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S E X TA - F E I R A 3 0 D E M A I O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 0 0

LEI MORTA LEI POSTA

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IMUNIDADE Chui compara o incomparável

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

REGIME DE GARANTIAS PROPOSTA CAI MAS AINDA MEXE

TNR QUERER OU NÃO QUERER, EIS A QUESTÃO POLÍTICA PÁGINA

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O Chefe do Executivo diz que a população não “percebeu” bem a questão e dá o exemplo do regime para os deputados. Gabriel Tong confessa não ter dado muita atenção a este ponto.

POLÍTICA PÁGINA

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UE faz apelo ao respeito pelos direitos humanos TIANANMEN•25 ANOS PÁGINA

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Chui deixou cair a polémica proposta, apesar de insistir na sua necessidade. O novo regime segue agora para consulta pública. Tudo em nome da “harmonia social”. PÁGINA 2 PUB


POLÍTICA

Chui quer manter a harmonia social. Por isso, retirou a proposta de lei do Regime de Garantias, apesar de afirmar que é necessário. Sobre o ‘timing’ de apresentação, o CE assegura que não tem a ver com o seu interesse próprio.

hoje macau sexta-feira 30.5.2014

REGIME DE GARANTIAS CHUI CEDE, MAS NÃO DESISTE DA LEI. CONSULTA PÚBLICA NA CALHA

O dinheiro não engorda GCS

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JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Chefe do Executivo pediu ontem àAssembleia Legislativa (AL) que seja retirada a proposta de lei do Regime de Garantias para os altos cargos. Numa conferência de imprensa convocada especialmente para fazer o anúncio, Chui Sai On justificou a decisão com o facto de não querer que a “divergência social se prolongue” e de ser necessário manter a “harmonia social”. De acordo com um comunicado do Governo, terá sido o Conselho Executivo a sugerir a retirada da lei “para que haja uma vasta auscultação da sociedade e um maior consenso social”. Mas, enquanto a população e especialistas defendem que a lei não é necessária, o Governo não recua nesse aspecto. “Foi considerado que esta proposta constituiu uma parte importante e imprescindível para a construção institucional do sistema política da RAEM”, pode ler-se no comunicado. Também Chui Sai On assegura que o sistema é preciso. “Se me perguntarem se defendo um regime com estas garantias, eu digo que sim”, disse. O líder do Governo garante que o objectivo do Governo com a apresentação desta proposta é pura e simplesmente “a construção institucional de um sistema político melhor”. Um comunicado do Governo garante que “o Chefe do Executivo, os Secretários e os titulares dos principais cargos são parte integrante, importante e dirigentes máximos do Governo” e este é um sistema que continua a faltar para lhes dar garantias. “Existe uma lacuna nesta matéria, apesar do Governo estar em funções há quase 15 anos”, frisa o comunicado. Chui Sai On acrescenta algo mais. “É pertinente

haver um Regime de Garantias para os seus membros.”

SEM INTERESSES

Chui Sai On assegura que não há qualquer interesse privado por trás deste diploma. O Regime, recorde-se, tem sido alvo de diversas contestações da parte da população e de especialistas, que consideram que o montante das compensações que os altos cargos podem vir a receber com esta lei – enquanto aguardam ou depois de cessarem funções – não é equilibrado. Os funcionários do sector privado que ocupem cargos no Governo passariam a receber 30% do total do vencimento e os do sector público, 14%. Muitos questionam a altura em que o diploma foi apresentado

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– daqui a quatro meses vai haver mudanças no Governo –, mas o líder do Executivo diz que não há nada por trás do ‘timing’. “Eu sou gordo, mas não vou engordar com este dinheiro. Toda a verba que tiver direito a receber será entregue a instituições sociais locais”, disse Chui Sai On, que indicou inclusive que já tinha contactado seis associações filantrópicas e educativas. O Chefe do Executivo assegura que tomou esta decisão logo que a proposta de

presidente do grupo Macau Consciência, líder dos protestos contra a proposta do Regime de Garantias, Jason Chao, considerou tardio o pedido de retirada da proposta feito pelo Chefe do Executivo. Para Jason Chao Chui Sai On, deve apresentar um “pedido de desculpas” aos cidadãos, dado que foi preciso que saíssem à rua para que tomasse uma posição. A proposta de lei levou a que milhares de manifestantes saíssem à rua no domingo - naquele que foi considerado o maior protesto desde a transferência de soberania

lei foi entregue à AL, até porque “sendo o construtor do Regime”, não queria receber nenhum benefício que ele traz.

CONSULTA PÚBLICA

A lei irá, agora, a consulta pública, depois de Florinda Chan, Secretária para a Administração e Justiça, redigir uma nova versão. Mas, da parte do Governo, continua a haver a certeza de que este é um regime que deve ser implementado. “A proposta constitui uma parte importante e

“Eu sou gordo, mas não vou engordar com este dinheiro. Toda a verba que tiver direito a receber será entregue a instituições sociais locais” CHUI SAI ON Chefe do Executivo

imprescindível para a construção institucional do sistema político da RAEM”, frisa o comunicado do Executivo. “Temos de continuar a ouvir mais opiniões, para que possamos criar o regime de forma saudável”, rematou Chui Sai On. O Chefe do Executivo diz mesmo que gostaria de ver o Regime de Garantias aprovado até Dezembro, altura em que termina o seu mandato. Chui acrescentou que Florinda Chan vai, então, “analisar as opiniões” relativas à proposta de lei, para as ter em conta na nova versão que será feita. Na AL, o presidente do hemiciclo disse apenas que tinha sido informado da decisão do Chefe do Executivo e que estavam a ser tratados todos os procedimentos sobre o pedido.

JASON CHAO CRITICA RETIRADA TARDIA DA LEI, MAS SAÚDA DECISÃO

Mais vale nunca em 1999 - e na terça-feira, dia em que estava marcado o plenário da Assembleia Legislativa para a discussão e votação da proposta de lei na especialidade. “Esta decisão [de retirar o diploma] devia ter sido tomada logo depois da primeira manifestação”, afirmou o activista, considerando que a atitude do Chefe de Executivo é resultado

da “pressão que os cidadãos conseguiram exercer”. Dado que Chui Sai On pediu a retirada do diploma para que seja preparada uma consulta pública sobre o polémico regime, Jason Chao deixou um alerta. “As perguntas devem ser objectivas e o Governo não pode jogar com as palavras”. O que está em causa é saber se “é ou não importante que este regime

exista” e não “o valor atribuído” no quadro das compensações previstas. “Se perguntarmos aos cidadãos se eles acham que o valor [da compensação] deve ser de 14% ou 30% já estamos a admitir que aceitamos esta lei”, clarificou. Para o activista, estas manifestações são “um bom início” de uma sociedade que se pretende “mais vibrante” e informada. - Lusa


política 3

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JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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HUI Sai On defendeu ontem o que vem a ser dito por alguns deputados – que a população não “percebeu” bem a proposta de lei do Regime de Garantias para os altos cargos – e deu como exemplo a questão da imunidade que lhe é atribuída com a nova lei. O Chefe do Executivo, que fez o anúncio da retirada da lei que tem vindo a causar polémica na sociedade ontem de manhã, garante que esta imunidade até é comparável a outras que existem. O Regime prevê que o Chefe do Executivo não possa ser constituído arguido durante o exercício das suas funções, mas Chui Sai On garante que isso não significa que possa “fazer tudo o que quer”. Chui evocou o regime de imunidade dos deputados, para comparar a obtenção do mesmo direito para si próprio. “O Chefe do Executivo, como responsável máximo e que responde directamente ao Governo Central, tem de ter salvaguardas, garantias para o exercício de funções e podemos comparar com o regime de imunidade dos deputados da Assembleia Legislativa, ou outros regimes existentes”, sustentou. Contudo, como o HM confirmou, o regime de impunidade dos deputados é mais detalhado do que o que iria ser atribuído ao Chefe do Executivo. Os membros do hemiciclo têm impunidade, salvo se forem apanhados em flagrante delito ou se a pena do crime for superior a três anos de prisão. A proposta de lei do Regime de Garantias diz apenas que o procedimento penal não é aplicável ao líder do Governo durante o seu mandato e, ainda que

IMUNIDADE NÃO FOI DADA DEVIDA ATENÇÃO AO ASSUNTO, ADMITE GABRIEL TONG

Comparar o incomparável “Neste momento é que olhamos para trás… naquele momento isto não foi o assunto mais debatido, porque a gente achou que seria assim e nem nós, nem tanta gente alegou essa questão como uma questão grande, mas agora estamos a rever. Estamos todos a rever.”

Mas, a ideia geral é para evitar que o Chefe não seja arguido, enquanto no cargo, e também frequentemente interrompido por causa de acusações”, começou por dizer.

DEVE HAVER MELHORIAS

GABRIEL TONG

registe que isso implique a suspensão dos prazos de prescrição do processo, não impede a execução de crimes graves. Questionando sobre o assunto, Gabriel Tong, deputado e membro da Comissão Permanente que analisou a proposta de lei na especialidade, o HM ficou a saber que os deputados não repararam nesse pormenor. “É um ponto com relevo. Há também muitas opiniões jurídicas já manifestadas, eu não estudei particularmente este ponto.

Se deveria estar previsto um sistema semelhante ao dos deputados, Tong diz que “deve” e que devem ser alteradas “mais coisas”, até porque faltou atenção na análise da lei. “Neste momento é que olhamos para trás… naquele momento isto não foi o assunto mais debatido, porque a gente achou que seria assim e nem nós, nem tanta gente alegou essa questão como uma questão grande, mas agora estamos a rever. Estamos todos a rever.” Gabriel Tong diz ter ficado pessoalmente surpreendido com as manifestações da sociedade. Com um sorriso no rosto, o deputado admite mesmo que não estava à espera, mas assegura que, agora, terão de ser apuradas as razões por que estão as pessoas “tão zangadas”. Chui Sai On disse ontem que esta é uma matéria que merece ser estudada e questiona se não é verdade que durante o mandato deverá haver diplomas legais que protejam a figura máxima do Governo durante o exercício de funções. Chui Sai On realçou ainda que a Secretária Florinda Chan “tem estado em contacto com o Governo Central”, sendo que este está a par de toda a situação.

Francis Tam defende protecções para governantes

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RANCIS Tam defende que é necessário criar um Regime de Garantias para os titulares dos principais cargos. Em declarações aos jornalistas ontem na Assembleia Legislativa, o Secretário para a Economia e Finanças considerou que os governantes precisam de protecções. De acordo com a Rádio Macau e a TDM, Tam diz que nunca foi pensado um tal regime, mas que no futuro nem todos os que vão para o Governo poderão querer fazê-lo se não têm garantias. “Podemos dizer que estamos sujeitos ao despedimento a qualquer tempo. E nunca discutimos outras condições, por exemplo, como o salário ou se, no futuro, nós, titulares dos principais cargos provenientes ou não da Função Pública devemos ter garantia de reforma do mesmo nível. Nunca pensámos nisso. Ao longo dos últimos 14 anos, nunca pensámos nisso e nunca criámos qualquer regime. No futuro, acho que será necessário criar”.


4 política

Não querem cá tantos trabalhadores não-residentes devido “ao impacto que estes provocam na sociedade”, mas ao mesmo tempo pedem mais recursos humanos. Os deputados voltaram ao debate da questão, com Francis Tam a assegurar que está tudo controlado JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com

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S trabalhadores não-residentes (TNR) continuam a ser o tema preferido dos deputados da Assembleia Legislativa (AL), que ontem voltaram a pedir mais medidas contra a importação destes operários. Frente a Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, os membros do hemiciclo criticam a existência de TNR em Macau, considerando que estes exercem “muita pressão” na vida dos residentes, mas também dos turistas. “Quando os turistas chegam a Macau, temos TNR a ‘ocupar’ os espaços deles, nos restaurantes, por exemplo, tal como o dos residentes. Se, na Taipa, ao fim-de-semana quiser arranjar espaço num restaurante, não dá, porque está sempre

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AL DEPUTADOS CRITICAM PRESENÇA DE TNR, MAS PEDEM MAIS RECURSOS HUMANOS

Uma questão bipolar

durante sete ou oito anos não vai haver mais empreendimentos a ser construídos e haverá um período para ajustamento”, disse Francis Tam. “O Governo vai considerar a capacidade de carga e já pensou neste aspecto, através do controlo do desenvolvimento do sector do jogo. Já há uma margem para definir um limite mínimo.”

150

mil TNR, 94.980 oriundos do continente

cheio”, fez questão de frisar Zheng Anting, dando os estabelecimentos hoteleiros como exemplo. Mas, o deputado não foi o único a dizer que a presença de TNR causa “muito impacto na sociedade”. Para a maioria dos deputados que ontem falou no hemiciclo, a forte pressão em áreas como o preço das rendas, de bens e serviços e nos transportes públicos deve-se aos trabalhadores oriundos do exterior. “Com este grande volume de

TNR, há efeitos para a sociedade”, frisou Ho Ion Sang. “O Governo tem de fazer uma análise e um estudo sobre capacidade de acolhimento, se não, provavelmente a situação vai agravar-se no futuro: a dificuldade em arranjar transporte, as rendas exorbitantes...” Os deputados apelaram a Francis Tam que fosse feito um maior controlo na contratação de TNR, pedindo inclusive que as empresas que os contratem fossem obrigadas

“Quando os turistas chegam a Macau, temos TNR a ‘ocupar’ os espaços deles, nos restaurantes, por exemplo, tal como o dos residentes. Se, na Taipa, ao fim-de-semana quiser arranjar espaço num restaurante, não dá, porque está sempre cheio” ZHENG ANTING

a garantir-lhes estadia e transportes. A questão de mandar TNR viver para Zhuhai voltou à baila, mas, ao mesmo tempo, também voltou a preocupação das longas filas nas fronteiras.

MAIS RECURSOS HUMANOS

Se, por um lado, a presença de TNR não parece ser muito bem acolhida pelos deputados, por outro, os membros do hemiciclo queixam-se de que não há mais de obra suficiente em Macau. Querem mais recursos humanos, principalmente para as PME do território. Francis Tam não aparenta estar preocupado com a presença de TNR, explicando que a fase de expansão em que é preciso mais mão-de-obra vai prolongar-se até 2016 ou 2017, mas depois disso - quando terminam as construções dos novos empreendimentos hoteleiros – haverá um período mais calmo. “Pelo menos

PANFLETOS DE PROSTITUIÇÃO REVISÃO PRELIMINAR DA LEI PRONTA E VAI A CONSULTA

O que é pornografia? A

Lei da Venda, Exposição e Exibição Públicas de Material Pornográfico e Obsceno vai ser revista e tem já uma revisão preliminar feita. Isso mesmo anunciou ontem André Cheong, director dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), na Assembleia Legislativa (AL). Num dia dedicado a ouvir as perguntas dos deputados, o responsável admitiu que a lei tem de ser revista “havendo ou não panfletos pornográficos” a ser distribuídos em Macau. Este foi, aliás, o tema que deu o mote para o anúncio. Chan Hong foi quem optou por falar do assunto, considerando que a actual legislação – criada em 1978 – não se adequa à realidade actual e que os panfletos de publicidade a prostituição são distribuídos

por Macau “em massa” e não só nas zonas turísticas, como nas residenciais. A deputada quis saber quais as medidas que o Governo tem em mãos para evitar que isto continue. “A distribuição, se não houver crime de lenocínio, é apenas uma violação à lei e não um crime. A polícia enfrenta dificuldades em combater esta infracção, nomeadamente nas tarefas de obtenção de prova, uma vez que estas carecem de fundamentação legal.” André Cheong diz que é necessário uma revisão global da lei e explicou que a DSAJ até já concluiu um estudo “profundo” e a conclusão da revisão preliminar. “Muito em breve, será posta em auscultação pública”, frisou. A alteração da definição de porno-

grafia é uma das mudanças, até porque recentemente tem havido diferentes interpretações da lei quando casos de distribuição destes panfletos são julgados em tribunal. Há juízes que absolvem quem distribui os folhetos de publicidade, há outros que os acusam. André Cheong admite que os panfletos só têm como objectivo angariar clientes para prostituição, mas admite dificuldades na prossecução dos casos. “A alteração da definição de pornografia vai ser positiva para isto, bem como a definição de exposição pública.” No ar, ficou ainda a questão sobre se a nova lei se vai aplicar aos jornais locais que apresentem fotografias de mulheres nuas ou com pouca roupa. - J.F.

Ao mesmo tempo, contudo, e em resposta à preocupação sobre a mão-de-obra em falta, Tam indicou que vai permitir a aceleração de contratação de TNR para as PME de Macau, que não conseguem ainda resolver a questão dos recursos humanos. O mesmo não acontece para os casinos, a quem Tam vai exigir mais exigência social, aquando da renovação das licenças actualmente em vigor. “Vamos exigir que os operadores de jogo assumam maior responsabilidade social e espero que no processo de revisão da concessão possamos contar com o contributo e opiniões da população para que as grandes empresas assumam a sua responsabilidade”, disse Francis Tam, referindo-se à necessidade de controlo de importação de TNR. O número de TNR, até Abril do corrente ano, subiu 29%, face ao ano anterior, para quase 150 mil pessoas, a maioria das quais - 94.980 - oriunda da China continental.

Consumo Lei de protecção do consumidor vai em breve a consulta pública

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revisão da Lei de Protecção ao Consumidor será, “em breve”, enviada a consulta pública. De acordo com um anúncio ontem feito na Assembleia Legislativa pelo presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Alex Vong, a irregularidade dos preços praticados é um dos pontos mais tidos em conta pelo Governo, que prepara ainda visitas a Portugal, Hong Kong, Tailândia e outros países, para procurar mais fontes de abastecimento de produtos alimentares para Macau. A ideia é apaziguar os altos preços praticados em Macau, onde o monopólio da importação é, para os deputados, a maior razão dos preços. Já para o Governo, o facto de existirem diversas bancas de venda de comidas no Mercado Abastecedor mostra que há “concorrência” e não um monopólio. - J.F.


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SOCIEDADE

Ainda não se sabe quem vai gerir a empresa, nem quando é que isso vai acontecer. O que parece, para já, definido é o orçamento para a manutenção da companhia de autocarros LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Governo pretende que o orçamento da futura manutenção da Reolian – gerido sob o Regime de Concessão de transportes públicos – não ultrapasse os 21 milhões de patacas, valor calculado a partir do orçamento mensal destes últimos seis meses. O director dos Serviços de Tráfego (DSAT), Wong Wan, disse ontem que o Governo quer estabelecer um limite no que toca às despesas mensais com os bens da Reolian.

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REOLIAN DESPESAS NÃO PODEM PASSAR OS 21 MILHÕES DE PATACAS

Nem mais um tostão Continua por se desconhecer a empresa que vai ficar responsável pela gestão da companhia de autocarros, sabendo-se apenas que tanto a Transmac como a TCM estão envolvidas no processo. Também estas duas empresas de autocarros deverão entrar no Regime de Concessão, mas o prazo para a mudança é ainda desconhecido. Apesar de afirmar que ainda não existem dados concretos sobre o custo de todo o processo de aquisição de bens por uma das duas empresas acima referidas, o responsável referiu que o Governo não pretende ultrapassar os custos mensais que têm vindo a ser registados desde há seis meses, período durante o qual a empresa de autocarros tem estado sob gestão financeira e logística do Governo. Na reunião de ontem do Conselho Consultivo do Trânsito, que teve lugar na DSAT, foram também discutidas questões relacionadas com o metro ligeiro, nomeadamente com o troço

que está a ser construído na Taipa. A entidade debateu matérias como a extensão das obras e Kuok Keng Man, do grupo de relações públicas dos transportes públicos, disse que “o Governo tem dado muita

atenção às preocupações da população”. No entanto, foi o futuro da Reolian que esteve mais tempo em cima da mesa do Conselho Consultivo do Trânsito e Wong prometeu que haveriam mais novida-

IPIM CURSO DE FORMAÇÃO EMPRESARIAL ATRAI CENTENAS

des, até 30 de Junho, data em que a empresa deixa de estar sob alçada governamental. Para já, apontou a manutenção de estabilidade dos trabalhadores como ponto “crucial”, assegurando que, embora a gestão passe a ser

privada ainda este ano, o Governo vai continuar a “suportar e controlar os custos para que possa haver um funcionamento favorável”. Os membros do Conselho Consultivo confirmaram ainda que o Governo vai continuar a subsidiar a empresa em termos de assistência e tarifas. Tudo para que possa continuar a funcionar. A futura situação de exploração – forma como a gestão é feita – da Reolian deverá condicionar a atribuição dos subsídios, incluindo o próprio valor. Isto porque as tarifas vão passar a ser dadas directamente à empresa sem passar pelo Governo, como acontece actualmente. No fundo, os subsídios governamentais vão começar a ser descontados no custo dos bilhetes de autocarro, de modo a que seja possível “fornecer um bom serviço”, adiantou o representante da DSAT. A entidade estabeleceu uma série de medidas que deverão ser cumpridas ao abrigo do Regime de Concessão. Entre elas estão a fiscalização regular dos custos mensais. A nova operadora deverá não só suportar todas as despesas decorrentes da transferência, como ter capacidade técnica, profissional e financeira para realizar uma “boa gestão” da Reolian.

ÁGUA DE MODAOMEN COM NÍVEL DE CHUMBO ELEVADO. MACAU NÃO FOI AFECTADO

Conhecimento nunca é demais Não mata, mas mói S E

ÃO mais de 150 representantes da comunidade empresarial local que, participam num curso de formação empresarial intitulado “Marketing e gestão de recursos humanos do Japão”, organizado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e pela Japan Franchise Association. Parte da iniciativa teve lugar na passada quarta-feira, no Centro de Apoio Empresarial de Macau (MBSC). O curso conta com a colaboração de Akihiko Uchikawa, presidente e CEO do Franchise and Research Institute do Japão. Para além disso, o IPIM vai liderar uma delegação de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) para uma visita de estudo a Tóquio entre os dias 16 e 20 de Setembro deste ano, iniciativa que se encontra integrada no curso empresarial. As actividades que têm sido desenvolvidas e organizadas pelo IPIM são pensadas para incentivar as PMEs

de Macau a aprender mais sobre modelos de marketing, promoção e gestão das empresas no exterior e investimento. No evento do MBSC estiveram presentes a vogal executiva do IPIM, Echo Chan, o Presidente

Akihiko Uchikawa

da Associação Geral das Agências do Fomento Predial de Macau, Ung Choi Kun, o Presidente da Associação Industrial de Macau, António Chui Yuk Lum e outras personalidades locais do mundo dos negócios. - L.S.M.

MBORA a qualidade da água de Macau não tenha sido afectada, a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) verificou que a água proveniente do Canal de Modaomen piorou, apresentando elevados níveis de chumbo. Este canal é a principal fonte de abastecimento de água da RAEM. A entidade responsável pela gestão do abastecimento de água ao território já tomou medidas de emergência para prevenir a contaminação. Após várias análises realizadas nos últimos dois dias, a DSAMA exigiu à empresa de Zhuhai, responsável pelo abastecimento à RAEM, que suspendesse a retirada de água do rio, passando a utilizar-se o que ainda está nos reservatórios. Também a Macao Water recebeu instruções para reforçar as fiscalizações periódicas de

qualidade, de forma a garantir a continuação do abastecimento de água canalizada a Macau. Embora o valor de chumbo detectado não tenha ultrapassado o limite legal estipulado, a DSAMA está a investigar a questão juntamente com os organismos de recursos hídricos do continente. A contaminação pode dever-se à queda de chuvas intensas que assolou Macau nas duas últimas semanas. Para já, a DSAMA suspendeu por completo o abastecimento de água proveniente directamente do rio, servindo-se dos reservatórios do interior da China, que de acordo com a entidade, conseguem satisfazer o consumo de água por um longo período, sendo esta apropriada para consumo humano. Os testes ao Canal de Modaomen vão ser realizados com mais frequência até que os níveis de chumbo voltem ao normal.


sociedade 7

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MA MAN KEI AL APRESENTA CONDOLÊNCIAS À FAMÍLIA. ID ADIA BARCOS-DRAGÃO

O Iat Seng apresentou ontem em nome da Assembleia Legislativa (AL) as condolências à família de Ma Man Kei, empresário e filantropo que faleceu na segunda-feira na China. O presidente da AL disse estar “surpreendido” com a notícia da morte de Ma, quem caracteriza como “personalidade marcante e símbolo de patriotismo”. “Ma Man Kei constitui um exemplo de total dedicação ao amor à pátria e a Macau, com destaque para a sua entrega incansável, ainda em vida, à causa pública de Macau e da pátria, colocando-se ao serviço da comunidade chinesa”, pode ler-se num comunicado entregue aos jornalistas. “As façanhas do senhor Ma Man Kei constituem um estímulo para prosseguir-

GCS

Inspiração para “um futuro brilhante” H mos as suas realizações (...) na construção de um futuro mais brilhante”, frisa Ho Iat Seng. “O falecimento de Ma Man Kei deixou-nos na orfandade de um velho amigo de admirável saga-

cidade, mas cujas virtudes e escola serão certamente perpetuadas no futuro.” Ma Man Kei, que tinha 95 anos, exerceu funções de deputado em cinco legislaturas da AL, ainda no tempo

“O falecimento de Ma Man Kei deixou-nos na orfandade de um velho amigo de admirável sagacidade, mas cujas virtudes e escola serão certamente perpetuadas no futuro.” HO IAT SENG

da administração portuguesa. Ho Iat Seng relembra que foi um homem que “contribuiu para uma transição sem sobressaltos”. Também o Instituto do Desporto (ID) anunciou ontem que iriam ser canceladas as corridas dos barco-dragão de dia 1 e 2 de Junho, sendo estas adiadas para os dias 7 e 8 de Junho. As de dia 30 e 31 mantêm-se, sendo que amanhã é feito um minuto de silêncio por Ma Man Kei. “A vida de Ma Man Kei foi um exemplo de amor à pátria e a Macau”, realça também o ID. “Foi notável a sua dedicação e empenho nas actividades sociais de Macau, contribuiu imensamente para o sector desportivo local, deu um contributo extraordinário para o desporto de Macau, assumiu importantes tarefas de preparação dos novos desportistas, bem como promoveu com sucesso o desenvolvimento das actividades desportivas.” O corpo de Ma Man Kei chegou ontem ao aeroporto de Macau, por volta do meio dia, estando as cerimónias fúnebres marcadas para dia 1 de Junho. - J.F.

TÁXIS DSAT RECEBE QUASE MIL PROPOSTAS PARA ATRIBUIÇÃO DE LICENÇAS

Mais nas ruas em breve A

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) recebeu 999 propostas para a atribuição de 200 licenças de táxis que serão válidas por oito anos não prorrogáveis. O concurso foi lançado no final de Abril e tinha ontem como data limite de apresentação de candidaturas, tendo sido entregues, em carta fechada, 999 propostas. Os interessados apresentaram propostas para a concessão das licenças que serão atribuídas aos valores mais elevados apresentados, tendo sido fixado em 200 mil patacas o valor mínimo de licitação do alvará, que não pode ser transmitido a terceiros. Tendo em consideração os valo-

res propostos, a DSAT vai atribuir, em lotes de 50, os alvarás entre os meses de Agosto e Novembro. No último concurso, também para a atribuição de 200 licenças, realizado em 2012 e com base de licitação semelhante à deste ano, o Governo arrecadou 180 milhões de patacas com uma média de 900 mil patacas apresentada para cada licença concedida. Actualmente, Macau tem 1180 táxis, dos quais uma centena são “táxis amarelos” que deveriam funcionar apenas em resposta a chamadas telefónicas. O contrato destes táxis expira no final do ano e o Governo pretende que os táxis amarelos não recolham clientes nas vias, mas apenas em resposta às chamadas.

TSI ORDENA PENHORA A CHEQUE PECUNIÁRIO EM CASO DE INDEMNIZAÇÃO A TRABALHADORES

Se vai receber, tem de dar JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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S cheques pecuniários podem ser bens penhoráveis. Isso mesmo assegura o Tribunal de Segunda Instância (TSI), que autorizou o Ministério Público (MP) a penhorar o montante atribuído pelo Governo a um residente de Macau. A justificação dada é a de que estes cheques são atribuídos para compensar quem ajuda ao desenvolvimento de Macau e ainda que, neste caso, estavam envolvidas pessoas que precisam de mais protecção do que o arguido. Segundo um acórdão ontem tornado público, um residente de Macau foi condenado a pagar uma indemnização a oito empregados, num total de cerca de 49 mil patacas, valor que se juntou a uma multa e custas judiciais num total de dez mil patacas. O homem, contudo, não terá levado a cabo o pagamento de forma voluntária, algo que levou o MP a intentar uma acção contra o residente no Tribunal Judicial de Base. O organismo pediu ao tribunal que o cheque pecuniário do residente fosse penhorado, mas o tribunal rejeitou o requerimento, evocando um artigo no Código de Processo Civil que indica que não podem ser penhorados dois terços das regalias sociais. O MP, contudo, não concorda e seguiu para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), pedindo autorização para a penhora. Já neste tribunal, o colectivo de juízes teve uma visão diferente da do TJB, considerando que, neste caso, as regalias do arguido devem ser retiradas.

“Normalmente a regalia social reveste-se de carácter perpétuo e contínuo e (...) constitui um direito económico do beneficiário”, começa por dizer o TSI. “Mas é diferente da comparticipação pecuniária, como um plano criado pelo Governo tendo em consideração o bom desenvolvimento económico (...) e no sentido de atribuir riqueza aos cidadãos, de tal maneira a compensá-los por terem contribuído para esses resultados. A quantia da comparticipação pecuniária não tem ligação directa com a situação financeira do beneficiário e a situação social.” O tribunal diz ainda que, não sendo uma quantia fixa, a atribuição pecuniária pode ser reduzida consoante a alteração de situação económica global e até ficar parada, tendo por isso um carácter instável, não sendo uma regalia social nem pertencendo a “bens parcialmente impenhoráveis”, como considerou o TJB. Mas, outros factores pesaram para que a ordem fosse penhorar a comparticipação pecuniária do arguido. “O juiz também não pode isentar totalmente de penhora tal quantia, uma vez que, o que se envolve nos autos é uma indemnização a pagar aos empregados, enquanto estes são presumidos que não possuem capacidade económica suficiente, como camada desfavorável, necessitando cada vez mais da protecção na lei em relação aos empregadores.” O tribunal admitiu o recurso e ordenou o TJB a dar autorização da penhora requerida pelo MP.


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CHINA

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À medida que se aproxima o 4 de Junho, sucedemse os apelos ao respeito pelos direitos humanos no gigante asiático

A

TÉ meia centena de pessoas foram detidas, interrogadas pela polícia ou dadas como desaparecidas na China nas vésperas do 25.º aniversário do massacre de Tiananmen, que se assinala a 04 de Junho, denunciou uma organização não-governamental. A “Chinese Human Rights Defenders” identificou todas as vítimas da campanha de repressão das autoridades, iniciada há mais de um mês, em todas as regiões do país, noticia a agência Efe. Também a União Europeia manifestou ontem “profunda preocupação” pela recente detenção de um “grande número” de pacíficos activistas dos direitos humanos. “Ao mesmo tempo que reconhecemos os avanços da China no bem-estar económico e social do seu povo nos últimos 25 anos, a União Europeia espera também ver a abertura de mais espaço para discussão e debate acerca da história recente da China, disse a UE num comunicado difundido pela sua delegação em Pequim. O comunicado manifesta “profunda preocupação” pela recente detenção de

A

S empresas europeias que fazem negócios na China relatam que o mercado está menos atractivo devido ao aumento nos custos de mão-de-obra, uma economia em desaceleração e pela falta de adesão ao Estado de Direito, afirmou a Câmara de Comércio da União Europeia na China. De acordo com a sondagem, conduzida com 552 empresas sediadas na Europa mas com operações na China, a dificuldade de atrair e reter funcionários, as barreiras no acesso ao mercado e a aplicação discricionária de regulamen-

TIANANMEN/25 ANOS MEIA CENTENA DE DETIDOS, DIZ ONG. UE PREOCUPADA COM RECENTES ATENTADOS À LIBERDADE

O bem mais precioso um “grande número” de activistas, nomeadamente Pu Zhijang (advogado), Hu Shigen (professor da Universidade de Pequim), Xu Youyu (investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais), Liu Di (escritor) e Hao Jian (professor da Escola de Cinema de Pequim). “Reafirmamos os apelos da União Europeia às autoridades chinesas para respeitarem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e as

“Reafirmamos os apelos da UE às autoridades chinesas para respeitarem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e as liberdades de consciência, expressão e associação reconhecidas pela Constituição chinesa, e libertarem todos os que foram presos por exprimirem pacificamente as suas opiniões”. COMUNICADO DA UNIÃO EUROPEIA

liberdades de consciência, expressão e associação reconhecidas pela Constituição chinesa, e libertarem todos

os que foram presos por exprimirem pacificamente as suas opiniões”. A CHRD também denun-

ciou que os detidos sofrem “agressões físicas e intimidações verbais” e que lhes vêem ser negados o direito

EUROPA EMPRESAS MAIS PESSIMISTAS COM MERCADO CHINÊS

Novas barreiras tos também prejudicam o sentimento de negócios. “A desaceleração económica é uma verdadeira mudança no jogo para as empresas europeias na China”, disse Jörg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China. “Para as multinacionais, a China ainda é importante, mas não tão importante quanto era há alguns anos.”

Pequim promete implantar amplas reformas económicas, mas apenas 53% dos entrevistados disseram esperar mudanças de modo significativo. O relatório concluiu que está em curso uma nova realidade e alertou para o aumento do pessimismo para a actividade futura. A proporção de empresas a planear ampliar as actividades na China no curto prazo caiu para 57%, face

Jörg Wuttke

a assistência médica ou de se reunirem com os seus advogados. Para a Amnistia Internacional, a campanha de repressão do governo chinês “evidencia as mentiras da reforma do Presidente Xi Jinping”. As detenções coincidem com a aproximação do 25.º aniversário da sangrenta repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, no dia 04 de Junho de 1989. A China tornou-se, desde então, uma superpotência económica, com crescente influência internacional, mas o movimento de 1989, iniciado por estudantes da universidade, continua a ser considerado “uma rebelião contra-revolucionária”.

a 86% há um ano. Aquelas que estão há mais tempo no país oriental mostraram-se mais pessimistas do que as mais recentes. O relatório da Câmara de Comércio da União Europeia na China reconhece que muitos dos problemas não são novos, mas explica que as barreiras estão tornar-se mais acentuadas. As empresas sondadas afirmaram que a aplicação da lei seria o melhor modo de melhorar o crescimento económico. As empresas reclamaram que, embora as leis sejam adequadas, há grandes deficiências na sua aplicação.


REGIÃO

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Coreia do Sul vai ser sede de uma delegação das Nações Unidas dedicada a supervisionar a situação dos direitos humanos na vizinha do Norte, informou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano. A nova filial do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU será aberta na capital, detalhou um porta-voz do ministério à agência Efe. O escritório ficará incumbido de recolher dados sobre os alegados abusos cometidos pelo regime norte-coreano liderado por Kim Jong-un. A ONU decidiu localizar o novo gabinete na Coreia do Sul dada a proximidade geográfica, o uso do mesmo idioma e a pensar no acesso por parte daqueles que conseguem escapar e estabelecer-se no país vizinho, explicou o porta-voz ministerial. Uma comissão de inquérito das Nações Unidas de-

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ONU DELEGAÇÃO EM SEUL PARA AVALIAR DIREITOS HUMANOS NA COREIA DO NORTE

O pecado mora ao lado

Depois de terem visto recusado um pedido de visita à Coreia do Norte, as Nações Unidas vão abrir uma filial no Sul para supervisionar os abusos do regime de Kim Jong-un

nunciou, em Fevereiro, que a Coreia do Norte comete violações “sistemáticas e generalizadas” dos direitos humanos, afirmando que muitas constituem crimes contra a Humanidade. Entre as práticas que constituem crimes contra

a Humanidade, segundo as definições do Direito Internacional, a comissão enumerou “exterminações, assassínios, escravatura, tortura, violações, abortos forçados e outras formas de violência sexual, perseguições com fundamentos polí-

ticos, religiosos, raciais e de género, deslocações forçadas de população, raptos e actos desumanos que provocam, de forma deliberada, períodos de fome prolongados”. Nas conclusões do relatório, a comissão apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para interceder junto do Tribunal Penal Internacional (TPI) para que os autores destes crimes sejam responsabilizados. A comissão, composta por três juristas internacionais, indicou que “centenas de milhares de presos políticos morreram em campos de

detenção durante os últimos 50 anos”. Prisioneiros que foram, segundo a equipa de especialistas, “gradualmente eliminados através de fome deliberada, trabalhos forçados, execuções, tortura, violações e recusa dos direitos de reprodução através da aplicação de punições, abortos forçados e infanticídio”. Os três juristas verificaram que o número de campos de detenção e de prisioneiros diminuiu na sequência de mortes e de algumas libertações, estimando, no entanto, que “80 mil a 120

mil prisioneiros políticos estão em quatro grandes campos de detenção para políticos”. No relatório, a equipa de juristas criticou a “resposta inadequada” ao longo dos últimos anos face a estes crimes, exigindo que a “comunidade internacional aceite a responsabilidade de proteger o povo da Coreia do Norte”. Os especialistas não conseguiram a autorização necessária para visitar a Coreia do Norte, tendo entrevistado refugiados e testemunhas em vários países para preparar o relatório.

Coreia do Sul TV em greve devido a “manipulação” no caso do naufrágio de ‘ferry’

Índia Duas adolescentes violadas e enforcadas por vários homens

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D

S sindicatos da estação de televisão pública sul-coreana KBS iniciaram ontem uma greve reivindicando a destituição do presidente da emissora que acusam de ter manipulado notícias sobre o naufrágio do ‘ferry’ Sewol cumprindo ordens do Governo. Depois de dez dias de boicote aos noticiários por parte de alguns trabalhadores, as organizações sindicais que os representam decidiram decretar oficialmente uma paralisação total. Os sindicatos, que contam com o apoio da maioria dos funcionários, tinham ameaçado levar a cabo uma greve, por período indeterminado, caso a comissão executiva não apro-

vasse uma moção apresentada pelos representantes da oposição com vista a destituir o presidente Gil Hwan-young. A comissão executiva decidiu adiar a votação da proposta por uma semana, o que desencadeou a acção por parte dos sindicatos. A greve na KBS poderá afectar a programação da maior cadeia de televisão da Coreia do Sul, que conta com 5.000 funcionários. A tensão na entidade pública, na qual os sindicatos são muito activos e mantêm constantes lutas com a direcção, estalou a meados do mês, depois de um antigo director de informação ter revelado que o Governo ordenou a manipulação de informação no telejornal.

O ex-director Kim Si-gon acusou a Casa Presidencial de ter exigido directamente ao presidente da KBS que vetasse as notícias negativas e avançasse com “positivas” sobre o Governo e a chefe de Estado, Park Geun-hye, no âmbito do naufrágio do ‘ferry’ Sewol, ocorrido em Abril, em que morreram 304 pessoas.

UAS adolescentes indianas, pertencentes à casta dos ‘intocáveis’, foram violadas por vários homens e depois enforcadas numa árvore no norte da Índia, divulgaram os meios de comunicação locais. Os ‘intocáveis’ ocupam o último escalão do sistema de castas que existe na Índia há vários séculos e divide a população em vários estratos sociais. Os corpos das duas jovens - primas de 14 e 15 anos apareceram, na quarta-feira, enforcadas numa árvore na localidade de Katra, num caso que provocou protestos dos

vizinhos pela falta de acção da polícia, segundo a cadeia televisiva local NDTV. A autópsia confirmou que as duas primas foram violadas e morreram enforcadas pelas mãos de cinco homens, perante a passividade da polícia, que durante horas se recusou a investigar o paradeiro das jovens, segundo os relatos de familiares. A polícia não agiu até ao momento em que os vizinhos, que não permitiram que se retirasse os cadáveres para se realizar a autópsia, cortaram várias estradas para protestar contra a inacção dos polícias.

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EVENTOS

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CONCURSO SOUND & IMAGE INSCRIÇÕES ARRANCARAM ONTEM Os criadores locais na área do audiovisual têm até ao fim de Setembro para Image vai contar com um vai já na sua quinta edição júri de 15 especialistas – três e destina-se a profissionais mostrarem o para avaliar cada uma das e outros artistas do mundo que valem num audiovisual e digital que categorias – incluindo Ivo Ferreira, Benjamin Hodges, pretendam continuar o seu formato que James Chu, Gary Ngai e percurso nestas indústrias. Thomas Meyer. Tal como em anos anvaria entre 90 O processo de escrutínio teriores, os concorrentes consiste em quatro diferenpodem submeter produções segundos e os com um mínimo de 90 tes fases, começando por dez minutos segundos e o máximo de uma pré-selecção por parte

Criatividade é o que se quer

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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S inscrições para o concurso de produções audiovisuais Sound & Image Challenge, organizado pela Creative Macau, que visa premiar artistas locais, já se encontram abertas desde ontem. A actividade

10 minutos até dia 30 de Setembro deste ano. Cada pessoa poderá entregar até três produções originais que tenham sido publicadas entre Janeiro de 2013 e a data limite do concurso. São quatro as categorias para esta quinta edição, incluindo a submissão de documentários, produções animadas, de publicidade e de ficção. Haverá prémios para todos os gostos e feitios, dos

quais “melhor publicidade”, “melhor ficção” ou “cultura identitária de Macau”. O último terá de incorporar valores culturais e sociais que identifiquem a região, como elementos de gastronomia, religião ou etnia. Os prémios serão atribuídos em dinheiro e outras regalias, sendo que os valores oscilam entre as três

mil e as 20 mil patacas, dependendo do categoria. Cada galardão tem um patrocinador específico, englobando o Banco Nacional Ultramarino (BNU), o casino Sands, a Fundação Oriente, a Creative Macau, a MacauLink e, finalmente, a USJ. A convite da organização, o concurso Sound &

da organização, seguidamente sendo escolhidos 20 trabalhos para enviar ao júri. Uma vez em unanimidade, o grupo vota para dois dos galardões. Finalmente, cada trio de júris vota para a melhor produção da categoria pela qual são responsáveis. A iniciativa é organizada pelo centro de indústrias criativas, Creative Macau. Desta vez, a entidade promotora de artistas locais conta

com o apoio da Faculdade de indústrias criativas da Universidade de São José (USJ), da Associação Audiovisual Cut, da Panda Artist Management e, finalmente, da Loco CreativeWorks. A equipa organizadora é composta por Lúcia Lemos, Sónia Viseu, João Cordeiro e Inah Quejano. O desafio do colectivo é atrair o maior número de peças possíveis. A cerimónia de apresentação e da entrega dos prémios deverá realizar-se no final do ano, a 4 de Dezembro, no auditório do Museu de Arte de Macau, das 19 às 21 horas. A entrada é livre e o programa das festas vai consistir na visualização das peças vencedoras, na votação dos espectadores para o prémio “preferido do público”, seguindo-se a cerimónia de entrega. Depois de findo o concurso e atribuídos os galardões, as produções preferidas deverão ficar, até 17 de Janeiro de 2015, expostas na galeria da Creative Macau.

HONG KONG ARTISTA REFLECTE SOBRE METAMORFOSE SOCIAL

Art(e) Nova espalhada por Hong Kong até Julho

A exposição “Art Nova 100”, que acontece em diversos espaços da cidade e é organizada pelo Centro de Promoção de Arte Chinesa Contemporânea desde o início de Maio, vai continuar a acontecer até dia 8 de Julho. São 70 peças de arte contemporânea criadas por mais de 60 artistas provenientes de vários locais da China que surge sob o tema desta edição anual “Novas caras, novos trabalhos”. Com este evento, a galeria pretende fomentar o gosto pela arte a todos os cidadãos e turistas da região. As exposições, que vão compreender a organização de conversas informais com coleccionadores de arte, curadores e artistas, acontecem em vários espaços da empresa K11, incluindo o K11 Piazza, Atrium, Arte Space e Showcases.

Bichos da seda e folhas de tabaco A

exposição “Começa com a metamorfose”, que vai estar em exposição até dia 31 de Agosto no Asia Society Hong Kong Center, compreende um conjunto de várias obras do artista chinês, Xu Bing. Organizada e gerida por Yeewan Koon, a mostra pretende que os visitantes repensem vários aspectos do quotidiano, nomeadamente as mudanças que cada um vai sofrendo com o passar do tempo. O título da exposição foi pensado para criar a ponte entre o simples processo biológico da metamorfose e o mecanismo que dá início às

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SANTA ISABEL – RAINHA DE PORTUGAL • José Miguel Pero-Sanz D. Isabel, infanta de Aragão, é conhecida na História de Portugal e de Espanha pelo seu modelo de «rainha santa» que deve viver e exercer o seu poder num contexto de profundo catolicismo, ainda que marcado por complexos problemas morais e pelas nem sempre fáceis relações entre o Papado e os reinos cristãos. Elaborada com base em rigorosas fontes históricas e historiográficas, esta biografia lê-se como um romance, proporcionando uma visão muito precisa de um período histórico palpitante e descrevendo a vida de uma rainha da Idade Média que se esforça por ser coerente com a sua fé num contexto pessoal e histórico tão complexo como apaixonante e decisivo.

ideias e aos métodos. Nos seus trabalhos, correntemente realizados com recurso a materiais como bichos da seda ou folhas de tabaco, Xu explora o poder do materialismo e desafia os valores sociais. A mostra pode ser vista de terça-feira a domingo, das 11 às 17 horas. A entrada custa 30 patacas, ainda que estejam disponíveis vários descontos, incluindo para crianças, estudantes e séniores. A organização preparou várias tours explicativas em dias específicos e que podem ser ouvidas em cantonês e inglês. O centro de artes situa-se na zona de Admiralty.

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RESTAURANTE CANIBAL • GABRIEL MAGALHÃES Pode existir um restaurante canibal no Portugal actual? Pode, de facto. Dois amigos, Susana, uma rapariga que estuda cinema e veste sempre de preto, e Gustavo, rapaz particularmente sorridente e especialista em informática, vivem a aventura inquietante de descobrir um restaurante antropófago na cidade do Porto, que surge associado a um projecto de investigação universitário apoiado por um conhecido programa da União Europeia, o que lhe dá uma cobertura legal. É possível rirmo-nos da crise? É. As páginas deste romance, que constitui uma sátira divertida e um livro do mais puro humor negro, pretendem ajudar o leitor a encontrar o seu caminho rumo à felicidade no meio da crueldade contemporânea.


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MUNDIAL BELLINI CONVIDA FÃS DA BOLA

THE DAWN E BLEU RASCALS ACTUAM NO BELINNI

Das Filipinas, com amor Ecrã gigante e comida no prato É O torneio mundial de futebol, que arranca já no dia 12 de Junho e que este ano vai acontecer no Brasil, vai poder ser visto no bar Bellini, do casino Venetian. O espaço nocturno vai compreender um ecrã de alta resolução para a visualização dos jogos, além do já habitual programa de festas. No bar, vai ser possível assistir aos quartos de final, às semi-finais e à grande final nos dias 4 e 5, 8 e 9, 12 e 13

de Julho, respectivamente. Os quartos de final serão transmitidos às 00 e às 4 horas da manhã (tal como a semi-final), enquanto a derradeira final terá lugar em directo, às 3 horas da manhã. Durante os jogos ao vivo, os espectadores podem ainda escolher de entre uma vasta variedade de pratos criados com base nos países integrados no torneio mundial, como a feijoada brasileira, o queijo Monterey ou um bife do Uruguai.

já amanhã que os The Dawn – uma das bandas mais aclamadas nas Filipinas – e os Bleu Rascals vão actuar no bar Belinni, situado no casino Venetian. O colectivo de rock, formado em Manila, começou a revolucionar o mundo do rock das Filipinas na década de 80. Mesmo depois de ter sofrido algumas alterações, o grupo musical continua a cantar e a encantar pelas Filipinas. Vai ocupar o palco do Belinni durante a festa que sucede ao cam-

peonato de pesos pluma “Featherweight Fury”, a realizar-se às 17.30 horas, na Cotai Arena. O concerto vai servir para comemorar o combate e as portas do estabelecimento nocturno abrem às 21 horas. Quem já tiver bilhetes para assistir aos combates de amanhã poderá ter acesso a mais uma bebida no bar. A actuação dos The Dawn em Macau chega pouco antes da banda filipina comemorar o seu 30º aniversário, em 2015. Já lançaram mais de 14

Bleu Rascals

The Dawn

álbuns musicais e estão a preparar-se para publicar mais um já no final deste ano. “Enveloped ideas”, “Salamat”, “Love will set us free” e “A single ship” são apenas alguns dos seus maiores êxitos. É com ritmos de blues e jazz que os Bleu Rascals, também das Filipinas, voltam a Macau para actuar depois dos The Dawn. O colectivo venceu a edição de 2013 do concurso local Cotai Jazz & Blues Festival, ultrapassando mais de 100 bandas de todo o mundo. O colectivo foi fundado em Dezembro de 2010 e tem participado em várias competições, incluindo nos Estados Unidos, Indonésia e Japão.

IACM apresenta na sua biblioteca uma obra sobre Michele Ruggieri Hoje, às 18.30 horas, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais vai apresentar na biblioteca do seu edifício, a obra “Registo pictórico da grande dinastia Ming: Atlas da China”, relativa a Michele Ruggieri. Nascido em 1545 em Itália, Ruggieri foi um dos principais e mais influentes

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AVISO sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi (2.ª ronda para o ano de 2014) 1. Âmbito de aplicação Os pedidos de apoio financeiro para a realização de espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares para o período compreendido entre os dias 1 de Julho e 31 de Dezembro de 2014 devem ser formulados no prazo abaixo indicado. 2. Condições para pedido de apoio financeiro Instituições constituídas e registadas em Macau, e em funcionamento nos termos da lei, e que não tenham fins lucrativos. 3. Destinatários/Projectos não-prioritários ou aos quais não serão dados apoios (1) Instituições sem fins lucrativos constituídas há menos de um ano; (2) Projectos que não sejam compatíveis com os fins da instituição requerente; (3) Projectos a realizar no exterior da Região Administrativa Especial de Macau. 4. Prazo para formulação do pedido Entre os dias 1 de Junho e 30 de Junho de 2014. Os pedidos formulados fora do prazo não serão considerados. 5. Documentos necessários à instrução do pedido Entrega do formulário específico denominado “Requerimento de Apoio Financeiro” devidamente preenchido, acompanhado dos documentos descritos na Parte C do respectivo formulário. Os formulários próprios para instrução do pedido de apoio financeiro e os respectivos exemplares estão disponíveis no website da Fundação Macau. Para mais informações, o requerente pode consultar os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi”. 6. Serviços de atendimento e apoio à instrução do pedido Durante o prazo em que decorre a formulação do pedido acima referido, o requerente, além de dispor dos serviços gerais de atendimento da Fundação Macau, pode contar com a ajuda dos seus trabalhadores especializados na prestação de serviços de atendimento sobre as actividades no âmbito do Quyi e que, certamente, lhe irão esclarecer todas as dúvidas relativas à instrução do respectivo pedido de apoio financeiro. Local para entrega do pedido: Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7.° andar, Macau Horas de expediente:

De segunda-feira a quinta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; sexta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30

Contacto

87950957 (Dr. Sam) ou 87950969 (Dra. Chan) ds_info@fm.org.mo www.fmac.org.mo

Tel: E-mail: Website:

* É favor prestar atenção às alterações publicadas pela Fundação relativamente ao prazo da seguinte ronda para a formulação do pedido de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi.

impulsionadores do catolicismo na China, tendo feito parte de várias missões jesuítas. Foi autor do primeiro dicionário de português-chinês do mundo, e é conhecido como o primeiro sinólogo da Europa. Em 1578 foi ordenado padre em Lisboa, enquanto aguardava pela embarcação que o

levaria rumo a Goa. Foi durante os últimos anos de vida que Ruggieri acabaria por escrever extensas obras de prosa e poesia sobre o continente asiático, sendo reconhecido como uma das mais importantes personalidades que abriu as portas à Europa para um melhor conhecimento sobre a China.


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h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Thomas Lim*

FAZER UM FILME EM MACAU: DO GUIÃO ÀS FILMAGENS Capítulo X: Estreia nas salas de cinema “Os filmes feitos em Macau têm o potencial de ir longe”

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ONSEGUIR que o nosso filme seja lan�������������� ç������������� ado nos cine� mas é objectivo primordial de todos os realizadores. Muitos filmes v����������������������� ã���������������������� o a festivais de cine� ma, como falámos no capítulo anterior, para conseguir captar a atenção de um distribuidor de filmes para cinema. Os cinemas mais ‘mainstream’, nor� malmente, não têm em conta o valor artístico dos filmes, mas o seu valor comercial. Se tiver actores conhecidos no seu filme ou um grande orçamento para distribuição, é muito mais fácil conseguir mostrá-lo nos cinemas. Mas, al������������������������� é������������������������ m dos cinemas considera� dos comerciais, poderá haver outras possibilidades de conseguir mostrar o seu filme, em Macau ou em Hong Kong. Na região vizinha, há muitos cinemas independentes (comunitários) e, em Macau, a organização de filmes CUT pode ajudar a passar o seu filme. Se eu contei correctamente , exis�

tem quatro cinemas comerciais em Ma� cau: no Galaxy, na Torre de Macau, no Cineteatro e o Cinema Alegria. Penso que isso faz com que seja poss��������� í�������� vel con� tactar os responsáveis destes cinemas mais facilmente, por telefone ou en� viando um e-mail. Mas, se conseguir obter referências de uma organização como a «CUT» , isso aumentará sem dúvida as suas hipóteses de conseguir marcar uma reunião neste sentido.

SE TIVER ACTORES CONHECIDOS NO SEU FILME OU UM GRANDE ORÇAMENTO PARA DISTRIBUIÇÃO, É MUITO MAIS FÁCIL CONSEGUIR MOSTRÁ-LO NOS CINEMAS

Em Macau, o meu filme ‘Roulette City’ esteve em exibição no Cinema Alegria, em Janeiro deste ano. Mas, an� tes, o ‘Roulette City’ foi primeiramente lançado a nível comercial em cinemas ‘mainstream’ no Japão e em Singapura, em 2012. Também passou como filme de Ano Novo Chinês na Tv Cabo de Macau, nos primeiros dias do ano novo lunar de 2013. Nunca nos nossos sonhos mais dis� tantes, algu�������������������������� é������������������������� m desta produ������������ çã���������� o do ‘Rou� lette City’ tinha pensado que o nosso filme iria ser capaz de conseguir ser lançado em cinemas comerciais, em três países diferentes. Isto só prova que os filmes feitos em Macau t����������� ê���������� m o poten� cial de ir longe e se mais pessoas fize� rem filmes em Macau, será mais fácil para as pr��������������������������� ó�������������������������� ximas gera���������������� çõ�������������� es de realiza� dores de Macau mostrarem os seus fil� mes a nível internacional, porque mais audiências estrangeiras os vão aceitar e dar-lhes as boas-vindas. Melhor e mais rapidamente. * Actor, guionista e director do filme “Roulette City”

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José Simões Morais

ATRIBULADA VIAGEM PARA TOMAR POSSE

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O dia 30 de Maio de 1718 tomou posse do Governo de Macau António de Albuquerque Coelho quando, somente na véspera tinha chegado a esta cidade numa embarcação chinesa que o trouxera de Sanchoan, onde deixara o seu navio com toda a tripulação doente. Por quê toda esta pressa em tomar posse? Fazia nesse mês um ano que, em Goa, fora nomeado António de Albuquerque Coelho como Capitão-geral de Macau pelo Arcebispo primaz, então Governador do Estado da Índia, D. Sebastião de Andrade e Pessanha. António de Albuquerque Coelho estivera anteriormente em Macau por várias vezes, sendo protagonista de grandes e turbulentas histórias que muito alvoraçaram a cidade durante as suas estadias e tinha deixado aí muitos inimigos. Para aumentar a estranheza, a essa nomeação acrescente-se que fora expulso de Macau no ano de 1716, por ordem do Vice-Rei Vasco Fernandes César de Menezes, devido às muitas queixas dos moradores e com um gravoso registo, labéu de criminoso. História iniciada em Outubro de 1712 quando, a mando do Senado, Manuel Vicente Rosa foi preso pelo Vereador Albuquerque Coelho, por se recusar a pagar ao Senado a dívida do seu cunhado, o falecido António da Cruz. A razão da recusa foi ter Vicente Rosa pretendido vender tal barco a um arménio, mas o Senado não aceitou tal pretensão. Em 1714, ao chegar a ordem do Vice-rei para mandarem António de Albuquerque Coelho para Goa, afim de não prejudicar a inquirição das suas

30 de Maio de 1718 ANTÓNIO DE ALBUQUERQUE COELHO TOMOU O GOVERNO DE MACAU EXACTAMENTE UM ANO DEPOIS DE TER SAÍDO DE GOA

culpas, foi a vez do Ouvidor Vicente da Rosa (nomeado a 9 de Maio desse ano) mandar prender Albuquerque Coelho. Para o ter seguro e assim o poder remeter para a Índia, colocou-o sobre prisão na Fortaleza da Guia, acusando ainda o seu declarado inimigo de abuso de autoridade. Como justificação da nomeação de Albuquerque para Capitão-geral de Macau, o então Governador do Estado da Índia, D. Sebastião de Andrade e Pessanha escreveu: “atendendo que assim o bem temporal da mesma cidade, como o espiritual das dilatadas missões dependentes dela, e nestes calamitosos tempos tão perturbadas, necessitavam da assistência de tal governador, como assaz experimentado daqueles países, pois tinha por bastante tempo habitado neles, determinou fizesse logo sua viagem.” (“Jornada Que o Senhor António de Albuquerque Coelho Governador, e Capitam Geral Da Cidade do Nome de Deos de Macao na China, Fes de Goa athe chegar a Ditta Cidade”, por Joam Tavares de Vellez Guerreyro).

QUEM ERA O NOVO CAPITÃO-GERAL DE MACAU? Filho ilegítimo de boa família, António de Albuquerque Coelho nasceu por volta do ano de 1682 na vila de Santa Cruz do Camutá no Maranhão, Brasil. O seu avô, pela parte paterna, também com o nome de António de Albuquerque Coelho, natural de Gouveia, foi Governador do Maranhão e desde 1675, Donatário da vila de Santa Cruz do Camutá, com a obrigação de a povoar dentro de três anos com trinta casais brancos de foro do Estado com Igreja, Casa de Câmara, cadeia e governo político. Seu pai, António de Albuquerque Coelho de Carvalho (1655-1725) era um homem ilustre de muitos títulos e um importante funcionário ultramarino, que exercera funções de governo no Brasil e mais tarde em Angola. A nossa personagem, António de Albuquerque Coelho (1682-1745), era filho ilegítimo e tinha como mãe Ângela de Barrios, em cujo sangue corria uma mistura de branco e preto (creio ser preferível usar a palavra preto ao vocábulo negro, que nos soa mais a raça, logo racista, do que a ligada apenas à cor de pele, branco e preto) de Angola pelo lado paterno, com mulatos e de índia brasileira, via materna.

Albuquerque Coelho veio criança para o reino, onde foi educado e em 1700, por alvará de 10 de Março, foi-lhe concedido o foro de fidalgo escudeiro da Casa Real. A terça parte do desconto feito no foro, por não ser filho natural, foi reposta e acrescida com a promoção a fidalgo cavaleiro. Embarcou a 25 de Março desse ano para a Índia na nau São Pedro Gonçalves e ainda estava ele em viagem, quando em Abril lhe foi feita mercê, “por uma vez somente de 60$00 de ajuda de custo para seu apresto, e de uma terça efectiva de 38$000 por ano, em sua vida,

além de 12$000 a título de Hábito da Ordem de Cristo, que el-Rei lhe mandou lançar, tudo em atenção a ser filho de António de Albuquerque Coelho de Carvalho, que está sendo actualmente Governador do Maranhão, e por ir servir na Índia em praça de soldado.” C. R. Boxer. Chegou a Goa em 12 de Setembro de 1700 e aí ocupou primeiro o posto de Tenente de mar e guerra, servindo depois como Capitão de infantaria e nessa condição passou a Macau na guarnição da fragata N. S. ª das Neves. Albuquerque Coelho chegou a


artes, letras e ideias 17

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Macau pela primeira vez em 8 de Agosto de 1706 e, pouco tempo depois, apaixonou-se por uma menina muito formosa, mas apenas de 7 anos de idade, Maria Moura e Vasconcelos, nascida em 1699, órfã do riquíssimo comerciante Vicente de Moura e Vasconcelos. Dois anos depois regressava a Macau e nessa segunda estadia, que se prolongou até finais de 1715, como certifica um documento de 23 de Dezembro desse ano sobre a venda de meninos e meninas chineses, teve grandes desavenças com a comunidade local e com outros reinóis, que com ele tinham vindo. Nesse período, se no início foi a rocambolesca história de amor, onde perdeu um braço devido a ter levado um tiro disparado pelo concorrente ciumento e outros episódios turbulentos que culminaram após o seu casamento com a criança de onze anos, depois, já com o estatuto de homem bom, foi como Vereador que entrou em constantes conflitos com os seus colegas do Senado e moradores da cidade. Tal levou a ter que regressar a Goa, mas logo pouco tempo depois, era nomeado Capitão-geral de Macau.

A VIAGEM DE GOA PARA TOMAR POSSE EM MACAU A pressa que punha o Arcebispo na partida de Goa do nomeado Capitão-geral e sua comitiva frustrou-a Francisco Xavier Doutel, o capitão da nau de vias. Doutel, invocando o mau tempo que se avizinhava, antecipou a saída do barco escalonado para transportar António de Albuquerque Coelho para Macau e largou na noite de 22 de Maio de 1717 do ancoradouro do Rio Mandovi, em frente à cidade de Velha Goa. Sem dar conhecimento ao seu inimigo visceral, deixava-o em terra e sem barco para embarcar nesse ano, pois não havia outro no porto. No Ta-ssi-yang-kuo, Marques Pereira refere: “Tanto bastava a malograr-lhe a vinda, que outra embarcação não a havia. Mas tinha o ilustre maneta um daqueles ânimos de rija têmpera, que mais se obrigam com os obstáculos, e assim vendo que não podia embarcar-se em Goa para o seu governo, determinou atravessar o Indostão e ir buscar a Madrasta navio que o trouxesse. Nesta arriscada e trabalhosa jornada pelos reinos de Sunda, de Maissur e do Grão mogol, teve repetidos lances de mostrar a sua intrepidez e de acordar nos naturais o antigo respeito aos portugueses.” Sem hipóteses de embarcar em Goa, António de Albuquerque Coelho tomou a resolução de se dirigir por terra até à parte Leste do subcontinente indiano, “Madrasta, aonde por todo o Julho poderia achar uma em-

“... COMO CAPITÃO-GERAL, ALBUQUERQUE NÃO SE COMPORTOU COMO TODOS ESPERAVAM MAS, SEM RESSENTIMENTOS, GOVERNOU E DEIXOU UMA BOA SITUAÇÃO ECONÓMICA EM MACAU.” barcação para alguma das partes confinantes com a China, por ser aquele empório dos ingleses um dos mais bem providos de toda a Ásia, e expedito em despachar navios em qualquer tempo para vários portos. Assentada esta resolução, expediu o Ilustríssimo Senhor Primaz Governador suas ordens, e recomendações às Feitorias do Estado, como às outras dos Estrangeiros; e aos 30 de Maio o destinado Governador de Macau, no cais do Desembargador Agostinho de Azevedo Monteiro, se embarcou na Manchua de Dom Cristóvão de Melo, Vedor da Fazenda, levando em sua companhia o Capitão João Tavares de Vellez Guerreiro, que estava nomeado para a guarnição da Fortaleza da Barra de Macau, e o seu Ajudante Ignácio Lobo de Menezes e no seu Balão a João Nunes e Pascoal Ribeiro, Portugueses, e cinco cafres seus cativos, e juntamente dois clarins”... Quem isto narra é o Capitão Vellez Guerreiro companheiro de viagem de Albuquerque. C. R. Boxer diz: “e passado uma semana sobre a miserável partida do comandante, deixou Goa, na manhã de 30 de Maio de 1717, dirigindo-se por via terrestre a Madrasta, acompanhado por uma pequena comitiva e alguns escravos. Apesar da estação já ir adiantada, e das chuvas torrenciais nas passagens montanhosas dos Ghats, já para não falar nas dificuldades em atravessar os principados rivais de Carnatic com uma escolta tão pequena e mal armada, Albuquerque atravessou em segurança a península indiana...”. Mas Marques Pereira refere outra data: “tendo saído de Goa no dia 2 de Junho de 1717, chegou finalmente a S. Thomé em 16 do mês seguinte, e como ai não houvesse embarcação para a viagem que intentava, passou em 19 a Madrasta, a

ver se neste porto, já então de grande movimento, lhe facilitavam uma.” Guerreiro complementa: “mas o governador inglês, atendendo mais às razões de sua conveniência, do que às de capricho, declarou não estar em tempo, que pudesse executar o que se lhe pedia, alegando o ser já tarde para armar barco, e haver falta de patacas na terra.” E continuando com Marques Pereira: “Dorido da recusa, e confiando que lhe não faltaria o auxílio dos portugueses de S. Thomé, respondeu Coelho pedindo que lhe vendesse algum navio.” Actualmente Madrasta e S. Tomé encontram-se englobados na mesma cidade de Chennai, nome que até aos finais do século XX era Madras, capital do Estado de Tamil Nadu na Índia. Continuando com Marques Pereira: “Efectuou-se a compra, e em 5 de Agosto se empreendeu a viagem. Foram os trabalhos do mar desmedidamente maiores do que os sofridos em terra.” Complementa Boxer: “Debatendo-se com ventos contrários e falta de água, Albuquerque dirigiu-se à rada de Malaca e enviou a terra o seu piloto inglês para obter assistência. Como esta não foi prestada pelos holandeses com a prontidão necessária nem em termos que considerasse compatíveis com a sua dignidade, Albuquerque fez-se ao largo sem esperar que o piloto embarcasse e sem obter aquilo que pretendia. Esta inoportuna demonstração de orgulho fê-lo perder a travessia para a China...”. “Ao fim de dois meses de tão terrível viagem arribou, para invernar, a Johor, reino então bastante rico e poderoso, ainda que revolto por lutas internas.” Marques Pereira chama a Johor, “Djohor, ou Gior, como então se escrevia. Este reino, hoje na sua maior parte quase despovoado desde que os ingleses

“DURANTE A VIAGEM, MUITA DA TRIPULAÇÃO MORREU E OS QUE CHEGARAM À ILHA DE SANCHOAN VINHAM DOENTES, INCLUINDO O PRÓPRIO ALBUQUERQUE. COMO O NAVIO NÃO PODE PROSSEGUIR, CONTINUOU ALBU QUERQUE VIAGEM NUMA EMBARCAÇÃO CHINESA ATÉ MACAU, ONDE CHEGOU A 29 DE MAIO DE 1718.”

fundaram o estabelecimento de Singapura, estava então rico e poderoso, ainda que revolto por lutas intestinas. Albuquerque prestou ao acabamento dessas contendas influência activa e honrosa, e, logo que as terminou,” a 7 de Março de 1718, conseguiu celebrar um tratado com o novo rei de Djohor, para a livre propagação do cristianismo em todo esse reino. Em 15 de Março o governador português tomou solenemente posse de um lugar ameno e vistoso, perto da povoação de Giorlama, para a fundação de uma igreja. Albuquerque e a sua comitiva daí partiram a 18 de Abril e “continuaram no restante da viagem os revezes, perigos e fadigas; à falta de piloto, era o próprio governador quem regia a navegação, sem que a isso o habilitasse nada mais do que a sua inteligência resoluta e a observação das repetidas vezes que passara nestes mares.” Durante a viagem, muita da tripulação morreu e os que chegaram à Ilha de Sanchoan vinham doentes, incluindo o próprio Albuquerque. Como o navio não pode prosseguir, continuou Albuquerque viagem numa embarcação chinesa até Macau, onde chegou a 29 de Maio de 1718. No seguinte dia, 30 de Maio de 1718, António de Albuquerque Coelho tomou o governo de Macau exactamente um ano depois de ter saído de Goa. A nau de Francisco Xavier Doutel só chegou a 27 de Junho de 1718, já Albuquerque tinha recebido dos Vereadores do Senado o bastão de Comando. Com medo de represálias, foi logo refugiar-se, no Colégio de S. Paulo, até virem de Goa as ordens do Vice-Rei em seu favor. O Capitão-geral vinha de Goa com a ameaça de ser demitido se procurasse vingança sobre os seus inimigos, mas foi o Senado que o ofendeu em público. Negou-lhe o tratamento de Senhoria a que tinha direito por ser Governador e Capitão-geral, enquanto na sua própria presença, o davam a dois generais estrangeiros, um holandês e um castelhano, que passaram no porto. “António de Albuquerque Coelho bem se queixou, o Vice-Rei bem lhe acudiu verberando o Senado, mas a diminuição pública estava feita.” Afinal, como Capitão-geral, Albuquerque não se comportou como todos esperavam mas, sem ressentimentos, governou e deixou uma boa situação económica em Macau. Esteve como Capitão-geral de Macau até 9 de Setembro de 1719, quando foi substituído por António José Teles de Meneses e após regressar a Goa em 18 de Janeiro do ano seguinte, foi depois nomeado Governador de Timor.


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DESPORTO

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de descontracção em conjunto com os agentes de viagem. Além disso é uma oportunidade única de podermos igualmente homenagear um dos principais cartazes turísticos do território de Macau, que é o Grande Prémio, a realizar durante o mês de Novembro”. O evento que contou com a participação de várias equipas, entre elas, do Turismo de Macau e um grupo de estudantes de Macau a residir em Portugal, foi ganha pela equipa do El Corte Inglês.

AKOC VOLTA A COLOANE

SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

C

OM o apoio do Turismo de Macau, a Soltrópico realizou no passado fim-de-semana, pelo segundo ano consecutivo, o “Grande Prémio de Kart Soltrópico”, no Kartódromo Internacional de Palmela, um evento automobilístico de lazer com o intuito de reunir, num ambiente festivo, vários PUB

TURISMO DE MACAU APOIA GP KARTING DE LAZER EM PALMELA

Karting, cá e lá agentes de turismo em Portugal. A prova foi dividida em treinos, com a duração de 15 minutos, e corrida, com duração de 1 hora de prova. As equipas de três elementos usaram

karts Dino Leisure 2001 com motor Honda GX 160. Antes do evento, Nuno Anjos, director Comercial da Soltrópico, explicou assim esta aposta: “ Após a uma primeira

edição deste grande prémio com bastante adesão no ano passado, a Soltrópico e o Turismo de Macau decidiram apostar novamente nesta iniciativa para criar um momento

Entretanto, o Kartódromo de Coloane servirá de novo como palco para o arranque da temporada do Campeonato Asiático Open de Karting (AKOC, na sigla inglesa). O evento está marcado para o fim-de-semana de 7 e 8 de Junho e, apesar da competição ter perdido alguma força, trará a nata do karting da região até nós. Este será provavelmente o maior evento de karting da RAEM em 2014, visto que o Grande Prémio Internacional de Karting de Macau deixou de fazer parte do calendário. O evento promovido pela federação internacional e que recebia os Campeonatos da Ásia-Pacifico nas categorias KF, KF Junior e KZ foi o ano passado cancelado devido à falta de quórum.


desporto 19

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FORMAÇÃO DE MATRIZ PORTUGUESA DERROTOU SELECÇÃO DE SUB-18

Casa de Portugal garante subida à Elite MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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OrganismoAutónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau garantiu ontem a subida ao convívio dos grandes do futebol do território, mercê do triunfo alcançada frente à Selecção de Sub-18 da Associação de Futebol de Macau e do empate registado entre as formações do Hong Lok e dos Serviços de Alfândega. Frente à mais jovem das selecções do território, o emblema de matriz portuguesa não comprometeu, ainda que o adversário tenha assinado uma melhor entrada no desafio. Numa rara incursão à baliza à guarda de João Guedes, os Sub-18 da Associação de Futebol de Macau surpreenderam o grupo de trabalho orientado por Pelé. O primeiro tento do encontro foi apontado quando estavam disputados apenas quatro minutos de jogo. O golo nasce da cobrança de um livre-directo, mas é Gonçalo Coteriano quem acaba por marcar na própria baliza, ao desviar sem intenção o esférico para o fundo da própria baliza. A resposta do conjunto de matriz portuguesa materializou-se ainda durante os primeiros quarenta e cinco minutos, com Miguel Botelho a dar a melhor sequência a uma boa jogada de entendimento entre Jean Peres e Rafael Bastardo. Com o guarda-redes adversário pelo frente, Botelho não defraudou, batendo com um chapéu o último homem da Selecção de Sub-18. A igualdade a uma bola pautava o andamento do marcador ao intervalo, mas uma entrada decidida da Casa de Portugal na etapa complementar da partida acabou por aniquilar as esperanças do emblema da Associação de Futebol de Macau e garantir que o desígnio da subida de divisão não voltava a escapar aos comandados de Pelé. Nos minutos iniciais do segundo

tempo, aquela que é actualmente a mais prolífica dupla avançada do futebol do território voltou a funcionar e a mostrar credenciais. Bem posicionado na frente de ataque, Jean Peres serviu de cabeça Miguel Botelho e, chamado a intervir, o dianteiro não defraudou, batendo com novo chapéu o guardião da Selecção de Sub-18. O tento foi o décimo quarto golo apontado por Botelho na presente edição do Campeonato de Futebol da II Divisão.

O goleador-mor do conjunto de matriz portuguesa é, no entanto, Jean Peres. Aos 36 anos, o dianteiro gaulês mostra uma eficácia a toda à prova. Ontem apontou o seu décimo sétimo golo da temporada, encerrando a marcha do marcador escassos minutos depois de se ter cumprido a hora de jogo no campo da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Quando ontem entrou em campo, a formação do Organismo Autónomo Desportivo da Casa

de Portugal em Macau estava consciente de que uma vitória propulsionaria ao emblema de matriz lusa um feito inédito. O empate entre as formações do Hong Lok e dos Serviços de Alfândega abriu portas à festa da subida e o grupo de trabalho às ordens de Pelé cumpriu com o que lhe era exigido. Para o próximo ano, o futebol de matriz portuguesa vai estar representado no primeiro escalão por três formações, a Casa de Portugal, o Sporting Clube de

Macau e a Casa do Sport Lisboa e Benfica do território. Apesar de já ter festejado a ascenção ao convívio dos grandes do desporto-rei da RAEM, a época ainda não terminou para Pelé e companhia. O Organismo Autónomo Desportivo precisa de um ponto mais para garantir o triunfo no Campeonato. Para erguer o troféu de campeã, a equipa de matriz portuguesa precisa apenas de pontuar frente ao Hong Ngai, a 8 de Junho próximo.

Mundial Pedro Proença recorda «atraso muito grande» na preparação

O

árbitro internacional português Pedro Proença recordou um «atraso muito grande» na preparação do Mundial2014 quando dirigiu os jogos na Taça das Confederações, mas acredita que o Brasil oferecerá aos adeptos do futebol «uma grande competição». «Penso que, nessa altura, as

coisas ainda estariam piores. Foram utilizados estádios que vão ser utilizados no campeonato do Mundo e quem lá esteve percebeu que havia um atraso muito grande ao nível das infra-estruturas», observou Pedro Proença, em entrevista à agência Lusa. O árbitro das finais do Europeu e da Liga dos Campeões de 2012

não esconde que tem alguma «curiosidade» em perceber a forma como os organizadores brasileiros conseguiram «resolver essas dificuldades». «Faz parte um bocadinho também da nossa cultura. Até à última, tentar resolver os problemas, mas tenho a certeza de que será uma grande competição,

porque quem conhece o Brasil sabe que é um país que respira futebol», assinalou. Para o árbitro lisboeta, a chave do sucesso da competição passa pela forma como os brasileiros vivem a modalidade: «O Brasil tem condições únicas para a prática do futebol e ama o futebol como ninguém».


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CINEMA

EDGE OF TOMORROW SALA 1

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [B]

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 14.30, 16.45, 21.30

Pu Yi

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [3D] [B]

Um tudo pós-moderno É uma moda à qual ainda não consegui aderir. Não sei se é de ser gato e simplesmente não ter a capacidade de compreender grande parte do que acontece no mundo dos seres humanos, mas se há coisa que não percebo é a chamada “arte pós-moderna”. Não me interpretem mal. Até gosto de várias formas de arte moderna e pósmoderna, mas continuo sem compreender como é que, por exemplo, sete pessoas deitadas no chão, sem se moverem durante horas, é arte. No fundo, tudo isto faz parte de uma questão bem mais complexa e profunda. Afinal de contas, o que é arte hoje em dia? Durante os séculos passados, foi possível identificar várias formas e estilos artísticos diferentes, facilmente distinguíveis uns dos outros. Não me quero armar em crítico, mas quer-me parecer que, hoje em dia, as pessoas não fazem a mais pequena ideia de quais são os limites para a tão discutida “arte pós-moderna”. Bem, se calhar não os há e eu estou a balbuciar asneiras sem fim. Compreendo que Marcel Duchamp – criador da famosa obra “Fonte”, de 1917 – tenha sido aclamado pelo seu atrevimento e originalidade em transformar um objecto tão simples e básico (um urinol), numa peça sofisticada como uma fonte. A complexidade de tudo isto começa com o surgimento de artistas “vanguardistas”. Conheço vários casos em que isto acontece e o mais fantástico é que, sem sequer saberem bem no que se estão a meter ou o que estão a ver, a assistência costuma aplaudir freneticamente, como se fossem os mais conhecedores e sábios críticos. Algures durante o século XX, entrou-se num momento da história social em que vale tudo. Tudo é maravilhoso, passível de ser aclamado. Não me interpretem mal – até porque, pessoalmente, Andy Warhol continua a ser um dos melhores artistas dos últimos tempos – mas julgo que estamos a viver num mundo em que, muitas vezes, a qualidade é chutada para o lado em prol daquilo que é estranho e diferente. E nada mais.

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 19.15 SALA 2

EDGE OF TOMORROW [C] Um filme de: Doug Liman Com: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Kick Gurry 14.30, 16.30, 21.30

ACONTECEU HOJE

EDGE OF TOMORROW [3D] [C] Um filme de: Doug Liman Com: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Kick Gurry 19.30 SALA 3

MALEFICENT [B]

Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 14.15, 16.00, 19.30

MALEFICENT [3D] [B]

Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 17.45

GODZILLA [B]

Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 21.30

26 DE MAIO

Nasce a actriz Glória de Matos

U M L I V R O H O J E PORTOKYOTO PEDRO PAIXÃO, COTOVIA Um livro anormal de um escritor que nunca quis viver na normalidade. Não quer, não vive, refugia-se em letras e palavras. Em PortoKyoto, o narrador apaixona-se por uma mulher que vive na rua e passa a deambular em função dela, do seu corpo, do seu cabelo e do seu cheiro. Uma narrativa por vezes confusa, uma amálgama de sentimentos e pensamentos vivida entre Nova Iorque, Porto e Quioto. - Andreia Sofia Silva

• No dia 30 de Maio, recorda um grande nome do teatro e do cinema, Glória de Matos, actriz que fundou a Casa da Comédia, com Fernando Amado, e que mostrou talento na companhia do Teatro Nacional D. Maria II, além de ter trabalhado com o eterno Raul Solnado e com o realizador Manoel de Oliveira. Filha de Maria Matos, Glória de Matos nasceu em Lisboa, a 30 de Maio de 1936, notabilizando-se como actriz, carreira que iniciou em 1954, com 18 anos, ao lado de Fernando Amado, com quem fundou a Casa da Comédia. Neste espaço de cultura desempenhou diversos papéis, até que em 1963 tem uma passagem pelo Reino Unido. Com a ajuda de uma bolsa entregue pela Fundação Calouste Gulbenkian, Glória de Matos conclui o curso de teatro na Bristol Old Vic Theatre School. Três anos mais tarde, começa a trabalhar com outro grande nome da arte portuguesa: Raul Solnado. Passou pela Companhia Portuguesa de Comediantes e em 1969 chega ao Teatro Nacional D. Maria II. Em 1972, é premiada como melhor actriz, pela sua interpretação em ‘Quem tem Medo de Virginia Woolf’, de Edward Albee. O galardão foi entregue pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo e pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Foi professora da Escola de Teatro do Conservatório Nacional, entre 1971 e 1975. E por esta altura da sua carreira empreende uma série de trabalhos com o realizador Manoel de Oliveira. Participou em ‘Benilde ou a Virgem Mãe’ (1974), ‘Francisca’ (1980), ‘Canibais’ (1987), ‘Vale Abraão’ (1993), ‘O Quinto Império – Ontem Como Hoje’ (2004), ‘Espelho Mágico’ (2005) e ‘Singularidades de uma Rapariga Loira’ (2009).

fonte da inveja

Há mulheres satisfeitas que nunca se satisfizeram.

João Corvo


OPINIÃO

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JORGE RODRIGUES SIMÃO

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perspectivas

As grandes questões da saúde pública “Two-thirds of intensive care patients receive bad care. Two out of three patients who need critical care aren’t getting proper care because of a serious shortage of critical care specialists (including doctors and nurses). This shortage results in the unnecessary deaths.” Health Matters: 8 Steps That Can Save Your Life-and Your Family’s Health

A

Taylor Grant

sexagésima sétima Assembleia Mundial de Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) terminou no dia 24 de Maio de 2014, em Genebra, tendo aprovado vinte resoluções relativas a questões de saúde pública de grande importância a nível mundial. A directora-geral da OMS, ex-directora dos Serviços de Saúde de Hong Kong, afirmou lapidarmente que a Assembleia Mundial de Saúde (Assembleia) teve um número sem precedentes de pontos de discussão na sua agenda de trabalho diário, documentos, resoluções e cerca de três mil e quinhentos delegados, o que reflectiu a complexidade crescente das questões sanitárias e o profundo interesse em abordá-las. As resoluções aprovadas pela Assembleia prendem-se com questões de capital importância, desde logo, com a resistência aos antibióticos, tendo os delegados reconhecido a crescente preocupação com a resistência antibiótica e encorajado os países a fortalecer as medidas nacionais e a cooperação internacional, o que requer a troca de informações sobre o grau de resistência e uso de antibióticos em pessoas e animais, e envolve o fortalecimento da consciência entre os prestadores de cuidados de saúde e o público sobre a ameaça representada pela resistência, a necessidade do uso responsável de antibióticos e a importância de uma boa higiene e outras medidas para prevenir as infecções. A resolução insta os Estados-Membros a reforçarem os sistemas de gestão de medicamentos, apoiar a pesquisa no sentido de aumentar a vida útil dos medicamentos existentes e incentivar o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e tratamento. Tal como consta da resolução, a OMS irá desenvolver o projecto de um plano de acção global para combater a resistência aos antibióticos, a fim de o submeter à aprovação da Assembleia no próximo ano. A implementação do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) de 2005 foi outra das resoluções aprovadas. A febre-amarela é uma doença especificada no RSI pela qual os países podem exigir certificado de vacinação aos turistas, como condição para entrar no país em determinadas circunstâncias, e podem adoptar algumas medidas se um turista não apresentar esse certificado. A Assembleia adoptou disposições revistas relativas à vacinação ou revacinação contra a febre-amarela no âmbito do RSI, que incluem a prorrogação

da validade de um certificado de vacinação contra a febre-amarela, de 10 anos a toda a vida da pessoa vacinada. As disposições revistas baseiam-se nas recomendações do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE, sigla na língua inglesa) da OMS, formuladas após o exame e análise científico das provas disponíveis. Os Estados-Membros reafirmaram o firme compromisso com a implementação do RSI. Os efeitos da exposição ao mercúrio e a compostos de mercúrio na saúde pública são de grande importância pela perigosidade que revestem, tendo a Assembleia solicitado à Secretaria da OMS que prestasse toda a consultadoria especializada tendo por fim ajudar os ministérios da saúde a aplicar a Convenção de Minamata sobre o mercúrio (Convenção), assinada em 10 de Outubro de 2013, e que foi adoptada por noventa e oito países. A Convenção só entrará em vigor noventas dias após ter sido ratificado por pelo menos cinquenta países. Estabelece medidas de controlo e diminuição do uso do mercúrio num conjunto de processos e produtos, bem como trata o uso da substância na mineração, importação e exportação do metal tóxico e armazenamento seguro de resíduos, tendo por objectivo proteger a saúde humana e o ambiente de emissões antrópicas e de libertações de mercúrio e seus compostos. A Convenção incentiva os países a identificar e proteger melhor as pessoas particularmente expostas aos riscos derivados do mercúrio e destaca a necessidade de prestar serviços de saúde eficazes a todas as pessoas afectadas pela exposição ao mercúrio.Amaior parte do mercúrio libertado é resultado da actividade humana, como por exemplo, a combustão de carvão e resíduos, a mineração de mercúrio, ouro e outros metais. A OMS admite que o mercúrio é uma das dez substâncias químicas ou grupos de substâncias químicas que apresentam maiores problemas para a saúde pública. A Convenção de Minamata é o primeiro tratado global sobre saúde e meio ambiente em quase uma década e foi negociado durante quatro anos. A outra resolução aprovada dirige-se à luta contra o problema global da violência, especialmente contra mulheres e crianças do sexo feminino. A cada ano, cerca de 1,4 milhões de pessoas no mundo morrem por causa da violência. As mulheres e as crianças do sexo feminino sofrem formas específicas de violência que muitas das vezes permanecem ocultas. No mundo, uma em cada três mulheres sofre violência física e/ou sexual pelo menos uma vez na vida. A cada pessoa que morre como resultado da violência muitas mais sofrem traumatismos físicos e psíquicos e todo um conjunto de consequências desfavoráveis para a saúde física e mental. Os Estados-Membros devem trabalhar no sentido de reforçar o papel do sistema de saúde tendo por fim prevenir a violência. A OMS irá desenvolver um plano de acção global que visa reforçar o papel dos sistemas nacionais de saúde, no contexto de uma resposta multissectorial que permita lidar com a violência

interpessoal, especialmente contra mulheres e crianças do sexo feminino, bem como todas as demais crianças. O prosseguimento da Declaração Política de Recife sobre Recursos Humanos (Declaração) que estabeleceu compromissos renovados para a cobertura universal de saúde foi outras das resoluções aprovadas pela Assembleia. A Declaração foi formulada e adoptada pelo III Fórum Global sobre Recursos Humanos em Saúde, realizado entre 10 e 13 de Novembro de 2013 e tem como base a atenção dada ao direito à saúde. ADeclaração reconhece o papel central dos recursos humanos para a saúde no caminho para a cobertura universal da saúde, comprometendo os países a criar condições para o desenvolvimento integrador de uma visão comum com outras partes interessadas e reafirma o papel do Código de Prática de Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde da OMS sobre a contratação internacional de pessoal de saúde como um guia para a adopção de medidas destinadas a fortalecer o pessoal de saúde e os sistemas de saúde.

É bom que os Estados-Membros da OMS reflictam e implementem todas as resoluções e regras que constituem o acervo jurídico mundial que tem efeito directo nas ordens jurídicas nacionais O seguimento a nível de país do relatório do Grupo de Trabalho Consultivo de Peritos sobre Investigação e Desenvolvimento: Financiamento e Coordenação (GTCP), fez a Assembleia aprovar uma resolução que promove consideravelmente a procura de soluções inovadoras e sustentáveis para financiar e coordenar a investigação e o desenvolvimento da saúde relacionada com as doenças que afectam desproporcionadamente os países em desenvolvimento. A decisão proporciona um firme impulso à execução de projectos inovadores de demonstração em matéria de investigação e desenvolvimento da saúde. A OMS, por força dessa decisão, tomará as primeiras medidas para estabelecer no Programa Especial para Pesquisa e Treino em Doenças Tropicais um mecanismo de financiamento comum com contribuições voluntárias destinadas a actividades de investigação e desenvolvimento relacionadas com as doenças que afectam os pobres. Os Estados-Membros da OMS salientaram a importância da coordenação integradora desses novos avanços. O acesso aos medicamentos essenciais foi outra das resoluções aprovadas pela Assembleia, que está em conformidade com a estra-

tégia da OMS para ajudar os países a melhorar o acesso aos medicamentos essenciais. Os princípios fundamentais incluem a selecção de uma série limitada de medicamentos sobre a base das melhores provas científicas disponíveis, processos de aquisição eficientes, preços exequíveis, sistemas de distribuição eficazes e uso racional. Alista de medicamentos essenciais da OMS foi reconhecida como um instrumento valioso mediante o qual os países podem identificar um conjunto básico de medicamentos que devem estar disponíveis para prestar atendimento médico de qualidade. O fortalecimento do sistema de regulamentação é mais uma das resoluções aprovadas pelaAssembleia.Aregulamentação farmacêutica vela pela qualidade, segurança e eficácia necessárias dos medicamentos e dos produtos médicos; a fabricação, o armazenamento, a distribuição e a administração dos medicamentos de maneira apropriada; o controlo e a prevenção da fabricação e o comércio ilícitos; a informação necessária para que os profissionais e os pacientes possam utilizar racionalmente os medicamentos; a regulação e veracidade da promoção e a publicidade; e o acesso aos medicamentos sem obstáculos de regulamentação injustificada. A fim de melhorar a regulamentação dos produtos médicos em todo mundo e assegurar que sejam de qualidade garantida, é preciso o fortalecimento da regulamentação e o fomento da colaboração nos sistemas de regulamentação. AAssembleia encarregou a OMS que, em cooperação com os organismos nacionais de regulamentação, continuasse o seu importante trabalho mundial no concernente à regulamentação farmacêutica mediante o estabelecimento de normas e critérios necessários, o apoio ao desenvolvimento da capacidade em matéria normativa e o fortalecimento dos programas de vigilância da segurança. A Assembleia pediu à OMS que por meio de seu programa de pré-qualificação continue a zelar pela qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos essenciais prioritários seleccionados, os meios de diagnóstico e as vacinas. Um novo avanço, suportado pelos Estados-Membros, é a futura transição progressiva da pré-qualificação para redes melhoradas de autoridades de regulamentação. A avaliação das intervenções e as tecnologias de saúde em apoio da cobertura universal da saúde é mais uma das resoluções aprovadas pela Assembleia, pois actualmente, muitos países carecem da capacidade necessária para avaliar os benefícios das tecnologias da saúde. Essa avaliação implica a valoração sistemática das propriedades, os efeitos e/ou as repercussões das diferentes tecnologias da saúde. Asua principal finalidade consiste em influir nos processos normativos relacionados com as tecnologias da saúde e, dessa maneira, melhorar a introdução de novas tecnologias avançadas de alta relação custo/eficácia e impedir a adopção de tecnologias de duvidoso valor para o sistema Continua na página seguinte


22 opinião

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ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

O despertador JAMES WHALE, FRANKENSTEIN

de saúde. Determinou-se que o desperdício em medicamentos e outras tecnologias são uma das principais causas de ineficiência na prestação de serviços de saúde. Em consonância com uma resolução sobre avaliação de tecnologias da saúde aprovada pela Assembleia, a OMS prestará apoio aos países no referente à criação de capacidade nessa esfera. A OMS facilitará instrumentos e consultadoria para priorizar tecnologias da saúde e intensificar a criação de redes e o intercâmbio de informação entre os países, com o fim de suportar o estabelecimento de prioridades. A saúde na agenda para o desenvolvimento depois de 2015 é uma importante resolução da Assembleia, pois os Estados-Membros põem em relevo a importância da actual participação no processo orientado a elaborar a agenda. Isto inclui a necessidade de completar os trabalhos inconclusivos relativos aos Objectivos de Desenvolvimento Milénio (ODM) relacionados com a saúde, bem como um maior atendimento às doenças não transmissíveis e à saúde mental. A resolução destaca também a importância da cobertura universal de saúde e a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde. É essencial a prestação de contas através de avaliações periódicas dos progressos no fortalecimento dos sistemas de registo civil e estatísticas demográficas. Os Estados-Membros puseram em relevo a importância de que a saúde seja um elemento central na agenda para o desenvolvimento depois de 2015. A saúde neonatal como projecto de plano de acção é uma das mais relevantes resoluções da Assembleia, dado tratar-se de um plano sem precedentes para pôr fim às mortes de recém-nascidos e às mortes pré-natais para 2035 instando todos os países a fixar para esse ano o objectivo de menos de dez mortes de recém-nascidos por mil nascidos vivos e menos de dez mortes pré-natais por mil nascimentos. Cada ano, quase três milhões de recém-nascidos morrem no primeiro mês de vida, e 2,6 milhões nascem mortos (morrem nos últimos três meses da gravidez ou durante o parto). A maior parte dessas mortes poderiam ser evitadas mediante intervenções custos/eficácia. Os objectivos do plano exigem que cada país invista em serviços de qualidade para o atendimento de todas as gestantes e todos os recém-nascidos antes, durante e depois do parto, e destacam a urgente necessidade de registar todos os nascimentos e as mortes. É bom que os Estados-Membros da OMS reflictam e implementem todas as resoluções e regras que constituem o acervo jurídico mundial que tem efeito directo nas ordens jurídicas nacionais. A maior parte dos sistemas nacionais de saúde não as aplica e ficam sujeitas às inspecções da OMS que podem ser solicitadas por terceiros e serem coagidas a cumprir ou a encerrar as instalações. O não cumprimento de tais normas pode provocar um volume incalculável de mortes. Aos governantes dos países cabe aceitar cumprir ou esquecer, não se esquivando à responsabilidade política e jurídica perante a sociedade pelas decisões tomadas.

contramão

M

UITO se escreveu esta semana sobre o assunto da semana. Uma proposta de lei de nome comprido e complexo, cheia de artigos e pormenores jurídicos, levou milhares para a rua como há muito (mas mesmo muito) não se via em Macau. Muito se escreveu e muito se especula por aí: há teorias da conspiração para todos os gostos e, como teorias da conspiração que são, umas terão um fundo de verdade e outras não. Prefiro pensar só naquilo que vejo, naquilo que vi: milhares de pessoas saíram para a rua e, ao contrário de todas as esperanças governamentais, não o fizeram para celebrar a beleza, a harmonia e a grandeza da pátria. Desenganem-se ainda os defensores das causas ocidentais mais nobres: estes milhares também não saíram para a rua em defesa da democracia, do sufrágio universal e dos direitos humanos. Manifestaram-se contra uma proposta de lei de nome comprido, cheia de artigos e de questões jurídicas que – e aqui é que está o problema – toca no dinheiro que é de todos. Fez mal o Governo em não ter avançado com este tipo de legislação em 2002 ou 2003, quando Macau vivia os tempos eufóricos do regresso à pátria e o povo acreditava, com toda a ingenuidade e uma bondade ainda maior, que os maus tinham partido e tinham ficado só os bons, os puros, os honestos, os que amavam sinceramente

Macau. O discurso político da época era esse – a secretária para a Administração e Justiça perdeu uma excelente oportunidade para preencher a lacuna jurídica que agora salienta em comunicados à imprensa. Por essa altura, Macau tinha cofres públicos mais magros, mas o povo andava satisfeito. Ainda se arrendavam casas e ia-se ao supermercado sem se ficar com a sensação de se ter sido vítima de um assalto, a circulação em Macau era uma possibilidade, até o ar circulava em Macau, apanhava-se um táxi em qualquer ruela da cidade, o hospital

Contra todas as análises (incluindo a minha) que se fizeram acerca deste mandato de Chui Sai On, afinal o Chefe do Executivo conseguiu algo invulgar. Conseguiu que um povo aparentemente adormecido acordasse para a realidade onde vive. Resta agora saber se alguém vai querer continuar a dar corda ao despertador

público ainda não tinha chegado ao estado de degradação em que hoje se encontra, a poluição não atrapalhava os de Ka Ho e os outros. A vida vivia-se com normalidade. O passado não serve para ser saudosista, mas apenas para explicar o presente. As manifestações do início desta semana não foram só contra um regime de nome comprido – foram protestos contra o estado em que as coisas se encontram. E foram um forte aviso à governação. Se a vida se vivesse com normalidade, não havia conspiração (nem teoria) que resistisse. Quanto às leituras políticas possíveis, correm também por aí várias teorias, umas mais atrevidas do que outras. Não vou arriscar no que não vejo. Assim, parece-me que, desde logo, foi uma vitória política de Pereira Coutinho & friends, e de Ng Kuok Cheong & friends, e de Jason Chao & friends. Ou de todos juntos, todos friends nesta e noutras causas. Levaram o povo para a rua, levaram muito povo para a rua, a proposta acabou por ser retirada. Assim, à primeira vista, com esta medalha já contam – ainda que, no futuro, possam somar outras derrotas. A menos de três meses das eleições para o Chefe do Executivo, não deve ter dado jeitinho algum a Chui Sai On ver tanta gente sair para a rua. A imprensa internacional interrompeu a monotonia temática de Macau, a monotonia do jogo e dos números, para falar de um outro jogo e de outros números. Pequim (um dos vários que por lá andam) deve ter franzido o sobrolho. Ou talvez não. De qualquer modo, Chui Sai On não saiu bem nos vários retratos que se foram vendo nos cartazes dos manifestantes. Não faço ideia do que isto vai representar para o futuro, se o futuro vai mesmo ser como todos estávamos (e/ou estamos) à espera, mas não consigo deixar de ficar intrigada com a incapacidade do Chefe do Executivo de pôr em prática aquilo que, numa perspectiva bem oriental do assunto e metaforicamente escrevendo, se espera que um líder do Governo faça: que seja o irmão mais velho que toma conta dos interesses do resto da família. Chui Sai On não o fez nestes cinco anos. O resultado está à vista. Não faço ideia se desta onda de manifestações nasceu a vontade de continuar a lutar na rua por outras causas. Desta semana, fica apenas uma conclusão: contra todas as análises (incluindo a minha) que se fizeram acerca deste mandato de Chui Sai On, afinal o Chefe do Executivo conseguiu algo invulgar. Conseguiu que um povo aparentemente adormecido acordasse para a realidade onde vive. Resta agora saber se alguém vai querer continuar a dar corda ao despertador.

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PERFIL

hoje macau sexta-feira 30.5.2014

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MANUELA GUERREIRO, DOCEIRA

EU QUERO SER FELIZ, E NÃO RICA ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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O que ela gosta mais é de decorar os bolos, não de os fazer. Não gosta da rotina de preparar uma massa e colocá-la no forno. “Aborrecem-me as rotinas. Gosto mesmo é de decorar, e quando faço bolos personalizados, nunca faço um bolo igual. Decorar é uma forma de me concentrar, não penso em mais nada e fico ali a criar.” É assim Manuela Guerreiro, residente em Macau há 18 anos e uma trabalhadora na Função Pública que, nos tempos livres, faz bolos personalizados. Também dá aulas de doçaria na Casa de Portugal em Macau. Os bolos de Manuela são para todos os gostos e ocasiões, desde aniversários a casamentos. Pedidos “engraçados” também já os teve, principalmente para fazer bolos “ditos malandrecos”. “Lembro-me especialmente de uma caricatura de três aniversariantes. Muitos (bolos) não concretizei um pouco por falta de conhecimento. O

açúcar é um mundo e tinha receio que não saíssem bem”, conta ao HM. Manuela Guerreiro gosta do mundo dos tachos e panelas e foi parar lá por acaso. “Um restaurante macaense queria introduzir uns pratos portugueses, e como eu era conhecida das donas, foi-me feita a proposta. Vim (para Macau) muito pela aventura. Depois a sociedade desfez-se e acabei por procurar emprego noutra área. Concorri à Função Pública e entrei”.

Os bolos de Manuela são para todos os gostos e ocasiões, desde aniversários a casamentos. Pedidos “engraçados” também já os teve, principalmente para fazer bolos “ditos malandrecos”

“Sempre tive gosto por bolos e doces. Os bolos decorados começaram quando, há 11 anos, alguém me perguntou se podia fazer um bolo de aniversário. Como em Macau isso havia pouco e eu queria algo diferente, comecei a pesquisar. Encontrei coisas lindas e desde aí quis sempre saber mais”. Desde então Manuela Guerreiro já realizou vários cursos de decoração em pastelaria. “Foram obtidos há pouco tempo. O conhecimento que tenho foi adquirido com experiências, investigação e o gosto pelo que faço. Sou uma auto-didacta.” Quando começou, os bolos personalizados eram uma novidade, “mas agora já há muita gente a fazer”. Manuela Guerreiro diz que a comunidade chinesa não estranha estas criações, mas a maior parte dos pedidos que recebe são de amigos e portugueses, “obviamente”. Manuela Guerreiro olha para a Macau de hoje “com uma certa nostalgia” e fala dos preços elevados das rendas, que lhe põem travões a um possível negócio

“Vou tentando estar actualizada e atender os pedidos de pessoas que queiram aprender, mas abrir um negócio será difícil. Com o preço das rendas, o que me dá hoje prazer fazer rapidamente deixaria de dar” nesta área. Por enquanto, vai recebendo encomendas através da página “Doçuras e Ternuras”, na rede social Facebook. “Vou tentando estar actualizada e atender os pedidos de pessoas que queiram aprender, mas abrir um negócio será difícil. Com o preço das rendas, o que me dá hoje prazer fazer rapidamente deixaria de dar. Eu quero ser feliz, e não rica”.


hoje macau sexta-feira 30.5.2014

China Primeiro mosteiro contemplativo desde 1949, em Shanxi

cartoon por Stephff

SEIS ELEIÇÕES DESDE A REVOLUÇÃO DE 2011

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MGS RAEM DÁ SUBSÍDIOS A COMPRADORES QUALIFICADOS DE FORA

Vale tudo pelo jogo LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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OMO parte do Programa de Estímulo a Exposições, a Direcção dos Serviços de Economia (DSE) está a ponderar apoiar os compradores qualificados que venham a Macau com o intuito de participar no Macau Gaming Show (MGS), uma feira dedicada à indústria do jogo no território. A iniciativa deverá ser posta em acção brevemente, no MGS que acontece em Novembro. De acordo com informação enviada ao HM, uma das iniciativas parte do pagamento total das despesas de viagem e de

alojamento que os compradores tenham ao vir a Macau. O Programa de Estímulo procura “potenciar a competitividade do marketing e da indústria de convenções e exposições, fazendo com que Macau seja reconhecido como um destino bem sucedido e vibrante ao nível do comércio”. De acordo com Marina Wong, directora de eventos , “esta iniciativa da DSE está a crescer e é bem-vinda, fazendo com que ainda mais compradores qualificados estejam presentes naquela que é a maior e mais significativa feira de jogo da Ásia”. De acordo com Wong, que iniciou as negociações com o Governo,

o nível de subsídio ainda está a ser discutido, sabendo-se apenas que uma das possibilidades é o pagamento integral dos bilhetes de avião e de ferry e o alojamento em Macau, por exemplo. Os interessados deverão ser devidamente qualificados de acordo com as regras e todas as reservas e marcações têm que se realizadas através do email oficial da agência de viagens de Macau EGL Tours. Além disso, os compradores terão que enviar uma carta explicando, detalhadamente, o seu envolvimento nos sectores do jogo, do entretenimento ou de hotelaria. Wong afirmou ainda que os elementos da organização estão “muito contentes” com o ‘feedback’ dos participantes e visitantes da segunda edição da MGS, que vai acontecer entre os dias 18 e 20 de Novembro, no casino Venetian. “Há uma verdadeira sensação de energia e antecipação para a próxima MGS e em relação a tudo o que tem para oferecer em termos de novos produtos, oportunidades e contactos com a esfera dos que influenciam e tomam as decisões importantes na Ásia”, diz a representante. Wong acrescenta ainda que está “confiante” de que a MSG vai permitir a criação de uma plataforma profissional no que diz respeito aos sectores do jogo e da hotelaria baseados na Ásia.

BRE este ano o curso de Direito bilingue da Universidade de Macau (UM). O anúncio foi feito por Rui Martins, vice-reitor da instituição, que ontem falava no plenário da Assembleia Legislativa (AL) dedicado a responder a perguntas dos deputados. No hemiciclo foram dedicadas mais de duas horas à questão dos “talentos” locais, onde se inserem os quadros bilingues. “Tem havido um aumento de alunos na área do português e da tradução de português e chinês”, começou por referir Rui Martins, que indicou que haverá mais de 200 alunos inscritos nestes cursos. “Depois temos português como cadeira opcional, para os alunos de outras áreas, onde temos cerca de mil alunos.” O curso de Direito deverá abrir em Setembro e o vice-reitor confirma que “há já muitos interessados”. A UM já contratou mais professores para o curso, que dura cinco anos, mas nem todos os estudos serão feitos no território: um grupo de mais de 30 alunos vai fazer o primeiro ano em Portugal, conforme explicou também Gabriel Tong. TIAGO ALCÂNTARA

província de Shanxi (China), acolhe desde o dia 1º de Maio o primeiro mosteiro contemplativo católico do país desde a revolução de 1949. O mosteiro é feminino e tem o nome “Jardim de Santo Agostinho”. O projecto de sua fundação foi liderado pela religiosa Sor María Niu Shufen, que foi formada num mosteiro agostiniano na Inglaterra. “O mosteiro não é fruto de meu trabalho, mas fruto do trabalho de Deus”, disse a religiosa. O Bispo da Diocese, Dom Giovanni Battista Wang Jis não pôde participar da histórica inauguração por causa da sua avançada idade (90 anos) mas estendeu a sua bênção e a do Papa Francisco através de uma mensagem aos presentes. Segundo Sor María Niu, Dom Wang tem um apreço muito grande pela vida contemplativa devido aos 20 anos de seu ministério sacerdotal ter vivido na prisão por causa de sua Fé, e 10 deles em condições de isolamento. O projeto foi possível graças ao apoio da organização católica Cultural Exchange with China, da Sociedade Missionária de San Columbano na Inglaterra. O seu director, Padre Eamonn O’Brien, manifestou a sua satisfação pela inauguração. “Foram necessário oito anos para abrir este mosteiro. Recordo-me quando neste lugar havia só terra debaixo dos pés e céu sobre a cabeça”, comentou. “Quero agradecer a todos quantos sustentaram isto e nos ajudaram desde o ponto de vista financeiro e também através da oração para a construção deste projeto.” A cerimónia de inauguração foi presidida pelos Bispos de Taiwan e Yuncheng, Dom Paolo Meng Qinglu e Dom Wu Jinwei, uns 50 sacerdotes e aproximadamente 1.700 pessoas. Ao acto também assistiram representantes das autoridades, que expressaram os seus desejos para o sucesso do trabalho, que oficialmente foi listado como um lar para idosos e um centro de conferências devido as limitações à liberdade religiosa. O edifício tem salas equipadas para reuniões e estruturas à atenção de idosos, ainda que se destaquem a capela, o claustro das religiosas e outros ambientes necessários para um mosteiro contemplativo. De momento a comunidade conta com três religiosas: Sor María Niu, Sor Shi Kemin y Sor Wang Li.

Direito UM arranca com curso bilingue em Setembro

O vice-director da faculdade de Direito da UM explicou que dos cerca de 150 candidatos, «todos com excelentes notas», foram escolhidos 33 que vão frequentar o primeiro ano do curso em Portugal para aprofundar conhecimentos em português e «fazerem» as primeiras cadeiras básicas do curso. «Depois regressam a Macau para continuarem os estudos por mais quatro anos num programa onde terão de escolher, pelo menos, 40% das cadeiras em língua portuguesa», explicou, de acordo com a agência Lusa. - J.F.


Hoje Macau 30 MAI 2014 #3100