO VIVA MACAU

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“u m caos deixado pelo Governo de Edmund Ho”. Foi assim que Sulu Sou descreveu ontem o caso da Viva Macau durante uma intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa (AL). Para o deputado, “tudo demonstra” que os empréstimos concedidos à companhia aérea, que totalizaram 212 milhões de patacas, foram “feitos à medida pelo então Governo”, sendo “inevitável” que a relação de parentesco entre o então Chefe do Executivo e o administrador executivo da empresa [Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho) seja questionada”. Não só a entidade tutelar do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) é o Chefe do Executivo, que “tem o poder de autorizar a conta gerência e os planos de gestão financeira”, como o FDIC “só pode autorizar quantias inferiores a 500 mil” patacas, pelo que o empréstimo de 212 milhões, concedido em cinco tranches entre 2008 e 2009, “teve de ser autorizado pelo então Chefe do Executivo”, salientou o deputado pró-democrata. Sulu Sou também não compreende os motivos que levaram o Governo a conceder esses empréstimos à companhia aérea. Isto porque, como argumentou, foram “projectos e acções de investimento” em sectores com capacidade para contribuírem “para a promoção do desenvolvimento económico da RAEM” que serviram de fundamento à decisão. “Como é que a Viva, que na altura estava com dificuldades financeiras, conseguiu satisfazer tal requisito?”, questionou, qualificando-o de “muito vago”. “A Viva foi a única empresa a quem o FDIC concedeu empréstimos de avultado montante e que os obteve com apenas alguns títulos de reconhecimento de dívidas sem provisão”, frisou o jovem deputado, recordando que a avalista da Viva Macau, a Eagle Airways, é uma empresa de Hong Kong, e que mais de metade dos seus sócios são empresas ‘offshore’ sediadas em paraísos fiscais. Algo que torna “extremamente difícil a recuperação do dinheiro” em caso de problemas. Os argumentos do Executivo de que o objectivo foi ajudar o sector

da aviação civil em dificuldades devido à crise financeira internacional, em linha com o que fizeram a China e a Suíça, também não convenceram o deputado: “Os outros países podiam atribuir apoios de centenas de milhões sem avaliar a capacidade financeira das empresas e sem quaisquer hipotecas ou garantias concretas de reembolso? Isto é incrível!” Apesar de ter sido legada pelo Governo anterior, “os novos di-

rigentes não podem ignorar esta dívida antiga”, sustentou Sulu Sou, para quem avançar com melhorias no regime do FDIC é “importante”, mas “não pode ser uma desculpa para fugir ao apuramento da verdade e à imputação de responsabilidades”. Para o deputado, “as autoridades devem, pelo menos, satisfazer o direito de informação do público e colocar, o quanto antes, em cima da mesa, todos os relatórios e

documentos relacionados com o processo”, de modo a apurar-se “quem deve assumir responsabilidades administrativas, legais e políticas”.

ENCOBRIR O ESCÂNDALO

Pereira Coutinho também voltou a debruçar-se sobre o caso, pedindo que sejam apuradas responsabilidades. “Em que sociedade estamos a viver em que quem tem poderes públicos pode governar com im-

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grande plano 3

terça-feira 31.7.2018

“Como de costume, o Governo optou por encobrir o escândalo, tentando enganar a sociedade, defendendo que um dia os 212 milhões seriam recuperados.” PEREIRA COUTINHO

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punidade porque é intocável?”, questionou o deputado, na sua intervenção antes da ordem do dia. A pergunta seguiu-se a outra: “Por que [razão] há em Macau “uns que têm tratamento especial e podem usar do erário público os 212 milhões de patacas por terem relações privilegiadas com altos membros do Governo e podem

$ continuar a fingir que nada têm que ver com o assunto? O elevado valor envolvido do erário público obrigaria um Governo responsável e prudente a apurar os fortes indícios e responsabilidades criminais e disciplinares”, defendeu. Contudo, “como de costume, o Governo optou por encobrir o escândalo, tentando enganar a sociedade, defendendo

que um dia os 212 milhões seriam recuperados”, contrapôs. Assinalando que “os principais responsáveis envolvidos na autorização do empréstimo já se aposentaram ou não se encontram em funções”, o deputado apontou que este “truque” de “protelar o apuramento de responsabilidades tem sido muitas vezes utilizado”. “Ou seja, o mais importante é abafar ou pôr debaixo do tapete os escândalos enquanto têm poder executivo nas suas mãos”, realçou. “Será minimamente razoável que um escândalo de tamanha dimensão tenha demorado mais de dez anos para virem agora dizer à

sociedade que não há mais nada a fazer na recuperação dos 212 milhões?”, indagou ainda Pereira Coutinho para quem o caso da Viva Macau “é um dos muitos e muitos outros escândalos relacionados com o uso indevido do erário público sem controlo externo e independente”.

“REGISTO ESCANDALOSO”

A Viva Macau também foi o ponto de partida para a intervenção de Ho Ion Sang que pegou na “falta de rigor” do empréstimo para criticar o “registo escandaloso” do Governo no que toca ao bom uso dos dinheiros públicos. “O caso Viva Macau despertou outra vez a elevada atenção da sociedade sobre o bom uso do erário público. De facto, neste aspecto, o Governo tem um registo escandaloso e tem sido criticado pelo despesismo”, afirmou o deputado dos Kaifong (União Geral das Associações dos Moradores de Macau), para quem o facto de o caso ter sido remetido para o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) vai “contribuir para dissipar muitas dúvidas”. “A população acusa o Governo, podre de rico, de ser gastador, de desperdiçar o dinheiro público em troca de serviços desnecessários e para resolver questões controversas”, apontou o deputado, elencando casos que, a seu ver, sustentam essa percepção. Os exemplos vão desde as despesas da organização dos Jogos da Ásia Oriental, em 2005, que ascenderam a 1.300 milhões, excedendo em 80 por cento o orçamento inicial de 700 milhões; ao Terminal Marítimo do Pac On, cujo orçamento aumento 6,5 vezes de 580 milhões para 3.800 milhões. Incluem ainda o ‘campus’ da Universidade de Macau na Ilha da Montanha, que custou 10.200 milhões, ou seja, mais 4.400 milhões do que o previsto. O litígio entre a TV Cabo e os ‘anteneiros’, em 2013, em que o Governo pagou à empresa 3,8 milhões de patacas de uma vez e 980 mil, mensalmente, a título de manutenção até ao fim do contrato, em Abril de 2014, também entrou nas contas de Ho Ion Sang que enfatizou que na altura “a sociedade acusou o Governo de deitar fora 12 milhões do erário público para resolver a controvérsia”.

SEMPRE A SOMAR

A fechar, o deputado dos Kaifong apontou os holofotes ao Metro Ligeiro, recordando que devido ao conflito entre o Governo e

o antigo empreiteiro do parque de materiais, as obras estiveram suspensas durante muito tempo, até que as partes acabaram por rescindir o contrato. Isto para enfatizar que tal fez não só com que o parque de materiais não ficasse concluído em 2016 – como previsto – como obrigou o Governo a pagar 85 milhões ao empreiteiro como indemnização. Uma verba a somar às despesas de 700 milhões de patacas com o armazenamento, manutenção e seguros das carruagens. “Assim, o orçamento da primeira fase do Metro Ligeiro vai disparar, de 4.200 milhões de 2007, para 16.400 milhões, podendo mesmo continuar a subir, pois ainda não estão incluídos os custos da linha de Macau. Nem me atrevo a imaginar o montante final que o Governo vai gastar”, observou.

“A população acusa o Governo, podre de rico, de ser gastador, de desperdiçar o dinheiro público em troca de serviços desnecessários e para resolver questões controversas.” HO ION SANG

Afinal, como lembrou, o Governo perdeu recentemente um recurso no Tribunal de Última Instância (TUI) que determinou que tinha de proceder a um novo cálculo da pontuação final das empresas concorrentes no concurso público para a superestrutura do parque de materiais, o que “contribui para a incerteza da inauguração da linha da Taipa, projectada para o próximo ano”. “A sociedade receia que surjam avultadas despesas devido ao atraso das obras do parque, e que o Governo volte a resolver a perda do concurso com o dinheiro público”, advertiu. “O Governo não pode ter uma atitude de que ‘tudo o que dinheiro pode resolver já não é problema’ e permitir que se repita continuamente o fenómeno de ser ‘o erário público a pagar a conta’”, criticou Ho Ion Sang. O deputado instou ainda o Executivo a melhorar a gestão e fiscalização das finanças públicas, a utilizar adequadamente o erário público e a deixar de desperdiçá-lo. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


4 política

31.7.2018 terça-feira

Economia Gabinete de Informação Financeira prolongado até 2019 O Chefe do Executivo, Chui Sai On, decidiu prolongar o funcionamento do Gabinete de Informação Financeira (GIF) por mais um ano, uma vez que o organismo “necessita exercer as atribuições

que resultam dos objectivos previstos no despacho do Chefe do Executivo [datado de 2006]”. Neste documento, lê-se que o GIF foi estabelecido tendo em conta a execução das medidas de repressão do

crime de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. Desta forma, o GIF continua a funcionar normalmente, com a actual equipa de projecto, até ao dia 7 de Agosto do próximo ano.

TJB Juiz Carlos Rodrigues de Carvalho com contrato renovado O Chefe do Executivo, Chui Sai On, decidiu renovar o contrato do juiz Carlos Rodrigues de Carvalho nos tribunais de Primeira

Instância por mais dois anos. O novo contrato terá efeitos a partir do dia 1 de Setembro deste ano e foi renovado “sob proposta da

JUSTIÇA CO-ARGUIDOS COM CHEFE DO EXECUTIVO PODEM PERDER DIREITO A RECURSO

Juntos no mesmo barco A revisão da proposta de lei de bases da organização judiciária coloca a possibilidade dos co-arguidos dos processos em que o Chefe do Executivo seja também arguido percam o direito a recurso, uma vez que todos os casos serão encaminhados para o Tribunal de Última Instância. Tal proposta viola a Lei Básica, acusam deputados

“Alguns membros da comissão manifestaram-se preocupados com o facto dos arguidos, que não o Chefe do Executivo, serem julgados pelo TUI sem qualquer possibilidade de recurso. Contudo, outros membros da comissão concordaram com essa alteração.” VONG HIN FAI DEPUTADO

De acordo com a lei de bases da organização judiciária em vigor, os co-arguidos deste tipo de casos podem recorrer porque são julgados no Tribunal Judicial de Base (TJB) ou Tribunal de Segunda Instância (TSI), tal como aconteceu nos casos conexos dos processos do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, e o ex-procurador do Ministério Público, Ho Chio Meng, sendo que estes foram julgados no TUI. De frisar que a actual proposta de lei prevê

que os titulares dos principais cargos, tal como os secretários, sejam julgados no TSI, ganhando direito ao recurso até então negado com a actual lei. RAHMADANTARA

O

S deputados da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) querem questionar o Governo sobre uma proposta que está em cima da mesa relativa à revisão da lei de bases da organização judiciária. Em causa está a possibilidade dos co-arguidos de casos em que o Chefe do Executivo também seja arguido percam a possibilidade de recorrer da sentença proferida, uma vez que todos os processos serão directamente encaminhados para o Tribunal de Última Instância (TUI).

A ideia foi avançada ontem pelo deputado Vong Hin Fai, que preside à 3ª comissão permanente. “De acordo com a proposta de lei, todos os arguidos do mesmo

caso em que um titular de cargo principal ou o Chefe do Executivo sejam arguidos, serão julgados também no mesmo tribunal. Alguns membros da comissão

Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes”, aponta o despacho ontem publicado em Boletim Oficial.

manifestaram-se preocupados com o facto dos arguidos, que não o Chefe do Executivo, serem julgados pelo TUI sem qualquer possibilidade de recurso. Contudo, outros membros da comissão concordaram com essa alteração”, explicou. Esta questão está dependente da revisão de um artigo do Código do Processo Penal, algo que ainda será analisado numa posterior reunião com os membros do Executivo. Vong Hin Fai não conseguiu, por isso, responder quanto à possibilidade de existirem casos excepcionais. “Vamos dar conhecimento das opiniões da comissão ao Governo”, referiu apenas.

PARECERES DESAPARECIDOS

Um dos deputados da 3ª comissão permanente que está contra esta intenção do Governo é José Pereira Coutinho. “A situação é mais grave porque, no caso abstracto de haver cúmplices ou crime organizado todos os arguidos deixam de poder recorrer, o que viola várias normas da Lei Básica”, frisou ao HM. Coutinho vai mais longe e alerta para o facto do Governo ainda não ter mostrado à comissão os pareceres do Conselho de Magistrados do Ministério Público (MP) e do Conselho dos Magistrados Judiciais. “A comissão continua a analisar, artigo a artigo, sem esquecer o atraso do Governo no envio dos pareceres. Urge saber, com prioridade, o que pensam os magistrados sobre estas alterações que mexem com o estatuto dos magistrados (delegados coordenadores) e demais legislação conexa, nomeadamente os regulamentos administrativos”, frisou. Outro dos pontos discutidos na reunião de ontem foi a criação de uma figura nova dentro do Ministério Público (MP): o delegado coordenador. Os deputados mostraram dúvidas sobre a hierarquia desta nova posição. “Quisemos saber se esse delegado é uma categoria acima do delegado do procurador ou procurador-adjunto. Na proposta de lei não vemos a posição hierárquica, só vemos que cabe ao delegado coordenador coordenar os trabalhos do procurador do MP. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 31.7.2018

“Com o CPSP a tratar do pedidos de manifestações em vez do IACM há um ponto de partida diferente e a lei pode ser interpretada de uma forma diferente.” AU KAM SAN DEPUTADO

Perante o coro de críticas de todo o campo tradicional, Ho Iat Seng interveio e pediu a Sulu Sou para ler todos os artigos do Regimento da Assembleia Legislativa, ou seja, o documento que define as regras do hemiciclo.

Dá licença, Sr. Agente

“Apresentou uma transferência de poderes do IACM para o Chefe do Executivo. Mas para fazer esta proposta tem de ter o consentimento do Chefe do Executivo. Peço-lhe que leia todo o regimento e não apenas um artigo”, acusou Ho Iat Seng. “À hora do almoço tinha apresentado outro despacho diferente, mas sem conteúdo. O que pretende afinal? Não há conteúdo, por isso pensei que queria adiar a votação e

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benefício fiscal para a aquisição de veículos motorizados na sequência da passagem do Hato foi aprovado, ontem, na especialidade naAssembleia Legislativa, com votos contra de Sulu Sou e José Pereira Coutinho, e, no primeiro artigo, de Ng Kuok Cheong e Au Kam San. Os deputados consideraram que o Governo deveria ter pago compensações aos proprietários dos veículos danificados nos parques públicos. “Os veículos foram estacionados em parques públicos, que são coordenados pelo Governo. Mas quem assume as responsabilidades? O Governo tem de assumir uma parte das suas responsabilidades porque permitiu a construção de estacionamento nas zonas baixas da cidade”, apontou Sulu Sou. “Não concordamos com título

foi isso que foi apresentado porque respeito os seus direitos, tal como respeito os direitos de todos os deputados”, acrescentou. Na mesma intervenção e num tom e raramente utilizado, Ho Iat Seng sublinhou mesmo que os direitos de Sulu Sou foram respeitados integralmente, ao ponto de lhe ter sido pago o salário, mesmo quando estava suspenso. A proposta do deputado de adiamento da votação para uma data

posterior acabaria chumbada, com várias críticas dos outros deputados. Apenas Coutinho, Ng e Au apoiaram o projecto de Sulu Sou.

INTERPRETAÇÕES DIFERENTES

Em relação à passagem de transferência de competências do IACM para o CPSP no que diz respeito ao pré-aviso de greves, os deputados que votaram contra as alterações admitiram ter receio que a força de segurança sob a tutela de Wong

Sio Chak tenha uma interpretação mais restrita da lei. “Não concordo com as alterações porque, à primeira vista, pode parecer que é uma simples transferência do destinatário do pré-aviso. Mas com o CPSP a tratar do pedidos de manifestações, em vez do IACM, há um ponto de partida diferente e a lei pode ser interpretada de uma forma diferente”, defendeu Au Kam San. O deputado contestou ainda a versão de Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, que explicou que se as manifestações forem rejeitadas, as pessoas podem recorrer ao Tribunal de Última Instância. “Se sempre que for agendada uma manifestação for necessário ir para o TUI, vai haver uma grande sobrecarga, vai haver muito trabalho e isso não me parece razoável”, vincou Au Kam San. Mesmo assim, Sónia Chan descansou os deputados: “Não sei porque estão com esta preocupação toda. Há decisões do TUI e um leque de aplicações da lei em situações do passado. Tudo vai ser mantido e não há alterações substanciais”, considerou a secretária.

Luz verde aos descontos Benefícios para compra de novas viaturas após o Hato aprovados com críticas

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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S pré-avisos de manifestação passam a ser enviados para o comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), ao invés do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), após a Assembleia Legislativa ter aprovado as alterações à lei com quatro votos contra, de José Pereira Coutinho, Sulu Sou, Ng Kuok Cheong e Au Kam San. No entanto, a votação da lei ficou marcada por um requerimento de Sulu Sou, apresentado na manhã de ontem, que levou o presidente Ho Iat Seng a considerar que o pró-democrata queria adiar a votação da lei. No entanto, já durante a sessão, foi explicado que Sulu Sou pretendia apenas alterar o artigo e que as competências deveriam passar antes para o Chefe do Executivo, em vez do CPSP.

MANIFESTAÇÃO DEPUTADOS APROVAM AUMENTO DE PODERES DO CPSP

GCS

Os deputados aprovaram as alterações à lei de Reunião e Manifestação que dita que os avisos passem a ser enviados directamente ao Corpo de Polícia de Segurança Pública. A proposta foi contestada pelo campo pró-democrata e acabou com uma “bronca” de Ho Iat Seng a Sulu Sou

nem com o objecto do diploma, não deve ser um criado um benefício, antes deve ser paga uma indemnização ou compensação”, acrescentou. Momentos antes do início da sessão, o pró-democrata já tinha acompanhado um grupo de condutores lesados na apresentação de uma carta na AL pelo facto de não haver o pagamento de compensações. Também José Pereira Coutinho focou este aspecto: “Os benefícios fiscais são uma forma injusta e inadequada. Os parques são património do Governo e tem de haver responsabilidade, porque quando alguém deixa o carro num lugar do estacionamento, tira o bilhe-

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

te e paga uma tarifa existe uma espécie de contrato”, afirmou Coutinho.

POBREZA À MARGEM

Na AL foram ainda relatados casos de pessoas que não compraram outros veículos por falta de capacidade financeira. Lionel Leong ignorou este aspecto. “Aproposta de lei é para a aquisição de veículos motorizados. Na apresentação da lei, o benefício é para ajudar os proprietários por causa do desastre a obterem um alívio financeiro com veículos danificados pelo tufão Hato”, explicou o secretário para a Economia e Finanças. Só as pessoas que cancelaram as matrículas até 18 de Setembro do ano passado poderão candidatar-se ao benefício fiscal, que é reclamando na compra de um novo veículo. J.S.F


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31.7.2018 terça-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 502/AI/2018

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 507/AI/2018

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor YAO RENHUI, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º C22060xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 167/DI-AI/2017, levantado pela DST a 26.06.2017, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 23.04.2018, exarado no Relatório n.° 259/DI/2018, de 09.04.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 423, Praça Wong Chio, 9.° andar Y. -----No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Julho de 2018.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHANG LI, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C38481xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 142.1/DI-AI/2016, levantado pela DST a 26.11.2016, e por despacho da signatária de 26.03.2018, exarado no Relatório n.° 228/DI/2018, de 14.03.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Francisco H. Fernandes n.° 23, Edf. Hot Line 8.° andar AE, Macau.----------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Julho de 2018.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 517/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HU GUIHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° E29185xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 77/DI-AI/2017 levantado pela DST a 31.03.2017, e por despacho da signatária de 18.07.2018, exarado no Relatório n.° 489/DI/2018, de 09.07.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Berlim n.° 168, Edf. Seng Hoi Hou Teng, Bloco 3, 14.° andar L onde se prestava alojamento ilegal.----------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Julho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2018 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 31 de Julho, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 16 de Julho de 2018

O Presidente do Júri, Iong Kong Leong


sociedade 7

terça-feira 31.7.2018

Os órgãos municipais AL INSTITUTO PARA OS ASSUNTOS MUNICIPAIS APROVADO COM CRÍTICAS DE DEMOCRATAS foram aprovados no hemiciclo, mas a sessão acabou em ambiente de tensão. Sulu Sou abandonou o hemiciclo, depois de ter gritado por eleições durante a declaração de voto e Ng Kuok Cheong acusou o Governo de ter medo da população

Alta tensão

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EMBROS do Órgão Municipal eleitos pelos cidadãos!”. O grito foi do deputado Sulu Sou, momentos antes de abandonar a Assembleia Legislativa, após a lei que cria o Instituto para osAssuntos Municipais (IAM). A lei que estabelece o novo organismo público foi ontem a votos na AL e foi aprovada com 27 a votos a favor. José Pereira Coutinho, Sulu Sou, Ng Kuok Cheong e Au Kam San votaram contra. No artigo sobre a constituição dos órgãos consultivos, também Agnes Lam se opôs, por considerar que o mecanismo para que as pessoas se pudessem propor para serem nomeados pelo Chefe do Executivo devia ser igualmente constar no diploma. A lei aprovada adopta a visão do Governo Central que considera que se houver eleições para o IAM, a lealdade dos membros deixa de estar com o Governo e a incumbência das tarefas delegadas pelo Executivo fica comprometida. Assim sendo, nem para a constituição dos órgãos consultivos, que não têm poderes vinculativos e apenas emitem pare-

trabalho árduo, mas os deputados começaram a apontar exemplos em que as vozes dos residentes não foram ouvidas. O crematório e o depósito de substâncias perigosas, na Taipa, foram alguns dos exemplos dados. “Com o artigo da constituição do Conselho Consultivo, como é que garantem que as diferentes camadas sociais são representadas? E quem é que vai ser representado? Com o crematório já perguntaram qual foi a razão de tanto descontentamento? E com o depósito de substâncias perigosas?”, perguntou José Pereira Coutinho, a Sónia Chan. O deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau deu ainda o exemplo de Sulu Sou, que considerou ser voz de uma parte da população que não tem representação junto do Executivo. “Deixando de lado a questão da democracia, é muito lamentável que a lei não resolva os problemas de representação. E só estou a falar por uma questão justiça e de representação das diferentes vozes”, atirou. Por sua vez também Agnes Lam mostrou-se contra o artigo do Conselho Consultivo. A deputada queria que o mecanismo para proposta de nomeação de residentes pelo Chefe do Executivo estivesse na legislação. “Se o mecanismo não está na lei, eu tenho reservas. Não estou contra a secretaria nem contra o Governo, mas no passado houve situações em que o Governo não cumpriu as promessas”, indicou.

DECLARAÇÃO AOS GRITOS ceres, foi criada a possibilidade de haver eleições por sufrágio directo. “A realização de eleições para os serviços municipais altera a relação entre o Governo e o IAM. Isso viola a Lei Básica. Esta não são palavras nossas, são do vice-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau”, justificou Sónia Chan. “Estamos a trabalhar para melhorar a eficiência e os serviços e poder resolver os problemas da população.

As eleições não são a única via para ouvir a população. Há outros mecanismos”, acrescentou.

No final, a lei acabou aprovada sem alterações. Sulu Sou fez uma

SEM CONVENCER

Contudo, tanto a secretária como a sua equipa não convenceram os pró-democratas. José Tavares, presidente do IACM, ainda garantiu que os actuais Conselhos Consultivos, cujos membros são nomeados pelo Chefe do Executivo, fazem um

“Deixando de lado a questão da democracia, é muito lamentável que a lei não resolva os problemas de representação.”

IP SIO KAI FURIOSO D

urante a discussão dos órgãos municipais, Sulu Sou falou dos 400 anos de Administração Portuguesa e afirmou que houve momentos de maior democracia na eleição dos órgãos municipais do que com a nova lei. As afirmações perturbaram Ip Sio Kai, que pediu prontamente para intervir: “Estou mesmo furioso com as palavras de Sulu Sou. Começou por falar da história de 300 anos e de democracia. Falou da história de Macau e da ocupação pelos portugueses. Mas não consigo aceitar que se fale de democracia”, afirmou o legislador. “Não consigo aceitar que se fale de democracia, pode envidar todos os esforços para alcançar os seus objectivos, mas não deve ser desta maneira”, completou. Também o Vong Hin Fai acusou Sulu Sou de desconhecimento do período da Administração portuguesa.

declaração de voto aos gritos, que também era em nome de José Pereira Coutinho, pediu desculpa aos defensores da democracia e criticou os colegas eleitos por sufrágio directo de impedirem mais eleições. O mais jovem deputado acabou mesmo por abandonar a sessão antes do fim. Por sua vez, Ng Kuok Cheong recusou a justificação do Governo Central e da RAEM que rotulou como “burocracia”. “Têm medo de responder perante os residentes e a sociedade. Mas o Governo deve assumir as suas responsabilidades perante a população”, vincou. “Sabemos muito bem que o Executivo não quer ser fiscalizado pela população”, frisou. Com esta lei, o Instituto para os Assuntos Municipais substitui o actual Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais no início do próximo ano. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

Protecção Civil Ng Kuok Cheong acusa Governo de criar lei danosa Os artigos da nova Lei de Protecção Civil, proposta por Wong Sio Chak, que criminalizam a propagação de falsos rumores e que exigem à comunicação social que divulgue as informações oficiais são “secundárias” e “danosas” para a sociedade. A opinião foi expressa ontem, na Assembleia Legislativa,

pelo deputado Ng Kuok Cheong. De acordo com o legislador, as lei em vigor no território já prevêem castigos para estas situações e o Governo de evita legislar “de forma precipitada, pois assim a liberdade de expressão será posta em causa e os residentes, em caso de desastre, terão medo de

divulgar alertas de perigo ou sinais de evacuação”. Ainda de acordo com o pró-democrata, a população nunca questionou a capacidade do Executivo de transmitir mensagens durante o Hato, mas antes a incapacidade de “avaliar atempadamente o perigo e de dar instruções de evacuação”.


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31.7.2018 terça-feira

TIAGO ALCÂNTARA

TURISMO PRIMEIRO SEMESTRE COM MAIS DE 6,8 MILHÕES EM HOTÉIS

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AUTOCARROS CONTRATOS DAS OPERADORAS RENOVADOS POR 15 MESES

Próxima paragem

O Governo vai renovar por 15 meses os contratos com as companhias de autocarros. A partir de amanhã, Macau fica a contar apenas com duas em vez de três operadoras, a Transmac e a TCM, após a fusão desta com a Nova Era

O

S contratos com as operadoras de autocarros vão ser renovados por 15 meses. O anúncio foi feito ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) que justifica a renovação de curto prazo com o facto de precisar mais tempo para análise. “Tendo em conta a necessidade de uma maior e aprofundada discussão dos pormenores dos novos contratos com as companhias de autocarros públicos, os contratos relativos ao Serviço

Público de Transportes Colectivos Rodoviários de Passageiros, celebrados entre o Governo da RAEM e as três companhias de

Governo renova por apenas 15 meses contratos com operadoras de autocarros por precisar de mais tempo para análise

autocarros”, que terminam hoje, “serão renovados a curto prazo, por 15 meses, tempo que permite ao Governo uma maior e mais detalhada discussão”, indicou a DSAT em comunicado. A nota da DSAT foi divulgada após a publicação de uma ordem executiva que delega poderes no secretário para os Transportes e Obras Públicas para representar a RAEM, na qualidade de outorgante, na revisão das escrituras públicas dos contratos relativos ao Serviço Público de Transpor-

tes Colectivos Rodoviários de Passageiros. A revisão das escrituras públicas dos referidos contratos será publicada em breve no Boletim Oficial, referiu o organismo.

DOIS EM TRÊS

Devido à fusão, aprovada pelo Governo, entre a Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) e a Macau Nova Era de Autocarros Públicos, a renovação, com entrada em vigor amanhã, envolve apenas a Transmac – Transportes Urbanos de Macau e a TCM. Com a fusão, a TCM e a Nova Era, que têm como sócia maioritária o grupo estatal Nam Kwong, preparam-se para concentrar mais de 60 por cento das carreiras. A directora-geral da TCM, Leong Mei Leng, indicou recentemente que, após a fusão, o nome e a cor da TCM vão ser utilizados, progressivamente, nos autocarros da Nova Era. Leong Mei Leong garantiu ainda que a fusão não vai ter consequências para os trabalhadores nem nas rotas dos autocarros. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

AIS de 6,8 milhões de pessoas alojaram-se nos hotéis e pensões de Macau no primeiro semestre do ano, um acréscimo de 7,8 por cento comparativamente ao período homólogo de 2017, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), ao todo pernoitaram 6.869.000 hóspedes, numa média de 1,5 noites, o que representa uma ligeira subida (0,1 por cento) em comparação com os primeiros seis meses de 2017. A taxa de ocupação média atingiu 88,6 por cento, mais quatro pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado. No final de Junho estavam registados no território de Macau 116 hotéis e pensões, representando, em conjunto, 39 mil quartos, mais 7,8 por cento que no período homologo de 2017. A oferta nos hotéis de cinco estrelas foi de 25 mil, mais 10,8 por cento, em termos anuais. Os hotéis de cinco estrelas representam 62,2 por cento do total de quartos disponíveis no território, uma ligeira subida de 0,13 pontos percentuais, face ao mês anterior. De acordo com a DSEC, só no mês de Junho alojaram-se nos hotéis e pensões da região 1.158.000 hóspedes, uma subida de 6 por cento em termos anuais. O número de hóspedes provenientes da China continental (764.000) registou um aumento de 11 por cento, em termos anuais, enquanto os de Taiwan (44.000) subiram 4,5 pontos percentuais, no mês de Junho. Em queda está o número de hóspedes de Hong Kong, que diminuiu 8,2 por cento, para 138 mil. Também o número de turistas sul-coreanos registou uma descida de 8,3 pontos, para os 39.000. Ao todo visitaram o território 16,814 milhões de pessoas entre Janeiro e Junho de 2018. O território recebeu, entre Janeiro e Dezembro de 2017, mais de 29,5 milhões de visitantes e as unidades hoteleiras de Macau receberam mais de 13,155 milhões de hóspedes.

Iates Concessão à Wui Hong

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, decidiu concessionar a exploração e gestão da área de atracação de iates em Coloane à empresa Companhia de Wui Hong Iate Serviço. A decisão do Governo foi ontem conhecida com o despacho publicado em Boletim Oficial.


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SOFIA MARGARIDA MOTA

terça-feira 31.7.2018

SAÚDE NOVO CENTRO DE SAÚDE DA ILHA VERDE ABRE HOJE PORTAS

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SOFIA MARGARIDA MOTA

PESAR da Sociedade Protectora dos Animais de Macau – ANIMA e a Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen terem chegado a acordo quanto à forma de prestar cuidados aos mais de 500 galgos que permanecem por adoptar, a verdade é que, em termos legais, o processo ainda não está concluído. Hoje chega ao fim o prazo de sete dias de que a empresa dispõe para reclamar os animais depois do seu abandono no Canídromo. Numa resposta enviada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) ao HM, é referido que há ainda detalhes que precisam de ser acertados. “O IACM ainda está a avaliar uma proposta que foi submetida pela Yat Yuen, não existindo, até ao momento, uma decisão final”, pode ler-se. Ontem, à margem do debate na Assembleia Legislativa, José Tavares, presidente do IACM, explicou aos jornalistas que a Yat Yuen enviou ontem uma carta de compromisso sobre o futuro dos animais. A entidade pública vai ainda ponderar o alargamento do prazo de reclamação dos galgos por dois meses. O responsável disse que a viabilidade do plano da Yat Yuen ainda está a ser avaliada de acordo com a lei da protecção dos animais, tendo acrescentado que a equipa da empresa tem uma compreensão diferente

CANÍDROMO IACM RECEBEU CARTA DE COMPROMISSO DA YAT YUEN

A saga continua

Chega hoje ao fim o prazo de sete dias para a reclamação dos mais de 500 galgos que continuam nas instalações anteriormente ocupadas pelo Canídromo. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais recebeu a carta de compromisso da Yat Yuen e diz que ainda está a analisar os planos submetidos das leis. José Tavares frisou que essa mesma equipa deve dialogar também com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), tendo em conta o terreno no Pac On onde os animais deverão ser realojados. O presidente do IACM considerou também “lamentável” o facto da empresa ter apresentado os seus planos no último dia do prazo concedido pelo Governo, tendo dito que são necessários todos os esforços para que se encontre uma

solução em conjunto. Para Tavares, é melhor resolver o caso agora ao invés de se recorrer aos tribunais.

IACM NÃO SABIA

Para que o acordo entre a ANIMA e a Yat Yuen surta efeitos práticos, é preciso que a finalidade do terreno do Pac On seja alterada junto da DSSOPT, uma vez que o terreno foi concessionado para fins industriais. Até ontem a DSSOPT ainda não tinha recebido qualquer pedido para esta alteração.

“O IACM ainda está a avaliar uma proposta que foi submetida pela Yat Yuen, não existindo, até ao momento, uma decisão final” RESPOSTA DO IACM

José Tavares adiantou que o IACM desconhecia esta questão e frisou que, caso o novo centro internacional dos galgos não possa ser construído no Pac On, a Yat Yuen não poderá ganhar os 60 dias, além dos sete que a lei prevê, para reclamar os animais. Caso este prolongamento do prazo seja aprovado e, ainda assim, os cães não tenham uma nova casa, a Yat Yuen terá de apresentar um novo plano ao IACM. Se não o fizer a empresa terá de pagar multas por abandono dos galgos, algo que está previsto na lei da protecção dos animais. Andreia Sofia Silva e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo

novo centro de saúde da Ilha Verde abre hoje portas ao público a partir das 14h30. De acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), este é o terceiro espaço do género criado na zona norte. O centro de saúde abrange a população residente das zonas da Ilha Verde, Toi San, Areia Preta e Iao Hon. O mesmo comunicado aponta que, até Dezembro do ano passado, estavam registados 290 mil utentes no centro de saúde de Fai Chi Kei e no centro de saúde da Areia Preta. Após a redistribuição de áreas, serão atendidos uma média de 90 mil a 100 mil utentes em cada um dos três centros de saúde da Zona Norte. “Esta reorganização possibilitara que os utentes desta área passem a ter cuidados de saúde primários mais convenientes e melhores”, apontam os SSM. O novo espaço dispõe de serviços de cuidados de saúde primários, tais como saúde para adultos (Consulta Externa de Geriatria e exames físicos), saúde infantil, saúde pré-natal, saúde para mulheres, serviços de medicina tradicional chinesa, saúde oral, cuidados de enfermagem (incluindo troca de curativos, injecções, medição da pressão arterial, teste de glicemia, entre outros). Além disso, serão instalados um Centro de Avaliação Conjunta Pediátrica, um Centro de Reabilitação Pediátrica, um Centro de Avaliação e Tratamento da Demência e uma enfermaria de reabilitação comunitária.

MELCO ASSOCIAÇÃO PROTESTA PELOS DIREITOS DOS TRABALHADORES

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LOEE Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, anunciou ontem que vai realizar uma manifestação esta quarta-feira em protesto por mais regalias e melhores condições de trabalho dos funcionários da operadora de jogo Melco Crown. A activista, que também trabalha como croupier, referiu

que Lawrence Ho, presidente da concessionária, disse, num evento realizado no passado dia 24 de Julho, para os funcionários da Melco Crown ultrapassarem as dificuldades ao lado da empresa, não tendo sido anunciada qualquer atribuição de bónus salarial no Verão. Na visão de Cloee Chao, a Melco teve lucros líquidos na ordem das 3,8 mil milhões de

patacas o ano passado, além de ter registado receitas de 12 milhões de dólares no segundo trimestre deste ano. Neste sentido, a dirigente associativa considera inaceitável que a empresa ainda não tenha atribuído o bónus salarial quando as restantes cinco operadoras já anunciaram esse pagamento. Além disso, os funcionários queixam-se de reduções nas regalias e condições de trabalho,

motivos que os levaram a pedir a realização de uma manifestação para esta quarta-feira. O protesto começa no Cotai, perto do City of Dreams, às 16h, estando prevista a entrega de uma petição aos responsáveis pela operadora de jogo. Cloee Chao espera a participação de cerca de 600 pessoas, tendo em conta o número de encomendas que já foi feito para os materiais do protesto. V.N.


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31.7.2018 terça-feira

GULBENKIAN ESCULTURA DE PARIS E LIGAÇÃO AO IRAQUE NAS EXPOSIÇÕES DA ‘RENTRÉE’

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escultura em Paris no tempo de Rodin e a arte e a arquitectura do Iraque que revelam uma ligação à Fundação Calouste Gulbenkian vão marcar a ‘rentrée’ de exposições da entidade, na sede, em Lisboa. “Pose e Variações” é o título de uma das exposições que abrem a 26 de Outubro e ficará patente até 4 de Fevereiro de 2019 no edifício sede, na Galeria Principal, com curadoria de Luísa Sampaio, de acordo com a programação enviada à agência Lusa. Cerca de três dezenas de esculturas das colecções do Museu Calouste Gulbenkian

e da Ny Carlsberg Glyptotek de Copenhaga irão integrar uma exposição inédita dedicada à pose na escultura francesa do século XIX. “Pose e Variações” irá explorar o modo como os artistas adoptaram e adaptaram certas poses nas suas criações, produzindo novas variações sobre velhos temas. Nesta apresentação itinerante, que decorrerá em Lisboa e em Copenhaga, estarão representados artistas maiores como Auguste Rodin, Jean-Antoine Houdon, Aimé-Jules Dalou, Paul Dubois, Jean-Baptiste Carpeaux, Edgar Degas,

ILUSTRAÇÃO SANDY LEONG QUER CONTAR HISTÓRIAS DE FAMÍLIAS M

Denys-Pierre Puech. “Arte e arquitectura entre Lisboa e Bagdade” abre no mesmo dia, na Galeria do Piso Inferior – Colecção do Fundador, e ficará patente até 28 Janeiro de 2019, com curadoria de Patrícia Rosas Prior e Ricardo Agarez. A mostra percorre a ligação da Fundação Calouste Gulbenkian com o Iraque, entre 1957 e 1973, anos em que “desenvolveu uma fortíssima actividade filantrópica no Iraque com grande impacto junto da sociedade e das comunidades locais”. Essa ligação foi feita quer através da construção de edifícios e estruturas, como o Estádio de Bagdade, quer no domínio da criação artística. Esta exposição apresentará documentos originais a par de obras do núcleo iraquiano da Colecção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian, a maior parte nunca exposta em Portugal. PUB

Mães sem fro

Sandy Leong, natural de Macau, está a estu a recolher histórias de mães de famílias mi contados no formato de ilustração e vão se próximo ano e, talvez, em Macau

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RAZEM as malas às costas e um punhado de sonhos que esperam ver realizados no país de chegada. Procuram novas oportunidades ou talvez fujam de algo. Quando as mulheres das famílias migrantes decidem ter filhos, passam a ter uma outra história para contar. São estes os relatos de que Sandy Leong está à procura para realizar o projecto de contar, através de trabalhos de ilustração, as histórias destas mulheres. Sandy Leong é natural de Macau e encontra-se actualmente a estudar arte no Reino Unido. Actualmente, ainda está no processo de recolha de testemunhos para as suas ilustrações que serão expostas em Londres no próximo ano e que fazem parte do projecto final de curso. “Muitas famílias têm histórias de migração e quase todas têm histórias sobre as suas mães. Qual é o papel de uma mulher numa família de migrantes? Como é que os filhos vêm as suas próprias mães e que tipo de observação fazem?”, questiona a artista no evento criado no Facebook para este evento. Sandy Leong decidiu partir para este projecto por entender que, “nas próximas décadas, vamos provavelmente encontrar cada vez mais migrantes”. Ainda assim, o foco deste trabalho, que poderá ser em formato de impressão ou digital, não será as famílias de Macau. “O ano passado fiz alguma investigação sobre as crianças de famílias da China e de Hong Kong que emigraram para países europeus. Tentei observar e estudar as memórias sensitivas ligadas à emigração. Francamente, acho que não há muitas famílias de Macau que tenham vindo para o Reino Unido”, contou ao HM.

Além da busca nas redes sociais, Sandy Leong tem estado ligada a workshops que atraem mulheres de diversos países, como o Afeganistão e a Grécia, por exemplo. “Na verdade, Londres é uma cidade muito diversa em termos de migração e gostaria

de conhecer pessoas com diferentes histórias para que as minhas histórias sejam mais universais e que tenham leitura.” O projecto será exibido em Londres no próximo ano, mas Sandy Leong vai tentar trazê-lo para Macau. “Vou

“Vou c galeria Macau que po interes projec esta op

SANDY LEON


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terça-feira 31.7.2018

MIGRANTES NO REINO UNIDO

onteiras

udar arte no Reino Unido e igrantes. Esses relatos serão er exibidos em Londres no contactar galerias de arte em Macau ou outros locais que possam estar interessados no meu projecto. Espero ter esta oportunidade”, frisou.

AS PRIMEIRAS QUESTÕES

Sandy Leong nasceu, ela própria, numa família de migrantes, e viu-se confrontada com a sua história pessoal aquando da realização deste projecto.

contactar as de arte em u ou outros locais ossam estar ssados no meu cto. Espero ter portunidade”

NG ARTISTA

“A primeira vez que percebi que estava a deixar a minha casa foi quando tinha três anos e tive de vir para o jardim de infância em Macau, depois de viver com a minha avó na China. A minha avó tem raízes malaias e chinesas e foi viver para a China devido ao movimento anti-China na sua cidade natal. Quando deixei a casa lembro-me que chorei

imenso e não sabia porque é que tinha de sair de casa.” Só depois é que compreendeu que os seus familiares também tinham ido à procura de melhores condições de vida. “Nos últimos dez anos estudei em vários sítios e fui para o outro lado do mundo para me explorar a mim mesma. Ser uma mulher numa família e sociedade chinesas fez com que tenha sido muito pressionada quando tomei esta decisão”, conta a ilustradora. No país que a acolheu, a artista começou a ser assaltada por várias questões identitárias. “Aqui tenho mais oportunidades de carreira, mas penso sempre sobre qual lugar é a minha casa, como é que vim aqui parar, sempre a imaginar que a minha vida é como a vida da minha mãe e avó”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Abeto-Branco Nome botânico: Abies alba Mill. e outras espécies Sinonímia científica: Abies pectinata (Lam.) Lam. & DC. Família: Pinaceae. Nomes populares: ABETOPECTINADO; ABETOPRATEADO; PINHEIRO-ALVAR. Existente na Terra há 55 milhões de anos, o Abeto-branco é nativo das regiões montanhosas do Norte e Centro da Europa, onde forma florestas cerradas e aromáticas. Trata-se de uma magnífica conífera de porte grandioso e geométrico, e grande longevidade, já que pode alcançar 50 metros de altura e viver até aos 800 anos. Apresenta tronco erecto, casca lisa e esbranquiçada, escurecendo em seguida, e copa ampla e piramidal, com os ramos escalonados em andares bem definidos, estreitando-se para o vértice; os gomos são resinosos e, as folhas (agulhas), que podem persistir durante 8 a 11 anos, são lineares, planas e ásperas ao tacto, de cor verde-escura, lustrosas na página superior e mais claras na inferior; tem flores masculinas e femininas na mesma árvore, e pinhas que se desfazem com a maturação libertando as sementes e as escamas. Os raminhos, de cor clara – em virtude de duas riscas brancas, uma de cada lado da nervura bem marcada das folhas –, estão na origem do seu nome botânico alba. Enquanto planta medicinal, o Abeto-branco é usado há séculos, tendo sido mencionado pelos médicos e botânicos renascentistas, Laguna e Mattioli. Em fitoterapia são usadas as gemas e as folhas, o óleo essencial obtidos destas, a resina e a terebintina, obtida através da destilação da resina. Composição Gemas e folhas: Óleo essencial (com pinenos e limoneno, acetato de bornilo, canfeno e 3-careno), resina (terebintina), taninos, flavonóides e provitamina A. Resina: Terebintina em teor elevado e ácido abiético. Aroma fresco e limonado, sabor amargo, ligeiramente acre. Acção terapêutica Excelente balsâmico e peitoral, o Abeto suaviza e regenera as mucosas respiratórias, combate os espasmos brônquicos, diminui as secreções das mucosas inflamadas, descongestionando-as, e facilita a expulsão das mucosidades; tem ainda actividade anti-séptica sobre o aparelho respiratório e sudorífica. É recomendado, em uso interno e externo, nas afecções das vias respiratórias altas e baixas, nomeadamente em bronquites e sinusites, e também

na asma, enfisema, pneumonia e traqueíte. Diurético e anti-séptico urinário, o Abeto tem sido usado tradicionalmente no tratamento da cistite ou pielonefrite, e na prevenção de areias ou cálculos das vias urinárias. Outras propriedades Em uso tópico, o Abeto tem acção cicatrizante, sara as feridas e contusões, e resolve os inchaços e inflamações provocados por hematomas, abcessos ou infecções; tem sido empregue na limpeza de feridas, prevenindo ou combatendo a sua infecção, úlceras cutâneas, chagas, frieiras, contusões, abcessos e tumores. Quando aplicados externamente, o óleo essencial, a resina ou a terebintina, atraem o sangue para a pele, originando uma sensação de calor e descongestionando os órgãos internos; têm propriedades anti-reumáticas, desinflamando as articulações e aliviando a dor. Constituem um excelente remédio para as dores osteoarticulares, sendo utilizados em caso de lumbago, torcicolo, dores musculares, ciática, neuralgias, artroses, entorses e dores reumáticas em geral. Como tomar • Uso interno: O Abeto integra a composição de xaropes e rebuçados para o tratamento das afecções dos brônquios e pulmões, tosse, catarro, rouquidão e inflamação da garganta. Infusão das gemas: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. As folhas, o óleo essencial, a resina e a terebintina também podem ser usadas. • Uso externo: As gemas, as folhas, o óleo essencial, a resina e a terebintina podem ser usados em banhos de imersão, banhos às mãos (manilúvios) ou aos pés (pedilúvios), banhos de vapor, inalações, lavagens, compressas, massagens ou fricções. O Abeto participa em fórmulas de óleo essenciais e bálsamos, para aplicação em banhos, inalações, massagens e fricções, nas afecções respiratórias e dores reumáticas. Precauções O óleo essencial, a resina e a terebintina não devem ser usados na presença de asma brônquica. Quando aplicados puros, não diluídos, podem provocar irritação da pele e mucosas e broncospasmos; quando aplicados puros em inalações, fazer previamente o teste de tolerância para descartar a existência de hipersensibilidade. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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31.7.2018 terça-feira

ONU PEQUIM CONSTRÓI PRIMEIRO LOCAL DE DEMOLIÇÃO CONTROLADA NO LÍBANO

Explosões pacíficas

A 17ª força chinesa de manutenção de paz no Líbano construiu o primeiro Local de Demolição Controlada de múltiplas funções para a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, após quase dois meses de trabalho. O local serve, entre outros propósitos, a função de detonação de minas e explosivos expirados

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A cerimónia de abertura do Local de Demolição Controlada (CDS, em inglês) na aldeia de Naqoura, no sul do Líbano, sexta-feira, o Brigadeiro-General Shivaram Kharel, vice-comandante da UNIFIL, elogiou a contri-

buição das forças chinesas na construção do local de demolição. As forças chinesas de manutenção da paz demonstraram espírito profissional genuíno e o um grande entusiasmo ao longo dos dois meses após a transferência da autoridade em Maio, disse Kharel.

O Coronel Shi Honghui, comandante do 17º contingente chinês de manutenção da paz ao Líbano, destacou o objectivo pacífico da força chinesa no Líbano. "Estamos aqui para a paz. Cumpriremos melhor as nossas missões de desminagem, construção e manutenção de

infra-estruturas, além de assistência médica e humanitária, para promover a paz no sul do Líbano", disse Shi na cerimônia.

FORA DO PRAZO

O CDS, o primeiro do tipo no sul do Líbano desde a distribuição da Força Interina das Nações Unidas

no Líbano (UNIFIL, em inglês) há 40 anos, será principalmente usado para destruir a munição com peso inferior a 25 quilos cuja validade expirou, de acordo com a secção de engenharia da UNIFIL. O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu a UNIFIL em 19 de Março de 1978 para monitorizar a retirada das forças israelitas do sul do Líbano. O mandato da força internacional foi expandido após a Guerra do Líbano em 2006. A partir de 2006, a China manteve a força de manutenção da paz no sul do Líbano como uma parte da UNIFIL, responsável pelas missões como desminagem, construção de projectos, resgate médico e assistência humanitária. Xinhua

Corrupção Acusado ex-chefe da Administração do Ciberespaço

Os procuradores públicos de Ningbo, na província de Zhejiang, no leste da China, acusaram de corrupção o ex-chefe da Administração do Ciberespaço, noticiou ontem o jornal Global Times, que cita um comunicado da Suprema Procuradoria do Povo. Os procuradores acusam Lu Wei de se ter aproveitado do cargo que exercia, recebendo avultadas quantidades de dinheiro e bens, assim como benefícios para terceiros. Lu, o ex-vice-chefe do departamento de publicidade do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e ex-chefe da Administração do Ciberespaço da China, foi expulso do partido e demitido do cargo público por várias ofensas, incluindo corrupção, tinha noticiado a Xinhua em Fevereiro. Um ex-membro do comité do PCC do Ministério da Fazenda, Mo Jiancheng, e o ex-vicediretor do Comité Permanente do Congresso do Povo Provincial de Hebei, Zhang Jiehui, também foram acusados de corrupção, segundo o mesmo comunicado.

Propaganda Pequim reforçará protecção de relíquias da revolução

Coronel Shi Honghui, comandante do contingente chinês “Estamos aqui para a paz. Cumpriremos melhor as nossas missões de desminagem, construção e manutenção de infra-estruturas, além de assistência médica e humanitária, para promover a paz no sul do Líbano.”

A China emitiu uma directriz para reforçar a protecção e utilização de relíquias culturais dos tempos revolucionários. De acordo com a Xinhua, a acção tem como objectivo inspirar o patriotismo através de relíquias culturais que fomentem os valores socialistas essenciais e encorajarem a busca do Sonho Chinês da revitalização nacional. A lista de intenções por detrás desta medida foi pelo Gabinete Geral do Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Gabinete Geral do Conselho de Estado. Os departamentos de comunicação e relíquias culturais de todas as regiões de nível provincial devem executar um exame completo aos artefactos e elaborar uma lista de relíquias culturais nacionais dos tempos revolucionários que será publicada. A directriz também identificou os projectos a realizar entre 2018 e 2022, incluindo restauração de sítios históricos que testemunharam o desenvolvimento do Partido.

SAÚDE MEDICAMENTOS PARA HIPERTENSÃO ARTERIAL RETIRADOS DO MERCADO

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MA importante fabricante chinesa de ingredientes de Valsartan interrompeu entregas e procedeu à retirada voluntária nos mercados doméstico e estrangeiro após a detecção do carcinogéneo NDMA em alguns lotes, referiu no domingo o regulador de medicamentos do país, de acordo com a Xinhua.

De acordo com a agência oficial que cita informações prestadas pela Administração Estatal de Medicamentos (AEM), a Zhejiang Huahai Pharmaceutical tomou as medidas necessárias de acordo com os regulamentos. A empresa é fornecedora dos ingredientes activos para o Valsartan, medicamento usado para tratar

hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. Em 6 de Julho, a Huahai relatou ao regulador a descoberta de vestígios de NDMA (N-nitrosodimetilamina) em lotes para exportação e publicou as informações. Actualizada sobre as avaliações de riscos publicadas por homólogos globais, a AEM examinou

todas as sete fornecedores de ingredientes do Valsartan no país, incluindo a Huahai, e aprovou os produtos das outras seis. A NDMA é classificada como um cancerígeno 2A por reguladores internacionais, incluindo europeus, significando que há uma evidência limitada de que pode causar cancro. De acordo com a Xinhua, foram to-

madas medidas de precaução, como a interrupção de vendas e retirada dos medicamentos dos mercados, apesar de ser afirmado que os fármacos que contém NDMAnão acarretam riscos severos para a saúde. A AEM aconselhou que os pacientes não parem de tomar o Valsartan, a menos que recebam indicação do médico.


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terça-feira 31.7.2018

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UM país onde as manifestações de protesto são raras, os manifestantes conseguiram concentrar-se na porta do ministério, carregando faixas a pedir sanções por causa do escândalo que eclodiu em meados de Julho, quando foi descoberto um processo de fabricação ilegal de vacinas anti-rábicas. De acordo com vídeos publicados nas redes sociais, os manifestantes exigiram legislação sobre as vacinas. "Deve haver uma lei sobre vacinas", gritavam. Um jornalista da agência France Presse chegou ao local no final da manhã, mas já não viu nenhum manifestante. A polícia geralmente intervém muito rapidamente durante incidentes desse tipo, dispersando os manifestantes. A descoberta, em Julho, de um processo de fabricação ilegal de vacinas anti-rábicas num laboratório no nordeste do país causou polémica na opinião pública, uma situação que as autoridades não conseguiram travar, apesar de seu rígido controlo da internet e do uso das redes sociais. Uma investigação à farmacêutica confirmou que a empresa falsificou

PROTESTO PAIS MANIFESTAM-SE EM PEQUIM APÓS ESCÂNDALO NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Raiva contra as vacinas

Diversos pais manifestaram-se ontem em Pequim, frente ao Ministério da Saúde, após a polémica das vacinas falsificadas por um laboratório chinês, um facto raro na China dados e usou materiais com validade expirada na produção, segundo a agência de notícias oficial chinesa. Os responsáveis da farmacêutica tentaram destruir 60 discos rígidos com dados da empresa para eliminar provas, mas a polícia conseguiu recuperar o material informático, indicaram os investigadores. Quinze pessoas foram presas, incluindo o presidente da companhia.

SOL E PENEIRA

Um jornalista da agência France Presse chegou ao local no final da manhã, mas já não viu nenhum manifestante. A polícia geralmente intervém muito rapidamente durante incidentes desse tipo, dispersando os manifestantes

A Changsheng Biotech terá falsificado dados relativos a 113 mil vacinas liofilizadas contra a raiva em humanos, embora o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China tenha estimado só terem sido afectados dois em cada 100 mil inoculados em todo o país. Até agora,

não se registaram reacções adversas às vacinas. As autoridades chinesas garantiram que as vacinas defeituosas não deixaram as fábricas de Changchun Changsheng, mas muitos pais dizem que não confiam nas várias vacinas administradas aos seus filhos. O presidente Xi Jinping foi forçado a reagir denunciando as práticas "odiosas e chocantes" da empresa farmacêutica infractora. As autoridades avançaram ainda com uma inspecção nacional aos diversos laboratórios de produção. Embora em muitos países, a raiva esteja erradicada, na China foram registados 516 casos, apesar da incidência da doença tenha diminuído gradualmente ao longo dos anos.

Região Filipinas Funcionários do Senado obrigados a realizar teste de drogas

Os cerca de 400 funcionários do Senado filipino estão, a partir de ontem, obrigados a passar por um teste de drogas, anunciou o presidente daquele órgão, Tito Sotto. De forma a demonstrar o seu compromisso com esta directiva e com a luta contra a droga, Tito Sotto foi o primeiro a realizar o teste, ontem de manhã, seguido pelo senador Gringo Honasan. A directiva não obriga os senadores eleitos a fazerem o teste, apenas vincula os restantes funcionários, que foram surpreendidos pela medida. De acordo com os ‘media’ locais, o teste procura analisar a existência de cocaína no sangue e metanfetaminas conhecidos como 'shabu', muito consumidos nas Filipinas devido ao seu baixo custo. Desde que foi eleito chefe de Estado das Filipinas, Rodrigo Duterte lançou uma forte ofensiva governamental contra o tráfico de droga. Esta medida é apenas mais um reflexo, talvez o mais inócuo, de uma política que tem espalhado o caos e a violência nas Filipinas.

A

S autoridades da Malásia admitem o envolvimento de “terceiros” no caso do desaparecimento do avião MH370 da Malaysia Airlines que transportava 239 pessoas a bordo, em 2014. “Não podemos excluir a participação de uma terceira parte”, disse Kok Soo Chon, chefe da investigação oficial durante uma conferência de imprensa. O voo MH370, da Malayisia AirLines, fazia a ligação entre Kuala Lumpur e Pequim, no dia 8 de Março de 2014, e “depois de ter mudado” de rumo despenhou-se no Oceano Índico. O responsável pela investigação oficial assinalou que o aparelho terá mudado de rumo de “forma manual”, mas sublinhou que ainda faltam elementos para concluir os motivos da manobra. O relatório incluiu recomendações de segurança relacionadas com a aviação comercial apesar de ainda continuarem desaparecidas as duas caixas negras do aparelho e a fuselagem do aparelho. Uma das sugestões incluídas no documento propõe melhorar a eficácia dos transmissores de localização que se encontram a bordo dos aviões comerciais em caso de acidentes no

O terceiro elemento Investigadores admitem envolvimento de terceiros no desaparecimento do voo MH370

mar. O documento refere também que as companhias e as autoridades dos vários países devem alargar o âmbito das informações sobre as condições psicológicas dos pilotos e da tripulação, melhor inspecção da carga e um “maior” controlo do tráfego aéreo.

INDIGNAÇÃO EM FAMÍLIA

Familiares dos passageiros chineses do voo MH370 criticaram o relatório das autoridades da Malásia que foi ocultada informação sobre o avião desaparecido e que

os ocupantes continuam vivos. “Isto é uma conspiração política” disse à agência EFE Zhang Yongli cuja filha é um dos 239 ocupantes desaparecidos. “O relatório é sobre o processo de busca, mas nunca refere as pessoas que se encontravam no interior do aparelho e nós não queremos saber dos processos de busca. Só queremos saber onde estão os nossos familiares”, disse. Zhang Meilling, uma mulher que perdeu a filha e genro “no desaparecimento” concorda com a opinião de Zhang Yongli: “Nós

não sabemos o que é que o Governo da Malásia está a esconder ou para quem o está a esconder”. “Estou revoltada com o Governo da República Popular da China porque após quatro anos não há informações fiáveis”, acrescenta sublinhando que está convencida de que os “desaparecidos estão vivos”.

INDÍCIOS NO ÍNDICO

No passado mês de Maio a companhia norte-americana Ocean Infinity não conseguiu localizar vestígios do Boeing depois de explorar 112 mil quilómetros quadrados no Índico. Até ao momento recuperaram-se 27 peças em praias de Moçambique, Reunião, Maurícias, África do Sul e Zanzibar: fragmentos que foram supostamente arrastados pelas correntes oceânicas. De acordo com os especialistas, três dos 27 fragmentos encontrados nas Maurícias, Reunião e Zanzibar pertencem ao voo MH370. Outras sete peças, incluindo partes do interior da cabina são “quase seguramente” do MH370 e outras oito podem ser “muito provavelmente” partes do aparelho da Malayisian Airlines.


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31.7.2018 terça-feira

Frutos, dão-os as árvores que vivem, ´ Não a iludida mente, que só se orna Amélia Vieira

A casa dos vinte e quatro

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UNDIAL, o futebol conquistou o mundo, é esta uma extensão que podemos reflectir como unidade pseudo-combinatória do número como programa, numa orquestração de onze para onze, seguida de dois, o que dá mais ou menos um alfabeto, e dado a importância a que ele chegou, nós, os mais arredados, somos tentados a permanecer vigilantes, sabendo que ocupou aos poucos o lugar dos antigos exércitos e jogos de gladiadores, com denominadores comuns, como a destreza, a estratégia, a precisão e a atenção, e assim foi ganhando nos nossos tempos as formas Olímpicas. Os heróis, esses, mudam de registo "tomando sempre novas qualidades" a que esta deu a tónica de uma ampla pacificação. E eis-nos no Mundo Palco na Casa dos Vinte e Quatro, essas tribos, tal como as designou Umberto Eco, onde o nosso sistema tribal ganhou nova tónica, novo fôlego, novas formas. E aqui vamos rumo ao sentido numérico do vasto passado histórico nacional, que bem se anteciparia por algébrica ao que viria depois. A Casa dos Vinte e Quatro é assim um microcosmos de uma realidade por vir, criada em 1383 por D. João I, à época ainda Mestre de Avis, com o objectivo dos mesteirais participarem no governo do país. É no seu apoio ao Mestre na Crise de 1383- 1385 que se encontra a génese do seu nascimento. Foi durante séculos uma organização sindical com poder deliberativo, onde as medidas eram aprovadas por maioria e quis o irónico destino que fosse extinta pelo regime liberal em 1834. Mas o seu enunciado numérico como bem provam os factos não se perdeu. O Mundo é agora uma grande Casa e as associações continuam em formato Vinte e Quatro. Grandes acontecimentos improváveis estão unidos a esta prática colectiva, a ver pelos meninos da gruta, os jovens futebolistas e seu mestre, em número de doze mais um, que puseram expectante a Casa Mundo pela difícil operação de resgate, aqueles discípulos já não resistiam no deserto, mas sim fechados num buraco dentro da terra com um mestre pouco mais velho do que eles cujo amor dos homens fora de grande importância para a salvação de todos, vamo-nos dando conta que o futebol é um coro mundial, que joga sim, com probabilidades geométricas e nele reside algo mais do que a prática desportiva. O rolar, a bola, o marcador, o golo, o êxtase em uníssono...O que é um golo? Uma bola que passa por um sistema defensivo com todos a correr para o mesmo lado, uma quase esper-

matozóica manifestação... o mais veloz, o mais habilitado, o acaso que gerou a fuga, em suma, o mais conseguido que passou. Jorge Luís Borges disse que o mundo gosta de futebol dado que é estúpido. Pode ser, o mundo é um local mimético, andamos fora e dentro a representar as mesmas coisas como se esta Casa fosse um campo fechado numa circulação sanguínea de outro sistema fechado,

adaptando sistemas melhorados mas sem muita antevisão de qualquer outro plano. Nós esgotamos até ao delírio as fontes das origens- e se a origem nos faz originais — estamos a atravessar um mundo em que tal designação é cada vez mais inexistente, e no entanto, face a um tempo Galáctico que espreita, devíamos sair da roda, inventar com carácter de urgência campos novos, não vá acontecer que estejamos todos ab-

A projecção do santo padroeiro passou para o clube, fundaram-se outros juízes, temos novos deuses, e como diria alguém na busca patética de transcendência: “Ronaldo já não é humano”

sortos nesta curvatura fechada quando alguma coisa de novo se der. Estamos informados e muito desalinhados com o que vem de ontem, e não saberemos dos significados semióticos que devemos antever para não só sobrevivermos enquanto espécie, mas sobretudo, como sabê-lo fazer de outra maneira. A Casa dos Vinte e Quatro é um grande sindicato à escala global e os mesteirais votam "livremente" a fortuna que a todos pesa num grande corpo sem saída, a Economia, estrangulando assim os Olimpos, que em rédea solta deixará a cratera por onde o tempo luxuriante se esvai. A projecção do santo padroeiro passou para o clube, fundaram-se outros juízes, temos novos deuses, e como diria alguém na busca patética de transcendência: "Ronaldo já não é humano". Não sei em que parte o nosso Estado tão laico criou para si os seus próprios deuses que figuram no Panteão dos humanos mas que são olhados exactamente como partes imortais, e onde deixámos Deus na sua mais abstracta abrangência esquecido entre um mundo que jamais o conceptualizou no seu devido entendimento. Entre a manifesta noção de ser, enquanto estar ( uma rudeza gaulesa) quem se infiltrará para nos conduzir ao teletransporte, e quem não lá estiver, quem será? Ou, melhor, se não estando se conclui que não é, então nada somos, mesmo olhando a Casa em ecrãs gigantes que podem ser a manifestação de um "arrastão" por encantamento colectivo, a tal Roma com a mesma cabeça que um Imperador desejou decapitar num gesto só. Não nos esqueçamos que foi uma nova ordem que acabou com a Casa dos Vinte e Quatro, aquela que teria por missão unir o mundo, e dele fazer um grande empreendimento colectivo. Talvez o Presidente Português tivesse rectificado Trump para dizer-lhe que não pertence à velha estirpe ibérica, pois que na Europa somos diferentes, e que as balizas ainda não se galgam. Mas tudo isto são subtilezas num mundo que não as encara como grandes princípios. Vinte e quatro horas tem o dia comum, e a Terra é um grande relógio que pode em boa Hora transformar os ponteiros se outros ajustes tiver doravante que fazer. E porque vai solta, pode a um tempo transbordar de todos nós, que sendo expelidos, nos consumará em suas entranhas. Há muitos campos, até magnéticos, transversais aos campos de futebol. Paradoxalmente, é na guerra que os homens se unem para cantar, e na paz, unem-se para ver. Ou não fosse o canto a velha forma inventada para apaziguar as feras.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 31.7.2018

máquina Lírica Paulo José Miranda

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O mais recente número da revista “Flanzine” (número 17, Junho de 2018) com o tema Cinzas, a convite de alguns leitores da mesma escrevi um texto intitulado “Uma Vida a Arder”, que é uma breve incursão ao tema do suicídio. No contexto de divulgação da revista, no próximo sábado, 4 de Agosto, irei estar em Palmela para ler este mesmo texto, juntamente com outros convidados. E é este texto que partilho hoje aqui. Quem concretiza o suicídio, ou o tenta seriamente fazê-lo ainda que falhe – quer seja por uma resistência do corpo, que o próprio desconhecia, quer seja porque o processo foi interrompido por outrem antes do tempo necessário para a execução da tarefa a que se tinha proposto –, fá-lo porque padece de uma dor insuportável (ou que lhe parece insuportável), quer seja física (como o cancro, por exemplo), quer seja moral (uma vergonha insuportável), quer seja metafísica (não encontrar qualquer sentido para a sua vida ou a para a vida humana em geral). E se não há mais casos de suicídio é precisamente pela dor que o acto comporta, pois quem pensa em suicidar-se tem como horizonte o fim de alguma dor, e a dor que envolve o acto de suicídio (suspeita-se) acaba por ser dissuasora. Pois ninguém duvida que cortar as veias ou enforcar-se ou atirar-se para

Uma vida a arder baixo de um comboio sejam actos que envolvam alguma dor, desde o menor corte com a faca até ao ficar-se pendurado pelo pescoço até que este se parta ou nos afoguemos em falta de ar. Por outro lado, há também o peso de dar trabalho aos outros ou atrapalhar-lhes a vida. Interromper a viagem de um comboio vai atrapalhar a vida daqueles que vão no comboio, assim como será uma enorme trabalheira para quem tiver de colectar os restos do corpo. Cortar as veias, ainda que se possa fazê-lo na banheira, também comporta uma enorme sujidade que é preciso limpar. Assim como um tiro na cabeça, ainda que este seja um dos modos de suicídio que nos parece mais indolor. Resta-nos o tão popular excesso de barbitúricos, que infelizmente, para quem pretende seriamente suicidar-se, é também o modo menos eficaz. Se bem que, se der resultado, seja o que dá menos trabalho

aos outros e que menos suja o mundo à volta. E se conseguíssemos nos suicidar apenas por fechar os olhos, quando estamos deitados numa cama, num sofá ou no chão – imaginemos um modo especial de fechar os olhos dizendo para si mesmo “quero morrer” e que isso acontecesse – o índice de suicídios quintuplicava ou até decuplicava. Pois era como se alguém morresse a dormir, sem dor, sem dar trabalhos acrescidos aos outros e ainda sem estigma social e religioso. Morria-se apenas porque adormecíamos. Como se ainda estivéssemos vivos, apenas no território indescritível dos sonhos. Passava-se assim de um acto condenável pela religião a uma morte santa. Este é o desejo de muitos que pensam em suicidar-se: morrer sem dor e sem dar trabalhos. Ai, se bastasse fechar os olhos e desejar a morte!... E, no fundo, talvez a vontade de morrer, que pode ter causas físicas,

E se conseguíssemos nos suicidar apenas por fechar os olhos, quando estamos deitados numa cama, num sofá ou no chão – imaginemos um modo especial de fechar os olhos dizendo para si mesmo “quero morrer” e que isso acontecesse – o índice de suicídios quintuplicava ou até decuplicava

morais ou metafísicas, advenha também de uma profunda crença de que não passamos de pó. Não apenas como diz a bíblia, que do pó viemos e ao pó retornaremos, mas que somos agora mesmo pó. Pó entre dois pós limite. Talvez o que leva aquele que padece de uma dor insuportável a querer morrer seja acreditar que não passa de pó, que nós todos não passamos de pó. A dor insuportável, e neste caso é quase sempre a dor física e não as outras suas formas, apenas espoletou aquilo em que ele acreditava ainda que não o soubesse. A procura de morte por sua própria decisão pode também ser uma doença e a psiquiatria identifica muitos casos. Mas não será também porque esse doente não consegue ver-se a si mesmo senão como pó? Talvez ele se sinta como se ele mesmo fosse pó de si mesmo. Pó de si mesmo que vai respirando e consumindo-se lentamente nessa dor de respirar não só pó, mas o pó que ele mesmos é. Assim, para essa pessoa, viver é como que um eterno respirar pó, que é matar-se dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, a cada inspiração, e sofrer horrores por essa dor. E isto que dissemos para os doentes psiquiátricos talvez seja o que acontece com todos aqueles que vêm no suicídio o seu caminho: ser ele mesmo o pó que lhe queima lenta e dolorosamente os pulmões; ser ele mesmo uma vida a arder.


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desporto 17

terça-feira 31.7.2018

FUTEBOL PORTUGAL CONQUISTA QUARTO TÍTULO EUROPEU DE SUB-19

O triunfo da juventude Ténis João Sousa desceu ao 45.º lugar

O português João Sousa desceu ontem quatro posições na classificação do ténis mundial, ocupando actualmente o lugar 45, numa lista que não sofreu alterações no ‘top 10’. João Sousa, que na terça-feira foi eliminado na primeira ronda do torneio de Gstaad, na Suíça, é o único português no ‘top 100’ do ténis mundial. Gastão Elias, que esta semana subiu dois lugares, ocupa a posição 127, enquanto Pedro Sousa é 151.º classificado, depois de ter descido 11 lugares em relação à última tabela. O espanhol Rafael Nadal mantém-se na liderança, seguido do suíço Roger Federer, segundo, e o alemão Alexander Zverev, segundo e terceiro, respectivamente.

Atletismo Cinco suspensões por doping

A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) oficializou ontem a suspensão de cinco atletas, por doping, entre as quais a meio-fundista do Sporting Solange Jesus. De acordo com a decisão disciplinar, Solange Jesus cumpre uma suspensão de um ano, até 13 de Fevereiro de 2019, por falhas na localização para controlo antidoping. Outros dois atletas do Sporting viram as suas suspensões confirmadas, casos de Vera Barbosa, recordista nacional dos 400 metros barreiras, até 9 de Abril de 2019, também por falhas na informação sobre sua localização, e o meio-fundista Hélio Gomes, mas por recurso a eritropoietina (EPO), numa pena de dois anos, até 11 de Julho de 2019. Igualmente por erros no sistema de localização, o saltador do Benfica Marcos Chuva uma suspensão até 8 de Janeiro de 2019. O também saltador Ricardo Jaquité, do Sporting de Braga, enfrenta uma suspensão de quatro anos, até 10 de Fevereiro de 2021), devido a um positivo com o anabolizante deidroclormetiltestosterona.

A selecção portuguesa de futebol de sub-19 conquistou o título europeu do escalão, pela quarta vez, depois dos triunfos em 1961, 1994 e 1999, ao vencer a Itália, por 4-3, após prolongamento, na Finlândia

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EDRO Correia, aos 109 minutos, marcou o golo do triunfo da equipa das ‘quinas’, que tinha vencido o Torneio Internacional de Juniores em 1961 e os Europeus de sub-18 em 1994 e 1999. Os comandados de Hélio Sousa, que já tinha levado esta geração ao triunfo no Europeu de sub-17 de 2016, esteve a vencer por 2-0, com golos de João Filipe, aos 45+1, e Francisco Trincão, aos 72, mas permitiu o empate, com o ‘bis’ do suplente Moise Kean, aos 75 e 76. No prolongamento, João Filipe colocou a selecção lusa em vantagem, aos 104, Gianluca Scamacca voltou a empatar, aos 108, um minuto antes de Pedro Correia decidir o encontro. Portugal sucede no historial da competição à Inglaterra, que tinha batido a equipa das ‘quinas’ na final do torneio de 2017, naquela que foi a sua terceira presença no encontro decisivo, depois dos desaires em 2003 e 2014 numa competição que desde 2002 passou a ser de sub-19.

SAUDAÇÃO DE MARCELO

O Presidente da República saudou a vitória de Portugal na final do Europeu de Futebol de Sub-19, considerando-a "um novo ponto alto do futebol português", dos jovens que "fazem acreditar no futuro". Na sua mensagem de felicitações aos campeões europeus, divulgada no portal da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa assinala que "a alegria" que os jovens futebolistas "trouxeram a Portugal merece o reconhecimento do Presidente da República" e os

O Presidente da República saudou a vitória de Portugal na final do Europeu de Futebol de Sub-19, considerando-a “um novo ponto alto do futebol português”, dos jovens que “fazem acreditar no futuro”.

"parabéns por esta grande vitória (...), muito sofrida e heroica". "Um novo ponto alto do futebol português, destes jovens que nos fazem acreditar no futuro", termina o chefe de Estado. Também António Costa dirigiu felicitações a equipa. O

primeiro-ministro felicitou a selecção portuguesa de futebol de sub-19 pela "grande vitória" na final do europeu, na Finlândia, considerando que foi merecida. "Parabéns à selecção de Portugal, campeões europeus de sub-19! Que grande percurso,

que grande vitória! Merecem este título. Parabéns campeões, por mais esta vitória de Portugal", escreveu o chefe do Governo na rede social Twitter.

SPORTING JOSÉ MARIA RICCIARDI ASSUME CANDIDATURA "PARA GANHAR"

O

antigo banqueiro José Maria Ricciardi assumiu a candidatura às eleições do Sporting, garantindo que

tem uma equipa “coesa, forte e transversal” que se apresenta ao acto eleitoral de 8 de Setembro “para ganhar”. “Reuni uma equipa coesa, forte e transversal”, disse Ricciardi em entrevista à CMTV assumindo: “Decidi dar este passo para vencer. Não venho para fazer número”.

O banqueiro, que é o nono sócio a manifestar a intenção de se candidatar às eleições forçadas pela destituição de Bruno de Carvalho, considerou que nenhuma das candidaturas já apresentadas reúne as condições necessárias. “Estive a observar e analisar o processo eleitoral no clube

e cheguei à conclusão, com todo o respeito pelos candidatos, que nenhuma das candidaturas reúne as condições necessárias e suficientes para liderar o Sporting nesta fase difícil”, afirmou. Ricciardi garantiu que se for eleito José Peseiro será o seu treinador, e elogiou o trabalho de Sousa Cintra,

que está a liderar a SAD do clube desde a saída de Bruno de Carvalho. O antigo presidente do BES Investimento assegurou que caso seja eleito nunca permitirá que “a maioria da SAD deixe de pertencer ao Sporting e aos seus sócios” e admitiu o clube precisa de “uma

gestão eficiente, racional e sustentada”. Antes de Ricciardi, já anunciaram que iriam concorrer às eleições do Sporting, Bruno de Carvalho, presidente destituído, Carlos Vieira, Frederico Varandas, João Benedito, Dias Ferreira, Pedro Madeira Rodrigues, Zeferino Boal e Fernando Tavares Pereira.


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C I N E M A

UMA SÉRIE HOJE O tema da Guerra Fria nunca passou de moda no grande ecrã e volta a ser abordado nesta série. Numa Europa dividida pelo Muro de Berlim, o destino de duas famílias cruza-se quando um agente secreto, com o nome “Romeo”, tem como missão seduzir uma mulher que vive na República Federal da Alemanha, à época o lado ocidental de o país que estava no centro da Guerra Fria. “The Same Sky” conta uma história com drama e algum suspense. Andreia Sofia Silva

INCREDIBLES 2 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Brad Bird 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B] Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.30, 18.00, 21.30

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Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 16.30

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Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 19.30, 21.30

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B]

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SALA 3

SKYSCRAPER [B]

A lei de bases da organização judiciária que está a ser actualmente revista coloca a possibilidade de todos os arguidos que partilhem um processo em que o Chefe do Executivo é arguido, serem julgados no Tribunal de Última Instância, sem terem direito a recorrer das sentenças. Sempre se colocou a questão dos titulares dos principais cargos não terem direito a recorrer pelo facto dos seus casos serem julgados na instância máxima, algo que o novo diploma prometia rever. Há mudanças, de facto, mas esta possibilidade que agora se coloca acarreta a hipótese de cidadãos ditos comuns, sem ligação à política, não poderewm recorrer. A lei diz-nos que devemos ser iguais e que a justiça deve existir para todos. Parecem meros clichés ingénuos 26tempos que correm, mas devem nos ser lembrados. Todos devem ter o direito a recorrer de uma decisão de um juiz com a qual não concordem, independentemente da pena aplicada e do caso. Todos, incluindo o Chefe do Executivo, deveria ter direito a recurso, e esta é uma lacuna que persiste. O recurso, quando nasce, é para todos. É importante que esta questão seja esclarecida nas instituições do Direito e junto das suas personalidades, para que o público compreenda, efectivamente, o que está em causa relativamente aos seus direitos como cidadãos. Andreia Sofia Silva

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MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT SALA 1

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PROBLEMA 25

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 24

Cineteatro

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S U D O K U

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RECURSO PARDO

DE

EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9

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VIDA DE CÃO

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

terça-feira 31.7.2018

FERNANDO ALMEIDA In Mercurio

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marca “país” ou “região” pode ser uma enorme mais-valia para área geográfica correspondente, mas pode também comprometer o seu futuro. Ainda me lembro bem da primeira vez que fui a França! Era menino e mal falava a língua dos nativos, mas ainda assim registei na memória detalhes que só muito mais tarde vim a compreender. É claro que me fascinei com aquele mundo rico e brilhante, de lojas enormes a contrastar com as nossas mercearias de bairro, com autoestradas urbanas, com gente que pelo aspecto provinha das mais diversas latitudes e longitudes. Paris era uma grande metrópole cosmopolita e tanto na dimensão como na abertura ao mundo impressionava o menino proveniente de Lisboa. A nossa capital era realmente uma “cidade de província” conservadora e desviada das rotas do desenvolvimento e da modernidade. Felizmente tudo isso mudou, muito embora esta mudança, como todas as outras, não esteja ao abrigo de conflitos e dor. Uma das coisas que me impressionou nessa minha “expedição” de criança foi a forma como os franceses nos viam, quer como gente, quer como país. Os franceses com que falei gostavam dos portugueses, consideravam-nos “boa gente”, mas um tanto “primitiva”. Não que o dissessem com todas as letras ao menino que eu era na época, mas vejo hoje, com os olhos de adulto, que era isso seguramente que queriam dizer. Por outro lado (e isso foi na época o que mais me chocou) achavam maioritariamente que Portugal era uma província de Espanha. É fácil imaginar como o jovem doutrinado no nacionalismo antiespanhol salazarista se indignava com a ignorância dos franceses. O Portugal da época não era uma marca, e se o fosse seria uma marca desqualificada e de baixo valor. De resto manteve-se como “não marca” até há muito pouco tempo, e só uma combinação de factores nacionais e internacionais acabou por projectar o nome “Portugal” além-fronteiras. Pode perguntar-se que diferença fará para nós o facto de os outros nos conhecerem e terem sobre nós uma determinada opinião? Pode parecer que não será mais que algo como o meu ego nacionalista de menino, que se irritava com os estrangeiros que nos imaginavam como região de Espanha. Mas a realidade é muito mais complexa e profunda que esse sentimento de rejeição clânico que me moldava o pensamento em menino. Quanto vale a marca de um país ou região? Pensemos um pouco. Se for comprar uma máquina e tiver possibilidades de escolher entre uma máquina fabricada

ANGELA WAKEFIELD

As memórias e o futuro

na Alemanha e uma outra fabricada, por exemplo, na Albânia, e tanto preço como características técnicas se assemelharem, qual delas comprará? Estou certo que a maioria esmagadora dos portugueses (mas também dos europeus e mesmo dos cidadãos da maioria dos países do mundo) optará pela máquina alemã, e comprará igualmente a máquina alemã mesmo que seja mais cara. Agora imagine que vai comprar um perfume e pode optar por um perfume francês e um outro do Cazaquistão. Qual comprará? E imagine que vai comprar um queijo de ovelha, e tem um com designação de origem “Serra da Estrela” e um outro que não a tem. Qual vale mais? Claro está que a marca “país” ou “região” pode ser uma enorme mais-valia para área geográfica correspondente, mas pode também comprometer o seu futuro. Lembro-me também o pânico generalizado dos produtores de vinho do Porto quando Espanha pensou fazer um cemitério de resíduos nucleares em Aldeiadávila. O receio era justificado, só o simples facto de se associar o nome “Douro” a resíduos nucleares iria por certo desvalorizar os vinhos da região, mas iria igualmente prejudicar o turismo, e as restantes actividades económicas. Isto mesmo que nunca houvesse qualquer tipo de acidente com fugas radioactivas. É, portanto, para mim claro que uma região ganha ou perde muito conforme a visão que o mundo tem dela: um país que transmita de si mesmo uma boa imagem terá grandes vantagens a todos os níveis. Por exemplo, se Portugal conseguir passar de “país primitivo” a “país tecnológico” aos olhos da Europa e do mundo, todos ganharemos com isso.

Uma região ganha ou perde muito conforme a visão que o mundo tem dela

Mas nos dias que correm a imagem de um país constrói-se com elementos diversos, onde está evidentemente a tecnologia/ economia, mas onde cada vez mais está o ambiente. O ambiente é de facto uma preocupação crescente no espírito dos europeus, e isso é já observável entre nós. Quando com outros companheiros fundei a associação “Quercus”, nos meados da já distante década de oitenta do século XX, o ambiente era visto por muitos como uma preocupação de uns “idealistas generosos”, mas nada que merecesse realmente atenção. Hoje tanto as alterações climáticas, como a perda de biodiversidade, como o problema dos plásticos, como a contaminação das águas subterrâneas e superficiais e tantos outros problemas saltaram para a ordem do dia e só os mais distraídos ou alienados se manterão alheios à grave situação ambiental em que vivemos. Por isso a qualidade do ambiente é já um elemento determinante da construção mental da imagem de um país ou região. E essa realidade aplica-se à nossa região. Para já goza de uma boa imagem tanto ao nível ambiental, como no que respeita à segurança, à qualidade da nossa gastronomia (e logo dos produtos da agricultura e pecuária que estão na sua base), como na proverbial simpatia das gentes. Essa imagem é já uma mais-valia, mas se for bem trabalhada poderá ser ainda mais importante para todos: ganharão directamente sectores da economia como a agricultura, a pecuária ou o turismo, mas indiretamente as vantagens serão para todos. Mas se a imagem que criamos da nossa terra é de degradação ambiental, com águas poluídas, costa com peixe e marisco contaminado, fauna e flora empobrecidas, e outras marcas de mau ambiente, todos pagaremos cara a factura. Haja inteligência para ver um pouco mais longe, e não queiram os mais gananciosos e cegos pelo lucro imediato matar esta nossa galinha dos ovos de ouro…


Quanto mais se vive, menos se sabe por que se vive.

TROCAS FISCAIS CONVENÇÃO DA OCDE EM VIGOR A 1 DE SETEMBRO

OLHA HURINENKO

Christian Hebbel

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terça-feira 31.7.2018

AMBIENTE PLANETA VAI VIVER DA NATUREZA A CRÉDITO A PARTIR DE AMANHÃ

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Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal vai ser aplicada em Macau a partir de 1 de Setembro, anunciou ontem o gabinete do secretário para a Economia e Finanças, dando conta de que o Governo Popular Central anunciou uma declaração governamental relativa à aplicação daquele instrumento jurídico da OCDE que visa facilitar a troca de informações em matéria fiscal e a cobrança de impostos a nível internacional. A convenção abarca uma série de modalidades de cooperação, tais como a troca de informações a pedido, espontânea ou automática Em comunicado, o gabinete de Lionel Leong, destaca que a extensão da aplicação a Macau “permite não só estabelecer uma boa base legal para a RAEM dar cumprimento à promessa internacional em matéria da troca de informações fiscais, mas também demonstrar, plenamente, à comunidade internacional a atitude da RAEM em participar de forma activa na cooperação fiscal e os resultados dos trabalhos realizados”. Na mesma nota, refere-se também que o Governo celebrou ainda o Acordo sobre Autoridades Multilaterais Competentes para a TrocaAutomática de Informações Fiscais Relativas às Contas Financeiras e que “completou o procedimento de apreciação efectuado pelas organizações internacionais sobre a capacidade da RAEM na implementação dos padrões em relação à transparência tributária e da erosão da base tributária e transferência de lucros, entre outros”. Neste âmbito, diz o mesmo comunicado, a China autorizou a RAEM a negociar e a assinar acordos em matéria fiscal com os países de língua portuguesa e territórios vizinhos.

PALAVRA DO DIA

Velhos são os trapos Lei Chan U quer prolongar idade de reforma para os 70 anos

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deputado Lei Chan U defende que o Governo deve começar a trabalhar para prolongar a vida activa das pessoas e adiar a idade de reforma para o intervalo entre os 66 e 70 anos. “Sou da opinião de que os idosos são recursos humanos valiosos e o seu contributo é benéfico para todos, para eles e para a sociedade”, afirmou o legislador, ontem, na Assembleia Legislativa. O deputado defendeu ainda que esta é uma aspiração das pessoas que são obrigadas a retirar-se aos 60 anos, apesar de sentirem que ainda têm capacidade e vontade para manter as profissões. Segundo um estudo citado pelo legislador, realizado

por uma associação que não identificou, 63 por cento dos reformados não concordam com a reforma obrigatória aos 60 anos. De acordo com os mesmo estudo, a vontade de adiar a idade da reforma é justificada pelo facto das pessoas com 60 anos sentirem “que ainda dispõem de capacidade de trabalho”, quererem “continuar a auferir rendimentos” e “a não depender economicamente dos filhos” e ainda terem o desejo de ter uma actividade “para os ajudar a passar o tempo”. Contudo, Lei Chan U reconhece que ainda há muitos preconceitos na sociedade, que fazem com que seja necessária uma discussão sobre o assunto. “Há algum preconceito e entra-

ves na contratação de idosos”, apontou. “De Janeiro a Maio do ano transacto, de entre as 800 pessoas com mais de 60 anos de idade inscritas na bolsa de emprego da DSAL, apenas 130 conseguiram com sucesso um emprego, o que corresponde a uma taxa de 16 por cento”, constatou. Apesar das limitações reconhecidas, o membro da Assembleia Legislativa pede ao Executivo de Chui Sai On que tome os primeiros passos para adiar a idade da reforma: “A promoção da reentrada dos idosos no mercado laboral é um trabalho de longo prazo, e o Governo não precisa de se apressar, pois a sociedade também precisa de tempo para o aceitar”, vincou. J.S.F.

Vaticano Renúncia do arcebispo de Adelaide por encobrir abusos sexuais O papa Francisco aceitou ontem a renúncia de um arcebispo australiano condenado a um ano de prisão por encobrir abusos sexuais a menores, anunciou a Santa Sé em comunicado. “O Santo Padre aceitou a renúncia dos seus deveres pastorais do arcebispado de Adelaide (Austrália) apresentado pelo arcebispo Philip Edward Wilson”, avançou o Vaticano. O arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, de 67 anos, foi condenado, no início do mês de Julho, a 12 meses de prisão por não denunciar o padre James Fletcher por abusos de crianças nos anos 1970, com quem colaborava na

diocese de Maitland-Newcastle. Na década de 1970, Philip Wilson era sacerdote da diocese de MaitlandNewcastle e trabalhava com um padre que foi preso por abuso contra menores. Os juízes consideraram que o bispo estava consciente dos factos e não informou as autoridades civis. O padre em causa morreu na prisão, em 2006, um ano depois de ter sido preso. Em comunicado divulgado no início de Julho, os bispos australianos afirmaram esperar que essa condenação desse “uma sensação de paz e cura a todos aqueles que foram abusados pelo padre”.

MANHÃ é o dia em que a humanidade terá consumido o total dos recursos que a natureza consegue renovar este ano, sendo que os seres humanos vão viver os próximos cinco meses “a crédito”, afirmou ontem uma rede de organizações não governamentais ambientalistas. O dia 1 de Agosto é “a data em que terão sido utilizadas todas as árvores, água, solos férteis e peixes que a Terra consegue fornecer num ano para alimentar e abrigar os seres humanos e terá sido emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver”, afirmou a porta-voz da WWF, Valérie Gramond, organização que pertence à rede Global Footprint Network. “Hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades”, ilustrou, num comunicado divulgado ontem. O total dos recursos renováveis consumidos nunca tinha sido atingido tão cedo desde que a data começou a ser assinalada, nos anos 1970, quando o total só era consumido a 29 de Dezembro. No ano passado, a data foi 3 de Agosto. Um terço dos alimentos acumulados pelos seres humanos acaba no lixo, indicou, afirmando que a antecipação progressiva da data se deve ao excesso de consumo. A distribuição do consumo é desigual no mundo, com países pequenos e com poucos habitantes como o Qatar e o Luxemburgo com uma pegada ecológica muito forte. Se todos os países consumissem assim, a data seria atingida logo no mês de Fevereiro, alerta a organização.

Goa Deputado preocupado com saída de jovens com passaporte português

A falta de emprego que afecta Goa está a levar a que milhares de jovens goeses abandonem o país, optando por escolher o passaporte português, disse ontem um deputado na Assembleia Legislativa do Estado. “Eles [os jovens] dizem que não há trabalhos em Goa e estão a emigrar através do passaporte português”, disse o deputado da Assembleia Legislativa Francis Silveira, em declarações citadas pelo portal ‘India Today’. Francis Silveira apontou que um grande número de jovens do seu círculo eleitoral, St. Andre, está a abandonar a localidade costeira. A legislação portuguesa permite que os residentes em Goa cujos pais ou avós tenham nascido na antiga colónia de Portugal possam obter o passaporte e emigrar para a Europa. O passaporte português permite que os goeses tenham acesso a trabalho na Europa sem necessidade de visto. Nos últimos dez anos, mais de 1200 nativos da zona St. Andre optaram por passaporte e nacionalidade portugueses.

Hoje Macau 31 JUL 2018 #4103  

N.º 4103 de 31 de JUL de 2018

Hoje Macau 31 JUL 2018 #4103  

N.º 4103 de 31 de JUL de 2018

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