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˜ DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUARTA-FEIRA 3 DE ABRIL DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4263

SCOTT CHIANG

TRADUÇÃO

PÁGINA 8

PÁGINA 7

UNIÃO EUROPEIA

MOP$10

METRO LIGEIRO

Fiscalizar JOGO DOS TABULEIROS sem poder

Julgado Vozes outra vez ao alto

GRANDE PLANO

PÁGINA 5

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hojemacau

Colheita limitada Os Serviços de Saúde querem saber qual é a capacidade de resposta ao vírus do sarampo das empregadas domésticas filipinas. A partir de hoje estão abertas inscrições para uma colheita de sangue, no próximo sábado, que deverá abranger 100 trabalhadoras. ÚLTIMA

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UM VIAJANTE LI HE

COMO UM GARFO JOÃO PAULO COTRIM

AMIGOS

NUNO MIGUEL GUEDES


2 grande plano

Situada no meio da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, a União Europeia deve clarificar relações com a Ásia para desenvolver as suas empresas e travar eventuais pressões dos EUA ou de países do norte da Europa que tentem sabotar essas parcerias. O tema “A ascensão da RPC no tabuleiro internacional do pós-Guerra Fria” esteve ontem em debate na Universidade do Porto

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O princípio era a União Soviética e os Estados Unidos, mas, com a queda da URSS, a China tem assumido cada vez mais um papel de relevo, tanto a nível económico como diplomático. No meio está a União Europeia (UE), que deve clarificar e reforçar o seu posicionamento no contexto da guerra comercial que se vive nos dias de hoje. A Universidade do Porto (UP), em Portugal, acolheu ontem a palestra “A ascensão da República Popular da China

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CHINA

NO MEIO ESTA

ANALISTAS DEFENDEM REFORÇO DA POSIÇÃO DA UE NO CONTEXTO DA GUERRA COMERCIAL

(RPC) no tabuleiro internacional do pós-Guerra Fria”, que contou com a presença de Rui Lourido, presidente do Observatório da China (OC), Jorge Cerdeira, docente da Faculdade de Economia da UP, e António Lázaro, director do Instituto Confúcio da Universidade do Minho. Em declarações ao HM, Rui Lourido defendeu que é altura da UE assumir a importância do seu posicionamento geoestratégico. “A Europa tem de compreender que a China não é um inimigo, mas sim um concorrente com o qual deve

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fazer parcerias e estabelecer um relacionamento pacífico e de mútuo interesse”, começou por dizer. Neste sentido, a Europa “deve abrir-se às negociações com a China de igual para igual, sem prescindir das suas alianças que podem ligar o continente à América, mas elas não são incompatíveis, bem pelo contrário, deverão ser complementares”. Também Jorge Cerdeira defende que a UE é, nos dias de hoje, “um dos principais players internacionais, tal como a China ou os Estados Unidos”, “ocupando uma

posição de destaque na produção, exportações, importações e investimento a nível internacional”. Neste contexto, a UE deve compreender qual o seu papel no seio destas relações diplomáticas. “Naturalmente que nesta fase em que existem muitas incertezas sobre o futuro das relações económicas internacionais, a Europa deverá ter uma posição clara e unida sobre o assunto e ser capaz de assumir o seu papel de relevo no xadrez internacional.” Para Jorge Cerdeira, essa necessidade não tem sido cumprida

“muito devido aos constrangimentos internos que tem sofrido (que incluem a crise das dívidas soberanas, a questão dos refugiados, o processo do Brexit ou as diferentes posições dos países relativas à política da União)”, defendeu.

PRESSÕES AMERICANAS

No passado dia 5 de Março o Conselho da UE aprovou as novas regulações que serão feitas aos investimentos estrangeiros provenientes de países terceiros em sectores estratégicos, como têm sido os investimentos chineses.


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A VIRTUDE

Baía e África, que serão centrais para a construção de um mundo pacífico, rentável e produtivo”.

REGULAR É PRECISO

Apesar de falar de pressões dos países do Norte da Europa e dos Estados Unidos, Rui Lourido acredita que a regulação do investimento directo estrangeiro na UE é necessária. “Este relacionamento deve ser escrupulosamente encaminhado e regulado nos interesses comuns de ambas as empresas”. Jorge Cerdeira recorda que os investimentos chineses na Europa têm aumentado progressivamente desde que o país entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. “À Europa cabe, dentro da ideologia do nacionalismo pragmático que hoje se apregoa no que concerne à atracção e restrição do investimento directo estrangeiro, seleccionar os investimentos que entende serem favoráveis e rejeitar os que entende serem menos interessantes.” Se Rui Lourido fala de pressões em prol da regulação, Jorge Cerdeira interpreta estas iniciativas como naturais. “Tal prática, comum noutros países (tal como, por exemplo, na China), deve ser encarada com naturalidade, ainda que, evidentemente, reste saber como é que esse processo de ‘filtragem’ (do investimento directo estrangeiro) vai ser efectivamente feito na prática”, disse ao HM. “Fecharmo-nos ao relacionamento com a China não é bom, é o caminho inverso que a Europa e Portugal devem ter. A China é neste momento a segunda grande nação a registar as patentes de investigação, está quase colada aos Estados Unidos. Considero que esta aliança com empresas chinesas que detém esse know-how torna-se fundamental para a expansão das empresas portuguesas e a sua expansão nos mercados”, acrescentou Rui Lourido.

GUERRA FRIA 2.0

Para Rui Lourido, a UE deve analisar as propostas chinesas de acordo com os seus interesses, mas defende que neste processo de regulação há não só uma pressão dos países do norte da Europa, como é o caso da Alemanha ou França, mas também dos Estados Unidos, a quem não interessa “uma Europa unida”. “Vejo estes regulamentos que têm vindo a ser levantados na sequência de pressões americanas e desta guerra comercial que é nefasta para o relacionamento e desenvolvimento das empresas europeias.”

Para Rui Lourido, “as empresas alemãs são concorrentes das empresas chinesas e não há mal nenhum nisso”, uma vez que “ambas as empresas devem fazer parcerias no sentido de aproveitarem o mercado chinês”. O presidente do OC recorda os 17 acordos que recentemente Portugal assinou com a China no contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota”, que incluem acções de investimento no Porto de Sines e mais ligações ferroviárias. “Quando Portugal faz isto cria inimizade ou concorrência com os portos do

norte da Europa, que até hoje têm sido centrais para o comércio europeu. Estes países, ao verem que este comércio se pode deslocar para sul, algo que já acontece também com a Grécia, com os investimentos no porto de Piréu, pressionam Portugal para não entrar nestas parcerias que propiciam este desenvolvimento”, defendeu Rui Lourido. O presidente do OC acha que, neste âmbito, “a perspectiva de Portugal tem de ser autónoma” e considera que “não se deve perder o foco face aos investimentos no sul da China e no espaço da Grande

Apesar dos vários encontros, não há ainda uma resolução para o fim definitivo do conflito comercial que opõe a China aos Estados Unidos. Jorge Cerdeira não consegue prever se estamos perante uma nova Guerra Fria, ainda que com outros contornos, mas fala de um futuro “incerto”. “O futuro da relação entre os EUA e a China, bem como a guerra comercial que tem existido, é incerto. Há dados e estudos que sugerem que a guerra comercial já custou aos EUA cerca de 8 mil milhões de dólares. Resta saber qual é a reação que as autoridades de política dos EUA e da China vão ter perante os resultados pouco favoráveis que advêm desta guerra.” Incertezas à parte, o professor da UP acredita que “os últimos dois anos têm contribuído para uma maior afirmação das políticas

proteccionistas face ao que verificou nos anos anteriores”. Rui Lourido também não consegue prever uma nova Guerra Fria, mas fala de um mundo mais perigoso num futuro próximo caso estes conflitos continuem. “Essa guerra comercial que se tenta expandir a outros sectores com grande perigosidade torna o mundo mais instável. A China tem substituído o papel de equilíbrio que a América desempenhava nessas instituições e defende hoje o multilateralismo e a própria ONU.”

“UE deve abrir-se às negociações com a China de igual para igual, sem prescindir das suas alianças que podem ligar o continente à América, mas elas não são incompatíveis, bem pelo contrário, deverão ser complementares.” “Não se deve perder o foco face aos investimentos no sul da China e no espaço da Grande Baía e África, que serão centrais para a construção de um mundo pacífico, rentável e produtivo.” RUI LOURIDO PRESIDENTE DO OBSERVATÓRIO DA CHINA

As relações de conflito neste contexto “devem ser mediadas pela ONU e não por reacções caso a caso”, sem esquecer o papel que entidades como a OMC ou o Mercosul devem ter, defendeu Lourido. “A economia americana perdeu energia com a crise de 2008 e a forma mais inteligente de ultrapassar isso é com um relacionamento concorrencial, mas amigável. Há forças que não pensam assim e temos o presidente norte-americano (Donald Trump) a sair de tratados internacionais e a tentar desestruturar a Europa, porque à América não interessa uma Europa unida e forte.” “Isso leva à criação de conflitos que os europeus devem ver de acordo com os seus interesses e estabelecer parcerias com a Ásia para que possam balancear a sua influência, com países como a China, Índia e Japão”, concluiu Rui Lourido. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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O deputado Ho Ion Sang, ligado aos Moradores, quer saber quando é que o Governo vai implementar a subida de preços para os não-residentes que viajam nos autocarros. É este o conteúdo de uma interpelação divulgada ontem pelo membro da Assembleia

Legislativa. Esta é uma proposta antiga da Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que foi deixada cair devido aos custos da implementação de um sistema diferenciado. Contudo, Ho Ion Sang quer agora saber quando é que o Governo

vai chegar a um novo consenso e aplicar preços mais caros para os trabalhadores não-residentes e turistas. Por outro lado, o legislador pergunta também as medidas que podem ser aplicadas para que a qualidade do serviço aumente.

HO IAT SENG MESMA RESPOSTA A PERGUNTAS DIFERENTES VALE CONTESTAÇÃO

As 100 mil queixas

O presidente da AL referiu o ordenado de Sulu Sou no Plenário e agora não se consegue livrar do deputado. Apesar da queixa oficial ter sido recusada, Ho Iat Seng volta a ser visado, desta vez porque recusou uma contestação com os mesmos argumentos, sem alterações ou explicações adicionais tentou usar um aspecto técnico para que a lei fosse alterada e acabou por ser repreendido por Ho Iat Seng. O presidente do hemiciclo deixou críticas ao deputado devido ao desconhecimento das normas internas e afirmou que este tinha continuado a receber um ordenado de cerca de RÓMULO SANTOS

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ULU Sou apresentou queixa do presidente da Assembleia Legislativa à Mesa do hemiciclo, porque considera que a figura máxima da AL ignorou um pedido de esclarecimentos. Em causa estão as declarações do presidente sobre o ordenado do legislador durante a suspensão e o facto de Ho ter respondido à última contestação com a mesma fundamentação que estava a ser contestada, sem mais explicações. A revelação foi feita ontem pela Associação Novo Macau que justifica a queixa com a luta do deputado com o espírito de renovação da Assembleia Legislativa. “A intenção de aderir a esta batalha processual durante quase oito meses não se justifica apenas com a necessidade de corrigir o tratamento injusto [...] mas pelo espírito de ‘Renovação da Assembleia’”, é justificado em comunicado. Este é mais um capítulo de uma “batalha” dentro da Assembleia entre o pró-democrata e o presidente do hemiciclo, que dura há cerca de oito meses, quando se discutiu as alterações à Lei de Reunião e Manifestação. Nessa discussão, Sulu Sou

TIAGO ALCÂNTARA

Autocarros Deputado Ho Ion Sang pede aumentos para os não-residentes

100 mil patacas, apesar de ter estado suspenso. As afirmações levaram a uma queixa por escrito de Sulu Sou a Ho Iat Seng, por motivos de conduta imprópria, que posteriormente foi reencaminhada para a Comissão de Regimentos e Mandatos da AL. A comissão recusou a queixa,

uma vez que considerou que devia ter sido apresentada logo no Plenário em que Ho proferiu as palavras.

FALAR PARA O BONECO

Este parecer da comissão foi depois utilizado por Ho Iat Seng para recusar a queixa inicial. Sulu Sou levantou

depois várias dúvidas sobre o parecer da Comissão de Regimento e Mandatos, mas recebeu como resposta o mesmo parecer, sem mais explicações. É este ponto que o deputado vem agora contestar junto da Mesa da Assembleia Legislativa. “O despacho de reclamação que aponte erros a um parecer, não pode, naturalmente, voltar a remeter para o parecer. Tal significaria um desrespeito pela reclamação – que contém argumentos novos, posteriores ao parecer e sobre o parecer – um desrespeito pelo Deputado reclamante e um desrespeito pela lei”, consta na queixa mais recente. “Indeferir a reclamação voltando a remeter para o Parecer [da Comissão de Regimento e Mandatos] é ignorar – não conhecer – dos vícios alegados na reclamação”, é acrescentado.

“A intenção de aderir a esta batalha processual durante quase oito meses não se justifica apenas com a necessidade de corrigir o tratamento injusto [...] mas pelo espírito de ‘Renovação da Assembleia.’” ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

As reuniões das Comissão de Regimento e Mandatos em que foram tomadas as decisões sobre a primeira decisão foram contestadas tanto por Sulu Sou como pelo deputado José Pereira Coutinho. Em causa está o facto do primeiro encontro marcado por Kou Hoi In, presidente da comissão, não ter sido do conhecimento de todos os deputados, o que contraria as normais internas da Assembleia Legislativa. A Mesa da AL, que agora recebeu a queixa, é constituída pelo presidente, Ho Iat Seng, vice-presidente, Chui Sai Cheong, 1.º Secretário, Kou Hoi In, e 2.ª Secretária, Chan Hong. Por este motivo, Ho e Kou vão analisar a contestação das decisões que são partes interessadas. No entanto, o comunicado da Novo Macau deixa uma promessa: “O Sulu Sou e os membros da sua equipa nunca se vão manter calados perante qualquer restrição e interpretação arbitrária”. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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O

S fiscais vão perder os poderes de autoridade pública que lhes eram atribuídos na proposta de lei do sistema do Metro Ligeiro. A mexida foi revelada ontem pelo presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que analisa o diploma na especialidade. Trata-se de uma das principais cedências do Governo aos deputados que anteriormente tinham manifestado “preocupações” a esse respeito, recordou Vong Hin Fai. Retirado do diploma foi também o capítulo relativo à expropriação, que tinha sido igualmente colocado em causa pelos deputados que questionaram as razões que levaram o Governo a prever expressamente uma possibilidade já contemplada no Regime de Expropriações por Utilidade Pública. Situação idêntica tinha sido sinalizada no capítulo relativo à responsabilidade penal que, segundo alertou a assessoria da AL, prevê normas semelhantes às já existentes, designadamente quanto à violação das regras de operação e segurança. “Essas normas relativas às infracções deixaram de constar, porque há remissão ao Código Penal”, indicou Vong Hin Fai. A retirada de normas nas três ‘frentes’ referidas, que fizeram a proposta de lei encolher de 66 para 47 artigos, marcou o ponto final na discussão entre deputados e Governo. “Acabou. Agora segue-se a redacção final, toques e retoques, não há mais reuniões”, afirmou o secre-

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GCS

quarta-feira 3.4.2019

Nomeação dos administradores da Metro Ligeiro para breve

METRO FISCAIS ‘PERDEM’ PODER DE AUTORIDADE PÚBLICA

Deixá-los cair

O Governo cedeu aos deputados e retirou a norma que dotava os futuros agentes de fiscalização do Metro Ligeiro de poderes de autoridade pública

tário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, aos jornalistas, à saída da reunião.

NOMEAÇÕES PARA BREVE

Já questionado sobre quem vai administrar a recém-constituída Metro Ligeiro

A empresa, que nasce a meses da entrada em funcionamento da linha da Taipa, prevista para a segunda metade do ano, vai implicar a extinção do Gabinete de Infra-estruturas e Transportes (GIT) como, de resto, era conhecido. Algo que deve

Na banca do interior Residentes vão poder abrir contas na China com o BIR

TIAGO ALCÂNTARA

OI ontem assinado um protocolo de cooperação entre o Governo e o Banco da China, acordo que constitui mais um passo na integração regional do território. De acordo com um comunicado oficial, os portadores de bilhete de identidade de residente de Macau passam a poder abrir contas nas sucursais do Banco da China no continente. “Seguindo-se a premissa do respeito pelas leis, regulamentos e requisitos de fiscalização da China, os residentes de Macau podem utilizar nas instituições do Banco da China na Grande Baía o seu bilhete de identidade como documento legal para tratar de abertura de contas bancárias, de cartões, de registos e de transações, usufruindo de serviços financeiros rápidos para pagamentos, bem

de Macau, a sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, que vai ser responsável pela operação do sistema de metro ligeiro, Raimundo do Rosário escusou-se a adiantar pormenores. “É o que há-de vir a seguir”, respondeu.

acontecer “talvez no espaço de semanas, poucos meses”. “Temos um conjunto bastante grande de coisas a fazer, quer em termos legislativos, quer no que diz respeito à constituição da empresa, à extinção do GIT e à passagem das pessoas e dossiês, portanto, há imensa coisa para fazer”, argumentou. A relação entre a nova empresa e a MTR, de Hong Kong, à qual foi entregue as operações do Metro Ligeiro nos primeiros cinco anos de funcionamento da linha da Taipa também tem gerado dúvidas, nomeadamente no seio da 3.ª Comissão Permanente da AL. Ora, como explicou Raimundo do Rosário, quem vai dirigir, operar e coordenar tudo o que diz respeito ao Metro

como de créditos e serviços para empresas e particulares.” O acordo de cooperação inclui também as mais de 500 instituições do Banco da China no exterior, nas quais os residentes “podem usar os bilhetes de identidade como documento legal para tratar de abertura de contas, cartões, registos e transações no estrangeiro”. O Banco da China vai ainda permitir uma gestão integrada de tesouraria e pagamentos transfronteiriços para as empresas locais, “abrindo canais de circulação de capitais entre Guangdong, Hong Kong, Macau e para o mundo”. De acordo com o mesmo comunicado, os residentes de Macau “podem, apenas com o BIR, gerir negócios financeiros na Grande Baía ou até nas sucursais dos ban-

Ligeiro será a nova sociedade de capitais públicos que tem ao seu dispor três formas de o fazer: “fazer ela própria [essa tarefa], através de uma subconcessão, dado que vai ser concessionária ou por via da aquisição de serviços”. No caso concreto, complementou, o Governo firmou um contrato de prestação de serviços com a MTR que vai passar para a Metro Ligeiro, assumindo a posição contratual do Governo. Não obstante, no futuro, como ressalvou Raimundo do Rosário, existem as três possibilidades sobre a mesa. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

cos comerciais estatais nos países participantes da iniciativa 'Uma Faixa, Uma Rota'”. Além disso, esta medida “permitirá aos residentes usufruir de um 'tratamento equitativo em comparação com os residentes da China interior', referido nas Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, e poderão aceder mais facilmente aos serviços financeiros dos bancos da China interior”. O Governo considera que, com este protocolo, “poder-se-á verdadeiramente promover a circulação de pessoas na Grande Baía, com facilidade e conveniência, o que terá um impacto positivo e profundo na participação da RAEM na estratégia de desenvolvimento nacional”.


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3.4.2019 quarta-feira

Mais um tijolo no murete

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Deputados criticam ritmo das obras públicas na prevenção e redução de catástrofes

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SOFIA MARGARIDA MOTA

Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da Assembleia Legislativa (AL) criticou ontem o andamento das obras públicas para a prevenção e redução de catástrofes, lamentando que muitas continuem a ser uma miragem, a dois meses do arranque da nova temporada de tufões. Os planos das Obras Públicas incluem uma dezena de empreitadas, como as de aumento da altura de muretes, mas a maioria encontra-se “em fase de estudo”. “Estamos atentos aos riscos dos residentes que estão a morar nas zonas baixas”, realçou a presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da AL, lamentando que o Governo tenha adiantado apenas “algumas medidas a curto prazo”, das quais algumas têm data prevista de conclusão em 2021. Explicações que, como apontou, deixaram os deputados “insatisfeitos”. Uma das mexidas nos planos prende-se com a zona oeste de Coloane – que vai passar a cobrir Lai Chi Vun. “Não estava previsto, mas disseram que vai abranger, mas não há calendarização”, apontou, lembrando que chegou a ser apresentado ao Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) um projecto que vai, por conseguinte, sofrer alterações, dadas as mexidas face ao plano inicial. A deputada reconheceu, porém, que outras obras carecem do aval de Pequim, tornando “difícil de controlar” o calendário.

É o que sucede com as comportas, exemplificou Ella Lei, recordando que o Governo Central validou o estudo de viabilidade, mas deu instruções para a realização de outros, entretanto iniciados, mas ainda dependentes da ‘luz verde’ de Pequim. “Dois anos depois [do tufão Hato] é difícil avaliar a nossa capacidade para enfrentar tufões fortes. Estamos preocupados com algumas obras”, sublinhou Ella Lei, apontando o dedo à falta de coordenação entre departamento e à ausência de informações ao público. “Havendo um mecanismo de divulgação de informações, a população pode, pelo menos, saber descansadamente o que o Governo está a fazer, o que vai fazer e qual a sua protecção antes das catástrofes”, observou a presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da AL. Em concreto, para este ano, segundo a apresentação da Ella Lei, prevê-se a concretização de duas medidas de curto prazo: a Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e de Água estima finalizar, em Junho, as obras para aumentar a capacidade de recuo das águas no Porto Interior, instalar comportas amovíveis de retenção nos muretes; enquanto o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai substituir as válvulas que permitem escoar a água para o mar, calculando iniciar as obras em Julho. Válvulas que, no entanto, “não dão resposta a 100 por cento às inundações provocadas por tufões”, servindo “apenas para resolver o problema da maré astronómica”, dado que visam “prevenir o refluxo da água do mar”, observou Ella Lei.

PROTECÇÃO CIVIL À FRENTE

Já ao nível da tutela da Segurança os trabalhos encontram-se numa fase mais adiantada. Na próxima terça-feira, dia 9, a Protecção Civil vai reunir-se, juntando 29 serviços e departamentos que irão expor as medidas e equipamentos para a prevenção e redução de catástrofes. A título de exemplo, o Governo adiantou que vão ser aditados 50 sistemas de alerta sonoro em postos de CCTV e em pontos altos da cidade, indicou Ella Lei. D.M.


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ANTÓNIO FALCÃO

quarta-feira 3.4.2019

Gaspar Zhang, Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM “Neste momento, pelo menos hoje, as máquinas não podem substituir os tradutores nem intérpretes. O nosso objectivo é ajudar os tradutores e os intérpretes.”

IPM LANÇADO SISTEMA DE TRADUÇÃO COM RECONHECIMENTO DE VOZ

Para um bom entendedor O Instituto Politécnico de Macau (IPM) lançou ontem um novo sistema de reconhecimento de voz e interpretação simultânea chinês-português-inglês, com o qual espera aliviar o trabalho de tradutores e intérpretes

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UANDO um orador discursa, o sistema reconhece automaticamente as palavras e transforma-as num discurso escrito, depois, de forma simultânea e automática, faz a tradução”, explicou o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM. Gaspar Zhang falava aos jornalistas à margem do lançamento, que decorreu no âmbito de uma conferência sobre os novos desafios e oportunidades na área da tradução, com recurso à inteligência artificial. “Assim, podemos ver no ecrã um discurso na língua de partida e na língua de chegada”, acrescentou, sublinhando que a interpretação simultânea automática é agora “uma realidade”. O sistema foi desenvolvido pelo Laboratório de Tradução Automática Chinês-Português-Inglês do IPM, inaugurado em Outubro de 2016 pelo primeiro-ministro português, António Costa.

Desde a criação do laboratório, o IPM tem investido muito na área do ‘big date’ e na área da inteligência artificial, lembrou Zhang, mencionando, entre outros, o sistema de tradução chinês-português. O uso deste “sistema auxiliar de tradução chinês-português/ português-chinês de documentos oficiais” foi acordado, em Março, com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. No entanto, Gaspar Zhang ressalvou que o sistema lançado agora foi desenhado para aliviar o trabalho dos tradutores e intérpretes, e não para os substituir. “Neste momento, pelo menos hoje, as máquinas não podem substituir os tradutores nem intérpretes. O nosso objectivo é ajudar os tradutores e os intérpretes”, salientou.

BOLSAS PARA PORTUGUESES

O Instituto Politécnico de Macau prevê lançar, no próximo ano lectivo, um programa de bolsas de

estudo para atrair mais estudantes dos países de língua portuguesa, no âmbito dos futuros mestrados e doutoramentos da instituição. Este novo programa prevê estender as ajudas de custo aos estudantes pós-graduados, uma vez que o Politécnico (IPM) já dispõe de bolsas para estudantes de licenciatura, explicou o presidente da instituição, Marcus Im Sio Kei. “Num futuro próximo, esperamos receber mais alunos dos países de língua portuguesa. Temos um plano para oferecer bolsas a estes estudantes”, afirmou

o responsável, em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência na qual se debateram os novos desafios e oportunidades na área da tradução, com recurso à inteligência artificial. Actualmente, o IPM tem cerca de 200 alunos provenientes dos países lusófonos, um número que pode vir a crescer com o lançamento deste novo regime, que prevê uma dedução até 20 por cento do custo global das propinas. Língua portuguesa, computação e administração pública são as áreas dos três futuros programas

de doutoramento, ainda sujeitos à aprovação do Governo de Macau, adiantou Marcus Im Sio Kei. A instituição prevê que sejam lançados até ao final do ano. Além disso, deverão ser lançados, no mesmo prazo, mais quatro cursos de mestrado, em áreas que vão da enfermagem às artes visuais, acrescentou. “Em toda a divisão, incluindo os novos mestrados e programas de doutoramento, planeamos receber mais 300 alunos” provenientes de Macau e de várias regiões, afirmou Im Sio Kei. No mês passado, o Governo já tinha aprovado o plano de estudos de dois novos mestrados, incluindo um mestrado em tradução e interpretação chinês-português. O mestrado terá duas áreas de especialização, tradução e interpretação, e dois anos de duração, de acordo com o despacho do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. No ano lectivo 2018/2019, o número de estudantes de português no IPM ronda os 500, de acordo com dados disponibilizados à Lusa no final do ano passado.

Crime Autoridades detectam tráfico de petróleo

As autoridades de Zhuhai detectaram um caso de transporte ilegal de petróleo por parte de uma embarcação que viajava entre Hong Kong e Macau. O caso foi relatado ontem pelo canal chinês da Rádio Macau, que cita as autoridades da cidade vizinha. Segundo a informação divulgada, as suspeitas do tráfico foram confirmadas depois de uma inspecção, já depois do navio em causa ter sido obrigado a atracar. Durante a investigação, as autoridades detectaram a existência de um compartimento secreto com capacidade para o transporte 30 toneladas de combustível.


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3.4.2019 quarta-feira

JUSTIÇA SCOTT CHIANG VOLTA A SER JULGADO A 30 DE ABRIL

O caso em que activista atirou aviões de papel para a residência de Chui Sai On vai ser novamente julgado. A acusação aponta para crime de reunião e manifestação ilegal, em vez de desobediência qualificada

A

repetição do julgamento de Scott Chiang, que tinha sido condenado pela prática de um crime de reunião e manifestação ilegal, foi agendada para 30 de Abril. No início, o deputado Sulu Sou também era arguido no mesmo processo, relacionado com a manifestação contra a doação da Fundação Macau à Universidade de Jinan, mas como não recorreu da sentença – opção

tomada para regressar mais rapidamente à Assembleia Legislativa – não é afectado. Segundo o HM conseguiu apurar, Scott Chiang vai enfrentar uma acusação por ter infringido o artigo 14 da Lei de Reunião e Manifestação, ou seja vai acusado do crime pelo qual tinha sido condenado com uma pena de multa de 120 dias, que correspondeu a 27.600 patacas. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) mandou repetir o julgamento porque PUB

HM • 1ª VEZ • 3-4-19

ANÚNCIO Execução Ordinário

CV2-17-0283-CEO

2º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀(澳門)股份有限公司), com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555 – Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executados: 1. TANG KAM TONG (鄧錦業), masculino, maior, com Última residência conhecida em Macau, Taipa, na Rua da Madeira, nº 99, Edifício do Lago – Bloco IV, 45º andar “F”, ora ausente em parte incerta; e 2. WAN HUIJUAN (万慧娟), feminino, maior, residente em Macau, Taipa, na Estrada Coronel Nicolau de Mesquita, nº 99, Edifício do Lago – Bloco VI, 45º andar “F”

AVIÕES DE PAPEL

inicialmente os arguidos eram acusados de um crime de desobediência qualificada e foram condenados por outro crime, sem que houvesse direito ao contraditório. Só quando a juíza Cheong Weng Tong condenou Scott Chiang e Sulu Sou é que foi referida pela primeira vez a possibilidade de serem condenados por reunião e manifestação ilegal. Por este motivo, o TSI considerou que foi feita uma “‘alteração da qualificação jurídico-penal’ sem que ao recorrente tenha sido dada a oportunidade de sobre ela exercer o contraditório, requerendo o que por bem entendesse em sua defesa”.

Por seu turno, Sulu Sou foi condenado com uma pena de multa de 120 dias, que corresponde a 40.800

O TSI mandou repetir o julgamento porque os arguidos eram acusados de um crime de desobediência qualificada e foram condenados por outro

Foi a 15 de Maio de 2016 que a Associação Novo Macau organizou um protesto contra a doação de 100 milhões de yuan por parte da Fundação Macau à Universidade de Jinan. Em causa estava não só o montante, mas um eventual conflito de interesses do Chefe do Executivo, Chui Sai On, que ocuparia o cargo de vice-presidente do Conselho Geral da universidade e de presidente do conselho geral de Curadores da fundação. No dia da manifestação, Scott Chiang, Sulu Sou e um grupo de activistas atiraram aviões de papel para dentro da residência oficial de Chui Sai On, onde pretendiam entregar uma carta, após terem sido impedidos de passar pela polícia. Durante o julgamento, a defesa apontou que a manifestação já tinha terminado por esta altura. No entanto, a juíza Cheong Weng Tong considerou que a manifestação nunca tinha terminado e que os activistas sabiam que não podiam aceder à área, uma vez que esse percurso tinha sido sugerido e rejeitado, no pedido inicial da manifestação. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Ká Hó Hospital de Reabilitação com 25 profissionais de saúde

Os serviços do Hospital de Reabilitação Ká-Hó vão ser assegurados por uma equipa composta por 25 profissionais de saúde, indicaram os Serviços de Saúde. A informação foi divulgada em comunicado na noite de segunda-feira, depois de, na manhã do mesmo dia, aquando da inauguração da nova valência, os Serviços de Saúde terem falhado em revelar o número de clínicos que iam ser destacados do Centro Hospitalar Conde de S. Januário. Na fase de arranque, o Hospital de Reabilitação vai ter a funcionar apenas 20 das 188 camas disponíveis. A equipa conta com três médicos de clínica geral, 14 enfermeiros e oito auxiliares de enfermagem, que vão prestar serviço durante 24 horas em regime de turnos.

PORTO DE KÁ-HÓ MACAUPORT COM CONTRATO POR MAIS SETE ANOS

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Secretário para os Transportes e Obras Públicas vai assinar “brevemente” a escritura pública relativa ao adicional contrato de concessão da exploração do Porto de Ká-Hó com a Macauport, que expira no próximo dia 11. Segundo informações facultadas ao HM pela Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, o contrato de concessão vai ser estendido por sete anos, terminando em 2026. Em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião na Assembleia Legislativa, Raimundo do Rosário afirmou ontem não haver mexidas de maior e que a alteração mais importante tem que ver com o transporte de produtos perigosos, dado que foi proibido por via terrestre. “A grande alteração foi com a Macauport uma forma de assegurar a entrada por via marítima

designadamente de fogo-de-artifício e de outros produtos”, explicou. A Macauport – Sociedade de Administração de Portos, que tem Ambrose So como presidente do conselho de administração, fechou 2017 com lucros de 5,9 milhões de patacas, contra 18,8 milhões em 2016. A sociedade responsável pela opera-

ção do Terminal de Contentores do Porto de Ká-Hó, em Coloane, atribuiu os resultados ao decréscimo da carga movimentada pelas empresas subsidiárias e associadas e a factores como o abate do custo de obras em curso. Os resultados do exercício do ano passado ainda não foram publicados em Boletim Oficial. D.M. GOOGLE STREET VIEW

Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do excutado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Direito penhorado Natureza: Direitos emergentes do contrato de promessa de compra e venda, datado de 31/05/2012, relativo à seguinte fracção autónoma: Denominação da fracção autónoma: “F45” do 45.º andar “F”, denominado “Edifício do Lago – Bloco VI”. Situação: Em Macau, Taipa, na Rua da Madeira, nº 99. Fim: Para habitação. Número de matriz nº.40931. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº.23298-VI. Aos 26 de Março de 2019.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Na casa da partida

patacas, num processo que levou a que o seu mandato de deputado fosse suspenso pelos outros membros da Assembleia Legislativa. Para colocar um fim à suspensão, o legislador abdicou do recurso e aceitou uma condenação, apesar de manter a versão de que é inocente.


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TODOS OS OUVIDOS

A Chefe do Executivo de Hong Kong adiantou ainda que espera que o Conselho Legislativo forme uma comissão para discutir a alteração legal, acrescentando que

JUSTIÇA CARRIE LAM INSISTE EM LEI DA EXTRADIÇÃO APESAR DAS CRÍTICAS DE JOSEPH LAU

Não deixes para amanhã Em resposta à contestação de Joseph Lau às futuras alterações à lei que permite entrega de foragidos à justiça com jurisdições como Macau, Carrie Lam manteve-se firme. A Chefe do Executivo de Hong Kong evocou o interesse público para não adiar a iniciativa legislativa DICKSON LEE | SCMP

A realidade, o Governo enfrenta desafios legais diariamente, mas isso não significa que iremos adiar trabalho importante do interesse público de Hong Kong”, referiu Carrie Lam, citada pelo South China Morning Post. Foi assim que a Chefe do Executivo de Hong Kong reagiu ontem à posição tomada por Joseph Lau. O empresário submeteu na segunda-feira um pedido num tribunal superior de Hong Kong para garantir que a futura lei que irá regular possíveis pedidos de entrega de fugitivos não tem efeitos retroactivos. A primeira audiência do processo interposto por Joseph Lau está marcada para o próximo dia 17 de Abril. Recorde-se que o magnata foi condenado em 2014 a uma pena de 5 anos e 3 meses pela prática de um crime de corrupção activa para acto ilício e de um crime de branqueamento de capitais. Ao responder às críticas dos advogados de Lau quanto à avaliação caso a caso de propostas de transferência de fugitivos com jurisdições como Macau, Carrie Lam não se dirigiu directamente ao magnata. Em declarações antes de uma reunião no Conselho Legislativo, a Chefe do Executivo da região vizinha afirmou que “quanto a acções individuais tomadas em relação a esta alteração legal, uma vez que um processo judicial deu entrada em tribunal”, não iria tecer qualquer comentário.

Carrie Lam “O Governo enfrenta desafios legais diariamente, mas isso não significa que iremos adiar trabalho importante do interesse público.”

o Governo que lidera está disposto a ouvir sugestões da população. “Se a opinião pública não violar os nossos princípios básicos, e se tiver o intuito de melhorar as coisas, de uma forma geral, estamos dispostos a ouvir. Mas isso não

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nova lei dos táxis entra em vigor no próximo dia 3 de Junho, depois do diploma ter sido publicado em Boletim Oficial no passado dia 4 de Março. De acordo com um comunicado oficial, três serviços públicos, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), realizaram há três dias uma sessão de apresentação sobre a nova lei dos táxis, dando a conhecer ao sector o respectivo regime jurídico e os principais conteúdos do correspondente diploma legal complementar a publicar. Na sessão, os taxistas apresentaram várias questões rela-

cionadas com “o abandono do assento de condutor quando o táxi se encontrar dentro da praça, a ajuda aos passageiros para a colocação, a retirada do porta-bagagens do veículo dos respectivos pertences e as acções dos fiscais para fazer cumprir a lei nas áreas delimitadas por linhas contínuas amarelas”. O Governo voltou a referir que “se pretende melhorar a imagem da indústria de transportes de passageiros em táxis através da nova lei, mantendo o bom funcionamento de serviço”. A DSAT promete “continuar a aperfeiçoar as condições nas zonas de tomada e largada de passageiros, com a entrada em vigor da nova lei, permitindo ao sector operar com maior facilidade”.

comercial que argumentou que a reputação de Hong Kong, enquanto porto seguro para negócios, poderia ser colocada em causa. O facto é que o Executivo de Hong Kong, depois da pressão de que foi alvo, acabou por retirar da proposta nove crimes

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Ordem dos Advogados de Hong Kong acusou a Chefe do Executivo do Governo da RAEHK, Carrie Lam, de estar a “enganar” as pessoas quando diz que a ausência de acordos de extradição com o Interior da China é uma “falha” na lei. Num comunicado emitido ontem, os advogados da RAEHK sublinham que esta ausência foi uma decisão tomada em 1997 de forma consciente e que teve em conta “as diferenças fundamentais entre o sistema criminal no Interior da China e principalmente o histórico do Interior da China no que diz respeito à protecção de direitos fundamentais”.

de colarinho branco de uma lista de 46 crimes passíveis de extradição. Questionada se o Governo estaria a considerar abrir mais excepções, Lam referiu que está disposta a ouvir pontos de vista diferentes, mas que isso não significa que iria atender a todas as sugestões, porque “assim seria muito difícil fazer qualquer coisa”. Carrie Lam adiantou ainda que o Executivo de Hong Kong vai tentar reunir o maior consenso possível em torno da alteração legal. João Luz

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AEROPORTO ENTRADAS EM ZONA INTERDITA É “PREOCUPANTE” TIAGO ALCÂNTARA

TÁXIS NOVA LEI EM VIGOR EM JUNHO

significa que vamos aceitar todas as opiniões, sob pena de não conseguirmos fazer nada.” As alterações à lei propostas pelo Governo de Carrie Lam motivaram protestos de vários quadrantes políticos e sociais, em particular do sector

ADVOGADOS AO ATAQUE

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secretário para a Segurança qualificou ontem de “preocupante” os dois casos de entrada em zonas de acesso restrito do Aeroporto Internacional de Macau (AIM) conhecidos no dia anterior. Face à possibilidade de negligência, Wong Sio Chak admite que a empresa responsável pela segurança [a SEMAC] possa vir a ser punida. Actualmente, o caso encontra-se nas mãos da Polícia de Segurança Pública (PSP), mas o titular da pasta da Segurança adiantou que vai falar com a Autoridade de Aviação Civil (AACM).

O HM contactou a AMCM para perceber os procedimentos a serem realizados, mas não obteve resposta até ao fecho da edição. O HM também contactou a CAM – Sociedade do Aeroporto de Macau no sentido de perceber que medidas vão ser tomadas. “A CAM vai inteirar-se da situação das unidades de operação relacionadas e espera melhorar a eficiência da formação e do trabalho à medida que o aeroporto se desenvolve, de modo a manter a qualidade do serviço no aeroporto”, afirmou um porta-voz da CAM, sem adiantar mais. D.M.


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IIM Palestra recorda invasão dos holandeses em Macau

O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe a 27 de Abril uma palestra em língua chinesa intitulada “A Invasão Holandesa em Macau no século XVII”, e que vai contar com a presença de Miguel de Senna Fernandes, na qualidade de presidente da Associação dos Macaenses, e a académica Wong Un Na. Durante a sessão, serão ainda projectados dois vídeos sobre o tema, produzidos pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e pela Casa de Portugal em Macau. A palestra conta com o apoio da Fundação Macau, sendo organizada não apenas pelo IIM mas também pela Associação dos Embaixadores do Património de Macau, em colaboração com a Casa de Portugal em Macau, a Associação dos Macaenses e a Dimensões M.

O Punk vive CONCERTO NEUROOT, HISTÓRICA BANDA HOLANDESA, NO DIA 11 NO LAM

Com quase 40 anos de carreira, os Neuroot chegam a Macau para um concerto no LMA no próximo dia 11 de Abril. A banda holandesa entra em palco, às 21h, para celebrar a tradicional velocidade e agressividade do punk hardcore CINEMATECA PAIXÃO INSCRIÇÕES ABERTAS PARA “PROGRAMA DE CRÍTICOS DE CINEMA”

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Á estão abertas as inscrições para a nova edição da iniciativa “Programa de Críticos de Cinema” promovida pela Cinemateca Paixão, e que terá lugar entre os meses de Maio e Outubro. As seis sessões serão conduzidas por Ka Ming, crítico de cinema de Hong Kong. As inscrições podem ser feitas até ao dia 26 de Abril. Durante o programa, os participantes aprenderão a examinar um filme a partir de diferentes ângulos, tal como a estrutura narrativa, descrição de personagens, realização, encenação, utilização da banda sonora e do som. Estão disponíveis vinte vagas para o programa que é gratuito e que será composto por uma lição de duas horas todos os meses, estando dividido em

três fases. Os participantes deverão ver um certo número de filmes mostrados na Cinemateca, apresentando regularmente os trabalhos que lhes serão solicitados. Estes beneficiarão de 20 a 50 por cento de desconto em bilhetes segundo a fase em que se encontram. Aqueles que concluírem todas as três fases poderão tornar-se contribuidores de crítica de cinema da Cinemateca e beneficiar de 20 por cento de desconto em bilhetes durante um ano. Ka Ming, o orientador deste programa, é um veterano crítico de cinema de Hong Kong com artigos publicados no Ming Pao Daily News. Sob a sua orientação ao longo das duas últimas edições do programa, a Cinemateca Paixão descobriu e fomentou alguns notáveis críticos de cinema locais, aponta um comunicado.

punk não está morto. A prova viva do velho chavão são os Neuroot, que estão prestes a pisar o palco em Macau. A banda holandesa de punk hardcore, que teve como altura mais prolífera os anos entre 1981 e 1987, esteve inactiva durante mais de uma dúzia de anos, até que, em 2013, o baixista Marcel Stol decidiu que estava na altura de voltar ao estúdio e à estrada. No próximo dia 11 de Abril, a banda holandesa começa no LMA a tour Asian Invasion 2019, seguindo depois para um espectáculo em Hong Kong, três datas em Taiwan (Taipe e Kaohsiung) e outros três concertos no Japão (Tóquio, Nagoya e Osaka). Seguindo os pergaminhos tradicionais do punk hardcore, a sonoridade dos Neuroot é incansavelmente rápida, barulhenta e agressiva, apesar dos anos terem passado pelos membros da banda. A grupo holandês estreou-se com a edição em K7, como mandava a lei do underground, com “Macht Kaput Was Euch Kaput Macht”, corria o ano de 1983. Três anos depois editavam o EP “Right Is Might”. Em 1986, lançam um dos marcos da sua discografia, um registo histórico para o punk rock holandês: “Plead Insanity”, um clássico nos dias de hoje.

DEPOIS DO PASSADO

Após o retorno, e cinco anos de concertos, os Neuroot lançaram em 2018 “Obuy And Die”, um registo que reúne

HOLOCAUSTO FAMÍLIA JUDIA RECUPERA PINTURA ROUBADA

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FBI devolveu na segunda-feira uma pintura do holandês Salomon Koninck aos seus legítimos proprietários, uma família francesa judia, 75 anos após ter sido roubada pelos nazis em França na Segunda Guerra Mundial. A peça, “Um filósofo afiando a sua pena”, pintado por Koninck em 1639, foi entregue à família Schloss, numa cerimónia realizada no consulado francês em Nova Iorque, Estados Unidos, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país europeu, Jean-Yves Drian. “Foi roubado no nosso território pela Gestapo e levado para Munique com a cumplicidade de colaboradores franceses, em 1943, e tinha sido perdido o seu

rasto”, explicou Drian, que estava acompanhado pelo procurador do distrito sul de Nova Iorque, Geoffrey Berman, e um representante do gabinete de investigação criminal do FBI em Washington, Michael Driscoll. “Finalmente que se reencontrou com os seus donos, os herdeiros de Adolphe Schloss [um coleccionador de arte francesa] e os seus cinco filhos”, acrescentou o ministro. O governante francês destacou que o seu país prossegue esforços para acelerar a identificação e restituição de obras roubadas durante o regime de Hitler, e observou que mais de dois terços das 100.000 peças usurpadas pelos nazis foram encontradas logo após o fim do conflito.

“Um filósofo afiando a sua pena” foi encontrado em 2017, quando o seu então proprietário, o chileno Renate Stein, contactou a casa de leilões Christie com a intenção de o vender em Nova Iorque, depois da sua família o ter adquirido na Alemanha, nos anos 50. Drian também enfatizou o actual aumento do anti-semitismo e frisou os esforços do seu Governo para o combater, denunciando a falta de acção por parte dos Estados Unidos. “Algo similar deve ser feito em território norte-americano, onde muita nostalgia do nazismo se esconde por detrás da Primeira Emenda para desencadear a propaganda do ódio”, sublinhou.


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sete músicas originais gravadas no Rocketdog Studios em Westervoort na Holanda. Com uma longevidade que faz inveja à maioria dos projectos musicais, o regresso ao estúdio e aos palcos não é encarado pela banda como a rendição à indústria discográfica. Apesar do mais recente disco ser marcado por um ritmo um pouco mais lento e, talvez, mais melodioso que os velhos fãs poderiam esperar, “Obuy And Die” injecta uma dose completa de agressão, mensagem política típica do punk com uns laivos de metal à mistura.

Em 1986, os Neuroot lançam um dos marcos da sua discografia, um registo histórico para o punk rock holandês: “Plead Insanity” No próximo dia 11 de Abril, quem se deslocar à Coronel Mesquita pode contar com músicas rápidas, pulsantes, compostas por sons crus e agressivos típicos dos concertos da cena anarco-punk europeia do início dos anos 80. O início do concerto está marcado para as 21h e os bilhetes custam 120 patacas à porta, ou 100 patacas se forem comprados com antecedência. João Luz

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IC LANÇADA HOJE NOVA EDIÇÃO DA REVISTA C2

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hoje publicada uma nova edição da revista C2, um projecto do Instituto Cultural (IC), cujo conteúdo se dedica ao zine, um tipo de publicação independente livre, tanto em termos de conteúdo como de forma. “Nos últimos anos, os zines entraram com vigor e vitalidade no mercado de publicações impressas. Embora sem uma enorme quantidade de produção e publicações, os zines atraem muitos jovens interessados em cultura através do design único que apresentam”, explica o IC em comunicado. Na secção “Destaque” da nova revista, os fundadores

de Something Moon Design (Macau), Livraria de Pon Ding (Taiwan) e Fong Fo, zine mensal (Interior da China) partilham as suas experiências na criação e publicação de zines, e expressam as suas opiniões sobre o seu desenvolvimento futuro. Na secção “Close-up”, a proprietária da livraria independente local, Júbilo 31, Lin Hsiang Chun, partilha a sua experiência na gestão desta livraria independente. Na secção “Força Local”, os

pequenos grupos editoriais locais, Associação de Poetas de Macau Outro Céu e Comuna de Dialeto falam sobre como praticar a criatividade através da publicação de livros para garantir a sua exposição e sobrevivência. Na secção “Blogues”, sete colunistas, Lo Che Ying, Tracy Choi, Lam Sio Man, Un Sio San, Ron Lam, Yap Seow Choong e Johnny Tam partilham as suas perspectivas únicas sobre o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas.

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MERCADOS EUA E CHINA FORAM PRINCIPAIS PARCEIROS DA UNIÃO EUROPEIA EM 2018

Grandes comerciantes

Sichuan Incêndio que fez 30 mortos controlado

A Comissão Europeia só poderá avançar nas negociações com os EUA depois destes passos.

ANÚNCIOS ETÉREOS

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S Estados Unidos e a China foram os principais parceiros comerciais da União Europeia (UE) em 2018, tendo sido, respectivamente, os principais mercados de exportação e de importação, divulgou ontem Bruxelas. Segundo dados do gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, no ano passado os países da UE arrecadaram 406 mil milhões de euros com exportações para os Estados Unidos, sendo este o principal país destinatário, seguido pela China (210 mil milhões de euros) e pela Suíça (156 mil milhões de euros). No que toca às importações, a China foi o principal país emissor, num total de 394 mil milhões de euros, seguida pelos Estados Unidos (267 mil milhões de euros) e pela Rússia (168 mil milhões de euros). De acordo com o Eurostat, a balança comercial da UE registava, no ano passado, um excedente nas exportações com os Estados Unidos de 139 mil milhões de euros, apresentando ainda um défice de 184 mil milhões de euros nas

importações à China. Quanto aos sectores, a UE exportava, principalmente, para os Estados Unidos maquinaria e veículos, produtos químicos e ainda outros produtos manufacturados. Já da China, a UE importava, sobretudo, maquinaria e veículos, outros produtos manufacturados e, em menor escala, produtos químicos. Os dados foram divulgados numa altura em que as negociações com os Estados Unidos sobre o futuro das trocas comerciais estão suspensas e em que Bruxelas divulgou o aperto das medidas ‘antidumping’ e anti-subvenções à China.

SALTAR BARREIRAS

Em meados de Março, o Parlamento Europeu rejeitou uma recomendação que previa o início das negociações entre a UE e os Estados Unidos para futuras trocas comerciais, sob “certas condições”, não havendo um consenso entre os eurodeputados sobre o assunto. Esta recomendação tratava-se de uma posição relativa ao anteprojecto apresentado pela

Comissão Europeia em meados de Janeiro passado e que irá ser proposto aos Estados Unidos, ainda sem data definida. O documento de Bruxelas visa a eliminação das tarifas aplicadas aos produtos industriais, sem contar com a área agrícola, e a redução das barreiras, no que toca ao cumprimento de requisitos técnicos, para trocas comerciais entre os dois continentes. Sem o consenso dos eurodeputados, a assembleia europeia terá de debater uma nova posição. Também o Conselho da UE (onde estão representados os Estados-membros) terá de se pronunciar.

O Eurostat adianta que, em 2017, “a UE, os Estados Unidos e a China representavam 45 por cento do comércio mundial de bens”

No final de Julho do ano passado, reunidos em Washington, os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgaram uma série de medidas na agricultura, indústria e energia para apaziguar o conflito comercial, mas os respectivos anúncios foram globalmente vagos. Entretanto, na semana passada, a Comissão Europeia divulgou que tinha, no final de 2018, 120 medidas ‘antidumping’ em vigor sobre importações de 67 produtos vindos de 16 países, a maioria da China, para a UE. Em causa está o relatório sobre defesa comercial da União em 2018, dando conta também de que, no final de 2018, Bruxelas aplicava 13 medidas anti-subvenções, nas quais a China era, igualmente, o país mais afectado. A China foi ainda a principal visada das investigações de Bruxelas sobre importações, abrangendo 24 processos de um total de 66 entre 2014 e 2018. O ‘dumping’ é uma prática comercial que consiste na venda de produtos, mercadorias ou serviços a preços abaixo de seu valor justo. Nos dados ontem divulgados, o Eurostat adianta que, em 2017, “a UE, os Estados Unidos e a China representavam 45 por cento do comércio mundial de bens”. Já no ano passado, UE tinha ainda como principais parceiros comerciais (além destes dois) países como a Suíça, a Rússia, a Turquia, o Japão, a Noruega, a Coreia da Sul, a Índia, o Canadá e o Brasil.

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S bombeiros conseguiram ontem controlar um incêndio numa região montanhosa do sudoeste da China que resultou em 30 mortos, segundo as autoridades, num dos piores desastres dos últimos anos para os serviços de emergência chineses. A imprensa estatal informou que as chamas foram extintas e apenas em algumas áreas continua a haver fumo, mas sem ameaça de propagação do incêndio. Os corpos dos bombeiros mortos foram transportados para a cidade de Xichang, província de Sichuan. As mortes ocorreram depois de uma mudança súbita na direcção do vento, no domingo, quando os bombeiros combatiam o fogo numa área acidentada e a uma altitude de 3.800 metros acima do nível do mar, segundo o ministério chinês de Gestão de Emergências. Entre os mortos, 27 eram bombeiros e três residentes locais recrutados para ajudar a combater o incêndio, detalhou o ministério. A maioria dos mortos estava também na faixa dos 20 anos, e pelo menos dois eram adolescentes, acrescentou a imprensa estatal. Um tinha-se casado recentemente. Cerca de 700 pessoas combateram o fogo, que se propagou no sábado. Nas últimas semanas, a China tem combatido incêndios florestais em várias partes do país, incluindo nos arredores de Pequim, alimentados pelo tempo seco e ventos fortes em muitas áreas do Norte. O número de mortos entre os bombeiros é o pior desde 2015, quando uma explosão num depósito de produtos químicos na cidade portuária de Tianjin matou 173 pessoas. Dezenas de trabalhadores morreram também em acidentes industriais recentes, incluindo 85, num par de explosões no mês passado.

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Anúncio Faz-se saber que em relação ao concurso público para os «Serviços de segurança e de vigilância das garagens provisórias (paddock) e do auto-silo para as Edições 66.a e 67.a do Grande Prémio de Macau», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 12, II Série, de 20 de Março de 2019, foi rectificada a versão chinesa dos artigos 4.1 e 5.1 do Anexo II – Programa do Concurso do Índice Geral do Processo de Concurso, pela entidade que preside ao concurso e juntos ao processo de concurso. Nos termos do artigo 3.3 do Programa do Concurso, a referida rectificação encontra-se disponível para consulta, durante o horário de expediente, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.º 818, em Macau, e no Edifício do Grande Prémio, sito na Avenida da Amizade, n.º 207, em Macau e na página electrónica do Instituto do Desporto (www.sport.gov.mo) para o descarregamento gratuito na área de download. Instituto do Desporto, 03 de Abril de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun

AVISO Faz-se saber que em relação ao concurso público para « Empreitada de ampliação da barragem de Ká Hó », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 12, II Série, de 20 de Março de 2019, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 27 de Março de 2019. O Coordenador do Gabinete Lam Wai Hou


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Hoje quero só sossego

A Poesia Completa de Li He

代 崔 家 送 客 行 蓋 柳 煙 下 , 馬 蹄 白 翩 翩 。    恐隨行處盡,何忍重揚鞭。

Substituindo Cui na Despedida de Um Viajante Um toldo de viajante sob salgueiros na neblina, Patas de cavalo calcando a brancura. Temo que o meu amigo desapareça subitamente – Mas como suportaria de novo usar o seu chicote? 1

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Comentário de J. D. Frodsham na versão inglesa: “Uma neblina tão espessa que o menor movimento dos seus cavalos os faria perder vista um do outro.”

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 3.4.2019

Diário de um editor João Paulo Cotrim

Como um garfo seu central/ livre ou perdido ou orientado/ caindo sempre por dentro/ veículos de lenta transformação/ transporte mudanças e transacções/ na constante mesma certeza/ do inesperado eminente incógnita/ concomitante/ ao corpo trazido/ à potência do delírio …/para além dos seus limites/ ninguém mais vivo há que tu ’/ e sabes que vais a meio»

POVO, LISBOA, 18 MARÇO «Água, água a toda a volta / e as pranchas a encolher; / Água, água a toda a volta, / E nem gota para beber. // O oceano apodrecia: / Meu Deus, meu Deus e que isto se haja podido passar! /Viam-se ali rastejar seres de lama com patas/ Por sobre a lama do mar!» A noite abriu-se com A Balada do Velho Marinheiro, épico setecentista de Samuel Taylor Coleridge, lido de enfiada pelos marujos Jaime [Rocha], [José] Anjos, Luís & Luís [Carmelo Gouveia Monteiro], com apoio de amurada do violino de Francisco Ramos. Navegou-se a versão de Alberto Pimenta, recriando pela voz as paisagens negras, as tempestades interiores, as fantasias de horror que resultam da morte descuidada de um albatroz. Sonharei com mil metáforas, vicejando no charco do tédio, enquanto a nave-cemitério desliza. MYMOSA, LISBOA, 19 MARÇO Apesar do ruído de fundo, a conversa com o Levi [Condinho] possui condão musical. Aparte a agenda do que se vai tocando, nas salas-praças como nos becos recônditos, discorre ainda com qualquer coisa de cidade. Um lugar erguido sobre espantosa memória. Andamos às voltas com «Pequeno Roteiro Cego», a antologia que o Miguel Martins e o António Cabrita lhe dedicaram, e por isso mesmo o assunto dificilmente seria outro que as múltiplas vidas, a minimal repetitiva ou a atonal, a aleatória ou apenas clássica. «vamos procurar as árvores dessas ruas e escrever nelas o nosso encantamento/ para que o mundo saiba que a redenção dos astros/ passou pelos nossos lábios numa noite em que assaltámos/ as portas de Deus». Ao que parece, foi a música que fez trocar o seminário pelo mundo. Mas por onde anda Deus, afinal? HORTA SECA, LISBOA, 20 MARÇO Por milhentas razões, uma deles o bafio de grémio ajuntando duas profissões que não possuem os mesmos interesses, fui resistindo. Até hoje. Recebi o cartão que diz ser o sócio 2733 (rasurado) da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Que auspício devo ler nesta gota de azeite tombando no alguidar? JARDIM DA PARADA, LISBOA, 21 MARÇO Carregamos caixotes, quase só poesia, para a barraca de madeira ainda com nódoas de queijo, talvez de enchidos ou mel, quem sabe. Desta, na Feira da Poesia da Casa Fernando Pessoa, não nos calhou em sorte a número 13. De tanto ouvir que a poesia está na moda, talvez comece a acreditar. Tomo nota das homenagens com que o país se engalana para saudar Sophia ou Sena,

mais aquela que este. Vejo os fins de tarde nos cafés da cidade a encherem-se com leitores em voz alta. Nas sessões do Povo, há quem exija acaloradamente momentos open mic para aproximar os lábios do microfone. Depois, os festivais, os concursos, os simpósios, as polémicas. A questão emerge sempre a mesma: que sobrará desta espuma? O esforço de feira serve apenas para manter ténue ligação à terra, para que um ou outro leitor incauto possa ter os livritos à mão de semear. MYMOSA, LISBOA, 22 MARÇO Certas amizades entretecem-se em agitada tranquilidade. Pode cada um dispor na mesa a sua inquietação, a dúvida, o que resta do sofrido ou alegrado, a esperança e uma visão, ânsias, um texto ou afazer, gestos, por vezes até a crepitação de um deus fugidio. E memórias, sobretudo se assumirem o fulgor das de Agostinho Jardim Gonçalves, o viajante frenético. Certos encontros são, só por si, rota e destino. VILLA PORTELA, LEIRIA, 23 MARÇO A vista do vale pedia mais tempo de fruição. Abusámos, pelo que a descida às mãos do João [Nazário] atropelou minutos e paisagens e despenteou os tiles dos nomes que os tinham. Acorríamos, no âmbito da «Ronda Poética», à primeira sessão pública em torno de «anastática/ para Alberto Pimenta», antologia que ganha intensidade por força das circunstâncias. Manuel Rodrigues aconteceu fazer-se grande leitor de Pimenta, que há muito fascinou Edgar [Pêra] que, na sequência

do documentário que lhe dedicou, vai de escolher os poemas onde o Manuel mais se entregava ao diálogo com Alberto. Do triângulo nasceu o volume, com insuspeita unidade e abrindo para uma voz que merece outras a(tenções (não sendo gralha, o parêntesis). A linguagem, a palavra surge aqui na vez da carne da realidade, personagem principal neste coro de vozes, tantas vezes mudas, mumificadas, postas em pedra. Estamos em perda, bem o confirma qualquer diálogo com as tradições, com os mortos, com os mais vivos de nós. A palavra tem que desfazer-se navalha que rasgue sentidos. E isso faz o Manuel com a mais banal, a mais gasta pelo uso, que colocada cirurgicamente no poema nos obriga ao torção, a procurar novo rumo, a rodopiar para fora de todos os centros. A pontuação atípica respira uma asmática de esforço. Muitos parêntesis se abrem para nenhum fecho visível. Assinalando pontos de encontro de origens distintas, confluências, esquinas. Como pétalas de uma rosa que resiste. «abre-se a janela/corre uma aura romântica/ através da cortina bicolor e/se fecha logo ( mas já entrou/ abre-se para que saia e/ penetra outra com pó/ moderno ( os germes/ vêm sempre já com nomes/ e uma equipa de especiais/ que lá fora provam o ar/ e o respiram para conclusões/talvez teóricas talvez piores/ que as anteriores/». E depois há Pymenta, aquele que jamais conclui, como bem revela o imperdível, «O Homem-Pykante – diálogos com Pimenta». Afirma Manuel, fechando poema que tudo implica: «estás no meio e sabes que vais morrer ’/ por entre qualquer infinito/ cada ponto é eixo sendo

ARQUIVO, LEIRIA, 23 MARÇO Somos reincidentes, na triplicidade, mas com pretexto mais óbvio de lançamento. Mas agora caiu oficial, a «Ficha Tripla», tanto mais que a foto do Sal [Nunkachov] (algures na página) foi tirada aqui no palco, já querido, da Arquivo. Que acontece de distinto quando nos juntamos para dizer? O Anjos leu menos do que o habitual, pendurado que estava nas cordas da guitarra. Sem que com isso contasse, devolvemos-lhe versos de raspão. O António faz soar como ninguém o seu Trakl. Fugi dos meus versos (onde andam eles?) para me perder no José Manuel Simões. As noites acontecidas e prestes a acontecer exigiam-no. «Do chão onde ontem a enterrei/ a noite irrompe como um garfo,/noite de hoje que eu não conheço/ e todavia já/ noite velha que sei de cor.// Como um gesto premeditado,/ nasce assim devagar,/ tão nacional e tão leve,/ tão primaveril pelas esquinas,/ tão cheia de gatos nos telhados,/ tão sem sono por ela adiante,/ pequena noite habitual e casta/ ligada ao dia por minúsculos grãos de café,/ cores, vidros e frágeis cordões de fumo,/ mas no entanto e sempre/ tão principalmente noite». ARQUIVO, LEIRIA, 24 MARÇO Antes de outra de «cores, vidros e frágeis cordões de fumo» e luminosas gargalhadas, com a incansável Susana [Neves], a cansada Suzana [Nobre], o anfitrião João e o atento Sal, também para esconjurar as negras notícias, «No Precipício Era o Verbo» desdobraram-se em palco, com uma novíssima segunda parte dedicada a Sophia. As cordas endiabradas do Carlos [Barretto] soaram a chão movediço para as vozes inspiradas dos funambulistas habituais. Uma das peças foi dedicada à Patrícia Baltazar, que, em «Catapulta» (Ed. Do Lado Esquerdo), desenhou o momento com esta navalha: «Não vai doer. É bater de frente com a morte. Olhar a silhueta das asas de um anjo». Saravá, Patrícia.


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3.4.2019 quarta-feira

Anúncio Concurso Público N.º 6/ID/2019 «Empreitada da Obra n.º 2 – Instalações para VIPs, patrocinadores e comentadores para a 66.ª Edição do Grande Prémio de Macau»

Anúncio Concurso Público N.º 7/ID/2019 «Empreitada da Obra n.º 5b – Instalação de bancadas, coberturas e plataforma de filmagem junto à curva do Hotel Lisboa para a 66.ª Edição do Grande Prémio de Macau»

1.

Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto.

2.

Modalidade de concurso: concurso público.

1.

Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto.

3.

Local de execução da obra: zona do passeio pedonal do Reservatório.

2.

Modalidade de concurso: concurso público.

4.

Objecto da empreitada: Instalação duma estrutura temporária para as zonas de VIPs, de patrocinadores e de comentadores, incluindo a montagem e desmontagem de uma estrutura metálica de dois andares com cobertura, assim como o planeamento, montagem e desmontagem das bancadas provisórias para espectadores localizadas no passeio pedonal do Reservatório, denominadas por VIP Stand.

3.

Local de execução da obra: zona do Jardim das Artes junto à curva do Hotel Lisboa.

4.

Objecto da empreitada: planeamento, montagem e desmontagem das bancadas provisórias para espectadores, incluindo a construção da estrutura de suporte, da cobertura, dos acessos e das passagens, assim como todos os trabalhos preparatórios necessários.

5.

Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos.

6.

Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso.

7.

Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas).

8.

Caução provisória: $140 000,00 (cento e quarenta mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais.

9.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar).

5.

Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos.

6.

Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso.

7.

Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas).

8.

Caução provisória: $300 000,00 (trezentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais.

9.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar).

10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 9 de Abril de 2019, terça-feira, pelas 10,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 7 de Maio de 2019, terça-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 14. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 8 de Maio de 2019, quarta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 15. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 60%

10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 9 de Abril de 2019, terça-feira, pelas 11,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 9 de Maio de 2019, quinta-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 14. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 10 de Maio de 2019, sexta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 15. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 60%

-

Prazo de execução da obra: 5%

-

Plano de trabalhos: 15%

-

Prazo de execução da obra: 10%

-

Experiência em obras semelhantes: 15%

-

Plano de trabalhos: 15%

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Equipamentos e materiais a utilizar na obra: 5%

-

Experiência em obras semelhantes: 15%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Instituto do Desporto, 03 de Abril de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun

Instituto do Desporto, 03 de Abril de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun


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quarta-feira 3.4.2019

Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

T

EMPOS estranhos estes, leitores. Mas por outro lado, terá havido alguns que o não tenham sido? Duvido. Mas é com estes dias que temos de lidar; e estes são os dias em que todos os dias existem “estudos”. Sabeis do que falo. É difícil escapar a uma publicação que nos grita que um “estudo” decidiu que o pepino não existe; que respirar é perigoso; que usar pijama está por enquanto fora de moda; que ler crónicas de sujeitos com o apelido Guedes pode ser nocivo à saúde. E por aí fora. A ideia que parece transversal às conclusões destes “estudos” é esta: “estudámos” o óbvio, e concluímos que o óbvio não apresenta grandes interpretações. É, como dizem os “estudos”, óbvio. Mas pronto: toda a gente tem direito a “estudar” o que quiser, embora não me importasse nada de conhecer quem financia estas actividades. Dava um jeitão ser subsidiado para um “estudo” que concluísse que à noite temos sono, por exemplo. Daí que sem surpresa tropecei em mais uma investigação rigorosíssima e essencial à humanidade que concluía que a amizade entre homens heterossexuais durava mais e melhor do que as relações românticas ou casamentos dos sujeitos estudados. Deixem-me colocar a

Entre amigos coisa em termos modernos: o “bromance” - contracção entre ‘brother’ ou ‘bro’ (mano) e romance - é coisa mais perene do que namoros ou matrimónios. Ainda bem que alguém pagou a alguém este “estudo”, sob pena de vaguearmos nas trevas até ao fim dos tempos. Mas pelo menos deu-me assunto, o que nem sempre é fácil. Numa altura em que existe uma fúria igualitária que chega mesmo ao modo de sentir, haja um “estudo” – por mais ocioso e parvo que seja – que lembre que há diferenças. E é nelas que devemos rejubilar. Não falo de hierarquias: a amizade masculina não é melhor, mais leal ou seja o que for do que a amizade entre mulheres. É apenas diferente. E sinceramente, se é ou não mais duradoura do que as “relações” é irrelevante. Há muitos exemplos públicos e notórios deste fenómeno agora “estuda-

do”: Sinatra e Dean Martin, Kingsley Amis e Philip Larkin, Lobo Antunes e Cardoso Pires. E tantos outros que vivem felizmente no quotidiano. Como é o meu caso e poderá ser o seu, leitor. Eu conto, só como exemplo: há pouco tempo fiz uma longa viagem, cerca de cinco a seis horas de carro. Um terço desse período foi passado em completo silêncio, com a excepção da música que se fez ouvir na rádio. Os outros dois terços foram mais ruidosos: inventaram-se línguas estranhas para canções, partilharam-se escatologias sem pudor, disseram-se grosserias a sorrir, falou-se de cinema e de episódios marcantes da vida, lembraram-se lengalengas infantis e brejeiras. Rimos, rimos muito. O silêncio foi apenas um parêntesis necessário para tudo isto. E “isto” são quatro amigos em viagem. Nem sequer quatro amigos “íntimos”, de frequência cons-

Mas ainda assim prefiro o que escreveu Montaigne após a morte do seu grande amigo La Boétie: “Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: ‘Porque era ele, porque era eu’ ‘’.

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tante e confidentes – apenas gente que se gosta e que circunstâncias profissionais junta de quando em vez. Isto, para mim, que não tenho “estudos”, é a essência de uma amizade masculina (e pronto, no caso heterossexuais apenas porque calhou assim). A assiduidade nunca está em questão, nunca está à prova. O silêncio é suportado naturalmente e até bem-vindo. Partilhar o silêncio com uma amiga é muito mais difícil. E isto não é um julgamento, apenas uma constatação de quem tem grandes amigas mulheres. Isso e esse regresso a uma adolescência artificial e efémera faz um pouco da amizade masculina. Os homens adultos, quando se juntam, transformam-se em crianças velhas e livres. A escritora Iris Murdoch, que não era exactamente uma admiradora deste estado, definiu-nos bem: “ [a companhia masculina] é uma espécie de cumplicidade no crime, (…) de deglutir o presente de forma gulosa mesmo que o inferno esteja por todo o lado”. Terá razão. Mas ainda assim prefiro o que escreveu Montaigne após a morte do seu grande amigo La Boétie: “Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: ‘Porque era ele, porque era eu’ ‘’. Olho uma fotografia: mostra Humphrey Bogart a aninhar o seu grande e pequeno amigo Peter Lorre sob um enorme abraço, com o olhar benevolente de Lauren Bacall. E penso que este sim, é o mundo, e que se lixem os “estudos”.


18 (f)utilidades MUITO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente 26

EXPOSIÇÃO | OBRAS-PRIMAS DE ARTE RUSSA 7 3 9 1 5 0 6 8 MAM | Até 22/04

2 4 8 0 5 2 7 9 4 1 3 6 EXPOSIÇÃO 4 6 | JU1MING7 3 8 2 9 5 0 MGM Cotai | Até 07/04 2 4 3 0 1 6 9 5 8 7 CONCERTO DE PÁSCOA 1 9 | “CONCERTO 0 3 8 4 5- ORATÓRIO 6 7 2 DE HANDEL: MESSIAS” 6 2 8 5 4 3 7 0 1 9 Igreja de S. Domingos | 20/04 9 5 7 6 0 2 1 3 4 8 CONCERTO 5 7 | HANGAR 2 918 +6EMILY1 BURNS 8 4 0 3 LMA | 10/04 0 8 6 4 2 5 3 7 9 1 3 1 | NEUROOTS 4 8 +9SIDE7BURNS 0 + SINO 2 HEARTS 6 5 CONCERTO LMA | 11/04

28

CONCERTO | MOCKING BULLET + ELI + LAVY LMA1| 13/04 2 0 4 5 7 8 6

5 6 9 1 0 2 6 7 9 1 6 4 3 0 3 4 9 1 8 2 7 6 5 8 1 Cineteatro 4 8 5 2 3 9 3 5 2 7 6 0 9 0 8 3 7 5 6 1 7 8 2 4

CONCERTO | FAUX FIGHTERS 4 3 0 9 LMA8| 30/04

3 7 5 2 0 6 4 1 9

8 5 2 7 3 1 9 4 0

9 7 2 8 5 4 0 1 6 3

3 4 1 0 6 9 7 8 2 5

C I N E M A

30 8 6 4 2 5 3 1 7 9 0

3 0 7 4 2 1 9 8 5 6

1 9 5 8 6 7 0 4 3 2

2 4 0 9 1 5 8 3 6 7

6 3 1 5 8 9 7 2 0 4

0 5 8 7 4 6 2 9 1 3

9 7 2 6 3 0 4 1 8 5

5 2 3 1 9 4 6 0 7 8

7 8 9 3 0 2 5 6 4 1

4 1 6 0 7 8 3 5 2 9

SHAZAM! SALA 1

SALA 3

FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Burton Com: Colin Farrel, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito 14.30, 16.30,19.30, 21.30

Um filme de: David F.Sandberg Com: Zachary Levi, Asher Angel, Mark Strong 14.30

DUMBO [A]

SALA 2

EXTREME JOB [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Lee Byeong-Heon Com: Ryu Seung-Yong, Lee Hanee, Jin Sun-Kyu, Lee Dong-Hwi, Gong-Myoung 14.30, 16.30, 21.30

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o, Winston Duke, Elisabeth Moss 19.15

SHAZAM! [B]

MIN

20

MAX

25

HUM

70-95%

EURO

9.04

BAHT

0.25

YUAN

1.20

VIDA DE CÃO

PEQUENA BAÍA 31

31

33

TRÁGICOS NÚMEROS 33

32

32

1 0 1 0 4 8 5 6 2 73 97 9 5 65 6 21 2 8 09 0 37 43 4 5 2 7 2 9 1 4 9 4 63 6 0 8 8 2 9 41 34 3 7 0 6 5 7 7 0 3 59 65 6 4 8 21 2 8 3 9 2 7 0 6 1 5 4 6 6 54 5 37 13 1 90 9 28 2 74 7 6 8 3 5 2 01 0 9 20 62 56 85 98 49 74 37 3 1 2 92 59 5 10 71 7 36 43 84 8 97 9 68 06 30 13 1 24 2 5 1 81 48 4 93 09 0 65 26 72 7 36 3 0 7 2 4 8 95 9 1 4 1 3 9 2 5 8 0 6 7 9 89 8 0 64 26 2 7 15 31 3 3 3 4 2 76 87 8 1 9 05 0 3 3 5 7 10 81 8 9 2 64 6 9 5 7 04 10 1 3 2 8 6 ciclone e8 as cheias 74 para 37598,3anun2 6 31 43 74 57 5O número 8 9de mortos 0 provocados0pelo 1 0 1Idai 5 5 que6se9seguiram 2 9 subiu 3

ciaram ontem as autoridades moçambicanas. O último balanço, apresentado pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades acrescenta mais 80 vítimas mortais desde segunda-feira, altura em que foi dada como concluída (desde quinta-feira) a fase de salvamento e resgate.

3 67 6 49 84 8 10 1 25 2 9 5 7 9 1 7 6 1 3 6 83 8 4 14 1 08 0 5 72 7 69 6 80 38 3 95 49 4 26 12 1 96 9 5 2 8 3 1 07 0 1 1 0 2 63 76 7 4 5 98 5 5 4 87 8 0 29 2 6 13 7 46 4 1 2 0 35 3 9 29 02 60 36 13 81 48 74 7 8 3 1 4 7 5 9 0 2 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 33

35

5

35

5 7 49SÉRIE 4 1 28HOJE 2 0 36 UMA

0 3 8 9 3 5 9 7 5 6 7 26 2 4 4 21 2 36 03 0 58 5 7 A série documental “The Disappea6 2 4 90 39McCann” 1 5 73 7é uma rance of 0 Madeleine perda de tempo irresistível. Quero 3 9 0 42 54 5 1 7 8 de volta todas as horas que passei agarrado 1 76 ao 7 Netflix 5 8a ver 9 4todos 3 4os 2 oito episódios realizados por Chris 7 85 18 1 6 02 90 9 3 Smith. A série não apresenta ne9 3facto1ou 9 3nhum 27ponto 62 de6vista4novo. 08 50 Limita-se a mastigar e cuspir, com 2 dramatismo 4 86 8 novelesco, 0 51 5o9que 3 9 4um 0 35e a 3revelar 7 9personagens 4 69 16 1 0já8se5sabia sinistros como um detective privado espanhol que achou por bem perseguir pessoas inocentes e tomar em consideração “pistas” “reveladas” por videntes. Além disso, acho que Sandra Felgueiras tem perfil para apresentadora de televisão de programa da manhã. João Luz

2 0 3 7 4 9 1 8 5 6 3 1 9 8 6 0 4 5 7 2

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0 4 3 5 1 2

34 7 28 0 64 3 5 81 2 09 6

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7 1 3 0

36 6 5 9 7 1 3 0 4 8 2

Quantas vezes já ouvimos, lemos, vimos discursos sobre a Grande Baía a roçar a terminologia vaga usada nos livros de autoajuda? Mais vezes do que podemos contar. Estamos todos cansados de saber que os jovens devem agarrar as oportunidades trazidas por aquilo que pouca gente consegue vislumbrar no plano prático. Sabemos de cor que o Governo tem de adoptar medidas materiais o mais rapidamente possível, sob pena de ficar para trás em relação às outras cidades plantadas à beira da baía. Também sabemos de ginjeira que Macau terá de prosseguir os mesmos etéreos objectivos a que se propõe desde sempre (plataforma, grande centro, blablabla). Mas quando é necessário, de facto cooperar, as coisas mudam de figura. A recente polémica da alteração à lei da extradição em Hong Kong colocou esta realidade a nu. Não me venham dizer que se trata apenas de divergências ao nível do ordenamento jurídico das três regiões. Falta coordenação política no meio disto tudo. Falta entendimento além do fútil discurso de circunstância, das promessas vagas e dos acordos vazios. Diria que falta pragmatismo e competência a orquestrar o mega projecto de cooperação regional. Algo que, a meu ver, só pode vir de cima. Mas todos também sabemos que as coisas quando vêm de muito alto custam a chegar ao solo. João Luz

53 2 9 6 47 21 8 5 0 84

05 51 6 0 4 2 9 3 27 38

10 5 24 1 9 8 6 47 2 03

81 3 72 7 6 9 5 94 8 10

48 96 7 3 0 4 2 9 65 71

1 4 30 59 67 08 42 13 5 6

98 2 43 5 26 70 4 01 9 87

39 6 24 81 2 7 65 50 3 48

43 7 52 38 9 1 86 65 0 94

04 THE 0 DISAPPEARANCE 2 5 7 OF MADELEINE MCCANN | CHRIS SMITH 1 8 9 3 0 75 67 6 1 8 3 06 0 42 4 50 85 8 34 3 42 54 5 69 6 8 13 1 97 9 96 79 7 8 2 7 2 4 6 1 19 1 3 0 5

PROBLEMA 34

94 9 5 8 12 60 3 1 6 57

S U D O K U

TEMPO

3.4.2019 quarta-feira

9 47 8 92 1 6 04 0 13 5

6 4 13 59 85 37 70 68 1 2

2 0 1 5 8 3 7 6 4 9

MASQUERADE HOTEL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki Com: Takuya Kimura, Masami Nagasawa 21.15

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opinião 19

quarta-feira 3.4.2019

FRANCISCO LOUÇÃ in esquerda.net

D

ISCUTE-SE a virtude da família no Conselho de Ministros e aqueles que garantem que essa é a base transcendente da sociedade estão zangados com o Governo, não se percebe se porque sim se porque não. A questão tornou-se em todo o caso um delicioso tema das alfinetadas entre Cavaco e Marcelo, um must da política nacional, entre o Governo e a direita, que precisa de um cheiro de confusão, e até entre a esquerda e o Governo, que manda o seu bulldozer arrasar quem pede “reflexão”, que aqui na parada ai de quem reflectir. Permitam-me então dissentir. Sem prejuízo do constrangimento que o laço familiar pode causar numa instituição, o que o desaconselha na mesma sala, desde sempre que vivemos sob a tutela de uma outra rede de relações de dependência governamental de grandes famílias, e essa decisiva. Essas famílias ocuparam sempre a maioria dos cargos governamentais e fizeram-no estratégica e criteriosamente. Mais vale olharmos então para o que importa mesmo (o ministro “anónimo” reapareceu no “Público” para chamar lucidamente a atenção para este ponto).

LOUIS LE NAIN, HAPPY FAMILY, 1642

A família que importa mesmo é o negócio

O PODER COMO FAMÍLIA DE FAMÍLIAS

Num livro, “Os Burgueses”, investiguei com dois colegas, e há um par de anos, o percurso profissional de todas as 776 pessoas que foram ministros ou secretários de Estado nos 19 governos constitucionais desde 1976 até 2013, exceptuando portanto os dois últimos governos e o atual, todos posteriores ao estudo. Do PSD foram 296 governantes, do PS 295 e do CDS 54, havendo 81 independentes. Verificámos, sem surpresa, que algumas empresas foram a escola dos campeões nas trajectórias governamentais. Como nos interessava em especial essa ligação dos governantes, medida pela presença em conselhos de administração, antes ou depois, ou antes e depois do cargo público, verificámos se havia uma diferença notória entre os trajetos de gente do PS e do PSD nessas relações. Sim, há diferenças, mas ligeiras: dos governantes do PS, 47% tinham ou criaram ligações com as empresas, ao passo que o número sobe para 64% no PSD. Nos governos Durão Barroso-Paulo Portas e Santana Lopes-Paulo Portas chegou a haver quatro governantes com ligações empresariais para um que não as tivesse. E o atual é o primeiro Governo do PS que não tem um representante destacado do Grupo Espírito Santo (é certo que este também já não existe).

A FAMÍLIA FINANCEIRA É A MAIS CARINHOSA

Destes 776 governantes, 230 foram da finança para o Governo ou saíram do Governo para

a finança ao longo da sua vida. O PSD tem vantagem nesta corrida, pois aí se encontram 75 governantes do PS mas 102 do PSD. Se cuidamos da evolução de todos os ministros das Finanças, temos que 14, entre 17, prosseguiram ou fizeram carreira em instituições financeiras. No PSD, foram quase todos: oito em nove. No PS, idem: seis em oito. Os ministros das Finanças vão para a finança, parece ser o seu destino garantido e, entre todos os governantes, um em cada três teve ou passou a ter lugar de topo na finança. Se registarmos as relações com os grandes grupos económicos, estes albergam 53 governantes do PS e 90 do PSD. Se se tratar especificamente das empresas do PSI20, foram 51 do PS e 68 do PSD. Se olhamos em contrapartida para as parcerias público-privadas, o mapa tem uma diferença um pouco mais acentuada, 35 do PS e 53 do PSD. E, se perguntamos qual foi o “efeito promoção”, ou seja, quantos destes governantes não tinham cargos empresariais de topo antes de ocuparem funções governamentais mas passaram a tê-los depois de saírem do Governo, temos 79 do PS e 83 do PSD e CDS: um em cada quatro dos governantes de todos os governos constitucionais não era e passou a ser administrador. Estas pessoas

foram para a finança (113), para a indústria e energia (92) e menos para o imobiliário e comunicações (43 cada).

AMOR FAMILIAR

O que estes dados verificam é que, na sociologia dos percursos profissionais, há alguma diferença entre as origens e os destinos dos governantes do PS e do PSD, mas que é pouco significativa, com excepção de quando se trata do apetite pela finança, em que parece haver a mesma motivação e tipologia de relacionamento. O argumento segundo o qual o PS tem de recrutar governantes entre familiares que têm o mesmo percurso partidário, porque esse é o seu meio natural, ao passo que o PSD os vai buscar a empresas, onde se move mais à vontade, cai portanto por terra. Ambos

O facto de o marido ser ministro impede a mulher de ser chefe de gabinete de um secretário de Estado noutra área (ou vice versa), a resposta sensata é não

os partidos, cada um à sua maneira, têm cultivado intensas relações empresariais, que lhes devolvem o cuidado recrutando os seus dirigentes e ex-governantes para cargos de topo. É certo que estes factos sobre a “porta giratória” têm sido contestados por alegadamente ignorarem a falta de alternativas profissionais dos ex-governantes. Não vou levar a sério essa objeção até que me provem que os banqueiros ou administradores de PPP têm mesmo de ser recrutados entre ministros e secretários de Estado, ou que estes não podem ter outros empregos que não nas administrações, incluindo nas empresas dos sectores que tutelavam como governantes (e alguns, se bem poucos, evitaram ir por aí). Não. É mesmo amor familiar. E estas famílias precisam de ser levadas a sério. Assim, se perguntamos se o facto de o marido ser ministro impede a mulher de ser chefe de gabinete de um secretário de Estado noutra área (ou vice versa), a resposta sensata só pode ser não. Mas a pergunta que importa é outra: e quando um grupo económico está em todos os governos e até se descobre que pagaria uma mesada a um ministro em funções, não será que isso revela como foram as privatizações e as PPP?


Quase todos os homens vivem inconscientemente no tédio. Miguel de Unamuno y Jugo

quarta-feira 3.4.2019

IGREJA PAPA AGRADECE A CORAGEM DE QUEM DENUNCIOU ABUSOS

CHINA DETIDA EDUCADORA SUSPEITA DE ENVENENAR 23 CRIANÇAS

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A

Papa Francisco agradeceu “a valentia” de quem denunciou os abusos sexuais perpetrados pelo clero porque ajudou a Igreja a “tomar consciência do sucedido” e da necessidade de reagir com decisão”. A posição do Papa está expressa num documento ontem publicado, após o Sínodo sobre os jovens. Na exortação pós-sinodal, publicada com o nome de “Christus vivit”, o Papa recorda que muitos jovens se afastaram da Igreja ou a depreciam por “razões sérias e compreensíveis”, como os escândalos sexuais e económicos. No capítulo intitulado “Pôr fim a todo o tipo de abusos”, recorda que o sofrimento das vítimas “ninguém pode curar”. No mesmo documento, a diz que as mulheres têm “queixas legítimas” para exigir mais justiça e igualdade na Igreja Católica, mas não chega a endossar pedidos dos próprios bispos para dar às mulheres funções de decisão. Francisco emitiu um documento inspirado por um encontro de bispos realizado em Outubro do ano passado dedicado a melhorar o ministério dos jovens católicos. O encontro foi marcado por exigências para melhorar os direitos das mulheres e o documento final dos bispos considerava a necessidade de as mulheres assumirem posições de responsabilidade e tomada de decisão na Igreja como “um dever de justiça”. No longo documento “Cristo está vivo”, Francisco não retira esta conclusão. Diz apenas que uma igreja que ouve os jovens deve estar atenta “às legítimas queixas das mulheres” por igualdade e justiça e deve preparar melhor os homens e as mulheres com potencial de liderança. “Uma igreja viva deve olhar para trás na história e encontrar boa parte de autoritarismo masculino, dominação, várias formas de escravatura, abuso e violência sexista”, escreveu Francisco.

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PALAVRA DO DIA

À procura do sarampo SS fazem levantamento sobre imunidade das empregadas filipinas

O

S Serviços de Saúde vão iniciar hoje o processo de levantamento de informações sobre a imunidade ao sarampo das empregadas domésticas filipinas. A pesquisa de anticorpos vai contar com uma amostra de 100 trabalhadoras, instadas a inscrever-se voluntariamente, informaram ontem os Serviços de Saúde em comunicado. O organismo, liderado por Lei Chin Ion, espera, através da pesquisa aleatória, inteirar-se da capacidade imunitária das empregadas domésticas das Filipinas, considerando que a situação epidémica naquele país é a mais grave. Segundo dados oficiais, Macau conta actualmente com 24.412 empregadas domésticas, das quais 15.945 provenientes das Filipinas. As inscrições, que podem ser feitas através por telefone (62520680) durante o horário de expediente, abrem hoje e terminam quando as vagas estiverem esgotadas. As inscrições podem ser efectuadas pelas próprias trabalhadoras ou através dos empregadores.

A colheita de sangue vai ter lugar no próximo sábado, dia 6, entre as 10h e as 12h, em três centros de saúde (Tap Seac, Areia Preta e no da Nossa Senhora do Carmo, na Taipa). Segundo os Serviços de Saúde, uma semana depois, será enviada uma mensagem às empregadas domésticas, informando-as da possibilidade de levantar o relatório no Centro de Prevenção e Controlo de Doenças. A intenção dos Serviços de Saúde passa por alargar, posteriormente, a pesquisa a outros grupos de trabalhadores não residentes. Embora de um modo geral, a maioria seja imune ao sarampo, devido à possibilidade de terem sido infectados no país de origem, dado que a grande parte vem designadamente de áreas epidémicas do sudeste asiático, “há falta de dados concretos da situação imunitária”, referem os Serviços de Saúde, na mesma nota de imprensa.

SOMA E SEGUE

O número de casos de sarampo registados desde o início do ano

subiu para 27. O mais recente caso foi diagnosticado ontem numa enfermeira do Serviço de Urgência Pediátrica do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, elevando para nove o total de profissionais de saúde infectados com a doença altamente contagiosa. A paciente, de 32 anos, natural de Macau, estava vacinada contra o sarampo. Segundo os resultados dos testes laboratoriais, entre os profissionais de saúde infectados, apenas um não estava imune ao sarampo, indicaram os Serviços de Saúde. O organismo facultou também ontem ao HM os dados em falta do levantamento à imunidade dos profissionais de saúde, dando conta de que, além dos 362 (228 médicos e dos 134 enfermeiros), 55 de 882 auxiliares de enfermagem e dos serviços gerais também não estariam protegidos contra o sarampo durante o recente surto, elevando o total para 417. Isto por não terem a certeza se foram vacinados ou se contraíram a doença anteriormente. Todos foram entretanto vacinados. D.M.

polícia chinesa deteve ontem uma educadora de infância suspeita de envenenar deliberadamente 23 crianças num infantário no leste da China, em mais um ataque no país contra menores. Identificada como Wang, a professora terá adulterado a comida das crianças com nitrito de sódio, revelou a polícia da cidade de Jiaozuo. A exposição àquela substância tóxica pode ser fatal. A polícia disse que ainda não aclarou o motivo do incidente, ocorrido na semana passada. Crianças em idade escolar têm sido alvo de ataques na China, muitas vezes fatais, normalmente protagonizados por pessoas com problemas psicológicos ou ressentimentos contra a sociedade. No início deste ano, 20 crianças ficaram feridas num ataque perpetrado por um homem numa escola primária em Pequim. Em Abril de 2018, um homem armado com uma faca matou sete estudantes e feriu 19, quando os jovens regressavam a casa, no norte do país. A lei chinesa proíbe rigorosamente a venda e posse de armas de fogo, pelo que os ataques são geralmente feitos com facas, explosivos de fabrico artesanal ou por atropelamento. O último caso de envenenamento remonta a 2002, quando 42 pessoas, a maioria crianças em idade escolar, morreram na cidade de Nanjing, leste do país. O assassino, que alegadamente tinha inveja do negócio próspero do seu concorrente, foi rapidamente condenado à pena de morte e executado.

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Hoje Macau 3 ABR 2019 #4263  

N.º 4263 de 3 de ABR de 2019

Hoje Macau 3 ABR 2019 #4263  

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