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SEXTA-FEIRA 3 DE JANEIRO DE 2020 • ANO XIX • Nº4441

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

ISABEL PINA

MISSÕES JESUÍTAS ENTREVISTA

CASINOS

SÍNTESE PASSIVA III ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

h hojemacau

TRABALHADORES EM LUTA PÁGINA 9

POESIA ANTI-FASCISTA FERNANDO PESSOA

A ARTE E AS FLORES GONÇALO M. TAVARES

Discursos do ano Não houve “vida nova” nos discursos políticos de Ano Novo. Xi Jinping mostrou-se sensibilizado com a prosperidade e estabilidade que testemunhou na visita a Macau e aproveitou para deixar recados a Hong Kong. Já Ho Iat Seng reforçou o compromisso com o desenvolvimento de Macau e referiu que vai pautar as suas acções “pelo espírito das palavras do Presidente Xi Jinping e implementar as suas orientações”. PÁGINAS 4-5


2 ENTREVISTA

ISABEL PINA INVESTIGADORA DO CENTRO CULTURAL E CIENTÍFICO DE MACAU

Historiadora, com trabalho focado na missão dos jesuítas em Macau e China, Isabel Pina dedica-se actualmente a estudar Álvaro Semedo, o primeiro a registar por escrito, em 1642, a questão de Macau ter sido doada aos portugueses devido ao combate aos piratas Em Dezembro deu uma palestra, promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com o título “A China Ming ao tempo de Xavier”. E como era a China neste tempo? Estávamos perante uma China de uma dimensão completamente diferente daquilo que era conhecido pelos missionários e pelos europeus, ao nível da escala demográfica e económica, não tinha qualquer comparação possível. Havia uma capacidade de adaptação do produtor chinês ao mercado consumidor, e dei o exemplo da porcelana azul e branca, um produto chinês que foi adaptado às exigências do mercado persa, e depois passou também a ser vendido para a Europa. Outro aspecto que referi em relação à China Ming, que deixou também os europeus atónitos e os missionários, europeus muito cultos à época, foi a indústria livreira. No século XVI quando chegam os primeiros missionários, deparam-se com bibliotecas que tinham uma escala absolutamente diferente do que existia na Europa.

Álvaro Semedo,

Como era a relação de Macau com a China nessa altura? Macau era um lugar central, desde logo para os missionários. Eles faziam um caminho obrigatório [por lá]. Os jesuítas pertenciam ao padroado português e tinham de embarcar obrigatoriamente em Lisboa, paravam em Goa e muitas vezes ficavam lá um tempo, e depois iam para Macau. A partir de Macau iam para as missões da Ásia Oriental, incluindo Japão, que até ao início do século XVII é missão de grande sucesso, e depois para a China. Quando são expulsos do Japão vão para outras missões. Macau era central em termos de viagem e muitas vezes em termos de estudo, pois muitos vão acabar o percurso académico em Macau no Colégio de São Paulo. Alguns começam a aprender mandarim em Macau, que é também central no envio de verbas para a missão da China, na questão de preparação de chineses, que os jesuítas diziam ser as suas mãos e pés. Alguns deles eram integrados na Companhia de Jesus, no que diz respeito a essa capacidade de recursos humanos para apoiarem a missão. Dá para imaginar as dificuldades com que se deparavam, pois muitos [missionários] não falavam ainda o chinês. Quais as principais diferenças entre a missão jesuíta na China e no Japão? No Japão há uma penetração muito rápida e desde logo torna-se uma missão que é definida à época como um grande sucesso. Muitas das cartas de candidatura dos jesuítas, em que eles pediam para ir para as índias, apresentavam pedidos para o Japão. A China não exercia o mesmo fascínio durante muito tempo. Porquê? A China provavelmente não teria o mesmo no comércio que tinha o Japão, além de que a própria sociedade era diferente. Era uma sociedade mais centralizada, quando os jesuítas chegam ao Japão o país estava em guerra civil. Havia ali uma possibilidade que não havia na China. Para a China iam sempre poucos missionários face à dimensão demográfica, e só passados os primeiros, por volta da década de 1630, ou seja, ao fim de cerca de 50 anos

é que os números de baptismo começam a aumentar mais. De qualquer forma o cristianismo é sempre uma religião marginal, com muito pouco peso. Até aos dias de hoje. Sim, se bem que há o édito de prescrição do cristianismo, em 1684, assinado por um imperador chinês, mas os estudos mais recentes apontam que não foi uma oportunidade perdida, não se perdeu tudo. Houve sim uma transformação e houve estudos para a província de Fujian e de Guangdong que mostram que há uma apropriação do cristianismo, em que este se torna mais local.

“Quando os jesuítas chegam, em 1582, o livro do Marco Polo ainda era muito importante. Dá para perceber o desfasamento, pois já se tinham passados uns séculos e estávamos numa dinastia diferente, e é uma China diferente que vão conhecer.”

Há clãs e famílias que continuam cristãs, dão um tom mais local ao cristianismo, que se torna mais chinês. Cria-se outro cristianismo. Sim, adapta-se mais ainda, mas continuam com o culto. A partir daí, o clero local cresce exponencialmente e atinge números que nunca tinha tido. O meu doutoramento foi precisamente sobre os jesuítas chineses, e o que constatei é que durante 100 anos foram 28 e a partir do século XVIII há muitos mais religiosos chineses. Mas também já não são só os jesuítas, há mais ordens no terreno, mais missionários de


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, o homem e o mito e não tanto em termos da religião em si. Para mim é mais fascinante a parte cultural porque são efectivamente os primeiros europeus que vão estudar a língua de forma regular e que vão viver na China. São eles que dão a conhecer a China Ming e Ching aos europeus pela primeira vez. Quando os jesuítas chegam, em 1582, o livro do Marco Polo ainda era muito importante. Dá para perceber o desfasamento, pois já se tinham passados uns séculos e estávamos numa dinastia diferente, e é uma China diferente que vão conhecer. Tenho trabalhado a constituição do conhecimento europeu sobre a China e o livro do Marco Polo continua a ser muito usado enquanto fonte de autoridade pelos jesuítas. Mas são esses europeus que criam os primeiros programas sobre a língua e de como se deve estudar o chinês.

O mandarim era uma língua completamente desconhecida, daí a importância desses mediadores. Completamente. Logo o São Francisco Xavier fala em aprender o chinês, ainda no geral, sem definir qual a língua chinesa que ia estudar. O seu sucessor, Melchior Nunes Barreto, decidiu (isto tudo ainda antes da missão ter começado) deixar um irmão jesuíta em Cantão para aprender a língua com mestres locais enquanto faz a viagem para o Japão. Quando regressa, este irmão tinha enlouquecido (risos). Ele diz que teve uma fraqueza de cabeça. diferentes congregações. Mas as diferenças entre o Japão e a China iria no sentido em que foi mais difícil o percurso de entrada e de aumento de baptismos na China do que foi no Japão. Mas depois na China perdurou com todas as metamorfoses, e sempre como uma religião marginal. Fez o seu doutoramento sobre “Jesuítas Asiáticos e Mestiços na Missão/Vice-Província da China (1589-1689)” em 2009. Porquê este tema? Na minha abordagem aos missionários e ao catolicismo na China tenho trabalhado mais na perspectiva dos mediadores culturais

Falamos de que ano? O primeiro plano é um português que estabelece, depois de discutir com outros missionários, em 1684. E os jesuítas tiveram, a partir de 1578 ou 1579, quando se decide estudar o mandarim. Portanto desde 1579 até 1624 eles estão a ganhar experiência. O estudo começa em Macau e depois o estudo continua na China. Mas só ao fim desse tempo é que criam um primeiro plano de estudo. Como era a relação com a corte imperial chinesa? Quando chegavam, tinham alguns contactos prévios feitos, tinham algum domínio da língua?

“O que é particularmente interessante é que o Álvaro Semedo é o primeiro a pôr em registo escrito o mito nacional de Macau, a questão de Macau ter sido doada aos portugueses por causa do combate aos piratas.”

Estes homens eram muito bem preparados. Era um investimento enorme que começava logo na viagem, ou ainda antes. Eram homens com anos de estudos, que custavam dinheiro, e depois a viagem até Macau. Depois outro investimento era colocá-los na China. Essa relação com a corte é muito diferente entre as dinastias Ming e Ching. Na dinastia Ming estabeleciam uma rede de relações com missionários, com três mandarins e oficiais de alto nível, e é através dos conhecimentos científicos que começavam a desenvolver todo este relacionamento, o Guanxi, criando relações com os oficiais importantes. Na dinastia Ching era completamente diferente, pois tinham acesso à corte imperial com a realização do calendário. Entraram na corte os missionários que tinham alguma especialização, em termos de as-

“No CCCM fizemos um projecto central sobre o Tomás Pereira, que é um missionário absolutamente interessante, que tinha sido completamente apagado, mesmo à época, pelos jesuítas franceses por questões relacionadas com o padroado português, com o rei de França.”

tronomia, matemática, relógios ou conhecimento de instrumentos musicais, e pintura também. Tinham de ter algum tipo de especialização para ter acesso ao imperador e começavam a preparar o calendário logo no início da dinastia. Entre 1644 e 1683 os jesuítas jogavam nas duas frentes.

Em que sentido? Faziam-no enquanto ainda não estava bem definida a situação política na China. Vemos alguns jesuítas a actuarem e a estabelecerem relações com os Ming do sul, e vemos os outros em Pequim. Joga-se em todas as frentes do tabuleiro político. Um dos missionários que estou a estudar actualmente, o Álvaro Semedo, estava junto dos Ming do sul, com estes Ming a tentarem arranjar apoio militar por parte da Europa. O Adam Shau já estava em Pequim a entrar no departamento astronómico e a preparar o calendário para os Ching. Participou também num estudo sobre o jesuíta Tomás Pereira. No Centro Cultural e Científico de Macau (CCCM) fizemos um projecto central sobre o Tomás Pereira, que foi um missionário absolutamente interessante e que tinha sido completamente apagado, mesmo à época, pelos jesuítas franceses por questões relacionadas com o padroado português, com o rei de França. O Tomás Pereira era uma figura próxima do imperador Kang Shi, dentro daquilo que um europeu pode ter de proximidade. Muitas das ideias que passaram para a Europa foram passadas pelos próprios missionários, que exageram sempre o papel deles perante a corte. A propósito de Álvaro Semedo, o que destaca nesta figura histórica? Era um missionário que pertenceu à vice-província da China, fez parte dos quadros, mas passou muito tempo em Macau. Em 1617, quando há a primeira perseguição, a primeira crise em que o poder imperial está envolvido, é um dos missionários que é expulso por decreto imperial. Tem mesmo de ir para Macau e fica cerca de três anos. Quando regressa à China, já tem outro nome, pois não podia ter

o mesmo. Ao longo da sua vida Álvaro Semedo vive cerca de 45 anos na China, sendo que cerca de 10 anos são em Macau. O que é particularmente interessante é que o Álvaro Semedo é o primeiro a pôr em registo escrito o mito nacional de Macau, a questão de Macau ter sido doada aos portugueses por causa do combate aos piratas. Não é ele que vai formular este mito pela primeira vez, porque aparece em manuscrito antes disso, na década de 1620, mas em 1642 fica impresso pela primeira vez. Só isso torna o Álvaro Semedo [importante] face a Macau porque está em causa o mito das origens [de Macau], que tem um peso enorme até pelo menos ao século XX. Como era Macau nesse tempo? Ele próprio diz isso, ele chega ainda num período em que Macau ainda tem comércio com o Japão, e depois ele vem para a Europa em 1637 e quando regressa a Macau diz que o território já está numa crise profunda. Descreve, já com uma certa nostalgia, aquilo que tinha encontrado quando chegara lá, pois tinha chegado em 1611 ou 1612, ainda o comércio com o Japão decorria, apesar de estar no final. O comércio tinha sido cortado e Macau vivia uma crise profunda. Fez um estudo sobre a linguagem dos jesuítas macaenses nos séculos XVI e XVII. Eram apenas intérpretes, tiveram um papel como sempre teve a comunidade macaense ao longo dos séculos? Sim, mas durante muito tempo eram mesmo chineses da região envolvente ou de Fujian, ou Zhejiang. Os intérpretes podiam ser chineses ou africanos, chineses que estavam em Macau durante um ano e que regressavam à China, sabendo uma ou duas palavras, e que eram então referidos como intérpretes. Os missionários aprendiam o mandarim, mas estávamos numa China onde havia vários dialectos. Havia a língua da Administração que lhes permitia pôr em prática uma estratégia, garantir o acesso à corte imperial, mas no dia-a-dia tinham de lidar com os dialectos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Na mensagem de Ano Novo, o Presidente Xi Jinping revelou-se sensibilizado com a “prosperidade e estabilidade” que encontrou em Macau, território que demonstra o sucesso da aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Já para Hong Kong, deseja “o melhor” e a mesma estabilidade

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Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, elogiou na passada terça-feira, por ocasião da mensagem de Ano Novo, a estabilidade e prosperidade de Macau, desejando o mesmo para Hong Kong, que desde Junho se tem visto a braços com turbulentas manifestações pró-democracia. Num discurso de 15 minutos transmitido pelos diversos meios de comunicação estatais, o Presidente chinês afirmou mesmo sentir-se estimulado pela “prosperidade

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HANG Xiaoming, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, em Pequim, publicou ontem um artigo numa publicação do Partido Comunista Chinês, intitulada Qiushi, onde escreve que existem “forças externas” a tentar penetrar na sociedade de Macau, tal como ocorreu em Hong Kong, sem especificar que tipo de forças externas estão em causa. De frisar que este artigo foi publicado após a visita do Presidente Xi Jinping a Macau, em Dezembro último. De acordo com o South China Morning Post (SCMP), Zhang Xiaoming citou as palavras de Xi Jinping, que defendeu que “a segurança nacional, a segurança e os interesses da população” eram objectivos firmes da China e que o país nunca iria tolerar interferências estrangeiras nas

DISCURSO XI ELOGIA ESTABILIDADE DE MACAU E PEDE O MESMO PARA HONG KONG

Tão perto e tão longe ex-colónia britânica é um desejo “de toda a pátria”.

ANO MEMORÁVEL

e estabilidade” que encontrou em Macau quando esteve no território entre os dias 18 e 20 de Dezembro para as celebrações do 20º aniversário da RAEM e para a tomada de posse do novo Executivo. “Há uns dias, assisti às comemorações do 20.º aniversário do regresso de Macau à pátria e fiquei sensibilizado com a prosperidade e a estabilidade”, declarou Xi Jinping, de acordo com a agência Lusa. O sucesso de Macau “indica que o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ é plenamente aplicável, exequível e popular”, acrescentou.

Logo depois do elogio a Macau, Xi Jinping dirigiu algumas palavras à situação de Hong Kong, apelando à estabilidade e à paz na região. “Nos últimos meses, os nossos corações têm estado preocupados com a situação em Hong Kong.

“Aplaudimos as gloriosas realizações da República Popular da China nos últimos 70 anos e ficámos impressionados com a força do patriotismo.”

Pedro Arede com Lusa info@hojemacau.com.mo

XI JINPING PRESIDENTE DA CHINA

A ameaça invisível Conselho de Estado diz que “forças externas” estão a tentar infiltrar-se em Macau

duas regiões administrativas especiais. Escreveu Zhang Xiaoming que “estes comentários feitos pelo secretário-geral

Sem um ambiente harmonioso e estável, como é que as pessoas podem viver em paz”, questionou Xi Jinping. “Desejo sinceramente a Hong Kong e aos nossos compatriotas (…) o melhor”, afirmou o líder chinês, sublinhando que “a estabilidade e a prosperidade” da

O ano em que se assinalou os 20 anos do regresso de Macau para administração chinesa, foi também aquele onde se celebrou o 70.º aniversário da fundação da República Popular da China, a 1 de Outubro. Para Xi Jinping este foi mesmo o “momento mais memorável de 2019”. “Aplaudimos as gloriosas realizações da República Popular da China nos últimos 70 anos e ficámos impressionados com a força do patriotismo”, declarou. Por outro lado, Xi mencionou ainda os sucessos diplomáticos do país em 2019, numa altura em que o número de países que detêm laços oficiais com Pequim subiu para 180: “Temos amigos em todo o mundo”, referiu. Estas palavras têm peso particular e imediato em Taiwan, onde serão realizadas eleições presidenciais já no próximo 11 de Janeiro, após um ano em que o território continuou a perder aliados. Isto, porque Pequim exige a retirada do reconhecimento oficial de Taipé, a fim de estabelecer laços diplomáticos.

Xi Jinping constituíram um golpe para eles e pretendem servir de encorajamento para nós na nossa legítima luta e contra-reacções quando as

forças externas estão profundamente envolvidas nos tumultos relacionados com a lei da extradição, tomando parte da questão e manobrando o caos em Hong Kong, e também estão a tentar infiltrar-se em Macau”, escreveu, citado pelo SCMP. O responsável adiantou ainda que Hong Kong sofreu

“revés”, mas que Macau tem feito muitos avanços na implementação da política “Um País, Dois Sistemas”. Além disso, no artigo lê-se ainda que os dois territórios são diferentes, mas que Xi Jinping disse que o território deveria servir “de importante guia” para Hong Kong. Zhang Xiaoming foi director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Hong Kong entre 2012 e 2017.

O CUSTO DE SER INTERNACIONAL

No artigo do SCMP, são citadas declarações de Lau Siu-kai, vice-presidente da Associação Chinesa de Estudos para Hong Kong e Macau, que lembrou que “Pequim sempre teve preocupações em termos de segurança nacional relacionadas com Macau, e muita desta preocupação está

relacionada com os Estados Unidos. Mas as organizações estrangeiras tiveram problemas ao estabelecer-se em Macau, então Pequim acredita que estas têm mais possibilidades de [construir a sua] influência através [da sua presença] em Hong Kong”. Lau Siu-kai frisou que, apesar do Governo Central procurar que Macau diversifique a sua economia e se abra ao investimento estrangeiro, esta preocupação relacionada com as forças externas existe sempre. “Pequim pode pensar que tem menos a recear em Macau pelo facto de o território ser menos desenvolvido [em relação a Hong Kong], mas as suas preocupações vão aumentar quando procura que Macau se torne mais internacional”, rematou. A.S.S.


política 5

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Na primeira mensagem de Ano Novo como líder do Governo, Ho Iat Seng comprometeu-se a potenciar o desenvolvimento de Macau seguindo à risca as orientações do Presidente Xi Jinping

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UM ano que promete ser de “grandes oportunidades de desenvolvimento”, mas também de “todo o tipo de desafios”, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng assumiu que 2020 será enfrentado com confiança e coragem. Para isso, defendeu ser preciso prosseguir com a aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas” e cumprir a Constituição e a Lei Básica. “Novo ano, nova jornada, novas realizações e novos cenários. Macau conta com toda a sua população para a construção de um futuro promissor e para a composição de um capítulo esplêndido da grande prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’. Continuaremos a prosseguir de forma plena e correcta a política orientadora ‘Um País, Dois Sistemas’, a cumprir estritamente a Constituição e a Lei Básica, a salvaguardar com firmeza o poder pleno de governação do Governo Central e a defender com perseverança a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do País”, sublinhou no discurso. De forma a seguir o caminho traçado, o Chefe do Executivo reiterou ainda a vontade de elevar o desenvolvimento do território para “um novo patamar”, sempre seguindo à risca as palavras e orientações do presidente Xi Jinping. Na mensagem de Ano Novo, Ho

Ho Iat Seng, Chefe do Executivo “Iremos pautar as nossas acções pelo espírito das palavras do Presidente Xi Jinping e implementar as suas orientações...”

HO IAT SENG 2020 SERÁ ANO DE OPORTUNIDADES E DESAFIOS

Seguindo o líder Iat Seng reafirmou assim a intenção de reforçar “o poder pleno de governação do Governo Central” e defender com “perseverança a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país”. “Iremos pautar as nossas acções pelo espírito das palavras do Presidente Xi Jinping e implementar as suas orientações, nomeadamente as «quatro iniciativas de forma empenhada», as «quatro “sempre”» e as «quatro expectativas». Com

Ano Novo Exército chinês em Macau destaca prosperidade do território

O comandante da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês (ELP), Coronel Xu Liangcai, bem como o comissário político do ELP Sun Wenju, assinam juntos a mensagem de Ano Novo, tendo destacado a prosperidade e estabilidade social registados em Macau nos últimos 20 anos, graças ao apoio do Governo Central e do Interior da China. Os responsáveis destacaram também a melhoria contínua das condições de vida da população e o desenvolvimento económico registado, sem esquecer o aumento do sentimento patriótico face à China e a Macau. Tais condições fazem com que se possa assistir a um novo capítulo da implementação da política “Um País, Dois Sistemas”. Tanto Xu Liangcai como Sun Wenju declararam sentirem-se orgulhosos das conquistas daquela que já é a sua “segunda terra natal”.

uma visão projectada para o futuro, preparados para as adversidades e com um espírito íntegro, inovador e pragmático, iremos impulsionar, em todas as vertentes, a construção da RAEM, mas focados no seu posicionamento enquanto «Um Centro», «Uma Plataforma» e «Uma Base», referiu.

DESENVOLVIMENTO “IRRESISTÍVEL”

“Quando a maré sobe e o vasto mar se une ao céu é o momento perfei-

to para se fazer à vela”, afirmou também Ho Iat Seng a propósito das oportunidades que devem ser agarradas em 2020 que Macau continue na senda da prosperidade e da diversificação. “O nosso País apresenta uma tendência de desenvolvimento vigorosa e irresistível. Devemos trabalhar em conjugação de esforços, agarrar as oportunidades proporcionadas pelas grandes estratégias de desenvolvimento

e políticas de apoio implementadas pelo País, integrar-nos de forma mais activa na conjuntura do desenvolvimento nacional e empenharmo-nos na construção de uma Macau próspera e diversificada”, vincou Ho Iat Seng. O Chefe do Executivo refere também que será dada prioridade “às grandes aspirações da população”, onde se incluem a reforma da Administração Pública, a diversificação económica, a construção de um Governo que age segundo a Lei e que é imparcial e ainda dar continuidade à tradição do Amor a Macau e à pátria. Pedro Arede

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GABINETE DE LIGAÇÃO MACAU É EXEMPLO DO SUCESSO DE “UM PAÍS, DOIS SISTEMAS”

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U Ziying, director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau declarou na sua mensagem de Ano Vovo que, nos últimos 20 anos, a RAEM conseguiu mostrar ao mundo que é um bom exemplo da implementação do conceito “Um País, Dois Sistemas”. O responsável considerou

que esta é a melhor solução para resolver os problemas históricos do território. Fu Ziying disse ainda que o conceito desenvolvido por Deng Xiaoping revelou ser o melhor sistema para manter a estabilidade e prosperidade do território a longo prazo depois da transferência de

Administração de Macau para a China. No que diz respeito ao ano de 2020, Fu Ziying disse que a China pretende criar uma sociedade moderadamente próspera, sendo este um ano em que Macau alcançará um novo ponto de partida histórico no que diz respeito à concretização de

“Um País, Dois Sistemas”. Actualmente, o director do Gabinete de Ligação considera que a economia chinesa irá manter um avanço constante, com tendências positivas a longo prazo, o que irá oferecer muitas oportunidades para o futuro desenvolvimento de Macau.


6 política

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deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a necessidade de legislar sobre o regime de disponibilidade permanente existente para os funcionários da Administração. Em interpelação escrita, o deputado lembrou que “desde o estabelecimento da RAEM até à presente data muitos trabalhadores de serviços públicos estão impedidos de ausentar da RAEM nos dias de descanso e nos feriados obrigatórios por estarem sujeitos ao regime de disponibilidade permanente quer nos termos da lei geral quer por via de legislação especial, sem qualquer tipo de compensação pecuniária”. Para o deputado, “estas decisões arbitrárias e sem cobertura legal violam o disposto do artigo 33 da Lei Básica”, que determina que “aos residentes de Macau são reconhecidas a liberdade de se deslocarem e fixarem em qualquer parte da RAEM e a liberdade de emigrarem para outros países ou regiões”. José Pereira Coutinho apresenta o exemplo do pessoal de saúde, como é o caso dos enfermeiros, “sujeitos ao regime de disponibilidade permanente que consiste na possibilidade de serem chamados PUB

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Tudo em banho-maria Coutinho exige regularização do regime de disponibilidade permanente na Administração

a exercer funções fora do horário normal de prestação de trabalho”, bem como os médicos dos Serviços de Saúde de Macau (SSM).

“De acordo com um parecer de 2009, o Governo prometeu há quase uma década criar um regime próprio sobre esta matéria

para todos os trabalhadores da Administração. Decorrida uma década, esta promessa ainda não foi concretizada”, disse ainda.

MEDIDAS COMPENSATÓRIAS

Além de questionar as razões para o atraso na apresentação deste projecto de lei naAssembleia Legislativa, José Pereira Coutinho quer também saber quais as medidas compensatórias a ser criadas pelo Executivo. “Que medidas vão ser adoptadas para compensar os trabalhadores da Administração Pública, nomeadamente os enfermeiros dos SSM e pessoal das Forças de Segurança de Macau que são obrigados a sujeitar-se ao regime de disponibilidade permanente sem qualquer tipo de compensação? Como vai o Governo elevar a moral dos trabalhadores que têm vindo a ser explorados no não pagamento de subsídios de disponibilidade permanente desde o estabelecimento da RAEM?”, questionou. A.S.S.

Forças de Segurança Secretário cria grupo de estudo para fiscalização

Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, garantiu ao deputado Sulu Sou que será criado um grupo de trabalho para estudar o aperfeiçoamento do direito de fiscalização e de investigação da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança de Macau. Na resposta à interpelação escrita do deputado, noticiada ontem pelo canal chinês da Rádio Macau, o secretário assegurou ainda que não houve, até à data, nenhuma queixa analisada pela comissão sobre abusos cometidos pela polícia. O gabinete do secretário explicou também que foram criadas instruções sobre o uso de armamento e equipamentos por parte das forças de segurança, tendo alertado que os profissionais serão responsabilizados na ocorrência de um caso, a não ser que tenham seguido as instruções em vigor.


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Traz novas oportunidades

DSE apela às vantagens da reabertura do posto fronteiriço de Wanzai

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OM a reabertura já no próximo dia 23 de Janeiro da passagem alfandegária e rota marítima entre o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior e o posto fronteiriço de Wanzai, a Direcção Geral dos Serviços de Economia (DSE) reuniu com a Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, com o objectivo de apelar aos comerciantes da zona para as oportunidades de negócio que vão surgir. Segundo comunicado emitido pela DSE, Tai Kin Ip, Director do organismo, vê na reabertura do posto uma oportunidade de dinamizar a economia do Porto Interior, muito devido ao prolongamento considerável do seu horário de funcionamento e ao aumento da frequência de embarcações de passageiros. Além disso, Tai Kin Ip acredita que as PME com necessidades de apoio podem, de acordo com as próprias necessidades de desenvolvimento, tirar proveito das políticas e medidas de apoio promovidas pelo Governo da RAEM para elevar a sua capacidade operacional na zona. Lei Cheok Kuan, presidente da Fede-

ração da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos está também optimista e considera que a reabertura do posto fronteiriço não é apenas uma oportunidade para o comércio do Porto Interior, mas também uma nova forma de desviar os turistas de outros postos fronteiriços. Em declarações ao jornal do Cidadão, Lei Cheok Kuan salientou que os lojistas no Porto Interior querem que o serviço de passagem marítima seja reactivado o quanto antes, dado acreditarem que irá dinamizar o ambiente comercial e que vai trazer mais movimento.

REORGANIZAR

Lei Cheok Kuan apontou ainda que a reabertura do posto fronteiriço de Wanzai deve ser também encarada como uma oportunidade de melhoria das infra-estruturas de trânsito do Porto Interior. Isto porque, segundo o responsável, o fluxo de visitantes que será gerado no futuro pelas embarcações, irá também trazer muita pressão para o trânsito da zona, devendo o Governo aproveitar as obras na zona e planificar melhor o trânsito e até ajustar os locais das passadeira e semáforos. I.N.N e P.A.

Outra empresa que viu as suas intenções negadas pelo TSI foi a STDM, que era concessionária de um terreno situado na Baixa da Taipa, onde deveria ter sido construído um edifício com duas torres destinado à habitação, comércio e estacionamento

TERRENOS STDM E TRANSMAC LEVAM NEGAS DO TRIBUNAL DA SEGUNDA INSTÂNCIA

Braço-de-ferro perdido Foram considerados improcedentes cinco recursos relativos à anulação da concessão de terrenos, cujos despachos foram assinados por Chui Sai On. Dois dos terrenos haviam sido concessionados à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau e à Companhia de Autocarros de Macau Foi Lei, actual Transmac

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) rejeitou os recursos apresentados por cinco concessionárias em relação à anulação, por parte do Chefe do Executivo, da concessão de cinco terrenos. De acordo com um comunicado ontem emitido, as decisões foram proferidas nos dias 14, 21 e 28 de Novembro do ano passado. Uma das empresas em causa é a antiga Companhia de Autocarros de Macau Foi Lei, que hoje se denomina Transmac e que actualmente é uma das concessionárias do serviço de

autocarros públicos em Macau. Aempresa recebeu do Governo a concessão de um terreno situado na Estrada Marginal da Ilha Verde a 30 de Dezembro de 1988, por um período de 25 anos. No entanto, a concessão chegou ao fim a 29 de Dezembro de 2013 sem que tenham sido efectuados os devidos desenvolvimentos no terreno. O despacho assinado pelo então Chefe do Executivo, Chui Sai On, a anular a concessão foi publicado em Boletim Oficial a 9 de Março de 2016. Outra empresa que viu as suas intenções negadas pelo

TSI foi a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), que era concessionária de um terreno situado na Baixa da Taipa, onde deveria ter sido construído um edifício com duas torres destinado à habitação, comércio e estacionamento. A concessão foi anulada por Chui Sai On a 30 de Setembro de 2015.

DECISÕES SOBRE COLOANE

Outro recurso que o TSI considerou improcedente diz respeito a outro terreno na Taipa, desta feita naAvenida de Kwong Tung, e que havia sido concedido à

Metro Ligeiro Detectada falha técnica na noite de passagem de ano Foi registada uma falha técnica no sistema de torniquetes em todas as estações do Metro Ligeiro na noite da passagem de

ano. De acordo com o jornal Ou Mun, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau explicou que a falha se deveu à configuração do

sistema de cobrança, uma vez que os funcionários abriram as portas dos torniquetes para que os passageiros pudessem

sair e entrar das estações. A empresa garantiu que a falha não teve qualquer impacto no funcionamento do Metro Ligeiro.

Companhia de Investimento Predial Hamilton, Limitada. O prazo de validade do arrendamento do terreno era de 50 anos, com prazo de aproveitamento de 42 meses, mas a concessão foi declarada nula a 15 de Maio de 2015 também por falta de aproveitamento. As restantes duas decisões dizem respeito a um terreno situado em Coloane, concessionado a Tan Di, em nome da Sociedade de Desenvolvimento e Fomento Predial Kin Chit, Limitada, empresa que, há data, ainda estava por criar oficialmente. Também em Coloane, na Zona Industrial de Seac Pai Van, foi anulada a concessão de um lote de terreno concessionado à Sociedade Internacional de Indústria Pedreira, Lda. O despacho a dar conta da anulação da concessão foi publicado a 13 de Fevereiro de 2017. Andreia Sofia Silva

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ECONOMIA IMPORTAÇÕES DOS PAÍSES LUSÓFONOS REGISTAM AUMENTO

Turismo Mais de meio milhão de pessoas nos últimos dias do ano

Dados oficiais ontem divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelam que entraram e saíram de Macau mais de meio milhão de pessoas entre os dias 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, num total de 585 mil pessoas. A fronteira mais utilizada pelos visitantes foi as Portas do Cerco, por onde passaram 429 mil pessoas, enquanto que apenas 41.800 pessoas chegaram ao território através da ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai.

IPIM 90 candidaturas para Parque Industrial Guangdong-Macau

Negociar em português

Até Novembro, Macau importou mais 7,4 por cento aos países lusófonos. Ao nível das exportações, o bloco lusófono dos países “Uma Faixa, Uma Rota” registou uma queda de 94,8 por cento

O Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM) anunciou ontem que foram apresentadas 90 candidaturas relativas a projectos para o Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau, aponta um comunicado oficial. De acordo com a TDM Rádio-Macau, a área total de terreno das propostas apresentadas “é equivalente a mais de quatro vezes da área de terreno disponível”, disse Irene Lau, presidente do IPIM, que acrescentou ainda que a área disponível, de 2,57 quilómetros quadrados, “se revela limitada”. As candidaturas, geridas pelo IPIM e pelo Conselho de Gestão da Nova Zona de Hengqin começaram a ser apresentadas a 31 de Dezembro de 2018. Desta primeira fase, são gerados 27 acordos. Inicia-se agora uma segunda ronda de recrutamento de projectos de investimento para o Parque, que termina a 16 de Janeiro. As candidaturas devem ser entregues nas instalações do IPIM.

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Aviso de pedido para junção de restos mortais Eu, Hon Sai Tong (韓世堂), nos termos da alínea 5) do n.º 1 e dos n.ºs 2 a 4 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento um pedido para a junção das ossadas de Wong Yuen Wai (王婉蕙) na sepultura n.º CN-1-G-0693 do Cemitério Municipal de Coloane. A defunta, cujos restos mortais se pretende juntar, era cônjuge do falecido já ali inumado, o defunto Hón Veng Hói (韓榮開). Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito ao IAM no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos relativos a cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito no prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 03 de Janeiro de 2020 Hon Sai Tong

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E Janeiro a Novembro, Macau importou dos países lusófonos, 776 milhões de patacas em mercadorias, ou seja mais 7,4 por cento em comparação com igual período de 2018, foi ontem anunciado pela Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). Em comunicado, a DSEC referiu que o território exportou para o bloco lusófono, nos 11 primeiros meses do ano, bens no valor de um milhão de patacas, uma queda de 94,8 por cento em termos anuais homólogos. No período entre Janeiro e Novembro de 2019, as importações de mercadorias, em termos globais, alcançaram 81,31 mil milhões de patacas, uma descida de 1 por cento, em relação ao mesmo período do ano passado. Já as exportações do território cifraram-se em 11,69 mil milhões de patacas, uma subida de 4,9 por cento, em termos anuais homólogos, de acordo com a DSEC.

O défice da balança comercial nos 11 primeiros meses de 2019 cifrou-se em 69,62 mil milhões de patacas, menos 1,80 mil milhões de patacas, relativamente a igual período de 2018

O défice da balança comercial nos 11 primeiros meses de 2019 cifrou-se em 69,62 mil milhões de patacas, menos 1,80 mil milhões de patacas, relativamente a igual período de 2018, notou a DSEC.

SOBE E DESCE

Por países ou territórios, as exportações para o Interior da China cifraram-se em 1,44 mil milhões de patacas, ou seja, menos 22,1 por cento em relação aos 11 primeiros meses de 2018. Em contrapartida, os valores exportados de mercadorias para Hong Kong, no valor de 7,49 mil milhões de patacas, e para os Estados Unidos, no valor de 249 milhões de patacas, cresceram 7,7 por cento e 108 por cento, respectivamente. Do lado das importações, registou-se uma descida de 3,2 por cento dos bens importados do Interior da China, no valor total de 27,97 mil milhões de patacas em termos anuais homólogos. Em sentido inverso, o valor importado de mercadorias da União Europeia, 22,31 mil milhões de patacas, subiu 9,2 por cento, nos primeiros 11 meses do ano. O valor total do comércio externo de mercadorias entre Janeiro e Novembro de 2019 correspondeu a 93 mil milhões de patacas, uma queda de 0,3 por cento, em relação ao mesmo período de 2018. O défice da balança comercial nos 11 primeiros meses de 2019 cifrou-se em 69,62 mil milhões de patacas, menos 1,80 mil milhões de patacas, relativamente a igual período de 2018.

JOGO RECEITAS CAEM 3,4% EM 2019 APÓS PIOR REGISTO MENSAL DO ANO

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S casinos de Macau fecharam 2019 com receitas de 292,46 mil milhões de patacas, traduzindo uma queda total de 3,4 por cento em relação ao ano anterior. Em 2018, as receitas atingiram um total de 302,85 mil milhões de patacas. De acordo com a Direcção de Inspecção

e Coordenação de Jogos (DICJ), o resultado vem no seguimento dos dados registados para o mês de Dezembro indicarem perdas na ordem dos 13,7 por cento, acabando mesmo por ser a mais acentuada de 2019. Em Dezembro, as receitas totalizaram 22,838 mil milhões de

patacas, ou seja, menos cerca de 400 milhões de euros relativamente a igual período de 2018, fazendo deste o segundo pior mês de 2019, depois de Agosto ter registado uma queda de 8,6 por cento. Recorde-se ainda que a vinda do Presidente Xi Jinping a Macau durante

o mês de Dezembro terá contribuído para o decréscimo registado no mercado de jogadores provenientes do Interior da China, pelo reforço no controlo fronteiriço e maiores restrições na emissão de vistos. Analistas da Sanford C. Bernstein e da Macquarie Capital

Ltd. citados pelo GGR Asia estimam, contudo, que a recuperação das receitas brutas dos casinos de Macau em 2020 possa acontecer na segunda metade do ano suportada por um “modesto” crescimento no segmento VIP e estabilização do mercado de massas. P.A.


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sexta-feira 3.1.2020

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OMOS fundamentais para a economia de Macau, mas somos penalizados em termos salariais. Já que estamos impedidos de entrar em casinos à semelhança dos funcionários públicos, porque não podemos ter as mesmas condições que eles?”, partilhou com o HM uma croupier do Wynn, de apelido de Wong que se juntou ontem à manifestação organizada pela associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores de Jogo. Centenas trabalhadores da indústria do jogo marcharam ontem

Gripe Registado 14º caso grave desde Setembro

CASINOS CENTENAS NA RUA POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO

Carne no assador HOJE MACAU

Protesto organizado pela associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores de Jogo saiu ontem à rua com destino à sede do Governo. Além do desejo de melhores condições de trabalho alargado a todos os colaboradores, a utilização de um tipo de mesa de jogo que produz radiação motivou a manifestação

condições em termos de subsídios e de férias acompanham actualmente o nível de vida de Macau”. Em relação aos salários, Cloee Chao considerou também que o aumento existente não é adequado, afirmando que “um acrescento de 2,5 por cento (…) não acompanha a vida nem a inflação”. “Claro que houve um aumento salarial exclusivo para os croupiers, mas estamos a falar de todos os trabalhadores do sector, como por exemplo da segurança e dos serviços de limpeza. Este aumento não é suficiente”, defendeu Cloee Chao.

PERIGO DE SAÚDE

nas ruas de Macau em protesto por melhores condições de trabalho. A organização fala na presença de 500 pessoas. Já a polícia diz que estiveram nas ruas 290 manifestantes. Antes da marcha partir do Parque Dr. Carlos d’Assumpção com destino à sede do Governo, Cloee Chao, presidente da associação, enumerou os principais pedidos endereçados ao Novo executivo. Além de benefícios semelhantes aos dos funcionários públicos como o direito a duas folgas por semana ou a 22 dias úteis de férias por ano, os trabalhadores reivindicaram um aumento salarial de,

Os Serviços de Saúde (SS) confirmaram um caso grave de gripe no primeiro dia do ano, fazendo o número de ocorrências onde a doença é acompanhada de pneumonia subir para 14 desde Setembro de 2019. Segundo o comunicado emitido pelos SS, o doente é um residente de Macau com 45 anos idade que sofre de apneia do sono e que no dia 31 de Dezembro apresentou sintomas como febre, tosse e dispneia, tendo recorrido aos Serviços de Urgência do Hospital Kiang Wu. Os resultados recolhidos durante o tratamento foram positivos para a gripe de tipo I, e o raio-x revelou pneumonia dupla. Dos 14 casos graves de gripe, 86 por cento dos doentes não tinham sido vacinados. À data de ontem existiam ainda cinco pessoas em observação. Recorde-se que recentemente os SS lançaram um novo apelo à vacinação contra a gripe, recordando que o pico de contágio da doença deverá acontecer em Janeiro, por altura do Ano Novo Chinês.

pelo menos, 5 por cento, 14 meses de remuneração, subsídio de residência e ainda um subsídio para o trabalho por turnos e nocturno. Questionada sobre os motivos que a levaram a manifestar-se, Wong, contou também ao HM que considera injusto não existirem subsídios compensatórios para os

A organização fala na presença de 500 pessoas. Já a polícia diz que estiveram nas ruas 290 manifestantes

turnos nocturnos, já que existem para funcionários públicos. “Há quem trabalhe três semanas seguidas à noite, mas como o contrato de trabalho é por turnos, acabamos por sair penalizados”, apontou a manifestante. Já um trabalhador do Galaxy disse esperar que o Governo e os casinos possam ouvir as reivindicações dos manifestantes. “Macau e os casinos estão cheios de dinheiro, e já que somos nós, os trabalhadores, que promovemos este sector, as receitas devem ser partilhadas”. Cheang, croupier do MGM que trabalha há nove anos no sector considera que” nem o salário nem as

Outra das razões que motivou a associação a convocar a manifestação de ontem diz respeito ao facto de a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ter aprovado um tipo de mesa de jogo de usado no bacará que alegadamente produz radiação que prejudica a saúde dos croupiers. “Em 2018 já manifestámos a nossa preocupação com o uso destas mesas à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e à DICJ e na consequência disso, o uso ficou suspenso. No entanto, recebemos informações de que os casinos vão voltar a usá-las nos próximos meses, com a aprovação do DICJ”, frisou Cloee Chao. Cloee Chao lembrou ainda que, na altura, a DSAL afirmou que ia exigir ao casino em causa melhorarias nas instalações e que iria dar tempo à operadora para apresentar um relatório que provasse que as mesas não provocam impactos negativos. Porém, dois anos depois, a responsável afirma ainda não ter visto qualquer relatório. In Nam Ng e Pedro Arede info@hojemacau.com.mo

PNEUMONIA EM WUHAN INSPECÇÕES COMEÇARAM NO AEROPORTO E FRONTEIRAS

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EI Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS), prestou ontem declarações aos jornalistas sobre o recente caso de pneumonia viral em Wuhan, cidade da província de Hebei, onde foram registados 27 casos. De acordo com um comunicado oficial, as autoridades locais começaram esta quarta-feira a fazer as inspecções no Aeroporto Internacional de Macau e nos postos fronteiriços. “Como diariamente existem dois voos directos entre Macau e o Interior da China, o que cria uma proximidade entre as duas regiões, os Serviços de Saúde fortaleceram a inspecção sanitária nos portos fronteiriços, nomeadamente nos aeroportos”,

aponta um comunicado. Na prática, será vista a temperatura de todos os passageiros que chegam a Macau vindos de Wuhan, sendo que, “até ao momento não foi detectada nenhuma anormalidade”. O director dos

SSM revelou estar em comunicação estreita com a Comissão Nacional de Saúde da China, tendo sido preparadas “diversas medidas contra as doenças infecciosas, [além de que] estão já a ser preparados profissionais

de saúde com formação sobre o controlo e a detecção de diversas doenças transmissíveis”. Os SS apontam também que “existem reservas em número suficiente de medicamentos, materiais descartáveis, instalações e equipamentos, entre outros”. Kuok Cheong U, director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, acrescentou que existe armazenamento suficiente de medicamentos destinados 180 mil pessoas pessoas no âmbito de antivírus influenza. Actualmente, no que diz respeito à capacidade de resposta do hospital público, a taxa de ocupação de camas varia entre os 80 a 90 por cento, com um tempo de espera nas urgências encarado como “habitual”.


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3.1.2020 sexta-feira

HONG KONG CERCA DE 400 DETENÇÕES EM CONFRONTOS NO DIA DE ANO NOVO

Ano novo, vida velha

Cerca de 400 manifestantes foram detidos em Hong Kong após confrontos com as forças policiais na marcha pró-democracia do dia de Ano Novo, anunciou a polícia, citada pelas agências internacionais

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EGUNDO a agência noticiosa Efe, os manifestantes foram detidos por “reunião ilícita e posse de armas”, declarou um responsável da polícia de Hong Kong, em conferência de imprensa. De acordo com a organização da marcha, a cargo da Frente Civil dos Direitos Humanos, mais de um milhão de pessoas participaram na primeira marcha pró-democrática de 2020 em Hong Kong. Ainda segundo a agência noticiosa Associated Press (AP), vários jovens

com máscaras no rosto saíram da marcha e começaram a vandalizar bancos e terminais electrónicos de pagamento com ‘spray’ de tinta, martelos e ‘cocktails’ molotov. De acordo com o mesmo relato, os manifestantes destruíram semáforos, retiraram pedras da calçada dos passeios e barricaram estradas no centro financeiro da cidade. Dependências bancárias e negócios relacionados com a China têm sido alvos frequentes dos manifestantes. Em resposta, a polícia usou gás pimenta, gás

lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, embora segundo o Governo, os agentes tenham “usado a mínima força possível”. Um superintendente da polícia de Hong Kong disse aos repórteres que os manifestantes abandonaram

a marcha e começaram a ameaçar a polícia, cercando-os e atirando-lhes objectos, o que levou a acções de retaliação por parte da polícia.

VÉSPERA ÁSPERA

Os confrontos foram antecedidos de distúrbios

De acordo com a organização da marcha, a cargo da Frente Civil dos Direitos Humanos, mais de um milhão de pessoas participaram na primeira marcha pró-democrática de 2020 em Hong Kong

entre a polícia e os manifestantes, durante a noite de passagem de ano, num movimentado bairro de comércio e diversão noturna. Durante a noite, a polícia também usou gás pimenta, gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes que bloquearam o trânsito e atearam fogos nas ruas do bairro de Mong Kok. De acordo com a AP, Eric Lai, da organização da marcha, disse esperar que se consiga evitar o recurso à violência verificada na última noite. “Esperamos que a polícia possa facilitar, em vez de nos provocar e lançar-nos canhões de água e gás lacrimogéneo”, referiu. Desde o início dos protestos, ambos os lados são acusados de provocar confrontos, tendo já sido detidos cerca de 6.500 manifestantes, alguns com apenas 12 anos, nas ruas, centros comerciais e universidades. Na sua mensagem de Ano Novo, a Chefe do Governo local, Carrie Lam, disse que os protestos têm trazido “tristeza, ansiedade, desilusão e até raiva”. A responsável revelou que iria “ouvir humildemente” no sentido de tentar colocar um fim aos protestos e reforçou a importância do modelo “Um País, Dois Sistemas”, segundo o qual a China governa Hong Kong. Na sua mensagem de Natal, o presidente da China, Xi Jinping, também se referiu aos protestos, dizendo que a estabilidade e a prosperidade de Hong Kong são os desejos de quem reside no território e as expectativas de quem está na “terra mãe”.

SAÚDE REGISTADOS 27 CASOS DE PNEUMONIA VIRAL NO CENTRO DA CHINA

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ELO menos 27 casos de pneumonia viral foram registados em Wuhan, capital da província central chinesa de Hubei, anunciaram as autoridades sanitárias locais. A Comissão Municipal de Saúde de Wuhan afirmou que os pacientes, incluindo sete em estado considerado grave, apresentavam sintomas como febre e dificuldade em respirar. Todos foram colocados sob quarentena, de acordo com

a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. Na mesma declaração, as autoridades indicaram que os testes para apurar a causa das infecções e identificar o agente patogénico ainda estão a ser realizados. A comissão disse que todos os casos estão relacionados com um mercado de marisco, não existindo até ao momento qualquer sinal de contágio humano. A comissão acrescentou que dois doentes já estão a aguardar

alta hospitalar. No final de 2002, a China esteve na origem de um surto mundial da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que resultou em mais de oito mil casos, incluindo no Canadá e nos Estados Unidos. Em meados de 2003, registaram-se mais de 800 mortos. Há 16 anos, desde 2004, que não há registo de novos casos, sendo considerado que a doença, mas não o vírus, foi erradicada.

Taiwan Chefe do Estado-Maior morre em acidente de helicóptero

O chefe do Estado-Maior do Exército de Taiwan, Shen Yi-ming, morreu ontem depois do helicóptero em que viajava ter efectuado uma aterragem de emergência numa zona montanhosa perto de Taipé. De acordo com a agência estatal CNA, oito pessoas, incluindo Shen Yi-ming, perderam a vida no acidente, enquanto outras cinco sobreviveram. Inicialmente, informações divulgadas pela imprensa local e também da China continental davam conta de que o dirigente máximo das Forças Armadas de Taiwan tinha sobrevivido ao acidente, mas as autoridades confirmaram a sua morte pouco depois das 14h. O helicóptero Black Hawk UH-60M viajava com 13 pessoas a bordo e dirigia-se para Yilan (nordeste), quando foi forçado a aterrar, cerca das 8h, numa área montanhosa perto de Taipé, cerca de dez minutos após a descolagem. Várias equipas de resgate foram destacadas para o local, assim como o ministro da Defesa taiwanês, Yen De-fa, para supervisionar as operações de socorro. Ainda não são conhecidas as causas do acidente.

Cidade Proibida 600 anos assinalados com exposições e intercâmbios

A Cidade Proibida, em Pequim, acolhe em 2020 uma série de exposições, seminários e intercâmbios para marcar os 600 anos do antigo complexo imperial. De acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, que cita o curador Wang Xudong, no próximo ano o Palácio Museu da Cidade Proibida, que completa 95 anos, vai propor mostras de pintura, caligrafia e de arquitetura antiga. Em particular, uma exposição vai espelhar as mudanças que ocorreram no complexo ao longo dos últimos 600 anos, com base em 20 anos considerados ‘chave’, indicou Wang Xudong. Em simultâneo, 600 estudantes do ensino secundário de Taiwan, Hong Kong e Macau vão ser convidados a visitar o museu para intercâmbios. Outrora fechado aos cidadãos comuns, sendo a entrada punível com pena de morte, o antigo Palácio Imperial, que serviu durante cerca de cinco séculos como centro cerimonial e político do regime imperial chinês, é hoje a principal atracção turística de Pequim.


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sexta-feira 3.1.2020

O Presidente dos Estados Unidos da América anunciou que a primeira fase do acordo comercial com a China será firmada em meados de Janeiro, e que irá depois a Pequim iniciar conversações sobre uma segunda fase

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OMO não poderia deixar de ser, a aguardada notícia foi dada na rede social preferida do Presidente norte-americano. “Vou assinar em 15 de Janeiro uma grande e abrangente ‘fase um’ do acordo comercial com a China. A cerimónia vai decorrer na Casa Branca e estarão presentes altos representantes chineses”, transmitiu Donald Trump na sua conta na rede social ‘Twitter’. O Presidente americano anunciou também que mais tarde irá deslocar-se a Pequim “para iniciar conversações sobre a fase dois” do acordo, mas não apontou uma data concreta para a viagem. A “fase um” do acordo deverá ser mais pequena do que o acordo geral que Trump almejava e remete para conversas futuras alguns dos assuntos mais quentes entre os dois países. De acordo

O

presidente rotativo da Huawei, Eric Xu, assegurou que a “principal prioridade” da tecnológica em 2020 vai ser “a sobrevivência”, depois de a multinacional chinesa ter sido vetada pelas autoridades norte-americanas. Numa carta publicada com o propósito de falar sobre 2019, um ano “extraordinário” para Huawei-, Xu disse que a empresa conseguiu resistir, “apesar das tentativas do Governo norte-americano” para a reprimir. O gestor referiu também que as receitas das vendas da empresa, que não está cotada em bolsa, registam um crescimento de cerca de 18 por cento em 2019, segundo estimativas

GUERRA COMERCIAL PRIMEIRA FASE DO ACORDO ASSINADA EM 15 DE JANEIRO

De passo em passo com a Associated Press, poucos economistas esperam a resolução da “fase dois” antes das eleições presidenciais de 2020. As duas nações também ainda não revelaram documentação detalhada sobre o acordo. Em meados de Dezembro, China e Estados Unidos anunciaram um acordo parcial para colocar fim a um conflito comercial que dura há quase dois anos, suspendendo tarifas retaliatórias que entrariam em vigor no passado domingo. “Iniciaremos negociações da Fase Dois do acordo imediatamente, em vez de esperar por depois das eleições de 2020”, escreveu hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, na sua conta pessoal da rede social Twitter, referindo-se a uma nova etapa das negociações com a China.

A primeira fase do acordo comercial inclui o entendimento sobre matérias como a transferência de tecnologia, propriedade intelectual, expansão comercial e estabelecimentos de mecanismos de resolução de disputas Em troca, a China compromete-se a comprar mais produtos agrícolas dos EUA, a aumentar o acesso das empresas norte-americanas ao mercado chinês e a reforçar a protecção imediata de direitos de propriedade intelectual. “Este é um acordo fantástico para nós!”, exclamou Donald Trump no ‘Twitter’, justificando a decisão de suspender a aplicação de novas tarifas retaliatórias e a vontade de iniciar em breve uma nova fase do acordo comercial. Desde Julho de 2018, os Estados Unidos tinham imposto tarifas retaliatórias de mais de cerca de 360 mil milhões de dólares sobre produtos chineses, com Pequim a responder tributando acrescidamente cerca de 120 mil milhões de dólares em exportações dos EUA.

RESOLVER DISPUTAS

Do lado chinês, o vice-ministro do Comércio, Wang Shouwen, disse numa conferência de Imprensa que os dois lados tinham chegado a uma primeira fase do acordo comercial, que inclui o entendimento sobre matérias como a transferência de tecnologia, propriedade intelectual, expansão comercial e estabelecimentos de mecanismos de resolução de disputas. O chefe de assuntos internacionais da Câmara de Comércio dos EUA, Myron Brilliant, esclareceu que este acordo parcial levou os

Viver ou morrer

Presidente da Huawei diz que “sobrevivência” é “principal prioridade” em 2020

da multinacional, que as situam em 108.691 milhões de euros, embora seja um valor inferior às previsões iniciais. Reportando ao próximo ano, Eric Xu disse que a Huawei vai continuar a estar na lista negra dos Estados Unidos. E prosseguiu: “Não crescemos tão rapidamente como na primeira metade de 2019 (...). Vai ser um ano difícil para nós”. O presidente rotativo da multinacional chinesa acredita que Washington “vai continuar a impedir o desenvolvimento de tecnologia de ponta a longo prazo”. Esta

atitude, disse, gerará “uma envolvente desafiante para a sobrevivência da Huawei e para que possa progredir”, e terá também a ver com o possível abrandamento da economia mundial. “Qualquer risco que comprometa a continuidade dos nossos negócios deve ser tomado como questão de vida ou morte”, advertiu Eric Hu na carta.

GANHAR MÚSCULO

O presidente rotativo da multinacional chinesa tentou ainda refriar expectativas. “Temos que andar contra o relógio e livrar-nos de

Estados Unidos a suspender o plano de impor tarifas de 160 mil milhões de dólares em importações chinesas, que deveria arrancar no domingo. Os Estados Unidos comprometem-se igualmente a eliminar progressivamente as acusações que pendiam sobre China, no diferendo comercial.

qualquer tipo de esperança irrealista”, frisou, pedindo aos seus funcionários que façam da “campanha estratégica e de longo prazo” dos Estados Unidos contra a Huawei uma oportunidade para se motivarem “e ganharem massa muscular”. Washington proibiu em Maio deste ano que as empresas dos Estados Unidos tivessem ligações comerciais com a Huawei devido às supostas ameaças das suas redes de quinta geração (5G) para a segurança nacional. Mas desde então já foram decretados dois adiamentos em relação à decisão pelo que pelo menos até Fevereiro do próximo ano a multinacional chinesa pode continuar a operar nos Estados Unidos.

Economia Indústria manufactureira cresce pelo segundo mês consecutivo A actividade da indústria manufactureira da China cresceu em Dezembro, pelo segundo mês consecutivo, de acordo com dados oficiais. O índice dos gestores de compras (PMI, na sigla em inglês) fixou-se, em Dezembro, em 50,2 pontos, indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês. Quando se encontra acima dos 50 pontos, este indicador sugere uma expansão do sector. Abaixo dessa barreira pressupõe uma contração da actividade. É tido como um importante indicador

mensal do desenvolvimento da segunda maior economia do mundo. Em 2019, o PMI situou-se abaixo dos 50 pontos entre Maio e Outubro, provocando o temor de que os indicadores económicos da China estivessem a sofrer com a desaceleração económica e a guerra comercial com Washington. Entretanto, a indústria voltou ao crescimento em Novembro, num aparente optimismo sobre o estado da negociação de um acordo entre as duas maiores potências mundiais.


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3.1.2020 sexta-feira

Em dose du FESTIVAL FRINGE ESPECTÁCULOS GANHAM DUAS DATAS ADICIONAIS

Devido à procura de bilhetes, o Instituto Cultural decidiu adicionar duas datas aos espectáculos “Encontro para Jantar Binaural” e “Guia da Propriedade na Casa de Lou Kau”, marcadas para 10 e 15 de Janeiro, respectivamente. Os dois espectáculos integram a agenda do Festival Fringe, que acontece entre os dias 10 e 19 deste mês PUB

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Instituto Cultural (IC) decidiu criar duas datas adicionais para dois espectáculos da 19ª edição do Festival Fringe, que acontece entre os dias 10 e 19 deste mês, uma vez que a procura pelos bilhetes tem sido muita. De acordo com um comunicado oficial, o espectáculo “Encontro para Jantar Binaural” ganha a data adicional de 10 de Janeiro, pelas 21h, estando a data original marcada para os dias 11 e 12. Já o espectáculo multimédia “Guia da Propriedade na Casa de Lou Kau”, de Jay Lei e Shuk Man Lee acontece também a 15 de Janeiro pelas 19h30, com as datas originais a 16 e 17 de Janeiro. Os bilhetes para estes dois espectáculos começaram a ser vendidos em Dezembro e já tinham esgotado. Os ingressos para as duas datas adicionais encontram-se à venda desde ontem. Com um programa composto por 17 espectáculos e mais 13 actividades de extensão, que prometem levar o público a “vários lugares e a viajar

pelas ruas e bairros de Macau, desfrutando de uma jornada plena de fantasia”, o Fringe tem tido enorme procura, uma vez que “os bilhetes disponíveis para alguns espectáculos já são limitados”.

NOVIDADES NA 19ª EDIÇÃO

Este ano o festival integra a série especial “Crème de la Fringe” com dois subtemas: “On Site” e “Festival de Teatro de Marionetas e Objectos em Coloane”. O primeiro apresenta três espectáculos

O programa deste ano é composto por 17 espectáculos e 13 actividades de extensão, que prometem levar o público a “vários lugares e a viajar pelas ruas e bairros de Macau, desfrutando de uma jornada plena de fantasia”

de dança, intitulados “ImprovFlashMob”, “Viajante do Corpo” e “Um Passo para o Teatro: Chama Apagada”, bem como um workshop de dança e uma sessão de partilha. O IC explica, em comunicado, que “da rua para o teatro os artistas usarão os seus corpos para apresentar diferentes possibilidades, permitindo o público experimentar de perto o poder do movimento físico”. Por sua vez, o “Festival de Teatro de Marionetas e Objectos em Coloane” contará com três espectáculos, com os nomes “Fragile”, “Mercado de Estórias” e “Caminhada Nocturna: Porquê?”. Nestas actuações, “artistas de Macau, Taiwan e Canadá trazem a Coloane as formas diferentes de teatro e workshops de marionetas contemporâneas, explorando as potencialidades do teatro visual oriental e ocidental, e combinando iluminação, criativas misturas de som e marionetas multimédia com histórias originais de Coloane, um lugar onde as pessoas e a natureza ainda vivem em harmonia”.


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sexta-feira 3.1.2020

upla O programa do Fringe inclui ainda o espectáculo “Caleidoscópio em Movimento”, do grupo Stella e Artistas, um trabalho interdisciplinar que mistura dança, projecção e elementos digitais. “Corpos, tempo e espaços, memórias, luzes e sombras entrelaçam-se, fundindo-se num caleidoscópio deslumbrante, criando efeitos visuais subtis e estimulando a imaginação desenfreada do público”, descreve o IC. Na co-produção “Vestindo as Minhas Histórias por Contar”, do grupo teatral Soda-City Experimental Workshop Arts Association e da Associação

de Desenvolvimento Comunitário Artistry of Wind Box, “os artistas transmitem os seus sentimentos através de vestuário e incentivam o público a abraçar novamente memórias há muito enterradas, entregando-se a reminiscências com uma gama de vestuário”, explica o IC. Os espectáculos de matriz portuguesa também fazem parte do cartaz do Fringe para este ano. Exemplo disso é “Era uma vez em Macau” (Once upon a time in Macao), desenvolvido pela Casa de Portugal em Macau, e que sobe aos palcos no dia 11 de Jneiro, na Fortaleza do Monte, e no dia seguinte no Jardim Camões.

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UASE 30 anos depois da formação de Marilyn Manson & the Spooky Kids, o projecto inicial que apresentaria ao mundo uma das figuras mais chocantes do mundo do rock, Marilyn Manson anuncia um concerto em Hong Kong. O veterano apresenta-se ao vivo pela primeira vez na região vizinha no dia 18 de Março, no Hall 10 da AsiaWorld-Expo. Os bilhetes estão à venda há sensivelmente uma semana e custam 898 HKD. Com uma dezena de discos de originais na bagagem, os últimos concertos da digressão norte-americana de Marilyn Manson, que terminou em Novembro, tiveram alinhamentos muito focados nos discos mais populares do músico: “Antichrist Superstar”, de 1996, e “Mechanical Animals” de 1998. Com uma carreira longa, Manson continua a gerar controvérsia devido às imagens e discursos anti-religiosos, frequentes referências a uma vida de deboche, sexo e drogas, que ainda se vislumbram no último videoclip do músico “God’s Gonna Cut You Down”, uma versão de Johnny Cash. No vídeo, Marilyn Manson brinca com crucifixos e uma caçadeira e é enterrado vivo. Tudo situações naturais no imaginário do artista, que frequentemente, ao longo dos anos, teve grupos religiosos a protestar à porta dos seus concertos. Semanas depois do lançamento da versão da música de Johnny Cash, Marilyn Manson divulgou outra adaptação, desta feita do clássico dos The Doors “The End”. O hino imortalizado por Jim Morrison conhece assim uma nova textura, mais sinistra e assombrosa, com vocalizações roucas e um trecho em spoken word.

ADORADO E ODIADO

Apesar da imensa legião de fãs em todo o mundo, Mari-

Anticristo Superstar Marilyn Manson estreia-se em concerto em Hong Kong

lyn Manson tem angariado muitos inimigos. Uma das razões mais infames foi a moralista ligação entre o conteúdo violento das suas letras e o massacre de Columbine, uma vez que Eric Harris e Dylan Klebold eram assumidos fãs do músico. Importa recordar que em Abril de 1999, Harris e Klebold entraram no liceu onde estudavam e assassinaram 13 pessoas e deixaram feridas outras 24 antes de tomarem a própria vida. Imediatamente após o massacre, muitos grupos e membros de movimentos religiosos apontaram o dedo a Marilyn Manson como a fonte de inspiração para o massacre de Columbine. Inclusive, correu o boato que os dois jovens estariam a usar t-shirts da banda durante a chacina algo que,

Óbito Escritor chileno Germán Marín morreu aos 85 anos

O escritor chileno Germán Marín, autor de “O Palácio do Riso”, romance editado em Portugal, morreu no domingo, aos 85 anos, anunciou a sua editora na passada quarta-feira. Germán Marín publicou mais de 20 livros, tendo a edição do primeiro, “Fuegos Artificiales” (Fogos Artificiais, em tradução livre), de 1973, sido destruída na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A obra só voltou a ser reeditada em 2018. O romancista viveu no exílio, como tantos outros escritores chilenos do século XX, primeiro no México e depois em Espanha. Regressou ao Chile na década de 1990, na qual publicou a trilogia “Historia de una Absolución Familiar” (História de uma Absolvição Familiar), que ditou o seu reconhecimento internacional. A sua última obra, o livro de contos “Un Oscuro Pedazo de Vida” (Um Escuro Pedaço de Vida), foi publicada semanas antes de morrer.

apesar de ter sido desmentido pelas autoridades, não acalmou a ira dos grupos religiosos e de algumas PUB

facções políticas mais conservadoras. A pressão levou mesmo a banda a cancelar os últimos concertos da tour americana, em respeito pelas vítimas e as suas famílias. Passados um par de dias dos cancelamentos, um sempre eloquente Marilyn Manson publicou um artigo de opinião na revista Rolling Stone a apontar o dedo à cultura de armas dos Estados Unidos, à influência política da National Rifle Association e à cobertura irresponsável dos meios de comunicação social que preferem encontrar bodes expiatórios a debater assuntos de relevo social. Esta foi uma das muitas batalhas mediáticas que Marilyn Manson travou, um músico que nunca fugiu às consequências do choque que a sua figura provoca. O música norte-americano chega daqui a três meses, apetece dizer tarde demais, a um palco de Hong Kong. João Luz

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Aviso

Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 1ª vez do ano 2020 (1)

Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

(2)

Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.

(3)

Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

(4)

Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5)

Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 2 de Janeiro até 3 de Fevereiro de 2020 (O próximo pedido será realizado no dia 4 de Maio ao 5 de Junho de 2020)

(6)

Forma do Pedido Preenchido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 235 /2018,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 40 de 3 de Outubro 2018, através do sistema informático - “online” do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777.

(7)

Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 235 /2018, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2019 / 12 / 31

Candidatura para Projectos de Investigação Científica Co-financiados pelos “Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau” e “Fundação para a Ciência Natural da República Popular da China” para o ano de 2020 Conforme com o “Memorando de Entendimento sobre a Cooperação e o Intercâmbio Científica e Tecnológica entre a   Fundação para a  Ciência Natural da China e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau”, anexo no memorando supramencionado “Plano de Trabalho sobre o Desenvolvimento do Apoio Financeiro em Conjunto para a Investigação Científica”, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT) e a Fundação para a Ciência Natural da República Popular da China (NSFC) elaborar conjuntamente, o programa de co-financiamento de projectos de investigação para o ano de 2020. (1.) Destinatários de apoio A fim de apoiar financeiramente os projectos de investigação, propostos em conjunto pelos investigadores científicos do Interior da China e da RAEM, relacionados com investigação básica e aplicação, serão prioritariamente apoiados projectos relacionados com a informática, a investigação da Medicina Tradicional Chinesa bem com os seus estudos farmacêuticos, oceanografia, protecção do meio ambiente, biociência, materiais inovadores, e ciências de gestão (gestão pública e políticas públicas). (2.) Método e requisitos de candidatura (i) A entidade candidata de Macau deve negociar com o parceiro do Interior da China os conteúdos, plano e divisão de tarefas da investigação, preenchendo o Plano de Candidatura, assinando o acordo ou memorando de cooperação e apresentando a candidatura ao FDCT no prazo indicado. (ii) O valor máximo de candidatura de projectos é de 2,5 milhões de patacas, com o prazo máximo de 3 anos, sendo atribuído periodicamente. A entidade de Macau financiada deverá realizar o projecto de acordo com o disposto na Declaração de Aceitação do Financiamento assinada com o FDCT. (iii) O investigador principal (PI) da parte de Macau apenas se pode encarregar, durante o mesmo período, de um só projecto apoiado conjuntamente pelo FDCT em cooperação com as MOST ou NSFC. Não ficam sujeitos a esta restrição os membros. (iv) O parceiro do Interior da China deverá simultaneamente entregar à NSFC, podendo as instruções relativas ao formato da mesma ser consultadas em detalhe da NSFC. (3.) Processo de avaliação (i) Findo o prazo de candidatura, o FDCT e a NSFC irão verificar em conjunto a lista dos projectos, sendo aceites como “Projectos FDCT-NSFC” os projectos alistados simultaneamente pelo FDCT e pela NSFC. (ii) O FDCT e a NSFC procedem separadamente à avaliação dos projectos aceites, sendo o processo de avaliação do FDCT igual ao actual processo de avaliação dos projectos de investigação científica e tratado com prioridade. (iii) O FDCT e a NSFC irão organizar a banca de júri, composta por especialistas do mesmo domínio do Interior da China e da RAEM e dar a última avaliação sobre os projectos candidatos, levando em consideração o resultado anterior feito por ambas as partes. Após a conclusão do processo de avaliação, o FDCT e a NSFC seleccionam conjuntamente, a partir dos projectos aprovados, os projectos co-financiados, sendo a lista dos mesmos publicada simultaneamente por ambas as entidades. (4.) Data do requerimento De agora até 14 de Fevereiro de 2020. (5.) Forma de preenchimento Faça login no sistema de aplicativos on-line para concluir o aplicativo. Endereço: Av. Do Infante D. Henrique, no 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11° K, Macau. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 3 de Janeiro de 2020


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sexta-feira 3.1.2020

O líder nortecoreano, Kim Jong-un, ameaçou retomar os testes de mísseis nucleares e de longo alcance, suspensos durante as negociações com os Estados Unidos da América, revelando que em breve vai ser implantada uma "nova arma estratégica"

COREIA DO NORTE KIM AMEAÇA RETOMAR TESTES DE MÍSSEIS ATÓMICOS E INTERCONTINENTAIS

Aí vamos nós outra vez tória do regime com exercícios militares realizados em conjunto com Seul, capital da Coreia do Sul, e com novas sanções. “Sob tais condições, já não há base para nós no que se refere a manter este compromisso unilateral [de suspender os testes de armas] durante mais tempo”, assegurou Kim Jong-un, dirigindo-se às elites do partido norte-coreano. “Os actos hostis e a ameaça nuclear contra nós estão aumentan-

do”, advertiu o líder norte-coreano, segundo a agência estatal KCNA, afirmando que “o mundo testemunhará uma nova arma estratégica que estará na posse da República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país) num futuro próximo”. Com a “nova arma estratégica”, Kim referia-se, provavelmente, a um novo tipo de míssil balístico intercontinental (ICBM). Recentemente, o regime norte-coreano

DAR UMA CHANCE

O secretário de Estado norte-americano disse que os Estados Unidos querem “paz, não confronto” com a Coreia do Norte, depois de Pyongyang ter anunciado o fim da moratória sobre ensaios nucleares e de mísseis balísticos. “Precisamos de saber o que Kim [Jong-un] disse especificamente

N

O âmbito da quinta reunião plenária do atual Comité Central do Partido dos Trabalhadores, Kim Jong-un disse que não há razão para preservar a medida activada desde 2018 por Pyongyang sobre o teste de armas de destruição em massa, considerando que houve uma falta de propostas por parte Washington. As palavras do líder norte-coreano, reproduzidas pela agência estatal KCNA, representam um grande revés nas negociações sobre desnuclearização.Apesar de ameaçar retomar os testes de mísseis atómicos e intercontinentais, Kim Jong-un deixou uma porta aberta para o diálogo, referindo que o aumento da capacidade nuclear de Pyongyang fica dependente da “atitude futura dos EUA” para com a Coreia do Norte. Este ano, o líder norte-coreano optou por não fazer um discurso de ano novo, mas publicou uma mensagem na página da assembleia. Na mensagem, Kim disse que Washington respondeu à mora-

Japão Imperador deseja ano pacífico sem desastres naturais

O novo imperador japonês, Naruhito, desejou ontem um ano pacífico e sem desastres naturais para o Japão, na primeira mensagem de Ano Novo desde que assumiu o trono de Crisântemo. O novo soberano, de 59 anos, tornou-se no 126.º imperador do Japão em 1 de Maio passado, no dia seguinte ao pai, Akihito, de 85 anos, ter abdicado, uma decisão inédita nesta dinastia de mais de dois séculos. É uma tradição nesta época o imperador saudar o povo a partir de uma das varandas do palácio imperial e proferir algumas palavras. “Espero que este ano seja pacífico, bom, sem desastres naturais”, disse Naruhito. “No início do ano, expresso o meu desejo de felicidade às pessoas do nosso país e do resto do mundo”, acrescentou. Naruhito estava acompanhado pela imperatriz Masako e pelos imperadores eméritos Akihito e Michiko.

“O mundo testemunhará uma nova arma estratégica que estará na posse da República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país) num futuro próximo.”

realizou dois testes que podem ser novos motores para o ICBM.

nessas observações”, apontou na terça-feira Mike Pompeo, em entrevista à cadeia televisiva CBS, após o anúncio do líder da Coreia do Norte tornado público pela agência de notícias oficial norte-coreana, KCNA. Ainda assim, o chefe da diplomacia norte-americana sublinhou que os Estados Unidos querem “paz, não confronto” com Pyongyang. “Queremos deixar em aberto a possibilidade de o líder da Coreia do Norte fazer a melhor escolha, tanto para ele quanto para o seu povo”, acrescentou. Pyongyang declarou uma moratória autoimposta a testes nucleares e lançamentos do ICBM em Abril de 2018, um gesto que ajudou a convocar a primeira cúpula entre Kim Jong-un e o Presidente dos EUA, Donald Trump, em Singapura. Na reunião realizada em Junho de 2018, os dois países comprometeram-se a “trabalhar pela desnuclearização da península coreana”. No entanto, durante 2019, Pyongyang sublinhou a sua impaciência pela falta de avanços substanciais reais desde a reunião realizada há um ano e meio. O regime, enfatizou, nos últimos meses que deu à Casa Branca até o final do ano de 2019 para trazer novas propostas à mesa de negociações.

JAPÃO AUTORIDADES FAZEM RUSGA A CASA DE EX-PRESIDENTE DA NISSAN

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ROCURADORES japoneses efectuaram ontem uma rusga em casa do ex-presidente da Nissan Carlos Goshn, que conseguiu fugir esta semana do Japão, onde aguardava julgamento sob detenção domiciliária, e chegar a Beirute. De acordo com imagens divulgadas pela imprensa local, meia dúzia de procuradores, envergando fatos escuros e máscaras brancas, entraram esta manhã em casa do empresário, em Minato, na zona

central da área metropolitana de Tóquio. Segundo a televisão pública NHK, a investigação tem como pano de fundo a alegada violação das leis de migração pelo ex-presidente da Nissan, que conseguiu deixar o país ilegalmente sem passar por procedimentos habituais. As autoridades japonesas confirmaram não existirem registos de quando ou como Carlos Ghosn foi capaz de deixar o arquipélago nipónico.

Fontes ouvidas pela NHK afirmaram que o empresário tinha dois passaportes franceses, um dos quais terá usado para entrar legalmente no Líbano, aparentemente na segunda-feira passada, a bordo de um avião privado e depois de uma escala na Turquia. Goshn tem tripla nacionalidade: brasileira, francesa e libanesa. As condições estabelecidas para a libertação sob fiança exigiam que Ghosn entregasse todos os passaportes aos advo-

gados, e o chefe da equipa de defesa, Junichiro Hinoraka, confirmou na terça-feira que tinha três passaportes consigo. Também as autoridades libanesas afirmaram que Ghosn entrou no país com um cartão de identidade libanês, com o seu nome, e um passaporte francês. Embora Ghosn tenha confirmado na terça-feira que deixou o Japão para escapar à “injustiça e à perseguição política”, não deu pistas sobre como chegou a Beirute.


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sexta-feira 3.1.2020

Temor e dolência, aos céus ofereco ´

António de Castro Caeiro

O “AGORA” NÃO É UM PONTO Os manuscritos de investigação (“Forschungsmanuskripte”) de Husserl constituem a esmagadora maioria do seu legado filosófico à humanidade. O que publicou durante a sua vida, é a ponta do Iceberg da sua actividade produtiva. Husserl pensava a escrever. Escrevia em estenografia, uma forma de escrita rápida, taquigrafia, que procurava acompanhar a rapidez do pensamento com a “pena”. Escrevia tanto que uma das incumbências dos seus assistentes era o de encontrar no meio dos papéis o que tinha escrito sobre os temas recorrerentes: “tempo”, “redução”, “filosofia”, “mundo da vida”, “experiência”, “vivência”, etc. Quando, os escritos são levados para Louvaina, é preciso um camião para os levar. Se pensarmos que em cada página escrita em estenografia estão muitas páginas em escrita normal e por maioria de razão muitas mais páginas impressas, não é difícil de compreender porque razão ainda hoje, volvidos mais de 80 anos após a sua morte, os escritos de Husserl estão ainda a ser publicados. Neles encontramos muitas páginas, em que Husserl procura fazer o acompanhamento dos momentos de transição entre estados de consciência descontínuos. A tentativa deste acompanhamento é artificial à primeira vista. Pelo menos, requer que se monte um aparato teórico. Tentemos perceber o que está envolvido nesta tentativa de acompanhamento, em que se procura dar conta ou perceber o que acontece quando se passa de um momento de consciência X para um momento de consciência Y. X vem depois de W. Y antecipa Z. W, X, Y, Z são momentos da consciência que podem ser apreendidos num ápice, num instante, num só momento de tempo, num flash! E, contudo, nessa cristalização que fixa, congela e paralisa, o conteúdo fixado, congelado e paralisado é uma sequência: X, Y em que X e Z estão esbatidos mas estão anexados ou mantidos em associação de algum modo, como Husserl diz tecnicamente: Y retém ainda e mantém anexado X. X associa, faz lembrar, cria o prospecto de Y. X e Y, na verdade qualquer momento de tempo isolado tem esta possibilidade relacional constitutiva, não é uma substância. É uma relação “pros ti”, como Simplício bem viu com olhar clínico em Aristóteles. Isto é, todo e qualquer instante no tempo não é nem em si nem absoluto (absolvido do anterior e do ulterior, por exemplo, não será nunca, porque seria

Estudo sobre síntese passiva MIKE NEWTON

tonalidades

sem antes e sem depois). Qualquer instante é sempre constituído por relação com o anterior que foi mesmo há pouco mas não é já e com o seguinte que não é ainda. Todo e qualquer instante é um istmo entre duas negatividades, duas negações da realidade: o passado que, por mais breve que tenha sido a sua cessação não é já e um futuro que por mais iminente que seja, não é ainda. O que é agora mesmo e está a acontecer, a dar-se, a efectuar-se, a efectivar-se, actualmente continuamente a acionar-se na realida-

de, existe entre um não já e um não ainda. Ora bem, onde é que nós nos encontramos para “compreendermos” esta sequência de “não’s” e de “sim’s”? Pairamos em suspenso sobre a realidade? A representação geográfico do olhar de cima para baixo permite ver à esquerda os não’s do passado que já não são e à direita os não’s do futuro que ainda não são. Como na escola se desenhava o eixo das abcissas no quadro e o menos infinito era à esquerda e o mais infinito era à direita. Então, o instante presente tende para o grau zero. Mas do ponto de vista temporal, a coisa é diferente e altera-se na sua forma. Quantos minutos passaram depois de eu ter escrito “Tentemos perceber o que está envolvido nesta tentativa de acompanhamento, em que se procura dar conta ou perceber o que acontece quando se passa de um momento de consciência X para um momento de consciência Y”? Há momentos que a antecedem e se esfumam. Não se sabe bem o que estava a passar-se na realidade, embora eu consiga ainda invocar o cheiro a pão torrado e a café, o ruído dos aviões a esta hora do dia com muito tráfego aério, mas também que tinha pensado ir treinar e desisti porque tinha coisas para fazer e podia ir ao meio dia, que tinha coisas para ler, mas a crónica era uma prioridade, que tinha antecipado o fim de semana antes de ter antecipado o fim de ano. Momentos houve depois de a ter escrito em que a realidade está fixa em protocolo: todas as frases que escrevi, mas também todos os pensamentos que tive, o mal estar do

Quando, os escritos são levados para Louvaina, é preciso um camião para os levar. Se pensarmos que em cada página escrita em estenografia estão muitas páginas em escrita normal e por maioria de razão muitas mais páginas impressas, não é difícil de compreender porque razão ainda hoje, volvidos mais de 80 anos após a sua morte, os escritos de Husserl estão ainda a ser publicados

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corpo porque está muito frio nesta manhã de Dezembro, debati-me com formulações e pensamentos sobre como o dia se ia processar e como tenho de ver exames e dar notas, que tenho de puxar persiana (Deus meu: perdi uns bons 30 segundos à procura da palavra “persiana”. Ia escrever só: janela. Mas ninguém puxa janelas). Estamos continuamente a entrar para dentro da “bola de sabão” universal do momento de tempo presente que de cada vez tem a forma do X, do Y, ou do Z, mas que nos envolve também a nós. Sou eu e X, sou eu e Y, sou eu e Z, sou eu e X e Y e Z e nunca a apenas eu e X+eu e Y+eu e Z como se avançasse aos solavancos, e quando X, Y e Z é uma sequência fixa num ápice, tratasse de um lapso de tempo que também me faz escorregar, também me transfigura, me distende, me metamorfoseia de algum modo. Eu tenho de estar distribuído temporalmente por X, Y e Z para perceber que vejo X e Y e Z e que de cada vez que vejo um momento há momentos que não estão lá na realidade mas que eu “faço ser”, que eu “dou como feitos”, que eu “ponho lá”. Quando eu vejo X, não está lá W, mas W tem de lá estar mesmo que seja “absolutamente indeterminado”. O “absolutamente indeterminado” só quer dizer que eu não sei como vim ali parar, quem me trouxe, quem eu sou, o que fiz, onde estou, que horas são, que dia da semana, do mês, que ano, que lugar, local, sítio, país, etc., etc.. Mas é determinável em absoluto. Quando eu me fixo em Y, X está lá copresente em anexo e retido mas não existe já, eu já não consigo fotografar X. Nem ainda Z, que está a aí a rebenter mas não entrou ainda em acção e pode nem sequer entrar, como aqueles jogadores que o treinador chama para substituírem um colega, aquecem e depois voltam a vestir o fato de treino e a sentarem-se no banco. Não entram. Esta dinâmica entre efectivamente real e efectivamente não real, já não e ainda não, é abrangido por nós. Quer dizer nós não estamos esgotados só no momento que nos absorve, de algum modo pairamos em extase estendidos pelo tempo passado há pouco mas não já e pelo tempo futuro daqui a nada mas não ainda. O eu não é um ponto, a consciência não é estigmática, não é uma perspectiva, mas é este existir, sair para fora de si distendio no tempo entre o passado há pouco que de facto vê mas não realidade já não é e o futuro daqui a nada que está já a prometer ou a ameaçar ou a deixar-nos indiferentes por ser neutro de promessas e ameaças mas que “na realidade” não “é”.


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In sibila.com.br

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A poesia antifascista de Fernando Pessoa

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ERNANDO Pessoa publicou apenas um livro de poemas em vida, Mensagem  (1934). O restante de sua vastíssima obra é, portanto, póstumo. Por “vastíssima” se entenda a quantidade de 27 a 35 mil textos (os cálculos variam, principalmente devido a textos inacabados e aos possíveis agrupamentos de alguns), descobertos nos anos 1950, em seu famoso “baú”. O que não se entende, à primeira vista, são os motivos de tal obra haver permanecido inédita por tanto tempo (Pessoa morreu em 1935). Há quatro motivos principais. O primeiro era a própria personalidade de Fernando Pessoa, que apesar de se relacionar com outros poetas da época (como Sá-Carneiro e António Botto), de publicar críticas em revistas literárias e mesmo a sua própria revista (Athena  [com Ruy Vaz], Lisboa, 1924-1925), era um recluso, que não participava tão ativamente do meio literário português da época. O segundo, esse mesmo meio literário, ou melhor, a cultura portuguesa da época em geral, dominada pelo conservadorismo e pelo provincianismo, num país bastante atrasado em relação ao restante da Europa Ocidental, inclusive em termos sociais e econômicos: agrário, desindustrializado e com influência sufocante da Igreja Católica, que controlava praticamente todo o sistema de ensino. O terceiro motivo era o ambiente político. No contexto do reagrupamento e à reação da extrema direita europeia pós-Revolução Russa, que levaria Mussolini ao poder já em 1924, Hitler em 1933 e Franco em 1936, houve um golpe militar em Portugal em 1926, liderado pelo general Carmona, que aboliu a Constituição liberal de 1911. Ele seria seguido pelo famoso e infame governo de Salazar, a partir de 1933, de inspiração claramente fascista. O quarto motivo foi o reflexo de tudo isso nas artes portuguesas em geral e na literatura em particular. A obra de Fernando Pessoa era, em inúmeros aspectos, moderna demais para seu próprio país (basta pensar nos poemas assinados por Álvaro de Campos). Além da grande modernidade de parte importante de sua obra (vasta demais para ser apenas uma coisa), havia a questão do predomínio de outro conservadorismo (à esquerda) na poesia da época, dominada pela grande influência dos comunistas e sua exigência de uma arte “engajada”, de cunho sociopolítico. E isso a obra de Pessoa jamais foi.

cultura europeia de seu tempo, enquanto o Brasil – na “vanguarda do atraso” – apodrece no pântano de sua própria estagnação). Foi, portanto, no Brasil pós-modernista que Fernando Pessoa começou a sair do verdadeiro anonimato, para não dizer indiferença, em que a modorra portuguesa da época (que duraria até a Revolução dos Cravos de 1975) o metera, como um imenso baú de silêncio envolvendo o grande baú de seus textos. A primeira edição de (parte) de sua obra foi feita pela Aguilar, no Rio de Janeiro, em 1960. E foi a partir dessa edição, muito lida e estudada a partir de então em Portugal, que Fernando Pessoa voltou de seu exílio interno. Mas as consequências continuam. Por exemplo, o relativo desconhecimento, até agora, de seus poemas anti-salazaristas.

O que não impediu que Pessoa escrevesse poemas, obviamente então desconhecidos, explicitamente antisalazaristas, modernos no uso de versos curtos, de palavras pouco “poéticas”, de rimas e metáforas incomuns, do tom satírico e de jogos de palavras (“salazar / sal e azar”) – provando mais uma vez, como se ainda necessário, que os comunistas, em arte (assim como na política) estavam errados: não é preciso ser conservador na forma (na verdade, ao contrário) para ser anticonservador no significado. O Brasil pós-modernista, em comparação, era um país, apesar de tudo, muito mais moderno (numa relação, portanto, inversa à de hoje, em que Portugal é um país novamente sintonizado com a

Pessoa escreveu poemas explicitamente antisalazaristas, modernos no uso de versos curtos, de palavras pouco “poéticas”, de rimas e metáforas incomuns, do tom satírico e de jogos de palavras (“salazar / sal e azar”)

António de Oliveira Salazar António de Oliveira Salazar. Três nomes em sequência regular… António é António. Oliveira é uma árvore. Salazar é só apelido. Até aí está bem. O que não faz sentido É o sentido que tudo isto tem. Este senhor Salazar É feito de sal e azar. Se um dia chove, A água dissolve O sal, E sob o céu Pica só azar, é natural. Oh, c’os diabos! Parece que já choveu… Coitadinho do tiraninho! Não bebe vinho. Nem sequer sozinho… Bebe a verdade E a liberdade. E com tal agrado Que já começam A escassear no mercado. Coitadinho Do tiraninho! O meu vizinho Está na Guiné E o meu padrinho No Limoeiro Aqui ao pé. Mas ninguém sabe porquê. Mas enfim é Certo e certeiro Que isto consola E nos dá fé. Que o coitadinho

Do tiraninho Não bebe vinho, Nem até Café. Este senhor tão cruel É feito de maldade Se um dia nos revoltarmos A água avermelhar-se-á O ar purificar-se-á E sob a nossa alma Fica só esperança Oh, que nos liberte Parece que nunca mais acaba.   Mata os piolhos maiores Mata os piolhos maiores Essa droga que tu dizes. Mas inda há bichos piores. Vê lá se arranjas veneno (Ou grande, ou médio e pequeno) Para matar directrizes.   O rei reside em segredo O rei reside em segredo No governar da Nação, Que é um realismo com medo Chama-se nação ao Rei E tudo isto é Rei-Nação. A República pragmática Que hoje temos já não é A meretriz democrática. Como deixou de ser pública Agora é somente Ré. E o Salazar, artefacto E o Salazar, artefacto De um deus de régua e caneta, Um materialão abstracto Que crê que a ordem é alma E que uma estrada a completa. Não há poesia nele Ai, nosso Sidónio Pais, Tu é que eras português! Um materialão abstracto, Vive na orgia do exacto Manda o país penhorado Por uma estrada melhor. Dizem que o Jardim Zoológico Dizem que o Jardim Zoológico Tem sido mais concorrido Por prolongada assistência Atenta a cada animal. Mas isso que é senão lógico Se acabou A concorrência Porque fechou A Assembleia Nacional.   Este artigo foi mantido em Português do Brasil. O seu autor não é referido.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

sexta-feira 3.1.2020

entre oriente e ocidente

FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

Gonçalo M. Tavares

POEMAS DO ORIENTE

Plantações Aviões rápidos acenam acima dos arrozais. Muitos dizem que, se o futuro alimento falasse, pediria, por favor, para passarem um pouco ao lado; para não incomodarem e não perderem tempo, os aviões. Que impressionem o que é impressionável. Debaixo de gritos nada cresce tranquilo, é certo. Em plena agitação, o que é pequeno ganha medo e não quer mostrar-se. Mas as plantações não são do mundo pequeno.

A arte e as flores É preciso ser um artista para colocar as flores no momento certo e, sim: não é o no sítio certo, o importante. A arte japonesa do arranjo floral, Ikebana, por exemplo, é uma acção sobre o tempo e não sobre matérias com peso e medidas, comprimento e largura e quilos. A flor, para já, não tem peso, isso é evidente. Ela é feita de pura leveza, de pura negação do peso que empurra para baixo. Uma flor verdadeiramente bem tratada, quando largada em pleno ar, acima do solo, não voará - que flor, claro não é pássaro (não sejam parvos) - mas também não cairá. Ficará ali a flor, a meio metro do solo em suspensão quase distraída como um elemento que não caísse por falta de memória e concentração. A flor, sim, como mestre, então, da leveza. Não é um material ou uma coisa; é uma leveza, um quase nada que tem

cor e cheiro. E a arte floral é isto: actua, não sobre coisas, mas sim sobre o tempo. É a forma de colocar uma cor e o cheiro bem leve no tempo certo; é conjugar tempos entre quatro flores, por exemplo, que não são mais do que quatro tempos com ritmo próprio. O arranjo floral, é, portanto, ofício olfactivo, ofício de pintura e escultura: forma, cheiro e cor. A escultura de matérias moles tem já a sua história, e a arte floral japonesa aqui está a mostrar que a escultura que actua na leveza é, acima de tudo, mental. É certo que as mãos dos artistas tocam nas flores, mas é um toque em forma de pensamento. Um toque que é quase um pensamento. No Oriente, certas mulheres mudam a inclinação das flores quando simplesmente pensam nelas.

ILUSTRAÇÕES ANA JACINTO NUNES


20 desporto

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UM período em que o automobilismo de Macau precisa urgentemente de se renovar, a presença de “sangue novo” nas grelhas de partida é sempre bem-vinda. A presença do estreante Sabino Osório Lei em 2019 foi mais uma refrescante adição às provas locais, um piloto que praticamente saiu directo dos simuladores para as corridas a sério. O piloto macaense debutou no automobilismo apenas na temporada transacta, tendo como experiência anterior nos desportos motorizados algumas participações em eventos de karting na China Continental e um curto teste num Fórmula 4. Contudo, Sabino conta com um vasto currículo nas provas de simuladores, incluindo um segundo lugar nas qualificações da “Esports WTCR OSCARO Asia/Oceania” e a vitória num China Sim Challenge. Depois de ter conseguido o apuramento nas duas provas do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS), em Zhaoqing, com resultados prometedores, a estreia “a doer” de Sabino no Circuito da Guia também não desapontou. “Foi fantástico para mim, porque foi a primeira vez no Grande Prémio de Macau e finalmente

3.1.2020 sexta-feira

Agora a sério Sabino Osório Lei, piloto que saltou dos videojogos para as corridas reais

pude sentir a diferença entre a competição real e o ‘sim racing’…”, explicou ao HM o piloto que tripulou um Volkswagen Golf GTI TCR da equipa local SLM Racing Team. Sobre a passagem do mundo virtual para o mundo real, Sabino destaca que “a concentração é totalmente diferente”, o que obriga a outro tipo de abordagem. “Tens que manter a tua mente limpa e concentrares-te em tudo o que se passa em pista. O que quero dizer é que não difícil conduzir,

mas a parte da ‘concentração total’ requer algum tempo”. Em termos desportivos, Sabino qualificou-se na décima segunda posição da grelha de partida da Taça de Carros de Turismo de Macau, posição em que terminou a corrida, classificando-se no nono lugar entre os concorrentes da classe “1950cc e Superior”. Este resultado esteve em concordância com os seus objectivos para o evento mais importante da temporada,

pois “a minha missão era terminar nos dez primeiros, portanto fiquei satisfeito com o resultado obtido”.

OLHAR PARA FORA

Tal como a maioria dos pilotos do território, Sabino ainda não tem a próxima temporada definida, no entanto, está praticamente certo que deverá voltar ao MTCS e ao Grande Prémio de Macau em Novembro. Tentar algo além-fronteiras também não está descartado. “Ainda estou a planear, mas se possível, talvez farei algumas corridas do TCSA, GTAsia, ou TCR Asia”, afirmou. O piloto que continua activo nas provas de simuladores não esconde um desejo para o futuro: “Eu espero que o AAMC adicione mais corridas ao Grande Prémio, porque gostava de me juntar a uma daquelas corridas de troféus monomarca ou algo parecido em que a competição é mais renhida. Como sabem, a Taça de Carros de Turismo de Macau não é realmente divertida porque existem grandes diferenças entre os carros 1950cc e 1600cc Turbo. Tenho esperanças de ver uma competição com carros com andamentos mais próximos.” Sérgio Fonseca

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ANÚNCIO Concurso Público n.º 27/DGF/2019 Aquisição de seguros de danos materiais para os mercados, escritórios de inspecções, edifícios de vendilhões e mercado abastecedor Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), tomada em 1 de Novembro de 2019, se acha aberto o concurso público para a “Aquisição de seguros de danos materiais para os mercados, escritórios de inspecções, edifícios de vendilhões e mercado abastecedor”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes quiserem descarregar os documentos acima referidos, sendo também da sua responsabilidade a consulta de actualizações e alterações das informações na página electrónica deste Instituto durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 17h00 do dia 21 de Janeiro de 2020. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, sito no rés-do-chão do Edifício do IAM, e prestar uma caução provisória no valor de MOP 20.000,00 (vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, r/c, Macau, por depósito em numerário, cheque ou garantia bancária em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais”. O acto público do concurso realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 6.º andar, Macau, pelas 10h00 do dia 22 de Janeiro de 2020. Aos 13 de Dezembro de 2019 O Administrador do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Mak Kim Meng www. iam.gov.mo

Futebol Li Tie substitui Marcelo Lippi como seleccionador da China

O treinador e antigo futebolista chinês Li Tie, de 42 anos, vai substituir o italiano Marcelo Lippi no comando técnico da selecção de futebol do seu país, anunciou ontem fonte oficial. “Acreditamos que sob o seu comando a selecção vai trabalhar duro e preparar-se da melhor forma para conseguir os seus objectivos”, refere a Federação de Futebol da China (CFA), em comunicado. Li Tie, que foi um dos melhores futebolistas do seu país, assumiu o cargo de seleccionador interino em Novembro, depois da demissão de Marcelo Lippi, na sequência da derrota com a Síria (2-1), que comprometeu as possibilidades de qualificação para o Mundial2022. Como treinador, Li Tie passou pelo Hebei China e pelo Guangzhou Evergrande. Enquanto jogador, somou 92 internacionalizações, representou vários clubes na China e passou pelos ingleses do Everton e do Sheffield United.


(f)utilidades 21

sexta-feira 3.1.2020

POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

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Armazém do Boi | Até 16/2 EXPOSIÇÃO “MACAU CANIDROME-POUCHING TSAI SOLO EXHIBITION” Armazém do Boi | Até 11/2 EXPOSIÇÃO “NO YA ARK: INVISIBLE VOYAGE”

28

3 7 1 6 2 4 5

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7 2 5 6 3 1 4

SALA 1

5 1 3 6 4 7 2 6 4 2 7 3 5 1 3 4 1 2 7 5 6

RICHARD JEWELL [C]

6C 1I 7 5 2 7 3 4 1 2 4 3 5 6 4 1 5 2 6 7 3 1 5 6 4 2 7 3

Um filme de: Clint Eastwood Com: Sam Rockwell, Kathy Bates, Jon Hamm, Olivia Wilde 14.15, 16.45, 19.05, 21.30 SALA 2

ASHFALL [B]

FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

7 3 4 5 1 6 2 2 3 7 5 6 4 1

3N 4 6 5 7 2 1 1 6 7 3 5 2 4 5 7 3 1 4 6 2

7E 2 4 1 5 6 3

M 2 2A

CATS [A]

31

47 2 63 4 33 6 3 1 6 7 21 5 4 62 5 7 7 6 7 25 3 6 2 53 41 6 1 4 5 4 2 1 4 36 7 5 44 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 31

1 2 7 4 5 6 3

Em Genebra, na Suíça, cerca de 70 pessoas participaram no tradicional primeiro mergulho do ano Lago Lemano. Apesar das temperaturas baixas, a tradição e o champanhe encorajaram os que se decidiram juntar à celebração.

6 5 3 2 4 7 1

5 4 6 1 7 3 2

32 32

3 2 2 1 6 4 4 75 67

PROBLEMA 32

33

UM 3 FILME 7 2 1HOJE 4 6 5

34

15 7 6 1 2 3 4

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7 56 2 34 5 41 3

3 7 6 5 12 1 4 5

6 4 71 2 7 5 53

7 3 4 21 35 2 6

5 2 3 6 51 4 67

4 1 5 7 6 43 2 7

1 6 2 4 3 7 5

6 5 7 3 1 4 2

PS: Para o caso de não perceberem a palavra “fétida”, que é o mais expectável, ficai sabendo que não tem nada a ver com queijo grego.

4 6 1 3 1 2 5 6 5 74 57 2 7 3 74 5 22 1 6 7 6 65 3 14

4 6 6 1 2 354 7 RICHARD 3 JEWELL 2 1 5 3 2 5 7 7 4 1

1 36 5 2 4 7 3 1 6 4 3 7 5 2 1 6 1 7 3 5 6 2 4 5 2 1 4 3 6 7 3 4 6 2 5 7 1 3 7 6 2 5 4 1 36 7 5 1 6 4 3 2 6 4 3 1 7 2 5 6 2 6 4 1 7 3Propriedade 2 Fábrica 6 de Notícias, 5 Lda Director Carlos Morais 2 José5Editores4João Luz;6José C. Mendes 1 Redacção 7 3 Andreia Sofia Silva; In Nam Ng; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Pedro Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; António Falcão; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; Gonçalo 5 2 Arede 5 2 Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e 6 3 2 4M.Tavares; 1João 5 7 7 1 2 3 6 5 4 Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo 5www. 1 Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; 3 Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo4 Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; 2hojemacau. 6 5 1Xinhua7 4de redacção 3 e PublicidadeMadalena1da Silva6(publicidade@hojemacau.com.mo) 5 7 Paulo 4 Borges, 3Assistente 2de marketingVincent VongImpressãoTipografia WelfareMorada Secretária com.mo Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º 3andarA,1MacauTelefone287524015Fax28752405e-mailinfo@hojemacau.com.moSítiowww.hojemacau.com.mo 6 1

6 5 3

Um filme de: Tom Hooper Com: James Corden, Jason Derulo, Taylor Swift 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Há, de facto, algo de muito especial no cinema sul-coreano, que continua a produzir obras como “Parasite”, do realizador Bong Joon-ho. Com narrativa em torno da ascensão social de uma família pobre, que não olha a meios para subsistir, a comédia negra e a violência são parentes próximos neste filme que se tornou a primeira película 35 sul-coreana a arrebatar uma Palma de Ouro em Cannes. Depois de “Mother” “Thrist” e “A Taxi Driver”, “Parasite” mantem Bong Joon-ho na lista dos melhores realizadores da actualidade. João Luz

7 3 1 6 5 2

5 7 3 2 4 1

2 4 6 1 3 7

34

2 5 37 3 64 6 1

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Nas pequenas comunidades é comum a maledicência, a intriga, a inveja. É como se a pequenez das terras fosse directamente proporcional à pequenez de certas mentes. E estas não resistem: têm forçosamente de dizer mal. Não se trata de criticar, antes de insultar sem argumentos, vexar sem razão, mentir sobre o outro sem opróbrio. E, claro, em Macau, entre certa tugalhada tal é mais frequente que o mau cheiro na praça. A parte mais cómica desta gentalha é quando os apanhamos em pleno delito a dizer mal de nós. Nas suas faces, já normalmente esverdeadas de destilar inveja como se fôra azeite, espalma-se aquela expressão abrutalhada do animal apanhado pelo dono com a língua no boião do doce. Neste caso do fel, seguido de um cumprimento tímido que não ousam negar, apesar de dois segundos antes estarem a desfazer em quem agora cumprimentam, sem sequer terem a coragem de exprimir na cara da pessoa o ódio que, instantes antes, contra ela destilavam. Mal sabem que no fundo, para os outros, nunca passaram de personagens lamentáveis, cómicas, ressabiadas, provavelmente sexualmente insatisfeitas, mas com uma qualidade: são um exemplo de mediocridade que nos faz sentir nas nuvens. Afinal, ao injuriar-nos estão-nos a dar razões para isso. Mal seria daquelas bocas fétidas surgir qualquer coisa que se assemelhasse a um elogio. Carlos Morais José

2 5 5 332 6 33 1 4 4 17 3 51 7 6 3

Um filme de: Lee Hac-Jun, Kim Byung-Seo Com: Lee Byung-Hun, Ha Jung-Woo, Ma Dong-Seok A.K.A. Don Lee 14.30, 16.30, 19.05, 21.30 SALA 3

MERGULHOS DO ANO

S U D O K U

4 6 1 2 3 5 7

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1.14

GENTE FÉTIDA

EXHIBITION”

26 Cineteatro

YUAN

VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO “GAME – GIGI LEE’S MULTIMEDIA SOLO

Armazém do Boi | Até 2/2

0.26

PARASITE | BONG JOON-HO


22 opinião

3.1.2020 sexta-feira

a propósito de

E

Costa Malheiro

Meteorologista em quatro continentes

STOU certo que muitos dos portugueses que vivem ou viveram em Macau nos primeiros seis anos da década de noventa do século passado se lembram da figura popular que foi o director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), António Pedro Fernandes da Costa Malheiro. Costa Malheiro, a quem podemos apelidar de um verdadeiro meteorologista dos quatro costados, desenvolveu a sua atividade profissional em quatro continentes. Homem de grande honestidade, competência, dinamismo e capacidade de trabalho, pai de seis filhos, foi não só uma figura popular da meteorologia, mas também um cidadão de mão-cheia que se dedicou a outras actividades como autarca no bairro onde vivia, Olivais (onde nasceu em 10 de julho de 1933), contribuindo para que muitos jovens ocupassem os tempos livres a praticar desporto, encaminhando-os para uma vida mais sã do que eventualmente seguiriam se não se dedicassem a esta actividade.

Durante a sua vigência como diretor dos SMG desenvolveu grande actividade no sentido de que Macau fosse admitido como membro de pleno direito do Comité dos Tufões Com muita dignidade e competência desempenhou altas funções em Portugal, Brasil e Macau, onde pelo seu dinamismo e simpatia granjeou numerosos amigos entre os colegas, instruendos e pessoal sob a sua direcção. Antes, ainda muito jovem, desempenhou funções de meteorologista em Angola, onde se familiarizou com a meteorologia tropical, o que lhe viria a ser muito útil mais tarde, como professor de meteorologia no Brasil. Em Portugal as funções mais relevantes que desempenhou foram as de instrutor de meteorologia, em estágios no Serviço Meteorológico Nacional (SMN), juntamente com o Professor Pinto Peixoto (mundialmente conhecido nas áreas da meteorologia e Climatologia), de coordenador da Divisão de Instrução e de Chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG). Mais tarde, após o regresso de Macau, foi presidente do Instituto de Meteorologia (1996-1998), lugar que ocupou por mérito e não por qualquer influência político-partidária.

OLAVO RASQUINHO*

Malheiro apresentando a informação meteorológica na RTP

Costa Malheiro com o autor deste artigo na antiga sede dos SMG (Macau- 14/11/1994)

Na Divisão de Instrução do INMG desenvolveu actividade meritória pondo em prática as recomendações da Organização Meteorológica Mundial (OMM) no que se refere aos curricula para a formação de profissionais de meteorologia. O nível atingido na preparação do pessoal foi tal que alguns colegas, com um certo ar jocoso, se referiam àquela divisão como a “Universidade do Malheiro”.

Texto da placa nos SMG de Macau: “Sob a direcção do Dr. Costa Malheiro os SMG tiveram um grande desenvolvimento e modernização determinantes para a consolidação do seu prestígio internacional, o que muito contribuiu para a sua admissão como membro da Organização Meteorológica Mundial e da Comissão dos Tufões – Macau, 4 de Novembro de 1998” (Na mesma placa está também a versão em chinês deste texto)

Com pouco mais de trinta anos foi contratado como perito da OMM para lançar o Curso de Meteorologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, onde foi docente de 1967 a 1973. Neste último ano, em sua homenagem, uma das salas desta universidade foi designada com o seu nome. Após o seu regresso do Brasil foi um popular apresentador do Boletim Meteoro-

lógico na RTP, tendo colaborado com esta estação durante alguns anos. Como director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau, o penúltimo sob administração portuguesa, de 1991 a 1996, teve papel preponderante na modernização destes serviços, apetrechando-os de equipamento moderno e preparando o pessoal para a transição do território para a administração chinesa. Também em Macau, já após o seu falecimento, foi alvo de uma homenagem com o descerramento de uma placa numa sala dos SMG a que foi dado o seu nome. Durante a sua vigência como diretor dos SMG desenvolveu grande actividade no sentido de que Macau fosse admitido como membro de pleno direito do Comité dos Tufões (ESCAP/WMO Typhoon Committee - organização intergovernamental cuja atividade se desenrola no sentido de minimizar as consequências dos ciclones tropicais no noroeste do Pacífico e Mar do Sul da China), em 1992, e território membro da OMM, em 1996. Foi presidente do Comité dos Tufões durante o ano 1995. Tendo havido decisão irrevogável do Governo de Macau de construir de raiz o Museu de Macau no local das instalações da antiga sede dos SMG, na Fortaleza do Monte, Costa Malheiro foi intransigente na negociação, exigindo como contrapartida a construção de um edifício moderno e bem apetrechado na Ilha da Taipa, inaugurado em 1996. Costa Malheiro, enquanto director dos SMG usufruiu de grande prestígio no meio da meteorologia não só em Macau e China, mas também nos outros países e regiões membros do Comité dos Tufões (catorze ao todo – Camboja, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Filipinas, Hong Kong, Japão, Laos, Macau, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname). Por onde passou desenvolveu actividade merecedora do reconhecimento do pessoal com quem trabalhou, tendo sido alvo de homenagens que ficaram para sempre a marcar a sua presença. Para ilustrar a faceta humana de Costa Malheiro relembro o conselho que me deu quando me apresentou, como subdirector, ao pessoal dos SMG: “quando cumprimentares o pessoal começa por apertares a mão ao pessoal menos classificado profissionalmente”. Devido à sua contribuição para a meteorologia e à obra em prol dos jovens de Olivais, a Câmara de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua da capital, conforme o Edital da edilidade de Lisboa de 26/12/2001. Nesta ocasião, em que se celebraram recentemente os vinte anos da integração de Macau na China, é de toda a justiça relembrar Costa Malheiro, que muito contribuiu para o prestígio internacional de Macau na área da meteorologia. *O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico


opinião 23

sexta-feira 3.1.2020

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI*

CASPAR DAVID FRIEDRICH, WANDERER ABOVE THE SEA OF FOG

E

M Hong Kong, 2019 marcou a transição da paz para a turbulência. A forma eficaz de “parar a violência e a curva ascendente de tumultos”, será através da criação de uma comissão de inquérito independente, uma aspiração da maioria dos residentes de Hong Kong, e não através do estabelecimento de um “comité de análise independente”. Mas porque é que a criação desta comissão de inquérito parece gerar tantos receios? Se estes problemas forem ultrapassados, os tumultos em que Hong Kong se encontra imerso irão acabando, as relações entre a polícia e a população vão melhorar e vai ser possível amenizar as clivagens sociais. As situações devem ser consideradas no seu todo, quem não consegue ter um perspectiva geral dos acontecimentos não merece ser líder de Hong Kong. E em Macau, que balanço podemos fazer? A cidade acabou de celebrar o 20º aniversário do estabelecimento da RAEM e o Presidente Xi Jinping passou aqui três dias, durante os quais efectou diversas visitas e presidiu à cerimónia da tomada de posse do V Governo. Numa primeira análise, Macau apresenta-se próspero e estável, tendo sido louvado como um modelo do princípio “Um país, dois sistemas”, mas, na realidade, subsistem muitos problemas por resolver. Mesmo antes da vinda do Presidente Xi, a classificação da agência de crédito Fitch Group sobre Macau passou de “estável” a “negativa”. A classificação baixou devido à erosão da autonomia do Governo da RAEM na cena política, à continuada perda de receitas da indústria do jogo, das quais o Governo local depende em larga escala, e à crescente ligação económica, financeira e sócio-política à China continental. Durante a visita de três dias do Presidente Xi a Macau, considerou-se que o controlo de segurança tinha sido efectuado com sucesso, porque todos os seus encontros e percursos tinham sido cuidadosamente verificados e preparados com antecedência. O controlo de segurança é necessário sem sombra de dúvida, mas isolar o Presidente da população retira-lhe a oportunidade de ter contacto com a realidadede. Por essa altura, vi uma foto tirada em frente ao Largo do Senado, que estava a circular online. Na foto, vê-se uma pessoa que parece ser o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, vestido informalmente, com diversos homens à sua volta a andar em direcção à Praia Grande. Depois de ter visto esta imagem, lembrei-me de um artigo intitulado “Após regressar a Xingyi, tive saudades de Hu Yaobang”, escrito em 2010 pelo antigo

O adeus a 2019

A calma e harmonia que o Presidente Xi testemunhou em Macau deriva do facto de a maioria dos residentes da cidade não ter qualquer intenção de se manifestar contra ele, isto, para lá dos múltiplos controlos de segurança implementados Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao. No artigo, Wen falava dos ensinamentos de Hu Yaobang, que defendia que os líderes e os quadros superiores devem ir ao encontro das bases, para, pessoalmente “experienciarem e observarem as dificuldades do povo, escutar a sua voz e conhecer em primeira mão a sua realidade”. O maior risco que qualquer líder corre é distanciar-se da realidade. Em lugar algum do mundo existem controlos de segurança 100% eficazes. A calma e harmonia que o Presidente Xi testemunhou em Macau deriva do facto de a maioria dos residentes da cidade não ter qualquer intenção de se manifestar contra ele, isto, para lá dos múltiplos controlos de segurança implementados. Em relação à situação actual de Macau, não se vislumbra qualquer possibilidade de mudança, “as coisas são como são”. Os novos líderes da RAEM, que tomaram posse em Dezembro de 2019, são no seu conjunto um grupo de novos dirigentes designados para os cargos de Secretários e membros do Conselho Executivo. No entanto, uma renovação das equipas não significa necessariamente um estilo novo de administração, o qual depende das competências e da experiência dos seus elementos. Experimentar novas jogadas com uma certa relutância pode ter efeitos adversos. Apesar de tudo, Macau tem recursos escassos e poucos técnicos qualificados e continua a depender das receitas do jogo e do turismo. A cultura social assente na tradição ancestral das múltiplas associações locais, moldou uma certa morfologia social e travou o desenvolvimento. Num local sem competitividade como Macau, a inacção é a escolha mais fácil. Para me despedir de 2019, decidi desfazer-me de muitas coisas. Enquanto arrumava, deparei-me um um artigo retirado do Hong Kong Economic Journal, datado de 12 de Janeiro de 2019, que fazia uma previsão da situação de Hong Kong para esse ano, a partir da perspectiva do “Yi Jing” (“O Livro das Mudanças” – um clássico da antiga filosofia chinesa). Embora seja cristão, tenho um profundo interesse pela filosofia tradicional chinesa. Após uma análise das normas sociais e da natureza humana, o artigo concluia que “Não nos devemos impôr aos acontecimentos”. Quando fazemos algo, devemos primeiro avaliar a situação, analisar os prós e os contras, não agir de forma precipitada, de forma a termos campo de manobra”. Hong Kong e Macau têm de ter noção dos seus posicionamenros, vantagens e limitações. É preciso aprender com os mais fortes para contrabalançar as nossas fraquezas, de forma a invocar a sorte e esconjurar o infortúnio. Quanto ao que espera as duas cidades em 2020, apenas posso dizer que vai depender da forma como os seus dirigentes souberem conduzir os actuais acontecimentos.


“O tempo passa e o homem não percebe.” Dante Alighieri

INDONÉSIA PELO MENOS 30 MORTOS EM INUNDAÇÕES EM JACARTA

TENCENT PRÉMIO DO GRUPO ABERTO A CIENTISTAS DE MACAU E HONG KONG

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O

prémio de ciência chinês Xplorer, do grupo chinês Tencent, vai aceitar a partir deste ano candidaturas de Macau e Hong Kong, noticiou ontem a agência oficial chinesa. O prémio visa distinguir 50 cientistas com menos de 45 anos e a trabalhar na China e nas regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong em áreas como matemática e física, ciências da vida, astronomia e geociência, química e novos materiais, bem como em tecnologias de informação e eletrónica, energia e proteção ambiental, produção avançada, transporte e construção e estudos interdisciplinares avançados. A atribuição do prémio a candidatos de Macau e Hong Kong vai facilitar intercâmbios académicos entre jovens cientistas na Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e contribuir para o desenvolvimento da zona, no sul da China, como um centro internacional de ciência e inovação, indicou a Tencent, em comunicado, citado pela Xinhua. O prazo de candidatura ao prémio termina em 15 de Abril próximo e a lista de vencedores será anunciada em Setembro. Cada vencedor vai receber três milhões de yuan ao longo de cinco anos. O Xplorer foi lançado em 2018 pelo presidente do grupo chinês Tencent, Pony Ma, e 14 cientistas chinesas.

Palavra de presidente Guiné-Bissau/Eleições: Marcelo congratula Sissoco Embaló pela vitória

O

Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou ontem o vencedor das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, mostrando a intenção de aumentar a cooperação com aquele país africano lusófono. “O Presidente da República reiterou a afirmação da firme intenção de Portugal colaborar com o novo Presidente eleito da Guiné-Bissau, incrementando a colaboração no quadro bilateral, e multilateral, com aquele país africano de língua oficial portuguesa”, lê-se numa nota colocada no site da Presidência portuguesa. Marcelo “falou hoje ao telefone com Umaro Sissoco Embaló, a quem felicitou pelos resultados nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau, ontem [quarta-feira] anunciados pela Comissão Nacional de Eleições deste país irmão”, lê-se ainda na nota. Mais de 760.000 guineenses foram chamados às urnas no domingo para escolherem o próximo Presidente da Guiné-Bissau

entre Umaro Sissoco Embaló e Domingos Simões Pereira. Segundo os resultados provisórios apresentados pela Comissão Nacional de Eleições, o general Umaro Sissoco Embaló venceu o escrutínio com 53,55 por cento dos votos, enquanto o outro candidato Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), conseguiu 46,45 por cento. Na quarta-feira, o candidato derrotado admitiu impugnar as eleições: “Se tenho a convicção que o povo guineense nos dá a vitória nestas eleições presidenciais significa que os resultados provisórios agora publicados pela Comissão Nacional de Eleições estão profundamente impregnados de irregularidades, de nulidades, de manipulações, que consubstancia e une àquilo que consideramos um roubo e não podemos aceitar”, disse Domingos Simões Pereira, perante dezenas de apoiantes, na sede do partido.

“Nós vamos propor a impugnação destes resultados”, afirmou em crioulo, acrescentando: “Depois de tudo o que vi, ouvi e sei não tenho dúvidas que o povo guineense nestas eleições presidenciais deu-nos a vitória, sim; eu não tenho dúvidas de que conquistámos a vitória nestas eleições presidenciais e a minha primeira palavra é dirigida aos milhares de militantes e simpatizantes do nosso partido”. No discurso de vitória, o candidato mais votado, Sissoco Embaló afirmou: “Penso que já acabou a euforia da campanha, agora sou o Presidente da República de todos os guineenses e é o momento de estender a mão a todos os guineenses para baptizarmos uma nova Guiné”. “Eu, como disse, reformulo outra vez ser um Presidente da concórdia nacional, um homem de rigor, de disciplina, de combate à corrupção e à droga. Isso, eu mantenho. A Guiné não será aquele Estado que permite a cada um falar da Guiné como quer. Agora há um homem de Estado”, salientou.

Aeroporto de Macau 9,6 milhões de passageiros em 2019 O aeroporto internacional de Macau registou, no ano que passou, 9,6 milhões de passageiros, um aumento de 16 por cento em relação a 2018, anunciou ontem a empresa gestora. A Companhia do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) assinalou ainda o movimento de 77.580 aviões no ano passado, um crescimento homólogo de 18 por cento. Este “é o tráPUB

sexta-feira 3.1.2020

PALAVRA DO DIA

fego de passageiros mais alto” de sempre no aeroporto internacional do território, sublinhou a empresa, em comunicado. Actualmente existem 34 companhias aéreas a operar no aeroporto, ligando Macau a 59 destinos na China, Taiwan, Sudeste e Nordeste Asiáticos. Em 2019, os mercados da China, do Sudeste Asiático e de Taiwan registaram um crescimento

de 25, 14 e 6 por cento, respectivamente, indicou a CAM. As rotas da China continental, do Sudeste e do Nordeste Asiático foram responsáveis por 40 por cento do volume total de passageiros, acrescentou. Em 2018, o aeroporto de Macau registou um recorde de 8,26 milhões de passageiros, um aumento de 15 por cento em relação a 2017.

número de mortos na sequência das inundações que atingiram a capital da Indonésia, Jacarta, na véspera do Ano Novo, subiu para pelo menos 30, anunciou ontem o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres. As chuvas torrenciais e a subida dos rios submergiram pelo menos 182 bairros em Jacarta e causaram deslizamentos de terra nos distritos de Bogor e Depok, nos arredores da cidade. O governador de Jacarta, Anies Bawesdan, disse que grande parte da água tinha recuado na noite de ontem (início da tarde em Lisboa) e o número de pessoas deslocadas em abrigos temporários diminui para cerca de 5.000 de 19.000. As autoridades indicaram anteriormente que 35 mil pessoas estavam em abrigos em toda a grande área metropolitana. No seu pico, as inundações atingiram milhares de casas e edifícios, forçaram as autoridades a cortar a electricidade e a água e paralisaram as redes de transporte, referiu o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Agus Wibowo, acrescentando que em algumas áreas, as enchentes atingiram até 2,5 metros de altura. O aeroporto de Halim Perdanakusumah, em Jacarta, reabriu depois de ter suspendido as suas operações quando as enchentes submergiram a pista, disse Muhammad Awaluddin, director-presidente da PT Angkasa Pura II, operadora do aeroporto. Quase 20.000 passageiros foram afectados pelo encerramento do aeroporto. Em 2013, 47 pessoas morreram na sequência das inundações em Jacarta.

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Hoje Macau 3 JAN 2020 # 4441  

N.º 4441 de 3 de JAN de 2020

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