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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

FUNÇÃO PÚBLICA

Doenças na mesa

TERESA SENNA FERNANDES

Emoções divididas EVENTOS

Bernardo Tavares treina Benfica PÁGINA 16

hojemacau

A Via do Homem Um estudo recente indica que um quarto da Terra poderá em breve transformar-se num deserto.

GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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GUILHERME AFONSO

PÁGINA 4

MOP$10

QUARTA-FEIRA 3 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3964


2 grande plano

3.1.2018 quarta-feira

AMBIENTE

O

Acordo de Paris foi um marco histórico que uniu quase todos os países em torno de uma questão que ganha contornos existenciais: as alterações climáticas. No final de 2015, quando se realizou a cimeira na capital francesa, parte da comunidade científica criticou o acordo por ser pouco ambicioso em termos de metas propostas. Isto apesar dos aplausos originados pela vitória política que foi o consenso mundial numa matéria que implica mudanças profundas nas economias. 2018 arrancou com uma sombria previsão científica. Um estudo realizado por um conjunto de universidades, onde se inclui a Universidade de Ciência e Tecnologia de Shenzhen, concluiu que pelo menos um quarto da superfície terrestre ficará “consideravelmente” mais seca, mesmo que seja atingido o objectivo de manter o aquecimento global abaixo dos 2º Celsius. Ou seja, o limite previsto no Acordo de Paris. No documento os estados outorgantes comprometeram-se a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2º Celsius em relação à era pré-industrial. Foi também estabelecido que a comunidade internacional que se uniu em torno da luta contra as alterações climáticas continuaria os esforços para limitar o

ESTUDO REVELA QUE UM QUARTO DO PLANETA PODE TRANSFORMAR-SE NUM DESERTO

PLANETA MAD MAX

aumento da temperatura a 1,5º Celsius. No entanto, o planeta ainda está em direcção a um aumento global da temperatura de 3° Celsius.

MEIO GRAU

Segundo o estudo, publicado na revista Nature Climate Change, um quarto do planeta, afectando mais de 25 por cento da população mundial, viverá num estado de crescente desertificação se a temperatura terrestre aumentar 2º Celsius. Porém, as conclusões da equipa que reuniu académicos também da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, apontam um número

que poderá fazer toda a diferença daqui a três ou quatro décadas. Se o aumento da temperatura global for de 1,5º C, isso iria reduzir significativamente o número de

“A aridificação é uma ameaça séria, principalmente pelo impacto crítico ao nível da agricultura, qualidade de água e biodiversidade.” CHANG-EUI PARK UM DOS AUTORES DO ESTUDO

regiões do planeta afectados por este processo de seca progressiva. Para avaliar este fenómenos é feita uma medição combinada dos valores de precipitação com a evaporação. Se o alvo de 1,5° C fosse atingido, “partes do sul da Europa, África do Sul, América Central, costa australiana e sudeste da Ásia (áreas que acolhem hoje mais de 20 por cento da população mundial) evitariam uma aridez significativa”, disse um dos autores do estudo, Su-Jong Jeong, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Shenzhen. Os cientistas que conduziram o estudo basearam-se

Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change concluiu que 25 por cento da superfície terrestre pode-se tornar desértica se o aquecimento global se situar nos 2º Celsius, ou seja, o limite estabelecido no Acordo de Paris. Entretanto, na China começou a ser cobrado um imposto ambiental, dirigido a empresas poluidoras

em projecções de vários modelos climáticos. Segundo os resultados apurados pelo estudo, com um aumento das temperaturas de 2° C, entre 24 a 32 por cento da superfície da Terra ficaria mais seca do que actualmente, situação que poderá verificar-se entre 2052 e 2070. No entanto, se o objectivo de 1,5° C fosse atingido, apenas 8 a 10 por cento da terra ficarão mais secos, disse Su-Jong Jeong. À medida que os territórios se tornam mais secos, a degradação dos solos e a desertificação aceleram, assim como a perda de biodiversidade, incluindo as plantas e as árvores necessárias

para absorver o dióxido de carbono, responsável pelas mudanças climáticas. Este processo aumenta também os fenómenos de secas e incêndios.

ALERTA GUTERRES

Olhando para o mapa do mundo, de acordo com as projecções avançadas pela equipa responsável pelo estudo as regiões mais afectadas pela desertificação são áreas já a braços com algumas dificuldades socioeconómicas. “A aridificação é uma ameaça séria, principalmente pelo impacto crítico ao nível da agricultura, qualidade de água e biodiversidade”,


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quarta-feira 3.1.2018

A Lei Fiscal de Protecção Ambiental estipula que o imposto será pago por empresas que produzam poluição sonora, atmosférica e resíduos sólidos, abrangendo também a contaminação da água

Cameron Corner, Austrália

comentou um dos principais autores, Chang-Eui Park em comunicado. O estudo publicado na Nature Climate Change baseou-se na análise de 27 modelos de clima global e na forma como a aridificação do planeta seria afectada à medida que as temperaturas vão subindo. Neste aspecto importa salientar que uma vasta maioria dos cientistas climáticos concordam que a evolução das temperaturas é o factor responsável pelas crescentes secas e desertificações em curso no Brasil, ao longo do Mediterrâneo e na Austrália. Em Nova Iorque, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou uma série de alertas aos líderes mundiais durante a mensagem de Ano Novo. “No primeiro dia do ano de 2018, não vou lançar um novo apelo. Vou emitir um alerta ao mundo”, começou por dizer Guterres. Depois de se mostrar bastante preocupado, o secretário-geral das Nações Unidas referiu que “as alterações climáticas avançam mais rapidamente” do que os esforços para as enfrentar. Já em Novembro passado, António Guterres adjectivou os desafios ambientais como a “ameaça definidora dos nossos tempos”. Durante a reunião anual das Nações Unidas para endereçar as alterações climáticas, o secretário-geral apontou como exemplo a Índia e a China que ape-

sar do rápido crescimento económico se posicionam para se tornarem líderes na produção de energia solar. Guterres acrescentou ainda que Índia e China têm feito um trabalho meritório no incentivo ao mercado de carbono, onde empresas podem trocar créditos de emissões por incentivos para tornar as suas operações mais amigas do ambiente.

CASO CHINÊS

Este ano, o Natal na costa leste dos Estados Unidos foi particularmente fria. Algo que inspirou Donald

“No primeiro dia do ano de 2018, não vou lançar um novo apelo. Vou emitir um alerta ao mundo”, começou por dizer António Guterres, referindo ainda que “as alterações climáticas avançam mais rapidamente” do que os esforços para as enfrentar

Trump a escrever um tweet onde voltou a confundir meteorologia com climatologia. O Presidente norte-americano disse que “talvez se possa usar um pouco do velho aquecimento global” para combater as temperaturas baixas record que congelaram Nova Iorque. Curiosamente, um dos efeitos do aquecimento global é precisamente a ocorrência mais frequente de fenómenos atmosféricos extremos. Importa recordar que Donald Trump considera as alterações climáticas uma conspiração chinesa. Entretanto, a China começou na segunda-feira a cobrar um imposto ambiental. Trata-se da primeira medida fiscal adoptada por Pequim para combater a poluição, uma das principais fontes de descontentamento popular no país. A Lei Fiscal de Protecção Ambiental, que se destina a empresas e instituições públicas que descarreguem poluentes directamente para o ambiente, estipula que o imposto será pago pelas companhias que produzam poluição sonora, atmosférica e resíduos sólidos, abrangendo também a contaminação da água. O Governo Central vai fixar o limite máximo a ser cobrado, permitindo às autoridades locais determinar o valor exacto a cobrar. Importa realçar que esta medida não afecta particulares. Segundo estimativas citadas pela imprensa ofi-

cial, com o novo imposto o Governo chinês poderá arrecadar anualmente mais de 50 mil milhões de yuan. A implementação deste imposto é mais uma das PUB

medidas promovidas por Pequim para endereçar as preocupações ambientais da população. Aliás, a poluição é responsável por milhões de mortes prematuras todos

os anos na China, tendo-se tornado, nos últimos anos, uma das principais fontes de descontentamento popular, a par da corrupção e das crescentes desigualdades sociais. Entre Janeiro e Novembro de 2017, Pequim investigou mais de 35.600 violações das leis e regulações de protecção ambiental, um esforço de fiscalização que representa um aumento superior a 100 por cento, em termos homólogos. João Luz (com agências) info@hojemacau.com.mo


4 política

TOM MERTON / GETTY IMAGES/OJO IMAGES RF

3.1.2018 quarta-feira

O deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública está contra as novas alterações ao estatuto dos funcionários públicos no que diz respeito às faltas por doença. Diz violarem a Lei Básica e promete pedir a intervenção de Chui Sai On

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Governo vai entregar uma proposta de lei na Assembleia Legislativa (AL) que introduz alterações ao sistema de faltas por doença ou outros motivos e transferência de dias de férias no Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM).

ETAPM PEREIRA COUTINHO VAI ENTREGAR CARTA AO CHEFE DO EXECUTIVO

Maldita doença Contudo, o deputado José Pereira Coutinho, que preside também à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), afirma que o diploma viola o artigo 98 da Lei Básica, por diminuir os direitos dos trabalhadores em relação às actuais condições. O deputado refere-se, especificamente, ao facto dos funcionários públicos correrem o risco de ficar sem vencimento caso fiquem mais de 30 dias em casa por motivo de doença própria ou para acompanharem um familiar na mesma situação. Caso fiquem em casa de 15 a 30 dias, recebem metade do ordenado. Apesar das alterações darem a possibilidade do trabalhador pedir uma licença sem vencimento caso fique ausente do trabalho por mais de um mês, José Pereira Coutinho entende que há uma redução de direitos. “As alterações que estão a ser feitas ao nível da assistência médica estão a afectar a moral dos

trabalhadores. Estipular limites de protecção a situações de doença dos trabalhadores, que neste momento não existem, viola a Lei Básica, no que diz respeito ao primeiro parágrafo do artigo 98”, disse ao HM. Isto porque “os direitos e regalias dos trabalhadores não podem ser inferiores à data do estabelecimento da RAEM”. Nesse sentido, o líder da ATFPM vai pedir a intervenção de Chui Sai On, ainda que o diploma já tenha sido analisado em sede de Conselho Executivo. “Estamos a preparar uma carta ao Chefe do Executivo para alertar para esta situação. O Chefe do Executivo tem tido sempre um

discurso muito positivo na medida em que afirma que os funcionários públicos são os recursos humanos mais importantes dentro da Função Pública. Entendemos que o Chefe do Executivo deve ponderar bem sobre o que se está a passar, para que não se proceda à erosão do primeiro parágrafo desse artigo da Lei Básica”, adiantou Pereira Coutinho.

EQUIPARAR AOS PRIVADOS?

O deputado contou ainda que a ATFPM tem vindo a receber muitas queixas de trabalhadores depois da apresentação do projecto de lei em causa. Estes “estão preocupados com esta mudança que afecta a sua situa-

“Os trabalhadores acham que isto não deveria acontecer porque, se é para melhorar e flexibilizar o sistema, não há necessidade de diminuir a protecção dos trabalhadores em termos de assistência médica.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO E PRESIDENTE DA ATFPM

ção profissional”. “Os trabalhadores acham que isto não deveria acontecer porque, se é para melhorar e flexibilizar o sistema, não há necessidade de diminuir a protecção dos trabalhadores em termos de assistência médica”, frisou. Na óptica de José Pereira Coutinho, os Serviços de Administração e Função Pública estão “a tentar equiparar [o sistema público] ao sistema privado, pois neste momento [os trabalhadores do privado] não têm a protecção que os funcionários públicos têm”. Apesar da proposta de alteração ao ETAPM visar um corte e suspensão salarial, a verdade é que também se propõe que essa medida seja implementada no ano seguinte ao registo das faltas. A nova proposta visa que “a dedução do vencimento de exercício do trabalhador que faltou por doença seja efectuada uma vez por ano” e “apenas processada no ano seguinte após se ter verificado a menção obtida na avaliação do desempenho e se ter dado ou não falta injustificada”, lê-se no projecto de lei apresentado recentemente em conferência de imprensa do Conselho Executivo. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

quarta-feira 3.1.2018

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MENSAGEM DO GOVERNO DESTACA SOLIDARIEDADE SENTIDA O ANO PASSADO

Um adeus a 2017 GONÇALO LOBO PINHEIRO

Chefe do Executivo falou e na mensagem de Ano Novo destacou o “espírito de tolerância e entreajuda” da população, que permitiu vencer “profundas provações” após a passagem pelo território do tufão Hato, em Agosto. “Em 2018 iremos desenvolver, prioritariamente, a construção de um mecanismo eficiente de longo prazo para a prevenção e redução de desastres, e optimizar as construções urbanas. Iremos promover faseadamente medidas de curto, médio e longo prazo, que permitirão o reforço geral do mecanismo de resposta a emergências e o aumento da consciência da população sobre a segurança em prol da construção, em vários aspectos, de uma cidade segura”, sublinhou Chui Sai On, na sequência dos “ensinamentos profundos” adquiridos. “Foi uma provação árdua, mas graças às qualidades tradicionais da sinceridade e da determinação dos cidadãos, e imbuídos de um espírito de tolerância e de entreajuda, unimo-nos todos e ultrapassámos esta situação difícil”, afirmou. Chui Sai On destacou ainda o apoio do presidente chinês, Xi Jinping, do Governo Central, e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, que saiu à rua pela primeira vez em 18 anos, desde a transferência do exercício da soberania de Portugal para a China, para ajudar nos trabalhos de socorro e recuperação. O chefe do Governo sublinhou também as “vantagens institucionais decorrentes do princípio ‘um país, dois sistemas’” para garantir a recuperação económica, a estabilidade contínua das finanças públicas e do emprego.

LEIS NG KUOK CHEONG QUESTIONA ATRASO DO GOVERNO

O

deputado Ng Kuok Cheong entregou uma interpelação escrita ao Governo onde recorda que o Executivo, no último relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG), prometeu avançar com os respectivos trabalhos de produção legislativa através da criação de um sistema centralizado. Apesar da promessa, o deputado lamenta que, em 2017, das cinco propostas de lei anunciadas pelo Governo, quatro delas ainda não tenham sido apresentadas à Assembleia Legislativa (AL). Em

causa estão a lei de bases de gestão das áreas marítimas, a revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM), o regime de licenciamento de agências de emprego e do seu funcionamento, e a alteração da lei do condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos. De frisar que apenas este último diploma continua por concluir, sendo que os restantes projectos de lei já foram analisados em sede de Conselho Executivo, podendo chegar ao hemiciclo este ano.

Ng Kuok Cheong lembra que o Governo lançou a consulta pública sobre a lei de bases de gestão das áreas marítimas e a revisão do ETAPM em 2016, pelo que afirma não compreender porque é que estes dois diplomas ainda não chegaram às mãos dos deputados. O membro da AL questionou também o Executivo sobre o funcionamento do sistema centralizado de produção de leis, exigindo uma maior responsabilidade da parte dos governantes no que diz respeito às promessas feitas e que não foram cumpridas. V.N.

O responsável acrescentou que o Governo de Macau tem vindo a “assegurar a consolidação e o aperfeiçoamento contínuo dos cinco mecanismos eficientes de longo prazo relativos ao sistema da Segurança Social, da habitação, da educação, dos serviços médicos e da formação de quadros qualificados, e a dar continuidade à implementação de diversas medidas em prol do bem-estar dos cidadãos”. O Chefe do Executivo acentuou o trabalho desenvolvido ao longo de 2017 para “impulsionar a integração de Macau no desenvolvimento” chinês, “atendendo às necessidades do país e potenciando as vantagens próprias” do território. Chui Sai On enumerou assim a criação da Comissão de Trabalho para a Construção de «Uma Faixa, Uma Rota», o empenho no desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, de Macau enquanto ‘Centro Mundial de Turismo e Lazer’ e como ‘Plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa’. “É fundamental que contemos com o apoio da Pátria para podermos manter a prosperidade e a estabilidade de Macau”, afirmou. “Continuaremos a actuar em estrito cumprimento da Constituição e da Lei Básica e a zelar pela defesa de ‘um país’, aproveitando as vantagens do segundo sistema e promovendo a nossa integração no desenvolvimento nacional. Esforçar-nos-emos pelo reforço da competitividade de Macau, garantindo que o princípio ‘um país, dois sistemas’ é desenvolvido em Macau de forma sólida e sustentável”, concluiu.

CONSTRUÇÃO DEPUTADA QUESTIONA AUSÊNCIA DE DIPLOMA SOBRE SEGURO

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deputada Song Pek Kei interpelou o Governo sobre a falta de implementação do regulamento administrativo relativo ao seguro de responsabilidade civil nos domínios da construção urbana e do urbanismo. A ausência deste diploma faz com que “os profissionais deste sector estão a correr sérios riscos”. “Qual o ponto da situação do processo legislativo relativamente a este regulamento? Como é que os profissionais deste sector podem defender-se e garantir os seus direitos, nomeadamente se existem ou não directrizes para que eles possam

adquirir este tipo de seguro?”, questionou Song Pek Kei. A deputada lembrou que o regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo foi implementado em 2015, que obriga os profissionais do sector à aquisição de um seguro de responsabilidade civil. “Até à data o respectivo regulamento administrativo complementar ainda não foi publicado e, caso aconteça algum erro nas obras, as responsabilidades para com terceiros serão suportadas pelo próprio profissional. Isto é: terá de pagar na totalidade as indemnizações”, concluiu a deputada. A.S.S.


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3.1.2018 quarta-feira

Aviso Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 19.º da Lei n.º 4/2016, Lei de protecção dos animais, são obrigados a obter uma licença emitida pelo IACM os proprietários dos cães que tenham completado três meses de idade e que não sejam animais para competição; ao mesmo tempo, o dono de animal deve cumprir a regra prevista na alínea 4) do n.º 1 do artigo 11.º da Lei em causa, cuidar do animal providenciando os meios necessários de modo a prevenir e tratar doenças contagiosas, nomeadamente a vacinação dos cães contra a raiva. Para facilitar o pedido e levantamento da licença para cães e a vacinação antirábica dos cães pelo dono de animal, o IACM instalará os Postos de serviço ambulantes para pedido e levantamento da licença para cães e vacinação anti-rábica nas seguintes datas e locais que se encontram na tabela anexa Macau, aos 07 de Dezembro de 2017

Horas

Local

06/01/2018 ( Sábado )

14 : 00 – 19 : 00

Jardim da Vitória

13/01/2018 (Sábado )

14 : 00 – 19 : 00

Praça de Luís de Camões

20/01/2018 ( Sábado)

14 : 00 – 19 : 00

Praça de Ponte e Horta

25/01/2018 ( Quinta-feira)

17 : 00 – 19 : 30

Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bairro de Fai Chi Kei

26/01/2018 ( Sexta-feira )

17 : 00 – 19 : 30

Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bairro de Fai Chi Kei

27/01/2018 ( Sábado )

14 : 00 – 19 : 00

Parque Urbano da Areia Preta (Perto do Supermercado Royal)

Coloane

03/02/2018 ( Sábado )

14 : 00 – 19 : 00

Seac Pai Van, Coloane (Edf. Ip Heng)

10/02/2018 (Sábado )

14 : 00 – 19 : 00

Rotunda do Estádio, Taipa

Península de Macau

Data

Taipa

O Presidente do Conselho de Administração José Tavares

Nota: 1. Documentos comprovativos que são necessários entregar quando do pedido e do levantamento da licença para cães: a. Fotocópia do documento de identificação, se for pessoa singular; b. Fotócópia do modelo M/7 ou M/8 para efeitos de Contribuição Industrial emitido pela DSF, se for pessoa colectiva c. O documento comprovativo do local da criação do cão do portador da licença (como factura da água, da electricidade). 2. Taxa de pedido da licença para cães pela primeira vez a. Cães esterilizados:MOP 330,00 (incluído já o imposto de selo de 10%) b. Cães não esterilizados: MOP 990,00 (incluído já o imposto de selo de 10%) c. A taxa para pedido e levantamento de licenças para cães inclui exame veterinário, introdução de microchip, inoculação de vacina anti-rábica e atribuição de chapa de identificação metálica (cada cão). WWW. IACM.GOV.MO


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GCS

quarta-feira 3.1.2018

Taipa Fiscalização da ampliação do Terminal custa mais de 10 milhões

Foi autorizada por despacho assinado pelo Chefe do Executivo a celebração do contrato com a PAL Ásia Consultores, Limitada para a fiscalização da empreitada para a ampliação das estruturas principais do novo Terminal Marítimo da Taipa. Segundo o despacho publicado em Boletim Oficial, o negócio está avaliado em 10,55 milhões de patacas que se dividem em duas parcelas anuais. Este ano serão pagos à empresa responsável pela empreitada quase 8,5 milhões de patacas, enquanto que em 2019 será pago pouco mais de 2 milhões de patacas. As obras em questão servem para alargar os lugares de atracação de embarcações e foram adjudicadas à Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, Limitada. O projecto das obras de ampliação está estimado em 90,7 milhões de patacas.

Trânsito Taxa para remoção de carros aumenta para 1500 patacas

Os automóveis ligeiros estacionados na linha amarela vão sofrer um aumento considerável de multa a aplicar, 400 por cento, passando a taxa de 300 para 1500 patacas. A actualização das taxas entra em vigor a partir de Fevereiro e foi aprovada por despachado assinado pelo Chefe do Executivo, publicado em Boletim Oficial. Os motociclos também vão passar a ter uma taxa de 750 patacas, caso sejam deixados na linha amarela. No que diz respeito aos valores a pagar por depósitos de carros e motociclos, sobem para 100 e 50 patacas, respectivamente.

Turismo Macau recebeu mais visitantes durante a passagem do ano

No último fim-de-semana, Macau acolheu 356.812 turistas que vieram passar o ano à cidade. De acordo com os números divulgados pela Polícia de Segurança Pública, entre 30 de Dezembro e 2 de Janeiro o número de turistas cresceu em termos anuais 8,47 por cento. Neste fimde-semana, passaram pelas fronteiras de Macau mais 1,59 milhões de pessoas. O posto fronteiriço das Portas do Cerco foi a fronteira mais utilizada tanto para entrar como para sair de Macau. Sendo que o Terminal Marítimo do Porto Exterior foi o segundo maior ponto de entradas registando 76.991 visitantes. Em termos de ligações aéreas chegaram ao Aeroporto de Macau 34.999 pessoas entre 30 de Dezembro e 2 de Janeiro.

Entre os fumadores acusados, 8 foram detectados a fumar em paragens de autocarros e todos colaboraram com as autoridades

TABACO QUASE 3000 INSPECÇÕES NO PRIMEIRO DIA DA NOVA LEI

Combate cerrado

Entrou em vigor no passado dia 1 e logo na estreia mobilizou ficais para inspecionar quase três mil estabelecimentos. Trata-se da alteração ao Regime de Prevenção e Controlo de Tabagismo que no primeiro dia encontrou 15 infractores. Os Serviços de Saúde consideram que foi uma estreia positiva

O

Regime de Prevenção e Controlo de Tabagismo foi alterado e entrou em vigor no primeiro dia de 2018. As acções por parte da fiscalização entraram em acção no mesmo dia e até às 17h foram fiscalizados um total de 2931 estabelecimentos, dos quais, 192 eram abrigos afectos a veículos de transporte colectivo de passageiros. Da iniciativa foram acusadas 15 pessoas por fumar em locais proibidos, em que sete eram turistas e oito, residentes locais. Entre os fumadores acusados, 8 foram detectados a fumar em paragens de autocarros e todos colaboraram com as autoridades,

refere um comunicado oficial dos Serviços de Saúde. No que respeita a queixas telefónicas relativas a infractores, a linha verde criada para o efeito recebeu 15 chamadas em que quatro apenas queriam informação, uma dizia respeito a um residente que queria dar a sua opinião, sendo que as restantes dez eram, efectivamente, relativas a queixas.

DEPUTADOS PREOCUPADOS

Apesar da boa cooperação por parte dos acusados registada no primeiro dia de implementação do Regime de Prevenção e Controlo de Tabagismo, o deputado Lam Lon Wa está preocupado

os conflitos que possam resultar entre infractores e fiscais. Dado o aumento das multas, o tribuno considera que “as situações de conflito são inevitáveis”, lê-se em interpelação escrita, pelo que apela ao Governo que crie um sistema de assistência para quem está no terreno. Por outro lado, Lam Lon Wa apela a mais informação junto dos residentes. Em causa está o facto de que nem todas as paragens de autocarros estão sinalizadas com a nova proibição de fumar a menos de dez metros.

EXCEPÇÕES MAL ENCARADAS

Já o deputado Leong Sun Iok está insatisfeito com a actual al-

teração. Para o deputado o novo regime ainda é insuficiente visto que os casinos continuam a poder ter salas de fumo e têm ainda um ano para colocar as estruturas de fumadores em consonância com as novas directrizes. De acordo com Leong Sun Iok, esta medida permite que os trabalhadores dos casinos continuem a ser prejudicados com a má qualidade do ar. Ainda assim, para o deputado os casinos são ainda os locais onde há mais infractores e propõe ao Governo que tenha “fiscais residentes”. A ideia é garantir uma monitorização permanente destes espaços de modo a que não lhes seja permitida qualquer infracção. Após a entrada em vigor da lei, é proibida a exposição dos produtos do tabaco nos locais de venda fixos e ambulantes. É ainda proibida a venda de produtos do tabaco nos casinos e a multa por infracção foi actualizada de 600 para 1.500 patacas. Passa ainda a ser proibido fumar nas áreas adjacentes às paragens de autocarros num raio de 10 metros, Apesar das críticas os casinos e o aeroporto continuam a poder ter área de fumadores, sendo que os primeiros terão que ter as condições melhoradas. Para o efeito têm um ano para o fazer. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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3.1.2018 quarta-feira

ANÚNCIO “Aquisição pelo IACM de seis veículos pesados de transporte com refrigeração (para carne)”

Concurso Público n° 001/IACM/2017

Avisam-se todos os interessados que se encontra aberto o concurso público “Aquisição pelo IACM de seis veículos pesados de transporte com refrigeração (para carne)” nos termos do despacho da Secretária para a Administração e Justiça, de 14 de Dezembro de 2017. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 7 de Fevereiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e entregar uma caução provisória no valor de MOP120 000,00 (cento e vinte mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sito na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 8 de Fevereiro de 2018. O IACM realizará a este respeito uma sessão de esclarecimento pelas 10:00 horas do dia 8 de Janeiro de 2018, no auditório do Matadouro de Macau, S.A., na estrada Marginal da Ilha Verde n.°325, r/c, Macau. Macau, aos 18 de Dezembro de 2017. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO


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quarta-feira 3.1.2018

A direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário pretende aumentar as taxas moderadoras para as grávidas portadoras de blue card, mesmo que estas sejam casadas com residentes não permanentes. A medida, disse Kuok Cheong U, ainda está a ser analisada

K

UOK Cheong U, director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, disse, segundo o jornal Ou Mun, que as taxas moderadoras para casos de nascimentos irão aumentar para as grávidas portadoras de blue card, mesmo que estas sejam casadas com residentes não permanentes. O médico explicou que a medida se prende com o aumento dos custos do hospital nos últimos anos, sendo que esse aumento também se explica com as actua-

GRAVIDEZ TAXA MODERADORA NO SÃO JANUÁRIO AJUSTADA PARA BLUE CARD

Filhos de um BIR menor

Esta medida não é nova, uma vez que em Janeiro do ano passado Kuok Cheong U anunciou a vontade do Governo de aumentar as taxas moderadoras para as grávidas portadoras de blue card, uma vez que se tinha registado um aumento de pacientes entre dez a 12 por cento face a 2015.

PROCRIAÇÃO EM CONSULTA

lizações salariais, rendas e compra de novos equipamentos. Neste momento a medida ainda está a ser alvo de um processo de consulta de opiniões junto do hospital. Kuok Cheong U disse que vai divulgar os novos valores nos próximos meses e que os pormenores serão apresentados em breve.

CANÍDROMO ANGELA LEONG PROMETE ADOPTAR OS GALGOS ABANDONADOS

N

UMA altura em que até a antiga estrela de cinema Brigitte Bardot apela para a salvação dos galgos do Canídromo, a directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong, disse ontem aos jornalistas, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que não há uma nova proposta para o futuro destes animais. A também deputada alertou para que não se oiçam as mensagens que não sejam divulgadas por si, numa clara resposta não só a Brigitte Bardot como a todas as organizações locais e internacionais que lutam pela sobrevivência dos galgos. A directora-executiva da SJM, concessionária que detém o Canídromo, explicou ontem que não estão a ser importados novos galgos. Angela Leong disse ainda que “caso eu peça ajuda, os meus amigos vão adoptar os galgos”, tendo frisado que não é necessária intervenção do exterior.

Angela Leong frisou ainda que todos os galgos que actualmente estão no Canídromo têm dono, sendo que “no caso dos donos abandonarem os galgos, eu própria irei adoptar todos aqueles que fiquem abandonados”. A também deputada deu ainda explicações sobre aquilo que considera serem difamações contra o funcionamento do local de corridas de cães, tal como as notícias de que há galgos abatidos e que há consumo de carne de cão por parte dos veterinários. A deputada entende o pedido que foi apresentado junto do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para que os 600 galgos no Canídromo sejam transferidos para várias associações, além do pedido que foi feito no sentido de serem recolhidos cerca de cinco milhões de euros para transferir os animais para Portugal.

Kuok Cheong U, director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, disse, segundo o jornal Ou Mun, que as taxas moderadoras para casos de nascimentos irão aumentar para as grávidas portadoras de blue card, mesmo que estas sejam casadas com residentes não permanentes

O director do hospital público disse ainda prever que a proposta de lei relativa à procriação medicamente assistida possa ser implementada em meados deste ano. Quanto ao processo de consulta pública, Kuok Cheong U adiantou que está a ser finalizado e que no prazo de três meses se pode dar entrada ao processo legislativo. Apesar do Governo estar a preparar a legislação sobre esta matéria, Kuok Cheong U defendeu que a procriação medicamente assistida não é a única forma dos casais estéreis terem filhos e que os Serviços de Saúde esperam que as mulheres possam ficar grávidas de forma natural, recorrendo a outro tipo de tratamentos. A consulta pública decorre até 12 de Janeiro.

JOGO RECEITAS DOS CASINOS CRESCEM 19,1%

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receita do jogo em Macau em 2017 cresceu 19,1%, para 265,7 mil milhões de patacas, invertendo uma tendência de queda registada nos três anos anteriores. Nos 12 meses de 2017, as receitas dos casinos atingiram um total de 265.743 milhões de patacas, de acordo com os dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

Em Dezembro manteve-se a tendência positiva registada ao longo do ano, com os casinos a terminarem o mês com receitas de 22.699 milhões de patacas, mais 14,6% relativamente ao período homólogo do ano passado. Dezembro marcou o 17.º mês consecutivo de subida das receitas da indústria do jogo. As receitas dos casinos cresceram sempre a dois dígitos em termos homólogos

em 2017, à excepção do primeiro mês do ano (+3,1%). A indústria de jogo começou a recuperar em Agosto de 2016, altura em que terminou um ciclo de 26 meses consecutivos de quedas anuais homólogas das receitas. As receitas dos casinos de Macau vinham a cair há três anos consecutivos: -3,3%, em 2016, -34,3% em 2015 e -2,6% em 2014.


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“Um Coração Dividido” é o nome da exposição de fotografia que vai ser inaugurada amanhã na Fundação Rui Cunha. A autora é Teresa Senna Fernandes que com apenas 17 anos já participou em duas acções de voluntariado em África. De São Tomé e Príncipe e da Guiné Bissau trouxe experiências e imagens que, espera, sejam capazes de sensibilizar quem as vê

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ÃO cerca de 20 imagens a preto e branco que integram a exposição de Teresa Senna Fernandes com inauguração marcada para amanhã pelas 18h30 na Fundação Rui Cunha. Com apenas 17 anos, a jovem que vive em Macau embarcou pela primeira vez para São Tomé em 2016. Ía fazer voluntariado junto de crianças que precisavam de ajuda. A experiência foi marcante e este ano repetida, desta feita rumo à Guiné, uma

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Imagens de es FOTOGRAFIA EXPOSIÇÃO DE TERESA SENNA FERNANDES MOSTRA REALIDADES DE ÁFRICA

Teresa Senna Fernandes “O meu objectivo é mesmo alertar as pessoas para o facto de existir mundo além daquilo que conhecem. Aqui em Macau é tudo muito fácil.”

realidade “mais dura”. Das viagens trouxe a mudança e, para que as realidades por onde passou não sejam esquecidas, trouxe imagens que falam por si. “As fotografias conseguem transmitir e simbolizar muito e são a única coisa que trouxe que pode mostrar um pouco do que vivi ”, começa por dizer ao HM. À falta de palavras são as imagens que têm o poder de ajudar a partilhar outras realidades. “As palavras muitas vezes não são suficientes e

a fotografia é capaz de dar uma noção mais aproximada daquelas vidas”, explica ao mesmo tempo que espera conseguir “sensibilizar as pessoas e incentivar cada um a ajudar, nem que seja com pouco”. Mas, e acima de tudo, Teresa Senna Fernandes quer fazer perceber que o mundo não é só esta “bolha chamada Macau”. “O meu objectivo é mesmo alertar as pessoas para o facto de existir mundo além daquilo que conhecem. Aqui em Macau é tudo muito fácil. Aqui, tudo o que se deseja é

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realizável. Parece que as coisas nos caem aos pés. Espero que com esta mostra as pessoas possam perceber que há muitas situações que precisam de ser vistas e ouvidas para que mudem”, refere. Foi esta necessidade de mostrar, não o que fez, mas outras realidades, que motivaram Teresa Senna Fernandes a fotografar.

UM MUNDO SEM COR

As fotografias são a preto e branco, e nem podia ser de outra forma.

Mais do que um gosto pessoal, a opção de pela imagem monocromática teve que ver com o contraste que o formato permite. “O preto e branco realça muito mais as situações”, diz, sendo que “apesar de serem cores neutras, são cores que conseguem transmitir melhor o contraste: o contraste na própria imagem e entre mundos, aquele em que vivemos e aquele que ali está representado”, apontou a autora. Por outro lado, considera, são tons que tornam a fotografia mais real, mais pesada

o que vai de encontro ao peso que também ela sentiu quando confrontada com realidades marcadas pela ausência, dor ou sofrimento. Mas, Teresa Senna Fernandes pretende com as imagens falar sobretudo de esperança e da capacidade que cada um tem ao seu alcance de poder fazer qualquer coisa, por muito pouco que seja, para ajudar quem mais precisa. “Se cada um fizer um bocadinho, as coisas podem ir indo ao sítio e pequenas coisas fazem a diferença”, diz.

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A mais recente colecção de ensaios de Milan Kundera é uma apaixonada defesa da arte numa era que, segundo o autor, não valoriza a arte e a beleza. Com a cativante mistura de emoções e pensamento presente nos seus romances, Kundera revisita artistas cujas obras permaneceram importantes ao longo da sua vida: reflecte sobre a pintura de Francis Bacon, a música de Leos Janacek, os filmes de Federico Fellini e os romances de Philip Roth, Fiodor Dostoievski e Gabriel García Márquez. Aproveita também para fazer justiça a Anatole France e Curzio Malaparte, que considera serem grandes escritores caídos na obscuridade. Em “Um Encontro” a assinatura de Milan Kundera – os temas da memória e do esquecimento, a vivência do exílio e a defesa da arte modernista – cruza-se com as suas reflexões pessoais e histórias de vida. Elegante e provocador, Kundera segue as pisadas das suas antologias anteriores.

MIZÉ - ANTES GALDÉRIA DO QUE NORMAL E REMEDIADA • Ricardo Adolfo Nos arredores de Lisboa, Mizé, a boa da vizinhança, tenta conciliar os sonhos de uma vida de estrela com a rotina entre o salão unissexo e o bairro social Esperança. Mas não é fácil. Ela quer mais, muito mais. E está preparada para usar tudo o que tem para o conseguir. Por outro lado, Palha, que largou as saias da mãe para casar com Mizé, só quer manter o pouco que lhe resta - a começar pelo emprego a vender batatas fritas. Numa noite de enganos, Palha descobre aquilo que nunca quis ver. Desesperado, parte em busca da inocência de Mizé e acaba por desenterrar a sua própria mentira.


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sperança

A jovem fotógrafa tem em conta a sua própria experiência enquanto voluntária, “uma actividade que está ao acesso de quem quiser e uma experiência que, sem mudar o mundo, é capaz de mudar pelo menos um momento no mundo de alguém”. “Embora tenha feito pouco, sei que de alguma forma, fiz alguma diferença, nem que tenha sido somente naquele momento em que estava a tentar ajudar alguém, naquelas espaço, naquelas vidas”, recorda.

CORAÇÃO GRANDE

É esta ideia de dar do coração que está na base do nome da exposição. “Um Coração Dividido” é a capacidade de ajudar distribuída por muitos, por todos aqueles que precisam. “Quando se está perante uma realidade daquelas e em contacto com várias crianças naquele contexto, uma pessoa acaba por se sentir dividida. A intenção é fazer com que o nosso coração chegue a todos”, refere, emocionada.

Trata-se, para Teresa Senna Fernandes de “um gesto de generosidade”. De acordo com a jovem fotógrafa foi também um tempo para aprender. “Fiz as mais bonitas aprendizagens: aprendi que podemos ser heróis sem capas, títulos ou talentos. Que temos o poder de, com simples toques de amor, que assim se torna mágico, tocar o coração do outro, ao fazer chegar-lhe o nosso. Sim, vi crianças a pedir os restos da nossa comida. E percebi que não há água potável. Vi crianças com os pés lastimáveis, porque descalças. Guardei o toque da minha mão fortemente agarrada pelas mãos delas. Senti o meu coração a partir de cada vez que uma criança me pedia algo que eu não podia dar.”, descreve na apresentação oficial do evento. Além da pobreza há ainda outros momentos. Depois de São Tomé, foi para a Guiné onde conviveu com aquilo que chama de

“tradições completamente censuráveis”. A fotógrafa dá exemplos: “o caso dos casamentos forçados, da prática da mutilação genital feminina e tráfico humano”, tudo situações com as quais esteve em contacto de perto e que fizeram com que toda a experiencia se tornasse “muito mais forte e pesada”. Foi com esse peso que veio, mas acima de tudo com uma “grande lição: a sorte que tenho em ser valorizada”. Para Teresa Senna Fernandes cada uma destas viagens contribui para que a postura que tem perante a vida mude. “Nunca voltamos os mesmos depois do contacto que temos neste tipo de experiência”, afirma. “São crianças e jovens que têm, muitos deles, a mesma idade que eu e que sofrem em circunstâncias muito complicadas”. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Eríssimo Nome botânico: Sisymbrium officinale (L.) Scop. Sinonímia científica: Erysimum officinale L. Família: Brassicaceae (Cruciferae). Nomes populares: ERÍSIMO; ERÍSIMO-DAS-BOTICAS; ERÍSSIMO-DAS-BOTICAS; ERVA-DOS-CANTORES; ERVA-RINCHÃO; RINCHÃO; SARAMAGO-RINCHÃO. Planta da Europa, o Eríssimo encontra-se nos terrenos incultos, entulhos, bermas dos caminhos, sebes e muros. Trata-se de uma herbácea que pode alcançar mais de meio metro de altura, com caule rígido e erecto, viloso, e ramos quase perpendiculares ao caule (patentes); apresenta folhas pecioladas, muito recortadas, com lóbulos serrados, pubescentes em ambas as páginas, e pequenas flores amarelas, com quatro pétalas em forma de cruz, reunidas em cachos terminais; o fruto é uma síliqua (fruto seco que se abre no final da maturação deixando cair as sementes) e contém minúsculas sementes globulosas; raiz rija e branca. É semelhante à Mostarda no seu aspecto, composição e sabor. Usado desde aAntiguidade, o Eríssimo foi mencionado por Dioscórides e, mais tarde, por Laguna. O nome Erísimo provém do grego e significa, aproximadamente, eu salvo o canto, aludindo ao seu antigo uso pelos cantores que a tomavam para aclarar a voz. Também o nome Erva-dos-cantores faz referência a esta indicação, embora proceda do francês, pois para o rei Luís XIV de França esta era uma planta infalível para a afonia e perda da qualidade vocal. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas, de preferência da planta fresca, por ser mais activa. Composição Óleo essencial, glicósidos sulfurados (sinegrósido) e uma enzima, a mirosinase; glúcidos (dextrina), fibras (mucilagens, pectina), sais minerais e compostos polifenólicos. Glicósidos cardenólidos nas sementes. Inodoro, sabor picante e acre. Acção terapêutica Quando em contacto com a mucosa da boca e faringe, os glicósidos sulfurados provocam, através de um mecanismo reflexo, um maior afluxo de sangue à laringe e aos brônquios, energizando as cordas vocais, aumentando a secreção de muco, que se torna mais fluído, e favorecendo a expectoração. Além disso, o Eríssimo desinflama as vias respiratórias, combate os espasmos e as doenças do peito, acalma a tosse e a irritação da garganta, aclara a

voz, é anti-séptico e tónico do organismo. Planta de eleição na rouquidão e afonia, é também recomendada em caso de tosse seca ou catarro, amigdalite, faringite, laringite, traqueíte, bronquite e asma. Os melhores resultados são obtidos quando se combina o uso interno com o uso externo. Outras propriedades Antiespasmódica sobre as vias biliares, esta erva é igualmente analgésica e anti-inflamatória, sendo usada nas perturbações da motilidade da vesícula biliar, inflamação da vesícula e litíase. Tonifica o estômago, combate a prisão de ventre e auxilia a expulsão dos vermes intestinais. Diurético, o Eríssimo é ainda útil em caso de retenção de líquidos, distúrbios da micção (disúria), inflamação da bexiga e cálculos renais que ajuda a dissolver. Também é empregue na acne e em curas de Primavera. Como tomar Uso interno • Infusão das partes aéreas floridas: 1 colher de sobremesa por chávenas de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia, depois das refeições. Nas afecções respiratórias adoçar com mel. • Suco: 15 a 30 gramas, adicionados em água com mel. • Em ampolas, xarope, spray e pastilhas, em fórmulas de plantas, para a irritação da garganta, rouquidão e afecções respiratórias; também como tónico na anemia. • Com um sabor semelhante ao da Rúcula, as folhas tenras podem ser ingeridas em saladas ou cozinhadas como uma hortaliça. • As sementes esmagadas ou reduzidas a pó podem ser usadas como condimento em sopas ou molhos. Uso externo • Infusão das partes aéreas floridas: 30 a 40 gramas por litro de água fervente. Pode-se adoçar, se se preferir. Em bochechos e gargarejos, ou inalações, várias vezes por dia. Precauções O Eríssimo está contra-indicado na obstrução das vias biliares. Não são conhecidos efeitos adversos ou toxicidade nas dosagens terapêuticas. Devido à presença de glicósidos cardenólidos, que actuam sobre o coração, em doses muito elevadas pode produzir sintomas semelhantes aos provocados pelos digitálicos (náuseas, vómitos, diarreia, dores de cabeça, arritmias, entre outros). Por isso não se aconselha o uso da planta em crianças menores de 6 anos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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Mediador de irmãos China celebra aproximação entre Pyongyang e Seul

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China enalteceu ontem as “mensagens positivas” entre Pyongyang e Seul, após o governo norte-coreano ter assumido o interesse em participar nos Jogos Olímpicos de Inverno, que se celebram no próximo mês na cidade sul coreana de PyeongChang. “Acreditamos que é um bom sinal e damos as boas-vindas e apoiamos as duas partes a aproveitarem a oportunidade e fazerem esforços concretos visando a melhoria dos laços bilaterais”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa Geng Shuang. A aproximação poderá também servir para “aliviar a tensão na península coreana e alcançar a desnuclearização”, acrescentou. O ministro da Coreia do Sul para a Unificação, Cho Myoung-gyon, PUB

propôs hoje que representantes das duas coreias se reúnam no próximo dia 9 de Janeiro na aldeia Panmunjom, dentro da Zona Desmilitarizada que divide a península. A proposta surge depois do líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter assegurado na sua mensagem de ano novo que está aberto ao diálogo com Seul para que o seu país envie uma delegação aos Jogos Olímpicos de Inverno, que se realizam

SEUL PROPÕE CONVERSAÇÕES OFICIAIS

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Governo sul-coreano propôs hoje a Pyongyang realizar conversações oficiais a 9 de Janeiro sobre a cooperação nos Jogos Olímpicos de Inverno, que vão realizar-se em Fevereiro na Coreia do Sul. O ministro da Unificação sul-coreano, Cho Myoung-gyon, anunciou que o Sul propõe que as duas Coreias se encontrem a 09 de Janeiro, na aldeia de Panmunjom, na fronteira entre os dois países, para debater a cooperação durante os Jogos Olímpicos e a forma de melhorar as relações bilaterais. A proposta sul-coreana surge um dia depois de o líder da Coreia do Norte afirmou que Norte e Sul deviam reunir-se para negociar a presença de uma delegação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de inverno em PyeongChang

(Coreia do Sul), que vão decorrer entre 9 e 25 de Fevereiro. “Esperemos que Sul e Norte se possam sentar, frente a frente, para debater a participação da Coreia do Norte nos jogos de PyeongChang, tal como outras questões de interesse mútuo para melhorar as relações intercoreanas”, declarou o ministro Cho, em conferência de imprensa. Na mensagem de Ano Novo, Kim Jong-un voltou a ameaçar os Estados Unidos e indicou que o país tinha completado o programa nuclear. No ano passado, a Coreia do Norte realizou um sexto teste nuclear a lançou três mísseis balísticos intercontinentais, no âmbito do desenvolvimento dos programas nuclear e de armas, levando a ONU a agravar as sanções contra o país.

em território sul coreano, entre 9 e 25 de Fevereiro. O porta-voz chinês sublinhou que a China continua “comprometida com a desnuclearização” e a manutenção da paz e estabilidade na península coreana. Geng afirmou que as principais causas do conflito são “as contradições entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos” e apelou aos governos dos dois países para que “construam confiança mútua e façam esforços concretos visando o regresso às negociações através do diálogo e consultas”. A península coreana está dividida desde a devastadora Guerra da Coreia (1950-53), que terminou sem a assinatura de um tratado de paz. Nos últimos meses, os sucessivos ensaios nucleares de Pyongyang e a retórica beligerante do Presidente norte-americano, Donald Trump, elevaram a tensão para níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia.

Xi promete acabar com pobreza até 2020

O Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu que a China vai manter o seu papel na defesa da ordem internacional e na luta contra as alterações climáticas, bem como acabar com a pobreza no país até 2020. Na mensagem de Ano Novo, Xi Jinping prometeu manter o país rumo ao “sonho chinês” e melhorar o nível de vida, sobretudo para os mais pobres. Citado pela agência Nova China, o chefe de Estado chinês fez uma “promessa solene” de acabar com a pobreza entre os seus compatriotas até 2020. Será a primeira vez na milenar história da China que não haverá pobreza extrema no país, disse o Presidente, que falava ao mesmo tempo que o ano virava naquela parte do mundo. Reconhecendo que o seu governo não fez tudo ao seu alcance nesta matéria, Xi Jinping prometeu que iria intensificar o trabalho para “garantir o bem-estar da população”. Na cena internacional, Xi Jinping declarou que a China “vai apoiar resolutamente a autoridade das Nações Unidas”, cumprir com as suas obrigações internacionais e continuar plenamente empenhada na luta contra as alterações climáticas.


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Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 1ª vez do ano 2018 (1) Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM. (2) Alvos de Patrocínio (i)

Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D);

(ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. (3) Projecto de Apoio Financeiro (i)

Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico;

(ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

AVISO Faz-se saber que, em relação ao concurso público para « Reordenamento da Rede Viária Periférica da Rotunda da Piscina Olímpica », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 49, II Série, de 6 de Dezembro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, Macau.

Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 27 de Dezembro de 2017.

(4) Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (5) Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 2 até 15 de Janeiro de 2018

(O próximo pedido será realizado no dia 2 ao 15 de Maio de 2018)

(6) Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo. (7) Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro».

O Coordenador, substituto

O Presidente do C. A. do FDCT,

Ma Chi Ngai

Luís Madeira de Carvalho

2017 / 12 / 29


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Nada somos sem os outros e sem o mundo, mas deles e dele não fazemos parte diário de um editor João Paulo Cotrim HORTA SECA, 20 DEZEMBRO Precisamos muito de água, mas o que chove são listas. Esse auxiliar de memória, que Umberto Eco elevou à categoria de arte erudita, mas que, no pós-jornalismo onde moramos, raramente se ergue da mera enumeração, sem critério que se entenda, com valor informativo mínimo, a titubear equilíbrios toscos, quando não usado como arma de arremesso. Dizem-se os melhores (livros, podendo ser qualquer artigo) do ano, mas os meses finais agigantam-se, de súbito e em bold. Por exemplo. Para o habitual exercício de listar, o ano encolhe e os meses do Inverno, a não ser que tocados pelo sortilégio de qualquer prémio, perdem-se no nevoeiro da desmemória. Patinhamos no agora, agora mesmo. Coisas de somenos, bem sei, mas a vida em sociedade (comercial) obriga-nos a alinhar por estes compassos, a atentar no assunto. Edita-se demais, o livro vale de menos. Para surpresa minha, o Arno Schmidt ainda passarinhou nestas gaiolas, mas nem que o conjunto das nossas edições fosse incluído mudava o essencial: o rol dos «melhores» pouco mais vai sendo que forma distraída de passar pelo essencial. Nem diária atualização apanharia a corrente de ar dos tempos. Não basta nomear, há que viver com os livros, dialogar com eles, criticá-los, permitir que nos incomodem. Quem passe pelos arquivos, lugar derradeiro da memória, percebe melhor do que falo. Os jornais deixaram de ser espelho. Ainda que estejam pejados de umbigos. HORTA SECA, 21 DEZEMBRO Mesmo cuidadosamente envelopado, como só ele sabe, o mais recente volume da obra polimórfica do mano Tiago [Manuel], no caso atribuído à sueca Tilda Markström, tem uma mossa na capa e nos primeiros cadernos. Uma marca que logo interrompem a circulação de azul em torno da palavra-título: «Cancer» (ed. Mmmnnnrrrg). Impossível não ver nisto um sinal, uma semiótica dos acasos. A viagem marcou-o. Uma cicatriz, portanto. Com uma força extraordinária, aliás comum nos seus trabalhos, o Tiago desenvolve o álbum em sucessão de imagens que obedecem a perspectiva única: um alto pode-se tornar o ponto, o cerne que nos muda a textura do corpo e do mundo. O entorno vai ganhando texturas e padrões, os mamilos e as veias transfiguram-se na linguagem que nos rodeia, que nos cerca, que nos atrai a rede cada vez mais apertada, cenário no qual tudo diz e é sinal da morte. Sem palavras, sem nunca dizer cancro em português, língua que tem por costume evitá-la, substituí-la, coisificá-la. As linhas da cicatriz transfiguraram-se em rarefeito contorno onde acomodar as sombras que a doença ainda permite. No fecho, três textos curtos, páginas arrancadas a um diário. «Já não é possível voltar ao paraíso de onde fui expulsa pela mor-

Se assoprar posso acender de novo te». Dolorosíssimo testemunho em carne viva de um íntimo processo, viagem que a todos nos toca, tocou, tocará. SANTA BÁRBARA, 22 DEZEMBRO Raramente me lembro dos sonhos, ao contrário do [José] Anjos, que os descreve como quem encena, atirando posições, detalhes e falas. Estou quase a acreditar que não sonho. Desta vez, descobri o sentido físico do pesadelo. Um peso enorme entornava-se sobre mim, que dormia de bruços, como sempre me entrego, corpo de chumbo com asas que me cobria impedindo que voasse ou tão só me ergues-

se. Ou respirasse. Tive que acordar para resolver. Não voo, ainda assim. HORTA SECA, 23 DEZEMBRO A melhor revista de bordo do mundo, para os prémios da especialidade e para mim, fez 10 anos em Novembro e dedicou-se a São Paulo – poema concreto, cidade natal da minha querida Paula [Ribeiro], directora até aos mais mínimos detalhes. Com a UP voa-se, mesmo sem estarmos no avião. Só agora consegui subir a bordo e já chegou nova a chamar-me para Londres, logo com as fotos do Fernando [Martins]. Acontece mensalmente, mas este ergue-se

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em exemplar arranha-céus de conteúdo e fruição. Dezenas de talentos das mais diversas áreas revelam fragmentos daquela urbe imensa, dos ícones da moda aos ângulos urbanísticos, das obras de arte ao perfil do paulistano, traçado por Marcos Caruso. «Tudo é farto em São Paulo». O tema estende-se por um sem número de detalhes que dá gozo descobrir, que tudo tem que fazer sentido e dançar. Os separadores são cinco fotografias «sinistras» de Bob Wolfenson, retratos em cinco décadas diferentes. A moda, assinada pelo Paulo Gomes, faz sonhar. A entrevista da Rita Lee faz sentido. E ninguém faz revistas em Portugal como a Paula, renovando uma tradição onde o jornalismo incluía atenção, curiosidade e serviço com fartura. Há mais, muito mais. Desconfio que a leitura deve dar à justa para uma ininterrupta volta ao mundo. Entrevista-se até Fernando Lemos, velho embaixador do surrealismo e outras inquietações, que inaugura exposição agora no MUDE, em Lisboa. Um exemplo de alguém entre cá e lá, mestre maior do preto e branco. «Orra, meu!» Esta amplificação de um Brasil que dói de tão cosmopolita sem perder ponta de tropicalidade é excepcional. Sim, nos dois sentidos. O que a paulistana directora da UP tem cometido, mesmo fora dos milhares de páginas que fez levantar voo, e com discreto alarde, vem sendo uma intransigente e amorosa descoberta e demonstração do que Portugal possui de melhor. Ramón Gomez de la Serna via Lisboa como navio de terraços transatlânticos. Quem os tem conduzido de cá para lá e de lá para cá tem sido a Paula, que gosta bastante mais de nós que nós próprios, esse tão estranho hábito. HORTA SECA, 27 DEZEMBRO Tombei nele por acaso e coincidiu tornar-se banda sonora destes dias menores. Adoro Adoniran Barbosa, ângulo de uma SP que jamais conhecerei, mas que ele expandiu ao universal. Brota sabedoria dos seus versos, apelo agridoce à preguiça impossível, um fulminante bom senso capaz de nos virar do avesso, pondo-nos a dançar com a tristeza, mas piscando o olho à alegria. Um amigo descobriu umas dezenas de páginas rabiscadas pelo João Rubinato, o nome de dia do artista. «De dia não sou ninguém/ de noite sou alguém/ que toca o violão.» Eram inéditos que suscitaram este magnífico «Se Assoprar Posso Acender de Novo» (ed. DaFne Music), boteco onde se juntam nomes como Criolo, Ana Julia, Diogo Poças, Ney Matogrosso, ou Liniker, entre tantos outros. Além de puxar lustro às pérolas, o produtor Lucas Mayer acrescentou o extremo bom gosto de amantizar a tradição e a contemporaneidade de modo único. Delícia que merece visita a torto e direito. Depois, contém o hino desta passagem de ano. «O mundo vai bem mal e a vida não vai bem/ Vivendo afinal, eu penso ser alguém/ O mundo vai bem mal e a vida não vai bem/ O mundo vai bem mal e a vida não vai bem/ Mas com o pensamento puro aguardamos o futuro.»


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TREINADOR BENFICA CONTRATA BERNARDO TAVARES PARA ATACAR TROFÉUS

Pentacampeonato oriental

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ERNARDO Tavares, treinador com larga experiência internacional, é o novo técnico principal da equipa sénior do Benfica de Macau, anunciou ontem o clube. Com vasta experiência em Portugal e fora de portas, tanto na Europa como na Ásia, com jovens e com séniores, Bernardo Tavares chega ao Benfica de Macau para liderar a equipa na sua campanha para a conquista do pentacampeonato e ser o homem do leme na primeira participação de sempre de uma equipa da RAEM na fase de grupos da AFC CUP, a segunda mais importante competição de clubes a nível asiático. Bernardo Tavares chega ao Benfica de Macau “ciente de que é um clube com enorme historial no Futebol

da RAEM nos últimos anos e que ano após ano tem feito história com as suas conquistas.”O objectivo para 2018 passa por lutar pela renovação do título de campeão, o que a acontecer seria o quinto campeonato seguido, mas Bernardo Tavares está consciente de que “a nossa dificuldade aumentará”. A vontade do Benfica de Macau em renovar o título e consolidar a sua presença nas competições em que está envolvido, na opinião do técnico, “ajudará certamente a tornar a Liga de Macau ainda mais competitiva, o que permitirá uma maior evolução de todos os jogadores, treinadores e todos os outros agentes envolvidos.” Quanto a objetivos concretos, o treinador é claro: “Pretendo ajudar a nossa equipa a evoluir ainda mais, tentando conquistar a

Liga de Macau e a Taça de Macau”. A presente época, porém, traz uma novidade que levanta consideravelmente a fasquia da exigência PUB

para todos os elementos do emblema. “Sem dúvida que a grande novidade deste ano de 2018 é o acesso do Benfica de Macau à fase de Grupos da AFC CUP. É uma oportunidade única para Macau tentar somar mais uns pontos no ranking da AFC e o nosso Benfica de Macau poder ganhar mais algum prestígio internacional. Vamos, dentro das nossas limitações, tentar fazer o nosso melhor junto de equipas mais experientes na prova, procurando sempre tentar surpreender os adversários independentemente do seu maior poderio e experiência internacional”, explica Bernardo Tavares. As metas a atingir na AFC CUP estão já delineadas entre a direcção do clube e a equipa técnica, e passam sobretudo por “dignificar o nosso clube e dar uma imagem de competência e competitividade do futebol que se pratica em Macau além fronteiras.” O treinador tem ainda uma vontade muito especial: “Esperamos poder contar com o apoio dos nossos adeptos e com toda a população de Macau nos jogos da AFC CUP”. Bernardo Tavares possui a UEFA Pro License, a qualificação internacional mais alta de treinador de futebol, desde Junho de 2013. Iniciou a sua carreira de treinador em 1997, nos sub-18 do ADC Proença-a-Nova, tendo depois passado por

outros clubes regionais até 2000, alternando entre treinador das camadas jovens e das respectivas equipas séniores. Em 2001, mudou-se para Lisboa, onde foi nomeado treinador adjunto da equipa de sub-12 do Sport Lisboa e Benfica. Em finais do mesmo ano, mudou-se para o Alcobaça, tendo treinado várias equipas jovens do clube e ascendido ao cargo de treinador principal em 2005. Durante seu período como treinador principal do clube, venceu a Taça da AFL em 2005/6 e 2006/7. Em 2008 iniciou funções de “olheiro” no Futebol Clube do Porto, mas rapidamente viajou para sul, Lisboa, para integrar os quadros do Sporting Clube de Portugal com importantes funções de treinador na Academia, onde alcançou alguns êxitos com os jovens. Já em Lisboa, passou as duas épocas seguintes n’Os Belenenses, onde desempenhou funções de treinador de guarda redes e de adjunto na equipa principal, a sua primeira experiência na Primeira Liga Portuguesa. Em 2013 teve a sua primeira experiência internacional, mais concretamente no Bahrein, onde foi adjunto de Khalifa Al-Zayani aos comandos do Al-Hidd SCC, na Primeira Liga do país. Foi no Al-Hidd SCC que participou pela primeira vez numa competição AFC, desta feita

na Champions League de 2014, onde o seu clube entrou na fase 1 do PlayOff , eliminando os campeões da Jordânia, Shabab Al-Ordon, por 3-1. Cairia na ronda seguinte frente ao campeão do Qatar, não se qualificando para a fase de grupos mas garantindo um lugar na AFC CUP, na mesma fase que agora disputará à frente do Benfica de Macau. Ajudou o Al-Hidd SCC a uma campanha inédita na AFC, alcançando os quartos-de-final da AFC CUP, a mais alta posição alguma vez atingida pelo clube. Em 2014, voltou para uma breve passagem por Portugal, integrando a equipa técnica do Tirsense, então na segunda liga. Foi mesmo breve, a passagem, pois em 2015 rumou novamente ao Médio Oriente, desta feita a Omã, onde foi nomeado treinador principal dos vencedores da Oman Professional League na época 2013-14, o Al-Nahda. Ao serviço deste clube, participou em duas edições da AFC Champions League e AFC CUP. 2016 envolveu uma passagem por África, concretamente no African Lyon da Tanzânia, experiência que não correu da melhor forma apesar de resultados desportivos satisfatórios. Não cumprimento de compromissos por parte do clube ditaram o afastamento precoce entre ambas as partes e uma saída um pouco mais para nordeste, concretamente as Maldivas, para treinar o New Radiant S.C., do primeiro escalão. Bernardo Tavares integrou também equipas técnicas de alguns dos mais conceituados treinadores portugueses da actualidade, nomeadamente como analista e autor de relatórios de treino para José Mourinho, em 2001 no União de Leiria, com Carlos Queiroz no Real Madrid em 2004, com Paulo Bento no Sporting de Portugal em 2008 e com Paulo Fonseca, no Paços de Ferreira em 2014.


opinião 17

quarta-feira 3.1.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

“As decisões do Congresso Nacional do Povo sobre a definição de competências legislativas estão tomadas. Não podem ser questionadas.” Para além disso, diversos artigos da Lei de Bases de Hong Kong, foram citados para apoiar a legalidade do acordo de partilha aduaneira. Foi o caso do artigo 2, sobre a importância do elevado grau de autonomia; do artigo 7, sobre a importância de administrar o próprio território; dos artigos 22 e 154, sobre a importância de gerir o controlo fronteiriço; e, finalmente, dos artigos 118 e119, sobre a relevância do desenvolvimento, etc. No entanto, a Hong Kong Bar Association publicou um manifesto a 28 de Dezembro onde declara a ilegalidade deste acordo. A Associação refere que o acordo de partilha aduaneira não é sustentado por nenhuma das disposições da Lei Básica da cidade. Adianta ainda que o Congresso Nacional do Povo aprovou o acordo e declarou-o em conformidade com a lei, sem qualquer base legal. Uma verdade auto-proclamada pelo Congresso. Ronny Tong, membro da Hong Kong Bar Association, Conselheiro Sénior, e membro do Conselho Executivo, sugeriu que a decisão tomada pelo Congresso Nacional deve ser considerada razão suficiente. Ronny salientou que a lei nacional chinesa deve ser aplicada em todo o território de Hong Kong, e não só em parte dele, como por exemplo em Wanchai. Ronny Tong referiu ainda que os direitos e liberdades dos cidadãos da RAEHK, consagrados no capítulo três da Lei de Bases, não serão infringidos. Tong considera, pois, que a Lei não está a ser posta em causa. Elsie Leung Oi-sie, a primeira Secretária da Justiça após a reunificação, declarou que, segundo o artigo 67 da Constituição chinesa, o Congresso Nacional tem poder para fazer lei. As suas decisões são lei. O professor responsável pela cadeira de Direito da Universidade de Hong Kong, Eric Cheung Tat-ming, afirmou que os artigos 118 e 119 estabelecem que o Governo da RAEHK deve proporcionar um enquadramento jurídico e económico que encoraje o investimento, o progresso tecnológico, bem como o desenvolvimento de novas indústrias, e criar políticas que promovam e coordenem o desenvolvimento dos diversos sectores comerciais. Mas, “Não estamos a discutir o que é preciso fazer para incrementar o desenvolvimento económico de Hong Kong – não é isso que está em causa. A questão é saber se as leis nacionais devem ser implementadas em Hong Kong,” Eric Cheung adiantou que as bases legais do acordo de partilha aduaneira não estão ainda definitivamente estabelecidas. Que desenvolvimentos podemos esperar? Continuaremos a analisar esta situação na próxima semana. Até lá, Feliz Ano Novo.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

WILLIAM KENTRIDGE, TIDE TABLE

O

acordo de partilha aduaneira que permitirá a instalação dos serviços de alfândega, imigração e quarentena, tanto da China continental como de Hong Kong, na West Kowloon Station (WKS), no terminal da linha que une Guangzhou e Shenzhen a Hong Kong (XRL), foi anunciado a 25 de Julho do ano passado. Desde então, este assunto tem dado muito que falar na cidade. O portal do Governo da RAEHK salienta que “a principal razão que conduziu a este acordo foi a possibilidade de os passageiros fazerem o controlo de entrada e saída no mesmo local, sem mais transtornos. O troço de 26 km da Secção de Hong Kong da XRL, une a cidade à imensa linha nacional chinesa, reduzindo substancialmente o tempo de viagem entre Hong Kong e as principais cidades da China.”. Quem parte, passa logo pelos dois postos fronteiriços na zona de trânsito da West Kowloon Station e, por isso, à entrada na China continental não vai ser submetido a mais nenhum controlo. Por seu lado, quem vem, pode embarcar livremente em qualquer ponto da linha e à chegada faz o controlo de saída e de entrada no mesmo local. Além disso, quem visita Hong Kong não precisa de se preocupar se existe ou não posto fronteiriço na sua estação de embarque.” Sem o acordo de partilha aduaneira, “os passageiros só podiam embarcar ou sair em estações com serviços de fronteira.” Os inconvenientes eram óbvios. O Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo aprovou o acordo de partilha aduaneira a 27 de Dezembro de 2017. Li Fei, Vice-Secretário Geral do Congresso e Secretário Geral do Comité para a Lei de Bases, deu uma conferência de imprensa para responder aos críticos que acusam este acordo de infringir o artigo 18 da Lei de Bases de Hong Kong. Li declarou, “O Artigo 18 aplica-se a residentes de Hong Kong, ao passo que a aplicação das leis nacionais, na secção continental da WKS, é válida para os passageiros dessa zona.” “É uma situação diferente da que é descrita no artigo 18 sobre a implementação nacional das leis da RAEHK. Aqui não está em causa qualquer infracção ao artigo.” “A secção fronteiriça continental da WKS está sob a jurisdição do Governo chinês. Os direitos e liberdades conferidos aos residentes de Hong Kong não serão afectados pelo acordo de partilha aduaneira.”

Partilha aduaneira (I)

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18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

3.1.2018 quarta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Quinta-feira

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01

?

NUBLADO

MIN

16

MAX

21

HUM

60-90%

EURO

9.71

BAHT

YUAN

1.23

PÊLO DO CÃO

NIILISMO AMBIENTAL

Diariamente

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 189

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 188

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

Cineteatro

0.24

O planeta é um doente terminal que teima em ir ao hospital. Tem uma perna gangrenosa e vai tomando umas aspirinas na esperança de que o ácido acetilsalicílico opere milagres que previnam a inevitável amputação. Vai chutando a lata pela estrada da aniquilação, empurrando com a barriga uma existência dita como garantida. Ao longo da nossa existência temos sido uma espécie em progressiva individualização, apesar de todos os fenómenos de rede, a magnífica cognição humana procura o útero, o seu cantinho, o silêncio. Agora, entre a espada e a parede, terá de operar a derradeira globalização, fora das osmoses de capital que tudo galga. Desta vez, o esforço colectivo é pela sobrevivência, que mesmo assim tem sido fortemente mercantilizada. Dançamos com a morte enquanto nos refastelamos em preguiça negligente. A Terra tem uma infecção no sangue e está a aplicar suaves doses de aloé vera nos chakras, sem se preocupar com antibióticos ou análises completas. Um planeta que precisa dos progressos de milénios de apuramento medicinal trazidos pelo método científico anda a tomar chazinhos e a besuntar óleo de coco num tumor maligno. Esta é a época do verdadeiro niilismo, verdades absolutas derretem como as calotas glaciares e tudo é desvalorizado, inclusive a sobrevivência. João Luz

CARTOLA | “CARTOLA”

C I N E M A

PADDINGTON 2 SALA 1

PADDINGTON 2 [A]

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 14.30, 16.45, 19.15

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 16.30

STAR WARS EPISODE VIII [B]

PADDINGTON 2 [A]

COCO [A]

Filme de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill 21.30

Cartola é o disco do músico brasileiro conhecido pelo mesmo nome. Angenor de Oliveira também conhecido por Cartola ou mesmo poeta das rosas, tem neste disco temas que imortalizaram algumas das suas composições. “O mundo é um moinho” é o tema de abertura e que tem sido eternizado por músicos como o Ney Matogrosso. Um disco em que o vinil confere um som particular, original e que mostra alguns dos mais bonitos poemas e composições da música popular brasileira. Sofia Margarida Mota

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 14.30

SALA 2

THE GREATEST SHOWMAN [B]

SALA 3

Filme de: Michael Gracey Com: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Zendaya 14.30, 19.30, 21.30

Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian 16.30, 19.15, 21.30

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 3.1.2018

THE MACAU BARBERSHOP SARA KIN FONSECA, FUNDADORA

A arte privada da barba Tratar da barba e do cabelo deixou há muito de ser uma coisa banal, e cada vez mais os homens preferem gastar um pedaço de tempo a tratar melhor de si. A pensar num mercado em crescimento, Sara Kin Fonseca decidiu abrir a sua primeira barbearia no bairro de São Lázaro

C

HAMA-SE The Macau Barbershop e é o mais recente espaço dedicado exclusivamente ao corte de barba e cabelo dos homens em Macau. Além do penteado normal, os clientes têm direito a um tratamento personalizado e adaptado ao seu gosto. Sara Kin Fonseca é o rosto por detrás deste projecto recente e tirou os cursos de cabeleireira e barbeira em Lisboa, onde trabalhou antes de voltar para Macau, onde também trabalhou num outro espaço semelhante. Até que decidiu investir. “Já trabalhava num barbeiro e estive lá dois anos. Achei que estava na hora de abrir o meu próprio negócio”, contou ao HM. A escolha pelo bairro de São Lázaro acabou por se revelar natural, “por estar no centro de Macau mas com menos pessoas, uma zona mais sossegada”. Sara Kin Fonseca também pode tratar do cabelo das mulheres, mas afirma só fazer penteados curtos.

“Corto o cabelo, barbas, fazemos serviço de lavar cabeças também. Como um salão é só para mulheres, quisemos abrir um espaço só para homens. Também arranjo cabelos de mulheres, mas só com cortes mais curtinhos. É um ambiente diferente que o homem pode desfrutar, estar mais sossegado, relaxar um pouco mais”, adiantou. Já com alguns clientes rendidos, a The Macau Barbershop começa aos poucos a cimentar passos. “O acolhimento por parte dos clientes tem sido muito bom”, disse Sara Kin Fonseca. Sem tantas regras Assumindo que a profissão de barbeiro só agora começa a dar os primeiros passos em Macau, Sara Kin Fonseca cedo percebeu que gostava mais dos penteados masculinos. “É preciso ter mais regras quando tratamos dos cabelos das mulheres. Para que façamos um corte que vá ao seu agrado. Nos homens acho que tenho mais liberdade, consigo pôr um pouco mais de mim e fazer da maneira que eu quero, não tenho de seguir regras. O produto final é que é sempre o mais importante.”

Em Macau, tal como em toda a Ásia, há cada vez mais uma preocupação, da parte dos homens, com a aparência. Querem, cada vez mais, “cuidar um pouco de si”, como frisou Sara. “Há muitos espaços, como cabeleireiros, spas e centros de massagens, mas os homens também precisam de um espaço para si, para tratar da barba, colocar uma toalha quente no rosto, com cheiros diferentes, ao invés de estar a fazer a barba em casa. Acho que podem tratar um pouco mais de si e acho que isso cada vez acontece mais hoje em dia.” Se a clientela portuguesa gosta de experimentar novos cortes e estilos de barba,

“Há muitos espaços, como cabeleireiros, spas e centros de massagens, mas os homens também precisam de um espaço para si, para tratar da barba.”

os chineses também têm curiosidade em ter um novo visual, apesar dos genes não ajudarem muito a este nível. “Tenho os clientes locais que me pedem outras coisas, pedem para fazer barba e como se pode fazer. Posso sempre dizer qual o melhor look. Os chineses pedem e perguntam se é possível colocar algum produto.” Quem já passou pela barbearia, localizada na Rua de São Miguel, ficou com uma boa impressão, como se pode ler nas críticas da página oficial de Facebook da The Macau Barbershop. Há várias opções para tratar da barba e cabelo, num serviço que pode demorar entre 30 minutos a uma hora. Sara Kin Fonseca assume que, por enquanto, ainda não pensou muito no futuro do seu primeiro negócio, mas a expansão está nos seus planos. “O meu objectivo actualmente é ter uma boa clientela e talvez no futuro mais uma loja, mas ainda não pensei muito sobre isso”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


Senhor, a noite veio e a alma é vil. Fernando Pessoa

PALAVRA DO DIA

CANÁBIS LEGAL CALIFORNIANOS DESTACAM “ACTO SEGURO”

Macron visita Pequim

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S consumidores de marijuana da Califórnia fizeram ontem fila em várias lojas para comprar canábis, que pela primeira vez foi vendida legalmente para fins recreativos naquele Estado do Sudoeste dos Estados Unidos. Ellen St. Peter, de 61 anos, e o seu filho Bryce, de 23 anos, foram dos primeiros clientes a chegar à loja ShowGrow, em Santa Ana. Ellen disse que, no passado, correu riscos para comprar aquela droga e que se sente feliz por, agora, a compra se ter tornado um acto seguro. Um pouco mais a Norte, em Oakland, Jeff Deakin esperou toda a noite à porta da Harborside, com a mulher e o cão. Aos 66 anos, Jeff afirmou que é muito importante poder comprar canábis de forma segura, sem ter de o fazer num beco esconso. Mike Shorrow foi o primeiro cliente da loja para fins recreativos, comprando mais de quatro gramas de marijuana, das variantes “Red Dragon” e “Ingrid”. Mike, de 63 anos, referiu que começou a fumar marijuana há décadas por prazer, mas que agora também usa para fins terapêuticos. Gastou quase 100 dólares, um preço que considerou ser alto, mas que vale a pena se com isso evitar comprar no mercado negro. A loja exige que todos os seus clientes preencham vários documentos para que se tornem membros. Cerca de 90 estabelecimentos receberam uma licença para vender marijuana a retalho – para fins recreativos – no primeiro dia do ano. A lei surge cerca de duas décadas depois de a Califórnia se ter tornado no primeiro Estado norte-americano a legalizar a marijuana medicinal. O canábis recreativo é agora legal para adultos com mais de 21 anos. Cada pessoa pode plantar e cultivar até seis plantas de canábis e ter na sua posse um máximo de 28 gramas (uma onça). Los Angeles e San Francisco estão entre as cidades da Califórnia onde não será possível comprar legalmente a droga.

quarta-feira 3.1.2018

GUIDA MARIA (1950-2018)

A bela diferente

A

actriz portuguesa Guida Maria morreu ontem, aos 67 anos, vítima de cancro, revelou o encenador António Pires. “A actriz faleceu hoje de manhã, tranquilamente durante o sono, após ter sido vítima de doença prolongada”, referiu o encenador. Nascida em Lisboa em 1950, Guida Maria fez cinema, ficção em televisão, mas sobretudo teatro, tendo participado em cerca de 40 peças, entre as quais “A mãe”, “Auto da geração humana”, “A casa de Bernarda Alba” e, possivelmente uma das mais conhecidas da carreira, “Os monólogos da vagina”. Filha do actor Luís Cerqueira, Guida Maria estreou-se aos sete anos na peça “Fogo de Vista”, de Ramada Curto, aos dez anos entrou em “A sapateira prodigiosa”, da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, ao lado de Eunice Muñoz, e, aos 13, fez sucesso em “O milagre de Anne

Sullivan”, encenada por Luís de Sttau Monteiro. Com vários anos de experiência de palco, Guida Maria estudou depois no Conservatório Nacional, ao mesmo tempo em que entrava noutras peças produzidas por Vasco Morgado. Ainda antes do 25 de Abril de 1974, a actriz entrou em “A promessa”, uma adaptação de António de Macedo de uma peça de Bernardo Santareno, na qual protagonizou o primeiro nu integral do cinema português. O filme foi exibido em vários festivais, nomeadamente em Cannes. Ainda na década de 1970 foi convidada a integrar o Teatro Nacional D. Maria II, onde permaneceu até aos anos 1990, tendo entrado em peças como “O leque de Lady Windermere”, “Maria Stuart”, “Slag” e “Sherley Valentine”, o primeiro de vários monólogos que protagonizou na carreira. Durante esse período no teatro nacional,

Guida Maria fez uma pausa em 1980 e, com uma bolsa de estudos, entrou na American Academy of Dramatic Art, em Nova Iorque, e fez vários ‘workshops’ na Actors Studio. Além de “Sherley Valentine”, Guida Maria ficou conhecida por outros monólogos como “Andy & Melissa” (2001), “Zelda” (2004), “Stôra Margarida” (2006) e “Sexo? Sim, mas com orgasmo” (2010). O maior sucesso de carreira, com vários meses em cena e reposições, terá sido a peça “Os monólogos da vagina”, de Eve Ensler. A telenovela brasileira “O bem amado”, da TV Globo, a novela portuguesa “Passerelle”, as séries “Nico d’Obra” e “Riscos”, e os filmes “O barão de altamira”, de Artur Semedo, e “No dia dos meus anos”, de João Botelho, são outras produções em que participou. Em 2009 lançou uma autobiografia, “Guida Maria - Uma vida”.

O Presidente de França vai realizar uma visita de Estado à China, entre 8 e 10 de Janeiro, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Trata-se da primeira visita de Emmanuel Macron ao país desde que foi eleito, em Maio passado. Macron reuniu-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, durante a cimeira do G20, que se realizou em Hamburgo, dois meses depois de ser eleito. Os dois chefes de Estado, cujos países são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, deverão abordar as questões da Síria e da Coreia do Norte, durante a visita de Macron. Quando felicitou Macron pela vitória nas eleições presidenciais, Xi Jinping afirmou que a França é um parceiro prioritário para Pequim, sublinhando a importância do país na luta contra o aquecimento global e na integração europeia. Na primeira mensagem de ano novo como Presidente, Emmanuel Macron afirmou que os franceses “precisam ir ao encontro da ambição europeia” para “enfrentar a China e os Estados Unidos”.

China Imposto ambiental inédito

A China começou na segundafeira a cobrar um imposto ambiental, na primeira medida fiscal para combater a poluição, uma das principais fontes de descontentamento popular no país, noticiou a imprensa local. A Lei Fiscal de Protecção Ambiental, que se destina a empresas e instituições públicas que descarreguem poluentes directamente para o ambiente, estipula que o imposto será pago pelas companhias por produzirem poluição sonora, atmosférica e resíduos sólidos, abrangendo também a contaminação da água. O governo central vai fixar o limite máximo a ser cobrado, permitindo às autoridades locais determinar o valor exacto. A medida não afecta particulares. Segundo estimativas citadas pela imprensa oficial, o novo imposto poderá arrecadar anualmente mais de 50 mil milhões de yuan. Entre Janeiro e Novembro de 2017, a China investigou mais de 35.600 violações das leis e regulações de protecção ambiental, um aumento superior a 100%, em termos homólogos.

Hoje Macau 3 JAN 2018 #3964  

N.º 3964 de 3 de JAN de 2018

Hoje Macau 3 JAN 2018 #3964  

N.º 3964 de 3 de JAN de 2018

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