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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

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QUARTA-FEIRA 31 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3984

Caso Sulu Sou

Ficheiros secretos só depois do julgamento

Vong Hin Fai afirma que os documentos enviados ao tribunal pela AL só serão acessíveis depois do caso ser julgado. PÁGINA 5

CIBERSEGURANÇA

PÁGINA 7

ART BASEL

HONG KONG SEM LEI EVENTOS

A tomada inocente

CAUSA DE INCÊNDIO ILIBA SÓNIA CHAN Não foi a tomada que provocou o incêndio no apartamento do casal português, o que iliba os proprietários, a secretária Sónia Chan e o seu marido, que explicou ao HM o que tem sido feito para resolver a situação. GRANDE PLANO

h O diário, Al-Andaluz, Zelig e o Trakl dele

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PJ garante respeito pela privacidade


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31.1.2018 quarta-feira

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Tam Peng Tong revelou, em entrevista ao HM, que só ficou a saber da situação de necessidade do casal português através dos jornais. Para o chefe do Gabinete do Procurador, o computador de grandes dimensões da marca Apple na casa queimada e o facto da filha do casal português estudar em Inglaterra indiciavam outra situação. Com base no relatório dos bombeiros, recusa a responsabilidade pelo incêndio, admite simpatia pela situação do casal e equaciona ajudá-los “Não se deu o caso do locador ter ignorado ou omitido incêndio e a sua responsabilidade.”

INCENDIO

DE PEITO ABERTO A

MARIDO DE SÓNIA CHAN NEGA FUGA ÀS RESPONSABILIDADES

secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e o chefe do Gabinete do Procurador da RAEM, Tam Peng Tong, são os proprietários da casa arrendada por um casal de portugueses que ardeu no dia 10 de Janeiro. Em entrevista ao HM, Tam Peng Tong revelou que desconhecia as dificuldades atravessadas pelo casal até ao caso ter saído nos jornais, afirma que se encontrou com o casal português na manhã do incêndio e pondera apoiar a família Pereira, apesar de sublinhar que relatório do Corpo dos Bombeiros e a análise de um perito contratado pela empresa responsável pela

gestão do condomínio terem concluído que o incêndio teve origem no sobreaquecimento de um router para a internet. “Não se deu o caso do locador ter ignorado ou omitido incêndio e a sua responsabilidade”. Foi desta forma que Tam Peng Tong começou a entrevista, em que abordou o caso, com o HM. “Eu não conhecia bem a situação financeira dos locatários. Depois do incêndio fui à casa [ardida] e verifiquei que existia um computador da marca Apple com um ecrã muito grande. Também a filha dos locatários está a estudar em Inglaterra. Por isso, não posso dizer que conhecesse muito bem a situação financeira dos locatários”,

esclareceu em relação à campanha de donativos. Questionado sobre se tinha encontrado com casal português nessa altura, Tam afirmou que “sim”. Segundo as palavras do marido de Sónia Chan, o conhecimento para a situação de Helena e Luís Pereira só foi obtido através dos jornais, na segunda-feira. Foi também nesse dia que o proprietário da fracção recebeu uma carta do casal para entrarem em contacto directo, a que acedeu. “Só ontem [segunda-feira] é que recebi a carta dos locatários. Também foi ontem [segunda-feira] que vi as notícias [nos jornais] e fiquei estupefacto porque eu não percebo como é que o caso

se desenvolveu desta maneira”, explicou. Tam negou que alguma vez tivesse tentado evitar as suas responsabilidades como proprietário. Ontem, inclusive, deslocou-se com o casal português ao Corpo de Bombeiros para que as causas do incêndio fossem analisada novamente.

BOMBEIROS NEGAM VERSÃO DA TOMADA

No final, os bombeiros voltaram a afirmar que as conclusões apontam para o router, situado num armário junto à televisão, e não para uma das tomadas da casa, como Helena Pereira defendeu, em declarações à imprensa. Ainda no encontro de ontem, segundo o senhorio, o casal Pereira colocou a hipótese do incêndio ter começado numa das entradas para o sinal da antena da televisão, junto à tomada, onde estava situado um ar-condicionado. Porém, a conclusão dos bombeiros iliba o proprietário de responsabilidade sobre o incêndio. “Não faço ideia porque é que os arrendatários disseram que o locador omitiu a sua responsabilidade e não interveio neste caso”, declarou. “Nós temos simpatia com as necessidades dos locatários. Caso seja necessário podemos prestar

O HM entrou em contacto com Helena Pereira para obter um contraditório às declarações de Tam Peng Tong, por volta das 19h50, mas a inquilina recusou fazer qualquer comentário nem quis esclarecer as versões contraditórias


grande plano 3

quarta-feira 31.1.2018

FOGO EM TOMADA NÃO IMPLICA RESPONSABILIDADE DO SENHORIO

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ESMO que, como defende o casal Pereira, a origem do incêndio estivesse na tomada eléctrica, não seria garantido que Sónia Chan e o marido tinham de accionar o seguro e assumir a responsabilidade pelos danos do incêndio. Segundo uma fonte conhecedora do Direito local, que preferiu permanecer anónima, para haver culpado é preciso provar que “a instalação era deficiente”. Por outro lado, se a tomada era deficiente e o inquilino nada disse atempadamente torna-se “mais difícil perceber de quem é a responsabilidade pela situação e quem deverá suportar os prejuízos”. A mesma fonte deixa um aviso às pessoas que arrendam

“Depois do incêndio fui à casa [ardida] e verifiquei que existia um computador da marca Apple com um ecrã muito grande. Também a filha dos locatários está a estudar em Inglaterra. Por isso, não posso dizer que conhecesse muito bem a situação financeira dos locatários.”

CASA DE PORTUGAL NÃO VERIFICOU CONTAS DO CASAL

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TÉ ao fim-de-semana a campanha de recolha de fundos para o casal Pereira organizada pela Casa de Portugal amealhou cerca de 50 mil patacas. A informação foi avançada, ontem, por Amélia António, presidente da instituição, ao HM. A advogada confirmou ainda que a campanha foi iniciada sem ter havido uma análise às contas de Luís e Helena Pereira, apesar de viverem há cerca de 25 anos em Macau, a mulher do casal ser funcionária no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, e, segundo Tam Peng Tong, a filha estudar no exterior. “Foram pessoas próximas deles que nos contactaram a relatar que a situação do casal era bastante complicada. Quando falei com eles, confirmaram que economicamente não tinham margem para esta situação”, afirmou a presidente da Casa de Portugal. “Alguma vez íamos fa-

o nosso apoio. Mas é de salientar que este [apoio financeiro ao casal] não é uma responsabilidade [como senhorios] nem qualquer tipo de indemnização”, frisou. A versão dos bombeiros contada por Tam, bate certo com a versão oficial que tinha sido avançada, ao HM, por um porta-voz da corporação, no domingo à noite.

TAM PENG TONG PAGOU AS PRIMEIRAS REPARAÇÕES

Além do relatório dos bombeiros, Tam Peng Tong disse, ao HM, que a empresa responsável pelo condomínio também contratou um engenheiro para fazer uma perícia sobre a causa do incêndio. “Foi contratado um engenheiro pela companhia de gestão daquele edifício para examinar a segurança dos circuitos de toda a casa. Os circuitos daquela casa estão seguros e funcionam bem, não há avarias”, afirmou. “O engenheiro disse que a ficha da tomada não está completamente queimada. Depois de ter isolado aquela tomada, todas as outras tomadas funcionaram bem. A tomada não foi a causa, mas por

casas “O inquilino deve fazer um uso prudente do locado, daquilo que lhe é confiado. Uma coisa é o desgaste normal decorrente do uso, de uma utilização prudente e razoável, outra são os danos resultantes da incúria, do desleixo, da falta de limpeza/ manutenção do esquentador, das ligações do gás, do exaustor (susceptível de provocar incêndios) ou da falta de cuidado daquilo que foi confiado pelo senhorio ao inquilino”, sublinhou. “Se houver problemas no locado, o inquilino tem obrigação de comunicá-los para que se sobrevier um problema o senhorio tenha sido avisado e seja chamado a assumir as suas responsabilidades”, recordou. J.S.F.

causa do incêndio também ficou queimada”, frisou. Apesar de ter sido acusado de não ter prestado apoio ao casal, o marido de Sónia Chan defende-se e esclarece que foi enviou pessoas ao local para garantir a segurança, após o incêndio. “Para garantir a segurança das pessoas enviei um engenheiro e outros trabalhadores para removerem o ar-condicionado que se situava em cima do lugar onde ocorreu o incêndio. Fui eu que paguei as despesas de um engenheiro para fazer a inspec-

ção e também do isolamento da tomada, mais as despesas da remoção do ar-condicionado”, contrapôs. Tam Peng Tong mostrou-se disponível para clarificar a situação ao HM, depois de ter sido contactado por este jornal, ontem, às 15h00. No entanto, no domingo à noite, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, tinha recusado comentar o assunto, quando foi contactada pelo HM através do seu gabinete: “são questões de foro privado”, foi a justificação avançada por um assessor.

O HM entrou em contacto com Helena Pereira para obter um contraditório às declarações de Tam Peng Tong, por volta das 19h50, mas a inquilina recusou fazer qualquer comentário nem quis esclarecer as versões contraditórias.

POSSE DA CASA REMONTA A 2016

Segundo o registo predial a que o HM teve acesso, o apartamento no edifício Cattleya está na posse de Tam Peng Tong e Sónia Chan desde Outubro de 2016. Na altura em que foi comprada a casa, o casal por-

zer uma investigação às pessoas? Há provas do incêndio, estão em casa dos amigos porque não têm outro sítio enquanto esperam que as coisas se resolva”, justificou. Amélia António admitiu também que estava ciente que a secretária para a Administração e Justiça era uma das proprietárias da casa, mas defendeu a decisão de não se revelar a identidade: “Não quisemos fazer uma guerra política”, justificou. J.S.F.

tuguês já viva na mesma, através de um contrato de arrendamento, que continuou em vigor, apesar da troca de proprietários. Ao HM, Tam Peng Tong garantiu que todas as formalidades face ao contrato foram respeitas e que o mesmo foi registado junto dos Serviços de Finanças. O chefe do Gabinete do Procurador informou ainda que à excepção do ar-condicionado, a casa foi arrendada sem mais nenhum equipamento eléctrico. João Santos Filipe e João Luz (com V.G.) joaof@hojemacau.com.mo


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31.1.2018 quarta-feira

CCPPC MA CHI SENG PELA INOVAÇÃO E ANGELA LEONG PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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de Henan. Na sua intervenção de estreia, refere o jornal Ou Mun, Ma Chi Seng revelou que tenciona impulsionar o empreendedorismo e inovação, tendo como objecti-

vo aprofundar a cooperação entre Henan e Macau. Para o deputado nomeado, através do intercâmbio entre as duas regiões, os jovens empreendedores podem vir a ser benefi-

ciados. Já a deputada Angela Leong participou na primeira reunião da CCPPC de Jiangxi em que sugeriu o fomento da construção da cidade inteligente através do recurso à

inteligência artificial. Angela Leong apresentou duas propostas dedicadas, respectivamente, ao desenvolvimento do turismo nas aldeias e vilas e ao desenvolvimento das cidades

com as características próprias de Jiangxi. Na província de Fujian, realizou-se também a reunião da CCPPC que contou com a presença de Song Pek Kei.

GCS

A Chi Seng, deputado à Assembleia Legislativa (AL), foi eleito membro permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) da província

IMPOSTOS LIONEL LEONG QUER EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO ÀS CONCESSIONÁRIAS DE JOGO

Taxa de dois gumes

A Direcção dos Serviços de Finanças afirma que a isenção do imposto complementar de rendimentos aplicada às concessionários de jogo tem como propósito de evitar a dupla tributação e incentivar as concessionárias a manter o investimento em Macau. Estes benefícios fiscais não se aplicam a receitas que não são provenientes do jogo

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A sequência da apresentação das Linhas de Acção Governativa das finanças na Assembleia Legislativa, Pereira Coutinho interpelou o Executivo a explicar a decisão de isentar as concessionárias de jogo do imposto complementar de rendimentos. Um mês depois da entrega da interpelação escrita, a Direcção dos Serviços de Finanças respondeu às questões do deputado. A secretaria de Lionel Leong contextualiza que “a RAEM tributou 35 por cento do imposto especial do jogo sobre as receitas brutas, obtidas da explo-

ração do jogo por concessionárias, sendo a respectiva taxa relativamente elevada em comparação com outros países e regiões”. Como do conhecimento geral, os impostos apurados dos rendimentos das concessionárias de jogo são a fonte primordial de receitas para os cofres públicos de Macau.

Na interpelação escrita Pereira Coutinho pergunta porque é que o Governo não revê a Lei do Jogo de forma a alterar a taxa de imposto, já que considera que esta implica uma grande sobrecarga para as concessionárias, além de levantar a questão da dupla tributação.

Vai ser ponderado o ajuste à taxa do imposto especial do jogo na revisão da Lei do Jogo, assim como “quaisquer conteúdos que possam elevar a competitividade do jogo de Macau, em termos regionais e internacionais”

Neste domínio, a direcção de Lionel Leong adianta que vai ser ponderada a possibilidade de ajustar a taxa do imposto especial do jogo na revisão da Lei do Jogo, assim como “quaisquer conteúdos que apareçam e que possam elevar a competitividade do jogo de Macau, quer em termos regionais ou até internacionais”.

EXCEPÇÃO À REGRA

Uma das questões que ficou por responder prende-se com o facto da Lei Básica estabelecer na alínea 3) do art.º 71 que compete à Assembleia Legislativa fixar isenções fiscais, e não ao Executivo.

Em contrapartida, a resposta do secretário para a Economia e Finanças frisa que para “os rendimentos que não são provenientes do jogo, as concessionárias não gozam de qualquer benefício fiscal particular”. Estes rendimentos carecem de declaração e correspondente pagamento do imposto complementar de rendimentos, como as restantes empresas comerciais. Estão também de fora da isenção “os lucros distribuídos aos sócios”, assim como os juros atribuídos aos accionistas. A secretaria de Lionel Leong acrescenta que o Executivo teve em consideração as políticas e medidas de benefícios promovidas por países e regiões adjacentes para atrair o investimento da indústria do jogo. Nesse sentido, a isenção do imposto complementar de rendimentos visa a consolidação das vantagens competitivas do jogo em Macau. Outra questão levantada por Pereira Coutinho que ficou por responder prende-se com a forma permanente e sistemática com que o Executivo isenta as concessionárias de pagar este imposto. É de salientar que o fim dos contratos de concessão do jogo terminam em 2020 e 2022. João Luz

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quarta-feira 31.1.2018

Os deputados devem VONG HIN FAI DOCUMENTOS RELATIVOS A SULU SOU SÓ DEPOIS DOS PROCESSOS JUDICIAIS ter conhecimento de todos os conteúdos do processo relativo à suspensão de “De acordo com o nosso regimento, mandato de Sulu o presidente da mesa da AL tem Sou e enviados o poder e o dever de assegurar a execução das deliberações já ao Tribunal de tomadas pelo plenário pelo que isto é legalmente previsto no nosso Segunda Instância, regimento”, justifica. Vong Hin Fai salienta ainda que mas apenas a decisão é do presidente do hemiem “momento ciclo, Ho Iat Seng, sendo que cabe ao mesmo decidir quando é que oportuno”. Para a informação deve ser divulgada e mostra-se a favor de que todos Vong Hin Fai, os deputados devem aceder aos conteúdos em causa, sendo que, a altura certa reitera, no momento mais oportuserá depois de no, ou seja, “quando os processos que estão em andamento estejam terminados finalizados”. os processos OPINIÕES DIVERGENTES As declarações de Vong Hin Fai judiciais em curso TIAGO ALCÂNTARA

A ocasião faz a razão

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ÃO é o momento oportuno para dar a conhecer a todos os deputados os conteúdos dos documentos entregues pela Assembleia Legislativa ao tribunal, relativos ao processo de suspensão do deputado Sulu Sou. A afirmação é de Vong Hin Fai, para justificar o desconhecimento por parte da maioria dos tribunos acerca do que foi pedido e eventualmente entregue ao Tribunal de Segunda Instancia, tendo em conta a recurso de Sulu Sou para anulação da suspensão de mandato. “A meu ver trata-se de oportunidade e de saber qual é o momento oportuno para a divulgação desta matéria para que seja distribuída pelos deputados”, disse ontem Vong Hin Fai à margem da reunião da terceira comissão permanente a que preside. A razão, apontou, tem que ver com separação de poderes e influencias entre as acções da AL e dos próprios tribunais. “Estes processos estão nas instancias competentes e penso que neste momento não convém ter outro tipo de acção e que exista outro tipo de entendimentos que possam influenciar o poder judicial”, apontou. Para Vong Hin Fai a preocupação não é que o conteúdo dos documentos venha a ser de conhecimento público mas sim, reitera, “para evitar que haja um outro entendimento da acção da AL na esfera do poder judicial”.

TUDO LEGAL

Por outro lado, afirma, trata-se de um procedimento totalmente legal.

surgem após a exigência por parte do deputado José Pereira Coutinho para que estes documentos sejam e conhecimento da totalidade dos deputados. Pereira Coutinho, numa carta enviada ontem ao presidente da AL, ameaça levar

“A meu ver trata-se de oportunidade e de saber qual é o momento oportuno para a divulgação desta matéria para que seja distribuída pelos deputados.” VONG HIN FAI DEPUTADO

o Ho Iat Seng, a tribunal, caso não tenha acesso aos documentos relativos processo de suspensão de eficácia de Sulu Sou enviados ao Tribunal de Segunda Instância. Para o deputado com ligações à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau, está em causa o respeito pelos direitos

de todos os deputados. “Compete aos deputados o direito de acesso imediato a toda a informação respeitante a este processo judicial e a serem informados da direcção processual que a AL pretende seguir”, sendo que Ho Iat Seng deve agir em representação dos próprios deputados, referia.

Professores suficientes DSEJ reitera aposta no sistema de ensino especial

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Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) respondeu a uma interpelação escrita de Sulu Sou onde reiterou a aposta do Executivo no sistema de ensino especial. Um dos aspectos de destaque da resposta à interpelação do pró-democrata prende-se com a adequação do volume de professores ao número de alunos. Como tal, o documento assinado pela directora dos Serviços de Educação e Juventude, Leong Lai, salienta que “a

DSEJ efectua, continuamente, uma análise à taxa de natalidade e às alterações no número de alunos e, em conformidade, define o tamanho das turmas e as necessidades em termos de corpo docente”.

Os serviços educativos especificaram que no ano lectivo 2017/2018, 49 unidades escolares ministraram educação inclusiva, abrangendo um número superior a 600 turmas e mais de 1800 vagas escola-

De acordo com Pereira Coutinho, o presidente da AL está a ultrapassar os limites das suas competências e a decidir quem tem e não tem acesso aos diplomas e documentos que dizem respeito às actividades da AL.

res destinadas a alunos de educação inclusiva. No que diz respeito ao corpo docente do ensino especial, a DSEJ adianta que até “Novembro de 2017, 1264 pessoas concluíram o curso de certificado de educação inclusiva, entre as quais, 853 leccionaram nas escolas que ministram educação inclusiva”. Em paralelo, 221 pessoas concluíram o curso de formação para os professores de recursos, deste universo 177 deram aulas nas escolas que disponibilizam este tipo de educação inclusiva. Em termos de formação, a direcção liderada por Leong Lai menciona o

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

curso de mestrado em educação, da Universidade de São José, que compreende uma área de especialização em Educação Especial e Inclusiva. Além disso, as licenciaturas em ciências da educação da Universidade de Macau e Universidade de São José têm disciplinas que incidem sobre a área da educação especial e inclusiva. Para além destas instituições, a resposta à interpelação destaca a licenciatura em ensino de educação física, que tem uma disciplina intitulada “Desporto para Pessoas Portadoras de Deficiência”. João Luz

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31.1.2018 quarta-feira

FUNÇÃO PÚBLICA ALTERAÇÃO AOS ESTATUTOS DISPONÍVEL PARA RECOLHA DE OPINIÕES

Momento dos ouvidores

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De 1 a 28 de Fevereito o regime legal referente à alteração dos estatutos dos trabalhadores da função pública vai estar disponível online para recolha de opiniões. A iniciativa serve para auscultar os trabalhadores e associações do sector. Mas, para Pereira Coutinho, não chega

GCS

EPOIS de ter estado em consulta pública durante um ano, o regime relativo à alteração dos estatutos da função pública volta a estar aberto para recolha de opiniões a partir do próximo dia 1 de Fevereiro. A decisão foi tomada ontem na reunião em sede de comissão para análise na especialidade. “A comissão vai proceder a uma recolha de opiniões relativamente a esta proposta de lei em que os interessados podem participar através de correio electrónico ou da página da internet da Assembleia Legislativa (AL) e apresentarem as sua opiniões”, referiu presidente da 3ª comissão permanente, Vong Hin Fai, depois da reunião de ontem. Em causa, apontou, está o facto de existirem membros que entendem que há assuntos no articulado que necessitam de uma opinião por parte dos trabalhadores e das próprias associações. “A comissão entende que há certas opiniões e sugestões que devem ser ouvidas”, justificou Vong Hin Fai. Só depois, e dependendo dos dados recolhidos on line, é que a comissão vai ponderar e decidir se irá ou não reunir com as associações ligadas aos trabalhadores da função pública de Macau de modo a aprofundar os assuntos que possam aparecer como pertinentes. “No que respeita a encontros presenciais para recolha de opiniões, conforme as respostas que tivermos nesta auscultação vamos pensar se se justifica uma reunião com as associações”, disse o presidente da sede de comissão.

DEFINIÇÕES CLARAS

Entretanto o diploma já tem data marcada para que seja emitido o parecer vindo da análise na especialidade. O dia 19 de Março é a data apontada num momento em que não teve inicio a discussão de cada um dos artigos do articulado. No entanto, ontem começou o debate em sede de comissão acerca dos conteúdos referentes ao regime de trabalho e as discordâncias com o executivo já começam a aparecer. Em causa está a inclusão de um novo tipo de horário , o “específico” que, de acordo com Vong Hin Fai, é muito idêntico ao já existente “horário por turnos”, pelo que a comissão vai pedir ao Governo que dê uma

Vong Hin Fai, presidente da 3ª comissão permanente “A comissão vai proceder a uma recolha de opiniões relativamente a esta proposta de lei em que os interessados podem participar através de correio electrónico ou da página da internet da Assembleia Legislativa (AL) e apresentarem as sua opiniões”

definição mais clara do que é o “horário específico e quais são os seus pressupostos”, esclareceu o presidente da 3ª comissão.

POSTOS DE LADO

À margem do encontro de ontem, o deputado José Pereira Coutinho voltou a mostrar-se descontente com o facto de as associações dos trabalhadores da função pública não terem sido ouvidas nesta questão que lhes é directamente afecta. “São cerca de 30 as associações de trabalhadores da função pública em Macau e ao que sei, o Governo não as chamou para ouvir as suas opiniões acerca dos pontos em que os seus representados são directamente afectados”, referiu o deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Para José Pereira Coutinho há artigos especialmente delicados, nomeadamente quando se fala de quotas de avaliação e daquilo que considera uma falsa flexibilidade nos dias de férias. “Não faz sentido haver limite de avaliações para as classificações de muito bom e de excelente”, começa por dizer. Para o deputado, esta é uma questão que vai trazer muito mal estar no seio da função pública, podendo mesmo vir a tornar-se um pretexto para o levantamento de falsos inquéritos disciplinares. Pereira Coutinho afirma que a intenção do Governo é conseguir reduzir o número de trabalhadores e com esta medida o Executivo arranja justificação para isso. O deputado lamenta ainda que as faltas por doença venham a ser consideradas na avaliação por assiduidade. “Toda a gente pode ficar doente, é um direito fundamental e não é justo que, por isso, os funcionários venham a ser penalizados na sua avaliação”. As férias são outra das falhas do diploma em análise. O facto de os funcionários poderem transferir os dez dias de férias, que agora são obrigatórios e têm de ser tirados de uma só vez, vai ter consequências: “por um lado, não permite aos funcionários um devido descanso físico e mental, uma condição fundamental para que possam cumprir com profissionalismos as suas funções, e por outro é uma forma de escravizar os trabalhadores”. Tratando-se de um diploma que autoriza a transferência de 33 dias de descanso para anos subsequentes caso o pedido venha da parte dos serviços, a situação agrava-se e estamos, reitera, “numa escravatura” e não o que chama de “flexibilidade”. Sofia Margarida Mota

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quarta-feira 31.1.2018

O director-substituto da Polícia Judiciária deixou bem claro que vão respeitar a privacidade quando da implementação da lei da cibersegurança e que nenhum mandato de busca será feito sem autorização dos juízes

CIBERSEGURANÇA PJ PROMETE RESPEITAR PRIVACIDADE E MANDATOS DE BUSCA

Tudo sobre a minha lei

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E P OIS de várias queixas apresentadas quanto aos receios da violação da liberdade de expressão e da privacidade com a futura lei da cibersegurança, da parte de associações, eis que a Polícia Judiciária (PJ) veio ontem garantir que esses direitos serão respeitados. Sit Ching Ming, director substituto da PJ, adiantou ainda que, no caso de ser realizada uma investigação a suspeitos de um crime, os mandatos de busca não serão efectuados sem a autorização de um juiz. “Temos de cumprir alguns requisitos para efectuar a fiscalização. Os tribunais é que autorizam a polícia a realizar este tipo de investigação e esta lei responde aos padrões europeus. Há um grau muito rigoroso para realizar este tipo de medidas e temos de contactar alguns meios judiciais. Se não houver indícios de crime essa investigação cessa”, apontou ontem Sit Ching Ming no encontro de ano novo chinês com os media. Tendo adiantado que o Governo deseja “concretizar o mais brevemente possível a nova lei da cibersegurança”, o director substituto da PJ frisou que as autoridades, aquando da aplicação do ‘real name system’, “não podem ver o conteúdo das informações, só o seu fluxo”. “A lei incide apenas sobre alguns sectores ou organismos que têm a ver com a nossa vida quotidiana, como a água, luz ou bancos (sistemas informáticos)”, adiantou. Associações como a Novo Macau, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau ou a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau, entre outras, enviaram cartas ao secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, onde falaram dos receios quanto a eventuais violações da liberdade de expressão e de imprensa, bem como da necessidade de delimitar a acção da PJ nestas matérias. A preocupação incide sobre o facto da PJ passar a coordenar o futuro Centro de Alerta e Resposta de

CASOS DE FOGO POSTO DUPLICARAM

PJ QUER UNIDADE ANTI-TERRORISMO

o que diz respeito a outro tipo de ocorrências, a PJ registou, o ano passado, o dobro dos casos de fogo posto, muitos deles por “negligência”, adiantou Sit Ching Ming. Mais de 60 por cento dos casos tiveram origem em pontas de cigarro mal apagadas. Quanto à criminalidade grave manteve-se baixa, mas registaram três homicídios. Em relação aos casos dos fiscais de táxis que foram agredidos, a PJ está neste momento a realizar uma investigação.

PJ anunciou ontem que pretende criar, “dentro de um ano, um serviço especializado contra o terrorismo, com vista à profissionalização e especialização do trabalho”. O objectivo é “prevenir e enfrentar eventuais ameaças de segurança com especificações mais exigentes”.

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Incidentes de Cibersegurança, que lidará com os fluxos de informação.

CONTROLO NOS CARTÕES

A futura lei da cibersegurança, tendo em conta a actual proposta do Governo, deverá trazer consigo a obrigatoriedade de registo dos dados pessoais no acto de compra de um cartão pré-pago para telemóvel. Sit Ching Ming adiantou que a medida se reveste de eficácia no combate aos crimes de tráfico de droga e de burlas telefónicas. “Em 2015 houve seis mil suspeitos [do crime de burla telefónica] que foram levados às nossas instalações. Muitas destas pessoas tinham mais do que um telemóvel e mil telemóveis operavam com cartão SIM. Será que isto faz sentido, uma vez que um cartão SIM pode ser mais caro do que um plano de contrato [com uma empresa de telecomunicações]?”, questionou o director substituto. Dados da PJ referentes a 2016 e 2017 mostram que 70% dessas seis mil pessoas que foram inquiridas pelas autoridades policiais “estavam a usar cartões SIM porque

queriam escapar à investigação”, frisou Sit Ching Ming. “Estamos muito preocupados com a situação, porque estas pessoas podem comprar muitos cartões sim antes da lei [da cibersegurança] entrar em vigor”, adiantou. Sit Ching Ming falou mesmo de uma experiência pessoal que teve no Brunei, país onde se deslocou em trabalho. “Em 2008 e 2009, no Brunei, um país muito pequeno com uma área semelhante a Macau, quando comprei um cartão SIM exigiram-me o preenchimento dos meus dados

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pessoais num formulário, o nome da minha esposa e filhos, em que hotel estava hospedado e o meu bilhete de avião. Será que é um encargo para os cidadãos? Acho que não.” O director substituto da PJ acredita que, nos casos de tráfico de droga, os cartões SIM são bastante utilizados para as transacções. “Quando não existe o real name system poderemos encontrar dificuldades na investigação e isso pode aumentar o risco da ocorrência de crimes. Quanto aos casos de droga, algumas das associações criminosas usam cartões SIM para actuar. Se não exigirmos o

registo do dados pessoais na compra dos cartões a situação vai ficar muito complicada.” De resto, os casos de burla telefónica continuam a preocupar os profissionais da PJ. O ano passado registaram-se 146 inquéritos de burla telefónica, um aumento de 5,6 vezes face aos 26 casos registados em 2016. Mais de 86 por cento das vítimas de burla telefónica assumem ter sofrido perdas financeiras superiores a 40 milhões de patacas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

DSAL Um milhão em multas por violação de regras

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aplicou, no ano passado, 1,30 milhões de patacas em multas por violações das normas de segurança ocupacional nos estaleiros de construção. De acordo com o canal de rádio da TDM, em 2016 o valor das multas tinha sido de 882 mil patacas. Segundo os dados apresentados ontem, houve 87 ordens de suspensão de obras em estaleiros - mais 30 do que em 2016. “Fizemos 3564 visitas a 1500 estaleiros. Emitimos 87 despachos para suspensão de obra e registámos 77 infracções graves nos estaleiros. Houve 10 acidentes de trabalho, quatro fatais”, explicou o chefe do Departamento de Segurança e Saúde Ocupacional da DSAL, Lam Iok Cheong em conferência de imprensa.


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A cada qual o seu paladar SOFIA MARGARIDA MOTA

Wu Chou Kit quer estaleiros parcialmente preservados

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S estaleiros de Lai Chi Vun devem ser preservados mas a zona deve também dar lugar a espaços de lazer. A ideia é defendida pelo deputado nomeado Wu Chou Kit. Em declarações ao jornal Ou Mun, Wu Chou Kit é claro: “que se preservem os melhores estaleiros para museu e que se utilizem os outros espaços para fins de lazer ao público”, referiu. O também membro do Conselho do Planeamento Urbanístico entende que a questão que se coloca quanto

àquela área em Coloane, é a de saber se a zona deve ser totalmente ou parcialmente mantida. Para Wu Chou Kit, toda a zona dos estaleiros deve ser aproveitada pela população, mas nem todas as infra-estruturas nesta zona devem ser preservadas. De acordo com o deputado, “é viável que se salvaguardem os estaleiros que estão com estruturas completas, dando-lhes trabalhos de consolidação para assegurar a sua estrutura, a fim de garantir a segurança pública especialmente nas alturas de mau tempo”.

Quanto ao uso dos estaleiros, Wu Chou Kit sugere que sejam transformados numa zona museológica para “dar a conhecer a história da indústria naval de Lai Chi Vun através de modelos, vídeos e desenhos animados”, acrescentando que podem existir outros espaços, onde os estaleiros sejam removidos, para fins de lazer. “Além de proteger a paisagem parcial original de Lai Chi Vun, disponibilizam-se mais espaços ao uso público”, aponta. Wu Chou Kit sublinha que apesar da maioria das vozes na sociedade apontar que os vestígios de Lai Chi Vun merecerem ser protegidos, existem cidadãos que se opõem à salvaguarda dos estaleiros. O deputado recorda as opinições dde alguns moradores que se mostraram a favor da demilição das construções e defende que “todas as opinições devem ser respeitadas”. Na opinião do deputado, “todas as opiniões merecem ser respeitadas, sendo necessário proceder-se à sua classificação e deixar a sociedade decidir o futuro dos estaleiros”.

“ESTRANHO DE AMARELO” CONDENADO POR DIFAMAÇÃO

U

M homem de meia idade, que habitualmente usava roupas amarelas ou vermelhas e que costumava protestar com um altifalante na zona do largo do Senado ou da avenida da Praia Grande foi condenado, por cúmulo jurídico, ao pagamento de uma multa de seis mil patacas pelos crimes de desobediência qualificada e crime de difamação agravada. O valor terá de ser pago nos próximos três meses, aponta um acórdão do Tribunal Judicial de Base (TJB). Além disso, o homem tem também de pagar duas mil patacas de indemnização a um chefe da polícia pelo facto de o ter acusado do “encobrimento de [uma] certa companhia de seguros, bem como de violação da lei, de abuso de poder e de privação do direito à manifestação dos cidadãos”. Contudo, o tribunal considerou que o arguido “não

PUB HM • 1ª VEZ • 31-1-18

2017 13 MILHÕES NOS HOTÉIS

A

ANÚNCIO Proc. Ordinário de Execução n.º

CV3-16-0154-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555-Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. EXECUTADOS: 1. LOI FONG SENG e a sua mulher 2. PENG XIAOTING, ambos ausentes em parte incerta, ambos com última residência conhecida em Macau, na Avenida do Hipódromo, nº 86, Edf. Nam Fai, Bloco I, 12º andar E. *** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando os executados 1. LOI FONG SENG e 2. PENG XIAOTING, acima identificados, para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$3,175,919.39 (Três Milhões, Cento e Setenta e Cinco Mil, Novecentas e Dezanove Patacas e Trinta e Nove Avos) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Macau, 26 de Janeiro de 2018.

S unidades hoteleiras de Macau receberam mais de 13.155 milhões de hóspedes em 2017, mais 9,6 por cento em relação a 2016, indicam dados oficiais divulgados ontem. Em 2017, a taxa de ocupação média atingiu 86,9 por cento, ou mais 3,6 pontos percentuais em termos anuais homólogos, segundo a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O número de visitantes que se hospedaram nos hotéis e pensões de Macau representou 71,8 por cento do total de turistas, uma percentagem ligeiramente inferior de 0,2 pontos percentuais, comparativamente a 2016. O período médio de permanência foi de 1,5 noites, mais 0,1 noites em relação a 2016. O número de hóspedes provenientes da Coreia do Sul (501.000) registou um aumento de 64,7 por cento, enquanto os da China continental (8.637.000) e de Taiwan

(493.000) subiram de 13,5 por cento e 3,5 por cento, respectivamente. Já o número de hóspedes de Hong Kong (1.609.000) desceu 9,6 por cento, indicou a DSEC. No final de Dezembro passado, o território contava 111 hotéis e pensões (mais quatro unidades em termos anuais), oferecendo 37 mil quartos (mais 2,3 por cento). Os hotéis de cinco estrelas disponibilizaram 22 mil quartos, ou 60,1 por cento do total, de acordo com a DSEC. Macau recebeu, entre Janeiro e Dezembro, mais de 29,5 milhões de visitantes. O visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita). Em 2016, Macau registou 12 milhões de hóspedes, mais de metade da China, com a taxa de ocupação hoteleira a corresponder a 83,3 por cento.

sabia qual a relação que existia entre o chefe de polícia e a companhia de seguros, nem tinha prova que demonstrasse o encobrimento da companhia de seguros pelo referido chefe de polícia”, não se tendo verificado “abuso de poder no acto praticado pelo chefe de polícia a 14 de Março de 2016”, aponta o acórdão. Há vários anos que o arguido vinha realizando protestos nas zonas do Senado e da avenida da Praia Grande, envergando cartazes que acusavam um chefe da polícia de ter encoberto “uma certa companhia de seguros” e de ter privado “os cidadãos do seu direito à manifestação”. Apesar do individuo estar há vários anos em protesto nos mesmos locais, este nunca tinha sido autorizado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O homem chegou a ser avisado pelo chefe de polícia visado nos protestos, mas o aviso foi ignorado. Depois de ter sido levado à esquadra de polícia, o homem continuou a distribuir “aos transeuntes as cópias da comunicação e exibiu cartazes com slogan na manifestação”. O TJB considerou que “o arguido imputou publicitariamente à vítima, sem qualquer juízo fundado, o assunto em apreço que ofendeu a honra da vítima como chefe de polícia”. A.S.S.

KIANG WU MAIS 20% DE UTENTES DESDE A SEMANA PASSADA

D

ESDE a semana passada, o consultório de serviços urgentes do Hospital Kiang Wu contabilizou diariamente entre os 370 e 500 doentes. Os valores representam um aumento de 10 até 20 por cento, declarou o responsável dos assuntos administrativos médicos do organismo, He Jing Quan, ao Jornal Ou Mun. Em média, por dia, entram 430 doentes nos serviços pediátricos, o que representa um aumento de 20 por cento. Dos doentes que dão entrada nos serviços hospitalares, de 30 a 35 por cento queixam-se de problemas respiratórios Ainda assim, segundo o director do Hospital Kiang Wu, Ma Hok Cheung, com o

aumento aparente da procura de vacina contra a gripe por parte dos cidadãos, o hospital enfrenta ainda uma situação de tensão. A causa, apontou à mesma fonte, tem que ver com o fornecimento das próprias vacinas. O director referiu ainda que a maioria dos utentes vacinados é composta por empregadas domésticas e trabalhadores da origem continental que não recebem apoios do Governo neste processo. O responsável do hospital estima que tenha ainda 100 doses de vacina contra o vírus da gripe e afirmou que a encomenda de mais 300 doses já foi feita, sendo que espera receber o medicamento durante esta semana.


sociedade 9

quarta-feira 31.1.2018

“Gesto político relevante” Membros comunidade macaense reuniram com Chefe do Executivo

V

Á RIOS representantes da comunidade macaense almoçaram ontem com o Chefe do Executivo tendo sido destacado o papel que os macaenses continuam a desempenhar na sociedade local. Leonel Alves, advogado e ex-deputado, foi um dos presentes neste almoço que se realiza todos os anos e contou ao HM que foi enfatizada a importância que a comunidade continua a ter. “Este tipo de eventos já é tradicional e constitui uma boa oportunidade de diálogo para aqueles que não tenham acesso fácil ao Chefe do Executivo, e é um gesto simpático, que revela que o Chefe do Executivo tem a devida atenção à nossa comunidade. É um gesto político relevante.” O advogado referiu-se a este evento como um “gesto político de solidariedade e aceitação da nossa presença”. “Sabemos que Macau está em pleno desenvolvimento e num período de sedimentação do que está estabelecido na Lei Básica. A comunidade é parte integrante da sociedade civil de Macau e o nosso

GCS

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, realizou ontem o habitual almoço de confraternização com representantes da comunidade macaense. A distinção de Macau como Cidade Criativa da Gastronomia e a importância dos macaenses para o desenvolvimento do território foram dois pontos abordados

posicionamento é conhecido, bem como a nossa importância e contributo para a RAEM.”

o desenvolvimento económico e social de Macau mas também para a ligação com os outros países do mundo. Foi referido que o ano passado Macau foi distinguida como Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO e [Chui Sai On] disse esperar que os macaenses possam contribuir dando a sua opinião sobre a recolha de informações sobre a comida macaense”, explicou Rita Santos, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas. Rita Santos destacou a importância de criar esta base de dados. “O nosso objectivo sempre foi que

GASTRONOMIA À MESA

Outro dos assuntos abordados por Chui Sai On foi a distinção que Macau obteve como Cidade Criativa da Gastronomia, tendo o Chefe do Executivo pedido o apoio da comunidade na elaboração de uma base de dados sobre pratos macaenses, um trabalho que será desenvolvido pela Direcção dos Serviços de Turismo. “[O Chefe do Executivo] falou do contributo dos macaenses para

a comida macaense pudesse ser classificada como património. Os macaenses fazem as suas receitas à sua maneira e é bom centralizar esses dados, para que possam passar de geração em geração.” Rita Santos, que esteve no almoço com José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), explicou ainda que Chui Sai On prometeu “resolver alguns problemas dos funcionários públicos”. António José de Freitas, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, também destacou o passo importante dado para a preservação da comida macaense. “O facto de Macau ter sido distinguida como Cidade Criativa da UNESCO muito se deve à gastronomia macaense, porque o que comemos aqui, em termos de pratos chineses, é o que existe nas regiões vizinhas. Vai projectar ainda mais a gastronomia macaense [no mundo]”, frisou. António José de Freitas lembrou que, durante o almoço convívio, foi referido que a comunidade macaense “soube, ao longo dos tempos, enfrentar desafios na sociedade e no seu conjunto”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Anúncio Concurso Público N.º 2/ID/2018 «Angariação de patrocínio para o Título do Evento da 65.ª Edição do Grande Prémio de Macau» Nos termos previstos nos artigos 165.º, n.º 2, 170.º, n.º 1 e 176.º do Código do Procedimento Administrativo, no 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 19 de Janeiro de 2018, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público de Angariação de patrocínio para o Título do Evento da 65.ª Edição do Grande Prémio de Macau. A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo de concurso ou para obtenção da cópia do processo. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de download da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. A sessão de esclarecimento deste concurso público terá lugar no dia 5 de Fevereiro de 2018, segunda-feira, pelas 10,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para a sessão de esclarecimento serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 26 de Fevereiro de 2018, segundafeira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido. O acto público do concurso terá lugar no dia 27 de Fevereiro de 2018, terça-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

Anúncio Concurso Público N.º 3/ID/2018 «Serviços de manutenção e reparação do sistema de climatização das Instalações Desportivas situadas no Cotai afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 19 de Janeiro de 2018, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de manutenção e reparação do sistema de climatização das seguintes instalações desportivas situadas no Cotai afectas ao Instituto do Desporto, durante o período de 1 de Julho de 2018 a 30 de Junho de 2020: 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Designação das Instalações Desportivas Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau Centro Internacional de Tiro Centro de Bowling Academia de Ténis Centro Náutico de Cheoc-Van Centro Náutico de Hác-Sá Kartódromo de Coloane Piscina e Instalações Desportivas do Parque de Hác-Sá Piscina de Cheoc-Van

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo de concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de $ 1 000,00 (mil) patacas. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 19 de Março de 2018, segunda-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $ 75 000,00 (setenta e cinco mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na Região Administrativa e Eespecial de Macau e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial, sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público do concurso terá lugar no dia 20 de Março de 2018, terça-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura.

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura.

Instituto do Desporto, 31 de Janeiro de 2018.

Instituto do Desporto, 31 de Janeiro de 2018.

O Presidente, Pun Weng Kun

O Presidente, Pun Weng Kun


10 eventos

31.1.2018 quarta-feira

Olhos em

EXPOSIÇÕES HONG KONG EM CONTAGEM DECRESCENTE PARA ABERTURA DA ART BASEL 20

EXPOSIÇÃO “CARTA D’AMOR”, DE SYLVIE XING CHEN, INAUGURADA DIA 5

F

OTOGRAFIA, caligrafia e instalações. São três elementos que se reúnem na próxima exposição a ser inaugurada na Fundação Rui Cunha (FRC), da autoria de Sylvie Xing Chen. Natural da China, mas de origem cultural Japonesa, Sylvie é actualmente residente na Suíça. Após formação musical em ópera Chinesa, formou-se pela academia de artes de GuangZhou em pintura chinesa, vindo depois a estudar em França, onde se diplomou. Após anos de estudos e pesquisa, alcançou um grande conhecimento artístico, o que leva a que as suas actuações atinjam uma riqueza multifacetada. Reconhecida internacionalmente já se exibiu por famosos auditórios em vários países da Europa, China e Japão. As ideias originais da artista Sylvie consistem em experimentar e questionar diferentes “cartas de amor” hoje em dia: a quem escrevemos as nossas cartas de amor? Quando foi a última vez que escrevemos uma carta de amor? Somos capazes ou estamos dispostos a escrever uma carta hoje em dia em vez de enviar um abraço ou beijo virtual

via media social? Como expressamos o nosso amor à letra? A artista mostra nesta exposição o modo de escrever uma carta de amor direccionada ao futuro amor verdadeiro que ela ainda própria ainda não encontrou, mostrando também a sua devoção à natureza e paz, à sua prática da arte que é para ela a única maneira de se inspirar e compartilhar luz e amor para com os outros. Quanto ao trabalho de Sylvie, ela mistura caligrafia tradicional japonesa com elementos orientais, como o teatro com movimentos de dança improvisados. Diferentes línguas, diferentes memórias, diferentes existências que se misturam harmoniosamente entre si. “É expectável a interacção com os visitantes que venham à exposição, que através da orientação da Sylvie, poderão escrever as suas próprias cartas de amor sobre as peças de arte expostas. Esta participação será uma forma de promover uma experiência de prazer de escrita”, descreve a FRC. A artista irá realizar uma performance em colaboração com artistas convidados no dia da inauguração.

Está a chegar a sexta edição da Art Basel de Hong Kong, qu de Março para convidados VIP e dois dias depois para o pú 31 de Março, é um dos pontos altos do ano artístico e conta oriundas de 32 países

O

Art Basel de Hong Kong está no horizonte para gáudio dos amantes das artes. Entre 27 e 31 de Março não vai faltar oferta artística na região vizinha, onde o público se pode deleitar com a oferta de quase 250 galerias oriundas de 32 países. A edição de 2018 vai contar com 28 novas galerias, sendo que metade das casas que se estreiam na Art Basel são oriundas de países asiáticos. Ainda no campo das novidades, a região vizinha irá receber pela primeira vez algumas galerias nova iorquinas de renome, onde se incluem a 47 Canal, a Gavin Brown’s enterprise, Commonwealth and Council, JTT, Miguel Abreu Gallery e a Petzel Gallery. De Los Angeles virá a Hannah Hoffman Gallery. A edição deste ano do certame, a sexta desde a estreia em Hong Kong, vai espalhar as propostas de galeristas em vários sector como Galleries, Insights, Discoveries, Kabinett e Encounters. Entre os diversos sectores em que se categorizam as exposições, a Insights terá um especial foco sobre projectos de cariz histórico. A categoria Discoveries, como o nome

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O LEITOR DE CADÁVERES • Antonio Garrido

Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro. Inspirado numa personagem real, “O Leitor de Cadáveres” conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial. Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.

indica, servirá para apresentar o público de Hong Kong artistas emergentes como Timur Si-Qin, Morgan Wong

e o colombiano radicado em Nova Iorque Carlos Motta. Entre os galeristas que participam na sexta edição da Art

Basel Hong Kong contam-se 24 galerias locais. Um dos polos de acção do Art Basel será o Hong Kong

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

CARTAS DE CASANOVA • António Mega Ferreira

No verão de 1757, o aventureiro Giacomo Casanova, que se evadira pouco antes da prisão dos Piombi, em Veneza, desembarca em Lisboa. O espectáculo das ruínas provocadas pelo terramoto ultrapassa tudo aquilo que ele podia imaginar. Durante seis semanas, Casanova faz os possíveis por entender os portugueses: como é possível que a vida dos habitantes da cidade se tenha acomodado a uma tal desorganização? Conhece o comerciante Ratton e o conde de S. Lourenço, o livreiro Reycend e o marquês de Alegrete, o poeta Correia Garção e a condessa de Pombeiro. E até se encontra com o misterioso marquês de X. Chega finalmente à fala com Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda não Oeiras, ainda não Pombal, a quem tenta vender o projeto de uma lotaria real. Exaspera-se e diverte-se, seduz e perde ao jogo, e encontra tempo para escrever seis cartas a cinco personagens importantes da sua vida. «Rien ne pourra faire que je ne me sois amusé» é a divisa que o guia. Mesmo em Lisboa. Mesmo depois do Grande Terramoto.


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quarta-feira 31.1.2018

m Marco `

Cantar em Lisboa

018

ue tem arranque marcado para o dia 27 úblico geral. O evento, que decorre até dia ará com a participação de 249 galerias,

Convention and Exhibition Centre, em Wan Chai, que, entre muitos outros eventos, será palco de um mini festival de curtas metragens e “projecções especiais”, nas palavras da organização. A secção de filmes tem a curadoria de Li Zhenhua, que dirige e fundou a Beijing Art Lab, e tem lugar no dia 28 de Março a partir das 16h.

CONSTELAÇÃO DE MEIOS

A categoria Kabinett terá este ano um alargado leque de formas de expressão artística, onde se inclui a pintura, caligrafia, fotografia, perfor-

A Art Basel tem como objectivo abrir novas perspectivas através de apresentações bem pensadas de trabalhos que vão de marcos incontornáveis do modernismo a peças inteiramente novas que se estreiam no certame mance, escultura e arte em realidade virtual, com particular destaque para a participação de artistas asiáticos. Este ano, a Art Basel tem como objectivo abrir novas perspectivas através de apresentações bem pensadas de

trabalhos que vão de marcos incontornáveis do modernismo a peças inteiramente novas que se estreiam no certame. Entre os destaques deste ano da categoria Kabinett é impossível não mencionar o trabalho de Hon Chi Fun,

Eurovisão está ofcicialmente em Lisboa

O representado pela Ben Brown Fine Arts. A mostra irá incidir sobre os trabalhos de pintura do artista de Hong Kong, em especial a produção da década de 1970 e 1980. A apresentação tem como foco a altura em que o pintor mudou drasticamente o estilo ao sintetizar em simultâneo a linguagem visual das filosofias orientais e ocidentais. Outro local de Hong Kong que terá destaque na Art Basel 2018 é o excêntrico artista Frog King, que irá voltar a apresentar a icónica performance de 1992 “Frog King Calligraphy Shop”. A performance será apresentada ao público com a chancela da 10 Chancery Lane Gallery. Pelas mãos da Galerie Lelong & Co.’s chega-nos o trabalho “Mirror Image for Hong Kong”, um trabalho da famosa artistas japonesa Yoko Ono, viúva de John Lennon, que apresentou esta peça pela primeira vez durante a 57ª Bienal de Veneza. A peça é a representação de um pequeno quarto mobilado com um espelho oval, uma mesa e cadeiras no centro para o qual o público é convidado a interagir. Como todos os anos, a Art Basel deste ano terá muitas actividades satélite a dar volume ao cartaz. A acompanhar esta 6ª edição surgirá no panorama artístico de Hong Kongw uma nova galeria, a Hauser & Wirth’s Hong Kong dedicada a arte moderna e contemporânea. Este é o primeiro espaço de exposições da casa internacional em solo asiático e abrirá portas no dia 26 de Março com uma exposição a solo de Mark Bradfort, o representante norte-americano na Bienal de Veneza der 2017. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Festival Eurovisão da Canção está oficialmente em Lisboa desde segunda-feira, depois de o presidente da Câmara Municipal, Fernando Medina, ter recebido uma insígnia do seu homólogo de Kiev, cidade que acolheu o concurso em 2017. A cerimónia da passagem de testemunho de Kiev a Lisboa, como cidade anfitriã do Festival Eurovisão da Canção, decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa (CML), nos Paços do Concelho, tendo sido emitida em direto na RTP1 e no ‘site’ do concurso. Fernando Medina destacou o “enorme prazer para Lisboa” de receber o Festival Eurovisão da Canção, que Portugal venceu pela primeira vez no ano passado com o tema “Amar pelos Dois”, interpretado pelo cantor Salvador Sobral. “É um grande momento para Lisboa, para a história do festival e para o povo português”, afirmou, referindo-se à capital portuguesa como “uma das cidades mais vibrantes e fascinantes do mundo” O autarca, que falou em inglês, tal como os restantes intervenientes na cerimónia, aproveitou para convidar quem assistia “para esta grande aventura que serão os próximos meses”. “Podem ouvir muita coisa sobre Lisboa, quero dizer-vos a mais especial: as pessoas adoram receber quem vem de fora”, disse. Fernando Medina recebeu a insígnia, que estará em Lisboa durante um ano, das mãos de Vitali Klitschko. Ao fim de um ano será a vez de Lisboa passar o testemunho ao anfitrião seguinte. A cerimónia teve uma segunda parte, que consistiu no sorteio das semifinais do festival, agendadas para 08 e 10 de Maio, no Parque das Nações. O vencedor do Festival da Canção de Portugal, que será conhecido a 04 de Março, actua na primeira semifinal do Festival, embora tenha presença garantida na final, a 12 de Maio, também no Parque das Nações.

OS GRANDES

Além de Portugal, há mais cinco países, os chamados

‘cinco grandes’ (Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido) que têm presença garantida na final, mas cujas canções serão apresentadas nas semifinais. Além de apresentarem as canções, Portugal e os ‘cinco grandes’irão também votar nas semifinais. As canções do Reino Unido e Espanha serão apresentadas na primeira semifinal e as de Itália e França na segunda. Na primeira semifinal competem: Suíça, Finlândia, Bielorrússia, Bulgária, Áustria, Lituânia, Albânia, Irlanda, Arménia, Chipre, República Checa, Bélgica, Croácia, Islândia, Azerbaijão, Grécia, Israel, Estónia e Macedónia. Para a segunda semifinal foram selecionados: Montenegro, Suécia, Rússia, Hungria, Malta, Letónia, Sérvia, Dinamarca, Geórgia, Roménia, Austrália, Polónia, Eslovénia, Noruega, Ucrânia, Moldávia, San Marino e Holanda. Para a 63.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, realizado pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) em parceria com a RTP, em Lisboa, são esperados mais de dois mil profissionais relacionados com a iniciativa e 1.500 jornalistas, além de 30.000 fãs e visitantes. A partir de 04 de Maio, a Praça do Comércio irá transformar-se na Eurovision Village (aldeia da Eurovisão), que estará de portas abertas diariamente até 13 de Maio, entre as 15h00 e as 23h00, em que haverá espetáculos ao vivo, um ecrã gigante onde serão transmitidas em direto as semifinais e a final, animação de rua e outras atividades. A festa irá fazer-se também numa discoteca na zona ribeirinha, que toma o nome de Eurovision Club. LUSA


12 china

31.1.2018 quarta-feira

CORRESPONDENTES ESTRANGEIROS DENUNCIAM CRESCENTE INTIMIDAÇÃO DO GOVERNO

O regresso da grande muralha Depois de uns anos mais soft, o poder chinês volta a cerrar fileiras e tornar difícil a vida aos jornalistas

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Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China denunciou ontem “uma crescente perseguição e intimidação” por parte do Governo chinês, que intensificou as tentativas de negar ou limitar o acesso de jornalistas estrangeiros a muitos locais do país. A organização publicou ontem o relatório “Acesso negado: vigilância, perseguição e intimidação enquanto as condições para informar na China se agravam”, elaborado a partir de inquéritos feitos a correspondentes e órgãos de comunicação social sobre as suas experiências o ano passado neste país asiático. O documento dá conta de um aumento do número de correspondentes estrangeiros que dizem que o jornalismo na China se tornou mais difícil devido às crescentes pressões das autoridades, que tentam impedir o acesso a locais sensíveis, como Xinjiang, região no noroeste e casa da minoria muçulmana uigur, a fronteira com a Coreia do Norte e zonas industriais. “Os resultados da nossa pesquisa dão evidências sólidas que sugerem que, a partir de um ponto e referência muito

baixo, as condições para informar estão a piorar”, alerta o Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China em comunicado. Cerca de metade dos correspondentes entrevistados confessaram ter experimentado a interferência, perseguição e violência física no exercício do seu trabalho e 26% garantiu que as suas fontes também foram perseguidas, detidas e interrogadas, uma situação que se repete há anos. O ano passado também não diminuíram os ataques violentos contra jornalistas estrangeiros e a intimidação aos órgãos de comu-

nicação, que continuaram, assim, como as crescentes preocupações sobre a vigilância governamental e a invasão da privacidade que sofrem os seus correspondentes. O relatório nota ainda que as autoridades chinesas estão a utilizar o processo de renovação de vistos para pressionar os jornalistas e os meios de comunicação cujo trabalho não é do seu agrado. O Comité para a Protecção de Jornalistas, no seu último relatório, publicado em Dezembro último, deu conta que a China era o segundo país no mundo com mais jornalistas detidos, 41 no total.

PORTUGAL INVESTIMENTO CHINÊS REPRESENTA 60% DO TOTAL

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investimento chinês acumulado até Dezembro através dos vistos ‘gold’atingiu 2.060 milhões de euros, o que representa 60% do montante captado desde que o programa está em vigor, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Entre 2013 e 2017, o investimento proveniente da China - país que reúne maior número de Autorizações de Residência para a actividade de In-

vestimento (ARI) obtidas -, ascendeu 2.060.879.791,06 euros, num total de 3.588 vistos dourados. Em termos acumulados - desde que os vistos `gold` começaram a ser atribuídos, de 8 de Outubro de 2012 até Dezembro último -, o investimento total captado com este programa atingiu os 3.411.265.842,39 euros. Fazendo as contas, o investimento chinês tem um peso de cerca de

60% do total angariado. Em 2017, o investimento chinês totalizou 306.397.093,97 euros (538 vistos), o que representa uma quebra de 37% face aos 487.492.024,01 euros (848 vistos) registados no anterior. De longe, o melhor ano em captação de investimento proveniente da China foi 2014, altura em que o programa de vistos dourados captou 710.996.841,80 euros.

Verdades e consequências Vídeo de jovem, que procura herói de terramoto, comove Internet

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M vídeo no qual um jovem procura o militar que lhe salvou a vida em 2008, no terramoto de Sichuan, na China, tornou-se viral e está a comover as redes sociais que perguntam quem será esse herói anónimo. No vídeo, publicado a semana passada e que já teve 12 milhões de visualizações, Qiang Tianlin, agora com 24 anos, dirige-se ao seu salvador, que caiu sobre ele e fez de “escudo humano” numa derrocada originada pelo sismo, conseguindo que o jovem, então com 14 anos, saísse ileso. “Passaram dez anos, tornei-me num militar como tu. Podes ver-me? Estou a procurar-te todos estes anos. Onde estás?”, pergunta Qiang Tianlin no vídeo, partilhado 30 mil vezes no Weibo, o equivalente local do Twitter. Qiang era em 2008 aluno no Instituto Guanzhuang, uma das zonas mais afectadas pelo sismo com 8 graus de magnitude que há dez anos, em 12 de maio, provocou cerca de 90 mil mortos e desaparecidos, tornando-se num dos piores da história. Após o terramoto, Qiang decidiu regressar a casa através de um caminho

pela montanha, tendo sido surpreendido pelo desprendimento de pedras numa das mil réplicas registadas, momento em que o soldado apareceu quase providencialmente. “Se não fosse ele, poderia ter morrido. Vi como as pedras atingiam as suas costas e as suas mãos sangravam”, relata o jovem no vídeo. O militar, ainda desconhecido, mas aparentemente comandante de um batalhão, levou Qiang para um abrigo temporário, onde se reencontrou com a família, tendo-o visitado por diversas vezes para saber o seu estado e deu-lhe conselhos para estudar e sair “para ver o mundo”. Qiang refere que esta situação mudou a sua vida porque, inspirado pelo militar, deixou de ser um mau aluno e acabou por se matricular na Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa em 2012, alistando-se também no Exército. O jovem é, ainda, membro de uma equipa internacional de busca e salvamento da China, e, embora ainda não tenha participado em missões de resgate, espera no futuro imitar aquele que o salvou há dez anos.

CIA China é “ameaça tão grande para os EUA” quanto a Rússia Os esforços da China para exercer influência sobre a vida no Ocidente são tão preocupantes quanto os esforços de subversão russos, até porque Pequim tem “uma pegada muito maior” neste ponto do que Moscovo. Assim defende Mike Pompeo, director da CIA, numa entrevista à BBC esta terça-feira. Como exemplo, o chefe da agência central de espionagem cita as tentativas chinesas de roubar informação comercial aos EUA e de se infiltrar em escolas e hospitais do território norte-americano e também da Europa. Ainda sobre os governos de Vladimir Putin e Xi Jinping, o legislador republicano tornado chefe da CIA em Janeiro de 2017 ressalta: “Vejam-se as escalas das

duas economias. Os chineses têm uma pegada muito maior para executar estas missões do que os russos.” Juntos, os aliados podem e devem fazer mais para combater os esforços da China para exercer poder sobre o Ocidente, sublinha o chefe dos espiões. “Estamos a assistir a esforços muito concentrados para roubar informação americana, para infiltrar espiões nos EUA, pessoas que vão trabalhar em nome do governo chinês e contra a América. Vemos isso nas nossas escolas. Vemos isso nos nossos hospitais e sistemas médicos. Vemos isso no mundo empresarial da América. E isto também se aplica a outras partes do mundo, incluindo na Europa e no Reino Unido”, sublinha.


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2017 375 mortes em minas de carvão

As minas de carvão na China, consideradas na última década as mais perigosas do mundo, registaram o ano passado 219 acidentes de que resultaram 375 mortos, uma descida respectivamente de 12% e 28,7% face a 2016, foi ontem anunciado. No relatório anual da Administração Estatal para a Segurança nas Minas de Carvão, esta entidade destaca que não se registaram acidentes “graves” nas minas do país, ou seja, acidentes em que morrem dezenas de pessoas. Durante anos, as minas de carvão na China tiveram uma alta taxa de sinistralidade, relacionada com a sobre-exploração desta matéria-prima - a principal fonte de energia do país – devido à ausência de medidas de segurança. O encerramento de minas ilegais, muitas delas de pequena dimensão, e o aumento das acções de fiscalização contribuíram para os dados actuais de vítimas mortais, 20 vezes menos do que as registadas há uma década. O pior ano deste século foi 2003, quando se contabilizaram 6.990 mortes nas minas no país.

Economia Personalidade do ano

A Xiaomi é uma empresa que tem crescido vertiginosamente. Como exemplo, ultrapassou as vendas da Samsung no quarto trimestre de 2017 na Índia. E graças a esses bons resultados, Lei Jun, CEO da Xiaomi, ficou entre as 10 figuras económicas da China. A celebração foi conduzida pelas empresas Sina Finance, Wu Xiaobo Channel e People’s Daily e aconteceu no Centro de Artes Performáticas de Pequim ontem, dia 28 de Janeiro. Entre os homenageados também estavam figuras como: Liu Qingfeng Presidente da IFC, Zho Hongyi - Fundador e CEO do Grupo 360, Gong Yu - Fundador e CEO da Ai Qiyi, Zhou Houjian Presidente do Grupo Hisense, Li Chuyuan Presidente da Guangzhou Pharmaceutical Group. Durante a cerimónia, cada um dos escolhidos foi descrito de algum modo e Jun teve a seguinte definição: “Rebelde da indústria de telemóveis que chegou ao topo com sua insistência em inovações tecnológicas e qualidade”. A Xiaomi conseguiu bater a sua meta de exportações com o impressionante número de 90 milhões de unidades, conseguindo alcançar todos os objectivos de 2017.

Guangzhou revela dados da população estrangeira

TECNOLOGIA 5G PEQUIM RESPONDE A DECLARAÇÕES AMERICANAS

O fim de um monopólio

Os EUA estão desagradados com a competência tecnológica das empresas chinesas e o proteccionismo parece ser o caminho escolhido para a defesa

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EQUIM apelou, na segunda-feira, à comunidade internacional para melhorar o diálogo e a cooperação com base na confiança mútua, de modo a lidar conjuntamente com ameaças à segurança cibernética. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, solicitou a cooperação depois de declarações de um alto funcionário dos EUA, no domingo, sobre os planos do governo americano para criar uma rede sem fios 5G, visando

combater uma alegada ameaça de espionagem da China aos telefonemas dos EUA. O funcionário, confirmando o essencial de um relatório do portal de notícias Axios.com, disse que a opção estava a ser debatida num nível inferior na administração, estando entre seis a oito meses de ser considerada pelo próprio presidente. O conceito de rede 5G tem como objectivo abordar o que as autoridades consideram uma ameaça da China à segurança cibernética e à segurança eco-

nómica dos EUA. Este mês, a AT&T foi forçada a retirar um plano para oferecer aos seus clientes aparelhos construídos pela Huawei Technologies Co, da China, por causa da pressão sobre os reguladores federais por parte de alguns membros do Congresso. Em 2012, a Huawei e a ZTE Corp foram alvos de uma investigação dos EUA sobre se os seus equipamentos proporcionavam oportunidades para espionagem estrangeira. “AChina mantém uma posição consistente sobre a questão e o governo proíbe e reprimirá qualquer forma de ataque cibernético”, reforçou Hua. “Acreditamos que a comunidade internacional deve, com base no respeito mútuo e na confiança, fortalecer o diálogo e a cooperação e dar as mãos para enfrentar a ameaça dos ataques cibernéticos, de modo a manter a paz e a estabilidade do ciberespaço”, disse. Wang Yiwei, professor de estudos internacionais na Universidade Renmin da China, disse que a acção dos EUA tem vários propósitos. Sob o pretexto da ameaça, os EUAestão a disseminar o proteccionismo, o que desagrada à China, disse Wang. “Os EUA atribuem demasiada importância ao mercado 5G, mas perderam o estatuto de monopólio na área. Por isso, o país está a tentar recuperar do atraso e permanecer vigilante contra a China”, concluiu.

Há cerca de 80 mil cidadãos estrangeiros a viver em Guangzhou, capital da Província de Guangdong, segundo o departamento municipal de polícia. Guangzhou é conhecida pela grande comunidade africana. O departamento revelou que há actualmente 15 mil africanos na cidade. O Egipto, Mali e a República Democrática do Congo são as principais fontes de estrangeiros africanos. A maioria dedica-se ao comércio ou estudo na cidade. O influxo dos cidadãos africanos começou em 2006 quando a Cimeira de Pequim do Fórum de Cooperação China-África foi realizada com a participação de chefes de Estado e funcionários de alto escalão de 48 países africanos. As estatísticas oficiais mostram que, em 2009, cerca de 20 mil africanos viviam na cidade, mas o número real, incluindo os imigrantes ilegais e pessoas que ficam para além do período autorizado, devia ser muito mais alto. A população africana diminuiu quando a polícia fortaleceu a aplicação da lei contra a imigração ilegal. Ao mesmo tempo, o custo de vida e negócios na cidade também aumentou. Actualmente, metade dos cidadãos estrangeiros em Guangzhou vem da Europa, Japão ou República da Coreia, segundo a mesma fonte.

Agriotes paludum franceses interceptados

As autoridades alfandegárias interceptaram um lote de insectos no leste da China que poderiam prejudicar gravemente as árvores do país. Os insectos agriotes paludum foram encontrados em troncos de carvalho importados da França na cidade de Lianyungang, na Província de Jiangsu, disseram na segundafeira as autoridades locais. Esta é a primeira vez que a espécie é interceptada na China. Os agriotes paludum normalmente residem nos ramos de árvores mortas ou sob a casca das árvores. Podem acelerar o envelhecimento das árvores, o que afecta a segurança agrícola e florestal.


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mesmo se nã0 és direito como uma flecha, não sejas retorcido como um anzol. Diário de um editor João Paulo Cotrim

Peças soltas TIVOLI, LISBOA, 22 JANEIRO 2018 Havia por onde celebrar e de copo na mão: os milhares de páginas, os milhões de leitores, a persistência em voos outros, em distintas paisagens, na atenção ao que por cá se faz e a quem o cria, enfim, a aceleração de motores que a revista UP foi suscitando na última década. Os aviões da TAP aumentaram o número de vigias, que deram a ver mais mundo com esta experiência nascida da paixão. Ergui o copo com a equipagem, não apenas a das ideias, palavras ou imagens, mas também com alguns mecânicos do fazer acontecer ou do papel e da impressão. Abracei de fugida a Paula [Ribeiro], alinhavei meia dúzia de afazeres, fatalidade dos dias, acertei compromissos que teimam em escapar das irrequietas agendas, troquei piadas e duas reflexões além do que me esqueci, ainda me diverti com a pequena Leonor, a mais nova da Sari [Veiga] e do Jorge [Silva], antes de aguentar a rudeza de um triste. Prometi, enfim, percorrer com o Rui [Cardoso Martins] a rota do melhor frango assado do mundo, que, como é sabido, se instalou na Praça do Chile e zonas adjacentes. Não concordamos no primeiro lugar, mas buscaremos consenso, sendo o mais provável que nos percamos antes de nos reencontrarmos em Cardoso Pires. ANJOS, LISBOA, 23 JANEIRO 2018 Mão querida, teimosa na partilha dos versos com que forra os seus dias com admirável disciplina, oferece-me «Sombras de Sombras», de Adam Zagajewski (ed. Tinta da China), ao qual há anos não regressava. Este livro e não outro podia ilustrar o cenário destas horas sombrias e ofegantes, de que serve de exemplo este Lá Onde a Respiração. «Está só em cena/e não tem nenhum instrumento.// Coloca as mãos sobre o peito,/ lá, onde nasce a respiração/ e onde se extingue.// Não são as mãos a cantarem/ nem o peito.// Canta o que está calado.» S. LUIZ, LISBOA, 24 JANEIRO 2018 Outro grande momento de reflexão sobre o teatro, em palco e em corpo, no que parece configurar tendência. O pressuposto de Marco Martins ao encenar «Actores», de tão simples e radical, resultou fulgurante: Bruno Nogueira, Carolina Amaral, Miguel Guilherme, Nuno Lopes e Rita Cabaço a fazerem de si próprios no corpo e alma de personagens (com a Carolina a desdobrar-se ainda em Luísa Cruz). O palco disforma, pelo que nunca seriam exactamente eles, apesar do muito de cada um ali desvelado, em narrativa e interpretação, mas o jogo de espelhos ergue-se infinito e fascinante. Entramos em pleno avesso, na carpin-

taria que sustenta o enorme cenário do humano a fingir sê-lo mas de um modo tal que se faz mais carne e osso que o real. Esta nudez travestida, como em documentário encenado, até por usar câmara para ampliar rostos e efeitos, mise en abîme também da sala, pôs a matutar, ensinou, ridicularizou e comoveu. Logo a princípio, em cena de nada, o Nuno e Rita encheram a sala com a expressão de sentimentos avulsos, anunciando o que confirmariam: são gigantes. Na composição da matéria desta peça, que aproveita fragmentos de trabalhos antigos, no trabalho de voz e corpo, nas figuras que compõem, na extrema generosidade. A Rita Cabaço… Habita nela um sopro que a tornará, para mim e por muito tempo, a imagem da graça. O drama parte da memória de cada um para

alcançar manifesto colectivo acerca da essência da representação, invocando os medos, as fragilidades, bem como conseguimentos, sucessos e pesadelos, em sequência de montanha russa que não pára nem durante o intervalo. Que sobrará do deus ex machina encenador depois disto, para onde o empurram os actores a fazer de si em roda (quase) livre? O Gonçalo [M. Tavares], na sua habitual brincadeira a reflectir com o espelho, também ilumina, na folha de sala, fragmentos do sucedido e toca, às tantas, o problema do público médio, alvo da intensidade do actor, sendo que, para ele, «o encenador ocupa a sua cadeira». Não sei, não. A inteligência dramatúrgica do Marco Martins tocou-me e a estupidez média do público não deixou de me irritar. Andamos precisados de rir, mas, que

diabo, o Bruno Nogueira merece mais do que gargalhadas só por estar. HORTA SECA, LISBOA, 25 JANEIRO 2018 Carga melancólica, estou agarrado pela expressão aplicada ao bom gigante do boxe, José Santa «Camarão» (19021967), que o Xavier Almeida em boa hora e mão segura resgatou do esquecimento com «Santa Camarão» (ed. Chili Com Carne). A narrativa gráfica engana sugerindo rapidez na leitura, mas a interpretação das imagens, da sua sequência, do ritmo com que se conta, pede tempo. Lê-se num fósforo os passos de um fragateiro descalço de Ovar até ao boxeur das botas 49 de Lisboa por caminhos que não terão sido os do sucesso. Mas há que voltar várias vezes de comboio à sua terra de beira-mar, revisitar a figuração do desespero por se sentir monstruoso, rever as suas mãos amassar o pão, as mesmas que lhe darão um destino. Um desenho nervoso, com belas e diferentes soluções gráficas, a sugerir mais do que a mostrar, a colocar-nos sem esforço e com elegância nos lugares e no tempo, sempre a preto e cinza. O tom e o estilo do Xavier revelam-se notáveis no desenho sensível e sem golpes baixos de um anti-herói solitário, triste e perdido. Afinal, excelente metáfora de um certo Portugal naqueles inícios descalços do século XX. HORTA SECA, LISBOA, 27 JANEIRO 2018 Mal conheci Edmundo Pedro, mas conheço-o bem. Sei da coragem e das circunstâncias, do modo de andar e de contar, ambos atirados para diante, em busca de mais horizonte. Testemunha de um certo país que não se rendeu ao medo nos idos sombrios do século passado. Gostava de lhe ter editado as memórias, confesso. Faz-nos tanta falta a memória. Temos agora um pouco menos. SANTA BÁRBARA, LISBOA, 28 JANEIRO 2018 Faz hoje 60 anos, mas tem a minha idade. Não saberia pensar sem este minúsculo tijolo. Possuía poucas peças, quase todas básicas como as cores. Mais do que suficientes para criar mundos inteiros e complexos, gigantescos acidentes, luxuriantes arquitecturas e não menos exuberantes ruínas, armas vanguardistas, ameaças terríveis e defesas inexpugnáveis, simples combinações abstractas, absurdos a várias dimensões. Não saberia imaginar sem os pequenos tijolos de plástico que cabiam todos numa lata redonda. Não saberia ler ou escrever sem Lego. Sem os legos, a palavra seria apenas isso.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

Amélia Vieira

Al-andaluz «Conheço-vos as areias e os sonhos»

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OS céus está agora um belo quarto crescente que no levante indica que a Primavera não tarda e que o que cresce na alta noite tem um nome que para os mortais ainda é difícil enunciar. É uma noite que recrio no reino dos Almorávidas, a lua crescente é uma figura geométrica e naquela curvatura que fechará o circulo reside o desenho de toda a vida: é um embrião, e não paramos de olhar os pontos fixos dos eixos extremos, é uma contemplação extraordinária. Não me esqueço que me passeio por antigos reinos de califados, omíadas e taifas, que o refrão das suas vogais nos penetra todos os dias e que devemos muito do pão da terra às noras, aos alambiques às alquitarras. Pese embora o exaltante momento das Descobertas, foi este antigo Império o grande civilizador, pois que a nossa presença em África nunca o foi, salvaguardando o interesse do ouro do Brasil, nada empobreceu mais a nação que epopeia marítima e a relação com África: primeiro, visto que não havia método civilizador, nem o catolicismo era uma atraente matéria antropológica; depois, já que os homens se foram e ficaram os incapazes, daí um país que se geriu por mulheres fecundadas por seres estranhamente diminuídos de quem somos herdeiros vai para quinhentos anos. E se isso não bastasse, o retrocesso da nossa civilidade ao instituir a escravatura como tráfico de mercadoria. Por tudo isto, e até hoje, creio que África nos despojou de outra vocação bem mais interessante que era o tanger da cítara e da natureza de um reino de refinados poetas, pois jamais esquecer a terra de Al-Mu-Tamid, Beja, que fora rei de Sevilha e o maior poeta árabe antigo, o que é difícil numa era de poetas excelentes. Acabámos negreiros, colonizadores (que é diferente de invasor) e sem herança alguma a não ser a estranha associação PALOP que nasce de complexos de culpa e em termos de civilização nada acrescenta. Aquando da reconquista, Ibn-Sara, poeta árabe nascido em Santarém, escreveu assim: «ficar para um homem livre em terra de aviltamento é mostrar por minha fé uma bem grande impotência. Viaja, e se não encontrares homens generosos, pois bem, vai de homem vil em homem vil. A ignorância atrai a riqueza como o íman». Mas tenhamos sempre presente que mesmo a reconquista cristã teve momentos altos de confraternização e uma tácita diplomacia muito distinta

das narrativas ensanguentadas que nos querem fazer acreditar. Parece mesmo, ao contrário do que supúnhamos, que eram muito civilizados em contraste com tudo o que aconteceu depois. E para tanto vejamos o clima de tolerância entre cristãos, judeus e muçulmanos, populações nascidas das três, moçárabes, muladis, tudo isto deu no conjunto dos dialectos o árabe-hispânico, o ladino, e toda a estrutura do que são hoje as línguas peninsulares de raiz romana. Creio que qualquer ser que esteja de fora olha para a estrutura evolutiva sem saber da sua designação. Não é certo que tenhamos evoluído, quando chegámos a África. Em território nacional fizemos um local absolutamente obscurantista como jamais tinha existido, andamos agora a “remendar” a língua para provarmos a eficácia humanista de gentes que quase nem se falam... queremos falar e não conseguimos... Mas dentro da língua estão os dadores da seiva fonética, esses, os que não podemos contornar, e nenhum retornado dessas selvas africanas terá com a saudade dos trópicos escrito algo que se parecesse com a diáspora de todos os fins de Impérios esta beleza de saudade imensa: «Só eu sei quanto me dói a separação! Na minha nostalgia fico desterrado à míngua de encontrar consolação. À pena no papel escrever não é dado sem que a lágrima trace teimosa linhas de amor na página da face. Se o meu grande orgulho não obstasse iria ver-te à noite: orvalho apaixonado, de vista às pétalas da rosa.» A saudade é um sentimento requintado, devemo-lo muito a judeus e árabes, os povos que mais civilização transportam e que prendem de memória os espaços ocupados. Para nós, o

O crescente vai a passar nos céus de um antigo reino, que teve nos últimos Almorávidas os vencidos, e quase sinto o cheiro das laranjas em frescos jardins como se os céus me transportassem um fulgor de Deus tão intacto que espanta e seduz

HENRI MATISSE, TURBANTE VERMELHO

quarta-feira 31.1.2018

amor ficou para sempre ascensional, bem distinto da noção linguística gaulesa do «tomber amoureux». Há efectivamente um crescente poético que convém lembrar, que são temas sempre esquecidos nos compêndios escolares e sobretudo muito oscilantes com a matéria dos regimes. Os nacionalismos são efervescências nascidas no século dezanove no centro e leste europeus, nós não tínhamos que os seguir nem com eles ter alinhado em um momento histórico, mas também não parece que este novo paradigma tenha feito lembrar alguma coisa, é certo, e vamos recriando os paradoxos como se tudo fosse um filme alimentado pela cabeças estranhas de cada um. A bússola devemo-la aos árabes peninsulares que não são bem os muçulmanos da África portuguesa no Índico. Já todos a Oriente conheciam aquelas costas e creio que delas fugiram pois não lhes interessava - os jardins de laranjeiras a sul e as estradas das suas flores, um sistema agrícola que não precisou de latifúndios nem da reforma agrária onde as águas irrigavam as terras e os solos floriram sempre - foi sem dúvida o que mais interessou. No século XIII, Afonso X de Castela, avô de D. Dinis, reúne aquilo que pode ser um pacto de amizade hispânica, o acervo árabe para castelhano. Eles não se esqueceram de manter vivas as heranças dos destituídos pois que lhes sabiam da importância cultural e civilizadora e assim por longo tempo, nessa

dita e obscura Idade Média, se parece ter vivido o que hoje a globalização não sabe, nem ideia tem para contemplar. Hoje sabemos deles pela desgraça actual dos atentados terroristas e não há correspondência alguma pois que os terroristas islâmicos são um produto dos Estados ocidentais: em vez de fazermos amigos, fizemos terroristas. O mundo parece ter-se esquecido que existe para além dos seus interesses económicos imediatos e cá andamos nós feitos miméticos a ver se passamos entre os vários estertores. Agora, todos virados para a Europa, num país de contornos bravios que tende para a desertificação sem freio e para uma esterilidade programada: haja quem o compre que é isso que se está a fazer e o inglês tornou-se o dialecto dos bárbaros globais que potencializa a má linguística de todas as nações. O crescente vai a passar nos céus de um antigo reino, que teve nos últimos Almorávidas os vencidos, e quase sinto o cheiro das laranjas em frescos jardins como se os céus me transportassem um fulgor de Deus tão intacto que espanta e seduz. Minha pupila liberta Quem da página é cativo: O branco, da margem certa. E da palavra, o negro vivo. (daríamos as nossas para tão lúcido instante) IBN AMMAR, nascido em Silves


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Aluvião Miguel Martins

Entre Zelig e Maigret Cinco linhas nas costas de um envelope ou num guardanapo de papel e a música flui. 5 - A dado momento da minha vida, após anos de audições musicais e reflexão sobre elas, decidi dedicar parte da minha limitada criatividade à “improvisação não-idiomática”, o que teve como corolário a gravação de bandas-sonoras para vários filmes e séries de televisão e, sobretudo, a edição, em 2014, do CD “Dada Dandy: A Favola da Medusa feat. George Haslam” pela prestigiada editora Slam Records, em cujo catálogo pontificam todos os nomes maiores do free-jazz britânico e, bem assim, luminárias como Max Roach ou Mal Waldron. Mas, antes disso, tocara já, por exemplo, com músicos como Anabela Duarte (dos Mler ife Dada), Beverley Chadwick (saxofonista de Robert Wyatt), Dennis González, Floros Floridis, Filipe Homem Fonseca (meu irmão siamês na música e membro do inenarrável duo Cebola Mol), Gail Brand, Jon Raskin, Ken Filiano, Patrick Brennan, Rodrigo Amado ou Wade Matthews, o que é para mim um privilégio e um prazer ímpar. Este último, no folheto do seu disco “Oranges”, escreve: “Imagine we’re eating dinner at Miguel Martins’ house. Imagine the wine is extraordinary. Miguel has brought me to Portugal to play three concerts, and I end up playing four… a real treat.”

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Pulvis et umbra sumus. Horácio

ONFORME prometido na semana passada, seguem-se algumas histórias, historietas e reflexões avulsas. Creio que, a par das que há já alguns meses vos venho confiando, serão reveladoras de um aspecto da minha personalidade no qual, modestamente, emulo o grande Comissário Maigret, criatura maior de Georges Simenon e o Zelig de Woody Allen: a vontade de ser toda a gente, de me fundir com todas as paisagens físicas e humanas com que me cruzo, o que, certamente, resulta em que seja uma pessoa de traços pouco claros, dificilmente apropriável, talvez mesmo vaga. Mas, agora, é tarde para mudar e, na verdade, não me parece que conseguisse aprender a ser de outro modo. Passemos, pois, adiante, na costumeira toada: 1 - D., arqueólogo, estava cansado de ouvir um museólogo cujo trabalho se centrava, sobretudo, nos chamados ecomuseus e cuja personalidade era, sem dúvida, algo autocentrada. Teve, então, a seguinte tirada: “É natural que te interessem os ecomuseus, porque são os únicos museus com eco: ecomuseu — eu, eu, eu…”.

2 - F., um amigo que, trabalhando para a O.N.U. e para a Cruz Vermelha, tem vivido as últimas décadas entre teatros de guerra e de fome, encontrava-se algures na Indonésia, a gozar umas miniférias da sua participação no processo de estabilização da independência timorense. Ao abandonar uma esplanada, foi abordado por um meliante local que, a cada recusa sua, lhe propunha um novo item de uma infinda ementa de iniquidades: drogas leves, drogas duras, meretrizes, mancebos, etc. Após uma última e enfática recusa, o dito malfeitor deu-se por vencido durante alguns segundos, mas, vendo, subitamente, uma luz ao fundo do túnel, aventou ainda: “Óculos escuros?”… F. não pôde deixar de sorrir face ao inesperado downgrading das mercadorias e, apesar de tudo, lá lhe comprou um par de lunetas.

gueses no Brasil). Num texto publicado em 2013, o enorme Manuel da Silva Ramos recordaria: “(…) convidei o Ernesto para jantar n’A Provinciana, que é uma tasca ali perto do Coliseu, por detrás do Teatro Nacional. O Ernesto veio e comemos sardinhas. Ele andava cada vez mais triste mas o nosso jantar foi mais uma vez um modelo de humor, de como o riso pode ser a salvação do mundo. Rimos muito como dois desesperados absolutos e bebemos bem e no final levei-o ao Bairro Alto. Continuámos a beber e isso fazia-lhe bem. O Miguel Martins tinha nessa altura um bar na rua da Rosa e foi aí que levei várias vezes o Ernesto para ver se o trazia de novo à vida. O Miguel, grande admirador da obra do Ernesto, nunca nos deixou pagar nada. Bebíamos pois no meio da juventude, no meio da agitação geral”.

3 - Ernesto Sampaio foi um dos mais interessantes escritores e críticos da segunda metade do século XX português. O seu livro “Fernanda” (editado pela Fenda em 2000, um ano antes da sua morte) é uma das mais belas elegias da língua. Ora, nos últimos meses da sua vida, tive oportunidade de beber bastantes copos com o Ernesto, num bar que então tinha no Bairro Alto (o mesmo se podendo dizer, pasme-se, de Cleonice Berardinelli, decana dos estudos portu-

4 - Também conheci Fernando Lopes-Graça, nas comemorações de um seu aniversário na sua cidade natal de Tomar. Disse-me que, havia não sei quantos anos, não abria um piano. Para compor, bastavam-lhe a imaginação e a ciência, sem necessidade de verificação sonora. O mesmo constatei, anos mais tarde, suceder, por vezes, com António Victorino de Almeida, a meias com quem escrevi quatro canções para uma peça de Gogol encenada por Maria do Céu Guerra.

6 - Tenho tido, também, a oportunidade de ver letras minhas registadas em disco por artistas como Marco Rodrigues, Cuca Roseta, Carla Pires, João-Paulo Esteves da Silva, Fernando Alvim ou Ciganos d’Ouro. E de ter poemas meus gravados na Sérvia e no Brasil. É uma experiência curiosa, essa de ouvi-los, em vez de lê-los. 7 - Elogio da dispersão: “Quando alguma coisa é alguma coisa, deixa logo de ser as outras todas, e isso é uma pena. O que é preciso é ser tudo ao mesmo tempo”, Agostinho da Silva. 8 - No meu caso, como em muitos outros, a acumulação destas actividades só é possível mediante o abandono das expectativas económicas que a maior parte dos cidadãos portugueses consideraria mínimas e pelo desenvolvimento de estratégias de sobrevivência quase sempre bastante fastidiosas. E é castrador que assim seja. Não posso deixar de pensar no que seria a produção de tantos e tão talentosos amigos caso não tivessem de debater-se com tais constrangimentos. Mas, pelo menos por cá, tarda em cimentar-se a percepção colectiva do facto óbvio de que ter gente confortavelmente dedicada à produção cultural é caro, mas que muito mais caro é não tê-la.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quarta-feira 31.1.2018

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BIOGRAFIA

poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

A bela cidade1 Velhas praças solarengas calam-se. No azul profundo e ouro imersas, Precipitam-se sonhadoras freiras doces, Para baixo das faias abafadas e sufocantes.

Trepidantes vibram os sons das campânulas, Ecoa o tempo de marcha e a chamada dos guardas. Estrangeiros escutam sobre os degraus. Alto no azul há sons de órgão.

Das claridades castanhas das igrejas, Contemplam da morte imagens puras, belos escudos de grandes príncipes. Coroas cintilam nas igrejas.

Claros instrumentos cantam. Através da folhagem dos jardins, ecoa o riso de mulheres belas. Baixinho cantam jovens mães.

Cavalos emergem da fonte. Ameaçam das árvores garras de flores. Meninos brincam confusos pelos sonhos, À tarde, em sossego, ao pé da fonte.

Furtivo sopra em janelas floridas As fragrâncias de incenso, alcatrão e lilases. Prateadas cintilam cansadas as pálpebras Através de flores à janela.

In Wikipedia

Meninas de pé estão junto às portas, Olham tímidas para a vida colorida. Estremecem os lábios húmidos E aguardam junto à porta.

Die schöne Stadt PUB

Alte Plätze sonnig schweigen. Tief in Blau und Gold versponnen traumhaft hasten sanfte Nonnen unter schwüler Buchen Schweigen.

Zitternd flattern Glockenklänge, Marschtakt hallt und Wacherufen. Fremde lauschen auf den Stufen. Hoch im Blau sind Orgelklänge.

Aus den braun erhellten Kirchen schaun des Todes reine Bilder, großer Fürsten schöne Schilder. Kronen schimmern in den Kirchen.

Helle Instrumente singen. Durch der Gärten Blätterrahmen schwirrt das Lachen schöner Damen. Leise junge Mütter singen.

Rösser tauchen aus dem Brunnen. Blütenkrallen drohn aus Bäumen. Knaben spielen wirr von Träumen abends leise dort am Brunnen

Heimlich haucht an blumigen Fenstern Duft von Weihrauch, Teer und Flieder. Silbern flimmern müde Lider durch die Blumen an den Fenstern.

Mädchen stehen an den Toren, schauen scheu ins farbige Leben. Ihre feuchten Lippen beben und sie warten an den Toren.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag, pp. 15-16. PUB

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES Anúncio Faz-se saber que em relação ao concurso público para a execução da “Empreitada de Concepção e Construção do Parque de Estacionamento na Praça da Assembleia Legislativa”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 3, II Série, de 17 de Janeiro de 2018, foram feitas as necessárias aclarações suplementares nos termos do artigo 2.° do programa do concurso pela entidade que realiza o concurso, e que se encontram arquivados no processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclarações suplementares encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.° 33, 17.° andar, Macau. Região Administrativa Especial de Macau, aos 26 de Janeiro de 2018. O Director de Serviços, substituto Shin Chung Low Kam Hong

Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos.


18 (f)utilidades TEMPO

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

31.1.2018 quarta-feira

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FRACA

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HUM

75-98%

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10.0

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Amanhã

CONCERTO DE BERRI TXARRAK Live Music Association | 21h30 às 00h30

Sábado

WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE Cinemateca Paixão | 17h30

7O CARTOON STEPH DE

47 6 31 4 5 7 1 3 6 4 2 5 6 2 4 1 7 5 3 5 3 4 5 3 6 2 Diariamente EXPOSIÇÃO 4 3“A REBOURS: 5 7CASE X18 – THE6ARTISTS2NOTES 2 36 1 2 3 4 IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02 25 17 6 2 1 5 6 2 4 3 7 1 EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION 1 1 7 6 5 2 3 4 1 4 7 65 3 OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” CAFÉ IFT 3 4 7 2 5 1 6 2 3 5 41 7 espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 3 4 3 62 4 57 6 2 5 1 3 6 4 7 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE Cinemateca Paixão | 17h30

Museu de Macau | Até 25/02

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 7

4A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING

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2 5 6 3 7 3 4 5 5 6 1 C4I Cineteatro 1 7 5 2 3 2 7 1 6 4 3 7 4 1 2 6 2 3 5 6 7 4 1

SALA 1

7 5 1 3 2 6 4

1 6 4 5 3 2 7

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D] Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

DOWNSIZING [C] Filme de: Alexander Payne

2 1 7 3 6 4 5

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4 34 3 2 2 7 3 5 6 32 1 24 7 1 5 6

PROBLEMA 8

10

5 41 6 13 2 4 7

2 4 7 1 6 65 23

1 3 4 5 57 6 12

7 6 12 74 35 3 1

6 5 1 7 3 2 4

Quantos patamares de linguagem temos? Como é óbvio nunca falamos de forma igual nas múltiplas circunstâncias com que nos deparamos, usamos ao longo da vida várias máscaras sociais, como um dia teorizou Marcel Mauss. Porém, a linguagem é outra coisa, principalmente aquela interna, a voz de dentro que diz coisas que não pertencem ao mundo prático. Quando essa mística garganta fala, tudo o resto se cala pois esse linguajar pertence ao sonho, é um dialecto onde não cabem coisas práticas e que nos fala do interior e do etéreo. Quando a nossa cabeça se expressa neste idioma onírico não é fácil trazê-la de volta a terra firme, ao quotidiano onde os nossos corpos habitam. Insurgem-se adjectivos intrusivos em frases às quais jamais vão pertencer, analogias surgem a cada esquina de expressividade, tudo é como qualquer outra coisa, tudo é profundamente evocativo. A própria conversação fica inquinada por afinidades conceptuais, extrapolações e uma outra dimensão comunicacional que não diz respeito a mais ninguém. São palavras tão íntimas como uma gaveta de roupa interior. O dilúvio dá-se como se as comportas da grande barragem do simbolismo estivessem escancaradas, inundando campos de objectividade com marés altas de metáforas. Este é o momento para largar âncora nesta enseada de língua normal, pedir o divórcio da fantasia e abrir portas às palavras mecânicas. João Luz

“O NARIZ” | NICOLAU GOGOL UM 4 1 1 5LIVRO 3 2HOJE 6 4 7 3 4 5 7 6 1 2 10 1 96 2 é um6dos 5 6 5 7 4 3 2 1 “O4Nariz” contos1 7 3 clássicos da literatura russa, 3 carregado 7 3 47 1 2 6 5 3 4 2E 7 2 3 de 7 humor4e de5 1 6 M A 6 absurdo, que inspirou uma 4 2 51 3 4 2 27 6 5 ópera Dmitri3 5 2 3 4 6 composta 4 1por 7 Shostakovich. A narrativa 2 envolve o nariz 6 de um 6 5 5 o1Major2 Kovaliov, 6 7 3 4 5 6 63 1 2 4 7 oficial, que decide sair da cara que 23uma habitava 5 2 7 36para5seguir 4 2 1 4 2 6 5 1 57 3 vida independente. A na63 7 com4que o1facto2 6 5 62 7 11 3 4 5 6 turalidade 7 3 1 surreal é tratado no conto antecipa da 4 o absurdismo 2 4 1 3 “Metamorfose” de Franz Kafka, 1 e das obras de Bo4 11 12 1 ris Vian ou Albert Camus. É um conto fundamental 3 MAZE6RUNNER: 5 THE4DEATH CURE 3 4e um7 6 1 5 7 6 3 1 2 4 na2obra5de Gogol, maiores da literatura russa. João Luz 2 7 4 1 6 7 4 2 5 1 3 6 1 2 5 4 7 3 7 2 3 116 7 3 1 6 2 5 4 2 3 4 7 6 5 1 12 4 1 2 7 3 6 5 1 4 2 7 4 5 1 2 3 6 7 3 6 2 4 Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos 1 Morais José Editor5 José C. Mendes Redacção Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor 6 4 1 5 5 2 7 3Propriedade 1 4 6 6 4 7 3Andreia2 Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões 6 7 4 O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 1 5 7 3 1 4 2 7Morais; 6JulieValério 3 5 António Conceição3 4 Ritchie;7David6Chan; Fa2Seong; Jorge 1 Rodrigues 5 Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Fonseca; Romão Colunistas Júnior; André 6 www.5 4Tânia dos SantosCartoonistaSteph Grafismo Paulo Borges, Rómulo SantosIlustraçãoRui Rasquinho 5 1Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de 5 3 6 2 4hojemacau. 1 6 5 3 7 2 7 2 3 1 5 4 6 com.mo Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 5 1 2 4 1 6 4 7

Museu de Arte de Macau | Até 4/03

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SUDOKU

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CHIPS MUDADOS

MEDITATION AND ECSTATIC DANCE - SUPER BLOOD BLUE MOON ECLIPSE Yoga Loft Macau | 19:30 - 21:30

2 Domingo

YUAN

PÊLO DO CÃO

PROGRAMA DE RÁDIO “FALAR DIREITO” - 63A EMISSÃO Fundação Rui Cunha | 22:00 - 23:00

MÚSICA: BE-ATS FEAT PATRICK ZIGON Live Music Association | 22h00

0.25

7 2 3N 6 4 1 5

Com: Matt Damon, Cristoph Waltz, Hong Chau, Kristen Wiig 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

FATE/ STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tomonori Sudo 14.30, 17.00, 21.30

COCO [A]

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 19.15


opinião 19

quarta-feira 31.1.2018

sexanálise

O

Sedução ou assédio?

S temas polémicos exigem-nos opiniões. Todo o movimento #metoo norte-americano (e mundial) veio levantar questões importantes acerca da nossa sociedade e da forma como percebemos o género e o sexo. Os globos de ouro foram palco de um mar negro de indumentárias de luxo femininas. A indústria cinematográfica e televisiva tem assistido a toda uma maré de acusações e queixas da forma como o assédio sexual parece fazer parte da normalidade diária – e têm havido contínuas tentativas de as condenar. Há quem ache a tentativa de activismo durante uma gala cinematográfica absolutamente patética (no sentido que não é assim que se faz política); há quem ache que o movimento se tenha tornado numa caça às bruxas; há quem ache que é de louvar a tentativa de consciencialização sobre tema. Não estou muito preocupada em pensar ‘qual a melhor forma’ de resolver o problema. Porque o que me parece central é perceber se existe um problema de todo. Se isto não é claro para muita gente, se calhar o primeiro passo é clarificar. Para mim é bastante óbvio que o problema existe, mas eu tive uma educação muito feminista - e por favor não se esqueçam que o feminismo é muito plural e diversificado - e já senti na pele as múltiplas nuances do assédio. Um dos mais importantes mitos acerca do tema é que o assédio divide os homens como os maus da fita e as mulheres como as vítimas indefesas. O que não é bem verdade, se pensarmos no género e no sexo como uma construção social, onde vários actores contribuem para os significados e práticas associadas. Gostava que esta reflexão fosse para além da lógica de ‘quem é que tem a culpa?’ – porque isso só parece atiçar hostilidade. Vamos afastarmo-nos disso por um momento, e partir para uma introspecção acerca das normas que regem as relações interpessoais, particularmente em contexto laboral. Não quero soar muito quadrada, mas quando se trabalha, acho que gostaríamos de ser tratados de forma profissional. Não me parece que deverá haver muito espaço para a sedução – para a importunação ou o assédio sexual. Quando eu faço uma apresentação de teor académico, não estou à espera que comentem as minhas pernas, o meu decote, ou a proporção da minha cintura com as

JOHANNES VERMEER, O COPO DE VINHO, 1658

TÂNIA DOS SANTOS

minhas coxas. Mesmo no mundo distante de Hollywood, mesmo que a imagem e o sexo venda nos castings de representação, acho que temos o direito de ser avaliados de acordo com as nossas habilidades profissionais. Até que ponto é que o sexo tem que estar presente em todas as coisas da nossa vida? Parece que o sexo é commumente utilizado como uma ferramenta de controlo do outro (e das sociedade em geral). E nestes jogos de controlo, os homens normalmente assumem um papel e as mulheres normalmente assumem outro. Quando uma resposta francesa ao movimento #metoo veio a público, pareceu-me haver uma confusão entre os conceitos de sedução e de assédio. Tenho sido surpreen-

Quando se trabalha, acho que gostaríamos de ser tratados de forma profissional. Não me parece que deverá haver muito espaço para a sedução – para a importunação ou o assédio sexual

dida pelo sarcasmo de muitos cronistas, opinadores públicos, mulheres e homens de igual forma. A sedução é um fenómeno bilateral – para um tango bem dançado são precisas duas partes com alguma coordenação. Por outro lado, o assédio já é a insistência de uma parte para com a outra – que não é desejada pelos dois, só por uma. Para além desta diferença ter que ser reforçada vezes e vezes sem conta, também vale a pena relembrar que as mulheres têm sido mais sujeitas a tratamentos menos devidos (e a esta confusão de conceitos) - o que não quer dizer que os homens não sejam assediados também. A tentativa de tornar o assédio socialmente condenável tem sido interpretado como demasiado ‘radical’ e um ‘exagero’ – isto porque considerou-se este tipo de interação como (absolutamente) normal durante muito tempo. Os homens aprendiam que era assim que podiam lidar com as mulheres, e as mulheres aprendiam que faz parte da sua existência ter que aprender a lidar com os avanços que por vezes não são desejados. Mas tem-se tentado mudar a forma como vemos o assédio, de forma a não confundi-lo com sedução. Podiam ser a mesmíssima coisa, mas felizmente, não o são.


O homem vive na poeira, no caos, como um verme num caldeiro Han Shan

PALAVRA DO DIA

quarta-feira 31.1.2018

FERNANDO VELUDO

Liga dos Campeões Tianjian Quanjian, de Paulo Sousa, apurado

O Tianjin Quanjian, treinado pelo português Paulo Sousa, qualificou-se ontem para a fase de grupos da Liga dos Campeões asiática de futebol, ao vencer em casa os filipinos do Ceres Negro, por 2-0. O avançado francês Anthony Modeste foi a grande figura do conjunto chinês, ao marcar os dois golos do encontro, aos 18 e 57 minutos. O conjunto treinado por Paulo Sousa vai integrar agora o Grupo E, juntamente com o Kitchee, de Hong Kong, os sul-coreanos do Jeonbuk Hyundai Motors e o vencedor do confronto entre os japoneses do Kashiwa Reysol e os tailandeses Muangthong United. Ainda ontem o Shanghai SIPG, comandado por Vítor Pereira, recebia o Chiangrai United, da Tailândia.

BREXIT OK! VOLTEM, ESTÃO PERDOADOS!

A

Circular é viver CPLP PORTUGAL E CABO VERDE PROPÕEM LIVRE CIRCULAÇÃO

O

ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse, hoje, na cidade cabo-verdiana do Mindelo, que espera contar com os restantes países da CPLP para avançar com uma proposta luso-cabo-verdiana de livre circulação na comunidade. Na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente,

onde cumpriu o primeiro dia de visita a Cabo Verde, Augusto Santos Silva disse que a proposta luso-cabo-verdiana já foi apresentada aos restantes países e está a ser estudada. “E contamos com os nossos parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que ela possa ir avante”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.

Corridas de touros estão de regresso à China

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A tauromaquia está de regresso á Ásia, num projecto que conta com a participação do cavaleiro português Marco José. “Num projecto que visa contribuir para o desenvolvimento turístico de Guizhou , a tauromaquia vai marcar presença com espectáculos de demonstração tauromáquica, onde a corrida de touros à portuguesa terá o seu espaço. Tudo acontecerá no New Português Guizhou Pecuária, um projecto onde o cavaleiro tauromáquico Marco José está inserido, com Sr. Joaquim Rodrigues, Sr. Wang e Sr. Yang que conta ainda com o apoio expresso do governo da República da China”, refere o cavaleiro em nota de imprensa. “Assim pode-se dizer que a Tauromaquia está de regresso à Asia, onde nos anos 60, 70 e 80 ocorreram manifestações tauromáquicas de elevada adesão de público”, remata o comunicado.

A proposta luso-cabo-verdiana, explicou Augusto Santos Silva, consiste na criação de autorizações de residência nos países-membros da comunidade lusófona, cujo critério determinante seja a nacionalidade. “Isto significaria que os cabo-verdianos poderiam trabalhar, estudar, residir livremente em Portugal, os portugueses no Brasil, os brasileiros em Mo-

çambique, os moçambicanos em São Tomé, os são-tomenses em Cabo Verde e por aí fora, por serem nacionais de um espaço comum, que é a CPLP”, mostrou. O ministro português sublinhou, por outro lado, que isso implicaria questões de segurança, que cada país terá, segundo as suas leis e suas regras. “Implica também o reconhecimento das habilitações académicas e qualificações profissionais recíproca e também a portabilidade dos direitos sociais”, notou, explicando que, assim, quando um cidadão trabalhar noutro país, os seus descontos para a segurança social nesse país poderiam servir para a reforma no país de origem.

sondagem foi realizada entre 19 e 20 de Janeiro pela D-CYFOR e requerida pela Britain Elects. As repostas dos 1015 ingleses que constituem a amostra representativa do estudo evidenciam um pessimismo perante o futuro do país. 50% dos ingleses consideraram que o Reino Unido estava a ir pelo caminho errado. Em Novembro de 2017, esta opção reunia apenas 43% dos votos. Pelo contrário, apenas 30% do público considerou que o Brexit era o melhor caminho para o Reino Unido. Em Novembro, esta resposta continha mais votos do que actualmente (35%). Neste estudo, as mulheres são mais pessimistas: 53% das mulheres considerou que o país caminhava na direcção errada enquanto apenas 47% dos homens optou por essa resposta. Por outro lado, 37% dos homens considerou que saída da União Europeia era a escolha acertada, um número elevado em comparação com as respostas das mulheres (apenas 23% subscreveu esta opção). Sobre um eventual regresso à União Europeia, o vice-primeiro-ministro de Theresa May, David Lidington, já lembrou que “em política, é perigoso dizer nunca”, colocando em cima da mesa um eventual regresso no futuro a uma União reformada. Do lado da União Europeia, a porta continua aberta para uma mudança de direcção. O processo para a saída do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e Paíse de Gales) da União Europeia deverá ficar concluído em Março do próximo ano.

Hoje Macau 31 JAN 2018 #3984  

N.º 3984 de 31 de JAN de 2018

Hoje Macau 31 JAN 2018 #3984  

N.º 3984 de 31 de JAN de 2018

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