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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 31 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4164 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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hojemacau

Os sem juízo PÁGINA 7

Sozinho em causa Sérgio de Almeida Correia anunciou ontem a sua desistência na corrida à presidência da Associação de Advogados de Macau. Diz “não haver condições” para avançar com a sua

candidatura e acusa o actual presidente de instalar um “clima de receio.” Jorge Neto Valente fica assim com o caminho aberto para se manter à frente dos destinos da associação.

BORACAY

OUTRA FACE GRANDE PLANO

METRO LIGEIRO

ERROS MEUS PÁGINAS 4-5

A luz do desejo h JOÃO PAULO COTRIM

PÁGINA 9 CHAN WENG HON

PRISÃO PREVENTIVA

CHAN WENG HON

Imagens para a História EVENTOS


2 grande plano

Boracay abriu aos turistas na passada sexta-feira. As festas de praia estão proibidas e o número diário de turistas passa a fixar-se em 19 mil. Interrompida a principal actividade económica, a população passou a sofrer ainda mais privações. Joven Antolin não cruzou os braços e perante a adversidade serviu mais de 26 mil refeições a famílias carenciadas durante o período em que a ilha esteve encerrada

31.10.2018 quarta-feira

TURISMO

EM BUSCA DO A SEIS MESES DEPOIS, BORACAY PROCURA RECUPERAR DO FECHO

CABARAM-SE as festas. Boracay reabriu ao turismo, com novas e apertadas regras. Para já, foi anunciado que as festas na praia têm os dias contados, assim como a ingestão de bebidas alcoólicas e o consumo de tabaco. Outra das mudanças face ao que era habitual nos areais de Boracay é a proibição de vendedores, massagistas, espectáculos de fogo e, para já, desportos aquáticos. Também a quantidade imensa de barcos que habitualmente ficavam ancorados à beira-mar foram forçados a atracar noutras paragens. Além destas alterações, foi fixado um número mínimo de turistas permitidos diariamente na ilha (19 mil), enquanto o número máximo de trabalhadores passou a ser 15 mil por dia. É de referir que no ano passado, Boracay foi visitada por dois milhões de turistas, o que apurou mil milhões de dólares de lucro, em grande parte às custas de um desastre ambiental que estava à vista de todos. Antes do encerramento da ilha, as autoridades filipinas descobriram que cerca de um terço dos 600 a 700 resorts operavam sem licença. Deste universo, apenas foi permitida a reabertura a 157 hotéis, oferecendo 7308 quartos aos primeiros turistas que regressaram a um dos mais procurados destinos turísticos da Ásia. O Executivo de Duterte tem planos para alargar a “restauração” a outros pontos de grande procura no arquipélago, que tem mais de sete mil ilhas. A nova visão do Governo filipino para Boracay irá também afectar a indústria do jogo, nomeadamente o grupo Galaxy que se preparava para abrir um casino na ilha, com um investimento previsto de cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos. O casino seria aberto em parceira com um grupo filipino, que face à notícia de que não seria permitido jogo em Boracay emitiu um comunicado dirigido à Bolsa de Valores das Filipinas a dizer que não tem mais informações a acrescentar sobre o projecto, além do que foi noticiado nos meios de comunicação social.

VIDA SUSPENSA

Na passada sexta-feira terminou o calvário de um povo que ficou, de

um dia para o outro, sem sustento. Durante seis meses, os empregos e salários ficaram em suspenso. Não houve turistas a quem dar massagens ou refeições para servir nos restaurantes. Em nome da protecção ambiental, a ilha de Boracay esteve fechada durante seis meses ao turismo e só abriu na passada sexta-feira. De portas encerradas, os residentes da paradisíaca ilha na província de Aklan, depararam-se com desemprego e, por consequência, fome. Joven Antolin, filipino com nacionalidade canadiana e proprietário de um hotel na ilha, resolveu abrir as portas para dar de comer a parte da comunidade, em especial numa das áreas mais pobres na zona norte, Yapak. Todos os dias, adultos e crianças fizeram fila com um prato nas mãos à espera de comida. Seis meses depois, Joven Antolin disse ao HM que serviu

um total de 26,750 refeições a moradores da ilha e garante que há ainda pessoas à espera de licenças para poder regressar ao trabalho. “Muitos dos locais que vivem na nossa comunidade ainda estão à espera de trabalho, pois estavam ligados aos barcos de recreio e, neste momento, a sua circulação ainda não é permitida. Muitas mulheres que vendiam bugigangas

“As estradas ainda estão em obras e pode levar algum tempo até que fiquem concluídas. Também é necessário mexer em alguns edifícios que precisam de ser demolidos.” JOVEN ANTOLIN

e lembranças também continuam à espera do Governo”, confessou. Face a esta circunstância, quem esperou seis meses para voltar ao activo, vai ter de aguardar mais, com “paciência e um grande espírito de perseverança”, sublinha Joven. “Algumas pessoas que antes estavam empregadas em hotéis tiveram a oportunidade de regressar. Os locais que conduziam barcos, tinham bancas de rua, eram massagistas na praia ainda estão à espera dos planos que o Governo terá para eles. Muitos dos hotéis ainda não conseguiram abrir porque necessitam de licença. O processo para a obtenção dessa licença é muito caro.” Ainda assim, o Governo liderado por Rodrigo Duterte tem providenciado “subsídios que servem de incentivo ao trabalho na comunidade”. “Essas pessoas [que continuam à espera] limpam as ruas e o Governo paga-lhes por esse


grande plano 3

quarta-feira 31.10.2018

TEMPO PERDIDO trabalho, mas não tenho a certeza se esse programa vai continuar”, acrescentou. O proprietário do hotel referiu também que antes do fecho de Boracay a turistas, “a maioria dos trabalhadores na área do turismo, ligados a hotéis e restaurantes, foram reencaminhados para as áreas metropolitanas”. Restam sinais de emprego pouco qualificado e mal pago, assegura. “Apenas 15 por cento dos locais tem um emprego significativo na área do turismo. Espero que isso mude.” Além das questões laborais, permanecem problemas relacionados com infra-estruturas. No interior da ilha há ainda muitas vias rodoviárias em péssimas condições e, por isso, fechadas à circulação do trânsito. “As estradas ainda estão em obras e pode levar algum tempo até que fiquem concluídas. Também é necessário mexer em

alguns edifícios que precisam de ser demolidos. Acredito que tudo ficará a funcionar bem, tendo em conta algumas estruturas que já estão concluídas.” No passado dia 11, Joven Antolin escreveu na sua página de Facebook que a ilha poderia não estar ainda pronta para receber turistas. “Será que iremos receber bem as pessoas quando a maior parte das estradas estão em construção e continuam a existir inundações

A ministra do Turismo das Filipinas, Bernadette Romulo-Puyat, espera que este “novo” Boracay marque uma “cultura sustentável do turismo” nas Filipinas

quando chove e a electricidade se mantém inconsistente? Será que trazer pessoas beneficia o processo?”, questionou. Para o proprietário do Oasis Resort and Spa, esta situação “não é justa para os convidados que não fazem a mínima ideia de como está o interior da ilha, sobretudo quando estão disponíveis poucos serviços”, escreveu.

APOIO NÃO ACABOU

Domingo, dia 28, foi o último dia em que o resort de Joven Antolin distribuiu refeições a famílias necessitadas, mas o empresário garante que vai continuar a desenvolver um programa de cariz social. “No último domingo foi o último dia em que demos alimentação à comunidade e começamos a preparar o hotel para os hóspedes. Ainda providenciamos refeições gratuitas para os alunos e damos essas refeições nas salas de aula.”

Nos próximos meses, todos os que se hospedarem no hotel de Joven Antolin poderão ajudar também a comunidade. “Começámos um programa que vai continuar neste ano académico. Nesta altura, vou levar vários doentes para Manila que precisam de cirurgias, na maioria ao coração e ancas, e também para que façam check-ups médicos. Esperamos que os futuros hóspedes da ilha possam considerar hospedar-se no nosso hotel para que possamos continuar a prestar cuidados à nossa comunidade. Aqui podem ter férias com uma finalidade.” Neste sentido, os turistas poderão também fazer voluntariado e participar “no programa de doação de refeições ou até a ajudar alunos no programa que estamos a desenvolver”. “Podem desfrutar de um bom dia na praia e fazer a diferença ao mesmo tempo, é uma situação em que ambos ganhamos”, disse ao HM. Ao longo dos últimos seis meses, Joven Antolin foi mantendo um diário do seu programa de apoio no Facebook. No passado dia 3, foi relatada a fome que muitos sentiram nestes meses em que o negócio e o trabalho pararam por completo. “Dia 156: ter fome e não ter nada, ao mesmo tempo que se observa os outros a comer, é a pior experiência que alguém pode ter. Nesta fase, já servimos 23,400 refeições e estamos gratos por esta oportunidade de servir a comunidade neste período duro e por podermos oferecer refeições gratuitas a todos os que precisam.” Outro dos relatos feitos por Joven Antolin tem como foco o aumento dos preços dos alimentos nos mercados. “Dia 99: em apenas dois dias os preços dos vegetais voltaram a aumentar. As couves e cenouras que comprei há dois dias a 100 pesos por quilo (dois dólares americanos) estão agora a 140 pesos (2.75 dólares). Há o receio de que os preços continuem a aumentar”, apontou.

AJUDA NA SAÚDE

Além de providenciar comida, Joven Antolin tem ajudado várias pessoas que necessitam de tratamentos médicos. Com esse propósito, abriu uma campanha de recolha de fundos. O gerente de hotelaria divulgou um desses casos

Antes do encerramento da ilha, as autoridades filipinas descobriram que cerca de um terço dos 600 a 700 resorts operavam sem licença. Deste universo, apenas a 157 hotéis foi permitida a reabertura

na sua conta de Facebook no passado dia 6 de Setembro. “Dia 129: Ontem, depois de servir refeições visitei um homem que necessita de uma cirurgia à anca. Ele e os quatro filhos vivem numa divisão pequena, que tinha o chão inundado devido à água da chuva. Estavam bastante envergonhados por me deixarem entrar, mas quis conhecer a realidade em que têm vivido. É um local pequeno com camas partidas e cheio de roupas molhadas. Mas, ainda assim, as crianças mantém um sorriso. Augusto tem feito um enorme esforço para cuidar dos filhos mesmo que isso o magoe fisicamente.” Mais tarde, este homem acabou por receber tratamento com a ajuda de Joven Antolin. Descrita como “fossa séptica” pelo próprio presidente filipino, Rodrigo Duterte, a ilha de Boracay voltou a abrir portas ao turismo com a água mais limpa e com menos espaços hoteleiros e de restauração junto às praias. Além disso, haverá uma cota de visitantes autorizados e novas regulamentações, como a proibição de tabaco e álcool nas praias, a fim de trazer ordem para ao litoral. O objectivo agora é tornar sustentável uma ilha que acolheu nos últimos anos até dois milhões de turistas por ano. A ministra do Turismo das Filipinas, Bernadette Romulo-Puyat, espera que este “novo” Boracay marque uma “cultura sustentável do turismo” nas Filipinas. “Trata-se de ter em conta o impacto das nossas acções sobre o estado actual e futuro do meio ambiente”, disse. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 assembleia legislativa

GCS

31.10.2018 quarta-feira

Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assumiu a responsabilidade no erro de adjudicação do contrato da obra do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro. O governante promete mais novidades nas LAG e diz que não haverá derrapagem no orçamento do segmento da Taipa

O

Executivo está dependente da declaração de caducidade da planta cadastral para tomar medidas quanto à propriedade do terreno localizado no Alto de Coloane. “A planta cadastral foi emitida de acordo com o regime geral de construção urbana. Esta planta tem a validade de um ano e perdeu a sua validade no início do corrente ano. Não precisamos de apontar a sua caducidade e, a partir deste momento, não iremos

Mea culpa METRO LIGEIRO SECRETÁRIO PEDE DESCULPAS POR ERRO NA ADJUDICAÇÃO DE CONTRATO

F

OI um debate de confissões, explicações e também de compromisso. Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assumiu ontem na Assembleia Legislativa (AL) que é o principal culpado pelos erros de adjudicação, apontados pelo Tribunal de Última Instância (TUI), do contrato de construção do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro. “Peço autorização ao presidente (Ho Iat

Seng) para, através deste plenário, pedir desculpas à população por este erro. Quanto à responsabilidade, sendo o secretário o responsável por este serviço, é minha. Em relação às providencias a tomar no futuro, já reuni com os directores de modo a avaliar a melhor forma para evitar que situações dessas se voltem a repetir.” Raimundo do Rosário já deu garantias de que não será realizado um novo concurso público, uma vez que o Parque de Materiais e Oficinas

À espera que saia

Governo aguarda caducidade de planta cadastral para decidir propriedade no Alto de Coloane

emitir uma nova planta”, apontou o responsável da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro. Li Kafeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), garantiu que os restantes processos estão dependentes dessa cadu-

cidade. “Vamos revogar a planta de alinhamento oficial e depois iremos fazer o despejo. Se alguém perdeu o direito de propriedade não pode requerer uma nova planta cadastral, estamos a aguardar pelo estado do direito de propriedade do sujeito e depois é que vamos

está praticamente concluído. Além disso, defendeu o profissionalismo do júri que decidiu a adjudicação criticada pelo tribunal. “A avaliação das propostas é feita por quatro ou cinco pessoas que são funcionários da linha da frente. Esse trabalho é feito além do trabalho que têm no dia-a-dia. Não recebem qualquer remuneração suplementar e nem por isso aliviamos o trabalho do seu dia-a-dia.” Num debate lançado pelas interpelações dos deputados José

avançar com procedimentos”, explicou. Em Fevereiro deste ano, um relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) denunciou o caso de fraude associado ao terreno localizado no Alto de Coloane, não só em termos da propriedade como das suas dimensões. Neste momento, decorre uma investigação.

DESPEJO EM CURSO

Quanto ao terreno da antiga fábrica de panchões,

Pereira Coutinho e Chui Sai Peng, muitos membros do hemiciclo elogiaram Raimundo do Rosário por ter assumido as responsabilidades. Este garantiu que o Metro Ligeiro é um projecto feito por gente nova e sem experiência. “É uma empreitada feita por pessoas inexperientes, e se alguma falha acontecer, a responsabilidade cabe ao secretário. Por exemplo, nas obras da zona A dos novos aterros, houve departamentos que me disseram que não conseguem fazer

localizado no coração da Taipa velha, está em curso o processo de despejo, que envolve 28 mil metros quadrados. “O estado do terreno é complexo, pois há quatro formas legais, uma vez que uma parte do terreno é estatal, outra incerta e uma outra que está relacionada com contratos já celebrados, mas que foram considerados caducados. Estamos a tratar do processo de despejo, está a decorrer”, referiu Li Kafeng.

Em Dezembro do ano passado, a Sociedade de Desenvolvimento Predial Baía da Nossa Senhora da Esperança recorreu para o Tribunal de Segunda Instância, no âmbito do caso ligado à Fábrica de Panchões Iec Long, mas voltou a ser derrotada. A empresa pretendia evitar já a ordem de desocupação dos terrenos que trocou pela fábrica, mas viu as suas pretensões serem-lhes negadas. A.S.S.


assembleia legislativa 5

quarta-feira 31.10.2018

POLUIÇÃO GOVERNO DIZ QUE NOVOS ATERROS NÃO AFECTAM AMBIENTE

O

deputado Mak Soi Kun quis saber, no debate da Assembleia Legislativa (AL), detalhes sobre o estudo de impacto ambiental dos novos aterros, mas o Governo garantiu que não houve efeitos nefastos em termos de poluição das águas. “Monitorizámos as águas mais profundas nas zonas B e D dos novos aterros, e os valores são quase os mesmos aos que se registavam antes da construção”, apontou um responsável da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). “Quanto às obras nas zonas C e D, vamos continuar a exigir aos empreiteiros que cumpram os indicadores e as fiscalizações. Pedimos aos empreiteiros que controlem a qualidade da água. A DSPA também pediu

certos trabalhos mas eu, mesmo assim, exigi que continuassem.”

NOVIDADES NAS LAG

Como é o grande responsável, Raimundo do Rosário referiu que é também a si que lhe cabe a decisão face às prioridades. Com o segmento da Taipa em fase de conclusão, o secretário adiantou o que virá a seguir. “Quando debatermos as Linhas de Acção Governativa (LAG) vou falar sobre o orçamento do segmento de ligação entre a Taipa e Macau e espero que no próximo ano, ainda no meu mandato, possa saber o orçamento para a linha de Seac Pai Van e quando será finalizado.” O secretário acrescentou ainda que está a ser elaborado um estudo sobre a linha este do metro. “Temos de ver linha a linha”, defendeu. “Referi, em 2016, que íamos dar prioridade à linha da Taipa, que tem 11 estações, e que iria entrar em vigor em 2019. Neste momento, estamos a analisar a linha este, que vai do Pac On, vai a

Macau e termina nas Portas do Cerco, mas não tenho capacidade para falar de todo o plano, com as estações e os quilómetros.” Raimundo do Rosário deu também garantias de que o Metro Ligeiro vai continuar a ser construído de forma faseada. “Estamos a fazer o trabalho por fases e por linha. Depois da Taipa será a linha de Seac Pai Van e depois a linha este. Em cada fase podemos parar e interromper o projecto, podemos fazer mais uma linha.”

“Neste momento, estamos a analisar a linha este, que vai do Pac On, vai a Macau e termina nas Portas do Cerco, mas não tenho capacidade para falar de todo o plano, com as estações e os quilómetros.”

“UM ERRO”

RAIMUNDO DO ROSÁRIO

O deputado José Chui Sai Peng introduziu o tema do orçamento e, mais uma vez, Raimundo do Rosário falou apenas dos números que poderia falar. O segmento da Taipa deverá ficar-se mesmo pelas 11 mil milhões de patacas, valor que está dividido em três tranches. “A maior é para as carruagens, 3,6 mil milhões serão para a linha da Taipa e 2,6 mil milhões são para o Parque de Materiais e Oficinas.

TIAGO ALCÂNTARA

Estamos confiantes de que não vamos ultrapassar esse valor.” O secretário deu ainda mais explicações sobre os contratos das carruagens encomendadas à Mitsubichi. “Achei que não deveriam ser feitos dois contratos, que eram de 800 milhões de patacas, e depois fundiram-se num único contrato, de 360 milhões, pelo que não constitui um prejuízo.” Apesar do optimismo do secretário, a deputada Song Pek Kei concluiu que este projecto “foi um erro” dados os elevados custos. “Está a fazer um melhor trabalho do que o seu antecessor, porque antes as obras estavam paradas. Não será um erro da nossa parte construir o Metro Ligeiro, porque Macau é um lugar muito pequeno? Se no futuro houver uma redução dos impostos do jogo quem vai suportar essas despesas? Creio que foi um erro construirmos o Metro Ligeiro, porque serão as próximas gerações a pagar.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

aos construtores medidas a fim de evitar que os resíduos sejam espalhados no solo, e essas medidas já estão a surtir efeitos”, frisou. O mesmo governante adiantou ainda que o problema dos maus cheiros na zona da Areia Preta não só está melhor como será resolvido. “São os esgotos ilegais que são despejados naquela zona que causam o mau cheiro, não tem a ver com a poluição”, explicou o secretário Raimundo do Rosário. “Vamos eliminar a sujidade na zona da Areia Preta, acumulou-se lodo nos últimos anos e de acordo com as sugestões de um relatório é melhor utilizar bio-técnicas, com plantas marítimas, para absorver a sujidade do lodo”, apontou o responsável da DSPA. A.S.S.

HABITAÇÃO PÚBLICA OBRAS DO EDIFÍCIO DO BAIRRO DA ILHA VERDE CONCLUÍDAS

E

STÃO concluídas as obras do edifício do bairro da Ilha Verde, explicou Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, no hemiciclo. “Está concluído o projecto e dentro de semanas vamos emitir a licença de ocupação. As obras deveriam estar concluídas em finais de 2016, mas no início de 2017 entrou em vigor a lei do ruído e as obras tiveram de parar ao fim-de-semana e isso levou a um atraso. As obras atrasaram-se até 2017 e depois chegaram os tufões, mas já estão concluídas.” Arnaldo Santos, presidente do Instituto da Habitação (IH), adiantou na Assembleia Legislativa (AL) que a maioria das chaves do edifício Cheng Tou, composto por fracções públicas, já foi distribuída aos candidatos a que foram atribuídas casas do Governo. “No dia 3, recebemos a licença de utilização por parte da Direcção dos Serviços de Solos,

Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e começamos a distribuir as chaves. Até ao dia de hoje [ontem], cerca de 50 por cento das chaves já foram distribuídas e estamos à espera da comunicação com os bancos em relação às fracções que serão hipotecadas. Estamos a fazer de forma muito célere esse trabalho e os bancos já têm mais funcionários a trabalhar para essas fracções.” O secretário defendeu também que o funcionamento do IH, no que diz respeito aos processos das habitações públicas, melhorou nos últimos anos. “Depois de termos falado aqui do Metro Ligeiro já devem saber que a última responsabilidade recai sobre o secretário. O IH tem vindo a registar melhorias no seu trabalho, na realização das escrituras, todos os trabalhos têm vindo a ser acelerados. Não sei se concordam comigo. Mas, claro, que pode melhorar ainda mais.” A.S.S.

Novos aterros Assinado contrato para obras na zona C

Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, anunciou na Assembleia Legislativa que foi assinado ontem um novo contrato para o arranque das obras na zona C dos novos aterros. "Tenho uma novidade: foi assinado esta manhã [ontem] um contrato para as obras da zona C dos novos aterros, por isso vai avançar mais um projecto", referiu o secretário em resposta ao deputado Mak Soi Kun. O ano passado, o secretário garantiu que o aterro na zona C estaria pronto nesse mesmo ano e que este ano deverá ficar concluída a zona D.


6 política

31.10.2018 quarta-feira

Cenas dos próximos capítulos

Às voltas

TIAGO ALCÂNTARA

LAG ALIANÇA DE POVO SUGERE ARRENDAMENTO DE HABITAÇÃO PÚBLICA A JOVENS

Deputados aguardam solução sobre redução dos membros da CCPPC na comissão eleitoral

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A Aliança de Povo de Instituição de Macau organizou um fórum que antecipa a apresentação das próximas Linhas de Acção Governativa. A maioria dos convidados focou-se nos temas da habitação pública, trânsito e nas medidas e apoio social para idosos

O

presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Nick Lei, entende que apesar do Governo ter elaborados vários projectos de habitação pública, existem lacunas que merecem preocupação, nomeadamente a falta de calendários para a conclusão desses projectos. À margem do fórum organizado na sede da associação, o presidente disse aos jornalistas esperar que as casas públicas sejam construídas o mais rapidamente possível. Nick Lei revelou que recentemente a opinião pública foi auscultada, inclusivamente das faixas etárias mais que manifestaram esperança na redução dos preços das casas. Para corresponder a estas expectativas, o líder associativo espera que as Linhas de Acção Governativa (LAG) tenham medidas que auxiliem os mais novos a aceder ao mercado imobiliário. “Perante o contexto da falta de habitação pública suficiente,

e antes da implementação de medidas de controlo dos preços das casas no mercado privado, será que o Governo pode introduzir novos conceitos no âmbito de habitação pública? Por exemplo, fazer com que os jovens possam arrendar fracções de habitação pública antes de as adquirir”, salientou.

IDOSOS E TRÂNSITO

Por outro lado, o responsável da associação mencionou os problemas crescentes enfrentados pela população idosa. No entanto, Nick Lei sugere que se aumente o valor da pensão para idosos, que sejam oferecidas oportunidades de emprego a este segmento populacional, que o regime de previdência central não obrigatório seja revisto e que se implemente o regime obrigatório. O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública, Cheang Chong Fai, destaca o trânsito como um dos temas que

LINHAS DE VISÃO

A

Associação de Nova Visão de Macau realizou um inquérito, ao qual responderam mais de oito centenas de pessoas, sobre as expectativas para as LAG. Segundo um comunicado, mais de 80 por cento dos cidadãos querem medidas e políticas sociais incluídas no relatório das LAG. De entre as dez medidas e políticas mais esperadas, as primeiras três dizem respeito à maior rapidez de construção de habitação pública, melhorias no trânsito e acelerar a reforma médica. Além disso, a associação revelou que, pela primeira vez, entraram na lista de temas expectáveis para as LAG políticas de incentivo à criação de negócios entre os mais jovens e soluções para inundações.

“Será que o Governo pode introduzir novos conceitos no âmbito de habitação pública? Por exemplo, fazer com que os jovens possam arrendar fracções de habitação pública antes de as adquirir.” NICK LEI ALIANÇA DE POVO DE INSTITUIÇÃO DE MACAU mais expectativas gera para as LAG, especialmente o tráfego na zona da Pérola Oriental e o impacto que tem na vida quotidiana da população. Por sua vez, Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, confessou não ter uma perspectiva optimista em relação ao relatório das LAG de 2019, por achar que não será fácil ter ideias criativas. Ainda assim, o líder associativo critica o facto de o Governo ter organizado encontros com associações locais só recentemente, numa altura demasiado próxima da

data de divulgação do relatório das LAG. Como tal, Nelson Kot pede que o Executivo comece os encontros meio ano ou até nove meses antes de divulgar relatório, para que as sugestões sejam tidas em conta. Entretanto, o presidente está optimista e prevê que as medidas apresentadas sejam benéficas para os cidadãos, nomeadamente através do aumento das prestações de assistência social. Vítor Ng

info@hojemacau.com.mo

2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) continua à espera uma “solução” para resolver a redução de 16 para 14 do número de representantes dos membros de Macau na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) na comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo, a via que vai abrir caminho à entrada de dois representantes do futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). “Esta proposta de lei [de alteração à Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo] entra em vigor a 1 de Janeiro e tem que se esclarecer bem quem são os dois que não podem eleger o Chefe do Executivo”, insistiu o presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). O caminho – segundo apontou Chan Chak Mo – deverá passar eventualmente pela introdução de uma disposição transitória. É que o diploma, actualmente em análise em sede de especialidade, tem data de entrada prevista a 1 de Janeiro, altura em que estará ainda a valer o mandato (de cinco anos) dos membros da quarta comissão eleitoral, ou seja, a que escolheu o líder do Governo em 2014. O artigo 31.º do diploma dita que se a perda de qualidade de candidato for relativa designadamente a representantes dos membros de Macau na CCPPC procede-se a uma nova selecção dos correspondentes membros na comissão eleitoral. Estes – recorde-se – são eleitos pelos seus pares mediante sufrágio interno. No entanto, na perspectiva dos deputados, a norma precisa de ser “mais clara”. Enquanto falava aos jornalistas, Chan Chak Mo deu conta de que estava a decorrer uma “reunião técnica” entre as assessorias do Governo e daAL para tentar resolver o imbróglio. O outro ponto que dominou a reunião prendeu-se com os futuros representantes do IAM que vão entrar para a comissão eleitoral. Segundo Chan Chak Mo, houve deputados que contestaram o facto de o diploma prever que os membros do conselho de administração do IAM – nomeados pelo Chefe do Executivo – possam integrar a comissão eleitoral, composta por 400 elementos que escolhe o líder do Governo, sob o argumento de “ética política”, por “parecer que estarão a votar no patrão”. No entanto, a maioria dos membros da 2.ª Comissão Permanente da AL acabou por aceitar as explicações do Governo. “Membros do conselho de administração também são membros do IAM”, afirmou o presidente da 2.ª Comissão Permanente da AL, apontando que a sua exclusão constituiria assim uma violação à Lei Básica. “Isto não é uma novidade”, sustentou, fazendo o paralelismo com os deputados nomeados pelo Chefe do Executivo que também podem votar na sua eleição. D.M.


sociedade 7

Palestra Filósofo Chen Lai aborda valores e visão de mundo da cultura chinesa

TIAGO ALCÂNTARA

quarta-feira 31.10.2018

“Valores e Visão de Mundo da Cultura Chinesa – Horizonte da Globalização” titula a palestra proferida, no próximo domingo, por Chen Lai, descrito como um dos mais influentes filósofos e pensadores contemporâneos da China. A iniciativa, marcada para as 15h no auditório do Instituto Politécnico de Macau (IPM), integra as palestras de mestres da cultura organizadas pelo Instituto Cultural (IC) desde 2013. Em comunicado, o organismo indica que Chen Lai, que é actualmente director da Academia de Estudos Chineses da Universidade Tsinghua e conselheiro do Instituto Central de Investigação de Cultura e História, tornou-se o primeiro doutorado em filosofia na nova China. Chen Lai, que estuda sobretudo história da filosofia chinesa, com especial foco no confucionismo, recebeu inúmeras distinções na China. A palestra, que vai ser conduzida em mandarim, com tradução simultânea para português, tem entrada livre, embora seja necessário inscrição. O prazo para o efeito termina às 17h do próximo sábado.

Ponte HKZM Aeroporto Internacional de Macau com serviço de ‘check-in’

O Aeroporto Internacional de Macau anunciou ontem que vai instalar um ‘check-in’ no posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, devido ao expectável aumento de passageiros. “Com a abertura da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, espera-se que a mobilidade de residentes e passageiros nas três zonas continue a aumentar no futuro”. Como tal, “de modo a proporcionar uma conveniente viagem aos passageiros, o Aeroporto Internacional de Macau (MIA) reservou um espaço para instalar o centro de serviço de check-in”, refere em comunicado. Nos primeiros seis meses do ano, o aeroporto registou mais de quatro milhões de passageiros, mais 20 por cento em termos anuais homólogos.

Economia Comércio externo subiu 19,6 por cento até Setembro

O comércio externo de Macau atingiu 75,01 mil milhões de patacas até Setembro, traduzindo um aumento de 16,7 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Macau exportou bens avaliados em 9,07 mil milhões de patacas (mais 5,9 por cento) e importou mercadorias avaliadas em 65,94 mil milhões de patacas (mais 21,7 por cento) nos primeiros nove meses do ano. Por conseguinte, o défice da balança comercial nos nove primeiros meses agravou-se, atingindo 56,87 mil milhões de patacas.

SEGURANÇA QUASE UM QUINTO DA POPULAÇÃO PRISIONAL EM PRISÃO PREVENTIVA

À espera de julgamento Quase um quinto da população prisional de Macau encontra-se em prisão preventiva. A possibilidade de se introduzir a pulseira electrónica merece “reflexão”, mas parece estar fora da agenda do Governo

A

população prisional de Macau era composta, a 31 de Agosto, por 1.397 reclusos. Do total, 250 encontravam-se em prisão preventiva, ou seja, o equivalente a 17,8 por cento do total, de acordo com dados facultados ao HM pela Direcção dos Serviços Correccionais (DSC). O universo de reclusos – 1.397 – representa 85,7 por cento da capacidade máxima do Estabelecimento Prisional de Coloane, estimada em 1.630 pessoas. Ora, a proporção de reclusos em prisão preventiva – na ordem de um quinto – tem desencadeado críticas por parte de advogados que alertam para a

eventual banalização do recurso à mais grave medida de coacção prevista na lei. Neste âmbito, a possibilidade de ser introduzida a figura da pulseira electrónica, por um lado, como alternativa a medidas privativas de liberdade e, por outro, para aliviar a lotação da cadeia, tem sido abordada de quando em vez, por deputados e advogados. Aliás, há sete anos, chegou mesmo a ser proposta pelo Conselho dos Magistrados do Ministério Público (MP) no âmbito do parecer relativo à revisão do Código de Processo Penal (CPP) por ser “uma medida madura tecnologicamente e viável juridicamente”.

Recorde-se que o organismo era liderado, à altura, por Ho Chio Meng, condenado a uma pena de 21 anos de prisão, em Julho do ano passado.

PULSEIRA INTELIGENTE

Contactado pelo HM a respeito, o actual Procurador, Ip Son Sang, afirmou que o Ministério Público (MP) não iniciou qualquer “estudo específico” sobre a hipótese de introdução da pulseira electrónica, mas “mantém um parecer positivo” em relação à alteração do CPP. “No entanto, as alterações devem assegurar a protecção dos direitos dos cidadãos”, ressalva o gabinete do Procurador, na breve resposta, num aparente comentário a outras

Secretaria para a Segurança diz que introdução da figura da pulseira electrónica é “merecedora de profunda reflexão”

sugestões apresentadas na altura pelo Conselho de Magistrados do MP relativamente à reforma do CPP. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, respondeu, por seu turno, que a pulseira electrónica é uma medida “merecedora de profunda reflexão e discussão pública, a qual, não obstante a sua relevante importância, não se esgota na opinião da comunidade jurídica”. No entanto, as questões de política criminal não são definidas pela secretaria para a Segurança, cabendo-lhe, tão somente, a execução das medidas privativas de liberdade impostas pelos tribunais da RAEM”, ressalva. A secretaria para a Administração e Justiça figura como a tutela sob a qual recai a responsabilidade na matéria – dado que a introdução da pulseira electrónica implicaria mexidas no CPP –, mas Sónia Chan escusou responder às perguntas endereçadas por este jornal. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com


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31.10.2018 quarta-feira

RESTAURAÇÃO QUATRO FERIDOS APÓS EXPLOSÃO POR FUGA DE GÁS

Perigo silencioso

O acidente ocorreu por volta das 6h50 da manhã, num restaurante no Porto Interior, e três dos feridos estão internados. As autoridades dizem que o número de botijas de gás no restaurante respeitava a lei

Tufão Possibilidade de sinal 1 devido ao Yutu

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) informaram, ao final da tarde de ontem, da possibilidade de ser içado o sinal 1 de tempestade tropical até ao início da manhã de hoje devido à aproximação do Yutu. O estado do tempo na região será afectado pela influência do tufão com uma monção nordeste, a partir de hoje e até ao fim-de-semana, pelo que, segundo as previsões dos SMG, o vento será forte.

29. O indivíduo apresenta queimaduras de segundo grau nos membros inferiores, fractura óssea discal, contusão

cerebral e contusão pulmonar. O estado de saúde é considerado estável. Já a mulher teve alta, horas depois, uma vez que apenas

EXMOO

Q

UATRO pessoas ficaram feridas, três das quais em estado grave, durante a manhã de ontem, na sequência de uma explosão num restaurante no Porto Interior. O caso foi detectado pelas 6h50 na manhã e na origem esteve a fuga de gás numa das botijas do restaurante. Os feridos são trabalhadores do espaço, três do género masculino e um do feminino, e apresentam queimaduras de primeiro e segundo graus, de acordo com a informação fornecida pelo Corpo de Bombeiros, ao HM. Após a chegada ao local das autoridades, os afectados foram imediatamente transportados para o Centro Hospitalar Conde São Januário (CHCSJ) e Hospital Kiang Wu. Segundo um comunicado do Governo, os homens internados no hospital público têm 29 e 32 anos. Um dos feridos tem cortes profundos na cabeça e no rosto e teve de ser suturado. Já o outro teve “queimaduras de grau II em 40 por cento do corpo”, que lhe afectaram “a cabeça, o rosto e os membros”. Também os pulmões deste segundo paciente apresentam lesões, pelo que está internado nos cuidados intensivos. Para o Hospital Kiang Wu foram encaminhados um homem com 37 anos de idade e uma mulher com

tinha queimaduras ligeiras nos membros inferiores. O restaurante afectado fica num edifício na Rua Doutor Loureço Pereira Marques e quando as autoridades chegaram ao local já todos os trabalhadores, entre eles os feridos, estavam no exterior. Por esta razão, assim que chegaram ao local os 48 bombeiros, que estavam divididos por 8 viaturas, puderam começar imediatamente a combater as chamas. “A investigação preliminar aponta para a existência de uma fuga de gás, que depois levou à explosão. A fuga teve origem numa das quatro botijas de gás do restaurante, número de botijas que respeita a legislação em vigor”,

“A fuga teve origem numa das quatro botijas de gás do restaurante, número de botijas que respeita a legislação em vigor.” PORTA-VOZ DO CORPO DE BOMBEIROS

disse fonte do Corpo de Bombeiros, ao HM.

TECTO DESTRUÍDO

Como consequência da explosão, o tecto do restaurante, que tem uma habitação por cima, colapsou parcialmente e houve também uma das paredes da cozinha, local onde se verificou o acidente, que ficou totalmente destruída. Além disso, houve vários objectivos destruídos, com os vidros a serem projectados para a via pública. Apesar do impacto, não houve danos para os edifícios situados ao lado do restaurante afectado pela explosão. Após o incêndio, o Comandante do Corpo de Bombeiros, Leong Iok Sam, deslocou-se ao local onde defendeu, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a necessidade dos restaurantes instalarem detectores de fugas de gás. A instalação não é obrigatória, mas é aconselhada pelos bombeiros. Esta é a segunda grande explosão em restaurantes registada este ano. Em Julho, uma situação semelhante ocorreu na Zona da Areia Preta, também causada por uma fuga de gás numa botija, e causou um morto e seis feridos. Na altura, a vítima mortal não estava no restaurante, mas antes do outro lado da parede da cozinha, numa área de um edifício residencial que dá acesso aos elevadores para os moradores do prédio. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

JOGO LUCROS DA SJM SUBIRAM 65,1% NO TERCEIRO TRIMESTRE DO ANO

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Sociedade de Jogos de Macau (SJM) anunciou ontem ter registado lucros líquidos de 707 milhões de dólares de Hong Kong entre Julho e Setembro – mais 65,1 por cento em termos anuais homólogos. Em comunicado, a operadora, fundada pelo magnata Stanley Ho, indi-

ca que as receitas líquidas do jogo ascenderam a 8,3 mil milhões de dólares de Hong Kong – mais 9,5 por cento face ao terceiro trimestre do ano passado – correspondendo a sensivelmente 98 por cento do total de receitas encaixadas pelo grupo. O segmento de massas contribuiu com 5,6 mil

milhões de dólares de Hong Kong – mais 10,6 por cento – ao passo que as receitas do jogo VIP (grandes apostas) geraram 5,03 mil milhões de dólares de Hong Kong – mais 6,6 por cento em termos anuais homólogos. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações

e amortizações) foi de 919 milhões de dólares de Hong Kong no terceiro trimestre, traduzindo um aumento de 26,7 por cento comparativamente ao terceiro trimestre do ano passado. “A SJM continuou a apresentar resultados sólidos no terceiro trimestre, com um bom crescimento

nas receitas, do EBITDTA ajustado e dos lucros líquidos”, realçou o CEO da SJM, Ambrose So, citado no mesmo comunicado. A SJM refere ainda que o Grand Lisboa Palace, que vai marcar a entrada da SJM no Cotai, avança a todo o gás, mantendo as previsões de abertura para o próximo ano. D.M.


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quarta-feira 31.10.2018

P

O

AAM SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA DESISTE DE CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA

democrático, o princípio ‘um homem, um voto’ e o Código Deontológico.

Toalha ao chão

PONTO DE VIRAGEM

Sérgio de Almeida Correia desistiu de candidatar-se à Associação dos Advogados (AAM), abrindo assim caminho para a reeleição de Jorge Neto Valente como presidente HOJE MACAU

OR entender “não haver condições” que permitam levar avante a sua candidatura à presidência da Associação dos Advogados (AAM), Sérgio de Almeida Correia desistiu de apresentar uma lista para a direcção. A decisão foi anunciada ontem, na véspera do fim do prazo para a formalização das listas. “Ciente de que não faz sentido vencer com uma lista amputada da colaboração de colegas que estimo e que trabalham em escritórios que, no seu conjunto, representam cerca de uma centena de advogados que, por razões várias, se viram impedidos de participar, considero não haver condições que permitam levar avante um projecto amplo de participação que melhor servisse a AAM e a RAEM”, diz Sérgio de Almeida Correia, num comunicado enviado ontem à noite às redacções. Na nota, redigida em português e em chinês, o advogado tece duras críticas ao actual presidente da AAM, acusando-o de gerar “um clima de receio” relativamente à alternativa apresentada: “Logo após ser conhecida a minha pré-candidatura, o actual presidente proferiu uma série de declarações e desencadeou um conjunto de acções que passaram por um ataque à minha pessoa e à advocacia que pratico, destinado a desacreditar-me aos olhos dos meus pares, o que gerou nos espíritos um clima de receio relativamente às intenções da minha candidatura”.

Sérgio de Almeida Correia “Considero não haver condições que permitam levar avante um projecto amplo de participação que melhor servisse a AAM e a RAEM.”

No comunicado, sublinha que Jorge Neto Valente, embora “no poder de forma praticamente ininterrupta” desde meados da década de 1990, está no direito de se recandidatar. No entanto, “escusado seria que invocasse a minha pré-candidatura como razão, excepcional, nas suas palavras, para dar o dito por não dito”, assinala o advogado, para quem tal demonstra “a inutilidade dos

Tribunal de Última Instância (TUI) considerou que a adjudicação das obras de construção de habitação social de Mong Há e de reconstrução do Pavilhão Desportivo de Mong Há foi feita de forma ilegal. As obras já estão em curso, desde o ano passado, mas o tribunal decidiu que o consórcio constituído pelas Companhia de Construção e Obras Portuárias Zhen Hwa e Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung nunca poderia ter sido aceite no concurso, por estar em causa “as condições normais de concorrência”. Segundo a decisão tomada no passado dia 19 de Outubro, e revelada ontem, um dos accionistas da empresa Shing Lung era igualmente o único accionista de uma outra empresa, a Long Cheong,

discursos que, ao longo dos anos, proferiu de cada vez que invocava cansaço para continuar a presidir à AAM”. O advogado condena ainda a incoerência: “O presidente da AAM critica a falta de renovação do TUI [Tribunal de Última Instância], mas ele próprio só sairá de cena quando for ele a escolher o sucessor e este corresponder ao perfil que ele deseja”. “Desde a primeira

E vão duas Chefe do Executivo forçou adjudicação ilegal em obras de Mong Há

que também participou no mesmo concurso público. Enquanto a Shing Lung foi a vencedora do concurso da adjudicação da obra, a Long Cheong ficou no terceiro lugar, depois de ter participado em consórcio com a empresa Cheong Kong. Para o TUI, o facto de haver um accionista comum em duas propostas diferentes é um acto que é susceptível de “falsear as condições normais de concorrência”, o que de acordo com a lei das obras públicas obriga a que sejam “rejeitadas as propostas e candidaturas

hora, em vez de aceitar uma disputa com nobreza e lealdade, mostrou-se agastado e necessitou de tocar os sinos a rebate, agitando papões e antecipando uma lista de ‘ruptura e de confronto’ que só ele viu”, lamenta. Sérgio de Almeida Correia realça, porém, que “desde o início” ficou claro que o seu objectivo era “fortalecer a AAM” – “e não dividi-la”. Isto porque, “dividida já

apresentadas”. Por esta razão, o TUI conclui que “as propostas [com o mesmo accionista] tinham de ser rejeitas”. O TUI veio desta forma confirmar uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI), de 14 de Junho deste ano, que era contestada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On. Isto porque após o concurso, as empresas Grupo de Construção Top e Top Builders Internacional, devido à existência do accionista comum, recorreram dos resultados da adjudicação.

DÉJÀ VU

Após analisar a questão, o TSI já tinha decidido a favor das construtoras insatisfeitas, que tinham sido derrotadas no concurso, contudo, Chui Sai On optou por recorrer da decisão. Agora surge um veredicto

ela está”, argumenta, sustentando que “quem vai às assembleias-gerais há muito viu isso”. “Procurei um debate sério e elevado sobre as questões de advocacia, alertando os meus colegas para o que estava a suceder e para o futuro”, observa, afirmando que fez “em consciência” o que entendeu que podia fazer, respeitando nomeadamente as regras do jogo

Defendendo que “a eternização do poder fragiliza as instituições”, retirando-lhes “voz e discernimento”, Sérgio de Almeida Correia vinca que “a falta de renovação da AAM segmentou e dividiu a classe”. “Não há advogados de primeira e de segunda. Não há portugueses e chineses. Há apenas advogados. Gente que trabalha, honrada, que cumpre. Gente que devia conhecer os critérios que determinam muitas das opções da AAM”, observa. Apesar da saída de cena, Sérgio de Almeida Correia entende que a sua candidatura marcou um ponto de viragem: “A minha intervenção gerou um debate nunca visto na classe e na sociedade sobre o papel da AAM e dos advogados na RAEM”. “De hoje em diante nada será como antes”, enfatiza. Sérgio de Almeida Correia sublinha ainda que sua disponibilidade para servir os advogados e os residentes da RAEM “continuará a ser total” e, a fechar, endereça uma mensagem a todos os que o apoiaram, pedindo-lhes “compreensão” relativamente a “uma decisão que, sendo tão difícil quanto foi a de avançar, é, uma vez mais, pessoal”. O HM tentou contactar o presidente da AAM e agora único candidato, Jorge Neto Valente, para obter uma reacção, mas sem sucesso. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

final e as empresas Zhen Hwa e Shing Lung assumem as custas do processo, uma vez que concorreram em condições que tornam o mesmo inválido. Quanto ao Chefe do Executivo, devido ao andamento das obras, poderá voltar a recusar aplicar a decisão dos tribunais, o que obrigaria a uma nova adjudicação, invocando “causa legítima de inexecução”, alegando que estão em causa “graves prejuízos para o interesse público”. Esta foi uma medida tomada em relação ao Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro, quando em Agosto deste ano a adjudicação da obra que estava praticamente terminada foi igualmente considerada ilegal. J.S.F.


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31.10.2018 quarta-feira

CHAN WENG HON

Histórias de um porto “Quando acolhemos os vietnamitas, os residentes não se importavam que as pessoas viessem para cá e recebiam bem quem aqui chegava. Mas agora, não é assim.”

SOFIA MARGARIDA MOTA

Entre 1977 e 1991 chegaram a Macau milhares de refugiados do Vietname. Em 1981, durante mais de um mês, todos os dias, o fotojornalista Chan Weng Hon foi fotografar estas pessoas e o seu dia a dia. A exposição “Boat People”, patente até 14 de Novembro na Galeria 1844, conta esta história em 42 imagens

FOTÓGRAFO

para a Taipa para poder tirar fotografias.

Como nasceu esta exposição? A maioria das imagens foi tirada em 1981. Na altura trabalhava no Jornal Tai Chung Pou. O Governo de Macau aceitou abrigar os vietnamitas que fugiam da guerra. Estes refugiados queriam

primeiro chegar a Macau ou a Hong Kong para depois poderem ir para outros sítios como os Estados Unidos ou Inglaterra, por exemplo. As pessoas chegavam a Macau todos os dias, em barcos muito pequenos completamente

cheios. Vinham à procura de um abrigo temporário. Recordo que no início ainda não existia nenhum abrigo para as acolher, pelo que acabavam a monte numa espécie de campo, onde o barco as deixava, na Taipa.

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Música Erykah Badu a fechar Clockenflap

Conhecida como a rainha do Neo Soul, Erykah Badu junta-se ao cartaz do Clockenflap, o festival que tem lugar em Hong Kong entre os próximos dias 9 e 11 de Novembro. O espectáculo de Badu vai preencher o cartaz de domingo dando ao festival “um final majestoso”, aponta a organização na apresentação dos últimos nomes em destaque para a edição deste ano. Outros nomes de última hora, anunciados ontem, são Big Shaq, Zooey Wonder, The Low Mays, Instinct of Sight, GTB e Wu Tiao Ren.

Mas acabou por se arranjar três locais para instalar estas pessoas: na Ilha Verde, na Taipa e em Ka Ho. Estamos a falar de pessoas que chegavam sem nada. Todos os dias, durante mais de um mês, apanhava o autocarro

Como era a chegada destas pessoas a Macau? Acho que ao princípio estas pessoas só pensavam numa forma de poder ir de Macau para outro sítio. Penso que não era a sua intenção cá ficarem e encaravam a vinda para Macau como temporária. Por outro lado sentiam-se seguras por ter aqui um local onde estar enquanto não podiam ir para mais lado nenhum. Penso que a sensação era também de alívio porque sabiam que já não tinham que se preocupar muito mais. À chegada, mal saíam do barco passavam por uma inspecção. O objectivo das autoridades era verificar se ninguém transportava nada perigoso, especialmente armas como pistolas ou facas. Que impressão ficou desta altura e destas pessoas?


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quarta-feira 31.10.2018

Muitas vezes quando as pessoas fogem para outros países acabam por se isolar e às vezes criam problemas e envolvem-se em conflitos. Mas neste caso nada disso aconteceu. A sensação que ainda hoje tenho e que me marcou foi a de chegada de famílias inteiras em condições muito precárias e que só queriam estar num ambiente de calma e de paz e era isso que transmitiam também. Tinha algum contacto com eles? Não. O meu trabalho era ir ali, todos os dias, e fotografar. Uma vez com as fotografias tiradas tratava de imediato de ir para o jornal para as passar aos meus colegas que escre-

viam para acompanharem os seus artigos. Qual é a sua imagem favorita? Não está nesta exposição. Foi comprada por uma companhia ligada ao estudo da história de Macau por ser um documento histórico. Mas aqui tenho esta [uma imagem no túnel da Taipa]. Gosto especialmente dela porque consegui juntar todos os refugiados que na altura estavam ali para tirar uma fotografia de grupo. Ao lado estava o posto da policia. Do que me recordo estas pessoas eram bem recebidas pelas autoridade. Estas imagem foram tiradas em 1981 e só agora estão a ser expostas pela primeira vez. Porquê tanto tempo para mostrar este trabalho? Quando fiz as fotografias vendi algumas para quem se dedicava ao estudo da história local. Mas acho que agora é o momento de mostrar esta parte da história local principalmente aos mais novos. São pessoas que vieram para Macau e que acabaram por viver aqui durante algum tempo e fazem parte de um momento histórico que está muitas vezes esquecido. Hoje em dia já pouca gente se lembra desta altura. Macau é conhecido agora por ser o destino de muitos filipinos, vietnamitas ou indonésios que vêm à procura de trabalho,

mas ninguém se lembra do tempo em que recebíamos refugiados. O que espera desta exposição? Espero dar a conhecer mais sobre o que se passou em Macau, principalmente às gerações mais novas que não fazem ideia desta parte da história local. Que diferenças sente entre Macau daquela altura e o território actualmente? Penso que a maior diferença está na forma como as pessoas de Macau recebem quem vem de fora. Quando acolhemos os vietnamitas, os residentes não se importaram que as pessoas viessem para cá e recebiam bem quem aqui chegava. Mas agora, não é assim. Talvez seja porque entretanto Macau recebeu muitas pessoas de fora como os emigrantes filipinos. Talvez isso tenha feito com que os residentes pensem, sem razão, que vão ficar sem os seus empregos. As pessoas agora afastam-se de quem para cá vem. Não pensam que quem vem para Macau trabalhar também vem de circunstâncias que envolvem pobreza. Não querem saber disso. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.nmo

Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Arruda CHAN WENG HON

o de abrigo

HOJE NA CHÁVENA

Nome botânico: Ruta graveolens L. Família: Rutaceae. Nomes populares: ARRUDADE-FRANÇA; ARRUDA-DOSJARDINS; ARRUDA-FÉTIDA; ARRÚDIA; ERVA-DAS-BRUXAS; RUDA. Oriunda dos países mediterrânicos (Norte de África e Sul da Europa) e da Ásia Menor, a Arruda cresce em terrenos secos e pedregosos, entulhos, muros, matagais ou próximo de hortas, sendo também cultivada. Trata-se de uma planta herbácea, subarbustiva e lenhosa com o tempo, de talo erecto e ramoso, que pode alcançar um metro de altura; as folhas são verde-azuladas, profundamente divididas e contêm glândulas translúcidas com óleo essencial responsável pelo seu odor característico; as flores, de cor amarelada, estão agrupadas em umbelas terminais. O emprego da Arruda como planta medicinal remonta a tempos muito antigos. Planta bíblica, foi referida na Antiguidade por autores como Hipócrates, Plínio e Dioscórides. Durante a Idade Média foi muito usada como planta abortiva e anticonvulsivante e também muito cultivada nos conventos pelas supostas propriedades anafrodisíacas. Nesta época surge ainda ligada a práticas esotéricas. Actualmente, o seu uso medicinal é comum em várias partes do mundo, encontrando-se, por vezes, associado a rituais e enfermidades sobrenaturais. Paralelamente, é planta oficinal em muitos países da Europa e América, estando inscrita em várias farmacopeias. Ainda asssim, devido à sua toxicidade é pouco utilizada em fitoterapia. São usadas as partes aéreas floridas e o óleo essencial. Composição Flavonóides (rutina), óleo essencial (metilnonilcetona), cumarinas e furanocumarinas, e alcalóides; contém ainda ácidos fenólicos, taninos, resina, goma, vitamina C, ácido málico e substâncias amargas. Aroma intenso e desagradável; sabor picante e amargo. Acção terapêutica Devido ao elevado teor em rutina, a Arruda exerce propriedades protectoras sobre os vasos capilares, aumentando a sua resistência e diminuindo a sua permeabilidade (efeito vitamínico P); ao aumentar a resistência, previne a sua rotura reduzindo os derrames e, ao diminuir a permeabilidade, evita a saída excessiva de líquidos dos capilares para os tecidos combatendo o edema. Desta forma, melhora a microcirculação e a oxigenação dos tecidos, sendo também um tónico venoso. Pode ser útil nas va-

rizes, flebites, hemorróidas, fragilidade capilar e para deter algumas hemorragias internas (após diagnóstico). Muito usada popularmente para as perturbações menstruais (ausência de menstruação, menstruações escassas, irregulares ou dolorosas), a Arruda possui uma acção reguladora sobre o ciclo menstrual (fluxo, periodicidade e dores associadas), favorecendo o aparecimento da menstruação quando atrasada. Além disso, estudos em animais demonstraram efeitos abortivos e inibidores da espermatogénese; a líbido dos animais também foi afectada, tendo apresentado um menor número de coitos e menor agressividade comportamental. Com actividade digestiva, antiespasmódica e anti-séptica, esta erva é utilizada nas digestões difíceis, cólicas gastrintestinais e em caso de vermes intestinais que ajuda a expulsar. São-lhe igualmente atribuídas inúmeras outras propriedades: sedativa, anticonvulsivante, antitússica, antiasmática, anti-histamínica, sudorífica, antibacteriana, antifúngica, antimicótica, antiparasitária. Outras propriedades Quando aplicada externamente, a Arruda provoca irritação e rubor no local, atraindo o sangue para a pele e originando uma sensação de calor; é ainda considerada anti-inflamatória, analgésica e anti-reumática. Emprega-se nas dores reumáticas, doenças de pele, entorses, hematomas, feridas, inflamações da boca e faringe, e dores de dentes. Como tomar • Uso externo: Infusão das partes aéreas floridas: 3 a 5 gramas por litro de água fervente. Em forma de compressas, lavagens, bochechos e gargarejos. Também pode ser usado o óleo essencial diluído. Precauções Devido à sua toxicidade, não é recomendado o uso interno da Arruda – a dose terapêutica é muito próxima da dose tóxica e os efeitos tóxicos são cumulativos. Doses não terapêuticas podem provocar edema da língua e da faringe, hipersalivação (sialorreia), excitação seguida de depressão, vertigens, convulsões e até a morte. Em uso prolongado pode originar nefrites e lesões hepáticas. A planta recente pode originar dermatites por contacto e pela acção da luz (fototóxica). O uso tópico está contra-indicado em crianças com idade inferior a seis anos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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31.10.2018 quarta-feira

EDITAL Edital n.º : 120/E-BC/2018 Processo n.º :567/BC/2017/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Travessa da Praia Grande n.º 10, Edf. Nga Yuen, parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar B, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra e o proprietário, bem como os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição Construção de um compartimento com cobertura metálica, Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho 1.1 chapas metálicas e janelas de vidro no terraço. de evacuação. 2.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 11 de Setembro de 2018, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservarse permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 24 de Outubro de 2018 exarado sobre a informação n.º09101/ DURDEP/2018, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição do local afectado, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 24 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng

Anúncio Concurso Público n.º 2/2018 Serviços de Manutenção e Reparação de Equipamentos e Sistemas Informáticos De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o Despacho da Exm.ª Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 22 de Outubro de 2018, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder à abertura do concurso público para os “Serviços de manutenção e reparação de equipamentos e sistemas informáticos”. 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: prestação ao SAFP de “Serviços de manutenção e reparação de equipamentos e sistemas informáticos”, divididos em nove projectos. 5. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade é de noventa dias (não podendo ser inferior a este número), contados a partir da data do acto público do concurso. 6. Caução provisória: deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau - Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, sendo esta caução provisória em montante igual ao total dos montantes das cauções referentes a cada um dos seguintes projectos a que se concorre: 6.1. Caução provisória de MOP 33.000,00 (trinta e três mil patacas), para o 1.º Projecto Equipamentos de Rede Cisco; 6.2. Caução provisória de MOP 12.000,00 (doze mil patacas), para o 2.º Projecto Server HP; 6.3. Caução provisória de MOP 18.000,00 (dezoito mil patacas), para o 3.º Projecto Equipamentos de Rede Dell; 6.4. Caução provisória de MOP 6.000,00 (seis mil patacas), para o 4.º Projecto Equipamentos de Rede H3C; 6.5. Caução provisória de MOP 41.000,00 (quarenta e um mil patacas), para o 5.º Projecto Load Balancing Radware; 6.6. Caução provisória de MOP 32.000,00 (trinta e duas mil patacas), para o 6.º Projecto Sistema de Firewall Palo Alto; 6.7. Caução provisória de MOP 33.000,00 (trinta e três mil patacas), para o 7.º Projecto Equipamentos de Data Storage Hitachi; 6.8. Caução provisória de MOP 9.000,00 (nove mil patacas), para o 8.º Projecto Equipamentos de Rede IBM; 6.9. Caução provisória de MOP 2.000,00 (duas mil patacas), para o 9.º Projecto Equipamentos de Rede Peplink. 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de participação: podem concorrer ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritório na RAEM, explorem, total ou parcialmente, actividades de fornecimento de equipamentos, sistemas e serviços de informática, e comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. 9. Todas as dúvidas sobre o Programa do Concurso e o Caderno de Encargos deste concurso público podem ser apresentadas de acordo com o determinado no mesmo Programa do Concurso, bem como na sessão de esclarecimento de dúvidas a ter lugar no seguinte local, data e hora. Local: Sala Polivalente do 4.º andar do Edifício Vicky Plaza, na Rua do Campo, n.os 188-189, Macau. Data e hora: 5 de Novembro de 2018, às 10H00. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Balcão de atendimento do SAFP, na Rua do Campo n.º 162, r/c, Edifício Administração Pública, Macau. Data e hora limite: 16 de Novembro de 2018, até às 17H30 (não são aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local: Sala Polivalente do 4.º andar do Edifício Vicky Plaza, Rua do Campo, n.os 188-198, Macau. Data e hora: 19 de Novembro de 2018, às 10H00. 12. Consulta do processo do concurso: Os concorrentes interessados podem, a partir da data da publicação do presente Anúncio, ter acesso ao Programa do Concurso e ao Caderno de Encargos do presente concurso, procedendo ao descarregamento na página electrónica do SAFP www.safp.gov.mo, ou ainda, dirigir-se, durante o horário de expediente, ao balcão de atendimento do SAFP, sito na Rua do Campo, Edifício Administração Pública, n.º 162, r/c, Macau, para consultar ou obter, com o pagamento de MOP 200,00 (duzentas patacas), uma cópia dos mesmos. 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço (70 valores) b) Grau de conformidade com os serviços a prestar (20 valores) c) Experiência de serviços (10 valores) 14. Esclarecimentos adicionais: Os concorrentes podem, a partir da data da publicação do presente Anúncio até à data limite para a entrega das propostas, dirigir-se, durante o horário de expediente, ao balcão do SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, Edifício Administração Pública, r/c, Macau, ou aceder à página electrónica do SAFP (http://www.safp.gov.mo) para obter eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, 25 de Outubro de 2018. O Director, Kou Peng Kuan


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Das pressões académicas

Ex-quadro da agência de espionagem líder da Universidade de Pequim

U Margaret Kinnaird, directora do Fundo Mundial para a Natureza “Com a população de tigres selvagens e rinocerontes num nível tão baixo e sob várias ameaças, a legalização do comércio de partes do corpo é simplesmente um risco demasiado grande.”

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China vai voltar a permitir o comércio de produtos feitos à base de partes de tigres e rinocerontes em perigo de extinção, sob "circunstâncias especiais", numa decisão condenada por grupos de protecção dos animais. Um comunicado divulgado na segunda-feira pelo Governo chinês evita referir qualquer alteração à lei que interdita o comércio, referindo apenas que vai "controlar" a venda e compra, e que os chifres do rinoceronte e ossos de tigre poderão ser comprados apenas a partir de animais criados em cativeiro, para "pesquisa médica e cura [de doenças]". "Sob circunstâncias especiais, a regulação da venda e uso destes produtos vai ser reforçada, e qualquer acção relacionada vai ser autorizada. O volume do comércio vai ser rigorosamente controlado", lê-se na mesma nota. Ossos de tigre e chifres de rinoceronte são usados na medicina tradicional chinesa, apesar da falta de evidência sobre a sua eficácia no tratamento de doenças e do impacto na vida selvagem. O Fundo Mundial para a Natureza considerou que a decisão de Pequim vai ter "consequências devastadoras a nível

ELIMINADA INTERDIÇÃO DO COMÉRCIO DE PARTES DE TIGRE E RINOCERONTE

Contra natura global", ao permitir que caçadores furtivos e contrabandistas se ocultem por detrás do comércio legal. "Com a população de tigres selvagens e rinocerontes num nível tão baixo e sob várias ameaças, a legalização do comércio de partes do corpo é simplesmente um risco demasiado grande", reagiu em comunicado Margaret Kinnaird, directora do Fundo. "A decisão parece contradizer a liderança que a China tem assumido, recen-

temente, no combate ao comércio ilegal de espécies selvagens", afirmou.

TROCAS DE MARFIM

A China proibiu o uso e comércio do osso de tigre e chifre de rinoceronte em 1993, depois de aderir à Convenção sobre o comércio internacional de espécies em perigo de extinção, que inclui mais de 170 países. Nesse ano, eliminou o osso de tigre e o corno de rinoceronte da farmacopeia da medicina tradicional chinesa. Já no início deste ano, Pequim baniu o comércio e transformação de marfim de elefante. Desde então, o marfim de elefante deu lugar ao de mamute nos mercados chineses, em Cantão, segundo a agência Lusa. "Ninguém se atreve a vender marfim de elefante; a polícia mantém vigilância apertada", explicaram vários vendedores em Hualin, um dos maiores mercados da capital da província de Guangdong. No entanto, a efectividade da lei está ameaçada pelo comércio nos países vizinhos, com visitantes e intermediários chineses a comprarem marfim de elefante no Japão, Laos ou Vietname, segundo várias organizações de conservação da vida selvagem. A China é o maior consumidor mundial de marfim, símbolo de estatuto e parte importante da cultura e arte tradicionais chinesas.

MA das mais prestigiadas universidades da China nomeou ontem para novo líder o antigo director da filial em Pequim da agência chinesa de espionagem, ilustrando a crescente pressão do regime chinês sobre o meio académico. A escolha de Qiu Shuiping para secretário do Partido Comunista (PCC) na Universidade de Pequim surge numa altura em que a liderança chinesa, sob o comando do Presidente Xi Jinping, procura reforçar a conformidade académica e a influência do partido nas universidades do país. Qiu formou-se em direito, em 1983, pela Universidade de Pequim, onde foi também secretário-geral da Liga da Juventude Comunista da China. Entre 2013 e 2014, foi secretário do partido no gabinete em Pequim do ministério chinês da Segurança do Estado, o organismo encarregue da espionagem e contraespionagem. A nomeação de Qiu visa formar uma instituição “de classe mundial com características chinesas (...) aproveitando as opor-

tunidades na nova era”, lê-se num comunicado de imprensa emitido pela universidade e que recorre à linguagem oficial do PCC.

PODER REFORÇADO

Sob a liderança de Xi Jinping, que após uma emenda constitucional recente poderá exercer como Presidente vitalício, as autoridades chinesas têm reforçado o controlo sobre a sociedade civil, ensino ou religião. “No Governo, exército, sociedade ou escolas, norte, sul, este ou oeste - o Partido [Comunista] comanda tudo”, afirmou Xi Jinping, no discurso que inaugurou o XIX Congresso do PCC, em Outubro passado. O mais poderoso líder chinês desde Mao tem também advertido contra a infiltração de conceitos políticos liberais nas universidades do país, pressionando os académicos a aderirem às noções do regime comunista. No entanto, centenas de milhares de jovens chineses estudam hoje em universidades fora do país. A própria filha de Xi formou-se na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

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AVISO

Anúncio Concurso Público para a “Prestação de Serviços de Vigilância e Segurança das Instalações e Equipamentos da Responsabilidade da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (Abril de 2019 a Março de 2022)” Faz-se saber que, em relação ao concurso público para «Prestação de Serviços de Vigilância e Segurança das Instalações e Equipamentos da Responsabilidade da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (Abril de 2019 a Março de 2022)», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 42, II Série, de 18 de Outubro de 2018, foram prestados esclarecimentos, pela entidade que realiza o concurso, nos termos do ponto 4 do programa do concurso, e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário no Departamento Administrativo e Financeiro da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 13.º andar, e tambem se encontram disponiveis na pagina electronica da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (http://www.dssopt.gov.mo). Macau, 25 de Outubro de 2018.

O Director dos Serviços, substo, Shin Chung Low Kam Hong

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 10 de Outubro de 2018, se acham abertos os concursos de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento das seguintes vagas, e dos que vierem a verificar-se neste serviço até ao termo da validade dos concursos: 1. 1 lugar de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de comunicação escrita em língua chinesa, do quadro; 2. 3 lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de marketing, do quadro; e 3. 3 lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de engenharia civil, do quadro. Os respectivos avisos de abertura de concurso encontram-se publicados no “Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau”, n.º 44, II Série, de 31 de Outubro de 2018. As condições de candidatura e as demais informações encontram-se nos avisos acima referidos e disponibilizadas no website do Instituto do Desporto (http://www.sport.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (http://www.safp.gov.mo). Instituto do Desporto, aos 31 de Outubro de 2018. O Presidente, Pun Weng Kun


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DIVINA COMÉDIA Nuno Miguel Guedes

É

tão fácil a vida deixar-nos sem palavras. Sem nada, até. Este exercício algo desesperado de que o leitor é agora testemunha mais ou menos voluntária não passa, outra vez, de uma luta contra o inevitável. Sabemos que vamos perder cedo ou tarde, a questão não é essa; e a resposta é ir escrevendo como quem vive, na ilusão do náufrago optimista – alguém ou alguma coisa nos irá salvar. Mas não me apetece escrever sobre o que vejo. Prefiro o conforto do bairro, onde a tristeza planetária chega sempre almofadada por algum rosto familiar. Só assim consigo suportar o que medra em todo o lado, algo que nunca esperei assistir mas reconheço como um sintoma e não como a doença. Discursos de ódio, de autoritarismo, da força como derradeiro argumento começam a invadir os dias com uma naturalidade inquietante. Mesmo agora, quando escrevo, existe essa real possibilidade do outro lado do

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mas sigo a jardinagem, podo o tempo.

O espanto como acto de resistência

Atlântico, no Brasil. Custa-me alvitrar, ver para além do que somos bombardeados. Para um pessimista antropológico como eu é uma terrível altura para ter razão. Para um moderado, que

É esta perplexidade perpétua sobre as coisas que as tornam novas. É isto que quem defende a barbárie não permite nem gosta. Até porque é este espanto mental e de criança que sempre nos irá resgatar. Sempre

também sou, é uma péssima altura para não ser ouvido. Gente como nós está à beira da extinção ou na clandestinidade. Sem querer transformámo-nos no novo punk; dizer “vamos pensar antes de agir, discutir antes de fazer” é considerado subversivo pelas ideologias da acção que regressam um pouco por todo o lado. Sei que o Brasil, de uma forma ou de outra, irá sobreviver. Sei que os brasileiros agradecem os conselhos transatlânticos que lhes chegam, bem-intencionados mas inúteis – e que no fim serão sempre eles a escolher o seu destino. O que me preocupa é o preço dessa escolha e dessa sobrevivência porque, isso sim, não tem fronteiras nem moeda própria. E o que fazer desta sabedoria? No meu caso, escrever. Por enquanto ainda nos arreda da barbárie. E refugiarmo-nos no que de bom foi escrito, como o faço agora numa crónica de Antônio Maria, O néscio de vez em quando, publicada em 1959. Se o leitor é visita desta

casa desde o início saberá que este autor brasileiro é um dos maiores cronistas de sempre. Como se não bastasse, ainda teve tempo para compor e escrever grandes canções, de que a célebre Manhã de Carnaval é só um exemplo. Mas divago, deixem que vos diga da crónica; nela, Maria fala dele e da necessidade de escrever; de como, numas férias da sua escrita, estendido numa rede na praia e ouvindo a conversa doce e inteligente da sua mulher ele interrompe-a constantemente com uma fascinação infantil cada vez que um peixe salta do mar: « - Você viu o peixe ? E completo, fazendo o tamanho com as mãos: - Era dest’amanho» É esta perplexidade perpétua sobre as coisas que as tornam novas. É isto que quem defende a barbárie não permite nem gosta. Até porque é este espanto mental e de criança que sempre nos irá resgatar. Sempre.


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Diário de um editor João Paulo Cotrim

PRAÇA DA FRUTA, CALDAS DA RAINHA, 4 OUTUBRO Edifício que já foi banco alberga tesouro maior. Se não é museu, engana bem, tantas vezes as portas generosamente se abrem para entrarmos no «cofre» onde se expõe a maior – dizem-me, em coro a Isabel [Castanheira] e a Margarida Araújo – colecção de cerâmica caldense. João Maria Ferreira faz parte daquela raça de coleccionadores cuja paixão o leva, não tanto à acumulação, mas a descobrir o máximo sobre o objecto do seu desejo. A projectar sobre ele luz. Sem eles, muito património se teria perdido nas voragens do tempo e desatenções estatais. Faltou tempo para apreciar cada detalhe, cada história, cada brilho. Obrigatório voltar, e não apenas por causa de Bordalo. A simpatia de João Maria a isso obriga. Outros pretextos podem ainda acontecer, que das idas ao Oeste costumam resultar aventuras. MUSEU MUNICIPAL, ÓBIDOS, 4 OUTUBRO Além das muralhas, de pedra e humidade, este lugar está cheio de igrejas, vãos de silêncio onde a luz troca carícias com as sombras. As fotografias que Fernando Lemos tomou de Hilda Hilst ergueram outro desses espaços dedicados ao sagrado. E ao desejo. Na dança entre o olhar e o modelo, sendo no essencial pose, a intimidade encandeia de natural. Ela entrega-se sobre a mesa, mão estendida, olhar fugindo; ele desce para recolher o movimento. Só em três dos doze retratos se cruzam os olhos de ambos, mas em todos ela e ele se tocam. Dela emana absoluta liberdade, de pálpebras cerradas solta tranquilidade. As pupilas, as unhas-garras e o cigarro dizem tão só arrebatamento. «Já não sei mais o amor/ e também não sei mais nada./ Amei os homens do dia/ suaves e decentes esportistas./ Amei os homens da noite/ poetas melancólicos, tomistas,/ críticos de arte e os nada.» Assim lhe disse ela, Hilda, a ele, Lemos. «Agora quero um amigo./ E nesta noite sem fim/ Confiar-lhe o meu desejo/ o meu gesto e a lua nova.» Circula (pelo menos na Ler Devagar) cuidado volume (Edições SESC), com organização e texto de Augusto Massi, além de fotomontagens inéditas de Fernando Lemos. Ao texto de enquadramento não se podia pedir mais. A recomposição pelo artista das imagens da memória sublinha mais a luz e os olhos, rasgando, colando, focando, desejando. Os retratos, esses, brilham de intensidade. Não consigo deixo de me abrigar neles, templos portáteis de melancólico gesto, lua nova em noite sem fim. (Na página, exemplo do diálogo entre lâmpada, digo lua, e olho.) Fernando Lemos foi para o Brasil, em 1953, cansado da ditadura. Tantos anos depois, inverte-se o movimento de outros

A luz do desejo artistas por via das trevas que ameaçam o mais solar dos países. CASA JOSÉ SARAMAGO, ÓBIDOS, 5 OUTUBRO Orquestrada pelo [José] Anjos, assisti intermitentemente às tentativas do [João] Barreiros, do Filipe [Homem Fonseca] e do [Luís] Carmelo para materializarem a incorpórea ideia de «realidade aumentada». (Já vos disse que o tema do Fólio deste ano procurava tactear o futuro?). Ela anda aí, não apenas nos livros de ficção científica, não apenas na literatura ela mesma, não apenas nos delírios tecnológicos, mas sobretudo nas expansões comerciais das redes. Retive duas notas. Esta de que os esforços mais recentes limitarão a nossa liberdade de escolha, ainda que anunciem o contrário. E outra: nos primeiros esforços de contar o mundo (Gilgamesh, Mahâbhârata) logo este se viu aumentado. Nem tanto resolvido. Isso poderia ter acontecido na longa conversa, partida e logo reunida em um sem número de outras, mal se juntaram a nós o António [de Castro Caeiro], alegre com a realidade física das «Constituições», e o Henrique [Manuel Bento Fialho], solto de uma prestação televisiva de primeira. Disfrutando a sombra de digníssimas

oliveiras, à força de um pão com sabor a verdade, devidamente regado, a tarde discorreu como rio fresco pelas margens da FC nacional e internacional, do cinema de género, das memórias, da inevitável filosofia, além de desabafos vários e pitada de má-língua. Nasceu ali, creio, a ideia intensamente hodierna de um festival literário cosplay: cada fã só teria entrada se vestisse a pele do seu escritor de eleição. Quanto tardará a acontecer tal visão do inferno? MUSEU ABÍLIO, PRIMEIRO, MUSEU MUNICIPAL DEPOIS, ÓBIDOS, 6 OUTUBRO Cedo, demasiado cedo, o mano Tiago [Ferreira] expôs com desarmante clareza os desafios que enfrentamos face à tecnologia, sobretudo o seu braço armado, a robótica. Acalmou uma ou outra ansiedade, talvez tenha despertado outras, mas afirmou confiança invejável no futuro. Pelo que conheço dele no presente, descansou-me. Deu por título à masterclass, Apocalípticos ou integrados, piscando o olho a Umberto, e logo ecoando na do mano António [de Castro Caeiro], que à velocidade da luz, nos fez perceber que é nos momentos em que tudo parece impossível que o futuro se nos rebenta nas mãos:

«o piscar de olhos da eternidade age sobre nós». O apocalipse ilumina, afinal, outra possibilidade de sermos em andamento. Assim saibamos ler cada sinal, cada brilho. CASA ABYSMO, ÓBIDOS, 6 OUTUBRO O primeiro andar do Jacinto [Gameiro], ali na Rua Direita, quase caía com o peso do bom humor e da luz que o Carlos [Querido] lançou sobre «As Constituições Perdidas de Aristóteles», finalmente vertidas em português de lei pelo António [de Castro Caeiro], e embrulhadas com sabor e saber pelo Miguel [Macedo], aproveitando bem do passado o que ele pode conter de futuro. Por junto, também com o mano [José] Anjos, parecíamos aviadores de balcão, mas, se olharmos às circunstâncias, servíamos possibilidades. Cada constituição começa por esta altura a instituir-se, com perigos, identidade, mas também expectativa, probabilidade outra. De súbito, veio a Raquel [Santos] arrancar-me daqui… MUSEU MUNICIPAL, ÓBIDOS, 6 OUTUBRO …para aqui. Estava para começar a sessão de homenagem ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que se espraiou singela e luminosa, com o Nuno [Miguel Guedes] a gerir conversa solta com Luís Coimbra e o Vasco [Medeiros Rosa]. Falando de futuro, houve quem no passado tivesse razão antes do tempo, que fizesse do seu presente pavimento de utopia ajardinada: parques naturais, desenvolvimento sustentável, arquitectura integrada, luta anti-nuclear, amor à terra, hortas urbanas e política, bem entendido, de tudo se falou. Com soberano respeito pelas diferenças. Sim, é possível. Fui surpreendido, neste contexto, por públicos agradecimentos do Zé [Pinho] e do Humberto Marques, que preside à Câmara. Protestei comovido. O prazer tinha acontecido antes nas longas sessões de preparação, sonhando possibilidades, fazendo pontes, discutindo identidades e constituições e braços amigos, os da robótica. BONS MALANDROS, ÓBIDOS, 6 OUTUBRO Um dos segredos mais divertidos e mal guardados do Fólio neste lugar sagrado de pândega. E desejo. Recolhidas as díspares colheitas do dia, vão chegando ao longo da noitada infindável os poetas tomistas e alguns esportistas. A cada um, a Zélia e o Luís [Cajão] oferecem o conforto de um repasto, temperado pelo carinho, e a última bebida da noite ou a primeira da madrugada. Hoje, estivemos a ler futuros nas mãos até cheirar a jornais do dia e o dia raiava.


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quarta-feira 31.10.2018

Após uma reestruturação profunda e várias limitações, a formação local de pólo aquático participou no torneio de Hong Kong e alcançou uma medalha de prata numa das taças da tabela inferior

PÓLO-AQUÁTICO FISHBALLS DE MACAU PARTICIPARAM EM TORNEIO DE HONG KONG

Por águas vizinhas

O Al Hilal, treinado pelo português Jorge Jesus, goleou ontem o Al Naft por 4-0, em jogo da primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões árabe de futebol. O francês Gomis, de penálti, fez o primeiro, antes do exSporting e Benfica Carrillo fazer o 2-0 e Al Shahrani aumentar a contagem, completa com um autogolo aos 70 minutos, numa partida que deixa o emblema saudita muito próximo dos ‘quartos’ da competição. A segunda mão contra a formação iraquiana está marcada para dia 14 de Novembro.

no último jogo de qualificação estivemos à beira da vitória, mas faltou aquela ponta de sorte, que às vezes faz a diferença”, acrescentou.

REGRESSO PARA O ANO

Após esta participação, os Fishballs de Macau vão continuar a treinar, mas o regresso à competição está apenas agendado para o próximo ano. “As próximas provas vão ser em Hong Kong, já no ano que vem. Temos três ou quatro participações em torneios agendadas”, revelou Rui Pedro Pinto. Em relação ao desenvolvimento da modalidade no território, o capitão explicou também que os Fishballs de Macau vão continuar a apostar na formação local e a preparar mais atletas para reforçar a equipa no futuro.

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equipa Fishballs de Macau participou no passado fim-de-semana no Torneio Beach Festival Hong Kong e conquistou a medalha de prata na Taça Vargas, para equipas da segunda metade da tabela. Em declarações ao HM, o capitão da formação, Rui Pedro Pinto, valorizou o esforço dos atletas, uma vez que o clube encontra-se em fase de reestruturação profunda, depois da saída de vários atletas por motivos profissionais. Ao contrário do que é habitual nas partidas de pólo-aquático, em vez de sete contra sete, o torneio decorreu no formato de quatro atletas contra quatro, num total de 21 minutos, divido em três períodos. Além da formação de Macau, a competição contou

Al Hilal Goleada nos ‘oitavos’ da ‘Champions’ árabe

ainda com equipas de diferentes países e regiões, como Interior da China, Filipinas, Japão e Hong Kong. A primeira fase correu bem para a equipa de Macau, que com uma vitória, diante do

SG Sichuan, e uma derrota, passou em segundo lugar do grupo. Depois, não conseguiu somar mais vitórias, mas levou para casa a medalha de prata de um dos troféus dos patrocinadores, a Taça Vagas.

“Os resultados até poderiam ser outros, porque no último jogo de qualificação estivemos à beira da vitória, mas faltou aquela ponta de sorte.” RUI PEDRO PINTO CAPITÃO

“A nossa prestação foi muito positiva tendo em conta as condições de treinos que temos. Também o clube está em reestruturação interna e houve muitos atletas impedidos de participar. Tivemos inclusive de jogar com um estreante, que esteve em muito bom nível, e duas atletas, que também estiverem num nível muito elevado”, disse Rui Pedro Pinto, capitão da equipa, ao HM. “Os resultados até poderiam ser outros, porque

ESPANHA REAL MADRID RESCINDE CONTRATO COM LOPETEGUI

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Real Madrid rescindiu contrato com o treinador espanhol Julen Lopetegui, anunciou ontem o clube tricampeão europeu de futebol em comunicado, um dia após a goleada por 5-1 sofrida no estádio do rival FC Barcelona. Lopetegui, que orientou o FC Porto entre 2014 e 2016, será substituído interinamente pelo argentino Santiago Solari, treinador da equipa B, no comando técnico do Real Madrid, que deixa com um saldo de seis vitórias, dois empates e seis derrotas, em todas as competições, no nono lugar do campeonato, a sete pontos do Barcelona. O técnico, de 52 anos, abandonou a liderança da selecção espanhola a dois dias da estreia no Mundial2018, frente a Portugal (3-3), para assumir o cargo de

treinador do Real Madrid, que tinha acabado de perder o seu jogador mais influente, o avançado português Cristiano Ronaldo, transferido para a Juventus. “Esta decisão, tomada com a máxima responsabilidade, tem como objectivo promover uma mudança na dinâmica da equipa principal, numa altura em que ainda estão ao seu alcance todos os objetivos que foram assumidos para esta temporada”, indica o comunicado. Apesar de ter manifestado reconhecimento pelo “esforço e trabalho” de Lopetegui, a direcção do Real Madrid considerou que existe “uma grande desproporção” entre o valor da equipa e os resultados obtidos, dos quais se destacam as quatro derrotas e um empate nos últimos cincos jogos na Liga.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

PUB HM • 2ª VEZ • 31-10-18

ANÚNCIO Proc. Acção Ordinária n.º

CV2-16-0029-CAO

2º Juízo Cível

AUTOR: Leong Pak Kan (梁北根), residente em Macau, na Rua de Roma, nº 177, Jardim Hang Kei, Bloco III, R/C, Loja AH. RÉUS: 1. Chan, Fung Kei (陳鳳貴); 2. Fung, Lidia Ling Ying; 3. Fung, Natalia Lin Sau (馮蓮秀); 4. Fung, Victor Armando (馮國輝); 5. Fung, Angela Lin Fey (馮蓮慧); 6. Companhia de Construção e Fomento Predial Kuong Vui, Lda (廣會建築置業有 限公司), registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o nº 2845, com última sede conhecida em Macau, na Rua da Praia Grande, nº. 111B, 9º andar, Centro Comercial “Talento”; e 7. Wong Chan Chio (黃禎釧), masculino, de nacionalidade Chinesa, com última residência conhecida em Macau, na Avenida do Almirante Lacerda, nº 131, edf. Industrial Wa Long, 11º andar. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando os réus Companhia de Construção e Fomento Predial Kuong Vui, Lda (廣會建築置業有限 公司) e Wong Chan Chio (黃禎釧), para no prazo de trinta (30) dias, decorrido que seja o dos éditos, contestarem, querendo, o pedido formulado na petição inicial nos mencionados autos, que resumidamente consistem que: ser o Autor, Leong Pak Kan (梁北根), declarado, para todos os efeitos legais, nomeadamente de registo, legítimo proprietário e único titular, da fracção autónoma designada por “X6” do 6º andar “X”, para habitação, do prédio urbano sito em Macau, na Avenida da Amizade nºs 875 a 893, Rua de Nagasaki nºs 20 a 50-O, Praceta de Miramar nºs 3 a 93 e Rua de Xiamen nºs 5 a 23-K, descrito na Conservatória do Registo Predial sob o nº 21749, a fls. 195 do livro B79, a favor de Armando Fung, por haver adquirido por usucapião. Conforme tudo melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta secretaria nas horas normais de expediente, de que a falta da contestação, não implica o reconhecimento dos factos articulados pelos autores e ainda que é obrigatória a constituição de advogado – artº 74º do C.P.C.M. Macau, aos 25 de Outubro de 2018.


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C I N E M A

UM LIVRO HOJE Gohar é um ex-professor universitário de literatura e filosofia que vive, por opção, como mendigo nos becos do Cairo. Farto da hipocrisia académica, Gohar vai viver para aquilo que considera um mundo real, onde o desespero confere às pessoas uma falta de esperança tal, que a vida, sem mais nada a perder, é levada com alegria e despreocupação. É entre os excluídos do Cairo que “Mendigos e Altivos” se desenrola com o cinismo e crueza que Cossery escreve como poucos. A Gohar, o autor egípcio junta as particularidades de um traficante de haxixe que despreza a classe média, uma dona de um bordel miserável e uma das suas prostitutas que acaba assassinada, um funcionário público que quer a revolução mas é demasiado cobarde para a assumir, e um polícia que vive de aparências. Andreia Sofia Silva

GOOSEBUMPS 2: HAUNTED HALLOWEEN SALA 1

HUNTER KILLER [C] Um filme de: Donovan Marsh Com: Gerard Butler,Gary Oldman 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

HALLOWEEN [C] Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer,

Will Patton, Nick Castle 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

GOOSEBUMPS 2: HAUNTED HALLOWEEN [B] Um filme de: Ari Sandel Com: Madison Iseman, Wendi McLendon-Covey, Jeremy Ray Taylor 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

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PROBLEMA 25

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 24

Cineteatro

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O plenário de terça-feira dedicado a interpelações orais voltou a trazer dois importantes problemas ao de cima. Um de forma e outro de conteúdo. Comecemos pela forma: a língua portuguesa foi ignorada pelo Governo, desta feita na Assembleia Legislativa, com três das quatro respostas escritas da tutela da Economia e Finanças a chegarem sem tradução para português. Mais grave ainda parece-me o conteúdo, dado que a mesma tutela limita-se a acenar a bandeira da transparência, furtando-se à responsabilidade de responder às inúmeras perguntas sobre os avultados montantes do erário público – tanto disponibili26 sem apurado rigor por fundos zados públicos – como sucedeu com a 2 Macau – 1como 4 injectados 9 Viva em empresas de capitais públicos. A total ausência de respostas é 4 com 8 que 7 os jornalistas 6 3 em algo Macau estão habituados a lidar 4 Era de esperar8que7 no dia-a-dia. eventualmente diante 9 do8 órgão 6 4 legislativo, que tem como uma 5 funções fiscalizar 4 2 das principais a acção do Governo, a postura 8 fosse 1 um por parte do Executivo pouco 9 mais6cuidada. 2 Lamentavelmente, está cada vez mais provado que assim não é. Mas quem 3 quer saber? Diana do Mar

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QUEM QUER SABER?

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opinião 19

quarta-feira 31.10.2018

FERNANDO PINTO DO AMARAL

A doença do fascismo

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OR maior que seja a tristeza, ela não basta, não chega para responder ao choque de ontem [domingo] à noite. Muitos da minha geração poderiam supor (eu, pelo menos, supunha) que nunca iriam ver em tempo ainda seu este surto da Extrema-Direita, com uma força que há uns 10 ou 15 anos parecia limitada a zonas específicas (lembro-me da Áustria de Jörg Haider, de Jean-Marie Le Pen em França e pouco mais). No entanto, a dimensão que a ameaça atingiu em boa parte da Europa – e com o Brasil desde ontem [domingo] a resvalar para esse lado – leva-nos a pensar no que o motiva, não podemos desistir de pensar nisso. Não basta rasgar as vestes por aquilo que resta da democracia e ficar cheio daquela boa-consciência das almas talvez justas mas sempre um pouco mortas. E para lá de outras considerações que deixo para depois (o assunto é denso e fica sempre em aberto), o que intuo desde logo nas cabeças de quem vota assim é uma resposta emocional primária, de confiança cega numa só pessoa capaz de pôr finalmente tudo em ordem, capaz de limpar todo o lixo do mundo, capaz de nos proteger de todos os perigos do mundo, capaz de, numa palavra, tomar conta de nós – tomar conta de

nós num mundo globalizado e ameaçador, encarado como demasiado competitivo, venal e corrupto, um mundo onde tudo se compra e tudo se vende e onde só o dinheiro conta, sem a segurança dos valores herdados do passado (religiosos, identitários, culturais no sentido lato), um mundo com demasiados políticos desacreditados e onde “já não se pode confiar neles”, “já não se pode confiar em ninguém”. Fazendo o paralelo entre povos e pessoas, trata-se de um pensamento simplista, binário, infantil, que divide o mundo entre os “bons” e os “maus”, entre o bem (nós) e o mal (os outros), entre o pró e o contra, o oito e o oitenta, muito típico das crianças ainda pequenas (até aos 3 ou 4 anos), mas também dos adultos que sofrem de certos distúrbios ou transtornos de personalidade, sobretudo os que se enquadram no “Cluster B” (vão ver ao Google, vá lá). Esse sistema de ver o mundo a preto e branco, sem outras cores, gera-se como resposta a um trauma infantil de falta de confiança numa figura parental, levando essas pessoas à incessante busca de novas figuras eventualmente protectoras, nas quais depositam uma confiança cega que mais tarde ou mais cedo se verá frustrada, com a inerente desilusão e a raiva que se lhe segue.

Voltando ao nível colectivo, comportam-se da mesma maneira os povos que, numa rajada de loucura, optam pelo fascismo (uso a palavra em sentido lato, não sou historiador nem politólogo), ou seja, os povos que decidem, num súbito impulso – e o fascismo surge muitas vezes por impulso, um impulso desesperado – depositar a sua confiança em alguém que parece enfrentar o caos do mundo contemporâneo de uma forma simples, clara, directa (“nós” somos os bons e “eles” os maus), alguém que – insisto neste ponto – assim os irá proteger ou salvar de todos os males desse mesmo mundo. Semelhante fenómeno se passa com os que aderem a um grupo fortemente organizado e hierarquizado, uma seita ou uma religião que lhes fornece respostas para todas as perguntas das suas vidas – como sucedeu agora com Sinéad O’Connor (recém-convertida ao Islão), como tem acontecido no Brasil com a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus, talvez a grande vencedora destas eleições) ou como podemos ver no excelente filme “The Master”, de Paul Thomas Anderson (2012), inspirado na vida do fundador da Cientologia, com um magnífico Philip Seymour Hoffman (o mentor) e um não menos brilhante Joaquin

Se quisermos saber de onde nasce o mal, é quase sempre desse medo, um medo que surge quando não compreendemos o outro – o que o outro sente, o que outro pensa, o que o outro quer, o que o outro é. Isto vale para pessoas como para povos ou países, e é sempre esse medo sem nome nem rosto que é preciso vencer se quisermos vencer o ódio

Phoenix (o discípulo). Reacção primária, infantil, patológica? Protecção ilusória? É claro que sim, sabemos isso demasiado bem, mas o facto de o conseguirmos reconhecer ou diagnosticar não impede que milhões de pessoas desistam de pensar pela própria cabeça e adiram a essa percepção distorcida da realidade – uma percepção que durante aquele tempo de crença cega e irracional as reconcilia com um mundo que, de certo modo, já não entendem, já não são capazes de compreender na sua complexidade. O problema nasce precisamente dessa não-compreensão, tendo em conta que as pessoas temem o que não compreendem – ou, por outras palavras, as pessoas têm medo. Se quisermos saber de onde nasce o mal, é quase sempre desse medo, um medo que surge quando não compreendemos o outro – o que o outro sente, o que outro pensa, o que o outro quer, o que o outro é. Isto vale para pessoas como para povos ou países, e é sempre esse medo sem nome nem rosto que é preciso vencer se quisermos vencer o ódio – mas lutar com alguma eficácia contra o ódio é das tarefas mais difíceis e mais ingratas que pode haver neste mundo. Reconhecendo a força insana que o move e alimenta (basta respirar alguns fétidos miasmas do Facebook), temos de lhe resistir sempre, não o podemos interiorizar – porque o ódio é contagioso, muito contagioso – , mas ao mesmo tempo temos a obrigação de o combater, combatê-lo como soubermos e pudermos, todos os dias, em todas as frentes. Texto publicado no Facebook do autor


Repreende o amigo em segredo e elogia-o em público. Leonardo DaVinci

PALAVRA DO DIA

GÁS NATURAL SECRETÁRIO AVISA QUE OS PREÇOS VÃO AUMENTAR

COMÉRCIO FUNDO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS INVESTE 6,3 MILHÕES EM PROGRAMA DE APOIO

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Governo vai aumentar os preços do gás natural, adiantou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. “Estejam preparados porque o preço do gás natural vai aumentar. O montante praticado é bastante baixo e vai ser actualizado.” Ontem, no hemiciclo, um responsável do Governo explicou que a actualização dos valores se deve, em parte, à própria reestruturação da Sinsoky, a concessionária responsável pelo fornecimento e instalação de gás natural. “Na altura da assinatura do contrato de concessão, o preço do combustível era diferente. Na altura foi afixado o limite máximo. Com o ajustamento do preço os valores relativamente ao outro tipo de gás vão aproximar-se. Esperamos que essa tarifa venha a ser estável. O gás natural ainda não chegou a Macau e a concessionária já está a iniciar o lançamento das condutas.” Em Agosto, o Governo garantiu ao deputado Au Kam San que estaria a ser planeada a construção de dois gasodutos, sendo que o fornecimento de gás natural é uma realidade sobretudo no Cotai, pois os hotéis têm uma maior capacidade em termos de equipamentos. Mais de 7400 casas estão a usar gás natural, ou seja, dez por cento. “A primeira fase já foi concluída, mas na segunda fase, devido às variações de preços no mercado e à reestruturação da Sinosky, a realização dos trabalhos foi mais lenta”, explicou um representante do Executivo. “A Sinosky entrou em contacto com o Governo para arranjar uma solução a fim de abastecer gás natural a baixo preço em Macau. Vamos rever a lei para que os novos prédios tenham espaço para a instalação de gasodutos. Locais como as habitações públicas e o hospital das ilhas vão ser uma prioridade”, frisou o mesmo responsável. A.S.S.

quarta-feira 31.10.2018

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Todos à defesa

Ex-Governador Garcia Leandro diz que medidas securitárias são tendência mundial

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ARA o primeiro Governador português de Macau do pós-25 de Abril as recentes medidas securitárias são uma preocupação legítima da China, mas não devem retirar o sono aos residentes locais. “Acho que não [devem tirar o sono às pessoas]. São questões que resultam da ciberguerra e das necessidades cibersegurança, que actualmente acontecem em todo o lado”, disse, ontem, em declarações ao HM. “A China percebe que não lhe vão fazer uma guerra, porque tem uma grande massa crítica para aguentar, mas pode ter intervenções do exterior através da via digital para tentaram destruir alguma coisa por dentro. É evidente que Hong Kong é um sítio fácil para essas pretensões e Macau acaba por ser arrastado”, acrescentou. O ex-Governador, que esteve à frente do território entre 1974 e 1979, acredita

também que a situação das duas regiões administrativas especiais é diferente. Porém, admite que possa não haver a mesma percepção por parte do Governo Central. “Para nós, não faz sentido esta onda securitária em Macau. Mas se estivéssemos sentados em Pequim, e a olhar de uma maneira mais geral, sem um conhecimento da história e do ambiente local tão profundo, talvez também olhássemos para Hong Kong e Macau da mesma maneira”, justificou. Mesmo assim, Garcia Leandro

“Esta onda securitária na China vai colocar-se em todos os países. Todos vão ter estes cuidados.” GARCIA LEANDRO EX-GOVERNADOR DE MACAU

deixa um aviso: “Hong Kong e Macau são realidades diferentes, mas isso não quer dizer que não possa haver riscos também em Macau”, apontou. Ainda em relação às mudanças levadas a cabo pelo secretário Wong Sio Chak no território, muitas vezes vistas como mais restritivas das liberdades individuais, Garcia Leandro diz que é uma tendência que vai acontecer em todo o mundo e que resulta também do país ser visto como o principal inimigo dos Estados Unidos da América. “Hoje há outros perigos com origem no mundo digital e a China está com medo desses perigos. Também os Estados Unidos já definiram que a China é o seu maior inimigo”, frisou. “Por outro lado, esta onda securitária na China vai colocar-se em todos os países. Todos vão ter estes cuidados”, acrescentou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Fundo das Indústrias Culturais (FIC) anunciou ontem que vai investir 6,3 milhões de patacas no âmbito do apoio financeiro para a criatividade cultural nos bairros comunitários, um dos dois programas lançados este ano. No total, foram aprovados 23 projectos, os quais vão ser executados por 11 empresas culturais e criativas. O programa – um dos dois lançados no corrente ano pelo FIC – tem como objectivo impulsionar a integração entre os sectores de venda a retalho/restauração em bairros comunitários e a criatividade cultural. Já o programa de apoio financeiro para a construção de marcas encontra-se na fase de candidaturas, sendo que o prazo termina hoje. Impulsionar mais empresas de Macau a desenvolverem actividades de cooperação entre diferentes sectores (como moda/vestuário, design, exposições e espectáculos culturais e programas cinematográficos e televisivos), para acelerar a divulgação dos produtos/serviços culturais e criativos de Macau no exterior, designadamente aos mercados da iniciativa “Uma faixa, uma rota” e da “Grande Baía” figura como o objectivo. Vão ser seleccionados, no máximo, cinco projectos. A avaliação deve ser concluída até ao final do ano.

Óbito Encefalopatia relacionada com gripe vitima aluna de Macau

Uma aluna de Macau, que residia em Zhuhai, morreu no passado domingo na sequência de encefalopatia relacionada com gripe, anunciaram ontem os Serviços de Saúde. Em comunicado, o organismo indica que, a título de prevenção, solicitou à instituição que a aluna frequentava que suspendesse as aulas até à próxima sexta-feira. A menina, de 4 anos, que estava matriculada no jardim de infância da Escola Fukien, manifestou os primeiros sintomas no final da semana passada, após uma deslocação a Shunde. Actualmente, há sete crianças da mesma turma com gripe, duas das quais foram internadas. Uma entretanto recebeu alta hospitalar, enquanto outra continua no Hospital Kiang Wu devido a tosse grave, embora o seu estado seja considerado estável, indicaram os Serviços de Saúde.

Hoje Macau 31 OUT 2018 #4163  

N.º 4163 de 31 de OUT de 2018

Hoje Macau 31 OUT 2018 #4163  

N.º 4163 de 31 de OUT de 2018

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