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Agência Comercial Pico • 28721006

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Director carlos morais josé • quinta-feira 31 de março de 2011 • ANO X • Nº 2341

tempo com abertas min 16 max 22 humidade 45-85% • câmbios euro 11.3 baht 0.26 yuan 1.23

Grupo de teatro concorre a Património Imaterial

Sai patuá, entra Papiaçam O patuá como língua não tem condições para ser candidato à lista de Património Cultural Imaterial do território. Mas o grupo de teatro Dóci Papiaçam tem e tenta agora a sua sorte. Hoje, Miguel de Senna Fernandes vai entregar a candidatura e espera que o seu esforço sirva para preservar o dialecto em vias de extinção. > Página 7

Inflação Catálogo assinala 160 anos da morte do pintor

UMA ‘BÍBLIA’ PARA GEORGE CHINNERY • PÁGINA 10

é hora da OPERAÇÃO ARROZ TAILÂNDES • PÁGINA 4

Novela antiga Há seis anos que se fala que a Escola Portuguesa pode mudar-se para o antigo Hotel Estoril. Ontem, o tema voltou à baila, mas parece ser mais um falso alarme. Por agora, fica tudo como está. > Última

Distinções de Portugal

AS MEDALHAS DE EDMUND E RITA • PÁGINA 4


quinta-feira 31.3.2011 www.hojemacau.com.mo

2 Joana Freitas

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joana.freitas@hojemacau.com.mo

ais 40% do que no mesmo período do ano passado foi quanto aumentaram as trocas comerciais entre o continente e os países de Língua Portuguesa só nos dois primeiros meses de 2011. A par da reunião do Fórum Macau, que começou ontem no território, o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre todos os países membros divulgou as estatísticas elaboradas pelos Serviços de Alfândega da China. De Janeiro a Fevereiro deste ano somaram-se mais 4.267 milhões de dólares, um aumento de 40% face aos dois primeiros meses de 2010. No total, as receitas perfizeram cerca de 15 milhões de dólares.

A

actual China e Países de Língua Portuguesa aumentam trocas comerciais

Bons parceiros no negócio Enquanto as importações da China aos países de Língua Portuguesa aumentaram 44%, num total de 10.697 milhões de dólares, já as exportações do continente para estes países aumentaram 31%, somando apenas 4.766 milhões de dólares. No entanto, e apesar dos aumentos face ao ano passado, de Janeiro para Fevereiro o volume das trocas comerciais entre a China e os países de Língua Portuguesa diminuiu 20%. As receitas do segundo mês do ano contabilizaram-se em 6.648 milhões de dólares, menos 1.671 milhões de dólares do que no mês anterior. O decréscimo deu-se

sobretudo devido à queda de 35% nas exportações da China para os Países de Língua Portuguesa, que se juntaram à diminuição de 12% nas importações da China de Janeiro.

O Brasil é o líder no volume das trocas comerciais durante estes dois meses, com um total de 1.040.563.46 milhões de dólares. Só as exportações do país sul americano para a China

situaram-se nos 652.598.74, valor superior ao total das trocas comerciais entre Janeiro e Fevereiro do ano passado. Em segundo lugar na tabela está a Angola, com

348.787.44 milhões de dólares em exportações para o continente. Portugal mantém-se em terceiro lugar, mas com o número de importações à China a bater o número de exportações. O continente comprou a Portugal 13.082.51 milhões de dólares, enquanto o país da Península Ibérica importou do continente asiático 46.090.90 milhões de dólares. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ficaram de fora das importações da China àqueles países, apresentando, este último, saldo negativo comparativamente ao período homólogo de 2010.

China na liderança científica antes de 2020

Duas dezenas frente ao Parlamento

Cérebros chineses vão dominar o mundo

Protestos pró-activistas na capital portuguesa

China poderá ser o maior produtor de artigos científicos já em 2013, ultrapassando os Estados Unidos, diz um relatório da Royal Society de Londres que analisou o estado da colaboração científica mundial. “O mundo científico está a mudar e novos jogadores estão a surgir rapidamente”, disse em comunicado Chris Llewellyn Smith, antigo director do CERN e o presidente do grupo consultivo do estudo, intitulado “Conhecimento, redes e nações. A Colaboração Científica Global no século XXI”. Segundo o relatório, a produção científica continua a florescer. Entre 2002 e 2007, o dinheiro gasto em investigação passou de 561 para 813 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que o número de investigadores subiu de 5,7 para 7,1 milhões. Países como a Índia, o Brasil, o Irão, a Turquia ou mesmo a Tunísia estão a apostar cada vez mais na ciência e há uma colaboração internacional maior. “Além da emergência da China, vemos um crescimento no Sudeste asiático, no Médio Oriente, no Norte de África e noutras nações. O aumento de colaboração e investigação científica é muito bem-vindo. No entanto, nenhuma nação que foi historicamente dominante pode dar-se ao luxo de se apoiar nas conquistas passadas se quer ter a vantagem competitiva a nível económico que ser-se um líder científico proporciona”, disse o inglês. A China é o segundo país que mais publica

artigos científicos. Entre 1993-2003 e 2004-2008, a percentagem mundial de publicações do gigante asiático passou de 4,4 para 10,2%, enquanto nos Estados Unidos decresceu de 26 para 21%. O terceiro lugar vai para o Reino Unido que passou de 7,1 para 6,5%. O número total de artigos publicados pelos EUA vai continuar a aumentar, mas “algures antes de 2020, espera-se que a China ultrapasse os Estados Unidos”, diz o relatório. Há projecções que apontam que esse momento será já em 2013.

Mas o aumento da qualidade científica, avaliada pelo número de vezes que um artigo é citado, não está a acontecer tão rápido e a China vai demorar mais de uma década para chegar ao rácio ocidental. A percentagem de citações do país, apesar de ter subido de quase zero para quatro por cento entre os dois períodos, ainda está longe das citações dos EUA, que rondam os 30%.

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erca de duas dezenas de pessoas concentraram-se ontem em frente da Assembleia da República (AR), em Lisboa, para denunciar a situação dos direitos humanos na China. A concentração promovida pela Amnistia Internacional (AI) coincide coma vista ao parlamento português de uma delegação da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular da China. “Fim da tortura e dos maus-tratos” e “Sim à liberdade de opinião” eram as frases de ordem escritas em alguns cartazes exibidos pelos activistas portugueses. “Esta vigília visa chamar a atenção para a perseguição que está a existir de advogados que se propõem a defender outros defensores dos direitos humanos”, afirmou à agência Lusa Maria Teresa Nogueira, coordenadora do grupo da China da Amnistia Internacional – Portugal. “Existem 16 mil firmas de advogados e mais de 150 mil advogados na China, mas são muito poucos aqueles que se dispõem a defender as pessoas que são perseguidas”, referiu a activista. A delegação chinesa, composta por cerca de 30 elementos, realizou uma breve visita à Assembleia da República e esteve reunida com a Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades

Portuguesas, tendo ainda sido recebida pela vice-presidente do Parlamento, a deputada centrista Teresa Caeiro. Os parlamentares chineses têm também previsto um encontro com o Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China. “São pessoas que fazem parte da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular da China e têm poder de ratificar as leis”, vincou Maria Teres Nogueira. Como tal a AI entregou no parlamento português um memorando sobre os problemas dos direitos humanos na China, que aborda questões como a pena de morte, restrição ao direito de defesa e perseguições a advogados de direitos humanos. O documento foi entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, à vice-presidente do Parlamento, Teresa Caeiro, aos líderes dos grupos parlamentares e ao presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, José Ribeiro e Castro. No local da concentração foram ainda recolhidas assinaturas com apelos urgentes para a libertação de Jiang Tianyong, Tang Jitian, Teng Biao e Chen Guangcheng, quatro advogados de direitos humanos que se encontram detidos.


ordenado controlo urgente de todos os reactores nucleares

O Governo japonês ordenou ontem um controlo urgente de todos os reactores nucleares do país, para evitar avarias semelhantes às ocorridas na central de Fukushima na sequência do sismo de 11 de Março. Uma carta neste sentido foi dirigida pelo ministro da Economia, do Comércio e da Indústria, Banri Kaieda, aos responsáveis máximos das nove companhias regionais de electricidade do Japão bem como aos de duas outras que exploram centrais nucleares. O Japão tem mais de 50 reactores, todos à beira-mar, num arquipélago na íntegra ameaçado por sismos.

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Gonçalo Lobo Pinheiro

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glp@hojemacau.com.mo

s partículas radioactivas Xénon 131 e 133 pairam nos céus de Macau. Não se pode dizer que seja uma nuvem, pois tratam-se de partículas dispersas e com algum grau de diluição na atmosfera. “As partículas que estão nos céus de Macau, bem como em todo o hemisfério norte, estão muito diluídas na atmosfera. A sua radioactividade é 1/100 mil da radiação considerada grave. Não podemos chamar a estas partículas nuvem e para que não haja qualquer alarme não há problema para ninguém”, afirmou Fong Soi Kun, director dos Serviços de Meteorologia e Geofísica de Macau (SMG) ao Hoje Macau. Nem a chuva representará riscos à população, afiança o responsável máximo do SMG. Se continuarem assim nestas proporções muito baixas, a diluição dos isótopos de xénon na água pode formar solvatos quando ficam presos na rede molecular da água. “Trata-se de um gás nobre. Por isso é que o xénon pode chegar a todo o lado. É muito leve. Aliás já deu uma volta completa no hemisfério norte. Partículas mais sólidas, como o urânio e os seus diversos isótopos, ficam, normalmente, nas imediações dos locais onde ocorrem os desastres nucleares”, explicou Fong Soi Kun.

A viagem do senhor Xénon

Entretanto o Governo sueco veio a terreiro confirmar que a radiação vinda do Japão está a cobrir o hemisfério norte por inteiro. Em declarações à agência Reuters, a assessoria de imprensa do Executivo sueco referiu que as radiações vindas de Fukushima cobrirão todo o hemisfério norte se nada for feito para o impedir. “Lars-Erik De Geer, director de pesquisas do Instituto de Pesquisa de Defesa da Suécia, uma agência governamental, foi citando dados de uma rede de estações de monitorização internacional criada para detectar sinais de quaisquer armas de testes nucleares”, relata Reuters .

Gás nobre e leve está a dar volta ao hemisfério norte

E estranho o vento levou Sublinhando que os níveis não eram perigosos para as pessoas, ele previu que as partículas continuariam para o outro lado do Atlântico e, eventualmente, também chegariam à Europa. Especialistas estão correctos em afirmar que as primeiras ondas de radiação são muito baixas, mas esperam níveis de subida nos dias subsequentes, os efeitos das três explosões em Fukushima manifestam-se sob a forma de radiação e aumentam os químicos injectados na atmosfera. O xénon é um elemento membro do grupo dos gases nobres ou inertes. A palavra inerte já não é mais usada para descrever este grupo químico, dado que alguns elementos deste grupo formam compostos. Num tubo cheio de gás, o xénon emite um bonito brilho azul quando excitado com uma descarga eléctrica. O xénon foi o último gás raro a ser descoberto. Na

sequência de vários estudos efectuados por William Ramsay e M. W. Travers, em 1898, e como resultado da purificação de crípton por destilação fraccionada, foi obtido um gás extremamente denso que os dois cientistas não conseguiram identificar. A análise espectroscópica desse gás revelou que se tratava de um novo elemento a que foi chamada xénon. Este nome deriva da palavra grega xénon que significa “estranho”.

Metro sob análise

O risco de uma nuvem radioactiva pairar por Macau e afectar a saúde é mínimo, garantem as autoridades, mas à semelhança do que foi feito na semana passada com a suspensão de alimentos importados do Japão, também o Metro Ligeiro terá de passar por uma análise rigorosa. O Gabinete para as Infraestruturas de Transportes (GIT) anunciou ontem que

contactou com a empresa japonesa Mitsubishi Heavy Industries Ltd., fornecedor do sistema e material circulante do Metro Ligeiro, para saber qual é a situação dos equipamentos e dos recursos humanos que irão trabalhar no território. Em causa está uma possível contaminação radioactiva. “O GIT exigiu ao fornecedor a garantia de que os equipamentos transportados para Macau não serão afectados pela radiação nuclear, tendo este prometido proceder aos testes necessários e proporcionar as informações respectivas”, revela o gabinete numa nota oficial. A principal fábrica da Mitsubishi situa-se em Hiroshima, oeste do Japão, e as suas instalações não foram destruídas no sismo. De acordo com o plano do projecto do Sistema de Metro Ligeiro, a Mitsubishi vai proceder essencialmente à concepção do sistema e do material circulante no

próximo semestre. Ainda assim, poderá haver risco de contaminação e o GIT exigiu à empresa que apresente um plano detalhado da procedência de cada peça. Assim que o equipamento aterrar no território, vão passar por um exame. O certificado deve ser entregue ao GIT e, independente do resultado, o organismo irá executar novos testes.

Situação agrava-se

A água do mar junto à central nuclear de Fukushima Daiichi tem níveis de iodo radioactivo 3355 vezes acima dos limites permitidos. Este valor, o mais elevado até agora, foi encontrado nas amostras à água recolhidas ontem à tarde perto da central, junto a uma conduta usada para descargas dos reactores 1 a 4. A concentração de iodo-131 sugere que tem estado a chegar ao Oceano Pacífico, de forma contínua, a radiação que estará a ser libertada no núcleo

dos reactores, onde as barras de combustível derreteram parcialmente. Hidehiko Nishiyama, porta-voz da Agência japonesa de Segurança Nuclear, disse que ainda se desconhece a causa exacta desta concentração. Ainda assim, os dados recolhidos pelo operador da central, Tepco (Tokyo Electric Power Company), indicam que a radiação de Fukushima acabou, “de alguma forma”, por chegar ao mar. Nishiyama garantiu que a água do mar contaminada não representa riscos imediatos porque as pescas estão suspensas e porque as substâncias radioactivas acabarão por ser “significativamente diluídas” quando forem consumidas pelas espécies marinhas e pelas pessoas. “É importante continuarmos a monitorizar os níveis de radiação, descobrir o mais depressa possível o que causou a poluição e tomar medidas para evitar a subida dos níveis de radiação”, declarou. No sábado, os níveis de concentração de iodo-131 no mar, a 330 metros da central, chegou a ser 1850 vezes superior ao limite permitido. Mas na segunda-feira, esses valores tinham descido.


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Associações estudam estratégias para combater inflação

Virginia Leung

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política

virginia.leung@hojemacau.com.mo

e o rápido crescimento económico de Macau faz avançar a carruagem do desenvolvimento, por outro lado também ajuda a fazer subir o balão da inflação. A taxa de inflação crescente e a alta taxa de câmbio do yuan causam o aumento dos preços de produtos importados da China Continental. Os habitantes de Macau sentem a pressão da inflação particularmente no preço da comida. Por isso, um conjunto de associações está a elaborar uma

Operação arroz tailandês estratégia para pôr no mercado arroz da Tailândia a preços mais acessíveis. “De acordo com informação revelada pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o índice geral de preços em Fevereiro de 2011 cresceu mais 4,7% do que no ano passado”, observou Ho Weng

Cheong, presidente da Câmara do Comércio Macau-Tailândia. “Dentro do índice de preços, a maior subida foi sentida no preço dos alimentos, que aumentaram 5,98%”. O tema gera grande preocupação na comunidade, pelo que a câmara resolveu unir esforços com a Federação das Associações

dos Operários de Macau (FAOM), a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) e a Associação Geral das Mulheres de Macau (AGMM), e organizar o “Plano Alimentar Contra a Inflação – Arroz Tailandês 2011”. A ideia é importar arroz de Tipo A directamente do distribuidor na

Portugal distingue personalidades de Macau

Pelo empenho te agracio Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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dmund Ho e Rita Santos receberam ontem, pela mão do embaixador de Portugal em Pequim, José Tadeu Soares, as distinções com que foram agraciados por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no ano passado. A cerimónia, na residência oficial do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Manuel Cansado de Carvalho, foi testemunhada por diversas personalidades do território, inclusive o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, bem como alguns dos seus secretários. José Tadeu Soares referiu que “em prol dos interesses de Macau e da sua população”, Edmundo Ho sempre desempenhou as suas funções com “prudência, sensibilidade e empenho” e assegurou que o território “continuasse a ser um exemplo de convivência

multicultural e de prosperidade, por isso a República Portuguesa está-lhe agradecida e decidiu distingui-lo”. O ex-Chefe do Executivo, que recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Mérito da República Portuguesa, agradeceu tamanha honra e não se esqueceu do povo de Macau. “Isto não é um prémio pessoal. É uma homenagem colectiva e agradeço a Portugal, ao seu presidente da República e ao seu Governo por ter sido agraciado. Agradeço igualmente ao Governo Central”, disse Edmundo Ho aos jornalistas. Ho recordou ainda que a China e Portugal possuem relações históricas profundas e a amizade entre os dois países reveste-se de grande significado e deixou um recado. “Comprometome a continuar atento ao desenvolvimento de Macau e a apoiar o actual Chefe do Executivo, bem como contribuir para o sucesso efectivo da aplicação do princípio de “um país, dois sistemas” e o desenvolvimento sustentável de Macau.

Quem também não cabia de contente era Rita Botelho dos Santos. A coordenadora do Fórum Macau, agraciada com as insígnias de Comendador da Ordem de Mérito, não escondeu a emoção. “É uma grande honra receber esta distinção. Fiquei muito surpreendida, pois não estava à espera de receber tamanha honra do Estado português. Se me senti muito contente por ter sido distinguida, agora ainda estou mais, visto que posso receber a condecoração em Macau junto da minha família e dos meus amigos. É um dos dias mais felizes da minha vida”, referiu. As Ordens de Mérito Civil têm o objectivo de galardoar actos ou serviços meritórios, praticados no exercício de quaisquer funções e prestados numa das seguintes áreas: social, educação, agrícola, comercial ou serviços, e industrial, que mereçam ser especialmente distinguidos. Deste agrupamento fazem parte as ordens do Mérito, da Instrução Pública e do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial.

Tailândia, para vender a preços favoráveis aos membros da FAOM, UGAMM e AGMM. O arroz seria importado directamente da Tailândia e vendido aos consumidores, reduzindo os procedimentos dos grossistas e retalhistas para controlar os preços. O projecto pretende assim ajudar os residentes da classe baixa a combater a pressão da inflação e a construir uma comunidade de auxílio mútuo. No âmbito deste projecto, o arroz será empacotado em embalagens de 10 e cinco quilos e vendido a 95 e 50 patacas, respectivamente. O primeiro carregamento deverá chegar a Macau em meados de Abril. Os membros das associações podem inscrever-se no projecto para reservar o arroz. Cada pessoa fica limitada a comprar um máximo de 20 quilos. Quem quiser mais terá de esperar pelo segundo carregamento. O projecto deverá durar três meses e poderá ser renovado para uma segunda fase, caso a inflação continue a aumentar. “É a primeira vez que realizamos um projecto assim”, admitiu Leong Heng Kao, vice-presidente da UGAMM. “Pretendemos ajudar os membros a aliviarem o peso da inflação. O arroz é uma necessidade básica para cada um de nós, e embora o preço seja apenas ligeiramente inferior ao preço de mercado, o significado de construir uma comunidade de mútuo auxílio é algo que vale a pena apoiar”. Iong Weng Ian, vice-presidente da AGMM notou o paradoxo económico vivido em Macau. “Embora haja um rápido crescimento da economia, a disparidade na distribuição da riqueza é enorme”, observou. “Esperamos que esta iniciativa possa ajudar a despertar a preocupação no Governo e na sociedade em relação aos grupos mais frágeis, de forma a que possa haver políticas para ajudar as cada vez mais numerosas pessoas necessitadas.” Seja como for, a Câmara do Comércio Macau-Tailândia já está em contacto com o Governo tailandês e com a indústria do arroz na Tailândia desde Junho do ano passado, tendo recolhido apoio total e a promessa de que se a inflação continuasse a subir, Macau podia contar com o fornecimento de arroz, através da câmara, de forma a que os preços sejam controlados.


Serviços de Identificação negam processos de residência A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) revelaram ontem que uma série de residentes acorreram às suas instalações para obter formulários para o requerimento de fixação de residência em Macau a favor de filhos residentes no Interior da China. Depois da anormal afluência, a DSI lançou um comunicado a esclarecer que “nunca tem procedido a distribuição de formulários próprios para requerimento de fixação residência de filhos no Interior da China, de pais residentes de Macau, nem tem realizado quaisquer procedimentos de registo”. Segundo o artigo 22.º da Lei Básica, é o Governo Central que determina a autorização de residência dos chineses no território.

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José Pereira Coutinho contradiz afirmações da DSAL relativas à greve

“Trabalhadores explorados e não há nada que lhes valha” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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epois da Direcção para os Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) ter afirmado que o direito à greve está previsto pela lei de Macau, o deputado José Pereira Coutinho salientou algumas controvérsias que existem no território. Em entrevista ao Hoje Macau, o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM), disse que “apesar da Lei Básica e das Convenções Internacionais estabeleceram os direitos dos trabalhadores com clareza, na prática acontece ao contrário”. José Pereira Coutinho afirma que, em Macau, os “trabalhadores são explorados e não há nada que lhes valha”. A reacção do deputado surge depois da resposta do Executivo à interpelação apresentada pub

em Dezembro do ano passado. Pereira Coutinho questionou o Governo acerca de quando iriam ser regulamentados os direitos de organização e negociação colectiva, implementados na lei de Macau, e quando poderiam ser apresentadas na Assembleia Legislativa propostas de lei sobre o assunto. Coutinho

reforça ainda a ideia de, na falta destas, isso ter de ser justificado. A interpelação surge devido ao presidente da ATPFM ter recebido queixas de trabalhadores do Venetian que referiam que, após um ano de abusos da parte da entidade patronal, fizeram uma greve de trabalho de oito horas, que “nunca obteve qualquer resultado além de estarem sujeitos a retaliações.” Se para o deputado continua a “exploração dos funcionários pelas entidades patronais, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento de salários e horas extras”, para a DSAL “a lei sindical prevista nas convenções é representada” e, “segundo a Lei Básica, todos os trabalhadores têm direito à liberdade de associação e direito à greve”. As respostas do Governo da RAEM à interpelação de Pereira Coutinho baseiam-se sobretudo

na escrita da lei, mas acrescentam defesa aos trabalhadores não residentes e, em caso de necessidade, a Administração diz intervir para solucionar conflitos entre empregador e funcionário. O director da DSAL, Shuen Ka Hung, deu mesmo o exemplo de um caso concreto de uma situação de negociação entre ambas as partes. No entanto, José Pereira Coutinho não se mostra satisfeito com as explicações da Administração e salienta que a Organização Internacional do Trabalho “deveria fiscalizar as acções no território”, já que se “mantém a exploração aos funcionários e a negação dos seus direitos fundamentais”. A falta de garantias da parte da DSAL em assegurar apoio financeiro e protecção no caso de os trabalhadores sofrerem retaliações por parte da entidade patronal, é

outro dos motivos que, na opinião do deputado, impede que seja feita greve quando esta é realmente necessária “Eles nem se atrevem! A lei é genérica, não os defende. Eles são puramente despedidos e perdem o emprego e, até eventualmente, a possibilidade de trabalharem” outra vez, afirmou Coutinho. O deputado explicou ao Hoje Macau que quando os funcionários pretendem defender os seus direitos, socorrem-se da Lei Básica para o fazer, mas quando esta não resulta, têm de contratar um advogado, “o que custa muito dinheiro.” Sem falta de apoios, na prática “os funcionários continuam explorados , sem lhes serem ,por exemplo, pagas horas extraordinárias. Coutinho afirma que estes direitos não são respeitados, independentemente dos funcionários serem do sector privado ou público.


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6 Lucros da Galaxy baixaram O grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem uma queda de 18% nos lucros anuais líquidos referentes a 2010. Isto mesmo com um aumento de 57% nas receitas anuais para 19,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (19,5 mil milhões de patacas). Os lucros líquidos anunciados referentes ao período de 12 meses concluído a 31 de Dezembro de 2010 foram de HK$ 898 milhões (MOP 909 milhões), ficando bem abaixo das estimativas da Thomson Reuters Starmine - HK$ 1,2 mil milhões (MOP 1,21 mil milhões). A empresa irá inaugurar o casino-resort Galaxy Macau no Cotai no dia 15 de Maio. Anteontem, a Galaxy anunciou que o empreendimento iria incluir uma praça multiusos de mil metros quadrados e um moderno complexo de cinemas com nove ecrãs preparados para poder projectar filmes a três dimensões, um cine-teatro multifunções com uma capacidade para mil espectadores. Essas instalações estão orçadas em HK$ 600 milhões e têm abertura prevista para Setembro. O Galaxy Macau irá incluir ainda três hotéis, uma piscina de ondas, “outlets” de comida e bebidas e um casino com 450 mesas e 1100 máquinas “slot”, que poderá ser aumentado para 600 mesas e 1500 máquinas, se necessário. Malásia detém suspeitos com ligações a Macau A polícia da Malásia informou ter capturado parte do que acredita ser uma rede ilegal multimilionária ligada ao jogo, que actua em conexão com um bando em Macau. Ao todo foram seis os detidos pela polícia real malaia – cinco foram detidos na sexta-feira, na sequência de uma rusga a um estabelecimento ilegal de lotaria em Triang, Pahang, a leste de Kuala Lumpur. As investigações que levaram às detenções revelaram que os suspeitos tinham mais de um milhão de ringgits (2,6 milhões de patacas) distribuídos entres as suas contas bancárias pessoais. Em declarações ao site Free Malaysia Today, um responsável da polícia disse que o bando trabalhava com um braço em Macau que solicitava apostas por email ou telefone. “Os que se interessavam eram orientados a fazer depósitos em dinheiro”, explicou. “Houve vítimas que chegaram a depositar de 100 mil a 200 mil ringgits (260 mil a 520 mil patacas)”. As transferências, alegadamente para apostas, eram feitas para as contas dos seis suspeitos.

sociedade Dia agitado ontem no Aeroporto de Macau

Explosão, lucro recorde e nega De manhã, houve um explosão no Aeroporto de Macau, que levou ao encerramento de posições de estacionamento na pista. À tarde, a Air Macau anunciou que atingiu lucros recordes em 2010. Para fechar o dia, a Companhia do Aeroporto alegou “razões comerciais” para não renovar contrato com participada da ANA

U

ma “chuva de pedras” obrigou ontem o encerramento de duas posições de estacionamento do aeroporto de Macau, depois de um rebentamento com recurso a explosivos de uma parede num terreno anexo. “A explosão ocorreu ao final da manhã num terreno anexo ao aeroporto e foi tão forte que lançou várias pedras de diferentes tamanhos para a placa de estacionamento do aeroporto, impedindo a utilização das duas posições de estacionamento e obrigando à limpeza de toda a zona”, salientou uma fonte não identificada à agência Lusa. Além das posições na placa do aeroporto, as pedras – que não terão atingido nenhum avião, apesar de estarem aeronaves muito perto do local onde estas caíram – acertaram várias viaturas no parque de estacionamento situado entre a placa e os terrenos onde decorrem as obras, danificando as viaturas. “Neste momento não estão ainda contabilizados os estragos, mas foram várias viaturas atingidas”, disse a fonte, salientando que algumas das pedras tinham mais de um quilograma de peso e eram “suficientes para danificar significativamente um avião”.

Recorde

A Air Macau alcançou em 2010 os maiores lucros desde a sua fundação, em 1995, de 231,8 milhões de patacas, depois de perdas acumuladas desde 2005. “Em 2009, perdemos cerca de 250 milhões de patacas, mas em 2010 tivemos uma grande viragem, alcançando os maiores lucros de sempre desde a fundação da companhia”, disse o vice-presidente da Air Macau, Zheng Yan, no final da assembleiageral da operadora aérea. Zheng Yan atribuiu o recorde de lucros com uma “maior utilização das aeronaves, de cerca de sete horas para 8,8 horas médias de voo diárias, ‘code-shares’ com companhias como a Air Nippon, Korean Air e Air China, apoio do

por isso, a companhia prevê uma renovação da sua frota.

Nega

canal de vendas da Air China, exploração de novas rotas e aumento de outras frequências”. A companhia de bandeira da RAEM transportou em 2010 um total de 1,3 milhões de passageiros, a maioria do continente chinês, o seu mercado “mais rentável”, segundo o vice-presidente. Entre 2005 e 2009, a Air Macau acumulou perdas de mais de 600 milhões de patacas, uma situação que Zheng Yan atribuiu ao facto de a companhia “ter servido até 2008 o mercado de passageiros em trânsito de Taiwan para o continente chinês, já que não haviam ligações directas entre os dois lados do Estreito”. Com mais de 60% do seu tráfego concentrado em Taiwan, a Air Macau acabou por “ser sacrificada com o início das ligações directas com o continente chinês”, em 2008, salientou o responsável ao lembrar que, em 2009, a companhia, cujas perdas

ultrapassavam o seu capital social de 400 milhões de patacas, foi obrigada a delinear um plano de reestruturação financeira para evitar a sua dissolução. AAir Macau, que continua focada no mercado chinês e no nordeste asiático, “vai este ano procurar manter os lucros e desenvolver a sua rede para aumentar o número de visitantes de Macau”, mas admite que a crise nuclear do Japão e a subida do preço do combustível são desafios a enfrentar. A companhia mantém as ligações com Tóquio, mas admite vir a reavaliar esta rota se a crise nuclear de Fukushima se agravar. Sobre as críticas de que a Air Macau tem sido alvo por parte de alguns pilotos que alegam falhas de segurança, Zheng Yan considera serem “exageradas”, mas admite que as 14 aeronaves da companhia com cerca de dez anos “não se comparam a outras novas” e que,

O conselho de administração da Companhia do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) decidiu “não renovar” o contrato de gestão com a participada da ANA - Aeroportos de Portugal por “razões comerciais”. “Decidimos não renovar o contrato com a ADA – Administração de Aeroportos (joint-venture constituída em 1994 pela ANA e a China National Aviation Corporation) sob a actual estrutura accionista e vamos definir uma nova estrutura de gestão para o aeroporto”, disse o presidente, Deng Jun, no final da assembleiageral da empresa. Deng Jun realçou que a CAM pretende assim “melhorar a relação custo-eficácia, eficiência e qualidade do serviço em linha com a política de ‘continuidade e inovação’ [do Governo de Macau] e com o desenvolvimento económico” da região. O responsável salientou também, sem especificar, que a “reforma na estrutura de gestão do aeroporto é apenas uma parte integrante de uma reforma mais abrangente do Aeroporto Internacional de Macau”, reiterando que o actual contrato com a ADA – detida em 49 por cento pela ANA - expira a 11 de Setembro. “A CAM vai envidar esforços para salvaguardar os postos de trabalho dos funcionários da ADA (que detém a gestão do aeroporto desde a sua abertura em 1995) sob o novo modelo de gestão do aeroporto, já que aqueles constituem activos valiosos para a infraestrutura”, acrescentou. Questionado pelos jornalistas sobre se a CAM voltou a manifestar interesse em adquirir uma participação na ADA, Deng Jun apenas referiu que ambas as empresas “vinham a discutir a renovação do contrato desde 2008, a ADA recusou as propostas da CAM e a não renovação do contrato foi uma decisão comercial”, sem avançar mais detalhes.


“Dealers” menos satisfeitos

Os “dealers” dos casinos de Macau estão infelizes com o seu ambiente de trabalho, revelou o estudo do Índice de Confiança e Satisfação dos Empregados, realizado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). O nível de satisfação com o ambiente de trabalho caiu para o recorde mínimo no ano passado, para 2,76 pontos numa escala de zero a cinco (sendo o cinco correspondente à maior satisfação), uma queda de 4,2% comparativamente ao ano anterior, de acordo com o “Macau Daily Times”. O valor da satisfação geral dos empregados em Macau, no entanto, aumentou 1,2%, em relação a 2009, para 3,26 pontos.

“S

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e tivermos sorte será um astuto incentivo para que outras comunidades aprendam minimamente o patuá.” É desta forma que Miguel de Senna Fernandes vê o resultado da eventual aceitação do Grupo de Teatro Dóci Papiaçam como Património Cultural Imaterial de Macau. Em 2006, foi assinado um protocolo para a preparação da candidatura do patuá a Património Intangível da UNESCO pela Associação dos Macaenses, mas o processo não teve qualquer continuidade. Actualmente, e apesar de constar dos regulamentos da candidatura que “o Património Cultural Imaterial abrange as tradições orais, incluindo as línguas como veículos culturais”, o “patuá como língua” não é passível de candidatura nem em Macau nem na China, como explicou Miguel de Senna Fernandes ao Hoje Macau. “Não sei porque [isto aconteceu], porque o regulamento previa línguas, e até me insurgi contra isto”, salientou.

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Dóci Papiaçam entrega candidatura para Património Cultural Imaterial

Sorti dóci, doce sorte Terminam hoje as candidaturas ao Património Cultural Imaterial do território, coordenadas pelo Museu de Macau e pelo Instituto Cultural. De fora da lista ficou o patuá, dialecto crioulo de Macau, mas em compensação o Grupo de Teatro Dóci Papiaçam lançou-se à sorte de ser incluído na selecção dos que vão ser parte integrante da cultura da RAEM Para o co-fundador do grupo Dóci Papiaçam, as línguas poderão ter desaparecido de possíveis candidatos a património para que o regime do território “se coadunasse com o do continente”. Numa das sessões de esclarecimento que abordavam o assunto, o também investigador do patuá macaense sugeriu que a RAEM tivesse o seu

próprio programa, algo que, como diz, “não demoveu ninguém”. Agora, Miguel de Senna Fernandes afirmou que vai mudar de abordagem: hoje vai ser entregue a petição de candidatura do teatro em patuá pelos Dóci Papiaçam. “Esta é uma estratégia que vai simplificar” a tentativa de se preservar o dialecto

9,53 milhões para apoio a associações de deficientes

Novo protocolo com a RPC Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

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Executivo assinou ontem um protocolo de cooperação para a criação de uma plataforma de intercâmbio em artes especiais e desporto para deficientes entre a RAEM e a China. A presidente da Fundação para Deficientes da China disse que a Administração vai fornecer 9,53 milhões de yuans apoiar o projecto que, de acordo com Tang Xiaoquan, “alcançará grandes sucessos”. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, assinou ontem o “Protocolo de Cooperação para a Promoção Conjunta de Projectos de Desenvolvimento Desportivo para Pessoas com Deficiência da RAEM” com a Federação de Deficientes da China e a Fundação para Deficientes da China. No discurso de abertura da cerimónia, que contou com a presença do Chefe do Executivo Chui Sai On, Cheong U destacou os “grandes êxitos” alcançados pela Repú-

blica Popular da China no âmbito do apoio às pessoas com deficiência. “Desejamos intensificar a nossa cooperação, aprendendo com a sua preciosa experiência, de modo a assegurar o desenvolvimento desta causa”, declarou. Ambos os governos pretendem “enriquecer a vida espiritual e cultural dos dois lados” através do melhoramento das qualidades humanas locais e da sociedade geral. Tang Xiaoquan explicou que a Fundação para Deficientes da China tem por objectivo “construir uma entidade de caridade de nível mundial”, com foco no estabelecimento e intensificação de todos os tipos de cooperação possível com as entidades de Macau, Hong Kong e internacionais. A presidente aproveitou a oportunidade para exaltar as acções do Governo da RAEM em prol desta causa, recordando a doação de 10 milhões de dólares de Hong Kong que o território destinou à Cerimónia de Abertura dos Jogos Paralímpicos, entre outras iniciativas.

josé manuel simões

Joana Freitas

quinta-feira 31.3.2011

que serviu de importante forma de comunicação entre macaenses, portugueses e chineses, desde o século XVI, até porque na eventualidade do patuá ser aceite, e conforme o regulamento, teriam de existir formas para a sua contínua protecção. “Se o patuá como língua fosse aceite, teríamos de promover um programa de protecção, que incluísse formação, ensino e formas de difusão”, salienta Miguel de Senna Fernandes, acrescentando que este seria um trabalho “tecnicamente complicado, sem pessoas

com formação académica para o ensinar”. Apesar das dificuldades, o membro dos Dóci Papiaçam afirma que o “teatro [em patuá] de Macau tem tido o apoio constante da RAEM, incluindo incentivos para a participação no Festival de Artes” do território. Este, que é um dos eventos principais da RAEM, contou em 1997 pela primeira vez com a presença em palco dos Dóci Papiaçam, com a peça “Saiong Téra Galante” (Portugal, Terra Esquisita). Este ano, o patuá volta aos palcos do festival com “Qui Pandalhada”.

Esta é a segunda fase das candidaturas ao Património Cultural Imaterial e os Dóci Papiaçam tentam que o teatro em patuá se torne ainda mais um ícone do território. Miguel de Senna Fernandes admite que o apoio da RAEM ao grupo significa alguma coisa, mas não alberga nada de concreto. Independentemente da resposta, o apaixonado pelo patuá diz nunca desistir de lutar pelo reconhecimento do dialecto. “Eu nunca estou confiante enquanto não disserem que sim, mas seja qual for a sorte, não vamos parar.” Actualmente a Lista do Património Cultural Imaterial inclui a Ópera Yueju (Ópera Cantonense), Chá de Ervas e Escultura de Ídolos Sagrados de Macau. Também as Naamyam Cantonense (Canções Narrativas), a Música Ritual Taoista de Macau, e o Festival do Dragão Embriagado foram incluídas na lista pública provisória nacional. A avaliação é feita consoante os diferentes tipos de património candidatos, pelo que o Instituto Cultural sugere um grupo de avaliação constituído por especialistas em determinados domínios, locais e estrangeiros. Hoje, a partir das 16h, é apresentada no Museu de Macau a lista dos candidatos.

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento do terreno da RAEM abaixo indicado, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei nº. 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização do terreno: Estrada da Areia Preta, n.os 42D a 44N, Avenida de Venceslau de Morais, n.os 92 a 122 e Rua das Industrias, n.os 12 a 32 (Edifícios Lei Seng Kok, Lei Fung Kok e Lei Tim Kok). 2. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias após a recepção da notificação do pagamento, ou, até 18/04/2011, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício Finanças, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 11 de Março de 2011. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


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vida

China e Alemanha lideram investimento

A número um do

A

Alemanha ultrapassou os Estados Unidos como segundo país do mundo que mais investe em energia limpa, ao mesmo tempo em que a China mantém o posto de maior potência a aplicar em fontes alternativas de energia, diz um estudo publicado ontem. A pesquisa, realizada pelo Pew Charitable Trusts, constatou uma alta na demanda mundial por energias renováveis como a solar e a eólica. A única excepção é o Reino Unido, cujo interesse por fontes renováveis diminuiu após a posse do novo governo. O investimento britânico no sector caiu 70% e tirou o país dos 10 primeiros lugares da lista. Esta mudança brusca deve-se, em grande parte, ao rígido plano de austeridade do primeiro-ministro David Cameron.”Para ser franco, acreditamos que, no fim das contas, tudo é uma questão de política”, disse Phyllis Cuttino, directora do programa de energias limpas do Pew.

Estrada destrói olival do melhor azeite do mundo

Adeus oliveiras, olá asfalto A

Sociedade Taifas, empresa que explora um olival com 700 hectares, na Quinta de São Vicente, em Ferreira do Alentejo, e que em 2010 ganhou o prémio para o melhor azeite maduro frutado do mundo, vai ter a sua exploração cortada ao meio pelo Itinerário Principal n.º 8 (IP8), que ligará Sines a Beja. João Filipe Passanha, um dos responsáveis da empresa familiar que produz azeite na Quinta de São Vicente desde 1738, diz estar “incrédulo” e ao mesmo preocupado pelo futuro da exploração. O prestígio já granjeado junto dos importadores que “são extremamente exigentes” com as condições ambientais da produção, pode ficar comprometido. “O mais aberrante em tudo isto é que nem se deram conta das infraestruturas que existiam”, quando optaram trazer o traçado do IP8 pela Quinta de São Vicente, acentua Filipe Passanha. Além de perder cerca de 6000 árvores e uma parcela de terreno com três quilómetros de comprimento por 80 metros

de largura, a viabilidade económica e ambiental da empresa pode ser afectada. Em 2010, a Sociedade Taifas exportou, para 18 países, quase 90% das 800 toneladas de azeite que produziu em lagar próprio. Os principais importadores encontram-se em Inglaterra, Noruega, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Brasil, China e Estados Unidos da América. A divisão da exploração em duas partes faz com que a rede de rega “fique debaixo da auto-estrada”, o mesmo acontecendo com as condutas da rede

secundária do sistema Alqueva. Resta saber o que acontece quando houver rupturas. Outro problema grave: a rega gota a gota dos 700 hectares de olival é suportada por sete estações de bombagem. A nova situação obriga a aumentar a potência do sistema. Com a herdade cortada ao meio “temos de gerir o olival nos dois lados da estrada”, observa Filipe Passanha, que assegura que o traçado do IP8 vai causar “impactes brutais na exploração”. Até a máquina que faz a recolha mecânica da azeitona vai ficar limitada. Foi concebida para percorrer as linhas de olival que, agora, ficarão cortadas ao meio. Filipe Passanha garante que não teve conhecimento prévio da passagem do IP8 pela Quinta de São Vicente. “Nunca consegui perceber quem é o interlocutor ou com quem podia discutir o problema do traçado”, vinca. Tudo isto seria evitado se “mudassem o traçado para a periferia da exploração”, onde até o solo é de má qualidade,

ao contrário da Quinta de São Vicente - que integra a zona dos barros de Beja, um dos solos mais férteis do país, conclui Filipe Passanha. O presidente da Câmara de Ferreira doAlentejo,Aníbal Reis Costa (PS), admite ter existido falta de articulação e frisa que a obra foi planeada durante quase oito anos. “Devia ter havido mais concertação”, defende, sublinhando porém que o corredor do traçado “já está definido há bastante tempo”. A alternativa, mais a sul do actual, teria “danos ambientais” mais graves, em diversos povoamentos de montado. Referindo-se ao impacte nos novos olivais, o autarca diz que realizou, há cerca de quatro anos, contactos “informais” com os empresários, incluindo os da Sociedade Taifas da Quinta de São Vicente, advertindoos para as consequências se persistissem em plantar novos olivais. Mas “ninguém acreditou que a estrada viesse a ser construída”. A indemnização que a concessionária da obra oferece à empresa do olival cobre “apenas 25%” do seu valor real, sustenta Filipe Passanha, frisando que já tem uma equipa de advogados a analisar este contencioso.

“Alemanha e China possuem padrões ambiciosos de energias renováveis - e certamente no caso da Alemanha, há uma tarifa retroactiva que os ajuda muito”, indicou, referindo-se aos incentivos fiscais do governo para a produção de energia limpa. A China, que um ano antes havia deixado para trás os Estados Unidos como líder mundial em investimentos deste tipo, não parou de expandir seus domínios sobre as energias renováveis: o investimento total no sector alcançou 54,4 biliões de dólares em 2010, um aumento de 39% em relação ao ano anterior, segundo o relatório. O estudo calcula que a China produza actualmente quase metade de todos os módulos usados para a exploração da energia solar e eólica. Na Alemanha, os investimentos em energia limpa dobraram, chegando a 41,2 biliões de dólares. O país também se concentrou no desenvolvimento das energias solar e eólica.

Click ecológico Um rio Sena fluorescente • Um Bateau-mouche navega pelas águas cristalinas do rio Sena, em Paris. O verde fluorescente foi conseguido graças ao uso de um produto amigo do ambiente que realça a cor original do rio. No dia seguinte, entretanto, o rio voltou à sua cor normal – castanha.

Foto: Getty Images


Mamífero marinho é resgatado em campo de arroz no Japão

Um filhote de boto-do-Índico foi encontrado num campo de arroz inundado, distante cerca de dois quilómetros do mar na área atingida pelo tsunami no Japão. Moradores da região de Sendai, uma das mais atingidas pelo tsunami que ocorreu depois do terramoto de 11 de Março, viram o animal marinho a debater-se no campo e alertaram voluntários que estão resgatando animais da região. O animal ainda em observação.

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os em energia limpa

mundo

E, apesar de terem caído para o terceiro lugar mundial, os Estados Unidos tiveram um desempenho notável no desenvolvimento de novas fontes de energia: o país registou um aumento de 51% dos investimentos no sector. A pesquisa também aponta um aumento de 100% dos investimentos em energia limpa na Itália e Austrália, que aparecem, respectivamente, em quarto e 12.º lugar na lista de países que mais apostam nas fontes renováveis. Assim como o Reino Unido, Indonésia e Coreia do Sul também registaram uma queda no investimento em energias limpas, mas os especialistas estimam que seja um movimento pontual. No Japão, onde a principal fonte de energia limpa é a solar, os investimentos aumentaram apenas 10%, mas os analistas do Pew acreditam que este nível deve crescer ao longo da próxima década, em consequência do acidente nuclear na central de Fukushima.

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cultura Fundação Macau | Catálogo assinala 160 anos da morte do pintor

Chinnery, ainda desconhecido Carlos Picassinos

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Artista dissidente chinês constrói atelier em Berlim A sua vontade é a de permanecer na China, mas Ai Weiwei, o artista dissidente chinês, confirmou à agência espanhola Efe que está a construir um atelier em Berlim, na Alemanha, depois do atelier do artista ter sido demolido em Xangai. “Preciso de um lugar para trabalhar”, disse Weiwei numa chamada telefónica com a Efe, citada pelo “ABC”. “Não tenho nenhuma intenção de me mudar, a não ser que as autoridades [chinesas] façam uso da força. Sou chinês e este é o lugar onde eu cresci”, acrescentou referindose ao seu país de origem. “O novo atelier custará uma fortuna, por isso precisarei de um ou dois anos para o finalizar. Uma vez terminado, prevejo passar lá alguns meses por ano para iniciar uma nova série de trabalhos” e o tempo que restará continuará a trabalhar na China. Em Janeiro, o atelier que o artista tinha em Xangai foi demolido a mando das autoridades, o que aumentou a tensão entre o artista e o governo chinês, que na mesma altura o manteve sobre prisão domiciliária durante semanas e ainda o impediu de viajar para evitar qualquer apoio ao Nobel da Paz chinês. Apesar deste incidente o artista e activista dos direitos humanos mantém os seus dois ateliers em Pequim. Aos 53 anos Ai Weiwei é um dos nomes mais marcantes da cena artística chinesa e um dos nomes associado à intervenção na luta política por reformas democráticas no seu país. Entre as suas obras encontra-se o Estádio Olímpico de Pequim, conhecido como “Ninho de Pássaro”. Mais recentemente um lote de cem mil sementes de girassol feitas de porcelana e pintadas à mão, parte da obra de Weiwei “Sunflower Seeds”, criada de propósito para a Tate, foi vendido pela casa de leilões “Sotheby's”, em Londres, por cerca de 414 mil euros. A construção estará concluída dentro de um ou dois anos, contudo o artista clarificou que a sua vontade é a de permanecer na China.

o retrato de família dos antepassados de Macau, George Chinnery, pintor romântico inglês do século XIX, tem reservado um lugar de honra. Retratista, paisagista, a pintura de Chinnery constitui também uma das mais elaboradas fontes históricas e antropológicas do quotidiano de Macau, de Hong Kong ou de Cantão, durante a primeira metade do século XIX. Na contagem decrescente para os 160 anos da morte do artista, que ocorrem no próximo ano, o investigador Rogério Puga, dinamizador do seminário permanente de estudos sobre Macau, organizado mensalmente pelo CETAPS (Centre for English, Translation, and AngloPortuguese Studies), e autor de um catálogo de George Chinnery, com imagens inéditas de Macau, a ser publicado brevemente com a chancela da Fundação Macau, defende que a data centenária deveria, pelo menos, ser sinalizada. Isso dada a relevância de Chinnery e da sua obra na historiografia de arte - foi o único pintor ocidental presente na China na primeira metade do século XIX, e os seus trabalhos constam hoje de colecções de museus como a Tate Galery, de Londres. Em declarações ao Hoje Macau, antes da conferência que ontem decorreu na Universidade Nova de Lisboa, intitulada “Representações de Macau na pintura britânica do século XIX: o espólio inédito de George Chinnery no Peabody Essex Museum”, Rogério Puga considera que, a existir uma comemoração, o catálogo por ele produzido, e que será publicado pela Fundação Macau, “poderá servir para tal”. A conferência de ontem versou o percurso biográfico do ‘artista-pícaro’ - “como eu gosto de lhe chamar”, resume. “A sua contribuição para a pintura cantonesa da China Trade e as temáticas da sua representação de Macau, dos espaços exteriores, às práticas sociais, passando pelos monumentos, pela paisagem marítima, pelas figuras históricas, pela toponímia e pelos detalhes etnográficos do quotidiano da Macau Oitocentista” foram outros dos temas focados. A palestra aborda também “obras de autores chineses conhecidos, como Lamqua, e desconhecidos e

a forma como a representação da paisagem ou paisagens de Macau foi/foram mudando até à invenção da fotografia”. Além disso, a intervenção do investigador percorreu temáticas como a arquitectura e o tecido urbano de Macau através das obras menos conhecidas de Leonard Forbes Beckwith e de Lucy Cleveland.

Nunca visto

O ineditismo do espólio de Chinnery do Peabody Essex Museum, referido no título da palestra, reside no facto da “maioria das centenas de imagens do espólio do Museu

O catálogo disponibiliza fotografias do século XIX levadas para os EUA por mercadores americanos relativas a Macau não se encontrar exposta e estar no depósito do museu em gavetas e capas, de onde eu as retirei para que fossem fotografadas pela primeira vez”, observa o investigador da Universidade Nova. “O facto de a maioria das obras, sobretudo desenhos, nunca ter sido fotografada prova por si

só o ineditismo desse espólio”, sublinha. A riqueza daqueles imagens decorre da singularidade de localizações como a Ilha Verde, as próprias ruas de Macau, “de uma Macau rural e urbana, bem como quadros colectivos de pescadores e vendedores na Praia Grande [que] permitem reconstituir o quotidiano macaense da primeira metade do século XIX”. As obras de Leonard Forbes Beckwith e de Lucy Cleveland “são menos conhecidas e não tão estudadas”, nota ainda Puga que se refere ao catálogo da sua autoria. “O catálogo que elaborei com um estudo de cerca de 150 páginas, e que será publicado pela Fundação Macau, disponibilizará uma selecção assaz representativa dessas gravuras para o público em geral, inclusive de fotografias do século XIX levadas para os EUA por mercadores americanos. As sucessivas vistas gerais da cidade a partir da Penha, por exemplo, revelam a evolução do tecido urbano de Macau, podendo a construção de monumentos como o primeiro hospital de São Januário ou do Clube Militar ser observada em algumas fotografias. Apesar do interesse científico e cultural, Puga rejeita que este espólio artístico contribua, “de algum modo, para alterar a ideia de Macau da primeira metade do século XIX “mas contribui sim para um maior conhecimento da época em questão e de aspectos específicos do quotidiano macaense, nomeadamente a sua esfera chinesa”.


Fortuna de Taylor chega aos mil milhões de dólares

A actriz Elizabeth Taylor, que morreu na semana passada aos 79 anos, tinha na sua conta bancária valores que rondam os 600 milhões e os mil milhões de dólares (4260 milhões de patacas e 7100 milhões de patacas, respectivamente). Segundo a revista norte-americana “Hollywood Reporter”, esta quantia conseguida em vida por Taylor não resultou meramente do seu trabalho como actriz, mas também de negócios que esta mantinha em paralelo, como a venda dos seus perfumes, White Diamonds e Passion.

Era um d’ “Os Quatro Vintes”

Morreu o pintor Ângelo de Sousa D

oente e afastado da sua arte desde há já vários meses, desapareceu agora um artista que foi “um dos protagonistas da contemporaneidade artística portuguesa, que se distinguiu sobretudo pelo seu experimentalismo e pela procura incessante de novas linguagens”, disse João Fernandes, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS). Ângelo César Cardoso de Sousa nasceu em Maputo (então Lourenço Marques), capital de Moçambique, em 1938. Em 1955 mudou-se para o Porto para frequentar a Escola de Belas-Artes, onde se formou em Pintura. Integrou, na década de 60, nesta cidade, o grupo “Os Quatro Vintes” (com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues). pub

Criou depois uma obra pessoal e única, que se expressou principalmente na pintura, mas que cultivou muitas outras formas e disciplinas artísticas, como o desenho, a escultura, a fotografia, o cinema e o vídeo amador. Para sintetizar o sentido da obra de Ângelo de Sousa, João Fernandes cita, de memória, o tí-

tulo de um quadro seu:Algumas formas ao alcance de todos. “Ele sabia criar formas e cores, que colocava ao alcance de todos nós, como ninguém o tinha feito até aí. Deixa uma obra pioneira, não só no contexto português, mas também a nível internacional, que um dia será devidamente reconhecida em todo o mundo”, acrescenta o director do MACS

- em cuja colecção a obra de Ângelo de Sousa está devidamente representada. Paralelamente à sua carreira de artista, e depois de ter frequentado, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, a State School of Art e a Saint Martin”s School of Art, ambas em Londres, Ângelo de Sousa leccionou na ESBAP, onde se jubilou, no ano 2000, com a categoria de professor catedrático. Desde o início da década de 60 realizou inúmeras exposições individuais e participou em colectivas em Portugal e muitos outros países. Entre os vários prémios com que foi distinguido, assinalam-se o da Bienal de Arte de S. Paulo (1975), no Brasil, e o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian/ Arte (2007), em Lisboa.

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11 Le Carré rejeita prémio literário

John le Carré foi nomeado para o prémio Man Booker International, um galardão literário que distingue um autor vivo pela sua obra, mas o escritor britânico não quer fazer parte da shortlist anunciada ontem e pediu ao júri para retirar o seu nome. A lista dos nomeados ao prémio foi anunciada esta manhã em Sidney, na Austrália, e Le Carré, autor de mais de 20 livros que tornaram a espionagem num forte género literário, surge entre os 13 finalistas ao Man Booker International. No entanto, o escritor escreveu num comunicado, tornado público através das suas editoras, estar muito honrado com a nomeação mas que não compete por prémios literários e por isso pediu ao júri para não contar consigo. “Fico tremendamente lisonjeado por ser escolhido para finalista do prémio Man Booker International 2011. No entanto, eu não compito por prémios literários e por isso pedi para a organização apagar o meu nome”, pode ler-se no comunicado. Pedido que não foi aceite por Rick Gekoski, presidente do júri. “John le Carré vai, obviamente, continuar na lista. Ficamos desiludidos por saber que ele não quer fazer parte mas por consideração e porque somos grandes admiradores do seu trabalho, ele continua nomeado”, disse o júri ao britânico “The Guardian”. Os livros “O Espião que Saiu do Frio” (1963), “O Alfaite do Panamá” (1996) e “O Fiel Jardineiro” (2001) são algumas duas suas obras mais conhecidas e aclamadas pela crítica.


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desporto

Macau defronta Vietname no apuramento para o Mundial de 2014

O difícil mundial de futebol do Brasil Marco Carvalho

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selecção de futebol de Macau ficou ao início da tarde de ontem a conhecer o nome do seu primeiro adversário no âmbito da campanha de qualificação para a fase final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014, certame que vai voltar a ter o Brasil como palco, mais de meio século depois do país ter acolhido a competição pela primeira vez. O sorteio para a primeira

e segunda rondas da fase de qualificação para o evento foi ontem conduzido na capital malaia, Kuala Lumpur, e colocou no caminho da selecção do território um osso duro de roer. Macau vai esgrimir argumentos a 29 de

Junho e a três de Julho com o Vietname e caso consiga derrotar o onze vietnamita volta a entrar em campo no final do mês (a 23 e 28 de Julho) para disputar nova pré-eliminatória, desta feita contra o Qatar.

Brasil 2014 | 1.ª ronda de qualificação • Vietname – Macau • Malásia – Taiwan • Bangladesh – Paquistão • Camboja – Laos

• Sri Lanka – Filipinas • Afeganistão – Palestina • Nepal – Timor-Leste • Mongólia – Myanmar

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei nº. 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: Avenida do Almirante Lacerda, n.os 27A a 27AA e Avenida Marginal do Patane, n.os 388 a 394 (Edifício Pou Lai Kok); Avenida do Almirante Lacerda, n.os 49 a 55 (Edifício Veng Pou Kok); Avenida do Almirante Lacerda, n.os 165A a 165C (Edifício Va Tou).

2. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias após a recepção da notificação do pagamento, ou, até 27/04/2011, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício Finanças, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 21 de Março de 2011.

A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

De acordo com as regras gizadas pela Confederação Asiática de Futebol, a primeira ronda da fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2014 coloca frente a frente as dezasseis equipas menos cotadas do continente asiático. Os vencedores da pré-eliminatória carimbam a passagem a uma segunda ronda do processo de qualificação, juntando-se a um grupo de 22 outras selecções que inclui formações como o Irão, a Tailândia, a República Popular da China e a Arábia Saudita. Do grupo de trinta equipas que disputam a segunda fase, quinze – as vencedoras – juntar-se-ão depois à Austrália, à Coreia do Sul, ao Japão, à Coreia do Norte e ao Bahrein para disputar a campanha de qualificação propriamente dita. Tanto a selecção da República Popular da China quanto a selecção da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong ficam isentas da participação na primeira ronda de qualificação para o Mundial. O onze da antiga colónia britânica apenas entra em campo a 23 de Julho, defrontando a toda poderosa Arábia Saudita na corrida por um lugar no

Campeonato Asiático Sub-19 Fase de Qualificação Grupo A Arábia Saudita, Iraque, Omã, Bangladesh, Nepal e Maldivas Grupo B Bahrein, Jordânia, Tajiquistão, Qatar, Kuwait e Butão Grupo C Uzbequistão, Irão, Paquistão, Índia, Afeganistão e Turquemenistão Grupo D Emirados Árabes Unidos, Síria, Iémen, Palestina e Líbano Grupo E Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Hong Kong, Guam e Taiwan Grupo F Coreia do Norte, Vietname, Malásia, Myanmar e Laos Grupo G Austrália, China, Indonésia, Singapura e Macau

leque de vinte equipas que vão tentar carimbar a passagem à fase final do Mundial brasileiro. Bafejada pela sorte, a República Popular da China deverá defrontar um adversário bem menos conceituado, esgrimindo argumentos com o vencedor do braço-de-ferro entre o Camboja e o Laos. Para além de terem ficado a conhecer o nome do primeiro adversário na caminhada para o Mundial, os responsáveis pelo desporto-

rei do território ficaram também a saber que formações terão pela frente no âmbito da fase de qualificação para o Campeonato Asiático de Sub-19. Se a sorte de Macau se revelou madrasta no que toca ao sorteio para o Campeonato do Mundo, a lotaria para o Asiático não se revelou mais condescendente. Macau partilha as contas do Grupo G com as formações da Austrália, da China, da Indonésia e de Singapura.


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Sala 1

127 hours [c]

Um filme de: Zack Snyder Com: Emily Browning, Abbie Cornish, Vanessa Hudgens 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Danny Boyle Com: James Franco, Amber Tamblyn, Kate Mara 21.30

Sala 2

SALA 3

Falado em cantonense Um filme de: Kelly Asbury 14.30, 16.00, 17.45, 19.30

Um filme de: Mikael Hafstrom Com: Anthony Hopkins, Colin O’Donoghue, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

sucker punch [c]

gnomeo and juliet [a]

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-DUAS. TACHAR. 2-OLIMPO. DEBO. 3-IMO. TRE. MEL. 4-RO. PANDA. BA. 5-A. ARRAIGAR. 6- REDEM. TIÇAO. 7-PUGILATO. P. 8-PA. ACAÇA. RA. 9-OCO. OBA. DUC. 10-ETNA. OOCINO. 11-RUASAR. LOAS. VERTICAIS: 1-DOIRAR. POER. 2-ULMO. EPACTA. 3-AIO. ADU. ONU. 4-SM. PREGA. AS. 5-PTRARMICO. A. 6-TORNA. LABOR. 7-A. EDITAÇAO. 8-DC. AGITA. CL. 9-HEM. AÇO. DIO. 10-ABEBRA. RUNA. 11-ROLA. OPACOS.

solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

VERTICAIS: 1-Cobrir com blindagem. Rigoroso no cumprimento dos seus deveres. 2-Braços de rio. Des. de um animal. 3-Ultimato. 4-Esmalte preto. Espécie de salmão. 5-Associação ou confraria cristã na Índia. Cheiro agradável. Rio europeu. 6-Concluir. Desde então. 7-Mãe-d’água. Feminino de ele. 8-Família. Lusitano. 9-Nome da última letra do alfabeto português. Género de aves da América do Sul. Nome de várias plantas frutíferas. 10-Antig., para onde. Que excita a fome. 11-Que tem maus costumes ou mau génio. Género de anelídeos.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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the rite [c]

HORIZONTAIS: 1-Rainha-cláudia, ameixa. Imperador da Rússia. 2-Lírio. Género de insectos coleópteros hererómeros. 3-Embarcação costeira. Criada para companhia. Exprime admiração. 4-Um dos dialectos das Filipinas. 5-Desfazer. Fazer. 6-Mau cheiro, fétido. Género de insectos coleópteros pentâmeros. 7-Rotoria ou arroteia. É incrível!! 8-Nem... nem fole. Qualquer quadrúpede que serve para alimento do homem. Rándon. 9-Ave palmípede da África Ocidental. Loja. 10-Artigo definido masculino plural e pronome demonstrativo. Laje. Elemento de origem latina que significa um, único. 11-Botoque. Lans.

REGRAS |

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[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 19:00 Música Movimento (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 1 Minuto de Astronomia 20:30 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:10 Viver a Vida 22:58 1 Minuto de Astronomia 23:00 TDM News 23:35 Ásia Global 00:05 Especial Informação 00:30 Telejornal (Repetição) 06:00 RTPi DIRECTO

19:00 Chang World of Football 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Castrol Football Crazy 20:30 Nations Of Champions 21:00 Masters Official Films 2009 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Airsports World Series 23:00 Global Football 2011 23:30 Castrol Football Crazy

INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Arquitectarte 15:00 Magazine Canadá Contacto 15:30 Gostos e Sabores 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Preço Certo 17:45 O Olhar Da Serpente 18:30 Portugal Tal E QUal 19:00 Conta-me Como Foi III 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Canadá Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Sesame Street 17:00 Escape from Scorpion Island 17:30 Guess What? Timothy & Annabel 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 FIFA Football World 19:00 Hong Kong Connection 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 State Of Style 20:35 Medium 21:30 Dolce Vita 22:00 Euromaxx Design 22:30 Marketplace 22:35 No Ordinary Family 23:30 The CEO Connection 23:35 World Market Update 23:40 News Roundup 23:55 Earth Live 00:00 Brothers & Sisters 00:55 Pill Poppers 01:50 European Art At The MET 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 Women’s World 10-Ball Championship 2010 14:00 Tour Of Oman 2011 15:00 2011 US Figure Skating Championships 17:30 Stihl Timbersports Series 18:00 Total Rugby 2011 18:30 Global Football 2011

20:00 Rescue Dawn 22:00 Piranha Ii: The Spawning 23:30 Smokin’ Aces 2: Assassins’ Ball

STAR SPORTS 31 13:00 Mobil 1 The Grid 2011 13:30 Ace 2011 14:00 Indonesian PGA Championship 17:00 Sports Max 2010/11 18:00 FA Classics FA Cup 1989/90 New Castle United vs. Manchester United 19:00 AFC Champions League 2011 Gamba Osaka vs. Melbourne Victory 21:00 Ace 2011 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 Global Football 2011 22:30 Total Rugby 2011 23:00 Tokyo Marathon 2011 Highlights STAR MOVIES 40 11:50 Unrivaled 13:40 Edge Of Darkness 15:40 Trade 17:45 Born To Raise Hell 19:25 Behemoth 21:00 The Santa Clause 2 22:50 From Paris With Love HBO 41 13:00 Breakin’ All The Rules 14:30 Harriet The Spy 16:15 Madeline 17:45 Osmosis Jones 19:20 Armored 21:00 The Cell 22:50 The Cell 2 00:25 The Uninvited CINEMAX 42 12:00 A Kiss Before Dying 13:30 Money Talks 15:15 House Of Wax 16:45 The Border 18:30 The Skull

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(MCTV 54) History Channel 19:00 History Of The Joke Informação Macau Cable TV


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Opinião

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O doloroso preço da liberdade Nicholas Kristof

A revolução não é um momento, mas um intrincado confronto de vontades que se revela longo e difícil depois de as celebrações terem terminado e os holofotes da televisão se terem apagado

In The New York Times/ i

A

ntes de ser detida, torturada, despida e sujeita a um “exame de virgindade” - tudo pelas suas actividades pró-democracia -, Salwa alHousiny Gouda admirava o Exército egípcio. A sua odisseia é prova de que a revolução egípcia que extasiou tanta gente no mundo inteiro em Janeiro e Fevereiro ainda não terminou. O Exército continua a deter o poder e tomou das mãos da polícia a tarefa de torturar os dissidentes. O presidente Hosni Mubarak caiu, mas o mubaraquismo persiste de muitas formas. Gouda, uma cabeleireira de 20 anos, é uma mulher solteira e cheia de força. Aderiu ao movimento democrático no início do ano e dormiu numa tenda na Praça Tahrir, também conhecida como Praça da Libertação, o epicentro do movimento. Como os outros activistas, começou por dirigir a sua raiva a Mubarak e à polícia. “Eu confiava no Exército”, disse-me, acrescentando que entoou, com outros manifestantes, cânticos como “O exército e o povo são um só”. Mas isso não passava de uma ilusão. O Exército açambarcou as funções da polícia e agora parece ter-se fartado de confusões. A 9 de Março, invadiu a Praça Tahrir, arrasando tendas e detendo mais de 190 manifestantes. Gouda foi uma das cerca de 19 mulheres presas nesse dia. Apesar de o Exército ter negado todas as acusações, o seu testemunho foi confirmado por outros detidos e por grupos de defesa dos direitos humanos. Contam que as mulheres foram levadas para o Museu Egípcio, um ponto de interesse turístico ao lado da Tahrir, amarradas ou algemadas ao portão, espancadas e sujeitas a choques eléctricos. “Nem nos deram hipótese de falar”, relata Gouda. “Sempre que uma de nós tentava abrir a boca, levava um choque.” Mais tarde, os prisioneiros foram levados para o gabinete da procuradoria militar, onde os homens foram fotografados como criminosos ao lado de uma mesa pejada de cassetetes e cocktails Molotov supostamente confiscados aos manifestantes (daquilo que tenho visto, são os polícias que usam esse tipo de armas no Egipto). Às mulheres foram apontadas câmaras e foi-lhes dito que enfrentavam acusações de prostituição - deixando-as aterradas com a perspectiva de tais acusações poderem ser reveladas na televisão estatal. Gouda foi extraordinariamente corajosa em contar a sua história. Mas num determinado ponto foi-se abaixo e desatou

a chorar: “Eles sabem que a maneira de magoar mais uma mulher é acusá-la de prostituição”, disse. Os prisioneiros foram depois conduzidos a uma prisão militar. Gouda conta que as mulheres foram despidas e revistadas por uma mulher-guarda mas, provavelmente para a humilhação ser maior, tudo aconteceu numa sala com as portas e as janelas escancaradas. Ela não sabe se alguém chegou a olhar lá para dentro. Em seguida, as solteiras foram forçadas a fazer “exames de virgindade” - foram feitos numa cama no corredor da prisão, por um homem. Quando imploraram para que fosse uma mulher a fazer o exame, voltaram a ser ameaçadas com tasers.

ca rtoon

“Fiquei devastada”, recorda Gouda. “Todo o meu corpo tremia.” As suas pernas estavam tapadas por um cobertor, mas meia dúzia de militares estavam à sua frente, enquanto estava a ser examinada. “Estava à espera que me espancassem, mas o pior momento foi quando me despiram e me examinaram.” Heba Morayef, da Human Rights Watch, garante que tais exames não são rotina nas prisões e que o objectivo era simplesmente humilhar as activistas mulheres. “Neste contexto, trata-se de abuso sexual”, afirma, acrescentando porém que o Exército está acima da lei. Gouda e as outras mulheres foram liber-

tadas alguns dias mais tarde e nenhuma foi acusada de prostituição. Vários homens, porém, foram condenados a penas de prisão. Ragia Omran, advogada de direitos humanos no Cairo, calcula que uns mil egípcios detidos pelo Exército desde o início dos protestos continuam presos. Alguns deles foram condenados a penas de até cinco anos, depois de julgamentos de 30 minutos ou menos, sem direito sequer a nomearem advogados. Omran costuma representar este tipo de detidos, mas durante o referendo para as alterações constitucionais, este mês, ela própria foi detida pelos soldados quando assistia à votação. Diz ter sido tratada com brutalidade, despida e revistada, gritaram com ela e detiveram-na durante horas até que a sua família e amigos - particularmente bem relacionados - conseguiram a sua libertação. Tudo isto é uma enorme desilusão para aqueles que conseguiram derrubar Mubarak com o poder do povo. A lição a retirar pode ser que a revolução não é um momento, mas um processo, um intrincado confronto de vontades que se revela dolorosamente longo depois de as celebrações terem terminado e os holofotes da televisão se terem apagado. “A revolução ainda não acabou”, diz Omran. “E a liberdade não é de graça.”

junta militar da birmânia dissolvida

por Steff

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Já andam aí as partículas de gás.

Sempre estiveram, é de Cantão...

!!!

Eventual mudança de instalações da EPM surge de novo em seis anos

Indecisões académicas Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

D

epois de ter sido ponderada a mudança da Escola Portuguesa de Macau (EPM) e após essa notícia ter sido desmentida pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), volta a ser discutida a hipótese de transferência da instituição para as instalações do antigo Hotel Estoril. O acordo nesse sentido, feito pelas autoridades de Macau e Portugal, surgiu em 2005, quando a então ministra da Educação portuguesa, Maria do Carmo Seabra, assinou um protocolo com o Governo de Macau para a mudança de instalações da EPM. Durante os anos seguintes a ideia não deixou de ser continuamente comentada e em 2008, o assunto voltou a ser notícia, depois de Stanley Ho ter avançado com a sugestão de instalar o estabelecimento de ensino no edifício onde, durante vários anos, funcionou o Hotel Estoril. Na altura, Portugal aceitou estudar a solução e o então líder do Governo, Edmund Ho, fez avançar o processo.

O magnata do jogo já tinha dado parte das 280 milhões de patacas que prometeu entregar à Escola Portuguesa para a mudança de instalações, o que lhe permita negociar com o Executivo o arrendamento do terreno onde funciona a EPM há cerca de 10 anos. Agora, a mudança da escola volta à calha mas, apesar das “quase certezas” que se difundem pelo território, não há qualquer confirmação de que o plano de mudança avance de forma definitiva. Pelo contrário, em Outubro do ano passado foi revelado pelo então director da DSEJ que a EPM não iria sofrer qualquer alteração nas instalações. Na altura, Sou Chio Fai afirmou que o Governo estaria a fazer um grande investimento em obras de manutenção e melhoramento das instalações actuais, pelo que “a

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...que vem a poluição

mudança não deveria acontecer”. Assim sendo, “a questão estaria, em princípio encerrada”, até porque conforme explicou Sou Chio Fai, o Governo iria continuar a melhorar a escola e iria dar início a “trabalhos de alargamento do espaço físico da instituição”. Em 2008, por altura de nova eventual mudança, a DSEJ já tinha considerado inadequada a mudança, já que o local onde se localiza o Hotel Estoril é uma zona que não permite edificação em grande altura. Ontem, fonte ligada ao processo voltou a referir à agência Lusa que “existe um acordo entre as autoridades de Portugal e Macau” para a transferência da escola e que decorrem conversações no sentido “não só de reconverter e aproveitar o espaço para a escola como também para o integrar na sociedade de Macau”. Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, disse à Lusa que o Executivo está a estudar “qual é a melhor solução” para depois “falar com as instituições sobre o futuro”, mas vincou que em qualquer das soluções Macau vai apoiar o futuro da instituição. As declarações de Cheong U mostram que a alteração de local não é, para já, algo concreto, uma vez que o responsável admite que há hipóteses da EPM se manter no mesmo sítio. “Uma coisa podemos garantir: mesmo que fique ali, o Governo vai prestar o apoio como deve ser sobretudo para manter o melhor funcionamento ou elevar a qualidade, melhorar a qualidade da escola”, sublinhou Cheong U, sem confirmar o acordo entre Portugal e Macau. Para José Sales Marques, da Fundação Escola Portuguesa de Macau, caso se venha a confirmar a mudança, “a localização [onde era o Hotel Estoril] é excelente, já que combina a centralidade [com o facto de ser] uma zona bem servida e com muitas escolas em redor.” Em declarações à Rádio Macau, Sales Marques salientou ainda que o edifício do Hotel Estoril “permite que as novas instalações ofereçam condições que, infelizmente, a EPM não pode, no momento, por falta de espaço.” O Hoje Macau contactou o Ministério da Educação em Portugal mas, devido à diferença horária, não foi possível obter respostas em tempo oportuno. A EPM também não se mostrou ontem disponível a tecer comentários.

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Hoje Macau 29 MAR 2011 #2341  

Edição do Hoje Macau de 31 de Março de 2011 • Ano X • N.º 2341

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