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Cinzas tóxicas andam a poluir ar do território desde 2006 Página 4

Irmão mais novo de Ao Man Long morre na prisão depois de ter lhe sido negada a liberdade condicional

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tempo pouco nublado min 18 max 25 humidade 50-90% câmbios euro 10.6 baht 0.26 yuan 1.21 pub

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Director carlos morais josé • terça-feira 30 de novembro de 2010 • ANO X • Nº 2261

Macaenses da diáspora descrevem limitada imagem da RAEM no estrangeiro

Jogo, jogo e mais jogo

O facto de Macau ser património mundial da UNESCO e de aqui existir um único e irrepetível encontro de culturas não passa lá para fora. Quem o afirma são os macaenses da diáspora que só ouvem falar de jogo quando existem referências à RAEM nos países onde vivem. O que prova o imenso trabalho que está por fazer. >página 3

Eduardo Ribeiro profere hoje conferência sobre presença de Camões em Macau

Certeza metódica António Falcão | bloomland.cn

Entrevista nas centrais

Segurança

30 mil ilegais é um número “razoável” • P.5

Karting

Coloane recebe campeonato internacional • P.10

Ilha da Montanha

Arrancam obras do maior parque de diversões do mundo • P.6

Stanley Ho

Milhões de patacas por duas trufas • P.7

Futebol de sete

Kai I representa Macau no Interport • P.10

os nossos contactos mudaram

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actual

Rocha Vieira fala sobre relações entre comunidade portuguesa e macaense

Gonçalo Lobo Pinheiro info@hojemacau.com.mo

“A transição foi reforço com esperança de futuro”, confidenciou Vasco Rocha Vieira ao Hoje Macau depois de, minutos antes, ter pousado para a foto oficial do Encontro das Comunidades Macaenses “Macau 2010” junto às Ruínas de São Paulo. “Sinto-me muito bem por estar aqui e ver Macau desenvolvido e mais próspero”, disse. Para o último Governador português no território, a comunidade portuguesa “continua com um papel muito importante”. “Tem de se continuar a aprofundar o elo de ligação entre a comunidade portuguesa e a macaense”, defendeu Rocha Vieira.

Rocha Vieira apoia Cavaco Silva e rejeita cargos políticos

O candidato a coisa nenhuma fazer uma carreira política e, portanto, às vezes surpreendo-me porque é que depois de eu afirmar isso tantas vezes e de nenhum comportamento, na minha atitude, nas minhas acções nada poder ser indicio de que é diferente daquilo que eu digo, as pessoas ainda hoje falam nesse assunto”, afirmou. Rocha Vieira, acrescenGonçalo Lobo Pinheiro

À margem do quarto Encontro das Comunidades Macaenses onde é um dos convidados de honra, o último governador português de Macau, Rocha Vieira, afirmou ser sua intenção apoiar Cavaco Silva nas eleições presidenciais portuguesas de Janeiro e afastou qualquer vontade de ser candidato a um cargo político no país. “Apoio Cavaco Silva, sem dúvida”, garantiu Rocha Vieira em declarações à agência Lusa. Além do apoio expresso ao actual Presidente da República, o ex-Governador recusou pretender candidaturas políticas para si e garantiu que apesar da especulação, sempre disse que não estava interessado em carreiras políticas e que hoje ninguém o pode desmentir. “Eu acho que o meu comportamento e a minha atitude desde sempre não deixaram nenhuma dúvida de que eu nunca seria candidato a coisa nenhuma, como nunca fui na vida”, afirmou o general que entre 1991 e 1999 liderou os destinos da Administração portuguesa de Macau. “Nunca quis candidatarme a nada, nunca quis

O general mostrou-se “extremamente satisfeito” com o convite endereçado para estar presente no Encontro com a sua esposa e reforçou a importância da identidade de ser macaense. “Há uma identidade e orgulho nas suas origens. Os macaenses mantêm a sua ligação à terra de origem e são responsáveis pela ligação de Macau ao exterior.” Rocha Vieira comentou também o recente Fórum Macau e a crescente importância da língua portuguesa na China. “Macau é muito importante como plataforma de ligação da China com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Macau é a ponte da China com a lusofonia”, afirmou. “A China tem uma visão a longo prazo. As relações com Portugal são

Gonçalo Lobo Pinheiro

Aprofundar as ligações

tou também nunca ter tido dúvidas nem nunca se ter expressado de maneira distinta nem ser esse o seu pensamento sobre o que é o seu sentido de estar na vida e de serviço ao país que “não passa por ser candidato a coisa nenhuma”. “Exerci várias funções de cariz político, mas não numa carreira política, mas nunca pedi nem nunca

insinuei que quisesse alguma coisa e hoje digo isso com toda a tranquilidade”, conclui. Onde pára a bandeira?

Ano e meio depois de ter revelado que a última bandeira da administração portuguesa de Macau continuava numa gaveta da casa do ex-ajudante de campo, Ro-

muito antigas e a transição foi feita de um modo muito cordial o que facilitou ainda mais essas relações. A par disso, a China vê nos CPLP uma excelente oportunidade, nomeadamente com Angola e com o Brasil”, acrescentou. O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Manuel Cansado de Carvalho, também falou com o Hoje Macau e reiterou a importância do encontro dos macaenses em Macau. “Vejo com satisfação a diáspora vir ao território e como Macau os recebe”. Para Cansado de Carvalho este encontro, entre muitas coisas, “é uma componente importante do legado português”. “É um pouco de Portugal que está em causa e esta foto tirada nas Ruínas de São Paulo é um momento icónico”, disse. “Este monumento representa a adaptação de Portugal ao Oriente. É sabido que, por onde passaram, os portugueses sempre se adaptaram e a comunidade macaense tem particularidades muito portuguesas”, concluiu.

cha Vieira sublinhou que o assunto “virá à luz do dia” na altura própria. Em declarações à Agência Lusa disse que “está na mesma. Já lhe disse que o tempo se encarrega de resolver as coisas e eu acho que nós, em função do tempo, não devemos ser ansiosos”. Para o general, o assunto da bandeira “virá à luz do dia na altura própria”, mas garante que, quando colocou o assunto na praça pública há cerca de ano e meio, “foi agradável constatar que imensas pessoas reagiram muito positivamente à questão da bandeira”. Houve uma reacção positiva “ao seu significado, ao facto de ser a última bandeira do Palácio do Governo do último Governo da administração portuguesa fora da Europa e que para além da importância que lhe deram acharam que era justo e correcto em termos de História (…) que a bandeira tivesse um lugar digno para o futuro e isso é muito bom que a sociedade civil e instituições se tenham pronunciado nesse sentido”. Escusando-se a explicar eventuais contactos posteriores, Rocha Vieira disse apenas que as reacções obtidas lhe dão “mais força para

dizer que, de facto, o tempo há de achar o justo lugar e o justo momento para que a última bandeira da administração portuguesa tenha o seu lugar próprio”. Instado a comentar se se sentia maltratado pelos órgãos de soberania portugueses depois de ter sido o chefe do Governo de Macau nos últimos nove anos e meio da transição do território para a China, Rocha Vieira escusouse a manifestar qualquer eventual ressentimento e centrou qualquer comportamento no cargo e não na pessoa que o ocupava. “Eu nunca me sinto maltratado porque nunca espero que me tratem de uma maneira ou de outra. Nunca espero, e digo-o com toda a sinceridade (…) nunca acho isso, nunca estive muito preocupado com o que iria ser o dia seguinte, com o que é que iria fazer. Disseo aqui em Macau várias vezes, as pessoas também não acreditavam que eu não ambicionasse qualquer coisa”, garantiu. “Se acha que o último Governador foi maltratado, não foi a mim que trataram mal, foi àquilo que o Governador de Macau representava e eu sobre isso não tenho de me pronunciar”, disse.


Um dos pontos mais centrais e críticos é o nosso umbigo. Uns têm mais dificuldade do que outros em observar o que se passa para além da própria cicatriz. Embora seja muito útil observarmos o nosso, de vez em quando. Falo por mim, nem sempre consigo ser razoavelmente eficiente nessa matéria, quase só me lembro do umbigo quando estou genuinamente alegre e de forma prolongada Helder Fernando, P.15

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Macaenses da diáspora | Macau é pouco conhecido como espaço de encontro de culturas

Passeio de gerações

Filipa Queiroz

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Muitos flashes e centenas de sorrisos escadaria monumental acima. As Ruínas de São Paulo são o ponto de encontro entre os membros do Conselho Geral das Comunidades Macaenses e os restantes participantes do Encontro das Comunidades Macaenses, numa sessão fotográfica que marca a passagem do evento que trouxe mais de 1.500 macaenses da diáspora à RAEM. Natália e James Mason, mãe e filho, vieram directamente de Londres para o Encontro. “A minha mãe nasceu aqui, viemos celebrar a cultura dela, visitar a família e perceber o estado das coisas”, diz o fotógrafo de 33 anos. O jovem, que já visitou Macau mais vezes no passado, diz que as mudanças que o território tem sofrido são “impressionantes mas talvez estejam a fazer com que o território esteja a perder um pouco a sua identidade”. Mas Natália interrompe, optimista: “Isto está muito diferente, era muito mais tranquilo, mas a mudança é necessária. É preciso evoluir e eu sinto-me em casa na mesma”. Mãe e filho são dois dos quatro participantes a chegados de Inglaterra para o evento organizado pelo Conselho das Comunidades Macaenses. “Estou fora de Macau há mais quarenta anos e o Encontro é sempre um bom pretexto para matar saudades, visitar a família e reencontrar amigos” explica, num português já bastante arranhado. E acrescenta que até aproveitou para celebrar aqui os “51 anos de casada”. União que a levou a emigrar para a Europa nos anos 60 com o

marido inglês que conheceu em Hong Kong. Encontro de sucesso

Apesar de James Mason não se sentir macaense, o filho de Natália confessa que se identifica com a cultura da família materna. “É muito focada na união familiar, no convívio e na gastronomia - que é absolutamente fantástica”, diz. Perguntamos se já conheceu outros jovens no Encontro, mas o fotógrafo torce o nariz e diz que “é uma pena que muitos não se interessem em participar”. O que não quer dizer que não se divirta na mesma. “Foi muito giro o jantar (inaugural) no Venetian, até dançámos”, conta. E Natália de novo acrescenta: “Comigo e com a avó!” José Manuel Rodrigues, presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, não esconde o contentamento. “Está a correr tudo muito bem e julgo que até ao final, dia 5, irá cumprir-se aquilo que eu disse no início do Encontro: vai ser o maior e o melhor de sempre”, comentou Rodrigues no final da sessão fotográfica que contou com a presença do Chefe do Executivo da RAEM, Fernando Chui Sai On. Uns degraus acima, Alberto Noronha conversa muito animado. gonçalo lobo pinheiro

No quarto dia do IV Encontro das Comunidades Macaenses, enquanto o Conselho reunia, os restantes participantes visitaram Macau num convívio que não se limita ao cruzamento de culturas

Ele é um dos 134 participantes oriundos da Austrália e, tal como Natália Mason, fez questão de se fazer acompanhar pela esposa e pelo filho ao Encontro. “Este é o terceiro em que participo e é sempre excelente. Venho para encontrar amigos, ver pessoas que não via há imenso tempo como colegas de turma que não via há mais de 30 anos”, conta o neto de um dos fundadores da Casa de Macau australiana, que hoje conta com cerca de 780 membros. Confronto com a mudança

É a terceira vez que Alberto traz a família à terra onde nasceu. “Eu gosto de vir e aprecio a cultura macaense, sobretudo a comida!”, diz Emile Rui Noronha. O jovem de 20 anos confessa que também

pletamente diferente, há imensos casino e tantos edifícios que foram deitados abaixo e recontruídos”, diz. “Costumamos fazer intervalos de três anos entre as visitas por isso o choque é maior”, explica o pai. Alberto mudou-se para Maitland, no Estado australiano de

José Manuel Rodrigues não esconde o contentamento. “Está a correr tudo muito bem e julgo que vai ser o maior e o melhor de sempre” gostou particularmente do passeio matinal pela cidade, organizado pelo Encontro. “Macau mudou muito desde a última vez que cá vim, em 2004. É quase um sítio com-

New South Wales, há 34 anos. “Macau está muito diferente do que aquele que recordo da minha infância e não posso dizer que todas a diferenças sejam positivas”, desa-

bafa e aponta para as Ruínas: “Pelo menos estão a tentar preservar o património histórico.” “São um símbolo da nossa comunidade, um símbolo da fusão entre o Ocidente e Oriente”, comenta sobre aquele que é um dos monumentos do centro histórico de Macau, inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO. “As pessoas não têm noção de que Macau só se tornou uma comunidade quando os portugueses vieram para cá e começaram a misturar-se com os cristãos japoneses” continua, e acrescenta que “só depois da Segunda Guerra Mundial é que os chineses se envolveram, mas olham para os estrangeiros de forma diferente”. Estrangeiro como se sente o filho, Emile. Perguntamos-lhe qual a visão que o povo australiano tem de Macau. “Não conhecem, sabem que é o sítio onde o Sr. Packer construiu um casino”, diz. E o pai acrescenta: “Para a maior parte das pessoas isto é um centro de jogo, nem se apercebem da gigante troca cultural que existe aqui.” História e património que o Conselho das Comunidades, as Casas de Macau e o todas as restante associações pretendem manter vivos por muito tempo. O Conselho Geral do instituto que promove o Encontro aproveitou a manhã de ontem para reunir. Das quatro horas de debate saíram as decisões de criar um núcleo de jovens macaenses de Macau e da diáspora, e a eleição dos três primeiros membros honorários do Conselho: o primeiro chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Edmund Ho, o último governador português do território, general Rocha Vieira e, a título póstumo, o escritor Henrique Senna Fernandes.


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4 Kahon Chan

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Metais pesados e dioxinas contidas nas cinzas de incineração estão a despejadas num aterro ao ar livre e a voar ao sabor do vento em Coloane desde 2006. Foi preciso uma reportagem na televisão para que a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) decidisse pedir à Sinogal que embalasse as cinzas tóxicas em grandes sacos antes de as deitar fora. Um comunicado divulgado ontem à noite indica que o organismo sempre soube do risco que as cinzas representam, uma vez que encomendou um estudo de tratamento há um ano, mas a população nunca foi informada do perigo que andava no ar. A incineração de resíduos sólidos urbanos produz gases de combustão e cinzas – além dos restos sólidos que sobram no fundo da incineradora, há ainda as chamadas “cinzas volantes”, recolhidas nos filtros das chaminés. São justamente estas as que são consideradas mais perigosas devido aos altos níveis de metais pesados, assim como de dioxinas e furanos. As cinzas volantes produzidas nas incineradoras têm sido despejadas num aterro sem qualquer tratamento, perante a indiferença da DSPA, que terá estado a par do potencial perigo para a saúde pública, ou não tivesse encomendado um estudo há mais de um ano sobre o tratamento sustentável dessas cinzas. A MASTV e o jornal “Cheng Pou” revelaram este fim-desemana como eram tratadas as cinzas volantes, despejadas sem cobertura num aterro permanente em Coloane. Nas fotografias e imagens capturadas na sexta-feira, um camião de caixa aberta da Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) aparece a despejar as cinzas para o aterro, como se fossem terra, com uma diferença: a cinza era tão fina que o ar se cobria com uma nuvem branca de pequenas e perigosas partículas. Os jornalistas foram alertados para se afastarem da zona de despejo, uma vez que o conteúdo era reconhecidamente tóxico, mas ao serem transportadas num veículo de caixa aberta, as cinzas já se vinham a espalhar ao longo da estrada entre as incineradoras e o aterro. Pelo caminho, passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau, pelo campus da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) e pelos resorts City of Dreams e Venetian, pelo Macau Dome e pelo Macau Golf and Country Club.

política População a respirar cinzas tóxicas desde 2006

Perigo no ar em Coloane

Um responsável de comunicação da DSPA disse ontem ao Hoje Macau que o local na Estrada de Nossa Senhora de Ká Hó apenas foi atribuído ao aterro especializado para cinzas volantes de incineradora no último trimestre de 2006. Um mapa de imagens satélite da Google mostra que o local era um terreno baldio há mais de cinco anos. Na vizinhança, estão o Centro de Santa Lúcia, a Vila de Nossa Senhora e o Lar de Nossa Senhora de Ká Hó. Conforme revelou ontem em comunicado, a DSPA solicitou à operadora da Central de In-

cineração de Macau (CIM) que concretizasse as medidas de aperfeiçoamento o mais breve possível, sendo que, até à conclusão da actualização da antiga unidade, a central continuará a funcionar com três fornos da nova unidade como linha de tratamento principal, enquanto os fornos da antiga unidade passam a funcionar como de reserva, conforme a necessidade – segundo estimativas do tratamento dos resíduos da RAEM, será apenas necessário activar trimestralmente um forno da antiga unidade, que funcionará cerca de um mês.

Caso a quantidade de resíduos reduza, poderá não ser necessário usar este forno. Antes da actualização da antiga unidade, que terá início no próximo ano, o sistema de tratamento de cinzas volantes da antiga unidade será ligado aos equipamentos na nova unidade para um processo de solidificação. Além disso, todas as cinzas volantes produzidas pelas nova e antiga unidades da CIM deverão serem empacotadas em sacos de plásticos com o volume de um metro cúbico cada um, devendo de seguida ser embalados num outro saco, antes de serem

A MASTV e o jornal “Cheng Pou” revelaram este fim-de-semana como eram tratadas as cinzas volantes, despejadas sem cobertura num aterro permanente em Coloane. Nas fotografias e imagens capturadas na sexta-feira, um camião de caixa aberta da Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) aparece a despejar as cinzas para o aterro, como se fossem terra, com uma diferença: a cinza era tão fina que o ar se cobria com uma nuvem branca de pequenas e perigosas partículas

transportados para a zona de aterro. Estes sacos fechados com cinzas volantes serão movidos por guindaste e aterrados. No comunicado, é também sugerido pela encomenda de três estudos que a DSPA há muito tinha conhecimento dos riscos. O primeiro estudo tinha por objectivo localizar um novo aterro para cinzas volantes com os requisitos técnicos, o que foi encomendado no Outono de 2009, com o relatório de viabilidade a ser apresentado no próximo mês. O relatório de impacte ambiental do local desconhecido será recebido no próximo mês de Março. O segundo estudo foi encomendado em meados de Setembro deste ano para avaliar a viabilidade da vitrificação – transformação em vidro – das cinza pelo calor e a DSPA chegou mesmo a realizar uma visita ao Japão em Março para observar uma instalação similar. Um relatório é esperado em Abril de 2011. O “Estudo de Avaliação e Inquérito sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes em Macau”, que engloba também a avaliação e análise de dioxinas, foi também encomendado este ano, com um relatório agendado para ser concluído no final de 2011. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Au Kam San considerou a acção da DSPA um sinal positivo, mas afirmou que o organismo deveria ter tomado uma atitude mais cedo. Membro do Grupo de Acompanhamento dos Assuntos Cívicos, Lam U Tou encontrou-se ontem à tarde com o director da DSPA para discutir o assunto, tendo exigido ao Governo que também tomasse as medidas necessárias no aterro existente, onde as cinzas volantes continuam a ser sopradas pelo vento em toda a zona descoberta. Com o acordo da DSPA, Lam espera que o Governo acrescente camadas de terra sobre as cinzas tóxicas, tendo também exigido uma avaliação completa de todas as outras instalações de tratamento de resíduos para descobrir se mais práticas impróprias estão a ser realizadas. Ontem à noite, o porta-voz da DSPA não foi capaz de dizer onde é que as mesmas cinzas eram despejadas antes da abertura do aterro actual em 2006. A DSPA só foi fundada no ano passado, para cuidar das operações de tratamento de resíduos.


Matéria criminal para Segunda Instância Sob proposta do Conselho dos Magistrados Judiciais, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, declarou estarem instaladas no Tribunal de Segunda Instância, a partir de 4 de Janeiro de 2011, uma secção de processos em matéria criminal, com competência para julgar as causas de natureza penal, e uma secção de processos com competência para julgar as restantes causas. Nesse sentido foram nomeados, definitivamente, o juiz Ho Wai Neng, previamente exonerado do Tribunal Judicial de Base e do Tribunal Administrativo e substituído por Tong Hio Fong, e o juiz Ip Son Sang, presidente do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância. Foi igualmente nomeado, mas por contratação, o juiz José Cândido de Pinto, pelo período de dois anos.

Vanessa Amaro

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Entre Janeiro e Setembro deste ano, foram apanhados 644 trabalhadores ilegais. Os deputados da Assembleia Legislativa (AL) consideram o número bastante baixo, considerando as estimativas de que 30 mil pessoas venham a Macau e por cá permaneçam ilegalmente. Mas o secretário para a Segurança, Cheong Kuok Va, não partilha a mesma opinião. Ontem, durante o debate das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2011 na área da segurança, o democrata Au Kam San considerou que 2084 acções de inspecção a estaleiros, residências e estabelecimentos comerciais era pouco e o número de ilegais detectado ainda menor. “Isso significa que a cada quatro acções, apenas um trabalhador ilegal foi detectado. Todos nós sabemos que existem muitos ilegais no território e isso demonstra que há uma baixa eficiência das polícias”, apontou Au, acusando o Governo de estar a servir a si próprio e não à população. pub

Cheong Kuok Va descarta alarmismos

e que mais deveria ser feito. E atirou um número para o hemiciclo: “É verdade que há 30 mil ilegais à solta em Macau?” Cheong Kuok Va acabou por confirmar de forma indirecta esse dado e considerou 30 mil algo “razoável”. “Recebemos 24 milhões de visitantes todos os anos. Se 30 mil permanecem para além do prazo estipulado, não parece algo fora do extraordinário”, referiu. De acordo com o secretário, no entanto, a quantidade de pessoas com permanência ilegal já sofreu uma redução, graças “a nova lei que

Os números da criminalidade

• • • •

8672 15,3% 3019 644

crimes entre Janeiro e Setembro (-8,7%)

foi quanto caiu a criminalidade violenta

pessoas detidas e sob investigação do Ministério Público

trabalhadores ilegais apanhados em 2804 acções de inspecção

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5 O que ficou prometido

30 mil ilegais é normal Kwan Tsui Hang também não ficou convencida com o número de trabalhadores ilegais apresentado pelo secretário para a Segurança. “Todos nós sabemos que em qualquer estaleiro de obras há muitos empregados ilegais. O Governo até demonstra vontade, mas depois a eficiência acaba por ser baixa. A imagem da polícia pode ficar danificada”, constatou. Por sua vez, Ho Ion Sang afirmou que a presença de trabalhadores ilegais afecta a tranquilidade e dos valores da sociedade de Macau

terça-feira 30.11.2010

entrou em vigor no ano passado e que elevou o montante da multa”. Cheong Kuok Va também lembrou que desde a imposição de vistos de entrada prévios a cidadãos de seis países do Sudeste Asiático o número de ilegais tem caído. Quem se ressente é o turismo, não esquece o secretário. “É verdade que as novas restrições têm um efeito no sector turístico, mas ponderamos o prejuízo do grande número de pessoas provenientes desses países que ficavam cá para além do prazo permitido”, realçou. O deputado Au Kam San também não se inibiu de questionar o secretário sobre os sucessivos casos de pessoas de Hong Kong barradas à entrada do território. O secretário, contudo, apenas referiu que “a polícia faz tudo dentro da lei”.

- Melhoria do policiamento comunitário e do modelo de patrulhas - Reforçar o combate ao tráfico de drogas, de armas e de pessoas - Maior combate dos crimes leves, que incluem reuniões periódicas com associações de moradores e reforço de policiamento durante festividades - Reforçar a inspecção, detecção e investigação dos trabalhadores e dos imigrantes ilegais - Maior troca de informações com regiões vizinhas - Melhoria da gestão interna e optimização administrativa - Introdução de novas tecnologias - Implementação do sistema de autopassagem para residentes de Macau no aeroporto - Optimização dos serviços de socorro, de emergência e de combate a incêndios - Melhor combate à fraude aduaneira - Ampliação da equipa do Estabelecimento Prisional - Atitude acolhedora nos Serviços de Migração - Intensificação das inspecções e fiscalização da segurança do tráfego rodoviário


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sociedade

Irmão de Ao Man Long tinha diabetes e teve uma perna amputada

A morte não saiu à rua Em Abril deste ano, Ao Man Fu, o irmão mais novo de Ao Man Long condenado a cinco anos de prisão, pediu a sua liberdade condicional devido a complicações de saúde. O Tribunal Judicial de Base (TJB) negou o pedido. Na noite de domingo, pelas 23h55, o recluso morreu no São Januário depois de três semanas internado devido a uma diabetes crónica. O advogado de Ao Man Fu, Pedro Leal, acredita que a sua vida poderia ter sido prolongada se estivesse a ser tratado fora das grades Vanessa Amaro

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Em Fevereiro, teve uma perna amputada. Em Abril, viu o pedido de liberdade condicional ser-lhe negado. Na noite de domingo, Ao Man Fu, o irmão mais novo do antigo secretário das Obras Públicas Ao Man Long, morreu no Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de estar três semanas internado devido a complicações de uma diabetes grave. A notícia, divulgada pelo Estabelecimento Prisional de Macau sem revelar a identidade do recluso, foi ontem confirmada pelo advogado do empresário,

Pedro Leal, que apontou o dedo ao impedimento de Ao, de 51 anos, recuperar da doença em liberdade condicional. “O senhor Ao Man Fu tinha uma saúde extremamente precária. Sofria de uma diabetes grave e padecia de uma outra série de doenças, do coração, dos olhos. Não sou médico, mas é claro que se ele estivesse fora da prisão poderia ter visto a sua vida ser mais prolongada”, disse Pedro Leal ao Hoje Macau. Há setes meses, quando a defesa do empresário condenado em Dezembro de 2006 a cinco anos de prisão pediu a sua libertação, tudo levava a crer que iria

ser concedida. O director do Estabelecimento Prisional emitiu um relatório favorável a apontar que o recluso tinha uma saúde muito débil e que poderia recuperar fora das grades. Os pareceres médicos seguiram pelo mesmo caminho e garantiam que na prisão Ao Man Fu não conseguia garantir todos os cuidados necessários que cá fora. O técnico de reinserção social também saiu em defesa do empresário, ao afirmar, de forma categórica, que só em liberdade poderia recuperar da doença. O Tribunal Judicial de Base (TJB), no entanto, não teve o mesmo entendimento, por considerar que “a

sua libertação antecipada se revela incompatível com a defesa da ordem jurídica e da paz social”, apontou o acórdão da decisão proferida em Abril. A defesa do mais novo da família Ao afirmou que a liberdade condicional não foi concedida porque o tribunal não considerou que esse fosse um bom princípio. “A comunidade sentiria que não haveria um castigo apropriado caso o senhor Ao Man Fu saísse em liberdade, segundo alega-se na decisão. A considerar os crimes de corrupção e branqueamento eram de elevada gravidade, e apesar de conhecer o seu estado precário de saúde,

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maior parque do mundo na Ilha da Montanha

Arrancaram no domingo as obras de construção daquele que se espera vir a ser o maior parque de diversões do mundo. Destinado a atrair 20 milhões de turistas por ano – mais do que qualquer outro parque temático em todo o planeta – o Zhuhai Chime Long Ocean World irá custar 20 mil milhões de yuans (23,5 mil milhões de patacas). A administração do novo parque de diversões e resort revelou ter como alvo os turistas da China Continental e o os visitantes de Macau, e garantiu que não pretende competir com o Ocean Park, de Hong Kong. Numa cerimónia em que estiveram presentes o governador provincial Huang Huahua, o presidente da câmara de Zhuhai, Zhong Shijian, afirmou que o parque temático tinha um promissor futuro à sua frente e que iria fazer de Zhuhai um destino turistica-

mente tão atractivo como Hong Kong ou Macau. O grupo Guangdong Chimelong, promotor do projecto, já opera actualmente quatro parques temáticos e jardins zoológicos,

Kahon Chan

Raios me parque

um circo e três hotéis na grande Guangzhou, onde o Chime Long Paradise, que abriu em 2006, foi descrito como o segundo maior da China Continental. A Ilha da Montanha chegou a ser dada como

o tribunal decidiu mantê-lo na prisão”, apontou Pedro Leal, que desde o pedido de liberdade condicional não teve mais contacto com o empresário. A notícia da morte chegou-lhe por uma mensagem telefónica por parte da irmã de Ao. O Estabelecimento Prisional de Macau refere, no seu comunicado, que o caso de Ao Man Fu “foi acompanhado nas várias especialidades do Centro Hospitalar Conde de São Januário” e que a morte pode ter sido causada por complicações da diabetes. “Mas ainda se aguarda o relatório do hospital para confirmação”, frisa o documento. Ao Man Fu foi detido

uma das localizações candidatas para a Walt Disney construir o seu primeiro parque temático na China, mas acabaria por perder para Hong Kong. O Chime Long Ocean World vem assim preencher essa lacuna. Trata-se de um dos primeiros empreendimentos na ilha com um projecto concreto, além do campus da Universidade de Macau (UM). A maior parte da ilha está destinada às indústrias específicas. De acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, o Ocean World estará dividido em três partes e oito zonas a cobrir uma área de cinco milhões de metros quadrados, em que a primeira fase irá custar 10 mil milhões de yuans (11,75 mil milhões de patacas). A Chime Long diz ter visitado mais de 20 países nos úlitmos cinco anos, tendo recrutado várias firmas de design internacionais para trazer a essência dos “parques temáticos de todo o mundo”. Segundo a descrição, os visitantes poderão ver ursos polares

na mesma altura em que a justiça levou o seu irmão mais velho para a prisão, em Dezembro de 2006. Assim como o pai, condenado a cinco anos já cumpridos, ficou provado que o empresário ajudou o irmão mais velho a dissimular o dinheiro que o recebia de forma ilícita. Aquando do seu julgamento, em 2008, Ao Man Fu disse não ter conhecimento dos esquemas que valeram ao antigo secretário das Obras Públicas a pena de prisão de 28 anos e meio. A mulher do empresário, condenada a quatro anos e meio, continua na prisão e deve pedir agora a sua liberdade condicional.

durante um passeio na montanharussa, tubarões-baleia num túnel de vidro e algumas espécies em vias de extinção num jardim zoológico nocturno. A mais longa montanharussa do mundo apoiada em troncos de madeira, a mais alta roda gigante, um cinema especial e um “mundo aquático” foram enumerados como algumas das atracções do empreendimento, qua contará também com um hotel de 1888 quartos, decorado com o tema “golfinhos”. O resort deverá levar apenas dois anos a estar concluído e abrir as portas ao público. Com uma meta de 20 milhões de visitantes por ano, o Chime Long Ocean World deverá tornarse o mais popular parque temático do mundo, destronando o Magic Kingdom de Orlando (EUA), com os seus 17,2 milhões de visitantes anuais. Em 2009, o Ocean Park de Hong Kong atraiu 5,1 milhões de pessoas, das quais mais de metade (aproximadamente 53%) foram turistas provenientes da China Continental.


Verão quente provoca maior consumo de energia

terça-feira 30.11.2010

As altas temperaturas registadas este Verão provocaram um acréscimo na procura de electricidade que se em valores na ordem dos 1,12 mil milhões de kWh. Este valor sugere uma subida de 17,3% em comparação com o segundo trimestre deste ano. Os Serviços de Estatística e Censos informou que o consumo de electricidade pelos agregados familiares foi de 250 milhões de kWh e expandiu-se acentuadamente 34,2%; o do sector comercial e industrial situou-se em 819 milhões de kWh (o jogo ocupa 46,3%), aumentando 12,8%.

Gonçalo Lobo Pinheiro info@hojemacau.com.mo

Imparável. Assim está o administrador-delegado da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Stanley Ho. Depois de um longo período de internamento por debilidades na sua saúde resultantes de uma queda na sua residência, o magnata do jogo de Macau, que fez uma rara aparição pública quando foi agraciado com o “Grande Bauhinia” pelo Chefe do Executivo de Hong Kong, festejou, na passada quinta-feira, os seus 89 anos na companhia da família e pagou depois, no sábado, cerca de 2,6 milhões de patacas por um par de trufas brancas italianas numa licitação em leilão de caridade. O programa das festas do aniversário do magnata foi repleto de actividades. O dia começou com um pequeno-almoço com a sua terceira mulher, Ina Chan UnChan. À tarde tomou um chá com Angela Leong, a sua quarta mulher, e ainda se dedicou à restante família com um jantar. pub

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Stanley Ho festejou aniversário em família e comprou trufas em leilão de prenda

‘Tuber magnatum’ para um magnata Segundo o jornal “The Standard”, Ho, que dirigiu os seus festejos à sua família, no sentido de que todos possam “ter saúde e bom espírito”, provocou, no dia de anos, um rombo na sua avultada conta bancária e ofereceu um donativo de 1,5 milhões de dólares de Hong Kong ao “Community Chest”. Não contente, o milionário pagou um lanço de 2,6 milhões de patacas por um par de raras trufas brancas – 900 e 400 gramas - dois dias depois do seu aniversário. O valor atingiu igual valor por uma que outro milionário adquiriu em 2007, que pesava 1,5 quilogramas. As iguarias, normalmente encontradas com ajuda de cães ou porcos, foram descobertas na Toscana e em Molise, na Itália, e são muito raras. “Foi divertido”,

disse Piers Boothman, directoradjunto da Christie’s International que confidenciou que “a maioria dos lances vieram de Macau”. A receita global do leilão totalizou cerca de três milhões de patacas e reverteu a favor de instituições de caridade em Macau, Londres e Roma. A trufa branca, cientificamente chamadas de ‘Tuber magnatum’, é um fungo muito apreciada por chefes de cozinha devido ao seu inigualável aroma. As trufas de Alba, por serem as melhores, podem custar até 125 mil patacas o quilo. As que exibem uma subtil coloração rosada são consideradas melhores, de aroma mais marcante. As melhores safras ocorrem em Outonos chuvosos, pois as trufas precisam de muita humidade para crescer.


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cultura

Um co

A história co line terá, ale e estão orça os herdeiros mãos de Le

António Falcão

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Eduardo Ribeiro agarrou em Camões e não parou mais. Ao princípio, devem ter achado que era um “arroubo a minha investigação”, refere, mas com a “insistência séria” o seu trabalho levou a uma outra abordagem. Hoje chega de novo ao estrado para um colóquio, genericamente, apresentando “as balizas mestras sobre os indícios da historicidade da presença de Camões em Macau”. É toda uma tarefa que quer que fique para a posteridade. “Não quero colher os louros em vida”, diz. No final declara que, dada a sua universalidade e sua passagem por Macau, Camões é um poeta de Macau e que “a RAEM devia absorver como seu poeta o poeta Luís Vaz de Camões.” Já publicou livros sobre Camões, tem vindo a estudar o poeta há muito, o que há ainda a dizer sobre Luís de Camões que as pessoas ainda não saibam? Há muito ainda a dizer, aliás isso é o que eu ando a investigar, porque ando em busca da verdade histórica. Desse modo encontra-se sempre qualquer coisa. E como eu intui em 2007, quando lancei o meu primeiro livro, sabia que ia encontrar coisas e encontrei já muito, a ponto que, neste momento, eu posso dizer que o livro, publicado há três anos, ao lado daquilo que eu já encontrei e descobri é um pigmeu. Descobri por exemplo quem era o Capitão-mor da viagem para a China e Japão, com quem Camões veio para Macau, que foi em1562. Os historiadores da época dizem que esse lugar “lhe foi dado pelo vice-rei” e, por diversas razões, o vice-rei só podia ser D. Francisco Coutinho, que esteve no cargo entre 1561 e 1564. Esse erro está na base da grande confusão sobre a historicidade de Camões em Macau. Todos os historiadores diziam que Camões tinha estado em Macau na década de 50, mas isso não é verdade, porque Macau só passou a ser em exclusivo o único estabelecimento dos portugueses na China a partir de 1560 e tudo começa a fazer sentido. O que tem feito então é ligar esses fios da história e juntar a meada... Exactamente. Eu só tenho estado a pôr as peças do quebra-cabeças nos seus devidos lugares. De resto nada do que eu estou a “descobrir” está a ser descoberto, porque estava tudo escrito. A única coisa que descobri foi sobre Pedro Barreto. Depois de em 1561 o Francisco Coutinho ter dado o cargo de Provedor de Defuntos a Camões para vir para Macau eu pensei “então quem foi o capitão-mor em 1562?” Eu vi-me

Conferência hoje às 18h00, no Clube C&C, volta a “malhar” no poeta

Camões apartado como um e desejei-me para descobrir isso. Mas depois recebi a lista anual dos capitães-mor, que eram anuais e que vinham com a Nau do Trato, que fazia a viagem anual de Goa para o Japão, e quando eu vi que em 1562 o capitão-mor foi o Pedro Barreto e aí eu disse: “Eureka!” Porque ele era o grande amigo de Camões, é o Charles Boxer que o diz. Foi com ele que depois o Camões viajou em 1567 para Moçambique, onde ficou lá um ano e tal dois anos.

Há indícios mais do que suficientes para demonstrar que Camões esteve em Macau. Aliás, a grande maioria dos historiadores dizem que isso é verdade. Embora apontem para os anos 50 e esse é que é o grande erro de origem desta história toda. Já não há dúvidas que Camões esteve então em Macau. Parece haver sempre alguém que ainda afirma o contrário. Não, não tenho dúvidas nenhumas. Os ingleses dizem que, para além de qualquer dúvida razoável, “há indícios mais do que suficientes” para demonstrar que Camões esteve em Macau. Aliás, a grande maioria dos historiadores dizem que isso é

verdade. Embora apontem para os anos 50 e esse é que é o grande erro de origem desta história toda. Quantos anos esteve Camões em Macau? Tradicionalmente todos defendem que são os dois anos. Bom, eles defendem de que ele esteve cá como Provedor de Defuntos dos portugueses em Macau, mas há aí uma nuance, o Camões pode ter tido esse cargo aqui, é certo, mas a acumular com o lugar que lhe foi dado, que foi o lugar de Provedor de Defuntos na viagem. Todas as viagens tinham esse posto estabelecido, tinham de ter, que é o de responsável pelos bens dos portugueses que morriam. Isso é uma teoria sua ou é mesmo a verdade? Não, é assim a verdade, eu só fui beber no que eles dizem. Quem era o provedor da viagem? Era o capitãomor, que era um posto por inerência. Portanto, em 1562 quando o Pedro Barreto viaja de novo para Macau, já pela terceira vez, dá esse posto a Camões. Em sua opinião o que atraiu Camões a vir para Macau? Ainda bem que faz essa pergunta. Primeiro, o lugar de provedor podiase ganhar algum dinheiro, porque eles tinham uma percentagem razoável dos bens que depois eram vendidos no regresso à Índia Portuguesa. Mas na minha opinião esse não foi o principal motivo, há outros autores que alvitram que houve outro motivo mais importante, e eu acredito nisso. Foi a instauração da Inquisição em Goa. Sabe que se diz que Camões

era cristão novo e o seu grande amigo em Goa era o Garcia de Orta, e a partir do momento em que a Inquisição chega a Goa em 1560 começou a observá-lo, tanto é que já depois de morto, em 1570, já Camões estava em Portugal, foram buscar os ossos de Garcia de Orta e fizeram um auto-de-fé com os seus restos mortais. Eu estou convencido que depois do seu amigo Francisco Coutinho ter libertado Camões, porque ele estava preso por dívidas, aproveitou e aceitou esse lugar. E o Pedro Barreto levou-o e ficou todo contente porque assim não tinha a implicitação do cargo de Provedor de Defuntos porque não lhe dava créditos nenhuns. O que lhe dava dinheiro era a viagem, porque com cada viagem ficavam milionários. E Camões era letrado, sabia fazer escrituração, azer contas, e assim ficaram todos contentes. Diga-me então como era o dia-a-dia de Camões em Macau. Consigo dizê-lo perfeitamente. Macau naquela altura, entre 1562 e 1565, era uma coisinha muito pequenina, eram meia dúzia de casinhotos, umas choupanas... Com quantos habitantes? Naquela altura sabemos exactamente quantos. Portugueses e criadagem, não chegavam a mil. E isto é o censo de 1564. Foi um censor chinês que enviou a informação para o imperador e que diz que “os portugueses eram quase mil.” Na verdade, eram meia dúzia de gatos pingados. Claro, o Camões não ia ficar no barco. Aquilo era um pivete, cheio de piolhos e doenças. E não lhe

arranjaram alojamento porque não havia. Os próprios jesuítas que chegaram relativamente no mesmo ano tiveram que ser alojados precariamente em casa uns dos outros. E o Camões não arranjou alojamento em casa de nenhum amigo. Então onde ficou? Onde havia de ficar? Agarrou na trouxa dele e subiu a colina do Patane e foi lá encontrar uns rochedos, a que ele chamou “os penedos” nos seus poemas, nos sonetos, nas odes. Aquilo tinha muito florido, muitas árvores e tinham aquelas redes que traziam de Vera Cruz, do Brasil, que eram umas redes feitas do algodão dos índios Cajirós, que se estendiam de rochedo a rochedo. Era ali que ele passava grande parte do tempo. Não duvido que aquela tradição de que ele fez dali o seu “coito vivencial” esteja absolutamente certa, porque faz todo o sentido. Porque não havia mais lado nenhum, não havia nada. E nos dois ou três anos que aqui esteve, nunca parou de escrever poemas, e grande parte dos Lusíadas foi escrito aí, principalmente o episódio do Adamastor. Já escrevi sobre isso. E porque se foi embora mais tarde? Ele foi embora porque, embora fosse anual, a viagem ao Japão demorava dois anos. A Nau ficava aqui em Macau, eles subiam o Rio das Pérolas em juncos e iam até à feira de Cantão. Estou convencido de que quando Camões chegou em 1562 a Macau, em Julho, a feira já estava feita, porque em Setembro o Pedro Barreto já estava em Macau. E no Japão demorava-se sempre


onjunto de 272 obras Picasso na posse de um electricista francês

onta-se assim: Pierre Le Guennec trabalhou para Pablo Picasso nas várias residências que o pintor teve na Costa Azul. Aí a sua mulher Jacqueegadamente, oferecido várias pinturas a Le Guennec. No total foram 175 pinturas e dois cadernos com 97 desenhos, que agora apareceram, adas em 60 milhões de euros (cerca de 660 milhões de patacas). O caso foi descoberto quando o electricista francês aposentado contactou s do pintor espanhol para averiguar a veracidade das obras, facto que acabaram por confirmar. A questão que sobra é como foram parar às Guennec e na dúvida foram confiscadas pela polícia. Este é um caso que ainda vai fazer correr muita tinta... a óleo.

m bicho do mato muito tempo, vendiam as sedas e as porcelanas da China e trocavam por prata. Para depois irem a Cantão de novo vendê-la. Por isso demorava dois anos. E Camões já estaria cansado de cá estar, estando à espera do regresso? Não sei, mas ele sempre esteve contrariado no Oriente. Sempre muito amargurado. Ele era um homem sofredor que viveu muito e penou muito, diz isso em toda a sua obra lírica. E começou-o a dizer logo num dos seus primeiros poemas. Não foi só aqui em Macau: foi em todo o Oriente. Aqui a sua vida foi marcada pelo isolamento, no seu “apartamento”. Camões já tinha 40 anos na altura, já tinha perdido um olho e, de certo, todos o devem ter achado um “bicho do mato”.

Era um homem excepcional. Ele chegou aqui ao Oriente e não teve aquele desdém próprio do Europeu perante o Outro. Mas depois também se sentiu amargurado no seu próprio país? Sempre. Ele era um homem exilado dentro de si mesmo. Estava sempre com vontade de morrer, não tinha interesse nenhum em viver. Estava sempre com a “tristeza no coração”, como ele tantas vezes disse. Porque era um homem fora da sua época? Era um homem excepcional. Ele chegou aqui ao Oriente e não teve

aquele desdém próprio do europeu perante o outro. Ou vice-versa. O Camões é um homem que começa logo a defender o outro. Os humildes, os desafortunados, a combater a escravidão, a corrupção. É um homem que está muito à frente do seu tempo, evidentemente. Ele era um humanista, típico do Renascimento. Nunca foi compreendido... Vou falar disso no meu próximo livro. Também por parte dos chineses houve quem desconfiasse e desdenhasse mas também quem compreendesse o outro e soubesse ler o comportamento do outro, tentando aproximar-se do entendimento que o outro tinha das coisas e isso é um facto. Não foi só o Camões. Tal como o Garcia de Orta, e outros, ele era um homem fora do contexto normal: não eram homens violentos, não eram homens da guerra, eram homens do saber, do conhecimento, dum governo a favor de todos. Eram homens avançados. Eram correligionários, na sua ideologia. Defendiam uma Lusitânia nova, com novos portugueses, que combatiam a influência do clero no governo do reino, e por aí fora. Como se explica então que Camões nunca tenha sido reconhecido pela sua pátria. É verdade. Mas mais tarde acabou por ser. Quando ele chega a Portugal com a publicação dos Lusíadas foi feita uma reabilitação social do Camões. Inclusivamente dão-lhe uma “tença” anual, que a sua mãe depois recebeu depois dele morrer. Mas acabou na miséria...

Acabou na miséria... pois... mas na miséria vivia todo aquele português. Os autores dividem-se muito sobre isso, uns dizem que a tença era suficiente, outros não. Não me meto por aí, o meu trabalho está mais centrado na problemática de Camões em Macau. E ainda há mais para descobrir no fundo do poço? Sim, eu tenho-me limitado às fontes secundárias, na leitura dos escritos dos outros. A única fonte primária que considero ter consultado foi a edição dos Lusíadas de 1613, que fui consultar à Biblioteca Nacional de Lisboa. Mas eu sei que há documentos inéditos do século XVI que estão por consultar. Que não são conhecidos sequer. Não se sabe o que dali pode vir, mas decerto há referências a Camões nesses documentos. Acha que as pessoas hoje em dia ainda querem saber de Camões? Acho que sim. Porquê? Porque todos reconhecem nele o maior português de sempre. Porque é um homem à frente do seu tempo, um homem desinteressado de si mesmo e interessado no outro. Com ideias abertas e claras, ideias universalistas, combatendo aquilo que nós hoje achamos normal. Como já referi. Essa reivindicação de Camões para os portugueses também será uma falta de outras referências. Eu acho que Camões por ser universal, não é só dos portugueses, e sendo universal pertence também a Macau. Porque ele não tem a cor da bandeira na testa, é um

homem avançado para o seu tempo. Que devia ser acarinhado como património cultural de Macau. Qual a melhor maneira de passar a mensagem de Camões às novas gerações? É malhando em ferro quente. É não calar. Falar sempre, publicando aqui, publicando ali. E Portugal devia fazer ainda mais por Camões? Acho que os portugueses estão mais preocupados com os aspectos do dia-a-dia. A economia, o orçamento, a comida. São valores mais altos. Os valores culturais em geral não põem a comida na mesa. Quem quer saber de Minerva, a deusa da conhecimento? Muito menos de Pegasus, o deus da poesia. Mas Portugal é dos poucos que elegeu um poeta como seu símbolo. É extraordinário. É um símbolo da nacionalidade, que aliás surpreende sempre os estrangeiros. Porque não é um conquistador, um homem de armas, mas um homem que escreveu, que cantou. Mas curiosamente, pode ter sido por mero acaso, foi o primeiro escritor europeu a fazer a relação entre o Ocidente e O oriente e a escrever sobre os povos do Oriente. Mas, por exemplo, o Marco Polo não fez isso antes? Eu faço essa comparação no meu próximo livro. O Marco Polo chegou à China mas também uma postura de desdém para o outro, só com o passar do tempo é que ele mudou de opinião, percebendo que afinal o mundo não se centrava no umbigo da sua terra em Veneza. E ele foi fazendo essa aproximação mas com Camões foi logo diferente.. Já sonhou com Camões? Não, mas passo muitas noites em branco por causa de Camões, isso é verdade. E às vezes quando chego à “mouche”, e descubro alguma coisa, nessa noite não durmo. Camões deu outro sentido à sua vida? Exactamente. Neste momento estou aqui sozinho e quando estou a investigar estou ocupado e diverteme imenso a minha investigação porque consigo fazer várias coisas de que gosto bastante: estar em casa, ouvir música, escrever e ler. Terá sido uma necessidade este seu caminho? Sim, de encontrar uma ocupação. E, como diz a sua mãe, acha que vale a pena? A minha mãe perguntou-me se valia a pena, sim “Tu estás aí a perder tempo. Não te cansas? Achas que vale a pena esse esforço todo?” Eu tive que lhe dizer que só pelo gozo que me dá, isto é uma maravilha. E o meu pai que morreu no ano passado dizia: “Filho, eu gabo-te a paciência!”

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9 Palafita passa a museu de barcos-dragão Uma das cabanas construídas sobre pilares de madeira na Rua dos Navegantes será convertida num museu temático dos barcosdragão. Pelo menos são esses os planos da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), segundo confirmou Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, em declarações a representantes empresariais da Taipa e de Coloane. Uma delegação da Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau encontrou-se ontem de manhã com o secretário para propor a conservação das palafitas da Rua dos Navegantes, o embelezamento do bairro e a introdução de restaurantes especializados. E também manifestou apoio à conversão da oficina de fogos de artifício de Iec Long, na Taipa, num “parque temático”, o que fazia parte do plano geral do Governo para a cidade velha da Taipa. Iun Ioc Va, director-geral da federação, afirmou, citando Cheong, que o Governo planeava converter uma das palafitas propriedade da DST num museu de barcos-dragão para atrair turistas, enquanto Cheong concordou também que a cultura da ilha merecia ser preservada. Leong Man Io, presidente da Associação dos Engenheiros de Macau, disse à rádio TDM que muitas das palafitas ao longo da costa de Coloane estavam a precisar desesperadamente de reparos, estando também a costa poluída em parte devido a isso. As palafitas são também comuns na vila piscatória de Tai O, em Hong Kong. Construídas por pescadores, essas casas estão assentes sobre estacas de madeira junto à costa.


desporto

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GP Internacional de Karting já tem data para 2011

Coloane no topo do mundo Sérgio Fonseca

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O fim-de-semana do Grande Prémio Internacional de Macau de Karting de 2011 está marcado para 9 e 12 de Setembro do próximo ano, mas antes mesmo do evento acontecer, a RAEM tem já garantido no calendário internacional a visita dos Campeonatos CIK-FIAÁsia-Pacífico das classes KF1 e KF3 em 2011. No último conselho mundial da federação internacional do automóvel, realizado no início do mês de Novembro, os calendários para o próximo ano foram definidos e tornados públicos. O Kartódromo de Coloane volta a ser palco do maior evento de Karting do sudeste asiático, mas desta vez uma semana mais

cedo, de 1 a 4 de Dezembro de 2011. Depois de em 2004 Macau ter conquistado os direitos de organização de uma das etapas do Campeonato Asiático Open de Karting para 2005, o evento foi elevado a Grande Prémio, ano em que foram convidados pela primeira vez os melhores pilotos de kart do mundo para participarem na corrida de Fórmula A, categoria agora denominada KF1. Por outro lado, também 2005, o Kártodromo de Macau obteve da Comissão Internacional de Karting da FIA o certificado de circuito de grau B, abrindo a porta aos eventos de carácter mundial. O Kartódromo saído da esferográfica do arquitecto Carlos Couto recebeu o ano passado a Taça do Mundo da categoria KF1, o maior evento de karting a nível

mundial, e o Campeonato CIK-FIA Ásia-Pacifico KF3, onde o vencedor foi Jordan King da Grã-Bretanha. Este ano, o evento que ainda está por apresentar, mas que tem como “cabeças de cartaz” os Campeonatos CIK-FIA Ásia-Pacífico das classes KF1 e KF3, irá decorrer em simultâneo, como aliás é tradição, com a última prova do Campeonato Asiático Open de Karting nas classes Cadetes 60, Mini ROK, Taça ROK Júnior, Taça ROK Sénior, Rotax Max Júnior e Sénior.

Coloane volta a ser palco do maior evento de Karting do sudeste asiático de 1 a 4 de Dezembro de 2011 Andy Chang, jovem piloto residente em Hong Kong, é o único representante de Macau a participar a tempo inteiro no campeonato, estando actualmente isolado na frente da categoria Rotax Max Júnior.

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Campeão representa raem no Interport de Futebol

Ka I, o todo poderoso Marco Carvalho

Anúncio 30-11-2010

Proc. Acção Ordinária n.º

AUTORA: RÉUS:

CV2-10-0073-CAO

2º Juízo Cível

ASSOCIAÇÃODEPIEDADEEDEBENEFICIÊNCIA POU CHAI SIM IUN OU KUN IAM TONG, com sede em Macau, na Avenida do Coronel Mesquita, sem númeor, Templo Kun Iam Tong. 1. HERDEIROS INCERTOS DE BERNARDINO DE SENNA FERNANDES; e 2. DEMAIS INTERESSADOS INCERTOS. ***

Faz saber que, por este Juízo, correm éditos de 30 (TRINTA) DIAS, contados da segunda e última publicação deste anúncio, citando os Réus: HERDEIROS INCERTOS DE BERNARDINO DE SENNA FERNANDES, e os DEMAIS INTERESSADOS INCERTOS, para, no prazo de 30 (TRINTA DIAS), findo dos éditos, contestarem a acção supra identificada, instaurada pelos fundamentos constantes da petição inicial que se encontra à disposição dos citandos neste Juízo, cujo pedido consiste em ser declarada a extinção da enfiteuse, por falta de pagamento do foro há mais de vinte anos; ser declarada a autora dona e legítima proprietária plena do prédio sito em Macau, na Rua Central, com o nº 4A, descrito na Conservatória do Registo Predial de Macau, sob o nº 11529, a fls. 30 do livro B31, e inscrito na matriz predial urbana, sob o artigo 21347; ser cancelado o registo da aquisição do domínio directo a favor de BERNARDINO DE SENNA FERNANDES, com inscrição nº 23, a fls. 79, do Livro B1, a que se refere a apresentação nº 1 de 28/07/1871; a falta de contestação não implicar reconhecidos os factos alegados pela autora. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja contestar (nos termos do art.º 74º do C.P.C.M.). Macau, aos 05 de Novembro de 2010. *****

É, actualmente, a principal potência do futebol do território e a confirmação do ascendente de que dispõe sobre o desporto-rei na RAEM chegou pela mão da própria Associação de Futebol de Macau . A formação do Windsor Arch Ka I, orientada pelo técnico português Rui Cardoso, foi convidada pelo organismo que chama a si a tutela do futebol na Região Administrativa Especial para representar o território na edição de 2010 do Interport de Futebol de Sete, uma prova que se disputa no próximo António mil-homens

HM-1ª VEZ

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domingo e que coloca frente a frente a selecção da RAEM e a sua congénere de Hong Kong. Depois de em Junho se ter sagrado campeão de futebol de Macau, o Ka I foi em Outubro responsável por uma proeza rara no âmbito das lides do desporto-rei do território, ao juntar ao título conquistado no Verão o triunfo nas andanças do Campeonato de Futebol de Sete, popularmente conhecido pela designação de “Campeonato da Bolinha”. Numa temporada em que venceu tudo o que havia para vencer – para além de arrecadar ambos os Campeonatos, o Ka I conquistou ainda a Taça

da Associação de Futebol de Macau – a formação orientada por Rui Cardoso viu ainda vários dos seus atletas serem eleitos para o melhor onze da temporada, tendo falhado apenas o assalto ao título de jogador mais valioso do Campeonato, atribuído a Geofredo de Sousa, o patrão da defesa do Monte Carlo. Com um futebol estruturado e uma organização interna consolidada, o Ka I é agora visto como um exemplo por parte dos responsáveis pela Associação de Futebol de Macau. O organismo depositou no grupo de trabalho orientado por Rui Cardoso a responsabilidade de representar o território no Interport de futebol de sete do próximo fim-de-semana, numa decisão confirmada ao Hoje Macau pelo treinador: “A Associação de Futebol de Macau abordou-nos para procurar perceber se teríamos interesse em representar Macau na competição e deu-nos carta branca para estruturar uma selecção que tenha por espinha dorsal a equipa do Ka I”, explica Rui Cardoso. Apesar de ter recebido luz verde para moldar a selecção à imagem da oleada máquina dos campeões do território, o técnico português garante que o Ka I não tem interesse em monopolizar a cem por cento os lugares em aberto na selecção de futebol de sete de Macau, pelo que os atletas do emblema campeão do território deverão ter por companhia alguns jogadores que evoluíram este ano noutras equipas.


Ténis | Roger Federer arruma Rafael Nadal em Londres Roger Federer venceu o Masters pela quinta vez ontem, ao bater o espanhol Rafael Nadal na final de Londres, por 6-3, 3-6, 6-1. Vencedor em 2003, 2004, 2006 e 2007, o suíço igualou o recorde do americano Pete Sampras, assumindo um claro protagonismo face ao rival, com quem registava um saldo negativo de seis derrotas em sete encontros. Federer iniciou o jogo a exercer grande pressão sobre o espanhol, tomando conta do jogo no fundo do court e vencendo com naturalidade.

Candidatura ibérica está orçada em 510 milhões de euros e Portugal tem uma participação de 30% nos custos e receitas Dos 21 estádios indicados pela candidatura ibérica, só três são portugueses: Luz, Alvalade e Dragão. Das 18 cidades sede, 16 são espanholas, apenas Lisboa e Porto escapam a esta contagem. Dos 64 jogos que compõem a competição, Portugal será contemplado com 20 ou 21, sem final e sem jogo de abertura. Perante esta repartição, se quinta-feira o Comité Executivo da FIFA entregar a organização do Gilberto Madaíl ao projecto ibérico, a Portugal caberá um investimento de cerca de 150 milhões de euros (no Euro 2004, foram gastos 665 milhões só nos dez estádios), enquanto o torneio

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Mundial vai custar 150 milhões de euros a Portugal

Abrir os cordões à bolsa durante a crise custará a Espanha perto de 350 milhões, aos quais são acrescidos 1,5 mil milhões de euros para a construção e remodelação de recintos. Os primeiros milhões a sair dos cofres da candidatura ibérica (2,2 milhões dos portugueses e os 5,2 milhões dos espanhóis), poderá acontecer já quinta-feira, bastando para isso vencer a eleição. Este montante oficializará o arranque da organização. A relação de investimento de 70% para Espanha e 30% para Portugal será proporcional à receita que o Mundial irá gerar com patrocinadores, direitos televisivos e marketing. Sendo que nestes pontos, o retorno financeiro esperado é cerca de seis vezes e meia

mais do que 510 milhões de euros estipulados para as despesas. E nestas contas não está contabilizado o lucro a médio prazo que a visibilidade da competição pode originar ao nível da promoção e turismo. Perante este tipo de repartição, quer de estádios, jogos e investimento, ressalta de imediato a ideia de subalternização de Portugal face a Espanha. Algo que desde o início foi desvalorizado pelas federações dos dois países e que, segundo o director-geral do Europeu 2004, António Laranjo, e o especialista em marketing, Carlos Coelho, em nada beliscam a imagem de Portugal perante o mundo. Ambos consideram que se a candidatura não fosse

conjunta o projecto não teria viabilidade. O mesmo se aplica ao projecto Holanda/ Bélgica, que apresenta uma repartição equitativa, justificada pelas semelhanças dos dois países. A inexistência de custos com estádios, é um dos factores que mais pesa para

Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. “Há 64 jogos num Mundial, Portugal pode realizar 20 ou 21, mas sem qualquer tipo de investimento. Há uma parte maior e uma mais pequena. Nós somos a mais pequena, mas ainda assim teremos jogos

importantes. Portugal não é um anexo.” Laranjo é da opinião de que é o Mundial de 2018 que “beneficiará da boleia de uma organização sedeada em dois países geograficamente contíguos, culturalmente idênticos, linguisticamente similares, económica e socialmente próximos e apaixonados pelo futebol. A unidade ibérica é sem sombra de dúvidas o melhor veículo para transportar o mundial ao patamar de sucesso”. Também para Carlos Coelho a aliança ibérica significa “usar o poder da península” e não faz sentido pensar em perda de identidade. “Significa antes segurança em nos afirmarmos no contexto ibérico e deixarmos de fingir que somos uma ilha. O nosso nacionalismo não deve enfraquecer , mas temos de ser realistas e não cegar perante as oportunidades “, assumiu.

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bolsas de curta duração DE 2 A 30 DE DEZEMBRO DECORRE O CONCURSO DE BOLSAS DE CURTA DURAÇÃO PARA ATRIBUIÇÃO DE BOLSAS NAS SEGUINTES ÁREAS: Artes Plásticas, História, História da Arte, Património, Design, Fotografia, Arquitectura, Antropologia, Museologia, Conservação e Restauro (com particular prioridade para o estudo das colecções do Museu do Oriente) A ESTE CONCURSO PODERÃO CONCORRER: • naturais de países asiáticos que pretendam frequentar cursos e realizar estágios em Portugal. • Portugueses que pretendam frequentar cursos e realizar estágios em países asiáticos. Não são contemplados os pedidos para frequência de cursos de aperfeiçoamento de língua nem pedidos para estágios de fim de curso. Estas bolsas de estudo apoiarão projectos com uma duração mínima de 30 dias e máxima de 90 dias. Formulários e Informações em: www.foriente.pt ou Fundação Oriente | Museu do Oriente Av. Brasília, Doca de Alcântara (Norte) | 1350-352 Lisboa T.: 213 585 200 | F.: 213 534 746 | dcm@foriente.pt


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o Hoje [r]ecomenda

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‘Celda 211’, de Daniel Monzón

[f]utilidades Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Assembleia da República (abreviatura); planta gramínea de haste ocanos entrenós; que te pertence. 2 – Modernos; caminhei. 3 – Aprovas; (ARQU.) antigo vaso de barro para guardar líquidos. 4 – Símbolo químido do érbio; prep. Indica falta, ausência, etc.; letra grega. 5 – Consoante dupla; canto simultânio de muitas vozes. 6 – Grito de dor (plural); obstáculo. 7 – Lugar ou objecto sobre que uma pessoa ou um animal pode deitar-se; desamparado. 8 – Altar; som produzido na laringe, especialmente na laringe humana, pelo ar que vem dos pulmões; instrumento chato (plural). 9 – Mãe do pai ou da mãe; dar socos em. 10 – Espécie de espada curta e lâmina larga; toma de aluguer. 11 – Forma arcaica do artigo e pronome o; fragrância; discurso laudatório. VERTICAIS: 1 – Nome de mulher; onda que avança para a praia; símbolo químico do alumínio. 2 – Ilha grega do Mar Egeu; que se arou. 3 – Enxergar; desejara. 4 – Inclinação; salário correspondente a um dia de trabalho; (brasileiro) mineral de coloração amarela semelhante à do ouro. 5 – Pessoa que se destaca numa classe, profissão ou actividade, sobretudo em aviação (plural); prefixo indicativo de movimento, direcção, junção, etc. 6 – Conheço, pronome pessoal da segunda pessoa do plural. 7 – Símbolo químico do actínio; soar fortemente. 8 – Conjunto de dialectos falados no S de França, isto é, na Provença, Gasgonha e Limousin; composto de cálcio; símbolo químico do cloro. 9 – Roupa velha (plural); terreno alagadiço. 10 – Dispor ou arranjar (os fios da teia) para se fazer o tecido; peixe teleósteo perciforme da família dos Esparídeos que vive perto das costas mediterrânicas e Altlânticas. 11 – Aquele que está encarregado da educação doméstica de um príncipe; corpo duro e arredondado produzido pelas fêmeas dos pássaros e que contém o germe do embrião e as substâncias que o alimentam durante a incubação; sociedade secreta católica de apostolado laical.

Soluções do problema

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

A ideia original é excelente e ‘Cela 211’ arranca cheio de força, antecipando um bom filme. ‘Juan’ é guarda prisional e, na véspera de começar numa nova cadeia, decide ir conhecer as instalações. No momento da visita, um incidente deixa-o inconsciente mesmo antes de rebentar um motim entre os presos. Os companheiros, que lhe faziam a visita guiada pela prisão, só têm tempo de o deixar, desmaiado, numa das celas antes de fugirem para salvar a própria pele. Em Espanha, o filme arrebatou oito Goya.

[ Te l e ] v i s ã o TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:20 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 15:00 Declaração do Chefe do Executivo sobre o Relatório das LAG para o ano Financeiro de 2011 (Directo) 16:30 Linhas de Acção Governativas 2011 - Conferência de Imprensa do Chefe do Executivo (Directo) 17:35 Liga Sagres - Benfica vs Naval (Repetição) 19:00 TDM Desporto (Repetição) 19:30 Olhos de Água 20:28 Acontecimentos Históricos 20:30 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:15 Novela: O Clone 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Montra do Lilau 00:00 1º Programa DocTv CPLP - Brasil: Exterior (Repetição) 01:00 Telejornal (Repetição) 01:30 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 América, América...Chegámos Todos Bem (Os Navegadores) 15:00 Magazine Macau Contacto 15:30 Janela Indiscreta Com Mário Augusto 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Preço Certo 17:45 O Olhar Da Serpente 18:30 A Alma E A Gente 19:00 Ilha 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 21:30 Magazine Macau Contacto 22:15 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg Rewind 07:30 NBC Nightly News 08:00 CCTV News – LIVE 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Sesame Street 17:00 League Of Super Evil 17:30 Eco Company 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Global Football 19:00 The Works 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 New Zealand On A Plate 20:30 Heroes 21:30 Queen Of The Manta Rays 22:30 Marketplace 22:35 24 23:30 World Market Update 23:35 News Roundup 23:50 Earth Live 23:55 Hotel Babylon 01:00 The Pearl Report 01:30 Transworld Sport 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 Big Ten Women’s Volleyball 2010 - 2011 Penn Sate vs. Minnesota 15:00 2010 Trick Shot Magic 16:00 2010 San Diego Classic Billiards Championship 17:00 Hero Honda Women’s Indian Open 18:00 Football Asia 18:30 The Monday Night Verdict Npl 19:00 Generation Amazing 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Mundialito 2010 Portimao - Beach Soccer Brazil vs. USA 21:00 X Games 16 Show 9 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Silk Way Rally - Dakar Series 2010 23:30 Sportscenter Asia

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(MCTV 51) National Geographic Channel 18:00 megacities - São Paulo Informação Macau Cable TV


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[O]bjectiva Gonçalo Lobo Pinheiro

13 Raio [X] Sobre a inexistência de Deus (I) Sébastien Faure

O escritor Mário Zambujal (Lisboa, 2009)

Para[ ]comer • Pérola 3/F, Sands, Largo de Monte Carlo, no.203 8983 82222888 3352 http://www.sands.com.mo • VINHA Alm Dr. Carlos d' Assumpção 393 r/c AC 2875 2599vinha@macau.ctm.net http://www.vinha.com.mo • FAT SIU LAU (SINCE 1903) Av.Dr.Sun Yat-Sen,Edf.Vista Magnifica Court Rua de Felicidade No.64, R/C Macau 2857 3585fsl1903@macau.ctm.net http://www.fatsiulau.com.mo

• Casa Carlos Bispo Medeiros 28D 2852 2027

• HAC SA PARK Hac Sa Park-Hac Sa Beach Coloane 2888 2297 http://www.yp.com.mo/hacsa

• António (TP) R, dos Negociantes 3 28999998

• SOL NASCENTE (TP) Av Dr Sun Yat Sen No.29-37 R/C 2883 6288 http://www.yp.com.mo/solnascente • TENIS CIVIL (LEON) Av.da República N°14 1° Macau 2830 1189 http://www.yp.com.mo/leon • Platão Trav. São Domingos No.3 2833 1818 reservation@plataomacau.com • Banza (Tp) Nam San Bl.5, GH 28821519

• Galo (Tp) Clérigos 45 2882 7318 http://www.yp.com.mo/domgalo • Riquexó Av Sid Pais 69 2856 5655

• Clube Militar Av Praia Grande 795 2871 4000 cmm@macau.ctm.net • Espaço Lisboa Lda (Col) Gaivotas 8 2888 2226 2888 1850 • Camilo Av Sir Anders Ljungsted 37 2882 5688

• Dom Galo Vista Magnifica Court 2875 1383 domgalo@yp.com.mo http://www.yp.com.mo/domgalo • O Santos (TP) R. do Cunha 28827508 • Porto Exterior Ed Chong U 2870 3276 http://www.portoext.com.mo • Restaurante Fernando (Col) Praia Hác Sá 9 2888 2264

• Ó MANEL (Tp) Fernão M Pinto 90 2882 7571

• Litoral Restaurante Lda Alm Sérgio 261 2896 7878 2896 7996 http://www.yp.com.mo/litoral

• A PETISQUEIRA (TP) S João 15A 2882 5354

• Nga Tim Café (Col) Caetano 8 2888 2086

• Sawasdee Thai Av Sid Pais 43AE 2857 1963 • Aquamarine Thai Café (Tp) Jardm Nova Taipa bl 21 2883 0010

A Tasca do Luís

• Bangkok Pochana Ferrª Amaral 31 2856 1419 • Kruatheque Henrique Macedo 11-13 2835 3555

(Taipa) Rua Correia da Silva 57-59 R/C Tel. 2882 7636 • O Porto Interior Alm Sérgio 259B 2896 7770 • A Lorcha Alm Sérgio 289 2831 3195

• Restaurante Thai Abreu Nunes 27E 2855 2255

• Afonso III Central 11A 2858 6272

• LA COMEDIE CHEZ VOUS Ed Zhu Kuan S/N G (Oppsite Cultural Centre) 2875 2021

• Bar Oporto Tv Praia 17 2859 4643 • Maria’s Comida Portuguesa Patane 8A 2823 3221

• LE BISTROT (Tp) Nova Taipa Garden Block 27, G/F 2884 37392884 3994

• Restaurante Pinocchio (Tp) Regedor 181-185 2882 7128 • Canal dos Patos Parque Municipal Sun Yat Seng 2822 8166

• CHURRASCÃO Nova Taipa Garden, Block 27 G/F, Taipa 2884 37392884 3994 • Yin Alª Dr Carlos d’Assumpção 33 2872 2735

the next three days Cineteatro | PUB

• Fogo Samba VENETIAN-Grand Canal Shoppes Apt 2412 2882 8499

[ ] Cinema

Sala 1 Skyline [C] Um filme de: Collin Strause, Greg Strause Com: Eric Balfour, David Zayas, Scottie Thompson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2 the next three days [B] Um filme de: Paul Haggis Com: Russell Crowe, Elizabeth Banks, Liam Neeson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Sala 3 the extraordinary adventures of adèle blanc-sec [c] Francês legendado em chinês e inglês Um filme de: Luc Besson Com: Louise Bourgoin, Mathieu Amalric 14.30, 16.30,21.30 Sala 3 unstoppable [B] Um filme de: Tony Scott Com: Denzel Washington,Chris Pine 19.30

Há duas maneiras de estudar e procurar resolver o problema da existência de Deus. A primeiro consiste em eliminar a hipótese Deus do campo das conjecturas plausíveis ou necessárias, por meio de uma explicação clara e precisa, isto é, por meio de uma exposição de um sistema positivo do Universo, das suas origens, dos seus desenvolvimentos sucessivos, dos seus fins. Esta exposição inutilizaria a ideia de Deus e destruiria antecipadamente a base metafísica em que se apoiam os teólogos e os filósofos espiritualistas. Dado, porém, o estado actual dos conhecimentos humanos, em tudo o que tem sido demonstrado ou passa a demonstrar-se, verificado ou verificável, somos forçados a concluir que nos falta esta exposição e que não existe um sistema positivo do Cosmos. Existem, é certo, várias hipóteses engenhosas que não se chocam com a razão; sistemas mais ou menos aceitáveis que se apoiam numa série de investigações, que se baseiam na multiplicidade de observações contínuas e que dão um carácter de probabilidade impressionante. Também se pode afirmar, sem receio de ser desmentido, que esses sistemas, essas hipóteses, suportam vantajosamente as asserções teístas. Mas para falar a verdade, não há, sobre este posto, senão teses que não possuem ainda o valor da exactidão cientifica; — cada um, no fim das contas, tem a liberdade de preferir tal ou qual sistema a um outro que lhes é oposto; e a solução do problema assim apresentado afigura-nos, pelo menos na actualidade, cheio de reservas. Os adeptos de todas as religiões aproveitam assim as vantagens que lhes oferece o estudo deste problema, bem árduo e bem complexo, não para o resolver por meio de afirmações concretas ou de raciocínios admissíveis, mas tão-somente para perpetuar a dúvida no espírito de seus correligionários, que é, para eles, o ponto de capital importância. E nesta luta titânica entre o materialismo e o teísmo, luta em que as duas teses opostas se empenham e se reforçam para conseguir o triunfo, os teístas recebem rudes golpes; e, conquanto se encontrem numa postura de vencidos, ainda tem a petulância de se apresentar à multidão ignorante como dignos cantores da vitória! Uma prova concludente do seu procedimento baixíssimo encontramo-la na maneira como se exprimem nos jornais da sua devoção; e é com essa comédia que procuram manter, com cajado de pastor, a imensa maioria do rebanho. Também é isto que desejam ardentemente esses maus pastores.

[Sébastien tornou-se um anarquista em 1888 mas muito antes disso foi seminarista]


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14

opinião n a m a r g em José I. Duarte

A

Muita pompa, circunstância e um fundo

recente realização da Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Comercial e Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa, para maior simplicidade designado por Fórum Macau, trouxe à região nomes de peso dos governos dos diversos países membros. Sem desprimor para nenhum dos outros presentes, a vinda do primeiro-ministro da China, em particular, deixava antecipar anúncios importantes. E assim foi. Em certo sentido, numa metáfora própria da era dos jogos electrónicos, pode dizer-se que o jogo mudou de nível. Diversos medidas foram anunciadas. Algumas, sem desvalorizar da sua importância, corresponderam a actos de ajuda ao desenvolvimento que, com ou sem Fórum, seriam previsíveis no quadro da relações bilaterais entre a China e, nomeadamente, os países menos desenvolvidos – isto é, claro, todos com excepção do Brasil e de Portugal. Naquela categoria se incluem a ajuda hospitalar ou as bolsas de estudo a conceder, por exemplo. Mas duas das medidas anunciadas - e não por acaso, as mais relevantes - foram feitas para este fórum e especificamente para ele. Refiro-me ao fundo de financiamento anunciado e à criação de um centro de formação de recursos humanos orientado para as relações com os países lusófonos. Desta reunião resulta, assim e em primeiro lugar, que o governo central confirma e reforça as suas expectativas quanto ao papel que a região deve desempenhar no quadro das relações da China com aqueles países. Confirmação essa que é sublinhada com a criação de um fundo financeiro de dimensão significativa. Ou seja, às palavras adicionaram-se recursos, chegou o tempo de às intenções juntar as acções – tendo deixado de se possível invocar a falta de meios. O governo central significa com isto duas coisas: que se querem mais acções concretas de agora em diante e, também, que se esperam resultados. A RAEM não é apenas chamada a contribuir: é também – e sobretudo, ouso adiantar - desafiada a atingir objectivos. Assim, como se deve concretizar essa cooperação, como se articula ela com os objectivos de desenvolvimento económico da região (nomeadamente, a tão desejada diversificação), e que benefícios concretos pode ela trazer para a economia local, são assuntos que merecem reflexão e uma atitude não passiva das autoridades e organizações locais. É um facto que o que foi feito apenas é o início e pouco ainda se sabe dos detalhes de funcionamento do fundo ou da estrutura ou

A RAEM não é apenas chamada a contribuir: é também – e sobretudo, ouso adiantar - desafiada a atingir objectivos. Assim, como se deve concretizar essa cooperação, como se articula ela com os objectivos de desenvolvimento económico da região (nomeadamente, a tão desejada diversificação), e que benefícios concretos pode ela trazer para a economia local, são assuntos que merecem reflexão e uma atitude não passiva das autoridades e organizações locais objectivos específicos da escola de formação. No primeiro caso, a RAEM provavelmente pouco terá a dizer, para além da contribuição financeira que lhe é pedida. O que vier a ser fixado terá sempre, antes do mais, em conta as prioridades de cooperação e os interesses económicos do continente. Já a definição dos objectivos da escola, dos seus públicos-alvo, dos conteúdos das suas acções pode beneficiar fortemente das relações que a história criou. Em particular, da presença em Macau de muita gente com qualificações e experiência relevantes e com capacidade

c arto o n por Steff

de estabelecer e consolidar relações de cooperação e negócio com os outros espaços do mundo lusófono. Por isso este é assunto que merece uma reflexão ponderada de que resulte a elaboração de um plano ou de linhas de orientação capazes de projectar as acções a tomar num horizonte de mais longo prazo e em simbiose com o desenvolvimento esperado ou desejado para a região. Uma tal reflexão tem que ser realista e criativa. Realista, no sentido de que não pode perder de vista que outras dinâmica económicas e diplomáticas

Wikibomba

estão a operar, que não devem ser ignoradas e contra as quais não será prudente pretender operar. Muita da evolução das relações entre a China e os países lusófonos será ditado pelas relações bilaterais, por um lado, ou pelas tendências globais da economia mundial, por outro. O quadro de cooperação representado pelo Fórum Macau não se poderá substituir àqueles processos nem lhes deve constituir obstáculo. Mas pode, no plano dos estudos e da consultoria, especialmente dirigida a empresas de pequena ou média dimensão; da formação de pessoal, habilitado a operar em diversos ordenamentos jurídicos e com variados costumes; da promoção de estudos e projectos de cooperação nas áreas das Ciências Sociais, que facilitem uma compreensão mais aprofundada das diversas realidades económicas e sociais; do aprofundamento dos laços de natureza linguística e cultural, ambicionar trazer à cooperação externa da China uma contribuição meritória e quase insubstituível. O espaço lusófono constitui, poderia dizer-se, um ‘nicho’ óbvio para o desenvolvimento da economia de Macau e um espaço natural de inserção internacional. É preciso, todavia, que se veja nesta oportunidade que, de algum modo, o governo central proporciona à região, mais do que apenas uma possível fonte de ganhos de curto prazo. Uma RAEM capaz de responder a este desafio pode acrescentar valor às relações externas da China e dos países envolvidos. Se não se vir nesta oportunidade mais do que uma possibilidade de negócios e dinheiro a curto prazo, descobrirá, mais tarde ou mais cedo, que os outros países e o governo central possuem alternativas e podem dispensar este nó da rede. Resultados, precisam-se. Haja uma visão clara e seja determinada a acção: resto virá naturalmente.


Passaram as mumurações diárias das más línguas, mas não passou a Padre Manuel teixeira [1912-2003]

virtude dos alvejados.

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15 à fl or da pel e Helder Fernando

Pré-aviso de voto I Através do responsável pelos Transportes e Obras Públicas, o Governo da RAEM afirma, segundo a tradução para língua portuguesa, que tem "uma posição firme e determinada" para conter a especulação imobiliária" e que até foram lançadas algumas medidas adequadas: "Os investidores e especuladores já podem ver que o Governo está preocupado e tem um calendário para reprimir a especulação no mercado imobiliário". Aprecio governos que lutam a favor das populações, contra o domínio dos poderosos! Principalmente o Governo de Macau que é onde gostosamente vivo ininterruptamente há quase 28 anos, trabalhando por conta de outrem. Um Governo que entre os seus dirigentes tem alguém com a coragem do secretário Lau Si Io que garante a utilização de "meios decisivos" para conter a especulação imobiliária. Nem preciso de ouvir mais. Pré-aviso de voto: Quando existirem eleições plenas, e se ele se candidatar com idênticos propósitos, votarei neste homem. II Arrasta-se penosamente por gerações e gerações, e não é exclusivo dos políticos correctos de Macau, essa conclusão básica sobre as pessoas "não estarem preparadas para a democracia". Não estavam há 30 anos nem há 10 nem há cinco e nem daqui a 35, já se lhes conhece a lenga-lenga. A caminho da democracia, pelo menos formal, quem elege pode ser eleito. E, segundo regras que devem ser constitucionais, a maioria é quem ganha. No caminho, têm de existir sindicatos livremente constituídos, o mesmo quanto a associações representativas de trabalhadores e de patrões. Tem de existir multiplicidade de órgãos livres de comunicação social, incluindo audiovisuais, se a sociedade assim desejar. Desde que os poderes instituídos não roubem a ideia (nossa) de liberdade de expressão e informação, em favor da ideia deles. Por norma. Há muito que nas sociedades modernas, estes exemplos são vulgares tal como outros exemplos relevantes: os partidos políticos, as instituições de interesse e serviço público, as religiões, as organizações realmente não governamentais. E os parlamentos eleitos,

genuinamente alegre e de forma prolongada. A nossa vida ergue-se e consome-se por entre frios e calores, voos e quedas, lealdades e traições. Até aos meus quase 29 anos, também vivi alegrias de forma genuína como tantas outras pessoas. Como elas, vi e senti tristezas inesquecíveis, injustiças e danos, gente humilhada e muita destruição. Mas isso foi em África, onde tantos procuravam e conseguiam o lado oposto da moeda. Gostar de gostar e assumir que se gosta não está ao alcance de qualquer. Em África, por exemplo, nasce-se e cresce-se sabendo o que isso é.

PB

Arrasta-se penosamente por gerações e gerações, e não é exclusivo dos políticos correctos de Macau, essa conclusão básica sobre as pessoas “não estarem preparadas para a democracia”. Não estavam há 30 anos nem há 10 nem há cinco e nem daqui a 35, já se lhes conhece a lenga-lenga. A caminho da democracia, pelo menos formal, quem elege pode ser eleito os governos derivados de algum mecanismo transparente de representatividade, os poderes camarários, resolvam chamar-lhes como quiserem. Cada um tendo o seu papel fundamental na sociedade. Comum a todos estes institutos estruturantes da grande infra-estrutura sociopolítica, terá de ser a procura de eliminação, o mais possível, das profundas desigualdades distributivas. Toda a gente sabe disto, todos sabem que só com esta base firme de "actores relevantes" da vida sociopolítica, é possível existir um princípio democrático. O resto são géneros

de fantasias que podemos compreender, e, quando necessário, aceitar passivamente seja lá onde for. III Um dos pontos mais centrais e críticos é o nosso umbigo. Uns têm mais dificuldade do que outros em observar o que se passa para além da própria cicatriz. Embora seja muito útil observarmos o nosso, de vez em quando. Falo por mim, nem sempre consigo ser razoavelmente eficiente nessa matéria, quase só me lembro do umbigo quando estou

IV Os países que foram antigas colónias inglesas continuam a mostrar o que foi aquela dominação. No caso da Índia, jugo britânico aproveitador das famosas lutas mortais entre exércitos estrangeiros que também a queriam subjugar - dos árabes aos mongóis, dos turcos aos tártaros - os ingleses destruíram as comunidades naturais e os seus meios de sobrevivência. No pós-independência, fará em Agosto próximo 64 anos, ainda se nota a mania, que chegou a ser terrorista, das castas indianas Flagrante a grandeza dos poderosos e a miséria mais desgraçada de milhões e milhões de cidadãos sacrificados. Por isso ainda surgem histórias como esta que aqui deixo ao leitor. Consta que na Índia - a tal "maior democracia do mundo", se calhar por causa das questões de grandeza do recenseamento e por existir algo a que chamam campanhas eleitorais, à bomba, e uma perigosíssima espécie de eleições - cresce uma campanha muito mais pacífica, tentando mentalizar as populações a terem em casa pelo menos um caso: um caso sanitário, digamos assim. Um vaso para as necessidades fisiológicas. A interessante campanha incentiva as mulheres indianas a rejeitarem os pedidos de casamento cujo candidato a cônjuge não dê garantias de ter, ou imediatamente providenciar, uma sanita na habitação do casal. Resultado, ao fim de alguns dias de mentalização higiénica, quase 1 milhão e meio de indianos lá se resolveu a comprar vasos sanitários. Sem vaso não caso! Podia ser o mote. Como em tantos outros países, aos dirigentes políticos na governança e seus seguidores nada lhes falta. Muito menos sanitas de ouro.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; João Carlos Barradas; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte; Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges; Catarina Lau Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Filipe Albuquerque vence Corrida dos Campeões Televisão Manuela Moura Guedes na SIC

O director de programas da SIC, Nuno Santos, afirmou ao Diário Económico que “a SIC está a trabalhar num formato com a jornalista Manuela Moura Guedes para arrancar já na primeira parte do próximo ano”. “Ainda não está definido que programa é, exactamente, ou como vai funcionar, mas será um programa com um olhar sobre a actualidade - não de jornalismo”, sublinhou. Já Luís Marques, director-geral da SIC, afirmou ao mesmo jornal que “ainda não se falou de dinheiro”, mas que a ex-pivô da TVI assinará um contrato de prestação de serviços. O programa será semanal e contará com um misto de produção interna e externa, apesar de ainda não estar definido que dia da semana ocupará na grelha da estação.

Aviação Iberia e British aprovam fusão

A assembleia-geral de accionistas da Iberia aprovou por unanimidade a fusão com a British Airways. No caso da companhia britânica, o sim recebeu 99% dos votos. De acordo com fonte oficial da empresa “100% dos accionistas disseram que sim”, porque “a proposta é muito boa para os accionistas”. Para corroboram esta informação, a mesma fonte refere em declarações ao Diário Económico que “desde que começou o ano, as acções da Iberia subiram em 70%”. Antes disso, já se havia realizado, em Londres, a reunião magna de accionistas da British Airways, que aprovou com 99% de votos a favor a fusão com a companhia aérea espanhola.

Wikileaks 722 telegramas de Lisboa

Na lista dos 250 mil documentos classificados que foram divulgados domingo à noite no site Wikileaks, 722 são telegramas com origem na embaixada norte-americana em Lisboa, considerados confidenciais e enviados durante os últimos quatro anos. Segundo avança a edição online do Público, o conteúdo destes telegramas ainda não é conhecido, mas deverá começar a ser divulgado nos próximos dias no site fundado por Julian Assange. Sobre os telegramas com origem na capital portuguesa, 415 são de informação não classificada, 292 são documentos confidenciais e 15 são classificados como «secretos». O primeiro documento data de 24 de Maio de 2006, tendo como temas genéricos “Fronteiras entre Estados, Territórios e Soberania”, “Relações Políticas Externas”, “Questões de Política Interna”, “Portugal” e “OSCE”. Já o último é de 25 de Fevereiro deste ano, com referência a “Terroristas e Terrorismo”, “Comunicações e Sistemas de Correios”, “Condições Económicas” e “Relações Políticas Externas”. A referência ao Iraque aparece por 12 vezes na correspondência que partiu de Lisboa. Já o Afeganistão aparece em 33 telegramas.

Cinema Leslie Nielsen morre aos 84 anos

O actor canadense Leslie Nielsen morreu este domingo num hospital de Fort Lauderdale (Flórida) no qual estava internado há duas semanas devido a uma pneumonia, informou o seu agente, citado pelo site de celebridades TMZ. Nielsen, 84 anos, ganhou fama em filmes de comédia como “Onde Pára a Polícia”. Também protagonizou a aventura “O Destino de Poseidon”. Na televisão participou em várias séries de sucesso. Doug Nielsen, sobrinho do actor, afirmou à rádio canadense CJOB, de Winnipeg, que Leslie Nielsen morreu ao lado dos amigos e da esposa.

Qual Vettel, qual Loeb...

Grande e boa surpresa! Filipe Albuquerque ‘limpou’ pilotos como Sebastian Vettel e Sébastien Loeb e tornou-se no novo Campeão dos Campeões, depois da realização da Race Of Champions 2010, este fim-de-semana, em Dusseldorf na Alemanha. O piloto português esteve imparável ao longo do dia batendo de forma sistemática todos os adversários que encontrou pela frente incluindo o actual Campeão do Mundo de F1, Sebastian Vettel e o Campeão do Mundo de Ralis por sete vezes, Sebastien Loeb com o qual disputou a final. Portugal esteve pela primeira vez representado na final da Race Of Champions e apesar da excelente prestação que Albuquerque teve aquando da realização da prova no Algarve, onde foi Campeão ROC Sul Europa, ROC Iberia e ROC Portugal ninguém indicava o piloto português como um dos favoritos à vitória final, especialmente quando em

prova estavam pilotos como: Sebastian Vettel, Michael Schumacher, Alain Prost, Andy Priaulx ou Sebastien Loeb. Mas, a determinação do jovem piloto português fê-lo vencer, primeiro, o americano Tanner Foust, depois Carl Edwards e de seguida Sebastian Vettel. Nos quartos de final bateu Álvaro Parente, na meia-final volta a ser superior a Sebastian Vettel e na grande final, que foi disputada em três mangas, Filipe Albuquerque venceu por duas vezes Sebastien Loeb e sagrou-se Campeão do Campeões. No final Albuquerque não

escondia a satisfação por mais este feito na sua carreira: “Estou muito contente com esta vitória. Entrei em prova com o objectivo de vingar os resultados menos bons que afastaram Portugal cedo da ROC Taça das Nações, e à medida que as eliminatórias iam acontecendo os níveis de confiança foram subindo”, Um dos momentos altos da competição foi sem dúvida a primeira eliminatória frente ao actual Campeão do Mundo de F1, Sebastian Vettel: “Foi um momento muito importante. O Vettel demonstrou ao longo de todo o evento ser bastante rápi-

Chineses responsabilizam EUA pela contínua tensão

Coreia do Norte é aliado

A maioria dos chineses responsabiliza os Estados Unidos pela contínua tensão na península coreana e mais de dois terços defende que, na actual crise, a China deve “ser neutral”, segundo uma sondagem encomendada pelo jornal Global Times e divulgada ontem. Para 43,2% dos chineses, a Coreia do Norte é “um aliado”, mas apenas 24,4% dos inquiridos disseram ter uma opinião favorável acerca daquele país e 15,9% afirmaram que Pyongyang sempre criou problemas à China. De acordo com os resultados divulgados por aquele jornal, 55,6% dos

inquiridos apontaram os Estados Unidos como os principais responsáveis pela tensão na península e apenas nove por cento culparam a Coreia do Norte. Questionados acerca da actual crise, mais de setenta por cento dos inquiridos defenderam que a China deve manter-se neutral e só 2,8% concordaram que o país deve associar-se aos Estados Unidos e à Coreia do Sul nas pressões à Coreia do Norte. Entretanto, um académico chinês especializado em assuntos coreanos defendeu que a China “pode apenas agir como um mediador” entre as duas

Coreias, rejeitando os crescentes apelos ocidentais para Pequim “pressionar mais” os seus aliados norte-coreanos. “Sob a ameaça das grandes e frequentes manobras militares Estados Unidos–Coreia do Sul é difícil imaginar que Pyongyang aceite o conselho de Pequim”, disse o director do Centro de Estudos Coreanos da Universidade Fudan, Shi Yuanhua, num artigo publicado hoje no jornal China Dailly. O mesmo académico acusou os governos de Washington e Seul de seguirem “uma política dura” em relação à Coreia do Norte, mas considera que Pyongyang “tomou uma atitude ainda mais dura e ameaçou desencadear uma guerra contra a Coreia do Sul”. “O apoio ocidental à Coreia do Sul, liderado pelos Estados Unidos, e a contínua condenação da Coreia do Norte apenas atiça o fogo do conflito”, afirmou.

do e tinha todos os alemães no Estádio a torcerem por ele. Foi uma luta renhida, mas a vitória teve um significado especial. Fui companheiro dele na Red Bull Junior Team e não é todos os dias que temos hipótese de ser mais rápidos que o Campeão do Mundo de F1”, continuou. Na grande final, Albuquerque encontrou pela frente o quase imbatível Sebastien Loeb, indicado por todos como o candidato à vitória final, mas Filipe estava determinado a não ceder: “O Loeb venceu-me com um carro que eu conheço particularmente bem, por isso eu tinha que me vingar. E assim foi, venci a primeira eliminatória, a segunda perdi por milésimos e na terceira voltei a vencer. Foi um resultado espectacular e que me deixa muito orgulhoso. Pela primeira vez Portugal terá um piloto Campeão dos Campeões e isso é certamente motivo de orgulho”, concluiu o piloto português.

Gripe | Novo surto nas escolas Treze alunos de duas escolas de Macau precisaram de assistência médica depois de apresentarem sintomas gripais, como febre e tosse. Quatro dos alunos da secção primária da Escola Kao Yip e da escola Nossa Senhora de Fátima Quatro tiveram de ser hospitalizados mas já se encontram em estabilizados. O Centro de Prevenção e Controlo da Doença já pediu às escolas para reforçarem a limpeza, desinfecção e manutenção dos estabelecimentos de ensino. Os estudantes doentes ficam impedidos de ir à escola. Na última semana, 918 pessoas deram entrada nas Urgências do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Nenhum dos vírus foi identificado como H1N1 ou vírus da Gripe B. Desde o dia 11 de Novembro que os Serviços de Saúde iniciaram a administração da vacina antigripal gratuita aos grupos de alto risco. Idosos, crianças e portadores de doenças crónicas são aconselhados pela entidade a submeterem-se à vacina o mais rapidamente possível.


Hoje Macau • 2010.11.30 #2261