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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 3 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4281

CHINA

FORÇA DA BOLA

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hojemacau

Sem culpa O editor e o director do jornal Son Pou estão isentos do pagamento de uma indemnização de 50 mil patacas à construtora do Pearl Horizon, Polytec, conforme tinha sido anterior-

GRANDE PLANO

FÓRUM MACAU

Estímulos lusitanos PÁGINA 5

mente determinado. Agora, o Tribunal de Segunda Instância veio ilibar os dois jornalistas da acusação de danos causados à imagem da empresa, em artigos de opinião, por falta de provas.

OBITUÁRIO

h

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

BRASIL EM AUTO-FICÇÃO VALÉRIO ROMÃO

O QUE DIZ TAVARES JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

GRANDE DAMA DO CHÁ FERNANDO SOBRAL

PÁGINA 9 JOJO LAM HAU TUNG

ACIDENTE

Um susto pela manhã

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PÁGINA 7

VAN GOGH

VISTO POR DENTRO EVENTOS


2 grande plano

3.5.2019 sexta-feira

CHINA

A FORCA TECNICA ´ D No estudo “Turismo, Desporto, Diplomacia e ‘Soft Power’: O Caso Chinês”, Emanuel Júnior e Carlos Rodrigues, da Universidade de Aveiro, em Portugal, defendem que o investimento do Governo Central na área do desporto tem vindo a funcionar como uma arma diplomática, intensificado na era Xi Jinping. Contudo, há o risco de a estratégia não obter os resultados políticos desejados

FUTEBOL, UM SÍMBOLO DO “SOFT POWER” CHINÊS QUE PODE FALHAR

OIS investigadores da Universidade de Aveiro, em Portugal, acabam de publicar na publicação “Revista Turismo & Desenvolvimento” um artigo que olha para a forma como o Governo Central tem utilizado o desporto como uma estratégia diplomática. Em “Turismo Desportivo, Diplomacia e 'Soft Power': O Caso Chinês”, Emanuel Júnior e Carlos Rodrigues falam da forma como essa estratégia tem vindo a evoluir, sobretudo desde que Xi Jinping se tornou Presidente do país. Contudo, há fortes possibilidades desta estratégia não ser bem-sucedida, por duas razões. “A China tem um enorme desafio pela frente, que é a busca por criar uma prática cultural no país. Jogar futebol não faz parte do quotidiano dos chineses. Fazer desta prática um hábito, incorporando seu jogo e o consumo do seu espectáculo, inclusive, em nosso entendimento, é um desafio inovador e que demandará tempo”, explicou Emanuel Júnior ao HM. O investigador, licenciado em Direito e com experiência em jornalismo, alerta também para o facto de o futebol na China ser encarado, do ponto de vista estratégico, como algo planeado a médio e longo prazo. Isto porque existe entre as esferas decisórias o entendimento de que o futebol implica uma mudança cultural que não acontecerá da noite para o dia. Por esse motivo, “o desafio para as autoridades chinesas é enorme, pois é preciso que não haja precipitações, por exemplo, que possam ocasionar em decisões equivocadas, políticas e regras que ao invés de colaborarem para o desenvolvimento do futebol no país terminem por atrapalhar.” Emanuel Júnior acredita ainda que a segunda razão para uma possível falha nesta estratégia reside “naquilo que alguns pesquisadores denominam ‘soft disempowerment’ – que ocorre quando esta tentativa 'sai pela culatra' e a influência e o prestígio são abalados ao invés de expandidos”. Apesar da aposta no desporto, sobretudo no futebol, tem sido mais notória nos últimos anos, a verdade é que não só o conceito de 'soft power' foi introduzido na

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“A China tem um enorme desafio pela frente, que é a busca por criar uma prática cultural no país. Jogar futebol não faz parte do quotidiano dos chineses.” EMANUEL JÚNIOR DOUTORANDO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

China em 1992, estando na linguagem oficial do Partido Comunista Chinês desde 2007, como houve mudanças em 2008, quando o país recebeu os Jogos Olímpicos. “Hu Jintao mostrou-se empenhado em fazer da China uma potência do desporto mundial, determinando que acções fossem tomadas para que passassem de 'um país de acontecimentos desportivos importantes para uma potência desportiva mundial'. Portanto, percebe-se que se trata de uma estratégia antiga, que antecede a chegada de Xi Jinping ao poder.” Muito antes destes dirigentes chegarem à liderança do Governo Central, já o desporto tinha despertado a atenção de Mao Zedong, quando fundou a RPC, em 1949. “Se olharmos para a história da RPC percebemos que o desporto

“Xi Jinping ainda era vice-presidente, já sinalizava para o “Sonho do Futebol Chinês”. “Dois anos depois, revelou ter ‘três sonhos do Campeonato do Mundo’: participar do Campeonato do Mundo, sediar o Campeonato do Mundo e vencer o Campeonato do Mundo.” EMANUEL JÚNIOR DOUTORANDO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

sempre serviu como instrumento político e diplomático.”

UMA ARMA

Emanuel Júnior defende que o actual Presidente chinês marcou a diferença pelo enorme investimento e atenção que tem dado ao futebol. “Xi Jinping é mais explícito em relação ao que ele entende necessário à China, como explorar o soft power, no sentido de que o país precisa ter uma boa narrativa sobre sua imagem e comunicar melhor a mensagem da nação ao mundo.” Além disso, em 2009, quando Xi Jinping ainda era vice-presidente, já sinalizava para o “Sonho do Futebol Chinês”. “Dois anos depois, revelou ter 'três sonhos do Campeonato do Mundo': participar do Campeonato do Mundo, sediar o Campeonato do Mundo e vencer o Campeonato do Mundo”, frisou o académico, sem esquecer que Xi “tem como uma das suas metas o crescimento da indústria desportiva chinesa”. Prova disso foi o facto de, em 2014, o Conselho de Estado da China ter publicado o documento “Opiniões para a aceleração do desenvolvimento da indústria desportiva e promover o consumo do desporto”. É na esteira deste documento que surge o “Plano de desenvolvimento do futebol a médio e longo prazo (2016-2050). O programa previsto para o futebol, além de ser visto como a mola propulsora para o crescimento da indústria desportiva chinesa, explicita no seu texto a necessidade de se buscar, através do futebol, a promoção de intercâmbios e trocas de conhecimentos, o estabelecimento de relações e a aproximação da China com outras nações, ou seja, o soft power, explica o académico. Se na China o futebol não é uma prática desportiva tradicional, o mesmo não acontece em Portugal, de onde saíram muitos treinadores para formar os futuros talentos do futebol chinês. Emanuel Júnior acredita que esta ligação estreita deverá continuar nos próximos anos. “Portugal pode dar um enorme contributo para o desenvolvimento do futebol chinês. Aliás, desde o plano do futebol, veem-se exemplos do intercâmbio entre portugueses e chineses no âmbito do futebol.” O académico dá o exemplo da Foyo Culture and Entertainment Co Ltd, subsidiária da Fosun, que

se tornou sócia da Gestifute (do agente português Jorge Mendes). Outro exemplo apontado é a empresa chinesa WSports Seven, do empresário Qi Chen, que criou um clube, o Oriental Dragon FC, com o intuito de formar exclusivamente futebolistas chineses em Portugal. Qi Chen também é accionista maioritário dos clubes portugueses Pinhalnovense e Torreense. Os investimentos estendem-se ao Desportivo das Aves, cuja SAD é detida em 90 por cento pela Galaxy Believers, companhia de marketing desportivo que pertence aos chineses Wei Zhao e Hongmin


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Wang. No fim do ano passado, 80 por cento das ações do Tondela, da I Liga portuguesa, foram adquiridas pela Hope Group do chinês Jiang Lizhang. Mais recentemente, no início do mês de Abril, o Sporting firmou um princípio de acordo com vista ao desenvolvimento do futebol jovem na província de Guiyang, na China.

A IMPORTÂNCIA DOS JO

O doutorando da UA pensa que a realização dos JO em Pequim representou um ponto de viragem para esta estratégia. “Em 1979 (ano em que o país aderiu às organizações desporti-

vas mundiais) a China percebeu a importância do desporto de alta competição internacional na promoção da imagem do país e, por isso, estabeleceu a estratégia olímpica. Então, acreditamos que, do ponto de vista do desporto como instrumento de soft power, a estratégia olímpica representaria esta intensificação. O culminar desta estratégia foi a organização dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.” Nos JO, a delegação chinesa ganhou um total de 51 medalhas de ouro num total de 100, contra as 36 obtidas pelos atletas norte-americanos. Ainda assim, Emanuel Júnior

Xi Jinping entendeu a importância do crescimento da indústria desportiva e viu o desporto como um instrumento eficaz para a promoção do país no cenário internacional e no estabelecimento de seus interesses geopolíticos

deixa claro que o sucesso obtido pela estratégia olímpica chinesa jamais esteve próximo de ser replicado no desporto mais popular do mundo, o futebol. Esse facto fez com que “Hu Jintao tenha determinado que acções fossem tomadas para que o país se tornasse, definitivamente, uma potência do desporto mundial”. Achegada ao poder de Xi Jinping representou uma intensificação deste plano táctico, pois o presidente “entendeu a importância do crescimento da indústria desportiva e viu o desporto como um instrumento eficaz para a promoção do país no cenário internacional e no estabelecimento

de seus interesses geopolíticos”. Neste sentido, o “plano do futebol estabelece uma ligação entre o desenvolvimento do futebol e a implementação das 'Quatro Abrangentes', que configuram os objectivos políticos de Xi Jinping, que buscam criar uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, aprofundar a reforma, impulsionar o Estado de Direito e fortalecer a governança do Partido”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

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HOTÉIS PEDIDO PRAZO MAIS CURTO PARA CANCELAR LICENÇAS DE RESTAURANTES

Medidas apertadas

Os proprietários de restaurantes fechados, que se situem dentro de hotéis, querem que o cancelamento das licenças de exploração por parte dos Serviços de Turismo seja mais rápido. De acordo com a proposta de lei que vai regular o sector, o cancelamento não pode ser efectuado durante o prazo de um ano caso exista um processo judicial em curso

S

E o titular de uma licença de exploração de um restaurante ou bar, dentro de uma unidade hoteleira, deixar de exercer actividade e ainda assim tenha avançado com um processo judicial, a sua licença não será cancelada pelo menos durante um período de um ano. Este procedimento leva a que as rendas não sejam pagas aos proprietários ao longo do período de tempo em causa. A norma que faz parte da proposta de lei que vai regulamentar o funcionamento dos hotéis

não agrada aos deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. “Se o titular de licença disser que já apresentou uma acção judicial, então a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) não pode cancelar a licença e tem que aguardar pelo período

de um ano”, explicou ontem o presidente da comissão, Chan Chak Mo, após mais uma reunião de análise do diploma na especialidade.

RENDAS EM FALTA

Este prazo é considerado por vários deputados como

demasiado longo prejudicando os proprietários que durante esse período não recebem renda. “Existe um estabelecimento com portas fechadas e, neste momento, mesmo com portas fechadas, a licença continua válida mas o proprietário não pode

arrendar esse estabelecimento a outra pessoa”, disse. “O prazo de um ano é bastante longo”, acrescentou. Em resposta, o Governo apontou que vai “ponderar reduzir este prazo”, ou seja, “mesmo se existir uma acção judicial, a DST poderá cancelar a licença e o proprietário já pode arrendar a loja a outra pessoa”, disse. No entanto, os deputados não sugeriram um prazo que pudesse ser aceite pelo sector. Caso não exista nenhum processo judicial em curso, a DST exige ao titular da licença a apresentação do certificado que lhes permite a exploração de actividade dentro de um prazo de 20 dias, após os quais, e caso não tenha recebido o documento, cancela a respectiva licença. “Com este novo mecanismo o proprietário pode comunicar à DST e dizer que o titular de licença não tem condições para explorar e dá um prazo de 20 dias para apresentar contraprova”. De acordo com Chan Chak Mo, estas medidas permitem “combater as questões dos arrendatários trapaceiros”.

“Existe um estabelecimento com portas fechadas e, neste momento, mesmo com portas fechadas, a licença continua válida mas o proprietário não pode arrendar esse estabelecimento a outra pessoa.” CHAN CHAK MO DEPUTADO

Na agenda dos deputados da 2ª comissão esteve também o registo dos clientes dos hotéis que terá que ser guardado por um período de pelo menos cinco anos. O objectivo é permitir o acesso das autoridades policiais e da própria DST, caso seja necessário. Os deputados querem esclarecer a necessidade de acesso aos dados à DST. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

FUNÇÃO PÚBLICA DEPUTADO JOSÉ PEREIRA COUTINHO DIZ QUE FISCAIS SÃO EXPLORADOS ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 15/P/19 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de vinte e três de Abril de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Sistemas de Localização de Radiações e Aparelhos de Termografia por Infravermelhos aos Serviços de Saúde (Posto Fronteiriço de Qingmao)», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 2 de Maio de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP55,00 (cinquenta e cinco patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). O presente concurso público não terá visita de estudo do local da instalação do equipamento, pelo que, para o conhecimento total do local da instalação do equipamento, os concorrentes devem assistir à sessão de esclarecimentos a ter lugar no dia 7 de Maio de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 4 de Junho de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 5 de Junho de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional” situada no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP340.600,00 (trezentas e quarenta mil e seiscentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 25 de Abril de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

O

deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre aquilo que considera ser uma situação de exploração dos fiscais dos serviços públicos. “Ao longo dos tempos temos vindo a receber cada vez mais queixas de fiscais de vários serviços públicos, nomeadamente do Instituto Assuntos Municipais, Instituto de Habitação ou em cargos equiparados como na Direcção dos Serviços

de Solos, Obras Públicas e Transportes ou Instituto Cultural, entre outros, alegando que têm de acumular cada vez mais tarefas de maior responsabilidade, sem, contudo, terem sido revistos os índices da tabela indiciária”. Pereira Coutinho nota ainda que “muitos fiscais, no exercício das suas funções, são alvo de insultos e ameaças, e não são poucos os casos em que têm de recorrer ao apoio das forças policiais”. “A maioria dos fiscais tem licenciaturas e muitos deles têm enorme experiência de trabalho, contudo são muito mal remunerados”, acrescenta o deputado. Contudo, há serviços públicos que tentam contornar a situação, uma vez que estão “conscientes das elevadas responsabilidades destes trabalhadores e preferem contratá-los como Adjuntos Técnicos, a fim de eliminar este tipo de exploração”. Neste sentido, José Pereira Coutinho questiona o Executivo sobre eventuais “alterações das carreiras de fiscais com a carreiras de inspectores, tais como aconteceu anteriormente com os fiscais da Direcção dos Serviços de Economia e outros serviços também com competências na área da inspecção”. “A médio prazo, que mecanismos efectivos vão ser introduzidos para que, de uma forma geral e idêntica, os fiscais dos serviços públicos sejam ressarcidos dos insultos e ameaças de que constantemente são objecto no exercício das suas funções”, questionou o deputado. A.S.S.

GCS

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Dia da Juventude Chui Sai On volta a apelar ao patriotismo

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, reuniu na manhã de ontem com os jovens responsáveis pela organização das actividades relativas ao Dia da Juventude, que se celebra amanhã. De acordo com um comunicado oficial, Chui Sai On voltou a “encorajar a geração mais jovem a promover o espírito do 4 de Maio e a transmitir o valor fundamental de amar a Pátria e amar Macau”. Este ano celebram-se os 100 anos do Movimento 4 de Maio e o governante defendeu que “o rol de actividades ganha uma dimensão relativamente maior” dado o aniversário. “Com estas iniciativas espera-se conseguir transmitir e aprofundar o entendimento de todos os jovens para o significado histórico do Movimento do 4 de Maio e para o espírito desse dia, de modo a que assumam, de geração em geração, a missão e responsabilidade de amar a pátria e amar Macau, e de desenvolvimento do País e da região administrativa especial”, lê-se ainda no mesmo comunicado.


política 5

sexta-feira 3.5.2019

MNE VISITA DE CHUI A PORTUGAL VISA TORNAR FÓRUM MACAU MAIS OPERACIONAL

Para elevar à potência

É

já na próxima semana, a 11 de Maio, que se realiza a última visita de Chui Sai On a Portugal na qualidade de Chefe do Executivo, e que termina no dia 19 deste mês. Numa resposta enviada pelo gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, ao HM, fica claro que a visita oficial, que acontece nas cidades de Lisboa e do Porto, se reveste de objectivos concretos. “Sendo esta a 6ª reunião da Comissão Mista, será também a terceira realizada durante o mandato deste Governo, o que demonstra bem a intensificação do nosso relacionamento. A relação desenvolve-se já num quadro de excelência, em que esperamos incrementar dois aspectos: as relações comerciais entre Portugal e Macau e a operacionalidade do Fórum Macau, que ainda não realizou plenamente o seu elevado potencial.” O funcionamento do Fórum Macau, criado há 15 anos, tem sido alvo de críticas por parte de algumas entidades oficiais, tanto chinesas como portuguesas. Isso mesmo deu conta o Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que terminou ontem uma viagem oficial à China, com passagem por Macau. “Há o objectivo de dar mais força ao Fórum Macau: isso foi muito sentido em todos os encontros, nomeadamente no encontro com a delegação

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros português, garantiu ao HM que a visita do Chefe do Executivo de Macau a Portugal visa reforçar a “operacionalidade do Fórum Macau”, bem como as relações comerciais entre a RAEM e o país

liderada pelo Presidente Xi Jinping”, afirmou. Na resposta ao HM, o MNE português adiantou também que a 6ª Comissão Mista Portugal-RAEM vai focar-se “nas relações económicas entre as duas partes, tendo em perspectiva as relações entre a China, Portugal e os demais

países de língua portuguesa”, bem como “as relações nas áreas da língua, da cultura e da educação”.

ALÉM DO CIRCUNSTANCIAL

Chui Sai On deixa este ano o cargo de Chefe do Executivo da RAEM que desempenhou durante dois mandatos conse-

“A relação desenvolve-se já num quadro de excelência, em que esperamos incrementar dois aspectos: as relações comerciais entre Portugal e Macau e a operacionalidade do Fórum Macau, que ainda não realizou plenamente o seu elevado potencial.” GABINETE DO MNE

cutivos. Numa altura em que as relações entre China e Portugal se estreitam cada vez mais, Augusto Santos Silva considera que o futuro das ligações à RAEM é risonho. “Não cabendo a Portugal pronunciar-se sobre a dinâmica político-institucional de Macau, uma coisa é certa: o relacionamento continuará a desenvolver-se porque não é meramente circunstancial, antes resulta de laços históricos e da vontade dos dois Estados em continuá-los e aprofundá-los.” Num comunicado enviado à comunicação social, o Governo de Macau adiantou que, na capital portuguesa, “o Chefe do Executivo será recebido, em audiência, pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e, mais tarde, pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, com os quais trocará ideias a respeito da consolidação das relações de amizade entre Macau e Portugal e do reforço da cooperação bilateral”. No Porto será assinado “um memorando de entendimento para o quadro de cooperação na promoção de amizade” com a câmara municipal, presidida por Rui Moreira. Depois da assinatura, o Chefe do Executivo “será agraciado com as Chaves da Cidade, um alto galardão municipal”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

FAOM KWAN TSUI HANG QUER MAIS CANDIDATOS A CHEFE DO EXECUTIVO

“E

SPERO mais candidatos, mais escolhas será melhor para o futuro de Macau.” As palavras são de Kwan Tsui Hang, ex-deputada, que falou ontem à margem da entrega de candidaturas da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para membros da Colégio Eleitoral que irá eleger o próximo Chefe do Executivo. A ex-deputada e veterana dos operários enalteceu as qualidades de Ho Iat Seng, mas mencionou que, enquanto residente, gostaria de ter mais opções, acrescentando que o próximo Chefe do Executivo deve ser um estratega que consiga promover o desenvolvimento de Macau no âmbito da Grande Baía. O presidente da direcção da FAOM, Leong Wai Fong, espera que o próximo Chefe do Executivo tenha capacidade de

gestão, considere e ouça as opiniões dos trabalhadores, melhore a Lei das Relações Laborais e elabore legislação que fixe o salário mínimo. Quando questionado se vai apoiar Ho Iat Seng, Leong Wai Fong referiu que enquanto presidente da Assembleia Legislativa, e membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, tem experiência e capacidade para ajudar ao desenvolvimento de Macau. Numa carta assinada pela direcção, a FAOM diz que o próximo líder do Executivo deve amar a pátria e Macau, ter a confiança do Governo Central e capacidade para governar. Não foram, ainda, divulgados os nomes dos candidatos propostos pela FAOM para integrar o sector do trabalho do Colégio Eleitoral. J.N.C.

BAIRROS ANTIGOS AGNES LAM PEDE ESCLARECIMENTOS

C

HUI Sai On pode estar de saída do Governo em Dezembro, mas a deputada Agnes Lam quer garantias que a renovação dos bairros antigos fica preparada para o próximo líder do Governo avançar com os trabalhos. É este o conteúdo da última interpelação escrita da deputada, que foi divulgada ontem. “Quais são as mudanças que o Chefe do Executivo pretende implementar e que vão garantir que o próximo Governo pode continuar com o conceito e proceder à renovação urbana?”, questiona a legisladora. No mesmo documento, Agnes Lam fala da necessidade

de resolver os problemas dos bairros antigos, principalmente na zona do Iao Hon e Porto Interior, e pede a Chui Sai On passos mais concretos neste diploma. “Neste momento, ainda não se sabe qual é o andamento dos trabalhos no projecto legislativo sobre a renovação urbana. Será que vai ser anunciado brevemente? E qual é o estado do progresso dos estudos sobre a renovação urbana?”, perguntou. Segundo Agnes Lam, existe uma grande necessidade de melhorar os bairros antigos, uma vez que as pessoas mais velhas e com deficiências são as que mais sofrem.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso

Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei nº 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2019, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos o contacte com a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85995343 ou 85995342 Direcção dos Serviços de Finanças, aos 25 de Abril de 2019. O Presidente da CRAC Iong Kong Leong


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3.5.2019 sexta-feira

Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 2ª vez do ano 2019 (1)

Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

(2)

Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação

e desenvolvimento (I&D);

(ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico

e tecnológico;

(iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. (3)

Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao

desenvolvimento das ciências e da tecnologia;

(v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o

desenvolvimento social e económico;

(vi) Pedidos de patentes. Request for Proposal – No. PTB201901R – North Duty Free Services Subconcession at Macau International Airport 1. Company: Macau International Airport Company Limited (CAM) 2. Method: Open Request for Proposal (RFP) 3. Objective: To select ONE operator to operate the Duty Free Services at the designated locations of Macau International Airport 4. Location and Size: Shops – 1, 2, 3&4 and Kiosks – G2, A, B, C and C1, approximately of a total 1,122m2 at the Departure North Airside of the Passenger Terminal Building of the Macau International Airport 5. Validity of the Bidders’ Proposals: The validity period of the Bidder’s proposals shall be 180 days counting from the deadline for submission of proposals 6. Minimum Qualification: For details, please refer to Section B.4 of Pages 9 to 11 of the RFP 7. Request for Proposal Documents: The RFP documents and other pertinent information are available on the following website: www.camacau.com, within the period from 2 May 2019 to 12:00 noon, 29 July 2019 (Macau local time) Please always check the website for additional information, clarifications or modifications of the RFP documents that may be published from time to time 8. Location and Deadline for Submission of Bidders’ Proposals: Attention to: Chairman of the Executive Committee Macau International Airport Company Limited (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Avenida Wai Long, Taipa, Macau S.A.R. Deadline for Submission: 12:00 noon, 29 July 2019 (Macau local time) Proposals submitted after the stipulated deadline will not be accepted 9. Proposal Evaluation Criteria: Experience and Qualifications 200 points Customer Service 200 points Financial 280 points Marketing and Operation Plans 200 points Design and Proposed Capital Investment 120 points -------------------------------------------------------------------------------------------- Total .............1,000 points 10. CAM reserves the right to reject any proposal in full or in part without stating any reasons

(4)

Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5)

Data do Pedido Alínea (1) do número anterior

Todo o ano

Alínea (2) do número anterior

A partir do dia 2 de Maio até 3 de Junho de 2019

(6)

(O próximo pedido será realizado no dia 2 de Setembro ao 3 de Outubro de 2019)

Forma do Pedido Preenchido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 235 /2018,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 40 de 3 de Outubro 2018, . Pode inscrever-se através do sistema de candidatura ao apoio financeiro online do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777.

(7)

Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 235 /2018, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2019 / 4 / 30


sociedade 7

sexta-feira 3.5.2019

Internet Post sugere Macau como local para venda de vacinas

FALHA DE TRAVÕES LEVA AUTOCARRO A QUASE A ENTRAR EM ESTABELECIMENTO

Um café e um cagaço

Não causou mortes nem feridos, mas o acidente em que um autocarro de turismo quase entrou no Café Rosa levantou questões de segurança. A proximidade do local do acidente com o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes trouxe ao de cima preocupações entre a direcção da APIM

U

M autocarro descontrolado embateu ontem, por volta das 9h30 da manhã, no café Rosa, na Avenida de Sidónio Pais, em frente ao Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. De acordo com a Polícia de Segurança Pública (PSP), o acidente não fez vítimas mortais nem feridos e os estragos limitaram-se à parede exterior do estabelecimento de restauração. A bordo do veículo seguiam 43 turistas de nacionalidade japonesa. Segundo as autoridades, e tendo em conta as declarações do motorista, o acidente resultou de uma “falha do sistema de freio”. O condutor “é residente e profissio-

nal há muitos anos” e não acusou alcoolemia quando submetido ao teste. A PSP iniciou as diligências para apurar os factos. A proximidade do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes fez soar alertas entre os encarregados de educação e de quem gere a escola. Para o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), Miguel de Senna Fernandes, os autocarros deveriam ser submetidos a inspecções mais rigoristas e cumprirem regras mais apertadas, nomeadamente de velocidade.

“Isto tem muito que ver com as inspecções dos veículos desta natureza”, começou por dizer ao HM. “São carros de grande porte que devem de ser submetidos a uma inspecção muito mais rigorosa”, acrescentou. O responsável alertou ainda para os limites de velocidade que devem ser mais apertados para este tipo de transporte, uma vez que a altas velocidades podem representar um perigo para a segurança pública. Para Miguel de Senna Fernandes as inspecções aos autocarros deveriam ter uma

“São carros de grande porte que devem de ser submetidos a uma inspecção muito mais rigorosa.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES PRESIDENTE DA APIM

periocidade mais frequente do que exigida actualmente – uma vez por ano. “Não estamos a falar de veículos automóveis, estamos a falar de carros de grande porte que exigem um certo tipo de manuseamento, um certo tipo de perícia e naturalmente, de um certo tipo de controlo de velocidade”, justificou.

SITUAÇÃO PREOCUPANTE

Apesar de não ter feito vítimas, “o certo é que aconteceu perto de escolas onde circulam para além dos normais peões, crianças”. O responsável pela APIM, que tutela o Costa Nunes, espera poder ter acesso ao relatório acerca das causas do acidente. “Estamos ainda a aguardar desenvolvimentos e um eventual relatório sobre

o ocorrido. Não estamos em posição de exigir, mas era bom para sabermos o que efectivamente ocorreu”, disse.

ESTRADAS DESADEQUADAS

Gilberto Camacho que se dirigia ao local de trabalho, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, na altura em que o autocarro embateu no café, além de sublinhar a necessidade de mais inspecções nos veículos de transporte de passageiros, alerta para a inadequação das estradas do território ao aumento de tráfego. “As estradas não dão margem de erro: as faixas são estreitíssimas e os autocarros são cada vez maiores”, referiu. Uma moradora na zona do acidente, afirma peremptoriamente que “um autocarro não consegue dar bem aquela curva a não ser que vá muito devagar”. “Os autocarros vêm do túnel da Guia e não vêm a cinco à hora, querem despachar, querem apanhar o semáforo verde e acabam por ir em frente como aconteceu”, relatou. Para a residente é preciso mais contenção e rigor na condução. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Uma publicação que circula nas redes sociais aconselha turistas do Interior da China a optar por visitar Macau, em vez de Hong Kong, devido ao preço e à acessibilidade em adquirir vacina contra o cancro no colo do útero. A notícia avançada pelo Apple Daily refere que uma internauta publicou um “livrinho vermelho” com sugestões, onde explica que em Macau os turistas podem obter as três injecções necessárias à inoculação, sem filas de espera, por 4000 renminbis, face aos 7000 dólares de Hong Kong pedidos na região vizinha. Outra das queixas mencionadas no Apple Daily prende-se com o serviço ao cliente nas lojas de cosméticos. “Os vendedores das lojas de cosméticos de Hong Kong maltratam-nos ou ignoram-nos sempre” comentaram alguns internautas do Continente, que descrevem fazer compras em Hong Kong como pagar para ser sofrer maus-tratos. Alguns internautas apontaram que “Macau é melhor, e que as pessoas são mais amigáveis.”

Dia do Trabalhador Mais de 300 mil pessoas entraram no território

Dados do Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelam que entraram em Macau, esta quarta-feira, cerca de 326 mil pessoas, sendo que entraram mais de 183 mil turistas, o que representa um crescimento de 76,9 por cento. A fronteira das Portas do Cerco continuou a ser a mais procurada, onde se registou um movimento de 234 mil pessoas no dia 1 de Maio. Na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau passaram cerca de 23 mil pessoas, enquanto que no aeroporto registaram-se 13 mil entradas.


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3.5.2019 sexta-feira

SIN FONG EMPRESA DE MACAU LEVA CASO PARA TRIBUNAIS DE HONG KONG

ENSINO APENAS 7% DOS ALUNOS DE PORTUGUÊS EM MACAU SÃO LUSÓFONOS

Weng Fok contra-ataca A Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok quer retirar a certificação ao laboratório CASTCO Testing Centre, depois de a entidade ter feito um relatório em que responsabiliza a Weng Fok pelos problemas no edifício Sin Fong Garden dois problemas: não respeitaram algumas normas de construção de Hong Kong, que normalmente são aplicadas na construção em Macau, e careciam do carimbo da entidade certificadora dos testes, a Hong Kong Accreditation Service (HKAS). Os académicos em causa são Albert Kwan, Peter Lee e Ray Su.

OUTRO PROCESSO

Este não é o único caso nos tribunais em que a Weng Fok está envolvida. Também em Outubro de 2015, o Governo da RAEM fez um pedido de indemnização contra as empresas Weng Fok, Tak Nang, Lai Si Kin e Kin Sun a exigir 12,8 milhões de patacas. Estes terão sido os custos pedido às construtoras do edifício e visam compensar o Executivo pelo montante gasto com as medidas para evitar o colapso do edifício adjacente, assim como o dinheiro gasto no relatório que agora é contestado. Os problemas no edifício Sin Fong Garden foram conhecidos em Outubro de 2012, depois de terem sido detectadas fissuras em pilares do segundo piso. Após a descoberta foi ordenada a evacuação da construção devido ao risco de derrocada, o que deixou mais de 100 proprietários fora das suas casas. No entanto, em Outubro do ano passado, as obras de reconstrução foram iniciadas e vão demorar dois anos e meio, com a Associação de Conterrâneos de Jiangmen a contribuir com um donativo de 100 milhões de patacas. O prédio, que vai manter os 30 andares, terá 144 apartamentos e 48 lugares de estacionamento, bem como um espaço comercial. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

A Weng Fok recorreu aos tribunais e fez entrar um pedido no High Court of Justice para que a certificação do laboratório CASTCO seja revogada

FUNDAÇÃO MACAU SUBSÍDIOS AUMENTAM 65 POR CENTO ATÉ MARÇO

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lista de subsídios atribuídos pela Fundação Macau publicada ontem no Boletim Oficial (BO), e noticiada pela Rádio Macau, revela que os apoios aumentaram 65 por cento no primeiro trimestre, face a igual perío-

AIS de dois mil alunos frequentam no ensino superior, em Macau, cursos de língua portuguesa ou ministrados em português, sendo que apenas cerca de 7 por cento são de países lusófonos, segundo dados enviados à agência Lusa. Dos 2.051 estudantes matriculados em cursos de língua portuguesa ou ministrados em português, pouco mais de 1.900 são na esmagadora maioria naturais do território ou da China, de acordo com os dados fornecidos pela Universidade de Macau (UM), Universidade de São José (USJ) e Instituto Politécnico de Macau (IPM). A UM oferece nesta área um total de 13 cursos na Faculdade de Artes e Humanidades e cinco na Faculdade de Direito. Dos 1.117 alunos a licenciarem-se em Estudos Portugueses, 11 são de países de língua portuguesa, enquanto que dos 251 que estudam Direito 22 são oriundos de países lusófonos. O IPM tem cinco licenciaturas em português: Relações Comerciais Sino-Lusófonas, Administração Pública, Tradução e Interpretação Chinês-Português, Educação Internacional de Língua Chinesa e Língua Portuguesa. O número actual de alunos matriculados nesta instituição nos cinco cursos é de cerca de 600, dos quais perto de uma centena são de países de língua portuguesa. Já a USJ indica que dos 334 estudantes matriculados na Faculdade de Humanidades em cursos de língua portuguesa 326 são estudantes locais. A mesma instituição de ensino superior explica que actualmente não existem cursos em português na Escola de Educação e que os alunos são de Macau (cerca de 15, ao todo, de origem chinesa), mas salienta que esta vai abrir no próximo ano um curso de Pós-Graduação em Educação em Português.

do de 2018, num total de 659,8 milhões de patacas. O Conselho das Comunidades Macaenses, por exemplo, recebeu 2,8 milhões de patacas para a organização do próximo Encontro das Comunidades Macaenses.

A ANIMA, que tem vindo a deparar-se com uma grave situação financeira, recebeu 1,9 milhões para custear, em parte, as despesas de funcionamento este ano. Os apoios voltaram a ser elevados para o ensino superior privado, uma vez que

a Fundação Universidade de Ciência e Tecnologia teve apoios de 282,5 milhões de patacas, cujo montante será destinado para as obras de construção do Edifício para Faculdade da Arte Humana. As verbas representam mais de 40 por cento do total de

subsídios concedidos. Já a Fundação Universidade Cidade de Macau recebeu 54 milhões, enquanto a Fundação Católica de Ensino Superior Universitário, que gere a Universidade de São José, recebeu 3,8 milhões de patacas.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

A

Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok levou o caso Sin Fong Garden para os tribunais de Hong Kong e contesta as conclusões do estudo realizado pela CASTCO Testing Centre, que lhe atribuiu as principais responsabilidades pelos defeitos de construção. A informação foi revelada ontem pelo jornal Ou Mun. De acordo com a Weng Fok, o laboratório CASTCO não tem as competências necessárias para fazer este tipo de análises, pelo que deveria ter visto a sua certificação revogada pelo Governo de Hong Kong. Por este motivo, num primeiro momento, em Junho do ano passado, a construtora de Macau apresentou uma queixa oficial junto do Hong Kong Laboratory Accreditation Scheme (HOKLAS) para que revogasse a certidão do laboratório CASTCO. Porém, após analisar a questão, em Fevereiro, o HOKLAS afirmou que não iria revogar a certidão porque a entidade cumpria com todos os requisitos necessários. O caso foi assim dado como fechado. Face à primeira nega, a Weng Fok recorreu aos tribunais e fez entrar um pedido no High Court of Justice para que a certificação do laboratório CASTCO seja revogada. Em Outubro do ano passado já o o director técnico responsável pela direcção de obras do edifício Sin Fong Garden, Joaquim Ernesto Sales, havia dito que estava a considerar levar a CASTCO e os três académicos envolvidos no estudo para os tribunais de Macau e Hong Kong. Nessa altura, Joaquim Ernesto Sales tinha indicado que os testes feitos à qualidade do betão tinham

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sexta-feira 3.5.2019

CONSTRUÇÃO CIVIL SALÁRIO MÉDIO AUMENTOU 1,5 POR CENTO

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IMPRENSA POLYTEC PERDE RECURSO E FICA SEM COMPENSAÇÃO DE JORNALISTAS

Um virar de página

Dois jornalistas tinham sido condenados a pagar 50 mil patacas à Polytec por danos à imagem da empresa, devido a vários artigos de opinião, mas o Tribunal de Segunda Instância alterou a decisão e considerou que não se provaram os danos

O

editor do jornal Son Pou, Lei Kong, e o director, Chao Chong Peng venceram a Polytec e já não vão ter de pagar 50 mil patacas à construtora do Pearl Horizon, por danos à empresa. A decisão foi tomada ontem pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI), que decidiu não haver fundamentos para considerar que os artigos de opinião publicados no jornal tinham contribuído para originar danos à imagem da empresa. Segundo o acórdão, que teve como juiz relator Chan Kuong Seng, foi considerado que o jornalista estava a escrever um artigo de opinião, e não uma notícia, mas que mesmo assim os comentários

feitos não ultrapassaram o direito à opinião. Ficou igualmente dado como provado que o jornalista estava apenas a exercer o seu direito de opinião. Por esse motivo o tribunal dispensou o pagamento da compensação de 50 mil patacas que tinha sido definido na primeira instância. Esta foi uma decisão elogiada pelo advogado de Lei Kong e de Chao Chong Peng, Hong Weng Kuan pelos efeitos positivos que traz para a liberdade de imprensa e dos jornalistas. “Fiquei satisfeito com a decisão, mas acho que acaba por ser mais importante para todos os jornalistas”, disse em declarações ao HM. O HM tentou igualmente contactar o advogado Leonel Alves,

representante de Polytec, mas sem sucesso até ao fecho da edição.

MUDANÇA DE POSIÇÃO

Quando foi tomada a primeira decisão, o Tribunal Judicial de Base considerou que tinha havido erros no artigo que tinham causado danos à empresa. “Mesmo num artigo de opinião, em que escreve como cidadão e não como jornalista, não deve escrever e fazer comentários que possam ofender as pessoas sem apurar a verdade. Foi escrito que a companhia tinha pedido para que a construção fosse aumentada de 25 para 50 andares, mas ficou provado que isso não foi verdade. São imputações que podem violar o princípio da boa-fé”, foi considerado na altura. No entanto, a decisão tomada agora pelo TSI vem dar razão a Lei Kong, que na sessão em que foi condenado a pagar uma indemnização à Polytec pelos danos à imagem da empresa abanou várias vezes a cabeça. A decisão afecta igualmente Chao Chong Peng, que apesar de não ter afirmado imediatamente após o primeiro julgamento a vontade de recorrer também acabou por fazê-lo. Em causa estiveram sempre artigos de opinião sobre o facto da Polytec não ter conseguido terminar o empreendimento do Pearl Horizon dentro do prazo da concessão, o que fez com que os compradores das fracções não pudessem receber as suas casas. A construtora defende que parte da culpa em todo o processo também está no lado do Governo, que não aprovou as licenças de construção a tempo. João Santos Filipe (com J.N.C.) joaof@hojemacau.com.mo

ADOS oficiais da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que os salários dos trabalhadores da construção civil aumentaram 1,5 por cento em termos trimestrais, o que significa que um rendimento mensal passou a ser composto por mais 763 patacas por dia, em média. O comunicado destaca que um trabalhador residente passou a ganhar mais 1.016 patacas diárias, em média, mais três por cento, enquanto que um não residente teve um aumento de apenas 624 patacas por dia, mais 0,3 por cento. Ainda assim, “eliminado o efeito inflação, no primeiro trimestre de 2019 o índice do salário real dos trabalhadores da construção (96,7) manteve-se no mesmo nível do trimestre

anterior, enquanto o dos trabalhadores da construção residentes (97,6) desceu um por cento”, aponta a DSEC. Analisando por profissão, o salário diário médio do assentador de tijolo e estucador (730 Patacas), o do carpinteiro de cofragem (783 Patacas), o do montador de sistema de ar condicionado (853 Patacas), o do carpinteiro de acabamento (856 Patacas) e o do pintor (728 Patacas) subiram oito por cento, 3,4 por cento, 2,5 por cento, 1,5 por cento e 1,4 por cento, respectivamente, em termos trimestrais. Porém, o salário diário médio do instalador de alumínio/vidro (783 Patacas) e o do canalizador/ montador de tubagens de gás (849 Patacas) desceram 3,6 por cento e 2,4 por cento, respectivamente.

TÁXIS ASSINADO CONTRATO PARA OPERACIONALIZAÇÃO DE 200 LICENÇAS

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OI ontem assinado o contrato público para a operacionalização de 200 de licenças de táxi entre o Governo, representado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, e a Companhia de Serviços de Rádio Táxi Macau S.A. De acordo com um comunicado oficial, as 200 licenças começam a operar a 1 de Dezembro deste ano e terão um prazo de oito anos. “De acordo com o contrato estipulado, o serviço dos 200 táxis especiais está isento de taxas de chamada, de hora marcada e de ausência”, além de que está prevista a entrada em

funcionamento de mais 100 táxis especiais no quarto trimestre do presente ano. As 200 licenças estão sujeitas a regras de protecção ambiental, uma vez que devem ser utilizados automóveis ligeiros híbridos ou movidos a energia ecológica cuja lotação é igual ou superior a seis passageiros, disponibilizando, pelo menos, cinco táxis acessíveis e dez táxis de grande dimensão. Além disso, a companhia responsável deve, por iniciativa própria, introduzir dez táxis com facilidades de acesso para passageiros com mobilidade reduzida.

MP Agressor que matou idoso fica em prisão preventiva

O Ministério Público (MP) decidiu aplicar a medida de coacção de prisão preventiva a um homem que agrediu um idoso, causando-lhe a morte. De acordo com um comunicado do MP, o caso aconteceu “há dias atrás”, quando um homem, residente, bateu no avô da criança que tinha agredido o seu filho. “O filho menor (do arguido) tinha sido escoriado na cara por uma criança, do sexo masculino, tendo (o arguido) ido à casa da mesma pedir uma indemnização, o que não foi alcançado, e daí resultou a agressão com socos na cabeça do avô da criança, que foi transportado para o hospital e morreu após o socorro médico.” O MP considera que “o arguido agrediu outra pessoa por motivo fútil, o que resultou a sua morte, pelo que, a sua conduta enquadra-se na prática do crime de homicídio qualificado”, no âmbito do Código Penal. O objectivo da prisão preventiva pretende “evitar a fuga e a continuação da perturbação da ordem e tranquilidade pública” por parte do arguido.


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Ao vivo e a co HONG KONG ARTE MULTIMÉDIA REVISITA OBRA DE VAN GOGH

É a exposição de arte multi-sensorial mais visitada no mundo e pode ser vista diariamente em Hong Kong. Chegou em Abril à baía de Kowloon e vai ficar por lá até ao dia 7 de Julho. Entrar dentro de quadros como “A Noite Estrelada” ou “Os Girassóis” era até aqui imaginação apenas.Agora é só dar um salto ali ao lado

A

experiência de arte imersiva sobre um dos mais ilustres pintores holandeses está a dar que falar no vizinho território, depois de ter passado por mais de 40 cidades internacionais e atraído cerca de quatro milhões de visitantes em todo o mundo. “Van Gogh Alive” é como assistir em três dimensões às várias fases da obra do pintor, onde três mil imagens são projectadas nas paredes, colunas, chão e tecto, criando movimentos que se transformam através das galerias e transcendem a noção de tempo e do espaço. Poder estar dentro dos famosos quadros do pintor pós-impressionista é uma nova sensação para os visitantes, que se passeiam pelo “Campo de Trigo com Corvos”, as “Amendoeiras em Flor”, o “Quarto em Arles” ou a “Estrada com Cipreste

e Estrela”, amplificados nos murais de LED com quase dez metros de altura. São mais de uma centena de telas que acompanham a vida e obra de Van Gogh, durante o período de 1880 a 1890, integrando as paisagens de Arles, Saint-Rémy-de-Provence e Auvers-sur-Oise, lugares onde se refugiou nos últimos anos de vida e onde criou os seus quadros mais icónicos. O clássico mundo das artes abre-se com este espectáculo às grandes audiências, saindo do espaço de silêncio dos museus, onde a distância de protecção entre o público e a obra não admite a proximidade aqui conseguida. Este novo conceito de arte, como experiência para as massas, é possível graças a um sistema de tecnologia único, o Sensory4, que permite combinar as imagens gráficas em movimento com sons de alta-fidelidade, através de canais

A

Nova marca de turismo cultural

inauguração está marcada para o dia 6 de Junho, mas já arrancaram pré-eventos pela cidade que podem ser vistos pelo público em diversos locais. Até Outubro, a cultura vai estar nos museus, nas ruas, nos hotéis, para atrair residentes e turistas. “Arte Macau” é o nome do festival internacional de artes e cultura, que atravessa o Verão de Junho a Outubro, com uma série de eventos que

A dinâmica visual é o resultado desta experiência, com imagens incrivelmente detalhadas, num espaço saturado de cor e som, onde a cada canto se pode encontrar um novo po

“Arte Macau” vai ter eventos na cidade de Junho até Outubro

incluem várias exposições, espectáculos, festivais internacionais juvenis e mostras de instituições do ensino superior. Este encontro de artes tem uma dimensão sem precedentes, que se propõe colocar Macau na rota do turismo cultural, contando para isso

com o apoio da indústria de hotelaria e de entretenimento do território, refere a nota de imprensa do Instituto Cultural (IC), co-organizador a par da Direcção dos Serviços do Turismo (DST). No âmbito desta iniciativa, a inaugurar no dia 6 de

Junho, também abre as portas a exposição “Arte Macau: Exposição Internacional de Arte”, no Museu de Arte de Macau (MAC) que é o principal local de encontro para o conjunto de eventos. A mostra reúne “um conjunto de obras valiosas de várias operadoras

de estâncias turísticas e empresas hoteleiras, incluindo obras de pintura, cerâmica, escultura, instalações interactivas e multimédia, evidenciando, de forma diversificada, o fascínio das artes visuais contemporâneas”.

E HÁ MAIS

A par desta exposição haverá eventos artísticos, espectáculos e outras mostras patentes em unidades hoteleiras e espaços de diversão, bem como

instalações de arte ao ar livre ou noutros pontos de interesse na cidade, reunindo obras de arte antigas e contemporâneas de artistas chineses e estrangeiros. O destaque vai também para a temporada de concertos da Orquestra de Macau e da Orquestra Chinesa de Macau, o Festival Juvenil Internacional de Dança, o Festival Juvenil Internacional de Música, o Festival Juvenil Internacional de Teatro e outras actividades.


eventos 11

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ores

múltiplos com qualidade de cinema, que são projectados em ecrãs gigantes de alta resolução. A dinâmica visual é o resultado desta experiência, com imagens incrivelmente detalhadas, num espaço saturado de cor e som, onde a cada canto se pode encontrar um novo ponto de vista ou um especial pormenor, nos conhecidos quadros do pintor que tantas obras-primas deixou, entre paisagens, naturezas mortas, retratos e auto-retratos, com orelha e sem orelha.

VIAGEM PELO MUNDO

A exposição chegou à FTLife Tower de Hong Kong, em Kowloon, no passado mês de Abril e vai ficar por lá até ao dia 7 de Julho. Entretanto, percorreu várias cidades como Madrid, Roma, Berlim,Atenas, Istambul, Moscovo, Varsóvia, Dubai, Singapura, TelAviv, São Petersburgo e, só no continente chinês, Xangai, Xiamen, Hangzhou ou Qingdao. Também em Lisboa, a exposição passou já pela Cordoaria Nacional, no verão de 2017. Em Hong Kong está em exibição de segunda a quinta, das 10h às 21h, sextas a domingos, ou feriados, das 10h às 22h. Os bilhetes custam 230 dólares de Hong Kong, por adulto, e 190 para menores de 15 e maiores de 65 anos. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

onto de vista ou um especial pormenor

Ao todo, estão previstos 31 programas, incluindo 18 exposições e 10 espectáculos de grande dimensão, os quais terão lugar em 33 locais por toda a cidade. Entretanto, estrearam já em Abril exposições, a título de pré-evento, como os “Desenhos da Renascença Italiana do British Museum”, a “Beleza na Nova Era – Obras-primas da Colecção do Museu Nacional de Arte da

China”, ou “Reminiscências da Rota da Seda – Exposição de Relíquias Culturais da Dinastia Xia do Oeste”, no MAM. Sob o patrocínio da Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura, a iniciativa “Arte Macau” conta ainda com a colaboração da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES). R.M.

Museus Dia Internacional celebrado com Carnaval a 12 de Maio

O

Dia Internacional dos Museus, efeméride com data de 18 de Maio, vai ser celebrado em Macau já a partir de dia 12, domingo, com a anual festa de “carnaval”, designação do evento co-organizado pelo Instituto Cultural, este ano dedicado ao tema “O Museu Móvel – Praia Grande x Hub Cultural”. O centro das cerimónias vai ser o Anim’Arte Nam Van, em frente aos lagos artificiais, onde uma série de actividades e alguns objectos vão ser trazidos dos museus para interagirem com crianças e famílias, através de jogos, workshops, conversas e brincadeiras. Além dos planos para animar a Praia Grande, os espaços museológicos também vão ter novidades para os visitantes, conforme a informação divulgada ontem em conferência de imprensa. Estão incluídos neste projecto as seguintes entidades: Museu de Macau, Museu de Arte de Macau, Centro de Ciência de Macau, Museu Marítimo, Museu das Comunicações, Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau, Museu do Grande Prémio, Museu dos Bombeiros, Museu da História da Taipa e Coloane, Museu Memorial Lin Zexu de Macau, Museu do Vinho, Casas da Taipa, Galeria do Arquivo Histórico de Tung Sin Tong, e Espaço Patrimonial Uma Casa de Penhores Tradicional. R.M.

CHEUNG CHAU SHI FU MIZ 2019 ESTE FIM-DE-SEMANA

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ÚSICA electrónica underground, sessões de percussão, workshops, instalações artísticas e yoga são alguns dos ingredientes do Festival Shi Fu Miz 2019, que acontece no sábado e domingo em Hong Kong, na ilha de Cheung Chau. O evento terá lugar na bela Sai Yuen Farm, que se situa na ponta sudoeste da ilha, e que, segundo a organização “é o sítio perfeito para relaxar e entrar em contacto com a natureza”. PUB

Dos nomes que compõem o cartaz, destaque para a dupla Shuya Okino, formada pelos irmãos Shuya e Yoshi Okino, que constituem também os Kyoto Jazz Massive. A dupla aquece pistas de dança desde o início dos anos 90 e é conhecida como um dos projectos mais inovadores que ajudou a dar vida à mistura entre Jazz e música electrónica. Aliás, Shuya é um também o rosto do The Room Club em Shibuya, um espaço de eleição

para as sonoridades de fusão na música de dança japonesa. Outro dos destaques é o projecto Palms Trax, nome de guerra de Jay Donaldson, um DJ baseado em Berlim que se dedica ao house. Os bilhetes para o festival custam para os dois dias 680 HKD, no próprio dia 880 HKD. Os ingressos para um dia custam 480 HKD e para um dia 580 HKD. O campismo custa 300 HKD para quem levar a sua própria tenda. J.L.


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Notificação n.º 002/SS/GPCT/2019 Considerando que não é possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, via telefónica, nem por outro meio, nos termos do artigo 68.º, do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, bem como dos respectivos procedimentos sancionatórios regulados no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Em conformidade com o artigo 25.º da Lei n.º 5/2011 (Regime de prevenção e controlo do tabagismo), e tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas, a existência de culpa e não existência de qualquer circunstância agravante confirmada, o Director dos Serviços de Saúde determina que: 1. Conforme multas referidas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011 de 03 de Maio de 2011, aos infractores indicados na tabela do anexo é aplicada a multa de MOP400.00 (por cada violação); conforme multas referidas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9/2017 de 24 de Julho de 2017, aos infractores indicados na Tabela II do anexo é aplicada a multa de MOP1500.00 (por cada violação): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no artigo 4.º, porquanto resultam da prática de actos de “fumar em locais proibidos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I e Tabela II) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios junto do autor do acto, no prazo de quinze (15) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos do artigo 145.º, do n.º 1 do artigo 148.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido Código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo Código, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto, salvo disposição legal em contrário. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, junto do Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 27.º do referido Código. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos das disposições do n.º 7 do artigo 29.º da Lei n.º 5/2011, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de trinta (30) dias, a partir da data de publicação desta notificação, no Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, sito na Avenida da Amizade, N.o 918, “World Trade Center Building”, 15.o andar, Macau. Caso contrário, os Serviços de Saúde submeterão o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos da cobrança coerciva, de acordo com o artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M e o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M. 5. A presente notificação deve ser ignorada caso o valor das respectivas multas, resultantes de acusação, já tenha sido pagas pelos infractores constantes na tabela anexa aquando da presente publicação. 6. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 2855 6789 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. 12 de 04 de 2019.

O Director dos Serviços de Saúde, subst˚ Cheang Seng Ip Tabela I

Nome

1

CHAN WING KIN

Sexo

M

Tipo e n.º do documento de identificação (*8) E0978XX(X)

N.º da acusação

Data em que foram Data da exarados os infracção despachos de aplicação das multas

100495588 2017/7/15

Tabela II

Nome 1 SUN, XING FEI 2 PAN SHILIANG 3 PAN JIJIA WANG 4 CHUNHUI PANG TING 5 TING 6 QIN, DAJUN 7 CHRISTIAN AZIZ MAK, KWOK 8 HING 9 CAI MING 10 CHAO VA KUOK KAM 11 CHIO

2019/4/12

M M M

(*2) C49319XXX (*2) C65045XXX (*2) C65045XXX

100665476 2018/7/8 100716952 2018/7/11 100717083 2018/7/11

Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12

F

(*2) C84797XXX

100716964 2018/7/11

2019/4/12

F

(*2) C84797XXX

100717095 2018/7/11

2019/4/12

M M

(*2) C87569XXX (*9) B6039XXX

100726783 2018/7/12 100722767 2018/7/12

2019/4/12 2019/4/12

M

(*8) H1214XX(X)

100759374 2018/7/12

2019/4/12

M M

(*2) C45416XXX (*1) 50705XX(X)

100765731 2018/7/23 100681747 2018/7/26

2019/4/12 2019/4/12

M

(*1) 74211XX(X)

100682240

2019/4/12

Sexo

Tipo e n.º do documento de identificação

N.º da acusação

Data da infracção

2018/8/8

12 陳权中 REHMAN 13 ABDUL LIANG KAI 14 DONG 15 LI, LIN YUE 16 SHANGPENG 17 WANG FEI 18 HU, GUO JUN 19 WU LIHUA 20 LENG SAO PO 21 FONG MAN IN 22 TAN YONGLI 23 LIU YEXIANG 24 張文华 25 WU WENYUAN 26 WANG, HAN 27 TAN YONG 28 ZHOU AIWU HUANG, 29 XIAOBO 30 WU, XIAOLIN 31 JING, DAILIANG 32 LEI, CHUNTAO WANG, 33 YAODONG 34 ZHANG HAO 35 ZHENG XI FENG, 36 QIANLING 37 LIU, YA-TUNG 38 LIU, GANGJIE CHAN CHAN 39 BIU 40 LI, LIFENG CHENG HONG 41 KEUNG 42 QUAN FUQUAN 43 馮偉 44 吴毓賢 45 TAN XINGZHEN ZHENG, PING 46 PING 47 王志超 48 LI XIANG 49 DING YU 50 KE BAOPING 51 FONG SI KIO 52 CHEN LIANGFA 53 ZHENG WENBO 54 XU CAIJIN XIE 55 LIANGQUAN 56 XIAO SHUILIN 57 LY NHAT NAM 58 宋志棟 ZHANG GUI 59 PING 60 HUANG, YONG 61 CHEN YALING

M

(*2) C28666XXX

100748159 2018/8/10

2019/4/12

M (*10) CJ9157XXX

100682084 2018/8/16

2019/4/12

M

(*2) C81932XXX

100681446 2018/8/17

2019/4/12

M

(*7) 23204XXX

100681458 2018/8/17

2019/4/12

M

(*2) C86903XXX

100766777 2018/8/20

2019/4/12

M M M M F M M M M M M M

(*2) (*3) (*2) (*1) (*1) (*3) (*8) (*3) (*2) (*2) (*2) (*2)

100769238 100686555 100743749 100682252 100682131 100682290 100769264 100707238 100732695 100666822 100665957 100682420

2018/8/20 2018/8/21 2018/8/22 2018/8/24 2018/8/24 2018/8/30 2018/9/13 2018/9/21 2018/9/22 2018/9/22 2018/9/22 2018/9/24

2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12

F

(*2) C92077XXX

100718081 2018/9/27

2019/4/12

M M F

(*2) C87857XXX (*2) C92064XXX (*2) C92075XXX

100718093 2018/9/27 100718102 2018/9/27 100718114 2018/9/27

2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12

M

(*2) C38697XXX

100699451 2018/10/2

2019/4/12

M M

(*3) E35080XXX (*2) C65302XXX

100771136 2018/10/3 100682432 2018/10/4

2019/4/12 2019/4/12

M

(*2) C90050XXX

100666002 2018/10/6

2019/4/12

M M

(*5) 04123XXX (*2) C94879XXX

100732863 2018/10/13 2019/4/12 100717287 2018/10/14 2019/4/12

M

(*8) E6909XX(X)

100775259 2018/10/16 2019/4/12

M

(*2) C96262XXX

100682276 2018/10/18 2019/4/12

M

(*8) P5853XX(X)

100682309 2018/10/19 2019/4/12

M M M M

(*2) (*3) (*3) (*3)

100715992 100750924 100752053 100666678

M

(*3) EB6656XXX

100666846 2018/10/27 2019/4/12

M M M M M M M M

(*4) (*2) (*2) (*6) (*1) (*2) (*2) (*3)

100682288 100683139 100683141 100743858 100767993 100717396 100724038 100751934

M

(*2) C51167XXX

C69674XXX G55059XXX C64468XXX 13810XX(X) 50743XX(X) EA1695XXX R5324XX(X) EC6616XXX C86537XXX C77697XXX C83883XXX C30917XXX

C84486XXX E91710XXX ED6179XXX E76409XXX 370212198307261XXX C93088XXX C84045XXX L10065XXX 74287XX(X) C96832XXX C48647XXX E37134XXX

2018/10/20 2018/10/23 2018/10/26 2018/10/27

2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12

2018/11/1 2018/11/2 2018/11/2 2018/11/2 2018/11/7 2018/11/14 2018/11/17 2018/11/24

2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12 2019/4/12

100717455 2018/12/6

2019/4/12

M (*2) C98801XXX M (*11) B9906XXX M (*2) C93888XXX

100717467 2018/12/6 2019/4/12 100724810 2018/12/13 2019/4/12 100718887 2018/12/16 2019/4/12

M

(*2) C93618XXX

100717479 2018/12/18 2019/4/12

M F

(*3) E73693XXX (*2) C92457XXX

100779493 2018/12/26 2019/4/12 100772075 2018/12/30 2019/4/12

Nota: (*1) Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau (*2) Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau (*3) Passaporte da República Popular da China (*4) Bilhete de identidade de residente da República Popular da China (*5) Salvo-conduto concedido aos residentes de Taiwan para entrada e saída do Continente (*6) Salvo-conduto para a Deslocação à Região de Taiwan (*7) Título de Identificação de Trabalhador Não-residente (*8) Bilhete de Identidade da Região Administrativa Especial de Hong Kong (*9) Passaporte da República da Indonésia (*10) Passaporte Paquistanês (*11) Passaporte de Vietnam


china 13

sexta-feira 3.5.2019

U

MA organização não-governamental (ONG) denunciou ontem que as autoridades chinesas estão a usar uma aplicação móvel para vigilância maciça ilegal e detenções arbitrárias de muçulmanos na região ocidental de Xinjiang. No relatório “Os algoritmos da repressão da China: Engenharia reversa numa aplicação de vigilância maciça da polícia de Xinjiang”, a Human Rights Watch (HRW) apresenta novas provas sobre a vigilância de Estado em Xinjiang, onde o Governo chinês submeteu 13 milhões de muçulmanos turcófonos a crescentes medidas de repressão, no âmbito da “campanha ‘mão pesada’ contra o terrorismo violento”. Entre Janeiro de 2018 e Fevereiro de 2019, a HRW conseguiu estudar a aplicação para telemóveis que os responsáveis chineses usam para aceder à Plataforma de Operações Conjuntas Integradas (IJOP), o programa de policiamento em Xinjiang que agrega dados sobre pessoas e assinala quem é considerado potencialmente ameaçador. Ao examinar o ‘design’ da aplicação, disponível no período de estudo, a HRW conseguiu saber o tipo específico de comportamento e as pessoas visadas por este sistema de vigilância maciça, de acordo com o relatório da ONG de defesa dos direitos humanos, com sede em Washington. “A nossa pesquisa mostra, pela primeira vez, que a polícia de Xinjiang está a usar informação recolhida ilegalmente sobre comportamentos totalmente legais das pessoas e que são usados, depois, contra elas”, disse Maya Wang, investigadora sobre a China para a HRW. “O Governo chinês deve encerrar imediatamente a plataforma IJOP e apagar todos os dados reunidos de indivíduos em Xinjiang”, afirmou a HRW, apelando aos governos estrangeiros que imponham sanções a responsáveis chineses.

TODA A VERDADE

No documento, a ONG alertou que as autoridades de Xinjiang estão a recolher uma enorme variedade de informações da população, desde o tipo sanguíneo à altura, da “atmosfera religiosa” de cada um à filiação política. A plataforma da po-

XINJIANG ONG DENUNCIA USO DE APLICAÇÃO MÓVEL PARA VIGIAR UIGURES

Estou de olho em ti

O relatório da Human Rights Watch dá conta de uma vigilância maciça cada vez mais apertada sobre a minoria étnica muçulmana de Xinjiang. As autoridades chinesas dizem estar apenas a tentar evitar que o extremismo e a violência se propaguem na região sideradas excessivamente longas ao estrangeiro, ou se deixou de conseguir seguir um telemóvel. Algumas das investigações verificam se os telemóveis foram usados para aceder a 51 aplicações móveis consideradas suspeitas, incluindo WhatsApp, Viber, Telegram e Redes Privadas Virtuais (VPN), disse a HRW. A plataforma foi desenvolvida pela China Electronics Technology Group Corporation (CETC), empresa estatal na área de serviços militares. Por sua vez, a aplicação foi desenvolvida pela Hebei Far East CommuPUB

lícia visa 36 tipos de pessoas para compilação de dados, incluindo quem deixou de usar smartphones, quem deixou de “interagir com os vizinhos” e quem “pede dinheiro ou materiais para mesquitas com entusiasmo”, indicou. A HRW acrescentou que a plataforma segue toda a população em Xinjiang, vigiando os movimentos das pessoas ao seguir os seus telefones, veículos e cartões de identificação. Ao mesmo tempo, mantém registos do consumo individual de electricidade e de combustíveis. A ONG disse ter descoberto que o sistema e alguns dos controlos rodoviários da região trabalham em conjunto para criar uma série de barreiras invisíveis ou virtuais, ao mesmo tempo que a liberdade

de movimentos individual é restringida consoante o nível de ameaça que as autoridades atribuem a cada um, determinado por factores programados no sistema. Um antigo residente de Xinjiang disse à HRW, uma semana depois de ter sido libertado na sequência de uma detenção arbitrária: “Estava a entrar num centro comercial e um alarme cor de laranja disparou”. Apesar de ter sido libertado de um campo de detenção por estar inocente, a polícia aconselhou o residente a “ficar em casa”, acrescentou. As autoridades programaram a plataforma de maneira a tratar muitas actividades habituais e legais como indicadores de comportamentos suspeitos, como compra de combustível, viagens con-

nication System Engineering Company (HBFEC), companhia que, na altura do desenvolvimento da aplicação, pertencia à CETC. A HRW não obteve uma resposta à carta enviada à CETC e à HBFEC na qual pedia informação sobre a apliação e o sistema IJOP.

CONTRAPONTO

Em Março, o Conselho de Estado chinês publicou um livro branco intitulado “A luta contra o terrorismo e o extremismo e a protecção dos direitos humanos em Xinjiang”, no qual detalhou ter detido, desde

2014, 12.995 terroristas na região de Xinjiang, desmantelou 1.588 grupos “violentos e terroristas” e apreendeu 2.052 “artefactos explosivos”. “Entre 1990 e o final de 2016, forças separatistas, terroristas e extremistas lançaram milhares de ataques terroristas no Xinjiang, matando um grande número de pessoas inocentes e centenas de policias, e causando prejuízos incalculáveis”, referiu. O Governo chinês garante que “protege e respeita plenamente os direitos civis, incluindo a liberdade religiosa” e que as suas acções têm como objetivo «evitar que o extremismo se propague e que se incite o ódio étnico (...) através da religião». Desde que, em 2009, a capital de Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional, a China tem levado a cabo uma agressiva política de policiamento dos uigures.


14

h

tonalidades António de Castro Caeiro

A

PAGASTE-TE nesta Páscoa. Não sabíamos de ti. E. ligou-te muitas vezes desde quinta-feira santa até Domingo. Talvez tivesses ido à pesca. Foste até aos noventa. É muita maré. Lembro-me daquela rua. Não era bem uma rua. Era um caminho. Fomos vizinhos durante muito tempo como se fosse uma comunidade. A princípio, encontrávamo-nos só no verão, quando éramos jovens imortais. Depois, quase todo o ano, durante alguns fins-de-semana. Sempre tinha havido os muito velhos, aqueles que tinham um quotidiano moderado, sensato. Ou então se calhar era outra coisa, era a velhice a “dar-lhes” já. Que é feito dessa gente? Pouco menos de vinte anos tinha eu e eles eram já tão velhos. Subsistem ainda na minha memória, mas não podem continuar ainda vivos. Revisito esses tempos. Lembro-me da rua antes de ser habitada, quando ainda era só um pinhal, prestes a ser colonizado, como se fôramos colonizadores do Sudoeste português. Estava deitado numa cama de rede. Olhava o céu azul, plano de fundo para árvores recortadas nas suas formas. Eram castanhas, quase negras, e verdes. O que se vê a olhar o céu é virgem. É igual ao que tantas gerações de homens viram, sem fios ou parabólicas, postes de electricidade ou o que tiver sido feito pelo ser humano. Tive essa percepção. A natureza tem outro tempo

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Grandes são os desertos, da minha alma! ´

Obituário

e outra história, diferente da do ser humano. Antecipei o que aí vinha. Ano após anos viríamos de férias, haveria festa e romance, descanso. Os pais tinham uma outra experiência de férias. Os miúdos viviam as férias grandes do mundo. E vieram anos atrás de anos. Sestas dormidas e mergulhos dados, bebedeiras e romance. Aprendizagem difícil de ser-se fora de si e ao mesmo tempo estar-se em si, ser-se o próprio, o único com quem se tinha intimidade e ao mesmo tempo aquela remissão ancestral, arquetípica, primordial e proto qualquer coisa que nos atirava para o outro, a outra pessoa. O desejo que nascia e não era um acrescento, algo que queríamos ter a mais. Era a falta de outra pessoa, a falta inteira de sermos outros, uma outra versão completamente diferente de nós mesmos e que passava pelo outro que queríamos encontrar e só inventávamos no sonho. Era isso que eu via a olhar deitado de costas o céu azul, plano de fundo daquela percepção com formas de árvores, pinheiros e eucaliptos. Era o princípio informe de qualquer coisa que iria acontecer, a história, a minha biografia. Tudo aquilo iria transformar-se com os 15 anos que viriam e depois os 16 e os 17 com fim do liceu e a faculdade. Tudo a perder de vista, perdido da vista, longe da vista, estava já naquela percepção daquela tarde do início de Agosto em que a nossa rua não existia ainda. Os dias

seguir-se-iam. Depois, o tempo entre o fim das férias grandes e o princípio das férias do ano seguinte. Amizades que se mantinham à distância temporal de um ano. Sentia-se a transformação. Ela ligou-te para te desejar boa páscoa. Começou a ligar-te na quinta-feira santa e continuou até Domingo. Já não nos víamos há algum tempo. O tempo passa. Já não há a nossa rua. Desfizeram-na, quando transplantamos as nossas vidas

A casa esperava as famílias o ano inteiro e despedia-se delas no fim do verão. As casas ficaram decrépitas. Mais velhos morreram. A maior parte dos jovens envelheceram e quiseram ir viver para outras ruas, outros bairros, outras vilas, outras cidades. Tudo envelheceu

para outras ruas e as casas foram dadas ou deixadas ao abandono. A rua já nem sequer é insólita como nas noites de inverno, despovoadas de gente, vividas a pão e vinho e conversa. Aquecíamo-nos como podíamos. Ainda tínhamos tempo. Ainda viria um verão e outro. Depois, os velhos começaram a morrer. Os outros, os das outras famílias. As casas, pouco a pouco, começaram a ficar desabitadas. Primeiro, ainda bem conservadas. Algum dos mais novos vinha e ainda passava lá um fim de semana, limpava a casa, fechava a casa. Era uma casa habitada mas pouco frequentada. Os mais novos emigraram ou perdiam o interesse, deixavam de pagar a renda ou esqueciam e abandonavam as casas. Abandonar uma casa é abandonar uma legião de famílias. A casa esperava as famílias o ano inteiro e despedia-se delas no fim do verão. As casas ficaram decrépitas. Mais velhos morreram. A maior parte dos jovens envelheceram e quiseram ir viver para outras ruas, outros bairros, outras vilas, outras cidades. Tudo envelheceu. Já não testemunhei a vinda de mais novos. Também acabei por fazer o que fizeste. Não emigrei, mas dei a casa. Ninguém ma comprava e para não a deixar abandonada, dei-a a quem mais precisava. Foi um descanso. As memórias seriam intoleráveis. Preferi lembrar-me da casa desde o primeiro dia até ao último dia. Foram mais de três décadas felizes. Vivas dadas ao Verão e o gosto por regressar para a rentrée. Telefonei-te para te desejar boa páscoa. Estaríamos lá naquela rua se fossem outros tempos, quando era o princípio antes de estar definido e quando começou a estar definido. Os tempos da estabilidade quando eu próprio deixei há já muito os meus 14 anos. Alguém atendeu o ™. Era uma sobrinha tua. Disseram-me que foste ao hospital para um exame de rotina. Abriram-te. Fecharam-te. Duraste mais três dias e morreste. Ressuscitaste escandalosamente para mim, que não te via há quase cinco anos. Não ver alguém é deixar alguém no campo de latência que é idêntico à morte. Ressuscitaste-me também aquela rua onde passamos férias durante mais de três décadas. Via, como se fosse daquela primeira vez, sem casas, nem pessoas. Só o céu azul e árvores. A floresta tornara-se virgem, de novo. Nunca nada nem ninguém testemunha a nossa infância ou juventude ou idade adulta já. É tudo como se não tivéssemos sido. Quase como se não tivéssemos sido. Agora, tu habitas em mim esse olhar. Não és visto, mas vives comigo no meu olhar. É um olhar à distância. Não é perceptivo. Nem é só o da lembrança. Sou eu no meu futuro despovoado de ti, mas a fazer vida ainda.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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ofício dos ossos Valério Romão

E

STEVE há poucos dias em Portugal um amigo meu, o Eric Nepomuceno, para um encontro no âmbito das comemorações do 25 de Abril de 1974, chamado “Resistências pacíficas: o valor da liberdade”, no Auditório Municipal Fernando Lopes-Graça, em Almada. O Eric, com setenta anos, conheceu de perto da ditadura brasileira e os seus efeitos. Os seus artigos contra o regime militar valeram-lhe um exílio em Buenos Aires. No que concerne ditaduras e ausência de liberdade de expressão, Eric sabe do que fala. Perguntei-lhe pela situação no Brasil e o Eric respondeu-me “você não faz ideia”. Disse-lhe que temos acompanhado a situação pelas notícias que nos vão chegando e que de facto a coisa parece ainda pior do que antecipáramos. “Sim”, contrapôs, “as notícias são importantes, mas só revelam uma camada das muitas mudanças que todos os dias vão ocorrendo, e as mais brutais por vezes são as mais subtis, que ficam de fora da agenda jornalística”. Contou-me que há dias estava numa tabacaria para comprar um maço de cigarros, na “fila dos velhinhos”, como a apelidou, e que teve de sair para trocar

Brasil em auto-ficção

dinheiro ali perto, “pois a menina não tinha troco”. Quando regressou, o tipo que antes estava atrás dele na fila pagava uma conta qualquer – a tabacaria, além de vender cigarros, também serve para comprar jornais e pagar contas da luz, do telefone, da água, etc – atirou-lhe “Você foi rápido”. “Sim, fui perto, e estava vazio”, respondeu Eric. “Pensei que tinha ido buscar dinheiro no Lula”, foi a resposta do tipo. Assim, do nada. Sem que Eric fizesse qualquer declaração de intenções ou esboçasse qualquer provocação. O Eric, versado por razões biográficas em conflitos de toda a espécie, respondeu “Não, fui na sua mãe, ela não pagou por ontem à noite”. A coisa felizmente acabou bem. Os insultos não

passaram do modo caixinha de comentários. Mas a sucessão de bravatas podia ter tido um desfecho distinto. De facto não temos qualquer experiência da realidade quotidiana dos brasileiros que se opõem ao regime de Bolsonaro. As notícias que nos chegam são sobre as decisões mais ou menos incompreensíveis tomadas pelo governo actual. De fora ficam a o dia-a-dia e os seus conflitos. E são esses que na verdade mais interessam a um escritor. Num futuro mais ou menos próximo alguém escreverá sobre o quotidiano deste período sombrio da história do Brasil. Este período que está muito mais perto de se tornar uma ditadura de cariz teológico semelhante à narrada no Handsmaid’s

Num futuro mais ou menos próximo alguém escreverá sobre o quotidiano deste período sombrio da história do Brasil. Este período que está muito mais perto de se tornar uma ditadura de cariz teológico semelhante à narrada no Handsmaid’s Tale do que num regime fascista comparável aos do século XX

Tale do que num regime fascista comparável aos do século XX. A história das nações é uma sucessão de factos e das relações nem sempre claras que os unem. Mas a história das pessoas de todos os dias, dos seus conflitos, das suas pequenas vitórias e derrotas é a literatura que em grande parte a tece, e é através desta que acedemos a uma compreensão mais vasta de um determinado período histórico. Quando alguém pergunta para que serve a literatura (que, em boa verdade, deve estar primeiramente ausente de qualquer propósito ou função), podemos sempre dizer que a literatura se pode constituir como ponto de vista privilegiado sobre a memória. Mesmo que não servisse para mais nada, já teria a utilidade funcional que a nossa época tão precocupada com a produtividade reclama. Entretanto, e enquanto estamos imersos no processo de transformação do Brasil que conhecemos noutra-coisa-qualquer, o Eric confidenciou-me a sua vontade e disponibilidade para escrever crónicas sobre o dia-a-dia deste Brasil em mudança. E disse-me que o faria “bem baratinho”. Se estivesse num lugar de chefia de um períodico português, escrevia-lhe já um mail. Além de saber do que fala, o Eric é um escritor do caraças.


16

h

PLANO DE CORTE José Navarro de Andrade

D

IZ Tavares: “Os leitores estão cansados, as pessoas trabalham muito, têm vidas duras e há uma literatura para cansados, para pessoas que vêm do trabalho e que querem ler um livro como quem quer ter uma massagem ao final do dia. Mas a função da arte e da literatura não é descansar. É acordar, perturbar, reflectir. Não deveríamos ver arte ou ler livros quando estamos cansados. A literatura e a arte exigem muito de nós.” De tão iterado e brandido o mantra da arte – e concomitantemente do artista – como ventoinha ou despertador das consciências, ele já ascendeu a esse grau superior do consenso e nível zero da inteligência que é o lugar-comum. Contudo, a putativa evidência e a pressuposta unanimidade de tal função não resiste ao escrutínio de uma mesmo que módica racionalidade. Ia a dizer Tavares: “Mas a função da arte e da literatura não é […]” – alto aí… O quer que ele diga a seguir virá na sequência de um passo em falso que é o de jungir a arte a um “deve ser.” Logo ela tão predisposta a nunca ficar onde a querem pôr e a transbordar as margens em que a tentem conter. Delibera Tavares: arte “é acordar, perturbar, reflectir”. Priva-se, então, da

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´

O que diz Tavares qualidade de arte aquela que demande o sublime? Não pode a arte avocar-se como pesquisa, experiência ou experimentação formal? E porque se estreita a categoria de arte – que é como quem diz: acomoda-se – à finalidade de inquietar, desafiar, desacatar, criar desconforto, ou até invectivar, afrontar e amotinar? Destitui-se de ser arte a obra que se concebe e oferece como consolação? Precisamente a missão de consolar os “cansados” que tanto precisam do refrigério que só a arte entrega. À rédea curta a que Tavares vincula a arte é indispensável o contributo do chicote com que ele, o soberbo e esclarecido artista, se atribui a missão de flagelar os “cansados”. “Mutatis mutantis” esta atitude reproduz um método antigo aplicado com grande êxito pela Inquisição: se macerares a carne, desprendida dos pecados do corpo a alma se libertar-se-á e só assim estará afim de contemplar a maravilhosa verdade. Reitera Tavares: “Está a fazer-se cinema e literatura para cansados, no sentido em que é entretenimento, que serve para acalmar. […] Se for um livro forte ninguém cansado o consegue ler.” Definitivamente Tavares não escreve para os leitores que há. Apieda-se deles, os “cansados,” e não os culpa, coitados, do

Reitera Tavares: “Está a fazer-se cinema e literatura para cansados, no sentido em que é entretenimento, que serve para acalmar. […] Se for um livro forte ninguém cansado o consegue ler.” cansaço que sofrem nem das escolhas a que este os sujeita – o desmiolado “entretenimento.” Mas, tenham lá paciência, enjeita-os sem dó – acha-os incapazes de ler um “livro forte”. Tavares presume, portanto, escrever para um leitor que esteja ao seu nível embora constate a sua inexistência. Deste postulado logicamente deriva que Tavares adjudica a si a prerrogativa de julgar quem se elevará a esse seu nível de exigência. Esta fraude é usual chamar-lhe “criação de novos públicos.” Não é difícil perceber que só considera terapêutico arremessar um “murro

no estômago” – execrável clichê – de outrem, quem não seja espancado pela vida das 9 às 5 ou em horário alargado. Quem se põe para além das cólicas e constipações do homem comum – o “cansado.” Ora isto traz a lume a questão da legitimidade que Tavares arroga. Que deus, pacto social ou constituição agraciou Tavares como “conducator” dos leitores? Quem o nomeou sherpa do escrúpulo e da lucidez? Que foro lhe outorgou a distinção de vate dos porvires? Quem o designou com a santificada vestal da grei? Pois nada nem ninguém. O que Tavares sobretudo demonstra é a contumaz falta de generosidade que em demasiados casos é característica do artista contemporâneo, em particular o que opera nas artes narrativas. Esta pungente supressão de empatia com o leitor que se lhe apresenta decorre do movimento tectónico que tem vindo a reposicionar a manifestação da arte não como um processo e uma dinâmica de partilha, mas como um exercício narcisista e misantrópico de expressão pessoal e egocêntrica. O problema não são os leitores “cansados,” o problema são os Tavares de quem afinal os leitores estão deveras cansados de ouvir.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

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Folhetim Fernando Sobral

A grande dama do chá

D

O hotel Riviera podia ver-se o mundo. Os portugueses que viviam em Macau acreditavam nisso. Todos os finais de tarde dirigiam-se para ali, vestidos a rigor. José Prazeres da Costa, elegante no seu fato branco de linho e fumando um charuto filipino, sempre desdenhara dessa ideia. Mas não resistia à tentação de estar ali. De pernas cruzadas assistia ao concerto da Benny Spade Orchestra. Muitos pares tinham estado a dançar e agora descansavam um pouco. Ele apenas observava. Escutou uma voz, vinda do palco, em inglês: - Say, you guys want have a little fun? E a música recomeçou. Benny Spade morrera há um par de anos, mas o nome mantivera-se. Um outro americano, Charlie Powell, tomara conta da banda. Nada mudara. O objectivo era colocar os corpos a dançar, muito próximos, e a não temerem o contacto físico. O grupo tinha chegado de Xangai uns meses antes, onde tocara nos hotéis Cathay e Metrópole da Concessão Internacional. Alguns dos músicos tinham tocado também no Ciro’s, o clube nocturno conhecido pelo seu ar condicionado, onde os taipans britânicos e os gangsters chineses entravam à noite, com as suas mulheres ou amantes. À porta do Ciro’s estavam sempre russos de uniforme, garantindo a segurança. Todos eles diziam ser antigos generais do czar e, com o seu olhar impiedoso, travavam os pedintes chineses. Lá dentro, muitas russas desdobravam-se em sorrisos e galanteios aos visitantes. Era um estilo de vida que se adaptava aos edifícios de arquitectura europeia que se impunham no Bund, a famosa frente ribeirinha da cidade. Tudo parecia sólido e perene. A Xangai moderna era uma criação ocidental e não chinesa. O Céu e a Terra uniam-se naquela cidade. Mas tudo mudara com a chegada dos japoneses a Xangai. E já nem o jazz unia um mundo que se quebrava como uma bola de cristal. Sentada, Jin Shizin assistia à dança de homens e mulheres que se recusavam a acreditar que a guerra existia ali ao lado. No pequeno palco, ao lado dos seus companheiros da Benny Spade Orchestra, Cândido Vilaça, conhecido como Cat, tocava saxofone. Olhou para a sala e não deixou de reparar na chinesa. Conhecia-a de um outro lugar. Quando ela se levantou para dançar com um português bastante mais velho do que ela, lembrou-se. A sua forma de dançar, ousada e radiosa, não escapava à atenção. Vira-a em Xangai, nas noites no Ciro’s. Mais tarde, quando deixou o palco e reparou que a chinesa estava sozinha, aproximou-se, com descaramento, da mesa onde estava sentada a fumar e disse-lhe, em inglês: - Boa tarde, gostou?

2

Cândido deu uma pequena gargalhada. - Meu caro, eu sei que o amor, em tempos de guerra, é uma coisa impossível. - O amor é sempre uma coisa impossível. Nunca desafies esta máxima. Conheciam-se desde que Cândido chegara a Macau. Prazeres da Costa gostava de jazz. E de mulheres. E de dinheiro. Não por esta ordem, é claro. Este encostou as costas ao balcão e olhou para a sala. O seu olhar cruzou-se com o do japonês. Conheciam-se, mas não se falaram. Como se evitassem que alguém os relacionasse. Cândido reparou na troca de olhares, mas não queria conhecer o mundo secreto de Macau. Tinha outras preocupações. Como tinha o sono muito leve, dormitava e não dormia. As olheiras sustentavam a sua vida. Diziam que os homens de jazz envelheciam mais depressa do que os outros. Sabia porquê. Interpretavam canções sobre mulheres magoadas e sobre os homens que elas tinham amado. Ele também era assim. Abandonava as mulheres sem olhar para trás. Era egoísta. Não inspirava confiança nem segurança. Escutou a voz da cantora que estava no palco. Vestida com um traje chinês, apesar de ser filipina, cantava em português, com um sotaque:

Os olhos cor de amêndoa de Jin semicerraram-se e fixaram-no como se fosse um alvo. A sua face era sólida e esbelta e o seu cabelo preto era moldado por uma franja que caia sobre os olhos. Cândido percebeu: era uma mulher invulnerável. Ou quase. Ela sorriu polidamente, e respondeu num português quase perfeito: - Gostei. - Estava a dançar. - Foi um acaso. Não costumo dançar. - Não? Não gosta do que tocamos? Ela voltou a fitá-lo friamente depois de ter soprado o fumo do cigarro para o espaço que os separava. - A vossa música traz-me demasiadas memórias. - De que não deseja recordar-se. - Não. De que eu me quero sempre recordar. Cândido Vilaça fingiu não perceber. Não queria dizer de onde a conhecia. Fez menção de se sentar.

- Preciso de beber algo antes de voltar para o palco. - Acredito. Mas nessa cadeira está sentado o senhor que está comigo. Cândido Vilaça recuou na sua intenção. Foi então que, olhando para trás, viu um japonês que olhava fixamente para ele. Não se lembrava de alguma vez o ter visto. - As minhas desculpas. Mas foi um prazer. O companheiro da chinesa aproximava-se e Cândido afastou-se. Foi até ao balcão do bar e pediu um uísque. José Prazeres da Costa aproximou-se dele e deu-lhe uma pequena cotovelada. - Não tiveste sorte com a chinesa? - Não tentei nada. Prazeres da Costa sorriu, desafiador. - Não? Olha que ela, a Grande Dama do Chá como é conhecida, tem sólidas amizades. Não as desafies. Neste pequeno meio português todos conhecem todos. A intriga é o seu jogo de cartas preferido.

Quando chegou à casa de ópio na Rua da Felicidade, o músico entrou e avançou pelo meio do fumo, pediu uma cerveja e sentou-se numa cadeira disponível. O mundo deslizava à sua volta

“Se eu tiver de mentir, Aos que amam a verdade Farei isso Se eu mentir Será um dever Será por saber A verdade sem a sentir Se eu quiser mentir Será antes de partir.” Ficou com a letra na memória. Assobiou-a baixinho, para se recordar. Gostava de cantoras assim. Descrentes e com a voz carregada pelas dores alheias. Foi até à varanda, seguido por Prazeres da Costa, funcionário do Governo, mas sem grande convicção. Estiveram ali durante alguns minutos, falando de coisas banais. A banda de Cândido já tinha terminado a sua actuação diária e, por isso, saiu dali e foi em busca da noite. Prazeres da Costa disse-lhe que ia para casa. Forma de dizer que ia ter com a amante. Quando chegou à casa de ópio na Rua da Felicidade, o músico entrou e avançou pelo meio do fumo, pediu uma cerveja e sentou-se numa cadeira disponível. O mundo deslizava à sua volta. Nada lhe importava. Sentiu um aroma conhecido e, levantando-se, foi em busca de conforto numa sala escondida por um biombo. Quando se ergueu da pequena cama, lá fora, o escuro da noite cedera o lugar aquela luz indecifrável que antecede o amanhecer. (Continua)


18 (f)utilidades MUITO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM | 18h30 EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY OF THE MAY FOURTH MOVEMENT IN CHINA’’ IFT | 16h

Diariamente EXPOSIÇÃO | SEASON LAO E HAGURI SATO Albergue SCM | Até 08/05 EXPOSIÇÃO | “PHOTOMATRAGENS” DE JOÃO MIGUEL BARROS Oficinas Navais nº1 | Até 02/06 EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA MAM | Até 30/06

Cineteatro

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AVENGERS: ENDGAME [B]

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 14.30, 17.45, 21.00

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 16.45, 20.00

AVENGERS: ENDGAME [B]

SALA 2

P STORM [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, Kevin Cheng, Raymond Lam, Lam Ka Tung, Chrissie Chau 14.30

CONTAS DO ÓDIO 51

9.03

BAHT

0.25

YUAN

1.19

TURISMO E REVOLUÇÃO

50

balanço ontem anunciado pelas autoridades, que alertaram que esse número poderá aumentar. “O saldo está agora em 257 mortos”, disse à agência de notícias francesa AFP o director-geral de serviços de saúde, Anil Jasinghe. O balanço anterior das autoridades cingalesas apontava para 253 mortos.

30 3 7 1 45 24 62 6 9 64 6 9 0 78 7 3 21 52 2 1 38 63 96 59 5 4 7 5 47 4 2 81 8 90 9 6 01 50 95 9 4 6 87 8 3 9 62 6 7 0 83 58 45 14 6 38 3 25 2 1 74 7 90 3 5 61 76 07 90 9 2 48 98 9 2 34 3 5 6 10 1 7 04 80 98 9 2 1 53 5

53

5 28 9 8 6 4HOJE 7 4 0 31 UM FILME 1 8 54 95 09 30 3 6 7 7 6 0 23 12 1 9 4 58

É o filme que passa hoje na Cine3 1Paixão, 0 64no6 1mateca 27 02às419h30, 58 5 âmbito do2FAM 2019. Mas já está esgotado. 5 78 pela 7 49 4 0Quem0conseguir 13 1 encontrar in4 5“As 6 1de2Rochefort”, 9 2 03 0 5ternet 68Donzelas escrito e dirigido por Jacques 8 9 6 4 7 3 5Demy 1 2 em 1967, não deve perder.Ahistória 9 em 3 0torno 2 40 4 8gémeas, 5 8 67 de5duas in-16 3gira terpretadas por Catherine Deneuve 4e 6 14 1 7 3 2 50 95 9 Françoise Dorléac (também irmãs 5 que 9 deixam 8 6a2pequena 1 2 43 na0vida 57real), cidade de Rochefort à procura do amor ideal, seguindo como cantoras atrás de um grupo de artistas. A película foi homenageada 25 anos depois, em 1993, pela recém-desaparecida realizadora Agnès Varda (mulher de Jacques Demy), com o documentário “Les Demoiselles Ont Eu 25 Ans”. Raquel Moz

SALA 3

HOTEL MUMBAI [C] Um filme de: Anthony Maras Com: Dev Patel, Armie Hammer, Jason Isaacs, Nezanin Boniadi 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

EURO

68 6 43 4 2 59 5 17 1 0 8 18 1 6 9 7 0 3 24 52 5 72 7 15 61 46 84 8 93 9 0 9 1 67 86 38 03 0 5 2 4 2 5 4 10 71 7 6 9 83 8 3 94 9 6 5 2 70 7 8 1 70 7 2 8 4 5 1 93 69 6 0 30 3 2 4 1 7 9 58 65 6 46 14 1 79 27 2 83 08 0 5 4 16 81 8 2 53 05 0 7 9 85 08 0 32 43 4 19 61 6 7 9 9 0 57 5 8 46 4 1 23 2 37 3 9 5 6 0 8 42 14 1 7 5 28 02 90 19 1 6 4 3 4 2 6 91 89 8 7 0 35 3 1 2 0 3 9 8 7 5 6 4 3 9 75 07 10 41 4 6 8 2 5 95 9 74 37 13 61 6 02 80 8 mataram 2 7cometidos 4 7 no9domingo de Páscoa 8 03 0 2574pessoas, 2 acordo 9 com 01 0 38 3 5 2Os6ataques 6 no6Sri3Lanka 25 9de 71 um7novo

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 51

AVENGERS: ENDGAME

VIDA DE CÃO

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SALA 1

65-95%

www. hojemacau. com.mo

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PROBLEMA 52

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S U D O K U

TEMPO

3.5.2019 sexta-feira

1 6 4 5 9 8 3 7 2 0

55 a avenida como se fosseDescemos mos verdadeiramente 6 8 3 1 livres, 7 4 segu0 2 rando cravos como outrora outros 9 de2armas 4 descarregadas 3 5 8 6o1 homens fizeram. 0 Ao1 nosso 5 4lado9 empenha2 7 8 vam-se cartazes do tempo em que 7 e5das0liberdades 2 6 3que1os 9 vivemos diversos poderes nos 3 4 1 8 vão 0 sugando. 5 9 6 Fomos descendo com a sensação de 2 6assim, 7 valeu 0 8a pena 9 tudo 3 5 que, ainda aquilo5 há 45 anos e que a liberdade 9 8 7 4 1 2 é3 ainda uma coisa muito bonita, ainda 8 sempre 7 2saibamos 6 3 o0que5fa- 4 que nem zer dela. 4 Fomos 3 6livres 9 naquela 1 7 tarde 8 0 em que descemos a enorme avenida. 1 lado 0 9turistas 5 2chineses 6 4de 7 Ao nosso mapa nas mãos tiravam fotografias a todo aquele movimento cívico, a quem57 gritava palavras de ordem e vontades 3 expressas. 6 9 1O que 5 pensaram 8 4 0 eles daquelas pessoas que saíram 8 tarde 9 3de sol 6 para 7 4 para a 0rua 2numa segurar5cravos vermelhos? Também 4 1 7 0 2 8 9 eles quereriam algo assim? Também 7 3 algo 0 5semelhante, 1 4 2ou 6 eles sentiam apenas4acharam que as 1 2 0 9 memórias 3 6 5 da Revolução poderiam ser um 9 7 6 turístico, 2 8 5meros 0 1 acontecimento alvos fotográficos? Celebrar Abril 6 8 5 4 7 1 3 2 tantos anos depois é celebrar um país 8 e0mais 4 aberto 6 2aos7outros 9 3 diferente países,2às suas 5 3vontades 8 6 e anseios. 9 1 7 Mas será que somos assim tão livres? 1 9enquanto 7 3 descemos 4 0 5ou- 8 Pensemos, tras avenidas. Andreia Sofia Silva 59

8AS42 4 3 4 6 7 5 9 1 2 DONZELAS DE ROCHEFORT | JACQUES DEMY (1967) 3 5 6 8 1 7 2 6 0 3 4 5 9 2 0 8 4 7 3 07 0 1 0 3 1 5 4 8 9 6 82 8 9 4 8 0 6 3 1 2 9 49 4 5 6 2 5 9 0 7 8 1 31 3 0 1 7 9 4 2 3 5 8 76 7 8 7 0 4 1 9 2 6 5 94 9 3 5 1 2 2 5 8 3 1 6 0 7 0 76 7 9 6 3 8 7 5 4 0

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

sexta-feira 3.5.2019

confeitaria

A elite turística

STURKOL

JOÃO ROMÃO

1

400 milhões de chegadas em voos internacionais contou a Organização Mundial de Turismo (OMT) durante o ano de 2018, um número que assinala a expansão continuada da actividade turística no planeta: estão muito distantes, no tempo e na magnitude, os 25 milhões de voos internacionais que se tinham registado em 1950. O fim do século XX e o início do XXI foram de crescimento generalizado e sistemático do turismo, do recreio, da valorização dos consumos culturais, da “experiência” ou da imaterialidade feita transação comercial, hoje no centro das preocupações do marketing turístico. Esta expansão do número de viajantes tem inevitáveis implicações económicas e vai reformatando estruturas produtivas um pouco por todo o mundo: reclama a OMT que o turismo representa actualmente 10% do valor acrescentado e do emprego no planeta e mais de 30% das exportações de serviços a nível global. Mas também há implicações ecológicas: este intenso tráfego aéreo internacional parece ser responsável, pelo menos, por 5% das emissões de CO2 na atmosfera. Esse valor parece ir inevitavelmente aumentar com o crescimento aparentemente imparável do turismo internacional.

Há nesta acelerada massificação uma falsa ideia de democratização do turismo internacional. Sendo verdade que o chamado “rendimento discricionário” (correspondente ao que não é utilizado com necessidades primárias de sobrevivência) tem aumentado para uma significativa parte da população global, é também certo que o acesso regular ao turismo internacional continua a ser um privilégio de uma elite socioeconómica do planeta – mesmo que esta elite não se reconheça como tal quando usa serviços de baixo custo e qualidade duvidosa. As contas não são difíceis: aos tais 1400 milhões de chegadas internacionais correspondem 700 milhões de viagens, com ida e volta desde o lugar de residência de cada viajante. Mas nem sempre esses voos vão directamente ao destino final: pode haver escalas pelo caminho, e não há dados particularmente fiáveis sobre o seu número. Em todo o caso, é certo que a generalização dos voos de baixo custo se faz sobretudo de ligações directas entre a origem e o

O turismo internacional continua a ser privilégio de uma elite económica e social do planeta. E é essa elite, já agora, que é responsável pelas emissões de CO2 inerentes ao tráfego aéreo contemporâneo

destino dos turistas e que essa é uma fatia cada vez maior do tráfego turístico global. Suponhamos então, modestamente, que as escalas representem apenas 15% do total de voos internacionais – e que em vez dos tais 700 milhões tenhamos 600 milhões de viagens por ano. Depois há os viajantes mais frequentes, que acumulam milhas e benefícios em cartões de fidelização - e os mais esporádicos e ocasionais. Não é raro haver quem faça viagens internacionais para negócios e outros afazeres profissionais todos os meses. E assim sendo, os tais 600 milhões de viagens não correspondem ao mesmo número de pessoas. Mantendo o mesmo critério modesto para compensar a ausência de dados objectivos e fiáveis sobre o assunto, suponhamos então que o número total de pessoas que faz pelo menos uma viagem internacional por ano é de 500 milhões, uma estimativa certamente sobrevalorizada. Parecendo muito, estes 500 milhões de pessoas representam pouco mais de 6% dos 7,7 mil milhões de habitantes deste precário planeta. A esmagadora maioria dos humanos (94%, pelo menos), não faz sequer uma viagem internacional por ano. Por muito que os números da massificação em curso – e o comportamento de alguns viajantes - possam criar uma impressão contrárias, o turismo internacional continua a ser privilégio de uma elite económica e social do planeta. E é essa elite, já agora, que é responsável pelas emissões de CO2 inerentes ao tráfego aéreo contemporâneo.

É também verdade que o acelerado crescimento económico a que se tem assistido em países asiáticos como a China, a Índia, a Tailândia ou o Vietname sugere que novas franjas das populações destes países passem em breve a ter acesso a rendimentos que lhes permitam uma participação mais activa e regular no turismo internacional. Nesse sentido, a democratização vai-se fazendo, lentamente. Mas isso também significará um aumento dos impactos ambientais do tráfego aéreo, aparentemente incompatível com protecção da vida no planeta. Cedo ou tarde, a regulação e limitação do número de voos terá que ser feita. E se essa regulação implicar um aumento significativo dos preços, o turismo internacional será no futuro, ainda mais, coisa de uma certa elite deste planeta. Em todo o caso – pelo menos em países como Portugal – todos os contribuintes são por enquanto chamados a contribuir para pagar os custos do tráfego internacional, mesmo quando não viajam. Na realidade, as ligações “low cost” que se generalizaram a partir do norte da Europa para diversos destinos nacionais são, em geral, subsidiadas pelas associações regionais de promoção turística (as chamadas “Regiões de Turismo”), que em larga medida dependem de financiamentos públicos. Viajando ou não, quem vive e paga impostos em Portugal contribui para a massificação de um turismo de que não vai, necessariamente, beneficiar (na realidade, até pode prejudicar).


A língua é um sabre que pode trespassar o corpo. Príncipe Yonsan

sexta-feira 3.5.2019

PALAVRA DO DIA

ÍNDIA CICLONE FANI FAZ RETIRAR 800 MIL PESSOAS

A

TSI DEZOITO CONDENADOS POR FRAUDE DE JOGO EM HOTEL

O

Tribunal de Segunda Instância (TSI) julgou improcedentes os recursos dos 18 arguidos envolvidos num caso de fraude que tem por base a transformação da suite de um hotel numa sala de jogo VIP. De acordo com um comunicado, os arguidos foram condenados a penas de prisão efectiva de entre 2 a 5 anos e 3 meses. Em causa está o aluguer de uma “suite” num hotel local e a sua transformação numa sala de jogo VIP. Os arguidos fingiam ser donos da sala de jogo tendo constituído uma equipa de colaboradores nas áreas de relações públicas, de tesouraria, croupiers, segurança e empregados de mesa. O negócio processava-se através da angariação de jogadores do continente que nunca tivessem vindo a Macau nem conhecessem o negócio VIP do jogo. A primeira queixa feita à Polícia Judiciária (PJ) em 2017 por um destes jogadores a quem foram prometidas fichas no valor de quatro milhões de dólares de Hong Kong para apostar, caso pagasse previamente quatrocentos mil renminbi. O jogador concordou, e quando foi jogar na falsa sala VIP perdeu o dinheiro investido - quatrocentos mil renminbi - em menos de duas horas. Ao suspeitar que tinha sido burlado fez queixa à PJ.

O Governo avançou com a reestruturação deste espaço museológico em 2016, altura em que propôs um orçamento quase três vezes inferior

Alta derrapagem Museu do Grande Prémio vai custar mais de 800 milhões de patacas

A

reestruturação do Museu do Grande Prémio de Macau vai custar cerca de 92 milhões de euros, afirmou ontem uma representante dos Serviços de Turismo (DST), acrescentando que o espaço deverá abrir antes do final do ano. "Este número [830 milhões de patacas] diz respeito ao projecto total, mas ainda é uma estimativa", indicou Wan Wai, em conferência de imprensa sobre o dia internacional dos museus. O Governo avançou com a reestruturação deste espaço museológico em 2016, altura em que propôs um orçamento quase três vezes inferior. Num edifício de quatro andares, o novo museu

vai dividir-se em "diferentes zonas, conforme as corridas". O GP de Macau inclui três corridas de carros, as taças do mundo de Fórmula 3, GT e de carros de turismo (WTCR), e o Grande Prémio de motos, além da taça de carros de turismo de Macau e a taça da Grande Baía. "Vamos também acrescentar elementos multimédia, apresentando a história do Museu e a história da corrida", acrescentou Wan Wai. O Museu do Grande Prémio de Macau foi inaugurado em 1993, em comemoração do 40.º aniversário do maior evento desportivo do território. Quanto à inauguração do novo espaço, Wai apontou: "talvez Novembro ou Dezem-

bro, não temos ainda uma data definida porque as obras ainda estão em processo". Disputado no icónico traçado citadino de 6,12 quilómetros, o Grande Prémio de Macau é considerado uma das mais perigosas provas de automobilismo do mundo. Este ano realiza-se entre os dias 14 e 17 de Novembro. Na conferência de imprensa, o director do Museu de Arte de Macau (MAM), Loi Chi Pang, anunciou que 14 museus temáticos locais vão participar na "Feira do Dia Internacional dos Museus de Macau 2019", no dia 12 de Maio, no espaço Anim'Arte Nam Van. O programa prevê actividades com recurso à tecnologia de realidade virtual, disse.

S autoridades da Índia oriental retiraram cerca de 800 mil pessoas que vivem perto da área onde é esperado esta sexta-feira o ciclone Fani, classificado como “extremamente grave”, segundo os serviços de emergência. “Esperamos terminar hoje [ontem] a importante tarefa de retirada de cerca de 800.000 pessoas que vivem perto da área que será atingida pelo ciclone”, disse Bishnupada Sethi, do serviço de emergência do estado costeiro de Odisha, no leste do país. A mesma fonte adiantou que as autoridades enviaram equipas de resposta rápida das forças de resgate, bem como alertas meteorológicos aos moradores e pescadores da região. O Departamento Meteorológico da Índia indicou ontem em comunicado que “é muito provável” que o Fani chegue a terra na sexta-feira perto da cidade de Puri em Odisha, com rajadas de vento que podem chegar aos 200 quilómetros por hora. Ao início da manhã de ontem, o ciclone estava a 450 quilómetros a sudoeste de Puri. De acordo com o departamento, o ciclone também afectará os estados da Baía de Bengala, como Andhra Pradesh e Bengala. Em Outubro do ano passado, a passagem do ciclone Titli provocou a morte a 60 pessoas no estado de Odisha. Bishnupada Sethi disse que este ciclone é “mais forte” do que o Titli.

FC PORTO SITUAÇÃO CLÍNICA DE CASILLAS EVOLUI FAVORAVELMENTE E SEM COMPLICAÇÕES

O

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futebolista espanhol Iker Casillas, guarda-redes do FC Porto, que na quarta-feira sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante um treino, está “a evoluir favoravelmente dentro do previsto e sem qualquer tipo de complicação”, anunciou ontem o clube. De acordo com a nota publicada no site oficial dos ‘dragões’, Casillas, de

37 anos, continua internado no Hospital CUF Porto, para onde foi conduzido na quarta-feira, após ter-lhe sido diagnosticado o problema cardíaco, ainda no Olival, em Vila Nova de Gaia. A pronta intervenção da equipa clínica do FC Porto foi preponderante para minimizar o problema do guarda-redes espanhol, tendo o médico Nelson Puga,

em declarações aos canais do clube, assegurado que Casillas irá ficar "completamente recuperado de saúde", sem precisar se poderá voltar a jogar. Há pouco mais de um mês, Casillas renovou o contrato com o FC Porto, ao qual chegou em 2015/16, depois de ter feito toda a carreira no Real Madrid, tendo na última temporada ajudado

os ‘dragões’ a alcançarem o título nacional. Numa carreira que já dura duas décadas, o guardião conquistou um Campeonato do Mundo e dois Europeus com a selecção espanhola e, ao serviço do Real Madrid, foi cinco vezes campeão de Espanha e levantou três vezes o troféu da Liga dos Campeões. No seu currículo, Casillas tem ainda um Campeo-

nato do Mundo de clubes e duas Supertaças europeias, além de duas Taças do Rei de Espanha. Com 167 internacionalizações por Espanha, o guarda-redes está entre os 10 jogadores que mais vezes representaram a respetiva selecção.

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Hoje Macau 3 MAI 2019 # 4281  

N.º 4281 de 3 de MAI de 2019

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