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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TERÇA-FEIRA 3 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4084

MOP$10

PONTE HZM

ÀS TRÊS PANCADAS PÁGINA 8

PUB SOFIA MARGARIDA MOTA

Ainda não foi desta PUB

PÁGINA 6

Ir e BIR O último relatório do CCAC arrasa o IPIM quanto à avaliação de pedidos de residência pela via do investimento. Foram atribuídos BIR a pessoas que criaram empresas falsas, que deram como locais de sede apartamentos arrendados e que falsificaram documentos de habilitações académicas. Lionel Leong espera um relatório do IPIM e diz que há espaço para melhorar. GRANDE PLANO

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

SULU SOU

hojemacau


2 grande plano

3.7.2018 terça-feira

CCAC

OS VERDADEIROS I NVESTIMENTOS demasiado baixos, imóveis adquiridos para se fazerem passar por sedes de empresas, mas que, na verdade, só serviram para arrendar a particulares. Estes são alguns dos casos detectados no relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) ontem divulgado, e que aponta o dedo ao trabalho do Instituto de Promoção do Investimento e Comércio de Macau (IPIM) quanto aos pedidos de fixação de residência temporária de investidores, quadros dirigentes e técnicos especializados ou aquisição de imóveis. É de frisar que a obtenção de residência através da aquisição de imóveis está suspensa desde 2007. O relatório dá conta da criação de empresas fictícias que, no fundo, nunca geraram receitas ou empregaram pessoas. Na verdade quem apresentou os pedidos junto do IPIM terá adquirido imóveis para arrendar a terceiros, tendo declarado a esta entidade que as fracções serviam como sede da empresa. “O CCAC descobriu que alguns requerentes apresentaram um documento denominado ‘projecto de investimento’, conseguindo assim obter a autorização de residência temporária”, lê-se no relatório. Posteriormente, aquando da renovação dos pedidos, e “para conseguiram obter uma simulação da implementação efectiva do projecto de investimento, os mesmos apresentaram certidões de registo predial relativas a imóveis adquiridos em nome dessas sociedades”. Desta forma, os requerentes “aproveitavam-se da prática adoptada pelo IPIM no sentido de dar valor aos investimentos em imóveis na apreciação dos pedidos, conseguindo obter, de forma fraudulenta, a autorização de residência temporária através de projectos de investimento falsos”. O CCAC dá o exemplo de uma pessoa que apresentou o seu pedido para a obtenção de residência temporária através de um “projecto de investimento relevante”, que visava a abertura de uma sociedade de construção civil com o montante de investimento na ordem das 2.842.290 de patacas. Neste caso, não só o requerente como os três membros do seu agregado familiar

“Não se pode excluir a possibilidade de haver quem não tenha na realidade qualquer intenção de investir em Macau e pretenda somente aproveitar a aquisição de um imóvel... tendo como objectivo final a obtenção do direito de residência em Macau.”

TIAGO ALCÂNTARA

O último relatório do Comissariado contra a Corrupção põe a nu irregularidades cometidas pelo Instituto de Promoção de Investimento e Comércio na avaliação dos pedidos de residência no território pela via do investimento. Há casos de pessoas que obtiveram BIR através da criação de empresas fictícias quando, no fundo, apenas adquiriram imóveis para arrendar

EMPRESAS FICTÍCIAS SERVIRAM PARA COMPRAR CASA, ARRENDAR E OBTER BIR

“Parece estar aberta uma porta que facilita a obtenção, de forma fraudulenta, de autorizações de residência temporária através de investimentos falsos ou até mesmo da criação de ‘empresas fictícias.’” RELATÓRIO DO CCAC

conseguiram obter o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) de forma temporária. Quando renovou essa documentação, “o referido indivíduo apresentou informações de registo predial relativas a duas fracções destinadas a escritórios adquiridas em nome da sociedade de construção, para servir de prova da implementação do projecto de investimento”. Contudo, essas fracções foram arrendadas. “O CCAC descobriu que as fracções destinadas a escritórios foram, desde a sua aquisição, arrendadas a terceiros, não constituindo as mesmas o

domicílio comercial da sociedade em causa, como foi declarado pelo requerente.” No entanto, o IPIM autorizou os pedidos da renovação de residência temporária sem que, para o efeito, tivesse confirmado, mediante vistoria in loco, o facto de a referida sociedade de construção funcionar efectivamente nas duas fracções destinadas a escritórios acima mencionadas, ou sequer confirmado a autenticidade dos demais documentos relativos ao funcionamento da sociedade. O relatório revela ainda outro exemplo, em que duas irmãs entregaram junto do IPIM dois projectos

INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2015

O

CCAC iniciou esta investigação em Dezembro de 2015 depois de ter recebido uma série de denúncias e queixas ligadas à “imigração por investimentos relevantes” e a “imigração por fixação de residência dos técnicos especializados”. Nesse processo, “puseram-se em causa os critérios adoptados e a legalidade das decisões de alguns casos de pedidos

de residência temporária”. “Foram reveladas situações ilegais de obtenção de residência temporária através de investimentos simulados, falsas contratações de pessoal, falsas habilitações académicas e falsas informações sobre o pagamento de contribuições para o Fundo de Segurança Social”, explica o relatório.

de investimento para a criação de uma sociedade de comércio de importação e exportação de produtos electrónicos, com montantes de quase três milhões de patacas. As duas irmãs e mais três pessoas do seu agregado familiar conseguiram obter o BIR mas, mais uma vez, as duas fracções adquiridas para escritório e armazém foram sempre arrendadas.

IPIM NÃO VISITOU LOCAIS

Estas fraudes foram descobertas porque os fiscais do IPIM não têm poder legal para visitar, in loco, as moradas declaradas pelos requerentes da residência, de acordo com o relatório do CCAC. “O IPIM referiu que é apenas um serviço administrativo sem competências de fiscalização e aplicação da lei neste contexto, pelo que é difícil realizar verificações profundas relativamente aos pedidos.” O relatório “apurou que o IPIM tem vindo a verificar a implementação ou não de projectos de investimento de requerentes através da consulta dos registos comerciais, contas de empresas


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NÃO RESIDENTES e registos da contribuição para a segurança social dos requerentes, não enviando o seu pessoal para efectuar a verificação in loco dos locais de funcionamento declarados pelas empresas dos requerentes, nem possui um mecanismo de inspecção regular”. Na opinião do CCAC, “parece estar aberta uma porta que facilita a obtenção, de forma fraudulenta, de autorizações de residência temporária através de investimentos falsos ou até mesmo da criação de ‘empresas fictícias’. Na visão do organismo liderado por André Cheong, o IPIM “tem responsabilidades na confirmação da veracidade dos documentos requeridos e na fiscalização da realização dos projectos apresentados, uma vez que se tratam de elementos essenciais na apreciação dos pedidos, e são também obrigações que os serviços públicos têm de cumprir”.

AGÊNCIAS FIZERAM NEGÓCIO

Entre 2008 e 2017 foram registadas 11 sociedades “cujas actividades de exploração incluíam

‘investimento e desenvolvimento imobiliário’ ou actividades afins”, escreve o CCAC. Apesar do Governo ter suspendido a medida de obtenção da residência pela via da aquisição de imóveis em 2007, a verdade é que em 2006 ainda houve 12 pedidos,

sendo que o valor subiu para 35 no ano seguinte, “além do mais, registou-se uma tendência crescente nos anos seguintes”, aponta o relatório. Foi também descoberto pelo CCAC que “existem mediadoras imobiliárias que estabeleceram

uma relação entre a ‘imigração por investimentos relevantes’ e as actividades originadas da mesma, tornando isto num negócio. Primeiramente, uma empresa era estabelecida e registada por um responsável da empresa mediadora e, posteriormente, as acções

da mesma seriam alienadas a um requerente”. Além disso, “seria dado também apoio ao requerente para que este pudesse pedir a autorização de ‘imigração por investimento’ junto do IPIM, tendo como fundamento aquelas acções”. “Simultaneamente, eram prestados serviços, tais como os referentes às declarações fiscais, ao recrutamento de trabalhadores, à compra, venda e arrendamento de prédios/fracções, disponibilizando-se assim um serviço do tipo ‘one-stop’”, conclui o relatório. Após a suspensão da política do investimento através da aquisição de imóveis, em 2007, o CCAC detectou, com base em dados estatísticos do IPIM, um aumento dos pedidos de “imigração por investimentos relevantes”. Apesar de não conseguir detectar uma ligação entre estes dois factores, é referido que “não se pode excluir a possibilidade de haver quem não tenha na realidade qualquer intenção de investir em Macau e pretenda somente aproveitar a aquisição de um imóvel como se tratando de um ‘projecto de investimento relevante’, realizando um investimento falso para adquirir na realidade um imóvel, tendo como objectivo final a obtenção do direito de residência em Macau”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

EMPRESAS CRIADAS COM INVESTIMENTO INICIAL ABAIXO DO VALOR MÍNIMO

A

LÉM dos casos de empresas fictícias que foram criadas para a obtenção de residência e aquisição de casas, a investigação do CCAC revelou ainda que muitas apresentaram valores de investimento inicial abaixo do que a lei permite desde Novembro de 2015, ou seja, 13 milhões de patacas como valor mínimo de referência. Antes, esse valor cifrava-se nas 1,5 milhões de patacas. “Há 28 casos de pedidos de residência temporária através da ‘imigração por investimentos relevantes’ que são inferiores a 1,5 milhões de patacas, representando 15,7 por cento do número total.” A título de exemplo o relatório aponta uma empresa a operar na área de produção de espectáculos, cujo valor de investimento

se cifrou nas 142.376 patacas. Houve ainda uma sociedade anónima de lavandaria cujo valor de investimento para a aquisição de participações foi de 379.686 patacas, entre outros casos semelhantes. O CCAC conclui que “os valores de investimento declarados pelos requerentes são bastante inferiores quando comparados com o valor mínimo de referência de investimento de 1,5 milhões de patacas fixado nas instruções internas emitidas pelo IPIM, não sendo elevados os montantes dos investimentos realizados”. Além disso, o CCAC alerta para o facto de terem sido aceites projectos ligados a áreas mais tradicionais e não a novos campos económicos. “Os investimentos em causa foram realizados em projectos tradicionais,

nomeadamente os que envolvem a realização de espectáculos, a aquisição de bens, lavandarias, serviços de câmbio ou agências de viagens, não estando em causa os sectores das novas tecnologias ou das indústrias criativas e culturais que o Governo da RAEM está determinado a desenvolver.” Na visão do CCAC, “entende-se que, antes de se ter elevado o montante mínimo de referência para investimento até aos 13 milhões de patacas, os montantes de investimentos nos projectos autorizados foram, de um modo geral, relativamente baixos, sendo que as áreas sobre as quais recaíam tais investimentos foram maioritariamente as indústrias tradicionais, tais como a restauração, o turismo, o comércio ou a construção”.


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3.7.2018 terça-feira

CCAC IPIM NÃO VERIFICOU DADOS FALSOS E TEMPO DE PERMANÊNCIA DAS PESSOAS

Na terra do faz de conta No processo de atribuição de residência temporária através da fixação de quadros qualificados, foram apresentados dados falsos, incluindo competências académicas. O CCAC descobriu que o IPIM não verificou, sequer, o tempo de permanência dos requerentes em Macau, que foi, em muitos casos, demasiado curto

O

S pedidos de atribuição de residência temporária junto do Instituto de Promoção e Investimento do Comércio de Macau (IPIM) pela via dos quadros qualificados também têm registado uma série de irregularidades, de acordo com o relatório do CCAC. A saber, a apresentação de dados falsos, contratações que nunca existiram e não verificação

O

secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, disse ontem, à margem de uma iniciativa na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, que o Instituto de Promoção do Investimento e Comércio de Macau (IPIM) terá de apresentar um relatório intercalar ainda este mês em reacção às críticas apontadas pelo CCAC. “Reconhecemos o trabalho do CCAC e concordamos com as recomendações. Em 2015 já tínhamos pedido

do tempo que os requerentes permanecem, de facto, no território. O relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) revela que existem “casos em que os requerentes não possuíam as devidas habilitações académicas, não possuíam a formação profissional adequada aos respectivos postos de trabalho”, existindo ainda situações em que “as profissões dos requerentes não eram da

natureza de quadros dirigentes ou de técnicos profissionais”. Neste sentido, houve um “certo número de pedidos que foram formulados pelos requerentes na qualidade de administradores, directores-gerais, directores financeiros, entre outros, de empresas de offshore constituídas em Macau”. Para o CCAC, há dúvidas relativamente “às funções exercidas por alguns requerentes nas sociedades indicadas”, além de que existem “requerentes que não possuíam habilitações do ensino superior”. Mais uma vez o IPIM não terá verificado as capacidades académicas dos requerentes. Por norma são pedidos documentos compro-

vativos, mas houve casos em que as pessoas que realizaram os pedidos se limitaram a “enumerar a sua experiência profissional obtida no passado, não tendo apresentado nenhum documento comprovativo”. Nestes casos, “o IPIM, na ausência de qualquer confirmação da situação, transcreveu directamente para a proposta o conteúdo da experiência profissional e antiguidade declarado pelo próprio requerente”.

AUSENTES DO TERRITÓRIO

Todos os portadores do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) não permanente devem ficar em Macau por um período mínimo de seis meses. Contudo, dos 600

“O IPIM, na ausência de qualquer confirmação da situação, transcreveu directamente para a proposta o conteúdo da experiência profissional e antiguidade declarado pelo próprio requerente.” RELATÓRIO DO CCAC

A emenda ao soneto

IPIM terá de apresentar relatório sobre novas medidas este mês

ao IPIM para fazer uma apreciação e avaliação para se aperfeiçoar os procedimentos. Já tínhamos aumentado o valor de investimento inicial para 13 milhões, o que vai de encontro ao que o relatório refere”, disse aos jornalistas. Apesar das falhas, o secretário garantiu que as políticas de captação de investimento são para conti-

nuar. “Não vamos parar. Em 2015 já tínhamos feito aperfeiçoamentos, e em 2016 e 2017 houve uma redução dos casos autorizados. Isto prova que há uma fiscalização, mas claro que há espaço para melhorar.” “Precisamos de técnicos especialistas e sabemos qual a sua importância”, frisou Lionel Leong. “Não podemos ter medo e deixar

de semear só porque temos medo dos pardais. Devemos melhorar, tendo em conta a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau porque será necessário aumentar o quadro de talentos. A questão é como devemos atrair as pessoas certas para os lugares certos, isso é que é o mais importante”, rematou. No seu relatório, o CCAC sugere algumas

requerentes da residência temporária, um total de 100 pessoas, terão estado “ausentes de Macau por um longo período de tempo, ou permaneceram anualmente em Macau somente por um período de tempo extremamente curto”. Além disso, registaram-se situações em que o trabalho desempenhado pelos requerentes “não corresponde ao dos seus postos de trabalho aprovados, e situações em que o trabalho desempenhado por alguns requerentes nada tem a ver com Macau, entre outras, o que deveria suscitar a atenção da entidade competente para aprovação dos pedidos em causa”. O CCAC alerta para o facto da lei em vigor não regulamentar a duração da estadia para estes casos de pedidos de residência temporária, nem o IPIM define um período. Em alguns casos, “a ausência prolongada de Macau dos requerentes, após lhes ser atribuída a autorização de residência temporária, viola a intenção legislativa original relativamente à atracção de quadros dirigentes e técnicos especializados com o intuito da promoção do desenvolvimento económico e social de Macau”.

mudanças nos diplomas em vigor, bem como o reforço do papel de fiscalização do IPIM. Lionel Leong prometeu analisar, na sua tutela, como poderá ser feito esse trabalho legislativo. “Haverá partes nos regulamentos administrativos e leis que talvez precisem de uma revisão. O Governo está confiante na diversificação da economia e esses quadros são precisos para isso”, apontou. Quanto às irregularidades registadas no passado, o secretário referiu que

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

muitos casos já foram encaminhados para o Ministério Público para mais investigação. “Pode ter havido casos em que nos falhou alguma coisa ou não descobrimos. Temos de aperfeiçoar o regime. Do que sei, o próprio IPIM quer fazer o trabalho de revisão e reforçar a revisão dos pedidos. Também vão mobilizar o pessoal para o fazer. Espero que em finais de Julho possa ter o relatório porque eles estão muito firmes em melhorar essa parte.” A.S.S./J.S.F.


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terça-feira 3.7.2018

AL PROPOSTA DA LEI DE BASES DA ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA APROVADA NA GENERALIDADE

Quem é nacional é que sabe Foi com 26 votos a favor e uma abstenção que a lei de bases da organização judiciária foi aprovada na generalidade. Durante a reunião plenária, os deputados revelaram dúvidas quanto à exclusiva competência de juízes chineses para julgar casos relativos à segurança nacional

A

alteração da lei de bases de organização judiciária foi ontem aprovada na generalidade na Assembleia Legislativa (AL). O diploma foi considerado pelos deputados como positivo mas levantou algumas questões apesar de ter passado com 26 votos a favor e a abstenção de José Pereira Coutinho. O deputado pró-democrata Ng Kuok Cheong inaugurou a discussão da proposta de lei sobre a alteração à lei de bases da organização judiciária questionando a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, sobre a limitação do julgamento de processsos de crimes tipificados pela lei relativa à defesa da segurança do Estado, a juízes de nomeação definitiva que sejam cidadãos chineses. O tribuno quis saber se a medida surge na sequência de alguma interferência. “Gostava de saber se esta alteração do diploma tem por trás alguma instrução desconhecida vinda do Governo Central”, questionou. Em caso negativo, o deputado perguntou aos membros do Executivo

se perdeu a confiança nos juízes estrangeiros que julgam em Macau. As dúvidas acerca desta matéria marcaram também a intervenção do deputado José Pereira Coutinho que pediu a Chan dados estatísticos que ponham em causa a credibilidade dos juízes no julgamento deste tipo de matérias.

CASOS DELICADOS

A secretária reiterou o que tem vindo a dizer dada a polémica que se tem gerado entre advogados e juristas do território. Para Sónia Chan, cabe ao Governo a responsabilidade de assegurar os interesses nacionais que justificam a alteração em causa. “Os casos relativos à defesa da segurança do Estado têm a ver com interesses nucleares e internos e para assegurar estes interesses o Governo tem esta responsabilidade”, apontou. A governante esclareceu ainda a situação de Macau. “Nos outros países, em princípio, também são os próprios cidadãos a terem esta função, mas Macau ou Hong Kong são exemplos excepcionais devido a factores históricos. Como havia

falta de juízes, e por razões de continuidade do sistema judiciário, consagrou-se na Lei Básica uma regra frouxa que permite a contratação de juízes estrangeiros”, completou. Chan sublinhou ainda que não se trata de falta de confiança nos profissionais estrangeiros. “Já disse várias vezes que depositamos toda a nossa confiança nos juízes estrangeiros, mas devido a uma ponderação dos interesses de Estado e sendo casos bastante sensíveis esperamos que sejam julgados por

juízes de nomeação definitiva que sejam cidadãos chineses”, reiterou.

apenas um chinês pode ser sensível aos crimes relativos ao seu país.

A LEI DA IDENTIFICAÇÃO

COITADO DO CHEFE

A concordar manifestamente com a medida estiveram os deputados Ho Ion Sang e Chan Wa Keong. Ho Ion Sang referiu que “tendo em conta a política de um país, dois sistemas, quando há conflitos há que tomar o lado do país”. Já Chan Wa Keong optou por dar um exemplo que considera justificativo da medida. “Se se tratar de um crime de traição à pátria, como é que um juiz que não seja chinês vai saber avaliar um crime destes visto não se tratar da sua pátria?”, questionou retoricamente. O deputado ressalvou, no entanto, que não se trata de descriminação ou de colocar em causa o profissionalismo destes magistrados, mas tão somente que

BUROCRACIA EM DIRECTO

N

a reunião plenária de ontem, o deputado Pereira Coutinho não deixou de apontar o caso do colega de bancada Sulu Sou para defender que a justiça tem de ser menos burocrática. “Temos o nosso deputado aqui na Assembleia Legislativa e devia estar aqui em baixo mas não está”, disse. Sulu Sou, que esteve com funções suspensas devido ao processo em que foi julgado por desobediência, voltou a ficar habilitado, legalmente, a exercer as funções para as quais foi eleito depois da sentença que o condenou por manifestação ilegal ter transitado em julgado, o que aconteceu na sexta-feira. No entanto, o tribunal não enviou a notificação com a informação à AL, facto que impediu ontem o deputado de regressar às suas funções. “Isto é um exemplo de um deputado que sofre a espera da burocracia, imagine o que sofre a população?”, rematou Coutinho, dirigindo-se à secretária para a Administração e Justiça. Sonia Chan.

Outra das alterações da proposta aprovada ontem na generalidade é relacionada com a possibilidade de recurso que é agora dada aos cargos do Governo à excepção do Chefe do Executivo. “O Chefe do Executivo também é humano”, avançou Pereira Coutinho que considera injusto que a lei continue a não admitir a possibilidade de recurso a quem ocupe o cargo mais elevado na hierarquia política da RAEM. “Todos podem ser julgados pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI) e todos podem recorrer para o Tribunal de Última Instância (TUI), porque é que o Chefe do Executivo não pode?”, perguntou. Sónia Chan considera que o cargo máximo do Governo local tem responsabilidades acrescidas e que justificam a impossibilidade de recurso em caso de crime. “Já resolvemos este problema do recurso para cargos de responsabilidade, o que é um grande avanço, mas quanto ao estatuto e a importância do Chefe do Executivo, queremos manter o julgamento no TUI”, justificou a secretária. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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GCS

3.7.2018 terça-feira

Pearl Horizon Deputados voltam a reunir com Sónia Chan

Seis deputados - Chan Hong, Ho Ion Sang, Si Ka Lon, Ella Lei, Wong Kit Cheng e Song Pek Kei – encontraram-se ontem com a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, bem como com o deputado Ip Sio Kai, vice-director-geral do Banco da China. Foram discutidas as solicitações dos lesados do caso Pearl Horizon, tendo sido pedido que a Polytex, antiga concessionária do terreno na zona da Areia Preta, devolva de uma só vez o investimento feito por aqueles que pediram empréstimos e que reforce a sua comunicação com o Governo relativamente à proposta que já foi apresentada. Em comunicado, a deputada Ella Lei explicou que muitas pessoas estão preocupadas com o facto de, até ao momento, ainda não terem recebido o montante do investimento que a Polytex prometeu devolver, além de não terem conhecimento dos pormenores do desfecho do processo. Os deputados entendem que o Governo deve inteirar-se do montante que a Polytex deve devolver, sendo que Sónia Chan pediu às pessoas para não confiarem em informações falsas. A secretária prometeu avançar com mais informações na plataforma que o Governo recentemente criou nas redes sociais.

Estacionamento Debate negado a Pereira Coutinho

Ho Iat Seng “Temos que usar da prudência quando fazemos algum procedimento e não podemos actuar de forma leviana nem podemos basear-nos em informações de uma página electrónica.’’

O

Tribunal de Segunda Instância comunicou oficialmente, através da sua página de internet, que a sentença aplicada a Sulu Sou tinha transitado em julgado. O deputado pagou a multa a que foi condenado na sexta-feira e esperava ontem regressar às suas funções na Assembleia Legislativa (AL). Mas, a notificação judicial não chegou à AL a tempo e o pró-democrata teve de ficar na bancada destinada ao público. De acordo com Ho Iat Seng, trata-se apenas de um procedimento obrigatório que garante a veracidade do fim do processo que determinou a suspensão do mandato de Sulu Sou. Apesar da informação oficial dos órgãos judiciais de Macau, o presidente da AL revelou que este tipo de publicação online não chega. Ho Iat Seng chegou mesmo a argumentar que o que é publicado nos sites do Governo podem não ser fidedignas. “Ainda não temos uma lei da cibersegurança e mesmo que seja uma página oficial, pode ter sido atacada por hackers. Vemos que há instituições bancárias

AL SULU SOU DE FORA DA SESSÃO PLENÁRIA DE ONTEM

Regresso adiado

O presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, não recebeu a notificação do Tribunal de Segunda Instância a provar que a sentença aplicada a Sulu Sou transitou em julgado. Como a AL não recebeu o comprovativo do pagamento da multa a que havia sido condenado, o deputado ficou de fora da sessão plenária de ontem que também têm sido vítimas de pirataria informática” disse aos jornalistas à margem da reunião plenária de ontem.

MAIS VALE PREVENIR

Neste caso, a prevenção falou mais alto. “Temos que usar da prudência quando fazemos algum procedimento e não podemos actuar de forma leviana nem podemos basear-nos em informações de uma página

electrónica”, referiu o presidente da AL. Para Ho Iat Seng, “se a notificação do tribunal chegar, Sulu Sou pode de imediato retomar as suas funções”. Além da informação online, Sulu Sou apresentou na manhã de ontem na AL as guias de pagamento da multa a que foi condenado, no valor de mais de 40 mil patacas. Nenhuma destas informações foi suficiente para que Ho Iat Seng permitisse a

presença de Sou na AL enquanto deputado. Entretanto, o pró-democrata afirmou estar cansado de esperar pelo regresso. “Houve um abuso de poder para efeitos políticos e eu não tenho podido fazer aquilo a que me propus e para que fui eleito”, disse. Agora, resta esperar que a notificação chegue ao seu destino para que Sou regresse às suas funções. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

O deputado Pereira Coutinho queria levar a debate na Assembleia Legislativa (AL) a questão do aumento de multas no combate aos problemas de tráfego local. No entanto, viu a ideia chumbada por 24 dos 27 deputados ontem presentes na reunião plenária do organismo. Para os deputados a questão é consensual, sendo que a maioria discorda com a medida e não acredita que vá resolver a situação de falta de estacionamento no território. De acordo com os legisladores, a questão do trânsito de Macau tem de ser debatida na sua totalidade de modo a estabelecer medidas que promovam, não só mais lugares de estacionamento, mas também uma melhoria geral no trânsito local.

AL Subsídio permanente de invalidez aprovado por unanimidade

Foi ontem aprovada na especialidade a proposta da alteração a regime da segurança social que prevê que o subsídio provisório de invalidez se transforme numa medida de longo prazo. O diploma reuniu a unanimidade de votos dos deputados e entra em vigor a 1 de Outubro, apesar do Governo ter anteriormente apontada a data de 1 de Julho. Questionado sobre as consequências que este atraso poderá acarretar, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam afirmou que ninguém vai sair prejudicado. “Este mês vamos atribuir o terceiro trimestre do subsídio provisório e depois entra em vigor este novo regime que sendo também trimestral não prejudica ninguém”, disse, assegurando que “nenhum dos beneficiários vai sair afectado”, sublinhou.


sociedade 7

terça-feira 3.7.2018

CANÍDROMO IACM EXIGE NOVO PLANO PARA GALGOS QUE NÃO FORAM ADOPTADOS

O prazo que se segue

O

processo de adopções de galgos levado a cabo por Canidromo ainda não está definitivamente encerrado. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) emitiu ontem um comunicado a pedir a elaboração de um plano para o acolhimento dos animais que ainda não foram adoptados até ao próximo dia 10 de Julho, terça-feira. “O IACM oficiou novamente hoje [ontem] a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), pedindo-lhe que apresente, por escrito, até 10 de Julho, o plano de realojamento dos galgos do Canídromo ainda não adoptados após a sua saída das instalações.”

TIAGO ALCÂNTARA

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais quer que o Canídromo apresente até à próxima terça-feira um plano para a recepção dos galgos que ainda não foram adoptados. No passado domingo, último dia de funcionamento das instalações, foram adoptados 87 animais

CONHECER A HISTÓRIA

O Governo acredita que até ao próximo dia 21 de Julho a empresa, cuja directora-geral é a empresária Angela Leong, terá tempo

suficiente para concluir todo o processo. “Em 2016 o Governo da RAEM divulgou e notificou a empresa sobre a decisão da

desocupação do Canídromo até ao dia 21 de Julho do corrente ano, devendo esta ter tempo suficiente para realojar os galgos. O IACM

Não vi, não ouvi e não sei

Lionel Leong confessa desconhecer caso de trabalhadores “espiados” pela Galaxy

A

irá acompanhar de forma contínua a situação.” O IACM exige ainda que a Yat Yuen cumpra a lei de protecção dos animais. “Enquanto entidade competente pela fiscalização do cumprimento da lei de protecção dos animais, o IACM salienta que não apoia que qualquer empresa ou indivíduo desista de criar os seus cães ou outros animais de estimação. A Yat Yuen deve cumprir a lei de maneira a que todos os galgos possam ser realojados ou adoptados de forma adequada, assumindo as responsabilidades e obrigações que uma empresa deve cumprir.” Caso haja abandono de galgos após a adopção, o IACM promete aplicar as devidas sanções. “O IACM irá autuar, nos termos da lei, todos aqueles que abandonem os seus animais em violação da Lei de Protecção dos Animais, fazendo incorrê-los na responsabilidade legal e reivindicar todos os custos eventualmente resultantes.”

PESAR de ter marcado a agenda noticiosa há duas semanas, o secretário para a Economia e Finanças não sabia do caso da empresa de Hong Kong contratada pela Galaxy para seguir os trabalhadores no Facebook. A empresa em causa é a YouFind e a notícia foi avançada no dia 22 de Junho, pelo jornal South China Morning Post. “Não tenho conhecimento sobre o que está a dizer. Nem sei que regulamentos poderão ter sido violados. Se forem matérias ligadas aos dados pessoais é o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais que tem de responder”, disse Lionel Leong, após ter sido questionado

sobre o assunto, à margem de uma visita à Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais. Apesar da insistência e questionado sobre se não haveria direitos laborais em causa, o secretário para a Economia e Finanças insistiu: “Não tenho conhecimento. Preciso de saber quais as leis que foram violadas e as entidades que as aplicam para poderem verificar a situação”, frisou. Anteriormente, o GPDP disse estar a acompanhar a situação, mas nunca mais emitiu qualquer informação sobre o caso. Já a Galaxy defendeu-se, ao jornal de Hong Kong, explicando que fez tudo den-

tro da legalidade e de acordo com os contratos de trabalho.

IMOBILIÁRIO À ESPERA

Sobre a possibilidade de serem adoptadas medidas de incentivo para que os proprietários de fracções desocupadas as coloquem no mercado de arrendamento e para que os promotores de empreendimentos ponham no mercado as casas que guardam para vender, à imagem do que acontece em Hong Kong, Lionel Leong prometeu estudar o exemplo da cidade vizinha. “Em Hong Kong não há só uma taxa, há um projecto e medidas complementares, não é apenas uma

De acordo com o jornal Ou Mun, a actividade de adopção de galgos, que teve lugar este domingo, contou com a participação de mil pessoas, tendo sido adoptados 87 galgos além dos 50 que já tinham sido contabilizados.

taxa. Temos de ver se surgem efeitos face à aquisição de imóveis pelos intermediários e se essas medidas fazem com que aumente a oferta no mercado”, sustentou. De acordo com os dados avançados pelo deputado Ho Ion Sang, em Abril, existem cerca de 12,5 mil fracções vazias em Macau, porque os proprietários não as querem arrendar. Contudo, o secretário Lionel Leong não mencionou qualquer urgência na necessidade de implementar este tipo de medidas: “Vamos ter reuniões com o próprio Raimundo do Rosário, e entre as secretarias, para perceber a situação geral do mercado do imobiliário, assim como ouvir a opinião do público”, sublinhou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

“O IACM oficiou novamente hoje [ontem] a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), pedindo-lhe que apresente, por escrito, até 10 de Julho, o plano de realojamento dos galgos do Canídromo ainda não adoptados após a sua saída das instalações.” COMUNICADO DO IACM

Chris Kuong, representante da Yat Yuen, disse ao jornal de língua chinesa que será realizada ainda este mês mais uma actividade no Canídromo que não está ligada com apostas, mas que pretende dar a conhecer a história do local. O mesmo responsável garantiu que a Yat Yuen tem um plano, que será divulgado em breve no website oficial e aos jornalistas. Chris Kuong garantiu que os galgos que estão por adoptar não serão abatidos. A.S.S.

Caso John Mo USJ nega envolvimento

A Universidade de São José nega que a estudante universitária que acusa de violação o ex-docente da Universidade de Macau, John Mo, frequenta a instituição de ensino. A resposta foi enviada ao HM na sexta-feira passada: “Não temos qualquer estudante do Interior da China nem ouvimos falar do caso”, declarou a USJ numa resposta por email. Entre as instituições contactadas sobre o caso por este jornal, todas negaram à excepção da Universidade Cidade de Macau, que não respondeu às questões enviadas.


8 sociedade

PONTE HZM POSTO TRANSFRONTEIRIÇO EM HK COM INFILTRAÇÕES

A meter água

Depois das imagens com pedras a soltarem-se de uma estrutura principal, eis que chegam as notícias, avançadas pelo jornal de Hong Kong Apple Daily, de que o posto transfronteiriço da nova ponte, do lado de Hong Kong, tem vindo a sofrer infiltrações de água. Académicos e engenheiros dizem que o incidente é grave

A

INDA não abriu ao trânsito e já acarreta vários problemas. A nova ponte que fará a travessia entre Zhuhai, Hong Kong e Macau revelou agora falhas na infra-estrutura do futuro posto transfronteiriço do lado de Hong Kong. Um vídeo divulgado pelo jornal Apple Daily, da região vizinha, mostra que o edifício tem vindo a sofrer várias infiltrações de água desde Fevereiro deste ano, o que tem causado inundações nas caves e danificação de aparelhos electrónicos, além de pôr em causa o funcionamento da sala das máquinas. A construtora responsável por esta parte da obra é a Leighton Contractors (Asia), que não respondeu às perguntas dos jornalistas. O Apple Daily aponta que as infiltrações têm ocorrido depois das chuvas torrenciais, sendo que um indivíduo, que não quis ser identificado, explicou que

durante as obras os trabalhadores tinham defendido que não se deveria fazer um buraco no tecto da sala das máquinas, apesar deste buraco ter como função dar mais espaço à instalação de cabos eléctricos. Os trabalhadores defenderam que tal decisão poderia levar a passagem de águas estagnadas do rés-do-chão para a cave, sendo que o responsável máximo pela obra terá ignorado essa opinião. O fumo nos aparelhos electrónicos foi filmado em finais de Junho, o que, de acordo com o jornal de Hong Kong,

revela que o problema poderá estar ainda por resolver. O departamento de estradas de Hong Kong disse ao Apple Daily ter conhecimento de que podem ocorrer infiltrações na época das chuvas. Depois de uma investigação, as autoridades conseguiram apurar que a água entrou, de facto, pela tubo no tecto, tendo chegado à cave. O construtor já terá procedido aos trabalhos de reparação, tendo adiantado que a maquinaria não foi afectada e que o problema não está relacionado com a segurança do edifício. Nesta fase o futuro posto trans-

Um vídeo divulgado pelo jornal Apple Daily, da região vizinha, mostra que o edifício tem vindo a sofrer várias infiltrações de água desde Fevereiro deste ano, o que tem causado inundações nas caves e danificação de aparelhos electrónicos, além de pôr em causa o funcionamento da salas das máquinas

fronteiriço de Hong Kong está na fase de vistoria, tendo sido prometidas mais inspecções para que se resolva a questão das infiltrações de água.

TIAGO ALCÂNTARA

3.7.2018 terça-feira

UM CASO GRAVE

Académicos e engenheiros ouvidos pelo Apple Daily garantem que o caso é grave e que poderá gerar problemas no futuro, aquando da entrada em funcionamento na ponte. So Yiu Kwan, engenheiro civil, disse que a concepção do edifício está errada, uma vez que a sala das máquinas nunca deve ser na cave, para não existir qualquer contacto com água. Uma vez que a sala irá funcionar com uma tensão eléctrica deverá rondar entre os 11 e 33 mil volts, o que acarreta perigo, uma vez que o edifício está localizado numa ilha artificial construída em aterro. William Cheung Sing Wai, antigo professor do departamento da engenharia electrotécnica da Universidade de Hong Kong, entende que os equipamentos com fumo podem estar avariados, podendo gerar falhas de funcionamento no futuro, o que poderá afectar o fornecimento de energia eléctrica no edifício. O responsável considera que o perigo de explosão e eventuais mortes é grande, podendo existir uma fuga de electricidade que afectará toda a estrutura. As autoridades já definiram as quotas para a circulação de veículos e os valores a pagar. Apesar do jornal Ou Mun ter avançado que a nova ponte poderia abrir ao público este domingo, a verdade é que ainda não existe uma data certa. V.N.

O mercado que tarda

Prevista execução de obras do Mercado da Taipa no terceiro trimestre

A

S obras de melhoramento e ampliação do mercado Municipal da Taipa podem ser executadas no terceiro trimestre deste ano, revelou o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em comunicado. Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok, o IACM justifica os atrasos do projecto com a sua dificuldade. “A concepção mostrou-se de uma complexidade considerável e o plano da obra sofreu várias alterações”, lê-se no documento. Esta situação fez com que só no passado mês de Maio a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes tivesse aprovado o projecto pelo que “se prevê que a obra será executada no terceiro trimestre”, refere. De acordo com o IACM, o plano de melhoramento e ampliação daquela estrutura vai ser realizado em duas fases para que os vendilhões não sejam prejudicados durante o processo. “Na primeira fase terá lugar a obra de ampliação do átrio”, durante a qual os vendedores serão deslocados temporariamente para tendas colocadas no Largo dos Bombeiros. Num segundo momento, em que ocorrem as

obras de optimização do espaço interior da parte antiga do mercado, o IACM não vai deslocar os comerciantes que ali estão, mas refere que tomará as necessárias medidas de segurança “para garantir, tanto quanto possível o funcionamento normal do mercado minimizando o seu impacto negativo na vida dos cidadãos e vendilhões”. O IACM revelou ainda que “não estão reunidas as condições para ser instalado um centro de comida” no mercado. No entanto, e de modo a dinamizar aquela área da Taipa, o organismo afirma que, depois das obras, vai organizar feiras periódicas para “trazer mais movimento à zona”. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) do ano passado, José Tavares, presidente do IACM, assumiu a existência de problemas no funcionamento dos mercados municipais. Estava, por isso, prevista a adopção de “várias soluções transitórias” que deram origem a este projecto que conta com um orçamento de 30 milhões de patacas. As obras vão ser executadas pela Companhia de Construção e Engenharia Kwong Yu. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo


sociedade 9

terça-feira 3.7.2018

Luta de galgos

Albano Martins “descansadíssimo” sobre processo da clínica Royal Veterinary Center

O

presidente da ANIMA, Albano Martins, diz estar descansado face ao processo movido contra si pelo proprietário da clínica Royal Veterinary Center, Ruan Bester. A intenção do dono da clínica veterinária foi revelada pelo Macau Daily Times, ontem, e em causa está o facto de Albano Martins ter feito uma publicação numa rede social em que escreveu que existia uma clínica que tinha obtido três galgos para transfusões de sangue. “Estou descansadíssimo. Em nada do que disse utilizei nomes. Agora vou esperar que o tribunal faça prova. A declaração que fiz no Facebook não menciona nomes. Ele [Ruan Bester] acusou-se. Agora está a usar o direito que tem de me colocar em tribunal”, disse Albano Martins, ao HM.

“A declaração que fiz no facebook não menciona nomes. Ele [Ruan Bester] acusou-se.” ALBANO MARTINS PRESIDENTE ANIMA

De acordo com Ruan Bester, só o facto do presidente da ANIMA ter indicado o NAPE como a morada da clínica denunciou automaticamente a Royal Veterinary Center. Albano Martins não se mostra preocupado: “Não sei se há mais clínicas no NAPE, quando escrevi isso achava que havia mais clínicas, posso estar enganado. Mas não me preocupo muito com isso”, respondeu. O presidente da ANIMA recusou ainda confirmar se estava a falar da clínica Royal Veterinary

Center, justificando que o caso vai entrar nos tribunais. Albano Martins confirmou também ter utilizado palavrões na conversa telefónica que teve com Ruan Bester, após a publicação no Facebook. “Ele ligou-me e começou a usar o termo f***-**. Eu apenas acabei como ele começou. Ele começou logo com asneiras e eu terminei a conversa como ele começou”, clarificou.

COMUNICAÇÃO GLOBAL MEDIA COM PARCERIAS NA CHINA, MOÇAMBIQUE E CABO VERDE

A expansão global

China, Moçambique e Cabo Verde são os próximos países onde a Global Media Group vai avançar com parcerias nos ‘media’ para reforçar a “afirmação de uma rede global”, disse ontem à Lusa o responsável do grupo em Macau contam-se a rádio TSF e títulos de imprensa centenários e de referência como o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, o desportivo O Jogo e a marca digital de informação económica, Dinheiro Vivo. Na área de revistas, é ainda detentor da Volta ao Mundo, Men’s Health e Womens Wealth, de venda autónoma, a Notícias Magazine e a Evasões, distribuídas pelos jornais do grupo.

NEGÓCIO PREJUDICADO

Por sua vez, Ruan Bester confirmou ao HM a notícia avançada pelo Macau Daily Times. “Ele acusou-nos de obter galgos para transfusões sanguíneas, mas nós nunca fizemos nada disso. Não temos qualquer envolvimento com os galgos e vamos, com toda a certeza, levá-lo a tribunal”, apontou. Segundo o responsável já estão a ser desencadeados os procedimentos para que o caso chegue aos tribunais. Bester reitera também que no NAPE apenas existe a sua clínica e que essa indicação é suficiente para que as pessoas identificarem o espaço: “Ele indicou a localização da clínica e nós somos a única clínica ali. Infelizmente, só somos nós. Sempre que falamos com ele, ou quando ele fala com as outras pessoas, ele indica-lhes que somos nós”, disse ao HM. Finalmente, o responsável da Royal Veterinary Center sublinhou que o negócio está a ser prejudicado com as alegações: “Tenho recebido apoio dos amigos, mas vi muita gente a defender o encerramento da clínica. Albano Martins referiu um veterinário no NAPE e as pessoas sabem de quem ele está a falar. As pessoas falam que é necessário boicotar a clínica e encerrá-la”, frisou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ALÉM DOS NEGÓCIOS

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grupo já garantiu nos últimos meses 12 parceiros internacionais [em Portugal, Brasil e Macau] de forma a estabelecer uma plataforma entre a China e países de língua portuguesa”, indicou o presidente do Global Media Group de Macau, Paulo Rego. O próximo passo é “avançar para a China, Moçambique e Cabo Verde”, revelou, escusando-se a adiantar números sobre o investimento total ou parcial do projecto.

As declarações foram feitas à margem de um debate sobre o futuro das redes globais no espaço lusófono, no âmbito das comemorações do quarto aniversário do semanário luso-chinês Plataforma

Macau e do anúncio do novo jornal ‘online’ trilingue (em português, chinês e inglês) do Global Media Group, o Plataforma. Entre as marcas do Global Media Group em Portugal

“O grupo já garantiu nos últimos meses 12 parceiros internacionais [em Portugal, Brasil e Macau] de forma a estabelecer uma plataforma entre a China e países de língua portuguesa.” PAULO REGO PRESIDENTE DO GLOBAL MEDIA GROUP DE MACAU

Durante o debate, a secretária-adjunta do Fórum para a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Glória Batalha Ung, sublinhou o reforço da cooperação económica e comercial entre a China e países de língua portuguesa na última década, mas também das relações na área cultural, jurídica e na comunicação social. “Não é só fazer negócios: tudo conta para o sucesso desta plataforma”, explicou. Para o presidente da Associação dos Advogados de Macau “a cultura é uma mais-valia”, mas, defendeu, “se a língua não tiver interesse económico, a língua morre, (…) não se fazem negócios”. Jorge Neto Valente sustentou que “o que está em movimento é um relacionamento de interesses de vária ordem, nomeadamente económico e comercial, onde é normal que existam disputas e litígios”. O jurista defendeu ainda um centro de arbitragem em Macau, à semelhança do que acontece em Hong Kong. Já o director de informação e programas dos canais portugueses da Teledifusão de Macau (TDM), João Francisco Pinto, lembrou que “Macau está na República Popular da China, um fundamental actor económico mundial” e que “será esse um dos pontos fundamentais a despertar o interesse no espaço lusófono, (…) essencial na criação de pontes que a TDM já iniciou há alguns anos”.


10 mundial 2018

3.7.2018 terça-feira

PUB

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selecção brasileira garantiu a classificação para os quartos de final do Mundial2018 na noite desta segunda-feira. Responsável por um golo e uma assistência em Samara, o atacante Neymar brilhou na vitória por 2 a 0 da equipa comandada por Tite sobre o México. O Brasil teve trabalho nos primeiros minutos, mas conseguiu tomar o controlo da partida ainda no primeiro tempo. Na etapa complementar, Neymar inaugurou o marcador após passe de Willian, um dos melhores em campo. Nos minutos finais, o camisa 10 cruzou para Firmino ampliar a vantagem. O México foi superior durante os primeiros minutos do confronto. Explorando o lado esquerdo de seu ataque, a equipa comandada por Juan Carlos Osório fez Fagner sofrer. Ainda assim, não conseguiu dar muito trabalho a Alisson. A primeira chegada consistente da selecção brasileira ao ataque em Samara veio por meio de Neymar. Em jogada individual pelo lado esquerdo da grande área, o camisa 10 passou pela marcação de Alvarez e Ayala antes de finalizar para boa defesa de Ochoa. A partir de então, a equipa dirigida pelo

técnico Tite cresceu no jogo e passou a ditar o ritmo. Em nova jogada pela esquerda, Gabriel Jesus recebeu de Philippe Coutinho, limpou a marcação e bateu para defesa de Ochoa, bem colocado. No fim do primeiro tempo, Neymar ainda cobrou falta com algum perigo. A selecção brasileira voltou acesa para a etapa complementar e inaugurou o marcador logo aos cinco minutos. Perto da entrada da área, Neymar pisou para Willian, que levou a bola para a esquerda e cruzou. Gabriel Jesus não alcançou, mas o camisa 10 completou para o golo. No primeiro remate mexicano efectivamente à baliza brasileira, Carlos Vela arriscou de fora da área e Alisson cedeu o canto. Pouco depois, o inspirado Willian fez boa jogada pela direita e bateu forte para mais uma boa defesa de Ochoa, sempre bem colocado. Caído do lado de fora do rectângulo de jogo, Neymar foi pisado por Layun no tornozelo e ficou a contorcer-se, mas seguiu normalmente no jogo e, aos 42 minutos, fez o passe para o segundo golo. O camisa 10 recebeu de Fernandinho pela esquerda, invadiu a área e cruzou para Firmino completar, pouco depois de substituir Philippe Coutinho.

A LESTE DO PARAÍSO

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S dois jogos de domingo dos oitavos de final do Mundial2018 de futebol foram decididos no desempate por grandes penalidades, com a Croácia a afastar a Dinamarca e a anfitriã Rússia a ‘surpreender’ a Espanha. Após empates a uma bola, tanto a Rússia, frente à Espanha, como a Croácia, com a Dinamarca, foram superiores nas grandes penalidades, com Subasic, para os

Co

BRASIL BATE M

Com um m

Penáltis apuram Croácia e Rússia, Espanha croatas, e Akinfeev, para os russos, a ‘brilharem’ nas suas balizas. Em Nijni Novgorod, a Dinamarca adiantou-se ainda dentro do primeiro minuto, com Mathias Jorgensen a bater Subasic, mas os croatas só ‘deram’ três minutos à vantagem dinamarquesa, ao igualarem por Mandzukic. Daí para a frente, ambas as equipas apostaram em controlar-se e impedir grandes


mundial 2018 11

terça-feira 3.7.2018

Copa à vista

MÉXICO E ASSEGURA QUARTOS-DE-FINAL

muito melhor Neymar, o Brasil assume-se como um dos favoritos à conquista do troféu

FACTOS DIVERSOS...

Schmeichel e as lágrimas

Peter Schmeichel, que alinhou duas épocas no Sporting, afirmou que “apesar de todas as lágrimas”, os dinamarqueses percebem como “a equipa esteve bem”. "Estou sem palavras. Não posso estar mais orgulhoso do meu país, do meu filho, dos seus companheiros de equipa, de todo o staff e do nosso fantástico seleccionador nacional Age Hareide. Quando as lágrimas secarem vamos perceber o que fizemos", escreveu o antigo guarda-redes dinamarquês.

Espanha Cabeças quentes

O presidente da Liga espanhola de futebol, Javier Tebas, afirmou que o despedimento de Lopetegui do cargo de seleccionador foi “precipitado, porque as decisões não devem ser tomadas de cabeça quente”. “O lógico era que um treinador que não perdeu em 20 partidas continuasse”, disse. O presidente explicou que “não gostou da forma como procederam as negociações”, acrescentando que, com Lopetegui no cargo, não se falaria tanto da eliminação da ‘roja’. “É um fracasso cair nos oitavos de final, porque não estivemos ao nível do esperado”, rematou.

Rússia acorda de ressaca

a e Dinamarca eliminadas rasgos ofensivos, criando um jogo que teve, no tempo regulamentar e no prolongamento, poucas oportunidades de perigo em ambas as balizas. A três minutos do fim do tempo extra, o ‘capitão’ da Croácia Luka Modric teve a oportunidade de fazer o 2-1, depois de Jorgensen cometer penálti sobre Coric, mas o médio do Real Madrid permitiu a defesa a Kasper Schmeichel. O filho do antigo guarda-redes do Sporting ainda defendeu mais duas grandes penalidades, mas Subasic conseguiu fazer ainda melhor e, com três ‘paradas’, enviou a Croácia para os ‘quartos’. Ao defender três grandes penalidades, o guarda-redes do Mónaco fez história, uma vez que, em Mundiais, só outro guardião defendeu tantos no desempate, o português Ricardo, em 2006, frente à Inglaterra. O penálti decisivo coube a Rakitic, que não falhou perante Schmeichel e apurou

a Croácia para os quartos de final, onde vai encontrar a Rússia, depois de os anfitriões afastarem a Espanha no desempate por penáltis (4-3). Os russos, liderados pelo guarda-redes Akinfeev, que defendeu nove remates nos 120 minutos de jogo e mais dois penáltis, vão jogar pela primeira vez uns quartos de final. Antes dos penáltis, a Espanha chegou a estar a vencer, graças a um autogolo de Ignashevich, aos 12 minutos, mas Dzyuba, de grande penalidade, aos 41, fez o 1-1, resultado que se manteve até ao final do tempo regulamentar e do prolongamento. Akinfeev foi determinante no apuramento histórico da Rússia, primeiro com várias intervenções que impediram a Espanha de chegar a nova vantagem, e depois durante as grandes penalidades, em que defendeu os remates de Koke e Aspas, assegurando o triunfo da selecção da ‘casa’ perante aquela que era tida

como uma das favoritas a erguer o troféu. A campeã do mundo em 2010 despediu-se do torneio deixando uma pálida imagem das ‘estrelas’ do plantel, depois de Julen Lopetegui sair do cargo de seleccionador para assumir o Real Madrid e Fernando Hierro ser chamado ao lugar. A somar à eliminação precoce, à imagem do Brasil2014, logo na fase

de grupos, os espanhóis viram ainda despedir-se da selecção um dos seus grandes nomes das últimas décadas: Andrés Iniesta. “É uma realidade que hoje é o último jogo com a selecção. A nível individual, acaba-se uma etapa maravilhosa”, atirou o médio, no final do encontro, após uma carreira em que foi campeão europeu em 2008 e 2012 e mundial em 2010, marcando o golo da vitória na final.

As grandes cidades da Rússia viveram um episódio de Walking Dead nesta segunda-feira, dia seguinte à classificação para os quartos-de-final. A festa dos anfitriões invadiu a noite, com buzinas, bebida e muitos adeptos vestidos de branco, azul e vermelho. Em Kazan, os cafés começaram a encher só por volta das 11 horas. Caras ressacadas, doses fortes de cafeína e pouca conversa eram a regra geral. Antes disso, as ruas vazias e apenas adeptos estrangeiros no movimentado centro turístico da cidade. O mesmo cenário em Moscovo e São Petersburgo. “Tentámos acompanhar os russos na bebedeira de ontem à noite,” disse o argentino Quique Sanchez. “Mas parámos na quinta cerveja. Eles já sabem beber, beberam ainda mais por causa dessa felicidade inesperada. Eles foram bebendo, bebendo, bebendo. É como se tivessem ganhado o Mundial ontem.” A estudante Anastasia Govina diz que nem ligava ao futebol antes da vitória sobre a Espanha, mas aceitou a festa sem pestanejar. “É um clima muito bonito no país e essa vitória ajudou a criar laços entre nós,” disse. “Não sei se vou continuar a ver futebol depois do mundial, mas sei que beber com os amigos sempre será um prazer. Ontem nós aproveitamos bastante.” As buzinas só pararam quando o sol começou a raiar, por volta das 3 da manhã. Os bares continuaram cheios até esse horário. Os russos preferem beber cerveja a vodka nos bares. A bebida nacional fica mais para quem quer beber em casa e em festas elegantes. Os jornais russos também devem estar de ressaca. Todas as manchetes são sobre a vitória, num país onde o hóquei no gelo é o desporto nacional. Diz a Rossiyskaya Gazeta: “Simples milagre.” O Sovetsky Sport decreta: “É nossa!” A Krasnaya Zvezda prefere a poesia: “O conto-de-fadas continua.” Mais sóbrio, o presidente russo, Vladimir Putin, apenas mandou uma mensagem de parabéns pela classificação da equipe local.


12 eventos

3.7.2018 terça-feira

A

plataforma cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa ganha uma nova expressão esta sexta-feira com o espectáculo “Serão de Espectáculos entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne em Macau o Grupo de Artes Performativas de Gansu e profissionais das artes performativas e grupos artísticos de oito Países de Língua Portuguesa. Trata-se de um evento organizado pelo Instituto Cultural (IC) e que se insere na primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Às 20h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), terá lugar o espectáculo que revela o trabalho do Centro de Pesquisa da Arte do Canto e Dança de Tianshui, da Província de Gansu, na China, que foi fundado em 1949 e que tem estado focado na pesquisa da cultura do canto, dança e música da província de Gansu. De acordo com um comunicado do IC, “ao longo de quase 70 anos de existência o centro encenou uma série de óperas, peças teatrais e espectáculos de música e dança”, sendo que os seus espectáculos “receberam elogios de todas as esferas da sociedade dentro e fora da província”, além de que “as peças artísticas criadas pelo Centro são constituídas essencialmente por elementos da Cultura Fuxi da China antiga”. Do lado dos países de língua portuguesa o público poderá assistir à presença do grupo de música tradicional angolana Nguami Makaa, que foi fundado em Abril de 2002 por um grupo de jovens liderados por Jorge Mulumba, que decidiu enveredar pelo mundo da música de raiz. O objectivo do grupo é resgatar os valores culturais e artísticos de Angola e têm o lema “Tocando os instrumentos tradicionais da Terra, dançamos os nossos ritmos”.

DO BRASIL A CABO VERDE

“Raspa de Tacho” é o nome do grupo oriundo do Brasil que também actua neste espectáculo conjunto. Fundado em Setembro de 2001, tem como objectivo “levar este género musical brasileiro aos

CCM ESPECTÁCULO DE DANÇAS DE GANSU E PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ESTA SEXTA-FEIRA

Nove de mãos dadas

Esta sexta-feira decorre o “Serão de Espectáculos entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, que reúne no Centro Cultural de Macau, pelas 20h, o Grupo de Artes Performativas de Gansu, da China, e mais oito grupos artísticos nas, dança contemporânea, música e instrumentos tradicionais, bem como as danças afro-americanas. O grupo toca instrumentos tipicamente tradicionais tais como a timbila, mbira, toges, likutes, nhatiti e outros. Hodi tornou-se uma das mais empenhadas companhias de dança em Moçambique que representam danças de todo o país.

MIRANDA DO DOURO EM MACAU

mais diferentes povos, culturas e gerações”. Do repertório do grupo faz parte todo o universo do choro, nomeadamente o samba, a bossa nova, o baião, a marcha, a valsa, o frevo e também incursões pelo fado, jazz e pelos clássicos do género, além dos originais do grupo. De Cabo Verde chega o grupo Tradison di Terra, criado no ano 2000, e que é considerado uma das referências do batuque tradicional da cidade da Praia e de Cabo Verde, tendo sido vencedor dos Cabo Verde Music Awards, na categoria de melhor batuque. O grupo é constituído na sua maioria por mulheres que utilizam o batuque tradicional como forma de preservar a cultura local, como factor de união da comunidade e no combate à pobreza que as rodeia. O grupo Netos de Bandim, da Guiné-Bissau, foi criado no ano 2000 pela Associação dos Amigos

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA REGRAS DA TRAIÇÃO • Christopher Reich

Em 1980, um B-52 norte-americano despenha-se numas montanhas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Quase trinta anos mais tarde, e percorrendo lugares por todo o mundo, uma verdade terrível será revelada. Jonathan Ransom regressa na qualidade de médico engenhoso que se vê lançado num mundo obscuro de agentes duplos e triplos onde não se pode confiar em absolutamente ninguém. Um romance magistral que faz jus à reputação de Christopher Reich de ser um dos mais admirados escritores de thrillers de espionagem da atualidade.

Portugal faz-se representar com o grupo Galandum Galundaina, ligado à música tradicional do norte do país, da zona de Miranda do Douro. Criado em 1996, esta formação tem como objectivo recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e a língua das terras de Miranda, o mirandês

da Criança da Guiné-Bissau. Tem como finalidade criar um ambiente de integração sócio-cultural para as crianças, jovens e mulheres do Bairro de Bandim que vivem no limiar de pobreza, oferecendo-lhes um espaço de convívio e partilha de boas práticas de cidadania através da música, do teatro e da dança tradicional. Com o passar dos anos o grupo cresceu e ganhou grande notoriedade na divulgação da música e da dança tradicional da Guiné-Bissau a nível nacional e internacional. Outro dos países que também está representado neste evento é Moçambique, através do Grupo de Música e Dança Tradicional Hodi, integrado na Associação Cultural Hodi Maputo Afro Swing, uma agremiação de carácter cultural fundada em 2014. A missão da Hodi é trabalhar na pesquisa, preservação e divulgação das danças tradicionais moçambica-

Portugal faz-se representar com o grupo Galandum Galundaina, ligado à música tradicional do norte do país, da zona de Miranda do Douro. Criado em 1996, esta formação tem como objectivo recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e a língua das terras de Miranda, o mirandês. De São Tomé e Príncipe chega o cantor Felício Mendes. Apesar dos seus 69 anos, é ainda considerado um dos mais consagrados cantores de música tradicional de São Tomé e Príncipe. Ao longo da sua carreira musical, que teve inicio em 1970 quando integrou o conjunto militar “Os Quicos Verdes”, participou em espectáculos sem conta onde através da sua potente voz levou os ritmos tradicionais de São Tomé e Príncipe a muitos países africanos e europeus, entre eles Angola, Cuba, França, e Portugal, entre outros. Por último, Timor-Leste apresenta-se em palco com o grupo Timor Furak, fundado por jovens artistas timorenses em 2006. O principal objectivo do grupo é promover a singularidade da cultura de Timor-Leste através da sua dança e música tradicional. Os bilhetes para este espectáculo já se encontram à venda e custam 50 patacas.

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Yannis Loukas é um jornalista freelancer, filho de um prestigiado escritor, que aceita ajudar o pai a compilar uma autobiografia. Esquadrinhando o arquivo pessoal da família, Yannis descobre um misterioso manuscrito intitulado Bar Flaubert, cuja publicação o pai tinha recusado alguns anos antes. Ao lê-lo, a sensação de que alguém transpôs para o papel os seus sentimentos mais íntimos e secretos leva Yannis a querer encontrar o autor, um homem chamado Loukas Matthaiou. Mas quem é de facto esse homem e por que razão todos os que com ele se cruzaram parecem de alguma forma ter sido marcados pela sua personalidade carismática? Seguindo as pistas que Matthaiou foi deixando ao longo do seu livro, a vida de Yannis irá sofrer uma reviravolta imprevisível, numa demanda que cruza as fronteiras da ficção com a realidade.


desporto 13

terça-feira 3.7.2018

A

CLASSE DO SUNCITY

A classe “AAMC Challenge 1.6 Turbo” reuniu os mesmos vinte e sete participantes do primeiro evento e a primeira corrida, no sábado, foi totalmente dominada pelos muito bem preparados Peugeot RCZ da equipa Suncity Racing Team de Hong Kong. Andrew Lo estreou-se a vencer, tendo a companhia na cerimónia do pódio dos seus companheiros de equipa Alex Fung e Paul Poon que tinha arrancado da pole-position. Ryan Wong (Chevrolet Cruze) foi o quarto classificado e melhor dos representantes de Macau, terminado à frente de Leong Chi Kin (MINI Cooper S). Dentro do Top-10 terminou o melhor dos nomes portugueses, Célio Alves Dias (MINI Cooper S), no nono posto. No que respeita à armada de macaenses, Hélder Assunção foi 13º, Jerónimo Badaraco (Chevrolet Cruze) finalizou no lugar seguinte, ao passado que Eurico de Jesus foi 16º. Rui Valente complicou as contas da qualificação, ao ser apenas 20º classificado devido a problemas de travões que destruíram ao longo da corrida um pneu. Filipe Souza (Chevrolet Cruze) continuou a sua senda de infortúnios e nem sequer arrancou para a primeira corrida do fim-de-semana devido a problemas de motor. No domingo, dia decisivo para muitos, a corrida foi disputada em piso molhado, mas gradualmente a

AUTOMOBILISMO RUI VALENTE ESTÁ POR AGORA DE FORA DO GP

Últimas decisões Foi um fim-de-semana de decisões aqui ao lado no Circuito Internacional de Zhuhai para os pilotos de carros de Turismo locais. O segundo “Festival de Corridas de Macau” do ano trouxe muita animação, alegrias, tristezas e decidiu os apurados para a Taça de Carros de Turismo de Macau da 65ª edição da Grande Prémio de Macau secar. A Suncity Racing Team fez outra dobradinha, com Alex Fung a ver a bandeira de xadrez à frente de Paul Poon. Sem andamento para ombrear com os dois primeiros, Cheong Chi On (Peugeot RCZ) foi o melhor dos representantes do território, conquistando o último lugar de honra. Destaque para a corrida inglória de Rui Valente. O piloto português, que teve um acidente no treino matinal e que por isso não participou na qualificação, arrancou de último. Apostando em pneus slicks e com o asfalto a secar, Valente foi galgando posições durante as 12 voltas, terminando num doloroso

9º lugar. Mais uma volta e Valente teria subido a oitavo e com isso conseguido o ambicionado apuramento para o Grande Prémio. Naquele que é o seu 30º ano no automobilismo, Valente terá agora que esperar que algum dos 18 pilotos que ficou à sua frente não se inscreva para a Taça de Carros de Turismo de Macau do mês de Novembro. Badaraco, o vencedor desta categoria na “Taça CTM” na pretérita edição do Grande Prémio, deu um ar da sua graça, terminando no quarto posto. Assunção foi 14º e “Bebe” Eurico finalizou em 23º, enquanto Dias terminou classificou

no 19º posto, mas já com duas voltas de atraso. Filipe Souza somou mais um abandono.

PARA OS DE CÁ

Na mais numerosa categoria “AAMC Challenge 1950cc ou Superior”, onde cinquenta concorrentes lutaram por apenas dezoito vagas, assistiu-se dois triunfos de pilotos da RAEM, a exemplo do que tinha acontecido no primeiro fim-de-semana no mês de Maio. Na tarde de sábado Leong Ian Veng (Mitsubishi Evo9) voltou a impor-se, com uma certa naturalidade, vencendo a corrida a seu bel-prazer, obtendo o seu

segundo triunfo do ano. Stephen Lee (Mitsubishi Evo9) e o japonês Mitsuhiro Kinoshita (Nissan GTR34) perfizeram o pódio. No domingo foi a vez do veterano Wong Wan Long (Mitsubishi Evo10) levar a melhor, por um segundo e meio sobre Samson Fung (Audi TTRS) de Hong Kong e Delfim Mendonça Choi (Mitsubishi Evo9). O piloto macaense já tinha sido quarto classificado na primeira corrida e voltou ao pódio numa corrida em que terminou a escassos dois segundos e meio do vencedor. Luciano Castilho Lameiras teve um fim-de-semana desapontante, tendo-se qualificado para a corrida de sábado, mas não cumprindo qualquer volta, ao passo que no domingo só realizou três voltas. Por seu lado, Jo Merszei optou por não alinhar na prova por não ter uma viatura competitiva à disposição, como tinha ficado evidente no primeiro evento. Nos próximos dias a AAMC deverá anunciar o início do período de inscrições para o Grande Prémio, onde os 18 melhores classificados de cada categoria têm acesso imediato. Aqueles que não conseguiram o apuramento directo terão que esperar por alguma desistência para terem acesso à grande corrida do ano. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

ERIC TO

competição organizada pela Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC) que este ano está novamente dividida em duas classes – “AAMC Challenge 1.6 Turbo” e “AAMC Challenge 1950cc ou Superior” (anteriormente designada como Roadsport Challenge) – teve novamente quatro corridas e, mais uma vez, quatro vencedores diferentes. À imagem do primeiro confronto, os pilotos de Hong Kong foram mais fortes entre os carros de motor 1600cc Turbo, enquanto na colorida categoria para viaturas de cilindradas superiores a 1950cc foram os pilotos de Macau a tomarem conta dos acontecimentos.

NBA LEBRON JAMES PROSSEGUE CARREIRA NOS LAKERS POR QUATRO ANOS

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EBRON James assinou no domingo um contrato válido por quatro anos com os Los Angeles Lakers, da Liga norte-americana de basquetebol (NBA), por 154 milhões de dólares (132 ME), avançaram os seus empresários da Klutch Sports Group. Quatro vezes ‘Jogador Mais Valioso’ da época regular da NBA, em 2008/09,

2009/10, 2011/12 e 2012/13, LeBron tinha rejeitado na sexta-feira a opção de receber dos Cleveland Cavaliers 35,6 milhões de dólares (cerca de 30,8 milhões de euros) na próxima época e tornou-se, assim, ‘agente livre sem restrições’. Aos 33 anos, e depois de oito finais consecutivas da NBA ao serviço de equipas da Conferência

Este (quatro pelos Miami Heat e outras tantas pelos ‘Cavs’), LeBron James muda-se pela primeira vez na carreira para uma equipa do Oeste. Na sua carreira, esta será a segunda vez que LeBron James abandona o conjunto de Cleveland, depois de já o terceiro uma primeira vez na época 2009/10, rumando aos

Heat, que representou até 2013/14, voltando na temporada seguinte aos ‘Cavs’, pelos quais jogou 11 anos (2003/04 a 2009/10 e 2014/15 a 2017/18). Os Lakers, por onde passaram jogadores como Kareem Abdul-Jabbar, Jerry West, Magic Johnson ou Kobe Bryant, são a segunda equipa com mais títulos da NBA,

num total de 16 – contra 17 dos Boston Celtics -, o último em 2009/2010. LeBron James, que vai para a 16.ª temporada da NBA, cumpriu, em 2017/18, os 82 jogos da época regular, o que aconteceu pela primeira vez, com médias de 27,5 pontos, 8,6 ressaltos e um recorde de carreira de 9,1 assistências.


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3.7.2018 terça-feira

Região Tailândia 6.500 detidos por apostas ilegais nos jogos do Mundial2018 Cerca de 6.500 pessoas foram detidas pela polícia tailandesa devido a apostas ilegais nos jogos do Mundial2018 de futebol, anunciaram ontem as autoridades. A polícia tailandesa lançou uma forte campanha contra as apostas ilegais e desde o início do torneio, a 14 de Junho, a polícia já apreendeu 28 milhões de bats (cerca de 725.000 euros). Entre os detidos estão os responsáveis de 250 casas de apostas, de acordo com informações reproduzidas nos ‘media’ locais. As leis da Tailândia proíbem o jogo, excepto as apostas

reguladas pelo Estado, com penas previstas até um ano de prisão. O Mundial2018 de futebol provocou um aumento significativo das apostas ilegais na Tailândia, que fazem circular todos anos no país milhões de bats, especialmente em apostas de resultados nos jogos Liga Espanhola e da Primeira Liga inglesa de futebol. De acordo com um estudo da Universidade de Chulalongkorn, mais de 2,5 milhões de tailandeses participam no jogo de apostas de resultados, incluindo cerca de 600.000 jovens entre 15 e 25 anos de idade.

Filipinas Prefeito de cidade a sul de Manila morto a tiro

O prefeito de Tanauan, sul de Manila, morreu ontem ao ser baleado no peito durante uma cerimónia do hastear da bandeira naquela cidade, anunciaram as autoridades. A polícia filipina afirmou que o presidente desta cidade da província de Batangas, Antonio Halili, foi baleado no peito por um indivíduo que, alegadamente, teria ligações ao tráfico de droga. As autoridades não têm ainda qualquer indicação sobre o agressor e desconhecem as motivações que levaram a este assassinato. O presidente da cidade Tanauan morreu a caminho do hospital. Antonio Halili era conhecido por obrigar os suspeitos de tráfico de droga a desfilarem pelas ruas da cidade. A polícia local suspeitava que Halili tinha também ele ligações ao tráfico de droga no país. Desde que foi eleito chefe de Estado das Filipinas, Rodrigo Duterte, lançou uma forte ofensiva governamental contra o tráfico de droga que provocou 4.000 mortes em operações policiais, embora se estime que o número de vítimas possa ultrapassar as 7.000.

Os crimes ocorreram em Abril passado, num local de construção na província de Fujian, sudeste da China, quando o encarregado de obra, Li Shi, mandou os trabalhadores abandonarem o local, para que os seus cúmplices executassem os homicídios

GANG CONDENADO POR SIMULAR ACIDENTE LABORAL E PEDIR COMPENSAÇÃO PUB

IACM exige novo plano de realojamento dos galgos até dia 10 de Julho O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) oficiou novamente, hoje (2 de Julho), a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), S.A., pedindo-lhe que apresente, por escrito, até 10 de Julho, o plano de realojamento dos galgos do Canídromo ainda não adoptados após a sua saída das instalações. O Governo da RAEM já em 2016 divulgou e notificou a empresa da sua decisão sobre a desocupação do Canídromo até 21 de Julho do corrente ano, devendo esta ter tempo suficiente para realojar os galgos. O IACM irá acompanhar de forma contínua a situação. O IACM, como entidade competente pela fiscalização do cumprimento da Lei de Protecção dos Animais, salienta que não apoia que qualquer empresa ou indivíduo desista de criar os seus cães ou outros animais de estimação, e pede à Yat Yuen que cumpra a Lei de Protecção dos Animais, de maneira a que todos os galgos possam ser realojados ou adoptados de forma adequada, assumindo as responsabilidades e obrigações que uma empresa deve cumprir. O IACM irá autuar, nos termos da lei, todos aqueles que abandonem os seus animais em violação da Lei de Protecção dos Animais, fazendo incorrêlos na responsabilidade legal e reinvindicar todos os custos eventualmente resultantes.

Profissão: homicida

Um tribunal chinês condenou à prisão sete membros de um grupo criminoso por vários crimes, incluindo o homicídio de dois trabalhadores simulado como acidente de trabalho, visando extorquirem uma compensação monetária ao dono da empresa

O

S crimes ocorreram em Abril passado, num local de construção na província de Fujian, sudeste da China, quando o encarregado de obra, Li Shi, mandou os trabalhadores abandonarem o local, para que os seus cúmplices executassem os homicídios, descreve o jornal oficial Global Times.

No mesmo dia, um dos membros do grupo, Li Lei, trouxe dois novos trabalhadores e agrediu-os com uma barra de ferro. Os homens tiveram morte imediata. Outros dois criminosos, Zhang Bin e Zhu Yang , fizeram-se então passar por familiares das vítimas e exigiram 1,6 milhão de yuan (206 mil euros) como

compensação ao empregador. Os dois homens foram condenados a quatro anos de prisão por fraude. O Global Times não detalha as penas de prisão de Li Shi e Li Lei, mas o homicídio é punido na China com pena de morte.

TENDÊNCIA HOMICIDA

Nos últimos anos, vários assassínios do género ocorreram no país asiático, sobretudo em minas, onde os donos tentam ocultar os acidentes, de forma a evitar investigações pelas autoridades de segurança. Em Dezembro de 2015, quatro pessoas foram condenadas à pena capital após terem sido declaradas culpadas pela morte de vários mineiros e de extorquirem dinheiro aos empregadores, ao fazerem-se passar por familiares das vítimas. Em 2016, um tribunal de Pequim condenou dois homens à morte pelo homicídio de um colega de trabalho, atirado do 13.º andar de um prédio em construção na capital chinesa, após ter sido agredido com um tubo de metal, num esquema semelhante. O enredo do filme “Blind Shaft”, do realizador chinês Yang Li, que em 2003 ganhou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim, é inspirado nestes casos.


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terça-feira 3.7.2018

TECNOLOGIA CHINA TEM 4 MIL EMPRESAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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indústria de inteligência artificial (IA) da China regista um grande crescimento desde 2015. De acordo com informação publicada no Diário de Ciência e Tecnologia o número de empresas do ramo atingiu as 4040 até Maio deste ano. Só sediadas em Pequim estão 1070 empresas de IA, representando 26 por cento do total nacional, de acordo com um relatório sobre o desenvolvimento da indústria da IA de Pequim, divulgado no sábado pela Comissão Municipal de Economia e Tecnologia de Informação de Pequim (CMETIB) na 22ª Expo Internacional de Software da China. Entre as 1237 empresas de IA que já adquiriram investimento de risco, 431 estão sediadas em Pequim, respondendo por 35 por cento. Entre as companhias que têm

a sua sede na capital chinesa, 56,9 por cento não concluíram a primeira fase de financiamento, o que indica que a maioria delas ainda se encontra na fase de startup com potencial de desenvolvimento. Uma série de produtos e companhias de IA surgiu na capital chinesa nos últimos anos, tornando a cidade um centro de inovação do sector na China, disse You Jing, vice-diretor do escritório de software da CMETIB. “Pequim criou um cluster industrial de IA, graças às políticas favoráveis, ambiente de inovação e empresarial, capital, desenvolvimento intensificado de software e protecção de patentes”, disse You. A maioria das empresas de IAem Pequim actua nas áreas de saúde, electrodomésticos, administração urbana, retalho e autocondução.

MILITAR CRIADA ARMA DE LASER CAPAZ DE MATAR

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MA empresa chinesa desenvolveu uma arma de raios laser capaz de atingir um alvo até quase um quilómetro de distância e provocar queimaduras que podem levar à morte de pessoas, informou um jornal de Hong Kong. Segundo o jornal diário South China Morning Post, a arma, designada ZKZM-500, produz um raio de energia invisível, que pode atravessar objectos e causar a “carbonização instantânea” da pele e tecidos humanos. O projecto foi desenvolvido pelo Instituto de Óptica e Mecânica de Precisão da Academia de Ciências da China, na cidade de Xi’an, noroeste do país. O dispositivo é capaz de “queimar roupa na fracção de um segundo, pelo que se o tecido for inflamável, a pessoa pega imediatamente

fogo”, explicou um dos responsáveis pelo projecto, citado pelo jornal. Como o laser está ajustado a uma frequência invisível e não produz qualquer som, “ninguém saberá de onde veio o ataque”, acrescentou. A arma, de calibre 15 mm, pesa três quilos, quase o mesmo que uma arma de assalto AK-47, e tem um alcance de 800 metros. Está pronta para ser produzida em massa e provavelmente as primeiras unidades serão entregues às forças antiterrorismo da polícia chinesa, destacou o jornal. O protótipo foi construído pela ZKZM Lazer, empresa tecnológica que pertence ao Instituto de Xi’na e o custo de produção de cada unidade está fixado em 100.000 yuan (13.250 euros).

DEPENDÊNCIA UM QUINTO DOS JOVENS CHINESES É VICIADO EM VIDEOJOGOS ONLINE

Viver noutra realidade

Cerca de 18 por cento dos jovens chineses dedicam-se a jogos online pelo menos quatro a cinco horas por dia, uma média que é considerada patológica. A conclusão é revelada por um estudo da Academia Chinesa de Ciências Sociais

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E acordo com um artigo publicado no jornal China Youth Daily nesta segunda-feira, um estudo sobre o comportamento online dos jovens chineses mostrou que 41,3 por cento consideram que o tempo que gastam em jogos online não é saudável mas é algo que não conseguem controlar. “O vício na internet é relevante para as nossas vidas. Quase um em cada cinco jovens já foi ou é susceptível a se tornar viciado em videojogos”, disse Zhou Huazhen, investigadora da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS, na sigla em inglês) e encarregada pela pesquisa. Zhou acredita que o estudo trouxe à tona resultados muito mais amplos e directos no estudo do vício na internet da China em comparação com

casos individuais relatados pelos meios de comunicação social. O estudo revela que cerca de 23,6 por cento dos jovens chineses jogam videojogos online pelo menos quatro dias por semana e 17,7 por cento o fazem todos os dias. Outra das tendências demonstradas no estudo é que a percentagem dos estudantes que jogam online pelo menos quatro dias por semana cresce com a idade. 16,9 por cento para alunos do ensino básico, 21,3 por cento para estudantes da primeira fase do ensino

secundário e 31,8 por cento para os da segunda.

POR SUA CONTA

A facilidade de acesso a produtos digitais e a falta de supervisão dos pais são dois factores principais que impulsionam o aumento, de acordo com a investigadora que dirigiu o estudo. As crianças mais velhas precisam usar a internet com mais frequência do que as mais jovens, tanto para estudo como para a vida diária, bem como para satisfazer suas necessidades sociais,

“O vício na internet é relevante para as nossas vidas. Quase um em cada cinco jovens já foi ou é susceptível a se tornar viciado em videojogos.” ZHOU HUAZHEN INVESTIGADORA DA ACADEMIA CHINESA DE CIÊNCIAS SOCIAIS

e os professores e os pais geralmente reduzem a supervisão do tempo que os filhos passam online à medida que as crianças crescem, acrescentou Zhou. Zhang Shuhui, vice-presidente da CASS, fez uma pesquisa semelhante em 2010 na qual Zhou também colaborou, que mostrou que apenas 6,7 por cento dos alunos passavam mais de seis horas online de segunda a sexta-feira. Zhang disse que, mesmo com pequenas diferenças nos parâmetros entre as pesquisas, os resultados de ambas as investigações mostram um vício crescente na internet dos jovens chineses. No início de 2018, o vício em videojogos foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma desordem da saúde mental.


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terça-feira 3.7.2018

Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas Máquina Lírica Paulo José Miranda

Virar gente Q UATRO anos antes de filme de Glauber Rocha, Terra em Transe, acerca do qual se escreveu aqui na semana passada, Nelson Pereira dos Santos adaptava para cinema, o romance de Graciliano Ramos, Vidas Secas, em 1963. Esta obra de Graciliano, escrita um ano antes da de John Steinbeck, Vinhas da Ira (1939), com a qual divide o ponto de vista realista, vai muito para alem da questão social e política, se bem que este seja o centro gravítico da obra. Se Glauber filmou uma fábula que mostra como funciona a monstruosa máquina da política sul-americana, Nelson Pereira dos Santos filma as consequências do funcionamento dessa máquina, nas franjas mais desprotegidas da sociedade, os mais pobres, os que não têm nada. E há quem não tenha nada. Há quem aspire a ser gente. O filme tem uma frase que bem podia servir de leitmotiv, que gira em nosso cérebro como uma broca: “Um dia temos de virar gente.” Frase que Sinhá Vitória repete três vezes ao longo do filme, mostrando claramente o quanto sente que a sua vida não faz parte da vida humana. Pessoas que vivem como bichos, sem nada, fugindo continuamente de nenhum lado para lado nenhum, porque em nenhum lado há abrigo. Em nenhum lado encontram repouso, segurança, um momento de paz. Em Vidas Secas, viver é literalmente estar em guerra com a natureza e com os outros. E, aqui, nestes outros, nunca há uma mão amiga. Há, no mínimo, uma mão que te explora e nessa exploração te resgata do inferno de viver a céu aberto, sem telha, sem fogo, sem farinha. Ser explorado é melhor que nada, porque a exploração traz um tecto e um prato de comida. Mas em Vidas Secas não há amigos. O humano aparece neste filme num esplendor facínora. Aquela família – Fabiano, Vitória e seus dois filhos, crianças – não estão sozinhos. Estão muito pior do que isso, estão no mundo com os outros. A vida, nesta guerra contra a natureza e contra os outros, surge-nos como sendo contra si mesma. Vive-se contra a vida. O preço de estar vivo é matar. Matar animais para comer, matar outros para continuar – embora isto não se veja literalmente no filme, apenas subentendido –, matar sonhos para calcar bem a realidade. Como diz Fabiano à mulher: “É, seu Tomás sabia muito, mas quando botou o pé no mundo se acabou no caminho.” O mundo é duro demais para as palavras. De que vale aprender as letras, aprender a ler nos livros, se não se sabe enfrentar a dureza e a crueldade do mundo? Se não se sabe resistir. Há ainda na mulher,

Vitória, uma vontade de ir mais além. Uma vontade de ser gente. Vitória não quer muito, quer apenas pôr os filhos a estudar, ter um canto, não precisar de se preocupar todos os dias se tem comida para dar aos filhos, ir para numa cidade grande e ter muita coisa nova para ver, contrariamente aos seus olhos de agora, que só viram miséria. No filme nunca há um beijo, uma carícia, uma palavra de amor trocada entre Fabiano e Vitória. Ali não há esse amor. O amor que há ali – e há e muito – é o amor que liga um humano a outro para atravessar o deserto, quer seja o sertão ou a existência. Porque o deserto do Sertão é aqui o deserto, ele mesmo, o deserto do Sertão, mas também uma metáfora da existência. Envolve estes personagens e envolve-nos a todos. Estamos todos náufragos no deserto. Quando Fabiano e Vitória, já no final do filme, a caminho de nada – mas com esperança de que haja alguma coisa – olham ao redor, não são só eles que vêem a paisagem árida quase infinita de nada do deserto do Sertão, somos também nós, os espectadores, que

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Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos

sentimos que apesar de privilegiados, infinitamente privilegiados se comparados com eles, também não vemos lugar seguro no horizonte. O amor, aqui, é um amparo, uma cumplicidade para atravessar a vida. É como se ambos dissessem “eu responsabilizo-me por estar sempre a teu lado e ajudar-te a atravessar o deserto.” E ajudam-se. Trabalham lado a lado, caminham lado a lado, suportam o peso lado a lado. Dois náufra-

Ser explorado é melhor que nada, porque a exploração traz um tecto e um prato de comida. Mas em Vidas Secas não há amigos. O humano aparece neste filme num esplendor facínora

gos no deserto, que se amparam um ao outro, é este o amor que encontramos aqui. É um filme acerca do qual não se escreve sem perturbação. Porque o filme é perturbação pura. E a perturbação começa logo no início com o barulho que se escuta durante os primeiros três minutos, o tempo do genérico. Um barulho profundamente irritante. E poucos minutos depois, Sinhá Vitória, numa pausa do caminho, logo no início, mata o papagaio que viajava com eles, para que tenham o que comer, e diz: “Também não servia para nada. Nem sabia falar.” Estava dado o mote. Muito se tem ligado este filme ao neo-realismo italiano, e não sou eu que o vou contrariar, mas há neste filme uma perturbação que dificilmente encontramos no neo-realismo destas nossas latitudes. As últimas palavras do filme, que surgem escritas sobre a película, dizem-nos: “E o deserto continuava a mandar para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos. GRACILIANO RAMOS” E continua a mandar. Continua a mandar.


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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Quarta-feira FILME 1 “THE ITALIAN JOB” Casa Garden | 19h00

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FILME “AS BOAS MANEIRAS” Cinemateca Paixão | 21h30

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ESCAPE PLAN 2: HADES SALA 1

SALA 2

FALADO EM CANTONÊS, LEGENDADO EM INGLÊS / CHINÊS Um filme de: Jeffrey Chiang Com: Carlos Chan, Carmen Soup, KK Cheung 14.30, 21.30

Um filme de: Gary Ross Com: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling 19.30

BUYER BEWARE [C]

OCEAN’S EIGHT [B]

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JURASSIC WORLD: FALLEN KINGDOM [B]

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9 6 4 5 8 1 2 Este o meu 8 livro 2 marca 1 9 7regresso 3 5 enquanto leitor ao escritor norte-americano depois 7 1 6 3da sua 5 morte. 8 9 Editado em 1967, “Quando ela era clás-6 4boa”, 8 que3antecedeu 2 9o7 sico “O Complexo de Portnoy”, é5 um 9 romance tem 4 uma8 2 6que 1 protagonista feminina, algo que não 1é muito 4 9comum. 8 A3narrativa 5 7 gira em torno de Lucy Nelson e2 desenrola-se 3 8 numa 7 6pequena 9 4 cidade do Midwest norte-americano. Depois de passar por uma 3 6 7cheia 5 de1dificuldades, 4 2 infância

3 4 2 1 7 6 5 9

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marcada pelo alcoolismo do pai, Lucy toma como missão reformar os homens que passam pela sua vida. Com a capacidade de escrita que o iria tornar num dos mais escritores do século XX, este livro de Roth acaba por ficar perdido numa obra vasta e de grande qualidade. João Luz

COLORS OF THE WIND [B]

Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 16.30, 19.00

FALADO EM JAPONÊS, LEGENDADO EM INGLÊS / CHINÊS Um filme de: Kwak Jae-Young Com: Furukawa Yûki, Fujii Takemi 14.30, 16.45, 19.15

SALA 2

SALA 1

Um filme de: Steven C. Miller Com: Sylvester Stallone, Dave Bautista, Huang XiaoMing 14.30, 16.30, 21.30

Um filme de: Drew Pearce Com: Jodie Foster, Dave Bautista 21.30

ESCAPE PLAN 2: HADES [C]

HOTEL ARTEMIS [C]

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O último relatório do Comissariado contra4a Corrupção revela que o Instituto de Promoção do Investimento e Comércio de Macau (IPIM) nunca teve unhas, ou dentes, para fiscalizar os pedidos de obtenção de BIR pela via do investimento. Isto numa terra onde se bate tanto nos trabalhadores não residentes, assim que surge uma oportunidade de mama o poder mostra-se incapaz de fiscalizar o quer que seja. Criam-se empresas fictícias para obter BIR e molhar a sopa no aliciante mercado de habitação e nada acontece enquanto as imobiliárias ganham com isso. Mente-se com todos os dentes sobre habilitações académicas e profissionais para a fixação de quadros e o IPIM nunca consegue verificar nada. Está visto que o dinheiro não residente é muito bem-vindo, mesmo que minta por natureza às autoridades que nestes casos revelam a ingenuidade de uma debutante nas 6 garras predatórias de um Dom Juan. Isto para não dizer que a debutante é astuta o suficiente para pactuar, por omissão, no imenso regabofe pós-baile. O melhor no meio disto tudo é que será o próprio IPIM a fazer a autoanálise para corrigir a endémica incapacidade para fazer o seu trabalho, como ficou demonstrado no relatório do CCAC. A desproporção de pesos e medidas é gritante. Quando se trata da classe mais baixa da sociedade, que chega ao território para fazer o trabalho que mais ninguém quer fazer e ganhar uma miséria, o poder é implacável com laivos de crueldade. Se for o dinheiro, ninguém sabe nada, não se verificam documentos, não se olha para a proveniência do dinheiro, nadinha de nada. A força do poder é, de facto, muito selectiva. João Luz

SALA 3 SALA 1

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PROBLEMA 5

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 4

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NÃO RESIDENTE

DE

UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00

3.7.2018 terça-feira

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4O CARTOON STEPH

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opinião 19

terça-feira 3.7.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

O

Departamento do Consumidor de Hong Kong emitiu um relatório no dia 27 do mês passado, intitulado “Estarão os estudantes protegidos? Tratava-se de uma análise sobre os serviços de aconselhamento à formação académica no estrangeiro. O relatório afirma que muitos destes servidores, também designados por Agentes Educacionais, “que se anunciam como “consultores”, actuam na realidade como agentes de instituições académicas no estrangeiro e são, sobretudo, remunerados pelo recrutamento de estudantes para esssas instituições. Como tal, o aconselhamento aos estudantes pode ser motivado por interesses comerciais. Não serão as necessidades dos estudantes a sua prioridade e levantam sérias dúvidas sobre a sua imparcialidade e independência. O relatório também salienta que os procedimentos carecem de transparência e de confidencialidade. Os agentes não possuem suficiente formação profissional e os serviços pecam por falta de qualidade. Além disso, como estes serviços são supostamente “gratuitos”, não existem obrigações contratuais e, caso haja um conflito devido à inadequação dos serviços, os consumidores não têm forma de reclamar.” Como em Macau, a situação em relação a este tipo de serviços é semelhante à de Hong Kong, vale a pena analisar um pouco melhor este assunto. O excerto que atrás transcrevemos assinala que: “como estes serviços são supostamente “gratuitos”, não existem obrigações contratuais e, caso haja um conflito devido à inadequação dos serviços, os consumidores não têm forma de reclamar .” Porque é que em Hong Kong os serviços gratuitos não estão sujeitos a obrigações contratuais? A lei da contratação difere de Hong Kong para Macau. Em Hong Kong ainda está implementada a Lei Comum, ao abrigo da Lei Básica de Hong Kong, pelo que os contratos incluem o conceito de “retribuição”. “Retribuição” é um termo jurídico, que prevê que as partes contratuais devem sempre, à luz do contrato, qualquer coisa uma à outra. Por exemplo, quando vamos a um loja comprar uma bebida, a retribuição que damos ao lojista é o dinheiro, e a que ele nos dá é a bebida. Ao abrigo da Lei Comum, a retribuição pode ser qualquer coisa, desde que as partes contratuais estejam de acordo. Desta forma, se não forem definidas as retribuições, não se pode celebrar um con-

TONY JOHANNOT

Serviços de aconselhamento académico I

trato porque não se estabeleceram as bases de troca, implicitas num contrato. Mesmo que o documento esteja assinado, sem este requisito, não passa de uma “promessa” e não tem efeito legal. Assim, podemos compreender que estes contratos assinados pelos estudantes, e pelos pais, com os Agentes Educacionais não têm qualquer efeito legal, na medida em que o Agente não pede qualquer “retribuição”. Se estes contratos não têm validade legal, quem se sente lesado não pode fazer nada. Se, contrariamente, o Agente Educacional

O excerto que atrás transcrevemos assinala que: “como estes serviços são supostamente “gratuitos”, não existem obrigações contratuais e, caso haja um conflito devido à inadequação dos serviços, os consumidores não têm forma de reclamar .”

cobrasse pelos seus serviços, o cliente estaria protegido. Nesse caso o Agente teria obrigação de respeitar os termos do contrato. As principais questões assinaladas no Relatório foram as seguintes: Muitos Agentes Educacionais fazem-se passar por “consultores”, mas segundo o estudo feito pelo Departamento do Consumidor de Hong Kong, 86% (25 dos 29 que responderam) confessam ser de facto “agentes” que representam instituições académicas estrangeiras, actuando para recrutar estudantes. Nenhum deste Agentes tomou a iniciativa de revelar os pormenores da sua relação comercial com as referidas instituições, apesar de alguns admitirem o papel de “agentes”.  Falta de confidencialidade e de transparência dos procedimentos destes Agentes, foram duas das questões levantadas. Estes factores podem colocar os estudantes em desvantagem já que as informações que lhes são prestadas sobre as instituições académicas no estrangeiro carecem de imparcialidade.  Informação pouco adequada e fidedigna é outro dos problemas detectado na actuação destes Agentes. Por exemplo, não conseguem facultar informação sobre

as classificações das instituições, sistema de transportes, instalações, acomodações, etc; o cliente é deixado por sua conta para encontrar as respostas. Finalmente, como não existe um mecanismo de reclamação, o contrato entre os estudantes/pais e os Agentes não inclui uma cláusula de “retribuição”, é difícil para os consumidores levantar um processo por quebra de contrato. Existem outras possibilidades para um processo cível, por exemplo, aquelas que se encontram ao abrigo da Ordenança das Prescrições Comerciais, mas são muito morosas e os custos são imprevisiveis. Desta forma, o consumidor fica sem opções.  E porque é que é são tão problemáticos os serviços dos Agentes Educacionais? Em primeiro lugar, os requisitos para o exercício desta actividade deixam muito a desejar. Basta ter uma empresa e abrir um escritório para entrar no negócio. Melhor ainda, como as rendas são muito caras, basta operar a partir de um site. Desta forma o escritório deixa de ser um problema. Esta situação gera uma falta de homogeneidade da actividade e provoca uma série de questões regulamentares. Continua na próxima semana.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


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PALAVRA DO DIA

terça-feira 3.7.2018

HACKER DE MACAU PROCURADO PELOS EUA ESPECULOU 9 MILHÕES NA BOLSA

O

pirata informático de Macau procurado pela Justiça dos Estados Unidos da América, Hong Iat, terá investido mais de 9 milhões de dólares americanos com base na informação confidencial a que teve acesso através de alegados ataques informáticos. A notícia foi avançada, ontem, pelo South China Morning Post. Segundo os documentos acedidos pelo jornal, o residente de Macau, de 27 anos, gastou um montante superior a 9,12 milhões de dólares na compra de acções, um “investimento” realizado em conjunto com outros dois suspeitos da alegada prática de ataques informáticos a firmas americanas. A negociação foi feita em margem no Banco da China, ou seja através de uma opção de risco elevado, em que o próprio banco financia os investidores.

Do montante investido, 45 por cento, cerca de 4,10 milhões, foi feito com verbas do hacker de Macau e da sua mãe. A progenitora surge identificada em alguns dos fundos de investimento utilizados pelos piratas informáticos como a pessoa autorizada a receber e movimentar os fundos. Também de acordo com os documentos da Securities and Exchange Commission (SEC), regulador americano, as contas usadas por Lai para investir nos EUA encontram-se congeladas. A mesma documentação mostra ainda que em 2016 o pirata informático investiu 6,1 milhões de yuan em acções na bolsa de Xangai.

EXTRADIÇÃO REJEITADA

O paradeiro de Hong Iat é actualmente desconhecido, após do Governo de Hong Kong ter recusado o pedido de extradição norte-americano. Esta foi uma decisão tomada depois de um

período de negociação superior a 10 meses e é a primeira rejeição desde 1998, altura em que os EUA e Hong Kong assinaram o actual acordo de extradição em vigor. Hong faz parte de um grupo de três pessoas acusado pela SEC de ter entrado no sistema informático

O residente de Macau gastou um montante superior a 9,12 milhões de dólares na compra de acções, um “investimento” realizado em conjunto com outros dois suspeitos da alegada prática de ataques informáticos a firmas americanas

de dois escritórios de advogados em Nova Iorque. Com esses ataques, que terão ocorrido entre 2014 e 2015, os suspeitos terão roubado mais de 60 gigabytes em informação confidencial sobre empresas cotadas na bolsa, que foi depois utilizada no investimento em acções. De acordo com a queixa da SEC num tribunal de Nova Iorque, após ter conseguido a informação confidencial, o trio investiu em acções e lucrou pelo menos 3 milhões de dólares americanos. Os outros suspeitos do caso são Hung Chin, de 53 anos, especialista em segurança de redes informáticas e actual marido da mãe de Hong Iat e ainda Zheng Bo, de 33 anos, que foi colega de trabalho do hacker numa empresa em Zhuhai. João Santos Filipe

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Almeida Ribeiro Wong Kit Cheng espera maior cooperação em obras

As obras na Avenida Almeida Ribeiro levaram a deputada Wong Kit Cheng a emitir ontem um comunicado, onde diz esperar que Governo e a população cooperem mais na realização desse projecto. Considerando que as obras são necessárias, Wong Kit Cheng frisou que é necessária maior comunicação com os residentes, para que se detectem situações imprevistas, e para que se reduzam potenciais impactos junto de moradores e turistas. A deputada dá também os parabéns ao Governo por ter divulgado o plano de obras de forma atempada, além de ter ouvido as opiniões a sociedade.

TERRORISMO EUA DIZEM TER IMPEDIDO ATENTADO PARA 4 DE JULHO

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PORTUGAL INCÊNDIOS MOTIVAM INQUÉRITOS AINDA SEM ARGUIDOS

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ÁRIOS inquéritos foram instaurados nas comarcas de Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu, mas ainda não há arguidos constituídos em nenhum dos processos na sequência dos incêndios de Outubro de 2017, disse ontem a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ques-

tionada pela agência Lusa, a PGR informou que foram "instaurados vários inquéritos" - sem referir quantos - "nas comarcas de Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu", na sequência dos fogos de outubro. Na mesma resposta enviada por correio electrónico, a PGR refere que

as investigações não têm ainda arguidos constituídos, sendo contabilizadas 51 vítimas mortais nos inquéritos movidos na sequência dos incêndios de Outubro de 2017. A contabilização de vítimas mortais tem apontado para 50. A PGR escusou-se a explicar a contabilização das vítimas mortais. Tam-

bém se recusou a referir que diligências é que já foram realizadas, se já foram ouvidas testemunhas ou que tipos de crimes é que estão em causa nas investigações. Os grandes incêndios de Outubro de 2017 na região Centro provocaram, para além de vítimas mortais, cerca de 70 feridos e destruíram

total ou parcialmente 1.500 casas e mais de 500 empresas. Já o inquérito sobre o grande incêndio de Pedrógão Grande, conta, para já, com dez arguidos constituídos, segundo informou à agência Lusa a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra, a 11 de Junho.

polícia federal norte-americana anunciou onte m a detenção de um homem, próximo da rede extremista Al-Qaida, suspeito de planear um atentado em Cleveland na próxima quarta-feira, dia da festa nacional dos Estados Unidos. Demetrius Nathaniel Pitts, também chamado Abdur Raheem Rafeeq, declarou a um agente infiltrado do FBI que pretendia matar militares e as suas famílias com um veículo armadilhado naquela cidade do Estado de Ohio. O suspeito, com antecedentes criminais, foi detido no domingo e é acusado de apoiar uma organização terrorista. “A sua intenção era matar soldados e as suas famílias”, declarou numa conferência de imprensa o agente especial do FBI Steve Anthony. Nascido nos Estados Unidos, Pitts era vigiado pela polícia federal há alguns meses, depois de ter publicado nas redes sociais mensagens favoráveis à Al-Qaida e de ter exprimido o desejo de recorrer à violência armada. “As suas mensagens no Facebook eram francamente inquietantes”, sublinhou Anthony.

Hoje Macau 3 JUL 2018 #4083  

N.º 4083 de 3 de JUL de 2018

Hoje Macau 3 JUL 2018 #4083  

N.º 4083 de 3 de JUL de 2018

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