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QUINTA-FEIRA 3 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4043

ORIANA PUN

Processo da década

MANIFESTAÇÕES

SOFIA MARGARIDA MOTA

SOFIA MARGARIDA MOTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

1º DE MAIO

DEFINIR ` OS Aperto do cerco ESPACOS

ENTREVISTA

P. 5

PÁGINA 6

hojemacau www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

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Dois para dançar o tango Leonel Alves, advogado da Polytex, não compreende as palavras de Sónia Chan quando a secretária referiu que a empresa promotora do empreendimento Pearl Horizon “mostrou falta de resposta e colaboração positiva”. O jurista revela que não só nunca recebeu propostas do Governo, como não obteve resposta às soluções sugeridas. PÁGINA 4


2 ENTREVISTA

ORIANA INÁCIO PUN

“Caso Ho Chio Meng não foi agradável, nem dignificou a Justiça” Começou a carreira como intérprete nos tribunais, mas, com o tempo, decidiu vestir a toga de advogada. Em Março do ano passado fez as manchetes locais, quando assumiu a defesa do ex-Procurador Ho Chio Meng. Em entrevista ao HM, Oriana Pun avalia a situação da Justiça, olha para as leis locais e recorda o julgamento da década

Celebram-se 25 anos da promulgação da Lei Básica. Considera que está a ser cumprida? Não verifico grandes problemas. À medida que nos vamos aproximar dos 50 anos após a transição vai haver uma maior aproximação ao sistema e à sociedade do Interior da China. Parece-me inevitável.Aaproximação poderá causar divergências, mas desde que haja bom-senso e as medidas não sejam prejudiciais para Macau nem para a China, e se mantenha o respeito pelo espírito da Lei Básica, tudo poderá ser ultrapassado. Nos últimos tempos há quem acuse as autoridades de fazer interpretações legais com implicações e restrições a nível dos direitos individuais. Sente essa realidade nos tribunais? Se a lei confere um poder discricionário e a administração, que é a entidade máxima que pode exercer esse poder discricionário, o aplica de uma forma mais restrita, eu não discordo. Mas considero que os portugueses foram sempre mais tolerantes, mais humanos. Eu sou chinesa e tenho colegas chineses e portugueses e há uma diferença cultural. Que diferença? Por exemplo, nas aulas os alunos dizem que se esqueceram dos trabalhos de casa, arranjam uma justificação e os professores tem tendência para aceitá-la. São situações em que, com frequência, impera o bom-senso. Claro que também há abusos. Os chineses tendem a ser mais rigorosos. As pessoas que agora estão à frente de Macau consideram que se houver muitas excepções e um poder mais compreensivo que talvez isso não seja o mais adequado para Macau. Não posso discordar da abordagem. Porquê? A China tem uma população muito grande. Somos 1,3 mil milhões de pessoas e é difícil governar tanta gente. Também a nível cívico nem sempre é tão estável. Nesses casos, uma aplicação mais restritiva

justifica-se, desde que seja sempre dentro do espírito do direito legado. O Governo vai alterar a Lei de Bases de Organização Judiciária e espera-se que os titulares de altos cargos possam recorrer de decisões dos tribunais em primeira instância. Como vê a mudança? Faz todo o sentido. Qualquer pessoa pode estar naquela posição e o direito de recurso é fundamental. Toda a gente deve ter a mesma oportunidade de ver as questões ponderadas mais do que uma vez.

“Ainda não se sabe como vai ser a nova lei [de organização de bases judiciária] e se vai haver uma aplicação retroactiva. No plano teórico, posso dizer que vamos estudar a possibilidade [de recorrer na condenação de Ho Chio Meng].’’ Como advogada do ex-Procurador Ho Chio Meng viu o recurso que apresentou ao Tribunal de Última Instância recusado. Como se sentiu? Não posso dizer que fiquei chocada, porque já estávamos à espera. Tínhamos de manifestar o nosso ponto de vista. Foi o que fizemos. O tribunal não aceitou o recurso. Mas mesmo com a recusa, fizemos um requerimento a manifestar a nossa posição. Infelizmente, não havia mais nada a fazer. Considero que qualquer pessoa devia ter a oportunidade de recorrer das decisões, pelo menos uma vez. Quando a nova lei for aprovada vai ver se há margem para recorrer da decisão? Ainda não se sabe como vai ser a

SOFIA MARGARIDA MOTA

ADVOGADA

nova lei e se vai haver uma aplicação retroactiva. No plano teórico, posso dizer que vamos estudar a possibilidade. O recurso já foi interposto, o tribunal é que não o aceitou. Vamos ver se haverá alguma possibilidade e se o Dr. Ho pretende reagir. Falando do julgamento de Ho Chio Meng. Assumiu o processo depois do primeiro advogado, Leong Wen Pun, considerar que não tinha condições para defender o arguido, face à postura do tribunal. Acreditava que era possível absolver o seu cliente? Na primeira vez que me reuni com o Dr. Ho trocámos opiniões e fiquei logo com a noção do estado do processo, do que era possível fazer e do que íamos tentar. Ele insistiu que fossemos nós a representá-lo. Também troquei opiniões com os colegas que estavam com o caso e eles consideraram que o Dr. Ho ficaria bem representado. Acredita que o seu colega tomou a decisão na sessão em que foi impedido de discutir uma prova, ou já havia aquele pensamento antes da sessão? Eles já estavam com o processo há mais de um ano. Como advogados, lutamos e temos de enfrentar várias derrotas e talvez eles tenham considerado que era altura de colocar um ponto final na situação. Foi uma decisão tomada com o consentimento do cliente. Agora, não sei se foi uma decisão tomada naquele momento. Acho que o pensamento de desistir já deveria ter sido abordado antes dessa sessão. Como se preparou? Era um processo mesmo muito longo. Tivemos de ir ao tribunal tirar fotocópias, consultar os processos, trabalhar aos sábados e domingos. Assim como os funcionários do TUI, que também precisaram de estar lá durante o fim-de-semana. Como o julgamento já estava numa fase bastante avançada, num primeiro momento preparamo-nos para as

testemunhas que iam ser ouvidas. Foi nessas matérias que nos concentrámos primeiro. E depois? Fomos ouvir as audiências anteriores e fazer os nossos apontamentos para as sessões seguintes e alegações finais. Eu, basicamente, vi todos os papéis e os apensos, assim como os meus colegas. Foram muitas horas extra? Foram. Como advogados, os caso não nos saem da cabeça. Antes de adormecermos há sempre uma ideia que surge, quando estamos a tomar banho lembramo-nos de outra. Estamos sempre a ver e a tentar arranjar provas ou contra provas para ajudar o nosso cliente. Foram meses intensos? É um envolvimento muito grande, quase não tinha vida familiar. Algumas vez se tinha imaginado no caso que pode ser considerado o julgamento da década em Macau? Nunca tinha pensado nisso. Como profissionais queremos lidar com ca-


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e não sabemos com que níveis de sigilo se vai lidar. Talvez seja melhor colocar os juízes chineses com estas questões. Acredito que os portugueses não vão colocar o sigilo em causa, mas compreendo a opção. Desde que os juízes chineses sejam escolhidos seguindo as práticas normais, com sorteio, não vejo problemas. Sente que juízes portugueses são menos competentes do que os chineses? Não, não sinto. Os juízes portugueses que normalmente vêm de Portugal já têm alguma experiência de julgamento de casos. Por exemplo, eu aprendi e continuo a aprender imenso com os juízes nos julgamentos dos factos. Como eles já têm uma experiência longa em Portugal, a maneira como fazem as perguntas, a forma como chegam a conclusões... Aprendi e aprendo muito com eles.

“Estou quase há 20 anos nos tribunais. Espero que não haja casos graves em Macau, mas se houver gostava de estar envolvida. São desafios que nos fazem crescer e evoluir.”

sos que nos desafiam. Trabalhei nos tribunais como intérprete, durante oito anos, assisti a julgamentos, fiz traduções, estive no julgamento de Pan Nga Koi e em outros processos cíveis e criminais. Como advogada, estagiei três anos e faço agora 13 anos de profissão. Estou quase há 20 anos nos tribunais. Espero que não haja casos graves em Macau, mas se houver gostava de estar envolvida. São desafios que nos fazem crescer e evoluir. O mediatismo do julgamento de Ho Chio Meng acrescentou mais pressão? Certamente que torna as coisas diferentes. Foi a minha primeira experiência num caso tão mediático. Já tinha tido casos cíveis complicados, mas em termos de ter de enfrentar a imprensa foi uma experiência nova. O mediatismo fez com que fosse muito abordada? Aconteceu muito. Mesmo os amigos comentavam o casos e houve muitos que me disseram que tinha sido corajosa por ter aceitado defender Ho Chio Meng naquelas condições. Ouvimos comentários

a favor e contra. Também vemos as notícias, aqui, em Hong Kong, e por vezes consideramos que o que está escrito ou é noticiado não corresponde bem à realidade. São coisas com que nos temos de habituar a lidar. A imagem da Justiça de Macau ficou a ganhar com o julgamento de Ho Chio Meng? O caso Ho Chio Meng não foi agradável nem dignificou a Justiça. Primeiro tratou-se do julgamento de um procurador, também pelo decorrer do julgamento a que as pessoas puderam assistir. Mostrou situações que podem ser melhoradas e considero que ninguém

“Ouvi falar de casos de ilegalidades internas [nos Serviços Públicos] em que os procedimentos tinham sido analisados pelos próprios juristas dos departamentos.”

ficou a ganhar com a situação. Independentemente de ter sido ou não condenado, para o Ministério Público, para os tribunais e para as pessoas de Macau foi uma situação triste. Há muitos ensinamentos a retirar do caso? Sim, se as pessoas quiserem aprender vão conseguir fazê-lo. Além do processo jurídico, do direito ao recurso, o processo levantou questões sobre procedimentos administrativos. Há sinais que o legislador devia ter em mente. Que sinais? Há práticas antigas que foram sempre repetidas e tentativas de acelerar os procedimentos internos dos serviços públicos que podem resultar em infracções nos processos de contratação de pessoal e adjudicações. As coisas sempre foram feitas de uma maneira, até que alguém notou que afinal continham ilegalidades... Isto merece uma reflexão. Não podemos só dizer: ele fez mal, vamos condená-lo. Temos de ser justos e perceber as situações, porque também houve

outros casos ligados à contratação de pessoal e adjudicações em outros serviços. Casos em que não há intenção de cometer ilegalidades? Sim. Ouvi falar de casos de ilegalidades internas em que os procedimentos tinham sido analisados pelos próprios juristas dos departamentos. Se a situação se mantiver, a máquina dos serviços não trabalha. A questão deixa as pessoas com duas escolhas: ou arriscam cometer ilegalidades, ou não fazem nada. O governo está a trabalhar numa proposta de lei sobre as adjudicações... Sim, sim. Mas a proposta é urgente. E é preciso ouvir as pessoas no terreno, que conhecem as limitações e que sabem que procedimentos podem atrasar os trabalhos. Regressando à reforma da lei de bases judiciária. O Governo quer afastar os juízes estrangeiros dos casos que envolvem a segurança nacional. Concorda? Não vejo grandes problemas. Estamos a falar da segurança nacional

Mas não há um risco de diferenciação? As pessoas que lidam com os tribunais e que conhecem os juízes e os advogados sabem normalmente as pessoas que são mais competentes. Não me parece que o facto de haver juízes afastados desses processos vá fazer com que sejam encarados como menos profissionais ou com menor qualidade. Outra questão recente foi a utilização da língua chinesa para notificar um residente local que tinha pedido para ser notificado em português. É uma questão que não é nova, como encara estas situações? A língua não devia ser um problema em Macau. Tanto o português, como o chinês são línguas oficiais. Um chinês não devia ter de se queixar que foi notificado em português e vice-versa. Existe o decreto-lei n.º 101/1999, que permite escolher o idioma em que as pessoas podem pedir a notificação. Mas a própria lei não define sanções. Em princípio a administração e o tribunal deviam tentar satisfazer os requerimentos. Mas admito que pode haver justificações razoáveis para que estes casos aconteçam. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


4 política

PEARL HORIZON LEONEL ALVES LAMENTA AUSÊNCIA DE RESPOSTA DO GOVERNO

Ouvidos de mercador SOFIA MARGARIDA MOTA

O advogado da Polytex, empresa ligada ao projecto Pearl Horizon, diz não entender a posição do Governo relativamente à acusação de falta de colaboração da companhia no processo. “Apresentámos várias propostas, do outro lado nem uma resposta”, aponta Leonel Alves

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EONEL Alves, advogado da empresa Polytex, ligada ao empreendimento Pearl Horizon, cuja construção está suspensa, não se conforma com as últimas declarações proferidas pela secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, no âmbito de um encontro com lesados. “Foi dito que a Polytex não tem colaborado. Eu gostava de saber: colaborar em quê? Não se pode bater palmas só com uma mão, mas sim com duas. Nunca recebemos uma proposta, como é que vamos colaborar? O meu representado gostaria de saber qual é a proposta para analisar e colaborar, porque não sabemos o que o Governo quer da Polytex”, refere Leonel Alves ao HM. “A única coisa que recebemos foi um ofício das Obras Públicas a dizer que a concessão [do terreno] terminou e que a Polytex poderia recorrer judicialmente. Seguimos o que está no ofício, relativamente ao direito ao recurso judicial. Se isto é considerado não colaborar,

Leonel Alves, advogado da Polytex “Foi dito que a Polytex não tem colaborado. Eu gostava de saber: colaborar em quê? Não se pode bater palmas só com uma mão, mas sim com duas. Nunca recebemos uma proposta, como é que vamos colaborar?”

então não sei qual é o sentido ou a dimensão dessa cooperação que se espera da Polytex”, acrescenta. O advogado e ex-deputado da Assembleia Legislativa (AL) adianta que, ao longo deste tempo, a Polytex tem vindo a apresentar várias alternativas, sem que tenha existido uma resposta concreta da parte do

Governo. “Participámos em duas ou três reuniões com o Governo e representantes dos compradores, e aí os representantes da Polytex apresentaram várias alternativas e soluções, e ficámos à espera da resposta das entidades públicas.” Leonel Alves frisa também que “algumas das propostas apresenta-

das pela Polytex mereceram aceitação dos promitentes compradores, que na ocasião até aplaudiram algumas das alternativas”.

“APLAUSOS SONOROS”

Uma das sugestões feitas pela empresa sediada em Hong Kong foi a possibilidade de se estabe-

lecer um prazo de 18 a 20 meses para concluir o empreendimento habitacional que estava a nascer na Areia Preta, para que os investidores pudessem ter acesso aos apartamentos que já pagaram ou pelos quais pediram empréstimos aos bancos. “Quando foi avançada esta ideia até houve aplausos sonoros dos representantes dos compradores. Essa reunião foi há mais de um ano e não sei o que querem dizer com falta de colaboração. Apresentámos várias propostas, do outro lado nem uma resposta. Depois dizem que o Polytex não coopera, mas não coopera em que termos? Diga!”, frisou. A reacção de Leonel Alves surge no seguimento das declarações da secretária Sónia Chan, citadas num comunicado oficial, após um encontro entre o Governo e os lesados, onde se terá obtido uma solução para o caso. “O Governo da RAEM tem resolvido o caso Pearl Horizon de forma sincera, e tanto as autoridades como os serviços competentes têm mantido o diálogo e a comunicação com a empresa promotora e com os pequenos proprietários, com o objectivo de coordenar, as partes da venda e compra e encontrar uma solução adequada”, afirmou a secretária para a Administração e Justiça. “No entanto, a parte da empresa promotora mostrou uma falta de resposta e colaboração positiva”, rematou. Esta semana, por ocasião dos protestos do Dia do Trabalhador, os lesados do caso Pearl Horizon voltaram a sair à rua, onde revelaram o receio de não terem acesso às casas nas quais investiram, apesar das promessas já avançadas pelo Governo. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

IMIGRAÇÃO ELLA LEI QUER DEBATE SOBRE RESIDÊNCIA POR INVESTIMENTO

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deputada Ella Lei quer que se realize um debate na Assembleia Legislativa para discutir a implementação de um regime de pontuação no âmbito de aprovação dos pedidos da imigração para investimento. Em comunicado, a deputada argumenta a urgência de discussão pública

com a necessidade de um mecanismo rigoroso de fiscalização neste sector. A razão, aponta, tem que ver com a necessidade de resolver as falhas legais que garantam o adequado aproveitamento de talentos locais, sem que sejam substituídos por quadros do exterior. Para

Ella Lei, o regime que está em vigor está desactualizado e a sociedade tem manifestado o seu desagrado quanto à falta de relação com a realidade actual. A deputada justifica a emergência de um debate sobre o assunto em apreço com os casos que foram dados a conhecer no relatório de

Actividades de 2017 do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) que implicavam a falsificação de documentos. Neste sentido, Ella Lei considera que a aprovação dos pedidos não é suficientemente rigorosa e duvida dos projectos já aprovados por poderem não ser necessários para

Macau. A introdução de um regime de pontuação para avaliar os pedidos de autorização de residência por investimento é, no entende da deputada, o mais adequado. A opinião de Ella Lei tem como ponto de partida aquilo que considera como boas experiências vividas noutras regiões. V.N.


política 5

Educação Mak Soi Kun quer manuais escolares sobre segurança nacional

SOFIA MARGARIDA MOTA

quinta-feira 3.5.2018

Mak Soi Kun sugere ao Executivo a produção de manuais escolares que abordem o tema da segurança nacional. A ideia é lançada numa interpelação e tem como objectivo fazer com que “os jovens compreendam a importância da segurança nacional, para depois assumirem a obrigação e a responsabilidade de defesa da pátria e cultivar o sentimento de amor pela China e por Macau”. O deputado considera ainda que a questão adquire maior relevo tendo em conta o sucesso da exposição recentemente organizada pelo Executivo sobre segurança nacional.

Álcool Zheng Anting quer lei que defina idade mínima para compra de bebidas

A legislação tem de definir uma idade legal para a compra de bebidas alcoólicas, avança o deputado Zheng Anting em interpelação. O objectivo é evitar o alcoolismo em idade adulta e diminuir o número de mortes em adolescentes resultantes do consumo de álcool. De acordo com o deputado, o maior factor que leva à morte de jovens entre os 15 e os 29 anos é o consumo de bebidas alcoólicas. Por outro lado, Zheng considera que “quanto mais cedo os jovens começarem a consumir álcool, maiores são as probabilidades de virem a ter um consumo abusivo”.

PROTESTOS DEPUTADOS QUEREM LEI PARA EVITAR DIFERENTES DECISÕES DO TUI

Que rua é a tua?

Deputados defendem que a lei que regula o Direito de Reunião e de Manifestação seja revista na totalidade para que o uso de espaços públicos seja mais bem definido e evitar “diferentes interpretações” do Tribunal de Última Instância. O Governo concorda com a apreciação

O

Executivo quer que a Polícia de Segurança Pública (PSP) passe a coordenar a apresentação dos avisos prévios para a realização de protestos, algo que tem estado a cargo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), de acordo com a lei que regula o Direito de Reunião e de Manifestação, datada de 1993. Contudo, os deputados da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), presidida por Ho Ion Sang, defendem que o diploma deve ser revisto na totalidade por ser necessário uma melhor clarificação dos espaços públicos a serem utilizados para protestos. Ho Ion Sang explicou que, nos últimos anos, a lei levou a diferentes interpretações por parte dos

juízes em processos ligados a estes casos. “Houve diferentes interpretações da lei e um caso em que foi autorizada a realização de duas actividades no mesmo local, mas outro acórdão apenas autorizava a realização de uma actividade. Pedimos ao Governo que, no futuro, defina regras mais claras para que não haja decisões

judiciais desse tipo”, exemplificou Ho Ion Sang. Espaços como o Estabelecimento Prisional de Macau, a sede do Governo as sedes das autoridades policiais estão referidas na lei, mas o Ministério Público (MP) não está, acrescentou o deputado. “Algumas terminologias já estão desactualizadas, o Governo acolheu a nossa opinião quanto à

“Houve diferentes interpretações da lei e um caso em que foi autorizada a realização de duas actividades no mesmo local, mas outro acórdão apenas autorizava a realização de uma actividade. Pedimos ao Governo que, no futuro, defina regras mais claras para que não haja decisões judiciais desse tipo.” HO ION SANG DEPUTADO

necessidade de introdução da figura do MP.” “Tendo em conta que alguns acórdãos do Tribunal de Última Instância (TUI) mostraram diferentes decisões judiciais sobre esta lei, pedimos ao Governo para ter em consideração uma maior clarificação de algumas normas sobre a utilização de espaços. A secretária [Sónia Chan] disse que era preciso uma consulta pública.”

NADA A TEMER

Na reunião de ontem, o Governo garantiu que os direitos dos cidadãos no que diz respeito ao acto de manifestação vão ficar garantidos. Mesmo que a lei venha a ser revista no futuro, para já a intenção é apenas de transferir as competências do IACM para a PSP. As autoridades policiais prometem manter o mesmo número

de locais para a apresentação dos avisos prévios para os protestos: oito. O horário de atendimento será das 9h às 19h, mais alargado do que é actualmente. Ho Ion Sang adiantou que alguns deputados afirmaram temer que haja uma redução dos direitos dos cidadãos nesta matéria, mas o Governo adiantou que nada vai mudar. “Não há mesmo um enfraquecimento de direitos pelo que peço que as pessoas não tenham tanta preocupação sobre isto”, frisou o deputado. “O direito à manifestação não implica autorização, só um aviso prévio. Se tudo for executado de acordo com a lei actual, então não vão haver problemas. Se alguém quiser alterar o trajecto [previamente definido, durante o protesto], aí a PSP interfere porque tem essa competência e tem de garantir a ordem pública.” Os deputados não discutiram se actividades lúdicas ou religiosas, como a realização de procissões, também cumprem o requisito de apresentação do aviso prévio à PSP. “Não discutimos isto. O aviso prévio tem a ver com algumas actividades políticas ou laborais, mas para outras actividades tudo depende se implica ou não a ordem pública. Aí teremos de ver qual a competência da PSP”, concluiu Ho Ion Sang. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


6 política

Alguns dos manifestantes ligados ao caso Pearl Horizon, proibidos de entrar em Macau, já tinham participado em protestos no território, adiantou Kou Meng Pok, líder do grupo de lesados. Três analistas comentam mais um caso de pessoas barradas na fronteira e que não pertencem ao campo político de Hong Kong

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PEARL HORIZON MANIFESTANTES BARRADOS JÁ TINHAM PROTESTADO EM MACAU

As trancas na porta

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EPUTADOS do Conselho Legislativo de Hong Kong, activistas ou académicos do campo pró-democrata e jornalistas. Estes pareciam, até agora, as únicas personas non gratas para o Governo de Macau e merecedoras de serem proibidas de entrar no território. Contudo, os protestos do dia 1 de Maio desta semana, ficaram marcados pela proibição de entrada de alguns manifestantes ligados ao caso Pearl Horizon e que, aliás, investiram em apartamentos no território. O HM confirmou junto de Kou Meng Pok, presidente da União dos Proprietários do Pearl Horizon, que as dezenas que manifestantes que foram barrados na fronteira pelas autoridades já tinham participado em protestos em Macau em anos anteriores. Esta terça-feira a Polícia de Segurança Pública (PSP) não fez qualquer comentário sobre o sucedido. O advogado da Polytex, empresa responsável pela construção do empreendimento habitacional Pearl Horizon, Leonel Alves, disse não conhecer os “fundamentos” para a decisão das autoridades. Contudo, “[as proibições de entrada] têm a ver com a segurança do Estado ou do território e a estabilidade de Macau. Não creio que uma manifestação de desagrado de uma vítima possa afectar a estabilidade social”, frisou. “Se foi tido em conta apenas esse fundamento, o de ser comprador das fracções autónomas, e na qualidade de vítima ou de lesado querer publicamente manifestar o seu desagrado é um

direito garantido pela Lei Básica. O direito de mostrar a sua opinião publicamente participando em actividades autorizadas pelo próprio Governo, como é o caso da manifestação. Acho uma situação pouco agradável”, acrescentou o ex-deputado à Assembleia Legislativa.

Albano Martins, economista, também revelou incompreensão face ao que está por detrás da decisão das autoridades e exige mais explicações do Governo da RAEM e até do Governo Central. “O Estado chinês ou o Governo de Macau deveriam explicar claramente qual a razão para estas pes-

“[As proibições de entrada] têm a ver com a segurança do Estado ou do território e a estabilidade de Macau. Não creio que uma manifestação de desagrado de uma vítima possa afectar a estabilidade social.” LEONEL ALVES EX-DEPUTADO

soas não poderem entrar”, frisou, tendo defendido que as autoridades têm, de facto, uma lista negra de pessoas incómodas. “Não acredito que alguém possa actuar sem ter o nome numa lista negra. É impossível, porque ninguém vai assumir o risco. Se isto é verdade, admitindo que há investidores do Pearl Horizon que não entraram e que foram barrados, admitindo que isso seja verdade, é porque o seu nome consta de uma lista e isso incomoda toda a gente. Incomoda qualquer pessoa que sabe que estas situações não são melindrosas para Macau.”

ESTADO POLICIAL

Albano Martins vai mais longe e refere que Wong Sio Chak, secretá-

rio para a Segurança, também deve vir a público prestar esclarecimentos. “O próprio secretário deveria esclarecer essa situação, porque é uma situação que incomoda toda a gente. Em qualquer país do mundo, os órgãos de soberania teriam uma palavra a dizer e aqui deviam dizer qualquer coisa, sob pena de estarmos a transformarmo-nos num Estado policial sem regras, onde ninguém sabe os motivos porque as pessoas não entram. Isso viola os direitos básicos das próprias pessoas.” O assunto motivou reacções nas redes sociais e blogosfera, como foi o caso do blogue Devaneios a Oriente. O seu autor, o jurista Pedro Coimbra, lembrou ao HM que há muitas perguntas sem resposta sobre esta matéria. “Ainda não entendo qual é critério [para a proibição de entrada de pessoas]. Aquilo que ouvimos dizer repetidamente, e que é apresentado como justificação, é que são razões de segurança interna. Quais são essas razões e quais são os critérios acho que ninguém sabe, nem a quem é que se aplicam.” Além disso, estão em causa várias contradições. “Não percebo como é que se autoriza uma manifestação e depois as pessoas que vêm participar também não entram. Não entendo.” Pode a proibição de entrada de investidores na área do imobiliário afectar a imagem externa de Macau e o seu posicionamento face a futuros investimentos? Pedro Coimbra considera cedo demais para avaliar. “Essa é a pergunta de um milhão de euros e só o futuro pode dar a resposta. Temos de aguardar e ver. Normalmente, o investimento no imobiliário está muito ligado ao crescimento económico. Acrescentando as receitas de jogo, não sei se o sector vais ser muito afectado mesmo com estas noticias.” Albano Martins frisou que este tipo de casos “nunca cria uma boa imagem para Macau”. “Acho que o secretário devia pensar seriamente que este tipo e atitudes enfraquece o segundo sistema e não beneficia o primeiro. Há muitos democratas de Hong Kong que vão para o continente e são autorizados a entrar. Agora estamos a falar de pessoas que não são criminosas, que têm o direito a terem uma vontade diferente da vontade do Governo e não se podem manifestar. É muito complicado”, concluiu. Andreia Sofia Silva (com V.N. e J.S.F.)

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sociedade 7

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FINANÇAS RECEITAS PÚBLICAS SUBIRAM 16,9 POR CENTO ATÉ MARÇO

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Administração fechou os primeiros três meses do ano com receitas de 31,12 mil milhões de patacas, valor que traduz um aumento de 16,9 por cento em termos anuais homólogos, indicam dados provisórios disponíveis no portal da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Os impostos directos sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 26,29 mil milhões de patacas, reflectindo uma subida de 17,7 por cento face ao período homólogo do ano passado e uma execução de 31,9 por cento face ao orçamento autorizado para 2018.Aimportância do jogo encontra-se patente no peso que detém no orçamento: 84,49 por cento nas receitas totais, 85,07 por cento nas correntes e 96,69 por cento nas derivadas dos impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 15,40 mil milhões de patacas até Março, de acordo com os mesmos dados. Cumpridas em apenas 15,7 por cento, aumentaram 13,3 por cento, comparativamente ao período homólogo do ano passado. Nesta rubrica destacam-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 4,77 mil milhões de patacas, com a taxa de execução a corresponder a 22,6 por cento. O valor traduz um ‘pulo’exponencial, atendendo a que, nos primeiros três meses do ano passado, tinham sido despendidos apenas 1,12 mil milhões de patacas. Entre receitas e despesas, a Administração acumulou nos primeiros três meses do ano um saldo positivo de 15,71 mil milhões de patacas, mais 20,8 por cento face a igual período de 2017. No entanto, a almofada financeira excede o orçamentado para todo o ano (6,9 mil milhões de patacas), com a taxa de execução a corresponder a 227 por cento. D.M.

Construção civil Salários em queda pelo terceiro trimestre

O salário diário médio dos trabalhadores da construção diminuiu 1,6 por cento até Março para 785 patacas, caindo pelo terceiro trimestre consecutivo, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O salário diário médio dos trabalhadores residentes (971 patacas) decresceu 4,5 por cento, em termos trimestrais, enquanto o dos não residentes (676 patacas) subiu 0,1 por cento, de acordo com os mesmos dados.

FUNÇÃO PÚBLICA ATRASOS INFERIORES A 30 MINUTOS SEMANAIS NÃO PRECISAM SER COMPENSADOS

Tempo de compensação

Os “custos administrativos” figuram como a razão pela qual os funcionários públicos que chegarem atrasados menos de meia hora por semana não precisam de compensar o tempo em falta. Contudo, para que haja uma distinção relativamente aos trabalhadores que são pontuais, poderá haver penalizações ao nível da assiduidade e na avaliação do desempenho

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S funcionários públicos que se atrasem menos de 15 minutos por dia ou menos de 30 minutos por semana não precisam de compensar o tempo de trabalho porque tal implicaria “custos administrativos relativamente pesados”. A explicação foi facultada ontem pelo Governo à 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que se encontra a analisar, em sede de especialidade, a proposta de lei de alteração ao Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAMP), aprovada na generalidade em Janeiro. O diploma prevê dois cenários distintos para quem chega tarde ao emprego: quem se atrasar mais de 15 minutos diários ou 30 minutos semanais tem que compensar o tempo de trabalho, enquanto quem se atrasar por um período inferior não tem que o fazer. Segundo o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL, o Governo justificou a opção com “custos administrativos relativamente pesados” inerentes à compensação de um curto período de tempo. Isto porque “normalmente, não seria só o trabalhador que teria que ficar no serviço”, podendo ser necessária uma “equipa de apoio”, sustentou Vong Hin Fai, falando de

custos associados aos equipamentos informáticos, água e electricidade. “No caso de atrasos superiores a 30 minutos [semanais], exige-se compensação [do tempo], mas produz-se algum trabalho durante esse período, pelo que “há falta de proporcionalidade entre o custo e o trabalho efectivo”, no caso de compensação para atrasos inferiores a meia hora por semana, afirmou o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL.

ATRASOS INADVERTIDOS

Com efeito, à luz da proposta de lei, nos casos de atrasos não superiores a meia hora por semana, o superior hierárquico deve tê-los em consideração ao nível da assiduidade na avaliação do desempenho do trabalhador.

“Os atrasos superiores a 30 minutos semanais não contam para a avaliação do desempenho, mas têm “outras consequências.” VONG HIN FAI

A introdução do novo regime tem como objectivo fazer a distinção relativamente aos trabalhadores pontuais, indicou o mesmo responsável: “O Governo procurou encontrar a solução mais equilibrada”. No entanto, alguns deputados “mostraram-se preocupados”, dado que pode haver atrasos por motivos “inimputáveis” ao trabalhador, pelo que, se assim for, a maioria dos membros da 3.ª Comissão Permanente da AL entende “não ser razoável” que sejam penalizados. Já os atrasos superiores a 30 minutos semanais não contam para a avaliação do desempenho, mas têm “outras consequências”. Se a justificação para o atraso for aceite superiormente o trabalhador tem que compensar o tempo, mas se não for “pode incorrer em falta injustificada, o que cai noutro regime”, explicou Vong Hin Fai. Este foi um dos aspectos em foco na reunião de ontem com o Executivo centrada em exclusivo no artigo 78.º relativo ao regime de horário de trabalho, cuja apreciação foi “basicamente concluída”, embora tenha sido abordados outros conexos, por dizerem respeito aos mesmos conceitos. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


8 sociedade

O Governo tem na calha uma nova lei para regulamentar a intercepção e protecção de comunicações por entender que, com o desenvolvimento contínuo da tecnologia, o regime jurídico sobre a investigação criminal vigente “já não consegue corresponder às necessidades reais”

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novidade foi anunciada ontem através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) relativo a uma reunião plenária do Conselho Consultivo da Reforma Jurídica realizada no passado dia 30 de Abril. Um encontro que,

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segundo a mesma nota, teve como objectivo “ouvir as opiniões dos membros sobre o conteúdo do documento de consulta intitulado ‘Regime Jurídico da Intercepção e Protecção de Comunicações’”. Ora, nessa reunião, presidida pela Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, representantes da secretaria para a Segurança “apresentaram as condições básicas e os motivos legislativos para a definição do regime jurídico da intercepção e protecção de comunicações, para além do principal conteúdo do documento de consulta”. Contudo, não são facultados pormenores relativamente ao teor do diploma, nem tão pouco quando vai ser apresentado. No comunicado, a DSAJ apenas explicita por que razão o Governo entende justificar-se a nova lei: “Com o desenvolvimento contínuo da tecnologia das comunicações, o regime jurídico sobre a investigação criminal vigente em Macau já não consegue corresponder às necessidades reais no que diz respeito aos trabalhos de execução da lei”. Neste sentido, “torna-se necessário elaborar diplomas legais que satisfaçam a actual situação da sociedade e que sejam previdentes”. Isto para que “possam responder às actuais realidades concretas de Macau e as-

Escuta sob escuta Regime Jurídico da Intercepção e Protecção de Comunicações na calha

segurar a existência de fundamento legal na execução dos trabalhos de investigação pelos órgãos de polícia de investigação criminal, adaptando-se ao desenvolvimento do posicionamento de Macau como ‘cidade inteligente’”, lê-se no mesmo comunicado.

EQUILÍBRIO COMPLICADO

Segundo a DSAJ, os membros do Conselho Consultivo da Reforma

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AVISO COBRANÇA DE RENDAS DE CONCESSÕES DE TERRENOS 1. 2.

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6. 7.

A Rendas de Concessões de Terrenos referentes ao ano de 2018 serão cobradas durante o mês de Maio do ano corrente. No mês de pagamento, se os Srs. contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança. Por outro lado, os contribuintes, que sejam titulares do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem recorrer aos quiosques desta Direcção de Serviços para efectuar a impressão de 2.ª via do conhecimento de cobrança pessoal. O pagamento de Rendas pode ser efectuado, até ao último dia do mês de Maio, nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; - Os impostos/contribuições poderão ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$100.000,00 (cem mil patacas), sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. Poderá também optar pelo pagamento através do cartão “Quick Pass” e “MACAUpass”, sendo que o valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$1.000,00 (mil patacas). - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China Banco Comercial de Macau Banco Delta Ásia Banco Industrial e Comercial da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Nas máquimas ATM da rede Jetco de Macau, assinaladas com a indicação <<Jet payment>>; - Por pagamento electrónico [“banca-on-line”]: Banco da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Por pagamento telefónico “banca por telefone” : Banco da China Banco Tai Fung Se o pagamento for efetuado por meio de cheque, a data de emissão não poderá ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da <<Direcção dos Serviços de Finanças>>, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$ 50 000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Note-se que não pode enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovando o pagamento. Lembra-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques: - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo. Aos 20 de Abril de 2018. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Jurídica presentes na reunião plenária “reconheceram, em geral, a necessidade de definição do referido regime jurídico”. Isto “no pressuposto da concordância e da garantia do direito fundamental” de que “a liberdade e o sigilo dos meios de comunicação dos residentes de Macau são protegidos pela lei”, como determina o artigo 32.º da Lei Básica. “Foram dadas opiniões sobre diversas matérias a regulamentar,

nomeadamente os meios de investigação, as formas de obtenção de provas e o modo de permissão de utilização apenas quando reunidas condições” como a razoabilidade e adequabilidade, ou sobre “as responsabilidades dos operadores das telecomunicações e dos prestadores dos serviços de comunicação em rede” e o regime sancionatório. Ainda segundo a DSAJ, foram abordadas com os representantes do Governo “questões importantes”, entre as quais “a relação entre a intercepção de comunicações e a protecção da privacidade individual”. A partir das opiniões e sugestões apresentadas “a consulta e os trabalhos de produção do referido projecto legislativo serão aperfeiçoados”, concluiu a DSAJ, citando as palavras de Sónia Chan. O Conselho Consultivo da Reforma Jurídica tem como presidente a Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e como vice-presidente Paula Ling, advogada e deputada à Assembleia Nacional Popular desde 2008. O organismo conta ainda com 14 conselheiros, incluindo o director e a subdirectora da DSAJ, magistrados judiciais e do Ministério Público e advogados, entre outros. D.M.


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Turismo Número de visitantes aumenta durante feriados do Dia do Trabalhador

Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), durante os três dias de feriados do Dia do Trabalhador, revelam que Macau registou mais de 391 mil entradas de visitantes (excluindo já trabalhadores não residentes e estudantes), numa subida de 4,7 por cento, face a igual período do ano passado. O comunicado revela que “o mercado da Grande China contou com mais de 361 mil visitantes, num aumento de 7,6 por cento, em comparação com igual período no ano passado, com o Interior da China a registar um crescimento de 16,1 por cento”. Já Hong Kong e Taiwan registaram uma descida de 24,1 por cento e 19,5 por cento de visitantes, respectivamente. O número de visitantes dos restantes mercados marcaram durante o mesmo período uma descida de 21 por cento.

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Os titulares do passaporte da RAEM podem obter visto à chegada à Bolívia e gozar da permanência por um período máximo de 90 dias, informou ontem a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI). Em paralelo, podem viajar para a República do Quirguistão com visto electrónico. Actualmente, os titulares do passaporte da RAEM podem viajar para 137 países e territórios sem a obrigação de visto ou com visto de entrada emitido à chegada, bem como obter visto electrónico ou requerer visto online em 17 países, indicou o mesmo organismo.

TIAGO ALCÂNTARA

Os lucros líquidos da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) registaram uma subida de 25,8 por cento no primeiro trimestre do ano. O aumento teve como principal alavanca as receitas de jogo geradas pelo mercado de massas

DSI Titulares do passaporte da RAEM com entrada facilitada na Bolívia

SJM registou lucros líquidos de 730 milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre do ano, valor que traduz uma subida de 25,8 por cento em termos anuais homólogos. O aumento deveu-se principalmente ao crescimento das receitas de jogo no segmento de massas, indicou ontem a operadora em comunicado. Entre Janeiro e Março, as receitas líquidas da SJM ascenderam a 8,59 mil milhões de dólares de Hong Kong – mais 7,1 por cento –, com as de jogo a representarem 97,8 por cento (8,4 mil milhões), fruto de uma subida de 6,7 por cento em termos anuais homólogos. Tal ficou a dever-se às receitas de jogo provenientes do segmento de massas que subiram 9,5 por cento atingindo 5,74 mil milhões de dólares de Hong Kong entre Janeiro e Março. Já o mercado VIP (de grandes apostadores) gerou receitas de 4,88 mil mi-

A quota de mercado da SJM correspondeu a 14,7 por cento no primeiro trimestre do ano, menos 2,2 pontos percentuais em termos anuais homólogos

JOGO LUCROS DA SJM SUBIRAM 25,8 POR CENTO NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Poder das massas lhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre, reflectindo uma diminuição de 1,1 por cento comparativamente aos primeiros três meses do ano passado.

ANTES DO COTAI

Em queda continua também a quota de mercado da empresa fundada pelo magnata Stanley Ho – que

caiu de 16,9 para 14,7 por cento no primeiro trimestre –, apesar de a SJM operar sensivelmente metade dos casinos de Macau. No final de Março, operava 22, incluindo dois com funcionamento provisoriamente suspenso, de um universo de 41. No primeiro trimestre do ano, a SJM tinha em operação uma média

de 284 mesas de jogo VIP (contra 315 em 2017), 1417 mesas no segmento de massas (contra 1375) e 2700 ‘slot machines’(contra 2549). “Estamos muito satisfeitos que os nossos esforços para reforçar o mercado de massas e os negócios VIP combinados com controlo de custos tenham resultado em significativos aumentos no EBITDA

[resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações] e nos lucros líquidos da SJM durante o primeiro trimestre”, afirmou Ambrose So, citado na mesma nota. “Esforçamo-nos por continuar a melhorar o nosso negócio na península de Macau, enquanto terminamos a construção do Grand Lisboa Palace no Cotai”, acrescentou o CEO da SJM, a única das seis operadoras que ainda não deu o salto para a ‘strip’ de casinos entre a Taipa e Coloane. Diana do Mar

info@hojemacau.com.mo

ETAR OBRAS DE MODERNIZAÇÃO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO VÃO DEMORAR CINCO ANOS

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OI lançado ontem o concurso público para a empreitada de modernização, operação e manutenção da ETAR da península de Macau. Segundo o anúncio publicado ontem pela Direcção dos Serviços de Protec-

ção Ambiental (DSPA), em Boletim Oficial, o prazo do contrato é de 55 meses, ou seja, até 1 de Outubro a 30 de Abril de 2023. Prestar os serviços de operação e manutenção; executar as obras de mo-

dernização das instalações actuais e executar a concepção e as obras de construção das novas instalações de tratamento da ETAR da península de Macau figuram como o objecto do concurso público. Neste âmbito, o

anúncio especifica que o prazo máximo para a execução das obras de modernização das actuais instalações é de 18 meses e que o prazo relativo à execução da concepção e das obras de construção das novas instalações de

tratamento corresponde a 28 meses, sendo ambos contados a partir do início do contrato. As propostas podem ser apresentadas até 17 de Julho, estando o acto público de abertura marcado para

o dia seguinte. A avaliação divide-se em três partes: experiência do concorrente (15 por cento), proposta sobre as obras e os serviços (35 por cento) e o preço da proposta (50 por cento). Não há preço base.


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WONG WENG IO

SOFIA MARGARIDA MOTA

“Como se sabe é huma ARTISTA PLÁSTICA

A exposição “I upload therefore I exist”, inaugurada no próximo dia 8 de Maio na pela associação Babel, com curadoria de a relação e o impacto entre a existência h os media, a identidade e a inteligência art reflecte o mundo em que se move e a form PUB

BABEL, UMA TORRE SEGURA

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associação sem fins lucrativos Babel tem no seu programa anual a divulgação de artistas locais. Este ano a convidada foi Wong Weng Io. De acordo com a responsável pela Babel, Margarida Saraiva, o contacto com o trabalho de Wong Weng Io foi feito depois de uma visita a uma exposição no Armazém do Boi em que ficou impressionada com uma instalação da artista. “Tratava-se de uma impressão de 27 metros, com dez dedos de uma pessoa. Os dez dedos tinham sido passados por um scanner e criavam um padrão regular acerca da identidade”, referiu ao HM. Depois de ver um outro trabalho de Wong Weng Io, Margarida Saraiva não tive duvidas. “Decidi convidar Wong Weng Io para abordar estes tópicos relacionados com os media sociais, o mundo virtual e a inteligência artificial numa exposição”, apontou. Quanto aos planos futuros da associação, a Babel está a trabalhar para a realização de uma residência artística. A ideia é ter artistas portugueses em Macau, e para o efeito Margarida Saraiva convidou o fotógrafo português Nuno Cera que tem vindo a recolher imagens de cidades em diferentes partes do mundo. O projecto chama-se “Futureland” e vai estar em Macau nos meses de Setembro e de Outubro. Nuno Cera vai ainda registar o desenvolvimento da cidade e “este projecto estará em diálogo com as outras 12 cidades que já registou”, esclareceu a responsável da Babel.

O que vamos ver nesta exposição? Vamos ter quatro espaços, cada um com uma instalação. No primeiro estará um trabalho que se chama a "A omnipresença do texto". A instalação é inspirada em “Éter”, um romance de ficção científica que se passa nos Estados Unidos, escrito por Zhang Ran e é uma abordagem a uma sociedade em que as pessoas livres não encontram outro espaço que não seja a linguagem gestual e silenciosa para se expressar, num mundo completamente vigiado. Peguei em excertos deste texto, imprimi e tapei algumas palavras. No segundo espaço, temos “A omnipresença das imagens”. É uma instalação com 1200 postais feitos de imagens distribuidas

em três categorias: o mundo, os humanos e o lixo. A terceira sala apresenta “A omnipresença do complexo”, uma obra composta por caixas de luz, com citações seleccionadas a partir de frases de robots que questionam humanos: “Como é que se sabe que se é humano?” Também há respostas às perguntas sobre o que está para vir: O futuro será “uma nova estrutura social”, “novos modelos económicos”, “novos modelos de negócios” e “uma nova cidadania”. As citações tratam da inteligência artificial e da robótica por detrás de questões existênciais. O último espaço aborda a questão do tempo, memória, do dados pessoais e da mudança. Tem o nome de “Passado” e mostra os meus últimos 2000 mil dias de vida.

A terceira sala apresenta “A omnipresença do complexo”, uma obra composta por caixas de luz, com citações seleccionadas a partir de frases de robots que questionam humanos

Estamos perante uma reflexão contemporânea que questiona a sociedade e a sua relação com a tecnologia? Já Martin Heidegger questionava o papel da tecnologia e qual a sua essência. Para este autor, a tecnologia iria preencher o mundo. No entanto, na sua essência, a tecnologia não é nada mais do que a construção e uma moldura que depois não tem conteúdo. Por outro lado, o facto de ter denominado grande parte dos espaços desta exposição de “omnipresença” tem que ver


eventos 11

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o é que que se ano?”

da artista local Wong Weng Io, vai ser a Casa Garden. A mostra organizada Margarida Saraiva, pretende explorar humana, a tecnologia, a informação, tificial. Para a artista, este trabalho rma como o apreende PUB

com o excesso de informação e de imagens que estão actualmente em todo o lado. A informação é demasiada e no fim, acaba por ser nada. Por isso mesmo, por ser demais. O que quero apresentar é esse nada através da apresentação de tudo através de imagens, lixo e pessoas. É como apresentar a própria realidade e a forma como a informação nos é exposta actualmente. É muita coisa e parece que está tudo partido em pequenos pedaços que fazem com que seja muito difícil compreender o que vemos e o que nos chega. Esta exposição é isso e é um reflexo do meu estado. Não chego a nenhuma conclusão porque recebo demasiada informação. Se calhar cada imagem que apresento na sala dos postais, se estiver isolada, não representa nada. Mas tendo aqueles imagens todas juntas, consigo reflectir a forma como a informação nos é exposta.  Aborda a inteligência artificial. Tem-se falado que muitas das funções humanas

vão ser substituídas pelas máquinas inteligentes. Acha que isso vai acontecer também com a arte? No que respeita à inteligência artificial, penso que pode vir a ser uma ferramenta de ajuda no futuro. Penso que realmente podem vir a substituir os humanos em muita coisa e podem mesmo estabelecer a sua forma de comunicação activa com as pessoas. Podem falar e também podem criar, mas nunca vão criar como criam os humanos.

Terminou o curso de Belas Artes na Austrália com distinção. O que a levou a regressar a Macau? Voltei porque tinha saudades da minha família. Por outro lado, não podia lá permanecer por não ter visto. Acha que Macau tem espaço e condições para crescer enquanto artista?  Penso que qualquer lugar que tenha sítios disponíveis para expor os trabalhos dos artistas são ajudas para o

desenvolvimento de uma carreira. Quanto a Macau, penso que é uma região que apoia os artistas. O território tem a sua própria história na arte. Não tem a tradição do Reino Unido ou dos Estados Unidos, mas o Governo tem subsídios destinados às artes que são muito valiosos para a promoção da arte que se faz por cá. O programa da associação Babel que promove os jovens artistas locais é um bom exemplo disso. Esta exposição faz parte dele. O Governo apoia oficialmente eventos de grande envergadura, como é o caso do Festival das Artes, e não deixa de apoiar associações que se dedicam à divulgação de artistas mais independentes. A AFA, o Armazém do Boi a Babel são outros bons exemplos de associações que têm os apoios oficiais e que promovem os artistas locais. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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ECONOMIA BANCO INTERNACIONAL PROPOSTO PELA CHINA INCLUI DOIS NOVOS MEMBROS

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Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), a primeira instituição financeira internacional proposta pela China, anunciou ontem a inclusão do Quénia e da Papua-Nova Guiné, alargando o número de países membros para 86. “O BAII tem agora 86 membros de seis continentes”, anunciou o vice-presidente da instituição Danny Alexander, citado pela agência oficial Xinhua. Com uma participação de 65 milhões de dólares, Portugal é um dos 57 países fundadores do BAII. O Brasil é o nono maior accionista, com uma quota de 3.181 milhões de dólares. Proposto pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013, aquela entidade é vista como uma reacção do Governo chinês ao que considera o domínio norte-americano e europeu em instituições globais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Entre as grandes economias do planeta, apenas Estados Unidos da América e Japão não fazem parte. Com sede em Pequim, o BAII tem um capital inicial de 100.000 milhões de dólares (30,34 por cento pertence à China) e é assumido como o principal instrumento de financiamento da iniciativa chinesa “Uma Faixa e Uma Rota”, um gigante plano de infraestruturas, que pretende reactivar a antiga Rota da Seda entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.

Taiwan Sismo de magnitude 5,5 abala leste da ilha

Um sismo de magnitude 5,5 na escala de Richter abalou ontem o distrito de Hualien, no leste de Taiwan, sem que tenham sido registados vítimas ou danos materiais, indicaram os serviços meteorológicos. O epicentro do sismo localizou-se no mar, a cerca de 62 quilómetros a leste do centro de Hualien, e o hipocentro a uma profundidade de 10 quilómetros, acrescentou o serviço. O sismo, registado às 07h47, foi sentido com maior intensidade no município de Nanao, distrito de Yilan, e também nas áreas de Taipé, Nova Taipé, Yilan, Hualien, Nantou, Taitung e Yunlin. Em Fevereiro deste ano, 17 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, na sequência de um sismo de magnitude 6,0, com epicentro a 18 quilómetros da cidade de Hualien. Taiwan encontra-se no chamado “anel de fogo” do Pacífico, uma zona de grande actividade sísmica e vulcânica. Em 1999, um sismo de magnitude 7,6 causou 2.415 mortos na ilha

DIPLOMACIA MNE CHINÊS EM PYONGYANG PARA REFORÇAR POSIÇÃO NO DIÁLOGO

Reservar lugar à mesa

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros chegou ontem a Pyongyang e deverá reunir-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, visando garantir um papel mais importante para a China nos esforços para a desnuclearização do país

A

visita de Wang Yi surge poucos dias após Kim e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, prometerem que vão trabalhar juntos para alcançar a “completa desnuclearização” da península coreana, apesar de não terem avançado com mais detalhes. Ambos concordaram ainda trabalhar para terminarem formalmente a Guerra da Coreia (1950-53), que culminou com a assinatura de um armistício e não um tratado de paz, através do diálogo com os Estados Unidos e, possivelmente, a China. Kim deve reunir com o Presidente norte-americano, Donald Trump, ainda este mês ou em Junho. Com esta visita, Wang Yi deverá tentar garantir que Pequim não é secundarizado, numa altura

em que Pyongyang se aproxima de Seul e Washington. Analistas sul-coreanos consideram que Wang vai procurar que Kim se comprometa a incluir a China no processo de terminar formalmente com a guerra na península coreana.

OMBRO AMIGO

O encontro entre Kim e Moon, na aldeia de Panmunjom, na fronteira entre os dois países, ocorreu um mês depois de Kim se deslocar

a Pequim e de se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping. A visita de Kim foi vista como uma tentativa de assegurar o apoio chinês, visando ter maior margem de negociação com Trump. Analistas consideram que Kim terá pedido à China, o maior aliado diplomático e parceiro comercial da Coreia do Norte, que relaxe a aplicação das sanções económicas contra o país, impostas pelas Nações Unidas. O líder norte-coreano deverá também ter pedido à China

Numa altura em que Pyongyang se aproxima de Seul e Washington, analistas sul-coreanos consideram que Wang vai procurar que Kim se comprometa a incluir a China no processo de terminar formalmente com a guerra na península coreana

que se oponha contra uma intervenção militar, caso o diálogo com Trump falhe e o país recomece com os seus testes nucleares e com mísseis balísticos. Seul afirma que Kim expressou um interesse genuíno em abdicar do seu programa nuclear, mas durante décadas Pyongyang tem exigido que Washington retire as suas tropas da Coreia do Sul e Japão e remova as armas nucleares que protegem aqueles dois países. A decisão de reinserir a China nas negociações é vista como um sinal de que a Coreia do Norte irá manter a sua postura original. Pequim tem apelado a uma suspensão do programa nuclear norte-coreano, em troca do fim dos ensaios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos.


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quinta-feira 3.5.2018

COREIAS TRATADO DE PAZ NÃO IMPLICA RETIRADA DAS TROPAS NORTE-AMERICANAS

Não arredar pé

A possível assinatura de um acordo de paz definitivo entre as Coreias não pressupõe a retirada das tropas norte-americanas da península, garantiu ontem o Governo sul-coreano, sublinhando a “importância estratégica” da presença militar

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M comunicado, o Presidente sul-coreano destacou que as Forças dos Estados Unidos na Coreia do Sul (USFK, na sigla inglesa) são “uma questão da aliança entre a Coreia do Sul e os EUA, não têm nada a ver com a assinatura de um tratado de paz”. Um porta-voz do Governo de Seul também sublinhou o “papel mediador” desempenhado pelas tropas norte-americanas na Coreia do Sul para outras potências, como a China e o Japão, e “a necessidade” de manter essa presença, em declarações divulgadas pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap. As declarações do Governo sul-coreano surgiram em resposta a comentários de analistas e académicos sul-coreanos, que apontaram que o destacamento dos EUA no sul não se justificaria no caso de um acordo de paz. Washington mantém 28.500 soldados destacados

na Coreia do Sul desde o conflito civil. Embora a retirada das tropas americanas da península seja uma reivindicação comum de Pyongyang, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, não mencionou essa questão durante a reunião que teve com Moon na fronteira intercoreana, segundo o gabinete presidencial sul-coreano.

EXERCITAR NOS CÉUS

Seul e Washington vão realizar novos exercícios aéreos conjuntos com caças furtivos F-22 Raptor na Coreia do Sul, apesar do apaziguamento com os vizinhos do Norte, anunciou ontem o Governo sul-coreano.

Os caças F-22 Raptors já voaram sobre a Coreia do Sul em Dezembro, quando os dois aliados organizaram o mais importante exercício aéreo conjunto, manobra que Pyongyang considerou uma “provocação total”, alguns dias após o disparo de um novo míssil norte-coreano. O anúncio surgiu depois da imprensa sul-coreana já ter informado, no domingo, que oito F-22 haviam desembarcado na base militar em Gwangju, no sul da península. “’Max Thunder’ é um exercício regular, planeado bem antes do projecto para a cimeira EUA-Coreia do Norte”, frisou o Ministério de Defesa da Coreia do Sul,

Um porta-voz do Governo de Seul também sublinhou o “papel mediador” desempenhado pelas tropas norteamericanas na Coreia do Sul para outras potências, como a China e o Japão, e “a necessidade” de manter essa presença

ONU PEDIDA INVESTIGAÇÃO A CRIMES CONTRA MINORIA ROHINGYA NA BIRMÂNIA

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missão das Nações Unidas pediu uma investigação aos crimes cometidos contra a minoria rohingya na Birmânia e defendeu que se criem condições para o regresso de centenas de milhares de refugiados que foram para o Bangladesh. “É muito importante melhorar as condições para o regresso dos refugiados”, que a Birmânia considera imigrantes do Bangladesh, sujeitando-os a todo o tipo de discriminações, afirmou o diplomata peruano Gustavo Meza-Quadra, no fim da visita ao país da missão criada pelo Conselho de Segurança. Defendeu ainda que é preciso investigar os assassinatos, violações, tortura e outros crimes de que os rohingya acusam as autoridades birmanesas, que intervieram num estado no oeste do país e que oAlto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU acusa de

genocídio e de limpeza étnica. Cerca de 700.000 pessoas fugiram de lá para o Bangladesh. A chefe do Governo, Aung San Suu Kyi, e o líder das ForçasArmadas, general Min Aung Hlaing, negam que tenham sido cometidos crimes. Mas a delegação da ONU sobrevoou áreas do país em que “vista de cima, a escala da devastação se torna clara”, como afirmou a embaixadora britânica Karen Pierce, que com os seus colegas diplomatas testemunhou aldeias queimadas e arrasadas na campanha militar contra rebeldes rohingya. E a própria justiça birmanesa já condenou sete militares a 10 anos de prisão com trabalhos forçados por terem assassinado dez rohingya, cujos cadáveres foram enterrados numa vala comum.

em comunicado, no qual pediu aos ‘media’ para não especularem sobre as intenções desta acção. Os exercícios aéreos “Max Thunder” têm início a 11 de Maio e devem prolongar-se por duas semanas. O jornal conservador Chosun Ilbo disse que a medida visa aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte antes do encontro histórico entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Na segunda-feira, Trump sugeriu que a cimeira com o homólogo norte-coreano possa ser realizada em Panmunjom, na fronteira entre as duas Coreias, palco na passada sexta-feira da histórica cimeira intercoreana. O F-22 Raptor, um caça de elevada importância estratégica para o exército norte-americano, possui as mais avançadas tecnologias e alta capacidade de ataque, sendo também dificilmente detectável nos radares.

TIMOR-LESTE LU-OLO DIZ QUE TRIBUNAL CONFIRMA CUMPRIMENTO DA CONSTITUIÇÃO

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Presidência timorense disse ontem que um acórdão do Tribunal de Recurso, agora divulgado, confirma que o chefe de Estado cumpriu “escrupulosamente” os deveres constitucionais quando decidiu dissolver o Parlamento Nacional. Em causa está uma queixa levada ao Tribunal de Recurso pelo Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ) que solicitava a fiscalização abstracta da constitucionalidade do decreto 5/2018, ao abrigo do qual o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, dissolveu o Parlamento Nacional. “A 23 de Abril de 2018, o colectivo de juízes do Tribunal do Recurso veio a decidir que o requerimento do PDHJ a pedir a declaração da inconstituciona-

lidade do decreto que dissolve o Parlamento Nacional, era improcedente, ou seja, não tinha razão de ser”, declarou o chefe da Casa Civil da Presidência timorense, Francisco Maria de Vasconcelos. O responsável indicou que o acórdão foi recebido na Presidência na passada sexta-feira. “Assim, o Presidente da República cumpriu e fez cumprir escrupulosamente os seus deveres constitucionais quando decidiu, como lhe competia, dissolver o PN”, sublinhou. O chefe da Casa Civil lembrou que “a decisão do Tribunal de Recurso vincula a todos”, e acrescentou que o “Presidente da República espera dos demais órgãos o mesmo rigor no cum-

primento da Constituição e das leis” do país. A queixa da PDHJ baseia-se numa primeira queixa apresentada a este organismo por um grupo de 16 cidadãos que entendeu que o decreto de dissolução não tinha fundamento legal. Na queixa, o PDHJ “assumiu” que o decreto de dissolução parlamentar “era inconstitucional porque não tinha fundamento”, mas “não apresentou em processo, nem matéria de facto e de direito”. Francisco Guterres Lu-Olo dissolveu o Parlamento Nacional para resolver o impasse político que se vivia há vários meses em Timor-Leste, com um Governo minoritário e a oposição a bloquear o programa e o orçamento do Governo.


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tenho o coracão confundido e a rua é estreita ´ diários de próspero António Cabrita

A Arca de Noé 24/04/18

Tenras cabeças que o vento tatuou. As que encontro ao espelho, matinalmente. Emerge a cada manhã uma cabeça, frágil como a do cravinho no seu esquiço de energias antes de lhe acudir a primeira palavra, esse primeiro contacto com a resina. Oh, oh, o que eu gostaria de ser um filósofo comerciante em chá, como Vasily Boktin, é o que vos digo, em vez de perder tempo a cismar onde devo, na frase, trocar ¨cochila¨ por ¨tartamudeia¨, palavras agrafadas ao pulmão crepuscular dos flamingos. No rádio passam Monteverdi. Outro dia sem álibi. Chega o vento e tatua-me os sonhos.

26/04/18

Passou o 25 de Abril. Um espírito litoral, mais do que à letra do continente, a que serei sempre fiel. Lembro a alegria a nascer no olhar do meu pai, habitualmente pétreo. «Quando novo - diz Platão na Sétima Carta - aconteceu comigo o que se dá com todos: firmei o propósito, tão logo me tornasse independente, de ingressar na política». Não me aconteceu a mim, apesar do entusiasmo e das intensidades políticas que se sucederam a 74 (tinha 15 anos e portanto todo o meu crescimento humano e intelectual gizou-se nesses anos loucos), nunca quis ingressar na política. Destituído de qualquer jeito para a elocução pública. Demasiado tímido, além de anarquista. E sentia mais afinidade com os vagabundos, com os santos ou os reclusos, com todos aqueles que se evadiam de se entregar a qualquer acordo prévio e de se render à populaça dos sentidos. Nunca quis ter carro, carreira, telefone pouco (e queixam-se-me muito os amigos), tenho fb porque gosto de rir, sem fazer da obsessão da partilha um dogma (aliás, acredito muito pouco na instantaneidade da partilha), uso a net porque me permite incursões no conhecimento da arte. Já a minha televisão está sem pio há seis anos e a minha reforma é nula. Creio que pacientemente trabalho para o suicídio. Admiro o de Séneca, maravilho-me com a determinação de Antero que teve o sangue frio para dar o segundo tiro não tendo sido fatal o primeiro. Impede-me por enquanto, desse último acto, o amor. Mas pode o elo do amor também quebrar-se e a miséria do amor é a única que não devemos consentir. No dia em que me fatigar das letras e as minhas filhas estiverem todas formadas, e sentir que a razão se me esburaca

enquanto o desejo já só semeia fadigas, creio que o método antigo de voluntariamente pôr um termo à vida é uma digna escansão. Porque esta é igualmente, entre outros motivos, uma questão de ritmo. Mantenho a convicção de que o suicídio pode ser – enquanto gesto pessoal e intransmissível -, uma celebração da vida, em vez de uma marca de desespero. Hoje, entretanto, catei em Nietzsche esta coisa maravilhosa: «Agradecidos a Deus, ao diabo, ao carneiro e ao verme que há em nós». Suspeito que não há mais nada a acrescentar. Ou há. Entra-me olhos dentro que acontecimentos como o 25 de Abril, o Maio de 68, a Revolução Francesa são Arcas de Noé, no sentido em que lhe deu Saramago. Já lá iremos. Façamos agora um pequeno desvio para contar que fui fulminado pela mesma insólita evidência que abalou Roger Caillois quando leu detidamente sobre o Dilúvio e Noé e com estupor compreendeu que afinal Deus não pretendia acabar com o mundo mas

antes e unicamente favorecer os peixes. Só um antropocentrismo decapitador nos impede de ler as evidências. Esta semana também me arrombou outra informação: Páris tinha o dom da profecia. Compreendem como isto altera tudo? Compreendem mesmo? Mas voltemos a Noé. Gostei da leitura que dele fez Saramago e sobretudo da desopilação do último capítulo do romance Caim, inapelavelmente herético. Deus queria dar cabo da raça humana, ainda que com ressalva, salvando Noé e os seus. Saramago fez Caim cruzar o caminho da Arca e Deus num gesto de exibição da sua bondade eterna perdoa-lhe e ordena que Noé o aceite, até para garantir que as fêmeas da Arca sejam fecundadas. A partir daí é um regabofe. Caim fecunda-as a todas, contudo lança-os, aos homens e a elas pela borda fora (com a excepção de Noé, que se suicida), e quando a Arca acosta, depois do desfile dos animais, sai sozinho e confronta Deus com a impossibilidade de perpetuar a raça, pois só sobrou o macho. Na verdade, o romance é profundamente nietzschiano, dado que à seve-

Para duas gerações inteiras o 25 de Abril representou um período de liberdade sem abstinências e não há como estarmos suficientemente gratos por termos conhecido uma tal peripécia (raríssima) no curso da nossa vida

ridade de Deus sobre a raça Saramago contrapõe uma radical convulsão gramatical e transforma um castigo numa impossibilidade genética. Como dizia Nietzsche, Deus não morre enquanto não dermos cabo da gramática e este Caim fere fundo a omnipotência de Deus. Todos os grandes acontecimentos políticos tendem à mesma agramaticalidade: é um momento em que a História sacode as suas regras e escamas e se produz a si mesmo, liberta de tutelas, numa nova configuração. Daí que fundem uma fidelidade que mobiliza alguma dinâmica na continuidade dos processos. Para duas gerações inteiras o 25 de Abril representou um período de liberdade sem abstinências e não há como estarmos suficientemente gratos por termos conhecido uma tal peripécia (raríssima) no curso da nossa vida.

27/04/18

CONJURAÇÃO: «As insónias são para o que servem:/ planificamos o negócio sobre bonsais/ que nos vai confortar a reforma/ ou enlouquecemos; outra hipótese // é relermos algo que nos emocionou/ para lhe escalpelizar a mecânica da escrita/ antes que a geringonça (eis-me à la page) / da insónia nos triture vivos.// Do ralo da noite, entretanto,/ brota a crista do galo e o seu esporão/ ferra-nos porque para ele / só em nós é espúria a manhã.». Poema de Os Testamentos Apátridas e outros Cordéis sem Alma, um dos dois livros reunidos em Oitenta Flechas para Atrair a Cotovia, com edição da Douda Correia, daqui a um mês.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 3.5.2018

Diário de um editor João Paulo Cotrim

Amor e atitude PRAÇA DA FRUTA, CALDAS DA RAINHA, 14 ABRIL Avancemos pelo resto, ainda nos arredores de Imaginário. Os encontros que perturbaram a tepidez caldense tiveram os livros por mesa e cadeira, circunstância e pretexto. As nuvens na manhã de sábado não cumpriram a ameaça, permitindo-nos trocar a bela mas exígua capela de S. Sebastião pelo átrio do posto de turismo. Haveria melhor lugar para enfrentar «O Processo de Camilo» do que esta antiga cadeia? E melhor leitor do que juiz dado à escrita e amante da História? Temos pois, em breve volume da colecção Fósforo, a que mais nos tem crescido, retrato literário de Camilo Castelo Branco pintado a partir dos seus principais biógrafos, com Aquilino, Agustina e Pascoaes à cabeça, antes de entrarmos nos detalhes do auto que julgou o escândalo de um amor. Juiz desembargador, agora na Relação do Porto, o Carlos [Querido] encena pequena peça que inclui como personagens advogados, juízes e demais autoridades, seja o rei D. Pedro V, cujas visitas ao escritor acaba por lhe transformar a prisão em hotel. O Porto, escandalizado com o adultério, vê-se provocado ao estupor pelos passeios ostensivos do amante de Ana Plácido. «Então era verdade», escreve Aquilino a propósito dos «murmúrios» que atravessavam a cidade, «que havia outra soberania além da do dinheiro? Fazer livros tinha mais mérito do que vender o riscado e o cordovão, lançar uma conta no deve e haver, gerir uma sapataria?» Camilo escreve desalmadamente, mas contra o desespero da situação e a ansiedade pelo desfecho. Ana está, também ela presa, e não apenas dos seus desejos. De tão sintético, Carlos escreveu entrada de dicionário, mas permite-se o comentário, ainda que ligeiro, dos que se apaixonam pelo objecto da investigação. «Na sua pluralidade semântica, os autos, para além de narração processual, podem ser peças dramáticas.» O último acto será o julgamento, com todos os ingredientes do drama romântico, a que não faltam evacuações de sala, desfalecimentos, apuramento de linhagens genéticas por especialistas de renome. O júri acaba por absolver os amantes. Não em nome do amor livre e legítimo que, percebe-se, comove o autor do ensaio, mas com o argumento jurídico de que a prova não foi feita. Camilo, que não se dava mal com o conforto do quarto, só abandona obrigado a Cadeia da Relação, hoje Centro Português de Fotografia, origem da carte de visite que acolhe o leitor nas primeiras páginas. A pose será clássica, mas o olhar algo

texto criando um nexo que explode em minúcias, que brilha no conjunto, álbum portátil, caderno de recortes e memorabilia. Não consigo parar de o folhear, de me perder nos manuscritos facsimilados, nos desenhos de vida e de morte, nas assinaturas, na mudança das fontes, no trabalho dos corpos. Em fundo, como um rio, a história. E o amor, os amores.

perdido conserva uma tristeza que nem o ondulante bigode esconde. GRACAL, CALDAS DA RAINHA, 15 ABRIL Mais simbólica (haverá algures terra assim baptizada?): entre vetustas impressoras, nas vísceras da gráfica com pergaminhos que o imprimiu, apresentamos à socie-

«Una Piccola Storia d’Amore – Rafael Bordalo Pinheiro e Maria Visconti», da Isabel [Castanheira], que revela os detalhes de outro amor proibido, possui qualquer coisa de peça de cerâmica quebrada. Mas que reencontrou a unidade graças a ancestrais saberes

dade objecto especialíssimo, mesmo não tendo como suplemento o azulejo do Mário [Reis] no qual dois gatos praticam o yin e o yang (exclusivo da edição especial). «Una Piccola Storia d’Amore – Rafael Bordalo Pinheiro e Maria Visconti», da Isabel [Castanheira], que revela os detalhes de outro amor proibido, possui qualquer coisa de peça de cerâmica quebrada. Mas que reencontrou a unidade graças a ancestrais saberes. A Isabel recolheu com extremoso cuidado, não apenas documentos inéditos, por exemplo, as cartas de Visconti que atestam, de uma vez por todas, a conjugalidade do par, mas cada uma das peças de cerâmica, dos objectos, vinhetas, desenhos ou fotografias que testemunham a paixão de Rafael pelo teatro, primeiro, pelas mulheres, depois, e, antes do mais, pela actriz que representa o papel principal. Descreve, transcreve, contextualiza. Arrisca interpretações, sorri, indigna-se, aproxima-se, espreita. Comove-se. Vem o Miguel [Macedo] recolher os fragmentos e compor melodia gráfica feita de rigor e pormenor. Escolhe o vermelho paixão para comentário e também costura do caderno, que este traz cicatriz no lugar de lombada. Abre cortantes, na frente e no verso, para que as badanas revele os rostos fotográficos dos amantes. Alinha depois, com regular cadência, os despojos que a respigadora coligiu e cola-os ao

PAREDES DE COURA, 21 DE ABRIL Subo na tentativa, só ali concretizada, de REALIZAR:poesia. Na bagagem, três novos títulos da colecção Mão Dita que, somados ao primeiro, já lhe definem um rosto. Isto das colecções, em tempos, terá sido argumento de venda, modo de prender o leitor a um conjunto, mais do que à unidade, invariavelmente dada à soltura, à perdição. Hoje, com o desvario de títulos, surge-me quase só como modo de organizar a cabeça dos organizadores, dos editores. Haverá coleccionadores, bem sei, mestres supremos da obsessão e do método, mas estão longe de ser comuns leitores. O lugar e a ocasião têm muito que se lhe diga, com a estimulante culpa desta «genética desobediente da criação e da poética» atribuível ao Isaque [Ferreira] e equipa, bem como como ao Vítor [Paulo Pereira], o carismático e irrequieto presidente. Imagine-se que, doravante, os ofícios camarários terão por rodapé pequenos poemas de autores contemporâneos: Fernando Guimarães, Jorge Sousa Braga, Pedro Mexia, Ricardo Marques, Rui Lage, Nuno Moura e Vasco Gato. Chamaram à ideia, no ano em que o punk foi convidado de honra, «Poesia Oficial». A atitude desafiadora não tem pertença ou filiação, não precisa ser gritada, não se faz seita, não carece de guardiões do templo, apenas se chega à frente sendo. Na cerimónia fundadora, coube-me em sorte aquele que traz, de Fernando Guimarães, a «INSCRIÇÃO// Escuta a voz/ que traz a harmonia/ dos rios que prolongam/ em nós a poesia.» VILA LISA, MEXILHOEIRA, 28 ABRIL Anda por aqui um norte que levanta as folhas caídas desta Primavera travestida de Inverno: o Tondela derrotou o Benfica, o Sporting venceu o Portimonense aqui tão ao lado que me pareceu ouvir as alegrias do golo. Em excelente companhia viemos saudar esta dupla imbatível, seja na defesa como no ataque. Rezou assim e por ordem o cardápio das singelezas, com o Vila por perto e o Lisa ao comando do navio: Batatas de cu para o ar, alhada de raia, lula ovada, canja de conquilhas, choco com batata-doce e ervilhas, carne de porco com miga gata e, grand finale, sopa de rabo de boi com grão. À laia de posfácio, conte-se as energéticas bolas de figo com amêndoa e a levíssima aguardente.


16 desporto

3.5.2018 quinta-feira

As águias foram à Ilha Formosa golear o Hang Yuen por 4-1 e estão mais próximas de assegurar o segundo lugar do Grupo I, após a derrota do Hwaepul frente ao 25 de Abril, por 2-0

TAÇA AFC BENFICA DE MACAU REGRESSA ÀS VITÓRIAS COM GOLEADA

Exemplo para Lisboa

Após uma bola longa para o ataque à procura de Carlos Leonel, Haung Shih-Yuan chega primeiro de cabeça e corta o lance. Contudo, Nikki foi o mais rápido a ganhar o ressalto e assistiu Edgar Teixeira

U

M autogolo de Haung Shih-Yuan, defesa do Hang Yuen, abriu ontem o caminho para o triunfo do Benfica de Macau frente à formação de Taiwan por 4-1. Os comandados por Bernardo Tavares entraram melhor na partida, com um golo de Nikki Torrão, mas

permitiram o empate, minutos depois. No entanto, Haung voltaria a colocar os encarnados em vantagem e PUB

HM • 1ª VEZ • 3-5-18

ANÚNCIO PROCESSO: DECLARAÇÃO DE MORTE PRESUMIDA n.º CV3-18-0009-CPE

3º JUÍZO CÍVEL

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO REQUERIDOS: IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG, casado, com última residência conhecida na China, Pac San, ora ausente em parte incerta; e INTERESSADOS INCERTOS. ****** FAZ-SE SABER que, pelo 3º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos, respectivamente, de TRÊS MESES e TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o ausente IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG e os INTERESSADOS INCERTOS para, no prazo de TRINTA DIAS, findos os dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos acima identificados, apresentada pelo requerente, na qual pede se julgue procedente e provada a presente acção e, em consequência, se declare a morte presumida de IONG KUAI FU também conhecido por IONG CHU CHENG, devendo as provas ser requeridas com a contestação, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua disposição. Aos 23 de Abril de 2018

canto batido por Hugo Silva, na direita do ataque benfiquista, o guardião Huang Chiu-Lin consegue socar o esférico em cima da linha de golo, mas o defesa Haung Shih-Yuan, de forma incrível, cabeceia para a própria baliza e faz o 2-1.

até ao final, apesar de uma menor a posse de bola, houve tempo para apontar mais dois tentos. Apesar das várias dúvidas até à hora do encontro, o Benfica entrou no habitual 4-4-2, com a defesa a ser constituída por Chan Man, Amâncio, no lugar de Gilchrist, que estava castigado devido a acumulação de amarelos, David Tetteh e Lei Chi Kin. No meio-campo, o treinador promoveu poucas alterações, Edgar Teixeira, Cuco, Hugo Silva e Pang Chi Hang foram os escolhidos para servir uma frente de ataque constituída pela habitual dupla Carlos Leonel e Nikki Torrão. Por sua vez, o Hang Yuen apostava em conseguir a primeira vitória na competição e entrou em campo com um agressivo sistema táctico de 3-5-2, com uma posse de

bola dominante e sempre à procura de sair em ataque organizado. Aproveitando o pendor ofensivo da equipa orientada por Chen Yung-Sheng, o Benfica chegou à vantagem logo aos 11 minutos. Edgar Teixeira tentou fazer um passe longo, em contra-ataque, a servir Carlos Leonel. Mas a bola acabou cortada por um defesa. No entanto, Nikki antecipou-se à defensa contrária, ganhando o ressalto e rematou para o 1-0.

Oito minutos depois chegou o golo do empate. Após uma bola bombeada para a área do Benfica de Macau, o guarda-redes Batista tem uma saída completamente fora de tempo. Sem ninguém na baliza, a bola cabeceada por Chen Ching-Hsuan só parou no fundo das redes, enquanto o guardião levava as mãos à cabeça.

ERRO TAIWANÊS E VITÓRIA

No entanto, o erro de Batista deixou de ter importância, aos 25 minutos. Após um

25 DE ABRIL SOMA E SEGUE

N

o outro jogo do Grupo I da Taça AFC, entre formações norte-coreanas, o 25 de Abril derrotou o Hwaepul por 2-0. Com mais uma vitória caseira, a equipa do exército norte-coreano soma agora cinco jogos em cinco partidas. Os golos foram apontados por An Il-bom, logo aos 19 minutos de jogo, e por Kim Yu-sing, aos 24. Na próxima jornada o Hwaepul visita o Benfica de Macau, já o 25 de Abril recebe a visita do Hang Yuen, que ainda procura a primeira vitória na competição

Já no segundo tempo, aos 77 minutos, chegou o terceiro golo dos encarnados. Após uma bola longa para o ataque à procura de Carlos Leonel, Haung Shih-Yuan chega primeiro de cabeça e corta o lance. Contudo, Nikki foi o mais rápido a ganhar o ressalto e assistiu Edgar Teixeira, que rematou colocado par ao 3-1. Já com o Hang Yuen todo balanceado para o ataque, aos 89 minutos, Carlos Leonel, no contra-ataque, fez um passe a rasgar para Nikki Torrão, que na área tirou o guarda-redes da frente e bisou, fazendo o 4-1. Com esta vitória, o Benfica soma três vitórias em cinco encontros e defronta na próxima jornada do Grupo I o Hwaepul, a 16 de Março, em Macau. O empate ou uma derrota por 1-0 ou mesmo 2-1, garantem o segundo lugar do grupo aos encarnados.

Futebol Guarda-redes do Bayern não consegue explicar erro contra Real Madrid O guarda-redes Sven Ulreich, do Bayern de Munique, disse ontem que não consegue explicar o erro no segundo golo do Real Madrid, no empate a 2-2 entre as duas equipas, nas ‘meias’ da Liga dos Campeões de futebol. O resultado de terça-feira eliminou os alemães depois de um 2-1 na primeira mão, e permitiu aos ‘merengues’

atingirem a terceira final consecutiva, tendo ganho as últimas duas, e o erro de Ulreich, que permitiu que o francês Benzema marcasse, custou a eliminatória. “As palavras não podem descrever como estou desapontado com a eliminação. Queríamos muito chegar à final, demos o nosso melhor, e depois este erro desnecessário

aconteceu-me”, confessou o alemão, através do Instagram. O guarda-redes, que tem substituído esta época o lesionado Manuel Neuer, pediu desculpa pelo erro, “à equipa e aos adeptos”, e recebeu várias mensagens de apoio na publicação, depois de na terça-feira à noite ter ficado sozinho no relvado muito para lá do final do jogo.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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6O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria Tap Seac | Até 17/06

5 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” 9 3 5 2 7 8 4 1 6 Studio City Macau 7 4 8 9 1 6 5 2 3 6 2 1 4 5 3 8 9 7 Cineteatro 5 6 9 C 8 4I 1N 7E 3 M2 8 7 4 3 2 9 1 6 5 3 1 2 5 6 7 9 4 8 2 5 7 1 3 4 6 8 9 4 8 6 7 9 2 3 5 1 1 9 3 6 8 5 2 7 4

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UM DISCO HOJE “Play” ainda perdura na memória de muitos como um dos álbuns essenciais do final do século XX. Depois disso, Moby viveu um pouco à sombra desse disco, tendo lançado “Hotel” com o bom single “Lift me Up”. Com este novo álbum, o músico e produtor norte-americano mantém a sonoridade que lhe é característica e que ainda lhe garante uma legião de fãs, mas lhe falta-lhe ali qualquer coisa. Ainda assim, vale a pena o regresso, por se manter genuíno. Andreia Sofia Silva RAMPAGE SALA 1

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5 3 AND6 NOTHING HURT | MOBY EVERYTHING WAS BEAUTIFUL,

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Quando 10era miúda e me ensinaram o que era um talento, disseram-me 8 3 de6um dom. 4 7Um1pes-9 que se tratava soa com um talento seria alguém 1mais 9 do7que3os seus 2 pares 5 4 que sabe acerca de 5 determinada 2 4 8matéria. 9 6Vim7 para Macau. Uma terra cheia de talentos.3 Uma 6 terra 1 9que 8promove 4 5 os talentos. Uma terra que até tem 2 os7 que9 venham 5 1 de3fora8 medo que tirem o lugar aos seus talentos. São 5 8 são 2 talentos 6 7 de3 talentos4bilingues, gestão e9de turismo. São talentos 8 3 1 4 2 de6 engenharia e de arquitectura (curso que nem7existe 1 por 5 cá”. 6 Talentos 3 9 de2 medicina que vêm de outros lugares 6 se4querem 2 7bem5da terra. 8 1 mas que Talentos das artes e outros que tais. Fui verificar a definição e talentos. Fiquei com dúvidas. Estaria eu num 8 12 lugar excepcional? Seria a definição que tinha 3 5 Afinal 58 um 92 erro6 absoluto? 69 1 não. De acordo com o Priberam, o 5 48 ser87um 4peso3 talento 9 pode1realmente da Grécia Antiga (o 2 5 27 63 54 que6não1se aplica por cá) mas na generalidade é uma “aptidão adquirida” 7 1 natural  6 9ou  2 4 5 ou8 “engenho,  disposição,  habilidade”. 89 angústia, 96 8 a2 3 com 5 a37mesma Continuo de perceber onde está tanto talento 1 pequeno 2 4território 8 7onde3se usam 1 29 neste e abusam lhes3 saber 75das7palavras 3 1sem42 6 4 o conteúdo. Mas, no meio disto tudo, descobri 2 4o verdadeiro 9 12 5talento 8 local, 7 6 o de saber usar palavras à toa, sem 8 91 34O talento 9 53 do7 lhes dar6 significado. blablabla. Sofia Margarida Mota

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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8 (f)utilidades 176 2 5 9 4 7 1 8 4 5 9 2 1 3 4 6 8 7 9 3 2 3 1 7 6 4 8 2 7 3 2 1 4 6 5 8 2 6 5 9 7 1 3A 4 E9U 2 R O6 95. 637 4 B 7 A H T 0 . 275 6Y U N 21 .12 79 6 1 7 8 2 5 9 5 4 2 3 8 9 7 5 4 3 9 1 8 6 1 9 8 7 6 5 4 VIDA DE9CÃO7 1 8 5 4 3 1 8 4 6 5 9 3 3 9 5 2 8 7 1 2 3 5 1 7 6 8 UMA QUESTÃO 8 7 1 3 6 2 4 6 8 4 9 3 2 5

S U D O K U

1 2 7 5 1 7 3 2 6 4 9 8 1 9 4 7 3 6 5 8 2 6 3 4 9 6 1 7 8 3 2 5 5 8 2 4 1 9 7 6 3 1 5 2 8 3 4 5 9 7 1 6 7 3 6 2 5 8 1 4 9 9 8 9U3M 6 7 0 - 9 8 % 8 •1 T1 E M2P O4 7A G8U A3C E5I R6O S9 M I N 225 4 M8A X5 7 3 11 H 8 3 5 6 9 4 1 7 2 6 1 5 3 9 4 2 7 8 3 4 7 6 9 2 1 5 8 4 3 9 7 3 8 6 2 4 5 1 2 7 7 8 5FAZER 4 2 9 3 1 8 5 1 6 2 7 3 9 4 7 2 O6 QUE 9 4 2SEMANA 8 3 1 6 5 7 4 2 7 9 8 3 6 1 5 4 6 ESTA 3 5 1 9 6 7 2 8 4 3 6 9 1 4 5 8 2 7 5 9 Amanhã INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “APAIXONADOS 3 4 9 POR MACAU - CALIGRAFIA E PINTURA DE MACAU” Museu de Macau 3 de6Arte 9 8 | 18h30 7 2 5 4 1 7 5 3 1 4 6 2 8 9 1 3 Sábado 5 8 2 4 6 1 7 3 9 1 4 2 3 8 9 5 6 7 9 6 FAM | “HANJIANG GATE” - ÓPERA CANTONENSE 1 Alegria 7 4| 19h30 3 9 5 6 2 8 6 8 9 7 2 5 1 4 3 2 7 Cinema 3 6 2 1 4 8 9 5 5 1 4 9 7 8 6 3 2 5 9 FAM7| “MIGRATION” Macau Experimental Theatre | Antigo Tribunal | 20h00 8 2 5 7 3 9 4 1 6 3 6 7 2 5 1 4 9 8 6 2 Domingo 4 9 1 6 5 8 3 7 2 2 9 8 6 3 4 7 1 5 4 8 FAM | “MIGRATION” Macau 6 Experimental 5 3 1Theatre2| Antigo 7 Tribunal 9 8| 20h00 4 8 7 5 4 1 3 9 2 6 8 1 Diariamente 9 1 8 5 4 3 2 6 7 9 2 1 8 6 7 3 5 4 3 5 MULHERES ARTISTAS 2 4Internacional 7 9de Macau 8 6| MAM1| Até513/5 3 4 3 6 5 9 2 8 7 1 7 4 1ª Bienal quinta-feira 3.5.2018

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18 opinião

3.5.2018 quinta-feira

perspectivas

A China e a inovação (II)

JORGE RODRIGUES SIMÃO

“China’s innovative ability languished after the fourteenth century. Today, however, China is determined not only to catch up with the West, but to re-establish itself at the forefront of technological innovation. Two forces are driving the surge of Chinese innovation. One is based on need-China’s pressing need to solve the myriad domestic problems that rapid economic development has created. The other is based on a new strategic direction for Chinese corporations: to enter high-value, high-margin sectors that are internationally competitive and where they will be matching global corporations, innovation for innovation. Much of this recent drive is through mergers with and acquisitions of successful Western firms that were made to gain brands, technology, and markets” China’s Next Strategic Advantage: From Imitation to Innovation George S. Yip and Bruce McKern

O

sucesso do sítio de leilões, “Taobao”, acabou por forçar o “eBay” a sair da China. Se analisarmos o “Baidu”, líder de mecanismos de busca chinês, que cresceu maciçamente no mercado doméstico com uma oferta que não fractura nenhum campo tecnológico e não desafia a ortodoxia política e adaptou o seu produto, organização e processos às necessidades da manta de retalhos chinesa dos mercados regionais. O “Baidu” tem uma procura de 80 por cento, tendo-se tornado no maior motor de busca do mundo. Assim como o Japão alcançou os Estados Unidos tecnologicamente em muitas indústrias durante as três décadas após a II Guerra Mundial, a China está a fazer o mesmo através de inovações. Adaptar a tecnologia tornou-se uma prática padrão e altamente lucrativa. Obter essa tecnologia por meio de aquisições, no entanto, é uma nova tendência importante. A escrita tem sido volumosa sobre a actual onda de investimentos directos estrangeiros no exterior, a maioria dos quais se concentrou em recursos de matérias-primas, particularmente na África e na América Latina. A mudança para os Estados Unidos e Europa pela tecnologia, no entanto, não é menos significativa. As empresas chinesas cansadas de pagar taxas de licenciamento, marcas e patentes, têm cada vez mais, e com o incentivo do governo, tentado comprar, em vez de alugar, capacidades revolucionárias de inovação por meio da aquisição de tecnologia e talento. Se observarmos o caso da “Huawei” que é retratada como a maior empresa da qual nunca se ouviu falar, que engloba centros de P&D em todo o mundo, e as controvérsias geradas sobre as suas tentativas de aquisição nos Estados Unidos. A “Haier” é uma das principais fabricantes chinesas de electrodomésticos e electroelectrónicos, possui uma rede similarmente

ampla de centros globais de projecto e P&D nos Estados Unidos, Japão, Coreia, Itália, Holanda e Alemanha. Para os fabricantes de automóveis chineses, Turim é o lugar para se localizar, com os centros de P&D operacionais em Zhuhai, Changchun e Changan. As correntes culturais anti-ocidentais podem ser fortes domésticamente, mas empresas chinesas privadas que operam no exterior adoptaram talentos seniores locais. A “Huawei” tem contratado os melhores executivos estrangeiros americanos e ingleses para liderar os esforços de P&D nos Estados Unidos e supervisionar todo o orçamento e operações. Todos estão subordinados ao fundador e presidente da “Huawei”, um ex-oficial militar chinês. A fabricante de turbinas “Goldwind”, de igual forma contratou executivos de créditos firmados no campo de energia limpa, para representar a empresa nas suas operações nos Estados Unidos. A fabricante de máquinas “Sany”,

A China em breve obterá mais “PhDs”, a cada ano do que qualquer outro país do mundo, dado que as universidades chinesas pretendem ser berços de pesquisa e forças criativas de alto nível, capazes de transformar pesquisa e inovação em maior produtividade. O governo chinês e muitas outras fontes estão a injectar enormes receitas nas principais instituições

cujos principais concorrentes internacionais incluem a “Caterpillar” e a “Komatsu”, tentou inicialmente ter sucesso nos mercados europeu e americano, contando com talentos e tecnologia locais. Mas alguns passos errados encorajaram a empresa a estabelecer centros de P&D intimamente ligados à sede regional europeia e americana e a contratar profissionais desses países. A aquisição pela “Sany” da “Putzmeister”, líder na fabricação de bombas de cimento da Alemanha, em 2012, deu à empresa acesso à tecnologia de um único concorrente. Vemos as empresas chinesas a fazer um esforço concertado e eficaz para preencher grandes lacunas na sua capacidade de inovação por meio de aquisições e parcerias estrangeiras cada vez mais difundidas. Ainda assim, para se tornar uma força líder de inovação no século XXI, os chineses precisam de alimentar os inovadores do futuro. Esse é o trabalho das universidades chinesas. Na primeira metade do século XX, a China desenvolveu fortes instituições estatais como a “Universidade de Pequim”, “Universidade Jiao Tong”, “Universidade Nacional Central” e, no apogeu da pesquisa, a “Academia Sinica” que foram acompanhadas por um conjunto criativo de faculdades e universidades privadas. Actualmente, as faculdades e universidades particulares são responsáveis​​ por mais de um quarto de todas as instituições de ensino superior na China, e estão a crescer mais rapidamente que as públicas. As grandes empresas também estão a envolver-se. A unidade “Taobao” do “Alibaba”, por exemplo, estabeleceu a “Universidade Taobao”, inicialmente para treinar proprietários de “e-business”, gestores e vendedores e com o tempo, oferecerá educação de negócios para mais de um milhão de estudantes “on-line”. A

China em breve obterá mais “PhDs”, a cada ano do que qualquer outro país do mundo, dado que as universidades chinesas pretendem ser berços de pesquisa e forças criativas de alto nível, capazes de transformar pesquisa e inovação em maior produtividade. O governo chinês e muitas outras fontes estão a injectar enormes receitas nas principais instituições. Dentro de dez anos, os orçamentos de pesquisa das universidades de elite da China aproximar-se-ão das suas congéneres americanas e europeias, e em engenharia e ciências, as universidades chinesas estarão entre os líderes mundiais. Será que as universidades chinesas estabelecerão padrões globais no século XXI? É possível (mesmo que nenhuma actualmente esteja na lista das cinquenta melhores a nível mundial) simplesmente por causa dos recursos que provavelmente terão. Mas a questão mais importante é se a China tem um bom quadro institucional para a inovação. A resposta é que a muito curto prazo terão. A independência de procurar ideias onde quer que possam levar é uma pré-condição para a inovação nas universidades. Mas, por qualquer medida comparativa, os membros do corpo docente nas instituições chinesas terão maior poder na sua governança. Tal como na indústria, na educação, a China pode desfrutar por algum tempo daquilo que Joseph Schumpeter chamou de vantagem inicial que é a capacidade de aprender e melhorar o trabalho dos seus antecessores imediatos. A China mostrou inovação através da adaptação criativa nas últimas décadas e agora tem capacidade para fazer muito mais. A China terá a sabedoria para aliviar e a paciência para permitir o surgimento pleno do que Schumpeter chamou de verdadeiro espírito de empreendedorismo? Sobre isso, não há que ter dúvidas.


opinião 19

quinta-feira 3.5.2018

bairro do oriente

E

A casa de papel de jornal

STIVE um dia destes a seguir com atenção um pequeno debate nas redes sociais sobre o papel da imprensa em geral, e dos jornalistas em particular nos dias de hoje, na era da internet. Já sei que estou entrar por terrenos que não são os meus, e já agora aproveitava para deixar claro que não sou jornalista, nunca fui nem nunca tive a intenção de ser. Isto ainda parece fazer confusão a alguma boa gente, que assume (erradamente) que há quem queira ser uma “alternativa” ao jornalismo convencional. Essa alternativa não existe, e era exactamente esse o tópico mais quente da referida discussão: o ponto da situação actual do jornalismo. Falava-se ali de um conceito muito lato e um tanto abstracto: a emergência dos “social media”; os blogues, o Facebook, o Twitter, etc. como uma alternativa à imprensa tradicional. Qualquer pessoa que frequenta as redes sociais sabe que nem toda a informação ali divulgada é para ser levada a sério. Das copiosas quantidades de imagem e texto que nos passa à frente dos olhos no ecrã do desktop (cada vez menos) ou do telemóvel (cada vez mais) há de tudo, desde informação credível, normalmente a mais básica, até às famosas “fake news”, passando por publicidade encapotada de notícia. Encontrar algum trigo no meio de tanto joio torna-se por vezes um caso sério. A imprensa tradicional sofreu com o evento da internet da mesma forma que a correspondência postal sofreu com o aparecimento da e-mail. As pessoas deixaram simplesmente de comprar jornais – não deixaram, é verdade, mas a queda foi acentuada, e os jornais passaram a precisar de ir buscar outras formas de sobrevivência. Cada vez mais, e mais diversas. E começou a ser aqui que a opinião pública se começou a dividir, sobre o que é verdade e não é. Sobre quase toda a imprensa, quer a escrita, quer a audiovisual, recai um manto de suspeita; a que grupo pertence aquele determinado geral, quem são os accionistas de determinado canal de televisão, em suma, quem é quem e como pensa cada um, e se nos interessa o que eles nos têm para dizer. E é aqui que surgem os tais “social media”, a servirem malgas de desinformação quentinha, ao gosto de alguns, e repudiado por outros. Digamos que são a sopa de cação dos “mass media”. Há quem aprecie, e há quem não goste de vinagre. A situação piorou especialmente depois da crise dos refugiados da Guerra da Síria, que serve muito bem de exemplo para ilustrar um mal que vai muito para além disso. A referida crise foi acompanhada de imagens horrendas do conflito na Síria, ao mesmo tempo que amiúde saíam vídeos horríveis da autoria do ISIS,

JOHANNES GUTENBERG’S PRINTING PRESS

LEOCARDO

onde se viam decapitações e outros actos de barbárie. Por um lado houve quem se preocupasse com a possibilidade das atrocidades poderem vir a ter lugar no Ocidente, que ia recebendo os refugiados vindos do palco do conflito. Por outro lado alguns “gigantes adormecidos”, ora a extrema-direita, ora o racismo clássico recalcado, viram aqui uma oportunidade para usar o medo como forma de chegar a

mais público, e tentar convencer o maior número de gente possível de que ocorrem mirabolantes conspirações contra o lado bom (?) da humanidade. O motivo dos primeiros é perfeitamente atendível, e os dos segundos é atroz, mas no meio de tanta contra-informação, “fake news” e tudo mais, a retórica confunde-se. É mesmo preciso ter cuidado naquilo que se acredita, ou fazer um exame de consciência,

Das copiosas quantidades de imagem e texto que nos passa à frente dos olhos no ecrã do desktop (cada vez menos) ou do telemóvel (cada vez mais) há de tudo, desde informação credível, normalmente a mais básica, até às famosas “fake news”, passando por publicidade encapotada de notícia. Encontrar algum trigo no meio de tanto joio torna-se por vezes um caso sério

sobre o que é realmente humano, e o que é – e foi – comprovadamente abjecto. E onde entram os jornalistas propriamente ditos nesta história? Não entram, nem precisam de entrar. O papel deles é hoje mais importante que nunca. É ainda graças a eles, ora através das agências ou de alguma imprensa regional que ainda vamos sabendo a verdade. Alguma verdade, pelo menos. Os tais “social media” não existem, e se um dia vierem a existir, estão a ir pelo caminho errado. Eu não me acho invulnerável à falsa informação, e às vezes também deixo baixar a guarda e falha-me a atenção. Mas nunca é demais lembrar que também temos responsabilidades, e é conforme o que pensamos que é o melhor para nós e para os nossos que tomamos decisões. Convinha que de vez em quando também parássemos para pensar o que é melhor para todos.


Age da maneira que gostarias de ser e em breve serás da maneira que ages. Leonard Cohen

PJ Criança de dois anos agredida por empregada doméstica

PALAVRA DO DIA

O povo é sereno

De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a Política Judiciária (PJ) deteve uma empregada doméstica, de 28 anos de idade, da nacionalidade birmanesa, que foi contratada por uma família de Macau para cuidar de uma menina de dois anos. No passado dia 27 de Abril, a empregada informou a mãe da menina de que esta tinha sofrido ferimentos na cabeça por ter caído no chão enquanto brincava. No dia seguinte, a criança foi levada a um centro de saúde e depois ao Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ). O médico terá notado que, além de ferimentos na cabeça, a menina tinha nódoas negras nas mãos e nas pernas, indícios de uma alegada agressão. A família tinha câmaras de videovigilância em casa, cujas imagens terão revelado uma agressão com uma colher de madeira. A empregada doméstica foi acusada de ofensa simples à integridade física.

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Espanha ETA anuncia fim do seu “ciclo histórico” e dissolução

A organização separatista basca ETA anunciou a decisão de terminar o seu “ciclo histórico” e de dissolver “completamente todas as suas estruturas” numa carta publicada ontem num jornal espanhol. Na missiva, enviada a instituições bascas e a grupos da sociedade civil e divulgada pelo jornal ‘online’ eldiario.es, a organização transmite a sua decisão de “dar por terminado o seu ciclo histórico e a sua função”. A “ETA dissolveu completamente todas as suas estruturas e terminou a sua iniciativa política”, refere a carta datada de 16 de Abril, citada na agência noticiosa espanhola EFE. Fontes conhecedoras do processo tinham dito à EFE que a ETA iria anunciar a sua dissolução a 5 de Maio, durante uma cerimónia marcada para Bayona, no País Basco francês. No dia 20 de Abril, num comunicado divulgado pelos jornais espanhóis Gara e Berria, a ETA reconheceu os “danos causados” e a “responsabilidade directa” no “sofrimento excessivo” da sociedade basca durante décadas, pelo qual pediu “sinceras desculpas”. A ETA (Euskadi ta Askatasuna ou Pátria Basca e Liberdade) matou mais de 800 pessoas durante a sua campanha de cinco décadas para criar um Estado basco independente no norte de Espanha e no sul de França.

China Pequim nega ter “subornado” República Dominicana

A China recusou ontem as acusações de Taiwan de que conseguiu que a República Dominicana rompesse as relações diplomáticas com Taipé a troco de empréstimos no valor de 2.500 milhões de euros àquele país.“Não fizemos qualquer acordo e não há essa necessidade”, afirmou ontem Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China e República Dominicana, Wang Yi e Miguel Vargas, respectivamente, assinaram na terça-feira, em Pequim, o estabelecimento das relações bilaterais, o que supõe um corte de Santo Domingo com Taipé. O Ministério taiwanês dos Negócios Estrangeiros assegurou, entretanto, que Pequim prometeu empréstimos ao país do Caribe. Em Pequim, Hua Chunying assegurou que o “estabelecimento das relações diplomáticas tem apenas uma premissa, que a República Dominicana respeite o princípio de uma só China”. Também o senador norte-americano pela Florida Marco Rubio acusou a China de “subornar” a República Dominicana e pediu ao Congresso do EUA que faça mais para travar a crescente influência de Pequim na América Latina.

quinta-feira 3.5.2018

Cooperação Geminação com Phuket na calha Turista que bateu em criança e empregada saiu da esquadra sem acusação

O

turista do Interior da China que foi visto a agredir uma menina menor, no Jardim Cidade das Flores, e que depois se envolveu na troca de agressões com dois residentes não vai ter de responder perante a justiça. O facto foi confirmado, ontem, pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública, ao HM, depois do vídeo com as agressões se ter tornado viral nas redes sociais. Segundo a explicação oficial, o caso não foi encaminhado para o Ministério Público porque os agredidos e as pessoas intervenientes não quiseram apresentar queixas, mesmo depois de estarem na esquadra. “Não houve acusações. As pessoas envolvidas foram levadas para a esquadra e consideram que o caso foi uma pequena

agressão. Ninguém quis apresentar queixa”, confirmou ontem ao HM fonte da PSP. “Como não foi preciso levar ninguém para o hospital não é crime público. Não houve internamentos e a situação fica resolvida assim. O procedimento judicial dependia da vontade das pessoas envolvidas”, clarificou a porta-voz da PSP. O caso foi registado no sábado à tarde, no Jardim Cidade das Flores, onde o turista do Continente estava com a mulher e a filha. Quando a menina brincava com um menino local surgiu uma discussão, que acabou com a criança de Macau a bater na filha do turista. “Ele viu um menino a bater na cabeça da filha. Como não gostou foi ao pé do menino e bateu-lhe com três palmadas no traseiro. A empregada domés-

tica que estava com o menino, mandou-o parar. Ele respondeu com pontapés na empregada”, relatou a PSP, ao HM. Foi a partir do caso com a empregada que alguns dos presentes no jardim decidiram intervir para colocar um fim à situação. Dois adolescentes acabaram mesmo por imobilizar o turista. Já na esquadra os intervenientes fizeram o relato mas optaram por considerar que o caso se tratou de algo menor, apesar do turista ter sido algemado e levado para a esquadra. “A cena foi vista por várias pessoas e houve dois adolescentes que se aproximaram. Nessa altura, houve trocas de agressões, mas ninguém quis apresentar queixa. O caso ficou resolvido assim”, foi explicado. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Macau vai assinar um memorando de entendimento para a geminação de cidades com Phuket. A informação consta de um despacho do Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, que delega poderes na coordenadora do Gabinete de Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Externos, Lei Ut Mui, para firmar o documento de geminação com aquela cidade tailandesa. O despacho produz efeitos a partir de hoje.

Obras Renovação do Teatro Capitol pode avançar este ano

De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, as obras de renovação de alguns andares do Teatro Capitol poderão arrancar ainda este ano. William Kuan, empresário e um dos proprietários do edifício, disse que as obras, que terão uma duração de oito a nove meses, serão geridas pela comissão dos proprietários. A empresa responsável pela construção vai ser escolhida dentro da semana. William Kuan disse também que no final de Junho o palco poderá receber actividades ligadas à área das indústrias culturais e criativas.

Hoje Macau 3 MAI 2018 #4043  

N.º 4043 de 3 de MAI de 2018

Hoje Macau 3 MAI 2018 #4043  

N.º 4043 de 3 de MAI de 2018

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