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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 3 DE SETEMBRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4127

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

BURLA IMOBILIÁRIA

A IRMÃ DE AGNES PÁGINA 6

DISCRIMINAÇÃO RACIAL

ONU PEDE ACÇÃO

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COUTO EM GRANDE PÁGINA 11

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

REUTERS

PÁGINA 4

TCR CHINA

Tropas especiais Pequim pondera alargar o serviço militar a Macau, Hong Kong e Taiwan. Hoje em dia, os residentes destes territórios estão impedidos de entrar no Exército de Libertação do Povo Chinês. A possibilidade é vista por analistas como natural e decorrente da integração regional, desde que o serviço militar seja voluntário. PÁGINA 7


2 grande plano

3.9.2018 segunda-feira

ASSISTÊNCIA SOCIAL

PROFISSIONAIS DISCUTEM DESAFIOS DO TERRITÓRIO

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HOJE MACAU

REDE DE SEGURANCA


grande plano 3

segunda-feira 3.9.2018

Envelhecimento da população, depressão, autonomia e investigação são alguns dos maiores desafios da assistência social em Macau. Na passada sexta-feira, académicos e profissionais discutiram na Universidade de Macau possíveis caminhos e soluções para o sector

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ACAU tem já uma rede de segurança e apoios sociais “madura”. Ainda assim, há desafios que precisam de ser enfrentados. A ideia foi deixada numa palestra, na passada sexta-feira, pela directora do Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau (UM) e deputada, Agnes Lam, à margem da conferência "As novas tendências da segurança e assistência social”. O envelhecimento da população é um dado garantido, ao qual acresce a falta de “infra-estruturas suficientes”, numa “cidade que não está construída para promover a mobilidade dos mais velhos”, contextualizou a deputada. A questão que colocada aos profissionais de apoio social e ao próprio Governo é “o que se pode fazer para melhorar a qualidade de vida destas pessoas, até porque se fala muito neste assunto, mas pouco tem sido feito para o resolver”, lamentou a docente universitária. Também o director do departamento de serviços familiares e comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), Tang Yuk Wa, se mostrou preocupado com o envelhecimento populacional e as necessidades que esse fenómeno levanta. “Penso que há três áreas fundamentais quando se fala de protecção dos mais velhos que têm que ser levadas em consideração", começou por dizer à margem do mesmo evento que assinalou o 30º aniversário do Jornal de Estudos de Macau. A mais óbvia, referiu, é a que se refere à segurança social e aos apoios financeiros de que esta faixa etária carece. Também o sistema de saúde tem de ser melhorado para responder a uma população com a saúde mais frágil.

OLHAR A SOLIDÃO

Para o responsável do IAS, um dos problemas mais relevantes prende-se com a solidão no seio da população idosa, pelo que é necessário investir em planos que promovam o contacto social, considerou. A este respeito, Agnes Lam apontou o exemplo de quem vive no complexo de habitação social de Seac Pai Van. “Temos muitos idosos a viver nessas instalações sociais, o que faz com que, de alguma forma, estejam ali muito isolados, longe da comunidade onde terão vivido”. 

VISÃO DIFERENTE

“O

s assistentes sociais têm agora uma percepção diferente da violência doméstica”, disse ontem a académica Cecília Ho referindo-se ao resultado de uma investigação. “Antes estes profissionais consideravam que se tratava de um assunto familiar e que não lhes dizia respeito, agora que é considerado crime já percebem a violência doméstica como um assunto grave e que deve ser de imediato reportado às autoridades”. Para Ho este é um avanço “muito positivo”.

A solidão é um problema que não surge isolado e que muitas vezes é agudizado por outra realidade: a pobreza. De acordo com Agnes Lam, “é possível identificar casos de pessoas que vão pedir ajuda para comer e que se se for aprofundar a situação destas pessoas verifica-se que são sozinhas, que não têm um suporte familiar ou social”. De acordo com a responsável, a pobreza está muito associada à solidão essencialmente na velhice. O aumento de casos de depressão foi outro dos temas discutidos entre académicos e profissionais, um problema social que deve ser prioridade das instituições de apoio social e para o próprio Governo. “A depressão, neste momento, é um assunto preocupante em Macau", apontou Agnes Lam. Uma situação agravada pela falta de profissionais de psicologia. Na opinião de Lam, não há psicólogos suficientes para combater a depressão. O caso é tanto mais grave visto que a sua resolução pode não ser possível num curto espaço de tempo. "Macau não tem hipótese de formar muitos

O envelhecimento da população é um dado garantido, ao qual acresce a falta de “infra-estruturas suficientes”, numa “cidade que não está construída para promover a mobilidade dos mais velhos”, contextualizou Agnes Lam

profissionais em pouco tempo o que vai levar ao agravamento do problema”, referiu aos jornalistas. Agnes Lam abordou ainda o problema das clivagens socioeconómicos num dos território com maior PIB per capita do mundo. “Há cada vez mais pessoas que não conseguem financiar os requisitos exigidos por esta sociedade que está a nascer. Isto vai trazer ainda mais problemas de adaptação e de exclusão”, sublinhou. A deputada ressalvou ainda que esta é uma situação que pode ser contornada dada a abundância de recursos. “Nos anos 80, por exemplo, havia muita pobreza em Macau e os recursos eram escassos e isso não acontece agora”, apontou.

GENTE INDEPENDENTE

Outro dos grandes desafios que se colocam em Macau é a formação dos residentes para serem independentes das ajudas dadas pelo Governo. “Não podemos limitarmo-nos a dar dinheiro às pessoas sem ensinar como é que elas podem amadurecer para que, depois de adquiridas as ferramentas necessárias, serem independentes”, referiu Agnes Lam.  A opinião é partilhada pelo director do departamento dos serviços familiares e comunitários. O responsável deu como exemplo a situação em que “uma família recebia apoios para os estudos de um filho. O filho cresceu e terminou os estudos superiores. Sem necessidade das entidades competentes continuarem a subsidiar os estudos, o apoio terminou e a família ficou muito indignada porque queria continuar a receber aquele dinheiro”, disse, acrescentando que este tipo de situações é muito comum. Para Tang Yuk Wa, “é preciso educar para a responsabilidade individual de cada um na construção do seu bem-estar". "Enquanto assistente social, espero que este trabalho seja feito por todos. As pessoas ao pensarem que têm direito aos apoios sociais, também devem ver que têm o dever de fazer o que podem de modo a emancipar-se relativamente a estes apoios”, disse. Tang considera que tem de existir mais implicação da família e da própria sociedade tendo em conta uma bem-estar comum.

MAIS PESQUISA

Por outro lado, e de modo a que se saiba efectivamente quais

as necessidades e desafios que Macau enfrenta nestas matérias impõe-se um maior investimento na área da investigação. O objectivo, salientou Agnes Lam, “é ajudar o Governo a trabalhar com as diversas instituições de modo a encontrar soluções mais apropriadas para os problemas que vão surgindo”, tendo em conta a constante mutação dos contextos sociais.

“Enquanto assistente social, espero que este trabalho seja feito por todos. As pessoas ao pensarem que têm direito aos apoios sociais, também devem ver que têm o dever de fazer o que podem de modo a emancipar-se relativamente a estes apoios.” TANG YUK WA IAS

Mais longe vai o a académico Brian Hall, professor no departamento de psicologia da UM. Para Hall é difícil, neste momento, perceber quais os desafios que se colocam no âmbito da assistência social até porque "ainda não há pesquisas suficientes a esse respeito”. A mesma necessidade de conhecimento é válida para que se possam traçar estratégias. “Sem conhecimento do que está a acontecer é difícil traçar caminhos”, disse. No final do ano passado, Macau tinha 653.100 habitantes, mais 8.200 do que no final de 2016. A população idosa representava 10,5 por cento da população, um crescimento de 0,7 pontos percentuais em termos anuais. A esta situação acresce a diminuição da população adulta para 76,7 por cento, um decréscimo de 1 ponto percentual. O índice de envelhecimento foi de 83 por cento, mais 4,1 pontos percentuais face a 2016. A agravar a situação está o recuo no número de nascimentos, menos 617 do que no ano anterior. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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3.9.2018 segunda-feira

DISCRIMINAÇÃO RACIAL ONU PEDE MAIS A MACAU NO COMBATE AO FENÓMENO

As aparências iludem

Apesar da inexistência de casos, o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial deixa uma série de recomendações a Macau. Instituir procuradores especiais, formar autoridades e convencer políticos a condenar publicamente crimes de ódio figuram entre as sugestões

A

total ausência de casos de discriminação racial em Macau desde 2015 seria à primeira vista um bom sinal, mas as aparências podem enganar. Esta é pelo menos a perspectiva da ONU para quem tal pode ser antes reflexo de falta de consciencialização pública, de acesso ou de confiança no sistema ou do medo de represálias. “A inexistência ou um reduzido número de queixas não significa a ausência de crimes ou de expressões de ódio racial, mas pode indicar obstáculos na hora de invocar direitos previstos na Convenção, incluindo a falta de consciencialização pública relativamente aos mesmos, a falta de acesso, disponibilidade ou de confiança nos métodos de procura por recurso judicial [e] medo de represálias”. Ao elenco de possíveis razões junta-se “o acesso limitado à polícia devido à barreira da língua ou falta de atenção ou sensibilidade para casos de discriminação racial”, apontam as Nações Unidas. A entidade internacional mostrou ainda preocupação com a falta de informação sobre os instrumentos disponibilizados para assistir as vítimas na denúncia de crimes de ódio. Neste sentido, o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial recomenda a realização de programas de formação destinados a membros do Governo e funcionários públicos sobre mecanismos de queixa, mas também às autoridades (policiais e judiciárias) incindido sobre crimes de ódio racial e as dificuldades com que se deparam as vítimas na hora de os reportar. Além de instar as autoridades a sistematicamente monitorizar, registar, investigar, acusar e punir crimes de ódio racial, a ONU recomenda mesmo que sejam instituídos “procuradores especiais”, que devem ser encorajados “a iniciar os procedimentos ex officio [por dever do cargo] em casos de discursos e crimes de ódio racial”. Assegurar que as vítimas de crimes ou de discurso de ódio racial recebem apoio, de modo a facilitar a denúncia, e garantir que os políticos condenam publicamente expressões e crimes de ódio racial figuram entre outras medidas que a ONU aconselha Macau a implementar.

Porém, só discursos não bastam. A primeira recomendação das Nações Unidas é, aliás, que Macau deve mexer na legislação para definir claramente que criminaliza todas as formas de discriminação racial, em plena conformidade com a Convenção, proibindo-a expressamente de forma directa e/ou indirecta e em todos os domínios, incluindo na aplicação da lei, diz

o documento, publicado na quinta-feira, na sequência da avaliação periódica ao território.

POUCAS QUEIXAS

Neste âmbito, o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial volta a expressar preocupação com a ausência de uma instituição formal de direitos humanos. Apesar de observar

que essas funções são exercidas pelo Comissariado Contra a Corrupção no âmbito da provedoria de justiça, a ONU renova o apelo ao estabelecimento de uma entidade para a protecção e defesa dos direitos humanos, dotada de “independência estrutural e recursos humanos e financeiros suficientes”. O Comité da ONU incentiva ainda o Governo a

dialogar mais com organizações da sociedade civil que trabalham na área dos direitos humanos, em particular as que lutam contra à discriminação racial. As disparidades económicas entre etnias também despertaram a atenção da ONU que pede que sejam dados passos para reduzir. Os trabalhadores não residentes são, de resto, um dos principais focos de atenção, com o Comité da ONU a assinalar que “apenas 11 queixas de trabalhadores não residentes contra agências de emprego foram consideradas fundamentadas” entre Janeiro de 2015 e Junho último. Um cenário que leva o organismo a instar o Governo a reforçar ainda mais a monitorização das condições em que vivem e trabalham os trabalhadores não residentes, particularmente as dos empregados domésticos, bem como o seu acesso à educação e a cuidados de saúde. Neste particular, o Comité da ONU requer mesmo a apresentação de dados sobre inspecções laborais levadas a cabo com vista a detectar práticas discriminatórias contra minorias étnicas, bem como estatísticas sobre violações, sanções impostas e compensações atribuídas às vítimas.

O Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial pede a Macau dados sobre o lugar que ocupam as minorias étnicas nos manuais escolares Em paralelo, “a fim de averiguar o tratamento das minorias étnicas nos currículos escolares, o Comité da ONU solicita a Macau que, no próximo relatório, descreva o lugar que a sua presença histórica e contributo ocupam nos manuais”.

TRÁFICO HUMANO

O tráfico humano foi outro dos pontos focados. Apesar de saudar as medidas e os serviços disponibilizados, o Comité da ONU não esconde, porém, a preocupação pelo facto de, desde 2015, não ter havido qualquer condenação pelo crime de tráfico humano. Como tal, a organização internacional pede mais esforços para prevenir, detectar e combater o flagelo. Os pontos abordados nas observações conclusivas do Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial devem ser respondidos por Macau no próximo relatório a submeter até Janeiro de 2023. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 3.9.2018

AL Ho Ion Sang defende melhorias no processo de consultas públicas

O deputado Ho Ion Sang traçou o balanço da primeira legislatura do hemiciclo e apontou falhas no processo de realização de consultas públicas. De acordo com um comunicado, Ho Ion Sang lembrou que, nos últimos meses, têm ocorrido várias polémicas, tais como a suspensão das consultas públicas sobre a revisão da lei do trânsito, do projecto do crematório e os atrasos nas obras do Metro Ligeiro. Para o deputado, estes casos mostram que há falta de transparência na forma como se governa e ineficácia no aproveitamento dos cofres públicos. Ho Ion Sang considera que os cidadãos poderiam concordar com muitos desses projectos que foram suspensos se tivesse sido devidamente informados. Dessa forma, o deputado defende que os membros do Governo devem aprender a lição com estas experiências, sem ignorar o desenvolvimento social e as opiniões dos residentes.

Cooperação Associações tradicionais abrem escritórios na China

Duas associações tradicionais com representação política no hemiciclo, a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong), têm planos para expandir a sua representação no interior da China. A FAOM já tem um escritório em Zhuhai e, de acordo com a imprensa chinesa, Leong Sun Iok, deputado ligado a esta associação, justifica a presença na cidade vizinha com os oito mil residentes da RAEM que lá vivem. Também os Kaifong planeiam abrir um gabinete na cidade de Zhongshan, noticiou ontem o jornal Ou Mun.

Glória Batalha Ung, secretária-geral adjunta, defendeu que o sucesso do Fórum China-África, que se realiza hoje e amanhã em Pequim, passa pelo fomento de relações bilaterais

A

importância da participação dos países africanos de língua portuguesa no Fórum China-África “deve ser avaliada no contexto das relações bilaterais” que estes mantêm com Pequim, disse à agência Lusa a secretária-geral adjunta do Fórum de Macau. Em causa, enuncia Glória Batalha Ung, está a participação de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, os cinco países africanos entre o oito que fazem parte do Fórum de Macau, uma plataforma de cooperação multilateral entre a China e os países de língua portuguesa.

CIMEIRA CHINA-ÁFRICA FÓRUM MACAU DEFENDE RELAÇÕES BILATERAIS

Taco a taco A terceira edição do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) deverá juntar em Pequim, entre hoje e amanhã, dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano. A cimeira contará com três novos países: São Tomé e Príncipe, Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China. Desde 2015, a média anual do investimento directo da China no continente fixou-se em 3 mil milhões dólares, com destaque para novos sectores como indústria, finanças, turismo e aviação. O primeiro Fórum de Cooperação China-África aconteceu em Pequim, em 2006, e a segunda edição decorreu na África do Sul, em 2015.

AS INTENÇÕES AFRICANAS

São Tomé e Príncipe estreia-se hoje numa cimeira ao mais alto nível com a China, para onde viajou o

primeiro-ministro, Patrice Trovoada, com investimento chinês para a construção de 300 apartamentos para funcionários públicos na mira do Governo. “Durante a minha estadia, um dos ministros que me acompanha irá assinar alguns acordos, um dos quais tem a ver com o projecto de construção de blocos de apartamentos para os funcionários públicos”, explicou. Patrice Trovoada diz-se satisfeito com o reatamento

A cimeira contará com três novos países: São Tomé e Príncipe, Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China

da cooperação entre os dois países, após uma suspensão de cerca de 20 anos, quando estabeleceu a cooperação com o Taiwan. Também Angola vai estar representada ao mais alto nível neste fórum, tendo na agenda as negociações para uma nova linha de crédito chinês de 11.000 milhões de euros, para financiar vários projectos. A comitiva é liderada pelo Presidente de Angola, João Lourenço, que terá encontro bilateral com o homólogo chinês, Xi Jinping, tal como anunciou, em comunicado, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto. Em quase duas décadas, as relações comerciais dos países de língua portuguesa com a China registaram um aumento significativo. Se em 2002, antes do estabelecimento do Fórum Macau, o valor global das trocas comerciais era de cerca de 6.000 milhões de dólares, em 2017 foi de 117,6 mil milhões de dólares. Já o investimento directo da China nos países lusófonos passou de 56 milhões de dólares em 2003, para cerca de 5.700 milhões de dólares em 2016, sendo que o investimento total da China nestes países é de 50 mil milhões de dólares.


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C

ERCA de 56 residentes foram burlados após terem investido entre 600 mil e 800 mil dólares de Hong Kong num projecto de imobiliário na Indonésia, através de uma empresa em Macau. O caso envolve um montante entre os 33,6 milhões e 44,8 milhões e foi revelado pela MASTV. Os investimentos foram feitos através da empresa TH Group Limited, representada no território por Onida Lam, irmã da deputada Agnes Lam. Segundo as condições propostas, os investidores comprariam vivendas, em construção, no projecto “Indonesia Street City”, na ilha de Bintão, a troco de uma quantia entre 600 mil e 800 mil dólares de Hong Kong. Além disso, havia a possibilidade de arrendar a propriedade à empresa após a conclusão das obras, prevista para 2015, pelo que a TH Group Limited prometia um retorno que poderia chegar aos 200 por cento do valor investido.

3.9.2018 segunda-feira

IMOBILIÁRIO IRMÃ DE AGNES LAM ASSOCIADA A BURLA A INVESTIDORES LOCAIS

Falsas promessas

Onida Lam, irmã da deputada Agnes Lam, é apontada como a representante local de uma empresa da Indonésia que criou um esquema que pode envolver até 44,8 milhões de dólares de Hong Kong No entanto, desde 2015 que os investidores esperam pelas vivendas e agora o Consulado da Indonésia em Hong Kong, que alegadamente verificou os contratos na altura do investimento, considerou os documentos ilegais. Além destas dificuldades também a representante em Macau da empresa, Onida Lam, tem-se mostrado incontactável. Um facto que levou alguns lesados a entrar em contacto com deputada Agnes Lam, como admitiu uma investidora, que pediu anonimato. “Tentámos contactar a deputada Agnes Lam e no encontro, que decorreu

na semana passada, ela disse-nos que a irmã lhe tinha admitido que pelo menos 56 investidores no projecto eram de Macau”, afirmou a lesada à MASTV. A captação de investimento em Macau terá, alegadamente, acontecido há mais de cinco anos.

CONSULADO EM XEQUE

Um outro investidor, que também pediu o anonimato, explicou o papel do Consulado Geral da Indonésia em Hong Kong em todo o caso. “Na altura, trouxemos o contrato e fomos ao Consulado Geral da Indonésia”,

começou por dizer. “Mas agora apontaram-nos que, em primeiro lugar, não somos residentes da Indonésia, segundo, o contrato não foi elaborado numa versão inglesa, além da versão em bahasa, e, em terceiro, dizem que como não tem o carimbo do Governo de Macau e da Indonésia que não é um contrato completo. Ou seja, mesmo que as infra-estruturas fossem construídas dentro do prazo previsto, não podíamos receber as propriedades porque não são nossas”, relatou. Ainda de acordo com os investidores, a representante local da empresa TH

Group Limited apontou, ao longo dos anos, as chuvas intensas em Bintão e um diferendo jurídico entre os representantes em Macau da empresa e a casa-mãe, na Indonésia, como motivos para os atrasos. No entanto, a empresa local não se mostrou disponível para reembolsar os investimentos e Onida Lam tem estado incontactável. O HM tentou igualmente contactar a legisladora Agnes Lam até à hora de fecho, sem sucesso. João Santos Filipe e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo

Lesado “No encontro, que decorreu na semana passada, ela [Agnes Lam] disse-nos que a irmã lhe tinha admitido que pelo menos 56 investidores no projecto eram de Macau.”

Terrorismo Polícia Judiciária cria divisão própria

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou que vai criar uma divisão especial para investigar casos suspeitos de terrorismo, uma vez que, com a revisão da lei da PJ, em 2006, o combate a este tipo de crimes passou a fazer parte das suas competências. De acordo com o Jornal do Cidadão, o director da PJ, Sit Chong Meng, o pessoal da nova divisão será mobilizado para diferentes serviços, prevendo-se que, até finais deste ano, ou até 2019, se possam proceder aos trabalhos de criação da nova secção da PJ.

HABITAÇÃO SIN FONG GARDEN PODE IR ABAIXO DENTRO DE 30 DIAS

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ONG Man Sang, presidente da comissão de gestão do condomínio do edifício Sin Fong Garden, anunciou que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) emitiu no passado dia 24 de Agosto uma autorização para a demolição do prédio. O trabalho poderá começar dentro de 30 dias. Lo Chi Cheong, director-geral da Tat Cheong – Companhia de Construção e Engenharia, Limitada, referiu em conferência de imprensa organizada na passada sexta-feira que será a primeira vez que, em Macau, se realiza a demolição de um edifício com 30 andares. O responsável avançou que as obras de reconstrução podem demorar cerca de dois anos e meio até ficarem concluídas, com um orçamento estimado em 200 milhões de patacas. De acordo com o jornal online All About Macau, Loi Chi Cheong adiantou que a mesma empresa que irá demolir a central eléctrica da CEM, localizada na zona da Areia Preta, será a responsável pela demolição do edifício habitacional. A empresa garantiu à publicação a segurança dos edifícios adjacentes ao Sin Fong Garden. O responsável pela gestão de condomínio do edifício lembrou os problemas que os donos das casas têm tido nos últimos seis anos, desde que se verificou que o Sin Fong Garden corria o risco de cair, dadas as deficiências detectadas na estrutura. Quem continua a estar contra a demolição pode manifestar a sua oposição antes do dia 20 de Setembro. Caso contrário, a demolição arranca no prazo previsto, explicou.


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segunda-feira 3.9.2018

Dengue Serviços de Saúde advertem para risco elevado

Na sequência das chuvas dos últimos dias e dos surtos em Hong Kong, Cantão e Taiwan, os Serviços de Saúde advertem para o risco elevado de propagação da febre de dengue. Os serviços não descartam a possibilidade de ocorrência de casos locais e apelam aos residentes para não descurarem as medidas de prevenção. Em comunicado, divulgado na noite de quinta-feira, os Serviços de Saúde indicam que, até Julho, foram realizadas mais de cinco mil inspecções a fontes de proliferação de mosquitos, incluindo zonas de alto risco, como terrenos abandonados.

JOGO AGOSTO FOI O MÊS MAIS RENTÁVEL DO ANO

O

S casinos de Macau fecharam Agosto com receitas de 26.559 milhões de patacas, traduzindo um aumento de 17,1 por cento face ao período homólogo do ano passado. Segundo dados divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), trata-se do valor mensal mais elevado desde Janeiro (26.260 milhões de patacas). Face a Julho, as receitas de jogo cresceram 4,8 por cento. Em termos percentuais, foi a quarta maior subida do ano, a seguir a Janeiro (36,4 por cento), Abril (27,6 por cento) e Março (22,2 por cento), enquanto que Fevereiro foi o único mês em que as receitas dos casinos não cresceram a dois dígitos em termos anuais (5,7 por cento). Segundo os dados da DICJ, no acumulado dos primeiros oito meses do ano, os casinos encaixaram 202.103 milhões de patacas, ou seja, mais 17,5 por cento do que os 172.016 milhões apurados entre Janeiro e Agosto de 2017. No final de Junho, Macau contava com 17.296 mesas de jogo e 6.588 ‘slot machines’ espalhadas por um universo de 41 casinos. As receitas dos casinos cresceram 19,1 por cento em 2017 para 265.743 milhões de patacas, invertendo três anos consecutivos de quedas (menos 3,3 por cento, em 2016; menos 34,3 por cento em 2015 e menos 2,6 por cento em 2014). D.M.

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Governo Central está a equacionar a hipótese dos residentes de Macau, Hong Kong e Taiwan se alistarem no Exército de Libertação do Povo Chinês. A revelação foi feita pelo porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, em resposta a questões sobre a obrigatoriedade dos estudantes das duas regiões especiais na Universidade de Tsinghua serem obrigadas a cumprir um treino militar. “Alguns compatriotas de Hong Kong mostraram a vontade de se alistarem no exército e contribuir para a causa da defesa nacional”, começou por frisar Wu Qian, segundo o portal Yahoo. “Damos boas-vindas ao entusiasmo patriótico das pessoas de Hong Kong. As entidades competentes estão a estudar os diferentes pontos de vista”, acrescentou. Apesar da questão ter sido focada especialmente em Hong Kong, caso seja criado um regime para os residentes da RAEHK, o mesmo deverá acontecer em Macau. Para o presidente da Associação dos Jovens Macaenses,

EXÉRCITO GOVERNO CENTRAL PONDERA ABRIR SERVIÇO MILITAR A RESIDENTES DE MACAU

A porta que se abre Pequim está a equacionar a possibilidade dos residentes de Macau, Hong Kong e Taiwan se alistarem no Exército de Libertação do Povo Chinês. Actualmente, os residentes estão impedidos, apesar de haver uma guarnição no território Jorge Valente, a possibilidade dos jovens de Macau integrarem o Exército de Libertação do Povo Chinês é positiva, desde que seja feita de forma voluntária.

Hotelaria “The 13” aberto, mas só para reservas especiais O Hotel “The 13”, localizado às portas de Coloane, abriu portas na sexta-feira, mas apenas para “reservas privadas”, afirmou um porta-voz da South Shore Holdings, a empresa proprietária da unidade hoteleira, ao GGRAsia. Segundo o portal especializado em jogo, pelo menos durante o dia de sexta-feira não só não era permitida entrada a transeuntes como não era possível reservar um quarto nem através do ‘site’ oficial do hotel nem via telefone. A inauguração do lu-

“De uma forma geral e no seguimento das políticas de maior integração, nomeadamente através da Grande Baía, é um passo que faz todo o sentido e que é

xuoso hotel sofreu uma série de adiamentos, atribuídos a atrasos nas obras e dificuldades de financiamento. A empresa proprietária também já expressou a vontade de abrir um casino no “The 13”, algo que, de acordo com o que adiantou no início do ano, estima vir a acontecer somente a 31 de Março de 2019. Porém, a data pode estar dependente de outros factores, como a assinatura de um acordo formal com uma das seis operadoras de jogo e, claro, do aval do Executivo.

positivo, desde que seja voluntário”, disse Jorge Valente, ao HM. “Estamos a falar de pessoas que nasceram já depois de 1999, na RAEM, e que são chinesas. É destes jovens que estamos a falar. Por isso, se houver esta alteração, não vejo mal nenhum. Até faz sentido. Já não faz grande sentido serem barradas de uma carreira como militares”, acrescentou. Jorge Valente frisou ainda que a participação no exército deve partir da decisão do eventuais interessados. Por sua vez, o activista e pró-democrata Jason Chao recusa dar o apoio à medida, mas sublinha que o assunto “não merece oposição”, desde que o alistamento seja feito de forma voluntária. “Caso seja adoptada, esta é uma medida que considero que não merece oposição. Mas também gostava de frisar que apesar de respeitar a liberdade dos residentes de Macau se tornarem ‘soldados’, repúdio qualquer política que encoraje as pessoas a envolverem-se em confrontos armados”, declarou.

POLÍTICA DE INTEGRAÇÃO

Para o ex-membro da Associação Novo Macau, esta é uma medida que tem como objectivo promover a integração de Macau e Hong Kong no Primeiro Sistema. “Tal como acontece com as iniciativas da Grande Baía e atribuição de direitos de residência no Interior da China para as pessoas de Macau e Hong Kong, o facto de se abrir o Exército de Libertação do Povo Chinês a pessoas das regiões é mais uma política para promover a integração de Hong Kong e Macau no Primeiro Sistema”, justificou. “É uma medida que não se baseia nas necessidades do exército, mas antes na existência de um plano de promoção da integração de Macau e Hong Kong no Primeiro Sistema”, acrescentou. Segundo a Constituição da República Popular a China o serviço militar é obrigatório para todos os cidadãos do sexo masculino. No entanto, na prática, o alistamento acaba por ser voluntário, mediante o cumprimento de determinadas características físicas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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visita de Ramaphosa à China, a convite de Xi Jinping, “é um gesto de retribuição” por parte do chefe de Estado que foi anfitrião de uma visita de Estado do seu homólogo chinês em 24 de Julho, véspera da cimeira BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul (Brics) em Joanesburgo, disse a presidência em comunicado. A visita do chefe de Estado sul-africano começará com a colocação de uma coroa de flores no “Monumento dos Heróis do Povo” na praça de Tiananmen, em homenagem aos que perderam a vida “nas guerras do povo chinês pela libertação, independência e liberdade”. De acordo com a presidência, Ramaphosa vai reunir-se depois com o primeiro-ministro Li Keqiang na residência oficial ‘Diaoyutai State Guest House’ antes de participar na cerimónia de boas-vindas oferecida por Xi Jinping no Grande Salão do Povo. Durante a sua estada na China, Cyril Ramaphosa participará ainda na cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), a ter lugar em Pequim de 3 a 4 de Setembro sob o tema: “China e África: rumo a uma comunidade ainda mais forte, com um futuro

3.9.2018 segunda-feira

DIPLOMACIA PRESIDENTE DA ÁFRICA DO SUL INICIA VISITA À CHINA

Cabo a Pequim

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, iniciou ontem uma visita de Estado à China onde vai copresidir à cimeira China-África, que decorre até amanhã, em Pequim

compartilhado através da cooperação mutualmente benéfica”. O Fórum, criado em 2000 como plataforma multilateral de cooperação entre a República Popular da China (PRC, na sigla em inglês) e os países africanos com relações diplomáticas oficiais com a PRC, será copresidido por Cyril Ramaphosa e Xi Jinping. A África do Sul, que acolheu a última cimeira do Fórum China-África em 2015, entregará a presidência do FOCAC a um novo país africano, após seis anos no cargo (2012 a 2018). Segundo a presidência, a África do Sul, como presidente cessante, “irá centrar os seus esforços em assegurar um papel mais importante para a Comissão

da União Africana no FOCAC, bem estreitar relações com as comunidades económicas regionais e a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD)”, o programa de desenvolvimento socioeconómico da União Africana.

LIGAÇÃO A PRETÓRIA

A nível bilateral, a China tem sido o principal parceiro comercial da África do Sul por nove anos consecutivos, segundo dados divulgados ontem pela ministra das Relações Internacionais e Cooperação, Lindiwe Sisulu. Em 2017, o comércio bilateral entre os dois países cresceu 11.7 por cento para 39.17 biliões de dólares, vinte vezes maior do que no

arranque das relações diplomáticas entre Pretória e Pequim. A África do Sul é o principal destino do investimento chinês em África, com investimentos acumulados de mais de 25 biliões de dólares em Junho de 2017. A governante sublinha ainda que “mais de 180 grandes empresas chinesas e milhares de pequenas e médias empresas estabeleceram-se no país”, acrescentando que, “além disso, a África do Sul recebe o maior número de turistas chineses em África, tendo 100.000 cidadãos visitado o país em 2017”. Na opinião de Lindiwe Sisulu, a China tornou-se um importante parceiro de investimento para a África do Sul, “estimulando a transformação e o desenvolvimen-

DEFESA TAIWAN FABRICA 66 AVIÕES DE TREINO AVANÇADO ATÉ 2026

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AIWAN vai fabricar 66 aviões de treino avançado até 2026, desenvolver novos motores de aeronaves e componentes-chave de aviões de combate de última geração, anunciou no fim-de-semana o Ministério da Defesa. Segundo a agência Efe, Taiwan contratou a Corporação de Desenvolvimento

Industrial Aeroespacial (AIDC, na sigla em inglês) para o desenvolvimento e fabrico dos aviões, um plano de fortalecimento das forças armadas para os próximos cinco anos, e que visa fazer frente ao avanço militar chinês. Em comunicado, o Ministério indica que a empresa já iniciou a montagem do primeiro dos 66 aviões

e que pretende realizar testes no solo em Setembro de 2019. O Ministério da Defesa de Taiwan acrescenta que o primeiro voo está planeado para Junho de 2020. Os novos aviões vão substituir as actuais aeronaves de treino AT-3 e também os F-5E e F, de fabrico norte-americano.

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, lançou um programa de modernização militar, que inclui o aumento dos gastos da defesa até 3 por cento do Produto Interno Bruto, a aquisição de equipamento tecnológico norte-americano e a produção de submarinos, aviões, navios e mísseis em Taiwan.

to económico e social do país”. “Em muitas áreas, a parceria China-África proporcionou resultados concretos que são benéficos para África”, escreve Lindiwe Sisulu, num artigo publicado na edição de ontem do semanário sul-africano City Press. “África está empenhada em utilizar ao máximo esta parceria em termos de acesso de mercado e oportunidades de negócio. Existe também a necessidade de alinhar a parceria com os objectivos estratégicos da UA (União Africana). Neste sentido, esperamos consolidar uma parceria China-África ainda mais forte através da cooperação mutualmente benéfica na Cimeira do FOCAC 2018”, diz Sisulu. Na visita à China, o Presidente Ramaphosa é acompanhado pela sua esposa Tshepo Motsepe, e os ministros Lindiwe Sisulu (Relações Internacionais e Cooperação), Naledi Pandor (Ensino Superior), Rob Davies (Comércio e Indústria), Pravin Gordhan (Empresas Públicas), Edna Molewa (Assuntos Ambientais), Gugile Nkwinti (Água e Saneamento), Blade Nzimande (Transportes), Derek Hanekom (Turismo), Nhlanhla Nene (Finanças) e Senzeni Zokwana (Agricultura, Silvicultura e Pescas), disse a presidência sul-africana.


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TECNOLOGIA CHINA VAI LIMITAR NÚMERO DE VIDEOJOGOS PARA “EVITAR MIOPIA”

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China vai limitar o número de videojogos disponíveis na Internet do país, “para evitar a miopia”, uma doença que afecta muitas crianças e adolescentes chineses, avançou o ministério chinês da Educação. O novo regulamento foi anunciado na quinta-feira, logo após uma “importante directriz” do Presidente chinês, Xi Jinping, que apelou à protecção da visão das crianças. As autoridades limitarão o número de videojogos na Internet, mas também o lançamento de novos produtos no mercado, segundo o comunicado do ministério da Educação. Outras medidas poderão incluir limitar o número de horas que as crianças passam a jogar, lê-se na mesma nota, coassinada por outras sete administrações do país. As acções de várias empresas do sector nas praças financeiras chinesas afundaram no final da semana passada. A cotação do gigante chinês da internet Tencent desvalorizou mais de 5 por cento, em Hong Kong. A Perfect World caiu 9 por cento, na bolsa de Shenzhen. Os estudantes chineses sofrem de uma alta taxa de miopia, que é cada vez mais precoce, alertou Xi Jinping, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. O distúrbio ocular tem um impacto negativo significativo na saúde física e mental das crianças e representa um grande problema para o futuro da nação, acrescentou. A medida anunciada na quinta-feira surge depois de Pequim ter suspendido a emissão de licenças para comercializar novos videojogos. Segundo a lista da Agência Nacional para a Rádio e Televisão, nenhuma empresa obteve novas licenças desde maio passado.

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ÃO há motivos para que a China queira levar a situações de incumprimento para poder então pressionar estes países”, disse Gao Zhikai, um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa, à agência Lusa, em Pequim. A capital chinesa recebe, hoje e amanhã, o Fórum de Cooperação China/África, que reúne dezenas de chefes de Estado e de Governo dos países africanos, e deve anunciar a inclusão do continente na Nova Rota da Seda. Bancos estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquele gigantesco plano de infra-estruturas, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático. Críticos da iniciativa apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável. No Sri Lanka, um porto de águas profundas construído por uma empresa estatal chinesa, numa localização estratégica no Índico, revelou-se um gasto incomportável para o país, que teve de entregar a concessão da infraestrutura e dos terrenos pró-

CHINA/ÁFRICA TEORIA DA ARMADILHA DO ENDIVIDAMENTO É “FANTASIA INFUNDADA”

O vil metal

Um conhecido analista chinês classificou ontem de “fantasia” a teoria da armadilha do endividamento nos países incluídos no projecto de infra-estruturas internacional da China, nas vésperas de Pequim anunciar milhares de milhões de dólares em empréstimos a África ximos à China, por um período de 99 anos. Na sequência do episódio, o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, cancelou projectos apoiados pela liderança chinesa no seu país e avaliados em mais de 22.000 milhões de dólares. “Nós não queremos uma nova versão do colonialismo porque os países pobres não conseguem competir com os países ricos”, afirmou Mahathir sobre a sua decisão.

“PASSIVO POLÍTICO”

Também a directora-geral do Fundo Monetário Internacional,

Christine Lagarde, alertou já para os riscos de derrapagem financeira e armadilha do endividamento. “Nos países onde a dívida pública é alta, uma gestão cuidadosa dos termos financeiros é crucial”, disse. Antigo intérprete de Deng Xiaoping, formado em língua inglesa e com um mestrado em Ciências Políticas na Universidade de Yale, Gao Zhikai considera aquelas acusações uma “fantasia completamente infundada” e lembra que o “endividamento é necessário” para arrancar com os projectos em países com pouco capital.

“Condenar a iniciativa pelos termos do financiamento é simplesmente bater à porta errada”, defende o analista chinês, que ilustra o significado da Nova Rota da Seda com o caso de África, “provavelmente” o continente “mais fragmentado”, “devido ao colonialismo europeu”. “Estes países focaram-se em conectar as suas colónias, em vez de conectar os países tendo em conta a sua localização na respectiva região ou no continente” lembra. Segundo a unidade de investigação China AidData, desde 2000, Pequim concedeu mais de 110.000 milhões de dólares em financiamento aos países africanos. Aquele valor coloca o país asiático lado a lado com os Estados Unidos como o maior credor do continente, mas Gao Zhikai recorda que, ao contrário de Washington, Pequim não tem um “passivo político” para com África. “Enquanto os EUA têm uma longa história de esclavagismo, a China nunca teve um racismo institucionalizado contra os africanos”, recorda. Durante os anos 1960 e 1970, a então pobre e isolada China apoiou dezenas de países africanos “na luta contra o imperialismo” e na “defesa do internacionalismo proletário”. “As relações entre China/África começaram num nível mais elevado”, conclui Gao.

UE Pequim saúda fim das restrições sobre a venda de painéis solares

A China saudou ontem a decisão da Comissão Europeia (CE) de eliminar as taxas de importação dos painéis solares chineses a partir do próximo dia 3 de Setembro, ao final de quase cinco anos em vigor. Em comunicado, o ministério do Comércio chinês afirmou que a medida vai “restaurar o comércio de painéis solares entre a China e a União Europeia de acordo com as “condições normais do mercado”. Além disso, vai gerar um “ambiente de negócios mais estável e previsível” de modo a que as indústrias de ambas as partes possam obter “resultados vantajosos”, considerou. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, o gigante asiático quer continuar a cooperar com a UE e a promover “o livre comércio global” e um “sistema multilateral de comércio baseado em regras”. A Comissão Europeia impôs as taxas em Dezembro de 2013, depois de meses de uma investigação que revelou que empresas chinesas vendiam painéis solares na Europa muito abaixo dos preços normais de mercado.

No Sri Lanka, um porto de águas profundas construído por uma empresa estatal chinesa revelou-se um gasto incomportável para o país, que teve de entregar a concessão da infra-estrutura e dos terrenos próximos à China, por um período de 99 anos.


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TÉNIS DJOKOVIC DIZ QUE TEM DE MERECER FRENTE AO “LUTADOR” JOÃO SOUSA

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NDRÉ Couto dominou a segunda ronda do Campeonato TCR China com duas vitórias em três corridas no Circuito de Ningbo, na província de Zhejiang. Ao volante do Honda Civic Type-R da equipa Macau MacPro Racing, o piloto local foi ainda o primeiro classificado em todas as sessões de treinos livres e de qualificação. “Foi um fim-de-semana muito positivo em que até à última corrida era impossível fazer melhor. Estive sempre no topo da tabela e senti que o meu andamento e o do carro eram superiores ao da concorrência”, disse André Couto, ao HM. “Foi um feito importante porque estou a representar uma equipa de Macau, que está a fazer os esforços possíveis para ter uma estrutura muito profissionalizada e que procura ter uma dimensão superior ao que normalmente acontece com as equipas do território. São resultados importantes”, sublinhou. Na primeira prova, André Couto arrancou do primeiro lugar da grelha de partida e depois foi aumentado a distância para os adversários volta após volta. No final, somou uma vantagem de 16,9 segundos para o segundo piloto, Zhu Zhen Yu, em Volkswagen. Já o terceiro

TCR CHINA ANDRÉ COUTO DOMINOU FIM-DE-SEMANA EM NINGBO

Outra loiça

Duas vitórias e um terceiro lugar numa corrida que acabou interrompida devido à chuva valeram a André Couto um fim-de-semana quase perfeito, na segunda ronda do Campeonato TCR China classificado foi Li Lin, também em Volkswagen, a uma distância de 25,6 segundos de André Couto. “Na primeira corrida nunca levantei o pé. Apesar de sentir que estava com um andamento supe-

“Estive sempre no topo da tabela e senti que o meu andamento e o do carro eram superiores ao da concorrência.” ANDRÉ COUTO PILOTO

rior, foquei-me em adaptar-me ao carro e aprender mais. Felizmente, consegui e fiz a corrida sozinho e sem qualquer problema”, relatou. Na segunda prova de sábado, a tarefa de André Couto foi ainda mais fácil. O piloto convidado pela Macau MacPro Racing terminou com uma vantagem de 31,1 segundos para Zhou Bi Huang (Volkswagen) e de 42 segundos para Kang Jian Zhong, também da MacPro Racing. “Na segunda corrida trocámos as afinações, principalmente na frente do carro e notei que o andamento melhorou bastante. Apro-

Futebol Selecção de Macau goleada pela Mongólia

A selecção principal de Macau foi goleada, ontem, por 4-1 diante da Mongólia, em encontro a contar para a primeira fase de apuramento para o Campeonato EAFF E-1. O golo da selecção da Flor do Lótus foi apontado por Carlos Leonel, aos 48 minutos, quando Macau já perdia por 2-0. Para os mongóis marcaram Gankhuyag Seo-Od-Yanjiv (39’), Janchiv Sundorj (45’), Batbold Baljinnyam (74’) e Naranbold Nyam-Osor (82’). “Não era o resultado que esperávamos, mas o futebol é assim”, afirmou, no final, Iong Cho Ieng, selecionador de Macau.

veitámos ainda para testar mais o carro, o que foi positivo”, frisou.

CORRIDA INTERROMPIDA

Já na corrida de ontem, a última do fim-de-semana, devido à inversão da grelha, André Couto arrancou de terceiro e precisou de apenas uma volta para saltar para a liderança. Contudo, a chuva, que embaciou o vidro frontal do Honda, fez com que perdesse a posição na sexta volta, quando entrou nas boxes para trocar de pneus. “Quando começou a chover, o carro ficou embaciado e tive de guiar através da janela lateral. Tinha a linha branca como referência e o conhecimento do circuito. Depois, quando entrei nas boxes para mudar de pneus e tentar resolver o problema, a corrida foi interrompida”, relatou. “Foi a decisão correcta. Estava a chover demasiado e era impossível continuar”, acrescentou. André Couto ficou assim a atrás de Sunny Wong (Volkswagen) e de Tang You Xi (Honda). Apesar deste desfecho, André Couto não se mostrou desiludido por ter falhado o fim-de-semana perfeito: “As corridas são assim, são situações que acontecem. O mais importante foi o andamento mostrado e os pontos somados para a equipa, que é de Macau”, frisou.

sérvio Novak Djokovic reconheceu que tem de merecer a vitória frente ao “lutador” João Sousa nos oitavos de final do US Open em ténis, quarto e último Grand Slam da temporada. Após derrotar o francês Richard Gasquet, Djokovic, sexto do ‘ranking’ mundial avaliou o seu próximo adversário em Flushing Meadows, João Sousa, número um nacional e o primeiro português a chegar a uma quarta ronda de um Grand Slam. “Ele teve uma grande vitória hoje [no sábado] frente ao [Lucas] Pouille e há um par de dias diante do [Pablo] Carreno Busta. Ele é um lutador e não dá a vitória, tenho de a merecer”, afirmou o antigo líder da hierarquia mundial, que já venceu o ‘major’ norte-americano duas vezes, em 2011 e 2015. Djokovic impôs-se a Gasquet, 25.º do ‘ranking’, por 6-2, 6-3 e 6-3, em duas horas e 13 minutos, marcando encontro com Sousa, que derrotou Pouille, 17.º do mundo, por 7-6 (7-5), 4-6, 7-6 (7-4) e 7-6 (7-5), após três horas e 41 minutos. Sousa e Djokovic vão disputar a qualificação para os quartos-de-final do US Open no quinto embate entre ambos. O sérvio venceu todos os quatro anteriores, no US Open em 2013, em Roland Garros em 2014 e 2017 e em Miami em 2016, sem ceder nenhum ‘set’.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Jogos Asiáticos Macau conquistou cinco medalhas

Macau conquistou cinco medalhas nos Jogos Asiáticos, que terminaram ontem na Indonésia. Foi, sobretudo, nas artes marciais que os atletas de Macau tiveram melhor desempenho, arrecadando duas medalhas (uma de ouro e outra de prata) no wushu e outras tantas (uma de prata e outra de bronze) no karaté. A quinta medalha (de bronze) foi conquistada no triatlo. Macau esteve representada por 109 atletas em 16 modalidades na 18.ª edição dos Jogos Asiáticos.


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Com inocência no RESIDÊNCIA ARTÍSTICA SANDY LEONG, ARTISTA DE MACAU, EXPÕE EM BERLIM

Ilustradora e artista visual, Sandy Leong participa numa residência artística, em Berlim, na Takt Academy. A artista de Macau apresentou um projecto de fotografia que aborda a percepção que os mais novos têm quando visitam o memorial do Holocausto. A exposição foi inaugurada na passada terça-feira

“Através dos olhares inocentes das crianças, questionei como um indivíduo pode envolver-se na história pública. Como adultos, que mensagem e atitude podemos passar para as próximas gerações sobre este lado mais negro da história?” SANDY LEONG ARTISTA

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m a i s um passo na carreira da jovem Sandy Leong, nascida em Macau e que tem feito percurso artístico na Europa para onde foi estudar. Inaugurou na passada terça-feira, e prolonga-se durante este mês, a residência artística da Takt Academy, em Berlim, onde estão expostos os trabalhos de Sandy

Leong em parceria com criações de outros artistas. Numa palestra proferida a 28 de Agosto, e que serviu de introdução à exposição que integra a residência artística, Sandy Leong abordou os trabalhos que tem desenvolvido nos últimos anos. Para a residência artística em Berlim, decidiu estender a investigação de um projecto de fotografia

intitulado “I was playing in the memorial”, que aborda “as crianças turistas que brincam no Memorial do Holocausto”, localizado na capital alemã. “Através dos olhares inocentes das crianças, questionei como um indivíduo pode envolver-se na história pública. Como adultos, que mensagem e atitude podemos passar para as próximas


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olhar gerações sobre este lado mais negro da história?”, questionou a artista.

EXPERIÊNCIA EUROPEIA

Depois de estudar em Pequim e Hong Kong, Sandy Leong decidiu, o ano passado, ingressar no Royal College of Art, em Londres, para fazer um mestrado em comunicação visual. De acordo com a biografia

da artista publicada pelos organizadores do evento, Sandy Leong “tem explorado estudos sobre a sua história pessoal e memórias colectivas”. “Depois de encontrar, por acaso, uma foto da sua avó com a sua mãe, começou a traçar as histórias pessoais das mulheres da família. Ao fazer isso, compreendeu que as suas histórias pessoais

tinham algo de relevante para traçar um quadro mais alargado das histórias do seu país, onde se inclui a migração chinesa e a Revolução Cultural. Estes aspectos inspiraram-na a fazer uma série de trabalhos que reflectem as relações da sua família ao longo de várias gerações”, lê-se. Outro dos projectos em que Sandy Leong está a trabalhar é a recolha de histórias de imigrantes, para retratar aquilo por que passaram as mulheres dessas famílias. O resultado desse trabalho de pesquisa e de investigação deverá ser exposto em Londres, no próximo ano, e talvez em Macau, como contou a autora numa entrevista recente. A.S.S.

FOGO DE ARTIFÍCIO EQUIPAS DO JAPÃO E DA BÉLGICA CONCORREM NO SÁBADO

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26º Festival Internacional de Fogo de Artifício arrancou no passado dia 1 e continua no próximo sábado, dia 8, com a participação das equipas do Japão e da Bélgica. Para o dia 15 de Setembro está agendada a actuação da equipa portuguesa e francesa, sendo que as equipas da Alemanha e Áustria actuam no sábado seguinte, dia 24 e as equipas da China e Itália competem no dia 1 de Outubro. No largo da Torre de Macau decorrem duas actuações por noite, marcadas às 21h e 21h40, cada um com 18 minutos de duração. De acordo com um comunicado oficial, “as cinco noites de espectáculo de

fogo-de-artifício decorrem sob os temas ‘Harmonia das Cores Mágicas’, ‘AFantasia do Fogo-de-Artifício’, ‘Sonoridades do Céu’, ‘Uma Noite Cintilante de Luar de Outono’ e ‘Celebração do Dia Nacional com Fogo-de-Artifício’”. Este ano, as dez equipas que participam no festival “possuem uma rica experiência na realização de grandes exibições pirotécnicas multimédia, algumas produziram espectáculos pirotécnicos para grandes celebrações nacionais de diferentes países, e foram premiadas em vários concursos internacionais de fogo-de-artifício, prometendo espectáculos memoráveis para os residentes e visitantes”.

De Portugal chega o Grupo Luso Pirotecnia, que venceu concursos de fogo-de-artifício no Canadá, República Checa, Estados Unidos, França e Alemanha, e que produziu o espectáculo pirotécnico do Campeonato do Mundo da FIFA de Sub-20 de 2011, em Bogotá, na Colômbia. À margem do festival, decorre, em parceria com a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, o arraial do fogo de artifício, “com gastronomia, espectáculos e jogos, enriquecendo a atmosfera das noites de exibições pirotécnicas”. O arraial está aberto ao público desde o dia 1 de Setembro.

GASTRONOMIA HENRIQUE SÁ PESSOA TRAZ “CHIADO” A MACAU

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restaurante Chiado de Macau, uma parceria entre a Sands Cotai Central e o ‘chef’ Henrique Sá Pessoa, deverá abrir até Outubro, disse à agência Lusa o português, que quer fazer do espaço a maior referência da cozinha lusa no território. “Se tudo correr bem deverá ser inaugurado em Setembro, Outubro”, adiantou à Lusa o proprietário do restaurante Alma, premiado com uma estrela Michelin, que se lança em Macau no seu primeiro projecto internacional. A ideia passa por criar “um restaurante que consiga respeitar a herança” lusa no território e “afirmar-se em Macau como a maior referência da cozinha portuguesa”, que “às vezes é tão mal representada lá fora”, critica o ‘chef’. Henrique Sá Pessoa explica que o conceito do novo espaço em Macau

pretende “representar o moderno da cozinha portuguesa actual”. O restaurante, que terá sala com uma capacidade máxima de cerca de 100 lugares, “não será um restaurante demasiado elaborado, mas também não vai ser tradicional”, garantindo “um serviço elegante e cuidado”.

O ‘chef’ português, que abriu recentemente mais um espaço, o segundo Tapisco, agora no Porto, depois do Atelier, Alma e Cais da Pedra, todos em Lisboa, diz que um dos desafios passa agora por gerir todos os projectos. “É para isso que serve uma equipa, é por isso que está em Macau desde Abril uma pessoa de confiança a trabalhar no projecto”, argumenta. O restaurante “pode ter ‘nuances’ que introduzam a cozinha asiática, como o gengibre, erva príncipe ou lima, mas será decididamente 100 por cento português”, assegura. O leitão, o bacalhau e o atum “são apenas alguns dos exemplos de alguns dos clássicos” que vão servir de inspiração ao novo restaurante: “na prática, vamos ter um ‘best of’ dos meus pratos”, revela o ‘chef’.

Ano Novo Chinês Instituto Cultural publica livro de António Pedro Pires O Instituto Cultural (IC) anunciou a publicação de um livro de António Pedro Pires sobre as festividades Ano Novo Chinês, festividade chinesa responsável pela maior movimentação de pessoas todos os anos para o encontro com as suas famílias. De acordo com o IC, o ‘Livro Festividade do Ano Novo Lunar em Macau’ foca-se em três temas principais: calendário lunar, celebração do Ano Novo Lunar e culinária. “O autor analisa a marcha da humanidade desde a tomada de

consciência do tempo e da sua medição até à invenção do calendário e ao aparecimento dos relógios”, pode ler-se num comunicado oficial. António Pedro Pires procura explicar o papel que as religiões chinesas (taoismo, budismo, confucionismo e culto dos antepassados) têm nos rituais que antecedem a festa. Por fim, “a veneração dos antepassados”, através da culinária e da “preparação do jantar-reunião de família” é também retratado nesta publicação.


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BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia PUB

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Troco-me por ti. Na brasa da fogueira mal ar

Outono transfigurado

Verklärter Herbst1

É terrível como acaba o ano, com vinho dourado e o fruto dos jardins. Em redor, silenciam-se maravilhosas as florestas, Que são as companheiras do solitário.

Gewaltig endet so das Jahr Mit goldnem Wein und Frucht der Gärten.  Rund schweigen Wälder wunderbar  Und sind des Einsamen Gefährten.    Da sagt der Landmann: Es ist gut.  Ihr Abendglocken lang und leise  Gebt noch zum Ende frohen Mut.  Ein Vogelzug grüßt auf der Reise.    Es ist der Liebe milde Zeit.  Im Kahn den blauen Fluß hinunter  Wie schön sich Bild an Bildchen reiht -  Das geht in Ruh und Schweigen unter.

Diz então o camponês: “que bom!” E vós, sinos da tarde, longos e suaves, Dai ainda uma coragem alegre para o fim. O traço das aves em voo saúda a viagem. É o tempo terno do amor. No barco que desce o rio azul, Com que beleza uma imagem se liga a outra imagem. Tudo submerge em sossego e silêncio.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag, p. 22-23.


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rdida renovo o fogo que perdi

Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Da cópia e da transmissão do espírito

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LBRECHT Durer (14711528) utilizou muitas vezes o meio da gravura para transmitir modelos de beleza e harmonia, formas adequadas de representação a que o seu instinto o conduzira e que se foram difundindo por toda a Europa. Se ao abordar o tema de Adão e Eva, se percebia uma síntese em tensão entre os modelos clássicos e a austeridade do gótico, a luz e a sombra, a virtude e o pecado, quando desenhou a gravura do rinoceronte, forma animal pouco vista na Europa, fê-lo deduzindo, a partir de um esboço e

pintura. E no entanto, a cópia de modelos foi sempre uma parte essencial da compreensão prática da pintura. Ela é a sexta das Seis Regras essenciais de Xie He (activo c. 500): «Transmissão de modelos através do desenho», no tratado Guhua Pinlu. Exemplo dos que se destacaram na execução desta regra foi Zong Bing (375-443), que escreveu o texto Hua Shanshui Xu, considerado dos mais antigos sobre a pintura de paisagens, recolhido no Lidai Minghua Ji (Parte II, cap. VI), de Zhang Yanyuan (810?880?). Porém, de modo reconhecível nos textos futuros sobre a pintura, o que se lê nos fragmentos guardados do texto, é a notória alegria espiritual sentida na união do pintor com a natureza: «Os sensatos estimam o Dao e entram em harmonia com os objectos; os homens virtuosos concebem no seu espírito puro a beleza das formas. Quanto às paisagens elas têm um lado material mas tam-

Uma clara vontade de intermediar o conhecimento, de partilhar um olhar. Essa vontade, comum a muitos pintores, conheceu através da figura do pintor contemporâneo Zhang Daqian, uma expressão inesperada descrição de um comerciante que o vira trazido a Lisboa pelas naus portuguesas. Uma clara vontade de intermediar o conhecimento, de partilhar um olhar. Essa vontade, comum a muitos pintores, conheceu através da figura do pintor contemporâneo Zhang Daqian, uma expressão inesperada. O seu método inédito consistiu muitas vezes na leitura da descrição em catálogos de pinturas que tinham desaparecido e então, como que assumindo o espírito do pintor, recriava essas obras em falta. O labor surpreendente de Zhang Daqian, um pintor que por outro lado possui uma consistente obra original, é ainda mais de admirar numa tradição que ao longo do tempo foi sempre reafirmando o carácter experiencial de toda a

bém uma influência espiritual.» Evocando com saudade a sensação da experiencia de caminhar na natureza: «A razão para o fazer foi sempre para transmitir aos vindouros o sentido oculto que está para além de qualquer descrição por palavras. O espírito (o coração) entende o conteúdo de livros, mas isso não equivale à vagabundagem, e à apreciação da natureza com os próprios olhos.» E no entanto, se a literatura sobre a pintura iria evoluir para uma ortodoxia, baseada na repetição de modelos defendida nomeadamente por Dong Qichang (1555-1636), em breve pintores do fim do século dezassete como Bada Shanren ou Shitao, mostrariam como sobre a natureza existiu sempre um olhar original.


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?

PERFORMANCE”, POR SOFIA LOURENÇO Universidade de São José | Das 18h30 às 20h30

6 9 8 3 7 1 4 5 2 1 4 7 2 8 5 6 3 9 Sexta-feira 5 3 2 4 6 9 7 8 1 CONCERTO “A NIGHT OF JAZZ BLUES POP ROCK SESSION 3” 4Music1Association 9 6| Das322h008à 1h00 2 7 5 Live 3 7 5 9 1 2 8 6 4 INÍCIO DO FESTIVAL DE CINEMA “AFTER HOURS” 8 2 Paixão 6 |5 4 às723h00 9 1 3 Cinemateca Das 21h30 9 6 4 8 5 3 1 2 7 Sábado 5 1INTERNACIONAL 7 9 DE6FOGO3DE ARTIFÍCIO 4 8 29º2 CONCURSO Torre Macau3 | Das1 21h002 às 23h00 7de8 4 5 9 6

Diariamente 42 “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA EXPOSIÇÃO

7 3 6 2 4 1 8“ART2IS PLAY” 3 5 EXPOSIÇÃO Grande Praça MGM | Até 9/9 5 9 4 8 7 2 6“AYIA” 7 9 1 EXPOSIÇÃO Casa Até 9/96 2 4Garden 1 |8 9 5 3 4 8 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” 8 4do Boi5| Até79/9 6 Armazém 6 7 9 1 3 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” 2| Até19/9 5 9 Art3 Garden

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C I N E M A

HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION SALA 1

HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Genndy Tartakovsky 19.45

KILLING FOR THE PROSECUTION [B]

SALA 3

FALADO EM COREANO LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 14.15, 18.30, 21.15

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang 14.30, 21.30

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 16.45

9 52 5 39 83 8 1 6 4 7 7 1 6 8 2 49739 3 5 1 74 7 356 5 918 1 2 27 5 - 9 8 % 7 6 2 6 1 3 8 5 9 4 • EURO 9.38 BAHT 8 9 4 5 726 2 138 3 6 8 813 1 5 97427 2 6 4 6 964984 8 2 5 3 7 1 5 52192 9 743 4 6 8 3 3 8 7 4 12652 5 9

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O CARTOON STEPH 47

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PROBLEMA 48

UM FILME HOJE

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(f)utilidades 27

0.24

YUAN

1.18

VIDA DE CÃO

CHAPADA DE LUVA BRANCA O Governo Central está a estudar a possibilidade dos cidadãos de Macau poderem cumprir o serviço militar com o Exército de Libertação do Povo Chinês. A hipótese tem sido bem-recebida em Macau e, apesar de haver alguns receios, até o “perigoso” activista Scott Chiang considerou que a iniciativa é aceitável, desde que a participação seja voluntária. Por uma questão de princípio, sou a favor do cumprimento do serviço militar de forma voluntária. Por isso, se essa premissa for cumprida, considero que a medida é altamente positiva. Não faz sentido que Macau, enquanto território chinês, não permita aos seus residentes a integração no exército. Não faz sentido que os residentes não possam ajudar os seus compatriotas, tal como os cidadãos do Interior do exército fizeram durante a passagem do Tufão Hato. Por outro lado, a reacção é uma grande chapada de luva branca das pessoas de Macau a muita gente no Governo Central e Local. Apesar de haver um clima de suspeição permanente cultivado por governantes esquizofrénicos, as pessoas do território mostram, mais uma vez, que sabem que Macau é China e que estão preparadas para uma maior integração, assim como assumir os seus deveres para com a Pátria. O que não se pode esperar é que de um dia para o outro se comece a ameaçar direitos protegidos pela Lei Básica devido a interpretações distorcidas e que os residentes apenas se limitem a acenar com a cabeça. João Santos Filipe

CRAZY RICH ASIANS | JON CHU | 2018-09-02

Crazy Rich Asians é uma comédia romântica, baseada no livro com o mesmo título e pretende mostrar a vida das famílias milionárias asiáticas ao público ocidental.Ahistória foca o casamento entre uma asiática nascida nos Estados Unidos e o filho de uma família milionária de Singapura. O filme tem sido um dos sucessos de Verão e na primeira semana, só nos Estados Unidos, conseguiu gerar 26 milhões de dólares em receitas. João Santos Filipe

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masato Harada Com: Takuya Kimura, Kazunari Ninomiya 14.30, 19.15, 21.30

ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]

SALA 2

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 47

EXPOSIÇÃO “POST-OX WAREHOUSE EXPERIMENTAL SITE” Galeria do Armazém do Boi, rua do Volong | Até 27/10

Cineteatro

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Quarta-feira PALESTRA 40 “TOWARDS A MULTIMODAL ANALYSIS OF PIANO

Albergue SCM | Até 21/10

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S U D O K U

38 segunda-feira 3.9.2018

L STORM [C]

HINDI MEDIUM [B] FALADO EM DIALECTO HINDI LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Saket Chaudahary Com: Irrfan Khan, Saba Qarnar 16.30, 19.00

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são. William Shakespeare

‘Storm Surge’ Dados de vigilância em tempo real até ao final do ano

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) esperam receber, até ao final do ano, dados de vigilância em tempo real de estações marítimas flutuantes construídas pelo Instituto de Ciência do Rio das Pérolas, que irão permitir reforçar a capacidade de vigilância e de previsão do fenómeno de ‘storm surge’ (subida anormal do nível da água). Em comunicado, divulgado na sexta-feira, os SMG indicam que as informações a receber, no âmbito da cooperação com o instituto, vão proporcionar “referências importantes”, na medida em que incluem dados sobre a profundidade da água, as correntes marítimas, a altura das ondas, bem como a velocidade e direcção do vento e a pressão atmosférica, entre outros. No total, existem cinco estações marítimas flutuantes colocadas na zona marítima próxima de Macau. O Instituto de Ciência do Rio das Pérolas funciona sob alçada da Comissão de Recursos Hídricos do Rio das Pérolas do Ministério de Recursos Hídricos da China.

Síria Agosto foi o mês com menos mortes desde Maio de 2011

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 3.9.2018

Armas do Oriente Médio Presidente das Filipinas inicia visita histórica a Israel

O

Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, iniciou ontem uma visita histórica a Israel, que ilustra a sua disposição em reduzir a dependência militar do tradicional aliado norte-americano, noticia a agência France-Presse. A visita de quatro dias é a primeira de um chefe de Estado filipino desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, há 60 anos. A chegada de Duterte foi seguida de perto em Israel, devido à forte personalidade e franqueza do líder populista

que há dois anos chegou a comparar-se a Adolf Hitler. Duterte tem agendado para hoje um encontro com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, onde será acompanhado por uma grande delegação. "Esta visita é de grande importância para nós, pois simboliza as fortes e calorosas relações entre os nossos dois povos", afirmou em comunicado o ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel. A chegada ao poder de Duterte, em meados de 2016, resultou numa deterioração das relações com os Estados

Unidos, país presidido então por Barack Obama, apesar do acordo de defesa que vinculava as duas nações. Para o chefe de Estado filipino, a visita é "uma oportunidade de visitar outro mercado para (...) equipar as suas Forças Armadas", disse à AFP Henelito Sevilla, especialista em relações internacionais.

CORRIDA ÀS ARMAS

Só no ano passado, a indústria de defesa e segurança de Israel exportou um total de 9.200 milhões de euros em armas. Cerca de 60 por cento das exportações de defesa vão

para a região da Ásia-Pacífico, segundo dados oficiais. Nesse mesmo ano, Manila tornou-se grande cliente de Israel, ao comprar 21 milhões de dólares em equipamentos. Em 2016, ano em que subiu ao poder, Duterte recebeu críticas de Israel por se comparar a Adolf Hitler. "Hitler abateu três milhões de judeus, bem, há três milhões de viciados em drogas (nas Filipinas), eu ficaria feliz em abatê-los", disse à epoca. O Presidente filipino, que pediu desculpas "ao povo judeu", irá visitar o Yad Vashem, o memorial do Holocausto em Jerusalém.

O passado mês de Agosto foi o que registou menos vítimas mortais na Síria desde Maio de 2011 e em que morreram menos civis desde o início do conflito, em Março daquele ano, avançou ontem o Observatório Sírio de Direitos Humanos. De acordo com esta organização não governamental (ONG), em Agosto deste ano morreram na guerra da Síria 840 pessoas, 253 das quais civis e 70 menores. Entre as mortes, a ONG conta 220 combatentes de facções de oposição rebeldes e islâmicas, bem como das forças curdas, além de 169 membros de grupos radicais como do Estado jihadista islâmica (EI) e da Al Qaeda. Este mês morreram ainda 72 soldados do exército sírio, assim como 104 milicianos leais ao presidente Bashar al-Assad. O observatório diz que este número é o menor registado desde Maio de 2011, quando a ONG verificou a morte de 507 pessoas, 446 delas civis. Desde o início da guerra na Síria, o observatório diz ter registado a morte de 350 mil pessoas no país, mas ressalva que o número pode chegar a meio milhão porque muitos casos não puderam ser verificados.

Coreia do Sul Norte-coreanos competem em Campeonato Mundial de Tiro

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Atiradores norte-coreanos competem ontem pela primeira vez no Campeonato Mundial de Tiro na Coreia do Sul, o mais recente exemplo da diplomacia desportiva na Península Coreana. Participantes da Coreia do Norte estão entre os cerca de 1.800 atletas que representam 90 nações para este evento da Federação Internacional de Tiro Desportivo (ISSF), na Coreia do Sul, afirmou a entidade. Os atletas competem por vagas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Os 22 membros da delegação norte-coreana - 12 atletas e 10 oficiais - foram calorosamente recebidos pelos adeptos sul-coreanos ao chegarem ao aeroporto de Gimhae, na sexta-feira. A diplomacia desportiva tem ajudado a combater o ‘gelo’ entre as Pyongyang e Seul. Em Fevereiro, os Jogos Olímpicos de PyeongChang, na Coreia do Sul, impulsionaram uma impressionante reaproximação entre os dois países inimigos, após dois anos de crispação na península devido à aceleração dos programas balístico e nuclear da Coreia do Norte.

ECONOMIA COMÉRCIO EXTERNO SUBIU 21,7 POR CENTO ATÉ JULHO

O

comércio externo de Macau subiu 21,7 por cento entre Janeiro e Julho, totalizando 58,01 mil milhões de patacas. Segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau exportou bens avaliados em 7,11 mil milhões de patacas (+5,6 por cento) e importou mercadorias avaliadas em 50,90 mil milhões de patacas (+24,4 por cento) nos primeiros sete meses do ano. Por conseguinte, o défice da balança comercial atingiu 43,79 mil milhões de patacas, traduzindo um agravamento de 28,1 por cento. As exportações de Macau para a China (1,18 mil milhões de patacas)

diminuíram 3,9 por cento, devido à forte queda (82,6 por cento) das vendas a Xangai, à semelhança do que sucedeu com as destinadas aos Estados Unidos (86 milhões de patacas) que sofreram uma queda de 16,8 por cento. Em contrapartida, as vendas para Hong Kong (4,43 mil milhões de patacas) e União Europeia (120 milhões patacas) aumentaram 8,3 e 4,2 por cento, respectivamente, em comparação com os primeiros sete meses do ano passado. Já as importações de Macau de produtos da China (17,45 mil milhões de patacas) subiram 29,4 por cento, em linha

com as compras à União Europeia (12,81 mil milhões de patacas) que cresceram 21,2 por cento entre Janeiro e Julho, indica a DSEC. Já as trocas comerciais entre Macau e os países de língua portuguesa atingiram 482 milhões de patacas nos primeiros sete meses do ano – contra 356,7 milhões em igual período do ano passado. As exportações de Macau para o universo lusófono ascenderam a 24 milhões de patacas (contra 700 mil patacas), enquanto as importações sofreram um aumento de 28,5 por cento em termos anuais homólogos para 458 milhões de patacas. D.M.

Hoje Macau 3 SET 2018 #4126  

N.º 4126 de 3 de SET de 2018

Hoje Macau 3 SET 2018 #4126  

N.º 4126 de 3 de SET de 2018

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