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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 30 DE MARÇO DE 2012 • ANO XI • Nº 2582

Ter para ler

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 19 MAX 26 HUMIDADE 70-98% • CÂMBIOS EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

ADEUS RETROACTIVOS

Função pública leva nega PÁGINA 3

ASSEMBLEIA AO RUBRO

Incompetentes e irresponsáveis PÁGINA 2

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Governo cria legislação específica para Metro Ligeiro

“A segurança é o nosso ponto principal”

Várias vozes pediram leis próprias para o novo Metro Ligeiro e o Executivo fez-lhes a vontade. André Ritchie e Michael Lam, do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, revelaram que o diploma já está a ser estudado e ficará pronto até 2015. CENTRAIS


política

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ÃO “incompetentes”, “não se preocupam com a população” e, ainda por cima, não têm de prestar justificações pelas falhas. As acusações contra a equipa de dirigentes do Governo foram ontem tema de interpelações de deputados, que criticam duramente quem integra as chefias no território. Chan Meng Kam foi quem deu o mote para mais uma discussão em torno do já muito falado “regime de responsabilização”. O deputado diz que a implementação de um sistema deste género – que visa punir quem não cumpra as suas funções de forma adequada – é algo necessário para a resolução deste tipo de problemas. “Quando os dirigentes se esquivam das suas responsabilidades e não têm coragem para as assumir é preciso imputação dessas responsabilidades e, quando for preciso, pode-se exonerá-los dos cargos, para que alguém com capacidade possa assumir as suas funções.” O deputado eleito pela via

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Deputados aproveitam plenário para acusar dirigentes de incompetência

“Esquivam-se de responsabilidades” directa apresenta exemplos recentes de incidentes – como o caso da intoxicação por gás de uma doméstica e a explosão no Centro Internacional de Macau – para indicar que há demasiados serviços administrativos para uma mesma área, mas que nenhum assume responsabilidade. “[Vários] serviços apresentam respectivamente as suas justificações, ou seja alijam as responsabilidades de um para o outro. [No caso da intoxicação de gás], passado uma semana, o Governo ainda não tinha encontrado o serviço competente.”

cima do joelho”, frisa Paul Chan Wai Chi. “Quando o Governo se preocupar com os outros como se fosse consigo próprio e resolver de facto os problemas da população, aí merece elogios.” Os deputados pedem um aperfeiçoamento da gestão interna e um mais eficaz mecanismo de fiscalização. Ung Choi Kun citou a carta remetida por uma mulher, funcionária pública há sete anos. A cidadã alega que as chefias dos departamentos onde já trabalhou contratam familiares e que não ligam às sugestões dos trabalhadores. “Ela trabalha apenas para cumprir o seu dever agora, só se importa em receber o seu salário e subsídios.” Chan Meng Kam diz compreender a natureza humana para os erros, mas descarta a isenção de responsabilidades de que os governantes usufruem. “Pode causar abuso

HOJE MACAU

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LEMA OCO

Numa altura em que o Governo se rege pelo princípio de “ter por base a população”, há quem acuse esse lema de ser oco. “Se o Governo quiser um modelo de governação ao serviço da população, então não deve trabalhar em PUB

de funções não haver regime de responsabilização.” O deputado diz mesmo que a chave dos problemas do território reside na incompetência dos dirigentes do Governo, “ou seja é um problema humano”. Nem as leis ajudam, diz Chan Meng Kam, até porque Macau tem mais diplomas do que muitas grandes cidades e, mesmo assim, não ultrapassa os problemas. “Como os problemas não têm nada a ver com eles, optam por ignorá-los. Se trabalharem mais não ganham mais e mais vale não ter mais uma coisa para se preocuparem. Quando surgem problemas na sociedade, o primeiro pensamento é criar leis ou estabelecer departamentos novos.” No ano passado, 43 funcionários do Governo foram indiciados por crimes relacionados com abuso de poder, falsificação ou corrupção passiva.

Ng Kuok Cheong pede calma na importação laboral

O mal que vem de fora

O

aumento da procura de recursos humanos – consequente da abertura de cada vez mais projectos de grande dimensão – deu o mote para mais um debate sobre o problema, ontem no plenário. “Todos os sectores estão a deparar-se com falta de recursos humanos e, no sentido de salvaguardar o funcionamento e a estabilidade das empresas, optam por elevar os

custos para recrutamento, importar mão-de-obra e contratar trabalhadores a tempo parcial”, acusou Lau Veng Seng. Este foi um dos muitos deputados que apoiou a sugestão de ser criada uma base de dados sobre a necessidade de recursos humanos no território. Também Lam Heong Sang recordou a necessidade de Macau, apontando algumas contas. “Francis Tam,

secretário para a Economia e Finanças anunciou querer manter a taxa de crescimento da população activa nos 10%, mas tendo em conta a situação de Maca, estima-se que a maior parte dessas pessoas seja constituída por trabalhadores não residentes.” Só Ng Kuok Cheong se mostrou menos amigável à importação de mão-de-obra, alegando que os locais ficam prejudicados com a chegada de trabalhadores não residentes. “Os hotéis autorizados a estabelecer casinos, que deveriam poder oferecer salários razoáveis aos residentes, recrutam trabalhadores não-residentes em número muito superior ao de locais, o que impossibilita os residentes da partilha do desenvolvimento económico.” O deputado afirma que esta situação tem a conivência do Governo e pede, por isso, “medidas adequadas para garantir oportunidades e condições de trabalho aos locais”. - J.F.


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Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

F

OI por uma questão de equilíbrio social e para “gerir bem as despesas financeiras” que o Executivo decidiu deixar de parte, pela primeira vez, a retroactividade dos aumentos salariais da função pública. Depois de intensas discussões em torno da decisão – principalmente da parte do representante da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) –, Florinda Chan explicou ontem, no plenário da Assembleia Legislativa (AL) o porquê. “A máquina administrativa não é a única a receber aumentos, mas temos de ter em conta o desenvolvimento da sociedade. Para que haja equilíbrio entre os aumentos dos funcionários públicos e as medidas para a população, tivemos de actualizar os vencimentos sem retroactivos, de outra forma teríamos de accionar as reservas financeiras.” As políticas sociais – como o apoio pecuniário, o subsídio para os idosos e os vales de saúde, por exemplo – forçaram, recorde-se, a um aumento no orçamento. Segundo a representante das Finanças ontem presente no hemiciclo, os aumentos de 6,45% deste ano para a função pública não acarretam despesas extras no orçamento estipulado para este ano – de 36.018.625.300 patacas. A situação mudaria, caso os aumentos viessem agregados a retroactivos a Janeiro deste ano. “Agora, temos saldo suficiente para pagar essas despesas, mas se fosse com retroactivos os saldos do Governo não davam para satisfazer as despesas. Tínhamos de utilizar as reservas e passar o orçamento em 900 milhões de patacas.” As despesas com os aumentos

política

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Justificada a não retroactividade dos aumentos da função pública

Orçamento não aguentava salariais estão estipuladas em 700 milhões de patacas.

ACUSAÇÃO DESMENTIDA

A secretária para a Administração e Justiça desmentiu ontem as acusações de José Pereira Coutinho, deputado e presidente da ATFPM, que garantiu terem sido discutidos os retroactivos na Comissão de Deliberação das Remunerações da Função Pública, dizendo mesmo que Florinda Chan assumiu esse compromisso. A secretária asse-

gura que não. “O Governo nunca se comprometeu com a retroactividade. Claro que entendemos que os representantes das associações esperavam isso, mas tivemos de ponderar o essencial, que é a situação financeira da RAEM.” Florinda recorda que não há qualquer lei que defina a obrigatoriedade de retroactivos e realça a necessidade de gerir bem as despesas financeiras para que não haja um desequilíbrio na sociedade. Os aumentos, recorda ainda, não con-

templam apenas os ordenados, mas também as pensões de aposentação e sobrevivência de funcionários públicos reformados. Vão ser cerca de 24 mil os trabalhadores da Administração que vão poder contar com aumentos salariais. Há ainda 2083 aposentados e 178 a receber pensão de sobrevivência. O pessoal sob contrato de tarefa – 2056 elementos – não vai estar inserido nesta actualização, já que recebe consoante o trabalho

que lhes é pedido. “Tem sido feito assim desde sempre”, salientou José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública. Depois de uma moção chumbada para que a lei fosse aprovada já na especialidade (ver caixa), a proposta passou na generalidade com todos os 25 votos a favor. Agora será encaminhada para análise de artigo a artigo em sede de comissão e, ao que tudo indica, será aprovada em Abril, entrando em vigor no dia 1 de Maio.

Pereira Coutinho vê chumbada proposta de aprovação urgente

J

Sem compromisso não há urgência

OSÉ Pereira Coutinho apresentou uma moção para que a proposta de lei para o aumento da função pública fosse aprovada de forma urgente – ou seja, de imediato na generalidade e na especialidade. Mas a maioria do hemiciclo negou-lhe essa possibilidade, tendo a proposta chumbado graças a 22 - dos 26 - votos contra. Pereira Coutinho evocou o atraso da lei – culpabilizando Florinda Chan por isso – para justificar o pedido de moção. “Esta actualização tem a ver com as remunerações de

todos os trabalhadores dos serviços públicos e já veio tarde. Devia ter vindo em meados do ano passado. Este ano já se prevê que a inflação aumente bem como o custo de vida.”

Mas nem isso demoveu a maioria dos membros do hemiciclo: apenas Melinda Chan apoiou o deputado, votando a favor da proposta, que não avançou. Chan Chak Mo chegou a insinuar que Pereira Coutinho estava a querer acelerar o processo de aprovação “para ganhar votos perante a população”. “Depois de o Governo apresentar propostas queixam-se sempre de pouco tempo para a sua apreciação e agora quer que esta seja assim acelerada?” Coutinho limitou-se a responder ao colega do hemiciclo que não precisava de

estratégias para angariar votos. Leonel Alves não quis deixar passar a oportunidade para mostrar porque discordou do pedido de aprovação urgente para esta lei. O deputado frisou que esse mecanismo era apenas accionado em casos excepcionais – cujo valor não se aplicaria a este assunto. “Que me lembre não houve nenhum comprometimento político e não consta nas Linhas de Acção Governativa (LAG), nem dos debates desta, qualquer indicação de que em breve haveria actualização de

vencimentos da função pública. A proposta é resultado de um estudo e de uma análise sobre as alterações verificadas na sociedade e o impacto destas ao nível dos vencimentos.” Leonel Alves assegura que este tipo de proposta deve levar o tempo necessário a ponderar e deve prosseguir uma tramitação normal para que seja deliberada em plenário. “Não há nenhum comprometimento político e todos os assuntos em que optamos por aprovação urgente surgem em resultado de comprometimento político.” - J.F.


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ANÚNCIO [N.º 83/2012]

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares do concurso de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome

N.º do Boletim de candidatura

Nome

N.º do Boletim de candidatura

LAM WUN KUN LUK HO WAI TAM KAM OI HO CHI IAN

61500 61766 61991 62192

PANG PENG TENG SI CHI MAN IONG KA CHON

63540 64363 66215

Após as verificações deste Instituto, notamos que os representantes dos agregados familiares e/ou seus cônjuges do concurso de habitação económica acima mencionados são proprietários de habitações na Região Administrativa Especial de Macau, pelo que, estes não cumprem o disposto do n.º 7 do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 13/93/M, de 12 de Abril, este Instituto informou-os por meio de ofícios, com os nos 1101060033/DAH, 1101060039/ DAH, 1101060053/DAH, datada de 10 de Janeiro de 2011, 1101060097/DAH, 1101070037/DAH, datada de 12 de Janeiro de 2011, 1101170014/DAH e 1101170071/DAH, datada de 20 de Janeiro de 2011, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de recepção dos referidos ofícios, entretanto não os fizeram dentro do prazo indicado. Nos termos do n.º 2 do artigo 16.º do Regulamento de acesso à compra de habitações construídas no regime de contrato de desenvolvimento para a habitação, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, revisto pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002, assim como das decisões dos despachos do Presidente, exarados nas Informações n.os 0358/DAHP/DAH/2011, 0377/DAHP/DAH/2011 e 0381/DAHP/DAH/2011, os respectivos representantes dos agregados familiares e/ou seus cônjuges foram retirados dos agregados familiares e excluídos da lista geral, por não reunirem os requisitos para aquisição de habitação económica. E nos termos dos artigos 148.º e 149.º e n.º 2) do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, podem reclamar da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 15 (quinze) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, a reclamação não tem efeito suspensivo; ou podem apresentar directamente recurso judicial ao Tribunal Administrativo, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, nos termos do artigo 25.º do Código de Procedimento Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro. O Presidente, Tam Kuong Man 27 de Março de 2012

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companhia aérea Air Macau alcançou em 2011 lucros na ordem das MOP 250 milhões, encaixe que deverá servir para consolidar a situação financeira, após anos sucessivos de perdas avultadas. Uma notícia que ajuda também a esquecer as várias falhas e problemas sucedidos ao longo do ano passado. “Tivemos, de facto, um bom desempenho, cerca de MOP 250 milhões em lucros, compensando, por isso, o que perdemos em anos anteriores”, afirmou ontem à Lusa o presidente do conselho de administração da Air Macau, Zheng Yan, no final de uma assembleia-geral de accionistas.

sociedade

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Air Macau regista lucros de MOP 250 milhões

Assim se salvou o ano Renovar a frota e chegar a mais “dois ou três destinos” ainda este ano constituem dois dos principais objectivos da companhia aérea de bandeira de Macau, numa altura em que a empresa se prepara para desenhar uma estratégia a longo prazo. “A companhia está a trabalhar num plano quinquenal. A estratégia passa por nos abrirmos porque, depois de muitos anos de perdas, as pessoas perderam a confiança

e, agora, temos de a recuperar. Na segunda metade do ano podemos avançar o rumo que vamos seguir.”

LONGO PRAZO

Agora, detalhou Zheng Yan, “ainda estamos na fase de ver de que forma vamos gerir as receitas para consolidar a nossa situação financeira, mas, ao mesmo tempo, temos de renovar a nossa frota de modo a melhorar a nossa segurança, serviço, etc..”

Segundo o CEO da Air Macau, Adrian Zhu Songyan, desde o final de 2011 a Air Macau tem vindo a elaborar um projecto que prevê uma transformação organizacional. “Um pacote que inclui o estudo de estratégias, estruturas, procedimentos, avaliação e actual sistema de remunerações”, especificou, indicando que tal se traduzirá, portanto, na definição de estratégias a longo prazo que podem,

inclusive, ultrapassar os cinco anos. Esse planeamento “vai estar terminado no final de Agosto, por isso o novo plano vai ser implementado no início de Setembro, revelou o CEO da transportadora, que espera que o exercício de 2012 traga os mesmos proventos de 2011.

LUCROS INÉDITOS

Depois de anos de prejuízos avultados, a Air Macau re-

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gistou, em 2010, lucros de MOP231,8 milhões de patacas. No início de Novembro, os accionistas da Air Macau aprovaram por unanimidade a injecção de MOP 700 milhões pelo Governo, para renovação da frota e novos investimentos. Com isso, o Governo de Macau reforçou a sua posição ao transformar-se no segundo accionista na Air Macau, através do aumento da sua participação de 5% para 21%. A Air China mantém a posição maioritária na companhia de bandeira da Região Administrativa Especial, detida ainda pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) e outros accionistas minoritários.

Infecção colectiva de gripe atinge duas escolas

Não vacinados mais vulneráveis

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S Serviços de Saúde foram ontem notificados de vários casos de infecção colectiva de gripe em dois estabelecimentos escolares. As escolas reportadas são o Jardim Infantil da Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung” (nove alunos doentes das turmas K1 e K2) e o Centro de Desenvolvimento Infantil (com um número acumulado de cinco alunos doentes da turma J e quatro docentes e trabalhadores doentes). Todos os doentes apresentaram sintomas do tracto respiratório, nomeadamente, febre, tosse e

corrimento nasal. Recorreram às entidades médicas para tratamento, sendo o seu estado normal. Nenhum tinha sido submetido à vacina antigripal para o Inverno de 2011-2012. Os Serviços de Saúde recolheram as amostras do tracto respiratório de alguns doentes para efeitos de análises laboratoriais, bem como solicitaram aos estabelecimentos escolares acima referidos a aplicação das medidas de controlo da infecção, tais como o reforço na desinfecção, limpeza e manutenção da ventilação de ar no interior das instalações e o cumprimento

rigoroso da norma que os alunos doentes não podem ir à escola.

CASOS GRAVES

Nos últimos dias não houve notificação de casos graves. Quanto aos dois doentes graves de gripe B anteriormente registados, a empregada de 32 anos, que foi diagnosticada com meningite viral, está a melhorar. Por sua vez, o menino de 5cinco anos, também diagnosticado de meningite viral, encontra-se internado e estável, contudo ainda necessita de ser submetido a exames e tratamento mais aprofundados.


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AVISO Faz-se público que a Piscina Estoril, sob a dependência do IACM, estará aberta ao público durante a época balnear de 2012 entre 1 de Abril e 30 de Novembro, com o seguinte horário de funcionamento e tabela de preços: Piscina Estoril Aberta entre 1 de Abril e 30 de Novembro 2a feira: das 13:00 – 22:30 3a feira a Domingo: das 7:00 – 12:00 e das 13:00 – 22:30 * Às segundas-feiras, a piscina permanecerá encerrada durante o período da manhã para efeitos de limpeza e manutenção periódica, reabrindo às 13:00 horas. Caso uma segunda-feira coincida com um feriado, a piscina permanecerá aberta, passando os devidos serviços de limpeza e de manutenção para o período da manhã de terça-feira. Preços, em patacas, dos Bilhetes de Ingresso e Passes da Piscina Estoril Tipo

Adultos Portadores de cartão de estudante Crianças com idade inferior a 12 anos Séniores com idade superior a 65 anos

Bilhetes Simples 15.00 7.00 5.00 7.00

Passe Mensal 260.00 150.00 90.00 150.00

Passe Trimestral 610.00 440.00 210.00 440.00

Passe por época balnear 1,230.00 880.00 440.00 880.00

* A aquisição de passes é efectuada na bilheteira da piscina, mediante a apresentação de 2 (duas) fotografias de 1.5” (uma polegada e meia) e uma fotocópia do documento de identificação válido.

Macau, aos 14 de Março de 2012.

O Presidente do Conselho de Administração Tam Vai Man

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BRICS dizem que política de bancos centrais ocidentais prejudica países emergentes

Um novo grau de ambição

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S líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) estão reunidos em Nova Deli, para tentar reforçar a cooperação entre as grandes economias emergentes e aumentar a sua influência no sistema financeiro internacional. É a IV Cimeira anual dos BRICS, um grupo que representa cerca de 40% da população do planeta e quase um quinto (19,5%) da produção económica global. Um dos temas da agenda é a criação de um Banco BRICS, “na linha do Banco Mundial e à altura do crescente poder económico do grupo”. O presidente chinês, Hu Jintao, concedeu esta quarta-feira uma entrevista a vários órgãos da imprensa internacional, em Nova Deli. A China quer contribuir para o sucesso deste encontro em conjunto com os outros BRICS, afirmou Hu Jintao, que manifestou o desejo de que o encontro continue a reflectir o espírito de parceria do grupo, reforçando a coordenação de opiniões e a cooperação nos relevantes problemas económicos internacionais. Desta forma, será possível retomar a confiança na recuperação da estabilidade económica mundial e contribuir para a promoção do desenvolvimento global.

INTERESSES COMUNS

O ponto central das políticas diplomáticas chinesas, de

evitar conflitos armados e a perda de vidas humanas”, disse a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, acrescentando que o seu país está “contra qualquer escalada retórica que possa levar à violência”. Os presentes também abordaram a situação na Síria, a cujo governo pediram um “fim imediato de toda a violência e da violação dos direitos humanos”, de acordo com a declaração conjunta. “O melhor para o interesse global seria enfrentar a crise com meios pacíficos que fomentem diálogos nacionais amplos”, ressalvou o grupo, que apoiou a missão liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

METADE DO MUNDO acordo com Hu Jintao, é a cooperação com os países emergentes, incluindo os BRICS, e com as nações em desenvolvimento. A China quer ampliar os interesses comuns, elevar o nível de parcerias e, em conjunto com os outros BRICS, contribuir para a paz e o desenvolvimento do ser humano, sublinhou o presidente chinês. Ao falar sobre as futuras cooperações entre os membros do bloco, Hu ressalvou que a China tem que persistir no princípio da prática e da eficácia, para além de procurar novos sectores de parcerias, de acordo com as

exigências do desenvolvimento socioeconómico dos BRICS, para dar uma nova vitalidade a este sistema de cooperação.

CHOQUE COM OS OUTROS

Entretanto numa declaração apresentada ontem pelas cinco nações do grupo, os bancos centrais ocidentais são acusados de prejudicarem as nações emergentes. A agressiva flexibilização da política monetária, feita pelos bancos centrais ocidentais para retomar o crescimento das suas economias, está a prejudicar as nações emergentes - enfrentam uma onda de fluxos de

capital desestabilizadores, diz a declaração. O excesso de liquidez resultante de acções dos BC “atingiu as economias emergentes, provocando uma excessiva volatilidade nos fluxos de capital e nos preços de commodities”, afirma o documento, citado pelo Dow Jones Newswires esta quinta-feira. O texto refere também que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, defendem a aplicação de medidas que evitem a escalada da crise do petróleo do Irão e procuram a uma solução diplomática para o problema, apelando a

Síria Pequim pede respeito por compromissos

A

À procura da saída

China disse esta quarta-feira esperar que o regime de Damasco e a oposição síria respeitem “os compromissos” no âmbito do plano de resolução da crise apresentado pelo emissário da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan. “Esperamos que o governo sírio e as outras partes respeitem os seus compromissos”, declarou o porta-voz da diplomacia chinesa, Hong Lei, questionado sobre o plano Annan. “Estamos satisfeitos por o governo sírio ter aceite

as propostas do enviado especial Kofi Annan e pensamos que isso levará a uma saída da crise”, acrescentou Hong. O governo sírio disse aceitar o plano de paz de Kofi Annan para pôr fim à violência na Síria, enquanto o emissário da ONU e da Liga Árabe se encontrava em Pequim para pedir o apoio da China à missão. O plano, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, preconiza o fim da violência, a entrega de ajuda humanitária às zonas atingidas pelos combates

e a libertação de pessoas detidas arbitrariamente. Kofi Annan poderá deslocar-se na segunda-feira a Teerão para consultas com os responsáveis iranianos sobre a situação na Síria, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ali Akbar Salehi. Principal aliado da Síria na região, o Irão apoia o regime do presidente Bashar al-Assad e critica os países ocidentais e as monarquias do Golfo que pedem a queda de Al-Assad e apoiam os grupos da oposição.

Teerão para actuar com responsabilidade. “Esperamos que o Irão cumpra a sua parte como membro responsável da comunidade global. Estamos preocupados com a situação criada à volta da questão nuclear.”

IRÃO E SÍRIA

Os BRICS reconheceram, no entanto, que o Irão tem “direito ao uso pacífico da energia atómica” e que um eventual conflito não é do “interesse de ninguém” e só traria “consequências desastrosas”. “Acreditamos na diplomacia preventiva para

A proposta da criação de um banco conjunto e de acções que aproximem as bolsas de valores do grupo deve ser lançada esta semana, embora os responsáveis digam que as iniciativas ainda vão demorar algum tempo. O projectado banco deverá “focar-se” inicialmente no financiamento de infra-estruturas, mas “pode vir a servir como um suplemento às instituições de crédito dominadas pelo Ocidente”, comentou ontem um jornal chinês. Estas medidas marcam um novo grau de ambição para o bloco, que reúne quase metade da população mundial.

Sector religioso refuta comentário dos EUA

Liberdade de crença

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Conferência Conjunta dos Secretários-gerais das Organizações Religiosas Nacionais da China divulgou recentemente uma declaração, na qual refutou o “Relatório de Liberdade Religiosa Internacional”, divulgado este ano pela Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos. Na nota, o sector religioso chinês sugeriu que a entidade norte-americana não interfira na liberdade de crença. O comunicado sublinha que na China a liberdade religiosa é um dos direitos básicos dos civis e

fica sob protecção da constituição e lei nacional. Os civis chineses têm liberdade de escolha religiosa e nenhum departamento ou organização social pode intervir nessa matéria. Além disso, o governo chinês encara as diferentes religiões em pé de igualdade e mantém relações harmoniosas com todas elas. Por isso, comentários sem provas não podem deturpar o estado de liberdade religiosa do país asiático, conclui a declaração dos Secretários-gerais das Organizações Religiosas Nacionais da China


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nacional

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Subaproveitamento de super-computadores na China

Sem tecnologia de ponta

O

super-computador da próspera cidade do sul da China, Tianji, chama-se Nebulae (Nebulosas), uma homenagem às nuvens interestelares de gases que dão origem às estrelas. A máquina simboliza a ambição crescente da China de desafiar os Estados Unidos e outras nações com tecnologia desenvolvida, mas também põe em relevo as limitações do país nesta área, escreve esta semana o Wall Street Journal. O progresso inesperado da China no desenvolvimento de super-computadores, que são os cérebros da ciência moderna e um motor de desenvolvimento económico, causou uma onda de ansiedade nos últimos dois anos nos EUA, país que há muito tem sido o líder indiscutível nesta matéria. Os progressos da China na área da electrónica têm sido fundamentais para a sua capacidade de construir naves espaciais, aviões de combate avançados e alcançar proezas na genética, tendo superado o Japão em 2010 como o segundo país que mais investe em investigação e desenvolvimento, segundo o Battelle Memorial Institute, uma empresa de investigação de Ohio.

CONDICIONADOS

Mas um olhar mais atento aos super-computadores chineses revela um programa que representa

A

Nokia vai começar a vender na China emAbril uma nova linha de smartphones que utiliza software da Microsoft, numa tentativa de reconquistar o mercado que perdeu para Apple e para a Samsung Electronics. A Nokia projectou os novos telemóveis para atrair os consumidores chineses, facilitando a ligação com as plataformas de microblogs e mensagens de texto, altamente populares no gigante asiático. AChina é actualmente um dos mercados de maior crescimento para os fabricantes de smartphones. A decisão da Nokia será um teste importante para o Windows Phone, que até ao momento não tem tido grande receptividade. O administrador da Nokia, Stephen Elop, apresentou dois modelos baseados no Lumia 610 e no Lumia 800, mas optimizados para as redes chinesas, que chegarão inicial-

uma ameaça muito menor ao predomínio tecnológico americano do que em geral se acredita. Alguns investigadores chineses dizem que as decisões sobre a utilização dos super-computadores são tomadas muitas vezes por políticos regionais mais interessados em projectos de desenvolvimento local do que pela tecnologia de ponta. Por outro lado, os burocratas chineses não descobriram ainda como elaborar projectos de desenvolvimento de software que se aproximem dos padrões americanos ou europeus. Os cientistas chineses também carecem de financiamento, e de liberdade, para explorar tecnologias ainda não aprovadas pelo governo, o que deverá mantê-los bem atrás dos avanços revolucionários na área. O resultado é que os projectos de super-computadores da China não estão a produzir o tipo de avanços capazes de criar novas indústrias, mas apenas a reduzir a distância económica e tecnológica que o separa dos países mais ricos.

PROBLEMAS LOCAIS

“A estratégia nunca foi liderar, mas sim seguir” tecnologicamente, disse Qian Depei, investigador da Universidade de Beihang, na China. Richard Suttmeier, especialista da Universidade de Oregon em política chinesa para as ciências, disse que a China ainda

não descobriu “a fórmula certa” para ser pioneira em novas tecnologias. Em parte porque os investigadores são recompensados de acordo com o número de trabalhos académicos que publicam, e não com a qualidade e originalidade dos trabalhos. Os super-computadores são considerados por muitos como ferramentas para o desenvolvimento económico local. A cidade de Shenzhen, que pagou três quartos do custo de cerca de MOP 9 mil milhões do seu centro de super-computadores, “não se importa com as mudanças climáticas ou a com a astrofísica”, dois projectos de investigação tradicionais para os super-computadores, disse Feng Shengzhong, vice-director de um instituto de pesquisa de Shenzhen que desenvolve aplicações para o Nebulae. “Preocupam-se sobretudo com os problemas locais.” Shengzhong está a trabalhar num plano para usar o Nebulae para melhorar os serviços de saúde no sul da China, um objectivo social importante, mas que não utiliza a potência desse super-computador, classificado como quarto mais rápido do mundo. A China é hoje o lar de 74 dos 500 super-computadores mais rápidos mundo, capazes de fazer biliões de cálculos por segundo, em comparação com apenas 10 em 2007.

Nokia, Apple e Facebook atacam território chinês

Novo mundo de oportunidades mente ao mercado pela China Telecom, a terceira maior operadora móvel do país. O Lumia 800c será vendido desbloqueado por cerca de MOP 4.500 a partir de Abril, disse Elop. “Temos investido fortemente na China”, disse Giles aos jornalistas. “Estamos a inovar na China e para a China, como não fazem os nossos diversos concorrentes.”

DOIS EM LINHA

Por outro lado, o administrador da Apple, Tim Cook, e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg encontram-se actualmente no território chinês, numa coincidência que levantou algumas suspeitas. Tim Cook está de momento em Pequim para conversar

com as autoridades chinesas sobre os problemas que têm afectado aquela marca, que vão desde a disputa pelo nome iPad no país até às condições de trabalho das fábricas que fornecem componentes electrónicas à Apple. O presidente e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, viajou até Xangai, numa viagem aparentemente privada,

embora a coincidência com a estadia no país do presidente da Apple, Tim Cook, possa indiciar que se trata de uma visita de negócios, segundo o diário “Dongfang Ribao”. A publicação de Xangai descreve que Zuckerberg foi visto nas ruas da cidade chinesa nos últimos dias, na companhia de sua namorada, Priscilla Chan (uma ame-

ricana de origem chinesa). O jornal de Xangai apresenta uma série de fotos do casal a visitar os locais turísticos da cidade, aparecendo também numa das lojas da Apple. Nas redes sociais chinesas, vários utilizadores do microblog Weibo também publicaram imagens do empresário e de sua namorada, circulando rumores que estes terão viajado para a China no avião privado de Cook.

MARK GOSTA DISTO

Por enquanto, não se sabe se a passagem de Zuckerberg pelo gigante asiático inclui contactos com as autoridades e visitas às principais empresas de internet no país, como o Baidu, Sina e o Alibaba, locais que fizeram

parte da sua viagem à China em 2010. Em Fevereiro, o Facebook deu início às operações para fazer a sua entrada na Bolsa de Valores de Nova York, e no Nasdaq, com uma Oferta Pública de Acções com a qual pretende arrecadar cerca de MOP 40 mil milhões, especulando-se por isso que a sua passagem pela China poderia estar relacionada com essa estratégia. A rede social da empresa conta actualmente com 845 milhões de utilizadores. O portal do Facebook está bloqueado na China desde 2009, embora a empresa esteja há algum tempo a tentar encontrar uma maneira de ter autorização para abrir a sua rede social no país, o que provavelmente só seria possível em troca de concessões no controlo dos dados por parte das autoridades locais.


sexta-feira 30.3.2012

região

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Foguete norte-coreano começa a ser abastecido. UE junta-se ao coro de protestos

“Simplesmente inacreditável”

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EPOIS da União Europeia ter manifestado esta quarta-feira a sua preocupação com o projecto da Coreia do Norte de lançar um foguete, um jornal japonês anunciou ontem que o dito foguete já começou a ser abastecido com combustível. A Coreia do Norte começou a abastecer com combustível o foguete, que pretende lançar em meados de Abril, revelou ontem o jornal japonês “Tokyo Shimbun”, que cita fonte “próxima do Governo” de Pyongyang. “O lançamento está a aproximar-se, a possibilidade é elevada de que o lançamento tenha lugar a 12 ou 13 de Abril”, disse a mesma fonte citada pelo jornal japonês a partir de Seul, na Coreia do Sul. Entretanto na quarta-feira os dirigentes do executivo europeu manifestaram-se preocupados sobre o projecto do lançamento do foguetão norte-coreano e pediram a Pyongyang que renuncie à corrida aos armamentos nucleares e lute contra a fome. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy,

aconselhou «a Coreia do Norte a evitar qualquer desestabilização», enquanto o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, considerou o estado do regime norte-coreano como «simplesmente inacreditável». «Devo sublinhar a gravidade

da situação dos direitos humanos na Coreia do Norte e o problema da fome e da subnutrição (...). Esta devia ser a prioridade das prioridades para a Coreia do Norte e não mísseis e armas nucleares», declarou Rompuy, no final de uma reunião com o

Depois de ano e meio sem execuções Japão mata três prisioneiros

Pena de morte regressa O

Japão executou na manhã desta quinta-feira, por enforcamento, três prisioneiros, depois de mais de 18 meses de suspensão, causando indignação entre aqueles que acreditavam que o país estava caminhar para a abolição da pena de morte, de acordo com o jornal The Guardian. Os presos foram executados em prisões de Tóquio, Hiroshima e Fukuoka. Estas foram as primeiras execuções desde Julho de 2010, uma vez que nenhum dos 132 prisioneiros condenados à pena capital foi morto em 2011, o que aconteceu pela primeira vez nos últimos 19 anos. Hideki Wakabayashi, director executivo da Amnistia Internacional (AI) no Japão, acusou o partido do governo de renegar a promessa de analisar de forma séria a aplicação da

pena de morte no país. Num relatório divulgado esta semana, a AI destacou o país nipónico pela ausência de execuções no ano passado. Wakabayashi afirmou que é preciso promover um debate nacional sobre o tema e aplicar uma moratória sobre as execuções pendentes. O dirigente acrescentou que as execuções vão contra o movimento internacional, não

entendendo as razões que levam o Japão a manter a pena capital.

PAÍSES LETAIS

De acordo com a AI, o número de pessoas executadas depois de serem condenadas à morte no mundo aumentou cerca de 28% em 2011 em relação a 2010 - pelo menos 676 prisioneiros foram executados no ano passado, mais 149 do que em 2010. O cálculo é baseado apenas em mortes confirmadas pelos governos, o que deixa de fora as execuções cometidas na China, que segundo a estimativa da AI terão sido mais de mil. Embora no topo da lista, o país asiático não pode ser incluído na contagem porque não há dados concretos disponíveis. A AI aponta que os outros três países que mais contribuíram para este aumento são o Irão, a Arábia Saudita e o Iraque.

chefe de Estado sul-coreano, Lee Myung-bak.

FOME DE TUDO

Sob a liderança de Kim Jong-il, que morreu a 17 de Dezembro passado, a fome matou centenas de milhares de norte-coreanos na

década de 1990, numa altura em que o país financiava pesquisas para desenvolver a bomba atómica. Actualmente, o país ainda é insuficiente em termos de alimentação. De acordo com a ONU, seis milhões de pessoas - um quarto da população - precisa urgentemente de ajuda alimentar. Pyongyang anunciou a 16 de Março o lançamento, previsto para meados de Abril, de um foguetão de longo alcance de transporte de um satélite, de uso civil, para comemorar o centésimo aniversário do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung. Os Estados Unidos e aliados afirmaram que Pyongyang pretende na realidade lançar um míssil, numa infracção das resoluções da ONU, que proíbem a Coreia do Norte de realizar ensaios nucleares ou balísticos. Pyongyang reafirmou na terça-feira a intenção de proceder ao lançamento e denunciou «a vontade de confrontação» do presidente norte-americano, Barack Obama. Durão Barroso e Rompuy participaram na segunda e terça-feira em Seul na cimeira internacional sobre segurança nuclear, que reuniu 53 países.

Comandante da polícia pede que timorenses mantenham comportamento exemplar

Começa a segunda volta O

comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, comissário Longuinhos Monteiro, pediu ontem aos eleitores timorenses que mantenham, na segunda volta das presidenciais, a maturidade e o comportamento exemplar que tiveram durante a primeira volta. A segunda fase das eleições presidenciais de Timor-Leste começa na próxima sexta-feira, com o início da campanha eleitoral, que termina a 13 de Abril. Os timorenses votam para escolher o próximo presidente do país no dia 16 de Abril. “Que mantenham a maturidade e o modelo exemplar da primeira volta, para que todos nós possamos garantir a segurança deste processo”, afirmou o comissário. Longuinhos Monteiro

falava à agência Lusa no final da reunião do Conselho Superior de Defesa e Segurança, convocada pelo Presidente timorense, José Ramos-Horta, e na qual participaram também os dois candidatos à segunda volta das presidenciais e elementos do Corpo Diplomático acreditado em Díli e da Missão Integrada da ONU para Timor-Leste. O comissário Longuinhos Monteiro lembrou também aos timorenses que as eleições são o “maior símbolo da Democracia no país”.

MAIS AGENTES

Questionado sobre se o plano operativo montado pela polícia para a segunda volta é idêntico ao da primeira, Longuinhos Monteiro explicou que vai haver um aumento de efectivos. “Iremos aumen-

tar mais 150 efectivos e no total serão 2.050 colocados nesta segunda volta. Alguns distritos, que não posso referir, vão ter mais atenção.” A segunda volta das eleições presidenciais em Timor-Leste vai ser disputada entre Francisco Guterres Lu Olo, candidato apoiado pela Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin, oposição), e Taur Matan Ruak, apoiado pelo Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT, no poder), do primeiro-ministro, Xanana Gusmão. O Presidente timorense, José Ramos-Horta, e o líder do Partido Democrático, Fernando La Sama Araújo, já anunciaram que não vão dar indicação de voto na segunda volta das presidenciais e que os seus apoiantes terão liberdade para escolher o futuro chefe de Estado de Timor-Leste.


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A primeira pedra já foi lançada na Taipa, mas muitas críticas se fizeram ouvir sobre a falta de legislação própria do Metro Ligeiro. André Ritchie e Michael Lam, do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, garantem que a criação do diploma “está a ser estudada” e terá de chegar antes de 2015 Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ECENTEMENTE, o secretário Lau Si Io esteve no Japão para visitar a construção do Metro Ligeiro na fábrica da Mitsubishi. Como estão a decorrer os trabalhos? André Ritchie (AR) – Realizámos esta visita para vermos o progresso do projecto e como está a maqueta, em termos de aspecto e qualidade. Até ao momento, tudo está a decorrer conforme o planeado. A Mitsubishi foi uma boa escolha? AR - Houve um concurso internacional com os respectivos requisitos. Quero aqui expressar que não houve qualquer preferência da nossa parte. Foi um concurso que esteve de acordo com as regras e o contrato está a ser cumprido. Até ao momento, o desempenho da empresa tem sido bom, e há uma implementação de acordo com os planos iniciais. O processo de escolha da empresa originou bastantes críticas, nomeadamente do deputado Pereira Coutinho. AR – Tudo o que posso dizer é que foi um concurso internacional, transparente, feito de acordo com a lei. Não queremos repetir os detalhes e as respostas do passado. Quando é que a estrutura do comboio poderá chegar a Macau? AR – Primeiro temos de ter a maqueta pronta e depois trazê-la ao público. Depois disso eventualmente ainda haverá alguns ajustes de design. Não existe ainda uma data especifica, mas talvez no próximo ano. Para já vão produzir a maqueta à escala real, que vai estar em exposição para o público antes da introdução do comboio propriamente dito. O comboio vai entrar agora em produção na linha de montagem. O GIT vai estar a funcionar até 2017. Depois disso, quais são os planos para este departamento? AR – O nosso gabinete foi criado

André Ritchie e Michael Lam, do GIT, em entrevista

“Vai haver uma lei para o Metro L para, entre outras coisas, desenvolver o plano do Metro Ligeiro. Este é o nosso primeiro objectivo e estamos focados nele. Se o GIT vai continuar, não é relevante para já. Isto não é uma coisa em que se possa dizer “já acabou, podem fechar.” É um processo contínuo. Em 2015

a primeira fase do Metro Ligeiro entra em funcionamento, mas vão existir mais. Temos consciência que é uma coisa que está sempre em desenvolvimento. O Metro Ligeiro é um projecto de continuidade para Macau e também para a integração no Delta do Rio das Pérolas. É o ponto mais importante.

nho será o início das construções na península. AR – Diria mais na segunda metade do ano. Já iniciámos algumas apresentações para as zonas de Nam Van e o lago de Sai Van. Estes são os nossos planos, e na segunda metade deste ano esperamos ter as construções terminadas na Taipa.

“Para já vão produzir a maqueta à escala real, que vai estar em exposição para o público. O comboio vai entrar agora em produção na linha de montagem” ANDRÉ RITCHIE

Como estão a decorrer as primeiras construções na Taipa? AR – No geral, está tudo a correr bem e em breve as pessoas vão poder ver a construção. Em Macau, tal como na Taipa, vamos continuar desta forma. As concessões serão lançadas este ano.

Numa das últimas conferência de imprensa foi colocada a possibilidade do metro chegar a Coloane. É um objectivo? AR - São coisas diferentes. Temos a questão das casas económicas em Seac Pai Van. Já temos planos em conjunto com a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), em que vão existir “shuttle

Então em meados de Maio ou Ju-

bus” para ligar a zona de Seac Pai Van a algumas estações do metro. É uma solução a curto prazo para satisfazer as necessidades da população que vive nessa zona. A longo termo já estamos a providenciar construir estações de metro em Seac Pai Van. Em termos de planificação com as casas económicas, há uma provisão e um espaço reservado para a estação do metro. No plano actual, já temos provisões técnicas para esta ligação. Michael Lam (ML) – Vai ser uma medida gradual. Já fizemos estudos iniciais em Seac Pai Van. Temos de estudar primeiro o desenvolvimento das estações, para escolher a data certa para avançar mais dados.


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O projecto passa por áreas históricas. Traz impactos negativos? AR – As áreas protegidas pela UNESCO estão bem definidas, não existe qualquer risco. Estamos atentos às necessidades e à integração do metro, ao nível do ambiente e da herança cultural de Macau. Há algumas áreas mais sensíveis em Macau, como a zona da Praia Grande, Nam Van e até no lago Sai Van, que estão ligados à entidade e herança cultural de Macau. Em 2009, decidimos alterar o traçado. Fizemo-lo por razões técnicas, mas também para proteger a identidade e herança cultural de Macau.

AR – O Metro Ligeiro vai ser uma grande ajuda não apenas para os turistas mas também para os locais, que vivem em diversas áreas de Macau mas que todos os dias passam pelo Cotai. Um dos grandes problemas de Macau é o sistema de transportes. O metro pode trazer alterações

ao nível dos autocarros ou táxis? ML – Temos de trabalhar em conjunto como uma equipa, para podermos resolver o problema do trânsito em Macau. Cada serviço ocupa o seu lugar, não há um que possa substituir o outro. Por exemplo os táxis providenciam um excelente serviço, e isso nunca vai ser substituído pelo metro. É um

Foram então boas mudanças. AR – Fizemos ainda um estudo com uma empresa de Hong Kong para fazer um estudo sobre o impacto visual no ambiente. E o resultado diz que na zona do lago a solução subterrânea foi positiva, que pode reduzir o risco. Vimos que a passagem pelas novas áreas, especialmente na Taipa e no Cotai, não há qualquer risco histórico. Os resultados são positivos, analisámos o impacto ambiental e os acessos, e limitámos os riscos. O metro passará junto de algumas habitações. O barulho pode tornar-se um problema? AR – Este é um ponto importante, e foi por isso que fizemos o estudo ambiental. Usando modelos matemáticos, a empresa de Hong Kong conseguiu simular o barulho feito pelo Metro Ligeiro. Durante a simulação, os níveis de barulho estiveram abaixo dos padrões normais. Foram realizadas algumas medidas para abrandar o andamento do metro ou para que passem menos carruagens em algumas horas.

Ligeiro” Foi também referido que o metro pode aumentar o preço das casas, à semelhança do que aconteceu em Hong Kong ou na China. É algo que prevêem acontecer em Macau? AR – Temos um mercado livre. Como entidade governamental não queremos fazer comentários sobre esta questão.

“Já temos planos em conjunto com a DSAT, em que vão existir “shuttle bus” para ligar a zona de Seac Pai Van a algumas estações do metro” ANDRÉ RITCHIE

Pereira Coutinho defendeu também que o Metro deveria ser subterrâneo. Poderia ser uma melhor solução para Macau? AR – Não existe uma melhor solução, todas as soluções têm prós e contras. Com esta solução iriam existir problemas visíveis. Neste momento temos uma solução mista. Temos pensado nos custos da construção, de manutenção e o tempo, e como a cidade pode ficar afectada durante a construção. Há um ponto importante a ser explicado: quando falamos de custos, não são apenas custos de construção, mas também custos para manter o sistema. É muito importante. Esta solução é, então, mais barata? AR - A solução à superfície é mais barata. Na outra solução, a construção é mais cara, bem como a manutenção, porque as instalações mecânicas e eléctricas, o sistema interno de ventilação, tudo é mais caro em termos de manutenção. O facto do metro passar na zona do Cotai, pode desenvolver esta área em termos do turismo?

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ponto principal na nossa política de transportes. Já houve discussões com a DSAT nesse sentido? ML – Sim, faz parte da nossa política, trabalhar em conjunto com os autocarros e de táxis para criar um sistema integrado para o público. Outro dos pontos discutidos prende-se com a falta de uma legislação própria para o Metro. Estão a estudar essa questão? ML – Vai haver uma lei para o Metro Ligeiro. Na fase da construção, verificámos que já há leis existentes no sistema com as quais podemos trabalhar. Mas existe a necessidade uma lei específica. Primeiro, o Metro Ligeiro é um projecto novo, e o sistema é um pouco diferente de outros veículos de transporte, que estão sujeitos a um regulamento próprio. O Metro Ligeiro funciona com electricidade e tem a sua forma de deslocação, diferenciada dos outros transportes, à superfície ou não.

“As áreas protegidas pela UNESCO estão bem definidas, não existe qualquer risco” ANDRÉ RITCHIE

• ALBANO MARTINS ECONOMISTA O circuito do metro não é o melhor do mundo. Está muito feito para servir os casinos e não a população. As pessoas que trabalham nos casinos é que vão usar o metro. É um circuito periférico e pode trazer um duplo impacto no que diz respeito às rendas. Há zonas onde o valor comercial pode disparar, principalmente junto dos apeadeiros. Mas também pode gerar uma descida nas rendas, porque o inquilino pode dizer “não pago esta renda porque o metro faz uma barulheira dos diabos e corta-me a privacidade.”

• FRANCISCO VIZEU PINHEIRO ARQUITECTO O metro ia passar pela zona histórica, em frente ao Clube Militar. Penso que aí houve uma alteração positiva. Não está ainda muito claro como vai ser no lago Nam Van. É evidente que vai ter impacto. A melhor solução seria um metro debaixo do solo, como há em Hong Kong e no Porto, que também é uma cidade pequena.

• MARIA JOSÉ DE FREITAS ARQUITECTA Na generalidade, faz falta um sistema efectivo de transportes públicos que sejam amigos do ambiente. É altura de trazer isso para Macau, que é pequena e congestionada. Se pensarmos com o sistema de autocarros eléctricos, o sistema do Metro Ligeiro poderia resolver isso, a questão do transporte de massas. Na península histórica de Macau, não é fácil implementar uma rede deste tipo. Sendo de superfície é evidente que pode afectar algumas zonas com património. A zona do NAPE vai ser extremamente afectada, porque vão cortar uma vivência urbana, com o jardim, e vai incluir uma via na Rua de Londres que não tem dimensão suficiente. O metro contorna a península de forma periférica. Não chega à maior parte das pessoas. Vai ter de existir um sistema integrado de transportes na cidade, e não se percebe muito bem como vai ser feita a articulação. Não estamos muito a par do que está a ser feito.

Quais os aspectos que a nova legislação vai abranger? ML – Esta lei tem como objectivo a gestão da segurança, é o nosso ponto principal. Vai ser um diploma que vai funcionar em conjunto com as leis já existentes para providenciar este enquadramento legal. Estamos a analisar o que já existe. O metro tem de estar bem protegido, para manter elevados os níveis de segurança. Precisamos de ter uma lei específica para verificar os diferentes percursos e para que se possa manter a sua eficiência, na forma como as pessoas utilizam o transporte. AR – O ponto principal é tornar tudo mais simples. Os estudos que estamos a desenvolver são focados para a operacionalização futura e a manutenção do metro. Não tem a ver com a construção em si, porque já existem leis vigentes em Macau. O que não existe é um enquadramento legal para a operação, manutenção e segurança do Metro Ligeiro. É o que estamos a ver. Na construção, neste momento não há qualquer tipo de problema. Há legislação local e regulamentos internacionais. Já têm uma ideia de quando o diploma estará pronto? AR – O metro entra em funcionamento em 2015, tem de estar pronto antes. Tem de estar integrado com o enquadramento legal de Macau. Depois há os ajustes que são necessários para a introdução e funcionamento dentro do sistema legislativo.


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Sector português ambiciona apadrinhar uma Ásia mais limpa

Portugal dá cartas verdes na MIECF Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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S potencialidades do sector ambiental português fizeram-se notar na programação do dia de abertura oficial do MIECF (Fórum e Exposição Internacional e Cooperação Ambiental). Depois da promessa feita pelo Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, de que “o Governo vai empenhar esforços num desenvolvimento sustentável e no cumprimento das políticas de redução de emissões de gases”, no discurso inaugural, a tarde ganhou contornos lusitanos. Pelas 15h, na conferência sobre “Eficiência Energética”, a empresa lusa Ecoprogresso fez parte do painel de entidades convidadas, e uma hora depois foi a vez do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) apresentar o projecto da empresa Ecco, na conferência sobre “E-Mobilidade”.

AMBIENTE LUSITANO

Do currículo da Ecoprogresso constam projectos antigos de coo-

peração com o governo de Macau sob Administração Portuguesa, como a central de incineração de Macau. Hoje é em Pequim que tem sediado um dos seus gabinetes. E Macau volta a estar na mira. “Estamos a investir numa empresa de consultoria local destinada sobretudo às áreas de especialidade da água, ambiente e da gestão voluntária do carbono”, refere Carlos Fernandes Jorge, director de uma das empresas detentoras da Ecoprogresso. A empresa de consultoria, em processo de formação, está no momento a dar assessoria à CESL-Asia, grupo a que foi adjudicado o processo de implementação da ETAR de Macau, que, garante, “está em desenvolvimento embora tenha pendente um processo contratual a ser resolvido pelo Governo de Macau”. No âmbito do MIECF, a empresa pretende procurar mercado e clientes, na tentativa de criar futuramente uma estrutura produtiva e de liderança na RAEM. Quem também se deslocou à MIECF, com expositor próprio, foi a VEECO, uma empresa jovem que pretende dar a conhecer o primei-

ro protótipo de veículo eléctrico completamente desenvolvido em Portugal. Numa parceira lusa, entre a VE e o ISEL, o novo veículo com um design desportivo e três rodas apenas - já atraiu o interesse do mercado europeu e quer agora

lançar-se para a Ásia. “Estamos a tentar arranjar interesses nesta MIECF para despoletar o interesse de produção no mercado asiático, sempre adaptado a nível mecânico, que é diferente da Europa”, afirma o responsável pelo design

da VEECO. No primeiro ano, a recente empresa - com apenas um exemplar produzido - vai lançar uma experiência piloto de cerca de 20 veículos, a partir de Junho, lançando-se depois na primeira série de cerca de 200 veículos, no primeiro ano de produção em 2013. Esperançoso num acordo de parceria no mercado asiático, firmado a partir da MIECF, Pedro Almeida acredita que Macau como cidade pequena “torna muito viável a expansão do veículo, que poderá ter uma autonomia energética de 400km, o que torna possível circular por cerca de duas semanas em Macau”.

SEGUIR PEGADAS

Os expositores da Smart Aqua e da Veeco representam duas das seis empresas do pólo lusitano na MIECF

Presente como conferencista do evento está também o sub-director geral da Agência Portuguesa do Ambiente, Paulo Lemos. Hoje será um dos convidados no painel sobre “Politica Ambiental e Desenvolvimento Económico de Baixo Carbono”, que decorrerá pelas 14h30. O laboratório, que acompanha a execução das políticas de combate às alterações climáticas e emissão de poluentes atmosféricos, já


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firmou parceria com a RAEM na elaboração do relatório de estado do ambiente. “Temos em vista outras províncias da China, para que os peritos do nosso laboratório possam colaborar com locais, tentaremos envolver empresas portuguesas que possam trazer o ‘know-how’ na área do ambiente”, ambiciona Paulo Lemos. A agência destaca hoje os objectivos concretizados na redução de emissões de CO2 em Portugal - face a uma aposta de fundo nas energias renováveis desde 2004 - incentivando Macau a seguir um caminho verde. “Cumpriremos os objectivos assumidos perante a UE e estipulados no protocolo de Quioto e, para 2020, temos uma das metas mais ambiciosas a nível comunitário firmada em 20% - e nós assumimos um compromisso de 31%, não só a nível de energia eléctrica como dos transportes”, assume.

ACORDOS FIRMADOS

Depois da participação na MIECF no último ano, a RESOPARK já garantiu uma parceria com o Venetian. O GuideIn - um sistema de sinalização de lugares para parques de estacionamento - garante assim a entrada da empresa no mercado asiático, ainda este ano. “O projecto visa reduzir consideravelmente o tempo de circulação dos veículos em parques de estacionamento e, desta forma, diminuir a emissão de gases poluentes possibilitando ainda a poupança de energia relativa à ventilação do parque”, refere o gestor comercial Ricardo Vieira. A presença na feira pretende abrir uma janela de negociação com outras empresas, e garantir visibilidade a nível de entidades governamentais, que neste momento já se vão formalizando em parques públicos e com clientes privados do sector do jogo e hoteleiro, adianta, sem mais pormenores. A Smart Acqua está pela primeira vez a participar na MIECF para expandir os serviços - já firmados no mercado europeu para a zona asiática. “Estamos a depositar muita esperança nesta feira porque este tipo de sistemas ainda não estão implementados em Macau e podemos fazer com que seja uma rampa de lançamento para o mercado chinês”, prontifica Bruno Lé da direcção técnica. A empresa, que faz o aproveitamento de águas da chuva permitindo a redução de consumos e emissão de carbono na atmosfera, garante que a China, e especificamente Macau, seria um bom mercado, tendo em consideração “a escassez e a falta de tratamento da água potável bem como o problema da salinidade da água”. Bruno Lé garante que o sistema poderia ser bem implementado na região, dada a característica pluviométrica, arranjando soluções de poupança na factura bem como garantir uma maior reserva de água potável.”

vida

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Hora do Planeta WWF promove um evento cada vez mais global

Terra mais mobilizada em 2012 A

WWF, organização de conservação global e sua parceira no âmbito da responsabilidade social, vai promover no próximo sábado a Hora da Terra. Com esta iniciativa a WWF visa destacar o problema das alterações climáticas e da preservação do ambiente em que vivemos. Tudo começou em 2006, quando o WWF Austrália estimulou os residentes de Sydney a demonstrar o seu apoio às acções relacionadas com as mudanças climáticas por meio da participação na primeira realização de Hora do Planeta. Foi um exemplo de que todos, desde as crianças até os executivos e políticos, têm o poder de mudar o mundo em que vivem. Depois, em 2007, na mesma cidade de Sydney, 2,2 milhões de pessoas e mais de duas mil companhias apagaram as luzes durante uma hora para mostrar que tinham tomado uma atitude perante as mudanças climáticas. Em 2008, o plano foi de disseminar a Hora do Planeta para toda a Austrália. Entretanto, naquele mesmo ano a cidade de Toronto, no Canadá, inscreveu-se e, pouco depois, havia 35 países e quase 400 cidades participaram no evento. O movimento disseminou, ao mundo, uma mensagem que não podia ser ignorada: os desafios do clima que o nosso mundo está a encarar são de uma seriedade tão grande que as mudanças, urgentes e necessárias, precisam ser à escala global.

UM EVENTO À ESCALA GLOBAL

Uma vez que o convite de ‘desligar’ tinha chegado a todos, o evento Hora do Planeta tornou-se quase que imediatamente, um evento global. Actualmente, é sempre programado para o último sábado de Março, ficando, assim, muito próximo da data do equinócio para garantir que quase todas as cidades do planeta estejam no escuro quando a passagem da hora varrer cada faixa da Terra. No ano passado, a Hora do Planeta contou com centenas de milhões de pessoas em 135

com a criação de um planeta mais sustentável.

FUTEBOL DE MÃOS DADAS COM A WWF

países que desligaram as luzes durante uma hora. Mas o evento ainda teve outra novidade: a exortação de ir ‘Além da Hora’ e se comprometer com alguma actividade douradora no campo das mudanças climáticas.

Com o poder das redes sociais a apoiar a mensagem da Hora do Planeta, a WWF espera atrair uma participação ainda maior no sentido de construir uma comunidade verdadeiramente global, comprometida

A UEFA vai conferir o seu apoio à WWF, com a participação no sábado, dia 31 de Março, na Hora da Terra. O organismo máximo do futebol europeu junta-se, assim, a esta campanha organizada por todo o planeta. Consequentemente, as luzes da sede da UEFA, a Casa do Futebol Europeu, em Nyon, nas margens do Lago Genebra, na Suíça – serão apagadas durante uma hora. “As alterações climáticas são um problema global que requer uma solução global. Fico feliz por ver a UEFA participar na Hora da Terra 2012”, destacou Peter Gilliéron, membro do Comité Executivo da UEFA e presidente do Comité de Responsabilidade Social e Fair Play da UEFA. Fundada em 1961, a WWF é uma das maiores e mais respeitadas organizações independentes de conservação do ambiente, com uma rede global activa em mais de 100 países, concentrada em salvaguardar as extraordinárias espécies de vida selvagem do planeta e os seus habitats.

Click ecológico POLUIÇÃO NA CHINA • Um funcionário chinês ajuda a limpar um rio que foi poluído ontem depois de um rebentamento de um oleoduto em Pequim. As autoridades recentemente pediram maiores controlos da poluição pelas grandes indústrias.

*NOTA DA REDACÇÃO A partir do mês de Abril, o Hoje Macau vai substituir a rubrica “Click Ecológico” por outra, intitulada “Macau sã assado”. O desafio serve para mostrar diversos aspectos do quotidiano caricato do território. Os nossos leitores ficam assim convidados a enviar fotos para o e-mail info@hojemacau.com.mo, em assunto “Macau sã assado” e uma breve legenda. As fotos devem retratar os momentos mais engraçados e insólitos do dia-a-dia de Macau e deverão ser identificadas com o nome do seu autor.


cultura

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sexta-feira 30.3.2012

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Jorge Palma vence 1ª edição do Prémio Pedro Osório

Com todo o respeito

O UMAC lançou quarta edição do “Livro Azul de Macau”

Para lá do jogo, a cultura Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

público já pode folhear a quarta edição do “Livro Azul de Macau – Relatório Anual de Economia e Sociedade”, cuja publicação está a cargo da Universidade de Macau (UMAC) e que junta o contributo académico de diversos autores. Mais do que abordar questões como o desenvolvimento social e económico e os desafios políticos do território, o trabalho focou-se no aspecto cultural de Macau. De acordo com Mao Yufen, director da faculdade

de ciências sociais e humanas da UMAC, o “Livro Azul” “centra-se no desenvolvimento cultural, particularmente na indústria cultural de Macau.” Mao Yufen, que também edita a obra, explicou que o projecto pretende, sobretudo, mostrar o outro lado do território. “Macau tem uma imagem de cidade dos casinos junto da comunidade internacional, mas acreditamos que também é uma região de cultura e história. Há uma combinação entre o oriente e o ocidente, e há muitas coisas que são únicas e atractivas.” “Queremos que a co-

munidade internacional preste atenção aos aspectos culturais e que descubra que as atracções de Macau não estão apenas relacionadas com os casinos.”

O PROBLEMA DA INFLAÇÃO

A abordagem face às politicas públicas adoptadas pelo Governo revela que ainda é preciso fazer mais. “Apesar das politicas sociais estarem orientadas para o bem-estar da população e de terem tido, na generalidade, bons resultados ao nível social, ainda precisam de ser melhoradas com o objectivo

de estabelecer um sistema de segurança social sustentável.” Já o académico Liu Zhiyi aborda a questão económica. O autor mostra os números do sucesso económico e explica “enquanto a indústria do turismo continuar a expandir-se, tornando-se na força principal de desenvolvimento na relação com outras indústrias, espera-se que a economia, na generalidade, continue próspera. Contudo, Macau vai inevitavelmente debater-se com a inflação e com os problemas da falta de recursos humanos.”

Amy Winehouse deixa herança de quase 3 milhões de libras

Família abençoada

A

desventurada cantora Amy Winehouse deixou uma herança de quase 3 milhões de libras, após a sua morte aos 27 anos em Julho no ano passado. A autora de êxitos como “Rehab” ou “You Know I Am No Good”, que batalhou durante anos contra as

drogas e o álcool, deixou um património no valor de 4.257.580 libras em activos, antes de pagar dívidas pendentes e impostos, revela o “El Mundo”. A cantora que foi considerada “diva do soul” lançou álbuns de grande êxito, como “Frank”, em 2003, e

“Black to Black”, em 2006. Dado que Amy Winehouse não chegou a escrever um testamento, o seu dinheiro será entregue aos seus familiares, pelo que o seu ex-marido, Blake Fielder-Civil, não receberá nada da herança da cantora. Na sua curta vida artística, Amy Winehouse foi sempre acompanhada pelo sucesso. O seu álbum de estreia, “Frank”, triunfou em 2003 e vendeu um milhão e meio de cópias, rendendo à cantora várias nomeações para os prémios Mercury Music e Ivor Novello em 2004, pelo seu single “Stronger Than Me”. A sua carreira musical foi marcada ainda pelo lançamento do álbum “Black to Black”, divulgado em Outubro de 2006. O álbum foi também um enorme sucesso musical e vendeu quinze milhões de cópias.

Em 2007, o álbum “Black to Black foi eleito o melhor álbum do ano, e em Fevereiro de 2008 consagrou Amy Winehouse a primeira cantora britânica a ganhar cinco Grammys. Em Dezembro de 2011, foi lançado no mercado um álbum muito aguardado com material inédito da cantora britânica, “Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures”. O álbum reuniu doze temas, entre os quais músicas não editadas, versões pessoais de clássicos de outros artistas e novas composições. A 27 de Julho de 2011 Amy Winehouse foi encontrada sem vida em sua casa, no bairro de Candem Town, no norte de Londres, depois de ter ingerido uma elevada quantidade de álcool. Winehouse encontrava-se na altura em pleno processo de desintoxicação.

compositor e intérprete Jorge Palma venceu a primeira edição do Prémio Pedro Osório, divulgou ontem a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) que instituiu o galardão, com o objectivo de homenagear o maestro falecido em Janeiro passado. Jorge Palma foi distinguido pelo CD “Com Todo o Respeito”, editado pela EMI Music Portugal, em Outubro do ano passado. O prémio, com periodicidade anual e o valor pecuniário de dois mil euros, será entregue numa cerimónia a realizar na sede da SPA em data a anunciar, segundo a cooperativa de autores. “O júri que atribuiu o prémio foi constituído pelos membros dos corpos sociais da SPA ligados à área de música”, esclarece uma nota da SPA. Nas vésperas de sair o álbum, em declarações à Lusa, Jorge Palma revelou que queria escrever, mas não saía “nada de jeito”. A falta de inspiração deu o mote para “Página em Branco”, o tema que abre o álbum “Com todo o Respeito”. O disco começou a ser preparado no final de 2010. Nessa altura, Jorge Palma pegou em três temas que tinha composto anteriormente, mas que

considerava terem “vida própria” e “podiam ser descontextualizados”, contou. Os três temas são “Tudo por um Beijo”, criado para o filme “A Bela e o Papparazzo”, de António-Pedro Vasconcelos, “Imperdoável” e “O Mundo e a Casa”, feitos para a peça “A Balada da Margem Sul”, de Hélder Costa, levada a cena pel’A Barraca. Foi depois de recuperar estas canções que Jorge Palma começou a escrever o que acabaria por ser “Página em Branco”. Quando escreve, Jorge Palma, assume sentir “uma certa responsabilidade”. “Porque não estou a escrever só para mim próprio. Sei que tenho um público, que tem vindo a crescer e a alargar o leque etário. E isso conta um bocado”, afirmou, acrescentando: “mas, em primeiro lugar, é preciso que as músicas me agradem a mim”. Com uma carreira de quase 40 anos, foi em 2007, com “Voo Nocturno”, que Jorge Palma vendeu mais discos do que nunca, sobretudo pelo tema “Encosta-te a Mim” que, ao ser escolhido como banda sonora de uma telenovela, “chegou a um público mais geral, mais abrangente”.


sexta-feira 30.3.2012

cultura

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José Simões Morais

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gente sagrada

Ontem celebrou-se o aniversário de Tau Mou

A protectora contra a varíola

T

AU Mou em cantonense, ou Dou Mu em mandarim, pertence ao grupo das 18 amas budistas e é uma deusa, Tau San (痘神), que ajuda as crianças contra a doença da varíola, segundo uma versão da mitologia ou, o próprio espírito da varíola, para outros autores. Como se percebe há duas diferentes histórias e uma delas com duas versões sobre Tau Mou. Desde o Céu, o Imperador de Jade assistindo à grande mortalidade de crianças na Terra, devido à epidemia da varíola, enviou a sua sétima filha para ajudar a combater esta enfermidade, conhecida em cantonense por t’in fá (天 花). Com ela trouxe as pílulas mágicas que curaram todos os contaminados pela varíola e as pessoas, em forma de agradecimento por ter salvo os seus filhos de tal doença, deram-lhe o nome de Tau Mou, a mãe Tau. Outra história conta ser Tau San ( 痘神), a deusa Tau, uma bonita mulher que, a caminho para visitar um familiar, foi raptada por um bando a mando de um senhor muito rico. Ela, para se defender, atirou-lhes com pústulas variólicas e assim as caras deles ficaram com borbulhas e uma enorme comichão. Ch’ôt Tâu (出痘) são os pontos vermelhos que aparecem como marca da varíola, as pústulas variólicas. Atormentados e cheios de dores, ajoelharam-se e pediram à formosa senhora que os desculpasse. Esta ajudou-os a retirar os inúmeros pontos vermelhos espalhados pelas caras mas, as marcas aí ficaram. Como a doença se transmitiu mesmo pelas pessoas inocentes então, a deusa entregou-lhes um peixe e um vegetal, tipo alho francês, para elas comerem. Logo as pústulas e as marcas desapareceram do rosto e assim estas ficaram curadas. Como prova que eram inocentes colocaram no pulso uma pulseira de fios vermelhos com um caroço de pêssego para as proteger contra as marcas que esta doença costuma deixar. A segunda versão da história de Tau Mou parece ter sido inspirada em Yü Wa Long (余华龙, Yu Hua Long), que viveu durante o reinado de Seong Cháu Wóng (商纣王, Shang Zhou Wang), o último imperador da dinastia Seong ( 商, Shang, 1600-1046 a.C.). O reino Châu (周, Zhou em mandarim) tentava pôr fim à dinastia Seong. Keong Tai Kong (姜太公, Jiang Tai Gong), comandante dos exércitos dos Châu cercou uma importante fortaleza de fronteira onde Yü Wa Long era o governador militar. Uma

feroz batalha ali se travou tendo Yü Wa Long ficado ferido. Então um dos seus filhos, Yü Tac (余德, Yu De) num acto de desespero resolveu, a coberto da noite, espalhar pelo campo inimigo pústulas de varíola que logo contaminaram todo o exército Châu. Apenas o general Yeóng Chin (杨戬, Yang Jian) por não se encontrar nessa noite no campo escapou à enfermidade e por isso, foi enviado a pedir ajuda a Fok Hei (伏羲, Fu Xi), o Imperador Celeste. Este dirigiu o pedido a San Nong (神农, Shen Nong), o Imperador Terrestre, que logo enviou ao general três pílulas mágicas, uma para o rei dos Châu, outra para Keong Tai Kong e outra para dissolver na água a ser distribuída pelo exército infectado. Acto contínuo, todos ficaram livres da doença, mas as cicatrizes próprias da varíola marcavam os rostos do exército. Encolerizado, Keong Tai Kong deu ordem para a conquista daquela praça-forte, tendo nessa batalha morrido os cinco filhos de Yü Wa Long e este, assistindo a tal desastre, também ele se suicidou. Vendo o heroísmo desta família, Keong Tai Kong canonizou-os. Assim, Yü Wa Long, considerado como Espírito da Varíola, partilha com seus cinco filhos, a missão de proteger a Humanidade contra tal doença. Ontem, 29 de Março de 2012, o oitavo dia do terceiro mês lunar, celebrou-se o aniversário de Tau Mou, apesar de nos templos de Macau onde esta deusa está representada, como é o caso do Lin Fong Miu, não ter sido feita nenhuma cerimónia especial para comemorar a data. Tal se deve a esta doença estar erradicada, após o aparecimento das vacinas. Lembramo-nos que muito tempo antes de Pasteur ter inventado as vacinas já os chineses usavam inocular à entrada do nariz das crianças uma pequeníssima quantidade de mucosa infectada com tal doença para as imunizar. Assim, a deusa Tau deixou de ter alguma função e poucos são os que lhe colocam incenso e lhe vão “bater cabeça”.


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desporto

Futebol Clubes italianos à beira da falência

O défice dos clubes das quatro divisões aumentou na época de 2010-2011 cerca de 23 por cento, tendo atingido os 4,28 mil milhões de patacas, segundo revelou ontem a Federação italiana de futebol. O ministro dos desportos italiano, Piero Gnudi, analisou detalhadamente o estudo realizado e revelou a sua preocupação: “Em outras actividades económicas com estes números podíamos falar de empresas à beira da falência.”

NBA Rodman arruinado, doente e perto de ser preso

A antiga estrela da NBA Dennis Rodman atravessa um momento conturbado da sua vida e arrisca agora ser preso, isto por não cumprir com os pagamentos referentes à pensão alimentar dos seus filhos. O advogado de Rodman revelou que o ex-jogador está doente, é alcoólico, não consegue arranjar trabalho e que o facto de estar novamente a enfrentar um processo de divórcio foi a gota de água para a depressão e descontrolo do mesmo. O jogador, de 50 anos, já deve à terceira esposa, mãe de dois dos seus filhos, mais de 8,1 milhões de patacas.

Râguebi Lancaster confirmado no comando da seleção inglesa

A Federação inglesa de râguebi confirmou, esta quinta-feira, que Stuart Lancaster vai dirigir a selecção até ao Campeonato do Mundo de 2015. Lancaster, 42 anos, tinha sido designado treinador interino da rosa em Dezembro passado, na sequência da demissão de Martin Johnson após o Campeonato do Mundo. Desde que assumiu o cargo, a Inglaterra venceu quatro dos cinco jogos disputados.

sexta-feira 30.3.2012

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Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

O

Zhuhai Ming Shi, formação orientada pelo técnico portuense David Gonçalves, despediu-se da edição de 2011/2012 da Liga Profissional de Futsal da vizinha província de Cantão com uma vitória sofrida sobre o Bayunshan, garantindo assim a terceira posição na mais cotada prova de futebol de salão da República Popular da China. Frente ao mais directo rival na corrida pelo degrau mais baixo do pódio, o cinco orientado por David Gonçalves não conseguiu repetir nem a exibição, nem o resultado dilatado com que na penúltima ronda da prova brindou o lanterna-vermelha Qingyuan Chenxi. Perante o mais competitivo Bayunshan, o cinco do vizinho munícipio continental de Zhuhai deparou-se com maiores dificuldades para impôr a sua linha de jogo e nem o facto de jogar em casa facilitou a tarefa do Ming Shi. Com fraca eficácia na concretização, o cinco orientado por David Gonçalves desperdiçou

Equipa de André Lima perde na última jornada

Zhuhai Ming Shi falha segundo lugar

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várias oportunidades flagrantes na primeira parte e só na recta final do primeiro período conseguiu chegar ao golo por intermédio de Fábio Lima.

Com os brasileiros Guri, Paulinho, Vinicius e Passarinho na equipa, o Bayunshan não baixou os braços e conseguiu chegar ao golo do empate

pouco depois, dificultando a tarefa da formação de Zhuhai. Na segunda parte, nenhuma das equipas deu o braço a torcer e a partida manteve-se disputada até à recta final do encontro, altura em que o cinco da casa fez um último forcing para chegar à vitória e conseguiu colocar-se em vantagem numa iniciativa conduzida por Murilo. O golo acabou por exponenciar as fragilidades do conjunto visitante e Israel aproveitou uma falha do Bayunshan para coroar com um golo mais uma exibição de grande nível. Apesar de ter segurado a terceira posição da prova, o cinco do vizinho município continental viu o segundo lugar fugir-lhe por entre os dedos, mercê do primeiro e único deslize do Guangzhou Guowang Guguangmin no Campeonato. A edição de 2011/2012 da Liga Profissional de Futsal da vizinha província de Cantão encerrou com chave de ouro, com o já campeão Guowang Guguanmin a esgrimir argumentos com o segundo classificado Shenzhen Tielang. Na última partida do Campeonato, a vitória sorriu aos da casa, que quebraram desse modo a invencibilidade da formação orientada por André Lima. Com o triunfo frente aos campeões em título, o Shenzhen segurou o segundo lugar na tabela, com 17 pontos e um ponto a menos que o Guangzhou Guowang Guguanmin.

FIFA alerta que é impossível afastar o risco de problemas cardíacos

O

Educar é vital

chefe dos médicos da FIFA, Jiri Dvorak, reconheceu a necessidade de históricos médicos dos atletas, mas alertou que será impossível afastar por completo a possibilidade de ataques cardíacos repentinos, como aconteceu com Fabrice Muamba, do Bolton. “Os médicos entendem que devem proceder a verificações e estão a fazê-las. Devemos assegurar que os controlos são adequados e incluem um estudo da história médica do atleta, seguido por um teste físico e depois um eletrocardiograma. Qualquer suspeita, haverá um ecocardiograma”, explicou Jiri O chefe médico alertou igualmente que estas situações

podem acontecer e que muitos estádios não estão preparados para actuar: “Não podemos garantir que todas as estádios do mundo tenham um desfibrilador. De qualquer forma, queremos que as pessoas entendam que este dispositivo pode salvar vidas. Gostaríamos de informar e educar os membros da associação que isso é absolutamente vital.”

FABRICE MUAMBA VIU O JOGO DO BOLTON

O treinador do Bolton, Owey Coyle, revelou que o médio Fabrice Muamba, que caiu inanimado frente ao Tottenham, prossegue a evoluir favoravelmente e até viu a repetição do jogo frente ao Blackburn, onde a sua equipa venceu por 2-1.

“Fabrice já é capaz de reconhecer as pessoas e responder a questões. Ele também viu o jogo no domingo de manhã, pelo que revela que está a evoluir”, revelou Owen Coyle, em declarações à imprensa inglesa. O treinador do Bolton aproveitou também para agradecer todo o apoio que o jogador tem vindo a receber por parte dos adeptos.


sexta-feira 30.3.2012

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB SALA 2

WRATH OF THE TITANS

WRATH OF THE TITANS [3D] [C] Um filme de: Jonathan Liebesman Com: Liam Neeson, Ralph Fiennes 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

THE SECOND WOMAN [B]

(Falado em cantonense e mandarim legendado em chinês e inglês) Um filme de: Michael Sucsy Com: Channing Tatum, Rachel McAdams 14.30, 16.30, 19.30 SALA 1

THE HUNGER GAMES [C] Um filme de: Gary Ross Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

A SIMPLE LIFE [A]

Aqui há gato

(Falado em cantonense legendado em chinês e inglês) Um filme de: Ann Hui Com: Andy Lau, Deannie Yip 21.30

VERTICAIS: 1-Qualquer colorido, excepto o branco e o preto. Barreira num passo de nível de caminho de ferro. 2-Preguei. Natural da Gália. 3-Fazes esmola. Consentimento. 4-A primeira pedra que forma a volta de um arco e assenta sobre um capitel, cimalha ou ombreira. Espécie de macaco americano. 5-Pó vermelho e condimento de pimentão seco.Toque, toada. 6-Encaminhar-se. Local, lugar. Chumbo (s.q.) 7-Letra grega. Plantar ervas, legumes ou hortaliças. 8-Zero. Residira, viera. 9-Imposto sobre o rendimento (sigla). Debaixo de. 10-Ibéricas.Demónio. 11-Pequena árvore sapotácea da América equatorial. Nome de homem.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Rectidão, honradez. 2-Profissão (Suf.). Artéria que leva o sangue oxigenado a todo o corpo. Consoante repetida. 3-Curral para recolha de gado. Marquei para outro dia. 4-Prosseguiamos. Irra!. 5-Sequência, sucessão. Vai ao chão. 6-Prata (s.q.). Língua do grupo itálico da família linguística indo-europeia. Estrôncio (s.q.). 7-Nelas. Voz do cão e do lobo (pl.). 8-Fruto da cuieira. Um dos naipes das cartas. 9-Antiga peça de armadura para a cabeça (pl.). Fazei grandes elogios. 10-Percebe. Encontrar, ver. Televisão (abrev.). 11-Terror causado pelo aparecimento de coisas sobrenaturais.

[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 16:50 Liga Europa: Sporting - Metalist Kharkiv (Repetição) 18:30 Lost Sr.5 (Perdidos Sr.5) 19:00 TDM Talk Show (Repetição) 19:30 Amanhecer 20:30 Telejornal 21:00 Ásia Global 21:30 Regresso a Sizalinda 22:15 Passione 23:00 TDM News 23:30 Resumo Liga Europa 23:45 Shangai Knights (Os Cavaleiros de Xangai) 01:40 Telejornal (Repetição) 02:10 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Couto & Coutadas 15:00 Sexta às 9 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Portugal de Negócios 17:30 Portugal Low Cost 18:00 One (Her)Man Show 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Correspondentes 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 14:00 16:30 17:30 19:30 20:00 20:30 21:00 21:30 22:00 22:30 23:00

America’s Cup Uncovered US Open 9-Ball C’ship 2011 2012 Winter X Games Asian Olympic Qualifiers Oman vs. Uzbekistan (LIVE) Sportscenter Asia 2012 Football Asia 2012/13 Spirit Of London Caribbean Golden Moments South American Golden Moments Sportscenter Asia 2012 Football Asia 2012/13 Spirit Of London

23:30

Sydney 2000

STAR SPORTS 31 13:00 Rebel TV 19 13:30 Total Rugby 14:00 HSBC Sevens World Series 2011/12 16:30 Hot Water 2011/12 17:30 Golf Focus 2012 18:00 Masters Official Films 2011 19:00 Smash 2012 19:30 Asean Basketball League 2012 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 Spirit Of London 22:30 Total Rugby 23:00 GP2 Series 2012 FOX MOVIES 40 12:25 127 Hours 14:00 Hancock 15:40 Bewitched 17:25 Perfect Catch 19:15 The Road 21:10 The Walking Dead 22:00 The Walking Dead 22:50 Hybrid 00:25 When A Stranger Calls HBO 41 12:00 14:15 16:05 17:30 19:30 21:00 22:00 00:15

Apollo 13 Grown Ups Justice League Phenomenon Top Secret! Luck The Talented Mr. Ripley From Dusk Till Dawn

CINEMAX 42 12:55 14:15 16:00 17:30 20:00 21:45 22:00 23:20

Painkiller Jane Starsky & Hutch It Came From Beneath The Sea Arabesque Rocky Iii Epad On Max Red Skies The Wolfman

HORIZONTAIS: 1-CONSCIENCIA. 2-OR. AORTA. BB. 3-RADIL. ADIEI. 4-IAMOS. ARRE. 5-C. SERIE. CAI. LATIM. SR. 7-NAS. UIVOS. O. 8-CUIA. OIROS. 9-ELMOS. GABAI. 10-LE. TOPAR. TV. 11-ASSOMBRAÇÃO. VERTICAIS: 1-COR. CANCELA. 2-OREI. GAULES. 3-N. DAS. SIM. S. 4-SAIMEL. AOTO. 5-COLORAU. SOM. 6-IR. SITIO. PB. 7-ETA. EIVIGAR. 8-NADA. MORARA. 9-C. IRC. SOB. Ç. 10-IBERAS. SATÃ. 11-ABIEIRO. IVO.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA UMA FAZENDA EM ÁFRICA • João Pedro Marques

Uma Fazenda em África acompanha a vida e as histórias dos primeiros colonos numa terra brutal, trazendo à superfície os sucessos e desaires, os perigos e as surpresas da sua fixação num território inóspito e selvagem. Baseado numa investigação histórica meticulosa e tendo como pano de fundo a colonização de Moçâmedes, este novo romance de João Pedro Marques levanos por uma África simultaneamente enternecedora e inclemente, carregada de exotismo e em cujos trilhos a aventura e o amor caminham de mãos dadas.

MANUAL DA GRAVIDEZ SEMANA A SEMANA • Vários

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Enfrentar mudanças profundas e duradouras, por mais belas que elas sejam, pode ser assustador! Quaisquer que sejam as suas interrogações, medos ou ansiedades, não encontrará um guia mais útil do que este “Manual da Gravidez - semana a semana”. Escrito por uma equipa de especialistas, este livro inclui informações detalhadas sobre a evolução do seu bebé, conselhos sobre o parto e nascimento para além de inúmeras dicas úteis que a ajudarão a manter a boa forma física e o bem-estar emocional durante toda a sua gravidez.

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SERÁ ESTE ANO? Ontem de manhã folheei com estas minhas patinhas delicadas o jornal dos meus companheiros de casa. E fiquei retido a ler - quer acreditem quer não - a notícia que dá conta dos 25 anos da Muralha da China enquanto Património Mundial da UNESCO. Aqui tão perto mas ao mesmo tempo tão distante, esta arquitectura milenar sempre me suscitou enorme curiosidade. Antes demais, é a primeira estrutura de defesa de um império que se estende por quase 9 mil quilómetros e que, para segurança premente dos chineses face aos povos do norte - factor que surpreende, já que se encontra tão subtilmente escondida por entre montes e vales - demorou uns meros dois mil anos a ser construída. Por detrás da Grande Muralha escondem-se dinastias inteiras. Qin Shihuang uniu sete reinos num país (Dinastia Chin) e começou a unificar a muralha, alcançando a longa meta de três mil quilómetros. As agitações políticas de então, após q morte do imperador, paralisaram o processo de construção, mas na Dinastia de Han o legado foi garantido até reunir tamanho esplendor na Dinastia Ming, já no século XV. Mas a mão-de-obra, responsável por tamanha envergadura arquitectónica, não pode ficar de fora desta composição histórica. Um milhão de operários parece-me um número bem composto, não? Mas agora retenho-me nesta evidência infeliz, cerca de 80% morreram durante a construção devido a má alimentação e frio. E quem eram estes “guerreiros”? Isso mesmo, soldados, que se juntavam aos camponeses e cativos. Mas esta obra-prima, diria megalómana mas não pela ostentação - essa deixo para a monarquia portuguesa que tanto gostava de se evidenciar - sempre se mostrou mais espectacular do que intimidante. Ou não tivessem mongóis e xiambeis, entre outros povos, ameaçado o império por inúmeras vezes. Por essa razão, no século XVI perdeu a função estratégica, com a expansão chinesa na direcção norte na dinastia Qing. Chegados ao século XX, Deng Xiaoping pôs em marcha uma campanha de restauração de diversos trechos, fazendo da Grande Muralha símbolo da nação. Esta podia ser por isso uma boa efeméride para gatinhar até esta Maravilha do Mundo ou será que alguém me dá uma boleia? Aceitam-se candidatos, prometo não largar muito pêlo.

Pu Yi


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opinião

sexta-feira 30.3.2012

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Hugo Pinto

próximo oriente

T(h)ree Vol. II

A aventura continua

H

OJE, dia 30 de Março, o Museu do Oriente, em Lisboa, é o palco da apresentação oficial do segundo volume do projecto T(h)ree, a aventura do produtor David Valentim que volta a juntar músicos portugueses e asiáticos. No primeiro volume, editado em 2010 e, depois, no ano passado, o triângulo foi formado por Portugal, Macau e Hong Kong. Neste segundo disco, as duas regiões chinesas dão lugar a Singapura e às Filipinas. Pensado como uma trilogia, T(h)ree conta, até agora, com o envolvimento de mais de 150 músicos dos dois lados do globo, sendo que a maioria (para não dizer todos) não se conhecia antes desta iniciativa pioneira. Mesmo apesar do desconhecimento (trabalharam em conjunto uns com os outros através da Internet), todos os artistas presentes nas duas compilações demonstraram, desde o primeiro momento, uma adesão e entusiasmo assinaláveis, e foram os primeiros a perceber o potencial deste projecto que, dois anos após o lançamento inicial (a primeira edição de um disco T(h)ree remonta a 2010, em Macau), continua a não ter par no mundo inteiro. Vale a pena recordar algumas das parelhas bem sucedidas que o instinto do produtor David Valentim orquestrou no primeiro disco: os portugueses A Naifa com Winnie Lau, de Hong Kong; os portugueses Hipnótica com os Unixx, de Hong Kong; ou o português Kubik com os Evade, de Macau. Sem surpresa, o recente disco lançado no passado dia 26 de Março oferece mais umas quantas excelentes e improváveis parcerias, com destaque para os portugueses Pop Dell’a Arte com os filipinos The Dorques, os portugueses Stealing Orchestra e Maze com os singapurenses The Analog Girl, ou o violinista português Carlos Zíngaro com os Life Without Dreams, de Singapura. Pode dizer-se que a fórmula repete-se, mas neste caso isso não significa que as ideias tenham estagnado, antes pelo contrário. O segundo volume de T(h)ree avança por caminhos diferentes daqueles trilhados no primeiro, uma tendência que deverá ser aprofundada no terceiro disco (já em fase de produção), e para a qual contribui a boa e saudável dose de imponderabilidade pró-

pria de um conceito que se baseia em juntar artistas de realidades tão distintas. Nas palavras de David Valentim, “Singapura e Filipinas são dois lugares antónimos na Ásia”. Temos, assim, por um lado, Singapura, local de estabilidade económica, boas infra-estruturas, harmonia social e baixíssimos níveis de criminalidade. “Lugar de um consumismo extremo onde o verdadeiro desafio diário é criar um equilíbrio entre avassaladora e competitiva vida profissional e a necessária vida pessoal de qualquer ser humano.” Neste aspecto, nota David Valentim, em Singapura, “há uma questão por resolver: qual a verdadeira identidade de uma cidade-estado com tanta multiplicidade cultural? Como criar uma identidade própria a partir de tantas outras sem que nenhuma saia prejudicada?” Diz o produtor que “a música não escapa a essa procura de identidade.” Assim, “há um movimento ‘experimental’ na cena musical local que tenta explorar novos caminhos.”

Nas palavras de David Valentim, “Singapura e Filipinas são dois lugares antónimos na Ásia”. Temos, assim, por um lado, Singapura, local de estabilidade económica, boas infra-estruturas, harmonia social e baixíssimos níveis de criminalidade. “Lugar de um consumismo extremo onde o verdadeiro desafio diário é criar um equilíbrio entre avassaladora e competitiva vida profissional e a necessária vida pessoal de qualquer ser humano.” No que diz respeito às Filipinas, sobretudo Manila, pode dizer-se que se trata de “um paradigma de sociedade caótica, sufocante, pobre, quase tribal em alguns aspectos. Quase tudo funciona mal nas Filipinas, mas o encanto é mesmo esse: perceber como se produz cultura num local onde é tão difícil

ter qualidade de vida, mas que ao mesmo tempo oferece uma história tão rica quanto antiga (ao contrário de Singapura).” Acrescenta o produtor que, no caso da música feita nas Filipinas, toda esta realidade surge reflectida “na forma como o lado étnico e ‘folk’ está presente no panorama local”, que fica completo com uma vasta diversidade que vai desde o Rock ao Hip-Hop. Esta mistura de géneros modernos e as influências étnicas pode ser comprovada na colaboração entre os portugueses Blasted Mechanism e a banda ‘folk’ Toi, de Manila. Enquanto produtor, David Valentim diz ter procurado “as bandas que melhor representam a música feita actualmente nos três territórios, e sobretudo aquelas pelas quais nutro um elevado gosto pessoal.” Além de ter escolhido os músicos e as bandas, David Valentim encarregou-se de que o disco tomasse uma forma coerente, instruindo os artistas das indicações directas do que pretendia. Como o próprio diz, “sou um pouco a pessoa que coloca as peças do puzzle e faz com que tudo bata certo.” Para que tudo fizesse (ainda mais) sentido, os discos do projecto deveriam ser complementados com um evento anual pensado como um festival. David Valentim já tem o nome e o lugar: T(h)ree Bridges, em Macau. A ideia consiste em juntar no mesmo palco músicos portugueses e asiáticos. Que melhor lugar do que Macau? Na cabeça de David Valentim, o projecto deste festival tem, pelo menos, 4 anos. Já bateu a várias portas e várias vezes o deixaram sem resposta. Não é despropositado lembrar que T(h) ree não é subsídio-dependente, porque, como David Valentim diz, “com ou sem apoios, os álbuns são lançados, mesmo que no fim tenha que ser o produtor a pagar os seus custos.” No entanto, transpor a aventura dos discos para os palcos é uma empresa que carece de apoios e que deveria suscitar o interesse generalizado. Além da música, T(h)ree celebra o famigerado diálogo inter-cultural que, aqui em Macau, serve para tudo e mais alguma coisa. Oxalá não tarde muito até que este projecto único tenha o palco que merece.


sexta-feira 30.3.2012

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Arnaldo Gonçalves

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crepúsculo dos ídolos

Hong Kong em tempo pós-eleitoral 1. Hong Kong elege o seu terceiro Chefe do Executivo da sua curta história como Região Administrativa Especial da RPC e não se pode dizer que a escolha de Chun-yin Leung seja de todo surpreendente. Nos dois candidatos à escolha o Colégio Eleitoral cuja maioria de membros é sugerida por Pequim decidiu-se pelo menos controverso, ou porventura o que dá melhores garantias de fazer cumprir a política do Governo Central para Hong Kong, fazendo ainda a ponte com os “tycoons” e os grandes grupos empresariais e financeiros. A eleição de Chun-yin Leung não deixa ainda de se traduzir num facto singular: o Colégio Eleitoral preferiu o filho do polícia que se fez primeiro líder sindical e depois empresário do ramo imobiliário ao “princeling” de uma das mais importantes famílias do mundo financeiro da colónia vizinha. Isso poderá significar a mudança de uma prática (também comum em Macau) de Pequim escolher os filhos dos líderes da comunidade empresarial local, os chamados “potentados” para chefes de governo das Regiões Administrativas, abrindo oportunidade aos “self-made men”naturalmente alinhados com o Governo Central.

Chun-yin Leung

Ainda assim por pouco que pareça a muitos que prefeririam uma eleição por sufrágio directo e universal, o sistema político de Hong Kong tem mostrado elasticidade e capacidade de evoluir no sentido das expectativas da população e da desejabilidade da democracia. Espera-se agora que em 2017 a especificação de verdadeiras alternativas de voto faça o seu caminho e a população possa ter um envolvimento mais directo na escolha do seu chefe do governo e mais tarde dos seus representantes no LEGCO. O combate pela democracia é longo e cheio de percalços mas a pujança da sociedade civil na ex-colónia britânica mostra que se está no bom caminho. O desafio é, no entanto, duplo. Desde logo pelo lado das forças pro-Pequim que terão de libertar-se do instinto corporativo e seguidista com que se afirmaram no xadrez político de Hong Kong, sendo até aqui uma câmara de eco da vontade e das decisões do Partido Comunista Chinês mais que forças que representam sensibilidades da população eleitora. O comportamento, por exemplo, do Partido Liberal na campanha eleitoral é revelador de um partido de “grandes egos e muitas vaidades”mas

“Donald Tsang apresta-se a deixar as responsabilidades de chefe do executivo de Hong Kong sem se ter libertado da imagem que era um primeiro responsável da administração da RAEHK de recurso, alguém que Pequim lançou mão depois do desastre de Tung Chee-Hwa” sem a mínima percepção dos interesses do povo de Hong Kong e da cidade-estado como um todo. O desafio coloca-se também para o lado das forças anti-Pequim que neste processo eleitoral apareceram mais com uma força política do “bota-abaixo” do que uma verdadeira alternativa ao situacionismo dos partidos pro-Pequim. Profundamente divididos entre personalidades políticas que se afirmaram nos últimos anos da administração Patten e novos grupos de esquerda

radicais e de discurso extremado, as forças anti-Pequim não conseguem desfazer a ideia que são eficientes a criticar mas incapazes de se construírem como alternativa política e sobretudo alternativa de governo pós-2017. Alberto Ho, o conhecido solicitador de Hong Kong e fundador do Partido Democrata, foi ele próprio a expressão desta enorme fragilidade política, vacuidade ideológica e total ausência de capacidade de liderança. A persistir nesta toada e estilo as forças de “esquerda” em Hong Kong arriscam-se a ser uma espécie de cortejo de Carnaval onde se brinca e ironiza a vida social ou os lideres mas que ninguém leva a sério. Nem Pequim nem sobretudo a população de Hong Kong.

2.

Donald Tsang apresta-se a deixar as responsabilidades de chefe do executivo de Hong Kong sem se ter libertado da imagem que era um primeiro responsável da administração da RAEHK de recurso, alguém que Pequim lançou mão depois do desastre de Tung Chee-Hwa. A forma hesitante como abordou os vários problemas que se colocaram a Hong Kong nestes anos: o SARS, a crise financeira, a Lei de Segurança Interna, a reforma do sistema político pôs a nu a sua fragilidade como líder, a ineficácia como governante, e a dificuldade em comunicar e se relacionar com grupos, associações e centros de interesses na excolónia. Desastrado na forma como geriu o conhecimento público das suas ligações a alguns importantes “tycoons” de Hong Kong e Macau, deixou a impressão que é permeável às pressões dos grupos de interesses, que tem da natureza das responsabilidades de chefe do executivo da RAEHK uma noção pouco consistente com as mesmas. Faltará agora saber-se se esta cumplicidade no que o politólogo Michael Waltzer chama a confusão entre as esferas de poder, poder económico, poder político ou poder dos “media” não terá outras envolvências e outro dramatismo. Nesse caso, frágil como se encontra, dificilmente as responsabilidades de Donald Tsang poderão ser silenciadas ou desculpadas. O verter das lágrimas pode ser, numa primeira vez, um expediente eficaz num momento de grande aflição política mas dificilmente resistirá à etiqueta de ridículo se for tentado uma segunda vez. A história tem uma absoluta falta de reconhecimento para os que escolhem este tipo de postura e comportamento político. A história recorda líderes como Churchill, Roosevelt, Thatcher, Deng mas não Chamberlain ou Donald Tsang. Como disse Churchill “o preço da grandeza é a responsabilidade”.

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sexta-feira 30.3.2012

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c a r t o on Rei Ghob condenado a 25 anos de prisão por dois homicídios

ESPANHA

por Steff

O colectivo de juízes do Tribunal de Torres Vedras condenou esta quintafeira Francisco Leitão, conhecido por Rei Ghob, a 25 anos de prisão por dois crimes de homicídio. Nas alegações finais, Ministério Público e advogados das famílias pediram condenação com pena máxima, enquanto o advogado de defesa pediu “que seja feita justiça não com uma pena máxima, mas com uma pena justa”, por considerar que “a prova é tudo menos clara”.

Beyonce arrisca-se a ser a cadela mais pequena do mundo

Quando nasceu, cabia numa colher de sopa. As pequenas dimensões de Beyonce já fazem dela uma grande estrela, por se tratar, ao que tudo indica, da cadela mais pequena do mundo. A curta história de Beyonce, divulgada pelo The Sun, já faz eco na Califórnia e no mundo, depois de uma equipa de voluntários da Grace Fundation ter resgatado a mãe do animal, de raça dachshund. Beyonce foi o última cria a nascer e, na altura, não respirava. Depois de manobras de reanimação e respiração boca-a-boca por parte dos voluntários, estava ali uma nova vida. Mais pequena do que um iPhone, a pequena cadela faz as delícias dos fotógrafos. Agora, será enviado um pedido ao Guiness, para que a cadela seja certificada como a mais pequena do mundo.

Já pode fazer inimigos no Facebook

O Facebook é uma rede social que tem como base o conceito de fazer amigos e de estar em ligação com as pessoas mais queridas. No entanto, um utilizador achou que o Facebook era demasiado amigável e decidiu criar uma aplicação que permite às pessoas assinalarem ou marcarem quem são os seus inimigos. Dean Terry, o criador da EnemyGraph, quer mostrar que no Facebook há diferenças de gostos e opiniões e, desse modo, acredita ser necessário que uma pessoa diga que não gosta de algo ou alguém. “A maioria das redes sociais tentam ligar os seus utilizadores através da afinidade. Se uma pessoa gosta das mesmas coisas que eu, então nós devemos ser amigos. Mas as pessoas também se sentem ligadas através daquilo que não gostam”, escreveu Dean Terry, na sua página pessoal na Internet.

Cassini acha condições favoráveis para a vida em lua de Saturno

A sonda espacial Cassini registou jactos de água gelada em vários voos próximos à superfície de uma lua de Saturno, Encélado, que poderiam indicar um habitat propício para a existência de vida, informou a NASA no seu site esta quarta-feira. “Mais de 90 geiser de todos os tamanhos estão a emitir vapor de água, partículas de gelo, e componentes orgânicos na superfície do Polo Sul de Encélado”, disse Carolyn Porco, chefe da equipa de Imagens Científicas da sonda espacial Cassini.

Vinte milhões de homens sem mulher para casar

Eles são mais que as mães

O

fosso entre o número de rapazes e raparigas nascidos na China diminuiu em 2011, pelo terceiro ano consecutivo, mas no final da década, haverá 24 milhões de homens que não encontrarão uma mulher para casar, foi ontem noticiado. Os dados apurados pelo Gabinete de Estatísticas da China “mantêm-se acima do limite, confrontando o país com a árdua tarefa de aliviar o desequilíbrio entre os sexos”, alertou o Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC). Em 2011, nasceram 117,78 rapazes por cada 100 raparigas, contra 117,94 por 100 em 2010 e 119,45 por 100 no ano anterior. O recorde, neste domínio, ocorreu em 2008, quando nasceram 120,56 rapazes por 100 raparigas, muito acima do «ratio» considerado normal (entre 103 e 107 por cada 100 raparigas). “É um problema demográfico e também um grave problema social”, disse um responsável da Comissão Estatal da População e Planeamento Familiar citado pelo Diário do Povo. Segundo estimativas ofi-

Ciclone

ciais, em 2020, haverá mais 24 milhões de homens em idade de casar do que mulheres. O fenómeno está associado à drástica política de controlo da natalidade “um casal, um filho”, imposta há 30 anos em todas as zonas urbanas da China. Devido à tradicional preferência por um filho do sexo masculino, o único que transmite o apelido da família aos

descendentes e trata dos pais na velhice, muitos casais interrompem a gravidez se descobrem que o feto é do sexo feminino. Os médicos e hospitais estão proibidos de fazer testes para apurar o sexo dos futuros bebés, mas no ano passado, só numa província (Jiangxi), foram descobertos 2.064 casos de violação dessa regra, referiu o Diário do Povo. - Lusa

Lula anuncia vitória sobre cancro e regresso à política

O antigo Presidente brasileiro Lula da Silva divulgou uma mensagem em vídeo, onde anuncia o fim da sua batalha contra o cancro na laringe e antecipa o seu regresso à política. “Agora volto à minha militância política com muito mais cuidado, muito mais maduro, muito mais calejado. Pensando em primeiro lugar em cuidar da saúde, mas, sobretudo, em continuar lutando para tentar melhorar a vida do brasileiro um pouco mais”, diz Lula da Silva. O ex-chefe de Estado não deixou de lado a fé e agradeceu a Deus, aos médicos, à mulher, Marisa, e à Presidente brasileira, Dilma Rousseff, pelos apoios manifestados.

Merah foi sepultado em França, depois de recusa da Argélia

Todo aquele que pensa, fala e anda sempre muito direitinho, fica como um relógio de parede sem pêndulo se algo disso falhar. POR FERNANDO

O assassino confesso de Toulouse, Mohamed Merah, foi ontem sepultado num cemitério dos arredores de Toulouse, disse à agência noticiosa France Presse o responsável religioso encarregado de organizar o funeral. A Argélia recusou que o homem fosse enterrado no seu território “por razões de segurança”. “Ficou no talhão muçulmano do cemitério de Cornebarrieu”, disse Abdallah Zekri, representante da Grande Mesquita de Paris. Zekri afirmou que Merah, assassino confesso de sete pessoas na região de Toulouse, seria enterrado em França depois da recusa das autoridades argelinas em autorizar que fosse enterrado no seu território. “Fui encarregado pela família de organizar o funeral nas próximas 24 horas em França, porque a Argélia recusou receber o corpo de Mohamed Merah por razões de segurança”, disse Abdallah Zekri, citado pela agência noticiosa France Presse.


Hoje Macau 30 MAR 2012 #2583