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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 30 DE OUTUBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4402

CO-LIVING

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hojemacau

Labirintos da violência Arevisão da lei da violência doméstica continua fora da agenda do Governo. Segundo o Instituto de Acção Social (IAS), as ocorrências têm vindo sucessivamente a diminuir desde a entrada em vigor da lei, em 2016. De salientar que os

O ESPAÇO DA PARTILHA GRANDE PLANO

TAIWAN

Segredos submersos PÁGINA 4

INCÊNDIO | AREIA PRETA

AJUDA A CAMINHO ÚLTIMA

casos reportados passam por um sistema de “filtragem” o que faz com que dos 6.541 casos analisados, apenas 227 tenham chegado como queixas policiais. “A violência não é uma coisa simples”, diz Tang Yuk Wa, responsável do IAS.

PÁGINA 7

AAM

Nem uma palavra PÁGINA 5

UM POÇO LI HE

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EM CONTRAMÃO JOÃO PAULO COTRIM

ESTE TEMPO NUNO MIGUEL GUEDES

SHENZHEN | ANDA COMIGO PARA A RUA EVENTOS

ILHA DA MONTANHA

O fim da aventura PÁGINA 9


2 grande plano

30.10.2019 quarta-feira

VERDADE OU CONSEQUENCIA V

CO-LIVING MACAU COMEÇA A TER ESPAÇOS DE ALOJAMENTO EM COMUNIDADE

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IVER em comunidade em Macau pode não ser uma novidade, mas é um conceito que está cada vez mais a assumir uma nova forma. Isto porque surgiram no território dois espaços de co-living, onde cada pessoa aluga o seu quarto a baixo custo, com despesas incluídas e partilha de espaços comuns, como a cozinha, casa-de-banho e sala. Os apartamentos estão completamente renovados e oferecem todas as condições, sendo bem diferentes das condições de alojamento de muitos trabalhadores não residentes, que se vêem muitas vezes obrigados a partilhar quartos com beliches em casas velhas. Em Macau existem dois edifícios habitacionais onde funciona o conceito de co-living, um na zona da avenida Horta e Costa, outro na zona do Porto Interior. Quem lá vive são, sobretudo, estrangeiros que procuram um alojamento temporário, como é o caso de José Fonseca, estagiário português numa empresa local, que vive no Macau Co-Living, onde tem contrato até Dezembro, data em que deixará o território. Viver num espaço de co-living surgiu por necessidade, mas acabou por tornar-se um hábito, conforme contou ao HM. “Quando cheguei fiquei em casa de uma amiga, na Taipa, que tinha de ser entregue no final do mês de Setembro. Procurei algumas soluções, mas em Macau o interior das casas é muito velho. O Macau Co-Living é um espaço completamente renovado e equipado com Internet, e apesar dos quartos serem um bocado pequenos, o espaço comum que oferece e o terraço foram uma vantagem, daí ter decidido ir.” Apesar de notar que os quartos são pequenos, o que nem sempre garante a privacidade de cada um,

José Fonseca assegura que já se habituou ao bom ambiente da casa, que partilha com pessoas que não conhecia.

“Essa forma de habitar é uma experiência pessoal altamente gratificante, mas tem a ver com questões geracionais e financeiras. Acho que a sociedade não vai aderir a essa modalidade de alojamento.” MÁRIO DUQUE ARQUITECTO

“As pessoas que estão aqui convivem bem e não se intrometem no espaço de cada um. Vou a pé para o trabalho. Estou a gostar imenso da experiência, acho que é uma opção a aconselhar para quem esteja em Macau a viver, nem que seja por um ano ou dois, e é uma opção interessante para jovens entre os 20 e 30 anos”, acrescentou. José Fonseca está a gostar tanto de viver num espaço de co-living que, caso ficasse a trabalhar no território, colocaria a hipótese de estender o contrato. No entanto, assegura que muitos optarão por viver neste regime por não terem alternativa. “Não sei até que ponto as pessoas optam pelo co-living pela experiência em si. O que me fez escolher viver assim foi o espaço que é oferecido, e penso que a maior

parte das pessoas escolhem o co-living por ter o espaço renovado, o que em Macau não é comum. Não há nada a apontar em termos de limpeza”, frisou. Quem também vive no Macau Co-Living, mas no andar destinado a moradoras do sexo feminino, é Phoebe, natural de Taiwan. “Trabalho em Macau há dois anos. O meu quarto é muito pequeno, mas todo o ambiente e equipamentos são melhores do que em outros alojamentos, isto se quiseres uma renda de cerca de quatro mil patacas com um quarto só para ti”, contou ao HM. No mercado imobiliário de Macau, ao nível do arrendamento, Phoebe assegura que se deparou com situações bastante insatisfatórias para aquilo que procurava. “É sempre necessário partilhar

quarto com outras pessoas e as contas não estão incluídas na renda, então penso que o regime de co-living é a melhor opção. A coisa mais importante é estar num espaço onde todos se preocupam com a higiene, para que haja um ambiente habitável”, frisou.

LENTA PROGRESSÃO

O Macau Co-Living nasce da vontade de investidores de Hong Kong de renovarem um antigo edifício no Porto Interior e transformá-lo num espaço de alojamento à semelhança dos que já existem na região vizinha. Robert Cai, mentor do projecto, conta como tudo começou. “Quisemos preencher uma lacuna em termos de alojamento para pessoas que querem arrendar um espaço por apenas três meses


grande plano 3

quarta-feira 30.10.2019

Existem em Macau dois edifícios habitacionais renovados onde reina o conceito de co-living. Cada pessoa aluga um quarto a preços mais baixos com partilha de áreas comuns, onde acaba por se desenvolver um espírito de comunidade. Dois arquitectos alertam, contudo, que esta é uma consequência e não uma solução para o problema das rendas elevadas e da má qualidade das casas

ceito de co-living, apesar de ser um território onde a habitação é muito cara. “É um processo lento em Macau, que não é uma cidade como Hong Kong, ou Londres, por exemplo. Este é um território muito específico. Acho que para as novas gerações este conceito é algo comum, mas aqui é sempre um processo mais lento.” O Macau Co-Living tem actualmente entre 19 e 20 residentes. “A maior parte são estrangeiros, sendo a maior parte portugueses e pessoas de Hong Kong”, assegura Tatiana Rocha. “Notamos que há muitas pessoas de Hong Kong a trabalhar em Macau durante a semana, e procuram apenas o mínimo de condições. Temos também chineses e pessoal de Macau, alguns, pessoas de Taiwan, Vietname, Tailândia.” Quem vive naquele edifício “procura uma renda acessível e uma casa em condições. Os apartamentos são novos e a decoração é atractiva. Oferecemos uma coisa boa, que é o facto de só pedirmos o pagamento do primeiro mês e uma caução, ao contrário dos quatro meses que pedem nas agências, que é algo que custa muito a pagar no início”, frisou a responsável pela gestão dos apartamentos. Até agora tudo tem corrido bem. “O feedback tem sido positivo. Há pessoas que começam, mas depois preferem algo mais privado, porque se calhar não estavam preparadas. Diria que essas pessoas são as mais novas, acabaram de sair de casa dos pais, e não sabem muito bem como é viver com outras pessoas. Os mais velhos, com mais de 25 anos, não se importam tanto de viver em comunidade”, disse Tatiana Rocha.

NA HORTA E COSTA

ou um ano. Há pessoas em Macau que trabalham apenas durante a semana e regressam para as suas cidades natais aos fins-de-semana, então procuram apenas um espaço confortável e privado. Desta forma podem poupar metade do dinheiro que gastariam a arrendar um estúdio”, adiantou. Robert Cai não tem dúvidas de que, no que às formas de alojamento diz respeito, partilhar um apartamento “é cada vez mais rentável e é uma oportunidade para as pessoas se conhecerem”. Ainda assim, Robert Cai nota que “há poucos locais a quererem viver no nosso espaço”. “Temos sobretudo estrangeiros que estudam fora e vêm para Macau trabalhar”, acrescentou. No Macau Co-Living, Tatiana Rocha é uma espécie de faz-tudo, que garante que todos os equipa-

mentos funcionam nas devidas condições e promove ainda eventos, que acontecem no terraço ou na sala, para que os moradores possam conviver. Tatiana não tem dúvidas de que a sociedade de Macau está muito lentamente a aderir ao con-

“Quisemos preencher uma lacuna em termos de alojamento para pessoas que querem arrendar um espaço por apenas três meses ou um ano.” ROBERT CAI MENTOR DO PROJECTO MACAU CO-LIVING

O segundo espaço de co-living existente em Macau fica situado na avenida Horta e Costa, e tem sido promovido nas redes sociais. Nina Sousa é responsável pela gestão do espaço que foi desenvolvido por uma empresa do ramo imobiliário, e serviu de tradutora a Lam Mong Tat, proprietário. Este assegura que o projecto de co-living surgiu por saber que “nem todos ganham o suficiente para pagar uma renda em Macau”. “Sendo agente imobiliário, por sorte encontrei um prédio que podia ser renovado, tendo sido ajustados os preços para satisfazer e ajudar certos clientes”, referiu, apontando que são os estrangeiros que mais procuram este estilo de vida. “Temos chineses (do continente), nepaleses, indianos e até portugueses que não são residentes de Macau. Não acho que o co-living seja uma tendência, até porque vejo cada vez mais pessoas a mudarem-se para a China, por ser perto de Macau e por ter melhor qualidade de vida”, disse Lam Mong Tat. O próximo projecto é apostar num espaço de co-working para

empresas, a fim de “ajudar mais pessoas que querem começar um negócio em Macau, mas que não precisam de espaços muito grandes, nem querem pagar rendas muito altas”.

FRUTO DOS TEMPOS

Dominic Choi, arquitecto ligado à associação Arquitectos Sem Fronteiras, defendeu ao HM que o co-living nunca será uma solução para os problemas habitacionais de Macau, mas sim uma consequência dos valores elevados que se praticam no território. “Este tipo de alojamento é muito comum no seio de estudantes universitários, por exemplo, ou em Hong Kong, onde as pessoas partilham espaços em que dormem em gaiolas ou beliches. Este tipo de alojamento não é nada de novo, mas é o resultado das mudanças na sociedade, devido às elevadas rendas e ao facto de as pessoas que não conseguirem comprar casas. Diria que não é uma solução para esta questão social, mas sim uma consequência.” O arquitecto alerta para o facto de poderem surgir conflitos sociais. “Há sempre questões relacionadas com a partilha do espaço. Nos casos de co-working as pessoas partilham um espaço com a sua empresa, mas num conceito de co-living há bastantes diferenças. Há muitas coisas que podem originar potenciais problemas de segurança, higiene e isso pode originar vários conflitos. É sempre necessário criar espaços

totalmente independentes que não se podem partilhar para que haja segurança suficiente. Há sempre desafios”, adiantou. Dominic Choi assegura também que, em Macau, o Governo tem um maior controlo sobre os terrenos do território, além de existirem regras mais apertadas para a construção de edifícios, face a Hong Kong. A solução para os altos preços passa mesmo pela construção de mais casas públicas. “Não podemos ter casas públicas em todo o lado, mas deve haver um devido planeamento em termos de infra-estruturas para que seja viável para as pessoas.” Também o arquitecto Mário Duque defende que o co-living não é uma solução por servir, sobretudo, uma fatia da população que reside temporariamente no território.

“Não podemos ter casas públicas em todo o lado, mas deve haver um devido planeamento em termos de infra-estruturas para que seja viável para as pessoas.” DOMINIC CHOI ARQUITECTO

“Essa forma de habitar é uma experiência pessoal altamente gratificante, mas tem a ver com questões geracionais e financeiras. Acho que a sociedade não vai aderir a essa modalidade de alojamento, que é significativa porque tem em vista uma população flutuante, que em Macau é igualmente significativa. A economia de Macau baseia-se nesse tipo de população e para essas pessoas é um modo vantajoso de aderir à habitação com qualidade.” Para Mário Duque, o co-living “acaba por servir sempre pessoas que não são da cidade”. “Em Macau isso tem a ver com outras nuances, relacionadas com os custos da habitação, que cai num lado disfuncional que é o facto de as pessoas precisarem de mais dinheiro do que aquele que é o rácio razoável para pagar despesas de habitação. Como isso não é possível, têm de arranjar situações alternativas. Há outra razão que é o parque habitacional em Macau ser muito degradado, e as casas que estão disponíveis para essa habitação partilhada não serem do agrado das pessoas”, rematou o arquitecto. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

30.10.2019 quarta-feira

TNR GOVERNO ESTABELECE LIMITES PARA PAGAMENTOS

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Os trabalhadores ligados à construção e concepção do design estão proibidos de passar por Macau e Hong Kong. Aliás, se tiverem acesso a informação classificada têm de submeter a aprovação os planos de viagem para as RAE

O

S técnicos e todo o pessoal que trabalha no Indigenous Defense Submarine (IDS), um programa das forças armadas de Taiwan para construir submarinos, assinaram um acordo para garantir a confidencialidade do projecto que os proíbe de entrar na China, ou passar por Macau e Hong Kong, de acordo com os media de Taiwan. O IDS é um dos trunfos da Marinha da Formosa, descrito como um projecto de “máxima importância”, a ser desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia. A frota de submarinos, também conhecidos como “dragões escondidos” está a ser desenvolvida, sob gestão da Taiwan’s Shipbuilding Corporation, para integrar até 12 tipos diferentes de equipamentos e sistemas de combate. Também os funcionários desta empresa, ligados à construção e concepção do design estão proibidos de passar por Macau e Hong Kong. Aliás, se tiverem acesso a informação classificada têm de submeter a aprovação os planos de viagem, sejam eles em negócios ou lazer. O submergível terá um peso final estimado de 2.500 toneladas e 70 metros de comprimento. Os media taiwaneses referem que os sistemas informáticos dos serviços fronteiriços das regiões administrativas especiais da

TAIWAN TÉCNICOS DE PROGRAMA DE DEFESA PROIBIDOS DE PASSAR POR MACAU

Caça ao dragão escondido

Os técnicos que trabalham num programa de segurança de Taiwan, encarregue de construir uma frota de submarinos, tiveram de assinar um contrato que os proíbe de entrar em território chinês ou passar por Macau e Hong Kong. O programa foi descrito pela Marinha de Taiwan como de “máxima importância” e está envolto em completo secretismo China têm um mecanismo de notificação directa ligado ao enorme aparato de segurança nacional chinês. Como tal, o

acordo assinado pretende evitar que quem esteja na posse de informação sobre o programa seja apanhado numa lista vigilância e

detido nos aeroportos de Macau ou Hong Kong.

JOIA DA COROA

Também pessoal aposentado das forças armadas é aconselhado a não visitar ou passar por Macau e Hong Kong. Outra faceta do sistema protecção de segredos de segurança nacional é a obrigatoriedade de o pessoal com acesso a informação sensível ter de registar contas de email e telemóveis pessoais. Além disso, os telemóveis não podem ser fabricados na China e têm de ter instalado software especial de gestão das forças armadas taiwanesas. A importância de proteger o secretismo do projecto IDS aplica-se também entre portas. Por exemplo, a unidade industrial onde os submarinos estão a ser construídos está equipada com um sistema de monitorização com reconhecimento facial, que distingue diferentes níveis de permissão de acesso a pisos distintos. Qualquer pessoa que não esteja autorizada no interior, ou nas imediações, do local é identificada pelo sistema. De acordo com as forças armadas taiwanesas, a conclusão do projecto, que pressupõe a construção de uma frota de oito submarinos, estará pronta em 2025. O objectivo do programa é responder à crescente capacidade militar chinesa. João Luz

info@hojemacau.com.mo

NDEPENDENTEMENTE dos serviços prestados, as agências de emprego nunca vão poder cobrar ao trabalhadores não-residentes mais do que 50 por cento do primeiro salário base. O limite para o montante que pode ser cobrado foi inserido pelo Governo na mais recente versão da proposta de Lei da Actividade de Agência de Emprego, que esteve ontem a ser discutida pela 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. “Para os pagamentos dos trabalhadores há um limite máximo, que tem como objectivo proteger aquela que nos parece ser a parte mais fraca nas negociações e que precisa de maior protecção”, afirmou Vong Hin Fai, presidente da comissão. “De acordo com o proposto pelo artigo 28, o montante total dos honorários não pode exceder 50 por cento da remuneração base do primeiro mês [...] Se uma agência já tiver cobrado esse montante anteriormente, mesmo que forneça mais serviços não pode cobrar mais”, acrescentou. Contudo, no que diz respeito aos empregadores as agências não têm um limite para a cobrança máxima. A nova lei define igualmente todas as situações em que as agências de emprego podem cobrar por “serviços prestados”. Assim podem ser cobradas as formalidades tratadas pelas agências no estabelecimento de uma nova relação laboral, os serviços prestados na mudança entre empregos e, finalmente, quando houver repatriamento, em que a agência tenha interferência, como na compra de bilhetes ou outros serviços. Também ontem foi revelado que o Governo afastou o cenário de devolução dos honorários cobrados quando o empregador e o trabalhador chegarem a acordo para a rescisão do vínculo laboral.

IAS Questionados critérios para avaliar graus de deficiência

O deputado Ng Kuok Cheong escreveu uma interpelação dirigida ao Executivo a questionar os critérios que actualmente são utilizados para enquadrar as pessoas com necessidades especiais nos diferentes graus de deficiência. Em causa está o facto de uma pessoa que sofre de atrite e dificuldades numa anca, o que faz com que não se consiga agachar, ter sido classificada como “deficiente de grau ligeiro”, ou seja o nível mais baixo dos quatro existentes. De acordo com a interpelação, os médicos defenderam-se e explicaram que a zona da anca não só pode ser avaliada de forma indirecta e que por si só não há critério para a enquadrar na escala, porém, o Instituto de Acção Social diz que a avaliação foi feita com base nas dificuldades da anca, que faz parte da escala. Foi esta dualidade de interpretação que motivou as questões do deputado, que pede ao Governo que apresente uma alternativa e um sistema mais rigorosos, elaborados com especialistas.


política 5

quarta-feira 30.10.2019

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AL AAM IGNOROU PEDIDOS DE OPINIÃO SOBRE DUAS LEIS

Silêncio de ouro

A Associação dos Advogados de Macau, liderada por Neto Valente, nunca exprimiu qualquer opinião sobre a Lei da Cibersegurança nem sobre o Combate à Criminalidade Informática, apesar de ter sido questionada pelos deputados sobre estes diplomas RÓMULO SANTOS

Associação dos Advogados de Macau ignorou os pedidos da Assembleia Legislativa para partilhar as suas opiniões sobre a Lei da Cibersegurança, aprovada na especialidade este mês, e sobre a Lei de Combate à Criminalidade Informática, que entrou em vigor em 2009 e está agora a ser revista no hemiciclo. A revelação foi feita ontem por Ho Ion Sang, deputado que preside à 1.ª Comissão Permanente, órgão da AL que discute actualmente as alterações propostas pelo Executivo ao diploma. “De acordo com o Estatuto dos Advogados, especificamente no artigo 30 número 3 consta que ‘a associação será obrigatoriamente ouvida sobre propostas ou projectos de diplomas que regulem a organização judiciária, o exercício da advocacia, o processo civil e o processo penal’. Por isso entendemos que precisamos de ouvir a Associação dos Advogados”, começou por explicar o deputado Ho Ion Sang. “Em 2019 [durante a discussão da Lei da Cibersegurança] também pedimos à Associação dos Advogados para se pronunciar, mas ela não se pronunciou. Mas vamos enviar-lhes uma carta”, acrescentou. Porém, o presidente da comissão admitiu a hipótese da AAM ficar em silêncio sobre este assunto, e apontou que existem precedentes em que a associação liderada por Neto Valente nem respondeu às cartas da AL: “Se a Associação dos Advogados de Macau se vai pronunciar é uma decisão que vai ser tomada por eles. Quando foi a Lei da Cibersegurança não se pronunciaram e em 2009, quando esta lei foi discutida [Lei de Combate à Criminalidade Informática] também não se pronunciaram”, atirou. O HM tentou contactar Neto Valente, mas sem sucesso até à hora de fecho da edição.

combater de forma mais eficaz vários crimes, como a emissão de mensagens spam com publicidade a casinos online falsos ou casos de prostituição. Apesar do tema envolver um elevado grau de complexidade, relacionada com os sistemas informáticos e o reforço dos poderes das autoridades policiais, que podem ir além do que muitas vezes parece perceptível à vista de pessoas que não são especialistas na matéria, a Assembleia Legislativa não vai ouvir entidades independentes sobre o assunto e vai limitar-se às explicações do Executivo. “Ouvir um especialista? Normalmente nos nossos debates temos de ver se há algum membro da assessoria que domina melhor essa matéria. Se não houver…”, respondeu o presidente da comissão.

“Ouvir um especialista? Normalmente nos nossos debates temos de ver se há algum membro da assessoria que domina melhor essa matéria. Se não houver…” HO ION SANG DEPUTADO

Contudo, Ho Ion Sang recusou responder atempadamente ao grau de confiança que deposita nas explicações do Governo: “Em relação a essa pergunta é preciso ouvir primeiro as opiniões e explicações. Só no final é que podemos tirar conclusões. Antes de ouvir as explicações não posso responder porque não sei o que vão responder”, vincou. De acordo com a proposta do Governo, as alterações à Lei de Combate à Criminalidade Informática entram em vigor a 22 de Dezembro. Contudo, os deputados garantem que não vão apressar o processo e que a prioridade é garantir a “qualidade da lei”.

ACTO DE FÉ

A reunião de ontem da comissão serviu para ultimar as questões que os deputados querem colocar ao Governo face às alterações à Lei de Combate à Criminalidade Informática, que se espera possa

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TALENTOS GOVERNO NÃO DIZ QUANTOS QUADROS QUALIFICADOS REGRESSARAM A MACAU

O

Governo não respondeu à questão colocado por Zheng Anting, em interpelação escrita, sobre o número de quadros qualificados de Macau, que trabalharam no estrangeiro, que regressaram ao abrigo do programa.

O deputado quis saber o resultado de cinco anos de trabalho do Grupo Especializado do Incentivo ao Regresso de Talentos a Macau, subordinado à Comissão de Desenvolvimento de Talentos. Porém,

não recebeu essa informação na resposta do director da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES) e secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Sou Chio Fai.

Ainda assim, Sou Chio Fai referiu que, até Julho deste ano, houve um total de 45 quadros qualificados convidados para partilhar as suas experiências em Macau, realizando palestras ou seminários nas áreas da física

nuclear, medicina, tecnologia financeira, entre outros. Entre os profissionais, estão investigadores da NASA, vice-presidente executivo de empresas de tecnologia de informação, artistas e engenheiros electrónicos.

O director da DSES declarou ainda que se tem verificado o regresso regular de profissionais para apoiar activamente o desenvolvimento técnico-profissional e a formação profissional. J.N.C.


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30.10.2019 quarta-feira

ANÚNCIO Concurso Público n.º 25/DGF/2019 “Prestação de serviços de transporte de objectos removidos” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), tomada em sessão de 18 de Outubro de 2019, se acha aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de transporte de objectos removidos”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www. iam.gov.mo). Os concorrentes que pretendam fazer o descarregamento dos documentos acima referidos, assumem também a responsabilidade pela consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 do dia 18 de Novembro de 2019. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, sito no rés-do-chão do Edifício do IAM, e prestar uma caução provisória no valor de MOP 10.000,00 (dez mil patacas). A prestação da caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, r/c, Macau, por depósito em numerário, cheque ou garantia bancária em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM, sita na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edf. China Plaza, 6.º andar, Macau, pelas 10h00 do dia 19 de Novembro de 2019. Aos 21 de Outubro de 2019 O Administrador do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Mak Kim Meng www. iam.gov.mo

Anúncio Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau, incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto (com a excepção dos dormitórios), pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021) CONCURSO PÚBLICO N.º 04/DOA/2019 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 17 de Outubro de 2019, do Exm.º Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau, incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto (com a excepção dos dormitórios), pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021)”. Entidade adjudicante: Chefe do Executivo. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. Modalidade de concurso: Concurso Público. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau, incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto (com a excepção dos dormitórios), pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021). 5. Período: 1 de Janeiro de 2020 a 31 de Dezembro de 2021. 6. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 7. Garantia provisória: $521 083,20 (quinhentas e vinte e uma mil e oitenta e três patacas e vinte avos), através de depósito no Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau. 8. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). 9. Condições de admissão: Entidade com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. 10. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 5 de Novembro de 2019, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no dia referido, a realização da sessão de esclarecimento será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 11. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 18 de Novembro de 2019, antes das 17H45. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no último dia do prazo da entrega das propostas, o termo do referido prazo será prorrogado para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 12. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: na sala n.º M613 do Edifício Meng Tak do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 19 de Novembro de 2019, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM devido a tufão ou a outro motivo de força maior no dia da realização da referida sessão, a realização da sessão será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: - Os concorrentes interessados podem deslocar-se à Divisão de Obras e Aquisições do IPM, sito na Rua de Luís Gonzaga Gomes, para consultar/adquirir o respectivo processo do concurso durante as horas de expediente (de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; 6ª feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30) desde a data da publicação do anúncio do presente concurso público no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até ao dia e hora do prazo de entrega de propostas. Caso queiram obter fotocópia do documento acima referido, devem pagar o montante de $100,00 (cem patacas) relativo ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito das informações acima referidas na página electrónica do IPM (http://www.ipm.edu.mo). - Informações: 8599 6140, 8599 6153 ou 8599 6279. 14. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (50%) - Qualidade do Serviço (50%): (a) Propostas pormenorizadas para a execução dos serviços de limpeza ao Instituto Politécnico de Macau (por exemplo: sugestões favoráveis ao mapa de caracterização) (20%); (b) Equipamentos e produtos de limpeza (10%); (c) Curriculum Vitae e competências do concorrente (10%); (d) Experiência e declarações abonatórias (incluindo as informações como o número de pessoal e o serviço de duração não inferior a seis meses ou/e a lista dos clientes de eventos de grande escala) prestadas pelas entidades utilizadoras dos serviços de limpeza do concorrente (só dados dos anos 2017 até ao presente) (5%); (e) Esclarecimentos na reunião (as questões profissionais levantadas por Instituto Politécnico de Macau sobre a prestação do serviço da limpeza) (5%). 1. 2. 3. 4.

Macau, aos 29 de Outubro de 2019 A Presidente em exercício, Lei Ngan Lin


sociedade 7

quarta-feira 30.10.2019

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA POUCOS CASOS NA JUSTIÇA NÃO JUSTIFICAM REVISÃO LEGAL

Não vejo qual é o mal

Desde que a lei da violência doméstica entrou em vigor, em Outubro de 2016, foram sinalizados 227 casos. O Instituto de Acção Social revelou que, desde então, os casos suspeitos de violência doméstica diminuíram. Para a entidade sob a alçada da secretaria de Alexis Tam, não existem motivos para rever a lei

O

número de processos que chegam à sala de tribunal com acusações de violência doméstica é reduzido e “não estão reunidas as condições suficientes para rever a lei”, adiantou ontem o chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), Tang Yuk Wa. O responsável revelou ontem, na sequência da reunião do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, que os casos suspeitos de violência doméstica têm descido desde que a legislação entrou em vigor. No último trimestre de 2016, foram registados 31 casos suspeitos. Ao longo de 2017, este número fixou-se em 96, um total que passou no ano seguinte para 74. No primeiro semestre de 2019, o IAS deu conta de 26 casos suspeitos de violência doméstica. “Os resultados mostram uma tendência positiva. É um fenómeno positivo que mostra o efeito da lei”, comentou Tang Yuk Wa. Relativamente aos 26 casos suspeitos registados nos primeiros seis meses deste ano, o IAS detalhou que

16 foram confirmados como sendo mesmo de violência doméstica, sete casos em que as vítimas são crianças, um caso de violência contra idoso e dois casos de violência entre membros da família.

Detalhando por tipo de ofensa, 15 casos reportaram-se a violência física (57,7 por cento), dois de ofensa psíquica (7,7 por cento), sete casos de violência e ofensas múltiplas

(26,9 por cento) e dois casos de cuidados inadequados (7,7 por cento).

PROCESSO DE TRIAGEM

O chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comu-

“Este não é um trabalho de um ou dois dias, nem de três anos. É um trabalho de longo prazo, uma luta permanente na sociedade. A violência não é uma coisa simples, é um problema complicado.” TANG YUK WA CHEFE DO DEPARTAMENTO DE SERVIÇOS FAMILIARES E COMUNITÁRIOS DO IAS

Crime Zanga entre namorados acaba com motas vandalizadas

Um arrufo de namorados, em meados de Outubro, esteve na origem de um incidente que resultou na destruição de quatro motociclos na Rua de Ferreira do Amaral. A informação foi revelada ontem pela Ou Mun Tin Toi, depois do Corpo de Polícia de Segurança Pública ter procedido à detenção do homem, que causou a destruição. A detenção foi realizada com recurso ao sistema de videovigilância e a namorada, quando foi ouvida pelas autoridades, confirmou que momentos antes ambos tinham discutido, após o consumo de bebidas alcoólicas. O caso foi transferido para o Ministério Público e o homem pode ser acusado pelo crime de danos punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos.

nitários do IAS referiu que todos os casos reportados são acompanhados, passando por várias fases de “filtragem” para se apurar se são, realmente, violência doméstica. Assim sendo, desde Outubro de 2016, o IAS deu conta de 6541 casos. Depois de eliminadas as participações repetidas, o número desceu para 4831. O nível de aferição seguinte é separar os episódios familiares recebidos pelos serviços, o que fez cair os casos suspeitos para 3586. Depois de analisadas preliminarmente as queixas que levantam suspeitas, quase um terço destas chegam a queixa policial, ou seja, os tais 227 casos. Estes são os resultados de um relatório, que será publicado pelo IAS dentro de duas semanas, que avalia a eficácia da lei da violência doméstica. Porém, Tang Yuk Wa refere que “este não é um trabalho de um ou dois dias, nem de três anos. É um trabalho de longo prazo, uma luta permanente na sociedade. A violência não é uma coisa simples, é um problema complicado”. Importa referir que do universo total de casos suspeitos de violência doméstica, até ao primeiro trimestre deste ano, apenas quatro chegaram à barra da primeira instância judicial e apenas um foi resolvido pela via da conciliação. O tema da revisão da lei da violência doméstica tem sido abordado por vários deputados. Agnes Lam defendeu que para já não se justifica rever a lei, concordando com o IAS, mas que esta deve ser reavaliada e revista daqui a três anos. Também Wong Kit Cheng, por exemplo, criticou os magros resultados da legislação em termos dos casos que chegam a tribunal. João Luz

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COMIDA ILEGAL DESTRUÍDOS 100 QUILOS DE ALIMENTOS COZIDOS

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Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) detectou dois casos de venda ilegal de alimentos em Macau, tendo sido destruídos cerca de 100 quilos de alimentos cozidos. De acordo com o jornal Ou Mun, o IAM tem vindo a receber várias queixas de associações relativas a alegados casos de turistas que vendem embalagens de comida na passagem pedonal do Cotai. O IAM começou a realizar acções de fiscalização no passado dia 24, tendo descoberto os dois casos de venda ilegal de comida que envolvem não residentes. Nas quatro noites em que decorreram as operações, o IAM encontrou pessoas com mochilas ou bagagens de mão a vender comida na ponte pedonal, tendo descoberto ainda lancheiras com comida escondidas no local. Chan Tak Seng, presidente da Associação de Promoção do Desenvolvimento de Distritos afirmou que esta prática ilegal dura há mais de um ano e que não se limita apenas à venda de alimentos, mas também de bebidas e cigarros. “Não encontro uma razão para que estes casos continuem apesar da existência de câmaras de videovigilância e inspecções dos agentes policiais”, disse. Chan Tak Seng espera que as autoridades possam descobrir os locais onde estes alimentos são cozinhados.

PJ DETIDOS 76 SUSPEITOS DE PERTENCEREM A REDE DE AGIOTAGEM

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MA operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) com as autoridades de Zhuhai levou à detenção de 76 indivíduos suspeitos de agiotagem, com operações especialmente incidentes nos casinos de Macau. Entre os detidos, contam-se 41 suspeitos da província de Jiangxi, onde estaria o centro de comando da organização.

Segundo informações adiantadas ao HM, o grupo pode estar envolvido em mais de 40 casos de usura, num valor total que ascende aos 20 milhões de dólares de Hong Kong. No final de Outubro, a PJ destacou 120 investigadores criminais, que actuaram em parceria com as autoridades de Zhuhai, e prenderam 41 suspeitos em diferentes apartamentos

localizados em Macau. No total, foram congeladas 13 contas em salas de jogo (no total de 5,5 milhões de dólares de Hong Kong). No interior da China, foram detidos 35 membros da organização, mas as autoridades revelaram que ainda são esperadas mais detenções relacionadas com esta investigação. A organização revelou conhecimento

das investigações policiais e estava bem estruturada em termos hierárquicos, desde os membros que contactavam os jogadores, aos que aprovavam “empréstimos”, até às equipas que extorquiam as quantias em dívida recorrendo a violência. Os detidos são suspeitos de associação criminosa, usura para jogo, sequestro, entre outros crimes. J.L.


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30.10.2019 quarta-feira

TÁXIS EXIGIDAS REGRAS PARA ALUGUER DE VEÍCULOS A TERCEIROS

Então e eles?

Studio City Lawrence Ho ajuda irmã com espaço para concerto

Si Tou Fai, presidente da associação Poder do Povo, defendeu ontem a regulamentação do aluguer de táxis a terceiras pessoas. O responsável diz que quem conduz estes veículos deve pagar menos de combustível e propõe limites ao aumento do aluguer do veículo RÓMULO SANTOS

A cantora Josie Ho, filha de Stanley Ho, vai actuar no casino Studio City a 7 de Dezembro, de acordo com um anúncio oficial. Este é um espaço controlado maioritariamente pelo irmão da cantora, Lawrence Ho. Inicialmente a filha mais nova de Stanley com Lucina Laam tinha pedido à irmã Pansy Ho para organizar o espectáculo do grupo Josie & The Uni Boys num dos espaços da operadora MGM. Contudo, a proposta terá sido recusada, com a decisão a ter sido revelada num jantar familiar, de acordo com o jornal Apple Daily, que fez uma associação indirecta ao facto de alguns membros da banda terem expressado simpatia por posições pró-democratas e pró-manifestantes de Hong Kong. No entanto, Josie Ho sempre negou ter havido qualquer mal-estar com a decisão de Pansy. Agora encontrou uma alternativa, com o espectáculo em Macau a ter lugar no Studio City, no Cotai.

AI A BANDEIRADA

A carta, ontem entregue nas instalações da DSAT, alerta ainda para o facto de o aumento da bandeirada dos táxis poder levar a uma subida do valor do aluguer cobrado a estes motoristas. Recorde-se que as associações de táxi entregaram uma proposta junto da DSAT onde pedem a actualização do valor da bandeirada para 22 patacas, além da possibilidade de cobrança de uma taxa adicional nos dez dias de feriados obrigatórios.

Si Tou Fai, presidente da associação, defende que a actual lei dos táxis não protege os direitos e interesses dos taxistas que trabalham nestas condições, sobretudo no que diz respeito ao preço do combustível e aos valores cobrados pelo aluguer dos veículos

Ponte HKZM Enorme procura por quotas de circulação

Dados oficiais da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) ontem divulgados dão conta de uma enorme procura pelas quotas de circulação automóvel destinadas a veículos particulares e comerciais na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No total, a DSAT recebeu 9496 candidaturas para apenas 914 quotas disponíveis. Foram registadas 6909 candidaturas de veículos particulares para 558 novas quotas disponíveis, além das 2587 candidaturas apresentadas por empresas para apenas 356 quotas. O prazo para a apresentação de candidaturas terminou ontem, sendo que cada quota custa mil patacas.

Autocarros Contratos oficialmente prolongados

Foi ontem assinada a prorrogação dos contratos entre o Governo e as concessionárias de autocarros Transmac - Transportes Urbanos de Macau, S.A.R.L. e a Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, S.A., por mais 14 meses, o que significa que este acordo se estende até 31 de Dezembro de 2020. O prolongamento dos contratos com as concessionárias de autocarros por um período de apenas 14 meses surpreendeu, uma vez que o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, sempre disse que seria estabelecido um acordo a longo prazo até ao dia 31 de Outubro. Contudo, em declarações recentes, o secretário referiu que Governo e operadoras não conseguiram chegar a um consenso.

Apesar de pedir mudanças na lei, Si Tou Fai frisou que a revisão da lei dos táxis trouxe “melhorias notáveis” nas situações de recusa de transporte de passageiros e na cobrança de tarifas sem utilização do taxímetro.

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Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) recebeu ontem uma nova carta da Associação Poder do Povo onde esta defende a regulamentação dos casos em que uma empresa aluga o táxi a uma terceira pessoa para explorar a licença atribuída. Si Tou Fai, presidente da associação, defende que a actual lei

dos táxis não protege os direitos e interesses dos taxistas que trabalham nestas condições, sobretudo no que diz respeito ao preço do combustível e aos valores cobrados pelo aluguer dos veículos. O responsável sugeriu que o Governo tenha como referência as medidas adoptadas nos países estrangeiros, onde são criados limites aos valores cobrados pelo aluguer dos veículos consoante

o tempo de serviço. Além disso, Si Tou Fai defende que quem conduz um carro alugado deve pagar menos de combustível, devendo existir limites neste ponto também. A longo prazo, Si Tou Fai acredita que o Governo deve realizar um concurso público para atribuir os alvarás de táxi a motoristas que tenham propostas individuais. 

Si Tou Fai acredita que esta proposta tem, contudo, uma zona cinzenta. “Se esta proposta for aprovada isso vai levar a um aumento do rendimento dos condutores, mas os titulares das licenças de táxis podem subir o valor do aluguer a qualquer momento, limitando bastante os benefícios destes taxistas”, alertou. No que diz respeito à renovação dos contratos com as operadoras de autocarros por mais 14 meses, Si Tou Fai defende que, caso não seja atingido um consenso nesse período de tempo, o Governo poderá estabelecer novo acordo através de um concurso público. Si Tou Fai disse ainda que, mesmo que as operações venham a ser concessionadas às mesmas empresas, deveriam ser divulgados mais detalhes do processo de renovação de contrato, a fim de garantir a transparência em todo o processo.   Juana Ng Cen

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quarta-feira 30.10.2019

SOFIA MARGARIDA MOTA

JOGO LUCROS DA SJM CRESCERAM 4,5% NO TERCEIRO TRIMESTRE

A

A

F u t u r e Bright, empresa controlada pelo deputado Chan Chak Mo, chegou a acordo com o empresário local Zhou Luohong para a venda do projecto de um centro de restauração na Ilha da Montanha. O negócio está avaliado em 339 milhões de patacas e a empresa do legislador admite que vai suportar perdas de 20 por cento face ao montante já investido. De acordo com os moldes do negócio revelados na segunda-feira à noite, num comunicado à Bolsa de Hong Kong, o comprador paga imediatamente uma caução no valor de 169 milhões de patacas. O restante será pago nos seis dias úteis seguintes à aprovação da venda por parte dos accionistas da Future Bright. Além do montante da transacção, o comprador assume o compromisso de pagar qualquer despesa relacionada com multas aplicadas por parte Autoridade de Terras da Ilha de Hengqin. Este é um aspecto que pode assumir um grande peso para o comprador, uma vez que o projecto está a conhecer vários atrasos face ao calendário aprovado pelas autoridades do Interior. Por cada dia de atraso pode ser aplicada uma multa no valor de 717 mil patacas. Apesar do trabalho de colocação das estacas para o futuro edifício estar concluído ao 80 por cento, a empresa admite que a venda é feita com uma perda de 20 por cento face ao montante investido. Segundo a Future Bright, uma avaliação independente da JLL, empresa de

IMOBILIÁRIO CHAN CHAK MO VENDE PROJECTO POR 339 MILHÕES

Um grande flop

Em 2014 a Future Bright apresentou o projecto vencedor no processo de atribuição de terrenos na Ilha da Montanha a investidores de Macau. Cinco anos depois, a empresa assinou um contrato para vender o projecto com perdas de 20 por cento serviços imobiliários, colocou os valores do projecto na fase actual em 463 milhões de patacas.

AMBIENTE DIFÍCIL

No documento revelado na segunda-feira à noite, a empresa justifica a venda com a incapacidade de conseguir cerca de 685 milhões de patacas para concluir o projecto. Apesar de ter tentado obter empréstimos bancários, as políticas restritivas de acesso ao crédito no Interior da China fizeram com que a empresa fosse incapaz de se financiar. A Future Bright tentou igualmente encontrar investidores disponíveis para

“O crescimento económico da Ilha da Montanha tem sido muito mais lento do que era esperado.” FUTURE BRIGHT

investir no projecto, mas esta via também não teve sucesso. Na decisão, pesou ainda a possibilidade de a empresa ser obrigada a pagar à Autoridade de Terras da Ilha de Hengqin um montante muito elevado em multas, devido aos atrasos nas obras. “Se continuarmos com o projecto de construção, a empresa vai enfrentar dificuldades financeiras, o que faz com que seja necessário procurar alternativas. Assim é melhor vender o projecto, mesmo que o valor de venda tenha um desconto de 20 por cento face à avaliação da JLL”, é explicado no documento enviado à Bolsa de Hong Kong. “Os directores da empresa acreditam que apesar das perdas consideráveis com a venda, esta permite um encaixe financeiro significativo e evita obrigações futuras com a construção do projecto”, é acrescentado. Com esta decisão, a Future Bright desliga-se por completo da Ilha da Montanha. Porém, tal não

é encarado como um problema uma vez que a empresa defende que “o crescimento económico da Ilha da Montanha tem sido muito mais lento do que era esperado”. Em 2014, quando foi organizado o concurso para a atribuição de terrenos em Hengqin para os investidores de Macau, o projecto de construção de um centro internacional de restauração da Future Bright foi considerado o melhor entre as 87 propostas apresentadas. Porém, cinco anos depois, a aventura do deputado Chan Chak Mo na Ilha de Montanha está perto de acabar, com perdas de pelo menos 20 por cento face à avaliação do estado das obras. Quanto ao comprador, o documento identifica Zhou Luohong como um residente local de 55 anos, com mais de 20 anos de experiência no mercado do imobiliário do Interior, e detentor de uma empresa com sede na cidade de Changzhou, em Jiangsu. João Santos Filipe

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Sociedade de Jogos de Macau anunciou ontem lucros de 738 milhões de dólares de Hong Kong no terceiro trimestre do ano, um aumento de 4,5 por cento em relação ao período homólogo de 2018. De acordo com um comunicado do grupo fundado por Stanley Ho, a SJM registou receitas 8,240 mil milhões de dólares de Hong Kong, uma diminuição de 3,2 por cento face aos meses de Julho a Setembro de 2018. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) fixou-se nos 950 milhões de dólares de Hong Kong, mais 11,5 por cento do que no mesmo período do ano passado. A quase totalidade das receitas do grupo é referente ao jogo (8,059 mil milhões de dólares de Hong Kong), tendo também diminuído 3,2 por cento em comparação com o terceiro trimestre do ano passo. A diminuição das receitas do jogo teve em grande parte que ver com a diminuição das receitas provenientes do jogo VIP. O grupo arrecadou receitas de 2,890 mil milhões de dólares de Hong Kong no terceiro trimestre do corrente ano, quando no ano passado esse valor se cifrava em 5,039 mil milhões de dólares de Hong Kong. Na mesma nota, a SJM referiu que o Hotel Grand Lisboa, em Macau, teve uma taxa de ocupação média de 91,3 por cento, no terceiro trimestre do ano, quando, no mesmo período em análise do passado, a taxa de ocupação neste empreendimento tinha sido de 94 por cento.

Saúde Renovado programa de apoio a doentes oculares

Decorreu na segunda-feira a cerimónia de renovação do contrato entre o Fundo de Beneficência dos leitores do jornal Ou Mun e a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, destinado à continuação do programa “Ver novamente a luz”, destinado a doentes oculares. Segundo o Jornal Cidadão, Ho Teng Tat, presidente do Fundo de Beneficência dos leitores do jornal Ou Mun disse que a associação tem colaborado com hospital Kiang Wu desde 1995, tendo sido doados mais de 17 milhões de patacas que já levaram à realização de 2192 cirurgias e concedeu benefícios a 1708 portadores de doenças oculares com dificuldades económicas. Devido ao aumento dos custos com equipamentos médicos e à inflação, a doação do Fundo este ano é de 1,5 milhões de patacas. A Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu considera que o programa é um bom exemplo da colaboração entre associações e Governo na promoção de desenvolvimento de serviços de saúde.


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30.10.2019 quarta-feira

FESTIVAL FRINGE GRUPO DE MACAU ARTFUSION ACTUA EM SHENZEN

O grupo Macau Artfusion actua no Festival Fringe de Shenzen entre os dias 16 e 24 de Novembro com um espectáculo de rua, que mistura dança e teatro físico. A iniciativa, que tem direcção artística e produção de Laura Nyögéri, apresenta um novo conceito criativo, intitulado “Less Talk, More Art”, que ganha novos contornos em Macau


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quarta-feira 30.10.2019

HOJE TERAPIA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Memória e Concentração

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Festival Fringe de Shenzen recebe, entre os dias 16 e 24 de Novembro, pela quinta-vez, o grupo local Artfusion Macau, num espectáculo com os artistas Daê Teixeira , Filipa Lima, Madalena Lopes e Mafalda Ramos. A direcção artística e produção está a cargo de Laura Nyögéri, que, a título individual, participa no Festival Fringe de Shenzen desde o seu início, há 10 anos. O projecto inclui “personagens do Imaginarium, inspiradas em conceitos artísticos abstractos, surreais, expressionistas, urbanos e comtemporâneos, que irão colorir as ruas do distrito de Nanshan, na cidade chinesa de Shenzhen”, adiantou a directora artística.  O objectivo com esta iniciativa é “dar um sopro de vida ao espaço urbano por meio da arte”, através da criação de uma instalação produzida em tempo real, “não só através das personagens mas através do público, de quem está primeiro a ‘olhar’e que de repente se vê a participar, a explorar e a criar”, frisou Laura Nyögéri ao HM.  O espectáculo de rua, que mistura muita dança, caracterização e teatro físico, será apresentado em Shenzen tendo como base o conceito criativo “Less Talk, More Art”, desenvolvido sob a ideia de que “é preciso passar à acção (artística) e reunir recursos para que a arte chegue a todos, sem limites, preconceitos ou transposições”, adiantou a responsável.  O conceito passa por mostrar a necessidade de reunir “equipas profissionais que possam ser base a uma arte que se pretende ser da e para a comunidade”, com “menos teorias, menos burocracias, menos perguntas de respostas certas, mais mãos sujas de tinta,

(PARTE I)

• DESCRIÇÃO Além de recordarmos o que fizemos, sentimos ou aprendemos, a memória está intimamente relacionada com a nossa identidade. É legítimo, portanto, que nos preocupemos com ela. Não conseguirmos reproduzir o que acabámos de ler, termos de voltar ao ponto de partida para nos lembramos do que íamos fazer, ou até não sabermos onde pusemos o telemóvel são queixas comuns, mas que podem interferir com o nosso dia-a-dia. Podem também ser um sinal de alerta. O envelhecimento, uma alimentação desequilibrada e pouco saudável, o ritmo de vida agitado e stressante, a ausência de um sono reparador, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o uso de drogas, a toma frequente de certos medicamentos e a exposição a toxinas ambientais, bem como alguns problemas emocionais ou de saúde podem agravar a perda de memória. Há que avaliar cada caso, corrigir e tratar as causas possíveis e manter o cérebro activo. Além disso, o tratamento natural também pode ajudar.

mais recortes e colagens, mais imaginação desenhada em papel, mais corpo que dança, que fala e veste personagens que não têm que ser reais”. Nesse sentido, a directora artística do Macau Artfusion adianta que “este projecto aposta não só numa vertente visualmente forte e demarcada por influências de movimentos artísticos como o Pop Art, o Expressionismo, o Surrealismo e o Abstracionismo; seguindo nomes como Andy Warhol e Yayoi Kusama, entre outros”. Além disso, é também uma forma de mergulhar “em diferentes linguagens artísticas que, no fundo, transmitem uma liberdade de expressão e uma expressão de liberdade visual e conceptual”. 

PERTO DA COMUNIDADE

Sendo a presença no Festival Fringe de Shenzen, Laura Nyögéri destaca, no evento, a existência de uma “equipa criativa e de produção fantásticas, que apostam muito na diversidade e criatividade dos espectáculos e workshops inerente ao programa, na comunicação e no próprio design do festival, atraindo assim públicos muito diversificados e oferecendo um programa multiartístico”. Para a responsável, a questão da proximidade com

O espectáculo de rua, que mistura muita dança, caracterização e teatro físico, será apresentado em Shenzen tendo como base o conceito criativo “Less Talk, More Art”

a comunidade e a “forma como se cria um programa tão alternativo e apelativo” é outro ponto forte do festival. “Temos a oportunidade de levar o nosso trabalho artístico a outros lugares e a outros públicos fora de Macau e conseguimos, ao mesmo tempo, usufruir do facto deste festival ter uma dimensão internacional, que permite a todos os artistas participantes um excelente intercâmbio artístico e multicultural”, rematou. 

POR CÁ

O projecto que o grupo Macau Artfusion leva a Shenzen ganha ainda outra dimensão devido à parceria com a Associação IC2 (i can too), que tem vindo a ser desenvolvida desde Setembro. Esta entidade “aposta em criar oportunidades para que jovens e adultos com deficiência e diagnósticos de necessidades especiais possam ser cidadãos activos na sociedade”. Este trabalho conjunto pretende, no fundo, “invocar através da arte conceitos de inclusão, de entre-ajuda, de aceitação, colmatando falhas de acesso a recursos e oportunidades de participação e de concretização de projectos artísticos em universo inclusivo”. As duas equipas vão trabalhar juntas nos próximos seis meses com a realização de actividades de artes plásticas e performativas, destinadas a membros da associação IC2 e a alunos do Artfusion. O projecto, que ganha influências de diferentes correntes artísticas, “onde se explora o universo da música, teatro, dança, pintura, ilustração, moda e da fotografia”, dará origem a uma exposição, instalação e espectáculo performativo apresentados em Macau em Fevereiro do próximo ano.   Andreia Sofia Silva

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Ginkgo biloba, Ginkgo biloba L., folhas (Ginkgoaceae): Entre a enorme diversidade de fitoquímicos que contém, são de destacar os glicósidos de flavonóides (bilobetol, ginkgetol) e as lactonas terpénicas (ginkgólidos), compostos com uma estrutura única e apenas encontrados nesta planta. Fortemente antioxidante, a Ginkgo captura os radicais livres no cérebro, protegendo-o contra a degenerescência e o envelhecimento; tem um efeito tónico sobre a circulação do sangue – artérias, veias e capilares –, aumentando a irrigação sanguínea e o fornecimento de oxigénio e nutrientes às células; actua sobre a circulação periférica e, especialmente, sobre a cerebral, beneficiando as funções cognitivas, como a memória de curto prazo e a agilidade mental; possui ainda uma acção antiagregante plaquetária, prevenindo as tromboses. É igualmente indicada como antioxidante, na degeneração macular associada à idade, mãos e pés frios, dores de cabeça, zumbidos nos ouvidos, depressão, PHDA (Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção), Alzheimer, AVC e pessoas com comprometimento cognitivo leve ou sintomas neuropsiquiátricos. Curcuma, Curcuma longa L., rizomas (Zingiberaceae): Contém compostos fenólicos, os curcuminóides, considerados os princípios activos e aos quais deve a sua cor alaranjada; o principal é a curcumina. Antioxidante poderoso, desacelera o processo de envelhecimento e previne a deterioração do sistema límbico (estruturas cerebrais responsáveis pelas emoções e comportamentos sociais) e da memória; tem acção anti-inflamatória, protegendo contra as doenças crónicas e neurodegenerativas; pode auxiliar na destruição das placas beta-amilóides, responsáveis pela destruição dos neurónios e consequente perda de memória,

em pessoas com Alzheimer; impede a degradação da acetilcolina, um importante neurotransmissor que nos ajuda a aprender e a recordar; aumenta a capacidade de aprendizagem e de memória espacial, através da modulação da serotonina, um outro neurotransmissor que nos ajuda a sentir felizes e descontraídos; tem ainda actividade antidepressiva. Pode igualmente ser útil como antioxidante e como neuroprotector nas doenças neurodegenerativas. Rodiola, Sedum roseum (L.) Scop. (sin. Rhodiola rosea L.), raízes (Crassulaceae): São de realçar os fenóis, como o salidrósido, o tirosol e a rosavina, e os flavonóides, entre mais de 30 constituintes. Considerada uma planta adaptogénica, a Rodiola actua no hipotálamo regulando a resposta hormonal ao stress e aumentando a resistência do organismo; pode apresentar um efeito estimulante ou sedativo, consoante a necessidade da pessoa em cada situação particular. Eleva os níveis de serotonina e dopamina no cérebro – este último neurotransmissor melhora a motivação e o foco; exerce uma acção antifadiga, melhorando o desempenho físico e mental, e aumenta as capacidades cognitivas, como a memória, concentração, cálculo mental e percepção visual e auditiva, potenciando a aprendizagem; possui actividade antioxidante, anti-inflamatória e neuroprotectora, auxiliando a preservar as funções cerebrais a longo prazo. É igualmente benéfica em caso de fadiga física e psíquica, astenia, irritabilidade, síndrome de fadiga crónica, depressão, enxaquecas, esquizofrenia e como neuroprotector nas doenças neurodegenerativas (Parkinson e Alzheimer, entre outras). (Continua)

ADVERTÊNCIAS: ESTE ARTIGO TEM COMO OBJECTIVO APENAS A DIVULGAÇÃO E NÃO DEVE SUBSTITUIR A CONSULTA DE UM PROFISSIONAL DE SAÚDE, NEM PROMOVER AAUTO-PRESCRIÇÃO. ALÉM DISSO, ALGUMAS PLANTAS TÊM CONTRA-INDICAÇÕES, EFEITOS ADVERSOS OU INTERACÇÕES COM MEDICAMENTOS.


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30.10.2019 quarta-feira

NOTIFICAÇÃO EDITAL

N.° 66 /2019

(Solicitação de Comparência do Empregador) Nos termos do artigo 6.º , n.º 1, alíneas b) e c) do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.° e do artigo 72.°, n.º 2 do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, notifica-se O empregador Yuen Chan Meng, proprietário de Gold Ocean Engineering & Safety Consultants, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação do presente edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, edifício "Advance Plaza", 1.° andar, Macau, a fim de prestar declaração no processo n.° 1394/2019, proveniente da queixa apresentada neste Serviços, pelo trabalhador Lam Hang, em 05 de Junho de 2019, relativamente à matéria de salário. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais — Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 22 de Outubro de 2019. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon

Notificação edital (30/FGCL/2019) Nos dos pedidos: 99/2019

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “Agência Imobiliária Lai King Limitada”, com sede na Rua de Roma nº 117, Edifício Praça Kin Heng Long, R/C, AK, Macau, o seguinte: Relativamente à ex-trabalhadora Lao Mei Teng, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 18 de Outubro de 2019, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa à ex-trabalhadora acima referida, no valor total de $12 925,10(Doze mil novecentas e vinte e cinco patacas e dez avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquela ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocarse à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 28 de Outubro de 2019 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Rectificação da notificação edital (29/FGCL/2019) Nos de pedido: 114/2015、62/2016、63/2016 、64/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 13 de Agosto de 2019, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Clube O Prestigio”, com sede na Avenida de Lisboa, 9º e 10º Andares do Hotel Grande Lisboa, Macau, da rectificação para $763 650,80 (Setecentas e sessenta e tres mil, seiscentas e cinquenta patacas e oitenta avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo 4 extrabalhadores (Loeschel Yuk Ling, Ng Lai Peng, Sun Qi e Lo Sin Wa). O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os processos. 28 de Outubro de 2019 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

NOTIFICAÇÃO EDITAL

Nº: 67/2019

(Nota de acusação) Considerando que não se revela possível notificar, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, o eventual infractor WONG UN HENG, proprietário de “Lin Iek Engineering Electrical”, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, Lai Kin Lon, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), manda que se proceda, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do “Regime Geral das Infracções Administrativas e Respectivo Procedimento”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 52/99/M, conjugado com o n.º 1 do artigo 93.º do “Código do Procedimento Administrativo”, à notificação do indivíduo acima referido, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, apresentar nestes Serviços a defesa e as alegações escritas em relação às seguintes eventuais infracções: O eventual infractor acima referido não compareceu nem apresentou os respectivos documentos no prazo indicado na notificação para comparência e apresentação de documentos n.º NT-00184/2019/ DIT, não tendo ainda apresentado uma justificação nos 5 (cinco) dias seguintes àquele prazo. Nos termos dos n.ºs 5 e 6 do artigo 6.º do “Regulamento da Inspecção do Trabalho”, o eventual infractor pode ser punido com multa de $ 400,00 (quatrocentas patacas) a $ 8 000,00 (oito mil patacas) [multa de $ 200,00 (duzentas patacas) a $ 4 000,00 (quatro mil patacas) por cada trabalhador em relação ao qual se verifique a infracção], por violação ao disposto nas alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º d mesmo Regulamento. O eventual infractor acima mencionado poderá, dentro das horas normais de expediente, levantar a respectiva nota de acusação no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo-lhe também facultada a consulta do processo n.º 147/2019, mediante requerimento escrito. Findo o prazo acima referido, a falta de apresentação da defesa escrita é considerada como tendo sido efectuada, de facto, a audiência do eventual infractor. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 24 de Outubro de 2019. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon


china 13

quarta-feira 30.10.2019

PORTUGAL EXPORTAÇÕES DE 1,5 MIL MILHÕES DE EUROS PARA A CHINA

Toma lá, dá cá

maior parte deste valor: 69,446 mil milhões de dólares, um aumento de 3,97 por cento face ao mesmo período em análise de 2018. As exportações chinesas para países lusófonos registaram um aumento de 1,66 por cento, tendo alcançado os 27,538 mil milhões de dólares.

PARCEIRO IRMÃO

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ORTUGAL exportou nos primeiros oito meses do ano para a China produtos no valor de 1,564 mil milhões de dólares, mais 4,12 por cento relativamente ao período homólogo de 2018, foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais publicados no portal do Fórum Macau, com base nas estatísticas dos Serviços de Alfândega chineses,

as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a 4,494 mil milhões de dólares até Agosto, quando no mesmo período do ano passado tinham sido de 3,943 mil milhões de dólares. As importações de produtos chineses aumentaram 20,07 por cento, em relação ao mesmo período de 2018. Portugal importou da China bens no valor de aproximadamente 2,930 mil milhões de dólares, tendo

Lisboa um saldo comercial negativo com o país asiático de cerca de 1,366 mil milhões de dólares. Os dados dos Serviços de Alfândega chineses indicam que as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos se fixaram em 96,984 mil milhões de dólares ao longo dos primeiros oito meses do ano, verificando-se um crescimento de 2,31 por cento. As importações da China representam a

O Brasil continua a ser o principal parceiro da China no âmbito do bloco lusófono, tendo registado trocas comerciais de 73,012 mil milhões de dólares. Pequim comprou a Brasília, no primeiro semestre do ano, produtos no valor de 51,071 mil milhões de dólares, mais 6,06 por cento do que nos meses de Janeiro a Agosto de 2018, e o Brasil adquiriu à China bens no valor de 21,940 mil milhões de dólares, uma diminuição de 3,35 por cento. Angola surge no segundo lugar do 'ranking' lusófono com trocas comerciais com a China no valor de 17,671 mil milhões de dólares, com Luanda a enviar para Pequim produtos no valor de 16,396 mil milhões de dólares, menos 1,79 por cento e a fazer compras de 1,274 mil milhões de dólares, menos 10,81 por cento. As trocas comerciais até agosto entre a China e Moçambique foram de 1,652 mil milhões de dólares, menos 4,53 por cento comparando com os oito primeiros meses de 2018.

Os dados dos Serviços de Alfândega chineses indicam que as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos se fixaram em 96,984 mil milhões de dólares ao longo dos primeiros oito meses do ano, verificando-se um crescimento de 2,31 por cento Em 2018, Portugal exportou para a China produtos no valor de 2,24 mil milhões de dólares, mais 5,59 por cento relativamente ao período homólogo de 2017, e as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a seis mil milhões de dólares no ano passado, o que corresponde a um aumento de cerca de 408 milhões de dólares, em comparação com 2017. No ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos fixaram-se em 147,35 mil milhões de dólares ao longo dos três primeiros meses do ano, verificando-se um crescimento de 25,31 por cento.

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HONG KONG PLANO PARA ELIMINAR TODOS OS VEÍCULOS DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

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ONG Kong quer eliminar gradualmente todos os veículos comerciais e públicos de combustíveis fósseis nos próximos 10 a 20 anos e substituí-los por modelos eléctricos, de forma a melhorar a qualidade do ar. Em entrevista ao jornal South China Morning Post, o secretário do Meio Ambiente, Wong Kam-sing, afirmou que o Governo vai fornecer espaços públicos e antigas propriedades no valor de dois mil milhões de dólares de Hong Kong para actualizar os estacionamentos para o carregamento de veículos elétricos (VE). "Quando o mercado de VE estiver mais maduro, estaremos preparados. Não seremos capazes de atender à procura se não agirmos agora", disse. Estes estacionamentos para carregamento de veícu-

los eléctricos deverão cobrir 60.000 carros em toda a cidade. Daqui a três anos, um quarto de todos os lugares de estacionamento em Hong Kong deve ser compatível com o carregamento de veículos eléctricos, acrescentou o responsável pelas políticas ambientais da antiga colónia britânica. Em agosto, de acordo com o South China Morning Post, havia 12.195 veículos elétricos aprovados para uso rodoviário em Hong Kong. No mesmo mês em 2010, existiam apenas 100. Estes números contrastam com Shenzhen que atingiu no início deste ano um novo marco ambiental: ter uma frota de táxis composta quase totalmente por carros elétricos. Desde o início do ano, 99 por cento dos 21.689 táxis que operam na cidade são alimentados a energia eléctrica.

CARNE DE PORCO MAPORAL FECHA VENDA DE UMA CENTENA DE CONTENTORES

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matadouro português Maporal fechou ontem a venda de 100 contentores de carne de porco para a China, à medida que o país asiático enfrenta severos surtos de peste suína, que dizimaram milhões de animais. A importação dos cem contentores vai custar cerca de 7,5 milhões de euros à Zhuhai Import Frozen Foodstuffs Association, empresa com sede em Zhuhai, cidade que faz fronteira com Macau, revelou Marco Henriques, director comercial da Maporal. O importador chinês prevê comprar um total de "entre 400 a 500 contentores", até ao final de 2020, detalhou a mesma fonte à agência Lusa. "Estamos a tentar fazer uma parceria para abranger uma área maior no Sul [da China] e ter mais relação com Macau", explicou. A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60por cento do total do consumo de pro-

teína animal no país. Segundo dados oficiais, os consumidores chineses comem 55 milhões de toneladas de carne de porco por ano. Mas analistas prevêem que o país produza menos 130 milhões de porcos, este ano, cerca de um terço da sua produção em 2018, devido a surtos de peste suína em todo o continente chinês. A escassez e interrupções nas cadeias de fornecimento na China causaram um aumento do preço da carne de porco de quase 159 por cento, em Outubro, em termos homólogos, e estão a implicar uma reorganização dos mercados de proteínas e aumento dos preços a nível mundial. "É uma loucura total: eu arrisco-me a dizer que, para 2020, já tenho os porcos todos vendidos", afirmou Marco Henriques. A Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores prevê que as exportações de carne suína nacional para a China atinjam os cem milhões de euros, este ano, e 200 milhões, em 2020. Para responder à crescente procura, a Maporal vai investir 15 milhões de euros para renovar a sua unidade, aumentando a capacidade de abate para 20 mil porcos por semana, revelou Marco Henriques.

Anúncio Concurso Público «Prestação de Serviços de Limpeza das Instalações e Equipamentos da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (1 de Maio de 2020 a 30 de Abril de 2022)» A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, doravante CTT, faz público que, de acordo com o despacho do Exm.o Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 12 de Agosto de 2019, se encontra aberto o concurso público para a «Prestação de Serviços de Limpeza das Instalações e Equipamentos dos CTT (1 de Maio de 2020 a 30 de Abril de 2022)». O processo do concurso encontra-se disponível, para efeito de consulta, na Divisão de Obras, Gestão de Instalações e Serviços Gerais, sita no Edifício Sede dos CTT, Largo do Senado, 2.º andar, sala 210, Macau, a partir da data da publicação deste anúncio, dentro do horário normal de expediente. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: • Preço: (75%); • Qualidade: Idoneidade das firmas, demonstrada por serviços prestados a entidades públicas ou a outras firmas, considerando, em especial, a complexidade dos mesmos e a satisfação demonstrada (podem entregar documentos assinados pelos clientes para confirmar), e pela experiência dos candidatos em gestão e operação de serviços de limpeza, atentos os respectivos documentos apresentados (15%); • Tempo de experiência no ramo (10%). Dia, hora e local para entrega das propostas: • Os concorrentes devem entregar as suas propostas na Divisão de Relações Públicas e Arquivo Geral, sita no Edifício Sede dos CTT, Largo do Senado, 2.º andar, sala 209, Macau, dentro do horário normal de expediente, até às 17:00 horas do dia 28 de Novembro de 2019. Caução Provisória: • Devem ainda os concorrentes prestar uma caução provisória, no valor de $ 110 000,00 (cento e dez mil patacas) aos CTT. A caução pode ser prestada: 1) mediante garantia bancária; ou 2) mediante pagamento em numerário ou em ordem de caixa na Caixa Económica Postal. Dia, hora e local para abertura das propostas: • O acto público de abertura das propostas do concurso realizar-se-á no Auditório dos CTT, sito no Edifício Sede dos CTT, Largo do Senado, 2.º andar, Macau, pelas 09:30 horas do dia 29 de Novembro de 2019. 25 de Outubro de 2019. A Directora dos Serviços Lau Wai Meng


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30.10.2019 quarta-feira

Viver amanhã por ter adiado hoje?

A Poesia Completa de Li He

後 園 鑿 井 歌 井 上 轆 轤 床 上 轉 ﹕    水 聲 繁 , 弦 聲 淺 。    情 若 何 ? 荀 奉 倩 。    城 頭 日 , 長 向 城 頭 住 。    一 日 作 千 年 , 不 須 流 下 去 。 

Canção: Escavando Um Poço nos Jardins De Trás Sobre o poço gira uma roldana, Sobre o seu leito. Chapinhar de água, Frouxo murmúrio de alaúde. Que espécie de amor procuro, O de Xun Feng-qian? 1 Ó sol sobre a muralha da cidade, Fica sempre sobre a muralha da cidade. Que um dia sejam mil anos, Nunca de deites para descansar.

1

Xun Can, de seu cognome Feng-qian (floruit século III), casou com a filha do General Cao Hong apenas pela sua beleza e sem atenção ao seu carácter. Quando esta faleceu, Xun morreu de amor ao cabo de apenas um ano.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 30.10.2019

João Paulo Cotrim

HORTA SECA, LISBOA, 14 OUTUBRO Morre Bloom e nada? Pergunta-me com insistência o Walter, aquele com quem dialogo ao espelho a qualquer hora do dia ou da noite. Volto a dizer-lhe que não sei ainda o que escrever a propósito. Necessito reler com outra tranquilidade os textos fundamentais, reler as leituras, mais do que os dislates ideológicos e além das pretensões didácticas. Careço de o enfrentar na qualidade de autor, por exemplo enquanto ensaísta shakespeariano na vez da ligeireza de polemista e/ou figura mediática. Há que saber distinguir para sedimentar. Vou ali, já venho, Walter Ego. ESPAÇO Ó, ÓBIDOS, 19 OUTUBRO Falhámos redondamente outro lançamento, o de este «As Leis da Guerra», de Sun Bin, muito apropriado para tratar dos medos. Há que fazer autópsia das razões: voluntarismo exagerado?, desorganização militante?, calor demasiado para época?, empedrado molhado? A realidade, por vezes, vence-nos. Ilusão saborosa, a de pensar o inverso. Regressámos a Óbidos, ainda assim, para acompanhar os «No Precipício Era o Verbo» (foto da organização algures na página), chamados à «Boémia» pela encantadora Suzana [Nobre], e acompanhados na convocatória pela impagável diligência do Luís Ferreira. Nenhum concerto acontece igual, mas este anunciava um pouco mais de Georg Trakl, além de uma ou outra surpresa, que saltava do percurso e de solicitações, por exemplo, em torno dos redondos Sophia ou Sena. Explodiu mais que isso, entendimentos em várias direcções, entre os instrumentistas no palco, com a plateia, das partes a dizer mais que o todo. Poesia, talvez tenha sido isso. Prolongada noite e pão adentro. Regresso com a ideia de que esta edição do Fólio terá sido bastante boa, pela riqueza e diversidade. Está feito um belo jardim, este festival. SANTA BÁRBARA, LISBOA, 23 OUTUBRO Desembrulho um rebuçado, desperto com a mistura de ruído e perfume a curiosidade do gato, Lucca, que me vigiará com redobrada atenção enquanto me atiro à história dos reputadíssimos Dr. Bayard, nas bocas do mundo há 70 anos. «Um Milhão de Rebuçados», didascália de Inês [Fonseca Santos] para as imagens da Marta Monteiro, comemora isso mesmo em versão doce da Pato Lógico. O texto faz, portanto, de rodapé para uma sequência de imagens, com relações subtis entre ambos, como é do meu agrado delicodoce e pequenoburguês. Escusado será dizer, com estes actores, que a edição é cuidada. Além do cariz explicativo, as autoras conse-

Navegar em contramão MUNICÍPIO DE ÓBIDOS

Diário de um editor

guem soltar o cheiro de várias histórias, ainda que próximas de uma realidade palpável. Ou mesmo por isso. Prova de que poucos leitores, por cá, o são a sério está no preconceito à volta dos géneros. Não esqueço que responsáveis políticos da área da leitura, do livro, da educação afirmaram que não liam livros para a infância e juventude. Ora o meu re-vizinho da Economia não perderia o seu tempo, digo eu, se lesse este exemplo de alguém capaz de fazer do pouco um projecto e dele uma «marca» e das oportunidades uma empresa, no velho sentido. Ou seja, em modernês, empreendedorismo. Este assunto não se aflora aqui, apenas a história de alguém concreto a aproveitar o que a vida lhe foi trazendo, cruzando com curiosidade e vontade até alcançar resultados, o resultado. Doce e perfumado. O bonito está em tratar uma ideia assim como flor. Umas frágeis, outras capazes de alimentar infâncias. Depois há máquinas, do lado da Marta, e o perseguir as estórias nos sabores, no lado da querida Inês. E mais e mais, que livro, acontecendo, contém infindáveis rebuçados. Só me pergunto, sem resposta para o sonolento olhar do Lucca, se valeria a pena ter a tinta o cheiro dos Dr. Bayard. Ou se não haverá edição especial com os ditos por junto. Desembrulho a dedicatória e constato ser um doce. Não solto lágrima para não produzir o melaço grandeburguês. Contrasto apenas com a de amigo e autor que há pouco me pôs em folha de rosto que me devota amizade e admira-

ção, ou seja, o que manda o triste protocolo. Farei de conta que será ironia e descasco um Dr. Bayard. GULBENKIAN, LISBOA, 24 OUTUBRO Em versão lado M, de madrugadora, os «Precipício» abrem a Conferência do Plano Nacional de Leitura para duas ou três salas a abarrotar. «O Elogio da leitura», este o mote, em três temas|poemas apenas, que nem assim impedem telemóveis de tocar, de menssajar, de responder a necessidades burocráticas. A poesia não consegue uns 15 minutos de silêncio, de atenção? Raio de «Presente-Futuro»! CCB, LISBOA, 25 OUTUBRO Derrotado, como ando por estes dias, empurrei-me até ao concerto em que o talentosíssimo Benjamim dava a ouver canções do novo álbum. Em boa hora. Grande luxúria instrumental, em ambiente caloroso, descontraído, com criadores a transpirar puro gozo, a explorar possibilidades, a desfiar letras que põem carne no esqueleto dos dias. Antes de entrarem em estúdio, deram-nos o privilégio de experimentar magnífico ensaio geral, espreitar corações e ideias, aceder a paisagens sonoras que não sabia estarem ao alcance. Alimento fascínio por bastidores e reconfortei-me a entrar inadvertidamente nesta viagem, nesta paragem que foi chegada e mais partida ainda, que trouxe sobras e propôs rumos. Diz o Benjamim que «em Agosto de 2015 demos volta a Portugal, 33 concertos de seguida na loucura do asfalto e com o ape-

tite dos 29 anos. Queimámos gasóleo a preços de primeiro mundo e passámos o resto do ano, e boa parte do próximo, na estrada. Ultrapassámos rapidamente a fronteira dos 100 concertos, tocámos em coretos, casas, barcos, festivais, casas de cante, teatros, auditórios, herdades chiques, associações culturais, comícios partidários, comícios apartidários, na rua e em qualquer sítio onde uma pessoa consiga inventar um palco. Por vezes com resultados desastrosos, tocámos ao sol para mil pessoas e à chuva para duas.» Nesta sexta, fez sol e pensamento no pequeno auditório. Está a chegar-se a algum lado na música feita aqui e agora. MERCADO SANTA CLARA, LISBOA, 26 OUTUBRO Segunda edição desta Feira Gráfica, a confirmar vitalidades. Mais o que a tendência experimental, noto uma natural afirmação do fazer e do dizer, de criar publicações e lançar opiniões, políticas, pois então. Mais de setenta projectos, editoras, enfim, indivíduos a mostrar uma vontade de engendrar a diferença. E a encontrar interlocutores. Do nosso lado, tínhamos previsto lançar «O Menino das Lágrimas», da Mariana a Miserável, mas falhámos redondamente. Insisto, isto de navegar em contramão tem os seus riscos. E este disco soa riscado. Na vez, o Jorge [Silva] falou dos livros sobre ilustradores que a Arranha-céus tem editado. E encheu de cor o velho mercado de ferro e vidro.


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Aviso Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 25 de Junho de 2019, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de um lugar vago de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de informática, em regime de contrato administrativo de provimento do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. Os detalhes e outras informações sobre o concurso podem ser consultados no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 44, II Série, de 30 de Outubro de 2019, e na página electrónica da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (https://www.safp.gov.mo) e deste Gabinete (http://www.gdi. gov.mo). Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 24 de Outubro de 2019. O Coordenador Lam Wai Hou

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo

AVISO

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 3 de Outubro de 2019, se encontra aberto o concurso externo, de prestação de provas, para a admissão de dois lugares de estagiários ao estágio para ingresso na carreira de técnico superior de saúde, área funcional dietética, para o preenchimento de um lugar vago no quadro, e um lugar vago em regime de contrato administrativo de provimento, de técnico superior de saúde de 2.ª classe, 1.º escalão, área funcional dietética, da carreira de técnico superior de saúde do Instituto do Desporto. O aviso de abertura de concurso encontra-se publicado no “Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau”, n.º 44, II Série, de 30 de Outubro de 2019. As condições de candidatura e as demais informações encontram-se no aviso acima referido e disponibilizadas no website do Instituto do Desporto (http://www.sport.gov.mo). Instituto do Desporto, aos 30 de Outubro de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun


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quarta-feira 30.10.2019

Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

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XISTE um terrível paradoxo para pessoas que não são nostálgicas e que gostam de viver no seu tempo: é que por vezes não gostam de viver no seu tempo. Quando esse sentimento atravessa demasiados dias torna-se um incómodo difícil de ignorar. Sentimo-nos (e aqui uso o primeiro pronome do plural porque me incluo neste grupo) como exilados mas sem termos um lugar a que regressar. Começa a ser quase impossível deparar com algo que contrarie este clima de polarização e falsa justiça social. E, por convicção e feitio, quando o assunto se estende às artes não consigo estar sossegado. A omissão é a pior forma de acção nestes casos e normalmente leva a territórios muito escuros que suspeito que os leitores estejam a par. Acompanhem-me por favor em mais um exemplo do que vos quero dizer. Parece, num primeiro olhar, algo trivial; haverá sempre uma calamidade mais importante no planeta. Mas é real e próximo. E actua sobre mais áreas de influência social do que poderão pensar. Explico o meu exemplo de hoje: há uns dias o realizador Martin Scorsese insurgiu-se sobre a qualidade dos filmes produzidos pela Marvel, como por exemplo Avengers, Homem-Aranha e tantos que fazem parte do universo criado por o que começou por ser (e ainda

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O tempo este tempo é) uma editora de comics. Imediatamente as manchetes gritaram “Scorsese diz que os filmes Marvel não são cinema!”. Fiquei intrigado por semelhante afirmação dita por aquele que considero o melhor realizador contemporâneo; achei estranho que usasse uma terminologia totalitária que se baseasse no “isto é cinema, isto não é “. Claro que não disse isso. O que disse foi que esses filmes não reflectem “seres humanos a tentarem passar experiências psicológicas e emocionais a outros seres humanos”. [citação do The Guardian, tradução minha]. Realizadores como Coppo-

Os filmes não são valorizados pela mensagem política ou social que obrigatoriamente teriam de veicular e que no momento em que o fazem se transformam em arte da boa

la ou Ken Loach afinaram pelo mesmo diapasão (o primeiro chegou mesmo a usar o adjectivo “desprezível “). Eu, que gosto dos filmes da Marvel, não posso concordar inteiramente com estas críticas. Provavelmente Scorsese ter-se-à esquecido de Logan (2017), um magnífico filme de James Mangold que sob o formato de um road movie canónico e com personagens desse universo supernatural não faz outra coisa senão reflectir de modo sublime o que Scorsese diz não existir. Mas compreende-se: é um juízo estético legítimo de alguém cuja visão artística é diferente. O pior veio a seguir e dito pelos defensores da Marvel Cinematic Universe (MCU). Um deles, Helen O'Hara, resume na perfeição os argumentos dos restantes: afinal os filmes da Marvel são bons porque são complexos. Captain America: Civil War fala da guerra do Iraque. Thor: Ragnarok teria uma filosofia anti-colonialista. Captain Marvel é um testemunho feminista. E claro, Black Panther é assumidamente anti-racista. Como podem então aqueles realizadores incorrerem em tamanhos dislates? É fácil: porque a sua argumentação érepito- estética, artística. Os filmes não são valorizados pela mensagem política ou social que obrigatoriamente teriam de veicular e que no momento em que o fazem se transformam em arte da boa.

Sim, eu sei que já falei aqui deste clima que exclui a possibilidade de a arte ser apenas isso mesmo. Foi a semana passada, quando lembrei Harold Bloom. Mas amigos, a batalha vem de longe. O primeiro a diagnosticar este estado de coisas foi Robert Hughes num livro seminal de 1994: Culture of Complaint. Hughes foi um crítico de arte e um divulgador de primeira ordem. Este livro- que reúne uma serie de palestras suas dadas em 1992 – fala pela primeira vez de uma cultura de vitimização que estaria na base do politicamente correcto e do desaparecimento de critérios estéticos para a avaliação artística. Para fazer-lhe justiça terei de citar um parágrafo no original, com as minhas desculpas ao leitor:” And then, because the arts confront the sensitive citizen with the difference between good artists , mediocre ones and absolute duffers, and since there were more of the last two then the first, the arts too must be politicized; (…) the idea of quality in aesthetic experience is little more than a paternalist ficrion designed to make life hard for black, female and homosexual artists, who must hencefortg be judged on their ethnicity, gender and medical condition rather than the merits of their work". Estas palavras, escritas há quase trinta anos, só não são proféticas porque são constatações lúcidas sobre aquele tempo que também é este tempo de que tanto gosto e em que não me apetece viver.


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18 (f)utilidades MUITO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã INAUGURAÇÃO 49 DA EXPOSIÇÃO

“BY THE LIGHT OF THE MOON”DE HONG WAI 8 0 2 1 7 5 9 6 Art Garden | 18h30

4 3 3 4 5 8 0 9 6 1 7 2 Sexta-feira 7 6 3 5 2 4 1 9 8 0 INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “YINGMEI CURIOUS MACAU” 9 2do Boi 0 | 18h30  6 1 8 4 7 3 5 Armazém 1 7 9 4 3 6 2 5 0 8 Sábado  4 5 7 2 8 1 0 3 6 9 MACAO-LATIN COFFEE AND TEA FESTIVAL-MAPEAL 0 de 8Macau6| Entre 3 as915h007 e 17h30  5 2 1 4 Torre 6 3 1 0 5 2 8 4 9 7 Segunda-feira  5 1 8 9 4 3 7 0 2 6 IV CICLO DE CINEMA DE MOÇAMBIQUE 2 9Rui 4Cunha7| Até67 de0Novembro  3 8 5 1 Fundação

Diariamente 51

EXPOSIÇÃO | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL 1 0ENTRE 9 A CHINA 6 8E OS PAÍSES 2 7DE LÍNGUA 3 5 4 DE ARTES PORTUGUESA” 5 3 8 0 9 7 4 2 1 6 Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal 4 2 1| Até98 de6Dezembro 5 3 7 8 0 de Gado Bovino

7 4 5 3 1 0 8 6 2 9

EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO 8 6 2 7 3 4 9 1 0 5 DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” 9| Até817 /11 6 2 4 1 0 5 3 7 MAM

3 7 0 5 2 8 6 9 4 1

EXPOSIÇÃO | “WE ART SPACE - DOCUMENTARY EXHIBITION” 0 5do Boi 3 | Até48/127 6 1 8 9 2 Armazém

6 9 4 1 5 3 2 0 7 8 2 1 7 8 0 9 5 4 6 3

Cineteatro 53 2 5 0 8 3 6 4 1 7 9

1 6 7 5 4 9 0 3 8 2

4 9 1 0 2 8 3 7 5 6

C I N E M A

3 7 6 9 8 2 5 4 1 0

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2 3 5 6 8 0 6 Y U 4 A N 51 . 1 4 6 0 5 3 4 3 1 6 9 5 7 3 8 7 3

A UM É JUNIUS HO

50 0 8 2 1 6 4 7 3 5 9

3 5 9 2 7 1 0 8 6 4

6 4 3 5 9 7 8 2 1 0

7 0 1 8 4 6 5 9 3 2

1 9 7 0 3 2 4 5 8 6

4 2 5 6 8 9 3 1 0 7

8 3 6 7 5 0 9 4 2 1

2 6 8 4 0 5 1 7 9 3

5 1 4 9 2 3 6 0 7 8

9 7 0 3 1 8 2 6 4 5

MORTE SAIU À RUA

51

1

55

9 96 63 81 20 75 37 8 42 4 7 82 8 96 73 4 25 9 0 1 0 4 91 69 52 36 8 7 5 3 45 7 32 0 8 89 1 24 3 6 8 3 28 5 34 41 7 19 2 56 0 6 1 20 2 4 08 3 5 9 7 4 9 57 3 6 60 2 1 8 5 0 8 3 44 75 67 12 6 0 21 9 Pelo menos 19 18 8pessoas 1 0 5 2morreram 3 4 6ontem7 e cen2 tenas ficaram feridas durante um ataque contra 2 5 86 0na7cidade 1 de 0 Ka3rbala,4a sul8de 99 5santa manifestantes

Bagdad, indicaram as autoridades iraquianas. O ataque teve lugar ao início da manhã, quando os iraquianos saíram às ruas pelo quinto dia consecutivo, em protesto contra a corrupção do Governo, a falta de serviços e o desemprego.

52 4 3 8 0 1 6 5 7 2 9

9 5 1 7 0 4 2 3 8 6

7 6 5 2 9 3 1 8 4 0

2 8 3 6 4 0 7 5 9 1

3 0 9 4 2 1 8 6 7 5

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 52

6 1 7 8 5 2 9 4 0 3

8 2 0 9 3 5 4 1 6 7

1 7 4 5 6 9 0 2 3 8

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4 7 FILME 0 3 5 HOJE 1 8 6 UM 2 1 6 5 0 8 9 7 5 9 2 8 3 6 7 4 0 2 5 1 8 9 3

Dois amigos e uma pros8 4chamada 9 1 2 7 3 tituta Joanna fazem parte de um en3 6 7 0 9 4 5 redo que faz lembrar os 1 0filmes 8 6americanos 7 2 4 velhos do faroeste, com mortes e 9 5 3 2 4 0 6 perseguições policiais. A 6 3 longa 4 9metragem 1 5 0 primeira do realizador germânico, 0 8 1 7 6 3 2 conhecido por ser um dos 7 2fortes 5 do 4 chamado 8 9 1 nomes Novo CinemaAlemão, tem laivos de comédia, mas é também uma película teatral, fria mas onde os sentimentos não são esquecidos. Andreia Sofia Silva

0 4 6 1 7 8 3 9 5 2 9 4 1 6 8 3 7 2 5 0

5 9 2 3 8 7 6 0 1 4 2 3 0 5 1 9 8 7 4 6

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2 0 8 4 1

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2 65 78 50 6 4 03 37 89 1

PROBLEMA 53

59 2 7 6 0 8 5 1 9 4 3

1 6 84 50 9 9 7 20 36 8 3 4 5 2 7 7 1 68 73 4 2 89 03 11 95 0 28 11 05 52 5 2 79 27 0 4 3 6 8 1 6 5 47 94 3 8 0 32 89 6 4 1 9 7 0 3 2 8 5 6

8 3 1 6 5 4 9 0 7 2

5 4 2 9 3 7 8 1 6 0

7 6 5 1 4 9 0 3 2 8

8 7 93 3 12 4 9 51 36 5 46 22 4 8 0 6 9 7 1 84 68 0 95 89 2 20 1 7 3 15

S U D O K U

TEMPO

1

50

5 1 0 9 7 3 6 2 8 4

Junius Ho é um deputado de Hong Kong que se suspeita ter pago a tríades para atacar 52 manifestantes e cidadãos. Disse manifestantes e cidadãos? Queria dizer 60 também 8 39Junius 1 3se 6 baratas.5Mas4o bravo distinguiu 3 53 no6hemiciclo 0 05 de12Hong 9 Kong 7 44 pela demonstração de classe em estado 8 quando 11 7acusou 6 a0deputada 3 8Claudia 4 62 puro Mo de “habitualmente comer salsicha es72 3 67 1 4 95 9 18 trangeira”, aludindo ao facto da legisladora ser casada 09 com 42 cidadão 24 56britânico. 37 0O 75 8 um “habitualmente” deixa também no ar que 40 naquele 12 27 cometidas 56 5 89 1 04 casamento há traições por ela,2 42 6 à 30 8como9que73chamando 7 1 prostituta legisladora. É quando faltam argumentos 7 debater 34 2que5os homens 8 9 ímpares 3 1se 97 para mostram 2 87acima 76 0mortais 5 dos1comuns 8 0 e nesse 2 53 capítulo Junius não desilude. Claro, que de 6 0 9injusta, 4 8fez 1 53 esta 35 postura forma totalmente com que o magnânimo Junius tenha perdido o grau honoris causa da Universidade Anglia 54Ruskin. Uma decisão que só pode ser vista como um escândalo e devia motivar 7 09 transversal 4 53 no 8 6para 2 5 4movimento 10Mundo um defender Junius Ho, a começar por Macau. 2 6 5 50 07 83 92 1 8 Por esse motivo, apelo à Universidade de 6 45que 12 5 91que,28com3base39nos64valores Macau parece apoiar, uma vez que é incapaz de 2 1 15 28 79 37 4 0 condenar qualquer acto de racismo dos seus professores, 0 2 atribua 6 4 um5grau1honoris 9 3 causa a Junius Ho. Acho que o racismo 8 do3 deputado 7 1 69 70 de26Hong 44 Kong subjacente é um valor 5 34partilhado 2 1pelo7 silêncio 3 16da 9 Universidade de Macau. Está na altura da 9orgulhar 6 e mostrar 2 5as8suas 8 24 40 7 UM nos3 a todos cores verdadeiras. E que o faça em estilo 4 17 8 65 31 0 93 6 com o diploma escrito apenas em chinês e 6 esses 1 “branquinhos” 2 8 9 locais 0 07 7 para 23 pôr inglês, no lugar que merecem. João Santos Filipe

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9LOVE6 IS0COLDER 1 3THAN DEATH | RAINIER 0 8 W.1FASSBINDER 3 7 4(1969) 5 2 8 0 2 5 9 7 5 4 6 9 0 2 3 0 3 8 7 4 6 2 3 1 8 5 9 7 3 2 5 4 8 9 4 5 2 3 6 8 1 2 7 9 6 1 8 9 7 0 1 2 4 6 6 8 1 0 2 3 1 8 4 2 7 0 9 4 5 7 3 6 4 0 6 7 5 1 3 8 7 4 6 2 5 5 6 2 9 0 3 1 4 1 9 3 8 0 2 3 9 5 6 8 7 0 5 1 4 9 7 1 7 0 8 4 9 6 5

MALEFICENT:MISTRESS OF EVIL SALA 1

MALEFICENT:MISTRESS OF EVIL [B] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Joachim Ronning Com: Angelina Jolie, Elle Fanning, Chiwetel Ejiofor, Sam Riley 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

A WITNESS OUT OF BLUE [C] FALADO EM CANTONÊS

LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chih-Chiang Fung Com: Louis Koo, Louis Cheung, Jessica Hsuan, Cherry Ngan, Philip Keung 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

JOKER [C] Um filme de: Todd Phillips Com: Joaquin Phoenix, Robert de Niro, Zazie Beetz 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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opinião 19

quarta-feira 30.10.2019

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

M

UITAS vezes não estamos alinhados com os outros. Não os encontramos e não os entendemos. Os limites que fazem o encontro afectam tudo: o sexo, os relacionamentos amorosos, os relacionamentos familiares e de amizade, as sociedades, as nações, e até, a mudança. Assim percebemos, de forma mais ou menos sofisticada, o que justifica a esperança ou o pessimismo por um mundo melhor – esse cliché que irrita, mas que não deixa de ser a utopia dos tontos. Dos que acreditam na simplicidade do amor e do cuidado, ainda que saibamos pouco sobre as suas subtilezas e complexidade.

Desencontros

O desencontro pode ser fácil ou difícil, pode resultar numa resolução ou num conflito eterno, sem solução à vista. As identidades complexificam os processos de comunicação contribuindo para a natureza do conflito. As ideias que cuspimos vêm de um lugar de pensamento, de um posicionamento, de uma identidade e de várias experiências. Tanta investigação feita para desvendar os factos humanos e sociais e o desencontro continua lá. Desde o início dos tempos que tentamos dar-lhe sentido. Agora ficam por resolver as dores de ver um mundo a desfazer-se porque há conflito em todas as frentes. As alterações climáticas que nos afundam pela inacção, o conflito israelo-palestiniano que parece ser dor sem fim, o ódio que se espalha sem precedentes de discursos cada vez mais declarados de xenofobia, homofobia, racismo e preconceito. Será que as dores são minhas, ou do mundo? As teorias para o desencontro são muitas. Os mais tolos andam a explorar mapas astrais onde o desencontro já estaria escrito nos astros. Em contraste, os mais cientistas agarram-se à razão positivista para dar sentido a uma moralidade aparentemente fácil, definida pela verdade e pela mentira. Nesta visão do mundo, os factos

são a única ferramenta de empoderamento. Valoriza-se o saber como se o sentir não interessasse. Os sensíveis são acusados de ser emocionais, pouco racionais. O desencontro só se resolve com conhecimento não-emotivo, dizem eles, porque o desencontro é o resultado da tontice dos pouco esclarecidos. O desencontro acontece quando a minha visão do mundo choca com a tua visão do mundo. Gosto sempre de voltar ao micro-cosmos das relações e percebê-las como pequenas arenas que poderiam explicar as maiores. Os tijolos que criam a nossa realidade estão lá, no nosso dia-a-dia. Na pessoa que amamos, na pessoa que partiu o nosso coração, na pessoa com

O desencontro é o resultado de tantos outros desencontros passados, nesta valsa a três tempos, ou talvez, numa cantiga de roda, infantil e vulnerável como os nossos desencontros muitas vezes são

quem fomos para a cama uma vez em 2010. O desencontro é o resultado de tantos outros desencontros passados, nesta valsa a três tempos, ou talvez, numa cantiga de roda, infantil e vulnerável como os nossos desencontros muitas vezes são. E as emoções? Quando é que finalmente se legitimam as emoções? A zanga, o ódio, a raiva, o amor, o medo ou a ansiedade existem para explicar o inexplicável. Nunca foi fácil definir o ser humano ou o seu guião de acção e as dores sentidas só tornam mais clara a nossa dificuldade em fazê-lo. Impressiono-me com esforço de separar águas inseparáveis de dor, desconforto e razão. Nem sempre conseguimos ver como os desencontros do mundo são desencontros de nós próprios. Olhamos para a política internacional e não parece que possa ter que ver com o nosso sexo, ou com a nossa intimidade. É difícil engolir que o nosso ponto de partida possa estar em desencontro.Talvez porque o desencontro é o nosso estado mais natural e mais confortável. Não sei do que precisamos, se de amor, música ou arte para desvendar o maior segredo de todos – que o nosso propósito de vida é dar sentido àquilo que não tem sentido algum. O desencontro pode bem ser um estado perpétuo em si mesmo.


Fazei amigos sempre dispostos a censurar-vos! Nicolas Boileau

Sands Julgamento sobre licença adiado para 2020

O caso bilionário que corre na justiça sobre a licença de concessão da subsidiária local da Las Vegas Sands Corp em Macau foi adiado para 16 de Setembro do próximo ano. A informação foi adiantada pela concessionária, e citado pelo portal GGRAsia, num comunicado que deu conta dos resultados da empresa para os três primeiros trimestres deste ano. O processo, interposto em 2012, pela empresa de Taiwan liderada por Marshall Hao Shisheng, tem como base o pedido de compensação por danos sofridos na sequência da quebra de um acordo com a Sands que resultou na obtenção da licença de concessão em 2002. Em Julho deste ano, a empresa de Taiwan, que alega ter sido instrumental na negociação do pedido de licença da Sands para operar em Macau, a troco de compensação, pediu um montante de quase 12 mil milhões de dólares americanos. Em comunicado, a Las Vegas Sands esclareceu que tem a intenção de se defender vigorosamente”.

ONU Morreu Sadako Ogata

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A académica e diplomata japonesa Sadako Ogata, que dirigiu durante uma década o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), entre 1991 e 2001, morreu aos 92 anos, noticiou ontem a imprensa local. Sadako Ogata foi responsável pelo ACNUR num dos momentos mais difíceis para esta agência da ONU, devido ao deslocamento de refugiados provocado pela Guerra do Golfo, pelos conflitos armados na ex-Jugoslávia e pelo genocídio no Ruanda. Neta do antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Kenkichi Yoshizawa e bisneta do antigo primeiro-ministro nipónico Tsuyoshi Inukai, Sadako Ogata também dirigiu, durante oito anos, a Agência de Cooperação Internacional do Japão.

quarta-feira 30.10.2019

PALAVRA DO DIA

HONG KONG JOSHUA WONG IMPEDIDO DE CONCORRER ÀS ELEIÇÕES

O

O Instituto da Habitação (IH) está a preparar um relatório que visa “propor a atribuição, a título excepcional, de habitações sociais a quem ficou sem condições nas suas casas”

Operações de rescaldo

Instituto de Acção Social cede alojamento a oito pessoas depois de incêndio na Areia Preta

A

S autoridades já estão a trabalhar no sentido de dar resposta às famílias desalojadas depois da ocorrência de um incêndio no bairro da Areia Preta, que deflagrou no bloco 4 do Edifício Jardim Kong Fok Cheong, no passado dia 20 deste mês. De acordo com um comunicado emitido pelo gabinete do Chefe do Executivo, o Instituto de Acção Social (IAS) contactou 30 famílias que ficaram desalojadas, tendo sido prestados serviços de apoio emocional e aconselhamento. Além disso, o IAS forneceu apoio financeiro de emergência às 12 fracções afectadas, sendo que um total de oito pessoas, de um total de três famílias afectadas, aceitaram o alojamento provisório no Centro de Sinistrados da Ilha Verde. Chui Sai On, Chefe do Executivo, garantiu

que está a seguir os trabalhos de acompanhamento após a ocorrência do incêndio, tendo adiantado que “tem seguido atentamente a situação”. Nesse sentido, foram atribuídas “instruções aos secretários das tutelas da Segurança, Assuntos Sociais e Cultura e Transportes e Obras Públicas para que continuem a acompanhar as questões, nas suas diversas vertentes, de modo a que os moradores afectados retomem a sua vida normal o mais rapidamente possível”. O Instituto da Habitação (IH) está a preparar um relatório que visa “propor a atribuição, a título excepcional, de habitações sociais a quem ficou sem condições nas suas casas, aguardando ainda o relatório de vistoria da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes”. Além disso, o organismo presidido por Arnaldo Santos vai “propor a isenção das respectivas rendas”. 

Esta segunda-feira, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental enviou funcionários ao edifício “para procederem a testes preliminares com recurso a equipamentos portáteis à qualidade do ar no interior do edifício, tendo os resultados na altura mostrado a ausência de situações anómalas”, explica o comunicado. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, vai enviar o relatório de inspecção sobre a segurança contra incêndios e de investigação sobre potenciais riscos, tanto aos serviços competentes do Governo como à empresa de administração de condomínios do edifício em causa. 

REPARAÇÕES A CAMINHO

No que diz respeito às questões técnicas relacionadas com o incêndio, o comunicado dá conta que “o IH observou enormes estragos no andar onde se encontra a fracção na qual o in-

cêndio teve origem, especialmente ao nível dos canos de esgoto”. Desta forma, “a impossibilidade de funcionamento normal desses tubos poderá ter impacto na saúde pública”. Além disso, deverá avançar-se já para a reparação do prédio. “O IH já recebeu a cotação de preços para as obras de reparação do sistema de saneamento público no Bloco 4 do Edifício Jardim Kong Fok Cheong, apresentada pela empresa de administração do condomínio, e foi dada uma resposta preliminar, permitindo-se avançar já para reparação”, explica o comunicado. Posteriormente, será feita uma “requisição de apoio financeiro no âmbito do plano para reparação de edifícios, de modo a que as obras comecem com a maior celeridade possível e se evite o surgimento de problemas de saúde pública”.

activista Joshua Wong, figura proeminente do movimento pró-democracia em Hong Kong, anunciou ontem que foi impedido de concorrer às próximas eleições locais, enquanto o território atravessa a pior crise política desde 1997. O activista foi o único candidato excluído das eleições para o conselho distrital, a 24 de Novembro. “Condeno com veemência o facto de o Governo estar envolvido em filtragem e censura políticas, privando-me dos meus direitos”, afirmou Joshua Wong, de 22 anos, numa mensagem divulgada na rede social Facebook. A nomeação do activista a candidato eleitoral foi considerada inválida, de acordo com uma notificação da Comissão dos Assuntos Eleitorais, partilhada pelo próprio na mesma rede social. Sem nomear Joshua Wong, o Governo afirmou, em comunicado divulgado ontem no site oficial, que a decisão sobre todos os candidatos já estava tomada. “O candidato não pode de forma alguma cumprir os requisitos das leis eleitorais relevantes, uma vez que advogar ou promover a ‘autodeterminação’ contraria o conteúdo da declaração exigida por lei a um candidato, a de respeitar a Lei Básica e jurar lealdade” a Hong Kong, de acordo com um comunicado do executivo local. No mês passado, quando anunciou que iria concorrer às eleições em Novembro, Wong advertiu que qualquer tentativa de desqualificação apenas resultaria em mais apoio aos protestos pró-democracia. Também descreveu a votação como crucial para enviar uma mensagem a Pequim de que a população está mais determinada do que nunca para vencer a batalha por mais direitos. “Há cinco anos dissemos que voltávamos e agora estamos de volta com uma determinação ainda mais forte”, disse o activista que chegou a ser indicado para o prémio Nobel da Paz em 2018.

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Hoje Macau 30 OUT 2019 # 4401  

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