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COSTA NUNES Agência Comercial Pico • 28721006

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ANUário é apresentado hoje, com presença de florinda chan

centrais

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Mop$10

Ter para ler

Director carlos morais josé • sexta-feira 31 de maio de 2013 • ANO XII • Nº 2862

pouco nublado min 27 max 32 hum 65-90% • euro 10.1 baht 0.2 yuan 1.2

h

Venham mais cinco (séculos)

primavera 100 anos de sagração

• Ensino

DSEJ dá Blue Card para 21 professores vindos do exterior Página 2 pub

China

a vergonha pelos maus hábitos última

Acolhimento dos mais novos pode passar pelos grupos familiares

Uma casa, uma criança Em vésperas do Dia Mundial da Criança, a presidente do Berço da Esperança falou dos problemas dos mais novos. Na RAEM, o excesso de acolhimento dos orfanatos pode ser alavanca para mudar a realidade. “O melhor para o futuro de Macau são os grupos familiares.” Marjory Vendramini, que se mostra desiludida com a falta de especialistas nesta área, refere ainda que existem poucas crianças para adopção porque a lei de Macau, em certas questões, “impede”. Uma entrevista que mostra preocupação com a pequenada. páginas 4 e 5

• autocarros

Governo quer rever os contratos das operadoras Página 3 pub

caso ao man long

Tribunal emite mais mandados de detenção Página 3


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política

sexta-feira 31.5.2013

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Ensino DSEJ contratou 21 pessoas do exterior que trabalham com título de não-residente

Professores para ajudar alunos de Macau às pessoas cuja língua dominante é o português e aos grupos com ela relacionados”, admite o organismo. “Surgiu a necessidade de empregar agentes com experiência e com domínio do português para responder às necessidades do trabalho.”

Ao Hoje Macau chegaram algumas queixas de que o Governo estaria a contratar trabalhadores sob o regime de Blue Card, algo que, assegura agora o Executivo, não é ilegal. No âmbito do acordo de cooperação entre o Governo de Macau e os Serviços de Educação da China chegaram mais de uma dezena de professores para ajudar os docentes do território. De Portugal vieram mais dois. Tudo dentro da legalidade e em prol das necessidades da RAEM

BIR?

Ao Hoje Macau foi ainda dito que estas pessoas estariam contratadas por um período de seis meses, “à experiência”, e que, posteriormente, teriam direito a BIR. Contudo, a DSEJ diz que, no que diz respeito aos funcionários do interior da China, há um consenso diferente entre Governo da RAEM e Governo Central. “A sua duração [de contrato] é, em regra, de um ano, não ultrapassando os três anos.” Sobre os docentes portugueses, a DSEJ não especifica qualquer informação, mas um porta-voz do organismo explicou ao Hoje Macau que, no caso de pretenderem BIR, os funcionários terão de passar os trâmites habituais, não cabendo à DSEJ decidir sobre isso. “Quem emite os títulos de residência são os serviços de migração, logo não sabemos se isso [a atribuição do BIR] vai ser feito ou não.”

Melhorias no ensino

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) contratou 21 pessoas do exterior, que trabalham sob regime de título de trabalhador não-residente (Blue Card). Em resposta dada ao Hoje Macau sobre estas contratações, o organismo explicou que “devido às necessidades reais de trabalho”, foram incluídos na equipa mais de duas dezenas de novos funcionários. Dos 21 trabalhadores, 19 são do interior da China e dois de Portugal. Todos são professores, mas só os portugueses estão a exercer essa função no território. “Os profissionais recrutados do interior da China são docentes altamente especiali-

zados, sendo que, no entanto, não foram contratados para desempenharem funções de docente, mas para serem destacados para as escolas, no sentido de fornecerem opiniões profissionais quanto aos trabalhos sobre a preparação das aulas, o ensino e a avaliação”, explicou uma porta-voz da DSEJ ao Hoje Macau. Os trabalhadores estão nas escolas de Macau como técnicos profissionais para analisarem como estas funcionam e ajudarem os docentes do território, não só devido ao recente desejo de reforma pedagógica, mas também ao nível do desenvolvimento curricular. “Tudo

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), vai atribuir 80 prémios aos melhores alunos do ano lectivo de 2011/2012, que sejam filhos dos sócios da associação. O concurso surge no âmbito do Dia Mundial da Criança, já amanhã, e tem como objectivo “fomentar o desenvolvimento escolar dos filhos dos seus associados através de um simples gesto de reconhecimento dos seus valores e dedicação à aprendizagem”, frisa um comunicado da ATFPM. Esta é a 13.ª vez que a associação entrega este prémio. A cerimónia tem lugar na sede da ATFPM, às 15 horas.

Lei pouco clara

De acordo com a Lei Básica, “os serviços públicos podem contratar portugueses e outros estrangeiros para servirem como consultores ou se estes tiverem técnicas especializadas”. Contudo, a falta de uma lei que indique especificamente que o Governo pode ter a trabalhar para si pessoas com Blue Card – ao invés do Bilhete de Identidade

tiago alcântara

ATFPM distribui prémios de incentivo escolar

isto surge no âmbito do acordo de cooperação assinado entre o Governo da RAEM e os Serviços de Educação do Governo Central para a formação de pessoal docente de Macau”, avança ainda a DSEJ.

de Residente (BIR) – levantou alguma polémica. Ao Hoje Macau, chegaram algumas queixas sobre essa situação, o que nos levou a contactar diversos departamentos do Executivo, relacionados com a questão da migração. Se é verdade que os titulares de Blue Card não têm todos os benefícios dos detentores do BIR – como, por exemplo, descontos em despesas médicas ou até nas escolas dos filhos -, também é verdade que o Governo pode contratar trabalhadores não-residentes sob este regime. “Realmente, não há uma lei especificamente para o caso do Governo, mas estes funcionários podem ser contratados por empresas ou departamentos registados na RAEM, desde que sejam especializados”, assegurou uma porta-voz do Gabinete de Recursos Humanos ao Hoje Macau. No caso actual, além dos 19 funcionários chineses, a DSEJ tem dois professores portugueses a trabalhar em escolas do ensino secundário. “A DSEJ contratou-os para exercerem funções docentes e, principalmente, prestarem serviço

Na resposta dada ao Hoje Macau, a DSEJ avança ainda que as recentes contratações são necessárias, uma vez que se têm “promovidos nos últimos anos” algumas alterações ao método de ensino em Macau. “As turmas reduzidas, as reformas curriculares e pedagógicas, as qualidades profissionais do pessoal docente, tudo são trabalhos de importância crescente e que constituem elementos essenciais para o melhoramento da eficácia pedagógica e do funcionamento das escolas.” Num despacho publicado esta quarta-feira no Boletim Oficial (BO), a DSEJ anunciou terem sido já alocados 43 milhões de patacas em subsídios para diminuir o número de turmas grandes. Além disso, foi ainda anunciada a abertura de um concurso público para a prestação de serviços de assistência médica às escolas oficiais, dependentes da DSEJ. “Podem concorrer as organizações ou instituições de assistência médica que se encontrem registadas na RAEM e que sejam reconhecidas pelos Serviços de Saúde e com dez ou mais profissionais desta área”, pode ler-se no anúncio. O período para a prestação destes serviços vai de Setembro deste ano a Julho de 2014.


sexta-feira 31.5.2013

política

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Caso Ao Man Long Tribunal Judicial de Base emite mandados de detenção contra arguidos condenados

Tribunal declara “negligente” ex-directora das finanças

À procura de mais quatro tiago alcântara

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Tribunal Judicial de Base (TJB) emitiu quatro mandados de detenção contra arguidos condenados num dos processos conexos aos escândalo de corrupção Ao Man Long. A confirmação foi feita ontem por um porta-voz do TJB ao Hoje Macau. “De acordo com o que posso verificar no computador, os mandados foram emitidos no final do ano passado.” Ng Cheok Kun, Tang Chon Kun, Ngai Meng Kuon e Miguel Wu, este último sócio de Pedro Chiang, foram condenados por diferentes crimes pelos tribunais de Macau, mas nenhum se encontra a cumprir pena. No ano passado, numa notícia avançada pelo jornal Ponto Final, o TJB dava conta de que iria emitir os mandados de captura “em breve”, não tendo avançado, no entanto, qualquer data concreta para que isto acontecesse. Ontem, o TJB confirmou ao Hoje Macau que os mandados foram já emitidos. O porta-voz do tribunal, contudo, não conseguiu expli-

car se estes mandados vão ou não chegar à Interpol. De acordo com o que se pode ver na página electrónica da organização internacional, não há qualquer relação entre os mandados do tribunal e buscas feitas pela Interpol. Aliás, nenhum destes nomes ou sequer de Pedro Chiang, que esteve a ser procurado pela organização, constam da lista, que ainda mantém mandados de detenção, emitidos em 2008. Um deles é contra Ho Meng Fai, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção activa e lavagem de dinheiro, os outros contra Camila Chan, mulher de Ao Man Long condenada a 23 anos de cadeia, Chan Lin Ian, o empresário condenado a seis anos de prisão por branqueamento de capitais e corrupção activa,

e Tang Kin Man, condenado a 12 anos e meio de prisão.

Poucos presos

No que diz respeito aos quatro novos mandados de detenção, não se sabe do paradeiro de nenhum dos condenados. Ng Cheok Kun, Tang Chon Kun e Ngai Meng Kuon foram considerados culpados por corrupção activa em Outubro do ano passado, tendo sido sentenciados a dois anos e três meses de prisão. Os homens são empreiteiros envolvidos na obra de ampliação do Estádio da Taipa. Já Miguel Wu, sócio de Pedro Chiang, foi condenado a três anos de prisão pelo mesmo crime, mas, de acordo com o jornal Ponto Final, não se encontra em Macau. Recorde-se que Pedro Chiang foi julgado à revelia por

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se encontrar em Portugal, onde se apresentou às autoridades em 2009. Chiang tinha mandado de captura pela Interpol, mas esse já foi levantado, conforme explicou o ano passado ao Hoje Macau, Joana Teixeira, advogada de defesa do empresário. Recorde-se que o escândalo de corrupção Ao Man Long, diz respeito a actividades ilícitas (de corrupção, branqueamento de capitais e lavagem de dinheiro) praticadas pelo ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, agora condenado por um terceiro julgamento a 29 anos e meio de prisão. Contando com quatro processos conexos ao do ex-secretário, aproximadamente oito pessoas ainda não cumpriram a pena que lhes foi aplicada. No Tribunal Judicial de Base, em Junho, está marcado mais um processo conexo ao de Ao Man Long, este relacionado com a adjudicação dos terrenos em frente ao aeroporto, onde estaria a ser construído o complexo residencial La Scala, e que vai trazer ao banco dos réus oito arguidos: dois deles são os empresários de Hong Kong Joseph Lau e Steven Lo.

O colectivo de juízes do Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu ontem que a antiga directora dos Serviços de Finanças (DSF), Orieta Lau, agiu com negligência no caso da duplicação de senhas de remuneração da comissão a que presidida. Segundo o acórdão do tribunal, noticiado na TDM, Orieta Lau é acusa de ter agido com negligência e que essa negligência é, ela própria, punida. A responsável foi condenada a uma suspensão de três meses, considerada “justa e irrelevante” pelos juízes. Contudo, tal medida não terá quaisquer efeitos práticos pois Orieta Lau já havia cumprido a suspensão dos serviços onde ainda trabalha. Orieta Lau era presidente da Comissão de Avaliação de Veículos Motorizados (CAVM) e foi acusada de ter permitido que se assinassem duas actas por sessão, o que permitia que recebesse a remuneração a duplicar, tal como os restantes membros da CAVM. Por cada sessão, cada membro deveria receber entre 525 e 590 mil patacas, valores que foram aumentando entre 2006 e 2008.

Wong Wan espera apresentar calendário na ida à Assembleia

Governo quer rever já contratos dos autocarros Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

bomba estoirou com o mais recente relatório do Comissariado da Auditoria (CA), que põe a nu as falhas da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) no que ao modelo de autocarros diz respeito. Wong Wan, director dos serviços, deu ontem uma conferência de imprensa para dizer que o Executivo pretende rever já os contratos com as operadoras, que só seriam revistos em meados de 2017, dado terem um prazo de sete anos, desde Agosto de 2011. “Manifestámos às três operadoras a proposta de revisão do contrato, vamos rever completamente a

relação entre o itinerário e o número de passageiros, porque são os aspectos que mais atenção gera por parte da população.” A primeira reunião com

a TCM, Transmac e Reolian aconteceu esta quarta-feira, mas ainda não foi tomada uma decisão final. “Trata-se de uma questão quente, eu e os meus colegas vamos en-

vidar esforços para melhorar o serviço de autocarros, e vamos periodicamente rever os serviços”, acrescentou. Apesar de não haver um calendário para essa revisão, a DSAT espera que possa acontecer ainda este ano. As datas mais concretas poderão ser conhecidas aquando da ida de Wong Wan à Assembleia Legislativa, sessão que está agendada para a semana. “Vamos ver se é este ano. Esperamos responder quando formos à AL para a semana, ainda estamos a avaliar o calendário.” Do longo discurso de Wong Wan poucas explicações adicionais foram extraídas depois das declarações feitas ao canal chinês da Rádio Macau. Ficou a promessa de melhoria dos serviços, a

renovação da frota em 20% com novos autocarros com o modelo Euro 4, a penalização das operadoras. “Nos casos suspeitos de existirem autocarros fantasma vamos adoptar medidas para garantir que o horário público seja bem implementado. A DSAT vai inspeccionar, e se verificarmos que houve pagamento excedentário das tarifas vamos exigir o reembolso. Vamos tratar esses casos conforme a lei.”

Demissão? Não

Wong Wan foi ainda confrontado três vezes pelos jornalistas sobre uma possível saída do cargo, perante as diversas críticas existentes na sociedade e junto dos deputados. O director da DSAT evitou o assunto,

respondendo da mesma forma nas três situações. “O meu principal trabalho é acompanhar as sugestões do CA e envidar esforços para melhorar a situação. Por enquanto não ponderei sobre essas questões.” Pouco se falou sobre as causas para as falhas apontadas pelo CA, mas Wong Wan lá disse que “entre 2011 e 2012 verificou-se que houve necessidade de actualização do sistema informático e há dois mecanismos entre o pagamento feito e a cobrança”. Para além disso, foi reconhecido que “não há uma clara distinção entre as horas normais e as horas de ponta” e que “é necessário reorganizar a frequência dos autocarros”.


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sociedade

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Dia Mundial da Criança Presidente do Berço da Esperança, Marjory Vendramini, fala do

“O melhor para o futuro de Macau são os E isso é horrível para a criança. E na Austrália, onde conheço muitos professores de instituições, falam da questão de abuso nestas famílias. Então acho que se for feito, se as famílias que vão são preparadas para receber, seria uma boa solução. Mas para mim o melhor para o futuro de Macau são os grupos familiares, que são mais estáveis e permanentes.

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

E

m Macau há 23 anos, Marjory Vendramini criou a Instituição Berço da Esperança, que hoje se divide em dois centros de acolhimento de crianças, dos 0 aos 18 anos. Cada qual com uma capacidade de 34 e 50 meninos. Um número que, defende, é muito elevado para tratar das necessidades particulares das crianças. Até porque, não há psicólogos nem especialistas em Macau para as acompanharem. Por isso, acredita, o melhor para a cidade são as chamadas casas residenciais com não mais de oito crianças. O Governo, diz, já está a pensar nisso e vai avançar com o primeira morada em Coloane mas Vendramini explica que há nove orfanatos e não há espaços no território É importante recordar sempre os direitos da criança, não só por altura do 1 de Junho. Há direitos que ficam um pouco esquecidos aqui em Macau? Muitos direitos, até dentro da minha instituição. É algo que tenho de estar sempre relevando. Eu mesmo faço por me lembrar deles. O direito de se expressar, de fazerem as suas escolhas. Tenho procurado, por exemplo, deixar que cada um escolha a cor das paredes e dos seus armários na instituição. A casa é delas, elas escolhem. Quais é que são os grandes problemas das famílias, cujos filhos acabam por chegar ao Berço da Esperança? A maior parte das crianças que estamos a cuidar vêm de famílias com doenças mentais. Ou que não têm capacidade física, emocional que os habilite a cuidar das crianças. Temos algumas que são negligenciadas e foram encontradas pelos vizinhos, sozinhas em casa e aí são tiradas da mãe e do pai. Drogas. A questão do vício do jogo, não é visto de forma muito aberta mas muitas coisas estão agregadas a esta questão. E o problema do vício do jogo, cada vez mais frequente em Macau, alia-se também a outros problemas? Sim, agrega drogas, problemas mentais, porque, por exemplo, o pai perde casa, dinheiro, a mãe se desespera, fica em depressão, tenta o suicídio. A criança é retirada porque a mãe não tem mais habilidades. O comportamento desses pais é idêntico à droga. É

A que se refere quando fala de grupos familiares? Por exemplo, temos um máximo de 50 crianças [na Fonte da Esperança, e um máximo de 34 no Berço da Esperança] todas juntas naquele lugar. E eu tento fazer o que eu posso mas eu sou frustrada. Entende? Porque há coisas que eu poderia e gostaria de fazer e não tenho como. Porque são 50 crianças num lugar só. Então se dividíssemos as crianças em grupos pequenos, numa casa normal com seis, sete e outro crianças, máximo.

Ainda há poucas crianças para adopção. Esse é o problema. De acordo com a lei de Macau, certas questões impedem a adopção. Por exemplo, a família não pode cuidar das crianças, é colocada no lar e nunca mais quer saber dela incrível. É como se estivessem drogados. Enquanto vamos buscar a criança estão a dormir na mesa. Aí apercebemo-nos que ela voltou para o problema do jogo, se está neste cansaço e agressividade. Eles querem tudo na hora. Ficam numa ansiedade para ter dinheiro. Porque as crianças recebem um apoio do Governo e eles querem ir lá buscar dinheiro para levar. E ficam ligando se já chegou o dinheiro. Então você vê que tem alguma coisa por trás. Qual é a percentagem de crianças cujas famílias conseguem levá-las de volta para casa? Posso dizer que, 89 a 90% das crianças têm famílias. Uma hora qualquer elas podem voltar, dependendo dessa família estar habilitada ou não para receber essa criança de volta. Mas algumas crianças têm probabilidades de ficar ainda muito tempo connosco devido aos problemas mentais. Temos mudado um pouco a direcção da nossa associação. Quanto tempo é que dado aos pais para receberem de novo os filhos? Depende muito de cada caso. Famílias com problemas de cariz mental não tem previsão. A gente faz um trabalho só de visitas, e tem famílias

que as crianças não podem ir nem para casa porque os pais não têm condições para receber as crianças em casa. Uma vez que os pais não consigam cuidar delas, a lei permite que sejam dadas para a adopção? Não, a lei não permite. É um caso muito complicado porque por mais que essas famílias tenham problemas, a ligação e o amor continua e é muito forte. E muitas delas perdem o direito da guarda mas não o direito de visitar e ser mãe e pai. E nos casos em que os pais já não ligam aos filhos? É muito complicado. Porque no mundo inteiro, não importa quão ruim você é, você é mãe da criança e sempre tem o direito porque você é mãe então sempre tem o direito principal. É lógico que talvez não tenha o direito de ficar com a criança e morar porque pode abusar da criança ou algo assim. Não podem sequer ficar com famílias de acompanhamento temporário? Essa é uma questão muito interessante. Acho que seria uma das melhores soluções para o nosso futuro de Macau. O IAS já está há

seis anos a trabalhar nisso mas não tem tido muita ajuda da população de fora. Para se ser um família de acolhimento tem de ser um casal e um ou outro não pode trabalhar. Então começa a questão aí. E são crianças que não ficam mais de um ou dois anos. E, segundo as informações que o IAS me passa, não há muitos casais interessados. E poderá ter também as suas desvantagens? Gosto da ideia mas também há muita crítica, sobretudo na Austrália, nos Estados Unidos, onde o programa funciona. E hoje [ontem] falávamos sobre a mudança das crianças de casa em casa. Ficam dois meses aqui, a família não aguenta. São crianças chamadas com saco. Andam com sacos de plástico põem as roupas dentro e vão-se embora.

A maior parte das crianças que estamos a cuidar vêm de famílias com doenças mentais. Ou que não têm capacidade física, emocional que os habilite a cuidar das crianças. Temos algumas que são negligenciadas e foram encontradas pelos vizinhos, sozinhas em casa e aí são tiradas da mãe e do pai

Mas, nesse caso, o que seria preciso? Um lugar. Ou que o Governo permitisse que alugássemos apartamentos, dividisse estas crianças em lares normais. é lógico que daria muito mais trabalho, a questão de supervisão e tudo mas não há outro jeito de melhorarmos o nosso tratamento das crianças no meio que a gente convive. Isto porque são crianças com idades diferentes e a encarar problemas diversos? Sim, crianças com problemas de aprendizagem. Crianças muito inteligentes. Com problemas de comportamento por causa do passado, em que foram abusadas e tiveram problemas. Crianças com autismo. Todas numa só casa. Então isso é um pouco frustrante. Sinto-me às vezes um pouco frustrada. Apresentou essa proposta ao Governo? Já. Mas eu creio que a gente precisa de dar tempo. Acho que a questão de segurança das crianças, como fazer a supervisão, o Governo pensa nisso. E é um trabalho que tem de ser feito. E acho que eles pensam nisso. E já estão a pensar em construir um em Coloane, primeiro. Mas não são para todas as instituições porque existem nove orfanatos em Macau. O nosso ainda é um dos melhores em termos de espaço, com 14 crianças em cada compartimento. Algumas não podem conviver logo com outras crianças quando chegam. Precisam


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excesso de capacidade de acolhimento dos orfanatos

grupos familiares” de ser tratadas primeiro. Antes de viverem numa casa residencial normal. Mas quando chegam à instituição não há, por exemplo, psicólogos? Não há psicólogos em Macau. Agora temos uma particular que contratámos mas não existem em Macau, o Governo não oferece. Só temos conselheiros e psiquiatras. A

Dr. Mary Poon trata das crianças e das minhas assistentes sociais. Sei que os Serviços de Educação têm alguns que a avaliação de crianças com problemas de comportamento, aprendizagem. Aqui não temos para fazer acompanhamento. Esse é um dos maiores problemas em Macau, recursos de pessoal especializado. Gostaria muito que a nossa associação abrisse um centro de treino, de

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conferência “Tratar de crianças e jovens dos 4 aos 14”, que teve lugar entre os dias 28 e 30 de Maio, foi organizada pela Associação Berço da Esperança, com o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e Instituto de Acção Social (IAS) e trouxe palestrantes locais, de Hong Kong e Austrália. As temáticas abordadas, divididos entre seminários (de manhã) e workshops (à tarde), incluíram, nomeadamente, o problema das drogas, da violência doméstica, do jogo e da Internet. Marjory Vendramini, organizadora da actividade e presidente do Berço da Esperança, explica que o público - assistentes sociais, educadores, técnicos, académicos - veio sobretudo para ouvir Janette Pepall, especialista em crianças de risco, nos seminários da manhã. Nas suas palestras falou de Direitos Humanos, Trauma e perda na vida das crianças e sobre a construção de auto-estima enquanto infante. “Olhamos para as definições do que pode ser visto como trauma, aquilo que faz com que a criança se sinta desvalorizada e as per-

sociedade

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apoio, não só para nós mas para as outras instituições de Macau. Sobre a adopção, há mais crianças aptas a serem adoptadas? Mais famílias interessadas em adoptar? Também é complicado porque a adopção é mais interna. Ainda há poucas crianças para adopção. Esse é o problema. De acordo com a lei

de Macau, certas questões impedem a adopção. Por exemplo, a família não pode cuidar das crianças, é colocada no lar e nunca mais quer saber dela. E essa criança cresce lá, chega à adolescência. E depois chegam aos 12 anos e já não podem ser adoptadas. E acho que deveria ter uma oportunidade de adopção. O número de crianças para a adopção tem diminuído e tem aumentado o número de pessoas que querem adoptar. E o processo de adopção é hoje mais célere? O processo está mais fácil. Está a melhorar. Mas essa questão da adopção é muito complicado. A assistente social que faz este trabalho

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deve ter uma pressão muito grande porque decide o futuro da criança. E tem de saber se a família é adequada. Se têm problemas físicos ou mentais já demora muito o processo, bem como o background delas já interfere. E, por exemplo, às vezes tem 100 famílias que querem uma menina mas só há meninos. O que é feito das crianças com mais de 18 anos? Esse ano vamos ter a primeira criança que vai sair. Uma já voltou para a família a outra vai para a Universidade de Macau. Primeiro vêem se a criança tem família, se não tem, tem outras instituições que eles podem colocar a criança. Mas o plano aqui talvez seja morar na universidade.

Direitos das Crianças Conferência “Tratar de crianças e jovens dos 4 aos 14” abordou vícios a que os jovens estão sujeitos em Macau

Pare, escute e olhe para a pequenada das de crianças, de inocência, família, acidentes. E como reagiram a isso. E dei-lhes exercícios em como se podiam sentar com uma criança para saber o que sentem no seu corpo quando isto aconteceu”, explica a especialista, natural da Austrália. “Porque precisam de uma auto-estima positiva? Quando se sentem bem com elas próprias, confiantes, têm a coragem de tentar fazer novas coisas. E progredir na escola. Fazer novos amigos. Mas se tiverem uma baixa auto-estima, hesitam, estão abertos a influências de outros. E podem envolver-se em gangs para ser aceites.” Além destes dois temas, associados depois a workshops, começou-se por um enquadramento sobre a Convenção dos Direitos das Crianças, da Organização das Nações Unidas (ONU), que Macau assinou em 1987, onde se consagram a liberdade de expressão, religião, naciona-

lidade, entre outros direitos. Nestes dias, garante, o interesse foi elevado, havendo lugar à aprendizagem de muitas teorias e estratégias para acompanhar melhor estas crianças.

Procurar online

Mas Marjory Vendramini fez ainda questão de salientar outros assuntos que suscitaram muita adesão, um dos quais alvo de perplexidade. Michael Chan, investigador de Hong Kong, abordou a “Cultura da Internet” nas crianças hoje em dia. “Uma questão

Violência doméstica aquém das expectativas Um dos workshops no dia 29 de Maio teve como tema a violência doméstica mas, segundo Marjory Vendramini, poucas foram as pessoas a marcar presença. “Tive a pensar porquê. O IAS levou alguns directores de orfanatos e instituições a Portugal para a Universidade de Lisboa - Faculdade de Direito, e tivemos 15 dias aprendendo muito do trabalho que é feito. Mas é incrível que há muita dificuldade das pessoas irem à polícia e fazerem as queixas. Não há interesse. E associei a questão. É uma questão cultural forte em Macau. O que acontece em minha casa ninguém tem nada a ver com isso”, explica. O que leva a crer que a lei de violência, e a actual ponderação entre a modalidade de crime público

e semi-público, não chamou tanto a atenção das pessoas. Mas para Vendramini, não há dúvidas. Do ângulo da lei deve ser público. “Acho que tem de ser mudada. O marido, o abusador, na maioria das vezes é quem sustenta a casa. Então como é que ela sai de casa? Então tem de ser uma coisa forçada. Se não for assim, é muito difícil ela mesmo tomar a decisão.” Mas tem de haver apoios, sustenta. “Tem de se ver uma forma de ser mais simples [de apresentar queixa e do processo correr em tribunal] e muitas das vezes têm de arranjar advogados, que em Portugal elas têm ajuda, não têm de o pagar. E também têm pulseiras electrónicas o que dá muita segurança para as mulheres.”

muito interessante que falou, nunca tinha então pensado, e todo o mundo depois ficou a comentar, é que as crianças hoje vão para a internet para buscar relacionamentos. A Internet tem sido um local onde se faz amizades. Por isso, está todo o mundo o tempo inteiro comunicando no Facebook, Skype e outras plataformas, mais do que a jogar jogos. Lógico que por detrás tem outras questões, prostituição e pornografia. E é um problema universal”, analisa Vendramini, avançando algumas causas. “Se uma criança precisa de passar tanto tempo na Internet para ter relacionamentos, o que é que está faltando? Está a faltar comunicação na família. A interacção nas escolas talvez tenha mudado. Hoje está cada um no seu cantinho com os telefones. Já não há conversas.” E, em Macau, em particular, o cenário não é animador quando se pensa na falta de infra-estruturas de recreio. “Há muita falta de espaço para as crianças, bem como actividades educativas e saudáveis, que acho que

deveria existir mais aqui em Macau. Mas o IAS deu-nos um grande subsídio por isso creio que estão a tentar. E depois há os casinos, que são uma influência para a juventude”, releva. Apesar dos convites dirigidos, ninguém do Governo marcou presença. Apenas professores que disseram querer que no próximo ano os estudantes de assistência social tenham a obrigatoriedade de participar. Para se

falar mais nas universidades dos direitos das crianças, por exemplo. Sobre o os três dias de seminário, explica, o balanço não podia ser mais positivo. Os horários, das 10 às 17 horas, foram intensos para o pessoal da instituição mas gratificantes. Nem que seja pela motivação em voltar a organizá-lo. “Vimos as necessidades dos profissionais de Macau, as pessoas que trabalham com famílias, jovens, centros e para o nosso pessoal. Já há muitas organizações a pedirem que se repita e, por isso, queremos fazer um maior. No ano que vem, seria interessante a gente fazer com professores, assistentes sociais, cuidadores, pessoas que trabalham com crianças directamente. Cada workshop destinado a um público-alvo de profissionais.” - R.M.R.

Dia da Criança no Iao Hon A Associação Berço da Esperança organiza mais uma vez actividades para as crianças no dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança. O parque Iao Hon vai encher-se de tendinhas, palhaços, balões, para receber crianças do bairro e de Macau que se queira juntar. As actividades começam às 14 e só têm fim às 21 horas. O programa inclui espectáculos de música, dança, jogos e algumas actividades, por exemplo, de prevenção de drogas. Mais uma vez, explica Marjory Vendramini, haverá um passatempo que fez sucesso na última edição. “No ano passado, nesta actividade, as crianças escreveram os desejos do Governo de Macau. E foi interessante. Foram mais de 100 comentários, em que a maior parte pedia saúde para os pais, gostaria que o pai voltasse para casa, gostaria de ir no parque passear com o meu pai. Mandámos a carta ao Chefe do Executivo e este ano faremos o mesmo”, explica a presidente da instituição. A iniciativa tem o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e do Instituto de Acção Social (IAS).


sociedade

O

Produto Interno Bruto (PIB) de Macau aumentou 10,8%, em termos reais, no primeiro trimestre face a igual período de 2012, para 94.662 milhões de patacas, revelam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, o crescimento do PIB foi “impulsionado principalmente pela subida da exportação de serviços, despesa de consumo privado e do investimento”. O deflator implícito do PIB, que mede a inflação global, ascendeu 6,5% face ao primeiro trimestre do ano passado. Entre Janeiro e Março, o investimento global aumentou 13,8%, a despesa de consumo privado 10,2%, a exportação de serviços do jogo 8,9% e a exportação de outros serviços turísticos 4,9%. A formação bruta de capital fixo teve uma expansão de 14,7% face aos três primeiros meses do ano passado, com o investimento do sector público a aumentar 40,6%, na sequência do acréscimo de 40,4% do

Economia Crescimento de 10,8 % no primeiro trimestre

PIB forte investimento em construção, nomeadamente nas obras da Universidade de Macau (UMAC) na ilha da Montanha, do metro ligeiro e da habitação pública. O investimento em equipamento pelo Governo de Macau aumentou 71,5% no primeiro trimestre, enquanto o investimento do sector privado subiu 8,7%. O aumento da despesa em consumo privado é justificado pelos Serviços de Estatística e Censos com o crescimento do número de

empregados e do rendimento de trabalho. A despesa de consumo final das famílias de Macau realizada no território aumentou 10% e no exterior 9,5%, enquanto a do Governo teve um acréscimo de 1,7%. A exportação de mercadorias manteve a tendência de subida, com um aumento de 16,4%, ao mesmo tempo que a importação de bens e produtos também teve uma expansão, de 10,4% devido “aos acréscimos da despesa de consumo privado, de visitantes e do investimento”. A exportação de serviços também aumentou 8,5% no primeiro trimestre devido ao “contínuo acréscimo das receitas brutas do jogo, do número de visitantes e da sua despesa”, e a importação de serviços registou um crescimento de 1,6%. - Lusa

Trânsito DSAT planeia novas mudanças e alterações para aliviar tráfego

Em remodelação

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A

Aviso sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito de Quyi (2.ª ronda do ano 2013) 1.

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tiago alcântara

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Âmbito de aplicação Os pedidos de apoio financeiro para a realização de espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares durante o período compreendido entre os dias 1 de Julho e 31 de Dezembro de 2013 devem ser formulados no prazo abaixo indicado. Destinatários Instituições constituídas em Macau e em funcionamento nos termos da lei e que não têm fins lucrativos. Destinatários/Projectos não-prioritários ou aos quais não serão dados apoios (1) Instituições sem fins lucrativos e constituídas há menos de ano; (2) Projectos que não sejam compatíveis com os fins da instituição requerente; (3) Projectos a realizar no exterior da Região Administrativa Especial de Macau. Prazo para formulação do pedido Entre os dias 1 de Junho e 30 de Junho de 2013. Os pedidos formulados fora do prazo não serão considerados. Documentos necessários à instrução do pedido (1) Formulário próprio de pedido de apoio financeiro devidamente preenchido, estatuto vigente da instituição requerente, “Certificado de composição dos corpos gerentes” emitido pela Direcção dos Serviços de Identificação e cópia(s) do(s) documento(s) de identificação do(s) representante(s) da instituição requerente; (2) Ficha adicional dos dados essenciais do requerente (quando se trata de um requerente que pede apoio financeiro junto da Fundação Macau pela primeira vez); (3) Autorização para apresentar o requerimento de apoio financeiro em representação de todas as entidades co-organizadoras (quando se trata de um requerente que pede apoio financeiro junto da Fundação Macau em representação de todas as entidades co-organizadoras envolvidas); (4) Documento comprovativo do arrendamento do espaço (quando se trata de um pedido de apoio financeiro destinado a suportar os encargos com o arrendamento do espaço).

O requerente, antes de formular o pedido de apoio financeiro, deve ler com atenção os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi”, para conhecer melhor os pontos importantes a obversar na formulação do seu pedido. Os formulários próprios de pedido de apoio financeiro e o respectivo exemplar estão disponíveis no website da Fundação Macau. Local para entrega do pedido: Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7° andar, Macau. Horas de expediente: De segunda a quinta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; Sexta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Consulta: Tel: 87950957 (Dr. Sam) ou 87950969 (Dra. Chan); E-mail: ds_info@fm.org.mo; Website: www.fmac.org.mo.

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) planeia abrir uma nova abertura na intersecção da Avenida Dr. Sun Yat Sen com a Avenida 24 de Junho, para permitir aos veículos seguirem para a ponte de Sai Van. O intuito é aliviar a pressão do trânsito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, avança a DSAT em comunicado. O plano chega a par de um outro, de reordenamento rodoviário e de trânsito do Porto Exterior e do NAPE. O Governo tem efectuado nos últimos anos vários trabalhos de reordenamento, incluindo as obras faseadas de reordenamento rodoviário do Porto Exterior, optimização

do ambiente dos arruamentos da zona, e agora leva adiante de forma programada o “Plano de Embelezamento da Rua da Encosta e Acesso pedonal entre o ZAPE e a Guia”, encurtando a distância pedonal entre o Porto Exterior e a zona da Colina da Guia, para construir uma via segura e conveniente entre o NAPE e a zona central. Algumas passadeiras ao longo da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção foram ajustados, fundidas ou canceladas e irão ser instalados semáforos e passadeiras entre o Jardim Comendador Ho Yin e o Edifício “Fu Chak” (junto do Hotel Metropark) e entre esse jardim e o Edifício “Keng Sao” (junto do Hotel Rio).

Atrasos no campus da UMAC por causa da burocracia

O responsável pela empresa de construção Nam Yue de Guangdong, autora do projecto do novo campus da Universidade de Macau (UMAC) na Ilha da Montanha, considera que os atrasos que possam existir no projecto acontecem devido à burocracia do Executivo. “Macau tem dezenas de departamentos do Governo. Qualquer projecto arquitectónico tem de ser enviado de uns para os outros. Nós calculámos que a aprovação de um só projecto de arquitectura levasse um mês e meio. Se alguns dos departamentos sugere alguma alteração as mudanças têm de ser feitas, as alterações têm de ser copiadas para os outros departamentos e o processo pode ser penoso”, disse, de acordo com a TDM. O mesmo responsável garante que o projecto “está na fase final”. “Os últimos retoques vão ser feitos a seguir. A intenção é arrancar no próximo semestre. É esse o nosso objectivo”.


sexta-feira 31.5.2013

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Trabalho ilegal – pagamento das multas)

N.º 53/2013

Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, a sociedade “AGÊNCIA COMERCIAL INTERNACIONAL HUA LI (MACAU) LIMITADA” (Nº de Registo do Empresário Comercial, Pessoa Colectiva: 16467 (SO), CHEONG KA KIT (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Macau), LIU JINBAO (titular do passaporte da República Popular da China), TONG DUY THIEN (clandestino), LI SHEHUA (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau da República Popular da China), TAN FUYUAN (titular do passaporte da República Popular da China), ZHANG DETI (titular do passaporte da República Popular da China), MA WAI CHUNG (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong) e LIU SING CHIU (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong), pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela eventual infração à Lei n.º 21/2009 – Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, e para o efeito do regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, os aludidos infractores, do teor da decisão sancionatória em causa, no seguinte: 1. Dado exposto por ter comprovado a acção da sociedade “AGÊNCIA COMERCIAL INTERNACIONAL HUA LI (MACAU) LIMITADA”, bem como a culpa da infractora, ao abrigo da alínea 6) do n.º 2 do artigo 32.º da Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, nos mesmos termos legais da mesma lei, foi aplicada, a pena de multa de MOP$5.000,00, por outro lado, nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 33.º da mesma Lei, foi aplicada ainda as sanções acessórias de revogação da autorização de contratação de um trabalhador não residente concedida e à privação, pelo período de seis meses, do direito de requerer novas autorizações. 2. Dado exposto por ter comprovado a acção de CHEONG KA KIT, bem como a culpa do infractor ao abrigo da alínea 6) do n.º 2 do artigo 32.º da Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, nos mesmos termos legais da mesma lei, foi aplicada, a pena de multa de MOP$5.000,00. 3. Dado exposto por ter comprovado a acção de LIU JINBAO, TONG DUY THIEN, LI SHEHUA, TAN FUYUAN, ZHANG DETI, MA WAI CHUNG e LUI SING CHIU, bem como a culpa dos infractores, ao abrigo da alínea 1) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, nos mesmos termos legais da mesma lei, foram aplicadas a cada infractor, a pena de multa de MOP$5.000,00; 4. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e os artigos 149.º e 155.º do CPA, o acto administrativo em causa pode ser impugnado, no seguinte: a) Mediante reclamação para a autora do acto (A Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico da autora do acto (Director da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação edital. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual deve ser exposto os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. 5. Mais fica notificado que, nos termos do artigo 34.º da Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, e da alínea e) do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, conjugado com os n.ºs 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, os aludidos infratores devem, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de depósito a favor do Fundo de Segurança Social de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento. Ficam ainda notificados que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverão entregar nestes serviços, o documento comprovativo desse pagamento, sob pena das cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para, ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 24 de Maio de 2013. A Chefe do Departamento, Lurdes Maria Sales

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Acidente de Trabalho – pagamento da multa)

N.º 52/2013

Considerando em revelar ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o Sr. CHEONG HOK NGAI, proprietário da empresa “IU FAT DECORATION ENGINEERING”, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a violação da infração n.º 1 do artigo 62.º do Regime Jurídico da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, e para efeito ao Regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento da Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, o aludido infractor, do teor da decisão sancionatória em causa, no seguinte: Dado exposto por ter comprovado a acção do notificado Sr. CHEONG HOK NGAI, proprietário da “IU FAT DECORATION ENGINEERING”, bem como a culpa do aludido infractor, e que é punida ao n.º 1 do artigo 66.º do Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, foi-lhe aplicada a pena de multa de MOP$1.000,00 e nos termos do artigo 70.º do mesmo Decreto-Lei, a multa aplicada reverte para o Fundo de Segurança Social. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e os artigos 149.º e 155.º do CPA, o acto administrativo em causa pode ser impugnado, no seguinte: a) Mediante reclamação para o autor do acto (Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico do autor do acto (Director da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual deve ser exposto os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. Mais fica notificado que, nos termos dos n.ºs 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com o artigo 69.º do Regime Jurídico da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, o aludido infractor deve, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento. Fica ainda notificado que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverá entregar nestes serviços, documento comprovativo desse pagamento, sob pena de as cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para, ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 27 de Maio de 2013. A Chefe do Departamento, Lurdes Maria Sales

Notificação Edital Chan Weng Hong, Presidente da Autoridade de Aviação Civil, faz saber que, tendo-se esgotado todas as tentativas de notificação pessoal, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n. º 57/99/M de 11 de Outubro, procede-se à notificação edital de Zhang Li, portadora do Salvo Conduto para deslocação a Hong Kong e Macau n. º W41421110, emitido na República Popular da China, residente em (中國南京抹陵路702幢) e Zou Weifu portador do Passaporte n. º G43239561, emitido na República Popular da China, residente em ( 中國廣東廣州市白雲區沙鳳鳳岡北街九巷4號) nos seguintes termos: Por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 18 de Abril de 2012, foi instaurado procedimento administrativo a Zhang Li, para averiguação dos factos ocorridos no dia 6 de Abril de 2012, a bordo da aeronave da companhia de Transportes Aéreos Air Macau SARL, com a matrícula NX127, objecto do relatório da Polícia de Segurança Pública Ref. 385/2012/DPI, datado de 16 de Abril de 2012, contendo em anexo o relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 415/2012/DPA, datado de 6 de Abril de 2012, que são susceptíveis de constiuir infracção administrativa prevista e punida na alínea 2 do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n. º 31/2003. Por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 18 de Outubro de 2012, foi instaurado procedimento administrativo a Zou Weifu, para averiguação dos factos ocorridos no dia 12 de Outubro de 2012, a bordo da aeronave da companhia aérea Air Asia, com a matrícula FD3602, objecto do relatório da Polícia de Segurança Pública Ref. 1075/2012/DPA, datado de 15 de Outubro de 2012, contendo em anexo o relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 1321/2012/DPA, datado de 12 de Outubro de 2012, que são susceptíveis de constiuir infracção administrativa prevista e punida na alínea 2 do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n. º 31/2003. Mais se notifica que os processos podem ser consultados nas instalações da Autoridade de Aviação civil, sitas na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, 336-342, Centro Comercial Cheng Feng, 18º andar, em Macau, durante as horas normais de expediente. Notifica-se ainda, que nos termos do n.º 2 do artigo 87.º e do n.º 1 do artigo 93.º do CPA, os interessados dispõem de 25 dias a contar do dia seguinte ao dia da fixação do presente edital, para juntar documentos e pareceres ou requerer diligências de prova úteis para o esclarecimento dos factos com interesse para a decisão e para se pronunciarem sobre o conteúdo dos respectivos processos em audiência de interessados. E para constar, se lavrou o presente edital que vai se fixado nos lugares de estilo e publicado em dois jornais mais lidos da Região Administrativa Especial de Macau, um em língua chinesa, outro em língua portuguesa. Autoridade de Aviação Civil de Macau, aos 31 de Maio de 2013 O Presidente, (Chan Weng Hong)

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nacional

sexta-feira 31.5.2013

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Polícia prende 1.100 pessoas em campanha anti-droga no Mekong

As polícias da China, Laos, Mianmar e Tailândia detiveram mais de 1.100 suspeitos em 804 casos relacionados com drogas desde o início de uma campanha conjunta anti-droga em Abril, informou esta quarta-feira o Ministério da Segurança Pública (MSP). Segundo um comunicado do ministério, diversas drogas num total de 2,97 toneladas foram confiscadas durante a campanha, e a ocorrência frequente de crimes relacionados com drogas no rio Mekong foi contida de forma efectiva. Numa das maiores apreensões registadas, as polícias da China e de Mianmar prenderam a 12 de Maio uma quadrilha de Mianmar envolvida no tráfico de metanfetamina processada em Mianmar destinada à China. A detenção da quadrilha foi o auge de cerca de três meses de cooperação neste caso. A polícia deteve três pessoas e confiscou 20 quilos de metanfetamina no laboratório de processamento de drogas da quadrilha em Mianmar, de acordo com o comunicado.

Sinopec nomeia Li Chuanguang para a presidência

A petrolífera estatal chinesa Sinopec nomeou ontem Li Chunguang como o seu novo presidente, revelou a agência oficial chinesa. De acordo com a Xinhua, a decisão foi tomada, por comum acordo, entre os accionistas da corporação, a qual substituiu Wang Tianpu por Li Chunguang, o qual assume desde ontem a liderança do gigante petrolífero chinês por um período de dois anos. Li Chunguang, de 57 anos, foi eleito director do Conselho da Sinopec em Maio de 2009. A Sinopec ocupa o 5.º lugar na lista das 500 maiores empresas do mundo elaborada anualmente pela revista Fortune.

Colisão de barcos Pequim nega acusações do Vietname

Versões distintas

O

porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hong Lei, negou esta terça-feira as acusações do Vietname sobre a colisão de um navio chinês com um navio pesqueiro vietnamita na semana passada,

e pediu que Hanói acabe com a pesca ilegal nas águas das ilhas Xisha da China. “As acusações do Vietname são completamente distantes dos factos. Um navio pesqueiro vietnamita entrou de forma ilegal na zona marítima das ilhas Xisha da China, o que

prejudicou a soberania chinesa e violou as leis do país”, declarou Hong em conferência de imprensa. Hong afirmou que as medidas de aplicação da lei tomadas pelas autoridades chinesas são justificadas.

Previamente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Vietname assinalou que um navio chinês colidiu com um pesqueiro vietnamita quando navegava nas águas vietnamitas a 20 de Maio, acrescentando que a colisão causou danos no casco da embarcação vietnamita e pôs a vida dos 15 tripulantes em risco. “Exigimos que o Vietname adopte medidas práticas, fortaleça a educação e a administração dos seus pescadores e detenha a pesca ilegal nas águas das ilhas Xisha da China”, afirmou Hong.

Insólito Bebé chinês resgatado de cano de esgoto deixa o hospital

Mãe não será acusada

O

bebé resgatado de um cano de esgoto na China deixou o hospital esta quinta-feira e foi levado para casa pelos avós maternos, informou a polícia do país. A criança está bem e não apresenta sequelas. O recém-nascido de 2,3 quilos estava internado desde o último sábado, quando foi socorrido pelos bombeiros depois de ficar duas horas preso num cano de esgoto. Os serviços de resgate demoraram mais de uma hora para cortar a secção do cano de 10 centímetros de diâmetro, utilizando serras e alicates para retirar o bebé. A queda do recém-nascido no cano de esgoto foi acidental e a mãe não será acusada, informaram na quarta-feira as autoridades locais. A mãe, de 22 anos e solteira, tinha escondido a gravidez e terá tido o filho inesperadamente quando foi à casa de banho, no sábado. “A nossa investigação mostra que foi um acidente”, disse à AFP uma

polícia, que se escusou a ser citada, confirmando que a mãe não será acusada. A mesma fonte recusou adiantar mais pormenores. O incidente provocou centenas de milhares de comentários nos serviços chineses weibos, semelhantes ao Twitter, com os utilizadores, espantados pelas notícias, a desejarem felicidades ao bebé. Desde que foi encontrado até ser retirado, o menino de 2,3 quilos de peso esteve preso no cano durante duas a três horas, informaram as autoridades. Sofreu alguns cortes na cara e nos membros e foi colocado numa incubadora do hospital Pujiang People, onde as enfermeiras lhe chamaram “Bebé número 59”, por causa do número da incubadora. A polícia diz que a mãe está em estado grave devido a complicações ligadas ao parto. A notícia da descoberta do bebé foi divulgada na terça-feira.

Diplomacia Xi Jinping encontra-se com primeiro-ministro de Fiji

Cooperação reforçada

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presidente chinês, Xi Jinping, encontrou-se quarta-feira em Pequim com o primeiro-ministro da República das ilhas Fiji, Josaia Uoreque Bainimarama. Na ocasião, Xi Jinping reiterou que os países insulares do Oceano Pacífico compõem uma parte importante da região Ásia-Pacífico, e que a China apoia a participação destes países nos assuntos internacionais, a fim fortalecer a capacidade de desenvolvimento autónomo. O presidente chinês lembrou que a China deseja reforçar a cooperação com os países

insulares, incluindo com as ilhas Fiji, com o objectivo de promover a estabilidade e o desenvolvimento da região. Bainimarama afirmou que o povo das Fiji tem uma amizade sincera para com os chineses. Há muito tempo que a China presta um apoio valioso ao desenvolvimento económico e social do país, em benefício do povo local. O Presidente das Fiji afirmou que a República das Ilhas está num processo de reformas e que espera reforçar a cooperação com a China.


sexta-feira 31.5.2013

região

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Timor-Leste Austrália diz que relações “continuam boas”, apesar de acusação de espionagem

Governo timorense com “provas irrefutáveis”

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chefedadiplomacia australiana, Bob Carr, disse esta quarta-feira que as relações com Timor-Leste “continuam boas”, apesar de as autoridades timorenses terem acusado a Austrália de espionagem para acesso a informação confidencial nas negociações sobre gás e petróleo. “Nada pode romper os laços entre o povo da Austrália e o povo de Timor-Leste”, afirmou Bob Carr, citado na página na Internet da rádio e televisão australiana ABC. “Tenho de respeitar a convenção que impede os ministros do Governo australiano de comentarem questões relacionadas com segurança, inteligência e espionagem, mesmo quando o que foi dito é uma simples mentira”, acrescentou Bob Carr. O Governo de Timor-Leste acusou as autoridades australianas de espionagem durante as negociações relacionadas com o petróleo e o gás do Mar de Timor, alegando que os serviços secretos australianos efectuaram escutas no Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense. “Eu não teria tomado nenhuma decisão tão grave se não tivesse bases sólidas. Não gosto de brincar. Eu sou assim, não tomo

O

decisões de ânimo leve”, disse o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, quando questionado sobre aquele assunto. A acusação de espionagem pelo Governo timorense apareceu na imprensa depois de terminar o prazo que impossibilitava Timor-Leste de denunciar o Tratado sobre Determinados Ajustes Marítimos no Mar de Timor (CMATS), assinado pelos dois países em 2007 para facilitar a exploração de gás e petróleo no Mar de Timor, nomeadamente do Greater Sunrise. O tratado possibilita que Timor-Leste ou a Austrália o denunciem caso não tenha sido aprovado o Plano de Desenvolvimento do Greater Sunrise seis anos após ter entrado em vigor, prazo que terminou em Fevereiro. No final de Abril, Timor-Leste enviou uma notificação a Camberra, em que afirmava que o tratado entre os dois países era inválido porque a Austrália tinha feito espionagem durante as negociações do mesmo. O Governo australiano recusou negar ou confirmar as acusações. A exploração do Greater Sunrise, campo de gás, criou um impasse nas relações entre a petrolífera australiana

rganizações de defesa dos direitos humanos e desertores da Coreia do Norte mostraram-se preocupados com o repatriamento forçado para Pyongyang de nove jovens refugiados, capturados no Laos. O caso também gerou celeuma na Coreia do Sul, com algumas entidades a acusarem o ministério dos Negócios Estrangeiros, que até agora não comentou o assunto, de falhar no seu dever de proteger os refugiados uma vez chegados ao Laos. A maioria dos refugiados norte-coreanos iniciam a sua fuga atravessando a fronteira para a China, tentando, a partir daí, entrar em países terceiros – sobretudo do sudeste asiático –, onde procuram autorização para se poderem restabelecer na Coreia do Sul. Uma vez apanhados e repatriados, os norte-coreanos enfrentam severas punições no seu país. Os nove refugiados, detidos

Woodside e as autoridades de Timor-Leste. Enquanto a empresa australiana defende a exploração numa plataforma flutuante, Timor-Leste insiste na

construção de um gasoduto para permitir desenvolver a costa sul do país. Mesmo que o tratado seja denunciado, os contratos de exploração do Sunrise

continuam em vigor e, se a produção no Greater Sunrise começar, o CMATS volta a entrar imediatamente em vigor, a não ser que modificações tenham sido negociadas.

No tratado, que impede a definição de fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália durante um período de 50 anos, ficou especificado que cada um dos países recebe metade das receitas de exploração do Sunrise. Além do CMATS, a exploração do gás e petróleo no Mar de Timor é também regulado pelo Tratado do Mar de Timor e pelo Acordo Internacional de Unificação. O advogado do Governo timorense, Bernard Collaery, afirmou, citado pela ABC, que a prova de espionagem é “irrefutável”. “As provas são irrefutáveis e as autoridades australianas estão conscientes de que estamos em posição de fazer isto”, afirmou. “Eles (os timorenses) querem fazer melhor, o que faz parte da natureza humana, mas o facto é que com esta disputa com as empresas e com o Governo australiano estão a negar a eles próprios qualquer receita, porque o projecto não vai para a frente”, disse o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros australiano Alexander Downer, responsável pela diplomacia australiana quando aconteceu a alegada espionagem.

Direitos humanos Grupos preocupados com repatriamento de norte-coreanos

Capturados no Laos voltam para casa no Laos há cerca de três semanas, regressaram à China na segunda-feira, tendo sido levados, no dia seguinte, para Pyongyang. O Laos era anteriormente

visto como um ponto de trânsito relativamente seguro, com a sua decisão neste caso em concreto – de repatriar os nove refugiados, com idades entre os 15 e os 23

anos – a levantar preocupação. “O Laos e a China demonstraram o seu desprezo pelos direitos humanos ao permitir que a Coreia do Norte fazer regressar à força a casa estas nove pessoas sem cumprir as suas obrigações”, disse o vice-director da Human Rights Watch para a Ásia, Phil Robertson, em declarações citadas pela AFP. “Estes três governos vão partilhar a culpa se algum mal acontecer a estas pessoas”, acrescentou. Na Coreia do Sul, o ministro dos Negócios Estrangeiros ficou sob fogo depois de ter vindo a público que a sua embaixada no Vietname estava a par da detenção dos nove refugiados e que foi incapaz de evitar o seu

regresso à China. “A embaixada sul-coreana no Laos deveria ser responsabilizada pela trágica jornada de regresso a casa” dos refugiados”, é referido no editorial do jornal JoongAng Daily, em que se aponta que aparentemente a representação diplomática “simplesmente ficou a ver” os jovens a serem repatriados. A Associação de Direitos Humanos dos Refugiados da Coreia do Norte, com sede em Seul, foi igualmente contundente na sua avaliação. “Isto aconteceu por causa da falta de cuidado do ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano para com refugiados da Coreia do Norte”, disse o presidente da associação, Kim Yong-Hwa, à agência AFP.


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entrevista

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Cristina Ferreira e Lurdes de Sousa, dirigentes da Associação de Pais do Jardim de Infância D. José

O único jardim de infância privado de matriz portuguesa na RAEM, simultaneamente recebendo uma assinalável diversidade cultural entre os seus alunos. Este ano são 110, prevendo-se para o próximo ano lectivo um aumento para 160, sendo que o aumento também é registado entre crianças de língua materna não portuguesa. Lançado hoje o Anuário, o próximo está já a ser esboçado. Do relatório de avaliação externa sobre o jardim de Infância, resultam melhoramentos que já estão a ser dinamizados. Cristina Ferreira e Lurdes de Sousa, dirigentes da Associação de Pais do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, ouvidas pelo Hoje Macau mostram-se optimistas e com entusiasmo para continuar a valorizar o papel associativo que em Macau é muitas vezes passivo - duma escola onde as crianças recebem as primeiras aprendizagens que os guiarão para o futuro Helder Fernando info@hojemacau.com.mo

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presentado publicamente ao princípio da noite de hoje, 19 horas, o Anuário do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, editado pela Associação de Pais dos alunos daquele estabelecimento, com ilustração de capa de António Conceição Júnior e design gráfico de Rita Ferreira: “a quem muito agradecemos pela generosidade da sua ajuda tão importante”, sublinharam as dirigentes da Associação, adiantando que o preço de cada exemplar é de 220 patacas para não associados, 180 para os sócios e com outra alternativa: “quem comprar mais do que um exemplar, para oferecer, para guardar, será tido em consideração esse gesto no que toca ao preço do Anuário - que estará disponível durante o lançamento e depois na Livraria Portuguesa ou solicitado através do email pais.nunes@facebook.com. “Em assembleia-geral de associados, a Associação de Pais foi incumbida de criar um Anuário que registasse as actividades do Jardim de Infância desenvolvidas no ano lectivo 2011/12, mas não apenas”, regista Lurdes de Sousa. Trata-se de um Anuário que realmente foge bastante aos parâmetros habituais, apresentando mais do que um repositório de dados ou um livro de recordações. Trata-se de uma edição profusamente ilustrada com fotos a cores e outras imagens exemplificativas das actividades dos alunos e das iniciativas da

Associação de Pais. Lê-se uma breve apresentação elaborada pela Associação com a enumeração de algumas das suas actividades; ainda outros textos como o testemunho de uma antiga aluna, 1958/60, do D. José da Costa Nunes, Florinda Chan, hoje secretária para a Administração e Justiça. Também um texto de José Manuel Rodrigues, presidente da APIM, Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, entidade que gere o Jardim de Infância, uma mensagem da directora da escola, Vera Gonçalves. Depois, numa segunda parte do livro, dois textos mais académicos, ambos numa revisitação a um tempo antigo. No primeiro, escrito por Ivo Carneiro de Sousa, é apresentada a história do Jardim de Infância, ao fim e ao cabo com relação directa e estreita com a História de Macau, por vezes algo desconhecida, nomeadamente quando o historiador lembra o papel assumido pelo Jardim de Infância durante a 2.ª Guerra Mundial, como ali foram acolhidos muitos refugiados a que Macau abriu as portas. No texto seguinte Mário Duque, autor da ala nova do Jardim de Infância, pormenoriza a parte arquitectónica do edifício antigo, com contornos arquitectónicos raros em Macau naquela época, anos 30 do século passado. A estética da Art Deco que surge em Macau, por exemplo praticamente ao mesmo tempo do que em Portugal, mas com aspectos ‘avant-garde’ assinaláveis. Outro pormenor muito assinalado é lembrado por Lurdes de Sousa e relaciona-se com o facto de o

tiago alcântara

“Este Jardim de Infância é um dos maiores

edifício estar intacto não apenas no seu exterior, mas também no interior. “Esta é uma particularidade muito importante do edifício do Jardim de Infância”. Editado em três línguas - portuguesa, chinesa e inglesa, “este Anuário deve inclusivamente ser lido apreciado por pessoas que não têm relação com a escola, pois contém matéria de extremo interesse geral. Foi um dos grandes desafios que encontrámos quando decidimos meter mãos à tarefa, ser um livro acessível às comunidades, não apenas de língua portuguesa, como à comunidade internacional cada vez mais presente

Para além do mais, é também um projecto de valorização da língua portuguesa em Macau. O Anuário do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, dado a multiculturalidade dos seus alunos, dá visibilidade à escola e à nossa língua LURDES DE SOUSA nesta região. Esta escola é um dos maiores exemplos em Macau de multiculturalidade”.

Novo e diferente Anuário está a ser feito

“Em assembleia geral de associados, a Associação de Pais foi incumbida de criar um Anuário que registasse

as actividades do Jardim de Infância desenvolvidas no ano lectivo 2011/12, mas não apenas”, regista Lurdes de Sousa. Entretanto, este colectivo já trabalha no Anuário 2012/2013, que se reveste de especial importância uma vez que será dedicado a celebrar os 80 anos do D. José da Costa Nunes:


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entrevista

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da Costa Nunes

s exemplos de multiculturalidade” Por estas razões, acreditamos que terá, justificadamente, maior apoio por parte do Governo que sabemos olhar positivamente para o trabalho que é desenvolvido”.

Melhoramentos pós relatório

Por proposta da Associação de Pais, foi feita recentemente uma avaliação externa, em todas as áreas, ao Jardim de Infância D. José da Costa Nunes com classificação final de “muito bom”, conforme relatório publicado pela direcção desta escola. Posteriormente, a Associação de Pais congratulou-se com a avaliação levada a cabo pela Professora Dra. Ana Maria Correia e pelo Professor Dr. João Sampaio Maria, embora considerasse publicamente que o mais correcto seria o “Bom mais”, uma vez que o relatório dos avaliadores assinalava algumas questões por melhor.

A avaliação está correcta, embora sugira que deva existir mais tempo lectivo dentro da sala de aula. Esse aspecto vai ser implementado no próximo ano, pois a direcção já afirmou que reajustaria o horário e as actividades das turmas de modo a diminuir alguma dispersão antes da hora do almoço, sendo preferível a diversificação das actividades durante o período da tarde CRISTINA FERREIRA

“Pretendemos fazer uma história viva deste Jardim de Infância através da recolha de vários testemunhos de antigos alunos, funcionários, professores, imagens antigas, outra documentação, vamos esforçar-nos até onde for possível para contar, revivendo, do passado ao presente, a história deste estabelecimento de ensino”, diz Lurdes de Sousa, dirigente da Associação. Cristina Ferreira, presidente associativa, completa: “no fundo, dar alguma originalidade à próxima obra, de forma a este nosso projecto não ser igual ao deste ano, aproveitando o facto de se comemorarem

os 80 anos da escola”. Por seu lado, Lurdes de Sousa realça um dos pontos mais importantes que está no eixo do projecto da próxima edição do Anuário: “Para além do mais, é também um projecto de valorização da língua portuguesa em Macau. O Anuário do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, dado a multiculturalidade dos seus alunos, dá visibilidade à escola e à nossa língua. Este é o único Jardim de Infância privado de matriz portuguesa na RAEM. Penso que o Governo e outras pessoas influentes também valorizam muito esta questão do bilinguismo, até porque vem sendo um

assunto colocado pelas comunidades principalmente nos últimos anos. Afinal, um tema que envolve ainda a defesa do património cultural de Macau, ou seja o património histórico, arquitectónico das instituições também de matriz macaense perante esta secular mistura de culturas que fez Macau ser o que é e não um sítio igual a tantos outros sem profunda diversidade social e cultural. O D. José da Costa Nunes é um jardim de infância multicultural cada vez mais a desempenhar um papel importante nas ligações e conhecimento mútuo entre as diferentes comunidades, através dos alunos.

Por exemplo, lembra Cristina Ferreira, “o relatório fala da cozinha da escola, aconselhando uma melhoria no menu. Temos uma cozinha equipada, mas o actual fornecedor de refeições tem sido alvo de algumas críticas dos pais. AAPIM, a direcção da escola e a Associação de Pais, em conjunto criámos um género de ‘task force’ e vamos fazer uma consulta pública no sentido de haver uma nova entidade que confeccione as refeições. A escola dispõe de um cozinheiro, mas a comida não é propriamente feita nas instalações da escola. Este é um exemplo”. Sobre a metodologia do ensino no Jardim de Infância, esse aspecto, recorde-se, foi elogiado no relatório e recebe também a aprovação da

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Associação de Pais, segundo a presidente: “A avaliação está correcta, embora sugira que deva existir mais tempo lectivo dentro da sala de aula. Esse aspecto vai ser implementado no próximo ano, pois a direcção já afirmou que reajustaria o horário e as actividades das turmas de modo a diminuir alguma dispersão antes da hora do almoço, sendo preferível a diversificação das actividades durante o período da tarde” Acontecendo que o D. José da Costa Nunes oferece actividades extracurriculares muito diversas, conclui-se, também em concordância com o relatório, que essas actividades passem a ser menos, mas mais horas, com o objectivo de o resultado, o efeito, ser realmente mais útil para o desenvolvimento das crianças”, diz Cristina Ferreira lembrando ainda que a associação está pronta a fazer uma assembleia com os pais e encarregados de educação “para debatermos em conjunto qualquer outro aspecto mencionado ou não no relatório”.

O papel de uma Associação de Pais

“Não apenas por a Associação ter proposto a avaliação, mas pela ajuda definitiva que pode dar ao estabelecimento escolar, a vários níveis, o papel da Associação de Pais do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes é fundamental”, afirma Cristina Ferreira, a presidente, acrescentando: “ colaboramos e também estamos na criação de um sem número de iniciativas e actividades do Jardim. A Associação continua com o encargo, de que gostamos, de organizar as actividades do tempo de Páscoa e do Verão com um programa muito interactivo, desde visitas a locais no exterior, como dentro da própria escola, Exemplos como visita a museus, culinária, o livro, reciclagem, jardinagem, arte do palhaço, expressões plásticas, acrobacia, ilusionismo, natação, colaboração com a Fundação Rui Cunha na altura de uma exposição na respectiva galeria, em que os alunos tiveram contacto directo com a pintora, e muito mais”. Para Cristina Ferreira os pais devem ser os primeiros a apoiar uma associação onde os seus filhos estão a dar os primeiros passos no sentido escolar da vida, “onde os filhos estão a ter as primeiras e irrepetíveis aprendizagens e formação. O ensino para a multiculturalidade é precisamente o projecto e a realidade desta escola. Muitas vezes é aparentemente mais confortável para alguns pais limitarem-se a falarem nos corredores. Devem os pais sempre que possível participar activamente nas reuniões que promovemos e anunciamos, fazendo sugestões. Para ser associado, não é preciso pagar nada, basta assinar uma declaração de intenções, preencher uma ficha de inscrição. A associação tem contactos regulares e frutuosos com a direcção da escola, mas obviamente para canalizarmos preocupações dos pais temos mesmo de as receber, nem que seja por escrito, por email, pessoalmente”.


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vida

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ientistas russos anunciaram esta quarta-feira ter descoberto sangue na carcaça de um mamute-lanudo, que ficou preservada no solo congelado numa ilha do Árctico – o que aumenta as hipóteses de vir a clonar este animal extinto há cerca de dez mil anos, no período Mesolítico. Levada a cabo no início deste mês de Maio, uma expedição de especialistas da Sociedade de Geografia russa e da Universidade Federal do Nordeste, em Iakoutsk, na Sibéria, foi examinar a carcaça bem conservada de uma fêmea de mamute-lanudo. Tinha sido localizada em Agosto de 2012 no solo permanentemente congelado, ou permafrost, na ilha de Mali Liakhovski, no oceano Árctico russo. O animal teria cerca de 60 anos de idade quando morreu e estaria morto entre há 10.000 a 15.000 anos, indicou à agência AFP o chefe da expedição, Semion Grigoriev, que qualificou a descoberta de excepcional. “Todos os anos têm sido descobertos mamutes [na Rússia]. Mas esta expedição permitiu encontrar pela primeira vez uma fêmea em muito bom estado de conservação”, referiu o cientista russo, numa entrevista telefónica. A observação da carcaça congelada permitiu

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Ciência Mamute congelado descoberto ainda com sangue

Resgatados da extinção? fazer uma descoberta ainda mais excepcional: continha tecidos dos músculos e sangue preservados. “Quando perfurámos o gelo no seu ventre, o sangue escorreu, muito escuro. É o caso mais espantoso que vi em toda a minha vida”, declarou Semion Grigoriev. O cientista russo atribui esta descoberta às condições excepcionais em que a fêmea de mamute esteve conservada durante milhares de anos. “Ela caiu num buraco com água ou num pântano, que lhe dava provavelmente até a meia altura do corpo. A parte de baixo do corpo congelou na água”, contou Semion Grigoriev, acrescentando que a parte de cima do mamute terá sido devorada em parcialmente por predadores. A carcaça foi entretanto removida do local onde ficou milhares de anos e transferida para um sítio apropriado à sua conservação, genericamente uma gruta aberta no permafrost. “Esta descoberta dá-nos hipóteses reais de encontrar células vivas que permitam realizar o projecto de clonagem de

nvestigadores norte-americanos conseguiram descrever pela primeira vez a estrutura química do capsídio do vírus VIH o que permitirá explorar novas terapias para o tratamento da sida, informou hoje a revista Nature. O estudo, feito por especialistas da Universidade de Pittsburgh (EUA), informou que durante muito tempo os cientistas tiveram dificuldade em decifrar o capsídio do VIH, a estrutura da proteína que contém o material genético do vírus e que é fundamental para a sua virulência, pelo que estes avanços ajudarão a desenvolver novos medicamentos. “O capsídio é muito importante e conhecer a sua estrutura em detalhe pode-nos levar a (criar) novos medicamentos

um mamute”, referiu ainda o cientista russo. Para isso, a universidade de Iakoutsk já tinha até assinado um acordo no ano passado com o investigador sul-coreano Hwang Woo-Suk, o mesmo que clonou o primeiro cão,

em 2005, o Snuppy, mas que também esteve envolvido numa fraude científica com células estaminais humanas. Alegava em 2004 – mas depois admitiu que os dados eram falsos – ter criado os primeiros clones humanos

e que desses embriões tinha conseguido retirar células estaminais, para serem usadas com fins terapêuticos, à medida de cada doente. Nada disto era verdade e Hwang Woo-Suk pediu desculpa em público, embora

SIDA Descoberta para o tratamento feita nos EUA

Alimentar a esperança

que ajudam a tratar e prevenir a infecção”, disse Paijun Zhang, professora associada do Departamento de Biologia Estrutural, da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh. “A nossa abordagem tem a possibilidade de ser uma alternativa poderosa nas nossas terapias de VIH, que trabalham atacando certas enzimas, mas a resistência às drogas é um grande desafio, devido ao alto nível de mutação do vírus”, acrescentou. Ao descrever o capsídio, os

dissesse que não foi ele, mas outro membro da equipa, quem falsificou os dados. Se se conseguirem obter células do mamute-lanudo (Mammuthus primigenius), o seu núcleo, onde está a esmagadora maioria do ADN, será transferido para ovócitos de elefante, esvaziadas antes do seu núcleo. O objectivo é produzir embriões com o ADN de mamute que seriam, em seguida, colocados no útero de uma fêmea de elefante asiático (Elephas maximus). Mamutes, elefantes asiáticos e elefantes africanos (Loxodonta africana) tiveram um antepassado comum há cerca de seis milhões de anos. Aproximadamente há cerca de 1,6 milhões de anos, apareceram os mamutes. Viveram em África, Europa, Ásia e América do Norte, até se mudarem mais para norte, à procura de regiões mais frias, desaparecendo de vez há dez mil anos. Foram perseguidos pelos humanos, o que, além das mudanças climáticas, é apontado como uma causa para a sua extinção. Estará agora o mamute-lanudo prestes a regressar à vida, num Parque Mesolítico? Aconteça o que acontecer, o mamute promete suscitar um debate sobre a ciência e a sua ética.

cientistas mostraram que não é uniforme e assimétrico, de modo que é difícil conhecer o número exacto das proteínas que contém. Para decifrar o capsídio, os investigadores usaram um microscópio com uma resolução alta e em seguida analisaram os dados em computadores potentes. De acordo com Zhang, o capsídio é muito sensível à mutação, de forma que tentar alterar a sua operação vai ajudar a desenvolver novos tratamentos contra esta doença que afecta milhões de pessoas. “O capsídio deve permanecer intacto para proteger o genoma do VIH ao entrar na célula humana, mas, uma vez lá dentro, tem que desfazer-se para libertar o seu conteúdo para que o vírus possa reproduzir-se”, concluiu.


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Música Poulenc, Crusell e Horovitz em Concerto no Clube Militar

Tiago Quadros

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na Luísa Soares e Filipe Magalhães avistaram pela primeira vez a Torre Nakagin, obra da autoria do arquitecto japonês Kisho Kurokawa, enquanto arquitectos (e turistas). Assumem que o impacto inicial revelou-se estranho, como se, de súbito, tivessem reencontrado um amigo de longa data. Os dois jovens arquitectos portugueses estavam prestes a visitar um edifício, acerca do qual tudo sabiam porque tudo tinham lido. Mas a experiência sensorial e espacial estava prestes a iniciar-se e com ela, apenas a impressão de uma ténue luz que anunciava uma cápsula habitada. Mais do que visitar o edifício, Ana e Filipe só queriam viver na Torre Nakagin. A chegada ao edifício aconteceu por via de um encontro inesperado. Um japonês na casa dos 50 anos, percebendo o encanto que aquela Torre produzia no casal português, interpelou-os procurando saber o que os fascinava naquele edifício e o que é que os tinha levado até ali. Ana Luísa Soares e Filipe Magalhães confessaram, de imediato, que se tinham mudado para Tóquio, que admiravam profundamente aquela obra e que sonhavam poder habitar uma das cápsulas da Torre Nakagin. Kenzo-san não ficou indiferente ao entusiasmo que os dois jovens manifestavam enquanto falavam da obra de Kurokawa e acabou por, também ele, confessar que em jovem tinha sido um entusiasta daquela obra e que mantinha o seu escritório na Torre Nakagin. Graças a Kenzo-san, uns dias mais tarde, Ana e Filipe realizavam o seu sonho e iniciavam um novo ciclo, como residentes da Torre Nakagin. Apesar de se sentirem entre o hotel e a experiência científica, Ana e Filipe dizem preferir viver num espaço reduzido no centro de Tóquio do que numa casa maior nos subúrbios. Cada cápsula oferece 10 m2 de espaço habitável. O interior de cada módulo pode ser manipulado por forma a ligar as cápsulas entre si. Para além de apresentar uma janela circular, Kisho Kurokawa dotou cada cápsula de cama, casa de banho, relógio, rádio, televisão e despertador. De acordo com Filipe e Ana, o segredo para uma habitabilidade sã do espaço chama-se organização. A Torre Nakagin revela-se, ainda hoje, enquanto protótipo no plano da sustentabilidade e reciclabilidade, já que cada módulo pode ser ligado ao núcleo central e substituído ou trocado quando necessário. A tecnologia

cultura

As Jornadas de Música do Clube Militar, apresentam esta noite, pelas 19.00 o Concerto de Música de Câmara com os músicos Anthony Wong (Clarinete) e Yvonne Tsang (Piano), que apresentarão como repertório Francis Poulenc (Sonata), B. H. Crusell (Introduction et Air Suédois) e Joseph Horovitz (Sonatina). De Poulenc será como de costume, em conjunto com o Recital de Clarinete, o Clube Militar organiza um jantar, aberto a todos os participantes, com um menu especialmente preparado para o evento. Este projecto musical, com o apoio de alguns dos seus associados e músicos profissionais de Macau, conta também como a colaboração da YunYi, uma associação sem fins lucrativos que trabalha para promover a arte e a cultura em Macau.

Arquitectura Portugueses tudo sabiam porque tudo tinham lido sobre o edifício

Ana e Filipe habitam a Torre Nakagin desenvolvida por Kurokawa permitiu que cada unidade fosse instalada no núcleo central com apenas quatro parafusos de alta tensão, mantendo, desse modo, as unidades substituíveis.

Metabolismos

O Movimento Metabólico nasce como uma reacção ao contexto social e toma forma através dos preparativos para a Conferência Mundial de Design. Estes preparativos, com início em 1958, prolongar-se-ão por dois anos. Na conferência o grupo metabolista apresentará a sua primeira declaração: Metabolismo 1960 – uma proposta para um novo urbanismo. Colaboraram nesse livro, os arquitectos Kiyonori Kikutake, Fumihiko Maki, Masato Otaka, Kisho Kurokawa e o designer gráfico Kiyoshi Awazu. Com a

excepção da Torre Nakagin de 1972 e da Sky House de Kiyonori Kikutake, de 1958, muito poucos conceitos metabólicos foram realizados na prática. A Torre Nakagin é hoje habitada por cerca de 15 pessoas, sendo que a maioria das cápsulas foram abandonadas. De acordo com Ana e Filipe sempre que foram feitas obras de manutenção, o edifício foi perdendo a sua linguagem matricial. De um modo geral as obras de intervenção foram sempre executadas de forma descuidada, contribuindo para a imagem de abandono e degradação que a Torre Nakagin hoje apresenta. Apesar disso, o edifício de Kurokawa continua a ser visitado por muitos turistas e arquitectos. Segundo os dois jovens portugueses, durante

muito tempo, o porteiro da Torre Nakagin procurava impedir que estes entrassem na Torre, pensando tratarem-se de turistas. A demolição da Torre esteve prevista para 2007. O plano estava montado e alguns dos proprietários mostravam-se de acordo. Contudo, uma petição pública com o apoio do Instituto dos Arquitectos Japoneses (JIA) acabou por evitar o desenlace. Confrontado com a possibilidade da demolição, Kurokawa apresentou uma proposta: “Porque não substituir as cápsulas velhas por novas?” Passados seis anos, apesar de ter sido bem recebida, a ideia acabou por não se efectivar. Passados 40 anos da sua construção, a Torre Nakagin, na altura um ícone moderno da arquitectura japonesa, é hoje vista como um objecto obsoleto e uma ideia sem sentido. As possibilidades de demolição e renovação sempre fizeram parte dos princípios metabolistas, por isso toda a controvérsia em torno da demolição do edifício de Kurokawa torna-se de algum modo irónica. A cidade deixou de amar a Torre Nakagin e tenciona demoli-la, expulsá-la do seu território. A razão funda-se, uma vez mais, no valor por metro quadrado da zona onde está implantada a Torre: Ginza. E a materialização mais tangível do Metabolismo tornou-se parte do cenário.

Multimédia Mapping Audiovisual na Casa do Mandarim

Tem início, esta noite, o primeiro conjunto de sessões do espectáculo de mapping audiovisual na Casa do Mandarim, organizado pelo Instituto Cultural e Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau – iCentre. Concebido para a fachada da Mansão Yuqing da Casa do Mandarim, Mapping: Fabricado em Macau II divide-se em quatro capítulos: “A Origem”, “Período Dourado”, “Degradação” e “Renovação”. Através de som e imagens, o público irá testemunhar vários incidentes que tiveram lugar na Casa do Mandarim, por ordem cronológica, para além de episódios da vida do antigo proprietário da Casa, Zheng Guanying. As sessões decorrerão entre o dia 31 de Maio e 8 de Junho, às 20:00, 20:30 e 21:00. Os bilhetes serão distribuídos na Casa do Mandarim às 19:00, nos dias dos espectáculos. Os ingressos serão limitados a 100 bilhetes por espectáculo e distribuídos por ordem de chegada, sendo que a distribuição de bilhetes é limitada a dois ingressos por pessoa. O trabalho agora apresentado corresponde ao resultado de três workshops intensivos de mapping no iCentre e está integrado no Festival de Arte de Macau deste ano.

Dança FAR no Centro Cultural

Nos próximos dias 1 e 2 de Junho, pelas 20:00, terá lugar no Centro Cultural de Macau o espectáculo de dança FAR, com concepção e direcção de Wayne McGregor. As coreografias desafiantes de Wayne McGregor, bem como a sua abordagem pioneira à dança, à ciência, ao cinema, à música, às artes visuais e à tecnologia, têm motivado uma série de obras absolutamente únicas. Executado pela companhia Random Dance, do qual faz parte a portuguesa Catarina Carvalho, a obra de Wayne McGregor é simultaneamente física e imediata. De acordo com o press release disponibilizado, FAR é inspirado no controverso Século das Luzes e no primeiro conjunto enciclopédico do filósofo francês Diderot. Uma soberba banda sonora da autoria de Ben Frost, colaborador de Brian Eno, e suportes visuais incríveis, incluindo um placard com mais de 3,200 LEDs, contribuem para que FAR seja um espectáculo único. Random Dance é uma companhia residente em Sadler’s Wells e recipiente do Prémio de Espectáculo de Dança South Bank e do Prémio de Excelência do Instituto Internacional de Teatro.


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cultura

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Bienal de Veneza Carlos Marreiros inaugurou esta quarta-feira

Ponte para o resto do mundo

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ela quarta vez o MAM apresentou obras de artistas contemporâneos do Macau sob a designação Macau-China na Bienal de Veneza. O director do MAM, Chan Hou Seng e o autor da exposição, Carlos Marreiros, discursaram na cerimónia de inauguração, apresentando a mostra aos convidados na companhia de Weng Chio, curadora da exposição, e de Chan Un Man, Chefe da Montagem de Exposições e de Conservação. Para além de Sequeira Pa Keong, Lai Sio Kit, Chan Ka Keong and Denis Murrell, seleccionados pelo MAM para participarem no Programa de Visitas, estiveram na inauguração o artista local Konstantin Bessmertnyi e um conjunto de outros artistas de Macau que apoiaram o evento. Sob a curadoria da Bienal de Veneza, “O Palácio

Enciclopédico” de Carlos Marreiros ilustra a sua exploração sobre o funcionamento da informação e apresenta as condições possíveis derivadas de uma aplicação ordenada ou desordenada e conversão de informações, interpretando as suas explorações pessoais na sua instalação, numa tentativa de despertar preocupações

e deliberações das pessoas sobre a co-existência da moralidade, possivelmente envolvida em circunstâncias que a informação pode ser manipulada e livremente publicada, informa o comunicado de imprensa da organização. O director do MAM sublinhou a importância da participação nesta mostra pub

como uma ponte para a afirmação do território da RAEM no cenário artístico internacional. “A nossa participação na Bienal de Veneza é uma parte importante do intercâmbio e comunicação entre Macau e a comunidade artística internacional. Esperamos que isso possa ajudar os nossos artistas a estabelecer uma relação estreita com os seus homólogos do resto do mundo. Por sua vez, esta participação ajuda a elevar o estatuto de Macau na arena internacional das artes. As pessoas, eventos, vestígios,

objectos, que apareceram ou aconteceram em Macau nos últimos 500 anos, fazem todos parte desta enciclopédia da sociedade global. Para a nossa alegria, a exposição é apresentada por um verdadeiro apaixonado, imaginativo e criativo artista de Macau através desta instalação,” disse Chan Hou Seng. Carlos Morais José, director do jornal Hoje Macau, comentou que a instalação Marreiros, na sua fisicalidade/proximidade e desejo descarado de entreter, vai para além de um carácter

meramente representativo. O ambiente desenhado, construído como uma declaração sobre as memórias organizadas – detectado como mito, realidade ou pesadelo - entrará plenamente em existência quando for digitalizado pelos visitantes. Carlos Marreiros, nascido em Macau, é um dos mais prestigiados representantes da arte contemporânea em Macau. Arquitecto e urbanista, Carlos Marreiros estudou em Macau, Portugal,Alemanha e Suécia, e tem sido frequentemente convidado a apresentar as suas obras e palestras em galerias e universidades na Europa, EUA e Ásia. Os quatro artistas de seleccionados para o Programa de Visitas, apresentam diariamente a exposição de arte via MAM Facebook. Palestras públicas por parte dos quatro artistas terão posteriormente lugar em Macau, para compartilhar experiências da Bienal de Veneza. A Bienal de Veneza teve lugar a primeira vez em 1895. Este ano, o prestigiado evento, atrai 77 países que participam com pavilhões nacionais, apresentando obras de 150 artistas de 37 países na exposição do tema seleccionado e cerca de 60 eventos colaterais organizados por cidades e organizações de arte.

Cinema Filme realizado por Dustin Hoffman reverte a favor da Casa do Artista

O amigo de Hollywood A

forte associação entre o mote do filme e a realidade nacional da Casa do Artista levou à criação de uma parceria na qual 2% das vendas totais de bilheteira do filme revertem a favor desta instituição que há 14 anos apoia os artistas portugueses. A Casa do Artista foi fundada em 1999 por Armando Cortez, Carmen Dolores, Manuela Maria, Octávio Clérigo e Pedro Solnado. “Somos uma instituição de artistas para artistas que sempre apoiou aqueles que durante a vida se dedicaram de corpo e alma às artes e aos palcos.”, refere Manuela Maria, actriz e membro da direcção da Casa do Artista. “Este filme retrata muito bem a vivência de uma “casa” como a nossa, recheada de histórias, de palmas, de luzes e de holofotes, mas

acima de tudo de muita alegria. Aqui ninguém se atreve a envelhecer, até porque é proibido.”, acrescenta. Hoffman, que chorou ao ler pela primeira vez o guião do filme, descreve “Quarteto” como um filme sobre pessoas no “terceiro ato das suas vidas, que ainda têm muito para dar”. O realizador acredita que a alma deste filme reside na sua abordagem humorística e no seu espírito.

Sinopse “Quarteto”

Beecham House, o lar para artistas aposentados retratado no filme, está numa verdadeira azáfama. Corre pelos seus corredores um rumor de que está para breve a chegada de um novo residente e que se trata de uma grande estrela. Para Reginald Paget (Tom

Courtenay), Wilfred Bond (Billy Connolly) e Cecily Robson (Pauline Collins), este tipo de conversa é habitual, sendo apenas mais um boato da casa. Mas estes três artistas aposentados acabam por ter uma surpresa especial, ao descobrirem que o novo inquilino de que tanto se fala é a sua antiga parceira de canto: Jean Horton (Maggie Smith). A carreira de solista de Jean, a par com o seu grande ego, acabaram por dividir a longa amizade entre os quatro e levar ao fim do casamento de Jean com Reffie, que não aceitará da melhor forma a sua chegada à casa. Será que este quarteto famoso vai ser capaz de superar as suas diferenças a tempo da Gala de Beneficência de Beecham House?


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Cinema “Sonhos Norte-americanos na China” continua em primeiro lugar nas receitas de bilheteira chinesas

O que é nacional é bom

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filme “Sonhos Norte-americanos na China”, do realizador de Hong Kong, Peter Chan, continua pela segunda semana consecutiva em primeiro lugar na lista das maiores receitas de bilheteira da China, à frente do filme de Hollywood “Homem de Ferro 3”. O filme que se concentra no drama de três jovens que fundaram uma escola de ensino de inglês nos anos 80, arrecadou cerca de 270 milhões de patacas na semana finda em 26 de Maio, informou o China Filme News. O filme estreou a 17 de Maio e arrecadou cerca de 170 milhões de patacas nos seus primeiros três dias nos cinemas chinepub

ses. “Homem de Ferro 3” arrecadou cerca de 57 milhões de patacas em bilhetes vendidos durante a mesma semana. O filme “The Croods”, um filme de animação passado na Idade da Pedra, não ficou muito longe, com cerca de 38 milhões de patacas durante a semana. A aventura de ficção científica protagonizada por Tom Cruise, “Oblivion”, ocupou o quarto lugar com cerca de 34 milhões de patacas de receitas. Com cerca de 29 milhões de patacas arrecadadas, “So Young”, filme da actriz e agora realizadora Zhao Wei, situou-se no quinto lugar, segundo o China Film News.

cultura

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Rosa Maria Martelo ganha prémio Eduardo Prado Coelho

O livro O Cinema da Poesia, de Rosa Maria Martelo, venceu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. O júri que decidiu o prémio, por unanimidade, foi constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira. Com uma dotação monetária de cerca de 70.500 patacas, este prémio, que distingue anualmente um livro de ensaio literário, havia já sido atribuído, nas edições anteriores, a Vítor Aguiar e Silva, Manuel Gusmão e João Barrento. Professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Rosa Maria Martelo publicou, entre outras obras, Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (2004). É ainda autora de um livro de poemas, A Porta de Duchamp (2009), e coorganizou a antologia Poemas Com Cinema (2010).

Recuperadas obras roubadas de Picasso e uma de Miró

A polícia espanhola recuperou esta quarta-feira duas obras de Picasso e uma de Joan Miró que foram roubadas em 2010 numa sala de exposições de Málaga, segundo uma fonte da Direcção-Geral da Polícia. Trata-se das obras “A coruja” e “Retrato de família”, de Pablo Ruiz Picasso, e uma gravura em papel de Joan Miró, pertencentes a um coleccionador particular, que a disponibilizou para exibição. Segundo a mesma fonte, após três anos de investigação, que levaram os agentes a procurar as obras também na República Checa, a polícia deteve no passado 18 de Abril um dos presumíveis autores do roubo. Na operação, os agentes efectuaram buscas em Málaga e Madrid. As obras foram apreendidas na mesma manhã da detenção, na cidade de Málaga. A polícia informou que a operação continua aberta para o total esclarecimento do sucedido e não descarta a hipótese de novas detenções.


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desporto

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Automobilismo Parceria com o Supercar Club de Hong Kong foi renovada para 2013

AAMC renova aposta nas corridas de GT Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

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Associação General de Automóvel de Macau-China (AAMC) irá pelo segundo ano consecutivo incorporar a sua “Taça GT AAMC Macau” no campeonato asiático de GT, mais conhecido pela sua designação inglesa, GT Asia Series. A “Taça GT AAMC Macau” junta-se ao leque dos campeonatos organizados pela associação que sucedeu ao Automóvel Clube de Macau, onde já se incluem os campeonatos de carros de Turismo, que decorrem no Circuito Internacional de Guangdong, e os campeonatos de Karting e Motociclismo, que se disputam no Kartódromo de Coloane. O anúncio foi feito na passada sexta-feira, não pelo AAMC, mas sim pelo Supercar Club de Hong Kong, o clube que co-organiza a competição asiática que junta algumas marcas mais prestigiadas da indústria automóvel, como são a Porsche, a Ferrari, a McLaren ou a Aston Martin.

Esta mini-competição promovida pelo AAMC contemplará em 2013 três eventos - Fuji (Japão), Sepang (Malásia) e Zhuhai (China) - e irá oferecer um prémio especial aos três pilotos que acumularem mais pontos nestas três provas que são igualmente pontuáveis para o GT Asia Series 2013. Os participantes nas três corridas que compõem a competição do AAMC terão acesso a convite directo para participarem na corrida de Grande Turismo (Taça Macau GT) do Circuito da Guia. Tal como em 2012, o troféu de campeão será atribuído na cerimónia de entrega de prémios do 60º Grande Prémio de Macau. “A nossa relação com o AAMC e com a Comissão do Grande Prémio de Macau começou em 2003, quando ajudamos a trazer a primeira corrida de carros desportivos na 50ª edição do Grande Prémio de Macau (Corrida de Carros Desportivos da AAHK SHK Grupo Financeiro). Depois, em 2008, actuamos em parceria com o AAMC para apresentar a Taça Ma-

cau GT pela primeira vez ao evento”, enalteceu Paul Yao, o chefe executivo do Supercar Club Hong Kong, em comunicado distribuído à imprensa. Em 2012, a “Taça GT AAMC Macau” foi ganha pelo jovem chinês Li Zhi Cong, num Porsche 911 GT3 R preparado pela Asia Racing Team, que superou Mok Weng Sun de Singapura, em Ferrari 458 Italia, e Marchy Lee de Hong Kong, em Audi R8 LMS ultra. No ano de estreia do troféu promovido pelo órgão máximo que tutela os desportos motorizados na RAEM, a competição falhou em atrair participantes do território. O veterano Keith Vong, que reside na Austrália, foi o único piloto do território a tomar parte numa das provas, alinhando na ronda de Autopolis com um Porsche 911 GT3 Cup. A primeira prova da temporada do GT Asia Series, que se desenrolou na segunda semana de Maio no circuito japonês de Motegi, não contou com qualquer concorrente de Macau.


sexta-feira 31.5.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB Sala 1

Fast & Furious 6 [c]

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 Sala 2

haunting in connecticut 2: ghosts of georgia [c] Um filme de: Tom Elkins Com: Abigail Spencer, Chad Michael Murray, Katee Sackhoff 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3

dead man down [c] haunting in connecticut 2: ghosts of georgia

Aqui há gato

Um filme de: Niels Arden Oplev Com: Colin Farrell, Noomi Rapace, Dominic Cooper, Terrence Howard 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: Parte do vestuário junto ao pescoço ou em volta dele; o quarto mês do ano civil gregoriano. 2 – Que tem a superfície plana; designa dor, admiração (interj.). 3 – Pernada de árvore; matéria-prima de celulose, a partir da qual se faz o papel. 4 – Espaço de tempo que a terra gasta numa translação completa em volta do Sol; misericordioso; remoinho de água. 5 – Pêlo de alguns animais, em especial do carneiro; bens de natureza dotal assegurados pelo noivo à noiva, por escritura; o espaço aéreo. 6 – Nome próprio masculino; meio e modo de locomoção (das aves, insectos, morcegos, aeroplanos, etc.), através do ar. 7 – Antigo Testamento (abrev.); planta criptogâmica aquática (pl.); cobalto (s.q.). 8 – Curso de água natural; designativo de dúvida ou desconfiança (interj.); redução de senhor. 9 – Pequeno gancho terminado em farpa aguda, usado na pesca; alargamento de um prazo, para se restituir ou pagar alguma coisa. 10 – Cede gratuitamente; matilha de cães a correr. 11- Terceiro estômago dos ruminantes; terreno onde se junta o sal, ao lado das marinhas. VERTICAIS: 1- Compor, em tipografia, com gralhas, poeira. 2 – A mulher de estatura muito mais baixa que a normal; mulher do tio. 3 – O m.q. ulmo; porção de água do mar ou de um rio que se eleva e se desloca. 4 – Atilho; altar cristão; interj. imitativa de pancada ou designativa de procedimento rápido, decidido. 5 – Aquelas; luz mais ou menos intensa emitida por qualquer corpo. 6 – Objectar; excesso na comida e na bebida. 7 – Desejavam; prep. que designa diferentes relações, como posse, matéria, lugar, providência, etc.. 8 – Veículo de transporte público ou colectivo; sinal radiotelegráfico internacional para pedir socorro; forma apocopada de muito. 9 – Culto; ecoar. 10 – Filiera; coloração da face. 11 – Medida itenerária chinesa; desfraldar as velas para a partida.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:45 19:00 19:35 20:30 21:20 21:30 22:10 23:00 23:31

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Ler + Ler Melhor Cenas do Casamento Escrito nas Estrelas TDM News Portugueses Pelo Mundo informação tdm

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Percursos 15:35 Correspondentes 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Sexta às 9 17:35 José Cid no Coliseu do Porto 19:15 Depois do Adeus 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:10 Ingrediente Secreto 22:35 Ler +, Ler Melhor 22:45 Portugal no Coração

31 - STAR Sports 13:00 Trofeo Princesa Sofea 13:30 2 Wheels 14:00 Boston Marathon 17:00 Jet Ski World Cup 2012 18:00 Inside Sailing 2013 18:30 Hot Water 2013/14 19:30 SBK Superbike World Championship 2013 - Highlights 20:00 (LIVE) 0NE Fighting Championship 23:00 (Delay) Score Tonight 2013 23:30 HSBC Sevens World Series 2012/13 -Highlights 40 - FOX Movies 12:10 Lockout 13:45 The Darkest Hour 15:15 Once Upon A Time 16:00 Da Vinci’S Demons 17:00 People Like Us 19:00 The International 21:00 John Carter 23:15 2012

30 - FOX Sports 13:00 HSBC Sevens World Series 2012/13-Highlights 13:30 NASCAR Nationwide Series 2013 - Highlights 14:30 Smash 2013 15:00 Global Football 2012/13 15:30 MLB Regular Season 2013 Washington Nationals vs. Baltimore Orioles 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) Asean Basketball League 2013 Westports Malaysia Dragons vs. Indonesia Warriors 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Football Asia 2013/14 23:00 The Football Review 2012-2013 23:30 Smash 2013

41 - HBO 12:30 S.W.A.T. 14:30 Lost In Space 16:45 The Dukes Of Hazzard 18:30 Showtime 20:10 Pitch Black 22:00 The Chronicles Of Riddick 00:00 Anonymous 42 - Cinemax 12:55 Dracula Dead And Loving It 14:25 Sliver 16:00 Journey To The Far Side Of The Sun 17:40 With Great Power 19:15 Green Lantern 20:45 Epad On Max 21:00 Xiii 22:50 Man On A Ledge 00:45 Night Of The Living Dead

HORIZONTAIS: 1-GOLA. ABRIL. 2-LISO. UI. 3-RAMO. PASTA. 4-ANO. BOM. OLA. 5-LÃ. ARRAS. AR. 6-ARI. VOO. 7-AT. ALGAS. CO. 8-RIO. HUM. SOR. 9-ANZOL. MORA. 10-DA. ADUA. 11-OMASO. EIRA. VERTICAIS: 1-GRALHAR. PO. 2-ANÃ. TIA. 3-OLMO. ONDA. 4-LIO. ARA. ZAS. 5-AS. BRILHO. 6-OPOR. GULA. 7-AMAVAM. DE. 8-BUS. SOS. MUI. 9-RITO. SOAR. 10-ALA. COR. 11-LI. ARVORAR.

À venda na Livraria Portuguesa O Atlas Esmeralda • John Stephens

Foram arrancados da cama quando a noite já ia alta, quando o mundo estava coberto de neve. Dez anos depois, Kate, Michael e Emma saltam de orfanato em orfanato e já não se lembram dos pais. Quando chegam à sinistra casa de Cambridge Falls, depressa percebem que algo de muito estranho se passa…
Ao descobrirem um antigo livro com uma encadernação fora do vulgar, dá-se início a uma mágica profecia, que os levará numa viagem por outros universos e tempos. Só eles poderão salvar o mundo… e o seu próprio futuro.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

A Crónica de Fogo • John Stephens

Três crianças. Dois mundos. Uma profecia. Kate, a mais velha, guardiã do Atlas do Tempo. Desapareceu depois de combater um Guincho para salvar os irmãos. Michael comanda as tropas, agora que a irmã Kate desapareceu. Precisa de ir aos confins da Terra revelar os segredos da Crónica de Fogo. Emma, a mais nova e a mais intrépida dos três, gostava de ser ela a mandar. Está ansiosa por ver a família reunida. Com um feiticeiro malvado a persegui-los, esta não será uma batalha fácil...
O segundo livro de uma trilogia de estrondoso sucesso internacional. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Publicidade é lixo Não será sempre assim. Até porque, como bem sabem, é em boa parte isso que faz com que os jornais aqui se mantenham (a juntar aos subsídios do Governo). Em qualquer outra parte do mundo, serão o principal e único meio de sobrevivência das publicações. Mas há anúncios que, ou por ética ou por dignidade, não deveriam ser publicados. Falo de uma publicidade grande, de primeira página, que saiu ontem no Ou Mun, que, ao que tudo indica, rendeu ao jornal chinês (conotado com o Governo) umas boas massas (160 mil patacas). Duas associações, claramente xenófobas, apelam a um boicote à contratação de trabalhadores filipinos, segundo noticia o JTM. A razão: morreu recentemente um pescador taiwanês em águas disputadas com as Filipinas que se crê terá sido atingido pela guarda costeira. Mas vamos lá ver, o povo de Macau pouco (ou muito pouco, talvez apenas por imposição do Governo Central) se imiscui nas questões do continente, nomeadamente, as que geram conflito. Vejamos, por exemplo, o caso da disputa das ilhas Diaoyu. Fora meia dúzia de activistas, sem grande expressão, não há apoio a esta questão territorial. Passa-nos até um pouco à margem. Pelo menos, não vejo boicote aos produtos japoneses (a Daiso está sempre cheia) e observo os restaurantes à pinha. E, em calhando, até vejo malta a envergar t-shirts com a bandeira ou outro qualquer símbolo do Japão. De repente, num assunto que está mal resolvido e que se refere a Taiwan, aqui d’el-rei! Os autores são nada mais nada menos do que associações responsáveis por obras de grande envergadura em Macau (aeroporto, TUI, AL, túnel da Guia). As mesmas que se associam a nomes de peso na sociedade de Macau (deputado, ex-chefe do executivo, economista, empresário do jogo). Pergunto-me: o que ganham eles com isto? Estará alguém a fazerlhes frente? Parece-me que há com certeza interesses instalados. E deviam ser apurados. Mas o que me põe fora de mim é que o Ou Mun não faça uma triagem sobre os anúncios. Não há consciência cívica? Não há moralidade? Dá-se voz a barbaridades só porque sim? Ou será que há mais do que isso? Será que apuraram junto do Governo a sua legitimidade e as vontades governativas ditam o mesmo? Acho muito grave. Às vezes cai-se no erro de desvalorizar a força de trabalho que vem dos emigrantes e seria bom que pusessem a mão na consciência. O que seria da sociedade sem eles?

Pu Yi


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opinião

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sexta-feira 31.5.2013

A identidade secreta do povo português Ricardo Araújo Pereira

Em 2002, Durão Barroso disse que Portugal estava de tanga. Entretanto, passaram 11 anos e é difícil negar que fomos perdendo cada vez mais roupa. Eu não sou crítico de moda, mas creio que estamos perante uma impossibilidade

in Visão

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m 2002, Durão Barroso disse que Portugal estava de tanga. Entretanto, passaram 11 anos e é difícil negar que fomos perdendo cada vez mais roupa. Eu não sou crítico de moda, mas creio que estamos perante uma impossibilidade. Não é possível passar uma década a confiscar a indumentária a um povo que já está de tanga. Minto: é possível apenas em duas situações muito específicas e altamente improváveis. Se o povo em causa tiver a tanga vestida por cima do resto da roupa, pode dizer-se que está de tanga no primeiro momento, e fica apto a continuar a perder peças de vestuário antes de se achar completamente nu. Esta hipótese, a verificar-se, confirma a minha suspeita antiga de que o povo português é o Super-Homem. Tinha a tanga por cima da roupa em 2002 e foi ficando sem a capa e o fatinho de licra

cartoon por Steff

azul ao longo dos últimos anos. E aguentou tudo com força sobre-humana, que é a única maneira de um povo aguentar isto. Outra hipótese: em 2002 o povo estava, de facto, de tanga, mas tinha várias tangas vestidas, umas por cima das outras. E foi perdendo tangas, ano após ano, até estar na situação em que se encontra agora - em que, se não está nu, estará, no máximo, mono-

tanga. Nesse caso, o povo português não é o Super-Homem. É uma espécie de Tarzan multicueca. Um Tarzan que, tendo viagem marcada na Ryanair e, por não querer pagar uma quantia extra pela bagagem, levasse todas as suas tangas vestidas, por exemplo. Seja qual for a hipótese correcta, é seguro afirmar a excepcionalidade do povo português, dadas as características admi-

ráveis, quer do homem de aço, quer do rei dos macacos. Não ignoro que haja bons argumentos para refutar estas hipóteses. Pode dizer-se, por exemplo, que a posição em que estamos, no que à soberania diz respeito, torna muito improvável que o povo português seja, na verdade, o rei de alguma coisa, dado que temos cada vez mais dificuldade em fazer súbditos, mesmo entre os símios. Também é difícil identificar o povo português com o Super-Homem, sobretudo tendo em conta a extraordinária habilidade deste para combater o crime e a nossa absoluta incapacidade de meter bandidos na cadeia. Mas eu continuo inclinado para achar que o povo português tem uma identidade secreta oriunda do universo da ficção, na medida em que me parece, ele próprio, uma personagem fictícia: nenhum povo de carne e osso teria a capacidade de, empobrecido e desesperado como está o nosso, manter a nobreza de alma que é evidenciada quando os protestos se fazem a cantar e a rir.

o morto-vivo


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opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

Ele(s) não se demite(m)

O

concurso público atribulado. Os acidentes. A falta de motoristas. A ausência de postos de abastecimento para uma certa e determinada empresa. Os acidentes. As chatices. As filas de autocarros com o mesmo número, do estilo irmãos gémeos, parados à mesma hora no mesmo local. Os acidentes. Os machimbombos por dentro e por fora. A gente transportada como gado, aos solavancos entre o pára-arranca da cidade. As paragens repentinas e os travões a chiar a vários metros do passeio, a entupirem o trânsito enquanto o povo é despejado para a rua. Os motoristas que comem enquanto conduzem, não lhes vá faltar as forças para conduzirem o machimbombo. Os machimbombos do século passado, sujos e poluentes. Os autocarros. De nada valeram as queixas do povo, o mais informado e o menos atento. De nada valeram as evidências – os factos contam pouco. As reclamações vão para as estatísticas e para os estudos científicos vindouros. Os protestos, os mais tímidos e os mais exaltados, não chegam aos ouvidos dos deuses, que os deuses não andam de autocarro, e as queixas do povo, o que tem de andar de machimbombo, têm pouco peso neste jogo de nomeações e manutenções dos cargos. Até ver. O Comissariado da Auditoria fez finalmente uma radiografia ao estado dos transportes públicos de Macau e – voilà – eis que o mundo começou a tremer lá para os

Um e outro não se demitem e vão ficar onde estão. Se eu mandasse, passavam a andar de machimbombo. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sem carros pretos nem motoristas fardados de branco. De barriga entalada, de pé, entre o cheiro a suor do povo pensante e do povo falante, agarrados às barras para não caírem na primeira paragem lados do escritório de Wong Wan, o nosso principal especialista em questões sobre rodas e, vai daí, director dos quase-perfeitos Serviços dos Assuntos de Tráfego. Lau Si Io, que de transportes percebe ainda mais e, vai daí, é o secretário da tutela, também tremerá por estes dias, um estado de alma que já terá sentido em momentos passados. Ou talvez não, que a malta por estas bandas está sempre em família e dorme sossegada, de consciência tranquila por ter cumprido, com todos os esforços envidados e suprema dedicação, as tarefas que a administração e a governação implicam. Esta semana ouviu-se de tudo e, queridos leitores, fiquei na mesma. Ontem, Wong Wan veio explicar que, afinal, vai ser revisto o contrato que a sua Administração celebrou há um par de anos com as empresas que exploram os machimbombos da terra. Também esta semana, Lau Si Io veio dizer que estão a ser ponderadas punições às concessionárias criticadas no relatório do Comissariado da Auditoria.

São punições a aplicar a empresas que, ainda há tempos bem recentes, foram recompensadas com um aumento das tarifas pagas pelo Governo, numa lógica de primeiro-levas-um-doce-depois-um-puxão-de-orelhas. O dinheiro adicional que vem do erário público, e que levou a alguma contestação popular, é atribuído a duas destas empresas (a terceira tem estatuto de enteada) por terem feito o favor de melhorar o serviço prestado. A população está satisfeita, dizia Wong Wan já este ano. Uma satisfação bem visível, como se nota. O problema é que a Auditoria anda de autocarro. Problema com solução imediata: como Wong Wan e Lau Si Io acatam os resultados do relatório, toca a emendar a mão para não perder a face e continuar tudo em família, que em família estamos entre os nossos. Wong Wan foi ontem confrontado por vários jornalistas com a possibilidade de se demitir. Pergunta rara neste contexto, mas que já não é colocada apenas pelos imper-

tinentes jornalistas que dominam a língua portuguesa. Wong Wan diz que ainda não pensou no assunto – os machimbombos dão muito que pensar, como esta semana se viu. Lau Si Io e Wong Wan estão preocupados em corrigir o que está mal – parece-me muito bem – e em penalizar as empresas que garantem o único tipo de transporte público da cidade. Mas esqueceram-se daquela parte do relatório do Comissariado da Auditoria que lhes é dirigida. A Auditoria não esteve com falinhas mansas e tocou na ferida que mais dói por estas bandas: quando um serviço concessionado não funciona, tanta culpa tem quem delega o serviço, como quem o executa. Wong Wan ainda não terá tido tempo suficiente para pensar no assunto. Lau Si Io também não. Um e outro gostam do que fazem, dos lugares que ocupam e do esforço que envidam no cumprimento das suas tarefas. Um e outro não se demitem e vão ficar onde estão. É a lei da harmonia. Se eu mandasse, passavam a andar de machimbombo. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sem carros pretos nem motoristas fardados de branco. De barriga entalada, de pé, entre o cheiro a suor do povo pensante e do povo falante, agarrados às barras para não caírem na primeira paragem. Travões a fundo. Se já tivessem passado pela experiência, não tinha perdido a face, nem tinham agora de emendar a mão. O que vale é que eu não mando e o resto do povo também não.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Reportagem aborda mau comportamento dos turistas continentais

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m Macau já não se estranham as fotografias de turistas vindos da China que fazem as suas necessidades na rua, junto às paragens dos autocarros, e o assunto é tema de debate nas redes sociais. O mesmo acontece na China, como revela uma reportagem especial da Reuters, citada no South China Morning Post, que foi a Pequim constatar que os chineses sentem vergonha... dos próprios chineses, em ocasiões em que viajam para outros países e revelam os seus maus hábitos. Não faltam críticas e comentários em redes de microblogging, vulgo Twitter, cujos relatos de turistas provocam nojo, raiva e introspecção sobre esse tipo de comportamentos. Se no passado esse tipo de comportamentos era relegado para segundo plano, sendo considerados como ataques à forma de viajar chinesa, nos dias de hoje os habitantes do país que já é a segunda maior economia mundial começam a questionar-se porque é que os seus compatriotas se comportam tão mal em viagem. “Objectivamente falando, os nossos turistas pub

são relativamente pessoas com uma baixa civilização”, disse à Reuters Simin Liu, investigador no Centro de Estudos de Turismo da Academia Chinesa de Ciências Sociais. “Viagens no exterior é algo novo e luxuoso, feitas pelo chinês que pode pagar por comparação com outros e que quer mostrar isso”, acrescenta Liu. “Muitos turistas chineses só estão a viajar para o exterior, muitas vezes são inexperientes e não estão familiarizados com as regras e normas do exterior.”

Políticos já falam sobre o assunto

Os episódios não acontecem apenas em Macau, mas em todo o mundo. Recentemente foi notícia o facto de um menino chinês de 15 anos ter escrito o seu próprio nome num templo egípcio com 3500 anos, em Luxor. Outra mãe deixou o seu filho fazer as necessidades no chão de um aeroporto de Taiwan, lembra a reportagem. “Há mais e mais turistas chineses que têm vindo a viajar para outros

Tiago alcântara

Quando os chineses têm vergonha dos chineses

países nos últimos anos”, disse o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros chinês, Hong Lei, quando confrontado com o caso do menino no Egipto, esta segunda-feira. “Esperamos que este turismo possa melhorar a amizade com países estrangeiros e esperamos também que os turistas chineses respeitem as leis e os regulamentos locais sobre a forma de comportamento”, disse ainda. Este mês Wang Yang, vice primeiro-ministro chinês, deu declarações aos jornalistas que mostram uma crescente preocu-

pação do Governo Central sobre este assunto. “Fazem um barulho horrível nos lugares públicos, escrevem os seus nomes em locais turísticos, ignoram o semáforo vermelho quando atravessam a rua e cospem em todos os lugares. Isso prejudica a nossa imagem nacional e tem efeitos terríveis”, apontou Wang.

Críticas vão desaparecer

O Governo Central tem vindo a mudar as orientações turísticas no seu website sobre o que considera ser um comportamento aceitável para os turistas, incluindo a maneira de

vestir, a formação de filas e o pedido para não gritar em locais públicos. Os números do turismo são significativos. Mais de 83 milhões de turistas chineses viajaram para fora em 2012, com despesas que chegaram aos 102 mil milhões de dólares norte-americanos, considerado o valor mais elevado do mundo de acordo com a Organização Mundial de Turismo da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2020, estima-se que 200 milhões de turistas irão viajar para fora todos os anos. Os especialistas ouvidos pela Reuters garantem que as críticas face ao mau comportamento do turista chinês também se verificou quando os norte-americanos, japoneses ou taiwaneses começaram a fazer turismo, afirmando que a onda de críticas vai desaparecer. Wang Wanfei, professor de turismo na Universidade de Zhejiang, diz que “viajar é uma experiência de aprendizagem para os turistas. Eles aprendem a absorver a cultura local em todo o processo e conseguem livrar-se do mau comportamento de turistas”. - A.S.S. com Reuters


Hoje Macau 31 MAI 2013 #2862