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LIGA DE ELITE

Benfica e Ka I continuam na perseguição ao Monte Carlo Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Director carlos morais josé • segunda-feira 3 de junho de 2013 • ANO XII • Nº 2863

aguaceiros ocasionais min 27 max 32 hum 70-95% • euro 10.1 baht 0.2 yuan 1.2

Ter para ler Venham mais cinco (séculos)

tiago alcântara

direitos humanos

Cumprir calendário apenas O Governo prepara o segundo relatório sobre os Direitos Humanos na RAEM. O anteprojecto limita-se apenas a relembrar o que está em vigor e as metas que faltam cumprir. centrais

• velho vira novo

IACM planeia reciclar cinco vezes mais vidro Página 13

Estudantes do exterior

Kwan Tsui Hang quer discutir questão na AL Página 2

• Renovação da Penha

Arquitectos tomam a iniciativa de projectar melhorias Página 5 pub

ELEIÇÕES 2013

Casimiro Pinto assume desistência de candidatura à AL

Perdeu-se a Voz É definitivo. A Voz Plural não vai participar no acto eleitoral deste ano. Casimiro Pinto, o rosto do movimento, assume que o “trabalho feito foi muito pouco” e, por isso, não haverá lugar a candidaturas às eleições para a Assembleia Legislativa. “Não podemos avançar sem uma preparação, não vale a pena mentir às pessoas.” Para já, a Voz ficará calada mas o futuro é de batalha. “Queremos recuperar algum trabalho na participação cívica.” página 3


tiago alcântara

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política

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Emprego Estudantes do exterior motivam deputada a pedir debate na AL

Impacto na sociedade, diz Kwan Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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wan Tsui Hang quer ver debatida na Assembleia Legislativa (AL) a questão da importação de trabalhadores não-residentes (TNR) e a permanência de estudantes do exterior no mercado de trabalho de Macau. A deputada apresentou uma proposta de debate ao plenário, que foi admitida na sexta-feira por Lau Cheok Va, presidente da AL, para

ser aprovada. “O Governo deve ou não criar um novo canal separado do regime de importação de trabalhadores não-residentes para permitir que os estudantes do exterior que frequentam instituições de ensino superior em Macau possam aqui permanecer e trabalhar?”, questiona Kwan Tsui Hang. A deputada, que se tem mostrado contra a hipótese de que estudantes do exterior que estudam em universidades de Macau se insiram no mercado de trabalho da RAEM após terminarem a licenciatura,

considera o assunto de interesse público. E explica. “Apesar de se referir que o assunto ainda está em estudo, o certo é que tem vindo a surgir fortes reacções na sociedade”, pode ler-se na nota justificativa que acompanha o pedido de debate. “Jovens, trabalhadores e pais de estudantes preocupam-se com a hipótese de o Governo poder vir a admitir que estes adquiram a qualidade de residentes, o que não só irá agravar a desordem já registada no mercado laboral, mas também retirar aos locais as

oportunidades de emprego e de ascensão social.”

Dúvidas

Kwan Tsui Hang considera que mesmo com a explicação do Chefe do Executivo de que o facto de os estudantes aqui trabalharem não implica que tenham direito a residência – a autorização de um novo método de imigração vai causar impacto na sociedade. “Hoje em dia existem canais que permitem a permanência e trabalho em Macau, assim sendo se for criado um novo

canal, isso tanto vai ter impacto nos actuais regimes de importação de TNR e imigração, como não irá conseguir ajudar em nada as pequenas e médias empresas que necessitam de recursos humanos”, atira. A deputada assegura que há muitas dúvidas sobre esta política – anunciada aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano – e defende que os deputados devem poder debater sobre ela, para que possam exprimir a sua opinião. “Tem grande relevância no que respeita aos recursos humanos, à política laboral e de emprego e, até mesmo, à política demográfica.” O pedido de realização de debate foi apresentado na passada terça-feira, após a rara aprovação do plenário a favor de um debate sobre as construções em Coloane.

Diplomacia Vítor Sereno quer reforçar o bilinguismo no território

“Maior afirmação da Língua Portuguesa” O

mais jovem cônsul-geral português de sempre, Vítor Sereno, chegou a Macau há menos de dois meses, depois de ter cumprido a mesma missão noutros quatro países de diferentes continentes e de, mais recentemente, ter saído da função de chefe de gabinete do ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamenta-

res, Miguel Relvas. Na casa dos 40, o diplomata trouxe propósitos bem definidos na bagagem. O primeiro dos quais prende-se com o reforço da Língua Portuguesa no território. Em entrevista à Rádio Macau, Sereno disse estar a trabalhar juntamente com os seus conselheiros comercial e cultural - Maria João

“Gostava de ter a Selecção aqui outra vez” “Já tive uma conversa com Fernando Gomes [presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas] em que lhe manifestei esse propósito”, indicou Vítor Sereno, em entrevista à Rádio Macau, fazendo alusão ao futebol de Cristiano Ronaldo e companhia. “Isto surgiu na sequência de uma conversa com um membro do Executivo de Macau e do interesse que têm em ter aqui a Selecção Portuguesa. Estamos a trabalhar nisso. Gostava de ter a Selecção aqui outra vez.”

Bonifácio e João Laurentino Neves - para uma “maior afirmação da Língua Portuguesa” e, nesse sentido, também no “reforço da sua aprendizagem”. Por isso, diz-se atento às acções do Governo que se mostrou disposto a trabalhar para a promoção do “bilinguismo efectivo”. Embora adiante que 1600 pessoas a aprender português actualmente seja um número que não pode ser desprezado, não se mostra satisfeito até porque tem a intenção de tornar o idioma numa “ferramenta de negócios”. “O reforço do ensino [da Língua Portuguesa], com a utilização de metodologias adequadas ao nível do sistema educativo público, para nós é essencial”, explicou Sereno, sem deixar de

referir que quer que o idioma oficial perdure além de 2049. Até porque, refere, vê nisto uma “situação de vantagem dupla quer para Macau, quer para a República Popular da China quer para Portugal”. Sobre a Escola Portuguesa de Macau (EPM), Vítor Sereno referiu que é um “dossiê” que será fechado em breve, “já que se tem arrastado há muito tempo”. E, por isso, o Ministro da Educação português - Nuno Crato - foi aconselhado por si a resolver a questão com Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, que tutela os Serviços de Educação. “Tem em seu poder toda a documentação neste momento. Essa documentação passava por um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-

-Geral da República e por um parecer que, creio, já foi homologado da própria Inspecção-Geral da Educação”, explica o diplomata, que gostaria ainda que Crato se deslocasse a Macau. Sobre o consulado e as queixas de que tem

sido alvo pelos inscritos, Sereno diz que “não faz sentido que a entrega de um passaporte ou de um cartão de cidadão esteja a demorar um mês e meio”. Por isso, propõe-se a melhorá-lo também com a ajuda dos “compatriotas”. - R.M.R.

Vitório Cardoso é uma “não questão” Vítor Sereno garante nunca ter recebido qualquer instrução à cerca da nomeação de Vitório Cardoso para representante de Portugal no Fórum de Macau. E, diz ainda, o embaixador de Pequim, Jorge Ryder Torres Pereira, também não recebeu qualquer directiva nesse sentido. “Acho, de facto, muito estranho o alvoroço que se levanta à volta disso (...) É uma não questão.” Sobre a possibilidade de haver um representante específico do Governo de Lisboa para a estrutura que serve de ligação à China e aos países lusófonos, Sereno concorda que se trata de “um reconhecimento da importância que o Fórum tem para o Estado português”, dizendo-se a favor.


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Eleições 2013 Casimiro Pinto diz que “trabalho feito foi muito pouco”

Voz Plural desiste da corrida às eleições estou disponível para ficar à frente.” Ficou pelas intenções.

Sem estrutura permanente

É precisamente os eleitores a maior preocupação de Casimiro Pinto, que não quer desiludir o público. Reconhece que a falta de preparação de que fala “é má para a nossa imagem e é feio para a comunidade macaense”. “Acho que é melhor mostrar algum

trabalho e preocupação quanto ao futuro de Macau, e só depois se pode voltar às eleições. Não podemos avançar sem uma preparação, não vale a pena mentir às pessoas.” Questionado sobre o que falhou nos últimos quatro anos, o líder da Voz Plural – Gentes de Macau refere que ainda não possuem “uma estrutura permanente e não temos uma associação como os outros,

que têm uma máquina a funcionar todos os dias. Todos temos uma vida particular, um trabalho, e não tivemos condições suficientes para trabalhar a tempo inteiro nesse projecto. Isso falhou imenso”.

Candidatura de Pedruco sem influência

Com o macaense Luiz Pedruco a avançar em força para uma can-

António Falcão

Candidata às eleições de 2009, a lista Voz Plural, liderada por Casimiro Pinto, não vai apresentar a sua proposta de candidatura para Setembro. Ao Hoje Macau, contudo, o macaense diz que a participação cívica vai continuar

Acho que é melhor mostrar algum trabalho e preocupação quanto ao futuro de Macau, e só depois se pode voltar às eleições. Não podemos avançar sem uma preparação, não vale a pena mentir às pessoas

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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m Fevereiro as hipóteses ainda estavam no ar, mas agora Casimiro Pinto, líder da Voz Plural – Gentes de Macau, garante ao Hoje Macau que o seu grupo não vai apresentar qualquer candidatura às próximas eleições legislativas, numa altura em que a maioria dos candidatos a um lugar de deputado na Assembleia Legislativa (AL) apresentam formalmente as suas listas. “Nestas eleições não vamos participar, porque reconhecemos que o trabalho feito foi muito pouco e se quisermos participar será de uma outra forma, mas não este ano através das eleições. A Voz Plural vai participar de forma diferente nas questões relacionadas com Macau.” Nas palavras de Casimiro Pinto depreende-se que poderá acontecer mais uma participação cívica do que propriamente nas questões eleitorais. “Só com mais alicerces construídos é que vamos ver se daqui a quatro anos estamos prontos ou não para a corrida eleitoral. Queremos mostrar um trabalho mais concreto, mas não apenas para responder às eleições.” “Agora vai ser a Voz Plural ou as pessoas a nível individual que vão participar mais nos assuntos cívicos. Pessoalmente vou participar mais, mas em meu nome. A Voz Plural também vai mudar a forma como tem vindo a actuar”, avisa. No início do ano, em declarações ao jornal Ponto Final, Casimiro Pinto ainda colocava a hipótese de ir à corrida eleitoral marcada para 15 de Setembro. “Não posso dizer já que não, nem que sim. Não sabemos se há ou não viabilidade. Se tiver condições e se as pessoas continuarem a achar que posso representá-las,

didatura, depois de ter formado a Associação Macau Século XXI, Casimiro Pinto considera que não teve qualquer influência na sua decisão. “Não tem nada a ver com a participação do nosso amigo da comunidade macaense e essa questão nem sequer foi ponderada, até porque para obter votos, para qualquer uma das listas, não se deve restringir à própria comunidade.”

Tratou-se, sim, de “uma reflexão e de um reconhecimento das dificuldades do trabalho realizado ao longo dos quatro anos, que foi realmente muito pouco e que não dá para ter alicerces suficientes para ir para a corrida. Mas queremos recuperar algum trabalho na participação cívica”. Quanto a um possível apoio a Pedruco ou ao candidato macaense pela indirecta, Francisco Manhão, Casimiro Pinto mostra algumas reservas. “Com toda a franqueza, não apoio nenhuma das pessoas por serem macaenses. Vou ter que saber qual é o programa político e o que pensam face ao futuro de Macau, quais as ideias que vão lançar para o público. Não vamos votar nas pessoas apenas por serem da nossa comunidade.”

Comissão eleitoral acredita que concorrência reforça consciência social sobre participação democrática

Promover o progresso

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Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) explica, em comunicado na plataforma online do Gabinete de Comunicação Social, que dependendo do aumento de conhecimento sobre a democracia por parte da

população poderá haver uma maior concorrência nas actividades eleitorais. “Consideramos que a concorrência promove o progresso, a realização normal e ordenada da campanha eleitoral contribui para reforçar e aprofundar a consciencialização sobre

a participação democrática da sociedade de Macau”, indica o organismo liderado pelo juiz Ip Song Sang. A CAEAL espera que as próximas eleições de 15 de Setembro, que irão eleger mais dois deputados por via directa

(14) e outros dois por via indirecta (12), decorram de forma justa, imparcial e íntegra. E, por outro lado, manifesta o desejo de que os candidatos à AL realizem a campanha eleitoral de acordo com a lei, cumprindo a Lei Eleitoral para

a AL, legislação vigente e instruções da CAEAL. Mas, refere também, as expectativas são de que a população tenha um maior conhecimento dos padrões de deontologia dos candidatos. Sob o lema, “a justiça existe em cada um de nós”, a CAEAL espera que, durante o período das eleições, a linguagem e a conduta de qualquer candidato seja apropriada e, por outro lado, esteja sobre o olhar atento dos eleitores. - R.M.R.


política

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Edifícios em construção Regime jurídico sobre pré-venda de apartamentos entra hoje em vigor

Sem licença emitida transacção inválida

catarina lau

Rita Marques Ramos rita.ramo@hojemacau.com.mo

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oi aprovado há duas semanas pelos deputados em plenário e entrou oficialmente em vigor no fim-de-semana o Regime Jurídico da Promessa de Transmissão de Edifícios em construção que tem como principal intenção, tal como o nome indica, regulamentar a pré-venda de imóveis em construção. Embora os tribunos tenham feito saber que o diploma é apenas um esboço de uma ideia que precisa novamente de ser polida no espaço de um ano, há pelo menos para já regulamentações sobre esta matéria para colmatar eventuais actos ilícitos. Algo que, até aqui, não existia. O regime também se debruça sobre a as actividades de mediação imobiliária. A saber, a lei define o

posicionamento jurídico de fracções ainda não concluídas, o período e critérios para a sua venda, forma e conteúdos do contrato, consagrando assim melhorias do regime de registo predial e na vertente da fiscalização. Ou seja, agora, caso não estejam concluídas as obras do edifícios e sem emissão de licença de utilização pelos Serviços de Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) o promotor está impedido de receber a totalidade do preço das fracções vendidas com o montante máximo autorizado fixado em 70 % do valor do imóvel. Relativamente a multas, a lei estipula sanções até 100 mil patacas ou a 10% do valor do edifício em construção objecto da promessa de transmissão, caso não tenha sido emitida a licença de utilização.

Governo pode aumentar impostos em 2020

A Macquarie Equities Research considera que o mais provável é que os impostos sobre o jogo aumentem, depois das actuais concessões e subconcessões expirarem em 2020 e 2022. A notícia é avançada pela revista Macau Business, que refere que “considerando a história de Macau, no que refere às concessões, é de acreditar que o Governo aumente os impostos novamente”.

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Consulta Pública sobre a Revisão do Regime Jurídico da Administração das Partes Comuns do Condomínio 2013.04.30 – 2013.07.31 Locais para a obtenção do documento: 1. Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional 2. Instituto de Habitação 3. Centro de Informações ao Público 4. Centro de Serviços da RAEM 5. Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça 6. Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e respectivos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação

Consulta e descarregamento do documento de consulta: 1. Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional: http://www.dsrjdi.ccrj.gov.mo 2. Instituto de Habitação: http://www.ihm.gov.mo Apresentação de opiniões e sugestões: Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional Correio electrónico: consultation@dsrjdi.gov.mo Fax: (853) 2875 0814 Endereço postal: Alameda Dr. Carlos D’ Assumpção, n.º 398, Edifício CNAC, 6.º andar, Macau Realização de 3 sessões de consulta ao público: Sessão

Data

Hora

Local

Idioma

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1 de Junho de 2013 (sábado)

15:00-17:00

Centro de Formação para os Trabalhadores dos Serviços Públicos dos SAFP (Centro Comercial Cheng Feng, 7.° andar)

Chinês (com tradução em português)

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8 de Junho de 2013 (sábado) 15 de Junho de 2013 (sábado)

15:00-17:00

Sala de reuniões do Instituto de Habitação

Chinês

15:00-17:00

Centro de Formação para os Trabalhadores dos Serviços Públicos dos SAFP (Centro Comercial Cheng Feng, 7.° andar)

Chinês (com tradução em português)

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Os interessados podem inscrever-se através do seguinte número:8795 7111

Notificação n° 012/DLA/SAL/2013 Considerando que não é possível notificar o interessado, NG, WENG LONG por ofício, via telefone nem por outro meio de acordo com os artigos 10° e 58º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei nº 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico que, nos termos do n° 2 do artigo 72° do mesmo Código, o Estabelecimento de Bebidas TIM PEI YEE, sito na Rua da Barca, nºs. 41-41A, r/c A, Macau não acompanhou o procedimento do pedido de licença do estabelecimento por mais de seis meses e não entregou audiência escrita dentro do prazo legal estipulado, pelo que por despacho do signatário datado de 21/02/2013 foi declarado extinto o respectivo procedimento do pedido de licença, atendendo ao artigo 103º do “Código do Procedimento Administrativo”, onde estipula que “O órgão competente para a decisão pode declarar o procedimento extinto: a) Quando por causa imputável ao interessado este esteja parado por mais de seis meses; b) Quando a finalidade a que este se destinava ou o objecto da decisão se revelarem impossíveis ou inúteis.” Nos termos do artigo 145º e 149º do “Código do Procedimento Administrativo” aprovado pelo Decreto-Lei nº 57/99/M, de 11 de Outubro, o interessado poderá apresentar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, reclamação contra o citado acto administrativo e/ou, nos termos do artigo 15º do Regulamento Administrativo nº 32/2001, apresentar recurso hierárquico facultativo para o Conselho de Administração do IACM, no prazo previsto do n° 2 do artigo 155° do “Código do Procedimento Administrativo”, não invalidando a aplicação do artigo 123º do citado Código. Poderá ainda apresentar recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo previsto na Secção II do Capítulo II do “Código de Processo Administrativo Contencioso” aprovado pelo Decreto-Lei nº. 110/99/M, de 13 de Dezembro. A falta de apresentação de impugnação acima mencionada contra a decisão, constante da presente notificação, implica a sua execução imediata. Macau, aos 24 de Maio de 2013. O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lei Wai Nong www. iacm.gov.mo


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Renovação da Penha Projectos serão enviados para o Governo

Arquitectos ao trabalho

espaço no topo da colina da Penha. “Vemos que essa área tem alguns problemas e pensámos em apresentar algumas ideias para melhorar esse espaço, a pensar nos turistas e numa maneira de levar mais pessoas lá, e que fiquem mais tempo”, acrescenta Jay Ho Pui Kei.

A Associação dos Arquitectos de Macau aceita até 12 de Julho projectos arquitectónicos para a renovação do espaço junto à capela da Nossa Senhora da Penha. Os melhores serão enviados para o Governo Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ay Ho Pui Kei não sabe se o Governo alguma vez pensou em renovar a zona envolvente à capela da Nossa Senhora da Penha, mas resolveu antecipar-se em prol do debate de ideias. Ao Hoje Macau, um dos directores da Associação dos Arquitectos de Macau (AAM) fala do concurso que está

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mpresários portugueses continuam hoje a utilizar Macau como porta de entrada para a Ásia, procurando alternativas que rentabilizem os seus negócios face à crise que a Europa enfrenta. Luís Américo e Marco Gomes são chefes de cozinha e donos de vários restaurantes no norte de Portugal e abriram este mês em Macau um espaço de sabores portugueses em parceria com um hotel do território, que poderá ser uma rampa de lançamento para uma expansão na Ásia e uma forma de contornarem os efeitos da crise europeia. “O nosso Governo está a matar o sector da restauração e isso reflecte-se com a saída de vários profissionais para o estrangeiro (...), vemo-nos completamente atados com as políticas actuais e nestes últimos dois anos já fecharam mais restaurantes do que nos últimos 10”, lamentou Marco Gomes em declarações à agência Lusa. Marco Gomes constata que “só com muita vontade, empenho e amor” o tem conseguido, pois “não se consegue ganhar dinheiro com esta política, lutar para sobreviver é como estamos em Portugal”. Luís Américo mantém “semiaberto” o seu restaurante no Porto, por “haver maior dificuldade em fazer vingar um restaurante com uma cozinha mais elaborada e com um custo superior” e decidiu abrir há dois anos outros dois estabelecimentos para “combater este sentimento de crise”. Perante “a elevada taxa de

Governo sabe da iniciativa

aberto a todos os profissionais do sector que sejam membros da AAM. “A nossa associação quer ter alguma competição para estimular as ideias dos nossos membros, especialmente os mais jovens, por forma a terem mais oportunidades de expressar as suas ideias. O prazo de entrega dos projectos dura até ao dia 12 de Julho e está aberto a arquitectos até aos 40 anos de idade. Os desenhos e as ideias devem responder à tentativa de optimização do

A AAM garante que tem vindo a ter contactos com o Executivo sobre esta iniciativa, mas Jay Ho Pui Kei diz que o concurso não pretende ser uma forma de pressionar a que sejam feitos, de facto, trabalhos de renovação. “Apenas contactámos (o Governo) para dizer que vamos realizar esta competição e que depois iremos entregar os projectos vencedores para que existam algumas ideias e para que se saiba o que os nossos profissionais pensam sobre essa área.” O responsável garante que os projectos arquitectónicos serão enviados para diversos departamentos do Governo, tal como as Obras Públicas, o Instituto Cultural ou o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

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Continental assumiu tentativa de roubo

A Policia de Segurança Pública (PSP) efectuou no dia 30 de Maio uma operação anti-crime junto à avenida Infante Dom Henrique, tendo observado cinco suspeitos de observarem os objectos transportados pelos peões. Um deles aproximou-se de uma mulher enquanto os restantes quatro taparam a visão da vítima. A mulher apercebeu-se do acto e os cinco homens não tiveram sucesso e fugiram rapidamente, tendo sido interceptados pela polícia. Foram encontrados guardas chuvas e alguns dólares de Hong Kong e RMB. O primeiro detido disse à polícia que entrou na RAEM a 19 de Maio pelas Portas do Cerco, tendo confessado a tentativa de roubo, enquanto que os outros negaram. Os quatro homens são oriundos do continente e possuem idades entre os 27 e os 40 anos, sendo ainda portadores de passaporte da China. O caso já foi entregue ao Ministério Público (MP) para o prosseguimento das investigações.

Portugal-China/500 anos Empresários continuam a utilizar Macau como porta para a Ásia

Plataforma no seu explendor desemprego de Portugal e uma carga fiscal brutal”, acrescentou, “quem quiser trabalhar de forma honesta não consegue e há que procurar alternativas”. Por isso, esta dupla de cozinheiros começou a “olhar de forma cada vez mais interessada para a Ásia como futuro”, tendo surgido a possibilidade de abrirem o restaurante “Fado” em Macau, havendo planos para expandir a marca na China, quando se assinalam 500 anos da chegada do primeiro português ao império do meio, em 1513. “Como estamos a abrir um projecto em Macau, temos recebido dezenas e dezenas de pedidos de pessoas que querem trabalhar no território, pelo facto de ser uma ‘ex-colónia’ portuguesa e uma porta de entrada privilegiada para a Ásia face às notícias sobre a

Luís Américo

economia da região”, constatou Luís Américo. Ao reconhecer que “toda a gente está a tentar neste momento encontrar uma oportunidade fora do país”, este empresário observa que “Macau aparece nas primeiras opções de muita gente ao nível da Ásia”. Esta situação verifica-se no sector da hotelaria e restauração, já que Macau é hoje a capital mundial do jogo e tem cerca de 100 hotéis, como noutras áreas como a arquitectura e advocacia, as que tradicionalmente são mais procuradas por portugueses no território. Maria José de Freitas tem um gabinete de arquitectura em Macau e disse à Lusa que recebe “praticamente todos os dias currículos de portugueses, tanto de recém-formados como

Marco Gomes

com quatro ou cinco anos de experiência e até de arquitectos seniores e mesmo de engenheiros e advogados”. “Sabemos que a situação em Portugal não está fácil, mas aqui curiosamente nesta área também não está, porque não há praticamente encomendas do Governo nem dos grandes casinos, por isso quem tem a sorte de ter clientes particulares vai-se aguentando”, constatou. Se houvesse mais projectos, defendeu, “seria benéfico contratar profissionais de Portugal”, até porque, “havendo muita massa crítica disponível no país, era aquela ocasião de ouro para trazer os melhores e pensar numa cidade para o futuro, pois esta seria uma forma de preservar a identidade de Macau, que resulta de uma confluência cultural entre o ocidente e o oriente”. Rui Cunha, que detém um escritório de advogados em Macau, diz receber também diariamente currículos de portugueses, considerando que seria “útil” absorver a experiência e conhecimento “valiosos” destes profissionais, mas reconhece a necessidade de se fazer um “balanço entre os que vêm e os que cá estão” dada a pequena dimensão do mercado, que tem menos de 600 mil habitantes. - Lusa

Rapariga faz passaporte falso para prostituição

A PSP descobriu ainda um caso de uma rapariga que pagou cerca de 800 RMB para ter um passaporte falso, no âmbito de uma operação contra as actividades de prostituição. No passado sábado, a policia encontrou a rapariga num dos casinos, que estaria a “vaguear à procura de clientes”. Terá sido exigida a apresentação de documentos, sendo que recaíram suspeitas do passaporte ser falso. A rapariga acabou por admitir a falsidade do documento de viagem e disse que no passado mês de Abril viu, em Zhuhai, um folheto que publicitava as regras para obter passaportes falsos no valor de 800 RMB. Com 20 anos, desempregada e oriunda do continente, a rapariga entrou na RAEM com o passaporte verdadeiro, mas usou o falso para fazer a inscrição nos hotéis. O caso já foi entregue ao MP.

Imigrante ilegal suspenso Uma operação STOP realizada pelas autoridades junto à avenida Doutor Mário Soares culminou na descoberta de um emigrante ilegal em Macau, que estava suspenso de entrar no território até Outubro deste ano. O homem havia entrado em Macau via Zhuhai em Maio e pagou cinco mil RMB para o fazer, com o intuito de jogar nos casinos. O homem seguia no carro com uma condutora que foi acusada da prática do crime de acolhimento.


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Inundações GIT compromete-se a fazer simulacros para evitar situações de cheias

Testes funcionam melhor do que realidade O GIT elaborou um conjunto de procedimentos de resposta a situações de emergência, nomeadamente, tempestades tropicais. No entanto, os mesmos não parecem ter sido postos em prática nas cheias que tiveram lugar no mês passado, nomeadamente, na obra do metro na Taipa, junto ao Jockey Club. O organismo compromete-se agora a prevenir a sua correcta implementação por meio de simulacros periódicos Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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Gabinete de Infra-estruturas e Transportes (GIT) vai realizar simulacros periódicos com os empreiteiros por forma a avaliar a eficácia do mecanismo de emergência e a testar o processo de tratamento de incidentes, sobretudo, no que toca a comunicação e coordenação. O organismo diz ter elaborado um mecanismo de contingência e orientações durante o período de tempestade tropical, uma

vez que se encontra próxima a época de tufões. Nas indicações elaboradas, o GIT explica que quando é dado o alerta de tempestade, os empreiteiros vão executar uma série de trabalhos, tais como, rever os tapumes e barreiras plásticas enchidas com água nos estaleiros, descarregar as máquinas de elevação, consolidar as placas de instruções, entre outros, de modo a reduzir ao mínimo os acidentes eventualmente a acontecer durante o período de tempestade tropical. Práticas que até aqui parecem não ter

Casamento falso na Ribeira do Patane

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Nesta mesma zona, o GIT resolveu depois fazer um simulacro de contingência no dia 24 de Maio, dois dias depois da última tempestade - a maior desde há 32 anos - que levou a que a mesma área ficasse completamente

Segurança no trabalho A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem vindo a enviar pessoal a vários estaleiros de construção civil para realizar actividades subordinadas ao tema de “Segurança Ocupacional na Construção Civil”, com o objectivo de sensibilizar os trabalhadores para a segurança e prevenir a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais. Assim, espera que seja criada uma cultura conjunta de segurança nos estaleiros para prevenir a ocorrência de acidentes de trabalho.

Pacientes aumentam, médicos não

acau contabilizou no ano passado 1482 médicos, isto é, 2,5 médicos por cada mil habitantes. O número é muito abaixo da recomendação da Organização para a

tiago alcântara

Há cerca de uma semana a PSP recebeu informações sobre suspeitas de tráfico de droga, tendo seguido o paradeiro de um condutor, residente de Macau, com apelido Lau e com a idade de 26 anos. No dia 30 de Maio o homem saiu de Macau pelas Portas do Cerco, por volta das 19 horas, tendo regressado cerca de 50 minutos depois. Nesse momento foi interceptado pela PSP na posse de sete gramas de ketamina e 2,47 gramas de Ice. Lau admitiu que tinha comprado os estupefacientes em Macau, no valor de 1400 patacas, mas o objectivo era a venda da droga na RAEM por cinco mil patacas.

“Em bom andamento”

Saúde Macau continua com menos profissionais do que o recomendado pela OCDE

A pedido da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), a PSP fez uma visita surpresa em Maio deste ano numa casa situada na rua da Ribeira do Patane. A mulher, de apelido Leung, tem 52 anos e é residente da RAEM, trabalhando num casino como croupier. Já Chu tem 53 anos e é de Guangzhou, sendo portador de um salvo-conduto da China. Após as averiguações, a policia verificou que tanto Leung como Chu não conheciam quaisquer pormenores da vida um do outro e na casa que ambos supostamente partilhavam não existiam quaisquer indícios de vida em conjunto.

Condutor comprava droga em Zhuhai para vender

sido (correctamente) postas em prática dadas as últimas cheias em início e fim do mês passado, nomeadamente, na zona do estaleiro do Metro Ligeiro e do Centro Modal de Transportes na Estrada Governador Albano Oliveira.

alagada. Desta vez, a operação, que testou o tratamento imediato e o plano de coordenação dos empreiteiros, estava “em bom andamento”, refere o organismo, num simulacro que demorou cerca de uma hora. Para dar conta da eficiência do simulacro, o GIT explica que foi accionado o aviso de chuvas intensas e que foi activado o mecanismo de contingência para notificar os empreiteiros, a par de enviar o pessoal ao estaleiro em causa para proceder à supervisão e coordenação dos planos no local. Os empreiteiros, por sua vez, tendo recebido o respectivo aviso notificaram a empresa fiscalizadora e mandaram activar os equipamentos de bombagem. O Gabinete diz, por fim, ter vindo a prestar um alto grau de prioridade à gestão dos estaleiros do Metro Ligeiro e à resposta aos casos de emergência.

Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que considera que deveriam existir 3,1 médicos por cada mil residentes. A situação no território,

frisa a Rádio Macau, é semelhante à de 2011. De acordo com os dados oficiais revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, Macau tinha, no ano passado, 1751 enfermeiros, o que dá uma média de três enfermeiros por cada mil habitantes. Nos quatro hospitais do território havia 1354 camas de internamento, o que representa um aumento de 132 camas em relação a 2011, mas o número de pacientes internados também aumentou em 9,6%, para 48 mil. Já a taxa de ocupação de camas de internamento atingiu os 70%. No final de 2012, havia ainda 675 estabelecimentos de cuidados de saúde primários onde se realizaram mais de três milhões de consultas, mais quase 2% face a 2011.

Sequestro simulado ao telefone

Uma mulher, residente em Macau e com 50 anos de idade, esteve prestes a ser vítima de burla quando recebeu um telefonema de um homem, na tarde de sexta-feira, que dizia ser fiador de um empréstimo contraído pelo filho. Por esse motivo, não só exigiu o pagamento de 150 mil patacas como disse que tinha sequestrado o seu filho. A mulher, julgando ser verdade, disse que necessitava de tempo para obter a quantia pedida e dirigiu-se à polícia, onde conseguiu falar com o filho via telefone, que garantiu estar bem e negando existir qualquer situação de empréstimo por pagar.


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sociedade

Comunidade Macaenses de todo o mundo reúnem-se em Novembro

Data ainda é provisória, aponta Miguel de Senna Fernandes

nova edição do encontro das comunidades macaenses deverá acontecer na RAEM entre 30 de Novembro e 7 de Dezembro. O Hoje Macau confirmou esta informação com o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel de Senna Fernandes, que disse, contudo, não ser ainda a data definitiva. “Pode sempre sofrer alterações, a não ser que haja outro evento”. Contudo, esta parece, para já, ser o calendário mais provável, até porque, segundo Senna Fernandes, no dia 28 de Novembro comemora-se nos Estados Unidos o Dia de Acção de Graças. Realizar o encontro noutra altura implicaria “ficar sem a comunidade macaense radicada nos Estados Unidos”. Um contacto junto da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) confirma ainda que esta é, para já, a data que está em cima da

mesa, apesar de não existir uma decisão concreta. Miguel de Senna Fernandes explica que já está disponível online partes do programa de eventos, estando prevista a possibilidade de participação do grupo de teatro Doci Papiaçam de Macau. Já a ADM “vai propor algo”. “Ainda não sabemos o que vamos fazer, mas vamos estudar qual será a melhor maneira de colaboração.” Em Abril, um email tornado público pelo Secretariado das Comunidades Macaenses dava conta de que o evento iria realizar-se de 23 a 30 de Novembro, data noticiada pelo jornal Tribuna de Macau. Na altura, o email pedia às casas de Macau espalhadas pelo mundo para darem as suas opiniões quanto ao calendário no espaço de uma semana. A comissão organizadora do encontro não estava, à data, organizada. - A.S.S.

António Falcão

A

Casas Preço registou descida em Abril em comparação com Março Ficou um pouco mais acessível comprar casa em Macau. Segundo os Serviços de Finanças, o preço médio do metro quadrado das casas vendidas em Macau em Abril desceu 2632 patacas em relação ao mês de Março. O valor foi deduzido pelo Governo a partir da declaração de liquidação de imposto de selo por transmissão de bens no passado mês. De acordo com os valores disponibilizados na página da Internet dos Serviços de Finanças, no mês passado foram transaccionadas 1477 casas a um preço médio de 85.465 patacas por metro quadrado. Em Abril, o maior número de casas foi transaccionado na península de Macau 1262, seguindo-se a Taipa, com 177 fracções, e Coloane, onde foram transaccionadas 38 habitações. Mas é em Coloane que o preço médio das casas está mais valorizado a 96539 o preço médio por metro quadrado, correspondendo também à maior área (em média, 105 metros quadrados).

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AVISO Programa de bolsas de estudo para o ensino superior do ano lectivo de 2013/2014 Inicia-se, em breve, a fase de candidatura a dois planos: Bolsas de Estudo para o Ensino Superior e Plano de Pagamento dos Juros ao Crédito para os Estudos, oferecidos pelo Fundo de Acção Social Escolar. Seguem-se informações mais detalhadas: 1. Bolsas de Estudo para o Ensino Superior A fase de candidatura realiza-se entre 10 de Junho e 1 de Julho de 2013. 1.1 Bolsas Empréstimo: Destinam-se a apoiar estudantes que têm dificuldades económicas. O aconcurso, deste ano, conta com 4500 vagas.

2.

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tiago alcântara

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1.2

Bolsas de Mérito: Servem para premiar os estudantes que tenham obtido a classificação de Distinção. O concurso deste ano conta com 280 vagas, sendo 180 para os finalistas do ensino secundário do ano lectivo 2012/2013 e as restantes 100 para os estudantes que já estão a frequentar o ensino superior.

1.3

Bolsas Especiais: O concurso deste ano, conta com 180 vagas, destas, 175 são para os candidatos que vão frequentar cursos das Indústrias Criativas, Enfermagem e nas áreas do Serviço Social ou Aconselhamento, Educação e Reabilitação; as cinco (5) restantes para o curso de Língua e Cultura Portuguesas, em Portugal, depois de concluírem a licenciatura.

1.4

Bolsas Extraordinárias: Destinam-se a apoiar os estudantes que frequentem cursos de (em) Língua Portuguesa depois de concluída a licenciatura ou que querem frequentar uma licenciatura, em Portugal, e que já sejam apoiados por outras entidades. O concurso deste ano, conta com 30 vagas.

Plano de Pagamento dos Juros ao Crédito para os Estudos Destina-se aos candidatos que satisfaçam as condições requeridas e obtiveram o empréstimo para o prosseguimento dos estudos concedido pelos bancos que assinaram o protocolo de cooperação com o Fundo de Acção Social Escolar. Os beneficiários serão apoiados no pagamento dos juros resultantes do empréstimo durante o período de estudo. A fase de candidatura realiza-se entre 1 de Junho e 31 de Dezembro de 2013.

Podem dirigir-se, pessoalmente à DSEJ para levantar o Guia de Procedimento, o regulamento e o boletim de admissão ou descarregá-los no website da DSEJ (www.dsej.gov.mo). Para mais esclarecimentos, é favor ligar para os telefones 28400666 (Linha aberta 24 Horas)/83972512/83972522, ou contactar os Serviços através de e-mail: bolsa@dsej.gov.mo. Macau, 27 de Maio de 2013 A Presidente do Conselho Administrativo Leong Lai (A Directora)


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nacional

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Gastronomia Empresas de alimentos estrangeiras são alvo dos chineses

Paladar mais diversificado

O

crescente apetite da China por carnes, produtos lácteos e comidas processadas está a motivar empresas chinesas a fazer aquisições cada vez maiores no exterior. O anúncio, na semana passada, da compra da Smithfield Foods Inc., dos Estados Unidos, pela chinesa Shuanghui International Holdings Ltd. é mais um sinal desta tendência. A aquisição de cerca de 32 mil milhões de patacas tem o objectivo de assegurar o fornecimento de carne de porco para o mercado chinês. É o maior negócio, no espaço de mais de uma década, de uma empresa chinesa para adquirir uma empresa alimentar no exterior. Outras aquisições incluem a compra da produtora de açúcar australiana Tully Sugar Ltd. pela estatal chinesa Cofco Corp., por cerca de mil milhões de patacas, no ano passado, e a compra da Manassen Foods Australia Pty. Ltd. pela Bright Food (Group) Co., de Xangai, em 2011, pelo valor estimado de cerca de 4 mil milhões de patacas, incluindo dívidas. A Bright Food informou em 2012 que iria adquirir o controlo da fabricante de cereais britânica Weetabix Food Co. As compras fazem parte de um esforço amplo do governo chinês de assegurar o fornecimento de matérias-primas para a sua economia em rápido crescimento. As companhias estatais fecharam em anos recentes grandes negócios nas áreas de energia e de exploração de minério. Mas muitos dos investimentos no segmento de alimentos foram de menor envergadura. A oferta da Shuanghui pela Smithfield, a maior criadora de suínos e processadora de carne de porco do mundo, sinaliza que as aquisições vão ganhar cada vez maior importância e escala. À medida que a China fica mais rica, as proteínas relativa-

mente mais caras passam a ter uma maior presença na dieta da população. O consumo de carne na China ainda precisa crescer cerca de 8% em relação ao nível do ano passado para alcançar o da

Coreia do Sul, de acordo com a Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas, a FAO. “Isto faz parte da ampla estratégia chinesa de investir o superávit de conta corrente em

commodities estrategicamente importantes. E daqui para frente, mais aquisições internacionais são prováveis nos sectores de carne e lacticínios”, disse Paul Deane, economista especializa-

Pelo menos um morto em sismo de magnitude 6.3 em Taiwan

Um sismo de magnitude 6,3 atingiu este domingo a ilha de Taiwan, causando a morte a pelo menos uma pessoa e sacudindo com violência a capital Taipé, anunciou o centro sismológico local. O sismo ocorreu cerca das 13h45 locais, 32 quilómetros a leste da região de Nantou, no centro, e a uma profundidade de 10 quilómetros, precisou instituto, adiantando que não foi lançado qualquer alerta de tsunami. A zona de Nantou foi, em Setembro de 1999, o epicentro de um sismo de magnitude 7,6 que causou a morte a 2.400 pessoas, a catástrofe natural mais mortífera da história recente da ilha.

do em agricultura do Australia & New Zealand Banking Group Ltd. O presidente do conselho da Cofco, Ning Gaoning, disse, em Março, que a empresa procura oportunidades de investimento e aquisições nos EUA, Austrália e Brasil, sugerindo que, à medida que o paladar dos chineses se for tornando mais diversificado, a porta fica mais aberta para importações de produtos mais sofisticados. A Austrália pode ser um destino preferido considerando os recursos naturais do país, disse Deane. Os investimentos chineses nos sectores de alimentos e de negócios ligados à agricultura da Austrália e da Nova Zelândia somaram cerca de 8,1 mil milhões de patacas desde 1995, segundo a empresa de pesquisa Dealogic. No Brasil, os investimentos chineses totais anunciados entre 2003 e 2011 somaram cerca de 290 mil milhões de patacas, mas apenas 2,3 mil milhões foram para o segmento de alimentos e fumo, de acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O sector das carnes pode ser um grande alvo, disse Chenjun Pan, analista do Rabobank. O consumo de carne na China tem crescido sistematicamente e os preços mais do que duplicaram desde 2007, disse Pan. O Departamento de Agricultura dos EUA estima que as importações de carne pela China devem chegar ao recorde de 175.000 toneladas este ano. Dados da indústria mostram que a China importou cerca de 61.000 toneladas de carne em 2012. Leite e outros produtos lácteos também são alvos lógicos para as aquisições chinesas, disse Li Guoxiang, investigador do Instituto de Desenvolvimento Rural da Academia Chinesa de Ciências Sociais, que é financiado pelo governo. “Se nós contarmos apenas com os recursos domésticos para desenvolver a indústria de criação de animais, a produção de grãos da China enfrentará desafios e haverá mais problemas sérios de poluição ambiental”, disse Li. Contar com recursos estrangeiros pode também atenuar as preocupações do governo em relação à escassez de alimentos, disse. À medida que o aumento da riqueza se choca com uma série de escândalos sobre alimentos contaminados na China, os potenciais compradores podem também adquirir fabricantes de alimentos processados de alta qualidade no exterior, incluindo azeite de oliveira, carnes e produtos derivados do leite, como queijos e iogurtes, disse Pan. “O mercado doméstico não consegue convencer os consumidores de que a comida é segura, por isso há muito espaço para aquisições.”


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região

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Itsunori Onodera

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Japão está a fortalecer a sua economia e o seu sector militar para ter um papel internacional responsável, afirmou o ministro da Defesa, Itsunori Onodera, tentando acabar com as suspeitas dos seus vizinhos. O Japão, um aliado dos Estados Unidos, que está numa disputa territorial marítima com a China e ao alcance dos mísseis da Coreia do Norte, “causou tremendos danos e sofrimentos” no passado, mas quer olhar para o futuro promovendo a cooperação, disse Onodera. “Um Japão forte terá um papel responsável na área da segurança regional e exercerá um papel de liderança, como é esperado pela comunidade internacional”, afirmou Onodera durante o Diálogo Shangri-La, um fórum regional anual de segurança em Singapura.

Japão Promover estabilidade na Ásia, diz ministro

Postura de liderança Para alcançar estas metas, o Japão aumentou o seu orçamento de defesa no ano fiscal de 2013 pela primeira vez em 11 anos e a capacidade das suas forças armadas pela primeira vez em oito anos, afirmou. O país também está a renovar a sua política de defesa e num processo para a criação de um Conselho Nacional de Segurança. “Algumas pessoas dizem que o Japão está a inclinar-se para a direita por causa destas iniciativas. Além disto, às vezes ouvimos críticas de que o Japão está a abandonar a sua identidade

ONU pede eliminação da pobreza e fome antes de 2025

Vários responsáveis das entidades alimentares e de agricultura da ONU pediram este sábado à comunidade internacional que resolva os problemas de segurança alimentar e nutrição e elimine a pobreza e a fome antes de 2025. Durante uma reunião internacional realizada no Japão, o director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, José Graziano da Silva, apontou que apesar dos êxitos obtidos, o mundo ainda enfrenta muitas dificuldades na eliminação da pobreza. Segundo Graziano da Silva, para melhorar a segurança alimentar mundial, os países devem aumentar o apoio a agricultores cuja produção é de pequena dimensão. O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze, disse que a chave para eliminar a pobreza e a fome dos países em desenvolvimento é a cooperação entre o governo e entidades populares.

como uma nação pacifista e a tentar desafiar a ordem internacional existente”, disse Onodera. “Estas visões são totalmente erradas”, disse. “Estes esforços são cruciais na procura do nosso interesse nacional, que é manter e fortalecer a ordem internacional, baseados nos valores fundamentais da liberdade, democracia e vigência da lei.” Questionado se o Japão tem planos para desenvolver armas nucleares, Onodera disse: “Não pensamos nisso e temos três princípios não nucleares aos quais aderimos”.

A presença militar dos Estados Unidos na Ásia é “indispensável” para a estabilidade, e Tóquio saúda a atenção de Washington à região, afirmou o ministro, acrescentando que as relações do Japão com a China são “extremamente importantes”. Salientando a necessidade do diálogo, disse que o Japão acredita na liberdade de navegação e apoia os esforços da Associação de Nações do Sudeste Asiático de estabelecer um código de conduta para reduzir a tensão com a China sobre o Mar da China Meridional. “Devido ao ambiente de segurança

cada vez mais difícil, o governo japonês está a rever os actuais padrões do programa de defesa nacional e esperamos que este esteja completo até ao fim de 2013”, afirmou Onodera. “O objectivo da revisão é manter uma postura de defesa que possa defender com firmeza o nosso território, o nosso espaço marítimo e aéreo, melhorando a prontidão das Forças de Defesa para fortalecer a aliança com os EUA e contribuir mais para a melhoria da segurança internacional.” O Conselho Nacional de Segurança tem o objectivo de responder de forma mais efectiva a “emergências imprevistas” e formar políticas externas e de segurança de longo prazo, afirmou. Um projecto de lei para estabelecer o conselho será votado no Parlamento japonês este mês.

EUA vão aumentar força militar na região Ásia-Pacífico O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, afirmou este sábado que o país vai aumentar a força militar e dispor de mais armas avançadas na Ásia-Pacífico, a fim de concretizar o “reequilíbrio estratégico” da região. Num evento realizado em Singapura, Hagel reiterou que os Estados Unidos persistem no plano de dispor 60% dos seus navios militares na região do Oceano Pacífico até 2020. Para além disto, o país ainda vai deslocar 60% da força aérea fora do seu território para a região ÁsiaPacífico. Segundo Hagel, este acto visa garantir os interesses dos Estados Unidos e dos seus aliados. Em relação à segurança cibernética, Hagel espera reforçar a cooperação com a China e outros parceiros. Sobre as relações militares com a China, o secretário disse que os líderes dos dois países esperam aumentar intercâmbios entre os seus exércitos. Segundo Hagel, os Estados Unidos esperam evitar mal-entendidos e julgamentos errados entre os dois exércitos através do diálogo.


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direitos humanos

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Governo divulga anteprojecto do segundo relatório a ser entregue à ONU brevemente

O mesmo de sempre O Governo está a preparar o segundo relatório sobre direitos humanos para entregar às Nações Unidas, em Outubro deste ano, altura da segunda avaliação periódica ao território. Contudo, o documento limitase a relembrar o que está em vigor e as metas que ainda faltam cumprir, à semelhança da maioria das respostas já dadas pelo Executivo anteriormente. Nada de novo e nada de muitos detalhes no que foi criticado pela ONU, por exemplo, no que diz respeito à violência doméstica. Conheça aqui o anteprojecto

Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

M

acau prepara-se para a segunda avaliação periódica do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) e as autoridades asseguram que “a RAEM prestou grande atenção às sugestões feitas pela ONU e continua a adoptar diferentes medidas para promover e salvaguardar os direitos humanos”. Esta é, pelo menos, a conclusão do mais recente relatório elaborado pelo Governo para responder às críticas tecidas pela organização internacional. São muitas as promessas e as clarificações que o território faz, através do documento que o Hoje Macau analisou e disponibilizado na página

electrónica da Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e do Direito Internacional (DSRJDI), que, para já, é apenas um anteprojecto. O documento começa por enquadrar Macau como uma região especial com autonomia e relembra que o território tem de cumprir cerca de 20 convenções internacionais relacionadas com os direitos humanos.

Retrospectivas

De novo, o documento não acrescenta muito, voltando a repetir – à semelhança do relatório anterior – detalhes já mencionados. Por exemplo, que os residentes de Macau podem evocar as convenções internacionais a que Macau está sujeito e pedir apoio judiciário em caso de necessidade financeira. “Com o novo Sistema de Apoio Ju-

diciário, estudantes e trabalhadores não-residentes estão abrangidos”, assegura o Governo. Apesar de, no último encontro entre autoridades da RAEM e a ONU, o grupo Consciência de Macau, liderado pelo activista e académico Bill Chou, ter acusado a Administração de exagerar o papel do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) enquanto protector dos direitos humanos, este segundo relatório volta a bater na mesma tecla. “O CCAC e o Gabinete de Protecção aos Dados Pessoais supervisionam e garantem a aplicação dos direitos humanos e das convenções que dizem respeito aos diferentes domínios dos direitos humanos, formadas por representantes de Organizações Não Governamentais e membros da sociedade civil.” Recorde-se que,

aquando da presença de Macau na ONU, em Março, a Consciência de Macau referiu que “a maioria dos cidadãos de Macau nunca ouviu dizer que o CCAC tinha competências para lidar com queixas de violações de direitos humanos” e ainda que “a resposta dada pela delegação foi incompatível com a descrição feita pelo comissário Vasco Fong de que o CCAC pode apenas ‘prestar aconselhamento’ a outros órgãos governamentais ‘na esperança que eles voltem ao caminho das leis’”. No segundo relatório a ser apresentado à ONU, Macau assegura ainda que todas as escolas têm cadeiras sobre os direitos humanos incorporadas nos seus currículos, mas não só. “O Governo tem vindo a publicitar extensivamente as convenções da ONU sobre os direitos

humanos, através de diferentes canais, como panfletos, sites, discussões e seminários.”

Por alcançar

Conforme o comunicado que acompanha o documento do Governo, este segundo relatório sobre os direitos humanos “inclui principalmente conteúdos relativos à legislação e enquadramentos jurídicos, às políticas e práticas em matéria de promoção e protecção dos direitos humanos, bem como objectivos e desafios de trabalhos futuros”. Isto, desde a apresentação do relatório inicial, datado de 2008. Ora, é realmente de retrospectivas que se faz a maior parte do documento – de cinco páginas -, com o Executivo a relembrar as políticas implementadas, mas a não debater


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direitos humanos

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muitos pormenores sobre o que ainda falta a Macau cumprir. É o caso do último parágrafo do documento, onde o Executivo dedica um pequeno bloco de texto a explicar que Macau vai ter uma Lei Contra a Violência Doméstica, uma Lei de Bases e Garantias dos Idosos e uma de Salvaguarda do Património Cultural. Nada mais adianta o projecto de resposta, que não recorda, por

A RAEM prestou grande atenção às sugestões feitas pela ONU e continua a adoptar diferentes medidas para promover e salvaguardar os direitos humanos

exemplo, que já em 2012, o Comité para os Direitos Humanos questionou se houve alguma evolução no que à Lei de Combate à Violência Doméstica diz respeito, desde 2008. Os EUA acusavam Macau de não se esforçar por elaborar o diploma, mesmo com os casos de violência deste género a aumentarem. “Por favor, forneçam informações sobre eventuais medidas adicionais tomadas para combater os casos de violência doméstica, para reprimir os agressores e providenciar compensações para as vítimas”, pôde ler-se no relatório do ano passado. Nesta segunda resposta, o Governo não explica que esta lei continua envolvida em polémica, depois de terem sido retirados os artigos que prevêem que casais homossexuais não estejam protegidos e, o que mais

problemas tem vindo a suscitar, o que permitia que a violência doméstica fosse crime público. Uma lei que tem vindo a ser discutida desde 2008 e que ainda não tem sequer data para chegar à AL. É o caso também da Lei de Bases e Garantias dos Idosos, criada em 2011. O Governo foi adiando a aprovação deste diploma, comprometendo-se que vai chegar ao plenário ainda este ano.

Orgulho incompleto

No que já foi alcançado, e que preenche a maior parte do documento, Macau recorda diversas políticas já implementadas. É o caso da implementação da política dos 15 anos de escolaridade gratuita e a atribuição de subsídios de estudo e material para alunos mais carenciados.

tiago alcântara

O CCAC e o Gabinete de Protecção aos Dados Pessoais supervisionam e garantem a aplicação dos direitos humanos e das convenções que dizem respeito aos diferentes domínios dos direitos humanos, formadas por representantes de Organizações Não Governamentais e membros da sociedade civil

No capítulo dos objectivos cumpridos, contudo, a RAEM refere a aplicação das Políticas da Juventude 2012-2020, mas não diz que esta ainda não está em vigor e que está atrasada face à cobertura temporal que deveria ter. O Executivo disse o ano passado que os resultados da consulta pública estavam a ser analisados e que seriam apresentados em dois meses – passaram oito sem que nada mais fosse dito sobre a situação. Para “promover a consciência do património de Macau”, o Governo escreve no documento que foi criada a Desfile por Macau, Cidade Latina. Recorde-se que este é um evento criado em 2011 e que tem lugar no dia em que se assinala a transferência de soberania de Macau para a China. A Administração reserva ainda um lugar aos média do território,

explicando à ONU que os meios de comunicação social têm vindo a crescer. O Executivo parece ter, contudo, dúvidas sobre quantos jornais diários portugueses existem, já que escreve que Macau produz diariamente “entre dois a três” deste tipo de jornais. Realçando a Lei de Imprensa – que dá “independência aos jornalistas” -, o Governo diz ainda que quer manter o fluxo de comunicação com os média a funcionar, relembrando que, para isso, implementou o sistema de porta-voz dos departamentos do Governo. “Permite aos média que façam perguntas aos departamentos do Governo a qualquer altura”, pode ler-se no documento, que se esquece de mencionar, contudo, que este é um sistema que tem sido alvo de queixas por parte dos jornalistas, já que é demasiado burocrático e lento. Os acordos de cooperação contra o tráfico humano e as leis contra a corrupção são outros dos pontos mencionados no relatório, que refere a Lei de Declaração de Interesses Patrimoniais a que os dirigentes do Governo estão sujeitos. O Governo relembra ainda a distribuição de subsídios de saúde e o apoio a deficientes. E assegura ainda que foram já concluídas as 19 mil habitações públicas. Sobre esta última, contudo, as informações mais recentes dadas aos jornalistas em Dezembro passado pelo secretário para as Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, na AL, é de que empreendimento de Seac Pai Van é a de que haveria quatro edifícios atrasados. A Administração nada menciona no relatório sobre isto e, devido a ser fim-de-semana, não foi possível ao Hoje Macau obter informação sobre o assunto. A segunda avaliação periódica de Macau pela ONU está marcada para a segunda quinzena de Outubro. A Administração assegura que quem quiser apresentar sugestões e opiniões sobre o conteúdo deste relatório pode dirigi-las, por escrito, à Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional.


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publireportagem

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Orquestra de Filadélfia anuncia programa para residência na China em 2013 e comemorações do 40º aniversário

Orquestra de Filadélfia Reconhecida pela sua sonoridade característica, amada pela intensa capacidade de captar os corações e a imaginação das audiências e admirada pelo seu legado sem rival de serem os “primeiros fazedores de música” a Orquestra de Filadélfia é uma das mais proeminentes orquestras do mundo. A Orquestra tem cultivado um extraordinário historial de líderes musicais ao longo das suas 112 temporadas, que inclui maestros e directores musicais como Fritz Scheel, Carl Pohlig, Leopold Stokowski, Eugene Ormandy, Riccardo Muti, Wolfgang Sawallisch, Christoph Eschenbach e Charles Dutoit, que foi o maestro principal entre 2008 e 2012. Na temporada de 2012-13 , Yannick Nézet-Séguin tornou-se no oitavo director musical da Orquestra de Filadélfia. Nomeado director musical designado em 2010, Yannick Nézet-Séguin traz uma visão que vai para além da música sinfónica até ao mundo brilhante da Ópera e da música coral.

Filadélfia, Yannick Nézet-Séguin, dirigirá o conjunto durante a residência na China em 2014. A Orquestra de Filadélfia tem um legado histórico que ficou marcado por ser a primeira orquestra norte-americana a visitar a China em 1973, mas procura sempre olhar para o relacionamento futuro entre as duas nações, iluminado pela inovação e pelo comprometimento em ser um embaixador cultural dos Estados

Orquestra de Filadélfia partilha a alegria da música com o Centro de Reabilitação de Macau para Invisuais No dia 5 de Junho de 2012 quatro músicos da prestigiada Orquestra de Filadélfia apresentaram em exclusivo um concerto para 60 membros e pessoal do Centro de Reabilitação de Macau para Invisuais no Teatro do Venetian. Enquanto patrocinador da Residência e Tourneé da Orquestra na China e da visita a Macau, o Venetian Macao está orgulhoso por ajudar os invisuais a integrarem-se na sociedade e a reforçar a sua integração social através da música. Quarenta membros e vinte funcionários da instituição receberam o convite do Venetian Macau para desfrutarem do concerto de câmara dado pelo quarteto composto por violino, viola e violoncelo no Teatro do Venetian. Foram tocadas quatro peças: Mozart, Duo para Violino e Viola; Beethoven, “Eyeglasses” Duo para Viola e violoncelo; Handel-Halvorsen Passacaglia e ainda , Schubert, Trio de Cordas em B-Flat. • Pete Checchia

• Curtas biografias •

Unidos e ao mesmo tempo um defensor apaixonado da comunidade da Pensilvânia. A residência incluirá uma série de aulas, workshops musicais, palestras e sessões de orientação entre os membros da Orquestra e músicos chineses. “A Orquestra de Filadélfia olhou sempre para o seu passado para perspectivar o seu futuro”, disse Allison Vulgamore, Presidente e C.E.O. da Orquestra. “Desde a sua fundação que este

conjunto tem sido um adido cultural em todos os lugares por onde tem passado. A China esteve na vanguarda em 1973 e os laços profundos estabelecidos durante essa viagem, não só sustentaram e alimentaram a relação com o povo chinês, como prepararam o terreno para este importante programa de Residência. Acredito que 2013 será outro momento de vanguarda para a nossa Orquestra,” afirmou Allison Vulgamore. •

Venetian Macao principal patrocinador da viagem à China da Orquestra de Filadélfia No dia 4 de Junho de 2012 , o Venetian Macao-Resort-Hotel recebeu um grupo selecto de seis distintos músicos da proeminente Orquestra de Filadélfia, para um concerto intimista exclusivo no Teatro do Venetian. O Venetian Macao é o principal patrocinador da actual Residência e Tourneé a quatro cidades da China. Com a participação dos violinistas Richard Amoroso e Jonathan Chu, dos violetistas Che-Hung Chen e Burchard Tang, assim como os violoncelistas Glenn Fischbach e John Koen, o “Exclusivo Concerto de Câmara da Orquestra de Filadélfia” teve lugar no Teatro do Venetian, perante uma audiência deliciada que incluía, entidades oficiais, celebridades, estudantes do Conservatório de Macau e de outras escolas de música. Na audiência encontrava-se ainda o antigo embaixador dos Estados Unidos e Presidente emérito da Asia Society, Nicholas Platt. •

Donald Runnicles Donald Runnicles é actualmente o Director Geral Musical da Deutsche Oper Berlin (DOB) e o Maestro da BBC Scottish Symphony Orchestra (BBC SSO). O Sr.Runnicles tem ainda dois títulos adicionais: é Director Musical do Grand Teton Music Festival em Jackson, Wyoming; e o principal maestro convidado da Atlanta Symphony Orchestra. O compromisso com a DOB em Setembro de 2009 juntou um dos principais maestros Wagnerianos a uma das mais cotadas companhias de Ópera com uma longa e vasta tradição Wagneriana.  Como Director Geral Musical, o Sr.Runnicles é responsável pelas linhas musicais desta histórica companhia que produziu em média cerca de duzentas actuações e mais de vinte e cinco Óperas, das quais ele dirigiu pessoalmente quarenta actuações entre Óperas e concertos. Como Maestro da BBC Scottish Symphony, o Sr. Runnicles regressou literalmente a casa. Escocês de nascimento, dirige cinco semanas de concertos em várias cidades escocesas e no norte de Inglaterra e assegura também a presença da BBC SSO em dois grandes festivais, o Festival Internacional de Edimburgo e o substantial presence London Proms. Em Outubro de 2010 liderou a BBC SSO numa tourneé a seis cidades da Alemanha e Áustria, que culminou na primeira participação da orquestra na Konzerthaus de Viena. Como maestro convidado o Sr. Runnicles conduziu esta temporada a Filarmónica de Berlim, a Accademia Nazionale di Santa Cecilia em Roma, e as Orquestras Sinfónicas de Melbourne e Sydney para além dos seus compromissos em Atlanta e Jackson. Entre os prémios e condecorações recebidas pelo Sr. Runnicles figuram a Order of the British Empire (OBE) e títulos honoríficos da Universidade Edimburgo, do Conservatório de Música de São Francisco e mais recentemente, em Fevereiro de 2011 o doutoramento honorário da Academia Real Escocesa. Johannes Ifkovits

epois de ter sido o primeiro embaixador cultural dos Estados Unidos na China, em 1973, a Orquestra de Filadélfia lança um novo capítulo nas relações com a Republica Popular da China com actuações e um programa de actividades em Hanghzou, Xangai, Tianjin, Pequim e Macau. A Orquestra de Filadélfia, um dos emissários culturais de maior renome mundial, anunciou que a sua residência na China, que decorrerá entre 29 de Maio de 2013 e 10 de Junho terão como objectivo principal as trocas interpessoais através de relacionamentos no terreno com músicos chineses nas maiores cidades chinesas e também nas províncias. A residência inovadora decorrerá paralelamente com as comemorações do 40º aniversário da Orquestra de Filadélfia, e será dirigida por Donald Runnicles, um parceiro habitual e valioso da Orquestra. Donald Runnicles dirigirá sete concertos em Hanghzou, Xangai, Tianjin, Pequim e Macau e participará também em algumas das actividades da residência artística. O director musical da Orquestra de

Pete Checchia

D

JessicaGriffin

Intercâmbio com músicos chineses


segunda-feira 3.6.2013

Ambiente IACM planeia reciclar cinco vezes mais do que actualmente

Há três anos que o organismo liderado por Raymond Tam tem um plano pioneiro de reciclagem de vidro para bares e hotéis, mas agora esse pode ser alargado à população já este ano, em colaboração com a CSR Andreia Sofia Silva

Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Angélica-chinesa Nome botânico: Angelica sinensis (Oliv.) Diels = Angelica polymorpha Maxim. var. sinensis Oliv. Família: Apiaceae (Umbelliferae) Nomes populares (em chinês): Dang gui; Dang quei; Dong quai; Tang-kuei. Espontânea na China e no Japão onde também é cultivada, a Angélica-chinesa é uma erva robusta com mais de um metro de altura. Cresce em locais frios e húmidos cobrindo-se de pequenas flores brancas, hermafroditas, no Verão. Vulgarmente apelidada de Ginseng feminino é uma das ervas chinesas mais populares, sendo usada há milhares de anos pela medicina tradicional chinesa. Os seus rizomas são igualmente usados em numerosos pratos chineses, como na famosa sopa das quatro coisas, um tónico feminino amplamente usado na China.

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) vai finalmente avançar com um projecto alargado de recolha e reciclagem do vidro em Macau, depois de ter iniciado em 2011 um projecto pioneiro apenas com alguns bares e hotéis do território. A garantia foi dada por três membros do conselho de administração do organismo liderado por Raymond Tam. “O IACM está encarregado da limpeza da cidade e também já iniciou campanhas para a recolha do lixo reciclado, como o vidro e outros materiais. No ano de 2011 foi iniciado o projecto, mas agora vamos alargar para as restantes áreas em geral, e vamos instalar caixotes para a recolha de garrafas nas vias públicas.” “Se virmos que temos condições para o alargamento, para além dos pontos de recolha já existente. Vamos tentar ter mais 40 pontos de recolha de garrafas em Macau”, acrescentam os responsáveis. No total, os cidadãos poderão vir a usufruir de 27 pontos de recolha em Macau, 11 na Taipa e dois em Coloane. Actualmente são sete os espaços hoteleiros e cinco os bares aderentes a esta iniciativa, sem esquecer o Instituto de Formação Turística (IFT).

Composição Cumarinas, furanocumarinas, polissacáridos e poliinas solúveis, constituintes amargos (iridoides), fitosterois (beta-sitosterol), flavonoides, óleo essencial, resinas, vitaminas (B1, B2, B3, B5, colina, biotina, ácido fólico, B12, C, E e betacaroteno), minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio) e oligoelementos (alumínio, cobalto, cobre, crómio, ferro, manganês, selénio, silício e zinco). Apresenta um aroma característico, doce e pungente, e um agradável sabor levemente apimentado.

Lixo em mudança

segura, por isso iniciamos primeiro o projecto com eles, e depois é que alargamos para os cidadãos em geral.” Quanto aos custos, prometem ser baixos. “Em termos de recolha o orçamento para este projecto é relativamente moderado. Em colaboração com a Companhia de Sistema de Resíduos (CSR) o custo em geral é apenas no transporte, e o IACM tem máquinas para a fragmentação do vidro.”

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hoje na chávena

Reciclagem do vidro aberta aos cidadãos

O IACM garante que actualmente são recolhidos, em média, quatro quilos de garrafas e outros materiais feitos com vidro por mês, mas pretende-se que os números aumentem muito mais. “Esperamos conseguir cinco vezes mais de vidro reciclado do que actualmente.” Questionados sobre as razões para que este projecto não esteja disponível em todo o território, o IACM diz que há dificuldades logísticas, apesar de ter os aparelhos necessários para a reciclagem. “O tratamento de vidro tem um certo tipo de risco e vemos que os hotéis e bares têm condições e pessoal para tratar as garrafas de forma

vida

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Quanto à recolha do lixo normal, o IACM garante que também está a levar a cabo um projecto de renovação. “Com o programa dos novos contentores do lixo conseguem substituir-se cerca de 12 caixotes de lixo normais. Vamos continuar a instalar mais estes caixotes em bairros da cidade, mas tudo depende das condições da rua, se há espaço suficiente para a instalação destes contentores”, garantem os responsáveis.

Ação terapêutica A Angélica-chinesa é considerada uma planta adaptogénica, ou seja, aumenta a capacidade de resistência e defesa do organismo a diferentes tipos de stress, de que resultam efeitos tónicos e revigorantes. Neste contexto, ativa o estado de alerta e acalma a mente, estimula o sistema imunológico e apresenta uma ação antibiótica contra diversas estirpes de bactérias, combate inflamações, dores e espasmos, fortalece os órgãos digestivos promovendo o apetite e a absorção de nutrientes, nutre o sangue e dilata os vasos sanguíneos permitindo uma melhor irrigação do abdómen e das extremidades (mãos e pés). Apesar de todos estes efeitos

poderem beneficiar qualquer um, esta planta, que equilibra os níveis de estrogénios, é essencialmente usada por mulheres, devido à sua ação sobre o aparelho reprodutor que se adapta a todas as fases da sua vida: estimula o fluxo e regulariza o ciclo menstrual, fortalece o útero regularizando as contrações uterinas e aliviando dores, melhora a fertilidade, assegura uma gravidez saudável e facilita o parto. Sendo uma das principais plantas para as perturbações associadas à menstruação (períodos irregulares ou ausentes, anemia provocada por fluxo abundante, sensibilidade mamária, dores menstruais), a Angélica-chinesa é igualmente utilizada em caso de infertilidade e nos transtornos associados ao climatério e menopausa (afrontamentos). Outras propriedades Esta erva chinesa é ainda usada pelas suas propriedades tonificantes e protetoras do fígado, na hipertensão e como antioxidante na redução das taxas elevadas de colesterol sanguíneo e prevenção das doenças cardiovasculares. Como tomar Uso interno • Infusão: 1 colher de chá do pó do rizoma por chávena de água fervente. Tomar 1 ou 2 chávenas por dia. • Também em gotas, cápsulas e comprimidos. • Com a Angélica-chinesa e outras plantas tónicas ou amargas prepara-se um vinho medicinal usado como revitalizante. • O rizoma cortado aos bocadinhos é frequentemente adicionado a sopas e outros pratos, uma excelente forma de tonificar o sangue. Precauções Os tratamentos com a Angélica-chinesa não devem ser feitos durante a gravidez, quando haja fluxos menstruais intensos e em concomitância com medicamentos anticoagulantes. Devido à presença de furanocumarinas, doses elevadas aumentam a sensibilidade da pele à luz solar e podem ocasionar dermatites. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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cultura

Hoje Macau

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É

assim que Margarida Saraiva vê a Feira de Arte de Macau. A investigadora, que desenvolve o seu trabalho entre a Ásia e a Europa, tem a preocupação constante de se situar entre artes e culturas, explorando e desmaterializando, margens e fronteiras. Entre 2011 e 2013, Margarida Saraiva dirigiu o Departamento de Educação do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves e ao Hoje Macau, falou sobre a arte. Com o número de certames e feiras de arte a aumentar em todo o mundo, sobretudo na Ásia, começaria por perguntar: para que servem as feiras de arte? As feiras reúnem num espaço e num período de tempo limitado um elevado número de vendedores – galerias e marchands – e compradores. É predominantemente um evento de natureza económica com características peculiares, com um papel reduzido no sistema da arte contemporânea, para alguns nefasto até. A minha opinião é que em Hong Kong as feiras de arte têm tido um papel que no sistema internacional da arte contemporânea – falo concretamente do europeu e do americano – tem sido reservado aos museus e galerias, que é o da formação de públicos. De facto, na ausência de oportunidades para se usufruir de uma experiência directa da obra de arte moderna ou contemporânea de nível internacional, tanto em Hong Kong como em Macau, os leilões e as feiras tornaram-se momentos privilegiados para se poder ter um contacto directo com a obra de arte. Há muitas pessoas que visitam feiras e leilões para apenas ver as exposições. Em Hong Kong, no fim de semana passado, podia ver-se Magritte, Picasso, Miró, Fontana, Basquiat, Andy Warhol, Calder… havia de tudo um pouco. Entre os chineses poderia destacar Li Gang, Cui Xinming, Lin Tianmiao, Zhu Jinshi, Haegue Yang, Xu Jiang ou Zhang Dali. As feiras permitem fazer uma análise panorâmica do que se está a fazer e a vender um pouco por todo o mundo. Como são acompanhadas por grandes campanhas publicitárias e programas globais de animação, a cidade torna-se num terreno primordial para a captação de novos públicos locais, tendo também impacto em termos turísticos. E para um observador mais especializado? Para que serve uma feira? No caso dos observadores mais especializados, as feiras servem para detectar oscilações, tendências, identificar correntes, nomes emergentes, num processo que evoca uma espécie de sondagem

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Entrevista Margarida Saraiva, investigadora, curadora e educadora

“Uma grande oportunidade para os artistas de Macau” experiências estéticas irrepetíveis e absolutamente marcantes. Neste ponto, é essencial que as obras sejam de nível excepcional, caso contrário o interesse e a emoção não são despertados. Uma vez que a arte nos atravesse a pele, continuaremos a precisar dela, sempre, com a mesma intensidade de quem precisa de alimento.

empírica. Permite de forma directa tomar o pulso à oferta e à procura, perceber quem vende e quem não vende, quem compra e quem não compra. Finalmente, proporcionam uma concentração no espaço e no tempo de um intenso volume de contactos e conversas que se assim não fosse obrigariam a ‘algumas voltas ao mundo’. As melhores feiras, oferecem ainda um conjunto de programas de debate, conferências, ou mesas redondas, com objectivos mais teóricos. Há uma característica, transversal a quase todas as feiras, que eu gosto particularmente: o caos que se gera. Nas feiras, ao contrário do que acontece nos museus, as obras estão expostas sem qualquer ordem. E por esse motivo, o percurso do visitante também ocorre de forma totalmente aleatória. Podemos passar de um Andy Wharol para um Yang Fudong, de um Picasso para um Baldassari ou um Yang Xinguang. Esse caos só acontece nas feiras. Por outro lado, nas feiras há uma certa dessacralização da obra de arte. Não há nada que me afaste da obra, porque não há barreiras, perímetros, linhas no chão. A relação que se estabelece com a obra é mais próxima do que nos museus. Eu gosto desse lado caótico da feira, da proximidade incondicional à obra de arte. Acha que essa ‘proximidade’ que se gera pode, de um modo quase simbólico, significar, para uma grande parte do público, um pri-

meiro contacto – uma introdução à arte contemporânea? As feiras não são o contexto ideal para o confronto emocional e estético, pessoal e directo, com a obra de arte. Não é sequer o terreno indicado para se desenvolver um entendimento profundo do trabalho de um determinado artista. Porque tudo na feira conflui para a dispersão do olhar. A feira serve para uma primeira introdução, para uma revisão de obras e artistas que se desejarmos, podemos procurar conhecer, mais tarde, noutros contextos. O que é uma emoção estética? Como é que se sensibiliza o público para a arte contemporânea? É preciso olhar o objecto, mas ao mesmo tempo conseguir lê-lo em contexto, no modo como se situa e se move no todo mais vasto em que se integra: o mundo contemporâneo. Há várias dimensões que ocorrem em simultâneo no momento da contemplação/interacção com a obra de arte. Há uma dimensão intelectual, outra que é estética, uma outra de natureza sensorial, outra ainda que é afectiva e emocional. É a experiência simultânea de todas estas dimensões que nos permite sentir uma obra de arte. Falo de uma experiência muito intensa, de um prazer que é intelectual, emocional e sensorial. De certo modo, esta experiência não se explica. Proporciona-se. No processo de sensibilização de crianças e jovens para a arte contemporânea é preciso proporcionar

Como comenta a edição deste ano da Art Basel Hong Kong? E o seu programa paralelo? Foi para mim impossível assistir a todos os debates. Eram muitos e alguns a ocorrer em simultâneo. Interessou-me o painel composto pelo Editor principal do Yishu Journal of Contemporary, o debate em torno da obra de Tsang Tsou-Choi, o auto-declarado ‘Rei de Kowloon’, moderado por Hans Ulrich Obrist. Também ouvi com atenção o painel dedicado à crítica independente, com Pei Ling, e, finalmente, a apresentação realizada por Gaeta Kapur sobre o artista político. O painel dedicado à escrita sobre a obra de arte nas diferentes culturas abordou uma questão que acho fundamental: a da tradução e a dificuldade de mediação cultural; ou seja, a questão de se escrever em línguas diferentes, sobre formas de arte diversas; e a necessidade de traduzir os contextos e as ideias a partir dos quais a obra de arte é produzida e apresentada. De facto, a crítica ocidental tem olhado para a arte contemporânea chinesa, numa perspectiva ocidental, o que acaba por empobrecer a obra de arte em si, no sentido de lhe retirar, talvez por desconhecimento, todo o contexto cultural e filosófico próprio. A questão não oferece resposta fácil, porque obriga a traduzir e mediar conceitos muitas vezes de natureza filosófica que determinam a qualidade da interpretação da obra. Por exemplo, o conceito de vazio, que no ocidente tem tradições diversas das tradições filosóficas chinesas, tem de ser interpretado de forma também diversa, daquela que tradicionalmente é consagrada pela crítica de matriz ocidental. Os conceitos de utopia e paraíso, são também um bom exemplo dessa necessidade de mediação cultural como componente fundamental de um melhor entendimento da arte contemporânea chinesa pela crítica ocidental. Um dos painéis que mais expectativa gerou foi o integrado por

Hans Ulrich Obrist e Ou Ning. O leitmotif andou em torno das fronteiras entre o activismo político e a arte realizada nas ruas. De que forma é que viu as abordagens produzidas por Obrist e Ouning? A arte que se faz na rua e para a rua, pelas pessoas e para as pessoas, acaba quase invariavelmente ou, muitas vezes, dentro do próprio mercado da arte. O trabalho de Tsang Tsou-Choi é disso exemplo. Hoje está dentro das galerias, como uma coisa que se pode comprar e vender. É um efeito paradoxal em relação àquilo que era pretendido pelo artista na sua origem. Discutiu-se também a importância do documento e do arquivo. Neste domínio há a considerar: o documento ou documentação - arquivo sobre a obra de arte ou a recuperação do documento ou arquivo numa perspectiva mais politica de valorização de histórias e ou aspectos da história que de outra forma ficariam silenciados ou esquecidos em favor das grandes narrativas nacionais. Porque há uma certa desmaterialização da obra de arte, falo de tendências performativas e processuais, experimentais e efémeras, tornou-se necessário registar a obra, para evitar ‘perdas’. Nesse sentido, é obrigatório produzir o documento. Mas o documento em si é feito com a intenção de criar um documento e por isso o documento faz parte da criação. Nesse sentido, o que encontramos dentro dos museus e às vezes dentro das galerias, não é a obra em si mas antes a documentação produzida sobre essa obra. O conjunto dos documentos forma um arquivo. Há autores como a Simone Ostoff, que numa obra que se chama Performing the Archive/ The Archive as a Work of Art argumenta que estamos a assistir ao desaparecimento das fronteiras que tradicionalmente dividem a ficção da realidade. Porque o documento que era tido como prova histórica – na verdade ainda é, é a partir dos documentos que se faz a história –, é agora objecto de criação. E ele é criado e produzido com o objectivo de permitir uma narrativa que é ficcionada, como aliás talvez sejam todos as narrativas. Seguiu-se um painel sobre a produção de discurso e crítica independente… É verdade. A propósito deste pai-


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nel, ficou claro que uma coisa é a capacidade de colocar obras na parede e fazer proliferar o número de exposições. Outra, completamente diferente, é a capacidade de criar discurso sobre a obra de arte contemporânea e sobre o que se coloca em exposição. Que discurso se quer criar? De que se fala? Como se fala? O que se diz? O que se escreve? Como contribuem as obras em exposição para o debate dos temas centrais da arte ou do mundo contemporâneo? A obra é inovadora? Em quê? Porquê? Acrescenta algo? O que acrescenta? De que forma é que acrescenta? Como dialogam entre si as obras em exposição ou as obras produzidas pelo artista ao longo do seu percurso? E esse trabalho não é do artista, mas antes do investigador e do crítico independente (entenda-se independente ideologicamente e independente do mercado). Refiro-me ao trabalho de esclarecer, organizar e muitas vezes legitimar um trabalho, uma obra, um percurso artístico. A dificuldade de escrever criticamente sobre arte contemporânea na Ásia, no seu todo, tem sido sobejamente discutida em vários encontros organizados pelo Asian Arts Archive. Por um lado, é evidente a dificuldade em criar discurso, por outro torna-se também difícil fazê-lo de modo independente. De alguma forma, o crítico acaba sempre por desempenhar um papel cultural e um papel comercial. Em relação a este ponto, o debate foi esclarecedor, com vários participantes a assumirem a importância e necessidade de se investir na educação, por intermédio de formação superior, intercâmbios e experiências várias que permitam a criação de novos críticos de arte a operar na Ásia. Quer comentar a primeira edição da Feira de Arte de Macau? Visitou a feira? Sim, visitei. Espero que a feira possa vir a ser uma grande oportunidade para os artistas de Macau. Na feira estiveram representados vários agentes locais, houve uma exposição dedicada aos artistas de Macau e um conjunto muito diversificado de galerias. Destaco a presença do UCCA e da Galeria Cordeiros, do Porto. Há ainda muito trabalho a fazer. Espero que o esforço seja cada vez mais deliberado no sentido de se garantir a presença de algumas das melhores galerias do mundo (muitas estão representadas em Hong Kong, como é o caso da White Cube). Espero que a feira que agora se criou consiga, no futuro próximo, desenvolver um programa mais global de animação urbana, contribuindo para a captação de novos públicos locais. Espero que seja uma oportunidade única, realmente transformadora, para artistas, galeristas e público local.

cultura

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Cinema “A Touch of Sin” ou o melhor argumento em Cannes

A China em movimento Tiago Quadros

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A

China assumiu-se, nos últimos anos, como o segundo maior mercado de cinema, afirmando-se definitivamente como plataforma estável na realização e difusão de longas-metragens. Contudo, Jia Zhangke, realizador chinês, distinguido com o prémio para melhor argumento na última edição do Festival de Cannes, refere que o país continua à procura de reconhecimento enquanto força criativa no mundo do cinema, desvalorizando os recordes registados pela China como mercado de consumo. Como muitos dos filmes de Jia Zhangke – “Platform” (2000), “The World” (2004), “Still Life” (2006) – o filme de Jia distinguido em Cannes, “A Touch of Sin”, retrata a antropologia social de um grupo de indivíduos marginaliza-

dos ou esquecidos pelo “milagre económico” que o país atravessa. Pontuado por cenas de violência extrema, a abordagem provocatória que o filme faz de alguns episódios dramáticos recentes – incluindo referências ao acidente do comboio de alta velocidade ocorrido em 2011, que matou cerca de 40 pessoas, encoberto pelas autoridades e censurado da imprensa chinesa – criou um forte impacto nos primeiros dias do Festival de Cannes deste ano. As primeiras obras de Jia – desde “Xiao Wu” (1997) a “Unknown Pleasures” (2002) – foram produzidas à margem do Estado Chinês e sem aprovação oficial. Desde “The World”, Jia começou a trabalhar dentro do sistema, co-produzindo filmes com a Xstream Pictures e com a filial do Estado, Shanghai Film Group. Até ao momento nenhum dos filmes de Jia Zhangke teve espaço no circuito oficial Chinês, fosse pelos conte-

údos demasiado controversos ou pelo registo pouco comercial dos seus filmes. Apesar de A Touch of Sin ser provavelmente o filme mais politicamente controverso e provocador alguma vez realizado por Jia, o realizador Chinês está confiante que este seu trabalho será apresentado na China. “A Touch of Sin” podia ser o título de um filme de artes marciais, mas não é disso que o argumento trata. Um dos co-produtores é a empresa de Takeshi Kitano, não é difícil a violência gráfica de algumas cenas impor no espectador o fantasma do cineasta japonês; ainda há quem se tenha lembrado de Tarantino. E este é um filme sobre o tema que os cineastas chineses têm procurado de forma obsessiva: o de uma sociedade encharcada de violência. Quatro histórias, um painel sobre a China actual, quatro retratos do desespero e da raiva: um mineiro revoltado contra a corrupção dos líderes da sua aldeia; um operário maravilhado pelas possibilidades da sua arma de fogo; uma empregada de sauna que é levada até limites sanguinolentos por ser confundida com uma prostituta; um jovem operário que escolhe atirar-se de uma varanda por não suportar mais as humilhações. A forma como Jia Zhangke dispara, literal e explicitamente, para todo o lado poderá ser um gesto político corajoso, mas fica a dúvida se ele não poderá ser traído pela grandiloquência insuflada. Jia Zhangke refere que escolheu contar quatro histórias em vez de uma porque essa foi a forma como recebeu a informação, disponível na plataforma Weibo, dos

eventos dramáticos que motivaram a realização de “A Touch of Sin”. Jia quis que o seu filme pudesse transmitir a vertigem do momento, na confluência de quatro narrativas que, no fundo eram uma só – as histórias de indivíduos que partilham um mundo mental de desespero e que estão inexoravelmente ligados uns aos outros. “A Touch of Sin” acaba com um longo plano em torno de um grupo de aldeãos chineses que olham a câmara sem cessar. Através daqueles olhos, num longo e intimidatório olhar, somos levados a pensar o pecado e a sua relação com os que nos estão próximos. Com a realização de “A Touch of Sin”, Jia quis tentar compreender os horríveis acontecimentos que o chocaram e a forma como se inscrevem no panorama social e político da China actual. Jian Zhangke acredita que o seu filme pode suscitar reflexão e consubstanciar algumas mudanças. O realizador Chinês não se refere unicamente à liberdade de expressão mas, sobretudo, à sensibilização para a criatividade, questão que considera muito mais fundamental para a afirmação do povo chinês nas mais diversas vertentes. Jia Zhangke encara a difusão do seu mais recente filme na China como questão essencial. Se “A Touch of Sin” for oficialmente difundido em todo o pais, apesar de tocar em questões políticas sensíveis – o acidente de comboio, a corrupção e a prostituição – poder-se-á pensar que, em certa medida, os temas abordados por Jia estão em linha com algumas das preocupações de Xi Jinping.


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desporto

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Liga de Elite Lam Pak perde e pode dizer adeus ao título

Benfica e Ka I continuam na corrida Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

A

Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau não desarma na corrida pelo principal título do futebol do território e este fim-de-semana voltou a demonstrar que está a ultrapassar um grande momento de forma. Os comandados de Bruno Álvares defrontaram ao fim da tarde de sexta-feira a frágil formação da Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau, derrotando o lanterna-vermelha do campeonato por oito golos sem resposta. Com três golos cada, Fabrício Lima e Pio Júnior foram as principais figuras de um desafio em que o onze tutelado pela Associação de Futebol se revelou uma presa fácil dos instintos ofensivos das águias do território. O Benfica inaugurou o marcador no primeiro minuto da partida, numa jogada em que Fabrício Lima colocou a nu as fragilidades defensivas do grupo de trabalho adversário. O brasileiro recebeu o esférico em plena grandes área da Selecção de Sub-23 e levou a melhor sobre Lei Chi Kuan e sobre Chu Kai Wang antes de bater com um remate fraco o guarda-redes Leong Kei In no último reduto das “esperanças” da RAEM. O jovem guarda-redes do conjunto da Associação de Futebol de Macau voltou a conceder novo golo aos nove minutos, numa jogada

concluída por Iuri Capelo. De regresso às primeiras escolhas de Bruno Álvares, o jovem dianteiro luso-filipino duplicou a vantagem de que o Benfica dispunha no placard, ao dar a melhor sequência a um bom cruzamento do insuperável Fabrício Lima. Muito activa na frente de ataque, o médio brasileiro ex-Monte Carlo voltou a estar em destaque, ao apontar o segundo golo da conta pessoal, terceiro da partida. Lima coroou uma jogada rápida de contra-ataque por parte da linha avançada encarnada, batendo Leong Kei In com um remate seco, mas certeiro. Favoritas ao triunfo, as águias do território não deixaram créditos por mãos alheias e exerceram domínio absoluto sobre a partida. O quarto tento do encontro materializou-se aos dezassete minutos, numa boa iniciativa de Pio Júnior. Solto na grande área da Selecção de Sub-23, o avançado luso-guineense amortiza um bom passe de um colega de equipa, antes de disparar forte para o fundo das redes da formação da Associação de Futebol de Macau. O dianteiro, que tem estado em grande evidência na frente de ataque do Benfica, marcou o segundo da conta pessoal aos 28 minutos, numa jogada em que combinou com Cuco antes de surpreender de novo Leong Kei In na baliza adversária com um remate cruzado. O festival de golos com que o Macau e Benfica

Liga de Elite 2013 16.ª Jornada Resultados

brindou o adversário ganhou nova expressão aos trinta e oito minutos, numa jogada em que Fabrício Lima voltou a estar em destaque. O médio ofensivo fulminou o inexperiente guarda-redes da Selecção de Sub-23 pela sexta vez, depois de se ter livrado da marcação dos defesas adversários. O placard só voltou a mexer no início de uma segunda parte que se disputou a ritmo bem menos intenso. Aos 49 minutos, Pio Júnior emulou o desempenho do colega de equipa e marcou de cabeça o sétimo golo da partida, terceira da conta pessoal. A vencer por bem mais do que uma mão cheia de golos, o onze encarnado fechou a contagem dois minutos depois, com Filipe Duarte a marcar de cabeça, na sequência de um pontapé de canto. Contente com o desempenho da equipa, Bruno Álvares promoveu a estreia do jovem Manuel Vidigal na equipa principal das águias do território. O triunfo incontestado mantém o Benfica no encalço do líder Monte Carlo na luta pela vitória pub

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS AVISO

Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2013, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em causa de dúvidas, agradecemos que contacte a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85990168 ou 85990549. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 20 de Maio de 2013. O Presidente da CRAC Iong Kong Leong

Kei Lun

0 – 4

Chao Pak Kei

Benfica

8 – 0 Sub-23

Ka I

4 – 0 Lam Pak

Polícia

0 – 2

Monte Carlo

Lam Ieng

3 – 2

Kuan Tai

Classificação Equipa

J V E D GM-GS Pontos

Monte Carlo 16 15 0 1 54-7 45 Benfica

16 14 0 2 54-4 42

Ka I 16

14

0

2

57-11

42

Lam Pak

16 12 0 4 50-19 33

Chao Pak Kei

16

6

0

10

26-47

18

Kuan Tai

16

6

0

10

19-29

18

Polícia 16

5

2

9

20-31

17

16

5

1

10

18-50

16

Kei Lun 16

2

1

13

15-64

7

Sub-23 16

0

0

16

8-59

0

Lam Ieng

na principal prova do futebol do território, mas as águias não são as únicas a manterem-se na corrida. O Ka I manteve vivas as aspirações de conseguir alcançar o tetra-campeonato, depois de ter derrotado o arqui-rival Lam Pak ao fim da tarde de sábado por quatro golos sem resposta. Os campeões do território demonstraram frente à exigente formação orientada por Chan Man Kin que continuam a subir de rendimento. O onze comandado pelo brasileiro Joseclér inaugurou o marcador logo aos seis minutos, numa jogada em que o cabo-verdiano Alison Brito entrou quase literalmente com a bola pela baliza do adversário dentro, depois de um bom trabalho de Carlos Reginaldo da Silva no lado direito do ataque dos campeões do território. Sem conseguir contestar o maior ascendente do Ka I, o Lam Pak traiu os seus próprios objectivos com uma série de erros defensivos que abriram portas à goleada. Aos dezassete minutos, Nicholas Torrão levou ao melhor sobre um adversário

e rematou cruzado de fora da área para o segundo golo da partida, o seu vigésimo terceiro na corrente temporada. Cinco minutos depois foi a vez de Carlos Reginaldo da Silva inscrever o nome nos anais da partida, ao bater o guarda-redes Fong Chi Hang pela terceira vez. O brasileiro surpreendeu a defesa adversária com uma movimentação rápida e festejou o golo com uma série de piruetas e de manobras acrobáticas. Com uma linha de jogo convincente e um futebol fluído na transição entre a defesa e o ataque, o Ka I encerrou a contagem aos trinta e dois minutos. Mayckol Savino foi o autor do último golo da partida, ao bater Fong Chi Hang pela quarta vez na cobrança exímia de um livre directo.

Chao Pak Kei sobe a pulso

Se na frente da classificação ainda está tudo por decidir, na cauda da tabela a sorte das equipas condenadas à despromoção já está traçada. O Kei Lun juntou-se na sexta-feira à selecção de Sub-23

no clube dos despromovidos ao não conseguir evitar a derrota frente ao Chao Pak Kei. A formação orientada por Inácio Hoi derrotou o penúltimo da tabela por quatro bolas a zero, num desafio em que conseguiu garantir a manutenção no seio do convívio dos grandes do território. Kwok Siu Tiu, que se sagrou campeão de Macau por duas ocasiões com a camisola do Ka I, inaugurou o marcador aos vinte minutos, naquele que foi o único tento apontado durante os primeiros quarenta e cinco minutos. O equílibrio foi, de resto, uma nota dominante ao longo de grande parte do desafio, mesmo no que toca ao pouco abonatório capítulo das expulsões e das medidas disciplinares. Aos 65 minutos, os jogadores de ambas as equipas envolveram-se em cenas pouco dignas ao meio-campo e o árbitro do desafio expulsou um jogador de cada formação. O Chao Pak Kei acabou por ser a formação que maior proveito tirou da confusão. Aos 81 minutos, a formação orientada por Inácio Hoi reforçou a vantagem de que dispunha no marcador, com o veterano Chan Yim a marcar de cabeça na sequência de um pontapé de canto. O terceiro golo da partida surgiu menos de dois minutos depois, numa jogada em que Eusébio Rodrigues Mendes, não fica bem na fotografia. O guarda-redes do Kei Lun precipita-se na saída de entre os postes e permite que o capitão Kwok Siu Tin volte a marcar, ao desviar de cabeça um livre directo cobrado ao meio-campo. O último tento da partida surgiu já em período de descontos, com So Hoi Tin a marcar após um bom passe de Cheong Kin Chong. De pedra e cal na frente da tabela continua o Monte Carlo. A formação orientada por Tam Iao San conseguiu conservar os três pontos de vantagem de que dispunha sobre os mais directos adversários, depois de ter derrotado a exigente formação do Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública por duas bolas a zero. Ho Chi Fong foi a principal figura do desafio ao apontar, num período de dois minutos, os dois tentos com que os líderes da classificação derrotaram o onze das forças de segurança. No último desafio da jornada, o Lam Ieng derrotou o Kuan Tai, por 3-2.


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[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB Sala 1

Fast & Furious 6 [c]

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 Sala 2

haunting in connecticut 2: ghosts of georgia [c] Um filme de: Tom Elkins Com: Abigail Spencer, Chad Michael Murray, Katee Sackhoff 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3

dead man down [c] haunting in connecticut 2: ghosts of georgia

Aqui há gato

Um filme de: Niels Arden Oplev Com: Colin Farrell, Noomi Rapace, Dominic Cooper, Terrence Howard 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1- Espécie de antílope originário da Amércia do Sul; aquilo que dificilmente se compreende. 2 – Pequena sela rasa; exprimir à maneira de urro. 3 – Enfeitar com objectos de oiro; o ponto mais alto. 4 – Osso que constitui a saliência da face; corda de reboque. 5 – Índio (s.q.); alargamento de um prazo, para se restituir ou pagar alguma coisa. 6 – Sinal radiotelegráfico internacional para pedir socorro; traje para solenidades. 7 – Relativo a frutos; intervalo entre os dentes do pente do tear (pl.) 8 – Colecção de cartas geográficas; peixe vulgar de água doce. 9 – A si mesmo; as nossas pessoas; que tem de facto existência. 10 – Borda de vidro cortada obliquamente; espaço de tempo que decorre entre o nascer e o pôr do Sol. 11 – Praticam na qualidade de agente; emitir som forte e zoante. VERTICAIS: Aquelas; dificuldade no falar. 2 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de novo; um dos pontos cardeais que fica na direcção da Estrela Polar. 3 – Voz imitativa do sino, do choque de moedas, etc.; ponto cardeal oposto ao norte; bismuto (s.q.). 4 – Detestar, encolerizar; gemer como os cães. 5 – Aquilo que prejudica ou se opõe ao bem; bebida refrescante gaseificada. 6 – Lanço secundário de estrada ou caminho-de-ferro, para pôr em comunicação certas localidades com a via principal; preposição designativa de falta; exclusão, ausência, condição, excepção. 7 – Que não está vestido; conjunto de coisas descritas e enumeradas. 8 – Desejo de vingança; desgastar, raspando. 9 – Caverna natural ou artificial; prurido, ardor. 10 – Cada um dos três reis que foram a Belém vistar Jesus recém-nascido; roupão de tecido leve, com mangas largas, aberto do lado, usado pelos Árabes e por outros povos orientais. 11 – Lugar de muita areia, praia; castelo, palácio ou herdade com casa apalaçada de família antiga e nobre.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 18:10 18:30 19:30 20:30 21:00 22:10 23:00 23:30 00:00 00:30

12:00 14:00 17:30 18:00 18:30 20:30 21:30 22:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Cougar Town - Sr.1 Contraponto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Desporto Escrito nas Estrelas TDM News Com Ciência Telejornal – Repetição RTPi Directo informação TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Consigo 15:00 Canadá Contacto 2013 15:30 Em Reportagem (Madeira) 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 AntiCrise 17:15 Portugal Aqui Tão Perto 18:15 O Teu Olhar (Telenovela) 19:05 Trio d´Ataque 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Canadá Contacto 2013 22:55 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 12:00 NASCAR Sprint Cup Series 2013 15:00 Archery World Cup 2013 - Shanghai 15:30 MLB Regular Season 2013 Boston Red Sox vs. New York Yankees 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) Asean Basketball League 2013 (if nec.) San Miguel Beerman vs. Sports Rev Thailand Slammers 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 MotoGP World Championship 2013 - Main Races Grand Prix of Italy 31 - STAR Sports 10:00 2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Uzbekistan vs. Lebanon

2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Australia vs. Oman MotoGP World Championship 2013 - Main Races Grand Prix of Italy Freedom Riders Asia European Rally Championship 2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Uzbekistan vs. Lebanon 500 Great Goals (LIVE) Score Tonight 2013 2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Jordan vs. Japan

40 - FOX Movies 11:45 The Sixth Sense 13:35 One For The Money 15:10 21 17:15 Con Air 19:10 Once Upon A Time 20:00 Da VinciíS Demons 21:00 The Day After Tomorrow 23:05 Safe 00:40 The Sixth Sense 41 - HBO 12:30 Wrath Of The Titans 14:15 Lara Croft Tomb Raider 16:15 Star Trek: The Motion Picture 18:20 Star Trek Ii 20:15 Doom 22:00 Veep 22:30 Game Of Thrones 23:30 Bunraku 42 - Cinemax 12:00 Batman: Under The Red Hood 13:30 Cops And Robbersons 15:15 Hollywood On Set 16:00 Tarzan And The Valley Of Gold 17:30 Justice League 18:45 Days Of Thunder 20:35 Disturbing Behavior 22:00 Exit Wounds 23:40 American History X

HORIZONTAIS: 1-ANTA. ENIGMA. 2-SELIM. URRAR. 3-OIRAR. AUGE. 4-MALAR. TOA. 5-IN. MORA. 6-SOS. GALA. 7-FRUGAL. PUAS. 8-ATLAS. BARBO. 9-SE. NOS. REAL. 10-BISEL. DIA. 11-AGIRAM. ZOAR. VERTICAIS: 1-AS. DISFASIA. 2-NEO. NORTE. 3-TLIM. SUL. BI. 4-AIRAR. GANIR. 5-MAL. GASOSA. 6-RAMAL. SEM. 7-NU. ROL. 8-IRA. RAPAR. 9-GRUTA. UREDO. 10-MAGO. CABAIA. 11-AREAL. SOLAR.

À venda na Livraria Portuguesa Nocturno em Macau • Maria Ondina Braga

“Porque construída sobre um poço de águas ácidas, a casa-das-professoras de Santa Fé, os gatos a rondarem-na nas noites de cio. As mesmas noites em que Ester, a única ali não chinesa, encontra o seu conforto na contemplação da carta de Lu Si-Yuan, carta que aliás nunca chegará a ler: ‘(...) ia desenrolando a folha de papel de arroz, ia-a estendendo na mesa dos livros, aspirava-lhe o perfume. A ressaltar do fundo branco, os ideogramas a tinta-nanquim como um baixo-relevo - linhas regulares, a prumo, linhas deitadas e paralelas em pauta de música, e arcos, e ângulos, e asas. Uma arquitectura. Um templo de nove pisos e nove vezes nove empenas a perscrutar os ares. Um bosque de bambus depois das chuvas’”. Este belo romance que mereceu o Prémio Eça de Queirós situa-se na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau nos anos sessenta, na casa-das-professoras de um colégio de meninas

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Tou que nem posso

Silêncio • Shusaku Endo

Silêncio, cuja acção decorre no século XVII, conta-nos a história de um missionário português envolvido na aventura espiritual da conversão dos povos orientais, o qual acaba por apostatar, após ter sido sujeito às mais abomináveis pressões das autoridades japonesas, para evitar que um grupo de fiéis seja por ordem delas torturado até à morte. Antes de chegar ao Japão, a sua viagem leva-o a Goa, depois a Macau e, finalmente, a Nagasáqui e Edo, em etapas que pouco a pouco o transportam a esse Oriente hostil, onde no entanto já se contam alguns milhares de convertidos à fé católica. Aí descobre, na luta contra as pessoas e o ambiente adversos, a verdadeira fé, liberta de todo o aparato externo, eclesiástico ou mundano. E aí acaba por experimentar a derradeira solidão, que é o destino daqueles que quebram a comunhão com o que mais profundamente marca a sua identidade. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

É assim que me sinto depois de saber que o humorista Pedro Tochas esteve em Macau e eu nem pude ir vê-lo. O Tochas esteve pela primeira vez em Macau, onde veio apresentar o seu espectáculo de teatro físico “O Palhaço Escultor” na escola chinesa Zheng Guaniyng e no jardim de infância D. José da Costa Nunes. Mas não podendo assistir à sua performance com as crianças, podia ter ido, na noite de Sábado, assistir à sua actuação de “stand-up” comedy. O problema é que o IPOR – entidade que trouxe o comediante até cá – e a Lusa – quem difundiu a notícia -, não explicaram muito bem onde é que esta actuação iria ter lugar. Na verdade, Pedro Tochas só veio animar algumas tropas e não todas, que como eu, não foram devidamente informadas. E ele que desejava entreter os mais jovens que chegaram ao território nos últimos anos e que, se calhar, teve de levar com os mais velhos, já agarrados à terra que até nem se julgam emigrantes... perdão, expatriados, que é mais bonito. Macau é o 23.º lugar do mundo onde Tochas apresentou “O Palhaço Escultor” – performance que já lhe valeu vários prémios internacionais -, destinado às famílias, procurando mostrar à comunidade chinesa “o que se faz em Portugal além da música, do fado”. Até qualquer dia, Tochas, que em Macau não te consigui ver... Miau!

Pu Yi


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opinião

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Os músicos desafinados e o povo Fernando Santos

Do alto da sua sapiência, o técnico Vítor Gaspar vê nas projecções da OCDE uma “discrepância de algumas décimas de ponto percentual” entendendo não as valorizar excessivamente. E o que disse o político Paulo Portas? Mostrou-se “preocupado”...

in Jornal de Notícias

E

stá escrito nas estrelas: uma orquestra desafinada tem pouco futuro. Quando os sons são emitidos sem uma linha condutora coerente, o público alinha numa valente pateada e tira conclusões ou o maestro é incompetente, ou os músicos não dão uma para a caixa ou, outra hipótese, usam as pautas para se travar de razões entre si. O actual momento político do país contém todas as parecenças com um grupo de músicos tresmalhados. É eloquente a gritaria da Oposição e o descontentamento nas ruas, a tentativa de afinação de Passos Coelho e os sons divergentes emitidos por Vítor Gaspar e Paulo Portas. Um simples documento, contendo as novas projecções da OCDE para Portugal, agravando a estimativa de recessão deste ano para 2,7 do PIB, contra os 2,3% admitidos pelo Governo e pela troika, voltou a colocar a nu a desafinação. Do alto da sua sapiência, o técnico Vítor Gaspar vê nas projecções da OCDE uma “discrepância de algumas décimas de ponto percentual” entendendo não as

cartoon por Steff

valorizar excessivamente. E o que disse o político Paulo Portas? Mostrou-se “preocupado”.... Esta diferença de discurso pode parecer um mero pormenor, mas não. É um “pormaior” - mais um - por encaixar noutras “nuances” do dia dos mesmos protagonistas. “Reformar não é cortar, é tornar o Estado melhor”. Que acorde sonante! Propagado por quem? Por Paulo Portas, respondendo a uma interpelação na Assembleia da República do Bloco de Esquerda e na

qual prometeu a apresentação do documento da reforma do Estado no próximo mês. Uma mensagem nos antípodas do Orçamento Rectificativo forjado por Gaspar e no qual os novos ajustamentos serão realizados pelo lado da despesa, mas sem uma qualquer linha de coerência para lá do foco num número final.

Interessante ainda nesta dicotomia entre os nr. 2 e 3 do Governo é o posicionamento sobre a capacidade negocial do país perante os seus credores e o memorando de entendimento com eles assinado ao tempo do socorro pedido por José Sócrates (convém não esquecer). Para Paulo Portas, “os programas de ajustamento devem ter adaptação à realidade, os esforços devem ser realistas e as metas atingíveis”. Já para Vítor Gaspar, um paladino do cumprimento das exigências da troika, indo de preferência até mais longe, Portugal dispõe de “uma posição negocial muito fragilizada”. E porquê? Espanto dos espantos: o mesmo ministro das Finanças considera que o programa foi “mal negociado”. Dá para rir, sobretudo se se recordar ter alinhado sempre numa postura de mais papista do que o Papa. Ao tocarem pautas diferentes, em sucessivos “concertos”, Gaspar e Portas acabam por dar espaço à tal pateada do público (o povo que paga o espectáculo). E Passos Coelho, o maestro, que é feito dele? Já deu mostras de apreciar o sopro do ministro das Finanças, mas também percebe o estardalhaço real de não prestar atenção à percussão barulhenta do ministro dos Negócios Estrangeiros, ou não fosse ele o dono de uma parte da banda...

a bomba


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opinião

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David Chan*

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macau visto de hong kong

Lei da actividade de mediação imobiliária

N

o dia 18 de Outubro de 2012 a Assembleia Legislativa aprovou a lei nº 16/2012 Lei da actividade de mediação imobiliária. Esta lei entrará em vigor a partir do próximo dia 1 de Julho. O governo está agora ocupado a ouvir as opiniões da população e dos agentes imobiliários. Estas opiniões irão definir a regulamentação administrativa da “Lei da actividade de mediação imobiliária”. Antes de avançarmos é melhor entendermos o que é “lei” e “regulamentação administrativa.” De acordo com a Lei Básica de Macau a “lei” deve ser feita pelo Chefe do Executivo e pela Assembleia Legislativa. A “Lei” serve para lidar com os aspectos mais importantes da sociedade. O primeiro passo da criação de uma lei é a produção de um “projecto de lei”, (iniciativa originária da lei). O projecto é normalmente desenhado pelos departamentos administrativos do governo e é depois apresentado à Assembleia Legislativa para discussão e debate. Se o projecto for aprovado é assinado pelo Chefe do Executivo e passa a ser “lei”. No entanto com a “regulamentação administrativa,” as coisas não se passam assim. A “regulamentação administrativa” serve para enriquecer os conteúdos da lei. Embora seja desenhada pelos departamentos governamentais não necessita de ser debatida na Assembleia Legislativa. A “regulamentação administrativa” é, de certa forma, uma ordem administrativa estabelecida pelo governo. Visto não haver debate, a “regulamentação administrativa” tem um valor inferior à “lei.” A “regulamentação administrativa” e a “lei” são muito úteis para entendermos a história contada no blogue dos nossos legisladores, Ng Kuok Cheong, António, Au Kam San e Chan Wai Chi, Paul. O primeiro rascunho da “Lei da actividade de mediação imobiliária” tina apenas 29 artigos. Como é óbvio, 29 artigos não chegam para cobrir todos os detalhes desta área. No segundo desenho desta lei foram produzidos cerca de 50 artigos para enriquecer o conteúdo da lei, resultantes do debate entre o governo e os deputados. Alguns meses mais tarde apareceu o terceiro projecto de lei elaborado pelo governo. Houve nova discussão na Assembleia Legislativa. O número total de artigos era de 39. Por outras palavras, foram apagados cerca de 20

Distinguir entre lei e regulamentação administrativa não é fácil. No entanto, é esse o dever de um legislador que tem como missão elaborar leis. Se o legislador não ultrapassar este problema, outro problema semelhante irá aparecer no futuro. Nunca acaba artigos do projecto anterior. Alguns deputados não ficaram satisfeitos. O caso acabou por passar para as mãos do Chefe do Executivo. Foi marcada uma reunião e no quarto desenho do projecto da “Lei da actividade de mediação imobiliária,” alguns artigos voltaram a fazer parte do seu conteúdo. No blogue não foi mencionado que artigos é que foram sucessivamente saindo e entrando na concepção da lei. Com base nestes factos, temos de assinalar a discussão entre alguns deputados e o governo na elaboração desta lei. Em primeiro lugar, como a lei tem de ser debatida na Assembleia Legislativa, deve conter os conteúdos mais importantes. Os outros conteúdos, de valor inferior, devem figurar na regulamentação administrativa. Por exemplo, se for opinião generalizada que os agentes imobiliários devem possuir

licença profissional, então isso deve estar estabelecido na lei. Se uma das condições para a atribuição da licença é a obrigação de os agentes imobiliários possuírem escritórios próprios para exercerem a sua profissão, então essas condições devem figurar na regulamentação administrativa. Em relação ao nosso caso, a constante mudança de número de artigos na elaboração do projecto de lei dá a ideia de que o nosso governo não sabe bem o que deve ser conteúdo de lei e conteúdo de regulamentação administrativa. Em segundo lugar, a não ser que haja uma razão muito forte, não parece adequado mudar unilateralmente o conteúdo do projecto de lei da “Lei da actividade de mediação imobiliária.” A discussão e debate na Assembleia Legislativa serve para aferir da opinião generalizada da população. Seja o governo, seja a Assembleia Legislativa, a

emenda unilateral de conteúdos de projectos de lei é contrária à forma natural de expressão da nossa sociedade. A supressão unilateral de artigos num projecto de lei facilmente incute na população o sentimento de falta de independência. Se não se lidar bem com os sentimentos pessoais, é muito fácil cair em disputas desnecessárias. Se existirem disputas desnecessárias entre o governo e a Assembleia Legislativa a população é que sofre. Em terceiro lugar, no blogue atrás mencionado, assinalava-se que alguns dos artigos anulados no projecto de lei voltaram a ser promulgados pelo governo na regulamentação administrativa. A regulamentação administrativa reflecte principalmente a forma de pensar do governo, uma vez que não exige debate na Assembleia Legislativa. A “lei” exige debate porque assim as opiniões da população podem ser levadas em linha de conta. Por isso, a população aceita muito mais facilmente as “leis” do que a “regulamentação administrativa. ” Esta história é um bom exemplo da falta de coordenação entre o governo e os legisladores na elaboração dos conteúdos dos projectos de lei, durante o processo legislativo. Como a lei deve lidar com os aspectos mais significativos, enquanto a regulamentação administrativa serve para enriquecer o conteúdo da lei, é bom que o departamento administrativo do governo tenha uma ideia completa antes de entregar o projecto de lei na Assembleia Legislativa. Por outras palavras, é bom que o governo defina os princípios legais na lei e os detalhes operacionais que os enriquecem na regulamentação administrativa. Na prática, talvez não seja tão fácil de diferenciar os conteúdos da lei e os conteúdos da regulamentação administrativa. Uma das formas de ultrapassar este problema é projectar a lei e a regulamentação administrativa ao mesmo tempo. Se isto for feito, tanto os documentos como as declarações orais na Assembleia Legislativa ficam clarificadas. Distinguir entre lei e regulamentação administrativa não é fácil. No entanto, é esse o dever de um legislador que tem como missão elaborar leis. Se o legislador não ultrapassar este problema, outro problema semelhante irá aparecer no futuro. Nunca acaba. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Hoje Macau 3 JUN 2013 #2863  

Edição do jornal Hoje Macau N.º 2863 de 3 de Junho de 2013

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