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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

ISTOCK

SEXTA-FEIRA 30 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4185

hojemacau

VISITA

A ROTA DE XI JINPING RÓMULO SANTOS

GRANDE PLANO

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

DORES DE HO IAT SENG

POLITICAMENTE CERTO OU ERRADO

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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OPINIÃO | PAUL CHAN WAI CHI

Para te ver melhor Até ao final de 2020 vão ser instaladas em espaços públicos 1.620 câmaras de videovigilância, 200 das quais equipadas com o sistema de reconhecimento facial. O projecto “Olhos no Céu” entrou em vigor há dois anos e já tem vida prometida pelo menos até 2026.

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PÁGINAS 4-5

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MICHAEL GARGUILO

PÁGINA 6


2 grande plano

Arnaldo Gonçalves, especialista em relações internacionais, e José Luís Sales Marques, economista, disseram à agência Lusa que os acordos assinados entre a China e Portugal podem originar novos investimentos nas áreas dos portos e ferrovias, sem esquecer as ligações a África e América Latina

30.11.2018 sexta-feira

XI JINPING EM LISBOA

OE PODER DO SPECIALISTAS em relações internacionais disseram à agência Lusa que a visita oficial do Presidente chinês a Portugal é uma oportunidade para garantir investimento em portos e na ferrovia, mas também em projectos tripartidos em África e América Latina. Os portos de Leixões e de Sines, a modernização da linha ferroviária que pode até passar pela privatização parcial ou total da Comboios de Portugal (CP), cooperação tripartida entre a China, Portugal e países africanos ou da América Latina para assegurar investimentos de grande escala são alguns dos exemplos dados por docentes e investigadores numa antevisão da visita oficial do Presidente chinês, Xi Jinping, a Lisboa. “Esta é uma oportunidade para se passar das palavras aos actos, de dar uma expressão económica às boas relações entre Portugal e a China”, sublinha o presidente do Fórum Luso-Asiático, Arnaldo Gonçalves, lembrando que “Portugal, só entre 2010 e 2016, tornou-se no sétimo país europeu em que se registou mais investimento chinês”. “Na área das infra-estruturas, está em cima da mesa a possibilidade de a China investir nos portos portugueses. O porto de Roterdão [Holanda]

ANALISTAS PREVÊEM INVESTIMENTOS EM PORTOS E FERROVIAS

“Se a China quer prosseguir o esforço no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ vai ter que ter um porto alternativo. Os portos de Leixões e Sines podem ser alternativas interessantes.” ARNALDO GONÇALVES

está sobrecarregado. Se a China quer prosseguir o esforço no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’vai ter que ter um porto alternativo. Os portos de Leixões e Sines podem ser alternativas interessantes”, sustenta o professor de Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto Politécnico de Macau. Por outro lado, acrescenta, “Portugal precisa, mais tarde ou mais cedo, de modernizar a sua linha ferroviária”, defendendo que o país necessita de adoptar uma postura mais pró-activa. “Para além dos portos, a privatização total ou parcial da CP poderia ser uma opção”, adianta o investi-

gador, lembrando, contudo, que a aposta chinesa em vias de comunicação terrestres e marítima “coloca problemas políticos delicados à União Europeia [UE]”, sobretudo “num quadro de reemergência do poder russo e da aproximação entre Xi [Jinping] e [Vladimir] Putin”. Ou seja, explica, Portugal tem que ter algum cuidado” e “acertar bem as agulhas com a União Europeia para, no fundo, não ser uma ‘lebre’ posta a correr por Pequim contra a própria política externa da UE”. A possibilidade de Portugal receber novos investimentos nestas áreas foi anunciada por Augusto Santos Silva, ministro português dos Negócios Estrangeiros, aquando da sua recente visita a Macau. Santos Silva disse que a assinatura de um memorando de entendimento no âmbito da política “Uma Faixa, Uma Rota” poderia ser assinado durante a presença de Xi Jinping na capital portuguesa, entre os dias 4 e 5 de Dezembro, ainda que este não será assinado “a qualquer preço”. O ministro português deixou também claro que o Porto de Sines é “o melhor ponto” para que a “nova Rota da Seda ancore na Europa”.

José Sales Marques, acredita que ainda há espaço “para reforçar de forma significativa a cooperação” e que, também por isso, a visita de Xi Jinping a Portugal “é de grande simbolismo” porque “acontece num momento em que as relações estão num ponto muito alto” e após uma década “de forte expressão económica”. Sales Marques expressa a sua convicção de que, “a ser assinado um memorando de entendimento no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’” durante a visita de Xi Jinping, é possível que se verifique um entendimento conjunto “sobre projectos como o porto de Sines e a ligação ferroviária [de alta velocidade] até Espanha”. O docente e investigador alerta, também, que os compromissos

“UM GRANDE SIMBOLISMO”

Já o presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM),

Visita “acontece num momento em que as relações estão num ponto muito alto” e após uma década “de forte expressão económica.” JOSÉ LUÍS SALES MARQUES

NÚMEROS CAPITAIS 3.393 MILHÕES • Valor em dólares do saldo da balança

comercial entre Portugal e a China, entre Janeiro e Julho deste ano. Durante aquele período, Portugal comprou ao país asiático bens no valor conjunto de 2.099 milhões de dólares (+1,43 por cento, em termos homólogos), e vendeu mercadorias num total de 1.294 milhões de dólares (+16,87 por cento).

130 MILHÕES DE EUROS • Montante gasto pelos turistas chineses durante a sua estada em Portugal, no ano passado.

vigor, em Outubro de 2012.

1.110 • Portugueses que residiam na China, em 2016.

27.854 • Vistos emitidos pelas secções consulares

100 • Treinadores portugueses de futebol a trabalhar na China.

Portugal e o seu sexto fornecedor.

portuguesas na China continental (exclui Macau e Hong Kong), em 2017. A China é o segundo país onde Portugal mais emite vistos, a seguir a Angola.

10.000 MILHÕES DE EUROS • Montante investido em

15 • Centros de vistos que Portugal tem na China, a cargo do

25 • Universidades da China continental com licenciatura em

13.º • A China era, em Julho deste ano, o 13.º cliente de Portugal pela China, desde que, em 2012, a China Three Gorges (CTG) comprou uma participação de 21,35 por cento no capital da EDP.

256.735 • Turistas chineses que visitaram Portugal, em 2017, um acréscimo de 40,7 por cento, face ao ano anterior.

grupo privado VFS Global.

3.952 • Cidadãos chineses que obtiveram a Autorização de Residência para a actividade de Investimento (ARI), os chamados vistos 'gold', desde que o programa entrou em

O 'desporto-rei' será a área que mais portugueses emprega no país, reflectindo a ambição de Pequim de elevar a selecção chinesa ao estatuto de grande potência.

língua portuguesa.

4 • Número de universidades portuguesas - Aveiro, Coimbra,

Lisboa e Minho - onde o Instituto Confúcio, organismo patrocinado por Pequim para assegurar o ensino da língua e cultura chinesas, está já implantado.


grande plano 3

sexta-feira 30.11.2018

ATLÂNTICO O

Presidente chinês, Xi Jinping, chega a Lisboa em visita oficial, na terça-feira, antecipando o arranque do ano da China em Portugal e preparando a comemoração de 40 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Quando for proclamado o Ano do Porco, a 5 de Fevereiro do próximo ano, uma enorme festa popular animará as ruas de Lisboa, não apenas para celebrar a chegada do novo ano chinês, mas também para recordar os 40 anos de história das relações diplomáticas entre Portugal e a China. A visita de Xi Jinping, que termina na próxima quarta-feira, vem antecipar e preparar essas celebrações, que terão o seu contraponto na China, com a declaração

Epoca festiva ´

Visita presidencial antecipa Ano da China em Portugal

do ano de Portugal na China, em simultâneo, como foi anunciado em Julho passado pelo então ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. A deslocação do Presidente chinês foi avançada pela primeira vez por Marcelo Rebelo de Sousa, em Junho, e então classificada pelo Presidente português como “muito importante” e espelho da “capacidade de diálogo e de entendimento”. Xi vai reunir-se, em Lisboa, com o homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o

primeiro-ministro, António Costa. A delegação de Xi Jinping inclui Yang Jiechi, membro do Gabinete Político do Comité Central do Partido Comunista Chinês, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado, Wang Yi, e o presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do país, He Lifeng. As celebrações do ano de Portugal na China e do ano da China em Portugal incluem apresentações de companhias de bailado, concertos e exposições, num programa que foi

meticulosamente estudado entre os dois governos, durante uma visita do ministro da Cultura português à China, em Julho.

PRIMEIRA DESDE HU

As relações diplomáticas entre Portugal e a China estabeleceram-se a 8 de Fevereiro de 1979, depois de as negociações formais entre representantes de Portugal e da China se terem iniciado, em Paris, em 1978, três anos depois de o novo regime democrático em Portugal ter reconhecido o governo da República Popular da China, em Janeiro de 1975. As celebrações também recordam os 20 anos da transferência da soberania de Macau para a República Popular da China, que aconteceu a 20 de Dezembro de

entre Portugal e a China não podem colidir com os interesses europeus, devendo “estar sujeitos a regras definidas pelo Tratado de Lisboa relativas a acordos sobre investimento estrangeiro”. O presidente do IEEM destaca a importância da “nova realidade ao nível das relações bilaterais entre os dois países”, mas admite que será interessante verificar “até que ponto podem surgir, em concreto, projectos de investimento trilateral entre Portugal, China e um país africano, lusófono ou não”. Uma opinião partilhada por Arnaldo Gonçalves, que junta a possibilidade de Lisboa e Pequim poderem acordar “investimentos tripartidos (…) não só em África, como também na América Latina”. Afinal, exemplifica, “houve investimentos brutais chineses que fizeram disparar a dívida interna brasileira e que aparentemente vão ser congelados pelo Presidente [Jair] Bolsonaro”, pelo que “Portugal pode limar, aí, algumas arestas”. Por seu lado, José Sales Marques, que faz questão em enumerar as manifestações das relações sino-portuguesas, como os ‘vistos gold’, aquisição da EDP, crescente fluxo turístico e até as celebrações em Portugal do Dia da China e do Ano Novo chinês como provas de que Lisboa “tem de continuar a olhar sem preconceitos e com naturalidade para o investimento” de Pequim. “A visita coloca Portugal no mapa”, conclui por sua vez Arnaldo Gonçalves, alertando para uma outra prioridade, a de que os responsáveis políticos portugueses têm de acautelar situações como a entrada de empresas lusas no mercado chinês. A.S.S./Lusa

1999. “Macau joga um papel de grande importância” na relação entre os dois países, afirmou em Julho o então ministro da Cultura, mencionando a forma positiva como os dois países se entenderam para a transição de soberania daquele território. A visita de Estado de Xi Jinping é a primeira desde Novembro de 2010, quando o então Presidente da China, Hu Jintao, esteve em Lisboa. Em 2017, no momento de celebração do Novo Ano chinês, o Ano do Galo, um galo de Barcelos com 10 metros de altura, da autoria da artista Joana Vasconcelos, foi enviado para a China, simbolizando “a amizade entre os povos e os países”, como disse na altura o primeiro-ministro português, António Costa.


4 assembleia legislativa

30.11.2018 sexta-feira

Debaixo de SEGURANÇA RECONHECIMENTO FACIAL EM 200 CÂMARAS DE VIDEOVIGILÂNCIA ATÉ 2020

Panfletos Pornográficos ou não?

A deputada Chan Hong perguntou ao Secretário para a Segurança que tipo de medidas tem posto em marcha para “erradicar” uma situação que “perdura há muito tempo” e que tem um impacto “negativo” não só para a imagem de Macau como para os jovens da terra. Em causa a distribuição de “panfletos pornográficos” principalmente junto aos casinos, uma actividade que, segundo lamentou a também vice-presidente da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar, acaba por passar incólume, dado que muitos detidos acabam por não ser formalmente acusados. “O essencial tem que ver com o conceito de pornografia”, sublinhou Wong Sio Chak, apontando que, à luz da lei relativa sobre a venda, exposição e exibição públicas de material pornográfico e obsceno, teria que verificar-se a exibição de órgãos ou actos sexuais, pelo que os tribunais actuam em conformidade. “É necessário haver consenso sobre o que constitui pornografia”, realçou, prometendo fazer estudos relativamente ao assunto com vista a uma eventual revisão da lei.

Polícia Homens versus mulheres

Chan Wa Keong insinuou ontem a possibilidade de a segurança do território ser beliscada por os requisitos exigidos às mulheres que ingressam na polícia em termos de condições físicas serem inferiores. “Não há diferenciação na prova escrita, mas há na física. Não estou a discriminar o sexo feminino, mas são os factos”, observou, contando o caso de uma agente que, com medo de fazer a patrulha durante a noite, tinha de ser acompanhada pelo namorado. “Como é que são distribuídas as funções?”, questionou o deputado nomeado, que acabou por ferir susceptibilidades, nomeadamente de Wong Kit Cheng, da Associação das Mulheres. “Há tarefas que implicam inteligência”, em vez de força física, respondeu o secretário, apontando que actualmente as mulheres representam 22 por cento do universo de efectivos que integram as forças de segurança. Como ressalvou, as percentagens variam, sendo que no Corpo de Bombeiros, por exemplo, representam 4,73 por cento.

Prisão Papéis invertidos sobre novo edifício

No plenário, o Secretário para a Segurança foi confrontado também com o andamento da nova prisão por deputados como Wong Kit Cheng, que recordou que a empreitada começou em 2010 e vai em mais de mil milhões de patacas. Na réplica, Wong Sio Chak respondeu que ia perguntar a Mak Soi Kun, deputado e empreiteiro, sublinhando que da última vez que o fez resultou, dado a que a segunda fase de construção está em vias de ser finalizada. Foi o que atestou o director dos Serviços Correccionais, em complemento, indicando, porém, que o Estabelecimento Prisional de Coloane vai ter de ser submetido a mais obras até que nasça a nova infra-estrutura face ao crescente aumento da população prisional, fixada actualmente em 1412 reclusos, ou seja, 90 por cento da sua capacidade. Segundo Cheng Fong Meng, pelo menos a curto prazo vão ser criadas mais 20 celas. Os deputados abordaram também a falta de recursos humanos, com o mesmo responsável a indicar que actualmente existem 617 guardas prisionais, havendo 139 vagas por preencher. “Há cada vez mais falta de pessoas e, portanto, no próximo ano, vamos abrir concurso para contratar”, adiantou.

Escutas ilegais Visados compensados

O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou ontem que quem for visado por uma escuta ilegal vai poder pedir uma compensação. “A pessoa lesada pode pedir compensação junto do Governo”, revelou em resposta à deputada Ella Lei, que manifestando preocupações relativamente ao Regime de Intercepção das Comunicações, que deve dar entrada na Assembleia Legislativa em 2019, abordando a suspeita de actos ilegais que geram os cortes e ruídos durante chamadas telefónicas. Segundo Wong Sio Chak, no futuro, após a avaliação do procedimento, haverá um “mecanismo para comunicar ao interessado” a escuta ilegal de que foi alvo, permitindo-lhe exigir então uma compensação. Face à falta de confiança no domínio da protecção do direito à privacidade, invocada pelos deputados, Wong Sio Chak reiterou que todo o processo passa sempre por um juiz que, após a aprovar as escutas, emite dois despachos – um dirigido à polícia e outro para a companhia de telecomunicações - sendo que ambos têm contas a prestar. “A Companhia de Telecomunicações tem este dever e tarefa de proteger a privacidade e os dados pessoais, caso contrário, tem que assumir as devidas responsabilidades”, afirmou o secretário para a Segurança, revelando ainda que, no futuro, vai ser criado “um crime autónomo não só para limitar a polícia, mas também a companhia de telecomunicações”.

Uma em cada dez câmaras de videovigilância a instalar até Março de 2020 em do plano “Olhos no Céu”, vai ter uma nova valência: reconhecimento facial


assembleia legislativa 5

olho

espaços públicos, no âmbito

D

AS 1.620 câmaras que vão ser instaladas até ao final de 2020, ao abrigo do sistema de videovigilância em espaços públicos, conhecido como “Olhos no Céu”, 200 vão ser dotadas do sistema de reconhecimento facial. A revelação foi feita ontem pelo Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, no primeiro dia do debate sectorial da das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano, na Assembleia Legislativa. “Vamos escolher 50 câmaras de cada fase para inserir a função de reconhecimento facial”, afirmou. O projecto “Olhos no Céu”, lançado há dois anos, tem quatro fases, englobando um total de 1620 câmaras de videovigilância a instalar até Março de 2020. De acordo com dados dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), encontra-se actualmente em curso a quarta etapa relativa à colocação de 800 câmaras em lugares isolados e com risco. A primeira versou sobre as zonas em torno das fronteiras (219), a segunda sobre as principais vias rodoviárias (263), enquanto a terceira fase de instalação de câmaras (338), concluída em Junho último, teve como alvo os pontos turísticos, infra-estruturas críticas e os denominados ‘pontos negros’ da segurança.

PARA DURAR

O sistema de videovigilância em espaços públicos foi um dos principais temas levantados pelos deputados que quiseram saber exactamente qual o contributo das câmaras espalhadas pela cidade para o combate ao crime. “Até ao momento, houve 1208 casos em que, no decurso da investigação, foram consultados os registos gravados, envolvendo crimes de droga, roubo, furto ou fogo posto”, indicou o Secretário para a Segurança, para quem os números evidenciam o papel do sistema no aumento da eficiência da investigação, prevenção e repressão da criminalidade. Tanto que – embora não tenha sido formalmente anunciado – há já um plano para a quinta e sexta fases do “Olhos no Céu”, adiantou Wong Sio Chak, dando conta de que vão debruçar-se sobre os novos aterros, estando a data de entrada em funcionamento prevista para 2026.

Sistema de câmaras de videovigilância nos espaços públicos com plano até 2026 Face aos resultados alcançados com o sistema de videovigilância em espaços públicos houve deputados, como Davis Fong e Zheng Anting, a propor a possibilidade de ser estendido aos casinos, com a valência do reconhecimento facial, a qual foi descartada pelo secretário para a Segurança. “Os casinos não são zonas públicas, logo a polícia não pode instalar [câmaras] com a função de reconhecimento facial”, afirmou Wong Sio Chak, apontando que a única coisa que as autoridades podem fazer é solicitar às operadoras de jogo as gravações para servirem eventualmente de provas em investigações. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

sexta-feira 30.11.2018

Em banho-maria O

Falta de planeamento urbanístico atrasa centro logístico da Ponte HKZM

projecto de criação de um centro logístico junto à Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau encontra-se estancado devido à falta de planeamento urbanístico. Foi o que indicou ontem o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, após ser questionado pelos deputados a propósito no primeiro dia de debate sectorial das Linhas de Acção Governativa (LAG) da sua tutela. “A 27 de Junho, o Chefe do Executivo delegou poderes aos serviços para os trabalhos preparatórios. Os Serviços de Alfândega entraram em contacto com a Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego e com o sector logístico para opiniões técnicas e pensámos em realizar uma consulta pública em finais deste ano ou no início do próximo, mas devido aos trabalhos do planeamento urbanístico a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) pediu para aguardarmos um pouco”, explicou. Neste âmbito, Wong Sio Chak adiantou que, no próximo ano, a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança vai passar a ser responsável pelos trabalhos de concurso público para adjudicação das actividades comerciais na zona de administração do posto fronteiriço de Macau na Ponte do Delta.

SEM RECURSOS HUMANOS

O impacto da abertura, há pouco mais de um mês, foi um dos temas que também suscitou uma série de perguntas por parte dos deputados devido ao fluxo nas fronteiras. “Estamos a sentir muita pressão”, confirmou o Secretário para a Segurança,

atestando a falta de recursos humanos. “Destacamos 210 agentes para fazer inspecções alfandegárias [na ponte do Delta]. Em Hong Kong são 600 e em Zhuhai há 500”, apontou. Wong Sio Chak deu outro exemplo: “Nas Portas do Cerco, o número de trabalhadores é o dobro e temos o mesmo volume de trabalho”. O secretário para a Segurança recordou ainda o “incidente” do passado sábado, dia em que foi batido um duplo recorde em Macau: as Portas do Cerco registaram 460 mil movimentos e os todos os postos fronteiriços 620 mil. Neste âmbito, Wong Sio Chak aproveitou para destacar as mais valias das novas tecnologias, indicando que para o posto fronteiriço de Qingmao, actualmente em construção, vai ser estudado um novo modelo de passagem. Em curso com as entidade congéneres da China estão igualmente conversações sobre o futuro desenvolvimento do posto fronteiriço da Flor de Lótus, incluindo sobre esse ponto em particular. “Há neste momento falta de recursos humanos”, reconheceu o Secretário para a Segurança, indicando que, no ano passado, o Chefe do Executivo autorizou a contratação de mais 300 trabalhadores para a sua tutela, sendo o Corpo dos Bombeiros um dos departamentos que mais preocupa. Actualmente, segundo indicou, os efectivos das forças de segurança, estimados em aproximadamente 11 mil, representam 35,12 por cento do universo de funcionários públicos, uma proporção inferior nomeadamente a Hong Kong (37,5 por cento), indicou o Secretário para a Segurança. D.M.


6 política

30.11.2018 sexta-feira

PUB RÓMULO SANTOS

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Notificação da decisão sancionatória) Considerando que não é possível notificar pessoalmente os interessados, em cumprimento do disposto no nº 2 do artigo 72º e nos termos e para os efeitos dos artigos 93º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo, notificam-se os abaixo mencionados das decisões sancionatórias do Exmo. Senhor Director da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, nos termos do artigo 13º da Lei nº 10/2012, em consequência: Da violação do disposto na alínea 1) do nº 1 do artigo 2º da mesma Lei: · Por decisão de 04/05/2018, exarada na Informação nº 221/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$2.000,00 (duas mil patacas) a Yu Dairao, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº W85326XXX, por ter entrado nos casinos Galaxy Macau em 27/03/2017 e Waldo em 08/07/2017 – Proc. 89/2017; · Por decisão de 04/05/2018, exarada na Informação nº 222/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Fan Tiantian, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C58613XXX, por ter entrado no casino Rio em 30/03/2017 – Proc. 90/2017; · Por decisão de 08/05/2018, exarada na Informação nº 223/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Zhu Kangshuai, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C34825XXX, por ter entrado no casino Casa Real em 26/03/2017 – Proc. 91/2017; · Por decisão de 08/05/2018, exarada na Informação nº 224/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Yang Langbin, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C56033XXX, por ter entrado no casino StarWorld em 16/04/2017 – Proc. 92/2017; · Por decisão de 08/05/2018, exarada na Informação nº 225/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Guo Weicheng, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C37405XXX, por ter entrado no casino Studio City em 16/04/2017 – Proc. 93/2017; · Por decisão de 08/05/2018, exarada na Informação nº 226/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Ye Jiayin, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C56707XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 18/04/2017, devendo reverter para a RAEM o montante por si ali ganho e depositado na tesouraria do casino, de HKD$800,00, devendo ainda fazer reverter para a RAEM o montante por si ali ganho, de HKD$4,50, nos termos do artigo 11º da mesma Lei – Proc. 94/2017; · Por decisão de 09/05/2018, exarada na Informação nº 227/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Cai Yunhao, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C22756XXX, por ter entrado no casino MGM Grand em 15/04/2017, devendo reverter para a RAEM o montante por si ali ganho e depositado na tesouraria do casino, de HKD$4.500,00, por constituir montante apostado e ser-lhe devolvido o montante de HKD$3.000,00, nos termos do artigo 11º da mesma Lei – Proc. 95/2017; · Por decisão de 11/05/2018, exarada na Informação nº 229/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Liao Qian, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C58653XXX, por ter entrado no casino Venetian em 26/04/2017 – Proc. 131/2017; · Por decisão de 11/05/2018, exarada na Informação nº 230/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Chen Xiaoming, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C60504XXX, por ter entrado no casino Parisian em 12/05/2017, devendo ainda fazer reverter para a RAEM o montante por si ali ganho, de HKD$1.000,00, nos termos do artigo 11º da mesma Lei – Proc. 134/2017; · Por decisão de 11/05/2018, exarada na Informação nº 231/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Chen Junyu, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C60695XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 04/06/2017 – Proc. 151/2017; · Por decisão de 11/05/2018, exarada na Informação nº 232/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Zhang Jinhai, titular do Passaporte da República Popular da China nº E90427XXX, por ter entrado no casino MGM Grand em 11/06/2017 – Proc. 160/2017; · Por decisão de 16/05/2018, exarada na Informação nº 233/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Yang Yulin, titular do Passaporte da República Popular da China nº E59967XXX, por ter entrado no casino Sands Cotai Central em 21/06/2017 – Proc. 196/2017; · Por decisão de 16/05/2018, exarada na Informação nº 234/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Guo Lei, titular do Passaporte da República Popular da China nº E81146XXX, por ter entrado no casino City of Dreams em 13/06/2017 – Proc. 161/2017; · Por decisão de 17/05/2018, exarada na Informação nº 235/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Wei Peng, titular do Passaporte da República Popular da China nº EA1991XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 04/07/2017 – Proc. 209/2017; · Por decisão de 17/05/2018, exarada na Informação nº 236/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Xu Guohui, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C46640XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 25/07/2017 – Proc. 210/2017; · Por decisão de 21/05/2018, exarada na Informação nº 238/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Cao Shuo, titular do Passaporte da República Popular da China nº E72268XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 28/07/2017 – Proc. 211/2017; · Por decisão de 21/05/2018, exarada na Informação nº 239/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Li Hao, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C49965XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 02/08/2017 – Proc. 240/2017; · Por decisão de 23/05/2018, exarada na Informação nº 242/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Shen Bingqi, titular do Passaporte da República Popular da China nº E88219XXX, por ter entrado no casino StarWorld em 14/01/2018 – Proc. 37/2018; · Por decisão de 23/05/2018, exarada na Informação nº 243/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Yao Jin, titular do Passaporte da República Popular da China nº E64774XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 19/01/2018 – Proc. 38/2018; · Por decisão de 27/06/2018, exarada na Informação nº 266/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Xu Xiaojun, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº W56244XXX, por ter entrado no casino MGM Grand em 10/04/2016 – Proc. 43/2016; · Por decisão de 27/06/2018, exarada na Informação nº 267/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Yang Yuyan, titular do Passaporte da República Popular da China nº E77552XXX, por ter entrado no casino Sands Cotai Central em 13/04/2016 – Proc. 44/2016; · Por decisão de 27/06/2018, exarada na Informação nº 268/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Mi Caifen, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C34033XXX, por ter entrado no casino StarWorld em 19/04/2016 – Proc. 47/2016; · Por decisão de 27/06/2018, exarada na Informação nº 269/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Huang Zhijun, titular do Passaporte da República Popular da China nº E58569XXX, por ter entrado no casino Venetian em 04/05/2016 – Proc. 56/2016; · Por decisão de 29/06/2018, exarada na Informação nº 270/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Leong Tang In, titular do BIR da RAEM nº 13206XX(X), por ter entrado no casino Oceanus em 23/06/2016 – Proc. 158/2016; · Por decisão de 02/07/2018, exarada na Informação nº 271/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Lai Yunqi, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº C34121XXX, por ter entrado no casino Galaxy Macau em 19/07/2016 – Proc. 163/2016; · Por decisão de 02/07/2018, exarada na Informação nº 272/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Zheng Zhiming, titular do Cartão de Residente da República Popular da China nº 43038119951228XXX, por ter entrado no casino Venetian em 08/11/2016, devendo ainda fazer reverter para a RAEM o montante por si ali ganho, de HKD$78.100,00, nos termos do artigo 11º da mesma Lei – Proc. 268/2016; · Por decisão de 03/07/2018, exarada na Informação nº 273/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Jia Musong, titular do Salvo-conduto da República Popular da China nº W62621XXX, por ter entrado no casino Venetian em 07/11/2016 – Proc. 269/2016; · Por decisão de 03/07/2018, exarada na Informação nº 274/GJ/2018, foi determinada a aplicação de uma multa de MOP$1.000,00 (mil patacas) a Huang Guozhao, titular do Passaporte da República Popular da China nº E71393XXX, por ter entrado no casino MGM Grand em 13/10/2017 – Proc. 302/2017; Das decisões ora notificadas cabe recurso contencioso imediato para o Tribunal Administrativo, nos termos do artigo 15º da Lei nº 10/2012, nos termos do artigo 25º, nº 2, do Código de Processo Administrativo Contencioso, a interpor no prazo de 30 (trinta) dias se residentes na RAEM, ou de 60 (sessenta) dias se residentes fora da RAEM. As referidas multas deverão ser pagas no prazo de 15 (quinze) dias a contar da data da publicação destes éditos, devendo a respectiva guia de pagamento ser levantada na sede desta Direcção de Serviços, na Avenida da Praia Grande, nº 762-804, edifício “China Plaza”, 21º andar, durante o horário de expediente. A falta de pagamento voluntário da multa determina a sua cobrança coerciva, nos termos do artigo 17º do Decreto-Lei nº 52/99/M. O processo de Infracção Administrativa poderá também ser consultado na sede desta Direcção de Serviços, durante o mesmo horário. Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, 12 de Novembro de 2018. O Director, Paulo Martins Chan

Dores passageiras Ho Iat Seng ausente das sessões plenárias por motivos de saúde

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presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, esteve ausente das últimas sessões plenárias por motivos de saúde. O HM confirmou junto da AL que o deputado eleito pela via indirecta tem estado a recuperar de uma inflamação aguda do nervo ciático, o que obrigou à sua substituição por Chui Sai Cheong, vice-presidente do hemiciclo e também deputado eleito pela via indirecta pelo sector profissional. Ho Iat Seng tem sido apontado por vários analistas como um provável candidato ao cargo de Chefe do Executivo. De acordo com um fisioterapeuta contactado pelo HM, esta patologia não tem gravidade suficiente para afectar o seu desempenho profissional, a carreira política no futuro ou a eventual candidatura ao mais elevado cargo político de Macau. “É uma situação temporária que se pode resolver com cirurgia ou fisioterapia, mas

em termos da vida profissional da pessoa esta continua activa para fazer tudo o mais. Em termos políticos, não vai alterar nada a sua vida, no seu quotidiano”, explicou Anselmo Santos, fisioterapeuta.

“É uma situação temporária que se pode resolver com cirurgia ou fisioterapia, mas em termos da vida profissional da pessoa esta continua activa para fazer tudo o mais. Em termos políticos, não vai alterar nada a sua vida, no seu quotidiano.” ANSELMO SANTOS FISIOTERAPEUTA

O especialista considerou ainda que estes episódios são sempre passageiros. “Em relação ao cargo político que desempenha, como é uma posição mental, para a qual é necessário pensar, falar e decidir, é uma posição em que esta patologia não afecta.” Ho Iat Seng esteve ausente dos dois debates onde se discutiram as Linhas de Acção Governativa (LAG) na área da Administração e Justiça, tendo falhado também o debate de ontem com Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, além da análise ao programa político do Governo para o próximo ano. Anteriormente, Ho Iat Seng esteve presente quando o Chefe do Executivo, Chui Sai On, apresentou o relatório das LAG para 2019. O HM tentou saber junto da AL quando está previsto o regresso de Ho Iat Seng às suas funções de deputado e há quanto tempo sofre desta patologia. Mas até ao fecho desta edição não foi obtida qualquer resposta. A.S.S.


sociedade 7

Droga Residente de HK condenado por tráfico de estupefacientes

TIAGO ALCÂNTARA

sexta-feira 30.11.2018

Um jovem de Hong Kong foi condenado a sete anos de pena de prisão pelo crime de tráfico de estupefacientes. De acordo com o Jornal Ou Mun, o jovem com 27 anos, em colaboração com outros dois homens, transportava cocaína para Macau recebendo 2000 dólares de Hong Kong pelo serviço. O detido foi apanhado no posto fronteiriço do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior por agentes dos Serviços de Alfândega na posse de uma grande quantidade de cocaína.

Crime Mecânico de automóveis detido por burla de 400 mil patacas

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um trabalhador de uma oficina de reparação de automóveis por suspeita de burla de seis proprietários de veículos danificados durante a passagem do tufão Hato, no valor de 400 mil patacas. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a PJ recebeu, de Dezembro de 2017 a Março deste ano, seis denúncias de proprietários que pagaram cada um entre 20 mil e 60 mil patacas depois de deixarem os carros danificados numa oficina situada na Areia Preta. Segundo a mesma fonte, os veículos nunca reparados. Após investigação, a PJ apurou que os carros se encontravam estacionados num auto-silo na Praça de Ponte e Horta ainda danificados. O suspeito, de 43 anos, foi detido na passada terça-feira depois de entrar em Macau pela fronteira das Portas do Cerco.

OBRAS CCCC HIGHWAY GANHA CONCURSO PARA CONCEBER TÚNEL ENTRE MACAU E TAIPA

TRÂNSITO SI KA LON PEDE CIRCUNVALAÇÃO PARA LIGAR MACAU ÀS ILHAS

O

deputado Si Ka Lon solicita a construção de vias que circundem a península de Macau, Taipa e Coloane, de modo a serem uma alternativa às deslocações que obriguem os automobilistas a atravessar as três zonas. O objectivo, aponta o deputado em interpelação escrita, é atenuar os problemas de trânsito. A ideia já foi, em parte, avançada pelo Governo quando comunicou que tencionava construir uma via de ligação entre a península de Macau, a zona A de novos aterros e a Taipa. No entanto, até à data, os trabalhos ainda não começaram. “Aconstrução de vias circulares não é muito difícil. É óbvio que existem dificuldades, mas o mais importante é que o Executivo tenha determinação”, refere o deputado. O tribuno interpela o Governo para que divulgue uma agenda concreta para a concretização de medidas que atenuem as pressões de tráfego e que esclareça se a construção de vias que circundem o território e da quarta ponte estão incluídas no plano urbanístico geral que se encontra em processo de elaboração. Por outro lado, Si sublinha que o trânsito tem sido uma das suas grandes preocupações tendo solicitado nos últimos anos ao Governo que tome medidas para o melhoramento das condições locais. Além disso, o deputado critica o Executivo por não limitar a circulação de veículos em Macau tendo em conta a capacidade do território. Si Ka Lon salienta ainda o aumento dos problemas de tráfego com a abertura da Ponte HKZM e durante a realização do Grande Prémio. V.N.

Imaculada concepção

A CCCC Highway Consultants Co ganhou a adjudicação para conceber o projecto preliminar e sondagem geotécnica do Túnel Subaquático junto à Ponte Governador Nobre de Carvalho. O estudo de viabilidade da obra foi adjudicado à mesma empresa. A gigante estatal CCCC Highway Consultants teve a seu cargo infra-estruturas de grande relevo, ao abrigo da política “Uma Faixa, Uma Rota”

A

concepção preliminar, sondagem geotécnica e estudo temático do túnel subaquático junto à Ponte Governador Nobre de Carvalho vai custar 99.270 milhões de patacas. A adjudicação foi atribuída à sucursal de Macau da CCCC Highway Consultants, que terá 800 dias para concluir os trabalhos. A gigante estatal tem tido a seu cargo inúmeros projectos em Macau, incluindo o estudo de viabilidade para a construção de dois túneis junto à referida ponte, adjudicado em Junho de 2016. Este trabalho vai custar, até 2020, mais de 7.2 milhões de patacas aos cofres do Executivo. Em Maio deste ano, a mesma empresa ganhou a

adjudicação para a elaboração do projecto da rede viária na periferia dos pontos de partida e de chegada da quarta ponte Macau – Taipa, no valor de quase 55 milhões de patacas.

MILHÕES EM FESTA

No rescaldo da recente visita de Xi Jinping às Filipinas, no meio do anúncio de vários projectos conjuntos que aumentam a influência de Pequim no disputado Mar do Sul da China, foram firmados acordos que envolvem a CCCC Highway Consultants. A gigante estatal ficou dois

estudos de viabilidade para infra-estruturas de dimensão considerável. Um dos trabalhos é autoestrada de Davao, com 26 quilómetros de extensão, e que terá o valor de quase 30 milhões de patacas. O outro estudo vai aferir a viabilidade do projecto de construção das pontes entre as ilhas Panay-Guimaras-Negros, num prazo de 14 meses. Em Janeiro último, um consórcio de que CCCC Highway Consultants faz parte ganhou a adjudicação de uma obra milionária na Croácia, uma ponte que irá custar 346 milhões de

A adjudicação foi atribuída à sucursal de Macau da CCCC Highway Consultants, que terá 800 dias para concluir os trabalhos.

dólares americanos aos cofres públicos do país banhado pelo Adriático. A construtora estatal chinesa tem sido uma das empresas beneficiadas pelos projectos estabelecidos ao abrigo da política “Uma Faixa, Uma Rota”, com obras feitas em locais tão distintos como Panamá, Tadjiquistão, Angola, Malásia. A empresa teve como accionistas Li Ka Shing, que já foi considerado o homem mais rico de Hong Kong, e Joseph Lau, empresário de Hong Kong condenado por corrupção em Macau. João Luz

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30.11.2018 sexta-feira

PORTAS DO CERCO TERMINAL DE AUTOCARROS REABRE A 15 DE DEZEMBRO

Mais de um ano depois, 13 carreiras vão voltar a circular e a parar no terminal das Portas do Cerco. Além disso, nos fins-de-semana e feriados os autocarros das excursões vão ficar proibidos de circular nas intermediações do terminal

O

terminal de autocarros das Portas do Cerco vai reabrir a 15 de Dezembro, com 13 carreiras. A revelação foi feita, ontem, pelo Director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San. “A partir do dia 15 de Dezembro, são 24 carreiras as que vão utilizar as imediações do terminal como paragem. Depois, as carreiras que vão parar no terminal das Portas do Cerco serão 13”, disse Lam Hin San, no final de uma reunião

TIAGO ALCÂNTARA

Adivinhem quem voltou

do Conselho Consultivo de Trânsito. “Por enquanto, vão ser 13 carreiras a utilizar o terminal, que tem uma média de 170 mil passageiros por dia”, acrescentou. Segundo as informações disponibilizadas, os autocarros número 1 (Barra - Av. Tamagnini Barbosa), 3 (Porto Exterior - Istmo F. Amaral), 10 (Barra - Av. Tamagnini Barbosa), 25 (Av. Tamagnini Barbosa Vila de Coloane), 25B (Rua dos Currais - Rotunda Flor de Lótus), AP1 (Portas do Cerco - Aeroporto de Macau) e MT4 (Parque Sun Yat Sen - Terminal da Taipa) vão ter as Portas do Cerco como paragem inicial. Já as carreiras 17 (Jardim Ca-

INSPECÇÕES PRIVADAS O

Governo está a preparar a abertura do sector da inspecção de veículos a empresas privadas. O cenário foi avançado, ontem, por Lam Hin San, que explicou que actualmente o Executivo faz a inspecção de 100 mil veículos por ano. Com a abertura do sector, existe a expectativa de reduzir a carga do trabalho do Governo, ao mesmo tempo que se acelera o processo para os proprietários de veículos. Lam frisou ainda que é comum que em outros países e regiões sejam os privados a fazer a inspecção.

Comércio Importações sobem 23 por cento entre Janeiro e Outubro As importações em Macau aumentaram 23,1 por cento entre os meses de Janeiro e Outubro relativamente ao mesmo período do ano passado. No total, o valor dos produtos importados contabilizou 74,31 mil milhões de patacas. As exportações também sofreram um aumento de oito

por cento relativamente ao período homólogo de 2017, totalizando 10,13 mil milhões de patacas. De acordo com os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, o défice da balança comercial foi de mais de 64 milhões de patacas nos 10 meses considerados.

mões - Centro Cultural), 27 (Ilha Verde - Areia Preta), 30 (Rua Lei Pou Chon Taipa), 34 (R. Marginal do Canal das Hortas - Jardins do Oceano) e 51A (The Praia - Av. Vale das Borboletas). Finalmente, a carreira 3X (Praça Ferreira Amaral - Istmo Ferreira do Amaral) vai utilizar o terminal como última paragem. Além da reabertura do trânsito no terminal das Portas do Cerco, a partir de 8 de Dezembro, nos fins-de-semana e feriados, os autocarros de turismo para as excursões ficam igualmente proibidos de circular perto do terminal, entre as 16h e as 20h. “É uma medida para aliviar a pressão do trânsito”, explicou Lam Hin San. “Passo a passo queremos fazer com que as excursões utilizem antes a fronteira da Ponte Hong Kong – Zhuhai - Macau”, clarificou.

MAIOR FREQUÊNCIA

Por outro lado, o director da DSAT admitiu que vai pedir à empresa responsável

“Há uma matrícula electrónica. Os carros de Hong Kong apenas precisam de ter a matrícula da RAEHK.” LAM HIN SAN DIRECTOR DA DSAT

pelos autocarros que fazem a travessia da nova ponte que aumentem a frequência. Após a abertura da ponte houve queixas sobre o número insuficiente de autocarros, o que fez inclusive com que

LÓTUS MAIS CARA

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s empresas TCM e Estrada para Veículos Ki-Kuan pediram e o Governo acedeu. A partir do próximo sábado o bilhete de autocarro para atravessar a Ponte da Flor de Lótus, no Cotai, vai aumentar para seis patacas, quando actualmente o custo é cinco. Este é o primeiro aumento desde 2016, explicado com os custos crescentes. “A DSAT procedeu à análise do pedido e verificou, relativamente ao Índice de Preços no Consumidor Geral e ao preço do gasóleo leve para veículos, aumentos de 3,3 por cento e de 6,3 por cento, respectivamente, quando comparado com o mesmo período do ano passado”, foi dito.

vários turistas do Interior da China se vissem forçados a ficar por Macau, no último fim-de-semana, quando pretendiam deslocar-se para Hong Kong. Ainda sobre a ponte, Lam Hin San explicou a existência de veículos de Hong Kong que circulam em Macau sem matrícula do território. “De acordo com a legislação em vigor, há uma matrícula electrónica. Os carros de Hong Kong apenas precisam de ter a matrícula da RAEHK e os carros de Macau também não precisam de meter a matrícula de Hong Kong”, clarificou. Contudo, o director da DSAT garantiu também que estas pessoas têm de cumprir as leis e que vão ser sancionadas como qualquer condutor em Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

PARQUÍMETROS ELECTRÓNICOS

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s parquímetros do estacionamento vão passar a ter de incluir obrigatoriamente meio de pagamento electrónico. Segundo Lam Hin San, o regulamento para os parques de estacionamento vai ser alterado. Uma das mudanças em perspetiva é tornar obrigatória a possibilidade de usar meios de pagamento alternativos às moedas. Além disso, o Governo quer utilizar os terrenos recuperados, enquanto ainda aguardam pelos projectos de aproveitamento, para o estacionamento de viaturas, de forma temporária.


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sexta-feira 30.11.2018

A

PORTUGAL/CHINA DO RECEIO DA TRANSIÇÃO AO ‘BOOM’ DE QUADROS LIBERAIS

As novas gerações

Quase 20 anos após a transição de Macau para a China, o receio sentido pela comunidade portuguesa deu lugar a uma nova geração de quadros liberais, disseram à Lusa Amélia António e Jorge Neto Valente dade na economia”, afirmou o presidente da Associação dos Advogados, que vive em Macau há cerca de 48 anos. Na mesma linha de raciocínio, Amélia António indicou: “as pessoas que agora vêm é gente muito mais nova com formação em muitas áreas diferentes” e que recentemente têm trabalhado cada vez mais nas concessionárias do jogo.

LÍNGUA DE DIREITO

De acordo com dados disponibilizados à Lusa pelos serviços consulares do Consulado Geral de Portugal

em Macau e Hong Kong, estão inscritos no Consulado mais de 160 mil cidadãos titulares de passaporte português e cerca de 5 mil cidadãos nascidos em Portugal. Os passaportes portugueses com direitos de cidadania plena - foram concedidos a qualquer pessoa nascida antes de 20 de Novembro de 1981, e a nacionalidade portuguesa foi garantida aos filhos dessas pessoas, daí a existência de mais de 160 mil cidadãos titulares de passaporte português. Da passagem da administração portuguesa ficou,

entre outros, os edifícios coloniais, a calçada portuguesa, os azulejos, mas também património imaterial como a língua portuguesa, que continua a ser oficial nos serviços públicos e o direito, que é de matriz portuguesa. “Há um grande interesse pela língua portuguesa, para a prática do direito, que é de matriz portuguesa e que é um direito que tem acesso a fontes doutrinárias portuguesas, há muitas obras jurídicas em português, sobre o direito português, mas que é transponível para Macau”, explicou o presidente da

Associação dos Advogados. “Ainda hoje se recorre muito à jurisprudência dos tribunais portugueses”, indicou. Este ano, o Governo de Macau limitou a investigação e os julgamentos em casos que envolvam a segurança do Estado apenas a magistrados do Ministério Público e juízes com cidadania chinesa, o que na opinião de Neto Valente “é um erro tremendo e é contra a Lei Básica”. Ao abrigo da Lei Básica, sob o enquadramento “um país, dois sistemas”, que permite ao território manter as suas características próprias

até 2049. “Durante 50 anos [de 1999 a 2049] a Lei Básica garante que um sistema anterior, sistema capitalista, não será alterado e que não vão ser aplicados em Macau as políticas socialistas (…) mas não diz lá que continua a ser igual a antes de Dezembro de 1999, porque o objectivo da China é absorver e integrar Macau”, considera Neto Valente. Apesar disso, o responsável pela Associação dos Advogados afirmou que o estabelecimento de Macau, por parte de Pequim, em 2003, como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa “é importante porque é uma forma de criar mais ligações ao mundo falante de português”, o que, na sua opinião é “um aspecto de valorização da língua portuguesa”. “Mas para ser falante de português não é preciso ser português e os chineses estão a investir muito na aprendizagem do português por chineses”, disse. LUSA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, afirmou à Lusa que “a comunidade portuguesa retraiu-se imenso durante esse período pós 1999, as pessoas sentiam-se inquietas, não sabiam como é que as coisas iam evoluir e refugiavam-se muito no seu círculo de amigos”. “Muita gente ligada à administração foi saindo”, explicou o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, a única associação pública profissional do território. A 13 de Abril de 1987, Cavaco Silva assinou em Pequim, enquanto primeiro-ministro de Portugal, a declaração conjunta luso-chinesa sobre a transferência da administração do território de Macau para a China até 20 de Dezembro de 1999, o início de um futuro incerto para muitos portugueses, que na sua maioria trabalhava na administração. Amélia António, que vive em Macau desde 1982 e que foi a primeira mulher a exercer advocacia no território, considerou que a Casa de Portugal, criada em 2001 e presidida pela advogada desde 2005, foi fundamental para a libertação cultural e para que a comunidade portuguesa conseguisse abraçar o novo papel que lhe estava destinado. “Não havia entidade nenhuma que promovesse e tivesse ligação com a presença e com a cultura portuguesa”, disse a presidente da associação, que aposta no desenvolvimento pessoal e na formação técnica dos seus associados através de cursos de artes plásticas, multimédia, cerâmica, fotografia, entre outros, mas também através do desporto, como as aulas de futebol, e das comemorações das datas mais importantes de Portugal. As profissões que acolhem mais portugueses continuam a ser a advocacia, engenharia, medicina e arquitectura, afirmaram os dois líderes associativos, mas mais recentemente, a partir do início da crise económica em Portugal em 2011, “têm vindo muitos portugueses para fora da administração, nomeadamente em empresas comerciais, de várias actividades, apontou Neto Valente. “O aumento dos portugueses nota-se mais quando em Portugal há mais dificul-

Amélia António, presidente da Casa de Portugal “A comunidade portuguesa retraiu-se imenso durante esse período pós 1999, as pessoas sentiam-se inquietas, não sabiam como é que as coisas iam evoluir e refugiavam-se muito no seu círculo de amigos.”


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30.11.2018 sexta-feira

A UNESCO REGGAE JAMAICANO INSCRITO COMO PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE

A

música reggae jamaicana foi ontem inscrita na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade por uma comissão especializada da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A UNESCO destacou “a contribuição” desta música para a consciência internacional “sobre questões de injustiça, resistência, amor e humanidade”, graças a ar-

tistas como Bob Marley, de acordo com um comunicado divulgado após a reunião em Port-Louis, capital da ilha Maurícia.O reggae “preserva toda uma série de funções sociais básicas da música - sujeita a opiniões sociais, práticas catárticas e tradições religiosas - e continua a ser um meio de expressão cultural para a população jamaicana como um todo”, sublinhou. A organização da ONU lembrou que o género musi-

cal surgiu de um “amálgama de antigos ritmos musicais jamaicanos e outros de origens muito diferentes: Caraíbas, América Latina e América do Norte”. Em todos os níveis do sistema educacional do país, “o ensino desta música está presente, de creches a universidades”, acrescentou o comunicado.

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AVISO sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi (para o ano de 2019) 1. Âmbito de aplicação Espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares a se realizarem durante o período compreendido entre os dias 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2019. 2. Requisito para o pedido de apoio financeiro Instituições constituídas em Macau sem fins lucrativos e que funcionem nos termos legais. 3. Instituições / Projectos que não são considerados prioritários ou que não lhes serão atribuídos subsídios (1) Instituições sem fins lucrativos com menos de um ano de funcionamento; (2) Projectos que não correspondem aos objectivos do requerente institucional; (3) Projectos a se realizarem fora da RAEM. 4. Prazo para formulação do pedido Desde dia 3 até ao dia 31 de Dezembro de 2018. Os pedidos formulados fora do prazo não serão admitidos. 5. Documentos necessários à instrução do pedido Entrega do formulário “Requerimento de Apoio Financeiro” devidamente preenchido, acompanhado dos documentos descritos na Parte C do respectivo formulário. Para mais informações, o requerente pode consultar os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi”. As informações, os formulários e os respectivos exemplares estão disponíveis no website da Fundação Macau. 6. Serviços de atendimento e apoio à instrução do pedido Durante o prazo acima referido, os funcionários desta Fundação estarão disponíveis no “Balcão de Pedidos de Subsídios para as Actividades no âmbito do Quyi” para prestar um atendimento rápido e eficaz. O representante do Requerente deverá trazer o “Certificado da Composição dos Corpos Gerentes da Associação” emitido pela Direcção dos Serviços de Identificação; a fotocópia do seu B.I.R.; as informações sobre a conta bancária do Requerente e o carimbo da instituição, para tratar do pedido na Fundação Macau. Local para entrega do pedido: Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7.° andar, Macau Horas de expediente:

De segunda a quinta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; sexta-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30 (à excepção dos dias feriados em Macau e das tolerâncias de ponto)

Contacto: Linha Directa: E-mail: Website:

87950965 (Dra. Ao) ou 87950973 (Dr. Wong) ds_info@fm.org.mo www.fmac.org.mo

9 ª edição do Sound & Image Challenge vai decorrer de 4 a 9 de Dezembro e traz ao Teatro Dom Pedro V, 84 curtas-metragens, 10 vídeos-musicais e três Master Classes além de várias conversas com realizadores estrangeiros e de Macau. Entretanto a organização já divulgou os últimos filmes do programa das curtas de ficção em competição. “A Drowning Man” vai ser exibido a 7 de Dezembro na sessão das 17h30. O filme dinamarquês é realizado por Mahdi Fleifel e traz ao ecrã a história de Kid que resolve ir para longe de casa, rumo a uma cidade desconhecida, em busca do sentido da vida. No entanto, acaba cercado por predadores tendo que ceder às suas exigências e assumir compromissos para conseguir sobrevier. Segue-se a projecção da película americana “Amal” realizada por Dilek Ince. Um filme centrado na actualidade em que Amal conta a história de uma médica americana que se encontra na Síria devastada pela guerra. Ao regressar ao seu país tenta levar uma menina ferida, mas é impedida de prosseguir com o seu objectivo pelos serviços de imigração dos Estados Unidos. Ling , é a viúva e mãe solteira malaia que emigrou para Hong Kong com a filha. Quatro anos depois, e devido a problemas mentais perde a custódia da menina. Acaba por ficar sem família, sem amigos e mesmo sem trabalho. Esta é o argumento que dá vida a “ Flow In The Wind” de Lee Pei-Yi. A sessão termina com “Who Am I?”, uma co-produção de Macau e das Filipinas realizada por Mark Justine Aguillon. O filme tenta responder à questão colocada com o título. “Quem sou eu?” é a pergunta colocada por três protagonistas femininas sendo que cada uma tem como referência o seu contexto em diferentes situações: na família , na carreira e no amor. À pergunta de todas acrescem as dúvidas acerca das razões da existência num mundo de incertezas.

MULHERES REVELADAS

As sessões de sexta continuam às 20h no Teatro D. Pedro V. “Labor” é o filme agendado para abrir as projecções do serão e que trata do drama de uma mulher que opta por ser barriga de aluguer e que deseja pôr fim à gravidez de

Um peq

SOUND & IMAGE CONHECIDA TOTALIDADE D

Entre os dias 4 e 9 de Dezem Metragens Sound & Image C às curtas de ficção com a ap

um filho destinado a outra mulher. A película é realizada por Cecilia Albertini. A noite continua com “Livestreaming”, uma produção local do realizador Chao Ut Ieng. Mais um drama pessoal à volta de uma mulher que adopta um gato para escapar à pressão do marido para ter um filho. Mas a exigência do companheiro não é inocente e um segredo acaba por ser revelado.

O filme espanhol com toques de surrealismo de Alicia Albares, “Mothers of Luna” é também centrado no feminino e traz a história de quatro mulheres de diferentes partes do mundo. Todas ouvem a voz de uma menina que ainda não nasceu mas que vive de alguma forma nas suas barrigas. Este bebé narra às mães a história das suas vidas passadas enquanto luta pelo seu grande objectivo: nascer.


eventos 11

sexta-feira 30.11.2018

queno grande cartaz

DAS CURTAS EM COMPETIÇÃO

mbro, o Teatro Dom Pedro V recebe o Festival Internacional de CurtasChallenge. A organização deu a conhecer a totalidade do cartaz dedicado presentação de 19 películas

menina de nove anos ao confrontar-se com uma visita de estranhos.

NO LADO NEGRO

O serão de sábado começa às 20h e no programa traz um conjunto de filmes dark. “Behind the Dream” do realizador de Taiwan Chih Yuan-Yan Lu conta o sonho de Lin Hsian antes da sua morte e que o leva aos recantos mais obscuros do inconsciente. Em “Crackled Skulls” o suspense reina quando Roger, diagnosticado com problemas mentais vai para um hospício onde trabalha um barbeiro sob quem paira a suspeita de assassínio. O filme de Kris Verdonck atinge o seu auge quando Roger tem que ir cortar a barba. A situação dos emigrantes ilegais em Macau é tratada por Penny Lam Kin-Kuan em “Illegalist”. Dois emigrantes chineses, um trabalhador da construção civil e uma prostituta vêm para o território, mas começam a ver a sua vida cada vez mais complicada quando as políticas de prevenção da emigração ilegal começam a ser mais rigorosas e as punições mais pesadas.

A situação dos emigrantes ilegais em Macau é tratada por Penny Lam Kin-Kuan em “Illegalist”

Uma discussão conjugal acerca das brincadeiras de um menino que prefere brincar com bonecas é o mote para “Till the sun comes in the sky”, o filme que fecha as projecções do dia. Vem da Suécia e é realizado por Alexe Landgren. O sábado cinematográfico começa às 16h com “Day One”. O filme russo de Quan Phuong é a recordação de Eli, uma jovem cega e surda, da sua

primeira aula com a professora Anna. A história é baseada nas memórias de Helen Keller na peça “The miracle worker de William Gibson”. Isabella, lutadora de boxe fica gravemente ferida num combate que a deixa limitada a uma cadeira de rodas. Mas a filha Luna de oito anos, que vive com ela, embarca numa missão: fazer a mãe acreditar que pode voltar aos ringues e ser de

novo a lutadora que a criança sempre conheceu e de quem precisa. Esta é a história de “Shadow Boxer” de Andreas Bøggild Monies. Segue-se “Telephone”, o filme sírio de Samah Safi Bayazid e de Muhammad Bayazid. Passado numa cela de prisão, “Telephone” traz a saga de um detido que descobre que tem uma linha telefónica na sua cela. Destinado a encontrar uma paixão

antiga, o prisioneiro consegue ter acesso a um telefone para fazer ligações e tentar encontrar a agente de viagens por quem se tinha apaixonado. “The Gray Line” é uma película adaptada do conto homónimo de Manik Bandopadhyay pelo realizador do Bangladesh, Saki Farzana e que trata a história de um país e das suas divisões através de duas crianças, uma hindu e uma muçulmana.

“The most beautiful moment in life” volta a trazer à tela o cinema local, desta feita com a realização de Dice Leong e uma história ternurenta de uma jovem que encontra um senhor idoso que veste um cachecol feito por ela. A fechar a tarde de sábado vai estar o filme chileno “The Visit” de Patricio Quinteros Allende que percorre a procura de memórias de uma

Steffen Geypens realiza “Silent Campine” . A película desenrola-se na Flandres após a primeira Guerra Mundial em que um ex-soldado que sofre de um trauma de guerra vai caçar diariamente com o filho para alimentar a família. O dia termina com “The Girl in the Snow” do suíço Dennis Ledergerber que traz a história de um artista solitário. A organização revelou ainda os protagonistas das master Classes a serem realizadas. Aditya Kapur, Pascal Forney e Detsky Graffam vão falar de “A imagem: da captura ao controle”, do desenvolvimento do negócio das curtas metragens e de “Como escrever, produzir e distribuir uma curta-metragem”, respectivamente, nos dias 7 e 8 de Dezembro. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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30.11.2018 sexta-feira

A revelação de um cientista chinês de que teria alterado o ADN de duas gémeas para as tornar resistentes ao vírus da SIDA desencadeou um amplo debate sobre a manipulação genética. Cientistas reunidos em Hong Kong alertam para os riscos que estas experiências comportam

GENÉTICA CIENTISTAS DIZEM QUE AINDA NÃO HÁ CONDIÇÕES PARA MANIPULAÇÃO

Um mundo de incógnitas Ainda não há confirmação independente da alegação do cientista chinês, mas cientistas e reguladores foram rápidos em condenar a experiência como antiética e não-científica. A Comissão Nacional de Saúde chinesa ordenou que as autoridades locais na província chinesa de Guangdong investigassem as acções de He Jiankui, enquanto o seu empregador, a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, em Shenzhen, anunciou também ter aberto um inquérito.

Embora a ciência dê indicações promissoras para ajudar pessoas que já nasceram, é irresponsável realizar experiências em óvulos, espermatozóides ou embriões por ainda não se saber o suficiente sobre possíveis riscos

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M grupo de especialistas em manipulação de genes defendeu ontem que é demasiado cedo para se tentar fazer mudanças permanentes no ADN que possam ser herdadas pelas gerações futuras, algo que um cientista chinês alegou ter feito. Os cientistas reuniram-se, esta semana em Hong Kong, para uma conferência internacional sobre manipulação de genes, a capacidade de reescrever o 'mapa de vida' para tentar combater ou prevenir doenças. Embora a ciência dê indicações promissoras para ajudar pessoas que já nasceram, é irresponsável realizar experiências em óvulos, espermatozóides ou embriões por ainda não se saber o suficiente sobre possíveis riscos, indicou, em comunicado, um grupo de 14 especialistas, ligados à conferência. Aconferência ficou marcada pela alegação de um cientista chinês de que ajudou a criar os primeiros bebés no mundo cujoADN foi manipulado, gémeas que He Jiankui disse terem nascido no início deste mês. O grupo de cientistas pediu uma investigação independente à alegação de He Jiankui, que falou

com o grupo na quarta-feira, após reacções negativas da comunidade científica internacional. A conferência de três dias foi promovida pela Academia de Ciências de Hong Kong, pela Real Sociedade do Reino Unido e pela Academia Nacional de Ciências e Academia Nacional de Medicina, ambas dos Estados Unidos. Entretanto, o cientista chinês, que alegou ter criado os primeiros bebés geneticamente manipulados no mundo, anunciou na quarta-feira que vai fazer "uma pausa" nas experiências, num momento de crescente crítica internacional. "Vai realizar-se uma pausa nos ensaios clínicos, dada a situação

actual", disse He Jiankui, durante a conferência de especialistas em Hong Kong, na qual reiterou ser responsável pelo nascimento de gémeas cujo ADN foi manipulado para as tornar resistentes ao vírus da Sida.

CONDENAÇÃO GERAL

Na mesma conferência internacional, um antigo prémio Nobel David Baltimore afirmou que o trabalho do cientista chinês mostrou uma falha de auto-regulação entre os cientistas. Baltimore sublinhou que o trabalho de He "seria considerado irresponsável" porque não atendia a critérios com os quais muitos cientistas concordaram há vários

anos, antes de a manipulação genética sequer ser considerada. He disse que as gémeas nasceram este mês e que foram concebidas para permitir resistir a possíveis futuras infecções pelo vírus da Sida. Outro proeminente cientista norte-americano que discursou na conferência, o reitor da Escola de Medicina de Harvard, George Daley, alertou contra uma reacção adversa à alegação de He. Daley argumentou que seria lamentável se um passo em falso com um primeiro caso levasse cientistas e órgãos reguladores a rejeitar o bem que podia advir da alteração do ADN para tratar ou prevenir doenças.

He estudou nas universidades de Rice e Stanford nos Estados Unidos antes de regressar à terra de origem para abrir um laboratório na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, onde também tem duas empresas de genética. Um cientista norte-americano garantiu ter trabalhado com He neste projeto. Trata-se do professor de física e bioengenharia Michael Deem, que foi conselheiro de He na Universidade de Rice, em Houston. Deem também detém "uma pequena participação" nas duas empresas de He Jiankui, disse. Todos os homens do projecto tinham VIH, enquanto que todas as mulheres não, mas a manipulação genética não visava evitar o pequeno risco de transmissão, explicou.

CARROS ELÉCTRICOS FABRICANTES ENVIAM LOCALIZAÇÃO DE VIATURAS PARA GOVERNO

A

China pediu a todos os fabricantes de veículos eléctricos no país o envio de informações constantes sobre a localização precisa dos carros, reforçando a capacidade de vigilância de Pequim, noticiou ontem a agência de notícias Associated Press (AP).

Mais de 200 fabricantes, incluindo a Tesla, a Volkswagen, a BMW, a Daimler, a Ford, a General Motors, a Nissan, a Mitsubishi e a startup NIO transmitem informações sobre a localização e dezenas de outros dados para centros de monitorização do Governo chinês, segundo a AP.

Geralmente, tal acontece sem o conhecimento dos proprietários de carros. Os fabricantes alegam que estão apenas a cumprir as leis locais, que se aplicam apenas aos veículos de energia alternativa. As autoridades chinesas explicam que os dados são

usados de forma a melhorar a segurança pública, facilitar o desenvolvimento industrial e o planeamento de infraestruturas, além de prevenir fraudes em programas de subsídios. Contudo, outros países que são grandes mercados para os veículos eléctricos, como os Estados Unidos, o

Japão, e por toda a Europa, não recolhem esse tipo de dados em tempo real. A recolha de informações é vista com preocupação, uma vez que estas podem ser usadas não apenas para prejudicar a posição competitiva de fabricantes estrangeiros, mas também

para a vigilância num país onde há poucas protecções à privacidade pessoal. Há também a preocupação com o precedente que essas regras possam estabelecer na partilha de dados de carros da próxima geração, que em breve poderão transmitir ainda mais informações pessoais.


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sexta-feira 30.11.2018

O EUA Senadores querem saber se ZTE violou sanções na Venezuela

Dois senadores norte-americanos pediram ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que investigue se a empresa de chinesa de equipamento para telecomunicações ZTE estaria a violar as sanções impostas pelos EUA ao ajudar a Venezuela. O pedido foi feito na quarta-feira pelos senadores Marco Rúbio e Chris Van Hollen, através de uma carta e, segundo a imprensa norte-americana, em causa estaria a ajuda prestada pela ZTE "na monitorização e seguimento dos cidadãos venezuelanos, desde 2016". Os senadores querem ver determinado se a ZTE usou ilegalmente componentes norte-americanos ou ajudou o Governo do Presidente Nicolás Maduro a violar processos democráticos ou direitos humanos, bem como se terá trabalhado com indivíduos sancionados pelos Estados Unidos. PUB

Governo de Taiwan anunciou ontem que vai lançar, no início de 2019, um plano de acção para atrair o investimento de empresários da ilha no exterior, com incentivos fiscais e outras facilidades. Em comunicado, as autoridades disseram que a ilha vai oferecer, a partir do próximo ano, "serviços personalizados" às empresas para "simplificar procedimentos administrativos" e ajudar a satisfazer necessidades de terrenos, mão de obra, financiamento, fornecimento estável de energia e benefícios. O objectivo deste plano é atrair empresários da ilha com investimentos no exterior para "promover a modernização e transformação industrial e fazer de Taiwan um centro-chave na cadeia de abastecimento da indústria global". Taipé considerou que "os próximos três anos são essenciais para atrair empresários" locais com investimentos no exterior, sobretudo na China, para que regressem à ilha. As empresas de Taiwan radicadas na China estão a ser afectadas pela guerra comercial entre Pequim e os Estados Unidos e as autoridades receiam que um agravamento do conflito resulte numa multiplicação de efeitos negativos, já que as empresas

Venha a nós o vosso reino Taiwan com plano para atrair investimento de empresários da ilha no exterior

locais têm quase metade da capacidade produtiva instalada no exterior, principalmente na China. Muitas companhias de Taiwan, a operar na ilha, como a TSMC,

primeiro fabricante mundial de semicondutores, manifestaram também preocupação perante a guerra comercial entre Washington e Pequim, já que fornece

O objectivo deste plano é atrair empresários da ilha com investimentos no exterior para “promover a modernização e transformação industrial e fazer de Taiwan um centro-chave na cadeia de abastecimento da indústria global”

empresas locais, chinesas e de outras nacionalidades, instaladas em solo chinês. Grande parte das exportações de Taiwan para a China é de componentes destinados a empresas da ilha para produtos destinados à exportação, sobretudo para a Europa e os Estados Unidos. Em 2017, 41 por cento das exportações de Taiwan destinaram-se aos mercados da China e de Hong Kong, num montante total de 130,2 mil milhões de dólares, de acordo com dados do Ministério da Economia da ilha, o que demonstra a forte dependência do território face ao mercado chinês. Na China encontram-se cerca de 50 mil companhias de Taiwan, muitas das quais orientadas para a exportação. O montante total do investimento acumulado de Taiwan na China é de cerca de 120 mil milhões de dólares (cerca de 107 mil milhões de euros), segundo dados de Pequim.


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José Simões Morais

30.11.2018 sexta-feira

Os sapatos envelheceram depois de usados. Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados

Emigração via Macau e Hong Kong

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EMIGRAÇÃO POR CONTRATO

“Em Macau foram os próprios chineses – conhecidos localmente por corretores – que descobriram a lucrativa actividade de contratar os seus irmãos do continente, atraindo-os ao entreposto português. Era comum virem por gosto, mas o problema do voluntariado era secundário, porque surgiram logo inúmeras formas de o contornar, combinando a credulidade de uns com a astúcia e a violência de outros. Redes de intermediários (...) diluíam-se entre a numerosa população da cidade de modo que, apesar de crescer a imoralidade, não estavam cria-

das estruturas específicas capazes de a reprimir. O ambiente cerrava-se, feio, à volta deste tráfego, cada vez menos defensável, mais distante da contratação de colonos e mais próximo da escravatura”, segundo Beatriz Basto da Silva (BBS). Em Macau, a primeira emigração por contrato ocorreu em 1851 e os primeiros engajadores desses colonos chineses foram dois franceses, Guillon e Durand. Aí embarcaram os 813 cules com destina a Cuba em dois barcos ingleses. “Seguiu-lhes o exemplo o negociante macaísta José Vicente Caetano Jorge, que transportou no seu navio 250 cules para Callao de Lima, sendo contratados para trabalhar por 8 anos com o soldo mensal de 4 patacas”, segundo Manuel Teixeira (MT).

LEGISLAR CONTRA OS ABUSOS

“Até 1851, esta emigração continuou sem conhecimento oficial das autoridades e segundo a maneira determinada pelo contratante. O Governador Isidoro Francisco Guimarães [Visconde da Praia Grande] julgou seu dever intervir, determinando, por portaria de 12 de Setembro de 1853, que os engajadores declarassem o local dos barracões ou depósitos onde recebiam os cules antes de os embarcar e o seu número, devendo os regulamentos

desses depósitos ser de antemão submetidos à aprovação do Governo: a inspecção sanitária ficava a cargo do cirurgião-mor, devendo os doentes ser tratados em lugar separado; ao capitão do porto de Macau cumpria visitar os navios para examinar as acomodações, os mantimentos e a aguada. Dados os enormes lucros deste tráfico, surgiu a competição entre os agentes, que se rodearam de corretores, ou seja, chineses que se internavam pelo interior do império a aliciar emigrantes. Os corretores, na ânsia de aumentar a sua remuneração, iludiam frequentemente os pobres chineses com promessas falazes, forçando-os moralmente a emigrar”, segundo MT. Em Novembro de 1855, o Governador Guimarães publicou uma portaria onde “determinava que todos os contratos entre esses emigrantes e os agentes da emigração fossem registados na Procuratura dos Negócios Sínicos” e o procurador até à véspera dos embarques ficava obrigado a visitar os depósitos (barracões) dos colonos, para se informar, se algum chinês fora iludido ou forçado a embarcar contra a sua vontade. Caso deparasse com algum relutante, devia mandá-lo repatriar imediatamente. Como este regulamento guardava silêncio sobre os corretores, estes continuaram a aliciar impunemente os chineses e por isso, se-

Dos cules embarcados em Macau 95% foram enviados para Cuba [sob domínio espanhol] e Peru [já independente]. Uma vez que o preço médio de um cule era de 70 patacas, estima-se que Macau terá ganho cerca de 200 mil patacas por ano no tráfico de cules LAI AFONG

ACAU vivia um longo período de estagnação já desde os anos 40 do século XVII devido à perda do comércio com o Japão, o que originou um declínio económico, de miséria e com períodos esporádicos de maior abastança, até meados do século XIX, segundo Ana Maria Amaro, que refere, “De 1851 a 1874, Macau registou, novamente, um notável surto económico com o tráfico dos cules, que levou certas famílias a reatar os antigos hábitos de luxo e de ostentação. Este surto económico, embora de curta duração, aliado à afluência e refugiados chineses, deram lugar a forte pressão demográfica, que levou à urbanização de parte da área do Campo.” Victor F. S. Sit adita, “Só entre 1847 e 1874 embarcaram mais de 200 mil cules através de Macau. O número de agências estrangeiras sediadas em Macau envolvidas no tráfico de cules aumentou de uma meia dúzia que existiam em 1850 para mais de 300 em 1873. Nesta data, 30 a 40 mil homens, ou seja metade da população de Macau, estava directa ou indirectamente envolvida neste comércio. Dos cules embarcados em Macau 95% foram enviados para Cuba [sob domínio espanhol] e Peru [já independente]. Uma vez que o preço médio de um cule era de 70 patacas, estima-se que Macau terá ganho cerca de 200 mil patacas por ano no tráfico de cules, cinco vezes mais que o rendimento anual das taxas alfandegárias, antes de 1845. Nos locais de destino, os cules eram simplesmente tratados como escravos. A taxa de mortalidade dos cules a caminho de Cuba ou do Peru era cerca de 35%. Os locais de acolhimento dos cules concentravam-se no Beco da Felicidade, Pátio dos Cules, Rua de Santo António e Rua de Pedro Nolasco da Silva. Só em 1895 foi definitivamente encerrada a maior casa de acolhimento de cules (Heshengji).”

gundo BBS em “Junho de 1856, apareceu novo regulamento procurando refrear os corretores: estes deveriam obter da Procuratura uma licença anual, depositando 200 patacas de fiança; pagariam 100 patacas de multa quando se tornassem criminosos de coação ou engano para com os emigrantes ou quando recusassem repatriar os que fossem rejeitados pela autoridade ou pelos agentes.” Em 1856, de Macau saíram 2473 cules.

EM HK ATÉ À II GUERRA DO ÓPIO

“O Governo de Hong Kong proíbe [em 1854] gente e navios seus no transporte para as Ilhas Chincha (Peru), porque houve queixas. Mas consente para a Califórnia uma emigração pseudo-livre de corretores”, segundo BBS, que refere, “Não deixa de ser curiosa a cautelosa referência a acompanhar correspondência de John Browing, mencionando que a emigração via Hong Kong, de 1854 a 1855, era livre, não contratada!”. Com a proclamação pelos ingleses do Chinese Passengers Act em 30 de Junho de 1855, procurava-se assegurar o bem-estar e a liberdade dos emigrantes chineses. “A despeito deste decreto não ser estritamente cumprido pelos oficiais de Hong Kong, os mercadores de cules, sobretudo os agentes que recrutavam emigrantes para a América Latina, começaram a mudar-se de Hong Kong para Macau”, segundo Liu Cong e Leonor Seabra. “Em documentos apresentados ao Parlamento inglês em 1855 encontra-se uma estatística da emigração para o Peru, nos anos de 1843 a 1855, onde se vê que de 7356 emigrantes embarcados só 4754 chegaram ao seu destino, sendo mortos a bordo 349”, refere Andrade Corvo, mas BBS indica, de “1849 a 1854, foram embarcados de Cantão para o Peru 7356 cules e morreram 549 em viagem”. O negócio do tráfico de cules em HK ocorreu até 1856, quando o governo inglês, perante os protestos, criou leis e transferiu o problema para fora da sua jurisdição, proibindo o embarque desse porto. “Estas proibições eram levantadas em certas circunstâncias, desde que o capitão da viagem cumprisse com algumas regras severas, excepção que não deixou de ser largamente aproveitada. Na verdade, nunca houve respeito pelas proibições”, segundo Beatriz Basto da Silva que refere, “Em 1860 estimou-se que dos 4 mil cules desviados fraudulentamente, nenhum sobreviveu, tendo muitos procurado no suicídio a morte libertadora.”


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 30.11.2018

Plano de corte José Navarro de Andrade

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E eu quisesse podia ter tido um caso com Ângela Molina, ela é que não quis. Foi D. Luis, Grande de Espanha e olho de goraz, quem fez de Ângela Molina a Ângela Molina que ainda hoje é. Há-de tê-la medido de cima a baixo com a licença que a idade autoriza, e, embora correndo a desabrida década de 70 a pintainha nem deve ter piado, a despeito dos seus 22 aninhos e de uma natural propensão para o atrevimento. Este Luís, não haja equívocos, é o Buñuel, impenitente e originário surrealista, entomólogo dedicado à observação dessa espécie superior e arbitrária de insecto que é o humano, blasfemo para com a igreja, sacrílego para com as formas narrativas. Um “monstro” como em Espanha se diz dos toureiros de cartel, ou um “monstro” como à portuguesa resmunga quem se benze em face de um iconoclasta. Convencido com o que viu, Buñuel elencou Molina para a metade temperamental e selénica da personagem Conchita, guardando para Carole Bouquet a personificação do seu hemisfério luminoso e plácido. Porque assim e não doutra maneira é que o realizador achou bem, Conchita enverga por conseguinte duas actrizes, fazendo-o sem explicações nem causas, só com o efeito de confundir o espectador mais submisso – ou seja, todos nós – à unicidade entre actor e personagem. Este foi o último e obscuro objecto de desejo que Buñuel filmaria, nos idos de 1977, não admira que quisesse lá saber das regras.

Coitado do Zé 15 anos depois, já eramos todos crescidos e Buñuel defunto, incumbiram-me de pajear Ângela Molina ida e volta de Seteais a Lisboa, convidada pela Cinemateca a confirmar em público que a famosa Ângela Molina não era de facto estrela, mas esplêndida lua que empalidece as estrelas do céu. Ela não arribara ao acaso ou de veraneio ao Monte da Lua, mas viera porque aceitara o papel de cara-metade de Jorge, esse coitado (e coitados de nós, que mal se viu o filme do homónimo Silva Melo, vítima das funestas bolandas da distribuição do cinema português.) Felizmente a memória atraiçoa, de modo que esqueci quem no percurso de regresso ao hotel propôs passarmos juntos parte do dia seguinte em que ela estaria de folga. (Eu? Não me reconheço assim temerário. Ela? A que propósito convidaria aquele galito entufado?) Toda essa auspiciosa tarde de Sábado nunca saímos da suite do hotel e pouco conversámos, discorrendo-a em livre intimidade. Angela Molina folheava revistas, mesmo as que estampavam mais

texto do que fotografias, fumava com desprendimento charros do calibre de círios e sem se distrair com a televisão a cintilar de som desligado, olhava longamente para o ar, abandonada no sofá de robe acetinado e estampado como de gueixa, num torpor de felino saciado. Acomodei-me, portanto, a contemplar os seus vagares, apreciando-lhe o corpo – tão próximo que se tentasse poderia tocá-lo – sem a impostura da discrição, pois percebi que estar atento e ser atencioso era a parte que me competia. Porque o silêncio é austero ela queria que eu lhe fosse contando coisas interessantes sem serem controversas, de certo modo que a seduzisse, mas sem esforço ou tensão. Não era entretenimento que me pedia como se pede a um galante ou apaixonado, mas a oportunidade de por uma tarde se libertar da obrigação de ser Angela Molina, a vedeta a quem é devida deferência à qual ela se vê compelida a corresponder. Interroguei-me se não estaria a fazer de mim um marido putativo. Se acalentasse alguma expectativa ou mesmo ilusão

Ângela Molina foi a única pessoa com quem deparei – ai de mim, falho de mundo… – que na vida só tinha de ser ela própria. Isto é uma propriedade e uma limitação e conforta-me imaginar que por uma tarde contribuí para aliviar fardo tão pesado.

de que algo de fantasioso pudesse suceder, um repente que eclodisse da ordem do palpitante e secreto, esta sensação de marasmo doméstico que ela de mim desfrutou foi-me desenganando. Com uma certa regularidade Ângela Molina recaía na figura de Ângela Molina e desanuviava o desapego em que a tarde se consumia apoquentando o room service com caprichos ou minudências. Nada de excêntrico e trabalhoso, apenas para conferir que da porta da suite para fora ainda angariava estatuto de VIP. Angela Molina era toda sexo, mas só de pele. Quando numa brevíssima sortida fomos às queijadas, que eu lhe havia elogiado como uma das delicadezas da vila, pôs um vestido leve com um decote que não mostrava nada e dizia tudo. Cabeças viraram-se nas ruas húmidas de Sintra à sua passagem, não porque a reconhecessem mas porque pressentiram que aquela mulher exibia algum significado indecifrável e queriam ver o resto. Ângela Molina foi a única pessoa com quem deparei – ai de mim, falho de mundo… – que na vida só tinha de ser ela própria. Isto é uma propriedade e uma limitação e conforta-me imaginar que por uma tarde contribuí para aliviar fardo tão pesado. Dei-me à veleidade de semanas depois telefonar um par de vezes para Madrid. Atendia a governanta. Lembrava-se lá Angela Molina daquele pedaço de nada. https://www.pinterest.pt/pin/505880970628809614/


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30.11.2018 sexta-feira

AUTOMOBILISMO FUTURO DA TAÇA GT MACAU NÃO ESTÁ EM RISCO

Motivados como sempre

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UINZE inscritos na edição de 2018 da Taça do Mundo FIA de GT foi um choque tanto para os aficcionados, como para as várias partes envolvidas na organização da prova que fez parte da 65ª edição do Grande Prémio de Macau e que foi ganha contundentemente pelo brasileiro Augusto Farfus Jr. Mas ao contrário do que poderia ser de esperar, os construtores envolvidos não desanimaram com o desapontante número de concorrentes e prometem voltar no próximo ano, mesmo que para isso a regra introduzida pela FIA em 2017, que impede a participação de pilotos bronze e prata, rotulados como “pilotos privados”, seja abolida. Em conversa com os jornalistas após a corrida, Chris Reinke, o director desportivo da Audi, disse que “para o futuro, esta corrida precisa de ter uma grelha de partida com 20 carros, ainda melhor se forem 25. Do meu ponto de vista, a primeira prioridade deve ser preservar o

conceito existente e conquistar mais construtores.” Caso este objectivo não seja concretizado, Reinke é a favor da “possibilidade de abrir a grelha de partida novamente a pilotos prata ou bronze para que se atinja o volume necessário de concorrentes". Stefan Wendl, o responsável máximo da competição-cliente da Mercedes-AMG, também é a favor que a corrida siga essa via, pois os “pilotos privados endinheirados podem até acabar por ajudar a financiar a participação das equipas de fábrica.” Stéphane Ratel, cuja a sua empresa SRO Motorsport Group coordena esta corrida em parceria com a Associação Geral Automó-

vel de Macau-China (AAMC), acredita que qualquer novo construtor precisa de acreditar que tem hipóteses contra aqueles que têm coleccionado informação da pista nos últimos e hoje são praticamente invencíveis. Da dúzia de construtores que pode participar nesta prova, apenas a Ferrari, por não ter equipa de fábrica na categoria GT3, e a Bentley, por discordar da localização da prova, não tem qualquer interesse nestancorrida. Todavia, apenas cinco participaram oficialmente na edição de 2018: Audi, BMW, Nissan, Mercedes-AMG e Porsche. Se a Honda teve uma experiência traumatizante em 2017, a Lamborghini não compareceu

“Para o futuro, esta corrida precisa de ter uma grelha de partida com 20 carros, ainda melhor se forem 25. Do meu ponto de vista, a primeira prioridade deve ser preservar o conceito existente e conquistar mais construtores.” CHRIS REINKE DIRECTOR DESPORTIVO DA AUDI

porque a sua equipa oficial no continente asiático está de mala feitas para a Europa. Igualmente ausentes, a Aston Martin e a McLaren vão disponibilizar novos modelos para o mercado apenas em 2019. O Conselho Mundial da FIA reúne-se a 5 de Dezembro em São Petersburgo, na Rússia, e não há certezas que saia já uma resolução do que fazer com a prova da RAEM. Apenas se sabe que a FIA cedeu à pressão dos construtores e mudou a data da prova de Xangai do Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC) que teimosamente coincidia com o Grande Prémio de Macau, o que era do desagrado de algumas marcas, como a Porsche ou a BMW.

REGRESSO ÀS ORIGENS

Caso o voto da FIA seja na direcção de deslocalizar a Taça do Mundo de GT para outras paragens ou até mesmo colocar um ponto final à iniciativa, a presença dos carros de GT no Circuito da Guia não está condenada.

Vários ex-pilotos da Taça GT Macau estiveram presentes como espectadores no evento que marcou o mês de Novembro na RAEM e não escondem a vontade de regressar como faziam num passado recente. Por outro lado, haverá vontade dos organizadores do Campeonato da China de GT em ocupar, em certa medida, o espaço que ficará em aberto caso a Taça GT Macau perca o estatuto de Taça do Mundo FIA. Apesar da importância do título que atribui a federação internacional, as próprias marcas não descartam regressar ao Circuito da Guia caso a corrida volte aos moldes anteriores, sem um ceptro mundial para outorgar. “Nesse cenário, iremos avaliar a nossa participação, mas para nós, Audi Sport customer racing, provavelmente fará sentido (voltar), pois temos muitos clientes na Ásia”, afirma Reinke. Já Frank-Steffen Walliser, o responsável máximo da Porsche Motorsport, que este ano também não deixou de marcar presença entre nós, deixa claro que a marca de Weissach voltará de qualquer maneira, até porque “haverá sempre a corrida de GT em Macau, isso é garantido, mas em que condições, logo veremos…” Sérgio Fonseca

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desporto 17

sexta-feira 30.11.2018

Em 1988, a atleta estava em diferendo com a Federação Portuguesa de Atletismo e tentou participar nos Jogos Olímpicos por Macau. Na altura, Manuel Silvério tratou do processo do lado do Governo do território. Agora recorda o caso

M

ACAU não é membro do Comité Olímpico Internacional (COI) nem participa nos Jogos Olímpicos, ao contrário do que acontece em Hong Kong. Ainda no ano passado, Chui Sai On ignorou o exemplo da RAEHK, e deixou muito claro que Macau nunca vai participar nos Jogos Olímpicos, porque não é um país soberano. Todavia, a história poderia ter sido muito diferente, e o território poderia ter mesmo feito a estreia, há 30 anos, com a medalha de ouro na maratona. Foi em Março de 1988 que a polémica começou e que a histórias de Macau e Rosa Mota se cruzaram, pela primeira vez. José Pedrosa, treinador e actual marido de Rosa Mota, decide que a atleta, uma das principais favoritas ao ouro dos Jogos Olímpicos de Seul, não ia participar no Mundial de Estrada de 15 quilómetros. Apesar da ausência da atleta, Portugal conseguiu um terceiro lugar por equipas, devido à performance das atletas Conceição Ferreira, Albertina Dias e Albertina Machado.

MARATONA ROSA MOTA CELEBRA 30 ANOS DA VITÓRIA EM SEUL

Macau quase de ouro Contudo, a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) não gostou da atitude de Rosa Mota e abriu um inquérito à situação. Como consequência, a corredora foi castigada com a impossibilidade de se inscrever em provas internacionais e a participação nos Jogos Olímpicos de Seoul ficou mesmo em causa.

Macau desempenhou os cargos de secretário-adjunto para a Educação, Saúde e Assuntos Sociais e, mais tarde, o cargo de secretário-adjunto para os Assuntos Económicos.

“Na altura falou-se que poderia ter sido uma medalha para Macau. Mas ainda bem que a diligência para que o Governo local não tivesse colaborado funcionou. Foi melhor assim.”

CONTACTOS LOCAIS

Sem alternativas, o treinador da atleta, José Pedrosa, entra em contacto com o Governo de Macau. O episódio é recordado por Manuel Silvério, antigo presidente do Instituto do Desporto, e que na altura ocupava o cargo de adjunto do presidente do Conselho dos Desportos. “Ela contactou-me através do treinador José Pedrosa e estivemos reunidos, os três. Eles viajaram até Macau para ultrapassarem o conflito com a Federação Portuguesa de Atletismo. Na altura, acreditavam que a Rosa Mota poderia participar nos Jogos Olímpicos integrada numa eventual comitiva de Macau”, recordou Manuel Silvério, em declarações ao HM. Com o diferendo entre a FPA e Rosa Mota a subir de tom, sugiram, então, dois entraves à participação da atleta por Macau: por um lado, o

Rosa Mota

território ainda não tinha formalizado a intenção de aderir ao COI, e por outro, a vontade política do Governo de Lisboa era hostil à ideia. “Em termos de jurisdição, era possível. Mas havia um grande impedimento, que é o facto de Macau não ser membro do Comité Olímpico Internacional. Também havia uma outra questão: nos Jogos Olímpicos é o país que participa, e se a Rosa Mota fosse participar por Macau, Portugal perdia a face”, explicou. Neste sentido, a questão acabou mesmo por ganhar uma componen-

ATLETA APADRINHA CORRIDA LOCAL A atleta de 60 anos, que em 2016 venceu a mini-maratona de Macau, regressa ao território para apadrinhar a Maratona de Macau, que se vai correr no domingo e é organizada pelo Governo. Ontem à noite, a atleta ainda não sabia se iria fazer a mini-maratona a correr ou a andar, ao lado do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. “É um evento que faz parte do meu calendário anual e espero regressar durante muitos anos. Era bom sinal, até porque a maratona em Macau é sempre um dia de festa e é muito bom ver as ruas cheias de pessoas a fazerem desporto”, disse, ontem, Rosa Mota ao HM. A ex-maratonista actualmente não comenta assuntos não relacionados com as provas em participa.

te política e em Portugal figuras como Mário Soares (então Presidente da República), Cavaco Silva (primeiro-ministro) e Roberto Carneiro (ministro da Educação) envolveram-se no caso.

PRESSÃO POLÍTICA

A este ritmo não tardou a que a mensagem chegasse a Manuel Silvério: “Houve um grande entusiasmo com a ideia, mas tenho de lembrar que também fomos um bocado ingénuos, no sentido em que Macau tinha de obedecer a Lisboa. O Governo de Lisboa não mandava na FPA, mas acabou por ver-se ‘obrigado’a actuar, em benefício do interesse nacional”, explicou. “Na altura o meu superior aconselhou-me, e quero deixar claro que não me obrigou, a distanciar-me do problema. Se ela corresse por Macau, Portugal levava uma bofetada”, revelou Manuel Silvério, que lidou com todo o processo. O então presidente do Conselho dos Desportos, tinha como superior Francisco Murteira Nabo, que em

MANUEL SILVÉRIO EX-PRESIDENTE DO ID

Com o diferendo resolvido, Rosa Mota correu com as cores de Portugal e a 23 de Setembro de 1988 fez história, ao tornar-se na primeira atleta portuguesa, e única, a vencer uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Hoje, Manuel Silvério olha para todo o processo sem arrependimentos. Mesmo na altura, diz, ficou tudo resolvido. “Ainda bem que houve um entendimento entre a atleta e a FPA. Também eu acabei por ser convidado para assistir à maratona de Seul e estava a cerca 10 metros de distância quando ela cortou a meta”, apontou. “Na altura falou-se que poderia ter sido uma medalha para Macau. Mas ainda bem que a diligência para que o Governo local não tivesse colaborado funcionou. Foi melhor assim”, acrescentou. João Santos Filipe

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Aviso Aceitam-se inscrições dos candidatos aos cursos de pós-graduação das instituições do ensino superior do Interior da China para o exame de admissão, de 2019, realizado em Macau. Estão abertas as inscrições para o exame de admissão, de Local: 2019, realizado em Macau, para os candidatos aos cursos de Centro dos Estudantes do Ensino Superior (Avenida Conselheiro pós-graduação das instituições do ensino superior do Interior Ferreira de Almeida, n.º 68-B, Edifício Va Cheong, r/c B, Macau), da China. O Exame é organizado pelo Ministério da Educação do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. da República Popular da China e coordenado pelo Gabinete de Exames: Apoio ao Ensino Superior. Datas: 13 e 14 de Abril de 2019 (sábado e domingo) Local: Escola Secundária Pui Ching de Macau (Avenida Horta Data e forma das inscrições: e Costa, n.º 7) Pré-inscrição on-line Datas: Consulta: De 1 a 15 de Dezembro de 2018 Mais informações, na página electrónica (http://www.gaes.gov. mo/admission/nd) do GAES. Também pode ligar ao pessoal do Confirmação da inscrição GAES, pelos telefones (853) 83969394 ou (853) 83969390, para Datas e horário: esclarecer as dúvidas sobre este assunto. De 27 de Dezembro de 2018 a 10 de Janeiro de 2019 De terça-feira a sábado, das 11h00 às 20h00, sem interrupção Macau, 30 de Novembro de 2018. para hora de almoço; descanso aos domingos, segundas-feiras e O Coordenador feriados públicos. Sou Chio Fai

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Hoje MÚSICA 13 | AMARILLIS ENSEMBLE E PIERRE CAMBOURIAN Seminário de São José | 19h30

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1 0 5 4 1 0 7 6 2 Domingo 8 |2PIERRE 9 CAMBOURIAN 3 5 4 6 MÚSICA Seminário de São José | 19h30 0 1 4 7 6 8 5 7 9 6 4 8 5 1 Diariamente EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO 3 0 5 2 1 9 4 Venetian Expo Hall F | Até 31/12 2 5 0 8 9 3 7 EXPOSIÇÃO SALÃO DE OUTONO 6 3 7 1 4 0 8 Casa Garden | Até 30/11

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THE NUTCRACKER AND THE FOUR REALMS SALA 1

Com: Taron Egerton, Jamie Foxx, Ben Mendelsohn 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Um filme de: Lasse Hallstrom, Joe Johnston Com: Keira Knightley, Mackenzie Foy, Morgan Freeman, Helen Mirren 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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THE NUTCRACKER AND THE FOUR REALMS [B]

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ROBIN WOOD [C] Um filme de: Otto Bathurst

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EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 16

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5 1 DISCO 2 7 9 6HOJE 4 3 UM 3 8 4 0 6 9 1 5 7 2 3 5 0 8 6 5 0 8 7 2 9 3

À beira do fim do século XX, 4 “The 6 9Soft8Bulletin”, 1 7 o nono álbum da banda 3 8Coyne 4 7levou 5 de9 Wayne a2 variante de 0 6psicadélica 1 5 4 pop-rock, como não se 8 9 5ouvir 3 durante 2 1 costumava a década de 1990, a um 0 7 maior. 1 6 É 4difícil 3 público destacar músicas em “The 1 4 7 2 3 0 Soft Bulletin”, porque 6 o5disco0vale 9como 8 um 2 todo todo, repleto de melodias pop, detalhes de fusão barroca e paisagens coloridas por ácido. Este disco dos The Flaming Lips é recorrente, pede sempre um retorno. Ontem surgiu-me por acaso, depois de ouvir a palavra boletim. Uma hora depois, a minha tarde estava muito mais colorida. João Luz

MORE THAN BLUE[B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 16.30, 19.30

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PROBLEMA 17

23 9 3 2 8 1 5 0 6 4 7

7 5 3 4 2 9 8 1 0 6

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9 05 30 1 62 94 3 87 56 8

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BAIJIU

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S U D O K U

13

18 (f)utilidades

A bebida destilada mais consumida do mundo é, simultaneamente, um mistério 16 20para mais de metade da humanidade. Baijiu é uma espécie de 8 produzida 35arroz, 94 0 2na China 49 1há 06 vodka de demasiado haja1 memória 9 76que 3 8 7 para 95 8ou 4 registo exacto da sua origem. Existe 3 31 19que04 aponta documentação 76 80festas 45 2 regadas com esta bebida espirituosa 8de mil 7 2No ano 0 passado, 4 19 31 75 anos. há6 mais2 uma reportagem da ABC referia 2 50 1 5 3 6 8que 7 8 o Baijiu era a bebida alcoólica mais 6 07do mundo, 8 9 com 4 cerca 1 33de 0 consumida cinco mil milhões de litros vendidos 0 49 93 0 8 7 2 54 85 em 2016. Ainda assim, no Ocidente o Sake4é muito 86 52mais61conhecido, 05 37 70en- 3 quanto o Baijiu continua um enigma 7 0 4 Consegue 03 6 9o fenómeno 28 2 7 impenetrável. de ser,8 1simultaneamente, 2 45 7 8 13a mais 6 79 popular bebida do mundo e uma incógnita para fígados ocidentais. Esta aguardente é a perfeita analogia 18 o22 para que é a China. Inacessível, desconhecida, 1 3 misteriosa, 7 5 70 98 64mas 42 numa posição invisível de domínio. O 5 3 país 49 6com 67 o 9enorme 51 8 mesmo2se passa que se ergue agora acima de todos os 6 0 7Grande 38 3 2global. 95 14 outros 2 no panorama parte 5 desconhecimento 4 1 19 77 6vem8do 2 4 deste isolamento a que a China se devotou 1 45toda3a sua 9 0 0 6 67 9 34quase durante história. Como império do meio, e autoprocla2 00 2 17 6 8 85 9 31 mado centro do mundo, tudo o resto 5 9 e21desinteressante. 13 4 0 6 lhe8era7periférico Também o resto do planeta parece ter 0 2 dragão 4 6que1esteve 78 o 1 83 9 ignorado enorme demasiado tempo 3 76 8 adormecido. 35 02 9 Hoje, 64 0 o seu bafo de fogo queima o mundo 7 94um80baijiu 21 bebido 38 2de 3 inteiro,9tal como um trago. João Luz

24 7 2 1 4 5 8 9 0 3 6

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THE SOFT BULLETIN | THE FLAMING LIPS

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

sexta-feira 30.11.2018

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

MICHAEL GARGUILO

Politicamente certo ou politicamente errado

R

ECENTEMENTE muitos eleitores portugueses residentes em Macau receberam uma carta do Ministério português da Administração Interna a informar que se encontram automaticamente registados, para efeitos eleitorais, na morada que consta no seu cartão de cidadão. Ter o direito de voto, mas não o exercer, pode implicar consequências nefastas. Os resultados das eleições da semana passada em Taiwan e Hong Kong, mostram que se não nos preocuparmos com a administração da cidade, acabamos por colocar o nosso futuro nas mãos dos profissionais da política. O Partido Democrático Progressista (PDP), no poder em Taiwan até às eleições, sofreu uma esmagadora derrota no escrutínio de 24 de Novembro, do qual saiu vencedor o Partido Kuomintang (KMT), até aí na oposião. Os eleitores, que nos últimos quatro anos tinham vindo a votar no PDP, mudaram o sentido de voto devido ao fraco desempenho do Governo. Os eleitores não conseguiram ignorar a incompetência, resultado das promessas vãs de um grupo de políticos preocupados apenas com os resultados eleitorais. Um amigo meu viajou de Macau para Taiwan para votar e observar o processo eleitoral. Quando chegou ainda

tinha alguma esperança que o PDP estivesse à frente em Kaohsiung, cidade que tem sido um dos principais bastiões deste partido nas últimas duas décadas. Mas o candidato do PDP perdeu a Presidência da Câmara para o candidato do KMT, que apenas resolveu apresentar a sua candidatura à última da hora. Alguns analistas politicos atribuíram esta derrota às chuvadas que caíram e que transformaram a cidade num lago, deixando à vista infraestuturas degradadas. Quando as águas recuaram ficaram mais de 5.000 buracos nas ruas, expondo os diversos calcanhares de Aquiles dos projectos urbanísticos. Sei que estes relatos não são exagerados porque estive em Taiwan com a mnha família há poucos anos atrás. Nesse Verão, visitámos o sul da ilha e assistimos à passagem de um tufão. Após o tufão, fomos de táxi da cidade onde tinhamos ficado para Kaohsiung, a fim de apanharmos o avião para Macau. A viagem de táxi, por estradas esburacadas e no meio de chuva e vento intensos foi impressionante. O cascalho saltava do pavimento da estrada e o condutor ia pondo de vez em quando uns pingos medicinais no nariz para se manter acordado. Eu não me atrevia a baixar a guarda nem por um segundo, temendo pela segurança da minha família, enquanto ia ouvindo as queixas do

motorista sobre os projectos de obras nas rodovias. O homem afirmava que as estradas não estavam assim tão más quando o KMT estava no poder. A realidade actual fala por si própria e não pode ser escondida. Mesmo que os eleitores do sul de Taiwan tenham sido apoiantes do PDP, este não soube aproveitar a oprtunidade que lhe foi oferecida. Era óbvio que a perda do apoio popular viria a ser apenas uma questão de tempo. Nas eleições efectuadas no distrito geográfico de Kowloon West para o Conselho Legislativo de Hong Kong, o campo pró-governamental derrotou o campo pró-democrata, tendo arrecadado 18 dos 35 lugares das circunscrições geográficas, através de eleição directa. Mesmo que o campo pró-democrata venha a ganhar as eleições, a realizar nas circunscrições dos novos Territórios de Leste, não virá a ter direito de veto no subsector eleitoral. A vitória do campo pró-governamental nestas eleições deu, de certa forma, luz verde à promulgação a curto prazo do Artigo 23 da Lei Básica e à Emenda das Normas de Procedimento do Conselho Legislativo. A derrota do campo pró-democrata nestas eleições terá tido a ver com a alegada “compra de votos” e com a impressionante capacidade de organização e mobilização do

Se os eleitores não conhecerem bem os candidatos, se os cidadãos continuarem imersos na “bolha da segurança social” e se os processos eleitorais continuarem cheios de injustiças, pouca esperança haverá para o futuro da população de Macau Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

campo pró-governamental. Por outro lado, o “veterano democrata” Pan-democracia, que concorreu a estas eleições, colocou os seus interesses acima dos interesses do movimento democrático, enquanto um todo. Juntando a tudo isto alguns factores desfavoráveis, a derrota do campo pró-democrata passou a ser uma condenação inevitável. Podemos ainda acrescentar que a indiferença dos eleitores em relação à política e a mentalidade de uma juventude que parece ter abdicado do direito de voto, potenciaram a posição dos cidadãos mais velhos adeptos do campo pró-governamental. Se pensarmos em 2020, compreenderemos que a influência eleitoral da Pan-democracia tem tendência de cair a pique, no seio de uma sociedade envelhecida . E quanto a Macau? O ano passado, os danos infraestruturais infligidos pelo tufão “Hato” puseram em segundo plano a quantidade de medidas desastrosas que foram tomadas. Embora a cisão da frente democrática não tenha prejudicado os resultados eleitorais, os políticos da nova geração foram submetidos a duros testes. O ideal de uma sociedade civil foi há muito enfraquecido e a participação na política tornou-se sinónimo de tentativa de enriquecimento. Se os eleitores não conhecerem bem os candidatos, se os cidadãos continuarem imersos na “bolha da segurança social” e se os processos eleitorais continuarem cheios de injustiças, pouca esperança haverá para o futuro da população de Macau. Os eleitores são os únicos que podem distinguir o que está politicamente certo do que está politicamente errado!


Nada mais assustador que a ignorância em acção.

Goethe

Hotéis Número de trabalhadores sobe

No fim do terceiro trimestre de 2018 trabalhavam nos hotéis de Macau 58.255 funcionários a tempo inteiro. O número aponta para um acréscimo de 6,8 por cento, em relação ao fim do trimestre homólogo do ano passado. Em Setembro deste ano a remuneração média (excluindo as participações nos lucros e os prémios) destes trabalhadores correspondeu a 18.040 Patacas, mais 4,9 por cento, em termos anuais. Já os restaurantes empregavam 25.384 trabalhadores a tempo inteiro, menos 1,9 por cento, em termos anuais, cuja remuneração média se cifrou em 9.790 patacas, mais 5,5 por cento relativamente ao mesmo período no ano passado. O número de vagas, entre Julho e Setembro era de 2.436 nos hotéis e 2.319 nos restaurantes o que corresponde a um aumento de 215 e 147 vagas respectivamente, apontaram os Serviços de Estatística e Censos

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PALAVRA DO DIA

Excursões canceladas

Guangdong trava viagens de apenas um dia ao fim de semana para Hong Kong e a Macau

O plano procura encorajar a organização de “viagens de qualidade que durem dois dias ou mais”, argumentaram as autoridades da província, que apelaram às autoridades de turismo municipais para monitorizarem de perto as agências de viagens.

ADEUS, SOSSEGO

O plano procura encorajar a organização de “viagens de qualidade que durem dois dias ou mais”

A

S autoridades da província chinesa de Guangdong pediram às agências de viagens daquela região para porem fim às excursões de um dia, durante o fim de semana, para Hong Kong e Macau, foi ontem noticiado. De acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP), a

decisão da Secretaria de Turismo da província pretende reduzir a presença de turistas e o tráfego oriundo da mega ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. De 17 de Outubro a 1 de Novembro, foram emitidos por Guangdong mais de 1,78 milhões de vistos para Hong Kong e Macau, na maioria pedidos por aposentados, um au-

mento de 26,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com departamento de segurança da província. O Departamento de Cultura e Turismo da Província de Guangdong, citado pelo SCMP, disse ter tomado medidas para “reduzir ainda mais a pressão sobre os portos e áreas adjacentes”.

sexta-feira 30.11.2018

Desde que a travessia foi aberta ao tráfego, no dia 24 de Outubro, um grande número de visitantes ‘invadiu’ o bairro normalmente calmo de Tung Chung, na ilha de Lantau, Hong Kong, lotando os autocarros e esvaziando as prateleiras das lojas. Os meios de comunicação social de Hong Kong têm denunciado a existência de operadores turísticos ilegais da China continental. A maior travessia marítima do mundo que liga Macau, Hong Kong e a cidade chinesa de Zhuhai, inaugurada pelo Presidente chinês, é considerada uma infraestrutura fundamental para o projecto da Grande Baía que visa criar uma metrópole mundial a partir das regiões administrativas especiais e nove localidades da província de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing), com cerca de 68 milhões de habitantes.

Hoje Macau 30 NOV 2018 #4184  

N.º 4184 de 30 de NOV de 2018

Hoje Macau 30 NOV 2018 #4184  

N.º 4184 de 30 de NOV de 2018

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