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Nº 4823 RÓMULO SANTOS

TERÇA-FEIRA 3-8-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

hoje macau

CHEIAS

DE QUEM É A CULPA AFINAL ? PÁGINAS 2-3

Os recentes surtos de covid-19, provocados pela variante Delta, levaram Macau a lançar o alerta para que os residentes evitem saídas para o Interior da China. Pequim reforçou também as medidas de segurança sanitária e voltou a meter trancas à porta. PÁGINAS 4 E 8

MULHERES

UM CASO DE POLÍCIA ÚLTIMA

MAUS PRENÚNCIOS

PUB.

PÁGINA 5

ENERGY LAM

JOGO

PORTO INTERIOR

PALCO DA VIDA EVENTOS

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Sem pernas para andar


2 política

RÓMULO SANTOS

AL Deputados chegaram atrasados

3.8.2021 terça-feira

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Apesar de terem comparecido na sessão de ontem 32 deputados, vários chegaram atrasados, falhando a votação sobre a forma como Kou Hoi In decidiu conduzir os trabalhos das interpelações orais. A proposta contou com o apoio unânime dos 24 deputados presentes, que votaram menos de cinco minutos depois do início da sessão. O presidente da AL não votou, apesar de estar presente, e Vitor Cheung não compareceu ontem. José Chui Sai Peng, Angela Leong, Chan Iek Lap, Zheng Anting, Si Ka Lon, Song Pek Kei e Davis Fong foram os deputados que não votaram.

Veículos Eléctricos Mais de 200 lugares de carregamento

O território tem mais de 200 lugares de estacionamento com postos de carregamentos para veículos eléctricos. O número foi adiantado ontem por Raymond Tam, director dos Serviços de Protecção Ambiental, em resposta a uma interpelação do deputado Wang Sai Man. “Em Macau há mais de 200 lugares com carregamento para veículos eléctricos. E, em média, têm uma utilização de duas vezes por dia”, afirmou. Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, revelou que, pelo menos, 60 por cento dos shuttles dos casinos utilizam energias renováveis. O director acredita as concessionárias podem chegar a 100 por cento nos próximos anos.

Carbono Governo admite que não há valor máximo para emissões

Apesar de 2030 ter sido estabelecido para o pico de emissões de carbono pelo país, Raimundo do Rosário explicou que não foi definido um valor máximo para as emissões. Mesmo assim, o governante afirmou que a RAEM vai acompanhar as metas nacionais. “Quando o país define metas, não somos nós que nos vamos atrasar. As emissões em Macau estão principalmente relacionadas com os veículos, mas há uma meta do pico de emissões de carbono que não foi definida”, alertou Raimundo do Rosário. “Sabemos que 2030 vai ser o pico, mas não sabemos o valor do pico [...] Não vamos ficar atrasados em relação ao país”, assegurou. De acordo com os planos traçados pelo Governo Central, a China vai atingir o pico das emissões de carbono até 2030, e a partir desse momento vai trabalhar para chegar à neutralidade carbónica, até 2060.

O castigo de ESTACIONAMENTO GOVERNO E DEPUTADOS DIVIDIDOS SOBRE INUNDAÇÕES

A responsabilidade por viaturas danificadas por inundações em auto-silos esteve longe de ser unânime. Os deputados querem que as empresas encontrem soluções para evitar os danos. Mak Soi Kun considerou que as inundações são uma punição divina causada pela poluição

A

S responsabilidades sobre danos causados por inundações nos autos-silos dividiu ontem a maioria dos deputados e o Governo. Os legisladores consideram que as empresas que gerem os estacionamentos têm de assumir as responsabilidades de, pelo menos, avisar os proprietários, quando há uma inundação. Porém, o secretário para os Transportes e Obras Públicas considera que são os proprietários têm de assumir as responsabilidades. A questão foi levada ao hemiciclo por Angela Leong. Em

resposta, Raimundo do Rosário recusou a existência de responsabilidade das empresas gestoras dos parques, porque actualmente já são adoptadas todas as medidas de prevenção possíveis. “Cerca de 20 ou 21 auto-silos estão instalados nas zonas baixas, e pode haver inundações. O estacionamento nos parques públicos é uma responsabilidade dos proprietários dos veículos”, disse Raimundo do Rosário. “Não é que o Governo esteja a esquivar-se das suas responsabilidades. Mas, nas zonas baixas temos

comportas nos estacionamentos e adoptámos outras medidas. Os meus colegas do Governo já fizeram o que pode ser feito, assim como as empresas. Só que os auto-silos estão em zonas baixas e há sempre a possibilidade de inundações”, acrescentou. O secretário comparou ainda o estacionamento nos auto-silos ao da rua, com os veículos à mercê das catástrofes naturais. Porém, a comparação valeu os protestos de vários deputados. O primeiro a contestar foi Leong Sun Iok, dos Operários.

“Não posso concordar que estacionar na rua ou no auto-silo sejam coisas semelhantes. É verdade que em ambos os casos têm de pagar, mas há instruções da DSAT para as empresas de gestão”, vincou. “Será que no futuro há margem para fazer uma revisão e reforçar as normas e salvaguardar os direitos e interesses dos proprietários dos veículos?”, perguntou.

Seguir o luxo

José Pereira Coutinho concordou, mas foi mais longe nas questões de segurança. “Se estamos a es-


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Fiambre e queijo

Lei da classe sanduíche entra na AL no próximo ano

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Deus tacionar no auto-silo é como se houvesse um contrato e eles vão garantir a segurança. É para isso que se paga. Se eu estacionar na rua, a única segurança é a polícia que patrulha. Os carros de luxo normalmente estão nos auto-silos, porque há mais segurança”, argumentou o legislador. Coutinho defendeu ainda um sistema de aviso e sugeriu um mecanismo de alerta em caso de inundações para os proprietários dos veículos, que poderia passar por chamadas um-a-um. Os deputados Agnes Lam, Au Kam San e Sulu Sou alinharam na opinião de pedir mais responsabilidade às empresas gestoras. Contudo, o secretário recusou haver condições para mais responsabilidades: “Não podemos assumir a responsabilidade dos proprietários. Nem é exequível andar a fazer telefonemas proprietário a

proprietário, leva muito tempo», ripostou. «Com os telefonemas surgiria ainda a possibilidade de acontecer como no Hato, quando as pessoas foram tirar os carros dos auto-silos e aconteceram as situações infelizes [mortes]”, acrescentou.

Castigo de Deus

O deputado Mak Soi Kun expressou opinião semelhante à do Governo. “Concordo com as palavras do secretário [sobre as responsabilidades]. Temos alterações

“Se está a chover temos de pensar que é melhor estacionar numa zona alta, nem que se leve uma multa.” MAK SOI KUN DEPUTADO

climáticas em todo o Mundo. Basta ver em Henan e na Alemanha, mesmo com 8 mil quilómetros de distância, há um problema grave de inundações. Cada vez mais se verificam condições extremas”, justificou. O deputado deixou depois um alerta à população, referindo que as inundações são castigos pela poluição e forma como o planeta tem sido tratado: “Temos de proteger o ambiente. É Deus que nos está a castigar”, alertou. Esta intervenção levou o presidente da AL a avisar que Mak Soi Kun se estava a afastar do tema. Por outro lado, o deputado recusou também o sistema de aviso, por dizer que pode levar a mais situações de mortes, como aconteceu durante a passagem do Tufão Hato. Mak apelou à sensibilidade dos condutores quando as condições meteorológicas são adversas. “Se está a chover temos de pensar que é melhor estacionar numa zona alta, nem que se leve uma multa. Esta é a minha opinião. Os polícias não vão multar se for uma situação muito extrema”, justificou. As declarações de Mak geraram risos entre os deputados, e até membros do Governo. No entanto, Lam Hin San, director da DSAT, abanou a cabeça, logo depois de o deputado dizer que a polícia não iria passar multas aos veículos mal-estacionados. João Santos Filipe

AIMUNDO do Rosário prometeu que a lei que vai regular a habitação para a classe sanduíche entra na Assembleia Legislativa no próximo ano. Este segmento demográfico é composto por pessoas com rendimentos superiores ao limite máximo para comprar habitação económica, mas sem hipótese no mercado privado. A promessa foi deixada ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, em resposta a uma interpelação oral de Leong Sun Iok, deputado dos Operários. A habitação pública esteve ontem em discussão, e o Instituto de Acção Social (IAS) revelou que a exposição de casas para idosos recebeu mais de sete mil visitantes. As habitações vão ter como prioridade os idosos com dificuldades de deslocação, que vivem em prédios sem elevadores. O Governo garantiu ainda que as rendas vão acompanhar o que se pratica no mercado. «A renda vai ter em conta o preço por pé no mercado e a fracção ocupada”, respondeu Choi Sio Un, Chefe do Departamento de Solidariedade Social do IAS. A polémica sobre a habitação surgiu com os preços das fracções económicas (5 mil patacas

por pé quadrado). O preço foi considerado elevado por Ella Lei, que defendeu que na altura do proposta da lei da habitação económica os deputados fizeram uma interpretação diferente da feita agora pelo Governo.

Recordar os votos

Sulu Sou não perdeu a oportunidade para recordar que apesar das queixas de ontem, apenas ele e José Pereira Coutinho votaram contra o artigo que define o valor das habitações económicas. “Com a proposta actual, os privados ficaram muito contentes, porque as pessoas passam a pensar duas vezes antes de comprarem uma habitação económica e acham o preço do privado mais acessível”, afirmou. Raimundo do Rosário defendeu-se afirmando que o preço é definido pela lei com base no prémio do terreno, custo de construção e custos administrativos. “Eu vou trabalhar a seguir esses factores [que estão na lei]”, limitou-se a responder o secretário, face às perguntas. Entre este ano e 2024 o Governo vai iniciar a construção de 20.600 habitações públicas, número reafirmado ontem por Rosário. J.S.F.

DSAT FALTA DE MÃO-DE-OBRA AFECTA INSPECÇÃO DE VEÍCULOS

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S Centros de Inspecção de Macau fiscalizam em média 580 veículos por dia, de acordo com dados apresentados ontem aos deputados por Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Os números foram adiantados, após interpelação oral de Ip Sio Kai, que se mostrou preocupado com os atrasos nos centros, apesar das marcações prévias online. “Por dia e em média, o centro de inspecção fiscaliza 580 veículos. Quanto aos nossos trabalhadores, temos 38 pessoas e sem contar férias e outros direitos, ficamos com uma média de 32 trabalhadores por dia”, revelou Lam Hin San.

No entanto, a resolução do problema, apesar da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau ter criado mais trabalho, não passa pela contratação de mais funcionários. Raimundo do Rosário afastou ontem a possibilidade de contratar trabalhadores. “Há falta de recursos humanos. Mas, não é possível aumentar o quadro do pessoal. Só podemos utilizar 90 por cento do orçamento, por isso não vale a pena falar de recursos humanos”, apontou Rosário. “Neste momento, não temos dinheiro para contratar pessoal. Fui eu que assumiu a responsabilidade de não contratar”, acrescentou o secretário, depois de criticado por José Pereira Coutinho.


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COVID-19 AUTORIDADES DESACONSELHAM VIAGENS À CHINA

Ordem para ficar Com a ameaça da variante Delta à porta, os Serviços de Saúde pediram aos cidadãos para evitar viagens ao Interior da China. A partir de hoje, quem apresentar sinais de febre e queira tomar a vacina pode realizar gratuitamente um teste de ácido nucleico. Possibilidade de aumentar dias de quarentena para quem chega da China não foi descartada

tem febre e, por isso, vamos adicionar uma funcionalidade ao código de saúde para aqueles que apresentem o código amarelo ou sintomas de febre. Essas pessoas que tiverem marcação [para tomar a vacina] podem fazer o teste de ácido nucleico a título gratuito no hospital, no terminal do Pac On ou no Fórum. Os resultados não serão apresentados no código de saúde e não podem ser usados para efeitos de passagem fronteiriça”, vincou o responsável.

Perigo a aumentar

Durante a conferência de imprensa, a médica Leong Iek Hou frisou que a variante Delta oferece ainda muitas incertezas aos profissionais de saúde e que, por isso, a somar ao facto de “apresentar períodos de incubação mais curtos e sintomas mais cedo”, os Serviços de Saúde não descartam aumentar o número de dias das quarentenas para quem chega do Interior da China.

“Se a população for vacinada depois de a variante Delta chegar a Macau, pode ser tarde de mais.” TAI WA HOU MÉDICO

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OM a variante Delta a alastrar-se por várias cidades e províncias do Interior da China, os Serviços de Saúde apelaram ontem à população para evitar deslocações ao território. Isto, numa altura em que a taxa de vacinação continua longe do ideal. “Apelamos aos cidadãos que evitem deslocações a cidades e províncias do Interior da China. Se tiverem necessidade de ir, devem ponderar bem a situação epidemiológica [dessas regiões]”, apontou

Tai Wa Hou, médico-adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, por ocasião da habitual conferência de imprensa sobre a covid-19. “O teor da cadeia mutante deste vírus [Delta] é muito rápido, tem uma alta capacidade de transmissão e leva mais tempo até acusar negativo. Estamos no Verão, há mais calor e a concentração de pessoas em pontos turísticos é maior. Este surto começou no aeroporto [de Nanjing] e está a espalhar-se por todas as províncias da China.

A curto prazo, prevemos que o surto se alastre a outras regiões”, acrescentou. Dada a situação, Tai Wa Hou anunciou que a partir das 9h00 de hoje passam a ser disponibilizados testes de ácido nucleico gratuitos para os interessados em tomar a vacina que apresentem sintomas de febre. O resultado, que não serve para cruzar fronteiras, poderá ser consultado numa nova secção do código de saúde . “Vamos aumentar os testes de despistagem às pessoas que apresen-

Questionado sobre a implementação de incentivos à vacinação e a possibilidade de vir a obrigar funcionários públicos a ser inoculados, Tai Wa Hou referiu que “não há necessidade” de tomar novas medidas, mas que é preciso “aumentar a sensibilização” sobre a segurança e a importância das vacinas. “Se a população for vacinada depois de a variante Delta chegar a Macau, pode ser tarde de mais. Espero que as pessoas fiquem em Macau e possam tomar a vacina o mais rápido possível”, referiu. Pedro Arede

DST AGÊNCIAS ACONSELHADAS A NÃO FAZER EXCURSÕES PARA O INTERIOR

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Direcção dos Serviços de Turismo (DST) apelou às agências de viagens locais para interromperem a oferta de excursões turísticas para destinos no Interior da China. O apelo foi comunicado por Hoi Io Meng, subdirector do organismo liderado por Maria Helena de Senna Fernandes, em declarações ao jornal Ou Mun.

O responsável revelou que pessoal da DST visitou agências de viagens para se inteirar dos produtos turísticos oferecidos ao público e pedir que interrompam imediatamente excursões para o Interior da China, não afastando a possibilidade de aplicar sanções administrativas a quem já organizou excursões.

Das fiscalizações às agências, resultaram também informações veiculadas para os Serviços de Saúde quanto a cinco excursões turísticas que partiram de Macau para o Interior da China (uma para Zhangjiajie, na província de Hunan; três para Chengdu, na província de Sichuan; e uma para Chongqing). Estas indicações vão servir de base às autoridades

de saúde para concretizar medidas da prevenção da pandemia e dirigir residentes para quarentena. Hoi Io Meng frisou que no ano passado o Ministério da Cultura e Turismo da China proibiu excursões transfronteiriças. N.W.

CONSTRUÇÃO SALÁRIO MÉDIO AUMENTOU 3% NO SEGUNDO TRIMESTRE

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salário média diário dos trabalhadores da construção cresceu 3 por cento no segundo trimestre deste ano, em relação aos primeiros três meses de 2021. Dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicam que o salário diário médio se fixou em 768 patacas. Os vencimentos de trabalhadores residentes atingiram 963 patacas e de não residentes fixaram-se em 665 patacas, representando aumentos de 1 por cento e 6,3 por cento respectivamente. Analisando a evolução dos ordenados por profissões, a DSEC especifica que “o salário diário médio do montador de equipamento de combate a incêndio (776 patacas), o do assentador de tijolo e estucador (749 patacas) e o do canalizador/ montador de tubagens de gás (783 patacas). Nestas três profissões, as variações trimestrais corresponderam a subidas dos ordenados diários médios de 6,1 por cento, 5,1 por cento e 4,5 por cento, respectivamente. A única profissão do sector da construção em que o rendimento diário caiu foi a de instalador de alumínio/ vidro (648 patacas), que baixou 6,1 por cento entre Abril e Junho. Eliminado o efeito da inflação, o índice do salário real dos trabalhadores da construção no trimestre em análise subiu 2,6 por cento, em relação aos primeiros três meses do ano, salientando-se que o dos trabalhadores da construção residentes aumentou 1,9 por cento.

MP Álvaro Dantas renova como delegado coordenador

Álvaro Dantas vai continuar como delegado coordenadora do Ministério Público (MP). “É renovado pelo período de dois anos, o contrato ao estrangeiro Álvaro António Mangas Abreu Dantas, como Delegado Coordenador do MP”, lê-se na ordem executiva assinada por Ho Iat Seng, publicada ontem. A ordem passa a ter efeito a partir de 18 de Outubro.


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DST Hotel de Chan Meng Kam vai ter 185 quartos

IPIM TUI CONFIRMA PENAS DE PRISÃO DE EMPRESÁRIOS

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Tribunal de Última Instância (TUI) confirmou as penas aplicadas aos empresários Ng Kuok Sao e Wu Shu Hua, marido e mulher, no âmbito do processo no seio do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O casal tinha levado a pena mais dura de todo o julgamento por ter sido considerado que tinham sido os criadores da associação criminosa que vendia autorizações de residência. Os dois optaram por recorrer, mas a decisão foi confirmada pelo TUI, na sexta-feira passada, e tornada definitiva. O empresário foi condenado a 18 anos de prisão, pela prática de um crime de associação criminosa e 23 de falsificação de documentos, que se prenderam com criação de empresas de fachada, simulação de contratos de trabalho, dissimulação de obras de construção, entre outros, com o objectivo de levar o IPIM a aprovar os pedidos de autorização de fixação de residência. A pena teve em conta dois crimes de burla de valor consideravelmente elevado que Ng tinha cometido anteriormente num outro caso. O empresário não está em Macau. Wu Shu Hua, responsável pelas finanças da associação, foi condenada a pena efectiva de 12 anos de prisão, pelos crimes de associação criminosa e a 19 anos por falsificação de documento. A decisão não afecta Jacskon Chang, que viu a Segunda Instância aceitar o recurso do Ministério Público, e vai voltar a ter o caso julgado à luz da acusação pelos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e abuso de poder.

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O China Dragon Hotel, estabelecimento hoteleiro de duas estrelas que Chan Meng Kam se prepara para abrir na Travessa do Comandante Mata e Oliveira

já enviou o pedido de licenciamento à Direcção dos Serviços de Turismo (DST) para disponibilizar 185 quartos após a inauguração. A informação foi revelada ontem pela DST à Macau News Agency, que recorda também que os planos para explorar o hotel no centro da cidade foram

anunciados em 2018 em Boletim Oficial. Segundo o despacho divulgado nesse ano, até 23 de Setembro de 2027, o ex-deputado Chan Meng Kam terá de pagar pelo arrendamento anual dos três terrenos que irão alojar o hotel de 24 andares, 5.4, 11.7 e 15.4 milhões de patacas.

Imobiliário Número de fracções vendidas cai para 307 O número de fracções autónomas destinadas à habitação adquiridas durante a primeira metade de Julho fixou-se em 307. De acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o registo representa uma diminuição ao nível das vendas de 14 fracções, tendo em conta que na segunda metade de Junho foram vendidas 321 fracções. Detalhando as vendas por zonas, na primeira metade de Julho foram vendidas 234 habitações na Península de

Macau, 53 da Taipa e 20 em Coloane. Ao nível do preço por metro quadrado, o valor da área habitacional em Macau decresceu ligeiramente para 101.542 patacas em relação a Junho (101.499 patacas). Também na Taipa, o preço por metro quadrado diminuiu de 105.753 patacas (segunda metade de Junho) para 101.732 (primeira metade de Julho). Quanto a Coloane, o preço das habitações subiu ligeiramente de 119.514 para 119.824 patacas por metro quadrado.

RECEITAS SURTOS DE COVID NA CHINA VÃO AFECTAR AGOSTO

Efeito borboleta

Após a recuperação de 29 por cento em Julho, relativamente ao mês anterior, as receitas brutas dos casinos de Macau podem vir a ser “negativamente afectadas” em Agosto. Segundo a Bernstein, com os novos surtos activos no Interior da China e mais restrições de viagem, as receitas podem mesmo vir a representar perdas de 60 por cento em relação ao cenário pré-pandemia

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S analistas da Sanford C. Bernstein prevêem que, chegados ao final de Agosto, as receitas brutas dos casinos de Macau possam vir a ser “negativamente afectadas” com o surgimento de novos casos de covid-19 um pouco por toda a China. A previsão surge depois de a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ter revelado que, em Julho, as receitas dos casinos foram de 8,4 mil milhões de patacas (mais 29 por cento em relação a Junho), assumindo-se como o segundo melhor mês do ano, seguido do mês de Maio (10,4 mil milhões de patacas). Isto, tendo em conta que Junho foi, até agora, o pior mês de 2021, com os casinos a contabilizarem receitas de 6,5 mil milhões de patacas, num resultado que coincidiu com a descida no número de visitantes devido a um surto comunitário de covid-19 na província de Guangdong.  Para os analistas da Bernstein, Vitaly Umansky, Louis Li e Kelsey Zhu, citados pelo portal GGR Asia,

teste negativo à covid-19 realizado nas 48 horas anteriores, a quem chegue ao aeroporto internacional de Macau vindo da China.

Talvez no fim do Verão

Lembrando que, à data de ontem, o número de províncias a partir das quais os visitantes têm de fazer quarentena à chegada a Macau subiu para oito, a Bernstein prevê que as melhorias ao nível das receitas brutas de jogo possam acontecer apenas no final do Verão. “Tendo em conta que os casos de covid-19 continuam a espalhar-se pela China e a baixa probabilidade de que a reabertura das viagens entre Macau e Hong Kong possa acontecer em breve, prevemos que as receitas brutas de jogo em Agosto desçam 60 por cento em relação a Agosto de 2019. Esperamos começar a ver melhorias ao nível das receitas brutas de jogo final do Verão, à medida que as restrições de viagem começarem a dissipar-se”, pode ler-se na nota da Bernstein, citada pelo GGR Asia. Pedro Arede

RECEITAS DE 106 MIL MILHÕES

Bernstein “Esperamos começar a ver melhorias ao nível das receitas brutas de jogo final do Verão.”

o aumento das receitas dos casinos em Julho ficou a dever-se “à recuperação do número de visitantes” alavancada pelo relaxamento de algumas medidas transfronteiriças no final

de Junho e início de Julho, por parte do Governo de Macau. No entanto, a pandemia continuou sem dar tréguas e, na segunda metade de Julho, o surgimento de

novos casos no Interior da China levou o Executivo a criar novas restrições de viagem, como a imposição de quarentenas à chegada a Macau ou a obrigatoriedade de apresentar um

Este ano os casinos do território devem encaixar cerca de 106,2 mil milhões de patacas (13,2 mil milhões de dólares americanos) em receitas brutas. A estimativa é do Deutsche Bank, que apresentou ontem uma revisão das previsões para 2021, após ter sido anunciado que em Julho as receitas do jogo tinham sido de 8,4 mil milhões de patacas. Anteriormente, a previsão do banco germânico apontava para receitas que rondassem os 132,6 mil milhões de patacas, semelhante ao previsto pelo Governo da RAEM, que no orçamento de 2021 apontou que as receitas iam ser de 130 mil milhões de patacas.


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Movimentos per Todos os fins-de-semana, até ao próximo dia 15, a praça Ponte e Horta, na zona do Porto Interior, é palco de performances artísticas que, recorrendo à dança e ao teatro, contam a história de uma das zonas mais icónicas do território. Chloe Lao, da Associação de Dança Ieng Chi, fala de um projecto que acontece em parceria com o CURB - Centro para a Arquitectura e Urbanismo

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HAMA-SE “Home, Sailing Home” e é uma iniciativa cultural da Associação de Dança Ieng Chi que, através das artes performativas de rua, pretende contar a história daqueles que chegaram a Macau e se foram estabelecendo um pouco por acaso. Todos os fins-de-semana, a partir das 17h, na praça Ponte e Horta, o público é convidado a seguir o percurso traçado por seis bailarinas, em que uma assume o papel de personagem principal. Ao HM, Chloe Lao, responsável pelo projecto e ligada à Associação de Dança Ieng Chi, falou de uma iniciativa desenvolvida em parceria com o CURB - Centro para a Arquitectura e Urbanismo, situado no atelier e espaço de exposições Ponte 9, do arquitecto Nuno Simões. Neste local vai também estar patente uma instalação artística.  “Focámo-nos no século passado, entre os anos 30 e 60, e sobre as vivências na zona do Porto Interior. Nesse período havia muitas pessoas vindas da China, Hong Kong e de outros países da Ásia que chegavam a Macau pelas mais diversas razões. A população cresceu imenso, e muitos dos nossos avós vieram para Macau nessa altura.” O nome da iniciativa remete para as vivências de quem chegou de barco com

alguma bagagem, alguns fugindo até da guerra, e acabou por ficar uma vida inteira. “‘Home, Sailing Home’ remete para a ideia [dos que chegavam e] inicialmente achavam que iam estar aqui apenas por um determinado período de tempo, mas que acabaram depois por ficar.” Mas Chloe Lao, que trabalhou como coreógrafa no passado, quis também contar as histórias das mulheres que vieram para as fábricas. “Mostramos ainda o lado das mulheres trabalhadoras que contribuíram muito para o desenvolvimento da indústria manufactureira em Macau. A história é essencialmente como os nossos pais e avós contribuíram com o seu trabalho, e com toda a sua vida, numa ligação com o mar.” Para este espectáculo a equipa realizou entrevistas com pessoas mais idosas que chegaram a Macau nesta altura. “O guião é um consolidar das histórias da velha geração”, frisou Chloe Lao.

Para miúdos e graúdos  

A entrada para os espectáculos, que se dividem por quatro zonas diferentes, é gratuita, sendo que os mesmos decorrem todos os sábados e domingos pelas 17h até ao próximo dia 15. O público tem sido composto por velhos e novos, que se revêem nas histórias que os pais contam em casa.

FOTOS ENERGY LAM

DANÇA “HOME, SAILING HOME” RECORRE ÀS ARTES PARA CONTAR A HISTÓRIA DO PORTO INTERIOR

“A maior parte das pessoas que assistem aos espectáculos são mais velhas, que têm aqui [zona do Porto Interior] o seu dia-a-dia. Esta zona tinha também muitas lojas de incensos e os mais velhos têm muitas memórias dos seus tempos de juventude, acabando por partilhar ideias do que viveram aqui quando eram mais novos. Estas pessoas trazem também os mais no- “A história é essencialmente como os nossos pais e avós contribuíram vos que compreendem es- vida, numa ligação com o mar.” CLOEE LAO ASSOCIAÇÃO DE DANÇA IENG CHI tas histórias, que são muito próximas das suas vidas.” Relativamente ao público de uma geração mais recente, as reacções são de satisfação. “Mesmo as crianças ficam contentes porque se identificam com as histórias que os pais lhes contaram. Então as reacções que recebemos é que as histórias reflectem os seus tempos de juventude. Estabelecemos uma ponte comunicacional com eles”, adiantou Chloe Lao. Para a responsável por este projecto, contar as histórias do Porto Interior através da dança “é uma forma mais poética” de o fazer, e que leva as pessoas a “compreenderem melhor” o que as bailarinas tentam transmitir através dos seus corpos e expressões. Andreia Sofia Silva e Pedro Arede

com o seu trabalho,


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, e com toda a sua

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HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Sempre-noiva Nome botânico: Polygonum aviculare L. Sinonímia científica: Polygonum heterophyllum Lindm. Família: Polygonaceae. Nomes populares: CARRIOLABASTARDA; CENTINÓDIA; CORRIOLA-BASTARDA; ERVADA-MUDA; ERVA-DA-SAÚDE; ERVA-DAS-GALINHAS; ERVADOS-PASSARINHOS; PERSICÁRIASEMPRE-NOIVA; SANGUINÁRIA; SANGUINHA; SEMPRE-NOIVA-DOSMODERNOS. Herbácea rastejante, a Sempre-noiva pode alcançar meio metro de altura nos seus caules finos e nodosos. Apresenta folhas lanceoladas e cachos de pequenas flores axilares cor-de-rosa ou brancas. Pode ser encontrada nos campos cultivados, terrenos incultos, berma dos caminhos e ao longo das praias das regiões temperadas de todo o Mundo. Utilizada como planta medicinal desde a Antiguidade, a Sempre-noiva foi mencionada por Dioscórides, o grande médico e botânico grego do século I d.C., que a recomendava «para os que arrancam sangue vivo do peito e para as que sofrem de menstruação excessiva»; também a considerava diurética e um remédio para as mordeduras de serpentes. No século XIX foi empregue no tratamento da tuberculose. Integra ainda medicina tradicional chinesa, há mais de 2000 anos. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas. Composição Taninos em grande quantidade, flavonóides (derivados do campferol, avicularina, hiperósido, isorramnetina luteolina, quercetina, quercitrina, quercitrósido, vitexina taxifolina, ramnetina), heterósidos furanocumarínicos (umbeliferona, escopoletol), ácido silícico, ácidos aromáticos, mucilagens, lignanos (aviculina) e óleo essencial. Acção terapêutica Planta de eleição em caso de hemorragias, a Sempre-noiva não só contrai os vasos sanguíneos, como fortalece as suas paredes, sobretudo as dos capilares, detendo assim as perdas de sangue. Estes efeitos são notórios em vários sistemas do organismo, com especial relevância para o sistema digestivo. No entanto, em caso de perdas de sangue de origem desconhecida é fundamental proceder ao seu diagnóstico de modo a tratar igualmente a causa e não apenas o sintoma, o que pode até ser perigoso… Além das suas propriedades hemostáticas (ou anti-hemorrágicas), esta erva é antioxidante, anti-inflamatória e an-

tidiarreica, sendo benéfica em caso de inflamações no tracto digestivo acompanhadas ou não de hemorragia: gastrite e úlcera gastroduodenal, gastrenterite, enterocolite, diarreia e disenteria. Tem ainda actividade laxativa e auxilia a expelir os vermes intestinais. A Sempre-noiva suaviza as mucosas respiratórias, fluidifica as secreções, favorece a sua eliminação e acalma a tosse; combate as bactérias, auxilia a baixar a febre e tonifica o organismo. Tem indicação na tosse e catarro, constipação, bronquite, asma e afecções febris. Está também indicada nas afecções pulmonares, pelo conteúdo em ácido silício que fortalece o tecido conjuntivo pulmonar, e nos suores nocturnos, e até na tuberculose, por inibir a sudação. Pode ainda ser administrada para deter as hemorragias de origem respiratória e reduzir o fluxo menstrual abundante. Outras propriedades Com acção diurética, a Sempre-noiva é recomendada em caso de retenção de líquidos, afecções urinárias, micção dolorosa, sangue na urina, nefrite, litíase, gota e reumatismo. Baixa a pressão arterial aos hipertensos e também é usada na diabetes. Pela actividade remineralizante é útil na artrose e consolidação de fracturas. Em uso externo, esta erva desinfecta, desinflama, acalma e suaviza os tecidos inflamados, detém os sangramentos e favorece a cicatrização de feridas e a cura de contusões. É empregue nas inflamações da pele e mucosas (feridas e úlceras, prurido, gengivite, estomatite, faringite, rinite, blefarite, conjuntivite, hemorróidas, vaginite) e como anti-transpirante. Como tomar Uso interno: • Decocção das partes aéreas floridas: 1 colher de sobremesa por litro de água, 10 minutos de fervura. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Nas afecções respiratórias adoçar com mel. • Decocção das partes aéreas floridas: 100 gramas por litro de água. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. Como remineralizante. • Também se encontra em ampolas para o reumatismo (fórmula de plantas). Uso externo: • Decocção das partes aéreas floridas: 100 gramas por litro de água. Em bochechos gargarejos, lavagens e compressas. Precauções Não são conhecidas contra-indicações, nem efeitos adversos ou tóxicos da planta.


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O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse que “a China deplora e rejeita o facto de as partes relevantes terem repetidamente feito comentários despropositados sobre os assuntos das RAE de Hong Kong e Macau” O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse que “a China deplora e rejeita o facto de as partes relevantes terem repetidamente feito comentários

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EQUIM restringiu ontem a entrada na cidade de pessoas oriundas de áreas consideradas de risco, na tentativa de proteger a capital chinesa dos surtos de coronavírus que afectam várias províncias do país asiático. Pelo menos 27 cidades em 18 províncias chinesas registaram nos últimos dias casos de Covid-19 por transmissão local - mais de 300 infecções, no total -, o que levou as autoridades de Pequim a “limitar o fluxo de passageiros” oriundos destas áreas, noticiou o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

MNE CONTRA INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA NOS ASSUNTOS DE MACAU

O seu a seu dono GCS

China opõe-se firmemente à interferência nos assuntos da Região Administrativa Especial (RAE) de Macau e nos assuntos internos da China por parte de quaisquer forças externas, disse na segunda-feira um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A 31 de Julho, o Tribunal de Última Instância de Macau decidiu rejeitar os recursos e manter a decisão da Comissão de Assuntos Eleitorais de excluir as suas listas de candidatos às próximas eleições. Os porta-vozes do Departamento de Estado dos EUA e do Serviço Europeu de Acção Externa manifestaram então a sua oposição à desqualificação dos candidatos.

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"Quero sublinhar que Macau é a RAE da China. A China continuará a assegurar resolutamente a implementação firme e sustentada da prática bem sucedida de ‘um país, dois sistemas’ com características de Macau. Entretanto, opor-nos-emos firmemente à interferência nos assuntos de Macau e nos assuntos internos da China por quaisquer forças externas", concluiu o porta-voz.

AS “VIAS DIPLOMÁTICAS ADEQUADAS”

despropositados sobre os assuntos das RAE de Hong Kong e Macau”. “As suas acções constituem uma grave violação do direito internacional e das normas básicas que regem as relações internacionais”, disse o porta-voz. “Apoiar a Lei Básica da RAEM da RPC e prometer

fidelidade à RAEM são os requisitos legais para os membros da Assembleia Legislativa”, explicou. Segundo o porta-voz, “a decisão do Tribunal de Última Instância da RAEM, baseada em leis e factos, implementou o princípio fundamental de ‘patriotas administram Macau’e salva-

guardou a ordem constitucional estabelecida pela Constituição e pela Lei Básica. Também manteve a eleição solene do sétimo mandato da Assembleia Legislativa de Macau livre de irregularidades, e demonstrou a justiça judicial e a autoridade da RAEM. A decisão relevante é apoiada por todos os sectores

Mais trancas na porta

Pequim restringe entradas na cidade para se proteger de surtos

Os voos e comboios de longa distância com destino à capital chinesa foram cancelados, enquanto as autoridades pediram à população de Pequim que não se desloque para regiões onde há casos por transmissão local.

Para sair de Pequim, é necessário apresentar um teste de ácido nucléico feito nas 48 horas anteriores à partida. Mais de 30 cidades emitiram avisos semelhantes, na tentativa de evitar uma disseminação massiva do vírus, já que a variante Delta, agora predominante, é altamente contagiante. Pequim confinou seis complexos residenciais no distrito de Haidian e dois no distrito de Fangshan após confirmar três casos entre residentes que viajaram para Zhangjiajie, na província

central de Hunan, cenário de um dos surtos ativos no país. As autoridades de saúde chinesas anunciaram ontem a detecção de 98 novos casos, nas últimas 24 horas, entre os quais 55 foram por contágio local, a maioria na província de Jiangsu.

Contenção activa

A actual vaga de infecções teve origem Aeroporto Internacional de Nanjing, a capital de Jiangsu, mas alastrou a outras províncias do país, até agora em pequena escala. Os restantes

em Macau, e nós apoiamo-la firmemente". “Desde o regresso de Macau, ‘um país, dois sistemas’ tem feito progressos notáveis. Os amplos direitos e liberdades de que goza o povo de Macau são plenamente protegidos por lei. Estes factos não devem ser distorcidos”, disse ainda o porta-voz.

casos locais distribuíram-se pelo município de Pequim (dois) e pelas províncias de Hunan (sete), Hubei (dois), Shandong (um), Henan (um), Hainan (um) e Yunnan (um), indicou a Comissão de Saúde da China. Especialistas do Centro de Controlo de Doenças da China indicaram este fim de semana que as medidas preventivas tomadas pelo país ainda são “eficazes” na contenção dos surtos, apesar de a variante delta ser mais contagiante. De acordo com a mesma fonte, a taxa de vacinação e a experiência acumulada de prevenção vão evitar um surto em larga escala em todo o país.

Lisboa alertou Pequim para “a importância da Lei Básica no processo de transição” de Macau, no contexto do afastamento de vários candidatos às eleições para a assembleia legislativa do território, revelou fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Instada a reagir à decisão do Tribunal de Última Instância (TUI), anunciada no sábado, de manter a exclusão dos candidatos pró-democratas ao parlamento local, a fonte do gabinete de Augusto Santos Silva indicou que “os recentes desenvolvimentos em Macau foram um dos pontos da agenda da recente reunião, por videoconferência, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da China, realizada no passado mês de Julho”. “Ambas as partes concordaram que Macau é um caso específico, que não pode ser comparado com nenhum outro - tendo Portugal relembrado a importância da Lei Básica no processo de transição - e que todas as questões relevantes são imediatamente tratadas pelas vias diplomáticas adequadas”, acrescentou a fonte oficial do MNE.

Cheias Sobe para 300 número de mortos

O número de mortos nas enchentes de 20 de Julho, no centro da China, foi ontem revisto para o triplo do balanço feito anteriormente, com as autoridades locais a relatar agora 302 mortos e 50 desaparecidos. As chuvas torrenciais que atingiram a cidade de Zhengzhou, capital da província de Henan, deixaram submerso em água partes do sistema de metro e um túnel rodoviário. As ruas transformaram-se em canais, com o rápido fluxo de água a arrastar carros e pessoas. A grande maioria das vítimas foi registada em Zhengzhou, onde 292 pessoas morreram e 47 estão desaparecidas. Outras dez pessoas morreram em três cidades da província, disseram as autoridades, em conferência de imprensa.


terça-feira 3.8.2021

uma asa no além

PAULO JOSÉ MIRANDA Se nas primeiras duas partes Swift reconfigura o nosso ponto de vista, isto é, coloca-nos na posição de vermos o nosso ponto de vista, fixo, nas terceira e quarta partes de As Viagens de Gulliver o autor vai realizar um outro movimento: o de mostrar aquela que é a nossa ilusão maior, a de pensarmos que somos animais racionais, de pensarmos que somos seres de razão. Há uma diferença radical entre ter razão e ser um ser de razão. Ser um ser de razão implicaria nunca ser fora dela, nunca agirmos contra ela. Isto seria ser um ser de razão, um ser racional ou, se preferirmos, um animal racional. Mas como isso não se passa, nós não somos animais racionais, mas animais que têm razão, assim como temos instinto. De qualquer modo, para que o leitor consiga seguir convenientemente os seus passos até esse movimento derradeiro levado a cabo na quarta parte, foi preciso existir uma terceira, que prepara o terreno. Assim, veja-se primeiro o que acontece na terceira parte do livro. Aqui, e depois da embarcação de Gulliver ter sido capturada por piratas e de o terem abandonado numa canoa com remos e vela em alto mar e provisões para quatro dias, o nosso herói consegue navegar até uma ilha completamente rochosa, que fazia parte de um grupo de ilhas. Gulliver foi viajando de ilha em ilha até que alcança a última destas ilhas. E é aqui que no dia seguinte a ter aportado, surge a ilha voadora. Uma ilha igual a todas as outras, com habitantes e terra, mas que voava. Esta ilha voadora ou flutuante chamava-se Laputa, que é onde a próxima aventura de Gulliver acontece, e que é toda a terceira parte do livro de As Viagens de Gulliver. Gulliver dá-se conta de quão estranhos são os seus habitantes. Mas do mesmo modo que eles eram estranhos a Gulliver, também este era estranho a eles. Para além da questão física, que nos é descrita pormenorizadamente, aquilo que mais importa é o comportamento. O mais extraordinário era que os habitantes traziam consigo um criado e todos eles carregavam consigo, segundo a descrição de Swift, e passo a citar: «bexigas, cheias de ar, presas, como um mangual, a um bastão curto que empunhavam. Cada bexiga tinha uma pequena quantidade de ervilhas secas ou seixos (como depois me informaram). De quando em quando, batiam com essas bexigas na boca e nas orelhas das pessoas que estavam perto, prática que então não compreendi. Segundo parece, o espírito destas pessoas está de tal maneira absorvido por especulações intensas que não podem falar nem ouvem os discursos alheios se não lhes chamarem a atenção por meio de algum contacto externo nos órgãos da fala e da audição. Por esta razão, as pessoas que podem têm sempre ao serviço da família um criado, que poderíamos designar por batedor (a palavra exacta é climenole), e nunca saem de casa nem fazem visitas sem a companhia deste empregado. O dever deste consiste, quando duas ou mais pessoas estão reunidas, em bater com a bexiga na boca do que tem de falar e na orelha direita daquele ou daqueles a quem se dirige o orador.» (pp. 150-1) De modo a que a nossa apresentação se torne mais fácil, imaginemos que se trata de uma fina vara. O professor Nuno Ferro, num texto acerca de Kierkegaard, escreve que «Sócrates é para Kierkegaard aquilo que ele foi, um

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As Viagens de Gulliver QUARTA PARTE moscardo incómodo, que funciona como os flappers, que Gulliver encontrou, que tinham por função bater com varinhas nos ouvidos dos pensadores absortos no pensamento, para que não esquecessem de ouvir quando os outros falam, e na boca, quando chegava a altura de falar. [...] Curiosamente, nós precisamos de quem nos recorde que existimos.» (p. 64) Sim, nós vivemos como se não existíssemos. Vivemos como se tivéssemos de seguir determinadas normas e comportamentos, como se a nossa existência não tivesse nada a ver connosco. Na verdade, de modo geral, nós não existimos, seguimos os outros. Não apenas o que vemos e o que ouvimos, mas também o que achamos que deve ser, sem qualquer investigação acerca do assunto. De modo geral, vivemos naquilo a que Kierkegaard chama de estádio estético da existência. Mas isto não é análise que caiba aqui. O que cabe aqui é que estes estranhos seres viviam num mundo à parte, e precisavam de alguém exterior a eles que os fizesse reparar ou darem-se conta do mundo e, concomitantemente, dos outros ao seu redor. Esta descrição deste estranho povo, se pensarmos bem, não nos é assim tão estranha quanto parece. É bem verdade que não andamos com batedores com varinhas ao nosso lado, a lembrarem-nos de quando temos de falar e de quando temos de ouvir. Mas bem que podíamos ter. Pois na verdade, e é isso que Swift percebe bem, de modo geral o humano está fechado em si mesmo sem prestar real atenção aos outros ou até a si mesmo. Nós na verdade não prestamos atenção a nada. A nossa atenção

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está continuamente a ser diluída em outra atenção à frente e assim por diante sem que nos detenhamos no que quer que seja. E se isto ao tempo de Swift era completamente claro para ele, nos nossos dias de smartphones e de computadores é escandalosamente visível para todos nós. Este povo somos nós, na verdade, povo esse, que só mais tarde entendemos, é o oposto do povo dos cavalos, na quarta parte do livro. Nós não somos apenas os yahoos da quarta parte do livro – como se verá nas próximas semanas –, nós somos também e muito claramente este povo que precisa de um criado a bater em cada um dos habitantes, para que eles ouçam e falem apropriadamente, isto é, quando devem fazer uma ou outra coisa. Veja-se como Swift descreve este povo de Laputa: «[A despeito de se expressarem matemática e musicalmente, através de números, linhas e sons] São pouco racionais, entregandose com veemência à contradição – a não ser quando estão certos das suas opiniões, o que é raro.» (154) Mas veja-se mais duas passagens. A primeira acerca daquilo que mais tarde irá aparecer em Kierkegaard como «tagarelice» e «loquacidade» e em Heidegger como «falatório» e «ambiguidade». Leia-se: «[Este povo analisava] constantemente os negócios públicos, fazendo críticas a problemas do Estado e discutindo apaixonadamente todos os pormenores dos programas dos partidos políticos.» (154) Depois de uma aproximação a alguns matemáticos europeus, a que voltaremos, Swift remata: «Mas inclino-me mais para a ideia de que esta condição nasce de um mal muito comum na natureza humana, que nos leva a sentirmo-nos sempre curiosos e vaidosos em assuntos de que nada percebemos e para os quais estamos menos preparados, quer pelo estudo, quer pela nossa própria natureza.» (154-5) Esta contraposição entre Gulliver e os habitantes de Laputa acaba por ter em nós um efeito de espelho, pois aquilo que Switf descreve – e que agora Gulliver vê fora de si – é aquilo que é descrito como «um mal muito comum na natureza humana», a saber, a curiosidade, que contrariamente ao que se julga não é uma estrutura boa, mas má, pois conduz-nos a saltar de uma coisa para outra continuamente, sem nos determos em nada. Entregues à curiosidade somos levados a nunca aprofundar nada, a estarmos continuamente na superfície das matérias que nos despertam a atenção. O que conduz a maioria das vezes a julgarmos que sabemos na verdade acerca daquilo que falamos, quando não passa de completa superficialidade. É aqui que reside a ambiguidade, julgamos saber o que não sabemos. Hoje, com as redes sociais, isto ficou muito mais claro que nunca. E é isto precisamente que Gulliver nos relata. Ao ver fora de si aquele comportamento pelos habitantes de Laputa, fora do humano ou do modo como usualmente se é humano, Gulliver vê-se a si mesmo como se estivesse face a um espelho. Antes do encontro com os habitantes de Laputa, Gulliver não se dera conta de que a natureza humana funciona assim na maioria do tempo, mas vendo agora fora de nós, em outros, aquilo que somos, isso tornou-se claro. Como ele mesmo escreve «um mal muito comum na natureza humana». Torna-se cada vez mais claro que estas viagens de Gulliver mais do que viagens a terras exóticas, são viagens ao humano, às estruturas do humano. Swift está a dizer-nos claramente que nós somos para nós mesmos mais desconhecidos do que as terras longínquas que descobríamos com embarcações. (Continua na próxima semana)


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RATCHET AND CLACK: RIFT APART | INSOMNIAC GAMES

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FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tom McGrath Com: Alec Baldwin, Jeff Goldblum, Ariana Greenblatt, Jimmy Kimmel 14.30, 16.30, 19.30

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BLACK WIDOW [B]

Um filme de: Cate Shortland Com: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour 21.30

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THE BOSS BABY: FAMILY BUSINESS [B]

Lançado em Junho deste ano para PlayStation 5, Ratchet and Clack é o 16.º jogo da saga que acompanha Ratchet, um felino humanóide da raça Lombax, e Clank, um robot desertor da espécie Zoni. Neste shooter, Ratchet inventa um aparelho para viajar entre diferentes dimensões,

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LUCA [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.15

BUTT DETECTIVE THE MOVIE: THE CASE OF THE COURAGEOUS CURRY + MYSTERY OF THE LADYBUG RUINS [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroki Shibata 16.00

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OLD [C]

Um filme de: Jaume Collet-Serra Com: Dwayne Johnson, Emily Blunt, Edgar Ramírez 14.15, 16.45, 19.05, 21.30

Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Gael García Bernal, Vicky Krieps, Rufus Sewell 17.30, 19.30, 21.30

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que lhe vai permitir procurar a sua raça, que é tida como extinta, e mais concretamente a sua família. No entanto, o que parecia uma boa ideia rapidamente corre mal e Ratchet dá por si preso numa dimensão diferente e no meio de uma João Santos Filipe luta entre dois povos.

JUNGLE CRUISE

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

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macau visto de hong kong

opinião 11

David Chan

CHEUNG KA LONG O ATLETA DE Hong Kong Cheung Ka Long ganhou a medalha de ouro na modalidade de esgrima nas Olímpiadas de Tóquio. Esta vitória foi um acontecimento na China e em Hong Kong e uma honra para todos nós. Cheung nasceu e cresceu em Hong Kong. Ambos os progenitores eram jogadores de basquetebol. Tendo nascido numa família de desportistas, Cheung teve sempre muito apoio ao nível formativo e competitivo. Cheung é um atleta do mais alto nível. Iniciou a carreira em 2014 e foi acumulando vitórias nas diversas competições em que participou. Nestas Olímpiadas, bateu um adversário por 9-14. É impossível um atleta estar em vantagem em todos os momentos da competição. Há alturas em que o seu adversário o ultrapassa. Mas quando está em desvantagem Cheung demonstra calma, altera a estratégia, contra-ataca e acerta todos os golpes. Foi assim que obteve a medalha de ouro, após seis golpes certeiros consecutivos. Nas competições de esgrima a possibilidade de conseguir mais pontos do que o adversário é muito maior do que noutras modalidades. Assim sendo, todos os esgrimistas compreendem que a partida se pode resolver muito antes do final. Mas Cheung soube adaptar-se rapidamente e nunca desistiu. Este tipo de atitude competitiva é fundamental. Cheung não só bateu o recorde da equipa de Hong Kong, como trouxe a medalha de ouro para a China e para Hong Kong. Esta medalha de ouro não é uma simples medalha. É a primeira medalha de ouro olímpica obtida por Hong Kong após o regresso à soberania chinesa, e a segunda de sempre. Em 1996, a atleta Li Lishan ganhou a primeira medalha de ouro olímpica para Hong Kong, tendo feito História com o seu feito. Os grandes talentos surgem apenas de tempos a tempos. Vinte e cinco anos mais tarde, Cheung ganhou a medalha de ouro na modalidade de esgrima. Cheung tornou-se famoso do dia para a noite e recebeu o respeito e o afecto de todos. Várias organizações de Hong Kong prontificaram-se a oferecer-lhe prémios e bónus. A “Henderson Elite Athlete Recognition Program” ofereceu-lhe 5 milhões e a Lin Dahui Middle School Supervisor and Chairman of the Sports Institute ofereceu-lhe 2,5 milhões para o ajudar a comprar uma casa. A transportadora Kowloon Bus Company deu-lhe um passe válido por um ano. A MTR Corporation Limited deu-lhe um passe vitalício e a Pricerite Furniture Company ofereceu a Cheung a toda mobília para decorar a casa. Estas generosas ofertas revelam que Cheung ganhou fama e fortuna. Será que a conquista da fama e da fortuna pode atrair os jovens para se tornarem atletas profissionais e mais tarde ganharem medalhas de ouro nas competições olímpicas?

Quem quiser ser atleta profissional tem de ter paixão pelo desporto e bastante determinação e também necessita de avaliar se consegue submeter-se a treinos rigorosos

Quem quiser ser atleta profissional tem de ter paixão pelo desporto e bastante determinação e também necessita de avaliar se consegue submeter-se a treinos rigorosos. É preciso não esquecer que a dureza dos treinos pode vir a alterar a paixão inicial.

Se as respostas a estas questões foram afirmativas, a pergunta que se segue é a seguinte: porque é que queres abraçar uma determinada modalidade desportiva e vir a ser um atleta profissional? Existem muitas motivações que levam as pessoas a tornar-se atletas, não podemos generalizar. As pessoas tornam-se atletas profissionais devido à sua paixão pelo desporto e também devido às suas preferências. Claro que não têm necessariamente de sentir a pressão de ganharem uma medalha de ouro nas Olimpíadas. É também necessário providenciar o futuro após o final da carreira. Afinal de contas, a idade tem consequências no desempenho físico. Quanto mais velhos ficamos menos aptos para o desporto estaremos. Este factor tem menos impacto nos atletas profissionais que não aspiram a medalhas. Os atletas profissionais que aspiram a medalhas de ouro nas Olimpíadas têm mais questões a considerar. Este tipo de atletas tem de se submeter a treinos árduos todos os dias, para conseguir dar o seu melhor. Só existe uma medalha de ouro para cada modalidade, pelo que apenas uma pessoa a pode ganhar. Toda a gente

fica a conhecer os atletas que ganham as medalhas de ouro nas Olimpíadas e ouve os aplausos que recebem, mas quem ouve o choro dos atletas vencidos? Por detrás do choro existe muita tristeza e muito suor. Nesta medida, após completarem o treino diário, os atletas de alta competição deveriam dedicar-se a outras aprendizagens profissionais. Quando se retirarem do desporto, podem ter outra forma de sobrevivência e não deitarão tudo a perder. Quem tem este tipo de mentalidade pode mitigar a tristeza por não ter ganhado uma medalha de ouro e também pode viver confortavelmente depois de se retirar. O desporto é apenas uma parte da vida e a vida tem de continuar. Os atletas de alta competição precisam de saber enfrentar a desilusão da derrota e de saber procurar o seu próprio caminho, para que não venham a ter dificuldades depois de se retirarem da modalidade. Só com a preparação adequada se pode captar mais jovens para o desporto. Esperamos que os atletas de Macau também possam vir a ganhar medalhas de ouro Olímpicas num futuro próximo.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“O sábio procura a sabedoria, o tolo encontrou-a.” PALAVRA DO DIA

Georg Christoph Lichtenberg

terça-feira

3.8.2021 episódio 49

O Jogo das Escondidas

HOJE MACAU

Sorteio Ordem das listas eleitorais decide-se hoje

um folhetim por Fernando

Na sequência da confirmação da exclusão de três listas de candidatura por parte do Tribunal de Última Instância (TUI) e da publicação da lista final de candidatos, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) anunciou que será realizado hoje o sorteio das respectivas candidaturas para determinar a ordem nos boletins de voto. Contas feitas, após o processo de desqualificação existem, no total, 14 listas, com 128 candidatos ao sufrágio directo das eleições para a 7.ª Assembleia Legislativa, e cinco listas com 12 candidatos no sufrágio indirecto. Através de uma nota divulgada ontem, a CAEAL lembra ainda que, a partir do dia 28 de Agosto e até às 24 horas da antevéspera do dia das eleições (10 de Setembro), está aberto o período destinado às actividades de propaganda eleitoral. Até lá decorre o “período de proibição de propaganda”, vinca a CAEAL.

Eleições Associações apoiam decisão do TUI

A maioria das associações tradicionais mostraram apoio à decisão do Tribunal de Última Instância (TUI) de manter a exclusão dos candidatos excluídos pela comissão eleitoral de participar nas eleições de Setembro. De acordo com o jornal Ou Mun, os presidentes da Associação Comercial de Macau, Federação das Associações dos Operários de Macau, Associação Geral das Mulheres, Kaifong e Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau consideraram que a decisão do TUI foi “imparcial” e tomada para assegurar o princípio “Macau governado por patriotas”. Segundo a mesma fonte, a presidente da Associação das Mulheres, Lam Un Mui, vincou ainda que a decisão não vai colocar entraves à garantia da liberdade de expressão. Por seu turno, o presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, Ieong Man Un, sublinhou que a decisão é correcta pois assegura que os jovens não são manipulados ou controlados por aqueles que têm más intenções.

SMG Baixa pressão faz içar sinal 1 de tempestade tropical

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Os Serviços de Meteorologia e Geofísica (SMG) içaram ontem, às 19h, o sinal 1 de tempestade tropical, devido à formação de uma depressão tropical, localizada a oeste na costa de Guangdong. À hora do fecho da edição, as autoridades previam que a possibilidade de elevar o alerta para sinal 3, entre a noite de hoje e a manhã de quarta-feira, era “relativamente baixa a moderada”. A tempestade tem vindo a intensificar-se ao longo do tempo, ao mesmo tempo que se desloca para leste, em direcção a Macau. De acordo com os SMG, o fenómeno “vai trazer tempo instável para a parte norte do Mar do Sul da China e para a costa de Guangdong”. A partir de hoje e, pelo menos, até sábado, estão previstos aguaceiros fortes e trovoadas ocasionais.

Wong Kit Cheng não comentou o caso, para proteger a privacidade das pessoas em causa. Porém, confirmou ter recebido a mulher, prestado aconselhamento e encaminhado o caso para as entidades competentes

De coração apertado Alegado rapto de bebé leva mãe a procurar ajuda de Wong Kit Cheng

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O domingo à tarde, uma mulher aflita publicou num popular grupo de Facebook uma mensagem a dar conta do alegado rapto do seu filho bebé, pela família do pai. De acordo com o relato, um dia, enquanto não estava em casa, o marido foi a sua casa e levou o bebé de cinco meses. Desesperada, e há dez dias (no domingo) sem saber o paradeiro do filho, resolveu publicar a história num grupo com mais de 27 mil membros, depois de pedir ajuda à Polícia Judiciária, ao Movimento Católico de Apoio à Família e ao Instituto de Acção Social. Além disso, recorreu ao gabinete da deputada Wong Kit Cheng. O HM contactou a deputada e representante da Associação Geral das Mulheres

que não comentou o caso, para proteger a privacidade das pessoas em causa. Porém, confirmou ter recebido a senhora, prestado aconselhamento e encaminhado o caso para as entidades competentes. A mulher é uma trabalhadora não-residente, oriunda de Hong Kong, empregada numa loja de animais. Segundo o relato, tanto o marido como os sogros deixaram de atender as chamadas telefónicas ou responder a mensagens no WeChat. Finalmente, o marido terá, alegadamente, respondido de forma breve, dizendo que o bebé estava vivo e bem de saúde. Foi-lhe também negado o pedido de envio de fotografias ou vídeos da criança.

Nariz na porta

Na semana passada, recebeu uma mensagem do marido a dizer que tinha mandatado

um advogado para tratar dos procedimentos do divórcio e de requerer a custódia do filho. Assim sendo, na sexta-feira, dirigiu-se à casa da família do marido e, depois de ouvir barulho que denunciava a presença de pessoas, bateu à porta. Ajudada pela alegada persuasão do porteiro e um agente policial que a acompanharam, finalmente, o sogro abriu a porta. Porém, este ter-se-á escusado a atender à vontade da mãe, que solicitava ver a criança. Segundo a senhora, o sogro terá afirmado pertencer à Polícia Judiciária, estatuto que terá feito com que o agente da polícia que acompanhava a mulher se retirasse. A porta fechou-se de seguida. O HM entrou em contacto com a mulher, mas, até ao fecho da edição, não obteve resposta. Nunu Wu com J. L.

Sobral

12. Às vezes as coisas são o que parecem. Para Ding Ling isso era óbvio. Sentiu a presença de Bei Li e o seu corpo ganhou vida. Olhou para a bracelete de jade verde que Amoroso lhe oferecera e colocou-a no pulso esquerdo. Era luz num mundo de escuridão, onde forças contrárias se opunham. Como num poema antigo chinês, sentia-se muitas vezes a dançar com a sua própria sombra. Mas, em momentos como aquele, parecia que a vida poderia ser um romance. A vida era sempre a história de um caminho e de um caminhante. A dela, sempre entre a força da água e a do fogo. Não sabia, nem podia renunciar, à missão a que se comprometera. Mas olhava para Amoroso ou para Bei Li e sentia que havia um espaço para a esperança. Nas longas noites observava muitas vezes aqueles que no “Noite Tranquila” buscavam a fortuna e que estavam perdidos num mundo sem passado e sem futuro. Presos por fios num presente onde eram simples marionetas. Personagens de um jogo de sombras que não manipulavam. Eram refugiados do tempo, sobreviventes de um mundo que não tinha contemplações, muitas vezes fantasmas de si próprios, incapazes de ver o reflexo dos seus fracassos. Jogavam a vida numa noite. Viam-se ali, com dinheiro e com uma garrafa e uma mulher nas mãos, e julgavam-se eternos. E senhores de algo que nunca seria seu. Tal como aqueles que se viam ao espelho e imaginavam ser estadistas ou líderes. Mas então chegava o vento forte e destruia esse país de fantasia onde reinavam. A quem é que interessava a verdade? A ninguém. Bei Li aproximou-se e passou-lhe a mão pelo pescoço e pelo cabelo. Arrepiou-se e Bei Li não deixou de notar isso. - Os nossos homens estão prontos, Ling. - Está na hora, não é? Pensas que temos a hipótese de sobreviver a tudo isto? Penso nas coisas que destruí para chegar a este momento. - Que destruímos. - Não me esqueço de ti, querida Bei Li. A confiança é uma coisa estranha. Quando te conheci percebi que haveria uma ligação indestrutível entre nós. Não me enganei. - Nem eu. - Sim, foi um prémio para ambas. Porque muitos vêem a vida como um tráfico. É certo que passamos a vida a fazê-lo. Traficamos tudo. Mercadorias, ideias, afectos, recordações, amizades. Alguns fazem-no por gosto. Outros, por necessidade. Outros ainda por obrigação. Nós traficamos confiança e lealdade. É uma coisa bela. (continua)

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Hoje Macau 03 AGOSTO 2021 #4823  

Nº 4823 de 03 AGOSTO de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

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