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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 30 DE MAIO DE 2016 • ANO XV • Nº 3581 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

VESTIDOS PARA GANHAR

Ambições políticas, um lugar na função pública ou a genuína vontade de um trabalho virado para a comunidade. São

IEC LONG

RELATÓRIO A SAIR

algumas das motivações envergadas pelos jovens que continuam a tentar fazer parte das associações mais antigas de Macau.

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CHINA

GRANDE PLANO

CENTRO CULTURAL

VERÃO QUENTE

EVENTOS

CCM

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JOVENS REFORÇAM ASSOCIAÇÕES

Pressões filiais PÁGINA 13

hAgrande

mensagem GUO XI

OPINIÃO

Refeição fatal DAVID CHAN

ASSEMBLEIA

Perguntem ao Raimundo PUB

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Duas das associações mais antigas de Macau continuam a ter jovens para prosseguir o caminho que começou a ser traçado há décadas. Não é o dinheiro que os faz entrar na União Geral das Associações dos Moradores ou na Federação das Associações dos Operários: é o trabalho junto das comunidades ou a possibilidade de chegar mais facilmente a um lugar na Função Pública. Mas também há quem tenha ambições políticas

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ONCORREM a uma vaga assim que acabam de sair da universidade e apenas ambicionam ganhar experiência até chegar ao almejado lugar na Função Pública. Outros querem de facto ajudar os residentes com maiores necessidades, esses que diariamente recorrem às associações para terem a ajuda que não conseguem junto do Governo. Também há aqueles que querem um dia chegar à Assembleia Legislativa (AL) e ter algum tipo de poder político e social, por isso a ambição acompanha-os a partir do momento em que começam a trabalhar. Estes são alguns dos perfis que podem ser traçados das novas gerações de jovens que decidem aderir à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, também conhecidos como Kaifong). Três jovens com quem o HM falou garantem que o salário não é o principal chamariz para se trabalhar neste tipo de associações, já que é pouco maior do que as 15 mil patacas mensais. Os atractivos são outros. Associações como estas funcionam como polvos cheios de tentáculos há mais de 30 anos e continuam a ter forte influência social e política. Não faltam interessados na casa dos 20 e 30

anos para continuar um trabalho de associativismo iniciado há décadas. A FAOM e a UGAMM estão representadas no hemiciclo, possuem escolas, creches, centros e associações mais pequenas, recebem queixas dos residentes, têm centros de acompanhamento de idosos e lideram a lista das entidades que recebem subsídios do Governo. “A primeira razão pela qual os jovens entram nestas associações é para terem algum tipo de poder, esse é o primeiro objectivo”, contou ao HM Isabel Cheong, secretária-geral do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, ligado aos Kaifong. “Nas associações não se ganha muito dinheiro, porque o salário pago é semelhante ao de um recém-licenciado. Quem entra aqui tem algum ambição e vontade de ter poder e ser conhecido, mas também de aprender mais e trabalhar junto da sociedade”, referiu. Isabel Cheong estudou Jornalismo na China continental e chegou a trabalhar no jornal Ou Mun, mas depressa se fartou do ritmo frenético da profissão e do facto de ter de se deslocar diariamente a trabalhos de agenda. Um dia candidatou-se a uma vaga de trabalho nos Kaifong. “Trabalhei em vários escritórios do deputado Ho Ion Sang e também no escritório central. Sempre trabalhei junto da comunidade. Até que em 2010 o

HOJE MACAU

JOVENS QUEM SÃO AS NOVAS GERAÇÕES DAS ASSOCIAÇÕES DE OPERÁRIOS E MORADORES?

AMBICOES E ´

GRANDE PLANO

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“Há pessoas que entram na FAOM ou noutras associações porque querem de facto ajudar a melhorar a sociedade, mas muitos também querem concretizar os seus próprios interesses” IAN MAN CHIT FAOM deputado Ho Ion Sang e outros membros pensaram em criar este centro para discutirmos políticas e medidas, para termos um trabalho mais político. Então fui recomendada para trabalhar aqui”, explica Isabel Cheong. Tal como todos os jovens da sua idade, Isabel começou do zero e

fez todo o tipo de trabalhos. “Faço trabalho administrativo aqui e também estou na área de promoção de políticas para serem discutidas. Antes não tínhamos muitas pessoas e eu fui uma das primeiras a chegar. Agora a equipa é maior, temos cinco departamentos e um deles é só para pensar em temas

a debater junto da sociedade e políticas para serem propostas ao Governo”, adiantou. Já Ian Man Chit entrou na FAOM em 2008 através de um estágio. Estudou Política numa universidade chinesa e hoje estuda Direito na Universidade de Macau. “Há pessoas que entram na FAOM ou noutras associações porque querem de facto ajudar a melhorar a sociedade, mas muitos também querem concretizar os seus próprios interesses. Muitos querem desenvolver as suas capacidades aqui e não se importam muito com o facto do salário ser baixo. Há pessoas que querem entrar para depois terem mais oportunidades


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ASSOCIATIVISMO noutros sítios. Aqui podem ter uma formação para depois facilitar a entrada na Função Pública”, referiu. A colega, Ng Nga Teng - que se licenciou na área das Relações Laborais em Taiwan - assegura: “Há várias situações. Há pessoas que entram porque há muitos cargos aqui e podem ter trabalho. Outros querem mesmo participar nas questões da sociedade e ajudar as pessoas. Muitos têm mesmo o sonho de ser políticos. Esse sonho existe, mas a maioria só quer um emprego.”

Ela própria já foi uma das formandas. “Em 2009 o deputado Ho Ion Sang foi eleito mas na altura as pessoas achavam que ele era novo e não confiavam muito no seu trabalho. Reconhecemos esse problema e apostámos no trabalho de formar as pessoas cada vez mais cedo, para que também comecem a aparecer mais cedo, para que a sociedade também os conheça.” Isabel Cheong até põe a hipótese de um dia se candidatar, mas afirma ter de pensar, porque é uma

decisão que não parte só dela. “No futuro gostava de experimentar esta área”, garante. Também Ian Man Chit gostava de chegar ao hemiciclo, mas diz que não se importa de continuar a fazer o que faz actualmente, em prol dos outros. “Primeiro tem de se respeitar a vontade da própria pessoa, mas o mais importante é o que a pessoa em causa pensa sobre os residentes. Deve ser alguém com muita experiência a lidar directamente com as pessoas e ver os seus problemas. Essas são as

condições básicas para uma pessoa ser escolhida. Somos um grupo dos operários e temos de ter a capacidade de fazer tudo, não podemos trabalhar apenas pelos direitos dos trabalhadores mas em todas as áreas. Para ser deputado temos de deixar a família para trás, sem horários.” O pensamento é transversal. “Penso ser candidato à AL, mas é um processo complicado, porque a Ella Lei começou por ser assistente dos deputados e teve de adquirir muita experiência até lá

FORMAÇÃO PARA SER POLÍTICO

Na área política a máquina está bem oleada para formar jovens que poderão um dia ser potenciais candidatos à AL e integrar as listas, conforme os dirigentes assim decidirem. Do lado da FAOM, Kwan Tsui Hang já deu mostras de querer sair do hemiciclo e já estão a ser pensados nomes para lhe suceder. Os membros mais novos participam com frequência em acções de formação sobre política, com a participação de académicos convidados. “Não sei quem é que se vai candidatar (nas eleições legislativas de 2017) mas os Kaifong estão sempre a formar novas pessoas para serem deputados. Quando Ho Ion Sang decidir sair já vão existir pessoas que podem avançar para uma candidatura. Há sempre cursos de formação com convites de especialistas em política para formar essas pessoas para a vida política”, explicou Isabel Cheong ao HM.

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LLA Lei foi eleita em 2013 pela FAOM pelo sufrágio indirecto, já que a FAOM continuou a ter os deputados Kwan Tsui Hang e Lam Heong Sang nos assentos directos. Wong Kit Cheng, que é vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, foi a número dois da lista de Ho Ion Sang, dos Kaifong. O percurso das deputadas até chegarem à AL foi semelhante ao de Isabel Cheong, Ian Man Chit e Ng Nga Teng.

“A primeira razão pela qual os jovens entram nestas associações é para terem algum tipo de poder”

“Quem entra aqui tem algum ambição e vontade de ter poder e ser conhecido, mas também de aprender mais e trabalhar junto da sociedade”

chegar. Isso depende da própria associação, não é uma escolha pessoal. Não me importo qual será o meu cargo, pode não ser a AL, desde que possa ajudar as pessoas”, acrescentou Ian Man Chit.

MAIS DEPUTADOS DIRECTOS

Apesar de estarem ainda muito longe de chegarem ao topo, estes jovens já têm as suas ideias políticas bem definidas. O aumento de deputados directos no hemiciclo é um objectivo defendido por Isabel Cheong e Ian Man Chit. “Há muitos deputados na AL que só fazem coisas para os seus interesses pessoais e não quero que essa situação continue. Para mim um deputado tem muita responsabilidade e trabalhos e não é uma escolha fácil. Actualmente há falta de igualdade social. Há muitos empresários na AL, o que faz com que Coloane continue a não ser protegida”, defendeu o jovem da FAOM. Ng Nga Teng, que decidiu entrar na Federação depois de assistir a um seminário sobre sindicalismo em Taiwan, pede que seja implementada a Lei Sindical em Macau. “A FAOM está a desempenhar o papel de sindicato, temos 70 associações e há sempre esse objectivo de ajudar os trabalhadores. Macau precisa mesmo de uma Lei Sindical, porque sem ela não há uma plataforma de negociação”, remata a jovem. Flora Fong

ISABEL CHEONG CENTRO DA POLÍTICA DA SABEDORIA COLECTIVA

flora.fong@hojemacau.com.mo

Percursos femininos Os caminhos paralelos de Ella Lei e Wong Kit Cheng

“Comecei por participar na União Geral dos Estudantes durante a universidade e foi aí que comecei a ter mais contacto com os problemas da sociedade. Depois fui para a Associação das Mulheres porque queria discutir mais políticas e defender os direitos destas”, referiu Wong Kit Cheng ao HM. A deputada

ainda chegou a trabalhar como enfermeira no Hospital Conde de São Januário. “A minha entrada para a AL foi uma decisão de todos, porque a associação tem formado jovens para participar nas políticas, temos tentado encontrar pessoas para continuar esse trabalho. Conheci enfermeiras que

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

também estavam ligadas a estes assuntos e incentivaram a minha candidatura, foi uma oportunidade”, assegura a número dois de Ho Ion Sang.

DESAFIO JOVEM

No caso de Ella Lei, a deputada indirecta entrou para a FAOM através de um sim-

ples estágio, quando ainda estudava na universidade, no curso de Administração e Gestão Pública. “Na altura não sabia nada, mas comecei a perceber melhor o trabalho de um deputado e achei que era significativo e desafiante”, contou. Foi recepcionista num dos centros da associação, tratou dos casos mais fáceis, lidou com muitas queixas de residentes. Ella Lei estagiou nos anos de 2002 e 2003, quando a economia atravessava uma fase má e quando houve o fecho de muitas fábricas.

“Falei com pessoas analfabetas que precisavam de ajuda para assinar contratos, submeti queixas ao Governo. Chegou a um ponto em que queria contribuir para a sociedade de uma forma mais activa e queria ter mais responsabilidades. No processo de candidatura ganhei o apoio dos meus colegas, porque claro que não foi apenas uma decisão pessoal”, rematou a deputada. A.S.S./F.F.


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GCS

Um equilíbrio desejado

Desenvolvimento extra-jogo passa por controlo de número de mesas, diz Ella Lei

A AL TÁXIS E OBRAS PÚBLICAS REINAM EM SESSÃO PLENÁRIA COM GOVERNO

`A Procura de respostas O Governo vai hoje responder às perguntas dos deputados e a pasta de Raimundo do Rosário é a que mais respostas terá de apresentar. Regulamento dos Táxis, prédios, vias públicas e novos aterros são os assuntos mais destacados

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Au Kam San sustenta, por outro lado, que é “necessário garantir a sobrevivência daqueles que cumprem a lei” só que “as estradas estão cheias de linhas contínuas amarelas, onde é proibido parar mesmo para deixar entrar e sair passageiros, o que dificulta a vida dos taxistas”, defendendo, portanto, ser “preciso resolver o uso abusivo das linhas contínuas amarelas”. Por sua vez, Lam Heong Sang, vice-presidente da AL e eleito por sufrágio indirecto, também pretende inteirar-se das alterações previstas a este diploma, em particular no que diz respeito à fiscalização, mas tocando também na questão da prioridade que deve ser dada aos táxis no uso das vias públicas e advogando por “instalações facilitadoras de tomada e largada de passageiros”.

HABITAÇÃO E REPARAÇÃO

De volta à carga, o deputado Ng Kuok Cheong, eleito por sufrágio directo, traz a questão da recuperação dos terrenos não aproveitados para a construção de habitação pública. “O Governo já procedeu a alguma estimativa?”, questiona o pró-democrata, recordando que, há meses, foi revelado que de um universo de

48 terrenos, cujo abandono era imputável aos concessionários, nove estavam em processo de análise”, desconhecendo-se, actualmente, o ponto de situação. Por outro lado, “para responder às expectativas da população, o Governo deve esforçar-se para que o novo concurso para a habitação económica aconteça o mais rapidamente possível, isto é, até ao primeiro semestre de 2017”, observa Ng Kuok Cheong. Angela Leong, deputada eleita de forma directa, denota a pouca receptividade nas medidas de revitalização dos prédios industriais. Recorda a deputada que, no ano passado, o Governo afirmou existir a necessidade de revisão e avaliação dessas mesmas medidas e, por isso, diz, chegou a hora da Administração apresentar resultados. Já Kwan Tsui Hang vai falar da “endemia” das “contínuas reparações e escavações das vias públicas” designadamente para a instalação de redes de esgotos e de cabos.

OPORTUNIDADES JUSTAS

José Pereira Coutinho aproveitará o momento para questionar o Governo sobre a prometida

revisão do Regime de Promoção na Função Pública. O deputado acusa o Governo de esquecer os trabalhadores da linha da frente, ignorando-os na melhoria das suas condições de trabalho. Ho Ion Sang, por seu lado, vai interpelar o Executivo sobre as importações de produtos alimentares frescos e vivos, indagando sobre medidas no âmbito da fiscalização da segurança alimentar, e Wong Kit Cheng abordará a desactualização de normas afectas aos mercados municipais e o regulamento de licenciamento. A deputada Chan Hong, pegando nos dados dos Censos de 2011, à luz dos quais existiam 11 mil deficientes, quer saber a percentagem que representam na Função Pública e como pretende o Executivo promover o emprego, enquanto Leong Veng Chai vai advertir para o eventual aumento do número de crimes em face do ajustamento do sector do jogo, e por conseguinte, da economia. A sessão começa às 15h00. Filipa Araújo (com Lusa)

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Tomás Chio (revisto por F.A.) info@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

hoje que o Governo marca presença na Assembleia Legislativa (AL), para responder a perguntas dos deputados. No total são 15 as interpelações a apresentar e que abordam temas como a revitalização dos prédios industriais, a utilização de terrenos, a reparação das vias públicas, o serviço de táxis, a segurança do território e, até, as oportunidades de emprego para os portadores de deficiência. A revisão ao Regulamento dos Táxis é o único assunto que reúne duas interpelações, uma assinada por Lam Heong Sang e outra por Au Kam San. “A recente revisão do Regulamento dos Táxis parece ter provocado grande celeuma na cidade”, afirma Au Kam San, para quem as propostas apresentadas recentemente à comunicação social - e que incluem medidas como o cancelamento e suspensão da carteira - “não podem ceder a pressões”. Durante “muitos anos, as irregularidades dos táxis, tais como a recusa de serviços, a escolha de clientes e a cobrança abusiva de tarifas, denegriram a imagem de Macau”, salienta o deputado.

deputada Ella Lei, eleita por sufrágio indirecto, quer saber se o Governo vai reforçar a promoção dos elementos extra-Jogo através do controlo na aprovação de mesas para as operadoras, sistema que, aponta, deve ser mais transparente. Numa interpelação escrita, a deputada cita os dados do relatório de estudo académico sobre a avaliação intercalar do sector do Jogo, frisando que embora a proporção dos empregados do sector extra-jogo tenha aumentado em 8% - entre 2002 até 2014 -, ainda assim não consegue atingir os 50%, fixando-se apenas em 44%. No entanto, diz, a realidade mostra que muitas operadoras têm apenas uma taxa de 26% de empregados para esta área. A deputada quer saber quais as exigências do Governo para a aprovação de mesas de Jogo e diz que é preciso que a Administração explique se vai ou não publicar as orientações que a guiam. Ella Lei considera necessário aumentar a transparência deste processo e isso passa pela publicação dos detalhes das aprovações, tais como o número de mesas e a sua localização. Além disso, a deputada enfatiza ainda a necessidade de reforçar a promoção dos elementos extra-jogo através da aprovação das mesas. Se o Governo criar um índice de equilíbrio entre este dois subsectores, a deputada considera que é possível aumentar os elementos de lazer. Basta, para isso, que “o número de mesas aprovadas possam estar dependentes do desempenho das operadores no desenvolvimento de actividades de não-Jogo”.


5 POLÍTICA

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

TNR EXIGIDA MAIOR RAPIDEZ NOS PEDIDOS COM FUSÃO DO GRH

Regresso ao passado? Albano Martins e Grant Govertsen pedem maior rapidez e flexibilidade nos pedidos de aprovação de trabalhadores não residentes após a fusão do Gabinete de Recursos Humanos com os Serviços para os Assuntos Laborais

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ÃO basta fundir o Gabinete de Recursos Humanos (GRH) com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para que os processos de contratação de trabalhadores não residentes (TNR) sejam aprovados com maior rapidez e eficácia. Para o economista Albano Martins e o analista de jogo Grant Govertsen, é necessário mudar processos para tornar mais fácil a vida às empresas. “Volta-se um bocado à estaca zero, porque no passado esse gabinete esteve sempre dentro da DSAL. Tem lógica a ideia de meter um gabinete num departamento que discute questões similares, mas vamos ver se a capacidade de resposta, que já era lenta, não se vai tornar mais lenta ainda. Esse é o grande dilema”, disse Albano Martins ao HM. “Agora temos de pedir à DSAL para dar a informação de que não tem pessoal com essas qualificações e aí é que fazemos prova junto do GRH. Com a fusão, esse processo pode ser mais rápido, mas não é garantido que seja, porque estamos fartos de ouvir departamentos dentro de direcções de serviços que nos pedem para consultarmos outros departamentos”, referiu ainda. Grant Govertsen pede maior flexibilidade para os pequenos negócios com a fusão das entidades. “Claramente as empresas mais pequenas estão a sofrer de forma desproporcional em relação às grandes empresas. É cada vez mais difícil contratar locais, por-

que vão todos trabalhar nos casinos, que podem pagar mais. Seria importante uma maior flexibilidade para as pequenas empresas poderem contratar mão-de-obra não residente”, apontou.

MALDITOS PRAZOS

A fusão entre os dois organismos está feita desde o passado sábado, sendo que agora a DSAL conta com o Departamento de Contratação de Trabalhadores Não Residentes, responsável pelo tratamento dos pedidos de contratação deste tipo de mão-de-obra. Com a reestruturação, inserida na política de diminuição de serviços semelhantes na Administração, nasce ainda a Divisão de Licenciamento e de Apoio Técnico, responsável pela fiscalização de agências de emprego e tratamento dos pedidos de licenciamento.

“Tem lógica a ideia de meter um gabinete num departamento que discute questões similares, mas vamos ver se a capacidade de resposta, que já era lenta, não se vai tornar mais lenta ainda” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

ALEXIS TAM ABERTO A NEGOCIAR SALAS DE FUMO

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Governo admite rever a política de tolerância zero em relação ao tabaco. Ainda que sem assumir compromissos, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, mostrou-se aberto a reconsiderar a manutenção de zonas de fumo nas salas VIP dos casinos, algo que tem vindo a ser defendido pelos deputados que analisam na especialidade a revisão à Lei do Tabaco.

“Ainda é cedo. Mas estamos abertos. Vamos analisar primeiro. Temos de ser objectivos e abertos”, afirma o responsável da tutela, citado pela Rádio Macau. O Secretário espera agora pelo parecer que está a ser preparado pela 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que defende a manutenção de zonas para fumadores nos casinos e

está também contra a intenção do Governo de proibir por completo o consumo de tabaco na prisão. A Comissão entende ainda que as tabaqueiras devem continuar a ter salas de prova. O Secretário diz que vai estudar as propostas com os Serviços de Saúde e admite também voltar a sondar operadoras e trabalhadores do sector do jogo.

Numa resposta recentemente concedida ao HM, o GRH garantiu que demorava cerca de um mês a tratar de um pedido de contratação de um TNR especializado, sendo que para um trabalhador sem qualquer tipo de especialização o pedido chega a demorar dois a três meses. Um prazo que é contestado por Albano Martins, que defende, com a fusão, diferentes critérios de aprovação consoante a dimensão de negócio e a empresa. “Para uma Pequena e Média Empresa (PME) esse processo deveria ser muito rápido, mas para uma empresa que pede 20 ou 30 trabalhadores, claro que devem demorar um pouco mais, mas nunca mais de três meses.Acota é autorizada e depois temos de procurar a pessoa. Não havendo esse trabalhador o processo não devia demorar mais do que 20 dias.” O economista garante que o actual sistema “é caótico para as empresas”, tanto “as mais pequenas como as grandes, que se calhar até são mais afectadas”. “Às vezes parece uma decisão política e não económica: ‘não queremos mais não residentes’ e deliberadamente parecem atrasar os processos. A maneira como as coisas estão a correr é claramente de pessoas que não têm noção de como funciona uma empresa. No passado havia exactamente a mesma postura.” Em comunicado, a DSAL assegura que esta reestruturação vai ajudar a “tratar e executar com mais eficácia os trabalhos sobre pedidos de contratação de TNR a fim de responder às necessidades do desenvolvimento social”. O organismo garante ainda ter mais formas de “optimizar trabalhos” e efectuar estudos sobre recursos humanos em Macau, “para garantir que os residentes continuam a ter prioridade no acesso ao emprego”. Macau conta com mais de 220 mil TNR, sendo a construção civil e os restaurantes e similares os que mais contratam estas pessoas, além de áreas como o trabalho doméstico. Andreia Sofia Silva (com J.F.)

andreia.silva@hojemacau.com.mo

MOTORISTAS SÓ DE MACAU, REFORÇA GOVERNO

A importação de mão-de-obra para funções de motorista continua a ser proibida. Num comunicado à imprensa, o Gabinete do Porta-voz do Governo voltou a assegurar que esta política se mantém inalterada, depois da comunicação social de Hong Kong avançar uma possível revisão à lei em Macau. “O Governo salienta que a actual política para a proibição de importação de mão-de-obra para as funções de motorista fica inalterada”, frisa. Admitindo a preocupação sentida na falta de motoristas locais, o Governo reforça a vontade de atrair, “de forma activa”, pessoas habilitadas para conduzirem veículos pesados de passageiros para o sector dos autocarros. O Governo diz-se ainda “empenhado em criar condições que permitam o ingresso no ramo de pessoas que queiram dedicar-se a esta profissão mas que ainda não se encontram habilitados”.


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SOCIEDADE

Extras ilegais Falsificação de documentos para obtenção de subsídios

O Iec Long CCAC DIVULGA RESULTADOS NA PRÓXIMA SEMANA

Finalmente, o relatório Era para ser em Abril, mas o surgimento de novos dados fez com que a investigação à troca de terrenos da Iec Long se prolongasse. O relatório surge na próxima semana, enquanto o CCAC investiga a construção do Alto de Coloane e a doação à Universidade de Jinan para preservar a antiga fábrica de panchões. O terreno de 152 mil metros da Iec Long foi trocado por terrenos onde se encontram o Mandarim Oriental, o MGM e o One Central, depois da Sociedade de Desenvolvimento da Nossa Senhora da Baía da Esperança – administrada por Sio Tak Hong, do Conselho Executivo – ter cedido estes lotes à Shun Tak. Mas, a empresa ainda tem de receber 133 mil metros quadrados de terreno. Chui Sai On, instigado a comentar o assunto no ano passado, insistia que as dívidas de terrenos têm de ser pagas, uma vez que a permuta aconteceu devido ao interesse público. André Cheong, que tinha referido existirem “indícios” para a investigação, diz agora que o relatório está já concluído, faltando a tradução. “O relatório envolve uma orientação clara

sobre o caso e as sugestões do CCAC” disse André Cheong à publicação em língua chinesa.

E OS OUTROS?

O responsável do CCAC disse ainda que o organismo já começou a investigar o caso do empreendimento de luxo que poderá vir a nascer no Alto de Coloane. O lote, pertencente ao empresário Sio Tak Hong, foi comprado em hasta pública, conforme dados anunciados pela empresa. Mas o desenvolvimento de vários prédios de habitação no local tem levantado polémica, dado ser o local dos poucos verdes em Macau. André Cheong indicou que a investigação deverá demorar mais tempo, devido a estarem envolvidos vários departamentos governamentais, pelo que é difícil prever o calendário da conclusão sobre a investigação.

“O relatório envolve uma orientação clara sobre o caso e as sugestões do CCAC” ANDRÉ CHEONG CCAC

“Entendo que há uma grande preocupação pública sobre este caso, por isso, o CCAC esforça-se para investigar o caso”, sublinhou Cheong. O Comissário foi ainda questionado sobre se a investigação influenciaria os trabalhos de aprovação da obra, o único que falta para que o projecto avance, mas André Cheong diz que a investigação é independente e que não só não influencia, como também não é aconselhável o debate sobre o caso na Assembleia Legislativa (AL). Já sobre o caso da doação de cem milhões de patacas à Universidade de Jinan, Cheong diz que o CCAC tem condições para acompanhar o caso e garantiu que o organismo vai investigá-lo, tendo já pedido dados à Fundação de Macau (FM). O caso gerou polémica porque Chui Sai On, Chefe do Executivo, não é só o presidente da FM, como também é vice-presidente do Conselho Geral da Universidade de Jinan, tendo aprovado e recebido os apoios. Tomás Chio (revisto por J.F.) info@hojemacau.com.mo

os indivíduos que tenham um número de horas de trabalho mensais não inferior ao previsto e que aufiram um rendimento trimestral não superior ao montante estipulado”, que é de cinco mil patacas actualmente.

CONTA-ME HISTÓRIAS

No segundo caso, a ilegalidade terá acontecido entre 2012 e 2015, sendo que o suspeito é o presidente do conselho de administração de um edifício. O mesmo terá declarado à DSF informações falsas sobre o montante de rendimento do trabalho, inferiores aos que os administradores receberiam na realidade. O CCAC explica que uma parte dos salários era paga sob a descrição de “subsídio e prémio” e num dia diferente ao do pagamento do salário, para que não fosse assumido como tal. Em causa estão, explica o organismo, 200 mil patacas de subsídio atribuído pelo Governo. Os casos foram entregues ao Ministério Público e os suspeitos estão acusados de crimes de falsificação de documentos e burla. Filipa Araújo

Filipa.araujo@hojemacau.com.mo TIAGO ALCÂNTARA

É

já na próxima semana que se fica a saber o resultado da investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sobre a Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa. O organismo liderado por André Cheong admite ter encontrado novas informações e diz também que começou a investigar o caso do empreendimento de luxo que poderá nascer no Alto de Coloane e a doação de cem milhões de patacas à Universidade de Jinan. A investigação aos lotes da Iec Long já deveria ter sido dada a conhecer em Abril, mas André Cheong, que apresentou desculpas pelo atraso, disse ao Jornal do Cidadão que novas informações foram encontradas “na última fase de investigação”. Tal levou a que o CCAC necessitasse de mais tempo para analisar o caso. O caso diz respeito a uma troca de terrenos entre o Governo e empresas como a Shun Tak. A permuta de terrenos foi assinada pelo ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, alegadamente

Comissariado contra a Corrupção (CCAC) descobriu dois casos de suspeita de falsificação de documentos para obtenção ilegal do subsídio complementar aos rendimentos do trabalho. Os montantes ascendem a mais de 200 mil e 700 mil patacas. Os casos remontam aos anos de 2009 e 2015. No primeiro caso, o proprietário de uma empresa de administração de condomínios e limpeza prestou à Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), no requerimento do subsídio complementar aos rendimentos do trabalho a favor dos seus trabalhadores, informações falsas, tendo declarado rendimentos de trabalho inferiores aos que verdadeiramente recebiam os funcionários e um número de horas de trabalho que não correspondia à realidade. No total estão envolvidos mais de 700 mil patacas. Este subsídio, criado em Janeiro de 2008, é destinado a residentes permanentes com baixos rendimentos. De acordo com a lei, “só podem requerer a atribuição deste subsídio

PSP ENCONTRA CADÁVER DE HOMEM EM COLOANE

O corpo de um homem, com idades “entre os 20 e 40 anos”, foi encontrado em Coloane, num trilho perto da praia de Hac Sá. O corpo não apresentava ferimentos e a polícia ainda está a investigar o caso, não tendo quaisquer informações.


8 SOCIEDADE

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ABERTAS CANDIDATURAS DO IC PARA ESTUDOS ARTÍSTICOS E CULTURAIS

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Instituto Cultural (IC) já abriu inscrições para o Programa de Concessão de Subsídios para a Realização de Estudos Artísticos e Culturais. Podem ser acedidas apenas por residentes

permanentes e terminam a 8 de Julho. O âmbito do programa inclui bacharelatos ou mestrados nas áreas de investigação ou salvaguarda do património cultural, artes performativas, artes

visuais, cinema e vídeo, design, banda desenhada, administração das artes, literatura, estudos culturais, ensino das artes ou outras indústrias culturais e criativas. Podem inscrever-se os residentes

permanentes admitidos em instituições de ensino superior para prosseguirem estudos naquelas áreas e que tenham estado matriculados em escolas públicas ou privadas em Macau no período míni-

VÁRIAS OCORRÊNCIAS DE VÍRUS DURANTE A SEMANA PASSADA

Eles andam aí

mo de quatro anos. Os seleccionados receberão um subsídio do IC, de montante fixo, a determinar consoante o nível de estudos a prosseguir bem como o local onde serão desenvolvidos.

A

semana passada foi marcada por várias ocorrências singulares e colectivas de infecções por enterovírus, norovírus e gripe. Ao todo foram 34 as crianças e adolescentes envolvidos. Uma das crianças infectadas teve complicações que originaram em meningite. Em comunicados à imprensa, os Serviços de Saúde (SS) explicam que 22 crianças da secção primária e infantil da Escola de Associação Geral das Mulheres de Macau, entre os seis e dez anos, apresentaram sucessivamente sintomas semelhantes de gastroenterite causado por norovírus. Sem necessidade de internamento, o estado das crianças é considerado estável e foi afastada a possibilidade de infecção por alimentos em refeições tomadas na escola.

DSEC LANÇA ÍNDICE DE PREÇOS DO IMOBILIÁRIO ESTE ANO

A

Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) planeia lançar um índice dos preços no sector imobiliário na segunda metade deste ano. O organismo diz que não sofreu pressão para o fazer, apesar de ter vindo a ser pedido por diversos deputados. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ieong Meng Chao, director da DSEC, indicou no programa Macau Talk que o organismo vai publicar o índice depois de ter pedido ajuda à Universidade de Macau (UM) para a sua elaboração. A ideia é que haja um sistema, explica, para espelhar o nível do preço do imobiliário no território. Já no último Abril, numa resposta a uma interpelação de Ho Ion Sang, deputado e presidente da União Geral das Associações de Moradores (Kaifong), o organismo tinha afirmado que iria lançar um índice sobre o preço do imobiliário regularmente.

ANTÓNIO FALCÃO

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crianças da secção primária e infantil da Escola de Associação Geral das Mulheres de Macau apresentaram sucessivamente sintomas semelhantes de gastroenterite

MEDICAMENTOS DE TAIWAN FORA DO MERCADO

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oram retirados 45 medicamentos importados de Taiwan do mercado, depois do governo de Taiwan anunciar uma lista de 201 medicamentos da Companhia Limitada de Fabricação de Medicamentos Tai Fung que não respeitavam as regras. O Governo solicitou às firmas de importação e exportação dos respectivos medicamentos, aos

hospitais, às farmácias, drogarias e clínicas privadas de Macau que recolhessem os medicamentos em causa. Os Serviços de Saúde apelam aos cidadãos que verifiquem se compraram estes medicamentos. Entre estes, encontram-se compridos e xaropes para a tosse (adultos e crianças), anti-inflamatórios para a garganta e cápsulas vaginais.

No Centro de Cuidados de Criança Sun, na Taipa, foram também detectadas três crianças infectadas com enterovírus, com idades compreendidas entre um e dois anos. Também estes três casos são considerados ligeiros. O mesmo não aconteceu com uma criança de 11 meses a quem foi detectada um caso de infecção por enterovírus complicada por meningite. A criança está neste momento em fase estável e não foram detectados casos na Creche Po Choi, instituição que frequentava. Na passada quinta foram ainda detectados dois casos de infecção colectiva de gripe no Lar de Nossa Senhora da Penha e na Escola Primária Luso-Chinesa. O primeiro caso envolve quatro adolescentes, entre os 13 e 16 anos, e o segundo mais quatro crianças, entre os seis e os oito anos. Todos os infectados foram submetidos a diagnóstico e tratamento e encontram-se em estado estável. Filipa Araújo

Filipa.araujo@hojemacau.com.mo

SETE MIL DESEMPREGADOS

As taxas de desemprego e subemprego mantiveram-se nos mesmo níveis que no período passado, entre Fevereiro e Abril, ou seja, em 1,9% e 0,5%, respectivamente. Os dados são da Direcção para os Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) e indicam que a população activa ultrapassa os 397 mil habitantes, sendo que o número de empregados tanto das lotarias, como dos jogos de aposta e actividade de promoção de jogos e actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas aumentou. Já o dos hotéis e similares decresceu. A população desempregada fixa-se nos 7700 indivíduos. O número de desempregados à procura do primeiro emprego representou 5% do total da população desempregada, tendo baixado 1,3. Em comparação com o período de Fevereiro a Abril de 2015, a taxa de actividade caiu 1,8%, enquanto que tanto a taxa de desemprego como a taxa de subemprego subiram 0,2 pontos percentuais.


9 hoje macau segunda-feira 30.5.2016

C

HUI Sai On pediu à Universidade de Macau (UM) que continue a desenvolver o ensino, de forma a aumentar ainda mais a sua “influência internacional”. Num discurso no dia em que mais de mil alunos se graduaram, o Chefe do Executivo elogiou a instituição pública, deixando também alguns pedidos, nomeadamente no que à formação de recursos humanos diz respeito. “A UM conheceu uma constante melhoria da qualidade do ensino e o aumento da sua influência internacional, o que ajudou a promover a imagem internacional de Macau. Porém, nem todas as coisas vão tão bem como se deseja. É natural que a UM enfrente vários

UM CHUI SAI ON PEDE EMPENHO NA FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS

A caminho do mundo GCS

A UM está no caminho certo para atingir a “excelência internacional”. É o que diz Chui Sai On, que teceu elogios à instituição que vê, actualmente, como a formadora dos futuros recursos humanos do território

problemas na sua evolução. Para ultrapassar as eventuais dificuldades e desafios, é importante que se mantenha firme na prossecução da sua meta de excelência académica e institucional”, frisou o também Chanceler da instituição. Chui Sai On diz-se “satisfeito” com o desenvolvimento da universidade, que considera ser “um importante centro de formação de recursos humanos de alto nível do território”. Ainda que diga acreditar que a UM, “que se encontra numa fase crucial de desenvolvimento acelerado”, o líder do Executivo frisa que a instituição vai ter de responder a problemas e desafios decorrentes do processo de construção de uma “universidade de referência mundial”. E deixa, por isso, sugestões.

MAIS SEGUROS QUE OS OUTROS • Macau tem a maior proporção do mundo de polícias por cada cem mil habitantes, havendo no território 5336 agentes da PSP e 948 agentes da PJ. De acordo com a publicação Macau Concealers, que cita um gráfico da Bloomberg, a RAEM tem 6284 agentes policiais para mais de 630 mil residentes, o que significa que Macau tem 968,3 agentes policiais por cada cem mil pessoas, duas vezes mais do que a Rússia, anteriormente o local que estava no topo desta proporção.

SOCIEDADE

“Para elevar a competitividade e promover o desenvolvimento diversificado, Macau tem de apostar na educação” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO “Para elevar a competitividade e promover o desenvolvimento diversificado, Macau tem de apostar na educação. Face a esta realidade, é necessário definir o respectivo mecanismo de longo

prazo, aperfeiçoar o sistema do ensino superior e implementar as medidas de promover a prosperidade de Macau através da educação e de “construir Macau através da formação de profissionais. Neste aspecto, o Governo espera que a UM se empenhe ainda mais na exploração de modelos educacionais mais eficazes para dar uma melhor resposta às estratégias referidas”, afirmou no seu discurso. Chui Sai On frisa que foi “prestada a maior atenção ao desenvolvimento académico”, não só ao nível das matérias, como da própria infra-estrutura e recursos humanos. O líder do Governo fez questão de salientar que a UM se tem “esforçado” para melhorar o sistema educacional e “aperfeiçoar os procedimentos administrativos”, sem fazer referência a quais. O Chefe do Executivo diz, contudo, que o dia da graduação representa algo para o futuro de Macau. “[A melhoria dos sistemas] beneficiou a formação de quadros qualificados para o território, promoveu o desenvolvimento da UM quanto ao ensino, à investigação e à gestão e melhorou a sua reputação e prestígio académico. A cerimónia de graduação celebra a

formação de quadros profissionais qualificados.”

VERDE ESPERANÇA

Cerca de 1400 alunos, de acordo com dados da UM, graduaram-se na passada sexta-feira, sendo que 46 deles concluíram também programas do Colégio de Honra. Wei Zhao, reitor da instituição, fez questão de relembrar o lema da UM –“Humanidade, Integridade, Sabedoria e Sinceridade” -, incentivando os alunos a seguir por esse caminho. Mas as palavras de Chui Sai On foram as mais marcantes, já que o líder do Governo deixou a mensagem de que a UM está preparada para avançar “rumo a universidade de excelência internacional”. Esperança é também o que Chui Sai On deposita na instituição, tendo utilizado até as infra-estruturas novas na Ilha da Montanha para mostrar o que sente. “Estamos contentes por ver a bela paisagem do novo campus da UM, com várias zonas verdes. A beleza da paisagem do campus é um sinal de esperança e de um futuro melhor para a Universidade.” Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

PARQUE INFANTIL DO IAO HON VAI SER REMODELADO

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) tem em mãos um projecto de remodelação do parque infantil do Iao Hon. A obra deverá arrancar este ano e conta com um orçamento de cinco milhões de patacas, avança a Rádio Macau. “Há necessidade de substituir os equipamentos velhos para responder às necessidades dos bairros circundantes. Esta remodelação da zona de lazer abrange também a criação de um parque infantil, duas zonas com equipamentos para manutenção física, uma zona de xadrez e um sanitário público”, explicou Sam Ho Seng Iok, dos serviços de manutenção urbana do instituto. O projecto foi anunciado na sexta-feira, durante a conferência mensal do IACM.


10 CCM VERÃO PARA TODOS COM MAIS UMA SESSÃO DE INSPIRARTE

EVENTOS

Aposta na diferença

Cinema Festival Internacional vai custar mais de 50 milhões

O

Festival Internacional de Cinema de Macau, que estreia em Dezembro, quer mostrar filmes “‘mainstream’ mas com diferença” e tornar a cidade num ‘hub’ cinematográfico, disse o director do evento, Marco Mueller, na apresentação do evento. O festival tem um orçamento total de 55 milhões de patacas, sendo que 20 dos quais serão asseguradas pelos Serviços de Turismo (DST). Os filmes serão escolhidos com “tripas, coração e pensamento”, o que significa que o júri vai lançar um olhar particular sobre o cinema de género “popular, mas singular”. “Não pode ser o simples cinema comercial, tem de ser ‘mainstream’ mas com uma diferença”, sublinhou o antigo director do festival de Roma na passada sexta-feira. “Vão ter de ser filmes extremamente acessíveis e ao mesmo tempo extremamente criativos, ‘mainstream’ mas muito originais.” A 1.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Macau vai acontecer entre 8 e 13 de Dezembro e prevê a exibição de 43 filmes, em diferentes categorias, incluindo a “Dragões Escondidos”, dedicada “às últimas tendências do cinema asiático”, e a “Melhor do Panorama do Festival”, com longas-metragens premiadas nos principais festivais de cinema em 2016. O evento, que conta com uma longa lista de patrocinadores incluindo operadoras de jogo, vai ainda ter a secção “Crossfire”, em que são exibidos 12 filmes oriundos da América do Sul, Europa, Sudeste Asiático e Austrália, recomendados por 12 realizadores asiáticos. “Escolhem um filme que é, para eles, uma referência, que está no seu coração. É uma mistura fascinante que prova que a partilha sempre existiu e Macau é o melhor sítio para isso continuar, para se consolidar de forma diferente do que acontece noutros festivais”, afirmou o director do festival, que diz que o evento vai “começar peque-

no” porque “Macau é um sítio pequeno”.

A VIBRAR

O realizador português Ivo Ferreira, radicado em Macau, manifestou elevadas expectativas em relação ao evento. “De certeza que vai ser um festival vibrante. O Marco [Mueller] sempre foi um programador louco, ousado, sempre arriscou imenso, é o único capaz de juntar na mesma sessão dois filmes completamente antípodas que ao mesmo tempo se complementam.” O cineasta está agora a trabalhar no seu novo filme, “todo passado em Macau e sobre Macau”, apesar da “imensa dificuldade em arranjar dinheiro no território” para o financiar. “Hotel Império” debruça-se sobre “questões identitárias do território e alguns fantasmas do passado”, explicou. “Embora pareça tristonho, há um lado de esperança, como se a própria erosão urbana acabasse por obrigar as pessoas a tomar uma posição em relação à destruição da cidade”, disse. O filme, que começa a ser rodado em Outubro, não estará terminado a tempo do Festival, mas Ivo Ferreira pondera concorrer com outro trabalho na 2.ª edição. Este que será o primeiro Festival Internacional de Cinema no território representa uma oportunidade para a internacionalização de Macau e para o fomento de sinergias entre o turismo e a cultura, disse Helena de Senna Fernandes, directora da DST. Alvin Chau, presidente da Associação de Cultura e Produções de Filmes e Televisão de Macau, sendo também vice-presidente executivo do evento, referiu que estarão presentes “filmes originais relativamente bem acolhidos pelo mercado, com o objectivo de transformar o festival num dos principais eventos de cinema no mercado da Ásia”. LUSA/HM

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS DA MINHA RUA • Ondjaki Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. “Os da Minha Rua” tem nas suas páginas tudo isso.

ESPECTACU DAR COM UM ´

O Verão está à porta e com ele o Centro Cultural volta à carga com uma série de espectáculos vindos do outro lado do mundo para animar famílias. Há circo, teatro, marionetas e outras surpresas

“I

nspirARTE no Verão” está de volta para alegrar pequenos e graúdos com uma série de espectáculos promovidos pelo Centro Cultural de Macau (CCM). Conta com palhaços, dança e teatro, em iniciativas especialmente concebidas para toda a família. De 30 de Junho a 3 de Julho, chega a Macau “Sr. Satie de Papel” da Polónia, pelas mãos da companhia Atofri Theatre, a mais reputada no teatro infantil daquele país do leste europeu. A peça é uma produção de teatro musical que mostra como a imaginação pode transformar papel num vistoso cenário, servindo também como instrumento e parceiro de brincadeiras, explica a organização. Estimuladas pelos ritmos, sons e música de Satie, as crianças entre um e três anos são desafiadas a jogar e a desvendar mistérios e adivinhas.

ANIMAIS E OUTROS CIRCOS

O “Carnaval dos animais” é o circo da bicharada que traz da Austrália acrobacias e um workshop de iniciação aos mais pequenos, naquele que também é denominado como o “maior espectáculo do mundo” e que terá lugar a 9 e 10 de Julho. Para a organização esta é “uma experiência única de teatro visual acrobático que irá permanecer por muito tempo nas mentes dos nossos miúdos”.

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O ASSOBIADOR • Ondjaki “ A infinitude do alcance daquele assobio resultava, certamente, de um também enorme conhecimento metafísico da arte de assobiar, que mexesse não só com o ouvido das pessoas, mas alcançasse, de modo incisivo, a profundidade das suas almas, o recôndito canto onde cada um escondia as suas coisas - essa assustadora gruta a que muitos chamam âmago do ser. As pessoas boquiabertavam-se, incapazes dos mínimos movimentos, comentários, vivências conscientes.”


11

CCM

A Escócia entra em cena de 21 a 24 de Julho com “Hup”. Um espectáculo da Starcatcheres de Edimburgo criado em colaboração com a Orquestra Real Nacional Escocesa, que revela uma ligação entre a natureza e a música, deixando que bebés se descontraiam através de uma aventura íntima com a música clássica. Quase como num jogo, o pequeno público é desafiado a interagir com ambiências e ritmos musicais. Esta peça é uma criação para pais que cedo pretendam expor os seus filhos até aos 24 meses ao mundo da música e da imagética. A 23 e 24 de Julho os russos Melting Point trazem para cena “Chook e Gek”. A peça é um espectáculo teatral que combina palhaços, marionetas e instalação vídeo, baseada num conto clássico do autor Arkady Gaidar. A encenação conta as aventuras de dois irmãos que partem com a mãe rumo ao norte longínquo para se encontrarem com o pai. Descrita como “uma peça alegre, engraçada e visualmente adorável”, “Chook e Gek” é concebida para miúdos a partir dos cinco anos. O espectáculo convida o público a descobrir a força e a beleza das coisas simples, levando os mais velhos numa viagem de regresso à infância.

A CANTAR

“Spot” vem da Holanda de 6 a 8 de Agosto pelo Theater Terra. Um musical para a família que sobe ao palco com um desfile de marionetas em ponto grande, cenários coloridos e “adoráveis” personagens. Inspirada na internacionalmente reconhecida colecção de livros “Spot the Dog”, de Eric Hill, esta introdução às artes performativas é acompanhada de canções, encenada em diálogos simples e dança tradicional holandesa. A história começa quando o cão Spot leva Helen, a hipopótama azul, a visitar o pai na quinta. Quando lá chegam, os dois amigos descobrem que todos os animais tinham desaparecido. Um espectáculo para miúdos maiores de dois anos. A Escócia retorna a 27 e 28 de Agosto, desta feita com “Conversas a giz” pela companhia Curious Seed. Divertida, emocional e imprevisível, adianta a organização, a peça de dança teatro transforma o palco num imenso quadro negro onde, para além dos corpos, a própria vida é delineada a giz. A companhia escocesa leva ao palco dois bailarinos que vão fazer perguntas grandes a um público pequeno. Equilibrando humor e descontracção com movimentos corporais, a dupla vai interagir com uma plateia de crianças a partir dos oito anos tocando em temas universais, do amor à felicidade. Ainda a 28 de Agosto e em jeito de despedida entra em cena o “InspirARTE à Solta” uma celebração que vai juntar milhares de crianças e pais no CCM. Dos workshops aos espectáculos e aos jogos, grandes e pequenos vão juntos à descoberta das artes com os animais da floresta. Os bilhetes para todos os espectáculos já estão à venda.

EVENTOS IC

ULOS A UM PAU

hoje macau segunda-feira 30.5.2016

Paisagens mistas

Pintura de Leung Kui Ting em exposição no IACM a 1 de Junho

U

M de Junho é a data marcada para a inauguração de “Visão Indefinida + Digital: Exposição de Pintura a Tinta” de Leung Kui Ting. A mostra, que apresenta 28 obras do artista de Hong Kong, abre pelas 18h00 na Galeria de Exposições Temporárias do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). O artista estudou Pintura com o “conceituado” artista Lui Shou-kwan, tendo ainda estudado Design com Wucius Wong. Em 1980, fundou o Instituto de Artes Visuais Chingying de Hong Kong, tendo integrado o corpo docente da Universidade Politécnica da região vizinha ao longo de mais de uma década. Actualmente, trabalha como consultor especializado no âmbito dos serviços culturais para o Departamento de Serviços de Lazer e Culturais da RAEHK.

DO CORAÇÃO

Leung revela que sente o mundo externo com o coração para atingir a unidade da mente e dos objectos, como que para observar tudo no universo na forma dos próprios

objectos. Criadas com base na sua transformação e exploração de pinturas tradicionais chinesas, as suas pinturas paisagísticas partem do coração, adianta a organização, abstraindo-se das aparências concretas, ao invés de constituírem meros reflexos da realidade. É ainda criador de uma técnica de pintura paisagística digital, a qual sobrepõe linhas e pontos sobre os contornos de desenhos de montanhas e rochas tradicionais, dando origem a obras de arte contemporânea “verdadeiramente únicas”. Além da exposição, realiza-se ainda no dia 12 de Junho a palestra “Visão Indefinida + Digital: Palestra sobre a Pintura a Tinta de Leung Kui Ting”, aberta ao público em geral, agendada entre as 15h00 e as 16h30 no auditório do Museu de Arte de Macau. Será um momento de partilha em que Leung fala do seu processo artístico na composição de pinturas paisagísticas tradicionais com elementos digitais. Exposição e palestra são de entrada livre e a mostra estará patente até 10 de Julho.

CRIATIVIDADE EM PALESTRA NA CINEMATECA PAIXÃO

O cinema continua em “conversa”, desta feita com a palestra “Cinematografia: criatividade atrás do visor” levada a cabo por O Sing-Pui, a ter lugar na Cinemateca Paixão. O evento agendado para 18 de Junho pelas 15h00 recebe o reconhecido director de fotografia da vizinha Hong Kong para falar sobre o posicionamento e as capacidades envolvidas na direcção de fotografia, ilustrando a relação entre o fotógrafo e o filme, adianta a organização. O Sing-Pui é recomendado pelo realizador Tsui Hark e da sua carreira contam já “The Story behind the Concert” de 1986, o seu primeiro trabalho enquanto realizador, bem como a direcção de fotografia em filmes como “Made in Hong Kong”, “You Shoot, I Shoot, Heros in Love” e “The Pye-dog”. Em 2008, foi nomeado para o Melhor Prémio de Cinematografia, na 28ª edição dos Hong Kong Film Awards, pelo seu trabalho em “Ip Man”. As inscrições para a palestra estão abertas e contam com entrada livre, mas os lugares são limitados.


12 CHINA

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Há dias, Wang Jianlin, o homem do Grupo Wanda e uma das 50 pessoas mais influentes no mundo, de acordo com a Bloomberg, adjectivava os processos da Disney como obsoletos e ameaçava guerra. Ontem, passou das palavras aos actos e inaugurou o primeiro parque da série com que pretende conquistar o mundo

O

grupo Wanda, do magnata chinês Wang Jianlin, inaugurou ontem no sudeste da China o primeiro de vinte parques temáticos com que pretende derrotar a Disney como referência mundial neste sector. “Queremos que o nosso nome seja uma referência mundial”, afirmou Wang Jianlin, um dos chineses mais ricos do mundo, durante a inauguração do complexo na cidade de Nanchang, na província de Jiangxi, no sudeste da China. Com um investimento de 3.350 milhões de dólares, o novo parque temático ocupa uma área de dois quilómetros quadrados, em que

A

China disse ontem que merece mais atenção o massacre de civis na cidade chinesa de Nanquim pelos japoneses do que o bombardeamento atómico de Hiroxima, no dia da histórica visita do Presidente norte-americano àquela cidade japonesa. Foi Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, quem disse. “Hiroxima merece atenção. Mas Nanquim deve ser ainda mais recordada”, lê-se no portal oficial do ministério, que cita Wang Yi. “As vítimas merecem simpatia, mas os agressores não devem nunca fugir à sua responsabilidade”, afirmou Wang à televisão estatal chinesa CCTV. Pelas contas do Governo chinês, 300.000

WANG JIANLIN QUER DERROTAR A DISNEY COM 20 PARQUES TEMÁTICOS

Panda é maior que rato “[Disney] não deveria ter entrado na China”, considerou na mesma entrevista, fazendo referência à Disneyland Xangai, que tem abertura marcada para 16 de Junho. Com a abertura em Xangai, a Ásia será o continente com mais parques temáticos da marca norte-americana, presente nos EUA, Paris, Hong Kong e Tóquio. “Temos uma estratégia: um tigre não pode competir com uma alcateia”, sintetizou Wang Jianlin sobre a Disney, aludindo a diferença entre o número de parques Disney e o que pretende abrir em cinco anos.

PATRÃO GLOBAL

os visitantes podem desfrutar de um parque de atracções e de um centro comercial com um aquário e salas de cinema. Animadores vestidos de urso panda davam as boas vindas à chegada ao parque, com uma arquitectura local e rodeado de apartamentos, lojas e hotéis de cinco estrelas, também propriedade do grupo chinês. O magnata chinês Wang Jianlin, que ontem recusou falar com

a comunicação social, espera atrair 10 milhões de turistas por ano ao parque de Nanchang, primeiro de um total de 20 parques que espera ter até 2020. De acordo com os planos, 15 desses novos parques serão na China e os outros cinco em países diferentes, entre eles em Espanha, adianta a agência espanhola Efe. O investidor chinês admitiu ter o objectivo de derrotar a Disney

“Queremos que o nosso nome seja uma referência mundial” como líder mundial nos parques temáticos, durante uma entrevista à cadeia oficial CCTV, na qual defendeu que “a loucura pelo Mickey e pelo Donald já passou”.

A culpa é do Japão

Pequim acha que Nanquim vale mais ser lembrada do que Hiroxima

pessoas morreram devido à violência, homicídios e violações perpetuadas pelo exército japonês nas seis semanas após terem ocupado Nanquim - então capital da China -, em 1937. Alguns académicos apontam para um número inferior. O sinólogo e historiador Jonathan Spence, por exemplo, estima que 42.000 soldados e cidadãos morreram e 20.000 mulheres foram violadas, entre as quais muitas acabaram por morrer.

IMPRENSA INCLEMENTE

A imprensa estatal chinesa dizia ontem que as “bombas

atómicas lançadas sobre o Japão foram culpa daquele país”. Em editorial, o jornal oficial em língua inglesa China Daily acusa as actuais autoridades japonesas de

“tentarem retratar o Japão como a vítima na Segunda Guerra, em vez de um dos principais agressores”. O bombardeamento atómico a ambas Hiroxima e

Com 62 anos, o presidente do conselho de administração do grupo Wanda aparece na 37ª. posição como uma das 50 pessoas mais influentes no mundo, pela agência de informação financeira Bloomberg. Além da actividade empresarial, Wang Jianlin serviu o exército chinês entre 1970 e 1986 e foi deputado do Partido Comunista no Congresso. Com actividade na área financeira, cultural e imobiliária, o grupo Wanda era no final do ano passado o maior proprietário em todo o mundo com um portefólio de 133 edifícios e 84 hotéis, com uma área total superior a 26 milhões de metros quadrados.

Nagasaki foi “justificável”, referiu o China Daily, como “tentativa de pôr fim à guerra mais cedo e evitar que esta destruísse ainda mais vidas”. “Foi a agressão que o Governo militarista japonês lançou contra os seus vizinhos e a sua recusa em aceitar o seu fracasso que levou os EUA a lançar as bombas atómicas”, escreve. Enquanto o Japão denomina o ataque como uma abominação, porque teve como alvo civis, parte da opinião pública norte-americana e antigos aliados consideram que este pôs fim a um conflito brutal e sangrento. A China lembra frequentemente aos seus cidadãos o comportamento brutal dos soldados japoneses durante a ocupação ao país e acusa

Tóquio de tentar encobrir a história.

O MAR À MESA

A visita de Obama ocorre à margem de uma reunião entre os países do G7 no Japão e trata-se da primeira visita de um Presidente norte-americano a Hiroxima. A cidade onde, em 1945, o mundo testemunhou o primeiro lançamento de uma bomba nuclear, que provocou 140.000 mortos. Ainda durante a reunião do G7, Obama assumiu na quinta-feira estar preocupado com as reivindicações de Pequim no Mar do Sul da China. A China reagiu, entretanto, apelando ao G7 para não se intrometer nas disputas territoriais que mantém com vários países vizinhos no sudeste asiático.


13 hoje macau segunda-feira 30.5.2016

A mega-rápida urbanização em curso, como nunca antes visto na história do mundo, está a separar milhões de famílias. As difíceis condições no campo obrigam as pessoas a irem para a cidade. Para trás ficam os filhos. Muitos não aguentam a pressão e suicidam-se. Os casos são mais frequentes do que se pensa

Y

ANG Jie, trabalhadora migrada em Pequim, admite sentir “muitas saudades dos filhos”, que vivem com os avós numa aldeia da província de Henan, mas sabe que a vida na China é feita de escolhas difíceis. “Claro que tenho saudades, mas tem que ser assim. Na aldeia, não há como ganhar dinheiro”, diz à agência Lusa Yang, em tom de palavra de ordem. Mãe de três filhos, esta chinesa de 40 anos ganha a vida a fazer ‘Jianbing’, um tradicional crepe chinês preparado em pequenas bancas, normalmente montadas junto às estações do metropolitano de Pequim. O seu caso personifica um fenómeno de consequências sociais imprevisíveis e que “coloca grandes desafios à gestão social” do país mais populoso do mundo. Segundo dados recentes citados pela imprensa estatal, a China tem quase 100 milhões de “crianças deixadas para trás”, filhos do vasto exército de trabalhadores migrados nas cidades.

MILHÕES DE CRIANÇAS RURAIS CRESCEM LONGE DOS PAIS

CHINA

maior incidência de delinquência juvenil e desempenho escolar inferior. Em Março passado, Pequim anunciou que vai fazer um levantamento para saber o número exacto de “crianças deixadas para trás”. O Conselho de Estado chinês ordenou ainda os governos locais a construir um banco de dados com um ficheiro por cada menor de idade nesta categoria, que deve ser regularmente actualizado.

Saudades de casa

TRAGÉDIAS FREQUENTES

As últimas décadas foram de transição de uma sociedade maioritariamente agrária para uma urbano-industrial a um ritmo ímpar na história da humanidade.

MILHÕES DE SEPARAÇÕES

A referida estimativa, feita por Song Yinghui, professor da Beijing Normal University, aponta para um terço do total da população chinesa menor de idade que cresce sem acompanhamento dos pais.

O académico detalha que 60 milhões permanecem nas suas casas, normalmente no campo, devido ao alto custo de vida nos centros urbanos ou a restrições na autorização de residência, que limita o acesso a vários serviços básicos, como a educação e saúde pública. Já 36 milhões, apesar de terem partido com os pais para as cidades, vivem separados destes, segundo Song. No caso de Yang Jie, apenas o filho mais velho, de 16 anos, foi com

No ano passado, quatro irmãos chineses, com idades entre os cinco e os 14 anos, abandonados pelos pais durante meses, morreram depois de terem ingerido pesticida

ela e o marido para Pequim, “onde frequenta um curso profissional e em breve começará a trabalhar”. Os outros dois, um menino e uma menina, de 13 e 5 anos, ficaram em Henan, a cerca de 700 quilómetros da capital. Quando o casal reencontra os filhos - apenas uma vez por ano, “durante as férias de verão” - os miúdos estranham, mas “apenas por pouco tempo”, antes dos afectos virem ao de cima. “O elo entre pais e filhos é resistente”, diz Yang.

PEQUIM ESTUDA

Ainda assim, as autoridades chinesas têm dado crescente atenção a este grupo de crianças, que dizem apresentar riscos mais elevados de serem vítimas de abusos físicos ou sexuais e

A ocorrência de tragédias envolvendo estas crianças é frequentemente notícia na imprensa chinesa. Em Janeiro de 2014, um menino de nove anos, natural de Anhui, província do sudeste da China, enforcou-se quando soube que a mãe não voltaria a casa durante a passagem do Ano Novo Chinês. No ano passado, quatro irmãos chineses, com idades entre os cinco e os 14 anos, abandonados pelos pais durante meses, morreram depois de terem ingerido pesticida em Bijie, na remota província de Guizhou. O incidente levou o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, a pedir “o fim destas tragédias” e a prometer castigar responsáveis incapazes de ajudar famílias com problemas semelhantes. Para Li Ying, conhecida activista que fundou uma organização não-governamental destinada a ajudar estas crianças, o apoio do Governo é importante, mas o mais crucial é encorajar os pais a voltar a casa. “Depois de muitos anos a prestar apoio, penso mesmo que nada consegue substituir os pais”, afirmou Li ao South China Morning Post. “As autoridades deviam focar-se em criar condições para que os pais regressem a casa, gerando postos de trabalho e melhorando o sistema de segurança social”, acrescentou. Até lá, qualquer argumento parecerá inválido face ao sentido prático de Yang Jie. “Nós somos diferentes de vocês [residentes urbanos]. Vocês vivem bem, mas nós temos de lutar para sobreviver. Onde é que há tempo para pensar no bem-estar psicológico das crianças”, questiona. Lusa

INDÚSTRIA DE SATÉLITES VALE 30 BILIÕES DE DÓLARES ANUAIS

O

valor da produção anual da indústria de satélite da China ultrapassou 200 biliões de yuans, informou na quinta-feira a principal administração aeroespacial do país.Atecnologia de satélite tem sido amplamente utilizada na China em vários domínios, incluindo agricultura e silvicultura, conservação de água, construção de moradias, protecção ambiental, alívio de desastres, entre outros, disse TianYulong, engenheiro-

-chefe da Administração Nacional de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional. A China tem feito progressos constantes em satélites de detecção remota comercial e concluirá a construção de um sistema nacional de infra-estruturas aeroespaciais para uso civil nos próximos cinco anos, segundo Tian. Tian revelou ainda que serão lançados quase 100 novos satélites de detecção remota,

comunicação, transmissão e navegação de 2016 a 2020. A administração aeroespacial está activa na procura de capital privado para investir em áreas como aeroespaço, aplicações dos satélites e serviços de dados. Pequim assinou mais de 100 acordos de cooperação com mais de 30 países e regiões sobre tecnologia aeroespacial, e exportou para o exterior, indicou Tian.


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(Publicações ao abrigo do Artigo 75.º do RJSF) PATACAS

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PATACAS


15 hoje macau segunda-feira 30.5.2016

(Publicações ao abrigo do Artigo 75.º do RJSF) Síntese do relatório de actividades No ano de 2015, devido a uma conjuntura externa complicada, o ICBC (Macau) insistiu pelo cumprimento das directivas estabelecidas pela sociedade-mãe para as suas participadas no exterior, relativas a uma estratégia de desenvolvimento, promovendo a localização da sua gestão e melhorando em permanência as suas competências de concorrência no mercado, reforma e inovação e desenvolvimento sustentável. Paralelamente, procurou-se o desenvolvimento célere e coordenado do activo, passivo e actividades de intermediação, aprofundando uma gestão global do risco, a manutenção e o desenvolvimento da liderança nas principais áreas de actividade, criando um banco de excelência local para a população da RAEM. Até ao final do ano de 2015, o activo total líquido do Grupo ascendia a cento e noventa e dois mil e cem milhões de Patacas, o que representou um acréscimo de catorze mil e seiscentos milhões de Patacas em comparação com o ano transacto, correspondente a uma taxa de crescimento de 8,25%. O passivo total ascendia a cento e setenta e cinco mil e duzentos milhões de Patacas, o que representou um acréscimo de nove mil e trezentos milhões de Patacas comparativamente com o ano transacto e corresponde a um aumento de 5,63%. O saldo dos depósitos (incluindo entidades públicas) avaliou-se em cento e cinquenta e um mil e quatrocentos milhões de Patacas, o que representou um acréscimo de três mil e trezentos milhões de Patacas em comparação com o ano anterior, correspondente a um aumento de 2,20%. O saldo dos diversos créditos concedidos ascendia a cento e vinte e três mil e quinhentos milhões de Patacas, representando um acréscimo de seis mil milhões de Patacas em comparação com o ano transacto, equivalente a uma taxa de crescimento de 5,12%. O saldo do rácio de créditos de cobrança duvidosa manteve-se num nível reduzido e as provisões mantiveram-se suficientes, o que reforçou a capacidade para enfrentar qualquer risco. De acordo com as “Normas de Relato Financeiro de Macau”, o Grupo conseguiu em 2015 um lucro, após dedução de impostos, avaliado em dois mil e cento e dezassete milhões de Patacas, com uma taxa média ponderada de retribuição do capital e taxa média de retribuição do activo total de, respectivamente, 15,65% e 1,11%. As demonstrações financeiras do Grupo, já auditadas e relativas ano findo em 2015, foram elaboradas de acordo com as “Normas de Relato Financeiro de Macau”. Se atendermos ao reforço de provisões previsto no “Regime Jurídico do Sistema Financeiro”, o lucro passará a ser de dois mil e vinte e seis milhões de Patacas, depois de feito o necessário ajustamento. O bom comportamento negocial e os resultados positivos de exploração continuamente alcançados pelo Grupo granjearam uma boa apreciação por parte da comunicação social especializada em assuntos económicos e financeiros com prestígio mundial, tendo as publicações “Global Finance” (EUA) e “The Banker” (Reino Unido) atribuído em 2015, ao ICBC (Macau), pelo sétimo ano consecutivo, o prémio de melhor banco em Macau. O ICBC (Macau) pretende enraizar-se mais profundamente em Macau. Em conformidade com o planeamento global do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, o ICBC (Macau) reforçará os seus serviços no âmbito de construção de infraestruturas, de projectos fulcrais para a Região, bem como no que diz respeito aos serviços sociais a serem prestados aos residentes locais, a fim de promover o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau, apoiando e contribuindo para o desenvolvimento económico e prosperidade social da Região Administrativa Especial de Macau. Macau, aos 22 de Março de 2016. Zhu Xiaoping Presidente do Conselho de Administração Parecer do Fiscal Único

Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Consolidadas Resumidas Para os accionistas da Banco Industrial E Comercial Da China (Macau), S.A. (Sociedade Anónima constituída em Macau) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras consolidadas da Banco Industrial E Comercial Da China (Macau), S.A. (o “Banco”) e suas subsidiárias relativas ao ano de 2015, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 22 de Março de 2016, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras consolidadas das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras consolidadas a que se acima se alude compreendem o balanço consolidado e do banco, à data de 31 de Dezembro de 2015, a demonstração de resultados consolidados e do banco, a demonstração de alterações no capital próprio consolidado e do banco e a demonstração de fluxos de caixa consolidados e do banco relativas ao ano findo, assim como um resumo das politícas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras consolidadas resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras consolidadas anuais auditadas e dos livros e registos do banco. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras consolidadas resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras consolidadas auditadas e os livros e registos do banco. Para a melhor compreensão da posicão financeira do banco e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras consolidadas resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras consolidadas das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

Nos termos do disposto na alínea e) do artigo 25.º dos Estatutos e para os efeitos previstos na mesma disposição legal, o Conselho de Administração do Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., entregou a esta sociedade de auditores o relatório de actividades e contas auditado e referente ao exercício de 2015, para efeito de parecer. Depois de examinados os documentos entregues a esta sociedade, para efeitos de emissão do parecer, concluímos que os referidos documentos reflectem, de forma clara, não só a situação patrimonial, mas também a situação financeira e económica do Banco. O relatório do Conselho de Administração reflecte, de forma precisa, as actividades promovidas e desenvolvidas pelo Banco no ano de exercício ora em apreço. Tendo em atenção o relatório apresentado pelo auditor externo, esta sociedade concorda com o exposto no referido relatório, sendo que os documentos que serviram de base à elaboração das contas reflectem, de uma forma correcta e real, a situação financeira demonstrada no balanço com data de 31 de Dezembro de 2015, bem como o resultado financeiro do exercício findo em 31 de Dezembro de 2015. Recapitulando o acima exposto, decidimos aprovar o referido relatório de actividades e contas do Conselho de Administração. Macau, aos 22 de Março de 2016. CSC & Associados – Sociedade de Auditores (Representada por Chui Sai Cheong) Fiscal Único

Lei Iun Mei, Auditor de Contas KPMG Macau, 22 de Março de 2016 Lista das instituições em que o Banco detém participações superiores a 5% do respectivo capital e indicação do valor percentual Sociedade Financeira ICBC (Macau) Capital, S.A. 100%

Sr. Huen Wing Ming, Patrick Vice-Presidente e Administrador Executivo

Sociedade Gestora de Fundos de Pensões ICBC (Macau), S.A

100%

Sra. Chen Xiaoyan (Nomeado em 30 de Março de 2015)

Administradora

Seng Heng Development Company Limited (Incorporado em Hong Kong)

100%

Sr. Zhu Wenxin (Renunciou em 30 de Março de 2015)

Administrador

Authosis, Inc. (Incorporado em Cayman Islands)

11%

Sra. Wang Yixin (Nomeado em 30 de Março de 2015)

Administradora

Companhia de Seguros Luen Fung Hang, S.A.R.L.

6%

Sr. Cui Jiqian (Renunciou em 30 de Março de 2015)

Administrador

Sr. Ma Xiangjun (Nomeado em 17 de Agosto de 2015)

Administrador

Sr. Huen Wing Ming, Patrick

Sr. Wu Hongbo (Renunciou em 17 de Agosto de 2015)

Administrador

Órgãos Sociais

Sr. Tong Chi Kin

Administrador

Conselho de Administração

Mesa da Assembleia

Sr. Zhu Xiaoping Presidente, Administrador Delegado e Administrador Executivo

Sr. Zhu Xiaoping

Presidente

Sr. Zheng Kai

Secretário

Sr. Wu Long Vice-Presidente, Director Geral e Administrador Executivo (Nomeado em 6 de Janeiro de 2016)

Fiscal Único

Lista dos accionistas qualificados Industrial and Commercial Bank of China Limited

Sr. Jiang Yisheng Vice-Presidente, Director Geral e Administrador Executivo (Renunciou em 6 de Janeiro de 2016)

CSC & Associados – Sociedade de Auditores (Representada por Sr. Chui Sai Cheong) Secretário de Sociedade Sr. Zheng Kai

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16 PUBLICIDADE

hoje macau segunda-feira 30.5.2016

(Publicações ao abrigo do Artigo 75.º do RJSF) Síntese do Relatório de Actividades

Parecer do Fiscal Único

No ano de dois mil e quinze, a Sociedade Financeira ICBC (Macau) Capital, S.A., manteve a tendência para um desenvolvimento sustentável, tendo atingido lucros avaliados em seis milhões e tinta mil Patacas, após a dedução de impostos. Até ao final do ano de 2015, o activo total da Sociedade ascendia a cento e oito milhões de Patacas, o que representa um crescimento de 6,86%.

Nos termos do disposto na alínea e) do artigo 23.º dos Estatutos e para os efeitos previstos na mesma disposição legal, o Conselho de Administração da Sociedade Financeira ICBC (Macau) Capital, S.A. entregou a esta sociedade de auditores o relatório de actividades e contas auditado e referente ao exercício de 2015, para efeito de parecer.

Desde o seu estabelecimento, e norteando-se pela estratégia global de desenvolvimento implementada pelo Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., e retirando vantagens da rede, marca, recursos financeiros e técnicos do “Industrial and Commercial Bank of China Limited”, a sociedade empenhou-se no crescimento financeiro sustentável dos seus activos, fortalecendo continuamente o controlo do risco e assegurando aos seus clientes uma retribuição mais estável e forte dos seus investimentos. Macau, ao 22 de Março de 2016. Wu Long Presidente do Conselho de Administração

Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Resumidas Para os accionistas da Sociedade Financeira ICBC (Macau) Capital, S.A. (Sociedade Anónima constituída em Macau) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da Sociedade Financeira ICBC (Macau) Capital, S.A. relativas ao ano de 2015, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 30 de Março de 2016, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2015, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações no capital próprio e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das politícas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas e dos livros e registos do sociedade. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e os livros e registos do sociedade. Para a melhor compreensão da posicão financeira do sociedade e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Lei Iun Mei, Auditor de Contas KPMG Macau, 30 de Março de 2016

Depois de examinados os documentos entregues a esta sociedade, para efeitos de emissão do parecer, concluímos que os referidos documentos reflectem, de forma clara, não só a situação patrimonial, mas também a situação financeira e económica da referida Sociedade. O relatório do Conselho de Administração reflecte, de forma precisa, as actividades promovidas e desenvolvidas pela Sociedade no ano de exercício ora em apreço. Tendo em atenção o relatório apresentado pelo auditor externo, esta sociedade concorda com o exposto no referido relatório, sendo que os documentos que serviram de base à elaboração das contas reflectem, de forma correcta e real, a situação financeira demonstrada no balanço com data de 31 de Dezembro de 2015, bem como o resultado financeiro do exercício findo em 31 de Dezembro de 2015. Recapitulando o acima exposto, decidimos aprovar o referido relatório de actividades e contas do Conselho de Administração. Macau, aos 22 de Março de 2016. CSC & Associados – Sociedade de Auditores (Representada por Chui Sai Cheong) Fiscal Único

Lista das instituições em que a Sociedade detém participações superiores a 5% do respectivo capital N/A Lista dos accionistas qualificados Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A. Órgãos Sociais Conselho de Administração Sr. Wu Long (Nomeado em 7 de Março de 2016)

Presidente

Sr. Jiang Yisheng Presidente (Renunciou em 7 de Março de 2016) Sr. Huen Wing Ming, Patrick

Administrador

Sr. Cheng Wing Fai, Patrick

Administrador

Sra. Lin Zi (Nomeado em 7 de Março de 2016)

Administradora

Mesa da Assembleia Sr. Zhu Xiaoping

Presidente

Sr. Huen Chung Yuen, Ian

Vice-Presidente

Sr. Zheng Kai

Secretário

Fiscal Único CSC & Associados – Sociedade de Auditores (Representada por Sr. Chui Sai Cheong) Secretário de Sociedade Sr. Zheng Kai

Secretário


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

hoje macau segunda-feira 30.5.2016

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

GUO XI As dimensões das montanhas têm três graus. Uma montanha é maior que uma árvore, e uma árvore é maior que um homem. Se uma montanha, à distância de vários quilómetros não tem o tamanho de uma árvore, então não é uma grande montanha. Se vários milhares de árvores a um grande número de quilómetros de distância não têm o tamanho de um homem, então não são grandes árvores. A parte da árvore usada em comparação com os homens são as folhas. A parte de uma figura humana usada para comparar com as árvores é a cabeça. Um molho de folhas corresponde no seu tamanho à cabeça de um homem, e uma cabeça humana a um molho de folhas. O tamanho de pessoas, de árvores, e de montanhas tem origem nesta categoria de proporções. Estas são as leis das dimensões1. Ao pintar uma montanha alta, não se devem pintar todas as suas partes, senão não terá um aspeto alto. Quando o nevoeiro e a neblina rodearem a sua cintura, então terá o aspeto de uma montanha alta. Ao pintar um curso de água que se estende na distância, não deve ser pintado todo o seu curso, senão não parecerá muito longo. Quando o seu curso é interrompido e assombreado então é que parecerá realmente longo. Uma montanha inteiramente mostrada não é apenas desprovida de beleza, mas é tão estranha como um almofariz de arroz. Um curso de água pintado em toda a sua extensão é, não apenas desprovido de graça na sua sinuosidade, como se assemelha ao desenho de uma minhoca.

1 - Na preocupação de sistematizar a figuração realista de objetos materiais no espaço é sublinhada a sua inter-relação, o seu contraste, habitualmente definido pela palavra «xiangbei» que tem origem nas teorias da arte da caligrafia. Aqui se aproxima do modo como Lionello Venturi (1885-1961) definiu o «contraposto»: «Uma relação dialética de massas dispostas de tal maneira que um gesto à direita é prontamente equilibrado por

outro à esquerda, tendo como resultado uma simetria dinâmica através da qual os valores intelectuais se transmutam.» Tanto na China como no Ocidente a compreensão da arte da pintura vai sempre no sentido de entender as regras para depois as ultrapassar, o que está bem visível, por exemplo, nas pinturas existentes de Guo Xi (Ver, por exemplo, Pierre Ryckmans, Les Propos Sur la Peinture du Moine CitrouilleAmère, Plon, França, 2007, pág. 77).

«Linquan Gaozhi»

A Grande Mensagem Sobre Florestas e Nascentes

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18 (F)UTILIDADES

hoje macau segunda-feira 30.5.2016

?

TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 27 MAX 31 HUM 75-95% • EURO 8.89 BAHT 0.22 YUAN 1.21

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

AQUI HÁ GATO

O PATINHO

APRESENTAÇÃO DA OBRA SOBRE MACAULOGIA, “UM TOQUE DE ALIENAÇÃO NO IMPÉRIO CELESTIAL”, DE TANG KAIJIN Universidade de Macau, 15h00

Quarta-feira PEÇA “PEGA-MONSTROS” Consulado-Geral de Portugal, 17h30 FILME “UM CAFÉ NO FIM DO MUNDO” (FICVM) Centro Cultural, 19h30

Quinta-feira FILME “MERU” (FICVM) Centro Cultural, 19h30

Diariamente

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “ARTS FLY” Broadway Macau (até 28/06) EXPOSIÇÃO “ARTES VISUAIS DE MACAU” Instituto Cultural (até 07/08) EXPOSIÇÃO DE TIPOGRAFIA “WEINGART” Galeria Tap Seac (até 12/06) EXPOSIÇÃO “AGUADAS DA CIDADE PROIBIDA”, DE CHARLES CHAUDERLOT Museu de Arte de Macau (até 19/06) SOLUÇÃO DO PROBLEMA 95

EXPOSIÇÃO “TIBET REVEALED” Galeria Iao Hin (até 20/06) EXPOSIÇÃO DOS ALUNOS DE ARQUITECTURA DA USJ Creative Macau (até 18/06) EXPOSIÇÃO “DINOSSAUROS EM CARNE E OSSO” Centro de Ciência de Macau (até 11/09) EXPOSIÇÃO “REMINESCENT – PORTUGAL MACAU” Galeria Dare to Dream (até 22/07)

Cineteatro

C I N E M A

SALA 1

X-MEN: APOCALYPSE [C] Filme de: Bryan Singer Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence 14.30, 16.40, 21.50

X-MEN: APOCALYPSE [C][3D] Filme de: Bryan Singer Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence 19.15 SALA 2

MONEY MONSTER [C] Filme de: Jodie Foster

PROBLEMA 96

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “EDGAR DEGAS – FIGURES IN MOTION” MGM Macau

Lá vai o patinho embora. Em jeito de balanço, que sobre ele já se falou muito, venho aqui enumerar algumas das consequências e ideias espectaculares que o patinho trouxe cá ao burgo. Durante semanas foram patinhos de borracha à venda, porta-chaves do patinho, figuras de açúcar do patinho. Vi menus do patinho, com comida feita à forma do figurino amarelo, vi bolachas em forma de patinho, bolos em forma de patinho e até dim sum em forma de patinho. Vi guarda-chuvas do patinho e até, veja-se lá, autocarros com patinhos. Entretanto, as críticas lá iam subindo de tom, nas redes sociais e até nos jornais, mas a melhor foi uma que me fez, a mim, gatinho, cair de rir. Alguém daquele grupo macaense que adora falar no Facebook notou, e muito bem, que o patinho ficava às escuras durante a noite. Portanto, na paisagem de Macau, que é mais bonita à noite por causa das luzes todas (as luzes, a mim, fazem-me saltar), o patinho ficava perdido. Quem é que são estas cabecinhas pensadoras que conseguiram gastar seis milhões no pato gigante – e patinhos em todo o lado – que não pensaram em iluminar a obra durante a noite? Pelo menos sabemos que o patinho trouxe algo a Macau – além de críticas, trouxe ideias que venderam e que talvez tenham ajudado à diversificação económica. Pu Yi

“SUPERNATURAL” (SANTANA, 1999)

Quem não se lembra do grande álbum “Supernatural” do guitarrista Carlos Santana? Com uma mão cheia de convidados, o álbum é composto por 14 músicas para todos os géneros, umas mais mexidas, outras o contrário, mas todas guiadas pelo som da guitarra. Existem trabalhos intemporais e este é um deles. Começamos a semana com a música “Smooth”, que une Santana a Rob Thomas. Filipa Araújo

Com: George Clooney, Julia Roberts, Jack O’connell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

TERRA FORMARS [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Takashi Miike Com: Hideaki Itô, Tomohisa Yamashita, Shun Oguri 14.30, 16.30, 21.30

CAPTAIN AMERICA: CIVIL WAR Filme de: Anthony & Joe Russo Com: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan 18.45

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Manuel Nunes; Tomás Chio Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


19 hoje macau segunda-feira 30.5.2016

OPINIÃO

macau visto de hong kong

N

O passado dia 24, o website “www.theguardian.com” publicou a notícia do falecimento de Paul Wilson. A morte deveu-se a choque anafilático. A definição de “choque anafilático” pode ser encontrada em www. webmd.com/allergies/guide/anaphylaxis e é a seguinte, “Anafilaxia é uma resposta alérgica, potencialmente fatal que se caracteriza por inchaço, urticária, quebra de tensão arterial e dilatação dos vasos sanguíneos. Nos casos mais graves o paciente entra em choque. Pode ser fatal se o tratamento não for efectuado de imediato. Paul Wilson tinha acabado de ingerir um caril que continha amendoins. Em Janeiro de 2014, no Restaurante Indian Garden, comeu uma dose de galinha tikka nasala. A seguir à refeição foi encontrado caído na casa de banho. No decurso da investigação criminal, a polícia descobriu que no cimo da nota de encomenda de Paul estava escrito “sem frutos secos”. O gerente do Indian Garden admitiu o facto. Como a nota de encomenda tinha sido clara, a polícia passou a investigar outros aspectos. Mais tarde foi encontrada na cozinha do Indian Garden, uma embalagem de extracto de amendoim. A partir desta descoberta o caso esclareceu-se. Era este pó que explicava a presença de amendoim na comida. Mohanmmed Zaman é o proprietário do Indian Garden. Tem 52 anos, é casado e pai de quatro filhos. Nasceu no Bangladesh e emigrou para o Reino Unido quando tinha 15 anos. Começou por trabalhar para o tio no ramo da restauração e acabou por se tornar dono de uma cadeia de seis restaurantes. Os seus estabelecimentos são recomendados pela British Catering Association e já foi agraciado com prémios da British Curry Awards. A polícia também apurou que Zaman tem uma dívida de 300.000 libras. Para reduzir custos, no Indian Garden só era utilizado extracto de amendoim. Zaman também empreava trabalhadores ilegais. Três semanas antes da morte Paul Wilson, Ruby Scott, uma jovem de 17 anos, já tinha sofrido uma forte reacção alérgica ao caril. Mas neste caso a jovem recuperou. Mohammed Zaman foi acusado do homicídio de Paul Wilson por negligência grosseira. “Homicídio por negligência grosseira” é uma das classificações de homicídio no Reino Unido. Significa que o réu provocou a morte da vítima, não intencionalmente, mas por descuido grave. Ao ignorar o seu aviso e, permitindo que se usasse extracto de amendoim no caril, foi responsável por homicídio por negligência grosseira.

Refeição fatal “Este caso interessa a todos e, em particular, a quem trabalha em restauração. Quem costuma frequentar restaurantes sabe que é raro encontrar avisos sobre segurança alimentar” O procurador Richard Wright, afirmou, “Mohammed Zaman foi avisado por diversas vezes de que estava a pôr a saúde dos clientes em risco e eventualmente as suas vidas. Infelizmente para Paul Wilson, Mohammed Zaman não aproveitou nenhuma dessas oportunidades e ignorou todas as chamadas de atenção que lhe fizemos.” “Foi uma atitude irresponsável e aventureira, que nós, a acusação, só podemos designar como negligência grosseira.” “Por repetidas vezes ignorou o perigo e não protegeu os clientes.As provas irão demonstrar que Mohammed Zaman colocou o lucro à frente da segurança e que optava sempre por fazer as coisas da maneira mais fácil.” O juiz Simon Bourne-Arton disse que Zaman ignorou completamente o facto de ser arriscado usar amendoins num restaurante de forma indiscriminada. Mohammed Zaman foi condenado por homicídio por negligência grosseira e sentenciado a uma pena de seis anos de prisão. Este caso não levanta dúvidas. Em primeiro lugar, verificamos que a responsabilidade legal de homicídio por negligência grosseira se aplica a todo o pessoal do Indian Garden, desde o proprietário ao empregado de mesa. No início do inquérito, a polícia investigou os “frente de casa” – o gerente e o empregado de mesa. Na medida em que estes indicaram na nota de encomenda que a refeição não poderia conter frutos secos, demonstraram terem sido cuidadosos, logo não lhes poderá ser atribuída qualquer responsabilidade. Por isso, se o dono e o cozinheiro não provarem que agiram em consciência, terão de apresentar explicações. No artigo não ficou claro porque é que o cozinheiro não tinha sido responsabilizado. Se a indicação tinha sido dada de forma expressa, não existe desculpa para o cozinheiro a ter ignorado. No entanto a pergunta seguinte diz respeito ao “conhecimento” do cozinheiro. Saberia o cozinheiro que o extracto de amendoim pertence à categoria de “frutos secos”? A resposta a esta pergunta não se encontra no relatório. Não podemos fazer mais comentários. A responsabilização legal feita desta forma tem os seus méritos. Assegura que todos os profissionais deverão exercer as suas funções em consciência. Se não existirem procedimentos escrupulosos, em caso de acidente pode haver responsabilização. Zaman é disso o melhor exemplo.

STEVE BENDELACK, MR. BEAN’S HOLIDAY

DAVID CHAN

Outro ponto a analisar é a natureza da acusação feita a Zaman. Foi, como sabemos, “homicídio por negligência grosseira”, e não qualquer outra acusação relacionada com segurança alimentar. Ao contrário dos países continentais, os britânicos têm um “Código Legal” que contém toda a legislação relevante num só livro. É provável que o homicídio esteja previsto na Lei da segurança alimentar. Mas no sistema da Lei Comum, a classificação é diferente. O homicídio não está previsto na Lei de segurança alimentar. Deverá por isso ser tratado como um crime à parte. Não interessam as circunstâncias em que ocorreu o crime, tanto faz ser um caso de segurança alimentar ou um assalto, a partir do momento em que a Procuradoria considera que a acusação de homicídio é adequada, o réu será acusado desse crime.

Paul Wilson morreu. Mas este caso interessa a todos e, em particular, a quem trabalha em restauração. Quem costuma frequentar restaurantes sabe que é raro encontrar avisos sobre segurança alimentar. Também é difícil vermos o restaurante pedir para ser informado caso o cliente sofra de alguma intolerância alimentar. Não há dúvida que essa responsabilidade é em primeiro lugar do cliente. Mas afixar um anúncio nesse sentido funciona como um lembrete para todos, do perigo potencial. Não é uma questão legal, mas sim uma boa prática, que beneficia todos: o dono, o pessoal e os clientes. Consultor Jurídico da Associação Para a Promoção de Jazz de Macau legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Só não choram / - porque não podem chorar - / os que partiram / para sempre. / O insensato / também não chora. / Mas escutai! / A Mãe é santa, muito carinhosa, / é mil vezes querida, / não tem filhos insensatos. / Ao dizermos adeus a Macau / Que mais poderemos fazer?”

José dos Santos Ferreira

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Agarrar a pequenada

A

“Pega-Monstros” no IPOR

companhia de teatro para crianças “Carruagem - Tráfego de Ideias” traz a Macau, pela mão do Instituto Português do Oriente (IPOR) a peça “Pega-Monstros”. A peça irá chegar a mais de 600 crianças das escolas luso-chinesas da Flora e Zheng Guanying, do Infantário D. José da Costa Nunes, da Escola Portuguesa de Macau e também das que queiram assistir ao espectáculo aberto ao público, que terá lugar no Auditório Dr. Stanley Ho, do Consulado-Geral de Portugal, no dia 1 de Junho, às 17h30. O espectáculo junta a brincadeira, porque estimula a vertente imaginativa e criativa da criança através de uma actividade lúdica, a educação - que pretende o reforço de mensagens positivas em torno de valores e atitudes – e, ao mesmo tempo, reforça conteúdos escolares e a aprendizagem da Língua Portuguesa, assegura a organização, na medida em que a aprendizagem de uma língua aumenta quando se estimula o envolvimento em situações comunicativas novas e se suscita a criação de laços

afectivos com experiências nessa língua.

VIAGEM PELA MEMÓRIA

Em “Pega-Monstros”, a segunda criação da plataforma artística de investigação e criação multidisciplinar “Carruagem – Tráfego de Ideias”, as actrizes Diana Melo e Inês Barros personificam Camila e Mel, duas crianças de nove anos, amigas desde que se lembram. Prestes a terminarem a escola primária, quando têm de entregar um trabalho sobre a “A minha coisa favorita”, tomam consciência de que não sabem do que gostam mais. Decididas a entregar o trabalho, as duas amigas partem numa viagem pelas suas memórias: regressam ao primeiro dia de escola para tentarem recordar tudo aquilo que as fez vibrar durante os quatro anos do primeiro ciclo, em busca do que é realmente importante para elas. Essa aventura leva-as à conclusão que não há nada como a amizade, como aquela que as une, e o amor pela família, mas também recordam algumas coisas muito importantes que aprenderam nesse percurso.

JORNALISTA MORTO A TIRO EM MANILA

Um jornalista que escrevia sobre crimes foi morto a tiro em Manila, informaram sábado polícia e colegas. Alex Balcoba, de 56 anos, foi atacado no centro de Manila na noite de sexta-feira no exterior de uma loja de reparação de relógios propriedade da sua família, informou em comunicado o National Press Club. O presidente do clube, Paul Gutierrez, disse que o ataque contra Balcoba, jornalista do jornal People’s Brigada, elevou para mais de 30 o número de jornalistas assassinados nas Filipinas desde 2010, sem que os responsáveis tenham sido levados à justiça. “A cultura de impunidade que está por detrás destes ataques ainda tem de ser abordada pelas autoridades, apesar das suas repetidas promessas”, afirmou Gutierrez. Dois homens armados fugiram numa motorizada depois do ataque contra Balcoba, disse Gutierrez. Colegas jornalistas levaram-no para o hospital, onde foi declarado morto, acrescentou Paul Gutierrez.

segunda-feira 30.5.2016

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Hoje Macau 30 MAI 2016 #3581  

N.º 3581 de 30 de Maio de 2016

Hoje Macau 30 MAI 2016 #3581  

N.º 3581 de 30 de Maio de 2016

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