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MOP$10

SEXTA-FEIRA 3 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3927

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

TIAGO ALCÂNTARA

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CONTAS EM DIA FO/FEPM | PÁGINA 9

CHINA

A nova “contradição” PÁGINA 13

RAFFAELLE GIANETTI

Malesˆ que vem por bens

RECEITAS DO JOGO EM ALTA PODEM FAZER DISPARAR PREÇOS DE CASAS E ARRENDAMENTOS. GRANDE PLANO

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PÁGINA 8

PÁGINA 5

EM DEFESA DO ARTIGO 95 OPINIÃO | PAUL CHAN WAI CHI

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CASINOS | HABITAÇÃO


2 grande plano

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S receitas de jogo cresceram 22,1 por cento no mês passado face ao período homólogo e renderam aos casinos 26,6 mil milhões de patacas, o valor mais alto desde Outubro de 2014. Contudo, para a população que quer comprar ou arrendar casa, as notícias estão longe de ser as mais animadoras. Esta é pelo menos a perspectiva partilhada pelo presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial, Paul Tse, e pelo economista Albano Martins, que apontam para uma subida dos preços. Em causa está o facto da indústria do jogo ter uma relação muito forte com o mercado do imobiliário, e por arrasto com os preços do arrendamento. Seguindo esta lógica, as previsões apontam para que o mercado volte a aquecer, após a crise motivada pela quebra do jogo, que se começou a sentir em 2014. “O jogo é o pai de toda esta grande família ligada ao sector

RÓMULO SANTOS

No mês passado as receitas dos casinos bateram todas as expectativas do mercado e cresceram a um ritmo de 22,1 por cento. Com o sector do jogo a entrar num novo período de euforia, os especialistas ouvidos pelo HM acreditam que os preços das casas e do arrendamento vão voltar a subir

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DORES DO CRESCIMENTO HABITAÇÃO RECEITAS DO JOGO VÃO FAZER DISPARAR PREÇOS

turístico. Quando cresce, as oportunidades de negócio crescem e tudo à volta tende a crescer. O imobiliário tem uma correlação positiva muito forte com o jogo. Quando o jogo sobe os preços no imobiliário também sobem. Se o jogo tem problemas, o imobiliário também reflecte essa realidade”, disse Albano Martins, ao HM. “Com os valores das receitas do jogo a dispararem, a atenção para o mercado imobiliário vai voltar a aumentar, o que aliás até já se está a sentir. Assim, os valores das rendas vão acompanhar a tendência. As pessoas vão ter de se preparar para os aumentos das rendas e das

casas porque o jogo vai puxar tudo para cima”, acrescentou. Em relação ao arrendamento, Albano Martins deixa uma certeza: “As pessoas que tiverem os contratos a terminar em fases de crescimento do jogo, vão sentir as rendas a disparar”, sublinhou.

OPTIMISMO E PONTE

Além dos números do jogo, que Paul Tse considerou acima das expectativas do mercado, o presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial sublinha que o imobiliário é ainda atractivo pela forma como os rendimentos dos locais se man-

tiveram estáveis, mesmo durante o período de abrandamento da economia. “O mais importante é que os rendimentos ficaram estáveis durante um largo período de anos.

“As pessoas vão ter de se preparar para os aumentos das rendas e das casas porque o jogo vai puxar tudo para cima.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

Isto mostra que há estabilidade em Macau e existe um potencial de crescimento, que é sempre um facto de atracção do mercado” afirmou Paul Tse, ao HM. Esta é uma tendência que o presidente da associação ligada ao imobiliário acredita que se irá manter pelo menos durante cinco anos: “O mercado do imobiliário vai acelerar e vai haver mais transacções, até porque os números do jogo ficaram acima das expectativas, e as pessoas acreditam que a economia de Macau vai crescer”, previu. “Também vai abrir a ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau. Com


grande plano 3

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“Macau arrica-se a só ter casinos. Tudo o resto vai morrer. Quando há uma bolha no mercado imobiliário há uma distorção brutal dos preços, que faz com que as economias sejam ineficientes.”

mais terrenos para a construção. Com as medidas para controlar a procura só vão dificultar o processo de compra ou de arrendamento das pessoas com menos recursos”, afirmou Paul Tse. O também empresário defende que o Governo devia facilitar os processos de alteração da finalidade dos vários terrenos atribuídos em Coloane, que foram concessiondos com propósitos industriais. “Existem terras em Coloane, e estou a excluir os espaços verdes, onde pode haver construção. São terrenos que foram atribuídos com fins industriais e que podem ser transformados em habitações. O Governo disse, há mais de dez anos, que queria que esses terrenos fossem aproveitados para habitações privadas, só que os terrenos atravessam questões jurídicas complicadas [ndr. devido à nova Lei de Terras] e as terras permanencem por ocupar”, explicou. Porém, Paul Tse admite que só a construção privada em Coloane não é “suficiente” para resolver a questão, mas que atenuaria os efeitos do problema.

ALBANO MARTINS ECONOMISTA

isto, Macau passará a ter um aeroporto de grande nível a 30 minutos de distância. Há igualmente planos para um grande parque de estacionamento e um centro de logística na ilha artificial. São tudo factores positivos para o imobiliário. Nos próximos cinco anos, os preços no mercado imobiliário só podem subir”, acrescentou.

CONTROLO DA ESPECULAÇÃO

Na altura de abordar o problema que poderá sentido pelos cidadãos, as pessoas contactadas pelo HM apresentam diferentes soluções. Albano Martins acredita que nas condições actuais é necessário controlar mais a acção especulativa, que fazem os preços crescer de forma irrazoável. “As soluções para o Governo travar o aumento dos preços do imobiliário passam por aumentar o período em que há uma penalização nas transacções após a aquisição do imóvel. Em vez de a penalização ser para vendas que aconteçam em menos de dois anos após a compra, deveria passar para cinco anos. Se alguém quisesse vender o imóvel seria muito mais penalizado do que acontece agora”, sustentou. O economista defende igualmente que em Macau, dada a falta de terrenos, que não faz sentido permitir que as pessoas “enriqueçam de um dia para o outro”, à conta de “um bem essencial”. “Num país onde existe muito espaço, aceita-se que haja especulação no imobiliário. Mas num território que não tem espaço para se viver, deixar que as pessoas façam esse tipo de actividade é, no mínimo, incompreensível para não dizer que é desumano. Não devia ser permitido”, completou.

PROBLEMA DA OFERTA

Para o presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial o principal problema reside no facto de nos últimos anos, e principalmente desde 2002, não terem sido disponibilizados terrenos na proporção adequada para a construção do sector privado. “O problema de Macau é que há falta de oferta de novas casas no sector privado para comprar. O Governo tem a chave para resolver esse problema e devia disponibilizar

ECONOMIA A SOFRER

Outro dos efeitos esperados com a subida prevista para os próximos anos prende-se com a economia de Macau, que segundo Albano Martins, com a bolha do imobiliário vai perder competitividade.

FRACÇÕES PÚBLICAS NÃO OFERECEM SOLUÇÃO

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pesar do Governo, no estudo sobre as necessidades da habitação pública, apontar que o problema vai estar resolvido até 2023 ou 2024, Albano Martins não acredita que esta seja uma solução para a maioria do problema dos residentes. “A habitação pública não é a resposta para as necessidades da classe média. Há classes mais desfavorecidas que não têm outra solução que não seja as casas oferecidas pelo Governo. Mas essa não é uma solução para a classe média”, disse Albano Martins. “A solução mais plausível é criar as condições no mercado para que cada residente possa ter acesso a habitação a preços considerados aceitáveis. Não se pode admitir que um indivíduo de classe média tenha que passar toda a vida a entregar a maior parte do ordenado para pagar uma habitação”, acrescentou. Em termos do arrendamento, Albano Martins explicou que a nova regra que faz com que os contratos tenham uma duração mínima de três anos pode beneficiar os arrendatários e limitar a subida dos preços. “Se não forem assinados contratos que definem um aumento anual do valor da renda, como acontece muito com os escritórios, e se não houver violações da lei, acredito que haverá alguma contenção no mercado principalmente para os contratos antigos”, frisou.

A ESTABILIZAR EM 2025

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final da abertura da segunda vaga de casinos no Cotai e a maior integração de Macau na zona da Grande Baía são factores que vão levar à estabilização do mercado da habitação. Esta é a crença de Albano Martins, que admite a possibilidade de cada vez mais as pessoas viverem foram de Macau. “Mais dia menos dia, toda esta zona vai ficar muito próxima. Aliás já há muita gente que vem de Hong Kong e Zhuhai para Macau todos os dias. Com essa inclusão e o final da abertura dos casinos o mercado vai estabilizar”, opinou o economista. “Depois da última vaga de não-residentes virem para os casinos do território as coisas vão estabilizar. Deve ser algo que vai acontecer por volta de 2025. Também a partir dessa altura, com a indústria do jogo desenvolvida, não acredito que haja outros períodos de crescimento tão fortes”, frisou.

“Existem terras em Coloane, e estou a excluir os espaços verdes, onde pode haver construção. São terrenos que foram atribuídos com fins industriais e que podem ser transformados em habitações.” PAUL TSE REPRESENTANTE DO SECTOR IMOBILIÁRIO

“O imobiliário é o bem essencial para qualquer actividade económica, incluindo a privada. Se a base está sempre a ficar mais cara, os preços tornam-se incomportáveis e vai haver uma perda brutal da competitividade, que se vai acentuar quando as economias ao lado começarem a crescer”, clarificou. “Nessa altura, Macau arrica-se a só ter casinos. Tudo o resto vai morrer. Quando há uma bolha no mercado imobiliário há uma distorção brutal dos preços, que faz com que as economias sejam ineficientes. O Governo tem de pensar que ao contrário do que muita gente diz – porque mete mais dinheiro ao bolso – isto destrói a economia saudável”, acrescentou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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Habitação pública Ho Ion Sang exige novos procedimentos

O deputado Ho Ion Sang interpelou o Governo sobre a necessidade de rever os procedimentos de construção de habitação pública, para garantir uma concretização mais rápida dos projectos e o fornecimento de apartamentos a curto e médio prazo. O deputado lembrou ainda que a atribuição permanente de casas pode ajudar a atenuar os preços do mercado privado de imobiliário, algo que tem vindo a ser influenciado pela ausência de um calendário concreto da parte do Governo. Ho Ion Sang deseja também saber como é que o Executivo vai analisar os dados recolhidos nos últimos anos nesta área, para que seja definida uma proporção justa de habitação económica e social.

Metro ligeiro Leong Sun Iok alerta para pouca formação

O deputado Leong Sun Iok entregou uma interpelação oral ao Governo onde revelar estar preocupado com a ausência de um programa de formação de talentos locais para a operacionalização do metro ligeiro, numa altura em que se prevê que o segmento da Taipa entre em funcionamento em 2019. Leong Sun Iok alerta para a necessidade de importação de trabalhadores, o que poderia prejudicar os locais em termos de acesso às vagas de emprego. O deputado referiu ainda a ausência de divulgação do itinerário do metro ligeiro, uma vez que Chui Sai On prometeu o ano passado revelar o percurso até ao final deste ano.

LAG CLASSE MÉDIA LOCAL NÃO TEM DEFINIÇÃO, LOGO NÃO TEM MEDIDAS

Uma questão de conceito

GCS

Os problemas da classe média local têm sido alvo de preocupação de várias associações representadas no hemiciclo. A razão poderá ter que ver com o facto de não existir uma definição para esta franja social. De acordo com o Chefe do Executivo, Chui Sai On, trata-se de um conceito com um significado difícil em Macau mas que abrange uma faixa da população que vai merecer mais atenção por parte do Governo

ção do Executivo averiguar quais são as suas necessidades. Políticas que tenham em conta a classe média têm sido uma das reivindicações de muitas das associações que estão a reunir com Chui Sai On, neste período prévio às LAG. A Aliança de Povo de Instituição de Macau não é excepção, e no encontro que teve lugar na passada quarta-feira deixou ao Chefe do Executivo as suas preocupações com os problemas que esta classe enfrenta no território.

PEDIDOS PARA TODOS OS GOSTOS

Além desta matéria, a Aliança quer ainda a criação de um fundo destinado à atribuição de benefícios a todos os residentes. O Plano Director, que avançou recentemente com a conclusão da primeira fase do concurso público, é outra das preocupações desta associação que considera a medida crucial para “o crescimento efectivo dos bairros assim como para a diversificação adequada da economia”.

Chui Sai On acrescentou que o Governo já fez alguns estudos e análises para definir o conceito de classe média em Macau, só que após uma comparação com vários países e regiões, conclui-se ser difícil encontrar esse significado

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classe média do território não tem ainda definição em Macau. A ideia foi deixada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, no encontro de recolha de opiniões com a Aliança de Povo de Instituição de Macau como justificação para as poucas medidas que o Governo tem implementado de modo a apoiar esta classe indefinida. “Chui Sai On acrescentou que o Governo já fez alguns estudos e análises para definir o conceito de classe média em Macau, só que

CAIXA DE SUGESTÕES

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Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau quer uma aposta maior do Governo nas medidas que dizem respeito aos idosos, à saúde, à habitação e aos jovens. As sugestões foram deixadas na quarta-feira pelos vice-presidentes e deputados Mak Soi Kun e Zheng Anting. A associação deixou ainda ao Chefe do Executivo um conjunto de opiniões que recolheu junto da população. De acordo com o comunicado oficial, trata-se de opiniões em várias áreas “nomeadamente, a educação sobre assuntos nacionais, jovens empreendedores, integração da cooperação regional, a subsistência e bem-estar dos idosos, mecanismo de resposta de emergência, comércio das pequenas e médias empresas, educação, tráfego, serviços comunitários e outros assuntos relativos à vida da população”. Em resposta, Chui Sai On avança que terá em conta as sugestões recolhidas, “prometendo analisar de forma séria e a adaptar como referência nas Linhas de Acção Governativa de 2018”.

após uma comparação com vários países e regiões, conclui-se ser difícil encontrar esse significado”, lê-se em comunicado oficial. Como tal, Chui Sai On revela ainda que, até ao momento, o Governo, à falta de definição, tem em conta “o grupo que aufere um rendimento médio”, sem no entanto se saber qual é. Chui Sai On reconhece que esta faixa social indefinida “não consegue gozar das medidas e benefícios destinados aos mais carenciados”, adiantando que será uma preocupa-

O reforço de medidas sociais foi também um dos pontos destacados pelos representantes da Aliança de Povo de Instituição de Macau. A associação pretende que, neste âmbito, seja criado um mecanismo de partilha económica, um sistema de previdência para a habitação, “assim como o reforço das medidas de garantia dos cuidados de saúde e o aumento da pensão para os idosos”. No que respeita aos jovens, a associação sugere a implementação de mais formação tendo em conta o espírito “amar a pátria, amar Macau”. Para a entidade, trata-se de uma forma de “aproveitar bem as oportunidades que surgem com o desenvolvimento nacional. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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LAG NOVO MACAU FALA DE HABITAÇÃO PARA JOVENS COM CHUI SAI ON

Cerimónia da meia hora A Associação Novo Macau discutiu a questão da habitação para jovens e a não eleição dos membros do novo órgão municipal na reunião com o Chefe do Executivo. O encontro fez parte da ronda de auscultação de associações para elaboração das Linhas de Acção Governativa. De acordo com os pró-democratas, foi mais um acontecimento cerimonial do que uma reunião de trabalho

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RINTA minutos, normalmente, passam a correr. Por isso, Sulu Sou e companhia quiseram aproveitar ao máximo o tempo da reunião com o Chefe do Executivo para consulta pública antes de serem anunciadas as Linhas de Acção Governativa (LAG). “É um encontro um bocado cerimonial em que o Chefe do Executivo recebe e ouve vários elementos da sociedade, apesar de suspeitarmos que as LAG já estejam definidas”, diz Scott Chiang, presidente demissionário da Associação Novo Macau. Apesar de achar que esta ronda de reuniões não trará grande contributo a nível de conteúdo, Scott Chiang entende que pode servir de “plataforma para grupos mais amigáveis exigirem coisas que se encaixam nas medidas que vão ser anunciadas nas LAG e depois reclamar crédito perante o eleitorado”. “As nossas exigências não tentam colar-se ao que sairá nas LAG, exigimos aquilo que achamos realmente importante. Como só tivemos meia hora para a reunião, escolhemos assuntos importantes que achamos que outros grupos podem falhar”, explica. Sulu Sou revela que o Chefe do Executivo ouviu as sugestões, mas não contribuiu com muitas opiniões. Ainda assim os pró-democratas apreciam e estão agradecidos pelo gesto, até porque a última vez que tiveram uma audiência desta natureza foi em 2013. Outro dos aspectos interessantes para a associação é, de certa forma, a saída de uma posição marginal em direcção a um reconhecimento enquanto oposição séria. Facto para o qual terá, por certo, contribuído a eleição de Sulu Sou como deputado para a Assembleia Legislativa.

CASA E CÂMARA

Ao longo do encontro, os membros da Novo Macau abordaram a questão do acesso à habitação para jovens, algo que já havia sido uma das suas bandeiras de campanha eleitoral. “Precisamos consolidar a esperança desta cidade para con-

Imobiliário Wong Kit Cheng não quer erros repetidos

A deputada Wong Kit Cheng entregou uma interpelação escrita ao Governo onde alerta para a necessidade de se evitarem os mesmos erros do passado no que ao projecto das 19 mil fracções públicas diz respeito. Wong Kit Cheng considerou que os preços elevados do imobiliário estão relacionados com a insuficiência de fornecimento de fracções no mercado geral de casas, pelo que são necessárias políticas para estabilizar o fornecimento de fracções no mercado público e privado até 2021, um ano em que a concessão de casas do Governo ainda será limitada, frisou. Além disso, Wong Kit Cheng quer que as autoridades divulguem o ponto de situação de cada projecto de habitação pública em curso.

ESTUDO RELATÓRIO SOBRE PROCURA DE FRACÇÕES PÚBLICAS AO LADO DA REALIDADE

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vencer a próxima geração a ficar cá, estabelecer-se, fazer família e contribuir para a construção do futuro de Macau”, diz Scott Chiang à saída da reunião. A Novo Macau não ter uma perspectiva científica quanto à evolução futura do mercado de habitação e quanto ao volume da procura que será absorvida pelo mercado privado, daí ter pedido informação relativa à capacidade de apoio do Governo. A ideia é traçar um plano de futuro, alocar recursos como terra, dinheiro e providenciar aos jovens de Macau um mercado estável de habitação. Scott Chiang suspeita que o Executivo não encare o assunto como um problema sério. “O mercado privado ainda está desequilibrado e não se faz o suficiente para

“É um encontro um bocado cerimonial em que o Chefe do Executivo recebe e ouve vários elementos da sociedade, apesar de suspeitarmos que as LAG já estejam definidas.” SCOTT CHIANG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

alterar uma situação que afecta muitos os jovens”, comenta. O segundo assunto que trouxeram para a reunião prendeu-se com o défice democrático na

escolha do elementos do novo órgão municipal sem poder político. “Devemos ter uma divisão de tarefas entre legisladores, que se devem ocupar com assuntos de política legislativa, enquanto os conselhos municipais lidam com problemas como infiltrações de água, ratos e coisas do género”, comenta Scott Chiang. O ainda presidente da Associação Novo Macau teme que este tipo de assuntos “mais mundanos e municipais” recaíam sobre os ombros de Sulu Sou e que o deputado não tenha tanta disponibilidade para tratar de matérias de maior envergadura. Além disso, as eleições responsabilizarão os dirigentes perante a sociedade. João Luz

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“Relatório Final do Estudo sobre a Procura de Habitação Pública” já foi publicado pelo Governo e criticado por deputados, mas o secretário para os Transportes e Obras públicas admite que o documento pode não ter conteúdos adequados à realidade. O “Relatório Final do Estudo sobre a Procura de Habitação Pública” possui dados que podem servir de referência mas que não reflectem totalmente a realidade”, lê-se em comunicado oficial acerca da recolha de opiniões para as Linhas de Acção Governativa, desta feita, com a Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau. No entanto, o secretário admite ainda que a situação da habitação vai continuar a ser alvo de análise. “Os serviços competentes vão efectuar a renovação contínua dos estudos e a análise dos dados referentes à necessidade de habitação pública”, lê-se no mesmo documento. As afirmações surgiram em respostas às preocupações mostradas pelos representantes da Associação, os também deputados pó democratas Ng Kuok Cheong e Au Kam San. Ng Kuok Cheong manifestou a necessidade do Executivo prestar mais atenção às questões ligadas à habitação, quer no que respeita ao aproveitamento de terrenos para a construção e casas destinadas aos residentes no território, quer às necessidades de habitação dos filhos dos residentes que já sejam maiores de idade. Já Au Kam Sam recordou também ao Governo a necessidade de dar início, o mais breve possível, aos trabalhos de ordenamento de bairros antigos. S.M.M.


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3.11.2017 sexta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 33/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 18 de Outubro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento Material de Consumo Clínico para o Centro de Transfusões de Sangue dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 1 de Novembro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 46,00 (quarenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 1 de Dezembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 4 de Dezembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP92.000,00 (noventa e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 26 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 34/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 18 de Outubro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Bloco Operatório de Obstetrícia e Ginecologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 1 de Novembro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 51,00 (cinquenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 4 e Dezembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 5 de Dezembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00(cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 26 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Notificação n.º 005/SS/GPCT/2017 Considerando que não é possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, via telefónica, nem por outro meio, nos termos do artigo 68.º, do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, bem como dos respectivos procedimentos sancionatórios regulados no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Em conformidade com o artigo 25.º da Lei n.º 5/2011 (Regime de prevenção e controlo do tabagismo), e tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas, a existência de culpa e não existência de qualquer circunstância agravante confirmada, o Director dos Serviços de Saúde determina que: 1. Foram aplicadas aos infractores, constantes da Tabela I em anexo, as multas previstas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011, no valor de 400 patacas (MOP 400,00) (cada infracção): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no artigo 4.º, porquanto resultam da prática de actos de “fumar em locais proibidos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios junto do autor do acto, no prazo de quinze (15) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos do artigo 145.º, do n.º 1 do artigo 148.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido Código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo Código, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto, salvo disposição legal em contrário. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, junto do Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 27.º do referido Código. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos das disposições do n.º 7 do artigo 29.º da Lei n.º 5/2011, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de trinta (30) dias, a partir da data de publicação desta notificação, no Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, sito na Avenida da Amizade, N.o 918, “World Trade Center Building”, 15.o andar, Macau. Caso contrário, os Serviços de Saúde submeterão o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos da cobrança coerciva, de acordo com o artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M e o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M. 5. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes da tabela anexa tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. 6. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 2855 6789 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. 26 de 09 de 2017.

O Director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion Tabela I

Nome 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36

ZHANG GUOQIANG LIN WEI WEI CHAN KAM CHI PAN QINGCHU SUN JIANJUN OU, LIANBIN LIANG ZUOWEI LI YIJIE LIN SIRONG WU, HONGHUA KANG HUA KADEL KHATRI BINOD LIANG YONGGUANG ZHANG JINGUO HAN, ZECHOU WONG IONG PO 趙武 RAO TIANSHE CHEN FENGMING CHAN KENG WA DONG, XINGCHUN ZHAO, DAWANG HO, KIN LING YEUNG KAM MING MAI, QIXIANG BARREDO,NINO ESCOTO HON, HUNG KWONG TANG, YUET WO JI TENGFEI 曹楊 WU DA HENG ZHOU YUE QIU FU, HAIJIANG LIU, CHUNLI ZHOU GUANGAN PUREVSUREN MUNKHBAATAR

Sexo M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M

Tipo e n.º do documento de identificação (*3) (*3) (*1) (*3) (*2) (*3) (*2) (*3) (*2) (*3) (*3) (*8) (*3) (*3) (*2) (*1) (*2) (*3) (*3) (*1) (*2) (*2) (*4) (*4) (*4) (*6) (*4) (*4) (*3) (*5) (*2) (*6) (*2) (*3) (*7) (*9)

G47103XXX E41388XXX 50967XX(X) E90073XXX C40971XXX E36456XXX W66566XXX E44831XXX C56631XXX E57026XXX E03718XXX 07169XXX G50387XXX E91015XXX C06341XXX 73293XX(X) C56311XXX E77726XXX E03159XXX 73855XX(X) C59985XXX C59987XXX C4513XX(X) H1520XX(X) R4368XX(X) 23410XXX V0864XX(X) C5196XX(X) E06041XXX 342901198608285XXX C05786XXX 23399XXX C65376XXX E68212XXX T27925XXX E1157XXX

N.º da acusação

Data da infracção

100465349 100465351 100465460 100492316 100492354 100011273 100011285 100465531 100492124 100449381 100382666 100383119 100313948 100383171 100466418 100466373 100147268 100466482 100531451 100466494 100466515 100466527 100519374 100495225 100495213 100377053 100331324 100537217 100466565 100052952 100205604 100504579 100466721 100348187 100466771 100467044

2017/03/09 2017/03/09 2017/03/10 2017/03/11 2017/03/11 2017/03/11 2017/03/11 2017/03/13 2017/03/18 2017/03/20 2017/03/26 2017/03/27 2017/03/30 2017/04/03 2017/04/05 2017/04/11 2017/04/12 2017/05/04 2017/05/04 2017/05/08 2017/05/10 2017/05/10 2017/05/15 2017/05/16 2017/05/16 2017/05/20 2017/05/21 2017/05/23 2017/05/24 2017/05/27 2017/05/28 2017/06/02 2017/06/07 2017/06/22 2017/06/29 2017/06/30

Nota﹕ (*1) (*2) (*3) (*4) (*5) (*6) (*7) (*8) (*9)

Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau Passaporte da República Popular da China Bilhete de Identidade da Região Administrativa Especial de Hong Kong Bilhete de identidade de residente da República Popular da China Título de Identificação de Trabalhador Não-residente Salvo-conduto para a Deslocação à Região de Taiwan Passaporte da República Democrática Federal do Nepal Passaporte da Mongólia

Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26


política 7

sexta-feira 3.11.2017

D

EPOIS de muita celeuma em torno da transparência dos trabalhos das comissões permanentes e de acompanhamento da Assembleia Legislativa (AL), na primeira reunião da comissão que acompanha as finanças públicas os membros optaram pela manutenção das reuniões à porta fechada. O presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, Mak Soi Kun, ladeado pelo recém-eleito Leong Sun Iok, revelou que as regras de funcionamento foram votadas por unanimidade pelos membros do organismo que fiscaliza as contas do Executivo. “Na realidade estamos muito abertos, temos regras que permitem ouvir a opinião de todos, mas a maioria apoiou a não abertura ao público, por motivos de confidencialidade”, comentou o presidente da comissão. Para Mak Soi Kun, ao longo das discussões são revelados dados e informações de assuntos financei-

A

lei do hino nacional chinês, que será aplicada em Macau e em Hong Kong e prevê sanções para quem o desrespeite, será alvo de “adaptação local”, em particular no que toca às penas, disse, na quarta-feira, o Governo de Macau. “Temos de fazer uma adaptação local, fazer uma análise, ver o que é necessário”, disse a secretária para a Administração e Justiça,

AL REUNIÕES DE COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DAS FINANÇAS PÚBLICAS FECHADAS

De portas trancadas GCS

Os membros da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas aprovaram as regras de funcionamento para este ano legislativo, inclusive o artigo que estabelece que as mesmas se realizem longe dos olhos do público. De acordo com Mak Soi Kun, nenhum membro sugeriu reuniões abertas

Mak Soi Kun, presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas “Na realidade estamos muito abertos, temos regras que permitem ouvir a opinião de todos, mas a maioria apoiou a não abertura ao público, por motivos de confidencialidade.”

ros que podem afectar o mercado e que não podem ser divulgados publicamente. Porém, o deputado mais votado nas eleições directas adiantou que a comissão a que preside é favorável à publicação de balanços e relatórios nas páginas electrónicas dos serviços públicos. Algo que já acontece de qualquer das formas.

AGENDA ANUAL

Mak Soi Kun conta que “foi dada oportunidade a todos os membros da comissão para apresentarem as suas opiniões em relação a cada artigo e ninguém se mostrou contra”. Ou seja, ninguém propôs que as reuniões fossem abertas

ao público. É de salientar que a votação das regras das comissões são feitas no todo e não de artigo em artigo. A primeira reunião da comissão fixou os trabalhos de fiscalização que terá em mãos ao longo do ano legislativo. Será solicitado ao Executivo que revele o ponto de situação quanto à revisão do regime que regula as aquisições de bens e serviços, assim como a execução orçamental referente ao ano 2016. Outro dos aspectos sob a alçada da entidade de acompanhamento é a questão das aplicações financeiras que têm dado retornos decepcionantes nos anos anteriores. Uma das prioridades é saber a

Adaptação local Lei do Hino Nacional vai ter penas adequadas ao território

Sónia Chan, questionada sobre se as penas para quem desrespeite o hino serão iguais às da China. A lei do hino nacional entrou em vigor na China em Outubro e prevê sanções, incluindo a detenção por um máximo de 15 dias,

mas a Assembleia Popular Nacional já recebeu uma proposta para agravar as penas de prisão até três anos. “Vamos ter em consideração o nosso sistema legislativo, quais são as penas necessárias”, sublinhou, sem elaborar. A secretária

evolução dos investimentos feitos pelo Governo, quer através da Autoridade Monetária de Macau, quer através de empresas privadas. Em questão estão as reservas financeiras e cambiais, assim como as aplicações financeiras dos fundos de pensões, previdência e segurança social. Ainda no capítulo dos fundos, a comissão pretende inteirar-se do ponto em que está a criação do fundo de investimento para o desenvolvimento de Macau. No mandato anterior, o volume dos retornos foi irrisório, situando-se nos 0,8 por cento, bem abaixo dos 2,2 por cento de inflação registada. Mak Soi Kun exemplificou que “basta um por

não quis avançar com uma data para a adopção da lei em Macau, mas comprometeu-se a “acelerar” o processo.

UMA TERRA FÁCIL

“Temos de seguir a lei que foi publicada na China (…) Acho que não vai haver grandes dificuldades”, disse à margem da cerimónia de tomada de posse de cinco novos delegados do Procurador. Ao contrário de Hong Kong, onde recentemente o

cento de retorno para atingir os 4 mil milhões de patacas, uma quantia que consegue resolver muitos problemas sociais”. Além disso, a comissão que fiscaliza o Governo em matérias de finanças públicas quer saber como são seleccionadas as empresas gestoras destes fundos. Outro ponto na agenda anual da comissão é ter conhecimento das flutuações das rendas pagas pelo Executivo relativas aos serviços públicos situados em edifícios privados.

hino chinês foi vaiado em jogos de futebol, em Macau não há registo de manifestações públicas de desrespeito. No entanto, Sónia Chan considera que “é necessário precaver”. No mesmo sentido falou o Procurador da Região Administrativa Especial de Macau, Ip Song Sang, que disse concordar que a lei seja adoptada no território, mas não quis comentar se a sua violação merece penas de prisão.

João Luz

info@hojemacau.com.mo

“Não posso dar uma resposta imediata porque temos de ponderar como (…) aplicar as leis”, disse. As propostas para incluir esta lei chinesa nos anexos das Leis Básicas de Macau e Hong Kong, que regulam as leis nacionais a aplicar nas regiões administrativas especiais, foram submetidas na sessão legislativa bimensal do comité permanente daAssembleia Popular Nacional, que começou na segunda-feira.


8 sociedade

3.11.2017 sexta-feira

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CCP CONDENA ACÓRDÃO DE TRIBUNAL PORTUGUÊS

Bíblia e outras histórias As conselheiras do Conselho das Comunidades Portuguesas condenam um acórdão assinado pelo juiz português Neto de Moura que cita a Bíblia e o Código Penal português de 1886 para justificar actos de violência doméstica contra uma mulher a manifestar-se contra o seu conteúdo. “Na sequência do acórdão do Tribunal da Relação do Porto, do dia 11 de Outubro de 2017, sobre um caso de violência doméstica a uma mulher, redigido com termos machistas e discriminatórios, as Conselheiras das Comunidades

por ano. Os abrigos para as mulheres violentadas são raríssimos, cerca de 400 para uma população de 1,3 mil milhões de pessoas.”

PROGRESSOS VS RETROCESSOS

O acórdão em questão, que já foi notícia em inúmeros media internacionais, aponta que “a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente”. Neto de Moura faz mesmo referência ao Código Penal de 1886 para justificar o papel da traição neste caso. “Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.0) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse.”

É também afirmado que, “com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher e uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher.” As conselheiras acrescentam que, nos últimos anos, houve “progressos das últimas décadas em relação à condição da mulher”. Contudo, “há ainda muito a fazer e o retrocesso é um perigo real, como podemos constatar com o caso do acórdão do Tribunal da Relação do Porto”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

ISTOCK

O

caso aconteceu em Portugal e já correu meio mundo: um acórdão do Tribunal da Relação do Porto condenou, com penas suspensas, dois homens pela prática de violência doméstica contra uma mulher, não sem antes lembrar que esta praticou adultério. O juiz Neto de Moura, que assinou o acórdão decidido por um colectivo de juízes, citou a Bíblia e o Código Penal de 1886 para afirmar que a traição foi uma atenuante no caso. “Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte”, pode ler-se no acórdão. Este documento levou 13 conselheiras do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), incluindo Rita Santos, em representação de Macau,

Portuguesas julgam ser seu dever repudiar um exercício da justiça em que crenças religiosas e morais pessoais são utilizadas para justificar e minimizar a responsabilidade dos agressores.” O CCP chega a dar o exemplo da China como um país onde ainda há muitos casos de violência doméstica e poucas medidas de prevenção. “As conselheiras das comunidades portuguesas gostariam de relembrar que a violência contra as mulheres não é caso único em Portugal. Na China, entre 25 a 40 por cento das mulheres casadas ou com parceiros sofreram violência da parte do seu parceiro, o que perfaz dezenas de milhões de pessoas para somente cerca de 50 mil queixas

Entrada saborosa

Governo espera que UNESCO promova gastronomia local

“E

M termos de herança, é esperado que a designação reforce o reconhecimento mundial do legado de mais de 400 anos da culinária de Macau, despertando o interesse entre as gerações mais novas sobre a cultura gastronómica, especialmente da comida macaense e providenciando condições favoráveis para que as tradições alimentares continuem a florescer”, disse quarta-feira o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam, em comunicado. Macau foi designada na terça-feira Cidade Criativa da UNESCO na área da gastronomia. No total, 64 cidades de 44 territórios foram designadas como criativas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em sete áreas: artesanato e arte popular, design, cinema, gastronomia, literatura, música, artes e media. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura acrescentou que “Macau espera que a designação traga um impacto positivo para o desenvolvimento sustentável da cidade, através da sua herança, criatividade e intercâmbio na área da gastronomia”. Para Alexis Tam, a designação de Macau como cidade membro da Rede das Cidades Criativas da UNESCO na área da Gastronomia “abre novas oportunidades para a diversificação da economia, com a gastronomia a assumir um papel de força condutora para a preservação da identidade cultural de Macau, promovendo, ao mesmo tempo, um desenvolvimento sustentável e expandindo a cooperação internacional”.

NOVOS ESTÍMULOS

Comunicado do Conselho das Comunidades Portuguesas “As Conselheiras das Comunidades Portuguesas julgam ser seu dever repudiar um exercício da justiça em que crenças religiosas e morais pessoais são utilizadas para justificar e minimizar a responsabilidade dos agressores.”

É esperado que “a adesão à rede estimule as entidades de gastronomia intervenientes e agentes de outras áreas criativas a explorarem como é que a culinária e outros aspectos da cultura se podem fundir para diversificar a economia”. Além disso, que “promova ao mesmo tempo mais oportunidades para uma cooperação global” com os membros da rede de cidades criativas. Lusa

CIDADE GASTRONÓMICA CHAN CHAK MO APONTA NOVOS DESAFIOS DO SECTOR

A

designação de Macau como cidade criativa pela UNESCO é um grande reconhecimento que traz também responsabilidades e lacunas a ultrapassar. A ideia é deixada por Chan Chak Mo ao jornal do Cidadão. O deputado considera que é imperativo o acompanhamento de vários trabalhos, nomeadamente a implementação de um plano que

concretize Macau como cidade gastronómica nos próximos quatro anos para que sejam atingidas as metas previstas. Alguns dos pontos que refere são: ajudar os sectores cultural e de restauração, coordenar os sectores comercial e cultural, e fomentar o turismo. Em resposta à possibilidade de aumento dos preços nos restauran-

tes, o deputado refere que a nova designação não vai ter influências na indústria da restauração. Para Chan Chak Mo, se os preços aumentarem tem que ver com o aumento das rendas e dos salários dos trabalhadores. Por outro lado, diz, “com o aumento da concorrência no sector, o mercado vai ser alargado e virão mais turistas ao território e,

como tal, o volume de negócios vai aumentar.” Chan Chak Mo adianta ainda que a tendência será para um maior investimento na restauração e a abertura de mais espaços dedicados à gastronomia. Relativamente ao plano de extensão do sector de restauração local, o deputado apontou que

têm sido apresentadas sugestões por parte do sector, mas que vai seguir os planos do Governo e realizar, anualmente, um fórum internacional de gastronomia.


sociedade 9

sexta-feira 3.11.2017

Metro ligeiro Comboios provocam alterações no trânsito ao arranque dos trabalhos de elevação dos comboios do metro ligeiro. Segundo um comunicado oficial, os constrangimentos far-se-ão sentir entre amanhã e a próxima terça-feira pelas 9h30h.

Como alternativa, “os veículos precisarão de passar pela via terrestre e circular na rotunda dos Jogos da Ásia Oriental para se dirigirem ao Centro da Taipa, podendo ainda os motociclistas

continuar a circular pela via especial para os mesmos”. Por sua vez, “um troço da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental em frente do Jardim Beira-Mar Lei Loi Tak passará a ser temporariamente

uma via de circulação, com a duração de um dia respectivamente para os condicionamentos de trânsito supracitados.” Será ainda alterada a carreira de autocarros número 55.

TIAGO ALCÂNTARA

O trânsito em alguns troços da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental, e também na via de circulação desnivelada em frente à ponte de Sai Van, em direcção à Taipa, vai estar condicionado devido

Miguel de Senna Fernandes, presidente da APIM “Está resolvido e chegamos a acordo com a FO. Houve uma devolução do dinheiro e as coisas estão a andar. O montante foi acordado e está pago.”

F

ORAM anos a conceder tranches de dinheiro de forma desigual e abaixo do acordo definido antes da transferência de soberania do território. Ao todo, a Fundação Oriente (FO) devia à Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM) um total de 21,4 milhões de patacas que já foram saldadas. A garantia foi dada por Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM, integrante da FEPM), ao HM. “Está resolvido e chegamos a acordo com a FO. Houve uma devolução do dinheiro e as coisas estão a andar. O montante foi acordado e está pago.” Apesar das duas entidades terem chegado a um acordo, a verdade é que chegou a pensar-se recorrer aos tribunais, conforme disse ao HM, em Junho, o presidente da FEPM, Roberto Carneiro. “Está pensada uma acção judicial, mas penso que vão chegar a acordo. Mas a acção judicial está pronta, caso não se chegue a acordo”, apontou.

EPM FUNDAÇÃO ORIENTE JÁ PAGOU DÍVIDA DE 21,4 MILHÕES DE PATACAS

Assunto encerrado

A Fundação da Escola Portuguesa de Macau já recebeu os 21,4 milhões de patacas das mãos da Fundação Oriente. Está assim concluído o processo relativo à dívida desta última entidade, apurada num relatório elaborado pelo Governo português

Para se apurar estes valores, foi preciso o Estado português promover uma auditoria às operações financeiras entre a FO e FEPM, que ficou concluída em 2015, mas cujos resultados só foram divulgados este ano.

RANKING DUVIDOSO

Tem sido divulgado nas redes sociais, nos últimos dias, um ranking elaborado pelo website “We Talk

Everything South African” sobre as melhores oito escolas privadas de Macau. A contagem coloca a Escola Portuguesa de Macau no fim do ranking, mas Miguel de Senna Fernandes afirma “não levar o ranking muito em conta”. “Nunca são explicitados os critérios com que o ranking é feito. É o sucesso escolar, o número de alunos? Há muita coisa que não sabemos. A EPM não tem de ser a

melhor de Macau, mas a verdade que é as perguntas que faço se aplicam a outras escolas.” O website não dispõe de quaisquer informações adicionais sobre esta contagem e não tem sequer informações de contacto dos autores do ranking. Sobre a EPM, afirma apenas que se trata de uma “escola privada, uma escola internacional sem fins lucrativos localizada em Macau, que possui turmas do

1º ao 12º ano de escolaridade e que recebeu fundos do Governo português”. Miguel de Senna Fernandes não põe de parte uma tentativa de esclarecimento posterior com os gestores de website. “Não conheço esta entidade, mas vou sugerir ao Manuel Machado [presidente da direcção da escola] para que se procure saber como foi feito este ranking.” O presidente da APIM recorda que “a EPM é de excelência e foi sempre esta a minha percepção. É um ranking que não tem valor nenhum e é mau aparecer nas redes sociais, com toda a publicidade que pode envolver”. Num ranking que coloca a Escola Internacional de Macau no primeiro lugar há, no entanto, uma escola que foi classificada duas vezes: a Pui Ching Middle School surge na segunda e na sexta posição. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


10 eventos

3.11.2017 sexta-feira

Palco dos sonhos

MODA PLATAFORMA JUNTA DESIGNERS, MODELOS E FOTÓGRAFOS NO MESMO ESPAÇO

Cineastas e subsídios

Está concluída a segunda fase de selecção do “Programa de Subsídios à Produção de Curtas-Metragens de Animação Originais 2016”, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC). No total, foram seleccionados cinco candidatos, que vão receber, cada um, um subsídio no valor máximo de 240 mil patacas. Este montante irá servir para “fins de produção e promoção das curtas-metragens de animação propostas”. Candidataram-se 22 pessoas, das quais foram escolhidas: Lei Pui Weng, Ku Pou Cheng, Pun Lap Fung, Lou Ka Choi e Cheong Chi Pan.

UM Concurso de eloquência na segunda-feira

O departamento de Português da Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade de Macau (UM) vai realizar o 15.º concurso de Eloquência em língua portuguesa na próxima segunda-feira. Segundo um comunicado, a iniciativa “tem como objectivo estimular o interesse dos alunos em aprender Português e melhorar a sua competência linguística”. Participam, além da UM, o Instituto Politécnico de Macau e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, com os seus “melhores alunos de português”.

Sandra Moore promove este sábado um evento no City of Dreams que reúne manequins, marcas, fotógrafos e maquilhadores num só espaço. O resultado de um dia de partilha poderá ser visto à noite, na passerelle, com um desfile no Pacha. A ideia é juntar experiência à vontade de aprender, dando oportunidade aos talentos locais desta área

I

MAGINE-SE um lugar onde estilistas que estão a começar a carreira se juntam aos que já têm alguma experiência. Ao seu lado estão manequins que ainda agora começaram a pisar uma passerelle, mas que podem aprender com quem já desfila há muitos anos. Há grandes e PUB

pequenas marcas, fotógrafos com ou sem anos de carreira. Este é o objectivo do evento que se realiza este sábado, intitulado Asia Group Shoots. Sandra Moore é a mentora por detrás desta iniciativa que visa imitar os reality-shows que se produzem um pouco por todo o mundo, mas com a ideia de ajudar os talentos locais a conhecerem um pouco mais sobre o mercado onde querem trabalhar. Durante o dia o City of Dreams vai servir de espaço para fotografias e produção de moda, seguindo-se à noite um desfile na discoteca Pacha. Vão participar nomes como a Macauhub, uma plataforma de designers criada por Clara Brito e Manuel Correia da Silva, ou Sophie Lei, directora da Elite Make Up School. As peças do designer macaense Nuno Lopes também vão estar presentes no evento, apesar do estilista não se encontrar no território.

Ao HM, Sandra Moore falou mais de um evento que pretende vir a realizar-se todos os anos. “É uma experiência, um novo conceito e esperamos

revolucionar o mercado. Gosto de fazer as pessoas felizes. Vamos ter no mesmo espaço manequins com e sem experiência, fotógrafos, maquilhadores. Isto

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA DEZ CONTOS PARA LER SENTADO • vários autores

vai possibilitar aos participantes a construção de um portfólio e permitir a todos estes profissionais estarem mais perto da comunidade”, contou.

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Pode um objecto tão simples (uma cadeira) traduzir o mundo em que vivemos? A resposta para os portugueses é por de mais evidente, ou não tivesse o nosso destino mudado após a queda de uma cadeira. O país que se suspende em torno da forma de fazer uma cadeira. Um mundo onde, até nos lugares mais comuns, há sempre uma cadeira do poder e uma dança de cadeiras. As cadeiras lusófonas deste livro são feitas de dor, de guerra, morte e abandono. Neste volume encontram-se contos de autores bem conhecidos como Mia Couto, Ondjaki, João Tordo ou Arthur Dapieve, até autores revelação, para o meio editorial português, como os brasileiros Ana Paula Maia e Vinicius Jatobá ou o cabo-verdiano Abraão Vicente. Para além da viagem à África de Waldir Araújo, estas cadeiras navegam ainda até Timor, onde Luís Cardoso nos seduz com o aroma do sândalo.

O SENTIDO

Neste liv vasta da mais pop os grand não esqu chispa cu leitor – m zinha – d estas rece


eventos 11

“Acredito que seria interessante mostrar o conceito da indústria da moda como um reality-show, porque toda a gente gosta de ver o American’s Next Top Model, certo? Isto seria interessante em Macau” SANDRA MOORE MENTORA DO EVENTO

Sandra Moore fez a sua formação em teatro e considera que Macau é o sítio ideal para estabelecer este tipo de evento.

“Acredito que seria interessante mostrar o conceito da indústria da moda como um reality-show, porque toda a gente gosta de ver oAmerican’s Next Top Model, certo? Isto seria interessante em Macau. Tenho em mente a criação de uma espécie de fábrica, uma plataforma. Temos elementos que são fundamentais para qualquer programa de televisão, então poderíamos criar algo que toda a gente gostasse de ver, com personagens. Há muito potencial.”

TALENTOS DE TODO O LADO

O Asia Group Shoots não se faz apenas de talentos de Macau, mas também de todo o mundo. A aprendizagem e a partilha de experiências é o mais importante. “Macau tem muito potencial e temos uma boa plataforma que não está a ser usada na totalidade. Os estilistas que aqui existem são incríveis.ASemana da Moda de Macau acabou de acontecer e não acredito que muitos estilistas de Macau tenham tido a possibilidade de participar. Gostaria de ajudar na sua motivação, esse é um objectivo que queremos atingir.” Sandra Moore espera que os nomes que estão agora a começar, seja na moda, na fotografia ou na maquilhagem, possam encarar o Asia Group Shoots como um bom ponto de partida. “É importante também para perceberem que a indústria da moda é mais fácil de alcançar, então basicamente este evento vai proporcionar-lhe as asas para que eles possam voar. O objectivo é fazer com que dêem passos na construção de uma carreira mais facilmente. À noite teremos o desfile e isso vai dar a possibilidade de brilharem em palco e construir pontes para uma carreira futura. Acredito que será uma experiência incrível”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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O DO GOSTO • José Bento dos Santos

vro apresenta-se uma panóplia muito cozinha histórica, desde os pratos pulares e tradicionais, às receitas que des Mestres criaram e elaboraram, uecendo o “tour de main”, a pequena ulinária, que permitirá a qualquer mesmo com pouca prática de codeliciar-se em sua casa a executar eitas.

LUSA

sexta-feira 3.11.2017

O

artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils, inaugura hoje dois novos murais em Macau, e está a trabalhar numa curta-metragem sobre o seu trabalho na cidade. Vhils, que já deixou a sua marca no território através de murais no consulado de Portugal, na Escola Portuguesa, na ilha da Taipa e de uma exposição nas Oficinas Navais (intitulada “Destroços”), mostra agora dois novos trabalhos na zona do Porto Interior, que fazem parte do Festival Outloud, que decorre de hoje a domingo. São “duas peças murais inspiradas na mesma série que produzi aquando da exposição ‘Destroços / Debris’, no âmbito da qual já tinha feito uma recolha de padrões, imagens e retratos que dizem respeito à realidade de Macau”, explicou à agência Lusa. Ao mesmo tempo, Alexandre Farto está a trabalhar numa curta-metragem sobre o seu trabalho na cidade, em conjunto com o realizador José Pando Lucas, que acompanhou o processo de produção da exposição “Destroços/Debris”. “Grande parte do material foi recolhido na altura, e faz parte da reflexão particular que desenvolvi sobre o território assim como o contexto maior das questões que tenho vindo a trabalhar em vários locais do mundo – a natureza das sociedades urbanas contemporâneas, o modelo de desenvolvimento global e a sua contribuição para a crescente uniformização e a erosão das identidades culturais locais. Este filme é também uma modesta homenagem a Macau e às suas gentes”, disse.

CAMADAS DE HISTÓRIA

Segundo Vhils, Macau “é um local particularmente interessante para trabalhar devido às suas características históricas que reflectem um passado e

Arte Urbana de regresso Inauguração de dois murais de Vhils tem lugar hoje

um presente de grandes contrastes”, sendo que a zona do Porto Interior se destaca “pela riqueza de camadas históricas que contém nas suas paredes”. “Infelizmente, esta zona foi muito afectada pelo tufão Hato, pelo que, para mim, fez ainda mais sentido fazer aqui estas intervenções”, afirmou. Macau foi atingida a 23 de Agosto pelo tufão mais forte em 53 anos, que causou dez mortos, mais de 240 feridos e avultados danos. Alguns PUB

trabalhos de Vhils constam da lista de ‘vítimas: um mural na Escola Portuguesa e várias peças que se encontravam na exposição nas Oficinas Navais. Neste momento não há planos para substituir o mural da escola, onde existe ainda outra intervenção, mas as peças da exposição deverão ser reparadas. Macau é “um dos locais com mais obras” do artista fora de Portugal. “É difícil de

contabilizar ao certo porque há peças que vão desaparecendo, pois a natureza de trabalhar no espaço público é mesmo essa, e o próprio trabalho explora essa mesma condição efémera”, indicou. Vhils já levou a sua técnica de escultura em baixo-relevo, com remoção das camadas superficiais das paredes, a vários países, incluindo Tailândia, Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia, Brasil.


12 desporto

3.11.2017 sexta-feira

MAK KA LOK IRÁ REPRESENTAR A RAEM NA CORRIDA DO WTCC

Um feliz acaso

N

E M André Couto, nem Rodolfo Ávila, nem Andy Chang. Nas quatro corridas “cabeça de cartaz” do 64º Grande Prémio de Macau, a RAEM tem um só representante: Mak Ka Lok. O veterano piloto de Macau vai conduzir o mesmo Lada Vesta TC1 que Filipe Clemente Souza conduziu nas provas do mundial em Ningbo (China) e Motegi (Japão) na Corrida da Guia que este ano volta albergar uma ronda do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC). O facto de apenas ter agendado o primeiro contacto com o carro e a equipa RC Motorsport no fim-de-semana do Grande Prémio limitam as ambições de Mak Ka Lok que participou na Corrida da Guia, quando esta pontuava para o WTCC, de 2011 a 2013 com o seu BMW 320si. “É um grande desafio para mim correr nestas corridas. Como sabem, eu nunca conduzi, nem irei testar um carro TC1 antes do Grande Prémio”, admite Mak Ka Lok, em conversa com o HM. “Claro que isto fará com que seja lento na sessão inicial, mas acredito que vou melhorar sessão após sessão. O meu objectivo é terminar todas as sessões sem cometer erros e qualificar-me dentro dos 107% do tempo da pole-position.” Se cumprir o objectivo de obter a marca mínima obrigatória para alinhar nas duas

corridas do fim-de-semana, o que já por si não será fácil, Mak Ka Lok espera “ver a bandeira de xadrez nas duas corridas”, sendo que o resultado final ficará forçosamente para segundo plano, pois “não seria realista dizer que ambiciono ganhar ou colocar as expectativas muito altas.” Como preparação para a corrida “vou fazer alguns treinos para apurar a minha condução, com o apoio de sessões de simulador em Macau. Acredito que possa

ajudar, pois é isso que fazem as equipas de Fórmula 1 com o limite de treinos antes das corridas”.

COM DESTINO TRAÇADO

Apesar de ser um piloto regular das corridas de carros de Turismo do território, Mak Ka Lok não procura uma carreira internacional, nem tem ambições de ombrear com os melhores pilotos da especialidade. Contudo, brotada a oportunidade, o piloto do território não disse que não ao desafio de voltar a correr

com os melhores do mundo da especialidade. “Foi uma situação bastante acidental”, explicou ao HM. “Um amigo perguntou-me em Maio se eu queria correr no WTCC em Macau, porque alguém tinha reservado o lugar e por alguma razão não poderia correr. Mas na altura ninguém estava certo se o WTCC iria regressar a Macau ou não. Então, prometi que se o WTCC regressasse, iria aproveitar a oportunidade. E assim foi!” Caso Mak Ka Lok não tivesse chocado com esta oportunidade, então, pela primeira vez na história, a RAEM não teria qualquer representante numa das corridas “cabeça de cartaz” do seu maior evento desportivo de carácter anual. Sérgio Fonseca

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Hora do castigo Lam Pak abandonou encontro com queixas da arbitragem

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Associação de Futebol de Macau vai reunir-se para analisar o caso do Lam Pak, que na sexta-feira, 27 de Outubro, abandonou a partida diante do Cheng Fung, quando perdia por 4-0. O encontro foi interrompido quando faltavam cerca de nove minutos para o fim, depois do Cheng Fung ter abandonado o relvado por alegadamente se sentir prejudicado pelo trabalho da equipa de arbitragem, liderada por Ho Ka Seng. O caso vai agora ser analisado pela associação, numa reunião que vai decorrer entre hoje e segunda-feira, dependendo da disponibilidade dos membros que constituem a comissão do organismo que tutela o futebol em Macau. “A associação vai reunir-se para tomar uma decisão sobre o caso. A reunião deverá acontecer amanhã [hoje] ou na segunda-feira. Será num desses dias, dependendo da disponibilidade dos membros que vão tomar a decisão”, disse Daniel Sousa, vice-presidente da AFM, ao HM.

DAS ATENUANTES

Mak Ka Lok, piloto “Prometi que se o WTCC regressasse, iria aproveitar a oportunidade. E assim foi!”

Sobre o encontro, o responsável sublinhou ser fundamental ouvir os responsáveis do Lam Pak, antes de ser tomada qualquer decisão. Contudo, admitiu que o facto de se tratar de um torneio substituto poderá servir

de atenuante para um eventual castigo. Actualmente, o Lam Pak apenas disputa o campeonato de Bolinha, não participando na competição de futebol de onze. “Primeiro vamos analisar os relatórios feitos pelos árbitros sobre o caso. Iremos também pedir a presença de um responsável do Lam Pak na reunião. Queremos que nos relatem o que aconteceu e a razão de terem tomado aquela decisão. Com base em todas essas informações vai ser tomada uma decisão”, explicou Daniel Sousa. “Mas vamos ter em conta que esta vez o torneio é uma competição de substituição da Bolinha. Esse facto vai ser tido em conta”, sublinhou. Como medida mais imediata, o jogo entre Lam Pak e os Sub-23, que estava agendado para hoje às 20h30, no Canídromo, foi adiado. Já as outras partidas que também estão agendadas para hoje e que colocam o Kei Lun diante do Cheng Fung e os Monte Carlo perante a Polícia B vão decorrer dentro da normalidade, às 18h30 e 19h30, respectivamente. Ainda em relação à vertente desportiva do torneio, na quarta-feira a Polícia B venceu por 3-1 o Kei Lun e o Monte Carlo impôs-se aos Sub23 por 1-0. J.S.F.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 32/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 18 de Outubro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para a Unidade de Cuidados Intensivos dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 1 de Novembro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 49,00 (quarenta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www. ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Novembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP48.000,00 (quarenta e oito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 26 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion

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china 13

sexta-feira 3.11.2017

ANÁLISE XI JINPING E A MENSAGEM NO CONGRESSO NACIONAL

Uma nova aventura, veículo de uma nova “contradição” Durante o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping transmitiu o relatório do 18º Comité Central do Partido, no Grande Salão do Povo em Pequim

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ODOS os que seguiram com atenção o discurso de Xi Jinping, durante a sessão de abertura do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista (PCC), compreenderam a mensagem de forma inequívoca: foi dado início a uma nova era. Mas o ponto alto da comunicação de Xi sobre a entrada numa nova era do socialismo chinês, foi a sua afirmação de que “a contradição principal” que a sociedade chinesa enfrenta hoje em dia, uma máxima com 36 anos de idade, mudou. E esta mudança “afectou o cenário na sua totalidade.” A “contradição principal” é um termo com que os chineses estão familiarizados desde os bancos da escola, mas apenas um pequeno número de estrangeiros, especialista em marxismo sínico compreenderá este jargão político, aparentemente obscuro. Os marxistas interpretam o mundo à luz do materialismo dialético. Contradições -- ou “forças dinâmicas opostas” – estão omnipresentes na sociedade e conduzem à mudança social. A “contradição principal” define a sociedade. Ao identificá-la e resolvê-la, a sociedade evolui pacificamente. Se não for resolvida, a contradição gera o caos e, como Marx previu, acabará por conduzir à revolução.

Quando tomou o poder em 1949, o PCC identificou a contradição principal e, à medida que os tempos e as contradições foram mudando, foram sendo lançadas novas políticas para as solucionar. Pouco depois, foi reconhecido que a contradição principal residia no enunciado “povo contra o imperialismo, o feudalismo e a reminiscência das forças do Kuomintang”, que evoluiu a seguir para “o proletariado contra a burguesia”. Esta mentalidade conduziu ao alastramento dos tumultos sociais por todo o país. Em 1981, o PCC declarou que a contradição principal tinha passado a assentar nas “sempre crescentes necessidades materiais e culturais do povo contra o atraso da produção económica,” sinal de que uma política histórica estava a mudar e anunciando as reformas e a abertura. O desenvolvimento da economia, principalmente através do crescimento, foi identificado pelo PCC como “a tarefa central.” A reforma da economia de mercado, encarada na altura como o passe de magia para a transformação da produção, foi desencadeada a uma escala sem precedentes. O resto é História e todos a conhecemos. A economia cresceu e transformou-se na segunda maior a nível mundial, registando um crescimento à volta dos 10% anuais, durante mais de três décadas. A China tornou-se o complexo industrial do mundo. Bens de consumo, praticamente desconhecidos no país em 1981, existem agora em abundância. A lista dos produtos “Made-in-China” cresce cada vez mais e as mercadorias tornam-se mais sofisticadas de dia para dia. Desde os minúsculos chips para computador aos aviões Jumbo e aos comboios

de alta velocidade. A fábrica do mundo passou a ser também o laboratório e o mercado do mundo. Surgiram empresas colossais de serviços online, e a crescente procura dos consumidores por telemóveis tecnologicamente sofisticados encontrou resposta satisfatória. A era do “atraso da produção económica” está morta e enterrada. “O que enfrentamos actualmente é a contradição entre o desequilíbrio e a inadequação do desenvolvimento e o sempre crescente anseio do povo por uma vida melhor,” afirmou Xi. Mas com a abastança surgem novos desejos: uma educação em Oxford ou em Cambridge, férias na Califórnia, uma vivenda em Sydney. A procura por uma vida melhor no estrangeiro deriva da incapacidade de satisfazer esses desejos entre portas. Mesmo a educação ao mais alto nível não está disponível, ou se estiver, a oferta é muitíssimo reduzida. Existem longas filas de espera para os melhores hospitais. Os locais turísticos estão apinhados e os serviços nesta área não evoluíram ao ritmo das expectativas da população. Apesar dos enormes melhoramentos registados, a poluição

“O que enfrentamos actualmente é a contradição entre o desequilíbrio e a inadequação do desenvolvimento e o sempre crescente anseio do povo por uma vida melhor.” XI JINPING PRESIDENTE CHINÊS

continua a constituir um problema sério. Uma loja dentro do Hotel Jingx, na baixa de Pequim, onde ficam alojados os delegados do Partido durante os Congressos, vende máscaras, entre as quais se podem encontrar umas com filtro electrónico, que custam 398 yuans. “A bem da sua saúde, use por favor máscara nos dias com níveis de poluição mais elevados,” pode ler-se num aviso. Se dermos um passeio nos arredores de Jingxi, descobrimos apartamentos velhos, sem nada de especial, à venda pelo valor de 80,000 yuans o metro quadrado. “As necessidades que as pessoas precisam de ver satisfeitas para terem uma vida melhor, estão sempre a aumentar. E não são só as suas necessidades culturais e materiais que crescem; as reivindicações por democracia, pelo estado de direito, pela legalidade e justiça, segurança e um ambiente melhor, também aumentam” declara Xi. Estar ao serviço da maioria do povo, é o que distingue o socialismo do capitalismo, que só protege os interesses de uma pequena minoria, Karl Marx disse-o há 150 anos atrás. A prosperidade de todos é a marca d’água do socialismo.

O desenvolvimento varia de forma acentuada entre as várias regiões da China. Na montanhosa Província de Guizhou, situada no sudoeste do país, e cujos delegados se reuniram quinta-feira com Xi para um painel de discussão, o rendimento das famílias continua a ser muito baixo. Quando um dos delegados disse a Xi que o licor local só custava 99 yuans, ele respondeu “Não é barato! ... e não seria tão consumido se fosse muito caro.” No ano passado, o rendimento médio em Guizhou era de15,121 yuans, menos de um terço do de Xangai. O fosso entre os muitos ricos e os muito pobres é uma preocupação da maior importância. Os três homens mais ricos do país – dois gurus da Internet e um magnata da construção – possuem mais de 30 mil milhões de dólares cada, segundo os últimos dados do Relatório Hurun. Por outro lado, milhões de pessoas lutam pela sobrevivência com menos de um dólar por dia. As políticas do PCC procuram atingir um maior equilíbrio entre o desenvolvimento de todas as regiões e de todos os sectores e espera-se que assim se mantenha durante os próximos anos, provavelmente até que a contradição principal volte a mudar. Xi não poupou nas palavras. A China, afirmou, vai continuar na primeira fase do socialismo por muito mais tempo. O estatuto internacional da China de país em desenvolvimento não foi alterado. A sua estratégia de desenvolvimento em duas fases, pensada a 30 anos, com o objectivo de fazer da China “um grande país socialista e moderno” deverá estar cumprida em meados do séc. XXI. Só uma China próspera, forte, democrática, culturalmente avançada, harmoniosa e bela estará preparada para atravessar a fronteira para a próxima fase do socialismo. Xu Lingui Xinhua


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3.11.2017 sexta-feira

Comeco a conhecer-me. Não existo. ´ tonalidades António de Castro Caeiro

A repetição

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AZER uma viagem não é locomover-nos. O tempo de uma viagem não é o tempo da deslocação. A repetição quotidiana de uma viagem converte-a em deslocação. O caminho de casa até à escola ou até ao ginásio nas primeiras vezes é diferente de quando já faz parte das nossas vidas. A distância entre o sítio onde vivemos e o sítio para onde vamos de férias ou até viver não é medida apenas em quilómetros. Não, nas primeiras vezes. Não, sem antes a viagem ter sido feita vezes sem conta ou raramente, a ponto de nunca lembrarmos a experiência que fizemos durante as primeiras vezes, quando vamos a um local ou a um sítio. A primeira vez que vamos a um sítio: impermeabilidade, estranheza. Quando vamos pela primeira vez a um sítio, fazemos a experiência do que a filosofia chama “objecto”. É uma experiência de resistência. O sítio está impermeável. Não que nos seja vedada a entrada, mas desde a aproximação à entrada até que estamos lá dentro sem nos conseguirmos bem orientar, por não sabermos onde se encontram os lugares das coisas, tudo parece barrar-nos o caminho. Pode ser a escola. O edifício é opaco e maciço. Entramos. Não sabemos se a sala de aula é à esquerda ou à direita ou nos andares de cima. Onde estão as casas de banho, cafetarias, cantinas, bibliotecas, o pátio do recreio? Todos os outros são desconhecidos: colegas e alunos. Estamos lá e não chegamos ainda completamente. É preciso fazer a travessia do dia, cumprir horários. É preciso que passe uma semana, um mês, um trimestre ou semestre. O tempo qualifica a duração. Passado tempo não é como se a estranheza, a impermeabilidade, a opacidade se mantenha. Abrem-se janelas, entramos por portas, na verdade, portais do tempo transportam-nos como vasos comunicantes que diluem a rigidez. Não vivemos já na antecipação provocada pela ignorância. Interiorizamos os espaços. O tempo assimila os sítios, a escola inteira. Vestimo-nos da escola inteira onde passamos a caber ou onde tem cabimento a duração qualificada do tempo que lá passamos. Quando passamos pela escola da infância ou pelo liceu da juventude não vemos já só a fachada ou o lado visível que oferecem a ver. Podemos nem lá entrar através da nossa memória ou imaginação. Podemos não invocar estórias do passado. E, contudo, é completamente diferente ver agora os edifícios de fora e quando os vimos pela primeira vez. Entramos por eles adentro, ensopados nas suas vísceras, que não é apenas a sua geografia específica, mas

nós e os outros que lá vivemos dentro, no âmago do seu ser. Quando regressamos a um local onde vivemos há muito tempo, fazemos uma experiência idêntica à que fazemos quando passamos pelo velho liceu, já desactivado. É um sítio a céu aberto e não um local fechado. Mas se nos lembrarmos do momento quando lá chegamos, temos a percepção de que se tinha apresentado também de uma forma impermeável. Chegamos à estação de comboios ou ao aeroporto ou como quer que seja à rua onde vamos viver. A fachada do prédio esconde os andares e as escadas e as pessoas que lá vivem no interior dos seus apartamentos. Ao entrarmos não sabemos onde nos leva o corredor, onde fica o nosso quarto, a casa de banho, a sala de estar, a cozinha. Não sabemos qual é a qualidade da luz no inverno e no verão e como a casa toda falará connosco e se apresentará acolhedora ou inóspita, vazia ou cheia

Estórias de possibilidade, esperança e expectativa estão por terra como pó que assentou. Tudo fica impermeável. Não neutro. Tudo é um possível havido que morreu

de gente real ou imaginada. A mesma impermeabilização veda a nossa entrada imediata nos locais por onde se distribui a nossa vida: faculdade, cantinas, bibliotecas, ginásios, edifícios públicos, locais de lazer, casas de amigos que ainda não conhecemos. Um dia vivemos a cidade do lado de dentro, metáfora do útero ou do coração que mede o pulso, o ritmo da vida, a interioridade onde se dá a assimilação da nossa vida pela cidade e os outros que lá se encontram. A primeira vez de todas as primeiras vezes é quando somos assimilados, e a nossa vida é tragada pelos sítios por que o tempo das nossas vidas se distribui. Mas pode ser a vida toda, o horizonte temporal de que dispomos mas nada conseguimos fazer dele. Podemos rever os sítios da geografia singular das nossas vidas, os itinerários que os ligam, o tempo que há para viver. E, contudo, podemos não regressar. A vida segue sempre em frente e nunca permite um regresso. Espacialmente, deslocamo-nos até onde vivemos. Temporalmente, nunca. Fui a um desses sítios da minha vida e não houve repetição. Atravessei ruas, vi as casas de pé, cheguei até ao rio. Vi erigirem-se cidades fantasma com os fantasmas daqueles que me constituem, mas já desapareceram como se com o seu desaparecimento também os sítios tivessem desaparecido. Estórias de possibilidade, esperança e expectativa estão por terra como pó que assentou. Tudo fica impermeável. Não neutro. Tudo é um possível havido que morreu.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 3.11.2017

diários de próspero António Cabrita

A culpa é do Pitágoras Q UANDO o José Rodrigues dos Santos publica um livro proliferam no FB os posts dos que “não leram e não gostaram”, dos desiludidos, e os posts com citações que se prestam a ser escarnecidos. Uma minoria revela lê-los com satisfação do conteúdo. Contudo, os romances vendem cem mil exemplares – facto que leva o seu editor a estampar na última contracapa, a atrevida frase que se realça na foto – apesar de JRS, nas redes sociais, ser reivindicado por uma partícula de gente. Infira-se então haver dimensões paralelas à literatura que contagiam a sua recepção. Talvez o ar de Peter Pan que exibe o JRS - nunca envelhecendo a olhos vistos –, e a sua voz jovial de adolescente, ajudem: há lá avó que não quisesse aquele neto para si, um menino inexpugnável à morte. Traquinas para vestir fatos de astronauta e colocar chapéus de texano e dizer piadas no fecho do telejornal que vão directas ao coração do seu público, mas que como um verdadeiro queque sabe o seu lugar (- JRS é hábil nessa construção do afecto). Acrescente-se o que Gadamer referiu quanto ao “volume” da linguagem, por oposição ao seu conteúdo proposicional ou apofântico, ou seja, na televisão, enquanto realidade física, a linguagem falada não toca nem afecta apenas o nosso sentido acústico mas também o nosso corpo na sua totalidade. Na televisão, a linguagem envolve-nos de um modo menos invasivo, é como um ligeiro toque do som na nossa pele. Daí que a televisão recupere uma “magia” atribuível à cultura oral, uma certa corrente de presença, sendo o ecrã uma fonte de mediação entre o nosso desejo de epifanias e o cepticismo que nos rodeia. Há uma última dimensão, mais cínica. Esbocemo-la assim: juro que se houver um editor que coloque vinte mil livros de um romance meu nas livrarias com uma tarjeta que diga “3ª edição, mais de cinquenta mil livros vendidos” (e é irrelevante se é verdade ou não: o truque funciona), em mês e meio imediato esgotará os vinte mil porque é efeito dos números incitar à imitação e ninguém quererá subtrair-se à oportunidade de pertencer ao círculo que encontrou a panaceia para o seu vazio. Melhor ainda e mais rápido, se, sob pseudónimo, eu fizer publicar um artigo soez a atacar-me (método que usou o Camilo) ou se tiver muitos detractores porque um reparador sentido de justiça é acicate. Está visto, eu mesmo devia promover os meus livros mas só tenho tido editores que confiam no poder da literatura – ingénuos! A literatura não vende. Digam-

-no os editores da Maria Velho da Costa, dos últimos Lobo Antunes, dos primeiros onze livros de José Saramago. O que de facto promove o livro são “dimensões ocultas” que despromovem a literatura, e quem tem culpa é o Pitágoras. Achado um culpado passemos ao segundo aspecto. Vivo em Moçambique onde embati na mentalidade corporativa comum aos países do socialismo revolucionário; a qual se manifesta em aspectos medonhos. Por exemplo, o mérito e a qualidade de algo nunca são mencionados como vectores de critério. O que importa é

o colectivo, sobrepõe-se, e por isso nenhum indivíduo que faça algo de meritório pode esperar um elogio, um reconhecimento. A mediocridade não será igualmente objecto de alusão; porém, o caviloso é que os dois tipos de silêncio valham o mesmo. Este comportamento visa um objectivo claro: nivelar tudo. Não importa se é por baixo. Da mesma estratégia faz uso a corrupção: se esta se estender a todos e não houver sombra de inocente quem possui legitimidade para apontar o dedo ao comportamento de um terceiro? O sistema não autoriza que o mérito seja mencionado porque há que eviden-

ciar que aos olhos do poder todos são iguais – ou seja, dispensáveis. O que gera uma perversa rede de dependências e esclarece porque há uns anos um inquérito de rádio junto a estudantes universitários sobre se consideravam mais importante acabar o curso com mérito ou ter o cartão do partido inclinava-se obscenamente para a segunda hipótese. Ora, é extraordinário verificar que “a lógica de reconhecimento” que se instalou na sociedade de mercado dos países democráticos tem um cariz semelhante. Os números comandam e aplainam tudo, a mixórdia e os bens culturais de valor equivalem-se nos azimutes do menor quociente cultural que pauta a cultura de massas. Estranharmos que Erza Pound venda por ano em todo o território dos USA quatrocentos mil exemplares enquanto José Rodrigues dos Santos no nicho português vende cem mil exemplares, é inútil, pois a comunicação social colabora com esta distorção. O mercado capitalista conseguiu transformar em fascínio e realizar com um fulgor único o que os sistemas socialistas tentaram mercê de tanto custo e sacrifício de gerações: decapitar o mérito, o trabalho intelectual, moldar na maioria a ideia de que todos os espíritos e bens se equivalem. Só o anonimato da expressão numérica conta. Que importa que o romance de JRS seja mau (caso seja, nunca li)? Não é nem o nome dele nem a literatura que estão em jogo nesta aposta. Pelo contrário, na literatura «a forma é a satisfação de um conteúdo» (José Forjaz) que exprime precisamente aquilo que não se pode exprimir de outro modo. Entendem? Quando abro um canal brasileiro e vejo que depois do samba, da bossa nova, duma plêiade de compositores extraordinários, o que se oferece agora como espectáculo é a música brega ficam evidentes os riscos deste triunfo do Pitágoras (brinco), do fascínio dos números, e desta paisagem de um regime cultural a “um só sabor”, como a propagada pelas indústrias culturais - as quais já vendem por música meros padrões sonoros. É necessário uma nova espécie de crítica, uma espécie de urbanismo caosmótico que - dilucidando as linhas de nível de cada paisagem cultural e, reconhecendo-lhe as intersecções e os contágios desenhe uma morfologia para os valores na pauta heteróclita das sociedades democráticas, sob risco de tudo sucumbir ao mais infame relativismo. Vejamos como o sistema de ensino tem contribuído para esta hecatombe.


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3.11.2017 sexta-feira

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José Simões Morais

Xian Xing Hai membro do PCC San o encontrou muito mal de saúde e o enviou para o Hospital do Kremlin em Moscovo, onde permaneceu até morrer.

TOMB OF XIAN XINGHAI

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M 1938 Xian Xing Hai encontrava-se já casado com Qian Yun Ling quando chegou a Yanan, na província de Shaanxi, onde terminara a Longa Marcha e o Partido Comunista fizera a sua base. Vinha nomeado director do Departamento Musical do Instituto das Artes e aí leccionou composição e direcção de orquestra. “Desempenhava também funções de orientador de ensaios em muitas actuações musicais importantes. Em Maio do ano seguinte, foi encarregado do Departamento de Música e convidado pela Universidade Feminina de Yanan como professor a tempo parcial”, como refere Wang Ci Zhao. Xian Xing Hai viveu com a sua esposa durante três anos e tiveram apenas uma filha, Xian Ni Na (冼妮娜) nascida a 15 de Agosto de 1939, ano em que se inscreveu no Partido Comunista Chinês, começando “uma nova vida artística. O ambiente de Yanan oferecia melhores condições para a criação. Nesse período, além de compor canções, começou a criar obras musicais de grande dimensão, concluindo grandes ciclos de obras para coro”, segundo Wang Ci Zhao, que refere nessa terceira etapa “As criações realizadas durante a estadia em Yanan, de 1939 a 1940, são sobretudo óperas e grandes ciclos de obras para coro. O estilo tem características bem marcadas que resultam da interacção entre as culturas do Oriente e do Ocidente. O seu conteúdo reflecte a firme vontade do povo chinês em derrotar os invasores japoneses e o seu inflexível espírito de luta”. Para as pessoas tomarem consciência da necessidade de se unirem as diferentes facções chinesas contra o invasor japonês, o famoso fotógrafo Wu Yin Han fez o documentário Yanan Yu BaLuJun (Yanan e a Força Armada Número Oito) e o realizador Yuan Mu Zhi pediu a Xian Xing Hai para compor a música. Como só na URSS existia equipamento para realizar a parte sonora do filme, para aí seguiu uma equipa onde se encontrava Yuan Mu Zhi e Xian Xing Hai. Assim em Maio de 1940 Xian Xing Hai é enviado pelo PCC para a URSS, tendo tomado a última refeição em casa de Mao Zedong. Decorria a II Guerra Mundial e pouco tempo depois da chegada, a 22 Junho de 1941 a URSS foi invadida pela Alemanha nazi e por isso, tiveram que parar a produção do documentário. Nesse ano faleceu Huang Su Ying, mãe de Xian Xing Hai. Este em Moscovo terminou os arranjos da sua Sinfonia nº 1 Emancipação Nacional, ou Libertação Popular, começada em Xangai no Verão de 1935 e cujo esboço inicial da partitura estava concluído no Verão de 1937. No frontispício escreveu: <Esta obra é dedicada ao

APÓS A MORTE

grande Partido Comunista Chinês, aos membros do Comité Central do Partido e ao Honorável Líder, camarada Mao Zedong>. Também aí terminou a Suite nº 1 para orquestra, ‘Retaguarda’.

VIDA DURA NO CAZAQUISTÃO

Xian Xing Hai e os restantes do grupo, sem nada para fazer em Moscovo, resolveram regressar à China e para tal pretenderam entrar por Xinjiang. Mas Sheng Shicai (1897-1970), que governou essa província entre 1937 a 1944, não permitiu que por aí passassem. Assim, em Setembro de 1941 tiveram que mudar de trajecto e pela República Popular da Mongólia tentaram chegar à China. Também por aí não conseguiram atravessar a fronteira, levando-os a seguir para a capital. Em Ulan-Bator arranjou em 1942 colocação “temporariamente no Clube dos Operários Chineses, onde deu aulas de Teoria Musical, História da Música e Regência de Coro aos chineses ultramarinos amadores de música”, segundo Wang Ci Zhao, que adita, “Além de participar nas actuações musicais do

Teatro Central de Wan Bator, dedicava-se entusiasticamente à criação musical”. A 9 de Dezembro de 1942 chegou ao Cazaquistão (na altura integrado na URSS) usando o nome Huang Xun para ter permissão de refugiado político e aí viver. Em Alma-Ata conseguiu sobreviver, contando com a ajuda de alguns músicos da capital e onde compôs uma Sinfonia dedicada ao Exército Vermelho da U.R.S.S. entre muitas outras obras musicais. A 30 de Janeiro de 1944 foi para a cidade Kustanay, no centro Norte do Cazaquistão, levando uma vida muito mais difícil que em Alma-Ata e trabalhando sem parar, compôs entre outras obras, a “Colecção de Canções Cazaquistanesas”. Em Dezembro de 1944 começou a ficar doente e foi internado no Hospital com uma pneumonia. Nesse período de tratamento, entre 27 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1945, compôs a obra para orquestra Rapsódia da China, KuangXiangQu. Mas os tratamentos não estavam a funcionar e o seu estado de saúde piorava dia para dia. Estava a II Guerra a terminar quando o casal Li Li

“Na sua maioria, as obras de Xian Xinghai, nas quais se incluem um concerto e uma sonata para violino, duas sinfonias, duas cantatas, uma ópera e um grande número de canções para coro, são o resultado da combinação da linguagem musical chinesa com a ocidental, com o propósito de reafirmação de um estatuto ideológico definido.” VEIGA JARDIM

Depois de uma vida atribulada, rodeada de lutas e privações de toda a ordem, mas de uma intensa actividade criadora, morreu em Moscovo a 30 de Outubro de 1945, com apenas 41 anos de idade. Apesar disso legou aos vindouros uma vasta e valiosa obra de que a música chinesa se pode orgulhar. Das quatro fases de criação, as de maior importância são as compreendidas entre 1935 e 1940. A sua obra abriu novos caminhos e influenciou toda a música contemporânea chinesa. Segundo Veiga Jardim, “Na sua maioria, as obras de Xian Xinghai, nas quais se incluem um concerto e uma sonata para violino, duas sinfonias, duas cantatas, uma ópera e um grande número de canções para coro, são o resultado da combinação da linguagem musical chinesa com a ocidental, com o propósito de reafirmação de um estatuto ideológico definido. Imitada por muitos outros após a sua morte, a sua música tem, no entanto, uma espontaneidade e altitude que a distinguem de uma mera ‘música de regime’ ou ‘música com fins políticos’. As suas obras têm nas autênticas raízes populares folclóricas a razão primeira da sua existência”. Devido ao casal Li Li San, Xian Xing Hai foi sepultado no cemitério público próximo de Moscovo, encontrando-se na lápide o nome Huang Xun - compositor chinês, membro do Partido Comunista. Já Wang Ci Zhao refere, “As cinzas foram guardadas numa velha igreja dos arredores de Moscovo e só viriam a ser transferidas para a China em 25 de Janeiro de 1983, sendo sepultadas oficialmente no Jardim Xing Hai de Lu Hu, nos arredores de Cantão, em 3 de Dezembro de 1985. Devido aos dois anos e meio que Xian Xing Hai estivera refugiado no Cazaquistão, em 1998 o governo desse país mandou construir em Alma-Ata um memorial monumento ao compositor, assim como deu o seu nome a uma rua, cerimónias que contaram com a presença do Presidente da R. P. da China, Jiang Zemin e da filha do compositor, Xian Ni Na. Em 2010 no Cinema Alegria em Macau foi estreado o filme Xing Hai, Estrela do Oceano, tendo como realizadores Xiao Gui Yun e Li Qian Kuan, então director da Fundação do Cinema Chinês. Filme que fala de Xian Xing Hai, nascido em Macau e em cujo quotidiano lacustre viveu a infância nos inícios do século XX. Aí foi realizado parte do filme, que mostra a pobreza da cidade onde muitos chineses viviam e refere ter sido a morte do pai, muito da responsabilidade das autoridades portuguesas.


opinião 17

sexta-feira 3.11.2017

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

N

O seguimento do 31 de Dezembro de 2001, o Governo da RAEM nada fez para implementar as disposições estipuladas pelo Anexo I da Lei Básica de Macau. Não seleccionou representantes dos membros dos órgãos municipais a integrar a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo. Foi por esse motivo que os 2º, 3º e 4º mandatos dos Chefes do Executivo foram exercidos sob uma “lei deficitária”. E isto porque antes da extinção dos órgãos municipais provisórios, em 2001, o Governo da RAEM não fez uma gestão correcta dos tempos previstos. Tinha sido dado um período de dois anos, a contar do regresso de Macau à soberania chinesa, para organizar a criação do órgão municipal sem poder político, mas tal não aconteceu. O resultado foi a ausência de representantes dos membros dos órgãos municipais a integrar a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, durante os três mandatos dos Chefes do Executivo. A quota destes representantes foi preenchida por membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva do Povo Chinês. Ao longo dos últimos dez anos e, apesar de muitas pessoas terem lutado pela constituição do órgão municipal sem poder político, a antiga secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, afirmou que este órgão “poderia ou não vir a ser criado”. Estas declarações explicam porque é que, enquanto esteve no poder, não tomou quais quer medidas neste sentido. Além disso, os sucessivos Chefes do Executivo nunca deram grande importância à criação destes órgãos e quem tem grandes interesses a defender sempre a boicotou. Até agora as coisas foram permanecendo na mesma, mas nesta altura já não são permitidas mais desculpas nem mais adiamentos. No actual documento de consulta, pode ler-se “atendendo rigorosamente às disposições consagradas na Lei Básica de Macau…. procurando-se que os mesmos sejam criados legalmente conforme o consagrado na Lei Básica de Macau em inícios de 2019 e de forma a que sejam criados os representantes dos membros dos órgãos municipais a integrar a Comissão Eleitoral do 5.º Mandato do Chefe do Executivo”. Perante esta situação, pergunto-me se os 2º, 3º e 4º mandatos dos Chefes do Executivo foram legítimos, já que foram eleitos através da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, com uma composição imperfeita (não obedecia escrupulosamente à Lei Básica de Macau). Se estes mandatos foram legítimos,

THE LAST SENATE OF JULIUS CAESAR, RAFFAELE GIANNETTI

Em defesa do artigo 95 da “Lei Básica”

então a Lei Básica de Macau não passa de um pedaço de papel sujeito a interpretações aleatórias. Se foram ilegítimos, de quem é a responsabilidade? Embora a população de Macau seja tolerante, quem desconsidera a lei não deve tomar essa tolerância como um dado adquirido. Para implementar escrupulosamente o Artigo 95 da Lei Básica de Macau, é preciso respeitar o seu conteúdo legislativo durante o processo de criação do órgão municipal sem poder político. O actual documento de consulta sugere que todos os membros dos dois conselhos do órgão municipal sejam nomeados pelo Chefe do Executivo. Mas esta forma de nomeação é completamente inaceitável porque não se ajusta à realidade de Macau. Além disso, não está de acordo com o propósito legislativo da Lei Básica, na qual o órgão municipal sem poder político está estabelecido como um corpo estatutário, com a possibilidade de ser organizado pelos membros da população, de forma a existir participação na gestão de questões sociais, assuntos relacionados com a vida do dia a dia, bem-estar social e, ainda, sugestões e aconselhamento do Governo nas suas decisões. Para se compreender melhor o que acabei de dizer, passo a citar um trecho da obra do Professor Xiao Weiyun, antigo membro da Comissão de Redacção da Lei Básica de Macau e professor de Direito na Universidade de Pequim. Segundo Xiao, a razão pela qual o Artigo 96 da Lei Básica só contém uma frase, “A competência e a constituição dos órgãos municipais são reguladas por lei”, fica a dever-se a “ter sido tido em consideração que, os diferentes sectores de Macau têm pontos de vista próprios sobre competência e sobre a constituição dos órgãos municipais”, e é por isso que a Lei

Básica só estabelece princípios orientadores no Artigo 96, de forma a poder lidar com as necessidades emergentes no futuro. Foi dada flexibilidade ao Governo da RAEM no que respeita à definição de competência e à constituição dos futuros órgãos municipais”. Mas terá o Governo tido qualquer flexibilidade na redacção do documento de consulta sobre a “Criação do órgão municipal sem poder político”? Em que altura é que os diferentes sectores de Macau declararam oficialmente que queriam desistir do direito de se tornarem membros dos conselhos dos órgãos municipais? O que se propõe actualmente é que todos os membros do Conselho de Administração Municipal” e do “Conselho Consultivo Municipal” sejam nomeados pelo Chefe do Executivo, o que constitui uma desobediência ao Governo Central e aos princípios da Lei Básica orientadores do desenvolvimento gradual da democracia na RAEHK e na RAEM. Esta proposta é um desrespeito à constituição dos

Os membros dos conselhos do órgão municipal sem poder político, devem ser escolhidos através de eleições representativas e não apenas por nomeação do Chefe do Executivo. A implementação e a interpretação dos Artigos 95 e 96 da Lei Básica encerram propósitos legislativos que não podem ser distorcidos segundo a vontade de cada um

Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

órgãos municipais, já que esta contempla a inclusão de cidadãos e lhes confere o direito de opinião e aconselhamento. Actualmente, o IACM tem três Conselhos Consultivos de Serviços Comunitários (na Zona Norte, na Zona Central e nas Ilhas), com membros nomeados pelo Governo na sua totalidade, e realiza colóquios abertos sobre assuntos comunitários a intervalos irregulares. A permanência destes conselhos está dependente das necessidades futuras. A nomeação dos membros do órgão municipal sem poder político (pertencentes ao Conselho Consultivo Municipal), com acção nos domínios da cultura, recreio e salubridade pública, deverá ser feita pela população. Desta forma estes representantes da população têm uma oportunidade para participar na “gestão de questões sociais, assuntos relacionados com a vida do dia a dia, bem-estar social e, ainda, de sugerir e aconselhar o Governo nas suas decisões”. Os respectivos sistemas de nomeação podem ser baseados no modelo já existente dos Conselhos Consultivos de Serviços Comunitários, que define três zonas, e o número dos seus membros deve ser determinado pela quantidade de habitantes de cada uma delas. Defendo ainda que um número considerável de membros do Conselho de Administração Municipal deverá pertencer ao Conselho Consultivo Municipal, para facilitar a coordenação entre os dois Conselhos. Os membros dos conselhos do órgão municipal sem poder político, devem ser escolhidos através de eleições representativas e não apenas por nomeação do Chefe do Executivo. A implementação e a interpretação dos Artigos 95 e 96 da Lei Básica encerram propósitos legislativos que não podem ser distorcidos segundo a vontade de cada um.


18 (f)utilidades TEMPO

C H U VA

3.11.2017 sexta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

SEMINÁRIO “ARCHITECTURE AND DISCONTENT” Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

?

FRACA

MIN

20

MAX

26

HUM

50-85%

EURO

9.38

BAHT

FRIDAY NIGHT JAZZ Pousada de Coloane | 19h00 às 21h00

Amanhã

CONCERTO PARA BÉBÉS E FAMÍLIAS – UNITYGATE Fundação Rui Cunha | 11h00 às 12h00

O CARTOON STEPH

Diariamente

EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11

PROBLEMA 152

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 151

UM FILME HOJE Cineteatro

C I N E M A

FLATLINERS SALA 1

19.30

Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

THOR: RAGNAROK [B]

SALA 2

FLATLINERS [C] Fime de: Niels Arden Oplev Com: Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton 14.30, 16.30, 21.30

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu

SUDOKU

DE

SUN(DAY) CHILLAX Pousada de Coloane | 17h00

1.21

PLANETA BIZARRO

EXPOSIÇÃO “ENCHANTED - SOLO EXHIBITION BY LEON CHAN” MMM workshop & JUJU studio, Barra | 18h30 às 21h30

Domingo

YUAN

PÊLO DO CÃO

ESPECTÁCULO THE MONTE-CARLO BALLET “LE SONGE” CCM | 20h00

ESPECTÁCULO THE MONTE-CARLO BALLET “LE SONGE” CCM | 20h00

0.24

Imagine um episódio do National Geographic em ambiente de escritório. Exacto, um cenário típico de uma imaginação fértil como a de Salvador Dali. No entanto, e apesar de improvável, acabei de ver uma melga sair do interior de uma máquina de fax. Não estou a falar da superfície, da epiderme electrónica, mas das entranhas, da abertura onde a biologia não devia ter lugar. O inusitado aconteceu na sala de imprensa da Assembleia Legislativa, esse habitat já por si dado a exotismos, e penso que fui a única pessoa a notar tal aberração. Um rol de explicações percorreram a minha imaginação. Talvez alguém tenha tentado anexar a melga para enviar por e-mail mas o antivírus não tenha permitido por detectar dengue, daí a opção pelo fax antes de recorrer à carta registada. Talvez a melga more ali, tenha feito da selva de fios e pequenos mecanismos um lar pelo qual anseia depois de um dia de vampirismo clandestino. Talvez a melga tenha aderido ao veganismo e ache o sangue uma agressão ao seu metabolismo e alimentação moral e tenha substituído o suco animal por tinta, que estou certo que será vermelha. As possibilidades são imensas e é nelas que me perco, enquanto os meus colegas dormitam, ou afagam os telemóveis. Entretanto, continuo atento ao que possa sair da porta da máquina de fax que está mesmo à minha frente. Seja o que for, terá o mesmo destino que a melga, ou seja, a indiferença sanguinária de um predador acima na cadeia alimentar. Tal e qual como no cruel cenário do National Geographic. No meio disto tudo, a reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos das Finanças Públicas já terminava. João Luz

“ALL’S WELL, ENDS WELL” | CLIFTON KO

“All’s Well, Ends Well” é uma comédia produzida em Hong Kong, que teve estreia em 1992 na comemoração do Ano Novo chinês. É ainda hoje, considerada uma das obras cinematográficas mais significativas da região vizinha e conta com estrelas como Stephen Chow, Leslie Cheung e Sandra Ng. O filme trata as diferentes histórias dos irmãos da família Seung, e usa várias expressões humorísticas que acabaram por ficar célebres e passaram mesmo a integrar a língua cantonesa. Vitor Ng

LET ME EAT YOUR PANCREAS [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Sho Tsukikawa Com: Minami Hamabe, Takumi Kitamura, Shun Oguri 14.30, 16.30, 19.30

ALWAYS BE WITH YOU [C] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Herman Yau Com: Louis Koo, Julian Cheung, Lam Ka Tung, Charlene Choi 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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sexta-feira 3.11.2017

JACINTO NG, ENGENHEIRO CIVIL

“Quero trazer a minha experiência para Macau”

É

engenheiro civil, nascido em Macau, mas que optou por seguir a vida em Inglaterra. Com 24 anos, Jacinto Ng fez o mestrado na Universidade de Surrey e recorda que o desejo de ir para o estrangeiro pode ter nascido das conversas que ouvia dos pais, enquanto criança. Curioso, acabou por viajar para Inglaterra e prosseguir lá a sua formação. Afinal, “só assim poderia perceber como é que seria viver fora de Macau”, diz ao HM. Ao chegar e do que recorda, Jacinto Ng notou de imediato que as cidades inglesas são mais calmas do que Macau. “As lojas estavam localizadas no centro e fechavam as portas, geralmente, por volta das seis da tarde. À noite não havia muito para fazer”, refere. Quando lá chegou, por ter um nível de inglês ainda muito baixo, não conseguia perceber bem o que se passava à sua volta, nem

comunicar o que queria. Só um ano depois, com a mudança para Londres, é que se começou a integrar.

RUMO À EXPERIÊNCIA

Hoje em dia, trabalha como assistente de engenharia numa empresa de consultoria. Jacinto Ng tem a seu cargo a concepção para as instalações básicas de prédios residenciais. Apesar de ter estagiado em Macau e ter tido a oportunidade de ficar no território onde nasceu, Jacinto Ng optou por regressar ao Reino Unido. A razão, aponta, é a possibilidade de um “enriquecimento cultural e profissional que o convívio e trabalho em Inglaterra proporcionam”. Mas, nem tudo foram rosas. Ao optar por trabalhar em Inglaterra, o primeiro passo, o de conseguir emprego, “foi complicado”. “A engenharia civil é uma área com muita concorrência”, recorda. Mas,

depois de várias tentativas e alguns falhanços, conseguiu. Do ambiente laboral que tem, não pode dizer melhor. “Sou bem acolhido e há muito o espírito de entreajuda”, diz. Outra vantagem, considera, é o facto de não ter um trabalho que lhe proporcione stress. “Quando temos projectos a entregar, o stress sente-se perto dos prazos de entrega, mas antes disso, trabalhamos sem muita pressão e de modo planeado”, explica o engenheiro civil.

CASA ENCONTRADA

Mas a vida também é lazer e, mesmo que ligada ao trabalho, Ng já tem uma estrutura social montada. “É comum saírem para conversar e trocar impressões sobre a actualidade”, diz. Esta proximidade com os colegas que se transformam em amigos deve-se ao facto de ser uma empresa pequena, explica. “Há muitas vantagens em não

trabalhar em empresas de grande dimensão. Aqui, porque se trata de uma empresa com poucas pessoas, posso ter uma relação mais estreita com os meus colegas”, ilustra. Depois de um dia de trabalho, os colegas e amigos são a companhia para uma ida a um bar, os adversários de um jogo de futebol ou os companheiros ideias para um barbecue.

REGRESSO DISTANTE

Jacinto Ng não tem, para já planos para regressar a Macau. Para o engenheiro, continua a ser fundamental adquirir mais experiência profissional, e mesmo de vida no estrangeiro. Tratam-se de factores que, considera, podem vir a ser muito relevantes no futuro. “Num futuro mais distante, vou querer regressar, até porque se trata do lugar onde nasci e onde tenho família”, refere quando pensa no que fazer a longo prazo. “Mas, só

depois de bem preparado. Quero trazer a minha experiência e conhecimento para o território de modo a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, confessa. Para já, Jacinto Ng está “num país com mais liberdade e ideal para quem gosta de visitar museus e conhecer a história”. Outra vantagem, tem que ver com a natureza. “Em Inglaterra há paisagens muito bonitas e muitos espaços verdes onde dá para fazer caminhadas”, diz. Apesar de longe, o engenheiro civil não deixa de apontar algumas qualidades de Macau. “Mesmo sendo uma região muito pequena, é sempre mais fácil sair à ruas com os amigos e há sempre muitos eventos a acontecer”, elogia. Vitor Ng

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Não há graus de vaidade, apenas graus de habilidade em disfarçá-la. Mark Twain

FENG LI

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Aliança sólida

Xi Jinping apela a laços “estáveis” com Pyongyang

O

Presidente da China, Xi Jinping, apelou ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para que mantenham laços “estáveis e sólidos”, informou ontem a agência norte-coreana KCNA, numa altura de distanciamento entre os dois países. “Espero que do lado chinês sejam feitos esforços, em conjunto com o lado norte-coreano, para promover o desenvolvimento estável e a solidez duradoura das relações entre os dois países”, lê-se numa carta enviada por Xi e publicada na íntegra pela KCNA. A China é o principal aliado da Coreia do Norte. Para além da afinidade ideológica, Pequim e Pyongyang lutaram juntos contra os Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53). No entanto, as relações têm-se deteriorado face à insistência de Pyongyang em prosseguir com o seu controverso programa nuclear e de misseis balísticos. Desde que, em 2013, ascendeu ao poder, Xi nunca se encontrou com Kim Jong-un, tendo-se mesmo tornado no primeiro líder chinês a

visitar a Coreia do Sul antes de ir à Coreia do Norte.

PELA PAZ

Acarta enviada pelo Presidente chinês serviu para agradecer a felicitação endereçada por Kim, após a reeleição de Xi como secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC). Na mesma mensagem, Xi Jinping expressa a necessidade de “defender a paz regional, a estabilidade e prosperidade comum”. Sob a direcção de Kim Jong-un, Pyongyang efectuou três testes nucleares. Em Setembro passado, conduziu o mais poderoso teste até à data, no que revelou ter sido a detonação de uma arma termonuclear para ser colocada num míssil balístico intercontinental. Em reacção, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou novas sanções contra Pyongyang, com o apoio da China. Pequim impôs ainda sanções unilaterais, como o encerramento de empresas norte-coreanas no país ou a limitação no fornecimento de petróleo. AChina é responsável por 90% do comércio externo da Coreia do Norte.

VISITA PEQUIM ESPERA NOVO ESTÍMULO NA RELAÇÃO COM OS EUA

A

China disse ontem esperar que a próxima visita do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obtenha resultados importantes e sirva para “injectar um novo estímulo” na relação bilateral. O ministério chinês dos Negócios Estrangeiros anunciou formalmente a visita de Trump, na próxima semana, e alguns detalhes da sua agenda no país, parte de um périplo pela Ásia que realizará entre 4 e 14 de Novembro. Trump chegará a Pequim no dia 8 de Novembro. No dia seguinte será recebido no Grande Palácio do Povo, com uma cerimónia de boas-vindas, juntamente com o Presidente chinês, Xi Jinping. Os dois participarão depois numa reunião empresarial, numa

reunião bilateral e numa conferência de imprensa conjunta. Segundo o comunicado emitido pelo porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang, os dois líderes trocarão opiniões sobre as relações entre as duas maiores potências do planeta e questões internacionais. “A China está disposta a trabalhar com os Estados Unidos para alcançar importantes resultados” durante a visita, visando “injectar um novo e firme estímulo no desenvolvimento das relações bilaterais”, disse Lu. Trump concluirá a sua primeira visita oficial à China no dia 10, viajando depois para o Vietname, para participar da cimeira de líderes do Fórum para a Cooperação Económica.

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 3.11.2017

Hoje Macau 3 NOV 2017 #3927  

N.º 3927 de 3 de NOV de 2017

Hoje Macau 3 NOV 2017 #3927  

N.º 3927 de 3 de NOV de 2017

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